CONHECIMENTO
Ram Charan explica como
cristalizar estratégias
ESTILO
O seu próximo emprego
pode estar no Facebook
Junho/2013 Ano 36 - nº 324
Conheça os jovens
administradores que estão
revolucionando grandes
empresas e desafiam
o mercado
Editorial
A lição das ruas: o que podemos
aprender com as manifestações
Aqui cabem outras perguntas: as nossas empresas sabem usar as redes sociais em seu benefício?
Os administradores dominam essas ferramentas?
Nós temos a capacidade de usá-las para injetar
energia e provocar inovação em um ambiente
corporativo?
Essa onda de manifestações ainda vai nos trazer
muitas questões, levantar muitas dúvidas e nos
obrigar a pensar fora da nossa zona de conforto.
Embora o debate esteja apenas no começo, um
detalhe não pode ser ignorado: as pessoas anseiam
por participação.
Tanto na esfera pública como em seus ambientes de trabalho, as pessoas querem ser ouvidas,
querem mostrar suas opiniões e se sentirem relevantes. Sim, as pessoas são relevantes! Esse
entendimento, essa visão mais humana de nossas relações de trabalho também pode construir
empresas mais sólidas e administradores mais
eficazes.
Não vamos deixar esse momento passar. O País
não pode perder mais tempo. Precisamos começar
a mudá-lo agora.
MARCELO MARQUES
Nas últimas semanas, a sociedade brasileira
mostrou o que uma reivindicação pode trazer em
termos de mobilização e resultados. Acompanhar
as pessoas ocupando as ruas de forma pacífica,
descartando lamentáveis excessos, trouxe de volta
a esperança de que mudanças mais profundas podem ocorrer no País.
Para muito além da redução de tarifas do transporte público, as manifestações apontam para uma
necessidade profunda de mudanças estruturais.
Questões como as reformas Política, Sindical,
Tributária, a celeridade da nossa Justiça, o fim
da impunidade entre outros, precisam entrar na
pauta deste novo Brasil que se avizinha.
Agora, amigo administrador, você pode estar
se perguntando: o que nós, como categoria, podemos tirar de ensinamento destes acontecimentos? E mais do que isso, como podemos aproveitar
esse momento para o aprimoramento do nosso
trabalho?
Podemos enxergar nas manifestações apenas
atos de vandalismo ou uma mera empolgação da
sociedade. Mas, o que aconteceu (e está acontecendo) nos mostra mais do que isso. Nos mostra
jovens com poder de liderança, capacidade organizacional e coragem.
Não seriam esses atributos fundamentais para
um administrador? Não estaria nesse jovem aquele
algo a mais que buscamos em um profissional?
Que empresa não gostaria de contar com alguém
com essas características em seus quadros?
Além disso, a mobilização provou, mais uma vez,
que as redes sociais são fundamentais para quem
deseja atingir metas e objetivos. Foi através de
ferramentas como o Facebook e o Twitter que as
pessoas conseguiram se organizar e, principalmente, disseminar ideias e conceitos que serviram
de estofo para as manifestações.
Adm. Walter Sígollo
Presidente do Conselho
Regional de Administração
de São Paulo - CRA-SP
3
facebook.com/
twitter.com/
oficial.crasp
Presidente
Administrador Walter Sigollo
cra_sp
SÃO JOSÉ DO
RIO PRETO
Diretoria
Adm. José Alfredo Machado de Assis
Vice-presidente Administrativo
Adm. Milton Luiz Milioni
Vice-presidente de Relações Externas
RIBEIRÃO
PRETO
PRESIDENTE
PRUDENTE
BAURU
CAMPINAS
SÃO JOSÉ
DOS CAMPOS
Adm. Alberto Emmanuel de Carvalho Whitaker
Vice-presidente de Planejamento
SOROCABA
Adm. Hamilton Luiz Corrêa
Vice-presidente para Assuntos Acadêmicos
Adm. Teresinha Covas Lisboa
1ª Secretária
GRANDE
SÃO PAULO
SANTOS
Seccionais CRA-SP
Adm. Roberto Carvalho Cardoso
2ª Secretário
Seccional de Bauru
Delegado: Adm. William Lisboa Simas
Coordenador Regional: Adm. Carlos Eduardo Sperança
Av. Nações Unidas, quadra 17-17, sala 109, Vila Santo Antônio
17013-905 - Bauru - SP
Tel.: (14) 3223-1857
[email protected]
Adm. Antonio Geraldo Wolff
1º Tesoureiro
Adm. Álvaro Augusto Araújo Mello
2º Tesoureiro
Conselheiros
Arlindo Vicente Junior, Carlos Antonio Monteiro, Edgar
Kanemoto, Luiz Carlos Marques Ricardo, Luiz Carlos Vendramini,
Marco Antônio Sampaio de Jesus, Nelson Reinaldo Pratti,
Rogério Góes, e Silvio Pires de Paula (representante do CRA-SP
no CFA)
Seccional de Campinas
Coord. Regional: Adm. Elcio Eidi Itida
Rua Maria Monteiro, 830, cj. 53, Cambuí
13025-151 – Campinas – SP
Tel.: (19) 3307-8555
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Coordenador: José Alfredo Machado de Assis. Integrantes:
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Vendramini, Milton Luiz Milioni, Roberto Carvalho Cardoso,
Teresinha Covas Lisboa e Maria Cecilia Stroka
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Analista responsável: Adm. Manoel Barreto de Souza
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19010-080 - Presidente Prudente - SP
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Tiragem
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A RAP é uma publicação mensal do Conselho Regional de
Administração de São Paulo (CRA-SP), órgão regulamentador
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Litoral Norte)
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12245-820 - São José dos Campos - SP
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Avenida Antônio Carlos Comitre, 510, sala 86, Parque
Campolim
18047-620 - Sorocaba - SP
Tel.: (15) 3233-8565
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A necessidade
de estratégias
fortalece o
papel dos
administradores na
área financeira
getty images
Sumário
3 Editorial
6 Perfil
Administrador Fábio Luchetti,
presidente da Porto Seguro
em Na Prática
getty images
Saiba como o
Facebook e outras
redes sociais
podem facilitar
sua recolocação
profissional
em Estilo
GETTY IMAGES
Jovens ganham espaço e
ocupam cargos de liderança
em Capa
10 Capa
Nova geração
Apesar da pouca experiência,
os jovens alcançam posições de
destaque nas grandes empresas
16 Conhecimento
Quem sabe faz
Guru dos negócios, o indiano Ram
Charam prega objetividade e poder
de “realização”
22 Na Prática
Administração financeira
Cresce o papel dos administradores
no cash management
das empresas
26 Estilo
Redes Sociais
Empregadores estão de olho na sua
página do Facebook
30 Notícias
Coaching e tendências de mercado
34 Opinião
Adm. Laerte Leite Cordeiro
Perfil
MARCELO KURA
por Gilberto Amendola e Maria Cecilia Stroka
Um humanista na
linha de frente
Homenageado com a distinção Administrador Destaque, concedida pelo CRA-SP,
Fábio Luchetti, diretor-presidente da Porto Seguro, fala nesta entrevista sobre sua
E
longevidade na empresa e o mercado de seguros no País
m meados dos anos 70, o menino que usava o
portão de ferro da Porto Seguro em suas partidas de futebol de rua não imaginava o gol
que o futuro ainda estava guardando. Fábio
Luchetti iniciou sua trajetória na empresa em 1984,
como office-boy. A partir daí, seu interesse por um
crescimento pessoal e profissional fez com que ele
procurasse uma faculdade de Administração. Não
demorou para Luchetti começar a galgar posições.
Em 1996, ele já era gerente técnico; em 2000 foi
promovido a diretor de emissão; assumiu a diretoria
operacional em 2011 e foi eleito diretor-presidente
da Porto Seguro S/A em 2012. “Ao longo desta trajetória, a política de movimentação interna da empresa
me permitiu continuar com bastante energia”, conta.
6
Luchetti diz que “adora administrar” – principalmente porque “gosta de gente”. “O que o administrador precisa entender é que uma empresa é feita de
pessoas. Pessoas que pensam, sentem e querem”, diz.
Para ele, o segredo do sucesso da Porto Seguro é o
engajamento dos seus funcionários. “Nós temos 15
mil funcionários. São 15 mil famílias. O nosso sucesso
é a felicidade dessas pessoas”. Neste sentido, Luchetti
acredita que a função de um líder é a de ser um catalizador. “Por isso, precisamos saber ouvir nossos
colaboradores. Os funcionários querem participar.
Hoje em dia, ninguém mais pode liderar apenas pelo
poder do crachá”, afirma. Sobre seu estilo de administração, Luchetti diz ser contra o “radicalismo de
posicionamento”. “O importante é ter menos convic-
ções e entender que nem tudo é preto ou branco".
Entre as inovações experimentadas por Luchetti,
destaca-se a ampliação do Home-Office (a possibilidade de funcionários trabalharem na própria residência). “Em dois anos, 3 mil pessoas estarão trabalhando
desta forma. Entre os benefícios do Home-Office, Luchetti ressalta a possibilidade de uma nova relação
com o próprio trabalhador. Na sede CRA-SP, Luchetti
falou da importância do próprio Conselho de Administração para o profissional da área. “O Conselho
pode ajudar a tirar o administrador da solidão que é
tomar algumas decisões difíceis e também deve atuar
como um farol em alto-mar para os recém-formados”.
RAP: Na contramão da visão que os jovens e o
mercado têm de uma carreira ascendente nos dias
de hoje, o sr. trabalha na mesma empresa desde
1984. Por que crescer na mesma companhia foi e
tem sido a sua opção de carreira?
