Boletim 802/2015 – Ano VII – 30/07/2015
Dilma vai vetar nova regra de correção das aposentadorias
A presidente Dilma Rousseff vai vetar, ainda nesta quarta-feira, o texto aprovado pelo Congresso que
incorporou a regra de reajuste do salário mínimo, com índices acima da inflação, a todos os benefícios e
aposentadorias concedidos pelo INSS. O governo é contra a mudança porque alega que extensão da norma
para aposentados irá comprometer as contas previdenciárias. Quando a medida foi aprovada pelo Senado,
no início de julho, o ministro da Previdência, Carlos Gabas, classificou-a como "insustentável" e informou que
a alteração irá gerar R$ 9,2 bilhões em gastos extras por ano.
Esta regra foi um dos chamados "jabutis" incluídos pela Câmara e mantidos pelo Senado, na Medida
Provisória editada em março pela presidente Dilma Rousseff, que prorrogava, até 2019, a política de
valorização do salário mínimo. O texto original não previa que esta regra fosse estendida para
aposentadorias, pensões e outros benefícios de quem ganha acima do mínimo. A Câmara, comandada por
Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que está em guerra com o Planalto e aprovando seguidas pautas-bomba,
endossou e aprovou a medida, para desespero do governo. O vice-presidente Michel Temer chegou a dizer
que a medida seria "um rombo nas contas públicas".
O governo lembra que todas as aposentadorias, mesmo as que têm valor acima do mínimo, já são
contempladas anualmente com o reajuste correspondente à inflação. Este ano, o reajuste dos benefícios foi
de 6,23%, equivalente ao INPC de 2014. A presidente Dilma sabe que o veto lhe trará novo desgaste
político, mas considera que isso é "inevitável". Na conversa que terá com os lideres dos partidos da base e
ministros políticos, vai pedir mais este apoio para evitar a derrubada do veto, pela sua insustentabilidade.
Além da insustentabilidade, outra justificativa para o veto é com o princípio que poderia ser criado pelo
projeto, que ao conceder reajustes para toda a base de aposentados colocaria em risco a própria política do
salário mínimo. O ministro Gabas já havia alegado que "a lógica é equivocada" e "não tem o mínimo
fundamento", além de criar dificuldades econômicas em tempos de ajuste fiscal. O veto e as suas
justificativas serão publicadas no Diário Oficial desta quinta-feira.
Entenda. A extensão da regra de correção do salário mínimo a todas as aposentadorias foi incluída pelos
parlamentares em uma Medida Provisória (MP) que a presidente Dilma Rousseff enviou ao Congresso para
manter a política de valorização do mínimo até 2019. Os parlamentares colocaram uma emenda que
estendeu a fórmula do cálculo - que leva em conta a inflação mais o PIB dos últimos dois anos - para todos
os benefícios previdenciários, inclusive aposentadorias superiores ao mínimo.
A presidente já tinha adiantado que vetaria a medida aprovada pela Câmara e pelo Senado. Segundo
cálculos oficiais, o impacto nos cofres públicos seria de R$ 3,4 bilhões até 2018. Desde 2006, as
aposentadorias acima do piso são reajustadas, todo ano, só com base na variação do INPC. Neste ano,
essas aposentadorias tiveram incremento de 6,23%, enquanto o salário mínimo aumentou 8,84%. As três
maiores centrais sindicais afirmam que vão pressionar os parlamentares para derrubar o veto da presidente
à equiparação.
(Fonte: Estadão 30-07-2015).
Demanda em baixa até 2020 agrava situação de pequenos
A cadeia automotiva já começa a trabalhar com uma perspectiva de retomada da demanda somente para
2020. Neste cenário, as empresas de autopeças menos capitalizadas - pequenas e médias, em sua maioria devem enfrentar ainda mais dificuldades.
"Não se trata de uma crise conjuntural, mas sim uma mudança de patamar", avalia o analista automotivo da
Tendências Consultoria, Rodrigo Baggi.
Segundo ele, a demanda de veículos só retornará aos patamares de 2012, quando o mercado doméstico
atingiu recorde histórico, em meados de 2022. Enquanto isso, a ociosidade do setor pode aumentar de
maneira significativa.
Para o presidente da sistemista Bosch, Besaliel Botelho, a crise da indústria automotiva brasileira não é
passageira. "Estamos entrando em uma nova década perdida", disse o executivo na semana passada,
durante evento do setor.
Ele afirma que parte dos problemas enfrentados pela cadeia se deve ao ambiente de falta de competitividade
do Brasil. "Estamos nos desfazendo da mão de obra há muito tempo, que se tornou proibitiva no País. A
Bosch está automatizando o máximo que pode", adiciona.
