EDUCAÇÃO DO CAMPO: ANÁLISE DAS ESCOLAS DA REGIÃO
METROPOLITANA DE JOÃO PESSOA
Ana Clara da Silva Nascimento - UFPB1
[email protected]
Jakeline da Silva Farias – UFPB2
[email protected]
Valéria Cristina Oliveira Silva Santos – UFPB3
[email protected]
RESUMO:
Este artigo tem como objetivo de fazer uma análise da efetivação da Educação do
Campo no Brasil, fazendo um levantamento histórico do processo educacional para essa
região, verificar a realidade social dos sujeitos do campo e fazer uma análise das escolas
da Região Metropolitana de João Pessoa através de uma pesquisa realizada pela
Universidade Federal da Paraíba (UFPB), o Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) e a
PRPG (Programa de Pós-graduação) da UFPB, esta pesquisa teve seu começo em
2010.2 e seu término em 2012.1, onde buscou saber a real situação das escolas do
campo do Município da Região Metropolitana de João Pessoa, para saber o
desenvolvimento da educação para este meio que durante muito tempo tem acontecido
de forma precária devido à falta de investimento do Poder Público Federal, Estadual e
Municipal. Devido às reivindicações dos Movimentos Sociais e do MST (Movimento
dos Sem-terra) foi criado o curso de Pedagogia Educação do Campo, tornou-se
necessária uma pesquisa para saber da real situação da educação neste local, estágios
para os alunos e fazer uma reflexão da educação nesta região, este projeto foi elaborado
pela professora Dra. Maria do Socorro Xavier Batista. O artigo abordará o trabalho dos
professores que atuam em salas multisseriadas, quantidade de séries ensinadas, a
diversidade de planos de aulas que precisam ser feitos, formação dos professores em
instituições públicas e privadas, idade dos mesmos, adequação dos conteúdos à
realidade dos alunos, materiais didáticos, materiais tecnológicos, entre outros. A
educação desenvolvida para este meio visa desenvolver a educação para os sujeitos que
1
Graduanda em Pedagogia com Área de aprofundamento em Educação do Campo/UFPB. Atua como
Voluntária no Programa de Licenciatura – PROLICEN /2013 na UFPB.
2
Graduanda em Pedagogia com Área de aprofundamento em Educação do Campo/UFPB. Foi bolsista
PIBIC, estagiária da Prefeitura de João Pessoa do Projeto de Apoio Pedagógico vinculado ao Laboratório
de Estágio Supervisionado (LAES) e atualmente atua como professora do Campo no município de Santa
Rita – Prefeitura de Santa Rita - Paraíba.
3
Graduanda em Pedagogia com Área de aprofundamento em Educação do Campo/UFPB. Atualmente
atua como professora da Rede Privada de Educação.
A Orientadora do artigo foi à professora Dra. Maria do Socorro Maria do Socorro Xavier Batista, ela fez seu
doutorado em Sociologia pela Universidade Federal de Pernambuco/UFPE – Brasil (2000). Professora associada da
Universidade Federal da Paraíba – Brasil.
5 a 7 de junho de 2013
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durante muito tempo foram excluídos do processo educacional da sociedade brasileira.
Pretendemos com este artigo fortalecer, analisar e discutir o conhecimento científico e
prático da educação do campo que está sendo desenvolvida no estado da Paraíba.
Palavras chave: Educação do Campo; Educação Popular; Movimentos Sociais.
INTRODUÇÃO
Este artigo é o resultado de uma pesquisa realizado em doze municípios da
Região Metropolitana de João Pessoa, com o intuito de saber como a educação do
Campo está sendo realizada em alguns municípios da Paraíba. O nosso interesse em
estudar o campo é devido ao curso realizado na Universidade Federal da Paraíba
(UFPB), de Licenciatura em Pedagogia do Campo. Para o desenvolvimento do artigo
foram utilizados dados da pesquisa que foi realizado em alguns municípios da Paraíba.
