Sofia Barbosa Leão Desemprego e População Qualificada Dezembro de 2013 FONTES DE INFORMAÇÃO SOCIOLÓGICA Desemprego e população qualificada Trabalho realizado no âmbito da cadeira de fontes de informação sociológica feita por avaliação contínua, no 1º ano de Licenciatura em Sociologia na FEUC. Discente: Sofia Barbosa Leão Número de aluno: 2013147585 Docente: Dra. Paula Abreu e Dr. Paulo Peixoto Ano letivo: 2013/2014 Assuntos abordados: Globalização e Multiculturalismo e o desemprego e população qualificada Imagem de capa composta a partir de: http://www.flickr.com/photos/dmitri1946/6444601297/sizes/l/ FONTES DE INFORMAÇÃO SOCIOLÓGICA Índice 1. Introdução………………………………………………………………………………………………………………1 2. Estado das artes…………………………………………………………………………………………………..…2 2.1 Evolução do Desemprego em Portugal…………………….………………………………….3 2.2 Níveis de qualificação………………………………….………………………………………………5 2.3 Soluções do problema…………….……………………………………………………………….….7 3. Descrição detalhada da pesquisa………………………………………………………………….……….9 4. Ficha de Leitura………………………………………………….…………….………………………………….10 5. Análise da Página da web……………………………………………………………………………….…….18 6. Conclusão...................................................................................................................20 7. Referências bibliográficas……………………………………………………………………………………….21 7. Anexo I…………………………………………………………………………………………………………………...23 8. Anexo II………………………………………………………………………………………………………………….24 FONTES DE INFORMAÇÃO SOCIOLÓGICA Introdução Em função do regime de avaliação contínua da cadeira de Fontes de Informação Sociológica foram sugeridos vários temas sobre o trabalho proposto. A minha escolha recaiu no tema que me pareceu mais atual, neste caso o segundo: “Desemprego e População qualificada”. Neste momento devido à crise instalada, pareceu-me conveniente a questão do desemprego, pois é uma preocupação de todos mas principalmente dos jovens que vêem a sua situação cada vez mais complicada, e neste caso os jovens qualificados que não conseguem um emprego de acordo com as suas habilitações e por isso vêm-se forçados a procurar a sua sorte noutros países através da emigração. Neste trabalho vou abordar o tema acima referido expondo dados fulcrais á perceção da situação do desemprego em Portugal, assim como alguns conceitos sobre o mesmo. Comeco por mostrar a evolução do desemprego em Portugal com base na evolução da crise económica vivida. Os gráficos referentes ao desemprego segundo os variados níveis de qualificação com incidência no desemprego qualificado. Tento mostrar de forma percetível as causas e as soluções encontradas pelos desempregados, nomeadamente a chamada mobilidade de cérebros e a formação profissional. 1 FONTES DE INFORMAÇÃO SOCIOLÓGICA Estado das artes O estado das artes é uma parte fundamental do trabalho pois é onde podemos expor os resultados das pesquisas elaboradas sobre o tema em questão este, tem como objetivo fundamentar a investigação com bases firmes e concretas. Irei abordar o tema “desemprego e população qualificada” por fases convenientes ao seu desenvolvimento. É importante começar por referir a definição de desempregado segundo o INE: “Indivíduo, com idade mínima de 15 anos que, no período de referência, se encontrava simultaneamente nas situações seguintes: a) não tinha trabalho remunerado nem qualquer outro; b) estava disponível para trabalhar num trabalho remunerado ou não; c) tinha procurado um trabalho, isto é, tinha feito diligências no período especificado (período de referência ou nas três semanas anteriores) para encontrar um emprego remunerado ou não. Consideram-se como diligências: a) contacto com um centro de emprego público ou agências privadas de colocações; b) contacto com empregadores; c) contactos pessoais ou com associações sindicais; d) colocação, resposta ou análise de anúncios; e) realização de provas ou entrevistas para seleção; f) procura de terrenos, imóveis ou equipamentos; g) solicitação de licenças ou 2 FONTES DE INFORMAÇÃO SOCIOLÓGICA recursos financeiros para a criação de empresa própria. O critério de disponibilidade para aceitar um emprego é fundamentado no seguinte: a) no desejo de trabalhar; b) na vontade de ter atualmente um emprego remunerado ou uma atividade por conta própria caso consiga obter os