SETÚBAL
pág. 15
Arrábida na rota
JORNAL MUNICIPAL.janeiro | fevereiro | março 2012.ano 12.n.º 44 da humanidade
União de esforços
Programa inédito
junta moradores,
instituições
e Autarquia
na planificação
e execução
de ações que estão
a transformar
os bairros da Bela
Vista, Manteigadas
e Quinta de
Santo António.
A vontade de
todos já resultou
na definição de
oito dezenas
de projetos
págs. 4 e 5
Meio milhão de euros reabilita habitações sociais
De comer
e chorar
por mais
pág. 6
Cidade
recorda
voz da
coragem
Festival dedicado
à caldeirada
pág. 14
Março
segue
a todo
o gás
pág. 16
Relatórios da PIDE
mostram atividade
antifascista
de Zeca Afonso
Homenagem
em 2012
nos 25 anos
da morte
do poeta
e músico
págs. 12 e 13
2SETÚBALjaneiro|fevereiro|março12
SETÚBAL
sumário
pág. 15
rota
Arrábida na ad
e
12.n.º 44 da humanid
| março 2012.ano
4 PRIMEIRO PLANO A união de esforços de moradores, instituições e Autarquia já dá resultados.
A recuperação de fogos e as obras da Praia da Saúde e da Casa do Corpo Santo também estão em destaque.
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Santo António.
A vontade de
todos já resultou
na definição de
oito dezenas
de projetos
12 PLANO CENTRAL São 25 anos de saudade do homem que, com palavras, canções e ações, ajudou a fazer
Abril. Zeca Afonso está a ser homenageado pela cidade que escolheu como centro da sua luta.
14 TURISMO A caldeirada teve direito a um festival que juntou à mesa da boa disposição muitos setubalenses
e visitantes. Um protocolo entre Setúbal e Grândola aproveita a excelência dos recursos.
15 AMBIENTE A candidatura da Arrábida a património mundial motiva diversas iniciativas promocionais.
A remoção de cepos e a aposta em contentores enterrados melhoram a imagem do Concelho.
16 CULTURA O Mês da Juventude está ao rubro com a hora de todas as decisões do concurso de bandas
de garagem a chegar. Outra prova, de fado amador, já definiu o vencedor, um escalabitano de 54 anos.
págs. 4 e 5
tações sociais
ros reabilita habi
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Março
segue
a todo
o gás
20 EDUCAÇÃO Setúbal está a ver nascer um novo centro escolar, no Bairro Afonso Costa, dotado de jardim
de infância e 1.º ciclo. Mas não esquece uma das suas professoras diletas, Lígia Figueiredo.
E
Relatórios da PID e
mostram atividad
antifascista
de Zeca Afonso
Homenagem
em 2012
nos 25 anos
da morte
do poeta
e músico
18 FREGUESIA A Câmara Municipal continua convencida da importância das juntas para o Concelho.
Nas Praias do Sado há um novo acesso pedonal, enquanto a Anunciada está a requalificar uma rotunda.
19 DESPORTO Os Jogos do Sado atravessam a fase de competições escolares, envolvendo centenas
de crianças e jovens. A cidade e o Vitória despediram-se do talentoso futebolista Jaime Graça.
Cidade
recorda
voz da
coragem
De comer
e chorar
por mais
o
Festival dedicad
à caldeirada
8 LOCAL A igualdade de género está em evidência num mês cheio de atividades que lembra a necessidade
de garantir direitos. O Mercado do Livramento continua a ter a preferência dos setubalenses.
21 ACADEMIA A Escola Superior de Educação está envolvida num projeto mundial que torna os
consumidores pessoas mais conscientes. Finalistas de Hotelaria têm ideias à espera de investidores.
págs. 12 e 13
pág. 16
22 RETRATOS José Domingos é o último homem que em Setúbal repara as fendas que a faina abre
nas embarcações de pesca. A profissão de calafate está em risco de desaparecer da margem do Sado.
23 INICIATIVA São quase vinte anos no município a lutar por uma sociedade mais inclusiva e com respostas
para as necessidades das pessoas. A cooperativa SEIS vive do contributo de diferentes áreas do saber.
24 PLANO SEGUINTE As comemorações da Revolução dos Cravos mostram como vai ser a Casa da Cultura,
instalada num edifício que respira os valores de Abril. O voluntariado volta a fazer Setúbal mais bonita.
informações úteis
Câmara Municipal
Setúbal - Jornal Municipal
Propriedade:
Câmara Municipal de Setúbal
Diretora: Maria das Dores Meira,
Presidente da CMS
Edição: DICI/Divisão de Comunicação
e Imagem
Coordenação Geral: Sérgio Mateus
Coordenação de Redação: João Monteiro
Redação: Hugo Martins, Manuel Cordeiro,
Marco Silva, Susana Manteigas
Fotografia: Mário Peneque, Rui Minderico
Paginação: Humberto F.
Impressão: Sogapal
Redação: DICI - Câmara Municipal
de Setúbal, Paços do Concelho,
Praça de Bocage, 2901-866 Setúbal
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Sugestões e informações dirigidas a este jornal
podem ser enviadas ao cuidado da redação
para o endereço indicado nesta ficha técnica.
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e Finanças | [email protected]
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Desporto, Juventude e Inclusão Social
Departamento de Recursos Humanos
Edifício Sado
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265 537 000
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e Atividades Económicas
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Gabinete de Apoio ao Consumidor
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– Escarpas de Santos Nicolau
265 545 150
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SEI – Setúbal, Etnias e Imigração
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Casa da Baía de Setúbal
265 537 880
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Centro de Promoção Turística
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Casa Bocage
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265 545 010 | 915 174 442
Arquivo Fotográfico Américo Ribeiro Balcão CMS: 265 550 228/29/30
Rua Edmond Bartissol, 12
Posto Municipal de Turismo - Azeitão 265 229 255
Piquete de água 265 529 800
Rua José Augusto Coelho, 27
Piquete de gás 800 273 030
212 180 729
Museu Sebastião da Gama
Eletricidade 800 505 505
Rua de Lisboa, 11
Loja municipal “Coisas de Setúbal”
Vila Nogueira de Azeitão
Urgências
Praça de Bocage – Paços do Concelho
212 188 399
[email protected]
SOS 112
Casa do Corpo Santo
Intoxicações
espaços culturais
Museu do Barroco
217 950 143
Rua do Corpo Santo, 7
Biblioteca Pública Municipal
SOS Criança
265 534 402
Serviços Centrais
808 242 400
Av. Luísa Todi, 188
Linha Saúde 24
equipamentos
265 537 240
808 242 424
desportivos
Hospital S. Bernardo
Polo da Bela Vista
Complexo Piscinas das Manteigadas
265 549 000
Rua do Moinho, 5
Via Cabeço da Bolota
265 751 003
Hospital Ortopédico do Outão
265 729 600
265 543 900
Polo Gâmbia, Pontes e Alto da Guerra
Companhia Bombeiros Sapadores
Estrada Nacional 10, Pontes
Piscina Municipal das Palmeiras
265 522 122
265 706 833
Av. Independência das Colónias
Linha Verde CBSS
265 542 590
Polo de S. Julião
800 212 216
Pct. Ilha da Madeira (à Av. de Angola)
Piscina Municipal de Azeitão
Bombeiros Voluntários de Setúbal
265 552 210
Rua Dr. Agostinho Machado Faria
265 538 090
212
199
540
Polo Sebastião da Gama
Proteção Civil
Rua de Lisboa, 11, V. Nogueira Azeitão
265 739 330
Complexo
Municipal
212 188 398
Proteção à Floresta
de Atletismo de Setúbal
117
Estrada Vale da Rosa
Fórum Municipal Luísa Todi
265
793
980
Capitania do Porto de Setúbal
Av. Luísa Todi, 61-67
265 548 270
265 522 127
Pavilhão Municipal das Manteigadas
Comissão Proteção Crianças
Cinema Charlot – Auditório Municipal Via Cabeço da Bolota
e Jovens de Setúbal
265 739 890
Rua Dr. António Manuel Gamito
265 550 600
265 522 446
PSP
Pavilhão João dos Santos
265 522 018
Museu de Setúbal/Convento de Jesus
Rua Batalha do Viso
Galeria de Pintura Quinhentista
265 573 212
GNR
Rua do Balneário Dr. Paula Borba
265 522 022
265 537 890
editorial
3SETÚBALjaneiro|fevereiro|março12
Mudar as regras
a meio do jogo
A Câmara Municipal de Setúbal tem como princípio de gestão a valorização do trabalho,
segundo critérios de legalidade e de responsabilidade social.
Atenta a esse princípio, assumiu a opção estratégica – legal e juridicamente sustentada,
sem margem para dúvidas, à data em que foi tomada – de alterar a posição remuneratória
por opção gestionária de um número significativo de trabalhadores.
Infelizmente, e de forma irresponsável, as regras foram mudadas a meio do jogo por
organismos dependentes do Governo, colocando em causa decisões municipais e a vida
de centenas de trabalhadores da autarquia.
As decisões municipais foram fundamentadas numa análise técnica interna cuidada
e rigorosa e em pareceres jurídicos e orientações técnicas de entidades idóneas com
responsabilidades nesta matéria.
Para efeitos daquelas alterações, a Câmara Municipal considerou a relevância das menções
correspondentes aos pontos atribuídos a cada trabalhador nos termos da Lei dos Vínculos,
Carreiras e Remunerações, na qual se determina que aos trabalhadores cujo desempenho
não tenha sido avaliado pelo Sistema de Avaliação e Desempenho
da Administração Pública (SIADAP), designadamente por não
ser aplicável, nos anos de 2004 e 2005, ou por não ter sido
aplicado no ano de 2006, se atribui um ponto para efeitos
de avaliação.
Foi assim que a Câmara Municipal de Setúbal concluiu que
o ponto atribuído corresponde à menção qualitativa de Bom,
o que permitiu um reposicionamento remuneratório de cerca
de quatro centenas de trabalhadores.
Ainda que pudéssemos estar sozinhos neste entendimento, a verdade é que igual
entendimento foi também o de mais de uma centena de autarquias em todo o país.
A partir de maio de 2010, o entendimento jurídico da IGAL sobre estas matérias passa
a ser diferente, o que fez com que os resultados de uma inspeção à Câmara Municipal
de Setúbal, efetuada por este organismo em 2011, determinasse que as decisões camarárias
de reposicionamento remuneratório são nulas. Esta decisão obrigou-nos a declarar
a nulidade da alteração da posição remuneratória, o que, na prática, implicaria o regresso à
anterior posição remuneratória e a devolução das diferenças salariais entretanto recebidas.
O que está aqui em causa, repito, é uma mudança de regras a meio do jogo.
Os setubalenses têm o direito de saber que o entendimento que seguimos neste caso
é exatamente o mesmo que outras autarquias seguiram e que este não foi um entendimento
exclusivamente partidário, mas antes um entendimento baseado em apreciações da lei
feitas por entidades competente e idóneas.
A Câmara Municipal de Setúbal assume todas as suas responsabilidades e o seu executivo
age no estrito cumprimento da lei. Foi isso que fizemos agora uma vez mais, por imposição
alheia, ainda que as consequências desta decisão possam ser prejudiciais para centenas
de trabalhadores.
Na análise jurídica que fizemos da matéria resultou que o caminho que seguimos seria
o único adequado, ainda que acreditemos que esta imposição do Governo possa ser anulada.
No que nos diz respeito, tudo continuaremos a fazer, com os nossos trabalhadores, para
que não sejam prejudicados nos seus salários e nas suas carreiras. Para que nada do que
justamente ganharam tenha de ser devolvido.
Tudo faremos para apoiar os sindicatos nesta luta, independentemente de podermos ter
visões diferentes sobre os melhores caminhos a seguir, visões que, contudo, em nada
prejudicam o nosso objetivo comum.
Estamos ao lado dos trabalhadores e com eles vamos combater as orientações e imposições
dos organismos governamentais que nos conduziram até aqui.
Tudo faremos, com os nossos
trabalhadores, para que nada
do que justamente ganharam
tenha de ser devolvido
Presidente da Câmara Municipal de Setúbal
4SETÚBALjaneiro|fevereiro|março12
Moradores
arregaçam
as mangas
primeiro
plano
D
Um projeto novo junta moradores da Bela Vista
e zona envolvente, instituições sediadas na área
e serviços municipais. Agora, são as pessoas
que decidem o que fazer, quando e como, para
melhorar o bairro onde vivem
egrau a degrau, Luís Gonçalves repara as escadas do prédio, na Bela
Vista. Pausa para um cigarro e de
novo o trepidar do martelo elétrico
num cimento degastado pelo uso.
A atenção na operação perde-se à
chegada de novos materiais. “Ontem
liguei a pedir mais tintas e hoje já as
tenho cá. Assim é que é.”
Luís Gonçalves resolveu deitar mãos
à obra, dinamizando, com outros
moradores, a recuperação do prédio
onde vive com a mulher e os filhos.
É neles e no futuro melhor que ambiciona para a família que pensou
quando decidiu participar na recuperação as áreas comuns do número
7 da Avenida Francisco Fernandes,
no “Bairro Amarelo”.
Esta é uma das respostas positivas ao desafio lançado pela Câmara
Municipal no âmbito do Programa
Integrado de Participação e Desenvolvimento da Bela Vista e Zona
Envolvente, que assenta na premissa de que todas as ações devem ser
protagonizadas pelos próprios, fomentando a organização de grupos,
uma maior autonomia, responsabilidade e crescimento coletivo.
Ao som da música de um pequeno rádio, que abafa o barulho das
obras, Luís Gonçalves trabalha nas
horas de descanso da atividade profissional, com Márcio Sousa, ladrilhador, e Carlos Ribeiro, padeiro.
Cada um faz aquilo com que mais
se ajeita, trocam ideias e ajudam-se
mutuamente, sempre em ambiente
de boa disposição.
“Não podemos ficar à espera que as
coisas nos caiam no colo e se resolvam
por si. É importante envolvermo-nos,
sempre com boa vontade e espirito de
iniciativa”, salienta Luís Gonçalves,
33 anos, que recusa ficar parado no
passado e concentra energias para o
futuro.
O apoio da Câmara Municipal para
a execução destas obras, com a cedência de materiais de construção,
tem sido fundamental para a materialização da iniciativa, uma das
muitas que já estão a surgir no âmbito deste programa, desenvolvidas
também em áreas como a cultura, o
desporto e a inserção social.
“Esta atitude da Câmara [cedência
de materiais] motiva-nos e é fundamental para a execução destas obras,
que seriam muito difíceis de concretizar sem matérias-primas”, desabafa
Luís Gonçalves, enquanto um companheiro de equipa aproveita para
pedir a um dos técnicos municipais
que acompanham os trabalhos mais
um disco para cortar ferro.
As obras começaram no topo do
prédio e já vão com um bom avanço.
Consistem na consolidação de estruturas, conserto de fendas e reparação de escadas. Depois são executados todos os trabalhos de pintura
necessários para mudar a imagem
do prédio.
Além destas obras, o grupo de moradores tem outras ideias em perspetiva. A instalação de focos de luz,
a colocação de baldes do lixo e a
restrição das entradas aos acessos
comuns do prédio são futuras intervenções a implementar, assim como
a intenção de constituir um condomínio.
Gina Forte, 57 anos, outra das moradoras envolvidas nesta ação, apoia
como pode. “Contamos com os mais
novos para os trabalhos mais pesados”, revela, entre risos. Um elogio
vai também para o programa que
Encontros com ideias
As linhas orientadoras do Programa Integrado de Participação e
­Desenvolvimento da Bela Vista e Zona Envolvente foram apresentadas
aos representantes de prédios abrangidos por este projeto, em reu­
niões realizadas localmente em fevereiro e março.
Os encontros, conduzidos pelo vereador Carlos Rabaçal, tiveram como
objetivos principais expor as linhas gerais do programa e, sobretudo,
auscultar os representantes dos prédios, eleitos em reuniões de moradores, sobre as necessidades prioritárias da comunidade.
Nestas sessões, foram já avançadas várias propostas para o desenvolvimento de iniciativas e sugestões de melhoria da qualidade de vida das
populações e de criação de novas dinâmicas de quotidiano.
As iniciativas a desenvolver
por grupos de voluntários
foram apresentadas à Autarquia, que as analisa e estuda a
melhor maneira de as apoiar e
acompanhar, para uma plena
implementação.
Esforço reabilita prédio
A recuperação dos espaços comuns do prédio número 7 da Avenida Francisco Fernandes é um dos exemplos das novas dinâmicas de quotidiano
que estão a ser criadas na Bela Vista. A Autarquia cedeu os materiais de
construção civil e os moradores deitaram mãos à obra.
Começaram pelos espaços comuns, com particular ênfase na recuperação
das escadas, que vão ganhar novos degraus. A consolidação de estruturas
e o conserto de fendas são outras prioridades, assim como a pintura geral
do edifício, indispensável para mudar a imagem do prédio. Para mais
tarde ficam outras intervenções, como a instalação de focos de luz, a colocação de baldes do lixo e a restrição das entradas de acesso ao prédio.
5SETÚBALjaneiro|fevereiro|março12
Bairro da Bela Vista
já tem condomínio
a Câmara Municipal está a implementar. “Dá-nos mais autonomia
e capacidade para resolver os nossos
problemas.”
