O DIÁLOGO DO LEITOR COM O CONTO “GRINGUINHO” DO ESCRITOR SAMUEL
RAWET
Luciane Bernardi de Souza- Acadêmica do curso de Letras Português da Universidade Federal de
Santa Maria 1, Luciéle Bernardi de Souza- Acadêmica do curso de Letras Português da
Universidade Federal de Santa Maria ², Sonia Inez Gonçalves Fernandez -Professora Adjunta I do
Departamento de Letras Estrangeiras e Modernas da Universidade Federal de Santa Maria-RS ³.
Resumo: O presente estudo procurou verificar de que modo ocorre o fenômeno da recepção de uma
obra literária a partir de reflexões trazidas pela Estética da Recepção, teoria cujos principais
representantes são Hans Robert Jauss e Wolfgang Iser. No decorrer do trabalho foram analisados os
principais processos de recepção envolvidos nas leituras do texto Gringuinho do escritor polonês
Samuel Rawet. Os resultados considerados neste trabalho procederam da análise das leituras feitas
por um grupo de alunos que participou do projeto de extensão “Ler e Contar, Contar e Ler” da
Universidade Federal de Santa Maria no primeiro semestre do ano de 2011.
Palavras-chave: Leitura. Estética da Recepção. Conto. Leitor
Abstract: This study aimed to investigate how the phenomenon of receiving a literary work
from reflections made by the Aesthetics of Reception, theory whose principal representatives
are Robert
Jauss
and Wolfgang Iser. Throughout
the paper
we
analyzed the
main
processes involved
in receiving readings
of
the
text Gringuinho
of
the
polish
writer Samuel Rawet. The results in this work proceeded the analysis of the readings made
by a group of students who participated in the extension project "Read and Count, Count and
Read" Federal University of Santa Maria in the first half of 2011.
Keywords: Reading. Aesthetics of Reception. Tale. Reader
1. Introdução
Ao longo de toda a história da crítica literária moderna, o olhar dos estudiosos sempre se
direcionou à uma crítica que enaltecesse o autor ou a obra literária como elementos autônomos. O
leitor por sua vez sempre fora um elemento que permanecera à deriva dos estudos realizados. Mas,
a partir do início dos anos 60, com os estudiosos da Escola de Constança (Konstanz/Alemanha) é
que o leitor, essa figura tão importante no processo de constituição do fazer literário, alcança um
pequeno destaque e o silêncio em torno desse elemento é enfim quebrado. Desse modo, é somente
nas últimas décadas do século XX que o leitor tem subido ao palco da teoria crítica trazendo à cena
questionamentos e concepções literárias desconhecidas ou pouco estudadas até então. Termos e
conceitos como: recepção, leitor, horizonte de expectativas, etc., passam a ser foco de estudo
constante no campo da teoria literária, em que, ademais da produção ou representação da obra, a
recepção desta vem a ser uma das principais problemáticas da reflexão da crítica literária
contemporânea.
Foi no século XIX, com a Escola romântica, que a preocupação com a figura do autor
ocorreu com maior intensidade. Porém, para o teórico Terry Eagleton, o significado de uma obra
literária não se esgota pelas intenções de seu autor em relação à produção da mesma, pois, quando a
obra passa de um contexto histórico para outro, novos significados podem ser extraídos dela e é
1
Luciane Bernardi de Souza, autora- [email protected]
² Luciéle Bernardi de Souza, co-autora- Lucié[email protected]
³ Orientadora- [email protected]
provável que eles nunca tenham sido imaginados pelo seu autor ou pelo público contemporâneo a
ele. O escritor ou produtor do texto nunca sabe exatamente qual é o perfil do leitor que receberá seu
texto, apenas hipoteticamente deduz esse perfil. Roland Barthes, sobre o autor, afirma:
Como instituição, o autor está morto: sua pessoa civil, passional, biográfica, desapareceu;
desapossada, já não exerce sobre sua obra a formidável paternidade que a história literária,
o ensino, a opinião tinham o encargo de estabelecer e de renovar a narrativa. (R;
BARTHES,1996, p. 39)
Assim como o papel do autor, a obra já não desempenha a importância simbólica que
exercia em relação aos demais componentes da prática constitutiva literária. A crítica
fenomenológica, que visava uma leitura imanente do texto, o apresentava de modo que o mesmo era
totalmente “imune” a qualquer elemento que fosse considerado externo a ele. Embora essa crítica
literária possa muitas vezes parecer contrária a correntes teóricas que contemporaneamente
priorizam o leitor, a mesma constitui a base das formulações que permeiam a Estética da Recepção,
corrente teórica oriunda da Escola de Constança, que valoriza o leitor como o principal elemento do
fazer literário. Sendo assim, a leitura e o processo de recepção de um texto ficcional passam a ser o
interesse da investigação de inúmeros teóricos que baseados em teorias e conceitos filosóficos de
Husserl e Heidegger, e da hermenêutica de Hans-Georg Gadamer, começam a destacar condições e
fatos (históricos, sociais, etc.) circundantes à recepção de um texto ficcional.
