Educação e Capacitação
Por que testamos a eficácia do processo
de esterilização a vapor
Por: Sandy Reilly, BS e Dorothy Larson, CSPDT
Objetivos
Perguntas da Prova
Ao concluir esta atividade de estudo por conta própria, o aluno
poderá:
1. Entender o raciocínio por trás do teste do processo de
esterilização a vapor.
2. Identificar a diferença entre os testes físicos, químicos e
biológicos e a sua relação com a verificação de diferentes
aspectos do processo de esterilização a vapor.
3. Entender a necessidade de testes de alto nível, devido à
crescente complexidade dos instrumentos.
4. Entender muitas das variáveis que podem afetar o resultado
do processo de esterilização, e a maneira em que o
monitoramento pode identificar falhas nestas variáveis.
Responda Verdadeiro (V) ou Falso (F):
1. Usa-se o teste Bowie-Dick para identificar a probabilidade
de que os instrumentos que se processam durante um
ciclo estejam esterilizados.
2. O ar preso no esterilizador pode evitar que o vapor entre
em contato com os instrumentos e provoque uma falha no
processo de esterilização.
3. Os monitores físicos identificarão que todos os
instrumentos tenham sido processados de maneira
eficiente.
4. As impressões do esterilizador devem ser verificadas ao
final de cada ciclo, antes de liberar uma carga.
5. Podem ocorrer variações nos serviços (vapor, água, ar,
eletricidade, etc.) devido às mudanças de estação ou às
exigências da instituição, e estes podem afetar a
capacidade dos esterilizadores a vapor e impedir que
funcionem adequadamente.
6. Os indicadores químicos externos dão suficiente
informação quanto a se poder considerar que a carga
foi processada eficazmente.
7. As impressões do esterilizador proporcionam informação
crítica básica de que se iniciou e completou o ciclo, de tal
forma que não haja enganos no sentido de liberar cargas
não processadas.
8. Os Indicadores Integradores Classe 5 sempre dão o mesmo
resultado que o indicador biológico.
9. Os indicadores biológicos indicam um alto nível de
probabilidade de que uma carga tenha sido processada
eficazmente ou não.
10. A carga incorreta do esterilizador pode impedir a
remoção de ar, o tempo de aquecimento, a penetração do
esterilizante e o tempo de secagem dentro da carga.
O nosso sincero agradecimento à equipe da 3M Cuidados da
Saúde por trabalhar com a revista Managing Infection Control
visando proporcionar este curso acreditado. A IAHCSMM
outorga um ponto (1) de contato pela conclusão deste curso de
educação contínua, visando a recertificação IAHCSMM. O
CBSPD pré-aprovou este curso de capacitação valendo uma (1)
hora de contato durante o prazo de cinco (5) anos, a partir da
data de sua publicação, e deve dele utilizar-se somente uma vez
durante o período de recertificação. Este curso de capacitação
da 3M Cuidados da Saúde foi aprovado pelo Conselho de
Enfermeiras Registradas, da Califórnia, CEP 5770, como
equivalente a uma (1) hora de contato. Este formato é válido por
até cinco (5) anos a partir da data de publicação. As instruções
para o envio de resultados encontram-se no final deste
documento. A Managing Infection Control e a 3M Cuidados
da Saúde continuarão cooperando para oferecer cursos de
educação contínua em edições periódicas da Managing
Infection Control.
MANAGING INFECTION CONTROL
Educação e Capacitação
Introdução
Por que testamos a eficácia do processo de esterilização a
vapor? Vamos dar primeiro uma olhada no que é um teste. Um
teste é uma identificação do conhecimento adquirido. Quanto
mais difícil for o teste, maior será a quantidade de
conhecimento que teremos identificado.
Então, por que testamos o processo de esterilização a vapor?
Porque necessitamos identificar que o resultado do processo
está em um nível aceitável de segurança de esterilização.
Convencionalmente, de forma geral aceita-se que a probabilidade
de uma falha de esterilização não seja superior a um em um
milhão. A esterilização não é um processo absoluto, mas uma
probabilidade. Quanto maior for o tempo de processamento à
temperatura em presença de vapor saturado, maior será a
probabilidade de obter um processo de esterilização bem
sucedido. A esterilização é a probabilidade de que um objeto se
encontre livre de microorganismos.
O teste Bowie-Dick também monitora a remoção satisfatória
de ar da câmara, por parte do sistema de remoção de ar do
esterilizador. Além disso, o teste Bowie-Dick pode detectar a
presença de gases não condensáveis (ou NCG, sua sigla em
inglês), como ar ou gases dos aditivos da caldeira na tubulação
de vapor. Por que fazemos este teste? O fazemos para
identificar quando o processo de remoção de ar tenha
alcançado um nível aceitável. (Nota: a remoção de ar nunca é
completa, ou seja, nunca é 100% eficaz).
