XXXII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO
Desenvolvimento Sustentável e Responsabilidade Social: As Contribuições da Engenharia de Produção
Bento Gonçalves, RS, Brasil, 15 a 18 de outubro de 2012.
ANÁLISE DO SISTEMA DE CONTROLE
INTERNO DE HOSPITAIS MINEIROS
Antonio Artur de Souza (UFMG)
[email protected]
Gustavo Ananias Cunha (FPL)
[email protected]
Ewerton Alex Avelar (UFMG)
[email protected]
Resumo Os hospitais no Brasil enfrentam dificuldades financeiras que não
são oriundas somente da falta de recursos. Hospitais públicos e privados
apresentam uma gestão financeira defasada em termos de estratégias e do
uso de ferramentas gerrenciais. Esses hospitais enfrentam crescentes
demandas e precisam suprir as necessidades de ampliação e
modernização de suas operações. Em particular, os hospitais públicos e
filantrópicos, que dependem de verbas públicas, passam por problemas
graves para atender a todos os pacientes. Para que sejam bem
administrados, esses hospitais precisam contar com sistemas de
informações (SIs) integrados, controles internos (CIs) adequados e bons
serviços de auditoria interna. De acordo com pesquisas já realizadas,
esses hospitais ainda não contam com SI que forneçam informações úteis e
confiáveis. Várias razões têm sido apresentadas na literatura para
justificar este problema. Uma delas é a falta de CIs bem definidos. Os
objetivos da pesquisa descrita neste artigo foram (i) analisar a situação do
sistema de controle interno em hospitais e (ii) discutir como os problemas
e limitações desses controles afetam a gestão dos hospitais. A pesquisa foi
baseada em 15 estudos de casos em hospitais localizados em Minas
Gerais. Conclui-se que os hospitais vêm investindo em novos SI, mas têm
negligenciado o aperfeiçoamento do sistema de CI. Não há preocupação
da auditoria interna com as informações necessárias para sustentar o
processo gerencial. Abstract Both private and public hospitals in Brazil
have faced several financial difficulties not only because of shortage of
funding, but most importantly because of old-fashioned strategies and
outdated management tools. Nowadays, Brazilian hospitals are expected to
meet increasing demands and are thus supposed to expand their structure
and modernize their operations. In particular, public and philanthropic
hospitals are dependent on public funds and have serious problems to
cater for the needs of most population. To improve management, hospitals
should implement integrated information systems (IS), adequate internal
controls (IC), and good internal audit services. Previous studies show that
these hospitals do not have an information system that provides them with
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useful and reliable information. Several reasons for this have been
reported, one being the lack of well-defined ICs. This paper reports on
fifteen case studies on hospitals located in Minas Gerais, a state in Brazil,
aiming to (i) analyze the performance of their internal controls and (ii)
discuss how the problems and limitations of such controls affect hospital
management.
Palavras-chaves: controle interno, sistemas de informações, controle
gerencial,
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1. Introdução
Os hospitais brasileiros encontram normalmente dificuldades financeiras que não são oriundas
somente da falta de recursos. Diante de um cenário econômico indefinido, mercado competitivo e
avanço tecnológico, os hospitais necessitam de meios que viabilizem o crescimento do setor
acompanhando as necessidades dos pacientes, governo e clientes. A gestão dos hospitais precisa
ser aprimorada para que possam fazer frente a estes desafios. Para tanto, é fundamental que
contem com sistemas de informações (SIs) integrados, controles internos (CIs) adequados e uma
auditoria capaz de revisar os procedimentos internos e os SIs. Os hospitais, assim como as
empresas em geral, precisam utilizar SIs como ferramentas de apoio à gestão.
Assim como qualquer outra organização, os hospitais necessitam de procedimentos e métodos de
operação e de gestão que resguardem seu patrimônio, verificam a exatidão e a fidedignidade de
seus dados contábeis, promovem a eficiência operacional e encorajam a adesão à política traçada
pela alta administração (DAUBER ET AL, 2006). CIs compreendem os procedimentos, métodos
ou rotinas cujos objetivos são proteger os ativos, produzir os dados contábeis confiáveis e ajudar
os gestores na condução ordenada das atividades organizacionais (RITTENBERG;
SCHWIEGER, 2005). Para tanto, é fundamental que sejam traçados procedimentos de CIs bem
definidos para que o sistema funcione em sua plenitude.