recursos necessários; c) na possibilidade de começar a trabalhar no período de referência ou pelo menos nas duas semanas seguintes. Inclui-se o indivíduo que tem um emprego, mas só começa a trabalhar em data posterior à do período de referência até ao prazo limite de três meses, findo o qual passa a ser considerado inativo.” Fonte: Instituto Nacional de Estatística (2006) disponível em: <http://smi.ine.pt/Conceito/Detalhes/5078?modal=1> A evolução do desemprego em Portugal Como temos assistido, em Portugal as taxas de desemprego têm vindo a aumentar ano após ano tendo como fator fundamental a crise económica atual. A ascensão da economia do conhecimento tem criado novos incentivos para que as pessoas desenvolvam as suas capacidades por meio da educação. É o crescimento do setor da educação superior que tem aumentado as oportunidades para as populações e ampliado as reservas globais de talentos formadas por indivíduos altamente qualificados. Por isso, a qualificação da população é um fator competitivo das economias atuais, sendo uma variável decisiva para a perceção do aumento do desemprego em Portugal. 3 FONTES DE INFORMAÇÃO SOCIOLÓGICA Podemos ver uma diferença significativa das taxas de desemprego a partir de 2008, ano em que se começou a viver a crise de forma mas acentuada. Até esta data, o desemprego crescia de forma relativamente gradual. Entre 2008 e 2010 o número de desempregados em Portugal com dados estimados pelo INE, aumentou 40,5%. É a consequência mais significativa, uma vez que é um fator determinante no condicionamento da gestão da riqueza do país. No gráfico 1, referente aos anos de 2011 e 2012 podemos apurar o número de desempregados e a sua respetiva área de trabalho. Gráfico 1 (fonte: PORDATA , 2011) 4 FONTES DE INFORMAÇÃO SOCIOLÓGICA Níveis de qualificação Foi sobretudo na faixa da população ativa que se apurou o maior aumento do número de desempregados (35-44 e 45-64 anos) verificando-se um aumento de mais de 50%. No entanto, segundo o INE, são também estes grupos etários que apresentam o mais baixo nível de escolarização, 419 mil desempregados não tinham mais do que o 9º ano de escolaridade. Desde 2010 que o desemprego se divide em dois grupos: um mais velho e pouco qualificado e outro mais novo, composto por ativos mais jovens de qualificações intermédias: Cantante (s.d). Na qualificação da mão-de-obra, Portugal encontra-se aquém dos valores médios registados nos países da OCDE. Assim sendo, estamos perante uma mão-de-obra muito pouco preparada para fazer face aos desafios laborais mais exigentes. Quanto aos níveis de escolarização secundária ou pós-secundária da população ativa, também se encontram num baixo patamar comparado aos países da União Europeia. Por isso, a qualificação dos portugueses e a adaptação às oportunidades existentes é uma forma fundamental de combate ao desemprego porque sem o aumento das habilitações da população atualmente empregada e da que se irá integrar no futuro no mercado de trabalho, qualquer estratégia politica nessa área será insustentável. Nas últimas décadas, tem-se observado um aumento no nível educacional de geração em geração. A diferença em média entre gerações de 25 a 34 e gerações de 55 a 64 na OCDE foi de 20 pontos percentuais. Vários indicadores mostram que quanto mais escolarizadas são as pessoas maior é a possibilidade de conseguirem emprego, por isso o ensino médio torna-se um pré requisito para um melhor nível de empregabilidade: Faria, Wong (2009). 5 FONTES DE INFORMAÇÃO SOCIOLÓGICA No que toca à população com qualificações elevadas, nomeadamente com curso superior, são os mais afetados pelo desemprego de longa duração (cerca de 51% a partir de dados de 2007) em relação à média de universitários desempregados dos países da OCDE onde a taxa é de 42%. Aqui, o desemprego entre os mais qualificados teve tendência em baixar relativamente ao resto da população. No entanto de 1998 a 2006, a faixa etária dos 25 aos 64 anos de idade no ensino superior aumentou 7,5% em Portugal: Rosa (2007). E partindo de dados mais recentes, apesar do progresso lento, há uma evolução de empregados com formação superior de 2005 a 2007 em Portugal: (Fonte: INE, 2005-2007) Quadro 1 Atualmente, o problema fundamental da economia Portuguesa no que toca ao desemprego de população qualificada reside na insuficiência de criação de postos de trabalho para a mesma de forma a compensar os postos de emprego qualificado que estão a ser destruídos, para dar emprego qualificado aos trabalhadores empregados com maior nível de escolaridade e fundamentalmente para dar emprego aos desempregados com elevada escolaridade. No período de 2006 a 2007, o nível de escolaridade dos empregados aumentou mas em contrapartida, os postos de trabalho relativos á população qualificada diminuíram. Pelo contrário os postos de trabalho da população considerada de escolaridade média aumentaram. 