FUNDAÇÃO INSTITUTO DE PESQUISAS ECONÔMICAS Nº 411 Dezembro / 2014 análise de conjuntura Nível de Atividade V M P Z G N M p.26 VivianGarridoMoreiraformulaumahipóteseinterpretativaparaoatual quadrodadistribuiçãofuncionalderendaveri icadanoBrasil. p.33 RogérioNagamineCostanzianalisaacriaçãodeempregosformaisentre 2003e2013emnívelmunicipal,destacandoopapeldoSIMPLESnesse processo. C O Grau Inovativo das Aglomerações Industriais Relevantes do Brasil – Parte II E JoséPauloZeetanoChahadapresentaumpanoramadomercadode trabalhonocenáriointernacional,apartirdaanálisedodesempenhoda economiamundial. M Evolução dos Contribuintes para a Previdência Social R p.8 C Distribuição de Renda no “Fio da Navalha”: Uma Nota Sobre os Desafios no Avanço das Políticas Distributivas Brasileiras V VeraMartinsdaSilvacomentaosresultadosdoPIBdoterceirotrimestre de2014,comdestaqueparaaretraçãodaindústriaedoinvestimento, emvaloresacumulados. S Crescimento Econômico e Mercado de Trabalho no Cenário Internacional ao Final de 2014: Panorama e Perspectivas J p.3 G S Número de Legisladores e Representatividade Política das Mulheres: Desafios Metodológicos e Contexto Municipal Brasileiro G p.38 C As ideias e opiniões expostas nos artigos são de responsabilidade exclusiva dos autores, não refletindo a opinião da Fipe p.48 Nosegundoartigodasérie,EdnaldoMorenoGóisSobrinhoapresenta ametodologiaadotadaparade iniroíndicedeinovaçãoregionaleos clustersdeinovação. GabrielCorreadiscuteaestratégiaempíricaadotadaparaestimara causalidadeentreonúmerodelegisladoresearepresentatividadedas mulheresnapolíticanacional. Indicadores Catho-Fipe Os indicadores Catho-Fipe, desenvolvidos pela Fipe em parceria com a Catho, oferecem uma visão mais aprofundada e imediata do mercado de trabalho e da economia brasileira. As informações disponíveis em tempo real no banco de dados da Catho e em outras fontes públicas da Internet permitem agilidade na extração e cálculo dos números. Desta forma, é possível acompanhar a situação imediata do mercado de trabalho, sem a necessidade de se esperar um ou dois meses para a divulgação dos dados oficiais. Todos os indicadores são divulgados no último dia útil de cada mês, com informações sobre o próprio mês. O primeiro indicador é uma estimativa para a taxa de desemprego calculada pelo IBGE, a Taxa de Desemprego Antecipada. A Fipe calcula também um índice que acompanha a relação entre novas vagas e novos currículos cadastrados na Internet, o Índice Catho-Fipe de Vagas por Candidato (IVC). Este indicador é mais amplo do que a taxa de desemprego, porque traz informações sobre os dois lados do mercado: a oferta e a demanda por trabalho. Além desses dois indicadores, o Índice de Salários Ofertados permite o acompanhamento dos salários oferecidos pelas empresas que estão em busca de novos profissionais. Maiores Informações: É:(11)3767-1764 œ:catho ipe@ ipe.org.br INFORMAÇÕES FIPE É UMA PUBLICAÇÃO MENSAL DE CONJUNTURA ECONÔMICA DA FUNDAÇÃO INSTITUTO DE PESQUISAS ECONÔMICAS Conselho Curador JuarezA.BaldiniRizzieri (Presidente) AndréFrancoMontoroFilho CarlosAntonioRocca DenisardC.deOliveiraAlves FernandoB.HomemdeMelo FranciscoVidalLuna HeronCarlosEsvaeldoCarmo JoaquimJoséMartinsGuilhoto JoséPauloZeetanoChahad SimãoDaviSilber VeraLuciaFava Diretoria Diretor Presidente CarlosAntonioLuque Diretor de Pesquisa MariaHelena PallaresZockun Diretor de Cursos JoséCarlosdeSouza Santos Pós-Graduação PedroGarciaDuarte Secretaria Executiva DomingosPimentel Bortoletto dezembro de 2014 Conselho Editorial HeronCarlosE.do Carmo LeninaPomeranz LuizMartinsLopes JoséPauloZ. Chahad MariaCristina Cacciamali MariaHelena PallaresZockun SimãoDaviSilber – ISSN1678 6335 Editora-Chefe Produção Editorial FabianaF.Rocha SandraVilasBoas Preparação de Originais e Revisão AlinaGasparellode žhttp://www. ipe. Araujo org.br 3 análise de conjuntura Nível de Atividade: Estagnação V Aeconomiabrasileirapermaneceestagnada,resultadoquedecorre principalmente do péssimodesempenhodaindústriade transformação,especialmentea automobilística,edaconstrução civil.Começandopelaestimativa doProdutoInternoBruto(PIB) Trimestral,daFundaçãoInstituto deGeogra iaeEstatística(FIBGE), houveacréscimodeapenas0,1% nacomparaçãoentreoterceiroe osegundotrimestrede2014,na sériecomajustesazonal.Ouseja, pode-sedizerqueaeconomiaestá operandosemcrescimentonesse período de tempo, o que é pior doqueosupostoanteriormente, poisnãohá indicaçãode reversãodetendênciadepoisdaqueda dosegundotrimestre.Piorainda éque,noacumuladoemquatro trimestres,ocrescimentofoide apenas0,7%,bemabaixodoqueo esperadoparaoano,emtornode 2%.Defato,aexpectativamédia domercadotemsidodequedas sucessivasnataxadecrescimento esperadaparaoPIB. Em termos absolutos, o PIB do terceirotrimestrefoiestimadoem R$1.289bilhões,dosquaisR$185 bilhõessãoimpostossobreprodutoslíquidosdesubsídios,ouseja, cercade14%dessePIBcalculadoa preçosdemercadodizemrespeito aimpostossobreprodutosenão produçãonovaemsi.Aliás,essa temsidoamédiadeparticipação dosimpostosindiretosnoPIBao longodosúltimosanos. Emrelaçãoaomesmoperíododo anode2013,oPIBtrimestralteve umrecuode-0,2%,sendoaqueda maissigni icativaa reduçãoda produçãodaIndústria,de-1,5%, M S (*) enquantoaAgropecuáriaeosServiços icaramprat icamente estagnados(crescimentode0,3% e 0,5%).Dentroda Indústria, a indústriadeTransformaçãoteveo piorresultado,umaquedade3,6%, emfunçãodapioradodesempenho daindústriaautomotiva,umefeito secundáriodacriseeconômicada Argentina,principalparceirocomercialdosetor.Outrosetorcom importantereduçãodeprodução foiaIndústriadaConstruçãoCivil, comquedadevaloradicionadode -5,3%emrelaçãoaoterceirotrimestrede2013.ApenasaIndústria ExtrativaMineraltevecrescimento dovaloradicionadode8,2%em relaçãoaoterceirotrimestrede 2013,destacando-sepositivamente nomeiodaquedageneralizadada indústriabrasileira.Entretanto,é importantedestacarqueaIndústriaExtrativaMineraléumaindús- dezembro de 2014 4 análise de conjuntura triacompoucasfasesdeprodução emuitoligadaaodesempenhoda economiainternacional,ecoma Chinadesacelerandoeospreços dascommoditiesemqueda,nãohá umaperspectivamuitootimista quantoaoseudesempenhofuturo. OsetordeServiços,queatébem poucotempo atrásvinhasendo umdossegmentosquecresciam e incorporavamt rabalhadores, tevenesteterceirotrimestreum crescimentopí io,deapenas0,5% sobreomesmotrimestredoano de2013,ecomquedade1,8%no valoradicionadodeumdeseus principaiscomponentes,oComércio.OComércioamargaumaqueda novaloradicionadogeradopelo segundotrimestreconsecutivo, indicandoqueomodelodecrescimentobaseadonoconsumoseesgotou.AindanosetordeServiços, odestaquepositivo icouporconta docrescimentodeServiçosdeIntermediaçãoFinanceiraeSeguros, comaumentode3,2%,provavelmenteemdecorrênciadoaumento dataxabásicadaeconomia,aSelic. de1,1%eosServiços,umresultadopositivode1,2%.Também nessehorizontetemporal,houve quedanaIndústriadeTransformação(-1,8%)edaConstruçãoCivil (-3,3%);naindústria,osegmento daExtrativaMineralteveresultadopositivode5,3%,enosServiços, háodestaquepositivodeServiços deInformação(+4,6%). Sobaóticadoscomponentesda demandaeconsiderando-seacomparaçãodoresultadoacumulado emquatrotrimestresqueterminaramemsetembrode2014emrelaçãoaosquatrotrimestresdoano anterior,odestaqueéopéssimo resultadodaFormaçãoBrutade CapitalFixo,comquedade-4,6%, adesaceleraçãodoConsumodas Famílias,quecresceu1,5%,ocrescimentodoConsumodaAdministraçãoPúblicade2,1%,oaumento de2,5%dasExportaçõesede1,1% dasImportações.Ocrescimento maisbaixodasimportaçõesemrelaçãoàsexportaçõesestárelacionadoàprópriaestagnaçãodaeconomiabrasileira,emquepeseque asdepreciaçõescambiaistambém contribuíramparaosresultados. elerepresentacercade62%deste, eadesaceleraçãodocrescimento desseconsumo.JáoConsumoda AdministraçãoPúblicatemgirado emtornode20%doPIB,segundoosvalorescalculadosapartir de1996.OGrá ico2apresentaa evoluçãodoPIBtrimestraleda FormaçãoBrutadeCapitalFísico, tambémem termos dosvalores acumulados emquatro trimestres,contraperíodosemelhante doano anterior.Nestesegundo grá ico,pretende-seenfatizara instabilidadedaFormaçãoBruta deCapital,ressaltando-sequeesta containcluitambémaproduçãoda IndústriadeConstruçãoCivil,que, conformevimos,teveresultados negativosnosúltimostrimestres. Pode-sea irmarquehouveumpico deinvestimentosem2010eumpequenorepiqueem2013,masoano de2014foidequedasistemática nosinvestimentos. JáoGrá ico3apresentaaevolução deExportaçõeseImportaçõesde BenseServiços,epode-severque ataxadecrescimentodasimportaçõestemmuitasimilaridadecom Analisando-seasinformaçõesreaevoluçãodaFormaçãoBrutade lativasaos valoresacumulados CapitalFísico(Grá ico2),comum emquatrotrimestresemrelação OGrá ico1apresentaaevolução picoem2010eumpequenopico aosquatrotrimestresacumula- doPIBtrimestraledoConsumo em2013,edepoistrajetóriadeladosnoanoanterior,osresultados dasFamílias,acumuladoemqua- deiraabaixo.Essasemelhançavem permanecemdesanimadores. O trotrimestrescontraosquatro dofatodequeasimportaçõesde crescimentodoPIBtrimestraléde trimestres acumulados no ano máquinaseequipamentos(ouseja, apenas0,7%,aIndústriaapresenta anterior.Nessegrá ico, icaclara investimento)representamcerca quedade-0,5%,aAgropecuária aimportânciadaevoluçãodocon- de21%dasimportaçõestotaisde apresentaumresultadopositivo sumodasfamíliasparaoPIB,pois bensnosúltimosanos. dezembro de 2014 5 análise de conjuntura foideR$180bilhões,enquantoa FormaçãoBrutadeCapitalFísico foideR$230bilhões,demodoque anecessidadede inanciamento foideR$49bilhões.OGrá ico4 mostraopercentualemrelaçãoao PIBdapoupançadomésticaeda FormaçãoBrutadeCapitalFísico, oquedeixaclaroqueapoupançatemsidoinsu icienteparadar contadoinvestimento,tendosido necessárioorecursoexternopara inanciarodesenvolvimentobrasileiro.Porenquanto,essemodelo temfuncionado,mashásempre umainsegurançanoar,dependentesquesomosdosbonsventosna economiamundial.Note-se,também,queomaiordespoupadoré ogovernocentralbrasileiro,cujos gastosexcederamemmuitosuas receitas,especialmentenesteano Odesequilíbrioexternore leteo eleitoral. desequilíbrioentrepoupançadomésticaeinvestimento,oquepode Finalmente,paratentarencontrar serexplicitadonovamentepelas algumainformaçãomaisrecente, ContasTrimestrais.Noterceirotri- quepudessedarumavisãomais mestrede2015,aPoupançaBruta otimistasobreodesempenhoda OsaldodeTransaçõesCorrentes temsidonegativodesde2008,o querepresentoude1,5%a2,5% doPIBaté2012;porém,apartir de2013,esseresultadonegativo temaumentadosigni icativamente, atingindo3,73%doPIBestimado emoutubrode2014.Portanto,o dé icitemTransaçõesCorrentes dobrouemtermosdeparticipação noPIB,oqueindicaumasituaçãodepressãosobreomercado cambial,comlentadepreciaçãoda moedabrasileira,apesardaainda signi icativaentradadedólares atravésdaContaFinanceiradoBalançodePagamentos(InvestimentoEstrangeiroDiretoeAplicações emCarteira)edaatuaçãodoBanco Centralparaconterumadepreciaçãoexcessiva. economianeste inal de anode 2014,veri iqueiquaisosresultados daspesquisasmensaissobreindústria,mesmosabendoqueestas pesquisas,apesardefornecerem informaçõesparaoscálculosdos PIBstrimestrais,devemaindaser submetidasatratamentosespeciaisparaoscálculosdosvalores adicionadossetoriais.Entretanto, asperspectivascontinuamdesanimadoras.Emoutubro,aPesquisa MensaldaIndústriamostroucrescimentonulodaprodução ísicaem relaçãoasetembroe,nacomparaçãocomoutubrode2013,houve quedade-3,6%.Noacumuladodo ano,houvequedade-3%,comas principaisreduçõesembensde consumodurável(-9,6%)ebensde capitaldestinadosaosetorautomotivo(-16,6%).Oúnicosetorcom taxapositivafoiodesemienãoduráveis,mastambémpraticamente estagnados(+0,2%). dezembro de 2014 6 análise de conjuntura Gráfico 1 – Variação Acumulada em 4 Trimestres do PIB e Consumo das Famílias (%) - 1º Tri 2009 - 3º Tri 2014 Fonte:ContasTrimestraisdaFIBGE. Gráfico 2 – Variação Acumulada do PIB Trimestral e da Formação Bruta de Capital Físico (%) 1º Tri 2009 - 3º Tri 2014 Fonte:ContasTrimestraisdaFIBGE. dezembro de 2014 7 análise de conjuntura Gráfico 3 – Variação Acumulada em Quatro Trimestres de Exportação e Importação (%) - 1º Tri 2009 - 3º Tri 2014 Fonte:ContasTrimestraisdaFIBGE. Gráfico 4 – Taxa de Poupança e de Formação Bruta de Capital (% do PIB) – 1º Tri 2009 - 3º Tri 2014 Fonte:ContasTrimestraisdaFIBGE. (*)EconomistaedoutorapeloIPE-USP. (E-mail:[email protected]). dezembro de 2014 8 temas de economia aplicada Crescimento Econômico e Mercado de Trabalho no Cenário Internacional ao Final de 2014: Panorama e Perspectivas J 1 Introdução P Z C (*) sobreprojeçõesdecrescimento brode2014,constata-sequeoPIB econômicoeperspectivasparao mundialcresceu3,4%,em2012; Esteartigocontemplaumaanálise mercadodetrabalho.1 icarápraticamenteomesmoentre sucintadocomportamentodomer2013e2014,apresentandouma cadodetrabalho,emaspectossele2 O Crescimento Mundial Recen- retomadasomente2015,quando cionados,nocenáriointernacional te: Prevalência da Estagnação aumentará3,8%.Deacordocom recente,precedidaporumadesEconômica e de Baixo Cresci- este relatório, corroborado por criçãodocrescimentoeconômico outrasinstituições,serámuitodimento mundial,quesabidamenteimpacta ícilqueaeconomiaglobalconsiga deformadiretanaquelemercado. Aretomadadocrescimentoeconô- retornaremcurtoprazoaosseus Estaanálisesefundamentaemdo- micomundialtemsidomuitolenta, níveisveri icadosantesdacrise cumentospublicadosrecentemente desdeacrise inanceirade2009. inanceira.Asprevisõesindicam porrenomadasinstituiçõesinter- Observando-seaTabela1,extraí- umacontinuidadedaestagnação nacionaisque produzemdados