PROGRAMA SALA DE APOIO À APRENDIZAGEM EM
MATEMÁTICA: MINIMIZANDO AS DIFICULDADES EM BUSCA DA
INTEGRAÇÃO PARA OS NÍVEIS DO ENSINO FUNDAMENTAL
FRANÇA, Iara da Silva - SEEDPR
[email protected]
Eixo Temático: Educação Matemática
Agência Financiadora: Não contou com financiamento
Resumo
O estudo apresenta uma análise da postura de seis professores de Matemática acerca do seu
trabalho com as Salas de Apoio à Aprendizagem nas escolas estaduais do Paraná e as
possibilidades de sucesso da proposta desta modalidade de ensino. O objetivo foi partir do
relato e das opiniões de professores em atividade nas Salas de Apoio à Aprendizagem de
Matemática, a respeito do modo como vêem o assunto ser tratado em suas escolas, para,
então, identificar as dificuldades enfrentadas e refletir sobre novas possibilidades para o
Programa Salas de Apoio à Aprendizagem. O problema que se destaca é: quais as percepções
dos professores de Matemática das Salas de Apoio à Aprendizagem acerca do trabalho
desenvolvido e as implicações que a postura destes professores trás para a efetivação da
proposta do Programa? Os dados foram obtidos por meio de entrevistas semi-estruturadas
com seis professores de Matemática do Ensino Fundamental de escolas públicas estaduais e
que trabalham com as Salas de Apoio à Aprendizagem de Matemática, situadas em diferentes
municípios do Núcleo Regional de Paranaguá. Entre os assuntos discutidos, estão as
dificuldades de aprendizagem dos alunos da 5ª série, a metodologia utilizada na Sala de
Apoio, os resultados obtidos e as propostas para melhoria do Programa. O estudo evidenciou
a necessidade de maior compreensão dos professores acerca dos objetivos do Programa e a
necessidade de alguns ajustes no Programa Salas de Apoio à Aprendizagem da Matemática,
entre estes, a continuação das capacitações para os professores e o envolvimento não só dos
professores desta modalidade e dos seus alunos, como também de toda a comunidade escolar
com o referido Programa, incluídos aí, funcionários, equipe pedagógica, direção e pais de
alunos.
Palavras-chave: Sala de Apoio à Aprendizagem. Matemática. Professores de Matemática
9313
Introdução
Muitas são as discussões existentes entre os educadores brasileiros e na literatura sobre
educação, acerca da fragmentação do Ensino Fundamental no que se refere ao tratamento
pedagógico das séries iniciais e finais deste nível de ensino.
Apesar da extinção do exame de Admissão1 com a criação da Lei de Diretrizes e Bases
5692/71 e das características de continuidade que a referida lei imprimiu ao 1º grau da época,
ratificadas pela Lei de Diretrizes e Bases 9394/96, a integração entre os dois segmentos do
Ensino Fundamental é um ponto importante e necessita novos estudos e medidas para que se
efetive, favorecendo a superação dos altos índices de evasão e repetência nas 5ªs séries/6ºs
anos.
Em suas práticas cotidianas, muitos professores têm tentado caminhar em direção à
mudança, buscando e aplicando metodologias alternativas e novas práticas avaliativas.
Para superar ou, pelo menos minimizar as dificuldades encontradas pelos alunos,
especialmente em algumas disciplinas consideradas “básicas” como o Português e a
Matemática, os professores da Educação Básica fazem as chamadas recuperações paralelas,
reforçando e reavaliando os conteúdos onde os alunos encontraram dificuldades. Entretanto, o
que se percebe, é que, na maioria das vezes o que se recupera é a nota, e que nem sempre isso
acontece com a aprendizagem.
Julga-se necessário que haja na escola uma ação conjunta, com o envolvimento de
todos os segmentos para que o grupo seja beneficiado. Para tanto, é fundamental que as ações
tenham origem e organização no sistema educacional ao qual a escola está vinculada, pois tais
ações poderão ser potencializadas pela escola com o envolvimento de todos.