6 FONTES DE INFORMAÇÃO SOCIOLÓGICA Partindo desta análise podemos concluir que se assiste a uma substituição do emprego qualificado por emprego menos qualificado. Há um fator interessante de analisar: em 2006 o salário médio dos trabalhadores considerados com qualificações médias representava 48% do salário da população com qualificações elevadas e o salário médio da população com qualificações mais baixas representava apenas 40,9% do salário médio da população com qualificações elevadas. Mais uma vez reforça-se a ideia de que o desemprego da população com qualificações mais elevadas dispara devido à economia portuguesa não estar a criar emprego qualificado suficiente: (Fonte: INE, 2007) Quadro 2 Soluções para o problema • “Mobilidade de cérebros” A População qualificada, ao ver de certa forma o seu esforço a ser “desvalorizado” por Portugal, vê-se forçada a arranjar outras alternativas ao desemprego português. Uma delas, muito em moda nos últimos anos consiste na emigração, conhecida como a “mobilidade de cérebros”. Os “cérebros” são então os profissionais altamente qualificados. 7 FONTES DE INFORMAÇÃO SOCIOLÓGICA • Evolução da formação profissional em Portugal A Formação profissional tem sido uma aposta governamental como forma de qualificar a população de uma forma mais prática em diversas áreas de trabalho. Esta é uma alternativa à vaga de desemprego que tem afetado Portugal por isso achei fundamental mencionà-la. Antes da adesão de Portugal à União Europeia os programas e ações de formação eram muito poucos. No entanto, na década de 60, surgiram alguns programas como forma de intervenção no mercado de trabalho. É o caso do programa PAMTs, que visava medidas de reconversão de adultos desempregados. Apesar de ter começado no estrangeiro, este programa adaptava-se às necessidades dos portugueses, uma vez que o sistema educativo, devido essencialmente às condições económicas, não oferecia a formação necessária. Graças ao FSE (Fundo Social Europeu), Portugal teve a oportunidade de modernizar as suas instituições com capacidade para desenvolver uma importante ação quantitativa e qualitativa. Quadro 3 (FONTE: ministério da Educação/Departamento do ensino secundário, 2002) 8 FONTES DE INFORMAÇÃO SOCIOLÓGICA Como já referido anteriormente, a crescente evolução das infraestruturas, como podemos no quadro 3, proporcionaram uma maior adesão a esta forma de ensino. É partindo desde ponto que se verifica uma clara evolução desta alternativa de ensino, que atualmente conduz parte da população para a entrada no mundo do trabalho. Concluímos um problema fundamental da economia portuguesa no que toca à empregabilidade: “Apesar de as competências e os níveis de literacia serem variáveis entre a população que tem baixas qualificações escolares, não há dúvida de que a situação de desemprego dos ativos que têm este tipo de perfil se deve sobretudo à sua falta de preparação para a produção de bens e serviços a preços comparativamente vantajosos.” (Cantante, Frederico: 2010) Descrição detalhada da pesquisa Na realização deste trabalho comecei por dar a definição de desempregado segundo o INE através do uso da palavra-chave “desempregado”. De seguida pesquisei sobre a evolução do desemprego em Portugal de forma a deixar explícito os motivos da situação atual. De forma a mostrá-lo com dados gráficos, recorri a base de dados PORDATA e expus um gráfico referente a população desempregada à procura de um novo emprego segundo a sua área de formação. Este gráfico é de 2011 mas foi o mais recente que encontrei em relação a este tema. De seguida falei dos diferentes níveis de qualificação segundo a sua estratificação através de alguns artigos de jornal online assim como artigos sobre o desemprego também online. Mais uma vez como forma de comprovar o dito recorri ao INE na procura de gráficos e tabelas uma vez que na minha opinião é o local mais acessível na procura deste tipo de dados. 