CAPÍTULO 4 O TEXTO E O DISCURSO: A CONSTRUÇÃO DE SENTIDOS 4.1 Contextualizando Depois de aprendermos a importância da linguagem utilizada pelo sujeito na comunicação, chegou o momento de perceber as nuances dos elementos constitutivos do texto, como objeto material da produção de sentido, e de outros elementos, como o contexto, que dá suporte ao texto na produção de sua significação. Ainda, vamos ver como os elementos autor/falante e receptor/ouvinte participam da efetiva construção do sentido, da significação, do significado de uma produção comunicativa. É chegada a hora, então, de perceber que estamos envolvidos em inúmeros fatores socioculturais, para que possamos exercer nossa capacidade de sujeito social: interagir. Também sentimos, a partir deste momento, necessidade de compreender como os elementos que nos constituem podem constituir nossas produções comunicativas e ser presentificados. Entre pressupostos e subentendidos, vamos nos constituindo e dando ênfase a aspectos de nossa produção comunicativa, seja no papel de autor, seja no papel de receptor. Isso nós fazemos com elementos que nos são intrínsecos, ou seja, nós exercemos, como em nossa mente bipartida após as descobertas freudianas, funções, ora conscientemente ora inconscientemente. Assim, neste capítulo, vamos entender o porquê de, em determinados momentos, elaborarmos um texto ambíguo por razões específicas e, em outros, construirmos inconscientemente a ambiguidade, que faz com que nosso interlocutor questione o que quisemos, efetivamente, dizer com o que dissemos. Leitura e Produção de Textos 77 Capítulo 4 Pois bem, esse é nosso cenário neste capítulo. Esse é o cenário que compõe mais um de nossos momentos de interação, assim, eu e você produzimos sentido, em um processo dialógico. Ao final de nosso trabalho, você estará apto a: • entender os elementos constitutivos do texto e do discurso; • perceber a importância dos interagentes na produção de sentidos; • reconhecer que os sujeitos, na produção do discurso, são revestidos de papéis sociais; • compreender que nem todos os significados produzidos pelos textos são intencionais; e, • atentar para a importância dos elementos da construção de sentido. 4.2 Conhecendo a teoria Um dos conhecimentos mais importantes que precisamos adquirir para podermos começar a discutir o que são discurso e texto é que o texto é a materialização do discurso, ou seja, é aquilo que é posto na realidade concreta, de forma que possa ser lido, ou ouvido, ou visto por outra pessoa. O texto, portanto, não é o pensamento, mas sua expressão: é aquilo que você vê, ouve ou lê. Com essa perspectiva em mente, surge, então, o questionamento de o que é o discurso, já que o texto é sua materialização, e deve constituir um conjunto significativo para quem o toma para interpretar. Assim, é importante saber alguns aspectos constitutivos do texto, por um lado, e do discurso, por outro, pois “as bases linguísticas [do texto] facilitam o estabelecimento de um sentido configuracional e a determinação de um propósito argumentativo”, porém, “o julgamento definitivo de [sua] coerência resulta da articulação do texto com o contexto sociopragmático da interação, ou seja, com a dimensão discursiva englobante” (CHARAUDEAU, MAINGUENEAU, 2004, p. 467-468). Podemos, então, vislumbrar que as relações do texto com seu contexto e com os propósitos da comunicação constituem um processo, na busca da 78 Leitura e Produção de Textos Capítulo 4 construção de significados, seja por parte do autor, seja por parte do leitor, aqui entendidos como produtores que partilham de conhecimentos que possibilitam a comunicação efetiva. Mas o discurso não é, como pode parecer em uma análise superficial, a relação do texto com seu contexto apenas. Destaca-se, nesse ínterim, que os estudos atuais a respeito do texto o entendem como indissociável de seu contexto de produção, ou seja, uma produção textual é uma produção de sentidos e, com isso: O texto será entendido como uma unidade lingüística concreta (perceptível pela visão ou audição), que é tomada pelos usuários da língua (falante, escritor/ouvinte, leitor), em uma situação de interação comunicativa específica, como uma unidade de sentido e como preenchendo uma função comunicativa reconhecível e reconhecida, independentemente da sua extensão (TRAVAGLIA, 1997, p. 67). As definições de texto, como podemos vislumbrar, levam-nos a entender que quaisquer produções com sentido podem ser consideradas texto. Nesse sentido, é importante deixar claro que essas definições, por se tratar de um amplo campo de estudos, são diversas, mas não são dicotômicas: a produção do sentido é o que constitui uma forma de comunicação como texto. Para finalizar a questão de uma definição (que jamais poderia ser única), lembramos que: “O texto é considerado por alguns especialistas como uma unidade semântica onde os vários elementos são materializados através de categorias lexicais, sintáticas, semânticas, estruturais” (KLEIMAN, 1995, p.45). Resta-nos, então, compreender exatamente o que pode ser entendido como discurso, já que o texto é sua