EN DIRECTOR Pe. José Mario O. Mandía | ANO 67 | Nº 17 | 5 de SETEMBRO de 2014 | SEXTA-FEIRA PT EN CH EDIÇÃO TRILINGUE | TRILINGUAL EDITION | SEMANÁRIO CATÓLICO DE MACAU | PREÇO 12.00 Mop www.oclarim.com.mo LUSOFONIA, MÉDIO ORIENTE, ÁSIA, CHINA Tem Francisco uma agenda política? D. JOSÉ LAI SOBRE A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA NO IRAQUE E NA SÍRIA Pelo ódio os conflitos não vão acabar DESTAQUE PÁGs. 2 E 3 Tempo de unir esforços OPINIÃO PÁG. 7 ENTREVISTA PÁG. 4 AS PREOCUPAÇÕES DO CHEFE DO EXECUTIVO PARA O SEGUNDO MANDATO Habitação em primeiro lugar 2015, “Ano da Graça” OPINIÃO PÁG. 9 Fórmula E, o que é? OPINIÃO PÁG. 11 LOCAL PÁG. 5 D E S TAQ U E O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014 2 PT LUSOFONIA, MÉDIO ORIENTE, ÁSIA, CHINA Tem Francisco uma agenda política? JOSÉ MIGUEL ENCARNAÇÃO [email protected] A pergunta é simples, mas a resposta indefinida. O Papa Francisco tem marcado o seu ainda curto pontificado pela aproximação aos fiéis, mas tem saído pouco de Itália. As viagens apostólicas não abundam no currículo, sendo planeadas com todo o cuidado. Contudo, começam-se a visualizar as principais prioridades do Santo Padre no que respeita à agenda diplomática. Sem reserva dizemos que o mundo lusófono está inscrito na lista, ao lado do Médio Oriente e da Ásia, com a China no topo das prioridades. O CLARIM faz uma breve resenha das deslocações do Papa ao estrangeiro, desde que foi eleito em 2013, procurando deslindar o sentido político por detrás de cada visita. TERÁ o Papa Francisco uma estratégia, de âmbito diplomático, para os diferentes blocos políticos e sócio-económicos que regem os cincos continentes? Desde que foi eleito para a Cadeira de Pedro que o antigo arcebispo de Buenos Aires é alvo dos mais variados estudos por parte de especialistas em Comunicação, Diplomacia, Geopolítica, Geoestratégia, entre outras áreas sociais. A prová-lo está o número de intervenções dedicadas ao Papa Francisco durante o “IX Seminario Professionale sugli Uffici di Comunicazione della Chiesa”, realizado na Pontificia Università della Santa Croce, em Roma, em Abril deste ano. De facto, a intervenção de João Paulo II na esfera da política mundial – de que S E M A N Á R I O C C A T Ó L I C O D D E D M A C A U viria a resultar a queda do Muro de Berlim – deixou um legado aos seus sucessores difícil de gerir, dado que a influência da Igreja Católica também diminuiu com a democratização do Leste Europeu, e consequentemente de outros países fora do Velho Continente, deixando de ser relevante para a resolução dos conflitos diplomáticos. Coube ao Papa Bento XVI reposicionar o Vaticano no mapa político mundial, tendo aproveitado o tempo para redefinir a Doutrina Religiosa, pelo menos no que respeita à sua prática. O surgimento de Francisco marca o terceiro período do ciclo iniciado com João Paulo II, que se traduz no reaproximar das pessoas à Igreja, não deixando de intervir de forma diplomática sempre que esteja em causa a dignidade humana. O encontro mediado pelo Sumo Pontífice entre o presidente israelita, Shimon Peres, e o presidente da Autoridade Nacional Palestiniana, Mahmud Abbas, nos jardins do Vaticano, demonstrou que a Santa Sé continua a ser voz activa no longo e tortuoso processo de pacificação do mundo. Um bom barómetro da importância atribuída pelo Papa aos diferentes blocos políticos e sócio-económicos são as viagens apostólicas por ele efectuadas, não só pelo que significam para os crentes, como pela força da mensagem transmitida em cada momento. FRANCISCO LUSÓFONO A primeira viagem apostólica do Papa Francisco teve lugar em 2013 – uma visita ao Brasil por ocasião da Jornada Mundial da Juventude. Da primeira deslocação fora de Itália fi cará para sempre na memória a missa de encerramento do evento na Praia de Copacabana, que juntou cerca de três milhões de pessoas. No rescaldo foram mencionados vários factos como a importância dada por Francisco aos jovens; o carinho com que abraçou o povo brasileiro, à margem da rivalidade histórica entre o Brasil e a Argentina; a primeira viagem ter como destino a América do Sul, região onde D IRECTOR: Pe. José Mario O. Mandía I A DMINISTRADOR: Alberto Santos | A SSISTENTE DA ADMINISTRAÇÃO: Wong Sao Ieng I EDITOR: José Miguel Encarnação | R EDACÇÃO: Pedro Daniel Oliveira I S ECRETARIADO DA R EDACÇÃO E FOTOGRAFIA: Ana Marques I COLABORAÇÃO: Joaquim Magalhães de Castro, João Santos Gomes, Pe. João Eleutério, Carlos Frota, Luís Barreira, José Pinto Coelho, Vítor Teixeira, Keith Yip I D IRECÇÃO G RÁFICA: Miguel Augusto I P AGINAÇÃO: Lei Sui Kiang I PROPRIEDADE: Diocese de Macau I M ORADA: Rua do Campo, Edf. Ngan Fai, Nº 151, 1º G, Macau I TELEFONE: 28573860 - FAX: 28307867 I U RL: www.oclarim.com.mo I E- MAIL: [email protected] I I MPRESSÃO: Tipografia Welfare Ltd. D E S TAQ U E O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014 3 PT o Catolicismo continua a crescer de forma considerável; e tratar-se de um país lusófono, sabendo-se o peso político e económico do Brasil no seio dos Países de Língua Portuguesa. Quanto à mensagem do Papa, foi realçada a questão da inclusão dos jovens e dos mais pobres na sociedade, por força dos desvios a que os jovens estão sujeitos e do fosso entre ricos e pobres. Depois do Brasil, em 2015 Francisco é esperado em Timor-Leste, que também tem o Português como língua oficial. Por enquanto não se conhecem quaisquer pormenores da visita do primeiro Papa ao País depois da independência (o Papa João Paulo II esteve em Díli em Outubro de 1989, durante a ocupação indonésia). O convite foi endereçado pelo presidente da Conferência Episcopal de Timor-Leste, D. Basílio do Nascimento, bispo de Baucau, no âmbito da preparação das comemorações dos 500 anos da chegada dos portugueses. No percurso entre a Itália e Timor-Leste o Papa irá aterrar no Sri Lanka, país com fortes ligações históricas a Portugal e onde o Português é ainda falado por pequenas comunidades. O Sri Lanka é membro de pleno direito da Associação dos Comités Olímpicos de Língua Oficial Portuguesa (ACOLOP). Tanto Timor-Leste como o Sri Lanka vivem hoje a herança da guerra, cuja história é contada pelos mais velhos, mas os efeitos – fome, baixo nível de literacia e gritante desigualdade social – são ainda sentidos pelas novas gerações. A título de curiosidade, depois do Sri Lanka seguem-se as Filipinas, antiga colónia de Espanha – à semelhança da Argentina – onde outrora o Castelhano foi língua oficial. Em 2017 o Papa é esperado em Portugal por ocasião do Centenário das Aparições de Fátima. TERRA SANTA E COREIA DO SUL Este ano o Papa visitou a Terra Santa e a Coreia do Sul, duas viagens de diferente significado em termos religiosos, mas com um mesmo objectivo: fomentar a Paz. Na Terra Santa, Francisco conseguiu unir o que guerra e os muros há décadas insistem em separar. Judeus e palestinos estiveram em comunhão com o Papa, independentemente das religiões professadas, testemunhando a Paz emanada do Santo Padre. O encontro com o Patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I, principal bispo da Igreja Ortodoxa, foi um exemplo para o mundo, pela forma sincera com que os dois líderes religiosos se abraçaram, reforçando a ideia de que o diálogo é a única solução para o entendimento e a comunhão na diferença. Também a reza no Muro das Lamentações, a visita à Basílica da Natividade e a tantos outros lugares relevantes, sem medo de quaisquer represálias por parte de grupos fundamentalistas, provaram que os homens puros não são ameaça à liberdade do seu semelhante. Depois, claro está, o lado político da viagem: o convite endereçado a Shimon Peres e Mahmud Abbas para se encontrarem no Vaticano. De Paz falou igualmente o Papa na Coreia do Sul, no passado mês de Agosto, por ocasião da Jornada Asiática da Juventude. Recebido ao mais alto nível pelas autoridades do País, Francisco deixou uma mensagem de esperança para o futuro das relações entre a Coreia do Sul e a Coreia do Norte, numa altura em que se intensifica a guerra de palavras entre os dois lados, com maiores prejuízos para o lado norte, desde há muito refém das sanções económicas impostas pelo Ocidente ao regime fundado por Kim Il-sung. Apesar da Coreia do Norte ter retirado a possibilidade a alguns dos seus nacionais de participarem na missa de encerramento da Jornada Mundial da Juventude, presidida pelo Papa, e deste ter desistido da ideia de visitar a zona desmilitarizada, a viagem apostólica redundou num sucesso, tendo em conta o número de fiéis que durante os diferentes momentos do programa oficial quiseram ver, ouvir e estar junto de Francisco. Para a Coreia do Norte foi enviada a mensagem de que a Igreja não defende nem acusa regimes, apenas procura que todos vivam em liberdade, paz e harmonia. A “luta” do Vaticano é a defesa destes três pilares, estando atento e vigilante a todas as movimentações que atentem contra a sua vigência. CHINA A presença do Papa na Coreia do Sul encheu de esperança o mundo católico que ansiava que Francisco pudesse vir a fazer escala em território chinês. Algumas semanas antes da viagem a Seul especulou-se nos corredores do Vaticano sobre a possibilidade do “avião papal” poder aterrar – ainda que por breves horas – em Pequim. Na base desta esperança esteve o facto do Papa e o Presidente chinês Xi Jinping trocarem cartas desde que ambos foram eleitos em 2013, com intervalo de apenas 1 dia. Todas os anseios e esperanças caíram por terra no passado mês de Agosto quando o Santo Padre apenas sobrevoou a China. No “cockpit” do avião orou pelos católicos do País. Apesar das relações entre o Vaticano e a China ainda não permitirem o aperto de mão entre os líderes dos dois países, a Igreja Católica vai percorrendo o seu caminho, sendo de registar a nomeação de um padre de etnia chinesa para arcebispo da arquidiocese de Kuala Lumpur, a nomeação do ex-governador de Hong Kong, Chris Patten, para líder de um grupo de trabalho encarregado de modernizar e optimizar os Meios de Comunicação Social do Vaticano e o envolvimento da Diocese da ex-colónia britânica no processo de democratização do sistema político. Está também em estudo a migração em massa da população chinesa do campo para a cidade, no que respeita aos novos desafios da Igreja Católica na China, uma vez que serão os fiéis os primeiros a pressionar Pequim para estabelecer um dialogo mais profícuo com a Santa Sé, em detrimento dos interesses da nebulosa Associação Patriótica Católica Chinesa. E N T R E V I S TA O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014 4 PT D. JOSÉ LAI SOBRE A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA NO IRAQUE E NA SÍRIA Pelo ódio os conflitos não vão acabar PEDRO DANIEL OLIVEIRA [email protected] A Diocese de Macau vai responder favoravelmente ao apelo do Papa Francisco para que se reze pela paz no Iraque, onde milhares de cristãos estão a ser perseguidos. Em entrevista a’O CLARIM, o bispo D. José Lai sustentou que a «violência não é a solução» para travar os extremistas da ISIS, acrescentando que cristãos e muçulmanos devem encontrar pontes de entendimento, porque são filhos do mesmo Deus. O CLARIM – O mundo parece estar cada vez mais perigoso. A ISIS, que auto-proclamou o Estado Islâmico e ocupa o norte do Iraque e parte da Síria, tem cometido bárbaras execuções de pessoas que não comungam os seus ideais, entre os quais milhares de membros da minoria étnica Yazidi, e também cristãos e xiitas ou, até mesmo, sunitas... D. JOSÉ LAI – Recebi há pouco tempo uma carta da Santa Sé, datada de 7 de Agosto, referindo que o Papa Francisco está muito preocupado com esta situação e pede para que toda a Igreja reze pela paz, sobretudo no Iraque. Vou dizer ao chanceler da Diocese de Macau para fazer uma