ATRIBUTOS E PRÁTICA PEDAGÓGICA DO PROFESSOR DE CONTABILIDADE QUE POSSUI ÊXITO NO AMBIENTE UNIVERSITÁRIO: VISÃO DOS ACADÊMICOS RESUMO O presente estudo tem como objetivo conhecer a percepção de estudantes do curso de Ciências Contábeis de Instituições de Ensino do Paraná a respeito dos atributos e prática pedagógica de docentes que possuem êxito no ambiente universitário. A pesquisa foi embasada nas principais características do ensino efetivo, métodos de avaliação de docentes e atributos do professor competente, segundo o modelo bidimensional de Lowman (2004). O estudo trata-se de uma pesquisa descritiva e foi realizado em cinco cursos de Ciências Contábeis de universidades localizadas no Estado do Paraná. A pesquisa empregou a seleção direcionada da amostra. A amostra foi composta por 169 acadêmicos matriculados no último ano letivo e representam 66% dos alunos que estavam matriculados nestas séries. A pesquisa constatou que se destacam, na dimensão estímulo intelectual do modelo bidimensional, docentes com os atributos didático e organizado; e na dimensão relacionamento interpessoal, professores com os adjetivos atencioso, prestativo, motivador, interessado e acessível. Identificou que os estudantes investigados preferem professores que apresentam um equilíbrio entre os atributos afetivo e intelectual, enquanto nos estudos de Lowman sobressaem os docentes com estímulo intelectual. Os estudantes, ao avaliarem a prática pedagógica dos docentes, consideraram poucos pontos inadequados. Entre os raros apontamentos de reprovação, destacam a capacidade de desafiar o aluno, as formas de avaliação, o interesse pelos estudantes e o entusiasmo ao ensinar. Entre os pontos fortes, distinguem-se a preparação do docente para aula e a dedicação ao ensino. Palavras-chave: Professor de contabilidade; Prática pedagógica; Atributos; Modelo bidimensional. 1. INTRODUÇÃO Grandes mudanças ocorreram no contexto empresarial nas últimas décadas. Algumas empresas abandonaram a produção em série e local para uma produção flexível, globalizada e mais adequada à demanda do mercado. A competição e os avanços tecnológicos geraram outras formas de gestão das empresas e, portanto, inúmeras transformações no mundo do trabalho. Antunes (1995) afirma que as mudanças ocorridas na relação entre capital e trabalho geraram intensas alterações nas classes trabalhadoras, surgindo a necessidade de compreender a profundidade dessas alterações para que se possa interferir nos temas relacionados à qualificação profissional e, conseqüentemente, na questão do ensino. Neste cenário, o professor ocupa posição-chave desempenhando um papel efetivo, ao compreender a ação do currículo e sua relação com os interesses políticos, sociais e culturais que o permeiam. O entendimento da constituição e funcionamento do modo de produção capitalista leva a uma mudança de postura, permite a intervenção, o uso de novas estratégias de ensino e maior autonomia do professor. Assim, cabe a ele (professor) fazer a transição dos alunos do senso comum para o comportamento reflexivo e crítico. “Para tanto, não basta conhecer o conteúdo específico, ele deverá ser capaz de saber como se dá o aprendizado em cada etapa do desenvolvimento humano, as formas de organizar o processo de aprendizagem e os procedimentos metodológicos de cada conteúdo” (KUENZER, 1999:171). Reforçando esta afirmação, Sacristán (1998) destaca que o profissional docente deverá ter domínio dos saberes específicos e dos pedagógicos, intermediados pelo diálogo coletivo que se estabelece entre os agentes do processo ensino-aprendizagem. Também, para Vygotsky (1989), o processo de ensino aprendizagem é algo consciente, logo é imprescindível que esses componentes sejam significativos tanto para o professor quanto para o aluno. Para Moreira (1997), o processo de melhoria da qualidade do ensino, em áreas sociais ou quaisquer outras, deve partir de um projeto elaborado sobre os elementos básicos do processo ensino-aprendizagem (professor, aluno, conteúdo e variáveis ambientais) e as formas de administrá-los. Tal processo deve começar por um balanço criterioso dos elementos e, posteriormente, é preciso estabelecer a maneira como eles se interligam e sua dinâmica de interação, não se esperando, entretanto, que o retorno seja imediato. Para o autor, dentro deste quadro, grande responsabilidade tem recaído sobre o professor, uma vez que, como peça chave no processo, muitos pensam que a deficiência dos outros elementos pode ser compensada pela sua atuação. Neste sentido, Nossa (1999) destaca que melhorias no ensino superior dependerão mais do compromisso dos docentes em formar profissionais adequados do que das mudanças nas grades curriculares e nas estruturas das instituições de ensino. Pelos relatos fica evidente que grande responsabilidade no funcionamento ou melhoria do processo educacional pesa usualmente sobre o professor. Inegavelmente o professor tem uma influência direta sobre o que ocorre em sua aula (relacionamento professor-aluno, planejamento, seleção de conteúdo, etc.). Estudos de Cunha (1996), sobre a prática de professores do ensino médio e superior da região de Pelotas, ressaltam que os professores não conhecem procedimentos sobre como fazer o aluno chegar ao mapeamento próprio da aprendizagem que está realizando e que os mesmos professores repetem uma pedagogia passiva, pouco crítica e criativa, reflexo de experiências similares de seus formadores. Realidade igualmente encontrada nos cursos de Ciências Contábeis, nos quais se constata que o primeiro contato dos futuros docentes desta área com a didática de ensino só ocorre, em geral, na pós-graduação, nas disciplinas pedagógicas. A superficialidade e o curto período dos cursos não possibilitam a assimilação das metodologias e nem do processo de ensino-aprendizagem. Como não possuem formação pedagógica, ministram suas aulas dentro do mesmo paradigma dos seus professores, ou seja, quase sempre continuam transmitindo o conhecimento acumulado nos livros-textos. Neste contexto, Marion (1985) destaca dois tipos de docentes, o professor profissional (docente que não atua nas empresas e, logo, não possui a prática contábil) e o profissional contábil (profissional liberal que possui escassos conhecimentos de métodos de ensino, atua como horista e baseia a sua prática na experiência profissional); para o autor, nenhum deles é adequado. No atual contexto de competividade, as novas formas de constituição e gestão empresarial, os variados sistemas de informação, a diversidade de ferramentas gerenciais, a rápida evolução tecnológica e a diversificação dos meios de comunicação indicam um contexto de amplas mudanças para o trabalho contábil. Contexto que exige repensar os conhecimentos trabalhados nos cursos e a essencial inserção do professor de contabilidade num projeto pedagógico participativo, no qual seja possível reconstruir sua prática pedagógica. Tais considerações confirmam a importância do professor no processo escolar, principalmente da sua relação equilibrada com os elementos que constituem o ensino- aprendizagem e a necessidade de aprimoramento da sua prática pedagógica, tão exigida pelo cenário acadêmico. O contexto atual e as pesquisas sobre o assunto apresentam um quadro deficiente dos cursos de Ciências Contábeis. Em geral, a maioria das pesquisas destacam pontos fracos envolvendo o currículo dos cursos, deficiências nos elementos do processo ensinoaprendizagem e propõem sugestões com base na vivência e observações de seus autores. Esse estudo embasa-se nas pesquisas de Lowman (2004), onde o autor investiga os adjetivos e práticas pedagógicas de docentes competentes e apresenta-os no modelo bidimensional, e objetivou conhecer a percepção de acadêmicos do curso de Ciências Contábeis de Instituições de Ensino do Paraná a respeito dos atributos e prática pedagógica de docentes que possuem êxito no ambiente universitário. Cabe destacar que não há consenso na literatura sobre a caracterização do docente que possui êxito em seu ofício; logo, o estudo selecionou o professor com base na percepção dos alunos e analisa-o conforme a proposta de Lowman (2004). O estudo justifica-se e atrai a atenção pelos seguintes motivos: (a) o ensino contábil é considerado deficiente e a questão básica atual é tentar descobrir o porquê e as causas que permeiam esta insatisfação com o processo educacional (FAVARIN, 2000; MARION, 1996); (b) a preocupação com a elevação da qualidade do ensino de contabilidade é uma constante hoje e deve continuar sendo alvo de muitas discussões e estudos nesta década; (c) o professor ocupa posição-chave no processo educacional e sobre ele pesa grande responsabilidade na qualidade do ensino. Estudar sua ação e integração com os demais elementos pode proporcionar novas perspectivas sobre o assunto; (d) a relevância da avaliação de professores em outros países, tendo em vista o aprimoramento do desempenho futuro do docente e da qualidade do ensino. O estudo trata-se de uma pesquisa descritiva e limitou-se a conhecer e analisar os atributos e prática pedagógica de docentes de contabilidade que possuem êxito no ambiente universitário, tendo como referencial o modelo bidimensional de Lowman (2004). 2. REVISÃO DA LITERATURA 2.1 CARACTERIZAÇÃO DO PROFESSOR QUE POSSUI ÊXITO NO AMBIENTE UNIVERSITÁRIO Ao descrever as características do professor que possui êxito no ambiente universitário, vale relatar que no Brasil os raros processos de avaliação de professores do ensino fundamental, médio ou superior, servem muito mais como referencial para elevação na carreira docente que propriamente para aprimoramento do ensino. Cunha (1996) constatou em seus estudos que não se tem muita tradição em processos de avaliação de professores. Aliás, de forma sistemática não há experiências que confirmem esta prática no País. Para a autora, as instituições em qualquer um dos graus não têm projeto próprio, explícito, que delineie o padrão ideal. Para facilitar o entendimento dos atributos de um professor que possui êxito no ambiente universitário, o estudo apresenta, primeiramente, o modelo bidimensional de Lowman (2004) e os métodos empregados na avaliação de docentes. 