Devido a essa problemática, entre outras, a Secretaria de Estado da Educação do
Paraná implementou, em 2004, o programa Sala de Apoio à Aprendizagem, com o objetivo de
atender às defasagens de aprendizagem apresentadas pelos alunos da 5ª série, hoje também 6º
ano do Ensino Fundamental.
O Programa prevê o atendimento a estes alunos no contra turno, nas disciplinas de
Português e Matemática para que os alunos que ingressam nas 5ª séries/6º anos com
dificuldades de aprendizagem possam, por meio de atividades diferenciadas e significativas,
1
Exame composto de provas escritas e orais de Português, Aritmética e Conhecimentos Gerais que, de acordo
com o Decreto no. 19.890 de 18 de abril de 1931- Reforma Francisco Campos, determinava o acesso dos
estudantes ao então Ensino Secundário.
9314
superar essas dificuldades e acompanhar seus colegas do turno regular, diminuindo assim a
repetência e a possível evasão, melhorando a qualidade da educação pública.
Este estudo tem origem nas minhas inquietações acerca do trabalho realizado nas Salas
de Apoio à Aprendizagem, com suas imensas possibilidades de sucesso, mas também com
suas necessidades de aperfeiçoamento. Devido à minha atual função como Técnica
Pedagógica da disciplina de Matemática do Núcleo Regional de Educação de Paranaguá tenho
acompanhado o trabalho dos professores desta modalidade de ensino e venho percebendo as
grandes contribuições que o trabalho bem esclarecido e fundamentado com os alunos das
Salas de Apoio à Aprendizagem pode trazer à aprendizagem dos mesmos nessa passagem das
séries iniciais do Ensino Fundamental para a 5ª série/6º ano.
Neste estudo, é apresentada uma análise da postura dos professores de Matemática
acerca do seu trabalho com as Salas de Apoio à Aprendizagem nas escolas estaduais do
Paraná e suas implicações para a efetivação da proposta desta modalidade de ensino. O
objetivo foi partir do relato e das opiniões de professores em atividade nas Salas de Apoio à
Aprendizagem, a respeito do modo como vêem o assunto ser tratado em suas escolas, para,
então, identificar as dificuldades enfrentadas e apontar possíveis soluções.
As impressões dos professores em relação ao seu trabalho com as Salas de Apoio,
apresentadas neste estudo, provêm de dados obtidos por meio de entrevistas semi-estruturadas
com 6 professores de Matemática do Ensino Fundamental de escolas públicas estaduais e que
trabalham com as Salas de Apoio à Aprendizagem de Matemática, situadas em diferentes
municípios do Núcleo Regional de Paranaguá. Entre os assuntos discutidos, estão as
dificuldades de aprendizagem dos alunos da 5ª série, a metodologia utilizada na Sala de
Apoio, os resultados obtidos e as propostas para melhoria do Programa.
Dessa forma a questão norteadora deste estudo foi: Quais as percepções dos
professores de Matemática das Salas de Apoio à Aprendizagem acerca do trabalho
desenvolvido e as implicações que a postura destes professores trás para a efetivação da
proposta do Programa?
Criação e continuidade
A primeira Resolução para a implantação das Salas de Apoio à Aprendizagem foi a
Resolução nº 208/2004, seguida da Resolução nº 3.098/2005, sendo ambas revogadas
9315
pela Resolução Nº 371/2008. A Resolução 139/2009, que regulamenta a distribuição de aulas
nos Estabelecimentos Estaduais de Ensino também contempla em sua redação um parágrafo
específico com orientações para a distribuição das aulas das Salas de Apoio, assim como, a
Instrução 022/2008 da SUED/SEED estabelece os Critérios para a abertura da demanda de
horas-aula, do suprimento e das atribuições dos profissionais das Salas de Apoio à
Aprendizagem – 5ª série do Ensino Fundamental, da Rede Pública Estadual.
Tais Resoluções orientam acerca dos procedimentos a serem adotados no que se refere
às Salas de Apoio à Aprendizagem e estão em consonância com a lei de Diretrizes e Bases da
Educação 9394/96 e com as leis estaduais da educação básica.