Fábio Luchetti: Eu sempre acreditei que trabalhar
para uma empresa não deveria mudar minhas atitudes e que eu deveria pensar como se eu fosse dono
do negócio. Ter atitudes ousadas, lutar pelos meus
interesses e também de outros e ter autonomia , assim como qualquer empresário faria. É verdade que
a cultura da Porto Seguro sempre estimulou esses
comportamentos e criou o ambiente necessário para
que eu pudesse desenvolver todo meu potencial, gerando oportunidades e desafios. Coincidentemente,
a Porto Seguro cresceu e expandiu suas atividades
além do seguro (hoje são 25 empresas de vários
segmentos), o que também permitiu que eu navegasse por várias áreas e negócios do grupo. Essa
movimentação me permitia ampliar conhecimentos,
quebrar a rotina e buscar motivação. No fundo, eu
tinha um mercado de oportunidades novas dentro
do mesmo grupo.
RAP: Como o conhecimento de diferentes áreas
da empresa contribui para o seu trabalho?
Fábio Luchetti: O fato de operarmos com seguros
em geral, serviços financeiros (cartão de crédito, financeira, consórcio de imóveis e automóveis) e serviços
em geral (serviços emergenciais e de conveniência,
rastreamento de veículos e caminhões, alarmes monitorados de residências, empresas, chips de celular
e outros), obviamente que administrados por uma
equipe de especialistas juntamente com a diretoria,
me estimula a ter uma visão mais ampla dos temas.
Buscar a sinergia entre os negócios e nossos canais
de distribuição favorece a leitura dos movimentos da
economia, dos hábitos e comportamentos da sociedade e permite muitas oportunidades de inovação.
Essa diversidade de negócios reflete a necessidade
que qualquer líder precisa ter para lidar com a diversidade dentro das organizações. E, em um ambiente
de respeito e confiança mútuos, com boa governança,
permite criar uma organização catalizadora de ideias
e realizações. E a meu ver, o papel de um diretor-presidente é zelar para que o ambiente, os recursos
humanos e a infraestrutura estejam à disposição dos
talentos, influenciando, quando possível, para que o
universo conspire a favor dos negócios, dos resultados e das felicidades das pessoas.
RAP: Que características foram determinantes
para que o sr. chegasse ao topo na Porto Seguro?
Fábio Luchetti: Eu acredito que foram as minhas
atitudes. A capacidade de me expor diante das situações difíceis; de pensar diferente dos meus líderes
e achar a melhor forma de expor minhas opiniões,
mesmo que contrárias; de ser ousado em enfrentar
as soluções para problemas crônicos na organização.
Minha curiosidade sempre me despertou interesse e,
consequentemente, acabo questionando processos e
decisões. Outro componente que considero importante é que sempre me empenhei muito em atender
o ponto de vista dos clientes, buscando representá-lo dentro da empresa. Não é incomum que regras
sejam criadas para facilitar processos, mas acabam
sendo injustas em alguns momentos. É muito importante qualquer colaborador saber respeitar normas
e procedimentos, mas não pode perder o seu bom
senso. Acredito que cheguei até onde estou porque,
de alguma forma, tive o endosso de meus pares,
equipes e clientes. Afinal, todo líder deveria se ver
como uma marca. Da mesma forma que as empresas cuidam das suas marcas, eu também cuido da
minha. Procuro sempre gerir com atenção para que
minhas contribuições e meu trabalho sejam reflexos
dos meus valores.
RAP: Como a inovação é estimulada na Porto
Seguro?
Fábio Luchetti: Temos uma cultura de ouvir muito
todos os envolvidos na nossa cadeia de valor, sempre
atentos aos detalhes. Somos muito verticalizados em
nossas operações, não porque somos desatualizados
7
Perfil
RAP: Da mesma forma, como a empresa trabalha
para a excelência no atendimento aos segurados,
que, em geral, procuram a seguradora em momentos tensos de perdas patrimoniais e afetivas? Existe
uma preocupação nesse sentido?
Fábio Luchetti: Sem dúvida, nosso maior patrimônio são nossos relacionamentos. Apesar de um
contrato de seguro ser um instrumento que o cliente
nunca deseja tirar da gaveta, pelas incertezas da vida
e acidentes do cotidiano, inevitavelmente o seguro
faz parte da sociedade e protege tudo que as pessoas
mais atribuem valor, desde propriedades até fatores
emocionais. Precisamos preparar nossos funcionários
para que compreendam a natureza desses acontecimentos e assumam uma postura de empatia, solidariedade e, principalmente, de proatividade diante
de situações inusitadas. O que vale é transformar a
experiência do cliente, na melhor experiência possível. Afinal, queremos ser o Porto Seguro dos nossos
clientes.
RAP: Qual é a sua visão do mercado de seguros de hoje no Brasil e quais as possibilidades de
expansão?
Fábio Luchetti: Tenho uma visão otimista. A percepção da importância do seguro na sociedade brasileira ainda é muito pequena comparada a países
mais desenvolvidos. A classe C está se fortalecendo
e tenderá a buscar mais proteção aos seus bens e
familiares à medida que necessidades mais básicas
sejam supridas e conquistadas (pirâmide de Maslow
que muito vemos no estudo da Administração). O
seguro, quando uma economia começa a dar sinais
de melhorias e evolução, não é a primeira a reagir, pois tem uma curva mais longa, mas qualquer
sociedade que não se apoia no seguro acaba se
tornando pobre. Quantas famílias não são classe
8
MARCELO KURA
ou descrentes da terceirização, pelo contrário. Acreditamos que os problemas precisam estar perto dos
nossos executivos. Assim, ele saberá tudo o que está
acontecendo e agir rápido. Isso é empreender, gerir o
negócio como se fosse dono dele. Temos uma política
de portas abertas e incentivamos que as pessoas não
se limitem aos seus cargos ou funções e participem
ativamente de qualquer assunto. Mas um componente
importante, também, é que herdamos da família Garfinkel um pensamento de longo prazo. Temos paciência para o resultado e tolerância para os erros.
Luchetti: capacidade de se expor em situações difíceis foi um
diferencial na carreira
média na sexta-feira e, ao perder um pai ou uma
mãe, que é quem nutre a família economicamente,
num fim de semana, não acordam na segunda-feira
com problemas econômicos? Filhos que estudavam
em escolas particulares não conseguem mais manter o padrão. A família precisa mudar, pois não
aguenta assumir as despesas do apartamento e
condomínio. Mas qual era o sonho daquele pai ou
daquela mãe? Com certeza era dar o melhor para
seus filhos. O seguro protege esse sonho, mas não
é algo tão tangível quanto um bem ou serviço que
pode ser degustado de imediato e esse é o grande
desafio: despertar nas famílias brasileiras que o
seguro da casa, o seguro de vida do pai e da mãe
é tão importante quanto a assinatura de uma TV a
cabo, de um telefone celular ou a assinatura de um
jornal ou revista semanal.
RAP: Por que o brasileiro ainda não tem a cultura de contratar seguros residenciais e de vida, por
exemplo, como acontece com o seguro de veículos?
O que tem sido feito para mudar essa cultura?
Fábio Luchetti: Acredito que é uma reunião de fatores. A primeira, como mencionei na questão anterior,
é que o Brasil ainda é um país em desenvolvimento
e que existem necessidades tão básicas a serem desejadas e consumidas pelas famílias que o seguro
não é a prioridade. As pessoas correm o risco, por
uma questão de prioridade de desejos versus recursos que possuem. Isso muda à medida que o país se
desenvolve e isso está acontecendo.Depois temos uma
questão educacional. As pessoas precisam aprender
e entender a natureza do seguro e onde de fato são
protegidas. Os corretores de seguros são muito importantes, pois são eles que levam para as famílias
e empresas brasileiras a importância do seguro. A
Cnseg (Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais), entidade que representa as seguradoras,
também investe na educação, bem como a Fenacor
(Federação Nacional dos Corretores de Seguros) e os
Sincor (Sindicato dos Corretores de Seguros) de cada
Estado. As pautas dos jornais de economia, revistas
especializadas e as faculdades criando cursos voltados à indústria do seguro, têm contribuído bastante
para novas percepções. A Susep (Superintendência
de Seguros Privados), órgão regulador do mercado
de seguros, também tem contribuído muito com revisões de procedimentos e regulamentos que visam
a maior abertura do mercado, mais flexibilidade e
modernidade para os produtos, fazendo com que
novas soluções, mais coerentes com a realidade do
consumidor brasileiro, sejam atendidas, e isto tende
a potencializar o seguro no Brasil.
RAP: O aumento de roubos e furtos de automóveis nas grandes cidades brasileiras amplia o
pagamento de indenizações e eleva os índices da
chamada taxa de sinistralidade. O que as empresas do segmento têm feito para competir nesse
cenário?
Fábio Luchetti: Sem dúvida quando aumenta a
violência nas cidades impacta fortemente nos resultados das seguradoras. Elas investem fortemente
em políticas de análise e aceitação de riscos, buscando mitigar possíveis fraudes, infelizmente muito
comum nesse segmento, mas também investe muito
em prevenção ao risco, adotando, por exemplo, em
tecnologias de rastreamento de veículos. Também
é importante investir em bons sistemas de precificação e bons atuários e estatísticos que saibam
lidar muito bem com as informações, pois o sucesso
ou fracasso de uma seguradora está em precificar
muito bem seus riscos e ter um corpo de profissionais talentosos, visando um equilíbrio perfeito entre
as receitas que virão dos prêmios que os segurados
pagarão e as despesas que virão dos sinistros (bens
roubados, mortes, acidentes) que acontecerão durante os 12 meses de vigência de um contrato.
RAP: A Porto Seguro entrou no ano passado no
segmento de telefonia móvel. Quais são as expectativas em relação a esse setor?
