Universidade Federal do Rio de Janeiro Escola Politécnica Departamento de Engenharia Industrial Projeto do Produto CRIAÇÃO DE UM SERVIÇO COLABORATIVO PARA O AUMENTO DO CONSUMO LOCAL NO COMPLEXO DO LINS – RIO DE JAEIRO Alunos: Bruno Jorge Neres Saraiva Nascimento dos Santos DRE: 113058940 e-mail: [email protected] Eduardo Henrique Haddad Tress DRE: 113038592 e-mail: [email protected] Marcos Vinícius dos Santos Romualdo DRE: 113091980 e-mail: [email protected] Orientadora: Professora Carla Cipolla Rio de Janeiro Junho de 2015 1 Resumo: O presente projeto consiste na formulação de uma proposta para a implementação de um serviço colaborativo no complexo de Lins, localizado na cidade do Rio de Janeiro, objetivando o aumento do consumo local, contribuindo assim para o crescimento da economia da comunidade bem como no melhor atendimento às necessidades de seus moradores. No desenvolvimento do projeto foi realizado um estudo de campo no local, que consistiu basicamente de entrevistas com comerciantes e moradores, o qual serviu como base para o conhecimento do cenário atual e proposição da solução. Para a realização projeto foram utilizadas diversas ferramentas de desenvolvimento de serviços sendo estas: personas, System organization map, Storyboard, Blueprint, mapeamento da jornada de serviço, Service evidences, Matriz de Stakeholders e um Modelo de negócio, além da criação de uma logomarca para identificação do serviço e a estimativa de custo do mesmo. Resume: The current project is a proposal formulation for implementation of a collaborative service in the complexo do Lins, a poor community placed in Rio de Janeiro. Have the main objective of increase the local consumption, contributing, this way, for the regional economic grow and for the better attendance of dwellers’ needs. In the project developing were made a field study basically composed by interviews with the local traders and dwellers, that work like a base for the actual situation knowledge and for solutions proposes. For the project realization were used many design services tools, like: personas, System organization map, Storyboard, Blueprint, Service Journey Mapping, Service evidences, Stakeholders motivation matrix and a business model canvas, in addiction was created a logo for service identification and made a costs estimative. 2 Sumário 1. CONCEITO............................................................................................................................................01 1.1. Contexto e problema.....................................................................................................................01 1.2. Introdução.....................................................................................................................................12 1.3. Inovação........................................................................................................................................13 1.4. Usuários envolvidos (personas) ....................................................................................................13 2. SERVIÇO...............................................................................................................................................15 2.1.Detalhamento................................................................................................................................15 2.2. Diagrama da solução.....................................................................................................................16 2.3. Storyboards...................................................................................................................................18 2.4. Blueprints......................................................................................................................................19 2.5. Jornada do serviço.........................................................................................................................19 2.6. Service evidences..........................................................................................................................21 2.7. Stakeholders..................................................................................................................................23 3. MODELO de NEGÓCIO.........................................................................................................................25 4. IDENTIDADE