Para esta Escola a obra literária passa não apenas a ser vista como um artefato verbal, mas
como um objeto que em decorrência de uma série de procedimentos técnicos e estéticos cunhados
por seu criador, gera um determinado efeito no receptor, que deve a partir dos inúmeros fatores
externos e internos à obra, buscar na mesma os inúmeros níveis de significância que ela pode
compreender.
Desse modo, o conhecimento trazido pelo leitor no processo de leitura da obra passa a ser de
suma importância na busca de um sentido para a mesma, e o texto literário até então considerado
em sua materialidade textual como algo estruturalmente fechado passar a existir, como Umberto
Eco já postulou, sob a ótica de uma “obra aberta”, concretizada somente a partir do ato da leitura.
2. Revisão da Literatura
A base teórica deste trabalho é formada essencialmente por conceitos formulados por
pensadores que pertenceram à escola de crítica literária denominada Escola de Constança, cujo
principal aporte teórico prioriza o leitor, elemento essencial do fazer literário e da concretização da
obra através da leitura.
De acordo com Hans Robert Jauss (1979), um dos principais pensadores da Escola de
Constança, uma obra literária passa a “existir” no momento em que é atualizada, ou seja, no
momento em que é lida. Esta ideia é também contemplada pelo teórico Terry Eagleton, pois o
mesmo afirma que os textos literários “não existem nas prateleiras das estantes: são processos de
significação que só se materializam na prática da leitura. Para que a literatura aconteça, o leitor é
tão vital quanto o autor”. (Eagleton; Terry, 1989, p.80)
Alguns teóricos da Estética da Recepção também afirmam que é no contato do leitor com o
texto literário que a obra se concretiza, pois, é no decorrer deste encontro que o leitor vai
construindo inúmeras perspectivas oferecidas pelo próprio texto e por suas próprias vivências,
realizando adequações em relação ao sentido da obra, de modo que este leitor possa negar ou
reelaborar o processo de compreensão e de interpretação nas diversas vezes que se deparar com a
mesma. Sendo assim, o sentido e a leitura não são mais pensados como algo estático ou já
estabelecido, mas sim algo que está em constante transformação.
O prazer, um dos pontos-chave do estudo da recepção do texto literário, é denominado pelo
teórico alemão Hans Robert Jauss (1979) como katharsis. Para o autor a arte “liberta”, transforma,
gera sensações e sentimentos em decorrência da experiência estética que proporciona ao leitor e que
segundo o teórico torna-o “emancipado”, pois a mesma abarca três atividades distintas que se
relacionam entre si e ocorrem de maneira simultânea: a poesis, a aisthesis e a katharsis. Estes três
conceitos são importantes, porém, o da katharsis é o que mais nos interessa neste trabalho. A poesis
corresponde ao prazer que o leitor sente ao tornar-se uma espécie de co-autor da obra literária; a
aisthesis, diz respeito ao prazer estético resultante de uma diferenciada percepção da realidade que é
gerada através do conhecimento adquirido por meio da criação literária; por fim há a katharsis, que
se refere ao prazer advindo da recepção geradora de uma espécie de revelação motora, que faz o
leitor reagir manifestando-se através do choro, do riso, do desprezo, da empatia, da raiva, etc. em
relação ao texto, sensibilizando-o ou não, e desenvolvendo nele uma capacidade de reflexão em
relação à realidade e condição humana, e fazendo com que a partir deste momento ocorra uma
alteração em sua visão de mundo, afetando tudo que o cerca e o atinge de alguma maneira enquanto
ser humano.
Para melhor fundamentar este artigo angariamos alguns conceitos trazidos pelo teórico
Roland Barthes à respeito da relação “texto-leitor”. O autor, em sua obra O prazer do texto (1996)
apresenta conceituações particulares de fruição e prazer que o texto literário proporciona ao seu
leitor, realizando assim uma distinção entre o “texto de prazer” e o “texto da fruição”. O primeiro,
segundo o teórico, é "aquele que contenta, enche, dá euforia” (Barthes; Roland, 1996, p.21), que o
autor edifica com o intuito de satisfazer as expectativas que o leitor almeja. Tal texto possibilita e
gera no leitor sensações agradáveis de comodidade, bem-estar e felicidade, sendo então aquele texto
que vem da cultura e que não “rompe” com ela, estando ligado a uma prática confortável de leitura.
Já o segundo, é aquele texto que leva o leitor a ter sensações desconfortáveis, que derruba e
desconstrói no leitor suas bases psicológicas, sociais, etc., que o faz enfim questionar-se a respeito
de suas práticas, sendo, portanto a obra que gera o “estranhamento” e que literalmente "faz entrar
em crise sua relação com a linguagem” (Barthes; Roland, 1996, p. 22).