É uma renovada visão para reconfigurar a realidade de um conjunto
de bairros da zona da Bela Vista, um
novo ciclo na vida das populações,
que passam a ter um papel mais determinante no processo decisivo.
Programa aponta ao futuro
O envolvimento ativo da população
na tomada de decisões e na imple-
mentação de iniciativas locais são
objetivos primordiais do Programa
Integrado de Participação e Desenvolvimento da Bela Vista e Zona
Envolvente, que junta moradores,
técnicos municipais e perto de três
dezenas de entidades sediadas no
território abrangido.
Englobando os bairros da Bela Vista, Alameda das Palmeiras, Forte da
Bela Vista, Manteigadas e Quinta
de Santo António, com um total de
perto de sete mil habitantes, o programa procura novos interlocutores
capazes de desencadear processos
de participação e de mobilização
popular.
É fundamental o envolvimento das
pessoas nas decisões e nas tarefas
necessárias à materialização das
mais de oito dezenas de ações e
projetos já definidas neste programa, que incide na intervenção com
jovens, na promoção da educação,
formação e emprego na comunidade, no fomento de iniciativas comunitárias, no desenvolvimento de
processos de participação e na melhoria da imagem e visibilidade dos
territórios.
A constituição do primeiro condomínio no Bairro da Bela Vista, no final de janeiro, marca um novo ciclo
no envolvimento dos moradores na
resolução dos problemas do edificado local, na sequência de um desafio
lançado pela Câmara Municipal.
A “mudança da mentalidade das
pessoas”, destaca a presidente da
Autarquia, Maria das Dores Meira,
representa “um fator decisivo” para
a recente formação deste condomínio, o primeiro desde a construção,
há mais de três décadas, do Bairro
da Bela Vista (“Bairro Amarelo”).
Com o “envolvimento das pessoas
torna-se mais fácil a resolução de
diversos problemas” que afetam a
Bela Vista, sublinha a autarca, reforçando que, a partir de agora, os
moradores têm “uma participação
ativa” na implementação “de soluções práticas para a reabilitação das
habitações”.
O novo condomínio, formalizado
no número 28 da Avenida da Bela
Vista, é composto por um total de
três dezenas de condóminos – vinte
são proprietários privados e dez espaços pertencem à Autarquia –, que
já começaram a pagar a respetiva
quota mensal.
A constituição deste condomínio,
no âmbito do Programa Integrado
de Participação e Desenvolvimento da Bela Vista e Zona Envolvente,
tem a vantagem de aumentar a autonomia e a capacidade de decisão
dos moradores em termos da gestão
quotidiana do prédio, no que respeita, nomeadamente, a trabalhos
de manutenção e limpeza.
As obras que sejam necessárias
realizar no edifício passam, igualmente, a ser desencadeadas pelo
condomínio, que também é responsável pela escolha do empreiteiro e do orçamento.
A Câmara Municipal assume a condição de condómina dos espaços de
que é proprietária, cumprindo as
mesmas obrigações quanto ao pagamento das quotas mensais e das
quantias extraordinárias que venham a ser necessárias para a realização de obras de conservação.
“Levámos alguns anos até constituir
este primeiro condomínio. Foi um trabalho difícil e longo mas conseguimos
finalmente atingir este objetivo”, que
também concorre para a “recuperação da autoestima das pessoas”, vinca
Maria das Dores Meira.
Com vista a incentivar a constituição de mais condomínios, a Autarquia informa sobre as vantagens e
presta apoio aos moradores para a
formação e o desenvolvimento das
atividades, nomeadamente na elaboração de atas e no fornecimento
dos formulários necessários para
a inscrição no Registo Nacional
de Pessoas Coletivas. Presta ainda
apoio técnico-jurídico sobre questões relativas à gestão do condomínio.
Rampa recebe escadas
A construção de um lance de escada com cerca de 20 metros está a melhorar a acessibilidade pedonal entre a Alameda das Palmeiras e a Avenida Belo Horizonte, junto do edifício da
Cáritas, numa resposta direta da Câmara Municipal às necessidades da população daquela
área da Bela Vista.
Os trabalhos aproveitam o uso de um corrimão já existente naquela área, preparada desde
o início da construção
do bairro para receber
uma infraestrutura deste
género, mas que nunca foi
edificada.
As intervenções, executadas com meios humanos
e técnicos da Autarquia,
consistem na implementação de lancis de escada
em betão e na construção
de degraus em calçada,
devendo estar concluídas
até meados de abril.
Desporto junta jovens
O “Torneio Fire Ball”, a primeira iniciativa desportiva realizada no âmbito do Programa
Integrado de Participação e Desenvolvimento da Bela Vista e Zona Envolvente, juntou, em
março, jovens de vários bairros de habitação social desta área da cidade.
A iniciativa, um torneio de futsal com oito equipas, foi organizada por um grupo de jovens
da recém-criada Associação Atitude, com o apoio da Câmara Municipal, e teve como objetivos o fomento da prática desportiva e a interação e convívio entre os jovens.
O “Torneio Fire Ball”, com jogos disputados no polidesportivo e pavilhão municipal das
Manteigadas, incluiu o desenvolvimento de ações de formação, com a presença de elementos de todas as equipas participantes, abordando temáticas como a prática desportiva e
conceitos de arbitragem.
6SETÚBALjaneiro|fevereiro|março12
Investimento recupera habitações
São mais de 500 mil euros para a reabilitação de habitações nos bairros sociais. O investimento municipal para 2012 ajuda a resolver
os problemas mas a Autarquia continua a reclamar do Governo um programa específico. Na Bela Vista, o bloco E1A já foi requalificado
e outras intervenções estão no terreno
O investimento de mais de meio
milhão de euros em operações de
reabilitação de habitações nos bairros sociais para este ano foi anunciado pela presidente da Câmara
Municipal, Maria das Dores Meira,
na inauguração, em fevereiro, de
um conjunto de obras de requalificação do bloco E1A do Bairro da
Bela Vista.
As futuras empreitadas incluem
a retificação das caixas de recolha
dos esgotos das prumadas, a instalação de novas ligações de esgotos
domésticos, operações relacionadas com eletricidade, trabalhos de
pintura e reparação de fachadas de
prédios.
Além destas obras, a edil reforçou
que a Autarquia vai “instalar novas
janelas em algumas frações habitacionais” e facultar “tintas a grupos de
moradores” que se ofereceram para
participar na pintura dos edifícios.
“Tudo isto em paralelo com profundas
intervenções sociais, quer no acompanhamento das pessoas, quer na
realização de várias ações que contribuem decisivamente para a gradual
melhoria desta zona habitacional”,
salientou.
No bloco E1A, confinado entre as
avenidas da Bela Vista e Francisco
Fernandes e a Rua do Moinho, a Autarquia executou obras de reabilitação e de consolidação estrutural em
edifícios de habitação, um investimento global de 362 mil e 93,36
euros no âmbito do programa Pro-
habita, do Instituto da Habitação e
da Reabilitação Urbana (IHRU).
O valor das obras relativas à parte
dos inquilinos foi financiado, em
partes iguais, pela Autarquia e pelo
IHRU, enquanto os trabalhos realizados em habitações de propriedade privada não obtiveram qualquer
Mercado apoia comunidade
INSTALAÇÃO. Um novo
equipamento para crianças e
jovens está instalado no Parque
Verde da Bela Vista, numa
área com uma caixa de areia,
reforçando a oferta lúdica
naquele espaço de lazer da cidade.
O aparelho, cuja instalação
foi realizada pelos serviços
municipais, estava num espaço
no Bairro 25 de Abril que não
oferecia as condições de segurança
adequadas para um uso correto.
Mais segurança contra fogos
As condições de proteção e segurança dos
bairros da Bela Vista e das Manteigadas são
reforçadas com uma obra que visa a total reabilitação da rede de combate a incêndios,
numa empreitada liderada pela Câmara Municipal.
A intervenção, iniciada no final de fevereiro, inclui a implementação de um renovado
e melhorado sistema de marcos de água em
toda a área de intervenção do
programa RUBE – Regeneração Urbana da Bela Vista e
Zona Envolvente.
Os trabalhos, que devem estar
concluídos no início de abril,
contemplam a colocação de
novos hidrantes em zonas que
não estavam abrangidas por
este tipo de equipamentos e a
eliminação de pontos de água
financiamento da Administração
Central, tendo a Câmara Municipal
assumido a totalidade dos custos.
Os trabalhos contemplaram a requalificação das áreas comuns do
bloco E1A, a instalação de novos
gradeamentos e portões, a colocação de novos estendais, a reparação
das caixas de correio e a eliminação
do sistema de condução e recolha
de resíduos sólidos.
No exterior do E1A, as obras recuperaram e remodelaram todo o
pátio, com a colocação de novos pavimentos, a instalação de mobiliário urbano, o reforço da iluminação
pública e a plantação de árvores.
Contudo, apesar dos investimentos
e esforços coletivos para a melhoria
dos bairros sociais, a Câmara Municipal considera fundamental que,
para que a inclusão social possa ser
realizada, é imperativo que haja
uma aposta mais forte de regeneração no parque habitacional de parte
da Administração Central.
“A dimensão das obras exigíveis no
conjunto dos cinco bairros na zona de
influência da Bela Vista implica uma
intervenção consistente e decisiva por
parte da Administração Central, situação que nos últimos anos não tem
acontecido”, afirmou o vereador
Carlos Rabaçal, reforçando a necessidade de “um programa que permita
às câmaras municipais ter uma capacidade de manutenção regular e sistemática para melhorar a qualidade de
vida das populações”.
inativos que já não permitem um uso correto
em situações de emergência.
A manutenção e a recuperação de equipamentos existentes são também intervenções
programadas com a execução desta obra, implementada com o objetivo de garantir uma
adequada proteção daqueles bairros em situações de emergência.
O projeto “Reabilitação da Rede de Combate
a Incêndios”, um investimento no montante de 61 mil e
929,33 euros, é comparticipado em 65 por cento por
fundos comunitários (40 mil
e 254,06 euros), canalizados
pelo PORLisboa – Programa Operacional Regional de
Lisboa, no âmbito do QREN
– Quadro de Referência Estratégico Nacional.
O Mercado Social da Bela Vista, plataforma
logística com funções de captação, armazenamento e redistribuição de bens materiais
não perecíveis na comunidade envolvente, é
o novo equipamento que a Câmara Municipal
está a criar no bairro.
A construção e implementação do Mercado
Social, obra iniciada no final de fevereiro,
no valor de quase 200 mil euros, que integra o programa RUBE – Regeneração Urbana da Bela Vista e Zona Envolvente, permite
aumentar o reaproveitamento de recursos,
numa gestão partilhada entre a Câmara Municipal de Setúbal e instituições particulares
de solidariedade social do Concelho.
O equipamento, que funcionará como um entreposto social de bens e serviços, tem como
funções a captação e armazenamento de bens
não perecíveis, como vestuário, material escolar, móveis e eletrodomésticos, para posterior distribuição.
O abastecimento de lojas sociais já existentes
ou que venham a ser criadas por instituições
particulares de solidariedade social é uma
das tarefas do Mercado Social da Bela Vista,
que pretende contribuir para a supressão de
necessidades básicas de famílias em dificuldade.
O Mercado Social assegura ainda o acesso
de forma condigna a estes bens, apoiando
de maneira mais eficaz e responsável outras
necessidades fundamentais da comunidade,
como as condições de habitabilidade ou de
acesso à educação, essenciais à consolidação
de um percurso de inserção.
Além da função de entreposto social, o equipamento fica apto para o desenvolvimento
de outros serviços em prol da comunidade,
como uma lavandaria e uma oficina para a
execução de pequenas reparações.
O Mercado Social da Bela Vista fica instalado
num espaço da Rua da Figueira Grande onde
funcionou o Centro Jovem Tabor, estando a
decorrer as necessárias obras de adaptação
e beneficiação, que devem ficar
concluídas em meados de junho.
A intervenção constitui um investimento global de 189 mil e
750 euros, comparticipado em
65 por cento (97 mil euros) do
montante elegível para este projeto, no valor de 150 mil euros,
por fundos comunitários canalizados pelo PORLisboa – Programa Operacional Regional de
Lisboa, no âmbito do QREN –
Quadro de Referência Estratégico Nacional.
7SETÚBALjaneiro|fevereiro|março12
Proteção
do centro
histórico
A obra que está a criar uma nova área urbana de lazer em plena frente ribeirinha de Setúbal acelera
para a reta final. Na zona da Praia da Saúde, onde decorrem as operações urbanísticas, o asfalto já foi
renovado. E o verde já começa a combinar com o azul do Sado
A primeira fase da revitalização da frente ribeirinha poente, centrada na zona da Praia da
Saúde, território privilegiado da cidade onde
está a nascer uma nova área urbana de lazer,
conheceu mais um passo decisivo com a recente conclusão de vários trabalhos no âmbito
desta intervenção.
A ultimação das operações de asfaltamento,
ação que incluiu a aplicação de massas betuminosas na Rua da Saúde, numa extensão com
perto de 600 metros, foi uma das ações realizadas no âmbito do projeto de reconversão
urbana da Praia da Saúde, liderado pela Câmara Municipal.
Neste local já existe um passeio público que
inclui uma ciclovia e espaços de estadia e recreio nas plataformas envolventes à praia,
zona onde foi construído um elemento de
proteção ao galgamento das águas. Articulado com o traçado do passeio, novas áreas para
futuros espaços ajardinados estão definidas,
enquanto as árvores, na grande maioria pinheiros bravos, já foram plantadas ao longo do
percurso linear do passeio virado ao rio, com
uma extensão aproximada de 260 metros.
A contenção do talude norte entre a estrada
nacional e a Rua da Saúde, com a construção de
um muro de suporte, que visa a estabilização
das terras com plantações, e a requalificação
das escadas existentes são outros trabalhos já
executados no âmbito desta empreitada.
Novos lugares de estacionamento laterais foram também definidos ao longo da Rua da
Saúde, via de circulação cuja faixa de rodagem
foi alargada de modo a facilitar o trânsito na
zona.
Os trabalhos no âmbito deste projeto contemplam ainda a reposição da antiga praia urbana,
a integração de mobiliário e equipamento urbano, a instalação de um quiosque e o reforço
da iluminação pública.
A obra está incluída no PIVZRS – Programa
Integrado de Valorização da Zona Ribeirinha
de Setúbal, com o objetivo de aproximar a
cidade do rio através de um corredor valorizado em frente do Sado, numa zona confinada
a poente pelo Parque Urbano de Albarquel e a
nascente pela Rua da Saúde.
Este projeto, um investimento global de 1 milhão, 194 mil e 19,80 euros, é executado com
apoios comunitários de 65 por cento, através
do PORLisboa – Programa Operacional Regional de Lisboa, no âmbito do QREN – Quadro de Referência Estratégico Nacional.
Casa do Corpo Santo reorganiza espaços
Um conjunto de obras de beneficiação na Casa do Corpo Santo permitiram melhorar as condições de exposição e preservação do património museológico patente neste edifício setecentista.
As intervenções, lideradas pela Câmara Municipal, no âmbito do programa ReSet – Regeneração Urbana do Centro Histórico de Setúbal,
tiveram como objetivo a requalificação deste imóvel de elevado valor
patrimonial, operação que possibilitou a ampliação e definição de
­novos espaços museológicos.
A Autarquia vai ainda avançar com trabalhos especializados de limpeza de todo o espólio arqueológico,
nomeadamente a talha dourada ao
“Estilo Nacional” que forra a capela
patente no edifício, implantado numa
construção de 1714, com um troço da
muralha trecentista do lado nascente,
onde está instalado o Museu do Barroco.
Em estudo está também a possibilidade de mudança da exposição permanente “Instrumentos de Ciência Náutica – Coleção Ireneu Cruz”, composta
por 124 artigos doados, para uma área
requalificada do imóvel, medida que
permite melhorar as condições de visita deste edifício, onde esteve
instalada uma confraria de navegantes, armadores e pescadores.
As obras na Casa do Corpo Santo representam um investimento global de 126 mil e 406,67 euros, montante comparticipado por fundos
comunitários com uma taxa de 65 por cento, canalizados através do
PORLisboa – Programa Operacional Regional de Lisboa, no âmbito do
QREN – Quadro de Referência Estratégico Nacional.
Os trabalhos incluíram também a execução de um sistema de drenagem de águas pluviais em todo o perímetro exterior do edifício, a conservação e restauro do revestimento
azulejar do pátio, com tratamento da
tijoleira e dos revestimentos de paredes, e a colocação de novo pavimento.
Numa empreitada suplementar, orçada em mais de 60 mil euros, a Câmara
Municipal procedeu à recuperação da
cobertura da Casa do Corpo Santo,
composta por dois telhados, que se
encontravam em avançado estado de
degradação, eliminando o problema
de infiltrações que afetava o imóvel e
que colocava em causa a conservação
do património existente.
primeiro
plano
Lazer em frente do rio
Novos equipamentos de proteção civil,
que incluem estruturas com materiais de
primeira intervenção e de comunicação
de emergência, instalados pela Câmara Municipal, reforçam a segurança do
Centro Histórico, numa medida pioneira
na Europa.
Apetrechados com material de primeira
intervenção, os 32 armários estão colocados em locais estratégicos e em zonas
de difícil acesso a veículos, destinandose a ser utilizados por munícipes que integrem as Brigadas de Apoio Local.
Foram também instaladas cinco colunas
informativas, em fase de teste, com um
sistema sonoro de alarme e um avisador
LED que, em caso de perigo, transmite
informações e instruções para a população.