VISUAL............................................................................................................................26 4.1. Logotipo.........................................................................................................................................26 4.2. Conceito.........................................................................................................................................26 4.3. Aplicações.....................................................................................................................................27 5. Custos....................................................................................................................................................28 6. Conclusão..............................................................................................................................................29 3 1. CONCEITO 1.1. Contexto e problema O presente trabalho apresenta o objetivo de propor uma solução para um problema específico da comunidade do complexo do Lins localizado no Rio de Janeiro através do projeto de um serviço colaborativo. A metodologia inclui uma pesquisa de campo na localidade mencionada e aplicação de técnicas de desenvolvimento de serviços como storyboards, blueprints, Diagrama da solução, etc. 1.1.1. Dados sobre a localidade. O Complexo do Lins é formado por 12 comunidades: Cachoeirinha, Cotia, Bacia, Encontro, Amor, Cachoeira Grande, Nossa Senhora da Guia, Dona Francisca/ Árvore Seca, Barro Preto, Barro Vermelho, Vila Cabuçu e Santa Terezinha. Essas comunidades surgiram entre as décadas de 30 e 60, mas alguns são ex-quilombos de escravos (como Encontro, Cachoeirinha e Cachoeira Grande). A construção e inauguração da Avenida Menezes Côrtes (de 1950 a 1955) movimentou a região, algumas famílias tiveram que ser removidas e outras viram bens e serviços chegarem à localidade. Já sobre a comunidade Camarista Méier não existe muita informação, somente que a maioria dos moradores nasceu na própria favela e sua formação foi por volta da década de 50. Complexo do Lins e Camarista Méier receberam a 35ª e 36ª Unidade de Polícia Pacificadora, respectivamente em 02 de dezembro de 2013. Tabela 1: Dados demográficos do complexo do Lins Comunidades População Outeiro (RA - Méier) 573 Rua Camarista Méier, 914 256 Pretos Forros 416 Morro do Céu 914 Bairro Ouro Preto 3292 Nossa Senhora da Guia 1698 Santa Terezinha 3051 Morro da Cachoeira Grande 1502 Morro da Cotia 934 Cachoeirinha 1969 Dona Francisca 951 Morro do Amor 1320 Morro da Bacia 338 Morro do Encontro 1508 Barro Preto 499 Vila Cabuçu 503 Barro Vermelho 826 Total 20.550 Fonte: Instituto Pereira Passos, com base em IBGE, Censo Demográfico (2010). Domicílios 171 79 104 294 945 389 754 417 291 552 267 367 93 440 161 131 230 5.685 4 Unidades de assistência social Centro de Referência da Assistência Social Dr. Sobral Pinto Centro de Referência da Assistência Social Mary Richmond Centro de Referência da Assistência Social Presidente Itamar Franco Centro de Referência da Assistência Social Rosani Cunha Centro de Referência Especializado de Assistência Social Janete Clair Conselho Tutelar 04 – Méier Unidades de saúde Centro Municipal de Saúde Carlos Gentille de Melo Equipamentos de educação Creches e EDIs Creche Municipal Aconchego Creche Municipal Emmanuel Creche Municipal Nosso Cantinho Creche Municipal Recanto da Cachoeira Espaço de Desenvolvimento Infantil Maria Braz Escolas Escola Municipal Affonso Taunay Escola Municipal Augusto Frederico Schmidt Escola Municipal José Eduardo de Macedo Soares Escola Municipal Lins de Vasconcelos Escola Municipal Ministro Gama Filho 5 Organizações Associação de Moradores Barão de Santo Angelo Carlos Alberto (Beto) 99114-4705/99883-5580 [email protected] Associação de Moradores da Arvore Seca Alexandre Xambinho 97583-1565/99966-6585 [email protected] Associação de Moradores da Boca do Mato Carlos Peteca 991178658/3899-1909 [email protected] Associação de Moradores da Cachoeira Grande Lica / Carlos 985728-889/3880-5394 [email protected] Associação de Moradores da Cachoeirinha Gilson Roberto (Feijão) 98525-3989/7727-9817 [email protected] Associação de Moradores de Santa Teresinha Sérgio Sobral 99435-8602/7810-0197 [email protected] Associação de Moradores do Barro Preto Sandro Amaro 97335-6608/7769-2126 [email protected] Associação de Moradores do Barro Vermelho Ozias 99993-8605/2218-1152 Associação de Moradores do Morro do Amor Guaracy 7724-0363/97472-8405 [email protected] Associação de Moradores do Morro do Encontro Alcemir 99359-8403/2278-6083 [email protected] Associação de Moradores da Camarista Méier Associação de Moradores Nossa Sr.