"Superarrnosa concep@o pastoral de uma
igreja rnonolltica, na quai o direito & diferenw
tem s i d ~
negado em todos os grandar;
projetos de evangelira#io, (I fundamental
para compreenderrnos a Reden@ de Jesus
de Nazar4*
L
A
-
----
"Guatdar a pr6pria identidade e abrir-se
B consttuc;ao de uma lgreja efetivarnente
"-ddda&daunWade
hurnana, representarn urn desafio global
e radical"
''0
macroecumenismo 6 urna
atitude agrad4vel a Deus, 'ao
Deus de t d o s us nomes, maior
que todos ales'"
"A nova aspiritualidade nasce
da vivencia pastorai o ~ u t r ocorn
,
o qua1 EIe nos
fez parceiros e cornpanhejros
*A 6-ncia
da lgreja M o esta no quadm
lnstltucional e burocr$tico, nem noa
w s mlnist6rias dad- a partir de
necessidades dogm@kase hist-,
mas na vida m comunh&ocom Oeus
e na afirmrr(;go do saeerrjr)ciudos ffWM
Conzexzo Pastoral
Ultrabassando f ronteiras
Muito se tem falado sobre o ecumenismo. Uns dizem que ele estd em baixa;
outms preferem pensar que estd em pmcesso de refonnula~iio.Estejam
corretas ou ncio as afinnativas, inegdvel i que novidades no campo da
eclesiologia, da teologia, da pastoral - e, por que ncio dizel; da nova
arruma~ciosocial, politico, econBmica e cultural do planeta - t8m batido h
porta de igrejas e dos cristtios, num clam desafio a uma reflex60 e a uma
nova fonna de olhar a Misscio e o Evangelho.
"Ecumenismo 6 conversiio", aponta o tedlogo catdlico Sebasticio
Gameleira Soares, um dos articulistas desta ediqcio. Numa cultura
antiecumhica, ele chama atenpio para a pmposta de unidade baseada no
Pentecostes: mantim-se a diversidade, "cada um em sua prdpria lingua",
mas todos "confluem em direpio a um u'nieo Nome". A ela opo'e-se aquela
baseada em Babel, simbolo do ImpPrio, cuja versiio atual scio os grandes
blocos econbmicos e a globalizapio, em que "a unidade P a unidade do
mercado ".
Outra novidade i o dia'logo inter-religiose para al6m das fronteiras
cristcis, partindo da premissa de que "Deus niio 6 exclusive nem patrimbnio
dos cristiios ", confonne reflete o teo'logo anglicano Jose' Rubens Jardilino.
Essa, alids, i uma das dnfases do macmecumenismo, termo criado e
utilizado para expressar essa nova forma de celebrar e vivenciar a f i e
buscar a unidade entre culturas e refigides diferentes. "Macmecumenismo
e' dialogar inter-religiosamente, com todas as religio'es, sempre num
compromisso social pelos excluEdos ",pmpde dom Pedm Casalda'liga.
Mas,se existem outras novidades - o surgimento e fortalecimento de
novos movimentos religiosos 6 um exemplo contundente -, ha' outms
aspectos que ncio scio nada novos, mas dos quais as igrejas e os cristcios
n60 conseguem se libertar e acabam por comprometer a misscio
evangelizadora. Paulo Botas revisita o livro "Igreja sem Fmnteiras", de
Francisco Catcio, escrito nu dicada de 1960 e que marcou o dia'logo
ecumznico no Brasil, abrindo novas perspectivas de aqdes comuns entre os
cristcios. 0 articulista critica a forma intolemnte e intransigente como as
igrejas, no decorrer da Histo'ria, se apmpriaram do Evangelho, e salienta
que "a essincia da lgreja ncio estd no quadm institucional e bumcrdtico,
nem nos ministirios criados a partir de necessidades dogma'ticas e
histdricas. mas na vida em comunhiio corit Deus e na a$rma~ciodo
sacerdo'cio dos seusfie'is". " 0 desafio ecuminico exige a superapi0 dos .
nossos limites eclesidsticos", prega.
k com esses ingredientes que CONTEXTO PASTORAL brin$a os leitores
nesta edi~tio.h a coisa 6 certa: o movimento ecum8nico tem diante de si
uma tarefa de ultrapassarfronteitar para serfiel ao mandato de Jesus
Cristo de que "todos sejam um". Boa leitura!
Puaaqao mmema~
do
K O W N I A PrnEcudnlca S o w i ~
(Rua Santo Amsro. 129
222 1 1-230 Rio de Ssneirr
%I. 021-2244713 e f
016)
O M . l n 0 ~
JSB Bittencourt Filhb
L U C Leiga
~
de Ofweira
TBnia Mara Sampaio
Refael Soares de ohmin
€mil Schubart
3nlw Pemaa
lagas do Na!
RM.1oI
Carlos Cunha
Mp)tdolr
Mara Lljcia Marlkg
CARTAS
EwmTa py.CONTEXT0 P A r n R A L
Roa Smto Amam, 129, GMrir
22211-230 Rio de Janeiro Rj
Senhor redator.
Sou professora da rede municipal de Curitiba.
Leciono adisciplina de Educaqio Cristg. Li todos
os depoimentos publicados na edi~Hode
marqo-abril/96 (no 3 1) sobre a materia.
De inicio gostaria de dizer-lhe que nHo
concord0 corn a conotaq8o de Educaqio
Religiosa; porque no seu bojo A
j possui a
discriminaqHo que o ecumenismo repudia. Eis que
a Educaqio Religiosa se prende mais a uma
confissSo, enquanto a EducaqHo Cristi nio tern
nenhqna preferencia por qualquer confissHo
religiosa, e sim pelos ensinos de Jesus Cristo,
segundo os evangelhos.
Aqui na minha cidade, a Assintec (Associa~do
Interconfessional de Educapio Cristd) nasceu
com esse propbito, mas foi aos poucos se
afastando por influincia dominante da Igreja
Catdica, perdendo sua cor interconfessional;
visto que as pessoas que integram a Assintec s8o
na sua rnaioria catequistas cat6licas.
Assisto aos cursos oferecidos pela Assintec
mas com surpresa observo que sHo sempre as
mesmas pessoas que ministram os cursos, sem
:novqlo alguma. Ficou visivelmente claro que a
rienta~Sodos cursos t? dada pelo bispo. Ainda
que a Assintec use as palavras "ecumenismo" e
"interconfessional", quem determina mesmo sua
atividade t ainda a Igreja Cadlica, como sempre
o foi.
Aurea Azevedo da Silva
CuritibalPR
.
Prezada direqgo de CONTEXT0 PASTORAL,
Quero dizer-lhes que CONTEXTO PASTORAL
cada vez est6 melhor. Ressalto: o suplemento
Debate sobre "Vit6ria da vida sobre a morte"; o
artigo tlo incentivador de Marcelo Barros; o
artigo de Jorge; a entrevista com o padre Jose
Bizon. Enfim, todo o CONTEXTO desta vez foi
maravilhoso!
Vamos caminhar em busca da unidade. 0
Ecumenismo estA em marcha, e este veiculo de
comunicaq~oestA ajudando a fortalece-lo. Est6
desvendando muitas coisas encobertas nnreligiiies crista. Gosto muito de CONTl
PASTORAL e estou renovando a minha
assinatura anual.
Inn5 Ant6nia de S. Leal
GuarabiralPB
Aos redatores de CONTEXT0
)RAL,
nual des;ta
Estou renovando a minha assin
publicaqHo. Ela continua notsvel em tratar de
forrna aprofundada ternas que normalmente nHc
sio abordados por outros peri6dicos. ParaMns :
toda a equipe!
Maria Isabel Jti
SHo Pauio/SP
-
.3
Entrevista,
C O ? U C ~ ~Pastoral
O
A HORA E A VEZ DA,RECONCILIA@~O
ENTREVISTA COM 0 BISPO STANLEY MOGOBA
Por Paulo Roberto Salles G a d s
TraduqBo e ediqHo: Magali do Naselmento Cunha
0 p r o c e s s o d e reconstruq60 d a
Africa d o Sul, c o m o fim d o
regime d e segregaq60 racial
o apartheid -d e p e n d e d e
reconciliaqIo e paz e envolve
t o d o s o s grupos, corn d e s t a q u e
para o papel d a s igrejas.
CONTEXT0 PASTORAL entrevista
o bispo d a lgaeja Metodista d a
Africa do Suf, Stanley Mogoba,
d e s t a c a d o no pais como
promotor d a reconciliaggo. Ele
e s t e v e na prisBa onde Nelson
Mandela foi detido c? a pav' r
daquela experiCncis torncu-se urn
~ Q mais
S
irnportanic3s lictcwes
rsligiosos sul-africanos
-
zaqBo ocidental. Tudo foi introduzido pequeno. Eles se recusam a negociar e
desse jeito: at6 a linguagern era a do sls- nHo gostaram do acordo feito entre Man' tema da civilizaqlo ocidental. Assim, os
dela e De Klerk no corneqo do processo.
negros, que eram a marorla, passararn a Dec~diramse opor a ele e lutar mrlltarter urn sentimento de inferioridade e por rnente. Assim formararn urn grupo de
causa d~ssoo siste~napassou a tlrar van- oposlqHo, o qua1 tentou at6 lnterrornper a
tagem deles. Mas o mais Importante o cerrmcinra de powe de Mandela mas Sol
goverrio branco na ~ f r ~ do
c n Sul lenta- det~dope!o exdrctto. 0 grupo contlnuou
rnente iomou n controle (1 polic~le d:) se opondo por molo dc confronto armado
ex6rclto. e 135 nl:gro\ nso t-1iliarn mais
e q:iaqe f l q hem-huceditli; &la\ nenso clue
d~rertocie ~c ,:'istar O exclcrto p.t\sou ,I el: -515 ~r.ndoL {da VP; ~nenv\bucr,. ,,
,er u ~ iI ' Y ~ ~ C bran~r)
I ~ O
E , i c i l ~rli ?gove:
p
nBo 'cm :ip( $3 nl~iorla(lo\ hr in':o h~~ : j c i que
,
~awinlu,1- I C I ! ' , I rncnL: c ~ l , 411 I \ , h c ~ l. r ~ r a : ~ , c n tdc'par;~,,~
c
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o m. Ia
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1 ~1~1:
nngrr'. ny .?7, 11,' ~ i d a 0 p n 1 ~ ~ 1d: \ L o\ ,:tic
'rani I T ~ I I :,~ ! ; I \ brrin~,I\sii~c'-l~re,,'ir,l),~rn:.: 7 q na\,diIo. 11' Jrzenl ,tlic
nilr. I o 1 1 , ran^. 14can1 xi$:r ::
do, rle a\.urulr 1
hlu:io pch;...I \
pe\\ 'as q:~crcrn ~.~:orn,\s t e p
,
sadis A pci \onalitiade dc hfan lrla
ten. ajudado ba\lantc. Murtos
brancos tinham rnedo dele rrlas
hole ji (, ~ons~derarn
urrl dos rnelhores lideres que a ~ f r l c ado Sul
jd teve na hlst6r1a. devido ao intento de unlr o povo
J
I
-
'.
,I\.
1
I
:(
nismos crist8os t8m muito claro que estamos vivenciando o melhor para a Africa
do Sul e o que Deus gostaria para nosso
povo. Isso fez com que os lideres das
igrejas se tornassem realrnente urniffor~a
contra o apartlieid. HA rnuito poucos paic;es como a Africa do Sul em que ns lidercs das igrejas s2o nomes deslacsdos da
nac2o. S 6 s nos torn lmoi relevanxs
cluando 2s pessnas c.omc;.;\r;lr?ra t:!rar dc
p ( i e~ Clc P:ILpar I T I C ; ~ :da jubrip. :.,I>) fol
tr~lzidopcios I~dcrc das ~ i . r i J a ; i~int2ilienta L i i n ~(1: cnlprL ,,ino\ c :.\:-i:.;s:~:s
~ O i i l r c . i \ ,I\ 1':l.i ,312
Coi1;i . ,!' c... :. pro:;c
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1,
.I
( I nca rl;~iniGo o
n r n t e n o rim
apartheld ( t v y o u r c . ( ~ / -
. i f r ~ c udo S u l
330. Slm, em term05 J e estrutu,ref
Slm 3
rn polit~ca.Tivemos ele1q6esem todos os
niveis e escolhemos urn governo pela primeira vez. Muitos de n6s nunca tinharnos
votado em toda a nossa vida. Um processo democrdtico estd acontecendo: temos
elei~iiese aqueles que estlo B frente do
novo governo representam as pessoas
que foram mais oprimidas na nossa histB
ria. Este primeiro govern0 t de unidade
national, que tenta juntar os diferentes
grupos no pais. Isso 6 muito incomum
nos paises e realmente teve sucesso no 0
comeqo; agora esti enfrentando proble- 8
mas. Mas estamos nos aproximando de
W99 quando teremos novas eleiqBes ge- por isso os brancos deveriam legislar, derais. Neste sentido, o apartheid se foi.
veriam goyernar, o poder econbmico deEm termos de estrutura social, ele esta veria ficar nas mBos deles. Eles tinham o
intacto. Porque apartheid niio significa poder da llngua, o poder militar e, claro.
apenas leis. Ele dividiu as pessoas, colo- . o podc:r politico. Na Africa do Sul a ex"
cou-as juntas em certas Areas. Hoje nHo
dos negros foi deliberada; nio foi
se pode desmembri-las facilmente. Coital. Quando os pafses do sul se junmeqamos a ter um movimento de negros
para formar um s6 pais em 1910,
para Areas brancas, por exemolo, mas at6 GApLG3isamente exclufram os negrc- '-:
as igrejas ainda estgo dlivididas. Ainda h i assim que a terra passou a ser con
Breas que s8o brancas e vBo pepanecer pelos 'brancos e em 1913 foi decre
I-_
por muito tempo. H i kqueelas
que
se deto aa Terra, que deu popula~ilo.