Fábio Luchetti: A Porto Seguro já utilizava muito
tecnologia de celular para os dispositivos antifurtos
que gere na frota segurada e, portanto, ficou nítida
a oportunidade de nos inserirmos nesse mercado.
A ideia não é competir na mesma estratégia das
operadoras que são bem conhecidas no mercado. A
Porto Seguro Conecta, como é conhecida, ofertará
chip de celular para voz e dados, pós e pré-pagos,
para seus clientes. A ideia é oferecer um produto
diferenciado, com bom atendimento, com muita
transparência dos custos e consumo e criando sinergia com o seguro. Uma parte do que os clientes
do seguro de automóvel consumir com despesas do
seu telefone celular, eles poderão ter de desconto
no seguro e, assim, queremos criar uma forma de
relacionamento e fidelização, oferecendo um celular
diferenciado. Esse tipo de operação é comum na
Europa, quando marcas que possuem forte relacionamento e confiança dos seus clientes, busca criar
valor num segmento que virou commodities, que
é o caso da telefonia celular. É uma operação bem
recente e ainda vamos começar a fazer a oferta no
varejo brevemente.
RAP: Qual a sua expectativa em relação ao crescimento do país? O que tem impedido que o Brasil
volte a crescer de forma significativa?
Fábio Luchetti: Eu acredito que o Brasil de fato é
uma potência. Tem desafios estruturais enormes e
questões polêmicas em torno da política, tributos,
gastos públicos que mais cedo ou mais tarde serão
superados. É um ciclo natural de evolução. Sou fã da
antroposofia ,e não é por acaso, pois faz 10 anos que
não tiro uma poesia da minha cabeceira (de Ulrich
Schaffer): "Eu cresço e amadureço junto à insolubilidade dos problemas do meu mundo.
Eu compreendo mais e mais a fundo que nada é
só preto ou só branco, e que não existem respostas
simples. (...)"
9
Capa
por Marcos Yamamoto
Administradores:
liderança jovem
Eles são de uma
geração conhecida
pelo imediatismo e
impaciência. Mas quais
são os reais valores
dos administradores
que atingiram a chefia
de grandes empresas
antes dos 40 anos?
É
cada vez maior a inserção de jovens profissionais de Administração
em posições estratégicas,
incluindo a presidência de corporações. Apesar do pouco tempo de
experiência tradicional, eles possuem vivência, autocontrole e formação suficientes para comandar
processos e equipes em grandes
empresas nacionais e multinacionais, em um processo natural de
renovação sem destruir de forma
abrupta o que já existe e funciona.
A RAP conversou com administradores que conquistaram
altos cargos antes dos 40 anos e
mostra o perfil do líder “geração
Y”, a primeira a crescer na era
digital, aberta ao diálogo, com
amplo acesso às informações de
interesse e dentro do mercado de
trabalho há cerca de dez anos.
10
GETTY IMAGES
11
Capa
DIVULGAçÃO
Paulo Sérgio
Kakinoff
38 anos
presidente da Gol
Linhas Aéreas
A comunicação entre a alta direção com os colaboradores e o público deixou de ser um caminho
de mão única e se tornou um espaço de debates em prol da melhoria dos serviços e na busca por
mais satisfação interna e externa.
Segundo o administrador Paulo
Sérgio Kakinoff, “não é a multiplicação de canais que ganha o
colaborador. É o teor da mensagem, sua clareza e a verdade, seja
boa ou má. E nada substitui a comunicação 'face to face' ”.
Com passagens bem sucedidas
nas montadoras Volkswagen
e Audi, a gestão dele tem sido
Apressados?
Algumas características associadas aos integrantes da geração Y, nascidos entre o final da
década de 70 e meados dos anos
12
marcada pelo relacionamento
aberto com os colaboradores e
o público. “Faço reuniões semanais com o Comitê Executivo da
GOL, encontros periódicos com
todos os níveis de liderança e a
quase totalidade de tripulantes
e mecânicos. Nessas ocasiões,
tenho a oportunidade de ouvir,
aprender e responder diretamente às questões que afetam o
nosso dia a dia. Da mesma forma,
faço questão de voar quase uma
vez por semana para ouvir nossos clientes, que trazem críticas e
sugestões que podemos adotar”.
Kakinoff acredita que as rígidas
estruturas hierárquicas dificultam a interação e a compreensão das orientações. Por isso,
as ações conjuntas são efetivas
quando todos sabem de forma
clara suas responsabilidades e
desafios. “Há de se ter diretrizes,
estratégias e planejamento, mas
é fundamental compartilhar informação e, eventualmente, atuar de forma matricial”.
90, não são lisonjeiras: apressados, imediatistas, só fazem o
que têm vontade e desapegados dos empregos. Toda generalização, porém, reduz a nossa
compreensão sobre as pessoas
com as quais lidamos. Para o
administrador André Martins,
presidente da VB Serviços, o
gestor formado em administração adquire uma visão holística
de seus colaboradores e dos
processos envolvidos na companhia e, com isso, pode sair
de julgamentos pré-concebidos.
“Os jovens líderes não têm um
perfil único, mas percebo uma
preocupação maior em questões
amplas e menos em problemas
pontuais”.
Enquanto os "babies boomers"
(nascidos entre 1946 e 1964)
são reverenciados pelo pacto de
fidelidade eterna ao emprego e
a geração X (de 1965 a 1977)
é marcada pelos workaholics
natos, a atual safra de gestores
é famosa por priorizar os objetivos individuais aos corporativos. É verdade que a empresa
desempenha um papel importante, mas não é a única a influenciar a realização pessoal
desses profissionais ambiciosos
e ávidos por resultados a curto
prazo. Porém, a mudança de paradigma ainda não está difundida em muitas organizações.
De acordo com a recrutadora
Hay Group, apenas 7% das empresas confirmam ter um programa específico ou tratamento
diferenciado para a faixa etária,
e uma fatia ainda menor, 1%,
informou possuir um pacote diferenciado de remuneração. “A
Geração Y é a que tem maior
risco de sair do emprego, pela
necessidade de crescimento rápido, novos desafios, aumento
de conhecimento e exposição”,
analisa Antonio Guariglia, gerente da consultoria Hay Group.
Enquete da agência de Recur-
Juventude transviada
Por toda a fama que a geração
Y acumulou, é previsível que
André Martins
38 anos
presidente da VB
Serviços.
“Quando escolhemos seguir a
carreira em administração, buscamos adquirir a capacidade de
enxergar a empresa como um
todo”, define o administrador
André Martins, formado pela
FAAP, presidente do grupo VB
Serviços, especializado no comércio, logística e distribuição
de benefícios como vale-transporte, alimentação, refeição e
convênios. Para ele, a união de
esforços de líderes e liderados vai
além de um chefe transmitindo
ordens explícitas aos seus subordinados. “Tínhamos, no passado,
uma característica de comando-controle. Hoje, o trabalho tem
bases na confiança, na relação e
na busca de resultados excepcionais. As empresas extraordinárias
trabalham em um patamar de
resultados acima daquelas que
usam o comando-controle, de
resultados ordinários”.
Martins também preside o comitê Jovem do Grupo de Líderes
Empresariais – LIDE e acredita
48% dos executivos avaliem esses profissionais como os mais
difíceis de atrair e 55% os considerem os mais complicados
para reter, segundo um levantamento da Robert Half (empresa
de recrutamento) com cerca de
dois mil CFOs de 15 países. A
DIVULGAçÃO
sos Humanos Cia de Talentos
mostra que 52% dos jovens pediriam demissão de seus cargos se
estivessem em um ambiente de
trabalho sem reconhecimento
do esforço, de falta de respeito
e ética, poucas perspectivas de
crescimento e pouca identidade
com os valores organizacionais.
Um estudo da consultoria Page
Personnel indica que um emprego atraente para eles deve
possuir, na ordem, promoções,
metas, desafios, salário melhor
e qualidade de vida. Outros
itens da pesquisa de opinião,
muito valorizados no passado,
já não seduzem mais os novos
talentos. Entre os benefícios
menos considerados estão:
proximidade entre escritório
e residência, horário flexível,
home office, bolsa de estudos e
carga de trabalho. Para Guariglia, “quem não se atentar para
as necessidades específicas dos
jovens terá uma probabilidade
maior de turnover, perder força
de trabalho e gerar custos para
substituir um funcionário, entre
0,5 e 1,5 vez o salário dele”.
Esse não é um problema apenas do setor privado. “A área
pública tem uma rotatividade
menor, portanto acontece o envelhecimento da força de trabalho nesses órgãos. Quando o
jovem entra em uma empresa
pública, por meio de concurso
ou cargo de confiança, existe
o choque cultural”, explica o
administrador Murilo Lemos
de Lemos, coordenador do Comitê Jovens Administradores do
CRA-SP.
que as Pequenas e Médias Empresas precisam de alternativas
para prosperarem e obterem
créditos baratos no mercado.
“Temos uma nova geração no
país criando empregos e inovando. No LIDE Jovem, realizamos workshops de incentivo ao
jovem para montar o próprio
negócio com uma forte base
de relacionamento e, acima de
tudo, buscamos melhores elementos no desenvolvimento do
empreendedorismo no Brasil,
como um projeto de permitir
que PMEs consigam emitir debêntures e atrair investidores a
um custo menor”.
principal dificuldade de retenção da geração Y é por conta
das expectativas em relação
ao plano de carreira, segundo
60% dos entrevistados, seguida
da expectativa de remuneração (54%) e qualidade de vida
(36%). Segundo os realizadores
13
Capa
O exemplo de sucesso vem de
casa. Herdeiro da Rossi, uma das
maiores construtoras do país,
Guilherme resolveu construir o
próprio negócio e seguir, a seu
modo, o empreendedorismo do
pai, João Rossi, atual presidente do Conselho de Administração da incorporadora. “Desde
os 10 anos acompanho e tento
entender como um empresário
‘self made man’ toca a vida e a
empresa. Gosto desse modelo
e já trabalhei por mais de cinco
anos na empresa do meu pai,
com seus executivos e também
diretamente com ele. Aprendi o
que fazer e adaptei o estilo dele
ao meu negócio. Assim, consigo
ter um jeito próprio de tocar minha empresa”.