materialização. Comecemos por esclarecer que o discurso pode ser entendido como o texto, seu contexto – que seria a premissa para a existência efetiva de um texto –, acrescido de outro conjunto de elementos: os interagentes e suas respectivas influências na produção de sentido. DESAFIO Ao se deparar com o sinal de trânsito vermelho, por exemplo, temos aí um texto. Determine quais são os outros elementos que constituem o significado desse texto, cuja mensagem é uma ordem: PARE. Leitura e Produção de Textos 79 Capítulo 4 São os produtores de sentido, falante/ouvinte e escritor/leitor, que efetivamente constituem comunicação por intermédio desses textos. Esses usuários não constroem significação sozinhos. Há sempre uma produção dialógica, em que estão imbricadas ambas as partes do discurso, e essa produção dialógica constitui a base da significação da comunicação e forma o que chamamos de processo discursivo. Em nosso desafio anterior, o que constitui a significação do texto são o texto propriamente dito – perceba que não se trata de um texto escrito, mas de um texto não verbal: a cor vermelha –, em um contexto específico: o trânsito. Também há o produtor, as leis que determinam o comportamento no trânsito e, por fim, o leitor, o motorista, que conhece as regras e empresta significado à luz vermelha do farol. LEMBRETE Neste estudo, temos utilizado os termos significação, significado e sentido como equivalentes, sem nos determos em suas diferenças teóricas. É por essa razão que “quando conhecemos o processo discursivo podemos dispensar o material de análise inicial, pois estaremos de posse do funcionamento discursivo que pode ser generalizado para outros conjuntos de material, outros textos” (ORLANDI, 2006, 17). Para melhor entendermos, vamos verificar alguns aspectos da Figura 1 a seguir: Figura 1 – Capa da Revista Veja Edição 2174, de 21/07/2010 80 Leitura e Produção de Textos Capítulo 4 Um dos aspectos importantes para se compreender a imagem é sabermos que “Veja” é uma revista nacional, de tiragem semanal, que trata dos assuntos do país, como um jornal, e que tem muitos leitores. E se não soubéssemos disso, apenas a imagem nos daria a informação de que se trata de uma revista, por causa do formato, que nos remete ao nosso conhecimento e nos faz identificar a “estética” de uma produção textual que não é nem jornal, nem livro. Podemos, facilmente perceber isso. Em seguida, passamos a verificar a relação estabelecida entre a imagem de uma criança nua e o texto maior, “Mas nem uma palmadinha?”. Já aqui estamos ativando o nosso conhecimento para produzir significado. A relação entre a palavra palmadinha e a criança da imagem nos leva a entender que o texto pretende aludir às punições físicas sofridas pelas crianças. Assim entendemos o que é discurso. Apenas com a visão do texto, mesmo com a composição completa, a imagem que acompanha a parte escrita, não se pode recuperar esse aspecto, pois o leitor precisa ter conhecimento de mundo para fazer a relação e entender boa parte de o que o texto pretende expor. Além disso, se vamos além, temos o texto menor, abaixo do mencionado acima, “Vai ser lei, mas a educação e a felicidade deles depende do pulso dos pais.” , que nos conduz a outros aspectos que não estão, exatamente postos no texto, mas que são imprescindíveis para poder compreendê-lo. É preciso ter consciência do projeto de Lei n. 2654/2003, da deputada Maria do Rosário, cujo intento é acrescentar artigos à Lei n. 8069, de 13/07/1990, O Estatuto da Criança e do Adolescente, e da Lei n.10.406, de 10/01/2002, o Novo código Civil, para acrescentar, dentre outros aspectos, o artigo 18A, que tem como texto “A criança e o adolescente têm direito a não serem submetidos a qualquer forma de punição corporal, mediante a adoção de castigos moderados ou imoderados, sob a alegação de quaisquer propósitos, no lar, na escola, em instituição de atendimento público ou privado ou em locais públicos”. Certo é que não precisaríamos saber exatamente o que o projeto de lei diz, como vimos agora, mas saber de sua existência ajudaria muito na produção de sentido. Entendemos, também, que a proposta do texto da capa da revista é aguçar a curiosidade dos leitores, fazendo-os comprar e ler a edição. Com isso, percebemos que toda a mensagem, a construção do sentido do texto, dá-se por Leitura e Produção de Textos 81 Capítulo 4 intermédio de inúmeros aspectos que contribuem para a transmissão da ideia que só se consubstancia em sentido quando o leitor movimenta todos esses conhecimentos para produzir um entendimento do o que o produtor do texto pretendia (ou que o próprio texto permitia) passar. É por essa razão que podemos entender que o discurso se estabelece no interior de uma atividade social, daí ele ser constitutivamente interativo e dialógico. As pessoas estão cotidianamente envolvidas em uma série de ações conjuntas, em razão de necessidades e interesses mútuos. No curso dessas ações, realizam troca de sentidos, os quais interpretam e orientam suas experiências. Assim, o discurso constróise nas práticas sociais e é, ao mesmo tempo, o