A ATIVIDADE DE INTELIGÊNCIA NO MUNDO ATUAL
Francisco José Fonseca de Medeiros
1. INTRODUÇĂO
Cada vez mais a atividade de Inteligência é discutida, estudada e aplicada no mundo
atual. Na realidade ela existe desde os tempos bíblicos, quando Moisés enviou espiões para
lhe trazer dados sobre o que poderia ser a “terra prometida”. Também, não dá para imaginar
os romanos mantendo o seu império sem dados pertinentes e confiáveis, muito menos os
exploradores portugueses sem os conhecimentos da Escola de Sagres. O fato é que nas
últimas duas décadas, o número de informações cresceu mais do que nos últimos 5 mil anos.
O homem sempre pesquisa dados e informações e procura segurança no seu dia-a-dia.
Guardem esta idéia.
A atividade de Inteligência no Brasil tem início no governo democrático do presidente
Washington Luís, que instituiu em 1927 o Conselho de Defesa Nacional. O objetivo era suprir
o executivo de informações estratégicas.
Desde então vários órgãos se sucederam, acompanhando a conjuntura nacional e
internacional. Em 1946, após a Segunda Guerra Mundial, assim como as principais agencias
do mundo, foi criado o Serviço Federal de Informações e Contra-Informações - SFICI,
vinculado à estrutura do Conselho de Segurança Nacional. No final da década de 1950, o
SFICI consolidou-se como principal instrumento de informação do Estado brasileiro. Seria
sucedido pelo Serviço Nacional de Informações (SNI). Hoje a atividade de Inteligencia é
exercida pela a Agencia Brasileira de Inteligencia (ABIN1).
2. DESENVOLVIMENTO
Existem muitas discussões a respeito da denominação de Inteligência ou de
informações. No Brasil buscou-se a tradução de intelligence, o que não agradou a todos.
Conforme especialistas, Portugal continuou com o termo em inglês, por não concordar que a
sua tradução mantinha a mesma idéia. Ficaremos com o que disse Sherman Kent, que
1
A Agencia Brasileira de Inteligência (ABIN) é o órgão central do Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN)
e é subordinada ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República. Substituiu o SNI.
2
Inteligência significa a organização (CIA2, ABIN, etc.), o conhecimento como produto
(Informe3, Informação4, Apreciação5 e Estimativa6, etc.) e a atividade como processo (ciclo da
produção, medidas de proteção, etc.).
Segundo a ABIN, quando se trata de produção de conhecimentos voltados para a
segurança do Estado e da sociedade, é consagrado o uso do termo "Inteligência". No entanto,
hoje ele é muito mais amplo. Na realidade, esse já é um conceito em consolidação no Brasil.
A Inteligência deve coletar os dados e produzir conhecimentos necessários, relatandoos a quem couber decidir, que os avaliará e integrará aos outros fatores necessários à decisão
ou ao planejamento estratégico da organização. Bem, é claro que antes de transmitir
conhecimentos aos dirigentes, um órgão de Inteligência deve determinar o valor, a veracidade
e a importância dos dados colhidos.
Foi nas guerras que a Inteligência se desenvolveu, particularmente, na Segunda
Guerra Mundial e durante a Guerra Fria7. Nas últimas décadas, surgiram diversas
denominações, tais como: Business Intelligence, Inteligência Organizacional, Inteligência de
Estado, Inteligência Militar, Inteligência de Segurança Pública, Tecnologia da Informação,
Inteligência de Compras, Inteligência Competitiva, Inteligência Empresarial, etc. Porém, tudo
é uma adaptação da atividade de Inteligência “clássica8” à atividade de Inteligência específica.
No entanto, faz-se necessário diferenciar o que é um processo científico e
metodológico de produzir um conhecimento de Inteligência e uma sofisticada ferramenta de
coleta e armazenamento de dados. Também, há necessidade de uma uniformidade de
definições para que todos falem a mesma língua e facilite a comunicação e a troca de dados
2
Central Intelligence Agency (CIA), em português Agência Central de Inteligência, é um servico de Inteligencia
dos Estados Unidos.
3
É qualquer dado que possa contribuir para o entendimento de determinado assunto, problema ou situação,
depois de submetido à avaliação quanto à idoneidade de sua fonte, bem como à veracidade do seu conteúdo.