O projeto compreendeu os municípios de Lucena, Mamanguape, Rio Tinto, Pitimbu,
João pessoa, Conde, Caaporã, Alhandra, Cabedelo, Cruz do Espírito Santo, Bayeux e
Santa Rita, no total de doze municípios da Paraíba e foi ampliado para mais cinco que
não fazia parte da pesquisa com o intuito de fazer um levantamento da educação que
vem sendo desenvolvida no meio rural. A questão central desta pesquisa é a
preocupação com as especificidades das populações que habitam no campo e também
com a sua cultura, seus saberes, sua memória e sua história. Onde defendemos uma
formação que atenda aos anseios da agricultura familiar, dentro da perspectiva da
educação popular e que deve atender aos interesses e ao desenvolvimento sociocultural
e econômico daqueles que trabalham diretamente com o cultivo da terra no estado da
Paraíba.
Para desenvolver os objetivos propostos pelo artigo o texto foi organizado com
esta introdução e quatro itens: A efetivação da educação do campo no Brasil; Realidade
social dos sujeitos do campo; Análise das escolas da Região Metropolitana de João
Pessoa e as Considerações Finais.
1. A efetivação da educação do campo no Brasil
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Os sujeitos do campo foram excluídos do processo educacional brasileiro
durante o longo Período Colonial. O estado se omitiu por um bom tempo sobre a
educação do campo, pois não é do interesse das classes dominantes que eles tenham
uma educação qualificada.
As pessoas do campo até 1888 eram escravas e não considerados nem humanos,
sem nenhum direito, inclusive sem educação. Só em 1930 foi que o estado investiu em
educação, contudo as escolas têm uma péssima estrutura, educadores com pouca ou
nenhuma informação, baixos salários, incorporação de conceitos urbanos que não levam
em consideração o povo que vive no campo. No Caderno Temático IV - Educação do
Campo e Desenvolvimento Territorial fazem citação do contexto da Educação Rural
que vai surgir não da necessidade de formação dos cidadãos camponeses, mas como
exigência à qualificação para o desenvolvimento das forças produtivas do capital no
campo. Por isso, a preocupação principal da pesquisa é saber como está sendo oferecida
a educação que os sujeitos do campo estão recebendo em seu lugar. Se ela está
respeitando as especificidades das populações que habitam no campo, sua cultura, seus
saberes, sua memória e sua história como prevê Educação do Campo que defende o
respeito à agricultura familiar, com o intuito de promover o desenvolvimento
sociocultural e econômico dos sujeitos que vivem do cultivo da terra. A educação é um
dos primeiros direitos sociais citados no artigo 6º da Constituição de 1988.
2. Realidade social dos sujeitos do campo
O objetivo central deste artigo é demonstrar o fenômeno social e educacional
que está presente na nossa sociedade. Por ser um problema de classes, a oposição entre
rural e urbano é uma questão social, que produz a exclusão do homem do campo. A
realidade camponesa atual no Brasil conta com 31.835.143 de pessoas no campo, ou
seja, 19% do total da população, o atendimento escolar junto à população rural é escasso
ao observar a estrutura educacional brasileira nos dias atuais, seus altos índices de
analfabetismo, evasão escolar constata-se que a exclusão é um fenômeno crescente.
Especificamente em relação ao campo, os dados são avassaladores.
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A identidade da escola do campo é definida pela sua vinculação às questões
inerentes à sua realidade Ao valorizar a identidade cultural do homem/mulher do campo
estabelecemos uma conscientização das necessidades destes povos.
Um dos principais elementos que consolidam e dão solidez à prática da
educação do campo é o envolvimento com a comunidade, pois a educação rural é um
dos elementos condutores de uma compreensão econômico-social de campo. As escolas
do campo normalmente são compostas de apenas uma sala de aula, tendo que
desenvolver um trabalho de salas multisseriadas, com mistura de idades e de conteúdos.
Além disso, chegar à escola é um grande problema, as distâncias são quilométricas, pois
muitas vezes levam horas de caminhadas. Outro problema é o currículo, geralmente não
são interessantes, pois não atraem os estudantes, pois muitas vezes foge da realidade e
também os calendários devem ser adaptados para que as férias coincidam com a
colheita, porque muitos alunos precisam ajudar os pais na agricultura.
