A m a i o r m í d i a d a c o m u n i d a d e í t a l o - b r a s i l e i r a www.comunitaitaliana.com Ano XIV – Nº 109 ISSN 1676-3220 R$ 7,90 Rio de Janeiro, julho de 2007 Itália no Pan? Referência na organização de eventos esportivos, o país oferece tecnologia de ponta em detalhes que fazem a diferença Gabrielli: legado toscano no comando da Petrobras Andréa Moraes / Marcos Alexandre / Agência O Globo 42 CAPA PAN 2007 Italianos e descendentes marcam presença desde os preparativos para o evento até a prática dos esportes Economia Fenit a San Paolo si è svolta con la predominanza di stand cinesi in mezzo a rappresentazioni straniere..........................26 Editorial Namoro promissor.........................................................................08 Cose Nostre Empresários repudiam ação do embaixador Michele Valensise e enviam manifesto ao governo italiano...............09 Articolo Saúde A Síndrome da Classe Econômica afeta a circulação sanguínea de quem faz longas viagens de avião.....................................30 Attualità L’italiano cerca un leader politico....................................................13 Una sottoscrizione è creata dai discendenti di italiani per dare un basta alle lunghe file per la acquisizione della cittadinanza italiana.............34 Politica Coluna Milão Atualidade O tempo não pára No ano de seu centenário, Oscar Niemeyer comemora execução de projeto em Ravello 6 Tecnologia Passado à tona Pesquisadores criam programa de simulação que permite a visualização da Roma Antiga ComunitàItaliana / Julho 2007 52 Storia L´Eroe dei Due Mondi Italia e Brasile commemorano il bicentenario della nascita di Giuseppe Garibaldi 54 Turismo Vale do Café Nayra Garofle Gianni Versace é lembrado na capital lombarda e será nome de rua milanesa...........................................51 Divulgação 40 Divulgação 36 Bruno de Lima Documento di partnership strategica tra Brasile e UE favorisce negoziati in aree come energia e conservazione dell’ambiente..........16 Fazendas centenárias de oriundi, no Rio, promovem viagem de volta ao período cafeeiro COSE NOSTRE Julio Vanni FUNDADA EM MARÇO DE 1994 Diretor-Presidente / Editor: Pietro Domenico Petraglia (RJ23820JP) E VICE-DIRETOR EXECUTIVO: Adroaldo Garani Publicação Mensal e Produção: Editora Comunità Ltda. Tiragem: 30.000 exemplares Esta edição foi concluída em: 20/07/2007 às 12:30h Distribuição: Brasil e Itália Redação e Administração: Rua Marquês de Caxias, 31, Niterói, Centro, RJ CEP: 24030-050 Tel/Fax: (21) 2722-0181 / (21) 2719-1468 e-mail: [email protected] Editora adjunta: Paula Máiran SUBEDIÇÃO: Rosangela Comunale [email protected] Redação: Aline Buaes; Ana Paula Torres; Bruna Cenço; Fábio Lino; Guilherme Aquino; Nayra Garofle; Rosangela Comunale; Sílvia Souza REVISÃO / TRADUÇÃO: Cristiana Cocco Projeto Gráfico e Diagramação: Alberto Carvalho CAPA: Andréa Moraes/ Marcos Alexandre Agência O Globo Colaboradores: Braz Maiolino; Pietro Polizzo; Venceslao Soligo; Marco Lucchesi; Domenico De Masi; Franco Urani; Fernanda Maranesi; Giuseppe Fusco; Beatriz Rassele; Giordano Iapalucci; Cláudia Monteiro de Castro; Ezio Maranesi; Fabio Porta CorrespondenteS: Guilherme Aquino (Milão); Ana Paula Torres (Roma); Fábio Lino (Brasília) Publicidade: Rio de Janeiro - Tel/Fax: (21) 2722-0181 [email protected] Representantes: Rio de Janeiro - João Ricardo Matta Tel: (21) 8131-5821 [email protected] Brasília - Cláudia Thereza C3 Comunicação & Marketing Tel: (61) 3347-5981 / (61) 8414-9346 [email protected] ComunitàItaliana está aberta às contribuições e pesquisas de estudiosos brasileiros, italianos e estrangeiros. Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores, sendo assim, não refletem, necessariamente, as opiniões e conceitos da revista. La rivista ComunitàItaliana è aperta ai contributi e alle ricerche di studiosi ed esperti brasiliani, italiani e estranieri. I collaboratori e sprimono, nella massima libertà, personali opinioni che non riflettono necessariamente il pensiero della direzione. editorial ISSN 1676-3220 Filiato all’Associazione Stampa Italiana in Brasile ComunitàItaliana sse namoro entre a Petrobras e a Eni – assim definido o relacionamento por José Gabrielli, presidente da empresa brasileira de combustíveis – tem futuro promissor. Essa união pode promover um salto revolucionário de tecnologia no setor energético – tão afinada está no que se refere à emergência de uma solução menos desastrosa para o meio ambiente diante da demanda inevitável do mundo por combustível. Figura como bom presságio o fato de estar no comando das negociações, pelo lado brasileiro, um oriundo. O espírito empreendedor e audaz do presidente Gabrielli resulta, segundo o próprio, do legado toscano em seu sangue tão “brasileiramente” miscigenado. Sem dúvida, a aliança reflete o interesse mútuo no estabelecimento de uma política capaz da viabilização econômica de garantias para a sobrevida do planeta – por meio da produção de energia renovável e a conseqüente redução da emissão de gases poluentes. Essa preocupação inspirou, justamente, a realização em julho, no Rio de Janeiro, de um importante seminário sobre o tema, em meio a um encontro de todas as Câmaras de Comércio Italianas das Américas do Sul e Central. Eis assim, tão evidente, apenas um – embora um dos mais relevantes – entre tantos indícios concretos do nível progressivo da cumplicidade na relação Brasil-Itália. Mas o calor desse namoro se expande para muito além do campo dos inflamáveis. E mais velozmente se aquece o relacionamento com a elevação do status brasileiro ao nível de parceiro estratégico da União Européia, antes de tudo o reconhecimento do potencial econômico do país em franco desenvolvimento. Os líderes europeus decidiram, enfim, tratar o Brasil de forma diferenciada. Claro que foram determinantes a estabilidade da economia brasileira e o volume de trocas comerciais entre o país e o bloco mais ao Norte. Só no ano passado, esse intercâmbio comercial chegou a gerar quase € 43,9 bilhões. E a tendência, desde 2003, é de gradativa evolução dessa cifra, assim como do valor de recursos investidos no Brasil pelos países da UE, algo estimado em € 80 bilhões para 2007. Pietro Petraglia Reconhecida a legitimidade dos esforços mútuos de natuEditor reza meramente capitalista, há outra vocação nessa parceria estratégica de ordem muito mais urgente. Por exemplo, a inclusão do Brasil nas discussões para a definição de estratégias e de ações de combate à fome e à miséria em escala mundial, assim como para o planejamento de uma política de segurança pública internacional, de prevenção e combate à violência e à corrupção decorrentes da atuação das máfias multinacionais, das quadrilhas do crime organizado, especialmente no que se refere ao tráfico de drogas. Tais questões aparecem, no momento, apenas em segundo plano, entre tantos pontos do documento assinado, recentemente, pelos presidentes brasileiro e da Comissão Européia. Se faz óbvia, no entanto, a consciência de que se trata de um relacionamento complexo, por desigual, no que se refere ao perfil sócio-econômico de cada parte. No caso do namoro Brasil-Itália, ainda há que se promover o pragmatismo na solução de problemas básicos, como o das centenas de milhares de descendentes de imigrantes na fila dos consulados italianos, em espera interminável pela conclusão de processos envolvendo pedidos de cidadania. Também os empresários oriundi vêm pedindo mais apoio da Embaixada da Itália no seu esforço de empreendedorismo no país. Queixas à parte, a hora é de comemoração. Trinta milhões de ítalo-brasileiros integram a torcida pela vitória dos competidores nacionais nos Jogos Pan-americanos 2007, muitos deles com sobrenome de imigrantes. Não bastasse o clima de euforia coletiva, o evento esportivo não deixou a dever em qualidade a qualquer outro, de nível internacional, tanto em organização, como em estrutura. E, para esse sucesso, o PAN contou com a participação de empresas com sede na Itália, uma referência internacional nessa área. A atleta em pirueta na foto da capa desta edição, por sinal, a brasileira Juliana Veloso, só sentiu segurança para competir depois