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Segunda-feira, 07-09-2015
Edição às 08h30
Directora
Graça Franco
Editor
Raul santos
"A sociedade europeia está a
ensinar aos governos o que
eles devem fazer"
Ajuda aos refugiados na
Hungria faz-se também em
português
Bispos portugueses reúnemse com o Papa em Roma
Costa quer repor cortes de
salários na função pública e as
35 horas semanais
Arranca segunda
fase de
candidaturas ao
ensino superior
Produtores de leite
em protesto.
Bruxelas discute
ajudas ao sector
Hamilton continua Seleccionador
a dominar Fórmula albanês “ameaça”
1
votar em Messi se
Cristiano Ronaldo
não tiver “calma”
Soares visita
Sócrates em dia de
aniversário do
antigo primeiroministro. "Está
muito bem"
Jogo português
"eQubes" conquista
primeiro lugar na
AppStore
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Segunda-feira, 07-09-2015
"A sociedade
europeia está a
ensinar aos governos
o que eles devem
fazer"
Entrevista à Renascença, do Alto Comissário
da ONU para os Refugiados, António
Guterres.
Por Raquel Abecasis e Eunice Lourenço
António Guterres está a poucos meses de deixar o
cargo no serviço das Nações Unidas para os
Refugiados. Ao longo destes dez anos, assistiu a um
aumento dramático dos número de deslocados no
mundo por causa de guerras e perseguições. Foi com
pena que viu as acções dos governos europeus serem
decididas pelo medo, mas a sua esperança está na
sociedade civil que, diz, está a empurrar os receios para
um canto e a mostrar aos governos o que devem fazer.
Em entrevista à Renascença, Guterres lamenta as
atitudes de vários governos da União Europeia, diz o
que deve ser feito para acolher os milhares de sírios
que chegam à Europa e elogia a criação em Portugal da
Plataforma de Apoio aos Refugiados.
Na sexta-feira disse que a Europa não pode ficar pelas
mudanças de pequenos passos, que tem de dar um
salto na forma como está a lidar com a crise em curso.
Que salto deve ser esse?
Temos, neste momento, cerca de quatro mil pessoas
que chegam todos os dias à Grécia e depois quatro mil
pessoas que atravessam a fronteira entre a Grécia e a
Macedonia, entre a Macedónia e a Sérvia, entre a Sérvia
e a Hungria e, como se tem reparado, não há nenhuns
preparativos para receber as pessoas, para as registar,
para verificar as suas necessidades. A assitência é
completamente insuficente e desorganizada e, depois,
cada país toma medidas, umas diferentes das dos
outros, que causam, em certas situações, como
aconteceu, recentemente, na Hungria, como tinha
acontecido na Macedónia, bloqueios, situações de
tensão, de violência, o que para populações como as
que fugiram da Síria - com as condições dramáticas
que todos conhecemos, famlilias com casas destruidas,
com membros mortos, com sofrimento enorme - , é
verdadeiramente inadmissivel e a Europa tem a
obrigação de oferecer um mecanismo eficaz de
recepção, de triagem de necessidades e de registo e,
depois, com a disponibildiade necessária de todos os
países europeus, de receber estas pessoas com
dignidade e lhes proporcionar um futuro.
Quatro mil por dia parece muito, mas não esqueçamos
que estamos numa Europa que tem, só na União
Europeia, 508 milhões de habitantes e até agora
chegaram cerca de 300 e tal mil pessoas. O Líbano
sozinho tem um terço da população refugiada neste
momento. Se a Europa estiver organizada isto é
perfeitamente gerivel. Para isso, é preciso que a União,
os Estados membros ponham na Grécia, na Hungria e
na Itália instalações de recepção adequadas que dêem
a assitencia que é necessária, o número de pessoas
suficiente para registar, para detectar quem tem
necessidades de protecção e depois haja um
mecanismo de relocalização para todos os Estados
europeus de todos aqueles que forem reconhecidos
como verdadeiros refugiados ou com necessidaddes
de acordo com a lei internacional.
Com a dimensão da União Europeia será relativamente
fácil, com a participação de todos, ter uma distribuição
equitativa e evitar a situação actual em que
praticamente são a Alemanha, a Suécia e mais um ou
dois países que estão a fazer todo o esforço.
E essa maior abertura desses países pode vir a fazer a
diferença e a fazer com que a UE dê esse passo de
responsabilidade?
A minha grande esperança, neste momento, para além
do exemplo da Alemanha - e todos devemos prestar
homangem à chanceler Merkel pela frontalidade das
suas posições, quer a garantir acolhimento de
refugiados, quer na forma como condenou
veementemente manifestações de xenofobia que,
embora com caracter marginal e minoritário,
ocorreram na Alemanha. É essa coragem que falta a
muitos dos agentes políticos - é a sociedade civil. A
verdade é que estamos a assistir na Europa a um
momento de viragem nas opiniões públicas.
Em Portugal, criou-se uma Plataforma de Ajuda aos
Refugiados com dezenas de organizações, os meus
amigos do Conselho Português de Refugiados têm
recebido milhares e milhares de telefonemas de
famílias que estão disponíveis para receber sírios; em
Espanha há uma mobilização enorme da sociedade
civil; na Inglaterra, os tablóides de repente
transformaram-se em jornais de defesa dos refugiados;
na própria Hungria as populações nas ruas oferecem
água e alimentos aos refugiados, na Austria uma
recepção admirável, na Baviera tambem ... Sinto que
há, de repente, uma enorme comoção europeia e todos
os sentimentos de solidariedade, toda a força dos
valores que são valores europeus de compaixão, de
solidariedade ... isso para mim é a grande esperança.
Isto porque os governos obviamente, em muitas
circunstâncias, têm agido da forma restritiva como têm
agido porque têm medo dos aprtidos mais à direita
com posições xenofobas; os governos agora têm de
reconhecer que as coisas estão a mudar e que a
sociedade europeia está ela própria a assumir os
valores europeus e a ensinar aos governos o que eles
devem fazer.
E o que fez mudar as opiniões públicas? Acha que são
estas imagens mais recentes e sobretudo a fotografia
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Segunda-feira, 07-09-2015
do menino sirio que deu a volta ao mundo?
Acho que as pessoas vêem as coisas de forma diferente
também em função da distância. Neste momento,
estas tragédias bateram-nos à porta e tem havido uma
mobilização gigantesca da comunicação social, que
tem tido um papel extremamente positivo, mostrando
essa realidade, uma realidade que é extremamente
próxima e que se liga às nosssas responsabilidades, à
responsabildaide de cada um de nós como cidadão
europeu. Isso funcionou em pleno e foi uma espécie de
rebate de consciência que se está a propagar de forma
impressionante na sociedade civil europeia e para a
qual obviamente aquela tragédia da familia curda
contribuiu. Mas penso que não foi um factor apenas,
acho que é o conjunto de todas estas situações.
De alguma forma, quando olhamos para a fase
europeia actual vemos que há contradições nas
emoções com as quais políticos e comunicação social
jogam. Há medo, receios, inseguranças por causa da
situação económica, por causa das manifestações
terroristas e que levam a que aquelas que defendem
perspectivas xenófobas, racistas, contra os estrangeiros
procurem explorar esses sentimentos de medo, essas
emoções de receio. Mas, por outro lado, há em todos os
seres humanos, a compaixão, a solidareidade, o
sentimento de ver o próximo sofrer e se mobilizar para
o ajduar. Acho que, neste momento, esta segunda
tendência está a triunfar e está a pôr de lado, a
empurrar para o canto todas essas manfiestações tão
negativas que, infelizmente, estavam a verificar-se na
sociedade europeia e a justificarem muitas politicas
restritivas, muitas acções menos em conformidade
com os principios da humanidade que alguns
governos europeus foram tomando.
O que é que desejaria que a União Europeia fizesse
como um todo?
O que temos defendido e que esperamos que o
Conselho de Ministros de Assuntos Internos de dia 14
possa compreender e aceitar é a necessidade de, na
Grécia, na Hungria e na Itália, ter centros de recepção
com capacidade para acolher as pessoas, para lhes dar
um tratamento humano, alimentação, cudiados de
saúde, as coisas básicas que as pessoas neessitam
numa situação destas e, ao mesmo tempo, isso seja
feito num ambiente acolhedor. A pior coisa que pode
acontecer é chegar à Europa e sentir-se recebido com
hostilidade, com violência. Centros de recepção como
existem em muitas outras partes do mundo onde estas
coisas têm acontecido. A grande maioria, 86 por cento
dos refugiados do mundo estão no mundo
subdesenvolvido ou em vias de desenvolvimento.
Em relação à migração económica, haverá
seguramente oportunidade de imigração legal que
podem ser obtidas, mas também haverá o direitos dos
Estados que não queiram receber os migrantes de os
enviar de volta para os países de origem, desde que o
façam com dignidade e dentro do respeito pelos
direitos humanos. Em relação àqueles que fogem de
situações de conflito, então precisamos de um
mecanismo massivo para receber, na nossa estimativa
para o período de 2016, 200 mil pessoas, a partir de
esses centros de recepção na Grécia, na Hungria, na
Itália e com uma chave de repartição de acordo com as
possibilidades de cada país.
Naturalmente, que a Alemanha desempenhará sempre
um papel muito importante e países como Portugal e a
Eslováquia terão um papel muito mais reduzido, mas
proporcionalmente às possibilidades de cada país e de
acordo com critérios objectivos, é preciso fazer com
que toda a Europa se mobilize para receber estes
refugiados. À escala dos problemas que hoje temos no
mundo, com a dimensão da União Europeia, isto é
uma situação perfeitamente gerível se todos estiverem
envolvidos e empenhados.