dadoWorldEconomicOutlookde ouumpersistentebaixonívelde eanáliseseconômicasrobustas, 2014,doFMI,divulgadoemoutu- atividade. dezembro de 2014 temas de economia aplicada Tabela 1 – Crescimento Geral da Economia Global, 2012/2015 dezembro de 2014 9 10 temas de economia aplicada Fixando-senoanode2014,dois fatos devem ser destacados. O primeirodizrespeitoaodeclínio sistemáticodasprevisõesdoPIB mundialfeitaspeloFMI:emjaneiro,aexpectativaeradecrescer 3,7%;emabril,erade3,6%,em julho, 3,4%;em outubro, 3,3%. Nesteritmo,épossívelqueatéo inaldoanoseobtenhaumacifra menor doquea deout ubro,fazendocomque2014representeo quartoanoconsecutivoemqueo crescimentodoanoémenordoque overi icadonoanoanterior. Osegundofatoquemerecedestaquedizrespeitoaqueestedeclínio, ouestagnação;advémdocomportamentodasEconomiasAvançadas,emespecialaestagnaçãona áreadoEuro,ofracocrescimento japonês,eobaixocrescimentodos EstadosUnidos.Poroutrolado,as EconomiasEmergenteseosPaíses em Desenvolvimento têmapresentado umcrescimento maior queasEconomiasAvançadas.Em especial,destacam-seasEconomiasAsiáticasEmergenteseem Desenvolvimento,emparticular aChina(7,4%)eaÍndia(5,6%). OsEmergentesdaAméricaLatina apresentamcrescimentopí io,com destaquenegativoparaoBrasil, quenãodeverácrescermaisdoque 0,3%,em2014.Outroemergente combaixocrescimentoéaRússia, com0,5%.Aindanoconjuntode Emergentese/ouemDesenvolvimento,merecemençãoocresci- mentodaeconomianospaísesda ÁfricaSubsaariana. bitosealtoníveldedesemprego.A outrasetratadeumaantecipação dofuturo,emqueinúmerospaíses AsprevisõesdoFMIparaumpe- têm sidoobrigadosareverseu ríodomaisavançadotambémnão “crescimentopotencial”,afetando sãonadaanimadoras.Para2019, acon iança,osníveisdedemanda osvaloresdecrescimentodaati- eocrescimentoatual. vidadeeconômicanomundoindicamnúmerosaproximadosaos Oquejusti icaestecrescimento veri icadosatualmente,prevendo- “ fracoe desigual” daeconomia -se,assim,umlentocrescimento mundial?Dopontodevistaglobal, econômico:oPIBGlobalaumentará temos acontecimentosdesesta4,0%,osPaísesAvançados,2,3%, bilizadoresequetêmtidoefeito ZonadoEuro,1,6%;Emergentes, recessivo por si só: (a) tensões 5,2%.Tomando-sealgunspaíses crescentesentreaRússiaeaUcrâdiretamente,somenteChina(6,3%) nia,comefeitossobreoconsumo eÍndia6,7%crescerãoemvalores deenergiadetodaaEuropa;(b) relativamentealtos.Poroutrolado, crescenteescaladadaviolênciano osEstadosUnidosaindaapresenta- OrienteMédio,mormenteapóso rãobaixocrescimento,2,6%,mas aparecimentodoEstadoIslâmico; paísesemergentes como Brasil (c)possibilidadesdequeassuces(3,0%),Rússia(2,0%),Chile(4,3%) sivasrecessõesnaZonadoEuro ePeru(5,5%)crescerãoavalores setransformememde lação;(d) maioresqueoshojeobservados, perspectivasderestriçõesmonecontudo,emníveisaindamuito táriasprovocandoumaelevaçãoda aquémdeseupotencialprodutivo taxadejurosnosEstadosUnidos edesuasnecessidades. easconsequênciasnegativasem determinadasáreasgeográ icasdo Alémde“fracoedesigual”olento mundo;(e)baixocrescimentoedecrescimento mundial marca-se saceleraçãodosEmergentes;(f)repordiferentesevoluçõesdepaíses percussõesgeopolíticasdevidasà eregiões.SegundoOlivierBlan- quedadospreçosdascommodities; chard,economista-chefedoFMI, (g)aspossibilidadesdedescontroaeconomiamundialestásujeitaa ledaepidemiadovírusEbola,ea duasforçasprincipais,edenatu- ausênciadeumasoluçãoimediata rezadiferenteditandoosrumos paraela. docrescimento.Umarefere-sea umaherançadopassado,emque Dopontodevistaregionale/oude inúmerospaísesnecessitamtra- países,ougrupodepaíses,aparece balharcomosestragosdeixados adesigualdadedeterminandoo pelacrise inanceirade2008,eseu baixocrescimentoglobal.Entre impactosobreseuscrescentesdé- aseconomiasavançadas,Estados dezembro de 2014 11 temas de economia aplicada UnidoseReinoUnidoestãosuperandoacrise inanceira,masseu crescimentoainda icaráemníveis próximosaosobservadosem2000. OJapãotemsuaeconomiarestrita àaltadívidapública,levando a baixocrescimentopotencial,eà imposiçãodeumimpostosobreo consumodebilitandoademanda futura,exigindomaioresdesa ios paraaspolíticas iscalemacroeconômica. Nazonado euro, naopiniãoda OCDE, ex iste o temor de que o baixocrescimentosetransforme novamenteemrecessão.Casoa recessãovolteeprovoqueumadelação,oimpactonegativosobreo crescimentoseráaindamaisgrave. Aindústriatemapresentadodeclínionaprodução.Alémdisso,a regiãotemsidoafetadaporuma demandainternafracae,também, fracademandadeoutrospaíses, emespecialRússiaeUcrânia,enquantoperdurarocon litoentre elas. Out ro aspec to negat ivo: a Alemanha,maioreconomiadaregião,temapresentadodeclíniona produçãoindustrial,eestá icando maisvulnerávelcomapersistente fragilidadedademandadoméstica, devidoaobaixocrescimentosalarialeaoaperto iscal.Finalmente, ospaísesapresentamperspectivas desiguaiscomAlemanha,França eItáliaseretraindoeEspanhae Portugalapresentandomelhoras naeconomia. Osmercadosemergentesestãose ajustandoparapadrõesdebaixo crescimento,deacordocomoFMI, comaprevisãodereduçãode1,5% emseucrescimentopotencialem 2014,comrelaçãoa2011.Adesigualdade no compor tamento dospaísesemergentesétambém bastantenítida.AChina,embora estejadesacelerando,mantémalto níveldecrescimento,apesardo im doboomimobiliárioedaretração docrédito.Ademais,osgastosem infraestrutura visando fort alecerpequenasemédiasempresas trarãoumalentoàsexportações dopaís.AÍndiatemfeitoajustes macroeconômicostrazendouma elevaçãodoníveldecon iançaao setorprodutivo,comforteimpacto naindústria,devendo,assim,elevarseuníveldecrescimento. seagravaramcomasdisputascom aUcrânia. Emsíntese,ocrescimentodaeconomia mundial continua fraco desdea crise inanceira, ecom grandedesigualdadenocomportamentoentreregiõesepaíses.Este comportamentotendeapersistir até2019-2020.Énestecontexto quedevemosentenderosimpactosdaatividadeeconômicaglobal sobreomercadodetrabalho. 2 Tendências no Mercado de Trabalho Global Devido ao Baixo Nível e à Desigualdade de Crescimento Entre Países Tomando-seospaísesdoG20como ogruporepresentativodoquevem ocorrendo,veri ica-sequeocrescimentomodestoapresentadopela Adesigualdadeaparececlaramente economiamundial,emperíodorenocomportamentodeduasgran- cente,temimpactadoomercadode deseconomiasemergentes:Brasil trabalhoglobaldeformanegativa eRússia.ComrelaçãoaoBrasil, edesanimadora.EssebaixocrescioFMIdestacaqueobaixocresci- mentotemfreadoaintensidadedo mentosedeveacausasinternas, crescimentodoemprego,elevado etemmenosavercomocenário odé icitdeempregos,impedindoa mundial.Emparticular,apontam quedasigni icativadodesempreaspressõesdosjuros,ainanição go,elevadoodesempregodelongo dosinvestimentos,abaixacon- prazo,provocadoestagnaçãodos iançaempresarial,baixaproduti- saláriosreais,queapresentamum vidade,baixacompetitividadeea descompassocomocrescimento moderaçãonocrescimentodoem- daprodutividade.Aparticipação pregoedossaláriospesandosobre darendadotrabalhotemdeclioconsumo familiar.JáaRússia nadoemváriospaíses,enquanto vinhaapresentandoincertezasnos paraoutrostemestagnado.Adesiprojetosdeinvestimentos,osquais gualdadederendaeapobrezatêm dezembro de 2014 12 temas de economia aplicada declinadoapenasemalgunspaísesemergentes,masa informalidadedotrabalhopermanececomoumforte obstáculoàmelhoriadaqualidadedoemprego. dequeestasdefasagenspermanecerãopelomenos até2018,especialmentenospaísesdesenvolvidos; b. Osganhosnastaxasdedesempregotêmsidorelati- 2.1 Tendências do Mercado de Trabalho: Défici ts (gaps) no Emprego e Persis tência d o Desemprego vamentemodestosemalgunspaíses,comoAustrália, ATabela2consolidaasprincipaisinformaçõessobre forçadetrabalho,empregoedesempregonoâmbito dospaísesdoG20,umaamostrarepresentativade nações,paraosanosde2013 e2014.Algumasdas principaisinferênciassãoasseguintes: nhosnareduçãododesempregotêmsidomaiores a. Ofracocrescimentomundialquevemocorrendo eEstadosUnidos; Itália,Turquia,CoreiaeArábiaSaudita,devidoà ocorrênciadealgumacriaçãodeemprego.Osgaonde,devidoaosfenômenosdemográ icos,ocorre umareduçãonataxadeparticipaçãonaforçade trabalho.NessasituaçãotemosArgentina,Austrália, Brasil,Japão,ArábiaSaudita,Espanha,ReinoUnido desdeacrise inanceirade2008temdeterminado baixocrescimentodoempregonamaioriadospaíses c. AlgunspaísescomoCanadá,França,Alemanha,Japão,ArábiaSaudita,Espanha,Turquia,ReinoUnido doG20,oquetemsidodenominadodejoblessgrowth, havendo,contudo,amplasvariaçõesentreeles.Oresultadotemsidooaparecimentodegrandesdé icits eEstadosUnidosexperimentaramquedasnataxa deemprego,quandosecomparaosvaloresdeempregopré-criseepós-crise inanceira.Aexpectativadas Alemanha,CoreiaeMéxico,todososdemaispaíses instituiçõesinternacionaismencionadasnanota1é dígitose,geralmente,altas. dezembro de 2014 dedesempregoentreosjovens.Mas,àexceçãode doG20possuemtaxasdedesempregojuvenildedois temas de economia aplicada 13 Tabela 2 – As Mudanças Recentes no Mercado de Trabalho no G20 – Um Panorama Ano Após Ano A O emprego tem crescido pouco DeacordocomaOECD,organismoquecongregagrandepartedepaísesdesenvolvidoseemergentes,em respostaàfracarecuperaçãodaeconomia,omesmo ocorrecomarecuperaçãodoemprego,emboraisto di iraentrepaíseseregiões.Observando-seaFigura 1,quemostraasmudançasatuaisnataxadoempre- goemrelaçãoaoperíododepré-crise inanceirapara ospaísesdaOECD,veri ica-sequearecuperaçãodo empregoestáengatinhando.2Defato,estataxaestava,ao inalde2013,em1,8pontospercentuaisabaixo donívelquandocomeçouacrise inanceiraquando comparadoaos2,2pontospercentuaisnafasemais agudadacrise.Istoindicaumafracarecuperaçãodo empregonaeconomiaglobal. dezembro de 2014 14 temas de economia aplicada Figura 1 – Taxa de Emprego nos Países da OECD, 2007/2015 Asperspectivasdo empregono âmbitodaOECDsãodequeasituaçãotendeaseestabilizar,ouentão melhorarmuitolentamente.Para esteconjuntodepaísescomoum todo,éesperadoqueodé icit(gap) doempregoreduzade1,8pontos percentuaisobservadosnoúltimo trimestrede2013para1,3pontos percentuaisao inalde2015.Este resultadore letemelhoriasmodes- tasnaZonadoEuroenosEstados Unidos,masfortedeterioraçãono Japãodecorrentedoenvelhecimen3 todapopulação. AOITtambéméenfáticaema irmarqueofracocrescimentoda economialevaráàpersistênciade dé icitsdeempregoporumlongo período.AFigura2mostraatrajetóriadoempregoglobaldesde dezembro de 2014 1999 até 2018. Nitidamente se veri icaaocorrênciadegapsocupacionaisdesdeacrise inanceira, em2008,quedeverãopersistir, pelomenos,até2018.Ao inalde 2013,onúmerodeempregosperdidosestáem 62milhões, cifra quedeverásubiraonívelatualde crescimentodaeconomiamundial, para81milhões. 15 temas de economia aplicada Figura 2 – Evolução do Emprego Antes e Depois da Crise e Déficit de Emprego, 1999/2018 Emnívelmundial,aOITestimaque B) O d esemprego t otal p ermane ce p ersis tente menumtotalde23milhõesdepessoas te alto e com poucos gaencontra-senasituaçãode“trabanhos de redução lhadoresdesencorajados”.Comos níveisdedesempregomantendo-se ATabela 3, elaborada pela OIT, persistentementealtos(aindaque ampliaedetalhaosdadosdedecomligeirodeclínio)odé icitglosempregoapresentadosnaTabela balprojetadopara2018seelevará 2.Revelaque,defato,ocomporpara81milhõesdetrabalhadores, tamentodomercadodetrabalho incluídosaícercade30milhõesde sofreamplasvariaçõesentrepadesencorajadoscomaperspectiva íseseregiões.Porexemplo,nas denãomaisretornaremaomerca- EconomiasDesenvolvidasdoG20, dodetrabalho. o desemprego era de 2,7%, em 2007,elevando-separa8,4%,em 2014.NaUniãoEuropeia,estascifraseramrespectivamente,7,2% e11,1%,enosEstadosUnidospassoude4,7%,em2007,para7,2%, em2014.Istoindicaqueobaixo crescimentoeconômicomundial temlevadoadi iculdadesempromovermelhoriassubstanciaisno mercadodetrabalho,apontode impedirqueastaxasdedesempregoretornemaosníveispré-crise inanceira,pelomenosaté2016. dezembro de 2014 16 temas de economia aplicada Tabela 3 – Estimativas e Projeções da Taxa Total de desemprego Global, Regional e Específica de Países, 2007/2016 AindacomrespeitoàsEconomiasDesenvolvidas,as projeçõessãodequesomenteEstadosUnidoseReino Unidoterãoreduçãododesempregoentre2014e 2016.Canadá,JapãoeAlemanhanãoterãopraticamenteganhosnastaxasdedesempregonesteperíodo. ApiorsituaçãopareceseradaFrançaedaItália,que viramsuataxadedesempregosaltarparadoisdígitos, eassimdevempermaneceraté2016. Entreregiões,tantooNortequantooSuldocontinenteafricano,temexperimentadoaltastaxasde desemprego,eatendênciaédeassimpermanecerem até2016.Emparticular,aÁfricadoSulexperimentará umdesempregode25,1%em2016.TambémnoOrienteMédioastaxassãoaltas(acimadedoisdígitos)e assimpermanecerãoemfuturopróximo.NaEuropa dezembro de 2014 Central,aRússiaapresentaaltodesemprego(8,3%em 2014),menor,porém,queaTurquia(10,0%).Aperspectivadestesdoispaísesédeganhosmodestosou nulosemtermosdedesempregoaté2016. Voltando-separaaAméricaLatinaeCaribe,também seconstatapoucoounenhumganhonareduçãodo desempregonoconjuntodospaísesdaárea.Entre 2013-2016asprevisõessãodeestagnaçãodestataxa, emtornode6,5%.Defato,asestatísticasindicamapenasganhosmarginaisemalgunspaíses.Háexceções, porém,comoArgentinaeBrasil,quetêmapresentado pequenosmaspersistentesganhosnataxadedesemprego,basicamentedevidoàquestãodemográ ica referenteàquedanaforçadetrabalho. temas de economia aplicada C) O desemprego de longo prazo tem crescido mais que o desemprego total Outracaracterísticamundialsobreodesempregopareceseraelevaçãodochamadodesempregodelongo 4 prazocomoresultadodacrisenoemprego. Aincidênciadodesempregodelongoprazodeveservista comoumaquestãograveporqueimpõeprivaçãoaos indivíduosnestasituação,bemcomoasuasfamílias. 