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DIRECTOR Pe. José Mario O. Mandía | ANO 67 | Nº 17 | 5 de SETEMBRO de 2014 | SEXTA-FEIRA
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CH
EDIÇÃO TRILINGUE | TRILINGUAL EDITION | SEMANÁRIO CATÓLICO DE MACAU | PREÇO 12.00 Mop
www.oclarim.com.mo
LUSOFONIA, MÉDIO ORIENTE,
ÁSIA, CHINA
Tem Francisco
uma agenda
política?
D. JOSÉ LAI SOBRE A INTOLERÂNCIA
RELIGIOSA NO IRAQUE E NA SÍRIA
Pelo ódio
os conflitos
não vão
acabar
DESTAQUE PÁGs. 2 E 3
Tempo
de unir esforços
OPINIÃO PÁG. 7
ENTREVISTA PÁG. 4
AS PREOCUPAÇÕES DO CHEFE DO EXECUTIVO
PARA O SEGUNDO MANDATO
Habitação em primeiro lugar
2015,
“Ano da Graça”
OPINIÃO PÁG. 9
Fórmula E,
o que é?
OPINIÃO PÁG. 11
LOCAL PÁG. 5
D E S TAQ U E
O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014
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LUSOFONIA, MÉDIO ORIENTE, ÁSIA, CHINA
Tem Francisco
uma agenda política?
JOSÉ MIGUEL ENCARNAÇÃO
[email protected]
A pergunta é simples, mas a
resposta indefinida. O Papa
Francisco tem marcado o seu
ainda curto pontificado pela
aproximação aos fiéis, mas tem
saído pouco de Itália. As viagens
apostólicas não abundam no
currículo, sendo planeadas
com todo o cuidado. Contudo,
começam-se a visualizar as
principais prioridades do Santo
Padre no que respeita à agenda
diplomática. Sem reserva
dizemos que o mundo lusófono
está inscrito na lista, ao lado do
Médio Oriente e da Ásia, com a
China no topo das prioridades. O
CLARIM faz uma breve resenha
das deslocações do Papa ao
estrangeiro, desde que foi eleito
em 2013, procurando deslindar
o sentido político por detrás de
cada visita.
TERÁ o Papa Francisco uma estratégia,
de âmbito diplomático, para os diferentes blocos políticos e sócio-económicos
que regem os cincos continentes?
Desde que foi eleito para a Cadeira de
Pedro que o antigo arcebispo de Buenos
Aires é alvo dos mais variados estudos
por parte de especialistas em Comunicação, Diplomacia, Geopolítica, Geoestratégia, entre outras áreas sociais. A
prová-lo está o número de intervenções
dedicadas ao Papa Francisco durante o
“IX Seminario Professionale sugli Uffici
di Comunicazione della Chiesa”, realizado na Pontificia Università della Santa
Croce, em Roma, em Abril deste ano.
De facto, a intervenção de João Paulo
II na esfera da política mundial – de que
S E M A N Á R I O C C A T Ó L I C O D D E D M A C A U
viria a resultar a queda do Muro de Berlim – deixou um legado aos seus sucessores difícil de gerir, dado que a influência
da Igreja Católica também diminuiu com
a democratização do Leste Europeu, e
consequentemente de outros países fora
do Velho Continente, deixando de ser
relevante para a resolução dos conflitos
diplomáticos. Coube ao Papa Bento XVI
reposicionar o Vaticano no mapa político mundial, tendo aproveitado o tempo
para redefinir a Doutrina Religiosa, pelo
menos no que respeita à sua prática.
O surgimento de Francisco marca o
terceiro período do ciclo iniciado com
João Paulo II, que se traduz no reaproximar das pessoas à Igreja, não deixando
de intervir de forma diplomática sempre que esteja em causa a dignidade humana. O encontro mediado pelo Sumo
Pontífice entre o presidente israelita,
Shimon Peres, e o presidente da Autoridade Nacional Palestiniana, Mahmud
Abbas, nos jardins do Vaticano, demonstrou que a Santa Sé continua a ser voz
activa no longo e tortuoso processo de
pacificação do mundo.
Um bom barómetro da importância
atribuída pelo Papa aos diferentes blocos políticos e sócio-económicos são as
viagens apostólicas por ele efectuadas,
não só pelo que significam para os crentes, como pela força da mensagem transmitida em cada momento.
FRANCISCO LUSÓFONO
A primeira viagem apostólica do Papa
Francisco teve lugar em 2013 – uma visita ao Brasil por ocasião da Jornada
Mundial da Juventude. Da primeira deslocação fora de Itália fi cará para sempre
na memória a missa de encerramento
do evento na Praia de Copacabana, que
juntou cerca de três milhões de pessoas.
No rescaldo foram mencionados vários factos como a importância dada por
Francisco aos jovens; o carinho com que
abraçou o povo brasileiro, à margem
da rivalidade histórica entre o Brasil e a
Argentina; a primeira viagem ter como
destino a América do Sul, região onde
D IRECTOR: Pe. José Mario O. Mandía I A DMINISTRADOR: Alberto Santos | A SSISTENTE DA ADMINISTRAÇÃO: Wong Sao Ieng I EDITOR: José Miguel Encarnação | R EDACÇÃO: Pedro
Daniel Oliveira I S ECRETARIADO DA R EDACÇÃO E FOTOGRAFIA: Ana Marques I COLABORAÇÃO: Joaquim Magalhães de Castro, João Santos Gomes, Pe. João Eleutério, Carlos Frota, Luís
Barreira, José Pinto Coelho, Vítor Teixeira, Keith Yip I D IRECÇÃO G RÁFICA: Miguel Augusto I P AGINAÇÃO: Lei Sui Kiang I PROPRIEDADE: Diocese de Macau I M ORADA: Rua do Campo,
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D E S TAQ U E
O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014
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o Catolicismo continua a crescer de forma considerável; e tratar-se de um país
lusófono, sabendo-se o peso político e
económico do Brasil no seio dos Países
de Língua Portuguesa. Quanto à mensagem do Papa, foi realçada a questão da
inclusão dos jovens e dos mais pobres na
sociedade, por força dos desvios a que
os jovens estão sujeitos e do fosso entre
ricos e pobres.
Depois do Brasil, em 2015 Francisco é
esperado em Timor-Leste, que também
tem o Português como língua oficial.
Por enquanto não se conhecem quaisquer pormenores da visita do primeiro
Papa ao País depois da independência
(o Papa João Paulo II esteve em Díli em
Outubro de 1989, durante a ocupação
indonésia).
O convite foi endereçado pelo presidente da Conferência Episcopal de
Timor-Leste, D. Basílio do Nascimento,
bispo de Baucau, no âmbito da preparação das comemorações dos 500 anos da
chegada dos portugueses.
No percurso entre a Itália e Timor-Leste o Papa irá aterrar no Sri Lanka, país
com fortes ligações históricas a Portugal
e onde o Português é ainda falado por
pequenas comunidades. O Sri Lanka é
membro de pleno direito da Associação
dos Comités Olímpicos de Língua Oficial Portuguesa (ACOLOP).
Tanto Timor-Leste como o Sri Lanka
vivem hoje a herança da guerra, cuja história é contada pelos mais velhos, mas os
efeitos – fome, baixo nível de literacia e
gritante desigualdade social – são ainda
sentidos pelas novas gerações.
A título de curiosidade, depois do Sri
Lanka seguem-se as Filipinas, antiga colónia de Espanha – à semelhança da Argentina – onde outrora o Castelhano foi
língua oficial.
Em 2017 o Papa é esperado em Portugal por ocasião do Centenário das Aparições de Fátima.
TERRA SANTA E COREIA DO SUL
Este ano o Papa visitou a Terra Santa e
a Coreia do Sul, duas viagens de diferente
significado em termos religiosos, mas com
um mesmo objectivo: fomentar a Paz.
Na Terra Santa, Francisco conseguiu
unir o que guerra e os muros há décadas
insistem em separar. Judeus e palestinos
estiveram em comunhão com o Papa,
independentemente das religiões professadas, testemunhando a Paz emanada
do Santo Padre. O encontro com o Patriarca de Constantinopla, Bartolomeu
I, principal bispo da Igreja Ortodoxa, foi
um exemplo para o mundo, pela forma
sincera com que os dois líderes religiosos
se abraçaram, reforçando a ideia de que
o diálogo é a única solução para o entendimento e a comunhão na diferença.
Também a reza no Muro das Lamentações, a visita à Basílica da Natividade e
a tantos outros lugares relevantes, sem
medo de quaisquer represálias por parte
de grupos fundamentalistas, provaram
que os homens puros não são ameaça à liberdade do seu semelhante. Depois, claro
está, o lado político da viagem: o convite
endereçado a Shimon Peres e Mahmud
Abbas para se encontrarem no Vaticano.
De Paz falou igualmente o Papa na
Coreia do Sul, no passado mês de Agosto, por ocasião da Jornada Asiática da
Juventude. Recebido ao mais alto nível
pelas autoridades do País, Francisco deixou uma mensagem de esperança para
o futuro das relações entre a Coreia do
Sul e a Coreia do Norte, numa altura em
que se intensifica a guerra de palavras
entre os dois lados, com maiores prejuízos para o lado norte, desde há muito
refém das sanções económicas impostas
pelo Ocidente ao regime fundado por
Kim Il-sung.
Apesar da Coreia do Norte ter retirado
a possibilidade a alguns dos seus nacionais de participarem na missa de encerramento da Jornada Mundial da Juventude,
presidida pelo Papa, e deste ter desistido
da ideia de visitar a zona desmilitarizada,
a viagem apostólica redundou num sucesso, tendo em conta o número de fiéis
que durante os diferentes momentos do
programa oficial quiseram ver, ouvir e estar junto de Francisco.
Para a Coreia do Norte foi enviada a
mensagem de que a Igreja não defende
nem acusa regimes, apenas procura que
todos vivam em liberdade, paz e harmonia. A “luta” do Vaticano é a defesa destes três pilares, estando atento e vigilante
a todas as movimentações que atentem
contra a sua vigência.
CHINA
A presença do Papa na Coreia do Sul
encheu de esperança o mundo católico
que ansiava que Francisco pudesse vir a
fazer escala em território chinês. Algumas semanas antes da viagem a Seul especulou-se nos corredores do Vaticano
sobre a possibilidade do “avião papal”
poder aterrar – ainda que por breves horas – em Pequim. Na base desta esperança esteve o facto do Papa e o Presidente
chinês Xi Jinping trocarem cartas desde
que ambos foram eleitos em 2013, com
intervalo de apenas 1 dia.
Todas os anseios e esperanças caíram
por terra no passado mês de Agosto
quando o Santo Padre apenas sobrevoou
a China. No “cockpit” do avião orou pelos católicos do País.
Apesar das relações entre o Vaticano e
a China ainda não permitirem o aperto
de mão entre os líderes dos dois países,
a Igreja Católica vai percorrendo o seu
caminho, sendo de registar a nomeação
de um padre de etnia chinesa para arcebispo da arquidiocese de Kuala Lumpur, a nomeação do ex-governador de
Hong Kong, Chris Patten, para líder de
um grupo de trabalho encarregado de
modernizar e optimizar os Meios de Comunicação Social do Vaticano e o envolvimento da Diocese da ex-colónia britânica no processo de democratização do
sistema político.
Está também em estudo a migração
em massa da população chinesa do campo para a cidade, no que respeita aos novos desafios da Igreja Católica na China,
uma vez que serão os fiéis os primeiros a
pressionar Pequim para estabelecer um
dialogo mais profícuo com a Santa Sé, em
detrimento dos interesses da nebulosa Associação Patriótica Católica Chinesa.
E N T R E V I S TA
O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014
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D. JOSÉ LAI SOBRE A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA NO IRAQUE E NA SÍRIA
Pelo ódio os conflitos não vão acabar
PEDRO DANIEL OLIVEIRA
[email protected]
A Diocese de Macau vai responder
favoravelmente ao apelo do Papa
Francisco para que se reze pela
paz no Iraque, onde milhares de
cristãos estão a ser perseguidos.
Em entrevista a’O CLARIM, o
bispo D. José Lai sustentou que
a «violência não é a solução» para
travar os extremistas da ISIS,
acrescentando que cristãos e
muçulmanos devem encontrar
pontes de entendimento, porque
são filhos do mesmo Deus.
O CLARIM – O mundo parece estar
cada vez mais perigoso. A ISIS, que
auto-proclamou o Estado Islâmico e
ocupa o norte do Iraque e parte da
Síria, tem cometido bárbaras execuções de pessoas que não comungam
os seus ideais, entre os quais milhares
de membros da minoria étnica Yazidi,
e também cristãos e xiitas ou, até mesmo, sunitas...
D. JOSÉ LAI – Recebi há pouco tempo uma carta da Santa Sé, datada de 7 de
Agosto, referindo que o Papa Francisco
está muito preocupado com esta situação e pede para que toda a Igreja reze
pela paz, sobretudo no Iraque. Vou dizer
ao chanceler da Diocese de Macau para
fazer uma circular para que párocos e
paroquianos rezem pela paz nas missas
antecipadas e dominical, no sábado e
Domingo [6 e 7 de Setembro].