Para além disso, é preciso criar oportunidades legais de
chegar à Europa sem ser através dessas redes de
contrabandistas que são redes de gangsters, que
maltratam as pessoas e isso tem a ver com as políticas
de vistos que têm de ser mais flexiveis, com a
oportunidade de bolsas de estudo para estudantes
sirios na Europa, tem a ver com a chamada
reinstalação ou a dimensão humanitária para as quais
já existe um programa mais reduzido, que permtie
trazer gente do Líbano, da Jordânia, da Turquia,
particularmente os mais vulneráveis para países
europeus, para os Estados Unidos da América e para o
Canadá.
São também necessárias formas de reunificação
familiar. Muita gente tem parte da família na Europa,
parte na Turquia. Ter mecanismos que permtiam que
as famílias se reúnam é da mais óbvia humanidade.
Com o desenvolvimento desses mecanismos legais,
diminui-se muito as oportunidades para a actuação
destes grupos de gangsters que são os oferecem estes
serviços. Verdadeiramente trata-se de um tratamento
indigno das pessoas, mas oferecem a oportunidade às
pessoas de, com todos os riscos e com todas as
violações dos seus direitos, chegar à Europa.
Em Portugal, foi criada uma Plataforma de apoio aos
refugiados, que pretende coordenar a resposta da
sociedade civil. Que conselhos têm a dar às instituições
e famílias que se disponibilizam para acolher
refugiados?
Não tenho conselhos a dar, só tenho que exprimir a
minha enorme satisfação por ver a sociedade civil
portuguesa, tal como as outras, assumir a liderança e
mostrar aos governos o caminho que eles próprios têm
de percorrer. Agora, vai ser preciso organizar
devidamente as coisas e não é fácil integrar pessoas de
lingua diferente, de cultura diferente. Há todo um
conjunto de precauções e de medidas a tomar, mas
pelo que tenho visto - ainda ontem estive a ver com
cuidado o website da Plataforma - há uma consciência
muito clara do que é preciso fazer e uma vontade muito
grande de agir com toda a correcção e toda a eficácia e
só desejo o maior êxito a todas estas iniciativas. E
também aos poderes públicos, tanto a nivel central
como local, que se associem à cociedade civil para que
aqueles sírios que venham para Portugal possam
sentir-se bem na sociedade portuguesa e possam
reconstruir aqui as suas vidas.
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Segunda-feira, 07-09-2015
Ajuda aos refugiados
na Hungria faz-se
também em
português
Merkel liberta mais
de seis mil milhões
de euros para apoiar
refugiados
A Renascença está na Hungria. Milhares de
pessoas chegam aqui mas este é apenas um
ponto de passagem. O destino final é a
Alemanha.
Líderes partidários concordaram na
aceleração dos procedimentos para os
pedidos de asilo e na construção de centros
de acolhimento para refugiados vindos do
Médio Oriente e Norte de África.
Foto: Zsolt Szigetvary/EPA
Por João Cunha, em Budapeste
Fábio Alves está na praça fronteira à estação ferroviária
de Kelleti, em Budapeste. Sábado à noite, jogou à bola e
brincou com algumas das crianças sírias que por aqui
se encontram.
Estão sob olhar atento dos pais, enquanto dezenas de
húngaros, residente nas capital, entregam comida e
amontoam roupa e sapatos, oferecidos por outros
tantos, para ajudar quem precisa.
Estes refugiados, que aqui passaram a noite, não são
agora mais de uma centena. Decidiram não fazer o
mesmo, ontem, que outros tantos, que saíram da
cidade a pé, rumo à Áustria, pela principal auto-estrada
do país.
Fábio, brasileiro com raízes em Trás-os-Montes e a
trabalhar há quase um ano em Budapeste, não ajudou
só as crianças sírias..
“Sem esperar, ajudámos o Davide, um jovem afegão de
20 anos, que está a viajar há um mês. Ele estava muito
preocupado com o irmão e emprestámos o meu
telemóvel para ele ligar para o Afeganistão”, descreve
Fábio.
O seu lado está a amiga Rafaela Baena, também ela
com raízes portuguesas, na zona de Leiria. Rafaela
questiona-se sobre a capacidade da Alemanha acolher
todos os que desejam ter uma vida dentro das suas
fronteiras.
Tenha ou não capacidade, no sábado foram muitos os
refugiados que saíram da estação de comboio, em
Keleti, em direcção à Áustria, tendo por destino final a
Alemanha. Muitos mais ainda vão chegar a Keleti o
destino pretendido o mesmo.
Foto: Jan Woitas/EPA
O governo alemão decidiu libertar 3,35 mil milhões de
euros em fundos para os estados federais e os
municípios para ajudar a lidar com a vaga de migração
que tem acedido ao país, afirmou esta segunda-feira
um comunicado da coligação do governo.
Numa reunião das altas instâncias governamentais que
durou mais do que cinco horas, os líderes partidários
concordaram numa serie de outras medidas, desde a
aceleração dos procedimentos para os pedidos de asilo
à facilitação da construção de abrigos para refugiados.
Além dos 3, 35 mil milhões de euros estipulados para os
estados e municípios, o governo está a planear libertar
mais 3 mil milhões de euros para financiar as suas
próprias despesas, tal como pagar subsídios para os
migrantes que procuram asilo, disse o comunicado,
citado na agência Reuters.
O acordo inclui o alargamento da lista de países
considerados “seguros” para incluir o Kosovo, a Albânia
e o Montenegro. Já nessa categoria estão incluídos
países como a Sérvia, a Macedónia e a Bósnia. O
objectivo é acelerar os procedimentos de asilo e
extradição para os migrantes da Europa do sul, para
conseguir focar as atenções nos refugiados de países
como a Síria, o Iraque e o Afeganistão.
A reunião da coligação alemã ocorreu no final de uma
semana que viu entrarem 18 mil refugiados no país
depois de a Alemanha e a Áustria terem acordado com
a Hungria a livre passagem de refugiados pelas suas
fronteiras, à revelia das regras europeias, que
estabelecem que os migrantes devem pedir asilo no
primeiro país da União Europeia a que chegam.
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Segunda-feira, 07-09-2015
CONVERSAS CRUZADAS
Crise dos refugiados.
“Merkel tem sido
exemplar”
No programa "Conversas Cruzadas", da
Renascença, a política comum de asilo
defendida por Alemanha e França é elogiada
por Azeredo Lopes. “Refugiados só procuram
vida, não uma vida melhor”, nota Mónica
Ferro.
Refugiados partem em comboio de Budapeste para a Áustria. Foto:
Boris Roessler/EPA
Por José Bastos
É a decisão crucial para abrir o novo capítulo do
acolhimento de refugiados na Europa. A Agência
Federal de Migração e Refugiados adopta, desde o
início de Setembro, a medida, mais favorável para os
milhares de sírios que demandam a Alemanha em fuga
da guerra. A Agência de Nuremberga aplica o decreto
que deixa de devolver aos países de entrada os
requerentes de asilo.
O decreto significa, na prática, suspender
unilateralmente a aplicação do protocolo de Dublin e
anula também os procedimentos de expulsão em
tramitação. Em causa refugiados que chegaram à
Alemanha a partir da Grécia e Itália.
De acordo com o protocolo de Dublin, o primeiro país
ao qual os refugiados chegam ao entrar na União
Europeia será responsável por todo o processo de asilo.
O documento está assinado por todos os estados
membros, mais a Noruega, Islândia, Suíça e
Liechtenstein.
No meio das críticas à falta de acção da União Europeia
face aos refugiados, em fuga das várias tragédias do
Médio Oriente e África, a decisão alemã constitui o
ponto de viragem na crise.
José Azeredo Lopes, professor da Universidade
Católica Portuguesa, elogia a medida tomada pela
maior potência da União Europeia.
“A verdade é que a Alemanha tem sido exemplar”,
afirma o especialista em Direito Internacional, no
"Conversas Cruzadas" especial sobre a crise de
refugiados.
“Independentemente do que possamos pensar da
senhora Merkel noutros domínios – e eu não penso
bem – acho que ela tem sido a líder, de longe, mais
exemplar no plano europeu”, nota.
“Exemplar pela forma como tem conseguido enfrentar
esta questão e pelo modo como, sem qualquer
ambiguidade não tem compactuado com a tibieza e,
sobretudo, com a cobardia de muitos. Daqueles que
quando precisam estão sempre a bater à porta, mas
quando outros precisam invocam qualquer pretexto
para o não fazer”, diz Azeredo Lopes.
A deputada Mónica Ferro, coordenadora do Grupo
Parlamentar Português sobre População e
Desenvolvimento, acentua a necessidade da Europa
assumir os seus valores essenciais.
“Há uma série de dados que foram politizando um
debate que não era político. Por exemplo, a introdução
de uma narrativa securitária: os constantes sinais de
alerta para a ideia de que no meio destes milhares de
pessoas poderíamos ter infiltrados jihadistas que
viriam cometer atentados na Europa”, afirma Mónica
Ferro.
Mónica Ferro: “São milhares em busca de.... uma vida”
“São milhares de pessoas em busca não de uma vida
melhor, mas sim em busca de... uma vida. Isto só tem
um objectivo: minar aquele que era um dos valores
fundacionais da Europa e que é o valor da
solidariedade”, afirma a professora do Instituto Superior
de Ciências políticas da Universidade de Lisboa.
