COBRAMSEG 2010: ENGENHARIA GEOTÉCNICA PARA O DESENVOLVIMENTO, INOVAÇÃO E SUSTENTABILIDADE. © 2010 ABMS.
Gestão de Riscos e Plano de Ações Emergenciais Aplicado à
Barragem de Contenção de Rejeitos Casa de Pedra/ CSN
Frank Marcos da Silva Pereira
Universidade Federal de Ouro Preto, Ouro Preto, Brasil, [email protected]
Romero César Gomes
Universidade Federal de Ouro Preto, Ouro Preto, Brasil, [email protected]
RESUMO: A produção mineral no Brasil tem sido bastante incrementada nos últimos anos,
particularmente na região da província mineral do Quadrilátero Ferrífero em Minas Gerais, o que
tem exigido, por parte das empresas de mineração, a adoção de políticas de controle e
monitoramento dos seus sistemas de disposição de rejeitos. Um processo de gestão de riscos
consiste na percepção de eventuais anomalias associadas à segurança ou à funcionalidade de uma
determinada estrutura geotécnica; neste contexto, uma análise de riscos é realizada para se
determinar quais são as decisões ou as recomendações a serem adotadas e, assim, implementar uma
adequada gestão dos riscos potenciais previstos. Entre as diversas ferramentas de gestão de riscos
disponíveis, a metodologia FMEA/FMECA destaca-se por permitir a realização de uma análise
básica com o objetivo de proporcionar uma visão estruturada dos modos potenciais de ruptura ou
um estudo mais elaborado por meio de análises probabilísticas detalhadas, associados a sistemas
múltiplos integrados. A elaboração de um Plano de Ações Emergenciais (PAE), de forma
sistematizada e alinhada à gestão de riscos, apresenta-se como uma ferramenta complementar de
apoio às tomadas de decisão para cada nível de alerta definido na gestão de risco. Este trabalho
apresenta a aplicação destas técnicas ao caso real da barragem de contenção de rejeitos de minério
de ferro da Mineração Casa de Pedra/CSN, situada no município de Congonhas/MG.
PALAVRAS-CHAVE: rejeitos, barragem, gestão de risco, plano de ações emergenciais.
1
A avaliação dos riscos envolve uma análise e
apreciação dos mesmos, possibilitando a
tomada de decisão no decurso de um processo
de gestão. Permite também que sejam expressos
e reconhecidos todos os riscos envolvidos no
processo e, conseqüentemente, obriga que os
proprietários e os engenheiros responsáveis pela
obra tenham de lidar efetivamente com as
consequências de eventos indesejáveis.
Entre as diversas metodologias propostas de
gestão de riscos destaca-se o método de análise
de falhas, por seus efeitos (FMEA) e pela sua
criticidade (FMECA), desenvolvido pelo
Departamento de Defesa dos EUA. Os métodos
FMEA e FMECA são aplicados na análise da
segurança e da qualidade de sistemas, para
organizar e mapear as consequências de
determinados eventos e usar essa informação
para identificar e avaliar quais as ações
prioritárias, no sentido de se evitar ou reduzir as
suas consequências (Santos, 2007).
INTRODUÇÃO
Nos últimos anos, após inúmeros acidentes
causados por rupturas de barragens e pilhas de
rejeitos, desde instabilizações localizadas até a
ruptura global de estruturas de grande porte
(casos recentes das minerações Rio Verde e
Cataguases em Minas Gerais), o processo de
disposição de resíduos de mineração tem sido
objeto de novas legislações e intensas
fiscalizações dos órgãos ambientais, exigindo
das empresas mineradoras a adoção de políticas
concretas de controle dos impactos da atividade
mineradora.
Neste sentido, a implementação de um
sistema de gestão dos riscos apresenta-se como
uma promissora ferramenta de controle da
segurança em barragens; entre as vantagens da
gestão, destaca-se uma melhor sistematização,
definição e hierarquização das incertezas e das
consequências potenciais dos riscos associados.