2.1.1 Modelo Bidimensional de Lowman (Ensino Efetivo) Para Perrenoud (2000), um ensino de qualidade é uma tarefa complexa, pois envolve múltiplas competências dos docentes e um esforço integrado destes com a instituição onde atuam. Tarefa que se torna ainda mais árida, pois faz parte da cultura dos professores o trabalho individualizado. Para Moreira (1997) existem fundamentalmente três pontos onde a qualidade do ensino pode ser mensurada: 1. a qualidade da adequação ambiental do ensino: diz respeito à elaboração e interação do currículo com os novos conhecimentos e teorias e ao grau em que acompanha o que há de mais moderno em nível nacional e mundial. 2. a qualidade da adequação instrumental ao ensino: parte do pressuposto que existem estratégias e instrumentos de ensino que melhor ou pior se adaptam a cada campo do conhecimento e aos conteúdos em particular. 3. a qualidade do ensino no ponto de entrega, ou seja, a qualidade em sala de aula: envolve o uso eficaz dos recursos instrucionais por parte de alunos e professores. Para o autor, na prática, a qualidade do ensino tem aparecido intimamente associada à atuação do professor em sala de aula. Essa visão parcial está vinculada ao conceito de qualidade aceita na prestação de serviço; a qualidade é determinada pela percepção do usuário. Todavia, a qualidade do ensino deveria ser medida a partir de prismas diferentes e complementares, de acordo com a adequação do ensino ao ambiente, aos instrumentos e em sala de aula; nesta última, inegavelmente, o professor é o agente principal. Lowman (2004), ao descrever em que consiste o ensino efetivo, destaca dois grupos de abordagens. O primeiro enfatiza habilidades tradicionais de fazer preleções e conduzir discussões, e assume que o aprendizado é poderosamente reforçado quando o professor estimula os estudantes a preocupar-se com a matéria e a dedicar muito tempo para dominá-la. O segundo concentra-se em táticas específicas ou reorganizações inovadoras, por exemplo: planejamento detalhado baseado em objetivos comportamentais, organização dos cursos em torno de enfoques individuais ou cooperativos ou inovações tecnológicas com apoio de computador e sistemas de multimídia. O autor defende firmemente a primeira posição, pois, segundo ele, o ensino universitário é um empreendimento que envolve as emoções e as personalidades dos estudantes, assim como seu raciocínio cognitivo, e que não pode ser reduzido a relações mecânicas de causa e efeito. A abordagem defendida pelo autor mostra-se bastante adequada ao contexto das universidades brasileiras, especificamente dos cursos de Ciências Contábeis, com cursos predominantemente no período noturno e departamentos com recursos escassos; uma vez dominadas as habilidades consideradas tradicionais de ensinar, o docente se sentirá impelido a buscar inovações tecnológicas e estruturais. Neste sentido, Lowman (2004:37-48) apresenta o modelo bidimensional de ensino efetivo, que se originou de pesquisas com professores competentes, de várias matérias, em Faculdades e Universidades da Carolina do Norte e Nova Inglaterra, no início da década de 80, mostrando-se consistente com as pesquisas publicadas sobre avaliações feitas pelos estudantes. Para o modelo, o ensino efetivo resulta da habilidade do professor universitário em criar tanto “estímulos intelectuais” como “empatia interpessoal” com os estudantes. Segundo Lowman (2004:39-45), a habilidade para criar estímulo intelectual é composta por dois componentes: “... clareza da apresentação do professor e seu impacto emocional estimulante sobre os estudantes”. Enquanto a empatia interpessoal requer do docente “... habilidade em comunicar-se com os estudantes, de modo a aumentar a motivação, o prazer e o aprendizado autônomo”. Isso é feito de dois modos. Primeiro, busca-se evitar estímulos negativos (ansiedade, raiva). Segundo, busca-se promover emoções positivas (sentimento pelo qual o professor respeita os estudantes e os vê como capazes de um bom desempenho). 2.1.2 Métodos de Avaliação de Docentes Ellett e Teddlie (2003) relatam que a avaliação de professores tornou-se o foco da transparência e das reformas educacionais nos Estados Unidos em 1980. Segundo os autores, no final dos anos 80 e início dos anos 90, esforços mais sofisticados para avaliação docente foram visualizados por muitos elaboradores de política educacional como o ponto-chave para aprimorar a educação norte-americana. Durante a década de 90 e início do século XXI, a avaliação de professores com o propósito de transparência, desenvolvimento profissional e aprimoramento escolar continuou a ser a linha de frente das reformas. Segundo Reemers e Brandenburg apud Lowman (2004:30), um método produtivo de fazer pesquisas na área educacional tem