0 UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS UNIDADE UNIVERSITÁRIA DE JUSSARA LICENCIATURA EM HISTÓRIA JOÃO BERTO DE SOUZA NETO SUPER-HERÓI E A POLÍTICA DOS ESTADOS UNIDOS: A ANÁLISE DO CAPITÃO AMÉRICA JUSSARA-GO 2012 1 JOÃO BERTO DE SOUZA NETO SUPER-HERÓI E A POLÍTICA DOS ESTADOS UNIDOS: A ANÁLISE DO CAPITÃO AMÉRICA Trabalho apresentado para fins de avaliação parcial do TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) do 4° ano do curso de Licenciatura em História da Universidade Estadual de Goiás, Unidade Universitária de Jussara, sob a orientação do Professor Rodrigo Fernandes da Silva. JUSSARA-GO 2012 2 JOÃO BERTO DE SOUZA NETO SUPER-HERÓI E A POLÍTICA DOS ESTADOS UNIDOS: A ANÁLISE DO CAPITÃO AMÉRICA Monografia aprovada como requisito parcial para a obtenção do grau de Licenciado em História na Universidade Estadual de Goiás – UEG, pela Banca Examinadora: ________________________________________________________________ Orientador: Rodrigo Fernandes da Silva ________________________________________________________________ Examinador: Aruanã Antônio dos Passos ________________________________________________________________ Examinador: Josias José Freire Júnior JUSSARA, 10 DE NOVEMBRO DE 2012 3 AO BOM E FABULOSO CAPITÃO AMÉRICA: “O mais honrado nome de todo o mundo da aventura! Seu brilho nunca foi perdido! Sua glória jamais se perderá!” (Stan Lee). “Quem lê as fantásticas aventuras do CAPITÃO AMÉRICA e constata sua força prodigiosa, não pode imaginar que ele já foi um fraco rapaz, recusado pelo exército para o serviço militar. Mas uma injeção poderosa transformou o magrinho Steve Rogers no extraordinário CAPITÃO AMÉRICA, super-herói treinado em artes marciais, acrobacias e ginástica, capaz de enfrentar, com sua força e recursos inesgotáveis, tremendas dificuldades e os inimigos mais poderosos. Quem ainda não conhece, apresentamos com prazer uma das mais soberbas criações dos quadrinhos, o CAPITÃO AMÉRICA.” (Stan Lee). “Todos nós sabemos que o bom e velho Capitão América possui bem menos poderes que a maioria dos machões uniformizados. É por isso que tentamos compensar o fato de ele não poder voar, erguer pequenas montanhas, tornar-se invisível ou destruir galáxias com histórias de tirar o fôlego, com ação ininterrupta e cenas que saltam os olhos!” (Stan Lee). Em quase toda a minha vida li muitos gibis, e aprendi muito com o poderoso vingador vermelho, branco e azul; ter sempre coragem e jamais desistir de um sonho. Acreditar que o ser humano é capaz de realizar grandes feitos, através do trabalho duro e dedicação, se esforçando ao máximo sem deixar nada para trás. Podemos perseguir nossos sonhos em um mundo de dificuldades. Podemos acreditar que não há fracasso, e sempre existe a luta. Creio que super-heróis como o valoroso galante vingador lançador de escudo, nos ensinam que podemos superar as profundezas do fracasso, das críticas e do desespero, é assim que podemos chegar mais longe, construindo a nossa própria história. É fato que, ter um tema a respeito do Capitão América, pra mim é a maior glória de toda a minha trajetória no curso de História, e nos dias de hoje posso afirmar que o primeiro vingador é um dos meus grandes heróis, porque nos mostra a grandeza da qual os seres humanos são capazes. 4 AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus, porque sem este eu não seria o que sou. Agradeço aos meus familiares que me apoiaram diretamente ou indiretamente. Meus pais; João Berto de Souza Filho e Maria da Luz Cândida Souza, pois estes são muito importantes na minha vida, são os meus verdadeiros heróis da vida real. As minhas irmãs; Sônia Regina, Sandra Berto e Suely Berto. As minhas sobrinhas e sobrinhos; Bruna, Beatriz, Jhonatham e Douglas. A todos os meus amigos e os colegas de minha geração do IV ano de História. Agradeço aos professores; Sandra Rodart, Aruanã e Josias, por terem me aconselhado em breves momentos, e o meu orientador Rodrigo Fernandes. Agradeço também aos meus colegas do IV ano que estiveram presentes na minha banca a me ver falar do Capitão América, pois creio que foi interessante para estes saberem de um tema difícil de saber no curso de História. Por fim, estou feliz por mais essa grandiosa vitória, a que merece ser escrita com letras douradas e imortalizada. Obrigada a todos !! 5 RESUMO Neste trabalho monográfico, visamos demonstrar o uso político do Capitão América para o combate aos nazistas e comunistas de mil novecentos e quarenta e um a mil novecentos e noventa e um, de fato as ideologias do Super-herói, suas mudanças e permanências em relação aos conflitos políticos e sociais, a partir das políticas que oscilam na mitologia do Super-herói, e visamos também o uso da representação como forma de entender os motivos das artes e das narrativas, buscando explicar através do imaginário social e político a compreensão dos fatores históricos dos Estados Unidos, porém a política não é diretamente das forças do governo federal, mas através de criação de símbolos e imagens que faz com que a crença no herói, de ser civilizado em uma sociedade organizada como nos Estados Unidos mobilize pelo ódio aos inimigos e paixões patrióticas e nacionalistas, as críticas ao governo e principalmente aos desejos de poder conectadas as relações políticas como o alistamento para o exército nas guerras, a segunda mundial e a do Vietnã, através de símbolos que a imagem, o caráter, e o valor que o Capitão América representa de ser fora do Estado mais nacionalista e dentro do Estado que ainda permanece, e mais crítico as ações políticas que ocorre após o seu ressurgimento, além de resgatar a imagem de outros super-heróis em suas contextualizações e representações. PALAVRAS-CHAVE: Capitão América, EUA, super-heróis, antinazismo, anticomunismo, imaginário, política. 6 ABSTRACT In this monograph, we aim to demonstrate the political use of Captain America to fight the Nazis and Communists nineteen forty and one thousand nine hundred and ninety-one, in fact the ideologies of the Superhero, its changes and continuities in relation to political and social conflicts, from policies that oscillate in the mythology of the superhero, and we aim to also use representation as a means to understand the motives of the arts and narratives, seeking to explain through the imaginary social and political understanding of the historical factors United States, but politics is not directly forces the federal government, but through the creation of symbols and images that makes the belief in the hero, of being civilized in an organized society like the United States to mobilize hatred and enemies patriotic and nationalistic passions, criticism of the government and especially the desires of the political power connected as enlistment into the army in war, second world and Vietnam, through symbols that the character image, and the value that Captain America is to be out of state more nationalistic and within the state that still remains, and most critical political action that occurs after its revival, and redeem the image of other superheroes in their contextualization and representations. KEYWORDS: Captain imagination, policy. America, USA, superheroes, anti-Nazi, anti-communism, 7 SUMÁRIO INTRODUÇÃO CAPÍTULO 1 DAS ORIGENS DO CAPITÃO AMÉRICA AO SÉCULO XX 1.1 A Raíz do Sistema Capitalista Para a Formação do Super-Herói 1.2 A Propaganda do Super-Herói Patriótico 1.3 A Visão Sobre o Personagem na Nova Era CAPÍTULO 2 DIVERGÊNCIA DA IDEOLOGIA CULTURAL E POLÍTICA DA VISÃO DOS AMERICANOS EM RELAÇÃO À SEGUNDA GUERRA E A GUERRA FRIA: O COMBATE DO CAPITÃO AMÉRICA AOS NAZISTAS E COMUNISTAS 2.1 Capitão América: Trajetória, Valores e Identidade Nacional 2.2 O Confronto Ideológico na Segunda Guerra 2.3 Nazistas e Comunistas: A partir do Imaginário, são Iguais Para os Editores 2.4 O Capitão América e os Super-Heróis Inseridos na Luta a Favor e Contra a Guerra Fria 08 10 10 13 16 18 18 32 38 40 CONSIDERAÇÕES FINAIS 64 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 67 FONTES DOCUMENTAIS 69 8 INTRODUÇÃO A razão principal deste trabalho monográfico é de esclarecer a representação do símbolo maior dos EUA, a partir da política dos anos 40 aos 90, quando se trata de três épocas; Segunda Guerra Mundial, Guerra Fria e a Revolução Cultural, embora esta última para caracterizar a questão de pátria. Contudo, o que visa demonstrar a evolução do personagem durante esses anos, sua importância para o público leitor enquanto consumidores potenciais através do conformismo, que não implicou discordância entre o público, com excessão dos anos 40, quando era mais problemático devido ao nazismo que era necessário os EUA fazer propaganda contra a tirania, pois odiar nazistas era muito frequente nas histórias do Capitão, pois o conformismo não generaliza nas críticas, pois visa minimizar censura supostamente aos comunistas em ascensão, no entanto para chegarmos a compreensão, visaremos o sistema capitalista como desenvolvedor dos meios de comunicação de massa, a sua formação e importância para o surgimento dos canais de mensagens. As histórias em quadrinhos que foram selecionadas para ser desenvolvida a pesquisa foram cruciais para trabalharmos as representações das imagens e das narrativas, conhecendo mais bem o papel dos super-heróis a partir do imaginário dos roteiristas. As representações desse modo se tornam importantes para compreendermos o personagem, composto por conjuntos de ideias. O tema é considerado interessante pelas ideologias transmitidas nas histórias em quadrinhos e nos personagens, pois dificilmente as histórias em quadrinhos são consideradas valorosas para muitas pessoas através do senso comum. O super-herói que atrai vários públicos é um folclore que merece ser estudado, por isso existe o tema que se trata do poder ideológico dos EUA transmitidos pelo herói da Segunda Guerra Mundial; Capitão América. Cada capítulo vai tratar sobre patriotismo e nacionalismo, que por trás existe a política dos EUA, pois o personagem caracteriza-se não somente pelas figuras e histórias cheias de ação, mas pelas ideologias dos contextos de época. Porém, a criticidade e o apoio que os autores fazem ao governo, é algo que atrai o público, na era da crise dos mísseis, por exemplo, quando os novos heróis da Marvel foram criados, tais como o Quarteto Fantástico, Hulk, Homem Aranha e outros que desbancaram a rival DC. 9 Consequentemente, as histórias em quadrinhos, dizem muito a respeito dos acontecimentos históricos, desde que existam fatores políticos ou signos de moral, conforme compreendemos. 10 CAPÍTULO 1 DAS ORIGENS DO CAPITÃO AMÉRICA AO SÉCULO XX A força que desperta o sentimento nacionalista e patriótico, através dos meios de comunicação de massa pode considerar ser obscuro a partir do momento em que um personagem de história em quadrinhos é criado e ativado para mobilizar jovens e adultos em pleno século XX. Por razões óbvias as ideologias configuradas nas histórias através de um personagem principal que é comparado ao Estado-nação, são profundamente poderosos para descrever o contexto histórico. Dentre lutas propagandistas contra o fascismo e o comunismo, em que até os tempos presentes ainda sangram nas histórias em quadrinhos. O Capitão América é o maior exemplo disso tudo, foi criado por três gênios da quadrisfera; Joe Simon, Jack Kirb e Stan Lee. Este personagem se tornou político demais para auxiliar na mobilização antifascista de um Estado, e logo após uma queda econômica e “retração” pelos estragos e horrores da guerra seguidas para seguir a luta contra a ideologia comunista dos soviéticos. É verossímil afirmar que as histórias em quadrinhos são eficientes e que sempre querem dizer algo que não está dito, mas o que devemos perceber é que há uma relação constante das Histórias em quadrinhos com a História, desde os anos 30 em que estas começaram à propagar-se. 1.1 A Raíz do Sistema Capitalista Para a Formação do Super-Herói Segundo Bybe-Luyten, os Super-Heróis surgiram devido à necessidade de ativar o patriotismo, devido à fraqueza econômica e a superioridade da Alemanha fascista. Os meios de comunicação de massa ou mais precisamente os quadrinhos, tinham símbolos incrivelmente capazes de incentivar o povo, porém nenhum super-herói foi mais patriota e dramático quanto o Capitão América que nos primeiros anos de sua existência transmitia ideologias patrióticas, e também nacionalistas, militaristas e antifascistas, que foi seguida dez anos após à sua queda, pelo comunismo, mas esse fato estaria excluso se não fosse o avanço capitalista. 11 O avanço capitalista foi forjado devido à Revolução Puritana Inglesa do século XVII. Segundo Roper, não há como provar de forma crucial essa “agressão”, que iniciou desde a Revolução, o que de fato foi verdade, mas a evolução do capitalismo poderia ter ocorrido mesmo sem a Revolução Puritana que forjou o acumulo de capitais servindo como modelo aos EUA, devido que em 1700 os capitais eram mais avançados, portanto mesmo se a Revolução tivesse fracassado, poderia haver o avanço tardio. Contudo, os EUA “filhos” da Inglaterra, consideravam “estáveis” quanto aos males do capitalismo, devido parte da Europa não ter conseguido à evolução rapidamente. Segundo Dobb, os EUA estavam vangloriando a sua “estabilidade” econômica, pois acreditavam que a crise não iria os afetar, mesmo nos fins dos anos 20 quando a “avalanche” estava prestes à fluir. No ano pressago de 1929, um relatório da Comissão sobre Recentes Modificações Econômicas, sob a direção do Presidente Hoover, apresentou o pronunciamento confiante de que “economicamente, temos um terreno sem limite à nossa frente; há necessidades novas que abrirão incessamente caminho para outras mais novas ainda, à medida que sejam satisfeitas. (...) Parecemos ter apenas tocado na orla de nossas potencialidades”. Quando examinamos essas coisas, o ânimo de tal período vem a se enumerar entre as maravilhas dos tempos modernos. Tal otimismo não estava destinado a perdurar por muito tempo. Os sonhos de um paraíso econômico iriam ser rudemente desfeitos pelos acontecimentos de 1929 a 1931 (...) (DOBB, 1983. p.230). Deve-se afirmar que os EUA eram superior à Grã-Bretanha, devido ao sistema econômico que não conseguiu sustentar por falta de equilíbrio econômico das indústrias, portanto não era possível afirmar que a “agressão” capitalista que surgiu na Grã-Bretanha foi realmente crucial, mesmo com a debilidade dos EUA; essa crise não tinha como não acontecer. Segundo Dobb, os EUA se recuperaram dentro de políticas governamentais, e que chegou a concentrar mais do que a Grã-Bretanha, mesmo explorando os países vizinhos, porém a Crise foi se desfazendo, devido a produção de armamentos no entre guerras. De acordo com Hooper (1983) o capitalismo já recuperado pelos EUA, pois teve condições de fortalecer os meios de comunicação de massa, por isso foi possível com a ascensão de Adolf Hitler. Segundo Hobsbawm (2004), Adolf Hitler foi o responsável pela Segunda Guerra Mundial, mesmo com todas as potências que tentaram evitar a guerra, pelo fracassado Tratado de Versalhes, que criou uma Alemanha ameaçadora e ultranacionalista de direita, que foi