CAROLINA SCHNEIDER CHADUD AVALIAÇÃO DA CONCENTRAÇÃO DE DNA FETAL LIVRE NO PLASMA MATERNO DURANTE O PRIMEIRO TRIMESTRE DA GESTAÇÃO: ESTUDO COMPARATIVO ENTRE A COLETA E ARMAZENAMENTO EM TUBO EDTA E PPT São Paulo 2013 CAROLINA SCHNEIDER CHADUD AVALIAÇÃO DA CONCENTRAÇÃO DE DNA FETAL LIVRE NO PLASMA MATERNO DURANTE O PRIMEIRO TRIMESTRE DA GESTAÇÃO: ESTUDO COMPARATIVO ENTRE A COLETA E ARMAZENAMENTO EM TUBO EDTA E PPT Dissertação apresentada ao Curso de Pós Graduação da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo para obtenção do Título de Mestre Área de Concentração: Ciências da Saúde Orientador: Prof. Dr. Tsutomu Aoki Co-orientador: Prof. Dr. Luis Claudio de Silva Bussamra São Paulo 2013 FICHA CATALOGRÁFICA Preparada pela Biblioteca Central da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo Chadud, Carolina Schneider Avaliação da concentração de DNA fetal livre no plasma materno durante o primeiro trimestre da gestação: estudo comparativo entre a coleta e armazenamento em tubo EDTA e PPT./ Carolina Schneider Chadud. São Paulo, 2013. Dissertação de Mestrado. Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo – Curso de Pós-Graduação em Ciências da Saúde. Área de Concentração: Ciências da Saúde Orientador: Tsutomu Aoki 1. Diagnóstico pré-natal 2. DNA/sangue 3. Plasma 4. Troca materno-fetal BC-FCMSCSP/69-13 DEDICATÓRIA A minha filha, Maria Luísa, amor da minha vida, pela compreensão nos momentos em que me ausentei e por me mostrar que o amor não tem limites. Minha filha querida, você é e sempre será o meu bem mais valioso. Aos meus pais, Fernando e Elsa, não somente pelo presente da vida, mas por todas as lições de vida, por todos os valores e pela fundamental presença em toda minha trajetória, assim como pelo apoio incondicional às minhas escolhas. Meu amor por vocês é eterno. Ao meu irmão, Vitor, pelas lembranças inesquecíveis de uma infância muito feliz, pela convivência sempre harmoniosa e pelos ensinamentos sobre o amor fraternal. Esteja sempre presente na minha vida. Ao meu marido, André, amor da minha vida, pela dedicação, companheirismo e amor diários, mas principalmente por me ensinar que o verdadeiro sentimento pode superar obstáculos e se manter inabalável. Aos meus tios, Ana Lúcia e Fábio, pela estimada e constante presença em minha vida pessoal e profissional. Sempre dedicarei um grande amor a vocês. Ao meu avô, Ihiel (in memorian) por todo o amor, incentivo e amizade, imprescindíveis para minha formação, mas também pelo exemplo de dedicação à pesquisa científica e vida acadêmica. Você sempre será um exemplo para mim. “Por mais longa que seja a caminhada o mais importante é dar o primeiro passo” Vinícius de Moraes AGRADECIMENTOS À Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa, pelo acolhimento e oportunidade. À Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, berço de meu aprendizado durante a residência médica, por ensinar-me o verdadeiro sentido do amor ao próximo e respeito ao ser humano. Ao Serviço de Medicina Fetal da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, por todo o aprendizado e por fornecer o apoio necessário para a realização deste trabalho. Ao meu orientador, Prof. Dr. Tsutomu Aoki, exemplo de profissional e ser humano; pela oportunidade, confiança e constante apoio frente aos obstáculos enfrentados no desenvolvimento desta tese, além do relevante incentivo à vida acadêmica. Ao meu co-orientador, Prof. Dr. Luis Cláudio de Silva Bussamra, coordenador do setor de Medicina Fetal da Santa Casa de São Paulo, pelo acolhimento fraternal; além dos ensinamentos, oportunidade e incentivo ao crescimento profissional e vida acadêmica. Ao Prof. Dr. José Mendes Aldrighi, Diretor do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Santa Casa de São Paulo, pelo constante incentivo à pesquisa e titulação dos docentes e confiança em meu trabalho. Ao Prof. Dr. Antônio Pedro Flores Auge, coordenador do programa de pós-graduação do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Santa Casa de São Paulo, por permitir a concretização deste sonho. À CAPES, pelo apoio financeiro durante o tempo de desenvolvimento da pesquisa. A RDO, pelo apoio técnico prestado durante o processamento do material, fundamental para a concretização deste trabalho. A Prof. Dr. Ciro Dresch Martinhago, competente médico geneticista, pelo apoio, confiança e incentivo no desenvolvimento deste projeto. À Giselle Tedesco e Viviane Andari, companheiras durante a elaboração desta tese, não só pelo incansável esforço e trabalho dedicados, mas pela amizade construída. Por fim, às gestantes, que em momento relevante de suas vidas, permitiram e contribuíram de forma generosa para o desenvolvimento desta pesquisa. ABREVIATURAS E SÍMBOLOS CCD - charge-coupled devices CCN - comprimento cabeça - nádega CT - ciclo de threshold DNA - ácido desoxirribonucleico EDTA - ethylenediaminetetracetic acid FISH - rapid fluorescence in situ hybridization ml - mililitro ng - nanograma NIFTY - The National Institute of Child Health and Human Development Fetal Cell Isolation Study pb - pares de base PCR - protein chain reaction PPT - plasma preparation tube rpm - rotações por minuto WGA - whole genome amplification ∆Rn - baseline corrected normalized fluorescence µl - microlitro SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO .............................................................................................. 1 1.1 Rastreamento e diagnóstico de aneuploidias fetais na gestação ........... 1 1.2 Revisão Bibliográfica ............................................................................... 3 1.2.1 Células fetais intactas no sangue materno ..................................... 3 1.2.2 DNA fetal livre no plasma materno ................................................. 5 1.3 Diagnóstico não invasivo pré-natal .......................................................... 7 1.4 Aplicações clinicas .................................................................................. 9 1.5 Técnicas de processamento e enriquecimento de DNA ......................... 10 1.6 PCR em tempo real ................................................................................. 14 1.7 Tubos EDTA e PPT ................................................................................. 17 2. OBJETIVO .................................................................................................... 19 3. CASUÍSTICA E MÉTODOS .......................................................................... 20 3.1 Critérios e inclusão .................................................................................. 21 3.2 Critérios de exclusão ............................................................................... 21 3.3 Coleta de material ................................................................................... 22 3.4 Processamento do plasma materno ........................................................ 22 3.5 Extração de DNA das amostras .............................................................. 23 3.6 Desenho dos primers e sondas TaqMan MGB® .................................... 23 3.7 PCR em tempo real ................................................................................. 24 3.8 Controle de contaminação ...................................................................... 26 3.9 Análise estatística .................................................................................... 26 3.10 Cálculo amostral .................................................................................... 27 4. RESULTADOS ............................................................................................. 28 5. DISCUSSÃO ................................................................................................. 32 6. CONCLUSÃO ............................................................................................... 36 7. ANEXOS ....................................................................................................... 37 8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................. 42 FONTES CONSULTADAS ........................................................................... 50 RESUMO ...................................................................................................... 51 ABSTRACT ................................................................................................... 52 1. INTRODUÇÃO: 1.1 Rastreamento e diagnóstico de aneuploidias fetais na gestação O diagnóstico pré-natal é de extrema importância para o manejo de gestações com anormalidades fetais, além de permitir o planejamento adequado do parto e de cuidados neonatais específicos (Dhallan et al, 2004). Aneuploidia é definida como alteração numérica dos cromossomos, afetando 1 em cada 300 recém-nascidos, sendo a causa mais comum de retardo mental (Sayres, Cho, 2011). A incidência na população geral de doenças resultantes de uma anomalia genética detectável é de 1 a 2 %, com predomínio das alterações cromossômicas sobre as gênicas (Wolff et al, 2009). Estudos populacionais mostram que a incidência de anomalias cromossômicas é de aproximadamente 50% em abortamentos espontâneos, 5 a 10% em natimortos e 0,5% em nativivos (Wolff et al, 2009). No momento da detecção clínica da gravidez, a frequência das cromossomopatias está ao redor de 5%, e ao nascimento de 0,3%, em virtude do processo de seleção negativa natural dos embriões cromossomicamente anormais. Como evidência de tal seleção negativa, 50 a 70% dos abortos espontâneos e natimortos apresentam alterações cromossômicas (Wolff et al, 2009). Atualmente, existe uma gama de exames disponíveis para o rastreamento pré-natal de aneuploidias, durante o primeiro trimestre. No entanto, todos apresentam alguma limitação. Exames não invasivos, como marcadores séricos maternos (dosagem da fração livre do beta HCG e da proteína plasmática A), aferição ultrassonográfica da translucência nucal, osso nasal e dopplerfluxometria do ducto venoso são utilizados tradicionalmente para o rastreamento de cromossomopatias, porém não permitem o diagnóstico definitivo (Evans, Kilpatrick, 2010; Sayres, Cho, 2011). 