Como bom administrador, ele já
tem o planejamento e a estratégia para a sua empresa, a GR Properties, incorporadora e admi-
da pesquisa, a geração Y também busca uma nova maneira
de encarar a vida profissional e
prefere mostrar o trabalho em
resultado produzido e não em
horas trabalhadas. Além disso,
a disposição em seguir os pró14
DIVULGAçÃO
Guilherme Rossi
Cuppoloni
33 anos
sócio-fundador da
GR Properties
nistradora de galpões industriais
e centros comerciais em todo o
Estado de São Paulo, fincar as
bases no competitivo mercado
imobiliário. “Pretendemos consolidar a atuação no segmento
de condomínios de galpões e
desenvolver projetos de prédios de alto padrão em locais
nobres de São Paulo. A empresa
também pretende aumentar a
sua parcela de investimento em
empreendimentos comerciais
geradores de renda, para assim
ter receitas de locações dentro
de um portfólio diversificado e
de alta qualidade”, conta.
prios ideais e colocá-los em prática transforma a juventude em
uma fonte de novos negócios.
De acordo com o Global Entrepreneurship Monitor, programa
de pesquisa de abrangência
mundial sobre atividades em-
preendedoras, 34% dos brasileiros que planejam montar a
própria empresa tem entre 25
e 34 anos.
Para atrair e reter esses talentos, não basta a companhia
oferecer uma vaga e esperar a
aparição de alguém com todos
os requisitos e que aceite candidamente as condições impostas.
O relacionamento deve ser um
ganha-ganha. “É importante escutar e fazer com que todos se
sintam parte dos mesmos objetivos, com uma visão clara e motivadora”, diz o administrador
Alexandre Schiavo, presidente
da Sony Music Brasil. “Queremos
que a identificação seja mútua,
que o candidato nos conheça e
se identifique com o negócio e
com nossa cultura”, completa
Américo Garbuio Júnior, diretor
de Desenvolvimento Humano e
Organizacional da fabricante de
bebidas Brasil Kirin, responsável por programas de trainees e
estágios em áreas ligadas à Administração, como marketing,
financeiro e comercial, entre
outros.
Os processos seletivos de
novos talentos são, aliás, uma
grande porta de entrada de
potenciais líderanças. Caso do
administrador José Guilherme
Leme, 25 anos, convocado no
Programa de Trainees da Coca-Cola Femsa em 2011 e atual
chefe de Inteligência Competitiva e Planejamento da multinacional no Brasil. “Na época,
passei por três áreas no Brasil
e na Venezuela. Tive contato
com profissionais de alto nível, projetos importantes e os
principais processos nos dois
países. Além disso, o ambiente
dinâmico contribuiu para o meu
Alexandre Schiavo
44 anos
presidente da Sony
Music Brasil
Formado em Administração pela
PUC/RJ, o presidente da Sony
Music Brasil, Alexandre Schiavo,
começou na gravadora em 1992
como estagiário do departamento de marketing estratégico. Em
poucos anos, galgou promoções
de assistente, coordenador, supervisor, gerente de marketing
estratégico, diretor de marketing
internacional e Artistas e Repertórios (A&R) de artistas latinos e
brasileiros, diretor de marketing
nacional, vice-presidente de marketing e a presidente, posição
que ocupa há sete anos. “Creio
que os cargos sempre foram seguidos de um reconhecimento
de mérito pelo trabalho duro e
resultados. Também tenho um
estilo descontraído e nunca usei
a formalidade do cargo, mas sim
o trabalho, a motivação e a integração”, conta.
Aliado a uma diretoria jovem, um
forte plano de reestruturação e
a criação de uma campanha de
motivação interna, a companhia
conseguiu dar uma nova “cara”
à sucursal brasileira, combalida
E, para mantê-los com força
total, a possibilidade de crescimento precisa coexistir com um
ambiente desafiador e que propicie a liberdade de ações. “Eles
DIVULGAçÃO SONY MUSIC
desenvolvimento”, relata.
A fama de egoístas, portanto,
não faz jus aos reais potenciais e anseios da juventude
Y. “Eles são muito focados e
se relacionam bem com os pares, são high-flyers (pessoas
que almejam rápida ascensão
profissional), apesar de existir
uma dificuldade de linguagem e
comportamento com a geração
X, que sempre foi mais cuidadosa”, avalia Luís Henrique Pereira, coordenador do Master
in Business and Management
da FGV-EAESP. “É importante
montar uma equipe balanceada
com um pessoal novo, de muita
vontade e ideias, e outra mais
experiente”, completa.
A riqueza de mentalidades é
o foco do administrador Paulo
Sérgio Kakinoff, presidente da
Gol Linhas Aéreas. “Acredito na
pluralidade de perfis diante do
diversos modelos empresariais.
É fundamental ser pautado pelos valores pessoais, frutos do
caráter, de educação e heranças
que constroem nossa personalidade. Há também a necessidade
de domínio da tecnologia, dinamismo, sede por desafios, reconhecer os erros e saber a hora de
mudar”, lista. Para o administrador Guilherme Rossi Cuppoloni,
sócio-fundador da GR Properties, as premissas para alçar o
sucesso na vida profissional
está em hábitos simples, positivos e de efeitos a longo prazo, o
oposto do estereótipo da atual
geração. “Um jovem líder deve
ser estudioso e ter uma rotina
de sucesso. Hábitos saudáveis
também são fundamentais: boa
alimentação, sono, exercícios
físicos e bons relacionamentos
sociais e empresariais”, analisa.
nos anos 90 no bojo da crise da
indústria fonográfica local. “Foi
realmente um grande desafio,
praticamente a última esperança de retirar a Sony Music e a
BMG de cinco anos seguidos de
prejuízos e uma ameaça de encerrar a operação no Brasil. Tornamos a operação não somente
lucrativa, mas com crescimento
de faturamento, temos a liderança do market share por quatro
consecutivos anos e recorde de
participação de mercado de quase 35%. Hoje, o Brasil está entre
os nossos dez maiores mercados
e um dos maiores exemplos de
crescimento e superação.”
não gostam de tarefas repetitivas
e as empresas devem se adaptar
a isso. A empolgação e o desânimo acontecem na mesma velocidade”, explica Pereira.
15
Conhecimento
DIVULgação
por Gilberto Amendola
Quando menos é mais
Guru em estratégias de negócio, Ram Charan ensina a
cristalizar objetivos em uma folha de papel e prega a
valorização do "realizador"
N
ão espere que o especialista em estratégia
e coach de CEOs Ram
Charan use o Power
Point em suas palestras. “Tem
gente que gasta muito tempo
com isso. Eu não usei Power
Point nem quando fiz uma apresentação para o Steve Jobs”,
comentou o indiano que hoje é
considerado a maior autoridade
16
em management do mundo.
Durante um fórum promovido
pela HSM, no último dia 12 de
junho, em São Paulo, Charan enfatizou a importância de cristalizar qualquer ação estratégica
em uma única folha. “Se tiver
mais do que isso é porque a estratégia está errada ou falta clareza nos objetivos”, enfatizou.
O próprio Charan usou ape-
nas uma folha de papel, escrita
à mão, para explicar seu ponto
de vista. “Os mais jovens não
gostam de documentos de mil
páginas ou de Power Point. Eles
se comunicam através de 140
caracteres (via Twitter) – o que
significa que estão se concentrando naquilo que realmente
importa. Temos que aprender
com isso”, completou.
Divulgação
Como se tornar
um realizador
Tenha atitude: as
pessoas devem saber do
seu comprometimento.
Construa uma relação
de confiança com seus
interlocutores.
Mesmo nas
discordâncias, tente
entender o ponto de
vista dos outros.
O especialista Ram Charan propõe exercícios práticos de administração
se souber, é louco”, brincou.
Para o diretor da HSM, Fernando Serra, a técnica de colocar a estratégia de negócio em
apenas uma folha mostra que
Selecione as metas
certas. Não se preocupe
com a quantidade, mas
foque na qualidade
dessas metas.
Depois de definida
a estratégia, não se
esqueça de acompanhar
cada ação.
Defina os marcos de
realização de forma
clara e objetiva.
Faça uma revisão de
estratégia a cada 3
meses.
Monte uma equipe de
trabalho adequada.
Divulgação
O guru da gestão empresarial prega a transformação de
“toneladas” de informação em
algo mais preciso e objetivo.
Mais do que isso, Charan acredita que uma estratégia, além
de enxuta, também precisa ser
compartilhada por pessoas de
outras áreas, por gente que faça
o administrador enxergar para
além do seu próprio umbigo.
“Hoje, as inovações não nascem
somente nas empresas. As inovações podem vir de mais de 1
bilhão de pessoas, de qualquer
usuário da internet. Será que os
gerentes, administradores e homens de negócio estão olhando
para frente ou para os seus retrovisores?”, perguntou.
Charan acredita em processos
colaborativos, no envolvimento
de muitas pessoas na direção
de solucionar gargalos estratégicos. “É preciso conversar,
aprender e conhecer o mundo
exterior. Ninguém sabe tudo. E
Lembre-se que toda
reunião precisa ser
finalizada com um
resultado claro ou com
distribuição de tarefas
definida.
Tenha agilidade para
corrigir erros de rota.