1
O resultado do teste Bowie-Dick é um teste visual. Para que o
teste Bowie-Dick produza uma folha indicadora com uma cor
uniforme, deve ter existido uma remoção adequada de ar e
penetração de vapor em todo o pacote de testes. Este teste
não verifica o processo de esterilização, mas é utilizado para
identificar se o esterilizador contém ar ou NCG, os quais
poderiam provocar falhas no processo de esterilização.
Como podemos confirmar que o teste Bowie-Dick foi realizado
corretamente? Os parâmetros de teste do esterilizador eram
Teoricamente, a certeza da esterilização pode aproximar-se de corretos? A quantidade e a qualidade corretas de vapor
100%, mas nunca o alcança. Como não é prático ampliar as estavam disponíveis? Os serviços das instalações estavam
condições do ciclo infinitamente, o risco de um em um milhão funcionando corretamente?
de obter um resultado não estéril é aceito como um risco
razoável e nossas condições de processo são estabelecidas O teste Bowie-Dick deve ser realizado corretamente para que
-6
com base num SAL de 10 (nível de segurança de os resultados sejam válidos. Somente deve ser executado um
pacote de testes Bowie-Dick em uma câmara vazia. O pacote
esterilização, por suas siglas em inglês).
deve ser colocado na grade inferior, sobre a drenagem, e o ciclo
Um componente importante para um processo de não deve superar os 4 minutos a 73 ºF (134 ºC).
esterilização eficaz é um sistema consistente de redução e
limitação da biocarga, antes da esterilização. Diversas Por que devemos nos preocupar com a presença
companhias estão trabalhando para desenvolver um produto de ar ou de NCG?
que sirva para constatar o sucesso do processo de Porque o ar retido ou os NCG são a causa mais freqüente de
descontaminação. Quão difícil deve ser esse teste para falhas no processo de esterilização. O ar ou o NCG retidos
alcançar uma nota de aprovação? Em que medida devemos dentro da câmara, ou que entram na câmara uma vez iniciado
aceitar a biocarga e quanta biocarga deve permanecer retida o processo, podem cercar o/os instrumento(s), ou uma porção
nos objetos? Não esterilizamos os objetos ao lavá-los, mas do instrumento, e evitar que o vapor dentro da câmara entre
precisamos reduzir o número de organismos em cada item e em contacto com a superfície dos instrumentos. Isso pode
eliminar a sujeira para que seja mais fácil esterilizá-los. A provocar que os objetos não alcancem a temperatura suficiente
descontaminação é um processo por si só, o que justifica a ou não alcancem a temperatura com suficiente rapidez para
sua própria revisão.
garantir uma alta probabilidade de esterilização. Tenha em
Daremos uma olhada nos diversos tipos de teste utilizados para
mente que o ar e os NCG podem estar presentes porque não
monitorar o processo de esterilização a vapor.
foram removidos pelo sistema de remoção de ar, ou porque
havia uma falha que permitiu que o sistema de esvaziamento da
câmara os puxasse para dentro da câmara, ou foram
Teste Bowie-Dick
O teste Bowie-Dick foi criado para ajudar na detecção de introduzidos dentro da tubulação de vapor, em conseqüência
vazamentos de ar e a penetração de vapor no centro de um do vapor ter sido tratado com aditivos para
pacote, medido num esterilizador por remoção dinâmica de ar.
1,
1
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caldeira. O ar pode vazar para dentro do esterilizador, a partir
da atmosfera por motivos tais como o mau funcionamento da
vedação da porta, da válvula de ar, válvula de drenagem ou da
válvula pneumática. A qualidade do vapor também costuma ser
crítica porque os fabricantes do esterilizador projetam os ciclos
com base na suposição de que a qualidade de vapor é aceitável. O
vapor que não esteja 97% saturado provavelmente não contém
a energia suficiente para matar os esporos, que podem
encontrar-se na superfície dos objetos com os quais entram em
contato. Uma má qualidade do vapor, a presença de ar, ou o
NCG durante o ciclo, muito provavelmente trarão como
conseqüência uma esterilização a vapor ineficaz.