CL – O que diz a carta?
D.JL – O Papa lançou o apelo da paz
quando rezou o Ângelus, a 20 de Julho,
na Praça de São Pedro. O Papa convida
todas as Dioceses do mundo a promover
esta oração pelos cristãos perseguidos
no norte do Iraque.
CL – Que análise faz à escalada do
fundamentalismo islâmico, que ameaça
a estabilidade da Comunidade Internacional e do Ocidente em particular?
D.JL – É difícil dizer, porque não
é fácil mudar a mentalidade dos militantes [extremistas]. Não só a mentalidade, mas sobretudo a crença. Temos que rezar, invocando o Espírito
Santo para ajudar esta gente a ver o
que não é bom.
CL – A ISIS é uma entidade sunita
que também persegue muçulmanos xiitas, por considerá-los hereges, além dos
sunitas do Curdistão iraquiano. E há sunitas, inclusivamente da Arábia Saudita,
desfavoráveis ao modo de actuar dos
jihadistas da ISIS. Como vê esta divisão
no mundo islâmico?
D.JL – Não é fácil explicar, mas se
os muçulmanos são descendentes de
Abraão [Ibrahim, em árabe], não sei por
que razão ele era de uma forma e os seus
descendentes de outra.
CL – Será que devia haver mais tolerância entre muçulmanos e cristãos?
Algo que os unisse, em vez de os dividir?
Pelo menos vinte e cinco personagens bíblicas estão mencionadas no Alcorão...
D.JL – Sim. Eles [os extremistas]
olham para os cristãos como inimigos e
traidores da tradição de Abraão. Temos,
realmente que ver na fonte se Abraão
tinha, ou não, esta mentalidade. Creio
que ele não era assim: fazer a guerra entre irmãos. Creio que Abraão não dizia
aos seus filhos para fazerem a guerra uns
com os outros.
CL – Que preocupação deve ter quem
está fora do mundo muçulmano?
D.JL – Creio que enquanto houver o
ódio pelo ódio os conflitos nunca vão
acabar. A situação só pode mudar com
amor, compreensão e solidariedade.
CL – Mas como fazer ver esses valores
a um fundamentalista de que o ódio e os
actos bárbaros não são o caminho?
D.JL – Fazer a guerra e matar tantos
inocentes não é a solução. Sobretudo a
lei de Cristo não é matar, nem mesmo os
pecadores.
CL – E a lei de Deus (Alá, em árabe)?
D.JL – Se partimos do princípio que
somos filhos do mesmo Deus, devemonos amar uns aos outros porque somos
todos irmãos. Mas por que terá que haver mortos entre uns e outros? Não se
percebe...
CL – Sendo bastante difícil fazer ver a
qualquer fundamentalista islâmico estes
ideais, será que a melhor arma contra
eles é “olho por olho, dente por dente”,
ou seja, haver uma intervenção militar
do Ocidente contra os extremistas?
D.JL – Segundo a lei de Cristo dizemos que não é assim. Não usamos as
armas para fazer a guerra, mas sim palavras, paciência, amor e caridade.
CL – Como travar, então, esta força
cada vez maior da ISIS? Esperar por
uma intervenção divina?
D.JL – Talvez por isso é que devemos
rezar para que o Senhor nos ajude e o
Espírito Santo ilumine aquela gente.
Não temos outra arma, senão rezar e ter
paciência.
CL – No voo de regresso ao Vaticano, após visita à Coreia do Sul, o Papa
Francisco, embora sem dizer de que
forma, defendeu o uso da força para
travar a ISIS, deixando ao critério da
Comunidade Internacional o modo de
intervenção...
D.JL – Não estava presente, por isso
não posso comentar.
CL – A humanidade tem passado por
privações várias ao longo dos tempos e
os massacres no norte do Iraque e na
Síria não serão os derradeiros da História...
D.JL – Devemos acreditar que entre
estas situações também há a força do diabo, que é muito inteligente e sabe utilizar as pessoas para atingir os seus fins.
CL – Há inclusivamente os que nasceram no Ocidente e estão a deixar as
suas famílias para se juntarem à ISIS. O
diabo estará aqui a ter uma intervenção
muito eficaz...
D.JL – Por isso temos que rezar, acreditando que no fi nal de contas Deus háde conquistar tudo.
CL – Barack Obama, presidente dos
Estados Unidos, tem estado ao longo
das últimas semanas muito renitente em
enviar um contingente militar para tentar acabar com o problema, obviamente após aval da ONU. Estará de acordo
com os desígnios de Deus?
D.JL – Acho que nada se resolve
com a intervenção de armas. É preciso
haver um colóquio, um diálogo... Ou
através de um bom intermediário para
fazer o diálogo entre cristãos e muçulmanos [que não apoiam a ISIS]. Às vezes não é fácil...
LOCAL
O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014
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AS PREOCUPAÇÕES DO CHEFE DO EXECUTIVO PARA O SEGUNDO MANDATO
Habitação em primeiro lugar
PEDRO DANIEL OLIVEIRA
[email protected]
O PADRE João Lau, que integrou
a Comissão Eleitoral do Chefe
do Executivo, disse a’O CLARIM
que Chui Sai On deve concentrar
esforços no segundo mandato
para melhorar o nível de vida da
população, devendo ter especial
atenção ao problema da habitação.
«OChefedoExecutivotemmaisespaço
para melhorar e espero que melhore as
políticas para a vida do povo. Deve olhar
para o problema da habitação porque a
vida em geral está mais cara do que em
Hong Kong, e assegurar o nível de vida
porque os salários [da classe média]
nãoconseguemacompanharocustode
vida», referiu o pároco da igreja da Sé
Catedral, que não revelou se votou a
favor ou se se absteve na eleição.
«As manifestações na rua nunca
são um bom sinal. Não faz sentido em
Macau, por isso o Chefe do Executivo
deve melhorar as condições de vida da
população.Podemelhorarnostransportes
públicoseimplementarveículosamigos
do ambiente», acrescentou.
Já o sacerdote Francisco Hung,
que também fez parte da Comissão
Eleitoral, frisou que o governante
deve continuar a investir na
Educação, apesar de reconhecer que
os apoios no sector têm sido grandes.
Contudo, vincou que «há ainda muito
a fazer, em termos do ambiente escolar,
devendopromoveraconstruçãodemais
crechesefomentarummelhorplaneamento
das infra-estruturas escolares».
Francisco Hung também não
esqueceu o grave problema do
mercado imobiliário: «Há que
diminuir o preço das casas, seja na
compra, seja no arrendamento; e
construir mais habitação pública».
Para Arnold Monera, reitor da
Faculdade de Estudos Religiosos
da Universidade de S. José, os
preços exorbitantes praticados no
arrendamento no mercado privado
da habitação são um problema que
estão a afectar milhares de pessoas.
«Não há controlo. Devia haver
uma lei que proibisse os aumentos
discricionários das rendas das
habitações,aquandodasrenovaçõesdos
IDOSOS VISITARAM BIENAL
DOS LEÕES NO MGM
Nunca é tarde para aprender
Vinte utentes do Centro de Dia “Brilho da
Vida” participaram, no dia 27 de Agosto,
numa visita guiada à exposição “Bienal
dos Leões – Para Além do Rugido”, em
exibição na Galeria “Art Space” do MGM.
«O grupo de idosos mostrou emoção e
ansiedade por aprender coisas novas, reforçando o velho ditado de que “nunca é
tarde para se aprender”», referiu o comunicado de imprensa do MGM, adiantando
que a operadora vai continuar a oferecer
mais visitas guiadas para grupos de estudantes e da comunidade. Durante a visita os utentes do Centro de Dia estiveram
atentos às explicações dos docentes, que
apresentaram não só a história dos laços
diplomáticos sino-franceses e a cultura de
ambos os países, como também a história que está por detrás de cada escultura
dos leões. A exposição, que se prolonga
até 12 de Outubro, visa comemorar o 50º
aniversário das relações diplomáticas entre a França e a República Popular da China. Algumas das 50 esculturas de leões,
idealizadas por artistas locais da China
continental, de Hong Kong e da França,
também estão distribuídas pela cidade.
António Conceição Júnior é um dos artistas convidados. A “Bienal dos Leões”
realiza-se pela primeira vez em Macau
depois de anteriores edições em Lyon
(2004), Turim (2006), Quebéc (2008) e
Argel (2012).
IPOR COMEMORA 25 ANOS
COM ENTRETENIMENTO
E CULTURA
Portugalidade mais próxima
contratosdearrendamento,eestipulasse
a percentagem limite para esses
aumentos.Éumproblemaurgente,que
devesercombatidoporqueestáaafectar
milhares de pessoas», salientou.
O padre Ramon Manalo, superiordelegado da Sociedade de S. Paulo
na RAEM, sustentou que, antes de
resolver os problemas, o Chefe do
Executivo deve ir ao encontro das
reais necessidades da população:
«Olhandoparaoconfucionismopercebese que numa terra de casinos e dinheiro
muitaspessoasestãoaperderosvalores
morais,havendotambémquenãotenha
umsentimentodepertençaaoterritório».
O sacerdote adiantou que «se o
Chefe do Executivo humanizar Macau,
em vez de continuarmos a perder os
valores morais, terá então um valioso
contributoparaasociedade».Edeigual
forma atestou que «deve ser o líder e
devetambémservistocomoopaidetoda
a comunidade», embora verifique ser
«isto mesmo que estamos a perder».
ELEIÇÃO
Chui Sai On foi eleito para o
segundo mandato, no passado
Domingo, com 380 votos a favor,
treze em branco e três nulos.
Quatro elementos da Comissão
Eleitoral não votaram por estarem
ausentes do processo de escolha.
O agora “candidato a aguardar
nomeação”, conforme proclamou
terça-feira o Tribunal de Última
Instância,
vai
deslocar-se
a
Pequim, ainda no corrente mês,
para receber a carta de nomeação
do Primeiro-Ministro da RPC, Li
Keqiang, devendo assumir o cargo
a 20 de Dezembro.
O Instituto Português do Oriente (IPOR)
vai assinalar, em Outubro, o 25.º aniversário com uma exposição que percorre os
principais momentos de actividade da instituição. A mostra «é um marco do nosso percurso, eventualmente algo de mais
visível a marcar uma celebração», referiu
o director do IPOR, João Laurentino Neves, acrescentando: «Temos outros projetos, como o Guia de Conversação Chinês/Português», bem como «concluir as
ferramentas digitais para os professores,
projectos que estarão terminados até ao
final do ano». O IPOR vai também apostar
num desafio às competências linguísticas,
lançando até ao fi nal do ano um campeonato de língua para alunos das escolas
e das universidades, em colaboração com
outras instituições de ensino. A “stand-up
comedy” com o humorista João Seabra
irá marcar presença no IPOR e em várias
escolas de Macau, entre os dias 6 e 12 de
Outubro, enquanto “a língua e o futebol”
serão o tema forte da Conferência IPOR,
a realizar a 6 de Dezembro pela sócio-linguista Clotilde Almeida, da Universidade
de Lisboa. O DOC Lisboa vai regressar a
Macau em Novembro, desta vez com a
participação do realizador André Almeida, cujo documentário “A campanha do
‘Creoula’” foi recentemente premiado em
Portugal. «Temos um conjunto de iniciativas que ajudam a consolidar o nosso
papel, enquanto promotores da língua e
de expressões da cultura portuguesa, ao
mesmo tempo que apostamos na modernização e ampliação das formas de ensino, acompanhando as novas tecnologias»,
concluiu João Laurentino Neves.
LUSA – texto editado
LOCAL
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CONHECER AS LEIS DE MACAU
Breve Apresentação do Documento de Consulta sobre a
Revisão do Regime Jurídico do Transporte de Passageiros em
Automóveis Ligeiros de Aluguer (Táxis)
DESDE há longo tempo que o serviço de
táxis de Macau é uma opção essencial
dos residentes para a sua mobilidade,
desempenhando um papel importante como complemento dos serviços
de transporte público de autocarros e
como substituto dos automóveis particulares. Para os turistas, que são em
número crescente, apanhar táxi é a opção prioritária em termos de meio de
transporte, devido ao desconhecimento da cidade.
Todavia, há críticas constantes dos diversos sectores da sociedade acerca do
serviço de táxis nos últimos anos, principalmente em relação aos casos das
infracções praticadas por alguns condutores de táxis como os de recusa de
transporte, escolha de clientes, opção
por trajectos mais longos, negociação
do preço, recolha de diversos passageiros para o mesmo trajecto e de cobrança
abusiva de tarifas. Mesmo que os condutores de táxis, na sua maioria, sejam
auto-disciplinados e cumpram a lei, e
apesar de haver medidas impeditivas, as
infracções praticadas por uma minoria
deles são constantes, provocando bastantes queixas por parte dos residentes
e dos turistas e prejudicando a imagem
de Macau como uma cidade de turismo,
pelo que esta situação tem merecido a
atenção do Governo da Região Administrativa Especial de Macau e de toda
a sociedade.