2 A taxa de detecção de trissomia do cromossomo 21 é de aproximadamente 92 a 96% com o uso destes métodos de rastreamento, com taxa de falso positivo menor do que 3% (Malone et al, 2005; Nicolaides, 2011). Em relação às outras alterações cromossômicas, como trissomia do cromossomo 13 e 18 e monossomia do cromossomo X, a detecção é similar, podendo ser discretamente maior. A taxa de falso positivo encontra-se ao redor de 5%, o que gera procedimentos invasivos e riscos desnecessários (Sayres, Cho, 2011; Verweij et al, 2012). Além disso, estes métodos apresentam especificidade e sensibilidade limitadas, além de só serem executados em um período da gestação, especificamente entre 11 e 14 semanas (Lo, Chiu, 2008). Procedimentos diagnósticos invasivos no pré-natal, como biópsia de vilo corial, amniocentese e cordocentese, são oferecidos a gestantes acima de 35 anos, com história familiar de aneuploidias, na presença de malformações fetais, e em casos de risco elevado em exame morfológico de primeiro trimestre (Bianchi et al,1997). Estes métodos convencionais de obtenção de material para verificação de anormalidades fetais – cariótipo - são invasivos e carregam um risco potencial de perda da gestação de 0,5 a 2%, além de outras complicações obstétricas maternas e fetais tais como infecção materna, oligoâmnio, corioamnionite, punção de partes fetais, rotura de membranas ovulares, hemorragia e trabalho de parto prematuro (Alfirevic et al, 2003; Lo, 2005). Técnicas de imagem avançadas – ultrassonografia tridimensional, ecocardiograma fetal, dopplerfluxometria e ressonância magnética fetal – assim como métodos citogenéticos – cariótipo fetal e FISH (rapid fluorescence in situ hybridization) ou de biologia molecular – PCR (protein chain reaction), PCR em tempo real, tecnologia de arrays, amplificação de sinais – oferecem a possibilidade de diagnóstico pré-natal de diversas malformações estruturais congênitas e desordens genéticas em famílias de alto risco (Agnieszka et al, 2007). Os casais considerados de alto risco apresentam na anamnese história de parente de primeiro grau com doença genética, um dos indivíduos é portador de doença genética, consanguinidade, passado de abortamento habitual, idade materna avançada, exposição à radiação ou a substâncias com possível efeito teratogênico ou alteração em ultrassom morfológico fetal durante a gestação (Pinto Junior, 2002). O 3 diagnóstico precoce intra-útero é essencial para o manejo da gestação, cuidados pré e pós-natais e tratamento. Além disso, é também crucial para a tomada de decisão em manter ou interromper a gestação (Agnieszka et al, 2007). 1.2 Revisão bibliográfica 1.2.1 Células fetais intactas no sangue materno A circulação materna é separada da porção fetal pelas vilosidades trofoblásticas da placenta. Entretanto, sabe-se da existência do tráfego bidirecional de células entre mãe e feto (Walknowska et al, 1969; Lo et al, 1989; Lo et al, 1996; Lo et al, 2000b). Desde o século passado, sabe-se da presença de material fetal em organismo materno, durante o período gestacional (Walknowska et al, 1969). Além disso, o número de células fetais que atinge a circulação materna aumenta exponencialmente com o decorrer da gestação (Kirsch-Volders et al, 1980). A identificação de material genético materno, sobforma de DNA (ácido desoxirribonucleico) materno livre, ocorreu anos mais tarde, em plasma de cordão umbilical (Lo et al, 2000b). A partir destas constatações, abriu-se um novo horizonte para a pesquisa de material genético fetal no sangue periférico materno (Lo et al, 1998a). Assim, o interesse em buscar alternativas para o diagnóstico pré-natal não invasivo se tornou foco de diversas pesquisas. Diferentes tipos de células sanguíneas – eritrócitos, trofoblastos e leucócitos – cruzam a placenta e circulam no sangue de gestantes (Walknowska et al,1969). Estes diferentes tipos celulares foram explorados como candidatos em potencial para o diagnóstico pré-natal não invasivo. Desde meados de 1950, a passagem de eritrócitos entre mãe e feto já era um fenômeno bem documentado, na proporção de uma célula fetal a cada 50 000 células maternas (Schoder, 1975). A identificação de linfócitos fetais em circulação materna,a partir do primeiro trimestre de gestação, ocorreu anos mais tarde, sendo estabelecido um número aproximado de uma célula fetal a cada 500 – 1000 células maternas (Kirsch-Volders et al, 1980). Inicialmente, os estudos se concentraram em isolar as células fetais 4 nucleadas do sangue materno, sob a justificativa de que estas continham maior concentração de DNA fetal, em virtude da existência de material genético concentrado no núcleo celular (Bianchi et al, 1990; Gaenshirt et al, 1994). Células fetais são encontradas em quantidade significativamente maior no organismo materno em gestações de fetos portadores de trissomia do cromossomo 21, em comparação com fetos euplóides (Bianchi et al, 1997). Este fenômeno está de acordo com estudos que demonstraram anormalidades patológicas em placentas, como imaturidade e hidropsia, em casos de trissomia dos cromossomos 13, 18 e 21 (Labbé et al, 1989). Entretanto, após diversas tentativas sem sucesso, buscando aprimorar técnicas de biologia molecular que aumentassem o poder diagnóstico, este método foi abandonado. As técnicas de isolamento e enriquecimento celular são lentas, caras e de difícil implementação em larga escala (Lo et al, 1998a). As células brancas do sistema imune fetal (CD34+ e CD38+) podem estar presentes, depositadas no baço e fígado maternos, por mais de vinte anos após o término da gestação, inviabilizando a aplicação desta técnica pela possibilidade de interferência de gestações anteriores (Bianchi et al, 1996). Pesquisas recentes associaram a persistência de células fetais na circulação materna, após o término do período gestacional, ao desenvolvimento de doenças autoimunes maternas, como esclerose múltipla (Lo, 2000a). Em relação às células nucleadas da série vermelha, sua concentração em sangue materno apresenta oscilação lenta, o que impede a utilização como marcadores de eventos gestacionais (Lo et al, 1999c). Estudos prévios sobre o processo de depuração de células fetais do sangue materno concluíram que, em muitos casos, o tempo necessário pode atingir semanas (Lo et al, 1993; Thomas et al, 1995). Por fim, a raridade de eritrócitos fetais em amostras de sangue da mãe – 1 – 2/ml de sangue materno – limitou, portanto, a prática e o desenvolvimento dessa estratégia (Bianchi et al, 1997). Nas últimas décadas, o isolamento de células fetais em gestantes foi bastante investigado (Lo et al, 1989). Em 2002, o estudo NIFTY (The National Institute of Child Health and Human Development Fetal Cell Isolation Study) enfocou exclusivamente o uso de células fetais, estabelecendo que as técnicas de enriquecimento e a tecnologia voltada para análise de células intactas não eram 5 viáveis para a prática clínica. Além disso, a sensibilidade para a detecção de aneuploidias era comparada a de marcadores de rastreamento no sangue materno, distante do padrão ouro oferecido pelos procedimentos invasivos (Bianchi et al, 2002). 1.2.2 DNA fetal livre no plasma materno Um estudo da década de setenta constatou pequena quantidade de DNA presente no soro de indivíduos normais - média de 13 ± 3 ng/ml - e o aumento deste valor em pacientes portadores de câncer - média de 280 ng/ml (Leon et al, 1977). A porção acelular do sangue - o plasma – passou a ser objeto de grande interesse nos estudos após a identificação de DNA tumoral circulando livre no plasma de pacientes portadores de câncer (Chen et al, 1996). Simultaneamente, também foi reportada a presença do DNA de indivíduos doadores no plasma dos pacientes receptores de transplantes de órgãos sólidos (Lo et al, 1998c). As bases biológicas da liberação de DNA fetal no plasma materno ainda não foram totalmente esclarecidas. Possivelmente ocorre devido ao contínuo escape de células fetais através da placenta, que são rapidamente destruídas pelo sistema imune materno, liberando o DNA fetal livre na circulação (Pertl et al, 2000). Adicionalmente, a apoptose das células fetais é também um mecanismo envolvido (Pertl, Bianchi, 2001; Chan et al, 2004; Bischoff et al, 2005), além dos processos de morte e lise celular (Bianchi, 1998; Angert et al, 2003). Maior quantidade de DNA livre circulante foi dosada em casos de lúpus eritematoso sistêmico (Davis et al, 1978) e trauma (Lo et al, 2000b). Este fenômeno é atribuído a maiores taxas de eventos de morte celular que caracterizam estas doenças (Holdenrieder et al, 2005). Porém, é importante salientar que a principal fonte de DNA fetal livre tem origem no trofoblasto da placenta, tornando primordial o estudo e compreensão do papel da placenta na fisiopatologia da gestação normal e patológica (Litton et al, 2009; Tounta et al, 2011). Em 1997, Lo e colaboradores descobriram a presença de DNA fetal