UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO CURSO DE DOUTORADO EM ADMINISTRAÇÃO E TURISMO YEDA MARIA PEREIRA PAVÃO A CAPACIDADE DE GESTÃO DOS STAKEHOLDERS E O AMBIENTE ORGANIZACIONAL: Relações e Impactos no Desempenho das Cooperativas do Brasil TESE DE DOUTORADO BIGUAÇU, SC 2012 YEDA MARIA PEREIRA PAVÃO A CAPACIDADE DE GESTÃO DOS STAKEHOLDERS E O AMBIENTE ORGANIZACIONAL: Relações e Impactos no Desempenho das Cooperativas do Brasil Tese apresentada ao Programa de Pósgraduação em Administração, da Universidade do Vale do Itajaí – Univali, como requisito para obtenção do título de Doutora em Administração e Turismo. Orientador: Prof. Carlos Ricardo Rossetto, Dr. BIGUAÇU, SC 2012 DEDICATÓRIA A Deus, pela saúde concedida e pela luz que iluminou meus passos. A todos que me acompanharam, incentivaram e entenderam o sentido dessa busca. De modo especial, ao meu marido, Pavão, aos meus filhos, Leandro e Lucas, aos meus pais, Adão e Gessy, a minha sogra, Ibralina, e sogro Maurílio (in memoriam). Enfim, aos meus familiares pelo apoio e orações. AGRADECIMENTOS Agradeço especialmente a Deus, por ter-me guiado e orientado meus passos mostrando-me como obter forças para caminhar fortalecendo-me pela fé. Ao José Aparecido Pavão, esposo amado, amigo, companheiro incansável, interlocutor, grande incentivador de todos os momentos. Aos meus queridos filhos, Leandro Vitor Pavão e Lucas Otávio Pavão, extensão da minha vida, por compreenderem minha ausência física, pelo amor incondicional, amizade e apoio para que eu concluísse mais esta etapa. Aos meus queridos pais, Adão Francisco Pereira e Gessy da Silva Pereira, pelo exemplo de garra e determinação que sempre serviram de base para o meu caráter. À minha irmã Nilza Terezinha P. Capato, pelo apoio e orações. Aos meus irmãos João Taurino Pereira, Carlos Francisco Pereira, Pedro Pascoal Pereira e Paulo Pascoal Pereira, por sempre se manterem na torcida juntamente com seus respectivos cônjuges e meus sobrinhos. E este estendido a minha sogra Ibralina Alzira Pavão e aos meus cunhados e sobrinhos, assim como ao meu sogro Maurílio Pavão (in memoriam). À Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (FAPESC) pela concessão da Bolsa de Estudos. Aos dirigentes e funcionários das cooperativas, por compreenderem o sentido da cientificidade deste estudo ao responderem o questionário. À UNESPAR-FECILCAM, em especial ao professor Msc. Antonio Carlos Aleixo (Diretor) e aos colegas professores do Departamento de Administração por terem concedido o afastamento para a efetivação do doutorado. Ao professor Dr. Carlos Ricardo Rossetto, Coordenador do Programa de Mestrado e Doutorado em Administração, pelas informações, apoio, ensinamentos, e pelo imenso aprendizado que adquiri durante essa trajetória. Ao professor Dr. R. Edward Freeman (The Darden Scholl – University of Virginia), pela sua compreensão e acessibilidade, quando de suas valiosas contribuições, e que serviram de legitimidade e sustentação para o desenvolvimento desta tese. Aos professores da UNIVALI que tive a honra de tê-los como docentes e receber suas orientações para a realização dos artigos, papers, trabalhos acadêmicos, são eles: Dra. Anete Alberton, Dr.Carlos Eduardo Carvalho, Dr. Carlos Ricardo Rossetto; Dr. Carlos Eduardo Carvalho; Dra. Christiane Kleinübing Godoi, Dr. Miguel Angel Verdinelli, Dr. Rodrigo Bandeira-de-Mello; Dra. Rosilene Marcon, Dr. Sergio Boeira, Dr. Sidnei Marinho, Dr. Valmir Emil Hofmann, Dr. Wlamir Gonçalves Xavier. Agradecimento especial ao professor Dr. Miguel Angel Verdinelli, que muito contribuiu com seus ensinamentos, fazendo com que o tratamento estatístico dessa tese pudesse ter forma, conteúdo, significado e tornar-se exequível neste estudo. Aos demais professores da Univali: Dr. Cláudio Reis Gonçalo, Dra. Dinorá Eliete Floriani, Dra. Elaine Ferreira, Dr. Everton Luís Pellizzaro de Lorenzi Cancellier, Dr. Fernando César Lenzi, Dr. Flávio Ramos, Dra. Maria José Barbosa de Souza, Dr. Ricardo Boeing da Silveira, Dr. Paulo dos Santos Pires. Aos professores Dr. Ricardo Corrêa Gomes – PPGA/UnB e Dra. Eliane Pereira Zamith Brito – FGV/EAESP integrantes da banca do consórcio doutoral no EnANPAD/2010, pelas sugestões e apontamentos que auxiliaram na continuidade do então projeto de doutorado. Aos professores e membros da Banca de qualificação que ajudaram a alavancar o estudo: Dra. Anete Alberton, Dr.Carlos Ricardo Rossetto, Dr. Miguel A. Verdinelli, Dr. Ricardo Corrêa Gomes, Dr. Sergio Bulgacov. Aos funcionários da secretaria da UNIVALI de Biguaçu pelo pronto atendimento sempre que necessitei: Cristina Heusi Leal, Caroline de Aquino Rosa, Rafaela Paula Freitas, Wagner Luiz Leite, Maria de Lurdes Rodrigues dos Santos e Bianca Teixeira. À OCEPAR – Organização das Cooperativas do Estado do Paraná, Coamo agroindustrial Cooperativa e Coagru Cooperativa Agroindustrial União, nas pessoas dos senhores: Nelson Costa (Superintendente Adjunto da OCEPAR); Antonio Sérgio Gabriel (Superintendente Administrativo da Coamo); e José Roberto De Peder (Gerente Industrial da Coagru), pela compreensão em validar o conteúdo do questionário aplicado a todas as cooperativas. Aos doutorandos que tive a oportunidade de conhecer na UNIVALI-Biguaçu, Fábio Lazzarotti, Dênio Murilo de Aguiar, Diva de Mello Rossini, Carlos Eduardo Carvalho, Silvio Luiz G. Viana, Silvio Parodi O. Camilo, Wlamir G. Xavier, Michael Samir Dalfovo, Murilo de Alencar S. Oliveira, Alissane Lia T. da Silveira, Maria Andréa R. Escobar, Mehran Ramezanali, Maria da Graça S. Nogueira, Deosir Flávio L.de Castro Junior, Elvis Silveira Martins, Eloy Antonio Fenker, Márcio M.Nakayama, Jeter Lang, Lenice P. Lima, Maria Leônia A.do Vale Brasil, Mariluce S. de Souza, Juvenal Pinheiro da Costa Filho, Marco Aurélio Butzke, Adriano Silveira Mastella, Suzana Gauche Farber e Susete A. Lizote. Agradecimento especial às amigas Simone Sehnem e Ana Lúcia de Araújo Lima Coelho, pelas horas de estudo para elaboração e produção dos trabalhos e artigos. Foram momentos especiais, período de muito aprendizado e crescimento que culminaram no fortalecimento da nossa amizade. E este, estendido também ao Fábio Lazzarotti, Carlos Eduardo Carvalho e Michael Samir Dalfovo pelas discussões profícuas de nossos projetos de tese. Aos mestrandos, pela amizade e pelos trabalhos que realizamos, enfim, pela vivência que mantivemos neste período. Às organizações Brasil Sul Linhas Rodoviárias Ltda., Expresso Nordeste Linhas Rodoviárias Ltda., e Auto Viação Catarinense. Afinal, a partir dessas organizações foi possível realizar o trajeto entre Campo Mourão e Biguaçu (SC) desde o início do doutorado em 2008 até o final em 2012. Nestas idas e vindas, foram aproximadamente 120 viagens realizadas que superaram seguramente 150.000 km, o equivalente a 2.880 horas na estrada! E foi nessa estrada, que também adquiri muito aprendizado a partir de histórias narradas por pessoas distintas que pude conversar e que também me deram apoio, e me fizeram perceber, ainda mais, a importância e a humildade do saber ouvir. Á Bernadete Filomena de Amorim (D.Odete) proprietária do Hotel Amorim, pela acolhida e carinho. A todos, que mesmo não nominados, contribuíram para a realização deste estudo. Finalmente àqueles que compreendem o valor do conhecimento e da ciência, motivo pelo qual o tempo dedicado aos estudos e à pesquisa tiveram sentido. Enfim, aos stakeholders da minha trajetória de doutorado. EPÍGRAFE Para que a água possa fazer parte da fertilidade do solo, necessita da força de outros elementos da natureza que, somados, poderão garantir a sua produção. Assim podem ser as pessoas, se unidas em prol de objetivos comuns, alicerçadas na ética e na responsabilidade, poderão fazer emergir resultados que as façam alcançar suas metas, tendo como premissa a cooperação mútua. Yeda Maria Pereira Pavão Nunca considere o estudo como um dever, mas como uma oportunidade invejável para aprender a conhecer a influência libertadora da beleza do reino do espírito para a sua própria alegria pessoal e para o lucro da comunidade a que pertence seu trabalho mais tarde. Albert Einstein RESUMO PAVÃO, Yeda Maria Pereira. A Capacidade de Gestão dos Stakeholders e o Ambiente Organizacional: Relações e Impactos no Desempenho das Cooperativas do Brasil.2012. 225p. Tese (Doutorado em Administração e Turismo) – Universidade do Vale do Itajaí, Biguaçu, 2012. Estudos que contemplam a interação entre organizações e o ambiente, a formulação das estratégias com base em aspectos e características ambientais, são desenvolvidos pela academia com intensidade e aprofundamento por distintos pesquisadores nos mais diferentes contextos. A relevância deste trabalho está em operacionalizar a capacidade da gestão dos stakeholders (CGS) como integrante da teoria dos stakeholder e também discutir o efeito moderador do ambiente na relação entre a CGS e o desempenho (socioambiental e econômico-financeiro). Em função disto, o objetivo desta pesquisa consistiu em relacionar a capacidade de gestão dos stakeholders (CGS) de Freeman (1984), o desempenho (socioambiental e econômico-financeiro) identificado por Oliveira Jr. (1991) e Agle, Mitchell e Sonnenfeld (1999), e a dimensão do ambiente (dinâmico, complexo e munificente) mensurados por Dess e Beard (1984), a partir da percepção dos dirigentes de cooperativas do Brasil. Quanto ao tipo ou a natureza da pesquisa, optou-se pela abordagem quantitativa mediante coleta de dados a partir de levantamento ou pesquisa survey com os tomadores de decisão das cooperativas (presidente ou um membro da diretoria). Para atender aos objetivos, esta pesquisa teve caráter descritivo e explanatório. A modelagem de equações estruturais foi utilizada como aplicativo para analisar os dados obtidos e testar as relações hipotéticas propostas. Os testes revelaram que a relação entre a capacidade de gestão dos stakeholders com o desempenho socioambiental e o econômico-financeiro suportaram as hipóteses, validando o modelo conceitual proposto. Quanto às relações entre o ambiente e o desempenho, o dinamismo e a munificência obtiveram suporte na relação, comprovando que ambas as dimensões afetam o desempenho econômicofinanceiro e socioambiental das cooperativas estudadas. A relação de moderação encontrou respaldo apenas quando se considerou o ambiente complexo na relação entre a capacidade de gestão dos stakeholders e o desempenho econômicofinanceiro. Palavras-chave: Capacidade de gestão dos stakeholders. Ambiente organizacional. Desempenho. ABSTRACT PAVÃO, Yeda Maria Pereira. Stakeholder Management Capability and Organizational Environment: relationships and impacts of performance of agricultural cooperatives in Brazil. 2012. 225p. Thesis (PhD in Business Management and Tourism) – University of Vale do Itajaí, Biguaçu, 2012. Intense, in-depth studies that address the interaction between organizations and the environment, and the formulation of strategies based on environmental aspects and features are being carried out in academic circles, by different researchers, in many different contexts. The relevance of this work is in operationalizing the stakeholder management capability (SMC) as part of stakeholder theory. It also discusses the moderating effect of the environment on the relationship between SMC and the performance (socio-environmental and economic-financial). Thus, the aim of this research was to relate the stakeholder management capability (SMC) of Freeman (1984), performance (socio-environmental and economic-financial) identified by Oliveira Jr. (1991) and Agle, Mitchell and Sonnenfeld ( 1999), and the environmental dimension (dynamic, complex and munificent) measured by Dess and Beard (1984), based on the perceptions of the leaders of cooperatives in Brazil. Regarding the type or nature of the research, we opted for a quantitative approach, collecting data by means of a survey applied to decision makers of cooperatives (president or a board member). To meet its objectives, this research was descriptive and explanatory. Structural equation modeling was used to analyze the data and test the hypothetical relationship proposals. The tests revealed that the relationship between stakeholder management capability and socio-environmental and economic-financial performance supported the hypotheses, validating the proposed conceptual model. Regarding the relationships between environment and performance, dynamism and munificence found support in the relationship, proving that both dimensions affect the socio-environmental and economic-financial performance of the cooperatives studied. The moderation ratio found support only when considering the complex environment in the relationship between stakeholder management capability and economic-financial performance. Keywords: Stakeholders Management Capability. Organizational environment. Performance. LISTA DE FIGURAS Figura 1- A história do conceito dos stakeholders ..................................................... 52 Figura 2- Visão da produção da firma ....................................................................... 54 Figura 3- Visão gerencial da firma............................................................................. 54 Figura 4- Modelo conceitual dos stakeholders .......................................................... 56 Figura 5- Questões chave para a gestão estratégica e stakeholders........................ 57 Figura 6 - Processo para o ajuste da capacidade de gestão dos stakeholders......... 69 Figura 7 - Modelo conceitual para a capacidade de gestão dos stakeholders .......... 71 Figura 8 - Diagrama de relação entre os construtos da tese. .................................... 74 Figura 9 - Estrutura conceitual do estudo da tese ..................................................... 75 Figura 10 - Relação entre os construtos e suas hipóteses ........................................ 76 Figura 11 - Etapas para a mensuração dos construtos ............................................. 90 Figura 12 - Diagrama estrutural para o construto CGS inicial ................................... 99 Figura 13 - Diagrama estrutural para os construtos dinâmico, complexo e munificente (inicial). .................................................................................................................... 101 Figura 14 - Diagrama estrutural para o construto DSA e DEF ................................ 104 Figura 15 - Estrutura geral inicial do estudo da tese ............................................... 106 Figura 16 - Movimentação econômico-financeira .................................................... 110 Figura 17 - Modelo inicial do construto CGS: comunicação .................................... 130 Figura 18 - Modelo final da dimensão comunicação (CGS) .................................... 131 Figura 19 - Modelo inicial da dimensão formulação estratégica (CGS) ................... 133 Figura 20 - Modelo final da dimensão formulação estratégica (CGS) ..................... 134 Figura 21 - Modelo inicial e final da dimensão proatividade da CGS. ..................... 136 Figura 22 - Modelo inicial da dimensão recursos .................................................... 137 Figura 23 - Modelo final da dimensão recursos da CGS. ........................................ 138 Figura 24 - Modelo inicial da dimensão stakeholder-serving ................................... 140 Figura 25 - Modelo final da dimensão stakeholder-serving ..................................... 141 Figura 26 - Construtos latentes do modelo de mensuração (geral)......................... 143 Figura 27 - Diagrama de caminhos às dimensões do construto CGS (geral) ......... 144 Figura 28 - Diagrama de caminhos às dimensões da CGS (geral-reespecificado) . 146 Figura 29 - Modelo inicial da dimensão dinamismo ................................................. 151 Figura 30 - Modelo final da dimensão dinamismo ................................................... 152 Figura 31 - Modelo inicial da dimensão complexidade ............................................ 154 Figura 32 - Modelo final da dimensão complexidade .............................................. 155 Figura 33 - Modelo inicial da dimensão munificência .............................................. 156 Figura 34 - Modelo final da dimensão munificência ................................................ 157 Figura 35 - Diagrama de caminhos das dimensões do ambiente: dinamicidade, complexidade e munificência (final-geral) ............................................................... 159 Figura 36 - Modelo inicial do desempenho socioambiental ..................................... 164 Figura 37 - Modelo final do desempenho socioambiental ....................................... 165 Figura 38 - Modelo inicial do desempenho econômico-financeiro ........................... 166 Figura 39 - Modelo final do desempenho econômico-financeiro ............................. 167 Figura 40 - Diagrama de caminhos do desempenho socioambiental e desempenho econômico-financeiro (inicial-geral) ......................................................................... 169 Figura 41 - Diagrama de caminhos do construto desempenho socioambiental e desempenho econômico-financeiro (final-geral)...................................................... 170 Figura 42 - Diagrama de caminhos dos DSA e DEF (geral-reespecificado) ........... 171 Figura 43 - Diagrama de caminho do modelo estrutural das estimativas de cargas de CFA – alternativo (reespecificado) geral – final ....................................................... 172 LISTA DE QUADROS Quadro 1- Relação entre as hipóteses dos estudos de Dess e Beard (1982,1984). . 40 Quadro 2- Características do ambiente organizacional. ............................................ 43 Quadro 3 - Proposições para CGS ............................................................................ 67 Quadro 4 - Estudos sobre capacidade de gestão dos stakeholders ......................... 73 Quadro 5 - Descrição das hipóteses da pesquisa ..................................................... 81 Quadro 6 - Medidas de referência e os valores aceitáveis. ....................................... 95 Quadro 7 - Descrição analítica para a CGS. ............................................................. 98 Quadro 8 - Indicadores e variáveis de medida para a capacidade de gestão dos stakeholders ............................................................................................................ 100 Quadro 9 - Descrição analítica para o ambiente dinâmico ...................................... 102 Quadro 10 - Fatores mensurados para a dimensão dinamismo.............................. 102 Quadro 11 - Descrição analítica para a dimensão complexidade ........................... 102 Quadro 12 - Fatores mensurados para a dimensão complexidade ......................... 103 Quadro 13 - Descrição analítica para a dimensão munificência.............................. 103 Quadro 14 - Fatores mensurados para a dimensão munificência ........................... 103 Quadro 15 - Descrição analítica para o DSA e DEF ............................................... 104 Quadro 16 - Fatores de mensuração para o construto desempenho socioambiental. ................................................................................................................................ 105 Quadro 17 - Fatores de mensuração para o construto desempenho econômicofinanceiro ................................................................................................................. 105 Quadro 18 - Legenda para os variáveis mensurados .............................................. 107 Quadro 19 - Protocolo de pesquisa ......................................................................... 108 Quadro 20 - Denominação das cooperativas do Brasil ........................................... 111 Quadro 21 - Diferenças societárias ......................................................................... 112 Quadro 22 - Dados das cooperativas do Brasil ....................................................... 114 Quadro 23 - Indicadores da dimensão comunicação .............................................. 129 Quadro 24 - Indicadores da dimensão formulação estratégica ............................... 132 Quadro 25 - Indicadores da dimensão proatividade ................................................ 135 Quadro 26 - Indicadores da dimensão recursos...................................................... 137 Quadro 27 - Indicadores da dimensão stakeholder-serving .................................... 140 Quadro 28 - Indicadores do construto dinamismo ................................................... 151 Quadro 29 - Indicadores da dimensão complexidade ............................................. 153 Quadro 30 - Indicadores da dimensão munificência ............................................... 156 Quadro 31 - Indicadores do construto desempenho socioambiental....................... 164 Quadro 32 - Indicadores do desempenho econômico-financeiro ............................ 166 Quadro 33 - Resumo dos testes das hipóteses....................................................... 187 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Dados das cooperativas por setor da economia .................................... 113 Tabela 2 - Distribuição dos cooperados e funcionários por região .......................... 117 Tabela 3 - Distribuição da classificação das cooperativas respondentes ................ 117 Tabela 4 - Distribuição dos cooperados e funcionários por classificação de cooperativa .............................................................................................................. 118 Tabela 5 - Distribuição da classificação por tamanho das cooperativas-funcionários ................................................................................................................................ 118 Tabela 6 - Distribuição para o período de fundação das cooperativas.................... 119 Tabela 7 - Setores da economia de cooperativas ................................................... 120 Tabela 8 - Estatística descritiva para os indicadores da CGS ................................. 121 Tabela 9 - Estatística descritiva dos indicadores da dimensão do ambiente. ......... 122 Tabela 10 - Estatística descritiva para os indicadores do desempenho .................. 122 Tabela 11 - Correlações, cargas fatoriais e índices dos indicadores das dimensões: comunicação, formulação estratégica, proatividade, recursos, stakeholder-serving – para o construto CGS .............................................................................................. 124 Tabela 12 - Teste de adequação da escala das dimensões comunicação, formulação estratégica, proatividade, recursos, stakeholder-serving após exclusão dos indicadores recomendados na comunalidade ......................................................... 127 Tabela 13 - Variância explicada na AFE dos indicadores das dimensões comunicação, formulação estratégica, proatividade, recursos, stakeholder-serving após exclusão dos indicadores recomendados na comunalidade........................... 128 Tabela 14 - Cargas padronizadas finais dos indicadores de comunicação ............. 131 Tabela 15 - Índices de ajuste do modelo inicial de mensuração da formulação estratégica ............................................................................................................... 133 Tabela 16 - Índices de ajuste do modelo alternativo (final) de mensuração da Formulação Estratégica .......................................................................................... 134 Tabela 17 - Índices de ajuste do modelo de mensuração da proatividade .............. 136 Tabela 18 - Índices de ajuste inicial do modelo de mensuração recursos (CGS) ... 138 Tabela 19 - Índices de ajuste final do modelo de mensuração recursos ................. 139 Tabela 20 - Índices de ajuste inicial do modelo de mensuração stakeholder-serving ................................................................................................................................ 140 Tabela 21 - Índices de ajuste do modelo (final) de mensuração de stakeholderserving ..................................................................................................................... 141 Tabela 22 - Índices de ajuste do modelo de mensuração do construto CGS (geral) ................................................................................................................................ 144 Tabela 23 - Índices de modificação para capacidade de gestão dos stakeholders . 145 Tabela 24 - Índices de ajuste do modelo de mensuração da CGS (geral – reespecificado) ........................................................................................................ 145 Tabela 25 - Correlações, cargas fatoriais e índices dos indicadores dos construtos: ................................................................................................................................ 148 Tabela 26 - Teste de adequação da escala dos construtos do ambiente: dinâmico, complexo e munificente ........................................................................................... 149 Tabela 27 - Variância explicada na AFE dos indicadores das dimensões: ambiente dinâmico, complexo e munificente .......................................................................... 150 Tabela 28 - Índices de ajuste inicial do modelo de mensuração da dimensão dinamismo ............................................................................................................... 151 Tabela 29 - Índices de ajuste do modelo alternativo de mensuração da dimensão dinamismo ............................................................................................................... 152 Tabela 30 - Índices de ajuste inicial do modelo de mensuração da dimensão complexidade .......................................................................................................... 154 Tabela 31 - Índices de ajuste final do modelo de mensuração da dimensão complexidade .......................................................................................................... 155 Tabela 32 - Índices de ajuste inicial do modelo de mensuração da dimensão munificência ............................................................................................................ 157 Tabela 33 - Índices de ajuste final do modelo de mensuração da dimensão munificência ............................................................................................................ 158 Tabela 34 - Índices de ajuste do modelo de mensuração das dimensões do ambiente: dinamicidade, complexidade e munificência ........................................... 159 Tabela 35 - Correlações, cargas fatoriais e índices dos indicadores do desempenho socioambiental e econômico-financeiro .................................................................. 160 Tabela 36 - Teste de adequação da escala das dimensões desempenho socioambiental e econômico-financeiro .................................................................. 162 Tabela 37 - Variância explicada na AFE dos indicadores do desempenho socioambiental e econômico-financeiro .................................................................. 163 Tabela 38 - Cargas padronizadas finais dos indicadores do DSA........................... 165 Tabela 39 - Índices de ajuste inicial do modelo de mensuração do desempenho econômico-financeiro .............................................................................................. 167 Tabela 40 - Índices de ajuste final do modelo de mensuração do desempenho econômico-financeiro .............................................................................................. 168 Tabela 41 - Índices de ajuste do modelo de mensuração do desempenho socioambiental e desempenho econômico-financeiro (inicial – geral)..................... 169 Tabela 42 - Índices de modificação para capacidade de gestão dos stakeholders . 170 Tabela 43 - Índices de ajustes da correlação testada para o desempenho socioambiental e desempenho econômico-financeiro (final-reespecificado) ........... 170 Tabela 44 - Índices de modificação para capacidade de gestão dos stakeholders . 173 Tabela 45 - Medidas de ajuste do modelo estrutural ............................................... 174 Tabela 46 - Significância dos coeficientes de regressão simples: variáveis preditoras ................................................................................................................................ 177 Tabela 47 - Significância dos coeficientes de regressão múltipla: variáveis preditoras ................................................................................................................................ 178 Tabela 48 - Significância dos coeficientes de regressão múltipla fatorial: variáveis preditoras ................................................................................................................ 179 LISTA DE ABREVIATURAS AFC – Análise Fatorial Confirmatória AFE – Análise Fatorial Exploratória AMOS- Analysis of Moment Structure CGS – Capacidade de Gestão dos Stakeholders DEF – Desempenho Econômico-financeiro DSA – Desempenho Socioambiental ICA – International Co-operative Alliance MEE – Modelagem de Equações Estruturais OCB – Organização das Cooperativas do Brasil OCE´s – Organização das Cooperativas Estaduais OCEPAR – Organização das Cooperativas do Paraná OCERGS – Organização das Cooperativas do Rio Grande do Sul OCESC – Organização das Cooperativas de Santa Catarina SMC – Stakeholder Management Capability SPSS – Statistical Package for the Social Sciences SUMÁRIO AGRADECIMENTOS .................................................................................................. 5 EPÍGRAFE .................................................................................................................. 8 RESUMO..................................................................................................................... 9 ABSTRACT............................................................................................................... 10 LISTA DE FIGURAS ................................................................................................. 11 LISTA DE QUADROS ............................................................................................... 13 LISTA DE TABELAS ................................................................................................ 15 LISTA DE ABREVIATURAS ..................................................................................... 18 1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 22 1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEMA .................................................................. 22 1.2 PROBLEMA DE PESQUISA ............................................................................ 25 1.3 OBJETIVOS...................................................................................................... 27 1.3.1 Objetivo Geral ................................................................................................. 27 1.3.2 Objetivos Específicos ...................................................................................... 27 1.4 RELEVÂNCIA, ORIGINALIDADE E CONTRIBUIÇÕES DA PESQUISA ........ 28 1.4.1 Relevância........................................................................................................ 28 1.4.2 Originalidade .................................................................................................... 31 1.4.3 Contribuições da Pesquisa ............................................................................... 34 1.5 ORGANIZAÇÃO DA ESTRUTURA DO TRABALHO ...................................... 35 2. REVISÃO TEÓRICA ............................................................................................. 36 2.1 DIMENSÕES DO AMBIENTE ORGANIZACIONAL ........................................... 36 2.1.1 Ambiente Munificente ....................................................................................... 44 2.1.2 Ambiente Dinâmico .......................................................................................... 48 2.2. TEORIA DOS STAKEHOLDERS ...................................................................... 51 2.3 MODELO DA ESTRUTURA CONCEITUAL E CONSTRUÇÃO DE HIPÓTESES 74 2.3.1 Construção das Hipóteses ............................................................................... 76 2.3.1.1 Capacidade da Gestão dos Stakeholders e o Desempenho Socioambiental e Econômico Financeiro ............................................................................................... 76 2.3.1.2 A Dimensão do Ambiente (Dinâmico, Complexo e Munificente) e o Desempenho (Socioambiental e Econômico-financeiro). .......................................... 78 2.3.1.3 A relação entre a CGS e Desempenho (Socioambiental e Econômicofinanceiro) moderada pela Dimensão do Ambiente (Dinâmico, Complexo e Munificente). .............................................................................................................. 79 2.3.2 Hipóteses Gerais de Pesquisa ......................................................................... 80 3.1 TIPO DE PESQUISA .......................................................................................... 82 3.2 COLETA DE DADOS .......................................................................................... 84 3.3 ANÁLISE DOS DADOS ..................................................................................... 87 3.3.1 Análise da Normalidade, Homocedasticidade e a Linearidade ........................ 89 3.3.2 Unidimensionalidade dos Construtos ............................................................... 90 3.3.3 Análise Fatorial Exploratória e Confirmatória ................................................... 90 3.3.3.1 Análise Fatorial Exploratória .......................................................................... 91 3.3.4 Análise Fatorial Confirmatória .......................................................................... 95 3.3.5 Modelagem de Equação Estrutural para os Construtos ................................... 96 3.4 VARIÁVEIS E MEDIDAS MENSURÁVEIS ......................................................... 97 3.4.1 Variável Independente: Capacidade de Gestão dos Stakeholders (CGS) ....... 98 Fonte: Elaborado pela autora. ................................................................................. 100 3.4.2 Dimensões do Ambiente (Dinâmico, Complexo e Munificente) - Variável Independente e Moderadora ................................................................................... 101 3.4.3 Variável Dependente: Desempenho (Socioambiental e Econômico-Financeiro) 104 3.5 OBJETO DO ESTUDO: COOPERATIVAS ....................................................... 109 4. RESULTADOS .................................................................................................... 116 4.1 ANÁLISE DESCRITIVA DOS DADOS ............................................................. 116 4.1.1 Análise Descritiva das Variáveis Categóricas ................................................ 116 4.1.2 Análise Descritiva das Variáveis dos Construtos ........................................... 120 4.2 ANÁLISES DO MODELO DE MENSURAÇÃO DOS CONSTRUTOS.............. 123 4.2.1 Análise do Modelo de Mensuração do Construto CGS .................................. 123 4.2.1.1 Validação da Dimensão Comunicação da Capacidade de Gestão dos Stakeholders ........................................................................................................... 129 4.2.1.2 Validação da Dimensão Formulação Estratégica da Capacidade de Gestão dos Stakeholders..................................................................................................... 132 4.2.1.3 Validação da Dimensão Proatividade da Capacidade de Gestão dos Stakeholders ........................................................................................................... 135 4.2.1.4 Validação da Dimensão Recursos da Capacidade de Gestão dos Stakeholders ........................................................................................................... 136 4.2.1.5 Validação da Dimensão de Stakeholder-Serving da Capacidade de Gestão dos Stakeholders..................................................................................................... 139 4.2.1.6 Modelo de Mensuração Geral dos Construtos ............................................ 142 4.2.1.7 Validação do Construto Capacidade de Gestão dos Stakeholders ............. 143 4.2.2 Análise do Modelo de Mensuração das Dimensões do Ambiente (Dinâmico, Complexo e Munificente) ......................................................................................... 147 4.2.2.1 Validação da Dimensão Dinamismo ............................................................ 150 4.2.2.2 Validação da Dimensão Complexidade ....................................................... 153 4.2.2.3 Validação da Dimensão Munificência .......................................................... 156 4.2.2.4 Validação das Dimensões Dinamismo, Complexidade e Munificência ....... 158 4.2.3 Análise do Modelo de Mensuração do Desempenho Socioambiental e Desempenho Econômico-financeiro........................................................................ 160 4.2.3.1 Validação do Desempenho Socioambiental ................................................ 163 4.2.3.2 Validação do Desempenho Econômico-financeiro ...................................... 166 4.2.3.3 Validação do Desempenho Socioambiental e Desempenho EconômicoFinanceiro................................................................................................................ 168 4.3 ANÁLISE DO EFEITO DA MODERAÇÃO ....................................................... 175 4.3.1 Efeito das Variáveis Moderadoras do Ambiente Dinâmico, Complexo e Munificente sobre a CGS, DSA e DEF .................................................................... 175 4.4 TESTE DE HIPÓTESES ................................................................................... 180 4.4.1 Relação entre a Capacidade de Gestão dos Stakeholders e o Desempenho Socioambiental e Econômico-Financeiro – H1 ........................................................ 180 4.4.2 Relação entre o Dinamismo e o Desempenho Socioambiental e Desempenho Econômico-Financeiro – H2 .................................................................................... 181 4.4.3 Relação entre a Complexidade e o Desempenho Socioambiental e Desempenho Econômico-Financeiro – H3 .............................................................. 183 4.4.4 Relação entre a Munificência e o Desempenho Socioambiental e Desempenho Econômico-Financeiro – H4 .................................................................................... 184 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................ 188 5.1 CONTRIBUIÇÕES DO TRABALHO PARA ACADEMIA.................................. 191 5.2 CONTRIBUIÇÕES PARA A GESTÃO DAS ORGANIZAÇÕES..................... 192 5.3 LIMITAÇÕES DA PESQUISA ........................................................................ 193 5.4 SUGESTÕES A ESTUDOS FUTUROS .......................................................... 195 REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 196 APÊNDICE A – CARTA DE APRESENTAÇÃO ..................................................... 214 APÊNDICE B - QUESTIONÁRIO ........................................................................... 214 ANEXO A – CIRC. PRES. 005/12........................................................................... 224 ANEXO B – RESULTADO – PARCIAL / SOFTWARE AMOS ............................... 225 1 INTRODUÇÃO Este capítulo é formado pela contextualização do tema, caracterização do problema, objetivo geral e específico, relevância, originalidade e contribuições da pesquisa, bem como a organização geral da tese. 1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEMA No contexto da academia científica assuntos relacionados a organizações, ambientes e desempenho são recorrentemente discutidos. Autores criam, recriam e ampliam denominações para seus construtos a partir de distintas formas. Dentre tais construtos e abordagens, estão as pessoas, por vezes tratadas conjuntamente no âmbito das organizações, assim como as implicações de suas ações, as quais também serviram de inspiração para diversos autores. Assim como, ações organizacionais, intencionadas, e orientadas para atenderem as necessidades dessas pessoas a partir da aplicação de estratégias e atividades específicas. E é nesse universo que essa pesquisa também se insere. Este estudo se concentra na gestão organizacional, sua capacidade de interação, e no relacionamento entre a firma e o seu ambiente. Entretanto, notoriamente, essa estrutura gerencial possui como desafios eminentes, além da conquista por novos mercados, uma tarefa ainda mais árdua, que é a de manter a vantagem competitiva e, consequentemente, garantir a sua sobrevivência. Infere-se que a constância ou não das ações administrativas da firma, associadas diretamente ao desenvolvimento e a capacidade de gerenciamento dizem respeito ao seu desempenho organizacional, independentemente de qual classificação institucional esteja inserida. Notoriamente, todo interesse administrativo busca o desempenho a partir de seus resultados. As organizações, ao buscarem seus resultados, deparam-se com contextos marcados por constantes transformações, que as fazem tomar decisões que acabam por afetar os acionistas, consumidores, concorrentes, fornecedores, governo (poder público) e, consequentemente, a sociedade, por ser, também, afetada pelos resultados provocados pelas ações das organizações. 23 Para melhor compreender tais efeitos, este trabalho optou por estudar a teoria dos stakeholders, o ambiente organizacional e o seu desempenho. A primeira teoria foi apregoada por R. Edward Freeman em 1984, ano em que lançou a obra Strategic Management: Stakeholder approach, na qual apresentou o termo stakeholder (funcionários, clientes, governo, fornecedores, acionistas, bancos, ambientalistas e outros grupos que poderão ajudar ou prejudicar a empresa). Freeman, Harrison e Wicks (2007) retomam a temática sobre capacidade de gestão dos stakeholders comprendendo-as como capacidades e rotinas/atividades da empresa (Business Processes and Capabilities) e preocupação com a criação de valores para os seus stakeholders. Nesse sentido, mesmo que uma organização tenha identificado seus stakeholders e sua participação, se não construir uma preocupação, dentro de seu procedimento padrão de operação e criar valor para esses stakeholders, poderá, conforme Freeman, Harrison e Wicks (2007, p.67) ter “problemas”. Essa afirmação confirma que a discussão sobre CGS ainda está em evidência pelo próprio autor precursor. A outra opção temática, diz respeito à estrutura existente no ambiente para atender às necessidades da firma, ou ainda, a dimensão do ambiente. O elo existente entre este e a organização está associado diretamente à compreensão dessa interação, e de como ocorre esse relacionamento. O estudo de Dess e Beard (1984) apresenta o parâmetro necessário para sustentar essa busca, quando se referem a medidas específicas aplicadas para analisarem o ambiente de tarefa de organizações. Os parâmetros analíticos de Dess e Beard (1984) também serviram de base nos estudos de Rueda-Manzanares, Aragón-Correa e Sharma (2008) quando avaliaram como a complexidade, a incerteza e a munificência moderam o ambiente, e também para Duesing (2009) ao avaliar a orientação dos stakeholders, o contexto organizacional e o desempenho. Neste mesmo direcionamento insere-se o trabalho de Plaza-Úbeda, BurgosJiménez e Carmona-Moreno (2010) que identifica as dimensões necessárias para a integração dos stakeholders, apontando para a gestão com orientação para os mesmos. Os autores discorrem que apesar da “abundância de pesquisas orientada para stakeholder, ainda temos muito a aprender sobre medidas para vários construtos relacionados” (p.419). Quanto ao desempenho organizacional o apoio se deu a partir dos estudos de Oliveira Jr. (1991); Agle, Mitchell e Sonnenfeld (1999); Roberto e Serrano (2007) por 24 concentrarem como foco analítico não apenas a avaliação de questões econômicas, mas também as que revelam as questões sociais e ambientais. Neste sentido, as pessoas que compõem o grupo dos stakeholders fazem parte desse ambiente organizacional, e para entender como afetam e são afetados, este estudo está direcionado pela busca da compreensão da relação entre os construtos básicos que tratam dos stakeholders, ambiente e o desempenho. Para tanto, os olhares desta pesquisa estão focados na teoria dos stakeholders (FREEMAN, 1984; DONALDSON; PRESTON, 1995; ROSSETTO; CUNHA; ORSSATTO, 1997; ROSSETTO; CUNHA, 1999; BRYSON, 2003, 2004; AGLE et al., 2008, DUESING, 2009; MITCHELL et al., 2011). Todavia, essa teoria compreende uma vertente nominada basilarmente por Freeman (1984), como a Capacidade de Gestão dos Stakeholders (CGS), originalmente descrita como Stakeholder Management Capability (SMC), e eixo principal analisado neste trabalho. Nesse ambiente, relacionado a essa situação, não obstante, os dirigentes possuem cada vez mais responsabilidades para atenderem e, ao mesmo tempo, interagirem com seus stakeholders. Nesse conjunto de necessidades, surge a atenção que deverá ser dada pelos dirigentes, ou pelos tomadores de decisão, quando de suas ações, assim como a forma utilizada por executivos e pesquisadores para medirem o ambiente. Dess e Beard (1984), Sharfman e Dean (1991) ao empreenderem seus estudos sobre a mensuração do ambiente oferecem explicações e classificações relevantes que auxiliaram no processo de compreensão e aplicação dos indicadores para o alcance do resultado esperado neste estudo. O ambiente também é constituído por organizações com objetivos e enfoques econômicos diferentes, como por exemplo, as cooperativas. Essa constatação é justificada ao observar que, no contexto das transformações econômicas das últimas décadas, as cooperativas, bem como organizações de outros setores, também estão inseridas e se deparam com um quadro extremamente mutável. Embora as cooperativas tenham evoluído e otimizado suas ações administrativas no decorrer de sua história, ainda enfrentam desafios em sua gestão para garantir a sua sobrevivência e alcançar a vantagem competitiva no ambiente em que atuam. 25 As três principais temáticas que integraram o arcabouço teórico e analítico deste trabalho, também permitiram a sua compreensão e inserção nesse cenário contextual. A primeira está calcada na capacidade de gestão dos stakeholders - cuja composição é formada pela comunicação, formulação estratégica, proatividade, recursos e stakeholder serving (FREEMAN, 1984). A segunda está na dimensão do ambiente munificente, complexo e dinâmico (DESS; BEARD, 1984) e, a terceira, o desempenho organizacional, que contempla o desempenho socioambiental e desempenho econômico-financeiro (OLIVEIRA JR., 1991; AGLE, MITCHELL; SONNENFELD, 1999). 