UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO” - UNESP FACULDADE DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS CAMPUS DE MARÍLIA IV SEMINÁRIO NACIONAL DE ESTUDOS PRISIONAIS III FÓRUM SOBRE VITIMIZAÇÃO DE MULHERES NO SISTEMA DE JUSTIÇA CRIMINAL RELATÓRIO CIENTÍFICO MARÍLIA, NOVEMBRO DE 2014 1 Sumário INTRODUÇÃO .......................................................................................................................... 3 CREDENCIAMENTO ............................................................................................................... 7 PROGRAMAÇÃO CIENTÍFICA .............................................................................................. 8 PRIMEIRO DIA – 25 DE AGOSTO DE 2014. (Abertura) .................................................... 8 PRIMEIRO DIA – 25 DE AGOSTO DE 2014. (tarde) ........................................................ 11 SEGUNDO DIA – 26 DE AGOSTO DE 2014. (manhã) ..................................................... 15 SEGUNDO DIA – 26 DE AGOSTO DE 2014. (tarde) ........................................................ 19 TERCEIRO DIA – 27 DE AGOSTO DE 2014. (tarde) ....................................................... 24 SESSÕES DE COMUNICAÇÕES ...................................................................................... 29 DIVULGAÇÃO ....................................................................................................................... 34 PARTICIPAÇÃO ...................................................................................................................... 36 RESULTADOS ......................................................................................................................... 37 EQUIPE RESPONSÁVEL ....................................................................................................... 38 ANEXO .................................................................................................................................... 40 2 INTRODUÇÃO O crescimento acelerado das taxas de encarceramento feminino no Brasil, e mais especificamente, no Estado de São Paulo, tem chamado cada vez mais a atenção do debate público em torno dos problemas e dinâmicas perversas associadas à condição da mulher no cárcere. Conforme números oficiais do INFOPEN – MJ, em uma década (entre 2002 – 2012), o número de presas no país saltou de aproximadamente 5.800 internas para mais de 36.000 mulheres presas. Em termos proporcionais, este aumento absoluto significou o dobro de representatividade das mulheres no sistema prisional, que, em 2002, correspondia a 3,3 % da população total de encarcerados no Brasil, saltando para 6,7 % em 2012. O aumento vertiginoso de internas colide diretamente com um cenário dramático das condições de encarceramento no país, o qual se torna mais agravado dada as particularidades de gênero em instituições prisionais sabidamente masculinas e masculinizantes (CHIES; COLARES, 2010, p.411). Como mostra de forma ampla a literatura relacionada ao tema do encarceramento feminino, a condição vulnerável da mulher no cárcere é tradicionalmente silenciada por conta de sua baixa representatividade no conjunto da população encarcerada e por uma construção de gênero que desassocia a figura feminina dos atos de criminalidade. Este contexto favorece que mulheres cumpram penas em situações degradantes e com pouca visibilidade a respeito dos processos de vitimização que sofrem no interior do sistema de Justiça Criminal. De modo geral, a luta pela conscientização desta problemática tanto por parte do poder público, como por associações e entidades defensoras de direitos, tem se concentrado do esforço de elaborar um diagnóstico destas condições desumanas das mulheres encarceradas e, por meio desta maior visibilidade, operar transformações nas políticas criminais e penitenciárias de modo a erradicar essas formas de violências e violações de direitos que vitimizam mulheres nas instituições penais brasileiras. Como aponta um dos principais relatórios sobre mulheres encarceradas no Brasil: No caso do encarceramento feminino, há uma histórica omissão dos poderes públicos, manifesta na completa ausência de quaisquer políticas públicas que considerem a mulher encarcerada como sujeito de direitos inerentes à sua condição de pessoa humana e, muito particularmente, às suas especificidades advindas das questões de gênero. Isso porque, como se verá no curso deste relatório, há toda uma ordem de direitos das mulheres presas que são violados de modo acentuado pelo Estado brasileiro, que vão desde a desatenção a 3 direitos essenciais como à saúde e, em última análise, à vida, até aqueles implicados numa política de reintegração social, como a educação, o trabalho e a preservação de vínculos e relações familiares. (CEJIL/AJD/ITTC/IDDD/IBCCRIM, 2007) Essa omissão histórica acerca do respeito aos direitos das mulheres no cárcere e falta de observância dos requisitos mínimos da execução penal no caso das mulheres abre campo para a discussão a respeito das políticas penitenciárias no país. Estas, tradicionalmente, contemplaram as dinâmicas masculinas, além de se mostrarem insuficientes para reformarem a condição dos cárceres no Brasil. Refletindo sobre estas questões, o IV Seminário Nacional de Estudos Prisionais e o III Fórum sobre Vitimização de Mulheres no Sistema de Justiça Criminal propôs a abertura do debate sobre a condição feminina no cárcere e a criação de um espaço favorável à investigação, produção de conhecimentos e proposição de políticas públicas de modo a contribuir com o debate público sobre a temática. O Brasil tem hoje um déficit de 200 mil vagas no sistema penitenciário, a população carcerária atual é de aproximadamente 580.000 presos (Ministério da Justiça / 2013). Só há, no entanto, 363.520 vagas nas unidades prisionais do país, o que demonstra um cenário de superlotação das unidades e péssimas condições de cumprimento da execução penal. O crescimento da taxa de presos por 100 mil habitantes cresceu de modo vertiginoso no Brasil, e nesta tendência, a taxa de mulheres presas foi duas vezes maior do que a dos homens. O número de presos é mais de quatro vezes o registrado há 20 anos. Atualmente, há 280 detentos por 100 mil habitantes. Em 1993, a proporção era de 85 para cada 100 mil. Junto ao constante aumento na taxa de encarceramento no Brasil no período de 2000 a 2010 , assim como o número absoluto de encarceramento de homens e mulheres, pôde-se observar o crescimento do número de presos, e principalmente presas cumprindo a pena em regime fechado. Sobretudo as mulheres, que de 2005 a 2011 passaram de 7.431 a 12.945 para o regime fechado e de 456 a 1.201 em regime aberto; também as jovens em