Os governantes têm investido no campo, mas infelizmente eles se esquecem da
infraestrutura que algumas escolas do campo não possuem e outro problema é que
precisa ser resolvido é justamente a questão dos transportes que tanto os alunos quanto
os professores enfrentam para que o conhecimento possa ser repassado a estes sujeitos.
Visando efetivar esse modelo, o Movimento por Educação do Campo traz, em sua
origem, a constituição de novos conceitos, significados, tendo em vista que, segundo
Molina e Fernandes (2004, p. 67) que:
O paradigma da Educação do Campo nasceu da luta pela terra e
pela Reforma Agrária. Afirmamos que esta luta cria e recria o
campesinato em formação no Brasil. Desse modo, a Educação do
Campo não poderia ficar restrita aos assentamentos rurais. Era
necessária a sua espacialização para as regiões, para as
comunidades de agricultura camponesa.
O paradigma da educação do campo visa compreender a relação campo/cidade
como “complementaridade: cidade não vive sem o campo e que o campo não se vive
sem a cidade” (MOLINA; FERNANDES, 2004, p. 68). Pois muitos empresários ligados
ao agronegócio exploram os trabalhadores rurais que fogem do campo para ter uma
melhor condição de vida nas grandes cidades e como não são profissionalizados, devido
a nenhum incentivo do governo em ensinar uma profissão que não seja apenas na
agricultura, estes agricultores acabam ficando a margem da sociedade, aglomerando-se
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na periferia das idades e desta forma morando nas favelas. De acordo com Molina e
Fernandes (2004, p. 73) “a Educação do Campo não existe sem a agricultura
camponesa, porque foi criada pelos sujeitos que a executam”, nesse sentido, a
concepção de campo e de educação deve contemplar o desenvolvimento territorial das
famílias que trabalham e vivem na terra. A agricultura camponesa vive em confronto
permanente com a agricultura capitalista. E se o agronegócio avança, também avançam
os movimentos camponeses na construção de seus territórios.
Um dos principais elementos que consolidam e dão solidez à prática da
educação do campo é o envolvimento com a comunidade, pois a educação rural é um
dos elementos condutores de uma compreensão econômico-social de campo.
A maioria dos estudantes do campo não consegue concluir o Ensino
Fundamental II e Médio no campo, pois só é oferecido o Ensino Fundamental I para
estes sujeitos que podem estudar perto de sua casa, mas para estudar o ensino
Fundamental II e Médio precisam se deslocar para outras cidades que são próximas,
porque a maioria das prefeituras não implantaram a construção de escolas que tenham o
esta modalidade de ensino. Outros tipos de dificuldades que os professores e alunos
encontram são as enormes distâncias e a falta de incentivo dos Governos Federal,
Estadual e Municipal a realidade camponesa atual no Brasil. De acordo com Molina e
Fernandes (2004, p. 73) nos afirma que:
A Educação do Campo não existe sem a agricultura camponesa,
porque foi criada pelos sujeitos que a executam, nesse sentido, a
concepção de campo e de educação deve contemplar o
desenvolvimento territorial das famílias que trabalham e vivem na
terra. A agricultura camponesa vive em confronto permanente com a
agricultura capitalista. E se o agronegócio avança, também avançam
os movimentos camponeses na construção de seus territórios.
As escolas do campo no Brasil são muito precárias, onde as salas de aulas são
superlotadas e algumas possuem salas multisseriadas com até cinco séries juntas numa
mesma sala; os professores muitas vezes não tem o domínio da disciplina, até mesmo
porque alguns possuem apenas o magistério ou fizeram o curso superior em
universidades particulares que apenas ministram suas aulas aos sábados; também os
materiais didáticos são inadequados para sua realidade, pois os livros adotados pelas
secretarias de educação não corresponde à realidade do educando. É preciso garantir
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que esses homens e mulheres do campo sejam os próprios construtores de sua história e
até dos materiais que serão utilizados nestas escolas.