9 FONTES DE INFORMAÇÃO SOCIOLÓGICA Na fase seguinte tive um pequeno problema pois tinha começado a trabalhar dividindo o tema por pequenos tópicos no entanto percebi que devido à sua envolvência era complicado dividi-los pois iria atrapalhar a sua sequência lógica. Algumas bases de dados de outras universidades Portuguesas também me forneceram dados bastante importantes a este trabalho como é o caso do ISCTE. É fundamental referir outro problema com que me deparei pois fiz questão de ir à biblioteca da FEUC encontrar alguns livros como forma de desenvolver o tema, no entanto a oferta não era muita nem direcionada para o que procurava, e o único que encontrei referente ao tema tinha apenas informações e dados de 1995, portanto não achei relevante expor informações que não eram recentes. Ficha de Leitura Título da publicação: Globalização e multiculturalismo Autor: Maria da Conceição Pereira Ramos Data da publicação: julho a dezembro de 2013 Local onde se encontra: Biblioteca da faculdade de economia da universidade de Coimbra Edição: 13 Número de páginas: 27 Data de leitura: Outubro de 2013 Palavras-chave: Migrações; Globalização; Multiculturalismo; Cidadania; Diversidade cultural; feminização do trabalho; transnacionalismo; redes sociais; estudantes estrangeiros; 10 FONTES DE INFORMAÇÃO SOCIOLÓGICA Nota sobre o autor: licenciada na faculdade de Economia da Universidade de Coimbra com mestrado e doutoramento na Universidade de Paris I – Sorbonne. Resumo/argumento: Este texto encontra-se dividido em 7 partes. Todas elas tem uma sequência lógica que abordam temas que suscitam os que vêm a seguir. Começando por falar no impacto das migrações, e no seu efetivo crescimento no setor feminino seguidamente temos uma pequena noção de transnacionalismo e cidadanias múltiplas, que nos conduzem à ligação com algumas políticas públicas e educativas para a integração dos imigrantes evidenciando assim o papel do migrante enquanto portador de cultura mudando cultural e socialmente as sociedades envolvidas. O estatuto adquirido por cada trabalhador faz com que se crie a necessidade de novas medidas face à descriminação e racismo sentido. Com o crescente aumento da imigração torna-se necessário eleger políticas seletivas de modo a regular os fluxos migratórios consoante a necessidade de mão-de-obra mais ou menos qualificada de cada país. A integração social é fundamental para uma eficaz gestão dos direitos humanos. Para poder garantir efeitos positivos das migrações é necessário existir o codesenvolvimento. Estrutura: Introdução/apresentação: No âmbito da área curricular de fontes de informação sociológica lecionada pela Professora Doutora Paula Abreu e pelo Professor Doutor Paulo Peixoto, foi pedido para ser elaborada esta ficha de leitura a partir de um entre nove textos com o intuito de complementar a matéria lecionada nomeadamente a parte referente a como realizar uma ficha de leitura e como fazer citações. Entre os artigos fornecidos escolhi um artigo da Professora Doutora Maria da Conceição Pereira Ramos denominado “Globalização e Multiculturalismo” pois foi o que me suscitou maior interesse, por se integrar melhor no contexto da sociedade. 11 FONTES DE INFORMAÇÃO SOCIOLÓGICA Maria da Conceição Pereira Ramos escreveu este artigo no presente ano (2013), a autora é docente na faculdade do Porto. O artigo encontra-se na “Revista Eletrônica Inter-Legere (ISSN 1982-1662), Número 13, julho a dezembro de 2013.” Desenvolvimento: A nível mundial e nacional um dos fatores mais importantes no que toca às mudanças sociais são as migrações internacionais. Estas geram uma crescente necessidade de criar novas políticas e processos que façam com que haja uma integração positiva dos migrantes. “As sociedades multiculturais constituem um desafio aos direitos de cidadania e á integração de populações migrantes, estando a diversidade cultural no centro do desenvolvimento humano (PNUD cit. In. Ramos 2004: 75).” Sendo que as migrações constituem um dos pilares da mundialização, é importante