As mudanças no vapor e/ou na química da água podem
facilmente converter-se num problema para os Serviços
Centrais de Esterilização (ou CCS, sua sigla em inglês), sem
afetar a outros usuários de vapor na mesma instituição. As
variações no suprimento dos serviços (vapor, água, ar,
eletricidade, etc.) são comuns e podem ocorrer com as
mudanças de estação; também podem ser conseqüência de
mudanças na demanda de carga, ao longo do dia de trabalho.
Tais variações podem superar os limites normais sem impactar a
todos os usuários, mas podem afetar a capacidade dos
esterilizadores a vapor de funcionar adequadamente. O
Departamento de Engenharia deve resolver esses problemas.
3
Monitores físicos
Por que usamos monitores físicos (impressões, visualizações,
calibradores, etc.) além de um esterilizador e o que devemos
identificar com esta informação? Os monitores físicos medem o
tempo, a temperatura, a pressão e o vácuo usados no processo
de esterilização a vapor e nos dão informação detalhada. Esta
informação inclui:
• Hora de início
• Tempo de acondicionamento e/ou tempo de alcance de
temperatura de trabalho (pré-exposição)
• Mudanças de temperatura, de pressão e de vácuo durante
a parte de pré-exposição do ciclo
• Tempo no qual foi alcançada a temperatura de exposição de
esterilização
• Níveis de temperatura, pressão e vácuo nos intervalos
específicos durante a porção de exposição do ciclo
• Tempo de descompressão, tempo de secagem e hora de
conclusão do ciclo.
3
Ao utilizar estes pontos de informação identificados sabemos
quando se iniciou o ciclo, se foram alcançadas as condições
esperadas e se o ciclo foi completado. Estes indicadores visuais
são o nosso primeiro sinal de uma falha do esterilizador ou de
um possível erro do operador. Este monitoramento pode
identificar um ciclo inapropriado pelo tipo ou pela quantidade de
dispositivos médicos processados. O alcance dos níveis
esperados de temperatura, vácuo ou pressão também será
demonstrado. Se não se verificam os monitores físicos, isto
pode resultar num erro onde os dispositivos médicos se
liberam, inclusive se o ciclo não foi executado! Também o
ajudarão a identificar um ciclo inapropriado pelo tipo ou pela
quantidade de dispositivos médicos processados.
No mínimo, devemos verificar se os parâmetros físicos da
esterilização tenham sido respeitados com base nas
recomendações escritas do fabricante do esterilizador.
Entretanto, também devemos tentar entender e respeitar os
parâmetros de esterilização recomendados pelo fabricante do
dispositivo médico dentro do ciclo. Muitos dos instrumentos
utilizados durante a cirurgia na atualidade são muito mais
complexos que os que usávamos há somente alguns anos e,
portanto, o processo de esterilização enfrenta dificuldades em
um grau maior que nunca ocorreu antes. Os ciclos que contêm
instrumentos cirúrgicos complexos, em particular os que estão
em dispositivos de contenção, podem requerer um tempo de
exposição maior que o sugerido pelo fabricante do esterilizador.
Os Indicadores Integradores Classe 5 são significativamente
melhores que outros indicadores químicos. Entretanto, os
Indicadores Integradores químicos Classe 5 não
necessariamente detectam falhas no processo de
esterilização com a mesma sensibilidade que os indicadores
biológicos.
Por que são tão importantes todas estas medições? Não podemos
somente pressionar o botão, esperar que soe o alarme e
esperar que o ciclo esteja completo? - Não. Estes monitores
nos proporcionam informação em tempo real sobre o ciclo,
possíveis falhas e/ou erros do usuário no processo de
esterilização. Em todos os casos, devem-se revisar estas
impressões e colocar suas iniciais ao final de cada ciclo.
A verificação de tempos de exposição, temperaturas, pressão e
vácuo adequados para o ciclo de esterilização e conteúdos da carga
são críticos e o operador deve colocar suas iniciais ao final do ciclo.
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Indicadores Químicos (IQ)
Por que usamos tantos tipos de monitores para um ciclo? Por
que usamos fita indicadora no lado externo de um pacote? Por
que usamos etiquetas seladoras no lado externo de um sistema
de recipientes? Por que usamos um identificador de mudança
de cor no lado externo de uma bolsa removível?
de esterilização específica, e o seu desempenho é
correlacionado com o desempenho do IB sob as condições de uso
na etiqueta.”
1
Os valores definidos são exigidos para se conseguir uma
desativação específica ao referir-se um organismo de teste
estabelecido com valor D e resultam aplicáveis valores Z
(como se descrevem para os indicadores biológicos para
esterilização com óxido de etileno, em Esterilização de
produtos para o cuidado da saúde – Indicadores Biológicos
Parte 2; Indicadores Biológicos para esterilização com óxido
de etileno, ANSI/AAMI ST21:1999 e Esterilização de produtos
para o cuidado da saúde – Indicadores Biológicos – Parte 3;
indicadores biológicos para esterilização com calor úmido,
ANSI/AAMI ST19, 1999).