mobilizada pela Itália e logo mobilizou o Japão. Este último tinha intenções de criar um império econômico, mas os EUA tinham interesses por exportações, pois congelaram 12 a economia dos japoneses, mas estes sabiam que não poderiam vencer os EUA, mesmo assim atacaram de surpresa em “falha” dos americanos; era a única solução para não ser um país independente de exportações. O Japão jamais iria abrir mão de seus interesses, mas sabia que os EUA iriam reagir a qualquer custo. Na verdade, foram o embargo ocidental (isto é, americano) ao comércio japonês e o congelamento de bens japoneses que obrigaram o Japão a passar à ação, se não queria que sua econômia, inteiramente dependente de importações oceânicas, fosse estragada de repente. A jogada que fez era perigosa, e revelou-se suicida. O Japão talvez aproveitasse sua única oportunidade de estabelecer rapidamente seu império sulista; mas como já calculava que isso exigia imobilização da marinha americana, a única força que podia intervir, também significava que os EUA, com suas forças e recursos esmagadoramente superiores, seriam imediatamente arrastados para a guerra. Não havia como o Japão vencer esta guerra. (HOBSBAWM, 2004, p. 48) Os EUA não iriam entrar na guerra necessariamente para vingar o Japão, pois o que temiam os americanos era a ascensão da Alemanha fascista, porém Adolf Hitler não acreditava na capacidade dos EUA que tinham condições de vencê-lo junto aos Aliados, devido sua força econômica e tecnológica. Hitler subestimava as democracias liberais como os EUA, mas os meios de comunicação de massa, preferencialmente as histórias em quadrinhos onde nasceu o Capitão América em 1941, ainda antes do ataque dos kamikazes japoneses à Base Naval de Pearl Harbor, quando o presidente Roosevelt era julgado pelos políticos da democracia liberal, por ser incapaz de fazer política eficiente contra o fascismo alemão, para mostrar que a Alemanha nazista ou as forças do Terceiro Reich eram perigosos para a democracia americana, porém era preciso que os meios de comunicação de massa, ou os super-heróis das histórias em quadrinhos; inclusive o Capitão América que foi o mais eficiente dos super-heróis para divulgar esse perigo que atormentava a democracia e a liberdade dos EUA, mas esse auxílio do Capitão América tentava vislumbrar que os fascistas alemães podiam enviar espiões e sabotadores para destruir a economia dos EUA que produzia armamentos para a Grã-Bretanha. Necessitava de super-heróis no imaginário para demonstrar esse perigo. Segundo Hobsbawm, não está claro sobre o que realmente mobilizou os EUA para entrar na guerra, pois o ataque do Japão e a guerra forjada por Adolf Hitler não pode ser afirmada como estímulo devido ao momento de reação, mas fica claro que o Capitão América auxiliou para essa participação imediata dos EUA na guerra, porém divulgou esse perigo através de suas histórias nacionalistas, como veremos no segundo capítulo. É indubitável que os meios de 13 comunicação de massa nessa parte foram cruciais, foi o que motivou os EUA a entrarem na guerra com intenção de vencer. A democracia liberal (que por definição não existia no lado fascista ou autoritário) alargou esse fosso. Tornou lenta ou impediu a decisão política, notadamente nos EUA, e sem dúvida lhe dificultou, e às vezes impossibilitou, a doção de políticas impopulares. Sem dúvida alguns governos usaram isso para justificar seu próprio torpor, mas o exemplo dos EUA mostra que mesmo um presidente forte como Franklin D. Roosevelt era incapaz de executar sua política antifascista contra a opinião do eleitorado. Não fosse Pearl Harbor e a declaração de guerra de Hitler, os EUA sem dúvida teriam continuado fora da guerra. Não está claro sob que circunstâncias poderia ter entrado. (HOBSBAWM, 2004, p. 153) Os EUA, obviamente não iriam arriscar sua economia fazendo guerra contra as forças do Eixo, mas o destino estava marcado devido aos problemas já citados no Japão. Hobsbawm afirma que os EUA não iriam entrar na guerra para vingar o Japão, mas para vencer o nazismo na Alemanha, e logo atacou brutalmente Hiroxima e Nagazaki, para a rendição dos japoneses e o fim da guerra. 1.2 A Propaganda do Super-Herói Patriótico De acordo com Luciana Chagas, Os editores do Capitão América divulgavam o perigo fascista, e estamparam na primeira capa da edição, o Capitão América refletido no Estadonação socando Hitler, que representava o nazismo. Segundo Hobsbawm, é viável que nesse período, que nós entendemos as histórias em quadrinhos do Capitão América como também um meio de defender o nacionalismo e o patriotismo, porém é demonstrável a busca pela identidade e defesa da unidade do Estado; o Capitão América ou qualquer outro super-herói que vestia as cores de sua pátria, defendia a cultura e a ideologia dos EUA, garantindo aos jovens de classe média a identificação imaginária com o símbolo do Estado. O Capitão América permanece sendo essa representação simbólica. (...) em eficácia, para inculcar sentimentos nacionalistas, de todo modo só para homens, foi a facilidade com que até mesmo os menores indivíduos políticos ou públicos podiam se identificar com a nação, simbolizada por jovens que se destacavam no que praticamente todo o homem quer, ou uma vez na vida ter querido: ser bom naquilo que faz. (HOBSBAWM, 2011, p.171). 14 Contudo, vários super-heróis deram continuação nas histórias em quadrinhos, mas o Capitão América, defensor da liberdade e da democracia, que foi reconhecido pelos editores como a lenda viva da Segunda Guerra Mundial, cai no esquecimento. Após a vitória dos EUA na Segunda Guerra Mundial ao lado da Rússia soviética, o Capitão América “morre”, pois os horrores da guerra e as suas fantásticas histórias não tinham mais sentido. O Capitão América não tinha mais sentido para divulgar a guerra, pois este foi criado pela esperteza dos editores para fazer política ao governo. De acordo com Leandro Karnal (2007) Roosevelt em sua política de combater o fascismo, fazia propaganda para a liberdade e a democracia através dos meios de propagandas, segundo Vieira Guerra somente o imaginário tratará a necessidade da guerra contra as forças do Terceiro Reich, e Eco fala da associação às fantasias dos artistas que podiam associar-se aos desejos do governo, pois a força do imaginário cria o guerreiro, cria heróis que a sociedade sonha para minimizar seus problemas pessoais, fracassos e frustações, pois o homem precisa de um herói. Através das idéias de Chagas e Inácio, poderemos entender em três fatores, o tempo de “hibernação” e regresso do Super-Herói. Primeiro os editores não tinham idéias suficientes para ter o que fazer com o Capitão América, após a Segunda Guerra, lembrando que a missão do super-herói já estava concluída. Segundo, que a guerra não tinha mais sentido para os EUA, com exceção das participações nos conflitos na Coréia e no Vietnã, contra os comunistas, e logo que o super-herói entrou em falência a URSS era assustadora pois na época da Guerra da Coréia nos anos cinquenta em que os EUA estavam perdendo vários combatentes, pode ser o fato mais preciso para recriar o Capitão América, assim como a editora criou uma gama de personagens famosos e cultuados no mundo inteiro. Terceiro, o super-herói retorna justamente para mais uma missão na Guerra Fria, que é a melhor das hipóteses para explicarmos o retorno triunfal do Capitão América. A concretização para definirmos esse problema então, foi que as histórias em quadrinhos do Capitão América retornaram um ano após o assassinato do presidente John F. Kennedy em Março de 1963, portanto a política deste governo não era eliminar os comunistas, mas sim de manter a supremacia americana, que pode ser explorada nas primeiras histórias do pós-“hibernação” do super-herói; a questão do patriotismo retornava assim como a do anticomunismo, pois para ter-se propagandas patrióticas era preciso opor-se ao comunismo, algo similar entre os tempos de Segunda Guerra Mundial quando o antifascismo também gerava o patriotismo na ficção. Houve histórias em que os editores deixavam explícito o ideal americano, quando o Capitão 15 América questiona: “Será que os combatentes comunistas são tão fracos, tão inseguros, que temem um americano sozinho?? É esse o propalado poder dos vietcongues?.” (BIBLIOTECA HISTÓRICA MARVEL CAPITÃO AMÉRICA, Marvel Comics, 2008, Pg.31) Segundo Hobsbawm, a URSS era ameaçadora, mas sem perigo para uma suposta “Terceira Guerra”, porém, como já é sabido, havia uma divisão entre o comunismo e o capitalismo, e isso se tornou uma “ameaça” à hegemonia capitalista dos EUA, mas as duas forças temiam uma a outra. É fato, de que o Capitão América iria provar a superioridade dos EUA em seu retorno nas histórias em quadrinhos. Em suma, enquanto os EUA se preocupavam com o perigo de uma possível supremacia mundial soviética num dado momento futuro, Moscou se preocupava com a hegemonia de fato dos EUA, então exercida sobre todas as partes do mundo não ocupadas pelo Exército Vermelho. Não seria preciso muito para transformar a exausta e empobrecida URSS numa região cliente da economia americana, mais forte na época que todo o resto do mundo junto(...). (HOBSBAWM, 2004. p.231). Segundo Hobsbawm, com a percepção que a URSS não podia vencer o capitalismo, esta apenas suportou com seus avanços tecnológicos e ameaças, porém em conflitos como na Guerra do Vietnã, os EUA sempre buscavam meios para vencer os comunistas. Foi justamente essa ameaça vermelha que propositou a reação do Capitão América pela Editora Marvel Comics, portanto os editores alegavam que as histórias que tinham personagens vilãos comunistas foram poucos, o que importava realmente era as qualidades das histórias com mais entretenimento. O herói sumiu alguns anos do fim da guerra e só a partir de março de 64 voltou definitivamente à ativa (Com uma versão que dizia que ele havia ficado congelado desde 1945) (...) Uma das questões centrais era: QUEM um símbolo antinazista poderia enfrentar? Espiões soviéticos? Essa idéia chegou a ser desenvolvida na década de 50 (...). (CAPITÃO AMÉRICA, Editora Abril, Marvel Comics. N.9, 1990). O medo era de espiões soviéticos, assim como acreditavam os editores sobre os nazistas, foi uma pertubação comunista que fez com que fosse criado uma gama de superheróis reconhecidos mundialmente que provaram na ficção a “superioridade” do Estado. O Capitão América em suas primeiras histórias dos anos 60 demonstrava assim como na dos anos 40, o ideal patriótico, pois o que diferencia era que este personagem não era mais o “cão do governo” dos anos 40; era e ainda é um ídolo da cultura pop, mas que esbanjava ideais de patriotismo, como os próprios editores afirmaram em uma de suas histórias dos anos 16 40, quando o Capitão América auxiliava o Estado para defender a democracia; “Quem é o Capitão América? Todo um país se emociona com seus feitos ousados. Seu nome se torna símbolo de coragem para milhões de americanos... e sinônimo de terror no mundo dos espiões!” (CAPITÃO AMÉRICA: As Primeiras Histórias, Marvel Comics, 1992, Pg.14) 1.3 A Visão Sobre o Personagem na Nova Era Segundo Hobsbawm, não seria excluso que a Revolução Cultural no qual foi iniciada nos EUA e na Grã-Bretanha, pois nada melhor que os meios de comunicação de massa para levar uma nova atitude de vida aos jovens do final dos anos 60. Contudo, o Capitão América estava no auge assim como os super-heróis das histórias em quadrinhos, contribuindo junto com a Broadway e Hollywood, esse avanço da cultura, onde Hobsbawm vai afirmar que os jovens dos meados do século XX tinham uma vida diferente e mais liberal do que tiveram seus pais que viveram na Grande Depressão e isso é conhecido como o abismo de gerações em um tempo que os jovens terão a liberdade de que seus pais não tiveram, porque as indústrias estavam bem desenvolvidas e os empregos em alta; homens e mulheres jovens podiam definir seu futuro. Entretanto, a partir de Viana, após a Segunda Guerra neste período de revolução cultural, o herói americano que é revivido por Stan Lee, começa a questionar sobre si mesmo num mundo diferente em que vivia, pois no imaginário do Lee o herói americano, símbolo de heroísmo dos EUA teria que sofrer alterações para retornar-se anos após a guerra, no entanto cria-se uma narrativa onde o Capitão sofre um acidente na tentativa de evitar um ataque do arqui-inimigo Caveira Vermelha aos EUA, algo que seria a trama que apagava o fracasso da venda de quadrinhos que comprometeu no fim da Era de Ouro dos quadrinhos nos meados dos anos 50. Contudo, para caracterizar o inicio da Era de Prata, Lee transforma o personagem mais pensativo e critico do governo após ser encontrado congelado no Atlântico Norte por Namor nas páginas de The Avengers n. 04 de 1964, sendo assim no auge da Guerra Fria o símbolo de heroísmo dos EUA ou a Lenda Viva da Segunda Guerra Mundial integra-se aos Vingadores se tornando líder do grupo. Levando em conta da era da Guerra Fria e a ameaça sofrida pelos EUA, Lee mantém o personagem como por não mudar a figura do Capitão, e atrai o público leitor com histórias que fazem críticas ao governo e a Guerra Fria. 17 Em sua trajetória, o Capitão América nos anos 40 apoiador do governo, era como o Tio Sam, incentivava que os jovens alistassem no Exército dos EUA, é fato, pois com o aniquilamento da Alemanha nazista, os quadrinhos sofrem queda de vendas, o Capitão é cancelado, mas com o fato do inicio da Era de Prata, quando a Timley Comics se torna a Marvel com a criação de novos heróis devido às concepções da Guerra Fria, o herói americano é reativado conforme sabemos para estar do lado dos EUA na Guerra Fria e criticar o governo, é fato. Percebe-se um oscilamento de fato entre a política interna e externa onde será mais bem explorado no segundo capítulo que o personagem luta contra os comunistas, mas não tão frequente quanto lutar contra nazistas o que era a mesma coisa, pois a indústria Marvel tem interesses econômicos, porém é o que transforma o personagem com traços políticos, devido a defesa da pátria através de lutas contra inimigos e suas mensagens ideológicas. Consequentemente, o Capitão América constrói toda a ideologia do Estado-nação, devido as suas formas de agir e pensar dentro dos quadros da ficção, que buscou desde o inicio tentar garantir a estabilidade patriótica de seu país, mesmo que na contemporaneidade, não desenrraigou dessas ideologias. 18 CAPÍTULO 2 DIVERGÊNCIA DA IDEOLOGIA CULTURAL E POLÍTICA DA VISÃO DOS AMERICANOS EM RELAÇÃO À SEGUNDA GUERRA E A GUERRA FRIA: O COMBATE DO CAPITÃO AMÉRICA AOS NAZISTAS E COMUNISTAS De acordo com Viana (2005), Super-herói é diferente de herói e de fato que o herói é mais humano quando não tem nenhum ser que seja poderoso com determinado tipo de superpoder, este vive num realismo mais próximo do homem, portanto super-heróis são todos os seres que tendo ou não superpoderes são considerados super-heróis se enfrentar inimigos com superpoderes, porém super-herói significa não somente sobre-humano, mas humano desde que esteja ao lado de seres com poderes sobre-humanos. 