UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALFENAS CAMILA EUGENIA RONCHINI FERREIRA O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E A EVOLUÇÃO DOS FATORES ASSOCIADOS À MORTALIDADE INFANTIL: UM COMPARATIVO ENTRE AS CINCO GRANDES REGIÕES BRASILEIRAS, NO PERÍODO DE 1991 A 2010 Varginha/MG 2015 CAMILA EUGENIA RONCHINI FERREIRA O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E A EVOLUÇÃO DOS FATORES ASSOCIADOS À MORTALIDADE INFANTIL: UM COMPARATIVO ENTRE AS CINCO GRANDES REGIÕES BRASILEIRAS, NO PERÍODO DE 1991 A 2010 Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Instituto de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Federal de Alfenas, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Ciências Econômicas com Ênfase em Controladoria. Orientadora: Profa. Dra. Alinne Alvim Franchini Varginha/MG 2015 CAMILA EUGENIA RONCHINI FERREIRA O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E A EVOLUÇÃO DOS FATORES ASSOCIADOS À MORTALIDADE INFANTIL: UM COMPARATIVO ENTRE AS CINCO GRANDES REGIÕES BRASILEIRAS, NO PERÍODO DE 1991 A 2010. A Banca examinadora abaixo-assinada, aprova a monografia apresentada como parte dos requisitos para obtenção do título de Bacharel em Ciências Econômicas com Ênfase em Controladoria da Universidade Federal de Alfenas. Aprovada em: Varginha, 07 de julho de 2015 ________________________________ Profa. Dra. Alinne Alvim Franchini ________________________________ Profa. Dra. Pamila Cristina Lima Siviero ________________________________ Profa. Dra. Ana Márcia Rodrigues da Silva SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO …............................................................................................................. 7 2 REVISÃO DA LITERATURA …................................................................................... 9 2.1 DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO ........................................................................... 9 2.2 MORTALIDADE INFANTIL E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO ...................... 15 2.3 POSSÍVEIS FATORES ASSOCIADOS À MORTALIDADE INFANTIL ...................... 19 3 METODOLOGIA ........................................................................................................... 24 3.1 TAXA DE MORTALIDADE INFANTIL ......................................................................... 26 3.2 TAXA DE ANALFABETISMO ....................................................................................... 26 3.3 ÍNDICE DE GINI DA RENDA DOMICILIAR PER CAPITA ........................................ 27 3.4 RENDA MÉDIA DOMICILIAR PER CAPITA .......................................................... 27 3.5 PROPORÇÃO DE POBRES ............................................................................................ 28 3.6 GRAU DE URBANIZAÇÃO ........................................................................................... 28 3.7 TAXA DE FECUNDIDADE TOTAL ............................................................................... 28 3.8 COBERTURA DE ESGOTAMENTO SANITÁRIO ....................................................... 28 3.9 PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) PER CAPITA ...................................................... 29 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO .................................................................................... 29 4.1 COMPORTAMENTO DA MORTALIDADE INFANTIL NO PERÍODO DE 1991-2010 ....................................................................................................................................................... 30 4.2 COMPORTAMENTO DOS POSSÍVEIS FATORES ASSOCIADOS À MORTALIDADE INFANTIL NAS DIFERENTES REGIÕES BRASILEIRAS NOS ANOS 1991, 2000 E 2010 ....................................................................................................................................................... 32 4.2.1 Taxa de analfabetismo ....................................................................................................... 32 4.2.2 Índice de Gini da renda domiciliar per capita .................................................................. 34 4.2.3 Renda média domiciliar per capita ................................................................................... 35 4.2.4 Proporção de pessoas com baixa renda ............................................................................. 36 4.2.5 Grau de urbanização ......................................................................................................... 38 4.2.6 Taxa de fecundidade ......................................................................................................... 39 4.2.7 Cobertura de esgotamento sanitário .................................................................................. 41 4.3 CONFRONTAÇÃO DO COMPORTAMENTO DA TAXA DE MORTALIDADE INFANTIL E DE SEUS POSSÍVEIS FATORES ASSOCIADOS .............................................. 44 4.4 TAXA DE MORTALIDADE INFANTIL, CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO REGIONAL .................................................................................................................................. 47 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS …..................................................................................... 55 REFERÊNCIAS .............................................................................................................. 57 RESUMO A redução da mortalidade infantil configura uma importante questão quando o assunto é a promoção da melhoria da qualidade de vida e de desenvolvimento econômico de uma determinada região. Destaca-se que a mortalidade infantil pode ser expressa por meio da taxa de mortalidade infantil (TMI) que exprime o número de óbitos em crianças menores de um ano de idade por mil nascidos vivos. Visto que os possíveis fatores causais da mortalidade infantil se relacionam às condições de vida da população, pode-se compreender a provável relação entre a TMI e o nível de desenvolvimento econômico de uma determinada região. Deste modo, parte-se da hipótese que a mortalidade infantil pode ser relacionada, por meio de uma análise descritiva, a estes fatores representados por indicadores apontados na literatura, por estudos econométricos, como variáveis explicativas da TMI. Nesta perspectiva, o presente estudo objetivou identificar possíveis fatores associados à mortalidade infantil e traçou a evolução dos indicadores referentes a estes fatores nas cinco grandes regiões brasileiras, no período entre 1991 e 2010, confrontandoos ao respectivo comportamento da TMI e ao desenvolvimento econômico regional. De acordo com o comportamento dos indicadores analisados, há evidências de que houve desenvolvimento, de 1991 a 2010, nas distintas regiões brasileiras e que este foi acompanhado pela redução da mortalidade infantil. Além disso, verificou-se que as regiões com maiores PIB per capita (Sudeste, Sul e Centro-Oeste) são aquelas com melhores indicadores de qualidade de vida e, consequentemente, menores índices de mortalidade infantil. Ao contrário, as regiões com menores indicadores do PIB per capita (Norte e Nordeste) são aquelas com piores índices de qualidade de vida e, consequentemente, maiores taxas de mortalidade infantil. Desta forma, constataram-se diferenças regionais em termos de desenvolvimento regional do Brasil e que estas foram mantidas ao longo do período em questão. Palavras-chave: Taxa de mortalidade infantil. Desenvolvimento econômico. Economia Brasileira. ABSTRACT The reduction of infant mortality configures an important question when the argument is the promotion of improvement in quality of life and economic development about a specific region. It’s emphasized that the infant mortality can be expressed by infant mortality rate (IMR) that exprime the number of deaths in infants under one year old per thousand live births. Whereas the possible causal factors of infant mortality are related to people's living conditions, can be understood the probability association between the IMR and the level of economic development about a specific region. In this way, starts of the hipothesy that the infant mortality can be related, through a descriptive analisys, whith this factors represented by indicators reported in the literature, by econometric studies, like explanatory variables of IMR. In this perspective, this study aimed identify possible factors associated with the infant mortality and mapped the evolution of indicators related with this factors in the five big brazilian regions, in the period between 1991 and 2010, comparing them to the respective behavior of IMR and the economic development. According to behavior of the indicators analyzed, there are evidences that there was development, from 1991 to 2010, in the diverse brazilian regions and that was accompanied by the reduction of infant mortality. Moreover, it was found that the regions with higher GNP per capita (Southeast, South and Midwest) are those with better indicators of quality of life and, consequently, lower infant mortality rates. In the other hand, the regions with lower indicators of the GNP per capita (North and Northeast) are those with worse indicators of quality of life and, consequently, higher infant mortality rates. Therefore, were found regional differences in terms of regional development of Brazil and these differences were maintained throughout the period concerned. Keywords: Infant mortalit rate. Economic development. Brazilian Economy. 7 1 INTRODUÇÃO A redução da mortalidade infantil configura uma importante questão quando o assunto é a promoção da melhoria da qualidade de vida e de desenvolvimento econômico de uma determinada região geográfica. Segundo a Rede Interagencial de Informações para a Saúde (RIPSA, 2008), a mortalidade infantil pode ser expressa por meio da taxa de mortalidade infantil (TMI) que exprime o número de óbitos em crianças menores de um ano de idade, por mil nascidos vivos (NV), concernente à população de determinado local geográfico e ano específico. No que tange à relevância do tema, um ponto significativo refere-se ao fato de um dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, definido pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2000, consistir na redução da mortalidade na infância 1. Em relação ao número de óbitos em crianças com menos de um ano de idade, observou-se no Brasil a redução da taxa de mortalidade infantil de 47,1 para 15,3 óbitos por mil NV, de 1991 a 2011. Ademais, apesar da tendência do nível de mortalidade brasileira apontar para sua contínua redução, os índices ainda permanecem elevados, sendo importante às ênfases em políticas, programas e ações que colaborem para a atenuação deste problema (IPEA, 2014). Cabe mencionar que Souza (2006) explica que a taxa de mortalidade infantil (TMI) pode ser usada como indicador do nível de desenvolvimento social e econômico de um país, já que quanto mais desenvolvido for o mesmo, espera-se que este ofereça condições dignas de vida a fim de que as crianças atinjam a vida adulta. Nesta perspectiva, Paulani e Braga (2007, p.265) concebem que: “Uma das formas de se avaliar o desenvolvimento é acompanhar a evolução de alguns indicadores relativos à saúde e educação, porque seu comportamento fornece uma boa aproximação do que está ocorrendo com a qualidade de vida da população”. Em suma, nos últimos anos, tem-se verificado a redução das taxas de mortalidade infantil no Brasil. Contudo, é necessário avançar ainda mais na diminuição destes índices tendo em vista a promoção da melhoria da qualidade de vida e o desenvolvimento econômico. Uma vez que a mortalidade infantil é sensível às condições socioeconômicas de determinada região, o problema que se busca entender refere-se a quais são seus possíveis fatores 1 Segundo o Relatório Nacional de Acompanhamento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, a taxa de mortalidade na infância indica a frequência de óbitos em menores de cinco anos para cada mil nascidos vivos (NV). Já a taxa de mortalidade infantil expressa a frequência de mortes de crianças com idade inferior a um ano para cada mil nascidos vivos (IPEA, 2010). 8 associados e como alguns deles tem evoluído ao longo do período. Além disso, uma vez observado o comportamento destas possíveis variáveis sociais relacionadas à mortalidade infantil realiza-se a confrontação das mesmas com os índices de produção regional, representados pelo Produto Interno Bruto per capita (PIB per capita), buscando compreender a relação entre a TMI e o desenvolvimento econômico, verificado nas regiões brasileiras, à luz da literatura. Neste sentido, autores ressaltam a importância da educação para a redução da mortalidade infantil (BARUFI, 2010; BEZERRA FILHO et al., 2007; SANTOS, MOURA, 1998; PAIXÃO, FERREIRA, 2012; GOMES et al., 2006). Neste contexto, a taxa de analfabetismo configura um fator representativo do nível educacional para Paixão e Ferreira (2012). Em relação aos fatores demográficos, a taxa de urbanização, segundo Bezerra Filho et al. (2007), e a taxa de fecundidade total, segundo Gomes et al. (2006), são apresentadas como variáveis associadas à TMI. No que concerne às variáveis socioeconômicas, a literatura aponta para a relação entre a TMI e a concentração de renda expressa pelo Índice de Gini (BARUFI, 2010; PAIXÃO, FERREIRA, 2012; GOMES et al., 2006), assim como para a existência de uma possível relação entre a TMI e a renda média (PAIXÃO, FERREIRA, 2012; GOMES et al., 2006) e o percentual de pobres na população (BARUFI, 2010). Outro provável fator associado à mortalidade infantil refere-se à cobertura de esgotamento sanitário (BEZERRA FILHO et al., 2007). Dado o exposto, os índices de mortalidade infantil de uma determinada sociedade, provavelmente, estão associados aos fatores demográficos, socioeconômicos e de cobertura da mesma. Estes estudos apontam para o fato da taxa de mortalidade infantil ser sensível às características demográficas e às condições de saúde, renda, ambiente domiciliar e educação de uma população. Deste modo, parte-se da hipótese que as taxas de mortalidade infantil observadas, no período de 1991 a 2010, para as diferentes regiões brasileiras podem ser relacionadas, por meio de uma análise descritiva, a estes fatores representados por indicadores identificados em estudos econométricos como variáveis explicativas da TMI realizados por Barufi (2010), Bezerra Filho et al. (2007), Santos e Moura (1998), Paixão e Ferreira (2012) e Gomes et al. (2006). Ademais, como estes fatores podem refletir a qualidade de vida populacional, empreende-se sua análise conjunta com o PIB per capita a fim de inferir sobre o desenvolvimento econômico, segundo a concepção de que este pressupõe crescimento econômico aliado à melhoria das condições de vida, e sua relação com a mortalidade infantil, 9 tendo em vista a ideia de que a mesma constitui um bom indicativo do nível de desenvolvimento de uma determinada região geográfica num período específico. Sendo assim, o objetivo principal do presente estudo consiste em identificar possíveis fatores associados à mortalidade infantil e traçar a evolução dos indicadores referentes a estes fatores nas cinco grandes regiões brasileiras, no período entre 1991 e 2010, confrontando-os ao respectivo comportamento da TMI. Além disso, o estudo objetiva observar a provável relação entre a TMI e o desenvolvimento econômico regional neste período. Para tal propósito, o presente estudo foi estruturado em cinco capítulos, sendo o primeiro esta introdução. O segundo aborda os fundamentos teóricos que embasam este trabalho, referentes ao desenvolvimento econômico, à relação entre o mesmo e a mortalidade infantil e aos possíveis fatores associados à TMI. O terceiro apresenta a metodologia utilizada para a escolha e a análise dos indicadores, além das fontes de pesquisa e da definição dos mesmos. O quarto exibe o comportamento dos dados observados em termos de sua evolução temporal bem como a análise comparativa destes para as distintas regiões brasileiras, buscando elucidar a relação entre a TMI, seus fatores associados e o desenvolvimento regional no período. E, por fim, o quinto apresenta as considerações finais do estudo. 2 REVISÃO DA LITERATURA Neste capítulo, será abordada uma revisão sobre a relação da mortalidade infantil com a qualidade de vida e o desenvolvimento, sobre conceitos de desenvolvimento econômico e sobre possíveis fatores associados à mortalidade infantil. Tendo em vista as várias concepções acerca do conceito de desenvolvimento econômico e que o número de óbitos infantis parece reduzir com o avanço dos fatores socioeconômicos e, consequentemente, com a melhoria das condições de vida que resultam do desenvolvimento, cabe discutir alguns destes conceitos a fim de compreender no que implica este processo e sua provável relação com a saúde infantil. Ademais, é importante identificar alguns elementos elencados pela literatura como possíveis fatores associados à mortalidade infantil com o propósito de empreender, posteriormente, uma observação do comportamento destes fatores e sua possível relação com a redução dos óbitos em crianças com menos de um ano de vida bem como com o processo de desenvolvimento econômico regional. 