Segundo a prática recomendada pela Associação para o
Melhoramento da Instrumentação Médica (AAMI),
Esterilização a vapor e garantia de esterilização em instituições
de cuidados da saúde, ANSI/ AAMI ST46:2002, o uso de um
simples indicador de processo Classe 1 nos ajuda a identificar
se o dispositivo médico esteve exposto ao processo de
esterilização e nos ajuda a distinguir os objetos processados
dos não processados. O problema com este “teste” é que é
muito simples, porque este indicador químico mede somente
uma parte da informação que precisamos conhecer. Portanto, não Para etiquetá-lo como um Indicador Integrador Classe 5, o
temos suficiente informação para determinar se o processo de fabricante só precisa testar a resposta do indicador químico
(IQ) contra a resposta do indicador biológico (IB), em um tempo e
esterilização foi eficaz.
temperatura na presença de vapor. Um ponto de correlação
O que ocorre com os indicadores químicos usados dentro de não significa que os resultados do Indicador Integrador Classe
bolsas removíveis, bandejas de instrumentos e dispositivos de 5 vão a coincidir 100% do tempo com os resultados do IB, em
contenção? Esse é um “teste” suficientemente rigoroso para particular quando houver um processo de esterilização
se adquirir o conhecimento necessário para dizer se o processo inadequado num esterilizador a vapor de um hospital. Assim,
foi eficaz? Não! De novo nos referimos à prática recomendada um Indicador Integrador Classe 5 identificará que os três
pela AAMI ST46:2002: os indicadores químicos Classe 4 de parâmetros do processo de esterilização foram alcançados
parâmetros múltiplos “estão projetados para reagir a dois ou dentro de um conjunto de condições controladas. Mas os
mais dos parâmetros de esterilização críticos, e indicam Indicadores Integradores Classe 5 não detectam falhas
exposição a um ciclo de esterilização nos valores necessariamente no processo de esterilização com a mesma
estabelecidos dos parâmetros escolhidos”. Apesar de que os sensibilidade que os indicadores biológicos.
indicadores Classe 4 são utilizados para determinar se o agente
esterilizante tem penetrado em cada pacote, bolsa ou bandeja, é Existem mais informações relacionadas com os Indicadores
possível que não sejam capazes de detectar vapor Integradores Classe 5 na prática recomendada AAMI
superaquecido, úmido ou baixos níveis de ar.
ST46:2002 (p. 43, Seção 7.4.2.3 Uso de indicadores químicos)
a qual estabelece:
4,5
1
1
6
6
1
Os Indicadores Integradores Classe 5 são
significativamente melhores que outros
indicadores químicos. Estes IQ podem ser
do estilo “frente móvel”, ou uma fita de
papel com uma tinta que muda de cor.
Estes são os nossos indicadores químicos
mais efetivos.
“Os IQ de parâmetros múltiplos e os IQ integradores
proporcionam mais informação sobre o processo que os
indicadores de parâmetro único. Os resultados dos Indicadores
Integradores Classe 5 podem servir como base para liberar os
objetos processados, excluindo implantes. Estes indicadores
devem ser usados dentro de um pacote apropriado de difícil
verificação. O uso de Indicadores Integradores Classe 5 não
substitui o uso de IB, como se descreve em 7.4.3.”
A prática recomendada no AAMI ST46:2002 estabelece que Isto significa que pode ser usado um Indicador Integrador
“os Indicadores Integradores estão projetados para reagir a Classe 5 para liberar objetos processados, excluindo cargas
todos os parâmetros críticos dentro de uma categoria de ciclos
com implantes, mas que não podem ser usados no lugar de
um indicador biológico para testes de rotina, liberação de
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4
Educação e Capacitação
implantes e testes de eficácia do esterilizador.
Não estamos convencidos que sequer o teste com Indicadores
Integradores Classe 5 deva ser aceito como um teste
suficientemente rigoroso. Não estamos adquirindo toda a
informação que precisamos conhecer? Não é um teste
suficientemente rigoroso para conferir o conhecimento suficiente
para “aprovar” o ciclo? - Sim e Não.
Os Indicadores Integradores Classe 5 podem passar, ainda,
por cima de muitas informações que podem ser a causa do
porque um ciclo não consegue atingir todos os parâmetros
críticos durante o tempo exigido no âmbito de toda a câmara.
