Abertura do 4º. ENPModa – 27/04/2014 – FIESC Senhor Reitor da UDESC, Senhores, digníssimos representantes das Instituições parceiras desse Evento –FIESC – FAPESC, senhora diretora geral do CEART e demais colegas, autoridades e participantes – BOA NOITE. Primeiramente cabe-me falar da honra que nesse momento tenho de representar o Colegiado do Departamento de Moda e em seu nome DAR AS BOAS VINDAS A TODOS os participantes desse evento, cuja trajetória começa a se consolidar no cenário acadêmico nacional. Antecipadamente, porém oportunamente, agradeço desde já todo o apoio e participação dos professores, alunos e demais parceiros para que esse evento ocorresse e, sem dúvida, sem a ajuda de todos vocês esse evento não seria o mesmo. Como todos vocês podem observar no site do evento e ouviram no início desse cerimonial, a história do Encontro Nacional de Pesquisa em Moda é recente. Nascido no interior de nosso país, nas terras prósperas de Goiás, onde também nasceu Cora Coralina, mulher, poetisa, professora... E por essas doces coincidências e boas inspirações, entendi que minhas palavras nesse momento deveriam passar pelas dela. Diz Cora Coralina em um poema chamado “Becos de Goiás”, entre outras rimas, ABRE ASPAS Becos da minha terra... Becos de assombração. Românticos, pecaminosos ... Têm poesia e têm drama. O drama da mulher da vida, humilhada, malsinada. FECHA ASPAS Entre os outros versos desse mesmo poema que fala das ruas e das gentes de Goiás, essa parte, que se remete às mulheres da vida, me agradou mais por fazer remissão à moda desenhada por Jean Grandville que, ainda no século XIX, desenhou a Senhora Moda como uma mulher plena de vaidade e sedução que, sentada em seu alto trono, submetia a todos com seu poder de atração e também por seu poder de proporcionar prazer. Entre o “drama da mulher da vida” poetisado por Cora Coralina e a imagem de uma moda coquête de Grandville se coloca o ENPModa e, mais que ele, todo o cenário acadêmico da Moda no Brasil atual, em que não há uma definição institucional clara de onde pode se alocar a moda: entre as artes e o design? entre a academia e a indústria? entre o ministério da cultura ou o da educação? Ou seria apenas no Ministério da Economia? - Não somos uma área de conhecimento reconhecida pelo CNPq e os bacharelandos em Moda são rejeitados em programas de intercâmbio internacional porque, aos olhos dos avaliadores não são designers e nem contribuem para a economia criativa; - nossos cursos superiores de Moda tem dificuldades em definir a habilitação que oferecem e recentemente o primeiro e único projeto de pós-graduação strictu sensu em Moda, a ser oferecido gratuitamente, foi rejeitado pela CAPES. - Nossos colegas universitários nem sempre consideram nossos objetos de pesquisa e produções científicas legítimos e qualificam a capacidade dos pesquisadores e professores de Moda pelas capas de revistas que observam nas gondolas dos supermercados. Se a mulher da vida não serve para ser a esposa, por outro lado, ninguém resiste a sua sedução, todos que a ver, de certa maneira, querem se aproximar das promessas de prazer que ela faz. - Num Brasil institucional onde o Design conseguiu alguma legitimidade acadêmica, se temos Irmãos Campana como ícones do design brasileiro, temos brilhando muito mais mundo afora, Ronaldo Fraga, Isabela Capeto, Carlos Miele, Tufi Duek, Daniela Helayel, Lino Vilaventura, Hercovitch, e bem mais que isso, temos uma indústria relacionada ao produto de Moda que movimenta bilhões de reais ano e emprega mais outro milhão de pessoas diretamente; - temos esforços governamentais e empresariais para fazer de nosso país um marco em inovação e criação em moda, como exemplifica o acordo firmado entre APEX e ABIT (nossa parceira nesse evento) desde 2012 com um convênio que mobilizou mais de 17,5 milhões de reais e que se firmava nos seguintes preceitos, enunciados nas palavras de Mauricio Borges: ABRE ASPAS “Cada