17 Alémdisso,contribuipotencialmenteparaelevaro desempregodenaturezaestruturalemdecorrênciada depreciaçãodaqualidadedamãodeobra,edeclínio namotivaçãodecontinuarprocurandotrabalho. Ocomportamentododesempregodelongoprazo antesedepoisdacrise inanceiraaparecenaFigura 3,compredominânciadospaísesdoG20eoutrosda OCDE. Figura 3 – Desemprego de Longo Prazo Permanece Persistentemente Alto A igurarevelaumaumentodessetipodedesempregoparticularmenteseveronaEspanha,nosEstados Unidos,naIslândia,naItália,naIrlandaenaÁfrica doSul,dentreosmaisgraves.Poroutrolado,Rússia, Israel,Alemanha,RepúblicaTcheca,EstôniaeBrasil revelamganhossigni icativosnarapidezdaobtenção deemprego,quandosecomparaodesempregode longoprazoanterior(2007)eposterior(2013)àcrise inanceirainternacional. mestrede2014.Asevidênciasindicam,ainda,que grandeparceladosdesempregadosdelongoprazose concentraentreosjovens,nãoimportandoopaísde referência. JáaOITalertaparaosefeitosadversosdoaumentodo tempodeprocuraportrabalho,poisdebilitaarapidez daretomadanomercadodetrabalho,mesmoquando aatividadeeconômicainiciasuarecuperação.Em primeirolugar,períodoslongosdebuscaportrabalho AsestimativasdaOITedaOCDEindicamqueovalor representamvultososdispêndiospelosetorpúblico, médio(nãoponderado)dodesempregodelongoprazo requerendoaçõesgovernamentaisdeelevaçãoda comopercentualdodesempregototalelevou-sede cargatributáriaoureduçãodosgastospúblicos,seo 24,6%,no inalde2007,para30,2%noprimeirotri- governonãodesejaelevarseudé icit iscal.Emsegun- dezembro de 2014 18 temas de economia aplicada põemaorganizaçãoaparecemna Figura4.Paraumconjuntosigniicativodepaíseshouveelevação daNAIRU,indicandoque,alémdo desempregocíclicopermanecer alto,suacomponenteestrutural éumagrandepartedele,istoé, mesmocomaretomadaeconômica Aseparaçãoentreacomponente areduçãododesempregotendea cíclicaeacomponenteestrutural sermaislenta. levandoemcontaefeitossobrea taxadedesempregoabertoantes IndividualizandoosresultadosveD) A elevação do desempre- e depois da crise é uma t arefa go é predominantemente complexa,tantodopontodevista ri ica-sequeaNAIRUcresceusigcíclica, mas a componen- quantitativoquantosobaótica ni icantemente(3,0pontospercente estrutura l tem cre sci- conceitual.AOCDE,entretanto,re- tuaisoumais)naGrécia,Espanhae do de forma significativa alizouestadecomposiçãoestiman- Portugal,enquantooutrostiveram doaNAIRU(ataxadedesemprego umaumentomoderadodestataxa, Comobaixocrescimentoeconômi- quenãoaceleraain lação),ouseja, entre1,0e3,0pontospercentuais, co,arecuperaçãopí iaounulado oníveldataxadedesempregocon- entreestesaEslovênia,aIslândia, emprego,eopersistentealtonível sistentecomumataxadein lação aItália,aIrlanda,aHungriaea NovaZelândia.ExcetonaHungria, dedesemprego(comfortecom- constante.5 nenhumpaísondeaNAIRUcresceu ponentedodesempregodelongo prazo)levaaumaquestãocrucial: Os resultadosdestaestimativa ovalorsuplantou50,0%docresciquantododesempregopós-crise paraoconjuntodepaísesquecom- mentododesempregocíclico. dolugar,emaisimportante,osdesempregadosquepermanecempor longosperíodosforadomercado acabamporperder,deformaacelerada,suashabilidades,tornando-semaisdi ícilparaelesencontrar empregoalternativona mesma ocupação,numaocupaçãosimilar comigualníveldequali icaçãode mãodeobra. édenaturezacíclica,oqualtende asedissipartãorápidoquantoa retomadaeconômicaacontece,e quantorepresentadesempregoestruturalquepodelevarváriosanos parasereliminado,mesmocoma retomadadaeconomia? Figura 4 – O Aumento do Desemprego Permanece Cíclico Mas o Componente Estrutural Aumentou dezembro de 2014 19 temas de economia aplicada Deacordocomasestimativasda OIT(vernota1),nototal74,5milhõesdepessoasjovensestavam Asdi iculdades derecuperação desempregadasao inalde2013. econômicapós-crise inanceira,as- Ademais,havia37,1milhõesdejosociadasaobaixocrescimentodo vensempregadosamenorao inal empregoglobal,eàpersistênciado de2013comrelaçãoao inalde desemprego,têmumdosseuslados 2007,sendoqueapopulaçãoglobal maisperversosnapioradomerca- dejovensreduziu-seapenasem8,1 dodetrabalhodosjovens,emsi milhões.Por im,ataxadeparticijábastantevulnerável.Umolhar paçãoglobaldapopulaçãojovem maisatentoindicaqueestapiora erade47,4%em2013,tendoperocorreempraticamentetodasas manecidomaisdoquedoispontos regiõesdomundo,masémaisalar- percentuaisabaixodonívelprémantenoSuleLestedaEuropa,no -crise inanceira,poismaisjovens, OestedaÁsia,naregiãoasiática frustradoscomasoportunidades doPací icoenoNortedaÁfrica. deempregoaelesoferecidas,conMesmonospaísesdesenvolvidos tinuaramaabandonaraforçade ena UniãoEuropeiaocorreram trabalho. forteselevaçõesdodesemprego entreosjovens.AAméricaLatinae AFigura5trazparaogrupodepaoCaribetiveramelevaçõesmenos ísesdoG20umacomparaçãoentre ataxadedesempregodosjovens, dramáticasqueoutrasregiões. E) O mercado de trabalho da população jovem piorou ent re 15e 24anos,no período 2007 e2013,captando,portanto,osefeitosdacrise inanceira. Nagrandemaioria dospaíseso desempregojovemoupermaneceurelativamenteconstante,ou entãoseelevou.Asexceçõespara estegrupodepaísesquerepresentemas20maioreseconomiasdo mundoforamAlemanha,Brasile Indonésia. Domesmomodoqueocorreucom oaumentodaparticipaçãododesempregodelongoprazonodesempregototal,tambémentreos jovensestaelevaçãoocorreu.Para oconjuntodospaísesmencionados naFigura5odesempregodelongo prazonãoaumentouentre2007e 2013noBrasil,Turquia,Rússiae Alemanha.6 Figura 5 – Desemprego Jovem, Antes e Depois da Crise dezembro de 2014 20 temas de economia aplicada gonaTurquiaaté80,0%naÍndia.A ocorrênciadoempregoinformalé maiornochamadosetorinformal, Estes impactos se referem não ouseja,ondeproliferamasempresomenteaotipode empregoou sasnãoregistradas.Contudo,um ocupação,quantoàqualidadedo signi icantenúmerodetrabalhaprópriotrabalho.Alémdofraco doresnainformalidadetambémé crescimentodoempregoemmui- encontradoemempreendimentos7 tospaíses,notadamenteentreos totalmenteformalizados. emergentes,mastambémentre osdesenvolvidos,tempersistido AFigura6, elaboradapela OIT, aocorrênciadeempregoinformal mostraqueasmulherestêmmaiodebaixaqualidade.Deacordocom res possibilidades de frequenaOIT,paraospaísesemergentes, tarempregoinformaldoqueos otamanhodoempregoinformal homens.AlémdaOIT,tambéma variade33,0%dototaldoempre- OECDacreditaqueestequadrotem F) Os impactos sobre o trabalho informal seagravadocomacrisemundial, especialmenteemregiõescomoa África,partesdaÁsiaetambém daAméricaLatina.Indicamainda que,mesmoentreospaísesdesenvolvidos,oempregoinformal existeeestáseelevandoemalguns deles.Nessecaso,acreditamque omercadodetrabalhoestagnado entreosdesenvolvidostemgerado efeitosmaisadversosqueoempregoinformal,emdecorrênciados baixosníveissalariais,insegurança notrabalhoedeterioraçãodoambientedetrabalho. Figura 6 – Emprego Informal Não-Agrícola por Gênero (%) Emboraainformalidadesejasempreidenti icadacomaprecariedadeebaixaqualidadedopostode trabalho,oudaocupação,istonão éumaverdadeabsoluta.Muitas vezesaopçãopelainformalidade é um expedientet ático parase evadirdaexcessivaregulamentaçãodomercadodetrabalhoe/ oudosaltosníveisdetributação. Alémdisso,muitostrabalhadores possuemumriscomaiordecair dezembro de 2014 nainformalidade,poisoaparato legaldeproteçãosocialéfracoem inúmerospaísese,também,porque acabamseengajandoemocupaçõesdebaixaprodutividade. 21 temas de economia aplicada G20entreosanosde2006e2013, nosquaisseveri icaumaquedageneralizadanataxadecrescimento Acrise inanceiraglobal,seusim- dossaláriosreaisnoconjuntodas pactosadversosnaeconomiaea 20maioreseconomiasdomundo. pí iaretomadatêmresultadonão somenteem níveispersistente- Oresultadofracoébasicamente mentealtosdedesempregocomo condicionadopelocomportamento tambémemganhossalariaisfracos dossaláriosnospaísesdesenvolviecomlentaelevação.AFigura7 dosdoG20,quecresceramapenas contémastendênciassalariaisno 0,3%,namédiadoperíodo,uma 3 Tendências nos Salários e na Produtividade vezque,apesardatendênciade queda,osganhossalariaisreais crescerambemmaisnospaíses emergentes do g rupo (6,4% na médiadoperíodo).Atendênciaà quedanogrupodosemergentes temsidofortementein luenciadapelocomportamentonegativo daevoluçãodosganhosreaisna China. Figura 7 – Tendências na Média Real de remunerações; 2006/2013 (Ano após Ano, %) Aestagnaçãosalarialnãodecorre somentedofracocrescimentoeconômicoebaixocrescimentodoemprego.Empartedeve-se,também, aosigni icativogapexistenteentre ocrescimentodossaláriosreais eocrescimentodaprodutividade dotrabalho.AFigura8,elaborada pelaOIT,mostraqueogapseelevoumuitoantesdacrise inanceira internacionalde2008. Defato,desde1999aprodutividade do trabalho tem crescido maisfortementequeossalários reais.Umadasrazõespodesero joblessgrowthjámencionado,cujo impacto sobreaprodutividade tendeasercrescente.Dequalquer forma,estesganhosdeprodutividadenãotêmsidoincorporados aossaláriosreais,contribuindo parapromoversuaestagnação,ou baixocrescimento.Paramuitas daseconomiasavançadas,amoderaçãonaelevaçãodossalários reaistemsidomaiordoqueaquela previstapelarelaçãoentreaelevaçãododesempregoemudanças nocrescimentosalarialanteriorà crisede2008(OECD,Employment Outlook,2014). dezembro de 2014 22 temas de economia aplicada Figura 8 – Produtividade e Índice de Remunerações (G20 Economias Avançadas) Aindasobreprodutividade,éinteressanteveri icar asdisparidadesdecrescimentoqueocorrementreos paísesemergentesdediversasregiõesdomundo.Conformeseveri icanaFigura9,énotáveladiferençade crescimentoentreospaísesasiáticoseoutrasregiões comoutrospaísesemergentes,como,porexemplo,a AméricaLatinaeCaribe. vestimentos,afaltadecrédito,osdé icitsdeinfraestrutura,apequenainovaçãotecnológica,avolatilidade daspolíticasmacroeconômicas,adesarticulaçãoentre aspolíticaseducacionaiseasnecessidadesdomercadodetrabalho,acarênciadepolíticasvoltadasparao desenvolvimentoprodutivoeainexistênciadediversiicaçãoprodutiva,gerandopoucaintegraçãoentreos setoreseconômicos.Alémdisso,estaregiãotemsua Comrelaçãoaestaregião,ondeseinsereoBrasil, estruturadeexportaçõesfortementedependentede algunsdosfatoresquedeterminamessecrescimento minerais,combustíveis,eprodutosagrícolas,comuma baixodaprodutividadedotrabalhosãoafaltadein- escassaparticipaçãodosetormanufatureiro. dezembro de 2014 temas de economia aplicada 23 Figura 9 – Evolução do Produto por Trabalhador em Regiões Emergentes dascommodities;edescontrole terioresàcrisevoltemaosníveis daepidemiadovírusEbola. queestavamsãoquasenulas.ParEstetextocontemplouumaretrostedestaestagnaçãodecorredo c) Considerando as economias pectivadodesempenhodaeconocomportamentodaseconomias avançadas,nota-sequeobaixo miamundialemperíodorecentee avançadas. crescimentodaeconomiaglobal seusdesdobramentosnomercado impactanegativamentesobreo detrabalho.Sempretensãodees- b)Obaixocrescimentomundial gotaramatéria,asprincipaisconmercadodetrabalho,aoelevar podesercaracterizadocomo“fraclusõessãoasqueseseguem. odé icitdeempregoseodecoedesigual”entreasregiõesdo sempregodelongoprazo.Além mundo.Muitassãoasexplicações a)Aobservaçãoacuradadasanádisso,promoveaestagnaçãodos paraolentocrescimentomunliseseasestatísticasproduzisaláriosreaisepioraaqualidade dial,e,dentreasjusti icativas, daspelasprincipaisinstituições doempregoemmuitospaísese destacam-se:oaltoníveldeeninternacionaisindicamqueo dividamentoealtodesemprego setoreseconômicos. crescimentomundialrecente comore lexosdacrisede2008; d)AmaioriadospaísesdoG20está temmostradoumaprevalência abaixacon iançadospaíses; daestagnaçãoeconômicaede enfrentandoochamadojobless tensõescrescentesentreRússiae baixocrescimento.Ademais,a growth,fracocrescimentodo Ucrânia;con litosnoOrienteMéretomadadocrescimentomunemprego,desdeacrise inanceira dio;possibilidadedede laçãona dialpós-criseestámuitolentae de2008.Odesempregototaltem zonadoeuro;desaceleraçãodos aspossibilidadesdequeosníveis semantidopersistentemente emergentes;quedadospreços dosindicadoreseconômicosanalto.Contudo,existempaísesque 4 Síntese Conclusiva dezembro de 2014 24 temas de economia aplicada mentoeconômico,emostraque estãoconseguindoreduzirmais crescimentodossaláriosreaise aparcelaestruturaltemgrande efetivamentesuataxadedesemocrescimentodaprodutividade papelnodesempregoobservado. prego,eessasregiõescoincidem dotrabalho,sendoqueoúltimo comoslugaresondeocorreuma g)Omercadodetrabalhodapopulacrescemaisqueoprimeiroeseu reduçãodemográ ica,ouseja, valornãoéincorporado. çãojovemtempioradobastante. diminuiçãonaforçadetrabalho. Ocenáriodedesempregojovem j)ComrelaçãoàbaixaprodutividaObaixocrescimentoeconômico émaisgravenoSuleLestedaEudedealgunspaíses,destacam-se mundialimpedequemelhorias ropa,noOestedaÁsia,naregião aAméricaLatinaeCaribe.Dentre sejamfeitasnomercadodetraasiáticadoPací ico,noNorteda ascausasparaessecenário,é balho,indicandoqueastaxasde ÁfricaepartedasAméricas.Isso possívela irmarqueofatode desempregopré-crisenãovoltasódesmotivaosjovensaabansuasexportaçõesdependerem, rãotãocedo. donaromercadodetrabalho, principalmente,decommodities, seminduzi-losapermanecerna e)Odesempregodelongoprazo prejudicaaprodutividadeinterescola. temrepresentadoumaparcela na;alémdisso,hápoucaspolíticadavezmaiordodesemprego h)Aocorrênciadeempregoinforcasdeincentivoparaessespaítotal,especialmenteentreos maldebaixaqualidadetemsido ses,poucainovaçãotecnológica, jovens.Istotemenfraquecidoa maisfrequentenessepanorama poucadiversi icaçãoprodutiva, tentativaderetomadadomerdecrisemundial,ecabeàsmufaltadecréditoeinvestimentos, cadodetrabalhoaníveisótimos lheresamaiorparticipaçãonesse dentreoutrosfatores. (pré-crise),poisprovocamais tipodeemprego.Essasituaçãoé gastosdogoverno,alémdefazer decorrentedebaixosníveissacomquedesempregadospercam lariais,insegurançanotrabalho, suashabilidadeseosdesmotivem deterioraçãodo ambientede aprocurarnovosempregos(“tratrabalhoefugadospequenose balhadoresdesencorajados”). médiosempreendedoresdacarga f ) A elevação do desemprego é predominantementecíclica,mas tributáriaquearegulamentação exige. acomponenteestruturaltem crescidodeformasigni icativa.A (i)Hátendênciadequedanossaláriosdospaísesdesenvolvidosque fazempartedoG20;contudo,os paísesemergentesquecompõem ogrupoapresentamganhossalariaiscrescentes.Essatendência nãosedevesomenteaobaixo crescimentoeconômicomundial, mas,também,àdiferençaentreo OECD,aoestimaraNAIRU(taxa dedesempregoquenãoacelera ain lação)dediversospaíses, indicaquehouvegrandeaumento nessataxa,oquejusti icauma lentareduçãododesemprego, mesmo com pequeno cresci- dezembro de 2014 1 Ver,entreoutros,ILO,GlobalEmployment Trends2014:riskorjoblessrecovery?;ILO, WorldofWorkReport2014-developingwith jobs,ResearchDepartment,Genève,2014; OECD,EmploymentOutlook2014,OECD Publishing;WorldDevelopmentReport2013: Jobs,WorldBank2013;G20LabourMarkets: Outlook,KeyChallengesandPolicyresponses, ReportpreparedfortheG20LabourandEmploymentMinisterialMeeting,Melbourne, Australia,10-11September2014;World EconomicOutlook–legacies,cloudsand uncertainties,IMF,October,2014;eOIT,Las Américasantelosretosdelsiglo21:empleo pleno,productiveytrabajodecente,Reunion RegionalAmericana,InformedelDirector General,octubre,Lima,Perú. temas de economia aplicada 2 ParaaOECDataxadeempregoémedidacomoaparticipaçãoda populaçãode15anosoumaissobreototaldoemprego. 