“Aí, partilho de alguma inquietação em relação às
quotas obrigatórias. Confesso precisar de reflectir um
pouco mais sobre a matéria, mas é uma disposição
que, à partida, não me repugna. A Alemanha e a França
apareceram a apoiá-la quando não eram adeptos de
primeira linha”, faz notar Mónica Ferro.
José Azeredo Lopes elogia a posição de Paris.
“Concordo e, talvez, seja mais surpreendente a posição
da França. Considerando que por cada dois
requerentes de protecção internacional que batem à
porta da Alemanha, pelo menos, um vê o pedido aceite
já em França apenas um em cada três o consegue”,
sustenta o professor de Direito Internacional.
Mónica Ferro adiciona argumentos. “Sublinho um dado
que usei por estes dias. Um número que causou
alguma surpresa. Foi o de dizer que se nós
deixássemos entrar os 280 mil que, há semanas,
estavam a tentar aceder à Europa – que tem 508
milhões de pessoas – isso significaria 0,07% da
população europeia”, relativiza a deputada.
Azeredo Lopes: “UE tem capacidade para atalhar
problema na fonte?”
Na emissão de "Conversas Cruzadas", Azeredo Lopes
equaciona várias dimensões do desafio colocado à
Europa por esta crise dos refugiados a entrar num
ponto de não retrocesso.
“Há agora várias questões com que nos veremos
confrontados de uma vez por todas”, alerta.
“Primeiro: aceitamos ou consideramos mau o princípio
das quotas obrigatórias? Confesso ter algumas dúvidas,
mas esta é claramente a orientação ‘do dia’ uma vez
que o ACNUR entende que a União Europeia deve, pelo
menos, albergar 200 mil pessoas nas quotas
obrigatórias”, prossegue Azeredo Lopes.
“Já o senhor Juncker, para variar, está sempre atrás e
fala apenas de 120 mil para acrescentar aos 32.256 que,
a muito custo, foram arrancados aos estados na
cimeira de Julho último”, nota.
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Segunda-feira, 07-09-2015
“Segunda grande questão: quem deve enfrentar o
problema? É, de uma vez por todas, um problema
europeu ou não é? Isto porque mais de 72% dos pedidos
de asilo são tratados em apenas cinco dos 28 Estados.
Independentemente da análise do estado português
poder acolher três mil pessoas, é bom ter a noção de
que a Alemanha pode chegar às 800 mil”.
“Significa que mesmo proporcionalmente o esforço de
vários – poucos – países europeus é infinitamente
superior ao esforço de países mesmo pequenos como
Portugal”, sustenta.
“Em terceiro lugar: para acelerar e enfrentar os casos
mais graves – são todos, mas mais graves – é ou não
desejável uma lista de países onde, em princípio, o
requerente que deles provenha não tenha direito a
pedir asilo político? Isto acontece, sobretudo, em
relação aos países dos Balcãs, Kosovo, Macedónia, a
própria Sérvia, onde o requerente, por vezes, pede a
protecção internacional por razões económicas”,
afirma José Azeredo Lopes.
“Finalmente: tem ou não a União Europeia a
capacidade para atalhar o problema na fonte? É ou não
preferível estancar o fluxo na origem – e não pode ser
só à bomba – nem sequer permitir que o mercado da
criminalidade se financie à nossa custa? Mercado da
criminalidade que, depois, nos vai atacar
nomeadamente o controlado pelo Estado Islâmico”,
alerta.
“Porque esta gente é primeiro vilipendiada, violada e
explorada, por exemplo, por gangues e pelo Estado
Islâmico e vem depois, sem nada, bater-nos à porta
suscitando, evidentemente, questões de humanidade
básica que me dispenso de desenvolver”, afirma
Azeredo Lopes.
Mónica Ferro: “Temos de saber acolher”
Como tentar então suavizar as consequências da crise
migratória e de refugiados? Como confrontar a Europa
com a necessidade de soluções arrojadas e
ambiciosas? Mónica Ferro aponta caminhos.
“Claro que estas crises têm de ser tratadas a montante
como é evidente. Temos de combater as causas
profundas dos conflitos e temos de os trabalhar na
origem”, diz.
“Nas causas estão sempre as desigualdades, se quiser,
numa palavra, a pobreza. A solução passa sempre por
trabalhar com os países de onde estas pessoas são
originárias. Não tenho dúvida de que, por todas as
razões, seria aí que prefeririam viver. Temos de
trabalhar no sentido de criar sociedades mais pacíficas
e mais estáveis. O processo tem duas facetas: do
desenvolvimento, mas também da segurança”, indica.
“Estamos a falar de países onde o estado ou não existe
ou está a ser questionado de forma muito violenta por
grupos que tentam capturar o poder, entre os quais, o
Estado Islâmico. Portanto tem de haver aqui um
trabalho de quase prevenção destes fluxos. Quando
estes fluxos acontecem temos de os saber acolher”, faz
notar Mónica Ferro.
“Há aqui uma dupla tarefa. Na origem segurança e
desenvolvimento e na recepção uma grande
preocupação humanitária de reinstalação e
reintegração destas pessoas”, conclui a vice presidente
do Fórum Europeu de Parlamentares sobre População e
Desenvolvimento.
Azeredo Lopes: “Ocidente devia ter vergonha na cara”
Durante todo o verão o debate da crise oscilava em
termos que confrontavam a segurança exigida à
solidariedade necessária. Não mais. José Azeredo
Lopes enumera erros de avaliação e causas de um
problema que exige soluções globais, estruturais com
medidas estratégicas e económicas. O momento é
também de reflexão profunda sobre erros próprios e
alheios.
“O Ocidente devia enfrentar a questão, e desde logo, ter
um bocadinho de vergonha na cara para perceber a
origem do problema. Está em muitos espaços onde
interviemos e lançamos o caos”, afirma Azeredo Lopes.
“Se pensar no Iraque, se pensar na forma como fomos
interpretando o que devia ser a primavera árabe, se
pensar na Síria e se eu pensar na Líbia (dois casos de
intervenção directa ou indirecta de muitos dos estados
da União Europeia e Estados Unidos) então talvez
devêssemos encarar a questão da segurança na gestão
das situações pós-conflituais”, analisa.
“Somos – no Ocidente - bastante bons a teorizar sobre
a vontade de intervir e de instalar a democracia. Somos
bastante menos bons na prática, porque, normalmente,
só fazemos disparates”, diz o professor de Direito
Internacional.
“Basta ver o caso da Síria onde fizemos tudo para
derrubar Assad e agora fazemos tudo – fingindo que
não o fazemos – para que não caia, porque se cair
então é que vai ser uma questão interessante”, ironiza.
Incapacidade de perceber o Médio Oriente?
“Temos uma visão muito primária, quase infantil, de
que não nos conseguimos libertar. A de que se
interviermos num sítio estamos necessariamente a
actuar em favor do bem contra o mal. Ora, esse sítio,
normalmente, está infestado de maus."
“Não só está infestado de maus como a intervenção
tem um efeito reactivo que desencadeia o surgimento
de mais maus. Se formos ver as rotas do Mediterrâneo e
quem, actualmente, se financia com esta tragédia
porventura temos que pensar numa intervenção militar
localizada. Não estou a falar em ataques a cidades ou
do género”, esclarece Azeredo Lopes.
“Refiro uma intervenção localizada – já foi préanunciada, mas abortou por não ter apoio no Conselho
de Segurança da ONU – que, pelo menos, significaria,
um golpe a estes grupos criminosos. Estancava-se a
acção de grupos armados que estão a enriquecer, de
alguma forma, à custa de centenas de milhares de
pessoas”, afirma.
“Grupos que estão a reforçar o seu poder que,
evidentemente, mais tarde vai ser usado contra nós”,
alerta Azeredo Lopes.
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Segunda-feira, 07-09-2015
Vaticano acolhe duas
familias de
refugiados e Papa
pede que cada
paróquia faça o
mesmo
Guia. O que posso
fazer para ajudar os
refugiados?
Muitos portugueses questionam-se sobre o
que podem fazer para ajudar. A Renascença
preparou um guia prático.
Apelo foi feito este domingo na Praça de São
Pedro.
O Papa renova o apelo para o acolhimento de
refugiados. Este domingo, na Praça de São Pedro,
Francisco pediu "que cada paróquia, comunidade
religiosa, mosteiro, santuário da Europa acolha uma
família". O Papa acrescentou que o pedido começará
por ter efeito bem perto: "Também as duas paróquias
do Vaticano irão acolher por estes dias duas famílias de
refugiados."
Segundo o Papa, “perante a tragédia de dezenas de
milhares de deslocados que fogem da morte pela
guerra e pela fomeprocuram uma esperança de vida, o
Evangelho chama-nos e pede-nos que sejamos
próximos dos mais pequenos e abandonados".
"Não basta dizer: 'coragem, paciência'. A esperança
cristã é combativa com a tenacidade de quem vai em
direcção a uma meta segura", acrescentou.
Francisco lembrou que se aproximao Jubileu da
Misericórdia e sugere o seguinte: "dirijo um apelo às
paróquias, às comunidades religiosas, aos mosteiros e
aos santuários de toda a Europa para exprimirem o lado
concreto do evangelho e acolherem uma família de
refugiados, um gesto concreto como preparação do
ano Santo da Misericórdia."
O Papa deixou votos de que os bispos da Europa
apoiem este seu pedido nas várias dioceses,
“recordando que a Misericórdia é o segundo nome do
Amor”.