1
COBRAMSEG 2010: ENGENHARIA GEOTÉCNICA PARA O DESENVOLVIMENTO, INOVAÇÃO E SUSTENTABILIDADE. © 2010 ABMS.
Este trabalho apresenta a aplicação das técnicas
de gestão de risco ao estudo de caso da
barragem de contenção de rejeitos Casa de
Pedra (município de Congonhas/MG), baseadas
na metodologia FMECA, bem como a
elaboração de um plano de ações emergenciais
para maior controle e operação mais segura do
empreendimento pelas equipes técnicas da
Mineração Casa de Pedra.
A forma mais geral e abrangente de um
FMEA é a análise dos modos de ruptura e dos
seus efeitos. O FMECA completa o FMEA com
a introdução da criticidade dos modos de
ruptura por meio da utilização do conceito de
risco, avaliando-se cada modo de ruptura pelos
efeitos que pode causar no sistema e pela sua
importância relativa perante todos os modos de
ruptura (Pimenta, 2008). Em outras palavras,
um FMEA executa uma descrição do risco
(método qualitativo) enquanto numa FMECA,
de certa forma, aaplica-se uma abordagem
semi-quantitativa. Assim um FMEA constitui a
primeira etapa para a elaboração de uma análise
de criticidade.
Adicionalmente, a elaboração de um Plano
de Ações Emergenciais (PAE), de forma
sistematizada e alinhada à gestão de riscos,
constitui uma ferramenta complementar de
apoio na tomada de decisão para cada nível de
alerta definido na gestão de risco. Barragens de
contenção de rejeitos, construídas a montante
de centros urbanos, representam uma ameaça
real para as populações residentes nas
proximidades do vale do rio, seja por causa da
liberação de grandes vazões, seja por uma
eventual ruptura da barragem (Bowles et al.,
1998). Neste sentido, emergências potenciais
em uma barragem devem ser identificadas e
avaliadas, levando-se em consideração as
consequências da ruptura, de modo que ações
corretivas ou preventivas possam ser
empreendidas.
2
DISPOSIÇÃO DE REJEITOS
MINERAÇÃO CASA DE PEDRA/CSN
DA
Na Mineração Casa de Pedra, os rejeitos
gerados no processo de beneficiamento
industrial de minério de ferro são dispostos em
quatro barragens variando de pequeno a médio
porte (designadas como B3, B4, B5 e B6) e
também em uma barragem de grande porte (que
constitui a Barragem de Rejeitos Casa de
Pedra). Todas estas estruturas de contenção de
rejeitos foram construídas a jusante da planta e
ao longo do córrego de mesmo nome. O
transporte e descarte dos rejeitos nas barragens
são realizados por gravidade através de duas
linhas de dutos. A Figura 1 apresenta o arranjo
geral das barragens que constituem o sistema
atual de disposição de rejeitos da Mineração
Casa de Pedra /CSN (a Barragem de Rejeitos
Casa de Pedra encontra-se em processo de
construção).
2
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Figura 1 Arranjo do sistema de disposição atual de rejeitos da Mineração Casa de Pedra (CSN,2009).
A disposição dos rejeitos nas barragens B3,
B4, B5 e B6 é executada basicamente pelo
lançamento direto da polpa ao longo do leito do
córrego Casa de Pedra, a montante dos
respectivos reservatórios; na barragem Casa de
Pedra, a forma de disposição se dá por aterro
hidráulico, com espigotamento da fração grossa
do rejeito a partir da crista da barragem e
lançamento hidráulico da fração fina a montante
do lago.
O projeto conceitual da barragem,
desenvolvido originalmente pela DAM (2003),
previa a utilização da barragem B3 como dique
de partida e a construção, em três etapas
construtivas, nas elevações 932, 945 e 954 m,
respectivamente.
Estudos posteriores concluíram que a
construção da primeira etapa, a jusante da
barragem B3, até a elevação 922,0m e
posteriores alteamentos, em uma segunda etapa
construtiva, com crista na elevação 945,0m e,
na terceira etapa, na cota 954,0m, viabilizaria
um reservatório com maior capacidade de
armazenamento (da ordem de 7,6x107m3
ocupando área aproximada de 374 ha, com o
barramento com uma altura máxima de 90 m.
