5 DESCRIÇÃO DO AMBIENTE AFECTADO Este capítulo aborda a extensão geográfica potencial dos impactos ambientais e sociais (tanto directos como indirectos) relacionados com o Projecto proposto (Área de Influência do Projecto) e a extensão geográfica da área onde se procederá à recolha de dados da situação de referência ambiental e social (Área de Estudo). Além disso, é importante caracterizar os descritores físicos, biofísicos e socioeconómicos da Área de Estudo, já que isso permitirá compreender melhor o ambiente receptor da área para a qual o Projecto é proposto. Essa informação será utilizada para servir de base para os termos de referência do Estudo de Impacto Ambiental no Capítulo 8. A informação apresentada neste capítulo foi obtida a partir dos seguintes estudos de impacto ambiental já realizados na área. Impacto/ Mark Wood Consultants (2001). Estudo de Impacto Ambiental para a Área de Exploração de Temane e Pande – Exploração Sísmica e Perfuração para Desenvolvimento Exploratório (Environmental Impact Study for the Temane & Pande Exploration Area – Seismic Exploration and Exploratory Development Drilling). Relatório em nome de Sasol Technology. Golder Associates (2014). Relatório Final da Avaliação de Impacto Ambiental. Projecto de Desenvolvimento no Âmbito do Acordo de Partilha de Produção (APP) e Projecto de Produção de Gás de Petróleo Liquefeito (GPL). Neste capítulo apresenta-se apenas um resumo da situação de referência mais pertinente e da forma como essa poderá ser afectada pelo Projecto proposto. A descrição pormenorizada da situação de referência em termos do ambiente físico, biofísico e socioeconómico será fornecida no Estudo de Impacto Ambiental. 5.1 ÁREA DE INFLUÊNCIA DO PROJECTO E ÁREA DE ESTUDO As áreas de licença ao abrigo do CPP e do APP sobrepõem-se parcialmente tanto em Pande como em Temane - Inhassoro. A Figura 5.1 mostra a extensão total das duas áreas onde poderão decorrer trabalhos de exploração. Tal como descrito anteriormente, os trabalhos planeados decorrerão em diferentes áreas e em fases diferentes; assim, a extensão e quantidades dos mesmos variará de acordo com os resultados das fases iniciais. Assim, a extensão espacial do impacto directo da exploração, em circunstâncias normais, restringir-se-á principalmente às proximidades imediatas de cada uma das actividades. Os impactos indirectos surgirão muito provavelmente da abertura de acessos nas zonas mais isoladas da Área de Estudo, já que tal abertura poderá levar a ENVIRONMENTAL RESOURCES MANAGEMENT SEPI 5-1 uma maior extracção de recursos por parte das comunidades (o que tem implicações tanto positivas como negativas). Em caso de situações não planeadas, tais como derrames de hidrocarbonetos, no caso dos mesmos potencialmente atingir corpos de água tanto superficiais como subterrâneos, os impactos directos poderão ser sentidos longe das proximidades imediatas dos locais de trabalho e no pior cenário possível esses impactos poderão mesmo ser sentidos a muitos quilómetros de distância da fonte de derrame. Para assegurar que o estudo cobre uma área suficiente, a Área de Estudo foi alargada muito para além dos limites das áreas de licença ao abrigo do CPP e do APP, principalmente no que respeita à situação de referência em termos biofísicos. A Área de Estudo é indicada na Figura 5.1. ENVIRONMENTAL RESOURCES MANAGEMENT SEPI 5-2 Figura 5.1 Áreas de licença ao abrigo do CPP e do APP e campos Pande, Temane e Inhassoro ENVIRONMENTAL RESOURCES MANAGEMENT SEPI 5-3 INSERIR MAPA DE LOCALIZAÇÃO ENVIRONMENTAL RESOURCES MANAGEMENT SEPI 5-4 5.2 AMBIENTE FÍSICO 5.2.1 Clima Temperatura As tendências em termos de temperatura diurna e mensal na Área do Projecto são apresentadas a seguir. As temperaturas variam normalmente entre os 20 ºC e os 28 ºC, com as temperaturas mais elevadas a serem registadas entre Dezembro e Abril. Quadro 5.1 Temperaturas mínimas, máximas e médias (local da Unidade Central de Processamento, 2010 – 2013) Mês Jan. Fev. Mar. Abril Maio Junho Julho Ag. Set. Out. Nov. Mínima Média Máxima 19,2 27,0 35,0 19,0 26,4 36,1 17,9 26,2 35,4 14,0 23,3 32,9 10,6 21,4 33,8 4,9 19,9 32,3 8,8 20,3 32,5 9,7 22,9 37,1 13,8 24,1 35,3 14,9 25,6 37,3 7,7 18,8 31,0 Dez. 17,2 26,6 35,6 Fonte: Golder Associates. Relatório da Avaliação de Impacto Ambiental do Projecto de Desenvolvimento no Âmbito do Acordo de Partilha de Produção (APP) e Projecto de Produção de Gás de Petróleo Liquefeito (GPL). 2013. Precipitação e tempestades A precipitação média mensal na Unidade Central de Processamento para o período de 2010 a 2013 é indicada na figura a seguir. Aproximadamente 82% da precipitação ocorre no Verão, de Dezembro a Abril. A precipitação média anual para o período 2011-2013 foi de 782 mm. Figura 5.2 Precipitação medida na Unidade Central de Processamento da SASOL: 2010 2013 Fonte: Golder 2014 Ventos ENVIRONMENTAL RESOURCES MANAGEMENT SEPI 5-5 Os ventos dominantes são ventos de sul e este (figura a seguir). As velocidades de vento entre 3 m/s e 4 m/s ocorrem durante cerca de 43% do tempo e velocidades superiores a 6 m/s ocorrem apenas 5,6% do tempo1. Figura 5.3 Rosas-dos-ventos diurnas e do período dos ventos Fonte: Golder Associates. Relatório da Avaliação de Impacto Ambiental do Projecto de Desenvolvimento no Âmbito do Acordo de Partilha de Produção (APP) e Projecto de Produção de Gás de Petróleo Liquefeito (GPL). 2013. Foram utilizados os dados sobre os ventos do modelo MM5 da Lakes Environmental para Vilanculos, já que esse fornece informações sobre ventos em altitude, importantes numa análise sobre a dispersão da qualidade do ar. O registador de vento da SASOL instalado na Unidade Central de Processamento não mede ventos em altitude. Porém, os dados sobre os ventos ao nível do solo da Lakes Environmental e da SASOL são muito semelhantes, pelo que os dados da Lakes Environmental podem por isso ser utilizados com confiança. 1 ENVIRONMENTAL RESOURCES MANAGEMENT SEPI 5-6 Ciclones O clima de Moçambique é influenciado pelo movimento da Zona de Convergência Intertropical e pelos ventos alísios do oceano Índico, que, a sul da latitude 20º S, contribuem para chuvas intensas em Dezembro e Janeiro, altura em que se podem registar ciclones. Os ciclones têm origem perto da ilha de Madagáscar, no Canal de Moçambique, e dão origem a tempestades, elevada precipitação (causando muitas vezes inundações sazonais) e ventos fortes com velocidades de até 100 km/h ou mais (Muchangos 1999). Por isso, conforme se pode ver na Figura 5.4, há um elevado risco de se verificarem ciclones (4 a 7 por ano) na Área de Estudo. A estação dos ciclones nesta região vai de Dezembro a Março, com o pico a verificar-se em Dezembro e Janeiro. Figura 5.4 Ocorrência de ciclones tropicais no sul de Moçambique desde 1970 Fonte: Golder Associates 2014 5.2.2 Topografia A Área de Estudo está situada na vasta planície costeira do sul de Moçambique, onde a altitude raramente ultrapassa os 500 m acima do nível do mar (masl). A topografia é em geral plana e de terras baixas, variando entre menos de 20 masl e mais de 60 masl na parte sul da Área de Estudo. ENVIRONMENTAL RESOURCES MANAGEMENT SEPI 5-7 