Um dos principais elementos que consolidam e dão solidez à prática da
educação do campo é o envolvimento com a comunidade, pois a educação rural é um
dos elementos condutores de uma compreensão econômico-social de campo. Pois é
necessário fazer formações com os professores; ter materiais didáticos específicos que
auxiliem os professores a ministrarem suas aulas, equipamentos tecnológicos,
infraestrutura adequadas para o funcionamento das escolas, entre outros.
A educação do campo é feita para todos que vivem no campo como os posseiros,
os agricultores, os caçadores, os indígenas, os quilombolas, os ribeirinhos, os atingidos
por barragens, entre outros que tem o direito de ser educado no lugar onde vive sem
qualquer descriminação. A autora Caldart explica (2002, p.26) nos afirma que:
No: o povo tem direito de ser educado no lugar onde vive; Do: o povo
tem direito a uma educação pensada desde o lugar e com a sua
participação, vinculada à sua cultura e às suas necessidades humanas e
sociais.
A Educação de jovens e adultos (EJA) no meio rural esta melhorando, através de
parcerias que lutam para que estes sujeitos tenham melhorias na qualidade de vida e de
trabalho, um exemplo dessas parcerias é o MST e as organizações dos trabalhadores
rurais (as Federações Estaduais ligadas à CONTAG) que têm realizado junto com as
universidades projetos voltados tanto na educação, saúde, moradia, entre outras
parcerias que estão melhorando a vida do homem do campo que por muito tempo ficou
esquecido pelos governantes que ficaram no poder, mas com essas parcerias tem se
concretizado as Políticas Públicas de EJA para as áreas de Reforma Agrária e o
Programa Nacional de Educação nas Áreas de Reforma Agrária (PRONERA).
3. Análise das escolas da Região Metropolitana de João Pessoa
A pesquisa revelou que são diversos os problemas enfrentados pelos professores,
onde podemos elencar: a falta de salas de aulas equipadas; espaço físico para recreação
e atividades físicas; materiais didáticos e paradidáticos; profissionais qualificados para
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atuarem junto à gestão escolar; laboratório de informática; entre outros. Esses
problemas também foram constatados em outras realidades, como declaram Barros et al
(2010, p. 27) “[...] muitas escolas constituem-se em um único espaço físico e funcionam
em salões paroquiais, centros comunitários, varandas de residências, não possuindo área
para cozinha, merenda, lazer, biblioteca, banheiro, etc.”. Outro ponto abordado na
pesquisa foram as salas multisseriadas que estão presentes nas escolas do campo, devido
a pouca quantidade de alunos que existem nesta área e infelizmente a quantidade de
séries agrupadas acabam prejudicando o trabalho do professor que precisa se desdobrar
para ministrar suas aulas como nos afirmam Barros et al (2010, p. 27) que:
Os professores têm muita dificuldade em organizar o processo
pedagógico nas escolas multisseriadas justamente porque trabalham
com a visão de junção de várias séries ao mesmo tempo e têm que
elaborar tantos planos de ensino e estratégias de avaliação da
aprendizagem diferenciadas quanto forem às séries com as quais
trabalham.
Este é o maior problema enfrentado pelos professores dos municípios que foram
pesquisados, pois alguns precisam ensinar mais de uma série, e isto é muito difícil para
eles na ministração das aulas, pois nas salas estão reunidos alunos com idades diferentes
e diversas séries.
Outro problema vivenciado pelos professores e gestores que atuam no campo é a
precarização de funcionários e a infraestrutura escolar. A quantidade de funcionários
que trabalham na escola é insuficiente para que a educação do campo seja de qualidade
e as escolas do campo não possuem espaços apropriados ou para ministração das aulas e
recreação dos alunos. Sem contar que algumas precisam ter bibliotecas para que os
alunos possam pesquisar assuntos que são importantes para o seu aprendizado e elas não
possuem este item como nos afirmam Barros et al (2010, p. 27) que:
Essas situações expressam a precariedade das condições existenciais
em que se encontram as escolas multisseriadas e o conjunto de
professores e estudantes que vivenciam a educação nesse espaço
socioterritorial, tornando-se necessário pautar esse debate no âmbito
das políticas públicas.