2.1 Desenvolvimento econômico 10 De acordo com Oliveira (2002), existe uma vasta discussão acerca da diferença entre crescimento e desenvolvimento econômico, pois alguns autores consideram que o crescimento econômico conduz ao desenvolvimento, já que concebem apenas os acréscimos contínuos na renda como condição para o alcance do mesmo sem levar em conta a forma como esses acréscimos são distribuídos na sociedade que os produziu. Contudo, o autor considera que o desenvolvimento, seja qual for sua concepção, necessita ser um processo resultante do crescimento econômico associado à melhoria na qualidade de vida. Em sua perspectiva: O desenvolvimento deve ser encarado como um processo complexo de mudanças e transformações de ordem econômica, política e, principalmente, humana e social. Desenvolvimento nada mais é que o crescimento – incrementos positivos no produto e na renda – transformado para satisfazer as mais diversificadas necessidades do ser humano, tais como: saúde, educação, habitação, transporte, alimentação, lazer, dentre outras (OLIVEIRA, 2002, p.40). Para o autor, deve haver uma preocupação social em transformar os impulsos de crescimento econômico em desenvolvimento, o que implica a melhoria nas condições de vida de toda a população e não somente de pequenos grupos. Em suas palavras “É preciso pensar em uma economia social, a serviço de todos, em favor da melhoria dos indicadores de qualidade de vida” (2002, p.47). Além disso, o autor afirma que os índices de qualidade de vida e desenvolvimento humano são indispensáveis ao auxílio do monitoramento da eficiência das políticas adotadas com a finalidade de alcançar o próprio desenvolvimento (OLIVEIRA, 2002). Na concepção de Vasconcellos e Garcia apud Oliveira (2002), o desenvolvimento engloba as mudanças na constituição do produto bem como a destinação de recursos para a melhoria das condições de vida refletidas nos indicadores de pobreza, desemprego, desigualdade, condições de saúde, alimentação, educação e moradia. Já Magalhães (2011), em sua análise, considera dois pontos relevantes para a abordagem dos processos de crescimento e desenvolvimento econômico. Para o autor, não faz sentido a distinção entre estes conceitos. Além disso, as características do crescimento econômico observadas nos países desenvolvidos (crescimento clássico) diferem daquelas observadas nos países em desenvolvimento (crescimento retardatário). Neste sentido, o autor concebe que no crescimento retardatário, há necessidade de implementação de política sistemática de redistribuição de renda a fim de prover o mercado necessário ao mantenimento do processo dinâmico. Uma vez que a redistribuição é indispensável à manutenção do 11 crescimento retardatário não faz sentido, na visão do autor, separar as análises das políticas de desenvolvimento e crescimento. Assim, em termos da abordagem de Magalhães (2011), vale ressaltar a importância atribuída por ele ao mercado interno como esfera propulsora do crescimento retardatário. Contrapondo a visão de que o crescimento depende do aumento precedente do nível de poupança, o autor cita o relatório do Banco Mundial “The East Asian Miracle” (1993), no qual foi constatado que, nos países do Leste Asiático, a aceleração econômica resultou na elevação da taxa de poupança. Assim, os investimentos necessários ao crescimento retardatário são providos pela poupança originada no mercado interno. De acordo com este autor: (...) nos países desenvolvidos a condicionante básica do crescimento econômico se coloca do lado da oferta, ou seja, o sucesso do crescimento econômico depende do progresso tecnológico e da existência de nível adequado de poupança. No crescimento retardatário, essa condicionante é dada pela demanda, ou seja, o sucesso da política de desenvolvimento depende da existência, ou criação, de mercado de dimensões e dinamismo adequados (MAGALHÃES, 2011). Ademais, Magalhães (2011) aponta, ainda, para o fato de que a eficiência das políticas distributivas encontra-se atrelada ao êxito das políticas de desenvolvimento e, portanto, que a substituição destas por políticas distributivas consiste num grave erro. Para exemplificar isto, o autor utiliza a avaliação da revista “The Economist” (setembro de 2010) acerca das Metas de Desenvolvimento do Milênio propostos pelas Nações Unidas, de acordo com a qual observou-se maior êxito em relação à redução da pobreza nos países nos quais ocorreram incentivos ao crescimento econômico mais rápido em relação àqueles nos quais houve maiores gastos públicos. Contudo, o autor não concebe irrelevante a adoção de políticas redistributivas, já que em sua concepção, elas colaboram para a ampliação apropriada do mercado interno. Ele apenas não recomenda que estas substituam as políticas de desenvolvimento. Na concepção de Bresser-Pereira (2006), o desenvolvimento ou crescimento econômico consiste no processo de acumulação de capital e de incorporação do progresso técnico ao trabalho e ao capital que resulta na elevação da produtividade e dos salários. Para o autor, desencadeado este processo sua tendência é a auto-sustentação, tendo em vista que os mecanismos de mercado incluem constantes estímulos ao acúmulo de capital e de conhecimento técnico. Todavia, isto não implica que todas as nações apresentarão a mesma taxa de crescimento e, consequentemente, o mesmo grau de desenvolvimento. Neste sentido, 12 o autor ressalta a relevância do papel do Estado na promoção do desenvolvimento, como instituição responsável por garantir medidas que tornem seu país competitivo em relação aos outros. Assim, outro ponto relevante na concepção de Bresser-Pereira (2006) acerca do desenvolvimento reporta-se a visão de que este pode ser compreendido como êxito na competição estabelecida, por meio do sistema capitalista cuja organização se dá via mercado, entre Estados-Nação e empresas a nível mundial. Em suas palavras: O fator principal a determinar o bom êxito do desenvolvimento econômico é a existência ou não de uma nação capaz de formular uma estratégia nacional de desenvolvimento ou de competição. Na medida em que uma sociedade nacional se revela suficientemente coesa ou solidária quando se trata de competir internacionalmente, ela saberá aproveitará melhor seus próprios recursos para crescer: seus recursos naturais e principalmente humanos. Quando uma economia está em pleno processo de crescimento, é sinal de que provavelmente existe uma estratégia nacional de desenvolvimento por trás, é sinal que seu governo, seus empresários, técnicos e trabalhadores estão trabalhando de forma consertada na competição econômica com as demais nações (BRESSER-PEREIRA, 2006, P. 3-4). Além disso, este autor afirma ainda que o desenvolvimento econômico implica o crescimento do capital humano, expresso pelos níveis de educação, saúde e conhecimento técnico dos trabalhadores, e no deslocamento dessa força de trabalho para setores tecnologicamente mais avançados e, consequentemente, com maiores salários. Além do mais, em sua visão, os capitalistas se satisfazem com uma taxa de lucro média apropriada para impulsioná-los a investir, enquanto os salários podem crescer de forma ilimitada. De acordo com o mesmo: “historicamente o que se observa é o aumento dos salários e da demanda de bens de consumos pelos assalariados na proporção do aumento da renda per capita” (BRESSER-PEREIRA, 2006). Paulani e Braga (2007) afirmam que o produto agregado indica o quanto o país gera de renda numa determinada época, podendo, portanto, auferir sobre o desempenho econômico do mesmo. Os autores apontam para a importância da utilização do produto per capita em vez do produto agregado total, já que o primeiro leva em consideração a dimensão da população na determinação do produto, ou seja, relativiza a magnitude do produto em termos do tamanho da população, tendo em vista que se espera que uma população maior produza maior renda, e consequentemente, um maior produto agregado. Em suas palavras: “(...) mesmo se estivermos investigando apenas o desempenho econômico, ou seja, o crescimento econômico, não é a elevação do produto agregado total que devemos observar, mas a elevação do produto per 13 capita” (PAULANI, BRAGA, 2007, p.257). Cabe mencionar que este índice não informa como a renda é distribuída na economia, sendo este dado expresso pelo Índice de Gini. Assim, estes dois indicadores são de extrema importância na avaliação do desenvolvimento econômico de um determinado local geográfico. Para Kroetz et al. (2010), a avaliação do crescimento econômico pode ser obtida por meio do cálculo do produto gerado por determinada região em um período específico. Deste modo, o crescimento econômico exprime a capacidade de produção desta economia. Todavia, a análise do crescimento não é suficiente para se inferir sobre o desempenho da economia em benefício do desenvolvimento econômico social. Além disso, de acordo com estes autores, o nível de desenvolvimento econômico e social pode ser analisado por meio de indicadores como a magnitude do PIB em termos totais ou per capita, Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)2, a forma como vive sua população, taxa de crescimento populacional, a distribuição da população entre zona urbana e rural, dentre outros. A fim de medir o crescimento econômico, normalmente, utiliza-se o PIB. Ainda, segundo o autor, o PIB per capita é usado como ferramenta de investigação da distribuição do produto agregado gerado em determinado local entre a sua população (KROETZ et al., 2010). Contudo, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (1996) apud Kroetz et al. (2010), o PIB per capita não informa exatamente como está ocorrendo a distribuição do produto, além de não capturar o bem-estar da população e, desta forma, não deve ser usado como único meio de averiguar a condição de desenvolvimento do país. Neste sentido, a distribuição da renda nacional pode ser observada por meio do Índice de Gini3. Assim, estes autores consideram que estes indicadores não expressam completamente as condições de qualidade de vida, sendo criado para este fim, pelo PNUD em 1990, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). 2 De acordo com o PNUD (2015), o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), criado por Mahbub ul Haq com a cooperação do economista Amartya Sen, tem por objetivo constituir uma medida sintética e geral do desenvolvimento humano. Este indicador engloba três pilares: saúde (mensurada pela expectativa de vida), educação (mensurada pela média de anos de educação de adultos e pela expectativa de anos de escolaridade para crianças na idade de iniciar a vida escolar) e renda (mensurada pela Renda Nacional Bruta (RNB) per capita). 3 De acordo com Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará – IPECE (2015), o Índice de Gini, construído com base na "Curva de Lorenz", foi desenvolvido pelo estatístico italiano Corrado Gini. Este indicador constitui uma medida comumente utilizada para medir a desigualdade da distribuição de renda. Contudo, este indicador pode ser utilizado para calcular qualquer distribuição, tais como a concentração de terra, riqueza, etc. A medida expressa por este indicador varia de zero a um, sendo que zero equivale à plena igualdade de renda e um equivale à plena desigualdade de renda. 14 De acordo com Souza (1995) apud Kroetz et al. (2010), o desenvolvimento econômico pode ser caracterizado por meio da constatação, ao longo do tempo, de crescimento econômico, mensurado pela renda, renda per capita, PIB e PIB per capita, diminuição da pobreza, desemprego e disparidades e melhoria em termos de saúde, nutrição, educação, moradia e transporte. Nas palavras dos autores: Enfim, o conceito de desenvolvimento entendido a partir da discussão acima está relacionado ao nível de crescimento econômico, aliado às características da distribuição de renda, das condições de saúde, de educação, de trabalho e de moradia da população, bem como às condições ambientais do país. Este conceito amplo de desenvolvimento está pautado em um elemento maior: o desenvolvimento humano (KROETZ et al., 2010, p.31). Dessa maneira, de acordo com o PNUD, o conceito de desenvolvimento humano leva em conta que o desenvolvimento de uma nação, portanto, não pode ser avaliado unicamente pelo crescimento econômico. Para inferir sobre o avanço na qualidade de vida deve se considerar as características sociais, culturais e políticas da população. De acordo com Alkire (2002), líderes do desenvolvimento tem considerado útil a construção de uma relação de diferentes dimensões do desenvolvimento para muitas tarefas práticas tais como monitoramento participativo, elaboração de estatutos, coleta de dados, implementação de políticas ou avaliação de necessidades. Neste sentido, a autora cita a abordagem para o desenvolvimento exemplificada pela concepção das capacidades de Amartya Sen, segundo a qual os aspectos dimensionais do desenvolvimento humano devem englobar a dimensão pública e privada, econômica, social, política e espiritual. Com isto procura ampliar a definição de bem-estar associada apenas às privações materiais ou àqueles aspectos de bem-estar que podem ser providos publicamente. Esta definição compreende o desenvolvimento centrado no ser humano como um todo. Deste modo, ela afirma que a consideração de um conjunto de dimensões pode ser uma ferramenta útil no combate a um número significativo de problemas complicados de desenvolvimento. Para Milone (1998), o crescimento econômico é caracterizado pelo aumento constante do produto nacional, total ou per capita, ao logo do período. Já o desenvolvimento econômico além de abranger as mudanças quantitativas em termos do produto nacional, engloba mudanças no tocante à composição do produto e a alocação dos recursos pelos distintos setores econômicos. Segundo o autor: 15 Para caracterizarmos um processo de desenvolvimento econômico devemos observar ao longo do tempo a existência: 1) de crescimento do bem-estar econômico, medido por meio dos indicadores de natureza econômica, como, por exemplo: produto nacional total, produto nacional per capita; 2) de diminuição dos níveis de pobreza, desemprego e desigualdade; e 3) de melhoria das condições de saúde, nutrição, educação, moradia e transporte (MILONE, 1998, p.514) Portanto, na perspectiva deste autor, o desenvolvimento não pode ser avaliado, unicamente, por meio de índices de crescimento do produto. A análise do desenvolvimento envolve um conjunto de indicadores que expressam a qualidade de vida da população (MILONE, 1998). Por fim, independente da concepção, por meio das diferentes bibliografias utilizadas no presente estudo, pode-se depreender que o desenvolvimento econômico pressupõe crescimento econômico acompanhado por mudanças em termos das condições de vida da população. Deste modo, com a finalidade de atingir o objetivo proposto neste trabalho, será avaliado o desenvolvimento regional por meio da observação da evolução do Produto Interno Bruto (PIB) per capita, indicador de natureza econômica, aliado a possíveis fatores associados à mortalidade infantil que configuram indicadores, por exemplo, de diminuição dos níveis de pobreza, de desigualdade, de melhoria dos níveis de educação e moradia que, portanto, procuram expressar a qualidade de vida da população. Estas observações serão confrontadas, de forma descritiva, com o comportamento da taxa de mortalidade infantil no período, a fim de inferir sobre a possível associação entre o desenvolvimento e este indicador. 