2.1 Capitão América: Trajetória, Valores e Identidade Nacional Capitão América fora criado para que os jovens e adultos pudessem se identificar com os valores que carrega, dando sentido e significado a verdade da precisão da guerra, pois causa representação do que esses necessitam para tornar o impossível em possível, devido que necessitam explicar a sua realidade. O Capitão América é um mito, pois segundo Umberto Eco (1965), sendo uma necessidade da demanda do imaginário social e político, visa que os homens se sentiram minimizados com a ascensão tecnológica e necessitam da imagem do herói, este que traz a esperança para os que sofrem com as frustações do poder coletivo, no entanto visamos nas décadas da Segunda Guerra Mundial, essa necessidade para que os Estados Unidos participassem da Guerra. Parafraseando Leandro Karnal (2007), o presidente Roosevelt (1933-1945) sabia que a qualquer momento os Estados Unidos poderiam participar da Guerra, devido a manutenção de armamentos para a França e a Inglaterra e seus conflitos contra o Japão, explicados no primeiro capítulo, portanto Roosevelt tinha esquemas para que os meios culturais participassem da propaganda antifascista, porém, após a criação do Super-Homem, surge um Super-herói militar na luta contra as forças do Terceiro Reich. Segundo Luciana Chagas, o Capitão América era um verdadeiro caçador de nazistas e ao mesmo tempo um Sentinela da Liberdade, pois era o maior anti-nazista que já havia sido 19 criado, devido as suas mensagens de ataque ao líder nazista e seus seguidores, para a defesa dos EUA, gerando a necessidade de guerra, motivando que os jovens pudessem realizar os seus sonhos de ajudar os EUA na luta incansável contra a Alemanha nazista, porém as mensagens eram nacionalistas e patrióticas, pois o Capitão América era um símbolo do nacionalismo dos EUA e ao mesmo tempo um patriota como sempre, sendo que nas décadas de quarenta o Sentinela da Liberdade era, devido ao ufanismo nacionalista, consistentemente e declaramente a favor do governo dentro da política externa, cujo oscila com a política interna, pois dentro da política externa este não se desenvolve por ser nacionalista, com excessão as lutas políticas contra nazistas e comunistas através do tempo, e na política interna veremos mais adiante o desenvolvimento que evoluiu o Capitão América nas lutas sociais em sua pátria, e o seu código moral que se universalizou, passando a defender os valores universais. Chagas afirma sobre o presidente Roosevelt, que por aproximar das forças militares, recomendou as primeiras tiragens da revista Captain America Comics n.1 de Simon e Kirb, para o exército de prontidão, para motiva-los e inspira-los a manter o ideal americano de liberdade, democracia, igualdade e justiça, era algo que permeasse o imaginário dos militares para a consciente participação dos EUA na Segunda Guerra Mundial, no entanto conforme é de saber que, conforme Backzo (1985), o personagem imaginário faz com que os militares acreditem em suas ilusões e leve-os para a guerra verdadeira a fim defender sua pátria, então o Capitão seria a “verdade” para os seus sentimentos de vitória, acreditando que possam inspirar em um herói incapaz de mentir, corajoso e incorruptível. A partir da primeira revista em quadrinhos do Capitão América, visaremos o seu surgimento no alvorecer da Era de Ouro dos quadrinhos (1938-1954), seus valores e sua identidade, na trama um rapaz franzino sem história passada, é submetido a uma proposta secreta do governo de criar um exército de super-homens para que os EUA aniquilassem os espiões e sabotadores nazistas que estavam destruindo as usinas de armamentos que muniam a Grã-Bretanha e que vencessem os alemães e os japoneses, então Steve Rogers se voluntariou para o experimento bioquímico do melhor cientista dos EUA, o Dr. Reinstein, que após injetar o soro de supersoldado, esse sobrevive e torna-se forte, capaz e corajoso o suficiente, no ápice da condição humana e física de um atleta. Mas um agente da Gestapo assassina o Doutor e a fórmula que seria para criar um exército faz com que Steve Rogers se tornasse o único, após a fala do cientista maluco que havia batizado Steve Rogers de Capitão América. 20 _Observem! Eis o coroamento de anos de trabalho: o primeiro de um exército de superagentes física e mentalmente capazes de aterrorizar espiões e sabotadores! _Nós o chamaremos de Capitão América, filho... Porque, como você a América ganhará forças para se proteger! (Capitão América: As primeiras histórias, 1992). Nesta narrativa os jovens poderiam realizar seus sonhos de alistarem ao exército norteamericano, no entanto conforme Vieira Guerra, o herói americano permeava o imaginário de jovens que ainda não haviam se alistado para as forças militares e por isso precisavam de símbolos como o Capitão América, e de outras pessoas que não podiam participar da guerra, mas conforme Leandro Karnal, Roosevelt descontava impostos para a Timley Comics com a figura do Capitão América de fato, para arrecadar capitais para a guerra. Vieira Guerra afirma que havia público para o Capitão América em seus panfletos que eram estampados igualmente em outras revistas, cujas inspiradas na figura do Tio Sam que fora símbolo da Primeira Guerra e também reutilizado na Segunda Guerra. 21 Figura O1: Tio Sam com o dedo em riste com sua famosa frase: Eu quero você para o exército dos Estados Unidos (Cartaz usado constantemente na Primeira Guerra Mundial) Figura 02: Capitão América, o novo símbolo do nacionalismo dos Estados Unidos, substitui o Tio Sam com o mesmo gesto e com uma frase diferente, incentivando a convocação de jovens para a Segunda Guerra Mundial: Seja um Sentinela da Liberdade! (propaganda visível em revistas do Capitão, como por exemplo, Captain America 22 Comics n. 17, 1942). Vejamos o Tio Sam com as cores da bandeira dos EUA, este é um símbolo tratado como tal para a sociedade norte-americana, com os gestos idênticos ao Super-herói militar que também, vestindo com as cores da bandeira de sua pátria, ambos trazendo esperança com frases motivadoras para que os jovens e adultos sentissem ódio pela tirania e a opressão dos estados totalitários, fazendo nascer valores patrióticos e nacionalistas, e no caso da imagem do Sentinela da Liberdade, representa o símbolo de desejo americano de defesa dos EUA, o símbolo de liberdade da América. O Capitão América é nacionalista e patriótico tão quanto um idealista, conforme afirmou Hobsbawm, que o nacionalismo é visado na política dos EUA, para que haja defesa e lealdade, defendendo a política, a cultura e o código moral de vida do americano, pois gera conflitos entre nações, pela defesa do Estado-nação, e o patriotismo é uma paixão por símbolos que visa a união de povos do mesmo estado, mas que não é considerado proeminente político. De acordo com Luciana Chagas, o código moral do Capitão América, de liberdade, igualdade e justiça que este carregava unicamente nos anos quarenta nos EUA, para que pudesse motivar os jovens leitores para o alistamento nas forças militares, visando-os a de destruírem a Alemanha. Uma mensagem do Capitão América: a cada um dos milhares de jovens americanos de sangue vermelho, que de bom grado se voluntariam para participar do grande exército dos Estados Unidos quebradores de espiões (...). Sentinelas da liberdade: Bucky e eu gostaríamos de agradecer a cada um de vocês pela sua resposta para o nosso apelo por sua ajuda, para livrar os Estados Unidos dos traidores que querem destruí-lo. Para aqueles de vocês que ainda não tenham recebido seus emblemas, eles estão a caminho e muito agora. De seu bom amigo e companheiro patriota Capitão América. (nossos grifos) (Captain America Comics n.02, 1941). Segundo Vieira Guerra, o Capitão América e seu fiel parceiro de Segunda Guerra, James Bucky Barnes, serviam de inspiração para a primeira e segunda frente de batalha, pois o Bucky Barnes servia como um modelo para os mais jovens de certo modo, e para a primeira frente o Sentinela da Liberdade, mas Bucky Barnes fora também criado ao lado do Capitão pela dupla Joe Simon e Jack Kirb, pois apareceu na capa da primeira edição até nas últimas histórias do Super-herói militar, como veremos mais adiante que Bucky não estará mais vivo após o ressurgimento do Capitão nos anos da década de sessenta. O Super-herói militar (conforme é de saber, Capitão América) trazia incentivos em sua própria fala nas mensagens declaradamente nacionalistas, mostradas na segunda edição de sua 23 revista, despertando o espírito nacionalista e patriótico para os leitores estadunidenses, e de acordo com Backzo, o poder político tem apoio estratégico do imaginário, pois os homens acreditam em ilusões e símbolos que satisfaçam o seu desejo impulsionando-os a luta contra o inimigo, é de fato que essas mensagens do próprio Capitão representam a associação com o poder político de Roosevelt, que necessitava de esquemas da indústria de propaganda disseminando os ideais de liberdade e democracia das quais fazem parte do código moral do Capitão, para garantir a aceitação dos EUA na Guerra, em afirmativa de Karnal. Sobre o código moral do Capitão América, segundo Luciana Chagas, faz parte dos valores universais tais como a defesa da liberdade e da justiça pra que todos tenham direitos iguais e sejam livres para a paz no mundo, porém o Capitão surge como o maior defensor desses ideais para trazer identificação ao americano, pois, conforme Luyten, que para preservar a paz e os direitos, era preciso usar métodos ilegais como último recurso com a coerção de violência delicada fora do Estado, porém o Capitão agia tendo que usar tais métodos que resultassem em morte, como por exemplo, em sua primeira história argumentada por Joe Simon, esse mata acidentalmente o agente secreto de Hitler após sua transformação em Super-herói e a morte do cientista. De acordo com Karnal, os EUA visavam a Segunda Guerra como o bom combate contra o fascismo, necessitando da ajuda do povo, então as propagandas faziam discursos com ideais de liberdade e justiça usadas por Roosevelt contra o militarismo alemão e japonês que traziam perturbação e terror para os americanos, porém o nazismo era o primeiro inimigo a ser combatido, e o Capitão América com seus valores e suas inspirações patrióticas e nacionalistas consegue através do imaginário levar a paz e a esperança para a força militar norte-americana, era, no entanto um auxílio para que o governo conseguisse fazer política de mobilização antifascista, pois o patriotismo era fomentado pela figura do Capitão. Parafraseando Viana (2011), a crise da Era de Ouro acabou com as histórias do Capitão, devido as suas mensagens guerreiras e ao mesmo tempo bélicas, porém acarretava no fim do personagem, conforme Luyten, os super-heróis entravam para fazer guerra contra a tirania, mas inocentemente caíram de vendas e somente recuperariam nas décadas dos anos sessenta, porém, com excessão de personagens da Detective Comics (DC) como o SuperHomem, Batman e Mulher Maravilha, os mais beligerantes como o Tocha Humana, Capitão América e Namor foram esquecidos. Segundo Vieira Guerra, os leitores começavam a perder o interesse no Capitão América, pois devido a vitória dos Aliados contra o Terceiro Reich, não havia mais sentido visar mais o passado horroroso, mesmo que os Estados Unidos se tornasse a grande potência 24 mundial no pós-Segunda Guerra, mas se iniciava o mundo bipolar entre EUA e URSS, fazendo com que novos desafios surgissem e efetivamente o mundo fantástico do Sentinela da Liberdade precisava renascer no imaginário de outra geração que temiam devido a ação política do senador Joseph McCarthy no famoso “caça as bruxas”, então era preciso coragem para combater ideologicamente os comunistas. É fato que na conhecida Era de Prata dos Quadrinhos num período de ressignificar o conceito de Super-herói e reformular diversos personagens que seria incabível neste texto sobre Capitão América, pois Stan Lee e Jack Kirb (co-criador) conseguem, segundo Vieira Guerra transformar a Timley Comics em Marvel Comics e criar gamas de personagens, mas e o Capitão América? O Sentinela da Liberdade em seu renascer em Março de 1964 na revista Os Vingadores n.04, Lee pretende desvincular a imagem do Capitão da política externa e trazer a tona a individualidade do Super-herói tornando-o mais humano, conforme Luciana Chagas, o Capitão é agora um homem de outro tempo, mais idealista, além de patriota e menos nacionalista, pois vai passar a defender os valores universais de liberdade, igualdade e justiça para o mundo. A partir da narrativa de Lee nas revistas os Vingadores de 1964 n.04 e Capitão América n.112 de 1968, para apagar o passado “fracassado” do Capitão, cria-se uma nova trama, sendo que realmente o Capitão lutaria na Segunda Guerra Mundial ao lado de Bucky, e após uma tentativa de evitar o roubo de um dos aviões do exército americano Capitão e Bucky conseguem alcança-lo, mas ambos não sabiam que havia uma bomba relógio que era estratégia de um espião de Hitler, Barão Zemo, porém Bucky não havia percebido que tinha uma bomba, mas o Capitão tentou avisá-lo, e o avião explodiu, pois Steve Rogers caiu em águas gélidas do Atlântico Norte e ficou em animação suspensa devido ao seu congelamento, e após vinte anos Namor, que lutou ao lado do Capitão na Segunda Guerra, descontente com a humanidade após sua derrota para um grupo composto pelo Homem Formiga, Vespa, Golias, o poderoso Thor criado por Stan Lee e Jack Kirb em 1962, o invencível Homem de Ferro e o incrível Hulk que saberemos de sua origem mais adiante. O príncipe submarino, Namor encontra um grupo de esquimós adorando uma figura em um bloco de gelo, pois Namor enfurecido joga esse bloco longe em correntezas de águas quentes que se desfaz aos poucos, e um grupo denominado os Vingadores encontram a figura lendária do Capitão América que se integrará como o líder dos Vingadores. 