'YW..'..
nominam 'hfrica Negra" e vlo permane- 13% da terra; 87% passou a ser controlacer assim por muito temporyas escolas o da pelos brancos. Todas as Breas el.am feracism0 ainda C uma realidade. Neste chadas para garantir que nada mudasse
sentido, o apartheid n b teve urn fim.
facilmiente. At6 hoje C diiYcil super,"-*""U I GJSG
Finalmente, ainda h6 os grupos con- proble:ma. A exclusio dc~snegros foi deservadores brancos, que continuam a lu- liberac3amente planejada p u-q-.u- e a- minotar contra a rrova estru~tura,e a violencia ria brcanca tinh:a medo de que a Fnaioria
em algumas 1partes do pals C causada por negra a expulsasse do paf 's quando tomaseles, que uslum os n e p-0spara praticl-la.
se o poder.
5
.
A&.
me..-
Como urplicar o pas!rado que garantia
uma situapZi0 dc OPNtssdo d a s pessoas
n c g m pclas ~rancas?Como w l i c a r o
apartheid?
Muitos doe brancos que gove
-... -
pds c O r n q a = ~ t
1,--:-I-..
IV~ISUU
--
suunnos, o
que m u l t w na p d o m i a i n c i a da civili-
1
3
A imprensa intenacional tern veicuhdo
quc os conflitos raciais cntrc grupos nu
Afn'ca do Sul sdo o mior obstdcu?- - --~ i dIs&
. C verdodc
ofirn i
Sin
ISbranoas; h4 q u eI* que
rcllram sc opor, mu& o que estd.
muito
.--&.~.
Como as igrejas participararr n n
luta contra o apartheid no pa ssado? E hoje?
Em primeiro lugar foi pelo fato
-.
de o govern0 do apartheid ser* t8o
repressivo, que todos os Ifderes da
n a ~ 8 oforam para a prislo ou exilia1. Eu fui um dess,es. Estivt
prisHo de: 1963 a 11966, nunn total de
anos e seis meses. Era a mes;ma pris8c
que Nelson Manclela esteva. Estiva mos
em diferentes setc3res mas era o mesmo
lugar. Em alguns momentcDS. nil0 havia
. um lfder sequer atuante no pars. rOderiam at6 estar em
gar no territ6rio mas niio podir
Essa foi ia rhLIVGZBO pela aual os I I U G I G ~U ~ igrejas
S
ram que assumir a iuta cc~ntrao a/)artheid. L ~ntamente
I
a voz deli:s foi se fconalecendo e se rornou muito relevaInte
Houve uma Cpoca em que o apartheic
apoiado particularmente pelas igreja!
brancos diziam que o apartheid era j
ficado na J3lblia e por issio foi ap0liado
dentro cla igreja por muit0s anos. Mas
num d eterminad1
~
o momer to as igireJaS
-passaram
--- ---- a dizer: "NHo, vw:es niio pa~dem
fazer isso", "votes nlo podem tcr (palquer apoio na Bfblia para o aparthleid".
At6 que as igrejas decretaram o a1Dartheid conno uma hc:resia. As igrejas se. juntaram, scc levanm.am e diss;tram: "Sc e vo,.a"
. ----.I.- :A -.--em aau
-Iestar
1% poqw
ado".
I
I'U
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v.-.-
cadr vez
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nnrt-
J i P l Y O t : ~ I c' l i t ' ! ( r
%'POL(s
Mu!r,l Jtl'iL.ii,porliJc ai; Lo~tdr,;ei; r
pris3o erarn lerrivei\ Pas\-ve 111i~1:te
el
1963 ac nosus pr~hi~cs
tenh;3m \:do ;
piores do rnundo. kramos trat ados muil
mal: ma1 vestidos, niio tinhamos carna
dorrnlamos no ch%ode cirnento, eramc
ma1 alimentados, a cornida era a pior po
a,
-%el.
0 terrivel eram as constantes tort1
ras fisicas I:os traba
ados a qi
nc1s submet iam, com
.r areia, p
.:_
.- - .
dr
-.
.as e barns
oe -maoelra.
ror- causa
c
interesse internacional, alguns vieram
prisso, falaram com Mandela e corn 01
trias pessoas, e as condi~beslentamen
bmeqaram
3-
omo foi 1
ern meio a ranra opn
N6s sabiamos que
DS comtaIS.
Sc:os brancos queria
r os negra1s.
e estivamos presos por causa disso, ta
w:Z n8o hc~uvesseilenhuma esperanq
0ISnegros i180 estavalm dizendo "06s qu
,LC.~ I I I V SU ~ 111111
,
:I
*ua
,
*..."
.L.UI
,..c:Its diziar
"1 16s e os brancos d
river junt~
eln um pafs. N6s pel
;a este pa
P devemos partilhd-lo-.. ~ r n b o r afbss
10s fracos, estdvarnos certoIS. Era is.
ue nos trazia esper:anqa.
Eu fui chamado para o ministCrio I
cc:la da pri silo. Tive uma pro1Funds exp
riencia esr~iritualqriando estova 14, ql
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.--a
.-
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- ---.---- - -----
-12-
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LSG quuou a iissumir o m ~ n l s ~ e r pasioio
n11. 6 inteirssante qjue muitos pensava
q ue os qut: estivera~
m na pris i o pot lo
g0s' period10s
- -corn0 Mandela , iriam si
-CIom vontade de se vingar. Mas ocomo
CIontrArio:
&s pessoa
nuar lutan do, defei
-
-
para con
reconcill
1-AI?-..
'- --I-.
5 2au,
a ..-:.
uniuauc.
osla c a rwav
pclr qr
a finno que Mandela t urn dos mais f~
li&es quc temos hoje, por causa do idc
da nconcilia~ioque ele enfati-
Notas
Igreja contesta
numero de mortos
em Eldorado
de Carajas
0 s corpos teriam sido levados
para a localidade de Porangai, a
70 quiliimetros de Eldorado de
CarajAs. (JB)
Quase seis meses depois do
massacre dos sem-terra em Eldorado de Carajas, a ConferCncia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) revela que podem
ter sido 32, e nHo 19, os mortos
no confront0 corn a policia. "A
lista oficial de mortos s6 tem hornens. E as mulheres? E as crian$as que estavam na caminhada?
Estarnos investigando, n5o vamos desistir", afirma o bispo de
MarabA (PA), dom Jose Vieira
de Lima.
A contestaq50 da Igreja entregue ao ministro da Justiqa,
Nelson Jobim - se baseia em
uma investigaqgo feita pelo padre jesuita Luigi Muraro na regi5o do massacre. Assistente religioso dos sem-terra nos acampamentos da Fazenda Macaxeira, padre Luigi preparou um documento em que mostra que,
alCm dos 19 mortos cujos corpos foram identificados por parentes e amigos, outras 13 pessoas est5o desaparecidas. S5
oito crianqas, duas mulhere!
um adolescente e dois homens.
Entidades
ecumenicas exigem
"urgente reforma
agraria"
"Querernos conclamar a todos
os crist5os e as pessoas famintas
de justiqa para nos organizarrnos e exigirmos da socredade e
dos governantes brasileiros a '
realizaq5o urgente de uma reforma agriria ampla, justa e integral". 0 apelo foi feito em mensage& distribuida pel0 ConseIho Nacional de Igrejas CristHs
(Conic) e Coordenadoria Ecum&nicade Serviqo (Cese) a igrejas, a organismos ecurn2nicos e
"a irm5os e irm5s na mesma fd
crist5, as pessoas crentes de outras religibes e express6es culturais e a todos os que buscam a
justiqa e a paz" a propdsito dos
recentes epis6dios de Corumbiara (RondBnia) e Eldorado de
Caraj6s (Pars), nos quais trabalhadores foram massacrados
policia.
ntremeado de versiculos biblicos, o documento defende
Contcxto Pastorai
que "a democratizaqgo da propriedade e do uso da terra t caminho indispensivel para superar a fome, para dar valor a todo
o trabalho, para libertar a populaq5o do dominio dos que assentam seu poder no controle dos
meios mais elementares da
vida".
CLAI reve 14 anos
de fundaqiio
Fazer a mem6ria dos passos dados, revisar a caminhada e seguir sonhando novos horizontes. Essa foi a tBnica do encontro do ComitC Executivo e do
Secretariado do Conselho Latino-American0 de Igrejas (Clai),
realizado em Lima (Peru) no
mCs de setembro. 0 documento
final distribuido Bs igrejas e movimentos ecumCnicos - "Carta
de Lima" - apresenta um retrospecto hist6rico dos dltimos
14 anos e faz um balanqo da situaqHo do Continente e da participaq5o dos crist5os. "As cifras
mostrarn que 18 dos 39 paises
da AmCrica Latina tern atualmente um salkio por habitante
inferior em relaqBo ao que se tinha no comeqo de dCcada passada. 0 s 30% da populaqiio da
Amtrica Latina e do Caribe carece dos serviqos de sadde, 20%
de Bgua potAvel e 30% de esgoner.
ua
lgrqa
Presbiteriana
dos
to. 15% da populaqio adult. -?n
~grejasdo CRII
Esta dos Unidos.
I? capaz de ler e escrever e, mais
repudiam embargo
EUCARISTIA - A situas50 de meio milhi30 de criaInqas
econ6mico a Cuba
finallceira do Conselho Mundial morrem a cadadoze meseS. ande Igrejas e o processo prepara- tes de chegar aos cinco i
t6rio para a AssemblCia de Hara- idade, de enferrrildade
0 Cornit2 Central dc
10
Mundial de Igrejas (CMI), reu- re, r,a Africa, tambCm foram ob- veis".. aDonta a nota.
nido em Genebra de 12 a 20 de jeto de discuss50 entre os memApesar de se preocuparem
setembro, condenou a Lei bros do ComitC Central. Conti- com a ameaqa do narcotrafico
Helms-Burton, criada nos Esta- nua causando polCmica a deci- no processo de democratizac$io
dos Unidos e que penaliza as na- sFio da comissFio que planeja a e com o aumento da pobreza abq6es e cornpanhias que fazem assernbldia no sentido de n5o in- soluta dos paises, os membros
ncg6cios com Cuba. ma ma is um cluir na programaqPo a celebra- do Clai perceberam que nesse
ato de agressHo econbmica con- $20 comum da Ceia do Senhor. period0 cresceu e se faz cada
tra o povo de Cuba", destaca o A proposta t de que a Eucaristia vez mais evidente a participa@o
documento preparado pelos 156 se realize nas congregaqbes lo- dos setores evangClicos nas dimembros do ComitC. A nota st8- .-*;< de quatro diferentes tradi- ferentes esferas da sociee-"- -'
,: rornano-catblicas, ortodo- vil. "um fen6meno.que a
gere ainda que os governos dc
orientais, ortodoxas ociden- vas oportunidades e, ao
1
suas
difi
dois paises "resolvan
. ---.---e protestantes. "Eu nHo que- tempo, propbe indubitive~suerenqas atravds de neruc~acau
visPo e soifrimento, safios Cticos p ara a igreja e o
do diBlogo"
.o
celebri
nr a unid ade", de- movinnento ecuimCnico".
que ocorre
Durante i
.