vez mais, estamos conseguindo aumentar a percepção internacional do Brasil como produtor global de moda sustentável, inovadora e de qualidade”. “Incrementar essa participação exige que a produção do País esteja bem posicionada no mercado mundial, um desafio que estamos vencendo agregando inteligência competitiva a ações de promoção comercial, como missões empresariais internacionais e eventos de moda, entre outras”. FECHA ASPAS Enfim, difundimos uma Marca Brasil que se relaciona com corpo, cores e formas que são transplantados para a moda praia, moda em calçados, cabelos e muitos outros segmentos de produtos de moda, sem contar que temos marcas internacionais fortes como Osklen, Rosa Chá, entre outras que fazem dessa “marginal ou mulher da vida” no mundo acadêmico, uma dama muito rica e sedutora, que nos envolve com seu charme e, a quem se permite, possibilita compreender que a mulher da vida é também uma mulher na vida. As pedras lançadas sobre Geni, como se referiu Chico Buarque, tornam-se diamantes se as vemos com bons olhos. Por esse preâmbulo que nada teve de muito poético como as palavras inspiradoras de Cora Coralina, cabe então dizer: - eventos como esse que participamos nesse instante só tendem a crescer; CABE ENTÃO DIZER QUE - os estudiosos e pesquisadores em moda são desafiados cada vez mais a vencer os obstáculos do preconceito e da carência conceitual que encontram, para consolidar uma área de conhecimento com muito suor e dedicação a partir de estudos sérios e consistentes; CABE ENTÃO DIZER QUE - quanto mais o meio empresarial e institucional se der conta das vantagens de estar de mãos dadas ao meio acadêmico relacionado à moda, ambos irão ganhar em competência, inovação e também rentabilidade; CABE ENTÃO DIZER QUE - à medida que o meio acadêmico atentar para a realidade econômica e social de nosso país, deixando de lado o cultivo do esnobismo intelectual, será capaz de ver a pertinência de definir com clareza a área de conhecimento da Moda. Mesmo que nossa pretensão é e sempre será da trans, multi e interdisciplinaridade, precisamos que seja reconhecida nossas especificidades e direitos de amadurecimento acadêmico, a partir de programas de pós-graduação bem estruturados e financiados por instituições públicas. Por isso, digníssimo senhores e senhoras presentes, nesse instante que além de ser uma cerimônia há de ser também um momento político, lanço um desafio à UDESC, às instituições parceiras, aos professores e aos pesquisadores aqui presentes: - Que a UDESC possa ter a honra de contar, nos anais de sua história, com o 1º Programa de Pós-Graduação em Moda oferecido no Brasil numa instituição pública e gratuita. Afinal a UDESC o pode fazer porque possui 18 anos de esforços encetados na formação de profissionais de moda bem qualificados e se tornou a referência de todos os demais cursos existentes em Santa Catarina, quiçá no Brasil, porque seus corpos docentes contam com nossos ex-alunos, porque eles se alimentam, constantemente, com a pesquisa e a produção de qualidade desenvolvida por nosso corpo docente e divulgada por periódicos consolidados como o livro Modapalavra que terá o nono volume publicado em breve e a revista eletrônica Modapalavra e-periódicos que está no seu oitavo ano de existência e em seu décimo quarto volume, entre tantos outros artigos e capítulos de livros publicados com a assinatura de nossos professores e orientandos. - Se as vossas gestões e essas importantes instituições aqui representadas estão convictas dessa possibilidade e necessidade enunciada em minhas pretensiosas, porém verdadeiras, palavras, essa plateia aplaudirá os vossos atos de diligência e de homens públicos corajosos, inovadores, e, verdadeiramente, empreendedores de um Brasil muito melhor para todos nós. Contem sempre com o Departamento e o Curso de Moda de nossa querida UDESC. Muito obrigada. Profa. Dra. Mara Rúbia Sant’Anna Chefe do DMO – set/2013 – ago/2015.