frisar que assistimos a uma feminização desde movimento, o que as diversifica cada vez mais. “A internacionalização do trabalho feminino é uma das características da globalização e das mudanças e necessidades do mercado de trabalho em diferentes domínios. (Ramos, 2013: 75).” A mulher migrante, nos dias de hoje é tão procurada para trabalhos que necessitam de mão-de-obra qualificada como de mão-de-obra não qualificada, assim assiste-lhe a necessidade de adquirir novas e cada vez mais diversificadas aptidões nas diversas áreas promovendo-a a uma maior independência económica. “As transformações económicas e sociais decorrentes da globalização, contribuíram para a alteração da externalização do trabalho doméstico, passando do contexto de recrutamento interno para a procura internacional de mulheres imigrantes. (MOYA cit.In Ramos 2007: 76).” Algumas são encaminhadas para trabalhos mais direcionados a crianças e idosos, sacrificando a própria família uma vez que ficam ao cuidado de outrem, a isto damos o 12 FONTES DE INFORMAÇÃO SOCIOLÓGICA nome de “cadeia global de prestação de cuidados”. (King e Ribas-Mateos PNUD cit. In. Ramos 2004: 75).” O avanço tecnológico fez com que a mão-de-obra qualificada seja cada vez mais procurada pois a necessidade de novas estratégias de competitividade é cada vez maior, por sua vez, esta necessidade faz com que os trabalhadores não qualificados se vejam ultrapassados. Na Europa, a propensão á “fuga de cérebros” é crescente, tendo em conta esta mobilidade das pessoas, associa-se a mobilidade que as tecnologias oferecem. Ainda neste contexto podemos inserir os estudantes internacionais altamente qualificados que graças aos programas de mobilidade têm a oportunidade de estudar no ensino superior em países que não são o de origem. Verificamos um esforço por parte da união europeia em facilitar a equivalência de diplomas, de forma a homogeneizar o ensino e facilitar a inserção no mercado de trabalho. No caso de Portugal, devido á época de crise vivida no país, a situação a cima referida, de facto acontece. Os países mais desenvolvidos conseguem pessoas mais qualificadas e têm sido tomadas medidas de forma a facilitar a escolha desses mesmos trabalhadores. Estes, possuem de um papel bastante relevante na inovação e na passagem de conhecimento entre as filiais de empresas espalhadas pelo mundo, e uma vez qualificados são importantes para a competitividade de cada empresa, pois mais facilmente se tornam capazes de trabalhar em locais com diferentes ambientes culturais. Por outro lado o facto de estes potenciais abandonarem os países de onde são provenientes faz com que os mesmos sintam algum tipo de consequências negativas na sua consolidação. “[O fenómeno do] transnacionalismo é o conjunto de processos pelos quais os migrantes relações de natureza múltipla, ligando as sociedades de origem e as de acolhimento, construindo espaços sociais que atravessam as fronteiras geográficas, culturais e políticas (PORTES, 1999 cit in. Ramos 20013:79).” FONTES DE INFORMAÇÃO SOCIOLÓGICA 13 O transnacionalismo favorece então aos cidadãos as ligações com o seu país de origem. É importante falar da relação entre o multiculturalismo e as dinâmicas económicas e políticas da globalização que passa pela inclusão e redução de desigualdades, cidadania e cumprimento dos direitos humanos. A par do processo migratório, desenvolvem-se as redes sociais conduzindo à criação de mercados de trabalho à distância, dando oportunidade aos migrantes de ir mantendo várias atividades também à distancia e transferir os ganhos para o seu país. Os fluxos migratórios e tudo o que eles acarretam, referido anteriormente, evidenciam uma crescente diversidade cultural dos países acolhedores. No caso Português, o país viu-se incluído num mercado além-fronteiras de trabalho globalizado e numa dinâmica migratória cada vez mais complexa. As nacionalidades residentes em Portugal em maior número e em situação legal são a Brasileira, Ucraniana e Cabo-verdiana. Os estudantes brasileiros são os mais numerosos no ensino superior português na sua maioria graças ao programa de Erasmus, e são também os que têm mais facilidade na obtenção de vistos de estudo. A universidade preferencial dos estudantes estrangeiros é a do Porto. Dizem ser a eleita pela sua qualidade de ensino, reputação e recomendações de outem. 