sido, por mais de 50 anos, estudar questionários que avaliam a satisfação dos estudantes com as habilidades do professor em ensinar. Consta a existência de aproximadamente mil estudos, entre os anos 1974-1993, quando o preenchimento de formulários de avaliação pelos estudantes foi empregado. Tais formulários estão sendo utilizados em quase todos os continentes, tornaram se rotina nas universidades norte-americanas e objetivam ajudar o corpo docente em suas decisões pessoais, gerar feedback para estimular seu aperfeiçoamento e oferecer uma perspectiva útil das dimensões fundamentais do ensino universitário excepcional (LOWMAN, 2004:30-31). Neste sentido, segundo Baillauquès (2001), os questionários são indispensáveis para fornecer aos estudiosos, aos responsáveis pela formação de professores e aos interessados diretos contextos e referências de grupos e de categorias, elementos socioculturais, econômicos e talvez históricos, que sirvam como grandes linhas para as reflexões e os projetos referentes à profissionalização de professores em sua época e em seu lugar. Por outro lado, Strassburg (2003) afirma que os questionários avaliam o professor somente por um ângulo, ou seja, a atuação do professor em sala de aula. Relata que os estudantes são incapazes de avaliar aspectos vinculados à preparação das aulas, adequação dos objetivos e princípios de uma disciplina. Eles (alunos) são considerados aptos para opinar sobre a clareza das explicações, participação, interação, motivação, metodologia empregada em sala e formas de avaliação. 2.1.3 Atributos do professor que possui êxito no ambiente universitário Nas suas observações, Cunha (1996) constata que os valores institucionais influem na imagem que os alunos fazem do bom professor. O estágio atual da instituição determina, em certo nível, a situação e as necessidades dos estudantes; logo, o professor que responde melhor a essas necessidades acaba sendo o melhor para os alunos. Highet (apud Marion, 1996:24-27) relata que o bom professor deve gostar e dominar as disciplinas que leciona e os conceitos principais, gostar dos alunos, possuir bom senso, força de vontade, bondade e humildade, de forma a aproximar e mantê-los atentos e motivados, além de habilidades de comunicação e exposição. Para Axelrod (apud Lowman, 2004:267), excelentes professores universitários diferem em seu estilo e valores intelectuais. Alguns enfatizam sua disciplina, outros enfocam a si mesmos e outros são centrados nos estudantes. Vasconcelos (2000) buscou conhecer a opinião de docentes do ensino superior a respeito das características ideais de um bom professor. Constatou-se a ênfase dada ao domínio do conteúdo específico como condição preponderante para o exercício do magistério; contudo, preocupações de ordem pedagógica, tais como: conhecimentos didáticopedagógicos, clareza, objetividade ao expor o conteúdo e facilitador do aprendizado aparecem com freqüência. Lowman (2004) afirma que o professor com habilidades em criar tanto estímulo intelectual como relacionamento interpessoal (modelo bidimensional) tem grande probabilidade de ser competente para atingir uma variedade de metas de aprendizagem para todos os estudantes em qualquer ambiente. A Tabela 01 lista os principais atributos de professores competentes, de várias matérias, em faculdades e universidades da Carolina do Norte e Nova Inglaterra, pesquisados por Lowman (2004). Para melhor entendimento o autor divide a dimensão relacionamento interpessoal em duas categorias: interesse interpessoal e motivação efetiva. Tabela 01: Freqüência de atributos Dimensão I Estímulo intelectual Freqüência (68) (45) (43) (35) (34) (31) (25) (22) Atributos entusiástico culto inspirador estimulante engraçado interessante didático organizado Dimensão II Interesse interpessoal Motivação efetiva Freqüência (57) (33) (29) (27) (18) (11) (11) (10) Atributos interessado atencioso acessível disponível amigável respeitoso compreensivo simpático Freqüência (41) (29) (28) (19) (14) (13) (11) Atributos prestativo encorajador desafiador justo exigente paciente motivador Fonte: Adaptado de Lowman (2004:50) Os dados da pesquisa de Lowman mostram que na dimensão estímulo intelectual destacam-se os professores entusiastas. Os atributos da dimensão relacionamento interpessoal são apontados com menor freqüência. Na categoria interesse interpessoal desponta o atributo interessado e na categoria motivação efetiva a qualidade prestativo. Conclui-se que os professores entusiastas e que se mostram interessados pelos alunos/disciplina destacam-se em sala. As considerações apresentadas demonstram que a avaliação e o estudo das características do docente que possui êxito em sala de aula despontam como o caminho empregado para aprimoramento do ensino e da qualidade dos docentes. Por fim, que os questionários são os métodos mais empregados para avaliação docente, e os modelos atuais de avaliação docente procuram evidenciar grupos de características (estimulo intelectual e relacionamento interpessoal) que melhor delineiam os atributos dos professores considerados competentes. 