Na tradicional catequese, Francisco pediu que os
católicos não vivam fechados em si próprios, criando
“ilhas inacessíveis e inóspitas”, recordando o “milagre”
com que Jesus cura “da surdez do egoísmo e do
mutismo do encerramento”.
Refugiados na Sérvia à espera de chegar à Hungria. Foto: Djodje
Savic/EPA
Por Matilde Torres Pereira
Há várias maneiras de agir, desde abrir a casa ao
acolhimento de famílias, fazer uma doação em
dinheiro ou bens ou até dar aulas de português para
ajudar à integração dos refugiados. A Renascença
elaborou um pequeno guia com alguns exemplos do
que se pode fazer.
A UNICEF Portugal aceita donativos em dinheiro, tal
como a maioria das organizações que já têm larga
experiencia em trabalhar nestas situações de crise
humanitária, como os Médicos Sem Fronteiras, o
Serviço Jesuíta aos Refugiados, a Cáritas ou a Cruz
Vermelha.
A nova Plataforma de Apoio aos Refugiados é um bom
ponto de partida.
Faça uma doação
Para a UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a
Infância) pode aceder a este site para fazer um
donativo em dinheiro, que a organização explica para
onde vai ser canalizado.
Os Médicos Sem Fronteiras têm um site próprio só para
donativos. Se quiser especificar para onde quer enviar
o seu dinheiro – por exemplo, para o alívio das
condições humanitárias nos campos de refugiados em
Calais, em França, ou na fronteira da Hungria com a
Áustria, pode telefonar para (212) 763-5779 ou enviar
um email para [email protected].
O Serviço Jesuíta aos Refugiados opera em todo o
mundo e dedica-se em Portugal ao acolhimento de
refugiados de diversas proveniências. Aceita
transferências bancárias para o NIB
0036.0071.99100093831.32 (Montepio). Pode enviar
também cheque/vale postal dirigido a JRS-Portugal
Serviço Jesuíta aos Refugiados, Rua Rogério de Moura,
Lote 59, Alto do Lumiar, 1750-342 Lisboa.
A Cáritas está a trabalhar activamente no terreno com
as centenas de migrantes que afluem todos os dias à
Europa. Pode enviar o seu donativo aqui.
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Segunda-feira, 07-09-2015
A Cruz Vermelha Internacional também recebe
donativos no site.
Faça voluntariado e/ou doação de bens
Alternativamente, pode dedicar algum do seu tempo a
ajudar na prática. Pode envolver-se com as associações
no terreno, como as acima referidas, ou, em Portugal,
pode falar para o Conselho Português para os
Refugiados (CPR), cujo objectivo principal é promover
uma política de asilo mais huma¬na e liberal, a nível
nacional e internacional. É o "parceiro operacional" do
Alto Comissariado das Nações Unidas para os
Refugiados (ACNUR) para Portugal.
O CPR tem dois centros de acolhimento em Portugal e
precisa sempre de alimentos não perecíveis. Estão
também à procura de voluntários, e neste momento a
prioridade vai para professores que ensinem os
refugiados a falar em português.
Além disso, o CPR já recebeu ofertas de mais de 100
famílias portuguesas que se dispuseram a receber
refugiados em suas casas. Se quiser inscrever-se para
acolher cidadãos sírios, iraquianos, afegãos e por aí
fora, pode enviar a sua proposta para [email protected].
Um grupo de amigos alemães criou espontaneamente
a associação "Refugees Welcome", que se está a tornar
numa espécie de "AirBnB para refugiados". Uma rede
similar pode chegar a Portugal.
Compre bens específicos para os mais necessitados
A Amazon disponibilizou uma "wishlist" para as
pessoas comprarem bens como sapatos e sacos-cama
para serem enviados para Calais, onde milhares de
pessoas se encontram bloqueadas num campo de
refugiados que já recebeu a alcunha de "a Selva" por
parte das autoridades francesas e britânicas.
Pode organizar uma recolha de roupa e alimentos no
seu bairro ou local de trabalho e entrar em contacto
com organizações como a Cáritas para fazer uma
doação em género.
Assine uma petição
Existem várias petições que querem chamar a atenção
dos legisladores para esta crise humanitária sem
precedentes. Entre elas, um par de exemplos:
- Portugal pode aceitar mais refugiados
- Acabar com a morte e sofrimento nas fronteiras
europeias da Amnistia Internacional
Pode sempre criar a sua própria petição, inscrever-se
como voluntário ou simplesmente ajudar a partilhar as
notícias que chegam das fronteiras europeias.
Quase 300 mil migrantes e refugiados chegaram este
ano à Europa pelo mar Mediterrâneo, anunciou esta
semana a agência da ONU para os refugiados. Estimase que as chegadas vão continuar a um ritmo de três
mil pessoas por dia.
V+ INFORMAÇÃO
Os comboios dos
desesperados e as
obrigações da
Europa
Neste noticiário: Alemanha vai disponibilizar
6 mil milhões de euros para ajuda aos
refugiados que continuam a sair da Hungria;
Guterres diz que é "obrigação" da Europa
fazer mais para acolher os que fogem;
produtores de leite protestam em Bruxelas;
arranca 2ª fase de candidaturas ao ensino
superior; Gulbenkian quer evitar 50 mil
novos casos de diabetes.
Por Catarina Santos
Bispos portugueses
reúnem-se com o
Papa em Roma
Visita "ad limina" inclui apresentação de
relatório sobre o estado das dioceses. Visita a
Portugal em 2017, no centenário das
Aparições de Fátima, pode ser discutida.
Foto: EPA
Os bispos portugueses reúnem-se esta segunda-feira
com o Papa, em Roma, no âmbito da tradicional visita
"ad limina" que inclui encontros com responsáveis de
congregações e conselhos pontifícios.
A visita "ad limina" é a visita que cada bispo diocesano
deve fazer a Roma, o que geralmente acontece de
cinco em cinco anos e por conferência episcopal, na
qual apresenta ao Papa o relatório sobre o estado da
respectiva diocese e da Igreja no seu país.
Segundo a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), o
Papa vai receber os bispos em dois grupos, estando a
primeira audiência agendada entre as 9h30 e as 11h00
9
Segunda-feira, 07-09-2015
(hora local) com os prelados das províncias
eclesiásticas de Lisboa e Évora, e o bispo das Forças
Armadas e de Segurança.
Segue-se a audiência com o segundo grupo de bispos
portugueses, da Província Eclesiástica de Braga,
culminando num encontro geral, às 12h30 (menos uma
hora em Lisboa), no qual o Papa vai discursar perante
os 38 bispos que se deslocam a Roma, diocesanos,
auxiliares, um coadjutor e eméritos.
Na quarta-feira, os bispos estão de novo com
Francisco, na audiência geral, às 10h00.
A grande maioria dos prelados parte na sexta-feira,
sendo que a visita termina no dia 12, com a missa de
encerramento.
No programa constam encontros com responsáveis de
congregações e conselhos pontifícios, assim como
celebrações nas quatro basílicas maiores de Roma, de
São Pedro, São Paulo, São João e Santa Maria Maior.
Os bispos nacionais têm prevista uma missa na Igreja
de Santo António dos Portugueses, uma reunião com a
Cáritas Internacional e uma recepção e encontro na
Embaixada de Portugal no Vaticano.
"Como preparação para a visita, todas as dioceses e
comissões episcopais já enviaram para Roma os
respectivos relatórios", adiantou o porta-voz da CEP.
A última visita "ad limina" dos bispos portugueses
realizou-se em Novembro de 2007, era Papa Bento XVI,
e na ocasião a CEP encetou o "caminho de repensar a
pastoral da Igreja em Portugal".
O sacerdote referiu que se trata de uma iniciativa "de
comunhão e diálogo com o Papa", esperando-se que
Francisco "dê orientações para a vida da Igreja em
Portugal".
A visita a Portugal em 2017, por ocasião do centenário
das Aparições de Fátima, "é um aspecto que,
certamente, vai ser falado", acrescentou o porta-voz da
CEP.
Produtores de leite
em protesto.
Bruxelas discute
ajudas ao sector
Ministra da Agricultura, Assunção Cristas,
disse apenas esperar "bons resultados" para
os produtores de leite portugueses.
Foto: Lusa
Produtores de leite de vários Estados-membros,
incluindo Portugal, manifestam-se esta segunda-feira
em Bruxelas por ajudas ao sector em dificuldades, no
mesmo dia em que os ministros da Agricultura dos 28
se reúnem para debater a situação do mercado.
A análise dos mercados dos sectores agrícolas, com
destaque para o do leite e da carne de porco - nos quais
a Comissão Europeia reconheceu já haver
"dificuldades" - dominam a agenda da reunião dos
ministros.
Portugal e pelo menos mais três Estados-membros
defendem um aumento do preço de intervenção
pública no mercado, actualmente fixado nos 0,21
cêntimos.
Bruxelas, por seu lado, não quer decisões que afectem a
orientação para o mercado estipulada na política
agrícola comum.
Os preços pagos ao produtor têm sofrido quebras no
sector do leite, com uma conjuntura marcada pelo fim
das quotas de produção, um regime que terminou a 31
de Março - após 30 anos em vigor -, e pelo embargo da
Rússia a produtos da UE.
No sábado, em Lamego, a ministra da Agricultura,
Assunção Cristas, disse apenas esperar "bons
resultados" para os produtores de leite portugueses.