93% dos alunos estrangeiros que por lá passaram indicariam a universidade. “A manutenção da coesão social dos imigrantes passa pela integração dos imigrantes e das suas famílias nos países de acolhimento sendo a educação um forte motor de integração. (Ramos, 2013: 82)”. Há alguns fatores que influenciam os resultados escolares dos estudantes estrangeiros como a pouca facilidade a acesso a recursos educativos, um nível de formação muito baixo dos seus pais, o tempo de estadia no país uma vez que muitas das vezes não é o tempo suficiente para se habituarem à língua, no entanto o ensino eficiente da língua do pais de acolhimento é essencial. Os tradicionais países da Europa que são fortes centros de atração para os imigrantes, têm vindo a melhorar o ensino para a população imigrante. Em Portugal verificamos o mesmo, como forma de fazer face à diversidade cultural e linguística, FONTES DE INFORMAÇÃO SOCIOLÓGICA 14 têm sido tomadas algumas políticas educativas para a facilidade na integração. Em 1991 cria-se um programa denominado “entre culturas” que visava acompanhar o trajeto escolar de filhos de emigrantes regressados ao país. Dada a necessidade cresceu a formação de professores especializados e foram inseridas nas escolas as disciplinas de educação intercultural e educação para a cidadania. 10 Anos depois, em 2001 em Portugal foi criada a figura de mediador intercultural essencial em campos como saúde, educação e segurança social. “Apesar destes progressos, a educação é um fator nem sempre valorizado para os imigrantes nos países de acolhimento, verificando-se fenómenos de desqualificação profissional, desperdício de cérebros e desigualdade de oportunidades, o que constitui não só uma perda de recursos humanos valiosos, mas também um risco para a coesão social. (Ramos, 2013: 84)” Todos os migrantes, com especial atenção nas mulheres, tem um papel na mudança e desenvolvimento quer no país de onde são oriundos quer no país que os acolhe pois há uma transferência de diferentes valores, hábitos e estilos de vida, é então um agente portador de cultura. Com o crescente número de imigrações, a sua gestão é um desafio a nível global levando a repensar políticas de educação, trabalho, da proteção e coesão social que é quanto melhor quanto maior for a promoção da cidadania dos homens e das mulheres migrantes. Um dos principais polos de atração migratória é a europa ocidental por isso há necessidade de repensar na configuração do estado-providência. A descriminação no trabalho quer por género quer por raça acontece nos países da OCDE e a situação vivida faz com que aumentem as tensões sociais. O conceito de discriminação tem duas diretivas da União Europeia: “Há discriminação direta, quando uma pessoa é tratada menos favoravelmente do que outra é, ou tenha sido, em situação comparável; há FONTES DE INFORMAÇÃO SOCIOLÓGICA 15 discriminação indireta, quando a prática que parece ser neutra e de não discriminação é de facto desvantajosa para uma pessoa de determinada raça ou origem étnica comparada com outras. (Ramos, 2013: 86).” A imigração tornou-se essencial na Europa devido a várias transformações. Assim, o tratado da CE consagrou a livre circulação dos trabalhadores da união europeia apesar de haver alterações e uma limitação dos fluxos migratórios por parte da união europeia como o fecho de fronteiras. Estas políticas que restringem a imigração, partem do princípio que esta tem efeitos negativos. Os trabalhadores imigrantes sentem uma grande dificuldade em se afirmar sendo portanto limitada a sua participação nos movimentos sindicais por razoes financeiras, culturais ou devido a sua condição muitas vezes ilegal. A situação da ilegalidade, acontece muitas das vezes devido a algumas políticas que ainda continuam demasiado restritivas, fazendo com empresários e organizações lucrem favorecendo esta atividade ilegal. Regulamentar os movimentos migratórios é maximizar uma política de inserção multicultural. Há necessidade de aumentar a consciência de direitos, deveres e direitos humanos. Portugal, de forma a tornar-se um local mais atrativo para a mão-de-obra altamente qualificada, simplificou o processo de entrada no país. Assistimos também a uma viragem