fio condutor de seus significados. Tome-se como exemplo a ida ao cinema para assistir a um filme. No trajeto, o(a) interessado(a) realiza um conjunto de atividades sociais necessárias para chegar a seu destino. Todas elas envolvem interações discursivas: se for de ônibus, precisará identificar aquele que o(a) levará ao lugar desejado; durante a viagem, poderá ler alguma coisa para passar o tempo, conversar com um (des)conhecido ou, simplesmente, por alguma curiosidade, ver as diversas propagandas comerciais nos outdoors. Se for de carro, inevitavelmente se deparará com placas e sinais de trânsito, os quais servem de orientação de como se locomover na cidade. No cinema, terá de adquirir o bilhete que lhe permitirá acesso à sala de exibição e, finalmente, o contato com o filme e a construção dos significados que esse encontro lhe possibilitará. Percebemos, com isso, que o discurso se constitui na interatividade dialógica e por meio dela. Isso significa que, em sua produção, o discurso não se estabelece unilateralmente nem de forma monológica. É importante reiterar o caráter interativo e dialógico do discurso, não apenas porque ele requer, necessariamente, a coparticipação atuante de sujeitos de linguagem (os sujeitos responsáveis pela encenação do discurso, isto é, os interlocutores que assumem (ou não) o que é dito na interação), mas também por instituir a intersecção com outros discursos antecedentes e sucessores. Como exemplo disso, podemos citar este trabalho que estamos, eu e você, realizando. Se você observar bem, verá que nele estamos envolvidos em uma situação coprodutiva de discursos. Isso se dá por alguns motivos: nesta produção discursiva, contamos com sua cooperação no estabelecimento dos significados que, conjuntamente, construímos; além disso, os conteúdos colocados neste estudo são uma apropriação parcial de outros discursos 82 Leitura e Produção de Textos Capítulo 4 socialmente partilhados (por exemplo, as fontes bibliográficas nas quais fundamentamos os conteúdos aqui apresentados) e, ao mesmo tempo, estamos preparando o caminho para o surgimento de novos discursos. Cabe alertar, todavia, que a dialogicidade entre os discursos nem sempre se dá de modo consensual. Ela pode também se configurar de maneira tensa e confrontativa, na qual se contrapõem diferentes visões de mundo. O discurso envolve sujeitos investidos de papéis e posições sociais. Isso significa que, ao interagir discursivamente, os parceiros desempenham papéis socialmente definidos. Por exemplo, o discurso entre pai e filho, entre empresa e cliente(s), entre colegas de classe, ou ainda entre desconhecidos, numa fila de banco etc. Em todos eles, os participantes coatuam dentro de limites culturalmente estabelecidos, de acordo com as relações de poder existentes entre eles, porque: [...] o discurso é moldado por relações de poder e ideologias e os efeitos construtivos que o discurso exerce sobre as entidades sociais, as relações sociais e os sistemas de conhecimento e crença, nenhum dos quais é normalmente aparente para os participantes do discurso (FAIRCLOUGH, 2001, p.31-32). Nesse sentido, essas relações revelam igualdade ou desigualdade social entre os sujeitos, bem como aproximação ou distanciamento. Outro fator importante diz respeito às posições discursivas assumidas pelos interlocutores. Esclarecendo isso melhor: na produção do discurso, os enunciadores encenam visões de mundo particulares e, também, das instituições sociais que eles representam. Assim, eles orientam seu discurso para determinada perspectiva ideológica. Vamos supor uma interação entre pai e filho: o sujeito que exerce o papel social de pai pode assumir a posição do discurso tradicional autoritário ou se posicionar discursivamente alinhado com a visão progressista mais liberal. Isso pode se dar quanto à interação patrão-empregado, que pode ser marcada pelo discurso capitalista ameaçador ou pelo discurso também capitalista, mas conquistador. O discurso tem historicidade e é marcado por ela. Entenda-se por historicidade não apenas o fato de o discurso ser um acontecimento histórico, no sentido de transcorrer em um dado momento cronologicamente situado na história de vida dos interlocutores, mas, sobretudo, por pertencer a determinado contexto sociocultural historicamente identificável. Nesse sentido, o discurso revela traços específicos da forma de organização, da Leitura e Produção de Textos 83 Capítulo 4 produção cultural, das atividades sociais e das diferentes visões de mundo da comunidade em que é produzido. Para ilustrar isso, basta pensar no discurso da globalização, que ronda e assombra as relações sociais no atual mercado de trabalho. As ideias sobre economia, nacionalidade, mão de obra, dentre outras, veiculadas por esse discurso, são uma característica marcante do novo modo de produção material e desta era dominada pela informática e pela Internet, os quais alteraram significativamente a visão de mundo da sociedade contemporânea. Tal visão era praticamente impensável no início do século XX. Essas características anteriores atribuídas ao discurso nos levam a uma outra delas decorrente: a de que o discurso obedece a determinadas normas de conduta sociocultural. Isso quer dizer que, na constituição do discurso, segue-se uma espécie de “ritual”, ancorado nas especificidades das práticas sociais, que determina não apenas o que deve ou não ser comunicado, mas também o modo como deve ser expresso. Para exemplificar, lembre-se de como se aborda um desconhecido na rua para lhe pedir alguma informação. Em geral, as regras do bom convívio social ensinam que, numa situação assim, em que o provável informante, além de ser um estranho, está em posição superior em relação ao solicitante, deve-se agir com polidez, utilizando-se expressões como “Por favor, o(a) senhor(a) poderia me dizer... ?”