Na véspera, na sexta-feira, durante uma visita à
AgroSemana, na Póvoa de Varzim, a ministra disse
acreditar que serão encontrados mecanismos
alternativos ao fim das quotas leiteiras para proteger os
produtores nacionais.
"Vamos pedir à Comissão Europeia medidas de suporte
para este período difícil que os produtores estão a
atravessar", garantiu Assunção Cristas, afirmando que,
independentemente do desfecho da reunião de hoje,
serão tomadas mais medidas de apoio, nomeadamente
na valorização e promoção do consumo de leite.
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Segunda-feira, 07-09-2015
Arranca segunda
fase de candidaturas
ao ensino superior
Alunos de 2015-2016 já colocados nas
universidades e politécnicos públicos têm até
11 de Setembro para formalizarem a sua
entrada no ensino superior, matriculando-se
na instituição em que foram colocados.
Foto: DR
As matrículas para os alunos colocados no ensino
superior na 1.ª fase do concurso nacional de acesso
arrancam esta segunda-feira, assim como as
candidaturas à 2.ª fase para aqueles que não
conseguiram vaga ou pretendem mudar de curso.
Os caloiros de 2015-2016 já colocados nas
universidades e politécnicos públicos têm até 11 de
Setembro para formalizarem a sua entrada no ensino
superior, matriculando-se na instituição em que foram
colocados.
Aqueles que não o fizerem deixam a sua vaga livre para
ser ocupada na 2.ª fase do concurso, que decorre entre
7 e 18 de Setembro, com a apresentação de
candidaturas através do portal da Direcção-Geral do
Ensino Superior (DGES).
A 24 de Setembro são divulgados os resultados da 2.ª
fase nesse mesmo portal.
Das 50.555 vagas levadas a concurso na 1.ª fase
sobraram 8.714, que ficam agora disponíveis para a 2.ª
fase. A estas podem ainda acrescer outras para as quais
não se concretizem matrículas.
Acidente com
ambulância faz cinco
feridos em Canas de
Senhorim
Feridos foram transportados para o Hospital
de São Teotónio, em Viseu.
Uma colisão entre uma ambulância e um veículo
ligeiro de mercadorias, em Canas de Senhorim,
concelho de Nelas, provocou cinco feridos ligeiros.
Todas as vítimas do acidente viajavam na ambulância
dos bombeiros de Canas de Senhorim, que foram
transportados para o Hospital de São Teotónio, em
Viseu, disse à agência Lusa fonte do Comando Distrital
de Operações de Socorro (CDOS) de Viseu.
Na ambulância seguiam um doente e acompanhante e
três bombeiros daquela corporação de voluntários.
O acidente ocorreu, pelas 17h44, na estrada que liga
Viseu a Nelas (EN 231), na zona de São João da Lourosa,
Canas de Senhorim.
Para o local foram mobilizados 16 operacionais e meios
designadamente dos bombeiros daquela vila e dos
Municipais de Viseu, entre os quais quatro
ambulâncias e uma viatura médica de emergência e
reanimação (VMER) do Hospital de São Teotónio.
Médicos de família
dizem que aumentar
listas de utentes “é
inconsequente”
Em causa está uma proposta que
recompensa monetariamente os médicos de
família que aumentem as respectivas listas
de utentes em regiões geográficas
especialmente carenciadas no rácio entre
especialistas clínicos e doentes.
Representantes de diversas organizações médicas
concluíram este sábado, no final de um encontro, em
Lisboa, que a proposta de projecto de lei do Governo
para aumentar as listas de utentes em regiões
carenciadas "é inconsequente" e "ilude as pessoas".
O II Fórum Médico de Medicina Geral e Familiar (MGF),
promovido pela Associação Portuguesa de Medicina
Geral e Familiar (APMGF) debateu "A evolução da
reforma dos CSP - dimensão da lista de utentes do
médico de família" com representantes de diversas
organizações médicas.
Contactado pela agência Lusa, Rui Nogueira,
presidente da APMGF, disse que no encontro, foi
manifestada a oposição à proposta do Governo, e esse
consenso vai ser enviado na próxima semana em carta
11
Segunda-feira, 07-09-2015
ao Ministério da Saúde, "antes que o projecto de lei vá a
Conselho de Ministros".
Em causa está uma proposta que recompensa
monetariamente os médicos de família que aumentem
as respectivas listas de utentes em regiões geográficas
especialmente carenciadas no rácio entre especialistas
clínicos e doentes.
A adesão dos médicos é voluntária e temporária - dois
anos - visando complementar sobretudo as regiões do
Algarve, Alentejo litoral, e Grande Lisboa (Loures,
Amadora, Sintra e Cascais).
Para Rui Nogueira, o projecto "não é razoável porque,
com o aumento de consultas diárias corre-se o risco de
má prática, e será inconsequente na redução esperada,
iludindo as pessoas".
Quando a medida foi anunciada, o Governo disse que
esperava que mais 200 mil pessoas pudessem vir a
beneficiar destes profissionais de saúde.
"Não é possível aumentar mais o número de consultas
quando os médicos já estão muito acima do padrão",
comentou ainda o presidente da APMGF.
Na opinião de Rui Nogueira, só o aumento do número
de unidades e de médicos poderá reduzir os 1,2
milhões de utentes que em Portugal não têm
actualmente médico de família.
Costa quer repor
cortes de salários na
função pública e as
35 horas semanais
Líder socialista deixou fortes críticas à
coligação por estarem a esconder aquilo que
querem fazer quanto ao futuro.
António Costa à chegada a Mangualde. Foto: Nuno André
Ferreira/Lusa
O secretário-geral do PS, António Costa, promete repor
na íntegra o vencimento dos funcionários públicos em
2016 e 2017, garantindo também para a classe a
reposição imediata das 35 horas de trabalho semanais,
caso seja eleito.
"Os nossos compromissos são feitos na medida
daquilo que sabemos serem as nossas capacidades.
Por isso, dizemos: vamos repor na íntegra o
vencimento dos funcionários públicos", afirmou o líder
do PS, num jantar-comício, em Mangualde, no distrito
de Viseu.
António Costa esclareceu que a reposição na íntegra
dos vencimentos dos funcionários públicos não será
feita de imediato. "Vamos fazê-lo em 2016 e 2017,
porque só então o poderemos fazer. O nosso
compromisso é com conta, peso e medida para poder
ser cumprido", precisou.
O líder socialista deixou também a promessa de repor,
de imediato, aos funcionários públicos o horário das 35
horas semanais. "Nós dizemos sim, nós reporemos de
imediato o horário das 35 horas porque também
fizemos as contas e sabemos que podemos repor de
imediato as 35 horas na função pública", assegurou.
Ao longo do seu discurso, António Costa defendeu que
para se fazer política "é necessário ter as contas certas".
"Este programa do PS não é só um programa de
compromissos escritos: é também um programa de
contas certas. Cada uma destas medidas foi avaliada
no seu custo e no seu benefício", realçou.
No seu entender, não vale a pena prometer agora o que
não forem capazes de cumprir caso venham a ser
eleitos. "Quem confiou no actual primeiro-ministro e o
ouviu prometer que não aumentava os impostos que
aumentou, que não cortava as pensões que cortou,
como pode voltar a confiar nele nas próximas
eleições?", concluiu.
Quer ser “primeiro-ministro próximo e solidário para as
suas populações”
António Costa prometeu fazer no país o que um
presidente de câmara faz no seu concelho, caso seja
eleito nas próximas eleições legislativas, garantindo
proximidade e solidariedade às populações.
"Serei o primeiro primeiro-ministro que será no país
aquilo que cada presidente de câmara é em cada um
dos seus concelhos: um primeiro-ministro próximo e
solidário para as suas populações", disse.
Costa sublinhou que não é por ter deixado de ser
presidente de câmara que esqueceu tudo o que
aprendeu enquanto exerceu essas funções. "Quero não
só que confiem em mim para estas eleições, como
quero que continuem a confiar em mim nas eleições
seguintes", acrescentou.
O líder socialista recordou que ganhou três mandatos
para a Câmara de Lisboa, conseguindo sempre
aumentar o número de votos de eleições pata eleições.
"Sabem qual é a razão pela qual em cada eleição tive
sempre mais votos que na eleição anterior? É porque
em cada mandato fiz sempre mais do que tinha
prometido nas eleições anteriores e fui aumentando a
confiança", sublinhou.
Ao longo do seu discurso, António Costa acusou ainda
a coligação de direita de esconder aquilo que quer fazer
quanto ao futuro.
"Passaram meses a perguntar pelo nosso programa e
nosso programa está aqui, mas onde está o programa
deles? Apresentamos as contas do nosso programa,
mas onde estão as contas do programa deles?",
questionou.
O secretário-geral do PS aludiu ainda ao grande
objectivo da coligação para a legislatura, que passava
"pôr a economia a crescer e diminuir a dívida".
"Chegamos ao fim da legislatura e a economia recuou e
a dívida aumentou. Já percebemos que o forte deles
não são as contas e, por isso, não querem apresentar
contas!", sustentou.
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Segunda-feira, 07-09-2015
António Costa apontou ainda que a coligação de direita
veio dar "palpites sobre as contas do PS, onde
demonstram bem que nem se entendem sobre as
contas".
"Um diz que uma medida custa 9 mil milhões, outro 6
mil milhões e outro 14 mil milhões. Para eles é tudo a
mesma coisa: as contas não contam nada porque não
são capazes, não foram capazes e não serão capazes de
ser gente de contas certas", concluiu.
Portas pede que
“caso Sócrates” fique
fora da campanha
Líder centrista quer ainda convencer os
indecisos.