4
Conhecimento de um fato ou situação, resultante do processamento de todos os dados e informes disponíveis
sobre determinado acontecimento, e que expressa a certeza do analista, devendo, sempre, atender uma
necessidade de planejamento, de execução ou de acompanhamento de atos decisórios.
5
É o reconhecimento resultante de raciocínio elaborado e que expressa a opinião do analista sobre fatos ou
situações, passadas ou presentes, e os seus reflexos no futuro imediato.
6
É o conhecimento resultante de raciocínio elaborado e que expressa a opinião dos analistas de um grupo de
trabalho sobre a evolução futura de fatos ou situações.
7
A Guerra Fria é a designação atribuída ao período histórico de disputas estratégicas e conflitos indiretos entre
os Estados Unidos e a União Soviética, compreendendo o período entre o final da Segunda Guerra Mundial
(1945) e a extinção da União Soviética (1991).
8
Inteligência de Estado, conforme foi criada pelas grandes potências no início da Guerra Fria.
3
tão importante para a Inteligência. Atualmente, existe uma doutrina bem consolidada no
âmbito da SISBIN.
Sobre a necessidade de um consenso terminológico na área de Inteligência, a
professora Elaine Coutinho Marcial ressaltou essa precisão em recente dissertação com o
título: “Utilização de modelo multivariado para identificação dos elementos-chave que
compõem sistemas de inteligência competitiva”. Inclusive, ressaltou a carência de
fundamentação teórica comprovada cientificamente.
Todos são importantes dentro do processo, mas uma coisa é certa: um software é
considerado inteligente por coletar dados, cruzá-los, compará-los, selecioná-los, mas nunca
fará Inteligência, pois lhe faltam intuição, bom senso e experiência. Não sabe fazer a
interpretação. O programa não diz o que fazer na hora certa, no momento apropriado, para
que se possa tomar a decisão correta, ou seja, que fará a diferença. Por exemplo, após dados
serem cruzados por softwares inteligentes, foi verificado que havia uma proporcionalidade no
aumento de compras de fraudas e de cervejas. É o analista que sugere que os produtos devem
estar mais próximos porque, provavelmente, são os homens que estão comprando as fraudas.
Além disso, não faz o acompanhamento da conjuntura, não possui relacionamentos
com especialistas, não faz análise e síntese, muito menos o que deve ser protegido e como
será feito. Isso quem faz é o homem. Assim, pode-se definir a atividade de Inteligência como
sendo especializada, permanentemente exercida, com o objetivo de produzir conhecimentos
de interesse da instituição / organização e a sua salvaguarda contra ações adversas.
Fazer Inteligência não é coisa de “inteligentes”. Aliás, é sempre confundida com a
atividade cognitiva. Não é adivinhação ou contar o que já aconteceu. Precisa ter intuição,
gostar e ter competência, traduzida em conhecimento, fruto de cursos e estágios, habilidade
decorrente da experiência e atitude pró-ativa, com transparência e imparcialidade. Em síntese,
precisa ter aptidão e ser técnico.
A fim de um melhor entendimento, a Inteligência é uma ferramenta de suporte à
estratégia, porque realiza o monitoramento de forma contínua e sistemática, analisando as
situações sob o enfoque social, político, econômico, tecnológico e militar, particularmente, na
4
fase diagnóstica9, buscando um planejamento mais eficaz que possa diminuir as incertezas
para as decisões a longo prazo.
Bem, há necessidade de definirmos algumas coisas. No linguajar acadêmico dado é a
informação em “estado bruto”, ou seja, não submetida à análise, síntese e interpretação. A
informação já é submetida a algum trabalho de análise e interpretação. O conhecimento passa
a ser dados e informações já submetidos à análise, síntese e interpretação necessários para a
tomada de decisões. É o algo mais, ou seja, o e daí?
Na realidade, o que os chefes necessitam para apoiar a tomada de decisão é de
Inteligência e não de informação, pois o método para a produção de conhecimentos é o
conjunto sistematizado de procedimentos realizados pelo analista, fundamentados na
metodologia10 científica e no pensamento lógico, visando produzir um conhecimento objetivo,
preciso e oportuno. As organizações que conseguem transformar dados e informações em
Inteligência, e os protege da ação adversa, são as que ganham a competição. Isso é a síntese
da Inteligência Competitiva.