2.2 Mortalidade Infantil e Desenvolvimento econômico Segundo Souza (2006), a Taxa de Mortalidade Infantil (TMI) pode ser utilizada a fim de inferir acerca do nível de desenvolvimento social e econômico, pois se espera que um país desenvolvido ofereça condições de vida adequadas para que as crianças atinjam a fase adulta. Para Rollet (2007), a TMI é sensivelmente influenciada pelas condições do país em termos sanitários e por seu nível de desenvolvimento, principalmente, educacional. De acordo com Paulani e Braga (2007), o acompanhamento da evolução de alguns índices referentes à educação e saúde constitui um meio de estimar o nível de desenvolvimento, tendo em vista que estes expressam a qualidade de vida da população. Neste sentido, os autores consideram que a taxa de mortalidade infantil configura um dos 16 indicadores mais expressivos de qualidade de vida, pois se presume que quanto menor a taxa de mortalidade infantil mais desenvolvido é o país. Neste mesmo sentido, de acordo com a Rede Interagencial de Informações para a Saúde (RIPSA, 2008), a análise da taxa de mortalidade infantil permite inferir sobre o desenvolvimento socioeconômico e infraestrutura ambiental da população, bem como seu acesso e a qualidades dos serviços de atenção à saúde materno-infantil a ela ofertados. Desta forma, a observação dos óbitos infantis auxilia na análise dos níveis de saúde e de desenvolvimento socioeconômico. Segundo um estudo da Secretaria de Saúde do Paraná (2015), vários autores concebem a mortalidade infantil como um significativo indicador geral de desenvolvimento e das condições de vida de uma população, visto que este fator apresenta relação direta com aspectos econômicos e sociais. De acordo com o mesmo, elevadas taxas de mortalidade estão relacionadas à precariedade das condições socioeconômicas. Este estudo afirma ainda que "Em geral, altas taxas de mortalidade infantil são reflexos de deficiente desenvolvimento social e econômico" (SECRETARIA DE SAÚDE DO PARANÁ, 2015, p.2). Nesta perspectiva, é destacada a relevância da influência da qualidade dos serviços de saúde e do desenvolvimento socioeconômico para a diminuição das taxas de mortalidade infantil de uma população. Para Oliveira (2008), a redução da mortalidade infantil pode ser propiciada pela intervenção de políticas públicas, especialmente, de assistência social, de medicina preventiva e curativa e de saneamento básico. Em seu estudo, a autora considera que as maiores taxas de mortalidade infantil verificadas no Nordeste podem estar relacionadas à ausência de saneamento, baixa renda e escolaridade, altos índices de pobreza e às condições precárias de acesso e qualidade do atendimento médico-sanitário. Em comparação, as menores taxas de mortalidade infantil observadas no Centro-Sul podem ser explicadas pela presença de atendimento médico e sanitário, por maiores níveis de renda e educação materna, pela presença de poder público etc. Desta forma, a autora concebe que a mortalidade infantil pode ser associada a um conjunto de fatores socioeconômicos. De acordo com Simões (2002), a mortalidade infantil constitui um bom indicador das condições de saúde e de vida populacional. Cabe mencionar que, segundo o autor, a persistência de altos níveis de mortalidade pode ser explicada pelas desigualdades sociais que privam considerável parcela da população do acesso à educação, renda, saneamento e serviços de saúde. Além disso, estudos mostram que países onde existem relevantes desigualdades sociais, como no caso brasileiro, há também profundas desigualdades no tocante à 17 mortalidade nos diferentes estratos sociais. Deste modo, o autor concebe que maior eficiência na alocação dos recursos governamentais contribui, provavelmente, para a redução de causas evitáveis de óbitos infantis. Sendo assim, um conjunto de mortes infantis pode ser evitado por meio de um acesso social e regional menos desigual. (...) as desigualdades econômicas e sociais existentes ainda exercem um papel restritivo, impondo barreiras a uma maior velocidade de queda, sobretudo dos indicadores de mortalidade infantil e na infância. O acesso social e regionalmente desigual aos principais serviços públicos de saúde, educação e saneamento básico resulta, certamente, num conjunto de óbitos que poderiam e deveriam ser evitados (SIMÕES, 2002, p.121). Segundo Barufi (2009), nas últimas décadas tem-se observado uma diminuição expressiva da mortalidade infantil brasileira, todavia ainda se mantem no país uma acentuada desigualdade regional. Neste sentido, a autora argumenta que o expressivo padrão de desigualdade regional de desenvolvimento brasileiro pode ser captado pela mortalidade infantil. Além disso, a autora conclui que, nos anos analisados neste estudo, a questão da infraestrutura na saúde perdeu importância na elucidação do padrão da mortalidade infantil no Brasil, enquanto as variáveis socioeconômicas ganharam importância, tornando-se mais relevantes e significativas. Resulta desta constatação a necessidade de implementação de políticas que busquem ampliar o acesso da população aos serviços de saneamento, melhorar o nível da educação, diminuir a pobreza bem como a desigualdade no país. Para Alves e Belluzzo (2004), variáveis relacionadas com a educação, serviços de saneamento básico (acesso à água encanada e esgoto) e renda per capita são fatores relevantes na explicação da mortalidade infantil no Brasil. Estes autores ressaltam que a educação constitui o fator de maior destaque na explicação da diminuição dos óbitos infantis. Além disso, os autores concebem que no tocante a perspectiva política, a promoção de melhorias nas condições destes fatores, que podem ser proporcionadas pelo crescimento econômico, é de suma relevância para a melhoria da saúde infantil no Brasil. From a policy perspective, the conclusion is clear: education, improvement of the population, improvement of sanitary services, higher per capita income, that should be brought about by economic growth, are all important factors to improve child health in Brazil (ALVES, BELLUZZO,2004, p.25). Ademais, ainda segundo Alves e Belluzzo (2004), nos países em desenvolvimento, a saúde infantil é uma questão importante na agenda das políticas públicas, podendo ser a redução da mortalidade infantil considerada, a princípio, como resultante natural do 18 desenvolvimento. Por outro lado, tendo em vista o crescimento sustentável, deve haver a renovação contínua do trabalho e das forças empresariais com pessoal mais qualificado. Deste modo, a fim de garantir a contínua evolução das forças propulsoras do crescimento é indispensável à existência de uma nova geração saudável o que implica no papel fundamental desempenhado pela saúde infantil e pela redução da mortalidade infantil na agenda do desenvolvimento. Cabe mencionar que, em seu estudo, Mosley e Chen (1984) sugerem para os países em desenvolvimento um novo modelo analítico, mais adequado às suas características, a fim de promover o estudo dos determinantes da sobrevivência infantil. Na construção deste modelo, os autores partem da premissa de que qualquer determinante social e econômico da mortalidade infantil obrigatoriamente opera através de um conjunto comum de mecanismo biológico, ou determinantes próximos, para exercer um impacto sobre a mortalidade. Além disso, os autores concebem que apesar de ambas as ciências sociais e médicas terem feito grandes contribuições para a compreensão da mortalidade infantil nos países em desenvolvimento, as diferentes preocupações e metodologias tem esse conhecimento compartimentado o que resulta na restrição do desenvolvimento de abordagens potencialmente mais úteis para o entendimento da sobrevivência da criança. Neste sentido, os autores consideram a necessidade de uma abordagem analítica que integre as metodologias das ciências sociais e médicas em um modelo analítico coerente de sobrevivência da criança e, portanto, admitem a necessidade de uma abordagem multidisciplinar para a compreensão e redução da mortalidade infantil. De acordo a Secretaria de Saúde do Paraná (2015), os condicionantes da mortalidade infantil podem ser classificados em diretos e indiretos. Os fatores que podem ser considerados condicionantes diretos são a alimentação, moradia, acompanhamento médico e educação. Já os fatores que podem ser considerados condicionantes indiretos são a renda e a educação. Nota-se que a educação pode ser classificada como condicionante direto e indireto. Este fator é tido como condicionante direto no sentido de que se relaciona ao conhecimento geral e dos cuidados imprescindíveis com a criança e como condicionante indireto em relação ao fato de que maiores níveis de educação associam-se a maiores níveis de renda. Segundo Leite e Silva (2000), é consensual a concepção de que a renda familiar constitui uma variável social determinante da sobrevivência infantil. Outro fator apontado pelos autores como presente nos estudos da redução da mortalidade infantil refere-se ao saneamento básico. Ademais, os autores citam que as más condições de abastecimento de 19 água combinadas a um saneamento inadequado potencializam os efeitos na repercussão da saúde infantil por meio de diversos mecanismos. Cavalcanti et al. (2012), analisam a relação dos aspectos socioeconômicos dos municípios brasileiros com a diminuição da mortalidade infantil. Como resultado deste estudo, os autores concluem que melhoria na educação municipal e no saneamento e urbanização dos municípios vizinhos parecem influenciar nas variações das taxas de mortalidade infantil, o que pode significar a importância de se considerar o espaço nesta análise. Dado o exposto, entende-se que a mortalidade infantil pode ser relacionada aos fatores de natureza socioeconômica e, consequentemente, ao nível de desenvolvimento do local em estudo. Neste sentido, coube abordar o conceito de desenvolvimento econômico com o propósito de ampliar a compreensão deste processo e possibilitar o estabelecimento de sua relação com a redução dos óbitos infantis. 2.3 Possíveis fatores associados à mortalidade infantil Em seu estudo, Barufi (2010) aborda os determinantes da mortalidade infantil no Brasil. Segundo a autora, a literatura elenca alguns fatores socioeconômicos como significativos para a explicação da taxa de mortalidade infantil. Tais fatores consistem na renda média para o domicílio; na escolaridade, principalmente materna; no acesso aos serviços de infraestrutura domiciliar; na promoção de serviços de saúde; e no nível de urbanização. Além destes, a infraestrutura médico-hospitalar é outro fator importante citado. Neste sentido, a autora propõe analisar os elementos que elucidam a distribuição da mortalidade infantil entre as Áreas Mínimas Comparáveis (AMCs) 4 , tendo em vista a relevância do aspecto local para este estudo. Em sua pesquisa 5, as variáveis investigadas foram: número de estabelecimento e leitos público e privados por 1000 habitantes, percentual de domicílios com acesso ao saneamento 10 anos antes, desigualdade de renda, por meio do 4 Segundo definição disponível no site do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA (2015), as Áreas Mínimas Comparáveis (AMCs) consistem no agrupamento de municípios em territórios geográficos mais amplos devido à necessidade de tornar as comparações intertemporais coerentes. Isto decorre dos processos, ao longo do tempo, de modificações em termos de fronteiras e número de municípios o que inviabiliza as confrontações temporais. Dessas unidades, por torna-las inconsistentes. Cabe mencionar que os municípios que constituem as AMCs bem como seu número são dependentes do intervalo em investigação. O Ipeadata oferece dados para os anos 1872-2000, 1920-2000, 1960-2000,1970-2000 e 1991-2000. 5 Neste estudo, a autora utiliza o modelo econométrico espacial e da média de variáveis, para maiores detalhamentos consulte: BARUFI, A. M. B. Mortalidade infantil: evolução e determinantes no Brasil. Disponível em: < http://www.fipe.org.br/publicacoes/downloads/bif/2010/6_24-27-ana.pdf>. Acesso em: 03 set. 2014. 20 indicador índice de Gini, percentual de pobres na população, percentual de mulheres analfabetas, percentual de pessoas em áreas urbanas, e a média de algumas variáveis observadas nos vizinhos (BARUFI, 2010). Os resultados obtidos no referido estudo mostram que o poder de explicação dos parâmetros de infraestrutura de saúde perderam importância enquanto os parâmetros socioeconômicos aumentaram o nível de explicação ao longo do tempo. Neste ponto, fatores como a desigualdade da renda, expressa pelo Índice de Gini, e o percentual de pobres na população apresentaram significância estatística como variável explicativa da TMI, sendo que a redução destes indicadores possivelmente contribui para a diminuição dos óbitos infantis. Além disso, a autora aponta para a importância de aumentar as condições de prevenção familiar e o acesso à educação como um dos modos mais eficientes de promoção da redução da mortalidade infantil e desenvolvimento nacional (BARUFI, 2010). Para Bezerra Filho et al. (2007), as condições de assistência à gestação, ao parto e ao neonato associadas a uma menor concentração de renda são cruciais para a redução da mortalidade infantil no período neonatal. Já fatores como alimentação inadequada, imunização, saneamento, educação e condição econômica são, provavelmente, determinantes da mortalidade pós-neonatal. Em seu artigo, os autores realizam um estudo dos possíveis determinantes dos componentes neonatal e pós-neonatal da taxa de mortalidade infantil (TMI) dos 184 municípios cearense no período de 2000 a 2002. Os dados usados em tal análise são referentes à: 1) Indicadores demográficos: taxa de urbanização, densidade demográfica, fecundidade total, índice de envelhecimento e razão de dependência (Ibid.); 2) Indicadores de assistência à saúde, infraestrutura e recursos humanos nos serviços de saúde: cobertura vacinal, indicadores de amamentação e desnutrição infantil, leitos hospitalares por habitantes, médicos por habitantes e equipamentos e consultas de pré-natal por habitantes (Ibid.); 3) Indicadores socioeconômicos relativos à educação: proporção de crianças de 7 a 14 anos de idade analfabetas, proporção de crianças de 7 a 14 anos de idade fora da escola, taxa de alfabetização de adultos, número médio de anos de estudo das pessoas de 25 anos ou mais, proporção de mulheres alfabetizadas, proporção de mulheres com menos de oito anos de estudo e componente para educação do Índice de Desenvolvimento Humano-IDH (Ibid.); 4) Habitação e saneamento: percentual da população com acesso a serviço de abastecimento público de água, esgoto, coleta de lixo, acesso à rede de energia e proporção das pessoas que vivem em domicílios com telefone (Ibid.); 21 5) Renda e produção: proporção de recursos financeiros dirigidos à saúde do município, proporção de chefes de domicílios por rendimento, em salários mínimos, proporção de crianças de 10 a 14 anos de idades que trabalham, proporção do valor da produção vegetal em relação ao total do estado, proporção do consumo de energia rural, industrial e comercial sobre consumo total do município, produto interno bruto per capita, intensidade da pobreza [linha de R$ 37,75], IDH-renda [Metodologia 2000] e renda per capita (Ibid.). Dentre estes indicadores, a metodologia 6 usada pelos autores mostra que a regressão para a taxa de mortalidade infantil neonatal (TMIN) é mais bem representada pelo modelo que inclui como variáveis explicativas a presença ou ausência de salas de parto, médicos por mil habitantes, consultas em menores de um ano pela população de menores de um ano, proporção de nascidos vivos com baixo peso ao nascer, proporção de chefes de domicílio com rendimento menor que um salário mínimo, razão entre a renda média dos 10% mais ricos e a dos 40% mais pobres (BEZERRA FILHO et al., 2007). Já para a taxa de mortalidade infantil pós-neonatal (TMI), Bezerra Filho et al (2007) observaram que os parâmetros do modelo mais representativo são compostos pelo percentual de crianças menores de quatro meses (acompanhadas pelo Programa de Saúde da Família PACS/PSF) com aleitamento materno exclusivo, percentual de crianças menores de dois anos desnutridas, cobertura vacinal, cobertura do PACS/PSF, proporção de domicílios urbanos com esgotamento sanitário ligado à rede geral de esgoto, taxa de urbanização, proporção de chefes de domicílio com rendimento menor que meio salário mínimo, razão entre a renda média dos 10% mais ricos e a dos 40% mais pobres, proporção de mulheres com menos de oito anos de estudo. Santos e Moura (1998), em seu estudo acerca dos determinantes da mortalidade infantil no Nordeste, consideraram como parâmetros dos modelos 7 apresentados, variáveis que espelham o cenário socioeconômico e demográfico considerados pela literatura como determinantes significativos da mortalidade infantil. Estas variáveis são: idade da criança, educação materna, ordem de nascimento/ intervalo do nascimento anterior, cor da pele, posse 6 Neste estudo, os autores utilizaram modelos de regressão linear simples e múltipla, para maiores detalhamentos consulte: BEZERRA FILHO, J. G.; KERR, L. R. F. S.; MINÁ, D. de L.; BARRETO, M. L. Distribuição espacial da taxa de mortalidade infantil e principais determinantes no Ceará, Brasil, no período 2000-2002. Caderno Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 23, n. 5, p. 1173-1185, mai. 2007. Disponível em:<http://www.scielo.br/pdf/csp/v23n5/19.pdf>. Acesso em: 3 out. 2014. 7 Neste estudo, os autores utilizaram modelo de riscos multivariado agrupados em dois níveis hierárquicos, para maiores detalhamentos consulte: SANTOS, T. F.; MOURA, F. A. Os determinantes da mortalidade infantil no Nordeste: aplicação de modelos hierárquicos. In: Encontro Nacional de Estudos Populacionais da ABEP, XI, 1998. Disponível em: < http://www.abep.nepo.unicamp.br/docs/anais/PDF/1998/a199.pdf> Acesso em: 3 out. 2014. 