PLANO-PILOTO PISTA MULTIUSO DO CAMPUS DA UFSM Alice Rodrigues Lautert Acadêmica do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Santa Maria [email protected] Felipe Segala Gravina Acadêmico do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Santa Maria [email protected] Hellen Landrino Acadêmica do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Santa Maria [email protected] Maurício Picetti Acadêmico do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Santa Maria [email protected] Luis Guilherme Aita Pippi Professor PHD do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Santa Maria [email protected] Josicler Orbem Alberton Professora Mestre do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Santa Maria [email protected] Resumo. O plano-piloto da Pista Multiuso do campus da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) surgiu como maneira de tornar o Campus mais humanizado e fornecer a infraestrutura adequada de mobilidade alternativa na cidade universitária e no contexto urbano do bairro Camobi, através da consolidação de um parque setorial. Os objetivos da pista visam suprir duas demandas encontradas na UFSM, que são a circulação em dias úteis de estudantes, professores e funcionários, e necessidade de sua utilização para o lazer e recreação. Tais atividades são ainda mais convidativas se há boas condições de clima e de infraestrutura do espaço público. Este segundo ponto é onde o projeto de pesquisa e execução da pista multiuso da UFSM pretende atuar, oferecendo funções múltiplas e infraestrutura qualificada para passagem e permanência dos usuários e analisando sua ocupação e impacto no ambiente universitário e do bairro. Palavras-chave: Mobilidade alternativa. Planejamento urbano. Paisagismo. 1. INTRODUÇÃO A implantação do campus da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) na década de 60 do século passado repercutiu e ainda repercute no crescimento do município de Santa Maria e do bairro Camobi. A instituição, além de ser um exemplo para a cidade em termos de produção de conhecimento e tecnologias, configura-se no tecido urbano como uma centralidade municipal. Devido à sua implantação, que se assemelha a de um parque urbano, acaba suprindo em parte as necessidades da comunidade como local de lazer e recreação. XXVI CONGRESSO REGIONAL DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA EM ENGENHARIA – CRICTE 2014 8 a 10 de outubro de 2014 – Alegrete – RS – Brasil Entretanto, a infraestrutura urbana foi mal planejada em termos de atender ao crescimento das demandas da universidade, principalmente quanto ao aspecto de planejamento do sistema de circulação. Hoje ocorrem graves conflitos de fluxos de diferentes transportes (veicular: passeio, ônibus; pedestre e ciclista) no campus e para piorar essa situação caótica, somente valoriza o transporte veicular individual. Com o crescimento na oferta de vagas nos cursos da UFSM nos últimos anos, aumentou ainda mais a necessidade de expandir, mais eficientemente, o fluxo de uma mobilidade alternativa e usos variados de lazer e recreação. Recentemente na Avenida Roraima, via principal de acesso, foi construída de forma fragmentada uma ciclovia. Seu objetivo era propiciar uma mitigação da deficiência na infraestrutura de transporte urbano. Embora essa iniciativa seja positiva, ela não atende a demanda total de seus usuários, além de não adentrar a área da universidade, onde os conflitos continuam. Diante deste contexto, a presente pesquisa busca subsidiar um plano-piloto e anteprojeto paisagístico de uma Pista Multiuso, o qual irá compor o grande Parque Setorial Universitário. A pista busca conectar as diferentes áreas do campus e valorizar a interface entre edifícios e espaços livres, além de contemplar as necessidades contemporâneas da comunidade de transporte alternativo, lazer e recreação. 2. OBJETIVOS O principal objetivo do plano-piloto da pista é construir na UFSM uma via multimodal que possa oferecer à demanda de circulação outra opção, senão a veicular. Duas são as formas de circulação identificadas que ocorrem no campus: circulação em dias úteis de estudantes, professores e funcionários, com caráter de atividades necessárias, conforme denominação de tipos de atividades em espaços públicos categorizadas pelo urbanista dinamarquês Jan Gehl – atividades necessárias, opcionais ou sociais (GEHL, 1987). circulação de lazer, sabendo que a UFSM é reconhecida como um dos espaços livres em potencial para a recreação na cidade, realizada por usuários interessados em corridas, caminhadas, andar de bicicleta, skate, roller, contemplação, integração social, entre outros. Enquadra-se assim, na categoria de atividades opcionais. Figuras 1 e 2. Projeto de implantação da pista multiuso no campus da UFSM e um dos trechos em destaque. A pista contorna a vegetação existente e tira partido da topografia pra proporcionar visuais não antes exploradas no agora parque setorial. Não somente atender às necessidades funcionais, esse projeto visa contribuir com a qualificação da paisagem do campus. Tal intuito se exemplifica no desenvolvimento