25 26 Figura 03: Figura do Capitão América em uma famosa narração: E assim, uma lenda vive novamente !! Representando o renascimento do Super-herói (Capitão América n.114de 1968) No contexto de Guerra Fria, o Capitão América aparece em ação rumo a uma nova história, e no fundo aparece a representação de seu passado, as suas lutas no passado horroroso da Segunda Guerra, mas que tornou o personagem mundialmente conhecido como Capitão América, o herói da Segunda Guerra Mundial, tendo que enfrentar pouco frequente os comunistas e frequentemente os nazistas e sua crise de identidade. Sobre os seus valores o Capitão América universaliza-se, mas oscila entre a política interna e externa, na política externa conforme sabemos se refere ao nacionalismo, as suas lutas contra os inimigos do Estado. Neste momento visaremos a política interna que prova o seu desenvolvimento de forma crucial, e afirma Denise (2011), que o Super-herói tem um projeto de futuro para que os jovens possam ter inspirações e valores patrióticos, e precisam de um modelo de um herói de qualidades nobres, então o Capitão América impera esses valores no modo de vida moderno da década de sessenta em diante, mas não se torna de modo algum um objeto cultural de valores unicamente americanos tais como a Coca-Cola, mais um mito que traz mensagens de preservação da vida, democracia, da justiça, da igualdade e da liberdade. Em nossos grifos, tais valores são conscientemente e consistentemente defendidos pelo herói, pois no arsenal do Capitão tem suas mais infalíveis armas, os seus indomáveis punhos e seu poderoso escudo listrado de branco, azul e vermelho com sua superforça, além da coragem e do mocismo e a luta ideológica contra os nazistas e os comunistas. Em ressalva, o Sentinela da Liberdade jamais usou armas de fogo, também é praticante de artes marciais como o judô e praticante de acrobacias (Essa afirmação se refere dentro dos cinquenta anos de Capitão América 1941-1991). A partir da revista Capitão América n.104, o Capitão além de defender tais ideais usava-os para continuar a apaixonante luta contra o nazismo. Capitão América diz: _Nós derrotamos o nazismo, e tudo isso significou a mais de vinte anos atrás! E aqui, neste lugar... Nós fizemos novamente! Deixe isto ser a nossa resposta para os zombadores e os céticos... Para aqueles que acham a democracia perdeu a sua determinação seja onde for que o espectro mortal da tirania agiganta-se. O espírito dos homens livres... Orgulhosos e unidos serão impulsionados da nossa terra! (Capitão América n. 104, 1968). É fato de que em 1968 o espectro nazista a partir do imaginário, causando sentimento nacionalista pode ser calcado no combate aos neonazistas, e também aos comunistas, pois 27 estes também são inimigos, mas, não são nazistas, então a partir dessa política externa quanto aos valores do Capitão América, conforme Backzo, que o poder do símbolo transmite valores, e para as pessoas é uma razão de defender seu Estado contra qualquer tipo de perigo seja neonazista ou comunista, a partir deste ilusório de combate aos inimigos do Estado em plena década de sessenta, quando já não existe mais o nazismo, qualquer doutrina é inimiga. Na década de sessenta os Estados Unidos, em quesitos de política interna o Capitão lutará por direitos civis na Era de Bronze dos Quadrinhos, que segundo Vieira Guerra, a partir de 1971 os artistas passaram a ter liberdade de expressar suas ideias com críticas em relação aos direitos civis, e usos de drogas que não foi visível nas páginas das revistas do Capitão fazendo com que se iniciasse uma nova era dos quadrinhos com identificações com os problemas sociais, então ao saber que durante a década de sessenta (ainda na Era de Prata), todavia o Capitão trouxe mensagens de democracia e liberdade conforme vimos nesta sessão, e a partir da Era de Bronze visará os direitos sociais de igualdade e liberdade contra o racismo. Segundo Larissa Becko, o Capitão América que se questionava de que precisava ter uma vida normal, passa através da década de setenta a lutar pela igualdade social, porém em Captão América n.117, o Sentinela da Liberdade terá ao seu lado no combate ao crime, contra a discriminação racial, o seu novo parceiro, pois Bucky Barnes foi dado como morto, surge então o primeiro Super-herói afro-americano, o Falcão. Segundo Vieira Guerra, a Marvel passa a criar heróis negros que representem a população pobre dos Estados Unidos e contribuam contra a discriminação racial, porém passa a lutar durante a década de setenta ao lado do Capitão, visando à igualdade a liberdade e a democracia, caracterizando a luta pelos ideais do Capitão, então a partir de Leandro Karnal, os negros dos Estados Unidos que lutavam por liberdade reagiram às discriminações, pois tinham partidos políticos e doutrinas para seguir como as do legendário Martin Luther King que lutava por ações de direitos dos negros a partir de movimentos contra a pobreza e discriminação nos empregos, porém a Marvel visa, através da liberdade dos roteiristas apoiar o que é bom para os Estados Unidos de incluir um personagem negro para combater o mal ao lado do personagem mais político de todas as eras dos quadrinhos, então Capitão América e Falcão lutarão contra inimigos perigosos tais como o Caveira Vermelha, representando a igualdade de direitos civis e a união de brancos e negros, porém o imaginário traz essa força de buscar ao mundo da ficção o impossível, onde os negros poderiam conquistar seus direitos civis. 28 29 Figura 04: Capitão América em combate ao espectro nazista, de fato uma paixão pelo combate ao lado de Falcão, representante da América pobre. (Capitão América n.05, 1979) A partir da imagem onde aparece o Capitão derrotando o seu arqui-inimigo, e o falcão com a sua águia, de fato em plena década de setenta quando existem as lutas por melhoria de vida aos negros. Capitão América aparece com um sentimento de raiva ao perigo nazista para a democracia e o Falcão com sua águia, representa a paz, a liberdade e a democracia para direitos entre brancos e negros, independente da classe ou posição social, de fato que a Era de Bronze dos Quadrinhos (1971 a 1985) busca conflitos que sejam resolucionados através do imaginário, visando não somente a conflitos políticos, mas também sociais. Falcão fora criado por Stan Lee e Gene Colan pela revista Capitão América n.117 de 1969, no alvorecer da Era de Bronze (1971), pois estes começavam a mostrar as suas liberdades de expressão. Voltemos aos valores do Capitão América, nas décadas de setenta, oitenta e inicio de noventa, segundo Vieira Guerra o Capitão que representou a “boa guerra”, quando para entender Capitão América é necessário remontar a sua origem na Segunda Guerra, quando visou o nacionalismo e o civilismo como afirmativas pra Guerra. Os autores ao reviver o herói a partir da Era de Prata (período de duração 1956-1969) readaptaram o personagem na nova era após mais de vinte anos de animação suspensa devido ao seu congelamento, que não o fez envelhecer, mas seus ideais de valores nacionais teriam que significar não somente para os EUA, mas sim para o mundo, daí não vemos Steve Rogers, o Capitão América como um representante do governo como fora na Segunda Guerra, é algo que oscila entre está a favor como na política externa que visa o combate aos antagônicos nazistas e comunistas, e a política interna quando os seus valores se universalizam fazendo com que este não apoie o governo de sua pátria, para defender os ideais, de luta pela vida, liberdade e justiça, que, segundo Luciana Chagas fazem parte da Declaração Universal dos Direitos Humanos, pela liberdade, igualdade, justiça, democracia para a luta esperançosa pela vida, pois sabemos que é a partir desse momento que o Capitão se desenvolve, este não se torna mais um personagem unicamente visador para o alistamento de jovens para o serviço militar, com excessão da política externa quando veremos mais adiante a influência para a participação dos jovens na Guerra do Vietnã (1965-1975), e também esses valores não são mais centralizados como fora na Segunda Guerra, pois a partir desse momento é universal, é fato. A partir de uma edição dos anos oitenta, Capitão América n.79, de 1985, o herói dá uma demonstração de sua luta associada ao seu código moral, quando vê as injustiças de um 30 pai de família, cometendo incêndios, causando mortes para zelar de sua família, além de corrupção policial envolvido na narrativa de Frank Miller, o Capitão resgata o documento e afirma, pela sua luta dos direitos humanos. Afirma o Capitão: _ “Os direitos humanos devem ser conquistados dia a dia com responsabilidade e respeito pelo próximo! E muitas vezes representam apenas uma segurança” (Capitão América n. 79, 1985). É inegável entender o Capitão América se não soubermos que existe tal oscilamento, mesmo que isso não o torne um “vilão”, pois é considerado um verdadeiro herói para o povo americano, entretanto sobre a sua dificuldade de adaptação ao mundo novo, falando de Capitão América, pois segundo Luciana Chagas este vive numa constante crise de identidade num mundo diferente onde existem movimentos hippies, as lutas por direitos civis e o movimento feminista, portanto existe um conflito moral entre as identidades Steve Rogers/Capitão América. Segundo Vieira Guerra, o Capitão lutará contra o caso Watergate, quando havia protesto de participação para a Guerra do Vietnã, o presidente Richard Nixon monitorou a Casa Branca, para que ninguém discordasse de seu discurso para efetivação do alistamento de jovens para a imprecisa Guerra, então segundo Leandro Karnal em 1972 houve arrombamento e a descoberta do edifício Watergate, em Washington, colocando em perigo o mandato de Richard Nixon (1968-1964), mesmo que reeleito o impeachment já estava sendo aprovado e causou a este o seu renunciamento em 1974, sendo dentro da política interna, mas e o Capitão América como reagirá? A partir da política interna o herói não é mais o mesmo dos anos quarenta, pois este vai contra o governo e contra a Guerra do Vietnã ou contra qualquer outra guerra, diferente da política externa, como é sabido que existe outra visão do Capitão que ainda não mudou em relação à Segunda Guerra (essa afirmação visa esclarecer a diferença entre as visões do herói dentro das políticas interna e externa). Haverá nos anos da década de setenta mudanças de identidade do Super-herói, conforme Vieira Guerra, o Capitão muda de identidade que não nos será cabível detalhar a sua mudança de identidade para Nômade, e logo para apenas Capitão com um uniforme negro representando luto, pois contesta um serviço burocrático do governo para receber pelos seus trabalhos, porém o herói recusa e deixa seu manto sagrado para um ex-combatente da Guerra do Vietnã, John Walker, logo os editores como Mark Gruenwald criam uma história em que havia manipulação do Caveira Vermelha nesta trama. Como um protesto contra a politica governamental este afirma em uma discussão com as autoridades na reedição de 1991 (reedição ocorrida nos inicios da Era Moderna dos Quadrinhos de 1986 aos dias de hoje), definindo crucialmente quem é e porque não é mais o 31 “cão do governo”. A partir do discurso do Sentinela da Liberdade entenderemos o porquê de seu desenvolvimento. Eu não posso representar o governo americano! O presidente já faz isso! Minha intenção foi de representar um sonho... Um sonho de liberdade e justiça que não se modifica ao sabor das administrações! No decorrer de nossa história, vários governos agiram de maneira contrária aos ideais que nortearam a criação deste país! Meu compromisso para com esses ideais é maior do que a letra de um documento assinado cinquenta anos atrás! (Capitão América 151, 1991) Fica claro que o Capitão América, a partir desse discurso não visa guerra, como este mesmo afirmou em uma edição dos anos oitenta; “eu sou um soldado, mas não aprecio a guerra (...) sou apenas um homem lutando pelo ideal de justiça, liberdade e igualdade. Mas muita gente acha que trabalho para o governo. Errado.” (Capitão América n. 129 de 1990). Sabemos que o Capitão América jamais deixará de ser um símbolo nacionalista, para não apagar a sua mitologia, porém defende o nacionalismo sem paixão por guerras e luta pelo direito da liberdade de vida, é por isso que o Capitão mudou tanto, pois conforme Mertron (1990), o conformismo tem uma dimensão de crítica não vulgar, mas que atraia o imaginário da sociedade, pois é das críticas que existe este personagem mundialmente conhecido por seu caráter nobre. Segundo Vieira Guerra, com o início da Era Moderna (1986 até os dias atuais), quando as narrativas desenvolvem com atos violentos de personagens mais sombrios, tais como Batman de Frank Miller, porém a Marvel encara isso trazendo as narrativas do Sentinela da Liberdade para a continuação de sua história, visando o Capitão América mais consciente de seu tempo e seus atos, pois este protege seu povo contra as estratégias de governos que vão contra a vontade do povo, exemplificando os protestos relacionados até mesmo de negros contra o alistamento para a Guerra do Vietnã, porém no imaginário dos Estados Unidos, que tem um mito, pode impulsionar contra os erros dos governos, é isso a partir do sonho americano de patriotismo e idealismo pelos direitos da humanidade, que compreende a política interna, pois o Capitão América a partir dessa visão é mais aceitável para o povo americano. Na política externa visa o impulsionamento de poderes para as vontades dos governos, é algo oscilante, pois a partir dessa visão o Capitão América é um personagem imperialista pelo ufanismo nacionalista, pois é mais nacionalista do que parece, inspirando e motivando jovens e adultos contra os nazistas e os comunistas, e conforme sabemos nessa visão de política externa há a violência delicada fora do Estado; há o confronto ideológico. 32 2.2 O Confronto Ideológico na Segunda Guerra Voltemos a explicar sobre o confronto ideológico nas HQs dos americanos contra os nazistas nos anos quarenta, que era uma forma de mostrar que a Segunda Guerra Mundial precisava ser romântica, pois precisava ser aceitada para todos os militares, que na verdade não era, sendo uma superestimação para os jovens que se alistavam no exército americano, então o Capitão América não só era patriota, mas também um terror para os nazistas. Segundo Bibe-Luyten (1993), o Capitão América tinha uma meta de enfrentar nazistas que não era só Hitler, mas outros inimigos considerados perigosos para a democracia dos Estados Unidos. E o herói que representou por excelência o ideal americano de “America for Americans” foi o guerreiro Capitão América – o primeiro super-herói a se declarar publicamente inimigo dos nazistas. Estava na cara! Ou melhor, na roupa dele! Seu uniforme listrado e estrelado representava a própria bandeira americana. Seu pior inimigo (além de Hitler, é claro) é tudo o que significa ameaça para a “democracia americana”. (BIBE-LUYTEN, 1993, p. 35). Ao saber que o super-herói tem caráter incorruptível e é defensor dos necessitados e oprimidos, o Capitão América era uma arma secreta do governo, pois o ódio aos nazistas e japoneses estava em suas primeiras histórias dos anos quarenta. Hitler era visto como um ser maligno que tinha interesse em destruir os aliados, e Hihorito imperador do Japão que decretou o ataque a base naval de Pearl Harbor, eram representados nas primeiras histórias como seres asquerosos e facínoras. Segundo Peter Burke (2004), a imagem traz a resposta de uma determinada cultura sobre a outra, sendo que exista um encontro cultural onde o oposto do americano é mal visto, esta visão esta comprometida nas histórias em quadrinhos do Capitão América, tão quanto as de outros super-heróis da Marvel Comics, neste caso, conforme veremos a imagem de Hitler com orelhas e nariz pontudos, e Hihorito, imperador do Japão também com a aparência preconceituosa e estereotipada, e o Capitão que faz o bem, é o inverso dos vilões nazistas e japoneses, pois foi um momento pela defesa da democracia e da liberdade em que estava comprometida para os americanos, pois a guerra nos quadrinhos já que estava realizada como um motivo a mais da participação forçada dos EUA devido ao ataque japonês e ao nazismo foi continuada na ficção mesmo após o ataque dos japoneses à base de Pearl Harbor. 