3.1 Dados gerais sobre os municípios estudados
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Em três municípios selecionados para a pesquisa que foram João Pessoa, Bayeux
e Cabedelo segundo as Secretarias de Educação eles não possuem escola na zona rural,
por isso não aparecem nos gráficos e nas tabelas seus dados. No decorrer dos dois anos
do projeto foram feitas formações e pesquisas em mais 6 municípios da Paraíba e eles
apareceram em gráficos e tabelas que são os municípios de Jacaraú, Riachão, Araçagi,
Sapé, Itabaiana e Esperança.
3.2 Número de escolas urbana e rural
A tabela abaixo mostra a quantidade de escolas existentes nos municípios que
são 230 escolas pesquisadas, porém 164 são escolas que estão localizadas no campo
com um percentual de 71,30% das escolas e apenas 66 são da zona urbana com um
percentual de 28,69%, ou seja, a maioria das escolas existentes nos municípios está
localizada na zona rural, mas são muito precárias tendo escassez de diversos materiais
para que a educação possa acontecer com qualidade.
Tabela 1 Número de escolas rurais e urbanas na Região Metropolitana de João
Pessoa
Total de escolas
Escolas urbanas
Escolas rurais
Percentual de
escolas do
campo
Pitimbu
20
3
17
85,0%
Alhandra
18
3
15
83,3%
Conde
22
3
19
86,3%
Lucena
13
7
6
46,1%
Rio Tinto
29
4
25
86,2%
Caapora
17
7
10
58,8%
Mamanguape
41
13
28
68,2%
Santa Rita
52
23
29
55,7%
Municípios
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Cruz do Espírito Santo
18
3
15
83,3%
Total geral
230
66
164
71,3%
Fonte: http://www.mec.indicadoresdemograficos.2007.gov.br
A tabela abaixo nos mostra que boa parte dos alunos está concentrada na zona
urbana dos municípios com 34.232 mil alunos matriculados com um percentual de
66,38% do alunado, já na zona rural o número de alunos é de 17.331 mil e tendo como
percentual de 33,62%. Apesar de ter mais escolas na zona rural dos municípios o
número de alunos está concentrado na zona urbana, que possui 16.901 alunos a mais do
que na zona rural.
3.3 Apresentação e análise dos questionários dos professores
O questionário continha questões abertas e fechadas que serão mostrados no
decorrer do artigo. O primeiro bloco de questões buscava dados para traçar um perfil
dos professores tais como idade, sexo, nível de formação, instituição onde o professor
fez sua formação, tempo de trabalho, se exercia outra atividade remunerada. Outras
questões eram voltadas para o trabalho docente as dificuldades encontradas no exercício
da profissão, a satisfação profissional, entre outros.
A distribuição dos professores nos extremos de menor e maior idade há uma
menor incidência de professores, sendo na faixa de 19 a 30 anos é de 18,88 % e na faixa
51 anos acima 6,06%. A faixa etária de 31 a 40 anos destaca-se com o maior número
151 o que corresponde a 35,19% e a faixa 41 a 50 anos 134 professores correspondendo
a 31,23%, perfazendo um total 66,5%. Destaca-se que dos 151 professores que estão
entre as faixas etárias de 31 a 40 anos a maior quantidade se encontram nos municípios
de Alhandra, Santa Rita e Araçagi, representando assim 47,68% dos professores. Já nos
municípios de Santa Rita, Araçagi e Conde 57 professores estão entre as faixas etárias
de 41 a 50 anos representando um percentual 42,53%, este percentual nos leva a analisar
que os professores desses municípios são jovens e adultos.
Os professores que ensinam no campo, em sua grande maioria são do sexo
feminino e representam 87,17, enquanto do sexo masculino o percentual é de 11,65%,
ou seja, as mulheres lideram na área educação do campo, pois os homens não se
interessam pela profissão de educador, até mesmo porque existem outros cursos que
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eles têm preferência e apenas 1,18% não responderam, totalizando 429 professores
pesquisados. Os municípios que tiveram um elevado número de educadoras no campo
foram Alhandra, Santa Rita e Araçagi.