Dos novos equipamentos fazem também
parte 21 Colunas SOS – Ponto de Encontro, que possibilitam a comunicação
direta entre os cidadãos e a central instalada nos Sapadores. Permitem obter
informações requeridas e comunicar
situações de emergência ou solicitar auxílio.
Esta medida é executada no âmbito do
Plano Municipal de Intervenção no
Centro Histórico de Setúbal, um investimento global de 608 mil euros, com
financiamento comunitário através do
POVT – Programa Operacional Temático
Valorização do Território, ao abrigo do
QREN – Quadro de Referência Estraté­
gico Nacional.
8SETÚBALjaneiro|fevereiro|março12
Refeitório reforça instalações
Obras requalificam
Brejos de Azeitão
Um novo refeitório para os funcionários
municipais, localizado nas instalações dos
viveiros das Amoreiras, com mais de meia
centena de lugares, representa a etapa final do processo de modernização deste espaço da Autarquia. O serviço, construído
de raiz, está orientado, num primeira fase,
para os funcionários da Divisão de Espaços Verdes, seguindo-se, posteriormente, a abertura aos restantes trabalhadores
do Município. Os viveiros das Amoreiras
contam ainda com novos balneários e
vestiários, acessos pedonais melhorados,
área para estacionamento e estufas ampliadas para produção de plantas.
As condições urbanas estão a melhorar em Brejos de Azeitão, onde um conjunto de obras requalifica
várias ruas. A construção de novos acessos pedonais e rodoviários e o reforço das redes de
abastecimento de água e saneamento são algumas das melhorias deste investimento municipal
Um conjunto de obras lideradas pela Câmara
Municipal, num investimento global de perto de 130 mil euros, que inclui operações de
substituição de redes de abastecimento de
água e saneamento e a construção de novas
infraestruturas de arruamento, está a melhorar as condições urbanas em três ruas de
Brejos de Azeitão.
Na Rua da Tradição, situada na zona da Jardia,
um troço com cerca de 140 metros em terra
batida foi apetrechado com novos acessos pedonais. As obras, orçadas em cerca de 25 mil
euros, incluíram a aplicação de 300 metros
quadrados de lancil e pavimento em pavet.
A substituição das redes de águas em toda a
extensão da Rua da Tradição é outra das operações que a Autarquia já executou neste lo-
cal. O investimento nestes equipamentos, de
perto de 15 mil euros, envolveu a construção
de 300 metros de tubagem e a execução de ramais de ligação domésticos.
Esta intervenção ao nível das redes permitiu melhorar as condições de abastecimento
de água às populações residentes nesta área
e eliminar problemas relacionados com roturas frequentes, suprimindo, igualmente,
custos associados de manutenção.
Neste local, a Câmara Municipal vai ainda
avançar com a pavimentação da rua, operação
a realizar em breve por administração direta,
ou seja, com recurso a meios técnicos e humanos da Autarquia.
A Câmara Municipal tem ainda em andamento intervenções nas ruas das Videiras e das
local
Abastecimento melhora
Um conjunto de intervenções lideradas pela Câmara Municipal está
a reforçar as infraestruturas de abastecimento de águas nas estradas da Morgada e da Chamburginha, no Faralhão, freguesia do Sado,
ação que melhora as condições deste serviço às populações.
Esta intervenção, num investimento superior a 45 mil euros, destina-se a prolongar a
rede de abastecimento de água que serve
aquela área habitacional. A operação,
a concluir em breve,
consiste na construção de 1200 metros
novos de condutas de
abastecimento.
Em curso está ainda
uma intervenção na
zona do Casal das Figueiras, na Anunciada, que visa o prolongamento da rede de distribuição de água, numa extensão de cerca de
35 metros.
Os trabalhos, uma empreitada no valor de cerca de cinco mil euros,
com conclusão prevista também para breve, incluem a instalação de
quatro ramais domiciliários e a execução de nós de ligação à infraestrutura existente.
Mimosas, igualmente na zona da Jardia, obras
igualmente realizadas por empreitada, com
um custo aproximado de 90 mil euros.
Na Rua das Mimosas, além da instalação de
um marco de água, as intervenções permitiram substituir 120 metros de conduta de
abastecimento de água e 50 metros de coletor
de saneamento.
Para este local está ainda programado um
conjunto de operações que visa a construção
de infraestruturas de arruamento num troço
com cerca de 300 metros, que inclui a criação
de uma área de 750 metros quadrados de lancil e pavimento em pavet.
Já na Rua das Videiras, as obras visaram a
substituição das redes de água e a colocação
de um marco de água.
Serviço com novos balneários
A adaptação de um telheiro nas instalações
dos serviços de higiene e limpeza está a
criar um novo balneário e vestiário para
os funcionários operacionais femininos
deste serviço municipal. A empreitada, de
mais de 55 mil euros, consiste na construção de uma sala de entrada, zonas de duche
e sanitários, uma área de vestiário com cacifos e uma zona técnica. Os trabalhos, que
devem estar concluídos em breve, incluem
a melhoria do conforto térmico do local, a
colocação de janelas basculantes e de pavimento em mosaico antiderrapante e ainda
pequenas intervenções ao nível das instalações elétricas.
Desvio de efluente
gera poupança
A Autarquia vai avançar com a alteração do
percurso do tratamento dos efluentes gerados
pelo Parque Industrial da Mitrena, medida
que implica a construção de um sistema elevatório para condução do efluente na ETAR da
Portucel, obra estimada em cerca de 128 mil
euros.
O encaminhamento das águas residuais para o
equipamento da Portucel, com capacidade de
tratamento suficiente para receber o efluente
do Loteamento Industrial da Mitrena, permite uma poupança financeira superior a 80 mil
euros, uma vez que é dispensada a remodelação da ETAR de Mitrena, intervenção orçada
em 210 mil euros.
A mudança da ligação do esgoto do parque
industrial da Estação de Tratamento de Águas
Residuais da Mitrena para a nova ETAR da
Portucel deve-se a um sobredimensionamento da primeira, que não funciona corretamente em virtude de o caudal afluente à
instalação ser insuficiente.
Limpeza reaproveita materiais
Uma operação de limpeza, realizada em
janeiro, na área onde funcionou o Mercado Abastecedor, na zona do Monte Belo
Norte, permitiu aproveitar materiais para
reutilização em espaços públicos. A iniciativa, uma ação conjunta da Autarquia e das
juntas de freguesia do Sado, de S. Sebastião e de Gâmbia, Pontes e Alto da Guerra, permitiu a recuperação de perto de mil
metros quadrados de pavimento em pavet,
candeeiros, infraestruturas elétricas e alguns equipamentos de saneamento. Os
materiais recolhidos foram encaminhados
para as instalações camarárias de Poçoilos,
para trabalhos de tratamento e limpeza.
9SETÚBALjaneiro|fevereiro|março12
Avenida ganha nova ciclovia
Novo asfalto para a ciclovia da
Avenida Luísa Todi. Uma operação sem
custos para a Câmara Municipal
está a substituir a totalidade do pavimento
desta infraestrutura urbana de lazer,
dotando-a de novas condições de utilização
A obra de substituição da totalidade
do pavimento da ciclovia da Avenida Luísa Todi, operação sem custos
para a Câmara Municipal, está a decorrer desde fevereiro, numa intervenção assegurada pelo empreiteiro
responsável pela execução original.
A intervenção, a cargo do consórcio Mota Engil/HCI Construções, é
executada no âmbito da garantia da
obra, acionada pela Autarquia após
verificação da degradação acelerada
do piso instalado no âmbito do projeto de requalificação geral da Avenida Luísa Todi.
A operação, iniciada na zona nascente da placa central da avenida,
visa a repavimentação de toda a extensão da ciclovia, que atravessa a
principal artéria da cidade, com um
percurso de cerca de 2350 metros.
Nesta primeira fase, os trabalhos
estão centrados na demolição e remoção da atual camada de pavimento, cujos detritos são encaminhados
para vazadouro para tratamento
adequado.
Numa outra etapa, os trabalhos centram-se na colocação de um novo
pavimento para a ciclovia, com re-
curso a materiais semelhantes mas
com maior durabilidade e fiabilidade para os utilizadores desta infraestrutura de lazer urbano.
Devido às obras, os utilizadores da
Avenida Luísa Todi devem circular
com precaução e respeitar os perímetros de interdição impostos nos
locais onde, a cada momento, decorrem as operações.
Arranjos criam
espaço público
Um novo espaço de uso público,
numa área que se encontrava desaproveitada, está a ser criado no
interior do quarteirão definido pela
Avenida D. Pedro V e pelas ruas de
Badajoz e de Cabo Verde, no Bairro
do Liceu.
As intervenções, lideradas pela Câmara Municipal, num investimento
de perto de 110 mil euros, consistem na requalificação integral de
um ­espaço descaracterizado, com
lixos e vegetação desordenada.
A execução desta ação traduz uma
resposta da Autarquia às necessidades dos moradores locais, apresentadas numa reunião realizada na
freguesia de S. Julião no âmbito do
projeto “Ouvir a População, Construir o Futuro”.
Os trabalhos, com conclusão prevista para o final de abril, visam
a execução de diversos arranjos
urbanísticos, com a definição de
novos lugares de estacionamento,
a criação de pequenas zonas ajardinadas, apetrechadas com rega automática, e a integração de mobiliário
urbano, como bancos e papeleiras.
Da empreitada faz ainda parte o
reforço da iluminação pública,
para melhoria das condições de
segurança, e a requalificação dos
passeios existentes nas áreas envolventes à zona onde decorrem os
trabalhos.
Autarquia intervém
em zonas verdes
A reabilitação de zonas verdes junto da estação ferroviária da Praça
do Brasil, intervenção que inclui
o reaproveitamento de plantas de
época, arbustos e equipamentos de
rega, está a melhorar a imagem urbana naquela área da cidade.
Feitos com recurso a meios técnicos
e humanos da Autarquia, os trabalhos, motivados pelo facto de se ter
verificado que a anterior solução
executada pela Refer não era a mais
apropriada ao local, consistiram,
numa primeira fase, na realização
de trabalhos preparatórios do terreno, com uma área total de 3150
metros quadrados.
A operação contemplou o aproveitamento de equipamentos que
compõem o sistema de rega instalado e de vários tipos de plantas e arbustos, espécimes que, após tratamento nos viveiros camarários, são
repostos no local original e noutros
espaços públicos.
Posteriormente, a Câmara Municipal procedeu à remodelação
integral da área intervencionada,
definindo novos espaços verdes em
consonância com o tipo de geografia dos terrenos.
Para uma outra etapa estão reservados trabalhos de sementeira e plantação, com a criação de novas zonas
de relvado, bem como espaços onde
vão apenas constar plantas de época
e arbustos, que permitem uma manutenção mais fácil.
Amigos
procuram
família
Cães e gatos abandonados reencontraram motivos para
voltar a confiar nas pessoas, ao
serem acolhidos por famílias
ao longo da primeira edição do
“Dias de Adoção”, a 10 de março, uma iniciativa da Câmara
Municipal de Setúbal e associações de defesa animal.
O Parque de Vanicelos foi o
local escolhido para a primeira de várias sessões, que
se repetem a 14 de julho, no
mesmo local, e a 12 de maio e
8 de setembro, no Parque da
Algodeia.
A maioria dos animais, todos
abandonados ou com um passado relacionado com maus
tratos, são provenientes do
canil/gatil municipal e das associações Pravi, Sobreviver,
Esperança Animal, Rafeiros
Leais e Adopta-nos.
Os animais entregues durante
a iniciativa recebem gratuitamente chips identificativos e
vacinas, mediante as quantidades existentes.
Para adotar um cão ou um
gato, os interessados apenas
necessitam, formalmente, de
assinar um termo de responsabilidade, e, moralmente,
as­­segurar que podem garantir
melhores condições de vida
aos novos animais de estimação.
Cada associação realiza entrevistas para avaliar se os futuros
donos reúnem todas as condições para ter um cão ou um
gato e para esclarecimento de
dúvidas.
O porte do animal e a área do
futuro lar, especialmente se
é um apartamento ou uma vivenda, são critérios decisivos
na escolha do novo companheiro.
Com tudo em conformidade, qualquer pessoa pode ser
como a pequena Joana, de 9
anos, que saiu do Parque de
Vanicelos amparando nos braços o sono do Lucky, um dos
cachorros já acolhidos num
novo lar.
10SETÚBALjaneiro|fevereiro|março12
Igualdade de género
em várias frentes
O Dia Internacional da Mulher transforma março num mês dedicado à igualdade de género.
Das artes à reflexão, do lazer às animações, Setúbal exalta valores que são de todo o ano
Um vasto leque de atividades envolve as comemorações do Dia Internacional da Mulher
em Setúbal, assinalado durante todo o mês de
março sob o tema “Participação Cidadã – 19
anos Março Mulher”.
O programa, organizado pela Sociedade de
Estudos e Intervenção em Engenharia Social
(SEIES), em parceria com a Câmara Municipal e em colaboração com várias instituições,
abrange áreas distintas como artes, animações,
encontros e lazer.
Entre a mais de meia centena de atividades do
Imóvel histórico com novo destino
A aquisição do edifício onde funcionou
o extinto Governo de Civil de Setúbal
foi aprovada pela Câmara Municipal
em reunião pública realizada a 8 de fevereiro, para ali ser implementado um
projeto na área cultural.
Com um custo de 1 milhão e 250 mil
euros, a pagar em 15 anos, o imóvel está
situado na Avenida Luísa Todi, entre os
números 324 a 334, na freguesia de S.
Julião.
A aquisição pela Autarquia é justificada, de acordo com o documento apro-
vado, em virtude do valor do prédio
“em termos arquitetónicos, patrimoniais,
culturais e histórico” e também pela “necessidade do Município de dispor de um
espaço para contemplar um projeto em
parceria com o Conservatório Regional de
Setúbal”.
O imóvel histórico, que já foi conhecido como os Paços do Duque, os Paços
da Ordem [de Sant’Iago] e o Palácio dos
Duques de Aveiro, e onde, igualmente
funcionou, no século XIX, o Hotel Escoveiro, conhece agora um novo uso.
“Março Mulher” esteve em destaque, no dia 11,
uma marcha em defesa da igualdade de género,
num percurso da Doca das Fontainhas ao Parque Urbano de Albarquel, que reuniu cerca de
cinquenta pessoas
Antes, nos dias 8 e 10, os mesmos valores ficaram registados para a posteridade num mural
“Pela Igualdade”, pintado na Travessa do Seixal,
junto do Largo da Palmeira, na Fonte Nova, uma
obra com dez metros de comprimento e três de
altura, materializada num desenho que salienta
os símbolos de feminino e masculino baseados
na mitologia grega.
Convívios, workshops, palestras, encontros,
passeios, sessões de cinema, de teatro e de poesia, exposições de pintura e de fotografia, literatura, gastronomia, música e dança compõem
o programa municipal que celebra a mulher e
decorre até final de março.
Presidente
online com
munícipes
As “Conversas com a Presidente” regressaram num novo formato, através
do Facebook, com a primeira sessão a
realizar-se a 12 de março, que, com a
apresentação de três dezenas de questões, demonstrou a importância que os
munícipes dão a este projeto de conversação online.
O serviço funciona à segunda-feira, de
15 em 15 dias, entre as 21h00 e as 23h00,
através de uma ligação própria na página
de internet da Autarquia ou diretamente
no endereço em www.mun-setubal.pt/
conversaspresidente e depois de iniciada sessão pelo Facebook.
Maria das Dores Meira responde em
tempo real às perguntas que os participantes fazem sobre assuntos de interesse para o Concelho.
Com início em 2005, esta forma de conversação instantânea pela internet, por
mensagens escritas, constitui mais um
meio de contacto entre a presidente da
Autarquia e os munícipes, sob o espírito do Município Participado, bem como
um incentivo ao uso das novas tecnologias de informação.
A presidente da Câmara Municipal destaca a importância desta ferramenta de
comunicação tendo em que, por motivos
de agenda, para muitos munícipes esta é
mesmo a única forma de a contactarem
diretamente.
Setúbal
pela paz
mundial
A Câmara Municipal aderiu à organização não governamental de âmbito mundial “Mayors for Peace”, através de uma
proposta aprovada na reunião pública de
22 de fevereiro.
Esta instituição, que conta com a adesão
de mais de cinco mil cidades de 153 países – 34 são portuguesas –, tem como
objetivo a sensibilização da opinião pública internacional para a necessidade
de abolir as armas nucleares e “contribuir
para a paz mundial genuína e duradoura”,
sublinha o documento aprovado na reunião.
A “Mayors for Peace” presta igualmente assistência a refugiados, promove os
direitos humanos e procura eliminar a
fome e a pobreza “bem como outros problemas que amea­çam a convivência pacífica dos seres humanos”.
A proteção de crianças vítimas da guerra, a solidariedade entre as cidades com
vista à troca e partilha de experiências,
o fomento de uma melhor relação entre
crianças e os meios de comunicação eletrónicos e a dinamização do apoio mecenático são outros dos objetivos apontados.
A “Mayors for Peace”, cujas ações desenvolvidas têm a génese em Hiroshima
e Nagasaki, Japão, em 1982, está registada como uma organização não governamental das Nações Unidas, no âmbito do
Conselho Económico e Social da ONU,
desde 1991.