circulando livre no plasma e soro de mulheres grávidas (Lo et al, 1997). No mesmo ano, o achado de DNA circulante em pacientes portadores de câncer e em indivíduos transplantados impulsionou-o e colaboradores a descrever pela primeira 6 vez a presença de DNA fetal no plasma e soro materno. No mesmo trabalho foi sugerido que o DNA fetal livre derivado de plasma ou soro materno poderia ser um recurso alternativo não invasivo de obtenção de material fetal para diagnóstico prénatal. Inicialmente, Lo e colaboradores identificaram a presença de sequências exclusivas de DNA de fetos masculinos - frações específicas do cromossomo Y - no plasma e soro de gestantes (Lo et al, 1997). Em 1998, este mesmo grupo desenvolveu um trabalho com o objetivo de quantificar a concentração de DNA fetal livre em sangue materno. A detecção de sequências de DNA fetal é possível em 80% e 70% dos casos, com apenas 10µl de plasma e soro, respectivamente (Lo et al, 1998a). Foi estimado que o DNA fetal livre constituísse em média 3,4% (de 0,39 -11,9%) do total de DNA no plasma materno em gestações de primeiro e segundo trimestre e 6,2% (de 2,33 -11,4%) em gestações de terceiro trimestre (Lo et al, 1998a). Além disso, a concentração média de DNA fetal livre em plasma materno é 21,2 vezes maior em comparação ao número de células intactas (Lo et al, 1998a). Estes estudos preliminares indicam, portanto, que a maior fração de DNA fetal circula na forma livre em ambiente materno (Lo et al, 2000b). A análise quantitativa do tráfego bidirecional de material genético entre mãe e feto ocorreu anos mais tarde, em um trabalho publicado por Lo e colaboradores em 2000. Embora a detecção de células nucleadas e DNA materno livre na circulação fetal seja de aproximadamente 24% e 30%, respectivamente, na direção oposta, ou seja, as células nucleadas e o DNA fetal livre na circulação materna apresentam taxa de detecção de 26% e 100%, respectivamente (Lo et al, 2000b). Existe, portanto, uma impressionante diferença na taxa de detecção entre DNA fetal no plasma materno (100%) e DNA materno no plasma do cordão umbilical (30%). Uma possível explicação seria a existência da placenta, como estrutura de interface entre a circulação materna e fetal, e que seria a grande fonte responsável pelo controle da liberação do material genético fetal (Lo et al, 2000b; Wataganara et al, 2005). 7 1.3 Diagnóstico não invasivo pré-natal Uma alternativa aos métodos tradicionais de diagnóstico pré-natal seria o uso do material genético fetal, o DNA fetal, existente na circulação materna. O diagnóstico pré-natal não invasivo é uma meta procurada há bastante tempo na história da genética humana (Lo et al, 1998a). Durante a gravidez, a circulação entre mãe e feto é separada parcialmente pela membrana placentária. Porém, o tráfego bidirecional de células eritrocitárias, através das vilosidades trofoblásticas, foi comprovado cientificamente, aumentando as possibilidades de um potencial método para o diagnóstico pré-natal não invasivo (Lo et al, 1996). A concentração do DNA fetal no soro e plasma das gestantes aumenta gradativamente durante a gestação (Lo et al, 1998a, Zhong et al, 2001). Além disso, a detecção da sequência Y de DNA fetal no organismo materno é possível a partir da quinta semana de gestação (Thomas et al, 1995). A concentração de DNA fetal livre aumenta linearmente com o avanço da gestação, com taxa de crescimento de 16 genomas fetais por ml de sangue materno no primeiro trimestre para 80 no terceiro trimestre de gestação, atingindo o pico nas últimas oito semanas de gestação (Zhong et al, 2000; Wright, Burton, 2009; Tounta et al, 2011). Portanto, existe um aumento equivalente a 29,3% a cada semana no terceiro trimestre de gestação (Chan et al, 2003). A análise de DNA fetal livre no plasma materno não é afetada pela persistência de células fetais de gestações anteriores (Bianchi et al, 1996). Além disso, sua concentração é estável no plasma materno (Angert et al, 2003) e a depuração deste material é rápida, com meia vida de 16,3 minutos – média de 4 a 30 minutos (Lo et al, 1999c). A ausência de DNA fetal em plasma materno proveniente de outras gestações já está comprovada (Smid et al, 2003b). Com base nestes dados, o turn over de DNA fetal circulante foi estudado e concluiu-se que o DNA fetal é liberado constantemente na circulação materna, com média de 2,24 X 104 cópias por minuto (Lo et al, 1999c). Os rins desempenham importante papel no clearance de DNA fetal pelo organismo materno, uma vez que este material fetal foi identificado em urina de mulheres gestando fetos masculinos (Lo, 2000a). 8 O uso de DNA fetal no plasma materno passou a ser uma alternativa promissora para o diagnóstico pré-natal não invasivo e precoce. Desde então, diversos avanços nesta direção têm sido feitos. A detecção de sequências exclusivamente fetais, como marcadores do cromossomo Y e sequências RHD, no DNA fetal circulante, tornou possível a determinação na prática clínica do sexo e fator RH fetais (Lo et al, 1989; Lo et al, 1998b). A abordagem com DNA fetal livre é, portanto, um recurso melhor do que o uso de células intactas fetais para diagnóstico não invasivo na gestação (Bischoff et al, 2002). No entanto, o uso do DNA fetal livre para a detecção de anormalidades cromossômicas em fetos ainda é limitado pela pequena porcentagem de DNA fetal livre que é recuperado do plasma das gestantes (Dhallan et al, 2004). A fração de DNA fetal recuperada representa aproximadamente 5 a 10% do total de DNA circulante no plasma materno em gestações de primeiro e terceiro trimestre respectivamente (Lo et al, 1998a). A eficiência da extração de DNA está diretamente relacionada com a capacidade de detecção de sequências de DNA, ou seja, com a técnica utilizada (Johnson et al, 2004). O objetivo mais almejado no diagnóstico não invasivo pré-natal ainda é a detecção de aneuploidias (Litton et al, 2009). Assim, ainda é necessário que novas pesquisas desenvolvam caminhos alternativos, com o objetivo de aumentar a detecção da fração fetal que compõe o DNA circulante no sangue de gestantes, permitindo melhor assistência no período pré-natal em casos de suspeita de alterações cromossômicas fetais. Para um teste com DNA fetal livre se tornar disponível comercialmente visando a triagem pré-natal, é mandatório que este seja confiável, viável e acessível para implementação em larga escala (Sayres, Cho, 2011). Ademais, qualquer método não invasivo deve ser preciso o suficiente para dispensar a confirmação futura por procedimento invasivo, além de ser mais barato do que os procedimentos invasivos em uso atualmente (Hahn et al, 2011). 9 1.4 Aplicações clínicas A detecção qualitativa de sequências de DNA fetal tem implicação prática em diagnósticos moleculares pré-natais de sexagem fetal associada a doenças ligadas ao sexo (Lo et al, 1997; Costa et al, 2002a; Sesarini et al, 2009; Tounta et al, 2011); genotipagem do gene RhD (Lo et al, 1998b; Sesarini et al, 2009; Tounta et al, 2011), desordens autossômicas recessivas, como distrofia miotônica (Amicucci et al, 2000; Tounta et al, 2011), acondroplasia (Saito et al, 2000; Tounta et al, 2011) e doença de Huntington (Tounta et al, 2011) ou desordens monogênicas, como a fibrose cística e hemoglobinopatias (Chiu et al, 2001; Chiu et al, 2002; Keymolen et al, 2007; Tounta et al, 2011). A sensibilidade na avaliação do sexo fetal foi definida ao redor de 95%, com especificidade de aproximadamente 99%, independentemente do trimestre da gestação, indicando que este é um bom método para a rotina pré-natal, a partir de cinco semanas de gestação, em casos de risco para doenças gênicas ligadas ao X, genitália ambígua e hiperplasia adrenal congênita materna (Sekizawa et al, 2001; Tounta et al, 2011; Wright et al, 2012). O uso do diagnóstico não invasivo do sexo fetal, em casos de pré-natal com risco para doenças ligadas ao sexo, diminui para metade o número de procedimentos invasivos, com implicação tanto no custo quanto em taxas de complicação e perdas gestacionais (Sekizawa et al, 2001). A detecção quantitativa focou amplamente na mensuração de DNA fetal no plasma materno utilizando gestações normais como referência. Diferenças relativas têm sido reportadas em casos de trissomia dos cromossomos 13, 18 ou 21 (Pertl et al, 2000; Spencer et al, 2003; Jorgez et al, 2007); pré-eclâmpsia (Zhong et al, 2001; Sekizawa et al, 2004; Leung et al, 2001); parto prematuro (Leung et al, 1998; Farina et al, 2005); e abortamento (Lau et al, 2000). Diversos estudos têm indicado a influência de certas desordens na liberação de DNA fetal na circulação materna, corroborando a hipótese do papel primordial da placenta como barreira seletiva neste processo (Leung et al, 1998; Lo et al, 1998a; Pertl, Bianchi, 2001; Zhong et al, 2001; Leung et al, 2001; Spencer et al, 2003; Sekizawa et al, 2004; Bischoff et al, 2005; Litton et al, 2009). Em gestações complicadas por préeclâmpsia há um aumento significativo de material genético fetal 10 encontrado no plasma materno (Lo et al, 1999a; Leung et al, 2001; Zhong et al, 2001; Sekizawa et al, 2004). Em fetos portadores de trissomia do cromossomo 13, 18 e 21 também foi observado um grande aumento de DNA fetal (Lo et al, 1999b; Pertl et al, 2000; Spencer et al, 2003; Jorgez et al, 2007), podendo se elevar em até seis vezes (Bianchi et al, 1997); assim como em casos de parto prematuro (Leung et al, 1998; Farina et al, 2005), abortamento (Lau et al, 2000), hiperêmese gravídica (Sugito et al, 2003), processos invasivos da placenta (Sekisawa et al, 2002), crescimento fetal restrito (Tounta et al, 2011), hemorragia feto-materna (Tounta et al, 2011) e polidrâmnio (Tounta et al, 2011). Portanto, a mensuração de DNA fetal também pode ser um possível marcador para a predição de desordens maternas e fetais durante o pré-natal, já que a disfunção placentária progressiva se manifesta por maiores taxas de apoptose das células trofoblásticas, com consequente aumento da concentração de DNA fetal livre circulante (Litton et al, 2009). Menores concentrações de DNA fetal estão associadas a maiores taxas de sucesso na terapia de tocólise, sugerindo o uso da concentração de DNA fetal como screening para diferenciação entre falso trabalho de parto e trabalho de parto prematuro (Pertl, Bianchi, 2001). A aplicação da concentração de DNA fetal livre em gestações gemelares ainda não está bem estabelecida (Smid et al, 2003a). O DNA fetal plasmático é, portanto, um método valioso e acessível para obtenção de material genético fetal, aplicável para diagnóstico e acompanhamento pré-natal (Lo et al, 2000a). 