ª da Guia (GAMBÁ) Ivanildo Severo 997644663/7703-9067 [email protected] Adailton 98790-9830/7823-0170 [email protected] Associação de Moradores da vila Cabuçú Associação de Mulheres da Cachoeirinha Sandro Amaro 97335-6608/7769-2126 [email protected] Sheila Fortunato 7806-2126/96617-8005 6 Figura 1: Mapa dos limites geográficos do complexo do Lins 7 Problemas presentes na comunidade LIXO Falta de coleta em algumas áreas Lixo jogado em áreas não apropriadas Doenças: leptospirose Preservação das nascentes e rios MICRO NEGÓCIOS Baixa sustentabilidade financeira Atuação isolada Alto custo para obter mercadoria ACESSO A SERVIÇOS Falta ou dificuldade de acesso a serviços como farmácias, bancos, mercados, açougues, quitandas, Casas lotéricas. Serviços de entrega são raros ou inexistentes SAÚDE Dificuldade de compreensão do problema de saúde e tratamento recomendado pelo médico Não há agentes de saúde na comunidade Problemas comuns: infarto, DST. ALIMENTAÇÃO Alimentação pesada e gordurosa tem preferência Alto consumo de produtos industrializados Difícil acesso a alimentos frescos e saudáveis Problemas de saúde decorrentes da alimentação 8 PREVENÇÃO GRAVIDEZ Gravidez tem diminuído, mas há preocupação com jovens de 11 a 15 anos. Adolescentes têm vergonha de pedir preservativos na Associação de Moradores CONSUMO LOCAL Consumo em geral realizado fora da comunidade Poucas opções de consumo local DIREITOS Violação de direitos (trabalhistas, consumidor) é muito frequente. Advogados da comunidade são com frequência consultados Desconhecimento sobre procedimentos e direitos é um entrave OUTROS Falta de iluminação em algumas áreas Não há serviço de capinação Escassez de projetos educativos (reforço escolar) Falta de vaga em creches próximas Poucas atividades culturais e de lazer 9 OPORTUNIDADES E RECURSOS HORTAS Horta comunitária sendo formada na comunidade da Cachoeira Grande Várias pequenas hortas individuais sendo feitas, a maioria por imigrantes nordestinos e mineiros. ESPAÇOS OCIOSOS Há quadras, espaços em associações de moradores, igrejas, comércios fechados e outros espaços que podem ser utilizados para gerar atividades e renda. CONHECIMENTOS LOCAIS Hortas, plantação, cultura diversificada (nordeste, centro-oeste, sul). Culinária (mineira, baiana, doces, etc.). Construção civil (hidráulica, construção, elétrica, pintor, carpinteiro, serralheiro). DJs, fotógrafos, bondes de festas, dançarinos, estética (barbeiro, cabeleireiros) 10 1.1.2. Especificação do problema a ser estudado e da proposta de solução A partir das informações coletadas e estudadas, o presente grupo selecionou a problemática do consumo local como foco do estudo, objetivando a proposta de uma possível solução para o mesmo, por meio da elaboração de um serviço colaborativo que pudesse fomentar o consumo, proporcionando assim crescimento da economia local, aproveitamento das oportunidades e recursos e valorização da comunidade. Através do estudo de campo realizado na comunidade, por meio de entrevistas com alguns comerciantes locais, foi possível caracterizar o comércio local e reiterar os dados anteriormente expostos. Verificou-se a predominância de pequenos comércios familiares e informais. Muitas pessoas começam um micro empreendimento em suas próprias casas ou alugam pequenos espaços. Entre os produtos e serviços existentes podemos citar bares, padarias, aviários, pizzarias, venda de cosméticos, sacolés venda de materiais de construção, etc. Em geral não se percebe meios de divulgação abrangentes para tais estabelecimentos, ficando os mesmos conhecidos pelo popular boca-a-boca. Infelizmente relatou-se que os moradores diversas vezes preferem adquirir produtos e serviços fora da comunidade mesmo que estes também sejam comercializados na mesma. Acredita-se que tal comportamento seja devido à falta de estrutura e informalidade de muitos comércios, passando aos consumidores uma impressão de má qualidade do produto/serviço. Outra dificuldade sinalizada por muitos dos entrevistados foi a dificuldade enfrentada devido à violência local que por muitas vezes inibe fornecedores e clientes de outras regiões. 