11SETÚBALjaneiro|fevereiro|março12
Sapadores
mostram
capacidade
O Mercado do Livramento mantém a preferência dos setubalenses e visitantes da cidade e o comércio
com todas as condições de segurança. A construção de uma parede temporária no topo sul do
equipamento municipal restabeleceu a normalidade
As condições de comércio no Mercado do
Livramento já retomaram a normalidade
depois de, em fevereiro, a derrocada de uma
parede no topo sul do edifício ter vitimado
cinco trabalhadores envolvidos nas obras de
ampliação do equipamento para construção
de um edifício destinado a área técnica.
A construção de uma parede temporária, em
chapas metálicas, dotou o imóvel das condições térmicas e higiossanitárias adequadas
para a laboração regular do mercado, que
continua a registar bons níveis de afluência.
Na área onde ocorreu o acidente foi criado um
perímetro de segurança, medida que motiva a
inativação temporária de uma fila de bancas
de peixe do topo sul. Os comerciantes que
operavam naqueles espaços foram reintegrados no mercado graças a uma reorganização
da zona de venda de pescado, numa demonstração de entreajuda.
Os cerca de 300 operadores do mercado vão
ser compensados pelos prejuízos causados
pelo encerramento temporário do equipamento, sendo acionado, para o efeito, um
seguro.
O Mercado do Livramento, que fora alvo de
uma empreitada de requalificação geral, funciona com pareceres positivos em termos de
Petição pelo intercidades
segurança das entidades competentes envolvidas neste processo, o LNEC – Laboratório
Nacional de Engenharia Civil e a Autoridade
para as Condições do Trabalho.
A Câmara Municipal espera, em breve, poder
reiniciar as obras de ampliação do mercado,
que possibilita a criação de uma área técnica
com um cais de cargas e descargas, zonas de
frio e um espaço para os serviços de fiscalização.
A Autarquia pretende ainda proceder à recuperação do património azulejar que estava
instalado na parede, estando já a estudar possíveis soluções para a realização desta ação.
As câmaras municipais de Setúbal e Alcácer do Sal estão a promover
uma petição de protesto contra a eliminação das paragens dos comboios intercidades naquelas localidades e o fim do serviço regional
para Tunes.
A iniciativa incluiu, em fevereiro, a distribuição de um folheto informativo aos utentes nas estações ferroviárias de Setúbal e do Pinhal
Novo, no qual os cidadãos puderam manifestar o seu desagrado a propósito da medida, assinando o documento, destinado a chegar ao Ministério da Economia.
As alterações executadas pela CP, alertam os municípios envolvidos,
foram tomadas exclusivamente com base em critérios financeiros encapotados em pretensas reduções de tempos de viagem e só privilegiam
os utentes que se deslocam de Lisboa – apenas menos 25 minutos de
viagem e 18,6 quilómetros de percurso –, prejudicando os centros urbanos de Alcácer do Sal e Setúbal, este com mais de 120 mil habitantes.
A decisão implica que os utilizadores destes serviços tenham de se deslocar ao Pinhal Novo ou a Grândola para apanhar um comboio para o
Algarve, quando antes podiam fazê-lo diretamente a partir de Setúbal e
Alcácer do Sal no serviço regional, pelo menos três vezes ao dia.
local
Livramento garante
comércio em segurança
As capacidades operacionais e humanas da
Companhia de Bombeiros Sapadores de Setúbal (CBSS) foram elogiadas durante as comemorações do 226.º aniversário da instituição, realizadas a 25 de fevereiro.
“Temos um conjunto de profissionais de grande
valor, com extraordinárias capacidades nas várias valências do socorro que consideramos uma
insubstituível mais-valia para Setúbal e para os
setubalenses”, sublinhou a presidente da Câmara Municipal, Maria das Dores Meira, na
cerimónia, que decorreu na Praça de Bocage.
A pronta intervenção dos Sapadores em situações de emergência e socorro foi também
salientada pela autarca, destacando que a
companhia “mantém intacta, todos os dias, em
todas as ações, as suas capacidades e operacionalidade”.
A reformulação e a modernização do sistema
municipal de proteção e socorro foram também abordadas por Maria das Dores Meira,
que, vincando “a necessidade de garantir meios
de financiamento adequados”, explicou que a
taxa de proteção civil “apenas é aplicada a empresas, em particular às de grande dimensão e de
acordo com o seu grau de risco, assim como aos
proprietários de edifícios devolutos que representam um risco para a segurança pública”.
O comandante da CBSS, Paulo Lamego, afirmou que o “trabalho desenvolvido diariamente
[pela companhia] demonstra a toda a população o retorno do investimento efetuado pela
Autarquia”, destacando, igualmente, a “poupança gerada nas operações de socorro” em virtude de “uma rápida e eficiente intervenção” em
situa­ções de emergência.
O programa comemorativo dos 226 anos da
CBSS contou com uma cerimónia do hastear
da bandeira nos Paços do Concelho, uma demonstração dos meios operacionais na Praça
de Bocage e uma romagem ao Cemitério de
Nossa Senhora da Piedade para deposição de
uma coroa de flores em homenagem a todos
os bombeiros falecidos.
12SETÚBALjaneiro|fevereiro|março12
As janelas
que Zeca abriu
Progressista e democrata. A garra do fascismo nunca conseguiu calar a voz universal de José Afonso.
Os relatórios da polícia política PIDE/DGS, guardados na Torre do Tombo, traduzem a perturbação que
o cantor da revolução causou na ditadura. Setúbal, onde viveu os últimos vinte anos de vida, é a cidade que
marca o período central da luta do poeta e músico por uma sociedade livre e justa
plano
central
J
osé Afonso, preso na Cadeia de
Caxias, é de novo interrogado por
um inspetor. Estão mais dois agentes na sala. Os interrogatórios da polícia política do fascismo são longos
e intimidatórios. Muitos envolvem
espancamentos e tortura. Responde
ao que lhe é perguntado e deixa claro que politicamente é “de tendência
progressista” e que se enquadra “nos
ideais democráticos”.
Os documentos dos Arquivos da
PIDE/DGS, guardados na Torre do
Tombo, em Lisboa, revelam que o
poeta e músico, sem ligações a “organizações ilegais de caráter político”,
assume a sua posição ideológica de
homem “adverso das instituições vigentes”. No interrogatório de 15 de
maio de 1973, e nos restantes, reconhece que colabora “na chamada
oposição ao regime vigente”.
Duas semanas antes, a 30 de abril,
por ordem do inspetor Mortágua, da
Direção-Geral de Segurança (DGS),
a sucessora da Polícia Internacional
e de Defesa do Estado (PIDE), é detido em casa, em Setúbal, às 19h30,
para ser conduzido a Caxias, onde
entra às 23h50, “por lhe ser imputada a prática de factos suscetíveis de
integrar o crime contra a segurança do
Estado”.
É a primeira vez que passa uma noite na temível cadeia, sobre a qual já
falara na canção “Por Trás Daquela
Janela”, de 72, depois de a 4 de outubro de 1971 ter estado lá, para, após
averiguações relacionadas com a sua
participação na angariação de fundos de auxílio às famílias dos presos
políticos, que assume, sair horas depois.
Um relatório da PIDE/DGS explica o motivo da libertação: “Os autos
não contêm matéria bastante para
que possa pronunciar-se quanto à legalidade da detenção do arguido (...)
e, muito menos, quanto à necessidade
ou não da manutenção da mesma”. O
processo fica a aguardar “produção de
melhor prova.”
Pedido de livros e gravador
É em 1973, a um ano da Revolução
dos Cravos, que José Afonso fica
preso na Cadeia de Caxias, 19 dias,
sendo sujeito a diversos interrogatórios, em que é interditada a pre-
sença de advogado, substituído por
duas testemunhas, agentes da PIDE/
DGS, bem como a um “auto de perguntas”, realizado no dia seguinte ao
da detenção, no simbólico 1 de maio,
em que se assume “progressista e democrata”.
É-lhe apreendida em casa grande
quantidade de documentos de caráter político, como petições dirigidas ao chefe de Governo, Marcelo
Caetano, pela libertação de todos os
presos políticos, regresso dos exilados e reintegração dos funcionários
demitidos, contra a guerra em África
e pela autorização de recenseamento
eleitoral dos jovens maiores de 18
anos. Além de textos sobre os direitos das mulheres, relatórios do
Congresso da Oposição Democrática
e edições de publicações do Partido
Comunista português e galego.
Na cadeia, faz ginástica para tonificar o corpo e a mente e escreve
alguns dos poemas de canções do
álbum “Venham Mais Cinco”, que
sairá no final desse ano, como o “Era
Um Redondo Vocábulo”.
Mais nada lhe é permitido, apesar
de requerimentos dirigidos, a 9 de
maio, ao diretor da DGS, documentos também guardados nos Arquivos
da PIDE, a pedir que lhe sejam facultados livros de filosofia, poesia,
ficção e ensaio crítico para a sua
“formação cultural” e, “não possuindo
conhecimentos musicais teóricos para
a escrita de carateres musicais”, um
gravador de cassetes para “registo de
eventuais composições”. Reclama ainda que lhe sejam concedidas visitas e
a presença do seu médico psiquiatra
por ter suspendido um tratamento
administrado “na sequência de neurose ansiosa”.
Uma centena de intelectuais dirige uma petição a Marcelo Caetano
a contestar a prisão de José Afonso
e o caso é noticiado no estrangeiro,
nomeadamente no influente jornal
britânico “The Guardian”.
A resposta da PIDE/DGS aos requerimentos de José Afonso vem a 21 de
maio. Diz que as pretensões já não
têm efeito porque, dois dias antes,
fora concedida liberdade provisória
ao arguido, mediante uma caução de
10 contos, mais 310 escudos de imposto de justiça.
O mandado de soltura é motivado
“por inexistência de elementos indi­
ciários suficientemente comprovativos
de que [José Afonso] tenha atuado
contra a segurança do Estado, embora
se admita que, com o tempo, tais elementos sejam trazidos ao processo”.
Tal como aconteceu com a detenção
em outubro de 71, os autos ficam “a
aguardar melhor prova”.
Setúbal no centro da ação
As canções de Zeca Afonso são alegorias à liberdade e murros no estômago do fascismo. O músico chega
a Setúbal no final de 1967, vindo de
Moçambique, com passagem por
Faro. O posto de vigilância local
da PIDE envia, a 4 de outubro, um
relatório para Lisboa a alertar que
o poeta­ e músico estivera a passar
férias nessa cidade algarvia, onde
foi professor no início dos anos 60,
“constando que ia lecionar para o Liceu
de Setúbal”. E avisa que ele é “a favor
da independência das províncias ultramarinas portuguesas” e que quando lecionou em Faro acompanhou
“com indivíduos com ideias comunistas”.
Nesta altura já tinham sido editadas,
no disco “Baladas de Coimbra”, de
1963, as canções “Menino do Bairro
Negro” e “Os Vampiros”, que, particularmente esta, além de constituírem uma declaração explícita sobre
o estado do País, criam as bases de
uma intervenção política musical.
Em Setúbal, Zeca é de imediato contactado por associações estudantis e
religiosas progressistas, por organizações políticas na clandestinidade e
por outros grupos. Todos conhecem
a sua obra e querem vê-lo envolvido
nas suas causas. E ele aceita.
É aqui que, decisivamente, a sua ação
assume uma dimensão que se estende a tudo quanto é contrário à ditadura. O posto de vigilância da PIDE/
DGS começa a expedir relatórios
para a sede, em Lisboa, a informar
que José Afonso, além de “bastante
conhecido pelas canções subversivas
que compõe e interpreta”, está “referenciado em inúmeras reuniões clandesti-
SAUDADE. A presidente da Câmara Municipal de Setúbal depôs
uma coroa de flores na campa de José Afonso, no Cemitério da
Piedade, pelos 25 anos da morte do músico e poeta, data que se
assinalou a 23 de fevereiro, numa homenagem a “um homem
da Liberdade, que muito fez por este país e que muita falta faz”,
sublinhou Maria das Dores Meira.
13SETÚBALjaneiro|fevereiro|março12
presos políticos” e “os democratas
exigem a rápida libertação dos presos políticos”.
Lutador até ao fim
nas”, “desenvolve larga atividade nos
meios ‘culturais’, ‘democráticos’, etc.,
desta zona e de todo o País” e “recebe
em casa muitos indivíduos estranhos,
alguns deles estrangeiros, principalmente espanhóis”.
Expulso do ensino, sem rendimento
fixo, vive graças a um contrato que
celebra, em 1968, como agente de
promoção artística, com a empresa
Arnaldo Trindade, Lda, com sede no
Porto, proprietária da editora Orfeu,
que passa a gravar-lhe os discos, o
primeiro logo nesse ano, “Cantares
do Andarilho”.
Um despacho da PIDE/DGS emitido
de Setúbal no início dos anos 70 faz
uma descrição sumária de um dia
de José Afonso, na sequência da vigilância movida por informadores,
os chamados “bufos”: “Sai de casa
normalmente depois do almoço, instala-se na esplanada do Café Central,
junta imediatamente à sua volta larga
assistência de ‘jovens’, aos quais vai insinuando a sua doutrina, provocando
a maior desorientação nesse meio. À
noite frequenta assiduamente o Círculo
Cultural de Setúbal, onde se reúne com
outros elementos de ideologia semelhante à sua.”
Voz contra a proibição
Zeca Afonso está proibido de atuar
em público em todo o território na-
Ano de evocação
cional e de viajar para as colónias,
mas insiste em não cumprir essas
determinações para continuar a
difundir a mensagem universal de
sonho de liberdade.
No Círculo Cultural de Setúbal, a
22 de maio de 1971, participa numa
sessão de variedades, um “espetáculo
sem licenças e não policiado”, o que
irrita a polícia política de Marcelo
Caetano, porque nem o Governo Civil nem a PSP intervém.
“É de notar que a Polícia de Segurança Pública, sempre tão pronta em
intrometer-se em assuntos da nossa
competência, faz sempre por ignorar
a presença e atuação dos vários elementos comunistas e desafetos que têm
atuado naquele Círculo (…), nunca
informando superiormente qualquer
atividade que tenha lugar naquela associação”, queixa-se o posto de vigilância de Setúbal.
O Círculo Cultural de Setúbal, fundado em 1969 por um grupo de intelectuais contra o regime, está, à
semelhança do Clube de Campismo
de Setúbal, sob vigilância apertada
do fascismo.
A 23 de maio de 1970, o colaborador
da PIDE “Manuel Afonso” é convidado aí, por um grupo em que se encontra Zeca Afonso, a participar na
madrugada seguinte numa ação de
pintura de paredes na cidade, a tinta
preta, com as frases “libertação dos
António Manuel Ribeiro e mais dois elementos dos UHF
participaram, no dia 23 de fevereiro, num apontamento
musical que antecedeu um programa evocativo de José
Afonso a realizar ao longo do ano em Setúbal.
O evento, organizado pela TSF com apoio da Câmara
Municipal, no dia em que se completaram 25 anos sobre
a morte do músico e poeta, contou com a interpretação
de dois temas, junto das arcadas dos Paços do Concelho,
na Praça de Bocage.
António Manuel Ribeiro, na voz e guitarra, António
Côrte-Real, na guitarra, e Ivan Cristiano, na pandeireta e voz, tocaram “Nove Anos”, uma canção dos UHF do
LP “Noites Negras de Azul”, de 1988, inspirada em Zeca
Afonso. Seguiu-se uma música editada vinte anos antes, “Vejam Bem”, do álbum de originais de José Afonso
“Cantares do Andarilho”.
Após este evento, segue-se, ao longo de 2012, um programa que assinala em Setúbal os 25 anos da morte de
Zeca Afonso, organizado pela Câmara Municipal, em colaboração com a Associação José Afonso.
Os movimentos do cantautor na rua
são totalmente controlados e, sempre que se justifica, transformados
em boletins da PIDE. Onde está,
com quem, o que faz, o que diz, o
que ouve, o que canta, em que carro
vai.
Os concertos são muitas vezes impedidos e, quando permitidos, o
alinhamento musical é sujeito a
controlo prévio das autoridades,
que diz o que pode ser tocado, mas
José Afonso leva a sua mensagem a
muitos pontos do País. E também
da Europa. A Paris, Madrid, Barcelona, Galiza, Londres, Bruxelas.
A 10 de novembro de 1970, participa, com Sérgio Godinho, José
Mário Branco e Luís Cília, num espetáculo na “Mutualité”, sala mítica de Paris, em que é confrontado
com um folheto de extremistas de
esquerda, distribuído à entrada,
que o acusa de colaborar com o sistema e de, com isso, conseguir viver em Portugal e continuar a gravar discos.
José Afonso não se contém e desafia
os opositores, espalhados pela sala,
apostados em boicotar o concerto:
“Quanto ao tal papel, estou disposto a fornecer indicações mais diretas
àqueles que esperam que os cantores
façam a revolução enquanto eles estão
sentados, talvez no Café Luxemburgo.”
Aos aplausos seguem-se algumas
“bocas”, a que Zeca responde: “Não
vejo a tua cara, pá. Je vois pas ton visage. Tu vois le mien, non?”
Noutro espetáculo, no Coliseu dos
Recreios, em Lisboa, a 29 de março de 1974, de entrega de prémios
da Casa da Imprensa, José Afonso e
os outros cantores de intervenção
cantam com o público o “Grândola,
Vila Morena”. A canção que Portugal vai ouvir menos de um mês
depois no anúncio do golpe militar
que derrubou o fascismo.