1.2 PROBLEMA DE PESQUISA Para que as organizações possam se manter competitivas, necessitam de composições capazes de garantir suas existências, a partir de formas, técnicas, métodos, ou estruturas condizentes com sua realidade. Essa composição, possivelmente estará associada à capacidade de gerenciarem o relacionamento com seus grupos de interesse específicos e orientados para a ação. Essa abrangência é denominada por Freeman (1984) como a capacidade de gestão dos stakeholders (CGS). E é nesse cenário gerencial que os gestores se deparam com decisões em um ambiente por vezes turbulento e conflituoso, com incertezas, recursos ora abundantes ora escassos, e outras peculiaridades decorrentes do mundo das organizações. Nessa esfera, executivos e pesquisadores surgem com mecanismos (técnicas), interpretações e compreensões, na tentativa de buscarem as causas da eficiência e da eficácia com vistas ao alcance do sucesso. Esses aspectos ou diferenças, mais visíveis em um determinado contexto do que em outro, resultam em organizações com desempenho melhor ou pior. Salienta-se que dentro desse ambiente organizacional, o segmento cooperativo chamou a atenção e instigou para ser o objeto de estudo no desenvolvimento desta pesquisa, por quatro razões principais: (i) apresentar estrutura organizacional diferenciada das demais empresas; (ii) possuir uma única pessoa que exerce três papéis (funções) ao mesmo tempo, ou seja, o cooperado é dono, fornecedor e cliente, ou seja, um stakeholder dele próprio; (iii) estar localizada 26 em Campo Mourão a sede da Coamo Agroindustrial Cooperativa – considerada a maior cooperativa da América Latina (LORINI, 2005); (iv) ter trabalhado durante quatro anos nessa cooperativa, experenciado e acompanhado profissionalmente as atividades administrativas, especificamente da gerência financeira, no atendimento aos seus cooperados. Essas razões básicas, aliadas, manifestaram o interesse em aplicar as principais temáticas e teorias selecionadas para este estudo nesse segmento econômico. Venkatraman e Ramunejam (1986) consideram o desempenho como sendo um tema recorrente na maioria dos ramos da administração assim como na administração estratégica. Os autores destacam as questões de terminologia e os níveis de análise apontados em debates e discussões pela comunidade acadêmica, tais como: o individuo, unidade de trabalho, ou bases inteiras na organização, assim como os conceitos para a avaliação do desempenho. Oliveira Junior (1991) evidencia que um modelo de avaliação da eficiência empresarial das cooperativas, embora seja considerada tarefa difícil, também é de extrema importância. Essa dificuldade é justificada pelo autor, em decorrência da amplitude de análise das cooperativas em relação às outras organizações, bem como, pela complexidade existente em todos os seus aspectos econômicos, sociais, políticos e suas inter-relações e interdependências com o ambiente externo e interno. Para tanto, conhecer esse segmento com mais profundidade, principalmente a forma como é gerido e percebido pelos seus dirigentes e como estes operam com seus recursos abundantes ou escassos e alcançam o seu desempenho organizacional tornam-se, neste estudo, aspectos fundamentais para compreender como ocorrem tais relações e como os stakeholders são afetados. Sob esse enfoque, este trabalho pretende encontrar e oferecer esclarecimentos que envolvem o tema, no tocante à capacidade de gestão que as organizações cooperativadas necessitam para se relacionarem e atenderem as pessoas que fazem parte do seu contexto ambiental, e os fatores necessários para a consolidação do seu sucesso e, consequentemente, para o alcance do desempenho organizacional. 27 Assim, a proposição deste estudo reside em relacionar a capacidade de gestão dos stakeholders (CGS), a dimensão do ambiente (DA) e o desempenho organizacional das cooperativas do Brasil (CB) na percepção de seus dirigentes. Com este propósito, a indagação central foi formulada da seguinte forma: Qual é a relação entre a capacidade de gestão dos stakeholders, a dimensão do ambiente (dinâmico, complexo e munificente), e o desempenho socioambiental e econômico-financeiro na percepção dos dirigentes de cooperativas do Brasil? As relações propostas neste questionamento estão ligadas diretamente a execução deste trabalho, no que diz respeito a duas etapas básicas e distintas: (a) utilizar as prescrições que compõem a CGS e operacionalizá-las a partir do modelo idealizado para validá-lo, e assim relacioná-la (CGS) com o desempenho das cooperativas do Brasil e seus respectivos impactos; dimensão do ambiente e do desempenho, e da CGS sob a moderação da dimensão do ambiente; (b) descrever quantitativamente os resultados encontrados a partir do levantamento com os gestores (dirigentes) das cooperativas brasileiras. 1.3 OBJETIVOS 1.3.1 Objetivo Geral Relacionar a capacidade de gestão dos stakeholders (CGS), o desempenho (socioambiental e econômico-financeiro), e a dimensão do ambiente (dinâmico, complexo e munificente), a partir da percepção dos dirigentes de cooperativas do Brasil. 1.3.2 Objetivos Específicos a) Mensurar a relação entre a capacidade de gestão dos stakeholders e o desempenho (socioambiental/econômico-financeiro); b) Mensurar a relação do ambiente (dinâmico, complexo e munificente) e o desempenho (socioambiental/econômico-financeiro); 28 c) Mensurar a relação da capacidade de gestão dos stakeholders e o desempenho (socioambiental/econômico-financeiro) moderada pelo ambiente (dinâmico, complexo e munificente). 1.4 RELEVÂNCIA, ORIGINALIDADE E CONTRIBUIÇÕES DA PESQUISA Nesta seção serão delineadas a relevância, a originalidade e as contribuições da pesquisa, em função da proposta de relacionar a capacidade de gestão dos stakeholders (CGS), o ambiente (dinâmico, complexo e munificente) e o desempenho socioambiental e econômico-financeiro. 1.4.1 Relevância A co-responsabilidade de um pesquisador com os autores selecionados para dar suporte a essa evidência também é relevante. Logo, nessa cumplicidade, o tema capacidade de gestão dos stakeholders (CGS), originalmente Stakeholder Management Capability (SMC), definido por Freeman (1984) será tratado e analisado em profundidade como forma de enfatizar a necessidade de contextualização do tema. Mesmo porque, a relação apresentada nesta tese entre a CGS, dimensão do ambiente dinâmico, complexo e munificente, e o desempenho socioambiental e econômico-financeiro não foi encontrada na literatura. Essa comprovação se dá pelos poucos trabalhos encontrados que estudam a capacidade de gestão dos stakeholders, como os de: Fryxell e Wang (1994); Elias; Cavana e Jackson (2002); Zakhem (2008); Wickham e Wong (2009). Contudo, o enfoque dado pelos autores foi a partir do uso dos três níveis de análise (racionalmapa dos stakeholders, processos-relacionamento com os stakeholders e transacional-ajuste entre os dois níveis), ou ainda instrumental e normativo, destacando a importância do relacionamento da firma com os seus stakeholders. Esses estudos não associaram os indicadores classificados por Freeman (1984) como a filosofia do voluntarismo e, neste trabalho foram abordados referentes as seguintes dimensões: comunicação/negociação, marketing, formulação de estratégia, proatividade, recursos e stakeholder-serving. A explicação dada pelo autor reside no fato de que as organizações com alta capacidade de 29 gestão dos stakeholders teriam em suas atividades gerenciais o relacionamento com múltiplos stakeholders, associadas às dimensões citadas acima. Os achados na literatura sobre capacidade de gestão dos stakeholders demonstram que ainda há muito a ser estudado e aprofundado, o que revela a carência pela core principle ou a mainstream do assunto. A outra relação desta tese implica no estudo da dimensão do ambiente associado à munificência, ao dinamismo e a complexidade, revisada por Dess e Beard (1982; 1984). No ano de 1982, os autores descreveram medidas objetivas do ambiente organizacional e argumentaram que o trabalho se concentra nas transações entre os recursos internos, populações homogêneas de organizações e sobre competição por recursos entre os membros dessas populações. Em 1984, os autores prosseguem com as pesquisas sob o mesmo enfoque, e se dedicam a trabalhar especificamente sobre a dimensão do ambiente organizacional, sendo esse trabalho mais recorrentemente citado em outros estudos (SHARFMAN; DEAN, 1991; RASHEED; PRESCOTT, 1992; BERMAN, PHILLIPS, WICKS, 2005) e nacionais (e.g; SILVA; BATAGLIA; PORTO, 2008; PORTO et al., 2009; PAPA et al.,2009, GARDELIN, ROSSETTO, VERDINELLI, 2010, CARVALHO, 2011, MUNIZFILHO, 2011). Dess e Beard (1984), embora reconheçam a natureza exploratória do estudo que desenvolveram sobre o assunto, tentaram alcançar parcimônia na descrição das dimensões ambientais, e enfatizam também, que existem trade-offs nessa abordagem. Os autores retomam os estudos de Weick (1979) e Blalock (1982) para reforçarem a fragilidade da aplicabilidade do estudo, quanto à generalização, precisão e simplicidade, pois não poderão ser realizados simultaneamente. Dess e Beard (1984) ressaltam as implicações quanto à generalização dos resultados, da redução e imprecisão inevitáveis. Dess e Beard (1984) tratam a munificência, complexidade e dinamismo separadamente e utilizam a análise fatorial das variáveis selecionadas para medirem essas dimensões. Os autores deixam claro que reduziram as variáveis para três (munificência, complexidade e dinamismo) a partir dos estudos de Aldrich (1979) que possuía seis dimensões: estabilidade/instabilidade, capacidade, homogeneidade/heterogeneidade, estabilidade/Instabilidade, consensus-dissensus, turbulência. concentração/dispersão, 30 Para o ambiente específico que envolve a munificência, o trabalho de Castrogiovanni (1991) revela que desde o trabalho de Staw e Szwajkowski, escrito em 1975, os resultados sobre a munificência continuavam limitados. O autor ressalta que o argumento central da pesquisa é o de que as deficiências no estudo da munificência têm limitado o desenvolvimento teórico e empírico e o resultado das pesquisas. Portanto, os gestores possuem capacidade limitada para aplicar os conhecimentos adquiridos. Castrogiovanni (1991) propõe e discute questões de medição sobre munificência e sugere aos pesquisadores que a evolução conceitual e empírica sobre a munificência deve considerar três aspectos importantes: (i) existe no ambiente no mínimo cinco níveis a serem estudados; (ii) há no mínimo três tipos de munificência; (iii) os pesquisadores devem esclarecer o tipo de munificência que estão avaliando e as medidas usadas devem ser consistentes com o tipo de munificência e com o nível do ambiente que se está avaliando. Greenley e Foxall (1997) oferecem informações acerca dos interesses de múltiplos stakeholders, do desempenho e dos efeitos no ambiente. Contudo, o enfoque dado pelos autores difere-se desta tese no âmbito territorial, tamanho da amostra, variáveis, objetivos, forma de aplicação e, principalmente, pelas relações estabelecidas nesta pesquisa. As características do ambiente também serviram de base para que Rossetto (1998) analisasse como empresas da Indústria da Construção Civil adaptaram-se em um ambiente com forte turbulência e influência governamental. Finney (2001) apresenta discussões sobre a mensuração da munificência e também traz alguns apontamentos feitos por Castrogiovanni (1991) sobre a inconsistência na sua mensuração. Finney recorre aos estudos de Dwyer; Oh (1987) para sustentar a aplicação pretendida sobre mensuração. O autor adaptou e ampliou as cinco variáveis observáveis de Dwyer e Oh (1987) para dez, ou seja, de acordo com a sua necessidade e objetivos de pesquisa. O estudo de Porto et al. (2009) identifica grupos de setores industriais com ambientes similares. Os autores apontam que o trabalho de Dess e Beard (1984) serviu de base na identificação das dimensões caracterizadoras dos ambientes operacionais – munificência, dinamismo e complexidade e na operacionalização objetiva das dimensões. 31 A análise do ambiente organizacional também foi motivo para integrar o estudo de Teixeira, Rossetto e Carvalho (2009) no intuito de verificarem a relação entre a incerteza ambiental percebida pelos gestores, utilizando o modelo proposto por Duncan (1972) e o comportamento estratégico proposto por Miles e Snow (1978). A análise do ambiente também é realizada nos estudos de Gardelin, Rossetto e Verdinelli (2010) quando examinam se as empresas que operam em ambientes munificentes apresentaram diferentes posturas estratégicas em relação das que estão em ambientes hostis. Assim como esses autores testaram a munificência, dinamismo e complexidade, a partir de seus precursores, esta pesquisa também se baseou nestes estudos na busca de subsídios críticos e analíticos para a aplicação de tal mensuração. A revisão da literatura realizada por Soboh et al. (2009) corrobora a relevância do objeto estudado (cooperativas) neste trabalho por apresentarem aspectos relevantes, entre os quais destacam-se: (i) existem poucas evidências de estudos entre as análises teóricas e empíricas sobre cooperativas e desempenho; (ii) poucos estudos utilizam ferramentas matemática e estatística na avaliação (micro) eficiência econômica; (iii) as características específicas da organização em que o usuário é dono são controladas por ele, e que também é beneficiado; (iv) os estudos empíricos de desempenho falharam até agora, por não resolverem a estrutura específica da cooperativa, ou seja, de uma organização que precisa cumprir os objetivos de seus membros; (v) uma avaliação empírica do desempenho da cooperativa deve abordar a dupla natureza do objetivo da organização. Essas descrições históricas e argumentativas reforçam a abrangência analítica desenvolvida nesta pesquisa, pois permitem revisar e avançar nas medidas de mensuração, sobretudo, ao propor indicadores para a relação entre a capacidade de gestão dos stakeholders e o desempenho organizacional. 1.4.2 Originalidade O tema que trata da teoria dos stakeholders tem sido abordado por diversos autores (SAVAGE et al., 1991; SAVAGE et al., 2011; DONALDSON; PRESTON, 1995; GREENLEY; FOXALL, 1997; MITCHELL; AGLE; WOOD, 1997; ROSSETTO; 32 CUNHA; ORSSATTO, 1997; ROSSETTO, 1998; ROSSETTO; CUNHA, 1999; AGLE; MITCHELL; SONNENFELD,1999; PHILLIPS; FREEMAN; WICKS, 2003; VELAMURI; VENKATARAMAN, 2005; ROBERTO; SERRANO, 2007; AGLE et al., 2008; MARCON; BANDEIRA-DE-MELLO; ALBERTON, 2008; DUESING, 2009, dentre outros) e com abordagens e direcionamentos também diversos. Diante da revisão realizada até então, pôde-se comprovar que as relações estabelecidas entre capacidade de gestão dos stakeholders, ambiente dinâmico, complexo e munificente, desempenho socioambiental e econômico-financeiro, neste trabalho, não foram encontradas. A pesquisa pautada nesta relação buscou a compreensão do assunto nos únicos trabalhos encontrados até então, e que se relacionaram com a CGS (FRYXELL; WANG, 1994; ELIAS; CAVANA; JACKSON, 2002; ZAKHEM, 2008; WICKHAM; WONG, 2009). Estes estudos revelaram a necessidade de avançar e aprofundar a pesquisa como forma de sustentar a contextualização temática e com a caracterização figurada inicialmente por Freeman (1984). Dessa forma, FRYXELL e WANG (1994), embora tenham feito breve menção, à CGS relacionaram a capacidade de gestão dos stakeholders como forma de gerir a comunidade e os interesses ambientais para facilitar a implementação da estratégia. Vale ressaltar que a explicação foi dada a stakeholder orientation como perspectiva empregada por Chakravarthy (1986) que ressaltou sobre a satisfação de múltiplos stakeholders e enfatizou que medidas de desempenho focam apenas no acionista, quando uma firma verdadeiramente excelente deveria equilibrar as reivindicações de outros stakeholders, garantindo a sua cooperação contínua. Há que se destacar que os autores, mesmo que de forma teórico-empírica (ELIAS; CAVANA; JACKSON, 2002; WICKHAM; WONG, 2009) ou apenas revisão teórica (FREEMAN; HARRISON; WICKS, 2007; ZAKHEM, 2008) trataram a CGS apenas sob o foco dos três elos, o racional, de processo e transacional. O grupo de autores revisados não abordou a capacidade de gestão dos stakeholders sobre a proposição prescritiva destacada por Freeman (1984), apenas resumiu a filosofia do voluntarismo que envolve o tema. A disseminação da teoria dos stakeholders continua sendo apregoada em estudos mais atuais de Freeman (2004), Bryson (2003,2004) Asher, Mahoney, Mahoney (2005); Shropshire, Hillman (2007), Freeman, Harrison e Wicks, (2007); 33 Agle et al. (2008); Reed et al. (2009), Freeman et al. (2010) e tantos mais. Esses autores provocam discussão sob o olhar não voltado apenas para as organizações, mas em como elas trabalham com seus stakeholders e como estabelecem o relacionamento entre eles. Sob essa relação, mesmo sem utilizar-se dos níveis propostos por Freeman (1984), Savage et al. (1991) ressaltam que ao lidar com o ambiente turbulento e a incerteza que muitas indústrias enfrentam, devem geri-los eficazmente e os executivos precisam fazer mais do que apenas identificar quais são os stakeholders da organização. Greenley e Foxall (1997) e Greenley et al. (2004) revelam que a orientação para os stakeholders é composta por dois aspectos de gestão, um refere-se ao aspecto cultural de atitudes gerenciais sobre a importância da satisfação dos interesses dos stakeholders; e, o outro, ao aspecto comportamental de ação para resolver seus interesses. Muito embora esses autores tenham enfatizado aspectos que envolvem análise sobre o gerenciamento dos stakeholders, não evidenciaram como desenvolvê-la, ou ainda, não aprofundaram as prescrições sugeridas por Freeman (Quadro 3). Outro ponto relevante deste estudo está na seleção do objeto, ou seja, a relação entre a capacidade de gestão dos stakeholders, e o desempenho analisados no âmbito das cooperativas do Brasil em todos os 13 setores da economia (agropecuário, trabalho, crédito, transporte, saúde, educacional, habitacional, infraestrutura, produção, consumo, mineral, turismo e lazer, especial). A escolha se deve, portanto, à busca pela compreensão do processo de gestão em todos os ramos cooperativos. Segundo a OCB (2012) cada ramo diferencia-se por diferentes fatores, quais sejam: área de atuação, educação cooperativista, estrutura administrativa e organizacional, conhecimento, experiência, habilidades e atitudes de seus administradores. Assegura ainda que “Nada mais justo, já que o cooperativismo é um movimento que gera qualidade de vida para cerca de 1 bilhão de pessoas ao redor do mundo” (OCB, 2012). O argumento utilizado pela OCB (2012) em alusão ao ano internacional das cooperativas, ao afirmar que “o cooperativismo brasileiro integra mais de 30 milhões de pessoas”, reforça a relevância da escolha desse segmento. 34 1.4.3 Contribuições da Pesquisa A principal contribuição concentra-se no interesse e na disposição em agregar ao estado da arte da literatura acadêmica e da pesquisa sobre a teoria dos stakeholders a lacuna sobre CGS. Assim como efetivar sua operacionalização a partir de uma estrutura prescritiva apresentada por Freeman (1984) e torná-la exequível estatisticamente ao elaborar perguntas que contemplassem tais itens mensuráveis (comunicação, formulação estratégica, recursos, proatividade e stakeholder-serving) e sua relação com o ambiente e o desempenho. Neste sentido, a presente tese contribuiu também a partir dos apelos científicos, a saber: a) Aprofundar a revisão na literatura existente, especificamente sobre a teoria dos stakeholders, a sua capacidade de gestão dos stakeholders, bem como, acerca da dimensão do ambiente, e o desempenho organizacional, no intuito de obter o marco teórico e esclarecer conceitualmente os respectivos termos; b) Aproximar a literatura apresentada e revisada com o construto desenhado na tese, demonstrando as suas diferenças (relações) e consequentemente contribuir com essa lacuna; c) Contribuir com a evolução e o avanço de pesquisas sobre estudos organizacionais, dada a sua relevância nos estudos verificados até então, sob o eixo principal da relação entre a capacidade de gestão dos stakeholders, a dimensão do ambiente e o desempenho organizacional; d) Contribuir com estudos teórico-empíricos ao ser aplicado especificamente no contexto das cooperativas do Brasil; e) Esclarecer qual é a relação entre a capacidade de gestão dos stakeholders, sendo moderada pela dimensão do ambiente munificente, dinâmico e complexo, e o desempenho organizacional. Relação essa não encontrada na revisão teórica, o que reforça a originalidade e o ineditismo desta pesquisa; f) Esclarecer a intensidade da relação (CGS, DA e DO), medida a partir da percepção dos tomadores de decisão das cooperativas do Brasil, via dados coletados por meio de survey; g) Contribuir com as cooperativas do Brasil a partir dos resultados alcançados com esta pesquisa, e evidenciar as prováveis carências ou dificuldades existentes no que diz respeito ao gerenciamento dos seus stakeholders. 35 1.5 ORGANIZAÇÃO DA ESTRUTURA DO TRABALHO Este item apresenta a estrutura que compõe esta tese, a qual está dividida em seis capítulos. Ao capítulo 1 foi reservada a Introdução, com a contextualização do tema, o problema de pesquisa, os objetivos geral e específico, a relevância, a originalidade, as contribuições da pesquisa. O capítulo 2 destina-se à revisão teórica sobre as temáticas que envolvem os construtos da tese envolvendo o ambiente organizacional, a munificência, dinamismo e a complexidade; e ainda a teoria dos stakeholders e a ênfase dada à capacidade de gestão dos mesmos. Esta revisão ofereceu subsídios para a construção do modelo teórico e a elaboração das hipóteses. A metodologia concentra-se no capítulo 3, composto pelo tipo e estratégias de pesquisa, métodos de coleta, análise dos dados, classificação das técnicas multivariadas e objeto de estudo. O capítulo 4 discorre sobre os resultados obtidos a partir da apresentação da análise descritiva dos dados, avaliação do modelo de mensuração e dos modelos estatísticos para confirmação das hipóteses. No último capítulo têm-se as considerações finais e possíveis contribuições à academia e à gestão organizacional, limitações e propostas de futuras pesquisas. 36 2. REVISÃO TEÓRICA A fundamentação teórica congrega a revisão das temáticas: dimensão do ambiente (DA), capacidade de gestão dos stakeholders (CGS) e desempenho organizacional (DO). O primeiro item desta seção contempla a abordagem conceitual adotada para avaliar o ambiente em que as organizações estão inseridas, nominadas como dimensões do ambiente: munificente, dinâmico e complexo. Na sequência foi desenvolvida a seção sobre a teoria dos stakeholders que abrange as proposições que envolvem a capacidade de gestão dos stakeholders. E, por último, apresenta-se o modelo da estrutura conceitual e a construção das hipóteses. 2.1 DIMENSÕES DO AMBIENTE ORGANIZACIONAL A literatura científica tem explorado o contexto organizacional e o ambiente com diferentes formas de relação. Nesses ambientes distintos, existem informações que interessam não apenas às organizações, mas também aos pesquisadores (CHILD, 1972; MINTZBERG, 1979; DESS; BEARD, 1984) que procuram analisar, interpretar e principalmente compreender a relação existente entre o ambiente, a organização e as categorias de organizações que os compõem. Dentre os elos que existem entre a organização e o seu ambiente, estão as incertezas associadas a fatores diversos. E nessa discussão encontram-se três dimensões do ambiente, categorizadas como dinâmica, complexa e munificente, cada qual possuindo concepções, fatores e atributos específicos. O apego a essas terminologias serviu para explicar como ocorrem e quais os prováveis mecanismos que existem para entendê-las e medi-las neste estudo. Desse modo optou-se para iniciá-la a partir da historicidade encontrada na literatura sobre organizações e seu ambiente (DILL, 1958; BURNS; STALKER, 1961; EMERY; TRIST, 1965; LAWRENCE; LORSCH, 1967; TERREBERRY; 1968; CHILD 1972; DUNCAN, 1972; ALDRICH; PFEFFER, 1976; PFEFFER; SALANCIK, 1978) com enfoque na descrição dos estudos que tratam das especificidades das relações pretendidas nessa tese. 37 O ambiente possui informações relevantes às organizações, contudo, dada à percepção gerencial, Dill (1958) revela que se as informações ou insumos, não forem interpretados adequadamente pelos seus membros, em seu ambiente de tarefa, estarão sujeitas a erros, a preconceitos ou a experiências do passado. O autor acrescenta que o comportamento da organização depende dos padrões de entrada do ambiente e da interpretação destes insumos que se torna tarefa dos membros da organização. Na década de 60, os autores Burns e Stalker (1961) abrem espaço para debater a adaptação da organização no ambiente e sua interação, e marcam o início da abordagem contingencial. Nessa compreensão, os estudos perpassam territorialmente pelas organizações e avançam o ambiente em que elas se inserem e interagem, e também mostram caminhos para o seu mapeamento com tipologias distintas. Nos estudos de Terreberry (1968) houve destaque aos processos evolutivos que ocorrem no ambiente organizacional. Para tanto, revisou e aplicou em seus estudos as tipologias ideais ao ambiente, propostas por Emery e Trist (1965) que envolviam a turbulência e a incerteza. Ainda, na década de 60, Lawrence e Lorsch (1967) também evidenciaram os problemas enfrentados pelas organizações, e apresentaram a classificação sobre a adaptação das organizações à mudança, bem como os aspectos relacionados à incerteza e à imprevisibilidade. Na ausência de constância no ambiente, analisada pelos autores, predomina a necessidade de pensar o contexto da organização e seu ambiente, e também as dificuldades, ligadas ao processo de gestão e as tipologias ideais e factíveis associadas à turbulência e a incerteza do seu ambiente. Após a década de 70, novos achados complementares foram desenvolvidos por Child (1972) que se concentrou na estrutura organizacional e nas escolhas estratégicas que poderão influenciar no resultado da organização. Quanto à compreensão das características do ambiente organizacional e a incerteza percebida, Duncan (1972) revelou duas dimensões: (i) simples-complexa (complexidade ambiental – heterogeneidade); e (ii) estático-dinâmico (estabilidadeinstabilidade – dinâmica dos elementos do ambiente). O autor proporcionou desde então, relevante contribuição ao debate ao tratar da identificação das dimensões do ambiente e suas tipologias com seus diferentes níveis de percepção de incerteza. 38 Historicamente, nos escritos de Duncan (1972), percebe-se que o autor já aplicava em suas pesquisas, significativas associações a questões dessa natureza (organização e ambiente), mais precisamente sobre ambiente. Duncan (1972) aplicou seu questionário para 19 respondentes e evidenciou três componentes acerca da incerteza, e essenciais à decisão: (i) a gênese da incerteza está na ausência de informação sobre os fatores ambientais relacionados ao processo de tomada de decisão; (ii) a ausência de conhecimento sobre os resultados de uma decisão, ou ainda, a falta de clareza nas informações, podem ocasionar consequências em uma decisão incorreta para a organização; e (iii) a inabilidade do gestor para prever probabilidades confiáveis no que diz respeito ao sucesso ou fracasso de um dado fator pela unidade de decisão sobre o desempenho da empresa. Nas discussões travadas, sobre o ambiente, ainda na década de 70, Staw e Szwajkowski (1975) reconhecem os estudos de March e Simon (1958) e os colocam como protagonistas organizacionais que construíram um modelo teórico, preocupados principalmente com o efeito da munificência do ambiente sobre o conflito intra-organizacional. Staw e Szwajkowski (1975) revelam que March e Simon (1958) também sugeriram que, quando os recursos são limitados nas relações entre o ambiente e os indivíduos, membros e subgrupos dentro da organização seriam semelhantes a um jogo puramente competitivo ou de soma zero. Esses autores relacionaram a escassez dos recursos, associando-a a munificência da escassez, como importante e determinante componente para as ações organizacionais no ambiente. Aldrich e Pfeffer (1976) descrevem a respeito da relevância do ambiente para a organização e suas implicações na estrutura organizacional e na tomada de decisões. Os autores afirmam que a relação entre o ambiente e seus recursos, ocorre sob dois enfoques básicos: dependência, quando há retenção (estoque) dos recursos; e incerteza, quando considerada como fonte de informação. Ademais, o centro de suas discussões está nos modelos da seleção natural (MSN) e da dependência de recursos (MDR). O MSN descreve a perspectiva da tomada de decisão das organizações, e o MDR a perspectiva de que a organização procura administrar ou, estrategicamente, adaptar-se ao seu ambiente. 39 Na década de 80 têm-se as contribuições teóricas que também serviram de sustentação para o construto deste trabalho. Outras associações e tipologias sobre medições do ambiente e a percepção dos gestores foram complementadas nesta década, quando Weiner e Mahoney (1981) estabeleceram o relacionamento entre o ambiente, a incerteza, a complexidade, a mudança e a munificência, com o desempenho das empresas. Esses autores associaram a dimensão do ambiente com o desempenho, e contribuíram com a difusão e a relevância que envolve essa temática. Outras distinções também são expostas por Dess e Beard (1984) que analisam as dimensões do ambiente a partir do trabalho de Aldrich (1979), com as seguintes taxonomias: (i) capacidade; (ii) homogeneidade-heterogeneidade; (iii) estabilidade-instabilidade; (iv) concentração-dispersão; (v) consensus-dissensus; e (vi) turbulência. A explicação dada por Dess e Beard (1984) é a de que a hipótese trabalhada por eles se relaciona à munificência, à complexidade e ao dinamismo, e que cada uma dessas dimensões poderia ser identificada como um fator significativo ortogonal, em um fator de análise das variáveis que medem essas três dimensões ambientais respectivamente. Os autores acrescentam que as hipóteses foram testadas em uma amostra de 52 setores de manufatura, obtida a partir de uma população de aproximadamente 460 indústrias, incluído no S. U. Bureau of the Census (1979). Para tanto, elaboraram 23 indicadores (medidas) coletados junto ao Censo Americano em setores de manufaturas ao nível de 4 dígitos do SIC – Standard Industrial Classification – num período de 10 anos (1967 e 1977). Os parâmetros analíticos acerca do ambiente organizacional, as dimensões categorizadas e mensuradas por Dess e Beard (1984) foram retomados e descritos de forma mais detalhada pela convergência encontrada na literatura, que contribuiu de modo significativo com o arquétipo desta tese. Dess e Beard (1982) esclarecem que os dados foram analisados em duas etapas principais: análise interitem e a análise fatorial confirmatória. As hipóteses dos estudos desses autores (1982, 1984) foram sumarizadas no Quadro 1 e apresentam grau considerável de expressividade oferecido a esta tese. 40 Quadro 1- Relação entre as hipóteses dos estudos de Dess e Beard (1982,1984). Dimensão Munificência Complexidade Dinamismo Hipóteses estudo de 1982 Ambiente organizacional de tarefa irá variar em termos de sua munificência ambiental a priori, será carregada de um fator comum. Ambiente organizacional de tarefa irá variar em termos de sua complexidade ambiental a priori, será carregada de um fator comum. Ambiente organizacional de tarefa irá variar em termos de seu dinamismo ambiental a priori, será carregada de um fator comum. Hipóteses estudo de 1984 Ambiente organizacional de tarefa varia em termos da sua munificência e variáveis de capacidade ambiental será carregado de um fator comum. Ambiente organizacional de tarefa varia em termos de sua complexidade, e as variáveis de dispersão; heterogeneidade, homogeneidade e concentração serão carregadas de um fator comum. Ambiente de tarefa organizacional varia em termos de dinamismo, e variáveis de estabilidade-instabilidade e turbulência serão carregadas de um fator comum. Fonte: Elaborado a partir das informações de Dess e Beard (1982, 1984). Ao considerar a estrutura do ambiente, Ring (1986) concentrou seu trabalho no relacionamento entre ambiente e organização. Sua pesquisa enfocou dois conjuntos de questões. A primeira diz respeito à abordagem para conceituar o ambiente externo; a segunda, à avaliação (measuring) do conceito de ambiente externo. Seus estudos concentram-se ainda na relação entre a incerteza do ambiente externo e as opções estratégicas. O autor revisou o conceito de ambiente externo considerando as dimensões estruturais e suas transformações, a partir de quadro analítico empregado por Benson (1975). Para medir e conceituar o ambiente organizacional em dimensões caracterizadas como complexa, instável ou dinâmica e avaliação dos recursos, Sharfman e Dean (1991) falam da fragilidade que envolve tal concepção. Trazem a este estudo reflexões por considerarem que “nem uma única abordagem para conceituar o meio ambiente nem sua medição tem recebido ampla aceitação” (SHARFMAN; DEAN, 1991, p.681). Acerca da operacionalização para a medição do ambiente, os autores seguiram sugestões propostas por Schwab (1980) para confirmarem seus estudos relacionados a validade: nomológica (teórico), vertical (construção) e horizontal (preditiva). A criticidade dos autores (SHARFMAN; DEAN, 1991) ao tratarem o assunto reflete também os riscos ou as implicações que podem ocorrer ao replicar estudos sem analisar com parcimônia todas as discussões que o envolvem. Sharfman e Dean (1991) retomam os trabalhos, classificados por eles, como 41 estudos relevantes sobre ambiente, nos quais revisaram três conceitos: complexidade, instabilidade, e disponibilidade de recursos. Sharfman e Dean (1991) consideram que os únicos autores que trataram os recursos associando-os a munificência foram March e Simon (1958). A complexidade, o dinamismo e a munificência foram abordados por Dess e Beard (1984). E é neste segundo trabalho que Sharfman e Dean (1991), embora reconhecessem que os estudos sobre o ambiente organizacional avançaram substancialmente, na área de medição, existia uma lacuna quanto à conceituação da complexidade – concentração geográfica e não no processamento de informação necessária. Outras questões que convergem com esta pesquisa constam no trabalho de Anderson e Tushman (2001), que mesmo diante dos estudos já desenvolvidos, reconhecem a escassez de estudos acerca de como as mudanças no ambiente munificente, dinâmico e complexo influenciam a exit rates organizacional. Anderson e Tushman (2001) acreditam que ainda não se sabe se todas as três dimensões do ambiente representam desafios semelhantes para a sobrevivência organizacional, e retomam o questionamento elaborado pelo autor Rajagopalan e Spreitzer (1997). O que é mais perigoso para a organização: quando os recursos são escassos, quando a incerteza é alta ou quando a complexidade é alta? Essa relação também fez parte da pesquisa de Fuentes-Fuentes, AlbaceteSáez e Montes (2004). Para os autores, embora o ambiente organizacional apresente conceito fundamental na teoria de gestão, há pouco consenso quanto à sua conceituação e medição. Sob outro enfoque, a relação da organização e a escolha da estratégia, também estão nos estudos elaborados por Astley e Van de Ven (2007) que explicam que as diferenças entre as quatro visões de organização e de gestão, são apresentadas como: (i) visão de seleção natural (não enfoca as organizações individuais, e sim características estruturais e demográficas de populações inteiras de organizações ou indústrias, aplicadas por ecologistas de população, economistas industriais e os historiadores econômicos); (ii) coletiva (evolução determinada pelo sistêmico estrutural e visão de escolha estratégica). Na concepção desses autores é na visão de ação coletiva e de escolha estratégica que se encontram as bases para compreensão deste estudo. Além disso, apresentam três aspectos sobre estrutura, 42 mudança e comportamento, quais sejam: (a) estrutura – trata da comunidade ou redes de grupos e da interação para construir ou modificar o ambiente-; (b) mudança – ligada a barganha, conflito e ajustes mútuos-; e (c) comportamento – ordens coletivamente construídas e negociadas politicamente. Duesing (2009) também oferece relevante contribuição ao analisar o modelo de sua pesquisa, sobre o contexto organizacional do ambiente dinâmico e munificente. O autor concentrou seu foco no que categorizou como orientação para os stakeholders (OS) e os impactos no desempenho de pequenas empresas. Destaca-se que seu estudo permite avançar (gap) nesta pesquisa, pela condução (relação) das variáveis e pelo segmento pesquisado por ele, ou ainda, por não se tratar, principalmente, da mesma relação estabelecida neste contexto de tese. Andrews (2009) corrobora com este trabalho ao discutir aspectos referentes ao desempenho e ao ambiente organizacional. Seus argumentos consideram que a teoria organizacional e as pesquisas sugerem que o desempenho das organizações poderá ser afetado por condições ambientais. O ambiente de tarefa é explorado pelo autor de forma objetiva e subjetiva em organizações públicas. E elabora as seguintes indagações: O desempenho está ligado a circunstâncias do ambiente externo medidas objetivamente? As percepções gerenciais do ambiente de tarefa organizacional estão relacionadas com a realização do serviço? Dentre os respaldos teóricos utilizados pelo autor estão os preceitos do modelo do ambiente de tarefa organizacional de Dess e Beard (1984) para o desempenho, bem como para mensuração do ambiente munificente, complexo e dinâmico. Pesquisas direcionadas ao ambiente organizacional e que aplicaram a classificação com uso da munificência, dinamismo e complexidade, foram identificadas no estudo de Porto et al. (2009), que sugerem novas pesquisas sobre o assunto destacando que “o estudo de empresas do Brasil é também uma clara oportunidade de pesquisas futuras de maior aplicabilidade à realidade brasileira, usando uma abordagem similar” (PORTO et al., 2009, p.111). Os efeitos provocados pelo ambiente munificente também fizeram parte dos estudos de Gardelin, Rossetto, Verdinelli (2010) e Muniz Filho (2011). Isso se observa na análise da compreensão das suas consequências no comportamento estratégico em distintas organizações. 43 De modo mais abrangente, Carvalho (2011) analisou os efeitos das três características do ambiente (munificência, complexidade e dinamismo), e relacionouos com as capacidades mercadológica e gerencial, e o desempenho dos hotéis brasileiros. Os resultados demonstraram que a dimensão do ambiente dinâmico obteve impacto nas orientações empreendedoras e conservadora, não impactando no desempenho. Quanto à complexidade ocasionou impactos negativos na orientação empreendedora, enquanto a munificência teve impacto direto no desempenho. Isto posto, e no intuito de descrever mais especificamente as características da dimensão do ambiente munificente, dinâmico e complexo, foram desmembradas nos itens 2.1.1 a 2.1.3 as respectivas abordagens teóricas contempladas neste estudo, sintetizadas no Quadro 2. Quadro 2- Características do ambiente organizacional. Referência Duncan (1972) Staw e Szwajkowski (1975) March e Simon (1981) Dess e Beard (1982) Dess; Beard (1984) Dwyer; Oh(1987); Yasai-Ardekani (1989) Castrogiovanni (1991) Specht (1993) Jogaratnam (1996) Delaughter (1996) Finney (2001) Fuentes-Fuentes et al.(2004) Rueda-Manzanaraes(2005) Rueda-Manzanares; Aragón-Correa; Sharma (2008) Duesing(2009) Porto et al.(2009) Andrews (2009) Gardelin, Rossetto, Verdinelli (2010) Muniz Filho (2011) Carvalho (2011) Escobar (2012) Pavão et al. (2012) Fonte: Elaborado pela autora. Munificente Munificente Munificente Munificente Munificente Munificente Munificente Munificente Munificente Munificente Munificente Munificente Munificente Munificente Dimensão do Ambiente Dinâmico Dinâmico Dinâmico Dinâmico Dinâmico Dinâmico Complexo Complexo Complexo Complexo Complexo Complexo Munificente Dinâmico Complexo Munificente Munificente Munificente Munificente Munificente Munificente Munificente Munificente Dinâmico Dinâmico Dinâmico Complexo Complexo Dinâmico Dinâmico - Complexo Complexo - 44 2.1.1 Ambiente Munificente Distintos autores (MARCH; SIMON, 1981; DWYER; OH, 1987; YASAIARDEKANI, 1989; CASTROGIOVANNI, 1991; SPECHT, 1993; JOGARATNAM, 1996; DELAUGHTER, 1996; FINNEY, 2001) concentraram suas pesquisas especificamente sobre o ambiente munificente. A munificência é um termo adotado em pesquisas de administração para expressar o grau de recursos existentes no ambiente e que merecem atenção das organizações. Está associado, também, às facilidades e/ou dificuldades em adquirir esses recursos e consequentemente garantir a sobrevivência da empresa. As empresas de ambientes altamente munificentes costumam ter mais opções estratégicas que outras que enfrentam restrições de recursos (ROSENBUSCH; BAUSCH; GALANDER, 2007). Desse modo, a revisão teórica das características do ambiente inicia-se com o ambiente munificente elaborado por Staw e Szwajkowski (1975, p. 346) ao afirmarem “que um fator que às vezes é referido nas discussões teóricas, mas raramente é incluído na investigação empírica sobre as organizações, é a escassez do ambiente munificente”. O ambiente tem sido tratado como uma restrição ou problema com o qual a organização deve saber como gerenciar com eficácia e/ou aumentar as suas chances de sobrevivência (STAW; SZWAJKOWSKI, 1975). Esses autores, bem como Sharfman e Dean (1991), March e Simon (1958) possivelmente tenham sido os primeiros teóricos organizacionais que se preocuparam com o efeito da munificência ambiental. A munificência do ambiente também foi contemplada nos estudo de March e Simon (1981) como integrante dos fatores que afetam o conflito individual dentro da organização e que estão ligados a três tipos de situações: incerteza, incomparabilidade e inaceitabilidade. As disparidades apontadas por eles dizem respeito à decisão interna da organização diante de ocorrências externas, ou seja, “[...] quanto maior a disparidade entre o nível de aspiração e a realização maior a probabilidade de conflito individual na organização” (MARCH; SIMON, 1981, p.170). A relação apresentada pelos autores reflete ainda a abundância ou escassez de recursos postulada por Castrogiovani (1991) ao se referir à munificência, quando explica que: “tais disparidades verificam-se com maior frequência quando a 45 munificência do ambiente sofre repentinamente uma diminuição” (MARCH; SIMON, 1981, p.170). Com base nos conceitos de Starbucks (1976) e Aldrich (1979) Dess e Beard (1984) explicam a munificência ambiental como medida em que as empresas buscam para o alcance de seu crescimento e sua estabilidade, e este crescimento e estabilidade poderá permitir à organização, gerar folgas de recursos. A taxa de crescimento de vendas é apontada por Dess e Beard (1984) como o principal fator determinante de um ambiente munificente. Os estudos de Dwyer e Oh (1987) utilizaram a perspectiva da dependência de recursos, para analisarem o setor de saída (produção) e os efeitos da munificência sobre a economia política interna de canais de marketing. Especificamente, os efeitos da munificência aparecem como uma característica possível em todos os setores do ambiente de tarefa, mas parece inevitável que as implicações do recurso fundamental da munificência sejam refletidas nos setores de entrada e saída. Metodologicamente, a munificência foi analisada por Dwyer e Oh (1987) no modelo de equações estruturais, como variável exógena (crescimento do mercado; lucro total e oportunidade de crescimento; crescimento recente e poder aquisitivo; e crescimento esperado e poder de compra). Sob o enfoque das relações entre o contexto organizacional e estruturas em condições de escassez, além das condições de um ambiente munificente, YasaiArdekani (1989) analisou os efeitos da escassez ambiental e da munificência sobre a relação de contexto à estrutura organizacional. Dentre os aspectos relevantes identificados no trabalho desse autor encontram-se o objeto estudado, os objetivos, a metodologia e os resultados, quais sejam: (a) foi aplicado em uma amostra composta por 45 empresas da indústria elétrica e eletrônica na Inglaterra; (b) o objetivo foi ampliar essa linha de pesquisa, ao analisar os efeitos da munificência ambiental e de escassez na relação entre contexto e estrutura; (c) examinou as relações entre as variáveis de contexto e três atributos estruturais: formalização, complexidade e centralização; (d) os resultados apresentados pelo autor revelaram que as relações entre o tamanho da organização e a sua estrutura organizacional em munificência e escassez sugerem que as condições do ambiente não afetam sua relação. A conclusão do trabalho mostra que, quanto maior for a organização maior 46 poderá ser a complexidade estrutural, formalização e descentralização em condições de ambos os aspectos, ou seja, munificência e escassez. A munificência também pode ser percebida nos escritos de Klein (1990) ao revelar aspectos sobre a mensuração do ambiente, contudo, sob o enfoque único do modelo da munificência. Esse autor se utiliza do princípio da fungibilidade (substituição) e da contingência, para explicar questões que envolvem recursos munificentes sob dois âmbitos: (a) os recursos são fungíveis quando são escassos; (b) quando os recursos são abundantes são qualitativamente distinguíveis e priorizados. Castrogiovanni (1991) demonstra em sua pesquisa a deficiência e limitação teórica e empírica dos estudos sobre munificência, e amplia o debate sobre questões abstratas e conceituais que abarcam esse preceito. A avaliação da munificência no nível dos recursos poderia proporcionar a compreensão de como as empresas obtêm vantagem competitiva a partir da substituição e utilização da combinação dos recursos. A disponibilidade de recursos em um ambiente influencia a sobrevivência e o crescimento das firmas que compartilham tal ambiente. Para a relação entre abundância e escassez de recursos os autores denotam que: (i) quando os recursos são abundantes se torna fácil para as organizações sobreviverem e perseguirem suas metas além da sobrevivência; (ii) quando os recursos se tornam mais escassos a competição se intensifica, e afeta negativamente a lucratividade da firma, o que causa mudanças nas características internas e no comportamento dos membros da organização. A pesquisa sobre a munificência também foi tratada por Specht (1993) ao destacar que o ambiente é visto como um conjunto de recursos, e o grau de abundância, nominado de munificência ambiental. Dentre as hipóteses elaboradas, a autora procurou identificar se o ambiente munificente é positivamente relacionado com a capacidade de suporte do ambiente. Verifica-se que os trabalhos de Dess e Beard (1984) e Castrogiovanni (1991) serviram de base teórica para essa autora. Jogaratnam (1996) também concentrou seus estudos na relação entre o ambiente exclusivamente munificente, em que incluiu nessa relação a postura estratégica e o desempenho em restaurantes independentes. O autor revela que a inclusão simultânea de ambas as dimensões de munificência, juntamente com a postura estratégica explica a maior quantidade de variabilidade de desempenho. 47 Jogaratnam (1996) acrescenta que, consequentemente, pode-se concluir que o indivíduo, bem como os efeitos combinados da munificência ambiental e a postura estratégica, são importantes para o sucesso de restaurantes independentes. Juntas, aumentam a capacidade da firma para o sucesso. Jogaratnam e Wong (2009) estudaram o relacionamento entre a incerteza ambiental (hostilidade, dinamismo, e a complexidade) percebida e o monitoramento (scanning) do comportamento do ambiente de hotéis executivos em Hong Kong. Para tanto, Jogaratnam e Wong (2009) recorreram a Freel (2006) e Jogaratnam, Tse e Olsen (1999) para explicar que os estudos das influências ambientais e o comportamento organizacional focam em dois conceitos ambientais. O primeiro baseado nos estudos de vários autores (SHARFMAN; DEAN, 1991; GERLOFF, MUIR; BODENSTEINER, 1991; DOTY et al., 2006) relacionados ao ambiente incerto, ou o fluxo de informações percebidas pelos gestores. O segundo, baseado em Sutcliffe (1994) e Castrogiovanni (1991), explica que a outra visão ambiental é sobre estoque de recursos, o nível que eles são avaliados, ignorando a percepção dos tomadores de decisão sobre o ambiente. O efeito do ambiente munificente e o relacionamento entre a magnitude da mudança e o desempenho foi motivo de estudo para DeLaughter (1996). A contribuição foi analisar, em que medida, as diferenças do ambiente munificente moderaram os efeitos da mudança estratégica na empresa sobre o seu desempenho. O autor assevera que seu estudo adaptou o modelo de Shortell, Morrison e Friedman (1990) e seu efeito sobre o desempenho, a partir da introdução de munificência no ambiente como uma variável moderadora. A associação entre gestão dos recursos, munificência de recurso, e recursos no nível da firma, como sendo link para o seu sucesso serviram de temática para a construção dos estudos de Finney (2001). Dentre os autores utilizados por ele, estão Pfeffer e Salancik (1978) que definem o ambiente a partir do uso do termo munificência como disponibilidade e abundância de recursos críticos, dentro de um ambiente, assim como em Castrogiovanni (1991). Entretanto, o que chama atenção é que Finney (2001, p.18), ao utilizar os preceitos de Castrogiovanni (1991), inclui nos seus escritos a seguinte argumentação: “[...] grande parte da confusão atual sobre munificência surge na inconsistência da mensuração”. Contudo, o autor considera que os estudos de 48 Dwyer e Oh (1987) fornecem um conjunto de escalas adequadas para examinar o ambiente. Esclarece ainda que utilizou 10 itens para medir a munificência, com base na escala likert de cinco pontos, dos quais cinco foram com base no trabalho de Dwyer e Oh (1987). A munificência também foi discutida por Andrews (2009) com o objetivo de esclarecer a importância da percepção dos gestores diante de um ambiente munificente, como um potencial determinante do desempenho, por influenciarem as decisões quanto à alocação dos recursos. No Brasil, estudos de Gardelin, Rossetto e Verdinelli (2010) demonstraram que a percepção ambiental da munificência, em pequenas empresas na cidade de Tapejara (RS), foi considerada alta, ou ainda, que 64% dos gestores percebem o ambiente com alta munificência, 23% baixa e 13% máxima. A hostilidade não foi percebida nesse estudo. No trabalho de Muniz Filho (2011) o efeito da munificência do ambiente foi analisado na relação entre o comportamento estratégico e o desempenho organizacional na percepção dos gestores de agências de viagens e turismo nas cidades de Florianópolis e Balneário Camboriu-SC. O autor concluiu que a munificência ambiental obteve efeito positivo entre o comportamento e o desempenho nas agências estudadas. 