O projeto básico da primeira etapa da
barragem Casa de Pedra, na elevação 922,00 m,
foi concebido de modo a permitir o seu
alteamento em qualquer uma das duas
hipóteses, empilhamento drenado ou aterro
compactado; no primeiro caso, o maciço
projetado funcionará como dique de partida
para o empilhamento dos rejeitos.
Considerando, entretanto, as características
granulométricas da fração grossa do rejeito
gerado pela Mineração Casa de Pedra,
Figueiredo (2007) apresentou a possibilidade de
disposição através da técnica de aterro
hidráulico. A opção adotada pela CSN é a de
lançamento por espigotamento do rejeito
grosso, a partir da crista, para a formação da
praia e lançamento hidráulico da fração fina
pelo talvegue natural. A opção por este modelo
de disposição viabilizou a utilização do próprio
rejeito segregado como material de fundação e
de construção dos alteamentos a montante, até a
elevação 954m, cota final de projeto.
O início de construção da barragem consistiu
no tratamento da fundação com a supressão da
vegetação, gramíneas e arbustos, e com a
remoção de um metro da camada superficial de
solo. Além disso, foi removido todo o material
mole e inconsistente encontrado na área de
fundação da barragem.
O maciço da barragem foi construído, em
sua maior parte, com silte, aproximadamente
80% do material da área de empréstimo, e por
argila. As argilas, pelos menores volumes
disponíveis no local, foram empregadas apenas
como camadas selantes dos taludes de montante
e de jusante. A inclinação do talude de jusante
da barragem foi de 1V:2H, com bermas de 5m
de largura a cada 10m de desnível e o talude de
montante possui inclinação de 1V:2,4H. A
Figura 2 apresenta uma seção típica da
Barragem Casa de Pedra até a cota 922,0m
(primeira etapa do projeto).
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Figura 2. Seção típica da Barragem Casa de Pedra (Ismar, 2007).
de forma hierárquica, e a definição das
funcionalidades
ou
requisitos
de
operacionalidade que cada uma delas deve
satisfazer para o normal desempenho do
sistema. Neste contexto, a estrutura hierárquica
proposta para o sistema geotécnico da
Barragem de Rejeitos Casa de Pedra é
apresentada na Figura 3 (Pereira, 2009).
Os sistemas principais foram discretizados
com, no máximo dois níveis de subsistemas, de
forma que a gestão de riscos englobe todos os
possíveis riscos associados ao sistema principal,
sem prejuízos para as análises específicas. A
descrição do sistema geotécnico deve ser feita
de modo a identificar e hierarquizar os diversos
componentes e/ou subsistemas capazes de
sofrer danos devido a um mau funcionamento
estrutural, hidráulico ou ambiental de qualquer
elemento associado à obra. Desta forma, além
da barragem propriamente dita, os estudos
devem incorporar também toda a sua zona de
influência, como é o caso da Bacia Hidrográfica
e do Vale a Jusante.
Na estrutura de hierarquização definida para
o sistema geotécnico da Barragem de Rejeitos
Casa de Pedra, cada componente encontra-se
identificada com o respectivo código. Cada
componente básica considerada na discretização
possui uma função dentro do sistema (conforme
a estruturação indicada na Tabela 1). É
importante destacar que a definição da estrutura
hierárquica resulta de um processo iterativo que
se desenvolveu à medida que a análise foi
progredindo e é passível de freqüentes e
contínuas revisões.
O sistema de drenagem interna da barragem
é constituído por filtro vertical de areia, tapete
drenante e enrocamento, com um metro de
espessura, envelopado com duas camadas de 50
cm de transição fina e média, com material
granular, e dreno de pé com enrocamento. O
filtro vertical encontra-se quatro metros à
montante do eixo. Na elevação 910,00m, foi
construído um filtro horizontal que servirá de
extensão para o filtro vertical da segunda etapa.