. Por outro lado, o interlocutor (informante) deverá limitar-se a fornecer a informação o mais direta e objetivamente possível, mantendo o distanciamento afetivo-social em relação ao outro. Isso é assim em virtude de haver um acordo comunitário, ideologicamente estabelecido, que regula a interação social em um contexto dessa natureza. Esse comportamento também se dá, respectivamente, em relação a outras esferas das ações intercomunicativas do cotidiano social. Com isso, podemos conceber a interseção do elemento material do discurso, o texto, com o próprio discurso e sua realização no seio da sociedade que o entende, a partir da complexidade das relações estabelecidas para se chegar a uma possível significação. Assim, [...] um texto faz sentido não por sua relação com o contexto, ou em decorrência de conhecimentos que o leitor tenha estocado ou que rememora e coloca em funcionamento ao ler/ouvir [...] Ou seja, não há propriamente texto, concebido como uma unidade; o que há são linearizações concretas (materiais) de discursos (POSSENTI, 2004, p.365). 84 Leitura e Produção de Textos Capítulo 4 Já entendemos que o discurso é uma entidade complexa, da qual o texto faz parte. Precisamos, então, compreender um pouco melhor esse integrante do discurso, para que possamos dar andamento a nosso processo de aprendizagem. A primeira coisa que devemos saber especificamente sobre o texto é que ele é composto por dois elementos básicos, que lhe emprestarão o caráter de texto: a coesão e a coerência. A coesão diz respeito aos elementos materiais da construção de um texto, especialmente do texto escrito. Devemos, então, entender o termo como os elementos constitutivos das frases, orações, dos períodos, parágrafos e das partes maiores de um texto. Os elementos coesivos garantem a linearidade da sequência do texto. Dentre eles, estão os termos gramaticais, como as conjunções, as preposições, os elementos dêiticos etc. A coerência, por sua vez, diz respeito à estruturação lógica e semântica que possibilita que o leitor/ouvinte compreenda o texto e lhe dê significado, portanto, é o resultado das articulações das ideias que compõem o que se pretende dizer. LEMBRETE No capítulo 6, entraremos em maiores detalhes quanto aos elementos de coerência e coesão, ao tratarmos dos fatores de textualidade. Por ora, basta-nos saber que o texto, elemento constitutivo do discurso, vale-se de vários recursos para construir significados. Como veremos mais acuradamente os elementos de coesão e coerência em outro momento de nosso trabalho em conjunto, destacamos que os textos são produzidos e admitem interpretações denotativas e conotativas. As primeiras, conotativas, dizem respeito ao sentido literal de o que se diz, as segundas, denotativas, são as interpretações que podem ser depreendidas do texto e pelo texto, mas que não são a exata significação de o que efetivamente se diz, ou seja, são o que os interagentes (o produtor ou o leitor/ouvinte) pretendem compreender ou são capazes de compreender a partir do texto. Cientes disso, vejamos os outros elementos que se destacam na produção de sentido na interação comunicativa: Leitura e Produção de Textos 85 Capítulo 4 a) A linguagem figurada O sentido figurativo ocorre quando uma palavra ou uma expressão perde seu sentido denotativo, literal, e é utilizada fora de seu plano convencional de significação, ou seja, com um significado diferente do habitual, de forma que seu sentido é transposto, para se referir a outra realidade conceitual. Em outras palavras, ela assume sentido conotativo, metafórico, não-literal (FIORIN e SAVIOLI, 1998). SAIBA QUE Estamos considerando aqui apenas os usos figurativos especiais, isto é, quando palavras ou expressões são utilizadas de modo inovador e incomum, com a finalidade de produzir determinados efeitos de sentido. Por exemplo, provavelmente, você já conhece a expressão “cair do cavalo”, que pode ser utilizada em sentido literal, para falar de “alguém que se encontra montado num cavalo e, por algum motivo, despenca no chão”. Por outro lado, em nossa cultura, essa mesma expressão também possui uma acepção figurativa, que se refere à “frustração de uma expectativa”. PRATICANDO Compare agora os sentidos atribuídos a “coração”, na amostra textual que se segue: Sabe o que alimenta um coração? um sorriso um elogio um abraço [...] Alimentar bem o coração é adotar hábitos saudáveis no seu dia-a-dia, como praticar exercícios, evitar o stress e, principalmente, ter uma dieta balanceada. [...] Nestlé Omega Plus. Leites e iogurtes para o seu coração bater feliz. (grifos nossos) Fonte: REVISTA VEJA, s.d. (reprod.) 