Neste artigo são apresentados os resultados de uma pesquisa realizada em hospitais com o
objetivo de analisar a adequação dos CIs para o sucesso dos SIs. Partiu-se das evidencias na
literatura de que os sistemas de informações hospitalares (SIHs) apresentam limitações e
ocasionam dificuldades para os gestores. O foco da pesquisa foi em verificar se os procedimentos
de controle interno (PCIs) atendem adequadamente aos requisitos dos SIs que precisam ser
cumpridos para que as informações geradas satisfaçam às necessidades de informações dos
gerentes. Os objetivos específicos da pesquisa foram: (i) descrever o PCI em uso nos hospitais,
(ii) identificar e descrever os PCIs operacionalizados pelos SIs; e (iii) discutir os problemas e
limitações na gestão financeira desses hospitais que decorrem das falhas e omissões
(inexistências) dos CIs.
A realização desta pesquisa se justifica pelo alto custo dos SIs para os hospitais. Aproveitar este
investimento de forma eficiente requer implementação e utilização coerentes com os requisitos e
especificações dos sistemas. Os CIs se mostram componentes-chave para o sucesso dos SI, pois
deles deriva a qualidade das informações geradas. Deficiências nos CIs também acarretam a
necessidade de retrabalho, muito representado pelo uso de sistemas paralelos e complementares
na forma de planilhas eletrônicas.
Este artigo se divide em 5 seções (contando com esta Introdução). Na seção 2, realiza-se uma
revisão da literatura sobre os conceitos necessários para a compreensão deste trabalho. Em
seguida, na seção 3, descreve-se a metodologia utilizada para o desenvolvimento da pesquisa.
Posteriormente, descrevem-se e discutem-se os resultados (seção 4). Por fim, na seção 5, as
considerações finais da pesquisa são apresentadas.
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2. Revisão da literatura
2.1. Controles internos (CIs)
Os CIs representam um conjunto de procedimentos adotado pelas organizações com o objetivo de
proteger seu patrimônio, fornecendo registros contábeis confiáveis, adequadamente subsidiando o
processo decisório e, conseqüentemente, reduzindo os riscos presentes na execução das
atividades organizacionais (IFAC, 2006). Segundo Boynton et al. (2002), os CIs são processos
operados no intuito de fornecer uma razoável segurança no que diz respeito à consecução dos
objetivos, sobretudo em termos de: (i) confiabilidade das informações financeiras; (ii) obediência
às leis e regulamentos aplicáveis; e (iii) eficácia e eficiência de operações. Esses processos e
procedimentos formam o chamado sistema de controle interno (SCI). Especificamente nas
organizações hospitalares, os CIs são geridos por um órgão de assessoramento direto da direção
geral e compreendem as funções de acompanhamento das tarefas executadas por todos os setores
operacionais e administrativos (FONTINELE JÚNIOR, 2002).
Pinto (2004) classifica os CIs entre: (i) normas e procedimentos, segregação de funções,
atribuição de responsabilidade, transparência e adequada delegação de funções; (ii) captação de
dados corretos e confiáveis, adequadas análises e registros em tempos adequados e adequada
análise do custo-benefício; e (iii) informações gerenciais conforme as necessidades dos usuários.
O SCI está diretamente relacionado com as funções planejamento, organização, direção e
controle e deve possibilitar a avaliação dos resultados da gestão.
O CI em hospitais, de acordo com Turlea et al. (2009), não se configura apenas como um simples
conjunto de instrumentos de controle. Ele atua como uma ferramenta essencial para a
permanência dessas organizações no mercado, possibilitando o fornecimento de serviços com
eficácia. Os hospitais necessitam aprimorar os CIs e a integração das informações entre suas
diversas áreas funcionais para aprimorar a qualidade das informações disponíveis não apenas
para os gerentes, mas também para as instituições de saúde.