11 1.2. Introdução Analisando as informações e dados obtidos, formulou-se a proposta da criação de uma feira comercial composta por comerciantes da comunidade do Lins. Tal feira possibilitaria o aumento do consumo melhorando significativamente o mercado para os comerciantes da comunidade. Com a inserção de atividades paralelas (como apresentações musicais) seria possível a promoção de uma boa alternativa de lazer para os moradores. Como exemplo de feiras comerciais bem sucedidas podemos citar o Centro Municipal Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas ou feira de São Cristóvão, uma opção carioca para comprar, comer e se divertir, pois oferece artesanato, comida, bebida, folclore e muita música. O reduto funciona como um ímã para mais de trezentas mil pessoas todo mês. Outro exemplo é a Feira anual da previdência que abarca comércios de diversas regiões do Brasil e do mundo. Nela circulam cerca de 100 mil pessoas anualmente a procura de um passeio diferente com a família, além de encontrar em um só espaço ótimas oportunidades de compras, lazer e entretenimento. 1.3. Inovação Apesar da existência de diversas feiras comerciais na cidade, a inovação introduzida pela proposta de trabalho consistiria na implementação de tal empreendimento na comunidade do Lins uma vez que a mesma não apresenta atividades desse tipo. 12 1.4. Usuários envolvidos (personas) Por meio do estudo de campo foi possível identificar perfis de usuários do serviço proposto, tanto comerciantes como consumidores, de forma a entendermos com mais profundidade a visão dos mesmos em relação a atual situação e à proposta de solução apresentada. Nome: Inês de Souza. Idade: 45 anos Profissão: Revendedora de cosméticos D. Inês é uma mãe de família, que apresenta como principal fonte de renda a revenda de cosméticos de determinada empresa do ramo. Como qualquer comerciante apresenta uma renda variável de acordo com as vendas realizadas no mês. Sua clientela já cativa é composta em sua maioria por pessoas conhecidas da comunidade e sempre busca oportunidades de expandir a mesma. Como projeções para o futuro planeja montar um pequeno estande de vendas em sua casa. Nome: Regina dos Santos. Idade: 35 anos Profissão: Dona de Bar/Pizzaria Vitória é também uma mãe de família, dona de um bar/pizzaria, o qual apresenta horários de pico de vendas (manhã e noite). Seu movimento é considerado bom, no entanto sofre com a concorrência de estabelecimentos mais renomados de bairros vizinhos, uma vez que muitos dos clientes por vezes preferem usufruir do mesmo produto em outra localidade por julgarem ser de melhor qualidade, devido talvez a melhor infraestrutura de tais estabelecimentos. 13 Nome: Miguel Pereira Idade: 35 anos Profissão: Gerente de padaria Gerente geral de uma padaria da comunidade, que se configura como principal fornecedora dos produtos característicos (pães, bolos, bebidas, etc.). Apresenta um movimento estável atendendo a comunidade local. Como principais dificuldades figuram-se a localidade, marcada por conflitos sociais e com isso a recusa de alguns fornecedores em abastecer o estabelecimento. Nome: D. Neuzi Lima Idade: 40 anos Profissão: Dona de aviário D. Neuzi resolveu empreender em um aviário, tentando montar o próprio negócio, viu a oportunidade uma vez que não havia tal atividade na comunidade. O negócio atualmente se apresenta instável, com movimento reduzido (devido a alta de violência), tendo obtido seu auge entre 2009 e 2012. Sua clientela é composta por moradores da região e de fora da mesma. Nome: Carolina Nunes Idade: 29 anos Profissão: monitora em creches Carolina é uma jovem moradora do Lins. Em geral realiza a maioria de suas compras fora da comunidade por se deparar com a falta produtos e pelos preços, em geral mais caros na região. Observa também como a escassez de serviços como eletricista, mecânico, pedreiro, etc. Sente ainda a falta de opções de lazer, deslocando-se para fora da comunidade quando deseja ter esses momentos de descontração. 