86 Leitura e Produção de Textos Capítulo 4 Mesmo que sua interpretação seja diferente, veja que, na primeira linha, “coração” é tomado como o centro das emoções, está, portanto, em sentido figurado (aliás, esse sentido já é tradicionalmente conhecido em nossa cultura). Na segunda menção, essa palavra tem conceito denotativo, uma vez que está relacionada aos cuidados que devemos ter para preservar a saúde cardíaca. Já na terceira citação, esses significados se superpõem, podendo-se atribuir-lhe tanto uma noção literal como metafórica. O valor desse recurso reside no fato de se poder utilizá-lo em uma situação em que a expressão literal de sentido equivalente não surtiria o mesmo efeito. Dessa forma, a linguagem figurada atende a uma necessidade comunicativa, uma vez que seu uso produz um resultado interacional que não seria tão satisfatório por outro meio. Assim como o sentido figurado revela a propriedade que a linguagem tem de adquirir outra significação em um contexto específico, existem palavras ou expressões às quais se pode atribuir mais de uma interpretação em um mesmo contexto. Veja, então, o caso do duplo sentido (ou ambiguidade), que passamos a explicitar a seguir. b) O duplo sentido (ou ambiguidade) Você certamente já ouviu alguém dizer que tal palavra ou expressão tem duplo sentido, ou seja, é ambígua. Também já deve ter ficado em dúvida quanto ao real sentido de determinado enunciado, pelo fato de ele permitir mais de uma interpretação. O duplo sentido, portanto, tem a ver com a propriedade que a linguagem possui de, por meio de uma mesma forma, exprimir diferentes significados em uma dada situação comunicativa. Observe os seguintes enunciados: (1) Do Yázigi todo mundo sai falando bem. (grifo nosso) Inglês e Espanhol [...] Fonte: GAZETA. 2001. (2) Ele recebeu uma foto da namorada. Leitura e Produção de Textos 87 Capítulo 4 Veja que, no primeiro texto, pode-se interpretar que, por se tratar de uma escola de línguas, as pessoas saem do Yázigi dominando o(s) idioma(s) que lá estudaram. Fica, portanto, implícita a boa qualidade do ensino dessa escola, e daí vem o outro sentido que se pode atribuir ao texto: a boa formação dos alunos leva-os a sair divulgando positivamente a imagem da escola. PRATICANDO Agora, contamos com você para apresentar a dupla interpretação do segundo enunciado. Vamos lá? Mas será que a ambiguidade se dá por um processo consciente do falante/produtor? Muitas vezes, sim, mas há momentos em que estamos conversando com alguém e, no processo, produzimos um texto cuja significação o ouvinte/leitor questiona. Nós somos obrigados a esclarecê-la a ele. Por isso, a ambiguidade, que serve como recurso estilístico para produzir uma comunicação mais elaborada, pode também ser um entrave para ela. Assim, teremos dois tipos de ambiguidade: a intencional e a involuntária. • O Duplo Sentido Intencional (ou Ambiguidade Intencional) Esse caso ocorre quando uma palavra ou uma expressão é utilizada voluntariamente de modo ambíguo, resultante de um planejamento textual, para provocar determinado efeito de sentido. Esse recurso é comum, por exemplo, em textos literários e publicitários, em que o locutor deseja jogar com diferentes sentidos, contando com a capacidade de percepção do interlocutor e esperando despertar-lhe alguma reação emotiva (FIORIN e SAVIOLI, 1998). 88 Leitura e Produção de Textos Capítulo 4 Figura 2 – Exemplo de ambiguidade intencional Fonte: <www.filologia.org.br>. Nesse caso, entenda que se trata de uma estratégia estilística a que o produtor do texto recorreu, e que evidencia sua habilidade de manipular inteligentemente a linguagem para atingir o resultado desejado. PRATICANDO Considere o seguinte texto: NOKIA 3320 O mundo todo só fala nele. (grifo nosso). Fonte: REVISTA VEJA, 2001. p.19. Por certo, você percebeu a ambiguidade que se dá no uso de “fala nele”, não é? Então, explicite as possíveis interpretações. • O Duplo Sentido Involuntário (ou Ambiguidade Involuntária) Outro aspecto que caracteriza o duplo sentido das palavras é quando uma sentença é mal elaborada, e causa incerteza quanto ao que o locutor realmente quer dizer. Em outras palavras, o modo confuso como o texto foi produzido resulta em falta de clareza e imprecisão de sentido. Em casos assim, ao contrário de o que se viu no item anterior, o produtor do enunciado não pretende provocar duplo sentido, e a situação revela deficiência em codificar as informações adequadamente, o que deixa margem para diferentes interpretações. Em consequência disso, o texto não produz o efeito de sentido esperado, uma vez que o interlocutor não consegue reconhecer a verdadeira intenção discursiva do locutor (CEREJA e MAGALHÃES, 2001). Leitura e Produção de Textos 89 Capítulo 4 Observe o seguinte exemplo: O rapaz que cuida do bezerro foi informar ao fazendeiro que a mãe