que a italiana Mondo providenciou um piso antiderrapante para a plataforma e o trampolim destinados aos saltos ornamentais. Vale voltar a dizer: esse namoro tem futuro! Boa leitura! R oberto Colannino, presidente da Piaggio, vem desenvolvendo um projeto inovador de um triciclo com motor híbrido a ser fabricado no Brasil. A idéia é “melhorar o problema do trânsito urbano das cidades, que sofrem com a poluição e a falta de espaço”. O produto é desenvolvido em colaboração com a Universidade de Pisa. O Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, e o Coliseu, em Roma estão entre as Sete Maravilhas do Mundo Moderno. Dentre os vencedores, cidadãos do mundo inteiro também escolheram a muralha da China, o Taj Mahal na Índia, a cidade de Petra, na Jordânia, as ruínas incas de Machu Picchu, no Peru, e a antiga cidade maia de Chichen-Itza, no México. Eni dispensa paletó Só para mulheres E m nome do combate ao aquecimento global, os funcionários da principal companhia do setor energético da Itália, a Eni, não trabalham mais vestidos com paletó e gravata. A justificativa, segundo a empresa, é a grande quantidade de energia elétrica desperdiçada com o uso do sistema de ar condicionado. Nos escritórios de Milão, a Eni estima economizar nos meses de verão 217 mil Kw, o equivalente a uma redução de 9% no consumo habitual de energia pela empresa. Diva aos 80 E terna cigana Esmeralda, ao lado do galã Anthony Quinn, na versão hollywoodiana de O corcunda de Notre Dame de 1956, Gina Lollobrigida completou 80 anos, no dia 4 de julho. Após longa carreira de sucesso como atriz, a diva do cinema se dedica há tempos à fotografia e à escultura, mas pensa em escrever uma autobiografia. Ela nasceu em Subiano, perto de Roma e é graduada em Belas Artes. Em 1947, ganhou o terceiro lugar no concurso Miss Itália. Niccolo Ammaniti O R Ansa Diretor: Julio Cezar Vanni 8 Que beleza! Triciclo híbrido A presentado em Turim, no último dia 4, a nova versão do Fiat 500, um resgate nostálgico do design do modelo cinqüentenário, aliado à tecnologia de ponta. Houve realização de festas por toda a Itália, mas o principal pólo de comemorações foi Turim, onde o presidente da Fiat, Luca Cordero di Montezemolo, e o primeiro-ministro Romano Prodi, promoveram o lançamento oficial, na pista de Lingotto. O velho 500 nunca deixou de fazer parte do imaginário das famílias italianas. A fábrica Tychy, na Polônia, vai produzi 120 mil unidades por ano. Já há 25 mil encomendas antecipadas do novo Fiat 500. O preço deve ficar entre € 10 mil e 11 mil, na versão básica do Cinquecento. Em nome do sacrifício T alvez poucos saibam mas, desde 2003, no dia 8 de agosto, é lembrado o sacrifício do trabalho italiano no mundo. A data foi instituída pelo governo italiano. Justa homenagem aos milhões de italianos que, até por motivos de sobrevivência, deixaram a terra natal em condições desastrosas para uma viagem sem retorno pautada pela esperança de uma vida melhor. escritor Niccolò Ammaniti sagrou-se vencedor da 61ª edição do Prêmio Strega - principal reconhecimento, na Itália, de talentos no campo da literatura. O novo romance de Ammaniti, Come Dio comanda, garantiu 144 do total de 356 votos concedidos pelo júri. O autor conquistou projeção internacional após o lançamento de Não tenho medo (“Io non ho Paura”), em 2001. iccione, no norte da Itália, abriu uma praia exclusiva para mulheres. Homens estão proibidos de freqüentar o lugar conhecido como praia “cor-de-rosa”. Toda a infra-estrutura foi concebida de modo a promover o bem-estar e o conforto do sexo feminino. No bar e no restaurante, nutricionistas elaboram cardápios e coquetéis que não prejudicam as dietas. E há cursos de cozinha e aulas de ginástica, além de serviços de cabeleireiros, esteticistas, manicures e maquiadores à disposição. Clooney se alia a italianos O ator norte-americano George Clooney, dono de uma casa em Laglio, às margens do lago Como, assinou petição que tem por objetivo bloquear futuros empreendimentos na cidade. O astro se aliou a vizinhos para protestar contra planos de construção de estacionamentos