2.2. Sistemas de informações e sistemas de informações em hospitais
Laudon e Laudon (2010) definem SI sobre a perspectiva de negócios, como responsável por
adicionar valor nas atividades de aquisição, transformação e distribuição de informações para que
os gerentes possam melhorar o processo decisório, desempenho organizacional e
consequentemente incrementar a rentabilidade empresarial. O´Brien e Marakas (2008) definem
SI como “combinação de pessoas, hardware, software, redes de comunicações, recursos de dados,
plolíticas e procedimentos de armazenagem, recuperação, transformação e dissiminação de
informações na organização”. Segundo Champlain (2003), o planejamento e o controle das
operações de qualquer empresa dependem do conhecimento que os gestores têm das atividades e
operações, o que requer SIs eficazes. Um SCI é, por sua vez, indispensável para o sucesso do SI e
deve compreender a obtenção de informações e os processos daí decorrentes de registro,
armazenagem, processamento e análise dessas informações, bem como o seu uso na modificação
e no aperfeiçoamento da operação e gestão (FIGHT, 2002).
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Segundo Carvalho et al. (2008), os hospitais desenvolvem atividades diversas e complexas que
atuam com extremos humanistas e administrativos em que o gestor necessita tomar decisões de
operacionalização dos processos e de atendimento aos pacientes. O autor destaca que a falta de
padronização dos sistemas e procedimentos dificulta o compartilhamento das informações. Góes
(2007) corrobora que os SIHs devem existir nos níveis operacionais visando desburocratizar os
procedimentos, humanizar o atendimento, proporcionar segurança aos profissionais e pacientes,
presteza nos processos internos, além do aumento no faturamento. No nível gerencial através de
indicadores e relatórios gerenciais e no nível estratégico, gerando informações capazes de auxiliar
a tomada de decisão.
Bittencourt et al. (2006) discorrem que há no Brasil um SIH do Sistema Único de Saúde (SUS)
que abrange todo o território nacional. O referido sistema se inicia a partir das autorizações de
internação hospitalar seja em hospitais públicos ou privados que possuem convênio com o SUS.
A partir deste sistema são realizados os pagamentos das internações, além do fornecimento de
diagnóstico e outros dados demográficos e geográficos que possibilitam diversos conhecimentos
em saúde. Em consonância, Moreira (2010) enfatiza que os pagamentos realizados por estes
sistemas são complexos e que existe a necessidade de melhorias nas coletas de dados,
relacionados com a necessidade de padronização dos dados, além de utilizar sistemas integrados
e aperfeiçoar a utilização dos recursos tecnológicos visando o aumento da qualidade dos SI.
2.3. Procedimentos de controle interno (PCI) integrados aos sistemas de informações (SIs)
Conforme Pinto (2004), o PCI pode ser definido como o conjunto de normas e procedimentos
próprios da empresa, isto é, os manuais de operação e a cultura da organização que permitem o
alcance da eficiência operacional. Para que se possam construir SCI eficazes, os dados que os
alimentam devem ser os mais reais e dinâmicos possíveis, pois, assim como o ambiente, a própria
entidade, seus objetivos e atividades mudam constantemente (IFAC, 2001). Conforme enfatiza
Neves (2004), um PCI bem desenvolvido pode incluir o controle orçamentário, relatórios
operacionais periódicos, análises estatísticas, programas de treinamento do pessoal e auditoria
interna. Esse mesmo autor acrescenta que esse sistema pode inclusive abranger atividades em
outros campos, como, por exemplo, estudo de tempos e movimentos e controles de qualidade. O
sistema deve ser sempre avaliado para que tenha eficácia, eficiência, qualidade, economicidade e
produtividade.
Os procedimentos de controle podem ser classificados em dois tipos básicos: de prevenção ou de
detecção (ISACA, 2010). Dentre os procedimentos relacionados à prevenção são citados aqueles
relacionados às alçadas, às autorizações e à segregação de funções. Por sua vez, os procedimentos
de detecção são aqueles relacionados à conciliação e à avaliação de desempenho. Há ainda os
procedimentos que são ao mesmo tempo de prevenção e detecção como salvaguarda física e
sistemas informatizados.
