A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA JUNTO AO PACIENTE PORTADOR DE INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA TERMINAL TRANSPLANTADO JANEIRO - 2007 7 INSTITUTO A VEZ DO MESTRE UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES PÓS – GRADUAÇÃO “LATO SENSU” “TERAPIA DE FAMÍLIA” Monografia apresentada como requisito parcial para a disciplina de metodologia da pesquisa para conclusão do curso de Terapia de Família. Por: Vanda Regina Braga Briggs Prof. Orientadora: Diva Nereida JANEIRO - 2007 8 AGRADECIMENTOS A todos que direta ou indiretamente contribuíram para a elaboração deste trabalho. 9 DEDICATÓRIA Dedico este trabalho a minha Tia Osmerinda que tanto colaborou para a elaboração desta monografia e para a conclusão do curso. Também a minha filha Joyce que participou ativamente da confecção deste trabalho. Ambas souberam compreender meus momentos de ausência. 10 RESUMO Com este trabalho pretendemos descrever e comprovar a importância da família junto ao portador de insuficiência renal crônica terminal transplantado (IRCT) para que ele se sinta capaz de se manter bem, motivado para tal. O interesse pelo tema surgiu por observar e perceber, através dos atendimentos no hospital que, não só o paciente é afetado pela doença mais também todos os envolvidos na rede de relações, principalmente do ciclo familiar. Portanto, na trajetória da doença, deve haver uma adaptação do paciente e da família à nova situação de vida e, o olhar do profissional deve estar voltado para a família de maneira global. Percebemos que sem a família o paciente não consegue superar todos os obstáculos trazidos pela doença crônica. Deve existir uma preocupação de oferecer um atendimento mais amplo, que visualize o doente como um ser humano inserido em grupos que se interrelacionam. Objetivamos, portanto, prestar uma contribuição para as pesquisas na área de Nefrologia mostrando que a doença renal crônica é vivida de maneira coletiva pelo grupo familiar, pois, quando um membro adoece, toda sua rede de relação se altera, adoecendo também. Sendo a família o grupo primário de inserção de um individuo, a tendência é que seja também afetada com a doença, contribuindo de forma decisiva para a superação das fases mais difíceis trazidas pela doença. 11 METODOLOGIA A pesquisa foi realizada dentro de uma unidade publica de saúde: Hospital Geral de Bonsucesso no Serviço de Nefrologia e envolveu o levantamento de fontes bibliográficas que abordam o tema família, alem da pesquisa documental que utiliza material já existente.Trabalhamos com estudo de campo, visando abordar de maneira aprofundada as questões propostas de um único grupo em termos de sua estrutura social. Fizemos a analise de dados com base na observação sistemática e na abordagem individual junto a onze pacientes portadores de Insuficiência Renal Crônica Terminal (IRCT) transplantados, utilizando entrevistas semi-estruturadas, possibilitando aos entrevistados discorrerem sobre o tema, explicitando o caráter histórico, ideológico e conjuntural deles. 12 SUMÁRIO INTRODUÇÃO CAPÍTULO I: PROCESSO SAÚDE-DOENÇA CAPÍTULO II: POLÍTICAS DE SAÚDE NO BRASIL CAPÍTULO III: A INSUFICIÊNCIA RENAL COMO QUESTÃO DE SAÚDE PÚBLICA CAPÍTULO IV: O IMPACTO DA DOENÇA CRÔNICA NA FAMÍLIA CONCLUSÃO BIBLIOGRAFIA INDICE ANEXOS 13 INTRODUÇÃO A família é um sistema de intercomunicação que compreende subsistemas. Segundo Engli (citado por Romano, 1999), o indíviduo é entendido a partir do contexto grupal e do meio a que está inserido. O homem, nessa abordagem, é considerado em seu contexto, e este afeta seus processos internos. Através de experimentos, Minuchin e sua equipe, constataram a interdependência do indivíduo com sua família, ou seja, o individuo que pertence a uma família é afetado pelos acontecimentos e comportamentos dos outros membros. (Minuchin, 1990). As relações familiares se estabelecem através de padrões subjacentes, ou seja, são regras que surgem naturalmente e que ditam a forma de cada membro se comportar dentro do sistema familiar. Esses padrões de interação se formam com a repetição de transações entre os familiares, com as funções expectativas acerca do comportamento de cada membro (Nichols & Schwartz, 1998). O sistema assim é mantido em sua organização. É necessário que a família possua flexibilidade em sua estrutura para se adaptar a situações novas, inesperadas e mudanças, sem, contudo deixar que seus membros percam sua identidade e referência dentro do sistema. Caso contrario, as relações e os papeis podem se tornar confusos e não delimitados, levando a família a um funcionamento caótico. Os subsistemas são os próprios membros da família, ou díades ou grupos maiores dentro do sistema familiar. Esses pequenos grupos irão se formar por geração, sexo, interesse ou função. Em cada subsistema o indivíduo desempenhará uma função que se adaptara à relação estabelecida, por exemplo, um homem pode desempenhar o papel de filho no subsistema com seu pai, de pai no subsistema com seu filho e de esposo no 7 subsistema com sua mulher. O desempenho nos subsistemas se deve a habilidades do individuo em funcionar em diferentes níveis. As regras que estabelecem o funcionamento do subsistema são as fronteiras. As fronteiras são como linhas imaginarias que delimitam o espaço de cada um e indicam como alguém deve se comportar dentro da família. Segundo a teoria estrutural (Calil, 1987), um desenvolvimento familiar sadio vai depender da qualidade das fronteiras entre os subsistemas. Quando as fronteiras são quase inexistentes, os membros se encontram aglutinados, a indiferenciação é fraca e as funções ficam confusas. No caso de fronteiras rígidas os membros pouco se comunicam, tendem a se comportar de forma autônoma, não havendo trocas e inter-relação. Podendo supor uma escala com estes dois extremos, notasse que a maioria das famílias encontra-se entre eles em níveis diferentes. A constante evolução e mudança no sistema familiar podem gerar estresse e crises, exigindo que os membros busquem formas de se adaptar.As mudanças envolvem perdas de situações conhecidas e estáveis e ganhos que nem sempre são inicialmente percebidos, pois o novo gera incertezas. A doença crônica é tida como situação permanente e limitadora que exige adaptação do paciente e seus familiares. O projeto de vida toma um novo rumo e uma nova condição é assumida: ser doente. Com o adoecimento há uma ruptura do equilíbrio das esferas biológica, psíquica e social do individuo, afetando suas relações. 8 Alem de afetar o paciente, a doença crônica afeta os grupos sociais aos quais o individuo está inserido. O primeiro grupo social a sentir as mudanças ocorridas é a família visto que é o primeiro grupo de inserção e relacionamento que se instituiu. O núcleo familiar é a estrutura básica de grupo de um individuo e nele estão determinados papeis e padrões de comportamento. Um evento inesperado como a doença, pode vir a modificar os padrões de funcionamento da família de forma repentina. Para ilustrar essa compreensão, a escola estrutural de Minuchin faz apontamentos que julgamos necessários para se compreender o impacto do adoecimento crônico. Segundo essa teoria, a estrutura familiar pode ser entendida através dos papeis desempenhados por cada membro. Esses papéis são configurados pelas fronteiras e determinam funções e modos de comportamento que irão garantir a identidade do indivíduo. O sistema familiar adquire assim equilíbrio em seu funcionamento. É importante que haja flexibilidade na estrutura familiar para garantir que os membros desempenhem seus papéis e assumam outros apenas quando for necessário, para lidar com as mudanças ocasionadas por um acontecimento inesperado. Caso contrário, os papéis podem se confundir e a estrutura se tornar prejudicada. Por exemplo, se um pai é o provedor da família e seu papel é ditar as normas de comportamento dos filhos, com o seu adoecimento essas funções ficam defasadas. Toda família deve então se organizar para obter seu sustento de outra forma e manter as regras que orientam a rotina dos filhos. É necessário, contudo, que os familiares não percam a identidade e referência dentro do sistema. O membro que adoece não é substituído, por mais que suas funções sejam cumpridas por outro. No caso citado acima, um irmão mais velho pode sair para trabalhar e cuidar dos outros irmãos, ou mesmo a mãe, mas nunca serão o pai. 9 Com esta nova configuração, em que mãe ou filho assume as responsabilidades do marido ou pai adoecido, ocorre uma mudança temporária de papéis. Mas é sempre importante estimular os indivíduos para que retornem ao seu papel de origem, pois ao assumir o papel do outro, há um acúmulo de funções, e isto vai impedir o seu desenvolvimento e dos demais. Esse retorno ao papel de origem é essencial, pois garante o espaço de cada um dentro do sistema. A flexibilidade familiar é a capacidade do sistema em permitir a oscilação de papéis como forma de manter o equilíbrio da família e não sobrecarregar seus membros. O contexto mais amplo do impacto da doença não pode ser ignorado no que diz respeito a relações interpessoais. Se isso ocorre, a idéia de que o sofrimento ocasionado pela doença atinge todo o sistema, e, que todos os membros necessitam mobilizar seus recursos é negligenciada. Percebe-se que o auxílio às famílias de doentes crônicos e também ao próprio doente é importante. O adoecer para cada membro possui um significado. Diante do exposto podemos observar os reflexos da doença crônica na família. Tal constatação permite concluir que neste momento, o profissional de saúde é de importância vital, pois auxiliará a todos favorecendo adaptações e readaptações. O equilíbrio do sistema pode ser resgatado desde que se mobilize os recursos necessários À equipe de saúde deve estar atenta às necessidades da família, ampliando a assistência também a essa rede de apoio tão importante para o portador de doença renal crônica. 