.- A - - fendeu
o
o
~
s
p oAmos Omodunentre as assembleras do CMI. os
la
Igreja
Metodista
da Nigt0
bi,
d
rticipantes discutiram ainda
numa
critica
?
decisPo.
i
JB a
as
ria,
afiaram
i
na da Ai ds e des
o
Nifon
Calarasi
(Igreja
Orabisp
.ejas a des;envolverlem efetiv
Ixa
da
Romznia)
achou
"ratstoral co
:nte um tr
niversral
,el" a proposta da comisslo.
portador res do vi'rus HIV
nos que ter coragem para ser Reuni
icos ro'Muitas (
rn os fan
.
.
. ---istas.
Uma
mesa
linica
podenlanus,
protestantes
e
pentecusssas lgrejas conrrnuam se r
iustrar aq ueles cuj;a tradiqgo tais do mundo inteiro num gransando a fi
companh
ede que e:les tome m parte", de concflio, o Concflio Univer:nto pastc
doentes (
,.,Jmentou.
sal CristBo, para debater as
ds", den^^,...^^ I ugene TunU .,A
'"
Homenagem justa
Perda
0 presidente de Cuba, Fidel
Castro, condecorou com a ordem Carlos J. Finlay cinco integrantes da organizaqPo religiosa Pastores da Paz, que conseguiram furar o embargo econ6mico impost0 pelos Estados
Unidos e levar para Havana um
carregamento de 435 computadores. Fidel elogiou especralmente o pastor batista Lucius
Walker, chefe do grupo. De
acordo com a Lei Helms-Burton, os Estados Unidos est5o
punindo os paises parceiros
que mantCm relaqbes comerciais com Cuba.
0 bispo emdrito da Diocese de
Nova Iguiiqu, dorn Adriano Hipblito, morreu no dia 10 de
agosto. Com vocaq5o ecumCnlca, o bispo foi um &duo lutador em defesa dos direitos
humanos e da populaqPo carente da Baixada Fluminense.
Foi perseguido durante o regime rnilitar sendo seqiiestrado
em 1976 por seis homens, que
o espancaram, algemaram e
encapuzaram. Aposentadodesde 1995, dom Adriano ainda
pregava e escrevia o livro "Mem6rias de um bispo na Baixada", autobiografia que nPo
chegou a concluir.
Celibato
A divulgaqlo de um novo caso
de amor e da existencia de um
filho de 15 anos do bispo Roderick Wright, da diocese de
Argyll, na Esc6cia. dmpliou o
debate sobre o celibato na Gr5Bretanha. 0 Vaticano anunciou
que o bispo jB foi afastado do
posto pelo papa JoHo Paulo 11.
0 cardeal Basil Hume, chefe
da Igreja Cadlica na Inglaterra
e em Gales, insinuou que a
Igreja poderia relaxar o voto de
castidade, porque vem perdendo excelentes candidatos a padre. "0 celibato n5o t urna lei
divina, E uma lei da Igreja.
Qualquer papa ou Concflio poderia modificar isso", argumentou.
Incans6vel
Mesmo ap6s se afastar da Arquidiocese de SHo Paulo depois de 16 anos como arcebispo, dom Paulo Evaristo Arns
n5o pretende deixar de prestar
seus serviqos que marcaram
toda sua vida clerical. Ele pretende se dedicar a centros de
assistencia a idosos e crianqaprovavelmente em SPo Paul
"Se for possivel, vou trabalh
corn a terceira idade e com ,
primeirissima idade", comentou. Sinbnimo de resistencia B
ditadura rnilitar. defendeu diversos perseguidos politicos,
entre eles o presidente da Repdblica Fernando Henrique
Cardoso.
a
-.--
I-..
L1--
-.
Koarad Raiser
quer discutir as
questties que
dividem os
difcrentts
grupos cristHos
que os dividem. A proposta esth sendo defendidrapelo
secrethrio-geral do Con selho
Mundial de Igrejas, o past orluterano Konrad Raiser. Segundo
ele, mesmo que no ano 2000 nio
fosse possfvel realizar o evento,
a iniciativa seria o inicio de um
nico orientado
process
uma exp1ressPo
nessa d
2- -..-d
ua
C;U1111411~4
Espirito Contr\
que POde e que:r condu:zir as
igrejas iireconcilii@o frate:ma".
3- --I---I deciNa a
.WV-.~WS
IIV
UaIIIV
sao ae ln~ciaro processo prepa1rat6rio paderia &r tomada "bas'tante rapi damente"', ja que antes
Ido ano 2(HH)diven$as igrejas terPo real izado oiI realiza,r5o
eventos Inundiais importanItes,
como o Concilio M [undial Meto..
- L I 1 1 .
arsta (1~36).as assemorela!s aa
FederasPo Luterana Mundia1 e
da Alianqa Mundial das Igrejas
Reformadas (1997). e da Ig~ * i ! l
n a e do C
Episcopa
d e Igrc
s e l h o ?v
I
I
.*A.
( 1 PQIb
A
o falarmos em Ecumenismo, nio devemos concew-lo como algo que se
acrescentasse a nossas preocupa$6es1
urna tarefa a mais a exercer ou um tema a
mais a qua1 pensar. Ecumenismo 6, antes,
dimensio constitutiva de nossa fC crisa.
Ensina-nos, claramente, o Novo Testamento que a Igreja C process0 de permanente construqlio da unidade na variedade
de dons e na pluralidade dos membros do
Corpo de Cristo.
Por isso, guardar a pr6pria identidade
e, ao mesmo tempo, abrir-se a construqio
de urna Igreja efetivamente ecumkica,
sinal eficaz da unidade humana, representam urn desafio global e radical: atinge-nos em tudo e atinge-nos a todos(as)
em profundidade. Critica-nos, p6e-nos
em crise, isto 6, sob julgamento (krisis C
a palavra grega para dizer julgamento).
Mostra os limites de nossas identidades
particulares e faz passar pelo crivo do
Amor de Cristo nossos particularisrnos
ciumentos e interesseiros. Para ser suficientemente cristi, a Igreja de Cristo tern
de ser radicalmente ecumenica. Nossa
voca$Io C ser para a unidade.
A realidade, porCm, C bem outra. Nossa experiencia quotidiana 6 a de urna sociedade dilacerada por profundas divisbes. Divis6es econ8micas, corn cada vez
maior concentraqlo de riquezas nas mlos
de poucas pessoas e de poucos paises. Divisio social que vai chegando ao que j i se
poderia chamar de "apartaqgo": tanta
gente explorada e, o que C pior, sempre
mais excluida da produqio, do consumo
e da convivencia. Altm das divisbes provocadas por motivo de gCnero, de raqa, de
religilo e de cultura diferentes. 0 poder
politico parece destinado s6 a garantir um
tbnue equilfbrio das relaqbes huhanas,'
mantendo-se intocivel a divisiio. 0 atual
refluxo do movimento socialists deixa no
ar a sensaqio de que o ideal defraternidade e de unidade sobra apenas para algumas pessoas ex6ticas e ingbnuas.
Cultura antiecumcnica
No caso de nosso pafs. 6 bom lembrar que
a cultura brasileira 6 marcadamente antiecumCnica. fi certo que se deseja mascarar os fatos e se faz passar a ideologia de
que somos povo "cordial", radicalmente
pacffico e fraterno. Fala-se at6 de nossa
"democracia social". Diz-se, ainda, que
nem h i entre n6s preconceito de rqa. A
revela outra coisa
hist6ria real, I,orem,
Nosso pafs j6 nasceu CI
igma da
n de andivisiio: algumas famflic
I - - - - - -temio destinaaas
a screm perpetuamente
donas do terridrio ("capitanias heredit&
rias"); para as outras s6 restavam as sobras consentidas a "servos". Alguns poucos eram senhores, a quase totalidade
eram escravos e escravas (0s povos indfgenas e a gerite africana). Mulheres e
crianqas tratkam os homens de "senhor", como tern de ser em qualquer regime de patriarcalismo. 0 Cat6licismo era
a religilio oficial e exclusiva, a linica permitida. Quando chegou o Protestantismo,
veio sob signo da perseguiqia e se autodefiniu como dnico e verdadeiro Evange-
Guardar a pr6pria
identidade e, ao mesmo
tempo, abrir-se a
construqiio de urna Cgreja
efetivamente ecumsnica,
sinal eficaz da unidade
humana, representam urn
desafio global e radical
Iho em terras de idolatria e de superstiqio,
excluindo tarnMm qualquer outra forma de
express50 religiosa como legftima
E hoje, o que vemos? Toda a modernizaqlo econ6mica e social destina-se, no
miximo, a um terqo da populaqio. A
maioria, de fato, nio conta, a nio ser
como indesejado obsticulo ao "desenvolvimento". 0 vergonhoso impasse da reforma agrkia 6 sinal expressivo da tragtdia de nossa realidade. Num pafs de tanta
terra, o povo nio tem terra nem para tra. balhar, nem para morar. A suposta cordialidade mostra sua verdadeira cara, a
crueldade. 0 que se tern feito a indigenas,
ao povo negro e % classe carnponesa t bem
a radiografia da elite brasileira, alieaada e
apartada de seu povo.
Mas, apesar de todas as divisbes, continuamos a pelo menos intuir que nossa
vocaqio humana t para unidade. Nossa
prdpria linguagem o indica. Insistimos
em falar do mundo como "casa" (oikos=eco). Ora, casa C lugar de aconchego, de seguranqa e bem-estar, de re1uniio
de famflia. 0 lmbito do trabalho e dtipro-.
duqio, n6s o designamos cumo eco-nomia, isto 6, norma, regulamentaqiio da
casa. E dizemos que essa lei nio pode ser
estabelecida arbitrariamente, nio pode
submeter-se aos interesse~
; s6 de alguns.
pois hi4 urna 16gica da casa s.respei1tar.a
cco-logia. Final mente. d izemos clue o
-.. -.p-A s s u a
mundo C a casa onde todas ~w
direito a permanecer: na Antigill
chamava-se ao mundo habitado de o
mcnc (''ecumenen). Ora, essa palavra aeriva do verbo grego "oiUo" que quer di-
zer residir na casa, habitar. Ecumenismo
6 o reconhecimento de que todas as pessoas e todos os povos t&mdireito de estar
no mundo como em sua pr6pria casa.
Altm disso; Ecumenismo 6 urn sinal
dos tempos, pois a busca da unidade 6
urna das estrattgias fundarnentais de sobrevivencia para a humanidade, que se
manifesta nas v&ias dimens-s da vida.
h a s propostas de unidade
HA, poiCm, duas propostas bisicas para
construir a unidade humana. A Biblia as
condensa em dois expressivos simbolos:
Babel x Pentecostes Babel C simbolo da
proposta do Imp6rio (cf. Gn 11.1-9). Desde a Antiguidade, tem-se tentado reunir
as naq6es debaixo de algum centro de poder. Tem-se pretendido impor "urna Clnica
lingua". A histdria, na verdade, tern sido
a sucessiio dos imptrios: egipcios, hititas,
assirios, babildnios, medos, persas, gregos, romanos. .. turcos. Na Idade Media,
unificou-se a Europa em torno do Sacro
Impdrio Romano-Germlnico. A Idade'
Moderna nasceu com os novos imp6rios
coloniais: Portugal, Espanha, Inglater- '
ra.:Na
fase atual, o mesmo reaparece
nos grandes blocos econ6micos de paises
e na globalizaqio da economia cujos tenticulos slio as grandes corporaqtks transnacionais: a unidade 6 a unidade do mercado. A proposta do Imp6rio C a unidade
mediante relaqiks de dominaqgo e de sujeiqio ...Na 16Gca do mercado, por exemplo, s6 cabem produtores(as) e consumidores(as). E ests, previsto que esses(as) s6
podem ser poucos(as). 0 s demais, a
maioria, estfio de sobra. A 16gica t de excluslio e de sacrificio, antiecumenica por
natureza. 0 que salva os povos, entiio, t
sua diversidade. Linguas diversas, diferentes identidades sio fonte de resistencia e
confundem o Imp6rio em suas pretensb
de impor pela forqa a uniformidade.
;tes
Bem outra 6 a proposta de Penteco~
(cf. At 2.1- 13). Possuidos pelo mesmo espirito, os diferentes povos chegarn a
tender-se '"cada um em sua PI
Y"'
materna". MantCrn.-se a diversidade, rnas
- -- - - - ---a unidade iorna-se
pusslvel -porque ioc-dos
confluem em dirqSlo a um dnico Nome
(cf. 1 Cor 1.2). como se pertgrinassem a
caminho de um tinico monte (cf. Is 2.1!j), para, finalmentc:, formart:m na cid ade
ilma nova assemblctia, na qt~ aj4
l niioI h i
1nais estnlnhos e a paz C porssfvel (cf., Ef
2). A proposta de Pentecostes t a unidade
tecida como imensa rede de comuniidajes, espalhadas por toda a terra habitrId4
a "ecumene" (cf. At 1.8; Mt 28.19). c
de todos(;
a
-11-
.
f..-l
Niio se pode,tntretanto. adotar $ prop t a de Pentecostes sem ter e
a
que, automaticamente, se esti el
I-.