14 2. SERVIÇO 2.1 Detalhamento A feira comercial seria composta por estandes nos quais seriam vendidos artigos diversos desde comidas a bens de consumo como roupas, aparelhos eletrônicos, bijuterias, artesanatos, cosméticos, etc. Outros empreendedores como prestadores de serviço (eletricista, encanador, pedreiros, técnicos em eletrônica/informática, etc.) poderiam também utilizar a feira para divulgação de seus serviços ou estabelecimentos. O local seria marcado também por apresentações de pequenos grupos musicais, assim como espaço para as crianças, de forma a promover maior lazer aos usuários, criando um ambiente convidativo e valorizando a comunidade local. Para haver maior padronização, agregando maior estética à feira, os estandes poderiam ser comprados pelos organizadores a partir do investimento inicial dos comerciantes, posteriormente seria formado um fundo financeiro para manutenção e custeio do funcionamento da feira, assim como pagamento dos artistas contratados, através de pequenas comissões pagas pelos comerciantes (cerca de 10% da venda do dia). Haveria também o licenciamento perante a prefeitura para legalização da utilização do espaço e pagamento de possíveis impostos. E finalmente seriam contratados agentes de limpeza para remover os resíduos gerados durante a atividade. 15 2.2 Diagrama da solução A fim de explicar a proposta elaborada de uma forma esquemática, oferecendo assim uma visão mais ampla do processo de negócio, elaborou-se um diagrama de solução, baseado na ferramenta System Organization Map, que consiste em um mapa geral do sistema, expondo os stakeholders (principais e secundários), suas relações e os fluxos de informação, materiais e capital entre os mesmos. A Figura mostra o diagrama de solução elaborado. Figura 2: Diagrama da solução do modelo de serviço elaborado 16 Notas explicativas das relações do negócio 4. Relações Gestor x Artistas • Pagamento pelas apresentações na feira 5. Relações Gestor x Comerciantes • Investimento financeiro inicial dos comerciantes para o gestor a fim de realizar a compra de tendas, e posteriormente, pagamento de pequenas taxas para manutenção da feira (percentual das vendas). • Fluxo de informações do gestor para os comerciantes sobre o funcionamento da feira, contrato, etc. 6. Relações Gestor x Prefeitura • Licenciamento da prefeitura para utilização do espaço, informações das regras gerais para funcionamento da feira, etc. • Pagamento de impostos dos gestores para a prefeitura, prestação de relatórios sobre o andamento da feira. 7. Relações Gestor x Fornecedores • Compra de tendas com os fornecedores desse produto (fluxo financeiro) • Venda de tendas dos fornecedores para o gestor, o qual repassaria as mesmas para os comerciantes contribuintes (fluxo de material). 8. Relações Gestor x Agentes de limpeza • Pagamento pelo serviço de auxílio à limpeza da feira (fluxo financeiro) 17 2.3. Storyboards Os Storyboards consistem basicamente em uma apresentação do modelo de serviço proposto ao longo de uma linha temporal, expondo com isso o esquema de funcionamento dinâmico do mesmo. Deve ser composto por 5 - 8 imagens com as personas identificadas para o serviço em ação, assim como suas interações e percepções sobre mesmo. A Figura 3 traz o storyboard elaborado. Figura 3: Storyboard do serviço proposto 18 2.4 Blueprints O Blueprint é uma ferramenta que possui maior foco nas ações dos consumidores de forma a melhorar e metodizar a abordagem dos funcionários do serviço (principais e de suporte) para satisfazer os primeiros. Para isso, é possível visualizar os processos, os pontos de contato com o consumidor e a evidência física associada a cada etapa através da perspectiva do usuário. O Blueprint desenvolvido pelo grupo é apresentado no Anexo I. No caso do serviço proposto, o Blueprint demonstra a importância dos funcionários da linha de frente, que mantém constante contato com o usuário. Além disso, há poucas evidências físicas que devem ser consideradas, já que as ações lidam em maior parte com o psicológico e bem-estar do consumidor. Também se percebe que há possibilidades de interação com toda a família e amigos com as atividades culturais e áreas de lazer. 2.5. Jornada do serviço O mapeamento da jornada de serviço é um método ilustrativo para representar a experiência do usuário em um serviço. Quando é usado em um serviço já existente cuja proposta seja melhorá-lo, pode ter como função comparar os dois e identificar os touchpoints em que a inovação melhorará o bem-estar do consumidor. Entretanto, no caso tratado, não há um serviço semelhante utilizado pelos moradores no final de semana, então para isso tratou-se da nova jornada que seria utilizada pelo usuário. Atualmente, o que seria mais próximo da feira seria a ida de habitantes para bairros vizinhos de ônibus ou carro com um gasto de tempo maior e sem a interação com amigos, família e vizinhos, sendo esta limitada somente ao turno da noite em que o morador já estará cansado e com maior preguiça de se locomover. A proposta de serviço colaborativo transformaria não só os pontos problemáticos do cotidiano, mas o renovaria por completo como apresentado no Anexo II. Nele, dividem-se as atividades em cinco partes: Engajamento, entrada, imersão, saída e extensão em que o emoticon considera a suposição do sentimento do usuário em cada atividade. 