Um importante elemento para o estudo da recepção de uma obra literária é o conceito de
“horizonte de expectativas”, cunhado pelo teórico alemão Hans Robert Jauss. Este elemento é
composto por um esquema referencial que o leitor possui de conhecimentos prévios em torno da
obra e de suas experiências vividas, e que no momento da leitura traz para o encontro com o texto.
Os fatores formadores do horizonte de expectativa (social, intelectual, ideológico, linguístico, etc.)
se “moldam”, ou são regidos por pressupostos culturais que estão presentes em qualquer ato de
leitura. Os elementos que o texto oferece em sua estrutura podem fazer com que o leitor rompa com
suas expectativas, levando-o a mudar (ou não) suas projeções até então estabelecidas por outras
experiências de leituras, tal acontecimento recebe a denominação de “quebra do horizonte de
expectativas” do leitor em relação à obra. As ações projetivas que geram a quebra desse horizonte
são comandadas (segundo Iser) pelos vazios ou negações.
De acordo com a Estética da Recepção, o texto não é mais visto apenas como mero elemento
que transmite algo pronto ao seu receptor, mas vai além, oferecendo oportunidades diferenciadas e
infinitas de leitura através do preenchimento de “vazios” e “lacunas” que carrega em sua estrutura.
Sobre os “vazios”, Roman Ingarden (1965) afirma que: “a obra é possuidora de pontos de
indeterminação e de esquemas potenciais de impressões sensoriais” (Ingarden; Roman, 1965, p. 47)
elementos estes retomados pelo teórico Wolfgang Iser em seus escritos, de modo que para Iser a
construção textual (realizada pelo autor) é projetada para que o receptor preencha as lacunas
(atividade catalisadora), que podem ser caracterizadas como “espaços” que necessitam, para seu
preenchimento, de informações indispensáveis para a compreensão e completude da obra literária.
O conceito de “vazios” é de grande importância para este trabalho, pois nos auxiliará na
compreensão das diferentes leituras do conto Gringuinho realizadas pelos participantes do projeto
“Ler e Contar, Contar e Ler”.
É pertinente destacarmos que embora a Sociologia da Leitura também tenha como foco a
figura do leitor, neste trabalho não são enfatizados conceitos teóricos apresentados por este campo
de estudo, de modo que os elementos pertinentes ao contexto de produção e “consumo” das obras
literárias não são investigados aqui.
3. Metodologia
Resultante de um recorte das implicações parciais do projeto de extensão “Ler Contar,
Contar e Ler” que, iniciado no ano de 2010, teve no primeiro semestre de 2011 15 participantes,
período cujos resultados presentes neste trabalho derivam. Atualmente o projeto segue suas
atividades com o auxílio do Fundo de Incentivo à Extensão (FIEX), do Programa de Licenciatura
(PROLICEN) e do Laboratório de Línguas (LABLIN), pertencentes à Universidade Federal de
Santa Maria.
O objetivo principal do projeto é, em síntese, verificar de que modo ocorre a recepção do
texto literário do gênero conto pelos participantes e como eles realizam as diferentes leituras dos
diversos textos selecionados pelas monitoras do grupo.
O grupo de discussão sobre contos, resultante do projeto citado possibilita um espaço que
proporciona ao participante do mesmo a oportunidade de reflexão sobre suas próprias impressões de
leitura, sem aprisionar-se ou questionar-se se as mesmas são “corretas” ou “equivocadas”,
dicotomia esta, resultante do fechamento da interpretação do texto literário e muito aplicada por
profissionais que deveriam atuar como mediadores de leitura nas escolas bem como na própria
universidade. A quebra desta prática dicotômica resulta em uma exposição da interpretação do texto
de forma livre e sem “cortes” proporcionando ao indivíduo a criação e exposição de seu próprio
discurso em relação ao texto lido.
Os quinze participantes do grupo “Ler e Contar, Contar e Ler” do primeiro semestre de
2011, possuem um perfil que se caracteriza pela grande maioria, neste período, frequentar algum
curso de graduação na Universidade Federal de Santa Maria, sendo que nove são estudantes ou já
concluíram o curso de Letras.
Nos encontros realizados pelo grupo de discussão, priorizou-se sempre o não
direcionamento dos participantes na realização de uma leitura já “modelada” do texto literário,
leitura essa que atribui um sentido já “pronto” ao mesmo não permitindo a abertura de uma
plurisignificação intrínseca à própria obra. Deste modo, procurou-se averiguar no decorrer dos
encontros como se estabelece a relação do leitor frente ao texto, verificando a atribuição de
diferentes significações e sentidos imputados a uma mesma obra de acordo com a leitura individual
de cada leitor.
Com base nas intenções do projeto apresentado anteriormente, este trabalho tem como
objetivo relatar alguns resultados parciais sobre o modo como os alunos realizaram a recepção da
narrativa intitulada Gringuinho (1956) do escritor polonês Samuel Rawet, a partir das discussões
deste conto realizadas no encontro do dia vinte e nove de maio de 2011 e através do material escrito
(questionário pós-leitura) fornecido pelos alunos.