10 CAPÍTULO I PROCESSO SAÚDE – DOENÇA Os serviços de saúde funcionam a partir de demandas e ofertas, respectivamente. O que leva as pessoas a procurarem os serviços de saúde? O que os serviços de saúde oferecem às pessoas que os procuram? De modo geral, acredita-se que um serviço de saúde terá recursos para responder aos problemas apresentados. Portanto, a oferta de serviços de saúde determina a demanda pelos mesmos. A oferta e a demanda modificam-se ao longo do tempo, portanto , perfazendo uma história. Uma parte importante da demanda dos serviços de saúde é composta por pessoas das mais variadas idades, com queixas de dores ou desconfortos e que apresentam fenômenos graves que ameaçam a sua sobrevivência. Ao longo de nossa história, agrupamos os problemas de saúde e os denominamos de “doenças”, que nada mais é do que uma forma de classificar esses problemas, justificando o pedido de cuidado por profissionais. Neste capítulo, uma de nossas tarefas será reexaminar cuidadosamente algumas palavras que usamos correntemente, mas que são de suma importância para a compreensão dos temas que discutiremos no decorrer desse trabalho. Saúde e doença são conceitos que se modificam através do tempo e da história das civilizações. Não podemos ter um conceito único e terminado, e sim um processo que evolui e se transforma. 11 1.1 Definição de Saúde. “Saúde é um estado de completo bem estar físico, mental e social, e não a mera ausência de doença ou enfermidade” Esta é a mais difundida definição proposta pela Organização Mundial de Saúde (OMS). “Saúde é o estado do indivíduo cujas funções orgânicas, físicas e mentais se acham em situação normal”. “Saúde é o resultado do equilíbrio dinâmico entre o indivíduo e o seu meio ambiente.” (Dicionário Aurélio). Na prática, a saúde é quase sempre quantificada em termos de presença ou ausência de algum sinal, sintoma ou diagnóstico de doença. “Saúde Pública é a Ciência e a arte de evitar doenças, prolongar a vida e desenvolver a saúde física e mental e a eficiência, através de esforços organizados da comunidade para o saneamento do meio ambiente, o controle de infecções na comunidade, a organização de serviços médicos e para-médicos para o diagnóstico precoce e o tratamento preventivo de doenças, e o aperfeiçoamento da máquina social, que irá assegurar a cada indivíduo, dentro da comunidade, um padrão de vida adequado à manutenção da saúde”. (Winslow Apud Rouquayrol, 1999). A Saúde Pública intervém no sentido de evitar doenças, prolongando a vida e promovendo a saúde física e mental do indivíduo. Saúde como um fenômeno social e de interesse público, implica em levar em conta a diversidade e especificidade dos grupos populacionais e das individualidades com seus modos próprios de adoecer e /ou representarem tal processo. Segundo a Constituição Federal do Brasil (1988), “... Saúde é um direito de todos e um dever do Estado”, assegurado mediante políticas sociais, econômicas e ambientais que visem à redução e eliminação do risco de doenças e de outros agravos e que garantam acesso universal e igualitário às ações e serviços de saúde, para a sua promoção, prevenção, proteção e recuperação. Já a Lei 8080/90- art. 3 diz que “... a Saúde tem como fatores determinantes e condicionantes, entre outros, a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, o transporte, o lazer e o acesso aos bens e serviços essenciais; os níveis de saúde da população expressam a organização social e econômica do país.” 12 O acesso à saúde como um direito social depende da gestão democrática dos serviços a partir da participação na definição e planejamento das políticas de saúde, da qualidade do controle social exercido pelos seus demandantes, da qualidade e quantidade dos serviços prestados, o que coloca demandas por organização e capacitação para uma participação consciente e crítica, as quais dependem de ações específicas, considerando as unidades de saúde com complexidades diversas. Assim, com clareza e segurança da direção do trabalho profissional, podem-se apontar objetivos específicos, demandas, metas, estratégias e ações, comuns e diferenciadas a partir da complexidade de cada unidade de saúde, com definição do papel central de assistente social em cada uma delas. A educação em saúde atende a um interesse social de saúde coletiva e a um interesse individual na construção, manutenção e proteção da vida da pessoa, de sua auto-estima. Buscando alcançar a saúde social, a educação em saúde deve ser articulada aos interesses dos usuários e deve contribuir no desenvolvimento de cidadãos saudáveis, política e fisicamente. A educação em saúde envolve possibilidades de prevenção das doenças que os usuários apresentam e da cobrança e controle social das ações para a saúde. 1.2 Doença como Construção. Doença é a falta ou a perturbação da saúde. Doença não é um conceito, porque este termo nunca é definido na literatura médica. Ela tem existência real, tem causas, são “coisa” e são um acometimento orgânico que deixam marcas no corpo (lesões). A moderna definição de doença é o resultado atual de uma longa linha de acontecimentos que se desenrolam através de séculos de história.No século XVIII as doenças eram vistas como um conjunto de sinais e sintomas e dependiam daquilo que o doente apresentava. Logo após surgiu a idéia de que as doenças teriam uma sede, expressa por lesões encontradas no corpo. Desenvolve-se no século XIX uma linha fundamental na conceituação moderna de doença que busca a elucidação de suas causas. A partir daí procura-se identificar um 13 número razoavelmente grande de pessoas com aquela doença, estudando-se suas características e descrevendo-se em literaturas médicas. Na história da doença ouvimos que “...não existem doenças e sim doentes...”(QUEM).Uma doença é construção, um artefato do conhecimento, um recurso que utilizamos como profissionais de saúde para dar conta dos problemas que nos chegam. Concluímos que diferentes culturas produziram diferentes descrições das doenças e diferentes modos de combatê-las. Portanto, doença é a maneira de designar em conjunto algumas das razões mais freqüentes de procura de serviços de saúde, buscando e oferecendo cuidado, nem sempre para doenças. 14 CAPÍTULO II POLÍTICAS DE SAÚDE NO BRASIL O Brasil tem passado por um conjunto muito importante de mudanças no setor da saúde nas últimas três décadas no sentido de assegurar o direito de todos à saúde. Na década de 70, a luta por reformas para garantir esse direito começou a ganhar corpo. Naquela época, existia uma rede de serviços de saúde pública que eram, em sua maioria, prestados em centros de saúde e unidades ambulatoriais que realizavam atividades como vacinação e vigilância epidemiológica. Elas também desenvolviam algumas ações de assistência medica gratuitamente financiada com recursos oriundos de impostos. Desde os anos 30, existiam alguns institutos de aposentadorias e pensões de algumas categorias profissionais (marítimos, bancários, industriários, etc) que ofereciam assistência medica.Esses institutos, conhecidos como IAP’s eram mantidos através de contribuição financeira dos empregadores e dos empregados (beneficiários).Com esses recursos os IAP’s garantiam alguns benefícios aos contribuintes. Alguns IAP’s construíram hospitais e ambulatórios próprios para oferecer assistência medica aos seus beneficiários. Outros optaram por contratar serviços de clínicas e hospitais particulares. Após o golpe militar de 1964, os IAP’s foram fundidos num só instituto: o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) que oferecia atendimento a qualquer trabalhador com carteira assinada, tornado-o um contribuinte do INPS e fazia dele e de seus familiares beneficiários da instituição. Nos anos 70 o governo federal subdividiu o INPS, criando o instituto voltado para as arrecadações da previdência (o IAPAS), um instituto para lidar com assistência medica (o INAMPS), e mantendo o INPS para cuidar das aposentadorias e pensões. Para quem não contribuía para a previdência e não tinha plano ou seguro de saúde, não era dado acesso aos serviços de saúde e este indivíduo dependia de atendimento filantrópico. Isso gerou indignação e levou-os a lutarem por reformas na saúde do Brasil. 15 2.1. Histórico das Reformas de Saúde no Brasil A crise do sistema de saúde no Brasil está presente no nosso dia a dia podendo ser constatada através de fatos amplamente conhecidos e divulgados pela mídia.Para analisarmos a história das políticas da saúde no Brasil faz-se necessário à discussão de algumas premissas importantes, tais como: a saúde nunca ocupou lugar central dentro da política do estado brasileiro, sendo sempre deixada na periferia do sistema, como uma moldura de um quadro, tanto no que diz respeito a soluções dos grandes problemas de saúde que afligem a população, quanto na destinação de recursos direcionados ao setor saúde; A conquista dos direitos sociais (saúde e previdência) tem sido sempre um resultado do poder de luta, de organização e de reivindicação dos trabalhadores brasileiros e, nunca uma dádiva do estado, como alguns governos querem fazer parecer. (Salles, 1971). Devido à falta de uma política voltada para a saúde sua história permeia e se confunde com a história da previdência social no Brasil em determinados períodos. “A saúde emerge como questão social no Brasil no inicio do século XX, no bojo da economia capitalista exportadora cafeeira, refletindo o avanço da divisão do trabalho, ou seja a emergência do trabalho assalariado”. (BRAVO, 1996:03). 