.-- .- - to corn Babel. Seria pura
Ingenuluaue.
Trata-se de dois lados em permanente
combate. E nesse combate estamos n6s
metidos(as) desde Moists, o fundador de
nosso povo, que cami~nhouguiado pela
espada de fog0 (cf. E:x 3.2; Js 5.13; Is
66.15; At 2.3). E trata-se de algcb diverso.
?-IA- n
quando no exflio se lala
uc
~abi16nia.
"senhora dos reinos", finalmente derrubada de seu trono ereduzida a escrava e
\
viuva, feitos em peda~osos idolos de
ouro e prata (o capitalI) nos qur is punha
toda a sua confianqa (c f. IS46-4'7)? E Ba:*
bilbia nio t grande prosuruia
pela qua1
chorarn os reis da terr
~ndesnegociantes?
---A
.
.
a
-
Defesa da vida: PIrincipal
critkrio
Somos chamados a prcxlamar e c x e r ~ e ur
ministCrio da reconciliaqlo (r :f. 2 Cor
5.18-20). Mas essa niBo se podle efetuar
mediante uma esp6cie de ampla e indiscriminada tc~lerlncia,como se todas as
formas de vi da fossenn igualmc:nte "ver-..:ILGI
.
.
L
:
.
.
*."
I U =&a a vida
dadeiras". 0, .<U-:. I I I ~ Ub~
em redor da qua1 todc1s os antagonismos
s diferenhaveriam de reduzir-s
qas complementares enrre si, aegraaando-se a verdade aquilo que convtm a
cada quai. A verdade C que o Imp6rio
oprime e o Mercado exclui. Por isso, a
reconciliaqiio tern de efetuar-se a partir
de crittrios muito precisos: a partir de
quem sofre opressiio e exclusao. ae a saivaqio 6 universal, o caminho pe:loqua1 se
a atinge t o da solidariedade -- abenura
universal da pr6pria vida - com quem C
fra~
co e mar,ginalizadc3. Foi es!sa a liqic
~
no!isos pais Ie mHes nr
qu':nos d e icaram
mios das; primeiras comuni.
f6,
-a
a.
aacles (cr. AZ. 4.3~-3
I; I LOT I -4 J.
Ecumenismo nio set4 para n6s vago
serltimento de toledncia a abra~rltdemaIra indiferenciada e subietivista toda?
e vida e . a d a s c
e e de cu Itura. NHI
--A:--#
J_.
muuanqa. raulcal
ue
nosso muuu UI
agir, de nossa maneira de sentir e de pen
sar, e de nosso pr6prio modo de ser.
reviravolta no caminho de nossos @s. f
tossa pr61pria form a, C trans
ir ;
2 re-defiriir, profulndamente
fo~
io ser. 6 c:onversHo
no
J.
I
.- .
.
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ma.
b.Wlo ti8EWldm SO8l'CS t tedlogo catt~
o e asscssM do CEBI.
t d d o de "Urn sb Senhor- MdftqSo so-
Context0 Pastoral
Do ecumenismo bara
Espiritualidade
Josi Rubenr Jardilino
Pedro ,C&alddliga
F-'
*
I
OINONIA me pede umas palavras
sobre macroecumenismo. E serlo
I
umas palavras s6. Estou rodando pelo intenor da Prelazia
buracos, poeira, fumaqa, clamores, reivindicaqbes e tambCm a invencivel esperanqa - em visita
pastoral e nlo tenho o tempo calmo para
escrever mais do que isso ...
0 ecumenismo estB passando por urna
hora ambigua: de recessilo, por um lado,
as ~grejasse fechando em suas identidades, receosas ou se querendo firmar num
proselitismo de conquista ou de reconquista; e, por outro lado. se sentindo as
igrejas inevitavelmente provocadas ao
dtilogo entre si e a um didlogo maior, at6
por causa da mundializaqio que atinge
Trata-se de rever nossa teologia e nostodos os setores desta nossa pequena husa cristologia e nossa eclesiologia acultumanidade da aldeia global.
(Talvez faremos por necessidade his- radamente miopes, secularmeate colonitdrica o que niio fazemos por fi. 0 mer- zadoras.
Trata-se de acreditar efetivamente na
cado total vai poder mais do que o testavontade salvifica universal de Deus, que
mento de Jesus'?...).
A palavra macroecumenismo foi cu- enviou seu Filho ao mundo - B Humaninhada publicamente no primeiro encon- dade toda -, nlo para condenar o mundo
tro da Assemblt5ia do Povo de Deus mas para salvd-lo.
Eu me pergunto num poema-noema:
(APD), em Quito, Equador, por ocasilo
"Meu Deus
do famoso V Centendrio. Nesse encontro
me deixa ver Deus?"
nos reunimos membros de igrejas cristls
Talvez "mudar de Deus" - por exie lideres de religi6es indigenas e afroamericanas: as tr&s vertentes religiosas gsncias, repito, da prdpria f6 cristl, seja
maiores de nossa Afro-Amerindia. Con- o mais profundo e mais urgente desafio
gregavam-nos a ft5 no Deus da Vida, a que Bs igrejas cristgs se apresenta, na diaopq8o pelos pobres e suas causas e a pai- konia maior do Reino, para que o mundo
xlo pela PBtria Grande, Nossa America. creia e para que toda a famflia humana de
N5o Cramos oficialidade nenhuma. Nem Deus se faqa famflia de verdade, conviva
pretendiamos fundar ou definir. Queria- na justiqa, se ame em paz e fazendo Hismos nos animar a caminharmos juntos, t6ria se prepare para o encontro definitivamente feliz.
na esperanqa e nas lutas da libertaqiio.
No mais, para n6s para esse grupiPor etimologia todo ecumenismo deveria ser macroecum&nico:ecumenismo nho de sonhadores ut6picos da APD ou
total. Convencionalmente e na prhtica de onde seja - macroecumenismo t dian71o 6 assim, normalmente. 0 ecumenis- logar inter-religiosamente, sempre num
compromisso social pelos excluidos. Famo t o difllogo inuacristilo.
Sei que-tanto no campo cat61ico como zer da f t no Deus da Vida um culto milino campo evang6lico d m surgido mal- tante B Vida, por amor B obra - ao soestar e rtpiicas ante a palavra macroecu- nho, desse Deus.
E t dialogar com todas as religi6is.
menismo, e, quiqa, sobretudo, ante os desafios que essa palavra entranha. Penso, . niio apenas com as chamadas "grandes"
entretant 0, que a F
a6pria f t cris- (0 que nlo seria muito evangClico, pois o
u os muros da Evangelho prima por dialogar com o que
t71. que nlos ensina
separaqio- c- a- nao ~ecnarmosO-Deus-Es-. t pequeno)
Dialogar, digo, n! Lo monolc)gar. Fala)r e
pirito-e-Verdade nem em Jerusaltm nem
em Garizim, esse mal-estar e essas rtpli- ouvir. aco lher e dar, crescelndo juntc ,s.
-- 1-cas deveriam ser revistos. Deus tem direi- Sem renunciar ao pruprlo oum graiulltaogar com Deus, sempre o Gnico mente recebido. Sem se envergonhar I
to a dial~
Deus mirior em qualquer f t sincera, ex- Evangelho, mas sem esgrimi-lo com PI
.."..aaavts de qualquer religiio.
potencia, com fundamentalismos, cor
rrcJJII
1s.
Nio se trata de minimizar a revelqio guem apenas perdoa a vida
blblica, nem de mgar a universalidade da hereges, id6latras ...
Como cristio, poderia at6 me propo r
mediq30 dc Cristo Jesus, nern de ignorar
jars defin~ i a
r valid
a especil
K
*.*ZA.,"
I
A
-"
-
-
_
-
A
-1-2-
--.--:a
V a l o r i d 0 8s
diferenps para
construir
solidariedade
e a bondade da minha prdtica do ecumenismo e do macroecumenismo:
1. Que essa prBtica me faqa mais confiante em Deus e mais esperanqado.
2. Que me tome mais compreensivo '
com o pr6ximo - como pessoa e como
povo, e com seus contextos e suas causas.
3. Que me faqa mais fie1 B essencialidade da minha ft5 cristH.
0 macroecumenismo, diziamos na
memordvel APD de Quito, nlo t urna organizaqlo, nern um movimento. E urna
atitude, que a gente acredita ser agradivel a Deus, ao "Deus de todos os nomes,
maior que todos eles", que para nossa fd
crists t o Deus do Reino que se revela
humanamente e historicamente em Jesus
de NazarC.
A mundializaqlo do Espirito, que sopra onde quer, niio C urna concesslo nossa.% poder e amor dEle. Hb mais presenqa que "revelaqlo" canBnica... E a pr6pria revelaqilo talvez a tenhamos definido
muito precipitadamente restrita, demasiadamente controlada por nossos pequenos crittrios, que nlo coincidem necessariamente com os crittrios do Deus sempre Maior.
Paulo Suess (em texto para Adveniat,
25/51 1996) recorda opbrtunarnente que
"a 'inculturaq30 de Deus' no mundo, sua
revelaqgo no meio da humanidade, seu
didlogo e sua presenqa, precedem ?
enI
carnaqilo do Verbo". E que "0Evangelho
6 boa notfcia da proximidade de Deus,
descde sempre" e em todo lugar e atraves
de t oda f6, em qualquer coraqlo sincero.
(2 Esvfito macroecumenico nos faca
:roecumenicamentc
m s e serores. Amt!m!
d.
-
.
A,
Ped
Aragualwm I
:siais de B
spo dc Sgo Rlix do,
c assessor das Comunidades,
palavra festa,'me parece, foi banida
das celebraq&s nas igrejas cristls,
especialmente aquelas oriundas'do h o testantismo Hist6rico. Quando vem cunhada do acompanhante "popular", mais
distante fica. Talvez seja por isso que nosso culto, com toda sua austeridade, venha
perdendo urna de suas caracterfsticas
mais importantes: a reunilo, a assembl6ia, o encontro de irmloslirmls -festa
do povo, portanto popular.
A festa pressupbe presenqa comunitflria, conttm urna dimenslo de encontro
entre amigos. Dai pensar a vida cSltica da
comunidade de fC como urna festa de gratuidade e alegria. No dizer Edwin Mora,
"a festa C um estado de 'huelga' ante a
rotina da vida. 6 aceitar a vida como dom
da graqa de Deus". 6 culto.
Nesta perspectiva, por toda a Amtrica
Latina e Caribe, nestes iiltimos anos, vem
gestando urna nova maneira de celebrar.
A isso tem-se dado o nome de "renovaqlo
litrirgica", o que conseqiientemente tem
apontado tambCm para um novo enfoque
na espiritualidade do Povo de Deus neste
continente.
Neste pequeno artigo-testemunho quero me reportar a duas experiencias que
vivenciamos no Continente. A primeira
foi a AssemblCia do Povo de Deus - APD
(Quito, Equador, 1992). e a segunda, a
Jomada Ecumenica (MendesRJ, outubro
de 1994).
A espiritualidade que nasce
do dialog0
Estivamos no marco das "comemoraq6es" dos quinhentos anos da chegada
dos colonizadores na Amtrica Latina.
Preparava-se urna conferencia religiosa
latino-americana em Santo Domingo preludiando toda a festa da i nvasio di1 Amtrica, quando um grupo dle cristios se p6s
a pensar numa outra pro1msta celebrativa
* - - - -:..que nlo tivesse esse cararer munfalista..
Seria urna festa da resist&nciadestes quinhentos anos de massacre no Continente,
uma festa popular, pluricultural cnmn 6
rfndio.
nosso contine
0 Povo
Aconteceu a A
de Deus.
A primeira afirmaqic da Asse:mblCia
que fez repensar nossa espiritu;alidade
foi: Deus tem um sonhlD - "quc:todos
sejarn um". Esla afirmag;ao nos cc3locava
na frcjnteira dce urna vi vencia CIom. um
Deus cque nio C exclusivc nern patrim8nio
dos crist5os. Dc:ssa refle:KSObrotob,.a pagunta:: Quem C povo de IDeus? Esl:e questionarnento C f ruto colh ido nos v.ariados
L - -.
tros e reflexoes, a e cunno puramenI"..."
k
,
-
- ---
-
3
An6lise
Contexto Pastoral
7
e festa: expressgo do ecumenismo popular
A "nova" espiritualidade
nasce da vivgncia
pastoral -- o encontro
solidario corn o outro,
corn o qua1 Ele nos fez
parceiros e companheiros
para habitar a oikoumene
te teol6gico. das conferencias e consultas
ecumenicas realizadas no Continente
nestes dltimos anos. 6 fruto de um vigoroso pensamento teol6gico sistematico
colhido no seio das cornunidades cristls
desta "Pdtria Grande", que arejou nossas
teologias nas dltirnas dCcadas. Permitiu
repensar nossa espiritualidade.