Cabe à Inteligência identificar as ameaças e oportunidades no ambiente externo e as
vulnerabilidades no ambiente interno da organização. As ameaças são atores, movidos por
alguma razão, que realizam ações hostis com a possibilidade de comprometer a segurança dos
recursos humanos, das informações, do material e das áreas e instalações por intermédio das
vulnerabilidades. Essas ameaças, normalmente, aproveitam o relaxamento de pessoas
responsáveis pela salvaguarda de dados e conhecimentos, de ações violentas geradas, ou não,
por terceiros e dos efeitos lesivos dos acidentes naturais ou sinistros.
O fato é que o mundo mudou, a produção do conhecimento se tornou cada vez mais
importante, exigindo do indivíduo e da organização ações voltadas para a antecipação e
prevenção. Tornou-se um elemento estratégico e sua gestão e utilização para produção de
Inteligência é elemento básico para o desenvolvimento estratégico das organizações,
contribuindo para que a organização responda mais rapidamente às ameaças e oportunidades.
Chefes tomam decisões muitas vezes errôneas e equivocadas, com consequente prejuízo, por
falta de informações seguras.
9
Primeira fase do Planejamento Estratégico, segundo o método da Escola Superior de Guerra.
10
Fases do método: Planejamento, Reunião/Coleta, Processamento e Difusão.
5
A atividade de Inteligência é dividida no ramo Inteligência e no ramo
Contrainteligência. O Decreto 4.376/2002, que regulamentou a Lei 9.883/1999 que criou o
SISBIN, define Inteligência como a atividade de obtenção e análise de dados e informações e
de produção e difusão de conhecimentos, dentro e fora do território nacional, relativos a fatos
e situações de imediata ou potencial influência sobre o processo decisório, a ação
governamental, a salvaguarda e a segurança da sociedade e do Estado.
O mesmo Decreto define Contrainteligência (CI) como a atividade que objetiva
prevenir, detectar, obstruir e neutralizar a inteligência adversa e ações de qualquer natureza
que constituam ameaça à salvaguarda de dados, informações e conhecimentos de interesse da
segurança da sociedade e do Estado, bem com o das áreas e dos meios que os retenham ou em
que transitem (art. 3°, do Decreto 4.376/2002).
Cabe lembrar que a atividade de Inteligência deve ser desenvolvida, no que se refere
aos limites de sua extensão e ao uso de técnicas e meios sigilosos, com irrestrita observância
dos direitos e garantias individuais, fidelidade às instituições e aos princípios éticos que
regem os interesses e a segurança do Estado (Parágrafo Único do art. 3º da Lei 9.883/1999).
Bem, alguns conhecimentos de Inteligência possuem uma visão prospectiva. Uma das
técnicas empregadas é a construção de cenários. Segundo Oscar Motomura (2008), a busca de
resultados no curto prazo, comprometendo o futuro, não é absolutamente inteligente. Ainda, o
mesmo autor (2003) diz que cenários são como sondas para o futuro. O seu valor está em
sensibilizar os executivos para possibilidades que eles dificilmente perceberiam de outra
forma. Reduzem as chances de surpresas indesejáveis e capacitam os executivos a tomar
melhores decisões, em melhor timing.
“Nas próximas décadas, enfrentaremos surpresas inevitáveis nas
esferas econômica, política e social. Cada uma delas modificará as
regras do jogo tal qual praticado hoje. Todas estarão interligadas.
Entender essas surpresas inevitáveis em nosso futuro é essencial para
as decisões que devemos tomar no presente – não importando se
somos líderes, executivos, governantes ou simplesmente indivíduos
que se preocupam com suas famílias e sua comunidade”. Peter
Schwartz – Cenários. As Surpresas Inevitáveis.
Os cenários têm o propósito de apresentar uma imagem significativa de futuros
prováveis, em horizontes de tempo diversos. Podem projetar a organização em um ambiente
daqui a alguns anos. Também, projetam formas de alterar essa imagem, visando assegurar um
posicionamento mais favorável da empresa no futuro. É importante a distinção entre cenários
6
e previsões. Estes não passam de simples extrapolações de tendências. A máquina pode fazer.