O correto funcionamento de SI depende de PCI não apenas em relação às regras do negócio e às
normas que regem as transações, dependem também de PCI relacionados com segurança na
coleta dos dados, no processamento e no acesso às informações (CHAMPLAIN, 2003). Desta
forma, verifica-se que os procedimentos de CIs integrados aos SIs são muito valiosos para o
controle das operações diárias e para a eficácia da gestão. A definição de normas e procedimentos
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utilizando alçadas, limites de atividades e valores para funcionários, a necessidade de assinatura
de superiores para determinadas transações constituem importantes meios para assegurar os
objetivos empresariais. Um SI bem elaborado e adequadamente utilizado permite que a empresa
controle estes pontos de relevância e diminua as chances de erros e fraudes por parte dos
usuários, constituindo um importante elemento na implantação de um efetivo controle interno.
Ressalta-se que o PCI deve ser revisado constantemente, ainda que não sejam detectadas
fraquezas como forma de assegurar a confiabilidade e melhoria contínua nos procedimentos
internos.
3. Metodologia
A pesquisa descrita neste trabalho foi de natureza exploratória e qualitativa, baseada em estudos
de casos realizados em 15 hospitais: 5 públicos, 6 privados filantrópicos e 4 privados, localizados
em Minas Gerais. A coleta de dados se deu por meio de entrevistas não estruturadas com
funcionários, gestores e consultores de hospitais, de observação não participante realizada
durante visitas aos hospitais pelos pesquisadores e da análise de dados contábeis e de relatórios
gerenciais disponibilizados pelos hospitais.
A pesquisa exploratória descritiva qualitativa promove melhor interpretação, visão e
contextualização de problemas observados na realidade social (MALHOTRA, 2001). No que
tange aos estudos de casos, Yin (2005) destaca que esses podem ser entendidos como uma forma
de fazer pesquisa empírica, investigando e analisando fenômenos atuais dentro do seu contexto
de vida real. Os estudos de casos e a coleta de dados qualitativos possibilitaram o entendimento e
a comparação das situações dos CI, auditoria interna e decorrentes limitações na gestão financeira
dos hospitais pesquisados.
Os dados coletados por meio das entrevistas foram analisados qualitativamente com base na
análise de conteúdo. A análise de conteúdo envolve as iniciativas de explicitação, sistematização
e expressão do conteúdo de mensagens (BARDIN, 2002). Essa análise visa efetuar deduções
lógicas e justificadas sobre da origem das referidas mensagens – o emissor, seu contexto e os
efeitos que se pretende causar por meio delas. Como categorias de análises foram propostas:
existência dos CIs, características dos CIs, relação entre CIs e SIs, e limitações e benefícios dos
CIs.
4. Apresentação e discussão dos resultados
4.1. Estrutura e funcionamento dos SIs nos hospitais
Os SI em hospitais se caracterizam como ferramentas essencialmente operacionais, ou seja, ainda
se mostram incipientes em termos de ferramentas de suporte gerencial. Ainda não parecem ser
usados eficazmente como ferramenta para a gestão estratégica. Acredita-se que tal fato depende
significativamente do interesse dos gestores. Os SIs atendem em geral os processos e as
atividades mais básicas, ou seja, realizam e armazenam as rotinas necessárias do negócio, mesmo
assim em geral apresentam limitações. Nos hospitais públicos há sistemas que são integrados
com a prefeitura e com o estado, principalmente em termos de compras, orçamento, contabilidade
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e folha de pagamentos. Nestes casos, os SIs são acessados via Internet. No caso de dois dos
hospitais públicos estudados, que são municipais, boa parte dos SIs é centralizada no órgão de
gestão da prefeitura ou do estado.