22 de geladeira e pré-natal. Por meio dos resultados de seu estudo, estes autores inferiram sobre a significância destas variáveis como determinantes da mortalidade infantil. De acordo com os autores, o risco de óbito infantil torna-se menor para crianças de um a cinco meses quando comparada às crianças com idade inferior a um mês, sendo que o risco é relativamente ainda menor para crianças de seis a onze meses. Em relação à ordem de nascimento/intervalo do nascimento anterior, o risco aumenta para nascimentos de intervalos inferiores a 18 meses com relação ao nascimento anterior, sendo ainda maior para ordens de nascimentos mais elevadas (ordem cinco ou mais) (SANTOS, MOURA, 1998). No que tange às variáveis cor da pele, educação materna, posse de geladeira e prénatal, os autores afirmam que a probabilidade de óbito infantil é menor para filhos de mulheres brancas ou asiáticas, com maior nível de escolaridade, que possuam geladeira e tenham realizado o pré-natal. Segundo os mesmos, estas variáveis refletem as condições socioeconômicas familiares. Em suas palavras: “(...) as crianças pertencentes às famílias com melhor status sócio-econômico estão sujeitas a um risco de morrer menor do que aquelas que pertencem a famílias que não atendem a este requisito” (SANTOS, MOURA, 1998, p.1880). De acordo com Paixão e Ferreira (2012), a taxa de mortalidade infantil é um indicador social significativo para mensurar o nível de qualidade de vida de uma população, sendo que seus fatores determinantes podem variar segundo o tempo e o local. Em seu estudo, os autores pesquisaram os fatores socioeconômicos relevantes na determinação da mortalidade infantil brasileira no período de 1997 a 2005. As variáveis explanatórias 8 utilizadas foram: taxa de fecundidade total, taxa de analfabetismos para pessoas com 15 anos ou mais de idade, índice de Gini, renda média, proporção da população servida pela coleta de lixo por ano, proporção da população servida pela rede geral de água, gasto anual per capita com função: saúde e saneamento e gasto anual per capita com função: educação e cultura. Os resultados obtidos neste estudo apontam para o fato de quanto menor a fecundidade, menores são os índices de mortalidade infantil, assim como o aumento na renda média e sua menor concentração também são importantes determinantes da diminuição dos óbitos na infância. Além disso, melhores condições de acesso a saneamento e coleta de lixo são fatores que contribuem para diminuir os riscos de mortalidade, bem como melhorias nas condições de acesso a educação levam a diminuição da taxa de analfabetismo provocando impactos positivos na redução dos óbitos infantis (PAIXÃO, FERREIRA, 2012). 8 A metodologia empregada pelos autores consistiu na aplicação do modelo econométrico de dados em painel, para maiores detalhamentos consulte: PAIXÃO, A. N.; FERREIRA, T. Determinantes da mortalidade infantil no Brasil. Informe Gepec, Toledo, v. 16, n.2, p.16-20, jul./dez. 2012. 23 Para Gomes et al. (2006), a educação constitui um fator de destaque na redução da mortalidade infantil. Estes autores realizaram um estudo com o objetivo de analisar os determinantes da mortalidade infantil nos municípios, do Brasil e da região Sudeste, nos anos de 1991 e 2000. Para isto, utilizaram modelos 9 com as seguintes variáveis explanatórias: média de estudo das pessoas com 25 anos ou mais, percentual de pessoas com renda per capita abaixo de R$75,50, renda per capita (valores em reais de 2000), coeficiente de Gini, percentual de pessoas que vivem em domicílios com densidade acima de duas pessoas por dormitório, taxa de fecundidade total, percentual de mulheres chefes de família sem cônjuge e com filhos menores de 15 anos, população total residente na área rural. Nas palavras dos autores: “(...) mesmo levando em conta fatores econômicos como renda, pobreza e desigualdade e fatores demográficos como fecundidade, a educação teve papel destacado em nossas análises empíricas” (2006, p. 13). Portanto, na concepção de Gomes et al. (2006), a educação se destaca em relação aos outros possíveis fatores determinantes constituindo um fator relevante na redução da mortalidade infantil. Ademais, os autores obtiveram maior relevância do coeficiente de Gini como variável explicativa da mortalidade infantil na região Sudeste cujos modelos apresentam significância estatística para esta variável. Desta forma, pode-se considerar que os estudos aqui apresentados apontam para a importância de indicadores socioeconômicos relativos à educação tais como o percentual de mulheres analfabetas, a proporção de mulheres com menos de oito anos de estudo, a educação materna, a taxa de analfabetismos para pessoas com 15 anos ou mais de idade e a média de estudo das pessoas com 25 anos ou mais como possíveis fatores causais da mortalidade infantil. Outras variáveis apresentadas pelos autores referem- se à idade da criança, à cor da pele e à posse de geladeira. Estes estudos também associam alguns indicadores de saúde com a mortalidade infantil como: presença ou ausência de salas de parto, médicos por mil habitantes, consultas em menores de um ano pela população de menores de um ano, proporção de nascidos vivos com baixo peso ao nascer, percentual de crianças menores de quatro meses com aleitamento materno exclusivo, percentual de crianças menores de dois anos desnutridas, cobertura 9 Neste estudo, os autores utilizaram modelos de Mínimos Quadrados Ordinários para dados em painel, Painel com Efeito Fixo e Painel com Efeito Aleatório, para maiores detalhamentos consulte: GOMES, F. A. R.; ARAUJO JUNIOR, A. F. de; SALVATO, M. A. Mortalidade infantil no Brasil e no Sudeste: Determinantes e perspectivas para o futuro. 2006. Disponível em: < http://www.ceaee.ibmecmg.br/wp/wp36.pdf> Acesso em: 03 out. 2014. 24 vacinal, cobertura do PACS/PSF, ordem de nascimento/ intervalo do nascimento anterior e pré-natal. Em relação aos fatores relativos à renda associados à mortalidade infantil, os referidos estudos apontam para a desigualdade de renda (Gini), o percentual de pobres na população, a proporção de chefes de domicílio com rendimento menor que um salário mínimo, a razão entre a renda média dos 10% mais ricos e a dos 40% mais pobres, a proporção de chefes de domicílio com rendimento menor que meio salário mínimo, a renda média, o percentual de pessoas com renda per capita abaixo de R$75,50 e a renda per capita (valores em reais de 2000). No tocante aos estudos citados, os indicadores demográficos considerados relacionados à mortalidade infantil foram à taxa de urbanização e a taxa de fecundidade total. E no que se refere aos indicadores de cobertura, estes estudos indicam o percentual de domicílios com acesso ao saneamento, a proporção de domicílios urbanos com esgotamento sanitário ligado à rede geral de esgoto e a proporção da população servida pela coleta de lixo por ano como possíveis variáveis associadas à TMI. Portanto, depreende-se a relevância de algumas variáveis socioeconômicas, demográficas e de recursos como prováveis fatores associados à mortalidade infantil. Deste modo, com base nestes estudos, selecionou-se como possíveis fatores associados à mortalidade infantil a taxa de analfabetismo, o Índice de Gini da renda domiciliar per capita, a renda média domiciliar per capita, a proporção de pessoas com baixa renda, o grau de urbanização, a taxa de fecundidade total, a cobertura de esgotamento sanitário e o PIB per capita. Pretende-se neste trabalho, acompanhar, ao longo do período de 1991 a 2010, a evolução destes indicadores e da taxa de mortalidade infantil. 3 METODOLOGIA No presente estudo, a metodologia adotada consiste na análise descritiva do comportamento de indicadores de mortalidade, socioeconômicos, demográficos e de cobertura que, provavelmente, se relacionam aos óbitos infantis. Os indicadores analisados são: Índice de mortalidade: taxa de mortalidade infantil; Índices socioeconômicos: taxa de analfabetismo, Índice de Gini da renda domiciliar per capita, renda média domiciliar per capita, Produto Interno Bruto (PIB) per capita e proporção de pobres; Índices demográficos: grau de urbanização e taxa de fecundidade total; 25 Índices de Cobertura: cobertura de esgotamento sanitário. As fontes dos dados referentes a estes indicadores são o Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC, MS/SVS), Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Estes indicadores estão reunidos nos bancos de dados do Sistema Único de Saúde (DATASUS), com exceção do PIB per capita que se encontra na base de dados econômicos e financeiros mantida pelo Instituto de Pesquisa econômica Aplicada (Ipeadata). No que concerne à escolha dos indicadores socioeconômicos, demográficos e de cobertura considerados como possíveis fatores associados à mortalidade infantil identificouse, por meio dos estudos realizados pelos autores citados no referencial teórico, alguns destes com significância estatística nos modelos econométricos como variáveis explicativas da taxa de mortalidade infantil (TMI). A análise fundamentou-se na observação do comportamento destes indicadores, assim como da taxa de mortalidade infantil e do Produto Interno Bruto per capita, para as regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil, ao longo do período de 1991 a 2010. Para tal finalidade foram elaboradas tabelas para cada indicador. Cabe mencionar que a escolha do referido período de análise pautou-se nos anos que foram realizados os Censos Demográficos pelo IBGE. Uma vez que a mortalidade infantil é, possivelmente, sensível a estes fatores, buscouse compreender como eles evoluíram, ao longo do tempo, nas distintas regiões brasileiras e de que modo esta evolução pode estar relacionada à tendência da TMI observada nas mesmas no referido período, por meio da comparação entre o comportamento verificado e o esperado para cada indicador em relação à sua possível influência sobre os óbitos infantis. Além disso, confrontou-se a TMI e seus possíveis fatores associados, representativos da qualidade de vida regional, ao PIB per capita a fim de inferir sobre o desenvolvimento econômico e sua provável relação com a mortalidade infantil. Vale destacar que, conforme mencionado, no tocante aos índices socioeconômicos, os estudos abordam a importância da taxa de analfabetismo, Índice de Gini, renda média e percentual de pobres, como indicadores relevantes na determinação da mortalidade infantil. Como indicadores correspondentes a estes foram selecionados a taxa de analfabetismo na população com 15 anos ou mais de idade, o Índice de Gini da renda domiciliar per capita, renda média domiciliar per capita e a proporção da população com renda inferior a meio salário mínimo. Em relação aos indicadores demográficos, os estudos apontam para a associação entre o nível de urbanização e a taxa de fecundidade e a mortalidade infantil, 26 sendo estes índices representados, neste trabalho, pelo grau de urbanização e pela taxa de fecundidade total. No que se refere aos índices de cobertura, os estudos citam a relevância da proporção da população servida por esgotamento sanitário como possível fator associado à TMI, sendo aqui utilizada a cobertura de esgotamento sanitário como indicador representante deste fator. 3.1 Taxa de mortalidade infantil A mortalidade infantil pode ser expressa por meio da taxa de mortalidade infantil que exprime o número de óbitos em crianças menores de um ano de idade, por mil nascidos vivos, concernente à população de determinado local geográfico e ano específico (RIPSA, 2008; ROLLET, 2007; IPEA, 2010). Este indicador pode ser calculado do seguinte modo (RIPSA, 2008): Número de óbitos de residentes com menos de um ano de idade × 1000 Número de nascidos vivos de mães residentes 3.2 (1) Taxa de analfabetismo A taxa de analfabetismo indica o percentual de indivíduos analfabetos (que não são capazes de ler e escrever, no mínimo, um bilhete simples no idioma de sua população) de um grupo etário em relação ao total de pessoas deste mesmo grupo (IBGE, 2015). Este indicador tem por objetivo auferir o nível de analfabetismo dos residentes adultos e pode ser usado com a finalidade de dimensionar o desenvolvimento socioeconômico no nível educacional. Além disso, sua redução pode influir beneficamente na questão da atenção à saúde infantil, em decorrência da ampliação da alfabetização adulta, principalmente materna (RIPSA, 2008). Segundo o RIPSA (2008), o cálculo deste indicador, para um determinado local geográfico e ano específico, pode ser efetuado da seguinte maneira: Número de pessoas residentes de 15 e mais anos de idade que não sabem ler e escrever um bilhete simples, no idioma que conhecem × 100 População total residente desta faxa etária (2) 27 3.3 Índice de Gini da renda domiciliar per capita O Índice de Gini da renda domiciliar per capita mensura o nível de concentração da distribuição de renda domiciliar per capita , sendo que os valores deste índice estão no intervalo de zero a um, inclusive, e que quanto maior o valor deste índice (mais próximo ou igual a um) maior a concentração da renda domiciliar per capita, ou seja, maior a concentração na distribuição da renda (RIPSA, 2012; IPEA, 2015). O Índice de Gini, para um determinado local geográfico e ano específico, pode ser obtido através da fórmula de Brown (RIPSA, 2012): G = 1 − ∑𝑘=𝑛−1 𝑘=0 (𝑋𝑘+1 − 𝑋𝑘 )(𝑌𝑘+1 + 𝑌𝑘 ) (3) Onde: G = coeficiente de Gini X= proporção acumulada da variável “população” Y = proporção acumulada da variável “renda” 3.4 Renda média domiciliar per capita A renda média domiciliar per capita, de acordo com a RIPSA (2012), representa a média das rendas domiciliares per capita dos habitantes de determinado local geográfico e ano específico. A renda domiciliar per capita é obtida por meio da divisão do somatório das rendas mensais dos residentes do domicílio pelo número de residentes do mesmo. Este indicador tem por finalidade auferir acerca do poder aquisitivo dos moradores domiciliar e, portanto, das condições de vida destes. Portanto, este indicador é calculado por meio do seguinte método: 𝑆𝑜𝑚𝑎 𝑑𝑎𝑠 𝑟𝑒𝑛𝑑𝑎𝑠 𝑑𝑜𝑚𝑖𝑐𝑖𝑙𝑖𝑎𝑟𝑒𝑠 𝑝𝑒𝑟 𝑐𝑎𝑝𝑖𝑡𝑎 𝑃𝑜𝑝𝑢𝑙𝑎çã𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑟𝑒𝑠𝑖𝑑𝑒𝑛𝑡𝑒 (4) Onde a renda domiciliar per capita é: 𝑆𝑜𝑚𝑎 𝑑𝑎 𝑟𝑒𝑛𝑑𝑎 𝑑𝑜𝑠 𝑚𝑜𝑟𝑎𝑑𝑜𝑟𝑒𝑠 𝑁ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑑𝑒 𝑚𝑜𝑟𝑎𝑑𝑜𝑟𝑒𝑠 𝑛𝑜 𝑑𝑜𝑚𝑖𝑐í𝑙𝑖𝑜 (5) 28 3.5 Proporção de pobres De acordo com a RIPSA (2008), este indicador expressa a porcentagem de habitantes, de determinado local e ano, com rendimento familiar mensal per capita de no máximo meio salário mínimo. Portanto, pode ser utilizado para expressar a parcela da população que sobrevive em condições precárias, contribuindo para a elucidação da situação socioeconômica dos habitantes, com vistas à identificação das camadas sociais que carecem de maior atenção de políticas públicas. Este índice é calculado por meio da seguinte equação: 𝑃𝑜𝑝𝑢𝑙𝑎çã𝑜 𝑟𝑒𝑠𝑖𝑑𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑐𝑜𝑚 𝑟𝑒𝑛𝑑𝑎 𝑓𝑎𝑚𝑖𝑙𝑖𝑎𝑟 𝑚𝑒𝑛𝑠𝑎𝑙 𝑝𝑒𝑟 𝑐𝑎𝑝𝑖𝑡𝑎 𝑑𝑒 𝑎𝑡é 𝑚𝑒𝑖𝑜 𝑠𝑎𝑙á𝑟𝑖𝑜 𝑚í𝑛𝑖𝑚𝑜 × 100 População total residente 3.6 (6) Grau de urbanização O grau de urbanização indica a porcentagem dos habitantes que residem em áreas urbanas, em determinado local e ano específico (RIPSA, 2008; ROLLET, 2007). Este indicador pode ser calculado por meio do método a seguir (RIPSA, 2008): 𝑃𝑜𝑝𝑢𝑙𝑎çã𝑜 𝑢𝑟𝑏𝑎𝑛𝑎 𝑟𝑒𝑠𝑖𝑑𝑒𝑛𝑡𝑒 × 100 População total residente 3.7 (7) Taxa de Fecundidade total A taxa de fecundidade total expressa o número médio de filhos que teria uma mulher, de 15 a 49 anos, ao término de sua fase reprodutiva (IBGE, 2015). Cabe mencionar que está taxa representa um fundamental indicador da dinâmica demográfica. Além disso, seu declínio pode ser relacionado, por exemplo, a fatores como a diminuição da mortalidade infantil, a melhores condições no aspecto educacional e a inserção crescente da mulher no mercado de trabalho (RIPSA, 2008). 