no cenário migratório português. Durante anos, Portugal foi um centro de migração, mas com a situação vivida, vemos a emersão de países como Angola e Brasil que passam a centros migratórios. No entanto nos países tradicionalmente centro de imigração, as políticas são bastante rigorosas para os trabalhadores não qualificados. “É necessário perspetivar a mobilidade do trabalho no quadro comunitário e Mundial, face às dificuldades de harmonização dos mercados de trabalho, às pressões migratórias oriundas de países terceiros, aos novos fluxos migratórios e às inter-relações económicas crescentes, no quadro da globalização e dos processos de transnacionalismo. (Ramos, 2013: 92)” 16 FONTES DE INFORMAÇÃO SOCIOLÓGICA Uma política de migração deve fundamentalmente reforçar a cooperação com os países de origem e na integração das populações. Estas políticas, na Europa, têm sido afetadas pela recessão e económica por isso mesmo a mobilidade tornou-se um privilégio de certas classes, quem tem menos recursos acaba por ver-se forçado a alinhar numa situação não legal. Por todos estes motivos é necessário construir o codesenvolvimento partindo da contribuição dos migrantes nos países de imigração e emigração de forma a haver coesão social. Conclusão: Com o desenrolar do texto percebemos que a palavra migração envolve variados conceitos, políticas e até mesmo desafios aos governos de cada nação. A feminização das migrações é um fenómeno característico da nova era das migrações e a mão-deobra qualificada é cada vez mais procurada o que leva à “fuga de cérebros”. A dupla cidadania dos migrantes faz com que haja uma rápida difusão de culturas que levam a uma crescente diversidade cultural. Esta situação acarreta uma série de medidas de forma a gerir da melhor forma o crescente número de migrações e também a garantir o respeito pelos direitos humanos. 17 FONTES DE INFORMAÇÃO SOCIOLÓGICA Análise da página da web A minha escolha na análise da página da web foi sobre o observatório de desigualdades do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Universitário de Lisboa (CIES-IUL). A informação que encontrei nesta página anda a volta do tema social, relacionado ao estudo da sociedade por investigadores quer do Instituto Universitário de Lisboa quer da Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (ISFLUP) e o Centro de Estudos Sociais da Universidade dos Açores (CES-UA) que trabalham quer por regime de voluntariado quer com a sua equipa permanente. Tem como objetivo informar e dar a conhecer a um público vasto informações pertinentes a outros estudos ou a trabalhos como o agora realizado. Esta página incide no estudo das desigualdades sociais promovendo o conhecimento científico nesta área. Dispõe informações atualizadas regularmente sobre os variados temas em torno da cidadania e das desigualdades sociais. Possui informação acessível à população mas mais direcionada para investigadores e também para curiosos se é que assim lhe podemos chamar em torno do social. A cerca da sua acessibilidade esta página encontra-se disponível em extensão de arquivo RSS e está disponível em suas línguas: Português e Inglês. O endereço é: http://observatorio-dasdesigualdades.cies.iscte.pt/index.jsp;jsessionid=E4CB0F1FFB17B1307D33150393A1FDE0?page =about&lang=pt É coordenada por António Firmino da Costa (CIES, ISCTE-IUL) no entanto é constituída por investigadores altamente qualificados e assistentes de investigação das três instituições envolvida expostos no separador “equipa” desta página. Noutra secção é nos fornecido os contactos desta página quer em forma de morada, correio eletrónico, telefone e fax. É ainda dado um mapa onde podemos localizar o Instituto. 