16 Apesar de na década de 20 haver a interferência estatal, especialmente, através da lei Eloy Chaves, a qual instituiu as caixas de aposentadorias e pensões (caps), estas eram financiadas pela união, pelas empresas e pelos empregados, onde os benefícios eram de acordo com as contribuições, havendo previsão de: assistência médico-curativa e fornecimento de medicamentos, aposentadorias por tempo de serviço, por velhice, pensão para os dependentes e auxilio funeral. As CAP´s são transformados em IAP´s ( Institutos de Aposentadorias e pensões) pelo governo Getúlio Vargas em 1930. Este identificou o potencial político e econômico embutido nestas instituições, os quais, eram organizados de acordo com as categorias de profissões. Eram financiados por empresários e trabalhadores. Inicialmente tiveram como principal atribuição, prestar assistência médica a seus associados, mas com o tempo tal atribuição foi relegada para segundo plano. Porém o governo Vargas propôs a ampliação do sistema aos não contemplados, acenando com a participação do estado em seu financiamento. Organizados por categorias e profissionais e não mais por empresas, com receita tripartite (trabalhadores, empresários e Estado) e que viam a assistência como atividade secundária, priorizando a capitalização do sistema com o objetivo de canalizar suas verbas para outras áreas. Com a criação dos IAP´s a previdência preocupou-se mais efetivamente com a acumulação de reservas financeiras do que com a ampla prestação de serviços. A Legislação do período que se inicia em 30 procurou demarcar a diferença entre previdência e Assistência Social, o que antes não havia. Foram definidos limites orçamentários máximos para as despesas com assistência médica hospitalar e farmacêutica. A política de saúde na década de 30, passa a ter abrangência de caráter nacional, sendo organizada em dois sub-setores: saúde pública e medicina previdenciária foram dadas ênfases nas campanhas orçamentárias, coordenação dos serviços estaduais 17 de saúde, departamento nacional de saúde, interiorização das ações para as áreas de endemias rurais, criação de serviços de combate às endemias e reorganização do departamento nacional de saúde. As Principais alternativas adotadas para a saúde pública, no período de 30 a 40 foram: “... ênfase nas campanhas sanitárias; coordenação dos serviços estaduais de saúde dos estados de fraco poder político e econômicos, em 1937, pelo Departamento Nacional de Saúde; interiorização das ações para as áreas de endemias rurais, a partir de 1937, em decorrência dos fluxos migratórios de mão-de-obra para as cidades; criação de serviços de combate às endemias (Serviço Nacional de Febre Amarela, 1937; Serviço de Malária do Nordeste, 1939; Serviço de Malária da Baixada Fluminense, 1940, financiado os dois primeiros pela fundação RocKefeller; reorganização do Departamento Nacional de Saúde, em 1941, que incorporou vários serviços de combate às endemias e assumiu o controle da formação de técnicos em saúde pública”. (Bravo,1996:) As políticas nacionais de saúde, que se esboçava desde 1930, foram consolidadas no período de 1945 a 1950, o serviço especial da saúde pública (SESP) foi criado durante a segunda guerra mundial em convênio com os órgãos do Governo Americano e sob o patrocínio da Fundação Rockefeller. A situação da saúde no período de 1945 a 1964 (com algumas variações identificadas principalmente nos anos de 1950, 1956 e 1963 em que os gastos com a saúde foram mais favoráveis, havendo melhoria das condições sanitárias) não conseguiu eliminar o quadro de doenças infecciosas e parasitárias de morbidade e mortalidade infantil em geral. Dentre da política de assistência as principais medidas foram: “o processo de unificação das instituições previdenciárias, com a criação do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), o Sistema Financeiro de Habitação (SFH), para a aquisição da casa própria, que serviu para estimular o mercado imobiliário e incentivo a especulação, os novos mecanismos de poupança compulsória, como o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e posteriormente, o PIS/PASEP.” (BRAVO, 1996:29/30) 18 A criação do INPS proporcionou a unificação dos diferentes benefícios ou nível do IAP´s. O fato de aumento da contribuição aliado ao fato do crescimento econômico da década de 70 (o chamado milagre econômico) do pequeno percentual de aposentadorias e pensões em relação ao total de contribuintes fez com que o sistema acumula-se um grande volume de recursos financeiro. Este sistema foi se tornando cada vez mais complexo tanto do ponto de vista administrativo quanto financeiro dentro do INPS, que acabou levando a criação de uma estrutura própria administrativa, o Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS) em 1978. Em 1978 o sistema previdenciário saiu da área do Ministério do Trabalho, para ser consolidado como um ministério próprio, o Ministério da Previdência e Assistência Social – 1975 foi instituído no papel o Sistema Nacional de Saúde que estabelecia de forma sistemática o campo de ação na área de saúde, dos serviços públicos e privados para o desenvolvimento das atividades de promoção, proteção e recuperação da saúde. Todas as medidas e modificações, ocorridas durante toda essa década (1979 a 1988), agravaram ainda mais a saúde do Brasil. Em 1979 o único objetivo era controlar as normas, pois a população, exigia medidas mais eficazes para a sociedade brasileira. O Plano de Ação tinha por objetivo disciplinar as diversas modalidades de práticas médicas vinculadas à previdência social, universalizando o atendimento de emergência. “Essa medida teve grande valor político, desburocratizou o atendimento dos casos de emergência e permitiu a integração real da prática previdenciária às instituições conveniadas. Em contrapartida, O INAMPS se viu impossibilitado de controlar esses atendimentos, o que permitiu um grande número de fraudes apresentadas nas contas hospitalares.”(BRAVO, 1996:43) 19 No inicio da década de 80, a saúde já estava sendo desacreditada pelo povo, e tinha como personagem principal os profissionais de saúde, representados pelas suas entidades, que ultrapassaram o corporativismo e o movimento sanitário, que surgiu na década de 60, que tinha como adeptos, estudantes, sociólogos, antropólogos e professores universitários. Esse movimento defendia que deveriam ter amplo acesso aos serviços de saúde, independente de sua condição social, e que a saúde deveria fazer parte da política passional de desenvolvimento e não ser visto apenas pelo lado da previdência social. A partir de 1985 começaram os preparativos para elaboração da constituição federal. Em 1986, foi realizada a 8ª conferência nacional de saúde. Os debates saíram dos seus fóruns especiais e assumiram outra dimensão com participação de entidades representativas da população. A questão da saúde ultrapassou a análise setorial, referindo-se a sociedade como um todo, propondo-se não somente o sistema inicial, mas a reforma sanitária. Na década de 80 a saúde deixa de ser um assunto apenas de técnicos para assumir uma dimensão política, contando com a participação de novos atores na discussão das condições de vida da população brasileira e de propostas do governo para a área da saúde, contribuindo para um amplo debate que permeou a sociedade. Pois, depois da referida conferência da saúde, a concepção de saúde foi ampliada deixando de ser compreendida pela ausência de doença, avançando na associação aos hábitos de vida, ao ambiente em que as pessoas viviam e a comportamentos e respostas do individuo a situação do dia-a-dia. A idéia de saúde passou a ser, portanto, entendida como resultado de um conjunto de fatores que tem a ver com o saneamento básico, que tem a ver com a condição social das pessoas, que tem a ver com sua renda, que tem a ver com seu nível de educação, e assim por diante. 20 Em 1988 foi promulgada a Constituição Federal, onde está expresso que a saúde é “direito de todos e dever do Estado” (art.196). A Carta Magna de 1988 representou, no plano formal, a afirmação e extensão dos direitos sociais em nosso país, em combate à grave crise, e aos enormes índices de desigualdade sociais, que impediam a universalização dos direitos sociais, devido à longa tradição de privatizar a coisa pública pelas classes dominantes. Para discutir questões referentes à saúde, a Assembléia Nacional Constituinte transforma-se numa arena política, onde duelam dois blocos: os grupos empresariais, sob a liderança da Federação Brasileira de Hospitais (setor privado) e da Associação de Industrias Farmacêuticas (multinacionais), e o bloco da Reforma Sanitária, representado pela Plenária Nacional pela Saúde na Constituinte. Os objetivos da Plenária das Entidades foram atingidos, após ter sido usado adequadamente três instrumentos de luta: a capacidade técnica de formular com antecipação um projeto de texto constitucional claro e consistente, a pressão constante sobre os constituintes e a mobilização da sociedade. Após vários acordos políticos e pressão popular, o texto constitucional atende grande parte das reivindicações do movimento sanitário, com isso os interesses empresariais do setor hospitalar são prejudicados e a situação das industrias farmacêuticas inalteradas. Este texto se inspira nas propostas defendidas durante vários anos pelo movimento sanitário, contudo, nem todas as demandas foram atendidas, pois estas lutavam contra os interesses empresariais ou de setores do próprio governo. 21 Entretanto, o financiamento do novo sistema fica sem definição, pois não há um percentual estabelecido sobre os orçamentos dos quais se origina. O Sistema de Saúde não consegue comprovar sua competência na fiscalização da produção de medicamentos. O trabalhador não foi contemplado com o direito de se recusar a trabalhar em locais comprovadamente insalubres e nem de ter acesso a informações sobre a toxidade dos produtos que serão usados no local de trabalho. A política de saúde na década de 80 tem como aspecto central à politização da saúde, a alteração da norma constitucional e a mudança das práticas institucionais. “A politização da saúde, foi uma das primeiras metas a serem implementadas, teve o objetivo de aprofundar o nível da consciência sanitária, alcançar visibilidade necessária para inclusão de suas demandas na agenda governamental e garantir o apoio político à implementação das mudanças necessárias. A VIII Conferencia foi o acontecimento mais importante nesta direção; a alteração da norma constitucional, ocorreu no processo constituinte com toda articulação e mobilização efetuada, tendo como resultado um texto bom para a saúde que incorpora grande parte das reivindicações do movimento sanitário. A mudança no arcabouço e das práticas institucionais foram realizadas através de algumas medidas que visaram o fortalecimento do setor público e da universalização do atendimento. Da redução do papel do setor privado na prestação de serviços à saúde; da descentralização política e a administração do processo decisório da política de saúde e da execução dos serviços ao nível local, que culminou com a criação do Sistema Unificado e Descentralizado de Saúde (SUDS) e depois SUS (Sistema Único de Saúde), passo mais avançado na formulação administrativa no setor.”