3. METODOLOGIA 3.1 Caracterização da pesquisa, universo, amostra e seleção dos sujeitos O presente estudo caracteriza-se por uma pesquisa descritiva e emprega, quanto ao delineamento, a pesquisa de levantamento. Para Gil (1996), o levantamento caracteriza-se pela solicitação de informações a um grupo significativo de pessoas acerca do problema estudado, para em seguida, mediante analise quantitativa, obterem-se as conclusões correspondentes aos dados coletados. O trabalho empregou como instrumento de coleta de dados o questionário. Os questionários foram adaptados dos modelos sugeridos por Lowman (2004), contêm questões objetivas e subjetivas e objetivaram identificar os professores que se destacaram em sala, seus atributos e prática pedagógica. As unidades objeto de estudo foram os cursos de graduação em Ciências Contábeis das seguintes universidades: (a) Universidade Paranaense – UNIPAR; (b) União de Faculdades Metropolitanas de Maringá Ltda. - UNIFAMMA; (c) Centro Universitário de Maringá - CEUMAR; (d) Universidade Estadual de Maringá – UEM - Campus Sede em Maringá (período: matutino e noturno); (e) Universidade Estadual de Maringá – UEM - Campus Regional de Cianorte. As cinco unidades de ensino foram selecionadas por acessibilidade e proximidade geográfica, considerando-se características diferenciadas de funcionamento, sendo 02 (duas) públicas e 03 (três) particulares. Segundo dados extraídos da Folha do Conselho Regional de Contabilidade do Paraná (Folha do CRC/PR), n.º 22 de dezembro de 2004, houve um rápido aumento dos cursos e naquela época passavam de 50 no Paraná. Assim, a amostra selecionada (cinco cursos) representa aproximadamente 10% dos cursos no Estado do Paraná. Nas instituições selecionadas, estava matriculado no último período/ano letivo de 2005 o total de 255 alunos, dos quais 169 estavam presentes na sala de aula no dia da aplicação dos questionários e responderam ao instrumento de pesquisa. A amostra (alunos que responderam ao questionário) representa 66% do universo (alunos matriculados no último período/ano letivo). O estudo empregou para escolha da amostra a seleção direcionada. Os sujeitos da pesquisa foram os alunos que freqüentavam disciplinas nos últimos períodos/anos letivos. Foram selecionados os estudantes concluintes dos cursos, partindo do pressuposto de que eles tiveram convívio com a maioria dos docentes e, segundo as pesquisas, possuem capacidade para avaliar a qualidade do professor em sala de aula. Como limitação da pesquisa ressalta-se que os professores foram avaliados como competentes pelos alunos somente por um ângulo, ou seja, por sua atuação na sala de aula. Outras limitações referem-se à adoção de apenas um modelo de avaliação (Modelo bidimensional de Lowman) e a ausência de investigação da efetiva aprendizagem na disciplina dos professores mais indicados. 4. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS A partir dos dados coletados e organizados, pôde-se fazer a apresentação e análise visando atingir os objetivos da pesquisa, qual seja: caracterizar os atributos e delinear como se efetiva a prática pedagógica de professores de contabilidade que possuem êxito em sala de aula na visão dos acadêmicos. 4.1 Caracterização dos atributos do professor e prática pedagógica 4.1.1 Razões para o discente escolher o professor que compõe a amostra Entre as razões para os estudantes (169 alunos que responderam ao questionário) considerarem que um professor possui bom desempenho em sala de aula, predominou a qualidade da prática pedagógica do professor (29%), domínio do conteúdo (26%), capacidade de motivar e despertar interesse (9%), clareza ao transmitir as informações (8%); ainda, destacaram-se aspectos relacionados ao gosto pela contabilidade, habilidade na comunicação e fatores ligados ao relacionamento e afetividade, tais como acessibilidade, disposição para esclarecer dúvidas, domínio de turma de alunos e compreensão da realidade dos estudantes. A Figura 01 apresenta os resultados: R az õ e s p ara e sc o lh e r o p ro fe ss o r 3% 4% Ó t i m a p r á ti c a p e d a g ó g i c a D o m ín i o d e c o n t e ú d o M o t i v ar e d e s p e r ta r i n te r e s s e 3% 4% 29% 4% 5% 5% C l ar e z a a o tr a n s m i ti r as in form açõe s C o m p r o m e t i m e n to e g o s to p e l a c o n t abi l i d ad e C o m u n i c a ti v o A c e s s ív e l D i s p o s t o p a r a ti r ar d u v i d a s 8% 9% 2 6% C o m p r e e n s ão d o e s t ág i o d e c o n h e c i m e n t o d o s a l u n os D o m ín i o d e t ur m a d e al un o s U s o d e m at e r i a l at ua l i za d o Figura 01 – Razões para escolher o professor As características constatadas na pesquisa mostraram-se consistentes com os estudos de Vasconcelos (2000), onde a autora relata que o domínio do conteúdo, conhecimento didático-pedagógico, clareza e aspectos afetivos inerentes ao relacionamento positivo em sala de aula aparecem com maior freqüência. 