A resolução Nº 371/2008 ao criar as Salas de Apoio à Aprendizagem, considera o
princípio da flexibilização disposto na LDB nº 9.394/96, segundo o qual cabe ao sistema de
ensino criar condições possíveis para que o direito à aprendizagem seja garantido ao aluno.
A LDB9394/96 contempla vários direitos para a educação., entre eles, em seu Art.
32, preconiza que:
O ensino fundamental, com duração mínima de oito anos, obrigatório e gratuito na
escola pública, terá por objetivo a formação básica do cidadão, mediante:
I – o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o
pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo (LDB 9394/96).
Aqui entendidos como pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo também a
capacidade do aluno de aprender efetivamente os conteúdos das diversas disciplinas e
acompanhar os demais colegas de classe nos processos de ensino e aprendizagem, garantindo
assim, a permanência e a continuidade dos estudos.
Ainda na LDB 9394/96 um dos princípios da educação é a igualdade de condições
para o acesso e permanência na escola. A igualdade de condições aqui abordada não pode ser
confundida com a suposta igualdade que, muitas vezes o professor pensa proporcionar, ao
“tratar a turma inteira da mesma forma”. Pelo contrário, a igualdade de condições acontece
quando o professor trata cada aluno de forma singular, buscando atender suas especificidades
em relação à aprendizagem, visto que ninguém aprende da mesma forma e ao mesmo tempo.
Muitas são as teorias que procuram explicar o processo de ensino-aprendizagem e para
uma aprendizagem significativa dos alunos é fundamental conhecer as teorias e aplicá-las em
sala de aula, de acordo com uma concepção de aprendizagem, pois quando se tem em mente a
essência das teorias da aprendizagem e se faz a conexão entre elas, o projeto pedagógico e a
sala de aula, fica fácil e produtivo o trabalho com os alunos. Entretanto, parece que a maioria
9316
dos professores não possui uma concepção de como o aluno aprende e da importância desse
entendimento para o processo de ensino e aprendizagem.
Como o Programa da Sala de Apoio à aprendizagem foi criado para atender alunos das
5ªs séries com dificuldades de aprendizagem e defasagens de conhecimentos, julga-se
importante captar as percepções dos professores acerca de como o aluno aprende e da
influência dessa concepção em suas práticas para que ocorra a aprendizagem em Matemática.
Dessa forma, foi feita a seguinte pergunta: Na sua prática, como você acha que o aluno
aprende?
Uma das professoras parece estar muito preocupada com a memorização dos
conceitos, pois respondeu que “Matemática só se aprende fazendo exercícios”.
Outra
Professora respondeu que o aluno “Aprende mais facilmente quando o assunto é do seu
interesse e os problemas apresentados são do dia-a-dia”, demonstrando uma preocupação
com significado e com o trabalho a partir da vivência do aluno. Observa-se nessa professora
certa tendência para o construtivismo.
O que se percebe quando se fala em como o aluno aprende, é que cada professora
apresenta uma concepção do aprender colocando em foco uma questão diferente. Pode-se
afirmar que há uma variedade e uma diversidade de posições que partem de conceitos como:
experimentação, prática, construção, significado, prontidão, análise, mas também que há
indícios de uma tendência construtivista entre as professoras entrevistadas.
Organização das Salas de Apoio à Aprendizagem
Os critérios para abertura das Salas de Apoio à Aprendizagem são rigorosamente
estabelecidos pela Instrução Nº 022/2008 - SUED/SEED que determina que os
estabelecimentos de ensino terão abertura automática de 01 (uma) Sala de Apoio à
Aprendizagem de Matemática a cada 03 (três) turmas de 5ª série ofertadas, do período diurno.
As Salas de Apoio à Aprendizagem funcionam em turno contrário ao das turmas de
Ensino Regular de onde os alunos são oriundos.
No que se refere às atribuições dos professores regentes, os mesmos deverão
diagnosticar as dificuldades de escrita, formas espaciais e quantidades, referentes aos
conteúdos de Matemática dos anos iniciais do Ensino Fundamental, apresentadas pelos alunos
9317
indicando-os para a participação do Programa de Salas de Apoio à Aprendizagem, assim
como, acompanhar o processo de aprendizagem do aluno durante e após a participação no
Programa e decidir com a Equipe Pedagógica e os Professores das Salas de Apoio, a
permanência ou a dispensa dos alunos do Programa.