(BRAVO, 1999)”. O texto constitucional demonstra claramente que a concepção do SUS estava baseado na formulação de um modelo de saúde voltada para as necessidades da população, procurando resgatar o compromisso do Estado para com o bem-estar social, especialmente no que se refere à saúde coletiva, consolidando-o como um dos direitos da Cidadania. Embalado pelo movimento das diretas já, a sociedade procurava garantir na nova constituição os direitos e os valores da democracia e da cidadania. 22 2.2.O Sistema Único de Saúde – SUS O SUS é definido pelo artigo 198 do seguinte modo: “As ações e serviços públicos de saúde integraram uma rede regionalizada e hierarquizada, e constituem um sistema único, organizado de acordo com as seguintes diretrizes: • Atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas, sem prejuízo dos serviços assistenciais; • Participação da comunidade. Parágrafo único – o sistema único de saúde será financiado, com recursos do orçamento da seguridade social, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, além de outras fontes”. Vale ressaltar, que apesar do SUS ter sido definido pela Constituição de 1988, ele somente foi regulamentado em 19/09/90 através da lei 8.080 definindo seu modelo operacional, propondo a sua forma de organização e funcionamento. A iniciativa privada poderá participar do SUS em caráter complementar. A lei 8.080 estabeleceu que os recursos destinados ao SUS seriam provenientes do Orçamento da Seguridade Social. Em 1995 assume o governo federal, o presidente Fernando Henrique Cardoso com um programa (O Plano Real e a Estratégia de Desenvolvimento) que compreendia o enfrentamento dos antigos e graves problemas sociais brasileiros. Este pacote tinha o objetivo de aumentar e igualar as oportunidades entre os cidadãos, gerando proteção às situações de risco, combatendo a pobreza e desigualdade social em especial, a discriminação entre gênero e raça. Na área da saúde, Adib Janete quando saí do Ministério da Saúde assina em novembro de 1996 a NOB (Normas Operacionais Básicas) 01/96. Esta norma foi palco para 23 discussão e negociações, foram várias versões no período de dois anos. A NOB 01/96 contou com a participação das três esferas de governo e foi submetida à avaliação das Conferências Municipais, Estaduais e deliberação da X Conferência Nacional de Saúde, que foi realizada em setembro de 1996 e do Conselho Nacional de Saúde. Num paralelo feito com NOB 93 podemos destacar que em 96 a NOB se Propôs a: Promover e consolidar o pleno exercício do poder público municipal; caracterizar a responsabilidade sanitária de cada gestor, reorganizar os modelos assistenciais, descentralizando aos municípios a atenção básica da saúde; diminuir relativamente o repasse por produção aumentando o repasse fundo a fundo. A NOB 96 determina para os municípios, as seguintes condições de gestão: Gestão de atenção Básica e Gestão Plena do Sistema Municipal. Já para os Estados, podemos destacar A Gestão avançada do Sistema Estadual e Gestão plena do sistema Estadual. O governo FHC com o projeto neoliberal tem um discurso de que a municipalização2 é uma prioridade. Porém o governo mantém a tradição da centralização e verticalização nos programas de saúde. Levando a opinião pública as “supostas mudanças de modelo de saúde” com a implementação de programas como: agentes comunitários, saúde da família, e de combate a dengue, etc. A consolidação do projeto neoliberal trouxe em seu bojo a falta de recursos financeiros e o descompromisso do governo com a saúde promovendo cada vez mais a falência do sus, sucateando esse sistema e atingindo frontalmente o financiamento das demais políticas sociais. 2 Municipalização – A estratégia fundamental consistirá em transferir o orçamento disponível da União para o atendimento de saúde à gestão dos municípios na proporção do seu número de habitantes, ao invés de distribuí-la diretamente para os hospitais e ambulatórios. Será assim possível para a autoridade de saúde local e para o seu respectivo conselho municipal de saúde assumir a responsabilidade da saúde de seus municípios. 24 “A identificação persistente do financiamento do SUS é utilizado como instrumento para tanto. Desde 1993 tramita no Congresso Nacional o Projeto de Emenda a Constituição, a PEC nº 169/93, de autoria dos Deputados Eduardo Jorge (SP) e Waldir Pires (BA) pronta para ser votada em plenário. Tal propositura destina 30% dos recursos de Seguridade Social para a saúde, além de, no mínimo, 10% dos orçamentos fiscais dos municípios, estados e da União”. (CHIARO e SCAFF: 13) É importante saber que apesar de ter sido declarado em 1997 o “ano da saúde”, o país está longe de contribuir de forma justa com os gastos com a saúde da sua população. Enquanto isso, o projeto neoliberal avança, sendo exemplo a proposta do Ministério da Administração e Reforma do Estado referente à privatização dos hospitais e serviços públicos, através do neologismo. O desmonte do setor público é cada vez mais aprofundado, isso acarreta no enfraquecimento e desrespeito do controle social, gerando assim, baixos e congelados salários, demissões em massa, fechamentos de leitos e desabastecimento. A saída dessa crise, do ponto de vista neoliberal, virá através de progressiva privatização, cabendo ao Estado ficar responsável pelas ações básicas de saúde e as medidas de saúde pública, já para a reforma sanitária a saída seria a implementação de fato do SUS. A consolidação das políticas de saúde na década de 80/90 na Constituição de 1988 permitiu que fosse garantida a saúde como direito de todos e dever do Estado. Contudo, ao analisar o que foi proposta para a universalização do direito a saúde, muita coisa ficou a desejar. “... esta universalização se deu de forma excludente, discriminatória, com distribuição seletiva de serviços de saúde a partir de mecanismos racionalizadores para diferentes cidadanias e fixada na atenção médica. Um sistema de doença perversamente sem eqüidade e socialmente injusto” (CHIARO E SCAFF: 14) 25 Vejamos alguns motivos que nos levam a refletir, sobre a hipótese do fracasso do projeto neoliberal e também para entendermos a importância das lutas que defendem a construção de uma sociedade mais justa e fraterna. “A saúde é inerente à vida e a morte. Não é um bem passivo de troca num mercado, que se estabelece na relação entre a consciência do profissional de saúde e a confiança do cliente; está condicionada ao acesso a outros bens e serviços; o caráter aleatório no aparecimento das doenças; sua lógica rompe os laços de solidariedade social. A experiência internacional comprova que os mecanismos de mercado funcionam perversamente no campo sanitário. Essa lógica privada penaliza e condena os velhos e portadores de males crônicos que não podem pagar por serviços. A dinâmica do projeto neoliberal no Brasil aponta para o aprofundamento das desigualdades sociais (aparthaid social).” (CHIARO E SCAFF: 14) A mudança do modelo de atenção à saúde que prioriza a prevenção, promoção, integralidade e a intersetorialidade, trará melhoria das condições de saúde da população brasileira. O SUS a princípio vem com essa proposta, apesar de haver uma enorme luta contra o sucesso desse projeto. Portanto, é preciso que os municípios assumam o seu papel de gestores plenos de fato do sistema com a contrapartida dos estados e do governo federal. Enfim, que seja assumido um compromisso político de defesa da política pública de saúde. Segundo a autora Maria Inês Brava o acesso a universalização, o acesso aos serviços de saúde, no momento atual é um desafio para os trabalhadores de saúde e para a população. Para os trabalhadores, administrar a carência de recursos e definir como prioridade de atendimento, entre todos os grupos da população, aqueles que mais precisam. Para a população, procurar conhecer a realidade e participar efetivamente das ações e serviços de saúde, pois o “controle social é um poder compartilhado entre o governo e a população”. É direito de cidadania, proposto pela reforma sanitária e conquistado na Constituição. Entretanto, somente a 26 existência das Conferências e dos Conselhos de Saúde não garante o controle social sua efetiva depende do nível de informação, responsabilização e organização da população, afim de que ela possa participar do planejamento, acompanhamento e avaliação das políticas de saúde em cada esfera de governo. Em resumo, a constituição federal criou o SUS para ofertar as ações e serviços de saúde de modo a garantir o direito de acesso universal e igualitário, e sua rede de ser4viços deve se organizar de modo regionalizado e hierarquizado, estabelecendo os seguintes princípios : • Atendimento integral com prioridade para as atividades preventivas, sem prejuízo dos serviços assistenciais; • Participação popular; • E descentralização com o comendo único em cada esfera de governo. 2.3. Serviços de Saúde Hoje Define-se como serviços de saúde lugares que se praticam ações voltadas para a solução dos problemas de saúde. O tipo concreto de procedimentos executados em cada um destes serviços, os equipamentos utilizados e até a composição dos profissionais que nele trabalham, são extremamente variáveis e determina o local que irá trazer a possível solução. Podemos agrupar os vários serviços de saúde em termos de diferentes capacidades de atendimento ou perfil de atividades desempenhadas, podendo-se observar que há uma procura diferenciada dos vários tipos de serviços segundo o problema de saúde apresentado. Portanto, há necessidade de estruturar os recursos disponíveis em uma rede de serviços. 