2.1.2 Ambiente Dinâmico Para explicar a dimensão do ambiente sob a ótica do dinamismo, outros autores (DESS; BEARD, 1984; RUEDA-MANZANARES, 2005; RUEDA- MANZANARES; ARAGÓN-CORREA; SHARMA, 2008; DUESING, 2009; PORTO et al., 2009, ANDREWS, 2009) também oferecem, relevante contribuição com suas respectivas revisões teóricas e construções metodológicas para a mensuração que envolve essa dimensão. Dessa forma, o dinamismo (estabilidade-instabilidade) foi uma vertente utilizada por Dess e Beard (1984) para integrar as três dimensões que mensuram o ambiente. Esses autores relatam que grande parte da literatura tem lidado com o dinamismo, e sugerem que turnover, ausência de padrões e a imprevisibilidade são as melhores medidas do ambiente estável-instável. Para tanto, concentraram sua 49 sustentação teórica em autores precursores (MILES; SNOW; PFEFFER, 1974; JURKOVICH, 1974) que declararam a importância da distinção entre a taxa e imprevisibilidade de mudança ambiental. Os autores sugerem que o dinamismo deve ser restrito à mudança por ser difícil de prever o que aumenta a incerteza para os membros chave da organização. Rueda-Manzanares (2005) e Rueda-Manzanares; Aragón-Correa; Sharma (2008) utilizaram o termo incerteza para entenderem a caracterização do ambiente e mensurá-lo. Percebe-se que à luz dos conceitos de Dess e Beard (1984) e Milliken (1987), os autores relacionam à incerteza e insegurança: (a) a incerteza ocorre quando os dirigentes percebem a imprevisibilidade no ambiente; (b) quando os dirigentes estão inseguros sobre a direção e viabilidade de tecnologias futuras e sobre as expectativas de mudanças dos consumidores e da sociedade. Duesing (2009) e Porto et al. (2009) também sustentaram-se na base empírica dos preceitos de Dess e Beard (1984), o que evidencia a esta pesquisa a sua relevância e aplicabilidade científica para mensurar a dimensão pretendida. Para Duesing (2009) o estado do ambiente poderá acarretar diferentes efeitos sobre o desempenho da empresa. Para ele, e de acordo com o construto elaborado para SO (Stakeholder Orientation), o desempenho da empresa pode ser dependente do estado do ambiente, ou seja, do dinamismo ambiental. Acredita que apesar da turbulência do ambiente, os gerentes que têm maior ligação com os stakeholders terão mais confiança em suas decisões de negócios. “O elevado sentido de incerteza sobre a operação hostil do ambiente da organização, tende a aguçar o foco dos principais membros e aumentar o planejamento de possíveis contingências” (DUESING, 2009, p.51-52). A pesquisa apregoada por Porto et al. (2009) denota que a incerteza tem sido o problema central das organizações ao longo da história, e o dinamismo está associado ao grau de imprevisibilidade das condições ambientais. Esses autores, também se embasaram nos escritos de Dess e Beard (1984) para operacionalizarem as dimensões do ambiente, e constataram que o “dinamismo, por exemplo, surge associado a empresas de maior porte (cluster DI), o que encontra respaldo na consideração de que o enfrentamento das variações de mercado requer capitalização mais intensiva” (PORTO et al., 2009, p.111). 50 2.1.3 Ambiente Complexo A terceira dimensão do ambiente refere-se à complexidade tratada em diversos estudos (DUNCAN, 1972; DESS; BEARD, 1984; RUEDA-MANZANARES; 2005; RUEDA-MANZANARES; ARAGÓN-CORREA; SHARMA, 2008; PORTO et al., 2009) que pesquisaram sobre as três dimensões – dinamismo, complexidade e munificência. A complexidade fez parte dos estudos de Duncan (1972) ao se referir principalmente ao número de fatores que integram o processo decisório (MARCH; SIMON, 1981). Duncan (1972) revelou duas dimensões analíticas: a simplescomplexa (complexidade ambiental – heterogeneidade). Essas dimensões foram associadas pelo autor quanto à quantidade de fatores que poderão interferir na percepção. O autor entende que por mais complexo que seja o ambiente, o grau de incerteza (maior ou menor) dependerá da velocidade que a mudança poderá ocorrer. Nos estudos de Dess e Beard (1984) a dimensão da complexidade foi examinada com base nos preceitos de Child (1972) que classificou-a pela sua heterogeneidade e variedade de atividades percebidas, e que ocasionam maior incerteza. Essa relação também é percebida por outros autores (THOMPSON, 1967; DUNCAN, 1972; PENNINGS, 1975) quando alegaram que os gestores que enfrentam um ambiente mais complexo ou heterogêneo perceberão maior incerteza e terão, consequentemente, um maior processamento de informações que os gestores que enfrentam ambiente simples. Nos estudos de Rueda-Manzanares (2005) e Rueda-Manzanares; AragónCorrea e Sharma (2008) a complexidade está entre seus enfoques reflexivos, porém utilizaram outros autores basilares (Miller; Friesen, 1983; Smart; Vertinski; Tan; Litschert, 1994). Todavia, a visão coaduna com Dess e Beard (1984), ou seja, a complexidade de um ambiente existe quando os dirigentes percebem como relevantes uma grande multiplicidade e diversidade de fatores e temas. A complexidade é uma importante influência de natureza exógena sobre a estratégia ambiental corporativa de empresas de serviços esclarecidos por RuedaManzanares; Aragón-Correa e Sharma (2008), sugerindo que se deva: (a) à proliferação de stakeholders; (b) preocupações dos stakeholders; (c) debates 51 científicos sobre problemas ambientais, mudanças nos regulamentos e políticas públicas. O ambiente que possui uma grande abrangência quanto ao número de relacionamentos interativos para a tomada de decisão, exigindo elevada condição de abstração para produção de planejamento gerenciáveis, é considerado complexo, por dificultar a tomada de decisão (PORTO et al., 2009). 2.2. TEORIA DOS STAKEHOLDERS Como definição primária dada o termo stakeholder pelo autor, e reconhecida como clássica, tem-se que o indivíduo ou grupo de indivíduos podem afetar ou ser afetados pelos objetivos propostos pela organização. Esse autor incluiu nesse grupo os funcionários, clientes, fornecedores, acionistas (shareholders ou stockholders), bancos, ambientalistas, governo e outros grupos que podem ajudar ou não a empresa. Esse conceito fornece maneiras de pensar sobre a gestão estratégica e em como uma empresa pode e deve definir e implementar a gestão com vistas ao sucesso (FREEMAN, 1984). A história do conceito dos stakeholders foi descrita por Freeman (1984) e representada graficamente (Figura 1) por uma relevante cronologia formada pelos autores que iniciaram o assunto na academia. O autor ressalta que a própria palavra "stakeholder" surgiu pela primeira vez na literatura de gestão em um memorando interno da Stanford Research Institute (SRI) em 1963, e foi criada para generalizar a noção de acionista como o único grupo, a quem a gestão precisa ser sensível. O autor explica também que, o conceito de stakeholders foi inicialmente definido como aqueles grupos, que se não tivessem apoio, a organização deixaria de existir. Originalmente Freeman (1984) apresenta que a lista dos stakeholders incluía os acionistas, empregados, clientes, fornecedores, credores e a sociedade. A historicidade que envolveu o conceito dos stakeholders e estratégia é replicada na Figura 1. 52 Figura 1- A história do conceito dos stakeholders Fonte: Adaptada a partir da figura elaborada por Freeman (1984, p.32). Em uma análise da palavra stakeholder, a tradução “stake” é participação, e “holder” é titular. E a tradução dessa junção literal da palavra para o português significa “partes interessadas” comumente utilizada, como stakeholder ou stakeholders, o que não significa que seja plural ou singular. Adicionalmente, Eiró-Gomes e Duarte (2005) acerca da origem etimológica do termo stakeholders refere-se a: “aqueles que possuem uma influência ou um interesse em face de organização (to have a stake)”. Para os autores à medida que esses stakeholders reconhecem um problema tendem a aumentar o grau de envolvimento, se dispondo a agirem, ou ainda, “para fazer face a esse problema, então eles passam para um estado de Públicos, no qual podem permanecer durante mais ou menos tempo” (EIRÓ-GOMES; DUARTE, 2005, p. 455). 53 Dentre os achados de Freeman (1984) encontra-se uma abordagem que esclarece como a evolução ocorre entre o ambiente e a organização, na qual revela que as organizações comerciais e de serviços, enfrentam turbulência. De forma a caracterizar os elos que unem o ambiente e a organização, o autor destaca que em algum lugar do passado, as organizações eram bastante simples, e que o fazer negócio consistia em comprar a matéria-prima de fornecedores, e convertê-la a produtos e vendê-los aos clientes. Os elementos que constituem a Figura 2, elaborada por Freeman (1984) e adaptada neste estudo, retrata acerca da visão de produção da empresa que se assemelha a visão sistêmica de Bertalanffy (1975) – entrada, processamento e saída. Na opinião do autor o ponto central desse enunciado é o de que, dada a visão de produção como uma estrutura conceitual, o proprietário-gerente-empregado só precisa se preocupar em satisfazer os fornecedores e clientes, a fim de tornar o negócio bem sucedido. Nesse mesmo enfoque, Freeman (1984) caracteriza a evolução da relação entre o ambiente e a organização como uma série de fatores que se uniram para tornar as empresas cada vez maiores e mais econômicas, tais como: (a) o desenvolvimento de novos processos de produção, como a linha de montagem, que significava que os trabalhos poderiam ser especializados e mais trabalhos poderiam ser realizados; (b) novas tecnologias e fontes de energia tornaram-se prontamente disponíveis; (c) os fatores demográficos começaram a favorecer a concentração da produção em áreas urbanas. O autor denomina esses fatores como forças sociais e políticas combinadas para requererem grandes quantidades de capital, bem além do escopo da maioria dos individuais proprietário-gerente-funcionários. Essa ampliação da visão gerencial (Figura 2) é debatida pelo autor para esclarecer alguns aspectos que envolveram relação entre a firma e o ambiente, tais como: (a) a propriedade tornou-se mais dispersa, como bancos, acionistas e outras instituições que financiaram o surgimento da corporação moderna; (b) para a parte superior ser bem sucedida, os gerentes da empresa tiveram que satisfazer simultaneamente os proprietários, a trabalhadores e seus sindicatos, a fornecedores e clientes. 54 Figura 2- Visão da produção da firma Fonte: Adaptada a partir da figura elaborada por Freeman (1984, p.5). Enquanto a visão da produção da firma, representada na Figura 2, está restrita basicamente na relação entre o ambiente e a firma, a visão gerencial da firma, expressa na Figura 3, denota a sua relação de forma mais ampla, ou seja, enfatiza o relacionamento da empresa e seus gerentes com os demais stakeholders internos e externos. Segundo Freeman (1984) esse aspecto aumenta o grau de dificuldade da gestão e as diversas interligações que os gerentes necessitarão ter para compreenderem e controlarem o negócio, bem como para gerenciarem essas relações. Figura 3- Visão gerencial da firma Fonte: Adaptada a partir da figura elaborada por Freeman (1984, p.6). 55 Desde então, pesquisadores tem-se dedicado ao estudo de administração das organizações e suas relações com os stakeholders, e identificá-los, com base no mapeamento específico modelado por Freeman (1984). A relação entre as características dos indivíduos ou grupos de indivíduos que afetam ou são afetados pelas ações da organização e sua capacidade de gestão (FREEMAN, 1984), se faz presente no ambiente organizacional em que as organizações se inserem, ou ainda, seu ambiente externo, com suas incertezas, instabilidades e recursos (DESS; BEARD, 1984). Dessa forma, os seus representantes procuram a partir de um conjunto de competências essenciais (PRAHALAD; HAMEL, 1990) gerar diferencial competitivo para a organização, e alcançar o desempenho (NEELY, 1999). Aspectos voltados especificamente ao desempenho, também são discutidos por Roberto e Serrano (2007). Os autores postulam que a ideia de desempenho socioambiental geralmente, está relacionada a uma performance econômicofinanceira positiva, contudo, apontam a falta de consenso dessa relação de causalidade, ou seja: “[...] não há consenso quanto ao sentido dessa relação de causalidade, nem quanto às razões de fundo que levam algumas organizações a terem comportamentos mais socialmente responsáveis do que outras” (ROBERTO; SERRANO, 2007, p. 2483). Conceitualmente sobre desempenho, os autores sugerem que: [...] qualquer abordagem ao conceito de ‘desempenho’, deve ter em conta uma série de considerações que passam pelos indicadores econômicos tradicionais, mas também por medidas de desempenho social e outras, ligadas a satisfação dos interesses dos múltiplos stakeholders organizacionais [...] a performance [em sentido lato] é um conceito multidimensional que é encarado de tantos modos diferentes quantas audiências tiver uma dada organização; o que implica que pode verificar-se simultânea e paradoxalmente, eficácia e ineficácia, boa e má performance (ROBERTO; SERRANO, 2007, p.2482) Freeman (1984) elabora um mapa que representa os grupos e os indivíduos que podem afetar e ser afetados pela realização do propósito organizacional, como exemplo de categorias dos stakeholders, representados na Figura 4. Ao conceituar stakeholder, Freeman (1984, p.25) manifesta que cada um desses grupos desempenha um papel nos negócios da empresa, “consequentemente, o termo, stakeholder, e o framework ou modelo de stakeholder ou gestão dos stakeholders”. 56 O autor exemplifica ainda, que os funcionários não são iguais, assim como os governos. Figura 4- Modelo conceitual dos stakeholders Fonte: Adaptada a partir da figura elaborada por Freeman, (1984, p.25). Na abordagem associada aos stakeholders e à gestão estratégica construída por Freeman (1984), nota-se a amplitude e as principais preocupações das pesquisas que envolvem as organizações e o ambiente. Dentre os aspectos de relevância teórica para este estudo, estão: (a) preocupação com a formulação de planos e sistemas de planos de entidades de nível de negócios; (b) a compreensão do papel da corporação nos sistemas sociais; (c) a responsabilidade social das empresas e a necessidade das teorias integrativas. Conforme Freeman (1984), o comportamento de uma grande população de organizações e seus ambientes é de importância vital para os gestores e pesquisadores organizacionais. Igualmente importante é o conceito dos stakeholders, pois pode ser útil na integração destas questões em torno do conceito de estratégia organizacional, e de conceitos como organizações podem configurar entre si e alinhar-se com o ambiente externo. O autor enfatiza ainda que qualquer modelo de gestão estratégica deve lidar com uma série de questões-chave que podem ser compreendidas parcialmente, em termos dos stakeholders, conforme a Figura 5, elaborada a partir das questões apresentadas por Freeman (1984, p.44). 57 Figura 5- Questões chave para a gestão estratégica e stakeholders Fonte: Elaborada pela autora a partir das questões apresentadas por Freeman (1984, p.44). Muitas vezes, no gerenciamento dos stakeholders, os seus interesses são ignorados, e, com isso, o seu potencial de cooperação poderá ser negligenciado ou não considerado é o que Savage et al. (1991) explicam. A satisfação dos stakeholders, segundo os autores, está associada à avaliação crítica dos gestores quanto a dois aspectos: o potencial dos stakeholders, para ameaçar a organização; e o potencial dos stakeholders, para cooperar com a organização. Estes fatores determinam a capacidade dos stakeholders, à vontade e a oportunidade tanto para ameaçar como para cooperar com a organização. As implicações da relação com os stakeholders foi retomada por Savage et al. (2011) numa discussão que envolve não apenas a gestão de empresas com fins lucrativos, mas também, empresas sem fins lucrativos. A razão apresentada diz respeito ao foco do executivo a questões do lucro ou o cumprimento da missão de equilibrar o objetivo específico da empresa em enfrentar problemas com parcerias sociais, ou colaboração multi-setorial, interorganizacional e do relacionamento com múltiplos stakeholders. A abordagem feita por Savage et al. (2011) apresenta dois pontos relevantes ligados a esta interação: a complexidade e a facilidade: (a) o grau de complexidade do relacionamento com múltiplos stakeholders com interesses e objetivos também variados; (b) a colaboração entre as distintas organizações permitirá reunir e capitalizar recursos, obter economia de escala e aumentar a capacidade de inovação. Há que se destacar que ambos os aspectos são pertinentes dentro do contexto deste estudo, por tratarem da necessidade de cooperação mútua entre os 58 stakeholders e a firma, e por virem de encontro com os princípios do cooperativismo que busca a “prosperidade conjunta e não individual” (OCB, 2012). Na pesquisa elaborada por Donaldson e Preston (1995), analisaram a teoria dos stakeholders sob três aspectos: (i) teoria-descritiva/empírica relacionada ao que é a corporação; (ii) a instrumental está associada ao estabelecimento de um quadro para examinar as conexões que houver, entre a prática da gestão de stakeholders e a realização do objetivo com o desempenho das empresas; (iii) a normativa serve como base fundamental para a teoria. Os autores ainda contribuem com esta investigação ao provocarem, de forma crítica, a seguinte reflexão: “Porque alguém iria aceitar a teoria dos stakeholders sobre concepções alternativas para a corporação?” (DONALDSON; PRESTON, 1995, p.66). A esse assunto, Freeman et al. (2010) evidenciam que no estudo de Donaldson e Preston (1995) os autores argumentam que a teoria dos stakeholders é descritiva, prescritiva e instrumental, ao mesmo tempo que é de gestão. A abordagem sobre a teoria instrumental dos stakeholders, tratada por Donaldson e Preston (1995), foi replicada empiricamente no contexto brasileiro por Marcon, Bandeira-de-Mello e Alberton (2008). O trabalho escrito por eles fornece importante contribuição a esta tese, por reforçar a relevância da teoria instrumental dos stakeholders no contexto do Brasil, mais precisamente por tratarem sobre a gestão dos stakeholders. Acreditam que: “a gestão dos stakeholders é frequentemente apontada como um fator crítico de sucesso. Contudo, a verificação empírica dessa causalidade é escassa na literatura brasileira” (MARCON; BANDEIRA-DE-MELLO; ALBERTON, 2008, p.290). Os autores esclarecem ainda, que o desenvolvimento da pesquisa baseado nos preceitos de Donaldson e Preston (1995) não encontrou evidências empíricas em ambientes turbulentos. O que instiga a evoluir e aprofundar a revisão e análise pretendida neste estudo. Além disso, para pesquisas futuras, sugerem: Pode-se considerar um design com moderação do relacionamento com stakeholders, na relação estratégia e performance, bem como a utilização de medidas multivariadas de performance que, tal como sugerido por Chakravarthy (1986), poderiam capturar o retorno para múltiplos stakeholders (MARCON; BANDEIRA-DE-MELLO; ALBERTON, 2008, p.304). 59 Nesse sentido, Clarkson (1995) propõem que o desempenho social das empresas poderá ser analisado e avaliado mais eficazmente com base em um framework na gestão de relacionamentos de uma empresa com seus stakeholders. Mitchell, Agle, e Wood (1997); Greenley e Foxall (1997); Rossetto (1998) e Frooman (1999), dentre os preceitos e adaptações desenvolvidos, construíram outros modelos analíticos para o âmbito das organizações, no intuito de compreenderem o relacionamento e a necessidade de integração com seus stakeholders. O trabalho sobre stakeholders também fez parte da discussão que Greenley e Foxall (1997), ao elencarem em seus estudos questões direcionados aos interesses dos múltiplos stakeholders, e a falta de evidências empíricas sobre associação entre a orientação para os interesses de múltiplos stakeholders, o desempenho e os efeitos ambientais. Esses autores pesquisaram uma amostra de empresas do Reino Unido, para cinco grupos principais de stakeholders, os concorrentes, consumidores, colaboradores, acionistas e sindicatos. As hipóteses testadas pelos autores referem-se a dois grupos: (a) orientação para os stakeholders e o desempenho; e (b) moderadores externos - ambiente turbulento e crescimento de vendas. Sob outro enfoque, Rossetto, Cunha e Orssatto (1997) buscaram identificar quais foram os principais stakeholders envolvidos no processo decisório da Sociedade Anônima Indústria e Comércio Chapecó (SAIC) sob uma perspectiva histórico-interpretativa entre períodos e eventos específicos ocorridos entre 1952 a 1994. Para cada período analisado, foram identificados quais stakeholders influenciaram o comportamento estratégico da SAIC. O estudo revelou para estes pesquisadores, que, em decorrência de eventos e suas relações, modificavam os stakeholders envolvidos no processo decisório, por exemplo: até 1968 diante da entrada e consolidação na suinocultura, a comunidade e as lideranças locais influenciaram o comportamento estratégico da SAIC. A importância dos stakeholders integrou novamente os estudos de Rossetto e Cunha (1999) quando estudaram como uma empresa da Indústria Civil – Setor de Edificações (ICCSE) adaptava-se a um ambiente caracterizado por turbulência e influência governamental, sob a percepção dos dirigentes das organizações. Os autores constataram que os governos possuem forte influência no processo de adaptação estratégica, assim 60 como ocorre a influência de outros stakeholders decorrente das condições do ambiente. Outras pesquisas como as de Mitchell, Agle, e Wood (1997) que tratam da relevância dos stakeholders, mostram que esta será positivamente relacionada com o total de participantes e os seus atributos: poder, legitimidade e urgência percebidas pelos gestores. Assim como outros pesquisadores recorreram à teoria dos stakeholders e propõem uma tipologia a partir da relação de três atributos: poder, legitimidade e urgência. Ao combinar esses atributos, a partir de uma revisão teórica, apresentam proposições sobre stakeholders relacionadas aos gestores da empresa, pesquisa e suas implicações para o gerenciamento. A teoria dos stakeholders foi novamente estudada por Mitchell et al. (2011) com o propósito de identificar a sua importância, tendo como objeto a empresa familiar. Para tanto, organizaram um artigo contendo a seguinte ordem: (a) examinaram o papel que as instituições e a cognição gerencial possuem para influenciar a percepção dos gestores quanto a importância dos stakeholders; (b) revisaram a literatura dos stakeholders para destacar alguns elementos chave de importância com base em atributos em sistemas de negócios (negócio e família); (c) examinaram a importância dos stakeholders em ambientes de negócios familiares. Como contribuição do trabalho, Mitchell et al. (2011) revelam-se motivados pela crença de que a aplicação dos conceitos da importância dos stakeholders para a identificação de empresa familiar poderia ajudar estudiosos e profissionais a explorarem ainda mais os processos de priorização no contexto estudado por eles. Neste sentido, deixam subentendido que a identificação da importância dos stakeholders poderá ser aplicada em diferentes segmentos econômicos. Agle, Mitchell e Sonnenfeld (1999) aplicaram o conceito do Mitchell, Agle e Wood (1997), a partir de dados originais fornecidos por presidentes de 80 grandes empresas dos E.U.A. Examinaram empiricamente as relações entre os stakeholders e os atributos propostos no modelo de Mitchell, Agle e Wood (1997) sobre poder, legitimidade, urgência e o desempenho das empresas. Frooman (1999), entre seus preceitos e adaptações, construiu modelos analíticos para o âmbito das organizações, no intuito de compreender o relacionamento e a necessidade de integração com os seus stakeholders. Esse autor aplicou a teoria dos stakeholders e associou-a a influência dos mesmos quanto 61 ao grau de dependência entre a firma e os stakeholders. O autor reconheceu que a obra de Freeman (1984) intitulada Gestão Estratégica: uma abordagem dos stakeholders trouxe para a teoria dos stakeholders o “mainstream da literatura de gestão” (FROOMAN, 1999, p.191). O assunto apregoado por esse autor está centrado no poder de estratégia de influência dos stakeholder, junção encontrada originalmente no título do artigo: stakeholder influence strategies. Além disso, Frooman (1999) desenvolveu uma tipologia que utilizou para classificar as possíveis relações de recursos, com base especificamente em quem depende de quem, ou ainda o stakeholder depende da firma, ou a firma depende do stakeholder. No contexto acadêmico brasileiro, destaca-se a pesquisa elaborada por Hoffmann, Procopiak Filho e Rossetto (2007) sobre as estratégias de influência dos stakeholders, no segmento industrial da construção civil. Os autores tiveram como ponto de partida os preceitos desenvolvidos por Frooman (1999) ao analisarem dependência de recursos da empresa, o stakeholder e as estratégias de influência. A relevância sobre a análise dos stakeholders mereceu destaque também nos estudos de Bryson (2003) que desenvolveu uma revisão do conceito e das técnicas de análise que envolvem os stakeholders. Ele pesquisa a carência encontrada em estudos de organizações sem fins lucrativos, especificamente em como identificar e analisar sistematicamente os stakeholders e oferece um caminho, a partir de seus estudos, para corroborar com a essa lacuna. Buysse e Verbeke (2003) ressaltam que nem todos os stakeholders são igualmente importantes para as organizações quando da elaboração de estratégias ambientais. Os autores enfatizam a necessidade da articulação entre as estratégias ambientais e o gerenciamento dos stakeholders. Sob essa mesma condição, Asher, Mahoney e Mahoney (2005) pesquisaram o direito de propriedade das empresas à luz da teoria dos stakeholders, associada à gestão estratégica e a teoria baseada em recursos. Eles reforçaram a importância do desenvolvimento dentro da disciplina de gestão estratégica a partir de uma nova abordagem teórica, que envolva questões fundamentais relacionadas aos direitos de propriedade e a teoria dos stakeholders da firma. Mesmo diante de discussões, críticas e/ou novas relações, cresce na literatura acadêmica sobre stakeholders sua disseminação. Os estudos de Agle et al. 62 (2008) são relevantes para esta tese principalmente porque não se trata de “se” mas de “como” a teoria dos stakeholders irá enfrentar os desafios de seu sucesso. Os autores apresentam em seu construto ponderações consistentes que dizem respeito ao estado atual e futuro da teoria dos stakeholders. O texto discute e revisa a teoria e seus rumos, presente na academia há quase 30 anos. Agle et al. (2008) provocam discussão mais ampla sobre a gestão dos stakeholders, não olhando somente as organizações, mas também como estas gerenciam seus stakeholders e estabelecem o relacionamento entre eles. Isto está presente e confirmado nos estudos de Rueda-Manzanares, ArágonCorrea e Sharma (2008) que também constataram que a capacidade de integração dos stakeholders apresentou efeitos positivos aos interesses estratégicos. Esses autores concentraram, em seu cômputo analítico, as características do ambiente, relacionando-as à influência dos stakeholders e aos efeitos moderadores da complexidade, incerteza e munificência. Foram 134 empresas em 12 países da Europa Ocidental e América do Norte. Os autores constataram que a capacidade de integração dos stakeholders associa-se a três distintas condições: adoção proativa da estratégia ambiental; diferença da influência positiva ou negativa do ambiente associa-se a sua dimensão, dada a sua incerteza ou complexidade; associação da influência negativa da complexidade, entre a capacidade de integração dos stakeholders a sua estratégia ambiental. Os mesmos autores ainda instigaram, para futuras pesquisas, os estudos dos fatores externos que afetam os stakeholders e suas diferentes reações. Ao apresentarem uma análise mais ampla sobre o ambiente, sustentada pela Visão Baseada em Recursos da empresa, os autores analisaram a dimensão complexa, incerta e munificente no ambiente de negócios. Lyra, Gomes e Jacovine (2009) também avaliaram a teoria dos stakeholders como gestão, e mencionam elementos estudados por autores como Mitchel, Agle e Wood (1997) entre eles a medição dos atributos: poder, legitimidade e urgência; e Savage (1991) que trata sobre o potencial dos stakeholders em relação às ameaças e/ou colaboração. Dentre as considerações encontradas no estudo de Lyra, Gomes e Jacovine (2009) duas merecem ser retomadas: uma que se refere à comunicação e, outra, referente a estratégia, ou seja: “A ausência de uma gestão transparente pode gerar conflitos de relacionamento entre a Empresa Alfa e seus stakeholders”. Complementam essa questão quando afirmam que: “Ao alinhar à sua estratégia 63 ações de transparência, os stakeholders nivelarão seus conceitos sobre a empresa e, em decorrência disto, o diálogo será facilitado [...]”. Consequentemente a gestão dos stakeholders é apontada por eles, como positiva, o que consistirá “em maior aproximação entre as percepções dos stakeholders internos e externos”. (LYRA; GOMES; JACOVINE, 2009, p.50). Para Boaventura et al. (2009), a teoria dos stakeholders tem sua origem na sociologia, no comportamento organizacional e na administração de conflitos. Esses autores salientam que, metodologicamente, nos estudos empíricos, há predominância por pesquisas qualitativas. Com base nos preceitos de Donaldson e Preston (1995), Boaventura et al. (2009) acrescentam que a teoria dos stakeholders oferece importante contribuição para verificação da influência de cada um dos grupos envolvidos com a organização e como ocorre. Os autores apontam ainda, outra versão desenvolvida por Key (1999) que adota postura crítica à teoria dos stakeholders quanto à explicação da realidade e pontuam aspectos como: a inadequação na explicação de seu processo; a incompletude entre as variáveis internas e externas; a atenção em que o negócio opera é insuficiente e acerca da forma de avaliação do ambiente. Neste sentido, Duesing (2009) reforça que o estudo orientado para stakeholders (OS) ou Stakeholder Orientation (SO) é uma área relativamente fértil para investigação empírica. Dentre as perspectivas avaliadas na teoria dos stakeholders, Currie, Seaton e Wesley (2009) enfatizam que a análise desta teoria poderia preencher uma lacuna na literatura que é a sua viabilidade no processo de identificação dos stakeholders. Nessa direção, Currie, Seaton e Wesley (2009) recorrem aos preceitos de Mitchell, Agle e Wood (1997) para a aplicação da análise de viabilidade de identificação e importância dos stakeholders em uma organização na Costa Noroeste de British Columbia, Canadá. Entretanto, também retomam as limitações identificadas e levantadas por Mitchell, Agle e Wood (1997) quanto aos três atributos, poder, legitimidade e urgência, a partir dos seguintes questionamentos: O poder, legitimidade e urgência são apropriados para medir a importância dos stakeholders? Quais os atributos definidos claramente para definir e distinguir um do outro? Quais os efeitos de não ser capaz de quantificar cada atributo num continuum? No contexto dessa discussão, Currie, Seaton e Wesley (2009), ao mesmo tempo em que suscitam 64 essas questões, mencionam novamente Mitchell, Agle e Wood (1997) quanto ao desafio em identificar os stakeholders, dada a sua natureza dinâmica, e por não serem entidades estáticas poderá haver modificações entre as categorias, bem como da falta de medidas quantificáveis para os atributos. Diante desses questionamentos e abordagens, duas outras abordagens suscitam reflexões: (a) o grau de importância dos stakeholders ser divergente ao considerar o grau de rotatividade (mudanças) interna da organização ou fora dela (ambiente externo); (b) quanto a identificação do grupo dos stakeholders (funcionários – departamento, fornecedores, consumidores, clientes, e outros), necessários para comporem uma estratégia em específico, poderá diferir, e, como consequência, modificar o processo de tomada de decisão – percepção dos gestores. Mitchel, Shepherd e Sharfman (2011) reiteram a discussão sobre a tomada de decisão, e o denominam como decisões estratégicas erráticas, além de tratarem quando e porque gestores (2.048 decisões feitas por 64 chefes executivos oficiais (CEOs) de empresas de tecnologia) tomam decisões estratégicas inconsistentes. Os autores expõem algumas questões pertinentes a este trabalho, ou seja: (a) se as condições do ambiente também influenciam para que os gerentes tenham decisões estratégicas erráticas; e (b) se a percepção do ambiente pode influenciar nas decisões erráticas. Para essa análise, Mitchell, Shepherd e Sharfman (2011) utilizaram três fases para realizarem o estudo, (i) uma perspectiva psicológica no intuito de construírem um modelo explicativo da variação da medida em que as decisões estratégicas dos gestores são irregulares; (ii) o estudo realizado examinou como a experiência metacognitiva e percepções do ambiente externo (hostil e dinâmico) podem afetar as decisões estratégicas erráticas dos gestores; (iii) discutiram as implicações dos resultados a partir da perspectiva de pesquisa sobre a tomada de decisão estratégica. Uma das hipóteses estudadas consistiu em descobrir se os gerentes com maior experiência metacognitiva teriam menos decisões estratégicas erráticas. Como conclusão enfatizaram que: (a) os resultados sugerem que a experiência metacognitiva e percepções do ambiente externo são importantes, e as decisões estratégicas erráticas são menos improváveis com gestores com maior experiência 65 metacognitiva e gestores que operam em ambientes mais dinâmicos. A definição para metacognição apresentada pelos autores refere-se à capacidade de refletir, compreender e controlar processos cognitivos relacionados a um objetivo concreto. Por outro lado, Mitchell, Shepherd e Sharfman (2011) revelaram ainda que as decisões estratégicas erráticas são mais prováveis aos gestores em ambientes hostis, especialmente quando o dinamismo do ambiente é baixo. Os resultados mostraram também a compreensão de quando os gerentes podem ser mais suscetíveis a decisões estratégicas erráticas e por quê. Recentemente a percepção dos gestores diante de um ambiente munificente, motivou o estudo realizado por Pavão et al. (2012) em uma Cooperativa de Crédito em Blumenau – SC, no Brasil. O objetivo principal concentrou-se em analisar a relação entre as estratégias de influência dos stakeholders, os efeitos moderadores do ambiente munificente e a capacidade de administração dos stakeholders, antes e durante a implantação do planejamento estratégico, bem como a capacidade de gerir seus stakeholders. Dentre os resultados encontrados pelos autores, destacase: (a) os cooperados influenciam tanto quanto são influenciados pela cooperativa, firmando assim, uma relação de interdependência; (b) o ambiente pode ser considerado complexo pelo número de stakeholders e munificente de recursos com abundantes informações. Evidências empíricas têm alavancado ainda novos estudos sobre a teoria dos stakeholders direcionados às organizações e suas relações com os interesses ou influências dos stakeholders. 2.2.1 Capacidade de gestão dos stakeholders A junção dos termos capacidade, gestão e stakeholders foi obtida na clássica obra de Freeman (1984). Nessa obra, o autor apresenta a capacidade de gestão dos stakeholder, e que a explica como sendo um conceito referente à necessidade de uma organização em gerenciar o relacionamento com seus grupos de interesse específicos, de uma forma orientada para a ação. Para Freeman (1984) é possível definir a capacidade de gerenciar seus stakeholders na organização em termos de habilidade de ajuste de três níveis de análise: racional (mapa), processo e transacional. O autor argumenta que uma 66 organização que entende e implementa essas relações e equilibra os interesses dos stakeholders para alcançar o propósito da organização, possui alta capacidade de gestão dos stakeholders. Essa vertente foi seguida por alguns autores, entre eles Fryxell e Wang (1994); Elias; Cavana; Jackson (2002); Zakhem (2008); Wickham; Wong (2009) descritos na sequência. Fryxell e Wang (1994) mencionam a capacidade de gestão dos stakeholders como sendo uma alternativa de análise relacionada à comunidade e responsabilidade ambiental (CRA). Já os autores Elias; Cavana; Jackson (2002) utilizaram a combinação da teoria de Freeman (1984) que inclui os três níveis de análise: processo, racional e transacional e a abordagem de Mitchell et al. (1997) para analisar a dinâmica dos stakeholders. A delimitação da CGS nesta tese surgiu a partir dos estudos seminais de Freeman (1984) sobre stakeholders, em que descreve especificidades sobre a sua capacidade de gestão dos stakeholders e habilidade de gerenciar o relacionamento entre a organização e seus múltiplos stakeholders. A filosofia do voluntarismo explicada por Freeman (1984) declara basicamente que: (a) a forma do gerenciar deve estar calcada em boas práticas de negociação com os stakeholders e tentar evitar possíveis conflitos por meio de canais formais de comunicação; (b) o valor básico de gestão deve permear a organização que é bem sucedida na gestão das suas relações com múltiplos stakeholders. O autor explica que essa filosofia pode ser sintetizada em proposições prescritivas com base em teorias bem sucedidas e técnicas gerencias. No entanto, o autor chama a atenção para que tais proposições deverão ser entendidas como preliminares de uma teoria que necessita de mais elaboração, e espera que poderão ser sugestões práticas para uma boa gestão. Sob esse parâmetro, Freeman (1984) sugere sete proposições prescritivas e descritas, com base em suas exemplificações: (a) processo de comunicação; (b) negociação com os stakeholders; (c) marketing; (d) formulação da estratégia; (e) pró-atividade; (f) recursos; e (g) stakeholder-serving. Neste trabalho, o termo proposições ou técnicas gerenciais foi tratado como sendo as dimensões que compõem o construto da capacidade de gestão dos stakeholders (CGS). As dimensões gerenciais foram resumidas no Quadro 3. 67 Quadro 3 - Proposições para CGS Dimensões Processo de Comunicação Negociação Marketing Formulação estratégica Proatividade Recursos Stakeholderserving Conceitos prescritivos Organização com alta CGS projeta e implementa processos de comunicação com múltiplos stakeholders. Organização com alta CGS negocia explicitamente com os stakeholders sobre questões críticas, e buscam acordos voluntários. Organizações com alta CGS difundem e aproximam o marketing para servir a múltiplos stakeholders. Organizações com alta CGS integram limites chave dentro do processo de formulação estratégica na organização. Organizações com alta CGS são proativas - Elas antecipam as preocupações com os stakeholders e tentam influenciar o ambiente dos stakeholders. Organizações com alta CGS alocam recursos de forma coerente com as preocupações dos stakeholders. Gestores de organizações com alta CGS pensam em termos de stakeholders a que serve. Fonte: Elaborado pela autora a partir da descrição realizada por Freeman (1984, p.78-80). Acerca dessas proposições, Freeman coloca que sejam consideradas declarações preliminares de uma teoria que precisa de maior elaboração. Diante dessa afirmação, embora elaborada em 1984, foi apresentada por Freeman, Harrison e Wicks novamente em 2007. Nessa retomada, os autores associaram a CGS com as rotinas/atividades da empresa (Business Processes and Capabilities) e a preocupação com a criação de valores para os stakeholders (Figura 7, p.69). Os termos comunicação e a negociação foram associados, por considerar a semelhança conceitual entre ambos, conforme descrição na sequencia: (a) Comunicação e negociação – Organizações com alta CGS concebem e implementam processos de comunicação com múltiplos stakeholders, e negociam explicitamente com os stakeholders sobre questões críticas e procuram acordos voluntários - Por exemplo: Os executivos das empresas, e os líderes dos consumidores podem negociar sobre questões de interesse comum e evitar o dispendioso processo contraditório, como juros ou uma série de outras questões; (b) Marketing – Organizações com alta CGS ampliam a abordagem do marketing para servir a múltiplos stakeholders. Elas utilizam técnicas de marketing, a fim de melhor compreenderem as necessidades dos stakeholders e utilizam pesquisa de marketing como ferramenta para entender a maioria dos grupos de stakeholders; (c) Formulação da estratégia – Organizações com alta CGS rompem barreiras (boundary spanners). Muitas organizações têm relações públicas ou gerentes de relações públicas apresentam um bom conhecimento das 68 preocupações dos stakeholders e gestores de produção e marketing que tem experiências nas necessidades de clientes e fornecedores. No entanto, estes gestores nem sempre fazem parte do processo de planejamento estratégico. O pressuposto é o de que esses gestores que têm a obrigação de serem sensíveis às necessidades dos stakeholders estão em melhor posição para representar seus interesses dentro da organização; (d) Proativas – Organizações com alta CGS são proativas - Elas antecipam as preocupações dos stakeholders e tentam influenciar o ambiente dos stakeholders – como exemplo, a indústria de micro-computador está cheia de empresas que tem como prática a antecipação como forma de sobrevivência. Essas empresas, algumas delas muito pequenas, tentam gastar recursos para adivinhar o que melhor poderá servir ao cliente no futuro; (e) Recursos – Organizações com alta CGS alocam recursos de forma coerente para atenderem as preocupações e necessidades dos seus stakeholders – O autor faz referência a Emshoff (1980) que fala da análise dos stakeholders em uma grande empresa internacional e o ranking dos stakeholders por ordem de importância. Complementa que se verificou como os recursos da empresa foram alocados para lidar com aqueles grupos que seriam mais importantes no futuro. Os resultados de sua investigação indicam que os recursos não foram alocados para lidar com esses grupos que seriam cruciais para o sucesso da empresa, ou ainda, não foram prioridade; (f) Stakeholder-serving – Gestores das organizações com alta CGS pensam em termos de como servir seus stakeholders – o autor afirma que assim como muitas empresas de sucesso pensam em termos de "como servir o cliente" ou "como servir os funcionários”, é possível generalizar essa filosofia para "como servir o meu stakeholder”. A "razão de ser" para a maioria das organizações é que sirvam para alguma necessidade em seu ambiente externo. Quando uma organização perde seu senso de propósito e de missão, ou quando está centrada internamente nas necessidades de seus gestores, correrá o risco de tornar-se irrelevante. Alguém (se for possível para a concorrência) servirá melhor a necessidade do ambiente. 69 Ao desenvolver tais dimensões que envolvem a capacidade de gestão dos stakeholders (CGS), Freeman (1984) descreve que o propósito foi explicar o framework e a filosofia da gestão dos stakeholders em termos gerais. Conforme definições propostas por ele, os três níveis (racional, processo e transacional) devem ser utilizados para a compreensão dos processos que uma organização necessita gerir seus stakeholders, ou ainda compreender os processos utilizados pela organização para se relacionar com eles. O primeiro está ligado ao nível racional e está associado a quais são os stakeholders da organização e quais os riscos percebidos. O segundo, diz respeito à compreensão dos processos organizacionais utilizados de forma implícita ou explicita para gerenciar as relações da organização com seus stakeholders, e estes processos se ajustam (fit) com o mapa racional dos stakeholders da organização. E, finalmente, deve-se entender o conjunto de operações ou negócios entre a organização e seus stakeholders e deduzir se essas negociações se ajustam (fit) com o mapa dos stakeholders e os processos organizacionais para stakeholders (FREEMAN, 1984), conforme Figura 6. Figura 6 - Processo para o ajuste da capacidade de gestão dos stakeholders. Fonte: Elaborado pela autora em 2010 a partir dos preceitos descritos por Freeman (1984, p.53). Outro ensinamento de Freeman (1984) permite definir uma organização em termos de sua capacidade de gestão dos stakeholders pelo ajuste de três níveis de análise. Uma organização, para o autor, precisa entender o mapa de seus stakeholders e os desafios de cada grupo, que possua processos organizacionais e que implemente um conjunto das operações de negócios ou equilibre os interesses 70 dos stakeholders para alcançar o propósito da organização, para se considerar com alta (superior) capacidade de gestão dos stakeholders. Por outro lado, uma organização que não entende quem são seus stakeholders, que não tenha atividades para lidar com estas preocupações e que não tenha nenhum conjunto de operações de negociação para com eles, possui baixa (ou inferior) capacidade de geri-los. Contudo, alerta o autor, cada um destes níveis de análise deve ser discutido detalhadamente para que o framework da gestão dos stakeholders possa se tornar uma ferramenta útil. Efetivamente, esses pressupostos foram discutidos por outros autores na busca pela continuidade e reflexão necessária, conforme relatos descritos na sequência. Elias, Cavana e Jackson (2002) desenvolveram a aplicação do construto sobre os três níveis (processo, racional e transacional), delineados por Freeman (1984), e incluindo conceitos de Mitchell et al. (1997, 2011). Os autores, empiricamente, revelam, com base nesses três níveis, que a capacidade de gestão dos stakeholders foi determinada para um projeto de P & D, e acrescentam que esta metodologia fornece uma abordagem sistemática para analisar quem são ele, quais são seus interesses e como podem mudar ao longo do tempo. A revisão sobre CGS, também foi realizada por Freeman, Harrison e Wicks (2007) e afirmam que uma companhia com claras ideias dos resultados que quer produzir, faz com que cada funcionário se dedique ao aprendizado. E sumarizam a capacidade de gestão dos stakeholders em três aspectos: (i) multifuncional e processos aliados à infraestrutura; (ii) capacidades ou conhecimento; e (iii) resultados para os stakeholders. Embora os autores a apresentem com aspectos diferentes ao racional, processo e transacional, ainda relacionaram sobre o enfoque da CGS. O diagrama criado pelos autores está representado a partir da Figura 7. 