1.5 Técnicas de processamento e enriquecimento de DNA Apesar do plasma e soro materno conterem DNA fetal livre, o plasma é o material de escolha para uso em diagnóstico pré-natal, pois a concentração de DNA materno misturado ao fetal é menor (Sesarini et al, 2010). Uma importante limitação na detecção de sequências de DNA fetal é o fato de que este material se encontra misturado ao material genético materno, o que gera interferência – background - na recuperação do material de interesse para o estudo cromossômico do feto (Bianchi, 1998). O principal obstáculo para a extração eficiente do material genético fetal é, portanto, o processo de diferenciação e separação do DNA fetal, já que a fração 11 materna representa 90 a 97% do total de DNA circulante e coexiste com a fração fetal no plasma (Lo et al, 1998a). A detecção de DNA fetal livre apresenta, portanto, os seguintes desafios técnicos: a concentração de DNA fetal livre no sangue materno é relativamente baixa; a concentração total de DNA fetal livre apresenta variação individual; a concentração de DNA fetal livre apresenta relação de aproximadamente 1: 20 do total de DNA total livre; o feto herda metade do genoma da mãe (Wright, Burton, 2009). Como a utilidade do diagnóstico pré-natal não invasivo depende da habilidade em separar e analisar o material genético misturado ao sangue materno, a fração de DNA fetal livre pode ser aumentada por meio do enriquecimento da fração fetal de DNA, ou pela diminuição da fração materna de DNA livre – background – como esquematizado na Figura 1 (Lo, Chiu, 2008). DNA fetal % = DNA fetal DNA fetal + DNA materno DNA fetal % = DNA fetal DNA fetal + DNA fetal % = DNA materno DNA fetal DNA fetal + DNA materno DNA fetal % = DNA fetal DNA fetal + DNA materno Fonte: Lo, Chiu, 2008 FIGURA 1: Ilustração esquemática com as possíveis abordagens visando o aumento da fração fetal de DNA 12 As técnicas utilizadas para detecção de DNA fetal livre na circulação materna são mais simples, rápidas e confiáveis em comparação as utilizada para detecção de células intactas fetais (Pertl, Bianchi, 2001; Bianchi et al, 2002). Diferentes métodos de processamento podem afetar drasticamente a quantidade de DNA que é detectado pelo PCR em tempo real no sangue materno (Chiu et al, 2001; Johnson et al, 2004; Gonzáles-González et al, 2005; Chiu et al, 2005). Em relação ao uso de protocolos de centrifugação, independente da velocidade utilizada, não existe associação com dano em células sanguíneas, nem tampouco a falsos aumentos na concentração de DNA livre da amostra submetida ao processo (Chiu et al, 2001; Lui et al, 2002). Dhallan e colaboradores adicionaram formaldeído à amostra de plasma materno com o objetivo de aumentar a recuperação da fração fetal, por meio da estabilização das células maternas e diminuição da lise celular (Dhallan et al, 2004). Porém, outros grupos tentaram reproduzir a mesma técnica sem sucesso (Benachi et al, 2005). Quando o ácido fetal de interesse é exclusivo do concepto a demanda por métodos de enriquecimento se torna desnecessária (Go et al, 2011). Um exemplo disso seria a identificação de frações de DNA fetais (marcadores epigenéticos), em locus que exibissem sinais epigenéticos feto-especificos, analisando diferentes status de metilação do DNA entre a mãe e o feto (Jones, Takai, 2001; Chim et al, 2005; Tsui et al, 2010). A epigenética abrange processos, como a metilação de DNA, que alteram o fenótipo, porém sem alterações na sequência do DNA (Sesarini et al, 2010; Lim et al, 2011). Desde a descoberta do primeiro marcador epigenético fetal, outros marcadores já foram descritos (Chiu et al, 2007; Tong et al, 2010). Os marcadores epigenéticos fetais podem ser empregados tanto para análise qualitativa como quantitativa do DNA fetal no plasma materno (Tsui et al, 2010). A detecção de DNA fetal não metilado apresentou baixa sensibilidade (Poon et al, 2002). A principal limitação ao uso da metilação do DNA está no método utilizado para detectar os marcadores de metilação, baseado na conversão de bissulfite. O uso deste método resulta em destruição de 95% do DNA (Grunau et al, 2001). Este fato pode levar a resultado falso – negativo, principalmente em gestações de primeiro trimestre, em função da redução do DNA fetal na amostra (Tounta et al, 2011). 13 Por este motivo, as pesquisas foram desviadas para marcadores epigenéticos independentes da conversão de bissulfite, como a sequência RASSF1A. Esta técnica, no entanto, requer importante manipulação, o que a torna pouco viável para a prática clínica (Tounta et al, 2011). Os fragmentos de DNA materno são maiores do que os de origem fetal durante a gestação. Já foi demonstrado, pela análise por PCR, que o DNA fetal livre circula sob a forma de fragmentos de até 300 pb (pares de base) em comparação ao materno, que apresenta tamanho consideravelmente maior (Chan et al, 2004). Portanto existe uma distribuição de diferentes tamanhos de DNA no plasma de mulheres grávidas, abrindo a possibilidade de enriquecimento fetal por meio do fracionamento de DNA. Esta técnica também é limitada, demorada e susceptível a contaminação, não sendo útil como ferramenta diagnóstica isolada, mas sim como método auxiliar de outras técnicas (Chan et al, 2004; Jorgez, Bischoff, 2009; Hahn, Zimmermann, 2010; Go et al, 2011). Outra maneira de se identificar a porção do cromossomo de origem fetal é pela análise da proporção de variação genética nos alelos em um determinado ócus. Porém só pode ser usada se o feto for heterozigoto para o ócus em análise (Lo, Chiu, 2008). Uma opção para genes presentes de forma homozigota, em casos de trissomia, seria a análise pelo PCR digital (Lo et al, 2007). Atualmente, diversas novas tecnologias, como PCR digital, sequenciamento massivo paralelo e a amplificação de todo o genoma – WGA (Whole genome amplification) – tem se apresentado com alternativa para contornar o problema da baixa concentração de DNA fetal livre no organismo materno. O PCR digital tem a capacidade de detectar fragmentos menores de DNA livre, quando comparado com a técnica de PCR em tempo real (Sikora et al, 2010). Porém, estes métodos são de alto custo, lentos, de baixa produtividade, e ainda não foram submetidos à avaliação em larga escala para permitir sua aplicação como rotina (Hanson, Ballantyne, 2005; Chiu et al, 2010; Tsui et al, 2010; Chiu et al, 2011; Hahn et al, 2011; Tounta et al, 2011; Tsui, Lo, 2012). 14 1.6 PCR em tempo real A partir do desenvolvimento de técnicas de biologia molecular, especialmente com o advento da reação de PCR, poderosas ferramentas de identificação de sequências genéticas fetais no sangue periférico materno, passaram a ser empregadas (Lo et al, 1996). O PCR permite o sequenciamento de genomas, a expressão de genes em sistemas recombinantes, o estudo de genética molecular, a determinação rápida da paternidade e o diagnóstico rápido de doenças infecciosas. O PCR em tempo real representa um avanço tecnológico, já que está técnica apresenta a capacidade de gerar resultados quantitativos, permite o acompanhamento da reação e apresenta resultados de forma precisa e rápida, em comparação ao PCR que apresenta resultados apenas de forma qualitativa (Pertl, Bianchi, 2001). O método PCR em tempo real é uma tecnologia de inovação que permite mensurar a taxa de acúmulo de amplificação através da detecção de fluorescência emitida a cada ciclo da reação (Heid et al, 1996). Este processo é baseado numa relação quantitativa entre o número de DNA-alvo presente no início da reação de PCR e o montante de produto amplificado durante a fase exponencial da reação. Dentre os vários sistemas suportados pela PCR em tempo real, o mais utilizado é o TaqMan®, que utiliza um oligonucleotídeo marcado (sonda), uma molécula fluorescente (fluoróforo) e outra de apagamento intamolecular (quencher), além do par de oligo iniciadores (primers), utilizados na PCR comum. Portanto, quando a sonda se liga na sequência-alvo, o fluoróforo e o quencher são separados e a fluorescência pode ser mensurada pela máquina, através de uma câmera CCD (charge-coupled devices) que capta o sinal de cada ciclo (Fig. 2). 