3 Odé icitdeempregoémedidopeladiferençaentreataxadeemprego atualeaquelaveri icadanoiníciodacrise inanceira.Incluinãosomenteosdesempregados,masaquelesindivíduosquepermaneceram foraouabandonaramaforçadetrabalhodepoisdeseremdesencorajadosporlongosperíodosdabuscaportrabalho,e/ouperceberam baixasperspectivasdenovasoportunidadesdeemprego. 25 7 Oconceitodeinformalidadesurgidonadécadade1970temsofrido muitasmudanças,especialmente quando seleva em conta ascaracterísticasinerentesdediferentespaíses.Deacordocomasnovas orientaçõesdaOIT,informalidadepodeserencontradatantonoempregoassalariado,assimcomoentreosautônomoseconta-própria, independentemente dos ramos da economia considerados. Ele podeestarpresenteno“setorinformal”strictusensu,nasentidades econômicasinformais,etambémemestabelecimentosformais. 4 O desemprego de longo prazoé de inido como aquele em que o individuoestaprocurandoempregohá12mesesoumais. 5 NAIRU=non-acceleratingin lationrateofunemployment(taxade desempregoquenãoaceleraain lação−Traduçãolivre). 6 DeacordocomaOIT,umaspectoagravantedofracodesempenhodo mercadodetrabalhosobreosjovensfoiaelevaçãoconsiderávelda participaçãodaquelesquenãoestudam,nãoprocuramempregoenão trabalham.Deacordocomaentidade,deumconjuntode40países comdisponibilidadedestetipodedado,esseconjuntodejovensque nadafazemaumentouem30deles. (*)ProfessorTitulardaFEA/USPePesquisadordaFIPE.Estetexto contoucomacompetentecolaboraçãodaalunadocursodeCiências EconômicasNicolePitelliBiason,aquemcoubeaelaboraçãodas iguras,grá icosetabelas,assimcomoabuscadedadosematerial bibliográ ico.Aalunatambémrealizouaprimeiraversãodasíntese conclusiva.Oserros,omissõeseconfusõessãoderesponsabilidade doautor.(E-mail:[email protected]). dezembro de 2014 26 temas de economia aplicada Distribuição de Renda no “Fio da Navalha”: Uma Nota Sobre os Desafios no Avanço das Políticas Distributivas Brasileiras V 1 Canal de Conflito de “ Rentismo Versus Trabalhismo” Noúltimoartigodestasérieforam apresentadosdoispossíveiscanais queat uam como contrapesoàs recentesmelhoriasnadistribuição derendabrasileiraequemerecem atençãoquandosebuscagarantir queessamelhoriasesustentepor mais tempo e da melhor forma possível.Lembrandorapidamente, elessebaseavamno:(1)fatode queoaumentodoempregoformal observadonoBrasildeveserrelativizadopelotamanhodaqueda doempregoinformaleautônomo, oquecaracterizamelhorianomercadode trabalhomasque,para sercontundente,deveatingirmais progressivamenteodesemprego aberto;e no: (2) fato dequeos mecanismosdetransferênciade renda,emborapositivos,demonstramumlimite,demodoqueo crescimentodoprodutoedarenda sãofatoresessenciaisnãoapenas parasuperarestelimitecomotambémparaimpulsionaraprevidênciasocial,quetambémtransfere renda. No presente ar t igo, apresent aremosumterceirocanaloucontrapeso,cujaimportânciaremete diretamenteàconexãodosetor inanceirocomadistribuiçãoda rendanacional,temacentraldesta sériee,porisso,reservadopara umaanáliseindividual.Foiobservadaaevoluçãodopatrimônio inanceiro,poisescapaporaí boaparte dos recursos que, de outraforma,poderiamgarantir melhordistribuiçãoderenda.Ao contrário,concentradosestesre- dezembro de 2014 G M (*) cursossobaformadepatrimônio degruposquepodempouparmais, alimenta-seumafonterelevantede concentraçãoderenda.Mas,deque forma,seforesseocaso,poderia terorendimentorentistaseelevadosobreorendimentotrabalhista? Paratanto,valeretomarumatabelacomparativaapresentadano últimoartigoequerevelaqueos avançosnoquesitodistributivono BrasilvêmsendobemmaiscaptadospelaPNAD(PesquisaNacional porAmostradeDomicílios)doque pelo PIB. Conforme comentado naquelaocasião,aúnicaexceção relevantefoioanode2007,noqual odesempenhodoPIBbrasileirofoi fortementein luenciadopeladescobertadopré-saleoutrosfatores deconjunturainternavis-à-visa externa.Segueatabela: 27 temas de economia aplicada Tabela 1 – Dados Comparativos PIB e PNAD ANO 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2011 2012 PIB per capita (R$1000 de 2012) % variação em relação ao ano anterior 18,29 18,63 19,14 20,09 20,90 20,63 22,69 22,70 1,88 2,74 4,92 4,08 -1,30 3,20 0,06 PNAD rendimento real infl*2012 801 846 917 933 970 989 1036 1113 % variação em relação ao ano anterior 5,62 8,39 1,74 3,97 1,96 4,75 7,43 Fonte:IpeadatacomdadosdoIBGE.Elaboraçãoprópria. Nota:*valoresin lacionadospeloINPC. AmelhoriadistributivacaptadapelaPNADmostra que,nouniversodasentrevistasdomiciliares,arenda médiaaumentou,maspraticamentenãoinformasobre rendimentosoriundosdepatrimônio inanceiro.Avaliaropossívelpesodesteúltimonãoétrivial.Embora parcialmentecaptadospeloPIB,osdadosdisponíveis paraavaliaçãodopatrimônio inanceiroaindasão muitoinsu icientes.Noentanto,aindaassim,daparte queefetivamenteconseguesercaptadapeloPIB,não parecevisível,deacordocomaanálisedoproduto pelaóticadarenda,ondeseriapossívellocalizá-la. Paratantovamos,umavezmais,reproduzirográ ico anteriormenteutilizadoparaaanálisedadistribuição funcionalderendanosúltimosartigos: Gráfico 1 – Composição do PIB pela Ótica da Renda Fonte:IBGE/SistemadeContasNacionais.Elaboraçãoprópria. Obs.:atéoperíodoemqueestetextofoiescrito,nãoestavamdisponíveisdadosparaalémde2009. dezembro de 2014 28 temas de economia aplicada Atentativadeencontrarosrendimentos inanceirospelaavaliação doPIBprecisariasedarporuma viaquefosseumpouco“além”do mesmo.Issoparecenosdeixarnum becosemsaída,poisseafonte inanceiradosganhos(supondoque aumentaram)nãoétrabalhista, tampoucoseriadoexcedenteoperacionalbrutototal,quecaiu,ou dosimpostos,aproximadamente constantes.Dasduas,uma:ouessa fonte,casotenharealmenteaumentado,seencontrariainteiramente alémdascategoriasdeanálisedo produtopelaóticadarendaoua composiçãodascategoriasesconde algum(ns)elemento(s)emseuinteriorquecria(m)umaespéciedeilusãoporexcessodeagregação.Aprimeirahipóteseéverdadeirasempre queoPIBnãoforcapazdecaptaro luxodevariações,quandogeradas, noestoquederiqueza inanceira.A segundahipótese,porém,também podeserverdadeira,sobalgumas considerações.Ocorreque,mesmo quedemodoaindainsu iciente,o SCN 1jáincorporaalgumasfontes deganhos inanceirosbemcomo, desde2007,jácontabilizaosnúmerosdasinstituições inanceirasde formaseparada.Partedessesvaloresécomputadacomoumtipode serviçoeassimcompõeoproduto. Massetratamdevaloresquenão existemnouniversodasentrevistas domiciliaresdoIBGE(amenosde saláriosepró-laboredosindivíduos envolvidosnessesserviços)epor isso,emboraestejamagregadosno PIB,nãoaparecem,porexemplo, naPNAD.Dessaforma,ofatode asvariaçõesna renda médiada populaçãoserempositivasemaioresquandoobservamosaPNAD comparativamenteaoPIBdeveser devidamenteponderado,jáquenão estamosincorporando,naprimeira, osrendimentosdopatrimônio inanceiromas,emalgumgrau,isso seencontranasegunda.E,paraque issoocorra,deacordocomográ ico acima,somentequandoembutido emdosseuscomponentes.Nesse caso,sónosrestaapontaroexcedenteoperacionalbrutototalcomo ofatorexcessivamenteagregado, porde inição.Oquequerdizerque, muitoemboraeletenhacaídoenquantoagregado,épossívelque umaoumaispartesnoseuinterior tenha(m)subido.Sóparaesclarecer esteponto,oqueestásendoa irmadoé:élogicamentepossívelqueo excedenteoperacionalbrutototal tenhasereduzidoenquantoparcela doPIBaolongodosanose,simultaneamente,tenhacontadocom umaumentonoseuinterior,correspondenteàsrendas inanceiras. Paraisto,bastaquesuaspartesque caíramtenhamsidomaioresqueo supostoaumentodaúltima. Portanto,estaparceladarenda mereceserinvestigadaparaoperíodoemquestão,mesmocomas limitaçõesqueaenvolvem.Uma tentativanestesentidoéfeitana Tabela2.Aliestãoreunidosnúmerosdosativosdopatrimônio inanceiroentreosdiferentessetores institucionaisutilizadospeloSCN. Acontadepatrimônio inanceiro passouaserelaboradapeloIBGE em2011,comoobjetivodedetalhareaprimoraracontabilidade dezembro de 2014 destaparceladerendimentosque, a inal,apesardenãoterumcálculosimples,émuitoimportante.A vantagemdousodamesmaestá exatamenteemmostrarobalanço anualdasoperações inanceiras, extraindo-seosresultadospatrimoniaisereduzindoumpoucoa imensavolatilidadedos luxosanuais.SegundooIBGE, Acontadepatrimônio inanceiro éumadeclaraçãoelaborada,no inícioeno imdoperíodocontabilístico,dosvaloresdosativos inanceirosquesetemempropriedadeedospassivosexistentes porumsetorinstitucionaloupela economianacional,utilizando-se tambémasmesmassetecategorias deativos inanceiros.(...)Acontade patrimônio inanceiroédemonstradapelascontasdepatrimônio inicialepatrimônio inalepela contadevariaçõesdepatrimônio. Essaúltimaregistra,nodecurso doperíodocontabilístico,asvariaçõesnopatrimônio inanceiro, decorrentesdeoperações inanceiras–transações–(anteriormente descritas)edeoutrasvariações deativos–revalorizações–ede outrasvariaçõesdevolume.(...) Astransaçõespodementãoser derivadas,residualmente,comoa diferençadeestoques(posições) entreoinícioeo imdeumperíodo,deduzidosquaisqueroutros luxos:Transações=Estoque inal -Estoqueinicial-Revalorizações- Outrasvariaçõesdevolume.(IBGE, 2011,p.10) 29 temas de economia aplicada Tabela 2 - Conta de Patrimônio Financeiro, a Preços Correntes, Segundo os Ativos Financeiros, por Setor Institucional (Balanço Financeiro) ($1.000.000) Setor Institucional 2004-2005 2005-2006 2006-2007 2007-2008 2008-2009 Empresas não financeiras 2.824.646 3.347.136 3.915.178 3.760.455 4.549.030 Empresas financeiras 4.311.841 5.206.426 6.575.071 7.693.613 8.758.842 Administração pública 1.981.028 2.113.076 2.285.409 2.345.987 2.644.611 Famílias e ISFL 1.509.005 1.658.568 1.967.156 1.974.887 2.310.638 TOTAL ECONOMIA 10.626.520 12.325.206 14.742.81 15.774.942 18.263.121 Variação % para o total da economia entre 2005-2009: 72% Variação % do PIB (preços correntes) no mesmo período: 51% Fonte:IBGE. Elaboraçãoprópria. Valeobservarque,sehouvevariação(aumento)signi icativado patrimônio inanceironessesanos (aumentodeestoques)éporqueos luxosantecedentestambémforam signi icativos.Eseumapartedesses luxosestá captada noPIB, entãoomesmore leteparciale indiretamenteaevoluçãodopatrimônio inanceiro.Esteéapenas umpontoparaseguardar,poistalvezamelhoriafuncionalderenda expressa no Grá ico 1 não seja tãoevidente.Ponderandoounão sobreos luxos,dequalquerforma, avisãosobreosestoquestema vantagem de revelar,emparte, ariqueza inanceiraacumulada eexistentenumdadomomento. Optou-seporapresentarapenasa evoluçãodosativospatrimoniais a imdeseobservaraevolução eopesodaatividade inanceira entreossetoresdaeconomianacional,masobalançodopassivo paraototaldaeconomiatambém écrescentenessesanos,elevando aparticipaçãodarendaenviadado Brasilparaossetores inanceiros dorestodomundo.Isto,efetivamente,vemmostraraparticipação crescentedaatividade inanceira emtodososníveis.Talfatoremete àpermanênciadaimportânciado setor inanceironosanosqueseseguema2005.Porém,paraaleitura dopesoprováveldosrendimentos inanceiros,nãoimportasaberde queformaosativossãomaisou menosescoadosnaformadepassivos,domesmomodoqueparaas entrevistasdomiciliaresnãoimportasaberseossaláriossãomais oumenosgastos,bastandoquese registreovolumederendimentos trabalhistas. Assim,seconsiderarmosoganho rentistacomoumtipoderendimento(assimcomosaláriosoupensões) esuspeitarmosdaelevaçãodeste rendimentoenquantofontedereduçãodaparcelaproporcionalde outrosrendimentosnarenda,não estaremosdiantedeumatarefa simplesedireta,masdeumainvestigaçãoindireta.