71 Figura 7 - Modelo conceitual para a capacidade de gestão dos stakeholders Fonte: Adaptado a partir da Figura elaborada por Freeman, Harrison e Wicks (2007,p.68). A representação do modelo conceitual (Figura 7) para a capacidade de gestão dos stakeholders é enfatizada por Freeman, Harrison e Wicks (2007) como um processo, em que a capacidade começa e termina com os resultados que os negócios tentam proporcionar aos seus stakeholders. Zakhem (2008) expõe que a criação da CGS ou originalmente Stakeholder Management Capability (SMC), apresentado por Freeman (1984), constitui um dos mais influentes e transacionais quadros de compreensão da relação dos stakeholders. Em primeiro lugar o autor avalia que o mapeamento dos stakeholders deve ser considerado como um processo dinâmico e discursivo e que é finalmente conduzido para alcançar a compreensão mútua. Em segundo, que a superação das lacunas entre o discurso e a prática exige análise contínua do processo, tanto no plano estratégico quanto nos níveis operacionais. O autor adverte que, embora a negociação transacional e de troca deva desempenhar um papel central, não poderá ser considerada como bottom line na gestão dos stakeholders. No entanto, deixa claro que o estudo que realizou apenas fornece um panorama geral para adaptar o discurso teórico dos princípios de análise para CGS. Wickham e Wong (2009) descrevem em um trabalho de cunho exploratório e de natureza empírica, que a SMC consiste em uma capacidade para eliminar ou reduzir o poder dos grupos de stakeholders dissidentes, e influenciar o seu representante direto em todo processo político. Infere-se que essa versão também 72 coaduna com os preceitos de Frooman (1999, 2002) quanto à tipologia criada pelo autor para mensurar a relação entre os stakeholders e a firma, a partir do grau de dependência e influência entre ambos. Os autores apresentam a diferença conceitual entre Gestão dos stakeholders, CGS e suas implicações. A primeira é descrita como o termo dado para o sistema pelo qual as organizações perseguem os seus objetivos enquanto consideram os interesses dos seus stakeholders. A segunda se refere ao potencial para conceituar gestão estratégica de outros grupos de stakeholders e acrescentam que a gestão eficaz dos stakeholders deve ocorrer nos níveis de análise de forma racional, de processo e operação. Wickham e Wong (2009) desenvolveram uma pesquisa empírica no governo do Estado da Tasmânia, aplicando a ferramenta capacidade de gestão de stakeholders. Os resultados dessa pesquisa possuem implicações importantes para o modelo de processo instrumental da gestão dos stakeholders, como por exemplo, a constatação de que as instituições devem ir além do mero reconhecimento da existência de diferentes grupos de stakeholders, e desenvolver recursos específicos para definir com precisão os fatores que fazem um grupo de atores legítimos, influentes e suas causas urgentes dentro da sua comunidade. Nessa primeira etapa, após a retomada de autores com suas respectivas visões teóricas, infere-se que, dentro de um contexto cognoscente (conhecer o que está sendo estudado), diferentes terminologias têm sido utilizadas para descrever e/ou medir as relações entre a organização e o ambiente. Nesse contexto, existem concepções que variam basicamente entre uma ou mais categorias voltadas à turbulência, complexidade, incerteza, recursos, percepção, desempenho, e as pessoas (stakeholders) que nele coabitam. No Quadro 4 estão sintetizados estudos encontrados sobre Capacidade de Gestão dos Stakeholders, no qual apresenta-se uma descrição dos objetivos, métodos e síntese de cada um deles. 73 Quadro 4 - Estudos sobre capacidade de gestão dos stakeholders Referência Objetivo Método Síntese Fryxell e Wang (1994) Investigar a possibilidade para examinar a estrutura de medida de dados da Fortune, através da avaliação de vários modelos de medição dos concorrentes. Análise de dados secundários da Fortune entre os anos de 1985 a 1989. A capacidade de gestão dos stakeholders foi apresentada como forma de avaliação alternativa da comunidade e responsabilidade ambiental (CRA) – onde a comunidade e o interesse ambientais são bem geridos para facilitar a implementação da estratégia. Elias; Cavana, Jackson (2002) Analisar sistematicamente os stakeholders. Estudo de Caso na Nova Zelândia A metodologia inclui três níveis de análise: processo racional e transacional (FREEMAN, 1984). Com base nesses três níveis, a capacidade de gestão dos stakeholders de P&D do projeto é determinada. A fase final inclui Mitchell et al.(1997) para analisar a dinâmica dos stakeholders. Zakhem (2008) Elaborar um discurso teórico da abordagem do problema (Teoria da ação comunicativaJurgen); com delineamento dos diferentes tipos de discurso racional; Apresentar implicações concretas para SMC em relação à remodelação dos contornos do processo, racional, e análise transacional, à luz do discurso central. Bibliográfico (teórico) Acerca dos três níveis revela que: (1) o mapeamento das partes interessadas deve ser considerado como um processo dinâmico e processo discursivo, que é finalmente conduzido para alcançar a compreensão mútua; (2) ultrapassar as lacunas entre o discurso e a prática exige análise contínua do processo tanto no plano estratégico como nos níveis operacionais; (3) o envolvimento dos stakeholders deve ser determinado a partir de um ponto de vista moral. Wickham;Wong (2009) Analisar a situação regional da Tasmânia abordagem do governo para a gestão de grupos dissidentes dos stakeholders. Análise de conteúdo: fontes de dados secundários (baseado em diários - jornal da Tasmânia) durante um período de 35 meses. Fonte: Elaborado pela autora a partir dos textos dos autores referenciados neste quadro. Adverte que mais do que simplesmente "mapear" a sua organização dos grupos de stakeholders, ir além da simples definição dos interesses que cada um tem em suas operações, em vez de compreensão da ideologia e personalidades no núcleo do grupo dos stakeholders. No "processo" o nível de análise, os gestores devem considerar o desenvolvimento alternativo para amplamente defenderem técnicas de gestão "inclusivas" que podem incluir desengajamento disfuncional das relações dos stakeholders e/ou ignorar completamente os stakeholders. No nível “operação-transação” de análise, o caso sugere que gerentes estratégicos não precisam necessariamente criar e execute "win-win" e o intercâmbio com o grupo dos stakeholders - e passar a encarar a possibilidade de que algumas trocas de grupo de stakeholders pode resultar em uma "Nil-draw todos" 'nil-all draw' que de alguma forma favorece a organização. 74 2.3 MODELO DA ESTRUTURA CONCEITUAL E CONSTRUÇÃO DE HIPÓTESES Conforme apresentado no capítulo 1, os construtos que serão desenvolvidos neste trabalho são: (i) a capacidade de gestão dos stakeholders (CGS) como variável independente; (ii) a dimensão do ambiente (DA) como variável independente e moderadora; e o desempenho organizacional (DO) como variável dependente (Figura 8). Figura 8 - Diagrama de relação entre os construtos da tese. Legenda: Fonte: Elaborado pela autora. A estrutura básica da Figura 8 serviu como norteadora para destacar a organização das relações preliminares deste estudo, e propôs o marco teórico e explicativo desse conjunto. Destaca-se que a relação entre as variáveis DA com a seta entre CGS e DO, pretende explicar se há moderação da primeira (DA) na relação entre a variável independente (CGS) ou preditora e a variável dependente 75 (DO) ou predita. Além da moderação, a Figura 8 apresenta as relações diretas entre CGS e DO e DA e DO. A estrutura conceitual elaborada para essa pesquisa pode ser visualizada na Figura 9 criada para mensurar a capacidade de gestão dos stakeholders, na qual foi utilizada a teoria dos stakeholders dos estudos seminais de Freeman (1984). Quanto à mensuração da dimensão do ambiente complexo, munificente e dinâmico, os preceitos utilizados foram calcados nos estudos de Dess e Beard (1984), RuedaManzanares (2005) e Rueda-Manzanares; Aragón-Correa; Sharma (2008) e Carvalho (2011). A mensuração do desempenho organizacional obteve respaldo nos estudos de Oliveira (1991), a partir da descrição sobre a eficiência empresarial de empresas cooperativas. Os estudos de Agle, Mitchell, Sonnenfeld (1999) e Roberto e Serrano (2007) relacionaram os stakeholders ao desempenho socioambiental e socioeconômico. Figura 9 - Estrutura conceitual do estudo da tese Fonte: Elaborado pela autora. Diante do contexto desta tese, as hipóteses elaboradas a seguir, foram desenvolvidas na intenção de, ao testá-las, estudar a relação entre os construtos que compõem a CGS, DA e DO. 76 2.3.1 Construção das Hipóteses Nesta etapa ocorre o desencadeamento do conjunto das hipóteses formuladas, bem como os respectivos teóricos que sustentam as suas construções. A Figura 10 apresenta a relação entre os construtos e suas hipóteses. Figura 10 - Relação entre os construtos e suas hipóteses Fonte: Elaborado pela autora. 2.3.1.1 Capacidade da Gestão dos Stakeholders e o Desempenho Socioambiental e Econômico Financeiro Diante da revisão teórica realizada, percebe-se que existem pesquisadores que se dedicaram a estudar os stakeholders e o desempenho. No entanto, há que se ressaltar, que não foram encontrados trabalhos que relacionassem a CGS com o DSA ou mesmo com o DEF, o que reforça a lacuna e consequentemente a contribuição deste estudo. Neste sentido, e no intuito de sustentar as temáticas desta pesquisa, os estudos destacados a seguir, abordam parcialmente as relações previstas para cada grupo de hipóteses. Greenley e Foxall (1997) descrevem que as relações entre stakeholders e desempenho possuem grau de implicações diferentes. Esses autores estabelecem relevante discussão neste contexto, por se referirem aos stakeholders e sua 77 importância para o desempenho da empresa, tornando-os característica central da pesquisa em gestão. Agle, Mitchell, Sonnenfeld (1999), em uma ampla revisão teórica sobre stakeholders, também apresentam conceitos que abrangem a avaliação do desempenho, sob dois aspectos que interessam neste estudo: operacionalização e percepção dos gestores CEOs, ou Chief Executiver Officer. Agle, Mitchell, Sonnenfeld (1999) utilizaram a teoria de stakeholder para testar a relação desta com o desempenho social. Esse assunto foi tratado por Agle, Mitchell, Sonnenfeld (1999) como corporate social performance (CSP), o qual creditam a referência para Waddock e Graves (1997b). Berman, Phillipis e Wicks (2005) consideram que as discussões sobre stakeholders, assim como a sua importância para o desempenho da empresa, tornaram-se característica central da pesquisa de gestão. Destacam a atenção que os gerentes precisam ter nos stakeholders, e o pensamento sistemático sobre como estão interagindo com eles. Roberto e Serrano (2007) estudaram medidas de desempenho relacionandoas com a satisfação dos múltiplos stakeholders em uma empresa sediada em Portugal. Para tanto, fundamentaram-se nos estudos de Ann Svendsen (1998) sobre estratégia dos stakeholders e suas questões sociais e éticas. Roberto e Serrano (2007) abordam o desempenho conceitualmente e o associam a satisfação dos múltiplos stakeholders, por meio de indicadores não apenas econômicos tradicionais, mas por meio de medidas sociais. O interesse sobre a teoria dos stakeholders e suas vertentes pode ser comprovado no trabalho de Duesing (2009) ao examinar como a orientação dos stakeholders impacta no desempenho de pequenas empresas. Duesing (2009) revela que os resultados alcançados indicaram a existência de um padrão para a orientação dos stakeholders (OS) como a forte relação para o desempenho. Suas sugestões para futuras pesquisas consideram os seus stakeholders e o efeito do desempenho da empresa. Matitz e Bulgacov (2011) ao desenvolveram a meta-análise do conceito de desempenho organizacional, consideram a “[...] a importância dos stakeholders na definição de indicadores de desempenho (se orientada internamente, com foco no competidor ou com foco no cliente) [...]” (p.4). Assim, apresenta-se às primeiras hipóteses deste estudo: 78 H1a: A capacidade de gestão dos stakeholders afeta positivamente o desempenho socioambiental das cooperativas brasileiras. H1b: A capacidade de gestão dos stakeholders afeta positivamente o desempenho-econômico-financeiro das cooperativas brasileiras. 2.3.1.2 A Dimensão do Ambiente (Dinâmico, Complexo e Munificente) e o Desempenho (Socioambiental e Econômico-financeiro). Para esse conjunto de hipóteses também não foram encontrados estudos, que possuíssem a relação prevista entre DA e DSA; e DA e DEF. Com isso, essa lacuna permitiu a maior contribuição deste estudo e destas relações em específico. Sobretudo, por considerar que as relações parciais serviram para o norteamento e respaldo na elaboração das hipóteses desta pesquisa, são comentadas a seguir, de acordo com cada grupo. O ambiente dinâmico foi estudado por Lumpkin e Dess (1996) e observaram a relevância da natureza proativa e da agressividade da orientação estratégica no desempenho das organizações. Os autores encontraram correlação positiva entre a capacidade de agir proativamente com o desempenho organizacional. A relação do ambiente dinâmico e o desempenho foram analisados por Duesing (2009) em pequenas empresas, como referência buscou Covin e Slevin (1989) para fundamentar a análise entre essas relações. No entanto, não encontrou suporte nessa relação. Carvalho (2011) buscou identificar se havia relação sob dois enfoques: percepção de dinamismo do ambiente e orientação empreendedora; e o desempenho dos hotéis associados à percepção de dinamismo ambiental percebido. Essa relação também foi estudada recentemente por Escobar (2012), que concluiu que a mesma foi suportada. Assim, o segundo grupo de hipóteses é elaborado: H2a: O dinamismo do ambiente afeta o desempenho econômico financeiro das cooperativas brasileiras. H2b: O dinamismo do ambiente afeta o desempenho socioambiental das cooperativas brasileiras. No estudo de Carvalho (2011) foi analisada a complexidade sob dois enfoques: percepção de complexidade do ambiente, e a orientação empreendedora; 79 e o desempenho dos hotéis associados à percepção de complexidade ambiental percebida, sendo que em ambos os casos não foram suportadas. E Escobar (2012) estudou a relação entre a dimensão da complexidade ambiental se relaciona com o desempenho das agências de viagens, concluindo que esta relação foi suportada. Isto posto, o terceiro grupo de hipóteses é formulado: H3a: A complexidade do ambiente afeta o desempenho socioambiental das cooperativas brasileiras. H3b: A complexidade do ambiente afeta o desempenho econômico-financeiro das cooperativas brasileiras. Especificamente, quanto à munificência, Castrogiovanni (1991) a representa pelas variáveis: capacidade, declínio/aumento; e ameaça/oportunidade e que foram utilizados principalmente nos estudos de Dwyer e Oh (1987); Jogaratnam (1996); DeLaughter (1996); Finney (2001). Carvalho (2011) estudou a relação entre munificência e o desempenho e que constatou que esta hipótese não foi suportada. Lumpkin e Dess. Assim, o formou-se o quarto grupo de hipóteses: H4a: A munificência do ambiente afeta o desempenho econômico-financeiro das cooperativas brasileiras. H4b: A munificência do ambiente afeta o desempenho socioambiental das cooperativas brasileiras. 2.3.1.3 A relação entre a CGS e Desempenho (Socioambiental e Econômicofinanceiro) moderada pela Dimensão do Ambiente (Dinâmico, Complexo e Munificente). A dimensão do ambiente integrou o conjunto de hipóteses de Duesing (2009, p.107) onde apresentou que a relação da orientação para os stakeholders (OS) com o desempenho foi aplicada em pequenas empresas, sendo moderado pelo dinamismo ambiental, e que: “[...] quando o dinamismo ambiental for maior, haveria uma relação mais positiva dos funcionários, clientes e concorrentes orientados com o desempenho”. O autor complementa ainda, que “haveria relação negativa entre a orientação dos investidores e o desempenho quando o dinamismo ambiental fosse 80 elevado” (DUESING, 2009, p.107). Conforme esse autor, se por um lado existe uma relação positiva do dinamismo ambiental (variável moderadora) com alguns stakeholders (clientes, concorrente); por outro, o maior dinamismo também resulta em uma relação negativa dos investidores com o desempenho. Sobre os efeitos da munificência, Rueda-Manzanares, Aragón-Correa e Sharma (2008) declaram que não encontraram efeitos significativos da influência moderadora da complexidade e munificência para as empresas da amostra. A moderação entre o ambiente munificente, dinâmico e complexo e desempenho foi mensurada por Escobar (2012) e dentre os resultados alcançados, constatou que não houve relação de moderação. Assim, o quinto grupo de hipóteses foi formulado: H2c: A relação entre a capacidade de gestão dos stakeholders e o desempenho socioambiental é moderada pelo ambiente dinâmico. H2d: A relação entre a capacidade de gestão dos stakeholders e o desempenho econômico-financeiro é moderada pelo ambiente dinâmico. H3c: A relação entre a capacidade de gestão dos stakeholders e o desempenho socioambiental é moderada pelo ambiente complexo. H3d: A relação entre a capacidade de gestão dos stakeholders e o desempenho econômico-financeiro é moderada pelo ambiente complexo. H4c: A relação entre a capacidade de gestão dos stakeholders e o desempenho socioambiental é moderada pelo ambiente munificente. H4d: A relação entre a capacidade de gestão dos stakeholders e o desempenho econômico-financeiro é moderada pelo ambiente munificente. 2.3.2 Hipóteses Gerais de Pesquisa Sinteticamente, a relação entre os construtos e suas hipóteses contempladas na Figura 10 (p.76), está descrita no Quadro 5. 81 Quadro 5 - Descrição das hipóteses da pesquisa Classificação das variáveis Hipótese H1a CGS H1b H2a Dinâmica H2b H2c H2d H3a Complexa H3b H3c H3d H4a Munificente H4b H4c H4d Fonte: Elaborado pela autora. Referência Descrição A Capacidade de Gestão dos Stakeholders afeta positivamente o desempenho socioambiental das cooperativas brasileiras. A Capacidade de Gestão dos Stakeholders afeta positivamente o desempenho econômico-financeiro das cooperativas brasileiras. O dinamismo do ambiente afeta o desempenho econômico financeiro das cooperativas brasileiras, O dinamismo do ambiente afeta o desempenho socioambiental das cooperativas brasileiras. A relação entre a CGS e o DSA é moderada pela ambiente dinâmico. A relação entre a CGS e o DEF é moderada pela ambiente dinâmico. A complexidade do ambiente afeta o desempenho socioambiental das cooperativas brasileiras. A complexidade do ambiente afeta o desempenho econômicofinanceiro das cooperativas brasileiras. A relação entre a CGS e o DSA é moderada pelo ambiente complexo. A relação entre a CGS e o DEF é moderada pela ambiente complexo. A munificência do ambiente afeta o desempenho econômico financeiro das cooperativas brasileiras. A munificência do ambiente afeta o desempenho socioambiental das cooperativas brasileiras. A relação entre a CGS e o DSA é moderada pela ambiente munificente. A relação entre CGS e o DEF é moderada pela ambiente munificente. 82 3 METODOLOGIA Esta etapa pode ser considerada como a fase que irá nortear o pesquisador por congregar a estrutura operacional da pesquisa e buscar a compreensão do que, como e porque se pretende alcançar os objetivos definidos no estudo. A investigação foi pautada na pesquisa quantitativa, com uso primeiramente de paradigma pós-positivista explicadas por Creswell (2007, p.35) como sendo: “[...] raciocínio de causa-efeito, redução de variáveis específicas e hipóteses e questões, uso de mensuração [...]”. Quanto as hipóteses, Hair Jr. et al. (2009, p.80) revelam que “é uma declaração formal de alguma suposição não-comprovada que tenta explicar certos fatos ou fenômenos”. Têm-se, assim, as três temáticas centrais ou variáveis (dependentes, independentes e moderadoras) que compõe este trabalho: Capacidade de Gestão dos Stakeholders (CGS), Dimensões do ambiente (dinâmico, complexo e munificente) o Desempenho (socioambiental e desempenho econômicofinanceiro). Este capítulo está estruturado da seguinte forma: (a) tipo e estratégia de pesquisa; (b) método de coleta e análise de dados; (c) descrição da delimitação do estudo, decisões amostrais e delimitação temporal designada para o estudo; (d) objeto do estudo. 3.1 TIPO DE PESQUISA O tipo de pesquisa foi delineado a partir da análise de caráter descritivoquantitativo, com o uso da coleta de dados qualitativos e quantitativos. Referente aos objetivos, o estudo possui caráter explanatório, e descritivo. Freitas et al. (2000) explicam que a pesquisa explanatória serve para testar uma teoria e suas relações causais e porque existe tal relação. A pesquisa descritiva, “busca identificar quais situações, eventos, atitudes ou opiniões estão manifestos em uma população [...]” (FREITAS et al., 2000, p.106). Este tipo de pesquisa vai ao encontro do objetivo proposto para este trabalho: relacionar a capacidade de gestão dos stakeholders (CGS), o desempenho (socioambiental e econômico-financeiro) e a dimensão do ambiente (dinâmico, complexo e munificente), a partir da percepção dos dirigentes de cooperativas do Brasil. Neste sentido, as variáveis que compõem os construtos 83 da capacidade de gestão dos stakeholders, a dimensão do ambiente e o desempenho, foram investigadas para saber qual é a relação de uma com a outra e/ou mesmo se há moderação entre a dimensão do ambiente e o desempenho. Os procedimentos da pesquisa foram feitos com base no método do tipo survey. Freitas et al. (2000, p.105) consideram como “principais características do método de pesquisa survey podem ser citadas: o interesse é produzir descrições quantitativas de uma população; e faz uso de um instrumento predefinido”. O levantamento ou pesquisa survey culmina em explicar as relações entre as variáveis, assim como refere-se a um meio de coletar informações sobre características, ações ou opiniões de um grande grupo de pessoas, ou população (PINSONNEAULT, KRAEMER, 1993). Referente à fase temporal, este estudo se caracterizou como avaliação de corte transversal (HAIR JR. et al., 2009). Os estudos descritivos proporcionam dados transversais, pois “os dados são coletados em um único ponto no tempo e sintetizados estatisticamente” (HAIR JR. et al., 2009, p. 87). As estratégias de pesquisa adotadas neste estudo se associaram a consulta de referências de obras que convergiram com os principais temas nele abordados (teoria dos stakeholders, ambiente organizacional e desempenho). A consulta ocorreu a partir de periódicos nacionais e internacionais disponíveis principalmente nas seguintes bases de dados: (a) Business Source Premier da EBSCOhost; (b) SciELO - Scientific Electronic Library Online; (c) Portal de periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior (Capes); (d) livros nacionais e internacionais com conteúdos específicos das linhas temáticas da tese. Considerando que as três temáticas (CGS, DA, DO) selecionadas para este estudo possuem empregos conceituais distintos, decidiu-se pelo uso de conceitos chave, com base em autores considerados como basilares, descritos na sequência. Para a capacidade de gestão dos stakeholders foi utilizada a classificação desenvolvida por Freeman (1984), a partir das sete dimensões, pelas similitudes entre algumas (i.e. comunicação/negociação e formulação estratégica/marketing). Entretanto, optou-se por trabalhar com apenas cinco, quais sejam: comunicação, formulação estratégica, proatividade, recursos e stakeholder serving – todas as cinco dimensões mensuradas tiveram como eixo norteador a satisfação dos stakeholders. 84 Para a dimensão do ambiente, foram relacionadas neste estudo as dimensões do ambiente dinâmico, complexo e munificente, indicadas por Dess; Beard (1984) para mensurar o ambiente organizacional. Cada dimensão teve os indicadores concentrados em: (a) dinâmico – ausência de padrões e imprevisibilidade – varia em termos de sua estabilidade/instabilidade; (b) complexo – heterogeneidade/homogeneidade – variedade de atividades; (c) munificente associada com a capacidade, declínio/aumento a ameaça e a oportunidade encontrada pelas organizações e seus recursos. Estas dimensões também foram replicadas a partir de Dess e Beard (1984) nos estudos de Rueda-Manzanares, Aragón e Sharma (2009), Carvalho (2011) e Escobar (2012). O desempenho organizacional foi segmentado em desempenho socioambiental e econômico-financeiro, e mensurados a partir dos seguintes indicadores: (a) socioambiental (DSA) - medido a partir dos indicadores referentes as relações com os empregados, inovações e segurança nos produtos, proteção do meio ambiente, relações com a comunidade. E estes foram utilizados nos estudos de Oliveira Jr.(1991); Agle, Mitchell e Sonnenfeld (1999); Roberto e Serrano (2007) para medirem o desempenho socioambiental; (b) econômico-financeiro (DEF): foi constituído a partir dos indicadores referentes à capacidade de autofinanciamento, endividamento total, crescimento das vendas, retorno dos investimentos, desempenho dos produtos/negócios. Esses indicadores comumente utilizados em estudos de estratégia, para medir o desempenho econômico-financeiro foram detectados nos trabalhos de Venkatraman e Ramanujam (1986); Oliveira Jr. (1991). 3.2 COLETA DE DADOS A abordagem foi realizada com estudo predominantemente quantitativo, sendo a coleta de dados feita a partir do método levantamento ou survey (HAIR JR. et al., 2007). Nesse tipo de coleta, não resta ao respondente outra alternativa a não ser a escolha entre as respectivas opções nas questões previamente definidas (CARVALHO, 2011). As questões propostas no questionário foram determinadas conforme cada construto proposto para CGS, DSA e DEF e dimensão do ambiente (dinâmico, complexo e munificente). Assim, com base nas temáticas envolvidas no construto desta pesquisa, foi elaborado o seu instrumento de medida. Para alcançar os resultados propostos foi 85 submetido inicialmente ao crivo de profissionais integrantes de organizações específicas do ramo cooperativo. Os profissionais que realizaram a avaliação foram selecionados pela disponibilidade de participação no processo de pesquisa e acessibilidade e atuam nas seguintes organizações: Organização das Cooperativas do Paraná - OCEPAR (Superintendente Adjunto); Coamo Agroindustrial Cooperativa (Superintendente Administrativo); Coagru Cooperativa Agroindustrial União (Gerente Industrial), e UNIVALI – Universidade do Vale do Itajaí (Professor Dr. na área de estratégia, e um professor Dr. na área de estatística com conhecimento em análise multivariada de dados – AMVD). A essa prática, Barreira (2009, p.72) com base em Connil (2004) considera, “que a validade de um instrumento de avaliação refere-se à sua adequação ao conceito teórico ou objeto que se quer medir ou intervir [...]”. E com essa premissa, os profissionais escolhidos para avaliarem o conteúdo do questionário opinaram e apresentaram sugestões cabíveis, incorporadas ao questionário. A coleta foi operacionalizada com questionário fechado, e teve com objetivo recolher as informações necessárias ao subsídio das análises para compreensão das relações entre a capacidade de gestão dos stakeholders (CGS), o desempenho (socioambiental e econômico-financeiro – DSA e DEF) e a dimensão do ambiente (dinâmico, complexo e munificente), partindo da percepção dos dirigentes de cooperativas do Brasil, por entender que estes possuem a responsabilidade final nas decisões estratégicas das mesmas. Há que se ressaltar, diante da concepção da análise fatorial exploratória (estatística), o questionário, principalmente quanto a primeira parte ou quadro I (Apêndice B). Este, por não ter sido aplicado anteriormente, foi convalidado a partir deste estudo, concomitantemente às relações com as outras partes que o compõem. E assim, as exclusões de questões, diante da falta do grau de significância, poderão ocorrer, porém, acautelando-se da quantidade necessária a ser utilizada nos cálculos específicos. Para a mensuração dos construtos fez-se uso de escala com seis categorias (pontos) de análise em todas as questões, o que não permite a neutralidade por parte do respondente, e sim o seu posicionamento em relação ao item da pergunta (Apêndice B). A aplicação dessa escala também se encontra no estudo de Dias (2007) para avaliar o segmento cooperativo no país. A descrição operacional para CGS e o ambiente organizacional foi medida a partir da escala, considerando: “1” 86 discordo totalmente; “2” discordo muito; “3” Discordo pouco; “4” Concordo pouco; “5” Concordo muito e “6” Concordo totalmente. Para DSA e DEF foi medida a partir da escala: “1” péssimo; “2” muito ruim; “3” ruim; “4” bom; “5” muito bom; e “6” excelente – conforme questões aplicadas e descritas nos Quadros 7 (p. 96) a 17 (p.103). Conceitualmente, a coleta dos dados pode ser primária ou secundária. Hair Jr. et al., (2009, p. 98) afirmam que os dados primários são coletados com o intuito de dar completude ao projeto de pesquisa, e que “qualquer projeto que exija a criação e implementação de um survey dará origem a dados primários”. Os secundários “são aqueles que foram coletados para algum outro propósito de pesquisa”. Os dados do presente estudo foram coletados a partir do método survey ou levantamento que pressupõe o procedimento relativo à coleta de dados primários, a partir de indivíduos (HAIR, JR et al., 2009) ou dirigentes do nível estratégico (tomadores de decisão). A unidade de análise foi organizacional e aplicada nas cooperativas do Brasil. Na primeira etapa foram identificadas as cooperativas com base nos endereços, descritos no site da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB). No segundo momento foi feito contato com as Organizações das Cooperativas por Estado (OCE´s) para obtenção da listagem contendo os nomes e endereços das cooperativas (todos os ramos). De posse das listagens, com os respectivos endereços das cooperativas, houve o contato por telefone e e-mail (com apresentação formal – Apêndice A), direcionado aos dirigentes das cooperativas (presidente ou membro da diretoria), com orientação geral de resposta ao questionário (Apêndice B). Justifica-se que a escolha dos dirigentes se deu pela posição hierárquica de ocupação, e deveriam estar na posição de tomadores de decisão na cooperativa. Para a realização da coleta de dados foi utilizado o SurveyMonkey®. O envio inicial ocorreu por e-mail às cooperativas registradas na OCB. Após solicitação formal (e-mail), intensificada por telefone, houve apoio por parte de algumas cooperativas centrais (e.g. SICOOB-cooperativa de crédito e UNIMED-cooperativa de saúde). Destaque especial para a Cooperativa UNIMED do Brasil, que após contato telefônico, elaborou a Circ.Pres.005/12 (Anexo A), enviada pela própria UNIMED às cooperativas Singulares e Federações do Sistema Unimed convidando as suas filiadas a responderem o questionário. 87 3.3 ANÁLISE DOS DADOS A análise e o procedimento do tratamento dos dados ocorreram em duas etapas, sucedidas após o retorno de cada questionário respondido: (a) avaliação geral de cada questionário quanto a sua compreensão e validação – se todas as respostas haviam sido devidamente preenchidas, para então classificá-lo de acordo com o preenchimento (manual ou digitado), e/ou se foi digitado no link disponibilizado durante os contatos – para evitar duplicidade de preenchimento; (b) tratamento estatístico dos dados obtidos, com a devida acuracidade, a partir das técnicas julgadas adequadas e necessárias para um estudo dessa natureza. Neste sentido, após o retorno dos questionários, início-se o tratamento estatístico por meio eletrônico do Software Statistica®, Statistical Package for the Social Sciences® (SPSS) e Microsoft Excel®. Esses mecanismos consistem basicamente em um programa de planilha eletrônica que contribui com o processo de rotação e análise dos dados obtidos com a pesquisa. A opção por esses recursos estatisticos justifica-se pela agilidade na operacionação, face à quantidade de resultados numéricos obtidos e por auxiliar na interpretabilidade dos dados. Para o tratamento e análise dos dados, houve a importação dos questionários respondidos no SurveyMonkey® de duas formas: (a) entrada manual (digitação) dos questionários respondidos no formato word e que foram enviados por e-mail pelas cooperativas; (b) questionários respondidos pelas cooperativas diretamente no SurveyMonkey. Inicialmente, ao desenvolver a análise das 197 respostas coletadas no SurveyMonkey, identificou-e que 6,09% foram respondidas em duplicidade, reduzindo para 185 o número de respondentes. Observou-se também que 14 cooperativas não responderam as questões (dados ausentes). A decisão de exclusão dessas questões foi amparada pela relevância no processo analítico que compõe a mensuração necessária para este estudo. Logo, o total final considerado foi de 171 questionários tratados estatisticamente, ou seja, o equivalente a 86,80% dos respondentes coletados foram validados para este estudo. Kline (2005) sugere que amostras entre 100 e 200 sejam consideradas médias, menores que 100 são pequenas, e maiores que 200, grandes. Para a tabulação e análise dos dados primários, houve o uso da técnica análise descritiva dos dados, que avalia a distribuição de frequência das respostas 88 obtidas das cooperativas. Fávero et al., (2009,p. 51) acreditam que a “estatística descritiva permite ao pesquisador uma melhor compreensão do comportamento dos dados por tabelas, gráficos e medidas-resumo, identificando tendências, variabilidade e valores atípicos”. À operacionalização dos dados, foram aplicados três procedimentos de análise estatística multivariada: (a) análise fatorial exploratória; (b) análise fatorial confirmatória; e (c) modelagem de equações estruturais. A primeira se refere à análise e define possíveis relações (HAIR JR. et al., 2009; ARANHA; ZAMBALDI, 2008; FÁVERO et al., 2009) foi formada pelos construtos e suas variáveis: (a) a CGS é composta por comunicação, formulação estratégica, recursos, proatividade e stakeholder-serving; (b) dimensões do ambiente (complexo, munificente e dinâmico); (c) desempenho (socioambiental e econômico-financeiro). A análise fatorial confirmatória, ou uso de uma técnica multivariada para testar uma relação préespecificada (HAIR JR. et al., 2009), foi utilizada para confirmar a significância entre a relação da CGS, DA e DO nas cooperativas do Brasil. Para o uso da modelagem de equações estruturais houve a necessidade da elaboração de etapas básicas e distintas, formadas pela aplicação da análise fatorial exploratória e confirmatória: (a) aplicação da análise fatorial exploratória (AFE) serviu para identificar a unidimensionalidade de cada construto relacionado à capacidade de gestão dos stakeholders (CGS), desempenho socioambiental e econômico-financeiro; bem como para os construtos que compõem as dimensões do ambiente (dinâmico, complexo e munificente) - avaliar as cargas fatoriais > [0,7] e carga fatorial, 2 = comunalidade > = 0,50; (b) aplicação da análise fatorial exploratória (AFE) nos indicadores dos respectivos construtos da comunicação, formulação estratégica, proatividade, recursos e stakeholder-serving da capacidade de gestão dos stakeholders; dimensões do ambiente (dinâmico, complexo e munificente), e do desempenho (socioambiental e econômico-financeiro), com o propósito de ao reduzir, identificar quais são os fatores ou construtos latentes; (c) aplicação da análise fatorial confirmatória (AFC) que compõe as dimensões de cada construto, cujo objetivo culmina no modelo de mensuração desta tese. À análise fatorial, especificamente, Fávero et al. (2009, p. 237) estabelecem quatro etapas básicas: “(i) análise da matriz de correlações e adequações da utilização da AF; (ii) extração dos fatores iniciais e determinação do número de fatores; (iii) rotação de fatores; e (iv) interpretação dos fatores”. 89 Para realizar os cálculos e determinar a assimetria e a curtose foi utilizado o software Statística® versão 8. Destaca-se que a relevância no uso dessas duas medidas está na avaliação da normalidade da distribuição, em consonância com Carvalho (2011). Os valores considerados para determinar a assimetria (medida da simetria de uma distribuição são relativos a valores assimétricos fora dos intervalos de -1 a +1) e a curtose (medida de elevação ou achatamento de uma distribuição se considerada a distribuição normal - valor positivo representa uma distribuição elevada e o negativo uma distribuição achatada) são respaldados por HAIR et al. (2009). 3.3.1 Análise da Normalidade, Homocedasticidade e a Linearidade No contexto da análise multivariada, a análise da normalidade é considerada a suposição fundamental, e está relacionada “à forma de distribuição dos dados para uma variável métrica individual e sua correspondência com a distribuição normal, o padrão de referência para métodos estatísticos” (HAIR et al., 2009,p.82). No estudo foi aplicado, além da assimetria e curtose (medidas empíricas) para identificar as variáveis com significâncias de normalidade, o teste estatístico de Kolmogorov-Smirnov (K-S), que conforme Fávero et al. (2009,p.112) trata-se de “[...] um teste de aderência que compara a distribuição de frequência acumulada de um conjunto de valores observados da amostra com uma distribuição esperada ou teórica”. A homocedasticidade se refere a uma suposição de que as variáveis de dependência exibem níveis iguais de variâncias ao longo do domínio da variável (is) preditora (s), e identifica a dispersão da variância. (HAIR JR.et al., 2009). A linearidade indica as relações de dependência entre as variáveis, ou ainda: “[...] suposição de que as variáveis dependentes exibem níveis iguais de variância ao longo do domínio da(s) variáveis preditora (s)”. (HAIR, JR, et al., 2009, p. 84). A linearidade é baseada em medidas correlacionais de associação que inclui “a regressão múltipla, regressão logística, análise fatorial e modelagem de equações estruturais” (HAIR, JR. al., 2009, p.86). Neste estudo, as medidas utilizadas foram concentradas na análise fatorial e modelagem de equações estruturais por serem consideradas adequadas. 90 3.3.2 Unidimensionalidade dos Construtos Para a análise do modelo de mensuração foi avaliada a unidimensionalidade e a confiabilidade dos construtos que neste estudo se caracterizam como um conjunto de indicadores “[...] que tem apenas um traço inerente ou conceito em comum” (HAIR JR. et al., 2005b, p. 470). O teste de unidimensionalidade pressupõe que “cada escala múltipla deve consistir de itens com cargas altas em um único fator (HAIR JR. et al., 2009, p.126). Para elaborar e aplicar o teste e também avaliar a modelagem de equações estruturais, a sequência utilizada para identificar a relação entre os resultados esperados e os construtos medidos deteve-se nos quatro passos representados na Figura 11, elaborados com base em Hair Jr. et al. (2009) e Fávero et al. (2009). Figura 11 - Etapas para a mensuração dos construtos Fonte : Elaborada pela autora a partir das concepções de Hair et al., (2009) e Fávero et al.,(2009). 3.3.3 Análise Fatorial Exploratória e Confirmatória Inicialmente as definições encontradas para análise fatorial (AF) indicam que é uma técnica estatística que busca a avaliação de um conjunto de variáveis, ou seja, para Bezerra (2007, p.74) consiste na “[...] a identificação de dimensões de variabilidade comuns existentes em um conjunto de fenômenos, o intuito é desvendar estruturas existentes, mas que não observáveis diretamente”. O autor apresenta ainda, que a “AF tem como um de seus principais objetivos tentar 91 descrever um conjunto de variáveis originais através da criação de um número menor de dimensões ou fatores” (p.74). Essa definição é convergente com os preceitos de Aranha e Zambaldi (2008), cuja concepção é que, AF sendo uma técnica estatística, é caracterizada por um conjunto de variáveis diretamente mensuráveis, chamado de variáveis observadas. Para Hair Jr. et al. (2009, p.104) o ponto inicial para a análise fatorial é o problema de pesquisa, e ainda revelam que “o propósito geral de técnicas de análise fatorial é encontrar um modo de condensar (resumir) a informação contida em diversas variáveis originais em um conjunto menor de novas dimensões compostas ou variáveis estatísticas (fatores) com uma perda mínima de informação [...].” Segundo Hair Jr. et al. (2009) a análise fatorial presume duas tipologias analíticas: análise fatorial do tipo R – agrupamentos de variáveis ou análise fatorial do tipo Q – agrupamentos de casos. Neste sentido, este trabalho utiliza a análise fatorial R que analisa as relações entre as variáveis “[...] para então identificar grupos de variáveis que formam dimensões latentes (fatores)” (HAIR JR. et al., 2009, p.101). Para a análise fatorial (AF) foram estudadas as relações entre as variáveis observáveis da capacidade de gestão dos stakeholders; da dimensão do ambiente, e do desempenho. Essa análise se aplica “à busca de identificação de fatores num conjunto de medidas realizadas” (PEREIRA, 1999, p. 22). Para a análise de variância (ANOVA ou análise de correlação) será apresentada a relação entre as variáveis (HAIR JR, et al., 2009, CORRAR; PAULO; DIAS FILHO, 2007). 3.3.3.1 Análise Fatorial Exploratória Para a análise fatorial exploratória e identificação da unidimensionalidade dos indicadores de cada construto, a carga fatorial e valor mínimo esperado é de 0,40 (HAIR JR. et al., 2009). Logo, as medidas e os valores mínimos com os respectivos passos foram: (a) Analisar a matriz de correlações e verificar se existem valores significativos (superiores a 0,30 – correlação inter itens e superiores a 0,50 – correlação item-total – HAIR JR. et al., 2009) para utilizar a técnica, ou ainda medir a associação linear entre as variáveis, por meio da correlação de Pearson; 92 (b) Analisar Kaiser-Meyer-Olkin (KMO) com valores entre 0 e 1 (próximo de 0 indicam que pode não ser adequada e quanto mais próximo de 1 o seu valor, mais adequada é a utilização da técnica e o teste de esfericidade de Bartlett para avaliar a hipótese de que a matriz das correlações pode ser a matriz identidade com determinantes igual a 1; (c) Analisar a matriz anti-imagem, indicam valores negativos das correlações parciais e é uma forma de obter indícios se há necessidade de eliminação de determinada variável do modelo (FÁVERO et al., 2009); (d) Analisar Alfa de Cronbach, e identificar a medida de confiabilidade que varia de 0 a 1 – valores de 0,60 a 0,70 são considerados como limite inferior de aceitabilidade (HAIR JR. et al., 2009). De acordo com essa explanação, as expressões a serem aplicadas neste trabalho consistiram em: 1) Teste de esfericidade de Bartlett: “se a matriz de correlações for igual à matriz de identidade, isso significa que as inter-relações entre as variáveis são iguais a 0 e, neste caso, deve-se reconsiderar a utilização da AF.” (FÁVERO et al., 2009, p.241); 2) A Kaiser-Meyer-Olkin (KMO), medida com a expressão a seguir, composta pelo coeficiente de correlação entre variáveis (ᵣ ) e o coeficiente de correlação parcial (ᵅ ); 3) A Matriz Anti-imagem descreve que “pode-se calcular uma Medida: de Adequação da Amostra, ou Measure of Sampling Adequacy (MSA) com valor mínimo esperado de 0,50 mínimo aceitável e 0,80 admirável, para cada variável, de forma similar à estatística KMO”. (HAIR JR., et al., 2009, p.313). Conforme Gerbing e Anderson (1988) o desenvolvimento e a avaliação de escalas de mensuração tradicionalmente baseia-se em uma ou mais das escalas de coeficiente alfa, correlações item-total e análise fatorial exploratória. Para os autores a escolha de um desses métodos baseia-se em critério diferente de conclusão. Somente a análise fatorial exploratória é apontada como modelo de medida de múltiplos-indicadores, testa diretamente a unidimensionalidade, conforme a definição dada pela equação para o modelo de mensuração. (GERBING; ANDERSON, 1988). 93 A diferença para a AFE e AFC apresentada por Hair Jr. et al. (2009) consiste em dizer que enquanto a AFE explora os dados e fornece informações da quantidade de fatores necessários para a representação dos dados, a AFC “[...] é uma maneira de testar quão bem, variáveis medidas, representam um número menor de construtos” (p. 589). A esse aspecto, Byrne (2010, p.6) esclarece que “[...] o modelo analítico do fator (AFE ou AFC) se concentra unicamente sobre a forma, e na medida que, as variáveis observáveis são ligadas aos seus fatores latentes subjacentes”. Neste estudo a AFC foi utilizada a partir do software AMOS® (Analysis of Moment Structure), versão 16. Para avaliar o ajuste do modelo e estabelecer a sua aceitabilidade destaca-se o uso de três medidas, ajuste absoluto, incremental e parcimônia: (a) medidas de ajuste absoluto referem-se a correspondência existente entre a matriz estimada (observados) pelo modelo e a matriz de dados iniciais – modelo proposto; (b) incremental está relacionada com o modelo proposto com um modelo nulo – ou ainda comparar modelos alternativos; (c) parcimônia, refere-se “[...] ao nível de ajuste por coeficiente estimado e são mais adequados para comparar modelos alternativos”. (RUEDA-MANZANARES, 2005, p.154). Complementarmente, Hair Jr. et al. (2009, p.571) descrevem que o índice de parcimônia fornece informações “sobre qual modelo, em um conjunto de modelos concorrentes, é melhor, considerando seu ajuste relativo a complexidade” - a parcimônia é melhorada visando um melhor ajuste, ou modelo mais simples. A estatística do qui-quadrado ou X² é fundamental para representar o índice de ajuste absoluto. Carvalho (2011) corrobora conceitualmente ao explicar que em equações estruturais a estatística X² é utilizada de maneira inversa ao seu uso de análise de tabelas cruzadas, na busca por diferenças entre matrizes. Em equações estruturais o uso da estatística X² é baseado na busca de matrizes semelhantes – valores baixos de X², “[...] para sustentar o modelo como representativo de dados”. (HAIR JR. et al., 2009, p.568). Dentre os índices de ajuste absolutos mais comumente usados estão: (i) estatística do valor do qui-quadrado (X²); (ii) índice de qualidade de ajuste (GFI) com a variação entre 0 a 1, sendo que maiores ajustes indicam melhores ajustes, 0,90 era considerado com bom ajuste; (iii) a Raiz Quadrada da Média do Erro da Aproximação (RMSA) possui valores abaixo de 0,10, na maioria dos modelos aceitáveis. No entanto, como vantagem do RMSA, Hair Jr. et al, (2009, p.569) 94 acreditam que “[...] um intervalo de confiança pode ser construído, fornece o domínio de valores de RMSA para um dado nível de confiança”. Logo, o RMSA com 95% de confiança pode variar entre 0,03 a 0,08. A medida de ajuste incremental é composta pelos seguintes índices: (i) Ajuste Normalizado (NFI) que poderá variar entre 0 e 1, e para estar perfeitamente ajustado terá um NFI de 1; (ii) Índice de Qualidade de Ajuste (AGFI) – considera os diferentes graus de complexidade do modelo – os valores de AGFI normalmente são menores que GFI (HAIR JR. et al. 2009) – este índice está incluído nesta composição conforme referencia Rueda-Manzanares (2005); (iii) Índice de Tucker Lewis (TLI) não é normalizado e poderá ficar abaixo de 0 ou superior a 1 – para se ter um bom ajuste deverá se aproximar de 1; (iv) Índice de ajuste comparativo (CFI), com valores entre 0 e 1 – mais próximos de 1 – indicam melhor ajuste, o CFI é versão melhorada do NFI; (iv) Índice de Não-Centralidade Relativa (RNI), compara o ajuste observado resultante com aquele do modelo nulo. Em suma, esses índices devem ter o valor acima de 0,90 para representar uma boa qualidade de ajuste do modelo. No entanto, dentre esses índices os mais usados normalmente são TLI e o CFI. (HAIR JR. et al. 2009). Quanto a terceira e última medida está à parcimoniosa, ou de adequação relativa à sua complexidade. Para a Razão de Parcimônia (PR), Hair Jr. et al. (2009, p.571) esclarece que a PR “[...] de qualquer modelo forma a base para essas medidas sendo calculada como a razão entre graus de liberdade usados por um modelo e o total disponível de graus de liberdade”. Os autores também apresentam a razão da parcimônia a partir de dois índices: (i) Índice de Qualidade de Ajuste de Parcimônia (PGFI), que ajusta o GFI com o uso do PR – os valores variam entre 0 e 1; (ii) Índice de ajuste normalizado de parcimônia (PNFI) que ajusta o NFI multiplicando-o por PR e os valores do PNFI, com valores relativamente elevados, representam ajuste relativamente melhor. Dessa forma, foi elaborado o Quadro 6 para representar as medidas de ajuste utilizadas para este estudo, com os respectivos valores recomendados como sendo aceitáveis para o modelo. 95 Quadro 6 - Medidas de referência e os valores aceitáveis. Medidas Ajuste absoluto Qui-quadrado (X²) X² / Graus de liberdade (GL) Raiz do Erro Quadrático Médio (RMSA)* Ajuste incremental Índice de Ajuste ponderado (NFI) Índice de Tucker-Lewis (TLI) Índice de Ajuste Comparativo (CFI) Valores aceitáveis p acima de α (alfa) <3 <0,100 >0,900 >0,900 >0,900 Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). Nota*: A RMSA está entre 0,03 a 0,08 com 95% de confiança (HAIR JR. et al. 2009). 3.3.4 Análise Fatorial Confirmatória A AFE ocorreu inicialmente com 65 variáveis (ou fatores) que compõem os construtos, e após o processo operacional permaneceram 40. Essas variáveis restantes passaram pela fase analítica (KMO, MSA, Bartlett, Alfa de Cronbach) e, após todos os testes estatísticos, alcançaram a aceitação e significâncias recomendadas (>0,30,>0,50,>0,70). Sob esse enfoque, os dados resultantes foram analisados pela análise fatorial confirmatória (CFA) para verificar se “a especificação dos fatores combina com a realidade (os dados verdadeiros)” (HAIR et al., 2009,p.590), ou ainda, para avaliar se os dados observados confirmam ou rejeitam a expectativa teórica (ARANHA; ZAMBALDI, 2008; HAIR et al. 2009). Assim, a modelagem de equações estruturais (SEM ou MEE em português) foi aplicada para testar “o grau em que o padrão a priori de cargas fatoriais do pesquisador representa os dados reais” (HAIR et al. 2009). O uso da SEM possibilita investigar se as variáveis preditoras (variáveis independentes) explicam a variável dependente - relações causais, indicando qual variável preditora é a mais importante (SILVA, 2006). Para a validação do modelo, Hair Jr. et al., (2009) recomendam a utilização de quatro indicadores, sempre que for possível, mas consideram que três indicadores são aceitáveis, quando outros construtos tiverem mais do que três. Sugerem que seja evitados construtos com menos de três indicadores, pela inviabilidade do teste de ajuste do modelo. Hair Jr. et al. (2009) explica a inviabilidade devido ao número de graus de liberdade (zero é o limite inferior para os graus de liberdade de qualquer modelo) idêntico ao da estimativa que serão calculadas. Ação essa, na prática, pode ser comprovada no estudo de Carvalho 96 (2011) quando optou em manter três indicadores no modelo de mensuração por considerar que uma eventual exclusão, poderia implicar em limitações ao trabalho. Igualmente Escobar (2012) decidiu manter os três indicadores, resultantes, para medir o modelo final de sua pesquisa. 