O que faria com que o teste fosse rigoroso, ou mais rigoroso?
O uso de um Indicador Integrador Classe 5 em cada pacote,
bandeja de instrumentos, recipiente e bolsa removível que
processemos; isto determinaria que fossem respeitados os
parâmetros nessas localizações? - É verdade, mas também
poderiam passar-se por alto certas variáveis, como a
qualidade do vapor (por ex., vapor superaquecido) e ar retido
dentro da câmara.
6
6
os instrumentos dentro de um ciclo completo são estéreis; mas
temos múltiplos testes para identificar se certos parâmetros de
esterilização foram atingidos. O verdadeiro teste de
conhecimento reside na dificuldade do sistema para superar
esses testes com um maior grau de informação, permitindonos aplicar esses dispositivos médicos no próximo paciente.
Indicadores Biológicos (IB)
Que teste podemos usar, além de colocar um Indicador
Integrador Classe 5, com tudo o que processamos, para ter
maior nível de probabilidade de que o processo de
esterilização foi eficiente? O teste é um indicador biológico; o
indicador que todos tememos ler, mas que sabemos que
devemos usar. Por que devemos usar este tipo de indicador, o
que um indicador biológico pode dizer e o que um indicador
químico não diz?
Os indicadores biológicos procuram demonstrar se as
condições foram adequadas para se alcançar a esterilização.
Esta é a vantagem dos IB sobre os indicadores químicos, que só
medem um conjunto específico de condições projetadas
artificialmente.
1
Os indicadores químicos internos podem demonstrar uma
falha difícil de identificar, como erros de carga. Exemplos de
Estudos científicos recentes demonstraram que as falhas
erros na carga, capazes de gerar um indicador químico não
devidas a condições marginais do ciclo, criadas pela remoção
aprovado incluem práticas apontadas nas instruções do
inadequada de ar ou pelas condições de vapor superaquecido,
fabricante como não recomendadas, tais como:
também não foram detectadas pelos indicadores químicos e
biológicos.
• Empilhar sistemas de recipientes ou empilhar bandejas de
instrumentos perfuradas.
Sob estas condições de falhas comuns, todos os IB testados,
• Não colocar as bandejas de instrumentos rentes ou
incluindo as tiras de esporos, os IB auto-contidos e os IB de
paralelas à prateleira.
leitura rápida, demonstraram falhas. Os Indicadores
• Colocar as bolsas removíveis rentes ao invés de inclinadas.
Integradores não conseguiram detectar estas mesmas
• Bolsas removíveis sem espaço suficiente ou com os lados condições de falha em testes lado a lado.
de plástico não posicionados no mesmo sentido.
• Não colocar os pacotes de tela inclinados.
As conclusões alcançadas foram as de que somente os
• Colocar os pacotes muito próximos uns aos outros.
indicadores biológicos detectaram de maneira consistente
6
Todas as práticas anteriores impedem a remoção de ar e a
penetração ao redor e ao longo de toda a carga.
todas as condições de falha no processo de
esterilização avaliado e que tanto as leituras fluorescentes
como as visuais detectaram estas condições de falha.
Está ficando difícil? Sem dúvida! Lembre-se que a pergunta
é: O que, na realidade, é preciso saber... se o indicador
químico é aprovado ou se o ciclo é aprovado e alcançou
os parâmetros apropriados?
Então, quão rigorosos devem ser os testes de monitoramento
para estabelecer completamente que todos os objetos foram
esterilizados? Não temos apenas um teste que identifique se
Na Figura 1 se apresenta a informação deste estudo, que
mostra um ciclo com uma exposição de 8 minutos a 121 ºC
usando vapor superaquecido. Como o vapor superaquecido não
é tão eficiente como vapor saturado para alcançar a
esterilização, a expectativa em um indicador de esterilização
seria que ele identificasse esse ciclo como falho e alertasse
5
MANAGING INFECTION CONTROL
Educação e Capacitação
ao usuário da necessidade de fazer uma manutenção no
esterilizador. Leve em conta, entretanto, que nenhum dos três
indicadores integradores químicos detectou esta condição
com uma freqüência aceitável, enquanto que as respostas dos
IB indicaram que havia um problema com este ciclo (veja a
Figura 1).
Os indicadores biológicos (IB) proporcionam evidências
diretas de que as condições do processo de esterilização são
capazes de matar esporos. É por isto que são recomendados os
IB para o monitoramento de rotina do processo de esterilização
a vapor, para a liberação de implantes e para o teste de
eficácia do esterilizador (por exemplo, testar o esterilizador
depois de sua instalação, realocação, depois de consertos
importantes, por mau funcionamento do esterilizador e falhas
no processo de esterilização).