A democracia não se traduz num
baixar de braços na luta contra as
injustiças sociais. Esta é uma batalha que Zeca Afonso trava até ao fim
da vida, a 23 de fevereiro de 1987.
Faz agora 25 anos.
Uma das ações foi a “9.ª Meia Maratona Fotográfica”, realizada a 10 de março, uma das principais iniciativas do
programa das comemorações locais do mês da juventude e que esta edição teve como tema “Zeca Afonso”.
O cantautor é ainda recordado num concerto a realizar
na Feira de Sant’Iago, a 2 de agosto, data do nascimento
de José Afonso, e noutro a 1 de outubro, por ocasião do
Dia Mundial da Música. Está também prevista a edição
de um DVD.
A Casa da Cultura, a inaugurar dentro de meses, além de
uma sala com o nome de José Afonso, integra iniciativas
dedicadas ao músico até ao final do ano, no âmbito da
programação regular deste espaço, que inclui exposições, concertos, tertúlias, debates e exibição de filmes.
A exposição inaugural será de homenagem ao homem
que conheceu bem o edifício onde fica instalada a Casa
da Cultura, a partir de 1975 a sede do Círculo Cultural de
Setúbal, uma associação que, desde a sua fundação, em
1969, contou com Zeca Afonso como um dos principais
dinamizadores e entusiastas.
turismo
14SETÚBALjaneiro|fevereiro|março12
Festival com sabor a mar
Durante duas semanas a caldeirada foi a rainha das mesas setubalenses. Foi durante o Festival da Caldeirada, que reavivou o sabor
da tradição. A receita varia, mas, respeitados determinados preceitos, o resultado é sempre o mesmo: comer e chorar por mais
A caldeirada setubalense foi o principal destaque das ementas apresentadas por restaurantes do Concelho durante um certame que,
entre 27 de fevereiro e 11 de março, promoveu aquele que é um dos pratos sadinos mais
típicos.
Ao todo foram 45 os restaurantes que aderiram ao Festival da Caldeirada de Setúbal,
respondendo ao desafio da Câmara Municipal, incluindo dois no Troiaresort, na Península de Troia, parceiro da Autarquia na
organização do evento.
Devido à necessidade de se usarem ingredientes frescos e de qualidade superior,
nomeadamente o peixe, bem como ao tem-
po de confeção, que inclui, geralmente, 45
minutos de lume, é pouco comum encontrar
estabelecimentos que sirvam sem reserva
antecipada a caldeirada setubalense.
Durante o festival quebrou-se a barreira das
reservas e foi possível pedir o prato sem necessidade de aviso prévio.
A confeção apresenta variantes consoante a
experiência dos cozinheiros, mas os pontos
em comum também são consideráveis. Os
ingredientes envolvem sempre batata, cebola, pimento, tomate, coentros e hortelã,
e a escolha do peixe, de pele, sem escamas,
recai na maioria das vezes no safio, tamboril,
pata-roxa e raia ou tremelga.
Depois, há quem se preocupe em colocar os
ingredientes em camadas no tacho ou, em
contraponto, tudo misturado. O tempero do
caldo poderá levar uísque e, noutros casos,
vinho branco no final do preparado, para as
batatas não partirem. Os mais tradicionais
usam ainda água do mar.
Seja qual for a receita, o Festival da Caldeirada de Setúbal reavivou o prato típico, originado nos hábitos dos marítimos, que cozinhavam o que tinham, ainda em alto-mar,
quando acabavam a faina.
Em paralelo, o certame, que contou ainda
com os apoios da Sesibal e da Gásvari, desenvolveu outras iniciativas de promoção
do prato. Na Casa da Baía e no Troiaresort
realizaram-se, a 10 de março, degustações de
caldeirada, confecionada no momento por
elementos da Associação da Família do Mar
de São Sebastião e da Comissão de Festas de
Nossa Senhora do Rosário de Troia.
A Casa da Baía teve patente a fotorreportagem “Territórios do Mar”, com imagens de
Mário Peneque sobre o trabalho desenvolvido em terra pelos pescadores e outros profissionais para que a pesca no mar se torne
realidade.
Aquele espaço acolheu ainda a palestra “Os
benefícios do consumo do peixe”, por Nélia
Conceição.
Sado une margens
Fogareiros na ordem
A aposta no crescimento económico e turístico da região é reforçada com um protocolo assinado em fevereiro entre as câmaras
municipais de Setúbal e Grândola e as entidades regionais de
turismo do Alentejo Litoral e de Lisboa e Vale do Tejo.
Este acordo de colaboração “representa uma nova visão do que
pode ser a promoção turística de uma zona com enormes recursos e
potencialidades”, destacou a presidente da Câmara Municipal de
Setúbal, na cerimónia, que decorreu no Club House Troia Golf.
O acordo visa auxiliar o desenvolvimento de trabalho sinérgico,
justificável tanto pela proximidade territorial de Setúbal e Troia,
quanto pela multiplicidade e complementaridade dos recursos
turísticos disponíveis.
“Este é o primeiro passo para mostrar que somos capazes de nos unir,
de juntar esforços e fazer das nossas diferenças a nossa força, num
contexto político e económico que é particularmente complexo”, sublinhou Maria das Dores Meira.
A autarca sublinhou que recusa “modelos de controlo remoto das
políticas de promoção turística da região, modelos de centralização
que no passado nunca produziram resultados aceitáveis”.
O desenvolvimento de parcerias e a adoção de estratégias de
promoção e divulgação turística, nomeadamente rentabilizan-
Os dois últimos fogareiros sem licenciamento e em desrespeito pelos regulamentos higiossanitários de restaurantes da Avenida Luísa Todi foram retirados da via pública pela Câmara Municipal em janeiro.
A remoção coerciva dos equipamentos surge no seguimento dos avisos feitos à Autarquia pela Autoridade de
Segurança Alimentar e Económica (ASAE), em 2008, de
que vários estabelecimentos de restauração na frente ribeirinha de Setúbal não respeitavam as imposições legais
relativamente ao funcionamento de esplanadas.
Os fogareiros removidos pertenciam aos estabelecimentos da Avenida Luísa Todi onde, terminado o prazo de
adaptação estipulado de três anos,
não foram concretizadas as medidas
necessárias para
que ficassem em
conformidade com
a regulamentação
nacional.
do a faixa litoral Setúbal-Troia, são objetivos do protocolo, que
visa a captação e fidelização de novos visitantes a nível nacional
e internacional.
O acordo de colaboração traduz um projeto territorial que adota
um conceito de planeamento interativo estruturante e capaz de
integrar projetos e ações de dinamização e promoção de produtos e valências turísticas dos concelhos de Setúbal e Grândola.
Turismo de natureza, golfe, sol e mar, touring cultural e paisagístico, resorts integrados e turismo residencial e ainda gastronomia e vinhos são áreas privilegiadas a explorar no âmbito do
protocolo.
15SETÚBALjaneiro|fevereiro|março12
Palmeiras
com praga
removidas
Todos pela Arrábida
A candidatura da Arrábida a Património Mundial Misto da Unesco
vai entrar numa fase mais visível
ao público, com um conjunto de
iniciativas e eventos a promoverem
junto da população o projeto regional de desígnio nacional.
A Comissão Executiva da candidatura, de que a Câmara Municipal de
Setúbal faz parte, vai realizar nos
próximos meses um conjunto de
ações com o objetivo de dar mais
visibilidade pública ao processo,
que poderá ser formalmente apresentado na Unesco ainda este ano.
A par da autarquia setubalense, a
Comissão Executiva é constituída
pelas câmaras de Palmela e Sesimbra, pelo Instituto da Conservação
da Natureza e da Biodiversidade
(ICNB), bem como pela Associação
de Municípios da Região de Setúbal
(AMRS), entidade coordenadora da
candidatura.
Os primeiros passos no âmbito da
candidatura da Arrábida a Património Mundial foram dados em
2001, altura em que os municípios
e diversas entidades envolvidas no
projeto começaram a trocar informações sobre os procedimentos
necessários.
Em 2004, o Bem Arrábida é incluído numa Lista Indicativa Portuguesa. Após o trabalho de pré-candidatura, é incluído na Lista Indicava
a Património Mundial e, mais tarde,
em virtude da inserção de critérios
de ordem cultural e cultural imaterial, surge indicada como candidata
a Património Mundial Misto.
Em 2009, com o objetivo de elaborar uma candidatura mais abrangente e amplamente participada,
foi assinado um protocolo de colaboração entre a AMRS e o ICNB.
Em 2011, os partidos com assento
na Assembleia da República apoiaram, por unanimidade, a candidatura da Arrábida a Património
Mundial Misto, aprovando os respetivos projetos de resolução.
Ainda no ano passado, foi instalada
oficialmente a Comissão de Honra
da candidatura, formada por mais
de cem personalidades de vários
quadrantes sociais do País. José
Mourinho é um dos muitos exemplos de individualidades que se associaram à causa, aceitando o convite de pertencer à comissão.
Valores únicos
A Serra da Arrábida reúne um vasto
conjunto de fatores que justificam e
dão confiança à candidatura a Património Mundial. No maciço sudoeste, por exemplo, encontram-se
as maiores falésias à beira-mar de
Portugal, sendo o Risco a escarpa
litoral calcária mais elevada da Europa.
Com riquezas naturais particularmente relevantes, a Arrábida assume um protagonismo especial no
campo da biodiversidade, mesmo
a nível internacional, sendo uma
zona onde já foram identificadas
mais de mil espécies de fauna e
­flora.
Culturalmente, a Serra da Arrábida
é testemunha de milhares de anos
da evolução humana, registando
um conjunto significativo de vestígios e de dados arqueológicos que
vão do Paleolítico Inferior à Idade
Moderna.
Um conjunto de palmeiras irremediavelmente afetadas pela praga do
escaravelho vermelho foi removido de vários locais da cidade pela
Câmara Municipal, eliminando o
perigo de contágio a outros espécimes.
A intervenção integrou um pacote de prestação de serviços para o
abate e remoção de duas dezenas
de palmeiras de grande porte, com
um valor global da ordem dos 15 mil
euros, ação iniciada em 2011 e finalizada em março.
Nesta última fase, foram removidas
sete palmeiras plantadas nas zonas
do Bonfim, Aranguês e Avenida
Luísa Todi, que, após a aplicação de
tratamentos fitossanitários, não tiveram recuperação possível.
A ação, realizada com o apoio de
uma grua de grandes dimensões,
foi conduzida por uma empresa especializada.
Contentores enterrados
acondicionam lixos
O sistema de deposição e recolha de resíduos sólidos urbanos na cidade é
reforçado com a instalação de 37 novos contentores subterrâneos, investimento de cerca de 100 mil euros da Câmara Municipal que favorece a imagem da cidade.
Os equipamentos moloks, mais funcionais e com maior capacidade de integração na malha urbana, estão a ser instalados em áreas de grande densidade residencial, nas zonas do Monte Belo Norte, Vale do Cobro, Nova
Azeda e Bairro Afonso Costa, e em áreas mais centrais da cidade, nas ruas
Joaquim Brandão e Capitão-Tenente Carvalho Araújo.
Estes equipamentos apresentam uma capacidade de armazenamento de
cinco metros cúbicos cada, ou seja, cinco mil litros, quando o volume unitário de um contentor convencional é de apenas 800 litros. A expansão
deste sistema possibilita a remoção de
169 contentores de
superfície.
A Autarquia pretende
ainda assegurar uma
recolha mais eficiente dos resíduos sólidos urbanos e eliminar alguns hábitos
de munícipes como a
deposição de lixo no
exterior dos contentores.
Cepos de árvores saem da via
A Câmara Municipal está a remover mais de seis dezenas de cepos de árvores da
via pública, operação realizada com recurso a técnicas inovadoras, pioneiras em
Portugal, que favorece a imagem urbana da cidade.
“Esta é uma operação sem precedentes em Setúbal que permite com maior facilidade e
rapidez solucionar este problema”, salientou o vereador do Ambiente, Manuel Pisco,
numa demonstração das técnicas utilizadas, realizada a 8 de março.
A ação, num investimento da ordem dos 14 mil euros, a decorrer em vários pontos
do Concelho, é executada com um equipamento que tanto permite a remoção integral do cepo como, quando não é possível fazê-lo, o seu rebaixamento para posterior pavimentação da área.
ambiente
Os valores naturais
e culturais, assim
como a própria beleza,
da Arrábida serão
alvo de proposta a
Património Mundial.
A candidatura está
a ganhar novo fôlego
e a próxima etapa
é envolver toda a
população em volta
desta causa comum. A
Unesco decide. Mas a
singularidade da serra
será sempre inegável
16SETÚBALjaneiro|fevereiro|março12
Março aberto
só a jovens
Os jovens querem-se ativos. Por
isso a Câmara Municipal celebra
ao longo de um mês inteiro o
significado de uma data:
o Dia Mundial da Juventude.
Cerca de duas dezenas de eventos
põem os jovens do Concelho a
mexer e a falar
Eventos relacionados com música, fotografia, teatro, desporto e workshops celebram ao
longo de março o Dia Mundial da Juventude,
com o programa municipal m@rço.28 a comemorar em Setúbal a alegria de se ser jovem.
A reta final do Mês da Juventude reserva excelentes oportunidades para se descobrirem
novas promessas da música moderna, com a
final do 8.º Concurso de Bandas de Garagem,
integrada no Festival 7Rock, agendada para o
dia 31, às 21h30, na Capricho Setubalense.
Para os vencedores do concurso e do prémio
de melhor banda do Concelho está guardado
um lugar no cartaz de espetáculos da Feira­
de Sant’Iago, prova de que a qualidade das
melhores bandas de garagem participantes é
mais do que suficiente para atuações perante
o público do certame, que ultrapassou as 400
mil visitas em 2011.
O “combate” nos palcos artísticos é antecedido por outras guerras, a 28 e 30 de março, no
Polo da Gâmbia da Biblioteca, onde decorre
uma lan party dedicada ao jogo Counter Strike.
Os interessados em participar devem inscrever-se através do telefone 265 706 124.
A música volta a reinar nos derradeiros dias
do mês, com o Festival II FATuM – Unidos
Pelo Traje, com serenatas, no dia 30, às 21h30,
no Auditório José Afonso, e espetáculo de
tunas, a 31, à mesma hora, no Auditório da
Anunciada.
O m@rço.28 encerra definitivamente já no
decurso de abril, dia 4, a partir das 14h30, no
Parque Sant’Iago, com o Rola + Ambiente, iniciativa de corridas de carrinhos de rolamentos
decorados com materiais recicláveis.
Na história do Mês da Juventude de 2012 ficam cerca de vinte eventos. Entre os destaques, sobressaem iniciativas como a festa de
lançamento, que reuniu no Div’in Bar jovens
estrelas da atual cultura pop portuguesa, como
Gerson Santos, dos Ídolos, e Rui Andrade, dos
Morangos com Açúcar, e a 9.ª Meia Maratona
Fotográfica, que levou meia centena de participantes a olhar ao longo de 12 horas para pormenores de Setúbal à procura dos melhores
ângulos para o tema “Zeca Afonso”.
O Mês da Juventude vive também da participação cidadã e do envolvimento social. Como
já é tradição, o programa m@rço.28 voltou a
acolher o Fórum da Juventude de Setúbal, com
a 18.ª sessão plenária, realizada no dia 15, na
Biblioteca Municipal, a promover o debate
entre elementos de organizações juvenis formais e informais sobre o tema “Mobilização e
participação juvenil”.
Foliões de seis coletividades e grupos informais passearam em fevereiro a felicidade tão típica do Carnaval em dois dias de desfiles cheios de cor e humor, na
Avenida Luísa Todi.
A alegria mascarou-se e saiu à rua, num percurso
entre o Largo José Afonso e o antigo Quartel de Infantaria 11 e que juntou 40 mil pessoas no total dos
dois dias de desfiles, organizados em parceria pela
ACOES – Associação do Carnaval e Outros Eventos
de Setúbal, Câmara Municipal, juntas de freguesia e
movimento associativo do Concelho.
Os “Smurfs e Smurfinas”, da associação ACTAS, foram os vencedores do concurso de foliões do Carnaval de Setúbal 2012.
Apenas um ponto separou o primeiro do segundo
lugar, partilhado pela União Cultural, Recreativa e
Desportiva Praiense, com o corso “Mitologia dos
Mares”, e o Clube Desportivo e Recreativo “Águias
de S. Gabriel”, que desfilou “Troikas & Troikinhos”.
Mas, mais do que de concursos, o Carnaval foi feito
da alegria de todos os participantes, com os desfiles a contarem ainda com o envolvimento da União
Desportiva e Recreativa das Pontes, com “Troika”, da
Associação de Moradores do Bairro da Anunciada,
com “As sardinhas entre nós”, e do Grupo Desportivo Fonte Nova, com “Padaria da Crise”.
Participaram também vários grupos informais de foliões, como motards, associações de moradores, comerciantes e projetos de cariz social.
Na quarta-feira de cinzas, realizou-se o Enterro do
Bacalhau no Grupo Desportivo “Os Amarelos”, na Associação de Moradores do Bairro da Anunciada e no
Grupo Desportivo da Fonte Nova.
O programa incluiu ainda, em datas diferentes, encenações da cegada “O Viveiro das Passaronas”.
