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Área de Ciências Humanas e Jurídicas
Curso de Artes Visuais - Licenciatura
DISCIPLINA: Ensino das Artes Visuais – Conteúdo e Método II
PROFESSORA: Márcia Moreno
A Educação para a Compreensão do Ensino da Arte1
Como que podemos buscar evidências de que os alunos tenham realmente adquirido estratégias
apropriadas para permear em novos conhecimentos e aplicá-los em situações de resolução de novos
problemas?
Devemos cuidar quando indagamos os nossos educandos, pois podemos promover um “bloqueio”
das informações que eles obtêm, dependendo da maneira como dirigimos os nossos questionamentos.
Segundo a autora FRANZ (2003) “O aluno poderá ter dificuldades em acessar o que ele já sabe, se o
professor não souber dar sugestões em contexto de estudo, ou seja, se não oferecer pistas contextuais que o
ajudem a lembrar o que ele aprendeu anteriormente” (p. 194-195).
Desta forma a autora nos alerta que os professores costumam simplificar “demasiadamente” o
conhecimento na fase inicial, promovendo assim um impedimento na aquisição de informações, que poderão
surgir posteriormente e que venham a ser mais complexas: “A complexidade é inerente ao conhecimento
artístico e isso deve ser levado em conta desde as fases iniciais de aprendizagem” (p. 195).
Para termos essa amplitude de informações, precisamos ter também, um conhecimento mais
abrangente do conteúdo que estaremos abordando em sala. Mas além dessa bagagem de informações,
devemos ter estratégias de ensino e saber como utilizá-las. Uma das maneiras é ser competente o suficiente
para captar as questões levantadas pelos educandos, por mais ingênuas que elas venham a ser.
Segundo a autora, o sujeito por mais que ele tenha uma “deficiência” ao organizar as suas
informações, ele pode vir a superar a partir de uma ampla gama de organização de estratégias de busca,
sendo assim, devemos levar em consideração o seu potencial, que muitas vezes pode vir a estar “camuflado”.
Tratando-se de conhecimento sobre obra de arte FRANZ (2003), a autora expõe que:
Empregando a definição de conhecimento base, de acordo com as teorias de
Prawat, que engloba experiência com as obras de arte, habilidades e conhecimentos
acumulados que um aluno geralmente possui sobre a obra que está sendo estudada,
os autores empregam o termo “estratégias de busca de conhecimento” para referirse às etapas cognitivas pelas quais um aluno passa para construir novas
interpretações de buscar novos conhecimentos e aplicar a experiência, habilidades e
conhecimentos previamente adquiridos (p.198).
Quando trabalharmos com os educandos, sobre a compreensão da arte, devemos levar em
consideração o seu contexto de aprendizagem e a nossa função é permitir, proporcionar uma conexão entre o
assunto abordado e o conhecimento no domínio da arte, já existente do educando. “Estas comparações
podem ser escolhida a partir da técnica, da temática ou de outras questões relativas à arte e seus objetos”
(p.199), ex.: Obra de Victor Meireles (Primeira Missa no Brasil).
Ao apresentarmos uma obra a uma turma, devemos ter em mente o que realmente pretendemos com
esse ensino, como sugere a autora:
a) O que se espera que os alunos aprendam sobre esta obra de arte?
b) Qual é o melhor método para mostrar fisicamente uma reprodução de pintura?
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FRANZ, Terezinha S. Educação para uma compreensão crítica da Arte. Florianópolis: Ed. Letras Contemporâneas, 2004,
p.194-220.
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c) O que o professor deve dizer e fazer enquanto apresenta a obra de arte?
d) O que se deve pedir aos alunos para fazerem ao examinar o quadro?
Além disso, devemos colocar os educandos à frente das críticas e da história dessas obras, para que
eles possam perceber que a mesma está inserida num contexto e que na própria crítica há divergências
sobre a obra e que o próprio educando, dentro do seu contexto, pode criar a sua visão crítica. Desta forma o
posicionamento dos críticos bem como dos historiadores, não os irão “inibir”.