33 (Figura 05) O Capitão reflete os EUA vencendo o nazismo representado por Adolf Hitler na intenção do artista – Capitão América: As Primeiras Histórias – Marvel 1992. Capa de Captain America Comics 34 N.1 de Março de 1941 (Figura 06) Captain America Comics N. 13 – Abril de 1942 Tempos depois o mesmo é feito com o imperador asiático Hihorito Ao analisar as duas capas, percebemos que, segundo Álvaro Moya é preciso saber que a imagem pode ser uma produção consciente ou inconsciente do artista, pois segundo Backzo 35 o que levam as pessoas a se sentirem fortes são suas razões pelos símbolos, por isso existe razão para seus atos, suas paixões políticas. Na primeira aparição de Captain America Comics N.1 (figura 05) de Março de 1941, poderemos entender que tem a função de mostrar o desejo de ódio do americano de acabar com o perigo nazista, no caso de Hitler é o ponto chave. Dentro de um escritório o objetivo de cada signo revela que o Capitão América chega através de uma emboscada como poderemos observar na janela ao lado, o herói americano esmurra o governo de certo modo da Alemanha Nazista, e os soldados nazistas não conseguem atingir os tiros no Capitão América que ricocheteia no escudo, pois os EUA atacam para se defender. Buck Barnes o parceiro do Capitão aparece admirando-o, além de seus feitos, o que é demonstrado através de sua expressão facial. Nos mapas mostram que havia uma tentativa de Hitler invadir os EUA. No fundo do escritório percebemos que os espiões e os sabotadores, embora seja uma ideologia criada por Joe Simon e Jack Kirb dos nazistas destruírem as indústrias de armamentos dos EUA que munia aliados como a Grã-Bretanha. Nesta primeira imagem, sabemos que expressa também o sentimento de ódio do roteirista, que segundo Will Eisner, que a imagem é uma demonstração não somente do contexto político, mas também de que forma sente o roteirista e o artista, Backzo fala que o imaginário é um poder que realiza e legitima o imaginário político. Visamos a figura 06, é a vez de Hihorito provar do ódio estadunidense, e este que foi o causador dos estragos de Pearl Harbor na intenção do artista, sendo vingado pelo Capitão, quando este mesmo diz “_Vocês começaram isso! Agora, nós iremos terminar!”, porem este duelo (Entre o Capitão e Hihorito, é claro) estava acima da guerra, pois o propósito final era justamente de “dar o troco” nos japoneses. Ao saber que os EUA tinham demonstração de ódio contra os nazistas e japoneses, que era um choque de culturas diferentes tão quanto a URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) que vamos saber mais adiante. Segundo Peter Burke o confronto de culturas diferentes são melhores representadas pela imagem, da visão do eu sobre o outro, pois as imagens do eu sobre o outro são estereotipadas, sempre mostrando que o belo e certo, é este e não aquele, é o que não aceita as ideologias do outro e demonstra sentimentos de forma ignorante contra o outro. No caso de grupos confrontados com outras culturas, ocorrem duas reações opostas. Uma seria negar ou ignorar a distância cultural, assimilar os outros à nos mesmos ou aos nossos vizinhos pelo uso de analogias, seja esse artifício empregado consciente ou inconsciente. O outro é visto como o reflexo do eu. (BURKE, 2004, p.153). 36 O roteirista Joe Simon sabia da importância do Capitão América como uma oportunidade de satisfazer o desejo do estadunidense, conforme sabemos sobre a política de Roosevelt para fortalecer a democracia. Então o Capitão América é tido como o sonho americano que alimenta o imaginário do cidadão comum norte americano, é um modelo de cidadão, mas nesta época mais generalizado por questões políticas da Segunda Guerra. Segundo Hobsbawm, a guerra era uma necessidade devido ao fascismo que precisava ser combatido. Por um lado, a força do antifascimo estava em mobilizar os que temiam a guerra, tanto a última quanto os terrores futuros da seguinte. O fato de o fascismo significar guerra, era um motivo convincente para combatê-lo. Por outro lado, uma resistência ao fascismo que não previsse o uso de armas não poderia dar certo (...) E como antifascistas não tínhamos dúvida de que, quando ela viesse, não teríamos outra opção alem de lutar. (HOBSBAWM, 2004, p.154). O estereótipo do outro nas HQs mostram que os americanos ou estadunidenses estão “certos” por criarem o Capitão América e lutar ao lado do Tocha Humana e Namor na Segunda Guerra . Conforme afirmou Hobsbawm, o antifascismo era o motivo de ir à luta, pois entendemos o Capitão América não só como um patriota, modelo do americano, mas também como um antifascista fanático de certo modo, como veremos na capa da segunda edição reeditada pela revista Capitão América: As Primeiras Histórias (1992) em que o Capitão América já exibe o escudo de conformação atual, embora o tornasse mais forte, segundo Joe Simon. De acordo com Bibe-Luyten (1993), o Super-herói serviu como um objeto de propaganda para a Segunda Guerra Mundial, para que fizesse com que os jovens acreditassem que este existia, por isso puderam realizar seus sonhos de ajudar os Estados Unidos na luta contra o Nazi-Fascismo, pois “imagine um herói de quem você gosta muito mesmo. Com o passar do tempo, você estará imitando muitas de suas ações, e tudo o que ele disser será verdade para você” (LUYTEN, 1993), de fato era o efeito que a propaganda fazia para a mobilização antifascista, que conforme Backzo, que as pessoas podem encontrar a razão de viver através de modelos nobres, é o que era o Capitão América na Segunda Guerra, um impulsionador de crenças do guerreiro patriota na verdadeira guerra. 37 (Figura 07) Pela segunda vez Hitler é estampado na capa da revista, reforçando o imaginário para o público leitor como um exemplo negativo de tirania e opressão Segundo edição de Captain America Comics de Abril de 1941 – Capitão América; As Primeiras Histórias 1992 38 Visamos analisar esta imagem onde o Capitão América invade a fortaleza nazista de Hitler, o que significa que os EUA não temem o nazismo. No fundo há um nazista atirando no escudo do Capitão, o que mostra que os EUA tem uma política de contenção, ou seja, de reprimir tudo que não é certo, no caso de não ser americano, pois como já é sabido o superherói é o arquétipo de americano, e Hitler exibe uma expressão de espanto no momento em que planeja os ataques aos EUA, onde o nazismo ia imperar conforme a bandeirinha no globo. O parceiro do Capitão América, Bucky Barnes significa que os mais jovens recrutados para o exército necessitam de um parceiro para lutar e também um modelo de inspiração. Esta invasão do Capitão América assemelha se em salvar a jovem América, pois a bandeira no fundo da imagem (a do nazismo, é fato) representa a Alemanha ultranacionalista. Não devemos duvidar que os mitos encorajem os americanos para combater os nazistas e japoneses que eram a mais fortes na época, até mesmo como Namor e o Tocha Humana, ambos criados com mesma intenção também tinham este objetivo, mesmo que não eram tão eficientes quanto o Capitão América. Em suma esse confronto de culturas de americanos contra nazistas e japoneses era uma metáfora arrogante, porém era mais fácil odiar os nazistas do que os comunistas ou soviéticos, pois mesmo quando Stan Lee juntou-se em 1961 com grandes artistas como Don Heck e Jack Kirb e recriou o Capitão América, a lenda viva da Segunda Guerra, percebeu que odiar comunistas era difícil, pois nem todos eram contra, já o nazismo era muito mais preconceituoso e inaceitável para os americanos, por isso trouxe a tona o Capitão, pois também criou velhos vilões nazistas tais como o Caveira Vermelha, Barão Zemo, alem de grupos neonazistas como a Organização Hidra, e o americano Mestre Supremo, personagens que encarnam o espectro nazista. 2.3 Nazistas e Comunistas: A partir do Imaginário, são Iguais Para os Editores Segundo Backzo, a sociedade elabora e impõe-se a crenças com criações de códigos, porém fazem seus desejos tornarem realidade, então quaisquer que seja suas intenções será realizada com a instalação de crenças, do que é do mal e do que é do bem, no caso Stan Lee que reviveu também o maligno Caveira Vermelha, cria a crença de que este vilão possa se associar ao comunismo, mesmo sabendo que isso é extremamente ilusório, mas faz com que 39 os seus próprios sentimentos possam satisfazer como a crença de dizer que comunistas são iguais nazistas, é o imaginário que tem o poder para que possa haver conflitos sociais, pois não há limite, pois cria símbolos para mover a sociedade a crer que o impossível é “possível”. É indubitável que enfrentar nazistas é muito mais fácil de conquistar o público. O Caveira Vermelha considerado o maior arquiinimigo do Capitão, visando o uso do imaginário é “considerado comunista”, mas é apenas um vilão nazista de fato, conforme afirmam os editores da Marvel Comics que detêm os direitos autorais do personagem, devido nos anos 50 era batizado de Caveira Vermelha comunista, sendo que voltou a ser nazista nos anos 60, mas podemos perceber na imagem que se segue (figura 08), alem da visão deformada que esta no imaginário dos americanos sobre o nazismo e o neonazismo, e a cor vermelha se associa-se a cor símbolo do comunismo mostrada de forma inconsciente dos roteiristas, pois este vilão se tornou bastante conhecido nos anos sessenta. (figura 08) O vilão nazista Caveira Vermelha, carrega traços inconfundíveis do comunismo – Biblioteca Histórica Marvel Capitão América Vol.1 2008 (original de 1966) Segundo Robert Mertron, o conformismo que é a base da ficção, por não ser realmente verdade e a apreciação crítica que se torna menos explorada por ser mais difícil devido ao perigo de discordância do público, sendo o conformismo o mais viável da economia, mesmo que sem a visão crítica o público não se sinta atraído. Se o produtor achar que este tema é seguro, que não antagonizará nenhuma parte substancial de sua platéia poderá concordar; mas a primeira indicação 40 que é um tema perigoso, pois poderá afastar consumidores potenciais – o recusarão e logo abandonará o experimento. (MERTRON, 1990, p.117). Contudo deve haver a visão nas HQs de algo que remete a realidade, como o Caveira Vermelha recriado nos anos sessenta, pois tinha algo embora inconsciente dos autores sobre o comunismo, mesmo não se declarando um inimigo comunista, e sim um nazista sendo que foi do comunismo que nasceu o nazismo, pois para estes era igualmente tratar de inimigos nazistas como os comunistas, e também era óbvio na historia de retorno do Capitão vinte anos depois de ter sido congelado, quando o mundo era totalmente diferente dos anos quarenta, portanto Stan Lee sabia que o foco principal do Capitão América não era necessariamente de combater comunistas, embora essa ideologia chegou a ocorrer nos anos cinquenta quando não funcionava bem, devido a censura que havia sobre as histórias cômicas e as mais realistas Segundo Vieira Guerra, a criação da Marvel Comics deu um novo gênero de superherói, este passou a ser mais humanizado como o Capitão que alem de enfrentar nazistas veementes e estar do lado do governo principalmente nos anos quarenta quando de fato estava do lado do governo como um funcionário público, passou a defender mais sobre os princípios da política dos EUA. 2.4 O Capitão América e os Super-Heróis Inseridos na Luta a Favor e Contra a Guerra Fria O Capitão América não se isolava de enfrentar vilões comunistas nos anos sessenta em diante, pois conforme afirmou Vieira Guerra que os comunistas muitas vezes foram vistos como inimigos e logo conformariam com os ideais americanos. No caso do Guardião Vermelho que de inicio era vilão e passou a ser aliado dos capitalistas como analisaremos na seqüência abaixo, o primeiro encontro entre dois símbolos de heroísmo dos EUA e da URSS; o Capitão América representando o capitalismo e o Guardião Vermelho o comunismo. Segundo Vieira Guerra, o Guardião Vermelho que foi criado em 1967 pela Marvel Comics, como uma cópia do Capitão América, representado através das cores e a ideologia do comunismo soviético. Mas sabemos que o Guardião Vermelho não usa o escudo, diferente do Capitão, pois o Guardião só virá a usar um escudo com uma estrela no inicio dos anos 41 noventa, quando liderará um grupo secreto do governo soviético denominado de os Sovietes Supremos, sendo uma analogia aos Vingadores. Na edição de The Avengers n.44 de 1967, houve um confronto entre o capitalismo e o comunismo que definirá quem sairia vencedor. Ao analisar a seqüência da luta entre o Capitão América e o Guardião Vermelho, sabemos que o Guardião já prevê uma suposta vitória contra o Capitão. Na ideologia do roteirista e do artista, os EUA são melhores do que a URSS tanto em termos políticos quanto em termos culturais, relatando também no imaginário que os EUA sairiam como vencedores na Guerra do Vietnã, e a trama é representada como vencedor e vencido. O imaginário da luta é também de confrontos culturais e políticos, pois confronto entre as duas superpotências, os EUA e a URSS era mais bem representado nas histórias do Capitão América defensor imponente dos princípios da política americana. (figura 09) A Guerra do Vietnã e a Crise dos Mísseis é demonstrado um perigo para os americanos quando se trata de comunismo expansionista _ The Avengers n.44 Setembro de 1967 42 (figura 10) EUA e URSS em confronto simbólico que faz analogia à Guerra Fria, assemelhando entre a luta de dois símbolos do imaginário norte americano – The Avengers n.44 Setembro de 1967 43 Na figura 09 percebemos que o Guardião sobrepõe o Capitão quando em seqüência a imagem da luta entre os inimigos considerados internos para cada personagem, o autor não deixa explicito qual a postura exata do combate, que é demonstrada na figura 10 do combate significativo para o contexto de época, pois a postura da história que devemos considerar é que o Capitão América vence o combate com excessão de grandes dificuldades quando atinge por três vezes o símbolo de heroísmo da URSS, enquanto este se sobressai apenas uma vez, pois no momento em que o Guardião Vermelho acreditava vencer o combate, é uma motivação para que os ideais comunistas sejam uma desilusão, devido no fim da narrativa o Guardião alia-se ao Capitão. Segundo Will Eisner, toda uma seqüência de combates tem uma postura que define a ação da luta, mas compreendemos que a ação que define a luta é o próprio triunfo do Capitão América sobre o Guardião Vermelho, pois a narrativa exige esta análise, porém essa sequencia de lutas entre o Capitão América e o Guardião Vermelho define a moralidade e atos heroicos do Super-herói militar. Ela é aceitável simplesmente porque o momento congelado desta ação juntase a compreensão de que o expectador sabe ( e pode completar com a imaginação ) que não poderia haver nenhuma outra série de posturas possíveis para chegar a este ponto. (EISNER, 1990, p.106). No quadrinho da seqüência abaixo, então depende do final e do momento. Mas o que propõe a história? O grupo de super-heróis (Os Vingadores), representantes da ordem, da liberdade e da justiça dentro da política dos Estados Unidos, vão em busca de resgatar seus aliados que estão presos na URSS, daí cada herói enfrenta um vilão comunista, e o Capitão enfrenta a sua cópia que defende outros ideais como o comunismo, então percebemos que de inicio, o Guardião que