Cenários são sistemas complexos, que buscam revelar sinais precoces de alterações do futuro.
Utiliza, principalmente, a opinião de especialistas e pessoas de notório saber. O software pode
ser usado como uma ferramenta.
Porém, a atividade de Inteligência atende a todos, pois produz conhecimento com um
espaço temporal de até seis meses, onde o analista pode apresentar opiniões em sua
conclusão.
Com o intuito de melhor entendimento, a CI é dividida em dois segmentos distintos,
segundo a especificidade como Segurança Orgânica ou Corporativa e como Segurança Ativa.
A primeira de caráter geral, e adotada por todos os integrantes da organização,
aplica
medidas preventivas de segurança aos recursos humanos, a informação, ao material e as áreas
e instalações. A segunda, preditiva, requer pessoal e meios especializados por tratar com
medidas
destinadas a detectar, identificar, avaliar, explorar e neutralizar atos hostis de
espionagem, terrorismo, sabotagem e ações psicológicas.
A proteção dos ativos é de fundamental importância para a vida de uma organização.
Ela pode ter adquirido as melhores tecnologias de segurança, preparado seu pessoal muito
bem para executar medidas de segurança e pode ter a melhor guarda para proteger as suas
instalações. Mesmo assim ainda estará vulnerável. Isso porque, apesar de ser o mais
importante, o fator humano é o elo mais fraco da segurança. É preciso criar uma mentalidade,
incorporar a idéia, pois a informação privilegiada possui tanto valor que a hipótese de tê-la
transforma o seu possuidor em um alvo altamente compensador. Assim, segurança precisa de
conscientização, treinamento e educação. Traz resultados imediatos.
O desconhecimento sobre CI faz com que empresários, líderes, cientistas e
pesquisadores deixem de conhecer mais uma forma de proteção de seus conhecimentos
e ativos e até mesmo da própria integridade física contra atos de violência, sabotagem,
espionagem e terrorismo, que existem de fato e são divulgados todos os dias.
Conforme ressalta Sanford Strong (2000) em sua obra “Defenda-se: um manual de
sobrevivência contra a violência urbana”, os sociólogos especializados em avaliar as
tendências no campo criminal são claros em suas previsões: “Nos próximos anos, os
7
criminosos vão ser mais jovens e mais insensíveis do que hoje. Os crimes que testemunhamos
até aqui são leves, em comparação com a onda de violência esperada”.
Nesse contexto, cresce cada vez mais os crimes cibernéticos. Segundo a mídia, os
computadores brasileiros estão entre os mais infectados do mundo por programas que roubam
senhas e vírus que destroem arquivos. Isso não só porque é mais fácil e menos arriscado, mas
também porque o uso disseminado de programas piratas torna os computadores mais
vulneráveis a ataques, já que, ao contrário dos programas legais, não são atualizados pelos
fabricantes à medida que os criminosos inventam novas formas de infiltração.
O presidente Barack Obama reforçou a segurança virtual dos Estados Unidos. Ele
anunciou em Washington a criação da agência federal de prevenção de ataques contra redes
de computadores do governo e de empresas. “De agora em diante, as redes e os computadores
do qual dependemos todos os dias serão tratados como deveriam: como recurso nacional
estratégico”, afirmou Obama.
Vivemos novos tempos e uma nova ordem mundial. O conhecimento tecnológico é
cada vez mais um produto comercial entre os Estados, as empresas e organizações. Não há
dúvida de que, na atual conjuntura deste mundo globalizado, com rápidas mudanças, esses
atores procuram mais eficiência para a proteção do conhecimento por eles produzidos e
guardados.
Na atividade de Inteligência, existe uma íntima relação entre a consecução dos
objetivos institucionais e os atributos pessoais que norteiam a execução das diferentes tarefas
voltadas para o assessoramento da decisão. Fundamentalmente, estão agregados alguns
princípios, tais como: da ética, do moral e da segurança.
Os segmentos da segurança têm, entre outros, os objetivos de prevenir os atos de
espionagem, sabotagem e a ação de fenômenos naturais que possam causar a divulgação
indevida, a destruição ou a adulteração do assunto sigiloso.
De acordo com Hércules Rodrigues de Oliveira (2009), Estados ou empresas
buscarão adquirir o conhecimento de que necessitam onde quer que ele seja produzido,
comprando-o ou roubando-o.