Assim, movidos por essa pureza teol6gica que vinha da tradiqiio biblica, concluimos: ora, se Deus tern um sonho de
unidade, j6 nlo podemos falar de unidade
dos cristtios, nem tampouco de urn rnero
dialog0 inter-religiose, mas sonhar audaciosarnente corn a unidade dos povos, raqas e culturas. Nascia urna espiritualidade macroecumCnica na qua1 estavam incluidos os rostos negros, indigenas e
.
mestiqos de Deus.
A "nova" espiritualidade nasce da vivencia pastoral - o encontro soliddrio
com o outro, com o qua1 Ele nos fez parceiros e companheiros para habitar a oik o h e n e (a "casa grande", moradia de irmiios parceiros da mesma caminhada, coinspiradores dos mesmos sonhos).
A partir desse momento se insere no
vocabulkio ecumCnico um novo termo
- macroecumenismo -, nHo sem um
grande debate e resistdncia, pois o patrimbnio hist6rico-testemunhal da militlncia do movimento nHo entendia que o termo ecurnenismo havia se desgastado na
burocracia institutional religiosa.
Podemos dizer que urna nova terminologia para se falar de unidade,nio poderia
estar atrelada apenas Zi confessbnalidade
religiosz. Urgia a necessidade de reinterpretar e reafirmar toda amplitude que o
termo ecum&nicocontCm como diz Jdlio
de Santa Ana: "Este C o momento de tentar compreender o termo oikoumene, do
qua1 vem a palavra ecumenico. Do mesmo mod0 que oikos, a casa onde vive a
famflia, fruto de urna tarefa de construqiio e administraqiio consagrada, de um
esforqo cotidiano, oikoumene se refere ao
mundo habitado". (Ecumenismo e LibertapTo11987).
Portanto, era tarefa urgente da p r h i s
pastoral observar a inter-relaqgo das quatro dimensbes fundamentais da existen-
cia humana em relaqHo ao ecumenico
(politica, econ8mica, geografica e culturallreligiosa). Foi nessa perspectiva que
leigos de variadas confissbes religiosas,
sacerdotes e te6ricos de virias religibes e
expressbes culturais se puseram a reflexionar sobre o macroecumenismo.
Recolhendo essas inquietudes ptesentes, primeiramente no povo cristlo, e depois em outras culturas e religices (indigena e afro-americanas), os te6ricos, te6logos e cientistas da religiiio buscaram
sistematizar o que na pritica pastoral jd
,
I
minar urna nova espiritualidade na AmCrica Latina.
Espiritualidade que nasce
da Corpoetica
"Nlo podernos deixar de falar daquilo
que vimos e ouvirnos: vozes femininas,
vozes masculinas, vozes negras, vozes
brancas, vozes jovens, vozes adultas.
Nlo podemos deixar de dizer que tambCm vimos abraqos quentes, danqas alegres, risos iguais dos que se amam porque amam a mesma e desejada paz que
-*
)
Conclusiio
'
Exaressiio de buscas de caminhos do ecumenismo
vinha ocorrendo para reafirmar mais urna
vez que a teologia C sempre gestada na
comunidade, C um ato segundo.
Hoje temos experidncias que se acumulam dentro de urna perspectiva m?8croecumEnica. Quiqi, num tempo qu e
chamo de kairdtico, o termo entre no cc)tidiano das comunidades e nas mesaIS
executivas do "ecumenismo cl8ssico".
Provavelmente, a experiencia macrot
cumenica tenha sido umas das primeire
experibncias onde cristiios e nqgo-crist~c
puderam, de forma muito fnanca, fall
sobre suas frustraqbes, dores, c)pressbes
projetarem juntos sonhos, alianqas e
reencontros. Por isso podemos falar dle
urna espiritualidade que nasce do diilog;O
e do sonho, sonho de irmiios que querelm
viver junto!; debaixo do mesnlo teto qule
os abriga.
l..A#.
Toda r i q u ~ ~UbUIIlUlclUU,
a
qus '..Xrra1u
pode ser expressada em toda !sua dime1Isiio neste artigo, foi fortemenlte demon!strada nas festas populares aas celebrra"
qbes, cultos, ritos especfficos de cadla
confessionalidade e/ou tradi~80religios;a
a partir de 1992 corn APD. Nascia ali
umaI nova nraneira de
-..--.. .......
a
.
.
qHo festiva onde pudemos conversar sobre coisa sCria - A unidade.
As expressbes.litdrgicas "gozosamente" provocadoras da espiritualidade inseminada e fecundada em corpos, gestos,
palavras foram responsfiveis por um refletir maduro do ecumenismo que vivenciamos no Brasil, se traduziu numa festalencontro de irmlos e irrnls que sonham juntos e co-inspiram as mesmas
utopias do amigo de NazarC - "que todos sejam um".
Estas experiencias me levam a crer
que estamos vivenciando urna espiritualidade nova, porque ela j6 nHo esti forjada em dogmas ou racionalidades religiosas; niio se expressa corno um pretext0
para fugir da vida, mas, ao contrdrio, 6
um incentivo para lev8-la a strio com todas as suas dimensbes que a fazern humana e que a tornam suscetivel tambCm de
se tornar divina. Ela se faz carne no meio
do povo e rnetarnorfoseia-se em cor-somcorpo. E corpoPtica.
.
.
a
,.
Estamos vivenciando
uma espirituslidade nova,
porque ela ja niio esta
fnrjada em dogmas ou
rac:ionalidades religiosas;
n5o se expressa como urn
stexto para fugir da
!a, mas 6 urn incentivo
ra leva-la a serio corn
suas 1
.-I
As experiencias acima apontadas sso
corno que aperitivos dentre muitas outras
manifestaqBes de festas litcrgicas e verdadeiras celebraqbes que rnuitas igrejas e
grupos diversos tCm vicfenciado neste
continente (possivelmentc: seja polr isso
que chamam-na de "reno!
ca elou litdrgica). Dai na
tualidade dialktica, "ecu~
plural; combativa mas chela ae ternlam.
simb6licalgestual, porCrn I
de resistencia, mas festiva.
0 selolsegredo que ainua I I W IUI I I C V C lado 6 como esses povos, (srn meio rI tanta
dor, lamentos e ranger de dentes, se sen.
6 n retem motivados a celebrar a vlaa. N ""
r8o suas crenqas nas vdrias formas cfe ressuReiqHo, na Pachamama, na p a d $cia, na
certeza de que Ele vem. que os fan:m resistir e: celebra~
r a grand e utopia como
urna festa escatc,16gica?
.- - - --- . L-I
---.
Que:In exprcssvu rnulto oem essa ft5 do
imaginidrio popr]tar latinc
no foi
Alceu, o Valenq;a, dizendc
bruma 1i:ve das pi
e vem
. "Na
- Itro
tU Vens chegi
o meu
quintalI. (...)
..a
I
.
"
.
. ..
"W
.
:
A
-
,ultralpassa todas as montanhas. NHo podemos deixar de anunciar que o sonho
ecurnenico da oraqlo de Jesus de Nazar6
se fiez came nos grito
1rr0, nos
prot~
estos dos excluidoa
surro dos
olhares aman tes ...".
---- se
-- :-:-?rAi*slrn
in~cla-a Lana ae mcnaes,
r
elaborada na Primeira Jomada EcumCnica. IEsse evento caracterizou-se tambCm
cnm
----.
o um marco na gestaqiio deste novo
venlto de esp
tde que s'opra em
noss;a vivenci
- coisas do Espfrito, c
i outra m
"V
"W..
m.. ,.am"
.. -.
ji4 escuto
nais ...".
-
Jbb Robem Jardilina t soci6logo. tedlogo
anglicano e doutorando em Citncias :Sociais
na area de Sociologia da ReligiHo. 6 nutor dos
livrnr
.<
rindicaro dos mtigicos (CeseplS.P,\ r,
.A.,r
--
Um dia que Dew cstava a donnir
E o Espirito Santo andava a voar
Ele (Jesus)foi a cairn dos milagns e
roubou tr2s.
Com o primeitv fez que ningugm
soubesse que ele tinhafugido
Com o segundo criou-se etenramcnte
humano e menino
Com o terceiro criou um Cristo
eternamcnte M cruz
E deixou-o pregado M c n u que M no ct?u
E serve de modelo ds outras.
Depois fugiu para o sol
E dcsccu pelo primein, mio que apanhou.
(Fernando PessoalAntonio Caieiro,
0 Guardador de Rcbanhos)
N
este quase terceiro miltnio, C mister
constatarmos o fracasso das nossas
igrejas em suas missiies evangelizadoras.
0 "mundo ocidental e cristlo" carece de
valores humanos que as igrejas nestes
quase dois mil anos quiseram ser ponadoras privilegiadas. 0 fato indiscutivel C
que fracassaram na criaqlo e constru@o
de homens e mulheres humanizados e
moldaram ?i sua imagem e semelhanqa
pessoas com um superlativo grau de preconceito, de dogmatismo e de autoritarismo. 0 s aparelhos burocr6ticos dessas
instituiqtks se expandiram abafando e se
sobrepondo ao espirito eclesial que deveria reinar no kerigma do Cristo Morto e
Ressuscitado.
A lgreja ndo C uma instituicdo abstmta, a cuja forma rigida se devem dobrar
as instituic6es humanas. A Igreja Mo 4 a
deposita'ria inerte de uma verdadc intcmporal para sempre formulada, que devcra' ser imposra as inrelige'ncias e cis vidas
dos homens, corn exclusdo de tudo quanto possum descobrir ou scntir em contato
com a realidade das coisas, reveladoras
de Deus. Na realidade a Igreja t antes de
tudo uma comunidade fie1 ir Verdade
transcendenre do Pai dc Miscricdrdia.
cuja Palavra dc Wda ouvimos, vimos corn
os nossos olhos, percebemos c tocamos
com as nossas ma-os (Cf:I Jo 1.1) (CATAO:7-8)
Supen
I de
uma Igreja owsultuut, q ~ aol direito ?i
diferenqa tem sido negado em todos 0s
grandes projetos de evangelizaqilo. C condiqiio sine qua non, ou jamais podcremos
Jesus de Na-
Intolerhcia e dogmatismo
Histoncamcntc, o "amai-vos uns aos outros" d o se impbs pelo exemplo de doGuru. bondade e entrqa de Jesus de Nazari, dc alguns de seus discfpulosou primeims mdrtires. Apredcnws a ver no
ourm "urn pdximo" pela foq-a das armas; pclas foguciras do Inquisicdo; pela
perseguico aos inimigos politicos; pclo
degrcdo, pristio, a s s a s s i ~ t oou extenninio em massa dos infiiis. hcreges, dissidentcs e dcsviantes (Costa, Jurandir Freire. "A devoraqlo da esperanqa no pr6ximow. Folha de SiSo Paulo, 22/9/96. Cademo Mais!, p.8).
A hist6ria de nossas igrejas rol marcada pela intransigencia culturtl e politica
e pela obsesslo de "prociamar a salvaq&
aos gentios", impondo, custasse o que
custasse, o modelo ocidental como iinic
via ttica e moral que deveria nortear
sulear nossas pdticas pastorais. Parafra
seando Catio, a atitude fundamental das
igrejas diante do mundo nlo C a de excomungar os que n8o Ihe reconhecem os
direitos e a liberdade, nem de condenar
0s que pens;am a seu contrapelo, mas a de
PrcDcurar el iminar todos os obstdculos
- que. se opoem
ao rtconhecimento universal da Palavra de Verdade e reunir todos
os homens e mulheres contando principalmente com a foqa do testemunho de
- -
-
-
A e s s f cia da
Igreja a t a na
lealdade e a a
generosidsde qee
devem pautar
a vida de homtlrr
e mulheres qae
acreditam na
hamanizqiic
da Humanid
fidelidade ?
mensagem
i
de paz 1 de salva-'
qio que 6 a sua (cf. CATAO:~).Em outras palavras, "nlo C a 1greja.queconquista os homens, mas Jesus Cristo que os
salva" (CATAO: 12).