era considerado um vilão, mas logo se adere ao lado dos capitalistas, mas não segue os ideais, o que resulta em afirmar que os EUA não pretendem guerra, mas um acordo que não resulta em guerra nuclear; este acordo é que a URSS encerre a corrida armamentista e aceite os EUA como o dono da hegemonia mundial, em que predomine o capitalismo e não o comunismo. Os EUA viviam também, um momento de tensão na Guerra do Vietnã e precisava demonstrar ou provar que podia vencer, embora muitos não apoiavam a entrada de soldados americanos na tal guerra. Segundo Hobsbawm, que era mais eficiente o movimento de jovens para não irem à Guerra do Vietnã do que o desarmamento nuclear, pois era ainda mais perigoso para os EUA. 44 Os movimentos pelo desarmamento nuclear tampouco foram decisivos, embora um movimento contra a guerra em específico, a dos jovens americanos contra o seu recrutamento para a Guerra do Vietnã. (HOBSBAWM, 2004, p.117). Não obstante, os roteiristas dos anos sessenta estavam do lado da Guerra Fria mesmo não querendo aproximar seus personagens tais como o Capitão América, mas havia uma exceção, pois segundo Vieira Guerra deve haver o improvável para os heróis mesmo que estes se adaptem as forças políticas por terem poderes sobre-humanos, pois é indubitável que os EUA ser seu país de origem, mas a imagem que exploramos tem haver com o ideal de que o jovem poderá vencer, e de que não precisa temer o oponente, pois o Capitão América para os roteiristas é bom e certo, pois não irá ceder vitória ao outro, entretanto por ser um modelo de cidadão comum norte americano, pois a mensagem da narrativa é que os EUA precisavam de soldados cidadãos, pois a vitória não estava fácil, ou ate mesmo, acreditava que não seria difícil, mesmo que o roteirista estivesse consciente dessa mensagem, caso contrario poderia estar inconsciente. A Guerra Fria precisava ser findada logo, segundo a intenção dos autores, que estão por trás do Capitão América e conseguem definir este imaginário. A partir das primeiras histórias dos anos sessenta, o Capitão América se encontrava em outra época, em que não havia a cultura dos anos quarenta, e era difícil para o personagem ter que se adaptar em outro contexto histórico, conforme sabemos. Segundo Hobsbawm, os americanos haviam de vencer a Guerra Fria mesmo que os soviéticos pudessem reagir, porém com a reação da URSS, mesmo que quase estivesse cedendo a vitória aos EUA, pois este já havia instalado os mísseis na Turquia na corrida armamentista quando a URSS pôde aliar se com Cuba, para reduzir as chances dos americanos para um confronto que abalou a mente do povo, devido a crise dos mísseis. O confronto entre EUA e URSS que não era definitivamente idéia central da HQs dos super-heróis Marvel, não impediu que o Capitão América enfrentasse inimigos comunistas concretizando o imaginário da vitória contra os comunistas, porem este confronto ideológico por busca da hegemonia mundial obteve a participação dos super-heróis Marvel como o Quarteto Fantástico, Hulk, Homem-Aranha, alem do Capitão América, é claro. Segundo Hobsbawm, em que os EUA estavam em combate no Vietnã, sendo esta guerra um fato supérfluo, pois os EUA desnecessariamente estavam participando sem ter ajuda de nenhum aliado europeu, de fato a crise dos mísseis de 1962 em Cuba devido as 45 ameaças dos EUA pela instalação de armas nucleares na Turquia, ascendeu os nervos, pois a guerra nuclear se tornou mais próxima da realidade, pois qualquer erro era fatal para ocorrer a guerra, mas era uma grave ameaça, embora confiante demais até pela reação da URSS, quando aos poucos obteve o apoio de Cuba, devido a revolução, era algo que enfraquecia os EUA por ter perdido um aliado em território americano, porém Stan Lee, que era o roteirista do Capitão na década de quarenta, trouxe a tona o Capitão América, em um momento oportuno devido a criação de super-heróis importantes tais como o Homem de Ferro, o Homem-Aranha, o incrível Hulk, X-Men dentre vários outros, porém para adaptar o Capitão na Era de Prata, era possível humanizar o herói, tornando-o mais próximo do cidadão americano, e distanciando-o dos tempos de Segunda Guerra. Infelizmente, a própria certeza de que nenhuma das superpotências iria de fato querer apertar o botão nuclear tentava os dois lados a usar gestos nucleares para fins de negociação, ou (nos EUA) para fins de política interna, confiantes em que o outro tampouco queria guerra. Essa confiança revelou-se justificada, mas o custo de abalar os nervos de várias gerações. A crise dos mísseis cubanos de 1962, um exercício de força desse tipo inteiramente supérfluo, por alguns dias deixou o mundo abeira de guerra desnecessária, e na verdade o susto trouxe a razão por algum tempo até mesmo os mais altos formuladores de decisões. (HOBSBAWM, 2004, p.227). Segundo Hobsbawm, era sem sentido realmente a definição da guerra nuclear, por ser uma ameaça levada à sério, e é nesse período que nasce a Marvel, detentora do novo conceito de super-herói. A nova forma de compreender o significado de super-herói estava sendo transmitido mais para o público jovem e adulto do que simplesmente para crianças, foi pela era da crise dos mísseis que a Marvel evoluiu e começou a despontar mais do que a DC Comics detentora dos direitos autorais do Super-Homem e da Mulher Maravilha, por exemplo. De acordo com Bybe-Luyten (1993), o Super-Homem fora criado em 1938 por dois descendentes de judeus, Jerry Siegel e Joe Shuster na revista Action Comics n.1, num período de Crise e ascensão de Hitler. Estes fatores foram os que geraram temor a sociedade, mesmo com a gloriosa criação do Super-Homem, pois ainda causavam insegurança a população norte-americana, então era preciso algo a mais no imaginário das pessoas para minimizar os tais problemas sociais, e no entanto os americanos precisavam de algo mais resistente para levar segurança e esperança, pois era então que a moda do Super-herói inspirasse mentes criativas como Bob Kane na criação de Batman em 1939 na revista Detective Comics, a partir do Video Documentário Batman, o Batman reforçou a segurança para o americano reduzir o 46 perigo num mundo irreal, devido aos problemas sociais gerados pela crise de 29, como a falta de empregos e a criminalidade, porém, de acordo com Vieira Guerra, a moda do Super-herói conquistou a população feminina com a Mulher-Maravilha, criada por Charles Moulton na revista All Star Comics n.88 em 1941, pois a Mulher Maravilha representa a liberdade da Mulher contra o majoritarismo masculino, além de que as mulheres precisavam de uma imagem forte e resistente e independente do mundo masculino, para mostrar o valor da população feminina, contudo a Marvel se agigantava além da soberba criação do Capitão América de Joe Simon e Jack Kirb em março de 1941, e também de que já havia o Tocha Humana e o Namor. De acordo com Vieira Guerra, ambos os heróis foram criados primeiro do que o Capitão no ano de fundação da Timley Comics, em 1939, Namor, o Príncipe Submarino foi criado por Bill Everet representando o guerreiro nos países lusófonos e o Tocha Humana fora criado no mesmo ano por Carl Burgos, que segundo afirmações de Stan Lee, lutaram com o Capitão América na Segunda Guerra Mundial, porém desenvolvia-se a Marvel posteriormente em 1963 pelas mentes brilhantes de Stan Lee e Jack Kirb, era de fato o crescimento legitimado da editora que se transformou a maior indústria de super-heróis resultando em vitoriosos combates com a DC Comics, e segundo Viana (2011), a nova safra de super-heróis da Marvel nas décadas da Guerra Fria, conquistou mais bem o público leitor pelos seus personagens mais realistas relacionados a contextos sociais e políticos, sendo que a DC, a partir do Documentário Origem Secreta: a história da DC Comics, relacionou menos no contexto político e visou o meio social a partir da Era de Prata em diante, com demonstrações que é incabível nós analisarmos, mas temos um exemplo como a magnifica obra de Frank Miller em 1986 de Batman o Cavaleiro das Trevas, dando inicio a Era Moderna dos quadrinhos e desvinculando do meio político, e de influencias patrióticas para identificação com conexão que relaciona a sociedade, como a violência e o combate a violência. Toda a mitologia do super-herói foi criada por um motivo, esse motivo foi pela Guerra Fria, quando a Marvel deu um novo conceito, em que o super-herói, diferente da DC que é mais fantasioso, a Marvel humaniza seus personagens por serem mais ligados no contexto de época. Para entendermos, explicaremos a origem do Quarteto Fantástico, Hulk e HomemAranha. Na revista Capitão América N. 100 de 1986, a Marvel relançou a origem desses personagens reeditado dos anos sessenta. A primeira história do Quarteto Fantástico em 1961, cujo a narrativa de quatro jovens que estavam preparados para um experimento nuclear, então antes de se tornarem de fato super-heróis com nomes metafóricos (Homem Elástico, Mulher 47 Invisível, Tocha Humana e Coisa). Ben Grim (o Coisa) subestimou os testes do Professor Red Richards (o Homem Elástico), porque os raios cósmicos poderiam afetar-los e poder matá-los, sendo que este experimento estava concorrendo com o dos comunistas, algo que está ligado com a corrida armamentista de fato, mas o Professor Red Richards acreditava ter que ir logo para o espaço, até porque desrespeitou as autoridades. No começo quando estava sem perigo, mas logo a nave espacial em que estavam os quatro jovens, pois Red Richards acreditava através de seus estudos que a nave não ia ser afetada. O resultado foi que a nave foi afetada pelos raios cósmicos no espaço, porem os jovens se tornaram seres sobre humanos com incríveis poderes. A narrativa é viável para entendermos que o resultado da guerra nuclear poderia fazer estragos para a humanidade, pois a confiança entre EUA e URSS era extrema, mas o roteirista Stan Lee, entendia que a disputa poderia trazer algo desagradável, até porque a população norte-americana não queria que houvesse uma suposta Terceira Guerra Mundial, pelo contrário o confronto era mais desnecessário tão quanto a Guerra do Vietnã, mas foi pela corrida armamentista que Lee pode humanizar seus personagens, algo que poderia fazer com que jovens e adultos se identificassem com estes. 48 (figura 11) Momento em que nave é atingida pelos raios cósmicos a partir da narrativa de Lee de 1961. Capitão América N.100 Setembro de 1986 (história original da origem do Quarteto Fantástico - 1961) (figura 12) Momento de transformação de Susan Storm em Mulher Invisível, demonstrando o imaginário de desespero por uma mudança radical da guerra que aguçava os nervos entre EUA e URSS, pelas provocações. – Capitão América N.100 Setembro de 1986 (história original da origem do Quarteto Fantástico - 1961) Na figura 11, quando a nave de experimento é atingida pelos raios cósmicos, poderemos perceber em que se trata da vontade dos EUA de obter vantagem na corrida armamentista, devido ao antagonismo que resultou na mediação de recursos nucleares, um termo de grande possibilidade de conseguir chegar à um acordo com a URSS. Em seqüência visamos a figura de Ben Grim e Susan Storm, ambos com expressão de medo e pavor, que faz referencia ao medo do estadunidense pela disputa inexata das superpotências nucleares. Em seguida, no momento quando a nave é ultrapassada pelos raios cósmicos, percebemos a falta de segurança que havia na imprecisão da disputa nuclear, pois a Guerra Fria era visão de que os EUA poderiam estar arriscando demais suas fichas, não pela arrogância, mas pelo medo da difusão de ideais comunistas, cujo qualquer uma das superpotências já estavam dando iniciativa aos prejuízos. Os problemas para a humanidade é uma resposta da figura 12, no momento em que Susan Storm, vem a se transformar, esta demonstra uma sensação estranha neste momento de transformação em Mulher Invisível, então nesta figura existe uma analogia ao grande prejuízo que pode causar para o povo, e por ser algo desumano, a crise dos mísseis abalou o mundo. 49 O Quarteto Fantástico nesta época faz analogia do antagonismo entre americanos e soviéticos, entretanto por ser demasiado perigoso, nenhuma das nações exatamente não pretendiam uma guerra de verdade com excessão da Guerra da Coréia e do Vietnã, mas temiam a supremacia uma da outra. Segundo Hobsbawm, era provável que as pessoas tinham realmente medo de uma suposta guerra nuclear, pois poderia ser bastante supérfluo se ocorresse, pois era de longe uma ameaça de ambos, mas pelo imaginário gerava medo nas gerações, num momento em que no imaginário de americanos e soviéticos, alem de todo o ocidente, era de que a guerra ia acontecer a qualquer momento devido às tensões e conflitos ideológicos entre o mundo capitalista e o mundo comunista. Gerações inteiras se criaram à sombra de batalhas nucleares globais que, acreditava-se firmemente, podiam estourar a qualquer momento, e devastar a humanidade. Na verdade, mesmo os que não acreditavam que qualquer um dos lados pretendia atacar achavam dificilmente não ser pessimistas, pois a Lei de Murphy é uma das mais poderosas generalizações sobre as questões humanas “se algo der errado, mais cedo ou mais tarde vai dar. (HOBSBAWM, 2004, p.223). Contudo, a Marvel Comics não hesitou em criar os seus super-heróis, pois em 1962 o incrível Hulk é criado para dar continuidade as críticas sobre a corrida nuclear, assim como o Homem-Aranha e o Homem de Ferro. O Hulk, em sua narrativa surgiu através de uma experiência com raios gama, onde seria feito o primeiro teste com a bomba gama. Bruce Banner, um dos melhores cientistas dos EUA se via pressionado pelo General Ross, mas um misterioso colega (espião comunista) pede a Banner cuidados pessoais com o teste nuclear, mas antes de iniciar Banner tenta salvar um rapaz no território que era perigoso, caso algo desse errado, ou seja que os raios gama poderiam afetar o jovem. Ao ir ao resgate, o espião comunista apertou o botão da bomba, que explodiu e os raios atingiram Bruce Banner, este foi afetado pelos raios gama, e transformou em uma criatura irracional com força descomunal (Hulk), mais uma vez o roteirista consegue pelo imaginário da Guerra Fria mostrar os efeitos ou prejuízos que os testes nucleares ou até mesmo a guerra poderiam causar a humanidade. O incrível Hulk é um personagem que caracteriza o imaginário de Stan Lee, sobre os estragos da temida Terceira Guerra Mundial, pois esse representa os prejuízos que a ciência podia causar ao homem, devido a uma disputa inexata, porem acreditava-se de que a guerra iria realmente acontecer, e o Hulk representou os males que a guerra nuclear podia causar ao homem; deformado, e perturbado pelas dores, no entanto, ao mesmo tempo podiam-se culpar 50 os comunistas pelos os horrores da guerra, pois estes eram vistos pelos EUA como mais perigosos para dar iniciativa a guerra, mas exatamente eram os EUA que teriam mais coragem de atacar. (figura 13) As imagens provam que a corrida nuclear é um grave erro para humanidade, mas é um erro que pode ser causado pelos comunistas e não pelos americanos. – Capitão América N.100 Setembro de 1986 (história original da origem do incrível Hulk - 1962) Nesta