circular para que párocos e paroquianos rezem pela paz nas missas antecipadas e dominical, no sábado e Domingo [6 e 7 de Setembro]. CL – O que diz a carta? D.JL – O Papa lançou o apelo da paz quando rezou o Ângelus, a 20 de Julho, na Praça de São Pedro. O Papa convida todas as Dioceses do mundo a promover esta oração pelos cristãos perseguidos no norte do Iraque. CL – Que análise faz à escalada do fundamentalismo islâmico, que ameaça a estabilidade da Comunidade Internacional e do Ocidente em particular? D.JL – É difícil dizer, porque não é fácil mudar a mentalidade dos militantes [extremistas]. Não só a mentalidade, mas sobretudo a crença. Temos que rezar, invocando o Espírito Santo para ajudar esta gente a ver o que não é bom. CL – A ISIS é uma entidade sunita que também persegue muçulmanos xiitas, por considerá-los hereges, além dos sunitas do Curdistão iraquiano. E há sunitas, inclusivamente da Arábia Saudita, desfavoráveis ao modo de actuar dos jihadistas da ISIS. Como vê esta divisão no mundo islâmico? D.JL – Não é fácil explicar, mas se os muçulmanos são descendentes de Abraão [Ibrahim, em árabe], não sei por que razão ele era de uma forma e os seus descendentes de outra. CL – Será que devia haver mais tolerância entre muçulmanos e cristãos? Algo que os unisse, em vez de os dividir? Pelo menos vinte e cinco personagens bíblicas estão mencionadas no Alcorão... D.JL – Sim. Eles [os extremistas] olham para os cristãos como inimigos e traidores da tradição de Abraão. Temos, realmente que ver na fonte se Abraão tinha, ou não, esta mentalidade. Creio que ele não era assim: fazer a guerra entre irmãos. Creio que Abraão não dizia aos seus filhos para fazerem a guerra uns com os outros. CL – Que preocupação deve ter quem está fora do mundo muçulmano? D.JL – Creio que enquanto houver o ódio pelo ódio os conflitos nunca vão acabar. A situação só pode mudar com amor, compreensão e solidariedade. CL – Mas como fazer ver esses valores a um fundamentalista de que o ódio e os actos bárbaros não são o caminho? D.JL – Fazer a guerra e matar tantos inocentes não é a solução. Sobretudo a lei de Cristo não é matar, nem mesmo os pecadores. CL – E a lei de Deus (Alá, em árabe)? D.JL – Se partimos do princípio que somos filhos do mesmo Deus, devemonos amar uns aos outros porque somos todos irmãos. Mas por que terá que haver mortos entre uns e outros? Não se percebe... CL – Sendo bastante difícil fazer ver a qualquer fundamentalista islâmico estes ideais, será que a melhor arma contra eles é “olho por olho, dente por dente”, ou seja, haver uma intervenção militar do Ocidente contra os extremistas? D.JL – Segundo a lei de Cristo dizemos que não é assim. Não usamos as armas para fazer a guerra, mas sim palavras, paciência, amor e caridade. CL – Como travar, então, esta força cada vez maior da ISIS? Esperar por uma intervenção divina? D.JL – Talvez por isso é que devemos rezar para que o Senhor nos ajude e o Espírito Santo ilumine aquela gente. Não temos outra arma, senão rezar e ter paciência. CL – No voo de regresso ao Vaticano, após visita à Coreia do Sul, o Papa Francisco, embora sem dizer de que forma, defendeu o uso da força para travar a ISIS, deixando ao critério da Comunidade Internacional o modo de intervenção... D.JL – Não estava presente, por isso não posso comentar. CL – A humanidade tem passado por privações várias ao longo dos tempos e os massacres no norte do Iraque e na Síria não serão os derradeiros da História... D.JL – Devemos acreditar que entre estas situações também há a força do diabo, que é muito inteligente e sabe utilizar as pessoas para atingir os seus fins. CL – Há inclusivamente os que nasceram no Ocidente e estão a deixar as suas famílias para se juntarem à ISIS. O diabo estará aqui a ter uma intervenção muito eficaz... D.JL – Por isso temos que rezar, acreditando que no fi nal de contas Deus háde conquistar tudo. CL – Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, tem estado ao longo das últimas semanas muito renitente em enviar um contingente militar para tentar acabar com o problema, obviamente após aval da ONU. Estará de acordo com os desígnios de Deus? D.JL – Acho que nada se resolve com a intervenção de armas. É preciso haver um colóquio, um diálogo... Ou através de um bom intermediário para fazer o diálogo entre cristãos e muçulmanos [que não apoiam a ISIS]. Às vezes não é fácil... LOCAL O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014 5 PT AS PREOCUPAÇÕES DO CHEFE DO EXECUTIVO PARA O SEGUNDO MANDATO Habitação em primeiro lugar PEDRO DANIEL OLIVEIRA [email protected] O PADRE João Lau, que integrou a Comissão Eleitoral do Chefe do Executivo, disse a’O CLARIM que Chui Sai On deve concentrar esforços no segundo mandato para melhorar o nível de vida da população, devendo ter especial atenção ao problema da habitação. «OChefedoExecutivotemmaisespaço para melhorar e espero que melhore as políticas para a vida do povo. Deve olhar para o problema da habitação porque a vida em geral está mais cara do que em Hong Kong, e assegurar o nível de vida porque os salários [da classe média] nãoconseguemacompanharocustode vida», referiu o pároco da igreja da Sé Catedral, que não revelou se votou a favor ou se se absteve na eleição. «As manifestações na rua nunca são um bom sinal. Não faz sentido em Macau, por isso o Chefe do Executivo deve melhorar as condições de vida da população.Podemelhorarnostransportes públicoseimplementarveículosamigos do ambiente», acrescentou. Já o sacerdote Francisco Hung, que também fez parte da Comissão Eleitoral, frisou que o governante deve continuar a investir na Educação, apesar de reconhecer que os apoios no sector têm sido grandes. Contudo, vincou que «há ainda muito a fazer, em termos do ambiente escolar, devendopromoveraconstruçãodemais crechesefomentarummelhorplaneamento das infra-estruturas escolares». Francisco Hung também não esqueceu o grave problema do mercado imobiliário: «Há que diminuir o preço das casas, seja na compra, seja no arrendamento; e construir mais habitação pública». Para Arnold Monera, reitor da Faculdade de Estudos Religiosos da Universidade de S. José, os preços exorbitantes praticados no arrendamento no mercado privado da habitação são um problema que estão a afectar milhares de pessoas. «Não há controlo. Devia haver uma lei que proibisse os aumentos discricionários das rendas das habitações,aquandodasrenovaçõesdos IDOSOS VISITARAM BIENAL DOS LEÕES NO MGM Nunca é tarde para aprender Vinte utentes do Centro de Dia “Brilho da Vida” participaram, no dia 27 de Agosto, numa visita guiada à exposição “Bienal dos Leões – Para Além do Rugido”, em exibição na Galeria “Art Space” do MGM. «O grupo de idosos mostrou emoção e ansiedade por aprender coisas novas, reforçando o velho ditado de que “nunca é tarde para se aprender”», referiu o comunicado de imprensa do MGM, adiantando que a operadora vai continuar a oferecer mais visitas guiadas para grupos de estudantes e da comunidade. Durante a visita os utentes do Centro de Dia estiveram atentos às explicações dos docentes, que apresentaram não só a história dos laços diplomáticos sino-franceses e a cultura de ambos os países, como também a história que está por detrás de cada escultura dos leões. A exposição, que se prolonga até 12 de Outubro, visa comemorar o 50º aniversário das relações diplomáticas entre a França e a República Popular da China. Algumas das 50 esculturas de leões, idealizadas por artistas locais da China continental, de Hong Kong e da França, também estão distribuídas pela cidade. António Conceição Júnior é um dos artistas convidados. A “Bienal dos Leões” realiza-se pela primeira vez em Macau depois de anteriores edições em Lyon (2004), Turim (2006), Quebéc (2008) e Argel (2012). IPOR COMEMORA 25 ANOS COM ENTRETENIMENTO E CULTURA Portugalidade mais próxima contratosdearrendamento,eestipulasse a percentagem limite para esses aumentos.Éumproblemaurgente,que devesercombatidoporqueestáaafectar milhares de pessoas», salientou. O padre Ramon Manalo, superiordelegado da Sociedade de S. Paulo na RAEM, sustentou que, antes de resolver os problemas, o Chefe do Executivo deve ir ao encontro das reais necessidades da população: «Olhandoparaoconfucionismopercebese que numa terra de casinos e dinheiro muitaspessoasestãoaperderosvalores morais,havendotambémquenãotenha umsentimentodepertençaaoterritório». O sacerdote adiantou que «se o Chefe do Executivo humanizar Macau, em vez de continuarmos a perder os valores morais, terá então um valioso contributoparaasociedade».Edeigual forma atestou que «deve ser o líder e devetambémservistocomoopaidetoda a comunidade», embora verifique ser «isto mesmo que estamos a perder». ELEIÇÃO Chui Sai On foi eleito para o segundo mandato, no passado Domingo, com 380 votos a favor, treze em branco e três nulos. Quatro elementos da Comissão Eleitoral não votaram por estarem ausentes do processo de escolha. O agora “candidato a aguardar nomeação”, conforme proclamou terça-feira o Tribunal de Última Instância, vai deslocar-se a Pequim, ainda no corrente mês, para receber a carta de nomeação do Primeiro-Ministro da RPC, Li Keqiang, devendo assumir o cargo a 20 de Dezembro. O Instituto Português do Oriente (IPOR) vai assinalar, em Outubro, o 25.º aniversário com uma exposição que percorre os principais momentos de actividade da instituição. A mostra «é um marco do nosso percurso, eventualmente algo de mais visível a marcar uma celebração», referiu o director do IPOR, João Laurentino Neves, acrescentando: «Temos outros projetos, como o Guia de Conversação Chinês/Português», bem como «concluir as ferramentas digitais para os professores, projectos que estarão terminados até ao final do ano». O IPOR vai também apostar num desafio às competências linguísticas, lançando até ao fi nal do ano um campeonato de língua para alunos das escolas e das universidades, em colaboração com outras instituições de ensino. A “stand-up comedy” com o humorista João Seabra irá marcar presença no IPOR e em várias escolas de Macau, entre os dias 6 e 12 de Outubro, enquanto “a língua e o futebol” serão o tema forte da Conferência IPOR, a realizar a 6 de Dezembro pela sócio-linguista Clotilde Almeida, da Universidade de Lisboa. O DOC Lisboa vai regressar a Macau em Novembro, desta vez com a participação do realizador André Almeida, cujo documentário “A campanha do ‘Creoula’” foi recentemente premiado em Portugal. «Temos um conjunto de iniciativas que ajudam a consolidar o nosso papel, enquanto promotores da língua e de expressões da cultura portuguesa, ao mesmo tempo que apostamos na modernização e ampliação das formas de ensino, acompanhando as novas tecnologias», concluiu João Laurentino Neves. LUSA – texto editado LOCAL O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014 6 PT CONHECER AS LEIS DE MACAU Breve Apresentação do Documento de Consulta sobre a Revisão do Regime Jurídico do Transporte de Passageiros em Automóveis Ligeiros de Aluguer (Táxis) DESDE há longo tempo que o serviço de táxis de Macau é uma opção essencial dos residentes para a sua mobilidade, desempenhando um papel importante como complemento dos serviços de transporte público de autocarros e como substituto dos automóveis particulares. Para os turistas, que são em número crescente, apanhar táxi é a opção prioritária em termos de meio de transporte, devido ao desconhecimento da cidade. Todavia, há críticas constantes dos diversos sectores da sociedade acerca do serviço de táxis nos últimos anos, principalmente em relação aos casos das infracções praticadas por alguns condutores de táxis como os de recusa de transporte, escolha de clientes, opção por trajectos mais longos, negociação do preço, recolha de diversos passageiros para o mesmo trajecto e de cobrança abusiva de tarifas. Mesmo que os condutores de táxis, na sua maioria, sejam auto-disciplinados e cumpram a lei, e apesar de haver medidas impeditivas, as infracções praticadas por uma minoria deles são constantes, provocando bastantes queixas por parte dos residentes e dos turistas e prejudicando a imagem de Macau como uma cidade de turismo, pelo que esta situação tem merecido a atenção do Governo da Região Administrativa Especial de Macau e de toda a sociedade. Com vista a resolver a situação caótica existente no serviço de táxis, a primeira medida a tomar é o reforço do combate às infracções. A sociedade considera, de um modo geral, que devem ser reforçados a forma e os meios de investigação e de obtenção de provas, introduzindo um método de investigação segundo o qual os agentes da autoridade procedem à investigação com ocultação da sua identidade. Além disso, deve ser aumentado o número dos agentes da autoridade policial para a execução da lei, assim como devem ser agravadas as sanções aplicáveis às infracções e introduzidas as medidas de suspensão ou de cancelamento da qualificação profissional para os condutores de táxis. Em concomitância com o reforço do combate às infracções, deve ser aperfeiçoado o ambiente de exploração do ESCOLA PORTUGUESA DE MACAU IJ2&5@%"K&1%&62"GL"M2&05N72"("O%=%7"P"428L"9QRS99;,:"9QR#,T,R AVISO Avisamse os Pais e Encarregados de Educação dos alunos da Escola Portuguesa de Macau de que as aulas do ano lectivo de 2014/2015 terão início no dia 8 do corrente mês com uma recepção aos alunos. !"