Éestaqueestá sendosugeridanaTabela1. Observandoosconsideráveis72% deelevaçãodopatrimônio inanceiro,esabendoqueos luxosque ogeraramestiveramparcialmente captadosnocálculodoproduto internoentre2005e2009,há,no mínimo,bonsindíciosdequeesses luxostenhamtidoalgumaresponsabilidadenareduçãodopesode outrasvariáveisnoPIB,conforme selevantaasuspeita,paraocaso dotrabalho.Ou,pelaviadireta,o simplesaumentodopatrimônio inanceiroemtaxamaiordoque oaumentodoPIBrevela,por si sóque,paraalémdamelhoriana distribuiçãofuncionalcaptadano Grá ico1,encontra-semaisumelementocapazderelativizá-la.Este éoterceirocontrapesoàmelhoria dadistribuiçãofuncionalderenda jádiscutida. dezembro de 2014 30 temas de economia aplicada Juntandoostrêscontrapesosacumuladosnesteenoartigoanterior, umaboapossibilidadeparainterpretarasituaçãoatualécontinuar sustentandoahipóteseauxiliarde que,nomercadodetrabalho,houve essencialmenteumamudançana composiçãodaofertarelativaao vínculoformal,comalgumaperspectivadequeaformalidadecontinuecrescendo(eventualmente ultrapassandoaquedadainformalidade),aomesmotempoemque osganhos inanceiroscontinuaram registrandocifraselevadaseeventualmentecrescentes.Semaisou menoscrescentesdoqueoaumentodoempregoformal,naverdade nãoétãoimportante,poissetrata deumresultadorealmenteescorregadioquecaracterizaadelicadezadeumatrajetóriaoscilante, quepodeestardescrevendoexatamenteestemomentohistóricono Brasil:adistribuiçãofuncionalde rendatemindíciossigni icativos demelhoria,masapermanência dosganhos inanceiros,dediversas formas,seapresentacomouma cont ínuaameaça àmanutenção dessamelhoria.Oquerealmente importaéabriraslentesdaobservaçãoparaaocorrênciadesta trajetória.Ecomissonotarqueo Brasilseencontra,sim,umpouco melhordoquejáestevenoquesito distributivo,masaindadeforma muitofrágilepassíveldepender paraqualquerlado.Adependerde umaconjugaçãoconsideráveldefatorespode-seromper(ouesgotar) comessasupostatrajetóriavirtuosademaneirarápidaoua irmá-la demodomaisconsistente. economiaapresenteapenastrês gruposderenda,grosseiramentede inidospor“pobres”,“classe média”e“ricos”.Suponha-seainda queosdoisprimeirosgruposrecebamrendimentosoriundosde variadasformasdetrabalhoeque oúltimogruporecebarendimentos decapitaleganhosrentistasno sentidoaquicolocado.Considere-seaindaqueosrendimentosabsolutosdostrêsgruposaumentaram noperíodoconsiderado,masqueo maioraumentorelativotenhasido odosricos,sendo,porém,queeste aumentotenhasidomenorqueo somatóriodosaumentosconjuntos depobreseclassemédia.Final2 Hipótese Interpretativa para um mente,suponha-sequeospobres tenhamelevadoseurendimento Quadro Distributivo Instável relativamentemaisqueaclasse Paradiscutirasimplicaçõesou média.A iguraaseguirdáuma possibilidadesteóricasrelaciona- ideiadessaabstração.Otamanho dasaostrêscanaistrabalhados, das setas representa a taxa de considere-seumexemplobemsim- crescimentodarendadorespectipli icadornoqual,porhipótese,a vogrupo: Figura 1 – Taxas Hipotéticas de Crescimento da Renda Entre Classes dezembro de 2014 temas de economia aplicada Estailustraçãocontempla,simultaneamente: • quedadoÍndicedeGini,umavezquereduzadesigualdadeinternadotrabalho; 31 sutilmentepróximadezero.Sepositiva,adistribuição funcionalestarámelhorando,porém,bemlentamente esemprerequerendoprecauçãonaanálise.Senegativa,estarápiorandoenasmesmascondições. Dessemodo,temosindíciosdequeacondiçãodadistribuiçãofuncionalderendahojenoBrasildescreve 2 umaespéciede iodenavalha(!). Paraquesecon igureumatendênciaclaraénecessárioque,maisdo queumaeventualsubstituiçãodainformalidadepela formalidade,sejagarantidaumaestratégiacontinua• elevaçãodogapderendimentorelativoentrericose dadeincorporaçãoequali icaçãodemãodeobranos próximosanos.Istonãoétrivial,poisnosprimeiros pobreseentrericoseclassemédia; estágiosdeumprocessodedesenvolvimentooude • secontinuadapordeterminadotempo(imaginemos mudançanain lexãodeumatrajetóriadedesenvolque“nolimite”),essatendênciaapresentaaparticu- vimento(nestecaso,invertendoatendênciadadistribuiçãofuncionalderenda),aincorporaçãodotrabalho laridadedetransformaraclassemédiaem“pobres émaisdiretaeaquali icação,menosfundamental.Já maisabastados”ou,inversamente,transformaros comopassardosanos,ageraçãodenovospostosde pobresnuma“classemédiamaismodesta”;ajunção trabalhotorna-semaisdi ícileaquali icaçãocadavez dessasduaspossibilidadesencerraumanovaclasse, maisnecessária,aumentandoograudedi iculdade doproblema.Combasenosdadosacima,nasutileza quepodeserchamadade“novaclassemédia”. sobreain lexãodistributivafuncionaleaceitando Sobreestaúltimaclassedescritanoitemanterior, ainterpretaçãodequeatéagoraaproximou-sede “novaclassemédia”,pode-sedizer:comseuadvento, umasubstituiçãodagrandepartedainformalidade reduz-seoabismoentreosricoseanovaclassemédia, porformalidadenotrabalho,pode-seentenderque muitoemboraessareduçãosejabemlenta,logica- omaiordesa iodevemesmoestarcomeçandoagora, mente,dadasascondiçõesdoproblema(quedispõem nageraçãodenovospostosdetrabalho,maisquena aproporçãoentreassetasdaformabemparticular substituiçãorelativa,embutidosnacontinuidadede umprocessorobustodecrescimentocomdesenvolviacimaoucompoucavariaçãosobreela). mentoeconômicoesocial. Acon iguraçãoacimaé,guardadasasdevidassimpliicações,compatívelcomaestruturasugeridamais Amençãoà“novaclassemédia”,porsuavez,também acima,deumatrajetóriainstávelnadistribuiçãode nãoveioporacaso.Tampoucoaconstruçãodeum rendaesuaves lexibilizaçõesdessacon iguração diagramaquegerasseesteestadodecoisas.Taldenoperfeitamenteconcebíveis(porexemplofazendovaler minaçãovemsendoutilizadahápoucosanosnoBrasil ocasoemqueaparticipaçãototaldotrabalhocaiao paradescreverasituaçãodemigraçãodaschamadas longodotemposeaquedarelativadosetorinformal classesDeEparaaclasseCnosestratosderenda formaiorqueoaumentodoformal).Omaisimpor- média.Semperderaoportunidadedaironia,essemais tantenessaestruturaéquesemantenhaasutilezana pareceserocasodaconstituiçãodeuma“novaclasse qual,oraadistribuiçãofuncionalmelhora,orapiora. pobre”doquepropriamentedeumanovaclassemédia Ouqueadiferençadotamanhosomadodasduas porváriosmotivos.Osdoisprincipais,constatados primeirassetasemrelaçãoaodasegundasetaseja quandodoslevantamentosparaesteestudo,foram: • quedadadesigualdadefuncionalderenda,umavez queasomatóriadastaxasdecrescimentodosrendimentosdotrabalhosuperaataxadecrescimentodos rendimentosdocapitaleoutrasrendas; dezembro de 2014 32 temas de economia aplicada atendênciaque alguns autores detectaramdeesvaziamentoda classemédiaaolongodoperíodo neoliberal 3 ,entendendo-seesta classenosentidousualdotermo4; eofatodequeasmelhoriasgerais erecentesnadistribuiçãoderenda sereferempredominantemente amudançasnacaudainferiorda distribuição.Asúltimascompreendemainegávelreduçãodapobreza absolut a cober t a grandemente pelosprogramasdetransferência derendaemesmoaelevaçãodo saláriomínimoqueatingemaisos decisinferioresdadistribuiçãoe, principalmente,atingediretamenteosbene íciosprevidenciários. Referências FIGUEIRÊDO,E.A.;JUNIOR,J.L.S.N.;JUNIOR, S.S.P. Distribuição, mobilidade e polarização de renda no Brasil: 1987 a 2003. Revista Brasileira de Economia, Rio de Janeiro,v.61n.1,p.7-32,jan-mar.2007. GALETE,R.A.Aquantasandaaclassemédia assalariadanoBrasil?Race,Unoesc,v.7, n.1,p.71-86,jan.-jun.2008. HARROD,R.Anessayindynamic theory. Economic Journal, v.49, n.193, p.14-33, 1939. IBGE.Conta inanceiraecontadepatrimônio inanceiro2004-2009.SistemadeContas nacionais,RiodeJaneiro,2011. Endereços Eletrônicos: Portanto,secoubermaiorrigor IBGE:<http://www.ibge.gov.br/home/>. aostermos,émaisprovávelqueo Ipeadata: <http://www.ipeadata.gov. br/>. Brasilestejadiantedepaulatino esvaziamentodatradicionalclasse média,constituiçãodeuma“nova classe(menos)pobre”epermanênciabastanteprováveldeuma classericarelativamenteisolada, aindamaissepudéssemosmedir com precisãoo Gini dariqueza 1 SistemadeContasNacionais,utilizadopelo IBGEparacalcular,entreoutrosagregados nacional.Estanovaclasserepremacroeconômicos,oPIB.Serádaquiem dianteapenasreferidoporestasigla. sentaumavançodistributivo,pois senãoéexatamente“média”no 2 Em alusão a Harrod (1939), mas sem qualquerconexãocomoconteúdodesuas sentidotradicional,tambémnãoé ideiassobrecrescimentoeconômico,guarefetivamentepobrecomofoihisdando,porém,asubstânciadeumasituação naqualaeconomiaencontra-sesutilmente toricamente.Apreocupação,como no limiar entre dois possíveis resultados, sempre,éoisolamentodosmais neste caso, distributivos. Ao sair deste ricosdetodoesteprocesso. limiar, a economia pode enveredar tanto dezembro de 2014 porumatrajetóriavirtuosaquantoviciosa dadistribuiçãofuncionaldarenda,podendo penderparaumououtrolado. 3 O fenômeno de esvaziamento da classe média teve mais popularidade durante a décadade90eperdeuvisibilidadeprincipalmenteapósasmudançasveri icadasnos anos2000.Eleestáparcialmenteassociado ahipótesedesegmentaçãodomercadode trabalhosóquedeformaumtantomaisintensa,naqualgeralmenteseutilizaotermo polarização da renda. Ver, por exemplo, Figueiredoetal(2007)ouGalete(2008). 4 Emboraestigmatizado,oíconedeumaclasse média tradicional pode ser representado pelaclassemédia paulistana,cuja lista de benseserviçosdeveabranger,pelomenos: casaprópria,planosesaúdefamiliar,escola particular e atividades extra-curriculares paraascrianças,umouatédoiscarrosna garagem(comomuitospaulistanosutilizam para orodízio) e férias anuais.Trata-se, é claro,deaproximaçõesnãorigorosas. (*)DoutoraemEconomiapeloIPE-USP. (E-mail:[email protected]). 33 temas de economia aplicada Evolução do Estoque de Vínculos Empregatícios Formais Entre 2003 e 2013 R Emboraexistamváriosestudos mostrandoaexpressivageração deempregosformaisentre2003e 2013,emgeral,nãohámuitosque analisamesteprocessoemnível municipaledesagregandoocomportamentoentreoptantesenão optantespeloSIMPLES.Apartir dosdadosdaGuiadeRecolhimento doFGTSeInformaçõesàPrevidênciaSocial(GFIP),épossívelfazera referidaanálise.Contudo,antesde partirparaessaanálisemaisdesagregadaéimportanteapresentar oquadroagregadoparaoBrasil. ComopodeservistopelaTabela 1,oestoquedeempregoformal dosdeclarantesdaGFIPcresceu de24,3milhões,emdezembrode 2003,para42,9milhõesnomesmo mêsde2013,resultandoemuma geraçãodeempregosparaoperíodode2004a2013de18,6milhões (altarelativaacumuladade76,5% ou média anual de5,8%a.a.).A desagregaçãoporestabelecimentosoptantesenãooptantespelo SIMPLESmostrouqueoestoque de empregos nos últimos cresceuemumritmosuperioraoobservadonosprimeiros:enquanto paraosoptantesocrescimentofoi de94,1%(6,9%a.a.)nacomparaçãodedezembrode2003como mesmomêsde2013,paraosnão optantesoincrementofoide71,2% (5,5%a.a.).AparticipaçãodoSIMPLESnoempregototalcresceude 23,2%para25,5%noreferidoperíodo,sendoresponsávelpor28,5% dototaldevínculosgeradosnos anosde2004a2013. N C (*) OestoquedevínculosempregatíciosdosoptantespeloSIMPLES cresceu de 5,6milhões, emdezembrode2003,paracercade11 milhõesnomesmomêsde2013,ou seja,umageraçãodecercade5,3 milhõesdeempregos.Namesma comparação,oestoquedevínculos empregatíciosparaosnãooptantesseelevoude18,7milhõespara cercade32milhões,ouseja,um incrementode13,3milhões. Contudo,cabedestacarqueoestudoéafetadoporestabelecimentos quemudaramdeenquadramento, bemcomopelonascimentoemorte deempresas,sendoqueseriainteressanteposteriormenteaprofundaroestudopormeiodedadosem painel,masquenãoserárealizado nesteartigo. dezembro de 2014 34 temas de economia aplicada dezembro de 2014 35 temas de economia aplicada Aanálisedesagregadapormunicípios,agrupadospordécimos,é mostradanaTabela2enoGráico1.O1ºdécimoéaquelecom menoreo10ºéaquelecommaior PIBpercapita.Comoimportantes observações,nacomparaçãode dezembrode2013comomesmo mêsde2003,podemsercitadas: a)paratodososdécimosocrescimentodoempregonosoptantes peloSIMPLESfoimaiorquedos nãooptantes;b)ascidadesmais pobres(commenorPIBpercapita1)tiveramcrescimentodoempregosuperioraodosmunicípios maisricos–aquelas queestão nos seisdécimos mais pobres tiveramincrementoentre89,7% e104,7%eaquelasqueestãonos 4décimosmaisricosregistram elevaçãoentre70,4%e81,3%;c) enquantoosmunicípiosqueestão entreos10%commaiorPIBper capitaregistraramaltade71,7% (5,6%a.a.eabaixodamédiageral de5,8%a.a.),ascidadesqueestão entreas10%commenorPIBper capitativeramelevaçãodoempregode102,5%(7,3%a.a.).Contudo,os10%maisricosaindarepresentavamumaparcelamuito grandedoempregototal,mesmo quedeclinante, tendo caídode 46,9%,em dezembro de2003, para 45,5%no mesmomês de 2013.Jáparaos10%maispobres, namesmacomparação,aparticipaçãonoempregototalaumentou de0,7%para0,8%. o mesmo mês de 2003: 78,6% cont ra 70,8% (6%a. a. cont ra 5,5%a.a.)paraosnãooptantes pelo SIMPLES; 145,7% cont ra 88,2%paraosoptantes(9,4%a.a. contra6,5%a.a.)e93,2%contra 74,9%noempregototal(6,8%a.a. contra5,7%a.a.). Umpontoquechamaatençãoéque oritmodecrescimentodoempregodosmunicípiosmaispobresfoi fortementepuxadopelosoptantes doSIMPLES,empartepelabaixa basedecomparação,comopode servistopelaTabela2eGrá ico1. Paraascidadesqueestãoentre Atítulodeexemplo,osestoquesde aquelascom50%demenorPIB vínculosempregatíciosdoSIMPLES per capita houve crescimento cresceram,noperíodode2004a doempregoacimadaquelasque 2013,299%(14,8%a.a.),223,4% estãoentreasde50%demaior (12,5%a.a.),172,4%(10,5%a.a.), PIBpercapitatantoparaosop- 146,5%(9,4%a.a.)e116%(8%a.a.) tantescomoparaosnãooptantes para,respectivamente,oprimeiro, aoSIMPLESnacomparaçãodoes- segundo,terceiro,quartoequinto toqueemdezembrode2013com décimosmaispobresdoPaís. dezembro de 2014 36 temas de economia aplicada dezembro de 2014 37 temas de economia aplicada Gráfico 1 – Crescimento Médio Anual do Emprego no Período de 2004 a 2013 para Brasil por Décimo de Municípios Segundo PIB Per Capita 16,0 14,8 14,0 12,5 12,0 10,5 9,4 10,0 7,3 8,0 6,1 6,7 6,5 6,6 5,8 5,3 6,0 8,0 7,4 6,6 6,1 6,6 6,9 6,7 7,0 5,8 6,1 6,4 6,0 6,1 6,6 5,9 5,3 5,5 5,3 5,6 4,0 2,0 0,0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Décimo segundo PIB per capita Não SIMPLES SIMPLES Total Fonte:ElaboraçãoprópriaapartirdedadosdadoMinistériodaPrevidênciaSocialedoIBGE. Portanto,deformaresumida,pode-sea irmarque houvecrescimentoexpressivodoempregoformalno períodode2004a2013,eoritmodeincrementoentre osoptantespeloSIMPLESsedeudeformamaisaceleradaqueentreosnãooptantes,bemcomofoimais intensoparaascidadesmaispobres(menorPIBper capita)doqueparaosmunicípiosmaisricos(maior PIBpercapita).Ademais,umdosfatoresqueexplica omelhordesempenhodascidadescommenorPIB percapitaéexatamenteoexpressivoritmodecrescimentodoempregonosoptantesaoSIMPLESnesses municípios.2 1 FoiutilizadooPIBpercapitadosmunicípiosem2003paraordenarascidades. 