4.1.2 Atributos dos professores Com base no modelo bidimensional e relação de atributos dentro de cada dimensão, extraídos das pesquisas de Lowman (2004), apresentados na revisão da literatura, envolvendo professores competentes, foi sugerido aos estudantes que assinalassem os atributos que melhor qualificam o professor que eles consideram possuir êxito em sala de aula. Na dimensão estímulo intelectual, o atributo didático recebeu 124 apontamentos (indicação de 73% dos alunos), organizado (56%), estimulante (46%), culto (42%), e com menor freqüência, entusiástico, inspirador, engraçado e interessante. A Figura 02 apresenta a relação de atributos. Atributos que mellhor caracterizam o professor (Dimensão: estimulo intelectual) D id áti co or ga ni za do es tim ul an te % de indicações cu lt o en tu siá tic o in sp ira do r en gr aç ad o in O te ut r es ro sa s( nt pr e of iss io na l) 80 70 60 50 40 30 20 10 0 Figura 02 – Atributos que caracterizam o professor (Dimensão: estímulo intelectual) A dimensão relacionamento interpessoal foi dividida nas categorias interesse interpessoal e motivação efetiva. Na categoria interesse interpessoal, o atributo atencioso recebeu o maior n.º de apontamentos (indicação de 70% dos estudantes), interessado (61%), acessível (60%), amigável (59%) e os atributos respeitoso, simpático, compreensivo e disponível com menor freqüência. Os termos acima revelam que os professores se interessam genuinamente pelos estudantes e criam oportunidades de interagir com eles. A Figura 03 evidencia os números comentados. Atributos que melhor caracterizam o professor (Categoria: Interesse interpessoal) 70 % de indicações 60 50 40 30 20 10 0 cio en at so o o el el el so do ív tic áv siv to sa sív á n i g n s s i e p o e e re e sp sp ac am te pr sim re di in m o c ou tro s Figura 03 – Atributos que caracterizam o professor (Dimensão: relacionamento interpessoal – Categoria: interesse interpessoal) Na categoria motivação efetiva, o adjetivo prestativo foi o mais assinalado (indicação de 69% dos estudantes), motivador (65%), justo (59%), exigente (53%), paciente (47%), encorajador (40%) e desafiador (22%). O predomínio do termo exigente evidencia que os professores apontados estabelecem metas altas. As expressões prestativo e justo demonstram o apoio dos docentes durante os trabalhos e a sua forma de avaliar. A Figura 04 apresenta a freqüência de atributos. A t r i b u t o s qu e m e l h o r c a r a c t e r i z a m o p r o f e s s o r (C a t e g o r i a : M o t i v a ç ã o efetiv a) en tr os de co sa f ou ia do r or ra j ad en te ci ig ex pa ju s en te to r ad o m ot iv pr e st a tiv o % de indicações 80 70 60 50 40 30 20 10 0 Figura 04 – Atributos que caracterizam o professor (Dimensão: relacionamento interpessoal – Categoria: motivação efetiva) Por fim, os atributos foram organizados em tabelas por ordem de freqüência (relação de apontamentos pela quantidade de alunos) e comparados com aqueles evidenciados nos estudos de Lowman. A Tabela 02 apresenta os resultados. Tabela 02 – Diferença entre os atributos destacados na pesquisa e os apresentados nos estudos de Lowman, distribuídos no modelo bidimensional. DIMENSÃO I DIMENSÃO II – RELACIONAMENTO INTERPESSOAL Estimulo intelectual Atributos Didático A – Interesse interpessoal % Atributos % Pesquisa Modelo* 25% Atencioso 73% B – Motivação efetiva % Atributos % Pesquisa Modelo 33% Prestativo 70% % % Pesquisa Modelo 41% 69% Organizado 56% 22% Interessado 61% 57% Motivador 65% 11% Estimulante 46% 35% Acessível 60% 29% 59% 19% Culto 42% 45% Amigável 59% 18% Exigente 53% 14% Entusiástico 39% 68% Respeitoso 51% 11% Paciente 47% 13% Inspirador 31% 43% Simpático 50% 10% Encorajador 40% 29% Engraçado 25% 34% Compreensivo 50% 11% Desafiador 22% 28% Interessante 24% 31% Disponível 47% 27% Outros 0% 0% Outros 3% 0% Outros 1% 0% Justo * Modelo bidimensional de Lowman (2004) Contrariando os estudos de Lowman, o qual apresenta maior concentração de apontamentos na dimensão I (estímulo intelectual), vários itens acima de 30% de freqüência, a pesquisa evidencia um equilíbrio das indicações nas dimensões I e II. Conclui-se que os estudantes da amostra dão igual importância às duas dimensões e pôde-se observar durante a análise dos questionários que estes percebem a tendência dos professores para cada dimensão. Segundo Lowman (2004:39), a habilidade para criar estímulo intelectual possui dois componentes preponderantes: a clareza da apresentação do professor e seu impacto emocional estimulante sobre os estudantes. Dentro desta dimensão a pesquisa constatou que os atributos “didático” e “organizado” apresentaram a maior freqüência, enquanto o modelo destaca os termos “entusiástico”, “culto” e “inspirador”. Isto evidencia que os professores escolhidos pelos alunos pesquisados têm uma inclinação mais forte para a didática e organização do conteúdo apresentado em sala de aula, enquanto os professores apresentados