#$"%&'"("")*+,-.#+*,,-"("/0'1233'0"45678%0 !"9$:"+$"2";$"%&'"(",)*,,-.#+*,,-"("/0'1233'0"45678%0 !"9$"<5=8':"+$"<5=8'"2">&35&'"?2=7&@A05'"("#,*,,-.##*,,-"("B27&5C'"D20%8"ED5&A35'F !"9$"<5=8':"+$"<5=8'"2">&35&'"?2=7&@A05'"("##*,,-.#+*,,-"("G502=6'0"@2"470H% serviço de táxis, assim como devem ser eliminados os actos de exploração irregulares e reforçada a protecção dada aos operadores legais, nomeadamente através da introdução do sistema inteligente de gestão do serviço de táxis, da criação de um regime razoável de definição de tarifas do serviço de táxis, da fiscalização unificada das zonas de espera de táxis. Propõe-se também o reforço da formação profissional para os condutores de táxis e a atribuição de elogios àqueles que prestem um serviço de qualidade. Deste modo, será possível elevar o nível de qualidade do serviço de táxis em geral, o que permitirá assegurar efectivamente a protecção dos direitos e interesses dos passageiros. Para a solução dos problemas relativos quer às infracções verificadas no serviço de táxis, quer à dificuldade em apanhar táxis por parte de residentes e turistas, a principal questão a resolver prende-se com a grave insuficiência do número de táxis. Com vista ao planeamento a longo prazo para a optimização do serviço de táxis, é necessário proceder-se, de acordo com a realidade de Macau, a uma análise científica sobre a quantidade de táxis de que Macau necessita, bem como a um estudo sobre o aumento das formas de concessão de licenças de táxis, de maneira a diminuir a função da li- cença de táxis enquanto instrumento de investimento e realizar o estudo sobre o posicionamento do serviço de rádio táxis, para que os táxis voltem ao caminho certo na prestação do serviço de transporte público. Assim sendo, torna-se necessário proceder, o mais breve possível, a uma revisão do regime jurídico do transporte de passageiros em automóveis ligeiros de aluguer (ou táxis), no sentido de aperfeiçoar o referido regime por via legislativa. A Direcção dos Serviços de Assuntos de Justiça e a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego elaboraram em conjunto o texto de consulta sobre a revisão do regime jurídico do transporte de passageiros em automóveis ligeiros de aluguer (ou táxis) e desejam que, no período de consulta que decorre entre os dias 9 de Agosto e 23 de Setembro, os diversos sectores da sociedade apresentem opiniões sobre o conteúdo da presente consulta e sobre o conteúdo do regime de exploração de táxis em vigor. Nota: O conteúdo deste texto tem como principal referência o documento de consulta sobre a revisão do regime jurídico do transporte de passageiros em automóveis ligeiros de aluguer (ou táxis). Texto fornecido pela Direcção dos Serviços de Assuntos de Justiça OPINIÃO O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014 7 PT O L H A N D O E M R E D O R Tempo de unir esforços PEDRO DANIEL OLIVEIRA [email protected] N os meus tempos de adolescente aprendi nos bancos da escola que os mouros eram infiéis e que os portugueses os expulsaram do território que delimita Portugal. Durante anos a fio olhei com desconfiança para qualquer maometano, e só consegui mudar de opinião após aturada pesquisa, apenas desenvolvida por uma assaz curiosidade em conhecer a fundo o mundo onde estou inserido. Posso agora dizer que me ensinaram uma História deturpada, cheia de vícios e preconceitos, que poderão ter contribuído para que muitos outros compreendam pouco os muçulmanos e ostracizem, no seu pensamento, quem segue o Alcorão. Nada mais errado, porque muitas vezes católicos e muçulmanos fomentaram alianças ao longo dos tempos, sendo disso exemplo a registada entre D. Afonso Henriques e Ibn Qasi, grande mestre do sufismo (corrente mística do Islão), que fundou o movimento dos muridinos e conquistou as taifas de Sines e de Mértola, combatendo, para isso, os almorávidas. No mundo islâmico também podemos encontrar concepções erradas que têm levado à intolerância, havendo inclusivamente perseguições étnicas e religiosas contra quem não professa a lei do profeta Muhammad ibn Abdullah (Maomet). O recente surgimento em força da organização sunita da ISIS, que autoproclama um califado denominado Estado Islâmico, prevendo inclusivamente que a Península Ibérica possa ser reconquistada dentro de cinco anos, é a essência mais pura do fanatismo religioso. As ameaças são para levar a sério, pois o desenvolvimento civilizacional do século XXI já não tem espaço para as atrocidades cometidas pela ISIS, em tudo semelhantes ao que sucedia há mais de quinhentos anos, como são os casos das brutais mortes colectivas de quem os jihadistas do Estado Islâmico consideram infiéis, sejam muçulmanos (xiitas e sunitas) ou não (yazidis e cristãos). Há inclusivamente casos de crucificações e degolações de cristãos no Iraque e na Síria, assim como de famílias inteiras enterradas vivas, por se recusarem a converter ao islamismo. Ademais, também muitos muçulmanos estão a fugir dos locais controlados pela ISIS, porque não querem que os seus filhos vejam os horrores, nem estão para viver mediante as brutais políticas da sharia (lei islâmica) implementadas pelos jihadistas do auto-proclamado Estado Islâmico. As atrocidades cometidas no Iraque e na Síria levaram recentemente o grande mufti Sheikh Abdulaziz Al al-Sheikh, a maior autoridade da lei religiosa da Arábia Saudita (país de maioria sunita e um dos mais restritos em termos de liberdade religiosa no mundo muçulmano) a considerar os grupos militantes da ISIS e da al-Qaeda como «inimigos número um do Islão», porque as suas revoltas violentas em nada estão de acordo com a fé. A tomada de posição é bastante significativa, porque a Arábia Saudita é a casa espiritual do wahhabismo, corrente islâmica inspirada no clérigo do século XVIII, Muhammad ibn Abd al-Wahhab, de quem geralmente se diz ser o pai do fundamentalismo islâmico. MENSAGEM A ideologia da ISIS é totalmente desprovida de sentido e está contra a crença de Maomet, que na verdade até celebrava os seus amigos cristãos. No “Ashtiname” (Livro da Paz), ratificado pelo profeta islâmico, foram garantidas protecções e privilégios aos clérigos cristãos do Mosteiro de Santa Catarina, no Monte Sinai. «Esta é a mensagem de Muhammad ibn Abdullah, como pacto dos que adoptaram a cristandade, perto e longe, estamos com eles. Na verdade eu, os servos, os ajudantes e os meus seguidores defendemos-lhes, porque os cristãos são meus cidadãos; e por Alá! Resisto contra qualquer coisa que lhes desagrade», refere o documento. «(...) Ninguém os força a viajar ou os obriga a lutar. Os muçulmanos são para lutar por eles. Se uma mulher cristã é casada com um muçulmano, não é para ser sem o seu consentimento. Ela não pode ser privada de visitar a sua igreja para rezar. (...) As suas igrejas são para serem respeitadas. (...) Ninguém da nação [muçulmana] pode desobedecer ao pacto até ao Último Dia [fim do mundo]», continua o original do pacto, que se encontra no Museu de Topkapi, em Istambul (Turquia). Com efeito, está na hora de muçulmanos e cristãos unirem esforços e, conjuntamente, lutarem contra a principal ameaça que mina as duas religiões: o fanatismo e o extremismo a qualquer preço, sem respeito pelos valores humanos e desprendido de qualquer tipo de ética. Convém também que o Ocidente conheça melhor o mundo muçulmano, a começar pelos bancos da escola. Acima de tudo, o Ocidente não pode impor as suas vontades e conceitos em países ou civilizações com uma outra forma de viver e de se relacionar. Há que cooperar, promovendo o entendimento mútuo, em vez de a salvo de interesses dúbios e manipulativos querer controlar o mundo através dos ideais democráticos, que não mais servem do que alimentar a indústria do armamento, a cobiça em torno do petróleo ou as ambições políticas de uns quantos, sempre em detrimento dos interesses maiores das nações onde foram eleitos. No fundo, a ISIS é o resultados de todas estas “distracções”. LOCAL O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014 8 PT Provisão 282 Provisão 293 José Lai, Bispo Diocesano de Macau José Lai, Bispo Diocesano de Macau Fazemos saber que, por conveniência de serviço, havemos por bem desligar o Revdo. Pe. Luís Lei Xavier do ofício de Pároco da Paróquia de Nossa Senhora do Carmo, Taipa – Macau. Esta nossa Provisão entra em vigor no dia 1 de Setembro de 2014. Dada em Macau, no Paço Episcopal, sob o Nosso Sinal e Selo de Armas, aos 22 de Agosto de 2014. + José Lai Bispo de Macau Provisão 283 José Lai, Bispo Diocesano de Macau Fazemos saber que, por conveniência de serviço, havemos por bem desligar o Revdo. Pe. Un Wai Meng do ofício de Pároco da Paróquia de S. Lourenço – Macau. Esta nossa Provisão entra em vigor no dia 31 de Agosto de 2014. Dada em Macau, no Paço Episcopal, sob o Nosso Sinal e Selo de Armas, aos 22 de Agosto de 2014. + José Lai Bispo de Macau Fazemos saber que, por conveniência de serviço da Diocese e com o consentimento do superior provincial da Companhia de Jesus, havemos por bem nomear o Revdo. Pe. Yeung Kwok Fai George Vigário Paroquial da Paróquia de S. Lourenço – Macau. Esta nossa Provisão entra em Vigor no dia 1 de Setembro de 2014. Dada em Macau, no Paço Episcopal, sob o Nosso Sinal e Selo de Armas, aos 26 de Agosto de 2014. + José Lai Bispo de Macau Provisão 308 José Lai, Bispo Diocesano de Macau Fazemos saber que, por conveniência de serviço da Diocese e com o consentimento do superior provincial dos Missionários Combonianos do Coração de Jesus, havemos por bem nomear o Revdo. Pe. Corrado de Robertis Vigário Paroquial da Paróquia de Nossa Senhora do Carmo – Macau. Esta nossa Provisão entra em vigor no dia 4 de Setembro de 2014. Dada em Macau, no Paço Episcopal, sob o Nosso Sinal e Selo de Armas, aos 3 de Setembro de 2014. + José Lai Bispo de Macau Provisão 284 José Lai, Bispo Diocesano de Macau Fazemos saber que, por conveniência de serviço, havemos por bem nomear o Revdo. Pe. Un Wai Meng Pároco da Paróquia de Nossa Senhora do Carmo, Taipa – Macau. Esta nossa Provisão entra em vigor no dia 1 de Setembro de 2014. Dada em Macau, no Paço Episcopal, sob o Nosso Sinal e Selo de Armas, aos 22 de Agosto de 2014. + José Lai Bispo de