Portanto, quem definirá quais os alunos que necessitam freqüentar a Sala de Apoio é o
professor regente da 5ª série que deve realizar a avaliação diagnóstica de seus alunos, a partir
do início do ano letivo. Para isso, ele precisa considerar “qual o nível de aprendizagem ou
quais conhecimentos de matemática um aluno que concluiu as séries iniciais deve ter”.
Para o encaminhamento do aluno existe uma ficha denominada Ficha de
Encaminhamento de Matemática onde são enumeradas as principais dificuldades do aluno e
em quais conteúdos.
A “ficha de encaminhamento do aluno” é que vai orientar o professor regente na
realização da avaliação diagnóstica. Essa ficha precisa apresentar a situação real de
aprendizagem em que o aluno se encontra, pois é a partir dela que o professor da Sala de
Apoio planejará suas intervenções. Por esse motivo, a ficha precisa ser entregue no momento
de encaminhamento do aluno.
A partir das informações contidas na ficha de encaminhamento do aluno, seguindo as
orientações contidas na Instrução Nº 022/2008 - SUED/SEED, o professor da Sala de Apoio à
Aprendizagem organizará o seu Plano de Trabalho Docente, no qual constarão os conteúdos
estruturantes (Números e Álgebra, Grandezas e Medidas, Geometrias e Tratamento da
Informação) e específicos a serem trabalhados, bem como, a justificativa, os objetivos, o
encaminhamento metodológico e recursos didáticos utilizados e os critérios de avaliação a
serem adotados, de acordo com as expectativas de aprendizagem de cada aluno.
E parece ser exatamente a partir de um planejamento bem feito e com a utilização de
estratégias diferenciadas que o professor poderá consolidar seu trabalho, visto perceber-se a
necessidade de um conhecimento específico para o tratamento dos conteúdos matemáticos
nesta modalidade de ensino.
O trabalho nas Salas de Apoio à Aprendizagem
9318
Segundo as Diretrizes Curriculares Estaduais do Paraná (2008), os conteúdos
estruturantes se articulam entre si e com os conteúdos específicos em relações de
interdependências que enriquecem o processo pedagógico. Dessa forma, é importante
observar que embora cada aluno traga em sua ficha de encaminhamento, apontamentos com
suas necessidades de aprendizagem especificadas pelo professor de Matemática regente de
classe, o professor da Sala de Apoio à Aprendizagem poderá trabalhar com todos os alunos ao
mesmo tempo, focando as dificuldades individuais de cada um, utilizando-se de uma
metodologia cuja abordagem seja a partir das tendências em Educação Matemática presentes
nas Diretrizes Curriculares Estaduais (2008).
Entre tais tendências, destaca-se para esta modalidade de ensino a Resolução de
Problemas, as Mídias Tecnológicas e a Etnomatemática por constituírem-se em
possibilidades para que outras abordagens como o uso de materiais didáticos, de jogos e a
utilização de recursos tecnológicos proporcionem ao aluno a
possibilidade de uma
aprendizagem onde ele se sinta incluído no processo, como sujeito ativo e participante de sua
própria aprendizagem.
Além disso, é importante que o professor leve em consideração os aspectos sócioculturais, buscando respeitar e valorizar as idéias e conhecimentos trazidos pelo aluno, assim
como, considerar os diferentes caminhos elaborados pelo aluno para chegar ao conhecimento.
Buscando a concepção dos professores sobre o ensino da matemática, foi feita outra
pergunta: para você o que é ensinar Matemática?
“É trabalhar com o aluno de forma a desenvolver seu raciocínio lógico”, foi a
resposta do único professor do sexo masculino presente.
“Sim...” complementou outra professora, “...e também estabelecer estratégias para
que os alunos consigam resolver os problemas”.
“Eu complementaria dizendo que o professor também ensina o aluno a ter mais
atenção e desenvolve sua concentração”, disse uma terceira professora.