A Igreja Romana aniquilou pelas Cruzadas os "infiCis e os hereges" que arneaFavam o mundo cristlo. Na descoberta do
Novo Mundo, abenqoou os canhiies e as
armas que ajudaram a aniquilar culturas
e civilizaqiies e a impor a CNZe a Espada
num process0 de "converslo" ?i Igreja e
aos reinos de Espanha e Portugal. Atualmente, utiliza o termo "inculturaqiio"
para se apropriar das culturas que nlo
tendo conseguido aniquilar resistem,
neste:s dois mil anos, ?i sua ousadia e arrogb cia missionikia...
perarmos a concepqiio
storal de uma lgreja
monolitica, na qua1
o direito a diferenqa tem
sido negado em todos
os grandes projetos
de evangeliza~50,
e fundamental para
compreendermos
aRedenqSodeJesus
de Nazare
Catiio, ao formular, inspirado no Vaticano 11, uma Igreja Sem Fronteiras, reafirma o dinamismo da graqa crist5 e ecle.sial. g e n n i ~ n d ono corapdo de todos os
.hornens que, fitis (i verdade, a justica e
ao amor; mesmo sem o saber; estiSo a edi$car por toda a parte o reino dlAquele
quc t Verdade, Paz e Amor (...) Igreja
Sem Fronteiras, enjim, C o tema que deve
estar obrigatoriamenteprcsente a quem
se preocupa com a edificacdo de um
mundo verdadeiramente cristEo, e Mo
apenus dccorativarnente em par corn a
Igreja, pois o que conta Mo stio os entendimentos e os compromissos humanos
entre autoridades politicas e religiosas,
mas uma vida realmente alimentada com
a seiva do Evangelho e posta a servico
dos homens, ci imitacdo de Jesus Cristo .
(CATAO:13).
0 mundo do ecumenismo encontra
nesta formulaqlo a sua r&o de ser e de
estabelecer corn as realidades humanas, e
portanto culturais, diversas e plurais, um
dialog0 espiritual capaz de superar todos
os anitemas e cismas religiosos. Mas
como efetivar este projeto ecumEnico se
nestes liltimos trinta anos assistimos estarrecidos a uma sucesslo de acontecimentos que negaram a dimenslo da humanidade e de humanizaqlo tlo querida
pelos homens e mulheres de boa-vontade
Context~Pastoral
A essbncia da lgreja
n5o esta no quadro
institucional e
burocratico, nem nos
seus ministerios criados
a partir de necessidades
dogmaticas e historicas,
mas na vida em
comunhi3o com Deus
e na afirmaqgo do
sacerdocio dos f ibis
e sfnodos para mostrarem "ao mundo" a
sua "quase hegemonia" na conduqlo
"missiol6gica" e elitista.
Por acaso um mundo mais justo seria
aquele em que todos pudessem ter acesso
ao que as elites rim? Mas o que tim as
elites a oferecer:' Consumo, tkdio, insatisfaqiio e ostentaqdo (...) Em vez de utopias, manuais de auto-ajuda, psicofa'micos, cocair~ae terapiuticas diversas para
os que rim dinheiro; banditismo, vagabundagem, mendicdncia ou religiosismo
fandtico para os que apenas sobrevivem
(FREIRE COSTA).
Como afirmar, segundo Catiio, em alto
e bom som, que "o Povo de Deus nio 6
delimitado pot nenhuma fronteira"? E "o
que 6 absolutamente necessario para se
salvar nio 6 o pertencimento pleno e reconhecido h Igreja, senlo o laqo lntimo
de f6 e de amor com o Senhor Deus, a
graqa interior, que d a riqueza da Igreja,
em outras palavras, a fidelidade total e
transparente de cada um, B Verdade, B
justiqa e ao Amor"? (CATAO: 36)
e tiio amplamente desejada pelos que lutaram e lutam pela paz na terra?
Substituimos a prdtica da reflex50 ttica pelo treinamento nos ca'lculos ecuminicos, brindamos alegremente o "enterro" das utopias socialistas; reduzimos
virtude e excel2ncia pessoais a sucesso
midia'tico; rransformamos nossas universidades em mdquinas de produ~a'opadronizada de diplomas e reses; multiplicamos nossos "pa'rios dos milagres ", esgotos a c i u aberto, analjabetos, delinqiientes, e, por fim, aderimos h lei do Verdadeira essbcia da 1ireja
mercado com a vollipia de qucm aperta 6 necessiirio reafirmarmos que a essCncia
a corda do prdprio pesco~o,na pressa da Igreja nlo estfi no quadro institucional
de encurtar o ineluta'vel fim (FREIRE e burocritico, nem nos seus ministdrios
COSTA).
.criados a partir de necessidades dogmdticas e histbricas, mas na vida em comunhlo com Deus e na afirmaqio do sacerSuperar limites
d6cio dos seus fitis. Mas este sacerd6cio
Retomar "velhos" escritos onde a lucidez existe em todas as religibes, que apesar
evangtlica nos arrebata 6 imperativo para das suas institucionalizaqBes, procuram
alimentar nossos espiritos e almas t60 ca- superar os seus limites e criar condiq6es
rentes de profundidade e de pensamentos para a sua universalidade. E precis0 falar
densos. 0 pragmatism0 das nossas "igre- da generosidade e lealdade que devem
jas populares" esvaziou a dimenslo teo- pautar a vida dos homens e mulheres que
16gica e espiritual que responde pelos ainda acreditam na "humanizaqiio da Hudiilogos profundos e ousados na constru- manidade". E este t o misttrio profundo
qlo do Reino de Deus e empobreceu o de Jesus de Nazart, sua profunda humaEspfrito que transcende todas as frontei- nidade e seu testemunho de ser "humano,
ras, fala todas as linguas, enche o uni- profundamente humano".
verso e manttm em vida todas as coisas
Catlo nos alerta que o fato do Cristia(...) A Igreja niio consritui de mod0 al- nismo ter sido trazido para a Amtrica Lagum um grupo particular; fechado e deli- tina e de ter transplantado uma cristandamitado pela lingua, pela mentalidade, de em suas estruturas sem nenhuma preopela maneira de sentir ou de pen;ar: Poi cupaqgo com a cultura, religi5o e espirisua prdpria natureza a Igreja t uma co- tualidade dos povos que aqui encontrou,
munidade real de homens, /nus aberta a criou para a instituiqlo - habitualmente
todos 0s homens, a todo o h n d o (CA- identificada com os bispos, padres, pasTAO: 16-17).
tores - uma strie de problemas e de
Existiria a possibilidade de construir- compromissos de que n6s nlo nos libermos um mundo onde a afirmaqfioda ori- taremos tlo facilmente. A Igreja, nesse
- ginalidade espiritual e da vivCncia do
sentid
giiio que conserva as nosTranscendente nlo fo!rse motivlD de divi- sas tr
deve se opor a tc~ d a sas
sbes e guerras? Como nossas geraqbes renovc
4TA0:88 ).
.- -..- ..- .' 1 0 [...I
A
:
.
'
.
..
futuras poderlo acreolrar
IIU rranscen0 que se espera do rnrssionar
dente se os nossos deuses siio construtdos ndo L' que pregue sobre a Igreja e a tome
do tamanho e estatura das nossas intole- atraente por uma exaltaqrio humana d o
nrrr,
rSlncias e medos? 0 desafio ecum&nico seu poder; de seu prestigio, de S IIn y'uexige a superaqiio dos nossos limites dincia, de sua ide^ntica,de todas as suas
eclesiisticos que criaram burocratas que riquezas, enfim. A Igrejr1 deve de:sapare-..-- 6.manta,
se escondem nos organismos "ecum2ni- cer diante de Jesus par".- qucm
cos onde se annam redes rlgicdas e bemI como Judo Bat ista (c~TA0:86-8
i).
SUStentadas por polpudos d61zIres, mar.
Ser i que terfarnos, novament.e, essa
.
LUJ, libras, coroas e que nfio salbem faze1
inspiraqao
que poderia garantir a I
mais nada do que consultas, assembltias da do didlogo e
i
8
.
--
'Y
ter-religiose? Sera que ten'amos, uma vez
mais, a lucidez de Catlo e do Vaticano I1
para acreditarmos que cada um de nds P
chamado a ser diante de Deus, de si mesmo, de seus irmdos, um aurCntico servidor da Verdade e do Amor? lsso k Igreja.
No seio da comunidade apostdlica, como
no meio do mundo, o que conta de fato t
a fidelidade b Verdade, b Justi~ae ao
Amor: Todo homem, pois, que vive autenricamente como homem, que ajuda seu
semelhante a vivi-lo da mesma forma,
faz parte da .Igreja, estd conduzido pelo
espirito de Jesus, completa em sua carne
a Paixdo de Cristo e sera' reconhecido
como Filho do Pai do CPu (C~Tr\0:92).
Ou como nos desafia Freire Costa:
Seria muito propor que, em vez de ruminar o fracasso, pensdssemos juntos em
refazer a amizade, a lealdade, afidelidade e a honra na vida pliblica e privada, o
gosto pPla ktica no pensamento politico
ou visdes de mundo capazes de contornar a lassidrio moral decorrentes de nossos ha'bitos sentimentais e sexuais, etc?
0 desafio ecum6nic0,
para quem ainda acredita
e decidiu investir a sua
vida nesta utopia, esta
presente nessa nossa
atitude de, ao assumir
as situa~6es-limites,
superarmos noss
miopias institucic
e-seus dogmatisr
historicamt
produzidos
(...) Um griio de loucura e devaneio.
quem sabe, e' desta falta que padecem
nossas almas morras, famintas de encantamento e razdo de viper.
0 desafio ecum&nico,para quem ainda acredita e decidiu investir a sua vida
nesta utopia, esti presente nessa nossa
atitude de, ao assumir as situaqbes-limites, superarmos nossas miopias institucionais e seus dogmatismos historicamente produzidos. De sermos livres para
sonharmos os novos mundos e as novas
religi6es, express50 da comunh5o solidziria, na Verdadc, na Justi~ae no Amor, dos
homens e mulheres que, "como se vissem
o lnvisivel", permanecem firmes e lutando toda a sua vida.
. SBo estes, os henditos e benditas do
Pai, os felizes. as bem-aventuradas, e,
mais que nunca, s2o estes que, apesar da
Morte recomesam sernpre e cada vez
mais se tornam Imprescindfveis porque
fulminados pela Esperanqa e pelo Amor
que tudo transforma e que aproxima homens e mulheres de todas as raqas, credos
e religibes, porque Deus 6 Mais. e Liberdade C o nome do seu Espirito ...
Paulo C6zar Loureiro B o b s i! doutor em Filosofia e integra a equipe de KOINONIA.
(*) Tltulo do livro que marcou a dkada de I960
e toda uma geraqSo da AqSo Cat61lica. mas sc
bretudo o diillogo ecumZn~cono BI.asii, abrinc
(
novas perspectivas de aq6es corn uns- entre
.
.
-ristHos. Seu autor foi provincial da Ordem dc,
ades hegadores (Dominicanos) no Brasil e
sponsAvel pelas posiq6es teol6gi cas de pon ta
sumidas por esta Ordem Religichsa que tan lo
arcou a lgreja brasileira e seus cornoromlssl
)liticos e sociais. C .ATAO, Bernardo rcja Sem Fronreiras. S50Paulo, 1.ivraria Du
~dades.1965.92 p.
Fim ou comeqo? 0 aho ruuu e
chegando
...
Estamos as portas do a n o 2000. Novo s k u l o , novo milenio. Silo
os desafios e os sonhos q u e envolvem os diversos grupos e
rnovlmentos socials. Corn o movimento ecurnQnico e as igrejas r
diferente!
Para quem se interessa por e s t e tema, e funda~
mental ttrr e m mi!10so
livro 0 sonho ecum6nico: prefAcio ao novo mild bnio, edit;ado por
-I-..--.. -..- ~ x - m
KOINONIA Presenga EcumQnlca e S e r v l ~ oq, u e.a1errc.a
a> q u ~ s .ue3
teologicas, pastorais e socials mais emergentes para as igrejas e para
os cristiios no Bras11neste flnal d e seculo e d e mllbnio. AproveltcB a
promog3o d e KOINONIA: adquira ja o livro por a p e n a s R$12,00
:luidas as d e s p e s a s postais). Para
fiecheque nominal ou c6pia d e re
d s i t o bancario (Banco Bradesco, aoencla
171
me Velhc,/RJ, cor
J d e vale postal.
15;
m n a ~.,
D ~ ~ L U uu
I I LU-lo
~ U ara a cor
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-4
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I
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KO1
Ecurnbnic
Rua CIdrlW nrrraro, I&. G16ria
22211-230 RIOde Jan
Tel: (021) 224-6713
Fax: (021) 221-3016
-
FO
Pode vir algo de born daquela barriga?-Pedro Lima Vasconcetlos
E
teiras arrasadas, mulheres e homens
abandonados a bucar p50, lar e consolo.