O mediador de leitura ao instigar o leitor a não ser passivo diante do texto, fazendo-o
interagir com a obra na busca de significações para a mesma e construindo-as através de sua
vivência empírica e da materialidade linguística presente na mesma, faz com que o movimento
realizado entre leitor-texto torne-se circular e dialógico. De acordo com Terry Eagleton, pontos de
referência cultural geram significações individuais, e:
As significações variam ao longo da história, já os sentidos permanecem constantes; os
autores dão sentido as suas obras, enquanto os leitores lhes atribuem significações (T;
EAGLETON, 1989, p.73).
Para corroborar com esta afirmação de Terry Eagleton e confirmando a relação dialógica
entre leitor-texto, primeiramente os leitores realizaram uma leitura individual e subjetiva do texto
Gringuinho, trazendo para o grupo suas primeiras impressões de leitura que puderam ser discutidas
por todos. Após esta discussão pode-se verificar as mudanças ou reafirmações evidenciadas no
discurso oral dos participantes em relação às suas primeiras significações e sentidos atribuídos ao
texto. Soma-se a isso a análise dos questionários pós-leitura preenchidos pelos leitores.
4. Resultados e discussão
A literatura, como uma forma de representação aristotélica da realidade, é indispensável à
todos os seres humanos na medida em que atua no imaginário de todo o ser, impulsionando e
provocando reflexões, emoções, sensações e conhecimentos à respeito do mundo e da própria
humanidade. Antonio Candido (1970), ao referir-se à arte literária afirma que “(...) ela traz
livremente em si o que chamamos o bem e o que chamamos o mal, humaniza em sentido profundo,
porque faz viver” e que em razão disso “Não há povo e não há homem que possa viver sem ela, isto
é, sem a possibilidade de entrar em contacto com alguma espécie de fabulação.” (Candido; Antonio,
1970, p. 174). Assim sendo, segundo o crítico literário, a arte é intrínseca e necessária à todos os
homens para uma humanização no sentido antropológico do mesmo. Assim como Candido,
acreditamos na função humanizadora da arte literária aliada à necessidade que o ser humano tem de
entrar em contato com algo que o faça transcender seu cotidiano.
Tendo em vista esta função humanizadora da literatura, é importante atentarmos ao fato de
que o leitor na medida em que realiza sua leitura, projeta sobre o texto literário toda sua formação
cultural e conhecimento de mundo. Destacamos que o contato do texto-leitor só efetiva-se no
momento em que tanto os horizontes do texto como os do leitor encontram-se em harmonia, ou no
caso, são “fundidos”. O leitor, de acordo com Hans Robert Jauss, traz vivacidade transformando a
obra literária em algo dinâmico, pois esta pode tomar diferentes significações de acordo com as
diferentes épocas em que é recebida.
Ainda segundo o teórico Hans Robert Jauss, a experiência estética e a busca de sentido da
obra literária são elementos distintos que circundam a leitura de um texto e que não devem ser
considerados sinônimos, na medida em que o primeiro não está subordinado ao segundo, mas é
dado essencialmente pelo efeito que o texto provoca no seu leitor, delimitando-se assim o caráter
artístico do texto literário que varia de acordo com o estranhamento que o leitor tem ou não em
relação à obra.
A escolha do gênero literário conto para as leituras e posteriores discussões realizadas no
grupo, ocorreu em razão do mesmo possuir características que o particularizam pelo efeito imediato
que causam no seu leitor e que desse modo facilitam a análise da recepção, principal elemento
considerado neste trabalho. A estrutura limitada e circular deste gênero narrativo potencializa a
noção de “economia de meios”, onde o autor se utiliza do mínimo de meios e consegue obter um
efeito máximo no leitor, já expresso pelo escritor e criador do conto moderno Edgar Allan Poe. O
teórico norte-americano também acredita que o “efeito” é resultado da brevidade e intensidade que
o conto proporciona ao leitor, onde segundo ele somente o breve e o efêmero pode gerar a sensação
de intensidade.
Nossa escolha quanto ao gênero narrativo também é justificada devido a característica do
mesmo possuir, segundo o escritor Julio Cortázar, a “unidade de efeito”, que pode ser definida
como uma competência que o conto possui de ser “capaz de atuar no leitor como uma espécie de
abertura (...) em direção a algo que vai muito além do argumento literário contido no conto”
(Cortázar; Julio, 2006, p.152).
Devido a estes elementos caracterizadores de um gênero tão polêmico, mas com tão grande
apreço pelos leitores contemporâneos, é que escolhemos para a leitura e discussão o conto
Gringuinho do escritor polonês naturalizado brasileiro, Samuel Rawet. Não faremos aqui uma
leitura ou análise literária da obra, pois nosso objetivo não é dar um sentido ao conto ou lê-lo à luz
de alguma teoria, mas sim verificar na pluralidade de leitores, cada recepção em particular e como
os conceitos relativos à teoria da Estética da Recepção podem contribuir para entendermos melhor a
relação obra-leitor.