cumprimento de medida socioeducativa que são da ordem de 19.595 em cumprimento de medida de restrição (internação + internação provisória + semiliberdade) de liberdade e 13.362 em cumprimento de medida privação de liberdade (internação). Do período de 2007 a 2012 o percentual das presas em relação ao total de pessoas detidas subiu de 5,97% para 6,48%; e 5,76% da população feminina encarcerada no estado de 4 São Paulo e 35,6% da população feminina encarcerada no Brasil. As jovens em cumprimento de medida socioeducativa de restrição em São Paulo correspondem a 34,3% do Brasil. Essas mulheres enfrentam forte discriminação e encontram-se em desvantagem social e simbólica nas instituições da justiça criminal. A recente legislação e as políticas públicas consequentes, voltadas para a proteção da mulher vítima de violência doméstica, não impedem que as mulheres sejam vítimas de um sistema que tem como objetivo principal exatamente garantir sua proteção. Tendo em vista a permanência deste quadro problemático do sistema prisional no Brasil, o seminário buscou evidenciar as questões sensíveis que concernem à condição feminina nas instituições de Justiça Criminal. O seminário mostrou um painel das pesquisas realizadas sobre encarceramento de mulheres e internação de meninas no Brasil. Uma das preocupações orientadoras das reflexões foi a identificação do perfil de vitimização e a compreensão de que esta está fortemente interligada à vulnerabilidade social das mulheres no Brasil contribuem para a elaboração de políticas públicas específicas, em consonância ao III Plano Nacional de Políticas para as Mulheres e Relatório do Grupo de Trabalho voltado para as Mulheres Encarceradas. Mais importante, e talvez, a maior contribuição da pesquisa é o estabelecimento dos perfis das jovens cumprindo medidas socioeducativas de internação e os perfis das mulheres cumprindo medidas de privação de liberdade. Este objetivo deve ser acompanhado de uma investigação sobre as condições gerais de cumprimento das medidas e das penas. Preliminarmente, é possível observar a forte ligação entre os perfis das mulheres nestes três processos de vitimização: em outros termos, as mulheres que sofrem encarceramento precoce têm o mesmo perfil daquelas que sofrem a violência sexual e experimentam o confinamento. Neste sentido, tende-se a concordar com as reflexões de Colares e Chies (2010) quando dizem que o “peso das diferenças recai sobre as mulheres”. A prisão é um espaço masculino e masculinizante, na medida em que é o corpo masculino que rege seus mecanismos mais sutis e profundos: O confinamento é, pois, quase absolutizado para a maioria das mulheres. São diferentes posições na hierarquia social, mesmo que não se deva abrandar aqui as dores do aprisionamento que incidem sobre os homens. Ser a ‘escória da escória’, como afirma uma das entrevistadas, dá conta dessa posição subordinada e da experiência da segregação na qual o corpo feminino 5 aparece como objeto de maiores interdições (CHIES; COLARES, 2010. pg. 411). As taxas crescentes de encarceramento de mulheres se inserem, ainda, num contexto mais amplo que David Garland (2001) chama de uma cultura do controle do crime. Com a crise das instituições do Estado de Bem-Estar Social, de modo correlacionado, ocorre uma expansão das estratégias de controle do crime, com mecanismos de endurecimento das penas e disseminação de mecanismos de controle social. Ou, como refere Loic Wacquant (2006), a criminalização e o encarceramento dos pobres são retomados como dois grandes mecanismos de imobilização social, diante dos riscos sociais oriundos do enxugamento das instituições de seguridade social. Ou seja, no mundo atual e, sobretudo, no Brasil, os problemas sociais estão sendo geridos pela via do controle penal e punitivo do crime. Dessa forma, a realização deste evento ganha importância na medida em que possibilita e desenvolve a discussão do tema de estudos prisionais e de vitimização de mulheres, mais ainda por permitir o diálogo entre estudantes, pesquisadores e profissionais do sistema prisional e socioeducativo. Desta forma, articulam-se todos os setores que se debruçaram sobre a questão prisional e socioeducativa em uma iniciativa que integra as experiências; possibilita a troca informações e acaba por facilitar a articulação conjunta de ações e propostas para a melhora dos problemas identificados. Um dos resultados da realização do seminário foi a visualização de um panorama do estado da arte das pesquisas sobre vitimização feminina nas instituições da justiça criminal no Brasil. O conjunto de pesquisas apresentadas apontam, nas diferentes realidades dos Estados brasileiros, que as mulheres enfrentam discriminação, encontram-se em desvantagem social e simbólica nas instituições da justiça criminal. O seminário, portanto, incorporou às suas discussões a situação das mulheres submetidas ao encarceramento e também a internação em unidades para jovens. Parte das atividades previstas no seminário foi financiada com recursos de projeto de pesquisa relativos ao edital MCT/CNPq/SPM-PR/MDA/CNPq, Nº 032/2012, processo 405220/2012-0: A Construção Social da Vitimização: perfil das mulheres vítimas de violência no sistema de justiça criminal, Uma análise comparada São Paulo e Pará. A localização do evento na Universidade Federal do ABC (Campus de São Bernardo do Campo) teve por intuito interligar os grupos de pesquisa liderados pelos professores Dr. Luís Antônio Francisco de Souza e Dra. Camila Nunes, e a consequente aproximação entre UNESP e UFABC a fim de fortalecer os laços entre os pesquisadores que se debruçam sobre o tema. E, por fim, buscou auxiliar na consolidação da área de ciências humanas da UFABC. 6 CREDENCIAMENTO A recepção para o credenciamento dos participantes foi montada ao lado do anfiteatro em que foi realizada a mesa de abertura. Apesar da falta do recibo para as inscrições na hora, as pessoas foram compreensíveis e o realizaram no decorrer dos dias de duração do evento. Aqueles que se inscreveram anteriormente receberam o Kit (Pasta contendo: caneta, bloco de notas, folder com a programação do evento, CD com os trabalhos aprovados para a sessão de comunicações, e crachá) juntamente com o certificado após assinarem a lista de presença. Os inscritos que efetuaram o pagamento em tempo recente à data do evento mostraram o comprovante de pagamento, e os que se inscreveram na hora informavam nome e e-mail para recebimento do certificado. Mediante ao pagamento correspondente ao grau de cumprimento do nível de ensino superior (estudante de graduação ou pós-graduação) ou funcionário do sistema prisional ou socioeducativo, estes recebiam o kit do evento; exceto aqueles que tinham isenção. Alguns certificados sobraram devido à ausência de alguns inscritos ou por outro motivo. 