Com vista a resolver a situação caótica
existente no serviço de táxis, a primeira
medida a tomar é o reforço do combate
às infracções. A sociedade considera, de
um modo geral, que devem ser reforçados a forma e os meios de investigação
e de obtenção de provas, introduzindo
um método de investigação segundo o
qual os agentes da autoridade procedem
à investigação com ocultação da sua
identidade. Além disso, deve ser aumentado o número dos agentes da autoridade policial para a execução da lei, assim
como devem ser agravadas as sanções
aplicáveis às infracções e introduzidas
as medidas de suspensão ou de cancelamento da qualificação profissional para
os condutores de táxis.
Em concomitância com o reforço do
combate às infracções, deve ser aperfeiçoado o ambiente de exploração do
ESCOLA PORTUGUESA DE MACAU
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AVISO
Avisam­se os Pais e Encarregados de Educação dos alunos da Escola Portuguesa de Macau de que as aulas do ano lectivo de 2014/2015 terão início no dia 8 do corrente mês com uma recepção aos alunos.
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serviço de táxis, assim como devem ser
eliminados os actos de exploração irregulares e reforçada a protecção dada aos
operadores legais, nomeadamente através da introdução do sistema inteligente
de gestão do serviço de táxis, da criação
de um regime razoável de definição de
tarifas do serviço de táxis, da fiscalização
unificada das zonas de espera de táxis.
Propõe-se também o reforço da formação profissional para os condutores de
táxis e a atribuição de elogios àqueles
que prestem um serviço de qualidade.
Deste modo, será possível elevar o nível
de qualidade do serviço de táxis em geral, o que permitirá assegurar efectivamente a protecção dos direitos e interesses dos passageiros.
Para a solução dos problemas relativos
quer às infracções verificadas no serviço
de táxis, quer à dificuldade em apanhar
táxis por parte de residentes e turistas,
a principal questão a resolver prende-se
com a grave insuficiência do número de
táxis. Com vista ao planeamento a longo
prazo para a optimização do serviço de
táxis, é necessário proceder-se, de acordo com a realidade de Macau, a uma
análise científica sobre a quantidade de
táxis de que Macau necessita, bem como
a um estudo sobre o aumento das formas de concessão de licenças de táxis,
de maneira a diminuir a função da li-
cença de táxis enquanto instrumento de
investimento e realizar o estudo sobre o
posicionamento do serviço de rádio táxis, para que os táxis voltem ao caminho
certo na prestação do serviço de transporte público.
Assim sendo, torna-se necessário proceder, o mais breve possível, a uma revisão do regime jurídico do transporte de
passageiros em automóveis ligeiros de
aluguer (ou táxis), no sentido de aperfeiçoar o referido regime por via legislativa. A Direcção dos Serviços de Assuntos de Justiça e a Direcção dos Serviços
para os Assuntos de Tráfego elaboraram
em conjunto o texto de consulta sobre a
revisão do regime jurídico do transporte
de passageiros em automóveis ligeiros de
aluguer (ou táxis) e desejam que, no período de consulta que decorre entre os
dias 9 de Agosto e 23 de Setembro, os diversos sectores da sociedade apresentem
opiniões sobre o conteúdo da presente
consulta e sobre o conteúdo do regime
de exploração de táxis em vigor.
Nota: O conteúdo deste texto tem como principal
referência o documento de consulta sobre a revisão
do regime jurídico do transporte de passageiros em
automóveis ligeiros de aluguer (ou táxis).
Texto fornecido pela Direcção dos
Serviços de Assuntos de Justiça
OPINIÃO
O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014
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PT
O L H A N D O
E M
R E D O R
Tempo de unir esforços
PEDRO DANIEL OLIVEIRA
[email protected]
N
os meus tempos de adolescente
aprendi nos bancos da
escola que os mouros eram
infiéis e que os portugueses os
expulsaram do território que delimita
Portugal. Durante anos a fio olhei
com desconfiança para qualquer
maometano, e só consegui mudar
de opinião após aturada pesquisa,
apenas desenvolvida por uma assaz
curiosidade em conhecer a fundo o
mundo onde estou inserido.
Posso agora dizer que me ensinaram
uma História deturpada, cheia de
vícios e preconceitos, que poderão ter
contribuído para que muitos outros
compreendam pouco os muçulmanos
e ostracizem, no seu pensamento,
quem segue o Alcorão.
Nada mais errado, porque muitas
vezes católicos e muçulmanos
fomentaram alianças ao longo dos
tempos, sendo disso exemplo a
registada entre D. Afonso Henriques
e Ibn Qasi, grande mestre do sufismo
(corrente mística do Islão), que
fundou o movimento dos muridinos
e conquistou as taifas de Sines e de
Mértola, combatendo, para isso, os
almorávidas.
No mundo islâmico também
podemos encontrar concepções
erradas que têm levado à intolerância,
havendo inclusivamente perseguições
étnicas e religiosas contra quem não
professa a lei do profeta Muhammad
ibn Abdullah (Maomet).
O recente surgimento em força da
organização sunita da ISIS, que autoproclama um califado denominado
Estado Islâmico, prevendo
inclusivamente que a Península Ibérica
possa ser reconquistada dentro de
cinco anos, é a essência mais pura do
fanatismo religioso.
As ameaças são para levar a sério,
pois o desenvolvimento civilizacional do
século XXI já não tem espaço para as
atrocidades cometidas pela ISIS, em tudo
semelhantes ao que sucedia há mais de
quinhentos anos, como são os casos das
brutais mortes colectivas de quem os
jihadistas do Estado Islâmico consideram
infiéis, sejam muçulmanos (xiitas e
sunitas) ou não (yazidis e cristãos).
Há inclusivamente casos de
crucificações e degolações de cristãos
no Iraque e na Síria, assim como de
famílias inteiras enterradas vivas,
por se recusarem a converter ao
islamismo. Ademais, também muitos
muçulmanos estão a fugir dos locais
controlados pela ISIS, porque não
querem que os seus filhos vejam
os horrores, nem estão para viver
mediante as brutais políticas da sharia
(lei islâmica) implementadas pelos
jihadistas do auto-proclamado Estado
Islâmico.
As atrocidades cometidas
no Iraque e na Síria levaram
recentemente o grande mufti Sheikh
Abdulaziz Al al-Sheikh, a maior
autoridade da lei religiosa da Arábia
Saudita (país de maioria sunita e
um dos mais restritos em termos
de liberdade religiosa no mundo
muçulmano) a considerar os grupos
militantes da ISIS e da al-Qaeda
como «inimigos número um do Islão»,
porque as suas revoltas violentas em
nada estão de acordo com a fé.
A tomada de posição é bastante
significativa, porque a Arábia Saudita
é a casa espiritual do wahhabismo,
corrente islâmica inspirada no clérigo
do século XVIII, Muhammad ibn Abd
al-Wahhab, de quem geralmente se diz
ser o pai do fundamentalismo islâmico.
MENSAGEM
A ideologia da ISIS é totalmente
desprovida de sentido e está
contra a crença de Maomet, que
na verdade até celebrava os seus
amigos cristãos. No “Ashtiname”
(Livro da Paz), ratificado pelo
profeta islâmico, foram garantidas
protecções e privilégios aos
clérigos cristãos do Mosteiro de
Santa Catarina, no Monte Sinai.
«Esta é a mensagem de Muhammad
ibn Abdullah, como pacto dos que
adoptaram a cristandade, perto e
longe, estamos com eles. Na verdade
eu, os servos, os ajudantes e os meus
seguidores defendemos-lhes, porque os
cristãos são meus cidadãos; e por Alá!
Resisto contra qualquer coisa que lhes
desagrade», refere o documento.
«(...) Ninguém os força a viajar
ou os obriga a lutar. Os muçulmanos
são para lutar por eles. Se uma mulher
cristã é casada com um muçulmano,
não é para ser sem o seu consentimento.
Ela não pode ser privada de visitar
a sua igreja para rezar. (...) As suas
igrejas são para serem respeitadas. (...)
Ninguém da nação [muçulmana]
pode desobedecer ao pacto até ao Último
Dia [fim do mundo]», continua o
original do pacto, que se encontra
no Museu de Topkapi, em Istambul
(Turquia).
Com efeito, está na hora de
muçulmanos e cristãos unirem
esforços e, conjuntamente,
lutarem contra a principal ameaça
que mina as duas religiões: o
fanatismo e o extremismo a
qualquer preço, sem respeito pelos
valores humanos e desprendido
de qualquer tipo de ética. Convém
também que o Ocidente conheça
melhor o mundo muçulmano, a
começar pelos bancos da escola.
Acima de tudo, o Ocidente não
pode impor as suas vontades e
conceitos em países ou civilizações
com uma outra forma de viver e
de se relacionar. Há que cooperar,
promovendo o entendimento
mútuo, em vez de a salvo de
interesses dúbios e manipulativos
querer controlar o mundo através
dos ideais democráticos, que não
mais servem do que alimentar
a indústria do armamento, a
cobiça em torno do petróleo
ou as ambições políticas de uns
quantos, sempre em detrimento
dos interesses maiores das nações
onde foram eleitos. No fundo, a
ISIS é o resultados de todas estas
“distracções”.
LOCAL
O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014
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PT
Provisão 282
Provisão 293
José Lai, Bispo Diocesano de Macau
José Lai, Bispo Diocesano de Macau
Fazemos saber que, por conveniência de serviço, havemos por bem desligar o
Revdo. Pe. Luís Lei Xavier do ofício de Pároco da Paróquia de Nossa Senhora
do Carmo, Taipa – Macau.
Esta nossa Provisão entra em vigor no dia 1 de Setembro de 2014.
Dada em Macau, no Paço Episcopal, sob o Nosso Sinal e Selo de Armas,
aos 22 de Agosto de 2014.
+ José Lai
Bispo de Macau
Provisão 283
José Lai, Bispo Diocesano de Macau
Fazemos saber que, por conveniência de serviço, havemos por bem desligar o
Revdo. Pe. Un Wai Meng do ofício de Pároco da Paróquia
de S. Lourenço – Macau.
Esta nossa Provisão entra em vigor no dia 31 de Agosto de 2014.
Dada em Macau, no Paço Episcopal, sob o Nosso Sinal e Selo de Armas,
aos 22 de Agosto de 2014.
+ José Lai
Bispo de Macau
Fazemos saber que, por conveniência de serviço da Diocese e com o consentimento do superior provincial da Companhia de Jesus, havemos por bem nomear o
Revdo. Pe. Yeung Kwok Fai George Vigário Paroquial da Paróquia
de S. Lourenço – Macau.
Esta nossa Provisão entra em Vigor no dia 1 de Setembro de 2014.
Dada em Macau, no Paço Episcopal, sob o Nosso Sinal e Selo de Armas,
aos 26 de Agosto de 2014.
+ José Lai
Bispo de Macau
Provisão 308
José Lai, Bispo Diocesano de Macau
Fazemos saber que, por conveniência de serviço da Diocese e com o consentimento do superior provincial dos Missionários Combonianos do Coração de Jesus,
havemos por bem nomear o Revdo. Pe. Corrado de Robertis Vigário Paroquial da
Paróquia de Nossa Senhora do Carmo – Macau.
Esta nossa Provisão entra em vigor no dia 4 de Setembro de 2014.
Dada em Macau, no Paço Episcopal, sob o Nosso Sinal e Selo de Armas,
aos 3 de Setembro de 2014.
+ José Lai
Bispo de Macau
Provisão 284
José Lai, Bispo Diocesano de Macau
Fazemos saber que, por conveniência de serviço, havemos por bem nomear o
Revdo. Pe. Un Wai Meng Pároco da Paróquia de Nossa Senhora do Carmo,
Taipa – Macau.
Esta nossa Provisão entra em vigor no dia 1 de Setembro de 2014.
Dada em Macau, no Paço Episcopal, sob o Nosso Sinal e Selo de Armas,
aos 22 de Agosto de 2014.
+ José Lai
Bispo de Macau
Provisão 285
José Lai, Bispo Diocesano de Macau
Fazemos saber que, por conveniência de serviço, havemos por bem desligar o
Revdo. Pe. Ancheril, Jojo Peter do ofício de Vigário Paroquial da Paróquia
de S. Lourenço – Macau.
Esta nossa Provisão entra em vigor no dia 31 de Agosto de 2014.
Dada em Macau, no Paço Episcopal, sob o Nosso Sinal e Selo de Armas,
aos 22 de Agosto de 2014.
+ José Lai
Bispo de Macau
Provisão 286
José Lai, Bispo Diocesano de Macau
Fazemos saber que, por conveniência de serviço da Diocese e com o consentimento do superior provincial dos Missionários Claretianos, havemos por bem
nomear o Revdo. Pe. Ancheril, Jojo Peter Pároco da Paróquia de S. Lourenço –
Macau.
Esta Provisão entra em vigor no dia 31 de Agosto de 2014.
Dada em Macau, no Paço Episcopal, sob o Nosso Sinal e Selo de Armas,
aos 22 de Agosto de 2014.
+ José Lai
Bispo de Macau
Circular
Respondendo à intenção de Sua Santidade O Papa Francisco, solicita-se a toda a
Comunidade Católica de Macau que rezem pelos Cristãos que sofrem e são perseguidos pela Fé em Deus e pela Igreja Católica no Iraque.