Uma crista baixa separa a linha de costa do rio Govuro. As depressões na paisagem normalmente formam zonas húmidas e lagos, com o maior lago a ter mais de 5000 ha. 5.2.3 Geologia A Área de Estudo está situada na planície costeira existente ao longo de grande parte do litoral de Moçambique. Essa planície costeira consiste em areias não consolidadas de grão fino a médio de origem eólica (e/ ou marinha) que se encontram por cima do calcário carsificado e dos calcarenitos da Formação de Jofane. As formações geológicas mais importantes relevantes para este estudo são indicadas a seguir. A Formação de Calcário de Jofane, que está assente em rególito vermelho do Quaternário, com um teor ligeiramente argiloso. Esses solos têm uma profundidade de até 6 m e uma permeabilidade de 10 cm/s a 5 cm/s. Por baixo dos solos do Quaternário encontra-se um calcário meteorizado e fissurado amarelo-claro da Formação de Calcário de Jofane (do Terciário Superior). O grau de meteorização é de cerca de 20 m, diminuindo com a profundidade. Abaixo dos 20 m, aproximadamente, encontra-se um calcário lixiviado e fracturado. A fracturação vai até aos 50 m aproximadamente. Abaixo dos 50 m, esse calcário é descrito como lixiviado e, em alguns locais, tem uma estrutura alveolar. Essa litologia vai até uma profundidade de cerca de 100 m, o que constitui a base da Formação de Jofane. Por baixo da Formação de Calcário de Jofane encontra-se um arenito do Terciário Inferior, intercalado por horizontes argilosos (Palmer 2003). Areias não consolidadas a este do rio Govuro. Estudos geológicos realizados nas proximidades da Área de Estudo indicam que as areias do Quaternário ao longo da crista dunar têm uma espessura de cerca de 50 m. A Formação de Calcário de Jofane pode ter até 130 m de espessura na parte costeira da Área de Estudo. ENVIRONMENTAL RESOURCES MANAGEMENT SEPI 5-8 INSERIR CARTA GEOLÓGICA ENVIRONMENTAL RESOURCES MANAGEMENT SEPI 5-9 5.2.4 Solos e capacidade de uso do solo Na Área de Estudo encontram-se dois tipos de solos: Solo de Tipo A - Vasas argilosas e Solo de Tipo C – Areias costeiras. Vasas argilosas (Solo de Tipo A) As vasas argilosas (Solo de Tipo A) parecem dominar a área a oeste do rio Govuro. Esses solos de vasa de argila arenosa sem agregação, de cor vermelha e bem drenados, parecem ser em grande parte solos profundos, já que o calcário do Neógeno que está por baixo é encontrado apenas de forma pouco frequente. A cobertura de solo eólico-coluvial é na sua maior parte profunda (Solo de Subtipo Aa), apesar de em alguns locais o calcário do Eógeno que está por baixo chegar até aos 1,5 m abaixo da superfície (Solo de Subtipo Ab). Ambos os subtipos são classificados como luvissolos háplicos (ródicos) na Base de Referência Mundial para Recursos de Solos. No sistema taxonómico sul-africano, esses solos com carbonato endurecido por baixo de um horizonte B sem agregação e de cor vermelha no espaço de 150 cm são classificados como solos de tipo Plooysburg; os que não têm são classificados como solos de tipo Hutton. Quanto aos solos de vasa argilosa de cor vermelha a oeste do rio Govuro (Solo de Tipo A), a análise dos dados indicou o seguinte (Fonte: Golder Associates 2014): Matéria orgânica, acidez e macroelementos: Tanto os horizontes A como os subsolos são muito ligeiramente ácidos a moderadamente alcalinos com os valores do pH da água a variarem entre 6,7 e 8,3. Os teores de matéria orgânica nos horizontes A são moderados, com valores entre 0,9% e 1,9%. Os níveis de fósforo extraível são muito elevados nos horizontes A (variando entre 97 mg/kg de solo e 143 mg/kg de solo) e elevados nos subsolos (variando entre 42 mg/kg de solo e 66 mg/kg de solo). Tanto os horizontes A como os subsolos apresentam elevados teores de cálcio e magnésio, numa relação que é favorável ao desenvolvimento das plantas e à estabilidade dos solos. O estado do potássio não foi determinado. As quantidades de sódio surgiram como inofensivas (0,3 cmol/kg de solo a 0,7 cmol/kg de solo tanto no horizonte A como nos subsolos). Os solos têm um bom poder tampão e são resistentes a alterações. Outros elementos inorgânicos: As concentrações dos elementos que poderão causar efeitos adversos na saúde dos solos, nas culturas e na água, tais como, cádmio, cobre, chumbo, mercúrio, níquel e enxofre, são baixas e em grande medida semelhantes em solos de cobertura e subsolos. Foram detectados muito poucos ou nenhuns componentes hidrossolúveis. Para obter mais informações sobre os possíveis gradientes nas concentrações, da superfície do solo para baixo, analisou-se um conjunto de amostras de solo ENVIRONMENTAL RESOURCES MANAGEMENT SEPI 5-10 superficial – incluindo solos de cobertura superiores (0 cm – 4 cm) e subsolos superiores (40 cm a 50 cm). Compostos orgânicos: Não se detectou quaisquer compostos orgânicos. Os solos de vasa argilosa de cor vermelha têm um potencial baixo (solos superficiais da Classe IV) a moderado (solos mais profundos da Classe III) para culturas anuais de sequeiro. É muito provável que esta avaliação se aplique a todos os solos de vasa argilosa de cor vermelha a oeste do rio Govuro. Areias costeiras (Solo de Tipo C) As areias costeiras (Solo de Tipo C) dominam a área a este do rio Govuro e são bastante extensivamente utilizadas para o cultivo de milho e amendoim, contando porém com árvores e arbustos em número suficiente para limitar a erosão eólica. Os solos costeiros consistem em areias profundas ou muito profundas, de cor cinzenta ou de um cinzento com um amarelado muito claro. Os horizontes A são compostos por uma secção superior fina e escurecida e por uma secção inferior branca ou cinzenta. Os subsolos exibem as cores típicas da humidade e da falta dela tanto do horizonte álbico (Base de Referência Mundial) como do horizonte E (sistema taxonómico sul-africano). Não se sabe ao certo qual é o estado da drenagem interna dos solos arenosos, mas há indicações de que o nível freático sazonal elevado irá para além da profundidade dos perfis dos solos avaliados. A falta de características redoximórficas (aspecto mosqueado) é o melhor indicador de um nível freático profundo. O aspecto mosqueado consiste em padrões de cores no solo formados pela oxidação e redução de ferro e/ou manganésio causadas por condições saturadas presentes no solo. A ausência de sesquióxidos (i.e. óxidos hidratados e óxidos de metal que se acumulam no perfil do solo em resultado da hidrólise avançada de minerais meteorizados) é mais um sinal de que o nível freático vai para além da profundidade dos perfis dos solos. Quanto às areias costeiras (Solo de Tipo C), a análise dos dados indicou o seguinte (Fonte: Golder Associates 2014): o Esses solos exibiram um acentuado nível de variabilidade, devido à natureza dinâmica da deposição de areia e à erosão que se verifica ao longo do tempo na área costeira. O conjunto de amostras, muito limitado, indica valores de pH que variam entre 5,5 e 6,8, acidez permutável variável e percentagens de sódio permutável aproximadas; e o Esses solos são geralmente pobres em nutrientes e têm pouco poder tampão. Com excepção para o facto de os teores de magnésio