Macau Provisão 285 José Lai, Bispo Diocesano de Macau Fazemos saber que, por conveniência de serviço, havemos por bem desligar o Revdo. Pe. Ancheril, Jojo Peter do ofício de Vigário Paroquial da Paróquia de S. Lourenço – Macau. Esta nossa Provisão entra em vigor no dia 31 de Agosto de 2014. Dada em Macau, no Paço Episcopal, sob o Nosso Sinal e Selo de Armas, aos 22 de Agosto de 2014. + José Lai Bispo de Macau Provisão 286 José Lai, Bispo Diocesano de Macau Fazemos saber que, por conveniência de serviço da Diocese e com o consentimento do superior provincial dos Missionários Claretianos, havemos por bem nomear o Revdo. Pe. Ancheril, Jojo Peter Pároco da Paróquia de S. Lourenço – Macau. Esta Provisão entra em vigor no dia 31 de Agosto de 2014. Dada em Macau, no Paço Episcopal, sob o Nosso Sinal e Selo de Armas, aos 22 de Agosto de 2014. + José Lai Bispo de Macau Circular Respondendo à intenção de Sua Santidade O Papa Francisco, solicita-se a toda a Comunidade Católica de Macau que rezem pelos Cristãos que sofrem e são perseguidos pela Fé em Deus e pela Igreja Católica no Iraque. Por esta causa, junto se anexa uma oração a ser inserida na “Oração dos Fiéis”, nas Missas Antecipadas e Dominical, no Sábado e Domingo, respectivamente 6 e 7 de Setembro de 2014. O Chanceler, Cón. Ló, Iok Seng Luís Gonzaga Oração aos Fiéis Oremos também a Deus por todos os nossos irmãos Cristãos, por intercessão de Nossa Senhora “Maria Auxiliadora dos Cristãos” e “Mãe da Igreja”, que em todos os momentos difíceis pelos quais a Igreja tem passado, esteve sempre presente, e que agora mais do que nunca, debaixo da sua protecção, proteja estes nossos irmãos perseguidos, dando-lhes coragem, e confiança em Deus, para que possam superar os momentos difíceis que actualmente passam. O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014 9 PT OPINIÃO 2015, o “Ano da Graça” LUIS BARREIRA A grande maioria dos portugueses terminou as suas férias ou, pelo menos, aqueles que as puderam gozar, uma vez que são cada vez mais os desempregados a aproveitar o Verão para ganharem uns “cobres” em empregos sazonais. Este “querido mês de Agosto”, que agora terminou, funcionou como um escape para as preocupações de um quotidiano cheio de problemas. Como se paga a renda, a água, a luz, o gás, os transportes, a comida, a roupa, os medicamentos e a escola dos miúdos com um salário mínimo de 485 euros, cada vez mais generalizado em Portugal, foi problema para resolver depois das férias. Férias são férias e os portugueses, durante um mês, quiseram eliminar todos os depressivos com alguns mergulhos nas praias ou em festas e romarias que, com a preciosa ajuda dos emigrantes, se multiplicaram pelas aldeias e vilas de Portugal. Durante um mês as ralações ficaram na “nuvem cibernética” da memória, tentando recuperar algum espaço disponível para a alegria de viver. O Primeiro-Ministro deu o exemplo, ao responder a uma jornalista que o interrogava sobre os mais recentes chumbos do Tribunal Constitucional... que estava de férias. Alguns ficaram zangados com a resposta! Como é que o PM de um país a passar por tantas dificuldades pode dar-se ao luxo de responder desta forma? Outros nem por isso e até estariam dispostos a conceder-lhe férias permanentes. Mas à medida que se aproximava o fim do mês e num esforço para manter o “sonho das férias” o Governo começou a dar, doseadamente, “boas” notícias. A dívida pública continua a subir, atingindo já 134% do PIB. Mas não faz mal! O Governo estima que em 2015 ( o “Ano da Graça”) ela vai descer para 128,7%... Durante este ano as compras de bens e serviços pela Administração Pública (o Estado) deveriam baixar 10%, em relação a 2013. No entanto, durante os primeiros sete meses deste ano, aumentaram 0,4%. Não faz mal! O Governo estima resolver o problema até ao início de 2015 (o “Ano da Graça”). Em Abril o Governo estimava que o crescimento económico para este ano seria de 1,2%, mas agora rectificou para 1%. Mas não faz mal! Com o reforço de mais 15% para o Ministério da Economia chegar-se-á a 2015 (o “Ano da Graça”) a crescer o dobro. Este ano, e até agora, gastouse menos com a Segurança Social (15,2%). Mas na verdade, entre os mais de 700 mil desempregados (fora aqueles que já desistiram de recorrer ao sistema), quase metade já não tem subsídio de desemprego e os que o recebem veem o seu valor cada vez mais reduzido, sendo que 50 mil pessoas ficaram sem complemento social para idosos, 60 mil sem rendimento social de inserção, 30 mil crianças sem abono de família e 25% das crianças portuguesas sentem o drama da pobreza infantil. Dizem que o desemprego diminuiu para 14,2%, mas na verdade uma grande parte do emprego foi criado pelo Estado através dos temporários cursos de formação que retiram os desempregados das estatísticas e não foi avaliado o impacto do emprego sazonal neste período de Verão. No entanto, o Governo espera que em 2015 (o “Ano da Graça”) e face ao aumento do crescimento económico possam ser corrigidas algumas “distorções”... A receita dos impostos aumentou e permitiu ao Governo uma “folga” no Orçamento e uma indisfarçável alegria na comunicação ao povo de que “não iria aumentar mais os impostos”. Ficámos todos “contentes” e sem perceber porque é que se pressionou tanto o Tribunal Constitucional, considerando que os chumbos nos cortes dos rendimentos da população, propostos pelo Governo, viriam a ser uma derrocada económica para o País, quando afinal até havia dinheiro. No entanto, o Governo parece admitir que, talvez para 2015 (o “Ano da Graça”), se possa diminuir a actual e “brutal” carga de impostos. Entusiasmados com as boas notícias, o povo ouviu ainda o Governo garantir que vai cumprir com a meta do défice para este ano, fixada pela “frau” Merkel, ou seja, 4%, e para 2015 ( o “Ano da Graça”) o valor será de 2,5%. Como ninguém explica como vamos conseguir ser os “melhores da Europa” com a economia a abrandar, as exportações a descer e sem aumentar os impostos, pensa-se que a solução é vender o resto dos “tarecos”, como é o caso da “TAP que não anda, voa” (perdão “boa”). Como é bom Portugal em férias e em vésperas de eleições. Em 2015 (o “Ano da Graça”) quem vier atrás que feche a porta! PUBLICIDADE 10 O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014 PT O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014 11 PT OPINIÃO CAMPEONATO ARRANCA A 13 DE SETEMBRO O que é a Fórmula E? MANUEL DOS SANTOS E sta tem sido a pergunta que mais me têm colocado nos últimos dias, o que não admira já que estamos a menos de duas semanas do início do 1º Campeonato FIA de Fórmula E. De momento, é um campeonato monomarca, com carros totalmente iguais para todos os pilotos e equipas inscritos. Os carros foram desenhados e construídos por um conjunto de entidades europeias que incluiu a McLaren Electronic Systems, a Renault Sport Technologies, a Williams Advanced Technology, e a Michelin Pneumatiques. A soma final de todos estes componentes foi montada num chassis estudado e construído pela Dallara Racing e o conjunto foi baptizado como Spark-Renault SRT01E. Sendo um carro destinado a um Campeonato da FIA, os protótipos foram sujeito a todos os testes mandatórios para os carros de Fórmula 1 actuais. Há 40 carros que foram entregues a dez equipas, cada uma com dois pilotos por corrida, podendo no entanto inscrever mais dois como reservas. As Ecorridas, que deverão ter uma duração de 45 minutos, poderão parecer estranhas no início, pois como cada piloto dispõe de dois carros, e será praticamente impossível recarregar as baterias em pouco tempo, cada piloto fará três “turnos” por corrida. Depois de efectuada a largada, de maneira normal, com os 20 carros parados nos lugares conseguidos nas duas diferentes provas de qualificação, os concorrentes levarão os seus carros até onde eles puderem ir, isto é, até onde a carga da bateria do primeiro carro chegar. Espera-se que será nas boxes... O piloto troca de carro e voltar a sair para a pista, repetindo-se o espectáculo mais um vez. Não há troca de pneus, porque de cada vez que o carro parar para ser substituído o carro que o piloto vai utilizar estará em estado de “novo”, incluindo baterias, pneus e acertos aerodinâmicos. A expectativa é muito grande. Durante o último mês a organização tem praticado largadas, mudanças de carro, com todos os pilotos e equipas envolvidas. No passado dia 17 deste mês foi efectuada pela primeira vez uma corrida de teste, com todas as equipas, pilotos, field-marshals, cronometragens, segurança, etc., exactamente como se como se fosse uma corrida “a sério”. Aparentemente tudo correu bem, se bem que os delegados da FIA tenham dito que há pequenas coisas a melhorar e outras a rever. O tempo é curto, mas tudo estará a postos em Beijing no próximo fim de semana. A parte do espectáculo não deverá defraudar os milhares de pessoas que já mostraram interesse nesta nova fórmula de competição automóvel. O circuito de Donnington Park, no Reino Unido, esteve sempre repleto de espectadores, curiosos e jornalistas, durante todas as acções de treino e afinação da nova categoria de desporto motorizado. Mas os “puristas” acham que ainda é cedo de mais para se avançar com uma tecnologia 100% eléctrica no desporto automóvel. Não se conseguiu perceber se estes “receios” eram simplesmente o fruto de sentimento sincero de que ainda é mesmo muito cedo, ou se um sentimento de medo de um futuro que não é bem aceite por quem prefere o “status quo” actual. Haverá problemas de adaptação, que estamos certos irão desaparecendo aos poucos como desapareceram as queixas sobre o som dos carros de Fórmula 1 este ano. O som dos carros desta novel fórmula será um misto do ruído produzidos pelos pneus em contacto com o solo, o ruído do vento nos apêndices aerodinâmicos, e um “zuuuiiiiinnn” muito futurista e próprio de um bom filme de ficção, produzido pelo motor 100% eléctrico em alta rotação... Os carros têm uma velocidade máxima de 225Kph, enquanto que os Fórmula 1 actuais andam muito perto dos 300. Por outro lado, o facto de que os carros não perdem peso ao longo da corrida à medida que a energia se gasta, faz com que a gestão dos pneus deixe de ser uma preocupação para o piloto, mais a mais mudando completamente de carro, duas vezes durante a duração de cada corrida. O campeonato começa no próximo sábado, dia 13, em Beijing. O calendário terá mais nove provas, assim distribuídas: 2014 - Malásia, Putrajaya, 18 de Outubro; Brasil, Rio de Janeiro, 15 de Novembro; Uruguai, Punta Del Este, 13 de Dezembro. 