8
Seguindo esse raciocínio e longe das ficções dos cinemas, o Brasil tem se destacado
em áreas estratégicas (aeroespacial, biotecnologia, matrizes energéticas, Tecnologia da
Informação e biodiversidade), o que lhe dá vantagens competitivas no cenário internacional e
torna o País, provavelmente, alvo de ações hostis como: a espionagem11; a sabotagem12; e a
biopirataria13.
A todo o momento a mídia noticia casos de espionagem e sabotagem. Assim, torna-se
interessante saber que o ato de sabotagem pode variar desde uma pequena ação individual até
uma de grande porte, integrando um plano de caráter estratégico. Pode ser ainda um ato
deliberado para destruir idéias e/ou a reputação de organizações e de pessoas, praticado por
motivos variados.
A espionagem utiliza práticas ilegais para acessar dados, informações e
conhecimentos. Porém, cabe ressaltar que entorno de 90% do que se precisa pode ser coletado
na Internet, em documentos públicos ou em entrevistas.
Os planos de sabotagem valem-se da espionagem para obter e atualizar dados, assim
como para desenvolver procedimentos inerentes ao recrutamento de agentes para a
sabotagem, que pode ser executado por elementos orgânicos ou não. Procura-se apresentar
características de um acidente.
Não tenha tanta certeza que estará com os seus dados protegidos no seu computador,
mesmo com antivírus e firewall instalados. Segundo uma pesquisa divulgada pelo provedor
norte-americano Earth Link e pela fabricante de software de segurança Webroot, pelo menos
um em três PCs têm programas espiões instalados. O spyware pode gravar e transmitir dados
pessoais importantes sem que o dono do computador saiba.
O Brasil é o quarto país mais contaminado por vírus e programas capazes de furtar
informações, alterar ou destruir dados dos computadores, segundo relatório divulgado pela
Microsoft. Só o golpe da falsa página bancária é hoje o mais disseminado no Brasil. Foram
11
A espionagem é a prática de obter informações dos rivais ou inimigos, sem autorização destes, para se alcançar
certa vantagem militar, política, ou econômica. A definição vem sendo restringida a um Estado que espia
inimigos potenciais ou reais, primeiramente para finalidades militares, mas ela abrange também a espionagem
envolvendo empresas, conhecida como espionagem industrial.
12
A palavra sabotagem deriva de sabot, tamanco de madeira em francês, pois no seculo 18 e 19 estava associada
com os operários que os usavam, que quando não estavam satisfeitos com as condições de trabalho, os atiravam
entre as engrenagem das maquinas.
13
A biopirataria é a exploração, manipulação, exportação e/ou comercialização internacional de recursos
biológicos.
9
130 milhões de reais de prejuízo pelos bancos em 2008. O gasto com segurança digital
chegou a 1,5 bilhão de reais.
Um dos mais conhecidos exemplos de captação de dados é o sistema Echelon.
Acredita-se que a NSA14 com a cooperação das agências equivalente nos Reino Unido
(Government
Communications
Headquarters),
Canadá
(Communications
Security
Establishment), Austrália (Defence Signals Directorate) e Nova Zelandia (Government
Communications Security Bureau), sejam os responsáveis pelo Sistema. Suspeita-se, que
façam interceptacao das transmissões telefônicas, de fax e até tráfico de dados da Internet,
com o objetivo de procurar ameaças à segurança mundial.
Divulgou-se na mídia que nas “High School” americanas (segundo grau no Brasil) foi
implantada uma nova grade curricular, contemplando matérias como terrorismo, cibercrime
e armas nucleares, além do currículo tradicional.
Um exemplo citado nessa reportagem é de uma escola que oferece um
curso de segurança interna de quatro anos, onde uma nova palavra foi incluída no
vocabulário atual do curso: o agroterrorismo. Também, nesse sentido, foi criado pela
Presidência da República o Núcleo do Centro de Coordenação das Atividades de Prevenção e
Combate ao Terrorismo.
Hoje muitas pessoas conhecem ou já ouviram falar sobre engenharia social, que a
Internet define como práticas utilizadas para obter acesso a informações importantes ou
sigilosas em organizações ou sistemas por meio da enganação ou exploração da confiança das
pessoas. Para isso, o golpista pode se passar por outra pessoa, assumir outra personalidade,
fingir que é um profissional de determinada área, etc. Explora as falhas de segurança das
próprias pessoas que, quando não treinadas para esses ataques, podem ser facilmente
manipuladas.
