____________________________________ RAFAEL LEITE GONÇALVES ESTUDO DO COMPORTAMENTO DE ESTACAS APILOADAS EM SOLO COLAPSÍVEL DA REGIÃO DE LONDRINA/PR ____________________________________ Londrina 2006 RAFAEL LEITE GONÇALVES ESTUDO DO COMPORTAMENTO DE ESTACAS APILOADAS EM SOLO COLAPSÍVEL DA REGIÃO DE LONDRINA/PR Dissertação apresentada ao Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Edificações e Saneamento da Universidade Estadual de Londrina, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre. Orientadora: Prof.ª Gonçalves Miguel. Londrina 2006 Dr.ª Miriam RAFAEL LEITE GONÇALVES ESTUDO DO COMPORTAMENTO DE ESTACAS APILOADAS EM SOLO COLAPSÍVEL DA REGIÃO DE LONDRINA/PR Dissertação apresentada ao Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Edificações e Saneamento da Universidade Estadual de Londrina, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre. COMISSÃO EXAMINADORA _______________________________ Prof.a Dr.a Miriam Gonçalves Miguel Universidade Estadual de Campinas _______________________________ Prof. Dr. Antonio Belincanta Universidade Estadual de Maringá _______________________________ Prof. Dr. Cláudio Vidrih Ferreira Universidade Estadual Paulista – Unesp –Bauru Londrina, __ de ___________ de 2006 Dedico este trabalho aos meus pais, Sandra e Joel, pelo amor, compreensão, estímulo e patrocínio; à minha irmã Carolina, pela ajuda e carinho; à minha namorada Monique, pelo amor e incentivo; aos meus parentes e amigos pelo grande apoio. AGRADECIMENTOS À Profª. Drª. Miriam Gonçalves Miguel, pela orientação competente demonstrada ao longo do trabalho, pela confiança em mim depositada, pelo estímulo e compreensão nas horas mais difíceis. Ao Centro de Tecnologia e Urbanismo (CTU) da UEL, pela infra-estrutura e laboratórios disponíveis para a realização de ensaios. À prefeitura do Campus Universitário, pelo fornecimento dos materiais e funcionários para execução dos ensaios. À Universidade Estadual de Maringá (UEM) e Universidade de São Paulo/ Campus São Carlos, pelo empréstimo de diversos equipamentos utilizados para a realização das provas de carga para este trabalho. Às empresas patrocinadoras do projeto: BASESTAC Engenharia de Fundações e Estaqueamento Ltda, Cia de Cimento ITAMBÉ, Construtora CONSTRUBLOCK Ltda, Ferro e Aço BERTIN Ltda, Pedreira URBALON Ltda, Protendidos DYWIDAG, pelo apoio financeiro e incentivo às pesquisas. À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pelo auxílio financeiro dispensado a essa pesquisa. A todos, professores, funcionários, alunos e amigos que colaboraram para a realização deste trabalho. GONÇALVES, Rafael Leite. Estudo do comportamento de estacas apiloadas em solo colapsível da região de Londrina/Pr. 2006. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Edificações e Saneamento) – Universidade Estadual de Londrina RESUMO O solo superficial da região de Londrina/PR se caracteriza por uma argila siltosa, de consistência mole à média, laterítica e colapsível. Os solos colapsíveis caracterizamse por apresentarem, quando em sua umidade natural, estrutura com partículas ligadas por vínculos atribuídos à sucção e às substâncias cimentantes. Esta estrutura porosa e instável confere ao solo uma resistência adicional que pode ser quebrada por agentes externos, em geral, a água. Quando inundados e submetidos a um carregamento, os solos colapsíveis sofrem um movimento relativo entre as partículas, gerando redução do seu volume, o que pode levar a ruína um elemento de fundação. Em obras de pequeno e médio porte da região, é comum a execução de fundações por estacas de pequeno diâmetro e relativamente curtas, de modo que ficam sujeitas à influência da colapsibilidade do solo. Atentando para esse fato, foram executadas doze estacas apiloadas de diâmetro 20cm, sendo seis de 3m de comprimento e seis de 6m de comprimento, no Campo Experimental de Engenharia Geotécnica (CEEG) da UEL, com o intuito de se avaliar seus comportamentos quanto à capacidade de carga. Na execução das estacas apiloadas, a abertura do furo foi realizada com a queda livre de um pilão, porém, em consideração às práticas locais de execução, a concretagem do furo foi feita de duas formas distintas: a) com o lançamento de um lastro de brita na base do furo (denominado de “pé de brita”) com posterior apiloamento e, após, o lançamento de concreto auto-adensável e b) com o lançamento em camadas de concreto seco com apiloamento, após cada lançamento, formando uma base alargada e bulbos ao longo do fuste. Neste trabalho, foram estudadas seis estacas de cada tipo, visando ao comportamento das mesmas através de provas de carga estática à compressão, do tipo mista, em duas condições: para solo não saturado, com determinações de sucção matricial a cada metro de profundidade, e para solo umedecido por inundação superficial por 48 horas. As medidas de sucção matricial foram obtidas em curvas de retenção de água (teor de umidade versus sucção) determinadas para o solo superficial do CEEG, com posse dos teores de umidade do solo, durante as provas de carga. Com as curvas carga versus recalque foi possível determinar os valores de capacidade de carga para as duas variantes de estacas apiloadas, nas duas condições de umidade do solo, permitindo avaliar as diferenças de comportamento quanto ao tipo de execução e quanto à sucção matricial. Palavras-chave: Estacas apiloadas; provas de carga; solos colapsíveis GONÇALVES, Rafael Leite. Study of the behavior of pounded piles in collapsible soil of the area of Londrina/Pr. 2006. Dissertation (Master Degree in Construction and Sanitation Engineering) – Londrina State University. ABSTRACT The superficial soil of the region of Londrina/PR is characterized by soft to average consistency, lateritic and collapsible clay. The collapsible soil is characterized by presenting, when in its natural humidity, structures with particles attached by ties attributed to suction. This porous and unstable structure grants to the soil an additional resistance that can be broken by external agents, generally water. When submitted to a load after flooding, collapsible soils suffer a relative movement among its particles, causing a reduction of volume that can ruin a foundation element. In small and medium sized constructions in the region, it is common to execute foundations with small diameter and relatively short stakes, which are subjected to the influence of the collapsibility of the soil of this region. Considering this, twelve 20cm diameter pounded piles, six of which were 3m and six, 6m long, were executed in the Experimental Field of Geotechnical Engineering of UEL, with the intent of evaluating their behavior with relation to load capacity. In the execution of the pounded piles, the opening of the hole was accomplished by a free fall pile driver; though, in consideration to the local execution practices, concreting of the hole was realized in two different ways: a) with fluid concrete and b) with the release in layers of dry concrete. In this paper, six stakes of each type were studied, analysing their behavior through mixed type tests of static load by compression under two soil conditions: non saturated soil, with suction measurements for each meter of depth, and soil superficially flooded for 48 hours. The matrix suction values were obtained in curves of water retention (humidity versus suction percentage), determined for CEEG’s superficial soil, drawing on its known soil humidity values, during the load tests. With the load versus regression curves it was possible to determine the values of load capacity for the two variants of pounded piles under the two soil conditions, enabling the evaluation of the differences of behavior with relation to the execution type and to suction. Key-words: pounded piles; vertical loading tests; collapsible soil. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO................................................................................................... 19 2 OBJETIVOS....................................................................................................... 22 2.1 Objetivo geral................................................................................................... 22 2.2 Objetivos específicos....................................................................................... 22 3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA............................................................................... 24 3.1 Solos lateríticos............................................................................................... 24 3.2 Solos colapsíveis............................................................................................. 27 3.3 Influência da sucção matricial no comportamento de fundações ................... 34 3.4 Definição de fundações profundas.................................................................. 36 3.4.1 Fundação profunda....................................................................................... 36 3.4.2 Estacas......................................................................................................... 37 3.4.3 Estacas Strauss............................................................................................ 37 3.4.4 Estacas apiloadas......................................................................................... 38 3.5 Capacidade de carga....................................................................................... 39 3.5.1 Capacidade de carga do ponto de vista geotécnico..................................... 40 3.6 Definição de recalque...................................................................................... 43 3.7 Carga admissível, recalque admissível e fatores de segurança em fundações........................................................................................ 44 3.8 Estimativa de capacidade de carga de fundações.......................................... 45 3.8.1 Método semi-empírico de Décourt & Quaresma (1978)............................... 46 3.8.2 Método semi-empírico de Aoki & Veloso (1975).......................................... 49 3.9 Critérios de extrapolação das curvas carga versus recalque.......................... 54 3.9.1 Método de Van der Veen (1953)................................................................... 55 3.9.2 Método de Rigirez de Décourt (1998)........................................................... 56 3.9.3 Método de Brierley Modificado (MBM).......................................................... 58 3.10 Estacas apiloadas em solos colapsíveis........................................................ 60 3.10.1 Estacas apiloadas em solo colapsível da cidade de Pederneiras/SP....... 60 3.10.2 Estacas apiloadas em solo colapsível de Ilha Solteira/SP......................... 61 3.10.3 Estacas apiloadas em solo colapsível Bauru/SP........................................ 62 3.11 Influência do reensaio no resultado de provas de carga em estacas............ 64 4 CAMPO EXPERIMENTAL DE ENGENHARIA GEOTÉCNICA (CEEG) DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA (UEL)................................... 67 4.1 Perfil geológico – geotécnico do solo de Londrina/PR.................................... 67 4.2 Características geológicas – geotécnicas do campo experimental de engenharia geotécnica (CEEG) da UEL.......................................... 69 4.2.1 Ensaios de campo........................................................................................ 70 4.2.1.1 SPT-T......................................................................................................... 70 4.2.1.2 Fundações de pequeno porte em Londrina/Pr.......................................... 71 4.2.1.2.1 Estacas escavadas com trado manual (Brocas)..................................... 71 2.2.1.2.2 Estacas apiloadas................................................................................... 75 4.2.2 Ensaios de laboratório.................................................................................. 84 5 MATERIAIS E MÉTODOS.................................................................................. 88 5.1 Objeto de estudo............................................................................................. 88 5.2 Estimativa da capacidade de carga das estacas através do método de Décourt & Quaresma (1978)............................................................ 90 5.2.1 Estimativa da capacidade de carga das estacas apiloadas de 3 m de comprimento (ACL3 e ACA3) de 6 m de comprimento (ACL6 e ACA6)............................................................................................... 91 5.2.2 Dimensionamento das estacas Strauss (estacas de reação)....................... 93 5.3 Locação das estacas....................................................................................... 94 5.4 Execução das estacas..................................................................................... 95 5.4.1Estacas apiloadas de diâmetro 20 cm, comprimento 3,0 m e 6,0 m com lançamento do concreto (ACL3 e ACL6).......................................... 95 5.4.2 Estacas apiloadas de diâmetro 20 cm, comprimento 3,0 m e 6,0 m com apiloamento do concreto (ACA3 e ACA6)........................................ 97 5.4.3 Estacas Strauss de diâmetro 32 cm, comprimento 12,0 m (estacas de reação)............................................................................................. 99 5.4.4 Blocos de coroamento.................................................................................102 5.4.5 Cavas de infiltração.....................................................................................103 5.5 Execução das provas de carga.......................................................................103 5.5.1 Materiais e equipamentos utilizados............................................................104 5.5.2 Montagem dos equipamentos......................................................................106 5.5.3 Execução do ensaio.....................................................................................113 5.6 Determinação do teor de umidade e estimativa da sucção matricial..............115 5.7 Determinação da redução da capacidade de carga com a diminuição da sucção matricial e da recuperação da capacidade de carga com o aumento da sucção matricial...........................................................115 5.8 Determinação das tensões no solo após os ensaios......................................117 6 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS........................................119 6.1 Curvas carga versus recalque........................................................................119 6.2 Capacidade de carga, carga de colapso, resistência de ponta e resistência lateral............................................................................123 6.3 Influência dos reensaios.................................................................................133 6.4 Influência da sucção matricial no comportamento das estacas.....................143 6.5 Comparativo do comportamento entre as estacas apiloadas e estacas brocas................................................................................155 6.6 Resultados de tensão do solo e dimensões das estacas após os ensaios............................................................................................157 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS...............................................................................162 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.....................................................................164 ANEXOS...............................................................................................................167 LISTA DE FIGURAS Figura 3.1 – Distribuição das coberturas lateríticas no Brasil – Melfi, 1997......... 26 Figura 3.2 – Macro-estrutura formada por pontes de argila; por Capilaridade; por cimentações de argila ou óxidos de ferro ou alumínio. (Lopes, 2001).................................................................................. 29 Figura 3.3 – Estrutura de solo colapsível carregado sem inundação (a) e com inundação (b), (Gutierrez et al, 2003).................................... 31 Figura 3.4 – Ocorrência de solos colapsíveis no Brasil – Cintra, 1998................ 32 Figura 3.5 – Carga de ruptura segundo Van der Veen (1953)............................. 55 Figura 3.6 Gráfico Rigidez - Fundações que não apresentam ruptura física Campos, 2005................................................................................. 58 Figura 3.7 Gráfico Rigidez - Fundações que apresentam ruptura física Campos, 2005...................................................................................58 Figura 3.8 – Método do MBM para estimativa da resistência lateral (Rl) – Campos, 2005...................................................................................59 Figura 3.9 – Curvas carga versus recalque para recarregamento –Massad, 1992..................................................................................................65 Figura 4.1 – Curvas carga versus recalque das estacas apiloadas com lançamento do concreto, de comprimento L = 3 m, na condição de solo não saturado – Campos, 2005.............................................77 Figura 4.2 – Curvas carga versus recalque das estacas apiloadas com lançamento do concreto, de comprimento L = 6 m, na condição de solo não saturado – Campos, 2005.............................................77 Figura 4.3 – Curvas carga versus recalque das estacas apiloadas com apiloamento do concreto, de comprimento L = 3 m, na condição de solo não saturado – Campos, 2005.............................................78 Figura 4.4 – Curvas carga versus recalque das estacas apiloadas com apiloamento do concreto, de comprimento L = 6 m, na condição de solo não saturado – Campos, 2005.............................................79 Figura 4.5 – Curvas características de sucção do solo do CEEG – Padilha (2004)................................................................................................87 Figura 5.1 – Disposição das estacas apiloadas e Strauss no CEEG.....................95 Figura 5.2 – Abertura do furo das estacas apiloadas (ACL e ACA) com o auxilio do pilão..................................................................................97 Figura 5.3 – Concretagem das estacas apiloadas ACAs.......................................99 Figura 5.4 – Colocação das armaduras e concretagem das estacas de reação.............................................................................................102 Figura 5.5 – Vista geral da montagem das provas de carga................................109 Figura 5.6 – Montagem do sistema de reação (reação 1 à esquerda e sistema de atirantamento da reação 2 à direita).............................109 Figura 5.7 – Detalhe da montagem do macaco e da célula de carga..................110 Figura 5.8 – Esquema das provas de carga.........................................................112 Figura 5.9 – Locação dos poços de inspeção......................................................117 Figura 5.10 – Abertura de poço de inspeção tangenciando a estaca apiloada ACL6(1)...........................................................................................118 Figura 6.1 – Curvas carga versus recalque das estacas apiloadas com lançamento do concreto, de comprimento L = 3 m, na condição de solo umedecido por inundação superficial..................120 Figura 6.2 – Curvas carga versus recalque das estacas apiloadas com lançamento do concreto, de comprimento L = 6 m, na condição de solo umedecido por inundação superficial..................121 Figura 6.3 – Curvas carga versus recalque das estacas apiloadas com apiloamento do concreto, de comprimento L = 3 m, na condição de solo umedecido por inundação superficial..................122 Figura 6.4 – Curvas carga versus recalque das estacas apiloadas com apiloamento do concreto, de comprimento L = 6 m, na condição de solo umedecido por inundação superficial..................122 Figura 6.5 – Gráfico de rigidez da estaca ACL3(1) – Campos, 2005...................124 Figura 6.6 – Gráfico de rigidez da estaca ACL6(2) – Campos, 2005...................125 Figura 6.7 – Gráfico de rigidez da estaca ACA3(1) – Campos, 2005...................125 Figura 6.8 – Gráfico de rigidez da estaca ACA6(2) – Campos, 2005...................126 Figura 6.9 – Gráfico MBM das estacas apiloadas com lançamento do concreto e comprimento L = 3 m (ACL3) na condição de solo não saturado – Campos, 2005...............................................................127 Figura 6.10 – Gráfico MBM das estacas apiloadas com lançamento do concreto e comprimento L = 6 m (ACL6) na condição de solo não saturado – Campos, 2005........................................................127 Figura 6.11 – Gráfico MBM das estacas apiloadas com apiloamento do concreto e comprimento L = 3 m (ACA3) na condição de solo não saturado – Campos, 2005........................................................128 Figura 6.12 – Gráfico MBM das estacas apiloadas com apiloamento do concreto e comprimento L = 6 m (ACA6) na condição de solo não saturado – Campos, 2005........................................................128 Figura 6.13 – Gráfico MBM das estacas apiloadas com lançamento do concreto e comprimento L = 6 m (ACL6) na condição de solo umedecido.......129 Figura 6.14 – Gráfico MBM das estacas apiloadas com lançamento doconcreto e comprimento L = 6 m (ACL6) na condição de solo umedecido.......129 Figura 6.15 – Gráfico MBM das estacas apiloadas com apiloamento do concreto e comprimento L = 3 m (ACA3) na condição de solo umedecido......130 Figura 6.16 – Gráfico MBM das estacas apiloadas com apiloamento do concreto e comprimento L = 6 m (ACA6) na condição de solo umedecido......130 Figura 6.17 – Curvas carga versus recalque da estaca apiloada com lançamento do concreto, de comprimento L = 3 m (ACL3(2)) para o ensaio e os reensaios..........................................................134 Figura 6.18 – Curvas carga versus recalque da estaca apiloada com apiloamento do concreto, de comprimento L = 3 m (ACA3(2)) para o ensaio e os reensaios..........................................................134 Figura 6.19 – Curvas carga versus recalque da estaca apiloada com apiloamento do concreto, de comprimento L = 6 m (ACA6(1)) para o ensaio e os reensaios..........................................................135 Figura 6.20 – Gráfico de rigidez da estaca ACL3(2)-Reensaio (3), para solo não saturado...................................................................................137 Figura 6.21 – Gráfico de rigidez da estaca ACA3(3) – Reensaio (3) , para solo não saturado...................................................................................137 Figura 6.22 – Gráfico de rigidez da estaca ACA6(1) – Reensaio (3) , para solo não saturado...................................................................................138 Figura 6.23 – Gráfico MBM da estaca ACL3(2) – Reensaio 2 – Solo umedecido.......................................................................................139 Figura 6.24 – Gráfico MBM da estaca ACA3(2) – Reensaio 2 – Solo umedecido.......................................................................................139 Figura 6.25 – Gráfico MBM da estaca ACA6(1) – Reensaio 2 – Solo umedecido.......................................................................................140 Figura 6.26 – Gráfico MBM da estaca ACL3(2) – Reensaio 3 – Solo não saturado..........................................................................................140 Figura 6.27 – Gráfico MBM