17
Conhecimento
Reconhecido como uma das
maiores autoridades de Management do mundo e autor de 15
best-sellers, com mais de 2 milhões de cópias vendidas, o indiano Ran Charan começou sua
carreira trabalhando na pequena
loja de sapatos do pai, em uma
cidade no norte da Índia.
Depois de formado na Índia, Charan foi trabalhar em uma empresa na Austrália. Lá, seu talento para os negócios foi logo descoberto. Charan possui MBA e doutorado pela Harvad Business School
– onde também atua como professor (sendo o primeiro professor indiano da instituição).
Entre os feitos de Charan está
o treinamento de um dos mais
bem-sucedidos CEOs do mundo,
Jack Welch (General Eletric). Certa vez, Welch fez a seguinte declaração sobre Charan: “Ele tem
a rara capacidade de encontrar
sentido em coisas aparentemente sem sentido e, principalmente,
transferir esse conhecimento de
forma calma”.
Em 35 anos, Charan atuou em
empresas do porte da GE, DuPont, Novartis, Home Depot, 3M,
Verzion e outras. Em todas elas,
foi responsável por estratégias e
inovações. Atualmente, Charan é
um dos palestrantes mais requisitados quando o assunto é estratégia e negócios.
18
Charan pede
para que os
administradores
tenham coerência em
suas estratégias
empresa é igual”. Serra também
afirma que “o fato de colocar
em uma página não significa
que seja um trabalho superficial ou sem fundamento, mas
pelo contrário, se trata de um
trabalho de síntese e de análise
que busca um foco para a organização”.
palmente aquelas que atuavam
no ramo de filmes fotográficos e
celulares (antes do surgimento
do iPhone). “É preciso entender
que nenhuma vantagem competitiva é vitalícia. O mundo muda
muito rápido. Precisamos antecipar essas mudanças. Não
podemos prever o futuro, mas
podemos criá-lo”.
Contra a obsolescência,
segundo Charan, o bom administrador precisa ter o desprendimento para questionar
suas próprias estratégias: “Eu
conheço bem o meu negócio?
Como vou ganhar dinheiro com
ele? Para que tipo de consumidor estou trabalhando? Eu estou conectado com as mudanças
de comportamento no mundo?
Minha estratégia é coerente? As
ações para atingir os meus objetivos são coordenadas? Quais
forças podem fazer da minha
estratégia algo irrelevante?”.
Para Charan, responder essas perguntas de forma clara já
pode ser considerado um bom
Obsoleto, não!
Com uma estratégia compacta, o próximo passo seria o de garantir que ela
não se torne obsoleta.
Exemplos de produtos líderes de mercado
que perderam o “bonde
da história” não faltam.
Charan lembrou das
empresas que já
foram líderes em
seus segmentos,
mas perderam
mercado de
forma avassaladora
– princi-
“Vantagens
competitivas nunca
são vitalícias”
DIVULGAçÃO
lolastudio.com.br/Zen
Quem é
Ram Charan?
descomplicar é a melhor solução. “Como consultor vou a empresas que possuem estratégias
complicadas e que contam com
dezenas de objetivos. Sempre
pergunto os Dez Mandamentos
a eles. Até hoje ninguém conseguiu me dizer de cor. Conseguem dizer um ou dois. Na
“Faz
faz
Adalberto de Luca
Sócio Consultor da M. Prado
Consultoria
“Conheço bastante o
trabalho do Charan. Com
ele, procuro me manter
atualizada no que existe
de mais interessante em
termos de administração”
Irmã Rosane Ghedin
Diretora-Presidente do
Hospital Santa Marcelina
GILBERTO AMENDOLA
GILBERTO AMENDOLA
GILBERTO AMENDOLA
“O que o Ram Charan
diz é aplicável no nosso
cotidiano empresarial. Ele
consegue reunir o conceito e a prática”
GILBERTO AMENDOLA
Quem viu e ouviu
“A grande contribuição de
Charan é ir direto ao ponto
para clarificar o que é
importante e fundamental,
mesmo que a resposta seja
óbvia e o executar seja
difícil. Enfim, ao que se
tem que estar atento”
Fernando Serra
Diretor da HSM
“Ele sempre consegue
oxigenar algumas ideias.
Neste sentido, tem a
capacidade de nos fazer
refletir. Além de ser um
ótimo orador”
Rodrigo Tetti Garcia
Diretor Executivo da Santa
Cruz S/A Açúcar e Álcool
As frases do guru
“Gaste mais tempo
observando o mundo
do que produzindo
Power Point”
azer só aquilo que você sabe
azer bem, não resolve nada no
mundo moderno”
“Ninguém sabe o
futuro, mas podemos
criar o futuro”
“Nunca coloque
um solitário numa
posição de liderança”
“Ninguém sabe tudo,
se souber é porque é
louco”
“O maior sucesso virá das pessoas que sabem realizar as coisas. As pessoas que só pensam e não fazem
são incompletas”.
19
Conhecimento
passo para qualquer estratégia
– só que, ainda assim, não teria
o poder de garantir o sucesso
de nenhuma iniciativa. “Precisamos estar preparados para
mudar, refazer e revisar nossas
estratégias o tempo todo”, falou
Charan. “Não podemos esperar
mais aquelas reuniões de planejamento anuais aos moldes
do passado. Os encontros para
revisão de estratégia precisam
acontecer trimestralmente. Em
um ano tudo muda e você pode
perder o seu negócio”.
Charan acredita
na força de
administradores com
poder de realização
Outro ponto importante, de
acordo com Charan, seria a capacidade de o administrador
olhar para o mundo e para o
seu próprio negócio sem arrogância. “Você não pode pensar
que o seu negócio é grande e
importante – e que ele nunca
será afetado por nenhuma mudança. Quem pensa assim já sai
perdendo. Fazer só aquilo que
você sabe fazer bem, não resolve nada no mundo moderno”.
O especialista avisa que é
preciso “treinar a mente” para
detectar as mudanças que estão
no horizonte. “Eu recomendo a
leitura de jornais e sites como
uma espécie de exercício de abdominal para o cérebro. Trata-se de um treino para aumentar
nossa percepção do mundo, das
tendências e das pessoas”.
20
Realizadores
Na contramão da tendência
dominante no mercado de valorização dos “homens de ideias”,
Charan acredita que qualquer
estratégia só terá sucesso se
contar com a presença de “realizadores”. Para ele, as pessoas
que só pensam e não fazem são
incompletas. “O maior sucesso
virá daqueles que conseguem
fazer as coisas. Isso porque as
ideias sempre poderão ser compradas”.
Neste sentido, o administrador
de sucesso deve criar uma marca
pessoal que enfatize o seu lado
realizador. Para isso, Charan
propõe reflexões importantes.
“Qual a sua atitude em relação ao
compromisso em entregar aquilo
que prometeu? Você é capaz de
Como elaborar uma estratégia
vencedora (em uma folha)
Biblioteca básica
EXECUÇÃO - A DISCIPLINA PARA ATINGIR
RESULTADOS
Livro sobre como acabar com a lacuna entre
os resultados prometidos e os alcançados e
a importância de comprometimento com as
estratégias.
O LÍDER CRIADOR DE LÍDERES
Livro que descreve como atuar no contexto de
vendas e construir uma relação de confiança com os
clientes.
REINVENTANDO A GOVERNANÇA
CORPORATIVA
Neste livro, Ram Charan explora o novo papel que os
conselhos de administração estão desempenhando
nas corporações, baseado em pesquisas e entrevistas,
além de sua própria experiência como consultor
e membro de três conselhos. Leitura essencial
para CEOs, conselheiros, executivos seniores e
todos os interessados na qualidade da governança
corporativa.
A ARTE DE CULTIVAR LÍDERES
O livro mostra porque os bons líderes colocam as
pessoas à frente dos números e reforça a ideia de
que os talentos são a engrenagem que move todo
o conjunto. Ram Charan utiliza sua experiência
e insights para escrever o livro definitivo sobre o
talento e a arte de cultivar lideranças - uma obra
revolucionária que explica como levar uma empresa
ao próximo nível.
KNOW – HOW
As 8 competências que separam os que fazem e
os que não fazem. Obra que ajuda os leitores a
atingirem um bom desempenho em suas carreiras.
construir confiança entre seus
parceiros de negócio? Você tem
agilidade para resolver imprevistos? Você consegue entender o
ponto de vista dos outros?”.
Segundo o especialista, o poder de realização nasce, principalmente, das relações de
confiança. “A confiança é uma
espécie de capital. Um capital
tão ou mais importante do que
o capital financeiro”, provocou
Charan.
Para que a conversa ficasse
mais palpável, Charan propôs
uma iniciativa prática. “O realizador não termina uma reunião
sem um fechamento. As pessoas
precisam sair de uma reunião
tendo clareza do que foi decidido e os quais serão as funções
de cada um a partir daquele
momento. As ações devem ficar
claras após cada encontro”, reforçou.
Em relação à equipe de trabalho, Charan é preciso. “O realizador precisa ser ágil para corrigir
eventuais erros na formação do
seu time. A pessoa certa na função errada deve ser substituída”,
disse. “O principal na montagem
da equipe é não colocar um solitário numa posição de liderança.
Pessoas solitárias são inteligentes, mas não têm senso de liderança, não constroem relações”.
Com capacidade de realização e um bom time de colaboradores, a estrada do sucesso
estaria menos congestionada?
Sim, mas Charan adverte. “Não
adianta chegar até aqui e não
selecionar as metas certas. Não
adianta ter 20 metas. Elas não
irão se realizar. Pense em apenas
cinco metas. Isso é o suficiente e
irá ajudar a construir sua marca
como realizador”.