Os hospitais públicos da rede municipal são submetidos a um estrito sistema de controle contábil
e financeiro. Os hospitais, assim como demais organizações municipais (órgãos da administração
direta e indireta), precisam fazer uso de diversos SIs do município. Cumprir com o nível de
detalhamento e com os prazos dos sistemas do tribunal de contas requer que os hospitais
apresentem um SCI bem estruturado. Nem todos os dados requisitados pelos sistemas do tribunal
são gerados automaticamente pelos SIs dos hospitais municipais estudados, o que exige que cerca
de 30% dos dados sejam digitados manualmente com o apoio de planilhas. No caso dos hospitais
públicos estudados, três são estaduais e universitários. Nesses hospitais, os SIs são integrados às
respectivas universidades, pois não são entidades separadas das respectivas universidades. Os
controles centralizados existentes nos hospitais municipais são equivalentes nestes universitários,
mas no caso a centralização é feita pelas universidades. O terceiro hospital estadual estudado é
gerido por uma organização não governamental. Nesse caso, os SIs são específicos do hospital e
a prestação de contas se dá por meio de relatórios gerados a partir dos sistemas contábeis. A
prestação de contas detalhada torna a gestão deste hospital bastante transparente.
Tanto os hospitais filantrópicos como os hospitais com fins lucrativos podem escolher quais
sistemas usar para fins de controle contábil, financeiro e orçamentário. Cada um destes hospitais
precisa escolher os sistemas em conformidade com suas características operacionais e
financeiras. No caso dos hospitais filantrópicos, a limitação de recursos financeiros é citada como
razão principal para as deficiências dos SIs. A restrição de recursos por sua vez implica em
limitação de pessoal qualificado em relação à seleção e ao uso dos sistemas. Os médicos
dominam a cúpula administrativa dessas organizações e desenvolvem um estilo amador de
gestão. Em pelo menos um dos hospitais com fins lucrativos estudados não há restrições
financeiras, mas há graves problemas com os SIs. Esse hospital enfrenta dificuldades na gestão
de informações operacionais básicas e principalmente de informações para suporte gerencial.
Como exemplo de problemas nas informações operacionais pode-se citar o controle das receitas e
do consumo de recursos no desenvolvimento das atividades operacionais básicas, como cirurgias
e exames.
O foco dos hospitais privados, tanto filantrópicos como com fins lucrativos, são os planos de
saúde. O sistema usado para a gestão administrativa de seis dos hospitais privados estudados é
fornecido por grandes fornecedores brasileiros de sistemas de gestão. Apesar de serem sistemas
bem reconhecidos, apresentam uma série de limitações em termos de integração. Observaram-se
problemas na utilização desses sistemas para diversas atividades de controle Um dos hospitais
com fins lucrativos estudado é controlado por um operador de planos de saúde e observou-se que
não existe acompanhamento da gestão do hospital em termos de lucratividade, apenas em termos
de atendimento dos usuários dos planos. O hospital serve preferencialmente para o atendimento
de clientes de baixa renda, inclusos em planos de baixa rentabilidade. Assim, o foco do operador
é manter hospitais próprios para resguardar uma participação no mercado. A falta de
investimentos deste hospital em controles gerenciais reforça esta constatação.
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4.2. Sistema de controle interno (SCI) e papel dos SIs como instrumento de controle
Nos hospitais estudados, muitos dos CIs considerados básicos em outros setores precisam ser
desenvolvidos em planilhas eletrônicas, o que requer pouco ou nenhum investimento. Isso
decorre de erros cometidos na implantação dos SIs. A criação e a manutenção de controles em
planilhas eletrônicas podem ser entendidas como desafios informacionais para os hospitais, pois
são mais passíveis de erros. Nos três tipos de hospitais estudados foi possível observar o uso
generalizado de planilhas, tanto como instrumento de controle como de geração de informações
para suporte gerencial. Além do alto risco de erros, as planilhas apresentam ainda limitação ao
acesso. Em geral apenas quem desenvolve a planilha consegue compreender sua estrutura.