da estaca ACA3(2) – Reensaio 3 – Solo não saturado..........................................................................................141 Figura 6.28 – Gráfico MBM da estaca ACA6(1) – Reensaio 3 – Solo não saturado..........................................................................................141 Figura 6.29 – Curvas carga versus recalque da estaca apiloada com lançamento do concreto, de comprimento L = 3 m, (ACL3(1)) na condição de solo não saturado e umedecido por inundação superficial........................................................................................144 Figura 6.30 – Curvas carga versus recalque da estaca apiloada com lançamento do concreto, de comprimento L = 3 m, (ACL3(3)) na condição de solo não saturado e umedecido por inundação superficial........................................................................................144 Figura 6.31 – Curvas carga versus recalque da estaca apiloada com lançamento do concreto, de comprimento L = 6 m, (ACL6(1)) na condição de solo não saturado e umedecido por inundação superficial........................................................................................145 Figura 6.32 – Curvas carga versus recalque da estaca apiloada com lançamento do concreto, de comprimento L = 6 m, (ACL6(3)) na condição de solo não saturado e umedecido por inundação superficial........................................................................................145 Figura 6.33 – Curvas carga versus recalque da estaca apiloada com apiloamento do concreto, de comprimento L = 3 m, (ACA3(1)) na condição de solo não saturado e umedecido por inundação superficial........................................................................................146 Figura 6.34 – Curvas carga versus recalque da estaca apiloada com apiloamento do concreto, de comprimento L = 3 m, (ACA3(3)) na condição de solo não saturado e umedecido por inundação superficial........................................................................................146 Figura 6.35 – Curvas carga versus recalque da estaca apiloada com apiloamento do concreto, de comprimento L = 6 m, (ACA6(2)) na condição de solo não saturado e umedecido por inundação superficial........................................................................................147 Figura 6.36 – Curvas carga versus recalque da estaca apiloada com apiloamento do concreto, de comprimento L = 6 m, (ACA6(3)) na condição de solo não saturado e umedecido por inundação superficial........................................................................................147 Figura 6.37 – Relação entre sucção matricial e capacidade de carga das estaca ACLs3..............................................................................................150 Figura 6.38 – Relação entre sucção matricial e capacidade de carga das estaca ACAs3.............................................................................................150 Figura 6.39 – Relação entre sucção matricial e capacidade de carga das estaca ACLs6..............................................................................................151 Figura 6.40 – Relação entre sucção matricial e capacidade de carga das estaca ACAs6.............................................................................................151 Figura 6.41 – Falha de concretagem da estaca ACA6(3).....................................160 Figura 6.42 – Ponta da estaca ACL e da estaca ACA..........................................161 LISTA DE TABELAS Tabela 3.1 – Valores do coeficiente α em função do tipo de estaca e do solo....................................................................................................47 Tabela 3.2 – Valores do coeficiente β em função do tipo de estaca e do solo....................................................................................................47 Tabela 3.3 – Fator característico do solo C............................................................48 Tabela 3.4 – Coeficiente de transformação F1 e F2 (Aoki & Velloso, 1975) .........51 Tabela 3.5 – Coeficientes K e α (Aoki & Velloso 1975)..........................................52 Tabela 3.6 – Cargas máximas e recalques (Morais & Segantini, 2002).................62 Tabela 3.7 – Cargas de ruptura a partir de interpretações das provas de carga e de estimativas de métodos semi-empíricos – Ferreira et al. 2000....64 Tabela 4.1 – Capacidade de carga, carga de colapso e redução da capacidade de carga das estacas brocas – Miguel & Belincanta, 2004...............74 Tabela 4.2 – Estimativa de capacidade de carga (Pu), resistência lateral (Rl), resistência de ponta (Rp) e carga adimissível (Padm) – Campos, 2005..................................................................................................76 Tabela 4.3 – Capacidade de carga (Pu) das estacas apiloadas com lançamento do concreto de comprimento 3 m (ACL3) e Comprimento 6 m (ACL6) – Campos, 2005....................................................................80 Tabela 4.4 – Capacidade de carga (Pu) das estacas apiloadas com apiloamento do concreto de comprimento 3 m (ACA3) e Comprimento 6 m (ACA6) – Campos, 2005......................................81 Tabela 4.5 – Resistência lateral (Rl) e de ponta (Rp) das estacas apiloadas com lançamento do concreto de comprimento 3 m (ACL3) e Comprimento 6 m (ACL6) – Campos, 2005......................................82 Tabela 4.6 – Resistência lateral (Rl) e de ponta (Rp) das estacas apiloadas com apiloamento do concreto de comprimento 3 m (ACA3) e Comprimento 6 m (ACA6) – Campos, 2005.....................................83 Tabela 4.7 – Valores característicos do substrato do CEEG obtidos através de ensaios de campo e laboratório – Miguel et al (2002).....................85 Tabela 5.1 – Identificação dos ensaios, condições de solo e intervalo de tempo em que foram realizados........................................................90 Tabela 5.2 – Identificação das estacas apiloadas executadas no CEEG – UEL...................................................................................................90 Tabela 5.3 – Valores estimados de capacidade de carga (Pu), resistência lateral (Rl), resistência de ponta (Rp) e Carga admissível (Padm).................93 Tabela 6.1 – Carga de colapso (Pc), Resistência lateral (Rl) e de ponta (Rp) das estacas apiloadas com lançamento do concreto de comprimento 3 m (ACL3) e Comprimento 6 m (ACL6) para solo umedecido.......131 Tabela 6.2 – Carga de colapso (Pc), Resistência lateral (Rl) e de ponta (Rp) das estacas apiloadas com apiloamento do concreto de comprimento 3 m (ACA3) e Comprimento 6 m (ACA6) para solo umedecido......132 Tabela 6.3 – Carga de colapso, resistência lateral e resistência de ponta das estacas apiloadas de comprimento L= 3 m e L=6 m, na condição de solo umedecido (reensaio 2)...........................................................142 Tabela 6.4 – Capacidade de carga, resistência lateral e resistência de ponta das estacas apiloadas de comprimento L= 3 m e L=6 m, na condição de solo não saturado(reensaio 3)....................................................142 Tabela 6.5 – Teores de umidade de campo e sucção correspondente para as estacas apiloadas com lançamento do concreto de comprimento L = 3 m (ACL3) e L = 6 m (ACL6) e estacas apiloadas com apiloamento do concreto de comprimento L = 3 m (ACA3) e L = 6 m (ACA6)................................................................................149 Tabela 6.6 – Perda da capacidade de carga das estacas apiloadas com lançamento do concreto de comprimento L = 3 m (ACL3) e L = 6 m (ACL6)................................................................................152 Tabela 6.7 – Perda da capacidade de carga das estacas apiloadas com apiloamento do concreto de comprimento L = 3 m (ACA3) e L = 6 m (ACA6)................................................................................153 Tabela 6.8 – Perda da capacidade de carga das estacas apiloadas com lançamento do concreto de comprimento L = 3 m (ACL3) e L = 6 m (ACL6)................................................................................154 Tabela 6.9 – Capacidade de carga (Pu), Carga de colapso (Pc) e perda da capacidade de carga das estacas brocas e estacas apiloadas com lançamento do concreto (ACL) e com apiloamento do concreto (ACA)................................................................................156 Tabela 6.10 – Tensões do solo ao longo da profundidade das estacas apiloadas de comprimento L = 3 m..................................................................158 Tabela 6.11 – Tensões do solo ao longo da profundidade das estacas apiloadas de comprimento L = 6 m..................................................................158 19 1. INTRODUÇÃO Londrina, localizada na região norte do estado do Paraná, possui população de, aproximadamente, 490 mil habitantes, sendo um importante pólo de desenvolvimento regional. Sua principal fonte de renda está ligada aos agro-negócios, porém a indústria da construção civil vem ganhando força nas últimas décadas. Dentro da construção civil, as obras de pequeno e médio porte têm se destacado, constituídas por, principalmente, edificações uni-familiares e edificações de interesse social (conjuntos habitacionais). Devido às suas pequenas solicitações, esses tipos de obras, comumente, dispõem como elementos de fundações estacas curtas do tipo escavadas com trado manual (estacas brocas manuais). Apesar da extrema importância para a solidez da obra, as fundações dessas edificações não têm recebido o devido estudo para sua execução, esta sendo baseada no empirismo e, principalmente, na experiência acumulada dos profissionais regionais. São comuns na região casos de aparecimento de trincas em edificações, em geral de pequeno e médio porte, após inundação do solo que dá apoio às suas fundações. Essa inundação, no geral, é decorrente de rompimento de dutos de água de abastecimento ou de redes coletoras de esgoto ou mesmo de um nível elevado de precipitação pluviométrica. Atentando para esse fato, o meio técnico passou a se preocupar com o comportamento das fundações na região de Londrina, necessitando de um estudo mais rigoroso dos solos locais. 20 No ano de 1998, implantou-se no campus da Universidade Estadual de Londrina (UEL) o Campo Experimental de Engenharia Geotécnica (CEEG) “Prof. Saburo Morimoto” e, desde então, começou-se a desenvolver pesquisas sobre o solo da região de Londrina e as estacas assentes nesse solo. Pesquisas de investigação do subsolo, através de diversas sondagens (SPT-T, CPT, DMT, DPL, DPSH, e abertura de poços de inspeção), e ensaios de laboratório com amostras deformadas e indeformadas coletadas das campanhas de sondagem indicaram que a camada superficial de solo do CEEG (até 12 m de profundidade) é constituída por argila siltosa, porosa, de consistência mole a média, com teor de umidade entre 30 % e 45 % (TEIXEIRA et al., 2003). Ensaios realizados em laboratório por Lopes et al. (2000) apontam que as argilas do solo superficial do CEEG apresentam comportamento de argilas lateríticas. Os estudos de comportamento de estacas de diferentes métodos executivos também têm sido realizados no CEEG, através de análise das curvas carga versus recalque, obtidas de resultados de provas de carga executadas nas estacas. Dentre as estacas já estudadas no CEEG, merecem destaque as estacas brocas manuais, que são as mais comuns para edificações de pequeno e médio porte na região de Londrina/PR, devido a sua facilidade de execução e baixo custo. Porém, as provas de carga executadas nessas estacas para a condição de solo inundado revelaram dados expressivos de redução da capacidade de carga (48,8% e 35,6%) em comparação à capacidade de carga 21 de estacas preenchidas por concreto, de diâmetro 25 cm e comprimento 3 m e 6 m, respectivamente (MIGUEL & BELINCANTA, 2004). Devido a esses resultados obtidos para as estacas brocas manuais, outro tipo de fundação, também de uso comum em obras de pequeno porte, tem sido analisado. A estaca apiloada foi escolhida como objeto de estudo, visto que sua utilização em obras de pequeno e médio porte acontece em larga escala na região. Para tal estudo foram utilizadas estacas apiloadas de diâmetros 20 cm e comprimentos de 3 m e 6 m, as quais foram submetidas a ensaios de provas de carga estáticas para duas condições de solo: o não saturado e o umedecido por inundação superficial. Na estaca apiloada, o processo executivo, que, através da queda de um pilão, abre o furo deslocando o solo lateralmente e para baixo, proporciona uma diminuição dos vazios do solo nas imediações da estaca, o que, acredita-se, ocasiona melhorias nas condições de susceptibilidade do elemento de fundação ao colapso, além de proporcionar uma melhor resistência de ponta da estaca que na estaca broca manual, praticamente inexiste. Por fim, acredita-se que a estaca apiloada mostre-se como alternativa técnica viável para edificações de pequeno e médio porte em Londrina/PR, merecendo maiores investigações sobre seu comportamento para solos lateríticos e colapsíveis da região. 22 2. OBJETIVOS 2.1 Objetivo geral Neste trabalho pretende-se obter informações a respeito do comportamento de estacas apiloadas com confecção de “pé de brita” na ponta e preenchidas por concreto auto-adensável e de estacas apiloadas preenchidas por concreto apiloado sem a confecção do “pé de brita”, com comprimento de 3m e 6m e diâmetro de 20cm, executadas em solo argilosiltoso, poroso, de consistência mole a média, laterítico e colapsível, típico da região de Londrina/PR, nas condições do solo não saturado, mas com medida do teor de umidade do solo, e com umedecimento do solo por inundação superficial de no mínimo 48 horas. 2.2 Objetivos específicos • Determinar as curvas carga versus recalque das estacas apiloadas, executadas no solo da região, submetendo-as a provas de carga estática, à compressão, com controle da sucção matricial do solo; • Indicar parâmetros para a elaboração de projetos geotécnicos que necessitam da execução de estacas apiloadas no solo de Londrina/PR, tais como capacidade de carga, carga admissível e recalques admissíveis; 23 • Verificar a influência da colapsibilidade do solo no comportamento das estacas apiloadas, preenchidas por concreto com e sem apiloamento. 24 3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 3.1 Solos lateríticos Segundo Schellmann (1982, apud MELFI, 1997), lateritas podem ser definidas como: “acumulações superficiais ou subsuperficiais de produtos provenientes do intenso intemperismo de rochas, desenvolvidos sob condições favoráveis a uma maior mobilidade dos elementos alcalinos, alcalinos terrosos e sílica e imobilização de ferro e de alumínio”. Para Melfi (1997), a laterização é favorecida devido às condições de alta temperatura e umidade, típicas de regiões tropicais entre os paralelos 30º N e 30º S de latitude. Nas formações lateríticas, mineralogicamente predominam os óxidos e hidróxidos de ferro e de alumínio (geothita, hematita, gibsita e materiais amorfos) e argilo-minerais do grupo da caulinita, além do quartzo, que representa o mineral residual do intemperismo. Para o autor, as lateritas, apesar de formadas a partir de um processo único, englobam vários tipos de produtos, pois a intensidade do processo pode variar conforme a localização, tipos de material de origem, tempo de duração, etc. Devido ao exposto, as lateritas apresentam propriedades físicas, químicas, físico-químicas e mineralógicas totalmente distintas. Melfi (1997) apresenta, como um dos fatores de grande importância ao processo de intemperismo, a evolução da matéria orgânica, que em regiões frias e temperadas acontece de maneira lenta e resulta na 25 formação de compostos orgânicos. Já nas regiões tropicais, devido às altas temperaturas, ocorre uma degradação muito rápida da matéria orgânica, tornando-a totalmente mineralizada, dando origem à água e gás carbônico (CO2). A presença do CO2 confere às soluções das regiões tropicais características relativamente ácidas (pH entre 5,5 e 6,0). Nessas condições, o alumínio e o ferro são praticamente insolúveis e se acumulam na forma de óxidos ou hidróxidos, enquanto que os elementos alcalinos e alcalinos terrosos são totalmente lixiviados, assim como a sílica. Esta também é mobilizada, porém com velocidade menor que os alcalinos, possibilitando em algumas situações a recombinação entre a sílica e o alumínio, formando os argilominerais. O Brasil possui características tropicais (altas temperaturas e elevada pluviosidade), fatores propícios à ocorrência do processo de laterização; por isso, apresenta mais de 60% de sua superfície recobertos por formações lateríticas, como mostra a Figura 3.1, extraída de Melfi (1997). Porém, essa cobertura não é homogênea, visto que é composta por diferentes tipos de materiais lateríticos, sendo mais comum a presença de materiais argilo-ferruginosos friáveis, que por processos pedogenéticos foram transformados em solo muito fino, pulverulento, com microagregações características (latossolos). 26 Figura 3.1 – Distribuição das coberturas lateríticas no Brasil – Melfi, 1997. Como pode ser observado na Figura 3.1, praticamente todas as regiões do Brasil são cobertas por formações lateríticas, sendo que cada região possui um conjunto de materiais predominantes, marcados, principalmente, pela natureza dos óxidos metálicos: no norte do país, a cobertura laterítica é constituída, essencialmente, por goethita e gibsita, sendo a hematita subordinada ou mesmo ausente; na região nordeste, a goethita ainda é predominante, porém não são encontradas gibsita e hematita; no Brasil central são encontrados os três oxihidróxidos metálicos, goethita, hematita e gibsita; já no sul, a goethita desaparece e a hematita é o principal constituinte férrico. Melfi (1997) destaca a importância dos estudos, sobretudo microscópicos, sobre as lateritas no Brasil, visto que cada tipo de laterita apresenta propriedades mecânicas peculiares e estudos sobre a composição 27 mineralógica dos materiais podem auxiliar o meio geotécnico a compreender por que solos de índices geotécnicos semelhantes apresentam, em muitos casos, comportamento mecânico totalmente distinto. Décourt (2002) observa que as argilas lateríticas apresentam rigidezes muito acima das argilas não lateríticas, apesar de elas apresentarem mesmo índice de resistência à penetração dos ensaios de SPT. Segundo o autor, devido à maior rigidez dos solos lateríticos, todos os métodos de estimativa de capacidade de carga de fundações subestimam o comportamento de fundações implantadas nesse tipo de solo. Décourt (2002) sugere ainda que seja realizado um número significativo de provas e carga para que se possam introduzir ajustes aos métodos de previsão de capacidade de fundações executadas em solos lateríticos. 3.2 Solos colapsíveis Segundo Cintra (1998) todos os tipos de solos quando submetidos a um carregamento sofrem algum tipo de recalque, sendo que a magnitude desses recalques varia de solo para solo. Esses recalques acontecem em solos não saturados e podem ser previstos no cálculo de fundações. Ainda segundo o autor, alguns tipos de solos, quando umedecidos, sofrem um tipo de colapso de sua estrutura que se caracteriza por recalques repentinos e de grandes proporções. Os solos que sofrem esse fenômeno são denominados de solos colapsíveis. Então, podem ser definidos solos colapsíveis como sendo solos que sofrem bruscas e significativas 28 reduções de volume quando umedecidos, sem que ocorra a variação da tensão à qual estão submetidos. A colapsibilidade está ligada a dois fatores externos ao solo: a carga limite crítica de colapso e umedecimento do solo. Quando ocorre uma combinação dos dois fatores, tem-se uma condição favorável para a ocorrência do colapso. Aliado a esses fatores externos tem-se o tipo de estrutura do solo. Solos colapsíveis caracterizam-se por apresentar, quando em sua umidade natural, estrutura com partículas ligadas por vínculos atribuídas à sucção e a substâncias cimentantes, formando uma estrutura porosa e instável. Segundo Lopes (2001), esta estrutura confere ao solo uma resistência adicional que pode ser quebrada por agentes externos, em geral a água. Na Figura 3.2, apresentada por Lopes (2001), pode-se observar ilustrações de macro-estruturas formadas por partículas ligadas por vínculos. A Figura 3.2(a) apresenta macro-estruturas formadas por microagregados de argila ou de silte ligada por vínculos de pontes de argila. Também pode acontecer dessas estruturas com vínculos por cimentação de óxidos de ferro. A Figura 3.2(b) mostra a formação de estruturas mantidas por capilaridade, que estão ligadas à sucção do solo. Já na figura 3.2(c), têm-se as microagregações mantidas estáveis por cimentação de argilas ou óxidos de ferro. 29 (a) (b) (c) Figura 3.2 – (a) Macro-estrutura formada por pontes de argila; (b) Macroestrutura formada por Capilaridade; (c) Macro-estrutura por cimentações de argila ou óxidos de ferro ou alumínio. (Lopes, 2001). Antigamente, acreditava-se que o colapso ocorria quando se atingia a inundação máxima do solo, ou seja, saturação de 100%, mas estudos mostram que não é necessária a inundação completa do solo para que ocorra o fenômeno do colapso. Em geral, quando a saturação atinge cerca de 70 a 80%, tem-se uma variação de sucção significativa que pode causar colapso. Segundo Padilha (2004), a sucção normalmente é dividida em duas componentes: a componente matricial e a componente osmótica, sendo a sucção total a soma das duas componentes. A sucção osmótica depende da concentração química da água do solo, enquanto a matricial depende da estrutura e da composição do solo e tende a desaparecer com a inundação do 30 solo. A sucção matricial é definida como a diferença entre a pressão de ar e a pressão de água nos vazios. O aumento da sucção matricial confere uma maior rigidez ao solo, aumenta sua capacidade de carga e diminui os recalques para uma mesma tensão aplicada; por sua vez, com o solo inundado (sucção praticamente nula) o solo apresenta sua menor capacidade de carga e maiores recalques para a mesma tensão aplicada. Guterrez et al. (2003) comentam que os solos colapsíveis apresentam microagregações que são mantidas estáveis pela presença da sucção e agentes cimentantes e, quando submetidas a carregamento em seu estado de umidade natural, resistem à carga através de compressão entre os grãos, sem sofrer movimento relativo entre os mesmos e sem que ocorra grande variação em seu volume. Para esses autores, quando há umedecimento, as forças que mantêm estáveis as microagregações se enfraquecem, e se o solo estiver submetido a carregamento acima do considerado de carga de colapso, ocorre movimento relativo entre as partículas, de modo que essas partículas passam a ocupar os espaços vazios do solo, gerando uma grande e repentina redução de seu volume, causando o colapso da estrutura do solo. Esse fenômeno de resistência dos solos colapsíveis é ilustrado na Figura 3.3. 