Kevin D. Mitnick, um dos hackers mais famosos do mundo, em seu livro “A arte de
enganar” afirma que os firewalls e protocolos de criptografia do mundo nunca serão
suficientes para deter um hacker decidido a atacar um banco de dados corporativo ou um
empregado revoltado determinado a paralisar um sistema. No livro, Mitnick fornece cenários
14
NSA ou National Security Agency (Agência de Segurança Nacional), criada em 1952, é a agência de segurança
americana responsável pela Inteligência de Sinais (SIGINT), isto é, Inteligência obtida a partir de sinais,
incluindo interceptação e criptoanálise.
10
realistas de conspirações, falcatruas e ataques de engenharia social aos negócios e suas
conseqüências.
Convidando você a entrar na mente complexa de um hacker, o livro mostra como até
mesmo os sistemas de informações mais bem protegidos são suscetíveis a um determinado
ataque realizado por uma pessoa que se faz passar por outra, aparentemente inocente, para
acessar dados e conhecimentos.
Dessa forma, a ABIN executa a proteção de conhecimentos sensíveis, por intermédio
do Programa Nacional de Proteção ao Conhecimento (PNPC), em parceria com instituições
nacionais, públicas e privadas, que geram e detêm conhecimentos sensíveis e realizam
serviços essenciais para o desenvolvimento socioeconômico do País.
O PNPC prevê, entre outras atividades, a sensibilização de pessoas, a elaboração de
diagnósticos e a normatização de procedimentos de proteção direcionadas para áreas e
instalações, documentos e materiais, pessoas e sistemas de informação.
Nos casos mais simples, ou seja, para empresas que não desenvolvem projetos
estratégicos, é o caso de implementar um programa de conscientização, que poderá ser
composto de: programa educacional; plano de segurança orgânica; plano de contingências;
plano de controle de danos; programa de treinamento continuado; e auditorias e visitas
técnicas.
A grande vantagem de um programa de conscientização é que não visa somente à
implantação de medidas de segurança. Busca, primordialmente, a criação de uma mentalidade
e do comprometimento de todos.
Tudo tem início com uma auto-avaliação das condições de segurança na organização
ou empresa, levantando ameaças e deficiências que afetem negativamente os recursos
humanos, às informações, os materiais e as áreas e instalações. Tudo baseado na legislação
em vigor.
Para a elaboração do plano de contingência são necessários que sejam levantados
alguns itens básicos, tais como: quais são os sistemas críticos que garantem a continuidade do
negócio da organização ou empresa; análise de risco e impacto na missão ou nos negócios; e
11
homologação dos sistemas críticos por parte dos líderes ou executivos da organização ou
empresa.
O objetivo do plano é tomar as providências imediatas, executando as medidas de
recuperação dos sistemas corporativos, considerando o tempo de paralisação previsto para o
restabelecimento da atividade, definidos no planejamento.
Finalmente, ao tratar das atividades de CI vale ressaltar a importância, em qualquer
situação, das ações contra a propaganda adversa15 e a desinformação16.
3. CONCLUSĂO
A atividade de Inteligência é um fato consumado. É um campo que cresce dia a dia
com a necessidade de diminuir as incertezas e melhorar a projeção das organizações ou
empresas no futuro. Sem conhecimentos pertinentes e confiáveis, dificilmente será feito um
planejamento estratégico que permita alcançar os objetivos estabelecidos.
O processo de globalização provocou significativas mudanças no relacionamento entre
as organizações. Não há, provavelmente, mais lugar para métodos tradicionais que não
evoluíram com a eficiência e eficácia exigida pela interligação das conjunturas interna e
externa, promovendo ampla conectividade e compartilhamento de dados, informações e
conhecimentos.
Diante de novas demandas sociais, econômicas, políticas, tecnológicas e militares e de
situações cada vez mais complexas, as empresas e organizações devem valer-se de
profissionais competentes de Inteligência e de novos métodos, técnicas e ferramentas que
auxiliem a produção do conhecimento de Inteligência.