3.8 Cobertura de esgotamento sanitário 29 Segundo a RIPSA (2008), a cobertura de esgotamento sanitário expressa a porcentagem de habitantes que possuem, por meio da conexão domiciliar à rede coletora ou fossa séptica, canal de dejetos, em determinado local e ano específico. De acordo com o IBGE (2015), a conexão domiciliar à rede coletora ou fossa séptica pode ser entendida como ligação a estas unidades de tratamento de esgoto do escoadouro do sanitário utilizado pelos moradores de um domicílio particular permanente. Ademais, este indicador infere sobre a situação socioeconômica regional. Cabe mencionar que baixa cobertura do mesmo representa risco à saúde, visto que facilita a propagação de doenças transmissíveis advindas de contaminação ambiental. Seu cálculo pode ser efetuado por meio da seguinte equação (RIPSA, 2008): 𝑃𝑜𝑝𝑢𝑙𝑎çã𝑜 𝑟𝑒𝑠𝑖𝑑𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑒𝑚 𝑑𝑜𝑚𝑖𝑐í𝑙𝑖𝑜𝑠 𝑝𝑎𝑟𝑡𝑖𝑐𝑢𝑙𝑎𝑟𝑒𝑠 𝑠𝑒𝑟𝑣𝑖𝑑𝑜𝑠 𝑝𝑜𝑟 𝑟𝑒𝑑𝑒 𝑔𝑒𝑟𝑎𝑙 𝑑𝑒 𝑎𝑏𝑎𝑠𝑡𝑒𝑐𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑑𝑒 á𝑔𝑢𝑎, 𝑐𝑜𝑚 𝑜𝑢 𝑠𝑒𝑚 𝑐𝑎𝑛𝑎𝑙𝑖𝑧𝑎çã𝑜 𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑛𝑎 𝑋 100 𝑃𝑜𝑝𝑢𝑙𝑎çã𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑟𝑒𝑠𝑖𝑑𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑒𝑚 𝑑𝑜𝑚𝑖𝑐í𝑙𝑖𝑜𝑠 𝑝𝑎𝑟𝑡𝑖𝑐𝑢𝑙𝑎𝑟𝑒𝑠 𝑝𝑒𝑟𝑚𝑎𝑛𝑒𝑛𝑡𝑒𝑠, 𝑎𝑗𝑢𝑠𝑡𝑎𝑑𝑎 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑜 𝑚𝑒𝑖𝑜 𝑑𝑜 𝑎𝑛𝑜 3.9 (8) Produto Interno Bruto (PIB) per capita Segundo a RIPSA (2008), o Produto Interno Bruto (PIB) per capita representa o valor médio agregado por habitante da produção final (bens e serviços) de determinado local geográfico e ano específico, em moeda corrente e a preços de mercado. Portanto, este indicador: Mede a produção do conjunto dos setores da economia por habitante. Indica o nível de produção econômica em um território, em relação ao seu contingente populacional. Valores muito baixos assinalam, em geral, a existência de segmentos sociais com precárias condições de vida. (RIPSA, 2008, p. 96). Desta maneira, este índice é obtido por meio do seguinte cálculo (RIPSA, 2008): Valor do PIB em moeda corrente, a preços de mercado População total residente 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO (9) 30 4.1 Comportamento da mortalidade infantil no período de 1991-2010 A análise da taxa de mortalidade infantil das cinco grandes regiões brasileiras, nos anos 1991, 2000 e 2010, revela que este indicador apresenta uma tendência de redução ao longo do período observado. Na Tabela 1 são apresentados os valores para a taxa de mortalidade infantil correspondente as distintas regiões brasileiras nos anos 1991, 2000 e 2010. Tabela 1 - Taxa de mortalidade infantil para as regiões brasileiras nos anos 1991, 2000 e 2010 Número de óbitos em crianças menores de um ano de idade, por mil NV Região 1991 2000 2010 Região Norte 45,86 32,8 20,97 Região Nordeste 75,76 35,93 19,09 Região Sudeste 32,59 20,09 13,43 Região Sul 28,28 16,92 11,58 Região Centro-Oeste 34,35 22,32 15,93 Total 47,09 26,12 15,97 Fonte: elaborada a partir de informações de dados do IDB (Fontes: MS/SVS - Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos – SINASC, MS/SVS - Sistema de Informações sobre Mortalidade – SIM). Ao comparar os anos 1991 e 2010, nota-se a queda desta taxa em 74,80% no Nordeste, em 59,05% no Sul, em 58,79% no Sudeste, 54,27% no Norte e em 53,62% no Centro-Oeste. Assim, considerando-se o período de análise total, a região Nordeste apresentou os melhores resultados no tocante à evolução da redução dos óbitos infantis, seguida pelas regiões Sul, Sudeste, Norte e Centro-Oeste. O desempenho da região Norte só foi superior ao da região Centro-Oeste, apesar de ter melhorado no período de 2000 a 2010. Contudo, como esta região, juntamente com o Nordeste, apresenta os piores indicadores, é necessária a intensificação do combate à mortalidade infantil para que ela se aproxime das demais regiões neste quesito. Além do mais, regiões como Sul e Sudeste, cujos índices de mortalidade infantil são os menores, só demonstraram redução inferior ao Nordeste, reforçando os menores indicadores de óbitos em crianças menores de um ano de idade e, portanto, os melhores resultados para este indicador. A observação da Tabela 1 permite constatar que as regiões Nordeste e Norte demonstram os maiores valores para a taxa de mortalidade infantil no período em questão. 31 Nos anos 1991 e 2000, a Região Nordeste apresentou maior número de óbitos em crianças menores de um ano de idade, por mil nascidos vivos, quando comparada as demais regiões brasileiras. Já em 2010, a Região Norte exibiu maior taxa de mortalidade infantil. Em relação às demais regiões, em todos os anos em questão, verifica-se que a região Centro-Oeste apresentou o terceiro posicionamento, seguida pelas regiões Sudeste e Sul. Como já mencionada, nota-se a partir da análise da Tabela 1, o declínio deste indicador ao longo do período. A mortalidade infantil reduziu, entre os anos 1991 e 2000, em 52,57% no Nordeste, em 40,17% no Sul, em 38,35% no Sudeste, em 35,02% no Centro-Oeste e 28,47% no Norte. Desta forma, nota-se que a região nordestina, apesar de ter exibido os valores mais elevados deste indicador, exibiu a maior queda porcentual de mortes infantis no período. Contudo, a região Norte, cujos índices representam os segundos maiores valores, demonstrou menor declínio porcentual desta taxa. Sendo assim, pode-se depreender que a região Nordeste, apesar de apresentar para este índice grande discrepância em relação às outras regiões, demonstrou avanços relevantes em termos do combate à mortalidade infantil, enquanto na região Norte a redução das mortes infantis foi a menos expressiva. No que concerne as demais regiões, observa-se uma redução próxima em termos de porcentagem, e que as regiões com menores valores de mortalidade foram aquelas que apresentaram maior redução porcentual de óbitos nesta fase da vida. Entre os anos 2000 e 2010, a redução dos óbitos infantis correspondeu a 46,87% na região Nordeste, a 36,07% na região Norte, a 33,15% na região Sudeste, a 31,56 % na região Sul e a 28, 62% na região Centro-Oeste. Desta maneira, verifica-se que, neste período, a região Norte apresentou melhores resultados em relação ao período anterior. A região Nordeste continuou a demonstrar o maior declínio porcentual da mortalidade infantil. Com exceção do Norte, a queda porcentual da taxa de mortalidade infantil foi menor para as demais regiões em comparação ao período anterior. Ao comparar as diferenças entre as regiões, observa-se que, em 1991, a taxa de mortalidade infantil da região Nordeste excedia em 29,9 óbitos em crianças menores de um ano de idade por mil nascidos vivos (NV) a região Norte. Já a região Norte excedia a região Centro-Oeste em 11,51 óbitos infantis por mil NV, a região Centro-Oeste excedia a Sudeste em 1,76 óbitos infantis por mil NV e a região Sudeste excedia a Sul em 4,31 óbitos infantis por mil NV. Para o ano 2000, os valores entre as regiões Nordeste e Norte, Norte e CentroOeste, Centro-Oeste e Sudeste, e Sudeste e Sul, sendo que a primeira sobrepuja a segunda, correspondiam, respectivamente, a 3,13; 10,48; 2,23 e 3,17 óbitos infantis por mil NV. Em 2010, considerando também que a primeira região excede a segunda, a diferença de óbitos 32 infantis por mil NV, equivale a 1,88; 3,16; 2,5 e 1,85; respectivamente, entre as regiões Norte e Nordeste, Nordeste e Centro-Oeste, Centro-Oeste e Sudeste, Sudeste e Sul. Deste modo, depreende-se que houve o declínio das diferenças regionais da taxa de mortalidade infantil entre as regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste. Esse comportamento também foi observado entre as regiões Sudeste e Sul. Somente houve o aumento da desigualdade entre a taxa de mortalidade infantil das regiões Centro-Oeste e Sudeste. Ademais, ao comparar as regiões com menores e maiores indicadores observa-se a redução das diferenças regionais. Em 1990, a diferença entre as regiões Nordeste e Sul, correspondia a 47,48 óbitos em menores de um ano de idade por mil NV. Em 2000, essa diferença passa a 19,01 óbitos nesta idade. Em 2010, a diferença da taxa de mortalidade infantil entre as regiões Norte e Sul corresponde a 9,39 óbitos em menores de um ano. Enfim, deduz-se que houve redução das disparidades regionais. Além disso, tendo em vista a concepção de Paulani e Braga (2007), de que a taxa de mortalidade infantil é um indicador significativo de qualidade de vida, espera-se que estas condições tenham melhorado no país ao longo do período em questão, o que pode explicar a redução dos óbitos de crianças menores de um ano. A fim de constatar tal proposição, realiza-se, a seguir, a análise do comportamento dos possíveis fatores associados à mortalidade infantil nas cinco grandes regiões brasileiras e sua possível correlação com a tendência de redução dos óbitos infantis observados nas respectivas regiões. 4.2 Comportamento dos possíveis fatores associados à mortalidade infantil nas diferentes regiões brasileiras nos anos 1991, 2000 e 2010 4.2.1 Taxa de analfabetismo Na Tabela 2 são apresentados os valores desta taxa para as distintas regiões brasileiras nos anos 1991, 2000 e 2010. 33 Tabela 2 - Taxa de analfabetismo para as regiões brasileiras nos anos 1991, 2000 e 2010 Proporção de analfabetos na população com 15 anos ou mais de idade Região 1991 2000 2010 Região Norte 24,0 15,6 11,1 Região Nordeste 36,5 24,8 18,5 Região Sudeste 11,7 7,6 5,3 Região Sul 11,2 7,1 5,0 Região Centro-Oeste 16,0 10,1 7,0 Total 19,3 12,8 9,4 Fonte: Elaborada a partir de dados do IDB (Fonte:IBGE/Censos Demográficos 1991, 2000 e 2010). A análise da Tabela 2 mostra que houve redução da taxa de analfabetismo para todas as regiões brasileiras no período de 1991 a 2010. Verifica-se que neste período, o analfabetismo na população com 15 anos ou mais diminui em 18% na região Nordeste, em 12,9% na região Norte, em 9% na região Centro-Oeste, em 6,4% na região Sudeste e 6,25% na região Sul. Observa-se também que, em todos os anos analisados, a região Nordeste apresentou o maior percentual de analfabetos na população seguida, em ordem decrescente, pelas regiões Norte, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Outro ponto importante a ser ressaltado consiste na diferença regional destes valores apresentados nos distintos anos. Em 1991, a diferença das taxas de analfabetismo entre as regiões Nordeste e Norte foi de 12,5%, entre as regiões Norte e Centro-Oeste foi de 8%, entre as regiões Centro-Oeste e Sudeste foi de 4,3% e entre as regiões Sudeste e Sul foi de 0,5 %. Em 2000, essas diferenças foram, respectivamente, 9,22%; 5,51%; 2,48 % e 0,43%. Portanto, observa-se a redução das disparidades regionais das taxas de analfabetismos entre estes dois anos. Esta tendência é mantida, já que ao comparar os anos 2000 e 2010, observa-se a diminuição das diferenças das taxas de analfabetismos entre as regiões Nordeste e Norte, Norte e Centro-Oeste, Centro-Oeste e Sudeste, Sudeste e Sul referentes ao último ano, cujos respectivos valores correspondem a 7,42%; 4,13%; 1,71% e 0,33%. Deste modo, uma vez que a taxa de analfabetismo decai nas diversas regiões brasileiras no período analisado, depreende-se que ocorreram melhorias em termos de acesso à educação. Tendo em vista que, de acordo com os estudos apontados neste trabalho, aspectos educacionais constituem possíveis variáveis determinantes da mortalidade infantil, espera-se que este fato influa positivamente na redução da mortalidade infantil. 34 4.2.2 Índice de Gini da renda domiciliar per capita Na Tabela 3 são apresentados os valores deste índice para as distintas regiões brasileiras nos anos 1991, 2000 e 2010. Tabela 3 – Índice de Gini da renda domiciliar per capita para as regiões brasileiras nos anos 1991, 2000 e 2010 Índice de Gini da renda domiciliar per capita Região 1991 2000 2010 Região Norte 0,6257 0,6545 0,6319 Região Nordeste 0,6593 0,6682 0,6277 Região Sudeste 0,5984 0,6093 0,585 Região Sul 0,5857 0,5893 0,5337 Região Centro-Oeste 0,6244 0,642 0,6019 Total 0,6383 0,646 0,6086 Fonte: Elaborada a partir de dados do IDB (Fonte:IBGE/Censos Demográficos 1991, 2000 e 2010). Pode-se observar por meio dos dados da Tabela 3 que do ano 1991 para o ano 2000 houve um aumento deste indicador e que de 2000 para 2010 houve a redução para todas as regiões brasileiras. Desta forma, depreende-se que, no período analisado, inicialmente, ocorreu um aumento do nível de concentração da distribuição de renda domiciliar per capita e, posteriormente, houve a diminuição da mesma no país. Além disso, observa-se que em 1991 e 2000, a região que apresentou maior nível de concentração da distribuição de renda domiciliar per capita foi a região Nordeste, seguida, decrescentemente, pelas regiões Norte, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Já, em 2010, a região Norte apresentou maior nível de concentração da distribuição de renda domiciliar per capita, seguida pelas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Assim sendo, com exceção da região Norte, ao comparar os anos 1991 e 2010, observa-se a redução dos valores do Índice de Gini da renda domiciliar per capita. Portanto, espera-se que a redução do nível de concentração da distribuição de renda domiciliar per capita contribua para a diminuição da mortalidade infantil nestas regiões, uma vez que, segundo a literatura, uma menor concentração de renda é, provavelmente, um importante fator condicionante do decrescimento da taxa de mortalidade infantil. 35 4.2.3 Renda média domiciliar per capita Na Tabela 4 são apresentados os valores da renda média domiciliar per capita para as distintas regiões brasileiras nos anos 1991, 2000 e 2010. Tabela 4 – Renda média domiciliar per capita para as regiões brasileiras nos anos 1991, 2000 e 2010 Renda média domiciliar per capita10 em R$ Região 1991 2000 2010 Região Norte 232,33 356,33 494,11 Região Nordeste 178,44 305,06 458,63 Região Sudeste 469,57 766,4 943,34 Região Sul 364,19 674,48 919,9 Região Centro-Oeste 390,05 679,37 935,06 Total 348,47 585,94 767,02 Fonte: Elaborada a partir de dados do IDB (Fonte:IBGE/Censos Demográficos 1991, 2000 e 2010). Observa-se, por meio da análise das informações da Tabela 4, para todos os anos analisados, a região Sudeste apresentou maiores valores para a renda média domiciliar per capita, seguida, decrescentemente, pelas regiões Centro-Oeste, Sul, Norte e Nordeste. Em 1991, as diferenças da renda média domiciliar per capita entre as regiões Sudeste e CentroOeste, Centro-Oeste e Sul, Sul e Norte, Norte e Nordeste correspondiam, respectivamente, a R$ 79,52;R$ 25,86; R$ 131,86 e R$ 53,89. Já em 2010, essas diferenças entre as regiões Sudeste e Centro-Oeste, Centro-Oeste e Sul, Sul e Norte, Norte e Nordeste foram, respectivamente, R$ 8,28; R$ 15,16; R$ 425,79; R$ 35,48. Assim, verificou-se, no período de 1991 a 2010, a redução da desigualdade da renda média domiciliar per capita entre as regiões, com exceção da diferença entre as regiões Sul e Norte, na qual houve o aumento da desigualdade da renda média domiciliar per capita. Portanto, houve no país, o aumento da disparidade, em termos de renda média domiciliar per capita, entre as regiões com maiores e menores valores deste indicador. 10 A série desta tabela é calculada com base no salário mínimo do último ano (valor de referência), ou seja, 2010, cujo valor é de R$ 510,00. Vale mencionar que há modificação no valor da linha de pobreza e, por conseguinte na proporção de pobres, em decorrência da correção para todos os valores com base no INPC de julho de 2010 (BRASIL, 2015). 36 Além disso, nota-se que houve, em todas as regiões brasileiras, o crescimento da renda média domiciliar per capita no período de 1991 a 2010. Neste período, o maior aumento da renda média domiciliar per capita foi verificado na região Sul, correspondente a R$ 555,71. Nas regiões Centro-Oeste, Sudeste, Nordeste e Norte, o crescimento dos valores deste indicador equivale a, respectivamente, R$ 545,01; R$ 473,77; R$ 280,19 e R$ 261,78. Assim, para que houvesse ocorrido a redução das disparidades entre Sul e Norte, ou seja, entre as regiões com maiores renda médias per capita (Sudeste, Centro-Oeste e Sul) e menores (Norte e Nordeste), a elevação deste índice nas últimas deveriam ser significativamente superiores ao observado nas primeiras, o que não ocorreu, explicando o aumento das desigualdades regionais neste termo. Cabe mencionar que, a ampliação da renda média constitui fator essencial para a redução da mortalidade infantil, portanto, uma vez que se verificou o aumento da renda média domiciliar per capita em todas as regiões brasileiras, espera-se que isto tenha contribuído para o declínio da mortalidade infantil (PAIXÃO, FERREIRA, 2012). 4.2.4 Proporção de pessoas com baixa renda Na Tabela 5 é apresentada a proporção de pessoas com baixa renda para as regiões brasileiras nos anos 1991, 2000 e 2010. 