19 Após a ocorrência de propaganda durante a semana no “boca-a-boca” e com folders/anúncios, o morador é relembrado durante a manhã sobre o evento. Encontrando-se com os amigos, há várias atividades como as tendas, assistir ao palco ou brincar com as crianças além de o comércio local vender o almoço, criando a possibilidade de interação com todos os aspectos de sua comunidade. Sem a necessidade de percorrer longas distâncias, volta-se para a casa a pé e cria a oportunidade de outra saída de noite. Além disso, será incentivado a postar as fotos tiradas na feira nas mídias sociais com o estímulo de promoções do comércio local. Dessa forma, o usuário propaga seu bem-estar e acaba recomendando um crescente público a comparecer na ExpoLins. 20 2.6. Service evidences Nessa ferramenta, indicam-se todos os elementos tangíveis e/ou sistemas requeridos e utilizados na performance da solução. 21 22 A partir dessa ferramenta, torna-se possível para o grupo que administrará o serviço compreender seus gastos e em que produtos há de manter atenção. Porém, nem todos os itens são físicos e próprios da feira. O telefone e internet fazem referência à capacidade do usuário de interagir com a mídia social formalizada do evento. A partir disso, os comerciantes farão acordos para descontos ou promoções mensais, tendo como maior foco o consumo no meio de semana, que é o período de menor venda. Já os funcionários são evidências essenciais do processo e por conta disso são indicados nessa ferramenta. Apesar de seu caráter subjetivo, um bom e especializado atendimento é um fator chave para o sucesso do serviço, pois um de seus critérios de diferenciação são a integração e a sensação de pertencimento ao local em que praticamente todo o público mora. Por fim, a infraestrutura fornece uma orientação básica de como a feira deverá ser construída. As tendas serão compradas de forma padronizada por causa do preço e da estética, porém cada comerciante terá completa permissão de decorar ao seu desejo para que associem a tenda ao seu comércio diário. 2.7. Stakeholders Essa ferramenta expressa o processo do serviço colaborativo através do ponto de vista de todos os interessados que compartilham de seu sucesso. Ela apresenta uma lista de motivações, benefícios e contribuições entre cada parte interessada, com a célula mostrando o que o beneficiário da linha leva ao da coluna. 23 Figura 4: Matriz de stakeholders Essa matriz enfatiza a importância dos comerciantes e dos moradores da comunidade para a qualidade do serviço além de indicar como seriam favorecidos através dele. Também se percebe que os fornecedores de tendas são os mais distantes da colaboração, servindo somente como uma parceria comercial. De forma resumida, os comerciantes encontram o seu maior mercado, enquanto este conhece mais sobre os produtos que possa consumir próximo de casa sem perder tempo de locomoção. Os artistas culturais também se favorecem com a publicidade e aumento de mercado além do prestígio dentro da comunidade, que é um dos motivos para a prefeitura da cidade apoiar, inclusive com a limpeza. O fornecedor de tendas lucra com o aluguel que o grupo administrador negociará. Este último desenvolve a comunidade, recebe os créditos de um sucesso do evento e ainda recebe um dinheiro com a organização, que pode somar-se ao de seu negócio como comerciante. 24 3. MODELO DE NEGÓCIO O canvas é uma ferramenta estratégica para criar ou renovar um modelo de negócio, que tem como objetivo resumir de forma visual em uma única tabela a estrutura do serviço oferecido. Para isso, descrevem-se (da esquerda para direita): Em cima: Parceiros-chave; Atividades-chave; Recursos – chave; Proposta de valores na entrega; Relacionamento com o usuário; Canais de entrega; Segmentos de público que se planeja atingir. Em baixo: Estrutura de custo; Métodos de receita. Figura 5: Modelo de negócio Canvas Nota-se que “publicidade” está presente em duas células da tabela por diferentes motivos. Em atividadechave, ela tem como fim chamar o público da feira a consumir no mercado local do Lins durante a semana também após conhecer seus estabelecimentos na feira, enquanto como receita ela se trata da possível publicidade de patrocinadores externos que auxiliaram na construção do serviço como a fornecedora de tendas, que poderia oferecer um desconto nos aluguéis com isso ou de empresas maiores interessadas e que não tenham competição no mercado local. 