21
Na Prática
por Marcos Yamamoto
De olho nas
finanças
GETTY IMAGES
A necessidade de estratégia e
planejamento combinada com uma
visão abrangente dos negócios fortalece
a importância dos administradores no
cash management das empresas
22
O
momento em finanças é
de fortalecimento para os
profissionais de administração que atuam na área.
“A formação acadêmica beneficia a
condução dos processos ligados à
área financeira, pois oferece um
conhecimento abrangente. A área
financeira tem sido um caminho
trilhado por muitos administradores”, atesta Marcelo de Lucca,
formado em Administração de Empresas, presidente da Page Executive e vice-presidente de Admissão
e Frequência do Instituto Brasileiro
de Executivos de Finanças de São
Paulo. O setor concentra muitas
demandas de planejamento e visão holística da organização. “Além
disso, o mercado está aquecido. O
nível de exigência aumentou, principalmente em carreiras executivas. Hoje é preciso ter uma visão
global do mercado onde a empresa
está inserida, pois, em muitas ocasiões, o profissional de finanças
acaba assumindo responsabilidades em outras áreas, como RH e
TI”, analisa o diretor executivo do
comitê de Carreiras da Associação
Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade
(Anefac), Luiz Everardo Muezerie.
Dentro da atuação do profissional do setor financeiro, existem
fortes pressões e demandas, vindas
de acionistas, investidores e também do mercado financeiro, que
favorecem quem tiver domínio,
além de conhecimentos técnicos,
de competências de liderança e
negociação. Para Muezerie, “além
das competências técnicas, existem
demandas relacionadas à gestão
de conflitos e capacidade de gerenciamento. O mercado é muito
competitivo, o profissional precisa
ter um bom relacionamento com
bancos, outras empresas do seg23
tem que ser transparente e coerente
mento e saber negociar para obter
os melhores produtos e serviços
financeiros”.
Assim, a relação com os interlocutores deve ser a mais aberta
possível. A adoção de práticas
de Governança Corporativa, o
combate aos abusos de poder,
aos erros administrativos e às
fraudes se torna mais efetivo
e objetivo. “É essencial haver
transparência com coerência. O
executivo principal deve divulgar
todas as informações pertinentes a todos os interessados tão
logo estejam disponíveis, além
daquelas obrigatórias por lei ou
regulamento, abordando tanto
os aspectos positivos quanto os
negativos. E prevalece o conteúdo sobre a formalidade legal,
por meio de linguagem acessível ao publico alvo”, informa o
diretor executivo de Governança
Corporativa da Anefac, Charles
Holland.
Para manter o budget alinhado
com as diretrizes de volume de
24
com destaque para os cargos de
Controller e Diretor Financeiro,
com vencimentos mensais de até
35 mil e 80 mil reais, respectivamente (confira mais cargos na
página 25). “Apesar de essas áreas
estarem mais aquecidas, a farmacêutica continua sendo a que paga
melhor”, afirma Marcela Esteves,
gerente da divisão de Finanças e
Contabilidade da Robert Half.
Segundo uma pesquisa global
da Michael Page, o Brasil ocupa
o segundo lugar no mundo em
remuneração entre os CFOs mais
bem pagos. 41% dos profissionais
brasileiros acumula remuneração
superior a 255 mil dólares anuais.
Para se ter uma ideia, esse percentual é superado apenas pelos
Lettiere pede atenção aos ciclos de
estocagem e pagamento de contas
Escassez de talentos
A valorização da área está relacionada com a disputa de mercado em busca de talentos de alta
performance. Segundo um estudo
da consultoria de recrutamento
Robert Half, 90% dos CFOs brasileiros estão preocupados com a
falta de material humano capaz de
trazer diferenciais e quase todos os
entrevistados – 95% –, considera
desafiadora a tarefa de encontrar
mão de obra qualificada. “Há uma
carência de profissionais que reúnam competências em finanças,
contabilidade e legislação fiscal e
tributária”, sinaliza Muezerie.
A edição 2012-2013 do Guia
Salarial da Robert Half mostra
que os salários dos profissionais
de finanças valorizaram de 15%
a 20%. Os setores mais aquecidos
são o de construção civil, agronegócio, óleo e gás e bens de capital,
DIVULGAÇÃO
Para Holland, Governança Corporativa
crescimento, margens e capital empregado, o Chief Financial Officer
(CFO) e diretor de Relações com
Investidores da Alpargatas, administrador José Roberto Lettiere,
reforça a importância dos processos de negócios terem um retorno
cada vez mais otimizado. “O cash
management deve estar conectado
à geração de valor para o acionista.
Um indicador que utilizo é o de Ciclo de Conversão de Caixa (CCC),
que mostra em quantos dias acontecem as gerações de caixa provenientes das operações de negócios,
as principais fontes de renda da indústria. Para melhorar o retorno,
é preciso administrar muito bem
os ciclos de estocagem, o recebimento e pagamento de contas.
Não adianta ter um alto faturamento, mas, ao mesmo tempo, um
ciclo muito longo de conversão de
caixa”, argumenta.
CREDITO
DIVULGAÇÃO
Na Prática
VEJA COMO ESTÁ A REMUNERAÇÃO
DENTRO DA ÁREA FINANCEIRA
DIRETOR FINANCEIRO (CFO)
de 12 mil a 80 mil reais
CONTROLLER
de 7 mil a 35 mil reais
GERENTE DE PLANEJAMENTO
de 7,5 mil a 30 mil reais
FINANCEIRO/TESOURARIA
GERENTE FINANCEIRO
de 6 mil a 24 mil reais
GERENTE DE AUDITORIA
de 8 mil a 25 mil reais
GERENTE FISCAL
de 6 mil a 25 mil reais
COORDENADOR FINANCEIRO de 4,5 mil a 12 mil reais
COORDENADOR DE
CONTROLADORIA
de 5 mil a 14 mil reais
AUDITOR
de 2,5 mil a 12 mil
ANALISTA DE
de 2 mil a 11 mil reais
PLANEJAMENTO/TESOURARIA
ANALISTA FINANCEIRO
de 2 mil a 8,5 mil reais
Fonte: Guia Salarial 2012-2013 – Robert Half
norte-americanos, que registram
49%, e maior que a média europeia, cujos salários de tal envergadura não passam de 13% do total.
“O setor financeiro está cada vez
mais estratégico, seja em multinacionais ou empresas nacionais. O
mercado de trabalho na área financeira está forte e existem muitas
oportunidades para os administradores”, constata Lucca.
O mesmo levantamento indica que aqueles que possuem
experiência internacional ganham
mais. 60% dos CFOs com remuneração anual abaixo de 80 mil dólares não havia passado por uma
experiência na carreira fora do
seu país de origem. Por outro lado,
entre os CFOs com remuneração
anual superior a 255 mil dólares,
apenas 26% não exerceu atividade
profissional fora de seu país de origem. “A experiência internacional é
supervalorizada pelas companhias
brasileiras e é determinante para
remuneração, porte da empresa e
nível de internacionalização que
o executivo almeja para sua carreira”, destaca o diretor da Michael
Page, João Marco.
Outra competência valorizada
nos últimos dois anos é do profissional que saiba lidar tanto
com a parte técnica como com
o domínio mental sobre a gestão
de pessoas. “Muitas informações
são transmitidas aos investidores
pela linguagem corporal e a entonação de voz. Existem estudos
que indicam que o processo decisório estratégico sofre influência
desses sinais. O corpo fala e a entonação, idem”, analisa Holland.
“A diferença de um profissional
para ‘o’ profissional está justamente na união dessas duas habilidades”, conclui Marcela.
25
Estilo
por Mayara Marboza
Caiu na rede
é... emprego!
As empresas estão conectadas e procurando
novos talentos. Manter um perfil atualizado no
Facebook e usar o Twitter de forma inteligente
pode aumentar suas chances de conseguir uma
boa posição profissional
V
ai longe o tempo em
que Facebook, Twitter
e outras redes sociais
eram apenas mais um
passatempo, uma diversão virtual entre amigos e conhecidos.
Ninguém minimamente conectado com novas (e nem tão novas) tecnologias duvida do poder
desse tipo de ferramenta e do
quanto elas se tornaram essenciais ao nosso cotidiano. O que
poucos ainda se deram conta
26
é de como essas redes podem
contribuir na busca de novos
desafios profissionais, transformando-se em uma eficiente
plataforma para oportunidades
de emprego.
Antes de entender como uma
rede social pode afetar sua empregabilidade é preciso cristalizar o seu conceito. Segundo
Natanael Oliveira, Bacharel em
Publicidade e Propaganda pela
Faculdade Cearense, e fundador
da Nordeste SEO (Seach Engine
Optimization), as redes sociais
nasceram da necessidade do ser
humano compartilhar e criar
laços sociais: “São grupos que
compartilham de um interesse
em comum, um ideal, uma preferência, etc.. Portanto, as redes
podem ser clubes de futebol,
igrejas, salas de aula, empresas,
entre outros”. Oliveira também
acrescenta: “Quando essa interação social parte para o ambiente
GETTY IMAGES
A partir de 2004, com o sucesso dessas redes, a busca por
empregos sofreu uma sensível
mudança. A partir deste marco,
as entrevistas de trabalho não
precisavam ser presenciais. Ou
seja, com as características das
redes 1 e 2 já era possível passar por uma entrevista online,
em outra cidade ou qualquer outra parte do mundo – inclusive
com envio de currículos, vídeos
e áudio.
Ainda de acordo com Oliveira,
a criação do Facebook marcou o
início da era das Redes 3.0. Estas são caracterizadas pela integração com outras redes, como
também, pela utilização generalizada de jogos sociais como
Farmville e Mafiawars e o uso de
aplicativos para celulares. Dentro das características das Redes
Sociais 3.0 fazem parte, além do
Facebook, o Twitter, Google+ e
outras.
online, nesse momento temos as
chamadas redes sociais digitais”.