Mas Botelho destaca que a crise dos fabricantes de autopeças é antiga. "Os níveis 2 e 3 da cadeia estão em
crise desde 2007, quando a balança comercial brasileira virou e perdemos o fôlego", acrescenta.
E os sistemistas continuam alertando para a falta de competitividade das empresas inseridas nos chamados
tiers 2 e 3 da cadeia, que fabricam componentes e matérias-primas.
"Estamos sofrendo um processo de desnacionalização destes níveis. As empresas estão totalmente
descapitalizadas, fechando as portas", pondera o presidente da Delphi, Luiz Corrallo. De acordo com o
executivo, principalmente pequenos e médios fabricantes não têm conseguido honrar os compromissos.
"Nossos fornecedores dos tiers 2 e 3 não têm capacidade de nos atender e estão quebrando", ressalta.
O Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças) não revela
quantas empresas fecharam as portas ou pediram recuperação judicial, mas informa que "muitas estão
enfrentando dificuldades".
Para o analista da Tendências, o horizonte é nebuloso para o setor. "Ao menos no curto prazo, devemos ter
uma ociosidade nas montadoras em torno de 50%", afirma Baggi.
O efeito dessa lacuna é devastador principalmente entre os fabricantes de componentes menos
capitalizados, que têm dificuldades de diversificar os negócios. Em meio à crise, muitas empresas de
autopeças têm direcionado esforços para o segmento de reposição, que tradicionalmente cresce com a
queda das vendas de veículos novos.
Mas com problemas de caixa e, muitas vezes, defasados devido à falta de investimentos ao longo dos
últimos anos, os tiers 2 e 3 da cadeia não conseguem encontrar um caminho.
O Sindipeças informou recentemente que trabalha em um comitê de pequenas e médias empresas para
sanar os problemas mais graves do setor ao menos no curto prazo. "A maior preocupação de alguns
fabricantes é a sobrevivência", afirmou o conselheiro da entidade, Gábor Deák.
Ele reforça, entretanto, que não há possibilidade de a cadeia automotiva sobreviver sem os tiers 2 e 3
localmente.
Contudo, para o executivo da Bosch, a situação enfrentada pelo setor envolve alguns fatores importantes,
como ambiente hostil para o desenvolvimento da indústria local e, pelo lado das empresas, falta de
investimentos em produtividade.
Botelho lembra que o novo regime automotivo exige 60% de conteúdo local para as empresas ao longo da
cadeia. "É muito difícil nacionalizar sem ter condições de comprar o mínimo localmente", pondera o
executivo.
Corrallo comenta que a Delphi tem conseguido se manter nos últimos anos, mas destaca que os sistemistas
enfrentam um grave problema para produzir no País. "Não sabemos até quando é possível se manter neste
cenário", pondera. "Talvez a verticalização será uma forte preocupação para a próxima década", acrescenta
o presidente da companhia.
Cenário incerto
Segundo o analista da Tendências, o mercado automotivo é muito sensível a fatores como crédito, renda e
emprego. E como estes condicionantes têm apresentado queda brutal em 2015, não há sinais claros de
retomada da demanda.
"Nem os mais pessimistas previam a queda registrada neste ano. Atingimos um novo patamar da economia",
avalia Baggi. Ele explica que o mercado levará um tempo para recuperar a confiança, fator determinante
para a compra de veículos. "As perspectivas de crescimento das vendas mudaram completamente para os
próximos anos", diz.
Antes do aprofundamento da crise do setor neste ano, analistas trabalhavam com uma perspectiva para o
mercado brasileiro de 4 milhões de veículos leves em 2020. "Mas os drivers eram outros", pontua Baggi.
No entanto, diante do novo patamar da economia brasileira, o panorama para a indústria automotiva mudou
completamente, analisa o consultor. "A instabilidade política também contribui para desequilibrar a situação,
o que gera um efeito em cadeia", salienta.
Baggi frisa que o cenário é tão incerto que fica difícil fazer qualquer tipo de previsão para uma retomada
consistente no curto e no médio prazo. Ele reforça, porém, que não há qualquer expectativa de melhora do
cenário tanto para este ano quanto para 2016, como alguns dirigentes do setor têm afirmado. "É possível
que a crise da indústria automotiva se acentue ainda mais neste segundo semestre", salienta.
A virada negativa do setor pegou de surpresa diversas companhias, que anunciaram pesados investimentos
no Brasil, tanto em aumento de capacidade instalada quanto em novas fábricas. E nos últimos meses,
executivos de montadoras já vêm admitindo uma ociosidade de até 40% até 2017.