dele morreu. Afinal, quem morreu? A mãe do rapaz ou a mãe do fazendeiro? Não podemos saber, porque o elemento dêitico “dele” pode se referir ao rapaz, cuja mãe morreu, nessa interpretação, ou ao fazendeiro, cuja mãe morreu. No entanto, ainda há outra interpretação, o bezerro tem, certamente, uma mãe e, novamente, podemos interpretar que o rapaz foi ao fazendeiro avisar que a vaca, mãe do bezerro, morreu. Percebe como a ambiguidade pode ser não intencional? O produtor do texto, certamente por saber de quem estava falando, pressupôs que o leitor entenderia, mas se equivocou na construção da frase. PRATICANDO Observe os exemplos a seguir e perceba a ambiguidade presente em cada um deles: • O assessor do presidente informou que ele viajará daqui a uma semana. • Foi observado o acidente da ponte. • Mataram o filho do empresário que foi sequestrado. c) As Informações Implícitas Do mesmo modo como a linguagem figurada e a ambiguidade evidenciam o fato de as formas linguísticas poderem expressar mais de um sentido, muitos dos enunciados que produzimos na comunicação dizem muito mais do que aquilo que está na aparência imediata das palavras. Boa parte de o que é afirmado explicitamente, às vezes, constitui apenas “a ponta do iceberg”, e pode esconder muitos outros significados e intenções discursivas. Essas são as informações implícitas, as quais dependem da capacidade inferencial do interlocutor, ou seja, de suas condições de “ler nas entrelinhas”, a fim de captar plenamente os sentidos comunicados (FIORIN e SAVIOLI, 1997; FIORIN, 2003). Os implícitos que você verá a seguir são os pressupostos e os subentendidos. 90 Leitura e Produção de Textos Capítulo 4 • Pressuposto Trata-se de uma ou mais informações não-veiculadas de maneira explícita, mas que decorrem logicamente do sentido de certas palavras ou expressões contidas no enunciado. Isso significa que esse enunciado comunica, de modo indireto, mais do que o que demonstra o nível superficial de suas palavras, isto é, além daquilo que diz abertamente, traz outro(s) sentido(s) subjacentes ao significado de algum termo. Você entenderá isso com mais clareza, observando o exemplo logo a seguir: Novo Focus [...] O que já era um Focus ficou ainda melhor Com o motor mais potente da categoria. (grifos nossos). [...] Fonte: REVISTA VEJA, 2005. p.21-23. Perceba que a expressão “ficou ainda melhor”, além da informação em si, também diz implicitamente que “o Focus já era bom”. Por meio do superlativo “o... mais”, podemos inferir que “os outros veículos da categoria possuem motor com potência inferior” à do Focus. • Subentendido Resulta de quando o locutor produz um enunciado para, por meio dele, realizar outro ato de fala, cujo efeito de sentido não é diretamente explicitado. Por meio dessa estratégia, o falante “mascara” sua intenção comunicativa, deixando-a por conta da inferência do interlocutor. Assim, o falante/escritor não assume a informação implícita, transfere para o ouvinte/ leitor a responsabilidade de interpretar o que realmente ele quis dizer. Você perceberá isso no seguinte trecho, extraído da propaganda sobre o veículo Focus, já apresentada no item anterior: Leitura e Produção de Textos 91 Capítulo 4 Você nunca dirigiu um Focus? Onde você esteve esse tempo todo? Fonte: REVISTA VEJA, 2005. p.21-23. Você consegue perceber o que o enunciador (os termos enunciador, locutor, falante e escritor serão utilizados como equivalentes) deixou subentendido nessas perguntas aparentemente simples? Pois é. Na verdade, o que interessa aí não é saber se o interlocutor já dirigiu um Focus, muito menos obter informação sobre por onde ele andou. Como se trata de um anúncio comercial sobre esse automóvel, então, o que de fato está implícito é a afirmação de que o indivíduo que não dirige/possui um Focus está ultrapassado, não tem acompanhado a evolução tecnológica. Fica, assim, a sugestão indireta para o interlocutor adquirir esse veículo, para, desse modo, inserir-se no mundo moderno e avançado. Como você pode ver, diferentemente do pressuposto, que se deduz a partir de determinadas pistas linguísticas expressas na superfície do texto, o subentendido não vem marcado nas palavras do enunciado. Em função disso, exige do interlocutor maior capacidade de percepção, isto é, de inferência, a fim de que ele interprete a verdadeira intenção discursiva do locutor. PRATICANDO Crie exemplos que demonstrem as diferenças entre pressuposto e subentendido. d) Sentido Ancorado na Situação Comunicativa Um enunciado pode apresentar o mesmo conteúdo proposicional, e ter seu sentido variável determinado pelo contexto comunicativo (TRAVAGLIA, 2003). Suponha que você está lendo, por exemplo, um enunciado como o que segue: 92 Leitura e Produção de Textos Capítulo 4 A porta está aberta. Você vai perceber, pelas opções dispostas a seguir, que, dependendo da situação interativa, ele pode ter efeitos de sentido distintos. Veja: • em meio a uma discussão, pode significar uma ordem indireta para que o interlocutor saia; • para uma pessoa que bate à porta, soa como um convite para entrar; • pode ser uma advertência