7 PROGRAMAÇÃO CIENTÍFICA PRIMEIRO DIA – 25 DE AGOSTO DE 2014. (Abertura) SOLENIDADE DE ABERTURA 8 CONFERÊNCIA DE ABERTURA – 10h00 – 12h00 Período Matutino Início: 10:00 (30 minutos de atraso) DR. LUIZ ANTÔNIO BOGO CHIES (UCPel – Universidade Católica de Pelotas) ENCARCERAMENTO FEMININO NO BRASIL: ABRINDO A CAIXA DE PANDORA. Resumo A partir de uma inicial exposição de dados referentes à realidade do encarceramento feminino no Brasil e às recentes iniciativas político-criminais e penitenciárias vinculadas a essa especificidade prisional, bem como atinentes à produção acadêmico-científica que se debruça sobre essa temática e campo, a conferência se propõe a tensionar as perspectivas epistemológicas que inserem na cognição e enfrentamento da questão penitenciária (em seus aspectos gerais e específicos de gênero). A proposta é: através do reconhecimento de elementos como a complexidade dos contextos de violência e encarceramento, permanências sócio-culturais que atuam como inibidores de posturas e práticas de igualdade, etc... encaminhar o debate – inclusive como fomento às atividades do evento – no sentido da formulação de emancipatórios referenciais teóricos-metodológicos. Duração: 1º 16’ 23’’ Questionamentos e discussão Duração: 42’ e 25’’ Final: 12:11 9 10 PRIMEIRO DIA – 25 DE AGOSTO DE 2014. (tarde) MESA 1: 14h00 – 18h00 PRISÕES NO BRASIL E PERSPECTIVAS DA PUNIÇÃO Período Vespertino Início: 14:40 (40 minutos de atraso devido a problemas com o som – microfone do palestrante). DEBATEDORA: DRA. CAMILA CALDEIRA NUNES DIAS (UFABC) COORDENADOR: JOSÉ BLANES SALA (UFABC) Coordenador - Apresentação dos participantes que compunham a mesa. Duração: 3’ e 27’’ DR. FERNANDO AFONSO SALLA (Nev-USP) O LUGAR DAS PRISÕES NA TRAJETÓRIA PUNITIVA DO BRASIL. Resumo A proposta da comunicação é refletir sobre o lugar da prisão na trajetória histórica das percepções e sensibilidades em torno da punição no Brasil. O argumento central é de que a prisão enquanto espaço de segregação e de cumprimento da pena privativa de liberdade foi o lugar por excelência dos paradoxos e contradições da sociedade brasileira. Nas prisões, as racionalidades jurídicas modernizadoras, entendidas como aquelas que asseguram os direitos dos indivíduos e o tratamento igualitário aos cidadãos, eram e são constantemente desafiadas e negadas por percepções e sensibilidades punitivas que conformam práticas de violência, tortura, discriminação. Duração: 25’ e 45’’ DR. LUIZ CLAUDIO LOURENÇO (UFBA) RECEITA PARA O CAOS: NOTAS SOBRE A PROLIFERAÇÃO DE COLETIVOS PRISIONAIS (PRISON GANGS) NO BRASIL. Resumo As mortes violentas ocorridas recentemente nos presídios maranhenses expôs mais uma vez várias mazelas vivenciadas nas prisões brasileiras, dentre elas: a violência entre 11 internos mediada por seu pertencimento a um coletivo. Diante do ocorrido, repercutiu a pergunta por todo o país: como chegamos a isso? O presente trabalho visa lançar e discutir algumas hipóteses sobre o fenômeno da proliferação e estruturação de coletivos de internos (prison gangs) nas prisões brasileiras. Para tecer tais considerações serão utilizadas as contribuições recentes da literatura brasileira e internacional que estuda organizações de internos dentro de unidades prisionais. Trataremos também de expor nossas hipóteses a luz das evidências empíricas disponíveis (relatório da CPI carcerária de 2008, matérias de jornalísticas veiculadas na mídia, depoimentos de membros do staff prisional) dos diferentes estados da federação que agregam informações sobre o fenômeno. Duração: 17’ e 30’’ (utilização de Power point para sua exposição). Interferência do coordenador da mesa - Esclarecimentos sobre os questionamentos (através de papeis). Duração: 1’ e 15’’ DRA. ALESSANDRA TEIXEIRA (UNESP) CRISE DO SISTEMA PRISIONAL E AS NOVAS FACES DA ARTICULAÇÃO CRIMINAL Resumo Esta comunicação pretende problematizar as mais recentes crises do sistema penitenciário nacional, marcadas por manifestações extremas de violência entre os presos, à luz do papel desempenhado pelo Estado mais contemporaneamente na gestão dos ilegalismos. Para além da brutalidade das condições materiais de encarceramento, da superlotação das unidades, e da exacerbada cultura da violência institucional que marca a atuação do Estado nas prisões, tem prevalecido uma interpretação que atribui ao “domínio do crime organizado” nesses locais a matriz da crise no sistema penitenciário brasileiro. Por um lado, pretende-se discutir a própria pertinência do conceito de “crime organizado” para caracterizar a constituição desses agrupamentos nos interior das prisões e seu transbordamento às periferias dos grandes centros. Essa discussão vem acompanhada de uma necessária problematização do papel do Estado na gestão dos ilegalismos urbanos, ao recrutar ao interior das prisões uma criminalidade desorganizada, avulsa, primordialmente patrimonial, ofertando as condições para que tais indivíduos articulem-se nesse espaço e tornem-se potencialmente mais conectados a economias criminais urbanas, mantendo-se muito à margem, contudo, das atividades ilegais que operam em larga escala mercados criminais verdadeiramente 12 estruturados, como as organizações criminosas transnacionais. Duração: 21’ e 32’’ DR. CARLOS HENRIQUE AGUIAR SERRA (UFF) PODER PUNITIVO E SISTEMA PENAL: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES. Resumo Pretende-se refletir a respeito da relação existente entre o poder punitivo e sistema penal no Brasil, na conjuntura atual, sob uma perspectiva de longa duração. Trata-se de analisar, por exemplo, a partir dos anos 90, o fenômeno da “inflação carcerária”, da onda punitiva no país, onde observa-se um crescimento exponencial da população carcerária. Cabe, então, enquanto possibilidade interpretativa, a proposta de desconstrução do poder punitivo e também, a problematização e dessacralização da pena na sociedade brasileira. Duração: 22’ e 46’’ Interferência do coordenador da mesa Duração: 3’ Fala da Debatedora Duração: 22’ e 06’’ Resposta dos participantes que compunham a mesa à debatedora. Duração: 16’ e 52’’ Resposta dos participantes que compunham a mesa as questões feitas pelos participantes do evento. Duração: 35’ e 53’’ Final:17:22 Obs: Aproximadamente 100 pessoas presentes e algumas reclamações sobre falta de café. 13 14 SEGUNDO DIA – 26 DE AGOSTO DE 2014. (manhã) MESA 2: 08h30 – 12h30 JOVENS, GÊNERO E SISTEMA SOCIOEDUCATIVO. Período Matutino Início: 09:20 (atraso devido a problemas técnicos - projetor e som). DEBATEDOR: DR. MARCOS CÉSAR ALVAREZ (USP) COORDENADORA: ADRIANA CAPUANO (UFABC) Coordenadora - Apresentação dos participantes que compunham a mesa. Duração: 3’ e 32’’ MS. ROSÂNGELA TEIXEIRA GONÇALVES (UNESP) UM BREVE PANORAMA SOBRE O SISTEMA SOCIOEDUCATIVO FEMININO DO ESTADO DE SP. Resumo A partir da pesquisa realizada nas cinco Unidades Socioeducativas femininas de internação do estado de São Paulo intitulada “A Construção Social da Vitimização: perfil das mulheres vítimas de violência no sistema de justiça criminal, Uma análise comparada São Paulo e Pará” a presente comunicação tem como objetivo trazer para o debate um panorama acerca de como está articulado o sistema socioeducativo feminino no Estado de São Paulo, possibilitando verificar o cumprimento ou não as diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA e do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo -SINASE, bem como as condições de cumprimento da medida e o perfil das jovens internas, a fim de subsidiar a proposição de políticas públicas que levem em conta as diferenças de gênero no cumprimento das medidas. Duração: 17’ e 52’’ MS. JOANA D'ARC TEIXEIRA (UNESP) “MENINAS INVISÍVEIS”: RELAÇÕES DE GÊNEROS POR ENTRE AS GRADES DO SISTEMA SOCIOEDUCATIVO. Resumo Esta comunicação tem como proposta discutir questões referentes ao cumprimento das medidas socioeducativas de internação por jovens do sexo feminino: quais são as marcas de 15 gênero que atravessam as instituições para jovens institucionalizadas no sistema socioeducativo? Como elas aparecem? Quais as suas implicações políticas para invisibilidade da condição feminina entre as grades? Essas questões possibilitam pensar: 1) que sistema socioeducativo é esse; 2) quais as concepções de gênero que atravessam os atendimentos destinados a essas jovens e como elas, por sua vez, engendram processos de subjetivação, no sentindo de imputar sobre os corpos dessas jovens concepções e marcas do que é socialmente considerado como ideal para o sexo feminino. A questão de gênero faz emergir análises e reflexões sobre o atendimento destinado a essas jovens de modo a pensar o lugar por elas ocupado, suas vivências e trajetórias em espaços até certo tempo legitimados para jovens do sexo masculino. Se, para os jovens do sexo masculino há uma prerrogativa de preparação para o trabalho, mesmo que essa preparação seja mediante a profissões pouco valorizadas, para as jovens, há uma busca pela aprendizagem de fazeres domésticos – como a limpeza, cuidados e arrumação dos espaços -, bordados, atividades de manicure e de cabeleireira, cozinheiras, arrumadeiras em hotéis dentre outras atividades consideradas como sendo do universo feminino. Observam-se nessas instituições, a valorização de determinados padrões e comportamentos afinados a modelos de conduta socialmente aceitas e reconhecidas como sendo do sexo feminino, como passividade e obediência, exigidas em diferentes espaços e contextos sociais e de sociabilidade, que novamente são reiterados pelo sistema socioeducativo, como forte demarcadores em sua trajetória institucional. Duração: 21’ e 55’’(utilização do Power point com uma imagem de fundo para toda a sua apresentação). MS. ADRIANA ELISA DE ALENCAR MACEDO (UFPA) ENTRE EDUCAR E PUNIR. JOVENS E PRÁTICAS SOCIOEDUCATIVAS NO CENTRO SOCIOEDUCATIVO FEMININO (CESEF) EM BELÉM-PA. Resumo Esta pesquisa analisou as práticas no atendimento às adolescentes que se encontram no Centro Socioeducativo Feminino (CESEF), em Belém do Pará. Escolhemos pesquisar sobre adolescentes do sexo feminino por serem poucas as pesquisas relacionadas às adolescentes e mulheres que são autoras de atos infracionais. O objetivo principal foi desenvolver uma pesquisa que permita problematizar as práticas que são realizadas neste centro, por meio de uma análise genealógica dos documentos utilizados durante o ano 2012, tendo como objetivos específicos: descrever que sujeito é produzido nestas práticas de atendimento neste espaço; 16 analisar quais são os profissionais que atuam neste centro através do edital de 2004 e por último, problematizar como são feitas as distribuições dos setores por meio da análise da planta baixa juntamente com as fotos que foram tiradas do Centro com a finalidade de contribuir com a análise dos aspectos físicos do local, em termos do panoptismo. Por meio das análises feitas nos documentos, concluímos que as práticas que ali são organizadas funcionam como dispositivos disciplinares e controladores, que esquadrinha o corpo de cada adolescente, produzindo uma verdade e forjando subjetividades. Duração: 22’ 25’’ (utilização de Power point para sua exposição). DRA. FLÁVIA CRISTINA SILVEIRA LEMOS (UFPA) A PRODUÇÃO DA ANORMALIDADE E DO INDIVIDUO PERIGOSO NAS AVALIAÇÕES PSICOLÓGICAS NO SISTEMA PRISIONAL E SOCIOEDUCATIVO: UMA CRÍTICA À MEDICALIZAÇÃO E JUDICIALIZAÇÃO DA VIDA. Resumo Será abordada nessa apresentação uma problematização das práticas de produção da anormalidade e do indivíduo perigoso nas avaliações psicológicas. Interroga-se como a medicalização e a judicialização da vida forjam sujeitos e modos de punir e gerir a pena, na relação entre normas e leis. Também se descreve e analisa-se como as práticas psi operam especialismos que fabricam determinados efeitos na modulação da pena e da punição. Duração: 27’ e 08’’ Interferência da coordenadora da mesa Duração: 2’ Fala do Debatedor Duração: 30’ e 36’’ Interferência da coordenadora da mesa - Esclarecimentos sobre os questionamentos (através de papeis e do microfone). Duração: 2’ Respostas dos participantes que compunham a mesa ao debatedor. Duração: 20’ e 10’’ Respostas dos participantes que compunham a mesa as questões feitas pelos participantes do evento. Duração: 46’ e 22’’ 17 Final: 12: 27 Obs: Aproximadamente 100 pessoas presentes. Mudança de comum acordo na ordem de fala dos palestrantes. 18 SEGUNDO DIA – 26 DE AGOSTO DE 2014. (tarde) MESA 3: 14h30 – 18h30 A SITUAÇÃO DAS MULHERES NO CÁRCERE: ATORES, TEMAS E DESAFIOS. Período: Vespertino Início: 14:51 (atraso de 21minutos devido a organização da mesa e do som) DEBATEDOR: DR. LUIZ ANTONIO BOGO CHIES (UCPel – Universidade Católica de Pelotas) COORDENADORA: ANA KEILA PINEZI (UFABC) Coordenadora - Apresentação dos participantes que compunham a mesa. Duração: 3’ DRA. LENI BEATRIZ CORREIA COLARES (FURG) A MULHER ENCARCERADA COMO MEMBRO DE UM “COLETIVO PERIGOSO”: ENTRE A REPRESSÃO E A SUJEIÇÃO AO TRÁFICO DE ENTORPECENTES. Resumo O estudo, realizado na Penitenciária Feminina Madre Pelletier (RS) no período 20072008 avalia o encarceramento da mulher na sociedade contemporânea que se define por uma relação específica com os delitos vinculados às drogas, reposicionando os processos sociais da prisão. Os delitos de drogas, inseridos penalmente como crimes hediondos, repercutem sobre a economia das penas, pela imposição de sentenças mais severas, que prolongam o tempo de encarceramento e ampliam o