Por esta causa, junto se anexa uma oração a ser inserida na “Oração dos Fiéis”,
nas Missas Antecipadas e Dominical, no Sábado e Domingo, respectivamente 6 e 7
de Setembro de 2014.
O Chanceler,
Cón. Ló, Iok Seng Luís Gonzaga
Oração aos Fiéis
Oremos também a Deus por todos os nossos irmãos Cristãos, por intercessão de
Nossa Senhora “Maria Auxiliadora dos Cristãos” e “Mãe da Igreja”, que em todos os
momentos difíceis pelos quais a Igreja tem passado, esteve sempre presente, e que
agora mais do que nunca, debaixo da sua protecção, proteja estes nossos irmãos
perseguidos, dando-lhes coragem, e confiança em Deus, para que possam superar
os momentos difíceis que actualmente passam.
O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014
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OPINIÃO
2015, o “Ano da Graça”
LUIS BARREIRA
A
grande maioria dos portugueses
terminou as suas férias ou, pelo
menos, aqueles que as puderam
gozar, uma vez que são cada vez mais
os desempregados a aproveitar o
Verão para ganharem uns “cobres” em
empregos sazonais.
Este “querido mês de Agosto”, que
agora terminou, funcionou como um
escape para as preocupações de um
quotidiano cheio de problemas.
Como se paga a renda, a água, a
luz, o gás, os transportes, a comida, a
roupa, os medicamentos e a escola dos
miúdos com um salário mínimo de 485
euros, cada vez mais generalizado em
Portugal, foi problema para resolver
depois das férias. Férias são férias
e os portugueses, durante um mês,
quiseram eliminar todos os depressivos
com alguns mergulhos nas praias ou em
festas e romarias que, com a preciosa
ajuda dos emigrantes, se multiplicaram
pelas aldeias e vilas de Portugal.
Durante um mês as ralações ficaram
na “nuvem cibernética” da memória,
tentando recuperar algum espaço
disponível para a alegria de viver.
O Primeiro-Ministro deu o exemplo,
ao responder a uma jornalista que o
interrogava sobre os mais recentes
chumbos do Tribunal Constitucional...
que estava de férias. Alguns ficaram
zangados com a resposta! Como é que
o PM de um país a passar por tantas
dificuldades pode dar-se ao luxo de
responder desta forma? Outros nem
por isso e até estariam dispostos a
conceder-lhe férias permanentes.
Mas à medida que se aproximava
o fim do mês e num esforço para
manter o “sonho das férias” o Governo
começou a dar, doseadamente, “boas”
notícias.
A dívida pública continua a subir,
atingindo já 134% do PIB. Mas não faz
mal! O Governo estima que em 2015 (
o “Ano da Graça”) ela vai descer para
128,7%...
Durante este ano as compras de bens
e serviços pela Administração Pública
(o Estado) deveriam baixar 10%, em
relação a 2013. No entanto, durante
os primeiros sete meses deste ano,
aumentaram 0,4%. Não faz mal! O
Governo estima resolver o problema até
ao início de 2015 (o “Ano da Graça”).
Em Abril o Governo estimava que o
crescimento económico para este ano
seria de 1,2%, mas agora rectificou para
1%. Mas não faz mal! Com o reforço
de mais 15% para o Ministério da
Economia chegar-se-á a 2015 (o “Ano
da Graça”) a crescer o dobro.
Este ano, e até agora, gastouse menos com a Segurança Social
(15,2%). Mas na verdade, entre os
mais de 700 mil desempregados (fora
aqueles que já desistiram de recorrer
ao sistema), quase metade já não tem
subsídio de desemprego e os que o
recebem veem o seu valor cada vez mais
reduzido, sendo que 50 mil pessoas
ficaram sem complemento social para
idosos, 60 mil sem rendimento social de
inserção, 30 mil crianças sem abono de
família e 25% das crianças portuguesas
sentem o drama da pobreza infantil.
Dizem que o desemprego diminuiu
para 14,2%, mas na verdade uma
grande parte do emprego foi criado
pelo Estado através dos temporários
cursos de formação que retiram os
desempregados das estatísticas e não foi
avaliado o impacto do emprego sazonal
neste período de Verão. No entanto,
o Governo espera que em 2015 (o
“Ano da Graça”) e face ao aumento
do crescimento económico possam ser
corrigidas algumas “distorções”...
A receita dos impostos aumentou
e permitiu ao Governo uma “folga”
no Orçamento e uma indisfarçável
alegria na comunicação ao povo de que
“não iria aumentar mais os impostos”.
Ficámos todos “contentes” e sem
perceber porque é que se pressionou
tanto o Tribunal Constitucional,
considerando que os chumbos nos
cortes dos rendimentos da população,
propostos pelo Governo, viriam a ser
uma derrocada económica para o País,
quando afinal até havia dinheiro. No
entanto, o Governo parece admitir que,
talvez para 2015 (o “Ano da Graça”), se
possa diminuir a actual e “brutal” carga
de impostos.
Entusiasmados com as boas notícias,
o povo ouviu ainda o Governo garantir
que vai cumprir com a meta do défice
para este ano, fixada pela “frau”
Merkel, ou seja, 4%, e para 2015 ( o
“Ano da Graça”) o valor será de 2,5%.
Como ninguém explica como
vamos conseguir ser os “melhores da
Europa” com a economia a abrandar, as
exportações a descer e sem aumentar
os impostos, pensa-se que a solução
é vender o resto dos “tarecos”, como
é o caso da “TAP que não anda, voa”
(perdão “boa”).
Como é bom Portugal em férias e em
vésperas de eleições. Em 2015 (o “Ano
da Graça”) quem vier atrás que feche a
porta!
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O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014
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O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014
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PT
OPINIÃO
CAMPEONATO ARRANCA A 13 DE SETEMBRO
O que é a Fórmula E?
MANUEL DOS SANTOS
E
sta tem sido a pergunta que
mais me têm colocado nos
últimos dias, o que não admira
já que estamos a menos de duas
semanas do início do 1º Campeonato
FIA de Fórmula E.
De momento, é um campeonato
monomarca, com carros totalmente
iguais para todos os pilotos e equipas
inscritos. Os carros foram desenhados
e construídos por um conjunto de
entidades europeias que incluiu a
McLaren Electronic Systems, a Renault
Sport Technologies, a Williams
Advanced Technology, e a Michelin
Pneumatiques. A soma final de todos
estes componentes foi montada
num chassis estudado e construído
pela Dallara Racing e o conjunto foi
baptizado como Spark-Renault SRT01E. Sendo um carro destinado a um
Campeonato da FIA, os protótipos
foram sujeito a todos os testes
mandatórios para os carros de Fórmula
1 actuais.
Há 40 carros que foram entregues
a dez equipas, cada uma com dois
pilotos por corrida, podendo no
entanto inscrever mais dois como
reservas. As Ecorridas, que deverão
ter uma duração de 45 minutos,
poderão parecer estranhas no início,
pois como cada piloto dispõe de dois
carros, e será praticamente impossível
recarregar as baterias em pouco
tempo, cada piloto fará três “turnos”
por corrida.
Depois de efectuada a largada, de
maneira normal, com os 20 carros
parados nos lugares conseguidos nas
duas diferentes provas de qualificação,
os concorrentes levarão os seus carros
até onde eles puderem ir, isto é, até
onde a carga da bateria do primeiro
carro chegar. Espera-se que será nas
boxes... O piloto troca de carro e
voltar a sair para a pista, repetindo-se o
espectáculo mais um vez.
Não há troca de pneus, porque de
cada vez que o carro parar para ser
substituído o carro que o piloto vai
utilizar estará em estado de “novo”,
incluindo baterias, pneus e acertos
aerodinâmicos.
A expectativa é muito grande.
Durante o último mês a organização
tem praticado largadas, mudanças de
carro, com todos os pilotos e equipas
envolvidas. No passado dia 17 deste
mês foi efectuada pela primeira vez
uma corrida de teste, com todas
as equipas, pilotos, field-marshals,
cronometragens, segurança, etc.,
exactamente como se como se fosse
uma corrida “a sério”. Aparentemente
tudo correu bem, se bem que os
delegados da FIA tenham dito que há
pequenas coisas a melhorar e outras
a rever. O tempo é curto, mas tudo
estará a postos em Beijing no próximo
fim de semana.
A parte do espectáculo não deverá
defraudar os milhares de pessoas que
já mostraram interesse nesta nova
fórmula de competição automóvel.
O circuito de Donnington Park, no
Reino Unido, esteve sempre repleto
de espectadores, curiosos e jornalistas,
durante todas as acções de treino e
afinação da nova categoria de desporto
motorizado. Mas os “puristas” acham
que ainda é cedo de mais para se
avançar com uma tecnologia 100%
eléctrica no desporto automóvel.
Não se conseguiu perceber se estes
“receios” eram simplesmente o fruto
de sentimento sincero de que ainda
é mesmo muito cedo, ou se um
sentimento de medo de um futuro que
não é bem aceite por quem prefere o
“status quo” actual.
Haverá problemas de adaptação,
que estamos certos irão desaparecendo
aos poucos como desapareceram as
queixas sobre o som dos carros de
Fórmula 1 este ano. O som dos carros
desta novel fórmula será um misto
do ruído produzidos pelos pneus
em contacto com o solo, o ruído do
vento nos apêndices aerodinâmicos,
e um “zuuuiiiiinnn” muito futurista e
próprio de um bom filme de ficção,
produzido pelo motor 100% eléctrico
em alta rotação...
Os carros têm uma velocidade
máxima de 225Kph, enquanto que os
Fórmula 1 actuais andam muito perto
dos 300. Por outro lado, o facto de que
os carros não perdem peso ao longo
da corrida à medida que a energia
se gasta, faz com que a gestão dos
pneus deixe de ser uma preocupação
para o piloto, mais a mais mudando
completamente de carro, duas vezes
durante a duração de cada corrida.
O campeonato começa no próximo
sábado, dia 13, em Beijing. O
calendário terá mais nove provas, assim
distribuídas: 2014 - Malásia, Putrajaya,
18 de Outubro; Brasil, Rio de Janeiro,
15 de Novembro; Uruguai, Punta
Del Este, 13 de Dezembro. 2015 Argentina, Buenos Aires, 10 de Janeiro;
Estados Unidos da América, Miami, 14
de Março; Mónaco, Monte Carlo, 9 de
Maio; Alemanha, Berlim, 30 de Maio; e
Reino Unido, Londres, 27 de Junho.
Pessoalmente, estamos em dívida
sobre muitas coisas nesta nova
Fórmula, que irá, não para já mas
a curto prazo, entrar em rota de
colisão com a Fórmula 1.
Uma delas é o facto de ser uma
categoria monomarca, o que afasta
muitos espectadores. Durante os
últimos 40 anos viram-se aparecer,
e desaparecer, inúmeras fórmulas
monomarcas, algumas ainda muito
recentemente. Todas se revelaram
efémeras, apesar da grande
espectacularidade de muitas delas, que
contavam ainda com o factor ruído
do motor, que é apesar de tudo uma
das coisas que os fãs gostam e querem
ouvir.
A fórmula E poderá evoluir para um
campeonato aberto, com vários chassis
de fabrico diferente, ou mesmo apenas
com um fabricante de chassis, que
é o caso da Fórmula 3 actual, onde,
por coincidência, ou não, o único
chassis competitivo é o da Dallara, a
construtora dos chassis da Fórmula E.
Em aberto terá de estar a possibilidade
de utilizar vários motores diferentes e
em alguns campeonatos a escolha livre
dos pneus.
Gostávamos que a Fórmula E
vingasse, crescesse e se tornasse uma
categoria respeitada, pois pensamos
que a solução, a curto prazo para
o transporte automóvel terrestre e
para todo desporto a ele associado,
passará obrigatoriamente por
motorizações que não terão nada a
ver com combustíveis fósseis e não
renováveis.
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O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014
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O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014
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C U LT U R A
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O CLARIM | Semanário Católico de Macau
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CAMINHOS DO BRASIL
A Ponte das Caveiras
e o Arraial do Aleijadin
JOAQUIM MAGALHÃES DE CASTRO
[email protected]
O conjunto de Pontes
da Rancharia sofre
consideráveis trabalhos de
restauro. Toda a estrutura
foi escorada com ferro
pois o trânsito continua a
passar por cima. Erguer
o piso asfaltado e colocar
entre este e o solo original
umas barras de aço prontas
a aguentar a passagem
dos veículos, acabaria por
ser a solução encontrada.
Mais adiante, na Ponte do
Falcão a opção passou pela
construção de uma ponte
provisória. Uma terceira
alternativa – que me parece
a melhor – é a de desviar
o caminho, preservando
assim as pontes,
transformando-as em
sítios turísticos. De colinas
verdejantes e pedregosas
é feita a paisagem que nos
rodeia. A terra nua, essa,
continua a ser vermelha.
Num contínuo serpentear,
a estrada permite que lhe
sigamos o rasto ao longo de
muitos quilómetros.
MAIS UMA ponte fechada ao
trânsito: a Ponte das Caveiras.