3.3.5 Modelagem de Equação Estrutural para os Construtos A utilização da modelagem de equação estrutural (MEE) ou structural equation modeling (SEM) configura-se quando ocorrem múltiplas relações de variáveis dependentes e independentes, habitualmente chamada de LISREL. Refere-se a uma “técnica que permite separar relações para cada conjunto de variáveis dependentes” (HAIR JR. et al., 2005a, p.34). Os autores acrescentam que a MEE fornece a técnica de estimação apropriada e mais eficiente para uma série de equações de regressão múltipla, separadas e estimadas simultaneamente. Tal técnica caracteriza-se por dois instrumentos básicos, estrutural e mensuração. O modelo estrutural ou de caminhos – relaciona variáveis independentes com dependentes. Abbad e Torres (2002) revelam a importância do uso da regressão múltipla associados a alguns temas também utilizados neste estudo, principalmente quanto ao gerenciamento e o desempenho: Nas pesquisas internacionais, apesar de um notório crescimento do interesse dos pesquisadores por técnicas estatísticas sofisticadas como a Equação Estrutural, observa-se o uso de Regressão Múltipla em pesquisas sobre temas importantes da área de comportamento organizacional como comprometimento organizacional (Shadur, Kienzle & Rodwell, 1999), avaliação de desempenho (Schwarzwald, Koslowsky & Mager-Bibi, 1999) e comportamento gerencial (Krishnan & Park, 1998) (ABBAD: TORRES, 2002, p.20). Para Hair Jr. et al., (2005a, p.34) os modelos que acomodam múltiplas variáveis dependentes, análise multivariada de variância e correlação canônica, não se aplicam nessa situação, por permitirem apenas uma única relação entre variáveis dependentes e independentes. Quanto ao modelo de mensuração, os autores revelam que tal técnica permite ao pesquisador usar distintas variáveis ou indicadores para uma única variável independente ou dependente. 97 Gallaghe, Ting, Palmer (2008) orientam sobre o uso da structural equation modeling (SEM) com o programa Analysis of Moment Structures (AMOS) a quem for utilizá-la pela primeira vez. Os autores citam os estudos de (BYRNE, 2001a; SCHUMACKER, LOMAX, 2004; KLINE 2005; HAIR JR. et al. 2006) reconhecem que o texto por eles produzidos complementam suas orientações. Gallaghe, Ting, Palmer (2008) oferecem ainda, informações do contexto histórico que envolve a modelagem de equações estruturais (MEE) na pesquisa acadêmica, ao mencionarem que, embora tenha sido generalizada e pode ser encontrada em uma ampla gama de disciplinas acadêmicas (incluindo ciências sociais), surgiu na literatura de negócios somente em 1980. Para as classificações existentes no contexto da MEE, Gallagher, Ting, Palmer (2008) explicam que as variáveis latentes são conhecidas como fatores ou construções. As variáveis observáveis também são conhecidas como exógenas, as dependentes são conhecidas como endógenas. Nesse sentido, Oyadomari (2008) recorre ao trabalho de Byrne (2001), pois este concorda que as variáveis dependentes são conhecidas como endógenas, mas acrescenta que podem ser influenciadas pelas exógenas. A modelagem de equações estruturais é apresentada por Byrne (2010) sob dois enfoques relevantes do processo: (i) os processos causais em estudo estão representados por uma série de equações estruturais (regressão); (ii) estas relações estruturais podem ser modeladas de forma a permitirem clareza da teoria estudada. Quanto aos pacotes de software para aplicação da MEE disponíveis para os pesquisadores, está o CALIS, Mplus e EQS, bem como, o LISREL, pacote que tem sido historicamente o mais amplamente utilizado e que se tornou praticamente sinônimo da MEE. 3.4 VARIÁVEIS E MEDIDAS MENSURÁVEIS Nesta seção é apresentada a construção das variáveis, suas inter-relações e como foram medidas. Estão subdividas em quatro variáveis latentes com seus respectivos indicadores observáveis: (a) capacidade de gestão dos stakeholders; (b) dimensões do ambiente (complexo, munificente, e dinâmico); e (c) desempenho (socioambiental e econômico-financeiro). A mensuração dos construtos, descrita na sequência, forma a variável independente, dependente e moderadora. 98 3.4.1 Variável Independente: Capacidade de Gestão dos Stakeholders (CGS) A representação dada ao construto da CGS integrada pela comunicação, formulação estratégica, proatividade, recursos e stakeholder-serving, está delineada no diagrama estrutural para os itens representados na Figura 12. Quanto ao diagrama estrutural para o construto da CGS, as elipses representam as variáveis latentes; os retângulos, os indicadores observáveis; e, os círculos menores, os termos de erro associado a cada um dos indicadores. As setas indicam o caminho que os construtos percorreram para serem mensurados. O Quadro 7 evidencia a descrição analítica para cada uma das dimensões do construto CGS, com base nos preceitos de Freeman (1984). Quadro 7 - Descrição analítica para a CGS. Construto CGS Processo de comunicação (COM1 a COM7) Formulação da estratégia (FE1 a FE9) Proatividade (PROA1 a PROA4) Recursos (REC1 a REC8) Stakeholder-Serving (SS1 a SS6) Descrição analítica Meios utilizados para efetivar a comunicação com múltiplos stakeholders (formais e informais). Formulação estratégica para definir estratégias de como servir aos stakeholders. As preocupações pertinentes ao atendimento dos stakeholders são antecipadas. Alocação, combinação, e o uso dos recursos internos e externos de forma convergente com as preocupações dos stakeholders. Serviços prestados aos stakeholders. Fonte: Elaborado pela autora. A Figura 12 apresenta o Diagrama estrutural para o construto CGS inicial, antes da aplicação dos respectivos cálculos estatísticos. Portanto, representa todos os indicadores e dimensões (comunicação, formulação estratégica, recursos, proatividade e stakeholder-serving) que compõem o construto. O Quadro 8, a seguir, contém os cinco indicadores juntamente com as respectivas questões elaboradas e utilizados no levantamento (questionário) para mensurar a capacidade de gestão dos stakeholders. A partir da realização desse procedimento, foi possível a sua operacionalização e analisabilidade. O parâmetro utilizado para a elaboração dessas questões foi obtido a partir de Freeman (1984). 99 Figura 12 - Diagrama estrutural para o construto CGS inicial Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). Legenda: Comunicação (COM1 a COM7); Formulação Estratégica (FE1 a FE9); Proatividade (PROA1 a PROA4); Recursos (REC1 a REC8); Stakeholder-Serving (StakeServing – SS1 a SS6). 100 Quadro 8 - Indicadores e variáveis de medida para a capacidade de gestão dos stakeholders PROATiVIDADE FORMULAÇÃO ESTRATÉGICA COMUNICAÇÃO DIMENSÃO CONSTRUTO: CAPACIDADE DE GESTÃO DOS STAKEHOLDERS Nossa cooperativa desenvolve canais formais (mídia, jornais, etc.) de comunicação com os stakeholders. Nossa cooperativa dispõe de um sistema formal de comunicação organizacional para manter contatos diretos com seus stakeholders. Nós usamos os canais informais (redes de relacionamentos com o público interno e externo) de comunicação para o intercâmbio (troca) de informações sobre o ambiente que atuamos. Nossa cooperativa dispõe de relatórios gerenciais de avaliação da qualidade e adequação dos controles internos e estes são disponibilizados aos cooperados. Discutimos amplamente com os cooperados os efeitos das políticas adotadas pela cooperativa. As informações que transmitimos aos nossos stakeholders são claras e facilmente compreendidas. Nossa cooperativa realiza prestação de contas do exercício em assembleias dirigidas aos cooperados. Em nossa cooperativa há identificação de nossos principais públicos (stakeholders), no intuito de conhecer e analisar suas expectativas. Em nossa cooperativa integramos stakeholders chave para formulação das estratégias (aproveitamento das experiências dos funcionários e o conhecimento de informações sobre os clientes, fornecedores, concorrentes, etc.). Nossa cooperativa estabelece um sistema de planejamento bastante rigoroso e detalhado. Colhemos informações setoriais ou regionais, junto aos nossos stakeholders, por meio de situações informais (almoços, promoções e eventos específicos) para a tomada de decisão. A nossa cooperativa estabelece sistema de planejamento muito aberto e flexível. A nossa cooperativa dispõe de ferramentas para identificar e avaliar a existência de fatores internos que podem afetar adversamente a realização dos objetivos da cooperativa. A nossa cooperativa dispõe de ferramentas para identificar e avaliar a existência de fatores externos que podem afetar adversamente a realização dos objetivos da cooperativa. A nossa cooperativa, antes de iniciar a construção da decisão, procura entender os grupos, pessoas e interesses envolvidos no processo (cultura, políticas locais, etc.). Nossa cooperativa desenvolve pesquisas de satisfação junto aos cooperados. Em nossa cooperativa antecipamos nossas decisões para atender as necessidades dos nossos stakeholders. Em nossa cooperativa enfatizamos o uso de sistemas de controle de custos para monitorar nosso desempenho. A nossa cooperativa possui a habilidade/competência para identificar oportunidades em situações adversas e crises. STAKEHOLDER SERVING RECURSOS Estamos sempre dispostos a antecipar as mudanças para obter mais eficiência e redução de custos. Em nossa cooperativa alocamos os recursos (financeiros, humanos, tecnológicos, físicos, etc.) para atender as preocupações e as necessidades dos cooperados. Em nossa cooperativa alocamos os recursos (financeiros, humanos, tecnológicos, físicos, etc.) para atender as preocupações e as necessidades dos clientes. A cooperativa se preocupa no que diz respeito à melhor alternativa em soluções financeiras com menores taxas de juros, ao mesmo tempo em que se oferece um serviço de qualidade. A cooperativa se preocupa no que se refere à avaliação de produtividade com tecnologias flexíveis e inovadoras (máquinas e equipamentos, informática, etc.). Temos uma reputação no mercado de sermos muito criativos e inovadores, sempre preocupados com as tendências e oportunidades. Em nossa cooperativa temos a capacidade para atender os recursos de capital organizacional (processos gerenciais em geral, seus sistemas formais e informais de planejamento, controle e coordenação, cultura e reputação, relações informais entre grupos dentro da organização e aqueles que estão em seu ambiente). Os nossos fornecedores estão geograficamente próximos em relação a localização da organização (fácil acesso). Os nossos consumidores estão geograficamente próximos em relação a localização da organização (fácil acesso). Em nossa cooperativa se pensa em termos de como servir nossos stakeholders (por exemplo: “como servir o cliente” ou “como servir os funcionários”, é possível generalizar essa filosofia “como servir o meu stakeholder”). Em nossa cooperativa existem incentivos e prêmios para cooperados e funcionários que promovem a busca de soluções para os problemas decorrentes dos processos do cooperativismo. Nossas atividades estão intimamente relacionadas com aspectos para o desenvolvimento econômico e social dos cooperados e da comunidade. Dedicamos atenção à família dos cooperados (programas específicos). Nossa cooperativa desenvolve programas de integração entre os cooperados. Nossa cooperativa desenvolve programas de integração entre os funcionários. Fonte: Elaborado pela autora. VAR COM1 COM2 COM3 COM4 COM5 COM6 COM7 FE1 FE2 FE3 FE4 FE5 FE6 FE7 FE8 FE9 PROA 1 PROA 2 PROA 3 PROA 4 REC1 REC 2 REC 3 REC 4 REC 5 REC 6 REC 7 REC 8 SS1 SS2 SS3 SS4 SS5 SS6 101 3.4.2 Dimensões do Ambiente (Dinâmico, Complexo e Munificente) - Variável Independente e Moderadora As dimensões do ambiente (dinâmico, complexo e munificente) tiveram como base analítica os estudos de Aldrich, (1979); Dess e Beard (1984); Dwyer e Oh (1987); Castrogiovanni (1991); Jogaratnam (1996); DeLaughter (1996); Finney (2001); Rueda-Manzanares (2005); Rueda-Manzanares, Aragón-Correa e Sharma (2008); Porto et al. (2009); Duesing (2009); Gardelin; Rossetto e Verdinelli (2010); e Carvalho (2011). Sobretudo, o parâmetro utilizado para elaboração das questões dessas dimensões, foi o questionário testado estatisticamente por RuedaManzanares, Aragón-Correa e Sharma (2008) e Carvalho (2011) que se teve acesso. A representação dada a esse construto foi resumida no diagrama estrutural para os itens das dimensões do ambiente: dinâmico (DIN1 a DIN7); complexo (COMP1 a COMP5) e munificente (MUN1 a MUN7), representadas na Figura 13. Figura 13 - Diagrama estrutural para os construtos dinâmico, complexo e munificente (inicial). Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). Para o diagrama estrutural do dinamismo, complexidade e munificência, a elipse maior representa as variáveis latentes; os retângulos compõem os indicadores 102 observáveis; e, os círculos menores os termos de erro para cada indicador. As setas indicam o caminho entre cada um deles. O Quadro 9 a seguir demonstra a descrição analítica com os respectivos autores utilizada para o ambiente dinâmico. Quadro 9 - Descrição analítica para o ambiente dinâmico Ambiente Dinâmico Descrição analítica Autor (es) Ausência de Padrões/ Imprevisibilidade O ambiente dinâmico varia em termos de estabilidade – instabilidade. Dess e Beard (1984), RuedaManzanares, Aragón-Correa e Sharma (2008), Porto et al., e Carvalho (2011). Fonte: Elaborado pela autora a partir das concepções dos autores referenciados no Quadro. Os fatores descritos no Quadro 10 foram integrantes das questões quanto ao ambiente dinâmico (DIN1 a DIN7). Quadro 10 - Fatores mensurados para a dimensão dinamismo DINAMISMO DIMENSÃO FATOR VARIÁVEL A regulamentação do setor de atuação da cooperativa muda muito DIN1 frequentemente. As condições econômicas que influenciam nosso mercado mudam muito DIN2 frequentemente. A tecnologia envolvida em nossas atividades têm mudado muito nos DIN3 últimos 2 anos. As necessidades dos nossos potenciais consumidores têm mudado muito DIN4 nos últimos 2 anos. As necessidades dos nossos cooperados têm mudado muito nos últimos DIN5 2 anos. A atuação dos nossos concorrentes têm mudado muito nos últimos dois 2 DIN6 anos. Aspectos sociais e culturais que influenciam nosso mercado têm mudado DIN7 muito nos últimos 2 anos. Fonte: Elaborado pela autora. Quanto à descrição analítica para o construto da complexidade, foi elaborado o Quadro 11, com base na revisão teórica desenvolvida nesta tese. Quadro 11 - Descrição analítica para a dimensão complexidade Ambiente Complexo Descrição analítica Autor (es) Heterogeneidade/ Homogeneidade/ Variedade de atividade O ambiente organizacional de tarefa varia em termos de sua complexidade, e as variáveis de dispersão, heterogeneidade, homogeneidade e concentração. Dess e Beard (1984), Rueda-Manzanares, Aragón-Correa e Sharma (2008), Porto et al. (2009) e Carvalho (2011) Fonte: Elaborado pela autora a partir das concepções dos autores referenciados no Quadro. No Quadro 12 está representada a descrição elaborada para dimensão complexidade (COMP1 a COMP5). 103 Quadro 12 - Fatores mensurados para a dimensão complexidade COMPLEXIDADE DIMENSÃO FATOR VARIÁVEL Há uma diversidade muito grande de fatores externos importantes para a tomada de decisão estratégica, e que estão relacionados à cultura COMP1 local e regional, condições climáticas, regulamentações, governo, mão de obra, fornecedores, concorrentes, etc. Há muita dificuldade em obter informações para auxiliar no processo de COMP2 tomada de decisão em nosso setor. Há necessidade de empenharmos esforços (informações, treinamento, alocação de recursos, etc.) para entender os fatores externos (cultura local e regional, condições climáticas, regulamentações, governo, mão COMP3 de obra, fornecedores, concorrentes, etc.) que influenciam nossa cooperativa. É difícil entender como está evoluindo nosso mercado. COMP4 Há muita dificuldade em realizar previsões em nosso segmento pela diversidade de elementos em nosso ambiente (regulamentações COMP5 governamentais, fornecedores, ambientalistas, sindicatos, concorrentes, empresas financeiras, clima, etc.). Fonte: Elaborado pela autora. À descrição analítica para a dimensão munificência, e com base na revisão teórica desenvolvida nesta tese, foi elaborado o Quadro 13. Quadro 13 - Descrição analítica para a dimensão munificência Ambiente Munificente Descrição analítica Autor (es) Capacidade Capacidade de nível de recursos disponíveis dentro de um contexto ambiental. Castrogiovanni (1991); Dwyer e Oh (1987); Jogaratnam (1996); DeLaughter (1996); Finney (2001); Gardelin, Rossetto e Verdinelli (2010), Carvalho (2011). Declínio/aumento Ameaça e oportunidade Capacidade de mudança causada por declínio ou aumento demográfico ou tecnológico. Extensão da capacidade não explorada de seus recursos – ameaças ou oportunidade. Fonte: Elaborado pela autora a partir das concepções dos autores referenciados no Quadro. O Quadro 14 representa a descrição analítica para a dimensão munificência (MUN1 a MUN7). Quadro 14 - Fatores mensurados para a dimensão munificência MUNIFICÊNCIA DIMENSÃO FATOR Nosso mercado têm crescido muito nos últimos 2 anos. Os recursos estão disponíveis no ambiente para atender à maioria das necessidades da nossa cooperativa. O ambiente em que estamos inseridos nos oferece mais oportunidade do que ameaças. Há clientes, fornecedores e outros recursos disponíveis para todas as cooperativas que atuam em nosso mercado. Disputamos um mercado com muitos concorrentes. Há muita rivalidade no mercado de nossa atuação. Estamos em um mercado no qual é muito difícil ser lucrativo. Fonte: Elaborado pela autora. VAR MUN1 MUN2 MUN3 MUN4 MUN5 MUN6 MUN7 104 3.4.3 Variável Dependente: Desempenho (Socioambiental e EconômicoFinanceiro) A variável dependente (desempenho) foi dividida em duas variáveis, desempenho socioambiental (DSA1 a DSA6) e desempenho econômico-financeiro (DEF1 a DEF6). Esta variável foi mensurada com base no conjunto de fatores elaborados e conceituados por Oliveira Jr. (1991), Agle, Mitchell, Sonnenfeld (1999), e Roberto e Serrano (2007). O desempenho socioambiental e o econômico-financeiro estão representados com a elipse maior; os indicadores (fatores), em forma de retângulos; e os termos de erro para cada indicador estão contidos nos círculos menores, conforme demonstrados na Figura 14. Figura 14 - Diagrama estrutural para o construto DSA e DEF Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). O Quadro 15 demonstra a descrição analítica do construto do desempenho socioambiental e econômico-financeiro. Quadro 15 - Descrição analítica para o DSA e DEF Construto DSA e DEF Socioambiental Econômicofinanceiro Descrição analítica Autor (es) Relações com os empregados, inovações e segurança nos produtos, proteção do meio ambiente, relações com a comunidade. Capacidade de autofinanciamento, endividamento total, crescimento das vendas, retorno dos investimentos, desempenho dos produtos/negócios. Oliveira Junior (1991) Agle, Mitchell, Sonnenfeld (1999), e Roberto e Serrano (2007). Fonte: Elaborado pela autora a partir das concepções dos autores referenciados nesse Quadro. 105 As descrições analíticas para o construto da dimensão do desempenho socioambiental e econômico-financeiro estão representadas nos Quadro 16 e Quadro 17. Salienta-se que as perguntas que compõem esses dois quadros, foram elaboradas a partir dos trabalhos de Oliveira Junior (1991), Agle, Mitchell, Sonnenfeld (1999), e Roberto e Serrano (2007) utilizados como parâmetro científico. Quadro 16 - Fatores de mensuração para o construto desempenho socioambiental. DESEMPENHO SOCIOAMBIENTAL CONSTRUTO FATOR Quanto aos clientes (considere o desempenho da organização em satisfazer seus clientes ao terem suas necessidades atendidas). Quanto aos cooperados (considere o desempenho da organização em satisfazer seus cooperados ao terem suas necessidades atendidas). Quanto ao prazo de entrega (considere o desempenho da organização quanto ao cumprimento dos prazos de serviços prestados pela cooperativa). Quanto à matéria-prima - fornecedor (considere o desempenho da organização na obtenção de matéria prima). Quanto aos funcionários (considere o desempenho do funcionário quanto a sua produtividade). Quanto à preservação ambiental (considere os programas desenvolvidos pela cooperativa para a preservação ambiental). VAR DSA1 DSA2 DSA3 DSA4 DSA5 DSA6 Fonte: Elaborado pela autora. Quadro 17 - Fatores de mensuração para o construto desempenho econômicofinanceiro DESEMPENHO ECONÔMICO-FINANCEIRO CONSTRUTO FATOR Quanto ao autofinanciamento (considere a capacidade que a cooperativa tem de crescer e sustentar suas operações com o capital de giro próprio). Quanto ao endividamento total (considere a capacidade da organização em utilizar recursos externos para o financiamento dos investimentos totais a curto e a longo prazo). Quanto ao crescimento das vendas (considere a capacidade da organização em mensurar o aumento real das atividades econômicas entre dois períodos). Quanto a participação de mercado – market share (considere a capacidade da organização em medir suas vendas ou o recebimento em relação ao seu mercado de atuação). Quanto ao retorno dos investimentos (considere a capacidade da organização em realizar resultados em relação ao total dos ativos). Quanto ao desempenho dos produtos/negócios (considere a capacidade da organização em beneficiar os cooperados a partir dos preços). VAR DEF1 DEF2 DEF3 DEF4 DEF5 DEF6 Fonte: Elaborado pela autora. A seguir apresenta-se a composição completa da estrutura estudada nesta tese, visualizada na Figura 15 e no Quadro 18, com a legenda que congrega a composição dos construtos e as principais referências utilizadas como embasamento teórico. Dessa forma, a estrutura delineada no Quadro 19 descreve o protocolo geral desta pesquisa. 106 Figura 15 - Estrutura geral inicial do estudo da tese Fonte: Elaborada e adaptada pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). 107 Quadro 18 - Legenda para os variáveis mensurados Dimensões Construto: CGS Descrição Comunicação (COM1 a COM7): Freeman(1984) Canais de comunicação. (formal/informal) Formulação Estratégica (FE1 a FE9): Freeman(1984) Formulação estratégica para definição das estratégias de como servir aos stakeholders. Proatividade (PROA1 a PROA4): Freeman (1984) As preocupações pertinentes ao atendimento dos stakeholders são antecipadas. Recursos (REC1 a REC8): Freeman(1984) Alocação, combinação, e o uso dos recursos internos e externos de forma convergente com as preocupações dos stakeholders. Construto AMBIENTE Dimensões Descrição Dinamismo (DIN1 a DIN7): Dess e Beard (1984) RuedaManzanares, Arágon-Correa e Sharma (2008), Porto et al. (2009), Duesing (2009), e Carvalho (2011). Complexidade (COMP1 a COMP5): Dess e Beard (1982, 1984) Rueda-Manzanares, AragónCorrea e Sharma (2008), Porto .et al. (2009), Duesing (2009), e Carvalho (2011). Munificência (MUN1 a MUN7): Castrogiovani (1991), Dwyer e Oh (1987), Jogaratnam (1996), DeLaugther (1996), Dess e Beard (1982, 1984), Finney (2001), Rueda-Manzanares, Arágon-Correa e Sharma (2008), Duesing (2009), Porto et al. (2009) e Carvalho (2011). a) Ausência de Padrões/ Imprevisibilidade b) estabilidade – instabilidade. a) Heterogeneidade; b) Homogeneidade; c) Concentração. a) Capacidade; b) Declínio/ Aumento. c) Ameaça/ oportunidade. - StakeholderServing (SS1 a Servir a seus stakeholders. SS6): Freeman (1984). Fonte: Elaborado pela autora a partir das concepções dos autores referenciados no Quadro. Construto: Desempenho Tipos Descrição Desempenho socioambiental a) Satisfação dos: clientes, (DSA1 a DSA6): cooperados, Oliveira Junior (1991); b) Funcionários e fornecedores. Agle, Mitchell, c) Serviços prestados pela Sonnenfeld (1999); cooperativa. Roberto e Serrano d) Preservação Ambiental. (2007). a) Auto-financiamento b) Endividamento total. Desempenho c) Crescimento das vendas. econômico-financeiro d) Participação do mercado. (DFE1 a DEF6): e) Retorno dos investimentos. Oliveira Jr. (1991). f) Desempenho dos produtos/negócios. - - - - - - - - 108 Quadro 19 - Protocolo de pesquisa Pergunta de Pesquisa: Qual é a relação entre a capacidade de gestão dos stakeholders, a dimensão do ambiente (dinâmico, complexo e munificente), e o desempenho socioambiental e econômico-financeiro na percepção dos dirigentes de cooperativas do Brasil? Construto Objetivos *Conteúdo Objetivo Geral Hipóteses exploradas Método (base para a Específicos Questões (Apêndice B) construção) Teste de hipóteses a H1a: A CGS afeta positivamente o DSA das cooperativas Quadro II ou Parte II: partir da análise fatorial brasileiras. Capacidade de Gestão exploratória e Mensurar a relação dos Stakeholders confirmatória, CGS: Freeman entre a CGS e o regressão múltipla e (comunicação, desempenho (DSA (1984) modelagem de formulação estratégica, H1b: A CGS afeta positivamente o DEF das cooperativas DEF). equações estruturais. recursos, proatividade, brasileiras. stakeholder-serving) Relação entre a CGS, DSA e DEF. H2a: O dinamismo do ambiente afeta o DEF das cooperativas brasileiras. Dimensão do Teste de hipóteses a Relacionar a capacidade H3a: A complexidade do ambiente afeta o DSA das partir da análise fatorial Ambiente de gestão dos cooperativas brasileiras. Mensurar a relação exploratória e (Complexo, Quadro III ou Parte III: stakeholders (CGS), o H4a: A munificência do ambiente afeta o DEF das do ambiente confirmatória, munificente e Ambiente desempenho cooperativas brasileiras. (dinâmico, complexo regressão múltipla e dinâmico): organizacional: (socioambiental e e munificente) e o modelagem de RuedaH2b: O dinamismo do ambiente afeta o DEF das complexo, munificente e econômico-financeiro), e a desempenho (DSA e cooperativas brasileiras. equações estruturais. Manzanares, dinâmico. dimensão do ambiente DEF). Testar a relação entre Aragón-Correa e H3b: A complexidade do ambiente afeta o DEF das (dinâmico, complexo e a CGS, DSA, DEF, e o Sharma (2008), cooperativas brasileiras. munificente), a partir da Carvalho (2011). H4b: A munificência do ambiente afeta o DSA das Ambiente. percepção dos dirigentes cooperativas brasileiras. de cooperativas do Brasil. H2c: A relação entre a CGS e o DSA é moderada pelo ambiente dinâmico. DSA-DEF: H3c: A relação entre CGS e o DSA é moderada pelo Mensurar a relação Teste de hipóteses a Oliveira (1991), ambiente complexo. da CGS e o partir da análise de Quadro IV ou Parte IV Agle, Mitchell, H4c: A relação entre a CGS e o DSA é moderada pelo desempenho (DSA – regressão simples, Desempenho Sonnenfeld ambiente munificente. DEF) moderada pela regressão fatorial, Organizacional: (1999), Roberto dimensão do regressão múltipla – H2d: A relação entre a CGS e o DEF é moderada pelo e Serrano socioambiental e ambiente (dinâmico, para a relação entre a ambiente dinâmico. (2007). econômico-financeiro complexo e CGS, DSA, DEF, e o H3d: A relação entre a CGS e o DEF é moderada pelo munificente). ambiente. ambiente complexo. H4d: A relação entre a CGS e o DEF é moderada pelo ambiente munificente. Fonte: Elaborado pela autora. Nota: O Quadro I ou Parte I não constou no item Conteúdo das questões (sexta coluna), por referir-se a informações do respondente e da cooperativa – variáveis de controle (Apêndice B). 109 3.5 OBJETO DO ESTUDO: COOPERATIVAS Essa seção contempla conceitos e definições que envolvem as cooperativas no intuito de contextualizá-la como objeto deste estudo. Inicialmente há que se esclarecer o significado epistêmico que a envolve. Assim, em uma definição histórico cultural, contempla o resgate do associativismo e do cooperativismo destacado por Silveira e Silva (2011, p.1) quando analogamente o fazem a partir da passagem bíblica Atos dos Apostólos II – versículos (Novo Testamento, 1995 p.234) : “[...] 42 - E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações”. E “[...] 44 Todos os fiéis viviam unidos e tinham tudo em comum -. 45 Vendiam as suas propriedades e os seus bens, e dividiam-nos por todos, segundo a necessidade de cada um [...]” (BÍBLIA, 2012). Essa premissa, embora sob a ótica econômica, mas da cooperação mutua, também é enfatizada pela International Co-operative Alliance (ICA, 2012) ao definir que: “uma cooperativa é uma associação autônoma de pessoas unidas voluntariamente para satisfazer suas necessidades comuns econômicos, sociais e culturais e aspirações através de uma empresa em conjunto e democraticamente controlada”. Quanto aos valores, estão calcadas principalmente na: autoajuda, autoresponsabilidade, democracia, igualdade, equidade e solidariedade, bem como, “na tradição dos seus fundadores, os membros das cooperativas acreditam nos valores éticos da honestidade, transparência, responsabilidade social e o cuidado com os outros” (ICA, 2012). Embora as cooperativas, pelos princípios norteadores do cooperativismo, possuam a operacionalização financeira diferenciada das organizações que possuem capital aberto, esse aspecto não implica que a mesma não obtenha desempenho econômico-financeiro tanto quanto. E sob essa visão, Meurer (2005, p.34) descreve que “a cultura e a democracia cooperativista são consolidadas num empreendimento baseado na verdade de que, se a competição é inevitável, a cooperação é essencial”. Nesse sentido, alguns autores (e.g. OLIVEIRA JR., 1991; CARVALHO, BIALOSKORSKI, 2008; MEURER; MARCON, 2005; GIMENES; GIMENES, 2006) defendem a importância do uso de indicadores para mensurar o desempenho especificamente de cooperativas. Como exemplo de tal necessidade, a figura da movimentação econômico-financeira das cooperativas apresentadas pela 110 OCB (2010) reflete tal panorama (Figura 16), com uma movimentação em 2009 de R$ 8,5 bilhões. Figura 16 - Movimentação econômico-financeira Fonte: Figura transcrita, na íntegra, diretamente da OCB (2010). Dentre os pressupostos básicos para a forma ideal de organização, a OCB (2012) destaca que é “o movimento do cooperativismo a filosofia de vida e modelo socioeconômico capaz de unir desenvolvimento econômico e bem-estar social”. A força da união entre pessoas também pode ser constatada em outra ocorrência descrita pela Organização das Cooperativas do Brasil (2010), nas proposições feitas na Agenda Legislativa do Cooperativismo, ao se referirem historicamente ao cooperativismo no Brasil: “movimento que iniciou na área urbana, e que a partir de 1906, nasceram e desenvolveram as cooperativas no meio rural, idealizadas por produtores agropecuários, muitos deles de origem alemã e italiana” (OCB, 2010, p.14). Quanto à estrutura organizacional, o cooperativismo no Brasil é formado pelos 13 setores do cooperativismo, e embora possuam especificidades estruturais próprias, orientam-se pelos mesmos princípios do cooperativismo. Conforme a OCB (2010) são sete os princípios que orientam o cooperativismo: (i) adesão voluntária livre; (ii) gestão democrática; (iii) participação econômica dos membros; (iv) autonomia e independência; (v) educação, formação e informação; (vi) intercooperação; (vii) interesse pela comunidade. Esses princípios foram aprovados e utilizados na época da fundação da primeira cooperativa do mundo, em 1844, na Inglaterra. 111 O art. 5°, do Capítulo III Do Objetivo e Classificação das Sociedades Cooperativas, (AGENDA LEGISLATIVA DO COOPERATIVISMO, 2010, p. 22) dispõe que: “As sociedades cooperativas poderão adotar por objeto qualquer gênero de serviço, operação ou atividade, assegurando-se-lhes o direito exclusivo e exigindo-se-lhes a obrigação do uso da expressão ‘cooperativa’ em sua denominação”. E inclui o “Parágrafo único. É vedado às cooperativas o uso da expressão ‘Banco’”. As 13 denominações aprovadas pelo Conselho Diretor da OCB, em 04 de maio de 1993 (AGENDA LEGISLATIVA DO COOPERATIVISMO, 2011) e que compõe as cooperativas no Brasil são as descritas no Quadro 20. Quadro 20 - Denominação das cooperativas do Brasil Ramo Agropecuário Consumo Crédito Educacional Especial Habitacional Infraestrutura Mineral Produção Saúde Trabalho Transporte Turismo e Lazer Descrição Cooperativas de produtores rurais ou agropastoris e de pesca, cujos meios de produção pertencem ao cooperado. Cooperativas dedicadas à compra em comum de artigos de consumo para seus cooperados. Cooperativas destinadas a promover a poupança e financiar necessidades ou empreendimentos dos seus cooperados. Cooperativas de profissionais em educação, de alunos, de pais de alunos, de empreendedores educacionais e de atividades afins. Cooperativas constituídas por pessoas que precisam ser tuteladas ou que se encontram em situação de desvantagem, nos termos da Lei nº 9.867/1999. Cooperativas destinadas à construção, à manutenção e à administração de conjuntos habitacionais para seu quadro social. Cooperativas que atendem direta e prioritariamente ao seu quadro social com serviços essenciais, como energia e telefonia. Cooperativas com a finalidade de pesquisar, extrair, lavrar, industrializar, comercializar, importar e exportar produtos minerais. Cooperativas dedicadas à produção de um ou mais tipos de bens e produtos, quando detêm os meios de produção. Cooperativas que se dedicam à preservação e à promoção da saúde humana. Cooperativas que se dedicam à organização e à administração dos interesses inerentes à atividade profissional dos trabalhadores associados para prestação de serviços não identificados com outros ramos já reconhecidos. Cooperativas que atuam na prestação de serviços de transporte de cargas e passageiros. Cooperativas que atendem direta ou prioritariamente ao seu quadro social, com serviços turísticos, de lazer, de entretenimento, de esportes, artísticos, de eventos e de hotelaria. Fonte: Elaborado pela autora a partir da Agenda Legislativa do Cooperativismo (2010, p.18). À constituição da cooperativa, Ritossa e Bulgacov (2009, p.4) consideram que “[...] Muito embora o sistema cooperativo tenha sido construído para dar suporte às famílias de agricultores, mudanças nos componentes ambientais, domésticos e internacionais, têm influenciado os mercados em que as cooperativas operam”. Conforme descrito pela OCB (2010), diante do cenário hipercompetitivo da 112 atualidade as cooperativas também se veem forçadas a evolução e a adaptação constante. Essa evolução está associada a cinco aspectos relevantes às suas atividades, à interface da tecnologia, às formas de gestão, à complexidade da estrutura organizacional e aos relacionamentos com pessoas e instituições. Essa necessidade tem como consequência a transformação nos modelos tradicionais de suas respectivas estruturas, e estão baseados em comando e controle nas organizações, no tocante às informações, visando ajustá-las à nova realidade. Acerca da distinção de uma empresa cooperativa das demais, Gonçalves (1998) aponta como característica a prestação de serviços aos seus associados. Tal explicação também consta no artigo 4 da Lei Federal 5.764/71. Desta forma, a cooperativa é o meio pelo qual os cooperados efetuam as transações e ou operações comerciais aos seus clientes. O Quadro 21 a seguir, descreve a diferença entre associações, cooperativa e empresa mercantil (OCB, 2010). Quadro 21 - Diferenças societárias Associação União de pessoa que se organizam para fins não econômicos. Objetivo sem fins lucrativos e econômicos. Número ilimitado de associados. Cada pessoa tem direito a um voto, desde que esteja em pleno gozo dos seus direitos sociais. Assembleias: quorum é baseado no número de associados. Não tem ações ou quotas de capital. Não gera excedente. Cooperativa Sociedade simples, regida por legislação específica. Sociedade de pessoas. Objetivo principal é a prestação de serviços para os cooperados. O lucro não é finalidade, mas pode ser consequência. Número ilimitado de associados, salvo impossibilidade técnica de prestação de serviços. Número mínimo de vinte pessoas. Controle democrático: cada pessoa tem direito a um voto independente do capital investido, desde que esteja em pleno gozo dos seus direitos sociais. Assembleias: quorum é baseado no número de cooperados em pleno gozo dos seus direitos sociais. Não é permitida a transferência das quotas-partes a terceiros, estranhos à sociedade. Retorno dos excedentes proporcional ao volume das operações. - O pagamento de juros é fixo em estatuto, conforme legislação cooperativista. Representa e defende os interesses dos associados. Presta serviço aos cooperados, para que eles trabalhem e produzam para a sociedade. Associativismo. Cooperação. Fonte: Adaptado a partir da elaboração da OCB (2010). Empresa Mercantil Sociedade empresária. É, geralmente, uma sociedade de capital. Objetiva a geração de lucro para os sócios. Número ilimitado ou não de acionistas. Voto proporcional ao capital investido ou ao número de ações. Assembleias quorum proporcional ao capital dos sócios. Transferência das ações e quotas a terceiros. Lucro proporcional ao capital investido pelo sócio. O pagamento de juros e dividendos é proporcional ao montante de capital investido pelo sócio. Presta serviços à sociedade. Comércio de qualquer natureza Maximização do lucro da empresa. 113 No que diz respeito ao gerenciamento das cooperativas, estas são geridas administrativamente pelos presidentes eleitos pelos próprios cooperados, que transferem a estes as responsabilidades cabíveis para tal finalidade. À luz desse processo está a Autogestão, que conforme a OCEPAR (2012) é: “A autogestão é o processo pelo qual os próprios cooperados, líderes e dirigentes assumem a total responsabilidade pela gestão da cooperativa, sem a necessidade da interferência Estatal em seu funcionamento”. Esse órgão esclarece ainda que: Este processo está inserido no PROGRAMA DE AUTOGESTÃO DAS COOPERATIVAS BRASILEIRAS, que versa sobre orientação na constituição de cooperativas; educação, capacitação, reciclagem e comunicação; organização do quadro social; promoção da integração; autonomia financeira; assessoria ao autocontrole; e estrutura de representação (OCEPAR, 2012). Para representar a distribuição das cooperativas no País, a Tabela 1 foi elaborada a partir dos dados obtidos das cooperativas por setor e inclui o total de cooperativas, número de cooperados e empregados, bem como a frequência relativa. Tabela 1 - Dados das cooperativas por setor da economia Setor Agropecuário Consumo Crédito Educacional Especial Habitacional Infraestrutura Mineral Produção Saúde Trabalho Transporte Turismo e Lazer Total Total Cooperativa 1.523 120 1.047 294 9 226 128 69 243 846 966 1.088 27 6.652 Freq. % Cooperados Freq..% Empregados Freq.% 23,12% 969.541 9,69% 155.896 52,62% 1,82% 2.710.423 27,08% 10.968 3,70% 15,90% 4.673.174 46,69% 33.988 11,47% 4,46% 51.534 0,51% 3.694 1,25% 0,14% 393 0,00% 12 0,00% 3,43% 99.474 0,99% 1.829 0,62% 1,94% 829.331 8,29% 6.334 2,14% 1,05% 58.891 0,59% 161 0,05% 3,69% 11.500 0,11% 3.605 1,22% 12,85% 271.004 2,71% 67.156 22,67% 14,67% 188.644 1,88% 2.738 0,92% 16,52% 143.458 1,43% 9.712 3,28% 0,41% 1.468 0,01% 193 0,07% 100,00% 10.008.835 100,00% 296.286 100,00% Fonte: Elaborada pela autora com base nos dados obtidos no relatório da gerência de monitoramento 2011. Nota: Relatório da gerência de monitoramento: Panorama do cooperativismo brasileiro ano 2011, elaborado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (SESCOOP, 2011, p. 8, 9,10). O setor agropecuário lidera em número de cooperativas com 1.523 (23,12%), seguido pelos setores de transporte (1.088) e de crédito (1.047). Conforme o SESCOOP (2011, p. 8) o ramo da saúde está no 3° lugar no ranking, e a característica principal reside no fato de “o movimento de retração apresentado é explicado pela tendência de aglutinação das cooperativas singulares para aumentar 114 sua competitividade”. Como exemplo, salienta que “a incorporação da Cooperativa de Crédito Rural de Cássia – Sicoob Credicássia – pela Cooperativa de Crédito dos Pequenos Empresários, Microempresários e Microempreendedores – Sicoob Credicoonai” (SESCOOP, 2011, p.8). Na distribuição quanto à quantidade de cooperativas, destacam-se os Estados da região Sudeste, com 2.285 cooperativas, o que representa 34,35% do total; seguida pelos Estados do Nordeste com 1.718, 25% do total, e o Sul com 1.227, 18,44% do total. Quanto ao número de cooperados, a região Sudeste possui 4.072.557, 45,17% do total; na região Sul destaca-se o estado do Paraná com 3.466.112 o que representa 38,44% em relação ao total. Este estado também se destaca no número de empregados, com 138.484 (46,44%) seguido da região Sudeste com 110.284 (37%). A distribuição das cooperativas por região está disposta no Quadro 22, e consta a quantidade de cooperativas, cooperados e empregados. Quadro 22 - Dados das cooperativas do Brasil Região Norte 2 – Nordeste 3 – CentroOeste 4 – Sudeste 5 – Sul Total Unidades de Federação Acre Amapá Amazonas Pará Rondônia Roraima Tocantins Alagoas Bahia Ceará Maranhão Paraíba Pernambuco Piauí Rio Grande do Norte Sergipe Distrito Federal Goiás Mato Grosso Mato Grosso do Sul Espírito Santo Minas Gerais Rio de Janeiro São Paulo Paraná Santa Catarina Rio Grande do Sul 26 Estados e o DF. Cooperativas 51 61 131 276 129 70 54 101 659 158 244 121 212 54 108 61 169 221 154 106 141 781 452 911 237 262 728 6.652 Dados das Cooperativas Cooperados Empregados 8.370 222 4.617 547 12.203 1523 45.959 1.694 38.656 1.831 4.298 336 10.568 901 20.086 3.358 422.470 6.109 78.019 5.654 12.636 676 45.365 2.631 105.949 3.172 6.623 482 66.636 1.746 11.542 617 142.654 1.828 126.407 6.404 221.894 6.238 92.906 3.445 151.347 5.959 925.701 29.829 229.895 7.693 2.765.614 66.803 534.232 57.526 1.007.496 31.886 1.924.384 49.072 9.016.527 298.182 Fonte: Elaborado pela autora com base nos dados da OCB (2010). 115 Como distinção de sustentação organizacional, a OCB (2012) afirma que o cooperativismo: É o sistema fundamentado na reunião de pessoas e não no capital. Visa às necessidades do grupo e não do lucro. Busca prosperidade conjunta e não individual. Estas diferenças fazem do cooperativismo a alternativa socioeconômica que leva ao sucesso com equilíbrio e justiça entre os participantes (OCB, 2012). 116 4. RESULTADOS Este capítulo contempla os resultados obtidos, iniciando com a apresentação da análise descritiva dos dados. Na sequência são demonstrados os resultados quanto ao modelo de mensuração dos construtos, e os modelos estatísticos para avaliar se as hipóteses se confirmam ou não. 4.1 ANÁLISE DESCRITIVA DOS DADOS A análise descritiva permitiu uma melhor compreensão do comportamento dos dados (FÁVERO, et al., 2009). E esses, agrupados pelas variáveis categóricas responsáveis por informações específicas sobre as cooperativas brasileiras, assim como pelas variáveis dos construtos que compõem o modelo de análise. Esse conjunto de medidas analíticas permitiu, também, o início da discussão dos resultados encontrados. 4.1.1 Análise Descritiva das Variáveis Categóricas A descrição das variáveis categóricas mostram os resultados obtidos, a partir do objeto de estudo que integrou o levantamento survey desta pesquisa. A demonstração elaborada na sequência foi organizada para visualização dos resultados e descrição das variáveis observáveis, quanto: (a) localização das cooperativas; (b) classificação das cooperativas; (c) número de cooperados e funcionários; (d) tamanho; (d) idade; (e) setor da economia. Nota-se que a maior concentração de respondentes está na região Sul do País, com 94 cooperativas, o que representa 54,97% do total amostrado. A menor concentração aparece na região Nordeste com apenas oito, ou seja, 4,68% do total. A Tabela 2 apresenta a distribuição dos cooperados e os funcionários por região com as respectivas frequências. 117 Tabela 2 - Distribuição dos cooperados e funcionários por região Região 1 – Norte 2 – Nordeste 3 – CentroOeste 4 – Sudoeste 5 – Sul Total Quantidade de Cooperativas Respondentes por Estado Amazonas Rondônia Tocantins Total Bahia Ceará Pernambuco Piauí Rio Grande do Norte Total Distrito Federal Goiás Mato Grosso Mato Grosso do Sul Total Minas Gerais São Paulo Espírito Santo Rio de Janeiro Total Paraná Rio Grande do Sul Santa Catarina Total Total Frequência Quantidade de Cooperados Quantidade de Funcionários 8 1 2 11 1 1 2 1 3 8 3 4 1 2 10 21 17 7 3 48 29 30 35 94 171 1.330 200 1.663 3.193 32 11 657 0 348 1.048 113 4.369 1.500 793 6.775 37.709 15.340 40.739 997 94.785 121.509 108.323 135.014 364.846 470.647 27 0 16 43 1 5 5 5 0 16 2 1.136 400 350 1.888 2.261 1.442 3.012 972 7.687 31.898 11.652 20.096 63.646 73.280 Fonte: Elaborado pela autora a partir dos dados da pesquisa. A distribuição quanto à classificação das cooperativas está representada na Tabela 3. Tabela 3 - Distribuição da classificação das cooperativas respondentes Classificação das Cooperativas Central Singular N/R Total Frequência Percentual % Acumulado 18 152 1 171 10,53 88,89 0,58 100,00 10,53 99,42 100,00 - Fonte: Elaborado pela autora a partir dos dados da pesquisa. A disparidade encontrada na Tabela 3 se deve ao fato de existirem oficialmente uma quantidade menor de cooperativas centrais, das quais as cooperativas singulares fazem parte. Os resultados para a distribuição dos cooperados e funcionários, por classificação de cooperativa, estão contemplados na Tabela 4. 118 Tabela 4 - Distribuição dos cooperados e funcionários por classificação de cooperativa Distribuição dos cooperados por classificação de cooperativa Classificação das Cooperativas Central Singular Total Frequência Percentual % Acumulado 89.092 381.555 470.647 18,93 81,07 100,00 18,93 100,00 - Distribuição dos funcionários por classificação de cooperativa Classificação das Cooperativas Central Singular Total Frequência Percentual Acumulado 20.424 52.856 73.280 27,87 72,13 100,00 27,87 100,00 - Fonte: Elaborado pela autora a partir dos dados da pesquisa. Conforme a OCB (2011), os Estados que mais se destacam no total de cooperados são: São Paulo (3,4 milhões), Rio Grande do Sul (1,9 milhões) e Santa Catarina (1,2 milhões). Quanto ao número de funcionários, o Paraná lidera com 64,9 mil, seguido pelos Estados do Rio Grande do Sul com 48,7 mil e São Paulo com 48,5 mil (OCB, 2011). Quanto à quantidade de cooperativas registradas no Sistema OCB, o Estado de São Paulo lidera com 932 cooperativas, seguido pelos Estados de Minas Gerais com 785 e Bahia com 783 (OCB, 2012). A distribuição dos cooperados e funcionários também está concentrada nas cooperativas singulares. A Tabela 5 é composta pela distribuição das cooperativas por tamanho (todos os setores). Tabela 5 - Distribuição da classificação por tamanho das cooperativas-funcionários Tamanho Pequena Média Grande N/R Total Tamanho Pequena Média Grande N/R Total Distribuição Cooperativa-funcionários Quantidade de Frequência Percentual funcionários <50 67 39,2% 50-250 36 21,1% >250 46 26,9% 22 12,9% 171 100% Distribuição Cooperativa-cooperados Quantidade de cooperados Frequência Percentual <50 33 19,3% 50-250 43 25,1% >250 94 55,0% 1 0,6% 171 100% Fonte: Elaborado pela autora a partir dos dados da pesquisa. Acumulado 39,2% 60,2% 87,1% 100,0% Acumulado 19,3% 44,4% 99,4% 100,0% - 119 O parâmetro de categorização utilizado para definir o tamanho da cooperativa (< 50, > 50-250 e > 250) é convergente com o mesmo critério apresentado por Rueda-Manzanares (2005). A Tabela 6 apresenta o tempo de existência das cooperativas. Tabela 6 - Distribuição para o período de fundação das cooperativas Período de Fundação das Cooperativas 00 a 05 anos 06 a 10 anos 11 a 20 anos 21 a 30 anos 31 a 40 anos 41 a 50 anos Acima de 50 anos Total Frequência 24 17 49 26 13 28 14 171 Percentual 14,04 9,94 28,65 15,20 7,60 16,37 8,19 100,00 % acumulado 14,04 23,98 52,63 67,84 75,44 91,81 100,00 - Fonte: Elaborado pela autora a partir dos dados da pesquisa. O tempo de existência das cooperativas revela uma concentração de cooperativas novas (49) com idade entre 11 a 20 anos. O tempo de existência das cooperativas revela uma concentração de cooperativas novas (49) com idade entre 11 a 20 anos, fundadas na década de 90. Como inferência a essa amostra, esse período foi marcado pela Reforma do Estado dos anos 90 no início da Gestão do então presidente Fernando Collor de Mello que presidiu o Brasil entre 1990 e 1992. Sobre a Reforma do Estado dos anos 90, Pereira (1997, p.7) enfatiza que [...] estas reformas revelaram sua verdadeira natureza: uma condição necessária da reconstrução do Estado - para que este pudesse realizar não apenas suas tarefas clássicas de garantia da propriedade e dos contratos, mas também seu papel de garantidor dos direitos sociais e de promotor da competitividade do seu respectivo país. Outro referencial, na busca pela compreensão da concentração de criação das cooperativas nesse período é encontrado nos argumentos de Teixeira (2000, p.8) ao declarar que “É fundamental perceber que a implantação das cooperativas ganha impulso no período pós-95, quando as diretrizes do Governo Federal, sobre a Reforma Administrativa do Estado [...]”, a autora acrescenta ainda que esse aspecto “[...] põe ênfase na adoção de formas mais flexíveis de gerência e de contratação nos equipamentos públicos, incluindo os de saúde”. Reflexão essa que também evidencia a necessidade do estudo sobre a gestão das cooperativas. 