no modelo bidimensional tendem a ser mais estimulantes no modo como apresentam o conteúdo. A dimensão relacionamento interpessoal, dividida na tabela em duas categorias (interesse interpessoal e motivação efetiva), evidencia a consciência que o professor tem dos fenômenos interpessoais e de sua habilidade de comunicar-se com os estudantes de modo a aumentar a motivação, o prazer e o aprendizado autônomo. Na categoria interesse interpessoal a pesquisa apresenta uma amplitude do apontamento dos atributos com maior freqüência entre 50% e 70%. Neste quadro, 70% dos alunos consideram os professores indicados atenciosos, interessados (61%), acessíveis (60%), amigáveis (59%), respeitosos (51%), simpáticos e compreensivos (50%); por outro lado, o modelo apresenta freqüência muito abaixo da constatada na pesquisa, por exemplo, o adjetivo atencioso (33%), acessível (29%) e amigável (18%), única exceção ao atributo interessado que apresenta 57% de indicação no modelo. Assim, o estudo de Lowman demonstra que o ponto forte dos docentes investigados refere-se ao interesse pelo(a) aluno/aprendizagem, enquanto os docentes escolhidos, na visão dos estudantes, apresentam um rol significativo de qualidades relacionadas ao trato com os alunos. Na categoria motivação efetiva o presente estudo mostra como mais assinalados os atributos prestativo, motivador, justo e exigente (faixa de 53% a 69% de freqüência), enquanto Lowman destaca as qualidades prestativo com 41%, encorajador 29%, desafiador 28% e justo 19%. Fica caracterizado que os professores escolhidos pelos alunos pesquisados mostram-se mais apoiadores do que desafiadores, ou seja, moderados quanto ao encorajamento ou à capacidade de desafiar os estudantes a serem criativos e independentes no tratamento da matéria ou para formular seus próprios pontos de vista. 4.1.3 Prática pedagógica dos docentes Os 169 estudantes, ao responder o questionário, apontaram uma, entre as três alternativas (s) sim, (n) não e (o) ocasionalmente, avaliando a prática pedagógica dos professores que eles consideram possuir êxito em sala de aula. A Tabela 03 apresenta os resultados. Tabela 03 – Prática pedagógica dos docentes Quanto à prática pedagógica do professor que você considera possuir êxito em sala de aula: 1. A organização das aulas do professor é clara? 2. O professor demonstra estar preparado e organizado para a aula? 3. O professor explica claramente o programa, objetivos, conteúdos, etc.? 4. As propostas e formas de avaliação do professor pareceram adequadas? 5. O professor é dedicado ao ensino? 6. O professor mostrou-se entusiasmado quando ensinava? 7. O professor demonstra interesse pelos alunos? 8. O professor desafia os alunos a dar o melhor de si? (s)* nº % 160 95 165 97 161 95 ( n)* nº % 1 1 - (o)* nº % 9 5 3 2 8 5 146 87 - - 22 13 165 158 155 127 97 93 92 75 1 1 1 1 1 1 3 10 14 41 2 6 8 24 * (s) sim, (n) não, (o) ocasionalmente Constata-se que os estudantes, dentro dos quesitos investigados, consideraram poucos pontos inadequados na prática pedagógica dos docentes. Raras respostas de reprovação foram demonstradas pelos alunos. Entre as mais significativas, destacam-se os itens “8”, “4”, “7”e ‘6”. No item “8” (O professor desafia os alunos a dar o melhor de si?), 24% dos estudantes apontaram que os professores, eventualmente, os desafiam a dar o melhor de si. No item “4” (As propostas e formas de avaliação do professor pareceram adequadas?), 13% dos estudantes entendem que as formas de avaliação freqüentemente deixam a desejar. Apontaram, ainda, como pontos sensivelmente fracos o interesse dos docentes pelos alunos e o entusiasmo ao ensinar. Como foi constatado na relação de atributos que melhor caracterizam o professor (Tabela 02), a qualidade desafiador mostrou que é um dos pontos fracos dos docentes e, nos quesitos investigados sobre a prática pedagógica, este ponto fraco sobressai novamente. Entre os pontos fortes dos docentes, aparecem a sua preparação para aula (item 2) e a dedicação ao ensino (item 5), em que 97% dos estudantes consideraram a ação dos docentes adequada. 5. CONCLUSÕES DO ESTUDO Conhecer os atributos e a prática pedagógica de professores de contabilidade que possuem êxito no ambiente escolar foi o objetivo principal desta pesquisa. Certamente, este processo permite fazer algumas ponderações. O quadro constatado na pesquisa demonstra que na dimensão estímulo intelectual destacam-se professores com os atributos didático, organizado, estimulante e culto. Na dimensão relacionamento interpessoal, dividida nas categorias interesse interpessoal e motivação efetiva aparecem, na primeira, docentes com os atributos atencioso, interessado, acessível e amigável. Na última, os atributos prestativo, motivador, justo e exigente. Quando comparados, os resultados da pesquisa evidenciam um equilíbrio das indicações nas dimensões I e II contrariando os estudos de Lowman, que apresentam maior concentração de apontamentos na dimensão estímulo intelectual. Conclui-se