“Eu penso que o professor é que estabelece as regras e o aluno aprende. Então você
só consegue ensinar se o aluno segue essas regras”.
Muitas e diferentes são as concepções de ensinar Matemática e é importante que o
professor tenha clara uma concepção e que perceba qual a sua função. Segundo as Diretrizes
Curriculares de Matemática (2008, p.48), cabe ao professor a sistematização dos conteúdos
9319
matemáticos que emergem das aplicações, superando uma perspectiva utilitarista, sem
perder o caráter científico da disciplina e de seu conteúdo.
Sendo assim, ensinar Matemática pressupõe procurar alternativas para aumentar a
motivação para a aprendizagem, desenvolver a autoconfiança, a organização, a concentração,
a atenção, o raciocínio lógico-dedutivo e o senso cooperativo, desenvolvendo a socialização e
aumentando as interações do indivíduo com outras pessoas.
Buscando saber de que forma os professores da Sala de Apoio à Aprendizagem
trabalham na prática com os seus alunos, foi feita a seguinte pergunta: Quais as estratégias e
os recursos que você utiliza com os seus alunos da Sala de Apoio à Aprendizagem?
Todos os professores disseram que embora procurem trabalhar com estratégias
diferenciadas ainda fazem exercícios com os alunos, pois entendem que a melhor forma de
aprender Matemática continua ser exercitando, principalmente no caso dos alunos que ainda
não sabem a tabuada. Esta afirmativa contraria algumas respostas dadas anteriormente,
porém, parece que os professores não têm ainda muito claro o objetivo da Sala de Apoio à
Aprendizagem, que é a superação das dificuldades que os alunos trazem das séries iniciais do
Ensino Fundamental por meio de uma organização diferenciada de espaços e tempos e com
atividades desafiadoras. e não o simples “reforço” dos conteúdos estudados na turma regular.
Cinco entre os seis professores entrevistados afirmaram que costumam trabalhar com
os jogos em sala de aula. De acordo com os professores todos os tipos de jogos são
trabalhados e os alunos gostam muito. Entretanto, jogar o jogo pelo jogo empobrece o
trabalho do professor. No jogo deve haver a possibilidade de usar estratégias, estabelecer
planos, executar jogadas e avaliar a eficácia desses elementos nos resultados obtidos, isto é, o
jogo não deve ser mecânico e sem significado para os jogadores.
Uma das professoras “confessou” que muitas vezes ela mesma não consegue entender
onde estão os conteúdos matemáticos de determinados jogos.
Os conteúdos matemáticos presentes nos jogos nem sempre estão explícitos e o ensino
da Matemática por meio dos jogos traz entre outros benefícios, o desenvolvimento do senso
crítico do aluno, visto que durante o desenrolar de um jogo, pode-se observá-lo alerta e
confiante, expressando o que pensa, elaborando perguntas e tirando conclusões sem
necessidade da interferência ou aprovação do professor. Além disso, o uso de jogos no ensino
da Matemática faz com que os alunos gostem de aprender essa disciplina, despertando seu
interesse.
9320
Há diversas formas de trabalhar os conteúdos matemáticos com os alunos e o jogo
possibilita que sejam feitas muitas conexões entre os diferentes conteúdos em diferentes
contextos. Nesse sentido, é possível encontrar uma ampla e variada literatura com as mais
diversas possibilidades do uso dos jogos nas aulas das Salas de Apoio à Aprendizagem em
Matemática.
Ainda sobre os jogos, quatro dos professores entrevistados afirmaram que também
trabalham com jogos no computador, utilizando o laboratório da escola. Uma das professoras
disse que a cada duas semanas vai para o laboratório com os seus alunos e que quando é dia
de laboratório os alunos já sabem e não faltam porque adoram fazer as atividades com o
computador.
Outra tendência em Educação Matemática e que pode ser associada à intervenção por
meio dos jogos é o uso das Mídias Tecnológicas. Segundo as Diretrizes Curriculares
Estaduais (2008), os recursos tecnológicos, como o software, a televisão, as calculadoras, os
aplicativos da Internet, entre outros, têm favorecido as experimentações matemáticas e
potencializado formas de resolução de problemas.