Jerónimo critica
PSD/CDS e PS por
“amedrontarem” o
povo
O secretário-geral comunista insiste que
estes partidos estão apenas “preocupados em
garantir a continuidade da política de
direita”.
Jerónimo de Sousa no encerramento da Festa do Avante, o ritual que
marca a "rentrée" comunista. Foto: José Sena Goulão/Lusa
Foto: Hugo Delgado/Lusa
O presidente do CDS, Paulo Portas, afirma que a
campanha eleitoral "é sobre política", recusando o
contágio com "casos judiciais" e pediu aos candidatos
centristas que não os comentem.
"Luto pela vitória da coligação porque não quero, como
português, que se repitam os mesmos erros, causas e
consequências, outra coisa são casos judicias. Não
quero candidatos do CDS a comentá-los. Nunca o
fizemos, nem fazemos agora. Acreditamos na
separação de poderes", afirmou.
O também vice-primeiro-ministro falava no
encerramento da Escola de Quadros do CDS, em Ofir, a
`rentrée` do partido.
"Esta campanha eleitoral é sobre política, não é sobre
casos judiciais. Fui, porventura, o deputado que mais
oposição fez ao antigo primeiro-ministro, achei que a
sua política levaria Portugal à ruína e levou mesmo",
disse.
José Sócrates está desde sexta-feira em prisão
domiciliária, em Lisboa, depois de nove meses e meio
de prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de
Évora, no âmbito da chamada Operação Marquês.
Convencer indecisos
Paulo Portas pediu ao partido que se dedique a
convencer os indecisos e apontou para as "rupturas" e
as "convulsões" geradas por eventuais acordos do PS
com o PCP e o BE.
No discurso, Portas descreveu a coligação PSD/CDS
como uma aliança que se "apresenta de forma centrada
e tem um programa moderado", em contraste com o
PS, "que se radicalizou manifestamente".
"É o PS que diz, pela primeira vez em 40 anos, que o
país pode ser governado não ao centro, mas com
acordos entre o PS e os partidos à esquerda do PS.
Legitimamente, nem o PC nem o Bloco aceitam o
quadro europeu em que estamos integrados", afirmou o
líder centrista.
"Uma instabilidade dessa natureza daria cabo da
confiança externa e da confiança interna. Peço-vos
que não deixem o país entrar em rupturas dessa
13
Segunda-feira, 07-09-2015
natureza ou convulsões dessa ordem", concluiu.
O também vice-primeiro ministro dedicou parte
substancial da sua intervenção a falar sobre os
indecisos, pedindo ao partido dedicação para os ouvir
e convencer e distinguiu vários tipos de indecisos,
sendo que nesta parte do discurso se referia a
"cidadãos que, sabendo que um país europeu
basicamente só é governável ao centro, e com
compromissos políticos e sociais, ainda não fizeram a
sua opção".
Soares visita
Sócrates em dia de
aniversário do antigo
primeiro-ministro.
"Está muito bem"
José Sócrates, que faz 58 anos, está em
prisão domiciliária desde sexta-feira.
Foto: João Porfírio/Lusa
O ex-Presidente da República Mário Soares foi este
domingo o primeiro político a visitar o ex-primeiroministro José Sócrates, em prisão domiciliária desde
sexta-feira, após mais de nove meses em prisão
preventiva na cadeia de Évora.
A visita de Mário Soares, que chegou pelas 10h00 à Rua
Abade Faria, em Lisboa, ocorre no dia de aniversário de
José Sócrates, que faz 58 anos.
Apesar de questionado pelos jornalistas à entrada do
edifício, Mário Soares escusou-se a fazer comentários
sobre o processo. Depois de quase uma hora de visita,
Já à saída, Soares afirmou estar "muito satisfeito" por
Sócrates já não se encontrar na prisão de Évora e
repetiu, por três vezes, que encontrou o ex-líder
socialista "muito bem". .
O líder histórico do PS evitou responder a quaisquer
outras perguntas sobre política e campanha eleitoral.
O ex-primeiro-ministro foi detido a 21 de Novembro de
2014, no aeroporto de Lisboa, no âmbito da "Operação
Marquês", indiciado por fraude fiscal qualificada,
branqueamento de capitais e corrupção passiva para
ato ilícito.
A decisão de alterar as medidas de coacção do antigo
primeiro-ministro, o único dos arguidos da "Operação
Marquês" que ainda estava na cadeia, foi anunciada na
sexta-feira pelo Tribunal da Comarca de Lisboa.
Os advogados de defesa de Sócrates já afirmaram ser
"insuficiente" esta alteração na medida de coação
imposta ao ex-primeiro-ministro e anunciaram que
vão recorrer da decisão.
[notícia actualizada às 11h47]
OPINIÃO
Costa nas mãos de
Sócrates?
A justiça e o líder socialista dão sinais de
separação das águas, mas Sócrates e o seu
séquito mostram que não é esse o seu
caminho.
Por Eunice Lourenço
Esta já era uma campanha eleitoral contaminada pelo
caso Sócrates e agora ainda pode ser mais. Depende
em grande parte da vontade do próprio ex-primeiroministro e os sinais que foi dando a partir de Évora não
são bons sinais para o PS.
José Sócrates colocou os seus interesses próprios
acima do interesse do PS. A sua argumentação de que é
um preso político e que todo este processo é uma
manipulação para prejudicar os socialistas e impedir o
regresso do partido ao poder só prejudicam a própria
campanha socialista e contrariam as posições públicas
de António Costa.
A mudança de José Sócrates da prisão preventiva no
estabelecimento prisional de Évora para uma casa em
Lisboa era esperada, tendo em conta a última revisão
da medida de coacção. Foi um bom sinal que tenha
acontecido esta sexta-feira e não no limite do prazo,
dia 9, data do primeiro debate entre António Costa e
Pedro Passos Coelho.
A reacção de António Costa também foi boa. Calma,
sem ser numa acção de campanha, realista,
reconhecendo a relevância mediática do caso, mas
esperando que os portugueses saibam distinguir os
planos político e judicial.
O actual líder socialista tem insistido na separação
entre a política e a justiça. Mas sabe bem que quanto
mais o caso judicial de Sócrates ocupar o espaço
público, menos atenção terão a sua campanha e o
programa socialista.
Acresce ainda, para António Costa, o problema dos
chamados socráticos, como José Lello, que
manifestaram grande euforia com a mudança de
Sócrates de Évora para Lisboa como se o antigo
primeiro-ministro tivesse sido libertado e ilibado de
todas as suspeitas.
Se a justiça e o líder socialista dão sinais de separação
das águas, Sócrates e o seu séquito mostram que não é
esse o seu caminho.
E até escolha do hotel onde os seus advogados dão este
sábado uma conferência de imprensa - o Altis, morada
habitual das noites eleitorais do PS e local da sua última
derrota nas legislativas de 2011 - poderia ser
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Segunda-feira, 07-09-2015
apenas uma coinciência, mas parece-me mais um
sinal de como José Sócrates quer continuar a implicar
o PS no seu processo.
FORA DA CAIXA
Trump, Clinton,
Biden. Santana e
Vitorino avaliam a
corrida presidencial
americana
Os comentadores do “Fora da Caixa” ensaiam
explicações para o fenómeno Donald Trump,
avaliam a campanha de Hillary Clinton e
comentam a possível entrada em cena do
vice-presidente Joe Biden na corrida à Casa
Branca em 2016.
"Inovador, genuíno, sem peias, sem freios ou limites”.
São vários os termos usados por António Vitorino para
descrever o perfil que corresponde a Donald Trump, o
candidato que surge à frente no campo republicano
que vai lutar pela nomeação para a corrida à
presidência dos Estados Unidos em 2016.
O antigo comissário europeu considera que a
emergência de Trump mostra a debilidade dos
adversários e explica-se pelo rasto deixado pelo
movimento conservador Tea Party no seio do Partido
Republicano.
“O Tea Party criou o caldo de cultura, mas tinha
calculismo politico. Trump surge em estado de bruto,
sem calculismos. É mais genuíno”, assinala Vitorino
que acusa aquele movimento de ter criado o "caldo de
cultura" para que o discurso de Trump possa ser feito
nos Estados Unidos. "A persistência dos resultados dele
não é apenas fruto da personalidade bastante
controversa do próprio Trump, que diz aquelas
enormidades sobre os mexicanos, os hispânicos, que
são todos criminosas, traficantes de droga e
violadoras”, insiste o antigo ministro socialista no
programa “Fora da Caixa”, da Edição da Noite, da
Renascença.
António Vitorino confessa que nunca esperou que
alguém com o discurso e o perfil de Trump pudesse
liderar de forma tão persistente as sondagens no
campo republicano. Sobre o futuro de Trump, um
desejo: “quero ser descrente (numa eleição de Trump)
porque acredito na democracia americana.
Já Pedro Santana Lopes recorda quão desvalorizado foi
o então candidato Ronald Reagan que mais tarde seria
eleito Presidente. Mas Reagan, sublinha Santana Lopes,
não é Donald Trump.
"Eu não quero ofender a memória de um grande
presidente dos Estados Unidos nem quero com isso
valorizar a figura do senhor Trump, nem pouco mais
ou menos. Mas lembro-me que quando apareceu o
candidato Ronald Reagan foi muito satirizado, muito
menorizado, desprezado, por ser actor de cinema, por
uma série de frases mas nunca como estas [de Trump].