120 Ferreira e Braga (2004) ao estudarem sobre a diversificação e a competitividade das cooperativas agropecuárias asseveram que a idade da cooperativa afeta positivamente a probabilidade de a cooperativa diversificar-se. A Tabela 7 apresenta os 13 setores da economia do cooperativismo no Brasil e a sua distribuição nas cooperativas pesquisadas. Apenas dois setores da economia da cooperativa não compuseram a amostra, especial e turismo/lazer. Tabela 7 - Setores da economia de cooperativas Setor Agropecuário Crédito Consumo Educação Habitação Infraestrutura Mineração Produção Saúde Trabalho Transporte Total Frequência 86 30 2 5 2 2 1 8 25 6 4 171 Percentual 50,29% 17,54% 1,17% 2,92% 1,17% 1,17% 0,58% 4,68% 14,62% 3,51% 2,34% 100,00% Acumulado 50,29% 67,84% 69,01% 71,93% 73,10% 74,27% 74,85% 79,53% 94,15% 97,66% 100,00% - Fonte: Elaborado pela autora a partir dos dados da pesquisa. Percebe-se que a concentração de respondentes está no ramo de cooperativas do setor agropecuário, seguida pelas de crédito e saúde. 4.1.2 Análise Descritiva das Variáveis dos Construtos Inicialmente são apresentados os resultados da assimetria e curtose para as variáveis observáveis dos construtos da capacidade de gestão dos stakeholders, a dimensão do ambiente (dinâmico, complexo e munificente) e desempenho (socioambiental e econômico-financeiro). Cada construto foi tratado sob os parâmetros da estatística descritiva relativos à média, desvio padrão, medidas de assimetria e curtose, normalidade, unidimensionalidade, análise fatorial exploratória e confirmatória. A Tabela 8 refere-se à estatística descritiva dos indicadores de cada dimensão que compõe o construto da CGS e que representa os valores mínimos e máximos, valor da média, o desvio padrão, e os valores de assimetria e curtose. 121 Tabela 8 - Estatística descritiva para os indicadores da CGS Indicadores COM1 COM2 COM3 COM4 COM5 COM6 COM7 FE1 FE2 FE3 FE4 FE5 FE6 FE7 FE8 FE9 PROA1 PROA2 PROA3 PROA4 REC1 REC2 REC3 REC4 REC5 REC6 REC7 REC8 SS1 SS2 SS3 SS4 SS5 SS6 Mínimo 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 1 2 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 Máximo 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 Média 4,53 4,50 4,68 4,75 5,01 5,10 5,85 4,92 4,82 4,53 4,32 4,62 4,47 4,37 4,80 4,37 4,43 4,89 4,79 4,92 5,23 4,84 5,35 5,05 4,84 4,51 4,54 4,65 4,73 3,78 5,12 4,02 4,46 4,49 Desvio Padrão 1,352 1,330 1,216 1,296 1,101 0,937 0,532 1,008 1,099 1,229 1,305 1,128 1,285 1,183 1,122 1,545 1,212 1,096 1,019 1,035 0,861 1,155 0,990 1,070 1,020 1,160 1,224 1,339 0,988 1,510 1,005 1,536 1,488 1,391 Assimetria Valor -0,967 -0,942 -1,228 -1,221 -1,523 -1,198 -5,605 -1,506 -1,301 -1,048 -0,986 -1,024 -1,082 -0,966 -1,208 -0,850 -0,930 -1,336 -1,120 -1,265 -1,577 -1,402 -2,101 -1,448 -1,059 -0,971 -0,947 -1,207 -1,088 -0,300 -1,469 -0,552 -0,938 -0,946 Curtose Valor 0,454 0,457 1,347 1,151 2,748 2,097 42,352 3,513 1,989 0,954 0,605 1,096 0,656 0,845 1,678 -0,313 0,697 2,155 1,253 1,715 3,432 2,015 5,306 2,375 1,408 0,920 0,619 1,040 1,497 -0,823 2,833 -0,631 -0,033 0,317 Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Statística® versão 8. Este construto apresenta anormalidade apenas na assimetria e curtose para o indicador “COM7” (grifado), assim como na assimetria para o “REC3” (grifado). Carvalho (2011, p. 97) a partir da afirmação feita por Finney e DiStefano (2006), acentua que normalmente os dados que possuírem os “[...] coeficientes de até 2 de assimetria e de até 7 de curtose podem ser considerados quase normais”. Enquanto que para Hair Jr. et al. (2009) o coeficiente não normal para curtose é acima de 9. Isto significa dizer que, esse construto apresentou normalidade em praticamente todos os indicadores, exceto os já mencionados. Esse resultado revelou que o uso dessas duas medidas de mensuração foi satisfatório ao que se propõem neste 122 estudo, por atenderem a sua prerrogativa principal que é avaliar a normalidade da distribuição (CARVALHO, 2011). A Tabela 9 mostra os resultados dos indicadores de cada dimensão do ambiente dinâmico, complexo e munificente. Tabela 9 - Estatística descritiva dos indicadores da dimensão do ambiente. Indicadores Mínimo Máximo Média Desvio Padrão 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 3,50 4,40 4,49 4,36 4,27 4,40 4,30 4,80 3,57 4,63 3,42 3,87 4,84 4,44 4,34 4,52 4,75 4,47 4,21 1,643 1,322 1,276 1,171 1,163 1,201 1,174 1,127 1,422 1,212 1,401 1,455 1,014 1,232 1,209 1,321 1,269 1,390 1,539 DIN1 DIN2 DIN3 DIN4 DIN5 DIN6 DIN7 COMP1 COMP2 COMP3 COMP4 COMP5 MUN1 MUN2 MUN3 MUN4 MUN5 MUN6 MUN7 Assimetria Curtose Valor -0,108 -0,932 -0,990 -0,972 -1,075 -0,863 -0,657 -1,111 -0,256 -1,365 -0,110 -0,285 -1,185 -0,786 -0,841 -1,183 -1,153 -1,041 -0,722 Valor -1,191 0,373 0,753 0,768 0,959 0,609 0,105 1,248 -0,807 1,837 -0,829 -0,878 2,055 0,145 0,444 0,809 0,839 0,512 -0,454 Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Statística® versão 8. Os indicadores de cada construto não demonstraram assimetria acima de 2, e nem tampouco valores para a curtose acima de 7. Isto significa dizer, que podem ser considerados como distribuição normal. A Tabela 10 demonstra a estatística descritiva para os indicadores do construto do desempenho socioambiental e econômico-financeiro. Tabela 10 - Estatística descritiva para os indicadores do desempenho Indicadores DSA1 DSA2 DSA3 DSA4 DSA5 DSA6 DEF1 DEF2 DEF3 DEF4 DEF5 DEF6 Mínimo Máximo Média Desvio Padrão 1 2 3 2 3 1 1 1 1 1 1 1 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 4,71 4,75 4,91 4,68 4,69 4,36 4,44 4,42 4,63 4,43 4,38 4,65 0,780 0,796 0,777 0,793 0,769 1,027 1,133 1,110 1,005 1,095 0,995 0,936 Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Statística® versão 8. Assimetria Valor -0,641 -0,308 -0,141 -0,302 -0,188 -0,498 -0,460 -0,697 -0,789 -0,695 -0,497 -1,029 Curtose Valor 2,154 0,116 -0,666 0,124 -0,275 0,491 0,182 1,116 1,157 0,932 1,054 2,585 123 O resultado demonstrado na Tabela 10 também pode ser considerado com distribuição normal, por não apresentar assimetria acima de 2 e nem de curtose superior a 7. Diante dos resultados obtidos com a assimetria e a curtose para os construtos mensurados, pode-se dizer que os indicadores que os compõem possuem distribuição normal. Esse fato é um pressuposto padrão em modelagem de equações estruturais (MEE), conforme Carvalho (2011). 4.2 ANÁLISES DO MODELO DE MENSURAÇÃO DOS CONSTRUTOS A análise do modelo de mensuração dos construtos foi seguida pelas etapas propostas por Hair Jr. et al., (2009) quanto à análise fatorial exploratória (unidimensionalidade), testes de confiabilidade, análise fatorial confirmatória com os construtos e entre as dimensões, e a modelagem de equações estruturais. Inicialmente serão demonstrados os testes para o construto da CGS, seguidos pelas dimensões dos construtos do ambiente dinâmico, complexo e munificente, e os construtos do desempenho socioambiental e econômico-financeiro. 4.2.1 Análise do Modelo de Mensuração do Construto CGS No intuito de obter a unidimensionalidade do construto CGS prosseguiu-se com as etapas da análise fatorial exploratória, realizada para identificar qual variável desse construto se relaciona com um único fator e se está correlacionada entre si e, consequentemente, se indica uma única dimensão ou fator. A Tabela 11 é composta pelas correlações, cargas fatoriais, comunalidade extraída em cada indicador de cada uma das dimensões que compõem esse construto, medida de adequação da amostra (MSA) em todos os indicadores, bem como as respectivas cargas obtidas no fator único extraído. O índice de Alfa de Cronbach foi aplicado para medir a confiabilidade dessas dimensões. 124 Tabela 11 - Correlações, cargas fatoriais e índices dos indicadores das dimensões: comunicação, formulação estratégica, proatividade, recursos, stakeholder-serving – para o construto CGS Comunicação Indicadores COM1 COM2 COM3 COM1 1,000 ,524 ,315 COM2 ,524 1,000 ,369 COM3 ,315 ,369 1,000 COM4 ,232 ,402 ,267 COM5 ,284 ,386 ,346 COM6 ,390 ,456 ,426 COM7 ,292 ,315 ,324 COM4 ,232 ,402 ,267 COM5 ,284 ,386 ,346 1,000 ,501 ,485 ,355 ,501 1,000 ,592 ,445 COM6 ,390 ,456 ,426 ,485 ,592 1,000 ,503 COM7 ,292 ,315 ,324 ,355 ,445 ,503 1,000 Comunalidade ,372 ,505 ,376 ,453 ,560 ,661 ,445 MSA ,795 ,816 ,907 ,858 ,846 ,843 ,892 Carga no fator 1 ,610 ,711 ,613 ,673 ,748 ,813 ,667 Alfa de Cronbach ,712 Formulação Estratégica Indicadores FE1 FE2 FE3 FE4 FE5 FE6 FE7 FE8 FE9 FE1 1,000 ,676 ,567 ,525 ,469 ,493 ,519 ,599 ,518 FE2 ,676 1,000 ,538 ,566 ,532 ,435 ,500 ,600 ,355 FE3 ,567 ,538 1,000 ,531 ,529 ,702 ,698 ,562 ,409 FE4 ,525 ,566 ,531 1,000 ,495 ,461 ,472 ,564 ,465 FE5 ,469 ,532 ,529 ,495 1,000 ,525 ,524 ,612 ,349 FE6 ,493 ,435 ,702 ,461 ,525 1,000 ,834 ,549 ,474 FE7 ,519 ,500 ,698 ,472 ,524 ,834 1,000 ,580 ,474 FE8 ,599 ,600 ,562 ,564 ,612 ,549 ,580 1,000 ,526 FE9 ,518 ,355 ,409 ,465 ,349 ,474 ,474 ,526 1,000 Comunalidade ,605 ,569 ,656 ,536 ,532 ,641 ,673 ,660 ,423 MSA ,892 ,873 ,940 ,938 ,935 ,840 ,858 ,929 ,890 Carga no fator 1 ,778 ,755 ,810 ,732 ,729 ,801 ,820 ,813 ,650 Alfa de Cronbach ,909 Proatividade Indicadores PROA1 PROA2 PROA3 PROA4 PROA1 PROA2 1,000 ,490 ,559 ,532 ,490 1,000 ,581 ,574 PROA3 ,559 ,581 1,000 ,699 PROA4 ,532 ,574 ,699 1,000 Comunalidade ,598 ,637 ,753 ,735 MSA ,865 ,854 ,765 ,774 Carga no fator 1 ,774 ,798 ,868 ,857 Alfa de Cronbach ,838 Continua... Continuação. 125 Recursos Indicadores REC1 REC2 REC3 REC4 REC5 REC6 REC7 REC8 REC1 1,000 ,492 ,597 ,440 ,383 ,437 ,240 ,181 REC2 ,492 1,000 ,387 ,454 ,318 ,438 ,148 ,143 REC3 ,597 ,387 1,000 ,488 ,363 ,430 ,171 ,068 REC4 ,440 ,454 ,488 1,000 ,531 ,618 ,140 ,120 REC5 ,383 ,318 ,363 ,531 1,000 ,531 ,257 ,111 REC6 ,437 ,438 ,430 ,618 ,531 1,000 ,303 ,326 REC7 ,240 ,148 ,171 ,140 ,257 ,303 1,000 ,567 REC8 ,181 ,143 ,068 ,120 ,111 ,326 ,567 1,000 Comunalidade ,569 ,473 ,566 ,651 ,483 ,639 ,757 ,791 MSA ,811 ,878 ,813 ,828 ,838 ,833 ,648 ,578 Carga no fator 1 ,741 ,663 ,701 ,767 ,688 ,798 ,450 ,380 Alfa de Cronbach ,797 Stakeholder-Serving Indicadores SS1 SS1 1,000 SS2 ,392 SS3 ,406 SS4 ,170 SS5 ,246 SS6 ,282 SS2 ,392 1,000 ,358 ,441 ,501 ,483 SS3 ,406 ,358 1,000 ,384 ,452 ,460 SS4 ,170 ,441 ,384 1,000 ,689 ,539 SS5 ,246 ,501 ,452 ,689 1,000 ,671 SS6 Comunalidade ,282 ,261 ,483 ,523 ,460 ,470 ,539 ,584 ,671 ,715 1,000 ,656 MSA ,732 ,867 ,856 ,809 ,773 ,847 Carga no fator 1 ,511 ,723 ,686 ,764 ,846 ,810 Alfa de Cronbach ,831 Fonte: Elaborado pela autora a partir do software SPSS® (Statistical Package for the Social Sciences). A Tabela 11 expressa à correlação entre os indicadores de cada dimensão da comunicação, formulação estratégica, proatividade, recursos e stakeholder-serving. Sob esse foco analítico foi aplicado inicialmente a análise fatorial, no intuito de reduzir os fatores que fossem inferiores ao coeficiente indicado acima de 0,5 (HAIR JR., et al., 2009) para melhorar a interpretação dos dados. Sob esse foco analítico, foi aplicada inicialmente a análise fatorial no intuito de reduzir os fatores que fossem inferiores ao coeficiente indicado e melhorar a interpretação dos dados. Os resultados mostram que não houve correlação negativa entre os indicadores de cada dimensão do construto CGS. Neste sentido, quando da realização do teste de comunalidade observa-se que os fatores que não estão adequados para representar a dimensão comunicação são COM1, COM3, COM4 E 126 COM7. Em contra partida, os fatores COM2, COM5 E COM6 foram adequados para medi-la. A formulação estratégica indica 9,75% de variância em relação ao total encontrado nas cinco dimensões, sendo que para esta dimensão o fator FE9, com comunalidade 0,423 < 0,50 indica que este fator não é adequado para explicar esta dimensão, e que os demais indicadores (FE1 a FE8) apresentaram valores de comunalidade significativa a dimensão. A proatividade apresenta todos os indicadores > 0,50 o que revela que a comunalidade nesta dimensão está totalmente adequada ao construto. A dimensão recursos apresentou dois indicadores (REC2 = 0,473; REC5 = 0,483) com coeficientes menores que 0,50. A dimensão Stakeholder-serving, apresentou dois indicadores (SS1 = 0,261 e SS3 = 0,470) com coeficientes menores que 0,50. O que significa que explicam menos de 50% de sua variância, quando Hair Jr. et al. (2009) consideram que como regra geral, somente indicadores acima de 0,50 sejam mantidos no modelo. Quanto à adequação da amostra (MSA) pode-se concluir que todos os indicadores estão adequados. Em relação à carga fatorial, a maioria apresentou valores ideais e aceitáveis, com exceção dos indicadores REC7 (0,450) e REC8 (0,380). Para o índice Alfa de Cronbach, todos os indicadores desse conjunto de dimensões da capacidade de gestão dos stakeholders, aparecem com limites superiores a 0,70, o que significa que possuem intensidade de associação que varia entre boa (0,7 a <0,8) a excelente (<0,9) (HAIR JR. et al., 2005). Os resultados alcançados com a comunalidade, MSA, carga no fator 1 e Alfa de Cronbach, demonstraram que dos 65 indicadores que compõem o modelo de mensuração do construto, apenas 9 não possuíam carga significativa, ou seja, 86,16 % dos indicadores contém carga fatorial adequada. A Tabela 12 apresenta o teste de Adequação da escala das dimensões Comunicação, Formulação Estratégica, Proatividade, Recursos, Stakeholder-Serving após remoção dos indicadores com baixa comunalidade. A análise fatorial foi refeita conforme os índices apresentados com os resultados dos testes de Kaiser-Meyer-Olkin e teste de Bartlett´s. 127 Tabela 12 - Teste de adequação da escala das dimensões comunicação, formulação estratégica, proatividade, recursos, stakeholder-serving após exclusão dos indicadores recomendados na comunalidade Medida de KMO e teste de Bartlett´s (Comunicação) Medida de adequação da amostra de Kaiser-Meyer-Olkin Teste de esfericidade de Bartlett´s Qui quadrado aproximado GL Sig Medida de KMO e teste de Bartlett´s (Formulação Estratégica) Medida de adequação da amostra de Kaiser-Meyer-Olkin Teste de esfericidade de Bartlett´s Qui quadrado aproximado GL Sig Medida de KMO e teste de Bartlett´s (Proatividade) Medida de adequação da amostra de Kaiser-Meyer-Olkin Teste de esfericidade de Bartlett´s Qui quadrado aproximado GL Sig Medida de KMO e teste de Bartlett´s (Recursos) Medida de adequação da amostra de Kaiser-Meyer-Olkin Teste de esfericidade de Bartlett´s Qui quadrado aproximado GL Sig Medida de KMO e teste de Bartlett´s (Stakeholder-Serving) Medida de adequação da amostra de Kaiser-Meyer-Olkin Teste de esfericidade de Bartlett´s Qui quadrado aproximado GL Sig ,653 116,120 3 ,000 ,896 832,752 28 ,000 ,806 275,119 6 ,000 ,736 218,887 6 ,000 ,780 272,097 6 ,000 Fonte: Elaborado pela autora a partir do software SPSS®. (Statistical Package for the Social Sciences). As medidas de adequação da amostra de KMO alcançaram valores de 0,653; 0,896; 0,806; 0,736 e 0780 > 0,6 para as dimensões Comunicação, Formulação Estratégica, Proatividade, Recursos, Stakeholder-Serving respectivamente. Isso indica que esses índices possuem os valores recomendados e a fatoriabilidade e interpretabilidade da matriz foram confirmados. A significância encontrada nos testes de esfericidade de Bartlett foi de 0,000 < 0,05 para todos os indicadores restantes, após as respectivas exclusões. Esse teste permite dizer que as variáveis da matriz de correlação possuem correlações significativas entre elas. A Tabela 13 apresenta a variância explicada na Análise Fatorial Exploratória (AFE) dos indicadores das dimensões que medem a CGS. 128 Tabela 13 - Variância explicada na AFE dos indicadores das dimensões comunicação, formulação estratégica, proatividade, recursos, stakeholder-serving após exclusão dos indicadores recomendados na comunalidade Variância total explicada (Comunicação) Fator 1 2 3 Fator 1 2 3 4 5 6 7 8 Fator 1 2 3 4 Fator 1 2 3 4 Fator 1 2 3 4 Autovalores iniciais Autovalores retidos (Cargas) % da % % Total Total % da Variância Variância Acumulado Acumulado 1,961 65,362 65,362 1,961 65,362 65,362 ,639 21,303 86,665 ,400 13,335 100,000 Variância total explicada (Formulação Estratégica) Autovalores iniciais Autovalores retidos (Cargas) % da % % Total Total % da Variância Variância Acumulado Acumulado 4,923 61,535 61,535 4,923 61,535 61,535 ,873 10,916 72,451 ,563 7,032 79,483 ,491 6,137 85,620 ,374 4,673 90,292 ,318 3,978 94,270 ,299 3,740 98,010 ,159 1,990 100,000 Variância total explicada (Proatividade) Autovalores iniciais Autovalores retidos (Cargas) % da % % da % Total Total Variância Acumulado Variância Acumulado 2,723 68,072 68,072 2,723 68,072 68,072 ,519 12,981 81,054 ,458 11,455 92,508 ,300 7,492 100,000 Variância total explicada (Recursos) Autovalores iniciais Autovalores retidos (Cargas) % da % % Total Total % da Variância Variância Acumulado Acumulado 2,506 62,641 62,641 2,506 62,641 62,641 ,712 17,799 80,440 ,421 10,533 90,973 ,361 9,027 100,000 Variância total explicada (Stakeholder-Serving) Total 2,673 ,602 ,455 ,270 Autovalores iniciais % da % Variância Acumulado 66,828 66,828 15,040 81,868 11,385 93,253 6,747 100,000 Autovalores retidos (Cargas) % Total % da Variância Acumulado 2,673 66,828 66,828 Fonte: Elaborado pela autora a partir do software SPSS®. (Statistical Package for the Social Sciences). Nota: Extraction Method: Principal Component Analysis. A partir das variâncias presentes na Tabela 13 percebe-se que houve retenção de um único fator para cada dimensão, com um autovalor maior que 1, ou seja, todos superaram o mínimo recomendado de 50%, o que evidencia que a 129 medida é consistente, por terem conseguido explicar a variância, como pode ser observado para a dimensão da comunicação com 1,961 com o critério de Kaiser consegue explicar 65,36% da variância. Esses resultados podem ser comparados aos encontrados por Carvalho (2011) que oscilou entre 60 e 81% e Escobar (2012) com 59 a 74%. O que denota que a variância explicada está dentro dos limites já encontrados e recomendados. A análise fatorial confirmatória (AFC), descrita na sequência, foi elaborada a partir dos resultados encontrados com a análise fatorial exploratória, o que tornou possível a apresentação dos testes de ajuste e a identificação do modelo, a partir das variáveis exógenas (independentes), endógenas (dependentes) e seus respectivos indicadores observáveis. As variáveis exógenas ou independentes estão compostas pelas dimensões comunicação (COM1 a COM7), formulação estratégica (FE1 a FE9), proatividade (PROA1 a PROA4), recursos (REC1 a REC8) e stakeholder-serving (SS1 a SS6). Em suma, os itens a seguir, foram estruturados individualmente com suas respectivas descrições dos indicadores utilizados nas questões para medir cada dimensão, seguidos do modelo inicial e final com as cargas padronizadas e os índices de ajuste do modelo inicial e final. 4.2.1.1 Validação da Dimensão Comunicação da Capacidade de Gestão dos Stakeholders A dimensão comunicação representada pelas siglas “COM1” a “COM7” foi medida pelos sete itens que compuseram o questionário, conforme Quadro 23. Dimensão Descrição dos indicadores da dimensão comunicação: CGS COMUNICAÇÃO Quadro 23 - Indicadores da dimensão comunicação Nossa cooperativa desenvolve canais formais (mídia, jornais, etc.) de comunicação com os stakeholders. Nossa cooperativa dispõe de um sistema formal de comunicação organizacional para manter contatos diretos com seus stakeholders. Nós usamos os canais informais (redes de relacionamentos com o público interno e externo) de comunicação para o intercâmbio (troca) de informações sobre o ambiente que atuamos. Nossa cooperativa dispõe de relatórios gerenciais de avaliação da qualidade e adequação dos controles internos e estes são disponibilizados aos cooperados. Discutimos amplamente com os cooperados os efeitos das políticas adotadas pela cooperativa. As informações que transmitimos aos nossos stakeholders são claras e facilmente compreendidas. Nossa cooperativa realiza prestação de contas do exercício em assembleias dirigidas aos cooperados. Fonte: Elaborado pela autora. Item da escala COM1 COM2 COM3 COM4 COM5 COM6 COM7 130 Essa dimensão foi medida a partir das questões aplicadas aos dirigentes das cooperativas do Brasil (Quadro 23). A Figura 17 representa o modelo inicial da dimensão da comunicação que compõe a capacidade de gestão dos stakeholders. Figura 17 - Modelo inicial do construto CGS: comunicação Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). Após análise fatorial exploratória (AFE) foram extraídos quatro dos sete indicadores deste modelo “COM1”, “COM3”, “COM4” e “COM7”, por possuírem uma carga inferior a 0,7 e comunalidade inferior a 0,5, restando apenas 3 indicadores (COM2, COM5, COM6). No entanto, Hair Jr. et al., (2009) afirmam que para a análise dos índices de adequações, quatro indicadores para amostra é número considerado ideal para cada variável latente, consequentemente, haveria mais graus de liberdade do que estimativas a serem calculadas e seria possível atingir uma confiabilidade aceitável. Para os autores, embora três indicadores indiquem a quantidade mínima para rodar o modelo, esse número inviabiliza o teste de ajuste do modelo, por ter o número idêntico de graus de liberdade ao de estimativa a ser calculada. Decorrente dessas considerações, as estatísticas de ajuste (valores para Qui², Qui²/GL;P;CFI;TLI; e NFI) para a dimensão comunicação, não foram apresentadas. A pesquisa deteve-se apenas nas cargas padronizadas, em que a estimativa deverá ser de 0,5 ou mais, e onde as maiores ou iguais a 0,7 são as ideais (HAIR JR. et al., 131 2009). A Tabela 14 expressa à estimativa das cargas padronizadas finais dos indicadores da comunicação. Tabela 14 - Cargas padronizadas finais dos indicadores de comunicação Indicador COM2 Estimativa ,629 COM5 ,677 COM6 ,681 Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). A Figura 18 representa o modelo final da dimensão da comunicação que compõe a capacidade de gestão dos stakeholders com as estimativas padronizadas, todas com valores acima de 0,50 - o que sugere que sejam mantidos como item reflexivo no construto. Figura 18 - Modelo final da dimensão comunicação (CGS) Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). O modelo final para a mensuração da comunicação representa as estimativas padronizadas encontradas e que alcançaram os valores mínimos (>0,50) recomendados. Considerando que após os resultados iniciais para a “COM1”, “COM3”, “COM4” e “COM7”, possuíram carga inferior a 0,7, e que restou a COM2, COM5 e COM6, já justificadas, decidiu-se por aplicar (rodar) novamente o software para testar uma melhor carga. Percebeu-se que no modelo final houve melhora nas respectivas cargas de cada indicador, se ajustando melhor no modelo. E, diante dessa análise, optou-se pela permanência desses três indicadores no conjunto desse modelo final, para evitar, assim, eventual limitação na interpretação do estudo. O que poderia prejudicar os resultados finais. Decisão esta também já aplicada por outros autores (CARVALHO, 2011; ESCOBAR, 2012). 132 4.2.1.2 Validação da Dimensão Formulação Estratégica da Capacidade de Gestão dos Stakeholders A dimensão formulação estratégica, representada pelas siglas FE1 a FE9, foi medida a partir dos nove itens que compuseram o questionário. Essa dimensão foi mensurada a partir das questões aplicadas aos dirigentes das cooperativas do Brasil, descritas no Quadro 24. Quadro 24 - Indicadores da dimensão formulação estratégica FORMULAÇÃO ESTRATÉGICA Dimensão Descrição dos indicadores da dimensão formulação estratégica: Item da capacidade de gestão dos stakeholders escala Em nossa cooperativa há identificação de nossos principais públicos FE1 (stakeholders), no intuito de conhecer e analisar suas expectativas. Em nossa cooperativa integramos stakeholders chave para formulação das estratégias (aproveitamento das experiências dos funcionários e o FE2 conhecimento de informações sobre os clientes, fornecedores, concorrentes, etc.). Nossa cooperativa estabelece um sistema de planejamento bastante rigoroso FE3 e detalhado. Colhemos informações setoriais ou regionais, junto aos nossos stakeholders, por meio de situações informais (almoços, promoções e eventos específicos) FE4 para a tomada de decisão. A nossa cooperativa estabelece sistema de planejamento muito aberto e FE5 flexível. A nossa cooperativa dispõe de ferramentas para identificar e avaliar a existência de fatores internos que podem afetar adversamente a realização FE6 dos objetivos da cooperativa. A nossa cooperativa dispõe de ferramentas para identificar e avaliar a existência de fatores externos que podem afetar adversamente a realização FE7 dos objetivos da cooperativa. A nossa cooperativa, antes de iniciar a construção da decisão, procura entender os grupos, pessoas e interesses envolvidos no processo (cultura, FE8 políticas locais, etc.). Nossa cooperativa desenvolve pesquisas de satisfação junto aos cooperados. FE9 Fonte: Elaborado pela autora. A Figura 19 representa o modelo da dimensão formulação estratégica (CGS) inicial, antes da extração dos indicadores que foi estimada com a carga inferior a 0,50 (FE9), identificado na comunalidade na AFE. A Figura 19 representa o modelo inicial da dimensão formulação estratégica com todos os indicadores, antes da extração. 133 Figura 19 - Modelo inicial da dimensão formulação estratégica (CGS) Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). O diagrama de caminhos apresentado para a dimensão formulação estratégica originou os resultados da Tabela 15. Tabela 15 - Índices de ajuste do modelo inicial de mensuração da formulação estratégica Indicador Valores Qui² 150,765 Esperado Qui²/GL 5,583 <3 P 0,000 >0,05 CFI* 0,863 >0,90 TLI* NFI* 0,817 0,839 >0,90 >0,90 Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). Nota: Índice de ajuste comparativo (CFI); Índice de Tucker Lewis (TLI); Índice de ajuste normalizado (NFI). Os índices de ajuste do modelo inicial da formulação estratégica inseridos nesta análise oferecem significância no valor do Qui² (p=0,000), o modelo final (Tabela 16) considera a extração do indicador FE9, com comunalidade (0,423) inferior ao recomendado (0,50). A Figura 20 representa o modelo final da dimensão formulação estratégica com as estimativas padronizadas. 134 Figura 20 - Modelo final da dimensão formulação estratégica (CGS) Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). Os valores das cargas padronizadas encontrados na Figura 19 revelam que cada indicador está acima de 0,50, o que indica consequentemente, que o modelo da formulação estratégica, representa as relações entre as variáveis, o que sugere a confirmação do modelo de mensuração. Os resultados da AFC implica dizer que os indicadores FE1 a FE8 representam a formulação estratégica como unidimensional. E a ausência do indicador FE9 (extraído) é multidimensional ou que não possui boa medida para representar essa dimensão nessa pesquisa. Conclusão esta também encontrada por Carvalho (2011) após a exclusão de um dos indicadores de seu estudo. A Tabela 16 apresenta o modelo alternativo (final) da dimensão formulação estratégica. Tabela 16 - Índices de ajuste do modelo alternativo (final) de mensuração da Formulação Estratégica Indicador Qui² Qui²/GL P CFI TLI NFI Valores 128,531 6,426 0,000 0,868 0,815 0,849 Esperado <3 >0,05 >0,90 >0,90 >0,90 Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). 135 Após a exclusão do indicador FE9, com 0,423 de comunalidade, o Qui² permanece com significância (p=0,000) e com redução do Qui²/GL. Os outros índices apresentaram uma pequena melhora, sendo que o TLI reduziu de 0,817 (inicial) para 0,815 (final). No entanto, pôde-se perceber que as medidas de ajuste utilizadas resultaram em valores próximos ao recomendado. Hair Jr. et al., (2009) colocam que o TLI para modelos com bom ajuste, tem valores que se aproximam de 1, assim como para os valores de CFI que variam entre 0 a 1. Hair Jr. et al. (2009, p. 592) também sugerem que “[...] estimativas de cargas padronizadas devem ser de 0,5 ou mais, e idealmente de 0,7 para acima. Analogamente, Kline (2005) indica que o valor mínimo de carga padronizada é de 0,60. Sob esse enfoque teórico, os valores encontrados (CFI -0,868; TLI – 0,815; NFI – 0,849) oferecem significância e confirmam o modelo. 4.2.1.3 Validação da Dimensão Proatividade da Capacidade de Gestão dos Stakeholders A dimensão proatividade está expressa pelas siglas “PROA1” a “PROA4” medida a partir de quatro indicadores que integraram o questionário, conforme Quadro 25. Quadro 25 - Indicadores da dimensão proatividade PROATiVIDADE Dimensão Descrição dos indicadores da dimensão proatividade: capacidade de gestão dos stakeholders Em nossa cooperativa antecipamos nossas decisões para atender as necessidades dos nossos stakeholders. Em nossa cooperativa enfatizamos o uso de sistemas de controle de custos para monitorar nosso desempenho. A nossa cooperativa possui a habilidade/competência para identificar oportunidades em situações adversas e crises. Estamos sempre dispostos a antecipar as mudanças para obter mais eficiência e redução de custos. Item da escala PROA1 PROA2 PROA3 PROA4 Fonte: Elaborado pela autora. A Figura 21 representa o modelo inicial e final (com as estimativas padronizadas), por não apresentar cargas que justificassem a exclusão de nenhum indicador. Todos os valores são > 0,50, o que sugere a permanência no modelo. 136 Figura 21 - Modelo inicial e final da dimensão proatividade da CGS. FINAL INICIAL Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). A Tabela 17 mostra os índices de ajuste para o modelo de mensuração da proatividade. Tabela 17 - Índices de ajuste do modelo de mensuração da proatividade Indicador Valores Esperado Qui² 0,716 Qui²/GL 0,358 <3 P 0,699 >0,05 CFI 1,000 >0,90 TLI NFI 1,014 0,997 >0,90 >0,90 Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). Os valores para a CFI de “1,000”; TLI de “1,014” e NFI de “0,997” medidos a partir dos indicadores PROA1 a PROA4 oferecem resultados acima do esperado, demonstrando que as medidas foram significativas. Isso indica que o modelo de mensuração para a dimensão da proatividade está confirmado. Para os resultados da AFC, implica dizer que a proatividade a partir indicadores utilizados para sua medição representam a sua unidimensionalidade e consequentemente são boas medidas para a proatividade. 4.2.1.4 Validação da Dimensão Recursos da Capacidade de Gestão dos Stakeholders A dimensão recursos da capacidade de gestão dos stakeholders, representada pelas siglas “REC1” a “REC8” foi medida a partir dos oito indicadores do questionário, descritos no Quadro 26. 137 Quadro 26 - Indicadores da dimensão recursos RECURSOS Dimensão Descrição dos indicadores da dimensão recursos: capacidade de gestão dos stakeholders Em nossa cooperativa alocamos os recursos (financeiros, humanos, tecnológicos, físicos, etc.) para atender as preocupações e as necessidades dos cooperados. Em nossa cooperativa alocamos os recursos (financeiros, humanos, tecnológicos, físicos, etc.) para atender as preocupações e as necessidades dos clientes. A cooperativa se preocupa no que diz respeito à melhor alternativa em soluções financeiras com menores taxas de juros, ao mesmo tempo em que se oferece um serviço de qualidade. A cooperativa se preocupa no que se refere à avaliação de produtividade com tecnologias flexíveis e inovadoras (máquinas e equipamentos, informática, etc.). Temos uma reputação no mercado de sermos muito criativos e inovadores, sempre preocupados com as tendências e oportunidades. Em nossa cooperativa temos a capacidade para atender os recursos de capital organizacional (processos gerenciais em geral, seus sistemas formais e informais de planejamento, controle e coordenação, cultura e reputação, relações informais entre grupos dentro da organização e aqueles que estão em seu ambiente). Os nossos fornecedores estão geograficamente próximos em relação a localização da organização (fácil acesso). Os nossos consumidores estão geograficamente próximos em relação a localização da organização (fácil acesso). Item da escala REC1 REC 2 REC 3 REC 4 REC 5 REC 6 REC 7 REC 8 Fonte: Elaborado pela autora. A Figura 22 representa o modelo da dimensão recursos (CGS) inicial, antes da extração dos indicadores que possuem carga inferior a 0,50 (comunalidade). Figura 22 - Modelo inicial da dimensão recursos Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). 138 A Tabela 18 representa os índices de ajuste do modelo de mensuração (inicial) para a dimensão recursos com todos os indicadores (REC1 a REC8). Tabela 18 - Índices de ajuste inicial do modelo de mensuração recursos (CGS) Indicador Valores Qui² 111,997 Esperado Qui²/GL 5,599 <3 P ,000 >0,05 CFI ,791 >0,90 TLI ,708 >0,90 NFI ,761 >0,90 Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). A partir dos resultados alcançados com NFI, CFI e TLI < 0,90, conforme Tabela 18, após a AFE, optou-se por remover, além dos indicados na comunalidade (REC2=,473; REC5=,483>0,50), outros dois indicadores (REC7=0,450; REC8=0,380) que apresentaram carga fatorial no fator único abaixo do recomendado (>0,7). Essa decisão se deu no intuito de melhorar o ajuste do modelo, conforme se observa na Tabela 18 (inicial). A Figura 23 representa o modelo final da dimensão recursos com as cargas padronizadas acima de 0,50 (0,68 e 0,75) no modelo de mensuração. Adicionalmente, Hair Jr. et al. (2009) sugere que o mínimo é de 0,40, indicando que os valores estão acima do mínimo. Figura 23 - Modelo final da dimensão recursos da CGS. Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). 139 Os resultados obtidos na AFC sugerem que os indicadores REC1, REC3, REC4 e REC6 representam essa dimensão como unidimensional. E aos indicadores extraídos e, portanto, ausentes, representam a multidimensionalidade no modelo final, e os torna como medidas não adequadas para medir os recursos (REC2, REC5,REC7 e REC8) nesse estudo. Após a remoção dos indicadores já mencionados, a Tabela 19 apresenta os novos índices de ajuste do modelo de mensuração recursos. Tabela 19 - Índices de ajuste final do modelo de mensuração recursos Indicador Valores Esperado Qui² 21,827 Qui²/GL 10,913 <3 P 0,000 >0,05 CFI 0,908 >0,90 TLI 0,724 >0,90 NFI 0,902 >0,90 Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). Os índices de ajuste, na Tabela 19, do modelo de mensuração da dimensão recursos, revelaram melhora significativa após a extração dos indicadores REC2; REC5; REC7 e REC8. Observa-se que o índice de ajuste (CFI) melhorou de 0,708 para 0,908, seguido do índice de ajuste incremental (NFI) de 0761 para 0,902, o que sugere que o modelo alternativo demonstrou ser superior ao modelo proposto inicialmente. 4.2.1.5 Validação da Dimensão de Stakeholder-Serving da Capacidade de Gestão dos Stakeholders A dimensão Stakeholder-Serving da capacidade de gestão dos stakeholders, indicada pelas siglas “SS1” a “SS6” foi medida a partir dos seis indicadores do questionário, descritos no Quadro 27. 140 Quadro 27 - Indicadores da dimensão stakeholder-serving STAKEHOLDERSERVING Dimensão Descrição dos indicadores da dimensão stakeholder-serving: capacidade de gestão dos stakeholders. Em nossa cooperativa se pensa em termos de como servir nossos stakeholders (por exemplo: “como servir o cliente” ou “como servir os funcionários”, é possível generalizar essa filosofia “como servir o meu stakeholder.” Em nossa cooperativa existem incentivos e prêmios para cooperados e funcionários que promovem a busca de soluções para os problemas decorrentes dos processos do cooperativismo. Nossas atividades estão intimamente relacionadas com aspectos para o desenvolvimento econômico e social dos cooperados e da comunidade. Dedicamos atenção à família dos cooperados (programas específicos). Nossa cooperativa desenvolve programas de integração entre os cooperados. Nossa cooperativa desenvolve programas de integração entre os funcionários. Item da escala SS1 SS2 SS3 SS4 SS5 SS6 Fonte: Elaborado pela autora. A Figura 24 representa o modelo da dimensão stakeholder-serving inicial, antes da extração dos indicadores que possuem carga inferior a 0,50 (comunalidade). Figura 24 - Modelo inicial da dimensão stakeholder-serving Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). O diagrama de caminhos apresentado na Tabela 20 mostra os índices de ajuste do modelo de mensuração (inicial) para a dimensão stakeholder-serving. Tabela 20 - Índices de ajuste inicial do modelo de mensuração stakeholder-serving Indicador Valores Qui² 34,444 Esperado Qui²/GL 11,481 <3 P ,000 >0,05 CFI ,929 >0,90 TLI ,882 >0,90 NFI ,908 >0,90 Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). 141 Mesmo que os resultados alcançados e demonstrados na Tabela 20, apresentassem NFI de “0,909”, CFI de “0,929” e TLI de “0,882”, após a AFE, optouse por extrair os indicadores SS1=0,261 e SS3=0,470 por possuírem carga inferior ao recomendado (0,50). Essa decisão se deu no intuito de melhorar o ajuste do modelo, conforme se observa na Tabela 21 com resultados mais ajustados ao modelo. A Figura 25 representa o diagrama do modelo final da dimensão stakeholder-serving com as respectivas cargas padronizadas todas acima de 0,50. Figura 25 - Modelo final da dimensão stakeholder-serving Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). Os resultados da AFC sugerem que os indicadores SS2, SS4, SS5 e SS6 representam a dimensão stakeholder-serving como unidimensional. E os indicadores extraídos ou ausentes no modelo final de mensuração denotam a multidimensinalidade dessa dimensão ou que os indicadores SS1 e SS3 não são boas medidas neste estudo. Os índices de ajuste do modelo de mensuração do stakeholder-serving final estão demonstrados na Tabela 21. Tabela 21 - Índices de ajuste do modelo (final) de mensuração de stakeholderserving Indicador Qui² Qui²/GL P CFI TLI NFI Valores 2,821 1,410 0,244 0,997 0,991 0,990 Esperado <3 >0,05 >0,90 >0,90 >0,90 Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). Os novos valores encontrados, com os indicadores CFI (0,997), TLI (0,997); NFI (0,990) representam melhora nos resultados e, consequentemente, a 142 confirmação dos valores para stakeholder-serving no modelo, demonstrando também que o modelo alternativo é superior ao inicial. Em suma, os resultados encontrados nesse construto denotam que os indicadores utilizados para medir cada dimensão foram satisfatórios, o que significa dizer que, mesmo com as extrações realizadas para melhor ajustar o modelo, houve sua confirmação. Procedimento este normal em estudo dessa natureza, já que a AFE consiste em dizer que enquanto a AFE explora os dados e fornece informações da quantidade de fatores necessários para a representação dos dados, a AFC consiste em dizer “[...] é uma maneira de testar quão bem, variáveis medidas, representam um número menor de construtos” (HAIR JR. et al, 2009, p. 589). Isto implica dizer que, por esse modelo não ter sido testado anteriormente, pode-se concluir que a Capacidade de Gestão dos Stakeholders pode ser adaptada e medida por tais indicadores e suas respectivas dimensões. O que ratifica que as prescrições apresentadas por Freeman (1984) e não aplicadas empiricamente surtiram o efeito almejado para sua mensuração. 4.2.1.6 Modelo de Mensuração Geral dos Construtos O modelo de mensuração geral (simplificado) dos construtos das variáveis latentes está representado no diagrama da Figura 26. Os indicadores de cada construto estão ocultos, apenas os construtos e suas respectivas covariâncias estão visíveis. O diagrama representado, é composto por elipses, e cada uma representa um construto do modelo de mensuração, as setas com duas pontas ou curvas representa a correlação ou covariância ( ) e indicam todas as correlações possíveis, porém, antes dos cálculos dispostos na sequencia. Os diagramas representam os caminhos ou a representação visual do modelo que compõe o conjunto de relações entre todos os construtos do modelo, a partir de suas dimensões. As setas retilíneas representam relações de dependência – variável preditora para a variável ou construto dependente ( 2009). ) (HAIR JR., et al. 143 Figura 26 - Construtos latentes do modelo de mensuração (geral) Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). 4.2.1.7 Validação do Construto Capacidade de Gestão dos Stakeholders O construto capacidade de gestão dos stakeholders foi representado por cinco dimensões, compostas por 23 variáveis exógenas ou indicadores observáveis. Os valores representados no diagrama de caminhos (Figura 27) às dimensões que compõem a capacidade de gestão dos stakeholders mostram os valores nas setas retilíneas e curvas (correlações e variâncias), com seus respectivos pesos fatoriais padronizados. Como se pode observar, todas as correlações apresentam valores positivos e significativos, conforme pode ser observado na Figura 27 que representa o Diagrama de caminhos às dimensões do Construto CGS (geral). 144 Figura 27 - Diagrama de caminhos às dimensões do construto CGS (geral) Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). Os resultados destas correlações podem ser verificados na Tabela 22 com os índices de ajuste do modelo de mensuração do construto CGS. Tabela 22 - Índices de ajuste do modelo de mensuração do construto CGS (geral) Indicador Qui² Qui²/GL P CFI TLI NFI RMSA Valores 526,230 2,392 0,000 0,874 0,855 0,804 0,090 Esperado <3 >0,05 >0,90 >0,90 >0,90 <0,08 Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). 145 Todos os índices apresentam-se próximos dos resultados esperados, inclusive com a Raiz do erro quadrático médio de aproximação (RMSA), ou seja, a maioria dos valores aceitáveis está abaixo de 0,10. A Tabela 23 apresenta os índices de modificação para CGS. Tabela 23 - Índices de modificação para capacidade de gestão dos stakeholders Covariâncias e8 e13 e13 e24 < -- > < -- > < -- > < -- > Índice de Modificação e9 e14 e9 e26 21,653 66,218 14,063 12,237 Mudança de paridade 0,204 ,392 -,195 0,183 Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). Nota: Apresentado apenas quatro covariâncias com os valores com referenciais acima de 12.000 (IM). Foi estratificado da relação geral que consta todos as covariâncias entre os termos – gerada pelo AMOS®. Parchange = valor estimado (mudança de paridade). Os valores da Tabela 23 indicam a covariância entre os termos de erro das questões. Verifica-se nas questões e13 e e14 que ela é de 66,218, o que significa que essas questões se “retidas” no modelo, reduziriam em pelo menos 66,22 (IM) o valor de X², e a estimativa desse novo parâmetro, em junção ao modelo, seria próximo de 0,392, assim como para as covariâncias das questões e08 e e09 (21,653), questões e13 e e09 (14,063) e questões e24 e e26 (12,237). Silva (2006) corrobora com esse entendimento e menciona também, que esses valores altos são os mais vantajosos. Na Tabela 23 foram selecionados os quatro índices com mais de 10,000 (IM). Após esses resultados o modelo foi submetido a novo teste, descrito na Tabela 24. A Tabela 24 apresenta os índices do modelo ajustados pelos valores de CFI (0,919) e TLI para (0,905) que melhorou o ajuste em todos os valores. Como pode ser observado com o RMSA, antes 0,09 baixou para 0,073. Tabela 24 - Índices de ajuste do modelo de mensuração da CGS (geral – reespecificado) Indicador Qui² Qui²/GL P CFI TLI NFI RMSA Valores 413,769 1,915 0,000 0,919 0,905 0,846 0,073 Esperado <3 >0,05 >0,90 >0,90 >0,90 <0,08 Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). 146 A Figura 28 representa o diagrama de caminhos às dimensões da CGS com as retenções, no intuito de melhorar o resultado de ajuste do modelo geral. Figura 28 - Diagrama de caminhos às dimensões da CGS (geral-reespecificado) Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). A Figura 28 representa as covariâncias que foram “retidas” no modelo a partir dos erros indicados no IM referente às questões FE1,“e8” e FE2,“e09” = 21,653; FE6,“e13 e FE6,“e14” = 66,218; REC4,“e24” e REC6,“e26” = 12,237; FE6,“e13” e FE2,“e9” = 14,063. Todos os testes realizados para o construto CGS demonstraram que as dimensões comunicação, formulação estratégica, proatividade, recursos e stakeholder-serving, propostas inicialmente por Freeman (1984), e após os devidos ajustes para este estudo, são estatisticamente significativas diante dos resultados obtidos. 147 4.2.2 Análise do Modelo de Mensuração das Dimensões do Ambiente (Dinâmico, Complexo e Munificente) No intuito de obter a unidimensionalidade dos construtos do ambiente dinâmico, complexo e munificente, seguiram-se as etapas da análise fatorial exploratória. Essa análise foi realizada para identificar qual variável desse construto se relaciona com um único fator e se estão correlacionadas entre si, e consequentemente, se indica uma única dimensão ou fator. A Tabela 25 é composta pelas correlações, cargas fatoriais, comunalidade extraída em cada indicador de cada uma das dimensões que compõem esses construtos, medida de adequação da amostra (MSA) em todos os indicadores, bem como as respectivas cargas obtidas no fator único extraído. O índice de Alfa de Cronbach foi aplicado para medir a confiabilidade desses construtos. A comunalidade resultante para cada indicador desse conjunto de dimensões revelou que a maioria dos valores foi maiores que 0,50, com exceção de dois indicadores do dinamismo e um indicador da munificência. A adequação da amostra (MSA) apresentou índices acima do recomendado (0,50) para todos os indicadores desses construtos. À carga fatorial com fator único, os valores esperados, na sua maioria, foram aceitáveis, ou seja, atingiram valores maiores que 0,50, excetuando-se dois indicadores: COMP1 e MUN7. Quanto ao índice Alfa de Cronbach, calculado para todas as dimensões, após serem extraídos os valores com comunalidade inferior a 0,50, a medida de confiabilidade foi aceita, com valores superiores a 0,70 (DIN=0,857; COMP=0,827; e MUN=0,827). Dessa forma, observa-se que os indicadores que não estão adequados para representar o construto do dinamismo são DIN1 e DIN2 < 0,50. Em contra partida, os indicadores DIN3 a DIN7 apresentaram-se adequados para medi-lo. No construto do ambiente munificente apenas o indicador MUN7 não está adequado para medir o modelo. Para o construto do ambiente complexo todos os indicadores apresentaram coeficientes > 0,50, o que significa que estão adequados para medir o modelo. A Tabela 25 expressa, à correlação entre os indicadores de cada dimensão do ambiente. Sob esse foco analítico foi aplicado inicialmente a análise fatorial no intuito de reduzir os fatores que fossem inferiores ao coeficiente indicado acima de 0,5 (HAIR et al.,2009) e melhorar a interpretabilidade dos dados. 