Outro ponto interessante que devemos levar em consideração, é que os “novatos” tendem a fazer
associações dentro da sua perspectiva do cotidiano, onde muitas vezes ficam na tentativa de “adivinhações”
mas, mesmo assim, não há como dizermos “essa sua interpretação é ou não, tão boa quanto uma outra
qualquer”, mas o que podemos fazer é objetivarmos atividade para um alto nível de compreensão dos
educandos. Para isso, KOROSCIK (apud FRANZ, 2003), apresenta algumas sugestões para os educadores:
a) Os professores e os alunos devem levar em conta que múltiplas interpretações sobre
determinada obra são desejáveis;
b) As interpretações eruditas sobre a arte, tanto dos críticos, como dos historiadores ou dos
filósofos, entre outros, podem ser exemplos de altos níveis de compreensão. Os professores,
no entanto, devem levar os seus alunos a questionar inteligentemente as interpretações
intelectuais da arte;
c) Para que os alunos encontrem conexões significativas entre as obras de arte, os professores
devem fornecer sugestões verbais explícitas para garantir que as conexões que os alunos
estabeleçam sejam relevantes e significativas;
d) Se o objetivo do professor é AMPLIAR a compreensão sobre a arte, então os alunos precisam
levar em consideração novas informações e idéias;
e) Os alunos devem ser desestimulados a pensar que qualquer coisa que eles escutem ou leiam
sobre arte tem o mesmo valor;
f) Interpretações múltiplas de arte são possíveis e mesmo devem ser encorajadas pelos
educadores de arte, contudo a qualidade das interpretações e compreensões varia muito –
das interpretações inconsistentes e ingênuas, que refletem a compreensão de arte ingênua, às
interpretações sofisticadas.
Segundo a autora FRANZ (2003), devido a uma restrição no conhecimento base dos alunos, pode ser
pela sua incapacidade de distinguir detalhes importantes dos não importantes, enquanto que os eruditos
podem se referir a muitos detalhes que podem ser levados em conta na interpretação.
Para os especialistas, uma determinada obra tende a refletir uma integração de forma e significado
enquanto que, para os iniciantes, é difícil promover uma conexão entre esses dois aspectos, e a autora
traz o professor como um dos responsáveis dessa falta de habilidade que o educando tem em fazer esta
conexão.
Uma das propostas apresentada por BARBOSA (apud FRANZ, 2003), é que se relacione melhor o
ensino da história da arte, as práticas dos ateliês e leitura de imagem.
[...] A metodologia utilizada para a leitura de uma obra de arte varia de acordo com o
conhecimento anterior do professor, podendo ser estética, semiologia, iconológica,
princípios da Gestalt, etc. [...] porque os professores de arte estão produzindo a
análise ou apreciação artística a um jogo de questões e respostas (p.205).
Conforme FRANZ (2003) nos apresenta, os iniciantes freqüentemente utilizam algumas “estratégias”
quando se deparam com as interpretações sobre obras de arte, por exemplo:
a)
b)
c)
continuam tentando uma resposta alternativa;
procedem com uma suposição;
desistem.
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E alguns iniciantes adultos alegam que essa “incapacidade” de compreensão é devido à “falhas do
artista”.
A autora sugere que devemos dar suporte de informação adicional, podendo ser: “[...] colocar os
alunos em contato com o que pesquisadores de vários campos do saber (os âmbitos) disseram sobre as
questões que envolvem a compreensão desta pintura” (p.208).
Devemos promover investigações que venham permitir ao educando altos níveis de compreensão de
arte, mas não basta trabalharmos com disciplinas isoladamente, mas sim, propiciar links e dessa maneira eles
poderão co relacionar a necessidade que há em compreenderem o que aprenderam, sendo assim:
Os alunos devem aprender a interpretar, transformar e aplicar seus conhecimentos
em contextos diversos; devem conectar os fragmentos de informação que possuem
de forma apropriada, porque se não for assim, podem resultar em compreensão
errônea e prejudicar a aprendizagem futura (FRANZ, 2003, p.213).
Há, segundo a autora, professores cujo conhecimento é superficial, não alcançando parâmetros
suficientes para relacionar os assuntos, assim como há os professores mais experientes que conseguem dar
ênfase aos significados interpretativos e conectarem-se as experiências prévias dos educandos.
KOROSCIK (apud FRANZ, 2003), sugere que reflitamos se:
a) Meu conhecimento de arte era inadequado?
b) Eu usei estratégias ineficientes para transferir meu conhecimento prévio às observações que
fiz sobre a obra de arte em questão?
c) Fiz uso de critérios inadequados ou suposições errôneas sobra arte?
Isso faz com que reflitamos mais, antes de entrar em uma sala de aula, até porque o autor ainda
comenta que nós professores, muitas vezes ignoramos a história da arte e simplificamos
demasiadamente os aspectos interpretativos da arte, formando assim, educandos menos reflexivos.
Uma das maneiras de ampliarmos os nossos conhecimentos, entre tantos, é permitir a livre troca de
idéias, o que requer, segundo WISKE (apud FRANZ, 2003),é uma negociação aberta e explícita sobre o que
realmente é o conhecimento, como ele é desenvolvido e defendido, que valor possui e como é avaliado.
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