serem baixos em alguns locais, parece haver pouco ou nenhum desequilíbrio em termos de nutrientes. Estes solos respondem bem à aplicação de estrume e absorvem bem a água. Todavia, por terem pouco poder tampão não são resistentes a poluição ou a alterações induzidas. As areias costeiras têm um potencial moderado (solos da Classe III) para culturas anuais de sequeiro. Tratam-se de solos que apresentam um risco ENVIRONMENTAL RESOURCES MANAGEMENT SEPI 5-11 moderado a elevado de erosão eólica, se expostos, dada a fraca estabilidade inerente aos mesmos. Por se ter presenciado poucos ou nenhuns sinais de erosão eólica nesses solos arenosos planos na Área do Projecto, o risco de erosão eólica deverá ser moderado. Porém, uma grande e prolongada exposição desses solos aumentaria o risco de erosão eólica para risco elevado. Tendo em consideração tendências nacionais, o Grupo Banco Mundial 2011 prevê um declínio na produção de milho de entre 7% e 16% entre a década de 1990 e a década de 2080, devido a alterações climáticas. Tendo em conta os efeitos da seca sobre o uso da terra em sequeiro, há uma certa incerteza sobre a adequabilidade da área para culturas tropicais ou subtropicais de amendoim e afins e de frutos em sequeiro e para culturas de bambu e outra madeira. ENVIRONMENTAL RESOURCES MANAGEMENT SEPI 5-12 INSERIR CARTA DE SOLOS ENVIRONMENTAL RESOURCES MANAGEMENT SEPI 5-13 5.2.5 Águas superficiais O rio Govuro tem aproximadamente 185 km de comprimento e passa na Área de Estudo de sul (Cheline) para norte (Macovane), mais ou menos paralelo à costa. O rio Govuro é considerado como um dos rios mais importantes na parte norte da Província de Inhambane. A bacia hidrográfica escoa para pântanos de mangue altamente diversificados no estuário do rio Govuro. Vastas zonas húmidas sazonais e permanentes estão associadas ao rio. Associados ao rio, numa cadeia norte-sul, estão também uma série de lagos costeiros de dimensões muito variáveis. Apesar de se pensar que a maior parte desses lagos será de água doce, as suas origens hidrográficas nunca foram estudadas. Grande parte deles parecem ser alimentados por água subterrânea, mas alguns estão ligados à planície de cheia do Govuro por uma ligação à superfície que é visível em imagens de satélite. Os caudais variam sazonalmente, com as maiores descargas médias a coincidirem com os registos de precipitação da área. A água é de excelente qualidade, estando a falar-se de água doce e límpida com baixos valores de salinidade. Com base na recolha de amostras realizada pela Golder em 2014, pode deduzir-se que essa água tem uma qualidade superior à qualidade da água recomendada pelas directrizes e normas que possam ser utilizadas para a comparação. Nos lagos costeiros, a salinidade varia apesar de medições recentes terem indicado que na maior parte dos casos se está na presença de lagos de água doce. A este da bacia hidrográfica, os pequenos cursos de água costeiros que desaguam para a costa são cursos de água doce alimentados principalmente por água subterrânea que se acumula nas areias costeiras. Alguns desses cursos de água escoam através de pântanos de mangue para pequenos estuários costeiros, enquanto outros formam braços mortos por trás de dunas costeiras. Na parte norte da Área de Estudo, os estuários do Govuro e do Save, juntos, criam uma das maiores áreas de pântano de mangue em Moçambique. 5.2.6 Água subterrânea Fluxo de água subterrânea O fluxo de água subterrânea é controlado pela topografia, o que quer dizer que a água subterrânea se desloca de áreas altas para áreas baixas. De acordo com o Relatório da Avaliação de Impacto Ambiental do Projecto de Desenvolvimento no Âmbito do Acordo de Partilha de Produção (APP) e Projecto de Produção de Gás de Petróleo Liquefeito (GPL), a área de Temane tem uma altura do nível das águas geral de 16 masl a 25 masl, com o fluxo a dirigir-se para o rio Govuro a este. ENVIRONMENTAL RESOURCES MANAGEMENT SEPI 5-14 Os campos de poços a nordeste em direcção a Inhassoro são caracterizados por níveis das águas mais profundos (> 31 masl), criando uma linha divisória de águas entre as dunas costeiras e o rio Govuro. Verifica-se também uma situação semelhante em direcção à área costeira a sudeste (área de Chipongo). A profundidade do nível freático diminui mais perto do rio Govuro. Durante a estação das chuvas, o rio contribui com água para o sistema de água subterrânea. Durante as condições de caudal reduzido no Inverno, a água subterrânea contribui com água para o sistema fluvial, havendo assim uma interacção entre os sistemas de águas superficiais e de água subterrânea. Qualidade da água subterrânea A qualidade da água subterrânea é controlada pela recarga anual do sistema de água subterrânea, pelo tipo de rocha, pela dinâmica dos fluxos nos aquíferos e pelas fontes de poluição. Recolhas de amostras indicam que a qualidade da água subterrânea é dominada por iões de cálcio e magnésio (Ca e Mg) a oeste de Temane e cloreto de sódio (NaCl) em direcção à costa. Esse último é típico de um ambiente salgado associado ao aquífero calcário de Jofane que ocorre na área. As elevadas concentrações de sólidos dissolvidos totais, principalmente de sódio e magnésio, fazem com que a água tenha um sabor salobro (ligeiramente salgada). A salinidade diminui em direcção à costa. Parâmetros dos aquíferos Aquando do Relatório da Avaliação de Impacto Ambiental do Projecto de Desenvolvimento no Âmbito do Acordo de Partilha de Produção (APP) e Projecto de Produção de Gás de Petróleo Liquefeito (GPL), os furos testados variaram em termos de profundidade entre 20 m e 150 m e apresentaram transmissividades entre 541 m2/d e 9245 m2/d. Isso significa que os atributos dos aquíferos não estão directamente relacionados com um aquífero de calcário mais profundo mas sim com um misto de sistemas. A transmissividade através do aquífero de calcário foi em média de 551 m2/dia, com a água na zona pouca profunda superior a deslocar-se a aproximadamente 16 m2/dia. As maiores transmissividades dever-se-ão provavelmente a um calcário muito carsificado e/ou a aquíferos de areia permeável mais perto da costa. 5.2.7 Qualidade do ar De acordo com o Relatório da Avaliação de Impacto Ambiental do Projecto de Desenvolvimento no Âmbito do Acordo de Partilha de Produção (APP) e Projecto de Produção de Gás de Petróleo Liquefeito (GPL), a SGS Environmental realizou nos últimos anos várias campanhas de monitorização de ar ambiente na Unidade Central de Processamento. As medições incidiram sobre SO2, NO2, precipitação de poeiras e PM10 e as principais conclusões são indicadas a seguir: As medições de SO2 ficaram abaixo do limite de detecção do laboratório; ENVIRONMENTAL RESOURCES MANAGEMENT SEPI 5-15 As previsões de referência quanto a NO2 foram melhores que os valores observados que indicaram estar-se na presença de valores baixos (i.e. inferiores a 11 μg/m³); As concentrações de PM10 na Unidade Central de Processamento foram em geral muito inferiores à norma do Plano de Gestão Ambiental das Operações que é de 75 μg/m³. Como conclusão, a qualidade do ar de referência à volta da Unidade Central de Processamento apresentou-se como estando bastante dentro dos valores das normas do Plano de Gestão Ambiental das Operações da SEPI e de Moçambique, como se pode ver pelas observações e pelas previsões obtidas com um modelo de dispersão. 