2015 Argentina, Buenos Aires, 10 de Janeiro; Estados Unidos da América, Miami, 14 de Março; Mónaco, Monte Carlo, 9 de Maio; Alemanha, Berlim, 30 de Maio; e Reino Unido, Londres, 27 de Junho. Pessoalmente, estamos em dívida sobre muitas coisas nesta nova Fórmula, que irá, não para já mas a curto prazo, entrar em rota de colisão com a Fórmula 1. Uma delas é o facto de ser uma categoria monomarca, o que afasta muitos espectadores. Durante os últimos 40 anos viram-se aparecer, e desaparecer, inúmeras fórmulas monomarcas, algumas ainda muito recentemente. Todas se revelaram efémeras, apesar da grande espectacularidade de muitas delas, que contavam ainda com o factor ruído do motor, que é apesar de tudo uma das coisas que os fãs gostam e querem ouvir. A fórmula E poderá evoluir para um campeonato aberto, com vários chassis de fabrico diferente, ou mesmo apenas com um fabricante de chassis, que é o caso da Fórmula 3 actual, onde, por coincidência, ou não, o único chassis competitivo é o da Dallara, a construtora dos chassis da Fórmula E. Em aberto terá de estar a possibilidade de utilizar vários motores diferentes e em alguns campeonatos a escolha livre dos pneus. Gostávamos que a Fórmula E vingasse, crescesse e se tornasse uma categoria respeitada, pois pensamos que a solução, a curto prazo para o transporte automóvel terrestre e para todo desporto a ele associado, passará obrigatoriamente por motorizações que não terão nada a ver com combustíveis fósseis e não renováveis. PUBLICIDADE 12 O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014 PT O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014 PT 13 PUBLICIDADE C U LT U R A PT O CLARIM | Semanário Católico de Macau 14 CAMINHOS DO BRASIL A Ponte das Caveiras e o Arraial do Aleijadin JOAQUIM MAGALHÃES DE CASTRO [email protected] O conjunto de Pontes da Rancharia sofre consideráveis trabalhos de restauro. Toda a estrutura foi escorada com ferro pois o trânsito continua a passar por cima. Erguer o piso asfaltado e colocar entre este e o solo original umas barras de aço prontas a aguentar a passagem dos veículos, acabaria por ser a solução encontrada. Mais adiante, na Ponte do Falcão a opção passou pela construção de uma ponte provisória. Uma terceira alternativa – que me parece a melhor – é a de desviar o caminho, preservando assim as pontes, transformando-as em sítios turísticos. De colinas verdejantes e pedregosas é feita a paisagem que nos rodeia. A terra nua, essa, continua a ser vermelha. Num contínuo serpentear, a estrada permite que lhe sigamos o rasto ao longo de muitos quilómetros. MAIS UMA ponte fechada ao trânsito: a Ponte das Caveiras. Esta é já uma verdadeira atracção turística. Tem até uma placa informativa onde podemos ler: “O direito de construção desta ponte foi comprado em 28 de Novembro de 1838 pelo engenheiro Diogo Clark. Após dois anos a obra sofre desmoronamento nos seus paredões, causado pela má qualidade das pedras utilizadas. Sua reconstrução acontece em 1850, no auge da abertura da Estrada Real. Muitas são as histórias e lendas sobre a Ponte da Caveira. Dizem que há um tesouro escondido em meio às suas pedras, que mulas sem cabeça e mulheres vestidas de branco passeiam por ela à noite. Em arco de cantaria, a ponte da Caveira proporciona uma visão panorâmica da paisagem, com destaque para a Serra de Itatiaia.” Felizmente não deu para fi car até à noite para confirmar se sempre é verdade, essa história das mulas sem cabeça e das mulheres de branco… Um pouco adiante, nova placa de trânsito indica, à esquerda, a povoação de Santa Rita de Ouro Preto, onde há uma igreja para ver. Sempre em frente é o caminho para Ouro Branco e São João Del Rei. Alguns cavalos, aparentemen- te sem dono, observam com curiosidade a nossa passagem. A travessia desta cidade fica marcada por mais um pedido de Ricardo a alguém (começa a ser hábito seu) para que pose para uma fotografia. Desta feita os eleitos são uns homens montados a cavalo. Lá faço o gosto ao dedo apesar de a vontade ser pouca. Nem sempre me apetece fotografar, por mais interessante que seja o cenário à nossa frente. Um rio ondulante e um viaduto cor da terra indicam a proximidade do próximo destino. Ao meu lado esquerdo vislumbro um troço de via-férrea, não chegando a perceber se está ou não em funcionamento. Existe no local, porém, uma pequena estação ferroviária, assim com um núcleo habitacional do qual se destaca o campanário de uma igreja. Num gigantesco painel publicitário que surge uma centena de metros adiante vejo retratada uma das afamadas estátuas do Aleijadinho. A mensagem tão pouco passa despercebida: “Aqui Congonhas e Ouro Branco se abraçam. Congonhas. Imagem de Minas. Património Cultural Mundial”. Cerca de um quilómetro depois, à entrada de Congonhas, a churrascaria Zé Dias assegura-nos “o prazer de comer bem”. A nós e a muitas outras dezenas de pessoas que lotam as salas disponíveis, animados por um cantor acompanhado ao violão. Aproveito para carregar a bateria do vídeo e da máquina fotográfica enquanto nos servimos do abundante e variado bufete. O preço está um pouco acima do que habitualmente se pratica, mas que bem que se come no Zé Dias! A OBRA DO ALEIJADINHO O morro do Arraial de Congonhas, o sector que me interessa visitar na incaracterística cidade de Congonhas do Campo, é pequeno mas tem uma energia muito forte. Confesso que me surpreende o que vejo cá em cima. Aparentemente, nada de especial: tão só um hotel e duas dezenas de casas (as poucas que têm as portas abertas vendem artesanato), intervaladas com um jardim e algumas palmeiras, como se de um qualquer outro arraial de garimpeiros se tratasse. O declive acentuado no terreno dominado pelo santuário que lhe dá reputação internacional e pelo qual se u | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014 15 nho alinham doze capelinhas da viassacras de forma quadrangular e tectos ovais, confere ao local um encanto e magia muito próprias. Contribuem para essa atmosfera, e muito, as enigmáticas estátuas de pedra sabão distribuídas pelo adro da igreja. Parecem estar vivas, fazendo companhia ou dando conselhos às pessoas que por ali circulam. Para ganhar tempo, junto-me a uns turistas que atentamente escutam um guia de camisola amarela contratado pela Auxílio Pedagógico & Excursões. Graças a ele fico a saber que a fundação do santuário se deve a um tal Feliciano Mendes que encomendou a obra depois de ter considerado que só um milagre do divino o poderia ter curado de uma doença de que padecia. Porém, não bastava querer para poder edificar templos no Brasil dessa época; era necessária autorização eclesiástica, que lhe seria concedida, em 1757. Seriam necessários mais catorze anos para dar por finda a conclusão dos trabalhos. Tudo aqui transparece a vida e a obra de António Francisco Lisboa, conhecido como o Aleijadinho, nascido em 1738, em Vila Rica de Ouro Preto, filho do mestre escultor e construtor Manuel Francisco Lisboa. A deficiência física que o marcou à nascença foi insuficiente para impedir que depositasse todo o seu talento na arte de esculpir, à qual imprimiria o maior rigor, cumprindo as empreitadas em tempo recorde. Em 1780 deu-se início às obras de arranjo da colina onde está implantado o santuário tendo em visto a construção de capelas para albergar uma das mais importantes encomendas feitas a Aleijadinho: uma série de conjuntos escultóricos representativos das cenas do calvário de Jesus Cristo – os Passos da Paixão de Cristo, como se diz no Brasil. Mas as capelas só seriam construídas alguns anos depois deste “animador de estátuas” – assim o podemos chamar – ter notado o pedido. Primeiro apron- taram-se as estátuas, as capelas viriam depois, entre 1802 e 1813. Depois de esculpidas as obras de arte, Francisco Xavier Carneiro, um colaborador de Aleijadinho, pintou-as com cores vivas, podendo nós hoje apreciá-las olhando por entre as frinchas de madeira rendilhada de cor azul nos permite ver. Em 1800, o artista seria de novo solicitado pelos responsáveis pelo santuário, desta feita para esculpir, em pedra sabão, bem mais maleável do que qualquer outra pedra, e muito abundante na região, as estátuas dos 12 profetas cujos nomes nem sempre nos são familiares. Daniel, Isaías, Jeremias, Ezequiel, Jonas ou até Joel são nomes que bem conhecemos. Mas quem ouviu falar de Oséias, Baruc, Amós, Abdias, Naum ou Habacuc? Em apenas cinco anos todas estas estátuas, com olhos amendoados a fazer lembrar personagens asiáticas, segurando pergaminhos com textos alusivos em Latim, certamente inspiradas em gravuras italianas da época, estavam prontas e seriam colocadas numa plataforma em frente ao adro do santuário para poderem ser apreciadas devidamente pelas gerações vindouras. O local é permanentemente vigiado por um guarda que não deixa que as pessoas se encavalitem nas estátuas, para se fazerem fotografar, ou, pior do que isso, lhes façam baixos-relevos de péssimo gosto. A tentação é grande e as obras de arte mostram já sinais da incúria do passado: há partes quebradas e alguns nomes, datas e promessas de amor gravadas nas respectivas bases. Também em Congonhas, devido ao afamado Jubileu, e porque não fora feito um pedido de autorização prévio, sou impedido de fotografar o interior da igreja, embora me autorizem a visitá-lo. Mas não por muito tempo, pois os horários de encerramento são para cumprir. Verdade seja dita: com normas assim tão restritivas, a vontade de documentar é pouca. C U LT U R A PT PUBLICIDADE O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014 16 PT LITURGIA O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014 17 PT XXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A – 7 SETEMBRO Como ajudar Deus a encontrar o seu tesouro Subtilmente, quase imperceptivelmente, como uma serpente que se introduz nas fissuras de uma rocha, ganha espaço entre os cristãos a mentalidade deste mundo, que vê as pessoas com base no sucesso que obtêm, nas capacidades que têm, na riqueza que acumulam. Os génios, os atletas, as personalidades eminentes, quem quer que seja que demonstre ter capacidades particulares é admirado e pretendido; os fracos, os pobres, os incapazes, os deficientes são para muitos – mesmo que isso dificilmente seja admitido – quase um fardo incómodo. A comunidade que se gloria com os seus «heróis» e experimenta uma repulsa inconfessável pelos pecadores a quem considera um peso, ramos secos, uma «desonra» para toda a família, mostra ter assimilado os critérios deste mundo, não os de Deus que se enamora dos últimos, da- queles que não contam. Ele declarou o seu amor ao mais insignificante dos povos, Israel, desta forma: «és precioso aos meus olhos, Eu te estimo e te amo» (Is 43, 4). A perspectiva de Jesus é idêntica: no centro das atenções da sua comunidade pôs «os pequenos». Eles são o tesouro de Deus, a pérola preciosa pela qual vale a pena revistar todos os cantos do mundo, a jóia que enche de alegria irreprimível quem a encontra (Mt 13, 44-46). Diziam os rabis: «o Senhor alegra-se com a ressurreição dos justos e com a ruína dos ímpios.» Pelo contrário, o Deus de Jesus faz mais festa por um pecador que regressa do que por noventa e nove justos (Mt 18, 13). Somente se compreendemos os gostos de Deus, que «escolheu os pobres» (Tg 2, 5) e olha para os humildes (Is 66, 2), é que estamos na justa disposição para acolher a mensagem das leituras de hoje. Para interiorizar a mensagem, repetiremos: - Quem traz de volta à vida um irmão experimenta a alegria de Deus. HORÁRIO DAS MISSAS (DOMINGOS E DIAS SANTOS) 7.00 horas 7.30 horas 8.00 horas 8.15 horas 8.30 horas 9.00 horas — — — — — — 9.30 horas — 10.00 horas — 10.30 horas 11.00 horas 11.00 horas 11.15 horas 12.00 horas 16.30 horas 17.30 horas 18.00 horas — — — — — — — — 20.30 horas — S. Lázaro, Fátima (C). Sé, S. Lourenço e St.º António (C). S. Lázaro (C). S. Francisco Xavier — Mong-Há (C). St.º António. Sé, S. Lourenço, N.ª Sr.ª do Carmo — Taipa (C); Fátima (C). S. Lázaro, S. Francisco Xavier (Mong-Há), S. José Operário (C). St.º António (P); S. Francisco Xavier — Coloane (I, C); N.ª Srª do Carmo — Taipa (I). Sto. Agostinho (Tagalog). Sé (P), Hospital de S. Januário (P); N.ª Srª do Carmo — Taipa (P). Instituto Salesiano (I). Fátima (I). S. Agostinho (I); Fátima (vietnamita) S. José Operário (I). Sé (I); S. Fr. Xavier Mong-Há (C). S. Lázaro (P). S. José Operário (M). MISSAS ANTECIPADAS 17.00 horas 17.30 horas 18.00 horas 18.30 horas 19.00 horas 20.00 horas — — — — — — S. Domingos (P). S. Fr. Xavier – Mong-Há (I). Sé (P). N.ª S.