37 Tabela 5 – Proporção de pessoas com baixa renda para as regiões brasileiras nos anos 1991, 2000, 2010 Porcentagem da população com renda menor que meio salário mínimo 11 por região e ano Região 1991 2000 2010 Região Norte 78,62 67,07 52,79 Região Nordeste 86,14 73,13 56,1 Região Sudeste 53,23 35,06 23,74 Região Sul 62,1 36,83 19,19 Região Centro-Oeste 64,81 44,33 25,92 Total 66,53 49,1 34,67 Fonte: Elaborada a partir de dados das informações de Saúde (TABNET) (Fonte:IBGE/Censos Demográficos 1991, 2000 e 2010) Depreende-se por meio da análise da Tabela 5 que houve em todas as regiões brasileiras a diminuição da proporção de pessoas com baixa renda. No período de 1991 a 2010, a porcentagem da população com renda menor que meio salário mínimo reduziu em 42,91% na região Sul, em 38,89% na região Centro-Oeste, em 30,04% na região Nordeste, em 29,49% na região Sudeste e em 25,83% na região Norte. Além disso, nos anos 1991 e 2000, a região Nordeste apresentou a maior proporção de pessoas com baixa renda, seguida, em ordem decrescente, pelas regiões Norte, Centro-Oeste, Sul e Sudeste. Já, em 2010, essa ordem difere dos anos anteriores pelo fato da região Sul apresentar menor proporção de pessoas com renda inferior a meio salário mínimo em comparação à região Sudeste. No que se refere às diferenças regionais em relação à proporção de pessoas com baixa renda, nota-se que, em 1991, essa disparidade entre as regiões Nordeste e Norte, Norte e Centro-Oeste, Centro-Oeste e Sul, Sul e Sudeste, correspondem, respectivamente, a 7,52%; a 13,81%; a 2,71% e a 8,87%. Em 2000, as desigualdades regionais para a proporção de pessoas com baixa renda equivalem a 6,06%; a 22,74%; a 7,5% e a 1,77%; respectivamente, para as regiões Nordeste e Norte, Norte e Centro-Oeste, Centro-Oeste e Sul, Sul e Sudeste. Em 2010, a diferença entre as regiões Nordeste e Norte, Norte e Centro-Oeste, Centro-Oeste e 11 A série desta tabela, assim como da anterior, é calculada com base no salário mínimo do último ano (2010), cujo valor é de R$ 510,00. Cabe mencionar que há mudança no valor da linha de pobreza e, consequentemente, na proporção de pobres, resultante da correção para todos os valores com base no INPC de julho de 2010 (BRASIL, 2015). 38 Sudeste, Sudeste e Sul, representam 3,31%; 26,87%; 2,18% e 4,55%. Desta forma, ao comparar os anos 1991 e 2010, depreende-se que, para este indicador, houve redução das disparidades regionais, exceto entre as regiões Norte e Centro-Oeste, que apresentam aumento da diferença entre seus valores, indicando o aumento da desigualdade entre estas regiões no que tange a proporção de pessoas com baixa renda, ao longo do tempo. Assim, de modo semelhante ao ocorrido com a renda média per capita, houve o aumento das desigualdades regionais entre as regiões com maiores e menores proporções de pessoas com baixa renda. Uma vez que a elevação da renda média consiste num importante fator para a redução da mortalidade infantil, de modo análogo, a redução da proporção de pessoas vivendo com renda inferior a meio salário mínimo contribui, provavelmente, para o decréscimo da mortalidade infantil. 4.2.5 Grau de urbanização Na Tabela 6 são apresentados os valores para o grau de urbanização referente às distintas regiões brasileiras nos anos 1991, 2000 e 2010. Tabela 6 – Grau de urbanização para as regiões brasileiras nos anos 1991, 2000 e 2010 Porcentagem da população urbana por região e ano Região e UF 1991 2000 2010 Região Norte 59,05 69,87 73,58 Região Nordeste 60,65 69,07 73,16 Região Sudeste 88,02 90,52 92,93 Região Sul 74,12 80,94 84,94 Região Centro-Oeste 81,28 86,73 88,82 Brasil 75,59 81,25 84,36 Fonte: Elaborada a partir de dados do IDB (Fonte: IBGE/ Censos Demográficos 1991, 2000 e 2010 e Projeções Populacionais). Nota-se, por meio da análise da Tabela 6, que a porcentagem da população urbana aumentou em todas as regiões de 1991 a 2010. Esse aumento corresponde a 14,53% no Norte, a 12,51% no Nordeste, a 10,82% no Sul, a 7,54% no Centro-Oeste e a 4,91% no Sudeste. Ademais, a região Sudeste apresentou maior porcentagem de população urbana, para todos os anos analisados, seguida decrescentemente, pelas regiões Centro-Oeste, Sul. As regiões 39 Nordeste e Norte exibiram os menores níveis de urbanização, sendo que em 1991 a região Nordeste apresentou maior proporção de população urbana em relação ao Norte, enquanto em 2000 e 2010, a região Norte demonstrou maiores valores para este indicador em comparação ao Nordeste. No que tange às disparidades regionais em relação ao grau de urbanização, nota-se que, em 1991, essa desigualdade entre as regiões Sudeste e Centro-Oeste, Centro-Oeste e Sul, Sul e Nordeste, Nordeste e Norte, correspondem, respectivamente, a 6,74%; a 7,16%; a 13,47% e a 1,6%. Em 2000, as desigualdades regionais para o grau de urbanização representam 3,79%; a 5,79%; a 11,07% e a 0,8%; respectivamente, para as regiões Sudeste e Centro-Oeste, Centro-Oeste e Sul, Sul e Norte, Norte e Nordeste. Em 2010, a diferença entre as regiões Sudeste e Centro-Oeste, Centro-Oeste e Sul, Sul e Norte, Norte e Nordeste, para este indicador, correspondem, respectivamente, a 4,11%; a 3,88%, a 11,36% e a 0,42%. Deste modo, nota-se que de 1991 para 2000 ocorreu à diminuição das desigualdades regionais, e de 2000 para 2010 houve um pequeno aumento da diferença do grau de urbanização entre as regiões Sudeste e Centro-Oeste e entre Sul e Norte. Contudo, ao comparar os anos 1991 e 2010, observa-se que houve a redução das disparidades regionais em termos de grau de urbanização entre todas as regiões. Desta forma, no que tange o processo de urbanização no Brasil nota-se, no período analisado, o aumento da porcentagem dos habitantes que residem em áreas urbanas. De acordo com Bezerra Filho et al. (2007), a taxa de urbanização demonstra uma correlação direta com a mortalidade infantil tardia. Os autores explicam que o caráter desta relação pode ser compreendido levando em consideração que nas grandes cidades a maior parte dos imigrantes possui baixo nível de escolaridade e qualificação profissional, quando possui, o que leva a formação de um amplo aglomerado populacional com baixa renda, com condições inadequadas de habitação e de acesso a serviços sanitários. Assim, o processo de urbanização, possivelmente, contribui para o aumento da taxa de mortalidade infantil. Portanto, tendo em vista que o aumento do nível de urbanização pode contribuir para a elevação da mortalidade infantil nas distintas regiões brasileiras, ressalta-se a importância de medidas políticas que visem à redução das desigualdades populacionais, ou seja, ações que favoreçam as classes mais pobres que tendem a se concentrar em aglomerados populacionais, oriundos do processo de urbanização, caracterizados por baixos padrões de qualidade de vida. 4.2.6 Taxa de fecundidade 40 Na Tabela 7 são apresentados os valores para a taxa de fecundidade total relativa às distintas regiões brasileiras nos anos 1991, 2000 e 2010. Tabela 7 – Taxa de fecundidade para as regiões brasileiras nos anos 1991, 2000 e 2010 Número médio anual de filhos por mulher Região e UF 1991 2000 2010 Região Norte 3,99 3,01 2,34 Região Nordeste 3,38 2,54 1,92 Região Sudeste 2,28 2,06 1,67 Região Sul 2,45 2,08 1,66 Região Centro-Oeste 2,6 2,17 1,82 Total 2,73 2,29 1,82 Fonte: Elaborada a partir de dados do IDB (Fontes: Estimativas: IBGE/Projeções demográficas preliminares; Dados Diretos: MS/SVS – Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos). Por meio da análise desta tabela observa-se que, no período de 1991 a 2010, houve redução da taxa de fecundidade total. Verificou-se na região Norte a redução do número médio anual de filhos por mulher em 41,35%; no Nordeste em 43,19%; no Sul em 32,24%; no Centro-Oeste em 30,0% e no Sudeste em 26,75%. Desta forma, observou-se a queda da fecundidade total em todas as regiões brasileiras neste período. Além disso, verificaram-se para todos os anos observados, maiores taxas de fecundidade total na região Norte, seguida pelas regiões Nordeste e Centro-Oeste. Nos anos 1991 e 2000, a região Sudeste exibiu menores taxas de fecundidade total, enquanto, em 2010, observa-se menor valor para este indicador na região Sul. No tocante as disparidades regionais, observa-se que a diferença do número médio de filhos por mulher, no ano 1991, corresponde a 0,61; a 0,78; a 0,15 e a 0,17, respectivamente, entre as regiões Norte e Nordeste, Nordeste e Centro-Oeste, Centro-Oeste e Sul, Sul e Sudeste. Em 2000, essa diferença equivale a 0,47; 0,37; 0,09 e 0,02, respectivamente, entre as regiões Norte e Nordeste, Nordeste e Centro-Oeste, Centro-Oeste e Sul, Sul e Sudeste. Em 2010, as desigualdades regionais do número médio de filhos por mulher entre as regiões Norte e Nordeste, Nordeste e Centro-Oeste, Centro-Oeste e Sudeste, Sudeste e Sul, correspondem, respectivamente, a 0,42; 0,1; 0,15 e 0,01. Desta forma, verifica-se a queda das disparidades entre as regiões brasileiras em termos do número médio de filhos por mulher no período de 1991 a 2010. 41 De acordo com Gomes et al. (2006), maiores taxas de fecundidade normalmente estão relacionadas às famílias mais pobres que vivem em condições inadequadas. Desta forma, espera-se que maiores taxas de fecundidades estejam associadas a maiores taxas de mortalidade infantil. Para Paixão e Ferreira (2012), a redução da taxa de fecundidade tem sido essencial para a diminuição da taxa de mortalidade infantil, já que o menor número de filhos possibilita melhor assistência e perspectiva para a criança. Uma vez que a fecundidade reduziu em todas as regiões brasileiras no período em questão, presume-se que este fato colabore para a redução da mortalidade infantil em âmbito nacional. 4.2.7 Cobertura de esgotamento sanitário Na Tabela 8 são apresentados os valores para a cobertura de esgotamento sanitário referente às distintas regiões brasileiras nos anos 1991, 2000 e 2010. Tabela 8 – Cobertura de esgotamento sanitário para as regiões brasileiras nos anos 1991, 2000 e 2010 Proporção da população servida por esgotamento sanitário Região 1991 2000 2010 Região Norte 24,03 33,48 31,11 Região Nordeste 22,92 35,98 43,22 Região Sudeste 71,92 80,95 85,65 Região Sul 51,14 62,24 70,45 Região Centro-Oeste 33,94 40,2 50,72 Total 48,89 59,15 64,54 Fonte: Elaborada a partir de dados do IDB (Fonte: IBGE/Censos Demográficos 1991, 2000 e 2010). A análise da tabela acima mostra que em todas as regiões brasileiras, no período de 1991 a 2010, houve o aumento da porcentagem de habitantes que possuíam, por meio da conexão domiciliar à rede coletora ou fossa séptica, canal de dejetos. Verifica-se que o aumento da cobertura de esgotamento sanitário corresponde a 13,73% no Sudeste; a 19,31% no Sul; a 16,78% no Centro-Oeste; 20,3% no Nordeste e a 7,08 % no Norte. Além disso, com exceção do ano 1991 no qual a região Norte apresentou maior proporção de pessoas com acesso a esgotamento sanitário em comparação ao Nordeste, a região Sudeste apresentou a 42 maior proporção para este indicador, seguida pelas regiões Sul, Centro-Oeste, Nordeste e Norte. Assim, em relação à cobertura de esgotamento sanitário, a região Norte além de apresentar piores condições, nos anos 2000 e 2010, também demonstrou menor aumento porcentual ao longo do período em questão. Desta forma, torna-se evidente a necessidade de uma atenção especial a esta região em termos de ações e políticas públicas com vistas à redução das disparidades regionais brasileiras. Além disso, observa-se que, apesar do crescimento porcentual da população com acesso a esgotamento sanitário em todas as regiões, ao longo do período analisado, em 2010, menos da metade da população nas regiões Nordeste e Norte possuíam conexão domiciliar à rede coletora ou fossa séptica, enquanto na região Centro-Oeste este valor corresponde, aproximadamente, a metade da população. Os melhores resultados foram verificados nas regiões Sul e Sudeste. No que tange às disparidades regionais, nota-se que, no período em questão, houve redução das desigualdades em termos de acesso a esgotamento sanitário entre as regiões Sudeste e Sul. Em 1991, a porcentagem de habitante com acesso a esgotamento sanitário na região Sudeste excedia em 20,78% esta porcentagem na região Sul. Em 2010, este valor reduz para 15,2 %. A diminuição das diferenças regionais também foi constatada entre as regiões Centro-Oeste e Nordeste, tendo em vista que ao comparar os valores observados para 1991 e 2010 tem-se que para o último ano, este corresponde a 7,5%; enquanto para o primeiro equivale a 11,02%. Embora, no período de 2000 a 2010, tenha ocorrido o aumento desta diferença de 4,22% para 7,5%. Entre a região Sul e Centro-Oeste observou-se o aumento das desigualdades no que concerne a cobertura de esgotamento sanitário de 17,2% para 19,73%, mesmo que no período de 2000 a 2010 tenha ocorrido redução de 22,04% para 19,73%, uma vez que o valor para esta diferença, em 2010, é superior a de 1991. Já em relação às regiões Norte e Nordeste verifica-se o contínuo aumento da desigualdade regional, sendo que houve inversão da ordem entre estas regiões, passando a região Nordeste a apresentar maior proporção de cobertura de esgotamento sanitário, diferentemente do observado em 1991. Assim, em 1991, a região Norte excedia em 1,11% a proporção de habitantes com acesso ao esgotamento sanitário. Em 2000, a região Nordeste excede em 2,5% a região Norte em termos deste indicador. Em 2010, este valor cresce para 12,11%. Desta forma, no que se refere à porcentagem de habitantes que possuíam, por meio da conexão domiciliar à rede coletora ou fossa séptica, canal de dejetos, cabe destacar a 43 importância de medidas governamentais que busquem promover a diminuição das diferenças regionais no país. Como observado, as condições deste índice mostram-se precárias. Em 2010, na região Norte a proporção de pessoas com acesso a esgotamento sanitário corresponde a 31,11%, sendo este valor de 12,11% a menos que a porcentagem de pessoas com acesso a este serviço na região Nordeste, enquanto na região Sudeste este índice equivale a 85,65%, o que evidencia grandes discrepâncias regionais no que concerne a este indicador. De acordo com Bezerra Filho et al.(2007), as condições de habitação e saneamento constituem fatores essenciais para o estudo da qualidade de vida populacional. Em suas palavras: "Em particular, o exame das características do domicílio e do acesso destes aos serviços básicos de infraestrutura sanitária fornece indicativos importantes do bem-estar e da saúde de seus moradores". A relação entre as condições de saneamento e a taxa de mortalidade infantil pós-neonatal foi investigada pelos autores por meio da proporção de domicílios ligados à rede de esgoto. Cabe mencionar que o fator percentual de domicílios com acesso ao saneamento foi investigado no estudo de Barufi (2010) cujo resultado demonstra significância estatística desta variável como condicionante da mortalidade infantil. Em seu estudo, Heller (1998) apresenta o conceito de saneamento, conforme o formulado pela Organização Mundial da Saúde, segundo o qual consiste na gestão do conjunto de elementos do ambiente físico humano que ocasionam ou possam causar danos ao estado de bem estar físico, mental ou social. De acordo com este autor, dentre os modelos utilizados para explicar a associação entre medidas de saneamento e saúde os mais usados são aqueles que englobam a compreensão sanitária de abastecimento de água e do esgotamento sanitário. Nesta perspectiva, o autor cita o postulado de Briscoe (1985), de acordo com o qual os efeitos, a longo prazo, das ações de abastecimento de água e de esgotamento sanitário para a saúde humana é consideravelmente superior às intervenções médicas, já que segundo sua previsão, estas medidas de saneamento podem prevenir quatro vezes mais mortes e aumentar sete vezes mais a expectativa de vida em comparação às intervenções médicas. No que concerne à relação entre desenvolvimento e saneamento, Heller (1998) afirma que países com maior nível de desenvolvimento possuem maior cobertura de serviços de saneamento e, consequentemente, populações mais sadias. Com a finalidade de elucidar essa relação, o autor relaciona o produto doméstico bruto per capita de alguns países a sua respectiva mortalidade infantil depreendendo que se o padrão de desenvolvimento brasileiro fosse similar ao da média mundial a mortalidade infantil média brasileira poderia ser inferior a observada. A fim de corroborar a concepção de que a taxa mortalidade infantil brasileira é superior ao esperado por seu padrão de desenvolvimento, o autor relaciona o nível de 44 cobertura de abastecimento de água e de esgotamento sanitário (1994-1995) à mortalidade infantil (1995) dos países observando que esta taxa poderia ser inferior tendo em vista o grau de saneamento do país. Heller (1998) concebe que tal fato pode ser explicado pela influência sobre a relação entre saneamento e saúde exercida pelos aspectos estruturais e institucionais, o que requer mudanças nestes aspectos a fim de potencializar o efeito das intervenções de saneamento sobre a saúde. Neste sentido, o autor ressalta que no Brasil as ações e planejamentos de saneamento não prestigiavam sua relação com a saúde, assim como as políticas de saúde privilegiavam o prisma curativo. Todavia, uma tendência de reconhecimento da importância de aproximação entre estas áreas se estabelecia no país. Deste modo, o autor sugere que uma aproximação conceitual, pautada em estudos científicos, contribui para aprofundar o conhecimento acerca da relação entre saneamento e saúde ocasionando relevantes impactos sobre a prática de ambas as esferas. 