Esta é já uma verdadeira atracção turística. Tem até uma placa informativa onde podemos
ler: “O direito de construção
desta ponte foi comprado em
28 de Novembro de 1838 pelo
engenheiro Diogo Clark. Após
dois anos a obra sofre desmoronamento nos seus paredões,
causado pela má qualidade das
pedras utilizadas. Sua reconstrução acontece em 1850, no
auge da abertura da Estrada
Real. Muitas são as histórias e
lendas sobre a Ponte da Caveira. Dizem que há um tesouro
escondido em meio às suas pedras, que mulas sem cabeça e
mulheres vestidas de branco
passeiam por ela à noite. Em
arco de cantaria, a ponte da
Caveira proporciona uma visão panorâmica da paisagem,
com destaque para a Serra de
Itatiaia.”
Felizmente não deu para fi car até à noite para confirmar se
sempre é verdade, essa história
das mulas sem cabeça e das mulheres de branco…
Um pouco adiante, nova placa
de trânsito indica, à esquerda, a
povoação de Santa Rita de Ouro
Preto, onde há uma igreja para
ver. Sempre em frente é o caminho para Ouro Branco e São
João Del Rei.
Alguns cavalos, aparentemen-
te sem dono, observam com
curiosidade a nossa passagem.
A travessia desta cidade fica
marcada por mais um pedido
de Ricardo a alguém (começa
a ser hábito seu) para que pose
para uma fotografia. Desta feita
os eleitos são uns homens montados a cavalo. Lá faço o gosto
ao dedo apesar de a vontade
ser pouca. Nem sempre me
apetece fotografar, por mais interessante que seja o cenário à
nossa frente.
Um rio ondulante e um viaduto cor da terra indicam a proximidade do próximo destino. Ao
meu lado esquerdo vislumbro
um troço de via-férrea, não chegando a perceber se está ou não
em funcionamento. Existe no local, porém, uma pequena estação
ferroviária, assim com um núcleo
habitacional do qual se destaca o
campanário de uma igreja.
Num gigantesco painel publicitário que surge uma centena
de metros adiante vejo retratada
uma das afamadas estátuas do
Aleijadinho. A mensagem tão
pouco passa despercebida: “Aqui
Congonhas e Ouro Branco se
abraçam. Congonhas. Imagem
de Minas. Património Cultural
Mundial”.
Cerca de um quilómetro depois, à entrada de Congonhas,
a churrascaria Zé Dias assegura-nos “o prazer de comer
bem”. A nós e a muitas outras
dezenas de pessoas que lotam
as salas disponíveis, animados
por um cantor acompanhado
ao violão. Aproveito para carregar a bateria do vídeo e da
máquina fotográfica enquanto
nos servimos do abundante e
variado bufete. O preço está
um pouco acima do que habitualmente se pratica, mas que
bem que se come no Zé Dias!
A OBRA DO ALEIJADINHO
O morro do Arraial de Congonhas, o sector que me interessa visitar na incaracterística cidade de
Congonhas do Campo, é pequeno mas tem uma energia muito
forte. Confesso que me surpreende o que vejo cá em cima. Aparentemente, nada de especial:
tão só um hotel e duas dezenas
de casas (as poucas que têm as
portas abertas vendem artesanato), intervaladas com um jardim
e algumas palmeiras, como se de
um qualquer outro arraial de garimpeiros se tratasse. O declive
acentuado no terreno dominado
pelo santuário que lhe dá reputação internacional e pelo qual se
u | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014
15
nho
alinham doze capelinhas da viassacras de forma quadrangular e
tectos ovais, confere ao local um
encanto e magia muito próprias.
Contribuem para essa atmosfera,
e muito, as enigmáticas estátuas
de pedra sabão distribuídas pelo
adro da igreja. Parecem estar vivas, fazendo companhia ou dando conselhos às pessoas que por
ali circulam.
Para ganhar tempo, junto-me
a uns turistas que atentamente
escutam um guia de camisola
amarela contratado pela Auxílio Pedagógico & Excursões.
Graças a ele fico a saber que a
fundação do santuário se deve a
um tal Feliciano Mendes que encomendou a obra depois de ter
considerado que só um milagre
do divino o poderia ter curado
de uma doença de que padecia. Porém, não bastava querer
para poder edificar templos no
Brasil dessa época; era necessária autorização eclesiástica, que
lhe seria concedida, em 1757.
Seriam necessários mais catorze
anos para dar por finda a conclusão dos trabalhos.
Tudo aqui transparece a vida e a
obra de António Francisco Lisboa,
conhecido como o Aleijadinho,
nascido em 1738, em Vila Rica de
Ouro Preto, filho do mestre escultor e construtor Manuel Francisco
Lisboa. A deficiência física que o
marcou à nascença foi insuficiente para impedir que depositasse
todo o seu talento na arte de esculpir, à qual imprimiria o maior
rigor, cumprindo as empreitadas
em tempo recorde.
Em 1780 deu-se início às obras
de arranjo da colina onde está implantado o santuário tendo em visto a construção de capelas para albergar uma das mais importantes
encomendas feitas a Aleijadinho:
uma série de conjuntos escultóricos representativos das cenas do
calvário de Jesus Cristo – os Passos
da Paixão de Cristo, como se diz
no Brasil. Mas as capelas só seriam
construídas alguns anos depois
deste “animador de estátuas” –
assim o podemos chamar – ter
notado o pedido. Primeiro apron-
taram-se as estátuas, as capelas viriam depois, entre 1802 e 1813.
Depois de esculpidas as obras
de arte, Francisco Xavier Carneiro, um colaborador de Aleijadinho, pintou-as com cores vivas,
podendo nós hoje apreciá-las
olhando por entre as frinchas de
madeira rendilhada de cor azul
nos permite ver.
Em 1800, o artista seria de novo
solicitado pelos responsáveis pelo
santuário, desta feita para esculpir,
em pedra sabão, bem mais maleável do que qualquer outra pedra, e
muito abundante na região, as estátuas dos 12 profetas cujos nomes
nem sempre nos são familiares.
Daniel, Isaías, Jeremias, Ezequiel,
Jonas ou até Joel são nomes que
bem conhecemos. Mas quem ouviu falar de Oséias, Baruc, Amós,
Abdias, Naum ou Habacuc?
Em apenas cinco anos todas
estas estátuas, com olhos amendoados a fazer lembrar personagens asiáticas, segurando pergaminhos com textos alusivos em
Latim, certamente inspiradas
em gravuras italianas da época,
estavam prontas e seriam colocadas numa plataforma em frente
ao adro do santuário para poderem ser apreciadas devidamente
pelas gerações vindouras.
O local é permanentemente
vigiado por um guarda que não
deixa que as pessoas se encavalitem nas estátuas, para se fazerem
fotografar, ou, pior do que isso,
lhes façam baixos-relevos de péssimo gosto. A tentação é grande
e as obras de arte mostram já
sinais da incúria do passado: há
partes quebradas e alguns nomes, datas e promessas de amor
gravadas nas respectivas bases.
Também em Congonhas, devido ao afamado Jubileu, e porque não fora feito um pedido
de autorização prévio, sou impedido de fotografar o interior
da igreja, embora me autorizem
a visitá-lo. Mas não por muito
tempo, pois os horários de encerramento são para cumprir.
Verdade seja dita: com normas
assim tão restritivas, a vontade
de documentar é pouca.
C U LT U R A
PT
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O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014
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LITURGIA
O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014
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PT
XXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A – 7 SETEMBRO
Como ajudar Deus
a encontrar o seu tesouro
Subtilmente, quase imperceptivelmente, como
uma serpente que se introduz nas fissuras de
uma rocha, ganha espaço
entre os cristãos a mentalidade deste mundo, que
vê as pessoas com base no
sucesso que obtêm, nas
capacidades que têm, na
riqueza que acumulam.
Os génios, os atletas, as
personalidades eminentes, quem quer que seja
que demonstre ter capacidades particulares é
admirado e pretendido;
os fracos, os pobres, os
incapazes, os deficientes
são para muitos – mesmo
que isso dificilmente seja
admitido – quase um fardo incómodo.
A comunidade que se
gloria com os seus «heróis» e experimenta uma
repulsa
inconfessável
pelos pecadores a quem
considera um peso, ramos secos, uma «desonra» para toda a família,
mostra ter assimilado os
critérios deste mundo,
não os de Deus que se
enamora dos últimos, da-
queles que não contam.
Ele declarou o seu amor
ao mais insignificante
dos povos, Israel, desta
forma: «és precioso aos
meus olhos, Eu te estimo
e te amo» (Is 43, 4).
A perspectiva de Jesus
é idêntica: no centro das
atenções da sua comunidade pôs «os pequenos».
Eles são o tesouro de
Deus, a pérola preciosa
pela qual vale a pena revistar todos os cantos do
mundo, a jóia que enche
de alegria irreprimível
quem a encontra (Mt 13,
44-46). Diziam os rabis:
«o Senhor alegra-se com
a ressurreição dos justos e
com a ruína dos ímpios.»
Pelo contrário, o Deus de
Jesus faz mais festa por
um pecador que regressa do que por noventa e
nove justos (Mt 18, 13).
Somente se compreendemos os gostos de Deus,
que «escolheu os pobres»
(Tg 2, 5) e olha para os
humildes (Is 66, 2), é que
estamos na justa disposição para acolher a mensagem das leituras de hoje.
Para interiorizar a mensagem, repetiremos:
- Quem traz de volta à vida
um irmão experimenta a
alegria de Deus.
HORÁRIO DAS MISSAS
(DOMINGOS E DIAS SANTOS)
7.00 horas
7.30 horas
8.00 horas
8.15 horas
8.30 horas
9.00 horas
—
—
—
—
—
—
9.30 horas
—
10.00 horas
—
10.30 horas
11.00 horas
11.00 horas
11.15 horas
12.00 horas
16.30 horas
17.30 horas
18.00 horas
—
—
—
—
—
—
—
—
20.30 horas
—
S. Lázaro, Fátima (C).
Sé, S. Lourenço e St.º António (C).
S. Lázaro (C).
S. Francisco Xavier — Mong-Há (C).
St.º António.
Sé, S. Lourenço, N.ª Sr.ª do Carmo —
Taipa (C); Fátima (C).
S. Lázaro, S. Francisco Xavier (Mong-Há),
S. José Operário (C).
St.º António (P); S. Francisco
Xavier — Coloane (I, C);
N.ª Srª do Carmo — Taipa (I).
Sto. Agostinho (Tagalog).
Sé (P), Hospital de S. Januário (P);
N.ª Srª do Carmo — Taipa (P).
Instituto Salesiano (I).
Fátima (I).
S. Agostinho (I); Fátima (vietnamita)
S. José Operário (I).
Sé (I); S. Fr. Xavier Mong-Há (C).
S. Lázaro (P).
S. José Operário (M).
MISSAS ANTECIPADAS
17.00 horas
17.30 horas
18.00 horas
18.30 horas
19.00 horas
20.00 horas
—
—
—
—
—
—
S. Domingos (P).
S. Fr. Xavier – Mong-Há (I).
Sé (P).
N.ª S.ª do Carmo — Taipa (I).
S. Lázaro (C).
Fátima (C).
ABREVIATURAS
C - Em Cantonense I - Em Inglês M - Em Mandarim P - Em Português
IRAQUE
Vaticano insiste numa intervenção internacional
O REPRESENTANTE da Santa Sé no
Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas disse, na
passada segunda-feira, em Genebra, que a comunidade internacional tem de tomar «medidas
concretas» contra os extremistas
do Estado Islâmico no Iraque.
«Aresponsabilidadedeprotecção
internacional,emespecialquandoum
Governo não é capaz de assegurar a
segurançadasvítimas,aplica-seneste
casoeénecessáriodarpassosconcretoscomurgênciaedeterminaçãopara
travar o agressor injusto», declarou
D. Silvano Tomasi, em discurso
pronunciado na cidade suíça e
enviado à agência Ecclesia.
O arcebispo italiano recordou em particular os «grupos
vulneráveis» e as minorias religiosas que têm sido alvo dos
jihadistas.
Falando na 22ª sessão especial
do conselho da ONU, o representante da Santa Sé denunciou
«crimes contra a humanidade» e
pediu o fi m do fi nanciamento e
armamento dos extremistas do
Estado Islâmico.
Pelo menos mil 420 pessoas
foram mortas e mil 370 feridas em combates e outros incidentes violentos em Agosto no
Iraque, anunciou a missão da
ONU em Bagdade.
«Todososresponsáveisregionais
e internacionais devem condenar
explicitamente o comportamento
brutal, bárbaro e incivilizado dos
grupos criminosos que combatem
no leste da Síria e norte do Iraque»,
disse D. Silvano Tomasi.
PAPA TELEFONOU
A PADRE IRAQUIANO
Entretanto o Papa Francisco
telefonou a um padre iraquiano
que lhe escreveu “Uma carta de
lágrimas” e revelou que vai continuar«afazeromelhorpossível»pelos
cristãos perseguidos no Iraque.
«O Papa Francisco manifestou
profundacomoçãopelacartarecebidadovice-reitordoSemináriocatólico
de Ankawa», que vive em Bartella,
pequena cidade cristã perto de
Mossul, no norte do Iraque, explicou o vice-director da Sala de
Imprensa da Santa Sé.