2 Cabedestacar,contudo,queasalteraçõesdeenquadramentodeumamesma empresaafetamosresultados,bemcomoonascimentoemortedeempresas, emespecial,nocasodoSIMPLES.Alémdisso,asomadosdécimosnãodásomatórioexatamenteigualaoagregadonaTabela1,poishácasosdevínculos communicípioignorado,bemcomonãohouveajusteàsmudançasnonúmero decidades. (*)MestreemEconomiapeloIPE/USPeEspecialistaemPolíticasPúblicas eGestãoGovernamentaldoGovernoFederaldesdejaneirode2000.Mestre emdireçãoegestãodosSistemasdeSeguridadeSocialpelaUniversidadede Alcalá/EspanhaeOrganizaçãoIberoamericanadeSeguridadeSocial.Oautor tevepassagenspeloMinistériodaPrevidênciaSocial(ex-AssessorEspecialdo Ministro,Coordenador-GeraldeEstudosPrevidenciárioseatualmenteDiretordoDepartamentodoRegimeGeraldePrevidênciaSocial),Ministériodo TrabalhoeEmprego(ex-AssessorEspecialdoMinistroeex-Coordenador-Geral deEmpregoeRenda),MinistériodoDesenvolvimentoSocial(ex-CoordenadorGeraldeAcompanhamentoeQuali icaçãodoCadastroÚnico),Organização InternacionaldoTrabalho(OIT)eInstitutodePesquisaEconômicaAplicada (IPEA).Aopiniãodoautornãoexprimeaposiçãoinstitucionaldasinstituições citadas.(E-mail:[email protected]). dezembro de 2014 38 temas de economia aplicada O Grau Inovativo das Aglomerações Industriais Relevantes do Brasil – Parte II1 E Essasegundapartedotrabalho irámostrarametodologiaadotada parade iniroÍndicedeInovação regionaleosclustersdeinovaçãoa partirdele.Abasedesseíndicesão ashabilidadesimportantesparao processoinovativoquecadaocupaçãopossui.Assim,ummunicípio comummercadodetrabalholocal compostorelativamentepormais trabalhadoresemocupaçõescom maiorcapacidadeinovativaterá umÍndicedeInovaçãomaiselevado,dadaacomposiçãosetorialda indústriaeonúmerodetrabalhadoresemPesquisaeDesenvolvimento(P&D). 1 Metodologia Thompson e Thompson (1985; 1987,apudFESER,2003)argumentaramfortementedequeoseconomistaseosplanejadoresregionais dedesenvolvimento econômico deveriamdarpelomenosamesma atençãoparaostiposdetrabalho daeconomialocalcomodãopara ostiposdeprodutosquesãofabricadosnolocal.OÍndicedeInovaçãoqueirásercalculadoneste trabalhodaráessefoconomercadodetrabalhodasaglomerações, considerandoaindaacomposição setorialdaindústria. Esseíndiceprocuraavaliaracapacidadedeinovardasaglomeraçõesqueestáincorporadanas habilidadesdosseustrabalhadoresenomixdeocupaçõeslocais, considerandoque,seas irmas do local procuram inovar, elas incentivaramaformaçãodemais pesquisadoresedetrabalhadores comashabilidadesnecessáriasno mercadodetrabalholocal.Ou,de outromodo,seostrabalhadores possuemashabilidades necessáriasparainovar,issoajudae incentivaas irmaslocaisainovarem,mesmoqueelasnãofaçam umesforçocontínuoparaisso. Logo,podeexistirumamãode viaduplanomercadodetrabalho, tornandoimportanteavaliar a composiçãodashabilidadesdos trabalhadorescomoumindicador dacapacidadeinovativadaaglomeração,indoalémdeanalisar simplesmente,mastambémincluindoapresençadeindústrias desetoresdealtatecnologiaedas economiasdoconhecimento,já quenãosãoapenasessesqueinovam.Assim,aanálisedostiposde trabalhoesuashabilidadescomplementaumaanálisedostipos deprodutosesetoresnotocante àinovação. dezembro de 2014 M G S (*) Ashabilidadesdecadaocupação foramobtidasdaONET(OccupationalInformationNetwork),um bancodedadoseletrônicosobre asocupaçõesamericanasdesenvolvidopeloDepartmentofLabor dosEUAdesde1998,substituindo oDOT(DictionaryofOccupational Titles). AsvariáveisdaONETsobrehabilidades,perícias,conhecimentos, interesseseestilosdetrabalhos recebemduasclassi icaçõespara cadaocupação:aprimeiranuma escalade1(baixo)a7(alto),de acordo com o níveldeprofundidadequeaocupaçãoexigena habilidade,perícia,conhecimento, interesseouestilodetrabalho. Porexemplo,nocasodavariável conhecimentodeeconomiaede contabilidade,pode-seirdeum conhecimentosimplesdenúmeros,noçõesdeeconomiaeprocedimentoscontábeis(classi icação 1) até um conhecimento mais complexodeoperações inanceiras,regulamentos,econometria, modelosavançadosdeeconomia edecontabilidadedecustos(classi icação 7);easegundanuma escalade0(irrelevante)a5(alto), quecorrespondeàimportância davariávelemtermosdacentra- 39 temas de economia aplicada lidadeedafrequênciadeusonas atividadesdaocupação(FESER, 2003).Jáasvariáveisdecontexto detrabalhopossuemumaescala diferentee,nesse caso, foram normalizadasparaumaescalade 0a1. O sistema de classi icaçãodas ocupaçõesadotadopelaONETéa StandardOccupationalClassi ication(SOC)dosEUA.Osdadosda ONETqueserãoutilizadosneste trabalhosãoosdaatualização dejulhode2011,versão17,eque usaramaclassi icação da SOC 2010. Porém, os dados sobreas ocupaçõesdomercadodetrabalho brasileiroseguemaCBOdoMTE. Maciente(2013)realizaumtrabalhopioneiro aoligaras ocupaçõesdaONET-SOC2010com aclassi icaçãodasocupaçõesda CBO2002,procurandoatribuir àsocupações da CBO os valoresdas variáveisda ONET das ocupaçõesdaSOC2010.Assim, o banco de dados da ONET foi usado como umaaproximação para o nível das habi lidades, dosconhecimentosedeoutros requ isit os das ocupações do mercadodetrabalho brasileiro. Maciente(2013)conseguiu atribuir263variáveisdaONET para2.702ocupaçõesdistintas da CBO 2002, obtendo-se uma boaaproximaçãoparaoníveldas habilidadesdasocupações do mercadodetrabalhobrasileiro. Usandoosdadosdotrabalhode Maciente(2013),foramselecionadas87das263variáveis,que re letemhabilidades,perícias,conhecimentoseestilosdetrabalho ligadoseúteisàsatividadesinovativas.Asvariáveisforamselecionadasconsiderandoainovação emtermosamplos,ouseja,inovaçõesqueprocuramgerarnovos produtos,processosepatentes; inovaçõesnasdimensõesgerencial,organizacional, comercial, distributivaeoutrasda irma;que podemsernovassóparaa irma, paraomercadonacionaloupara omercadomundial;equepode serobtidapelapesquisapura,por atividadesdeP&D,porcomprade licenças,poratividadescooperativas,pelaabsorçãodenovasideias alheias,pelacompraeestudodo conhecimentoincorporadonuma novamáquinaousoftwareepor outrosmeios,pelosquaisainovaçãopodeocorrer. Alémdisso,comooobjetivodo trabalhoéavaliaracapacidade inovativadeumaaglomeração,e nãodeuma irmaisolada,tambémforamconsideradasvariáveisimportantesparaoprocesso detransbordamentodeconhecimentoqueocorreatravésdos trabalhadores de uma mesma localidade.Assim,as87variáveis selecionadasforamsubdivididas em duas categorias: potencial inovativo,quesão asvariáveis quepodemserdiretamenteutilizadasnasatividadesinovativas, espilloverdeconhecimento,que re letemmaisacapacidadeque cadaocupaçãotemdetransmitir ereceberinformações,conhecimentoseideias–logo,queimpactamacapacidadeinovativadas aglomeraçõesatravésdostransbordamentos de conhecimento.São61variáveisdepotencial inovativoe26asdespilloverde conhecimento.Entreasdepotencialinovativo,pode-secitar,por exemplo,asvariáveisFluênciade Ideias,Originalidade,Inovativo, PensamentoCrítico,Soluçãode ProblemasComplexoseDesign de Tecnologias. Já entre as de spilloverdeconhecimento,têm-se CompreensãoeExpressãoOrale Escrita,FalarcomClarezaeFrequênciadeInteraçõesFaceaface, entreoutrasvariáveis. Comoa irmaMaciente(2013),as variáveisdaONETpossuemuma altacorrelaçãoentresi,mesmo variáveisdedomíniosdiferentes. Issopermiteautilizaçãodemétodosdeanálisemultivariadade fatores,a imdereduzireclassi icarosdadosoriginaiscombinando-os,mantendoamaiorparte dasinformações,edeencontrar fatores ou constructos desconhecidosnosdados(HAIRetal., 1998;MINGOTI,2007). Entreessesmétodosderedução dedados,odecomponentesprincipais,PCA,PrincipalComponent Analysis,constróiumconjuntode variáveisC1,C2,...Ck ortogonais, ouseja,nãocorrelacionadas, a partirdeumacombinaçãolinear dezembro de 2014 40 temas de economia aplicada dek-variáveisaleatórias(X1,X2, ...X k).Essasvariáveisortogonais, denominadascomponentesprincipais,captamtodaavariabilidadedasvariáveisoriginais,ouseja, oscomponentessãode inidosa partirdeumamatrizdecovariância.Essescomponentesprincipais partemdamatrizdaTransformadadeHotelling,cujaslinhassão formadasapartirdosautovetoresdamatrizdecovariânciadas variáveisoriginais,arranjadosde modoqueaprimeiralinhaseja oautovetorcorrespondente ao maiorautovaloreassimsucessivamente,atéqueaúltimalinha correspondaaomenorautovalor. Oskcomponentesexplicamtoda avariânciadaskvariáveisoriginais;porém,selecionando-seapenas(k – n), n < k,componentes, pode-seexplicar amaiorparte davariânciadosdadose,assim, escolherasformasmaisrepresentativasdosdadosapartirde combinaçõeslinearesdasvariáveisoriginais. plingAdequacy(Adequaçãoda AmostradeKaiser),eotestede EsfericidadedeBartlettsãoduas dasprincipaismedidasdoajuste daamostraàanálisedecomponentesprincipaiseseusresultadosforampositivosparaautilizaçãodaPCA,emquetodasas 87variáveisselecionadasforam mantidas. Escolhidasasvariáveisqueserão usadas,opróximopassoéescolher onúmerodefatoresaseremextraídos.Existemváriosmétodospara orientaressadecisão,entreeles otestedaRaizLatentedeKaiser (1960),aanálisegrá icadosautovalores,ScreeTest,eocritériodo percentualdevariânciaexplicada. Assim,analisandoosresultados daRaizLatenteedoScreeTest,e deque80,73%davariânciatotal entreasocupaçõesnas87variáveisselecionadasdaONETjásão explicadasatéo10ºcomponente depotencialinovativoe84,82% atéo4ºcomponentedespillover deconhecimento,valoresrepreAplicou-seométododaPCAnas sentativos,decidiu-seextrairesse 61variáveisdepotencialinovati- númerodecomponentes. voenas26despilloverdeconhecimentoselecionadasdaONET. Emseguida,selecionadoonúmero SeguindoostrabalhosdeFeser decomponentesaseremextraídos, (2003)eMaciente(2013),osvalo- procede-se àinterpretação dos resdasvariáveisutilizadosforam componentes.Ascargasfatoriais obtidosmultiplicando-seaclassi- sãoospesosquecadavariáveltem icaçãodaONETrelativaaonível nacombinaçãolinearqueformaos deprofundidadedavariável,de componentes.Assim,asvariáveis 1a7,pelaclassi icaçãodonível quepossuemmaiorcargafatorial deimportânciadavariávelpara emtermosabsolutosnumcompoaocupação,de0a5.Ostestesde nentesãomaisimportantespara MSA,Kaiser’sMeasureofSam- interpretá-lo.Arotaçãodosfatores dezembro de 2014 facilitanessabuscadosentidodos componentesextraídosaodeslocar oseixosdereferênciadosfatores emtornodaorigematéalcançar umaposiçãoemqueascargasfatoriaisdoscomponentespermitam melhorinterpretação.Issoéfeito simpli icando-seaslinhasecolunasdamatrizdecargasfatoriais, massemalteraroautovalortotal doscomponentes;logo,semalterar avariânciatotalexplicadaporeles, apenasredistribuindoascargas fatoriaisentre oscomponentes conformeametodologiaderotaçãoescolhida.Entreosmétodosde rotaçãoortogonalquesimpli icam essamatriz decargasfatoriais, oVARIMAXéomaiscomumente utilizadopelasuacapacidadeanalítica. Comarotação VARIMA X,oprimeirocomponentedepotencial inovativoexplicasozinho23,56% davariância,enquantoosegundo, 10,59%,aindamantendoamesma ordem decrescente de percentual devariância explicadapor componenteeopercentualtotal acumuladode80,73%.Semelhantementeparaosdespilloverde conhecimento,emqueoprimeiro explica46,46%davariância,acumulandonototaldosquatrocomponentes84,82%davariância,havendoapenasumaredistribuição dascargasfatoriaiscomarotação. Apartirdascargasde iniu-sea interpretaçãodecadaumdoscomponentes.Oprimeiroemaisrelevantecomponentedepotencial temas de economia aplicada inovativopossuicargassigni icativasem20dasvariáveis,abrangendoperícias ehabilidadesde raciocínioesoluçãodeproblemas (FluênciadeIdeias,Originalidade, PensarCriativamente,Rapidezde Conclusão,SensibilidadeaProblemas,SoluçãodeProblemasComplexosetc),associadosàcapacidadedemanipulareanalisardados (HabilidadeMatemática,Ciência, AnalisarDadoseInformaçõesetc) edeaplicareaprendernovosconhecimentoseideias(Aprendizado Ativo,DesigndeTecnologia,AnáliseOperacionaletc).Logo,esse componenterevelaacapacidade daocupaçãodeencontraregerar novasideiaseconhecimentose implementá-lasnasoluçãodeproblemas,ouseja,acapacidadeanalíticadegerarinovações.Porisso, essecomponentefoidenominado “Capacidadede utilizar egerar conhecimentos ede solucionar problemas”.Osegundocomponenteémaisespecí iconacapacidade deprocurar,processar,manipular eanalisardados(Investigativo, AtençãoaosDetalhes,Pensamento Analítico,ProcessarInformações, Documentar/GravarInformações etc),englobandocamposdoconhecimentoqueutilizamessacapacidade(QuímicaeClerical)eahabilidadedeusá-lo(AtualizareUtilizar ConhecimentosRelevantesetc). Porém,estánegativamenterelacionadocomacapacidadedeutilizar oconhecimentoemquestõesmais operacionais(AnáliseOperacional, DesigndeTecnologiaeProdução deAlimentos). Jáoscomponentesseguintesenglobamdiferentesáreasdoconhecimentoeperícias,habilidadese contextosdetrabalhosrelacionados:“Ciênciassociaisecapacidade deadministraregerenciar”,“Ciênciashumanaselínguas”,“Ciências dasaúde”,“Engenhariaedesign”, “Comunicaçãoepensamentocriativo”,“Transporte,construçãoe segurançapública”,“Tecnologiada informaçãoecomunicação(ICT)” e“Ciênciasnaturais”.Todasessas áreasdoconhecimentocientí icohumanosãoimportantespara gerarinovações,principalmente seassociadascom asperíciase habilidades dos dois primeiros componentes.Interessantenotar que a variável Inovativo tem o maiorpesotantoem“Engenharia edesign”comoem“Comunicaçãoe pensamentocriativo”. 