15 FIGURA 2: Sistema TaqMan® para PCR em tempo real. Com a emergência de uma nova tecnologia de sondas chamada TaqMan® MGB™ (minor groove binder) foi possível amplificar regiões muito pequenas do genoma (70 pb), deixando esse sistema de detecção mais sensível e com a possibilidade lidade do uso de várias sondas – multiplex (Kutyavin et al, al 2000). Assim, este sistema pode ser útil para a detecção de várias regiões na mesma reação. O conceito chave para se entender a reação de PCR em tempo real é o ciclo de threshold (CT). Inicialmente, se determinam determina os níveis de ruído fluorescente (linha de base ou baseline), ), e a partir desta desta referência o CT é definido. Compreende-se Compreende por linha de base o intervalo entre 3 a 5 ciclos, precedentes ao primeiro ciclo que se inicia o sinal fluorescente de amplificação. O CT ocorre quando a fluorescência ultrapassa a linha de threshold, threshold a qual pode ser fixa ou determinada pelo operador. A linha de threshold deve ser determinada na fase exponencial da curva para resultados mais precisos, já que se presume que esta fase seja caracterizada pela p eficiência máxima da reação (Fig. (Fig 3). 16 FIGURA 3: Conceitos os básicos de PCR em tempo real. A partir do princípio de que a PCR em tempo real reflete o número de cópias do DNA-molde, molde, quanto maior a concentração deste DNA, ou quanto maior o número de cópias iniciais, mais precocemente vai aparecer à fluorescência e consequentemente, menor será o valor obtido do CT. Outra definição importante em PCR em tempo real é o ∆Rn (baseline corrected normalized fluorescence), fluorescence), que nada mais é que a fluorescência final emitida após a amplificação menos a fluorescência basal emitida emitida naturalmente pela reação e os reagentes. Quanto maior o ∆Rn Rn mais robusta e eficiente foi a reação. reaç O valor do ∆Rn Rn depende de vários fatores, dentre os mais importantes estão est o desenho dos primers e a sonda, a eficiência da reação, concentração de primers e sonda e o conjunto de todos os reagente, ou seja, reflete diretamente a eficácia com que a reação foi realizada. O uso do PCR em tempo real com objetivo de quantificar o DNA fetal plasmático, baseado na identificação de sequências Y específicas, apresentou apres 95 a 17 100% de sensibilidade e 100% de especificidade (Bischoff et al, 2002; Zolotukhina et al, 2005). O PCR em tempo real é utilizado para a maioria destas análises porque este método é automatizado, oferece dados em tempo real e, por ser um sistema fechado, é menos susceptível a contaminação. Além disso, é uma metodologia que mostra resultados quantitativos, justificando seu emprego na maioria dos estudos com objetivo de determinar a concentração de DNA fetal livre em plasma materno (Sikora et al, 2010). Além disso, é sensível o suficiente para detectar o DNA de uma única cópia (Pertl, Bianchi, 2001). 1.7 Tubos EDTA e PPT Os tubos para coleta de material hematológico são transparentes, incolores, estéreis e,por serem herméticos são usados para coleta de sangue a vácuo (e outras coletas), garantindo a esterilidade da amostra. Existe uma variedade de tubos, com características distintas, o que os diferencia quanto ao seu emprego. O tubo EDTA (Ethylenediaminetetracetic acid) contém um anticoagulante, o EDTA K2, jateado na parede interna. Já o tubo PPT (Plasma Preparation Tube) também é um sistema a vácuo com anticoagulante EDTA, porém possui um gel separador. Usado nos casos em que é necessário o envio de plasma EDTA a partir do tubo original de coleta. A presença do gel separador impede o contato entre as células presentes no sangue materno e o plasma contendo o DNA fetal livre ao contrário do tubo EDTA que contém apenas anticoagulante. Diante das limitações expostas, nós decidimos investigar uma técnica alternativa de coleta e armazenamento do sangue periférico materno, que permitisse maior taxa de recuperação do DNA fetal livre. Sabemos que a maior parte do DNA livre presente no plasma de gestante provém do próprio organismo materno (Lo et 18 al, 1998a; Fernando et al, 2010), em decorrência dos processos de apoptose (Bischoff et al, 2005), morte e lise celular (Angert et al, 2003). Portanto, qualquer fator que atuasse diminuindo estes processos, após a coleta da amostra de sangue periférico materno, poderia diminuir a quantidade de DNA livre materno misturada ao DNA fetal livre fetal, aumentado, portanto, a taxa relativa de DNA fetal livre. Neste estudo nós construímos a hipótese de que por meio da inibição da lise celular após a coleta de amostra de sangue materno em tubo PPT, uma maior porcentagem de DNA fetal livre seria recuperada durante o processamento deste material. Essa comparação entre a taxa de recuperação da fração fetal nos dois diferentes tubos de coleta do plasma materno é inédita e não encontramos nenhuma referência na literatura médica disponível. 19 2. OBJETIVO O estudo visa comparar a concentração de DNA fetal livre em plasma materno durante o primeiro trimestre de gestação, obtido em dois diferentes tubos: EDTA e PPT. 20 3. CASUÍSTICA E MÉTODOS Foram selecionadas para participar deste estudo as gestantes que apresentavam os critérios de inclusão propostos neste protocolo, selecionadas no Setor de Medicina Fetal do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, no período entre dezembro de 2011 e outubro de 2012. As pacientes selecionadas foram avaliadas inicialmente com ultrassonografia obstétrica precoce (até 14 semanas), para a confirmação da idade gestacional, por meio da medida do CCN (comprimento cabeça-nádega). Após, foi realizada ultrassonografia morfológica de primeiro trimestre (entre 11 e 14 semanas), com o objetivo de afastar possíveis malformações fetais. O sexo fetal foi confirmado em exame morfológico de segundo trimestre (entre 20 e 24 semanas), ocasião em que também foi realizada uma segunda avaliação da morfologia fetal. Os fetos sem alteração morfológica nas duas ultrassonografias morfológicas foram considerados normais. Não houve nenhum caso de óbito fetal durante o período de acompanhamento dos fetos selecionados. A coleta dos casos foi iniciada após a aprovação da Comissão Científica do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e do Comitê de Ética e Pesquisa da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo – projeto n° 295/11 (Anexo 1). Após esclarecimento verbal sobre todos os procedimentos necessários à pesquisa, foi solicitada a assinatura de um termo de consentimento livre e esclarecido e o preenchimento de um questionário com dados demográficos (Anexos 2 e 4). 21 3.1 Critérios de inclusão - gestação de primeiro trimestre (até 14 semanas), segundo a data da última menstruação, confirmada por meio da medida do CCN em ultrassonografia obstétrica precoce - gestação única - ausência de malformação fetal - ausência de doenças clínicas crônicas ou obstétricas maternas - fetos do sexo masculino As gestações gemelares não foram incluídas neste trabalho, pois a concentração de DNA fetal ainda não está bem estabelecida nestes casos. Os fetos com malformação fetal, independentemente da idade gestacional, não foram incluídos na casuística, devido possibilidade da associação com cromossomopatias. Sabe-se que gestações complicadas por cromossomopatia fetal apresentam maiores concentrações de DNA fetal livre, o que seria um fator de viés. Qualquer afecção materna, clínica ou obstétrica, que curse com a possibilidade de insuficiência placentária, como hipertensão arterial crônica, diabetes mellitus, tireoidopatias, doença hipertensiva específica da gestação e infecções congênitas (toxoplasmose, rubéola, citomegalovirose, sífilis, infecção pelo vírus da imunodeficiência humana) foi excluída da casuística, pois poderia levar a um aumento da concentração de DNA fetal plasmático, em relação às gestações não patológicas. 3.2 Critérios de exclusão - perda de seguimento após a realização da coleta do material - falha técnica durante o processamento das amostras de sangue materno - constatação de malformação fetal durante seguimento ultrassonográfico 22 - constatação de feto do sexo feminino em ultrassonografia de segundo trimestre 3.3 Coleta de Material Foram coletados 10 ml do sangue de uma veia da região antecubital do antebraço das pacientes, em dois diferentes tubos, sendo um EDTA (BD Vacutainer® Plus Plastic K2EDTA Tubes – referência 367861) e outro PPT (BD Vacutainer® PPT™ Plasma Preparation Tube - referência 362788), a fim de se extrair o DNA fetal livre no plasma materno (Fig. 4). FIGURA 4: Imagem do tubo PPT e do tubo EDTA, respectivamente. 3.4 Processamento do Plasma Materno As amostras de sangue coletadas no tubo PPT foram submetidas, imediatamente após a coleta, a centrifugação a 3000 rpm (rotações por minuto) por 10 minutos e encaminhadas ao Laboratório RDO Diagnósticos Médicos, devidamente identificadas e refrigeradas. As amostras do tubo EDTA foram centrifugadas apenas no laboratório mencionado, uma vez que não possuem gel separador. Os plasmas dos tubos PPT e EDTA foram divididos em alíquotas em 23 microtubos de PCR de 2 ml (Axygen) e re-centrifugados em micro-centrífuga a 14.000 rpm por 10 minutos. Posteriormente, o sobrenadante foi retirado e estocado em novos microtubos de PCR de 2 ml e estocados a -20°C até o processo de extração de DNA. A duração do processo entre a coleta do material e o processamento do plasma materno foi inferior a quatro horas, em todos os casos incluídos na casuística. 3.5 Extração de DNA das amostras O DNA fetal livre foi extraído do sangue materno, automaticamente, por meio do robô de extração Qiacube (Qiagen) seguindo o protocolo QiaAmp MinElute Spin Large body-fluid samples, disponível eletronicamente no site do fabricante, com o uso do Kit comercial de extração QIAamp DNA Blood Mini Kit (Qiagen). O produto da extração foi eluído em 60µl de Buffer de eluição. O produto da extração foi estocado a -20°C até a aplicação dos ensaios moleculares. 