ª do Carmo — Taipa (I). S. Lázaro (C). Fátima (C). ABREVIATURAS C - Em Cantonense I - Em Inglês M - Em Mandarim P - Em Português IRAQUE Vaticano insiste numa intervenção internacional O REPRESENTANTE da Santa Sé no Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas disse, na passada segunda-feira, em Genebra, que a comunidade internacional tem de tomar «medidas concretas» contra os extremistas do Estado Islâmico no Iraque. «Aresponsabilidadedeprotecção internacional,emespecialquandoum Governo não é capaz de assegurar a segurançadasvítimas,aplica-seneste casoeénecessáriodarpassosconcretoscomurgênciaedeterminaçãopara travar o agressor injusto», declarou D. Silvano Tomasi, em discurso pronunciado na cidade suíça e enviado à agência Ecclesia. O arcebispo italiano recordou em particular os «grupos vulneráveis» e as minorias religiosas que têm sido alvo dos jihadistas. Falando na 22ª sessão especial do conselho da ONU, o representante da Santa Sé denunciou «crimes contra a humanidade» e pediu o fi m do fi nanciamento e armamento dos extremistas do Estado Islâmico. Pelo menos mil 420 pessoas foram mortas e mil 370 feridas em combates e outros incidentes violentos em Agosto no Iraque, anunciou a missão da ONU em Bagdade. «Todososresponsáveisregionais e internacionais devem condenar explicitamente o comportamento brutal, bárbaro e incivilizado dos grupos criminosos que combatem no leste da Síria e norte do Iraque», disse D. Silvano Tomasi. PAPA TELEFONOU A PADRE IRAQUIANO Entretanto o Papa Francisco telefonou a um padre iraquiano que lhe escreveu “Uma carta de lágrimas” e revelou que vai continuar«afazeromelhorpossível»pelos cristãos perseguidos no Iraque. «O Papa Francisco manifestou profundacomoçãopelacartarecebidadovice-reitordoSemináriocatólico de Ankawa», que vive em Bartella, pequena cidade cristã perto de Mossul, no norte do Iraque, explicou o vice-director da Sala de Imprensa da Santa Sé. O padre Ciro Benedettini disse ainda que Francisco «prometeu» que vai continuar «a fazer omelhorpossívelparaproporcionar alívio aos sofrimentos» dos cristãos que são perseguidos pelos militantes do Estado Islâmico. A missiva do padre Behnam Benoka, “Uma carta de lágrimas”, relatava a «situação terrível» dos cristãos que «morrem e têmfome,osseusfilhostêmmedoe não aguentam mais». Ao telefone o Papa revelou gratidão aos voluntários que trabalham nos campos de refugiados e deu pleno apoio, participação espiritual, solidariedade e proximidade aos cristãos perseguidos. A Rádio Vaticano informou que o telefonema, efectuado depois da viagem de Francisco à Coreia do Sul, terminou com «a bênção apostólica do Papa ao sacerdote e à sua comunidade iraquiana, pedindo ao Senhor que lhes dê o dom da perseverança na fé». ECLESIAL O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014 18 PT PRECISAMOS DE PERDÃO FREQUENTE Ainda há espaço para mais um PE. JOSÉ MARIO MANDÍA [email protected] UM CATÓLICO estava a conversar com um amigo que não é Católico. O amigo disse-lhe: «– Sabes porque é que eu não quero ser Católico?» «– Não. Porquê?» «– Porque há muitos pecadores na Igreja Católica.» «– Oh, não te preocupes», disselhe o amigo, «– Há sempre lugar para mais um.» Nós Católicos somos pecadores. Como qualquer outra pessoa. Em todo o Mundo houve apenas duas pessoas que nunca pecaram: Jesus («Quem de vós me acusará de pecar?», João 8:46) e Maria («Cheia de Graça», Lucas 1:28). Somos Católicos porque somos pecadores. Se não fossemos pecadores não precisaríamos da Igreja Católica. Os que têm saúde não precisam dos médicos, apenas os que estão doentes (Lucas 5:31). Estamos doentes. Somos pecadores. Realmente somos. É por isso que somos Católicos. «Eu não vim para convocar os virtuosos, mas chamar os pecadores para que se arrependam (Lucas 5:32)». Se sou Católico e penso que não há nada de errado comigo – nada a corrigir, nada a alterar – então sou um grande tolo. Algo está terrivelmente errado. Ser-se Humano significa que se pode ser aperfeiçoado. Há sempre algo que pode ser melhorado, algo que se pode fazer melhor. Somos Católicos porque sabemos que Jesus Cristo forneceu a Igreja com os meios para nos transformar de pecadores em Santos. O Papa Francisco comparou a Igreja com um hospital de campanha. Jesus Cristo equipou-a com os recursos necessários e suficientes para curar todos os tipos de doenças espirituais: orgulho e arrogância, luxúria, avareza materialista e egoísmo, indiferença, raiva e rivalidades, inveja. Entre esses recursos estão os sacramentos. Os sacramentos são os sinais visíveis aos quais Jesus concedeu efeitos espirituais específicos. Esses sinais visíveis compõem-se de: (1) sinais mate- riais (tais como a água, óleo perfumado, pão e vinho), (2) um certo tipo de acção (por exemplo derramar a água, benzer com óleo, consagrando o pão e o vinho) e (3) palavras audíveis (as orações que acompanham cada sacramento). E porque é que eles precisam de ser visíveis? Porque o ser humano adquire conhecimento através dos seus sentidos. Para nos salvar, o Deus invisível transformou-se num Homem visível (Jesus Cristo), estabeleceu uma Igreja visível, e Ele instituiu meios de salvação visíveis. Através dos sinais visíveis, que se podem observar, de cada sacramento, asseguramonos de que estamos a receber uma Graça. Os sacramentos certificam que recebemos uma Graça. Eles são a assinatura de Deus. Como Católicos, precisamos de admitir que pecamos. Mas não nos ficamos por aí. Necessitamos de procurar o perdão, vezes sem conta. Um Santo é aquele que responde «setenta vezes sete» ao perdão oferecido por Jesus «setenta vezes sete» vezes. (ver Mateus 18:22) Na sua audiência de 19 de Fevereiro o Papa Francisco desafiou cada um de nós a perguntar a si próprio: «Quando foi a ultima vez que fui à Confissão? E se foi já há algum tempo não percamos nem mais um dia! Vão, o padre será acolhedor. E, Jesus (estará presente), e Jesus é melhor que qualquer padre – Jesus recebe-nos. Ele receber-nos-á com tanto amor! Tende coragem, vão à Confissão». O Santo Padre fez também esta observação, em Novembro do ano passado: «Os padres também precisam de se confessar, mesmo os bispos.Todos somos pecadores. Até o Papa se confessa a cada duas semanas, porque tambémeleépecador.Omeuconfessor ouve o que eu digo, dá-me o seu conselhoeperdoa-me.Todosnecessitamos disto!» Na sua primeira mensagem de Angelus a 17 de Março o San- to Padre disse: «O Senhor nunca secansadeperdoar.Somosnósque nos cansamos de pedir perdão». S. João Paulo II encontravase com o seu confessor todos os sábados. E eu? Em Outubro de 2005 uma menina perguntou, um dia, ao Papa Bento XVI, o seguinte: «– Santo Padre, antes do dia da minha Primeira Comunhão fui confessar-me. Tenho-me confessado em outras ocasiões, desde então. Gostava de lhe perguntar: Tenho que me confessar de cada vez que vou receber a Comunhão, mesmo quando apenas cometi os mesmospecados?Porqueverifiquei queosmeuspecadossãosempreos mesmos». O Santo Padre ficou divertido com a pergunta e respondeu: «– Deixa-me dizer-te duas coisas. A primeira, naturalmente é que não tens que te confessar antes de todas as vezes que recebes a Comunhão, a menos que tenhas cometido um pecado muito sério, que precise ser confessado. E por isso não é necessário confessarmonos antes de cada vez que formos comungar. Este era o primeiro ponto. Só é necessário confessarse se se tiver cometido um pecado realmente sério, no qual tenhamos ofendidoJesusprofundamente,ao ponto de que a Sua amizade tenha sido destruída, e aí ter-se-á que recomeçar novamente do princípio. Apenas neste caso, em que se está em estado de“pecado mortal”, por outras palavras, (pecado) grave, é que é preciso confessar-se antes da Comunhão. Este é o meu primeiro ponto. O meu segundo ponto: mesmo que, como eu disse, não seja necessário confessar-nos antes de cada Comunhão, ajuda muito que nos confessemoscomalgumaregularidade. É verdade que os nossos pecados são sempre os mesmos, mas nós limpamos as nossas casas, os nossos quartos, pelo menos uma vez por semana, mesmo que a sujeira seja sempre a mesma, para podermos viver limpos e para podermos começar de novo. De outra maneira, a sujeira poderá até nem se ver, mas vai-se acumulando. Pode-se dizer algo parecido com respeito à alma para mim próprio. Se eu nunca for confessar-me a minha alma ficará descuidada e acabo por me contentar apenas comigo e deixar de perceber que preciso de trabalhar constante e duramente para melhorar e que devo fazer progressos. Esta é a limpeza da alma que Jesus nos deu, através do Sacramento da Confissão ajuda-nos a ter a nossa consciência mais alerta, aberta, e isso também nos ajudará a amadurecerespiritualmente,ecomoseres humanos. Sendo assim, duas coisas: a Confissãosóénecessáriaemcasodeum pecado grave, mas ajuda muito confessarmo-nosregularmentepara que cultivemos a limpeza e a beleza da alma, para amadurecer-mos a nossa vida diariamente». Nós, Católicos, somos pecadores cuja ambição é ser santo «Deves ser santo por mim: Porque eu, o SENHOR, sou santo (Levítico 20:26)». E o que é que podemos fazer com a graça que Deus nos concede através dos sacramentos? «Sem mim vós não pudereis fazer nada (João 15:5)». Caso tenhamos um amigo que sente que é um pecador, mas que quer ser santo, convidem-no a vir à Igreja. Há SEMPRE espaço para mais um. ECLESIAL O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014 PT 19 Os Coptas O CRISTIANISMO NO EGIPTO VÍTOR TEIXEIRA (*) [email protected] O TERMO Coptas designa, na sua etimologia, de forma generalizada e sem distinções, os egípcios no seu todo. O seu sentido original é pois étnico, conferido pelos gregos, desde o séc. VII a.C., a partir do nome do templo de Mênfis dedicado ao deus Ptah, ou seja Ha[ou Het]-ka-Ptah, em egípcio antigo a “casa onde mora Ptah”, ou on está o ka (“espírito”) de Ptah. Daí ter surgido, após algumas “deformações”, HaKaPtah, que derivou no Grego Aegypt[i]os, ou Aegupt[i]os, que em Latim era Aegiptus (daí Egipto). Os árabes a partir do século VII, na sequência da conquista islâmica do Egipto, em 641, designavam, em textos coevos, Qbt (lê-se Qubt, ou Qupt) ou Qft (idem). A partir do século XVI surge no Francês o termo Copte(s), com base no termo árabe. Mas nesta altura a designação já não era étnica em geral, relativa a todos os egípcios, mas religiosa, apenas designando os que eram cristãos, numa concepção idêntica à actual. O termo aplica-se também a todo o modo de vida dos cristãos no Egipto, ou na sua diáspora. Liturgia e “arte” são os conceitos aos quais mais se liga o termo, como também o monaquismo ou a literatura, embora hoje assuma também conotações políticas e identitárias. Os Coptas no Egipto constituem-se em dois grupos: a Igreja Copta Ortodoxa, com sede em Alexandria, cujo Patriarca assume o título de “Papa”; e a Igreja Católica Copta, fundada no século XIX e subordinada a Roma. A primeira, no Egipto e na diáspora, contará cerca de dez milhões de fiéis, enquanto coptas católicos não serão mais de 300 mil. A Igreja Monofisita da Etiópia, que muitas vezes é considerada como Copta, não o é na realidade, pois tornou-se independente do Patriarcado de Alexandria em 1959, além de se distinguir teologicamente. Os Coptas Ortodoxos formam uma Igreja monofisita (do Grego monos, “único, singular”, e physis - “natureza”), ou seja, rejeita as conclusões do Concílio de Calcedónia, em 451, que estabeleceu que Jesus Cristo conservou em si as duas naturezas (diofisismo), natureza e a divina. Os monofisitas defendem que Jesus tem apenas uma, embora sem prevalência da divina nem da humana, nem mesmo da síntese, estando para lá dessas naturezas. Todavia, o ênfase era dado à divina. A Igreja Copta foi fundada no Egipto, no século I, a partir da evangelização de S. Marcos, evangelista. Os Coptas celebram assim a sua liturgia segundo o rito alexandrino, a antiga liturgia cristã dita “de S. Marcos”. Os Coptas adoptaram um calendário designado de “Calendário dos Mártires”, cuja era começa em 29 de Agosto de 284 d.C., recordando os que morreram pela fé por ordem do imperador romano Diocleciano. O culto dos santos centra-se no pedido da sua intercessão, pelos fiéis, não propriamente numa devoção como noutras Igrejas cristãs, não deixando