O conto em questão, narrado em terceira pessoa de forma não-linear, traz ao leitor a história
de um menino e seu cotidiano, relatado através de memórias entre um país e outro, condensando o
drama, dentre os possíveis sentidos, do “outro” em terra estrangeira, da infância e seus traumas e
medos, das repressões na escola e em casa, do ser visto e não visto, da incomunicabilidade e suas
consequências, do desconforto diante do mundo e desencantamento frente à sua estranha realidade,
que por fim, quase como um suspiro, deixa um grito de liberdade ambíguo.
A leitura deste conto pelos participantes do grupo deu origem a registros orais e escritos,
ambos analisados seguindo alguns pontos que acreditamos serem de grande relevância para
compreendermos o processo de recepção da obra literária em questão. Os conceitos que merecem
um destaque maior são: efeito primário provocado pela leitura, construção do sentido da obra,
influência (ou não) de fatores externos ao texto, fruição e prazer proporcionado pela leitura, os
vazios presentes na estrutura do texto e o horizonte de expectativas do leitor, estes já conceituados
anteriormente neste trabalho.
A primeira leitura é o momento em que o leitor começa a fazer pequenas considerações
referentes ao texto. Exposta ao grande grupo, a troca de impressões de leituras com os outros
participantes vai se desenvolvendo ao mesmo tempo em que o indivíduo vai alterando suas
possíveis leituras, assim como também as ratificando, o que gera muitas vezes situações de dúvida e
conflito à respeito de sua primeira leitura.
Hans Robert Jauss em seu texto A Estética da Recepção: colocações gerais (1979) nos
apresenta que a experiência estética não deve se iniciar através de uma compreensão e/ou
interpretação do sentido de uma obra ou intenção de seu autor, mas sim, deve-se considerar
inicialmente a experiência primária, diferentemente da hermenêutica pela qual o texto deve ser
primeiramente interpretado.
Esta experiência estética apontada por Jauss é visualizada na fala dos participantes através
da caracterização do efeito após a leitura e das sensações que em ordem de frequência são as
seguintes: injustiça, tristeza, abandono, sensação de confusão, angústia, agonia, cansaço, pena e
empatia, todas estas impressões devem, de acordo com o teórico, ser consideradas, pois, esta é a
sensação ou sentimento que permeia toda a leitura direcionando a construção de sentido do texto,
mesmo que, ao final da discussão com o grupo a significação e sentido atribuídos inicialmente ao
texto mudem completamente.
Para respaldarmos as afirmações anteriores, trazemos exemplos que partem do próprio
discurso dos participantes: “Fiquei meio angustiada por aquela mãe que não enchergava o filho”
(leitor A), “a empatia se deu no momento em que percebi o constrangimento do personagem, onde
ele se sente mal em relação ao professor” (leitor C), “Fiquei com dó do Gringuinho” (leitor D),
“algumas partes achei cansativas, principalmente quando ele descreve algo” (leitor F). Nestas
frases podemos verificar a aproximação primeira do texto com o leitor, e como cada leitor tem sua
impressão individual que o leva a construções de sentido também diferenciadas, indo além do
envolvimento apenas intelectual onde o indivíduo comporta-se meramente como um decodificador
de signos linguísticos, mas há um envolvimento emocional e também afetivo em relação a
elementos da ficção.
O leitor precisa possuir além da competência sintática, semântica e textual, uma competência
específica da realidade histórico-social refletida pelo texto, que se soma a sua realidade. Para seu
encontro com o texto o leitor traz distintos conhecimentos que interferem de forma direta na
recepção de uma obra. Os conhecimentos prévios do leitor, que aqui são direcionados para uma
análise atenta para a linguagem e a estrutura, quando frente a um texto literário são “ativados” e
relacionam-se diretamente ao ato da leitura, enriquecendo-o.
Para Jauss, ao texto por sua vez fica a tarefa de gerar uma “mudança” no horizonte de
expectativas do leitor, que após realizar a leitura “sai” dela de forma diferente, de acordo com o
efeito que a mesma lhe gerou. Frente a isso, quando questionados os leitores sobre a ocorrência de
alguma dificuldade no decorrer da leitura e se ocorreu alguma pausa durante a mesma, a grande
maioria dos participantes afirmou que sim, houve dificuldade no decorrer da leitura principalmente
em relação à linguagem e estrutura do conto. O leitor A afirma que houve dificuldade, mas “a
segunda leitura foi mais tranquila” e as pausas se deram para “tentar entender a ordem dos
acontecimentos”; para o leitor B houve um abandono rápido da leitura da narrativa, abandono este,
justificado pela “articulação repetidamente seguida de frases curtas, com segmentos diferentes” e
acrescenta “desinteresse total não, mas sim uma dificuldade gerada pelo estranhamento diante da
leitura”; o leitor C afirma que houve sim um estranhamento e dificuldade em relação à linguagem e
estrutura da narrativa, mas que não desistiu da leitura “devido ao aguçar minha curiosidade”, por
fim o leitor afirma “não gostei da leitura por causa dos períodos muito curtos”.