E depois foi um grande presidente. Eu devo dizer que
não acredito que isso alguma vez venha a acontecer
com o senhor Trump. Passar de uma situação em que
muitos o satirizam para um dia ganhar eleições e ser
um grande presidente ? Nem pouco mais ou menos”,
insiste o antigo líder do PSD no debate semanal de
temas internacionais da Renascença.
Os problemas de Clinton
Admirador confesso de Hillary Clinton, Santana Lopes
considera que a antiga primeira-dama norteamericana está a conduzir uma campanha muito fraca.
“Ela está a fazer uma campanha fraca. Às vezes há o
desgaste do ‘produto'. Um rival pode espicaçá-la mas o
que tenho visto dela até agora é muito fraco. Não está
com força, chama, vitalidade”, observa o socialdemocrata que recentemente se colocou fora da
corrida presidencial portuguesa. “Em Portugal tem-se
falado muito nisto a propósito de outras disputas. Isto
de ir muito cedo para o terreno às vezes tem prós,
outras vezes tem contras”, diz Santana, que não
acredita em grandes danos na imagem da candidata
causados pelo caso dos emails públicos e privados. A
polémica foi causada pelo uso indevido de caixas de
correio electrónico privadas por Hillary Clinton, para
uso público, quando era Secretária de Estado.
Hillary Clinton domina as sondagens no campo
democrata, mas sobe de tom o rumor de uma possível
candidatura do ainda vice-presidente Joe Biden, que o
próprio estará ainda ponderar. "O senhor Biden é uma
ameaça, não uma confirmação”, adverte António
Vitorino. Santana Lopes fala num “ caso curiosíssimo
entre a ‘amiga' e o ‘irmão' do Presidente Obama”.
O antigo primeiro-ministro lembra que Biden passou
pela tragédia recente de perder um filho, causando
comoção nos Estados Unidos. “ É um personagem
simpático, consensual. Tem estado muito melhor em
relação às gafes, mas largado em campanha não sei
como será…”, graceja Santana Lopes que, sendo
admirador de Hillary, não deixa de fazer uma curiosa
análise política no campo democrata.
"Não sei se Biden não seria - espero que não tenha que
ser - um antídoto mais eficaz contra o senhor Trump. A
senhora Clinton tem uma imagem mais contrastante
[mas] o senhor Trump tem ar de tudo menos de 'bonus
pater familias’. O senhor Biden pode cobrir ali uma
parte dos republicanos, para além dos democratas. Não
sei se não seria melhor antídoto”, alvitra Santana Lopes.
Já António Vitorino chama a atenção para a subida
gradual do candidato democrata Bernie Sanders nas
sondagens.
“É o que está mais à esquerda no partido. O próprio
aliás considera-se um socialista, o que nos Estados
Unidos não é o mesmo que na Europa. O que significa
que há uma franja importante dentro do partido
democrata, que também não se revê num jogo clássico.
Convenhamos que uma disputa eleitoral entre uma
Clinton e um Bush é algo que não se pode considerar
muito inovador”, remata o antigo comissário europeu.
O programa "Fora da Caixa" é uma parceria da
Renascença com a Euranet, que pode ouvir às sextasfeiras depois das 23h00.
15
Segunda-feira, 07-09-2015
Jogo português
"eQubes" conquista
primeiro lugar na
AppStore
REVISTA DA IMPRENSA DESPORTIVA
Ruiz, Taarabt e Cervi.
Os disponíveis e o
"desviado"
O "eQubes", criado por João Lima, é
inspirado em equações e cubos, que têm de
ser solucionados em contra-relógio.
Foto: RR
Foto: DR
Um jogo de raciocínio matemático desenvolvido por
um aluno de Engenharia da Universidade do Porto (UP)
conquista o primeiro lugar na App Store, a loja de
aplicações móveis da Apple, e está disponível para
equipamentos iPhone e iPad.
A Bloomidea, a empresa parceira no projecto, explica,
em comunicado, que o jogo "eQubes" é inspirado em
equações e cubos, que têm de ser solucionados em
contra-relógio.
O criador do jogo, João Lima, realça que a aplicação
"combina a linguagem universal dos números com o
design apelativo e uma interface simples e intuitiva, o
que convida qualquer pessoa, de qualquer idade, a
jogar".
O jogo conta com 21 níveis, composto cada um por seis
faces que representam todos os lados de um cubo,
onde surgem mosaicos aleatórios com equações para
solucionar em apenas dois minutos.
À medida que o jogador acumular "equbes" ganha
também a possibilidade de comprar mais tempo para
resolver os problemas matemáticos com que se vai
deparar nos níveis seguintes ou para adquirir a solução
para a equação, caso não consiga resolvê-la.
"É preciso puxar pela mente e fazer verdadeiras contas
de cabeça", lê-se na descrição do jogo disponível na
plataforma da Apple que permite fazer o "download" da
aplicação, onde se avisa que os utilizadores não vão
"dar conta do tempo a passar" pelo facto do jogo ser
"viciante".
Depois de conquistar o primeiro lugar da App Store
para iPad, os responsáveis estão a preparar as próximas
fases do jogo com o objectivo de "surpreender ainda
mais os apaixonados por números e quebra-cabeças",
lê-se ainda na nota informativa.
O mercado de transferências já fechou, mas é de
reforços que ainda se fala esta manhã nos jornais. Dois
que já chegaram e um que estará reservado para
Janeiro. A curiosidade deste último é que parece, afinal,
estar a caminho para um destino diverso do
inicialmente previsto. "Benfica desvia Cervi", destaca O
Jogo. Segundo o jornal, "extremo do Rosário Central
chega à Luz em Janeiro", comentando sobre o caso
que "depois de Mitroglou, [esta é] mais uma
ultrapassagem ao Sporting".
Quem já ninguém rouba ao Sporting é Bryan Ruiz a
quem A Bola dá a sua primeira página. "Quero muito
ajudar o Sporting a ser campeão", é a afirmação que o
jornal ressalva de uma entrevista dada pelo jogador nos
Estados Unidos, onde se deslocou para representar a
selecção da Costa Rica.
Já no Record é outro reforço, desta feita do Benfica, a
dominar a página. "Taarabt está pronto", garante o
título. "Marroquino já atingiu os níveis físicos
desejáveis" e "até pode ser convocado para defrontar o
Belenenses".
A selecção nacional, que esta segunda-feira disputa
um importante jogo de qualificação na Albânia,
também está ao centro das atenções: o Record escreve
que a "palavra-chave de Fernando Santos" é "ganhar", O
Jogo fala em "fome de golos", com a imagem de
Cristiano Ronaldo a acompanhar, e A Bola arrisca uma
mudança no 11 inicial face ao utilizado sexta-feira com
a França: "CR7 e Danny no ataque em busca da vitória".
"Mudar para ganhar" é a ideia passada pelo matutino.
Nas laterais, espaço ainda para Gaitán: "Rui Vitória
procura alternativa" ao jogador pelo facto de Gaitán
chegar apenas "na véspera do jogo com o Belenenses",
de acordo com A Bola. O Record aponta para um
avançado brasileiro que treinou toda a semana com a
equipa principal do Sporting: "Jesus atento a Matheus
Pereira". Corona também estás nas primeiras dos três
desportivos com diferentes excertos da entrevista que
deu ao Excelsior, no México. "Como Corona disse
adeus à preguiça" foi o ângulo escolhido pelo diário O
Jogo.
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Segunda-feira, 07-09-2015
FERNANDO SANTOS
“É possível vencer,
mas vamos sentir
muitas dificuldades”
Seleccionador admite que vai ser preciso
melhorar em relação ao particular com a
França e está confiança num bom jogo esta
segunda-feira.
Foto: Armando Babani/EPA
Fernando Santos tem consciência que vai ter pela
frente uma Albânia "supermotivada", que está perto de
um feito inédito, que é a qualificação para a fase final
de um Europeu.
"É uma equipa que ainda não perdeu. É uma equipa
agressiva, pressionado muito e trabalho muito. É uma
equipa cínica que joga no erro do adversário. É possível
vencer, mas vamos sentir muitas dificuldades",
considerou.
O seleccionador nacional assume que Portugal teve
muitas dificuldades em criar oportunidades de golo
frente à França e que tem que melhorar para poder
ganhar segunda-feira, na Albânia, em jogo de
qualificação para o Euro2016.
"Não criámos muito perigo, é um facto. Temos que
melhorar. Quem quer ganhar, obviamente, tem que
fazer golos, criar situações e rematar. Sem remates, não
há golos. Temos que melhorar, seguramente, se
queremos ganhar", afirmou Fernando Santos.
O seleccionador nacional, que falava aos jornalistas na
conferência de imprensa de antevisão do duelo com os
albaneses, referiu que o cenário de uma possível
derrota é algo que nem lhe passa pela cabeça e negou
que tenha algum "medo" do ambiente vai encontrar em
Elbasan.
"Quem tem medo compra um cão. Por acaso, até tenho
quatro. Mas, não faz muito sentido ter medo do que
pode acontecer ou do que vamos encontrar. Se assim
fosse, nem estaria aqui", disse o treinador de 60 anos.
Questionado sobre a 'seca' de Cristiano Ronaldo, o
seleccionador luso mostrou-se confiante no regresso
aos golos do 'capitão' já frente à Albânia.
"Se fosse outro jogador, todos achariam normal. São
três jogos. Mas, como é o Cristiano Ronaldo, todos
falam nisso. Ele está muito motivado e quer ajudar a
equipa, marcar e ganhar", garantiu o seleccionador.