tamanho da população encarcerada, inferindo, igualmente sobre a dinâmica institucional e afetando a trajetória do encarceramento feminino. Analisamos as relações entre presas e custodiadores, enfatizando a existência de uma narrativa socio-penal que acompanha a entrada de toda presa por tráfico de drogas na penitenciária enquanto membro de “um coletivo perigoso”, e confrontamos esse discurso com os dados relativos ao concurso criminal no qual as presas foram efetivamente inseridas. Mostramos que a maioria das presas se insere na criminalidade de massas e, com esse entendimento, discutimos a noção de periculosidade enquanto conceito do Poder Regulador em sua construção do tipo-ideal traficante quando relacionada à mulher, em termos de sua injunção ou afastamento do discurso positivista que tradicionalmente marcou as práticas na execução penal feminina. Os dados qualitativos nos permitiram avaliar motivações, trajetórias e vínculos das mulheres pesquisadas em seu envolvimento com os delitos de drogas, apresentando situações díspares 19 que apontam para relações de sujeição e também para adesão e compartilhamento à lógica mercantil e aos riscos próprios ao tráfico. Verificamos como se cruzam as engrenagens repressivas com as que são produzidas pelo próprio tráfico no extra e no intramuros, capturando a maioria das presas em relações cativas, bem como, incindindo, ainda, sobre as relações familiares e desconstruindo qualquer possibilidade de uniformização discursiva. Duração: 22’ MS. ANA CAROLINE MONTEZANO GONSALES JARDIM (Universidade de Caxias do Sul) A PRODUÇÃO DE DISCURSOS SOBRE O FEMININO NA QUESTÃO PENITENCIÁRIA BRASILEIRA. Resumo Nos últimos 10 anos houve um expressivo aumento no número do encarceramento de mulheres no Brasil, o que por sua vez, desencadeou a criação de instrumentos normativos e ações destinadas ao público feminino nas prisões, os quais são posteriores à Lei de execução Penal. Segundo o CNPCP (Conselho Nacional de Políticas Criminais e Penitenciarias), a prisão de mulheres no Brasil, requer a produção de ações específicas, e ainda, “condizentes com o gênero feminino”. Contudo, o aumento do encarceramento de mulheres, vem despertando diferentes olhares e fomentado diversos e divergentes discursos, os quais buscam explicar suas causas. Entre tais discursos, muitos ainda estão centrados nos chamados “delitos de gênero” ou na crença de que existe uma criminalidade especificamente feminina. Em face ao contexto apresentado, propõe-se a seguinte reflexão: “Em que medida a expansão destes instrumentos normativos os quais são acompanhados de discursos que os legitimam, configuram-se enquanto mecanismos político-operacionais emancipatórios às mulheres privadas de liberdade?” Duração: 22’ (utilização do Power point com uma imagem de fundo para toda a sua apresentação). MS. MARIA LUIZALORENZONI BERNARDI (URCAMP/Bagé) CÁRCERE, GÊNERO E FAMÍLIA. ESTUDO ETNOGRÁFICO SOBRE A EXPERIÊNCIA DE MULHERES DO TRÁFICO DE DROGAS. Resumo A pesquisa foi realizada no Presídio Regional de Bagé. Análise de dados quantitativos 20 fornecidos pelo Departamento Penitenciário Nacional e pelo Presídio Regional de Bagé. A entrada no campo se deu em razão de pertencer ao Conselho da Comunidade desde 2004. As mulheres são colocadas em presídios masculinos, por opções político- penitenciárias Estabelecimentos Masculinamente Mistos. O que se vê é o improviso. Adaptações a espaços que não passam de apêndices do estabelecimento masculino. Em Bagé o ambulatório foi transformado em cela feminina. As relações de dentro do presídio correspondem, em parte, ao que se experimenta fora dele, que acabam sendo ressignificadas. Não há dois modos de ver o mundo. São modos de uma mesma forma de conhecer, significar, que são revistas ou num novo contexto. A relação com um homem é, na maioria, a justificativa da entrada das mulheres para o tráfico. Não se reconhecem como criminosas, pois as identidades relacionadas à vida doméstica, de mãe, companheira, filha, se sobrepõe àquela de “traficante”. Estando no tráfico, passa a agir de forma a preservar os laços familiares e quando presas, são estes laços que se rompem. Entendem que não há ilicitude nos atos praticados por elas, pois traficaram para sustentar os filhos. O tráfico confere a elas um empoderamento. São mais importantes, mais bonitas, mais bajuladas. A ascensão rápida, o ganho fácil, mesmo que por pouco tempo, é também motivo para permanecerem nessa atividade. No tráfico são mais vulneráveis, pois desempenham papeis secundários, posição subalterna em relação ao homem. Tornam-se alvo fácil para o sistema penitenciário. Caráter seletivo do sistema de justiça criminal que opera de modo mais intenso entre os indivíduos mais vulneráveis. O encarceramento revela-se uma experiência marcante. As mulheres enfrentam práticas institucionais marcadas por relações patriarcais. Submissão a condições degradantes para ficar próxima da família. Estigma afeta as redes de sociabilidade familiar e comunitária. As pessoas rejulgam os condenados pela justiça. Duração: 21’ (utilização de Power point para sua exposição). DRA. JULIANA GONÇALVES MELO (UFRN) SISTEMA PRISIONAL, EMOÇÕES E CONTROLE DOS CORPOS: POR UM DEBATE. Resumo A partir de pesquisa etnográfica realizada na ala feminina do Complexo Penal Dr. João Chaves (Natal, RN) propõe-se analisar a relação entre sistema prisional e o uso das emoções para controle dos corpos, especialmente os femininos. Os estudos indicam que em Instituições Totais como estas, as penalidades e controle estabelecido sobre os corpos vão além do próprio corpo e atingem o indivíduo na alma, nas vontades e disposições, provocando um processo de 21 “mortificação do eu”. Faz-se necessário, portanto, um aprofundamento da temática de modo que possamos conhecer melhor o campo da micropolítica das emoções e as relações de poder e controle aí existentes. De modo geral, a proposta é refletir sobre o uso dessas emoções para disciplinar e punir o corpo das apenadas, fazendo-se importante saber qual a influência das emoções e dos relacionamentos interpessoais na inserção da mulher na condição de desvio a qual está vinculada como presidiária. É também analisar tais questões tendo por referência histórias de vida das mulheres encarceradas, a partir de um ponto de vista da antropologia do direito, com ênfase também nas emoções humanas. Duração: 21’ Fala do Debatedor Duração: 23’ Respostas dos participantes que compunham a mesa ao debatedor. Duração: 15’ Interferência da coordenadora da mesa (abertura para questões da plateia utilizando o microfone). Duração: 3’ Respostas dos participantes que compunham a mesa as questões feitas pelos participantes do evento. Duração: 1º e 10’ Final: 18:20 Obs: Aproximadamente 100 pessoas presentes. 