Oliveira divide as redes sociais
digitais em três diferentes grupos. As Redes 1.0 foram aquelas
que, originalmente, permitiram
o diálogo em tempo real, como
ICQ e MSN. O salto para as Redes 2.0 ocorreu a partir do compartilhamento de arquivos, fotos
e outros, principalmente com o
surgimento do Orkut, MySpace
e LinkedIn
Procurar no ‘Face’
Hoje, chegamos ao ponto em
que a relevância das redes está
tão consolidada que muitas empresas se utilizam desses recursos para avaliar um candidato
na hora da seleção das vagas.
Na outra ponta, essas empresas
também aproveitam a visibilidade das redes para divulgarem suas vagas de trabalho.
Portanto, uma boa presença na
internet pode representar um
diferencial no currículo dos candidatos – aquele detalhe a mais
na disputa com outros concorrentes pela mesma vaga.
Muitos grupos divulgam vagas de trabalho na rede, como
é o caso do “Vagas de Estágio,
Administração e Ciências Contábeis”, criado pelo estudante
David Bertoncello, Sócio-Diretor da Hello Research,
agência paulista de inteligência e pesquisa de mercado, realizou um trabalho
chamado “Papo Social”,
usado para averiguar as
nuances dos perfis dos
usuários das redes sociais.
Com a pesquisa, ele mapeou o perfil dos usuários
da rede e a relação deles
com o trabalho:
A geração Y (16 aos 30
anos) é a que mais interage
nas redes
84% dos usuários da internet têm perfis ativos
53% dos usuários são mulheres
São 55 milhões de oportunidades para você divulgar/promover/discutir o
que quiser
O total de pessoas que falam sobre trabalho no Facebook é de 60%
48% dos jovens até 20 anos
se utilizam da rede para se
informar sobre trabalho
Os mais velhos, de 51 a 60
anos, são os que mais gostam do assunto trabalho
nas redes
27
Estilo
"As empresas e
profissionais de RH
me procuram para
divulgar
oportunidades de
trabalho em primeira
mão"
Daniel Lopes, criador do grupo
Vagas de Estágio, Administração e Ciências
Contábeis
tunidades por região, por áreas
específicas (gestão de pessoas,
financeiro, contábil, auditoria) e
pelo valor da bolsa como fator
de atração” diz.
DIVULGAção
Perfil público, vida privada
de administração Daniel Lopes
D'Albuquerque, da Faculdades
Integradas Simonsen (RJ). Segundo ele, a intenção do grupo
é divulgar as vagas de administração para os estudantes da
área: “Algo que me chama atenção é que ele (o grupo) existe
há apenas dois meses, foi fruto
inicial de grande divulgação, e
me assusto com a ideia de que
ele tem crescido de forma tão
intensa, e que empresas e profissionais de RH me procurem
para divulgar oportunidades em
primeira mão. Além das vagas
que as empresas me mandam,
divulgo também as vagas que
busco nos sites especializados.
Sempre procuro filtrar as opor28
Mas para ser bem visto pelas empresas alguns cuidados
on-line se fazem necessários.
Segundo Flávia Cruz, coordenadora de mídias sociais da
agência Web Esperienza, a melhor coisa a se fazer é deixar a
página com menos informações
pessoais – pois uma página com
muitas informações pode gerar
um pré-julgamento. “Algumas
ferramentas das redes sociais
possibilitam o bloqueio de determinados conteúdos para pessoas
e listas específicas. As pessoas
precisam aprender a utilizar esses recursos e assim preservar
mais a sua intimidade” explica.
Já Rosana Marques, coordenadora de Recursos Humanos
da consultoria Crowe Horwarth
Brasil, empresa internacional
de auditoria e consultoria que
está presente em mais de 100
países, diz que hoje muitos recrutadores, assim como ela, se
Algumas dicas
para ter um bom
perfil profissional
1
Quando escrever um
e-mail, opte por um tom
mais sério e formal
2
Apresente seriedade, a
escolha da foto do perfil
pode influenciar e muito na hora de olhar o seu
profile
3
4
5
6
7
Faça sempre uma abordagem positiva dos assuntos
Evite discussões
Tenha bom senso
Não tenha nenhum tipo
de preconceito
E se quiser ter um perfil no
tom de brincadeira faça
dois, um pessoal e o outro
profissional. Assim você
cria um perfil exclusivo
para networking sem ter a
sua imagem prejudicada
por algum tipo de observação mais descompromissada que postar.
Fonte: Rosana Marques,
coordenadora de Recursos Humanos
da consultoria Crowe Horwarth Brasil
"Se preciso de um
líder para inspirar
pessoas não irei
contratar alguém que
vive reclamando nas
redes sociais"
Rosana Marques, coordenadora de
Recursos Humanos da consultoria
Crowe Horwarth Brasil
Segurança nas redes
Entretanto um ponto chave a
se avaliar também é a questão da
segurança. Segundo Coriolano
Almeida Camargo, coordenador
do curso de direito eletrônico
e inteligência cibernética da
Fadisp (Faculdade Autônoma
de Direito de São Paulo) e pre-
DIVULGAção
utilizam do Linkedin. “Quando
olhamos o perfil de alguém tentamos avaliar e classificar essa
pessoa por nível de profissional
que desejamos. Se preciso de um
líder para inspirar pessoas não
irei contratar alguém que vive
reclamando, que desabafa no
feed de notícias. As pessoas não
podem transformar as redes sociais em seus diários pessoais”,
avalia Rosana.
sidente da comissão de crimes
de alta tecnologia da OAB/SP,
a exposição das informações
pessoais é um fator de grande
risco, uma vez que as redes sociais possuem domínio sobre o
conteúdo publicado pelo usuário
e dele podem dispor a qualquer
De acordo com o livro, “Redes Sociais na Internet”, de
Raquel Recuero (2009), as redes sociais representam
interação e troca. Desta forma, as redes sociais reproduzem,
basicamente, as mesmas relações entre os indivíduos na
vida cotidiana (e real). O que a rede social digital exige de
diferente é o domínio da linguagem, das convenções e
signos do mundo online.
momento. “Na internet não há
o chamado ‘Direito ao Esquecimento’” lembra.
Ainda de acordo com Almeida,
algumas medidas preventivas,
tais como selecionar os seus
amigos, evitaria muitas dores de
cabeça. “A seleção do rol de amigos é essencial. E isso implica,
não apenas na observação de
comportamento, mas, sobretudo
em limitar os convites de contato e de amizade a pessoas que
sejam suas conhecidas na vida
real. Além disso, todo site de
rede social possui ferramentas
de denúncia no caso de abusos,
spam, transtornos ou desagrados”, conclui.
29
GETTY IMAGE
Notícias
Coaching na
construção de
talentos
O desenvolvimento de jovens
profissionais por meio de coaching,
mentoring e counselling pode
ser melhor otimizado se estiver
acompanhado por um profissional qualificado e capaz de ter uma
percepção holística da empresa, da
alta direção, colaboradores, clientes, fornecedores e outros.
30
“É necessário evitar a banalização e o modismo em coaching,
além de manter o patrimônio de
liderança dentro de uma cultura
de práticas éticas”, define o coordenador do Grupo de Excelência
em Coaching (GEC), administrador Paulo Roberto Pereira da
Costa, durante a primeira edição
do Simpósio Coaching – Arte e
Ciência, realizado em maio na
sede do Conselho Regional de
Administração de São Paulo.
Para ele, o estabelecimento de
parâmetros de atuação é um
passo no desenvolvimento da
atividade profissional.
A preocupação com a renovação bem conduzida de talentos
transparece no mercado de trabalho. Segundo um estudo da
Câmara Americana de Comércio,
80% dos diretores de RH brasileiros acreditam que, em pouco
tempo, os jovens ocuparão mais
cargos de liderança nas empresas, e 67% deles acreditam que
as companhias devem investir
em suas qualificações e coaching.
Desde 2009, o CRA-SP adota
conceituações
de
coaching,
mentoring e counselling a fim
de dar parâmetros éticos ao assunto para os administradores
atuantes na área (confira o box
abaixo) e mantém um projeto
de assistência a estudantes e
recém-formados em Administração em seus ritos de passagem
na carreira. “O projeto busca dar
a eles uma visão ampla do mercado e quais tipos de situações e
dificuldades eles vão encontrar.
São diagnosticados itens como
a competição, as mudanças conjunturais e econômicas, seus
impactos e como lidar em tais
situações”, diz Costa.
A geração Y, por conta da ampla disponibilidade de informações pertinentes a sua carreira,
pode usar seus conhecimentos
de forma criteriosa e produtiva,
sendo capaz de questionar seus
superiores em questões pertinentes. Para auxiliar os jovens,
o GEC mantém uma equipe de
assistência a estudantes e recém-
C
M
Y
CM
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CY
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K
Costa: É necessário evitar a banalização e
ARQUIVO CRA
o modismo em coaching
-formados em Administração em
relação aos seus direcionamentos de carreira. “Antes, as pessoas
aceitavam as decisões de forma
passiva. O jovem de hoje resgatou a cidadania dentro da organização. Ele precisa de explicações
do “‘por que sim’ e ‘por que não’”,
comenta o administrador Jansen de Queiróz Ferreira, coautor
do livro “Manual completo de
Coaching”. Porém, a dispersão e
a falta de interesse no autodesenvolvimento desde a formação
comprometem – e muito – as pretensões dos novatos. “A maioria
dos estudantes pensa apenas em
se formar na faculdade, não em
aprender. E, no mercado, vendemos o que aprendemos”, analisa
a consultora de T&D Vera Cecilia
Motta Pereira.