27 Costuma-se dividir os níveis de atenção de um sistema de saúde em primário, secundário e terciário em função do grau de complexidade do cuidado inerente a cada um desses níveis. Pressupõe-se que a maior parte dos problemas de saúde de uma população pode ser resolvida em serviços de baixa complexidade. Na medida em que cresce o grau de complexidade dos problemas, diminui o numero de indivíduos afetados. Portanto deveriam ser disponibilizados para a população, serviços de nível básico de atenção na rede publica suficientes para atender a demanda. A variedade de problemas de saúde de uma população implica na necessidade de articular os vários serviços de saúde num sistema integrado. Hoje os hospitais têm como função à atenção dos problemas de maior complexidade, que não podem ser resolvidos nos níveis inferiores do sistema e o atendimento aos casos de urgência que demandam recursos tecnológicos mais sofisticados. As concepções de saúde-doença determinam as modalidades concretas de atenção, e que as tentativas de reorientação da atenção devem também contemplar este aspecto. O envelhecimento da população leva a um aumento na mortalidade pelas doenças crônico-degenerativas e nos leva a imaginar que a proporção de pessoas afetadas por estas doenças tenderá a aumentar ao longo dos anos. Portanto os serviços de saúde deverão se preparar, tanto em termos de pessoal quanto de equipamentos, para lidar com uma demanda progressivamente maior por esses tipos de procedimento. A mudança no perfil demográfico e epidemiológico da população implica na transformação do perfil da demanda por serviços de saúde ao longo do tempo. Hoje temos duas formas de “ter” um plano de saúde: pagando mensalmente pelo direito de utilizá-lo ou trabalhando em uma firma que fez um contrato com este serviço para seus empregados. De fato, o INAMPS hoje não existe mais. A rede de serviços do antigo INAMPS hoje integra o SUS, e também tem contratos e convênios com muitos hospitais privados, semelhantes aos do velho INAMPS. Ele atende a quem dele precisa sem exigir comprovante de contribuição. 28 CAPITULO III A INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA COMO QUESTÃO DE SAÚDE PÚBLICA O desafio da sobrevivência dos pacientes portadores de HAS e DM que não forem devidamente acompanhados provavelmente terá complicações que exigirão procedimentos de alta complexidade, como por exemplo a IRC que leva o paciente a uma das terapias renais substitutivas. Salienta-se que a doença renal quando precocemente identificada e acompanhada pelos médicos especializados (nefrologistas), propicia o tratamento conservador, podendo também reverter o problema (MACHADO et al, 2003:37). Segundo especialistas a prevenção da doença renal crônica consiste em melhorar o atendimento aos doentes com HAS e DM, tratando adequadamente a doença de base, o que retardaria o aparecimento dos seus sistemas. O investimento em prevenção evolve diferentes especialidades e níveis de atendimento. O Ministério da Saúde – MS revelou a disposição política de mudar o modelo de atenção aos renais crônicos que é baseado em procedimentos de alto custo, caracterizado pela ausência de gestão publica e de estratégias de integração entre os diversos níveis de atenção e gestão, onde o paciente seja visto de forma integral, utilizando-se medidas de curto, médio e longo prazos, alcançando modificações positivas no perfil epidemiológico da doença renal no Brasil. 29 No Brasil, cerca de 30% de todo o orçamento do SUS é gasto com procedimento de alta complexidade, atendendo a apenas 3% dos usuários do sistema. Estes procedimentos são responsabilizados pelos custos elevados despendidos em saúde. No entanto, nota-se que os referidos pacientes receberam pouca ou nenhuma atenção da rede básica ou da media complexidade com relação às doenças crônicas de forma a mudar a historia natural da evolução dessas patologias (SILVA, 2000: 218) Com acentuada taxa de crescimento na incidência da insuficiência da doença renal no Brasil, estamos, portanto diante de uma epidemia urbana representativa de um enorme e dispendioso problema de saúde publica que esta, acompanhada de forte desestimulo ao investimento e a formação de recursos humanos para o setor (SONERJ, 2004). 3.1 Os Rins e a Doença Renal Possuímos dois rins que tem cor vermelho-escura, forma de grão de feijão e medem cerca de 12 cm em uma pessoa adulta. Localizam-se na parte posterior do abdômen, um de cada lado da coluna, onde estão protegidos pelas ultimas costelas. Os rins são responsáveis por filtrar o sangue, dele removendo os resíduos tóxicos depositados nos tecidos do corpo, sais e outras substâncias que estejam presentes em quantidades excessivas. Produzem hormônios responsáveis pelo controle da pressão arterial, pelo amadurecimento e liberação de hemácias pela medula óssea, assim como pela incorporação do ferro dentro delas – eritropoetina – pela formação e manutenção dos ossos. Tem um papel fundamental no metabolismo ósseo, pois ativam a vitamina D que é a responsável pela absorção do cálcio presente nos alimentos e na eliminação do excesso de fósforo. Esse desequilíbrio resulta na fraqueza dos ossos, manifestada por dores e fraturas. 30 O sangue chega aos rins através das artérias renais que, no seu interior, dividem-se em vasos cada vez menores ate formarem enovelados de vasos muito finos chamados de glomérulos. Em cada rim existem milhões de glomérulos que são os filtros do sangue. Quando o sangue passa através desses pequenos vasos o excesso de líquido e sais é eliminado e inicia-se a formação de urina que, após atravessar vários tubos e sofrer várias transformações será conduzida para um tubo comum, o ureter, seguirá para a bexiga e uretra, até ser expelida. Aproximadamente dois mil litros de sangue passam pelos rins todos os dias, sendo produzidos em média 1 litro de urina por dia. Estando os rins preservados a quantidade de urina deverá ser proporcional à quantidade de liquido ingerido. A insuficiência renal existe quando os rins têm suas funções lesadas e não são capazes de desenvolvê-las plenamente. O organismo retém líquido, a pressão arterial aumenta, resíduos tóxicos prejudiciais se acumulam no organismo e não há produção suficiente de glóbulos vermelhos. A insuficiência renal apresenta como principais sintomas a uremia; as disfunções sexuais; as alterações digestivas, cardiovasculares, neurológicas, dermatológicas, ósseas e sangüíneas. É preciso então, substituir as funções dos rins de alguma maneira. Recomenda-se a terapia renal substitutiva. A insuficiência renal pode ser subdividida em dois tipos: aguda (IRA) e crônica (IRC). A IRA se dá quando há uma parada súbita e temporária dos rins. As causas são variadas e na maioria das vezes há a cura completa desde de que feito o tratamento de forma adequada. Há enfermidades que comprometem os rins agudamente.O tratamento é conservador através do uso de medicamentos que visam a recuperação completa da função renal. Conforme Lorga (et al) a doença crônica é caracterizada por sua longa duração e por ser incurável. 31 A IRC se dá quando diferentes estruturas dos rins são definitivamente lesadas por problemas como hipertensão arterial severa (HAS) diabetes mellitus (DM), infecções urinarias de repetição e glomerulonefrites. Algumas doenças levam anos ou até mesmo décadas para que seu dano se torne aparente. As falhas no tratamento da doença aguda podem ser também um fator que ocasione a cronicidade da patologia renal. Pode ter caráter hereditário e causas multi-fatoriais, motivadas por um estilo de vida prejudicial ao individuo em relação a alimentação, atividades físicas, sono, ingestão de álcool e fumo. O portador de doença crônica deverá aderir ao tratamento e faze-lo até o fim da vida. 3.2.O Transplante Renal como Modalidade de Tratamento A IRC pode ser tratada com terapia renal substitutiva A diálise é um tratamento que visa repor as funções dos rins, retirando as substâncias tóxicas e o excesso de água e sais minerais do organismo, estabelecendo assim uma nova situação de equilíbrio. Através da diálise é possível melhorar os sintomas e reverter à situação de risco de vida imposta pela insuficiência renal. O procedimento dialítico pode ser realizado de diferentes formas, variando de acordo com a indicação clínica. Podemos citar as seguintes modalidades: hemodiálise, diálise peritoneal (CAPD – diálise peritoneal ambulatorial contínua, CCPD – diálise peritoneal cíclica contínua, DPI – diálise peritoneal intermitente) e transplante renal. Transplante é um procedimento cirúrgico de alta complexidade, e consiste na troca do órgão doente do receptor por um órgão ou tecido proveniente de um doador vivo ou falecido. Tem como grade limitador a rejeição do órgão transplantado, que pode ser remediada com o uso de drogas imunossupressoras. A partir de 2004 os transplantes com doador falecido 32 superaram o número de transplantes co doador vivo, alterando o quadro anterior. Em aproximadamente três décadas o transplante evoluiu de uma experiência de alto risco a uma terapêutica de rotina eficaz em pacientes com doenças crônicas terminais. Tal evolução está diretamente associada ao aprimoramento das técnicas cirúrgicas e dos recentes avanços no manejo imunológicos através da introdução de drogas imunossupressoras mais modernas, ou seja, dentre outros fatores o sucesso do transplante depende da imunossupressão que é fundamental no controle da rejeição, marcando a transição da era de transplantação como terapêutica experimental para a era da cirurgia como terapêutica de rotina. O sistema imunológico ou imune é de grande eficiência no combate a microorganismos invasores; ele também é responsável pela “limpeza” do organismo, ou seja, a retirada de células mortas (rejeição de enxertos). Reconhece, defende e protege o nosso organismo contra infecções, através da produção de anticorpos específicos contra determinado agente infeccioso. Ele rejeita tudo o que é “estranho”, e o órgão transplantado é algo estranho não pertencente ao organismo. É responsável por garantir a defesa e manter o corpo funcionando livre de doenças. Os imunossupressores são medicamentos que evitam a rejeição do órgão transplantado ajudando a “enfraquecer” o sistema imunológico. Tal medicação deverá ser ingerida por toda vida pelos pacientes transplantados, aumentando a predisposição do organismo às infecções. Estes medicamentos possuem diversos efeitos colaterais severos e coloca em risco a integridade física e psicológica dos seus dependentes.Portanto a dosagem deve ser exata, pois ao ingerir uma quantidade maior, o organismo pode ficar mais suscetível às 33 infecções e a toxicidade, e ao ingerir uma quantidade menor, o seu organismo poderá rejeitar o órgão transplantado. Daí a importância de avaliação