1
Figura 1
Vapor superaquecido a 121 °C em ciclo de pré-vácuo, com 8
minutos de exposição em BIER (Resistômetro para Indicadores
Biológicos, por suas siglas em inglês)
(% positivo para IB e % de rejeição para IQ)
Os conjuntos de instrumentos manipulados em sua
instituição têm se tornado cada vez mais complexos nos
últimos dez anos. Sem dúvida alguma, você concorda que o
número de instrumentos com componentes internos móveis,
múltiplas perfurações, diâmetros internos de lúmen cada vez
mais reduzidos e compridos, aparecem em número
cada vez maior em sua mesa de processamento.
Os testes para identificar um ciclo de descontaminação e
esterilização bem sucedido evoluem para atender a demanda
por estes novos e mais complexos instrumentos; mas ainda
não chegamos até lá. Alguns dos fabricantes de jogos
complexos de instrumentos estão descobrindo tempos de
esterilização mais longos que aqueles que muitas instituições
realizam atualmente. Por que identificam um ciclo mais longo
para ter sucesso? Porque entendem que as complexidades de
certos instrumentos tornam mais difícil conseguir o processo
de esterilização. A gente pode pensar o quanto é fácil uma
bolha de ar permanecer dentro de um instrumento
complexo, um jogo que contenha parafusos, placas e
instrumentos em miniatura que conduzem a uma exposição
inadequada ao vapor. A complexidade destes instrumentos e a
dificuldade para alcançar a esterilização estão refletidas nas
instruções de uso do fabricante do dispositivo.
100
Basicamente, quanto tempo, quais temperaturas e tipos de ciclo
(ou seja, gravidade, remoção dinâmica de ar) se deve utilizar
60
para alcançar um processo de esterilização bem sucedido? Os
40
fabricantes dos esterilizadores proporcionarão ciclos
específicos que, segundo tem sido demonstrado, alcançam um
20
SAL específico – nível de segurança de esterilização, a sua
0
sigla em inglês. Este conhecimento é importante, mas se o
SCBI = Indicadores Biológicos de Auto-cultura
fabricante do dispositivo médico identifica que seus conjuntos
Reimpresso de Schneider, et al. “Desempenho de diversos indicadores de
complexos requerem tempos de exposição mais longos, ou
esterilização sob condições de exposição ótimas e sub-ótimas”, em American Journal of
tempos de secagem mais longos que os pré-estabelecidos
Infection Control. Suplemento 2, Vol. 33, No. 2 ; Junho de 2005.
pelos botões 1, 2, 3 ou 4 de seu esterilizador, então as
recomendações de quem é que se deve seguir? A resposta a
Discussão
esta pergunta é: se os ciclos são mais longos que as
A esterilização, o aquecimento da água até ser convertida em
recomendações genéricas do fabricante do equipamento
vapor e a exposição da superfície dos objetos ao vapor
esterilizador, devem ser seguidas as instruções do fabricante
saturado a temperaturas específicas, durante tempos
do dispositivo médico.
específicos deveria ser um processo fácil. Por que estamos
fazendo algo tão grande de tudo isso? Porque existem muitas
Outro ponto importante a ser considerado é que o fabricante do
variáveis que podem interferir em um processo de esterilização
dispositivo médico pode validar o ciclo de esterilização
bem sucedido.
recomendado usando somente um jogo de instrumentos por
carga, numa condição de teste controlada em ambiente de
80
MANAGING INFECTION CONTROL
6
Educação e Capacitação
laboratório. Este não é o mesmo processo de esterilização que
se usa normalmente na maioria das instituições de cuidados da
saúde. Deverão ser realizados os testes de produto seguindo a
AAMI ST46 para verificar se os dispositivos médicos podem ser
processados eficazmente no esterilizador da instituição de
cuidados da saúde.
O que devemos fazer para obter a informação de que precisamos
para “aprovar” o processo de esterilização em nossos
departamentos? - Devemos usar um número suficiente dos
tipos de testes apropriados que nos proporcionem
informação sobre os diversos parâmetros críticos. Lembrese, a meta de um processo de esterilização não deve ser
“aprovar o indicador”; a meta de um indicador deve ser
“determinar se o processo de esterilização foi efetivo”.
Quanto mais fácil seja passar o teste, menos informação será
conseguida com respeito ao sucesso do ciclo. Um conjunto de
dados bem sucedido deve transmitir-lhe a confiança de que se
alcançaram os parâmetros e a segurança, de que as coisas
foram feitas corretamente para realizar a esterilização dos
dispositivos médicos dentro do ciclo.