Para o verão, à imagem do que aconteceu na edição de
2011, está reservada para meados de julho uma versão
ainda mais quente das festividades, com corsos noturnos na Avenida Luísa Todi, com vários carros alegóricos.
cultura
Carnaval ri
na avenida
17SETÚBALjaneiro|fevereiro|março12
A qualidade das
vozes concorrentes
mexeu com
os nervos dos
cantores. O
vencedor do IV
Concurso de
Fado Amador de
Setúbal sentiu
esse peso. Sinal
de que a prova,
de amadora, só o
é, cada vez mais,
apenas de nome
Polo novo da Biblioteca
O Polo da Bela Vista da Biblioteca Pública
Municipal reabre a 2 de abril, no lote 12 da
Avenida da Bela Vista, num espaço mais
amplo e dotado de novas valências, nomeadamente com mais pontos de acesso à
internet. A cerimónia de inauguração das
novas instalações, aberta a toda a população, tem início às 10h30 e inclui a apresentação, às 11h00, do livro de Paula Farinhas “Andar à toa na estrada, não é uma
boa!”, e, às 14h30, da obra de Dina Barco
“Diário de Sara, a Verde”.
Fado quase profissional
Ramiro Costa foi o vencedor do IV Concurso­
de Fado Amador de Setúbal, cuja final se
­realizou a 25 de fevereiro, na Capricho Setubalense, numa noite em que Vanessa Rodrigues arrecadou o Prémio Especial do Público.
Com 54 anos, Ramiro Costa, natural de Santarém e a viver em Setúbal, confessou nunca ter
participado numa iniciativa semelhante. “Este
prémio é motivo de muito orgulho. Nunca concorri
a nada e tenho de agradecer esta vitória à minha
mulher, pois foi ela quem me fez participar no
concurso.”
O vencedor da prova, organizada pela Câmara
Municipal e pela Sociedade Musical Capricho
Setubalense, confessou no final da noite que
a vitória “foi uma surpresa”, principalmente
porque o nervosismo foi-se instalando nas
suas prestações ao constatar a elevada qualidade dos restantes participantes.
Tanto Ramiro Costa como a vencedora do
Prémio Especial do Público, a jovem de 18
anos Vanessa Rodrigues, natural de Agualva­
‑Cacém, Sintra, vão atuar na Feira de Sant’Iago.
O público encheu por completo o salão da Capricho Setubalense, espaço que foi adaptado e
decorado ao estilo castiço de uma casa de fados, com o serão a incluir um jantar típico de
petiscos, caldo verde, bacalhau à brás e vinho.
Além da atuação na Feira de Sant’Iago, Ramiro Costa vai participar no concerto “Fado
em Coro”, que o Coral Luísa Todi, parceiro do
evento, organiza em julho.
Rita Santos e Vanessa Rodrigues, que ficaram
em segundo e terceiro lugar, à semelhança dos
restantes participantes no concurso, receberam vouchers para estadias no Hotel do Sado.
A gala final contou também com as atuações
de Catarina Ferreira, 12 anos, vencedora da
modalidade infanto-juvenil da prova, uma
das novidades da edição deste ano, e da fadista
Ana Laíns, que integrou a equipa do júri.
Os cantores foram acompanhados na guitarra
portuguesa por José Batista, na viola por Vítor
Pereira e na viola baixo por Albano Almeida.
O IV Concurso de Fado Amador de Setúbal
teve ainda os apoios do restaurante Passo do
Olival, da Rádio SIM e da Junta de Freguesia de
Gâmbia, Pontes e Alto da Guerra.
Teatro em mês de estreias
O Dia Mundial do Teatro é assinalado em
­Setúbal com um vasto programa de atividades,
ao longo de março, que incluiu estreias e homenagens.
Organizado pela Câmara Municipal em parceria com as companhias de teatro amador
e profissional do Concelho, o programa comemorativo abriu com a estreia de “Pandora
Boxe”, a nova produção do Teatro Animação
de Setúbal (TAS), inspirada no texto original
de Rui Zink, com direção de Carlos Curto e
interpretação de José Nobre, Sónia Martins e
Duarte Victor.
A companhia setubalense aproveitou o pro-
grama comemorativo para voltar a apresentar
“…no meio de mil dores…”, espetáculo de
Célia David que integrou igualmente as comemorações do “Março Mulher”.
Já a Água Ardente – Produções Teatrais promoveu uma oficina de teatro e levou a cena
“Arritmias” e “Sonhos”, este último a mais recente estreia da companhia. Tanto os espetáculos como o workshop integraram igualmente o programa municipal m@rço.28.
“Ó Malta da Minha Terra” é o título da revista
à portuguesa levada à cena na Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense pelo Grupo de
Teatro daquela coletividade.
“Encontro com a Poesia” foi o tema que reuniu
na Capricho Setubalense um grupo de pessoas em torno do mundo literário dos versos e
rimas, numa iniciativa do Grupo ETC – Experiências de Teatro da Capricho.
O Dia Mundial do Teatro propriamente dito,
27 de março, é a data mais preenchida de todo
o evento comemorativo. Para este dia, o Teatro
do Elefante programou um desfile de dragões
e cabeçudos pelas ruas da Baixa da cidade e o
Grupo de Animação e Teatro Espelho Mágico
agendou, no Auditório Municipal Charlot, a
peça infantil “Um Presente Especial”.
Para a noite, foram preparadas a encenação
“Quatro Paredes de Tinta”, do Grupo de Teatro
Metáforas, no auditório da Escola Secundária
Sebastião da Gama, e, no Espaço Fontenova,
nova exibição de “Pandora Boxe”, do TAS, leitura de mensagem do Dia Mundial do Teatro e
momento de partilha e criação para o espetáculo “O cerco de palavras esculpidas nas memórias”, a estrear oficialmente em maio, pelo
Teatro Estúdio Fontenova.
O programa inclui ainda “Já Bocage não sou”,
representada pelo ETC – Experiências de Teatro da Capricho, a 30, na Capricho Setubalense, e, a 31, rábulas de revistas em homenagem
a Aníbal Estrela e Lino d’Oliveira, colaboradores do Grupo de Teatro da AMBA.
Oito séculos de Setúbal
Os grandes acontecimentos que decorreram entre 1248 e 1926, período de quase
oito séculos da História de Setúbal, são
relatados num trabalho historiográfico de
Albérico Afonso, apresentado a 25 de fevereiro, nos Paços do Concelho. A obra, com
336 páginas, da editora Estuário, aborda
temas como a indústria conserveira, a sociabilidade burguesa, a imprensa local e a
afirmação do ideário republicano. O livro
inclui imagens e documentos históricos,
assim como uma compilação de estudos.
Recordar diva Luísa Todi
Luísa Todi voltou a ser recordada e homenageada pelo Concelho a 9 de janeiro, com
um programa comemorativo a assinalar o
259.º do nascimento da cantora lírica. As
comemorações incluíram a deposição de
flores na glorieta localizada na avenida
com o nome da diva que encantou as salas
de espetáculos nos séculos XVIII e XIX. A
exposição de pintura “Luísa Todi e a Música” e concertos do Coral Luísa Todi, na
cidade, e do Coro de Câmara de Setúbal,
em Azeitão, completaram as festividades.
Reis com música e sabor
O Dia de Reis fez-se ouvir e deu-se a provar em Setúbal, a 6 de janeiro, com várias
atividades realizadas na Casa da Baía e
nos Paços do Concelho. Alunos cantaram
as Janeiras na Casa da Baía, onde também esteve patente uma exposição sobre
a data e foram servidos bolos-reis para
prova. Utentes do Centro Socioeducativo da APPACDM de Setúbal cantaram as
Janeiras à presidente da Câmara Municipal, Maria das Dores Meira, à entrada dos
Paços do Concelho, tendo o grupo atuado
ainda noutros pontos da cidade.
18SETÚBALjaneiro|fevereiro|março12
Poder mais perto da população
A proximidade com a população faz do Poder Local uma ferramenta vital na melhoria das condições de vida. Os problemas detetam-se
mais depressa e resolvem-se com agilidade. Por isso, a Câmara Municipal de Setúbal descentraliza competências, há vários anos,
para as juntas de freguesia. Os resultados aparecem e em 2012 o investimento é ainda maior
A Câmara Municipal reforçou a
aposta na descentralização de competências para as juntas de freguesia, celebrando em janeiro a renovação dos protocolos e aumentando
para quase 2 milhões e 200 mil euros o valor total dos apoios financeiros.
“Achamos que as freguesias são o pilar deste grande edifício que é o Poder
Local Democrático”, sublinhou a presidente da Câmara Municipal na cerimónia de assinatura dos protocolos, a 3 de janeiro, que contou com
a presença dos presidentes das oito
juntas de freguesia do Concelho.
Maria das Dores Meira acrescentou
ainda que o reforço de confiança
nos representantes do Poder Local surge em contraposição com as
medidas “inaceitáveis” do Governo
para eliminar ou fundir juntas de
freguesia, política na qual as “populações são as mais prejudicadas”.
A presidente da Câmara Municipal
considera que as juntas de freguesia fazem “um excelente trabalho”,
com resolução de problemas “mais
rapidamente e melhor”.
A política de descentralização de
competências é “um exemplo que
deve ser para o País”, defende Maria
das Dores Meira, sublinhando que
o investimento canalizado para as
freguesias se traduz em ajuda concreta das populações, sabendo-se
“como e onde é aplicado e rentabilizado”.
Espaços verdes, higiene e limpeza
e escolas são as áreas fundamentais para a atribuição de 2 milhões,
192 mil e 176 euros, o valor global
do apoio financeiro a transferir ao
longo do ano para as juntas de freguesia.
Do aumento de cerca de 140 mil
euros em relação a 2011, 113 mil são
para a higiene e limpeza dos espaços públicos e para a manutenção
de espaços verdes, as “áreas mais
pesadas”, explicou a autarca.
Em 2012, as juntas de freguesia de
Azeitão, as únicas com gestão e conservação de cemitérios e postos de
atendimento, são as que recebem
os montantes mais elevados no âmbito dos protocolos de delegação de
competências, cabendo 461 mil e
328 euros a S. Lourenço e 361 mil e
88 euros a S. Simão.
No protocolo com S. Sebastião, que
recebe 305 mil e 620 euros, são
reforçadas as áreas de limpeza de
espaços públicos e de manutenção
de espaços verdes em zonas onde as
tarefas da higiene urbana são realizadas através de prestação de serviços, passando aquela autarquia a
assumir o serviço durante este ano.
A junta de Nossa Senhora da Anunciada, à qual são destinados 263 mil
e 816 euros, retoma as zonas onde
em 2010 fazia a limpeza pública,
passando o limite da intervenção a
ser definido pela Estrada das Machadas.
Para Gâmbia, Pontes e Alto da
Guerra, a única junta com conservação e manutenção de um polo da
Biblioteca Municipal, são transferidos 296 mil e 842 euros, enquanto
a Junta de Freguesia do Sado recebe
235 mil e 995 euros.
Santa Maria da Graça e S. Julião recebem, respetivamente, 132 mil e
103 euros e 135 mil e 923 euros.
A somar ao montante global a
transferir para as freguesias, a Câmara Municipal prevê disponibilizar mais 500 mil euros em materiais de construção para trabalhos
como arranjos de passeios, largos e
miradouros.
freguesia
Passeio dá conforto e segurança
A lama e o pó deram lugar a um acesso pedonal que
agora liga o apeadeiro das Praias do Sado ao Instituto
Politécnico de Setúbal, numa intervenção conduzida
pela junta de freguesia e pela Câmara Municipal.
As obras, orçadas em 14 mil euros, foram executadas
por administração direta,
no âmbito dos protocolos de descentralização de
competências.
A Câmara Municipal apresentou o projeto e forneceu os materiais, enquanto
a Junta do Sado disponibilizou a mão de obra para a
execução dos trabalhos.
O passeio, com 160 metros
de comprimento e três de largura, estende-se por
um percurso, anteriormente de terra, que liga o apeadeiro ferroviário ao IPS.
“Agora já não há lama, não há pó, nem buracos. Esta
obra, há muito pedida pelos residentes e estudantes, traz
conforto e aumenta a segurança aos peões”, sublinha o
presidente da Junta de Freguesia do Sado.
Manuel Véstias adianta que esta “é a primeira etapa
de um projeto maior”, que prevê, entre outras intervenções a executar faseadamente, a instalação
de iluminação pública e a
criação de áreas de lazer e
de mais uma zona pedonal.
O projeto, que contou com
um apoio financeiro de
três mil euros da Central
Termoelétrica de Setúbal,
incluiu ainda a remoção de
barracas usadas pela Câmara Municipal para arrumos e a limpeza da área intervencionada. A população local também se juntou à
iniciativa, executando pequenos arranjos nas hortas
que ladeiam o passeio pedonal.
RECUPERADO. O fontanário do Largo do Chafariz, em
Vendas de Azeitão, foi restaurado pela Junta de Freguesia
de S. Simão. A recuperação respeitou o desenho original,
contemplando a pintura em ocre e branco, a limpeza de
mármores e a aplicação de torneiras da época. Foram
também intervencionados os interiores dos dois tanques,
com a melhoria do revestimento para evitar a perda de água
para a via pública. Os trabalhos observaram as diretrizes
do “Manual de Boas Práticas de Intervenção no Património
Histórico do Concelho de Setúbal”, publicado pelo
Gabinete dos Centros Históricos da Câmara Municipal.
Anunciada
requalifica
rotunda
A obra de requalificação paisagística da rotunda da
Reboreda, um investimento de 12 mil euros, é inaugurada em abril, altura em que é apresentada a área
totalmente remodelada.
“Vai ser uma das mais bonitas rotundas de Setúbal”,
assegura o presidente da Junta de Freguesia da
Anunciada, José Manuel Silva, adiantando que a
intervenção era um pedido antigo dos moradores.
O arranjo inclui a instalação de repuxos, iluminação e estatuária, em formato de três malmequeres
gigantes, criados a partir de antenas parabólicas e
decorados com textos de alunos de escolas da freguesia.
Noutra intervenção, a junta de freguesia concluiu,
em março, na Rua Abel Viana, a criação de um passeio com pavimento pavet e de lugares de estacionamento, substituindo uma área em terra batida.
Ambos os projetos, executados através de concurso
público, contaram com o apoio da Câmara Municipal, que forneceu materiais.
19SETÚBALjaneiro|fevereiro|março12
Os Jogos do Sado já mexem
com Setúbal. Os primeiros
eventos são orientados para a
comunidade escolar, envolvendo
a participação de centenas de
crianças e jovens. Depois vêm os
mais velhos. Atletas amadores e
federados têm muito para provar
o que valem, principalmente
dentro de água
Jogos de miúdos
e graúdos
Os 10.os Jogos do Sado já estão levar as mais
variadas modalidades desportivas a toda a
população, com os primeiros meses da edição de 2012 a serem dedicados à comunidade
escolar.
Só no Meeting Escolar de Atletismo, realizado
a 28 de fevereiro, no complexo municipal do
Vale da Rosa, inscreveram-se 678 participantes, que, distribuídos pelos escalões de infantis a juniores, disputaram várias modalidades
de atletismo que colocaram à prova velocidade, força e agilidade dos jovens.
Além da cerimónia de abertura dos Jogos do
Sado, realizada a 18 de janeiro, no Pavilhão
Antoine Velge, numa tarde com música, dança e exibições de patinagem e de ginástica, o
programa conta já com a realização de um torneio regional de remo indoor, um passeio de
BTT escolar e um festival de andebol infantil.
Para os próximos meses, os Jogos do Sado reservam ainda mais eventos, incluindo, desta
feita, atividades abertas a toda a população.
Um passeio de BTT decorre no dia 1 de abril,
enquanto, entre 13 e 15 do mesmo mês, no
Parque Urbano de Albarquel, realiza-se a 2.ª
Feira de Pesca Lúdica e Desportiva de Setúbal,
este ano com a participação de 13 expositores
e com a inclusão workshops e animações relacionadas com esta vertente da pesca.
Para abril estão ainda agendados um peddy
paper popular, a 14, um torneio de escolas de
boccia, a 18, um troféu de nautimodelismo, a
21, e um passeio pedestre, a 28.
Até setembro, os 10.os Jogos do Sado levam
até à população, incluindo atletas federados,
um leque variado de modalidades desportivas, totalizando perto de trinta eventos e estimando-se a participação de cerca de cinco
mil pessoas.
No calendário desportivo sobressai a FINA
Olympic Marathon Swim Qualifier 2012, a 9 e
10 de junho, uma das duas únicas competições
a nível mundial destinadas ao apuramento de
atletas para a prova de natação em águas abertas dos Jogos Olímpicos de Londres.
A nível popular, o programa reserva mais uma
edição da Baía do Sado a Nado, na qual, a 21 de
julho, atletas não federados aventuram‑se a
atravessar o rio a nado, e uma original “Regata­
de Banheiras”, a 15 de setembro, na qual se
espera uma corrida fluvial em embarcações
originais e criativas.
O antigo futebolista Jaime Graça, que durante
quase duas décadas espalhou magia pelos relvados portugueses, falecido a 28 de fevereiro,
com 70 anos, vai ter o seu nome numa rua da
cidade.
Jaime Graça começou a destacar-se no principal escalão do futebol português ao serviço
do Vitória de Setúbal com apenas 17 anos, na
época de 1960/61.