22 23 TERCEIRO DIA – 27 DE AGOSTO DE 2014. (tarde) MESA 4: 14h30 – 18h30 POLÍTICAS PÚBLICAS E ALTERNATIVAS À PRISÃO DE MULHERES E JOVENS. Período: Vespertino Início: 14:51 (atraso de 3 participantes da mesa devido ao trânsito). DEBATEDOR: DR. PEDRO BODÊ DE MORAES (UFPR) COORDENADORA: DRA. JULIANA GONÇALVES MELO (UFRN) Coordenadora - Apresentação dos participantes que compunham a mesa. Duração: 3’ DRA. FERNANDA EMY MATSUDA (USP) CRIME, VIOLÊNCIA E PRISÃO: TRAJETÓRIAS DE MULHERES NA CIDADE DE SÃO PAULO. Resumo A violência institucional é uma das formas pelas quais se apresenta a violência de gênero: a atuação dos agentes do Estado que viola os direitos das mulheres assume formas específicas que guardam estreita relação com a desigualdade de direitos e a assimetria de poder que atinge as mulheres. A comunicação abordará, a partir dos relatos de mulheres que vivem na cidade de São Paulo, se e de que maneira o crime e a prisão são (re)definidores de suas trajetórias e de suas redes sociais. Muitas pesquisas apontam para a centralidade do cumprimento de pena privativa de liberdade para a ruptura e para a constituição de relações e, mesmo, para a reorganização das diversas esferas da vida em torno do eixo estruturante da prisão. Dados coletados em visitas de campo a uma prisão feminina da cidade de São Paulo e em entrevistas em profundidade com mulheres egressas do sistema prisional apontam para a existência de uma miríade de arranjos cuja heterogeneidade merece ser explorada. Retratar e compreender a complexidade dessas situações são os propósitos dessa comunicação, que pretende contribuir para o aprofundamento da discussão acerca do papel da prisão e do crime nas relações sociais. Duração: 25’ RAFAEL CUSTÓDIO (Advogado, coordenador do Programa de Justiça da Conectas Direitos Humanos) 24 POLÍTICAS PÚBLICAS E ENCARCERAMENTO FEMININO. Duração: 15’ Resumo. O Brasil é signatário de vários instrumentos internacionais relativos aos direitos de mulheres, de presos e de mulheres presas. A situação do encarceramento feminino vem chamando a atenção tanto em relação as taxas crescentes com em relação às condições ainda muito precárias para o cumprimento das penas. Atenção especial deve ser dada às violações de direitos humanos e às violações específicas à condição da mulher presa. O mesmo problema pode ser observado em relação à condição de cumprimento de penas das mulheres estrangeiras. De fato, o problema das drogas tem se convertido em uma questão de fundo a ser tratada quando o assunto é encarceramento feminino, pois a droga tem sido o principal motivo para o encarceramento. A ação na área dos direitos humanos reforça a necessidade de controle social e transparência em relação à necessidade de cumprimento das penas ou à necessidade de medidas não privativas de liberdade, que podem ser ponto de convergência para o resgate da dignidade das presas, familiares e crianças. PATRICK LEMOS CACICEDO E BRUNO SHIMIZU (NÚCLEO ESPECIALIZADO DE SITUAÇÃO CARCERÁRIA DA DEFENSORIA PÚBLICA DE SÃO PAULO) O PAPEL DA DEFENSORIA PÚBLICA DE SÃO PAULO E POLÍTICAS PÚBLICAS ESPECÍFICAS. Duração: 10’ e 16’(respectivamente). A Defensoria Pública do Estado de São Paula tem um núcleo especializado em mulheres encarceradas e tem feito várias ações para minimizar o impacto destas medidas sobre a vida das mulheres e de seus familiares. Em geral, as mulheres que sofrem medida de encarceramento são hipo-sufientes em termos de representação legal e, em grande parte, sofrem as consequências desta situação, enfrentando prisões provisórias desnecessárias ou longas, enfrentando graves problemas em relação ao acesso à saúde e, sobretudo, privações em relação ao direito básico à maternidade e aos cuidados com os filhos. Vários casos podem ser apresentados que mostram esta situação de precariedade jurídica e as várias ações que a Defensoria vem desenvolvendo no sentido de resgatar direitos e fazer com que o devido processo legal seja respeitado quando a privação de liberdade fere os direitos que pretende proteger. 25 MS. JOSÉ DE JESUS FILHO (FGV E Pastoral Carcerária Nacional) POLÍTICAS PÚBLICAS E ALTERNATIVAS PARA MULHERES E JOVENS EM PERSPECTIVA COMPARADA. Resumo Num momento em que se intensifica o uso de respostas penais por atos relacionados ao consumo de drogas e ao pequeno tráfico com consequências drásticas para o aumento das taxas de encarceramento de mulheres e jovens, surgem igualmente no Brasil e no mundo tentativas de superar o proibicionismo e ampliar o uso de alternativas penais tanto na fase processual quanto nas fases da aplicação da penal e da execução penal. A apresentação oferecerá uma visão geral das iniciativas em favor de alternativas penais para mulheres e jovens em perspectiva comparada. As tentativas de reduzir o uso da prisão são geralmente aplicadas em três momentos, como medidas cautelares alternativas à prisão provisória, como penas restritivas de direitos ou como medidas antecipadoras da liberdade. O trabalho irá explorar até que ponto essas medidas funcionaram, tanto no Brasil quanto no mundo, como reais alternativas à prisão ou na verdade conduziram ao alargamento da teia punitiva. Duração: 15’ (utilização do Power point para representar o mapa do Brasil). DR. RODOLFO ARRUDA LEITE DE BARROS (UNESP) A MULHER NA ROTA DO ENCARCERAMENTO MASSIVO: O AUMENTO DAS TAXAS DE MULHERES PRESAS E UMA BREVE DISCUSSÃO SOBRE OS EFEITOS DO ENCARCERAMENTO FEMININO. Resumo: Esta apresentação pretende discutir algumas questões colocadas pelo recente aumento do encarceramento feminino no Brasil, enfocando o contexto do Estado de São Paulo. Conforme números oficiais do INFOPEN – MJ, em uma década (entre 2002 – 2012), o número de presas no país saltou de 5.800 para mais de 36.000 internas. Em termos proporcionais, este aumento absoluto significou o dobro de representatividade das mulheres no sistema prisional, que, em 2002, correspondiam a 3,3 % da população total de encarcerados no Brasil, saltando para 6,7 % em 2012. A constatação de uma punitividade duas vezes maior incidindo sobre as mulheres ainda é um fenômeno pouco conhecido. Ainda são escassas as pesquisas sobre o processo de vitimização das mulheres, assim como o conhecimento acerca das trajetórias que envolvem as mulheres na economia criminal e consequentemente colocando-as como alvo de medidas punitivas. Ao lado destas 26 investigações, pretende-se contrastar este crescimento com um levantamento provisório acerca dos efeitos do encarceramento feminino e as questões de gênero relacionadas com o funcionamento das instituições prisionais, tradicionalmente masculinas. Com este pano de fundo delineado, pretende-se apresentar investigações preliminares a respeito das políticas penitenciárias