Há diversos jogos que podem ser utilizados nas Salas de Apoio à Aprendizagem em
Matemática. Muitos deles podem ser encontrados em sites especializados sendo que alguns
foram selecionados e estão à disposição do professor no Portal Educacional do Estado do
Paraná, Dia-a-dia Educação. Ainda segundo as Diretrizes Curriculares Estaduais (2008),
aplicativos de modelagem e simulação têm auxiliado estudantes e professores a visualizarem,
generalizarem e representarem o fazer matemático de uma maneira passível de manipulação,
pois permitem construção, interação, trabalho colaborativo, processos de descoberta de
forma dinâmica e o confronto entre a teoria e a prática.
Pela própria característica da Sala de Apoio à Aprendizagem que é de ter no máximo
15 alunos por turma, de acordo com a Instrução nº 022/2008 - SUED/SEED, a viabilidade do
trabalho com jogos e atividades desenvolvidas no laboratório de Informática da escola é
grande e a probabilidade de motivação para as aulas de Matemática aumenta
consideravelmente, aumentando também as possibilidades de uma aprendizagem onde o erro
não é temido e sim, utilizado como mais uma estratégia para que esta aprendizagem se
concretize.
O espaço físico adequado é necessário para a implantação da Sala de Apoio à
Aprendizagem e consta na Instrução nº 022/2008 - SUED/SEED como condição para o
9321
funcionamento das mesmas. Entretanto, tão importante quanto o espaço físico é o espaço de
convivência e confiança criado pelo professor e que, segundo Cavalcanti (2001) favorece a
formação do pensamento Matemático autônomo, onde os alunos conhecem o problema,
pensam, elaboram estratégias e tentam resolvê-los.
Nesse sentido, o laboratório de Informática é um local privilegiado e favorecedor da
aprendizagem do aluno, que se sente motivado e atraído pelos jogos no computador e faz
questão de chegar ao final das atividades de forma correta e sem medo do erro que, nesse
caso, servirá como um degrau a mais para que chegue à resolução do problema, explorando
mais o potencial educativo que os erros contêm e que para Pinto (2000) precisa ser mais bem
explorado, tanto pelos professores, como também pelos próprios alunos.
Ainda no que se refere ao espaço físico, dois professores se mostraram bastante
preocupados porque segundo eles, embora a Instrução Nº 022/2008 - SUED/SEED seja clara
no que se refere ao espaço físico, na escola onde trabalham não existe um espaço definido na
escola para o funcionamento das Salas de Apoio à Aprendizagem e uma das professoras
afirma que trabalha num pedacinho da biblioteca reservado para nós. E complementa: Eu sei
que só tenho 9 alunos mas fica complicado trabalhar na biblioteca, com alunos entrando e
saindo do outro lado.
O que acontece na maioria dos casos é que a escola quer e necessita de uma Sala de
Apoio à Aprendizagem e acaba “criando” espaços para implantá-la. Por meio de um processo
que é enviado para a Secretaria de Estado da Educação do Paraná e que “convence” sobre a
necessidade dessa Sala de Apoio à Aprendizagem, a escola obtém a permissão e a Sala de
Apoio é implementada dentro de condições nem sempre plausíveis.
Ao responderem sobre os materiais didáticos utilizados por eles, todos os professores
entrevistados afirmaram que gostariam de possuir mais material didático e jogos diferentes
para o trabalho nas Salas de Apoio à Aprendizagem.
Nesse sentido, seria importante um trabalho pedagógico com a Etnomatemática que
segundo D’Ambrósio (2001) procura explicar e aprender os diferentes modos em que o
conhecimento matemático é praticado nas mais diferentes culturas. Tomando como ponto de
partida problemas de determinado meio cultural, a resolução dos mesmos implica na troca de
conhecimentos de professores e alunos.
9322
Nesta abordagem, o professor da Sala de Apoio à Aprendizagem poderia, por
exemplo, trabalhar com seus alunos partindo de brincadeiras e jogos da comunidade em que
se inserem, assim como, poderiam pesquisar jogos e brincadeiras também de outras culturas.