e de uma ponte flutuante. Esta, por sinal, passaria perto da casa de Clooney. As obras atenderiam ao projeto do prefeito local de tornar a cidade mais acessível a turistas. Manifesto O ito empresários de Brasília encaminharam uma carta ao Ministro das Relações Exteriores da Itália, Massimo D’Alema, reclamando da ação do embaixador Michele Valensise. Encabeçado pelo empresário Antonello Monardo, eles acusam o embaixador de atrapalhar os negócios, de não promover a integração e fazer perseguição. Entretanto, a embaixada afirma que recebeu dezenas de e-mails em solidariedade a Michele Valensise. Entretenimento com cultura e informação / Julho 2007 Julho 2007 / ComunitàItaliana 9 opinião serviço agenda cultural frases “Eu acho que o Brasil é um país sui generis. O único país em que os brasileiros falam mal do Brasil lá fora. Você não vê um suíço falar mal da Suíça, você não vê um italiano falar mal da Itália, mas os brasileiros adoram falar mal”, “Foi um péssimo ano, mas assim é a vida. O maior erro foi pensar demais em meus problemas. Espero trabalhar e sair dessa situação”, Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Corcovado, ao pedir que os brasileiros votassem no Cristo Redentor para se tornar uma das sete maravilhas do mundo. Adriano, jogador brasileiro da Inter de Milão, que espera marcar cerca de 20 gols em sua próxima temporada na equipe italiana. Marisa Bafile, deputada italovenezuelana, impegnata nella conscientizzazione degli italiani sul potere della cultura creata dai cittadini residenti all’estero nei paesi in cui risiedono. baile e apresentações, o evento é organizado pelo Grupo de Cantoria Italiana Stella D´Italia, com apoio da Prefeitura Municipal de Garibaldi, da Secretaria de Turismo e da Câmara Municipal de Vereadores da cidade gaúcha. Data: 18/08/2007. Local: Salão Santo Antônio, Bairro Champanhe, em Garibaldi, Rio Grande do Sul. Informações: (54) 3462-1799. Vozes de Mulheres: peça teatral com a atriz Marilena Bibas, a percursionista Cacá Martinelli, na estante a violinista Frida Maurine e direção de Ivan Tanteri. O texto reúne trechos de depoimentos, cartas de mulheres e fragmentos de textos de autores brasileiros e estrangeiros, narrando os sentimentos das mães que vêem os seus filhos tragados pela loucura dos conflitos políticos e sociais. Até 8 de agosto. Local: Teatro do Leblon - Sala Tônia Carrero - Rua Conde Bernadote, 26. Terças e quintasfeiras às 21h. Informações: (21) 2274-3536. Vencedores – Exposição de Artes Plásticas: enquanto acontece o PAN 2007, os escultores Deise Mazziotti e Saramago, e os pintores Badia, Baruzzi, Bernardii, Camões, Marina Costa, Shyrley Cabral e Thereza Toscano apresentam suas obras em homenagem aos esportes. Até o dia 30 de julho. Local: Hotel InterContinental, São Conrado, Rio de Janeiro. Avenida Prefeito Mendes de Morais, 22. Das 10h às 22h. Informações www.mundointerior. com.br ou (21) 3322-4376. click do leitor Arquivo pessoal Fabio Capello, tecnico italiano sostituito dal tedesco Bernd Schuster al comando del Real Madrid. “Fino a quando gli italiani non si renderanno conto della forza della terza cultura che si è creata nei nostri paesi, non ci vedranno mai come un patrimonio da consolidare, ma sempre come un problema”, Fotos: Divulgação “Ho avuto proposte per lavorare negli Stati Uniti, ma ci devo ancora pensare. Sarebbe una nuova esperienza, che è motivante non solo per i soldi, ma per vedere se qualcuno riesce a far decollare il calcio di là”, As formas frágeis – técnicas mistas: a exposição apresenta uma seleção de obras, sobre papel, que ilustram pesquisa de Melchiorre Napolitano sobre o panorama da abstração, sem as inquietações do experimentalismo. Até 10 de agosto. Local: Instituto Italiano de Cultura de São Paulo (IIC-SP) - Rua Frei Caneca, 1071, na capital. De segunda a sexta-feira, das 10h às 20h. Informações: (11) 3285-6933. IX Encontro de Cantoria Italiana e I Encontro de Coros: com jantar, enquete O Vaticano divulgou que a Igreja Católica é a única querida por Cristo. Você concorda? Não - 61.5% Sim - 38.5% Enquete apresentada no site www.comunitaitaliana.com entre os dias 10 e 13 de julho. Itália cria praia exclusiva para mulheres. Você acha que: 83.3% - É uma forma de discriminação para com os homens. 