148 Tabela 25 - Correlações, cargas fatoriais e índices dos indicadores dos construtos: ambiente dinâmico, complexo e munificente Ambiente Dinâmico Indicadores DIN1 1,000 DIN2 ,479 DIN3 ,361 DIN4 ,311 DIN5 ,301 DIN6 ,288 DIN7 ,376 ,479 ,361 1,000 ,364 ,364 1,000 ,469 ,623 ,291 ,512 ,427 ,501 ,379 ,443 DIN4 ,311 ,469 ,623 1,000 ,631 ,495 ,528 DIN5 ,301 ,291 ,512 ,631 1,000 ,552 ,421 DIN6 ,288 ,427 ,501 ,495 ,552 1,000 ,589 DIN7 ,376 ,379 ,443 ,528 ,421 ,589 1,000 Comunalidade ,336 ,426 ,577 ,666 ,552 ,592 ,549 MAS ,751 ,764 ,867 ,772 ,797 ,792 ,829 Carga no fator 1 ,580 ,653 ,760 ,816 ,743 ,770 ,741 Alfa de Cronbach ,857 DIN1 DIN2 DIN3 Ambiente Complexo Indicadores COMP1 COMP2 COMP3 COMP4 COMP5 COMP1 1,000 ,172 ,336 ,185 ,263 COMP2 ,172 1,000 ,275 ,590 ,543 COMP3 ,336 ,275 1,000 ,312 ,305 COMP4 ,185 ,590 ,312 1,000 ,712 COMP5 ,263 ,543 ,305 ,712 1,000 Comunalidade ,747 ,671 ,608 ,803 ,755 MAS ,701 ,825 ,790 ,692 ,716 Carga no fator 1 ,452 ,768 ,571 ,847 ,845 Alfa de Cronbach ,827 Ambiente Munificente Indicadores MUN1 MUN2 MUN3 MUN4 MUN5 MUN6 MUN7 MUN1 MUN2 MUN3 1,000 ,443 ,385 ,443 1,000 ,459 ,385 ,459 1,000 ,413 ,453 ,438 ,198 ,172 -,003 ,166 ,144 ,058 -,129 -,056 -,099 MUN4 ,413 ,453 ,438 1,000 ,322 ,317 ,033 MUN5 ,198 ,172 -,003 ,322 1,000 ,703 ,253 MUN6 ,166 ,144 ,058 ,317 ,703 1,000 ,300 MUN7 -,129 -,056 -,099 ,033 ,253 ,300 1,000 Comunalidade ,550 ,601 ,593 ,612 ,760 ,776 ,420 MAS ,798 ,782 ,720 ,803 ,606 ,618 ,730 Carga no fator 1 ,666 ,692 ,590 ,775 ,594 ,593 ,107 Alfa de Cronbach ,827 Fonte: Elaborado pela autora a partir do software SPSS® (Statistical Package for the Social Sciences) Neste sentido, os resultados com a comunalidade, MSA, carga no fator 1 e Alfa de Cronbach verificados nesses construtos, revelaram que dos 19 indicadores do modelo de mensuração, apenas 3 não possuíram carga significativa para 149 representá-lo. Equivale dizer que, 84,21% dos indicadores possuem carga fatorial adequada para medi-lo. Após a remoção dos indicadores de baixa comunalidade, a análise fatorial foi refeita conforme os índices apresentados na Tabela 26, com os valores relativos ao teste de adequação da escala para medir a KMO e teste de esfericidade de Bartlett´s para o dinamismo, complexidade e munificência. Tabela 26 - Teste de adequação da escala dos construtos do ambiente: dinâmico, complexo e munificente Medida de KMO e teste de Bartlett´s (Dinâmico) Medida de adequação da amostra de Kaiser-Meyer-Olkin Teste de esfericidade de Bartlett´s Qui quadrado aproximado GL Sig Medida de KMO e teste de Bartlett´s (Complexo) Medida de adequação da amostra de Kaiser-Meyer-Olkin Teste de esfericidade de Bartlett´s Qui quadrado aproximado GL Sig Medida de KMO e teste de Bartlett´s (Munificente) Medida de adequação da amostra de Kaiser-Meyer-Olkin Teste de esfericidade de Bartlett´s Qui quadrado aproximado GL Sig ,806 345,244 10 ,000 ,697 198,725 3 ,000 ,672 87,645 3 ,000 Fonte: Elaborado pela autora a partir do software SPSS® (Statistical Package for the Social Sciences) As medidas de adequação da amostra de Kaiser obtiveram valores de 0,806 para a dimensão do dinamismo; 0,697 para complexo e 0,672 para a munificência, os três alcançaram valores > 0,6, o que indica que esses índices também alcançaram os valores recomendados, confirmando a AFE. O teste de esfericidade de Bartlett após as respectivas exclusões (comunalidade), expressa a significância de 0,000 < 0,05 para as dimensões dinamismo, complexidade e munificência. A Análise Fatorial Confirmatória (Tabela 27) foi elaborada a partir dos resultados encontrados com a análise fatorial exploratória e o que tornou possível a apresentação dos testes de ajuste e a identificação do modelo a partir das variáveis exógenas (independentes), endógenas (dependentes) e seus respectivos indicadores observáveis. Às variáveis exógenas ou independentes estão compostas pelas dimensões e seus respectivos indicadores: dinâmico (DIN1 a DIN1 a DIN7), complexo (COMP1 a COMP5) e munificente (MUN1 a MUN7). A partir das variâncias apresentadas na Tabela 27 percebe-se que houve a retenção de um fator único para cada dimensão com um autovalor maior que 1, ou seja, todos superaram o mínimo recomendado de 50% (62,42 a 74,41%), 150 alcançando a consistência da medida. A Tabela 27 apresenta a variância explicada na AFE dos indicadores que medem os construtos do ambiente dinâmico, complexo e munificente. Tabela 27 - Variância explicada na AFE dos indicadores das dimensões: ambiente dinâmico, complexo e munificente Variância total explicada (Dinâmico) Fator 1 2 3 4 5 Fator 1 2 3 Fator 1 2 3 Autovalores iniciais Autovalores retidos (Cargas) % da % % Total Total % da Variância Variância Acumulado Acumulado 3,122 62,430 62,430 3,122 62,430 62,430 ,654 13,078 75,509 ,506 10,119 85,628 ,436 8,713 94,341 ,283 5,659 100,000 Variância total explicada (Complexo) Autovalores iniciais Autovalores retidos (Cargas) % da % % Total Total % da Variância Variância Acumulado Acumulado 2,232 74,412 74,412 2,232 74,412 74,412 ,483 16,112 90,524 ,284 9,476 100,000 Variância total explicada (Munificente) Autovalores iniciais % da % Total Variância Acumulado 1,873 62,426 62,426 ,588 19,590 82,016 ,540 17,984 100,000 Autovalores retidos (Cargas) % Total % da Variância Acumulado 1,873 62,426 62,426 Fonte: Elaborado pela autora a partir do software SPSS® (Statistical Package for the Social Sciences). 4.2.2.1 Validação da Dimensão Dinamismo O Quadro 28 apresenta a descrição que integra a dimensão dinamismo representada pelas siglas DIN1 a DIN6. 151 Quadro 28 - Indicadores do construto dinamismo DINAMISMO Dimensão Indicadores da dimensão: dinamismo Item da escala A regulamentação do setor de atuação da cooperativa muda muito DIN1 frequentemente. DIN2 As condições econômicas que influenciam nosso mercado mudam muito frequentemente. DIN3 A tecnologia envolvida em nossas atividades têm mudado muito nos últimos 2 anos. DIN4 As necessidades dos nossos potenciais consumidores têm mudado muito nos últimos 2 anos. DIN5 As necessidades dos nossos cooperados têm mudado muito nos últimos 2 anos. A atuação dos nossos concorrentes têm mudado muito nos últimos DIN6 dois 2 anos. DIN7 Aspectos sociais e culturais que influenciam nosso mercado têm mudado muito nos últimos 2 anos. Fonte: Elaborado pela autora. A Figura 29 representa o diagrama do modelo inicial criado que compõe a dimensão dinamismo. Figura 29 - Modelo inicial da dimensão dinamismo Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). Após análise fatorial exploratória (AFE), foram retirados dois dos sete indicadores (DIN1 e DIN2) por possuírem uma carga inferior a 0,7 e comunalidade inferiores a 0,5, restando 5 indicadores (DIN3 a DIN7). A Tabela 28 expressa à estimativa das cargas padronizadas iniciais dos indicadores da dimensão dinamismo. Tabela 28 - Índices de ajuste inicial do modelo de mensuração da dimensão dinamismo Indicador Qui² Qui²/GL P CFI TLI NFI Valores 61.228 4,373 0,000 0,895 0,842 0,870 Esperado <3 >0,05 >0,90 >0,90 >0,90 Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). 152 Os índices de ajuste do modelo inicial do ambiente dinâmico inseridos nesta análise oferecem significância no valor do Qui² (p=0,000), o modelo final deve considerar a exclusão do indicador DIN1 e DIN2, com comunalidade inferior ao recomendado (0,50). Desta maneira os testes foram novamente realizados e apresentados na Tabela 29. A Figura 30 representa o modelo final de mensuração com as estimativas padronizadas para a dimensão dinamismo. Figura 30 - Modelo final da dimensão dinamismo Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). No que diz respeito às cargas padronizadas representadas na Figura 30, indicaram que todas estão acima (0,66 a 0,81) do recomendado por Hair Jr. et al,. (2009). Os resultados da AFC sugerem que os indicadores restantes (DIN3 a DIN7) representam a dimensão dinamismo como um construto unidimensional. Os indicadores ausentes (DIN1 e DIN2) ou extraídos do modelo final de mensuração implicam sobre a multidimensionalidade desse construto, ou ainda, que esses dois indicadores não representam boas medidas para o dinamismo. A Tabela 29 representa a dimensão dinamismo com os novos valores para os índices de ajustes do modelo de mensuração. Tabela 29 - Índices de ajuste do modelo alternativo de mensuração da dimensão dinamismo Indicador Valores Esperado Qui² 24,682 Qui²/GL 4,936 <3 P 0,000 >0,05 CFI 0,942 >0,90 TLI NFI 0,884 0,930 >0,90 >0,90 Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). 153 O resultado obtido a partir da Tabela 29 revelou que os valores finais melhoraram e alcançaram os valores esperados para o ajuste do modelo, com exceção do índice de Tucker-Lewis (TLI) de 0,884, mas que se aproximou do esperado que é de 0,900. O que implica dizer que empiricamente, o dinamismo está relacionado diretamente às necessidades dos stakeholders que têm mudado muito nos últimos dois anos, e que merecem atenção constante. O que converge com o que apregoa Staw e Szwajkowski (1975) acerca do saber gerenciar com eficácia para aumentar as chances de sobrevivência da organização. 4.2.2.2 Validação da Dimensão Complexidade O Quadro 29 apresenta a descrição que integra a dimensão complexidade representada pelas siglas DIN1 a DIN6. Quadro 29 - Indicadores da dimensão complexidade Indicadores para a dimensão Complexidade Item da escala Há uma diversidade muito grande de fatores externos importantes para a tomada de decisão estratégica, e que estão relacionados à cultura COMP1 local e regional, condições climáticas, regulamentações, governo, mão de obra, fornecedores, concorrentes, etc. Há muita dificuldade em obter informações para auxiliar no processo de COMP2 tomada de decisão em nosso setor. Há necessidade de empenharmos esforços (informações, treinamento, alocação de recursos, etc.) para entender os fatores externos (cultura local e regional, condições climáticas, regulamentações, governo, mão COMP3 de obra, fornecedores, concorrentes, etc.) que influenciam nossa cooperativa. É difícil entender como está evoluindo nosso mercado. COMP4 Há muita dificuldade em realizar previsões em nosso segmento pela diversidade de elementos em nosso ambiente (regulamentações COMP5 governamentais, fornecedores, ambientalistas, sindicatos, concorrentes, empresas financeiras, clima, etc.). Fonte: Elaborado pela autora. COMPLEXIDADE Dimensão A Figura 31 representa o modelo inicial para a dimensão complexidade (COMP1 a COMP5). 154 Figura 31 - Modelo inicial da dimensão complexidade Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). Após a aplicação da comunalidade na análise fatorial exploratória todos os indicadores apresentaram valores acima do recomendado (0,50). Apenas a carga do fator único no indicador COMP1 aparece com 0,452 < 0,70. A Tabela 30 oferece os valores iniciais para o modelo de mensuração da dimensão complexidade. Tabela 30 - Índices de ajuste inicial do modelo de mensuração da dimensão complexidade Indicador Valores Esperado Qui² 15,354 Qui²/GL 3,070 <3 P ,009 >0,05 CFI ,957 >0,90 TLI NFI ,913 ,938 >0,90 >0,90 Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). Os índices de CFI, NFI e TLI, medidos a partir dos indicadores COMP2 a COMP5, oferecem resultados acima do esperado, o que indica que o modelo de mensuração para a dimensão complexidade foi confirmado. Embora os valores tenham superado o esperado, decidiu-se extrair o indicador COMP1 (0,452 < 0,70). Os valores alcançados para os indicadores da dimensão complexidade apenas COMP3 não atingiu o recomendado, muito embora a AFE tenha apresentado valores dentro do recomendado (comunalidade, MSA e carga no fator 1). No entanto, se aproximou ao previsto por Hair Jr. et al., (2009) que é de 0,40 e decidiuse por mantê-lo no modelo. A seguir a Figura 32 do ambiente complexo apresenta o modelo final desse construto. 155 Figura 32 - Modelo final da dimensão complexidade Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). Os resultados para AFC sugerem que os indicadores COMP2 a COMP5 representam a dimensão complexidade como unidimensional. E o ausente COMP1 (extraído) no modelo final, implica dizer que o construto é multidimensional ou que esse indicador realmente não é boa medida da complexidade neste estudo. A Tabela 31 apresenta os valores alcançados com a nova aplicação (final) para o modelo da dimensão complexidade, após a remoção apenas do indicador COMP1. Tabela 31 - Índices de ajuste final do modelo de mensuração da dimensão complexidade Indicador Qui² Valores Esperado ,384 Qui²/GL 192 <3 P ,825 >0,05 CFI 1,000 >0,90 TLI NFI 1,022 ,998 >0,90 >0,90 Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). Os resultados com a nova aplicação estatística demonstraram melhora significativa de ajuste, confirmando o modelo para a dimensão complexidade. E consequentemente implica dizer que essa dimensão representa também, a heterogeneidade e variedade de atividades percebidas, e que ocasionarão maior incerteza, conforme prevê Dess e Beard (1984) com base em Child (1972) acerca da complexidade percebida no ambiente. 156 4.2.2.3 Validação da Dimensão Munificência A dimensão munificência representada pelas siglas MUN1 a MUN7 foi medida a partir dos sete indicadores do questionário descritos no Quadro 30. Dimensão Indicadores para a dimensão Munificência MUNIFICÊNCIA Quadro 30 - Indicadores da dimensão munificência Nosso mercado têm crescido muito nos últimos 2 anos. Os recursos estão disponíveis no ambiente para atender à maioria das necessidades da nossa cooperativa. O ambiente em que estamos inseridos nos oferece mais oportunidade do que ameaças. Há clientes, fornecedores e outros recursos disponíveis para todas as cooperativas que atuam em nosso mercado. Disputamos um mercado com muitos concorrentes. Há muita rivalidade no mercado de nossa atuação. Estamos em um mercado no qual é muito difícil ser lucrativo. Item da escala MUN1 MUN2 MUN3 MUN4 MUN5 MUN6 MUN7 Fonte: Elaborado pela autora. A Figura 33 representa o modelo inicial para da dimensão munificência (MUN1 a MUN7) antes da remoção dos indicadores que possuem carga inferior a 0,50 (comunalidade). Figura 33 - Modelo inicial da dimensão munificência Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). A Tabela 32 apresenta os índices de ajuste iniciais para o modelo de mensuração da dimensão munificência. 157 Tabela 32 - Índices de ajuste inicial do modelo de mensuração da dimensão munificência Indicador Valores Qui² 147,649 Qui²/GL Esperado 10,546 <3 P ,000 >0,05 CFI ,551 >0,90 TLI NFI ,326 ,537 >0,90 >0,90 Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). Como os resultados encontrados na Tabela 32, foram muito abaixo do esperado, foi aplicado, a extração do valor indicado na comunalidade da análise fatorial exploratória (MUN7=0,420<0,5). A Figura 34 demonstra os indicadores já resultantes da extração (final). Figura 34 - Modelo final da dimensão munificência Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). Os valores das cargas padronizadas ficaram entre 0,62 a 0,70 e atingiram o recomendado por Hair Jr. et al., (2009). Os resultados da AFE sugerem que além do MUN7 (0,420<0,7) outros dois indicadores (MUN5=0,606 e MUN6=0,618<0,7) apresentaram a medida de adequação do ajuste (MSA) inferior à recomendada, decidiu-se pela extração desses indicadores também. E novos valores foram encontrados após os novos cálculos, conforme os resultados demonstrados na Tabela 33. Dessa forma, os resultados da AFC sugerem que os indicadores MUN1 a MUN4 representam a dimensão munificência como unidimensional e os que foram extraídos (ausentes) não formaram boas medidas da munificência. O que confirma que a munificência está relacionada aos recursos do ambiente, e estes ao crescimento do mercado, e o ambiente que estão inseridas as cooperativas oferece 158 mais oportunidade do que ameaças. Resultado este também encontrado por Carvalho (2011) no segmento dos hotéis brasileiros. Tabela 33 - Índices de ajuste final do modelo de mensuração da dimensão munificência Indicador Valores Esperado Qui² ,296 Qui²/GL 148 <3 P ,862 >0,05 CFI 1,000 >0,90 TLI NFI 1,036 ,998 >0,90 >0,90 Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). O que se pode perceber é que os índices de ajuste do modelo de mensuração da dimensão munificência apresentaram valores bem mais ajustados. Efetivamente, os índices finais estão associados a um modelo que se ajusta bem ao alcançarem o valor recomendado. 4.2.2.4 Validação das Dimensões Dinamismo, Complexidade e Munificência As dimensões dinamismo, complexidade e munificência, são representadas por 11 variáveis exógenas ou indicadores observáveis. Os valores representados no diagrama de caminhos às dimensões que compõem o ambiente mostram os valores nas setas retilíneas e curvas (correlações e variâncias) com os seus respectivos pesos fatoriais padronizados. Como se pode observar, as correlações apresentam valores positivos e significativos, com exceção da correlação entre a dimensão munificência e a dimensão complexidade com o grau de significância fraco. Os índices de ajustes inicial antes da remoção dos indicadores com baixa comunalidade, não ofereceram resultados significativos. No intuito de melhorar o ajuste do modelo, o teste foi refeito e os índices apresentaram melhoria significativa com valores aceitáveis. A Figura 35 a seguir, demonstra o diagrama de caminhos das correlações dessas dimensões. 159 Figura 35 - Diagrama de caminhos das dimensões do ambiente: dinamicidade, complexidade e munificência (final-geral) Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). Os resultados destas correlações podem ser verificados na Tabela 34 com os índices de ajuste do modelo de mensuração das dimensões do ambiente. Tabela 34 - Índices de ajuste do modelo de mensuração das dimensões do ambiente: dinamicidade, complexidade e munificência Indicador Valores Esperado Qui² 87.248 Qui²/GL 2,128 <3 P ,000 >0,05 CFI ,932 >0,90 TLI NFI RMSA ,909 ,882 ,081 >0,90 >0,90 <0,08 Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). Não foi aplicado o IM (<0,90) por considerar que os resultados alcançados com a redução dos indicadores da comunalidade já foram suficientes para melhorar o ajuste do modelo (>0,90). Todos os testes realizados para as dimensões, e de acordo com os indicadores e testes utilizados, apresentaram bons níveis de significância. 160 4.2.3 Análise do Modelo de Mensuração do Desempenho Socioambiental e Desempenho Econômico-financeiro No intuito de obter a unidimensionalidade do desempenho socioambiental e desempenho econômico-financeiro, seguiu-se as etapas da análise fatorial exploratória. Essa análise foi realizada para identificar qual variável do desempenho se relaciona com um único fator e se estão correlacionadas entre si e, consequentemente, se indica uma única dimensão ou fator. A Tabela 35 configura as respectivas correlações, cargas fatoriais, bem como os índices alcançados para cada indicador, derivadas da comunalidade. Apresenta também os valores que equivalem à medida de adequação da amostra (MSA) em todos os indicadores, com suas respectivas cargas obtidas no fator único (1), além do índice de Alfa de Cronbach para medir a confiabilidade. Tabela 35 - Correlações, cargas fatoriais e índices dos indicadores do desempenho socioambiental e econômico-financeiro Desempenho Socioambiental DSA2 DSA3 DSA4 ,519 ,421 ,268 Indicadores DSA1 DSA1 1,000 DSA2 ,519 1,000 ,562 DSA3 ,421 ,562 1,000 DSA4 ,268 ,370 DSA5 ,378 DSA6 ,219 Comunalidade MAS Carga no fator 1 Alfa de Cronbach Indicadores DEF1 DSA5 ,378 DSA6 ,219 ,370 ,432 ,417 ,515 ,522 ,308 ,515 1,000 ,369 ,240 ,432 ,522 ,369 1,000 ,327 ,417 ,308 ,240 ,327 1,000 ,523 ,857 ,724 ,316 ,825 ,562 DEF5 ,519 DEF6 ,446 ,366 ,565 ,413 ,442 ,635 ,655 ,421 ,822 ,788 ,792 ,836 ,665 ,797 ,810 ,649 ,754 Desempenho Econômico-financeiro DEF1 DEF2 DEF3 DEF4 1,000 ,476 ,458 ,413 DEF2 ,476 1,000 ,549 DEF3 ,458 ,549 1,000 ,625 ,653 ,593 DEF4 ,413 ,366 ,625 1,000 ,590 ,486 DEF5 ,519 ,565 ,653 ,590 1,000 ,681 ,446 ,486 ,915 ,697 ,857 ,413 ,511 ,845 ,715 ,593 ,706 ,853 ,840 ,486 ,559 ,856 ,748 ,681 ,756 ,839 ,870 1,000 ,613 ,854 ,783 DEF6 Comunalidade MAS Carga no fator 1 Alfa de Cronbach Fonte: Elaborado pela autora a partir do software SPSS®. (Statistical Package for the Social Sciences). 161 A Tabela 35 expressa à correlação entre os indicadores do desempenho socioambiental (DSA) e desempenho econômico-financeiro (DEF). Sob esse foco de análise, inicialmente foi aplicado à análise fatorial no intuito de reduzir os fatores que fossem inferiores ao coeficiente indicado acima de 0,5 para melhorar a interpretação dos dados. Pode-se perceber, diante dos resultados, que não houve correlação negativa entre os indicadores de cada desempenho. A comunalidade pode ser tomada como indicador de confiabilidade por apresentar o percentual de variância do item explicada pela variável. Dessa forma, quando foi aplicado o teste de comunalidade observou-se que os fatores (AFE) que não estavam adequados para representar o DSA foram DSA1, DSA4, DSA6, e DFE1. Em contra partida, os indicadores DSA2, DSA3, DSA5 foram adequados para mensurar o modelo e apresentaram valores de comunalidade significativa ao desempenho socioambiental. O desempenho econômico-financeiro apresentou apenas o DEF1 com valor inadequado para a comunalidade < 0,50. À carga fatorial com valor único, os valores esperados não foram alcançados por serem menores que o recomendado (>0,70). Para o índice Alfa de Cronbach calculado para todos os indicadores, após ser extraídos os valores com comunalidade inferior a 0,50, foram superiores a 0,70 ( DAS=0,754; e DEF=0,857). Os resultados obtidos na Tabela 35 demonstram que dos seis indicadores que compõem o desempenho socioambiental, 50% apresentam comunalidade por possuírem indicadores maiores que 0,50 (DSA2 = 0,635; DSA3 = 0,655; e DS5 = 0,523), e quanto ao desempenho econômico-financeiro, a maioria representa comunalidade maior que 0,50, exceto o DEF1 com 0,486. Quanto à adequação da amostra (MSA) pode-se concluir que todos os indicadores estão adequados. Em relação à carga fatorial, a maioria apresentou valores ideais e aceitáveis, com exceção dos indicadores DSA1, DSA4, DSA6 e DEF1. Para o Alfa de Cronbach, todos os índices desse conjunto de indicadores dos desempenhos aparecem com limites superiores a 0,70. Neste sentido, os resultados alcançados com a comunalidade, MSA, carga no fator 1 e Alfa de Cronbach, demonstraram que dos 12 indicadores do modelo de mensuração do desempenho, houve 4 que não possuíram carga significativa. Equivale dizer que, 67% dos indicadores contem carga fatorial adequada. 162 A Tabela 36 apresenta os valores para o teste de adequação da escala dos construtos medidos a partir de KMO e teste de esfericidade de Bartlett´s relativas ao desempenho socioambiental e desempenho econômico-financeiro após remoção dos indicadores com baixa comunalidade. A análise fatorial foi refeita conforme os índices apresentados com os resultados dos testes de Kaiser-Meyer-Olkin (KMO) e teste de Bartlett´s. Tabela 36 - Teste de adequação da escala das dimensões desempenho socioambiental e econômico-financeiro Medida de KMO e teste de Bartlett´s (Desempenho Socioambiental) Medida de adequação da amostra de Kaiser-Meyer-Olkin Teste de esfericidade de Bartlett´s Qui quadrado aproximado 124,110 GL 3 Sig ,000 Medida de KMO e teste de Bartlett´s (Desempenho Econômico-financeiro) Medida de adequação da amostra de Kaiser-Meyer-Olkin Teste de esfericidade de Bartlett´s ,677 Qui quadrado aproximado ,823 389,518 GL 10 Sig ,000 Fonte: Elaborado pela autora a partir do software SPSS®. (Statistical Package for the Social Sciences). Quanto à significância encontrada nos testes de esfericidade de Bartlett foram de 0,000 < 0,05 para todos os indicadores restantes após as respectivas exclusões. As medidas de adequação da amostra de Kaiser obtiveram valores que variaram entre 0,677 e 0,823 > 0,6, o que indica que esses índices também alcançaram os valores recomendados, e confirmados para a AFE. A Tabela 37 representa a variância explicada na AFE dos indicadores dos desempenhos socioambiental e desempenho econômico-financeiro, após os indicadores serem excluídos, com o uso do critério de Kaiser para o número de fatores a serem extraídos, dos valores com autovalor acima de 1. Conforme é expresso na Tabela 37 com a variância total explicada para o Desempenho Socioambiental e Econômico-financeiro. 163 Tabela 37 - Variância explicada na AFE dos indicadores do desempenho socioambiental e econômico-financeiro Variância total explicada (Desempenho Socioambiental) Fator 1 2 3 Fator 1 2 3 4 5 Autovalores iniciais Autovalores retidos (Cargas) % da % % Total Total % da Variância Variância Acumulado Acumulado 2,013 67,105 67,105 2,013 67,105 67,105 ,571 19,030 86,134 ,416 13,866 100,000 Variância total explicada (Desempenho Econômico-financeiro) Total 3,225 ,647 ,529 ,335 ,265 Autovalores iniciais % da % Variância Acumulado 64,497 64,497 12,944 77,441 10,573 88,013 6,690 94,704 5,296 100,000 Autovalores retidos (Cargas) % Total % da Variância Acumulado 3,225 64,497 64,497 Fonte: Elaborado pela autora a partir do software SPSS®. (Statistical Package for the Social Sciences). As variâncias expressas na Tabela 37 indicam que houve retenção de um fator único para cada dimensão com um autovalor maior que 1, o que representa para o desempenho socioambiental foi de 2,013 e o critério Kaiser consegue explicar 67,10% da variância; e para o desempenho econômico-financeiro foi de 3,225 com 64,50% de explicação para a variância. Com esses valores, nota-se que superaram o mínimo recomendado de 50%, o que denota a consistência da medida. A Análise Fatorial Confirmatória foi elaborada a partir dos resultados encontrados com a análise fatorial exploratória, o que tornou possível a apresentação dos testes de ajuste e a identificação do modelo a partir das variáveis exógenas (independentes), endógenas (dependentes) e seus respectivos indicadores observáveis. Às variáveis exógenas ou independentes estão compostas pelo desempenho socioambiental (DSA1 a DSA6) e desempenho econômico-financeiro (DEF1 a DEF6) e seus respectivos indicadores. 4.2.3.1 Validação do Desempenho Socioambiental O desempenho socioambiental foi medido a partir de seis indicadores descritos no Quadro 31 pelas siglas DSA1 a DSA6. 164 Quadro 31 - Indicadores do construto desempenho socioambiental Construto Indicadores Desempenho Socioambiental Item da escala DESEMPENHO SOCIOAMBIENTAL Quanto aos clientes (considere o desempenho da organização em satisfazer seus clientes ao terem suas necessidades atendidas). Quanto aos cooperados (considere o desempenho da organização em satisfazer seus cooperados ao terem suas necessidades atendidas). Quanto ao prazo de entrega (considere o desempenho da organização quanto ao cumprimento dos prazos de serviços prestados pela cooperativa). Quanto à matéria-prima – fornecedor (considere o desempenho da organização na obtenção de matéria prima). Quanto aos funcionários (considere o desempenho do funcionário quanto a sua produtividade). Quanto à preservação ambiental (considere os programas desenvolvidos pela cooperativa para a preservação ambiental). Fonte: Elaborado pela autora. DSA1 DSA2 DSA3 DSA4 DSA5 DSA6 A Figura 36 representa o modelo inicial do desempenho socioambiental. Figura 36 - Modelo inicial do desempenho socioambiental Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). Após análise fatorial exploratória (AFE), foram retirados três dos seis indicadores do modelo inicial DSA1, DSA4 e DSA6, por possuírem uma carga inferior a 0,7 e comunalidade inferiores a 0,5, restando apenas 3 indicadores DSA2,DSA3 e DSA5. Por essas considerações, as estatísticas de ajuste (valores para Qui², Qui²/GL;P;CFI;TLI; e NFI) para o construto DSA não foram apresentados, mas apenas os valores das cargas padronizadas dos itens desse construto na Tabela 38. Hair Jr. et al., (2009) explicam, que embora três indicadores indiquem a quantidade mínima para rodar o modelo, esse número inviabiliza o teste de ajuste do modelo, por ter o número idêntico de graus de liberdade ao de estimativa a ser calculada. 165 Desse modo, esse construto foi representado por apenas três indicadores inseridos no modelo de mensuração, conforme Tabela 38. Tabela 38 - Cargas padronizadas finais dos indicadores do DSA Indicador Estimativa DSA2 ,068 DSA3 ,082 DSA5 ,063 A Tabela 38 apresenta o diagrama do modelo final do desempenho socioambiental com as estimativas padronizadas, indicando estimativas acima de 0,5, demonstrando que poderão continuar no modelo. A Figura 37 configura o modelo final do desempenho socioambiental. Figura 37 - Modelo final do desempenho socioambiental Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). O modelo final para a mensuração do desempenho socioambiental representa as estimativas padronizadas encontradas e que alcançaram os valores mínimos (>0,50) recomendados. Neste sentido os três indicadores continuarão no conjunto desse modelo final para evitar eventual limitação na interpretação do estudo. 166 4.2.3.2 Validação do Desempenho Econômico-financeiro O desempenho econômico-financeiro representado a seguir, foi medido a partir dos seis indicadores representados pelas siglas DEF1 a DEF6, conforme o Quadro 32. Quadro 32 - Indicadores do desempenho econômico-financeiro DESEMPENHO ECONÔMICO-FINANCEIRO Construto Indicadores do Desempenho Econômico-Financeiro Quanto ao autofinanciamento (considere a capacidade que a cooperativa tem de crescer e sustentar suas operações com o capital de giro próprio). Quanto ao endividamento total (considere a capacidade da organização em utilizar recursos externos para o financiamento dos investimentos totais a curto e a longo prazo). Quanto ao crescimento das vendas (considere a capacidade da organização em mensurar o aumento real das atividades econômicas entre dois períodos). Quanto a participação de mercado – market share (considere a capacidade da organização em medir suas vendas ou o recebimento em relação ao seu mercado de atuação). Quanto ao retorno dos investimentos (considere a capacidade da organização em realizar resultados em relação ao total dos ativos). Quanto ao desempenho dos produtos/negócios (considere a capacidade da organização em beneficiar os cooperados a partir dos preços). Item da escala DEF1 DEF2 DEF3 DEF4 DEF5 DEF6 Fonte: Elaborado pela autora. A Figura 38 representa o modelo para o desempenho econômico-financeiro (DEF1 a DEF6) inicial antes da remoção dos indicadores que possuem carga inferior a 0,50 (comunalidade) na AFE. Figura 38 - Modelo inicial do desempenho econômico-financeiro Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). A Tabela 39 demonstra os valores iniciais para o modelo do desempenho econômico-financeiro. 167 Tabela 39 - Índices de ajuste inicial do modelo de mensuração do desempenho econômico-financeiro Indicador Valores Esperado Qui² 23,624 Qui²/GL 2,625 <3 P 0,005 >0,05 CFI 0,968 >0,90 TLI NFI 0,946 0,949 >0,90 >0,90 Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). Os resultados encontrados na Tabela 39 indicam valores acima do esperado para o ajuste do modelo, demonstrando que o modelo está confirmado. Porém, optou-se aplicar novamente a indicação da comunalidade (AFE) que apresentou cargas inferiores ao recomendado para o DEF1=0,486. Dessa forma, representa o diagrama do modelo final do desempenho econômico-financeiro excetuando-se o indicador DEF1. A Figura 39 apresenta o modelo final do DEF. Figura 39 - Modelo final do desempenho econômico-financeiro Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). As cargas padronizadas encontradas no modelo final atingiram valores acima de 0,50 (0,63 a 0,86) recomendado por Hair Jr. et al., (2009). A carga apenas de DEF1 não alcançou o esperado. Os resultados da AFC sugerem que DEF2 a DEF6 representam o desempenho econômico-financeiro como unidimensional. E apenas o DEF1 (ausente) do modelo de mensuração implica dizer que o DEF é multidimensional ou que o indicador extraído não tem aderência no modelo, por não ter boa medida no 168 DEF. Na Tabela 40 constam os valores do modelo final do desempenho econômicofinanceiro para os indicadores DEF2 a DEF6. Tabela 40 - Índices de ajuste final do modelo de mensuração do desempenho econômico-financeiro Indicador Valores Esperado Qui² 18,732 Qui²/GL 3,746 <3 P 0,002 >0,05 CFI 0,964 >0,90 TLI NFI 0,929 0,953 >0,90 >0,90 Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). A exclusão do indicador DEF1 não representou mudança significativa, e praticamente manteve os valores encontrados inicialmente, o que significa dizer que, diante dos resultados, o modelo permanece ajustado. Neste sentido, os valores de índice de ajuste final do modelo de mensuração do desempenho econômicofinanceiro, apresentados na Tabela 40, mostram valores de NFI, CFI e TLI acima do esperado, o que indica que o modelo de mensuração para o construto do desempenho econômico-financeiro está confirmado no modelo. 4.2.3.3 Validação do Desempenho Socioambiental e Desempenho EconômicoFinanceiro O desempenho socioambiental (DSA1 a DSA6) e desempenho econômicofinanceiro (DEF1 a DEF6) foram representados por 12 indicadores ou variáveis endógenas observáveis. Os valores representados no diagrama de caminhos os indicadores que compõem esses desempenhos mostram os valores nas setas retilíneas e curvas (correlações e variâncias) com os seus respectivos pesos fatoriais padronizados. Como se pode observar, as correlações (DEF e DSA) apresentam valor positivo e significativo. A Figura 40 representa o diagrama desempenho socioambiental e desempenho econômico-financeiro. 169 Figura 40 - Diagrama de caminhos do desempenho socioambiental e desempenho econômico-financeiro (inicial-geral) Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). Os resultados dessas correlações podem ser verificados na Tabela 41 com os índices de ajuste do modelo de mensuração desses desempenhos (DSA e DEF). Tabela 41 - Índices de ajuste do modelo de mensuração do desempenho socioambiental e desempenho econômico-financeiro (inicial – geral) Indicador Valores Esperado Qui² 59,246 Qui²/GL 3,118 <3 P ,000 >0,05 CFI ,933 >0,90 TLI NFI RMSA ,902 ,906 ,112 >0,90 >0,90 <0,08 Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). Todos os índices apresentados na Tabela 41 são considerados resultados esperados, com exceção a RMSA, um pouco acima do valor aceitável. Hair Jr. et al. (2009) reconhece o assunto polêmico em torno do bom valor para o RMSA, e revela que a maioria dos valores aceitáveis estão abaixo de 0,10. No intuito de melhorar o modelo e obter melhores ajustes, optou-se por analisar também pelo índice de modificação (IM) que indica o quão melhor o modelo poderá ser adequado, no caso de existirem IM altos. Foi identificado um IM nos indicadores de e36 < -- > e46, conforme pode ser observado na Tabela 42. 170 Tabela 42 - Índices de modificação para capacidade de gestão dos stakeholders Índice de Modificação 18,189 Covariâncias e36 < -- > e46 Mudança Média ,129 Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). Nota: Apresentado apenas os valores com referenciais acima de 10.000 (IM). Par-change = valor estimado (mudança média) No entanto ao aplicar o IM neste conjunto de indicadores os índices melhoram o ajuste conforme os resultados na Tabela 43. A Figura 41 representa o modelo final-geral do construto. Figura 41 - Diagrama de caminhos do construto desempenho socioambiental e desempenho econômico-financeiro (final-geral) Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). A Tabela 43 está composta pelos índices da correlação testada para o desempenho socioambiental e o desempenho econômico-financeiro. Tabela 43 - Índices de ajustes da correlação testada para o desempenho socioambiental e desempenho econômico-financeiro (final-reespecificado) Índices de ajustes = Final ou REESPECIFICADO Indicador Qui² Valores 39,700 Esperado Qui²/GL 2,205 <3 P 0,002 >0,05 CFI 0,964 >0,900 TLI NFI RMSA 0,944 1,000 0,084 >0,900 >0,900 <0,080 Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). 171 Os valores obtidos com o IM demonstram melhora em todos os índices, representados na Tabela 43. O que comprova com os testes que o modelo se manteve ajustado. A Figura 42 representa as covariâncias que foram “retidas” no modelo a partir dos erros indicados no IM referente os indicadores e36 e e46. Figura 42 - Diagrama de caminhos dos DSA e DEF (geral-reespecificado) Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). Todos os testes realizados para o DSA e DEF, a partir dos indicadores testados, demonstraram que, e após os devidos ajustes, são estatisticamente significativos diante dos resultados obtidos. Há que se ressaltar que no tocante aos resultados encontrados, e as técnicas estatísticas selecionadas para auferir a mensuração das relações descritas nesta tese, estão em conformidade com os estudos realizados por Rueda-Manzanares (2005); Duesing (2009), Carvalho (2011) e Escobar (2012). Trabalhos estes, que serviram de base para avaliação e comparação dos resultados encontrados. A Figura 43 apresenta o diagrama do caminho do modelo estrutural das estimativas de cargas de CFA geral-final com as relações entre a CGS, o desempenho socioambiental e o desempenho econômico-financeiro, e o ambiente (dinâmico, complexo e munificente). O modelo apresenta as setas inseridas após identificação e retenção dos valores da covariância detectados no índice de modificação (IM), conforme Tabela 44. 172 Figura 43 - Diagrama de caminho do modelo estrutural das estimativas de cargas de CFA – alternativo (reespecificado) geral – final Fonte: Elaborado e adaptado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). 173 A Figura 43 representa os caminhos percorridos para que o modelo estrutural e as estimativas de cargas da análise fatorial confirmatória melhorassem o ajuste do modelo geral. Os construtos da CGS, desempenho socioambiental, desempenho econômico-financeiro e ambiente dinâmico, complexo e munificente estão representados a partir das elipses, as setas com duas pontas ou curvas, representa a correlação ou covariância ( ). As setas retilíneas ( ) representam relações de dependência - variável preditora ou construto da variável dependente, indicam as relações estabelecidas de acordo com a proposição deste estudo. Os valores apresentados em cada uma das setas representam os respectivos pesos. Os indicadores que compõem cada construto são resultantes de todos os testes estatísticos efetuados até então, no intuito de identificar e extrair as cargas que concentrassem valores não recomendados para um bom ajuste de modelo. Salienta-se ainda, que as setas com duas pontas representam os índices de modificação (IM) na intenção de melhorar o modelo. Estes novos índices surgiram a partir da identificação de mudanças específicas com os seus respectivos parâmetros fixos especificados (covariância) – entre os indicadores observáveis de cada construto ou termos de erros em cada questão; índice de modificação – estima o quanto reduziria o termo de erro do valor o X²; o “Par Change” ou mudança de paridade – estimativa de quanto o IM incorporado ao modelo modificaria o modelo (SILVA, 2006; BYRNE, 2010). Na Tabela 44 constam os valores e as retenções nas covariâncias apresentadas no modelo estrutural para o construto da CGS. Tabela 44 - Índices de modificação para capacidade de gestão dos stakeholders Covariâncias e13 e32 e33 e8 e36 < -- > < -- > < -- > < -- > < -- > Índice de Modificação e14 e33 e34 e9 e37 76,425 41,255 27,093 26,289 24,518 *Mudança de paridade 0,481 0,679 0,455 0,234 0,165 Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). Nota: Apresentado apenas os valores com referenciais acima de 20.000 (IM). Estes referencias foram estratificados da relação geral que consta todas as covariâncias entre os termos – gerada pelo AMOS® versão 16 - *Par-change = valor estimado (mudança de paridade). Os valores da Tabela 44 revelam as covariâncias entre os termos de erro das questões. O que pode ser verificado é que a covariância entre os termos de erro nas questões e13 (FE6) e e14 (FE7) é de 76,425. O que significa que as questões 174 retidas no modelo, reduziriam em pelo menos 76,42 do valor o X², e a estimativa desse novo parâmetro em junção ao modelo seria próximo de 0,481, assim como para as demais covariâncias. Nesta Tabela foram selecionados os cinco valores acima de 20.000 (IM). Após esses resultados o modelo foi submetido a novo teste o que resultou na Tabela 45. Os valores apresentados a seguir (Tabela 45), representam os índices encontrados para o modelo inicial e final (após a retenção – ou fixar – covariância –Tabela 44). Tabela 45 - Medidas de ajuste do modelo estrutural Carga inicial Sem covariância* Medidas de ajuste absoluto Graus de liberdade GL 893 Qui² e p Qui-quadrado e nível de significância 1819,328 (p<0,000) Raiz do erro quadrático médio de RMSA 0,078 aproximação Índice de qualidade do ajustamento GFI 0,665 Medidas de ajuste Incremental Índice ajustado de qualidade de ajuste AGFI 0,628 Índice de ajuste normalizado NFI 0,643 Índice de Tucker-Lewis TLI 0,764 Índice de ajuste comparado CFI 0,777 Índice de ajuste relativo RFI 0,622 Índice de ajuste incremental IFI 0,780 Medidas de ajuste de parcimônia Índice de qualidade de ajuste de PGFI 0,600 parcimônia Índice de ajuste normalizado de parcimônia PNFI 0,607 Indicadores de ajuste Carga final (reespecificado) 888 1604,530 (p<0,000) 0,069 0,695 0,660 0,685 0,816 0,827 0,665 0,830 0,623 0,643 Fonte: Elaborado pela autora a partir do software Amos Graphics® (Analysis of Moment Structure). A partir dos índices encontrados e agrupados na Tabela 45, para as medidas de ajuste do modelo estrutural, têm-se os resultados obtidos com a retenção dos cinco termos de erros. Conforme pode ser observado a partir da diferença entre a carga inicial e a carga final (reespecificada) houve melhora no ajuste do modelo, principalmente no RMSA que ficou com 0,069 – valores menores indicam melhor ajuste (HAIR JR. et al. 2009). Quanto às outras medidas de ajuste absoluto, o quiquadrado permaneceu inalterado com significância de p < 0,000. O GFI atingiu o índice recomendado – inferior a 0,90 (HAIR JR. et al. 2009). Para os índices de medidas incremental os únicos que se aproximaram de índices aceitáveis foram TLI = 0,816; CFI=0,827; e IFI=0,830. Os índices de parcimônia PGFI e PNFI indicam nível de ajuste adequado. Esses índices de parcimônia entre 0,063 e 0,084 foram considerados por Rueda-Manzanares (2005) adequados para comparar modelos 175 alternativos. A seção posterior engendra os efeitos da moderação entre as dimensões relacionadas neste estudo no intuito de identificar se há relação e sua intensidade. 4.3 ANÁLISE DO EFEITO DA MODERAÇÃO O efeito da moderação neste estudo pressupõe inicialmente a análise da relação entre os construtos da capacidade de gestão dos stakeholders e o desempenho socioambiental e econômico-financeiro, concomitante a análise quanto à dimensão do ambiente dinâmico, complexo e munificente e o impacto produzido entre o construto preditor (VI – CGS) e o predito (VD-Desempenho). E para verificar os efeitos da moderação entre esses construtos utilizou-se a regressão múltipla, conforme item 4.3.1. Isto posto, o teste de hipóteses neste estudo contemplou o grau de significância dos relacionamentos propostos, permitindo responder os efeitos da moderação do ambiente dinâmico, complexo e munificente, ou ainda, se a variável independente (exógena) – capacidade de gestão dos stakeholders e a variável dependente (endógena) – desempenho socioambiental e econômico-financeiro, é moderada pela terceira variável – dimensões do ambiente (dinâmico, complexo e munificente). O que significa dizer que a intensidade ou a força da relação entre a CGS e o desempenho poderá variar diante de um ambiente dinâmico, complexo ou munificente. O que implica dizer ainda, que a partir deste parâmetro será possível identificar a força dessa moderação pela intensidade encontrada nos índices recomendados por Hair Jr. et al (2009) em que p < 0,000 ou = 0,05 há moderação. O efeito moderador mais comum empregado em regressão múltipla é o quase moderador ou moderador bilinear (HAIR, JR. et al., 2009). 4.3.1 Efeito das Variáveis Moderadoras do Ambiente Dinâmico, Complexo e Munificente sobre a CGS, DSA e DEF A partir do propósito central deste estudo que é relacionar a capacidade de gestão dos stakeholders (CGS), o desempenho (socioambiental e econômicofinanceiro), e a dimensão do ambiente (dinâmico, complexo e munificente), na 176 percepção dos dirigentes de cooperativas do Brasil, foi desenvolvido, além das análises apresentadas até então, a análise de regressões múltiplas. Logo, para identificar se a eficácia das relações descritas neste trabalho entre a CGS e o desempenho, é resultante dos impactos produzidos pelo ambiente dinâmico, complexo e munificente, foi elaborado inicialmente de forma individual, o construto da capacidade de gestão do stakeholders como preditores do desempenho socioambiental e desempenho econômico-financeiro, previstos apenas como desempenho. As cinco dimensões que integram a CGS foram submetidas ao tratamento estatístico inicialmente, em que se obtiveram as cargas (valores) respectivas para cada um dos indicadores já resultantes das reduções anteriores apresentadas na comunalidade. Cada valor serviu de base para efetuar o cálculo inicialmente no Excel ®, e este vezes (*) cada indicador (COM2, COM5, COM6; FE1 a FE8; PROA1 a PROA4; REC1, REC3, REC4, REC6; SS2, SS3, SS5 e SS6) para então encontrar as médias de todas as cinco dimensões que representaria a CGS (variável preditora) na análise de regressão múltipla. Cálculo este efetuado, também, para os outros construtos do ambiente (dinâmico, complexo e munificente). O valor de R² e sua interpretação dependem de como foi calculada a equação, ou ainda, utilizando o cálculo com as médias (ȳ) ou com as observações (ALVAREZ V.; ALVAREZ, 2003). A análise de regressão quando envolve apenas uma variável independente para estimar a dependente denomina-se regressão simples. Quando são duas ou mais as variáveis preditoras, chama-se regressão múltipla. E se entre as variáveis preditoras houver interação o nome dado é regressão fatorial ou hierárquica, sendo este o procedimento adequado para verificar se existe moderação (McArthur e Nystrom, 1991). O procedimento básico que envolve essa análise se divide em quatro partes: (a) estabelecimento de uma previsão de referência, com uso apenas das médias das variáveis; (b) regressão simples, com o uso de uma única variável independente a cada vez; (c) regressão múltipla, com o uso duas variáveis preditoras, a independente e a moderadora; (d) a regressão fatorial, onde haverá a interação das duas variáveis preditoras. A Tabela 46 resultou nos escores para medir a significância dos coeficientes de regressão simples dos construtos da capacidade de gestão dos stakeholders (CGS) e do ambiente dinâmico, complexo e munificente como preditoras do 177 desempenho econômico-financeiro (DEF) e desempenho socioambiental (DSA) – ou ainda, com o uso de uma única variável independente a cada vez. Tabela 46 - Significância dos coeficientes de regressão simples: variáveis preditoras Preditor CGS Dinâmico Complexo Munificente CGS Dinâmico Complexo Munificente Β Preditoras do DEF 0,462240 0,170017 -0,089470 0,504020 Preditoras do DAS 0,404681 0,122576 -0,051292 0,277052 Ρ 0,000000 0,026205 0,244535 0,000000 0,000000 0,110230 0,505248 0,000244 Fonte: Elaborado pela autora a partir do software SPSS®. (Statistical Package for the Social Sciences). Os escores encontrados na regressão simples, demonstrados na Tabela 46, mostram que as variáveis preditoras para o DEF apresentam o resultado de significância do modelo proposto ao terem o p=0,0000 <0,05 para CGS e o ambiente dinâmico e munificente. Com exceção apenas do preditor do ambiente complexo com p= 0,244535 > 0,05 e com o β negativo em ambos os desempenhos (DEF e DSA). Quanto às variáveis preditoras para o DSA também demonstraram significância na CGS (p=0,000000 <0,05) e na munificência (p=0,000244<0,05). Quanto à complexidade, em ambos as relações com DEF=-0,089470 e DSA= 0,051292 foi negativo, neste caso o ambiente dinâmico não encontrou significância por ter p=0,000000 > 0,05. O β (Beta) representa o quanto a variável preditora está associada com o retorno dos coeficientes padronizados, e quanto o β é estimado para cada variável preditora. Isso revela que o modelo de regressão simples se aproxima da significância (<0,05) em quase todas as relações com o valor recomendado (HAIR JR.,2005b). A Tabela 47 representa os coeficientes obtidos com a regressão múltipla a partir das variáveis preditoras (CGS, dinâmico, complexo e munificente) para o desempenho socioambiental e econômico-financeiro – ou ainda, com o uso de duas variáveis preditoras: a independente e a moderadora. 178 Tabela 47 - Significância dos coeficientes de regressão múltipla: variáveis preditoras Preditor Β CGS 0,399889 0,411994 0,360283 CGS 0,448380 0,473232 0,366499 P Preditor Regressão múltipla: DSA 0,000000 Dinâmico 0,000000 Complexo 0,000001 Munificente Regressão múltipla : DEF 0,000000 Dinâmico 0,000000 Complexo 0,000000 Munificente β P 0,018393 -0,086234 0,195039 0,801545 0,222933 0,006576 0,053200 -0,129606 0,420592 0,453089 0,058106 0,000000 Fonte: Elaborado pela autora a partir do software SPSS®. (Statistical Package for the Social Sciences). A capacidade de gestão dos stakeholders com o p<0,0000 indica que sua relação entre o DSA e o DEF possui significância. A capacidade de gestão dos stakeholders quando ao desempenho socioambiental, apenas demonstrou significância com o ambiente munificente (p=0,006576<0,05). Isso significa que na percepção dos dirigentes das cooperativas há relação entre a CGS e DSA sendo moderada pelo ambiente munificente. Quanto à relação entre o desempenho econômico-financeiro e a CGS também está moderada pelo ambiente munificente (p=0,000000<0,05). No entanto, no ambiente complexo também houve proximidade da significância (p= 0,058106<0,05). O que significa dizer que só há moderação entre a relação entre CGS e o ambiente complexo. A análise de regressão fatorial foi elaborada para identificar o grau de significância entre as dimensões do ambiente dinâmico, complexo e munificente, e mensurar os seus efeitos na capacidade de gestão dos stakeholders, conforme a Tabela 48 – ou ainda, onde haverá a interação das duas variáveis preditoras. Os resultados com a regressão múltipla fatorial informam quais variáveis independentes são fatores significativos de previsão da probabilidade de retorno. O modelo de regressão para a relação entre a CGS*DIN (VI) e o DSA é estatisticamente significativo (razão F= 7,754357; com o nível de propabilidade p= 0,005977), sendo o intercepto o “[...] valor da variável dependente quando todas as variáveis independentes tem um valor nulo (HAIR JR. et al. 2009,p.157)”. 