Fernando Santos, que acha difícil que Portugal garanta
já a qualificação directa com um triunfo sobre os
albaneses, explicou ainda a razão que levou a selecção
a não treinar em Elbasan, no palco do jogo, que fica a
50 quilómetros de Tirana, onde a comitiva lusa está
instalada.
"Queríamos ficar em Elbasan, mas não foi possível. A
equipa estava sujeita a uma hora de viagem para ir e
outra para voltar, num caminho que não é fácil.
Amanhã (segunda-feira), vamos cedo, porque não
quero que os jogadores cheguem agoniados, como
soube que aconteceu com outras selecções", disse.
Às 18h00, a selecção portuguesa de futebol realiza o
último treino de preparação para o encontro com
Albânia, no Estádio Qemal Stafa, em Tirana, recinto que
fica junto à unidade hoteleira em que a comitiva lusa
está instalada.
Portugal lidera o agrupamento de qualificação para o
Europeu do próximo ano, que se vai disputar em
França, com 12 pontos, mais um que a Dinamarca
(mais um jogo) e Albânia, segundo e terceiro
classificados, respectivamente.
O Albânia-Portugal, que se vai realizar na cidade de
Elbasan, a cerca de 50 quilómetros da capital, está
agendado para segunda-feira, às 20h45 locais (menos
uma em Portugal) e terá arbitragem do sueco Jonas
Eriksson.
Seleccionador
albanês “ameaça”
votar em Messi se
Cristiano Ronaldo
não tiver “calma”
Gianni De Biasi surgiu bem humorado na
conferência de imprensa de lançamento do
jogo contra Portugal de qualificação para o
Euro 2016.
O seleccionador da Albânia, o italiano Gianni De Biasi,
pediu ao português Cristiano Ronaldo para ter "calma"
no encontro de segunda-feira, de apuramento para o
Euro 2016, senão irá votar em Lionel Messi na próxima
Bola de Ouro.
Questionado em conferência de imprensa sobre como
é que a sua equipa irá marcar o 'capitão' da selecção
lusa, De Biasi brincou com a situação e avançou que,
caso Ronaldo saia de Elbasan com um grande exibição,
o seu voto será para o avançado argentino na próxima
edição da Bola de Ouro.
"Espero que ele jogue com calma, pois eu votei nele na
última eleição da Bola de Ouro. Caso contrário, vou
votar no Messi", afirmou o treinador italiano, na
antevisão do encontro do Grupo I de qualificação para
o Europeu do próximo ano.
O seleccionador albanês admitiu que o encontro frente
a Portugal poderá ser decisivo na corrida ao Euro2016 e
enalteceu o trabalho de Fernando Santos desde que
tomou conta da formação das 'quinas'.
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Segunda-feira, 07-09-2015
"Estamos numa fase decisiva da qualificação e vamos
ter pela frente um adversário muito forte e que é líder
do grupo. Depois de jogar connosco (derrota por 1-0,
em Aveiro), Portugal tem feito um trabalho muito bom",
referiu.De Biasi ainda tem "algumas dúvidas" na equipa
inicial que vai apresentar contra Portugal, mas garantiu
que os seus jogadores "vão dar tudo" no relvado da
Arena Elbasan.
"A equipa que vou apresentar, irei decidir amanhã
(segunda-feira) de manhã. Mas, garanto-vos que
vamos dar o nosso melhor contra um adversário forte e
que tem muito talento", concluiu o seleccionador
albanês.
Portugal lidera o Grupo I de qualificação para o Europeu
do próximo ano, que se vai disputar em França, com 12
pontos, mais um do que a Dinamarca (mais um jogo) e
a Albânia, segunda e terceira classificadas,
respectivamente.
O Albânia-Portugal está agendado para segunda-feira,
às 20h45 locais (19h45 em Portugal), e terá arbitragem
do sueco Jonas Eriksson.
João Sousa
qualificado no US
Open em ténis
Português segue em frente na vertente de
pares e aguarda pelos adversários.
O tenista João Sousa conseguiu o apuramento para os
quartos-de-final da variante de pares do US Open em
ténis, quarto 'Grand Slam' da temporada, resultado que
lhe permite igualar o registo de Nuno Marques, em
2000.
O tenista português, 140º da hierarquia de pares, que
partilha a 'quadra' com o argentino Leonardo Mayer,
62º, deixaram pelo caminho a dupla de 'especialistas'
formada pelo britânico Colin Fleming, 78º, e o filipino
Treat Huey, 49º, numa batalha de três 'sets' (6-4, 3-6 e
6-3).
Depois de vencerem o primeiro parcial, por 6-4, a dupla
luso-argentina acabou por ceder o segundo parcial, por
3-6, ao permitir a 'quebra' de serviço no único ponto de
'break' que tiveram contra em todo o encontro.
No terceiro parcial, Sousa e Mayer voltaram a elevar o
nível de jogo, o que lhes permitiu aproveitar uma das
três pontos de 'break' que dispuseram, para fechar o
decisivo parcial com 6-3, em 1h49.
Ao atingir os quartos de final de um 'major', Sousa
iguala o melhor registo de sempre de um português
num dos quatro grandes torneios da modalidade, já
que, também na variante de pares, no ano de 2000, o
actual seleccionador português atingiu os 'quartos' do
Open da Austrália.
João Sousa e Leonardo Mayer esperam agora o
desfecho do encontro 100% norte-americano, que irá
opor Steve Johnson e Sam Querrey a Michael Russel e
Donald Young, para conhecer os adversários dos
quartos de final.
CICLISMO
Joaquin Rodríguez
vence etapa de
montanha em
Espanha
Liderança está presa por um segundo.
Joaquin Rodriguez venceu e festejou no Alto de Sotres, em domínios
de Pelayo. Foto: Javier Lizon/EPA
O espanhol Joaquin Rodríguez , da Katusha, venceu a
etapa da Volta a Espanha em bicicleta que terminou no
Alto de Sotres, na província das Astúrias. Fabio Aru
segurou a liderança, por um segundo.
O arranque de Purito Rodriguez, já dentro do último
quilómetro, foi decisivo para deixar os adversários para
trás.
Em segundo lugar ,chegou Rafal Majka (Tinkoff) a 12
segundos, logo seguido pelo resto do grupo dos
favoritos. O polaco subiu ao terceiro lugar na geral, a
1.24 do camisola vermelha, Aru.
O holandês Tom Dumoulin (Giant) perdeu 50
segundos, mas mantém-se na corrida pela geral.
O português André Cardoso (Cannondale) subiu um
lugar na geral e é 17º, o melhor entre os ciclistas lusos.
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Segunda-feira, 07-09-2015
Hamilton continua a
dominar Fórmula 1
Campeão do Mundo tem sete vitórias em 12
corridas e lidera destacado.
do Madeira Island Ultra Swim, um evento que juntou 25
nadadores com o desafio de ligar as duas ilhas.
Miguel Arrobas, que fez a prova sem fato, afirmou à
Renascença que foi muito difícil devido ao vento e à
ondulação. "A travessia saiu do ilhéu da Cal, ali em
Porto Santo, que marca o fim do lugar mais próximo da
ilha da Madeira e foi daí até à ponta de São Lourenço.
Foi uma travessia muito difícil porque as condições
estavam, de facto, extremamente complicadas com
ondulação muito alta e vento muitas das vezes
contrário - aliás, na maior parte do tempo vento
contrário. A corrente no fim da travessia também foi
contrária. Portanto não tivemos nada a ajudar hoje".
Este evento está a realizar-se desde o dia 1 de Setembro
e termina este domingo.
Quanto a uma próxima travessia, Miguel Arrobas refere
que “eventualmente” será nos Açores, mas ainda
aguarda por um patrocínio que lhe permita “fazer mais
uma da Oceans Seven, uma das sete travessias maiores
do mundo.”
Lewis Hamilton. Foto: Srdjan Suki/EPA
O britânico Lewis Hamilton (Mercedes) somou o
sétimo triunfo da época no Mundial de Fórmula 1, ao
vencer o Grande Prémio de Itália, 12ª prova do
campeonato, disputado no circuito de Monza.
O campeão em título, que partiu da 'pole' e liderou a
corrida do princípio ao fim, passou a contar 252
pontos, agora mais 53 do que o seu companheiro de
equipa, o alemão Nico Rosberg, que desistiu quase no
final, quando era terceiro.
O germânico Sebastian Vettel (Ferrari) ficou no
segundo lugar e é terceiro no campeonato, com 178
pontos, a 21 de Rosberg e 74 de Hamilton, enquanto o
brasileiro Felipe Massa (Williams) fechou o pódio.
Miguel Arrobas fez
40 quilómetros a
nadar na Madeira
Prova durou cerca de 12 horas, este sábado.
Foto: Lusa (arquivo)
O ex-nadador olímpico Miguel Arrobas completou este
sábado a travessia de 40 quilómetros, entre Porto Santo
e o Funchal, em 12 horas.
A participação do atleta aconteceu na primeira edição
Página1 é um jornal registado na ERC, sob o nº 125177. É
propriedade/editor Rádio Renascença Lda, com o nº de pessoa
colectiva nº 500725373. O Conselho de Gerência é constituído por
João Aguiar Campos, José Luís Ramos Pinheiro e Ana Lia Martins
Braga. O capital da empresa é detido pelo Patriarcado de Lisboa e
Conferência Episcopal Portuguesa. Rádio Renascença. Rua Ivens,
14 - 1249-108 Lisboa.
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"A sociedade europeia está a ensinar aos governos o que eles