5.2.8 Ruído A maior parte da área situa-se em ambientes rurais muito sossegados e não afectados nem por ruído de tráfego nem por fontes de ruído industrial. As medições realizadas por Malherbe 2008 na área de Inhassoro indicaram níveis de ruído variáveis na casa dos 35 dBA que se esperava que diminuíssem à noite, em alguns casos, para menos de 30 dBA, consoante o ruído causado pelos insectos. O ruído tem significado apenas nas áreas à volta da Unidade Central de Processamento, atingindo os 65 dB(A), de acordo com as medições apresentadas no Relatório da Avaliação de Impacto Ambiental do Projecto de Desenvolvimento no Âmbito do Acordo de Partilha de Produção (APP) e Projecto de Produção de Gás de Petróleo Liquefeito (GPL). campos ENVIRONMENTAL RESOURCES MANAGEMENT SEPI 5-16 5.3 AMBIENTE BIOFÍSICO 5.3.1 Vegetação e flora Vegetação A vegetação e as unidades de habitat na Área do Projecto são resumidas no Quadro 5.2. Quadro 5.2 Unidades de vegetação/ habitat na Área do Projecto Tipo de vegetação/ Descrição habitat Mosaico de moita e Um mosaico de floresta e vegetação de moita densa com pequenas floresta mista (Unidade 1) mas frequentes áreas de floresta alta ou moita em montes construídos por térmites. Consiste na maior unidade de habitat na área de Temane/ Inhassoro da Área de Estudo. Surge apenas a oeste do rio Govuro entre o rio Save, a norte, e Inhambane, a sul (cerca de 300 km) e numa área entre ~20 km a 60 km a partir da costa. Moitas densas têm árvores com até 18 m de altura. Moitas baixas têm frequentemente 95% a 100% de coberto florestal e são impenetráveis. A riqueza de espécies e o coberto de trepadeiras lenhosas são elevados, e muitas das espécies de flora restringem-se muito ou totalmente a esse habitat. Palmeiras Lala (Uchema), utilizadas para produzir vinho de palma, ocorrem nas unidades de vegetação/ habitat 1 e 2. O corte de árvores em toros, na maior parte dos casos realizado de forma ilegal, provocou uma grave sobreexploração da chanfuta (Afzelia quanzensis). Moita e floresta baixa de Predomina na área a este do rio Govuro, com as comunidades de Julbernardia-Brachystegia, moitas baixas a apresentarem a maior riqueza de espécies. As maiores e mais bem conservadas áreas de floresta costeira e floresta (Unidade 2) (inclui dunar ao longo de 90 km de costa ocorrem neste habitat, com árvores florestas costeiras e que chegam a atingir os 18 m na floresta costeira. florestas dunares) As árvores Julbernardia globiflora e Brachystegia spiciformis não foram registadas em qualquer outro local na Área do Projecto. A falta de árvores de grande porte é provavelmente o resultado da prática actual e que vem já do passado de utilizar o fogo como forma de limpar os terrenos para o cultivo. Na parte este da Área do Projecto a Julbernardia e a Brachystegia são aparentemente sujeitas a um derrube insustentável com vista à venda de lenha. ENVIRONMENTAL RESOURCES MANAGEMENT SEPI 5-17 Tipo de vegetação/ habitat Planície de cheia do rio Govuro Descrição Os sistemas de zonas húmidas que ocorrem na zona costeira incluem planícies de cheia ribeirinhas, pântanos, depressões (em grande parte na planície de cheia do rio Govuro) e florestas de mangue (mareais) ao longo da costa. A vegetação de pântano e as comunidades de plantas higrófilas de pradaria restringem-se totalmente ao rio Govuro e a partes da Província de Inhambane. Várias espécies vegetais restringem-se muito ou totalmente a essas planícies de cheia, incluindo um carriço – um novo registo para Moçambique – e uma herbácea que poderá representar um ecótipo único. O rio Govuro tem um papel crucial na manutenção dos pântanos de mangue junto da sua foz na baía de Bartolomeu Dias, considerados como um dos mangais mais ricos em espécies em toda a costa marítima da África Oriental (http://ramsar.wetlands.org), onde se verifica pesca comercial e de subsistência. Para as comunidades locais, o rio é fonte de água potável, de materiais de construção (caniço) e de colmo resistente a térmites (D’jeca ou Musule) e ajuda na atenuação das cheias. Cursos de água costeiros Nos 90 km de costa que vão da foz do rio Govuro, a norte, até à baía (todas as bacias de Ponta Chiuzine (a sul de Vilanculos) há apenas 9 cursos de água hidrográficas a 7 km ou costeiros. As bacias hidrográficas de três desses rios, e uma parte da menos da costa a bacia hidrográfica de um outro, situam-se na Área do Projecto. Os desaguarem para o cursos de água contêm turfeiras, os únicos depósitos de turfa oceano) confirmados a norte de Maputo, no sul de Moçambique. Há várias espécies vegetais que se restringem muito ou totalmente a esses habitats. Três dos quatro novos registos de plantas para Moçambique e um dos dois prováveis ecótipos foram registados apenas nas turfeiras. O maior dos três cursos de água costeiros na Área de Estudo é também o mais bem conservado e o que apresenta a maior diversidade de habitats quando comparado com qualquer um dos outros cursos de água costeiros existentes ao longo dos 90 km de costa. Os cursos de água costeiros são muito importantes para manterem as grandes comunidades de floresta de mangue ricas em espécies nos seus estuários. Essas florestas de mangue são as maiores ainda existentes ao longo de um troço de costa com aproximadamente 90 km. Mas esses cursos de água são também cruciais para manterem os vastos estratos de vegetação marinha dos bancos de areia rasos da foz dos rios que constituem um habitat importante para o dugongo. Esses cursos de água são portanto considerados como tendo um elevado valor em termos de conservação e de biodiversidade. Linhas de drenagem A este do rio Govuro encontram-se vários cursos de água efémeros, efémeras (registam com até mesmo em alguns casos grandes planícies de zonas caudais apenas em caso húmidas efémeras, que desaguam para o rio Govuro. Esses cursos de precipitação elevada e de água contribuem significativamente para a diversidade florística podem estar e de habitats na Área do Projecto. Têm um valor funcional completamente secas importante já que contribuem para manter os padrões hidrológicos e durante grandes períodos a qualidade da água dos sistemas para os quais desaguam. Foram de tempo, vários anos ou várias as espécies vegetais registadas apenas em linhas de drenagem até mesmo décadas) efémeras. ENVIRONMENTAL RESOURCES MANAGEMENT SEPI 5-18 Tipo de vegetação/ habitat Pântanos de mangue Descrição As maiores e únicas áreas de florestas de mangue estuarinas ainda existentes entre a foz do rio Govuro, a norte, e a península de Ponta Chiuzine, a sul de Vilanculos, (um troço de costa com 90 km) ocorrem na foz dos dois maiores cursos de água costeiros na Área do Projecto. Na África do Sul florestas de mangue muito produtivas apresentam cinco espécies de árvores de mangue. Em Moçambique as florestas de mangue apresentam uma diversidade de espécies elevada comparativamente às da África do Sul, com oito espécies das 