179 Tabela 48 - Significância dos coeficientes de regressão múltipla fatorial: variáveis preditoras Preditor Intercepto MédCGS MédiaDIN MédCGS*MédiaDIN Erro Intercepto MédCGS MédiaCOMP MédCGS*MédiaCOMP Erro Intercepto MédCGS MédiaMUN MédCGS*MédiaMUN Erro Intercepto MédCGS MédiaDIN MédCGS*MédiaDIN Erro Intercepto MédCGS MédiaCOMP MédCGS*MédiaCOMP Erro Intercepto MédCGS MédiaMUN MédCGS*MédiaMUN Erro Soma dos g.l. Média² Quadrados Regressão fatorial DSA : CGS*DIN 0,69329 1 0,693295 0,02637 1 0,026365 0,01875 1 0,018752 0,02245 1 0,022455 14,93099 167 0,089407 Regressão fatorial DSA : CGS*COMP 0,28782 1 0,287822 0,90444 1 0,904441 0,20607 1 0,206069 0,26624 1 0,266238 14,56078 167 0,087190 Regressão fatorial DSA : CGS*MUN 0,14143 1 0,141427 0,22066 1 0,220656 0,11365 1 0,113652 0,04340 1 0,043401 14,27046 167 0,085452 Regressão fatorial DEF : CGS*DIN 0,03345 1 0,033448 2,19307 1 2,193069 0,82803 1 0,828033 0,73973 1 0,739727 46,40738 167 0,277888 Regressão fatorial DEF : CGS*COMP 0,00190 1 0,001898 4,52549 1 4,525485 1,09594 1 1,095935 1,47716 1 1,477165 44,82537 167 0,268415 Regressão fatorial DEF : CGS*MUN 0,19657 1 0,196567 0,12449 1 0,124490 0,14367 1 0,143669 0,02055 1 0,020554 37,19454 167 0,222722 F P 7,754357 0,294891 0,209738 0,251152 0,005977 0,587827 0,647568 0,616925 3,30107 10,37319 2,36344 3,05353 0,071027 0,001537 0,126101 0,082400 1,655050 2,582232 1,330015 0,507900 0,200054 0,109958 0,250450 0,477044 0,120366 7,891902 2,979730 2,661956 0,729075 0,005558 0,086163 0,104659 0,00707 16,86001 4,08298 5,50328 0,933085 0,000063 0,044915 0,020155 0,882568 0,558950 0,645059 0,092287 0,348856 0,455735 0,423026 0,761668 Fonte: Elaborado pela autora a partir do software SPSS®. (Statistical Package for the Social Sciences). O nível de probabilidade, embora não tenha sido p=0,0000 alcançou o valor recomendado (<0,05). O que significa dizer que as chances são 0,005977 e deva-se a eventos aleatórios, em vez de ser considerada uma relação verdadeira, ou seja, muito pequena (HAIR JR. et al., 2005b). Logo, os resultados com a aplicação da regressão, indicaram que a relação e moderação e o desempenho ocorreram apenas entre as seguintes predidoras: (a) relação = CGS – DSA e DEF; DIN – DSA e DEF; MUN-DSA e DEF; (b) moderação = CGS – DEF*COMP. Estes serão detalhados e associados com as respectivas hipóteses na seção subsequente. 180 4.4 TESTE DE HIPÓTESES Após todos os testes estatísticos realizados, esta etapa consiste em demonstrar o quão foi considerado satisfatório os índices de ajuste do modelo final a partir da descrição das relações previstas e os resultados alcançados com a aplicação da pesquisa. E estes servirão para respaldar as análises que envolvem a capacidade de gestão dos stakeholders nas cooperativas brasileiras. Há que se esclarecer que os resultados apresentados na sequência, excetuando-se os orientados à moderação (Tabela 48), as outras relações foram obtidas a partir do software AMOS® (ANEXO B). 4.4.1 Relação entre a Capacidade de Gestão dos Stakeholders e o Desempenho Socioambiental e Econômico-Financeiro – H1 O modelo elaborado para medir a relação entre a capacidade de gestão dos stakeholders a partir das dimensões da comunicação, formulação estratégica, proatividade, recursos e stakeholder-serving, o desempenho socioambiental e econômico-financeiro, demonstrou validade a partir dos coeficientes gerados por meio de testes estatísticos utilizados neste estudo. A seguir a construção das hipóteses testadas reflete tal afirmativa. As primeiras hipóteses testadas que compõem o construto da CGS para este estudo (H1) previam as seguintes afirmações: H1a: A Capacidade de Gestão dos Stakeholders afeta positivamente o desempenho socioambiental das cooperativas brasileiras. H1b: A Capacidade de Gestão dos Stakeholders afeta positivamente o desempenho econômico-financeiro das cooperativas brasileiras. Os resultados alcançados com a utilização de testes estatísticos ofereceram condições de verificar que a relação entre a capacidade de gestão dos stakeholders e o desempenho socioambiental suportou a hipótese a partir do coeficiente padronizado estimado Beta= β (β = 0,614) O coeficiente encontrado para a relação apresentada na H1b, também obteve efeito positivo a partir de β= 0,425, confirmando a hipótese. 181 Infere-se que como esta relação não foi encontrada ou testada, estes resultados demonstraram a validação do instrumento e das técnicas utilizadas para mensurar a relação entre a CGS, DSA e DEF, comprovando ainda, que as prescrições, tratadas neste estudo como dimensões e elaboradas basilarmente por Freeman (1984) poderão ser utilizadas de forma científica. 4.4.2 Relação entre o Dinamismo e o Desempenho Socioambiental e Desempenho Econômico-Financeiro – H2 O ambiente dinâmico medido a partir da relação entre o desempenho socioambiental e desempenho econômico-financeiro demonstraram que ambas suportaram as hipóteses com base nos coeficientes gerados por meio de testes estatísticos. A composição para o segundo grupo de hipóteses e que corresponde a esta relação, está descrita a seguir. H2a: O dinamismo do ambiente afeta o desempenho econômico financeiro das cooperativas brasileiras. H2b: O dinamismo do ambiente afeta o desempenho socioambiental das cooperativas brasileiras. A partir dos valores demonstrados, nota-se que os coeficientes padronizados da relação entre o ambiente dinâmico e DEF (β = -0,499; p=0,0000 <0,05) e relação entre o ambiente dinâmico e DSA (β= -0,495; p=0,0000<0,05) suportaram as duas relações confirmando as hipóteses. Estes resultados foram parcialmente contrários ao estudo de Carvalho (2011, p. 154) por não ter a hipótese suportada, isto é, “quanto maior a percepção de dinamismo do ambiente, maior é a orientação empreendedora”, aplicado sobre desempenho dos hotéis associados à percepção de dinamismo ambiental percebido. No entanto, os resultados encontrados por Escobar (2012) assemelham-se aos encontrados nesta tese, por apresentarem significância e suporte na relação entre a dimensão do dinamismo ambiental e o desempenho. Para esta relação prevista (H2a e H2b), poderá se afirmar que um ambiente dinâmico, com toda a imprevisibilidade e incerteza decorrente dessa concepção, afeta o desempenho em ambas as situações (DEF e DSA) analisadas neste estudo. 182 Esse resultado permite inferir que se houver, na percepção dos dirigentes estratégicos das cooperativas, consciência dos efeitos do dinamismo ambiental, isso os colocará em alerta constante na tomada de decisão. Essa característica analítica vem de encontro com o que revela Duncan (1972) quando considera que a ausência de conhecimento sobre os resultados de uma decisão, ou ainda, a falta de clareza nas informações, podem ocasionar consequências em uma decisão incorreta para a organização. Aldrich e Pfeffer (1976) reforçam essa afirmação ao descrevem a respeito da relevância do ambiente para a organização e suas implicações na estrutura organizacional e na tomada de decisões. As hipóteses na sequência, H2c e H2d, referem-se à relação de moderação. H2c: A relação entre a CGS e o DSA é moderada pelo ambiente dinâmico. H2d: A relação entre a CGS e o DEF é moderada pelo ambiente dinâmico. Os resultados das hipóteses (H2c e H2d) ofereceram a informação de que não há moderação (p= 0,617 para CGS-DSA*DIN >0,05; p= 0,105 para CGSDEF*DIN sendo > 0,05). Justifica-se que estes foram obtidos por meio da regressão múltipla fatorial (Tabela 48). A não moderação aufere a este modelo que a terceira variável (moderadora – ambiente dinâmico) não provocou efeito na relação entre CGS DSA e CGSDEF. A relação de moderação encontrou parcialmente, de acordo com esta hipótese, a moderação no estudo de Duesing (2009) aplicado em pequenas empresas. Nesse estudo, das quatro hipóteses criadas pelo autor para medir a relação entre o ambiente dinâmico (orientação para os consumidores, concorrentes, investidores e o desempenho) foram suportadas, e para os funcionários não. Na sequência está a construção para a hipótese H3. 183 4.4.3 Relação entre a Complexidade e o Desempenho Socioambiental e Desempenho Econômico-Financeiro – H3 No ambiente complexo, a partir da relação entre o desempenho socioambiental e desempenho econômico-financeiro, percebeu-se que ambas as relações não suportaram as hipóteses. A composição para esse terceiro grupo de hipóteses e que corresponde à relação entre COMP DSA e COMPDEF, está descrita a seguir. H3a: A complexidade do ambiente afeta o desempenho socioambiental das cooperativas brasileiras. H3b: A complexidade do ambiente afeta o desempenho econômico-financeiro das cooperativas brasileiras. Os coeficientes obtidos com esta relação, reveleram que os padronizados encontrados entre o ambiente complexo e o desempenho socioambitental (β=0,069; p=0,607>0,05), assim como para o ambiente complexo e o desempenho econômicofinanceiro (β=0,044;p=0,658>0,05) não suportaram a relação. O que denota que a complexidade do ambiente não afeta o desempenho socioambiental e nem o desempenho econômico-financeiro das cooperativas. Esses resultados são parcialmente contrários ao estudo de Carvalho (2011) que encontrou suporte para a percepção da complexidade do ambiente, embora relacionada à orientação empreendedora aplicada aos hotéis. As hipóteses a seguir apresentam a relação de moderação para este grupo. H3c: A relação entre a CGS e o DSA é moderada pelo ambiente complexo. H3d: A relação entre a CGS e o DEF é moderada pelo ambiente complexo. A hipótese testada para o DSA (H3c) não foi suportada por oferecer o resultado de p=0,082>0,05 para a relação entre CGS-DSA com o ambiente complexo. No entanto, a hipótese H3d, suportou a moderação do ambiente complexo entre a relação da CGS e o DEF com p= 0,020<0,05. Em suma, a hipótese H3c demonstra que a função moderadora não ofereceu os domínios de eficácia máxima para a variável dependente (DSA e DEF); consequentemente, não 184 provocou o efeito de moderação esperado pela hipótese. E quanto à hipótese H3d houve a moderação (CGS*COMP-DEF). Estes resultados estão parcialmente coerentes com os achados de Rueda-Manzanares (2005) por ter encontrado efeito moderador na complexidade sobre a relação entre a capacidade de integração dos stakeholders e a estratégia ambiental proativa da empresa. Em outras palavras, diante do que encontrou, “quer dizer que para níveis altos de complexidade a empresa terá mais dificuldades para transformar a capacidade de integração de seus stakeholders em uma estratégia medioambiental proativa” (p.196). Com efeito, pode-se dizer, que na percepção dos dirigentes das cooperativas o número de fatores que integram o processo decisório (MARCH; SIMON, 1981) afeta apenas o DEF das cooperativas do Brasil. Sobretudo, Duncan (1972) esclarece que por mais complexo que seja o ambiente, o grau de incerteza (maior ou menor) dependerá da velocidade que a mudança poderá ocorrer. Convergência essa, também associada por Dess e Beard (1984) por apresentar que a complexidade de um ambiente existe quando os dirigentes a percebem como relevantes. E assim, pode-se dizer que, na percepção dos dirigentes, respondentes, das cooperativas do Brasil, o ambiente complexo apresenta efeitos ou impactos apenas no desempenho econômico-financeiro. 4.4.4 Relação entre a Munificência e o Desempenho Socioambiental e Desempenho Econômico-Financeiro – H4 A relação prevista para este grupo de hipóteses se refere ao ambiente munificente e sua relação com o desempenho socioambiental e desempenho econômico-financeiro conforme descritas nas hipóteses a seguir. H4a: A munificência do ambiente afeta o desempenho econômico-financeiro das cooperativas brasileiras. H4b: A munificência do ambiente afeta o desempenho socioambiental das cooperativas brasileiras. As hipóteses H4a e H4b suportaram a relação ao apresentarem os resultados a partir dos coeficientes padronizados de beta com β= 1,073 e p= 0,0000 < 0,05 para 185 a relação entre o ambiente munificente e o desempenho econômico-financeiro e de β=0,945 e p=0,0000<0,05. Esses resultados confirmam a hipótese de que a munificência afeta os desempenhos econômico-financeiro e socioambiental das cooperativas brasileiras. Com isso, denota ainda, que pelas respostas fornecidas pelos dirigentes das cooperativas ocorrem impactos e efeitos provocados quando da abundância e/ou escassez de recursos, bem como, relacionado às ameaças e oportunidades oferecidas pelo ambiente externo. Nos achados dos resultados encontrados pelos autores (DUESING, 2009, CARVALHO, 2011, ESCOBAR, 2012) embora aplicados em ambientes, e objetos de estudo diferentes, apenas o trabalho de Carvalho (2011) suportou a hipótese que diz respeito à munificencia percebida no ambiente e a orientação empreendedora. As hipóteses a seguir representam a relação de moderação do ambiente munificente entre a CGS e DSA e DEF. H4c: A relação entre a CGS e o DSA é moderada pelo ambiente munificente. H4d: A relação entre CGS e o DEF é moderada pelo ambiente munificente. Quanto à relação de moderação prevista nestas duas hipóteses, ambas não foram suportadas conforme os valores de p= 0,477 (CGS-DEF*MUN) e de p=0,761 (CGS-DSA*MUN) (Tabela 48). Isso implica dizer que a relação entre a CGS-DSA e o DEF não são moderadas pelo ambiente munificente e que não provocou o efeito esperado pela hipótese, ou seja, a CGS embora afete o DSA e o DEF não é afetada pelo ambiente munificente. Este resultado também foi encontrado, parcialmente, ou seja, sob outra relação e enfoque, no estudo de DeLaughter (1996) ao analisar em que medida as diferenças do ambiente moderaram os efeitos da mudança estratégica na empresa sobre o desempenho. Assim como, por Escobar (2012) ao estudar as agências de viagens, buscou afirmar que a percepção da munificência ambiental modera a relação entre a capacidade dinâmica e o desempenho, não foi suportada. Diante desses resultados de moderação, e como não houve a significância recomendada, ou a intensidade da moderação nessas hipóteses, com exceção da complexidade (CGS-DEF*COMP), implica dizer que esta foi a única dimensão desse construto que afetou ou influenciou a direção ou a força da relação (ABBAD; TORRES, 2002; VALTER, 2008), entre as variáveis (CGS e DEF). De forma 186 abrangente, há que se ressaltar que Berman, Phillipis e Wicks (2005) descrevem acerca dos stakeholders, assim como a sua importância para o desempenho da empresa, por tornaram-se característica central da pesquisa de gestão. Os autores ressaltam ainda, a atenção que os gerentes precisam ter nos stakeholders, e pensar sistematicamente sobre como estão interagindo com os seus stakeholders. O Quadro 33 apresenta o resumo do teste das hipóteses e o resultado final para as respectivas relações. 187 Quadro 33 - Resumo dos testes das hipóteses 1 Caminho estrutural ou interação Hipóteses CGSDSA H1a CGSDEF H1b Caminho estrutural ou interação DINDEF DINDSA CGS-DSA*DIN CGS-DEF*DIN H2a H2b H2c H2d COMPDSA H3a COMPDEF H3b CGS-DSA*COMP H3c CGS-DEF*COMP H3d MUNDEF H4a MUNDSA H4b CGS-DSA*MUN H4c CGS-DEF*MUN H4d A Capacidade de Gestão dos Stakeholders afeta positivamente o desempenho socioambiental das cooperativas do Brasil. A Capacidade de Gestão dos Stakeholders afeta positivamente o desempenho econômico-financeiro das cooperativas do Brasil. Hipóteses O dinamismo do ambiente afeta o DEF das cooperativas brasileiras. O dinamismo do ambiente afeta o DSA das cooperativas brasileiras. A relação entre a CGS e o DSA é moderada pela ambiente dinâmico. A relação entre a CGS e o DEF é moderada pela ambiente dinâmico. A complexidade do ambiente afeta o DSA das cooperativas brasileiras. A complexidade do ambiente afeta o DEF das cooperativas brasileiras. A relação entre a CGS e o DSA é moderada pela ambiente complexo. A relação entre a CGS e o DEF é moderada pela ambiente complexo. A munificência do ambiente afeta o desempenho econômico financeiro das cooperativas brasileiras. A munificência do ambiente afeta o desempenho socioambiental das cooperativas brasileiras. A relação entre a CGS e o DSA é moderada pela ambiente munificente. A relação entre CGS e o DEF é moderada pela ambiente munificente. Coeficiente Padronizado Relação alcançada 0,614 Suporta a relação 0,425 Suporta a relação Valor de 2 “P” *** 0,003 0,617(*) 0,105(*) 0,607 0,658 0,082(*) 0,020 0,000 0,000 Relação alcançada Suporta a relação Suporta a relação Não suporta a moderação Não suporta a moderação Não Suporta a relação Não Suporta a relação Não suporta a moderação Suporta a moderação Suporta a relação Suporta a relação 0,477(*) Não suporta a moderação 0,762(*) Não suporta a moderação Fonte: Elaborado pela autora. 1 Estes valores correspondem à significância do resultado do coeficiente padronizado - AMOS®. Valores de P = (***) Valores respectivos a p < 0,001 (AMOS®) ; (*) = Moderação = As relações de moderação foram estimadas pelo p < 0,05 a partir da regressão múltipla fatorial (Tabela 48) – e os demais valores são respectivos a p < 0,05 (AMOS®). 2 188 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Este item representa não apenas as considerações finais, ou conclusivas deste trabalho, mas uma etapa de encontro entre o pesquisador e o leitor, momento que envolve teoria e prática, que revela certa postura hermenêutica do pesquisador no intuito de obter a mesma reciprocidade do leitor. Paradoxalmente, ao iniciar as considerações finais, não há como deixar de retomar o que foi mencionado na introdução deste estudo, qual seja, “autores criam, recriam e ampliam denominações para seus construtos a partir de distintas formas”. Entre esses autores, esta pesquisadora também se inseriu, ao realizar uma busca intensa pela imersão em leituras, abstrações, inferências, comprovações, análise de contextos diversos, nacionais e internacionais, com realidades expressas de formas variadas, especialmente no tocante a interpretações e metodologias também diferenciadas. Essa imersão de leituras, em sentido amplo, as interpretações e as compreensões possíveis foram sendo, cautelosamente, aplicadas em cada capítulo com a estrutura e o conteúdo necessários para o seu desenvolvimento e operacionalização. E o que no início era apenas um projeto, no decorrer do percurso obteve forma e exequibilidade, ao congregar, desde as temáticas desenhadas por distintos autores, a opção metodológica, incluindo os recursos tecnológicos, estatísticos, com escala para medir cada dimensão, tornou-se uma construção que pode ser somada aos elementos teóricos de outros autores, sobretudo aqueles utilizados nesta pesquisa, e acrescentar, reconhecidas contribuições, ao campo temático que norteou este estudo. Para além das descobertas e conclusões destacam-se os protagonistas, ou seja, as organizações e seus respectivos ambientes que, respeitosamente, permitiram que esse estudo pudesse ser promovido em sua essência científica. Isto posto, apresenta-se na sequência a estratificação dos resultados obtidos e delineados neste estudo. Este trabalho, ao relacionar a capacidade de gestão dos stakeholders (CGS), dimensão do ambiente (dinâmico, complexo e munificente) e o desempenho (socioambiental e econômico-financeiro) das cooperativas do Brasil, a partir da percepção dos seus dirigentes, também buscou contribuir com a área de estratégia organizacional. Outra contribuição, diz respeito diretamente aos setores que fazem 189 parte das organizações cooperativadas, e principalmente como seus gestores percebem sua atuação administrativa em um ambiente por vezes estável/instável, homogêneo/heterogêneo e abundante/escasso. Esse percurso permitiu alcançar os resultados do trabalho desenvolvido, basicamente sob duas óticas. A primeira corresponde ao desafio de propor um modelo que validasse as relações propostas. A segunda, norteada pela teoria dos stakeholders de Freeman (1984), foi a de que, ao retomar as suas proposições, promoveu também o reconhecimento e a relevância teórica da capacidade de gestão dos stakeholders. Os relacionamentos encontrados mostram que o objetivo geral, que culminou em relacionar a capacidade de gestão dos stakeholders (CGS), o desempenho (socioambiental e econômico-financeiro) e a dimensão do ambiente (dinâmico, complexo e munificente), a partir da percepção dos dirigentes de cooperativas do Brasil foi alcançado pela efetivação dos resultados. Essa afirmativa converge com a descrição feita por Freeman (1984) quando ressalta que as proposições apresentadas para a CGS (comunicação, formulação estratégica, recursos, proatividade e stakeholder-serving) deverão ser entendidas como preliminares e poderão resultar em sugestões práticas para uma boa gestão. Referente ao gerenciamento dos stakeholders constatou-se que a CGS afeta positivamente o desempenho socioambiental (DSA) e econômico-financeiro (DEF) dessas organizações. Portanto, alcançou o suporte em ambas as relações com valores significativos, demonstrando que as dimensões e escalas utilizadas para medi-la foram satisfatórias, validando o modelo proposto. Essa constatação demonstra que essas organizações possuem habilidades próprias para atender e gerenciar seus stakeholders, mesmo que uma única pessoa represente papeis diferenciados, no caso o cooperado, que é basicamente, dono, fornecedor, consumidor e cliente, o que aumenta a necessidade de confiabilidade em seus gestores. Às relações previstas neste estudo encontram-se também as três dimensões do ambiente (dinâmico, complexo e munificente) e os níveis de desempenhos (socioambiental e econômico-financeiro). Os indicadores dessa mensuração foram validados para os construtos do dinamismo, da complexidade e da munificência. O relacionamento entre o ambiente dinâmico e o desempenho (DSA e DEF), bem como o ambiente munificente (DSA e DEF) apresentou suporte em suas 190 respectivas relações. Isto significa que o ambiente dinâmico e munificente são percebidos pelos gestores das cooperativas e afetam o seu desempenho socioambiental e econômico-financeiro. O mesmo não ocorreu entre a relação do ambiente complexo e o desempenho (DSA e DEF), em que a relação não foi suportada. Para o primeiro caso (duas relações), mesmo que o ambiente apresentese dinâmico (estabilidade/instabilidade) ou munificente (abundância/escassez de recursos), os gestores das organizações cooperativadas respondentes percebem que em ambos os casos ocorrem efeitos no desempenho (DSA e DEF). Logo, esses indicadores também serviram para medi-lo e consequentemente validaram mais essa relação do modelo (DA e DO). Para essa relação, cabe dizer ainda, que a complexidade ambiental (heterogeneidade/homogeneidade) não afeta o desempenho (DSA e DEF) das cooperativas. Diante desse resultado e de acordo com os preceitos práticos dessa temática, os seus gestores o percebem mais como oportunidade do que ameaça, e consequentemente não afeta o desempenho. Contudo, o fato de não terem apresentado o efeito na relação não significa que os gestores não o percebam como importante. Além disso, dependerá do contexto e do setor, o que poderá ocasionar resultados diferenciados. Quanto aos efeitos da munificência no desempenho (DSA e DEF) percebe-se que estes afetam ambas as relações e estão associados às facilidades e/ou dificuldades em adquirir os recursos necessários para garantir a sobrevivência da empresa. Neste sentido, pelo fato de os gestores das cooperativas perceberem essa repercussão, gerada pela munificência do ambiente, devem desenvolver mais estratégias que possam aludir e revelar medidas de ação, de forma a precaverem a generosidade ou hostilidade do ambiente, com vistas a dirimir o impacto produzido no desempenho das mesmas. Por outro lado, na relação de moderação entre os construtos mensurados pelo modelo, a dimensão do ambiente complexo foi a única que moderou a relação entre a capacidade de gestão dos stakeholders e o desempenho econômicofinanceiro. Ou seja, segundo os pressupostos da moderação, esse construto produziu impactos entre o construto preditor (variável independente) e o predito (variável dependente) pela intensidade encontrada nos índices. Diante desse efeito percebido pelos gestores, constata-se como implicação prática, que as incertezas produzidas por um ambiente complexo que acabam por dificultar a tomada de 191 decisão deveriam ser mais voltadas à preocupação com os stakeholders e seus anseios. Equivale dizer também, que se a relação entre a CGS e o DEF, moderada pelo ambiente complexo for percebida pelos seus gestores, estes poderiam desenvolver ações de acompanhamento constante do ambiente, visando reduzir os impactos e facilitar uma compreensão maior e mais rápida na resposta às incertezas. Em linhas gerais, esse trabalho oferece a possibilidade de mensuração da capacidade de gestão dos stakeholders (CGS), como habilidades intangíveis para a empresa gerenciar suas capacidades de comunicação, formulação estratégica, recursos, proatividade e stakeholder-serving; e estas, voltadas especificamente a satisfação dos seus stakeholders. Essa concepção acerca de habilidades intangíveis também foi apresentada por Rueda-Manzares (2005), porém, associada a outro construto. 5.1 CONTRIBUIÇÕES DO TRABALHO PARA ACADEMIA Notoriamente, o pesquisador, ao desenvolver seus estudos e ao tentar interagir e compreender diferentes contextos, ora se depara com resultados satisfatórios ora insatisfatórios, ou seja, resultados que poderão ser transformados em outras descobertas ou simplesmente ficarão no vácuo da ciência (sem espaço). Dentre as contribuições já apresentadas, há que se retomar dois aspectos que estão diretamente focados com o pensamento epistêmico, a saber: a) Possibilidades de contribuição com a evolução e o avanço de pesquisas sobre estudos organizacionais e a estratégia, sob o eixo principal da relação entre a capacidade de gestão dos stakeholders, a dimensão do ambiente e o desempenho organizacional; b) Contribuição aos estudos teórico-empíricos, pela aplicação específica no contexto das cooperativas dos 13 setores da economia do Brasil (agropecuário, trabalho, crédito, transporte, saúde, educacional, habitacional, infraestrutura, produção, consumo, mineral, turismo e lazer, especial). 192 5.2 CONTRIBUIÇÕES PARA A GESTÃO DAS ORGANIZAÇÕES A responsabilidade do pesquisador com o desenvolvimento de uma pesquisa que envolve estudos de revisão teórica, ou aplicação de estudos (teórico-empíricos), consiste na fidedignidade do manuseio e da utilização das fontes consultadas, no posicionamento ético que deverá garantir a segurança dos dados expostos, bem como na sua interpretação. Nesse sentido, esta pesquisa tem sua co-responsabilidade e se inclui, de forma direta ou indireta, principalmente por colocar em discussão aspectos específicos sobre a gestão de pessoas. Sob essa ênfase, as contribuições que se creditam a este estudo envolvem aspectos teóricos e práticos da gestão das organizações. Vistos como indissociáveis, foram também, retomados, refletidos, experimentados, contrapostos e enaltecidos. Serviram, portanto, para: a) Esclarecer como ocorre o relacionamento entre a capacidade de gestão dos stakeholders e o desempenho organizacional; a relação entre a dimensão do ambiente e o desempenho organizacional; a moderação da dimensão do ambiente, na capacidade de gestão dos stakeholder e o desempenho organizacional; b) Esclarecer a intensidade dessa relação (CGS, DA e DO), medida a partir da percepção dos tomadores de decisão das cooperativas do Brasil, via dados coletados por meio de survey; c) Contribuir, principalmente com as cooperativas do Brasil, quanto aos resultados esperados com esta pesquisa e evidenciar as prováveis carências ou dificuldades existentes ao serem mapeadas no que diz respeito ao gerenciamento dos seus stakeholders; d) Demonstrar o relacionamento das empresas cooperativadas com o ambiente em que estão inseridas e no qual se encontram seus stakeholders, como forma de retribuir todo o empenho e apoio recebidos quando da coleta, ou seja, ao conciliar teoria e prática, às cooperativas 193 brasileiras, Organização das Cooperativas do Brasil (OCB) e Organização das Cooperativas por Estado (OCE’S). Enfim, essas contribuições estão ligadas diretamente às respostas advindas das organizações, pela confiança ao fornecerem dados e informações de cunho estratégico. 5.3 LIMITAÇÕES DA PESQUISA As limitações encontradas nesta pesquisa estão associadas diretamente a territorialidade, tendo em vista que o espaço geográfico agrupa culturas coletivas e individuais distintas, peculiaridades específicas no cenário ocupado pelas organizações. Acrescenta-se a isso questões metodológicas oriundas do processo de crescimento e evolução do pesquisador, assim, algumas limitações merecem destaque: a) Quanto à territorialidade – os resultados alcançados presumem diferenças territoriais, decorrentes de respostas advindas de diferentes cidades e Estados brasileiros. No âmbito conceitual encontrado para território, Souza (2010) afirma que estes podem se diferenciar em função dos sujeitos que os constroem. Neste sentido, infere-se que os resultados obtidos com as cooperativas que integraram a amostra poderão ter respostas diferenciadas se desmembrados por cidade, região e setor, e por vivenciarem ambientes com peculiaridades idiossincráticas – muito embora, o cooperativismo se desenvolve com base em valores básicos, independentemente de território; b) Quanto aos diferentes setores nos quais se aplicou o questionário – as organizações cooperativadas são compostas por 13 setores da economia (agropecuário, consumo, crédito, educacional, especial, habitacional, infraestrutura, mineral, produção, saúde, trabalho, transporte, turismo e lazer). Os diferentes setores que compuseram a amostra podem ser indicados como limitantes por possuírem características estruturais 194 diferenciadas (OLIVEIRA JR, 1991; FERREIRA; BRAGA, 2007), mesmo possuindo os mesmos princípios cooperativistas como prerrogativa principal para o desenvolvimento de suas atividades; c) Análise de regressão múltipla – o uso da regressão múltipla ocorreu para que o modelo pudesse ter mais consistência e robustez nos resultados e, consequentemente, adquirisse maior confiança ao testar as variáveis moderadoras do ambiente; d) Perceptividade – considerando que a obtenção das respostas perpassa aspectos subjetivos da formação de seus respondentes, não se pode negar a interferência desses aspectos sob as respostas. Por essa razão, os níveis hierárquicos mais elevados foram priorizados, pelo fato de seus responsáveis possuírem maior autonomia para o processo decisório, e, pela lógica, maior compreensão do trabalho proposto. Por esse motivo, optou-se em buscar, junto aos dirigentes das cooperativas, as respostas necessárias; e) Generalização dos resultados da pesquisa a outras cooperativas que não responderam o questionário – esse último fator limitante corresponde à amostra resultante utilizada no tratamento e análise dos dados, ou seja, os resultados correspondem às cooperativas respondentes e participantes do processo. Vale ressaltar que essas organizações se diferem, não apenas pela forma estatutária, mas principalmente pelos valores e princípios ligados ao cooperativismo que a norteiam. Sobre esse termo, a OCB (2012) defende que: “Associado a valores universais, o cooperativismo se desenvolve independentemente de território, língua, credo ou nacionalidade”. Diante do exposto, considera-se que este trabalho alcançou seus objetivos ao encontrar a significância estatística para mensurar a relação entre as variáveis previstas no modelo. Esta afirmativa também preconiza que as variáveis do modelo final representaram às relações estabelecidas entre a capacidade de gestão dos stakeholders, o desempenho e o ambiente. 195 5.4 SUGESTÕES A ESTUDOS FUTUROS Ao relacionar a capacidade de gestão dos stakeholders, o desempenho socioambiental e o econômico-financeiro, embora sob a moderação apenas do ambiente complexo (CGS*COMP-DEF<0,05) este estudo oferece marcos de referências para a realização de novas investigações, como: a) Aplicabilidade do modelo utilizado neste estudo em regiões que apresentem as mesmas características ambientais, na busca de identificação de similitudes de resultados; b) Aplicabilidade do modelo em cooperativas, ou mesmo em outras organizações que estejam inseridas no mesmo setor econômico, no intuito de identificar resultados semelhantes; c) A moderação foi alcançada apenas com o ambiente complexo. Entretanto, esse mesmo modelo, aplicado em outros contextos territoriais e setores da economia poderá apresentar resultados que comportem a moderação ao ambiente dinâmico e munificente; d) O uso da percepção como resposta é reconhecido como parâmetro analítico e pode ser utilizado em outras pesquisas. Contudo, a percepção poderia ser triangulada com outros stakeholders internos e externos e aplicada a outros níveis hierárquicos da organização, no intuito de avaliar sua percepção quanto ao ambiente; e) O modelo de mensuração para a relação entre a capacidade de gestão dos stakeholders, o ambiente organizacional (dinâmico, complexo e munificente) e o desempenho organizacional (DSA e DEF), bem como a moderação entre elas poderia ser testado em outras organizações com tamanhos, regiões e setores diferentes, para averiguar e comparar os resultados, principalmente quanto à moderação do ambiente. 196 REFERÊNCIAS ABBAD, G.; TORRES, C. V. 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Considerando que este questionário integra a minha pesquisa de doutorado, por favor, peço a sua compreensão, para que seja respondido no prazo de 10 a 15 dias a partir do seu recebimento. 2. Este questionário é composto por dois blocos de perguntas agrupadas de acordo com a temática específica a ser respondida e que servirá de base para a compreensão da relação entre a capacidade de gestão dos stakeholders, o ambiente organizacional e o desempenho das cooperativas do Brasil. Logo, suas respostas colaborarão sobremaneira para o alcance desse entendimento. Nota: stakeholders = funcionários, fornecedores, concorrentes, cooperados, governo, consumidores, dentre outros. 3. Ressaltamos que a sua informação possui o cunho exclusivamente científico, e que não há respostas corretas ou incorretas, só nos interessa sua sincera percepção sobre o assunto. 4. Em caso de dúvida, por gentileza, entrar em contato por e-mail: [email protected] ou pelo telefone xx (44) 99782167. 5. Na certeza que teremos a sua compreensão e apoio para a realização desta pesquisa, agradecemos antecipadamente. 6. Por favor, responder as questões a seguir de acordo com a ordem solicitada em cada bloco. 7. Informamos que os nomes das cooperativas serão codificados no intuito de preservar a sua identificação. Contatos acadêmicos: Secretaria do Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade do Vale do Itajaí – SC. Rua: João Paulo Coan, 400 Centro Biguaçu – Santa Catarina E-mail: [email protected] Cristina Heusi Leal E-mail: [email protected] Telefone: xx(48)32799712 Orientador e Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Administração: Prof. Dr. Carlos Ricardo Rossetto E-mail: [email protected] 216 UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ Programa de Pós-Graduação em Administração APÊNDICE 2: BLOCO I QUADRO I A) INFORMAÇÕES DO RESPONDENTE E DA COOPERATIVA 1. Dados do Respondente Nome: Cargo ou função: Formação: Tempo no Cargo: Gênero: Masculino Feminino 2. Dados da Cooperativa 2.1 Nome da Cooperativa: 2.2 Classificação desta cooperativa: Singular (ou de 1º. Grau) Central (ou de 2º. Grau) Confederação (ou de 3º. Grau) 2.3 Quantidade de cooperados (as): 2.4 Quantidade de funcionários (as): 2.5 Data de sua fundação: 2.6 Cidade e Estado brasileiro desta cooperativa: Cidade: 2.7 Quantidade de municípios onde a cooperativa possui filiais: Estado: 217 BLOCO I INSTRUÇÕES PARA RESPONDER O QUADRO II Por favor, assinale com um “X” o nível de discordância ou concordância da cooperativa quanto as práticas para a dimensão da capacidade e gestão. Para tanto, considere a escala crescente, onde 1 equivale à sua total discordância, e 6 equivale à sua total concordância – para uma situação intermediária, marque os números “2”, “3”, “4” ou “5” (escolher apenas uma alternativa em cada linha). QUADRO II 1. CAPACIDADE E GESTÃO Fator (1) (2) (3) (4) (5) (6) Discordo Discordo Discordo Concordo Concordo Concordo totalmente muito pouco pouco muito totalmente 1.1 COMUNICAÇÃO Indique o seu nível de discordância ou concordância sobre a comunicação da cooperativa: Nossa cooperativa desenvolve canais formais (mídia, jornais, etc.) de comunicação com os stakeholders. Nossa cooperativa dispõe de um sistema formal de comunicação organizacional para manter contatos diretos com seus stakeholders. Nós usamos os canais informais (redes de relacionamentos com o público interno e externo) de comunicação para o intercâmbio (troca) de informações sobre o ambiente que atuamos. Nossa cooperativa dispõe de relatórios gerenciais de avaliação da qualidade e adequação dos controles internos e estes são disponibilizados aos cooperados. Discutimos amplamente com os cooperados os efeitos das políticas adotadas pela cooperativa. As informações que transmitimos aos nossos stakeholders são claras e facilmente compreendidas. Nossa cooperativa realiza prestação de contas do exercício em assembleias dirigidas aos cooperados. 1.2 FORMULAÇÃO ESTRATÉGICA Indique o seu nível de discordância ou concordância sobre a formulação de estratégia na cooperativa: Em nossa cooperativa há identificação de nossos principais públicos (stakeholders), no intuito de conhecer e analisar suas expectativas. Em nossa cooperativa integramos stakeholders chave para formulação das estratégias (aproveitamento das experiências dos funcionários e o conhecimento de informações sobre os clientes, fornecedores, concorrentes, etc.). 218 Fator (1) (2) (3) (4) (5) (6) Discordo Discordo Discordo Concordo Concordo Concordo totalmente muito pouco pouco muito totalmente 1.2 FORMULAÇÃO ESTRATÉGICA (Continuação): Indique o seu nível de discordância ou concordância sobre a formulação de estratégia na cooperativa: Nossa cooperativa estabelece um sistema de planejamento bastante rigoroso e detalhado. Colhemos informações setoriais ou regionais, junto aos nossos stakeholders, por meio de situações informais (almoços, promoções e eventos específicos) para a tomada de decisão. A nossa cooperativa estabelece sistema de planejamento muito aberto e flexível. A nossa cooperativa dispõe de ferramentas para identificar e avaliar a existência de fatores internos que podem afetar adversamente a realização dos objetivos da cooperativa. A nossa cooperativa dispõe de ferramentas para identificar e avaliar a existência de fatores externos que podem afetar adversamente a realização dos objetivos da cooperativa. A nossa cooperativa, antes de iniciar a construção da decisão, procura entender os grupos, pessoas e interesses envolvidos no processo (cultura, políticas locais, etc.). Nossa cooperativa desenvolve pesquisas de satisfação junto aos cooperados. 1.3 PROATIVIDADE (Antecipação): Indique o seu nível de discordância ou concordância sobre a proatividade da cooperativa (antecipar as situações): Em nossa cooperativa antecipamos nossas decisões para atender as necessidades dos nossos stakeholders. Em nossa cooperativa enfatizamos o uso de sistemas de controle de custos para monitorar nosso desempenho. A nossa cooperativa possui a habilidade/competência para identificar oportunidades em situações adversas e crises. Estamos sempre dispostos a antecipar as mudanças para obter mais eficiência e redução de custos. 1.4 RECURSOS: Indique o seu nível de discordância ou concordância sobre alocação de recursos na cooperativa: Em nossa cooperativa alocamos os recursos (financeiros, humanos, tecnológicos, físicos, etc.) para atender as preocupações e as necessidades dos cooperados. Em nossa cooperativa alocamos os recursos (financeiros, humanos, tecnológicos, físicos, etc.) para atender as preocupações e as necessidades dos clientes. A cooperativa se preocupa no que diz respeito à melhor alternativa em soluções financeiras com menores taxas de juros, ao mesmo tempo em que se oferece um serviço de qualidade. A cooperativa se preocupa no que se refere à avaliação de produtividade com tecnologias flexíveis e inovadoras (máquinas e equipamentos, informática, etc.). 219 Fator (1) (2) (3) (4) (5) (6) Discordo Discordo Discordo Concordo Concordo Concordo totalmente muito pouco pouco muito totalmente 1.4 RECURSOS (continuação): Indique o seu nível de discordância ou concordância sobre alocação de recursos na cooperativa: Temos uma reputação no mercado de sermos muito criativos e inovadores, sempre preocupados com as tendências e oportunidades. Em nossa cooperativa temos a capacidade para atender os recursos de capital organizacional (processos gerenciais em geral, seus sistemas formais e informais de planejamento, controle e coordenação, cultura e reputação, relações informais entre grupos dentro da organização e aqueles que estão em seu ambiente). Dedicamos atenção especial aos meios de transporte utilizados para ajudar os cooperados. Os nossos fornecedores estão geograficamente próximos em relação a localização da organização (fácil acesso). Os nossos consumidores estão geograficamente próximos em relação a localização da organização (fácil acesso). 1.5 STAKEHOLDER-SERVING: Indique o seu nível de discordância ou concordância sobre como servir os stakeholders: Em nossa cooperativa se pensa em termos de como servir nossos stakeholders (por exemplo: “como servir o cliente” ou “como servir os funcionários”, é possível generalizar essa filosofia “como servir o meu stakeholder.” Em nossa cooperativa existem incentivos e prêmios para cooperados e funcionários que promovem a busca de soluções para os problemas decorrentes dos processos do cooperativismo. Nossas atividades estão intimamente relacionadas com aspectos para o desenvolvimento econômico e social dos cooperados e da comunidade. Dedicamos atenção à família dos cooperados (programas específicos). Nossa cooperativa desenvolve programas de integração entre os cooperados. Nossa cooperativa desenvolve programas de integração entre os funcionários. 220 INSTRUÇÕES PARA RESPONDER O QUADRO III Por favor, assinale com um “X” o nível de discordância ou concordância com a descrição de seu ambiente de negócios (grau de ocorrências). Para tanto, considere a escala crescente, onde 1 equivale à sua total discordância, e 6 equivale à sua total concordância, para uma situação intermediária, marque os números “2”, “3”, “4” ou “5” (escolher apenas uma alternativa em cada linha). (Nota: 2 anos = 2009 e 2010). QUADRO III 2. AMBIENTE ORGANIZACIONAL Fator A regulamentação setor de atuação da cooperativa muda muito frequentemente. As condições econômicas que influenciam nosso mercado mudam muito frequentemente. A tecnologia envolvida em nossas atividades têm mudado muito nos últimos 2 anos As necessidades dos nossos potenciais consumidores têm mudado muito nos últimos 2 anos. As necessidades dos nossos cooperados têm mudado muito nos últimos 2 anos. A atuação dos nossos concorrentes têm mudado muito nos últimos dois 2 anos. Aspectos sociais e culturais que influenciam nosso mercado têm mudado muito nos últimos 2 anos. Há uma diversidade muito grande de fatores externos importantes para a tomada de decisão estratégica, e que estão relacionados à cultura local e regional, condições climáticas, regulamentações, governo, mão-de-obra, fornecedores, concorrentes, etc. Há muita dificuldade em obter informações para auxiliar no processo de tomada de decisão em nosso setor. Há necessidade de empenharmos esforços (informações, treinamento, alocação de recursos, etc.) para entender os fatores externos (cultura local e regional, condições climáticas, regulamentações, governo, mão-de-obra, fornecedores, concorrentes, etc.) que influenciam nossa cooperativa. É difícil entender como está evoluindo nosso mercado. Há muita dificuldade em realizar previsões em nosso segmento pela diversidade de elementos em nosso ambiente (regulamentações governamentais, fornecedores, ambientalistas, sindicatos, concorrentes, empresas financeiras, clima, etc.). (1) Discordo totalmente (2) (3) (4) (5) (6) Discordo Discordo Concordo Concordo Concordo muito pouco pouco muito totalmente 221 Fator Nosso mercado têm crescido muito nos últimos 2 anos. Os recursos estão disponíveis no ambiente para atender à maioria das necessidades da nossa cooperativa. O ambiente em que estamos inseridos nos oferece mais oportunidade do que ameaças. Há clientes, fornecedores e outros recursos disponíveis para todas as cooperativas que atuam em nosso mercado. Disputamos um mercado com muitos concorrentes. Há muita rivalidade no mercado de nossa atuação. Estamos em um mercado no qual é muito difícil ser lucrativo. (1) Discordo totalmente (2) (3) (4) (5) (6) Discordo Discordo Concordo Concordo Concordo muito pouco pouco muito totalmente 222 INSTRUÇÕES PARA RESPONDER O QUADRO IV Por favor, assinale com um “X” o desempenho da cooperativa nos últimos 2 anos (2009 e 2010). Para tanto, considere a escala crescente, onde 1 equivale a péssimo e 6 equivale a excelente, para uma situação intermediária, marque os números “2”, “3”, “4” ou “5” (escolher apenas uma alternativa em cada linha). QUADRO IV 3. DESEMPENHO ORGANIZACIONAL Fator (1) Péssimo (2) Muito ruim (3) (4) Ruim Bom (5) Muito bom Quanto aos clientes (considere o desempenho da organização em satisfazer seus clientes ao terem suas necessidades atendidas). Quanto aos cooperados (considere o desempenho da organização em satisfazer seus cooperados ao terem suas necessidades atendidas). Quanto ao prazo de entrega (considere o desempenho da organização quanto ao cumprimento dos prazos de serviços prestados pela cooperativa). Quanto à matéria-prima – fornecedor (considere o desempenho da organização na obtenção de matéria prima). Quanto aos funcionários (considere o desempenho do funcionário quanto a sua produtividade). Quanto à preservação ambiental (considere os programas desenvolvidos pela cooperativa para a preservação ambiental). Quanto ao autofinanciamento (considere a capacidade que a cooperativa tem de crescer e sustentar suas operações com o capital de giro próprio). Quanto ao endividamento total (considere a capacidade da organização em utilizar recursos externos para o financiamento dos investimentos totais a curto e a longo prazo). Quanto ao crescimento das vendas (considere a capacidade da organização em mensurar o aumento real das atividades econômicas entre dois períodos). Quanto a participação de mercado – market share (considere a capacidade da organização em medir suas vendas ou o recebimento em relação ao seu mercado de atuação). Quanto ao retorno dos investimentos (considere a capacidade da organização em realizar resultados em relação ao total dos ativos). Quanto ao desempenho dos produtos/negócios (considere a capacidade da organização em beneficiar os cooperados a partir dos preços). Por favor, para complementar a pesquisa de desempenho econômico-financeiro, solicitamos que nos envie a cópia do relatório do último exercício. Muito obrigada por sua importante participação e colaboração! (6) Excelente 223 ANEXO A B DOCUMENTOS/FORMULÁRIOS CÓPIA DO OFÍCIO CIRCULAR: CIRC.PRES.005/12 – UNIMED (devidamente autorizada) CÁLCULOS OBTIDOS NO SOFTWARE AMOS® 224 ANEXO A – CIRC. PRES. 005/12 225 ANEXO B – RESULTADO – PARCIAL / SOFTWARE AMOS (AMOS®) COEFICIENTES PADRONIZADOS Standardized Regression Weights: (Group number 1 - Default model) Estimate Desempenho_Socioambiental <--- Capacidade de_Gestão dos_Stakeholders ,614 Desempenho_Econômico_Financeiro <--- Capacidade de_Gestão dos_Stakeholders ,425 Maximum Likelihood Estimates Regression Weights: (Group number 1 - Default model) Estimate S.E. C.R. P Label Desempenho_Socioambiental <--- Dinâmico -,248 ,084 -2,959 ,003 par_40 Desempenho_Socioambiental <--- Complexo ,032 ,061 ,515 ,607 par_41 Desempenho_Econômico_Financeiro <--- Complexo ,030 ,067 ,443 ,658 par_42 Desempenho_Econômico_Financeiro <--- Dinâmico -,364 ,099 -3,674 *** par_43 Desempenho_Socioambiental <--- Munificente ,771 ,153 5,047 *** par_47 Desempenho_Econômico_Financeiro <--- Munificente 1,275 ,228 5,583 *** par_48