Dos 429 professores pesquisados 321 possuem nível superior, representando
74,82% dos professores, 50 estão cursando tendo um percentual de 11,65% dos
professores e 32 professores possuem apenas o magistério representando um percentual
de 7,45. Esses dados nos mostram que os professores do campo estão se aprimorando
para desenvolver um bom trabalho no campo representando um percentual de 86,47%
dos professores que estão em formação e os que já se formaram.
Gráfico 1 - Percentual segundo a instituição de formação
Analisando os dados do gráfico podemos perceber que 106 professores tiveram
sua formação em uma instituição privada representando um percentual de 24,70%,
enquanto apenas 73 professores tiveram sua formação na UFPB obtendo um percentual
de 17,01%, já na UEPB apenas 48 dos professores tendo um percentual de 11,18%,
somando o total das duas universidades públicas é que ultrapassam a quantidade de
professores que se formaram em universidades públicas, pois a universidade privada
que aparece na pesquisa é derivada de uma universidade pública de outro Estado, mas
que ao se estalar na Paraíba passou a ser privada e em regime especial (com aulas
apenas aos sábados). Em analise 69 professores tiveram a sua formação em outras
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instituições de ensino representando 16,11% dos entrevistados e 133 professores estão
entre os que não responderam, tendo um percentual de 31%, totalizando um percentual
de 47,11%.
Os professores que atuam no campo em sua grande maioria possuem experiência
na área educacional, pois dos 429 dos professores pesquisados 170 possuem entre 12 a
21 anos de experiência representando 39,62%. Já de 4 a 11 anos 102 professores
mostraram ter experiência representado 23,77% dos entrevistados. E 80 professores
têm mais de 22 anos de experiência tendo um percentual de 18,64% dos pesquisados, ou
seja, os profissionais que atuam no campo têm bastante experiência em educação.
Dos 429 professores pesquisados 310 não assumem outra profissão remunerada
representando 84,39% dos entrevistados, os nos municípios de Santa Rita, Alhandra e
Araçagi nos mostraram que os
professores não exercem outra profissão para
complementar a renda familiar, alcansando um percentual de 35,66% dos professores
entrevistados nos três municípios, e 46 professores entrevistados exercem outra
profissão tendo um percentual de 10,72%, desta forma eles possuem pouco tempo para
planejar suas aulas, sem contar que em alguns municípios os professores precisam fazer
formações continuadas e repor aulas à noite, visto que alguns já trabalham os dois
expedientes, ficando desta forma muito cansativo para os mesmos.
Os questionários respondidos pelos professores nos mostram que 284 ensinam
em apenas uma escola tendo um percentual de 66,20%, ou seja, a maioria não precisa se
deslocar de uma escola para outra. Porém 136 professores ensinam em outra escola,
tendo um percentual de 31,70%, ou seja, existem dificuldades dos professores em se
deslocarem de uma escola para outra, visto que existem professores que ensinam em
outro município ou em outra escola do campo.
Gráfico 2 - Percentual segundo se trabalha em mais de uma escola
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Nestes dados analisamos que dos 429 professores que trabalham no campo 257
lecionam em apenas uma escola representando 59,90%, 128 ensinam em duas escolas
tendo um percentual de 29,83% e 11 ensinam em três escolas representando 2,58%,
neste último dado podemos ver que os professores dos municípios de Santa Rita,
Mamanguape, Jacaraú, Sapé, Itabaiana e Esperança enfrentam uma sobrecarga de
trabalho para que sua renda familiar seja acrescida, passando a trabalhar os três turnos.
Nos mostra que o piso salarial dos mesmos é muito baixo, pois se eles fossem bem
remunerados não precisariam trabalhar os três expedientes, tendo desta forma tempo
para planejar suas aulas.
Os professores demostraram que estão satisfeitos com a profissão, pois dos 429
entrevistados 421 mostraram-se satifação representando assim 98,13% dos professores,
apenas 2 disseram que não estão satisfeitos representando assim 0,48% dos pesquisados
e 6 não responderam a questão, totalizando um persentual de 1,39%. Os prefessores
demostraram que estão muito satisfeitos em ensinar aos alunos do campo.