16.7% - É um meio de proteger a integridade da mulher. Enquete apresentada no site www.comunitaitaliana.com entre os dias 26 e 29 de junho. ERRATA: Diferentemente do que foi publicado na última edição, O Tempo Anda a seu Favor, de Helion Povoa, Andréa Araújo e Lucia Seixas, trata sobre os avanços da ciência e como estes podem aumentar a qualidade de vida, até na terceira idade, com mais saúde e beleza, trazendo novidades em pesquisas e teorias sobre a longevidade humana. Editora Objetiva, 172 págs.; R$ 24,90. 10 ComunitàItaliana / Julho 2007 Trabalho ou emprego? Dividido em quatro capítulos, esse estudo de Noêmia Lazzareschi trata das diferenças entre trabalho e emprego, além de possibilitar ao leitor o conhecimento sobre as mudanças ocorridas no mercado de trabalho a partir do século 20 e as exigências que o mercado impõe na hora de contratar um funcionário. Paulus, 96 págs.; R$10. Vida Líquida. O livro de Zygmunt Bauman volta ao tema da fluidez da existência contemporânea. Por conta disso, com base no que é descartável e efêmero, a obra mostra um resumo dos efeitos que a atual estrutura social e econômica gera na vida, seja no amor, nos relacionamentos profissionais e afetivos, na segurança pessoal e coletiva, no consumo material e espiritual, no conforto humano e no próprio sentido da existência. Jorge Zahar Editor, 212 págs.; R$ 36,00. cartas “S ono un Satrianese che ama il Brasile e ‘consegue falar e compreender o brasileiro’. Ho avuto modo di leggere l’articolo su Satriano di Lucania e per questo ringrazio per l’attenzione che avete voluto dare al nostro “morro”. Comunque “obrigado e não esquece da gente”. E m abril levei minha mãe à Itália porque era o sonho dela conhecer o Vaticano. Aproveitamos e viajamos por vários lugares e um deles foi Veneza. Iniciamos nosso passeio com “vaporetto”, que percorre os canais para chegar na Praça de São Marcos, onde visitamos vários monumentos. Não poderíamos deixar de fazer um passeio de gôndola. Registramos cada momento, inclusive esta foto com o canal ao fundo. Fica aqui, este breve relato recheado de lembranças fartas desse lugar maravilhoso! Lucimar Cardozo — Vila Velha, ES Mande sua foto comentada para esta coluna pelo e-mail: [email protected] “A lém de todo o conteúdo da revista, posso dizer que adoro a seção de frases. É uma forma de estar informada sobre o que as principais personalidades andam falando por aí. A entrevista com Silvério Bonfiglioli, da Magneti Marelli, foi ótima. De conteúdo atual, todos os assuntos abordados foram pertinentes” Rocco Cavallo, por e-mail Francesca Romano, Rio de Janeiro, RJ — por e-mail Julho 2007 / ComunitàItaliana 11 opinione 12 Grupo Keystone L e oscillazioni del prezzo internazionale del petrolio, il consumo mondiale in costante ascesa, la carenza di consistenti e rapide alternative energetiche, i giganteschi interessi dei produttori con gli inevitabili risvolti politici, hanno inciso profondamente sulle vicende internazionali degli ultimi anni. Il prezzo del barile di petrolio, prescindendo dalle nevrosi degli anni ’70 successivamente rientrate ma solo considerando l’ultimo ventennio, era intorno ai $20 fino al 1998 quando era sceso addirittura a $12. Poi, a seguito dell’invasione statunitense dell’Iraq, il prezzo è rimbalzato a $35 per poi progressivamente aumentare, sempre con forti oscillazioni, aggirandosi attualmente sui $60/70. Fattori di destabilizzazione dei prezzi sono: l’immenso fabbisogno USA per metà importato con rapido esaurimento dei giacimenti nazionali, il boom asiatico capeggiato da Cina ed India, la politica di tensione tra l’occidente ed il mondo musulmano finora detentore delle maggiori riserve mondiali. Inoltre, in quasi tutti i paesi e soprattutto in Europa, l’alto prezzo del petrolio porta assurdamente a benefici elevatissimi alle loro critiche finanze pubbliche, in quanto l’incidenza fiscale sulla vendita dei carburanti