Baggi afirma que o nível de utilização da capacidade instalada nos próximos anos dependerá da decisão
gerencial das empresas. "As montadoras terão que decidir se postergam ou não seus planos de
investimentos", pondera o analista.
Para 2015, a Tendências projeta uma queda das vendas de leves em 19,5%. "Mas como os condicionantes
de renda e crédito pioraram, o viés dessa projeção é de baixa", destaca Baggi.
Economia fraca impacta Grupo Pão de Açúcar
A desaceleração econômica impactou o desempenho da principal rede varejista do Brasil, o Grupo Pão de
Açúcar (GPA). A operação teve prejuízo de R$ 30 milhões no segundo trimestre, ante um lucro de R$ 358
milhões obtido em igual período do ano anterior.
Segundo o CEO do GPA, Ronaldo Iabudi, o cenário complexo da economia brasileira e o aumento das
despesas operacionais da rede foram os responsáveis pelo desempenho arrefecido. "Além disso, os maiores
patamares de despesas, que sofreram reajustes em linha ou acima da inflação e o crescimento da taxa de
juros, contribuíram para o resultado", disse o executivo.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda da sigla em inglês) foi de R$ 665
milhões no período, queda de 39% na mesma base de comparação. As despesas, quando somadas todas
as operações do GPA, entre elas o Minuto Pão de Açúcar, que terá 30 lojas em operação até o final do ano,
tiveram incremento de 11,9% no período totalizando R$ 3,2 bilhões.
"O aumento da energia elétrica impactou principalmente o varejo alimentar ficando próximo a 42% da receita
no segundo trimestre", afirmou o CFO da varejista, Christophe Hidalgo. Segundo o executivo, o terceiro
trimestre também terá aumento de energia em algumas regiões e isso pesará nos resultados futuros.
"Haverá ajustes em certas regiões. E aumento da energia pode chegar a 70% em certos locais."
A operação não alimentar também colaborou para a redução dos resultados. O desempenho da Via Varejo Casas Bahia e Pontofrio - foi influenciado pela menor demanda de consumo.
Na divulgação de seus resultados, a Via Varejo reportou prejuízo líquido de R$ 13 milhões entre abril e
junho, frente ao lucro de R$ 187 milhões obtido um ano antes. A empresa afirmou que no período a
operação teve um pequeno ganho de mercado (market share) e que foram abertas 21 lojas. Com queda de
23,5 % nas vendas no conceito "mesmas lojas" no segundo trimestre, a Via Varejo fechou 19 lojas
deficitárias e converteu 30 lojas de Pontofrio para casas Bahia, adequando assim a operação a região de
atuação.
Atacado recorde
Na contramão, o braço atacadista Assaí obteve resultado significativo. "A nossa evolução de vendas foi de
26% no período", afirmou o presidente do Assaí, Belmiro Gomes. Segundo o executivo, só na operação
atacadista foram agregados 40 mil metros quadrados de área de vendas. "Enquanto tivemos queda no
público de food service, apresentamos crescimento na procura do consumidor final nos pontos de venda",
disse Gomes. A bandeira está com sete unidades em construção e na opinião do CFO Christophe Hidalgo,
pode "ter resultado recorde este ano".
Postos de trabalho
Seguindo a tendência do comércio de movimento de queda nos postos de trabalho, o GPA reduziu seu
quadro de funcionários. Foram 7 mil vagas a menos no segundo trimestre. Conforme Hidalgo, cerca de 4,8
mil vagas foram cortadas nas operações de eletroeletrônicos. Ronaldo Iabrudi afirmou que ajustes são
necessários - em todas as áreas da empresa - em tempos de desaceleração econômica. Nessas medidas
estão a busca por maior relação com fornecedores e uma boa estratégia de precificação e redução das
despesas operacionais. "Temos um time consciente e ágil para tomar decisões quando for necessário",
concluiu.
Metalúrgicos cobram GM sobre exclusão de São José em investimentos
anunciados
O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos informou nesta quarta-feira, 29, que vai cobrar da
direção da General Motors (GM) explicações sobre a exclusão da fábrica da marca em São José dos
Campos (SP) dos recentes investimentos anunciados pela montadora. Ontem, a empresa anunciou que
pretende dobrar seus investimentos no Brasil, os quais deverão alcançar R$ 13 bilhões até 2019.
A duplicação dos investimentos se deve ao novo aporte de R$ 6,5 bilhões anunciados ontem para
desenvolvimento de uma nova família de carros com seis modelos no Brasil. O investimento faz parte dos
US$ 5 bilhões (cerca de R$ 16 bilhões) anunciados pela GM para produção de carros compactos em quatro
países emergentes: China, Índia, México e Brasil.