11 espécies de árvores de mangue registadas para Moçambique confirmadas. A extremidade da floresta de mangue do lado do mar é ladeada por planícies de vasa visitadas por bandos de aves pernilongas. Lagos de barragem Na área de estudo mais vasta surgem doze lagos de barragem, dois (sistemas endorreicos, i.e. deles perto de locais de plataformas de poço propostos: um lago sem escoamento ou com aproximadamente 22 ha cerca de 600 m a sul do poço de afluxo canalizado, petróleo I-G6PX-2, e outro com aproximadamente 48 ha cerca de resquícios de níveis de 200 m a este do poço de gás T-19A. Sobre a vegetação dos lagos de mar antigos) barragem da Área de Estudo ou áreas envolventes não se conseguiu encontrar nem qualquer material publicado nem quaisquer relatórios da especialidade. A pequena herbácea Helichrysopsis septentrionale registada nas zonas eulitorais de ambos os lagos é uma nova espécie para Moçambique. Esta unidade de vegetação/ habitat consiste num habitat muito especializado e espacialmente restrito que poderá acolher diversas espécies endémicas desses lagos, pelo que tem um elevado valor em termos de conservação. Comunidades pioneiras Este é um ecossistema único que ocorre ao longo de cerca de 3 km de dunas monticuladas de costa em pequenas dunas primárias do lado de terra de uma (comunidades pioneiras floresta de zonas de mangue situada abaixo da marca de preia-mar. de espécies que toleram a O lado de terra das dunas consiste em zonas húmidas de água doce salinidade (halófitas) e formadas por afluentes de cursos não permanentes de cursos de que se restringem a água costeiros e por exsudações de dunas frontais altas (com dunas primárias) comunidades de floresta dunar). Essas dunas com vegetação deverão ter um papel importante já que por um lado permitirão que se verifique exsudação de água doce em direcção aos pântanos de mangue e por outro protegerão os afluentes contra uma ondulação mareal. Golder 2014 identificou um habitat importante que se centra à volta do Nhangonzo, um curso de água costeiro quase intacto a nordeste de Mangaralane. A área inclui turfeiras, zonas húmidas e florestas costeiras e dunares, todas elas vastas e que acolhem uma população de vida selvagem, espécies vegetais endémicas descobertas pela primeira vez, plantas e animais constantes de listas vermelhas, florestas de mangue de grandes dimensões que são ao mesmo tempo as mais bem conservadas numa área de 90 km de costa e que dão acesso a planícies de vasa e estratos de vegetação marinha que funcionam como habitat para milhares de aves pernilongas e para a única população viável de dugongo em Moçambique. Estudos sobre a biodiversidade complementares realizados para esta área em 2014 e 2015 permitiram recolher dados adicionais que vêm apoiar a designação da mesma. Os tipos de habitats identificados na área de habitat importante incluem vegetação ripícola/ cursos de água costeiros; mosaico de moita e floresta de Miombo fechada e baixa; mosaico de moita de Miombo aberta e baixa; moita de Miombo fechada e baixa; moita costeira e mato dunar; floresta dunar costeira; mangue; e mosaico de moita e floresta perturbada/ machamba. Esses ENVIRONMENTAL RESOURCES MANAGEMENT SEPI 5-19 tipos de habitats são descritos ao pormenor em Golder 2014 (Relatório Final da Avaliação de Impacto Ambiental. Projecto de Desenvolvimento no Âmbito do Acordo de Partilha de Produção (APP) e Projecto de Produção de Gás de Petróleo Liquefeito (GPL)). Flora Na Área de Estudo encontraram-se várias espécies vegetais cuja conservação é importante, por serem espécies constantes da lista vermelha da IUCN como espécies em risco elevado de extinção ou por serem espécies endémicas com uma distribuição localizada. Nos campos Inhassoro/ Temane, a principal flora cuja conservação é importante inclui várias espécies identificadas na área de habitat importante, incluindo: Duas espécies arbóreas cuja conservação é importante (Dalbergia melanoxylon e Pterocarpus angolensis) classificadas na lista da IUCN 2015 como espécies de menor risco – quase ameaçadas surgem na Área de Estudo; Dez espécies estão classificadas como espécies pouco preocupantes e uma espécie (Xylia mendoncae) está classificada como espécie sobre a qual não há dados suficientes (i.e. não há dados suficientes para se proceder à avaliação directa ou indirecta do risco); Quatro espécies constam da lista vermelha de Moçambique. A saber: Xylia mendoncae (espécie vulnerável, endémica da Província de Inhambane mas relativamente comum); Afzelia quanzensis (espécie de menor risco – quase ameaçada); Diospyros inhacaensis (quase endémica); e Eulophia petersii (espécie sobre a qual não há dados suficientes). Crinum stuhlmannii é uma espécie classificada na lista vermelha da África do Sul como espécie em declínio. Para além disso, três espécies de carriço encontradas num curso de água costeiro são registos novos para Moçambique e uma quarta espécie foi encontrada perto de um lago de barragem situado fora da Área de Estudo (De Castro & Grobler 2014). Estudos adicionais que se venham a realizar na Área do Projecto poderão muito provavelmente revelar novas espécies ou novos registos de distribuição para espécies cuja conservação é importante. Na parte norte da Área de Estudo, e inclusivamente no bloco Pande, realizaram-se estudos recentemente que poderão ter revelado a presença de outra flora importante do ponto de vista da conservação. Aceder-se-á aos resultados desses estudos para a Avaliação de Impacto Ambiental. 5.3.2 Fauna terrestre Espera-se que na Área de Estudo ocorram 29 espécies de rãs, 56 espécies de répteis, 275 espécies de aves e 94 espécies de mamíferos, números estimados, num total de 454 espécies animais (Golder 2013). Os biótipos de floresta e moita poderão acolher a maior diversidade de fauna terrestre (362 e 363 espécies, respectivamente). As zonas húmidas costeiras são o habitat com o ENVIRONMENTAL RESOURCES MANAGEMENT SEPI 5-20 segundo maior registo de espécies de fauna (com 156 espécies), seguidas do rio Govuro e planície de cheia (143 espécies). A maior parte das espécies são generalistas em termos de habitat e têm uma distribuição generalizada. A maior parte dos mamíferos de maior porte (e.g. antílope, elefante, leão, hipopótamo) já não tem qualquer ocorrência, enquanto o leopardo e o inhala podem ser elementos ocasionais em habitats de floresta mas estão sob uma elevada ameaça de perseguição por parte do homem. Ainda é possível ver um grupo de babuínos Papio ursinus mas há muitos sinais de que essa espécie é capturada como carne de caça. Estudos sobre o Nhangonzo (curso de água costeiro) e respectivas zonas húmidas no sul da Área de Estudo, identificados como habitat importante (SASOL 2013, 2014), confirmaram a presença de fauna significativa que dá força à designação da área como habitat importante. A saber: Presença de um pequeno réptil escavador em habitats arenosos, que até então se pensava estar restrito apenas à ilha de Bazaruto. Apesar de não ter sido avaliado pela IUCN poderá ser uma espécie vulnerável ou até mesmo em vias de extinção; Presença de populações de Panaspis sp. e de Atractaspis sp. na região