Podemos constatar através dos apontamentos dos leitores, que é presente um estranhamento
em relação não à temática do conto e possíveis significações, mas sim à linguagem que é para
muitos rebuscada e confusa, bem como a estrutura não-linear da narrativa, com orações curtas e
impactantes, sem diálogos e fluxo de consciência contínuo. Tais fatores geraram dificuldades
visíveis para os leitores, que nem por isso, deixaram de ler a narrativa até o fim ou a mesma acabou
tornando-se menos interessante. Este tipo de texto é chamado por Roland Barthes (1996) como
“texto de fruição” na medida em que rompe com a estrutura convencional ou mais conhecida pelo
leitor. É importante destacarmos que tal estranhamento diminui na medida em que o leitor aceita o
contato com textos desconhecidos, no intuito de ampliar seus horizontes de expectativa.
Wolfgang Iser concede ao leitor um grande grau de participação na construção de sentido do
texto. Segundo o autor diferentes leitores têm a liberdade de concretizar a obra de diferentes
maneiras, não havendo uma única interpretação “correta” que esgote o seu potencial semântico.
Isso, porém, é condicionado por uma instrução rigorosa: o leitor deve construir o texto de modo a
torná-lo internamente coerente.
A troca de impressões e buscas de sentidos diferenciados converge para uma plurisignificação
já presente no texto e buscada por todos os indivíduos que, através de suas exposições, tentam
demonstrar por meio da estrutura e materialidade do texto somadas a suas experiências empíricas a
razão de suas impressões, o que faz com que compreendamos como o leitor construiu suas
significações e sentidos no decorrer da leitura. Tal processo respalda a importância da leitura à
princípio individual, e posteriormente a leitura e discussão realizada coletivamente, como podemos
constatar através do material escrito fornecido pelo leitor F:
“Acredito que com a discussão realizada em sala de aula pude notar a profundidade do
texto. Que na realidade traz mais do que simples frases curtas como pensei do princípio,
traz o drama de uma realidade, por sinal vivida”.
Para o leitor G, o sentido dado ao conto considera os aspectos estruturais do texto, ao afirmar
que a narrativa possui como foco a questão da incomunicabilidade, uma vez que emprega o recurso
metalinguístico (utiliza como argumento da incomunicabilidade a dificuldade com a própria língua)
para relatar o isolamento de um menino em terra estrangeira, comparando-o a um animal pela sua
não inserção na sociedade através da língua. Este elemento, portanto, é o foco central da narrativa
que mais do que narrar o preconceito e a realidade de um estrangeiro, leva o leitor à
questionamentos sobre a incomunicabilidade humana e suas consequências. Este mesmo leitor,
questionado sobre a ocorrência de empatia (ou não) em relação à temática trazida pela narrativa
respondeu afirmativamente por essa empatia, justificando sua resposta com as seguintes palavras “a
temática que envolve a narrativa parece algo comum à realidade”.
O leitor C, após ouvir o relato do leitor G, concordou com o mesmo acrescentando que
devido ao fato do menino (personagem Gringuinho) ser muito isolado, “traz para o leitor uma
sensação de isolamento e incomunicabilidade”, sendo esta a principal contribuição da obra para sua
reflexão sobre o mundo não-ficcional. Em suma, na atribuição de significação ou de um sentido
mais amplo ao texto, foram citados pelos participantes temáticas que geralmente são relacionadas às
vivências cotidianas e ligadas à realidade.
Muitas vezes é a própria dicotomia (de impressões contrárias provocadas pelo texto e pela
troca de impressões entre os leitores) que faz com que os leitores surpreendam-se em sua leitura,
aproximando-se assim do texto que lhe causara estranhamento. Isso prova que o prazer da leitura
muita vezes ocorre quando fundimos em um só horizonte aquilo que sabemos e o que nos é
estrangeiro, o que nos causa espanto e o que nos faz sentir familiar ao texto, em suma, é a dicotomia
textual que provoca sensações diferenciadas que faz com que tenhamos reações peculiares frente ao
texto.
No possível impacto produzido pela obra seus conceitos são geralmente reavaliados e
revistos, de modo que o leitor não sai da leitura da mesma maneira que a iniciou. Para Jauss, esse é
o caráter emancipatório que a obra de arte gera no seu receptor, que a partir do contato com a
mesma passa a compreender a realidade que o circunda, de maneira diferenciada. O teórico e
escritor argentino Julio Cortázar nos apresenta uma definição à respeito do resultado desse contato
obra-leitor:
De um conto assim se sai como de um ato de amor, esgotado e fora do mundo circundante,
ao qual se volta pouco a pouco com um olhar de surpresa, de lento reconhecimento, muitas
vezes de alivio e tantas outras de resignação (J; CORTÁZAR, 2006, p. 231).