Eles também enfrentam diversas dificuldades, que são 11 problemas citados na
educação do campo que foram: alunos especiais; falta de uma infraestrutura adequada
da escola; trabalhar em mais de uma escola; falta de transporte escolar adequado; falta
de recursos e materiais didáticos; mais ajuda de profissionais da educação; salas
multisseriadas. Destes problemas os mais evidenciados foram: falta de motivação dos
alunos com 83 questionários respondidos; falta de apoio dos pais, citado por 124
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professores e falta de recursos e materiais didáticos com 74 respostas. Alguns desses
aspectos: falta de motivação dos alunos; o trabalho dos alunos que toma o tempo de
estudo; falta de apoio dos pais, remetem para a necessidade da escola buscar um maior
envolvimento com as famílias, para que elas possam participar mais e se engajarem nas
atividades da escola.
Outras questões que causam os principais problemas enfrentados pelos
professores recaem na responsabilidade do poder público de garantir recursos
necessários para garantir condições materiais e pedagógicas para a escola. Não são
feitos repasses pelas Secretarias de Educação dos municípios, que garantam os materiais
necessários para que a educação do campo possa acontecer.
Gráfico 3 - Distribuição Percentual dos professores quanto ao tipo de sala de aula
em que atuam
Os professores dos municípios pesquisados citaram que trabalham com série
única tendo um total de 205 e um percentual de 47,78%, porém 189 professores
ensinam em salas seriadas com um percentual de 44,05% e os que ensinam em salas de
série única e multisseriadas foram 22 professores tendo um percentual de 5,14%. Se
somar o total de professores que ensinam em salas multisseriadas e os dois tipos
teremos um total de 211 professores e o percentual será de 49,19, ou seja, ultrapassará a
quantidade de professores que ensina em série única. Pois um dos maiores problemas
enfrentados na educação do campo são as salas multisseriadas, onde os professores
precisam elaborar diversos planos de aulas um para cada série.
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Podemos ver que dos 162 dos professores ensinam em apenas uma sala
multisseriada tendo um percentual de 37,76%, outros responderam que não ensinam em
salas multisseriadas tendo um total de 179 professores e 41,72% de percentual, já 33
professores ensinam em duas salas multisseriadas com um percentual de 7,69%. Nas
salas que os professores ensinam uma única série o aprendizado dos alunos torna-se
mais fácil, porém nas salas multisseriadas o aprendizado é mais difícil porque o
professor precisa se desdobrar para ensinar diversas séries em uma única sala.
Existe um problema na separação de salas multisseriadas, onde 31 professores
ensina na mesma sala a Educação Infantil I e II, 31 professores ensinam o 1º e o 2º anos
e 31 dos professores pesquisados 2º e 3º anos, 37 responderam que ensinam o 4º e 5º
anos. Já 8 ensinam do 1º ao 5º anos e 191 não têm salas multisseriadas.
Segundo a pesquisa 198 professores estão satisfeitos com o material didático
oferecido pela Secretaria de Educação tendo um percentual de 46,15%, e 194
professores com um percentual de 45,22%, não estão satisfeitos, até mesmo porque para
que haja uma educação de qualidade é preciso que os materiais escolhidos satisfação os
docentes. Pois os materiais didáticos são necessários para que os alunos aprendam e
compreendam as explicações dos professores com facilidade.
Os temas que eles trabalham nas escolas do campo dos municípios são diversos
que são: A família, moradia, higiene e profissão dos pais; A família, cultural e etc.; A
falta de estrutura familiar; Brinquedos; Preservação da escola, bulling; Convivência e
diversidade familiar; Produtos produzidos no município; Projeto todos contra a dengue;
Valores humanos e sociais; Violência; Agricultura, drogas, sexualidade, etc.; Contexto
social do aluno; O conhecimento do aluno prévio desenvolve o conteúdo a ser
trabalhado; Saneamento básico, carteira profissional, ser cidadão; Meios de transporte
usados pela comunidade; Realidade (agricultura) do aluno; História de vida na
comunidade onde estão inseridos; Meio-ambiente; Disciplina X Leitura e escrita; Já
outros disseram que não é tratado tema da realidade do aluno. Dentre os temas mais
trabalhados pelos professores que mais se destacaram foram: Contexto social do aluno
com 95 respostas, Realidade (agricultura) do aluno com 48 respostas e Meio Ambiente
com 47 respostas. Mas também 49 professores disseram que nem sempre é tratado
algum tema que seja da realidade dos educandos.