O padre Ciro Benedettini
disse ainda que Francisco «prometeu» que vai continuar «a fazer
omelhorpossívelparaproporcionar
alívio aos sofrimentos» dos cristãos que são perseguidos pelos
militantes do Estado Islâmico.
A missiva do padre Behnam
Benoka, “Uma carta de lágrimas”, relatava a «situação terrível» dos cristãos que «morrem e
têmfome,osseusfilhostêmmedoe
não aguentam mais».
Ao telefone o Papa revelou
gratidão aos voluntários que
trabalham nos campos de refugiados e deu pleno apoio, participação espiritual, solidariedade e proximidade aos cristãos
perseguidos.
A Rádio Vaticano informou
que o telefonema, efectuado
depois da viagem de Francisco à Coreia do Sul, terminou
com «a bênção apostólica do
Papa ao sacerdote e à sua comunidade iraquiana, pedindo ao
Senhor que lhes dê o dom da perseverança na fé».
ECLESIAL
O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014
18
PT
PRECISAMOS DE PERDÃO FREQUENTE
Ainda há espaço para mais um
PE. JOSÉ MARIO MANDÍA
[email protected]
UM CATÓLICO estava a conversar
com um amigo que não é Católico. O amigo disse-lhe: «– Sabes
porque é que eu não quero ser Católico?»
«– Não. Porquê?»
«– Porque há muitos pecadores
na Igreja Católica.»
«– Oh, não te preocupes», disselhe o amigo, «– Há sempre lugar
para mais um.»
Nós Católicos somos pecadores. Como qualquer outra pessoa. Em todo o Mundo houve
apenas duas pessoas que nunca
pecaram: Jesus («Quem de vós me
acusará de pecar?», João 8:46) e
Maria («Cheia de Graça», Lucas
1:28).
Somos Católicos porque
somos pecadores. Se não fossemos pecadores não precisaríamos da Igreja Católica. Os
que têm saúde não precisam
dos médicos, apenas os que
estão doentes (Lucas 5:31).
Estamos doentes. Somos pecadores. Realmente somos. É
por isso que somos Católicos.
«Eu não vim para convocar os
virtuosos, mas chamar os pecadores para que se arrependam (Lucas 5:32)». Se sou Católico
e penso que não há nada de
errado comigo – nada a corrigir, nada a alterar – então sou
um grande tolo. Algo está terrivelmente errado.
Ser-se Humano significa que
se pode ser aperfeiçoado. Há
sempre algo que pode ser melhorado, algo que se pode fazer
melhor. Somos Católicos porque sabemos que Jesus Cristo
forneceu a Igreja com os meios
para nos transformar de pecadores em Santos.
O Papa Francisco comparou
a Igreja com um hospital de
campanha. Jesus Cristo equipou-a com os recursos necessários e suficientes para curar
todos os tipos de doenças espirituais: orgulho e arrogância,
luxúria, avareza materialista e
egoísmo, indiferença, raiva e
rivalidades, inveja.
Entre esses recursos estão os
sacramentos. Os sacramentos
são os sinais visíveis aos quais Jesus concedeu efeitos espirituais
específicos.
Esses sinais visíveis compõem-se de: (1) sinais mate-
riais (tais como a água, óleo
perfumado, pão e vinho), (2)
um certo tipo de acção (por
exemplo derramar a água,
benzer com óleo, consagrando o pão e o vinho) e (3) palavras audíveis (as orações que
acompanham cada sacramento). E porque é que eles precisam de ser visíveis? Porque
o ser humano adquire conhecimento através dos seus sentidos. Para nos salvar, o Deus
invisível transformou-se num
Homem visível (Jesus Cristo),
estabeleceu uma Igreja visível,
e Ele instituiu meios de salvação visíveis.
Através dos sinais visíveis,
que se podem observar, de
cada sacramento, asseguramonos de que estamos a receber
uma Graça. Os sacramentos
certificam que recebemos
uma Graça. Eles são a assinatura de Deus.
Como Católicos, precisamos de admitir que pecamos.
Mas não nos ficamos por aí.
Necessitamos de procurar o
perdão, vezes sem conta. Um
Santo é aquele que responde
«setenta vezes sete» ao perdão
oferecido por Jesus «setenta
vezes sete» vezes. (ver Mateus
18:22)
Na sua audiência de 19 de
Fevereiro o Papa Francisco desafiou cada um de nós a perguntar a si próprio: «Quando
foi a ultima vez que fui à Confissão? E se foi já há algum tempo
não percamos nem mais um dia!
Vão, o padre será acolhedor. E,
Jesus (estará presente), e Jesus é
melhor que qualquer padre – Jesus
recebe-nos. Ele receber-nos-á com
tanto amor! Tende coragem, vão à
Confissão».
O Santo Padre fez também
esta observação, em Novembro do ano passado: «Os padres
também precisam de se confessar,
mesmo os bispos.Todos somos pecadores. Até o Papa se confessa a
cada duas semanas, porque tambémeleépecador.Omeuconfessor
ouve o que eu digo, dá-me o seu
conselhoeperdoa-me.Todosnecessitamos disto!»
Na sua primeira mensagem
de Angelus a 17 de Março o San-
to Padre disse: «O Senhor nunca
secansadeperdoar.Somosnósque
nos cansamos de pedir perdão».
S. João Paulo II encontravase com o seu confessor todos os
sábados. E eu?
Em Outubro de 2005 uma
menina perguntou, um dia,
ao Papa Bento XVI, o seguinte: «– Santo Padre, antes do dia
da minha Primeira Comunhão
fui confessar-me. Tenho-me confessado em outras ocasiões, desde
então. Gostava de lhe perguntar:
Tenho que me confessar de cada
vez que vou receber a Comunhão,
mesmo quando apenas cometi os
mesmospecados?Porqueverifiquei
queosmeuspecadossãosempreos
mesmos».
O Santo Padre ficou divertido com a pergunta e respondeu: «– Deixa-me dizer-te duas
coisas. A primeira, naturalmente
é que não tens que te confessar antes de todas as vezes que recebes a
Comunhão, a menos que tenhas
cometido um pecado muito sério,
que precise ser confessado. E por
isso não é necessário confessarmonos antes de cada vez que formos
comungar. Este era o primeiro
ponto. Só é necessário confessarse se se tiver cometido um pecado
realmente sério, no qual tenhamos
ofendidoJesusprofundamente,ao
ponto de que a Sua amizade tenha
sido destruída, e aí ter-se-á que recomeçar novamente do princípio.
Apenas neste caso, em que se está
em estado de“pecado mortal”, por
outras palavras, (pecado) grave, é
que é preciso confessar-se antes da
Comunhão. Este é o meu primeiro
ponto.
O meu segundo ponto: mesmo
que, como eu disse, não seja necessário confessar-nos antes de cada
Comunhão, ajuda muito que nos
confessemoscomalgumaregularidade. É verdade que os nossos pecados são sempre os mesmos, mas
nós limpamos as nossas casas, os
nossos quartos, pelo menos uma
vez por semana, mesmo que a sujeira seja sempre a mesma, para
podermos viver limpos e para podermos começar de novo. De outra
maneira, a sujeira poderá até nem
se ver, mas vai-se acumulando.
Pode-se dizer algo parecido com
respeito à alma para mim próprio.
Se eu nunca for confessar-me a
minha alma ficará descuidada e
acabo por me contentar apenas comigo e deixar de perceber que preciso de trabalhar constante e duramente para melhorar e que devo
fazer progressos.
Esta é a limpeza da alma que Jesus nos deu, através do Sacramento
da Confissão ajuda-nos a ter a nossa consciência mais alerta, aberta, e
isso também nos ajudará a amadurecerespiritualmente,ecomoseres
humanos.
Sendo assim, duas coisas: a Confissãosóénecessáriaemcasodeum
pecado grave, mas ajuda muito
confessarmo-nosregularmentepara
que cultivemos a limpeza e a beleza
da alma, para amadurecer-mos a
nossa vida diariamente».
Nós, Católicos, somos pecadores cuja ambição é ser
santo «Deves ser santo por mim:
Porque eu, o SENHOR, sou santo (Levítico 20:26)». E o que
é que podemos fazer com a
graça que Deus nos concede
através dos sacramentos? «Sem
mim vós não pudereis fazer nada
(João 15:5)».
Caso tenhamos um amigo
que sente que é um pecador,
mas que quer ser santo, convidem-no a vir à Igreja.
Há SEMPRE espaço para
mais um.
ECLESIAL
O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014
PT
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Os Coptas
O CRISTIANISMO NO EGIPTO
VÍTOR TEIXEIRA (*)
[email protected]
O TERMO Coptas designa, na sua etimologia, de forma generalizada e sem distinções, os egípcios no seu todo. O seu sentido original é pois étnico, conferido pelos
gregos, desde o séc. VII a.C., a partir do
nome do templo de Mênfis dedicado ao
deus Ptah, ou seja Ha[ou Het]-ka-Ptah,
em egípcio antigo a “casa onde mora
Ptah”, ou on está o ka (“espírito”) de Ptah.
Daí ter surgido, após algumas “deformações”, HaKaPtah, que derivou no Grego
Aegypt[i]os, ou Aegupt[i]os, que em Latim era Aegiptus (daí Egipto). Os árabes
a partir do século VII, na sequência da
conquista islâmica do Egipto, em 641,
designavam, em textos coevos, Qbt (lê-se
Qubt, ou Qupt) ou Qft (idem). A partir
do século XVI surge no Francês o termo
Copte(s), com base no termo árabe. Mas
nesta altura a designação já não era étnica em geral, relativa a todos os egípcios,
mas religiosa, apenas designando os que
eram cristãos, numa concepção idêntica à
actual. O termo aplica-se também a todo
o modo de vida dos cristãos no Egipto, ou
na sua diáspora. Liturgia e “arte” são os
conceitos aos quais mais se liga o termo,
como também o monaquismo ou a literatura, embora hoje assuma também conotações políticas e identitárias. Os Coptas
no Egipto constituem-se em dois grupos:
a Igreja Copta Ortodoxa, com sede em
Alexandria, cujo Patriarca assume o título de “Papa”; e a Igreja Católica Copta,
fundada no século XIX e subordinada
a Roma. A primeira, no Egipto e na diáspora, contará cerca de dez milhões de
fiéis, enquanto coptas católicos não serão
mais de 300 mil. A Igreja Monofisita da
Etiópia, que muitas vezes é considerada
como Copta, não o é na realidade, pois
tornou-se independente do Patriarcado
de Alexandria em 1959, além de se distinguir teologicamente.
Os Coptas Ortodoxos formam uma
Igreja monofisita (do Grego monos, “único, singular”, e physis - “natureza”), ou
seja, rejeita as conclusões do Concílio de
Calcedónia, em 451, que estabeleceu que
Jesus Cristo conservou em si as duas naturezas (diofisismo), natureza e a divina.
Os monofisitas defendem que Jesus tem
apenas uma, embora sem prevalência da
divina nem da humana, nem mesmo da
síntese, estando para lá dessas naturezas.
Todavia, o ênfase era dado à divina.
A Igreja Copta foi fundada no Egipto,
no século I, a partir da evangelização de
S. Marcos, evangelista. Os Coptas celebram assim a sua liturgia segundo o rito
alexandrino, a antiga liturgia cristã dita
“de S. Marcos”. Os Coptas adoptaram um
calendário designado de “Calendário dos
Mártires”, cuja era começa em 29 de Agosto de 284 d.C., recordando os que morreram pela fé por ordem do imperador
romano Diocleciano. O culto dos santos
centra-se no pedido da sua intercessão,
pelos fiéis, não propriamente numa devoção como noutras Igrejas cristãs, não
deixando porém de ter importância. Por
exemplo, cada igreja assume o nome de
um santo patrono, além de que a produção de ícones de santos ser uma marca
importante da arte copta ortodoxa, nomeadamente depois do “Renascimento
Copta” nos finais do século XIX. Santa
Maria Virgem (Theotokos) ocupa também um lugar especial no coração dos
Coptas. As principais festas são a Anunciação, o Natal (7 de Janeiro), a Teofania,
o Domingo de Ramos, a Páscoa (segundo
Domingo depois da primeira lua cheia da
Primavera), a Ascensão e o Pentecostes.
Além das festas, os Coptas jejuam cerca
de 210 dias durante o ano, proibindo-se
qualquer carne (até peixe), ovos, manteiga, etc., ou, em extremo, qualquer alimento ou bebida entre o nascer e o pôr
do sol. A Quaresma, por exemplo, é conhecida como o “Grande Jejum”.
A língua copta escreve-se usando o
alfabeto copta, idêntico ao Grego. Descende do Egípcio Antigo, mas hoje em
dia apenas se usa na liturgia. Tem seis
dialectos: o bohaírico (o mais usado),
sahídico, fayumico, oxyrhynquita, akhmímico e o lycopolitano.