31 Figura 3.3 – Estrutura de solo colapsível carregado sem inundação (a) e com inundação (b), (Gutierrez et al, 2003). O fenômeno do colapso não deve ser confundido com o adensamento, mesmo porque são completamente distintos: no adensamento ocorre a expulsão de água, enquanto no colapso a expulsão é do ar que preenche os vazios do solo. Além disso, no colapso, a variação do volume ocorre em um curto espaço de tempo, enquanto no adensamento a variação de volume é de forma lenta. Basicamente, duas características diferem os dois fenômenos: o colapso pode se repetir se form atingidas novamente a umidade critica e a carga de colapso, causando recalques repentinos e acentuados, enquanto o adensamento produz recalques uniformes ao longo do tempo. De maneira geral, os solos colapsíveis apresentam algumas características em comum: valores de NSPT normalmente baixos (nº de golpes ≤ 4), baixo grau de saturação (Sr ≤ 60%) e grande porosidade (≥ 40%). Os solos colapsíveis são encontrados em diversos países do mundo, mas predominantemente em paises de clima tropical. No Brasil, processos pedogenéticos aliados a processos intempéricos dão origem a solos com estrutura altamente porosa e de espessas camadas superficiais, como o caso dos latossolos. Esses solos possuem grande representação geográfica no Brasil, sendo encontrados em 32 quase todas as regiões do país. São solos altamente evoluídos, laterizados, ricos em argilo-minerais, óxidos de ferro e alumínio: apresentam estrutura altamente porosa e suas características básicas e condições em que ocorrem no Brasil os colocam como solos susceptíveis ao colapso. No Brasil os primeiros solos colapsíveis foram identificados pela primeira vez em São Paulo por volta de 1940 e, desde então, tem sido objeto de investigação em quase todo país: foram encontrados relatos de sua existência em varias regiões, sendo mais comuns no centro-sul do Brasil, como mostra a Figura 3.4. 1 – Manaus / AM 2 – Parnaíba / PI 3 – Gravatá / PE 4 – Carnaíba / PE 5 – Petrolandia / PE 6 – Santa Maria da Boa Vista / PE 7 – Petrolina / PE 8 – Rodelas / BA 9 – Bom Jejus da Lapa / BA 10 – Manga / MG 11 – Três Maria / MG 12 – Itumbiara / MG 13 – Uberlândia / MG 14 – Brasília / DF 15 – Ilha Solteira e Pereira Barreto / SP 16 – Rio Sarapuí / SP 17 – São Carlos / SP 18 – Rio Mogi – Guaçu / SP 19 – São José dos Campos / SP 20 – São Paulo / SP 21 – Sumaré e Paulínea / SP 22 – Itapetininga / SP 23 – Bauru / SP 24 – Canoa / SP 25 – Carazinho / RS 26 – Londrina e Maringá / PR Figura 3.4 – Ocorrência de solos colapsíveis no Brasil – Ferreira et al. (1989, apud CINTRA, 1998). Para o meio técnico é de grande valia a identificação dos locais onde ocorrem os solos colapsíveis, pois suas características e carga de 33 colapso podem ser levadas em consideração no cálculo e na elaboração de projetos de fundações. Segundo Cintra (1998), a carga de colapso pode ser interpretada como sendo a capacidade de carga do solo, em seu teor de umidade natural, reduzida pela influência da inundação no solo colapsível. Muitas edificações são construídas sobre solos colapsíveis e, quando ocorre o fenômeno da colapsibilidade, as fundações dessas edificações sofrem recalques, acompanhando a ação do solo. Esses recalques das fundações causam significativos danos às estruturas das edificações, aparecendo trincas e rachaduras ou até o desaprumo e a ruína de algumas delas. Fundações de edificações de pequeno porte, geralmente estacas curtas, ficam embutidas por completo em camadas superficiais onde são mais susceptíveis ao colapso. Estacas de pequeno porte, quando sujeitas ao colapso, sofrem uma redução de cerca de 50% da capacidade de carga em seu estado de umidade natural (CINTRA, 1998). Normalmente, não é levado em consideração o fenômeno da colapsibilidade na estimativa da capacidade de carga das fundações de edificações: por isso existem inúmeros registros de recalques bruscos em edificações após rompimento de tubulação de água ou esgoto, períodos prolongados de chuva ou elevação do lençol freático. 34 3.3 Influência da sucção matricial no comportamento de fundações Como exposto anteriormente, a sucção do solo é dividida em duas componentes, a osmótica e a matricial, sendo a sucção total a soma das duas componentes. A componente osmótica depende da concentração química da água do solo, não sendo objeto desse estudo. Já a matricial depende da estrutura e da composição do solo e influencia diretamente no comportamento do mesmo e, conseqüentemente, no comportamento das fundações nele implantadas. O comportamento das fundações, sejam elas diretas ou indiretas, está diretamente ligado ao solo sob o qual essas fundações estão instaladas, sendo de extrema importância o conhecimento das características do solo para se prever o comportamento da fundação a ser nele implantada. Como exposto anteriormente, em solos colapsíveis, a sucção matricial confere ao solo uma maior resistência e essa “resistência aparente” pode ser quebrada com a presença de umidade adicional no solo. Por isso, quanto menor for a umidade do solo colapsível, maior será sua sucção matricial e, conseqüentemente, maior será a capacidade de carga da fundação. Cintra et al. (2005) realizaram 13 ensaios de provas de carga do tipo rápido em placas circulares de 0,80m de diâmetro em três profundidades diferentes: 1,5m, 4,0m e 6,0m. Seis ensaios foram realizados com solo pré-inundado por no mínimo 24 horas. Os outros sete ensaios foram realizados em diferentes épocas do ano e ocorreram para solo não saturado, com leituras de sucção matricial do solo através de tensiômetros. 35 Analisando os resultados das provas de carga, Cintra et al. (2005) observaram que o aumento da sucção matricial confere uma resistência maior ao solo, elevando sua capacidade de carga e diminuindo os recalques para uma mesma tensão aplicada. Observaram ainda que para os ensaios realizados em solo não saturado com níveis de sucção mais elevados, a redução de capacidade de carga devido ao colapso se mostrou maior que os realizados em sucção menor. Os autores notaram que, para a sucção matricial de 16kPa, a redução da capacidade devido ao colapso foi de um terço, enquanto a capacidade de carga duplica quando passa da condição de solo inundado para solo não saturado com tensão de sucção de 26kPa. Já Guimarães et al. (2004), com o objetivo de avaliar a influência da sucção matricial na capacidade de carga de fundações profundas assentes em solo do Distrito Federal, realizaram cinco provas de carga em cinco estacas escavadas mecanicamente de comprimento 8m e 30cm de diâmetro. Esses autores observaram que ocorreram expressivas variações de umidade do solo (conseqüentemente da sucção matricial) apenas nos três primeiros metros de profundidade. Nestes, segundo os autores, a variação da sucção matricial acarretou variações de capacidade de carga das estacas, observando que, quanto maior o nível da sucção matricial, maior foi a capacidade apresentada pela estaca. Para uma variação de 41,7% da umidade do solo (passando de 18% para 25,5%) ocorreu uma variação de 33% na capacidade de carga das estacas (passando de 360 kN para 270 kN). Já para 36 os demais metros, a variação não mostrou significativa influência na capacidade de carga das estacas. Os autores concluíram que a variação da sucção tem significativa influência na capacidade de carga de fundações assentes em solo do Distrito Federal e que a época do ano em que se realizam as provas de carga deve ser levada em consideração na análise do comportamento das mesmas. 3.4 Definição de fundações profundas 3.4.1 Fundação profunda Segundo a norma NBR 6122/96, fundação profunda é o elemento estrutural de fundação (estaca, tubulão ou caixão) que transfere a carga proveniente da estrutura ao terreno através da sua base (resistência de ponta), da superfície lateral (resistência lateral) ou da combinação de ambas. A NBR 6122/96 também define que sua cota de assentamento deve ser superior ao dobro da menor dimensão, em planta, e de no mínimo 3m, exceto com justificativa. Cintra & Aoki (1999) consideram como “elemento isolado de fundação” o sistema composto pelo elemento estrutural de fundação e o maciço de solo que o envolve. Desse modo, o elemento estrutural de fundação representa um elemento do sistema de fundação, divergindo da definição da 37 norma. No presente trabalho convencionou-se mais sensata a utilização da definição desses autores em relação à da norma. 3.4.2 Estacas Conforme apresentado pela norma, é conveniente classificar as fundações profundas em três grupos: estacas, tubulões e caixões. Neste trabalho, constituem-se objeto de estudo as fundações profundas por estacas. A NBR 6122/96 define estaca como sendo “elemento de fundação profunda, executado inteiramente por equipamentos ou ferramentas, sem que, em qualquer fase da sua execução, haja descida de operário”. As estacas podem ser classificadas por diversas maneiras; o meio geotécnico costuma classificar as estacas pelo material, método executivo, processo de transferência de carga e inclinação. Para este trabalho, é de extrema relevância o método executivo das estacas, visto que uma simples mudança no processo executivo provoca significativas diferenças no comportamento mecânico da fundação. 3.4.3 Estacas Strauss Segundo a NBR 6122/96, estacas Strauss são um “tipo de fundação profunda executada por perfuração através de balde sonda (piteira), com uso parcial ou total de revestimento recuperável e posterior concretagem”. Consiste em uma estaca escavada que possui em sua execução a formação de bulbo de concreto na ponta da estaca e de pequenos 38 bulbos laterais ao longo do fuste, o que concedem à estaca melhores resultados de resistência de ponta e lateral. Devido a esse método executivo apresenta-se como uma boa alternativa de fundação para edificações de pequeno e médio porte. 3.4.4 Estacas apiloadas A NBR 6122/96 define estaca apiloada por “tipo de fundação profunda executada por perfuração com emprego de soquete”. A Norma ainda apresenta ressalva explicativa de que as estacas apiloadas configuram um tipo especial de estacas que não são cravadas e nem totalmente escavadas. Seu método executivo apresenta a abertura do fuste por apiloamento do solo através da queda de um soquete de massa entre 300 e 600 kg, suspenso por cabo de aço. A queda do pilão induz o solo a deslocamentos laterais e verticais para baixo, formando ao redor do fuste um anel de solo compactado, que garante a estabilidade do furo (FERREIRA et al., 1998). Ainda segundo Ferreira et al. (1998), estacas apiloadas, também conhecidas como estacas pilão ou soquetão, podem ser consideradas estacas de deslocamento, pois seu processo executivo, como exposto acima, não provoca a retirada do solo, por não ser escavado, mas sim, causa um deslocamento do mesmo. Apesar de as estacas apiloadas serem um tipo especial de fundação, estando entre estacas escavadas e estacas cravadas, por seu comportamento mecânico parece mais adequado classificá-las como estacas 39 de deslocamento, visto que apresentam resistência de ponta, o que é praticamente inexistente nas estacas escavadas. 3.5 Capacidade de carga Capacidade de carga de uma fundação é a carga que provoca a ruptura do sistema (elemento estrutural e solo) e cujo valor é limitado pela resistência do elemento estrutural (AOKI & CINTRA, 1999). Dois são os tipos de ruptura que determinam a capacidade de carga de fundações: a ruptura física e a ruptura convencional. A ruptura física está ligada à ruína de uma fundação de maneira que os danos são irrecuperáveis. Para a engenharia geotécnica, a ruptura física do solo (Pu) corresponde a uma carga (P) que, ao sofrer pequeno incremento, provoca recalques (r) excessivos no elemento de fundação. Como na maioria das fundações a ruptura física não acontece, passa a ser de extrema relevância a definição de ruptura convencional. A ruptura convencional, segundo Décourt (1998), é mais bem definida pela escola inglesa, que considera, para estacas, como sendo a carga que corresponde a um recalque de 10% de seu diâmetro (para estacas de seção circular) ou de 10% do diâmetro equivalente (Deq), para estacas de outra geometria. O diâmetro equivalente (Deq) é dado por: Deq = (4 · A / π)1/2 (3.1) Por fim, a capacidade de carga (carga de ruptura) de uma estaca é definida como sendo o menor valor entre a resistência estrutural do 40 material que compõe o elemento estrutural de fundação e a resistência do solo que lhe dá suporte. Apesar de a capacidade de carga de uma fundação considerar o menor dos dois valores apresentados acima, na grande maioria dos casos, o fator determinante na capacidade de carga de uma fundação é a resistência do solo que lhe dá suporte. Atentando para esse fator, este trabalho vai dar maior ênfase ao ponto de vista geotécnico para determinação da capacidade de carga da estaca. A NBR 6122/96 traz em seu item 7.8 algumas recomendações sobre a resistência dos materiais empregados nos elementos estruturais de fundações. 3.5.1 Capacidade de carga do ponto de vista geotécnico Para a Geotecnia, a capacidade de carga de um elemento isolado de fundação (Pu) se dá através da soma de duas parcelas. Pu = Rl + Rp (3.2) onde: - Rl: resistência lateral ao longo do fuste; - Rp: resistência de ponta. A parcela da resistência de ponta (Rp) é definida como sendo o produto da capacidade de carga do maciço de solo que serve de apoio ao elemento estrutural de fundação (σr) pela área da seção transversal da ponta ou base do elemento (Ap). Rp = σr · Ap (3.3) 41 Já a parcela de resistência lateral (Rl) expressa o produto do atrito/adesão unitário médio do solo ao elemento estrutural de fundação (fs,méd) pela superfície lateral do fuste do elemento (Sl). Rl = fs,méd · Sl (3.4) A NBR 6122/96 apresenta diversos métodos de estimativa de capacidade de carga (Pu) para fundações profundas, os quais se encontram citados a seguir: - Métodos estáticos; - Provas de carga; - Métodos dinâmicos. A própria norma traz os métodos estáticos subdivididos em métodos teóricos (cálculos desenvolvidos através de teorias desenvolvidas dentro da Mecânica dos Solos) e semi-empíricos (cálculos que utilizam correlações com ensaios in situ). Algumas fórmulas teóricas foram desenvolvidas na Mecânica dos Solos para estimativa de capacidade de carga, porém essas são restritas a casos muito específicos de solos. Atentando para essa grande limitação das formulações teóricas, diversos autores têm criticado sua utilização e sugerido a utilização dos métodos semi-empíricos na determinação da capacidade de carga de fundações. Dentre os métodos semi-empíricos para a determinação de capacidade de carga em fundações profundas, os mais empregados no Brasil são: Aoki & Velloso (1975) e Décourt & Quaresma (1978). Para o presente trabalho, utilizou-se o método de Décourt & Quaresma (1978) na estimativa da 42 capacidade de carga das estacas, que se encontra descrito em um item específico posteriormente. Sobre as provas de carga, a NBR 12.131/91 define que consiste na aplicação de esforços estáticos crescentes à estaca e o registro dos deslocamentos sofridos por ela. Segundo essa Norma, o objetivo da prova de carga é o de fornecer elementos que possibilitem avaliar o comportamento da estaca através da curva carga versus recalque e que possam determinar a sua capacidade de carga. Alonso (1991) apresenta as provas de carga estática como as que se destacam como melhor procedimento de estimativa de capacidade de carga para fundações isoladas, especialmente para fundações profundas. Existe também prova de carga dinâmica, facilmente encontrada na literatura geotécnica, que busca obter a curva carga mobilizada versus recalque dinâmico máximo referente a uma série de golpes de martelo com energias crescentes. Além dos métodos estáticos e das provas de carga, os métodos dinâmicos também são utilizados na estimativa de capacidade de carga de fundações profundas; basicamente, esses métodos se assentam na previsão do comportamento do elemento de fundação submetido à ação de carregamento dinâmico. Maiores encontrados na NBR 6122/96. detalhes sobre esses métodos são 43 3.6 Definição de recalque A NBR 6122/96 apresenta três tipos distintos de recalque: o recalque total ou absoluto (r) do elemento isolado de fundação; o recalque diferencial ou relativo (δ) entre dois apoios vizinhos e o recalque diferencial específico ou distorção angular (δ/a), que corresponde ao movimento de rotação que pode sofrer o elemento de fundação. Os recalques diferenciais são os que despendem maior atenção do meio técnico, visto que são mais prejudicais às estruturas. Se em uma obra acontecerem recalques absolutos de grandes proporções e se esses fossem de mesma magnitude em todos os elementos da fundação, provavelmente o risco a estrutura da obra seria menor do que se ocorressem recalques de grandes proporções em apenas um elemento da fundação. Contudo, os recalques absolutos são os que provocam os recalques diferencias e os movimentos das edificações. O recalque absoluto (r) pode ser dividido em duas parcelas: a do recalque de adensamento (rc) e a do recalque imediato (ri), ou seja: r = rc + r i (3.5) O recalque de adensamento, por sua vez, é dividido em duas parcelas: recalque de adensamento primário (rcp) e o recalque de adensamento secundário (rcs). O recalque de adensamento primário (rcp) acontece em solos de baixa permeabilidade e saturados, quando as tensões atuantes são superiores às de pré-adensamento e os recalques são provocados pela redução de volume do solo através da saída da água. O recalque de 44 adensamento secundário (rcs) ocorre após cessar o primário: o solo continua se deformando sob ação da carga efetiva constante. O recalque imediato (ri) apresenta uma deformação tridimensional do elemento solo, ou seja, acontece um rearranjo da estrutura do solo que altera sua forma sem que ocorra mudança de volume. Nas provas de carga, os recalque monitorados são os recalques imediatos sofridos pelo elemento de fundação; por isso, nesse trabalho, o recalque analisado será o recalque imediato, não sendo considerada a parcela do recalque de adensamento no recalque total. 3.7 Carga admissível e fatores de segurança em fundações Segundo a NBR 6122/96, a carga admissível de uma fundação é definida como a força aplicada sobre a fundação a qual provoca apenas recalques que a construção pode suportar sem inconvenientes, oferecendo simultaneamente a segurança satisfatória contra a ruptura e o escoamento do solo ou do elemento estrutural da fundação. Esses recalques, denominados recalques admissíveis, são sofridos pela fundação quando submetida à carga admissível e eles não provocam danos à estabilidade da estrutura. A NBR 6122/96 adota conceitos de fatores de segurança global ou parcial para a determinação da carga admissível. Em se conhecendo as diferentes ações que compõem o carregamento, aplicam-se os fatores de segurança parciais; caso contrário, utiliza-se simplesmente o fator de segurança global. 45 A segurança nas fundações deve ser analisada através dos estados-limite de utilização (vários são os estados limites de utilização definidos pela NBR 8681/03) e através dos estados-limite últimos (perda de capacidade de carga, instabilidade, por exemplos). Em obras correntes de fundação, a análise de segurança restringe-se à verificação do estado limiteúltimo de ruptura ou de deformação excessiva e o estado-limite de utilização caracterizado por deformação excessiva. A verificação do estado limite último consiste na determinação da carga admissível (Padm) a partir de um fator de segurança global (FSG) aplicado ao valor médio da capacidade de carga do solo (Pu). A NBR 6122/96 prescreve valores mínimos para os fatores de segurança global, sendo FS = 2,0 para casos de fundações profundas sem provas de carga; FSG = 1,6 para casos de obras com provas de carga representativas; FSG = 1,5 para casos de cargas admissíveis, definidas em relação aos deslocamentos máximos; ou com fator de segurança indicado por autores de métodos teóricos ou semi-empíricos, respeitando, porém, o valor mínimo de 2,0. 3.8 Estimativa de capacidade de carga de fundações Devido à dificuldade de definição dos parâmetros geotécnicos do solo, o meio técnico apresenta certa insegurança em relação às formulações teóricas de previsão de capacidade de carga; por esse motivo, 46 muitos autores têm sugerido métodos semi-empíricos para estimativa da capacidade de carga em fundações, métodos baseados em correlações empíricas de resultados de ensaios in situ. Neste trabalho, para a estimativa da capacidade de carga das fundações, utilizaram-se dois métodos bastante difundidos no meio geotécnico: o método de Décourt & Quaresma (1978) e o método de Aoki & Veloso (1975). 3.8.1 Método semi-empírico de Décourt & Quaresma (1978) Esse método considera a capacidade de carga da fundação como a soma de duas parcelas, uma da ponta (Rp) e outra da resistência lateral (Rl). Décourt (1996) recomenda a utilização de fatores de correção para as parcelas de resistência de ponta (α) e resistência lateral (β) para o método de Décourt & Quaresma (1978), sendo então a capacidade de carga das estacas definida por: Pu = α ⋅ R p + β ⋅ Rl (3.6) Os valores de α e β estão expressos nas Tabelas 3.1 e 3.2 respectivamente. 47 Tabela 3.1 - Valores do coeficiente α em função do tipo de estaca e do solo (DÉCOURT, 1996). Tipo de estaca Tipo de solo Escavada Escavada Hélice em geral (bentonita) contínua Injetada sob Raiz altas pressões Argilas 0,85 0,85 0,30 0,85 1,00 intermediários 0,60 0,60 0,30 0,60 1,00 Areias 0,50 0,50 0,30 0,50 1,00 Solos Tabela 3.2 - Valores do coeficiente β em função do tipo de estaca e do solo (DÉCOURT, 1996) Tipo de estaca Tipo de solo Escavada Escavada Hélice em geral (bentonita) contínua Injetada sob Raiz altas pressões Argilas 0,80 0,90 1,00 1,50 3,00 0,65 0,75 1,00 1,50 3,00 0,50 0,60 1,00 1,50 3,00 Solos intermediário s Areias A parcela da capacidade de carga resistida pela ponta (Rp) é expressa por: Rp = C · Np · Ap Sendo: Ap = área da ponta da estaca; (3.7) 48 Np = valor médio do índice de resistência à penetração na ponta a partir de três valores: o correspondente ao nível da ponta, o imediatamente anterior e o imediatamente posterior. C = fator característico do solo, apresentado na Tabela 3.3. Tabela 3.3 - Fator característico do solo C (Décourt – Quaresma, 1978) Tipo de solo C (kPa) Argila 120 Silte argiloso 200 Silte arenoso 250 Areia 400 Fonte: Hachich, W. et al., 1996. Já a parcela devido à resistência lateral é dada pela equação 3.8: ⎛ Nl ⎞ Rl = 10 · ⎜ +1⎟ · Sl ⎝ 3 ⎠ (3.8) Sl = 2 · π · R · (L) (3.9) e Sendo: L = comprimento da estaca; R = raio da seção transversal da estaca; 49 Nl = valor médio de índice de resistência à penetração SPT, sendo considerados valores maiores que 3,0 e menores que 15,0, não se admitindo valor de Nl < 3,0. Para o método de Décout & Quaresma (1978), a carga admissível da estaca é determinada através de fatores de segurança globais de 1,3 e 4,0, referentes às parcelas de resistência lateral e resistência de ponta, respectivamente. Vale lembrar que o fator de segurança global mínimo da NBR 6122/96 é de 2,0 sobre a capacidade de carga da estaca (Pu). As expressões 3.10 e 3.11 apresentam as fórmulas de cálculo da carga admissível propostas pelo método, sendo considerada a carga admissível da fundação o menor valor fornecido pelas expressões 3.10 e 3.11: Padm = Rp Rl + 1,30 4,00 (3.10) Ou Padm = Pu / 2 3.8.1 Método semi-empírico de Aoki & Veloso (1975) (3.11) 50 Segundo este método, considera-se que a estaca esteja apoiada na cota “n” do terreno; tem-se a resistência de ponta (Rp) e a resistência lateral (Rl) dadas por: Rp = rp.Ap (3.12) n Rl = U. ∑ (rl .Δl ) (3.13) 1 Onde: rp = capacidade de carga do solo na cota de apoio do elemento estrutural de fundação; Ap = área da seção transversal da ponta; rl = atrito lateral na camada de espessura Δl ; U = perímetro da seção transversal do fuste. Os valore de rp e rl podem ser obtidos através da resistência de ponta (qc) e do atrito lateral unitário (fc), obtidos através de ensaio de Cone Penetration Test (CPT), sendo: rp = qc F1 (3.14) rl = fc F2 (3.15) 51 Os valores de F1 e F2 são propostos pelo método e apresentados na Tabela 3.4. Tabela 3.4 - Coeficiente de transformação F1 e F2 (AOKI & VELLOSO, 1975) Tipo de estaca F1 F2 Franki 2,50 5,00 Metálica 1,75 3,50 Pré – moldada 1,75 3,50 Fonte: Hachich, W. et al., 1996. O método também traz a relação entre F1 e F2, sendo que F2 = 2F1. Para estacas pré-moldadas de pequeno diâmetro, Aoki (1985) fez nova formulação para os valores da tabela acima, sendo que o valor de F1 é dado por: F1 = 1+(D/0,8) (3.16) Onde D = diâmetro da estaca em metros Para estacas escavadas, foram propostos os seguintes valores para F1 e F2, (ALONSO, 1991 e AOKI & ALONSO, 1992): F1 = 3,0 e F2 = 6,0. 