de Inhassoro-Vilanculos, se essas espécies forem confirmadas como novas; Importância de alguns novos répteis endémicos de Moçambique (Acontias aurantiacus bazarutensis e Mochlus lanceolatum), classificados como vulneráveis, que ocorrem em elevadas concentrações e com uma distribuição limitada. Foi identificado um novo limite sul de distribuição para o Trachylepis boulengeri; Presença do canário Crithagra citrinipectus de distribuição restrita; Importância de habitats para aves migratórias do Paleárctico e aves que só migram dentro do continente africano, incluindo o gaio azul e o falcão cinzento, espécies consideradas quase ameaçadas a nível mundial. Estima-se que a unidade de vegetação/habitat de moita e floresta mista acolha 7 espécies de rãs, 51 espécies de répteis, 213 espécies de aves e 92 espécies de mamíferos. Doze espécies constantes de listas vermelhas podem aparecer nesta área: abutre real (Torgos tracheliotus) e abutre de cabeça branca (Trigonoceps occipitalis); aves de rapina: águia pintada (Terathopius ecaudatus), tartaranhão de peito branco (Circus macrourus), águia marcial (Polemaetus bellicosus), águia coroada (Stephanoaetus coronatus) e falcão cinzento (Falco concolor); gaio azul (Coracias garrulus); beija-flor de garganta azul (Anthreptes reichenowi); secretário (Sagittarius serpentarius); morcego Hipposideros vittatus e leopardo Panthera pardus. Nas florestas da área não se encontram muitas espécies de mamíferos constantes de listas vermelhas e provavelmente só o morcego Hipposideros vittatus e o leopardo Panthera pardus ocorrerão em pequenos números nas partes mais isoladas e mais densas da Área de Estudo. Um grupo de babuínos foi observado na Área de Estudo numa área isolada e densa de floresta não transformada de Julbernardia-Brachystegia, perto da costa, um avistamento raro ENVIRONMENTAL RESOURCES MANAGEMENT SEPI 5-21 para a região de Inhassoro. A densidade de espécies de caça de pequeno porte é mais elevada em direcção à costa do que na restante parte desse tipo de vegetação. O habitat de moita e floresta de Julbernardia-Brachystegia (Unidade 2) pode acolher 7 espécies de rãs, 51 espécies de répteis, 215 espécies de aves e 89 espécies de mamíferos. Este tipo de vegetação deverá proporcionar habitat às mesmas doze espécies constantes de listas vermelhas acolhidas pelo habitat da unidade 1 - moita e floresta mista – devido à semelhança das duas unidades em termos de estrutura e funcionamento. As florestas costeiras e dunares são o habitat predilecto da águia coroada (Stephanoaetus coronatus) e do beija-flor de garganta azul (Anthreptes reichenowi), ambos quase ameaçados. A planície de cheia do rio Govuro deverá proporcionar habitat a 29 espécies de rãs, 7 espécies de répteis, 74 espécies de aves e 33 espécies de mamíferos. Quatro espécies constantes de listas vermelhas podem aparecer nesta área: a tartaruga de casco mole (Cycloderma frenatum) e as aves de rapina tartaranhão de peito branco (Circus macrourus) e falcão cinzento (Falco concolor). Quanto ao hipopótamo Hippopotamus amphibious não se sabe ao certo qual o seu estado de conservação no rio. Os cursos de água costeiros, linhas de drenagem efémeras e lagos de barragem (zonas húmidas) possuem um habitat adequado para 29 espécies de rãs, 7 espécies de répteis, 92 espécies de aves e 28 espécies de mamíferos. Entre a fauna constante de listas vermelhas que se espera encontrar nestas zonas húmidas encontram-se a tartaruga de casco mole (Cycloderma frenatum), o tartaranhão de peito branco (Circus macrourus) e o falcão cinzento (Falco concolor). É também possível que o flamingo pequeno (Phoeniconaias minor), espécie quase ameaçada, visite estas zonas húmidas, principalmente os lagos de barragem. Não se sabe ao certo qual o estado de conservação do hipopótamo Hippopotamus amphibious na área, mas as condições de habitat são favoráveis à sua existência. Os pântanos de mangue, rodeados por vastas planícies de vasa, proporcionam áreas de alimentação para milhares de aves pernilongas tanto marinhas como de água doce. As águas com maiores profundidades constituem um habitat favorável para o dugongo (Dugong dugong), um mamífero marinho constante de listas vermelhas. As áreas consideradas como não transformadas são provavelmente utilizadas, em diferentes graus, pela população local para recolha selectiva de recursos. 5.3.3 Ecologia aquática O rio Govuro é o maior rio de curso permanente na Área de Estudo, consistindo em rio com curso permanente (meio aquático) e respectiva ENVIRONMENTAL RESOURCES MANAGEMENT SEPI 5-22 planície de cheia (meio ripícola). Os habitats do rio Govuro apresentam-se em grande parte como não modificados, apesar de as zonas ripícolas serem muito cultivadas nas áreas que se situam mais perto das povoações. Uma tubagem que anteriormente atravessava o rio Govuro foi removida e dela não restam agora quaisquer vestígios. A única utilização de recursos vegetais no sistema fluvial digna de nota consiste na ceifa de caniço Phragmites australis e de capim-serra (Cladium mariscus), que são duas das espécies dominantes na zona central da planície de cheia. As árvores ripícolas são escassas já que a zona ribeirinha rapidamente se funde no sistema florestal terrestre. Os habitats dominantes para os peixes no rio Govuro são os habitats criados por vegetação emergente nas planícies de cheia pouco profundas do rio e a coluna de água criada pela parte central, e de maior profundidade, do rio. A planície de cheia com vegetação aquática constitui o habitat ideal para espécies piscícolas mais pequenas e alevins (que são protegidos por um coberto de vegetação suspensa), enquanto os habitats do rio nos pontos onde há uma maior profundidade de água são habitats ideais para espécies piscícolas de maior porte (onde a coluna de água funciona como uma cobertura). No sistema fluvial do Govuro espera-se que surjam 49 espécies piscícolas no total (Golder 2013), tendo-se colhido espécimes de 26 dessas espécies em estudos associados ao Projecto da SEPI. Foram registadas várias espécies marinhas ou de estuário, como, por exemplo tarpão do Indo-Pacífico (Megalops cyprinoides), peixe-diamante (Monodactylus argenteus), peixe-borboleta (Chaetodon sp.), roquinho campestre (Kuhlia rupestris), Ambassis producta, sargo Acanthopagrus berda, tainha olhalvo (Mugil cephalus) e tainha Liza macrolepis (Golder 2013). Entre o rio Govuro e a costa há doze lagos de barragem. A prevalência de sistemas lagunares e lagos costeiros deve-se por um lado à natureza de terras baixas arenosas da planície costeira e por outro ao padrão de deposição da areia. Alterações no nível do mar isolaram a linha de costa antiga, sistemas dunares e lagoas interiores em paralelo à actual linha de costa. Nos locais onde as lagoas costeiras ficaram totalmente isoladas formaram-se lagos de barragem. Pequenos cursos de água permanentes alimentam esses lagos enquanto outros são sazonais, ficando completamente secos durante a estação seca (ERM & Consultec 2009). De uma forma geral, os lagos não são lagos de água salgada e os fundos são arenosos com bastantes depósitos orgânicos. Por causa da reduzida