A Igreja Copta Ortodoxa é a mais importante Igreja cristã no Egipto, um país
maioritariamente muçulmano (sunita),
no seio do qual a Irmandade Muçulmana assume especial relevo não apenas na
vida religiosa mas principalmente social e
política. O termo copta, como já se disse,
define ao mesmo tempo um povo, uma
língua, um culto, uma Igreja, ainda que
divididos entre os ortodoxos, maioria esmagadora, e os católicos. Os dez milhões
de coptas ortodoxos vivem na sua maioria
no Egipto, principalmente no Alto Egipto, além do Sudão, Jerusalém e Médio
Oriente, além da diáspora europeia e
americana. A hierarquia eclesiástica é formada pelo Patriarca - título oficial: Papa
de Alexandria, Patriarca do Trono (Sé) de
S. Marcos - residente no Cairo, porém, à
frente de cerca de sessenta metropolitas
e bispos membros do Santo Sínodo, além
de outros bispos com cargos especiais ou
residentes na diáspora. Conta esta Igreja
com cerca de mi e 600 sacerdotes casados
e mais de mil monges, estes celibatários.
Os bispos, logo o Patriarca, provêm quase
sempre do ramo monacal. O monaquismo cristão, aliás, nasceu no Egipto, no
Wadi al Natrun (ou Scitia), onde apareceram as primeiras comunidades cenobíticas e respectivas regras. Os monges coptas
retêm especial afecto da parte dos fiéis,
sendo os seus mosteiros muito visitados e
tidos como espaços de culto primordiais.
O actual Papa é Tawadros II (ou Teodoro,
nascido em 1952) o 118º desde S. Marcos
(o 1º ), com o título de Papa de Alexandria e Patriarca de Apostólico de Toda a
África sobre a Santa Sé de São Marcos.
Ocupa o cargo desde 2012, sucedendo ao
mítico Shenuda III (Papa 1971-2012), um
bem-amado Patriarca copta, muito devido
à difícil existência dos coptas no Egipto do
seu tempo.
A Igreja Copta Católica, subordinada
ao Santo Padre, de Roma, tem como referencia o patriarcado católico de Alexandria, criado em 1824, restabelecido
em 1895. Conta com seis dioceses e cerca de 300 mil fiéis.
Apesar das perseguições religiosas
pontuais, em determinadas regiões,
no Egipto (com incêndios de igrejas,
confrontos, disputas, conflitos vários),
apesar das dificuldades, os Coptas prosperam em termos de efectivos, além de
manterem viva a sua fé de forma muito
própria. Além de tudo, ocupam cargos
políticos (ministros) e detêm poder económico, além de prestígio internacional, como é o caso de Boutros-Boutros
Ghali (1922), antigo Secretário Geral da
ONU (1992-1996), entre outros.
(*) Universidade de São José
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O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014
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OPINIÃO
O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014
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A FARPA DO NOSSO (DES)CONTENTAMENTO
POR COLECTIVO ORTIGÃO
Tolstoi
O escritor Lev Tolstoi viveu uma permanente crise de identidade espiritual atormentado por questões como, por exemplo, o sentido da vida. Por volta de 1880
declarou oficialmente a sua “conversão”.
Essa “conversão espiritual” levou-o a recusar a autoridade de qualquer Governo
organizado. A negar o direito à propriedade privada e pregar o conceito de mudanças sociais pela não-violência. Se a terra
é um bem comum, ele deve pertencer a
todos. O seu ideal económico é uma espécie de comunismo agrário-anarquista.
Para ele, o progresso civilizacional isola
os homens uns dos outros e da mãe terra,
provocando um processo de degeneração
física e espiritual.
O Estado não se perpetua somente pela
força, mas também por uma espécie de
encantamento: «Graças a uma organização das mais artificiais, inteiramente forjada em favor do aperfeiçoamento científico e propagandístico, que faz com que os
homens estejam sob um encanto do qual
não se podem libertar».
A hipnose e a corrupção conduzem os
homens a fazerem-se soldados ou polícias. «Os soldados, por sua vez, tornam
possível o facto de punir os homens, pilhar os seus bens, corromper os funcionários com esse dinheiro, hipnotizando a
massa e fazendo delas novos soldados,
que por sua vez fornecerão os meios para
cometer todos esses crimes».
Aos 82 anos de idade, Tolstoi faleceu
no escritório de uma estação ferroviária. O
Governo russo proibiu que vários comboios
especiais trouxessem milhares de pessoas
que desejavam despedir-se dele. Mas isso
não impediu que o caixão fosse transportado por mais de três mil camponeses, e que
os seus restos mortais fossem depositados
debaixo de uma árvore, de acordo com seu
desejo, em Yasnaia Polyana.
Ainda hoje, o viajante encontrará uma
pequena elevação de terra circundada por
uma simples corrente e uma pequena placa de mármore a assinalar o local de descanso de Lev Tolstoi, que um dia, muito
acertadamente, afirmou: «Todos pensam
em mudar o mundo, mas ninguém pensa
em mudar a si mesmo».
CARTOON
ASSOCIAÇÃO DOS MACAENSES Felicita o Dr. Fernando Chui Sai On pela sua reeleição como Chefe do Executivo da Região Administrativa Especial de Macau
APIM
Felicita o Dr. Fernando Chui Sai On pela sua reeleição como Chefe do Executivo da Região Administrativa Especial de Macau
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O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014
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APOMAC
A Associação dos Aposentados,
Reformados e Pensionistas de Macau Felicita o Dr. Fernando Chui Sai On pela sua reeleição como Chefe do Executivo da Região Administrativa Especial de Macau
PT
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O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014
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MYANMAR
Reencontro em Shwebo
JOAQUIM MAGALHÃES DE CASTRO
[email protected]
A 1 DE MAIO, na carrinha episcopal conduzida por Patrick,
seguimos caminho rumo a
Shwebo para assistir às festividades do dia de São José. Afinal,
na qualidade de carpinteiro,
também o pai do Cristo mortal
encaixava na fôrma moldadora da classe operária. Por essa
altura, faziam-se em Shwebo
as primeiras comunhões e os
crismas, sendo imprescindível
a presença do bispo. Ali estava de sotaina branca, no lugar
do morto. Nos bancos de trás
seguíamos nós – eu e o Dragon, um japonês que conheci
na pensão e se interessara pela
comunidade bayingyi – as duas
ajudantes e três padres. A certa altura, um deles, que vivera
bastante tempo nas Filipinas,
sugeriu-me:
«– Devia enviar os artigos que
escreveusobreosbayingyisaumdos
nossos irmãos que vive em Manila e
daliemiteumprogramaderádioem
Birmanêsmuitoouvidopelacomunidade católica de Myanmar».
Em Sagaing, junto do conhecido pagode de Kaungmudaw
Paya, que, reza a lenda, simboliza os seios de uma princesa,
uma vez mais sobreveio o espírito jocoso dos bayingyis. Dessa
vez, seria o bispo a pronunciarse com uma sonora gargalhada:
«– Para ser mais fiel à lenda teria sido melhor mandar erguer dois
pagodes em vez deste tão grande».
Recorde-se que os seios pequenos encaixam no ideal de beleza da mulher birmanesa, e não
o oposto.
Fiquei com a impressão
de que estes “portugueses do
Oriente” mantinham um sentido de humor bem mais aguçado do que nosso, podendo, por
isso, ser considerados uma espécie de brasileiros do Oriente.
Separam Sagaing de Shwebo cento e vinte quilómetros
de uma imensa e tórrida planície, amenizada por árvores
de copa larga lançando sombra sobre os carros de bois
que vagarosamente progrediam nos trilhos paralelos à
estrada, devidamente assinalados pelas profundas marcas
na terra batida.
O cenário era em tudo idêntico ao da minha anterior visita,
dessa feita acompanhado pelo
padre Kolay. O cenário e até
os comentários que se faziam,
sinal de que as coisas em Myanmar pouco mudavam.
Ao longe, as luzes acesas numas instalações militares mereceram de D. Alphonse o seguinte reparo:
«– Aquilo é uma verdadeira vergonha. Ao povo, retiram o direito
a esse bem essencial que é a electricidade, mas quartéis e instalações
militares estão sempre alumiados,
mesmo durante o dia».
D. Alphonse expedia as atoardas acompanhando-as de
uma risada, onde se adivinhava
desprezo pelos governantes.
«– Não é por falta de recursos
energéticos que há racionamentos
de energia», comentava, por
sua vez, Patrick, que continuava a ultrapassar carros de
bois e carrinhas atafulhadas
de pessoas, animais, cestos e
sacos de todo o tipo e feitio.
«– Com isto, a junta limita-se a
testar a capacidade de resistência do povo. Estão a ver até onde
podem ir. Se notam que a revolta
está iminente, cedem algo para
contentar a populaça. É a política da corda apertada, que vai
sendo gradualmente afrouxada».
Nas bermas da estrada avistavam-se bidões de gasolina
amontoados com tubos de borracha ao dependuro, à espera
de uma beata acidental para explodirem com todo o fragor. O
preço tabelado desse combustível era de 180 kyat por galão,
mas ali vendia-se a 320.
Para evitar despesas extras
e, sobretudo, paragens desnecessárias nos afamados postos
rodoviários de controlo, adoptámos vários estratagemas. O
primeiro era o recurso à roupeta clerical, recuperando a
vetusta imagem do missionário, que naquelas bandas ainda impunha respeito. Havia
sempre a possibilidade de os
funcionários serem católicos e
fazerem vista grossa. Como segunda alternativa, um de nós,
estrangeiros, punha-se a fotografar, e o indivíduo na guarita
ficava tão confuso que simplesmente nos mandava avançar. O
terceiro e último estratagema,
por sinal o mais eficiente, consistia em seguir na peugada de
uma qualquer caravana VIP
(potentes todo-o-terreno que
se faziam anunciar por sirenes
e estridentes apitadelas).
Era noite quando entrámos
no terreiro iluminado da igre-
ja de Shwebo. Sob um toldo,
junto ao centro paroquial,
dezenas de devotos assistiam
a uma missa. Eram maioritariamente mulheres, de véu
branco na cabeça, iluminadas
por quatro lâmpadas fluorescentes colocadas junto a uma
estátua de São José com o menino ao colo.
«–Setivessemchegadoumashoras antes teriam presenciado à procissão. Foi pena», dizia-nos, finda
a eucaristia, o jovem cura de
etnia karen, que viera substituir
Anastasius Sun.
Nesse mesmo local, ano e
meio antes, ouvira o polémico
padre reafirmar o seu orgulho
em ser português e criticar duramente o bispo, que era agora
massajado por uma das suas assistentes enquanto a outra lhe
abanava um pequeno leque por
cima da cabeça.
Todas as atenções se concentravam no arcebispo de Mandalay, visivelmente extenuado.
«– Tive de afastar algumas das
pessoasquevierambeijar-meoanel
enquanto decorria a missa», confidenciou, mostrando-mo, com
uma pedra preciosa incrustada,
à qual parecia não dar grande
valor.
Aliás, D. Alphonse dava a
impressão de ser algo avesso às
hierarquias. Quando lhe perguntei qual era a mais importante figura da igreja católica
em Myanmar, aludiu à existência de três arcebispados e a
«essa estúpida mania que as pessoas têm de criar líderes». E mais
não dissera.
Fazia um calor aflitivo, mas
o terreiro continuava animado;
estava previsto um espectáculo
de variedades e por isso viera
gente da cidade, entre a qual
inúmeros budistas, inclusive
monges e monjas.
«– Entre nós é assim. Partilhamos
asfestas,independentementedocredo
de cada um», explicava Patrick.
!"#$%&#$'()*&+,-./0#$12
ENTREGUE ESTE CUPÃO NAS BILHETEIRAS DO CINETEATRO DE MACAU
#$34567883
DATA DO SORTEIO: 11 DE SETEMBRO DE 2014
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O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014
24
PT
O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014
PT
25
R OTA D O S 5 0 0 A N O S
Prontos para seguir viagem
JOÃO SANTOS GOMES
[email protected]
A
gora que estamos de
regresso às bancas é
altura de fazer um
pequeno balanço do que
se passou nestes dias de
interregno. Continuamos nas
Ilhas Virgens Americanas, na
ilha de St Thomas, ancorados
em Long Bay, na histórica
cidade de Charllote Amelie,
outrora um dos maiores
entrepostos comerciais do
negócio da cana do açúcar
e dos escravos. Hoje em dia
a cidade é conhecida como
destino de excelência para
compras sem impostos nas
Caraíbas e paragem obrigatória
de todos os navios de cruzeiro
que navegam nestas águas.
Por semana passam pelos seus
dois terminais mais de 15
navios, todos eles carregando
sempre mais de dois mil
passageiros. É fácil perceber-se
porque é que a ilha vive para
os turistas dos cruzeiros. Em
dia em que não há barcos nos
terminais tudo pára e parece
que a cidade adormece. Uma
dependência que não parece
incomodar quem aqui vive
nem as autoridades, visto que
o filão de turistas, mesmo em
tempo de crise como a que
atravessamos, continua forte
e saudável. Um paralelo feito
com a dependência do Jogo
em Macau que o Governo tenta
mascarar com a diversificação
da oferta turística. Pelo menos
aqui há coragem de assumir
que vivem dos turistas e que
tudo depende de quem chega
via marítima, não há hipocrisia
nem tentam mascarar os
números.