O sentido de um texto para o teórico Garcia Barrientos é aquilo que ultrapassa os limites do
que está escrito, ou seja, o que ele “quer dizer”. Na poesia, por exemplo, a captação do sentido
requer uma anterior interpretação das significações. Da criação do sentido, portanto, fazem parte
códigos culturais, intelectuais e sociais que permitem uma compreensão ampla em contraponto ao
significado. O efeito estético que o leitor adquire com liberdade para interpretações pessoais
encontra-se no espaço existente entre a significação e o sentido.
Para que o efeito estético seja vivenciado pelo leitor e entendido por nós, devemos
exemplificar como ocorre o preenchimento dos espaços “vazios” presentes também entre as
significações e sentidos gerados pelo contato do leitor com o conto Gringuinho. As estruturas de
apelo (vazios e negações) que o texto apresenta, são para Wolfgang Iser:
As estruturas centrais de indeterminação no texto são seus vazios (Leerstellen) e suas
negações. Elas são as condições para a comunicação, pois acionam a interação entre o texto
e o leitor e até certo nível a regulam (W; ISER, 1979, p.53).
As estruturas de apelo do texto literário conceituadas anteriormente estão presentes nesta
narrativa e são “preenchidas” pelos leitores de maneiras diferenciadas. Citaremos aqui um exemplo
de vazio trazido pelo texto e demonstraremos como o não preenchimento desta estrutura de ordem
semântica, interferiu na leitura de um dos participantes do grupo que, após ter “preenchido o vazio”
deixado pelo texto através da leitura dos outros participantes, teve seu horizonte de expectativa
alterado.
A narrativa intitulada Gringuinho, leva este nome em razão do menino (personagem
central da narrativa) ser um judeu e pertencer à religião judaica. Tal afirmação pode ser comprovada
com, e apenas, o seguinte trecho da narrativa: “Chorava assim quando no primeiro sábado saiu de
boné com o pai em direção a sinagoga” (Rawet; Samuel, 1956, p.254). O texto exige
primeiramente uma leitura atenta e em um segundo momento o conhecimento prévio da
significação do termo sinagoga, templo onde ocorre a prática religiosa dos adeptos ao judaísmo,
isso tudo para que o leitor não confunda ou universalize o termo “gringuinho” à todo qualquer
imigrante. O termo e sua significação devem fazer hipoteticamente com que o leitor estabeleça uma
correlação imediata com o título e a descendência do personagem, o que irá direcionar a leitura.
Outro elemento que pode corroborar ao fato do menino ser considerado judeu é o fato de ele estar
usando um boné para ir à sinagoga, o que poderia então ser lido como um quipás ou solidéu usado
pelos judeus. Porém, para que haja esta interpretação é necessário que o leitor preencha estes vazios
e tenha um conhecimento prévio de termos extremamente significativos para este conto. Jauss, à
respeito do que acabamos de constatar, afirma:
Assim como em toda a experiência real, também na experiência literária que dá a conhecer
pela primeira vez uma obra até então desconhecida há um„saber prévio, ele próprio um
momento dessa experiência, com base no qual o novo de que tomamos conhecimento faz-se
experienciável, ou seja, legível,por assim dizer, num contexto experiencial (H. R; JAUSS,
1994, p. 28).
Ao considerarmos os elementos acima analisados para uma leitura do conto, verificamos
que o leitor D ao realizar hipoteticamente uma leitura distraída (ou não ter conhecimento prévio do
termo sinagoga), fez uma leitura totalmente diferenciada dos demais leitores que preencheram o
“vazio” de acordo com a solicitação do texto. O leitor D, em razão disso, realizou a atribuição de
outro sentido ao texto, partindo para outra camada de significância mais relacionada à fatores
externos e não internos à narrativa. Nas próprias palavras do leitor D:
“Meu namorado é descendente de italianos por isso me aproximei um pouco da temática
do conto. A narrativa não deveria ter uma continuação, pois o conto traz a história de duas
rotinas (Itália-Brasil), uma mistura de passado e presente. Se o conto continuasse, acredito
que demoraria bastante para que a situação do menino (com relação aos colegas,
professores e pessoas do mesmo circulo social) mudasse”. (Grifo nosso).
De acordo com os dados analisados sobre as diferentes leituras possíveis através do
preenchimento de vazios pelo leitor, o autor Terry Eagleton (1989) reforça a tese de que:
O significado não é apenas uma coisa “expressa” ou “refletida” na linguagem- mas sim é
produzido por esta linguagem. Não se trata de já possuirmos significados, ou experiências,
que em seguida revestimos de palavras; só podemos ter os significados e as experiências
porque temos uma linguagem na qual eles se processam. Isso sugere, além do mais, que
nossa experiência como indivíduos é social em suas raízes, pois não pode haver nada como
uma linguagem particular, e imaginar uma linguagem é imaginar toda uma forma de vida
social (T; EAGLETON, p.66).