41 sinaroutros(Instruir,Treinare EnsinarOutros,TreinareDesenvolverOutrosetc).Oterceiroé compostodehabilidadesecontextosdetrabalhosociais(Socializar,TrabalharemCooperação etc),de inidocomo“Capacidade desocializarecooperar”.Porúltimo,a“Capacidadededesenvolver etrabalharemgrupoedeinteragir”envolveCoordenaroTrabalhoeasAtividadesdeOutros, TrabalharcomGrupodeTrabalho ouTimes,entreoutros,incluindo uma exigência de trabalho muitoimportantenaliteraturade transbordamentodeconhecimento:FrequênciadeDiscussõesFace a face. Essescomponentes são relativamentemaisbemde inidosedistintosentresidoqueos componentesdepotencialinovativo,emquemuitasvariáveistêm pesosimportantesesemelhantes Já o pr imeiro componente de emdiferentescomponentes. spilloverdeconhecimentoabrange umvastonúmerodehabili- Comooobjetivodopresentetradades e perícias de expressão balhoécomporum índice que (ExpressãoOral,ExpressãoEs- representeo grau de inovação crita,FalarcomClarezaetc),de deumaaglomeraçãoatravésdas compreensão(CompreensãoOral, habilidadesemgeraldoseumerCompreensãoEscrita,Compre- cadodetrabalho,utilizaram-seas ensão deLeituraetc)edeco- cargasfatoriaisdaPCAeovalor municação(InterpretaroSenti- quecadaocupaçãotem nas 87 dodeInformaçõesparaOutros, variáveisselecionadasparagerar Comunicar-secomPessoasFora umaescalamúltipla,ondeas87 daOrganização etc) que estão variáveis para cada ocupação intimamenteligadas. Por isso, serãoreduzidasparaapenas14 essecomponentefoidenominado componentes,porém, que con“Capacidadedeexpressãoecom- seguemexplicarjuntasmaisde preensão”.Osegundo,“Capacida- 80%davariânciaentreasocudedetreinar,ensinareinstruir”, pações.Avantagemvisadanesse englobamaishabilidadesdeen- métodoépoderrepresentaras dezembro de 2014 42 temas de economia aplicada múltiplasecomplexasdimensões dacapacidadeinovativaedacapacidadedetransbordarconhecimentoquecadaocupaçãotem empoucasmedidas,ounotas,que dizemoquantoaquelaocupação tempossibilidadedecontribuir noesforçoinovativodaregião. Assim,facilita-seainterpretação dos result ados, evitando usar variáveisredundanteseseguindo aboacondutadaparcimôniano númerodevariáveis. Portanto,cadaocupaçãovaireceber14notasrepresentandoos 14componentesextraídoscoma PCA,emquecadanotaseráuma combinaçãolineardetodasas87 variáveisdaocupação,usando comopesoascargasfatoriaiscom arotaçãoVARIMAX,dandoassim maiorespesosparaaquelasvariáveisquemaisdiferenciamasocupaçõesnasuacapacidadeinovativaedespilloverdeconhecimento. Ouseja,sendoC P,O,meC S,O,mas notasnoscomponentesdopotencialinovativoenosdespilloverde conhecimento,respectivamente, O=1,...2.702asocupaçõesem =1,...14oscomponentesdaPCA, então: Onde ,sãoascargas fatoriaisdecadaumdosm componentesdoPCAeX k,Osãoas87 variáveisoriginaisselecionadas da ONETparacadaumadasO professor,pro issionaisdaeducaocupações. ção,psicólogos,chefesdeestado ealtoscargosdopoderexecutivo Na“Capacidadedeutilizaregerar dogoverno,diretoresegerentes. conhecimentosedesolucionar problemas”,aocupação com a OÍndicedeInovaçãoproposto maiornota,13,2948,foipesqui- aquisebaseianasmuitasevidênsadorem ísica,seguidode ísicos ciasdaliteraturadeumaassociaemváriasáreasdeespecialidade çãopositivaentreosesforçosde comamesmanota.Interessante P&Dlocaleainovaçãoemvárias quepesquisadorem ísicaéuma regiõesdomundo(JAFFE,1989; dasocupações queestádentro MORENOetal.,2005;FRITSCH; dafamíliadaCBO2002“Pesqui- SLAVTCHEV,2007;GONÇALVES; sadoresdasCiênciasNaturaise ALMEIDA, 2009; GONÇALVES; Exatas”,umadasnovefamíliasde FAJARDO,2011;MONTENEGRO ocupaçõespro issionaisdireta- etal.,2011;MASCARINI,2012; menteassociadasàatividadede A R AÚJO, 2013). A lém d i s so, P&D,usadascomproxydeesforço procurou-se unir emum único inovativonotrabalhodeAraújo índiceduasdasmedidas mais (2013).Portanto,essespesquisa- utilizadasnocasobrasileiro:o doressãoimportantespro issio- númerodepro issionaisdealta naisparaoprocessoinovativo. quali icaçãoeematividadesde Médicos,químicos,engenheiros, P&D(JAFFE,1989;MORENOet diretores,pesquisadores,gerentes al.,2005;FRITSCH;SLAVTCHEV, epro issionaisdeTI(tecnologiada 2007;MONTENEGROetal.,2011; informação)foramasocupações ARAÚJO,2013)eaparticipação commaiornotanoscomponentes regionaldossetoresmaisinovatidepotencialinovativo. vos(LEMOSetal.,2005;GONÇALVES;ALMEIDA,2009;GONÇALJánasdimensõesdespilloverde VES;FAJARDO,2011). conhecimento,amaiornotaem “Capacidadedeexpressãoecom- Primeiramente,alémdeseconpreensão”foiparaaocupaçãode sideraronúmerodetrabalhadoprofessordedireitodo ensino resligadosdiretamenteaoP&D superior.Interessantenotarque sobre o tot al de t rabalhadores opesquisadorem ísicaeos í- daregião,consideraram-setodos sicosemváriasespecialidades ostrabalhadoresdaindústriade icaram com a segunda maior transformaçãoeextrativamineral, nota,mostrandoarelevânciades- ponderando-ospelasuacapacidasas ocupaçõesparaainovação dedecontribuirparaainovação, emnívelregional.Destacam-se conformeasnotasdepotencialinonoscomponentesdespilloverde vativoespilloverdeconhecimento conhecimentosasocupaçõesde calculadasacima. dezembro de 2014 temas de economia aplicada Segundo,aclassi icaçãodoníveltecnológicodos setoresemqueostrabalhadoresatuamsegueado IBGE,emquatroníveiscrescentes:baixaintensidadetecnológica,médiabaixaintensidadetecnológica, médiaaltaintensidadetecnológicaealtaintensidade tecnológica.Paraessaclassi icação,oIBGEutilizoua relaçãogastosemP&D/receitalíquidadevendasda PINTEC,PesquisaIndustrialdeInovaçãoTecnológica, de2000,calculandoumaproxydomodeloproposto pelaOECD,OrganisationforEconomicCo-operation andDevelopment(OrganizaçãoparaaCooperaçãoeo DesenvolvimentoEconômico),ecaptandoassimuma importantepartedoesforçoempreendidopelasempresasnoquetocaàquestãotecnológica.OQuadro 2mostraossetoresquecompõemcadaumdesses grupos,convertidosparaaCNAE2.0,Classi icaçãoNacionaldeAtividadesEconômicas,conformeasquadros deconversãodoIBGEeassimilaridadestecnológicas. Finalmente,adeterminaçãodostrabalhadoresdiretamenteassociadosàsatividadesdeP&Dpodeser obtidadasnovefamíliasdaCBO2002,queestãono Quadro1,queenglobam33ocupaçõesdepesquisadores,diretores,gerentesetécnicosdeP&D. Quadro 1 – Famílias de Ocupações Associadas Diretamente a P&D Código CBO 43 Famílias de Ocupações Profissionais 1237 Diretores de Pesquisa e Desenvolvimento 1426 Gerentes de Pesquisa e Desenvolvimento e Afins 2030 Pesquisadores das Ciências Biológicas 2031 Pesquisadores das Ciências Naturais e Exatas 2032 Pesquisadores de Engenharia e Tecnologia 2033 Pesquisadores das Ciências da Saúde 2034 Pesquisadores das Ciências da Agricultura 2035 Pesquisadores das Ciências Sociais e Humanas 3951 Técnicos de Apoio em Pesquisa e Desenvolvimento Fonte:MTE;CBO2002. dezembro de 2014 44 temas de economia aplicada Quadro 2 – Classificação da Indústria de Transformação e Extrativa Mineral por Intensidade Tecnológica Classificação CNAE 2.0 301 a 305 Fabricação de outros equipamentos de transporte, exceto veículos automotores 262 a 268 Fabricação de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos 325 Fabricação de instrumentos e materiais para uso médico e odontológico e de artigos ópticos Alta intensidade tecnológica 27 Fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos 33 Manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos 28 Fabricação de máquinas e equipamentos 291 a 293, 295 Fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias 192 Fabricação de produtos derivados do petróleo 21 Fabricação de produtos farmoquímicos e farmacêuticos 261 Fabricação de componentes eletrônicos Média alta intensidade tecnológica 12 Fabricação de produtos do fumo 20 Fabricação de produtos químicos 294 Fabricação de peças e acessórios para veículos automotores 32 e 309 Fabricação de produtos diversos: fabricação de motocicletas 171 Fabricação de celulose e outras pastas para a fabricação de papel 22 Fabricação de produtos de borracha e de material plástico 25 Fabricação de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos Média baixa intensidade tecnológica 24 Metalurgia 172 a 174 Fabricação de celulose, papel e produtos de papel 23 Fabricação de produtos de minerais não metálicos 15 Preparação de couros e fabricação de artefatos de couro, artigos para viagem e calçados 13 Fabricação de produtos têxteis 10 Fabricação de produtos alimentícios 31 Fabricação de móveis 05 a 09 Indústrias extrativas Baixa intensidade tecnológica 14 Confecção de artigos do vestuário e acessórios 16 Fabricação de produtos de madeira 18 Impressão e reprodução de gravações 11 Fabricação de bebidas 191 e 193 Coquerias e fabricação de biocombustíveis Fonte:PesquisaIndustrialAnual–Empresa2003(PIA-empresas2003)eCNAE2.0(IBGE). Dessemodo,ponderando-seonú- oseguinteÍndicedeInovaçãoem merodetrabalhadoresemcada duasetapas: ocupaçãodaregiãopelanotado potencialinovativoespilloverde conhecimento,pelaintensidade tecnológicadosetoreporserou nãoumadasocupaçõesassociadas diretamenteemP&D,calculou-se dezembro de 2014 Emque Ind _ InoR ,C éoÍndicedeInovaçãoparaaregiãoRnadimensão depotencialinovativoouspillo; ver de conhecimento éopesodadopeloníveltecnológicodosetor,ST,ondeotrabalhadoratuaeseessetrabalhador éounãodeumadas33ocupações temas de economia aplicada associadasdiretamenteaP&D;COéanotadaocupaéonúmerodetrabalhaçãoOnadimensãoC; doresindustriaisnaregiãoR,noníveltecnológicoST enaocupaçãoO;eNR éototaldetrabalhadoresda indústriadetransformaçãoeextrativamineralda regiãoR.Oresultado inalédadopelamédiaentreas 14dimensõesdecapacidadeinovativadasocupações, de inindoograuinovativodaregião, .Esse índicevaisercalculadoparadiferentesníveisgeográicos,considerandoototaldetrabalhadoresdentrode cadanível:paraoBrasil,ascincoregiõesnaturais,os 26Estadosbrasileiros,asaglomeraçõesindustriais relevantes(AIR),identi icadasnotrabalhoanterior,e os5.565municípiosbrasileirosem2010.Essamédia tambémfoicalculadaseparadamenteparaas10dimensõesdepotencialinovativoeparaasquatrode spilloverdeconhecimento,permitindo,assim,observarseacapacidadeinovativadasregiõesveri icada peloíndiceestámaisligadaaopotencialinovativodo mercadodetrabalhoouaospossíveisefeitosdetransbordamentodeconhecimento. ,foiutilizado Paraadeterminaçãodospesos ummodeloANOVA,AnálisedeVariância,comduas variáveisqualitativas:oníveltecnológico,comquatro categorias,eseéounãoumaocupaçãodiretamente associadaaP&D,umavariávelbinária.Alémdisso, foramconsideradostambémefeitosmultiplicativos dessasduasvariáveis,jáqueessasiteraçõesbinárias deramsigni icativasnosresultados.Jáavariável dependentenessemodeloéoÍndicedeHabilidade, de inidocomo: Ind _ HabMun, C , ST , P& D = å 2702 O =1 CO * N Mun , ST , O N Mun, ST , P& D 45 Onde éoÍndicedeHabilidadedo município ,nossetorescomníveltecnológico enacategoriadeocupaçõesassociadasdiretamenteounãoaP&D.Esseíndiceécalculadoparacada dimensãodepotencialinovativoedespilloverde conhecimento,C,comoonúmerodetrabalhadores daindústrianaocupaçãoOvezesasuarespectiva notanadimensãoC,sobreonúmerototaldetrabalhadores.Emseguida,érealizadaumamédiadas éanotarelativade 14dimensões.Assim,o cadamunicípionasdimensõesdepotencialinovativoedespilloverdeconhecimento,determinadapela composiçãodoseumercadodetrabalho. AcategoriadereferênciadomodeloébaixaintensidadetecnológicaenãoP&D,ondeointerceptoé igualàmédiaentreosmunicípiosdo dessa categoria.Oscoe icientesdasvariáveisbináriassãoos coe icientesdiferenciaisdeintercepto,poismostramo quantoasmédiasdasoutrascategoriasdiferenciam-sedacategoriadereferência.Paramaisdetalhes dosmodelosANOVA,verKennedy(1998)eGujarati (2006). Omodelodescritoacimafoiestimadocomosdados donúmerodetrabalhadorespormunicípio,setore ocupaçãodosmicrodadosdaRAIS(MTE)de2012,que consideraapenasosempregosformais.Comoesperado,ogrupodesetoresdealtaintensidadetecnológicaresultounomaiorcoe icientepositivo,enquanto ogrupodossetoresdemédiabaixaintensidade,o menorcoe iciente,aindaassimcomumdiferencial positivoemrelaçãoaogrupodereferênciadossetoresdebaixaintensidade.Asocupaçõesdiretamente associadasaP&Dtiveramomaiorcoe iciente,apontandoparaaconsistênciadasvariáveisselecionadas daONETedoscomponentesextraídosdelaspelaPCA pararepresentaracapacidadeinovativadostrabalhadores.Todososcoe icientes,inclusiveosdasinteraçõesbinárias,deramsigni icativosnotesteteconjun- dezembro de 2014 46 temas de economia aplicada tamentenotesteF,revelandoque háumadiferençaentreossetorese asocupaçõesemP&Dnotocanteàs habilidades,perícias,conhecimentosecontextosdetrabalhorelevantesparaainovação.Ossetores demaiorintensidadetecnológica contratamrelativamentemaior númerodeocupaçõescommaior capacidadeinovativa.Normalizandoessesresultadosemrelaçãoao maiorefeitototal(grupodealta intensidadetecnológicaeP&D), obtiveram-seospesos ,permitindo,assim,tertodososfatores paracalcularoÍndicedeInovação de inidoacima. Identi icaram-seclustersdotipo HH,delimitando-seosclustersde inovaçãocomoosmunicípioscontíguosdotipoHHeosmunicípios imediatamentedoentorno,conformeacon iguraçãocentrorradialda indústriabrasileira.Seguindoos trabalhosdeLemosetal.