52 Esse método também nos permite obter fc em relação à qc: fc = α .q c (3.17) Também é possível corrigir o valor de qc quando se possuem apenas resultados de “N” de ensaio SPT e não se têm resultados de CPT. qc = K.N (3.18) Os valores de α e K estão apresentados na Tabela 3.5. Tabela 3.5 - Coeficientes K e α (AOKI & VELLOSO, 1975) Tipo de solo K (MPa) α (%) Areia 1,00 1,40 Areia siltosa 0,80 2,00 Areia silto – argilosa 0,70 2,40 Areia argilosa 0,60 3,00 Areia argilo – siltosa 0,50 2,80 Silte 0,40 3,00 Silte arenoso 0,55 2,20 Silte areno – argiloso 0,45 2,80 Silte argiloso 0,23 3,40 Silte argilo – arenoso 0,25 3,00 Argila 0,20 6,00 Argila arenosa 0,35 2,40 Argila areno – siltosa 0,30 2,80 Argila siltosa 0,22 4,00 Argila silto – arenosa 0,33 3,00 Fonte: Hachich, W. et al., 1996. As equações então podem ser reescritas como: 53 rp = rl = K .N p F1 α ⋅ K ⋅ Nl F2 (3.19) (3.20) onde: Np = o índice de resistência à penetração na cota de apoio da fundação; Nl = resistência à penetração média na camada de solo de espessura Δl . Sendo Np e Nl obtidos através de furos de sondagem SPT. Assim, temos que a capacidade de carga da fundação(Pu) é expressa por: Pu = K ⋅ NP U n ⋅ AP + ⋅ ∑ (α ⋅ K ⋅ N l ⋅ Δl ) F1 F2 1 (3.21) E a capacidade de carga admissível, segundo o método, é de: Padm = Pu / 2 (3.22) 54 3.9 Critérios de extrapolação das curvas carga versus recalque Segundo a NBR 6122/96, a capacidade de carga de um elemento de fundação profunda, ensaiada em prova de carga, deve ser considerada definida quando ocorrer ruptura nítida (ruptura física). Ainda segundo a Norma, existem casos onde a prova de carga não indica uma carga de ruptura nítida; isso ocorre quando: 1. Não se pretende levar o elemento de fundação profunda a ruptura ou; 2. Este elemento tem capacidade de resistir a cargas maiores do que se pode aplicar na prova (por exemplo, por limitação da reação) ou; 3. A estaca é carregada até apresentar um recalque considerável, mas a curva carga versus recalque não indica uma carga de ruptura e sim um crescimento contínuo do recalque com a carga. A Norma recomenda que, para os dois primeiros, a curva carga versus recalque deve ser extrapolada para se avaliar a carga de ruptura. A extrapolação deve ser feita com o uso de critérios consagrados, sobre uma curva de primeiro carregamento. Para o terceiro caso, a Norma apresenta a possibilidade de se convencionar a carga de ruptura, utilizando para isso um 55 método apresentado pela própria NBR 6122/96 ou através de métodos já consagrados. A seguir, apresentam-se os métodos utilizados na extrapolação das curvas carga versus recalque das provas de carga, para a obtenção da capacidade de carga (Pu) e da resistência lateral (Rl) e de ponta (Rp). 3.9.1 Método de Van der Veen (1953) O método de Van der Veen (1953) é um dos métodos mais utilizados no Brasil para interpolação e extrapolação da curva carga versus recalque. Segundo o autor, a curva é representada pela expressão: P = Pu · ( 1 – e –α · r) (3.23) Onde: P e r são as coordenadas dos diversos pontos da curva carga versus recalque; Pu é a carga de ruptura que se pretende calcular e α é um coeficiente que define a forma da curva. O valor de Pu corresponde à assintótica da equação 3.12, conforme mostra a Figura 3.5. Carga r Recalque P Figura 3.5 – Carga de ruptura segundo Van der Veen (1953) 56 A expressão 3.12 também pode ser definida como: α · r = - ln (1 – P / Pu) (3.24) Portanto, o método de Van der Veen consiste em determinar a carga de ruptura (Pu) que conduz a melhor regressão linear pelos pontos [r ; - ln (1 – P / Pu)]. Aoki (1976), observando que, na maioria dos casos, o trecho inicial da curva poderia ser desprezado na determinação da capacidade de carga, sugeriu uma modificação na expressão 3.23 do método para: P = Pu · ( 1 – e –(α · r+b)) (3.25) Com essa alteração no método, a regressão ficou melhorada, uma vez que a reta, quando plotada em escala semilogarítmica, deixou de passar obrigatoriamente pela origem e passou a interceptar o eixo dos recalques em um ponto b. 3.9.2 Método de Rigidez de Décourt (1998) Segundo Décourt (1998), rigidez (Rig) é definida como a relação entre a carga aplicada (P) a uma fundação e o recalque (r) correspondente: Rig = P / r (3.26) A aplicação desse método se dá com base no Gráfico de Rigidez (GR), plotando as cargas (P) obtidas nas provas de carga no eixo das abscissas e as rigidezes associadas às cargas (Rig), no eixo das ordenadas. É importante observar que para determinação da capacidade de carga pelo Gráfico de Rigidez, a regressão linear deve considerar os pontos com valores 57 de P correspondentes a deformações relativas inferiores a 2% do diâmetro da estaca (D) (DÉCOURT, 1998). Analisando o Gráfico de Rigidez (GR) de diferentes tipos de fundações, o autor dividiu as fundações em dois grupos de comportamento distintos. O primeiro grupo trata de fundações que podem apresentar ruptura física (estacas de deslocamento, por exemplo), o segundo grupo é composto por fundações que não apresentam ruptura física (estacas escavadas, por exemplo). A maioria das fundações apresenta características do segundo grupo, ou seja, não é possível definir nitidamente uma ruptura física; pode-se verificar apenas no GR desse grupo de estacas dois trechos distintos: um, onde ocorre significativa redução de rigidez com o aumento de carga e outro, onde ocorre uma redução da rigidez pouco significativa com o aumento de carga; para esses casos, o Gráfico de Rigidez é utilizado para a determinação da parcela de resistência lateral (Rl). Por outro lado, as fundações que possuem ruptura física (estacas de deslocamento, por exemplo) apresentam o Gráfico de Rigidez semelhante a uma reta, o que permite estimar de maneira mais adequada as cargas de ruptura (Pu). Nas Figuras 3.6 e 3.7 são apresentados os Gráficos de Rigidez dos dois grupos distintos. Rigidez (kN / mm) Rigidez (kN / mm) 58 Rl Carga (kN) Carga (kN) Pu Pu Figura 3.6 Gráfico Rigidez Figura 3.7 Gráfico Rigidez Fundações que não apresentam ruptura Fundações que apresentam ruptura física física - Campos, 2005 - Campos, 2005 3.9.3 Método de Brierley Modificado (MBM) Décourt (1998) afirma que a determinação da resistência lateral (Rl) de maneira precisa exige instrumentação da estaca que por razões econômicas normalmente não é realizada e, mesmo quando implementada, freqüentemente surge erro na interpretação dos dados, devido à dificuldade de separar a parcela de resistência lateral (Rl) da parcela de resistência de ponta (Rp). Em face a esse problema, Décourt (2002) sugere a utilização do Método de Brierley Modificado (MBM). O MBM consiste na determinação da parcela de resistência lateral da estaca (Rl) a partir da curva carga versus recalque obtida da prova de carga, aplicando-se uma regressão linear dos valores de recalque compreendidos no intervalo definido entre 2 % e 4 % do diâmetro da estaca. A Figura 3.8 ilustra a aplicação do Método de Brierley Modificado (MBM). 59 Rl Carga (kN) 2% D Recalque (mm) 4% D Figura 3.8 – Método do MBM para estimativa da resistência lateral (Rl) – Campos, 2005. Décourt (2002) afirma ainda que o MBM subestima o valor de Rl; por esse motivo apresenta uma majoração do método em 10 %, ou seja, o valor a ser considerado seria de 1,1 (Rl). Finalmente, para as fundações que apresentam ruptura física (Figura 3.7), o valor da parcela da resistência de ponta (Rp) da estaca fica definido como sendo o valor da capacidade de carga (Pu), encontrado pelo Gráfico de Rigidez, diminuído da parcela da resistência lateral da estaca (Rl) do método MBM. Já para o caso da Figura 3.6, deve-se extrair a média das parcelas de resistência lateral (Rl) obtida pelos métodos MBM e Gráfico de Rigidez, sendo esse valor considerado como a capacidade de carga da fundação. 60 3.10 Estacas apiloadas em solos colapsíveis 3.10.1 Estacas apiloadas em solo colapsível da cidade de Pederneiras/SP Ferreira et al. (2004) avaliaram o comportamento de duas estacas apiloadas (C1 e C2) de diâmetro D = 32cm e comprimento L = 8,10m, ensaiadas à compressão para solo não saturado e para o solo previamente inundado. As estacas foram executadas no campo experimental de Pederneiras/SP, cujo subsolo característico é constituído de duas camadas distintas de solo, separadas por uma fina camada de fragmentos de quartzo, sendo a primeira camada formada por sedimentos inconsolidados e a segunda composta por solo residual. A análise de perfis de sondagem retrata a grande variabilidade do solo, com predominância de sedimentos arenosos, classificado como areia fina argilosa fofa. Cada estaca foi submetida a três provas de carga estáticas, sendo as duas primeiras com solo não saturado e a terceira com solo umedecido. A estaca C1 passou por um primeiro ensaio à compressão do tipo lento e os demais do tipo rápido, enquanto a estaca C2 foi submetida a três ensaios rápidos. Os autores verificaram que a velocidade do ensaio teve pouca influência na capacidade de carga das estacas. A capacidade de carga para D /10 e 25mm encontrada pelos autores foi de 755kN e 710kN, respectivamente. Quanto ao ensaio das estacas com solo inundado, os autores constataram que a redução da capacidade de carga foi de 10 % para a estaca 61 C1 e de 5 % para a estaca C2, em relação aos resultados obtidos para o solo não saturado. 3.10.2 Estacas apiloadas em solo calapsível de Ilha Solteira/SP O trabalho de Morais e Segantini (2002) apresenta os resultados de seis provas de carga estáticas, à compressão, com carregamento rápido, realizadas em três estacas apiloadas, com comprimento L = 4,5m e diâmetro D = 20cm, executadas em solo colapsível de Ilha Solteira/SP. Cada estaca foi ensaiada duas vezes, primeiramente com solo não saturado e depois reensaiada em solo umedecido. Na cota de assentamento das estacas colocou-se um elemento de EPS com espessura de 50mm e diâmetro equivalente ao das estacas, para evitar assim a contribuição da resistência de ponta no início do ensaio. As provas de carga, para a condição de solo não saturado, foram realizadas até recalques de 100mm, enquanto os reensaios com solo umedecido foram levados até a ruptura. Os autores afirmam que as três curvas carga versus recalque obtidas através dos ensaios com solo em sua condição não saturado, apresentaram ponto de inflexão depois de transcorridos 50mm de recalque, ou seja, após o esmagamento do EPS. Somente após esse recalque é que a ponta passa a contribuir na capacidade de carga das estacas. Os autores também afirmam que no ponto de inflexão houve grande dificuldade em manter a carga constante (ruptura por atrito lateral). Após o esmagamento do EPS e o 62 começo da contribuição da parcela da ponta, houve ganho de resistência; o ensaio prosseguiu até atingir novamente recalques consideráveis e houve dificuldade em manter a carga (ruptura da resistência de ponta). A Tabela 3.6 apresenta as cargas últimas e os respectivos recalques da provas de carga realizadas pelos autores. Tabela 3.6 – Cargas máximas e recalques – Morais & Segantini (2002) Solo natural Solo umedecido Estacas Carga última Recalque Carga última Recalque (kN) (mm) (kN) (mm) 01 130 127 90 44 02 100 95 90 34 03 125 108 90 43 A carga média de ruptura para o solo não saturado foi de 120kN, enquanto para o solo umedecido foi de 90kN; portando, as estacas apresentaram redução de capacidade de carga devido ao colapso de 25 % em média. 3.10.3 Estacas apiloadas em solo calapsível de Bauru/SP Ferreira et al. (2000) realizaram seis provas de carga (duas a compressão e quatro a tração) em estacas apiloadas implantadas num conjunto habitacional da cidade de Bauru/SP, cujo solo é constituído de areia fina argilosa, residual de arenito, composto por estrutura porosa, instável e muito permeável. Ensaios de simples reconhecimento foram executados no local e classificaram o solo como areia fina argilosa, variando de compacidade fofa à compacta de cor marrom avermelhada. 63 O trabalho apresenta provas de carga simultâneas a tração e compressão, porém o objeto de interesse foi o comportamento das estacas submetidas à compressão. As estacas possuíam diâmetro D = 20cm e comprimentos L = 8m (E-06) e L = 9m (E-13). As provas de carga foram do tipo rápido e pretendia-se atingir duas vezes a carga admissível prevista para a fundação ou um deslocamento mínimo de 25mm. Na primeira prova de carga (estaca E-13), atingiu-se um deslocamento próximo aos 25mm, quando o ensaio teve que ser interrompido devido à ocorrência de ruptura da interação estaca-solo em uma das reações, a qual sofreu um arrancamento de mais de 60mm. A carga máxima atingida nesse ensaio foi de 285kN. A segunda estaca ensaiada (E-06) teve uma carga máxima 260kN, quando o ensaio teve que ser interrompido também por motivo da ruptura de uma das reações. Analisando os resultados das provas de carga das estacas submetidas à compressão, os autores não conseguiram observar uma ruptura nítida; devido a esse fato, não aplicaram os métodos matemáticos de interpretação de Van der Veen e Mazurkiewicz. Então adotaram para estimativa da carga de ruptura o método proposto pela NBR 6122/96, cuja carga de ruptura convencional corresponde a deslocamentos iguais a 10% do diâmetro da estaca. A Tabela 3.7 apresenta os resultados de carga de ruptura encontrados pelos autores e as estimativas feitas pelos mesmos, utilizando-se dos métodos de Aoki & Velloso (1975) e Décourt & Quaresma (1978). 64 Tabela 3.7 – Cargas de ruptura a partir de interpretações das provas de carga e de estimativas de métodos semi-empíricos – Ferreira et al., 2000. Estacas Pu,A&V Pu,D&Q Pu,NBR Pu,CONV. E-13 214 kN 215 kN 185 kN 255 kN E-06 165 kN 175 kN 232 kN 327 kN Para os autores, a discrepância apresentada nos resultados, onde a estaca de menor comprimento apresentou maior capacidade de carga, pode ser explicada por diversos fatores, tais como: anomalias no solo da ponta da estaca, problemas de execução e/ou variações no diâmetro da estaca. Essa discrepância, segundo os autores, sugere cautela na determinação da capacidade de carga desse tipo de fundação. 3.11 Influência do reensaio no resultado de provas de carga em estacas Segundo Massad (1992), quando uma estaca é submetida ao processo de recarregamento, surge na ponta da estaca uma carga residual que fica “aprisionada” e que muda o comportamento da curva carga versus recalque do segundo carregamento em relação ao primeiro, como ilustra a Figura 3.9. 65 Cargas no topo (MN) 2 0 3 4 4 Recalques no topo (mm) 50 3' 4' 100 150 Carregamento 1 Carregamento 2 Figura 3.9 – Curvas carga versus recalque para recarregamento – Massad, 1992. Segundo o autor, o ponto representado pelo nº. 4 no primeiro carregamento corresponde à completa mobilização da resistência lateral ao longo do fuste e a partir desse ponto a ponta da estaca começa a ser solicitada. Para o segundo carregamento, o ponto 4’ apresenta o mesmo significado do ponto 4 do primeiro carregamento, porém esse ponto encontrase deslocado para a direita em relação ao ponto 4. Para Massad (1992), o fato de o ponto 4’ estar deslocado para direita em relação ao ponto 4 não significa que houve aumento do atrito lateral, mas sim que uma parte da reação de ponta já atua logo que se inicia o segundo carregamento. Devido ao primeiro carregamento, parte da carga resistida pela ponta da estaca fica “aprisionada” e passa a atuar no segundo carregamento assim que ele é aplicado. 66 Já Mascarenhas et al. (2002), através de provas de carga cíclicas em duas estacas escavadas de diâmetro 30cm e comprimento 8,0m e 7,5m em solo colapsível de Brasília/DF, observaram que a resistência do solo aumentava com o recarregamento das estacas e que esse aumento era mais evidente nos primeiros ciclos de carregamento. Esses autores também analisaram ensaios de cisalhamento direto cíclicos realizados por Guimarães (2002) e observaram que houve ganho de resistência do solo com o aumento do número de ciclos. Também observaram que esse ganho de resistência só ocorreu para rupturas plásticas e que o comportamento do solo em laboratório foi semelhante ao de campo, ocorrendo maior ganho nos primeiros ciclos. Para Mascarenhas et al. (2002), o ganho de resistência se deve ao aumento do contato entre partículas do solo, devido à quebra e rearranjo da estrutura do mesmo. Após o colapso total da estrutura, não há mais aumento de resistência, pois todos os contatos já foram estabelecidos. Os autores concluíram que o ganho de resistência devido ao colapso se daria por aumento do número de contatos no plano de ruptura até um determinado limite. 67 4. CAMPO EXPERIMENTAL DE ENGENHARIA GEOTÉCNICA (CEEG) DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA (UEL) 4.1 Perfil geológico–geotécnico do solo de Londrina/PR A cidade Londrina situa-se no norte do estado do Paraná, na região sul do país, e se apresenta como importante pólo de desenvolvimento da região. É considerada uma cidade relativamente nova, com cerca de 70 anos, e que possui aproximadamente 490 mil habitantes. Suas principais fontes de renda sempre estiveram ligadas à agropecuária. Nas décadas de 70 e 80, sua economia era movimentada pelo café; hoje sua economia é baseada principalmente no plantio de soja. Londrina localiza-se a cerca de 220km a leste do rio Paraná, construída sobre um substrato rochoso proveniente do terceiro planalto paranaense, caracterizado, principalmente, pela ocorrência de rochas geradas pelos derrames de lavas vulcânicas predominantemente toleíticas, porém também são encontradas lavas de composição dacítica a riolítica (NAKASHIMA, 2003). Dentro do Terceiro Planalto Paranaense, Londrina pertence ao Planalto de Apucarana, que abrange toda a rede de drenagem da margem direita do rio Ivaí, a bacia do rio Pirapó e pequenos afluentes do rio Paranapanema (NAKASHIMA, 2003). Londrina está a 610m de altitude sobre substrato rochoso de basalto originado dos derrames ocorridos a cerca de 132M.a., sem cobertura sedimentar (PINESE & NARDY, 2003). Apresenta terreno suavemente 68 ondulado e clima quente e úmido, no verão, e seco e frio, no inverno, (típicos de regiões tropicais). Das características de clima e relevo decorrem os processos intempéricos atuantes até grandes profundidades, dando origem a espessa camada de solos. Segundo Teixeira et al. (2003), o solo de Londrina apresenta, na sua camada superficial, uma argila siltosa, porosa, vermelho escura, laterizada, colapsível, de estrutura micro-agregada, típica de solos tropicais. Abaixo dessa camada superficial, encontra-se uma camada de argila residual, siltosa, com estrutura reliquiar de basalto vesículo-amigdaloidal, de consistência média a rija, apresentando normalmente o nível d’água a 15m de profundidade. Abaixo dessas duas camadas de solo, encontra-se o substrato rochoso constituído de basalto. Os principais minerais encontrados nas argilas de Londrina/PR são a caulinita e óxidos de ferro (hematita e goethita), frutos do intemperismo da rocha basáltica, responsáveis pela coloração vermelha do solo e pela elevada massa específica dos sólidos. Ainda segundo Teixeira et al. (2003), a camada superficial do solo de Londrina, composta por argila siltosa porosa vermelha escura, residual, com consistência variável de mole à média, apresenta-se com baixo teor de umidade (em geral abaixo de 35%) e elevado grau de porosidade (em torno de 65%), o que lhe confere características de um solo colapsível. Além de essas características indicarem um caráter colapsível do solo, na região de Londrina freqüentemente aparecem casos de edificações que sofreram recalques diferenciais em sua estrutura após o aumento do grau de saturação do solo de 69 suporte, devido, por exemplo, ao rompimento de tubulações de água próximas às edificações. 4.2 Características geológico – geotécnicas do Campo Experimental de Engenharia Geotécnica (CEEG) da UEL O Campo Experimental de Engenharia Geotécnica “Prof. Saburo Morimoto” foi implantado dentro do campus da Universidade Estadual de Londrina (UEL) em 1998. Desde então começaram pesquisas sobre as características e propriedades do solo do CEEG através de ensaios de campo e laboratório, além de pesquisas sobre o comportamento de fundações assentes em solo laterítico e colapsível da região de Londrina. O CEEG ocupa uma área de aproximadamente 2.900m2, está situado ao lado do Centro de Tecnologia e Urbanismo (CTU) no campus da UEL. O substrato do CEEG é considerado representativo da região de Londrina e do Norte do Paraná. Devido a esse fato, resultados de experiências geotécnicas realizadas no CEEG podem ser estendidos para toda a região e podem contribuir largamente para o conhecimento geotécnico da cidade. O substrato do CEEG apresenta-se bem caracterizado onde vários ensaios de campo e de laboratório foram realizados, dentre os quais vale destacar os ensaios de: SPT-T, CPT, DMT, DPL, DPSH e poços de inspeção. Os resultados dessas campanhas de sondagem podem ser observados em Miguel et al. (2002) e Miguel et al. (2005). Neste trabalho, serão apontados alguns resultados de caracterização do solo do CEEG apresentados anteriormente por outros 70 autores que se julgam importantes para o entendimento e análise do comportamento das estacas apiloadas assentes em solo típico da região de Londrina/PR. 4.2.1 Ensaios de campo 4.2.1.1 SPT-T (Standard Penetration Test with Torque Measurements) Foram executados no CEEG 14 (catorze) furos de sondagem SPT-T, segundo os procedimentos recomendados pela NBR 6484/01, sendo que a maior profundidade alcançada nos ensaios foi de 23,45m e que apenas nos furos de sondagem no 9 e no 12 encontrou-se o nível d’água nas cotas 19,9m e 18,9m, respectivamente (TEIXEIRA et al., 2003). A Figura 1 do Anexo apresenta a carta topográfica planialtimétrica do CEEG com a distribuição dos 14 (catorze) furos de sondagem SPT-T em planta. Miguel et al. (2002) indicaram que o subsolo do CEEG, a partir dos resultados de NSPT, resultados de ensaios de laboratório e da classificação do solo quanto à consistência sugerida pela NBR 6484/01, pode ser dividido em quatro camadas distintas: - Camada 1: constitui-se a superficial do solo com profundidades variando entre 0 e 12m, sendo composta por uma argila siltosa, madura, porosa, vermelho escura, de consistência mole à média e de origem laterítica; - Camada 2: com profundidades entre 12 e 16m, consiste em uma camada de argila siltosa, vermelha de consistência rija; 71 - Camada 3: constituída por uma camada de argila siltoarenosa, residual, de consistência rija a dura que compreende profundidades de 16 a 21m; - Camada 4: com profundidades acima de 21m; é constituída por uma argila areno-siltosa, residual, de consistência dura. Outra importante conclusão apresentada pelos autores é que, para a camada superficial do solo (camada 1), o índice de Tmáx/NSPT é igual a 1,0, o que, segundo Décourt (1992), classificaria o solo como estável quanto à colapsibilidade. Porém, Lopes et al. (2000), através de ensaios endométricos em amostras indeformadas coletadas no CEEG, encontraram características de colapsibilidade para a argila dessa camada. Décourt (2002), analisando resultados de provas de carga estáticas em estacas, comprovou o comportamento laterítico dessa camada superficial do solo de Londrina. 