Pelo Vitória, onde jogou oito temporadas,
conquistou uma Taça de Portugal, na época
de 1964/65, marcando um golo na final, e alcançou a primeira internacionalização. Vestiu
a camisola de Portugal por 36 ocasiões, entre
1965 e 1972, sendo um dos “magriços” que
alcançaram o terceiro lugar no Mundial de
1966, fazendo todos os jogos, numa seleção
constituída quase exclusivamente por jogadores do Benfica.
No clube lisboeta, onde jogou durante nove
épocas ao lado jogadores como Eusébio e Coluna, o talentoso médio alcançou os maiores
êxitos da carreira, com sete campeonatos nacionais e três Taças de Portugal.
Irmão do também médio sadino Emídio
­Graça, começou a trabalhar como aprendiz de
eletricista aos 10 anos, mal terminou a instrução primária. Esse conhecimento havia de
ser útil para salvar a vida a Eusébio, anos mais
tarde, numa sessão de hidromassagem.
O nome de Jaime Graça é perpetua­do na história setubalense, tendo­‑lhe sido atribuída,
em 1999, pela Câmara Municipal de Setúbal,
uma Medalha de Honra da cidade, na categoria de desporto.
A Autarquia voltou a homenageá-lo, agora
após a sua morte, a 7 de março, com a apresentação de um voto de pesar em que manifesta a intenção de atribuir o nome do antigo
futebolista a uma rua de Setúbal.
Modalidades subsidiadas
A Câmara Municipal aprovou a atribuição de um montante global de 45
mil e 990 euros a 16 instituições para a promoção de planos de desenvolvimento desportivo na época 2011/2012, em várias modalidades.
Os subsídios, que variam entre 1190 e 3800 euros, são distribuídos pelas associações de Atletismo de Setúbal, de Atletismo Lebres do Sado, de
Ciclismo do Distrito de Setúbal e Cultural e Desportiva Juventude Azeitonense.
A lista de entidades beneficiárias engloba ainda os clubes de Canoa­gem
de Setúbal, de Patinagem do Sado, “Os Pelezinhos”, Recreativo Palhavã,
os grupos “Os Amarelos”, “O Sindicato”, 1.º de Maio e União e Progresso.
O Centro Cultural e Desportivo de Brejos de Azeitão, o “Ídolos da Praça”,
o Scalipus e o Volei Clube do Sul são as restantes instituições abrangidas.
A proposta de atribuição de subsídios destaca que o associativismo, “em
grande número de situações”, representa “a principal ou mesmo a única via
de acesso à prática desportiva da população, nomeadamente das crianças e
dos jovens, possuindo por isso um inegável valor social e cultural”.
desporto
Cidade perpetua Jaime Graça
educação
20SETÚBALjaneiro|fevereiro|março12
Professora
Lígia
é exemplo
inspirador
Centro escolar na reta final
A inauguração do jardim de infância do Bairro Afonso Costa foi o primeiro passo para a criação do centro
escolar. A segunda fase deste projeto já está em marcha com a ampliação da escola básica do primeiro ciclo
A construção de dois edifícios, com
capacidade para oito salas de aula,
que corresponde à primeira fase
das obras de ampliação da EB1 n.º
10, arrancou no início do ano.
Esta intervenção, realizada através
do PORLisboa – Programa Operacional Regional de Lisboa, no
âmbito do QREN – Quadro de Referência Estratégico Nacional, num
investimento de perto de 1 milhão e
450 mil euros, com uma comparticipação de cerca de 940 mil euros,
vem concretizar a criação do Centro
Escolar do Bairro Afonso Costa, que
integra EB1 e jardim de infância.
Na cerimónia de lançamento da
primeira pedra para a escola básica,
a presidente da Câmara Municipal,
Maria das Dores Meira, salientou
o “redobrado prazer e satisfação” em
voltar àquelas instalações de ensino, depois de há um ano ter inaugurado o jardim de infância, para oficializar as obras que vão concretizar
o Centro Escolar do Bairro Afonso
Costa.
Estes novos espaços, aliados ao
refeitório e à cozinha já existentes, para utilização das crianças do
1.º ciclo e do jardim de infância,
com capacidade para 50 crianças
em idade pré-escolar, permitem o
funcionamento de dez turmas em
regime normal a partir do próximo
ano letivo.
Este foi um dos aspetos destacados pela autarca, que recordou os
apenas 24 por cento de turmas em
regime normal assinalados, em
2006, na Carta Educativa. “Só vamos descansar quando estivermos a
100 por cento”, afirmou Maria das
Dores Meira, acrescentando que
atual­mente, em todo o parque escolar do Concelho, o número de turmas a funcionar em regime normal
­situa‑se nos 70 por cento.
Depois de concluídos os dois novos
imóveis, que além das oito salas de
aula albergam ainda os serviços ad-
ministrativos, o edifício centenário da EB1 do Bairro Afonso Costa,
onde ainda decorrem as aulas, será
reabilitado.
Para esta segunda fase de trabalhos
de reabilitação do edifício da antiga
escola primária, a recuperar com a
preocupação de manter os elementos originais, estão projetadas mais
duas salas de aula, biblioteca, mediateca e uma sala polivalente.
A ligação entre os edifícios, quer
do jardim de infância, quer do 1.º
­ciclo, será feita através de passagens cobertas no recinto, que recebe ainda um pavilhão polidespor­
tivo e campo de jogos.
Famílias de alunos mais apoiadas
Um protocolo entre a Autarquia, os
agrupamentos escolares e as associações de pais e encarregados de
educação vem regular as condições
de funcionamento da componente
de apoio à família dos alunos do 1.º
ciclo do ensino básico.
Esta valência surge da necessidade de adaptar a permanência das
crianças nos estabelecimentos de
ensino às necessidades das próprias famílias, garantindo que esses tempos sejam pedagogicamente
ricos e complementares das aprendizagens associadas à aquisição das
competências básicas.
As escolas das Areias, Arcos, Azeda e S. Gabriel, as três últimas com
jardim de infância, receberam este
ano letivo as condições para a concretização da oferta das Atividades
de Animação e Apoio à Família, fora
do horário letivo e das atividades de
enriquecimento curricular.
A estipulação de horários de funcionamento dos espaços escolares convenientes à prática das
atividades, cedidos pela Câmara
Municipal, é um dos objetivos do
protocolo, ficando disponíveis, ao
longo do período letivo, de segunda
a sexta-feira, das 07h30 às 09h00
e das 17h30 às 19h30. Durante as
interrupções letivas, as instalações estão disponíveis de segunda
a ­sexta-feira, das 07h30 às 19h30.
A Câmara Municipal lamentou
“profundamente” o falecimento
da professora Lígia Figueiredo,
a 4 de janeiro, através de um
voto de pesar levado a reunião
pública.
Tendo-se fixado na cidade em
1982 como docente, tornou-se
setubalense por direito próprio e pela obra que deixou
dedicada à causa da educação e
dos seus alunos.
“Reconhecida, respeitada e querida por toda a comunidade educativa era membro eleito do Conselho de Escolas, desde 2007”,
refere o documento apresentado, que lembra a atribuição,
“com toda a justiça”, da Medalha
de Honra da Cidade, a 15 de setembro de 2010.
“O exemplo inspirador que nos
lega justifica plenamente a proposta de atribuição do seu nome a
uma escola deste nosso concelho,
onde quis partilhar a sua sabedoria e vontade de fazer sempre
mais e melhor”, indica o texto.
Natural de Angola, Lígia Eudora Teixeira Castelões de Figueiredo nasceu a 9 de fevereiro de
1951. Em Portugal, depois de
passar por várias zonas do País,
fixou-se em 1982 em Setúbal,
onde foi professora na EB 2,3
Luísa Todi.
Além de docente, Lígia Figueiredo foi vice-presidente e presidente de vários conselhos diretivos e conselhos executivos
daquela escola.
Desempenhou ainda o cargo
de coordenadora do Centro de
Área Educativa de Setúbal e,
desde 2009, as funções de diretora do Agrupamento de Escolas Barbosa du Bocage.
Um projeto mundial destinado a ensinar as pessoas a consumir com mais consciência passa pela Escola Superior
de Educação de Setúbal. Alunos da Escola de Hotelaria e Turismo lançam ideias à procura de investidores
De olhos bem abertos
Uma parceria de âmbito internacional
que visa uma maior consciencialização
e a adoção de estilos de vida sustentáveis para o planeta é representada no
concelho setubalense pela Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal (ESE/IPS).
A responsável local, Alcina Dourado,
docente da área da Comunicação na
ESE/IPS, esclarece que o projeto PERL
– The Partnership for Education and
Research about Responsible Living,
apoiado pela União Europeia, “tem
como intenção criar melhores cidadãos,
apostando numa característica: todos são
consumidores”.
A lógica do programa europeu assenta
nas noções de vida responsável e consumerismo, designadamente o que o
norte-americano Philip Kotler, considerado um dos maiores especialistas
mundiais de marketing, descreve como
“o movimento social que procura aumentar os direitos e poderes dos compradores
face aos vendedores”. Desta forma, faz­
‑se uma clara oposição com a definição
usualmente aceite de consumismo,
que consiste na prática corrente de
consumir, geralmente em excesso e de
forma continuada, bens que não são
necessários.
Um cidadão mais consciente, ativo e
participante sabe que, cada vez que
toma uma decisão ao nível do consumo,
esta ação tem repercussões na vida de
muitas pessoas que não conhece, entre as quais produtores, fornecedores
e trabalhadores das empresas. A ideia
central é a de fornecer ferramentas que
permitam uma decisão informada.
“Não é uma questão de moralismo sobre
o que não se deve comprar”, esclarece
Alcina Dourado, mas sim que as pessoas estejam informadas sobre “as
implicações inerentes ao que compram”.
Muito do que se adquire, afirma, muitas vezes não se usa ou não se precisa.
São compras feitas por impulso, tal
como se sucede com os artigos ligados
à moda, a qual dita as novas tendências
e apresenta os novos produtos “sem os
quais não se pode viver”. Há, neste fenómeno, “um retorno sistemático a formas, cores, materiais e estilos” em que
importa compreender o que reside por
trás do consumo. Para o fazer, destaca
Alcina Dourado, é fundamental usar
as ferramentas disponibilizadas pelo
projeto PERL e que assentam em métodos de ensino que transitam de professores para alunos, aplicáveis a todas
as idades escolares. Através do recurso
educativo, são os jovens que passam os
conhecimentos para as famílias, num
processo intergeracional.
Autocarro a pé
“O gatilho, aquilo a que as pessoas são
mais sensíveis, é aquele que deve ser premido” para que o processo seja mais
eficaz, refere a investigadora. Durante
um período de crise económica, a interrogação recorrente é, ou pode ser,
“como é que se consegue chegar ao fim do
mês com tantas restrições?”
O que acontece normalmente, neste
contexto, é surgirem dicas transmitidas por entidades ligadas à defesa do
consumidor, dadas de forma por vezes
muito pontual. “São indicações práticas,
o que é bom, mas o que se pretende é que a
longo prazo se consiga manter os hábitos”,
pois o que se constata é que as pessoas,
“depois do desapertar do cinto”, passando
a crise, retomam hábitos como o recurso ao cartão de crédito.
O que a PERL defende é “que os bons
hábitos de consumo permaneçam” e, para
tal, o público não deve reagir às situa­
ções, mas sim “criar as suas próprias
soluções para os problemas que os afetam
localmente”, elucida a professora da
ESE/IPS.
Um exemplo prático vem de uma escola em Dublin, na Irlanda, relacionado
com uma gestão de tempo de encarregadas de educação. Estas identificaram
quem residia em bairros comuns e foi
organizado um “Walking Bus”, com as
crianças a percorrem o trajeto da casa
para a escola a pé acompanhadas por
vigilantes. Com esta medida, há ainda ganhos em termos económicos, de
poupança de combustível, de ajuda
ambiental e de reforço das relações entre pessoas.
Outra das experiências observadas no
contexto do PERL consiste na partilha
de roupa. Se esta prática pode ser feita
em família, faz igualmente sentido que
decorra comunitariamente, refere a
responsável local do projeto, num âmbito da “gestão de recursos em que cada
um leva aquilo de que não necessita e traz
o que precisa”.
A partilha de bicicletas para o transporte individual ou dos carros, entre
colegas de trabalho, é outro dos exemplos destacados, que, no entendimento da investigadora, “fazem crescer a
consciência global”, ajudam a melhorar
o ambiente e podem abrir caminho a
novas oportunidades de emprego.
academia
21SETÚBALjaneiro|fevereiro|março12
Ideias procuram investidores
Projetos de alunos finalistas do Módulo de
Especialização do curso de Gestão Hoteleira
da Escola de Hotelaria e Turismo de Setúbal,
na vertente de Restauração e Bebidas, esperam o apoio de investidores para se poderem
transformar em negócios.
Uma das cinco apresentações que decorreram
na Casa da Baía, no início de fevereiro, feita
pelos estudantes Cátia Simões, Rita Vieira e
Victor Cantarim, incide na área do agroturismo. A ideia consiste na conceção de um hotel
que permite aos clientes participar em atividades tão distintas como cavalgar na floresta
ou visitar o património edificado montados
num burro. O cultivo de legumes e frutos,
com os quais se pode fabricar os próprios doces e compotas, a recolha de leite e fabrico de
queijo e mesmo um passeio romântico numa
charrete são outras possibilidades sugeridas.
Marco Soares, Dinis Nobre e Miguel Hoeven idealizam a construção de uma chávena
gigante de café, com o tamanho de um contentor de transporte de mercadorias situado
em frente de uma gare, como o modelo mais
apelativo para a venda automática de sandes,
sopas e bebidas.
Oxigénio aromatizado canalizado diretamente para os quartos é a proposta de Sílvia
Machado, Filipa Pinto e Ana Teixeira, num
hotel que funciona com base nos princípios
da aromaterapia, não só por razões de saúde
ou relaxamento, para os quais estão previstos os aromas de camomila e erva-cidreira,
mas também para exaltação do romantismo,
com recurso à canela, ou até para energizar os
clientes utilizando a fragância do café.
Já David Carapeta e Rui Fernandes propõem
um restaurante envolvido pela água, a que
se alia uma ementa confecionada a partir de
produtos regionais, num negócio dirigido a
grupos, designadamente para aniversários ou
encontros de amigos, entre outros.
O aproveitamento de uma praça de touros
para a junção de sabores portugueses e espanhóis foi o ponto de partida encontrado por
Alberto Ramos, Inês Antunes, Maria Quaresma e Ivan Figueiredo, com um restaurante
em que o gaspacho da Andaluzia rivaliza com
o cação à alentejana e o bacalhau com broa e
presunto com a paella de choco. A inovação,
neste projeto, assenta no repouso e retempero de forças do cliente, num espaço onde só
se pode ir com tempo, para desfrutar uma refeição completa que serve também para descansar e apreciar fado, animações teatrais e
exposições de pintura.
As fraquezas da
madeira deram
lugar à robustez da
fibra e os calafates
cedem perante
a ditadura da
modernização. Em
Setúbal ainda há
um. José Domingos
tem trabalho, mas
é pouco. No dia
em que se deixar
de ouvir o tinir do
macete, deixou de
haver calafate
Futuro vedado
Por entre os mastros e as proas a embalar ao
sabor da maré, no desnorte que pode ser a
Doca dos Pescadores povoada de barcos atracados, encontra-se José Domingos através do
martelar estridente do macete. É o som do último calafate de Setúbal. Como outras profissões seculares, um ofício em vias de extinção.
Com o sol da manhã a rasgar a temperatura
polar do inverno, José Domingos trabalha na
proa de uma embarcação danificada na sequência de um embate com outro barco.
O calafate setubalense faz o serviço a gosto,
sem pressas, saboreando o trabalho a solo na
companhia da frota pesqueira e de uma gaivota, pousada a meio metro, espetadora ocasional entre voos.
“Fazia isto em pouco mais de meia hora”, resume José Domingos ao apontar para as fissuras
a remendar no convés. “O dia está bom… também não há muito para ocupar… Assim, faz-se
a manhã.”
Um calafate é responsável por vedar as junções entre as tábuas de uma embarcação, de
maneira a impedir que a água trespasse para o
porão ou apodreça o interior das vigas.
A calafetagem naval está prestes a selar mais
uma cronologia nas páginas da História porque é feita apenas em embarcações de madeira. “Os barcos que iam para Marrocos, que eram
grandes, para lá dos 23, 25 metros de comprimen-
ontem
to, é que davam trabalho. Hoje já não há desses”,
explica o artesão.
A fibra é o argumento que veda a sentença
deste ofício. “A maioria das embarcações já não
é de madeira”, tornando a calafetagem uma
tarefa praticamente obsoleta nos serviços a
prestar na manutenção de um barco.
As encomendas são agora mais modestas,
mas, ainda assim, o macete de José Domingos
vai-se ouvindo, aqui e ali, marcando o compasso do trabalho com marteladas que preparam esporádicos remendos.
Tapa-buracos
O macete é um martelo peculiar, feito em madeira e com as extremidades da cabeça alongadas com um tamanho que aparenta muito
mais peso do que tem na realidade.
As proteções de ferro nas pontas do macete
ecoam por toda a doca quando chocam com
as espátulas de metal. Meio a brincar, meio a
sério, José Domingos diz que o formato original da ferramenta “é para fazer barulho. Marca
o ritmo para se trabalhar. É como antigamente,
que se cantava para puxar as redes. Se não se
cantava, as redes não vinham”.