25 Já nos segmentos de mercado, além da comunidade local e família dos moradores, pode vir a ser possível a presença de cidadãos de bairros próximos com o crescimento da feira como ocorre com a “Feira de São Cristóvão”. Porém, esse público já é considerado como mercado disponível, em vez do Mercado Alvo representado na tabela. 4. IDENTIDADE VISUAL 4.1. Logotipo Figura 6: Logotipo formulado para o serviço 4.2. Conceito O logotipo desenvolvido pelo grupo, primeiramente passa a ideia de destacar a comunidade do Lins. Com isso, o público alvo, que são os moradores dessa comunidade, tem mais chance de se identificarem com o projeto. Além disso, o logo trás letras de estilos simples a fim de levar uma ideia de inclusão e simplicidade incentivando a participação de todos os moradores do local. O círculo em azul com a inscrição “Lins” na frente faz alusão ao “mundo” que é o complexo do Lins. Além do grande território, há uma riqueza imensa de cultura e criatividade. A tenda representa a estrutura física que servirá como estande para os vendedores e para as atrações do evento. Por fim, percebe-se que o “Lins” está logo abaixo e praticamente dentro da tenda, o que repassa a ideia central do evento que é agrupar os moradores do Lins em um só local a fim de proporcionar diversão, lazer, girar o capital dentro da própria comunidade através do consumo dos que lá estão e fazer com que os moradores conheçam melhor as opções de lazer que tem na própria comunidade. 26 4.3. Aplicações São diversas as formas de aplicações do logotipo desenvolvido. Dentre elas a produção e distribuição de camisas e boné estampados com o logo, ajudando no processo de divulgação do evento, como pode ser visualizado a seguir. Outra aplicação muito interessante é o desenvolvimento de cartazes e banners para serem colocados nos locais mais frequentados da comunidade como supermercados, barbearias e etc. Além disso, a distribuição de adesivos autocolantes com a figura também é uma opção para a divulgação da mesma. Figura 7: Aplicações do logotipo 27 5. CUSTOS O serviço proposto pelo grupo, basicamente teria como os custos principais, a compra das tendas que serviriam como estande para os vendedores, o transporte do material até o local para auxiliar os comerciantes de menor porte que não tem como fazer tal translado por sua própria conta e para levar as tendas também, a divulgação do evento por meio de anúncios, roupas estampadas, anúncios em rádios locais, carros de som, etc. e a aquisição de um palco para as apresentações. Imaginando uma quantidade de cerca de 20 vendedores, seriam adquiridas 20 tendas. Pesquisando o preço em diferentes lojas encontramos o valor de R$ 92,98 por unidade com medidas de 2,40 x 2,40 x 2,45 m. O pequeno palco foi encontrado pelo valor de R$ 600,00. É um palco desmontável com dimensões de 6 m de comprimento e 2 m de largura, sendo capaz de acomodar até 6 pessoas. Ainda há o custo da aquisição de uma aparelhagem de som semiprofissional que atenda a necessidade, variando em torno de R$ 2000,00. O frete para todos os serviços sai por cerca de R$ 200,00. Por fim, na divulgação com camisetas estampas com a logo, cada unidade sai por cerca de R$ 10,00 , para encomendas acima de 30 peças e o carro de som sai por aproximadamente R$ 20,00 a hora (4horas por dia, seis dias na semana) . Tabela 2: Esquematização dos custos associados ao projeto Item Palco Frete Camisas Tendas Aparelho de som Carro de som Quantidade Origem Valor Unidade 1 Custo fixo R$ 600,00 ---Custo variável R$ 200,00 30 Divulgação R$ 10,00 20 Custo fixo R$ 92,98 1 Custo fixo R$ 2000,00 4 hrs /dia Custo variável R$ 20,00 CUSTO TOTAL = R$ 5439,60 Valor Total R$ 600,00 R$ 200,00 R$ 300,00 R$ 1859,6 R$ 2000,00 R$ 480,00 28 6. Conclusão O Trabalho permitiu ao grupo uma boa experiência de projeto de serviço assim como o conhecimento e utilização das ferramentas necessárias para o mesmo. Acredita-se que a proposta formulada é consideravelmente aplicável, necessitando de alguns refinamentos e de adaptações intangíveis à teoria, e reveladas apenas na execução do projeto. Esperamos que esta ideia possa ser útil na melhoria de qualidade de vida dos moradores do complexo do Lins. 29 30