3.6 Desenho dos primes e sondas TaqMan MGB®, A escolha da região genômica como o desenho dos primers e sondas são fundamentais para o sucesso e eficiência de uma reação em multiplex. Foi escolhida uma região genômica para realizar as reações de PCR em duplex. Esta região genômica alvo é específica do cromossomo Y, chamada TSPY (DYS-14). A região do marcador DYS-14, amplifica apenas quando o DNA é do sexo masculino. Tratase de uma região que possui 20 a 30 cópias no cromossomo Y, diferente de outras regiões como SRY que possui apenas uma cópia. Essa característica eleva a sensibilidade da reação, pois se houver um dano no DNA na região escolhida pode não haver amplificação. Em uma região de múltiplas cópias, além de existir várias cópias iniciais, se houver um dano em uma dessas cópias, existem as outras para serem amplificadas. Os primers e sondas foram desenhados através do programa Primer 24 Express 2.0 (Applied Biosystems) nas condições sugeridas pelo fabricante. Para PCR em tempo real usando o sistema TaqMan MGB®, amplicons pequenos (50150pb) rendem tipicamente resultados mais consistentes e sinais robustos. Após o desenho dos oligos, os mesmos foram submetidos à análise do BLAST e In-Silico PCR para checar a especificidade dos mesmos. O BLAST e In-Silico PCR são ferramentas da biotecnologia (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/blast/; disponíveis livremente na internet http://genome.ucsc.edu/cgi-bin/hgPcr), pelas quais se confere a similaridade de regiões do DNA para se saber a especificidade das mesmas. Os primers e sondas utilizados bem como informações sobre seu produto estão dispostos na Tabela 1. TABELA 1: Primers e sondas REGIÃO PRIMERS SONDA FRAGMENTOS F-5’-TGCTGTTATGGGCAACCCTAA-3’ βGLOBINA (VIC)TGAAGGCTCATGGCAAG 74 pb (FAM)TCCTTCTCAGTGTTTCTT 77 pb R-5’-GAGCCAGGCCATCACTAAAGG-3’ 5’-AGAGCGTCCCTGGCTTCTG-3’ TSPY 5’-GAGAGCACCTCTCCACTAGAAAGG-3’ 3.7 PCR em Tempo Real As reações (ensaios moleculares) foram realizadas em máquina de PCR em tempo real (7500 Real Time PCR System - Applied Biosystems, Foster City, CA, USA) utilizando o sistema TaqMan®para detecção do produto de amplificação. Para a ciclagem foram utilizados os seguintes parâmetros: volume de reação de 25µl; incubação inicial a 50ºC por 2 minutos, o primeiro passo de denaturação foi de 10 minutos a 95ºC e posteriormente, 45 ciclos de PCR em dois passos: 25 denaturação a 95ºC por 15 segundos, seguido de temperatura de anelamento a 60°C por 60 segundos (Fig. 5). Os retângulos superiores mostram a temperatura em graus Celsius, e nos retângulos inferiores o tempo em minutos. FIGURA 5 - Condições de ciclagem realizadas pela PCR em tempo real em célula única. Foram realizadas as reações de PCR em tempo real. Do volume total de 25µl, aproximadamente 10µl eram do DNA extraído do plasma materno, 12,5µl de Taqman Universal PCR Master Mix (Applied Biosystems - PN 4304437), sistema composto de reagentes necessários para a realização da atividade 5’nucleásica, como enzima AmpliTaq Gold; Enzima AmpErase UNG; dNTPs com dUTP; referência passiva e buffer, e para a região TSPY 400nM de primers e 150nM para a sonda. Para completar o volume final de cada reação, foi utilizada água pura estéril (SigmaAldrich -Water). A fluorescência contínua foi monitorada no passo de anelamento de cada primer específico em sua sequência alvo. Neste caso, cada alelo do genoma possui seu primer específico que emite uma coloração diferente para cada alelo. O threshold foi fixado em 0.10 em todas as reações para padronização dos resultados (Ct). A duração média de uma reação de 45 ciclos é de 1hora e 50 minutos. 26 Os dados da análise foram gerados segundo o software SDS v1.4 21 (Applied Biosystems). 3.8 Controle de Contaminação O preparo dos reagentes da PCR foi realizado dentro de um fluxo laminar, o qual é restrito de outras atividades, com material único para essa manipulação. Todo o material como pipetas e superfície onde foram realizadas as reações, foi mantido apenas para o projeto, e foram manipulados com luvas sem talco. A descontaminação das superfícies de trabalho foi realizada antes de cada reação com álcool 70% ou com água sanitária a 10%. O profissional que realizou as reações sempre esteve munido de máscara e toca. Após o término e análise de cada reação, todo material foi descartado, evitando qualquer contaminação com material já amplificado (no caso PCR). Em nenhum momento os tubos de PCR foram abertos após a reação. 3.9 Análise estatística A análise estatística foi realizada no programa SPSS (Statistical package for Social Sciences), versão 13.0, através do teste t pareado. Foi adotado o teste t pareado em virtude do poder deste em definir o nível de semelhança ou diferença entre dois momentos de uma mesma amostra ou população, pois estuda as diferenças entre duas situações de uma mesma população. Além disso, permite a realização de duas medidas feitas na mesma unidade experimental desde que exista uma correlação entre elas, ou seja, as amostras são dependentes. 27 3.10 Cálculo amostral O cálculo amostral foi realizado pelo setor de estatística da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Para um poder estatístico de 80%, com intervalo de confiança de 90%, a amostra deve ser constituída por 42 casos. 28 4. RESULTADOS O número de casos colhidos totalizou 62 gestantes, sendo que deste total, apenas 24 foram de fetos do sexo masculino, o que corresponde corresponde a 38,70%. O restante correspondeu a 28 fetos do sexo feminino (45,16%) e 10 casos descartados descart por falha técnica ica (16,12%), como mostrado na Figura 6. 6 MASCULINOS FEMININOS DESCARTADOS etalhamento do total de casos colhidos. FIGURA 6: Detalhamento A amostra utilizada para o trabalho foi constituída apenas dos fetos masculinos, e totalizou, portanto, 24 casos (Anexo 3). Doss casos excluídos por falha técnica, t sete ocorreram por hemólise do material no tubo EDTA, um por falha de alíquotas, um por falha na amplificação do DNA fetal e um por contaminação do material. A análise dos dados demográficos mostrou que a idade das gestantes variou de 17 a 35 anos, com média de 26,04 anos. Dos 24 casos incluídos, 16 pacientes eram primigestas e 8 pacientes eram secundigestas. Não houve nenhum caso com grau de parentesco entre os pais. 29 TABELA 2: Análise da amostra em relação à idade gestacional. IDADE GESTACIONAL Intervalo de confiança 95% Idade gestacional média 11,08 Mediana 12,00 Desvio padrão 2,302 Idade gestacional mínima 6 Idade gestacional máxima 14 Variação 8 Fonte: Serviço de Medicina Fetal do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo Os valores obtidos de DNA fetal coletado em tubo EDTA e PPT foram expressos pelo CT, obtido por PCR em tempo real (Fig. 7). FIGURA 7: Distribuição gráfica dos valores obtidos de CT. 30 As amostras colhidas em tubo EDTA tiveram valores médios de CT correspondente a 30,2354, com intervalo de confiança de 95%. Em relação às amostras colhidas em tubo PPT, o valor médio do CT foi de 30,0846, também com intervalo de confiança de 95%. TABELA 3: Análise da amostra colhida em tubo PPT, expressa por CT. CT PPT 95% Intervalo de confiança Ct ppt médio 30,0846 Mediana 30,2350 Desvio padrão 1,05933 Ct ppt mínimo 27,08 Ct ppt máximo 32,61 Variação 5,53 Fonte: Serviço de Medicina Fetal do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo TABELA 4: Análise da amostra colhida em tubo EDTA, expressa por CT. CT EDTA Intervalo de confiança 95% Ct edta médio 30,2354 Mediana 30,0650 Desvio padrão 0,96368 Ct edta mínimo 28,01 Ct edta máximo 32,09 Variação 4,08 Fonte: Serviço de Medicina Fetal do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo 31 TABELA 5: Análise comparativa entre os valores de CT das amostras colhidas em tubo EDTA e PPT. CT EDTA x CT PPT MÉDIA N DESVIO PADRÃO CT EDTA 30,2354 24 0,19671 CT PPT 30,0846 24 0,21624 Fonte: Serviço de Medicina Fetal do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo p = 0,357 A partir do exposto acima, podemos observar que o valor absoluto do CT obtido no material colhido em tubo EDTA foi maior do que o obtido em tubo PPT. O CT, como já explicado, representa um sinal da reação de PCR em tempo real, e quanto menor for este valor obtido, significa que maior quantidade de DNA fetal livre estava presente naquela amostra. Porém, não houve significância estatística nesta diferença de valores obtidos entre a coleta realizada em tubo PPT e EDTA, pois o p foi maior do que 0,05. 