do nível sérico das medicações no organismo, a fim de não provocarem um desequilíbrio na ingestão dos referidos remédios. Antes da realização do transplante o paciente deve ser claramente informado pela equipe medica sobre os benefícios e prejuízos trazidos pela medicação, sendo formalizado através da assinatura de um termo de consentimento. O transplante oferece aos pacientes portadores de IRC a chance de uma maior independência e uma melhor qualidade de vida uma vez que não dependerá das intermináveis sessões de hemodiálise. Possibilita a recuperação da função renal plena, sendo a dieta e a ingestão de líquidos muito próximos do normal. Proporciona a oportunidade do retorno as atividades laborativas. Concluímos que, apesar de o transplante representar um grande avanço cientifico no controle das doenças, na preservação, manutenção e melhoria da qualidade de vida, cabe ao paciente e seus familiares à avaliação da relação custo - beneficio sobre aderi-lo ou não. 3.3. O Hospital Geral de Bonsucesso e a Unidade de Transplante Renal Antigo Hospital Geral do Nascimento Vargas, atualmente Hospital Geral de Bonsucesso (HGB), na época subordinado ao IAPETEC (Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Empregados em Transportes e Cargas), foi inaugurado em janeiro de 1948 pelo então presidente da república, General Gaspar Dutra. Seu primeiro diretor foi o cirurgião geral Dr. 34 Oswaldo Araújo que despachava diretamente com o presidente do Instituto, Dr. Hilton Santos. O Hospital Geral de Bonsucesso (HGB) é a maior unidade hospitalar do Estado do Rio de Janeiro, em relação ao número geral de atendimentos. A unidade realiza, por mês, cerca de 15 mil consultas ambulatoriais e 9 mil atendimentos de emergências. É um Hospital de fácil acesso, localizado na Avenida Brasil e próximo às linhas Amarela e Vermelha – principais elos de ligação entre o centro, os subúrbios da cidade e a Baixada Fluminense. Essa região conta com aproximadamente seis milhões de habitantes que tem no HGB a principal referência para o atendimento de diversas especialidades e a única alternativa para o tratamento de determinadas patologias. A Unidade é um complexo de 6 prédios, que possui aproximadamente 500 leitos e oferece 25 serviços assistenciais. Embora tenha um perfil predominante terciário, o HGB presta vários serviços que vão desde a realização de transplantes renais e hepáticos, cirurgias cardíacas a procedimentos básicos como vacinação. O hospital possui serviços de emergência e maternidade, classificados pela Secretaria Estadual de Saúde como de nível III (alta complexidade). Alguns serviços são referência em todo Estado do Rio de Janeiro como: nefrologia (Transplante Renal, Nefrologia Clinica, Hemodiálise, assistência as intercorrências clínicas de pacientes dialisados na rede conveniada e Nefrologias Pediátricas), Oftalmologia (Cirurgias de catarata, faço-emulsificaçao, glaucoma, estrabismo e exame de retinografia fluorescente, entre outros), Centro de alta complexidade em Oncologia (CACON) nível e Hepatologia (transplante de fígado). 35 O Serviço de Nefrologia da Instituição trabalha diretamente com pacientes portadores de insuficiência renal crônica terminal (IRCT), com perspectivas de realização de transplante renal com doadores vivos e com doadores falecidos. Porém, os usuários focalizados são aqueles que aguardam transplante com seus respectivos doadores, fazendo o acompanhamento pré, per e pós-transplante em pacientes que ainda encontram-se em diálise e seus doadores sejam ele relacionados1 ou não. O transplante se apresenta como uma intervenção terapêutica eficaz em doenças terminais. O desenvolvimento dos transplantes e sua aplicação no tratamento de doenças terminais converteram-se num dos capítulos de maior êxito na história da medicina, e em aproximadamente três décadas, o transplante evoluiu de um procedimento relativamente arriscado, realizado apenas em pacientes com doenças em estágio final, para uma intervenção eficaz. A característica principal do transplante, que o distingue de outras cirurgias, convertendo-o em uma terapêutica única e que alguns consideram uma desvantagem, é a necessidade da utilização de um órgão ou tecido proveniente de um doador vivo ou falecido. Atualmente a estimativa é que somente 1% a 4% das pessoas que morreram em um Hospital e de 10% a 15% daquelas que morrem em unidades de tratamento intensivo, apresentam o quadro de morte encefálica, sendo, portanto, potenciais doadores. Estima-se que sejam necessários em torno de 60 transplantes pmp/ano para atender a demanda. Esta estimativa baseia-se em dados de que 40%a 60%. O processo de doação de órgãos, para transplante, é complexo. Inicia-se com os médicos intensivistas ou assistentes que identificam os potenciais doadores fazem a declaração de morte encefálica, notificam a família e fazem a comunicação à equipe de coordenação de transplante, que é responsável pela abordagem familiar solicitando a remoção dos órgãos e 1 Consideramos doadores "relacionados" aqueles que apresentem consangüinidade direta com o receptor do Órgão. Assim, irmãos, pais, primos de primeiro grau, avós etc., estão nesta categoria, e ainda são empregados como doadores de rim, na maioria dos países do mundo. No Brasil, a maioria dos transplantes renais é proveniente de doadores vivos relacionados e uma pequena parcela dos chamados doadores vivos "não relacionados", ou seja, que não apresentam consangüinidade direta com o paciente receptor. 36 tecidos e avaliação das condições clinicas do potencial doador e a viabilidade dos órgãos a serem extraídos, terminando,após a remoção e distribuição dos órgãos e tecidos, com análise dos resultados. Este processo, na realidade, tem início e término com a sociedade que fornece os órgãos e deles se beneficia. O HGB participa deste processo tanto como instituição captadora como transplantadora. Ele recebe pacientes que podem vir a ser potenciais doadores, por ser um hospital de emergência, como também pacientes que estão aguardando uma cirurgia de transplante renal com doador falecido. 37 CAPITULO IV O IMPACTO DA DOENÇA CRÔNICA NA FAMÍLA A doença significa a perda da homeostase, levando o individuo a buscar um novo equilíbrio. O amadurecimento gera crises e momentos de desestruturação para o paciente e sua família, pois, é o primeiro grupo de relações em que o individuo está inserido. Na maioria das vezes são os familiares as pessoas mais próximas das vivencias do paciente, portanto, o impacto da doença crônica é sentido por todos os seus membros. Muitas mudanças ocorrem na vida do doente, levando-o a se deparar com limitações e perdas. Essas mudanças serão definidas pelo tipo de doença, maneira que se manifesta, e como segue seu curso, alem do significado que o paciente e a família atribuem ao evento. A família necessita se re-organizar e também se adaptar pois, o paciente pode precisar de cuidados. Os papéis e funções devem ser repensados e distribuídos de forma que auxiliem o paciente na elaboração de sentimento confusos e dolorosos ocasionados pelo processo de adoecer. Santos (1997) em estudo com portadores de insuficiência renal crônica pode perceber que o paciente busca formas de enfrentamento baseadas na luta para entender sua doença e seu tratamento. Contatou também que tantos pacientes quantos familiares possuem dificuldades de conviver com a doença, sendo propensos a sentimento que ameaçam a integridade moral do paciente. 38 4.1 A família e a adaptação á nova realidade A família é o primeiro grupo ao qual o homem está inserido, ou seja, é a rede inicial de relações de um indivíduo. Funciona como uma matriz de identidade, dando a possibilidade de pertencer a um grupo específico e também de ser separado e ter participação em subsistemas e grupos sociais externos. Segundo Pichon-Riviere (1998), a família é a estrutura social básica, que deve ter seus papéis delimitados, com diferenças específicas, porém relacionados. Seu funcionamento depende da diferenciação desses papéis. Hojaij, Brigagão e Romano (1994) localizam a família como um sistema inserido na sociedade, que sofre influências e tenta se adaptar às mudanças dessa sociedade. Essa adaptação é a busca da homeostase, garantindo continuidade, proteção e crescimento dos membros. Souza (1997) defende que a família é um sistema vivo, que possui um ciclo vital (nasce, cresce, amadurece e morre) podendo ou não originar uma nova família. Por ser vivo, é um sistema aberto, que depende de trocas com o meio a que está inserido para manter o funcionamento. Segundo Gomes (1999) a família é um grupo de pessoas com características distintas formando um sistema social, baseado numa proposta de ligação afetiva duradoura, estabelecendo relação de cuidado dentro de um processo histórico de vida. A noção de saúde da família depende dos recursos de cada membro e da família como unidade, para superação de crises e conflitos, evidenciando a busca por normalizar o seu funcionamento através do cuidado e do bem estar com o outro. Segundo Contim (2001) a família é considerada uma unidade primária de cuidado, pois ela é o espaço social onde seus membros interagem, trocam informações, 39 apóiam-se mutuamente, buscam e mediam esforços, para amenizar e solucionar problemas. A família deve ser entendida como um grupo dinâmico, variando de acordo cm a cultura e o momento histórico, econômico, cultural e social que está vivenciando (p.5). Ao enxergar a família como unidade de cuidados, podemos propor que sua estrutura seja de extrema ajuda ao paciente doente. A interação entre os membros visa garantir a continuidade do sistema ligado afetivamente, amenizando o sofrimento causado pelo adoecer. A tendência é à busca de um equilíbrio para adaptar o sistema. Os familiares funcionam como pontos de referência no desenvolvimento de valores do ser humano. Os cuidados prestados por este grupo são de extrema importância para o enfrentamento da doença. A partir disso, o paciente se sente apoiado pelas pessoas responsáveis pelos primeiros modelos de comportamento. As famílias se diferenciam pelos valores e crenças que adquirem ao longo de seu histórico. As interações entre os membros, o comportamento e a postura diante dos acontecimentos são influenciados por esses valores. Segundo Ferreira (1986), a palavra família vem do latim família, e significa pessoas aparentadas que vivem, em geral, na mesma casa, particularmente o pai, a mãe e os filhos, porém a formação básica da família vem sofrendo modificações. A evolução de um modelo de família “hierarquizado” para a busca do “igualitário” ocorreu por volta dos anos 50 (Souza, 1997). O modelo hierarquizado se caracteriza pela diferença de direitos e deveres entre homem e mulher. O homem era uma figura forte, que controlava a vida de todos os membros da família. Sua autoridade era fundamentada no poder econômico. A mulher era educada para cuidar dos filhos e da casa, além de ser vista como “propriedade do homem” tendo que servi-lo (Souza), (1997). 