Com a audição um tanto gasta, o calafate confessa que chegou a experimentar em tempos
proteções para os ouvidos, “daquelas em que
deixamos de ouvir tudo à nossa volta”. O teste
durou apenas alguns minutos. “Não era a mesma coisa e não conseguia trabalhar.”
Na caixa de ferramentas do calafate é também
indispensável a estopa, derivado do linho
usado para preencher as fendas. Ali, encontra-se também o zarcão, tinta anticorrosiva
que recebe e tapa a indispensável massa de
enchimento semelhante à usada na calafetagem de janelas.
Dois menos um
José Domingos nasceu em bairro de pescadores e retira dividendos do mar desde os 14
anos. Desde então que convive com o ofício
que o tornou conhecido na doca, mas tam-
retratos
22SETÚBALjaneiro|fevereiro|março12
bém chegou a navegar nas rotas da pesca até
que um dia, com cerca de 30 anos, teve um
acidente ao largo de Marrocos que o atirou
para terra.
O braço esquerdo cedeu quando ficou preso
num gancho e a gravidade da situação, além
de o obrigar a um internamento de mais de
um mês num hospital em Las Palmas, atirou­
‑o definitivamente para terra.
Agora, com 64 anos e as ofertas de trabalho a
minguarem, admite voltar ao mar, mas olha
para o braço deformado e questiona-se em
silêncio até que ponto poderá ser útil na faina.
Até há pouco tempo, José Domingos ainda
partilhava o ofício com mais um colega, mas
este teve um acidente alheio às artes do mar,
o que faz com que agora assuma o estatuto de
último calafate de Setúbal.
“Chegaram a trabalhar uns 60 homens ao mesmo tempo nas reparações de barcos de 23 metros”,
isto entre calafates, serralheiros, carpinteiros e outros profissionais.
A escassez de propostas diminuiu radicalmente este número e, no que toca à calafetagem, “os novos não estão interessados”, mesmo
aqueles que tiraram cursos de calafate. “Nenhum está cá a trabalhar”, sintetiza.
O tinir do macete, por agora, ainda se ouve,
mas pressente-se o dia em que será definitivamente abafado pelo canto do cisne.
Estas duas imagens valem prata.
Mais precisamente, bodas de prata.
Em 1944, funcionários da antiga fábrica
de conservas Perienes juntaram-se
ao redor de um almoço festivo
e da objetiva de Américo Ribeiro para
assinalar os 25 anos de laboração.
A História encarregou-se entretanto
de transformar a conserveira num espaço
museológico. O Museu do Trabalho
Michel Giacometti, a funcionar na antiga
conserveira, comemora este ano
o 25.º aniversário, perante outra lente,
a de Mário Peneque.
hoje
23SETÚBALjaneiro|fevereiro|março12
Engenheiros
que mexem
com o social
Partilha, cidadania, reflexão e intervenção são palavras-chave
no trabalho da SEIES. Ao longo de trinta anos, a intervenção de
uma equipa transdisciplinar e da população tem questionado
certezas numa sociedade em constante mudança
O projeto-piloto “Passo a Passo, Ousar Mudar
o Presente”, em colaboração com o Instituto
do Emprego e Formação Profissional, revelou
que as ações levadas a cabo apresentavam resultados positivos. No entanto, era necessário
dar continuidade.
A criação de um centro de apoio a mulheres
desempregadas foi o primeiro passo de uma
caminhada para uma reflexão e intervenção
num concelho com características tão peculiares como o de Setúbal.
Após três décadas de trabalho, em áreas como
a criação de emprego, a educação, a inserção de jovens, a habitação social, a equipa
da SEIES vai já na terceira geração de “engenheiros”.
Com o estatuto de cooperativa, a SEIES não
tem propriamente uma estrutura hierárquica.
Patrícia Patrício é quem coordena o núcleo de
Setúbal, composto por 15 “cooperantes”, dois
homens e 13 mulheres. Longe da equidade
de género desejada, Patrícia refere que nem
sempre foi assim, mas é “muito difícil encontrar técnicos com perfil” para integrar a equipa.
“É na experiência de cada um, na entrega e
aprendizagem, na capacidade de partilha e
mudança que buscamos os valores vivos de uma
equipa com vontade de crescer, capaz de traçar
em coletivo novas dimensões de intervenção e
pensamento”, explica.
Sócios, técnicos ou cooperantes são algumas
formas de chamar estes “engenheiros”. As
competências convencionais de funcionário
Participação cívica
O Centro de Cidadania Ativa, mais do que
paredes e teto, é um espaço inovador a
nível nacional, aberto à comunidade, que
promove aprendizagens, entreajuda e
inovação no território.
Com as portas abertas desde 2007, na
Rua João Eloy do Amaral, o centro é da
responsabilidade e gestão da SEIES, mas
também conta com a parceria dos municípios de Setúbal e Palmela, do Instituto das
Comunidades Educativas e do Instituto de
Solidariedade e Segurança Social.
Em grupo ou individualmente, todos podem usufruir de um centro de recursos que
funciona como espaço de encontros e troca
de saberes, além de uma sala de recursos
informativos, com uma minibiblioteca e
acesso a computadores ligados à internet.
Aqui tudo acontece em rede com associações dos dois concelhos, em torno de projetos de intervenção,
animação e interação,
de forma a apoiar e
promover o acompanhamento pessoal
e personalizado de
pessoas em situação
difícil, como o centro
de atendimento,
orientação, formação
e encaminhamento de
pessoas que se encontram no desemprego.
é que não se enquadram nem no perfil destas
pessoas, nem do próprio projeto.
Além da dinamização do centro de informação a mulheres desempregadas, que contribuiu para fazer emergir a mulher na sociedade, estimulando o empreendedorismo, e
aumentar a autoestima, o ano de 1993 ficou
também marcado pelo arranque do “Março
Mulher”.
Hoje, passados quase vinte anos, este programa de intervenção social e cultural que promove a sensibilização para a problemática da
igualdade, ganhou dimensões que surpreendem a própria organização.
Com um papel catalisador para a mobilização
da comunidade, o “Março Mulher” desenvolve ao longo de um mês dezenas de atividades
em parceria não só com a Câmara Municipal,
como também com instituições locais de diversas índoles, contribuindo para as celebrações em torno do Dia Internacional da Mulher.
Desocultação da realidade
Patrícia Patrício recorda que, há vinte anos, a
problemática da violência doméstica existia,
embora escondida, mas que “de alguma forma
acabava por vir à tona”.
Anos mais tarde, quando surgiu a oportunidade de uma candidatura de financiamento
no âmbito do programa Progride, foi lançado
o grande desafio. “Nunca tínhamos trabalhado
nesta área”, lembra. “Em muitas mulheres com
quem trabalhávamos esta problemática estava
presente.”
A sensibilização para a prevenção e desocultação da violência doméstica não foi apenas
dirigida à mulher, mas sim à comunidade,
envolvendo técnicos, escolas e associações.
“O nosso objetivo não é substituirmo-nos ao que
já existe, mas complementar”, salienta Patrícia Patrício.
A ação do projeto inovador “Bem Me Quero”,
que veio romper com convenções sociais e
antecedeu o “VOA – Vontade, Otimismo e
Autonomia”, foi reforçada pela instituição
do crime público, previsto no Código Penal,
a partir de 2007.
Além de promover e agir em questões como
a igualdade de género, a violência doméstica, o desenvolvimento pessoal e social,
as minorias étnicas, o empreendedorismo
feminino, a formação de formadores, a assistência na criação de microempresas e a
dinamização de grupos, a SEIES trabalha
ainda com os jovens.
O “VAI.PE – Vai Pela Escol(h)a” é outro projeto, exemplo da iniciativa da cooperativa,
que em parceria com a Escola Secundária
D. João II procura contrariar os índices do
absentismo e do abandono escolar nos alunos do 3.º ciclo. Como é que esta prevenção
é feita? Através de uma complementaridade
entre a ação pedagógica escolar e a intervenção integrada na área psicossocial e de promoção da cidadania.
rosto
Fascinação imediata
Outros rostos poderiam estar aqui retratados. A geração mais nova, a terceira,
por exemplo, caras bem conhecidas entre utentes e colaboradores, como a da
Lucília Santos e a do Vasco Caleira. Mas
é a metade da vida de Patrícia Patrício
ao serviço da SEIES que lhe dá protagonismo. Com 42 anos, casada e com um filho de 11, Patrícia Patrício
é a atual coordenadora da SEIES de Setúbal e pertence à segunda
geração desta sociedade que ajudou a implementar, localmente, há
cerca de vinte anos.
O “desafio” surgiu depois de ter recebido uma formação promovida
pela cooperativa. “Desarrumou-me por completo a biblioteca”, recorda
a técnica formada na área da ação social. “Foi uma formação inovadora e isso fascinou-me.”
Mais do que a fascinação na altura, é a “inquietação constante” que
o trabalho da SEIES lhe provoca que dá o prazer em sentir que fez a
opção certa.
Numa altura em que surgem novos movimentos cívicos, o trabalho
de investigação e ação que desenvolve na SEIES está em constante
atualização. Além da vontade, são precisos meios, principalmente
financeiros. “Temos imensas ideias, mas dar continuidade é difícil”,
lamenta.
iniciativa
Lembra-se dos “provérbios” “Quanto mais
me bates, menos gosto de ti” e “Quem não
cala, não consente” espalhados, há três anos,
por toda a cidade? Com toda a certeza que esta
campanha de sensibilização para a violência
doméstica, que “inverteu” o significado de
ditos tão populares e enraizados, não deixou
ninguém indiferente.
Esta campanha do “Bem Me Quero”, projeto de prevenção e desocultação da violência
doméstica, realizado entre 2006 e 2010, em
Setúbal, é, talvez, umas das mais marcantes
ações promovidas pela SEIES – Sociedade de
Estudos e Intervenção em Engenharia Social.
“Questionar certeza, potenciar novos possíveis” foi precisamente o mote que levou à criação, em 1980, da SEIES, cooperativa de âmbito
nacional constituída por homens e mulheres
de várias áreas de formação, como sociologia,
biologia, psicologia, ação social e gestão.
É com esta transdisciplinaridade, com o contributo de cada colaborador, que se pretende
uma atuação dinâmica, abrangente e especializada.
Não trabalham com máquinas, nem na construção civil, muito menos em telecomunicações. Os “engenheiros” da SEIES trabalham,
sim, com as pessoas, contribuindo, sempre
que possível, para a igualdade de género.
Aliás, foi esta questão, a da igualdade entre
mulheres e homens, que, há 19 anos, abriu as
portas para a constituição da cooperativa em
Setúbal.
24SETÚBALjaneiro|fevereiro|março12
Zeca passou por
aqui, pelo edifício
onde funcionou o
Círculo Cultural de
Setúbal. Enquanto
não abre as portas,
as obras da Casa
da Cultura podem
ser visitadas no dia
em que a revolução,
há 38 anos, saiu à
rua. O 25 de Abril
é comemorado em
todo o concelho
Música como educação
Projeto iniciado em 2011, o “Festival de
Música de Setúbal”, regressa entre 1 e 3
de junho para reafirmar o êxito alcançado
na primeira edição. Músicos de renome e
internacional partilham o cartaz do festival
com grupos, comunidades e escolas, fazendo de Setúbal, durante três dias, a capital da música. O certame, organizado pela
Câmara Municipal e pela Fundação Helen
Hamlyn, promove o envolvimento educativo, cultural e social das crianças do Concelho, tendo como ponto comum a música.
Revolução projeta cultura
plano
seguinte
O 38.º aniversário da Revolução dos Cravos é marcado pela visita às obras da Casa da
Cultura, projeto que só poderia nascer onde
funcionou o Círculo Cultural de Setúbal, que
teve Zeca Afonso como um dos principais dinamizadores.
A vista ao edifício da Rua Detrás da Guarda,
que é inaugurado dentro de poucos meses,
está marcada para a manhã do dia 25. Todos
são convidados a entrar no espaço que outrora foi ponto de encontro dos saudosos “Cantar José Afonso” e, agora, renovado, volta a
convergir diferentes áreas artísticas, não só
ao nível dos espetáculos como também do
ensino.
As comemorações do 25 de Abril começam na
noite anterior, às 21h30, no Largo da Misericórdia, com um espetáculo de João da Ilha,
seguido por Realejo. A partir da meia-noite,
a festa faz-se na Capricho Setubalense.
A Praça de Bocage acorda, a 25, às 09h00,
com o hastear da bandeira e o “tiro” de partida de mais uma edição do passeio de cicloturismo até à freguesia de Gâmbia, Pontes e
Alto da Guerra.
No Salão Nobre dos Paços do Concelho, às
09h30, realiza-se uma sessão solene da Assembleia Municipal, seguida de animação
dos alunos do 3.º ano da EB1 do Bairro Afonso
Costa. Entretanto, a Praça do Bocage, enche­
‑se de animação para crianças, com a participação da banda de música da Capricho e dos
Bela Batuque.
Depois da visita à futura Casa da Cultura, às
11h30, a evocação ao 25 de Abril faz-se, às
12h00, junto do Monumento à Resistência,
na Avenida Luísa Todi, com deposição de flores, seguindo-se o tradicional périplo pelas
freguesias do Concelho.
O programa de comemorações dos 38 anos do
fim de ditadura contempla, ao longo de abril,
várias iniciativas para diferentes públicos.
As memórias da revolução são contadas por
um dos protagonistas, Otelo Saraiva de Carvalho, que apresenta o seu livro “O Dia Inicial”,
dia 24, às 15h00, na Biblioteca Municipal.
O Auditório Charlot recebe, entre os dias 9 e
13, às 15h30, o ciclo “Cinema de Abril” para o
público sénior. O cinema vai também às escolas do ensino básico e secundário, com a
exibição de “48”, de Susana de Sousa Dias, a
26 de abril, e “Significado”, de Tiago Pereira,
a 3 de maio.
O programa integra, ainda, a 28 de abril, a
Tarde Intercultural no Museu do Trabalho
dedicada ao legado de Michel Giacometti, a
partir das 15h00, e a nova produção do Teatro
Estúdio Fontenova, “O cerco de palavras esculpidas nas memórias”, com estreia marcada
para 4 de maio.
O programa completo sobre as comemorações do 25 de Abril pode ser consultado em
www.mun-setubal.pt.
Concelho cada vez mais bonito
O espírito voluntário da campanha “Setúbal
Mais Bonita” está na rua desde 17 de março,
dia em que foi pintado o gradeamento do viaduto das Fontainhas por cerca de cinquenta
pessoas.
Nesta ação de lançamento da segunda edição
do projeto da Autarquia, que se realiza em
maio, participaram elementos da Companhia
de Bombeiros Sapadores de Setúbal e familiares, além de outros voluntários, nomeadamente utentes do Centro Comunitário de
S. Sebastião, grupo que executou pequenos
trabalhos de pintura em muros adjacentes ao
viaduto.
Os interessados em apresentar propostas de
intervenção, que devem incidir na pintura
de paredes e muros, recuperação de espaços
verdes e de fachadas de edifícios ou em reparações de mobiliário urbano, podem fazê-lo
até 15 de abril, enquanto as inscrições para
voluntários estão abertas até 15 de maio,
através do telefone 910 008 581, do endereço de e-mail setubalmais
[email protected],
de www.mun-setubal.pt,
na página do Facebook do
Município ou nas juntas
de freguesia.
Os trabalhos, cujos materiais são cedidos por instituições através do mecenato, decorrem a 18 e 19
de maio, em S. Lourenço,
Azeitão, prosseguindo no
dia 25 em estabelecimentos de ensino e a 26 e 27
nas restantes freguesias.
Maratona rumo a Londres
A prova de natação que atrai atletas de
todo o mundo disputa-se nos dias 9 e 10
de junho, em frente do Parque Urbano de
Albarquel. A “FINA Olympic Marathon
Swim Qualifier 2012”, competição mundial de topo de natação em águas abertas,
é uma das duas provas de apuramento para
os Jogos Olímpicos de Londres. A edição
do ano passado contou com a participação
de 63 nadadores de vinte países. A prova é
organizada pelas federações de natação internacional e portuguesa e pela Autarquia.
Artes evocam Sebastião
Duas exposições assinalam, no Museu Sebastião da Gama, as comemorações do 88.º
aniversário do poeta da Arrábida. As mostras são inauguradas a 10 de abril, às 21h00,
seguindo-se palestra sobre “Sebastião da
Gama e a arte”, por Baptista Pereira. Nove
obras doadas à Câmara Municipal por artistas são expostas na mostra “Os artistas e
Sebastião da Gama”. A outra exposição traz
poe­mas do autor para os amigos. Há ainda
um concerto de e-Vox, com músicas inéditas, dia 14, às 21h00, nos Paços do Concelho.
Festa de volta ao parque
O Dia Mundial da Criança e o encerramento do ano letivo são pretexto para uma
grande festa no Parque do Bonfim, entre os
dias 1 e 3 de junho. “Há Festa no Parque”
proporciona três dias diferentes, fora do
contexto escolar, a alunos, pais, avós, amigos e todos os que queiram aparecer por
lá. Diversão, jogos, música, dança, leitura,
workshop, pinturas faciais e aventura não
vão faltar no programa de atividades para
toda a família, organizado pela Câmara
Municipal de Setúbal e parcerias.
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Cidade recorda voz da coragem De comer e chorar por mais Março