Orientar é mais que agir como
um capitão de um barco com
tripulantes aprendizes, significa proporcionar um legado de
conhecimento e boas práticas
para toda a sociedade. “Ao buscar um coach, o cliente quer
melhorar sua contribuição social e profissional e aperfeiçoar
a qualidade de vida das pessoas
ao redor”, afirma Nelson Junque,
conselheiro do grupo G3 de RH
e ex-presidente do conselho da
seccional São Paulo da Associação Brasileira de Recursos Humanos.
Curso
direito do trabalho
e gestão de pessoas
com Aristeu de Oliveira
módulo 1 Gestor e Relações Trabalhistas
módulo 2 Tipos de Contrato
módulo 3 Cálculos Trabalhistas
módulo 4 Descontos em Folha de Pagamento
módulo 5 Tipos de Rescisão do Contrato de Trabalho
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CLT para Rotinas Trabalhistas, de Aristeu
de Oliveira, no formato que escolher:
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com quatro alternativas e em cada uma delas há um comentário.
São 50 exercícios com 200 alternativas e comentários.
Acesse: atlas.com.br/CursoAristeu
31
Notícias
GETTY IMAGEs
renciador de e-mails pessoais e de
negócios” e “Como realizar apresentações de sucesso – aulas 1 e 2”.
A programação completa, junto
com as sinopses dos cursos, pode
ser acessada no hotsite www.cursos.crasp.gov.br. Quem mora na
região da Grande São Paulo deve
se inscrever pelo e-mail eventos.
[email protected]. Administradores de outras cidades podem
procurar a seccional do Conselho
mais próxima.
Inovação competitiva
A inovação é um importante elemento de vantagem competitiva
nas empresas, atingida por meio da
fundamentação estratégica, como
princípio da organização em todos
os seus processos. Nesse contexto,
o capital intelectual funciona como
o berço das ideias e influencia diretamente as organizações pela
qualidade dos serviços e produtos,
otimização de processos, produtividade, sustentabilidade e vantagem
competitiva frente ao concorrente.
Diante da necessidade de os administradores alinharem tais demandas mercadológicas, o Conselho
Regional de Administração de São
Paulo oferece a Série Profissional
inédita “Estratégia e Inovação”, em
parceria estratégica de conteúdo
com a empresa de capacitação profissional Dtcom.
As aulas têm a função de apresentar elementos fundamentais para
os cenários de competitividade,
32
destacando o posicionamento inovador por parte dos colaboradores
e das organizações. O objetivo será
o reconhecimento do processo de
inovação dentro das organizações
e seu papel fundamental na construção e implementação de planejamentos estratégicos. As aulas irão
explicar os cenários da competitividade, a estratégia e o pensamento
sistêmico, a estratégia e inovação e
o conhecimento e sustentabilidade.
A série é apresentada pela consultora Deise Bautzer, mestre em
Gestão Empresarial pela Fundação
Getulio Vargas do Rio de Janeiro
e doutoranda da American World
University, nos Estados Unidos.
Essa e outras atividades grátis
aos registrados fazem parte de
uma parceria do CRA-SP com a
Dtcom destinada aos administradores em todo o Estado de São
Paulo. Entre os temas do mês,
ainda destacam-se os cursos “Ge-
Social
Saúde Criança
Nesta edição, apresentamos a
Saúde Criança, uma associação
cujo trabalho visa a reestruturar
e promover a autossustentação
das famílias abaixo da linha da
miséria, com crianças provenientes de unidades públicas de
saúde. As ações são focadas em
ações ligadas à saúde, renda,
moradia, cidadania e educação,
como orientação jurídica básica,
mutirões em reformas de casas e
serviço social, entre outros.
A entidade aparece no ranking
feito pelo Global Journal das
100 melhores organizações não
governamentais do mundo. A
metodologia da ONG já inspirou
23 instituições e, no Estado de
São Paulo, conta com escritórios
na capital paulista e em São José
dos Campos.
Saiba mais em:
www.saudecrianca.org.br
(11) 3459-1885 - São Paulo
(12) 3797-0825 - S. J. dos Campos
Fluência em alta
vidas confirmam que o inglês é
sua língua oficial de negócios.
A RAP adiantou o assunto na
edição de abril, quando mostrou que, apesar de o Brasil ser
um polo de atração de negócios, muitos executivos ainda
precisam adquirir fluência em
idiomas importantes no continente americano, como inglês e
espanhol.
O mobile (smartphones, tablets) foi apontado como um
potencial “professor” corporativo do ensino de outras línguas.
47% das empresas entrevistadas
estão habilitadas para realizar
Registrados CRA-SP
têm descontos exclusivos
nas lojas Drogasil.
Aproveite!
o treinamento digital de idiomas. Entretanto, 44% das corporações entrevistadas investem
menos de 10% em soluções digitais de treinamento, embora
já saibam de seus benefícios. A
crescente demanda pela tecnologia de treinamento de idiomas
é um indicativo de que há uma
mudança global para uma melhor comunicação além das fronteiras, além da padronização no
ensino (quase 30%), a flexibilidade e acessibilidade (19%) e o
monitoramento dos resultados
(17%) são as maiores vantagens
apontadas no estudo.
a partir de
a partir de
30% 20%
de desconto* em
medicamentos
genéricos tarjados.
a partir de
5%
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perfumaria.
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33
sorrentino.com.br
Para 88% das empresas multinacionais, a habilidade em
comunicar-se e o conhecimento
de língua estrangeira são vitais
para o negócio, segundo pesquisa realizada pela multinacional de treinamento corporativo
de idiomas Speexx. O estudo
foi feito com 230 empresas de
cinco continentes, em mais de
uma dúzia de setores da indústria, o que representa 1,6 milhão
de profissionais.
O levantamento aponta que o
inglês é a língua com maior demanda global (90%). No entanto,
só 25% das multinacionais ou-
Opinião
Alerta vermelho para os
acomodados
34
toda a sua equipe de staff administrativo. Inúmeras empresas
grandes foram inclementes nas
reduções do quadro gerencial e
muita gente perdeu o emprego.
Se olharmos para as companhias brasileiras nos últimos
cinco anos, temos evidências de
que a situação que promoveu a
reengenharia pode voltar. Segundo os jornais, as empresas
vivem dias difíceis – algumas
mais que outras – com baixas
nas vendas, a inflação subindo,
a exportação caindo, a produtividade industrial insuficiente e
muitas outras variáveis de dificuldade nas organizações.
Por enquanto, não há um fato
claro que mostre que a tal reengenharia volte ou que as empresas estejam se preparando para
outro processo semelhante ao
acontecido no passado. De repente, porém, os problemas se
acentuam, a crise lá fora recrudesce e as organizações talvez
tenham de adotar medidas mais
restritivas e as racionalizações,
terceirizações, reengenharias e
enxugamentos tenham de ocorrer, para tristeza geral.
Vale o alerta vermelho para
os acomodados, tranquilos em
suas posições, desatentos ao
que pode, de repente, voltar a
acontecer. A vida calma, sem
muito investimento pessoal na
carreira e caminhando na chamada “santa paz” é uma situação
que talvez não se sustente em
um futuro próximo.
Como se preparar para esse di-
fícil momento? Não há dúvida
que o profissional proativo, intenso, participante, interessado
em progresso, disposto a investir
na carreira e muito ligado no trabalho e na empresa será aquele
que estará mais protegido da
intempérie. Não bastará tempo
de casa, só cumprir obrigações,
atender aos superiores e ser um
bom chefe de família para manter sua zona de relativo conforto.
Por isso, o acomodado profissional, simples cumpridor de
suas obrigações, pode ser um daqueles a sucumbir na hora em
que uma eventual e necessária
reengenharia mostre, de novo,
suas garras nas empresas brasileiras. Os profissionais empregados devem refletir agora sobre
essa situação, quando nada de
mais grave está à vista.
DIVULGAÇÃO
Você que nunca tem tempo
para fazer os cursos que a empresa lhe oferece; lida com o
computador, mas não procura
conhecer além do Pacote Office;
diz que saber o idioma inglês é
importante apenas para quem
trabalha em uma multinacional; não se importa muito com
a sua avaliação de desempenho
na empresa; sempre se negou a
transferências de interesse da
organização; e que se sente protegido pelo fato de ter mais de
10 anos de casa: cuidado!
Há cerca de 20 anos, a manutenção de empregos de executivos e profissionais nas empresas
era tranquila. Recrutava-se mais
e assistentes, assessores, secretárias e gerentes médios e seniores andavam pelos corredores
dos escritórios e fábricas em
uma vida funcional estável.
De repente, diante de condições econômicas nacionais e
internacionais, esse quadro foi
modificado e a famosa “reengenharia” mudou o panorama do
emprego. As empresas passaram
a olhar para suas estruturas e
quadros em busca de economia,
produtividade e eficácia. Organogramas foram modificados e
reduzidos em altura e largura
e os quadros – principalmente
onde os custos eram maiores –
enxugados de forma drástica. O
nível gerencial foi o mais sacrificado por se entender ser melhor subordinar supervisores e
coordenadores diretamente aos
diretores e cortar os gerentes e
Adm. Laerte Leite
Cordeiro
CRA-SP n.º 02.10
Consultor titular de
Carreiras da Laerte
Cordeiro Consultores em Recursos
Humanos.
Colaborações para esta seção
podem ser enviadas para o e-mail
[email protected]
Os textos devem conter no máximo
3.000 caracteres (com espaços),
nome completo do autor, foto em
alta resolução e o registro no CRA-SP.
→ Este artigo reflete, exclusivamente, a opinião de seu autor.
O CRA-SP não se responsabiliza
pelas ideias nele contidas.
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Amil:
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Seguros Unimed:
ANS nº 00.070-1
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