Há uma exigência do SUS que força todos os hospitais a terem controle estrito sobre os
atendimentos/serviços prestados aos pacientes, o que contribui para que os hospitais desenvolvam
controles internos, inclusive na forma de planilhas. Trata-se do envio mensal de dados para o
Sistema DataSus (http://www2.datasus.gov.br/DATASUS/index.php), mantido pelo Ministério
da Saúde. Aos poucos, esse sistema tem aumentado a exigência por dados operacionais. Para
conseguir ter todos os dados necessários, os hospitais precisam ter controle da obtenção e do
registro dos dados, tanto em termos de tempestividade como também de completude e precisão.
Não alimentar o DataSus corretamente pode implicar em redução das receitas. Essa exigência se
mostra um avanço na direção de se ter transparência na gestão de hospitais.
4.3. Procedimentos de controle internos (PCIs) em uso nos hospitais
Os PCIs devem ocorrer em consonância aos objetivos estratégicos do hospital. É comum
encontrar em hospitais objetivos relacionados à eficiência de resultados, apesar de ainda
apresentarem custos fixos muito elevados. Alguns dos hospitais estudados convivem com
receitas insuficientes para cobrir todos os custos, o que demonstra falhas inclusive nos controles
internos. Diante de tantos desafios, é importante a adoção de PCIs orientados a conseguir
eficiência operacional e financeira.
Os PCI devem num primeiro momento orientar os hospitais a não incorrerem em resultados
negativos. Em um segundo momento, devem levar as organizações a aumentar sua participação
no mercado e obter resultado positivo. Isto pode até parecer um procedimento paradoxal em
alguns hospitais, nos quais os acionistas são os próprios médicos, que fazem retiradas por meio
da remuneração pelos serviços que prestam e parecem não se importar que o hospital seja
deficitário. Quanto ao atendimento a pacientes particulares, no caso de hospitais filantrópicos, o
procedimento de controle observado corresponde ao mesmo procedimento verificado para o
faturamento SUS. Para resguardar informações relevantes demandadas pela legislação vigente, os
hospitais apresentam a escrituração contábil das despesas com concessão de gratuidades a
usuários dos serviços reconhecidamente carentes, segregadas das demais despesas.
Assim, em todas as operações relevantes observadas verificam-se procedimentos de controle que
procuram atender as necessidades de informações dos usuários, que se apresentam funcionais e
disponibilizam informações úteis e no prazo esperado. Assim, o Quadro 1 apresenta
resumidamente os procedimentos de controle observados.
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Operações Relevantes
Descrição dos CIs
Atendimento SUS
Números seqüenciais de contas médicas, e informação resguardada
em banco de dados (Software)
Reconhecimento de Despesas Financeiras Utilização de Fluxo de Caixa (Cash Flow) e Orçamento
Constituição de Passivo Tributário
Lançamento em software com formulário e campos específicos, e
validação com cadastro de prestadores
Atendimento a pacientes particulares
Números seqüenciais de contas médicas, e informação resguardada
em banco de dados (Software)
Cumprimento das disposições expressas
na legislação que trata das Entidades
Filantrópicas
Escrituração contábil em rubricas especificas das gratuidades
concedidas
Fonte: Elaborado pelos autores
Quadro 1 - Descrição dos Procedimentos de CIs
O atendimento a pacientes particulares, da mesma forma como incorre com o faturamento SUS,
observa-se que não existe controle de contas a receber que confronte o montante total faturado
por paciente, com a importância efetivamente quitada e evidenciada em extrato de conta corrente
do hospital. Como se trata de uma informação muito importante, os hospitais deveriam já contar
com PCI específicos que buscassem garantir conhecer no tempo certo o valor a receber por
paciente e por financiador (SUS ou operadores de planos). O Quadro 2 apresenta resumidamente
os riscos e as limitações observados no contexto administrativo e operacional dos hospitais
filantrópicos.