4.2.1.2 Provas de carga em fundações de pequeno porte 4.2.1.2.1 Estacas escavadas com trado manual (Brocas) Miguel & Belincanta (2004) avaliaram o comportamento de dezoito estacas escavadas com trado manual (brocas), de diâmetros 20cm e 25cm e comprimentos de 3m e 6m, preenchidas por concreto auto-adensável. As estacas foram estudadas através de provas de carga estática à compressão do tipo mista, ou seja, os estágios de carregamento foram do tipo lento até a carga admissível e do tipo rápido até o final da leitura 72 dos extensômetros (deslocamento do topo da estaca de 50mm). As provas de carga foram desenvolvidas no Campo Experimental de Engenharia Geotécnica (CEEG) da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Doze estacas, sendo seis delas de diâmetro 20cm, das quais três de comprimento 3m e três de comprimento 6m, e outras seis estacas de diâmetro 25cm, das quais a metade possuía comprimento 3m e a outra metade de comprimento 6m, foram submetidas a dois ensaios: primeiramente, foram ensaiadas na condição de solo não saturado (pré-ensaio sem inundação), depois as estacas foram reensaiadas na condição de solo umedecido por préinundação superficial de 48 horas (reensaio com inundação). Essa seqüência de ensaios das estacas foi designada pelos autores como procedimento usual de ensaio (PUE). Outras seis estacas, todas de 3m de comprimento, porém sendo três de diâmetro 20cm e três de diâmetro de 25cm, foram ensaiadas na ordem inversa das demais, ou seja, primeiramente na condição de solo umedecido (pré-ensaio com inundação) e, posteriormente, em solo não saturado (reensaio sem inundação), sendo essa ordem denominada como inversa ao procedimento usual de ensaio (PUE). Com o resultado das provas de carga, os autores construíram curvas carga versus recalque. Para a condição de solo não saturado, a capacidade de carga das estacas foi determinada através da extrapolação dessas curvas pelo método de Van der Veen (1953); já para a condição de solo umedecido, algumas estacas apresentaram curvas com descontinuidade, sendo nesse caso, a carga de colapso definida como a que provocava o colapso. Para as estacas que não apresentaram descontinuidade da curva, a 73 carga de colapso foi definida de maneira semelhante à utilizada na determinação da carga de ruptura para o solo não saturado. Para análise da influência da colapsibilidade no comportamento das estacas, os autores determinaram a perda de capacidade de carga das estacas devido ao umedecimento do solo, sendo essa perda definida como a relação entre a carga de colapso na condição de solo umedecido e a capacidade de carga da mesma para a condição de solo não saturado. Os resultados de capacidade de carga, carga de colapso e perda de capacidade apresentada pelos autores encontram-se resumidos na Tabela 4.1. 74 Tabela 4.1 – Capacidade de carga, carga de colapso e redução da capacidade de carga das estacas brocas – Miguel & Belincanta, 2004. Procedimento usual de ensaio (PUE) Redução Pu (kN) Pc (kN) (Pré-ensaio S/I) (Reensaio C/I) Estaca Broca capacidade de carga (%) L=3 m ; D= 20 cm 38,8 21,1 45,6 % L=3 m ; D= 25 cm 49,1 25,2 48,8 % L=6 m ; D= 20 cm 108,9 20,0 81,6 % L=6 m ; D= 25 cm 118,0 76,0 35,6 % Inverso ao procedimento usual de ensaio Redução Pu (kN) Pc (kN) (Reensaio S/I) (Pré-ensaio C/I) Estaca Broca capacidade de carga (%) L=3 m ; D= 20 cm 26,5 13,9 64,2 % L=3 m ; D= 25 cm 42,9 19,7 60,0 % Miguel e Belincanta (2004) chegaram a resultados expressivos de redução de capacidade de carga para estacas escavadas com trado manual, executadas no solo de Londrina, sendo que esses valores variaram entre 35,6 % e 81,6 %. Os autores também observaram que os reensaios com inundação apresentaram capacidade de carga maior que os pré-ensaios com inundação, enquanto para os reensaios sem inundação a capacidade de carga foi menor que os pré-ensaios sem inundação. 75 4.2.1.2.2 Estacas apiloadas Campos (2005) apresenta resultados de provas de carga estática a compressão realizadas em 12 estacas apiloadas executadas no Campo Experimental de Engenharia Geotécnica (CEEG) da UEL. As estacas foram divididas em dois grupos devido a processo de concretagem. O primeiro grupo composto por seis estacas, sendo três de 3m e três de 6m de comprimento, a concretagem se deu através do apiloamento do concreto seco em camadas, até o completo preenchimento do fuste da estaca; estas estacas foram denominadas como sendo do tipo ACA. O segundo grupo, também composto por seis estacas, três de 3m e três de 6m de comprimento, teve, em seu processo executivo, a execução de uma ponta através do apiloamento de brita, formando assim um “pé de brita” na ponta da estaca. A concretagem das estacas do segundo grupo se deu através do lançamento de concreto auto-adensável no furo da estaca. As estacas com apiloamento do concreto (ACA) foram divididas em dois grupos, segundo comprimento. As estacas de 3m foram denominadas de ACA3, enquanto as de 6m foram designadas de ACA6. Do mesmo modo, as estacas com lançamento do concreto (ACL) foram divididas em ACL3 para as de 3m de comprimento e ACL6 para as estacas com comprimento de 6m. As provas de carga foram do tipo misto, ou seja, e os incrementos de carga foram do tipo lento até a carga admissível estimada pelo método de Décourt & Quaresma (1978) e do tipo rápido após a carga admissível até o final do ensaio. O descarregamento foi feito em dois estágios, 50% da carga máxima aplicada no ensaio e 0 (zero) kN. 76 A capacidade de carga das estacas foi estimada pelo autor através do método de Décourt & Quaresma (1978), e os resultados encontramse na Tabela 4.2. Tabela 4.2 – Estimativa de capacidade de carga (Pu), resistência lateral (Rl), resistência de ponta (Rp) e carga admissível (Padm) – Campos, 2005. Estacas Pu Rl Rp Padm Apiloadas (kN) (kN) (kN) (kN) 36,43 25,13 11,30 18,21 90,45 62,83 27,62 45,22 Comprimento L=3m Comprimento L=6m Das provas de carga, o autor extraiu as curvas carga versus recalque para os dois grupos de estacas. Estas curvas para as estacas apiloadas com lançamento do concreto no comprimento L = 3m (ACL3(1), ACL3(2) e ACL3(3)) e com comprimento L = 6m (ACL6(1), ACL6(2) e ACL6(3)) para a condição de solo não saturado, são apresentadas nas Figuras 4.1 e 4.2, respectivamente. 77 CARGA X RECALQUE CARGA (kN) 0,00 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 140,00 160,00 10,00 RECALQUE (mm) 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00 ACL3(1)-NSAT ACL3(2)-NSAT ACL3(3)-NSAT Figura 4.1 – Curvas carga versus recalque das estacas apiloadas com lançamento do concreto, de comprimento L = 3m, na condição de solo não saturado – Campos, 2005. CARGA X RECALQUE CARGA (kN) 0,00 0,00 50,00 100,00 150,00 200,00 250,00 300,00 350,00 400,00 10,00 RECALQUE (mm) 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00 ACL6(1)-NSAT ACL6(2)-NSAT ACL6(3)-NSAT Figura 4.2 – Curvas carga versus recalque das estacas apiloadas com lançamento do concreto, de comprimento L = 6m, na condição de solo não saturado – Campos, 2005. O autor observou nas Figuras 4.1 e 4.2 que as estacas de menor comprimento (L = 3m) apresentaram curvas com comportamento 78 semelhante, enquanto as estacas mais longas (L = 6m) tiveram comportamentos mais distintos. Observou também que as estacas de 6m de comprimento não atingiram os níveis de recalque próximos a 50mm. Isso ocorreu devido à capacidade de carga dessas estacas, que se mostrou muito superior às estimadas. Com isso, convencionou-se parar o ensaio, devido à limitação do sistema de reação. As Figuras 4.3 e 4.4 apresentam as curvas carga versus recalque obtidas por Campos (2005) para estacas apiloadas com apiloamento do concreto, de comprimento L = 3m (ACA3(1), ACA3(2) e ACA3(3)) e de comprimento L = 6m (ACA6(1), ACA6(2) e ACA6(3)), respectivamente. CARGA X RECALQUE CARGA (kN) 0,00 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 140,00 160,00 180,00 10,00 RECALQUE (mm) 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00 ACA3(1)-NSAT ACA3(2)-NSAT ACA3(3)-NSAT Figura 4.3 – Curvas carga versus recalque das estacas apiloadas com apiloamento do concreto, de comprimento L = 3m, na condição de solo não saturado – Campos, 2005. 79 CARGA X RECALQUE CARGA (kN) 0,00 0,00 50,00 100,00 150,00 200,00 250,00 300,00 10,00 RECALQUE (mm) 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00 ACA6(1)-NSAT ACA6(2)-NSAT ACA6(3)-NSAT Figura 4.4 – Curvas carga versus recalque das estacas apiloadas com apiloamento do concreto, de comprimento L = 6m, na condição de solo não saturado – Campos, 2005. Observando a Figura 4.3, Campos (2005) notou que as curvas apresentam praticamente o mesmo formato, porém diferem na definição do ponto de ruptura dessas estacas. Já na Figura 4.4, observou uma boa semelhança entre as estacas ACA6(1) e ACA6(2), enquanto a ACA6(3) apresentou certa discrepância em relação às primeiras. Para o autor, essa diferença deve-se, possivelmente, a falhas construtivas na execução da estaca e não diagnosticadas a tempo. O autor interpretou essa diferença como sendo fruto da contaminação do concreto com solo durante o processo de apiloamento do concreto, o que resultou em estrangulamento do fuste; ou talvez não houve uma perfeita homogeneização e consolidação dos agregados do concreto, devido ao baixo fator água/cimento do mesmo. Com base nas curvas carga versus recalque obtidas através das provas de carga, o autor utilizou dois métodos de extrapolação para obter a 80 capacidade de carga das estacas apiloadas, sendo eles o critério de Van der Veen e o método de rigidez de Décourt (1998 e 2002). Considerou também a sugestão proposta por Décourt (2002) que define como carga de ruptura da estaca o valor de 90% do encontrado no método de rigidez. Os resultados encontrados pelo autor para as estacas apiloadas com lançamento do concreto e com apiloamento do concreto encontram-se nas Tabelas 4.3 e 4.4, respectivamente. Tabela 4.3 – Capacidade de carga (Pu) das estacas apiloadas com lançamento do concreto de comprimento 3m (ACL3) e comprimento 6m (ACL6) – Campos, 2005. Capacidade de carga das estacas Estacas Van der Veen 90% Rigidez (kN) Média (kN) (kN) ACL3 (1) 137 133 135 ACL3 (2) 104 99 102 ACL3 (3) 96 88 92 Média 112 107 110 ACL6 (1) 372 395 383 ACL6 (2) 307 348 327 ACL6 (3) 278 300 289 Média 319 348 333 81 Tabela 4.4 – Capacidade de carga (Pu) das estacas apiloadas com apiloamento do concreto de comprimento 3m (ACA3) e comprimento 6m (ACA6) – Campos, 2005. Capacidade de carga das estacas Estacas Van der Veen 90% Rigidez (kN) Média (kN) (kN) ACA3 (1) 110 99 105 ACA3 (2) 168 158 163 ACA3 (3) 150 135 142 Média 143 131 137 ACA6 (1) 207 190 198 ACA6 (2) 250 238 244 ACA6 (3) 117 105 111 Média 191 178 184 Para determinação da parcela da resistência, Campos (2005) utilizou o método do MBM, considerando a recomendação de Décourt (2002) que estipula o valor da resistência lateral da estaca como sendo 110% da encontrada na regressão do MBM. Já a parcela de resistência de ponta foi calculada através da diferença entre a capacidade de carga e a resistência lateral da estaca. As Tabelas 4.5 e 4.6 apresentam os resultados de resistência lateral e de ponta, obtidos pelo autor para as estacas com lançamento do concreto e com apiloamento do concreto, respectivamente. 82 Tabela 4.5 – Resistência lateral (Rl) e de ponta (Rp) das estacas apiloadas com lançamento do concreto de comprimento 3m (ACL3) e comprimento 6m (ACL6) – Campos, 2005. Resistência lateral (Rl) e Resistência de ponta (Rp) Estacas Pu,média Rl Rl / Pu,média Rp Rp / Pu,média kN kN % kN % ACL3 (1) 135 66 48,6 70 51,4 ACL3 (2) 102 53 52,1 49 47,9 ACL3 (3) 92 52 56,1 40 43,9 Média 110 57 52,3 53 47,7 ACL6 (1) 383 296 77,3 87 22,7 ACL6 (2) 327 132 40,4 195 59,6 ACL6 (3) 289 89 30,6 201 69,4 Média 333 172 49,4 161 50,6 83 Tabela 4.6 – Resistência lateral (Rl) e de ponta (Rp) das estacas apiloadas com apiloamento do concreto de comprimento 3m (ACA3) e comprimento 6m (ACA6) – Campos, 2005. Resistência lateral (Rl) e Resistência de ponta (Rp) Estacas Pu,média Rl Rl / Pu,média Rp Rp / Pu,média kN kN % kN % ACA3 (1) 105 77 73,5 28 26,5 ACA3 (2) 163 101 62,0 62 38,0 ACA3 (3) 142 132 92,9 10 7,1 Média 137 103 76,1 33 23,9 ACA6 (1) 198 165 83,0 34 17 ACA6 (2) 244 162 66,5 82 33,6 ACA6 (3) 111 111 100,0 - - Média 184 146 83,1 58 25,3 Campos (2005) observou que as estacas apiloadas com lançamento de concreto e execução do “pé de brita” apresentaram uma melhor resistência de ponta, enquanto as com apiloamento do concreto apresentaram um melhor desempenho da parcela de atrito lateral. O autor concluiu que o processo executivo para a formação do “pé de brita” das estacas ACL mostrou-se eficaz, visto que a parcela de resistência de ponta dessas estacas foi maior que as estacas do tipo ACA; em compensação, o apiloamento do concreto ocasionou formação de bulbos laterais nas estacas do tipo ACA, o que lhes conferiu uma maior resistência por atrito lateral. 84 Ainda segundo o autor, o resultado das provas de carga, cujos valores foram bem acima do previsto, confirma a influência laterítica do solo de Londrina/PR no desempenho de fundações assentes nesse solo. 4.2.2 Ensaios de laboratório As sondagens SPT-T possibilitaram a retirada de amostras deformadas de solo de cada metro de todos os furos de sondagem; além dessas, outras amostras indeformadas foram retiradas dos poços de inspeção abertos no CEEG. Essas amostras foram levadas ao laboratório, onde foram realizados diversos ensaios; entre eles pode-se destacar: ensaios de limites de liquidez e de plasticidade, massa específica dos sólidos, ensaios de determinação de índices físicos, granulometria conjunta e ensaios edométricos. Miguel et al. (2002) apresentaram alguns resultados obtidos através de ensaios de campo e laboratório, os quais podem ser observados na Tabela 4.7. 85 Tabela 4.7 – Valores característicos do substrato do CEEG obtidos através de ensaios de campo e laboratório – Miguel et al. (2002) Valores médios Teor de Umidade-W (%) Limite de Liquidez-LL (%) Limite de Plasticidade-LP (%) Índice de Plasticidade-IP (%) Argila (%) Silte (%) Areia fina (%) Massa Específica dos Sólidos (kN/m3) Tmax / NSPT Consistência (NBR 6484/01) Camada 1 0m a 12m 33,0 61,0 Camada 2 12m a 16m 39,0 67,0 Camada 3 16m a 21m 48,0 74,0 Camada 4 21m a 23m 45,0 72,0 45,0 16,0 81,0 12,0 7,0 50,0 17,0 75,0 14,0 11,0 53,0 21,0 69,0 17,0 15,0 52,0 20,0 62,0 18,0 20,0 30,6 30,7 31,0 30,1 1,0 Mole a Média 1,3 Rija 1,5 Rija a Dura 1,4 Dura Dentre os resultados apresentados por Miguel et al. (2002), vale a pena ressaltar os elevados índices de massa específica dos sólidos, fruto da ocorrência em grande quantidade de óxidos de ferro (hematita) no solo do CEEG. Em Teixeira et al. (2003), merece destaque também o ensaio de granulometria conjunta com e sem uso de defloculante. Os resultados obtidos pelos autores indicam a classificação de solo como argiloso para o ensaio com defloculante; já para o ensaio sem defloculante, a classificação segundo a curva granulométrica apresentou o solo como silte. Os resultados obtidos pelos autores confirmam a hipótese de que os solos finos lateríticos e colapsíveis, devido às microagregações de sua estrutura, comportam-se como silte ou até mesmo como areia fina. Lopes (2001) realizou ensaios na camada superficial do CEEG, encontrando os seguintes índices físicos do solo: massa específica do solo de 14kN/m3, porosidade de 67%, teor de umidade de 33%. Através desses índices verifica-se que o perfil de solo estudado apresenta características, apontadas 86 por diversos autores, como as principais condições para a ocorrência do colapso, a saber: baixa massa específica natural, baixo teor de umidade e elevada porosidade. Lopes (2001), através de ensaios edométricos realizados na camada superficial do CEEG, comprovou o comportamento colapsível dessa camada para certos tipos de tensão aplicada. Tendo em vista que, para solos não saturados, um dos fatores que influenciam consideravelmente na resistência do solo é a sucção matricial, alguns autores passaram a estudar a relação entre a sucção e o teor de umidade do solo para a argila colapsível do substrato do CEEG. Uma das formas de avaliar as variações de sucção matricial de um solo é através da curva característica de sucção, que apresenta uma relação gráfica entre a sucção matricial e o teor de umidade, ou grau de saturação do solo (PRESA, 1982, apud MIGUEL, 2005). Padilha (2004) utilizou amostras indeformadas de solo coletadas em poços de inspeção nas profundidades de 4m e 6m e construiu curvas características de sucção para o solo do CEEG a partir de estudo experimental realizado com auxílio do Aparelho de Richards (Câmara de Sucção). Na Figura 4.5, podem-se observar as curvas características de sucção apresentadas pela autora para as profundidades 4m e 6m. 87 500 475 450 425 400 375 Sucção Matricial (kPa) 350 325 300 275 4 metro 250 6 metro 225 200 175 150 125 100 75 50 25 0 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 Teor de umidade gravimétrico (%) Figura 4.5 – Curvas características de sucção do solo do CEEG – Padilha (2004). 88 5. MATERIAIS E MÉTODOS 5.1 Objeto de estudo Neste trabalho, definiu-se como interesse para pesquisa avaliar o comportamento das estacas apiloadas executadas em solo argiloso-siltoso, poroso, de consistência mole à média, laterítico e colapsível, típico da região de Londrina/PR, nas condições de solo não saturado e de solo umedecido por inundação superficial. Devido ao baixo custo das estacas apiloadas e pela facilidade de execução em solos porosos não saturados, sua utilização como elemento de fundação para obras de pequeno e médio porte na região de Londrina/PR tem sido uma prática comum. As empresas de fundações costumam executar a concretagem das estacas apiloadas de duas maneiras distintas: - Execução da ponta com lançamento de 1 (uma) carriola (aproximadamente 50 litros) de brita no furo da estaca e, em seguida, apiloamento da brita com o auxilio do pilão, formando assim um “pé de brita” na ponta da estaca, com posterior concretagem do fuste através do lançamento de concreto plástico que se auto-adensa pela altura de queda e pelo peso próprio. Estas estacas, neste trabalho, são simbolizadas como estacas do tipo ACL. - Execução da ponta da estaca através do apiloamento de concreto seco (baixo teor água/cimento) e concretagem do fuste, através do lançamento do mesmo concreto em camadas, e apiloamento de cada camada, até o preenchimento completo do fuste. As estacas desta variante foram designadas de estacas apiloadas do tipo ACA. 89 Para a avaliação do comportamento das estacas apiloadas, elas foram submetidas a ensaios de provas de carga estáticas na condição de solo não saturado (ensaio). Já para a avaliação do comportamento das estacas apiloadas na condição de solo umedecido, as mesmas foram submetidas novamente a ensaios de provas de carga, porém com solo submetido à prévia inundação superficial durante um período mínimo de 48 horas (reensaio 1). Passados, em média, quatro meses, com o objetivo de avaliar o comportamento das estacas após a realização dos primeiros ensaios e a ocorrência do colapso do solo no segundo ensaio (reensaio 1), realizaram-se novas provas de carga com as mesmas estacas, primeiramente com solo umedecido por inundação superficial (reensaio 2) e, por último, em média uma semana após o reensaio 2, realizaram-se ensaios na condição de solo não saturado (reensaio 3). A divisão dos ensaios, a condição do solo em que foram realizados e o intervalo de tempo entre eles encontram-se na Tabela 5.1. Para facilitar o estudo, as estacas foram divididas em quatro grupos distintos, conforme o processo executivo adotado (ACL e ACA) e o comprimento (L = 3m e L = 6m). Essa classificação é apresentada na Tabela 5.2. 90 Tabela 5.1 – Identificação dos ensaios, condições de solo e intervalo de tempo em que foram realizados. Condição do solo Intervalo de tempo após Designação Ensaio Reensaio Não o ensaio Umedecido Saturado anterior Ensaio X X Reensaio 1 X X 48 horas Reensaio 2 X X Quatro meses Reensaio 3 X X Uma semana Tabela 5.2 – Identificação das estacas apiloadas executadas no CEEG – UEL. Grupo de estacas ACL3 ACL6 ACA3 ACA6 Identificação das estacas ACL3 (1) ACL3 (2) ACL3 (3) ACL6 (1) ACL6 (2) ACL6 (3) ACA3 (1) ACA3 (2) ACA3 (3) ACA6 (1) ACA6 (2) ACA6 (3) Diâmetros (cm) Comprimentos (m) Processo Executivo 20 3,0 Lançamento do concreto 20 6,0 Lançamento do concreto 20 3,0 Apiloamento do concreto 20 6,0 Apiloamento do concreto 5.2 Estimativa da capacidade de carga das estacas apiloadas Para a estimativa da capacidade de carga das estacas antes dos ensaios, utilizou-se os métodos semi-empíricos de Décourt & Quaresma (1978) e Aoki & Veloso (1975), com base nos resultados de NSPT-T do furo de sondagem no 9, que se encontrava mais próximo ao local onde se executaram 91 as estacas. A planilha de sondagem SPT-T no 9 encontra-se apresentada na Figura 2 do anexo A. 5.2.1 Estimativa da capacidade de carga das estacas apiloadas de 3m de comprimento (ACL3 e ACA3) e de 6m de comprimento (ACL6 e ACA6). O método de Décourt & Quaresma (1978), utilizando a sugestão de Décourt (1996), determina a capacidade de carga (Pu) como sendo a soma das parcelas de resistência de ponta (Rp) e do atrito lateral (Rl). Pu = α ⋅ R p + β ⋅ Rl (5.1) O método de Décourt (1996) não dispõe de coeficientes de ajuste de resistência de ponta (α) e de atrito lateral (β) específicos para estacas apiloadas, sendo utilizados então, neste trabalho, os coeficientes indicados para estacas de deslocamento, ou seja, α = β = 1,0. A carga admissível foi determinada para duas situações: a) segundo as recomendações da NBR 6122/96, que considera fator de segurança global na ruptura (FSG) igual a 2,0 e b) segundo a sugestão de Décourt (1982), aplicando-se os fatores de segurança para a parcela de ponta igual a 4,0, e para a resistência lateral, igual a 1,3. O menor valor obtido das duas situações foi considerado como o valor da carga admissível. Os valores calculados para os dois comprimentos, L = 3m e L = 6m, através do método de Décourt & Quaresma (1978), estão apresentados na Tabela 5.3. 92 Para o método de Aoki & Veloso (1975), a capacidade de carga de uma fundação é definida pela expressão 5.2 apresentada abaixo e descrita no item 3 deste trabalho. Pu = K ⋅ NP U n ⋅ AP + ⋅ ∑ (α ⋅ K ⋅ N l ⋅ Δl ) F1 F2 1 (5.2) Os valores de K e α utilizados para a estimativa da capacidade de carga foram K = 220kN/m2 e α = 4%, sugeridos pelos próprios autores do método, para solos classificados como argila siltosa. Os valores de F1 e F2 foram obtidos através de formulações sugeridas pelos autores do método, se admitindo tratar de estacas prémoldadas de concreto de pequeno diâmetro, sendo assim: F1 = 1+(D/0,8) = 1,25 (5.3) F2 = 2 . F1 = 2,50. (5.4) e Os valores calculados para os dois comprimentos, L = 3m e L = 6m, através dos métodos de Décourt & Quaresma (1978) e Aoki & Veloso (1975), estão apresentados na Tabela 5.3. 93 Tabela 5.3 – Valores estimados de capacidade de carga (Pu), resistência lateral (Rl), resistência de ponta (Rp) e Carga admissível (Padm). Valores estimados pelo método de Décourt & Quaresma (1978) Estacas Apiloadas ACA e ACL (L = 3 m) ACA e ACL (L = 6 m) Pu (kN) Rl (kN) Rp (kN) Padm (kN) 36,43 25,13 11,30 18,21 90,45 62,83 27,62 45,22 Valores estimados pelo método de Aoki & Veloso (1975) Estacas Apiloadas ACA e ACL (L = 3 m) ACA e ACL (L = 6 m) Pu (kN) Rl (kN) Rp (kN) Padm (kN) 39,81 17,69 22,12 19,90 111,69 50,87 60,82 55,84 5.2.23 Dimensionamento das estacas Strauss (estacas de reação) Para o sistema de reação das provas de carga, optou-se por estacas do tipo Strauss, com diâmetro D = 32cm e comprimento de 12m, conforme dimensionamento apresentado a seguir. Com base nos resultados das estimativas da capacidade de carga das estacas apiloadas de 3m e 6m e, levando–se em conta, principalmente, o fato de que as estacas estariam embutidas em solo laterítico que, devido a sua alta rigidez, majora as capacidades de carga das fundações, projetou-se um sistema reativo de 300kN, com duas estacas de capacidade de carga à tração de 150kN cada. Para projetar as estacas de reação, utilizou-se o método de Décourt & Quaresma (1978), fixando que a capacidade de carga deveria ser de 150kN e o diâmetro da estaca de 32cm, encontrando assim o valor do comprimento da estaca (L). 