porém de ter importância. Por exemplo, cada igreja assume o nome de um santo patrono, além de que a produção de ícones de santos ser uma marca importante da arte copta ortodoxa, nomeadamente depois do “Renascimento Copta” nos finais do século XIX. Santa Maria Virgem (Theotokos) ocupa também um lugar especial no coração dos Coptas. As principais festas são a Anunciação, o Natal (7 de Janeiro), a Teofania, o Domingo de Ramos, a Páscoa (segundo Domingo depois da primeira lua cheia da Primavera), a Ascensão e o Pentecostes. Além das festas, os Coptas jejuam cerca de 210 dias durante o ano, proibindo-se qualquer carne (até peixe), ovos, manteiga, etc., ou, em extremo, qualquer alimento ou bebida entre o nascer e o pôr do sol. A Quaresma, por exemplo, é conhecida como o “Grande Jejum”. A língua copta escreve-se usando o alfabeto copta, idêntico ao Grego. Descende do Egípcio Antigo, mas hoje em dia apenas se usa na liturgia. Tem seis dialectos: o bohaírico (o mais usado), sahídico, fayumico, oxyrhynquita, akhmímico e o lycopolitano. A Igreja Copta Ortodoxa é a mais importante Igreja cristã no Egipto, um país maioritariamente muçulmano (sunita), no seio do qual a Irmandade Muçulmana assume especial relevo não apenas na vida religiosa mas principalmente social e política. O termo copta, como já se disse, define ao mesmo tempo um povo, uma língua, um culto, uma Igreja, ainda que divididos entre os ortodoxos, maioria esmagadora, e os católicos. Os dez milhões de coptas ortodoxos vivem na sua maioria no Egipto, principalmente no Alto Egipto, além do Sudão, Jerusalém e Médio Oriente, além da diáspora europeia e americana. A hierarquia eclesiástica é formada pelo Patriarca - título oficial: Papa de Alexandria, Patriarca do Trono (Sé) de S. Marcos - residente no Cairo, porém, à frente de cerca de sessenta metropolitas e bispos membros do Santo Sínodo, além de outros bispos com cargos especiais ou residentes na diáspora. Conta esta Igreja com cerca de mi e 600 sacerdotes casados e mais de mil monges, estes celibatários. Os bispos, logo o Patriarca, provêm quase sempre do ramo monacal. O monaquismo cristão, aliás, nasceu no Egipto, no Wadi al Natrun (ou Scitia), onde apareceram as primeiras comunidades cenobíticas e respectivas regras. Os monges coptas retêm especial afecto da parte dos fiéis, sendo os seus mosteiros muito visitados e tidos como espaços de culto primordiais. O actual Papa é Tawadros II (ou Teodoro, nascido em 1952) o 118º desde S. Marcos (o 1º ), com o título de Papa de Alexandria e Patriarca de Apostólico de Toda a África sobre a Santa Sé de São Marcos. Ocupa o cargo desde 2012, sucedendo ao mítico Shenuda III (Papa 1971-2012), um bem-amado Patriarca copta, muito devido à difícil existência dos coptas no Egipto do seu tempo. A Igreja Copta Católica, subordinada ao Santo Padre, de Roma, tem como referencia o patriarcado católico de Alexandria, criado em 1824, restabelecido em 1895. Conta com seis dioceses e cerca de 300 mil fiéis. Apesar das perseguições religiosas pontuais, em determinadas regiões, no Egipto (com incêndios de igrejas, confrontos, disputas, conflitos vários), apesar das dificuldades, os Coptas prosperam em termos de efectivos, além de manterem viva a sua fé de forma muito própria. Além de tudo, ocupam cargos políticos (ministros) e detêm poder económico, além de prestígio internacional, como é o caso de Boutros-Boutros Ghali (1922), antigo Secretário Geral da ONU (1992-1996), entre outros. (*) Universidade de São José PUBLICIDADE O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014 20 PT OPINIÃO O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014 21 PT A FARPA DO NOSSO (DES)CONTENTAMENTO POR COLECTIVO ORTIGÃO Tolstoi O escritor Lev Tolstoi viveu uma permanente crise de identidade espiritual atormentado por questões como, por exemplo, o sentido da vida. Por volta de 1880 declarou oficialmente a sua “conversão”. Essa “conversão espiritual” levou-o a recusar a autoridade de qualquer Governo organizado. A negar o direito à propriedade privada e pregar o conceito de mudanças sociais pela não-violência. Se a terra é um bem comum, ele deve pertencer a todos. O seu ideal económico é uma espécie de comunismo agrário-anarquista. Para ele, o progresso civilizacional isola os homens uns dos outros e da mãe terra, provocando um processo de degeneração física e espiritual. O Estado não se perpetua somente pela força, mas também por uma espécie de encantamento: «Graças a uma organização das mais artificiais, inteiramente forjada em favor do aperfeiçoamento científico e propagandístico, que faz com que os homens estejam sob um encanto do qual não se podem libertar». A hipnose e a corrupção conduzem os homens a fazerem-se soldados ou polícias. «Os soldados, por sua vez, tornam possível o facto de punir os homens, pilhar os seus bens, corromper os funcionários com esse dinheiro, hipnotizando a massa e fazendo delas novos soldados, que por sua vez fornecerão os meios para cometer todos esses crimes». Aos 82 anos de idade, Tolstoi faleceu no escritório de uma estação ferroviária. O Governo russo proibiu que vários comboios especiais trouxessem milhares de pessoas que desejavam despedir-se dele. Mas isso não impediu que o caixão fosse transportado por mais de três mil camponeses, e que os seus restos mortais fossem depositados debaixo de uma árvore, de acordo com seu desejo, em Yasnaia Polyana. Ainda hoje, o viajante encontrará uma pequena elevação de terra circundada por uma simples corrente e uma pequena placa de mármore a assinalar o local de descanso de Lev Tolstoi, que um dia, muito acertadamente, afirmou: «Todos pensam em mudar o mundo, mas ninguém pensa em mudar a si mesmo». CARTOON ASSOCIAÇÃO DOS MACAENSES Felicita o Dr. Fernando Chui Sai On pela sua reeleição como Chefe do Executivo da Região Administrativa Especial de Macau APIM Felicita o Dr. Fernando Chui Sai On pela sua reeleição como Chefe do Executivo da Região Administrativa Especial de Macau PUBLICIDADE O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014 22 APOMAC A Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau Felicita o Dr. Fernando Chui Sai On pela sua reeleição como Chefe do Executivo da Região Administrativa Especial de Macau PT C U LT U R A O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014 PT 23 MYANMAR Reencontro em Shwebo JOAQUIM MAGALHÃES DE CASTRO [email protected] A 1 DE MAIO, na carrinha episcopal conduzida por Patrick, seguimos caminho rumo a Shwebo para assistir às festividades do dia de São José. Afinal, na qualidade de carpinteiro, também o pai do Cristo mortal encaixava na fôrma moldadora da classe operária. Por essa altura, faziam-se em Shwebo as primeiras comunhões e os crismas, sendo imprescindível a presença do bispo. Ali estava de sotaina branca, no lugar do morto. Nos bancos de trás seguíamos nós – eu e o Dragon, um japonês que conheci na pensão e se interessara pela comunidade bayingyi – as duas ajudantes e três padres. A certa altura, um deles, que vivera bastante tempo nas Filipinas, sugeriu-me: «– Devia enviar os artigos que escreveusobreosbayingyisaumdos nossos irmãos que vive em Manila e daliemiteumprogramaderádioem Birmanêsmuitoouvidopelacomunidade católica de Myanmar». Em Sagaing, junto do conhecido pagode de Kaungmudaw Paya, que, reza a lenda, simboliza os seios de uma princesa, uma vez mais sobreveio o espírito jocoso dos bayingyis. Dessa vez, seria o bispo a pronunciarse com uma sonora gargalhada: «– Para ser mais fiel à lenda teria sido melhor mandar erguer dois pagodes em vez deste tão grande». Recorde-se que os seios pequenos encaixam no ideal de beleza da mulher birmanesa, e não o oposto. Fiquei com a impressão de que estes “portugueses do Oriente” mantinham um sentido de humor bem mais aguçado do que nosso, podendo, por isso, ser considerados uma espécie de brasileiros do Oriente. Separam Sagaing de Shwebo cento e vinte quilómetros de uma imensa e tórrida planície, amenizada por árvores de copa larga lançando sombra sobre os carros de bois que vagarosamente progrediam nos trilhos paralelos à estrada, devidamente assinalados pelas profundas marcas na terra batida. O cenário era em tudo idêntico ao da minha anterior visita, dessa feita acompanhado pelo padre Kolay. O cenário e até os comentários que se faziam, sinal de que as coisas em Myanmar pouco mudavam. Ao longe, as luzes acesas numas instalações militares mereceram de D. Alphonse o seguinte reparo: «– Aquilo é uma verdadeira vergonha. Ao povo, retiram o direito a esse bem essencial que é a electricidade, mas quartéis e instalações militares estão sempre alumiados, mesmo durante o dia». D. Alphonse expedia as atoardas acompanhando-as de uma risada, onde se adivinhava desprezo pelos governantes. «– Não é por falta de recursos energéticos que há racionamentos de energia», comentava, por sua vez, Patrick, que continuava a ultrapassar carros de bois e carrinhas atafulhadas de pessoas, animais, cestos e sacos de todo o tipo e feitio. «– Com isto, a junta limita-se a testar a capacidade de resistência do povo. Estão a ver até onde podem ir. Se notam que a revolta está iminente, cedem algo para contentar a populaça. É a política da corda apertada, que vai sendo gradualmente afrouxada». Nas bermas da estrada avistavam-se bidões de gasolina amontoados com tubos de borracha ao dependuro, à espera de uma beata acidental para explodirem com todo o fragor. O preço tabelado desse combustível era de 180 kyat por galão, mas ali vendia-se a 320. Para evitar despesas extras e, sobretudo, paragens desnecessárias nos afamados postos rodoviários de controlo, adoptámos vários estratagemas. O primeiro era o recurso à roupeta clerical, recuperando a vetusta imagem do missionário, que naquelas bandas ainda impunha respeito. Havia sempre a possibilidade de os funcionários serem católicos e fazerem vista grossa. Como segunda alternativa, um de nós, estrangeiros, punha-se a fotografar, e o indivíduo na guarita ficava tão confuso que simplesmente nos mandava avançar. O terceiro e último estratagema, por sinal o mais eficiente, consistia em seguir na peugada de uma qualquer caravana VIP (potentes todo-o-terreno que se faziam anunciar por sirenes e estridentes apitadelas). Era noite quando entrámos no terreiro iluminado da igre- ja de Shwebo. Sob um toldo, junto ao centro paroquial, dezenas de devotos assistiam a uma missa. Eram maioritariamente mulheres, de véu branco na cabeça, iluminadas por quatro lâmpadas fluorescentes colocadas junto a uma estátua de São José com o menino ao colo. «–Setivessemchegadoumashoras antes teriam presenciado à procissão. Foi pena», dizia-nos, finda a eucaristia, o jovem cura de etnia karen, que viera substituir Anastasius Sun. Nesse mesmo local, ano e meio antes, ouvira o polémico padre reafirmar o seu orgulho em ser português e criticar duramente o bispo, que era agora massajado por uma das suas assistentes enquanto a outra lhe abanava um pequeno leque por cima da cabeça. Todas as atenções se concentravam no arcebispo de Mandalay, visivelmente extenuado. «– Tive de afastar algumas das pessoasquevierambeijar-meoanel enquanto decorria a missa», confidenciou, mostrando-mo, com uma pedra preciosa incrustada, à qual parecia não dar grande valor. Aliás, D. Alphonse dava a impressão de ser algo avesso às hierarquias. Quando lhe perguntei qual era a mais importante figura da igreja católica em Myanmar, aludiu à existência de três arcebispados e a «essa estúpida mania que as pessoas têm de criar líderes». E mais não dissera. Fazia um calor aflitivo, mas o terreiro continuava animado; estava previsto um espectáculo de variedades e por isso viera gente da cidade, entre a qual inúmeros budistas, inclusive monges e monjas. «– Entre nós é assim. Partilhamos asfestas,independentementedocredo de cada um», explicava Patrick. !"