Guérios e Zimer (2002) sugerem a construção do material pedagógico como
desenvolvimento de uma prática. Dessa forma, o material de trabalho pode também ser
confeccionado pelo professor e por seus alunos que no caso dos jogos podem elaborar as
questões que irão compor o jogo, assim como suas regras.
Todas as formas de trabalho pedagógico são importantes e as tendências em Educação
Matemática trazem inúmeras alternativas de abordagens para o professor. Entretanto, muitas
vezes falta ao professor a fundamentação teórica para exercer o seu trabalho de forma mais
aprofundada. Em uma das entrevistas uma professora disse o seguinte: Ás vezes eu me sinto
meio perdida porque não sei se os jogos que levo pra eles são os jogos certos para as suas
necessidades.
A preocupação da professora é bastante pertinente pois muitas vezes o professor,
como todo profissional, precisa capacitar-se para exercer diferentes funções e a Sala de
Apoio à Aprendizagem, embora exija do professor um trabalho de docência, insere-se em uma
modalidade diferente e à qual o professor precisa compreender para poder exercer o seu
trabalho de forma mais eficaz. A necessidade de capacitação (por meio de cursos, oficinas e
material impresso) é freqüentemente ressaltada pelos professores, principalmente relacionados
à utilização de recursos que não foram discutidos na sua formação acadêmica, deixando
lacunas na sua formação.
Com a finalidade de constantemente capacitar e atualizar os professores da rede
pública estadual, a Secretaria de Estado de Educação possui um programa de capacitação
continuada e os professores das Salas de Apoio à Aprendizagem estão inseridos nessa
proposta. Desde 2004 os professores das Salas de Apoio à aprendizagem, tanto da disciplina
de Matemática quanto de Português têm tido diversas oportunidades de fazer cursos de
capacitação voltados para o seu trabalho. Há inclusive, na Resolução 139/2009 que trata da
regulamentação da distribuição de aulas dos estabelecimentos estaduais de ensino o artigo 25
que determina que os professores para assumir as aulas das Salas de Apoio à Aprendizagem
prioritariamente sejam do Quadro Próprio do Magistério, com experiência nos anos iniciais
do Ensino Fundamental, que tenha atuado em Salas de Apoio e participado de cursos de
capacitação do Programa em anos anteriores.
9323
Ser do Quadro Próprio do Magistério e ter atuado em Salas de apoio em anos
anteriores são medidas que visam garantir que os professores que já possuem experiência
anterior e capacitação para o trabalho com a Sala de Apoio à Aprendizagem tenham suas
qualificações reconhecidas e garantida a sua permanência no Programa pois, sendo ele do
Quadro Próprio do Magistério e principalmente lotado no Estabelecimento de Ensino,
garantirá rotatividade mínima entre os professores das Salas de Apoio e, conseqüentemente,
maior qualidade no trabalho.
Uma das professoras entrevistadas queixou-se exatamente desta questão ao dizer que
embora eu goste do trabalho com a Sala de Apoio e tenha feito todos os cursos para os quais
fui chamada, o ano passado fiquei sem aulas na Sala de Apoio porque a professora que
assumiu tinha mais tempo de serviço do que eu na escola.
Outra professora levantou uma questão bastante pertinente que é o fato de sentir-se
isolada na Sala de apoio porque a mesma funciona no contra turno e a Pedagoga não lhe dá
apoio. Complementa ainda dizendo que nem mesmo com a professora regente tenho muito
contato, porque de manhã eu não trabalho nessa escola e nunca a vejo.
Alguns aspectos considerados pelos professores e que interferem no desenvolvimento
das Salas de Apoio à Aprendizagem dizem respeito ao modo como é estruturado o ensino.
Um exemplo é a dificuldade de coordenação, ou seja, de construção do Plano de Trabalho
Docente do professor da Sala de Apoio em conjunto com o professor regente e com a equipe
pedagógica. Muitas vezes não nem mesmo diálogo entre o professor da Sala de Apoio, o
professor regente e a equipe pedagógica. Entretanto, todos os professores concordaram que se
houver boa vontade de todas as partes o problema será sanado e quem ganha é o aluno, cuja
aprendizagem é prioridade.