94 Segundo a NBR 6122/96, no caso de estacas submetidas ao esforço de tração, a capacidade de carga da estaca é de 70% do valor estimado do atrito lateral. Desprezando a resistência de ponta do método de Décourt & Quaresma (1978), respeitando as sugestões de Décourt (1996), e considerando a recomendação da Norma, tem-se: Pu-tração = 0,70 . β . Rl (5.5) Substituindo 5.2 e 5.3 em 5.6 e assumindo β = 0,80 (estacas escavadas) obtém-se: ⎛N ⎞ Pu-tração = 0,70 . 0,80 . 10 . ⎜ l + 1⎟ . 2πR(L ) ⎝ 3 ⎠ (5.6) Através de um processo de cálculo iterativo, variando o valor de L na expressão 5.7, chegou-se ao comprimento L = 12m para que a capacidade de carga da reação atingisse o valor mínimo fixado de 150kN, ou seja: ⎛6 ⎞ Pu-tração (L = 12 m) = 0.70 . 0,80 . 10 . ⎜ + 1⎟ . 2π . 0,16 . (12) ⎝3 ⎠ Pu-tração (L = 12 m) = 202,67 kN > 150 kN (OK!) (5.7) (5.8) 5.34 Locação das estacas O local escolhido para a realização das provas de carga foi o Campo Experimental de Engenharia Geotécnica “Prof. Saburo Morimoto” 95 (CEEG), localizado no campus da UEL, ao lado do Centro de Tecnologia e Urbanismo (CTU). As estacas foram locadas em forma de triângulo, conforme apresentado na Figura 5.1, o que permite uma otimização do espaço e um melhor aproveitamento das estacas de reação. 1 ACL3 ESTACAS DE REAÇÃO - ESTACAS STRAUSS DIAMETRO D = 32 CM E COMPRIMENTO L = 12 M. 3 ESTACAS APILOADAS COM APILOAMENTO DO CONCRETO DIAMETRO D = 20 CM E COMPRIMENTO L = 3 M. 2 3 1 ACA6 1 3 2 ESTACAS APILOADAS COM APILOAMENTO DO CONCRETO DIAMETRO D = 20 CM E COMPRIMENTO L = 6 M. ACA3 2 ESTACAS APILOADAS COM LANÇAMENTO DO CONCRETO DIAMETRO D = 20 CM E COMPRIMENTO L = 3 M. ESTACAS APILOADAS COM LANÇAMENTO DO CONCRETO DIAMETRO D = 20 CM E COMPRIMENTO L = 6 M. 1 2 ACL6 3 Figura 5.1 – Disposição das estacas apiloadas e Strauss no CEEG 5.45 Execução das estacas 5.45.1 Estacas apiloadas de diâmetro 20cm, comprimento 3,0m e 6,0m com lançamento do concreto (ACL3 e ACL6) a) Materiais e equipamentos utilizados Para a abertura do furo foi utilizado equipamento de escavação de estacas Strauss com pilão (soquete) de 400kg e diâmetro nominal 20cm. O concreto utilizado foi confeccionado in loco, com resistência média à 96 compressão (fcm) de 21,6MPa, e slump 17cm. A armadura de espera foi composta por 3 (três) barras de aço CA-50 e bitola 8,0 mm. b) Método de execução A abertura do furo foi realizada através da queda livre do pilão de 400kg, do equipamento de Strauss, avançando até a profundidade desejada de 3,0m ou 6,0m. Acredita-se que esse método executivo provoca deslocamentos laterais e verticais para baixo no solo, formando um anel de solo compactado ao redor da estaca e melhorando a interação entre o solo e o elemento estrutural (estaca). Em seguida, jogou-se uma carriola (aproximadamente 50 litros) de brita no 1, que sofreu apiloamento com o intuito de formar um “pé de brita” e, conseqüentemente, de obter uma maior resistência de ponta da estaca. Após apiloamento da brita, lançou-se o concreto auto-adensável pela altura de queda e peso próprio. A armadura de espera foi colocada posteriormente à concretagem, sendo composta por três barras de aço Ø 8,0mm e 1,15m de comprimento cada, dispostas em forma triangular. A Figura 5.2 mostra a abertura do furo das estacas apiloadas com utilização do pilão. 97 Figura 5.2 – Abertura do furo das estacas apiloadas (ACL e ACA) com o auxilio do pilão. 5.45.2 Estacas apiloadas de diâmetro 20cm, comprimento 3,0m e 6,0m com apiloamento do concreto (ACA3 e ACA6) a) Materiais e equipamentos utilizados Na abertura do furo utilizou-se equipamento de estacas Strauss com um pilão de 400kg e diâmetro nominal 20cm e outro de 18cm de diâmetro nominal; o concreto utilizado foi feito in loco, de resistência média à compressão (fcm) de 24,6MPa e slump zero. A armadura de espera também foi composta por 3 (três) barras de aço CA-50 e bitola 8,0 mm. 98 b) Método de execução A abertura do furo, assim como nas estacas com lançamento, foi executada através da queda do pilão de 20cm de diâmetro. Após a abertura do furo, iniciou-se a concretagem, que foi executada lançando sempre o volume correspondente a 2 (duas) carriolas de concreto, com posterior apiloamento do mesmo com o pilão de diâmetro 18cm, até o preenchimento total da estaca, desde sua a base até ao longo de seu fuste. Acredita-se que o processo de apiloamento do concreto tem como objetivo melhorar o comportamento mecânico das estacas (maior capacidade de carga e rigidez), através do alargamento da base e da formação de pequenos bulbos laterais ao longo do fuste. A armadura de espera foi a mesma utilizada nas estacas com lançamento do concreto, composta por três barras Ø 8,0mm e 1,15m de comprimento cada, dispostas em triângulo. Na Figura 5.3 abaixo, pode-se observar o método de concretagem do fuste das ACAs. 99 Figura 5.3 – Concretagem das estacas apiloadas AÇAS. 5.45.3 Estacas Strauss de diâmetro 32cm, comprimento 12,0m (estacas de reação) a) Materiais e equipamentos utilizados Para escavação das estacas, utilizou-se o equipamento de execução de estacas Strauss com tubo de revestimento de diâmetro 32cm e comprimento 3,0m, sonda (piteira), e pilão de 400kg. O concreto utilizado foi confeccionado in loco, com resistência média à compressão (fcm) de 23,1MPa e slump 12cm. A armadura da estaca foi composta por barras de aço CA-50 e CA-60 de bitolas 8,0mm e 4,2mm, respectivamente, e por uma barra Dywidag de bitola 32mm. 100 b) Método de Execução O procedimento convencional de execução de estacas Strauss consiste na abertura de um pré-furo com o pilão de 400kg. Através do pré-furo, coloca-se o primeiro tubo metálico (revestimento), que possui a extremidade inferior “dentada” para melhor cortar o terreno. A sonda é introduzida dentro do tubo e, através de golpes e de movimentos para cima e para baixo, com o auxilio de água, escava-se o furo. O material escavado, retido no interior da sonda, é posteriormente retirado pelas janelas longitudinais da sonda. Quando atingida a profundidade equivalente ao segmento do tubo, manobra-se a piteira conjuntamente com o tubo, até que esse seja totalmente introduzido no terreno. O procedimento é repetido até que se alcance a profundidade desejada da estaca, ficando o furo totalmente revestido por tubos metálicos. Após a abertura, executa-se a limpeza do furo, retirando água e solo em forma de lama através da sonda, e, em seguida, inicia-se a concretagem. Lança-se uma camada de concreto no interior do tubo e, com o soquete, apiloa-se o concreto, formando uma espécie de bulbo na base da estaca. Após a concretagem da base, inicia-se a concretagem do fuste lançando-se o concreto e apiloando-o em seguida. Á medida que se concreta o fuste da estaca, vai se retirando o tubo de revestimento. Em Londrina, por apresentar solo coesivo e com nível d’água quase sempre abaixo da cota de apoio das estacas, habitualmente, os executores de estaqueamento introduzem o revestimento apenas nos primeiros metros, sendo o restante do furo aberto com a piteira e sem revestimento. 101 Na execução das estacas de reação do tipo Strauss, foi utilizada a técnica executiva local, revestindo-se apenas os 3 (três) primeiros metros do furo com o tubo metálico de diâmetro 32cm. A partir dessa profundidade, utilizou-se a sonda (piteira) para escavar o furo e avançar até os 12m desejados. A armadura da estaca foi composta por 3 (três) barras de Ø 8,0mm com estribos de Ø 4,2mm em sua extremidade superior. Essas 3 (três) barras foram soldadas a uma barra Dywidag de Ø 32mm e 1,15m de comprimento, para que a extremidade da barra Dywidag ficasse 15cm acima do terreno. Posteriormente à colocação da armadura da estaca, iniciou-se a concretagem. Por se utilizarem estacas armadas não foi possível a concretagem convencional para estacas Strauss, que utiliza concreto com baixo fator água/cimento para que possa ser apiloado; utilizou-se, então,concreto auto-adensável para preenchimento da estaca. A Figura 5.4 apresenta a colocação da armadura e a concretagem das estacas de reação. 102 a) b) Figura 5.4 – Colocação das armaduras (a) e concretagem das estacas de reação (b). 5.45.4 Blocos de coroamento a) Materiais e equipamentos utilizados Para os blocos de coroamento, foram utilizadas barras de aço CA-50 de bitola 6,3mm, concreto de resistência média à compressão (fcm) de 14,6MPa e slump 8,5cm e fôrma de madeira compensada. a) Método de execução Os blocos de coroamento são necessários para transmitir os esforços de compressão aplicados durante a realização das provas de carga ao elemento estrutural de fundação (estaca), além de servirem como apoio das hastes dos extensômetros. 103 Os blocos foram executados sobre as cabeças das estacas apiloadas, sendo executadas fôrmas de madeira compensada nas dimensões de 30 x 30cm, dispostas em forma de caixa. A armadura dos blocos foi feita em barras de aço Φ 6,3mm dobradas e amarradas em forma de “gaiola”, com 4 (quatro) estribos horizontais e 8 (oito) estribos verticais distribuídos nas duas direções. O espaçamento entre os estribos foi de 10cm. As fôrmas foram preenchidas por concreto adensado manualmente, de modo que os blocos ficassem com dimensões de 30 x 30 x 30cm3 com cobrimento da armadura de 1,5cm e embutimento da estaca de 10cm. 5.45.5 Cavas de infiltração Ao redor dos blocos de coroamento foram abertas cavas no solo, de modo que todo o bloco e cerca de 10cm da estaca ficassem livres durante a realização dos ensaios. Essas cavas tinham como objetivo permitir o acúmulo e infiltração de água no solo para a realização dos ensaios com inundação superficial. 5.56 Execução das Provas de Carga Segundo o NBR 12131/91: “A prova de carga consiste basicamente em aplicar esforços estáticos crescentes à estaca e registrar os deslocamentos correspondentes. Os esforços aplicados podem ser axiais de tração ou compressão, ou transversais”. 104 Neste trabalho, foram executadas provas de carga estática por esforço axial de compressão. 5.65.1 Materiais e Equipamentos Utilizados Para a execução das provas de carga foram utilizados os seguintes materiais e equipamentos: Macaco e bomba hidráulica: para aplicar o carregamento foi utilizada uma bomba hidráulica que transferia a carga aplicada manualmente da bomba para o macaco, empurrando o êmbolo contra a célula de carga e aplicando o esforço sobre a estaca; Célula de carga de 200 e de 500kN de capacidade de carga: para transmitir o valor do carregamento aplicado pelo macaco para o indutor de deformações; Indutor de deformações: o indutor de deformações fez a leitura das deformações acorridas da célula de carga, que são correlacionadas com o esforço aplicado, através da calibração da célula. Placa de metal de 300 x 300 x 6,0mm: utilizada para um melhor nivelamento do bloco, permitindo uma transferência uniforme da carga aplicada pelo macaco para a fundação; 105 Extensômetros mecânicos com resolução de 0,01mm: para medir os recalques sofridos pelas estacas. Nas reações foram utilizados dois extensômetros de cursor 10mm cada, um em cada estaca de reação, e na estaca ensaiada foram utilizados quatro extensômetros, sendo dois de cursor 30mm e dois de cursor 50mm; Placas de vidro: para apoio da haste do extensômetro na superfície do bloco da estaca a ser ensaiada, com a finalidade de evitar erros de leitura devido à rugosidade do concreto. Foram utilizadas quatro placas de vidro coladas na face superior dos blocos. Bases magnéticas e vigas de referência: para que os extensômetros ficassem independentes do sistema de aplicação de cargas, eles foram fixados através de barras magnéticas às vigas de referência (vigas em perfil U), que ficavam dispostas próximas ao bloco. Estas, por sua vez, se apoiavam sobre outras vigas de referência, fixadas sobre piquetes de madeira; Viga metálica com capacidade de 500kN: para a transmissão da carga do macaco hidráulico para a fundação, foi necessária uma viga metálica de perfil I que era atirantada nas estacas de reação; Estacas de reação: as estacas de reação impediam que a viga metálica levantasse, sendo o carregamento do macaco hidráulico transmitido para a estaca ensaiada; 106 Barras Dywidag: os tirantes Dywidag possuíam 1,5m de comprimento e prendiam as estacas de reação à viga metálica, através de luvas metálicas; Nível e trena: para a execução do ensaio é fundamental que o sistema esteja bem nivelado e locado na posição correta, pois pequenas excentricidades podem causar torção na viga metálica. Para que isso não ocorresse, foram utilizados trena e nível para nivelar e locar os equipamentos; Caminhão Münck: não era possível transportar manualmente a viga metálica, devido a seu peso elevado, sendo utilizado um caminhão Münck para colocação da viga sobre as fogueiras; Apoio para viga metálica: para o apoio da viga metálica foi montada uma estrutura com vigas e caibros de madeira, alocados transversalmente umas sobre as outras, em forma de “fogueira”; Luvas de aço: fixavam os tirantes à viga metálica e às estacas de reação; 5.65.2 Montagem dos equipamentos a) Montagem das fogueiras e da viga de reação Antes do início dos ensaios, foi necessária a montagem do sistema. Iniciou-se com a limpeza do terreno em volta da estaca, cavando-se 107 cerca de 10cm do solo subjacente à face inferior do bloco, evitando assim que o mesmo interferisse na capacidade de carga da estaca. A seguir, montavamse as “fogueiras” (vigas de madeira colocadas ortogonalmente umas sobre as outras). Na montagem, existia uma preocupação constante com o nível entre as duas fogueiras e também com o nível nas duas direções de uma mesma fogueira, para que a viga de reação não sofresse nenhum desnível, o que poderia causar torção na mesma durante o ensaio. Também havia a preocupação com a altura das “fogueiras”, que deveria garantir que a distância da viga de reação, assentada sobre elas, e o bloco da estaca permitisse a instalação do macaco e da célula de carga. A viga metálica utilizada como viga de reação era de 4 metros e possuía orifícios nas suas extremidades para a instalação das barras Dywidag. Essas barras prenderiam a viga às estacas de reação. Porém, a distância entre eixos das estacas de reação era de 3m, sendo necessária a utilização de um sistema de atirantamento composto por duas vigas de aço posicionadas transversalmente na viga de reação, uma sobre a viga de reação e a outra abaixo desta, presa na estaca de reação. A viga superior possuía dois orifícios, um em cada extremidade, enquanto a viga inferior, além dos dois orifícios da extremidade, possuía um em seu eixo central, que era cortado por uma barra Dywidag fixada à viga por duas luvas, uma em cada extremidade da barra. Após da montagem das “fogueiras”, instalou-se a viga de baixo do sistema de atirantamento, presa à estaca de reação através da luva metálica. 108 Dando seqüência à montagem do sistema, com o auxílio do caminhão Munk, assentava-se a viga de reação sobre as fogueiras, de modo que uma das extremidades da viga coincidia com a estaca de reação, estaca a qual não se instalou a viga inferior do sistema de atirantamento. Tomou-se o cuidado de garantir o perfeito alinhamento entre a viga, as estacas de reação e o bloco de coroamento da estaca a ser ensaiada. Esse alinhamento deve ser muito bem executado para que não haja esforços de torção na viga durante a realização dos ensaios. Em seguida, se transpassou o tirante Dywidag de 1,5m de comprimento pelo orifício da extremidade da viga, fixando-o por luvas metálicas em sua extremidade inferior à barra da estaca de reação e em sua extremidade superior à viga de reação. O passo seguinte foi o assentamento da segunda viga do sistema de atirantamento sobre a viga de reação (transversalmente à mesma e coincidente à viga de atirantamento inferior), sendo esta presa à viga de baixo através de tirantes e luvas de aço. As Figuras 5.5 e 5.6 mostram uma vista geral da montagem das provas de carga e dos sistemas de reação, respectivamente. 109 Figura 5.5 – Vista geral da montagem das provas de carga. a) b) Figura 5.6 – (a) Montagem da reação 1 e (b) montagem da reação 2. 110 b) Instalação do macaco e da célula de carga A instalação do macaco se iniciou colocando, primeiramente, um pouco de areia sobre o bloco de coroamento da estaca a ser ensaiada, assentando-se a placa de aço de 300 x 300 x 6,0mm sobre a areia e nivelandoa em seguida. Sobre a placa de metal instalava-se o macaco, com o êmbolo abaixado, centrando-o com a placa. Em seguida, ajustava-se a célula de carga sobre o macaco e a conectava por meio de cabos ao indutor de deformações, posicionado próximo à bomba hidráulica. Finalmente, nivelava-se a célula de carga e completava-se o espaço entre o sistema e a viga com discos de aço. O detalhe da montagem do macaco e da célula de carga está exposto na Figura 5.7 Figura 5.7 – Detalhe da montagem do macaco e da célula de carga. 111 c) Instalação das vigas de referência e os extensômetros As vigas de referência são de extrema importância para a instalação dos extensômetros em sistema independente ao de aplicação das cargas. Segundo recomendações da NBR 12.131/91, as vigas de referência devem ser apoiadas em piquetes de madeira, fixados a uma distância mínima de 1,5m das estacas de reação. Seguindo as recomendações da norma, foram cravados, com o auxílio de uma marreta, piquetes de madeira no solo. Sobre os piquetes instalaram-se duas vigas metálicas de perfil U e de 4,0m de comprimento, uma de cada lado da viga de reação. Essas vigas se colocavam paralelas à viga de reação e eram devidamente niveladas. Sobre estas, transversalmente, assentavam-se outras quatro vigas de referência de perfil U e de 3m de comprimento, niveladas em seguida. Dessas quatro vigas, duas ficavam próximas ao bloco de coroamento e as outras duas ficavam cada uma próxima à estaca de reação. Sobre os blocos de coroamento colocaram-se quatro placas de vidro de dimensões 5 x 5cm, um em cada vértice, e sobre as estacas de reação colocaram-se anéis de aço, para evitar distorções nas leituras dos extensômetros, devido à rugosidade do concreto. Nas vigas de referência instalaram-se as bases magnéticas e nestas fixaram-se os extensômetros, que, por sua vez, tinham as hastes 112 apoiadas sobre as placas de vidro do bloco ou sobre os anéis de aço das estacas de reação. Os extensômetros que mediam o recalque da estaca ensaiada eram dois de cursor de 30mm e dois de 50mm. Eles foram instalados sobre as placas de vidro no bloco e ficavam com as hastes totalmente comprimidas. Durante o ensaio, com o recalque da estaca, as hastes dos extensômetros registravam as medidas de recalque (de 50mm ou 30mm até 0mm) Para monitorar as estacas de reação, utilizaram-se extensômetros de cursor de 10mm que tinham as hastes praticamente soltas, apoiadas sobre os anéis de aço. Esses extensômetros marcavam leituras de recalque de 0mm a 10mm e tinham a função de monitorar o comportamento das estacas de reação. A Figura 5.8 ilustra um corte esquemático da montagem das provas de carga. Figura 5.8 – Esquema das provas de carga. 113 5.56.3 Execução do ensaio Usualmente, para realização de provas de carga em fundações, considera-se um dos três métodos de ensaio, o ensaio lento, o rápido e o misto. O presente trabalho seguiu as recomendações propostas por Alonso (1997) para ensaios do tipo misto, que compreende uma junção do ensaio lento e do rápido. O ensaio misto consiste na aplicação de carga no sistema, com incrementos de 20% da capacidade de carga estimada para a estaca, até o valor da carga admissível previsto para ela, aguardando a estabilização dos recalques. Após a carga admissível, os incrementos de carga passam a ser de 10% da capacidade de carga estimada e não há verificação da estabilização dos recalques. A prova de carga inicia-se com o ensaio lento até atingir a carga admissível estimada por métodos consagrados de estimativa de capacidade de carga. Após isso, utiliza-se a metodologia de ensaio rápido, até a ruptura da fundação. A seguir, descrevem-se os tipos de ensaios segundo NBR 12.131/91. Estágio lento: nesta fase, os carregamentos foram aplicados em estágios iguais e sucessivos e o incremento de carga não foi superior a 20% da carga admissível estimada. Cada estágio de carregamento foi mantido até a estabilização dos deslocamentos. As leituras dos deslocamentos, em 114 cada estágio do carregamento, foram feitas nos tempos 0; 0,5; 1; 2; 4; 8; 15 e 30 minutos. Caso não houvesse deslocamentos maiores que 5% entre as leituras de 15 e 30 minutos, aplicava-se um novo carregamento com o devido incremento de carga; caso contrário, era necessário que fossem aguardados mais 30 minutos para a próxima leitura. Quando houvesse estabilização dos recalques, iniciava-se o próximo carregamento e assim, sucessivamente, até completar o carregamento referente ao valor de carga admissível. Estágio rápido: após o termino do estágio lento, iniciou-se o estágio rápido, que consistiu na aplicação de incrementos de 10% da capacidade de carga da estaca, com leituras nos tempos 0; 1; 2 e 5 minutos, não sendo necessária a estabilização dos deslocamentos. Aplicava-se, logo em seguida, o próximo carregamento e assim, sucessivamente, até que fossem atingidos a carga de ruptura da estaca ou o limite de leitura dos extensômetros. Descarregamento: foi feito, retirando-se o carregamento do último estágio rápido em duas etapas: 50% da carga final do ensaio rápido, com as leituras logo após o descarregamento e nos tempos 0; 1; 2 e 5 minutos. Em seguida, retirava-se toda a carga e repetiam-se as leituras nos tempos de 0;1;2 e 5 minutos. 115 5.76 Determinação do teor de umidade e estimativa da sucção matricial Após cada ensaio, próximo à estaca ensaiada, executou-se sondagem a trado para se obterem amostras de solo com o objetivo de determinar o teor de umidade que se encontra o solo durante a realização da prova de carga. A sondagem foi feita com trado de 10cm de diâmetro e as amostras coletadas de meio em meio metro até a profundidade de, no mínimo, o comprimento da estaca. As amostras foram levadas ao laboratório, onde se determinou o teor de umidade de cada uma delas. Extraiu-se a média dos teores de umidade das amostras de cada furo de sondagem e atribuiu-se como sendo o teor de umidade do solo durante a realização da prova de carga da estaca ensaiada no dia da coleta das amostras de solo. Através da curva característica de sucção do CEEG, apresentada na Figura 4.5, e dos valores de teor de umidade de campo, foi possível a determinação da sucção matricial do solo para cada ensaio de prova de carga. 5.78 Determinação da redução da capacidade de carga com a diminuição da sucção matricial e da recuperação da capacidade de carga com o aumento da sucção matricial Conhecendo o valor do teor de umidade do solo para cada ensaio, ficou fácil estabelecer uma correlação entre o resultado das provas de carga e a sucção matricial do solo a que a estaca estava submetida no momento do ensaio. 