linguagem da figura 13, mostra o comunista tentando pegar a fórmula dos raios gama, e Banner ao se sentir estranho demais se tornando numa criatura horrível e forte, mas no momento em que o comunista pega a sua arma, o Hulk à estraçalha, fazendo medo ao espião quando ergue-o para cima. Poderemos perceber e compreender que com a destruição do Hulk do meio de defesa do espião comunista, significa que os EUA mesmo prejudicados pela crise econômica ao gastar com armamentos aos soldados no Vietnã, poderia se sobressair aos comunistas. Os EUA não estavam exatamente certos pela ameaça aos comunistas na Turquia, e se entrassem para fazer guerra a culpa iria ser do antagonista devido ao apoio com Cuba, pois a disputa nuclear era desumana assim como o personagem Hulk, mas a culpa no 51 imaginário não iria ser necessariamente dos EUA, mas da URSS, mesmo que a Guerra Fria fosse iniciada de fato no Ocidente. Visamos neste momento o Homem-Aranha por mais uma história de origem que não está desligada com o contexto de Guerra Fria, pois faz referencia ao perigo de fato da guerra nuclear; os experimentos eram perigosos demasiadamente e podiam deixar seqüelas que infinitamente seriam apagadas. De acordo com Viana, Peter Parker é a realização do desejo da juventude, pois a partir das mudanças sociais como na década de sessenta em relação ao protesto contra a participação na Guerra do Vietnã, que segundo Karnal aumentou na década de setenta, o que culminou no fracasso do governo Nixon, como as músicas populares tais como o Rock and Roll, e até mesmos as agitações da população negra, além do avanço tecnológico e científico, por isso Stan Lee cria este personagem, embora diferente do Capitão América, com mais personalidade além de defeitos e sentimentos comuns para as pessoas, é de fato o humanismo desses personagens, além das lutas políticas, das quais o Capitão fora mais consistentemente utilizado na Segunda Guerra, visando aos jovens e adultos o desejo de ser e fazer acontecer. De fato conforme Backzo, nós compreendemos que as relações de força e poder são representadas através dos atos e da imagem nobres, então o Capitão América está inserido como um dos símbolos nas relações de poder no imaginário coletivo, principalmente na Segunda Guerra, mas o que diferencia o Homem-Aranha do Capitão América é o bommocismo e o moralismo representativo para os jovens, mas isso não quer dizer que o Capitão não se adequa a sua realidade, pelo contrario conforme sabemos este sofreu mudanças ao longo dos anos e também é identificado em seu novo tempo, mas o Homem-Aranha é a representação juvenil. Na narrativa do escritor, conta a história de um garoto tímido que se saia bem no Colégio, mas numa exposição de ciências atômicas sobre as aranhas radioativas que eram carregadas de radioatividade, este é afetado por uma picada da aranha e se torna estranhamente forte e ágil, é algo que além de fazer uma crítica as tecnologias avançadas da corrida nuclear, faz referencia ao modo de vida do cidadão americano. Segundo Holloway, a física nuclear que fora expandida desde os anos trinta, foi melhor desenvolvida por alemães, soviéticos e americanos, portanto era provável de os EUA com mais condições tecnológicas e econômicas do que a URSS que também tinham ao seu dispor membros da comunidade internacional de física nuclear, foi no entanto após o lançamento da Bomba atômica pelos EUA, que a URSS começou reagir e se mostrar também como uma força mundial, porem a narrativa da figura 14 que narra sobre a origem do personagem Homem-Aranha, conta que essa transformação da física nuclear e da biologia não 52 está sendo usada pelo beneficio da humanidade, e isso causa danos, esses que podem ser cometidos pelos EUA. (figura 14) Peter Parker, predestinado a ser o Homem-Aranha, um resultado que embora prejudicial que a física pode causar, sempre leva os EUA como os certos e bons. . – Capitão América N.100 Setembro de 1986 (história original da origem do Homem-Aranha - 1962) Podemos entender que na figura 14, Peter Parker quando é fascinado pela exposição das aranhas radioativas após ser subestimado pelos colegas, ao chegar no laboratório, aparece a aranha que desce e em seguida aplica lhe uma picada, pois não sabe o que havia ocorrido após o acontecimento, no momento em que demonstra sua agilidade, para futuramente ser o Homem-Aranha, visamos que neste contexto de crise dos mísseis, a dor demonstrada por Peter Parker e sua atitude quase que estranha relaciona-se ao perigo que os EUA é para si mesmo, mais do que a URSS, mesmo sendo o seu antagonista, pois o que o roteirista da Casa das Idéias (Marvel Comics) quis dizer mas não é falado, é que os EUA por ter mais vantagens, são mais perigosos em caso de decisão sobre guerra nuclear do que a URSS, isso implicaria mais internamente do que externamente, pois essa desnecessária ameaça de guerra atemorizou também o povo americano. 53 Segundo Hobsbawm, os americanos se diziam um exemplo, em quesitos de capitalismo e poderiam provar a sua hegemonia caso vencendo os comunistas, devido até mesmo por serem mais perigosos para a humanidade em caso de guerra nuclear por ser politicamente um país democrático. Como a URSS, os EUA eram uma potência representando uma ideologia, que a maioria dos americanos sinceramente acreditavam ser o modelo para o mundo. Ao contrário da URSS, os EUA era uma democracia. É triste, mas deve-se dizer que estes eram provavelmente mais perigosos. (HOBSBAWM, 2004, p.232). A luta pela hegemonia podia contar com o apoio de um dos mais icônicos super-heróis da Casa das Idéias, pois como já é sabido que a própria condição da era da Guerra Fria possibilitou que fossem criados os novos super-heróis sendo um momento oportuno para os roteiristas conforme afirmou Vieira Guerra (2011), que os super-heróis Marvel não só foram criados para confrontar com a Liga da Justiça das DC Comics, que contava com super-heróis importantes como Super-Homem, Batman e a Mulher Maravilha na simbólica Era de Ouro dos Quadrinhos (definitivamente de 1938 até os meados dos anos 50), portanto a disputa entre a URSS e os EUA após a Segunda Guerra, quando os EUA criaram o seu inimigo soviético, em que Stalin queria de certo modo dominar o mundo substituindo capitalismo pelo comunismo conforme afirmou Hobsbawm (2004), pois era, no entanto a oportunidade de reformular o conceito de super-herói. Ao sabermos pela semelhança, que a Marvel traz para o público leitor através da oposição entre capitalistas e comunistas, foi o que teve de diferente, ou seja, que revolucionou os super-heróis, portanto ao saber que a URSS era expansionista, e que os EUA era o que deveria combater pelo risco que corria a democracia, e este risco era também de perder a influência mundial, pois a URSS ganhava muitos adeptos, devido a política da URSS ser perigosa para os americanos, portanto era preciso conter a política expansionista comunista, era o que os escritores ou roteiristas da Casa das Idéias queriam dizer mas não diziam. Voltamos à analisar o personagem mais influente da Casa das Idéias, no período da Guerra do Vietnã, embora pouco freqüente neste contexto, lembrando que a ideologia dos escritores não era de forma definida de que a narrativa do Capitão América houvesse tantos inimigos comunistas, pois o Capitão América além de ser anticomunista, tem em seu caminho mais inimigos nazistas e neonazistas, mas a história original de 1965 em que vamos analisar, publicada em 2008 no encadernado Biblioteca Histórica Marvel – Capitão América Volume 1, há uma história extremamente importante para compreendermos de forma crucial o papel 54 do Capitão América contra os comunistas, de fato combater, mas de como o roteirista pensava o enredo. Em 1965 os EUA estavam em Guerra no Vietnã, e sabemos que o herói americano vem com um novo motivo de combater comunistas, mas que não foi bem esse propósito, pois de certo era a intenção de escritores e artistas, porque não fazia sentido criar personagens heróicos e não resgatar a imagem do Capitão América nesse contexto, cujo sabemos mais sobre a sua trajetória na sessão 2.1. Capitão América chegou a ir ao Vietnã salvar um piloto americano que foi aprisionado pelos vietcongues, e o herói americano chega demonstrando arrogância e criticando os soldados vietcongues, com intenção de resgatar o piloto, neste momento o Capitão terá que passar por dois soldados comunistas (ou vietcongues), pois na trama os vietcongues alem de não acreditarem na superioridade do Capitão América, tentaram impedi-lo de se encontrar com o general comunista, mestre em Sumô, no entanto o herói americano que tem força e agilidade sobre humana pelo efeito do soro de supersoladado, demonstra que é expert em artes marciais e vence facilmente dois oponentes, o herói então é aprovado no tal teste e ao se encontrar com o general fica sabendo que este é um mestre em Sumô, daí configura num confronto entre ambos, de um lado, o símbolo de heroísmo americano e de outro um inimigo comum soviético, embora perigoso. Seria supérfluo afirmar quem sairia vitorioso no combate corpo a corpo no final da narrativa. Sabemos que é difícil de perceber, mas as imagens representam o real, no momento o Capitão América, através do imaginário, era a resposta de que somente os EUA podiam vencer os demonizados comunistas pelo enredo dos quadrinhos. (figura 15) A imagem exemplifica que a URSS com apoio do Vietnã do Norte, e os EUA isolados, sem 55 nenhum auxilio. Biblioteca Histórica Marvel Capitão América Vol.1 2008 (original de 1965) (figura 16) No centro, o símbolo de heroísmo dos EUA contra os vietcongues, representando a luta entre o bem e o mal no imaginário do artista. Biblioteca Histórica Marvel Capitão América Vol.1 2008 (original de 56 1965) (figura 17) Confronto da narrativa exibe a resistência dos EUA na Guerra do Vietnã, representado de fato, pelo Capitão América. Biblioteca Histórica Marvel Capitão América Vol.1 2008 (original de 1965) 57 (figura 18) Decretamento da vitória definitiva dos EUA contra os vietnamitas, a partir do imaginário do artista. Biblioteca Histórica Marvel Capitão América Vol.1 2008 (original de 1965) Ao analisar a figura 16, vemos o Capitão América com destaque entre seis vietcongues. O artista exibe o herói americano na parte superior, o que significa que os EUA estão acima dos defensores da tirania e da opressão, enquanto esses defensores ou soldados comunistas estão na parte inferior, no caso os EUA demoniza a URSS, por dizerem estarem certos por participarem da Guerra do Vietnã. 58 Na imagem, podemos perceber que um dos vietcongues atira no escudo do Capitão, sabendo que em todas as imagens dificilmente alguém acerta o Capitão, de forma consciente ou não do artista, o escudo esta relacionado com a política de contenção, conforme sabemos que reprime não só a política nazista, mas também a comunista. Lee coloca a situação de predestinação de que os vietcongues imaginavam de que o Capitão apareceria, conforme a narrativa. O título faz referência ao tipo de esporte asiático praticado também pelos vietnamitas comunistas. No momento da luta entre o general e o Capitão na figura 15, esse aparece de surpresa quanto menos o Capitão esperava, demonstrando que a URSS causava medo devido a resistência que os guerrilheiros tiveram no Vietnã, pois os EUA tentavam impedir que os vietnamitas do norte dominassem os do Sul, porem a URSS é representada de fato pelos guerrilheiros comunistas e também pelo general líder destes na narrativa, que segundo Hobsbawm, o Vietnã conseguiu reduzir a força dos EUA, pois estava em vantagem. O Vietnã e o Oriente médio enfraqueceram os EUA, embora isos não alterasse o equilíbrio global das superpotências, ou a natureza do confronto nos vários teatros regionais da Guerra Fria (...) na verdade parecia que podia mudar o equilíbrio das superpotências desfavoravelmente aos EUA, pois vários regimes na África, Ásia e mesmo no próprio solo das ameri8cas eram atraídos pelo lado soviético e – mais concretamente – forneciam a URSS bases militares (...). (HOBSBAWM, Eric 2004 Pg.242). Ambos não eram reduzidos pelo confronto ideológico, mas até o momento da narrativa. Na figura 17 observamos o momento de reação do Capitão América, o herói americano no inicio tem dificuldades de atingir o mestre do Sumô, e é concretizada uma primeira tentativa com o escudo, então logo este escapa e desfere um golpe, mas o general o contém pelo excesso de peso e deixa o Capitão imobilizado. A narrativa, não demonstra veemente, pois entendemos que para os EUA sair vitorioso na Guerra do Vietnã, era preciso resistir e mostrar a força militar de fato, então o Capitão que é equiparado aos EUA, primeiro apanha depois de forma estrategicamente inteligente se sobrepõe, é o que mostra na figura 18, depois que o Capitão América demonstra toda a sua força física, como a superioridade militar e econômica dos EUA, logo em seguida o Capitão desfere um golpe que concretiza a derrota comunista no Vietnã, pois demonstra-se sólido ao defender-se dos ideais comunistas é o que diz a respeito da imagem que os EUA não terão tanta dificuldade, pois o segundo quadrinho da figura 18 decreta, não só a vitória dos EUA no 59 Vietnã, mas também a vitória que definirá a sua hegemonia sobre o mundo, com a prioridade de vencer os soviéticos na Ásia. Os EUA, com excessão do imaginário demonstrado pela narrativa em que analisamos, de fato não conseguiram realmente vencer no Vietnã, no caso os americanos lutavam sem nenhum apoio dos europeus. Segundo Hobsbawm, nos EUA em que os soldados cidadãos eram contra o recrutamento para o Vietnã, ocorreu na derrota pessoal do Governo Richard Nixon (19681974), pois era desnecessário aos EUA entrarem em uma guerra onde os soviéticos eram superiores, pois estes já alertavam aos americanos para não se envolverem no Vietnã, porem os soldados estavam correndo risco de morte, por uma guerra sem precisão, e que conforme sabemos enfraqueceu os EUA por percas de recursos humanos e materiais também. A Guerra do Vietnã desmoralizou e dividiu a nação, em meio a cenas televisadas de motins e manifestações contra a guerra; destruiu um presidente americano; levou a uma derrota e retirada universalmente prevista após dez anos (1965-75); e, o que interessa mais, demonstrou o isolamento dos EUA. Pois nenhum de seus aliados europeus mandou sequer contingentes nominais de tropas para lutar junto à suas forças. Por que os EUA foram se envolver numa guerra condenada, contra a qual seus aliados, os neutros e até a URSS os tinham avisado, é quase impossível compreender, a não ser como parte daquela densa nuvem de incompreensão, confusão e paranóia dentro da qual os atores da Guerra Fria tateavam o caminho. (HOBSBAWN, 2004, p.241) A Guerra do Vietnã, segundo Hobsbawm, foi um grave erro em que os EUA cometeram ao tentar impedir o expansionismo soviético, algo que colocou em risco o governo de Richard Nixon, portanto o secretário americano Henry Kissinger apoiava a corrida nuclear mesmo que nem mesmo os aliados dos EUA queriam ajudá-los no Vietnã, e também na luta global contra o comunismo, pois havia certo interesse pelo Oriente Médio, portanto na chamada Segunda Guerra Fria, os asiáticos e os americanos latinos em parte apoiavam o comunismo durante os anos setenta, no entanto não era um motivo de preocupação para os EUA. Conforme já é de saber, sobre o contexto da crise dos mísseis em Cuba e a Guerra do Vietnã que propicia a criação dos novos super-heróis da Marvel, conforme para Holloway, a URSS desenvolvia sua própria física nuclear até por ser um país independente do Ocidente, mas estava atrás da Alemanha e dos EUA, entretanto a URSS se desenvolvia bastante não só para sair à frente dos EUA, mas para evitar uma suposta Terceira Guerra, sendo uma forma de evitar a tal guerra. 