1
Resumo
gera uma maior consciência da necessidade de dar todos estes
pequenos passos importantes, que se requerem para garantir um
processo de esterilização efetivo e um alto nível de segurança
para o paciente.
Devemos incluir um “tempo fora” no processo de esterilização.
Devemos reconsiderar e reavaliar nossas práticas e políticas
para identificar as áreas fracas onde aumenta a possibilidade de
falhas. Devemos identificar práticas que enfatizem mais o
processo de esterilização e considerar a possibilidade de
incrementar nosso monitoramento de todas essas práticas
para garantir maior probabilidade de sucesso.
Incrementar a consciência do monitoramento na sua
instituição poderia ser algo tão simples como manter um
caderno com as recomendações de cada fabricante de
dispositivo médicos, de instrumentos cirúrgicos complexos,
instrumentos elétricos, bandejas na medida e instrumentos de
exploração que indiquem também quais são os métodos corretos
para montagem/desmontagem, limpeza/descontaminação e
esterilização. O passo seguinte é incorporar esta informação e
estas práticas de monitoramento à rotina diária de sua
instituição. Precisamos elevar os padrões da prática à medida
em que aumenta a complexidade da prática. Ao invés de procurar
um teste que possa aprovar-se com facilidade, identifiquemos
os métodos corretos para aprovar os testes mais exigentes
para este processo cada vez mais complexo.
Entendemos que não existe uma forma de determinar
claramente que todos os dispositivos médicos, em um ciclo de
esterilização completo, sejam estéreis, sem sacrificar cada
dispositivo médico para comprová-lo antes de usá-lo. Lembre-se
de que a esterilização sempre é medida como uma
probabilidade. Devemos estar dispostos a aceitar isso como um
Na seqüência, são apresentados alguns pontos de discussão
fato.
sobre esterilização a vapor que vocês podem utilizar em seu
O que podemos fazer é usar métodos de teste apropriados, próximo turno de trabalho:
que nos ajudem a monitorar tantos parâmetros dentro do
sistema quantos sejam possíveis, com a finalidade de 1. Descontaminação
Identifique o/os produto(s) usados para descontaminação,
produzir um processo de esterilização a vapor aceitável.
suas características de manipulação, especificações de
Com o aumento cada vez maior da complexidade dos diluição, parâmetros de concentração e recomendações de
instrumentos e as demandas crescentes de equipamentos de segurança pessoal.
esterilização, devemos aceitar que a probabilidade de uma
falha no processo de esterilização seja também maior. A
demanda por tempo e a correspondente redução da força de
trabalho em muitas áreas, tem nos levado a procurar atalhos e a
aceitar uma verificação do processo que resulte mais simples ou
menos freqüente. Um dos melhores resultados que se
produzem ao dar-se conta que o tempo é crítico e que,
inclusive, a segurança do paciente é ainda mais crítica, é que se
7
2. Parâmetros físicos
Quais são seus tempos e temperaturas de ciclo? São
apropriados para os dispositivos médicos utilizados no processo?
Localize a impressão digital dos esterilizadores e identifique se
cada fase do ciclo é correta.
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Educação e Capacitação
3. Indicadores Químicos
Que nível de indicador (Classe 1-5) está utilizando?
Deve identificar-se dentro do encarte do pacote para o
produto. Está usando a classe correta de IQ para enfrentar o
processo?
4. Indicadores Biológicos
Quais são seus protocolos de uso? Com que freqüência? Está
testando cada tipo de ciclo como recomenda a AAMI?
Qual é seu protocolo para responder diante de um indicador
biológico positivo?
5. Manutenção de registros
Seus registros estão prontos para uma inspeção da Comissão
Conjunta para a Acreditação de Organizações de Cuidados da
Saúde (JCAHO)? Tem um registro de implantes que identifique
os resultados de seus indicadores biológicos e o paciente que
receberá o implante? Tem um registro que identifique
quando libera implantes antes que estejam disponíveis os
resultados do indicador biológico? Seus monitoramentos
físicos se afirmam depois de cada ciclo executado?
Referências
1. Associação para o Melhoramento da Instrumentação
Médica: Esterilização a vapor e segurança da
esterilização em instituições de Cuidados da Saúde,
ANSI/AAMI ST46:2002.
2. Young, Martha: “Você sabia? Estudo Estéril Central”,
Managing Infection Control; Agosto de 2004.
3. Hancock, Charles O.: “O que fazer quando se tem um
problema com um teste Bowie-Dick”, Managing
Infection Control; Janeiro de 2005.