18 FONTES DE INFORMAÇÃO SOCIOLÓGICA Também nos disponibilizam um motor de pesquisa interna fácil de aceder que consoante os conteúdos pesquisados é capaz de nos fornecer estudos, bibliografias, indicadores, publicações, notícias entre outros. A página está bem organizada com divisão em setores e não tem publicidade por todos estes itens concluo que é uma página fidedigna. Comentário global sobre a dimensão da estrutura e navegação: Nesta página tive a oportunidade de acesso a conteúdos fundamentais neste trabalho uma vez que a informação disponível é clara, acessível e objetiva quer em termos linguísticos ou de temáticas. Como é dito na secção “apresentação” desta página, é atualizada frequentemente com dados recentes. No que toca ao grafismo da página, não é complexo, na verdade é bastante simples com letra legível e acessível com ícones disponíveis para a impressão de documentos. Noutra secção desta página é-nos disponibilizado links diretos a outras páginas relacionadas com os temas em questão. A secção tem por seu nome “ligações”. Como forma de comprovar a acessibilidade do site, fui ao site Web Accessibility Checker fornecido nas aulas de Fontes de informação sociológica, coloquei o URL da página por mim analisada e o resultado foi: Nível de acessibilidade AA. 19 FONTES DE INFORMAÇÃO SOCIOLÓGICA Conclusão Durante a realização deste trabalho pude chegar a algumas conclusões como por exemplo de onde advém os problemas atuais na busca de emprego, principalmente o primeiro emprego de jovens com qualificações elevadas. O tema deste trabalho, o desemprego, é uma das questões mais relevantes nos dias de hoje devido à preocupação que levanta nas gerações mais recentes pois não possuem as mesmas condições laborais uma vez conseguidas pelas gerações anteriores. Uma das questões importantes é também os níveis de qualificação segundo faixas etárias onde desde 2010 o desemprego se encontra dividido em dois grupos: um mais velho e pouco qualificado e outro mais novo composto por ativos mais jovens de qualificações intermédias e altas. A qualificação da mão-de-obra, Portugal encontra-se aquém dos valores médios registados nos países da OCDE portanto podemos concluir que o trabalho português está pouco preparado para fazer face aos mais variados desafios laborais existentes ao dia a dia. Apesar de a mão-de-obra não ser a melhor no que toca a qualificação um dos problemas com que Portugal se depara é com a falta de infraestruturas incapazes de empregar mais pessoas. Uma das soluções que os recentes formados têm normalmente em vista é a acima referida “mobilidade de cérebros”, ou seja o recurso à saída do país em última hipótese o que a meu ver é uma solução inevitável para quem queira ter um salário justo às suas qualificações com as condições laborais necessárias a um trabalho digno de forma a poder levar uma vida com todas as condições necessárias. 20 FONTES DE INFORMAÇÃO SOCIOLÓGICA Referências Bibliográficas Cantante, Frederico (s.d), “O desemprego em Portugal num contexto de crise financeira: números e desafios. Le monde diplomatique (edição portuguesa). Acedido em 20 de novembro de 2013, disponível em: http://observatorio-dasdesigualdades.cies.iscte.pt/index.jsp?page=projects&id=114 Faria, Natália e Wong, Barbara (2009), “desemprego dos jovens qualificados é mais alto em Portugal”. Público, 8 de Setembro. Acedido em 23 de Novembro de 2013, disponível em: http://www.publico.pt/educacao/noticia/desemprego-dejovens-qualificados-e-mais-alto-em-portugal-1399604 Instituto Nacional de Estatística (2006) disponível em: <http://smi.ine.pt/Conceito/Detalhes/5078?modal=1> Mariano, Fátima (2010), “Emigração portuguesa está mais qualificada”. Jornal de notícias, 06 de Junho de 2010. Acedido em 18 de Novembro de 2013 disponível em: http://www.jn.pt/Domingo/Interior.aspx?content_id=1586730&page=-1 Nunes, Alcina (2010) “Qualificar é promover a empregabilidade?”. Espanha: Delta publicaciones & ASEPELT Ramos, Maria da Conceição Pereira (2013) “Globalização e multiculturalismo” Revista eletrónica Inter-Legere,13,75-101. Disponivel em: http://periodicos.ufrn.br/interlegere/article/view/4166 Rosa, Eugénio (2007) “Criação insuficiente de emprego qualificado gera desqualificação e desemprego crescente entre os de maior escolaridade”. 21 FONTES DE INFORMAÇÃO SOCIOLÓGICA Acedido em 18 de novembro de 2013 em: http://resistir.info/e_rosa/escolaridade_empregos.html Sousa, Margarida (2013), “Desemprego dos jovens licenciados subiu 9,1%” Jornali, 19 de Novembro 2013, disponível em: http://www.ionline.pt/artigos/dinheiro/desemprego-dos-jovens-licenciados-subiu-91 22 FONTES DE INFORMAÇÃO SOCIOLÓGICA Anexo I Texto Suporte Ficha de leitura: “GLOBALIZAÇÃO E MULTICULTURALISMO” - Maria da Conceição Pereira Ramos 23 FONTES DE INFORMAÇÃO SOCIOLÓGICA Anexo II Página de web analisada 24 FONTES DE INFORMAÇÃO SOCIOLÓGICA