60 Stalin não permitiu que a bomba atômica alterasse a sua concepção de relações internacionais. As armas nucleares moldavam de fato, a maneira como seus sucessores reiniciavam as relações Leste-Oeste. Foi o perigo da Guerra Nuclear, acima de tudo, que os levou a adotar a política da coexistência pacífica, foi o poder da intimidação das armas nucleares soviéticas que tornou possível que declarassem que é a guerra “não era fatalmente inevitável. (HOLLOWAY, 2004, p.429) Contudo, nem mesmo os EUA pretendiam que a guerra ocorresse, porém a Guerra Fria só acabaria se a corrida nuclear acabasse, e conforme Hobsbawm; mesmo Gobartchev se mostrou sincero e percebeu que a corrida armamentista era imprecisa, assim como Ronald Reagan que conseguiu evitar as opiniões dos comunistas; era algo mais fácil para a URSS tomar atitude do que os EUA, pois os soviéticos não eram democráticos. Para entendermos, essa concepção que liga a narrativa do Capitão América em 1992 (um ano após a dissolução da URSS), pela narrativa contada pelo brilhante trabalho do roteirista Mark Gruenwald, na revista Capitão América N.163 de 1992. A narrativa corresponde à um processo da Guerra Fria antes do fim da URSS, não com tanta arrogância como faziam os escritores dos anos quarenta, quanto ao antifascismo, pois era muito fácil colocar os soviéticos como amigos do que como inimigos. Mark Gruenwald, a partir de sua narrativa, explicita sobre o antes do fim da Guerra Fria, num momento em que o Capitão América se reintegrava aos Vingadores, devido aos seus problemas quanto ao Estado burocrático, conforme foi explicado na sessão 2.1. Um grupo de super-heróis soviéticos criado nos anos setenta, os Supersoldados Sovéticos viam fugindo da URSS para ganhar apoio dos EUA, ao tentarem uma vaga nos Vingadores, grupo voluntário voltado à ações militaristas dos EUA. Na trama, o Capitão América chega a lutar com um dos membros dos Supersoldados Soviéticos, pois os Vingadores tinham que encarar os “intrusos” que para ganharem a vaga tinham que passar pelos Vingadores. No treinamento válido como combate de fato dos Vingadores e os Supersoldados Soviéticos, em uma luta corpo a corpo, cujo dessa vez o Capitão América está de corpo e alma contra os soviéticos, este enfrenta o guerreiro Vanguard um dos integrantes da equipe, e percebemos que os Estados Unidos se permaneciam ainda mais forte e insuperável até pelo fato de que a URSS já estivesse praticamente derrotada, embora que nem mesmo o comunismo poderia substituir o capitalismo, pois este é insubstituível, a partir de nossa interpretação de imagens e narrativa. 61 (figura 19) Um ano após o encerramento da URSS com excessão das idéias comunistas, o Capitão protagoniza conforme sempre, confrontos contra personagens comunistas criados pela própria Marvel Comics, é um triunfo para o americano de mostrar quem estava convincentemente certo, e quem deveria seguir na unificada hegemonia mundial. Capitão América N.163 Dezembro de 1992 Neste confronto entre antagonistas, sendo que a URSS é representada pelos Supersoldados Soviéticos, é possível definir que o Capitão América se declarou inimigo insuperável dos super-heróis soviéticos, é o que esta comprometido com o fim da Guerra Fria, pois a desigualdade entre EUA e URSS resultou em combates como vimos sobre a Guerra do Vietnã, e o combate ideológico sobre a corrida armamentista . Em seqüência, quando Vanguard já sobre o chão após receber dois golpes fatais do Capitão América que o leva à afirmativa “_Eu não preciso de armas para acabar com você!” é viável de que os EUA de forma ideológica, sabendo que a URSS já estava sendo quase 62 dominada pelo capitalismo, e que não seria preciso dos EUA vencer a Guerra do Vietnã para sobressair ou sobreviver com apenas do fato de o capitalismo ser mais avançado do que o comunismo. Em seguida o Capitão demonstra uma expressão de ódio quando exclama para o super-herói comunista “_Eu sou o seu carrasco!” após Vanguard não conseguir acreditar que na verdade aquele era o Capitão América. Dessa forma a expressão de raiva, demonstra que durante anos de Guerra Fria, o comunismo tem tirado os EUA do sério, até porque perdeu dois governos influentes como Kennedy e Nixon, então a expressão diz se de um momento de desabafo onde os EUA assim como a URSS foram difíceis de chegarem a um acordo, e o desferimento do terceiro golpe do Capitão na postura da seqüência de imagens serviu como um golpe final ou fatal, que só mesmo no imaginário isso pode ocorrer, de um decreto que os mais difíceis de ser combatidos não vão morrer e no caso os soviéticos, mas serão destruídos pelas demonstrações de superioridade tecnológica, econômica e militar dos EUA, pois não deve ser desleal afirmar que os EUA queriam guerra, mas a ultima imagem, ou seja, a postura definitiva das seqüências motiva que, não era que o capitalismo substituísse o socialismo, mas que o capitalismo impedisse a supremacia dos soviéticos é como se fosse uma comemoração da vitória dos EUA, que sobressaiu e conseguiu enfraquecer o comunismo. Mas não foi o confronto hostil com o capitalismo e seu superpoder que solapou o socialismo. Foi mais a combinação entre seus próprios defeitos econômicos, cada vez mais evidentes e paralisantes, e a acelerada invasão da economia socialista pela muito mais dinâmica, avançada e dominante economia capitalista mundial. Na medida em que a retórica da Guerra Fria capitalismo e socialismo, o “mundo livre” e o “totalitarismo”, como dois lados de um abismo intransponível e rejeitava qualquer tentativa de estabelecer uma ponte, podia-se até dizer que, à parte a possibilidade de suicídio mútuo da guerra nuclear, ela assegurava a sobrevivência do adversário mais fraco. (HOBSBAWM, 2004, p.247) Para entendermos a narrativa, que conta que os Vingadores vencem os Supersoldados Soviéticos, e outro grupo de super-heróis, membros do governo russo, em forma de holograma tentaram vencer os supersoldados, o Capitão vai até a URSS para decretar não a guerra, mas a paz e a defesa universal da liberdade, justiça e democracia, é o que universaliza o herói americano. Na trama o governo soviético havia enganado o Capitão com o tal holograma que mostrava os Supersoldados Soviéticos vencendo os Sovietes Supremos para absorver seus poderes. O Capitão América se mostra mais apreensivo e consciente, e até mais resistente do que o Guardião Vermelho (nesta narrativa aparece como o líder dos Sovietes Supremos), então o herói americano se preocupou com o estado de saúde dos Supersoldados Sovéticos 63 após a batalha em que explicamos, porem o Capitão afirma no último quadrinho: _” Pra mim, isso significa uma vitória!”. Após saber de tudo, que os Supersoldados se encontravam bem em termos de saúde. Portanto os EUA se mostram não como um país facínora e maligno, não era essa a intenção do roteirista, mas este quis provar que a superioridade dos EUA sobre os comunistas, era pra ajudar outras nações economicamente e politicamente, pois isso reflete a hegemonia, no fato de que o comunismo era diferente. É possível afirmar que o antagonismo de americanos com nazistas e comunistas em quesitos políticos e culturais, contribuiu para o desenvolvimento do Capitão América, e também para um novo padrão de super-herói, onde a imagem e a narrativa comprovam de forma crucial as intenções do meio artístico, canal de mensagens sócio-culturais. 64 CONSIDERAÇÕES FINAIS O desenvolvimento do Sentinela da Liberdade (Capitão América), dos anos propostos aos noventa, quando findava a imprecisa Guerra Fria, em síntese, existe a partir da política interna e externa, o sentimento nacionalista dos editores, as suas criticas contra as ações governamentais e a favor ao império de valores morais estadunidenses, configurando em imaginário social e político. O assunto sobre um herói da ficção no meio de tantos, só terá importância quanto aos valores ideológicos americanos, porem os editores ao menos se preocupam com a critica realizada em seus trabalhos, estão fascinados com ascensão de sua empresa, do enriquecimento material, portanto, é indubitável que é criterioso tratar sobre o heroísmo, devido às ideologias dos contextos nas histórias em quadrinhos, conquistador do público em geral americano devido ao ufanismo nacionalista. Não obstante, o desenvolvimento capitalista desde a Revolução Puritana ao século XX, a cultura superior atraiu públicos de todo mundo, mesmo com a idéia de que o imperialismo norte americano mostra que os americanos são grandes exemplos de patriotas. A pátria gerou guerras de nações e ideologias, e difundiram se nos meios de comunicação, o que facilitou a organização do Estado nacional. As histórias em quadrinhos, onde nasceram os super-heróis devido aos heróis anteriores a 1938, ano de criação do primeiro super-herói, o Super-Homem, devido ao nazismo que possibilitou a criação do Capitão América que foi longe demais com a intenção dos editores, mas o personagem foi destruído pelo fracasso econômico que vinculava no fim da Era de Ouro dos quadrinhos iniciada de fato, com a criação do primeiro super-herói inspirador de várias criações. Com os tempos de Guerra Fria, que possibilitou a criação dos novos heróis Marvel era ao mesmo tempo o inicio da Era de Prata com a concretização da criação do Quarteto Fantástico depois do Flash da DC. Mas, nos perguntamos, o Capitão América é herói ou é vilão? Na verdade, porém, é um herói que valoriza o Estado, e que carrega o seu nome, portanto afirmar que o Capitão América é um vilão devido ao ufanismo é inexato, pois representa o povo e luta pelo povo, enfim é também um personagem universal. 65 Existem valores universais a partir dos anos sessenta em diante, pois é supérfluo que o Capitão América é somente defensor de sua pátria. Na política interna, a Sentinela da Liberdade representa o cidadão comum norte americano, quando não suporta as mazelas ocorridas no Estado, porem muitas vezes o personagem defendeu pessoas inocentes, lutando pelos direitos humanos, e pelos princípios do sonho americano ou político dos EUA, de liberdade, igualdade e justiça, então, com essa concepção o herói americano deixa de ser um representante do governo, tal como era nos anos quarenta, para defender o povo e amar sua pátria, sendo um patriota fanático. Mas esse fator é difundido pelo imaginário dos roteiristas e artistas, pois estes estão por trás do herói da ficção. Na política externa, exigiu uma rigidez em nosso trabalho, se refere às lutas contra os inimigos do Estado, os nazistas e os comunistas, representados do lado do mal por não serem americanos e também por não serem capitalistas. Muita das vezes os americanos se sentiam ameaçados por tais inimigos, e desabafaram com personagens superpoderosos que conquistassem o público, devido às capacidades sobre humanas e o patriotismo. A Segunda Guerra criou o Capitão América, pois o antinazismo possibilitou isso quando havia dificuldades de Roosevelt angariar o povo de que a guerra era precisa, pois com o super-herói ficava mais fácil atrair os jovens. O Capitão nos anos quarenta era demasiadamente arrogante, defensor da democracia e da liberdade, pois o nazismo afetava a segurança do Estado. Não fosse Stan Lee nos meados dos anos sessenta, o herói americano iria cair no esquecimento como já é de saber, mas havia precisão através do imaginário dos editores de reviver o Capitão, pois não somente pela Guerra Fria, mas principalmente pelo surgimento dos novos super-heróis que reformulou o conceito de super-herói com humanismo dos personagens tais como o Quarteto Fantástico, Homem Aranha, Os Vingadores; Homem de Ferro, Hulk, Thor, etc (...), e também para competir com a rival DC Comics. Os Vingadores precisavam de originalizar em 1964, de acordo com a página da internet Omelete TV, os Vingadores foram criados em revista própria The Avengers n.1, para unir os principais personagens da Marvel para a concorrência com a Liga da Justiça, no entanto surgem na década de sessenta (1963) criados por Stan Lee e Jack Kirb, este último conhecido como o Rei das artes devido aos seus magníficos desenhos, porém o grupo surgia para enfrentar o Hulk que surgia como o primeiro inimigo, porém em 1964, Lee traz a tona o Capitão para fortalecer a indústria Marvel, conforme sabemos, é fato. O poder ideológico dos personagens não está totalmente oculto nas páginas dos quadrinhos, não isenta de criticas contra os nazistas e os comunistas, é uma forma de conquistar o leitor em histórias repletas de ação. Os EUA com seu poder cultural têm 66 personagens famosos e fantásticos, pela fantasia e identificação com conflitos políticos. Na década de criação dos primeiros heróis humanizados da Marvel, sabemos que enfrentar nazistas para o Capitão América era muito fácil tanto que não existe um limite, mas enfrentar comunistas tinha um limite, por ser complicado devido a difusão do comunismo na América Latina, como Cuba, por exemplo, por esta concepção foi pouco frequente as mensagens anticomunistas nas páginas das revistas do herói. O antinazismo foi mais bem vindo, pois era mais perigoso por significar guerra ao americano, pois as imagens dos nazistas eram estereotipadas, entretanto o antagonismo dos americanos contra os nazistas e também os comunistas gerou o patriotismo de fato nas histórias em quadrinhos estabilizando o Estado-nação, por estes fatores o Capitão América foi criado e revivido na Guerra Fria. Mas, enfim, o que realmente simboliza o Capitão América? O personagem da ficção, conforme vimos na sessão 2.1, representou simbolicamente o antinazismo, e por representar o povo americano, a luta pelo sonho americano de liberdade, justiça e igualdade, o ufanismo ou arrogância de superioridade em relação às ideologias anticapitalistas, que concretiza em patriotismo, simboliza politicamente os EUA. Consequentemente a lenda viva da Segunda Guerra Mundial, por retornar em uma nova era, ainda consegue permear o imaginário de várias populações, mesmo sabendo que este personagem diz muito a respeito da política dos EUA. 67 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ADORNO, Theodor. LIMA, Luiz Costa (Org.) Teoria da Cultura de Massa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990 BACKZO, Bronislav. A Imaginação Social. Lisboa: Casa da Moeda, 1985. BIBE-LUYTEN, Sônia M. O Que é História em Quadrinhos. 3ª ed. São Paulo: Editora Brasiliense, 1993. BURKE, Peter. Testemunha Ocular e Imagem: História e Imagem. São Paulo, EDUSC, 2004. ECO, Umberto. Apocalípticos e Integrados. 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