altitude da área, os eventos de cheia são frequentes durante a estação das chuvas. Apesar de a flora e fauna terrestres ao longo dos lagos de barragem serem diversificadas, os lagos apresentam uma baixa diversidade aquática. Embora a diversidade seja baixa, a presença de água doce como fonte de água potável e a presença de peixe como fonte de alimento para o ser humano e também para vários animais piscívoros criam um ecossistema de elevado valor em termos de conservação. ENVIRONMENTAL RESOURCES MANAGEMENT SEPI 5-23 Seis espécies piscícolas surgiram como razoavelmente comuns nos cursos de água costeiros. A saber: bagre africano (Clarias gariepinus), Astotilapia calliptera, tilápia de Moçambique (Oreochromis mossambicus), tilápia-negra (Oreochromis placidus), perca Ctenopoma multispine e Aplocheilichthys hutereaui. ENVIRONMENTAL RESOURCES MANAGEMENT SEPI 5-24 5.4 AMBIENTE SOCIOECONÓMICO Esta secção apresenta uma descrição dos distritos de Inhassoro e Govuro para se fornecer uma descrição geral do contexto socioeconómico da Área de Estudo. A situação de referência será utilizada para avaliar potenciais impactos sociais e questões fatais associados ao Projecto. 5.4.1 Administração e localização geográfica Os distritos de Inhassoro e Govuro são os distritos costeiros do norte da Província de Inhambane. Ambos os distritos fazem fronteira com o oceano Índico a este e com o distrito de Mabote a oeste; o distrito de Govuro faz fronteira a norte com a Província de Sofala e o distrito de Inhassoro faz fronteira a sul com o distrito de Vilanculos. Isto é ilustrado na figura a seguir. Figura 5.5 Província de Inhambane e respectivos distritos em relação à Área de Estudo Fonte: Portal do Governo de Moçambique, www.inhambane.gov.mz O distrito de Govuro inclui dois postos administrativos e cinco localidades1. A área de Pande fica numa localidade do posto administrativo de Nova Mambone. A área de Temane situa-se na localidade de Maimelane, no posto Em Moçambique, a estrutura administrativa do país divide-se em províncias, distritos, postos administrativos, localidades e bairros. Em conformidade existe o Governo Provincial, o Governo Distrital, o Chefe Local (Régulo) e o Secretário do Bairro. 1 ENVIRONMENTAL RESOURCES MANAGEMENT SEPI 5-25 administrativo de Inhassoro, no distrito de Inhassoro. Isso é indicado no Quadro 5.3. Quadro 5.3 Estrutura administrativa da Área do Projecto Distrito Govuro Inhassoro Postos administrativos Nova Mambone Save Inhassoro Bazaruto 5.4.2 Localidades Mambone e Pande Jofane, Luido e Machacame Cometela, Inhassoro, Maimelane e Nhapele Bazaruto Demografia Ambos os distritos possuem uma baixa densidade populacional, com aproximadamente 10 pessoas/km2 em Govuro e 12 pessoas/km2 em Inhassoro. Esses números são significativamente inferiores à densidade populacional da Província de Inhambane, que é de 20,7 pessoas/km2 (INE 2012). Contudo, há informações de que em algumas áreas se registam focos de elevada densidade populacional, associados principalmente a migração para a área e ao estabelecimento de povoações ao longo da estrada principal (EN1) e em áreas costeiras. As populações de ambos os distritos registam ligeiramente mais mulheres do que homens (54% de mulheres e 46% de homens), o que sugere que alguns homens sairão dos distritos para procurar emprego em outros locais. Apesar de a província parecer atrair migração, essa situação não se estende aos distritos de Govuro e Inhassoro. Nestes distritos, a taxa de imigração é apenas um pouco superior à taxa de emigração, o que é sinal de baixos níveis de desenvolvimento. A emigração caracteriza-se de uma forma geral por homens que saem dos distritos à procura de melhores empregos (Distrito de Govuro 2011). A estrutura etária dos distritos é semelhante, com metade da população a ter entre 15 e 64 anos de idade e com aproximadamente 45% da população a ter menos de 15 anos de idade, sinal de uma população com uma elevada taxa de natalidade e uma reduzida esperança de vida, como se pode ver na Figura 5.6. ENVIRONMENTAL RESOURCES MANAGEMENT SEPI 5-26 Figura 5.6 Estrutura etária da população dos distritos de Govuro e Inhassoro Mais de 60% da população nos dois distritos é casada, registando-se aproximadamente 20% de viúvos, 7% de divorciados e 6% de solteiros. Vários estudos realçam a prática da poligamia em Moçambique, tanto ao nível local como ao nível nacional (Distrito de Govuro 2011). 5.4.3 Padrões de povoamento e condições de vida Os padrões de povoamento são semelhantes nos dois distritos. Mais de 80% das casas de ambos os distritos são construídas em madeira (82% em Inhassoro e 88% em Govuro). Porém, em Govuro as casas são construídas principalmente utilizando um misto de madeira e terra (68%), enquanto em Inhassoro 59% das casas não incluem qualquer terra na sua construção. As casas feitas em cimento e tijolo representam cerca de 7% das casas em ambos os distritos. A maior parte das pessoas não tem acesso a sistemas de saneamento ou água canalizada. Em Inhassoro, a maior parte da população tem acesso a poços de água protegidos (62%) ou poços de água destapados (25%) e só algumas pessoas utilizam fontes (4%). Em Govuro quase metade da população utiliza poços de água destapados (45%) e 30% utiliza os rios/ lagoas como fonte de água. Apenas 25% da população tem acesso a poços de água protegidos. Aproximadamente 40% dos agregados familiares têm um rádio e apenas 4,4% têm um televisor. Mais de 25% dos agregados familiares têm uma bicicleta, mas mais de 40% dos agregados familiares não possuem qualquer meio de transporte. O petróleo é a fonte de energia utilizada pela maior parte dos agregados familiares em ambos os distritos. Petróleo, lenha e velas representam 95% da energia utilizada pelos agregados familiares em Govuro e Inhassoro. Enquanto na Província de Inhambane aproximadamente 5% dos agregados familiares possuem electricidade, nos dois distritos abrangidos pela Área de Estudo apenas 1% das casas tem acesso a electricidade. Contudo, há ENVIRONMENTAL RESOURCES MANAGEMENT SEPI 5-27 planos para melhorar a ligação à rede de electricidade nacional, principalmente no distrito de Govuro que não está ligado à rede. A maior parte das povoações situa-se em zonas costeiras ou perto de bacias fluviais (considerando principalmente os rios Govuro e Save) pela maior facilidade de acesso a água. Essa localização também facilita o acesso às pescas e a solos com melhores condições para a prática de agricultura (Golder 2014; Distrito de Govuro 2011). 5.4.4 Educação As taxas de analfabetismo registadas nos vários grupos etários indicam que a educação está a melhorar e que há mais pessoas, principalmente do sexo masculino, a terem acesso a escolas. Contudo, as taxas de analfabetismo mantêm-se significativamente elevadas entre as mulheres, com números que são quase o dobro dos registados entre os homens. Os planos estratégicos provinciais e distritais colocam a educação como uma prioridade, incluindo tanto o ensino básico (7 anos) como o ensino técnico/ profissional. Na maior parte dos casos, as escolas estão ainda dispersas, com os alunos, para chegarem à escola, a terem de percorrer a pé distâncias muitas vezes superiores a 4 km e que em alguns casos podem chegar aos 10 km. O INE 2012 refere que tanto a educação como o acesso a escolas tem melhorado, facto que se pode dever ao aumento do número de escolas e de educadores nos distritos e também à implementação de um programa de fornecimento de alimentos aos alunos nas escolas. 