implementadas no âmbito estadual pela Secretaria de Administração Penitenciária, sobretudo no tocante à ênfase dada à construção de unidades femininas. Duração: 16’ Interferência da coordenadora da mesa (abertura para questões da plateia utilizando o microfone). Duração: 2’ Fala do debatedor Duração: 27’ Respostas dos participantes que compunham a mesa ao debatedor. Duração: 23’ Respostas dos participantes que compunham a mesa as questões feitas pelos participantes do evento. Duração: 1º e 9’ Final:18:20 Obs: Aproximadamente 150 pessoas presentes. Mudança de comum acordo na ordem de fala dos palestrantes e alteração da coordenadora da mesa. 27 DEBATES: No decorrer da participação do público, muitas questões foram levantadas e debatidas. Os pontos mais recorrentemente levantados pelos ouvintes foram: o papel e influência da academia na situação carcerária e a necessidade da centralidade dos relatos de presidiárias na argumentação dos palestrantes. Muito se debateu também a respeito da presença de homens nas mesas; algumas participantes afirmaram que se sentiriam melhor contempladas se as exposições fossem conduzidas exclusivamente por mulheres. ENCERRAMENTO DO EVENTO: 6h30 DRA. CAMILA CALDEIRA NUNES DIAS (UFABC) Duração: 6’ DR. LUÍS ANTÔNIO FRANCISCO DE SOUZA (UNESP Marília) Duração: 8’ 28 SESSÕES DE COMUNICAÇÕES TERCEIRO DIA – 27 DE AGOSTO DE 2014 (manhã) SESSÕES DE COMUNICAÇÕES – 08h 00 – 12h00 Período: Matutino A sessão de comunicação foi dividida em duas de acordo com os temas: SESSÃO I Punição, prisão e gênero e SESSÃO II – Sistema socioeducativo, internação e gênero. Para a Sessão I os participantes foram divididos em 4 salas da UFABC (Universidade Federal do ABC), já para a Sessão II os participantes foram divididos em 2 salas. Contando com a coordenação dos seguintes debatedores: Dr. Rodolfo Arruda de Barros, Ms.Giane Silva Santos Souza, Ms. Fernanda Emy Matsuda, Dra. Alessandra Teixeira, Dr. Luiz Claudio Lourenço, Ms. Adriana Elisa De Alencar Macedo, Ms. Rosângela Teixeira Gonçalves e MS. Joana D’Arc Teixeira. SESSÃO I: MESA 01 – PUNIÇÃO, PRISÃO e GÊNERO Início: 08:30 Sala: Auditório 4 – Bloco Beta Debatedor: Rodolfo Arruda Leite de Barros Apresentação de 8 trabalhos dos 10 originalmente inscritos e selecionados. Por ordem de apresentação: Danielle Amorim Silva; Karla Tayumi Ishiy; Luciana Peluzio Chernicharo; Nara de Souza Rivitti; Sintia Soares Helpes; Suleima Gomes Bredow; Taciano de Paula Diniz e Rodolfo Arruda leite de Barros Os assuntos foram respectivamente: Exposição do Presídio Regional de Tijucas; relação do paradigma de gêneros nas prisões por tráfico de drogas; encarceramento feminino sob uma perspectiva feminista crítica; mulheres estrangeiras; estudo sobre a população carcerária feminina em Juiz de Fora, MG; monitoramento eletrônico; comunicação pelo programa Momento do Presidiário e discussão sobre a construção de unidades penitenciárias femininas no Estado de São Paulo. Cada participante contou com 15 minutos para expor o trabalho enviado. Conforme 29 decisão em grupo, as apresentações dividiram-se em 2 blocos de 4 apresentações cada, seguidos de um espaço para intervenção e exposição do debatedor e interação entre os presentes; 1º Bloco: Duração: 1º 10’ Comentário do debatedor sobre os trabalhos Duração: 20’ Abertura para respostas ao debatedor e discussão entre os participantes Duração: 30’ 2º Bloco: Duração: 1º 20’ Abertura para debate e discussão entre os participantes Duração: 20’ Final: 12:20 Obs: Dois participantes chegaram após o início das apresentações. Devido ao baixo número de participantes presentes no horário de início (apenas 5), houve 35 minutos de espera aos outros participantes. Devido ao avançar do horário, não foram viáveis os comentários do debatedor acerca dos trabalhos do segundo bloco; houve somente a interação conjunta. SESSÃO I: MESA 02 – PUNIÇÃO, PRISÃO e GÊNERO Início: 08:30 Sala: 201- Bloco Alpha II Debatedora: Alessandra Teixeira Final: 12:20 SESSÃO I: MESA 03 – PUNIÇÃO, PRISÃO e GÊNERO Início: 08:30 Sala: 204 – Bloco Alpha II Debatedoras: Fernanda Matsuda e Giane Silva Santos Souza Final: 12:00 30 SESSÃO I: MESA 04 – PUNIÇÃO, PRISÃO e GÊNERO Início: 08:30 Sala: 205 – Bloco Alpha II Debatedor: Luiz Claudio Lourenço Apresentação de 6 trabalhos dos 12 originalmente inscritos e selecionados. Por ordem de apresentação: Camila Simões Rosa, Gabriela Ohana, Elaine Mara, Aline Mattos, Luciane Engel e Soliane Fernandes. Os assuntos foram respectivamente: sobre as “relações” estabelecidas entre pessoas encarceradas através de cartas, punição processual no Pará, saúde sexual de mulheres encarceradas, apoio matricial em unidades do sistema prisional, monitoração eletrônica e projeto de reintegração social em Olimpo. Cada participante contou com 20 minutos para expor o trabalho enviado. Duração: 1º e 30’ Dr. Luiz Claudio Lourenço - Comentário do debatedor sobre os trabalhos. Para este momento o debatedor pediu para que os participantes se sentassem em círculo para ouvir os comentários e para a possível discussão dos trabalhos. Duração: 30’ Abertura para respostas ao debatedor e discussão entre os participantes Duração: 1º e 30’ Final: 12:00 Obs: Presença de outros participantes que ajudaram a escrever os trabalhos em grupo e de uma ouvinte estudante de assistência social. Dois participantes chegaram após o início das atividades. SESSÃO II: MESA 1- SISTEMA SOCIEDUCATIVO, INTERNAÇÃO E GÊNERO Início: 08:25 Sala: Auditório 5- Bloco Beta Debatedora: Joana D’Arc Teixeira Apresentação de 10 trabalhos dos 9 originalmente inscritos e selecionados. 31 Os participantes que apresentaram trabalho foram: Analu Serri Nobrega, Thiago Oliveira, Thaís S. Nogueira, Caio Andrêo Silva, Mariana Chies Santiago Santos, Emanuela Lopes, Ana Luiza Villela de V. Bandeira, Joana D Arc Teixeira, Érica Banini Lapa do Amaral Machado e Manuela Abath Valença. No geral, o quadro de participantes dessa sessão de comunicações foi composta pelos pesquisadores e pesquisadoras responsáveis pela apresentação dos trabalhos. Cada uma das apresentações teve duração de 10 minutos. O debate ocorreu em bloco, conforme combinado com os expositores. Nesses blocos, a seleção de três a quatro trabalhos possibilitou o aprofundamento das discussões e diálogo com os autores e autores e a boa utilização do tempo. No total, foram 3 blocos de discussão e reflexões em torno dos trabalhos apresentados, com duração de 20 a 30 minutos. Ressalta-se a interação entre os apresentadores e apresentadoras. E também as contribuições para os andamentos das pesquisas, quanto à indicação de referências, aos estudos sobre o tema, às possibilidades de análise e aos prosseguimentos nas pesquisas. A presente sessão de comunicação teve sua relevância por possibilitar divulgação de pesquisas referentes a jovens, do sexo feminino, em conflito com a lei e as medidas socioeducativas a elas dispensadas, considerando-se a pouca produção científica nessa área. Por outro lado, abrangeu pesquisadores e pesquisadoras de diferentes regiões do país. Duração: 1º e 20’ (comentários da debatedora e discussão dos participantes). Final: 11: 50 Obs: A participante Manuela Abath Valença que apresentou o trabalho intitulado Quem é essa menina? A representação da trajetória de adolescentes internadas nas falas delas e de juízes e juízas do TJDFT, foi transferida para esta sala. SESSÃO II: MESA 2- SISTEMA SOCIEDUCATIVO, INTERNAÇÃO E GÊNERO Início: 08:30 Sala: 208- Bloco Alpha II Debatedoras: Rosângela Teixeira Gonçalves e Adriana Elisa de Alencar Macedo Apresentação de 4 trabalhos dos 8 originalmente inscritos e selecionados. Os participantes que apresentaram trabalho foram: Rosângela Teixeira, Larissa Siquinelli, Cristiane Batista e Joana das Flores Duarte. 