O monitoramento da barragem é realizado
por inspeções visuais e por instrumentos. O
sistema de instrumentação é constituído por
marcos de recalque superficial, piezômetros
tipo Casagrande, piezômetro elétricos tipo
corda vibrante, medidores de recalque elétrico
tipo corda vibrante, medidores de vazão e
medidores de deformação, instalados ao longo
de três diferentes seções da barragem (Pereira,
2009).
4
GESTÃO DE RISCOS APLICADA À
BARRAGEM DE REJEITOS CASA DE
PEDRA
A implementação de um sistema de gestão de
riscos geotécnicos, aplicado à Barragem de
Rejeitos Casa de Pedra, justifica-se pelos riscos
potenciais que foram mobilizados à população e
ao meio físico a jusante da barragem,
decorrentes de sua construção.
Na descrição do sistema geotécnico, a
metodologia FMEA/ FMECA compreende duas
etapas fundamentais. A identificação e a
estruturação das componentes básicas que
constituem o sistema, em subsistemas dispostos
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Figura 3. Estrutura hierárquica do sistema geotécnico da Barragem de Rejeitos Casa de Pedra
Tabela 1: Descrição da funcionalidade das componentes
do sistema
Descrição da componente
I.1.1 – Taludes Submersos
I.1.2 – Fundo do lago
I.2 – Taludes de Corte
II.1.1 – Sistema de
proteção do talude de
jusante
II.1.2 – Talude de jusante
II.1.3 – Talude de
montante
II.1.4 – Núcleo siltoso
II.1.5 – Filtro/dreno
vertical
II.1.6 – Tapete drenante
II.2.1 – Transição solo
compactado solo natural
II.3.1 – Zona sob o
barramento
III – Vertedor
IV – Torre de tomada
d’água
geotécnico relativo à barragem de rejeitos Casa
de Pedra, foram definidos os correspondentes
modos potenciais de ruptura, suas causas, seus
efeitos e sua criticidade. Em seguida, a cada um
dos modos potenciais de ruptura, foram
prescritas
as
respectivas
classes
de
consequências e de probabilidades (Tabelas 2 e
3). É importante realçar que ‘modo de ruptura’
não implica necessariamente o colapso total da
estrutura, mas o termo refere-se também aos
problemas decorrentes de uma possível perda
de funcionalidade das componentes básicas e do
sistema principal, durante a vida útil do
reservatório, o que pode gerar conseqüências ao
sistema com graus de severidade não
desprezíveis.
Funcionalidade
Reter o rejeito e água no
reservatório
Reter rejeito, reter água
no reservatório e reduzir
a percolação de água
Captar água para o
reservatório
Maior resistência à
erosão superficial
Prover estabilidade
mecânica à barragem
Prover estabilidade
mecânica à barragem
Prover estabilidade
mecânica à barragem
Baixar o nível da linha
freática no maciço da
barragem
Drenar a fundação e
coletar a água do filtro
vertical
Prover estabilidade
mecânica e reter água no
reservatório
Prover estabilidade
mecânica e reter água no
reservatório
Garantir a liberação dos
excessos d’água
Prover o rebaixamento
da água do lago em
situações de emergências
Tabela 2. Classes e índices das consequências adotadas.
Classes / Índices
de consequências
Áreas de interesse
Saúde e
segurança
Meio
ambiente
Econômicas /
destruição ($)
I (1)
Desprezível
Sem impacto
Impacto baixo
(<100mil)
II (3)
Primeiros
socorros
III (5)
Pequenos
ferimentos
IV (7)
Incapacidade
V (10)
Ocorrência
de
fatalidades
Violação a
Legislação
Ambiental
Prejuízo
local
reversível
Impacto
significativo
reversível
Impacto
catastrófico
irreversível
Impacto médio
(100 mil – 1
milhão)
Impacto médio –
alto
(1 -10 milhões)
Impacto alto
(10 -100 milhões)
Alta destruição
(> 100 milhões)
Tabela 3: Classes de probabilidade adotadas.