de etapas complementares à construção da pista arterial, entre elas, a definição de novas áreas de estar e recuperação das existentes. O leiaute dessas áreas, bem como o desenho de mobiliário, pisos, equipamentos e detalhamentos ratificam essa ação. XXVI CONGRESSO REGIONAL DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA EM ENGENHARIA – CRICTE 2014 8 a 10 de outubro de 2014 – Alegrete – RS – Brasil Figura 3. Perspectiva de uma nova área de estar junto à pista, próximo ao Centro de Tecnologia. Mobiliário diferenciado. Outro objetivo se refere à questão paisagística, com a criação de um plano de infraestrutura verde e vegetação que referencie novas espécies a serem inseridas. Essa ação almeja obter resultados a médio prazo, como com o plantio de espécies ornamentais que instiguem os sentidos, e também a longo prazo, como através do sombreamento de áreas de estar, recuperação de áreas de preservação dentro do campus e consolidação de uma drenagem de qualidade por meio de vegetações específicas para locais com problemas de infiltração e alagamento. Também será possível analisar o comportamento dos usuários no período pósconsolidação da pista e suas etapas. Pretende-se estudar os efeitos dessa mudança no campus, examinar seus pontos positivos e negativos e a partir de então, desenvolver mais estudos sobre mobilidade alternativa e outras formas de atuação na cidade de Santa Maria para promover a valorização do pedestre e incentivar o uso da bicicleta. 3. lançamento, discussão e definição das diretrizes projetuais. A proposta do partido geral e anteprojeto de paisagismo da Pista Multiuso da UFSM configuram a próxima etapa, onde acontecem também os detalhamentos técnicos, identificação da vegetação, dos revestimentos de piso, das estruturas físicas, mobiliário urbano, iluminação, entre outros. Em meados de julho do corrente ano tiveram início as obras de construção da pista. Os primeiros trechos a serem efetivados percorrem o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Centro de Tecnologia (CT) e Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE). Esse trajeto que chegará até o prédio da Reitoria compõe a estrutura primária (pista multiuso arterial) do circuito, tendo três metros de largura. As outras ramificações do sistema compõem a estrutura secundária (pista multiuso secundária), com dois metros e meio de largura e anexo a estas, os diferentes ambientes propostos (nós de atividades). Essas se estenderão pelo campus alcançando as duas unidades do Restaurante Universitário (RU), Casa do Estudante Universitário (CEU), Jardim Botânico e demais prédios de educação que não se localizam propriamente junto à estrutura primária. METODOLOGIA A primeira etapa consiste na entrevista com usuários, no levantamento dos condicionantes para o embasamento do traçado inicial do plano-piloto e do projeto paisagístico A segunda etapa consiste na sistematização e análise dos dados coletados, Figuras 4. Execução da pista multiuso iniciada em julho. O circuito total terá extensão aproximada de três quilômetros. As áreas de estar são projetadas para estarem dispostas ao longo da pista e em outros pontos XXVI CONGRESSO REGIONAL DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA EM ENGENHARIA – CRICTE 2014 8 a 10 de outubro de 2014 – Alegrete – RS – Brasil distribuídos pelo campus. Dessa maneira, tanto a passagem como a permanência, bem como análise comportamental e de utilização dos usuários é alvo de estudo para qualificação do plano piloto da pista multiuso da UFSM de forma a atender as reais necessidades da comunidade de maneira qualificada e eficiente. GEHL, J.; SVARRE, B. How to study public life. Washington D.C.: Island Press, 2013 MACEDO, S. Quadro do Paisagismo no Brasil. São Paulo: Coleção Quapá, São Paulo, 1999. MACEDO, S. Paisagismo Brasileiro na Virada do Século 1990-2010. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo; Campinas: Editora da Unicamp, 2002. PIPPI, L. G., SANTIAGO, A., LORENSINI, C., TRINDADE, L., MENEGUETTI, K., BELOTO, G., COCOZZA, G., BONAFIDE, L., COELHO, J. Análise Comparativa do Sistema de Espaços Livres Urbanos de Quatro Cidades de Médio Porte no Brasil. Comparative Analysis of the Open Space System of Four Medium Size Cities in Brazil: A Construction Method. In: 46th IFLA WORLD CONGRESS. Green Infrastructure: Hight Performance. 21 a 23 de Outubro, Rio de Janeiro, 2009. PIPPI, L. G., WEISS, R., TRINDADE, L., GOETTENS, R., BOCHI, T., RADAELLI, R., MORAES, F. Leisure and Recreational Intra-Open Space of The City of Santa Maria – RS: Characteristics, Dynamics, Appropriation and Management. In: 54 IFHP World Congress, Building Communities for the Cities of the Future, Porto Alegre, 14 a 17 de novembro, 2010. Figuras 5, 6 e 7. Apropriação do espaço pelos usuários, mesmo com toda a extensão da pista ainda não finalizada. 4. REFERÊNCIAS GEHL, J. Life between buildings: using public space. Washington D.C.: Island Press, 1987. XXVI CONGRESSO REGIONAL DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA EM ENGENHARIA – CRICTE 2014 8 a 10 de outubro de 2014 – Alegrete – RS – Brasil