40 O casamento não se dava por uma escolha afetiva e sim por atender às exigências da família e sociedade, tendo como base o desempenho profissional, financeiro e moral. O indivíduo era julgado pelos valores familiares que tinha, seus êxitos e fracassos. A relação com os filhos era distante, não faziam as refeições juntos e não conversavam. As crianças eram consideradas incômodas, sendo isoladas do convívio familiar (Souza, 1997). Na Idade Média era comum que depois de certa idade a criança fosse conviver em outra casa. A educação também ficava a cargo da comunidade. A mudança de um modelo de padrões rígidos, de controle de comportamento entre certo e errado para um modelo de relações horizontais, ocorre principalmente por uma modificação do comportamento feminino (Souza, 1997). Aos poucos, através da conquista do voto e posteriormente com o advento da pílula anticoncepcional, a mulher se sentiu mais confiante para buscar seu espaço no campo profissional, social e também dentro da família. As decisões familiares passaram a ser tomadas em conjunto e a relação com os filhos baseada em diálogo. Os pais passaram a ter mais responsabilidades sobre os filhos, havendo estreitamento da relação emocional. O sexo é desvinculado da maternidade, o que diminui o número de filhos (Souza, 1997). A Revolução Industrial proporciona uma mudança na economia, transformando-a de essencialmente camponesa para o uso de tecnologia e máquinas numa sociedade industrial. Essa mudança nos setores de produção ocasiona uma privatização na família, que passa a compor uma unidade econômica, diminuindo o convívio com a comunidade mais ampla (Dias, 1992). Houve uma privatização da família e os membros buscaram ter uma vida privada. Segundo Souza (1997) a existência ocorreu em três partes: vida pública da profissão, vida privada familiar e vida individual. 41 Segundo Gomes (1999), a tendência é o distanciamento dos modelos rígidos, de comportamentos prescritos, considerando a vivência subjetiva da família e suas especificidades. Na prática, o modelo familiar ainda coexiste entre esses dois modelos, tendo sentimentos ambíguos no que se refere a objetivos e projetos de seus membros. A família se encontra confusa na orientação dos filhos, na busca profissional e distribuição de renda, na conquista de posições, no cumprimento das ditas “funções” de um papel, e no enfrentamento de crises busca o tratamento familiar para o alívio de angústias (Souza, 1997). Atualmente a família possui um significado mais amplo do que apenas mãe, pai e filhos consangüíneos. Além da concepção biológica, pode prevalecer uma ligação subjetiva entre os membros. As famílias vivem diversas composições. Segundo Dias (1992), o que realmente liga uma pessoa a outra na família são os laços de parentesco e/ou afinidade. A composição familiar depende do ponto de vista do indivíduo e pode variar muito. Um amigo que more na mesma casa de uma família pode ser considerado da família. Ao passo que a relação com um irmão de sangue pode ser distante e sem afeto. É importante que o indivíduo doente saiba qual é sua família, seja qual for a sua configuração. É preciso que fique claro as pessoas com quem pode contar no curso da doença e nos cuidados. O sistema fica abalado e a família precisa recorrer a seus recursos internos e externos para lidar com a doença. As limitações impostas pela doença crônica afetam também a família que precisa se adaptar às necessidades do membro doente, para isso utilizando novos recursos de enfrentamento. Segundo Romano (1999), há uma quebra do equilíbrio dinâmico familiar diante do novo evento. As mudanças que ele acarretará e as adaptações que essa família realizará dependem dos recursos que dispõe, de como o evento (no caso a doença) começou e o significado que atribui ao acontecimento. O equilíbrio é buscado através das novas adaptações. 42 Um estado de hipertensão arterial no sistema familiar (Araújo, Maciel, Maciel e Silva, 1998) demonstrou através de entrevistas com o membro mais envolvido no tratamento do paciente em cinco famílias, que as principais necessidades das famílias com tais pacientes cronicamente afetados são: o alívio da ansiedade, a provisão de informações e apoio, a proximidade do paciente e um sentimento de solidariedade para com eles. Foram notados alguns comportamentos que caracterizaram alteração no sistema familiar como incapacidade da família para adaptar-se às mudanças ou para lidar construtivamente com experiência traumática, rigidez nas funções e nos papéis, processo de decisão insatisfatório da família e inabilidade para aceitar ou receber ajuda. O curso das doenças também pode interferir na adaptação familiar. Quando o curso é progressivo, a doença é constantemente sintomática e as limitações tendem a aumentar com severidade. A tensão vivida pela família é crescente assim como os cuidados em relação ao doente. A adaptação é contínua, já que as limitações do paciente ocorrem de forma progressiva, podendo levar a família à exaustão. Guterman e Levcovitz (1998), realizaram um estudo sobre o impacto da doença de Alzheimer na família. Comprovaram que o sistema emocional da família se abala, frente a doença progressiva, sofrendo muitas modificações e privações para atender ao membro doente. Os familiares se desgastam com os cuidados e necessitam de apoio para lidar com as alterações definitivas da doença. Além disso, a família se vê diante de alterações bruscas de comportamento do doente provocadas pelas alterações das funções intelectuais de base, não reconhecendo a pessoa que se tornou. As doenças podem ser divididas de acordo com seu desenvolvimento (Mc Daniel, Hepworth e Doherty, 1994; Rolland, 1998): a fase inicial, que é a fase de crise, inclui desde o aparecimento de sintomas indicando que algo não vai bem, até o estabelecimento de um plano de tratamento e possíveis internações. É o período de ajuste inicial quando o diagnóstico ainda não é claro. O paciente deve aprender a lidar com a dor e outros sintomas da doença, com o ambiente hospitalar, possíveis internações e 43 procedimentos necessários e impostos, além de estabelecer bom contato com a equipe de cuidados. Nesse estágio a família tende a se unir, apesar de sentir a perda da identidade que existia antes da enfermidade. A crise mobiliza a família a desenvolver flexibilidade para se reorganizar perante a incerteza do progresso da doença, e para atender as necessidades imediatas do paciente (Moos, citado por Rolland, 1998); a fase crônica é imprevisível, pois pode ocorrer de forma estável, com progressões e mudanças súbitas. É a fase que vai desde o diagnóstico e incerteza inicial até o período da fase terminal. O paciente e a família se organizam de acordo com as mudanças permanentes e negociam os papéis para os cuidados. Uma das tarefas mais penosas desse período é a de conviver com a incerteza pois existem doenças de fase crônica extensa e não fatal, assim como doenças que tem a fase de crise quase ligada à terminal, não existindo praticamente a fase crônica. As famílias estão mais informadas nesse estágio. Nas doenças fatais, essa fase é uma fase de “viver no limbo”, segundo as palavras de Rolland (1998), pois o prognóstico já é conhecido. Se a doença trouxer incapacitações severas, a família pode ficar sobrecarregada com os cuidados. Essa fase é permeada por tentativas da família em viver uma vida normal em condições anormais. Oliveira e Bastos (2000) compararam famílias de diferentes níveis sociais. As famílias de baixa renda analisadas utilizam recursos informais contando com vizinhos e parentes, mostrando-se desacreditadas nos serviços oferecidos pelo Estado. A família de camada média vive com o apoio profissional, em maior isolamento, utilizando os recursos formais (médico, empregada, etc). Sendo o Brasil um país de grandes diferenças sócio-econômicas, não se pode ignorar a influência dos fatores sociais sobre a família e sobre os cuidados prestados por ela. O acesso a tratamentos, na realidade brasileira é precário e caro e, até mesmo o entendimento sobre o diagnóstico e prognóstico é dificultoso pelo baixo nível de instrução dos familiares 44 A doença crônica pode gerar hospitalizações durante o seu curso, seja por crises ou pelo agravamento progressivo. A hospitalização é percebida como ameaçadora, além de ser um evento que gera estresse para toda a família (Romano,1999). As fontes de ansiedade para a família, segundo Atkinson, Bozzett e Halm (citados por Romano, 1999) são: súbita e inesperada instalação da doença, incerteza sobre o prognóstico, medo que o paciente sinta dor, tenha uma inabilidade, pós-evento mórbido ou venha a morrer, falta de privacidade e individualidade, ambiente desconhecido e aterrorizante, separação física do paciente e distância de casa, sem parentes do convívio, amigos e vizinhos que transmitam amparo. O afastamento do paciente do contexto familiar e de casa leva a família a mudar os papeis familiares, quebrar rotinas, sentimentos de isolamento e perda de controle. A família se vê diante de dilemas como cuidados de crianças que estão em casa e outras doenças na família. Ha perda de proventos e em contrapartida o aumento de custos de tratamento (Romano, 1999). É importante que a família, além do paciente, esteja amparada nesses momentos de crise, dúvidas e incertezas.Na maioria das vezes, é a família o suporte do paciente tanto nas situações de hospitalização quanto em casa. Torna-se necessário, portanto, que