É importante destacar que embora todo o texto literário abarque uma gama de
plurisignificações e sentidos possíveis de acordo com a leitura de cada leitor, atentamos que as
hipotéticas leituras estão dentro de certos limites que o próprio texto apresenta em sua materialidade
linguística, o que significa, portanto, que cada leitura está de certa forma condicionada a alguns
limites oferecidos pelo próprio texto, ficando à cargo do leitor saber identificar os limites do
mesmo. Portanto, alertamos que as inúmeras leituras e atribuições de sentidos diferenciadas de uma
mesma obra são sim possíveis, porém sem idiossincrasias e autoritarismos por parte do leitor sobre
o sentido de um texto, leitor este, que agora se coloca numa posição de igualdade com a obra e com
o autor.
Em suma, a leitura do texto Gringuinho requer um leitor ideal que de conta de preencher os
vários vazios e fazer relações com a realidade em um jogo contínuo de pergunta e resposta. Em
razão disso, Patrícia Chiganer Lilenbaum em um belíssimo artigo sobre a obra de Samuel Rawet,
afirma:
O que Rawet escreve pede um novo leitor. Um leitor que não queira ser seduzido. O leitor é
que, neste caso, deve seduzir o texto. Trazê-lo para si. Pela leitura desinteressada, pela
leitura acadêmica, pela leitura estética, histórica, antropológica, autofágica, antropofágica,
musical. É preciso não isolá-lo, e aproximá-lo de outros autores, como Graciliano Ramos e
João Cabral; aproximá-lo, ainda que não funcione inteiramente, como no caso de Mário de
Andrade, Oswald de Andrade e Caetano Veloso. Ou talvez funcione. No caso de Rawet, é
preciso um certo abuso e um certo risco. Ele arriscou, e não pede menos do seu leitor ou
estudioso (leitor que se arrisca para um pequeno público). Rawet nos faz percorrer suas
frases que parecem implorar uma pausa, um parágrafo. Respiração. Não apenas nossa
mente, mas nosso corpo também reage. Não há como não perceber o esforço, a construção,
o cálculo da escrita, que às vezes é bem sucedida e equilibrada, como se espera de algo
calculado. Porém, na maioria das vezes, o que temos é algo que começa e adota um ritmo
desenfreado, explode, esgota, explode de novo (P.L; CHIGANER, 2008, p.08).
5. Conclusão
Neste trabalho analisamos o ato da recepção literária no conto Gringuinho por alunos
pertencentes ao grupo de leitura e discussão de contos “Ler e Contar, Contar e Ler”. Para tal,
utilizamos o escopo teórico da Estética da Recepção, onde encontramos elementos conceituais
como horizonte de expectativa, vazios, primeiras impressões, significado e sentido, dentre outros
que sustentaram a possibilidade de diferentes leituras realizadas pelos participantes e que
corroboraram para a valorização do leitor como foco deste estudo e corrente teórica.
O ato de interação com o texto literário só ocorre com a participação do leitor, no sentido de
que o leitor não somente extrai um significado trazido com o próprio texto, mas também lhe atribui
significados. É importante reafirmarmos que diversas leituras podem ser feitas sobre uma mesma
obra, dependendo do critério utilizado pelo receptor, critério este que perpassa todos os elementos que
constituem a visão de mundo do leitor que se encontra diante do texto.
Não é somente o leitor que muda de papel no circuito de valorações autor-obra-leitor, o
texto passa a não ser visto somente como algo que tem uma utilidade, uma função didática, mas
passa a ser valorizado pela sua dimensão estética, ou seja, por proporcionar fruição ou prazer ao seu
leitor.
6.Referências Bibliográficas
BARTHES, Roland. O Prazer do Texto. Trad. J. Guinsburg. São Paulo: Perspectiva. 1996.
BARRIENTOS, Garcia J.L. La recepción literaria: el lector. In: El lenguaje literario. Madrid,
1996.
CANDIDO, Antonio. Vários escritos. São Paulo: Duas Cidades, 1970.
CHIGANER, Lilenbaum Patrícia. Revista Escrita, nº 9; ISSN 1679-6888 Rio de Janeiro, 2008.
CORTÁZAR, Julio. Alguns aspectos do conto e Do conto breve e seus arredores. In Valise de
cronópio. Trad. Davi Arrigucci Jr. E João Alexandre Barbosa. São Paulo: Perspectiva, 2006.
EAGLETON, Terry. Teoria da literatura: uma introdução. São Paulo: Moderna, 1989.
ISER, Wolfang. A interação do texto com o leitor. In: JAUSS, H. R. et al. (Org.). A literatura e o
leitor: textos de Estética da Recepção. Trad. Luiz Costa Lima. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979, p.
83-132
JAUSS, H. R. A estética da recepção: colocações gerais. In: COSTA LIMA, L. (org.). A
literatura e o leitor, textos da estética da recepção. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979.
RAWET, Samuel. Contos de Imigrante. Rio de Janeiro: José Olympio, 1956.
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O DIÁLOGO DO LEITOR COM O CONTO “GRINGUINHO