4.3 Confrontação do comportamento da taxa de mortalidade infantil e de seus possíveis fatores associados Ao relacionar o comportamento dos possíveis fatores causais da mortalidade infantil com a evolução de sua taxa, analisados anteriormente, nota-se que a redução da mortalidade infantil, nas regiões brasileiras, foi acompanhada pela diminuição taxa de analfabetismo, pela queda dos valores do Índice de Gini da renda domiciliar per capita (com exceção da região Norte), pelo crescimento da renda média domiciliar per capita, pela diminuição da porcentagem da população com renda menor que meio salário mínimo, pela queda da taxa de fecundidade total e pelo aumento da cobertura de esgotamento sanitário, conforme pressuposto pelos modelos econométricos. Deste modo, pode-se inferir que as relações estabelecidas pela literatura, por meio dos modelos econométricos utilizados pelos autores, foram observadas no presente estudo, através dos dados relativos às cinco grandes regiões brasileiras. Sendo assim, pode-se concluir que a redução da mortalidade infantil no país, no período analisado, provavelmente, está associada à queda da taxa de analfabetismo em todas as regiões, assim como pela redução dos valores do Índice de Gini da renda domiciliar per capita (exceto na região Norte), bem como pelo aumento da renda média domiciliar per capita, pela redução da porcentagem da população com renda menor que meio salário mínimo, pela diminuição da taxa de fecundidade total e 45 pelo aumento da proporção da população servida por esgotamento sanitário verificados nas cinco grandes regiões brasileiras. No que tange ao grau de urbanização, este exerce uma influência indireta sobre a mortalidade, visto que, como já mencionado, explicam Bezerra Filho et al. (2007) que nos grandes centros urbanos há uma tendente formação de contingentes populacionais com baixo nível de escolaridade, baixa renda, com condições inadequadas de habitação e de acesso a serviços sanitários. O aumento do nível de urbanização, caracterizado por um processo desordenado com intensificação das desigualdades sociais, pode influenciar no aumento dos óbitos infantis. Deste modo, apesar de ter ocorrido um aumento da proporção da população urbana no país, o que poderia ter contribuído para o aumento da taxa mortalidade infantil, pode-se supor que houve um impacto diminuidor do efeito do grau de urbanização sobre esta taxa, em decorrência da melhoria dos indicadores associados às condições destes aglomerados urbanos que propiciam os fatores que levam ao aumento da mortalidade infantil. Especificamente com relação à região Norte, embora tenha ocorrido o aumento do Índice de Gini da renda domiciliar per capita, observa-se na mesma a redução da mortalidade infantil. Neste caso, acredita-se que as contribuições de outros possíveis fatores associados sobrepujaram o efeito desta variável sobre o número de mortes infantis. Todavia, supõe-se que o aumento deste índice pode ter colaborado para o desempenho inferior da evolução da taxa de mortalidade infantil do Norte quando comparado aos das outras regiões. Nos anos 1991 e 2000, a região Norte possuía a segunda maior taxa de mortalidade infantil. Em 2010, esta região passou a ocupar a primeira posição, apesar de ter ocorrido a redução dos valores de suas taxas de mortalidade infantis em comparação aos anos anteriores. Além disso, no período de 1991 a 2000, a região Norte apresentou a menor redução desta taxa em termos percentuais. No segundo período, esta região demonstrou melhores resultados em relação ao período anterior, revelando a segunda maior queda porcentual da taxa de mortalidade infantil. Contudo, ao considerar os anos 1991 e 2000, o desempenho da região Norte, neste aspecto, só foi superior ao da região Centro-Oeste. Além do aumento do Índice de Gini da renda domiciliar per capita, observa-se na região Norte comportamento inferior em termos de outros indicadores no período de 1991 a 2010. Neste sentido, esta região apresentou o mais baixo crescimento da renda média domiciliar per capita. Também demonstrou a menor redução porcentual da população com renda menor que meio salário mínimo. Ademais, o resultado mais preocupante em termos dos indicadores desta região refere-se à cobertura de esgotamento sanitário. Com exceção do ano 1991, no qual a região Norte apresentou maior proporção de pessoas com acesso a 46 esgotamento sanitário somente em comparação ao Nordeste, para os demais anos demonstrou menor cobertura em relação a este indicador em relação às outras regiões. Soma-se a isto, o fato de ter mostrado o menor aumento porcentual de cobertura de esgotamento sanitário no período em questão. Esta região somente apresentou a maior redução da taxa de fecundidade total. Estas observações podem auxiliar na explicação do comportamento da taxa de mortalidade infantil observada no Norte, tendo em vista que em 1991 e 2000, esta região apresentava menor valor para esta taxa quando comparada ao Nordeste. Entretanto, no ano 2010, a região nordestina modificou a situação, passando a demonstrar menor taxa de mortalidade infantil que a região Norte. Cabe mencionar que se verificou na região Nordeste a maior queda porcentual da taxa de mortalidade infantil no período. Esta região também exibiu bons resultados em termos de maior queda porcentual da taxa de analfabetismo. Conjuntamente com outros fatores, isto deve ter propiciado o resultado significativo observado na região nordestina. Mesmo assim, Norte e Nordeste configuram as regiões com piores índices de mortalidade infantil, assim como de seus possíveis fatores causais. Neste aspecto, cabe ressaltar que houve o aumento das disparidades regionais em termos da renda média domiciliar per capita, da proporção de pessoas com baixa renda e de cobertura de esgotamento sanitário entre as regiões com menores taxas de mortalidade infantil (Sudeste, Centro-Oeste e Sul) e as regiões com maiores valores (Nordeste e Norte) para este indicador. No tocante à cobertura sanitária, a situação se torna mais séria , já que, em 2010, menos da metade da população nas regiões Nordeste e Norte possuíam cobertura de esgotamento sanitário, enquanto na região Centro-Oeste este valor corresponde, aproximadamente, a metade da população, enquanto nas regiões Sul e Sudeste, estes índices equivalem a 70,45% e 85,65%, respectivamente. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde - Opas/OMS (2002), as taxas de mortalidade infantil são, comumente, classificadas em altas (taxas correspondentes a valores iguais ou maiores que 50 por mil nascidos vivos), médias (taxas compreendidas no intervalo de 20-49 por mil nascidos vivos) e baixas (taxas inferiores a 20 por mil nascidos vivos). De acordo com essa classificação, em 1991, a região Nordeste apresentou alta taxa de mortalidade infantil, enquanto as outras regiões apresentaram médias taxas de mortalidade infantil. Já em 2000, todas as regiões apresentaram médias taxas de mortalidade infantil. Em 2010, com exceção da região Norte, que continuou com uma taxa considerada média, mas bem próxima do limite inferior para esta classificação, as demais demonstraram baixas taxas de mortalidade infantil. 47 Deste modo, nos anos analisados, houve uma considerável redução dos óbitos em crianças com menos de um ano de vida no país, principalmente no Nordeste que de uma alta taxa, no início do período, evoluiu para uma baixa taxa de mortalidade infantil ao fim do período. Entretanto, pode-se perceber que as regiões com maiores taxas de mortalidade infantil (Norte e Nordeste) se mantiveram apresentando os maiores valores e, portanto, os piores resultados para este indicador quando comparadas às outras regiões. O argumento relativo ao pior desempenho das regiões Norte e Nordeste pode ser exemplificado ao levar em consideração o fato de que a redução da mortalidade infantil representa um dos objetivos de desenvolvimento do milênio cuja meta estabelecida é alcançar até 2015 o valor de 17,9 óbitos por mil NV para a taxa de mortalidade infantil (BRASIL, 2010). Neste sentido, em 2010, as regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste já haviam atingido essa meta, enquanto as regiões Norte e Nordeste ainda não haviam conquistado este objetivo. No que concerne a região com melhor desempenho em termos de valores da taxa de mortalidade infantil – a região Sul, nota-se que, além de já possuir o menor índice de óbitos infantis, esta região ainda exibiu bom desempenho em relação ao comportamento dos possíveis indicadores associados à mortalidade infantil o que pode justificar o fato de ter mantido essa posição ao longo do período. Nos anos de análise, a região Sul apresentou o maior aumento da renda média domiciliar per capita e maior redução da população com baixa renda. De modo geral, observa-se que taxas mais elevada de mortalidade infantil correspondem às regiões com piores indicadores dos possíveis fatores causais da mortalidade infantil, assim como àquelas com menores taxas de óbitos infantis possuem os melhores indicadores destes fatores causais. Deste modo, pode-se inferir que a taxa de mortalidade infantil é sensível às condições socioeconômicas de determinada região. Ademais, conforme aponta a literatura, esta taxa pode ser utilizada como indicativo da qualidade de vida da população bem como de seu nível de desenvolvimento. Sendo assim, espera-se que regiões mais desenvolvidas apresentem menores índices para este indicador. Com intuito, de observar esta premissa nas regiões brasileiras, efetua-se, a seguir, a confrontação de índices de crescimento e de indicadores de qualidade de vida com as respectivas taxas de mortalidade infantil das regiões. 4.4 Taxa de mortalidade infantil, crescimento e desenvolvimento regional Conforme discutido, para Paulani e Braga (2007), o produto gerado por certa economia num período específico constitui um importante indicador de desempenho 48 econômico, tendo em vista que expressa a capacidade desta economia em gerar renda. Contudo, estes autores concebem que a variável relevante é o produto per capita, pois ressaltam a importância de confrontar a magnitude do produto com a magnitude da população. Além disso, também consideram fundamental analisar o modo como a renda é distribuída pela população, já que uma distribuição muito desigual, provavelmente, não indica uma boa qualidade de vida populacional. Ademais, os autores também concebem a relevância de averiguar a reversão da renda gerada em benefícios para a população através, por exemplo, dos níveis de educação, saúde e saneamento. Portanto, tendo em vista a concepção de que uma das formas de analisar o crescimento econômico consiste em acompanhar a evolução do Produto Interno Bruto per capita (PIB per capita), observa-se o desempenho deste indicador para as distintas regiões brasileiras no período de 1991 a 2010. O Gráfico 1 expressa o comportamento desta variável para as cinco grandes regiões brasileiras neste período. 30,00 PIB per capita 25,00 20,00 15,00 10,00 5,00 0,00 Região Centro-oeste Região Nordeste Região Sudeste Região Sul Região Norte Gráfico 1 – Produto Interno Bruto per capita a preços constantes de 2010 referentes às cinco grandes regiões brasileiras no período de 1991 a 2010. Fonte: Elaborado a partir de dados do Ipeadata (Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE). Por meio da análise gráfica, verifica-se que ocorreu o aumento do PIB per capita em todas as regiões no período de 1991 a 2010, o que permite inferir que houve crescimento econômico nas distintas regiões nas últimas décadas. Depreende-se também que a região Sudeste demonstra os maiores valores para esta variável, enquanto a região Nordeste apresenta os menores índices. Além disso, nota-se que os valores do PIB per capita 49 verificados na região Centro-Oeste (segunda região em termos de maior PIB per capita), a partir de 2002, tornam-se bem próximo aos valores pertencentes ao Sudeste. Em relação à diferença entre as regiões Centro-Oeste e Sul (terceira região em termos de maior PIB per capita), constata-se que, por volta de 1996 a 2000, as respectivas curvas estão próximas, o que indica que esta variável apresenta valores similares. Todavia, a partir de 2001 houve um distanciamento oscilatório entre as mesmas apontando para o aumento da diferença do PIB per capita entre Centro-Oeste e Sul. No tocante à região Norte (quarta região em termos de maior PIB per capita), verificase que sua relativa curva mantem um distanciamento mais ou menos constante em relação às referidas curvas das regiões Sul e Nordeste, o que sinaliza a manutenção das desigualdades no que tange ao crescimento econômico destas regiões. De modo geral, pode-se perceber que não houve redução das disparidades regionais em relação ao PIB per capita e, portanto, o processo de crescimento econômico observado nas cinco grandes regiões do país contribuiu para a manutenção destas desigualdades, com exceção do que foi verificado entre as regiões Sudeste e Centro-Oeste. Na Tabela 9 são apresentados os valores para o PIB per capita das cinco grandes regiões nos anos 1991, 2000 e 2010. Tabela 9 – PIB per capita para as regiões brasileiras nos anos 1991, 2000 e 2010 PIB per capita12 em R$ de 2010 (mil) Região 1991 2000 2010 Região Norte 8,02 9,31 12,70 Região Nordeste 5,88 7,16 9,56 Região Sudeste 19,46 20,53 25,99 Região Sul 14,94 18,14 22,72 Região Centro-Oeste 16,42 18,66 24,95 Fonte: Elaborada a partir de dados do Ipeadata (Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Ao observar os valores do PIB per capita expressos na Tabela 9, nota-se que, no período de 1991 a 2010, o maior aumento deste indicador, quando comparado às demais regiões brasileiras, foi verificado no Centro-Oeste e corresponde a R$ 8530,00. Em seguida, 12 De acordo com informações do Ipeadata (2015), os dados da tabela foram calculados através da divisão do PIB Estadual a preços constantes (série calculada por esta instituição) pela população. Sendo utilizado o Deflator Implícito do PIB nacional, tendo por unidade R$ em 2010 (mil). 50 constata-se o aumento de R$ 7780,00 do PIB per capita na região Sul, de R$ 6530,00 no Sudeste, de R$ 4680,00 no Norte e de R$ 3680,00 no Nordeste. Desta forma, o aumento mais elevado desta variável na região Centro-Oeste contribui para reduzir suas diferenças em relação ao Sudeste. Neste sentido, regiões com PIB per capita menores devem apresentar maior aumento deste índice a fim de se aproximar daquelas com indicadores mais elevados e, consequentemente, promover a redução das diferenças entre as regiões. Todavia, as regiões com menores PIB per capita (Norte e Nordeste) são aquelas que demonstram os menores valores para o crescimento desta variável o que contribui para que sejam reforçadas as disparidades regionais neste âmbito. Nesta perspectiva, por meio dos dados da Tabela 9, certifica-se que as diferenças entre o PIB percapita das regiões Sudeste e Nordeste foram, aproximadamente, R$ 13580,00; R$ 13370,00 e R$ 16430,00 para os anos 1991, 2000 e 2010, respectivamente. Deste modo, se comparado os anos inicial e final do período de análise, houve um aumento das diferenças entre estas regiões em termos desta variável. Ao comparar as regiões Sudeste e Centro-Oeste, observa-se que estes valores correspondem a, cerca de, R$ 3040,00 em 1991, R$ 1870,00 em 2000 e R$ 1040,00 em 2010. Portanto, como já mencionado, ocorreu, no período, a redução das disparidades em relação ao PIB per capita observado nestas regiões. Para as demais localidades, no tocante às diferenças regionais observadas em 1991, elas equivalem a R$ 1480,00 entre as regiões Centro-Oeste e Sul, R$ 6920,00 entre as regiões Sul e Norte e R$ 2140,00 entre as regiões Norte e Nordeste. Em 2000, essa diferença é, aproximadamente, igual a R$ 520,00 entre as regiões Centro-Oeste e Sul, R$ 8830,00 entre as regiões Sul e Norte e R$ 2150,00 entre as regiões Norte e Nordeste. Em 2010, as desigualdades observadas para o PIB per capita entre as regiões Centro-Oeste e Sul, Sul e Norte, Norte e Nordeste foram, respectivamente, R$ 2230,00; R$ 10020,00 e R$ 3140,00. Conforme já exposto, concernente às regiões Centro-Oeste e Sul, os valores para o PIB per capita, por volta dos anos 2000, foram bem próximos (diferença de apenas R$ 520,00), o que implica na redução da desigualdade entre essas regiões no período de 1991 a 2000. Todavia, posteriormente, nota-se o aumento da diferença entre essas regiões de R$ 520,00 para R$ 2230,00; respectivamente, do ano 2000 para 2010. Referente às regiões Sul e Norte observa-se o aumento das disparidades do PIB per capita do ano de 1991 para 2000 e deste para o ano 2010. O mesmo comportamento é verificado entre as regiões Norte e Nordeste nos anos analisados. Ademais, observa-se que as maiores disparidades são registradas entre as regiões Sul e Norte, o que implica menores discrepâncias entre os índices daquelas regiões com PIB per 51 capita superiores (Sudeste, Centro-Oeste e Sul) quando comparadas as duas regiões com valores inferiores para este