Classes
Para cada componente descrita no sistema
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Intervalos de
probabilidade
Classificação
Descrição
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A (1)
< 0,1%
Improvável
B (2)
0,1 – 1%
Baixo
C (5)
1 –10%
Moderado
D (8)
10 – 20%
Alto
E (10)
> 20%
Esperado
Probabilidade
baixa
emergência da matriz de criticidade, foram
definidos os responsáveis pela tomada de
decisão e das ações pertinentes.
Para a implementação da cadeia de decisão e
identificação dos intervenientes para a
Barragem de de Rejeitos Casa de Pedra, foram
definidos cinco níveis apresentados na Figura 5
(Pereira, 2009). Cada nível da cadeia de decisão
foi colorido na mesma cor dos níveis da matriz
de criticidade, de forma a facilitar a
identificação dos profissionais que deverão ser
acionados em cada nível de emergência.
muito
Possível mas de baixa
probabilidade
Ocorrência ocasional
Ocorrência possível e
provável
Ocorrência regular
Na abordagem adotada, as conseqüências,
assim como as probabilidades, foram, então,
subdivididas em um número máximo de cinco
classes, permitindo-se, assim, que a matriz de
criticidade pudesse ser dividida em cinco
níveis de alerta (Figura 4).
Figura 5: Estrutura da cadeia de decisão para a BRCP
Torna-se importante destacar que os
acionamentos aos níveis superiores são
acumulativos; assim, por exemplo, ao ser
acionado o nível 5, todos os responsáveis pelos
níveis 1, 2, 3 e 4 também devem ser acionados.
Os grupos de apoio a emergências devem ser
acionados em todos os níveis de emergência a
critério do responsável pela tomada de decisão.
Os órgãos públicos municipais e estaduais
devem ser acionados à medida que for
identificado a necessidade em cada nível de
emergência. Entre estes órgãos, destacam-se as
prefeituras das Cidades de Congonhas e Jeceaba
(cidades que poderam ser afetadas em caso de
ruptura da BRCP), Defesa Civil, Polícia Civil e
Militar, Corpo de Bombeiros, Fundação
Estadual do Meio Ambiente (FEAM) e Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais (IBAMA).
A concessionária de transporte ferroviário
MRS Logística SA deve ser acionada em
qualquer evento que possa ameaçar a
integridade da barragem, em função da
proximidade e dos potenciais danos à ferrovia
oriundas de uma eventual ruptura da barragem.
Figura 4: Matriz de criticidade dos modos de ruptura
5
PLANO DE AÇÕES EMERGENCIAIS
APLICADO À BARRAGEM DE REJEITOS
CASA DE PEDRA/ CSN
A elaboração de um Plano de Ação
Emergencial (PAE), a partir de uma avaliação
prévia
dos
riscos
envolvidos
no
empreendimento, apresenta-se como uma
ferramenta importante no sentido de minimizar
os danos decorrentes de um acidente que venha
a ocorrer.