5.4.5 Saúde Estudos nacionais sobre os cuidados de saúde revelam que as pessoas tendem a utilizar os serviços de saúde simultaneamente com os rituais e a medicina tradicional, vendo as duas práticas como uma terapia unificada e/ou complementar. O INE 2012 indica que em 2010 havia sete centros de saúde em Govuro (incluindo um em Pande) e três centros de saúde e um posto de saúde em Inhassoro. As melhorias verificadas ao nível dos cuidados de saúde nos distritos podem ser atribuídas à construção das instalações de saúde de Mangugumete e Temane por parte da SASOL (Golder 2014). Cada um dos distritos tem aproximadamente 4% do total de camas de hospital disponíveis na província. A falta de equipamento e a escassez de mão-de-obra especializada são os principais desafios nos distritos. Apesar de um terço das pessoas ter de percorrer mais de 10 km (e por vezes até 50 km) para aceder a instalações de cuidados de saúde, normalmente através de estradas em mau estado, as estatísticas indicam que o número de consultas médicas tem aumentado, principalmente na área da saúde materna e dos cuidados pós-natais. ENVIRONMENTAL RESOURCES MANAGEMENT SEPI 5-28 As doenças sexualmente transmissíveis são uma preocupação aos níveis nacional, provincial e distrital, principalmente devido à prática de poligamia. Muitos programas estratégicos visam combater esse problema, especialmente aumentando a consciencialização sobre o VIH/SIDA e prevenindo o VIH/SIDA. As estatísticas indicam por isso melhorias na formação e no desenvolvimento de capacidades, dos formadores e dos educadores de pares, que se centram em VIH/ SIDA, doenças sexualmente transmissíveis e saúde sexual e reprodutiva aos níveis provincial e distrital. Além disso, várias ONGs a trabalhar em serviços de saúde nessas áreas estão concentradas na área de VIH/SIDA. As estatísticas do distrito de Govuro indicam uma diminuição no número de mortes devido a campanhas de consciencialização e ao mais fácil acesso a preservativos e medicamentos (Distrito de Govuro 2011). 5.4.6 Património cultural Os Matsua e os Cindau são os principais grupos étnicos nos distritos de Govuro e Inhassoro (Golder 2014; Distrito de Govuro 2011) e o Chitsua é a principal língua falada. De acordo com o INE 2012, em termos de religiões a população é muito diversa, com as religiões, católica, sionista e evangélica a serem as mais dominantes. As igrejas, juntamente com as ONGs, são identificadas como as principais instituições que prestam serviços sociais e apoio nos distritos. A maior parte dos locais sagrados identificados no estudo sobre o património cultural realizado pela Golder em 2014 consistem em cemitérios. As comunidades locais na área também realizam cerimónias tradicionais, seguem mitos e rituais, fazem danças e cantam canções, nomeadamente: mapango, mukerelere, muphacho, mbhambha, mandique, mathanga, mahalaba, mbutsa, muthimba e kuhuchira-nwana (Distrito de Govuro 2011). Essas práticas tradicionais estão muitas vezes relacionadas com a celebração de acontecimentos familiares importantes, como, por exemplo, a entrada na adolescência, o nascimento ou a morte, ou com eventos económicos, tais como, chuva para a agricultura, ou sucesso na pesca ou na caça. Em Govuro, o desporto é uma parte activa e central da cultura local, como se pode ver pelo número de escolas e comunidades com infra-estruturas desportivas, eventos desportivos e equipas e pela presença de muitas associações desportivas. 5.4.7 Emprego e economia Em geral, os distritos abrangidos pela Área de estudo são caracterizados por um elevado índice de pobreza (Distrito de Govuro 2011). A agricultura de subsistência é um meio de subsistência muito importante e é muitas vezes utilizada para complementar os baixos rendimentos dos agregados familiares. ENVIRONMENTAL RESOURCES MANAGEMENT SEPI 5-29 As actividades agrícolas incluem o cultivo de culturas de milho, sorgo, amendoim, sésamo, batata, feijão, mandioca e legumes, por exemplo, pelo que os campos de cultivo de pequena e média dimensão são predominantes nos distritos. A criação de gado inclui frangos, patos, vacas, cabras, ovelhas e porcos e depende da disponibilidade de água, pastagens, solo fértil e florestas e do acesso a esses elementos. As comunidades na área dependem muito dos recursos naturais. Alimentos, bebidas, materiais de construção, lenha, carvão, produtos de artesanato e medicamentos são tudo fruto de plantas. Por toda a Área de Estudo, a caça de pequena escala é também importante e apesar de ser uma actividade proibida alguns relatórios descrevem-na como actividade de subsistência para algumas famílias. A maior parte das actividades agrícolas e de caça recorrem a métodos tradicionais, sem acesso a qualquer tecnologia ou equipamento sofisticado. Esses métodos incluem a utilização de enxadas na agricultura, arrasto à mão e anzol e linha na pesca e armadilha em arame na caça. Daí que a produção seja de pequena escala e principalmente para consumo do agregado familiar. Mesmo assim, em alguns casos alguns do produtos são vendidos para complementar os rendimentos dos agregados familiares. Os principais empregadores nos distritos são associações e ONGs bem como autoridades/ organismos governamentais (administração pública e sector da educação). Porém, há alguns poucos sectores onde as empresas privadas são os principais empregadores, como é o caso de comércio a retalho, recursos minerais, imobiliário/ alojamento, pescas, restauração e indústria alimentar (principalmente em Inhassoro). Perigos naturais, como eventos de cheias ou seca, são as maiores ameaças aos meios de subsistência na maior parte das comunidades dos distritos. Nos últimos cinco anos os pescadores também têm dito que está a ser cada vez mais difícil pescar peixe, um fenómeno natural que tem sido sentido por todos os distritos costeiros de Inhambane. Uma vez que a população local ainda utiliza a mão-de-obra para as actividades de agricultura e criação de gado e que existem apenas algumas actividades industriais, o impacto causado pelo homem nos ecossistemas dos distritos é reduzido. Nestes distritos, o Parque Nacional do Arquipélago do Bazaruto e o Parque Nacional de Zinave são duas áreas naturais classificadas pelo Governo de Moçambique. Tendo em conta esses recursos, o turismo (cultural, paisagístico/ de natureza e de lazer ligado ao mar) e o alojamento também constituem oportunidades económicas para os distritos. Além disso, o Plano Estratégico de Desenvolvimento para o Turismo identifica a área de Vilanculos/Inhassoro/Bazaruto como uma das três áreas prioritárias a nível nacional para o investimento no turismo. Outras oportunidades de negócio nos distritos têm a ver com recursos minerais, como, por exemplo, gás e calcário. ENVIRONMENTAL RESOURCES MANAGEMENT SEPI 5-30