32 5. DISCUSSÃO A descoberta do DNA fetal livre na circulação materna abriu um novo horizonte de pesquisas na busca do diagnóstico pré-natal não invasivo (Lo et al, 1997). O DNA fetal livre fetal é uma ferramenta valiosa para o diagnóstico pré-natal não invasivo, porém o seu uso ainda não está concretizado na prática obstétrica. O uso da tecnologia de PCR em tempo real permite acessar com sucesso o DNA fetal para determinação do sexo fetal e status Rh,como rotina durante o pré-natal (Lo et al, 1989; Lo et al, 1997;Lo et al, 1998b; Costa et al, 2002a; Sesarini et al, 2009; Tounta et al, 2011). O principal fator limitante para a aplicação desta tecnologia em outros diagnósticos é a concentração total de DNA livre presente no plasma das gestantes, a maior parte proveniente do próprio organismo materno (Lo et al,1998a; Fernando et al, 2010). Portanto, ainda existem desafios técnicos a serem ultrapassados antes da viabilização desta opção como diagnóstico pré-natal de rotina. Além disso, a quantidade de DNA circulatório varia consideravelmente em indivíduos normais e saudáveis (Zhong et al, 2001; Hahn et al, 2001). A placenta exerce papel fundamental como intermediadora da passagem de células fetais para a circulação materna, que somado ao processo de apoptose das células trofoblásticas, dará origem ao DNA fetal livre (Litton et al, 2009; Tounta et al, 2011). Este órgão, exclusivo da gravidez, é a grande fonte responsável pelo controle da liberação do material genético fetal (Lo et al, 2000b; Wataganara et al, 2005). Portanto, a integridade e o bom funcionamento da placenta é um fator fundamental de interferência na concentração de DNA fetal livre. Qualquer doença clínica e/ou obstétrica materna que evolua com alteração vascular placentária, como hipertensão arterial crônica, doença hipertensiva específica da gestação e diabetes mellitus, poderia alterar quantitativamente a detecção de DNA fetal livre no plasma materno. Diante disso, neste trabalho optamos por só incluir as gestantes sem qualquer alteração clínica e/ou obstétrica no momento da coleta do material, como 33 prevenção de viés nos resultados. As gestações gemelares também não foram incluídas no trabalho, pois imaginamos que haveria aumento da concentração de DNA fetal livre por maior quantidade de massa placentária e consequentemente de células trofoblásticas, além de maior quantidade de células intactas na circulação materna. Ademais, a aplicação da concentração de DNA fetal livre em gestações gemelares ainda não está bem estabelecida (Smid et al, 2003a). Os fetos portadores de malformação detectada por ultrassonografia morfológica não foram incluídos na amostra pelo alto risco de associação com cromossomopatias. Já está bem estabelecido em diversos trabalhos o aumento da concentração de DNA fetal livre em gestações de fetos portadores de trissomia do cromossomo 13, 18 e 21 (Pertl et al, 2000; Spencer et al, 2003; Jorgez et al, 2007). O DNA total livre aumenta no decorrer da gestação, e este fenômeno é atribuído a apoptose das células fetais (Pertl, Bianchi, 2001; Chan et al, 2004; Bischoff et al, 2005), além dos processos de morte e lise celular (Bianchi, 1998; Angert et al, 2003). Estes processos também atuam após a coleta do sangue materno, dentro do próprio tubo de coleta (Chiu et al, 2001; Angert et al, 2003). Apesar da concentração de DNA fetal livre ser menor no primeiro trimestre de gestação, todos os casos incluídos neste trabalho foram de gestações até 14 semanas. Optamos por realizar a pesquisa nesta idade gestacional por entendermos a importância do diagnóstico precoce durante o período pré-natal, para o planejamento do pré-natal, parto e cuidados pós-natais com o recém-nascido (Agnieszka et al, 2007). Além disso, a idade gestacional precoce favorece a tomada de decisão entre manter ou interromper o curso da gestação, preserva a saúde clínica, obstétrica e psicológica materna, além de ser meta procurada desde o início das pesquisas. Diante destas limitações, nós intuímos que o uso do tubo PPT seria uma possível forma de diminuir o contato entre a porção celular materna e o plasma materno - porção que carrega o DNA fetal livre. Assim, após o início dos processos de degradação celular o DNA materno livre extra, produzido por estes fenômenos, ficaria isolado da fração fetal, aumentando a concentração relativa do DNA fetal livre 34 em relação ao materno. Entretanto, muitas variantes atuam na concentração total de DNA livre e, consequentemente, na concentração relativa do DNA fetal livre (Angert et al, 2003). Investigações anteriores mostraram que o tempo entre a flebotomia e o processamento do material afeta a concentração de DNA livre no plasma materno (Chiu et al, 2001; Angert et al, 2003). Outro grupo constatou que a concentração total de DNA livre no sangue materno, colhido em tubo EDTA, permaneceu estável em temperatura ambiente por até 4 horas após a coleta do material (Angert et al, 2003; Barrett et al, 2011). Aumentos na concentração de DNA livre foram observados entre 6 a 24 horas da flebotomia (Angert et al, 2003). No período entre 24 e 72 horas da coleta existe um aumento significativo na concentração de DNA total e, portanto, uma diminuição na proporção de DNA fetal (Angert et al, 2003; Barrett et al, 2011). Todas estas afirmações se relacionam a degradação das células maternas após a coleta de sangue. Os processos de apoptose, morte e lise celular liberam quantidade expressiva de DNA materno, que se mistura ao DNA fetal, dificultando ainda mais a detecção da fração fetal de material genético. O protocolo de processamento de material também é uma importante variável na taxa de detecção do DNA fetal livre em plasma materno (Johnson et al, 2004). O método de PCR, o tipo de reagente empregado, o fabricante dos instrumentos utilizados na extração de DNA, além do marcador padronizado para identificação do DNA fetal (Johnson et al, 2004). A comparação entre a taxa de detecção de DNA fetal livre em material colhido em tubo EDTA e PPT é inédita. Não encontramos na literatura nenhum trabalho anterior nesta linha de pesquisa que pudesse ter sido adotado como referência durante o desenvolvimento desta pesquisa. Em nosso trabalho, o processamento do material foi iniciado precocemente, em menos do que 4 horas após a coleta, o que pode ter exercido influência na etapa da detecção do DNA pelo PCR em tempo real. Se o material coletado tanto no tubo EDTA quanto no PPT fosse submetido à espera de algumas horas antes de se iniciar o processamento, talvez no tubo EDTA os processos de apoptose pudessem ter exercido influência negativa no momento da detecção do DNA fetal livre. 35 Portanto, a taxa de detecção do DNA fetal livre no tubo EDTA poderia ter sido significativamente menor em relação à do tubo PPT, caso o tempo entre a coleta e o processamento fosse maior. Atualmente, os centros genéticos tendem a ser regionalizados, distante, portanto, de muitas outras localidades. Na prática clínica, sabe-se que uma amostra de sangue colhido em localidade distante pode ter um transporte de dias até chegar ao local onde será feito o processamento do material (Barrett et al, 2011). Portanto, em situações em que se sabe que o material levará mais do que oito horas para iniciar o processamento, seria interessante a coleta em tubo que diminuísse o contato do material fetal com o materno, a fim de melhorar a taxa de detecção do DNA fetal (Barrett et al, 2011). O Brasil é um país grande e com centros de desenvolvimento e pesquisa bastante regionalizados. A partir disso, em localidades mais distantes, o tempo entre a coleta e o processamento do sangue materno certamente ultrapassaria 24 horas. Isso nos faz pensar que deveríamos testar a nossa hipótese, portanto, em intervalo maior do que um dia entre a coleta e o processamento do material, o que seria mais aplicável à realidade do nosso país. O tubo PPT, apesar de custar três vezes mais do que o EDTA, ainda seria uma alternativa bastante barata como método de enriquecimento de DNA fetal. A estimativa de valor do tubo PPT é de aproximadamente US$0,50. Além disso, o tubo PPT é um material universal, facilmente encontrado independentemente da região e se caracteriza por ser um sistema fechado, o que contorna a questão da contaminação do sangue por manipulação em tubos abertos e seringas de coleta. Apesar dos nossos resultados não se mostrarem expressivos nesta etapa, nós ainda acreditamos que podemos alcançar resultados concordantes com a nossa hipótese, se o tempo entre a coleta e o processamento do material for superior a 24 horas, usando a mesma metodologia descrita aqui. Portanto, por este ter sido um projeto inédito, foi necessária esta primeira etapa para que as arestas da metodologia pudessem ser aparadas e o projeto aprimorado. 36 6. CONCLUSÃO A coleta do sangue periférico materno em tubo PPT não melhorou a taxa de detecção da concentração do DNA fetal livre quando comparado ao tubo EDTA. 37 7. ANEXOS Anexo 1: Parecer emitido pelo Comitê de ética em Pesquisa da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. 38 Anexo 2: Termo de consentimento livre e esclarecido Você está sendo convidada para participar, como voluntária, de uma pesquisa. Depois da explicação de todas as etapas da pesquisa, caso aceite participar, você deverá assinar ao final deste documento, em duas vias. Uma delas é sua e a outra é do pesquisador (médico) responsável. Caso você não aceite participar deste estudo, não haverá nenhum prejuízo no seu tratamento. O nome da pesquisa é “Avaliação da concentração de DNA fetal livre no plasma materno durante o primeiro trimestre: estudo comparativo entre as técnicas EDTA e PPT”. O objetivo do estudo será comparar a melhor técnica de coleta e armazenamento de DNA fetal no sangue das gestantes. O DNA é uma substância que representa o material genético de cada pessoa e está presente em todo nosso corpo, inclusive no sangue das veias do braço. As mulheres grávidas têm, o seu próprio DNA e o DNA do seu bebê, misturados no seu sangue, durante o período da gestação. Atualmente usamos o DNA do bebê para descobrir alguma alteração genética, como exemplo a síndrome de Down. Mas para conseguir este DNA do bebê os médicos devem realizar procedimentos invasivos durante a gestação, como a coleta de células da placenta, de líquido amniótico e de sangue do cordão umbilical, o que pode trazer algumas complicações para a mãe e para o bebê. Com essa pesquisa queremos descobrir uma forma de conseguir coletar o DNA do bebê através do sangue do braço da mãe para evitar estes procedimentos. Esse estudo não trará malefício para a sua saúde, saúde do seu parceiro e saúde do seu bebê. Além disso, participar deste estudo não significa que o seu bebê tenha alguma doença. Durante o estudo será mantido sigilo absoluto sobre todos os seus dados e resultados. Você poderá retirar este consentimento e abandonar o estudo no momento em que desejar sem prejuízo para o seu atendimento, sem danos financeiros ou morais. Os procedimentos necessários para contribuir com esta pesquisa será fornecer amostra do seu sangue, que será colhido de uma veia do seu braço. Durante este procedimento você poderá sentir dor, e após a coleta do sangue pode se observado inchaço, hematoma (mancha roxa) e, mais raramente, infecção no local onde a agulha será colocada no seu braço. Caso aceite participar desta pesquisa, esteja ciente que nenhum tipo de pagamento ou gratificação será fornecido pelo Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Santa Casa de São Paulo, o que reforça o caráter voluntário da sua participação neste estudo. 