Nós estamos em fase de
preparação para rumar para
a ilha de Grenada, já muito
perto da Venezuela. Temos o
veleiro quase pronto para partir
e em breve iremos mudar de
ancoradouro para uma praia,
onde iremos aguardar por uma
janela meteorológica de uma
semana de tempo favorável
e sem depressões vindas da
costa de África, que afectam
esta zona das Caraíbas nesta
altura do ano com os famosos
tornados ou tempestades
tropicais. Nas últimas semanas
fomos afectados por três, sendo
que duas delas chegaram
mesmo a ser classificadas como
tempestade tropical e a terceira,
após ter passado por nós ainda
apenas como depressão, acabou
transformada num tornado
quando passou pelas Bahamas.
Felizmente temos passado sem
grandes problemas, apesar do
muito vento e chuva. Esperamos
que assim se mantenha.
Entretanto, gerindo o nosso
magro orçamento, fomos
capazes de reparar a vela
do enrolador que se tinha
danificado numa das últimas
passagens de alto mar, estando
agora pronta para ser usada
na viagem de cinco dias rumo
a Grenada. Fomos também
capazes de encomendar
um gerador eólico para
nos ajudar a produzir mais
alguma energia, sempre
necessária para ir mantendo
pelo menos o frigorífico a
funcionar em pleno. Tínhamos
tentado contactar a empresa
portuguesa que fabrica o
gerador SilentWind mas não
ESCOLHA SARDINHAS PORTUGUESAS
estiveram disponíveis para nos
oferecer um preço acessível,
pelo que tivemos de optar
por outra marca que nos
disponibilizou um aparelho
por menos de metade do preço
original e dentro das nossas
possibilidades financeiras neste
momento.
Nestes últimos dias também,
finalmente, fui capaz de
resolver o problema que
vinha afectando o nosso
dessalinizador. Desde o início
da viagem que não funcionava
como devia ser e estava
inoperante há já algumas
semanas porque sempre que o
metíamos a funcionar parava
constantemente, tornando o
processo de produção de água
muito lento e desperdiçava
muita energia. Depois de ter
vários especialistas da marca
a bordo, cada um com a sua
teoria e que apontavam sempre
ESCOLHA
PORTHOS
para facturas acima das dez mil
patacas, usei a famosa técnica
de testar e errar. Sabia que a
bomba de alta pressão estava
boa porque quando funcionava
fazia água e tinha sido alvo de
manutenção por mim assim
que colocámos o veleiro na
água; sabia que o motor estava
bom porque o tinha mandado
testar numa oficina; sabia
que as membranas estavam
boas porque a água, apesar de
pouca, era de boa qualidade
e, no entanto, a máquina
parava. Entre o cabo que traz
a energia das baterias e o
interruptor do aparelho havia
um pequeno relai que aquecia
excessivamente. Experimentei
tirá-lo e instalei um novo com
um pouco mais de potência.
Problema resolvido! Agora
o único problema é que
precisamos de energia porque
o “fazedor de água” consome
imenso e só o usamos uma
hora por dia quando ao fim
do dia ligamos o motor para
carregar as baterias para a
noite. Nesse período de uma
hora faz cerca de 15 a 20
litros de água potável, mais ou
menos os nossos gastos diários.
Relativamente à tripulação,
está tudo bem! A pequena
Maria foi recentemente às
vacinas, visto que passou
a barreira dos 18 meses, e
teve de ir ao médico porque
apresentou uns vermelhões
na pele dos braços e do
peito que nos deixaram algo
alarmados. Afinal não passava
de uma reacção ao calor. Com
um xarope e uma pomada
o mal passou. Quanto ao
nosso membro canino, está já
preparado para seguir viagem
com toda a documentação.
Certificados de raiva, testes de
laboratório, etc., tudo feito e
pronto. Afinal esta tinha sido a
razão de termos regressado a St
Thomas!
CADERNO DIÁRIO
O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014
26
Segunda 1
Terça 2
Actual
Pensamento 1
A 2 de Fevereiro de 1905
nasceu em S. Petersburgo a filósofa e escritora
Alissa Zinovievna Rosenbaum, mais conhecida
como Ayn Rand, falecida
em Março de 1982 em
Nova Iorque. Ficou famosa esta frase dela, que se
aplica como uma luva ao
que vivemos em Portugal
nos dias de hoje: «Quandotederescontadequepara
produzir necessitas obter a
autorização de quem nada
produz,quandotederesconta de que o dinheiro flui para
obolsodaquelesquetraficam
não com bens, mas com favores,quandotederesconta
de que muitos na tua sociedade enriquecem graças ao
A humanidade ainda está em construção. A vida, tal como a conhecemos,
é apenas a matéria-prima para a vida
como ela pode ser. Estão ao alcance
da nossa espécie uma plenitude e uma
liberdade até aqui inéditas. Basta unirmo-nos como seres humanos e avançar,
com uma meta elevada e uma decisão
estável.
Pensamento 2
suborno e influências, e não
ao seu trabalho, e que as leis
do teu país não te protegem
ati,masprotegem-nosaeles
contra ti, quando enfim descubras ainda que a corrup-
çãoérecompensadaeahonradez se converte num auto
sacrifício, poderás afirmar,
taxativamente, sem temor a
equivocar-te,queatuasociedade está condenada».
Quarta 3
As línguas humanas foram criadas pelas
mentes que deixaram de compreender
e comunicar em silêncio. Por isso nada
têm a ver com a realidade e são uma
tremenda fonte de equívocos. À falta
do silêncio, só a poesia as redime.
Pensamento 3
Existimos como bolas de sabão no espaço ilimitado. Tenhamos a graça e
elegância mínimas de nos sorrirmos
com gentileza. Nisso transparece o
espaço que no fundo somos.
Miopia
Se não formos míopes,
não ficarmos pela superfície e formos bem ao
fundo da questão, não
será que toda a violência, conflitos e problemas que há no mundo,
e que tanto lesam os
humanos, os animais e
o próprio planeta, se devem à crença na separação e desconexão entre
nós e os outros, com o
consequente egocentrismo, medo, insegurança,
avidez e hostilidade?
Não será daí que, em
primeira e última instância, vem toda a ganância
e competição desenfreada entre indivíduos, grupos, empresas e nações
com os consequentes
problemas sociais, ambientais, económicos e
políticos que deixam o
mundo numa crise sem
precedentes e à beira
do colapso? Não será
que a raiz de todos os
nossos problemas radica
assim no estado dualista
em que estão as nossas
mentes? Será que isso se
PT
Quinta 4
Ética
pode mudar por decreto
e por via jurídica, política ou económica? Parece
evidente que não e que
resta apenas um caminho: mudar a mente e
o estado de consciência
individual e global. E só
conheço uma via para
isso, que dispensa qualquer crença, doutrina ou
ideologia: a meditação,
simultaneamente reflexiva e contemplativa. Ela é
já o invisível mas decisivo
início da acção esclarecida e não-violenta que
transforma o mundo
transformando a mente que o percepciona e
que, vendo o outro inseparável de si, age em
consequência, fazendo
parte da solução e não
do agravar do problema.
Na verdade é necessária
uma nova palavra para
expressar isto: MeditAcção. Há que MeditAgir:
a Revolução Silenciosa
que, mais do que diabolizar e combater quem
quer que seja, faz já de
cada um de nós a mudança contagiosa que queremos ver no mundo.
Esta é que devia ser a
grande preocupação dos
Governos e de todos nós:
como fazer de Portugal
um país bom para os portugueses e para o mundo.
O grande desígnio nacional, após 500 anos de ilusões buscando a riqueza
no Oriente, em África,
no Brasil e na Europa, só
pode ser fazer de Portugal
um país ético, comprometido com o bem não
só dos portugueses, mas
do planeta e de todos os
seres vivos. Isso sim, seria
voltarmos a ser pioneiros,
mas desta vez em algo de
bom para todos. No site
oficial do projeto “Good
Country Índex” é explicado que o objectivo deste ranking parte de uma
série de projectos a serem
lançados durante os próximos meses, é iniciar um
podem equilibrar o seu
dever para com os seus
cidadãos com a sua responsabilidade para com
o resto do mundo.
RESULTADOS DO INQUÉRITO ONLINE
www.oclarim.com.mo
Confia no Sector Bancário?
debate sobre a verdadeira
razão de ser de um país.
O que o “Good Country Índex” faz é discutir
como é que os países
1 SIM: 30%
2 NÃO: 70%
TOTAL VOTANTES: 20
ENTRETENIMENTO
O CLARIM | Semanário Católico de Macau | SEXTA-FEIRA | 5 de Setembro de 2014
27
PT
TDM Canal 1
13:00
13:30
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01:15
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Sexta-feira
TDM News (Repetição)
Telejornal RTPi (Diferido)
RTPi (Directo)
Série: Mulher (Repetição)
TDM Talk Show (Repetição)
Telenovela: Baía das Mulheres
Telejornal
Vingança
T2 Para 3 Remodelado
Série: Mulher
TDM News
Cinema: O Gotejar da Luz
Telejornal (Repetição)
RTPi (Directo)
11:20
11:40
12:30
13:00
13:30
14:30
19:00
19:50
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23:00
23:30
00:30
01:00
Sábado
Mestres Kung Fu do Zodíaco
Baía das Conchas
Ingrediente Secreto
TDM News (Repetição)
Telejornal RTPi (Diferido)
Telenovela: Baía das Mulheres (Compacto)
Quem Quer Ser Milionário
Moda Portugal
Telejornal
Uma Família Açoriana
Cidade Despida
Novas Direcções
TDM News
Portugal no TOP
Telejornal (Repetição)
RTPi (Directo)
11:00
12:00
12:30
13:00
13:30
14:30
Domingo
Missa Dominical
A Hora de Baco
Uma Mesa Portuguesa... Com Certeza
TDM News (Repetição)
Telejornal RTPi (Diferido)
Zig Zag
Cinema: O Gotejar da Luz. Hoje, às 23:30 horas.
15:50
16:45
18:15
19:40
20:30
21:00
22:00
23:00
23:30
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00:30
Decisão Final
Desafio Total
Domingo Especial
Bem-Vindos a Beirais
Telejornal
Contraponto
40 Anos de Disputa Nuclear Com o Irão
TDM News
aTensão Jazz
Telejornal (Repetição)
RTPi (Directo)
Segunda-feira
13:00 TDM News
13:30 Telejornal RTPi (Diferido)
14:30 RTPi (Directo)
A PARTIR DE 05/09/2014
C
17:45
18:30
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00:00
00:30
Série: Mulher (Repetição)
Contraponto (Repetição)
Telenovela: Baía das Mulheres
Telejornal
TDM Desporto
Série: Mulher
TDM News
Magazine Liga dos Campeões
Telejornal (Repetição)
RTPi (Directo)
13:00
13:30
14:30
17:00
Terça-feira
TDM News (Repetição)
Telejornal RTPi (Diferido)
Cesária Évora: Homenagem
Os Poetas: Autografia Tour 2013
164521
17:45
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19:30
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01:00
Série: Mulher (Repetição)
TDM Desporto (Repetição)
Telenovela: Baía das Mulheres
Telejornal
TDM Entrevista (Repetição)
Tudo Acaba Bem
Série: Mulher
TDM News
Portugal Aqui Tão Perto!
Telejornal (Repetição)
RTPi (Directo)
13:00
13:30
14:30
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01:00
Quarta-feira
TDM News (Repetição)
Telejornal RTPi (Diferido)
RTPi (Directo)
Série: Mulher (Repetição)
Telenovela: Baía das Mulheres
Telejornal
Não Me Sai da Cabeça
Cougar Town
Série: Mulher
TDM News
Três Por Uma
Telejornal (Repetição)
RTPi (Directo)
13:00
13:30
14:30
18:45
19:30
20:30
21:00
21:30
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Quinta-feira
TDM News (Repetição)
Telejornal RTPi (Diferido)
RTPi (Directo)
Série: Mulher (Repetição)
Telenovela: Baía das Mulheres
Telejornal
TDM Talk Show
Mentes Criminosas
Série: Mulher
TDM News
Livre Pensamento
Telejornal (Repetição)
RTPi (Directo)
A PARTIR DE 05/09/2014
B
SALA 1
SALA 1
TheExpendables3
CafeWaitingLove
14:30 | 19:15
16:45 | 21:30 (Sala 2)
16:45 | 21:30
Um filme de: Chiang Chin Lin
Com: Viviam Chow, Megan Lai, Pauline Lan, Lee Luo
Língua: Falado em Mandarim, com legendas em Chinês e Inglês
Um filme de: Patrick Hughes
Com: Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger, Jet Li
A PARTIR DE 05/09/2014
B
A PARTIR DE 05/09/2014
B
SALA 2
SALA 3
The
Hundred-FootJourney
But Always
14:30 | 19:15
14:30 | 16:30 | 19:30 | 21:30
Um filme de: Lasse Hallstrom
Com: Helen Mirren, Manish Dayal, Charlotte Le Bon, Om Puri
Um filme de: Snow Zou
Com: Nicholas Tse, Gao Yuan-yuan, Tong Da-wei
S E M A N Á R I O
C A T Ó L I C O
D E
M A C A U
28 | SEXTA-FEIRA | 05 - 09 - 2014
Rua do Campo, Edf. Ngan Fai, Nº 151, 1º G, MACAU
TEL. 28573860 FAX. 28307867
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Edição 05-09-14 - Jornal O Clarim