E ai fez outra constataq50, que muito Ihe
doeu: muitos dos lideres de sua religi50,
entre os quais aqueles que certmente haOutro olhar
veriam de condenar sua mulher, niio estaE. pela primeira vez, ele agora olhou paia vam 16 tZo ocupados e atenros corn o que
sun mulher con? outros olhos. Xinda com ocorria com estas pessoas carentes e soutn? c e r a descc)nfian$a, com :i sensaqiio fridas, discriminatlas. Lenihrou-se entRo
I l e Josue, o salvadov. n lider da conquista.
dc algo ma1 er7licado. Mas, inexr;!icavc!nen~,:. n5o s n t i a rnais a vontadz de o porrador de sspernnqa pnra seu povo ...
!jr.i.xi-Ia zntrcrue i ?r6pria Forte, ?as Sim, este menino que vai nascer deverd
, ey?ectatiYias,0 s
11>?,)5 di. quem ?cr!nmeste 3 r o n d e ~ a r i 3 zncar?a-\r3s c o ~ h o s as
fa!::.!
quc (!,: mcr:n?s c n - c ~ i n . 1 viria:n
;
[:~l\:;(.!.
<::,% : ;.,
..,G\
*,lr):::,
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curnnrian:sn!e. Mas !~rnhCn!-50 t.r..~ a snseic; do p,>vo. Ncle o p:>brohn:/erA dc
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11 i i i r , n esn,:ranY,l Hn,:::1 a16 11!-i
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~ ?cc:n.rcrs?.: com :I3 soii-5 o ; 2 reilcscobrir. Livre ~ a r !-cfazer
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tpl:.!q c.:.,n+ccii!i,cn:.i.~.;?lc :i:?rr.!: , .
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ri3, e~perimcntarDcus c;lnsiy. Jesus.
:tt; .vnt:,: :;lo w rehai~aria:t ranto Vem
719 J-., '1in2tnoq;1 :~lnda
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: ~ qleo Sim: es!e nonle vai c ~ i hen\.
C E I I I ~ '!
-r.:,; .. . :p\in;,mcr.':.
I.),..
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quc tcria -!ern:. 112 Ern:$. dclxou i;!:e ela ''~lasqe:~ o d e rmvir
?,,)is !" c:;i.>?. j 1 i 1 ,;:-~-ii~~~:j:!l {I? * ~ @ c a!~!ic!. :Gun:.\ enrcndera '-,ni
0 itinerir.3 segnido pclo hon?ern pac!ue n5o Ilie ag: .,iiari:~Deixc!.: :star ?sra
J<.;~I
recia ?.?ontar para o futuro: n5o f o i s6 ele
ar:or?cceria mas, d:r:nte d o que r !ava Y ; - \.cr cnmci Ficari?.
cm !>I::? pelah i.r.!as J a riide~n.Nr;,r~rwia
Mais.algurn Lempc; Te p w . . ~ .E che- que preciso~!reconstruir certezas e valoilutro a t w n t o nns i ~ i i l n he ~:nn\.er.;as. ;8enclo,c c o n as rciordaq:;ss Ihe conf'u;:.
. i o din do ca<itrner?>.Dia tcr!ertirio. A res. A!iBs, dcccobriu que nluitos com ele
Quem C o pai d;t crian~a.'E5tn pergiinta dindo ainda rnais a mentz, perccSeu quc
jovem,
,::.in a harripn B vista d: t c ) > ! ~ s , faziarn caminho simi!ar, nas vilas e ala
histhria
n5o
podi,i
ser
avaliada
apen:ts
sem resposta deixava .I todns inqu~etos.
cn!rou
mlida
e saiu calada. Ele. con3iran- deias, no desert0 e nas rnontanhas, nas
peln
!!lie
sc
tlizia,
pelo
quc
ie
prcscrevia.
particularmente o mando. E pe!o vi.,to a
pido
pelos
penFamentos
que sabia esta: casas e nas ruas. E. algum tempo depois
jovem n3o podia se explicar, n5o a que- pelo que era nornla estabelecitia. Deus
cabeqa
de
todos,
tambCm evitou desses acontecimentos, pessoas que se
vam
na
riam ouvir, n5o a deixavam falar. 0 s escreve certo por linhas tortas!
as
palavras.
Afinal,
os
dois
agora vivem inspiraram na trajet6ria do messias ma!
Naquela noite ele n5o conseguiu dorolhares fulminantes falavam por si: este
juntos.
Mas
n5o
tiveram
relaq6es.
Havia ginal assim nascido tiveram de fazer
delito n50 pode passar em brancas nu- mir direito, imerso em pensamentos,
barreiras
que
os
separavam.
Muitas
coi- mesmo caminho, de ruptura corn pad*
vens. & necessirio fazer alguma coisa: jd lembranqas, desconfianqas, sonhos. Ele
de transgress50 de normas, de recriaqg
sas
ainda
deveriam
ser
explicadas.
PorCm
recordou, como que num filme, que a
pensou se a moda pega?
0 marido jb n5o sabia o que fazer. presenqa de Deus com seu povo sempre mais importante agora era que a crianqa de valores e de priticas. E se recordarm
Sentia-se desprezado, humilhado, mas se deu B margem da lei, dos padr6es esta- nascesse. Uma vida estava iis portas, e era do velho Josb, que era justo ... Mas a
nPo aceitava cexplicaqbes. N5o quer acre- belecidos. Viu Deus libertando escravos necessdrio prover o necesskio para que lembraram tambCm que o mestre teri
a . dito: "se a 'vossa just :iqa n5o fc~r maior..
ditar no que vt,mas a I>arrigaqule se avo- maltrapilhos, fortalecendo as famflias ela se desenvolvesse da me
ada, E aquela cc~munidad
.e se conf ortou, vir
luma nHo lhe permite i lus6es. E nHo quer contra tiranos invasores, defendendo es- Certamente ela seria faladi
.
..
LI-em--- ,--:-L,
G ~ I I I I I I I U . dando pa
com crianqas ao colo expul:sas pe- mas era necessibio minimim u uruurc- sc desafiada a 1-1
ouvlr o que sua mulher terla a dlzer. "NIo
us senho res, anirrbando reteli6es ma. Criar pioblerrias agora seria con~pli- a quem tern fome, ig:ua a quenn tem sedi
tenhlo nada a ver com iisso"! Vai embora,
vestindo os desnudac10s. acolhlend0 as v
reis e sacerdotes, impedincJo que car a situ~aqiio.
talvcez para elvitar ter dle agir, tallvez para
- .
--- -preclsar
-- -- --- esiar
.- -- --- - q--u- -a-n d ~vier a r;r ran\;as indefeaas
."," C.-."..,
Pa... . e a m n n
timas da discriminaqao e do preconceitc
,ri,I.vv 3 silencio entre os doii
~uaaem'sacrif Ibauaa -.
nau
prcssnic
1 rompido ,bem dev,agar. As F,alaasisim estaria agindo como e <
condenaqPo, inevittlvel. Vai embora sor- em rituais. Recordou as r1q6es dos profem apareccendo, a ajuda mbtu;a foi trce. E se ah:grou ...
rateiro, para nHo dar na vista, para nPo tas e profetisas do passad o, atrevid0s. OU~~- -1- -= Hist6ria -"I
~ u a r - ~ v ~ ~ cssa...
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causar mais escfindalo. Livraria certa- ~ 4 - c insubmissos a regras e pr ~ c ~- r i aconrecenao. u que elc nao aamltla. ern
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stamos pr6ximos do fim do ano, e muito bem explicadas, passagens que
nesta Cpoca se gestava hb muito tem- mencionavam algumas mulheres que tipo, no seio de uma jovem habitante de nham ficado grdvidas sem uma explicalonginqua e desconhecida aldeia, uma $50 muito clara: s6 por Deus. Outras tivecrianqa. Nada a obstar, n%ofosse um de- ram filhos ap6s passarem por muitas
ta!he: a moea gravldcl niio vivia ainda pressees, e at6 ameapdas de condenaqiio
com o marido! E este jurava niio ter qual- por uma gravidez fora-da-lei...
quer responsahilidade sobre 1 vida que
No momento seguinte se deu conta,
naquela harrigrt ia se ~orrlandomais sa- agora corn uma nitiilez maior, qtte esseq
lienre. NSo. nr?o dcst.r:rnprirz quaisquer fithnc gerad'vs eln :ci:cun;r!ncin,i prohles
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N%o,essa lei n50 6 tao justa quanto parece ... Quantas vezes a justica se d& fora
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Idbias
contexto
Pastoral
11
"E dando que se recebe"
Paulo Roberto Salles Garcia
ram Rossi de nIo ser evangblico, especialmente depois que ele recusou-se a assinar um manifesto de apoio B Igreja Universal ap6s o epis6dio em que o bispo
S6rgio Von Helde agrediu com chutes
urna imagem de Nossa Senhora Aparecida.
Na realidade, esse foi o principal pretexto-para a Igreja decidir retirar o apoio
ao candidato. Rossi rebateu em seguida:
disse que a IURD prop6s apoi6-lo em troca da garantia de que duas secretarias da
Area social fossem entregues a integrantes da igreja. "Jamais pedimos cargos".
replicou o coordenador polltico da Igreja
em Siio Paulo, o deputado federal Wagner Salustiano (PPB).
A partir dai, a Igreja comeqou a ser
cortejada pel0 prefeito Paulo Maluf
(PPB). Bern que ele tentou - e jogou
pesado: Pitta, afilhado politico e candidato do PPB, participou de urna distribui$80 de alimentos patrocinada pela Associaqiio Beneficente Cristi (ABC), entidade filantr6pica ligada B Universal que recebeu R$ 800 mil da Prefeitura de Siio
Paulo. A verba foi liberada por Maluf. e
trCs dias depois, urn ato filantr6pico da
ABC na zona leste da cidade transformou-se num comfcio de Pitta. "Trouxemos urna pessoa muito especial, que esta
ajudando a ABC a ajudar vocb", disse o
pastor Ronaldo Didini ao apresentar Pitta. "A ABC tem vida pr6pria. mas a candidatura de Celso Pitta tornou-se a menina-dos-olhos da entidade pelo comproPara al6m das preferhcias
misso de manter os projetos sociais", coideol6gicas
mentou Didini. Houve entrega de panfleFalar da presenqa de evangClicos na poli-• tos do candidato malufista.
tica partidhria significa analisar urna das
Esse "romance", porCm, foi interromigrejas do chamado Pentecostalismo Au- . pido pelo ministro das Comunicaqiks,
t8nomo que mais esforqos tem feito para SCrgio Motta. Apesar de a Igreja garantir
aproximar-se das raias do poder: a Igreja que o apoio dos fibis ao tucano JosC Serra
Universal do Reino de Deus (IURD). A baseou-se na promessa de urna "efetiva
cada ano mais aparelhada - templos es- participaqilo" nas obras sociais da admipalhados pelo pais inteiro, emissoras de nistraqiio municipal, a mudanqa de partirhdio e tevC, um jornal semanal corn qua- do niio se deveu apenas a isso. 0 que cirse 1 milhlo de exemplares -, sua estra- culou na Cpoca foi que a igreja do bispo
tdgia C fortalecer as bases municipais, es- Macedo teria pedido a intervenqilo do mitaduais e federais para apoiar (ou mesmo nistro nas investigaqhs fiscais iniciadas
lanqar) um candidato B Presidencia da h6 cinco anos em sua contabilidade. BasRepbblica, o que Ihe dar6 um poder de tou o Conselho de Bispos da Universal
barganha para negociar projetos de seu anunciar que o candidato a partir daquele
interesse.
momento era JosC Serra para que os fiCis
A participaqlo dela no primeiro turno trocassem de camisetas, bandeiras e bodas eleiqties em Silo Paulo 6 exemplar ao nCs. E que troca: 20 mil bandeir
mostrar que suas preferencias politicas dadas durante inaugurasgo de ur
viio muito alCm de ideologias e idtias e da Igreja na zona leste paulistana. Acredescambam para as vantagens que parti- dita em n6s e vota no Serra", pediu o pasdos ou candidatos possam oferecer como tor Jblio CCzar, da sede da igreja no Brh.
moeda de troca. At6 o infcio do ano, a Na entrada do templo, urna faixa evidenIgreja ainda declarava apoio ao candidato ciav:a a prefenencia politics: "Vamos orar
do PDT, o advogado evangdlico Francis- pel0 candidat1o a prefeito Serra".
co Rossi. Mas naquela dpoca a adesb j i
C!oma den.eta de J o d Serra, o "namon b ia t8o bem. Lidere. da IURD acusa- rowda IURD com Celso Pitta esta prati-
vota em nossa chapa, pois o
"0Iha,
vice evangClico, da Igreja Ba-
C
tista, e d urna excelente pessoa. 0 outro
candidato C macumbeiro". A orientaqiio
foi sussurrada por um dos candidatos a
prefeito de Volta Redonda, interior do Estad0 do Rio, a duas eleitoras evangelicas
que chegavam na seqiio. Devidamente
"uniforrnizadas" -de camiseta corn versiculos biblicos e Biblia na m8o -, elas
ouviram a exortaqlo, continuaram andando at6 serem interrompidas por outro
candidato. dessa vez a vereador. "EvangClico vota em evangelico. Conto com
vocCs".