de perigo, sugerindo que a porta deve ser fechada; • se a ventania está perturbando o ambiente, pode parecer um pedido indireto para que o interlocutor feche a porta; • pode estar sendo usado metaforicamente, significando uma oportunidade que deve ser aproveitada; • para um funcionário que está deixando a empresa, significa uma promessa de que ele será recebido de volta caso queira retornar; • pode ser uma afirmação literal após constatar que determinada porta se encontra aberta, pressupondo que estivesse fechada. Portanto, como você pôde perceber, a partir do conteúdo visto, o sentido de uma palavra, expressão ou sentença não está predeterminado nela, pois é resultante da negociação entre os interlocutores no contexto de interação verbal. Por esse motivo, devemos estar atentos à forma como utilizamos os recursos linguísticos, a fim de podermos tirar o melhor proveito de suas possibilidades de sentido. Pudemos perceber, também, que o processo de significação só se consubstancia com a junção dos elementos textuais presentes no texto, porque o autor o possibilitou e, portanto, ele, autor, faz também parte desse sentido, bem como a capacidade do leitor, que empresta significados diversos a partir do conhecimento que possui para poder significar. Leitura e Produção de Textos 93 Capítulo 4 4.3 Aplicando a teoria na prática Pois bem... no capítulo anterior, você conseguiu convencer seus colegas de trabalho de que o recém-contratado não falava errado, apenas usava uma variação diferente da que se costumava ouvir naquele ambiente. Dessa vez, seu chefe, que chegou há alguns dias da feira de informática, disse ao novo funcionário: “Fulano, ligue para o departamento pessoal e pergunte se a passagem já foi aprovada”. Em seguida, saiu. Você percebeu que seu colega ficou assustado, sem saber o que fazer exatamente. Nessa situação, o que você faria? Você já sabe que fazemos essa resolução sempre juntos. Então, vamos lá... Se ele ficou assustado e sem saber o que fazer, a culpa não é sua, não é? Afinal, ele não sabe de que passagem se fala, ele é novo na empresa. O chefe, portanto, produtor do texto, não lhe ofereceu os elementos necessários para a compreensão e, por isso, a mensagem não se consolidou. O novo funcionário ouviu o texto materializado, mas não tinha subsídios para estabelecer-lhe o sentido, primeiro, porque a palavra “passagem” é ambígua. Pode ser a passagem de que falava o chefe, um bilhete de viagem ou uma porta que se queria abrir no departamento. Ele sabia que era uma ordem e, na incapacidade de realizá-la, se ressentiu. Nesse sentido, sabemos, não é?, que “as bases linguísticas [do texto] facilitam o estabelecimento de um sentido configuracional e a determinação de um propósito argumentativo”, mas não consolidam a significação. Para que o novo funcionário o entendesse, seria necessária a “articulação do texto com o contexto sociopragmático da interação, ou seja, com a dimensão discursiva englobante” (CHARAUDEAU, MAINGUENEAU, 2004, p.467-468). Bem... como nós sabemos disso, vamos, então, tranquilizá-lo e dar-lhe os elementos textuais e contextuais que lhe faltam para entender completamente a ordem. Como somos muito colaborativos, vamos até ele e, para completar, explicamos que o chefe irá a uma feira de informática em São Paulo e que a gente já fez o memorando solicitando a passagem, reserva de hotel etc. Apenas com isso, a ideia de abrir uma porta no departamento se esvai, porque o contexto já explica que se trata de um bilhete de viagem. Em seguida, esclarecemos que esse procedimento é normal, que precisamos solicitar ao 94 Leitura e Produção de Textos Capítulo 4 departamento de pessoal a liberação das passagens, do hotel etc. para o chefe, que eles precisam cotar as passagens, o departamento tal deve fazer isso, e o departamento tal aquilo. Demos ao novo funcionário informações sobre o funcionamento da empresa, ou seja, acrescentamos-lhe o conhecimento de mundo necessário. Vamos esclarecer a ele, também, que o chefe partiu do pressuposto de que ele sabia do que se tratava e, portanto, a informação estava subentendida. Daí fica tudo mais fácil, não é? Agora, pronto! Ele tem os elementos contextuais, já sabe da complexidade da produção do discurso e angariou subsídios para a completa compreensão da ordem que recebera. Basta, então, ligar e perguntar. Quando o chefe chegar, seu colega terá a resposta na ponta da língua. 4.4 Para saber mais FIORIN, J. L.; SAVIOLI, F. P. Lições de texto: leitura e redação. 2.ed. São Paulo: Ática, 1997. Obra que trata especificamente de temas relacionados à leitura e à produção de textos, indispensável para os que desejam desenvolver essas habilidades. BRONCKART, J. Atividade de linguagem, textos e discursos: por um interacionismo sócio-discursivo. Trad. A. R. Machado e P. Cunha. São Paulo: EDUC, 1999. O texto aborda questões relativas ao discurso e ao texto, com ênfase nos mecanismos do processamento textual. Veja também estudos sobre o texto, inclusive com exemplos e comentários, em: BENTES, A. C. Linguística textual. In: MUSSALIM, F.; BENTES, A. C. (Orgs.). Introdução à linguística 1: domínios e fronteiras. 