#$%&#$'()*&+,-./0#$12 ENTREGUE ESTE CUPÃO NAS BILHETEIRAS DO CINETEATRO DE MACAU #$34567883 DATA DO SORTEIO: 11 DE SETEMBRO DE 2014 PUBLICIDADE O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014 24 PT O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014 PT 25 R OTA D O S 5 0 0 A N O S Prontos para seguir viagem JOÃO SANTOS GOMES [email protected] A gora que estamos de regresso às bancas é altura de fazer um pequeno balanço do que se passou nestes dias de interregno. Continuamos nas Ilhas Virgens Americanas, na ilha de St Thomas, ancorados em Long Bay, na histórica cidade de Charllote Amelie, outrora um dos maiores entrepostos comerciais do negócio da cana do açúcar e dos escravos. Hoje em dia a cidade é conhecida como destino de excelência para compras sem impostos nas Caraíbas e paragem obrigatória de todos os navios de cruzeiro que navegam nestas águas. Por semana passam pelos seus dois terminais mais de 15 navios, todos eles carregando sempre mais de dois mil passageiros. É fácil perceber-se porque é que a ilha vive para os turistas dos cruzeiros. Em dia em que não há barcos nos terminais tudo pára e parece que a cidade adormece. Uma dependência que não parece incomodar quem aqui vive nem as autoridades, visto que o filão de turistas, mesmo em tempo de crise como a que atravessamos, continua forte e saudável. Um paralelo feito com a dependência do Jogo em Macau que o Governo tenta mascarar com a diversificação da oferta turística. Pelo menos aqui há coragem de assumir que vivem dos turistas e que tudo depende de quem chega via marítima, não há hipocrisia nem tentam mascarar os números. Nós estamos em fase de preparação para rumar para a ilha de Grenada, já muito perto da Venezuela. Temos o veleiro quase pronto para partir e em breve iremos mudar de ancoradouro para uma praia, onde iremos aguardar por uma janela meteorológica de uma semana de tempo favorável e sem depressões vindas da costa de África, que afectam esta zona das Caraíbas nesta altura do ano com os famosos tornados ou tempestades tropicais. Nas últimas semanas fomos afectados por três, sendo que duas delas chegaram mesmo a ser classificadas como tempestade tropical e a terceira, após ter passado por nós ainda apenas como depressão, acabou transformada num tornado quando passou pelas Bahamas. Felizmente temos passado sem grandes problemas, apesar do muito vento e chuva. Esperamos que assim se mantenha. Entretanto, gerindo o nosso magro orçamento, fomos capazes de reparar a vela do enrolador que se tinha danificado numa das últimas passagens de alto mar, estando agora pronta para ser usada na viagem de cinco dias rumo a Grenada. Fomos também capazes de encomendar um gerador eólico para nos ajudar a produzir mais alguma energia, sempre necessária para ir mantendo pelo menos o frigorífico a funcionar em pleno. Tínhamos tentado contactar a empresa portuguesa que fabrica o gerador SilentWind mas não ESCOLHA SARDINHAS PORTUGUESAS estiveram disponíveis para nos oferecer um preço acessível, pelo que tivemos de optar por outra marca que nos disponibilizou um aparelho por menos de metade do preço original e dentro das nossas possibilidades financeiras neste momento. Nestes últimos dias também, finalmente, fui capaz de resolver o problema que vinha afectando o nosso dessalinizador. Desde o início da viagem que não funcionava como devia ser e estava inoperante há já algumas semanas porque sempre que o metíamos a funcionar parava constantemente, tornando o processo de produção de água muito lento e desperdiçava muita energia. Depois de ter vários especialistas da marca a bordo, cada um com a sua teoria e que apontavam sempre ESCOLHA PORTHOS para facturas acima das dez mil patacas, usei a famosa técnica de testar e errar. Sabia que a bomba de alta pressão estava boa porque quando funcionava fazia água e tinha sido alvo de manutenção por mim assim que colocámos o veleiro na água; sabia que o motor estava bom porque o tinha mandado testar numa oficina; sabia que as membranas estavam boas porque a água, apesar de pouca, era de boa qualidade e, no entanto, a máquina parava. Entre o cabo que traz a energia das baterias e o interruptor do aparelho havia um pequeno relai que aquecia excessivamente. Experimentei tirá-lo e instalei um novo com um pouco mais de potência. Problema resolvido! Agora o único problema é que precisamos de energia porque o “fazedor de água” consome imenso e só o usamos uma hora por dia quando ao fim do dia ligamos o motor para carregar as baterias para a noite. Nesse período de uma hora faz cerca de 15 a 20 litros de água potável, mais ou menos os nossos gastos diários. Relativamente à tripulação, está tudo bem! A pequena Maria foi recentemente às vacinas, visto que passou a barreira dos 18 meses, e teve de ir ao médico porque apresentou uns vermelhões na pele dos braços e do peito que nos deixaram algo alarmados. Afinal não passava de uma reacção ao calor. Com um xarope e uma pomada o mal passou. Quanto ao nosso membro canino, está já preparado para seguir viagem com toda a documentação. Certificados de raiva, testes de laboratório, etc., tudo feito e pronto. Afinal esta tinha sido a razão de termos regressado a St Thomas! CADERNO DIÁRIO O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014 26 Segunda 1 Terça 2 Actual Pensamento 1 A 2 de Fevereiro de 1905 nasceu em S. Petersburgo a filósofa e escritora Alissa Zinovievna Rosenbaum, mais conhecida como Ayn Rand, falecida em Março de 1982 em Nova Iorque. Ficou famosa esta frase dela, que se aplica como uma luva ao que vivemos em Portugal nos dias de hoje: «Quandotederescontadequepara produzir necessitas obter a autorização de quem nada produz,quandotederesconta de que o dinheiro flui para obolsodaquelesquetraficam não com bens, mas com favores,quandotederesconta de que muitos na tua sociedade enriquecem graças ao A humanidade ainda está em construção. A vida, tal como a conhecemos, é apenas a matéria-prima para a vida como ela pode ser. Estão ao alcance da nossa espécie uma plenitude e uma liberdade até aqui inéditas. Basta unirmo-nos como seres humanos e avançar, com uma meta elevada e uma decisão estável. Pensamento 2 suborno e influências, e não ao seu trabalho, e que as leis do teu país não te protegem ati,masprotegem-nosaeles contra ti, quando enfim descubras ainda que a corrup- çãoérecompensadaeahonradez se converte num auto sacrifício, poderás afirmar, taxativamente, sem temor a equivocar-te,queatuasociedade está condenada». Quarta 3 As línguas humanas foram criadas pelas mentes que deixaram de compreender e comunicar em silêncio. Por isso nada têm a ver com a realidade e são uma tremenda fonte de equívocos. À falta do silêncio, só a poesia as redime. Pensamento 3 Existimos como bolas de sabão no espaço ilimitado. Tenhamos a graça e elegância mínimas de nos sorrirmos com gentileza. Nisso transparece o espaço que no fundo somos. Miopia Se não formos míopes, não ficarmos pela superfície e formos bem ao fundo da questão, não será que toda a violência, conflitos e problemas que há no mundo, e que tanto lesam os humanos, os animais e o próprio planeta, se devem à crença na separação e desconexão entre nós e os outros, com o consequente egocentrismo, medo, insegurança, avidez e hostilidade? Não será daí que, em primeira e última instância, vem toda a ganância e competição desenfreada entre indivíduos, grupos, empresas e nações com os consequentes problemas sociais, ambientais, económicos e políticos que deixam o mundo numa crise sem precedentes e à beira do colapso? Não será que a raiz de todos os nossos problemas radica assim no estado dualista em que estão as nossas mentes? Será que isso se PT Quinta 4 Ética pode mudar por decreto e por via jurídica, política ou económica? Parece evidente que não e que resta apenas um caminho: mudar a mente e o estado de consciência individual e global. E só conheço uma via para isso, que dispensa qualquer crença, doutrina ou ideologia: a meditação, simultaneamente reflexiva e contemplativa. Ela é já o invisível mas decisivo início da acção esclarecida e não-violenta que transforma o mundo transformando a mente que o percepciona e que, vendo o outro inseparável de si, age em consequência, fazendo parte da solução e não do agravar do problema. Na verdade é necessária uma nova palavra para expressar isto: MeditAcção. Há que MeditAgir: a Revolução Silenciosa que, mais do que diabolizar e combater quem quer que seja, faz já de cada um de nós a mudança contagiosa que queremos ver no mundo. Esta é que devia ser a grande preocupação dos Governos e de todos nós: como fazer de Portugal um país bom para os portugueses e para o mundo. O grande desígnio nacional, após 500 anos de ilusões buscando a riqueza no Oriente, em África, no Brasil e na Europa, só pode ser fazer de Portugal um país ético, comprometido com o bem não só dos portugueses, mas do planeta e de todos os seres vivos. Isso sim, seria voltarmos a ser pioneiros, mas desta vez em algo de bom para todos. No site oficial do projeto “Good Country Índex” é explicado que o objectivo deste ranking parte de uma série de projectos a serem lançados durante os próximos meses, é iniciar um podem equilibrar o seu dever para com os seus cidadãos com a sua responsabilidade para com o resto do mundo. RESULTADOS DO INQUÉRITO ONLINE www.oclarim.com.mo Confia no Sector Bancário? debate sobre a verdadeira razão de ser de um país. O que o “Good Country Índex” faz é discutir como é que os países 1 SIM: 30% 2 NÃO: 70% TOTAL VOTANTES: 20 ENTRETENIMENTO O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014 27 PT TDM Canal 1 13:00 13:30 14:30 18:10 19:00 19:30 20:30 21:00 21:45 22:10 23:00 23:30 01:15 01:45 Sexta-feira TDM News (Repetição) Telejornal RTPi (Diferido) RTPi (Directo) Série: Mulher (Repetição) TDM Talk Show (Repetição) Telenovela: Baía das Mulheres Telejornal Vingança T2 Para 3 Remodelado Série: Mulher TDM News Cinema: O Gotejar da Luz Telejornal (Repetição) RTPi (Directo) 11:20 11:40 12:30 13:00 13:30 14:30 19:00 19:50 20:30 21:00 21:45 22:30 23:00 23:30 00:30 01:00 Sábado Mestres Kung Fu do Zodíaco Baía das Conchas Ingrediente Secreto TDM News (Repetição) Telejornal RTPi (Diferido) Telenovela: Baía das Mulheres (Compacto) Quem Quer Ser Milionário Moda Portugal Telejornal Uma Família Açoriana Cidade Despida Novas Direcções TDM News Portugal no TOP Telejornal (Repetição) RTPi (Directo) 11:00 12:00 12:30 13:00 13:30 14:30 Domingo Missa Dominical A Hora de Baco Uma Mesa Portuguesa... Com Certeza TDM News (Repetição) Telejornal RTPi (Diferido) Zig Zag Cinema: O Gotejar da Luz. Hoje, às 23:30 horas. 15:50 16:45 18:15 19:40 20:30 21:00 22:00 23:00 23:30 00:00 00:30 Decisão Final Desafio Total Domingo Especial Bem-Vindos a Beirais Telejornal Contraponto 40 Anos de Disputa Nuclear Com o Irão TDM News aTensão Jazz Telejornal (Repetição) RTPi (Directo) Segunda-feira 13:00 TDM News 13:30 Telejornal RTPi (Diferido) 14:30 RTPi (Directo) A PARTIR DE 05/09/2014 C 17:45 18:30 19:30 20:30 21:00 22:10 23:00 23:30 00:00 00:30 Série: Mulher (Repetição) Contraponto (Repetição) Telenovela: Baía das Mulheres Telejornal TDM Desporto Série: Mulher TDM News Magazine Liga dos Campeões Telejornal (Repetição) RTPi (Directo) 13:00 13:30 14:30 17:00 Terça-feira TDM News (Repetição) Telejornal RTPi (Diferido) Cesária Évora: Homenagem Os Poetas: Autografia Tour 2013 164521 17:45 18:30 19:30 20:30 21:00 21:30 22:10 23:00 23:30 00:30 01:00 Série: Mulher (Repetição) TDM Desporto (Repetição) Telenovela: Baía das Mulheres Telejornal TDM Entrevista (Repetição) Tudo Acaba Bem Série: Mulher TDM News Portugal Aqui Tão Perto! 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