(2005)e DomingueseRuiz(2008),estabeleceu-seoníveldesigni icânciaem 10%eumamatrizdevizinhança dotipoRainha.Finalmente,foram consideradosrelevantesapenas aquelesclustersdeinovaçãocom médianoÍndicedeInovaçãodos municípiosqueocompõemacima de0,35,umvaloraltocomparadoà Utilizou-seatécnicadaAnálise médiadosmunicípiosbrasileiros: ExploratóriadeDadosEspaciais aproximadamentede0,25. (ESDA)para de inirclusters de inovaçãoapartirdoÍndicedeIno- ParacalcularoÍndicedeInovação vaçãodosmunicípios,usando-se dasAIRseregiõesede inirosclusoIdeMoraneoIdeMoranLocal tersdeinovação,foramutilizados (vejaANSELIN,1995;1996;1998), osdadosdaONETadaptadospara assimcomofoiparade inirasAIRs aCBO2002deMaciente(2013)2 apartirdaproduçãoindustrialdos eosdadosmunicipaisdonúmero municípios.Dessemodo,também deempregosdaRAISpara2003 sefacilitaacomparaçãodosre- e2012,aoníveldecincodígitos sultadosdosclustersdeinovação (ocupações/sinônimos),separandaindústriacomosdaprodução doporsetorCNAE2.0nonívelde industrial. cincodígitos(classe)eparatodos Portanto,pretendendo-sede inir osmunicípiosbrasileiros. osclustersdeinovaçãomaisrelevantes,comaltograuinovativo ecompossíveisefeitosdetransbordamentoespaciaisentrevizinhoseeconomiasdeaglomeração, determinaram-seosclustersde municípios comautocorrelação espacial local estat isticamente signi icantenoÍndicedeInovação. Napróximaedição,aterceiraparte dessetrabalhoirámostrarosresultadosdessametodologiaparao Brasilem2012,revelandoograu inovativodasAIRseregiõeseos clustersdeinovaçãorecentesdo País. Referências ANSELIN, L.Local indicator of spatial association—LISA.GeographicalAnalysis, v.27,n.3,p.93-115,1995. ______. The moran scatterplot as an ESDA tooltoassesslocalinstabilityinspatialassociation.In:FISCHER,M.M.etal.(Eds.). Spatial analytical perspectives on GIS in environmental and socio-economic sciences.London:TaylorandFrancis,1996. ______. Exploratory spatial data analysis in geocomputacional environment. In: LONGLEY,P.A.etal.(Eds.).Geocompution, aprimer.NewYork:JohnWiley,1998. ARAÚJO,V.deC.Dimensãolocaldainovação noBrasil:determinanteseefeitosdeproximidade.Tese(Doutorado)apresentada na Escola Politécnica – USP, São Paulo, 2013. DOMINGUES,E.P.;RUIZ,R.M.Aglomerações econômicasnoSul-SudesteenoNordeste brasileiro:estruturas,escalasediferenciais.EstudosEconômicos,SãoPaulo,v.38, n.4,p.701-746,2008. 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MASCARINI,S.Fatoresterritoriaisdainovação:umaanáliseempírica dasrelaçõesentreosinsumosinovativoseosresultadosdainovaçãoaplicadaàsmicrorregiõespaulistas.Dissertação(Mestrado) apresentadaaoIGE–UNICAMP,Campinas,2012. ______. National industries andlocal occupational strengths: the cross-hairsoftargeting.UrbanStudies,v.24,p.547-560,1987. 1 Trabalhodesenvolvidocomopartedadissertaçãodemestradoem TeoriaEconômicanoIPE/USPsobaorientaçãodoProf.ºDr.Carlos RobertoAzzoni,doDepartamentodeEconomiadaFEA/USP,aquem oautoragradecetodaaajuda,colaboraçãoesugestões.Qualquererro remanescenteéderesponsabilidadedoautor. 2 AgradeçoenormementeaoDr.AguinaldoMaciente,pesquisadordo IPEA,porterdisponibilizadoparaessadissertaçãoosdadosdetalhadosdeseutrabalho. 3 Adiferençaentreonúmerodemunicípiosdosdadosde2007e2012 éacriaçãodomunicípiodeNazáriadoPiauí,em2008.Oterritório dessemunicípiofoidesmembradodacapital,Teresina.Porisso,a im decompatibilizarosdadosde2012comaMalhaDigitalMunicipalde 2007,osdadosdeNazáriaforamagregadosaosdeTeresina,removendoonovomunicípiodasanálisesdedeterminaçãodosclusters deinovação. MINGOTI,S.A.Análisededadosatravésdemétodosdeestatística multivariada:umaabordagemaplicada.BeloHorizonte:UFMG, 2007(TextoTécnico) MONTENEGRO,R. L. et al. Dinâmica espacial e temporal da inovaçãonoestadodeSãoPaulo:umaanálisedasexternalidadesde diversi icaçãoeespecialização.EstudosEconômicos,v.41,n.4,p. 743-776,2011. (*)GraduadoemCiênciasEconômicaspelaUFPE,mestrandoemTeoriaEconômicanoIPE/FEA/USP,integrantedoNEREUS/USPebolsista daFIPE.(E-mail:[email protected]). dezembro de 2014 48 temas de economia aplicada Número de Legisladores e Representatividade Política das Mulheres: Desafios Metodológicos e Contexto Municipal Brasileiro1 G 1 Introdução políticomunicipalnoBrasilconseguesuperá-loeaprofundarocoO presente estudoéo seg undo nhecimentosobrepolíticanosmudeumasériedeartigosquevisa nicípiosbrasileiros.Sócomesses analisarcomoonúmerodelegis- entendimentosépossíveldiscutire ladoresdosmunicípiosbrasileiros analisarresultadoseconométricos, podeafetararepresentatividade temaqueseráabordadonospróxidasmulheresnapolítica,ecomo mosartigos. esseefeitoimpactaasdecisõesde políticaspúblicasdosgovernan2 Desafio Metodológico tes.Noprimeiroartigo,intitulado “NúmerodelegisladoreserepreO grande desa io para se fazer sentatividadepolíticadasmulheres: inferênciascausaisdeummaior motivaçõesparaanálisedocaso númerodelegisladoresnasvariábrasileiro”,discutiu-searelevância veisdeinteresseéterumaestradessetema.Primeiramente,foram tégiadeidenti icaçãoquepermita expostosalgunsestudosquemosisolaroefeitoqueummaiorpoder tramaimportânciadediversas legislativopodeternasvariáveis instituiçõespolíticasnarepresenquesepretendeexplicar,deforma tatividadedeminorias.Alémdisso, adeixarclaroosentidocausalque abordou-seotemaespecí icoda sebusca. representatividadefeminina,tanto noBrasilquantonomundo.AborParaisso,oexperimentoidealindidandoambosospontos,tentou-se cadoseriadividiroobjetodeestudeixarclaraaimportânciadeendoaleatoriamenteemdoisgrupos, tendercomomaisummecanismo ogrupodecontroleeogrupodetrainstitucional−onúmerodevagas tamento,aumentandoonúmerode noLegislativo−podeafetararelegisladoresapenasnosmunicípios presentatividadedasmulheresna detratamento.Noentanto,porimpolíticabrasileira. posiçõeslegaiseconstitucionais, nãoépossívelfazerumexperimenAnalisartalrelação,noentanto,é todessetipo,jáquenãosepode umgrandedesa iometodológico. sortearlocalidadesedividi-lasem Opresenteartigovisaexplicartal doisgrupos,aumentandoexogenadesa io,mostrarcomoocontexto dezembro de 2014 C (*) menteonúmerodelegisladoresde umdeles. Estimar o efeito do número de legisladoresdosmunicípiosbrasileirosemoutcomesdeinteresse, utilizandoométododeMínimos QuadradosOrdinários(MQO),tambémnãoseriaadequado.Ométodo MQOpodeserusadoparaestimar deformaconsistenteenãoviesada osparâmetrosdeinteresseapenas seforválidaahipótesedeindependênciadonúmerodelegisladores condicionalàsdemaisvariáveisexplicativasobserváveis.Seonúmerodelegisladoresfossedeterminadoporcritérioaleatório,oMQO poderiaserusadoparaidenti icar oefeitodesejado.Noentanto,váriosoutrosfatoresnãoobserváveis queafetamoutcomespolíticosedecisõeseconômicasdosmunicípios tambémpodemafetaronúmerode legisladoresdadeterminadalocalidade.Aexistênciadessasvariáveis violariaahipótesedeexogeneidadedasvariáveisexplicativas,tornandoinconsistenteoestimador deMQO.Outropotencialproblema paraaestimaçãoporMQOéapossívelcausalidadereversa.Pode-se sugerir,porexemplo,quelocais ondearepresentatividadeéelevadapossuemmaislegisladores,em 49 temas de economia aplicada umcasonoqualasinstituiçõespolíticassãoendógenas.Issotambém causariainconsistênciadoestimadordeMQO. municipaisaresponsabilidadede oferecimentodediversosbense serviçospúblicos,comoeducação, saúde,transporteeinfraestruturalocal.Aresponsabilidadepor Portanto, icamclarososdesa ios essaspolíticasédoprefeito,em metodológicosparasefazerinfe- conjuntocomaCâmaradosVererênciacausaldeummaiornúmero adores,amboseleitosdiretamente delegisladoressobrearepresen- emeleiçõessimultâneas.Enquanto tatividade doeleitorado. Esses osprefeitossãoeleitosviaregra desa ios,noentanto,podemser dapluralidade,osvereadoressão superadosutilizandoocontexto selecionados emumsistemade políticodosmunicípiosbrasileiros, representaçãoproporcionalcom ondearegraquede ineotamanho listaaberta. dasCâmarasLegislativascriauma situaçãoquase-experimentalideal Opapeldosvereadoresnaspolíticaspúblicasdascidadesbrasileiras parainferircausalidade. podeserresumidoemquatroponNapróximaseção,seráfeitauma tos:(i)interferirnoprocessoorçaexposiçãodobackgroundinstitu- mentário;(ii)proporevotarleis cionaldosmunicípiosbrasileiros, municipais;(iii)demandarbens paradepoisseapresentarcomotal eserviçospúblicosparaoPoder contextopermiteestimarosparâ- Executivolocal;e(iv)monitoraro prefeitodacidade. metrosdeinteresse. 3 Background Institucional Ocontextopolíticomunicipaléde grandeimportâncianoBrasil,já queoPaíspassouporforteprocessodedescentralizaçãonasúltimas décadas,transferindoaosgovernos Paraopresenteestudo,omaisinteressanteéconheceraregraque determinaonúmerodevereadores decadamunicípio,quevemsendo alteradaaolongodotempo. AConstituiçãoFederalde1988 determinavao“númerodeVere- adoresproporcionalàpopulação doMunicípio”,observadososseguinteslimites:municípiosdeaté ummilhãodehabitantesdeveriam terentre9e21vereadores,municípiosdemaisdeummilhãoe menosdecincomilhõesdehabitantesdeveriamterentre33e41 vereadoresemunicípiosdemaisde cincomilhõesdehabitantesdeveriamterentre42e55vereadores. Nessecenário,asprópriasCâmarasMunicipaisdeterminavamseu númerodecadeiras,respeitando essesamploslimitesimpostos.Isso causavasituaçõesemquemunicípioscompopulaçõescompletamentediferentestinhamomesmo númerodevagasemsuasCâmaras Municipais. Em 2004, hápoucosmeses das eleições,oSupremoTribunalFederalreinterpretouo artigoda Const it uição e est abeleceu um princípiodeproporcionalidade arit mét icaparade inir oexato númerodelegisladoresquecada cidadebrasileiradeveriater,de acordocomapopulaçãodacida2 de. Anovaregrapodeservistana Tabela1. 3 dezembro de 2014 50 temas de economia aplicada Tabela 1 – Número de Vereadores por Faixa Populacional - Primeiros Cortes População do Município Número de Vereadores 0 a 47.619 9 47.620 a 95.238 10 95.239 a 142.857 11 142.858 a 190.476 12 190.477 a 238.095 13 238.096 a 285.714 14 285.715 a 333.333 15 333.334 a 380.952 16 380.953 a 428.571 17 428.572 a 476.190 18 476.191 a 523.809 19 Em2008,apósdiversasdiscussõesjudiciaisepropostasdenovasregras,oTribunalSuperiorEleitoralestabeleceu,asetemesesdaeleição,queamesmaregra utilizadaem2004seriaválida.Oimportanteénotar que,paraambasaseleições,haviabastanteincerteza sobreonúmerodevagasquecadaCâmaraMunicipal teriaequeadecisãofoianunciadaapoucotempodo pleito. “poucoacima”,permitindoumaabordagemadequada decontrole-tratamento(porissochamadadesituaçãoquase-experimental).Assim,oRDDbaseia-seno fatodeque,emmédia,asobservaçõespróximasdo limiarfeito(tantoparabaixoquantoparacima)coincidememtodasascircunstâncias,excetopelofatode queumas(asacimadocorte)recebemotratamento considerado(nocasodesseestudoumaumentono númerodevereadores),enquantooutrasnãorecebem eformamogrupodecontrole.Nocasodopresente estudo,foca-seapenasnaprimeiradescontinuidade dalei(mudançade9para10vereadores),jáque95% dosmunicípiosbrasileirospossuemmenosde100mil habitantes. Paraaestimaçãodosresultados,seguimosaestimaçãoparamétricapropostaemLeeeLemieux(2010). Aideiabásicaéestimarumpolinômio lexíveldecada ladodadescontinuidadeanalisadaecompararos valoresprevistosdecadapolinômioexatamenteno thresholddeterminadopelalei.Essadiferençaéaestimativadoefeitocausaldotratamento.Comosugerido pelosautores,centramosasobservaçõesdaamostra nocortedadescontinuidade,deformaatrabalharcom adistânciaparaothreshold,aoinvésdecomapopulaçãodomunicípioemsi,eestimamosporPooledOLS4a seguinteequação: Talregraeleitoralgeroudescontinuidadesnarelação entreapopulaçãodosmunicípioseseusnúmerosde vereadores.Taisvariaçõesexógenaspermitemesti2 3 Y=b0+tD+b1(X−47620)+b2(X−47620) +b3(X−47620) maroefeitocausaldeummaiorlegislativolocalna 2 3 + b4D(X−47620)+b5D(X−47620) +b6D(X−47620) +e (1) representatividadedasmulheresnapolítica,pormeio demétodoqueserádetalhadoaseguir. ondeYéavariávelaserexplicada,Xapopulaçãodo municípioeDumavariáveldummy,iguala1quando (X−47620)>0.Ouseja,Déavariávelqueindicaseaob4 Estratégia Empírica Utilizada servaçãoestáàdireitaouàesquerdadothresholdde Conformemencionado,explorarocasobrasileiro 47.620habitantes.Portanto,oparâmetrotdáoefeito naseleiçõesde2004e2008permiteumaabordagem causalde1vereadoramaisnavariávelY.Aescolhade alternativaparaainferênciacausaldesejada,por umpolinômiodeterceirograuquevariadosdoislados meiodométodoSharpRegressionDiscontinuityDesign dadescontinuidadedá lexibilidadeàestimação. (SharpRDD).Intuitivamente,atécnicaconsisteem compararasobservaçõesqueestão“poucoabaixo” Utilizandoessaabordagem,épossívelestimaroefeito doscortespopulacionaisfeitoscomasqueestão de1vagaamaisnolegislativomunicipalemdiversos dezembro de 2014 51 temas de economia aplicada outcomesdeinteresse.Paracadaumdeles,bastarodar aregressãoacimaalterandoavariáveldependente. 5 Conclusão Conformeapresentou-senesseartigo,hádiversos obstáculosparaestimarmosoefeitocausaldeum maiornúmerodelegisladoresnarepresentatividade dasmulhereseseuconsequenteefeitoempolíticas públicas.Noentanto,ocontextomunicipalbrasileiro naseleiçõesde2004e2008apresentaumasituação emqueessesobstáculospodemsersuperados. OspróximosartigosdasérieapresentarãoosresultadoseconométricosgeradoscomatécnicadoSharpRD. Primeiramente,serãoexpostososefeitosdeumavaga amaisnadecisãodeentradadecidadãosnapolítica. Posteriormente,comoessavagaamaisin luencianos resultadoseleitoraisenopooldepolíticoseleitos.Por im,noúltimoartigodasérie,serámostradoqueos efeitosqueavagaadicionalcausanoambientepolítico afetamasdecisõesdepolíticaspúblicasdosmunicípios. Referência LEE,D.S.;LEMIEUX,T.Regressiondiscontinuitydesignsineconomics.JournalofEconomicLiterature,v.48,n.2,p.281–355,2010. 1 Oartigocompleto,“TheSizeofLocalLegislaturesandWomen’sPolitical Representation:EvidencefromBrazil”,temcoautoriadoProfessorDr.RicardodeAbreuMadeira.Disponívelem:<https://ideas.repec.org/p/spa/ wpaper/2014wpecon4.html>. 2 PopulaçãobaseadanaestimativapopulacionaldoIBGEde2003. 3 ATabela1apresentaaregraapenasparaosprimeiroscortesdaLei.Aregra completa pode ser acessada no artigo “The Size of Local Legislatures and Women’sPoliticalRepresentation:EvidencefromBrazil”. 4 Agrupamosasobservaçõesde2004e2008eregredimosporMQO. (*)MestreemEconomiapelaFEA-USP. (E-mail:[email protected]). dezembro de 2014