que os estudantes investigados preferem professores que apresentam um equilíbrio entre os atributos afetivo e intelectual. Na dimensão estímulo intelectual a pesquisa constatou que os professores escolhidos pelos alunos pesquisados têm uma inclinação mais forte para a didática e organização do conteúdo apresentado em sala de aula, enquanto os docentes apresentados no modelo de Lowman tendem a ser mais entusiastas no modo como apresentam o conteúdo. Na categoria interesse interpessoal o estudo de Lowman demonstra que o ponto forte dos docentes investigados refere-se ao interesse pelo(a) aluno/aprendizagem, enquanto os docentes indicados, na visão dos estudantes, apresentam um rol significativo de qualidades relacionadas ao trato com os alunos. Na categoria motivação efetiva ficou caracterizado que os docentes cujas características foram analisadas pelos alunos pesquisados mostram-se mais apoiadores das atividades dos alunos do que desafiadores, ou seja, moderados quanto ao encorajamento ou à capacidade de desafiar os estudantes a serem criativos e independentes no tratamento da matéria ou para formular seus próprios pontos de vista. Quanto à prática pedagógica, a pesquisa concluiu que são raros os pontos avaliados negativamente pelos alunos, entre eles a capacidade de o professor desafiar os alunos, as formas de avaliação, o interesse pelos alunos e o entusiasmo ao ensinar. Entre os pontos positivos aparecem a preparação da aula e a dedicação ao ensino. A pesquisa trouxe as seguintes contribuições: a) Identificou que os estudantes investigados preferem professores que apresentam um equilíbrio entre os atributos afetivo e intelectual, enquanto nos estudos de Lowman sobressai o estímulo intelectual; b) Constatou que destacam na dimensão estímulo intelectual os atributos didático e organização e na dimensão relacionamento interpessoal os atributos atencioso, interessado e prestativo. c) Verificou, quanto a prática pedagógica, que os professores são bem conceituados e são raros os pontos avaliados negativamente, entre eles a capacidade de desafiar os alunos, as formas de avaliação e o entusiasmo ao ensinar. Pela análise dos dados contidos nos questionários e observações do contexto, pode-se concluir que a inclinação dos alunos por docentes afetivos pode ter enviesado os resultados do estudo, principalmente na avaliação da prática pedagógica do docente, já que o sentimento do aluno em relação ao professor escolhido, às vezes, interfere positivamente na avaliação. Outro quadro questionável refere-se ao aprendizado. Os acadêmicos aprenderam efetivamente na disciplina do professor escolhido? As informações reunidas no estudo possibilitam fazer algumas recomendações: 1) Encontra-se nas salas de aulas um desequilíbrio no perfil dos professores. Por um lado, aparecem docentes extremamente afetivos, sensíveis em demasia às sugestões dos acadêmicos e até excessivamente liberais. Por outro, ainda encontram-se docentes com motivação intelectual forte e, às vezes, autoritários e desumanos. Ao observar os resultados da pesquisa (acadêmicos preferem docentes com um equilíbrio afetivo e intelectual), constata-se que nenhum dos modelos mostra-se adequado. Recomenda-se àqueles que estão nestes extremos que façam uma reflexão da sua prática e busquem um equilíbrio na sua postura. 2) Da mesma forma que em outras áreas, cabe ao docente investir na formação de suas competências, principalmente naquelas consideradas deficientes pelos estudantes, como a capacidade de desafiar o alunado, as formas de avaliação e, por que não, no entusiasmo ao ensinar, uma vez que eles (docentes) são responsáveis pela motivação dos alunos em sala, e como será possível contagiar os outros se não existe a chama do amor pelo seu ofício ou disciplina. Por fim, devido à especificidade deste estudo, seus resultados não podem ser generalizados para outras áreas ou cursos de Ciências Contábeis. Sugere-se, como proposta para novos estudos que ajudarão no entendimento do processo de qualificação dos docentes dos cursos de Ciências Contábeis, a aplicação deste estudo em outras instituições, estudos comparativos entre alunos e docentes de universidades públicas e privadas, pesquisas comparativas de modelos de avaliação da qualidade do ensino-aprendizagem e avaliações do efetivo aprendizado nas disciplinas de professores considerados competentes. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANTUNES, Ricardo. Adeus ao trabalho? Ensaio sobre as metamorfoses e a centralidade do mundo do trabalho. São Paulo: Cortez Editora, 1995. BAILLAUQUÈS, Simone. Trabalho das Representações na Formação do Professor. In: PAQUAY, Léopold et al. (org.). Formando professores profissionais – Quais Estratégias? Quais Competências? 2.ed. (revisada). Porto Alegre: Artmed, 2001. p. 36-54. Coordenadores debatem as perspectivas e desafios dos cursos de Ciências Contábeis. Folha do CRC/PR, Ano 4, n. 22, Dez.2004. 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