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Operações Relevantes
Riscos/Limitações
Atendimento SUS
Ausência de controle de contas a receber com confronto de provisão
e liquidação do faturamento
Reconhecimento de Despesas Financeiras
Não se apresentam riscos nesta operação relevante nos controles
observados
Constituição de Passivo Tributário
Ausência de controle de retenção de impostos conforme todas as
disposições da legislação vigente
Atendimento a pacientes particulares
Ausência de controle de contas a receber com confronto de provisão
e liquidação do faturamento
Cumprimento das disposições expressas
na legislação que trata das Entidades
Filantrópicas
Ausência de acompanhamento em relatório extra-contábil acerca as
gratuidades concedidas
Fonte: Elaborado pelos autores
Quadro 2 - Riscos/Limitações dos Procedimentos de CIs
Quanto ao ambiente informacional, fica evidenciado que existe uma grande dificuldade quanto à
relação da integração de informações entre a operadora, seus hospitais, hospitais terceiros,
consultórios e agentes reguladores. É um ponto importante a se considerar, pois tal integração
requer PCI muito bem definidos. Há pacientes que vem de longe para serem atendidos em um
hospital, então cobrar pelos seus serviços não é uma tarefa simples. Requer transferências de
recursos entre operadores de planos de saúde. Há muita improvisação e soluções localizadas,
desenvolvidas por interesse dos próprios funcionários usuários dos sistemas, sempre com base em
planilhas porque os SIs são incompletos e/ou inadequados para tal tarefa. O uso do MS-Excel é
praticamente indiscriminado e não conta com plano formal de segurança dos dados.
5. Considerações finais
Conforme observado nos hospitais, a necessidade de informações de gestores e de usuários
externos é uma demanda sempre crescente que exige atenção de todos envolvidos. Existem
inúmeras formas e tentativas de manter controle das operações relevantes nos hospitais, dentre
elas pode-se destacar que a cultura organizacional é um fator determinante na eficiência, eficácia
e sucesso dos PCI. A implantação e acompanhamento dos PCI ainda se mostra um grande desafio
para os gestores, que nem sempre são qualificados para funções gerenciais e administrativas.
Enfrentam ainda resisitência de parte de seus funcionários da área de saúde, que não desenvolveu
ainda uma cultura focada na eficiência dos processos e na qualidade dos serviços prestados. Desta
forma, os PCI necessitam estar fundamentados na real necessidade de informação dos gestores,
com objetividade, funcionalidade, e sem impedimento ao cumprimento das expectativas que a
sociedade tem em relação aos hospitais.
Paralelamente à necessidade de informações dos gestores, existe também a necessidade de
prestação de informações a órgãos regularoes e fiscalizadores. Portanto, os CIs em hospitais
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necessitam compreender toda a operação, ou seja, desde a primeira etapa até a conclusão e,
posteriormente, manter em arquivo/banco de dados seguro as informações. Portanto, os PCIs
precisam ser projetados em conformidade com a realidade dos hospitais, que vem recebendo cada
vez mais cobranças por parte do SUS e dos operadores de planos de saúde. Observou-se que os
hospitais estudados contam com controles muito limitados, que ocasionam inclusive perda de
caixa. Os hospitais estudados se mostram carentes de informações gerenciais, pois ainda não
conseguem dispor adequadamente nem das informações operacionais. Observou-se, ainda, que as
exigências de informações por parte do SUS e dos operadores de planos de saúde tem
desempenhado um papel muito importante para o aperfeiçoamento dos CIs nos hospitaisl.
O Quadro 3 apresenta algumas proposta de aperfeiçoamento dos PCI para as principais operações
dos hospitais. São propostas que visam o aprimoramento do ambiente de controle e da qualidade
das informações.
Operações Relevantes
Propostas
Atendimento SUS
Implementar controle de contas a receber com confronto de provisão
e liquidação do faturamento
Reconhecimento de Despesas Financeiras Não há sugestões
Constituição de Passivo Tributário
Implementar controle de retenção de impostos conforme todas as
disposições da legislação vigente
Atendimento a pacientes particulares
Implementar controle de contas a receber com confronto de provisão
e liquidação do faturamento
Cumprimento das disposições expressas
na legislação que trata das Entidades
Filantrópicas
Implementar de acompanhamento em relatório extra-contábil acerca
as gratuidades concedidas
Fonte: Elaborado pelos autores
Quadro 3 - Proposta de Procedimentos de CIs
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análise do sistema de controle interno de hospitais mineiros