A metodologia FMECA de gestão de riscos
foi utilizada como ferramenta auxiliar para
elaborar o PAE aplicado à Barragem de
Rejeitos Casa de Pedra. A aplicação desta
ferramenta permitiu identificar os potenciais
modos de ruptura, e classificar os riscos
envolvidos. Adicionalmente para cada nível de
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vigilância): aplicável quando verificada a
probabilidade de ocorrência de evento perigoso
em resultado de uma inspeção visual, da análise
dos dados da instrumentação ou ainda devido à
previsão de ocorrência de condições
atmosféricas adversas. A situação pode ser
rapidamente contornada sem qualquer tipo de
consequência a jusante e os responsáveis pela
tomada de decisão devem orientar as equipes de
trabalho de forma a minimizar os riscos. A
comunicação do fato aos órgãos municipais e
estaduais somente ocorrerá no caso de danos
persistentes, como no caso de contaminação ao
meio ambiente, por exemplo;
•
Nível de alerta 2 (vigilância permanente
ou de prevenção): aplicável quando verificada a
probabilidade de ocorrência de evento perigoso
ou a detecção de uma anomalia no maciço da
barragem. Apesar de existir a convicção de a
situação poder ser contornada sem qualquer tipo
de consequência a jusante, os responsáveis pela
tomada de decisão devem orientar as equipes de
trabalho de forma a minimizar os riscos. A
comunicação do fato aos órgãos municipais e
estaduais somente ocorrerá no caso de danos
persistentes, como no caso de contaminação ao
meio ambiente, por exemplo;
•
Nível de alerta 3 (alerta geral ou
prevenção
especial):
aplicável
quando
verificada uma anomalia grave; existe a
convicção de ser possível controlar a situação,
mas já se admite eventuais efeitos a jusante e/ou
descargas imprevistas. Os responsáveis pela
tomada de decisão devem orientar as equipes de
trabalho de forma a minimizar ou mitigar as
consequências. A comunicação do fato aos
órgãos municipais e estaduais deve ocorrer no
sentido de alertar as autoridades e a população
sobre possíveis danos e descargas no vale a
jusante;
•
Nível de alerta 4 (catástrofe evitável):
aplicável quando a ruptura é iminente, mas
existe tempo e meios de se evitar a catástrofe.
Os grupos de apoio devem comunicar o fato,
imediatamente, a todos os órgãos públicos
municipais, estaduais e às empresas afetadas, de
forma a evacuar a população na zona de risco
no vale a jusante. Todas as equipes de trabalho
devem atuar de forma a minimizar ou mitigar as
consequências e, tão logo se chegue a um
Para atuação durante situações de
emergência, deverão ser criadas diversas
equipes de trabalho que deverão desempenhar
as seguintes funções, sob treinamento prévio e
sob orientação dos responsáveis pela tomada de
decisão:
•
Equipe de inspeção e avaliação de risco:
esse grupo terá como missão inspecionar
periodicamente a barragem e analisar as leituras
dos instrumentos de monitoramento;
•
Equipe de avaliação técnica: a função
desse grupo será avaliar os problemas
porventura ocorridos e definir soluções, bem
como manter contato com os consultores;
•
Equipe de operações: esse grupo
comandará as operações quando o acidente
ocorrer, definindo atividades, providenciando
todo o apoio logístico necessário e
acompanhando as equipes de trabalho;
•
Equipe de suprimentos: será responsável
por providenciar e disponibilizar os materiais e
equipamentos necessários aos trabalhos;
•
Equipe
de
comunicações:
será
responsável por fornecer informações aos
funcionários, aos moradores de áreas próximas
ao acidente e à imprensa, bem como fazer
contato com entidades governamentais,
objetivando apoio ou assistência;
•
Equipe de assistência: terá como função
prestar assistência médica local às pessoas que
porventura necessitarem, providenciando sua
remoção e acompanhando-as em casos de maior
gravidade.
A tomada de decisão de acionamento das
ações previstas, para cada nível de alerta de
emergência identificado para a Barragem de
Rejeitos Casa de Pedra, deverá ocorrer
imediatamente após detectada e confirmada a
emergência. A opção de desencadear as ações o
mais cedo possível deve-se ao grande risco de
perda de vidas, danos ao meio ambiente, danos
nas propriedades e perdas econômicas, caso a
situação de risco evolua até a ruptura da
barragem.
O sistema de alerta da Barragem de Rejeitos
Casa de Pedra contém cinco diferentes ações de
notificação dos responsáveis, estes cinco níveis
correspondem aos níveis definidos na matriz de
criticidade da gestão de riscos, sendo:
•
Nível de alerta 1 (interno ou de
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consenso sobre as possíveis causas da ruptura e
a melhor forma de reconstruir o trecho afetado,
deverão ser iniciados os procedimentos para
recomposição da barragem;
•
Nível de alerta 5 (catástrofe inevitável):
aplicável quando verificada a ruptura ou a
ruptura iminente da barragem; deve ser
implantado o Centro de Emergência e colocado
à disposição da população um número de
ligação gratuita (0800), pelo qual a população
atingida possa tirar dúvidas quanto a atuação e
as providências tomadas pela Mineração Casa
de Pedra. Os grupos de apoio devem
comunicar-se imediatamente a todos os órgãos
públicos municipais estaduais e as empresas
afetadas, de forma a evacuar a população na
zona de risco no vale a jusante.