indicador (Norte e Nordeste). Além do que, exceto em 1991, as regiões Norte e Nordeste apresentaram a segunda maior diferença de PIB per capita, evidenciando que as desigualdades entre as mesmas são mais elevadas do que as referentes entre Sudeste, Centro-Oeste e Sul nos últimos anos do período analisado. Discutindo os resultados, as cinco grandes regiões brasileiras cresceram no que tange à produção interna bruta per capita. Entretanto, com exceção das regiões Sudeste e CentroOeste, entende-se que ocorreu no país o aumento das diferenças regionais em termos de produção, ou seja, dos diferentes níveis de crescimento econômico nos anos observados. Isto indica a necessidade de políticas econômicas que busquem promover a redução das desigualdades regionais no tocante à produção, principalmente, das regiões Norte e Nordeste que apresentam valores para o PIB per capita bem inferiores aos das outras regiões. Conforme explanado pela literatura, o processo de desenvolvimento pressupõe que haja crescimento econômico acompanhado de melhorias na qualidade de vida da população. Sendo assim, na perspectiva deste crescimento, deduz-se que foram criadas condições favoráveis ao desenvolvimento regional, já que se verifica o aumento do PIB per capita em todas as regiões, muito embora as discrepâncias entres as mesmas ainda existam Contudo, para inferir acerca do desenvolvimento se faz necessário que variáveis econômicas, como o PIB per capita, sejam analisadas conjuntamente com outros indicadores que representam as condições de vida dos habitantes. De acordo com Barros e Mendonça (1997), os efeitos de investimentos em educação se dão tanto nas condições de vida dos indivíduos que se educam como propiciam externalidades sobre o bem-estar das outras pessoas que estão a sua volta. Os impactos indiretos provenientes do investimento em educação constituem, segundo os autores, no crescimento dos salários decorrentes da elevação da produtividade, na elevação da expectativa de vida em função do aumento da eficiência na utilização dos recursos familiares, na diminuição do tamanho da família em virtude da redução do número de filhos e na melhoria da qualidade de vida dos mesmos, o que no futuro contribui para a redução da pobreza. Ademais, os autores exemplificam que uma expansão quantitativa educacional tem impacto indireto sobre a mortalidade infantil via aumento na renda per capita que influi sobre a diminuição das mortes infantis. Cabe mencionar que o aumento do grau de urbanização pode implicar a deterioração das condições de vida e o aumento das taxas de mortalidade infantil, caso não sejam tomadas medidas de planejamento urbano adequado ao desenvolvimento municipal. Nesta perspectiva, 52 segundo Oliveira (2007), o processo de urbanização, não acompanhado de planejamento, ocasiona a elevação dos problemas que prejudicam o padrão de vida dos cidadãos, tendo maior impacto sobre a população mais pobre. De acordo com informações do Município de Santa Cruz do Sul (2015), o planejamento urbano constitui uma ferramenta de operação no ambiente urbano por meio dos processos de produção, estruturação e apropriação do espaço urbano. Nesta perspectiva, os planejadores, que normalmente atuam na municipalidade local, tem por objetivo buscar melhorias na qualidade de vida dos habitantes. Deste modo, dada às análises anteriores referentes ao PIB per capita e aos indicadores dos possíveis fatores causais da mortalidade infantil, que também podem representar as condições de vida da população, efetua-se a confrontação do desempenho evolutivo destes índices com o comportamento da mortalidade infantil nas respectivas regiões brasileiras nos referidos anos de análise. Tendo em vista que houve queda da mortalidade infantil em todas as regiões do país, pode-se associar este resultado ao crescimento econômico e à melhoria nas condições de vida da população verificadas neste período através dos índices analisados. Por meio da análise empreendida neste estudo, constata-se que a redução da mortalidade infantil foi acompanhada pelo aumento do PIB per capita, pela redução da taxa de analfabetismo, pela queda do Índice de Gini da renda domiciliar per capita, com exceção da região Norte, pelo aumento da renda média domiciliar per capita, pela queda da proporção de pessoas com baixa renda, pelo aumento do grau de urbanização, pela diminuição da taxa de fecundidade total e pela elevação da cobertura de esgotamento sanitário. Desta forma, os dados utilizados no estudo apontam para uma provável relação entre os índices de mortalidade infantil e o nível de desenvolvimento regional. Pois, o aumento do PIB per capita aliado à melhoria nas condições de vida da população (representada pelos indicadores socioeconômicos, demográficos e de cobertura) pode significar a ocorrência do processo de desenvolvimento econômico. Tendo em vista que, de modo geral, no período de 1991 a 2010, estas regiões se desenvolveram melhorando os indicadores associados aos possíveis fatores causais da mortalidade, entende-se que esse processo cooperou para a redução dos óbitos infantis no país. E conforme considerado na literatura, a taxa de mortalidade infantil pode constituir um bom indicador de qualidade de vida e do nível de desenvolvimento econômico de determinado local em certo período (PAULANI, BRAGA, 2007). Ademais, as diferenças nas taxas de mortalidade infantil regionais podem ser compreendidas, em parte, por meio das disparidades observadas nos seus, respectivos, indicadores e, consequentemente, no seu nível de desenvolvimento. 53 A região Nordeste exibiu maiores valores para este indicador exceto no ano 2010, no qual ficou em segundo lugar em termos de taxas de mortalidade infantil mais elevada. Esta região mostrou menor valor para o Produto Interno Bruto per capita em todos os referidos anos de análise, assim como maior taxa de analfabetismo, menor renda média domiciliar per capita, maior porcentagem de pessoas com renda menor que meio salário mínimo e segunda maior taxa de fecundidade total. A região nordestina também apresentou maiores valores para o Índice de Gini da renda domiciliar per capita, com exceção de 2010, ano no qual demonstrou valor um pouco inferior à região Norte. Esta região demonstrou menor grau de urbanização, exceto em 1991, quando também expressou o segundo menor número para este índice, ficando acima da região Norte. Em 1991, apresentou menor cobertura de esgotamento sanitário, já para os outros anos, segunda menor proporção da população servida por esgotamento sanitário. Além disso, comprova-se nesta região, que em 1991 e 2000, as maiores taxas de mortalidade infantil estão associadas aos menores valores do Produto Interno Bruto per capita, conforme esperado. Entretanto, em 2010, a região nordestina apresentou valor inferior a esta taxa quando comparado à região Norte, mesmo tendo PIB per capita inferior. Isto pode evidenciar que outros fatores exerçam influência mais significativa que este para a redução da mortalidade. Ademais, como conjecturado, valores superiores para a taxa de mortalidade infantil e menores PIB per capita se relacionam à maior taxa de analfabetismo, à menor renda média domiciliar per capita e à maior porcentagem de pessoas com renda menor que meio salário mínimo. Essas duas variáveis também podem ser correlacionadas aos altos valores para o Índice de Gini da renda domiciliar per capita e à baixa cobertura de esgotamento sanitário, conforme os indicadores verificados no estudo correspondentes à região Nordeste. No que se refere à região Norte, cuja taxa de mortalidade infantil observada em 2010 sobrepuja aquelas referidas às demais regiões, verifica-se que esta apresenta a segunda maior taxa de analfabetismo, o segundo maior Índice de Gini da renda domiciliar per capita (exceto em 2010, ano no qual apresenta o maior valor para este indicador), a segunda menor renda média domiciliar per capita, a segunda maior proporção de pessoas com baixa renda, segunda menor porcentagem da população urbana (exceto em 1991, ano no qual apresenta menor valor para este indicador), maior taxa de fecundidade total e menor cobertura de esgotamento sanitário (exceto em 1991, ano no qual mostra segundo menor valor para este índice). Tendo em vista a grande diversidade de fatores que podem influir sobre a mortalidade infantil, neste estudo foram consideradas apenas algumas variáveis, o que indica que outros 54 possíveis elementos associados aos óbitos infantis não abordados no presente trabalho contribuíram para os resultados observados. Entretanto, dentre as variáveis estudadas, nota-se que em 2010, a região Norte apresentou maior concentração da renda domiciliar per capita tanto em relação às outras regiões quanto ao seu próprio indicador do ano de 1991. Além disso, esta região apresentou menor cobertura de esgotamento sanitário, inclusive apresentou queda desta variável em relação ao ano 2000. Desta maneira, tendo em conta os índices analisados, considera-se que mesmo não demonstrando o menor PIB per capita, a região Norte apresentou a maior taxa de mortalidade infantil talvez em razão de ter ocorrido este aumento da concentração da renda domiciliar per capita, o que provavelmente desfavoreceu um melhor desempenho em relação à redução da mortalidade infantil nesta região. Neste sentido, o comportamento da cobertura de esgotamento sanitário teve efeito semelhante. Assim, conforme ressalta a literatura, a análise do crescimento econômico não é suficiente para expressar as condições de vida e o desenvolvimento, sendo que indicadores de qualidade de vida e de concentração da renda são essenciais para tal finalidade. No que concerne à região com menor taxa de mortalidade infantil, ou seja, a região Sul, verifica-se que esta apresenta a menor taxa de analfabetismo, o menor Índice de Gini da renda domiciliar per capita, a terceira maior renda média domiciliar per capita, a segunda menor proporção de pessoas com baixa renda, exceto em 2010 (ano no qual apresenta menor valor para este indicador), a terceira maior porcentagem da população urbana, a segunda menor taxa de fecundidade total, exceto em 2010 (ano no qual demonstra menor valor para este índice), e a segunda maior taxa de cobertura de esgotamento sanitário. Desta forma, menores índices de mortalidade infantil parecem estar associados ao melhor desempenho em termos de índices de condições de vida. Mais uma vez, estas observações demonstram que não é suficiente analisar o crescimento do produto sem levar em conta como este é distribuído sendo revertido em qualidade de vida para a população. A região Sul apresenta o terceiro maior PIB per capita do Brasil, todavia mostrou menor concentração e melhores resultados em relação a alguns índices, o que pode justificar os menores indicadores de óbitos infantis nesta região. Por sua vez, na região Sudeste, cujo valor do PIB per capita é o maior do país, constata-se a segunda menor taxa de mortalidade infantil, bem como a segunda menor taxa de analfabetismo (bem próxima a menor taxa correspondente à região Sul), o segundo menor Índice de Gini da renda domiciliar per capita (ao longo do período a diferença em relação à região Sul, menor valor deste indicador, aumentou), a maior renda média domiciliar per 55 capita, a menor proporção de pessoas com baixa renda (exceto em 2010 cuja taxa é a segunda menor), a maior porcentagem da população urbana, a menor taxa de fecundidade total (exceto em 2010 cujo indicador é o segundo menor valor) e a maior cobertura de esgotamento sanitário. Nota-se certa correspondência entre o posicionamento dos indicadores socioeconômicos, segundo o desempenho, e o nível de mortalidade infantil. A taxa de mortalidade infantil do Sudeste é a segunda menor taxa, do mesmo modo que alguns indicadores ocupam a segunda colocação em âmbito nacional em ordem de melhor desempenho. Observa-se comportamento semelhante na região Centro-Oeste. Verifica-se que a Região Centro-Oeste apresenta o segundo maior PIB per capita e a terceira menor taxa de mortalidade infantil. Em relação aos outros índices, esta região demonstra terceira menor taxa de analfabetismo, terceiro menor Índice de Gini da renda domiciliar per capita, segunda maior renda média domiciliar per capita, terceira menor proporção de pessoas com baixa renda (exceto em 2010 cujo índice apresentou segundo menor valor), segunda maior porcentagem da população urbana, terceira menor taxa de fecundidade total e terceira maior cobertura de esgotamento sanitário. Dado o exposto, nota-se que as regiões com maiores índices do PIB per capita são aquelas com melhores indicadores de qualidade de vida e, consequentemente, menores índices de mortalidade infantil. Ao contrário, as regiões com menores indicadores do PIB per capita são aquelas com piores índices de qualidade de vida e, consequentemente, maiores taxas de mortalidade infantil. Desta forma, constatam-se diferenças regionais, no Brasil, em termos de desenvolvimento e que, conforme admitido pela literatura, o desenvolvimento pressupõe crescimento aliado a avanços em relação às condições de vida da população. Além disso, a permanência das disparidades regionais com tendente aumento da diferença do PIB per capita pode contribuir para que as condições internas de desenvolvimento no país sejam desiguais e, consequentemente, que seus habitantes usufruam de situação de vida acentuadamente distintas. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Conforme observado no presente estudo, há evidências de que houve desenvolvimento econômico, de 1991 a 2010, nas distintas regiões brasileiras e que este foi acompanhado pela redução da mortalidade infantil. Além disso, constata-se que as maiores taxas de mortalidade infantil são observadas nas regiões com piores indicadores de qualidade de vida e de PIB per 56 capita, ou seja, Norte e Nordeste. Desta maneira, do ponto de vista econômico pode-se considerar que, em âmbito nacional, estas regiões são menos desenvolvidas, por outro lado, as menores taxas de mortalidade infantil são observadas nas regiões com melhores indicadores de qualidade vida e de PIB per capita, ou seja, as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Portanto, estas regiões podem ser consideradas mais desenvolvidas em termos nacionais. Nesta perspectiva, cabe ressaltar que em relação às disparidades regionais em termos da TMI nota-se que, de modo geral, houve redução das mesmas. No tocante a alguns indicadores, como a taxa de analfabetismo, o grau de urbanização e a taxa de fecundidade total verifica-se a diminuição das desigualdades regionais. Todavia, no que concerne a renda média domiciliar per capita e a proporção de pessoas com baixa renda observa-se o aumento da desigualdade entre as regiões de maiores (Sudeste, Sul e Centro-Oeste) e as de menores valores (Nordeste e Norte) para estes indicadores. Com relação à cobertura de esgotamento sanitário, a região Centro-Oeste apresenta valores mais próximos aos índices das regiões Norte e Nordeste. Neste sentido, houve também o aumento das diferenças entre as regiões com menores (Norte, Nordeste e Centro-Oeste) e as regiões com maiores (Sul e Sudeste) valores para este índice. Em relação ao PIB per capita, com exceção das regiões Sudeste e Centro-Oeste, entende-se que ocorreu no país o aumento das diferenças regionais em termos de produção. Portanto, houve a redução das desigualdades em alguns aspectos, em outros se nota que estas foram mantidas ou ampliadas, o que contribui para que as regiões continuem apresentando diferentes condições de vida e de desenvolvimento. Deste modo, evidencia-se a necessidade de ações e medidas de políticas públicas que visam promover o avanço, principalmente, das regiões Norte e Nordeste cujos indicadores apresentam piores condições quando comparadas às demais regiões. Assim, apesar de se poder considerar que, no período em questão, houve desenvolvimento, as diferenças regionais ainda persistem no Brasil. Sendo assim, o país ainda tem muito em que avançar quando a questão é diminuir as disparidades regionais e continuar promovendo melhorias na qualidade de vida de sua população. 57 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALKIRE, S. Dimensions of Human Development. World Development, v. 30, n. 2, p.181205, 2002. Disponível em: <http://www.unicef.org/socialpolicy/files/Dimensions_of_Human_Development.pdf>. Acesso em: 16 abr. 2015. ALVES, D.; BELLUZZO, W. Child Health and Infant Mortality in Brazil. 2004. Disponível em: <http://www.sbe.org.br/dated/ebe26/003.pdf>. Acesso em: 20 abr. 2015. BARROS, R. B.; MENDONÇA, R. Investimento em Educação e Desenvolvimento econômico. Texto para discussão n° 525. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Rio de Janeiro, nov. 1997. Disponível em: < http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/TDs/td_0525.pdf >. 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