os membros estejam honestamente informados da realidade do paciente, do desenvolvimento da enfermidade e dos cuidados necessários para que possa se organizar e elaborar as mudanças. A família desamparada ou mal informada pode não perceber as reais necessidades do doente e de seus membros, mantendo-se distante, ou tendo atitudes de super proteção, realizando tarefas e mesmo cuidados que o próprio paciente poderia realizar sozinho. A doença, segundo Hojaij, Brigagão e Romano (1994), além de abalar a família, pode provocar a reestruturação de vínculos familiares. Frente à situação de crise, a família tem a chance de repensar valor e formas de se relacionarem, propiciando situações 45 de afeto e assistência a todos os membros. Antigos conflitos podem ser resolvidos, pelo sentimento de união e de ajuda mutua que surgem. O abalo do ciclo familiar com a doença é claro, segundo a literatura. Há mudanças nos papeis, nas funções e em todo o funcionamento do sistema que, em meio ao caos, busca formas de adaptação. As fronteiras entre os membros tendem a se redefinir, mudando toda estrutura a que a família esta habituada a funcionar. O sistema demanda que todos, num esforço contínuo auxiliem na adaptação para a busca de um novo funcionamento. A família irá conviver com o paciente e a doença, portanto deve ser considerada como aliada no acompanhamento do doente crônico, compartilhando perdas, limitações e cuidados. A importância do contexto familiar é evidente desde do nascimento, pois, sem a proteção e o cuidado da mãe ou alguém equivalente, uma criança não sobrevive. Sendo assim, a família pode ser considerada a mais importante influencia contextual no desenvolvimento humano, sendo importante fonte de apoio e segurança. 4.2 A ótica do paciente quanto à importância da família Analisaremos os dados coletados no trabalho de campo, com base nas onze entrevistas realizadas nas salas de espera do ambulatório de Nefrologia do Hospital Geral de Bonsucesso com pacientes renais crônicos transplantados. O trabalho de campo foi desenvolvido com base na observação sistemática e na abordagem individual à pacientes ambulatoriais em entrevistas semi-estruturadas. O material oriundo das entrevistas, desprendido dos discursos individuais, foi reordenado conforme os temas identificados. Esses temas foram então analisados e discutidos. 46 Dos onze pacientes entrevistados, oito transplantaram com rim de doador relacionado (da família) e três com doador falecido. Dez pacientes concluíram que a família contribuiu muito para a realização do transplante renal, apoiando, incentivando, dando assistência e se dispondo a doar e, apenas um considerou que a participação da família foi somente no período do pós-operatório. Ao serem perguntados sobre o que sabem a respeito do transplante, todos responderam que precisam ter uma vida regrada, alimentação balanceada e fazer uso de medicação imunossupressora durante a vida toda. Dois pacientes ressaltaram que o transplante não é a cura da doença renal crônica e sim mais uma modalidade de tratamento, necessitando de uma boa estrutura familiar para manterem a qualidade de vida satisfatória. Todos os onze entrevistados seriam doadores de órgãos, pois poderiam dessa forma, ajudar a outras pessoas, proporcionando-lhes uma vida melhor, livres da máquina de hemodiálise. Consideram essa atitude de extrema importância para aliviar o sofrimento dos que esperam na fila por um órgão doado. Relataram, com unanimidade, que o transplante trouxe várias modificações e benefícios de maneira ampla em todas as áreas da vida: no trabalho, no lazer, nos estudos, etc, enfim, contribuiu para proporcionar uma nova vida para si e seus familiares. Segundo A.N.C.R. “a família é à base de tudo. Sem a família o final é trágico”. Tal depoimento comprova o papel de destaque que os familiares assumem neste contexto. 47 CONCLUSÃO Desenvolver uma prática profissional junto à pacientes crônicos exige uma postura particular, no que se refere ao atendimento das necessidades dessas pessoas, que têm contra si a eminência de degeneração e morte. Portanto, trabalhar com o paciente renal crônico exige que o profissional lide com a idéia de que ele, pouco a pouco, estará em piores condições e as intercorrências clínicas serão cada vez mais freqüentes e com maiores dimensões sobre ele e sua família. A complexidade da doença renal crônica levou-nos a pensar em desenvolver um trabalho voltado para o paciente e à família, especialmente no que se refere a sua sociabilidade e o reflexo do problema de saúde no seu núcleo social. Percebemos no decorrer deste trabalho que a perda progressiva e irreversível da função renal, estabelece uma dependência com o tratamento, resultando numa modificação em todos os âmbitos da vida desse sujeito. Surgem inúmeras limitações impostas pela doença e, nesse momento, os profissionais de saúde e a família surgem para encorajá-lo e conduzi-lo a levar uma vida a mais próxima do “normal” possível, ainda que saiba que o tratamento não poderá curá-lo da doença crônica. O paciente com insuficiência renal crônica terminal (IRCT) vive isolado, canalizando sua energia e tempo para o tratamento, esquecendo-se de sua vida social. Há que se considerar as inúmeras hospitalizações que acometem o paciente, criando uma descontinuidade em suas relações com a comunidade e/ou trabalho. O isolamento que passa a fazer parte da rotina do paciente foi entendido por nós como forma de proteção contra o confronto com outras pessoas que não são doentes. Essa é também uma maneira de negar o problema e reconhecer-se melhor em relação aos que dividem a mesma situação. O afastamento do convívio social faz com que o paciente se torne mais dependente e ligado aqueles que acompanham seu processo de adoecimento, de um modo geral, seus familiares. 48 Em razão da excessiva dependência, surgem problemas nas relações familiares, que se apresentam como obstáculos para a reabilitação do doente. A família é submetida a um estresse intermitente, em função de seu envolvimento com a doença e ao mesmo tempo, da atribuição que lhe é dada pela equipe de saúde no que se refere aos cuidados, gerando insegurança e superproteção. Por não querer representar “um peso” na vida dos familiares, o paciente então tende a se afastar das atividades diárias comuns à todos da família, criando um círculo de deteriorização, afastando-se do convívio que ainda lhe resta. A experiência com os atendimentos realizados em ambiente hospitalar permitiu a observação de como tais sentimentos aparecem e afetam a rede de relações a qual o indivíduo está inserido. No caso das doenças crônicas esse aspecto é evidente, pois o vínculo com a instituição de saúde é mantido para tratamento (como a hemodiálise) e constantes consultas médicas para acompanhamento do curso da doença. As mudanças sejam positivas ou negativas, implicam no estabelecimento de uma nova rotina para o sistema familiar. O apoio profissional pode ser importante para que um novo funcionamento se ajuste. Pensando no contato com uma rede de apoio, além de auxílio psicoterapêutico, é necessário que a família conte com a equipe de saúde para mantê-la informada a respeito da doença e proporcione o alívio de ansiedades. Estando amparada e informada, a família se instrumentaliza para auxiliar o paciente. Mediante todas as transformações da vida, o portador de IRCT se vê afetado social e psicologicamente, tendo muito freqüentemente uma perda concomitante no seu padrão sócio-econômico, o que influencia diretamente em suas relações familiares e penaliza a todos que convivem direta e indiretamente com o paciente. 49 BIBLIOGRAFIA • ARAÚJO, T. L. de; MACIEL, I. C. F. ; MACIEL, G. G. F. & SILVA, Z. M. da S. (mar/abr 1998). Reflexo da hipertensão arterial no sistema familiar. Suplemento da Revista da Sociedade de Cardiologia do estado de São Paulo, vol.8, nº2, (supl.A),16. • BORGHESAN, D. H. P. (jan/abr 2000). A criança com encefalopatia. Onde fica a família?. Arquivos de ciências da saúde da UNIPAR, nº4, fasc.1, 9-14. • BRAVO, Mª Inês Souza . Saúde e Serviço Social. São Paulo: Cortez, 2004 • BRASIL. Ministério da Previdência d Assistência Social. Secretaria de Assistência Social. Política Nacional do Idoso. Brasília, 1998. • _______Ministério da Saúde. Programa de Saúde da Família. 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Histórico das Reformas de Saúde no Brasil .......................................................... 16 2.2.O Sistema Único de Saúde – SUS............................................................................ 23 2.3. Serviços de Saúde Hoje ......................................................................................... 27 CAPITULO III ..................................................................................................................... 29 A INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA COMO QUESTÃO DE SAÚDE PÚBLICA .... 29 3.1 Os Rins e a Doença Renal ........................................................................................ 30 3.2.O Transplante Renal como Modalidade de Tratamento ...................................... 32 3.3. O Hospital Geral de Bonsucesso e a Unidade de Transplante Renal ................ 34 CAPITULO IV ..................................................................................................................... 38 O IMPACTO DA DOENÇA CRÔNICA NA FAMÍLA...................................................... 38 4.1 A família e a adaptação á nova realidade............................................................... 39 4.2 A ótica do paciente quanto à importância da família............................................ 46 CONCLUSÃO...................................................................................................................... 48 BIBLIOGRAFIA .................................................................................................................. 50 ÍNDICE................................................................................................................................. 53 ANEXOS.............................................................................................................................. 54 53 ANEXOS 54