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Considerações finais
Através deste artigo podemos verificar que a Educação do Campo esta passando
por transformações que vai da formação de professores, políticas públicas para os
sujeitos do campo e investimento dos gestores municipais para essa população.
É verdade que os sujeitos do campo precisam de uma educação diversificada que
respeitem suas especificidades as populações que habitam no campo, sua cultura, seus
saberes, sua memória e sua história. E que os poderes públicos que são responsáveis
pela manutenção e qualidade das escolas do campo possam ser mais atuantes na eficácia
das Políticas Públicas que foram efetivadas.
A pesquisa nos mostrou que muito já foi feito para os povos que durante o processo de
colonização sempre estiveram à margem da sociedade, mas que para melhorar os
poderes públicos precisam investir em recursos físicos e materiais, formações com os
professores e remunerar os professores de forma que eles estejam satisfeitos com a
profissão, pois o salário que eles ganham em algumas cidades não chega a metade do
piso nacional.
Esta temática deve ser discutida e planejada com o poder público, a sociedade e
as universidades, que podem contribuir de forma significativa e eficaz. A educação do
campo tem avançado em suas reivindicações, mas é preciso que os sujeitos que vivem
nas comunidades rurais cobrem dos poderes públicos melhorias educacionais que visem
formar cidadãos conscientes e críticos.
Referências
ROCHA, Maria Isabel Antunes; HAGE Salomão Mufarrei (organizadores). Escola de direito:
reinventando a escola multisseriada/– Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2010. – (Coleção
Caminhos de Educação do Campo; 2)
Seminário Nacional Por Uma Educação do Campo. Brasília, de 26 á 29 de novembro de
2002.
FERNANDES, Bernardo Moçano; MOLINA, Mônica Castagna. O campo da educação do
campo. In: MOLINA, Mônica Castagna; JESUS, Sonia Meire Santos Azevedo
(Organizadoras). Contribuições para a construção de um projeto de Educação do Campo.
Brasília, DF: Articulação Nacional Por Uma Educação do Campo, 2004. (Coleção Por Uma
Educação do campo, nº 5).
5 a 7 de junho de 2013
Universidade Federal da Paraíba (Campus I)
João Pessoa / PB
ROCHA, Maria Isabel Antunes; HAGE Salomão Mufarrei (organizadores). Escola de direito:
reinventando a escola multisseriada/– Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2010. – (Coleção
Caminhos de Educação do Campo; 2)
CALDART, Roseli Salete. II Conferência Nacional “Por Uma Educação do Campo”. TextoBase. GO, 2004. KOLLING, Paulo Ricardo; CERIOLI, Paulo Ricardo; osfs e CALDART,
Roseli Salete (Organizadores.). Educação do campo: Identidade e Políticas Públicas.
Brasília, DF: articulação nacional Por Uma Educação do Campo, 2002. (Coleção Por Uma
Educação do campo, nº 4).
Sites Consultados
http://www.uvanet.br/rhet/artigos_marco_2011/descaso_educacao_campo.pdf
23/03/2013 ás 19:40
Acesso
em:
http://www.humanas.ufpr.br/site/evento/SociologiaPolitica/GTsONLINE/GT7%20online/velhas-lutas-politicas-HeliananeRocha.pdf Acesso em: 29/09/2013 ás
19:41
http://www.unifil.br/portal/arquivos/publicacoes/paginas/2012/1/413_546_publipg.pdf
em: 23/03/2013 as 19:42
Acesso
5 a 7 de junho de 2013
Universidade Federal da Paraíba (Campus I)
João Pessoa / PB
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