4. Associação para o Melhoramento da Instrumentação
Médica: Esterilização de produtos para o cuidado da
saúde - Indicadores biológicos - Parte 2; Indicadores
Biológicos para esterilização com óxido de etileno,
ANSI/AAMI ST21:1999.
MANAGING INFECTION CONTROL
5. Associação para o Melhoramento da Instrumentação
Médica: Esterilização de produtos para o cuidado da
saúde - Indicadores biológicos - Parte 3; Indicadores
Biológicos para esterilização com calor úmido, ANSI/AAMI
ST19:1999.
6. Schneider, Phil, et. al.: “Desempenho de Diversos
Indicadores de Esterilização a Vapor Sob Condições de
Exposição Ótimas e Sub-ótimas na Desinfecção”,
American Journal of Infection Control, Suplemento 2 , Vol.
33, No. 2 ; Junho de 2005.
Sandy Reilly é o especialista de Serviços Técnicos de Campo
na 3M Cuidados da Saúde, Região Oeste. Sua experiência inclui
o Hospital Corpsman da Armada dos Estados Unidos como técnico
ortopedista e técnico de quirófano, seguida de oito anos de
experiência como assistente ortopédico privado e auxiliar
cirúrgico na Nova Inglaterra e na Califórnia. Nos últimos 16 anos
tem-se desempenhado como especialista de vendas ortopédicas
e especialista de serviços técnicos para todos os produtos da 3M
Cuidados da Saúde.
Dorothy Larson é a voz que responde ao telefone 1-800441-1922, Linha Técnica de Produtos para Esterilização na
3M Cuidados da Saúde (opção ‘2’). Ms. Larson passa todo o
dia resolvendo falhas no processo de esterilização,
respondendo perguntas técnicas e proporcionando a
informação e a documentação técnica que se lhe solicita. Tem
trabalhado nesta função durante oito anos e está certificada
como Técnica em Processamento Estéril e Distribuição.
Também é membro da ASHCSP e da IAHCSMM.
Respostas da Prova:
1. F
2. V
3. F
4. V
5. V
6. F
7. V
8. F
9. V
10. V
8
Educação e Capacitação
Informação sobre UEC de Processo Estéril e Distribuição
Nome do Solicitante UEC
Endereço
Cidade
Estado
CEP
A CBSPD (Junta de Certificação para Processamento Estéril e Distribuição) pré-aprovou este curso de
capacitação por uma (1) hora de contato por um período de cinco (5) anos, a partir da data de sua publicação.
A conclusão bem sucedida deste curso e a prova posterior devem ser documentadas pela administração da
instituição, e tais registros deverão ser guardados pelos indivíduos até que seja requerida a recertificação. NÃO
ENVIE O CURSO NEM A PROVA À CBSPD.
Para informações adicionais com relação à certificação de CBSPD, entre em contato com a CBSPD, 2 Industrial
Park Road, Suite 3, Alpha, NJ 08865, ligue para 908.454.9555 ou visite www.sterileprocessing.org.
A IAHCSMM tem outorgado um (1) Ponto de Contato pela conclusão deste curso de educação contínua para a recertificação IAHCSMM.
Formulário de Solicitação de UEC de Enfermagem
Este curso de capacitação da 3M Cuidados da Saúde está aprovado pelo Conselho de Enfermeiras Registradas
da Califórnia, CEP 5770, como uma (1) hora de contato. Este formulário é válido por até cinco (5) anos após a data
de publicação.
1. Tire uma fotocópia deste formulário.
2. Escreva seu nome, endereço e número de telefone para se entrar em contato com você em horário
comercial, bem como seu posto/cargo.
3. Inclua seu número da Carteira de Trabalho - MTPS ou número de licença de enfermagem.
4. Coloque a data na solicitação e assine.
5. Responda as perguntas EC.
6. Envie este formulário e a folha de respostas para:
Workhorse Publishing
Managing Infection Control
PO Box 5310, Scottsdale, AZ 85 55-9998
7. Os participantes que obtenham uma pontuação de pelo menos 70% receberão um certificado de
conclusão dentro do prazo de 30 dias, a partir da data em que a Managing Infection Control receba a
solicitação.
Esta promoção é válida até maio de 2011.
Solicitação
Preencha à máquina ou à mão
Nome
Endereço
Cidade, Estado, País,
Telefone durante o dia
CEP
Posto / Cargo
Número da Carteira de Trabalho - MTPS ou Licença de Enfermagem
Data de envio da solicitação
Assinatura
9
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Por que testamos a eficácia do processo de esterilização a