116 Todas as estacas foram ensaiadas, no mínimo, duas vezes, sendo a primeira com solo na condição não saturado (ensaio) e a segunda para o solo umedecido por inundação superficial de 48 horas (reensaio 1). Os resultados de capacidade das provas de carga foram relacionados com o nível da sucção matricial do solo no momento do ensaio, sendo possível a elaboração de gráficos de capacidade de carga versus sucção matricial para cada estaca nas duas condições do solo. A redução da capacidade de carga das estacas foi calculada através da relação entre a carga de colapso (Pc) da estaca para o solo umedecido (reensaio 1) e a capacidade de carga (Pu) para o solo não saturado (ensaio), ou seja: %redução = Pc ⋅ 100 (%) Pu (5.10) Algumas estacas foram reensaiadas outras duas vezes, a primeira na condição de solo umedecido (reensaio 2) e a segunda para solo não saturado (reensaio 3). Para essas estacas o procedimento de cálculo do aumento da capacidade de carga com a elevação da sucção foi semelhante ao utilizado no cálculo das reduções, porém a relação agora foi inversa à utilizada anteriormente, ou seja, o aumento da capacidade de carga se dá através da relação entre a capacidade de carga (Pu) para o solo não saturado (reensaio 3) e a carga de colapso da estaca (Pc) para o solo umedecido (reensaio 2), então: %aumento = Pu ⋅ 100 (%) Pc (5.11) 117 5.98 Determinação das tensões no solo após os ensaios Após a realização das provas de carga de todas as estacas apiloadas, executaram-se poços de inspeção ao lado de algumas delas, com a finalidade de obter informações sobre o solo ao longo da profundidade do fuste e para verificar a integridade do elemento estrutural de fundação. A Figura 5.9 apresenta a locação dos poços em relação às estacas. 1 ACL3 2 PÇ 1 ESTACAS APILOADAS COM APILOAMENTO DO CONCRETO DIAMETRO D = 20 CM E COMPRIMENTO L = 3 M. 3 PÇ 2 1 ESTACAS DE REAÇÃO - ESTACAS STRAUSS DIAMETRO D = 32 CM E COMPRIMENTO L = 12 M. 3 1 3 ACA6 2 ACA3 PÇ 3 2 ESTACAS APILOADAS COM APILOAMENTO DO CONCRETO DIAMETRO D = 20 CM E COMPRIMENTO L = 6 M. ESTACAS APILOADAS COM LANÇAMENTO DO CONCRETO DIAMETRO D = 20 CM E COMPRIMENTO L = 3 M. ESTACAS APILOADAS COM LANÇAMENTO DO CONCRETO DIAMETRO D = 20 CM E COMPRIMENTO L = 6 M. 1 PÇ 4 2 ACL6 3 POÇOS DE INSPEÇÃO DIAMETRO D = 80 CM Figura 5.9 – Locação dos poços de inspeção. Para se obterem dados da tensão do solo, após as provas de carga, realizaram-se ensaios através de um penetrômetro de bolso, cód. 3.537.002 da Solotest, ao longo da profundidade do poço. As leituras foram feitas no solo ao lado da estaca (solo influenciado pela execução da estaca) e ao lado oposto da estaca (solo natural, sem a influência da estaca). Para as estacas de comprimento 3m, as leituras foram feitas nas profundidades 1,0m, 118 2,0m, 3,0m e fundo do poço, enquanto nas estacas de comprimento 6m, as leituras foram nas profundidades 1,5m, 3,0m, 4,5m, 6,0m e fundo do poço. Após a leitura das tensões no solo, com o auxílio de um caminhão Munk, retiraram-se as estacas para que fosse possível obter o diâmetro das mesmas. As estacas extraídas foram: ACA3-3, ACA6-3, ACL3-3 e ACL6-1. Estas estacas foram escolhidas devido ao fato de que, nas provas de carga, apresentaram comportamento distinto das demais do mesmo grupo de estacas. A Figura 5.10 mostra um dos poços de inspeção aberto ao lado das estacas. Figura 5.10 – Abertura de poço de inspeção tangenciando a estaca apiloada ACL6(1). 119 6. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS 6.1 Curvas carga versus recalque As estacas ensaiadas foram divididas em grupos e classificadas de acordo com o processo de concretagem e com a condição de umidade do solo sob a qual se executou o ensaio de campo. A divisão das estacas está sintetizada na Tabela 5.1. Das provas de carga executadas com os diversos grupos de estacas, extraíram-se as curvas carga versus recalque das estacas apiloadas para as duas condições de umidade de campo: a) solo não saturado e b) solo umedecido por inundação superficial. Os resultados dos ensaios foram analisados por métodos consagrados da literatura, com intuito de se determinar indicativos do comportamento das estacas, sendo eles: capacidade de carga (Pu) para a condição de solo não saturado, capacidade de carga de colapso (Pc) para a condição de solo inundado, além da determinação das parcelas de resistências de ponta (Rp) e lateral (Rl) das estacas para as duas condições de solo. As estacas foram primeiramente ensaiadas na condição de solo não saturado, sendo que as curvas carga versus recalque e os resultados das provas de carga foram analisados por Campos (2005), e encontram-se apresentados no item 4.2.1.2.2 deste trabalho. Após as provas de carga realizadas com o solo não saturado, as estacas foram reensaiadas para a condição de solo umedecido. As Figuras 120 6.1 e 6.2 apresentam as curvas carga versus recalques das estacas apiloadas com lançamento do concreto e comprimentos L = 3m (ACL3) e L = 6m (ACL6), respectivamente, para o reensaio na condição de solo umedecido por CARGA (kN) 0,00 0,00 10,00 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00 70,00 80,00 90,00 10,00 RECALQUE (mm) 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00 ACL3(1)Reensaio(1)-CI ACL3(2)Reensaio(1)-CI ACL3(3)Reensaio(1)-CI inundação superficial (Reensaio 1). Figura 6.1 – Curvas carga versus recalque das estacas apiloadas com lançamento do concreto, de comprimento L = 3m, na condição de solo umedecido por inundação superficial. 121 CARGA (kN) 0,00 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 140,00 160,00 180,00 200,00 10,00 RECALQUE (mm) 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00 ACL6(1)Reensaio(1)-CI ACL6(3)Reensaio(1)-CI Figura 6.2 – Curvas carga versus recalque das estacas apiloadas com lançamento do concreto, de comprimento L = 6m, na condição de solo umedecido por inundação superficial. Nota-se na Figura 6.1 que as estacas tiveram comportamentos muito semelhantes, diferindo entre elas pela carga de ruptura. Na Figura 6.2, o comportamento das curvas foi semelhante até a carga de ruptura, donde então passam a apresentar comportamentos distintos. A estaca ACL6(2) não pôde ser reensaiada na condição de solo inundado, por uma das estacas de seu sistema de reações ter apresentado problemas. Por fim, as curvas carga versus recalque das estacas com apiloamento do concreto e comprimento L = 3m (ACA3) e L = 6m (ACA6) para a condição de solo umedecido por inundação superficial encontram-se nas Figuras 6.3 e 6.4, respectivamente. 122 CARGA (kN) 0,00 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 10,00 RECALQUE (mm) 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00 ACA3(1)Reensaio(1)-CI ACA3(2)Reensaio(1)-CI ACA3(3)Reensaio(1)-CI Figura 6.3 – Curvas carga versus recalque das estacas apiloadas com apiloamento do concreto, de comprimento L = 3m, na condição de solo umedecido por inundação superficial. CARGA (kN) 0,00 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 140,00 160,00 180,00 10,00 RECALQUE (mm) 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00 ACA6(1)Reensaio(1)-CI ACA6(2)Reensaio(1)-CI ACA6(3)Reensaio(1)-CI Figura 6.4 – Curvas carga versus recalque das estacas apiloadas com apiloamento do concreto, de comprimento L = 6m, na condição de solo umedecido por inundação superficial. 123 Observa-se na Figura 6.3 e 6.4 que o comportamento das estacas em solo umedecido é semelhante, porém a carga de ruptura das estacas difere consideravelmente. 6.2 Capacidade de carga, carga de colapso, resistência de ponta e resistência lateral Na determinação da capacidade de carga (Pu) das estacas apiloadas, com base nos resultados das provas de carga, adotou-se o método de regressão linear através do gráfico de rigidez de Décourt (2002) e o critério de Van der Veen (1953). Na proposição do primeiro método, Décourt (2002) sugere a minoração do resultado encontrado pelo gráfico de rigidez, considerando 90% desse valor, pois, provavelmente, o método de rigidez superestime o valor da capacidade de carga. Neste trabalho respeitou-se a sugestão do autor. Por fim, a capacidade de carga de cada estaca foi definida pela média aritmética entre os dois valores, ou seja, o valor do critério de Van der Veen e 90% do valor retirado da regressão linear do Gráfico de Rigidez. Já para a condição de solo umedecido, as estacas que tiveram as curvas com descontinuidade, típicas de estacas que apresentam ruptura por colapso, as cargas de colapso (Pc) foram definidas como as que provocam o colapso ou iniciaram a manifestação do mesmo (CINTRA, 1998). Para as estacas que não apresentaram a descontinuidade das curvas, considerou-se apenas a proposição do critério de Van der Veen, pois, em pesquisas 124 anteriores, não foi possível a utilização do gráfico de rigidez para estimativa da carga de colapso para solos inundados. Nas Figuras 6.5 a 6.8, apresentam-se os gráficos de rigidez de algumas estacas apiloadas para a condição de solo não saturado obtidos por Campos (2005). 200,00 180,00 160,00 RIGIDEZ (kN/mm) 140,00 120,00 100,00 80,00 60,00 40,00 Rig = -0,3652 P + 53,425 2 R = 0,9827 20,00 0,00 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 140,00 CARGA (kN) ACL3(1)-NSAT Regressão Linear (Regressão) Figura 6.5 – Gráfico de rigidez da estaca ACL3(1) – Campos, 2005. 160,00 125 200,00 180,00 160,00 RIGIDEZ (kN/mm) 140,00 120,00 100,00 80,00 60,00 40,00 Rig = -0,2221 P + 85,901 2 R = 0,9957 20,00 0,00 50,00 100,00 150,00 200,00 250,00 300,00 350,00 400,00 450,00 500,00 550,00 180,00 200,00 CARGA (kN) ACL6(2)-NSAT Regressão Linear (Regressão) Figura 6.6 – Gráfico de rigidez da estaca ACL6(2) – Campos, 2005. 200,00 180,00 160,00 RIGIDEZ (kN/mm) 140,00 120,00 100,00 80,00 60,00 40,00 Rig = -0,6449 P + 71,882 2 R = 0,9916 20,00 0,00 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 140,00 160,00 CARGA (kN) ACA3(1)NSAT Regressão Linear (Regressão) Figura 6.7 – Gráfico de rigidez da estaca ACA3(1) – Campos, 2005. 126 200,00 180,00 160,00 RIGIDEZ (kN/mm) 140,00 120,00 100,00 80,00 60,00 40,00 Rig = -0,5481 P + 151,08 2 R = 0,899 20,00 0,00 0,00 50,00 100,00 150,00 200,00 250,00 300,00 CARGA (kN) ACA 6(2)-NSAT Regressão Linear (Regressão) Figura 6.8 – Gráfico de rigidez da estaca ACA6(2) – Campos, 2005. Na determinação da resistência ao atrito lateral das estacas, o método utilizado foi o MBM, seguindo as recomendações de Décourt (2002). Então o valor dessa resistência seria Rl = 1,1 Rl (MBM) e, conseqüentemente, a resistência de ponta se daria por Rp = Pu,médio – Rl. As Figuras 6.9 a 6.12 indicam a aplicação do método MBM para as estacas apiloadas nos comprimentos 3m e 6m, para a condição de solo não saturado, apresentadas por Campos (2005). 127 CARGA (kN) 0,00 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 140,00 160,00 r = 0,1593P - 9,304 r = 0,2617P - 12,247 10,00 r = 0,2125P - 10,21 RECALQUE (mm) 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00 ACL3(1)-NSAT ACL3(2)-NSAT ACL3(3)-NSAT Figura 6.9 – Gráfico MBM das estacas apiloadas com lançamento do concreto e comprimento L = 3m (ACL3) na condição de solo não saturado – Campos, 2005. CARGA (kN) 0,00 0,00 50,00 100,00 150,00 200,00 250,00 300,00 350,00 400,00 r = 0,0785P - 21,434 10,00 r = 0,0724P - 5,7564 r = 0,0611P - 7,1322 RECALQUE (mm) 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00 ACL6(1)-NSAT ACL6(2)-NSAT ACL6(3)-NSAT Figura 6.10 – Gráfico MBM das estacas apiloadas com lançamento do concreto e comprimento L = 6m (ACL6) na condição de solo não saturado – Campos, 2005. 128 CARGA (kN) 0,00 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 140,00 160,00 180,00 r = 0,35P - 41,59 r = 0,3747P - 26,093 r = 0,1667P - 14,777 10,00 RECALQUE (mm) 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00 ACA3(1)-NSAT ACA3(2)-NSAT ACA3(3)-NSAT Figura 6.11 – Gráfico MBM das estacas apiloadas com apiloamento do concreto e comprimento L = 3m (ACA3) na condição de solo não saturado – Campos, 2005. CARGA (kN) 0,00 0,00 50,00 100,00 r = 5,4278P - 585,74 150,00 r = 0,2433P - 39,78 200,00 250,00 300,00 r = 0,097P - 14,32 10,00 RECALQUE (mm) 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00 ACA6(1)-NSAT ACA6(2)-NSAT ACA6(3)-NSAT Figura 6.12 – Gráfico MBM das estacas apiloadas com apiloamento do concreto e comprimento L = 6m (ACA6) na condição de solo não saturado – Campos, 2005. 129 Já nas Figuras 6.13 a 6.16, apresentam-se curvas do método MBM aplicados às estacas apiloadas para a condição de solo umedecido. CARGA (kN) 0,00 0,00 10,00 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00 70,00 80,00 90,00 r = 11,936P - 904,76 r = 6,0459P - 192,06 10,00 r = 12,358P - 789,49 RECALQUE (mm) 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00 ACL3(1)Reensaio(1)-CI ACL3(2)Reensaio(1)-CI ACL3(3)Reensaio(1)-CI Figura 6.13 – Gráfico MBM das estacas apiloadas com lançamento do concreto e comprimento L = 6m (ACL6) na condição de solo umedecido. CARGA (kN) 0,00 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 140,00 160,00 180,00 200,00 r = 0,529P - 80,16 r = 5,2895P - 759,71 10,00 RECALQUE (mm) 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00 ACL6(1)Reensaio(1)-CI ACL6(3)Reensaio(1)-CI Figura 6.14 – Gráfico MBM das estacas apiloadas com lançamento do concreto e comprimento L = 6m (ACL6) na condição de solo umedecido. 130 CARGA (kN) 0,00 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 r = 9,2353P - 810,99 r = 4,9865P - 99,11 r = 11,919P - 806,9 10,00 RECALQUE (mm) 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00 ACA3(1)Reensaio(1)-CI ACA3(2)Reensaio(1)-CI ACA3(3)Reensaio(1)-CI Figura 6.15 – Gráfico MBM das estacas apiloadas com apiloamento do concreto e comprimento L = 3m (ACA3) na condição de solo umedecido. CARGA (kN) 0,00 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 140,00 160,00 180,00 r = 2,7323P - 146,48 10,00 r = 2,5735P - 91,825 r = 5,3269P - 860,5 RECALQUE (mm) 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00 ACA6(1)Reensaio(1)-CI ACA6(2)Reensaio(1)-CI ACA6(3)Reensaio(1)-CI Figura 6.16 – Gráfico MBM das estacas apiloadas com apiloamento do concreto e comprimento L = 6m (ACA6) na condição de solo umedecido. 131 Finalmente, os resultados de capacidade de carga (Pu), carga de colapso (Pc), resistência ao atrito lateral (Rl) e resistência de ponta (Rp), obtidos através dos métodos já citados, e com base nos resultados das provas de carga realizadas no CEEG, foram dispostos em forma de tabelas. Os resultados das estacas apiloadas para solo não saturado foram apresentados por Campos (2005) e encontram-se no item 4.2.1.2.2 deste trabalho. As Tabelas 6.1 e 6.2 apresentam os resultados dos reensaios 1 (R-1) das estacas apiloadas com lançamento do concreto e com apiloamento do concreto, respectivamente, para a condição de solo umedecido por inundação superficial. Tabela 6.1 – Carga de colapso (Pc), Resistências lateral (Rl) e de ponta (Rp) das estacas apiloadas com lançamento do concreto de comprimento 3m (ACL3) e Comprimento 6m (ACL6) para solo umedecido. Carga de colapso (Pc), Resistência lateral (Rl) e Resistência de ponta (Rp) Estacas Pc,média Rl Rl / Pc,média Rp Rp / Pc,média kN kN % kN % ACL3 (1) – R1 80 76 94,6 4 5,4 ACL3 (2) – R1 68 64 93,8 4 6,2 ACL3 (3) – R1 40 32 79,2 8 20,8 Média 63 57 89,2 6 10,8 ACL6 (1) – R1 190 152 79,7 39 20,3 ACL6 (3) – R1 153 144 93,8 9 6,2 Média 172 148 86,8 24 13,2 132 Tabela 6.2 – Carga de colapso (Pc), Resistência lateral (Rl) e de ponta (Rp) das estacas apiloadas com apiloamento do concreto de comprimento 3m (ACA3) e comprimento 6m (ACA6) para solo umedecido. Carga de colapso (Pc), Resistência lateral (Rl) e Resistência de ponta (Rp) Estacas Pc,média Rl Rl / Pc,média Rp Rp / Pc,média kN kN % kN % ACA3 (1) – R1 96 88 91,4 8 8,6 ACA3 (2) – R1 72 68 93,9 4 6,1 ACA3 (3) – R1 30 20 66,1 10 34 Média 66 58 83,8 8 16,2 ACA6 (1) – R1 171 162 94,4 10 5,6 ACA6 (2) – R1 72 54 74,4 18 25,6 ACA6 (3) – R1 54 36 66,0 18 34,1 Média 99 84 78,2 15 21,8 Observa-se que nas estacas apiloadas com lançamento do concreto e comprimento L = 3m e L = 6m, apresentadas por Campos (2005), 133 (Tabela 4.5), as contribuições das parcelas de resistência ao atrito lateral e resistência de ponta apresentam-se muito próximas. Já estas mesmas estacas (ACL), tanto com L = 3m, quanto com L = 6m, quando submetidas às condições de solo umedecido, apresentaram comportamento semelhante entre si, porém distinto ao das condições de solo não saturado, tendo uma pequena contribuição da resistência de ponta e uma grande parcela de resistência lateral na carga de colapso das mesmas. Os resultados das ACAs (Tabela 4.6) apresentam um comportamento bastante distinto ao apresentado pelas ACLs para solo não saturado, sendo que as ACAs apresentaram parcelas de resistência de ponta relativamente pequenas em relação às resistências ao atrito laterais, enquanto as ACLs apresentaram as duas parcelas relativamente próximas. Na condição de solo inundado, as ACAs apresentaram comportamento relativamente próximo as ACLs, onde a contribuição da resistência lateral é muito maior que a contribuição da resistência de ponta. 6.3 Influência dos reensaios Passados cerca de quatro meses após os reensaios na condição inundada (reensaio 1), foram realizados novos ensaios de provas de carga em algumas estacas apiloadas (ACL3(2), ACA3(2) e ACA6(1)), sendo primeiro ensaiadas as estacas na condição de solo inundado (reensaio 2) e, logo após secagem do terreno, realizados ensaios em solo não saturado (reensaio 3). 134 Para melhor visualização do comportamento das estacas reensaiadas, os resultados de ensaios e reensaios foram plotados juntos no gráfico de carga versus recalque, sendo estes gráficos apresentados nas Figuras 6.17 à 6.19. CARGA (kN) 0,00 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 RECALQUE (mm) 50,00 100,00 150,00 200,00 250,00 ACL3(2)-NSAT ACL3(2)Reensaio(1)-CI ACL3(2)Reensaio(2)-CI ACL3(2)Reensaio(3)-NSAT Figura 6.17 – Curvas carga versus recalque da estaca apiloada com lançamento do concreto, de comprimento L = 3m (ACL3(2)) para o ensaio e os reensaios. CARGA (kN) 0,00 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 140,00 160,00 180,00 RECALQUE (mm) 50,00 100,00 150,00 200,00 250,00 ACA3(2)-NSAT ACA3(2)Reensaio(1)-CI ACA3(2)Reensaio(2)-CI ACA3(2)Reensaio(3)-NSAT 135 Figura 6.18 – Curvas carga versus recalque da estaca apiloada com apiloamento do concreto, de comprimento L = 3m (ACA3(2)) para o ensaio e os reensaios. CARGA (kN) 0,00 0,00 50,00 100,00 150,00 200,00 250,00 300,00 RECALQUE (mm) 50,00 100,00 150,00 200,00 250,00 ACA6(1)-NSAT ACA6(1)Reensaio(1)-CI ACA6(1)Reensaio(2)-CI ACA6(1)Reensaio(3)-NSAT Figura 6.19 – Curvas carga versus recalque da estaca apiloada com apiloamento do concreto, de comprimento L = 6m (ACA6(1)) para o ensaio e os reensaios. Observa-se nas figuras 6.17 a 6.19 que as estacas reensaiadas apresentam um ligeiro aumento de resistência entre os recarregamentos. Segundo Mascarenhas et al. (2002), o ganho de resistência se deve ao aumento do contato entre as partículas do solo, que é devido à quebra e rearranjo de sua estrutura. Porém, para as estacas reensaiadas, observa-se que, com exceção da estaca ACLA6(1), as outras não conseguiram recuperar a resistência do primeiro ensaio. Isso pode ser explicado, provavelmente, pela quebra das ligações mantidas pelos agentes cimentantes 136 do solo, que seriam desfeitas com a influencia da água. Para a estaca ACA6(1), por se tratar de uma estaca mais profunda que as demais reensaiadas, é possível que a quebra das ligações não tenha ocorrido em todo o fuste da estaca; por esse motivo a capacidade de carga do recarregamento (reensaio (3)) foi maior que no 1º ensaio, ambos para o solo não saturado. Ainda sobre as Figuras 6.17 à 6.18, nota-se que entre os recarregamentos houve um deslocamento para direita do ponto de total mobilização da parcela de resistência lateral. Isso ocorre, segundo Massad (1992), não pelo aumento da resistência lateral, mais devido ao fato de parte da reação da ponta da estaca atuar desde o inicio do carregamento. Análogo aos primeiros ensaios (ensaio e reensaio 1), os métodos utilizados para determinação dos valores de capacidade de carga e carga de colapso foram o critério de Van der Veen (1957) e o Gráfico de Rigidez de Décourt (1998) e, para determinação da resistência ao atrito lateral, o método utilizado foi o MBM, apud Décourt (2002). Os gráficos de rigidez para as estacas ACL3, ACA3 e ACA6 para o reensaio (3) na condição de solo não saturado, apresentam-se nas Figuras 6.20, 6,21 e 6,22, respectivamente. 137 200,00 180,00 160,00 RIGIDEZ (kN/mm) 140,00 120,00 100,00 80,00 60,00 40,00 Rig = -3,4694 P + 283,9 2 R = 0,9536 20,00 0,00 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 140,00 160,00 CARGA (kN) ACL3(2)Reensaio(3)-NSAT Regressão Linear (Regressão) Figura 6.20 – Gráfico de rigidez da estaca ACL3(2)-Reensaio (3), para solo não saturado. 200,00 180,00 160,00 RIGIDEZ (kN/mm) 140,00 120,00 100,00 80,00 60,00 Rig = -3,9443 P + 358,41 2 R = 0,9767 40,00 20,00 0,00 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 140,00 160,00 180,00 200,00 CARGA (kN) ACA3(2)Reensaio(3)-NSAT Regressão Linear (Regressão) Figura 6.21 – Gráfico de rigidez da estaca ACA3(3) – Reensaio (3), para solo não saturado. 138 200,00 180,00 160,00 RIGIDEZ (kN/mm) 140,00 120,00 100,00 80,00 60,00 40,00 Rig = -0,6196 P + 159,17 2 R = 0,9592 20,00 0,00 0,00 50,00 100,00 150,00 200,00 250,00 300,00 CARGA (kN) ACA6(1)Reensaio(3)-NSAT Regressão Linear (Regressão) Figura 6.22 – Gráfico de rigidez da estaca ACA6(1) – Reensaio (3), para solo não saturado. As Figuras 6.23, 6.24 e 6.25 apresentam os gráficos MBM das estacas ACL3, ACA3 e ACA6, respectivamente, para a condição de solo umedecido. Já nas Figuras 6.26, 6.27 e 6.28, observam-se os gráficos MBM das mesmas estacas, porém na condição de solo não saturado. 139 CARGA (kN) 0,00 0,00 10,00 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00 70,00 80,00 90,00 3,95 10,00 RECALQUE (mm) 20,00 30,00 r = 9,8429 P - 691,94 40,00 43,42 50,00 60,00 ACL3(2)Reensaio(2)-CI Regressão Linear (Regressão) Figura 6.23 – Gráfico MBM da estaca ACL3(2) – Reensaio 2 – Solo umedecido. CARGA (kN) 0,00 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 1,28 10,00 r = 3,555 P - 207,22 15,50 RECALQUE (mm) 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00 ACA3(2)Reensaio(2)-CI Regressão Linear (Regressão) Figura 6.24 – Gráfico MBM da estaca ACA3(2) – Reensaio 2 – Solo umedecido. 140 CARGA (kN) 0,00 0,00 50,00 100,00 150,00 200,00 250,00 3,14 10,00 RECALQUE (mm) 20,00 30,00 40,00 r = 4,607 P - 964,33 49,21 50,00 60,00 ACA6(1)Reensaio(2)-CI Regressão Linear (Regressão) Figura 6.25 – Gráfico MBM da estaca ACA6(1) – Reensaio 2 – Solo umedecido. CARGA (kN) 0,00 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 3,04 10,00 RECALQUE (mm) 20,00 30,00 r = 9,324 P - 696,26 40,00 49,66 50,00 60,00 ACL3(2)Reensaio(3)-NSAT Regressão Linear (Regressão) Figura 6.26 – Gráfico MBM da estaca ACL3(2) – Reensaio 3 – Solo não saturado. 141 CARGA (kN) 0,00 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 140,00 160,00 180,00 r = 2,1333 P - 175,29 3,91 10,00 16,71 RECALQUE (mm) 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00 ACA3(2)Reensaio(3)-NSAT Regressão Linear (Regressão) Figura 6.27 – Gráfico MBM da estaca ACA3(2) – Reensaio 3 – Solo não saturado. CARGA (kN) 0,00 0,00 50,00 100,00 150,00 200,00 250,00 300,00 2,36 r = 1,086 P - 236,56 10,00 13,22 RECALQUE (mm) 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00 ACA6(1)Reensaio(3)-NSAT Regressão Linear (Regressão) Figura 6.28 – Gráfico MBM da estaca ACA6(1) – Reensaio 3 – Solo não saturado. Os resultados de capacidade de carga, carga de colapso, resistências ao atrito lateral e de ponta dos reensaios para solo umedecido por 142 inundação superficial (reensaio 2) e solo não saturado (reensaio 3) apresentam-se nas Tabelas 6.3 e 6.4, respectivamente. Tabela 6.3 – Carga de colapso, resistência lateral e resistência de ponta das estacas apiloadas de comprimento L= 3m e L=6m, na condição de solo umedecido (reensaio 2). Carga de colapso (Pc), Resistência lateral (Rl) e Resistência de ponta (Rp) Estacas Pc,média Rl Rl / Pc,média Rp Rp / Pc,média kN kN % kN % ACL3 (2) – R2 75 70 94 5 6 ACA3 (2) – R2 77 58 75,4 19 24,6 ACA6 (1) – R2 220 209 95,1 11 4,9 Tabela 6.4 – Capacidade de carga, resistência lateral e resistência de ponta das estacas apiloadas de comprimento L=3 m e L=6m, na condição de solo não saturado(reensaio 3). Capacidade de carga (Pu), Resistência lateral (Rl) e Resistência Estacas de ponta (Rp) 143 Pu,média Rl Rl / Pu,média Rp Rp / Pu,média kN kN % kN % ACL3 (2) – R3 77 77 100 0 0 ACA3 (2) – R3 92 90 98,3 2 1,7 ACA6 (1) – R3 241 240 99,6 1 0,4 Observa-se que tanto as estacas apiloadas com lançamento, quanto as estacas com apiloamento do concreto apresentaram, para os reensaios, uma parcela mínima de resistência de ponta e uma parcela significativa de resistência lateral. 