2.ed. São Paulo: Cortez, 2001. p.245-87. Leitura e Produção de Textos 95 Capítulo 4 4.5 Relembrando Neste capítulo, você aprendeu que: • o texto é uma unidade linguística concreta, percebida pela visão ou audição, tomada pelos usuários da língua (falante, escritor/ouvinte, leitor), em uma situação de interação comunicativa específica; • o discurso é uma atividade de comunicação que produz sentido desenvolvido por interlocutores por intermédio de textos e que se vale de outros elementos que também fazem parte da construção de sentido do texto. • a linguagem figurada é uma expressão utilizada fora de seu plano convencional. • o duplo sentido ou ambiguidade pode ser de dois tipos: a) intencional: quando uma palavra, uma expressão ou um texto é intencionalmente utilizado com mais de um sentido; b) involuntário: quando um enunciado não produz o efeito de sentido desejado por faltar-lhe clareza e precisão. • as informações implícitas presentes no texto são divididas em: a) pressuposto: ideia(s) não veiculada(s) de maneira explícita; b) subentendido: quando o locutor insinua alguma coisa sem dizê-la abertamente, deixando a interpretação por conta do interlocutor. • sentido ancorado na situação comunicativa: um enunciado pode apresentar o mesmo conteúdo proposicional e ter seu sentido variável, determinado pelo contexto comunicativo. 96 Leitura e Produção de Textos Capítulo 4 4.6 Testando os seus conhecimentos 1) Leia o Texto 1 e, em seguida, responda às questões propostas. TEXTO 1 O Meu Guri (Chico Buarque) Quando, seu moço, nasceu meu rebento Não era o momento dele rebentar Já foi nascendo com cara de fome E eu não tinha nem nome pra lhe dar Como fui levando, não sei lhe explicar Fui assim levando ele a me levar E na sua meninice ele um dia me disse Que chegava lá Olha aí Olha aí Olha aí, ai o meu guri, olha aí Olha aí, é o meu guri E ele chega Chega suado e veloz do batente E traz sempre um presente pra me encabular Tanta corrente de ouro, seu moço Que haja pescoço pra enfiar Me trouxe uma bolsa já com tudo dentro Chave, caderneta, terço e patuá Um lenço e uma penca de documentos Pra finalmente eu me identificar, olha aí Olha aí, ai o meu guri, olha aí Olha aí, é o meu guri E ele chega Chega no morro com o carregamento Pulseira, cimento, relógio, pneu, gravador Rezo até ele chegar cá no alto Essa onda de assaltos tá um horror Eu consolo ele, ele me consola Boto ele no colo pra ele me ninar De repente acordo, olho pro lado E o danado já foi trabalhar, olha aí Olha aí, ai o meu guri, olha aí Olha aí, é o meu guri E ele chega 05 10 15 20 25 30 Leitura e Produção de Textos 97 Capítulo 4 Chega estampado, manchete, retrato Com venda nos olhos, legenda e as iniciais Eu não entendo essa gente, seu moço? Fazendo alvoroço demais O guri no mato, acho que tá rindo Acho que tá lindo de papo pro ar Desde o começo, eu não disse, seu moço Ele disse que chegava lá Olha aí, olha aí Olha aí, ai o meu guri, olha aí Olha aí, é o meu guri 35 40 45 Fonte: Disponível em: <http://analisedeletras.com.br/chico-buarque/o-meu-guri/>. Acesso em: jul. 2010. 1) O verbo “chegar” foi empregado com o mesmo sentido nas linhas 8 e 14, respectivamente? 2) Esclareça o que se pode inferir (ou seja, quais são as informações implícitas) nos seguintes trechos: a) “Quando, seu moço, nasceu meu rebento Não era o momento dele rebentar”. b) “Chega no morro com o carregamento Pulseira, cimento, relógio, pneu, gravador” 3) Quem é o sujeito locutor no texto? Fundamente sua resposta apontando algumas pistas dadas no texto. 4) Qual questão da realidade brasileira é indiretamente tratada no texto? 98 Leitura e Produção de Textos Capítulo 4 Onde encontrar CEREJA, W. R.; MAGALHÃES, T. C. Texto e interação. São Paulo: Atual, 2001. CHARAUDEAU, P.; MAINGUENEAU, D. (Org.). Dicionário de análise do discurso. São Paulo: Contexto, 2004. FIORIN, J. L. A linguagem em uso. In: _____. (Org.). Introdução à lingüística I: objetos teóricos. 2.ed. São Paulo: Contexto, 2003. p.166-186. FIORIN, J. L.; SAVIOLI, F. P. Para entender o texto: leitura e redação. 6.ed. São Paulo: Ática, 1998. KLEIMAN, A. Texto e leitor: aspectos cognitivos da leitura. 4.ed. Campinas: Pontes, 1995. KOCH, I. G. V. O texto e a construção dos sentidos. São Paulo: Contexto, 2005. KOCH, I. G. V. Argumentação e linguagem. São Paulo: Cortez, 1984. –––––. A coesão textual. São Paulo: Contexto, 1989. –––––. Desvendando os segredos do texto. São Paulo: Cortez, 2002. –––––. Introdução à lingüística textual: trajetória e grandes temas. São Paulo: Martins Fontes, 2004. Coleção texto e linguagem. ORLANDI, E.; RODRIGUES, S. (Org.). Introdução às ciências da linguagem III: discurso e textualidade. Campinas: Pontes, 2006. v.III. POSSENTI, S. Análise do discurso: um caso de múltiplas rupturas. In: MUSSALIM, F. e BENTES, A. C. (Org.). Introdução à lingüística: fundamentos epistemológicos. São Paulo: Editora Cortez, 2004, v. 3, p. 353-392. TRAVAGLIA, L. C. Gramática e interação: uma proposta para o ensino de 1º. e 2º. graus. 5.ed. São Paulo: Cortez, 2003. Leitura e Produção de Textos 99