Essa cena deve ter-se repetido em numerosas cidades do Pais no dia 3 de outubro, quando rnilhhs de brasileiros foram Bs urnas. 0 voto dos evang6licos
hoje vale ouro, e depois que os candida- '
tos descobriram isso, ele C cada vez mais
disputado. As estrategias variam desde
urna aproximaqiio para convencer o eleitor corn a apresenta~80de iddias e prograrnas de governo, at6 outra - tiio mais
agressiva quanto pouco 6tica de trocar
o voto por favorecimentos pessoais ou .
institucionais.
A intenqiio deste artigo C observar de
forma breve como foi a participaqiio desse segment0 "precioso" nas eleiqbes de 3
de outubro. Niio apenas em termos pessoais mas especialmente institucionais.
Niio apenas os eleitores mas especialmente os candidatos.
-
'
camente reatado. "Se o pr6ximo prefeito
nos chamar para urna parceria, nos permitir ajud&lo na constru$ilo da cidade e
niio quiser s6 os nossos votos, poderemos
apoiClo", disfaqou alta fonte da Igreja.
A mesma fonte disse que a IURD pode
orientar os fitis a votar no candidato do
PPB. Clrientar? "Damos a orientaqiio,
mas cacla um escolhe quem quiser", ex.,nlirnn A verdade nio 6 bem assim. Desde o mlomento em que ela escolhe um
candida to, a carnpanha C agressiva. Durante o apoio a Serra, um pastor foi claro:
"Quero que se dane a politica. Estamos
preocupados com que ele ganhe porque a
vit6ria dele C importante para n6s. A derle vai ser um inferno". ameaqou.
povo 6 fiel. Elegemos at6 poste",
A participaqfio da lgrej
Universal no primeiro
o das eleiq&es em
Paulo e exernplar
I mostrar que suas
erencias politicas
muito alem de
llogias e idei
declam~uoutro lider da Igreja, referrindose in1Dutncia dos pastor(es junto a0s SCA=- ruluures. Alguns nirmeros- uau
a ulmen"
siio dis;so: no Rio de Janeiro, dos cinco
vereadcores evangClicos eleitos, tdS pertrnrpm
.urnnu..
r B Igreja; em Belo Horizontc',MPria Helena Alves (PFL).tiamWm lilm a &
Universal, foi a mais votacda, com m rais de
-:-1.
13
a mais
_- m
..,il votos (a IURD elegeu alnui
um representante).
3
...
.
Usando o nome de Deus em
I..--
campanha, afirmou que nunca tinha entrado numa igreja para pedir votos dos
fiCis neh apoio de pastores. 'Vou como
fiel", garantiu. Depois da investida da
Igreja Uni-versa1 ao pbblico evangtlico,
Rossi retomou o discurso rcligioso, justificando que a mudanqa de postura deveuse B "orientaq50 do Espirito Santo".
Aliais, segundo revelou, o Espirito
Santo Ihe garantiu a vit6ria nas eleiqbes.
"Quando 6 urna coisa importante, o cristiio tem de colocar a petiqio especifica,
por exemplo: 'Meu Deus, C no Rossi que
devo votar? Me responda', e Deus responder6 claramente (para votar no Rossi)". Rossi ficou em quarto lugar.
Sinais de esperanqa
Percebemos que grupos evangClicos ainl a carecem de um amadurecimento'quanl o o assunto t politica. Mais do que favowimentos pessoais ou institucionais. os
xistiios siio chamados a mostrar sua fidelidade ao Evangelho atravCs de urna muianqa de postura que privilegie, em primeiro lugar, a vida, a justi~a,a solidariejade e a igual oportunidade a todos.
Felizmente ha! posturas di ferentes e
parcelas de evanf:Clicos qiue tCm uma
preocupaqiio com a garantia da cidadania
e com a transfonnaqiio da sociedade. Um
exemplo 6 o Movimento Evangtlico Progressista (MEP). Desenvolvendo um
1balho de reflexiio. c:om semi nArios, de
Ites e painCis, o gn~ p o
quer Imudar a c
2-da participaqiio popoi~ucauus
evwgellc;us,
marcada na maior parte das vezes por impulsos oportunistas. Nestas eleiqbes, cle
divulgou um documento no qual rstaILlece trEs aspectos para sencm pensa~d0s
no context0 da pollitica partidairia: .tnms-- -.-I
------ --,
formaqIo ("6 precisu
rnuuar
nussu
cnltendimento para que experimentemos '(pal
seja a boa, agradivel e perfeita vonllade
de Deus"); vida com fartura para tcldos
("nosso compromiisso de fC C com a luta
por oportunidade Ide plena 1realiwk do
-2-...-> - n-.-.
uu
ueus n
rai");
ser humano como cnalura
e esperanqa cristiB ("esper arnos de n6s
mesmos e dos carismas qtle recebemos
de Deus para usannos em SIua obra")
'Se esses critCri0s-em lals outroS forem urtilizados por canclidatos' e par
eleitores,, pddemos d i t akr em mucdan-- a- -I ZI AI ~1:-; ~ Ic-UI--- ----- --A
ips. M~SIIIU
I U I I ~ UUIUVS.
possfvel construir e fortalecer concc
de participqilo. ciidadania (:democn
.-. cristii a quai so
baseados na etlca
chamada1s a viver como "sa
;dlicos
Se na batalha pelo voto c
vale quase tudo, por qu
colher
Deus como o principal c a w e~eitoral?
Essa foi a estratCgia utili:zada por Imuitos
candidatos, quase semprt:com pro1postas
vazias. Um deles, evangi6lic0, pra~meteu
criar "dois centros de louvor para I
de Deus se reunir". Outro. integra
Assembltia de Deus. prop& a cria
um monument0 & Bfilia. Afinal. sit; a GIdade tem um memumentoI aos praciinhas e
a Zumbi, "por que niio um B vid a eterna?", perguntav,.'II
A postura do candida
~ i t ode
Silo Paulo, Francisco Ro!
:m merece atenao. Evangtlic~.-= . n w m o~ ~
uso dc
1s religio
mbsicias evangc!licas, pn
de acam o com o sob~-cscsceaos
ros da
fcio da
as eleitori
I?.:--
--.---XI..
.--
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12
~ontexto~astoml
Carto ao povo brasileiro
.
-
Queridos irmgos e irmh,
N6s, representantes de diversas igrejas cristih, membros
do Conselho Nacional de Igrejas Cristk do Brasil
(CONIC) e da Coordenadoria Ecumenica de Servi~o
(CESE), desejosos de reviver o espirito de Jesus Cristo,
queremos nos comunicar com voces, irm2Cos e irmh na
mesma ft5 crista com as pessoas crentes de outras
religi6es e expressks culturais e corn todos os que
buscam a justiqa e a paz. Queremos saud8-10s como os
primeiros cristiios iniciavam suascartas: "Que a graqa e
a paz estejam com vocCs!"
Somos discipulos e discfpulas de Jesus de NazarC que
resumiu sua miss20 neste mundo dizendo: "Eu vim para
que tenham vida, e a tenham em abundancia." (Joiio
10.'10). Por isso, em nome de Jesus. queremos chamar a
atenslo de vocCs para o que est&acontecendo no campo
brasileiro e propor que nos unamos na busca urgente de
uma soluqiio adequada. Confessamos que nossas igrejas
e n6s mesmos niio temos sido suficientemente crfticos
frente B "injustisa institucionalizada" que domina nossa
politica econ6mica, frente B violencia cotidiana que
acontece no campo braGleiro, quase sempre sem a
puniqiio dos responsfiveis. 0 s massacres de Corumbiara
(Rondania) e Eldorado de Carajhs (Par&)siio, no
momento, os casos mais tristemente not6rios, que
carecem at6 da designaqgo de juizes especiais.
Somando nossas vozes Bs de todas as vitimas destas
injustiqas, sentimo-nos na obrigaqlo de recordar a
condenaqiio que os profetas bfblicos pronunciaram
contra os respons6veis por situaqiies semelhantes: "Pois
eu sei como siio numerosos os seus crimes e graves os
seus pecados: exploram o justo, aceitam subornos e
enganam os necessitados no tribunal!" (Am& 5.12). "Ai
daqueles que juntam casa com casa e emendam campo a
campo, at6 que niio sobre mais espaqo e sejam os rinicos
a habitarem no meio'do pais." (Isaias 5.8). "Vejam o
salirio dos trabalhadores que fizeram a colheita nos
campos de voces: retido por voces, esse salario cla
os protestos dos cortadores chegaram aos ouvidos I
Senhor dos ex6rci tos." (Tiago 5.4).
Reconhecemos, como evangelica, a teimosa luta dos
muitos sem-terra existentes em nosso pais, ao lado dos
nnxceiros,
indios, remanescentes de quilomhnc
r--e tantos outros grupos que lutaLm pelo
extra
direi
o diferenciado Ija terra. Eles nc>srevel;3m
- r-.-A.
q U t t i1ictra ueve ser patrimbn~oe lugar e ronce ae vida
para todos os seres vivos. Quebrar c)s grilh6es, legais ou
n80, que manttm cativa a terra, C ato evangklico, pois
torna possivel a realizaqiio cia esperanqa de vida para
milh6es de excluidos. A dernocratiz:aqiio da propriedade
.
e do uso da terra 6 caminho lnalspensiivel
para superar a
o
trabal
.
a
todo
,ar
valor
forne. para d
ho, paraI liberta;
populagBo dlo dornir-~ i odos rJue assentam seu poder
. .
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mals elernentares aa VICV V O ,
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1 .
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..
-1-
..
.
~
-
-
-
- A -
2 -
HB dez anos, o CONIC dirigiu-se ao povo brasileiro,
declarando que "s6 uma reforma a m a , que mude a
estrutura funditlria do pafs, trad paz ao c a m p e o fim
da fome que assola nosso povo". Neste final de milCnio
chamado cristlo e 500 anos ap6s a colonizqZo do
Brasil, estas palavras, infelizmente, ressoam atuais e
questionadoraS,Ao examinar a situa$io do povo
brasileiro, a estrutura fundiiiria do Brasil e a
insensibilidade de muitos setores da sociedade e das
igrejas, seitimos pesar sobre nbs a nsponsabilidade
diante da qua1 o Senhor da Hist6ria nos julgari. Ele
podera nos expressar a mesma indignaqgo que n6s
sentimos em relaqiio aos que promoveram e permitiram
o genocidio dos indios e a escravidilo dosnegros.
Convictos de que vivemos um momento favor8ve1,
queremos conclamar a todos os cristlos e as pessoas
famintas de justiqa para nos organizarmos e exigirmos
da sociedade e dos governantes brasileiros a realiza~80
urgente de uma reforma agrihia ampla, justa e integral.
Junto com outras medidas que ampliem oportunidades
de vida e de trabalho, ela concretiza para n6s a utopia da
Paz, Justi~ae Integridade da CriaqBo.
Em nosso nome e em nome de nossas igrejas,
colocamo-nos a servi~odeste ideal. Como gesto deste
nosso compromisso, estamos apresentando h nasZo o
livreto "0s Pequenos Possuiriio a Terra", uma
ferramenta que as igrejas oferecem hs congregat$5es
locais, comunidades e grupos populares em geral, a fim
de que cresqam em consciencia e na solidariedade A
causa da justiqa, fundamento do mundo que queremos
construir.
Convidamos a todos para nos unirgem oraq3o (...) e
meditaqiio pela paz e justiqa no campo. Estaremos
seguindo o caminho daquele que "derruba do trono os
poderosos e eleva os humildes", daquele que promete
estar conosco "todos os dias, at6 o fim do mundo"
(Lucas 1.52; Mateus 28.20).
Conselho Nacional de Igrejas Cristh - CONIC
Dom Glauco Soares de Lima
Bispo-Primaz da Igreja Episcopal Anglic;ana do Br asil
Presidente
,.- - ..- for Ervinc? Schmidt
rettirio-executivo
CESE
-
..
Download

que todos ales`"