O plano de comunicação, seus níveis de
alerta e a estrutura hierárquica de acionamento
que compoem o PAE (Figura 6) deve ser
reconhecido pela Mineração Casa de Pedra
como uma ferramenta de apoio fundamental
para contornar as situações de emergência.
Assim, todas as funções da hierarquia da cadeia
de decisão devem tomar conhecimento de suas
responsabilidades e aprovar o plano.
A Mineração Casa de Pedra deve simular
anualmente todos os níveis de emergência, a
fim de detectar falhas e promover o treinamento
dos envolvidos no PAE. Após a simulação,
devem ser revisados todos os procedimentos
pré-estabelecidos de forma a se corrigir as
falhas detectadas.
Figura 6. Estrutura hierárquica de acionamento do PAE
aplicado à BRCP
6
CONCLUSÕES
De uma maneira geral, a utilização da
metodologia do FMECA para implementação
da gestão de risco aplicada a Barragem de
Rejeitos Casa de Pedra possibilitou identificar e
ordenar os principais problemas por perda de
funcionalidade de suas estruturas e em toda sua
zona de influência.
A implementação da metodologia FMECA
possibilitou ainda a análise das possíveis formas
de ruptura, fornecendo parâmetros para a
tomada de decisão do plano de ações. Assim, a
aplicação da metodologia mostrou-se ser uma
importante ferramenta na gestão de barragens
de contenção de rejeitos identificando as
deficiências do sistema.
A distribuição e prévio treinamento dos
envolvidos, na tomada de decisão e na
sistemática de quem acionar e quando este
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profissional deveria ser acionado, apresenta-se
como um dos principais benefícios da
metodologia proposta do PAE, uma vez que a
variedade da natureza e abrangência das
situações possíveis de risco é muito grande.
A utilização conjunta das duas metodologias
propostas neste trabalho, FMECA e PAE, para
avaliação do desempenho da Barragem de
Rejeitos Casa de Pedra, mostrou-se ser uma
proposta bastante prática e atraente pois, além
de orientar a operação da barragem, atendeu
plenamente as exigências e prescrições da
legislação brasileira relativas às atividades de
operaçõa, controle e segurança de barragens de
contenção de rejeitos.
AGRADECIMENTOS
Os autores gostariam de agradecer a Companhia
Siderúrgica Nacional – CSN pela liberação dos
dados e divulgação dos resultados para
elaboração deste trabalho.
REFERÊNCIAS
Bowles, D. et al (1998). The practice of dam safety risk
assessment and management: its roots, its branches
and its fruits. 18º USCOLD – Annual Meeting and
Lecture. Buffalo, New York.
DAM (2003). Relatório Técnico de Projeto Conceitual da
Barragem de Rejeitos Casa de Pedra/ CSN.
Pereira, F.M.S. (2009). Gestão de riscos e plano de ações
emergenciais aplicado à barragem de contenção de
rejeitos Casa de Pedra/CSN. Dissertação de Mestrado.
Programa de Pós-graduação em Geotecnia,
Universidade Federal de Ouro Preto, UFOP, 142p.
Pimenta, M. L. (2008). Abordagens de riscos em
barragens de aterro. Tese de doutorado. Laboratório
Nacional de Engenharia Civil, Faculdade de Ciências
e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa,
Lisboa.
Santos, R. N. C. (2007). Enquadramento das Análises de
Risco em Geotecnia. Dissertação de Mestrado.
Laboratório Nacional de Engenharia Civil, Faculdade
de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de
Lisboa, Lisboa.
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