Há uma imensa “massa de informações” com a qual o profissional de Inteligência tem
que lidar no seu trabalho, seja na produção ou na proteção dos conhecimentos. Certamente,
viola o princípio constitucional da eficiência (art. 37, caput, CF) quando trabalham com esse
“material” sem conhecimento técnico e experiência, acarretando grande desperdício de
recursos humanos, materiais e financeiros.
15
16
Busca afetar valores ligados a ordem, a ética e a liderança.
Busca induzir ao erro a tomada de decisão.
12
Segundo especialistas, não há dúvida de que o mundo vai oferecer muitas
oportunidades estratégicas ao Brasil nos próximos anos. A única incerteza é saber se
saberemos aproveitá-las. Para isso, existe a necessidade da ação de líderes para iniciar as
mudanças que farão a sua organização ou empresa ter maior representatividade e perspectivas
em um ambiente cada vez mais competitivo. As mudanças precisam agregar valor, fazer a
diferença, caso contrário, serão somente inovações.
Em um mundo globalizado, de extrema suscetibilidade a mudanças e, sobretudo, a
crises é preciso estar preparado para monitorar o ambiente externo e se antecipar às ações dos
oponentes ou concorrentes, prevendo a possibilidade de ameaças e oportunidades, bem como
conhecendo muito bem as suas vulnerabilidades, para implementar com efetividade medidas
que assegurem a salvaguarda dos conhecimentos e ativos das organizações.
O pessoal precisa saber contra o que se proteger, quais são as ameaças e o que fazer,
quais são os controles e medidas a serem empregadas. Para isso é importante estabelecer
diretrizes, normas e procedimentos compreensíveis e executáveis, baseados em uma autoavaliação real e objetiva.
Todas as oportunidades devem ser aproveitadas para abordar assuntos relativos à
segurança. As ameaças e os riscos devem ser abordados e a comunicação bilateral estimulada,
pois como normalmente se diz o fato do problema não ser do conhecimento de todos, não
significa que não exista.
Assim, há a necessidade, antes de tudo, de executar um programa que eduque os
integrantes de uma organização ou empresa. Que simplesmente não só sugira medidas de
segurança, mas que mude a mentalidade da corporação, pois a segurança não depende apenas
da tecnologia, mas, talvez, muito mais das pessoas. Do comprometimento de todos. Para isso
é imprescindível a seleção e o constante treinamento do pessoal. Mais do que nunca, hoje a
segurança é um fator estratégico.
O segredo para resultados imediatos está na conscientização, no treinamento e na
educação, pois produzir um conhecimento de Inteligência e implementar medidas de
segurança é uma questão de atitude.
13
REFERÊNCIAS
KENT, Sherman. Informações Estratégicas, Biblioteca do Exército Editora. Rio de Janeiro.
1967.
MARCIAL, Elaine Coutinho. Utilização de modelo multivariado para identificação dos
elementos-chave que compõem sistemas de inteligência competitiva. Dissertação.
Universidade de Brasília. 2007.
MITNICK, Kevin. SIMON William. A Arte de Enganar. Pearson Education do Brasil. São
Paulo. 2006
MOTOMURA, Oscar. Entrevista ao Instituto Ethos. 2008. Disponível
http://www.rts.org.br/entrevistas/oscar-motomura . Acesso em, 13/06/2009.
em:
NAISBITT, John. ABURDENE, Patricia, Megatrends 2000: dez novas tendências de
transformação da sociedade nos anos 90. São Paulo. 1990.
OLIVEIRA,
Hércules
Rodrigues
de.
Artigo.
2009.
Disponível
em:
http://defesabrasil.com/site/index.php/Noticias/Inteligencia/Inteligencia-de-Estado.html.
Acesso em, 14/06/2009.
PACHECO Denílson Feitoza. Atividades de Inteligência e Processo Penal. Disponível em:
http://www.advogado.adv.br/direitomilitar/ano2005/denilsonfeitozapacheco/atividadedeinteli
gencia.htm . Acesso em 13/06/2009.
SCHWARTZ, Peter. Cenários: as Surpresas Inevitáveis. Editora Campus. São Paulo. 2004
STRONG Sanford. Defenda-se: um manual de sobrevivência contra a violência urbana.
Editora Harbra. São Paulo. 2000.
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