32 Por serem 4 trabalhos os participantes tiveram mais tempo disponível para apresentação, assim como para o debate. As apresentações tiveram entre 15 e 35 minutos de duração; todas falaram livremente, pois tinham tempo disponível, assim puderam relatar as impressões e experiências que tiveram no trabalho de campo. Duração: 50’ Final: 11:20 Obs: Dois trabalhos foram encaminhados para outras seções de comunicações: Menina que vem, bandida que vai: o tráfico de drogas e o encarceramento feminino, de Larissa Urruth, Quem é Essa Menina? A representação da trajetória de adolescentes internadas nas falas delas e de juízes e juízas do TJDFT de Manuela Abath Valença e uma participante, Silvia Piedade de Moraes, autora de Medicalização e discursos higienistas na educação em sexualidade de meninas em conflito com a lei, esteve ausente no dia da apresentação. 33 DIVULGAÇÃO A divulgação prévia foi feita através de cartazes e por meios eletrônicos tais como: site do Observatório de Segurança Pública (OSP), redes sociais, envio de mensagens eletrônicas por meio de listas de contatos, além do portal oficial do evento, que ficou disponível no site oficial do Fundepe desde o dia 03 de Março de 2014. Cartaz de divulgação 34 Portal oficial do evento 35 PARTICIPAÇÃO O evento contou com um público composto por profissionais de Instituições Prisionais e de medidas socioeducativas, estudantes de graduação e de pós- graduação. Dentre estes, o evento contou também com a presença de estudantes vindos de outras regiões do Brasil, como Norte, Nordeste e Sul. No que concerne ao público de estudantes de graduação e pósgraduação, o seminário foi prestigiado pelos estudantes da UFABC, sede do evento. O IV Seminário Nacional de Estudos Prisionais teve participação assídua não somente dos participantes do evento, como dos palestrantes, que acompanharam o período completo de duração do evento. Número de inscrições foi de 138, além, é claro, de não inscritos, isentos e ouvintes. Das 138 inscrições, 68 foram efetuadas por alunos de graduação; 39 por alunos de pós-graduação, e 31 por demais profissionais e interessados. Para a Sessão de Comunicações foram aprovados 77 trabalhos. Aos dois temas das sessões: Punição, prisão e gênero e Sistema socioeducativo, internação e gênero; foram destinadas, respectivamente, 4 e 2 salas para melhor acomodação dos participantes. Dos 77 inscritos, 59 foram efetivamente apresentados. 36 RESULTADOS 1. Cerca de 150 participantes por dia durante os três dias de duração do evento; 2. Avaliação positiva dos envolvidos no evento, incluindo dos palestrantes convidados; 3. Produção de material fotográfico e de áudio importantes para registro da memória da história do Seminário Nacional de Estudos Prisionais e como ferramentas de disseminação do conhecimento; 4. Auxílio no fortalecimento da área de humanas da UFABC, que dispõe de apenas 4 anos nas humanidades; 5. Estabelecimento da rede de colaboradores para a realização do V Seminário Nacional de Estudos Prisionais; 6. Possibilidade de discussão sobre um tema de grande importância entre os diversos setores que se debruçam sobre a questão prisional, como: estudantes, pesquisadores e trabalhadores do sistema prisional e socioeducativo. 37 EQUIPE RESPONSÁVEL COORDENAÇÃO GERAL • Dr. Luís Antônio Francisco de Souza (UNESP/Marília) • Dr. Luiz Antônio Bogo Chies (UCPel - Universidade Católica de Pelotas) • Dra. Camila Caldeira Nunes Dias (UFABC) • Dra. Fernanda Emy Matsuda (USP COMISSÃO ORGANIZADORA • Ms. Adriana Elisa de Alencar Macedo (UFPA) • Ms. Giane Santos Silva Sousa (UFPA) • Emanuela Lopes (UNESP) • Guilherme Alves dos Santos (UNESP) • Larissa Delle Siquineli (UNESP) • Ms. Camila Fontes Savassa (UNESP) • Rosângela Teixeira Gonçalves (UNESP) • Paula Cristina Moraes (UNESP) • Taciano de Paula Diniz (UNESP) • Cristiane Batista - Mestranda em Ciências Humanas e Sociais/UFABC • Victor Rocca - Mestrando em Ciências Humanas e Sociais/UFABC COMISSÃO CIENTÍFICA • Dr. Fernando Afonso Salla (NEV-USP) • Dra. Flavia Cristina Silveira Lemos (UNB) • Dr. Marcos César Alvares (USP) • Dr. Carlos Henrique Aguiar Serra (UFF) • Dr. Luiz Claudio Lourenço (UFBA) • Dra. Alessandra Teixeira (Unesp, Marília) • Dr. Rodolfo Arruda Leite de Barros (OSP-UNESP) • Ms. Joana D’Arc Teixeira (OSP-UNESP) 38 REALIZAÇÃO • Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq • Observatório de Segurança Pública - UNESP/Marília • Programa de Pós-Graduação em Ciências Humanas e Sociais - UFABC • Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais - UNESP/Marília • Programa de Pós-Graduação em Psicologia - Universidade Federal do Pará - UFPA • Departamento de Sociologia e Antropologia - UNESP/Marília APOIO • Bacharelado em Políticas Públicas - UFABC • Instituto Brasileiro de Ciências Criminais - IBCCRIM • Laboratório de Estudos sobre Crime e Sociedade, LASSOS - UFBA • Núcleo de Ciência, Tecnologia e Sociedade – UFABC • Núcleo de Estudos da Violência - NEV-USP • ProEx- UFABC • Programa de Pós-Graduação em Ciências Política - Universidade Federal Fluminense (UFF) • Programa de Pós-Graduação em Sociologia - Universidade Federal do Paraná (UFPR) • Grupo de Trabalho (GT42) “Violência, criminalidade e punição no Brasil” da Associação Nacional de Pós-Graduação em Ciências Sociais, Anpocs; • Sociedade Brasileira de Sociologia – SBS • Universidade Católica de Pelotas - UCPel 39 ANEXO Faixa de identificação do evento Camiseta da equipe de organização 40 Conteúdo da pasta recebida por todos os inscritos Pasta 41 Crachá Certificado 42 Folder contendo cronograma e informações 43 m CD contendo os trabalhos aprovados para a sessão de comunicações Folha do bloco de notas 44 Distribuição dos trabalhos na sessão de comunicações 45 46 47 48 49 50