6.4 Influência da sucção matricial no comportamento das estacas Sabidamente o solo da região de Londrina, no qual se insere o CEEG, possui comportamento colapsível e a sucção matricial possui uma influência significativa na capacidade de carga das estacas assentes em solos com esse comportamento. Para melhor visualização do comportamento das estacas, confeccionaram-se, conjuntamente, as curvas carga versus recalque para o ensaio com solo não saturado e para o reensaio com solo umedecido (reensaio 1). As Figuras 6.29 a 6.36 mostram as curvas carga versus recalque para as estacas apiloadas para as duas condições de solo, solo não saturado (maior sucção matricial) e solo umedecido (menor sucção matricial). 144 CARGA(kN) 0,00 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 140,00 160,00 20,00 RECALQUE(mm) 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 ACL3(1)-NSAT ACL3(1)Reensaio(1)-CI Figura 6.29 – Curvas carga versus recalque da estaca apiloada com lançamento do concreto, de comprimento L = 3m, (ACL3(1)), na condição de solo não saturado e umedecido por inundação superficial. CARGA (kN) 0,00 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 20,00 RECALQUE (mm) 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 ACL3(3)-NSAT ACL3(3)Reensaio(1)-CI Figura 6.30 – Curvas carga versus recalque da estaca apiloada com lançamento do concreto, de comprimento L = 3m, (ACL3(3)), na condição de solo não saturado e umedecido por inundação superficial. 145 CARGA (kN) 0,00 0,00 50,00 100,00 150,00 200,00 250,00 300,00 350,00 400,00 10,00 RECALQUE (mm) 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00 ACL6(1)-NSAT ACA6(1)Reensaio(1)-CI Figura 6.31 – Curvas carga versus recalque da estaca apiloada com lançamento do concreto, de comprimento L = 6m, (ACL6(1)), na condição de solo não saturado e umedecido por inundação superficial. CARGA (kN) 0,00 0,00 50,00 100,00 150,00 200,00 250,00 300,00 10,00 20,00 RECALQUE (mm) 30,00 40,00 50,00 60,00 70,00 80,00 ACL6(3)-NSAT ACL6(3)Reensaio(1)-CI Figura 6.32 – Curvas carga versus recalque da estaca apiloada com lançamento do concreto, de comprimento L = 6m, (ACL6(3)), na condição de solo não saturado e umedecido por inundação superficial. 146 CARGA (kN) 0,00 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 20,00 RECALQUE (mm) 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 ACA3(1)-NSAT ACA3(1)Reensaio(1)-CI Figura 6.33 – Curvas carga versus recalque da estaca apiloada com apiloamento do concreto, de comprimento L = 3m, (ACA3(1)), na condição de solo não saturado e umedecido por inundação superficial. CARGA (kN) 0,00 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 140,00 160,00 20,00 RECALQUE (mm) 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 ACA3(3)-NSAT ACA3(3)Reensaio(1)-CI Figura 6.34 – Curvas carga versus recalque da estaca apiloada com apiloamento do concreto, de comprimento L = 3m, (ACA3(3)), na condição de solo não saturado e umedecido por inundação superficial. 147 CARGA (kN) 0,00 0,00 50,00 100,00 150,00 200,00 250,00 300,00 20,00 RECALQUE (mm) 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 ACA6(2)-NSAT ACA6(2)Reensaio(1)-CI Figura 6.35 – Curvas carga versus recalque da estaca apiloada com apiloamento do concreto, de comprimento L = 6m, (ACA6(2)), na condição de solo não saturado e umedecido por inundação superficial. CARGA (kN) 0,00 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 140,00 10,00 20,00 RECALQUE (mm) 30,00 40,00 50,00 60,00 70,00 80,00 90,00 100,00 ACA6(3)-NSAT ACA6(3)Reensaio(1)-CI Figura 6.36 – Curvas carga versus recalque da estaca apiloada com apiloamento do concreto, de comprimento L = 6m, (ACA6(3)), na condição de solo não saturado e umedecido por inundação superficial. 148 Observa-se nas Figuras 6.29 a 6.36 que todas as estacas apresentaram comportamentos distintos da curva carga versus recalque para as duas condições de solo, sendo que todas elas, algumas com maior expressividade que as outras, apresentaram capacidade de carga muito menor para o solo umedecido que para o solo não saturado. Com base em dados de teores de umidade obtidos em amostras de solo coletadas em campo, logo após cada ensaio de prova de carga, e confrontando esses valores com a curva característica de sucção (apresentada na Figura 4.5 deste trabalho) para solo do CEEG, foi possível determinar a sucção matricial. Para as estacas de comprimento L = 3m, a média dos teores de umidade foi confrontada com a curva característica de sucção da profundidade 4m, já para as estacas com L = 6m, a média dos teores de umidade dos quatro primeiros metros foi confrontada com a curva de 4m e a média dos demais metros da estaca foi confrontada com a curva de 6m, por fim para essas estacas a sucção matricial adotada foi a média desses dois valores. A Tabelas 6.5 apresenta os resultados dos teores de umidade de campo e a sucção matricial correspondente. 149 Tabela 6.5 – Valores de teores de umidade de campo e de sucção matricial Estacas Teor de Umidade (%) Sucção Matricial (kPa) ACL3(1) 34,17 92,28 ACL3(2) 34,49 90,21 ACL3(3) 34,90 90,81 ACL6(1) 36,91 85,25 ACL6(2) 29,88 106,83 ACL6(3) 36,91 85,25 ACA3(1) 29,88 106,83 ACA3(2) 29,88 106,83 ACA3(3) 29,88 106,83 ACA6(1) 36,91 85,25 ACA6(2) 36,91 85,25 150 ACA6(3) 36,91 85,25 48,19 39,19 Todas as estacas na condição de solo umedecido Determinadas as sucções matriciais após cada ensaio, foi possível relacioná-la com a capacidade de carga de cada estaca. Essas relações, para as estacas ACL3, ACA3, ACL6 e ACA6, entre o ensaio não saturado e o reensaio umedecido (reensaio 1), apresentam-se graficamente nas Figuras 6.37, 6.38, 6.39 e 6.40, respectivamente. 100,00 Solo não saturado 90,00 80,00 SUCÇÃO (kPa) 70,00 60,00 50,00 40,00 Solo umedecido 30,00 20,00 10,00 0,00 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 140,00 CARGA (kN) ACL3(1) ACL3(2) ACL3(3) Figura 6.37 – Relação entre sucção matricial e capacidade de carga das estacas ACLs3. 160,00 151 120,00 Solo não saturado 110,00 100,00 90,00 SUCÇÃO (kPa) 80,00 70,00 60,00 50,00 40,00 Solo umedecido 30,00 20,00 10,00 0,00 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 140,00 160,00 180,00 CARGA (kN) ACA3(1) ACA3(2) ACA3(3) Figura 6.38 – Relação entre sucção matricial e capacidade de carga das estacas ACAs3. 90,00 Solo não saturado 80,00 70,00 SUCÇÃO (kPa) 60,00 50,00 40,00 Solo umedecido 30,00 20,00 10,00 0,00 0,00 50,00 100,00 150,00 200,00 250,00 300,00 350,00 CARGA (kN) ACL6(1) ACL6(3) Figura 6.39 – Relação entre sucção matricial e capacidade de carga das estacas ACLs6. 400,00 152 90,00 Solo não saturado 80,00 70,00 SUCÇÃO (kPa) 60,00 50,00 40,00 Solo umedecido 30,00 20,00 10,00 0,00 0,00 50,00 100,00 150,00 200,00 250,00 300,00 CARGA (kN) ACA6(1) ACA6(2) ACA6(3) Figura 6.40 – Relação entre sucção matricial e capacidade de carga das estacas ACAs6. Os resultados de perda da capacidade de carga das estacas devido à diminuição da sucção matricial do solo, para as estacas com lançamento do concreto (ACL) de comprimentos L = 3m e L = 6m e para as estacas com apiloamento do concreto ACA de comprimentos L = 3m e L = 6m, se apresentam nas Tabelas 6.6 e 6.7, respectivamente. Tabela 6.6 – Perda Redução da capacidade de carga das estacas apiloadas com lançamento do concreto de comprimento L = 3m (ACL3) e L = 6m (ACL6) Capacidade de carga Sucção Matricial Redução Redução (kN) (kPa) de cap. Estaca média de carga (%) Ensaio Reensaio1 Ensaio Reensaio1 (%) ACL3(1) 135 80 92,28 39,19 40 ACL3(2) 102 68 90,21 39,19 34 44 153 ACL3(3) 92 40 90,81 39,19 57 ACL6(1) 383 190 85,25 39,19 50 ACL6(3) 289 153 85,25 39,19 47 48,5 Tabela 6.7 – Redução da capacidade de carga das estacas apiloadas com apiloamento do concreto de comprimento L = 3m (ACAL3) e L = 6m (ACAL6). Capacidade de carga Sucção Matricial Redução Redução (kN) (kPa) de cap. Estaca média de carga (%) Ensaio Reensaio1 Ensaio Reensaio1 (%) ACA3(1) 110 96 106,83 39,19 9 ACA3(2) 168 72 106,83 39,19 56 ACA3(3) 150 30 106,83 39,19 79 ACA6(1) 207 171 85,25 39,19 13 ACA6(2) 250 72 85,25 39,19 71 48 45 154 ACA6(3) 117 54 85,25 39,19 52 Já para se obterem dados sobre o aumento da capacidade de carga com o aumento da sucção matricial, compararam-se os resultados das capacidades de carga para o solo umedecido (reensaio 2) com os resultados para o solo não saturado. Esses resultados apresentam-se na Tabela 6.8. Não foi possível coletar amostras de solo para a realização dos teores de umidade devido a problemas no laboratório de solos e a falta de técnicos laboratoristas. Tabela 6.8 – Aumento da capacidade de carga das estacas apiloadas com lançamento do concreto de comprimento L = 3m (ACL3) e L = 6m (ACL6). Capacidade de carga Aumento de cap. Aumento médio (kN) Estaca de carga (%) (%) Reensaio2 Reensaio3 ACL3(2) 75 77 3 ACA3(2) 77 92 19 ACA3(1) 220 241 9 10 155 As estacas ACLs de comprimento L = 3m apresentaram perda de capacidade de carga média de 44%, valor muito próximo ao encontrado para as estacas ACLs de comprimento L = 6m, que apresentaram perda da capacidade de carga média de 48,5%. Já as estacas ACAs de comprimento L = 3m e L = 6m apresentaram médias de perda de capacidade de carga de 48% e 45%, respectivamente, porém essas estacas apresentam valores com maiores disparidades entre as estacas. Observa-se também que, para os teores de umidade apresentados na condição de solo não saturado, a variação da sucção matricial não se apresentou significativa e não exerceu grande influência na capacidade de carga das estacas. Finalmente, quando o ensaio foi primeiramente realizado na condição inundada e, posteriormente, na condição de solo não saturado, a recuperação da capacidade de carga das estacas variou entre 3% e 19% e não se mostrou tão significante quanto à redução da capacidade entre o ensaio em solo não saturado e reensaio com solo umedecido, que ficou próximo aos 50%. 6.5 Comparativo do comportamento entre as estacas apiloadas e estacas brocas Miguel & Belincanta (2004) apresentam resultados de provas de carga de estacas brocas de diâmetro 20 e 25cm e comprimentos L = 3m e L = 6m realizadas no CEEG da Universidade Estadual de Londrina (UEL), para 156 duas condições de solo: solo não saturado e solo umedecido por inundação superficial. Alguns dos resultados apresentados pelos autores encontram-se no item 4.2.1.2.1 do presente trabalho. Já Campos (2005) realizou ensaios de provas de carga em estacas apiloadas no mesmo CEEG da UEL, apenas para a condição de solo não saturado. Neste trabalho, realizaram-se ensaios de provas de carga com as mesmas estacas ensaiadas primeiramente por Campos, porém agora, para a condição de solo umedecido por inundação superficial. Para melhor visualização do comportamento das estacas brocas e das estacas apiloadas, confeccionou-se a Tabela 6.9 que apresenta resultados de capacidade de carga (Pu), carga de colapso (Pc) e de perda de capacidade de carga das estacas brocas (Br), de diâmetro 20 cm e 25 cm e comprimentos L = 3 m e 6 m, das estacas apiloadas com apiloamento do concreto (ACA) e estacas apiloadas com lançamento do concreto (ACL), ambas de diâmetro 20cm e comprimentos L = 3m e 6m. Tabela 6.9 – Capacidade de carga (Pu), Carga de colapso (Pc) e perda da capacidade de carga das estacas brocas e estacas apiloadas com lançamento do concreto (ACL) e com apiloamento do concreto (ACA) Estaca Pu (kN) Pc (kN) Redução de Cap. de carga (%) Br (L = 3 m e D = 20 cm) 38,8 21,1 45,6 Br (L = 3 m e D = 25 cm) 41,9 25,2 48,8 Br (L = 6 m e D = 20 cm) 108,9 20 81,6 Br (L = 6 m e D = 25 cm) 118 76 35,6 ACL (L = 3 m e D = 20 cm) 110 63 44 ACL (L = 6 m e D = 20 cm) 333 171,5 48,5 157 ACA (L = 3 m e D = 20 cm) 137 66 48 ACA (L = 6 m e D = 20 cm) 184 99 45 Analisando os resultados apresentados acima, nota-se que a capacidade de carga para o solo não saturado (Pu) das estacas apiloadas (ACA e ACL) é muito superior que para as estacas brocas. Campos (2005) quantificou a melhora de resistência das estacas apiloadas em relação às estacas brocas, com mesmo diâmetro e o mesmo comprimento, em mais de 100% para as estacas de dimensões semelhantes e, segundo o autor, essa melhora é devido à técnica construtiva das estacas apiloadas que, através da abertura do furo por meio da queda de um pilão, diminui o índice de vazios do solo ao redor da estaca e aumenta a resistência de ponta, que é praticamente inexistente nas estacas brocas. Observa-se também que, para a condição de solo umedecido, as cargas de colapso (Pc) das estacas apiloadas apresentam-se muito superiores às das estacas brocas. Apesar de as estacas apiloadas apresentarem capacidade de carga muito acima das estacas brocas, o comportamento das duas, frente a situação de colapso, é semelhante, visto que tanto as estacas apiloadas (ACA e ACL) quanto as estacas brocas apresentaram perda de capacidade de carga de aproximadamente 40% a 50%, com exceção das estacas brocas de comprimento L = 6m e diâmetro 20cm, que apresentaram perda de resistência superior a 80%; possivelmente este valor teve influência dos drenos. 158 6.6 Resultados de tensão do solo e dimensões das estacas após os ensaios Após a realização de todos os ensaios de provas de carga, abriram-se quatro poços de inspeção com o objetivo de se verificar a integridade das estacas e a heterogeneidade do solo ao redor das estacas. Os poços foram abertos tangenciando as estacas ACA3(3), ACL3(3), ACA6(3) e ACL6(1). Depois de abertos os poços, com o auxílio de um penetrômetro de bolso, foram coletados dados da tensão do solo ao longo da profundidade do fuste. Com o intuito de verificar a influência da execução da estaca no estado de tensões do solo, os dados foram coletados no solo ao redor da estaca (influenciado pela execução da estaca) e do lado oposto à estaca (solo natural). Os resultados das tensões do solo para as estacas de comprimento L = 3m e L = 6m encontram-se nas Tabelas 6.10 e 6.11 respectivamente. Tabela 6.10 – Tensões do solo ao longo da profundidade das estacas apiloadas de comprimento L = 3m. Profundidade Tensões no solo (kPa) (m) ACA3(3) ACL3(3) Solo natural Solo influenciado Solo natural Solo influenciado 1,0 150 194 225 187 2,0 175 162 225 200 3,0 150 175 225 225 Ponta 150 125 200 200 159 Tabela 6.11 – Tensões do solo ao longo da profundidade das estacas apiloadas de comprimento L = 6m. Profundidade Tensões no solo (kPa) (m) ACA6(3) ACL6(1) Solo natural Solo influenciado Solo natural Solo influenciado 1,5 100 206 125 200 3,0 112 225 100 187 4,5 175 200 275 250 6,0 144 200 200 225 Ponta 150 156 200 200 Observa-se que o solo da região do CEEG, onde foram realizadas as provas de carga, é muito heterogêneo, pois dentro de um mesmo poço a tensão do solo natural apresenta variações de mais de 150%. Essa heterogeneidade pode explicar o fato de estacas de mesmas dimensões apresentarem comportamentos distintos de capacidade da carga, mesmo quando assentes em áreas próximas e com o solo com valores de sucção matricial próximos, como foi o caso. As alterações dos níveis de tensões do solo em virtude da influência das estacas apiloadas não se mostraram significativas, visto que, em algumas ocasiões, as tensões tiveram pequeno acréscimo e, em outras, decréscimo em relação às do solo natural. Após a realização dos ensaios de penetrômetro, com auxílio de um caminhão Munk, extraíram-se as estacas para que fosse possível obter 160 resultados sobre as suas dimensões. Antes da extração das estacas, observou-se uma falha construtiva na estaca ACA6(3), que apresentava uma diminuição drástica no diâmetro do fuste (conhecidas no meio geotécnico como “estrangulamento do fuste”) em virtude de falhas de concretagem. Esse fato pode explicar o resultado de capacidade de carga desta estaca, que se mostrou muito abaixo das demais do mesmo grupo e confirma a hipótese levantada por Campos (2005) de terem ocorrido falhas no processo de concretagem dessa estaca. A Figura 6.41 mostra a falha de concretagem apresentada na estaca ACA6(3). Figura 6.41 – Falha de concretagem da estaca ACA6(3). Após a retirada das estacas, foi possível verificar o diâmetro de cada uma delas e analisar a diferença entre a ponta dos dois métodos construtivos. As estacas apiloadas com apiloamento do concreto (ACA) 161 apresentaram uma ponta mais estreita que o fuste da estaca, se formando logo acima da ponta um bulbo (pequeno aumento de diâmetro da estaca). Já as estacas apiloadas com lançamento do concreto (ACL) mostram uma ponta com diâmetro muito próximo ao fuste da estaca. A brita compactada no fundo das estacas ACLs apresentava-se em parte aderida ao concreto e em parte formando uma “estaca de brita” de comprimento médio de 30cm. Após a raspagem do solo aderido ao concreto das estacas, mediu-se o diâmetro do fuste. As ACAs apresentaram fustes mais irregulares, com o diâmetro variando entre 23cm e 27cm, enquanto as ACLs apresentaram fustes com pequena variação de diâmetro, entre 20,5cm e 21cm. O fato de as estacas ACAs apresentarem diâmetros de fuste maiores pode explicar os resultados das provas de carga dessas estacas, que indicavam grande parcela de resistência lateral. A Figura 6.42 apresenta uma foto da ponta das estacas do tipo ACA e ACL. a) b) Figura 6.42 – Ponta da estaca ACL (a) e da estaca ACA (b). 162 Quando feita a retirada do solo aderido ao elemento estrutural de fundação, notou-se que, para as estacas apiloadas com apiloamento do concreto, o solo apresentava-se mais aderido, enquanto nas estacas com lançamento do concreto, o solo de desprendia com facilidade. Isso mostra a eficiência do procedimento de apiloamento do concreto para a confecção do fuste, aumentando a área de contato e a interação solo-estaca. 7. CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente trabalho investigou o comportamento de estacas apiloadas de dois diferentes métodos construtivos quando submetidas à influência da colapsibilidade do solo da região de Londrina/Pr e observou os seguintes pontos principais: Para os reensaios, nota-se que há uma mudança de comportamento dos dois tipos de estacas, pois elas apresentam aumento da contribuição da parcela de resistência ao atrito lateral e diminuição da contribuição da resistência de ponta na capacidade de carga. Na condição de colapso, a parcela de resistência de ponta é inexpressiva, sendo a capacidade de carga das estacas praticamente composta pela resistência ao atrito lateral. As estacas do tipo ACL apresentaram perda da capacidade de carga média devida ao colapso de 43,9% e 48,4%, para os comprimentos L = 3m e L = 6m, respectivamente. 163 As estacas do tipo ACA apresentaram perda de capacidade de carga média de 47,83% para estacas de comprimento L = 3m e de 45,3% para as de comprimento L = 6m. Apesar da semelhança entre a média da perda de capacidade de carga das estacas ACL e ACA, as últimas apresentaram resultados com maiores disparidades entre elas, provavelmente por comportamentos distintos, devido ao método executivo, que se dá sem um controle rigoroso da concretagem. Para os níveis de teor de umidade do solo não saturado da região, a variação de sucção matricial foi pequena e não acarretou grandes variações na capacidade de carga das estacas, mas quando ocorre a inundação, ou seja, grande diminuição da sucção matricial, a redução de capacidade de carga das estacas mostrou-se muito significativa. As estacas apiloadas apresentaram capacidades de carga muito acima das apresentadas pelas estacas brocas das mesmas dimensões, tanto para solo não saturado quanto para solo umedecido, porém a perda da capacidade de carga das estacas apiloadas mostrou-se semelhante às apresentadas pelas brocas, ficando entre 40% e 50%. Após dois colapsos, com intervalos de aproximadamente quatro meses, o aumento da capacidade de carga das estacas foi em média de 3% a 19%. Observa-se que essa recuperação da capacidade de carga das estacas apresenta-se muito aquém da perda de capacidade ocorrida devido ao colapso, que se mostrou superior a 40%. A técnica construtiva de apiloamento do concreto mostrou-se eficiente para o alargamento do fuste e apresentou um aumento da resistência 164 lateral das estacas, porém devem ser tomados os devidos cuidados com a concretagem das estacas, visto que ocorreram problemas de concretagem em uma das estacas ensaiadas. Já o apiloamento do concreto seco da ponta não se mostrou eficiente, tendo em vista que a parcela de resistência de ponta dessas estacas foi bastante inferior à parcela das estacas com ponta de brita. O solo da região de Londrina mostra-se bastante heterogêneo, pois os resultados de tensão do solo ao redor das estacas após a abertura dos poços apresentaram variações superiores a 100% para áreas muito próximas. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALONSO, U. R. (1991) Previsão e controle das fundações. Editora Edgard Blücher Ltda., São Paulo/SP, 142 p. ALONSO, U. R. (1997) Prova de carga estática em estacas (uma proposta para revisão da norma NBR 12.131). Solos e Rochas, São Paulo, v. 20, n.1, p 47 – 59. AOKI, N. & VELLOSO (1975) An approximated method to estimate the bearing capacity of piles. In: V PANAMERICAN CONFERENCE ON SOIL MECHANICS AND FONDATION ENGENEERING, Buenos Aires, v. 1, p 367 – 376. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 12131: Estacas – Provas de carga estática. 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RESULTADOS DOS ENSAIOS "SPT-T" N (n.o de golpes) T máx - - - - (kgf.m) penetração N (cm) 10 20 30 40 50 n.o de golpes Tmáximo Revestimento Avanço do furo Cotas (m) em rel.à R.N. Informações gerais ANÁLISE VISUAL-TÁTIL 0 -??? TH* 1,00 -??? 1 1 2 15 15 15 TH 2 2 1 1 2 15 15 15 3,0 2 3,0 2 1 1 1 15 15 15 2,0 2 2,0 2 1 2 2 15 15 15 4,0 4 4,0 4 1 2 3 15 15 15 5,0 5 5,0 5 6,0 6 2 3 3 15 15 15 7,00 3,0 3,0 6 6,0 = 1 1 2 = 2 2 2 = 3 = 4 4 2 = 5 5 2 = 6 6 4 7 = 3 5 6 11,0 13 8 15 15 15 11,0 13 10 9,0 8 = 12 9 3 6 10 16,0 18 11 15 15 15 16,0 18 16 4 6 9 15,0 18 12 15 15 15 15,0 18 14 7 10 13 23,0 26 13 15 15 15 23,0 26 22 4 8 12 20,0 26 14 15 15 15 20,0 26 24 15,00 -??? TH=trado helicoidal CA=Circulação d'água R.N.=conforme locação N.A.=após estabilização área do CEEG SP9+ +SP10 +SP11 ARGILA SILTOSA RESIDUAL DURA variegada (vermelho claro) 17,00 = 18 ARGILA SILTOSA RESIDUAL DURA variegada (vermelho amarelado) = 19 = m 20 20,00 Laboratório de Mecânica dos Solos e Geotecnia - UEL Locação esquemática: R.N. (marco de concreto) 14,00 = +SP1 Laboratórios +SP2 +SP6 +SP5 P1 +SP7 +SP8 +SP3 +SP4 +SP12 P2 + SP14 N N +SP13 Interessado: DCCi - Departamento de Construção Civil do Centro de Tecnologia e Urbanismo - UEL Obra: CEEG "Professor Saburo Morimoto" Local: CTU - Campus da UEL R.N. (m): Revestimento: de=63,5mm di=63,5mm CTU Amostrador: Figura 2 – Furo n 9 de sondagem SPT-T data início: Cota (m) furo: 24,40 Escala vertical: 1/100 Raymond de=50,8mm di=34,9mm o Relatório individual de sondagem RSP-CEEG furo: SP09 relatório: +SP=furos de sondagem OP=poços a céu aberto = 14 17 Estacionamento do CTU TH*=trado diâm. 76 mm = 13 = 7 12 16 28,0 24 18 15 15 15 28,0 24 22 Legenda: = 12 16 5 8 13 21,0 20 19 15 15 15 21,0 20 18 -??? = 11 15 7 12 19 31,0 40 17 15 15 15 31,0 40 40 4 7 11 18,0 18 20 15 15 15 18,0 18 16 = 10 = 6 10 12 22,0 28 15 15 15 15 22,0 28 26 5 8 11 19,0 26 16 15 15 15 19,0 26 22 CA ARGILA SILTOSA POROSA MÉDIA a DURA vermelho escura 9 9,0 12 8 3 5 7 12,0 16 10 15 15 15 12,0 16 14 -??? 6,00 = 3 5 6 11,0 12 7 15 15 15 11,0 12 10 2 4 5 15 15 15 ARGILA SILTOSA POROSA MOLE vermelho escura 3 2 O N. A estabilizou em 19,90 no dia 02/07/98 1,00 data término: Visto: 26/6/1998 2/7/1998 Patrick