39 Eu,_________________________________________________________________ fui suficientemente informada a respeito deste estudo. Discuti com a Dra Carolina Schneider Chadud, médica responsável pelo estudo sobre a minha decisão em participar. Ficaram claros para mim quais são os objetivos, os procedimentos que serão realizados, desconforto, riscos, garantia de sigilo e esclarecimentos permanentes. Ficou claro também que a minha participação é isenta de despesas e remuneração. Entendi também que este estudo não apresenta nenhum risco para a minha saúde, saúde do meu parceiro e para a saúde do meu bebê. A minha assinatura neste termo de consentimento livre e esclarecido dará a autorização ao Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Santa Casa de São Paulo para utilizar estes dados obtidos nesta pesquisa, sempre preservando a minha privacidade e a confidencialidade dos mesmos. São Paulo, _____ de ________________ 20____. Nome da Paciente: _________________________________________________ RG: ___________________________ Médico responsável: Carolina Schneider Chadud CRM: 120612 RG: 33603719-3 Telefone de contato: (11) 50842702 / (11) 50823039 40 Anexo 3: Tabela de pacientes Nº IDENTIFICAÇÃO IDADE GESTACIONAL CT EDTA CT PPT (SEMANAS) IDADE PARIDADE (ANOS) 1 MJL 11 29,73. 29,41. 17 0 2 SMC 13 30,50. 30,71. 27 I 3 RSA 8 29,64. 29,64. 19 I 4 ESL 14 29,44. 30,21. 26 0 5 CV 12 29,02. 28,57. 30 0 6 CLMNO 13 29,97. 30,26. 28 0 7 JCS 8 30,33. 30,41. 25 I 8 LJAC 11 29,74. 30,28. 31 0 9 FRR 12 31,75. 30,54. 35 I 10 PRMHP 11 30,91. 29,94. 28 0 11 KDL 12 30,39. 29,90. 24 0 12 DAD 13 29,48. 30,13. 33 I 13 JS 12 30,16. 29,64. 17 0 14 MSL 7 31,48. 30,64. 26 0 15 TSC 12 29,45. 28,60. 18 0 16 FMS 7 30,62. 32,61. 27 I 17 LBG 12 32,09. 30,77. 18 0 18 MMO 12 29,65. 30,72. 20 0 19 SSA 13 29,90. 30,03. 31 I 20 SAT 12 29,58. 29,21. 33 0 21 MVC 12 28,01. 27,08. 32 I 22 VDM 6 31,41. 30,54. 23 0 23 JNO 9 31,38. 31,17. 29 0 24 VCMA 14 31,02. 31,02. 28 0 41 Anexo 4: Questionário – pesquisa de material genético fetal em sangue materno RG atendimento S. Casa:_______________ Nº Registro na pesquisa:_________ Nome da gestante: ___________________________________________Idade:____ Nome do parceiro: ___________________________________________Idade: ____ Telefone para contato: ( )_____________________ ( ) __________________ Endereço:___________________________________________________________ ___________________________________________________________________ Email: ______________________________________________________________ Grau de parentesco do casal: ( ) não existe Tipo sanguíneo da gestante: ( ) O ( ) existe. Qual? ______________ ( ) A ( )B ( ) Rh- ( ) Rh+ Teve gestações anteriores? ( ) sim ( ) não Quantos (as)? menino( ) menina ( ) Já teve aborto? ( ) sim ( ) não Quantas vezes? ( ) 1 ( )2 ( )3 ( ) AB ( ) Mais de 3 ( ) Nunca DUM:___________________ DPP: _______________________________________ Idade gestacional atual (em semanas): ____________________________________ Feto: ( ) único Sexo do feto: ( ) não sabe ( ) gemelar ( ) trigemelar ( ) menina ( ) menino Tem algum parente com deficiências física ou mental? ( ) sim ( ) não Quem?______________________________________________________________ Qual deficiência? _____________________________________________________ Observação:_________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 42 8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Agnieszka S, Slezak R, Pesz K, Gil J, Sasiadek MM. Prenatal diagnosis – principles of diagnostic procedures and genetic counseling. Folia Histochem Cytobiol. 2007; 45(1):11-16. 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Houaiss A. Dicionário da Língua Portuguesa. 1◦. Ed. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2001. 51 RESUMO CHADUD CS.“Avaliação da concentração de DNA fetal livre no plasma materno durante o primeiro trimestre da gestação: estudo comparativo entre a coleta e armazenamento em tubo EDTA e PPT”. 2013. Tese de Mestrado. Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. DNA fetal livre é encontrado na circulação materna, correspondendo à fração de 3 a 6 % do total de DNA. O objetivo deste trabalho foi comparar a concentração de DNA fetal livre detectado no plasma materno, após coleta de sangue periférico de gestantes durante o primeiro trimestre de gestação, obtido em dois diferentes tubos EDTA e PPT. Foi realizado um estudo prospectivo, em gestações entre 5 e 14 semanas, com fetos únicos, do sexo masculino e sem malformação fetal detectada em ultrassonografia morfológica. Amostras de 10 ml de sangue periférico materno foram coletadas em tubo EDTA e PPT. O plasma foi extraído das duas amostras e submetido à reação de PCR em tempo real, utilizando o sistema TaqMan®. A identificação da fração fetal ocorreu por meio da região TSPY (DYS -14), exclusiva do cromossomo Y. A concentração de DNA fetal foi expressa por valores de CT (ciclo de threshold), obtidos durante a reação de PCR em tempo real e os resultados do CT entre os dois tubos foram comparados pelo teste t pareado. O CT médio obtido no tubo PPT correspondeu a 30,08 e no tubo EDTA a 30,23. Não houve diferença estatisticamente significante nos valores encontrados de CT entre os tubos PPT e EDTA. O tubo EDTA é usado rotineiramente para coleta de sangue periférico, contém anticoagulante e é um sistema fechado. O tubo PPT também é um sistema fechado e contém um gel separador em seu interior, que isola a porção celular da porção acelular do sangue materno. Como o DNA fetal livre se encontra na porção acelular – plasma – do sangue materno, nós construímos a hipótese de que através da inibição do contato do plasma com a porção celular do sangue materno, menos DNA materno se misturaria ao fetal, melhorando a taxa de recuperação do mesmo nas amostras colhidas em tubo PPT. Atribuímos estes resultados ao fato do intervalo entre a flebotomia e o processamento do material ter sido inferior a 4 horas, o que não permitiu a ação dos processos de apoptose e lise celular na amostra colhida em tubo EDTA. Palavras chave: Diagnóstico pré-natal, DNA/sangue , Plasma, Troca materno-fetal 52 ABSTRACT CHADUD CS. “Determination of free fetal DNA in maternal plasma during the first trimester of pregnancy: a comparative study between the collection and storage in EDTA and PPT tubes”. 2013. Tese de Mestrado. Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Free fetal DNA in the maternal circulation is found, corresponding to the fraction of 3 to 6% of the total DNA. The aim of this study was to compare the concentration of free fetal DNA in maternal plasma detected after collecting peripheral blood of pregnant women during the first trimester of gestation, obtained in two different tubes, EDTA and PPT. We conducted a prospective study in pregnancies between 5 and 14 weeks with single male fetuses, without fetal malformation detected on ultrasound morphology. Samples of 10 ml of maternal peripheral blood were collected in EDTA and PPT tube. The plasma was extracted from the two samples and subjected to PCR reaction in real time using the TaqMan ® system. The identification of fetal fraction occurred through the region TSPY (DYS -14), exclusive of chromosome Y. The concentration of fetal DNA was expressed as CT values (cycle threshold), obtained during the PCR reaction in real time and the results of the CT between the two tubes were compared by paired t test. The obtained average CT PPT corresponded to 30.08 and in EDTA tube to tube 30.23. There was no statistically significant difference in the CT. The EDTA tube is used routinely to collect peripheral blood, contains anticoagulants and is a closed system. The tube PPT is also a closed system containing a separating gel inside, which isolates the cellular portion of the acellular portion of the maternal blood. As the free fetal DNA is in the acellular portion of the maternal blood - plasma - we have built the hypothesis that by inhibiting the contact of the plasma with the cellular portion of maternal blood, less maternal DNA would mix to fetal DNA, improving the recovery rate in samples collected in tube PPT. We attribute these results to the fact that the interval between phlebotomy and processing of the material have been less than four hours, which did not allow the action of the processes of apoptosis and cell lysis in the sample collected in EDTA tube. Key-words: Prenatal diagnosis, DNA / Blood, Plasma, Exchange maternal-fetal