Avaliação na Sala de Apoio à Aprendizagem de Matemática
Como avaliar os alunos da Sala de Apoio à Aprendizagem?
Os professores entrevistados foram unânimes em dizer que devem ser avaliados de
forma diferenciada. Isso é possível? Os mesmos professores dizem que sim. Por ser um
número menor de alunos e porque as atividades são diferentes daquelas da turma regular.
De acordo com a Instrução Nº 022/2008 - SUED/SEED, entre as atribuições do
professor da Sala de Apoio Á Aprendizagem está a de organizar e disponibilizar para o
9324
coletivo de Professores regentes da turma e Equipe Pedagógica pastas individuais dos alunos,
de acompanhamento do processo de ensino e aprendizagem.
Tais pastas serão organizadas e seus registros serão feitos constantemente, a cada novo
instrumento de avaliação que o professor utilizar e de acordo com os critérios de avaliação
previstos nas diretrizes Curriculares Estaduais na disciplina de Matemática. Ou seja, a
avaliação não pode estar restrita ao diagnóstico da aprendizagem do aluno ou voltada para a
verificação do produto final da aprendizagem (PINTO, 2000, p. 49), mas fornecer subsídios
com a finalidade de elaborar novas estratégias para que o aluno aprenda.
A Sala de apoio à Aprendizagem tem uma característica própria que é a de buscar
“preencher as lacunas” que o aluno trouxe das séries inicias, Por esse motivo, a avaliação
deverá contar além de tudo com a sensibilidade do professor em sua avaliação da
aprendizagem do aluno.
O aluno da Sala de Apoio à Aprendizagem não tem um período definido para
freqüentar essa turma no contra turno. Por isso, tão logo o professor detecte que suas
dificuldades foram sanadas, ele poderá continuar estudando Matemática apenas na turma
regular e outro colega que apresente dificuldades em Matemática poderá ocupar o seu lugar.
Considerações Finais
O estudo evidenciou a necessidade de alguns ajustes no Programa Salas de Apoio à
Aprendizagem da Matemática. Para que a proposta seja efetivada com pleno sucesso, há a
necessidade de entendimento dos objetivos da Sala de Apoio por parte dos professores, equipe
pedagógica, diretores e até mesmo dos alunos e dos seus pais. É importante que os
professores continuem fazendo as capacitações e que toda a comunidade se envolva com o
programa.
Embora tenha havido por parte da Secretaria de Estado da Educação, a preocupação
em relação ao esclarecimento dos objetivos da Sala de Apoio, promovendo cursos de
capacitação para os professores que atuam nesta modalidade, assim como, orientações para as
equipes pedagógicas das escolas, nem sempre esse entendimento acontece na prática.
Dessa forma, o presente trabalho denota a necessidade em uma pesquisa mais
profunda e abrangente, para que se possam fazer reflexões mais amplas, principalmente no
9325
que se refere aos aspectos pedagógicos da Sala de Apoio à Aprendizagem de Matemática.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei 9394/96.
CAVALCANTI, C. T. Diferentes formas de resolver problemas.In.: Ler, escrever e resolver
problemas: habilidades básicas para aprender matemática. Kátia Stocco Smole e Maria Ignez
Diniz (Orgs.). Porto Alegre: Artmed, 2001, p. 121-150.
D’AMBRÓSIO. U. Etnomatemática: elo entre as tradições e a modernidade. Belo
Horizonte: Autêntica, 2001.
GUÉRIOS, E. e ZIMER, T. T. B. Conteúdo, metodologia e avaliação do ensino da
matemática. Curitiba: UFPR, Curso de Pedagogia/modalidade à distância, 2002.
PARANÁ. SEED. Diretrizes Curriculares Estaduais de Matemática. 2008.
________. SEED/SUED. Instrução 022/2008.
________. SEED/SUED. Resolução 371/2008.
________. SEED/SUED. Resolução de distribuição de aulas/2009.
PINTO, N. B. O erro como estratégia didática. Campinas, SP: Papirus, 2000.
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programa sala de apoio à aprendizagem em matemática