Segundo o presidente da GM América do Sul, Jaime Ardila, no caso do Brasil, o montante virá dos cofres da
própria filial brasileira e será destinado às fábricas de São Caetano do Sul (SP), Gravataí (RS), Mogi das
Cruzes (SP) e Joinville (SC). Durante coletiva de imprensa, ele explicou que a unidade de São José não
seria contemplada, pois não é competitiva, em razão de não ter acordos trabalhistas de longo prazo.
Em nota, o sindicato afirmou que as declarações de Ardila causaram "estranheza" à entidade e aos
trabalhadores, pois estariam contrariando acordos assinados em 2013 entre a montadora e o sindicato
prevendo novos investimentos no complexo fabril da GM em São José. De acordo com o sindicato, esses
acordos contemplavam investimentos de R$ 3 bilhões na planta, dos quais R$ 2,5 bilhões seriam destinados
a um novo projeto, que geraria 2,5 mil novos postos de trabalho.
"As negociações das condições trabalhistas para a assinatura desse acordo, aprovado em assembleia,
foram acompanhadas inclusive por representantes dos governos federal, estadual e municipal. Essas
mesmas negociações foram conduzidas pelo diretor de Assuntos Institucionais da GM e atual presidente da
Anfavea, Luiz Moan", ressalta o sindicato, lembrando que também ocorreram duas audiências na Câmara
Municipal de São José para tratar do assunto.
O sindicato informou que enviou carta nesta quarta-feira ao diretor de Relações Trabalhistas da General
Motors do Brasil, Artur Bernardo Neto, pedindo agendamento de reunião. "A empresa deve aos
trabalhadores informações claras sobre seus planos para a planta em São José dos Campos", cobra a
entidade em nota enviada à imprensa.
Outro lado
Procurada, a GM afirmou que não se pronunciaria sobre as declarações do sindicato. Por meio da
assessoria de imprensa, a montadora reforçou a fala de Ardila de que a fábrica de São José deve ficar de
fora do novo aporte de R$ 6,5 bilhões, mas não detalhou se a unidade está contemplada no investimento de
R$ 6,5 bilhões já anunciado em agosto de 2014.
ABC se organiza para reduzir efeito da crise
Para diminuir o impacto da crise, o Consórcio Intermunicipal do ABC fez parceria com a Agência de
Desenvolvimento Econômico da região para estimular ações de capacitação, desenvolvimento tecnológico e
incentivo ao turismo pelas sete cidades. O plano é investir R$ 346 mil e dar mais competividade às empresas
locais.
De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), as sete cidades
perderam, entre julho do ano passado e julho deste ano, mais de 23,6 mil empregos, dado que estimulou o
poder público a tentar frear os efeitos negativos do crescimento desacelerado da região.
De acordo com o diretor de programas e projetos do Consórcio, Hamilton Lacerda, o foco das medidas
serão, principalmente as pequenas e médias empresas (PMEs) da região, que precisam de mais atenção
para ganhar competitividade de evitar a interrupção das atividades. "Nessa nova etapa do convênio, os
recursos foram aumentados em função da expansão e complexidade dos projetos, que estão sempre em
sintonia com o Plano Plurianual Regional Participativo 2014-2017 ", disse.
As empresas menores, que são 96% das companhias instaladas nas sete cidades, terão auxilio especial com
a nova parceria. Através de dados coletados Universidade Municipal de São Caetano referentes a economia,
gestão, capacitação e estímulo avanços tecnológicos os empresários poderão participar de encontros,
imprimir panfletos e trocar ideias entre si para melhorar os negócios.
Outras ações
Pleito antigo das gestões municipais, o potencial da região para fornecer equipamentos para o ministério da
defesa também será contemplado pelo plano. Para entender as demandas, serão realizados estudos para
conhecer a organização da indústria em todo o mundo, analisar de que forma as empresas da região podem
se tornar fornecedoras e como universidades e indústrias do ABC poderão participar desse mercado.
Além disso, através do Programa Nacional de Desenvolvimento de Fornecedores do Ministério do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), 25 indústrias de pequeno e médio porte da cadeia
de fornecedores da sistemista na região poderão participar de atividades que irão auxiliá-las no processo de
adequação aos requisitos das grandes empresas.
Outro plano de desenvolvimento, explica Lacerda, é ampliação da atenção para o segmento de turismo na
região do ABC. A previsão é ampliar e investir em um site turístico e trabalhar com os empresários para
elevar a capacitação nesse segmento.
(Fonte: DCI 30-07-2015).
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Informe Desin 802 Ano VII - 30-07-2015