ed altri derivati è dell’ordine del 70%. Quindi se, per assurdo, il petrolio dovesse venire in breve sostituito da nuove fonti energetiche sicuramente assai più care e che dovrebbero essere all’inizio sovvenzionate, gli Stati andrebbero rapidamente in bancarotta. Parallelamente agli studi sulle fonti energetiche alternative stimolate dai crescenti allarmi ambientali ed effettuati con risorse limitate, vengono applicati investimenti ben maggiori alla ricerca di nuovi giacimenti di petrolio da parte delle potenti multinazionali del settore e dei governi di paesi leader mondiali, quali USA, Russia e Cina. Il problema è complesso e moltissimi casi potrebbero venire citati. Mi limiterò quindi a dare qualche notizia su un’operazione in corso, di cui si sente poco parlare, ma che è economicamente di grande rilevanza. Dall’Iraq al Canada Un’operazione in corso, di cui si sente poco parlare, ma che è economicamente di grande rilevanza Franco Urani Ad inizio 2003, gli Stati Uniti ed alcuni loro alleati attaccarono l’Iraq adducendo pretesti comunque mai comprovati di esistenza di armi segrete e alimentazione del terrorismo mondiale. Il presumibile principale obiettivo del Governo USA, peraltro mai ammesso, era di mettere le mani sui ricchissimi e poco sfruttati giacimenti di petrolio di quel paese, per sottrarsi a possibili ricatti dei paesi arabi ed anche con la speranza di fare dell’Iraq un paese democratico ed amico, di favorirne il progresso economico, ComunitàItaliana / Julho 2007 di portarlo nella loro orbita con auspicabili influenze positive anche sugli Stati circostanti. Il disastro dell’operazione Iraq è noto a tutti (solo Dio sa come ne verranno fuori gli USA) e gli effetti sono stati ingenti investimenti per sostenere quella che avrebbe dovuto essere una guerra lampo, crescente impopolarità, aumento del terrorismo, cospicue perdite umane, forti aumenti del prezzo del petrolio. Peraltro gli USA, inguaiati in Iraq, non hanno rinunciato al programma fondamentale per la loro economia di ottenere all’estero una solida base per le forniture di petrolio essenziali per la loro economia ed hanno trovato la soluzione nel confinante Canada, nella parte settentrionale dello Stato di Alberta, situato nel centro-ovest del paese, dove da tempo si sa che esistono vastissimi giacimenti di bitume, ricoperti da foreste di conifere. L’estrazione del petrolio dal bitume è un processo complesso e caro, consistente nell’asportazione della foresta, poi dello strato arabile del terreno, estrazione del bitume e trasporto con giganteschi autocarri agli impianti di separazione del petrolio, con smaltimento dei voluminosi residui di lavorazione nelle acque circostanti. Un altro sistema pure applicato è di estrarre in loco il bitume sciogliendolo con enormi trivelle che iniettano vapore. I danni all’ambiente per il disboscamento, deposito di residui, consumo ed inquinamento delle acque sono certamente assai più elevati rispetto all’estrazione tradizionale del petrolio ed il costo tocca i $ 23 al barile. Fattori determinanti sono i seguenti: i giacimenti di Alberta sono ben più ricchi di quanto si pensasse e vengono ora valutati in 2,5 trilioni di barili di petrolio, dei quali oltre 170 miliardi economicamente recuperabili, quindi tra i maggiori mondiali; il Canada è un paese amico che non frappone alcuna difficoltà all’operazione, prevedendo per i produttori sgravi e incentivi fiscali con pagamento di royalties di appena l’1%; il 75% del petrolio estratto ha destinazione con i confinanti USA. Questa rischiosa operazione bitume che si sta sviluppando è stata iniziata alla grande da tutte le principali multinazionali petrolifere (ad eccezione di BP e AGIP) nel 2003, non appena il prezzo del barile petrolio ha toccato i $ 35 e si è visto che la guerra in Iraq diventava problematica. Insomma, il paradosso è che il fiasco in Iraq ha fatto sì che gli USA trovassero la loro sicurezza energetica nella porta accanto del Canadà, potendo forse questa circostanza favorire soluzioni di pace nel medio oriente asiatico la cui importanza economica diminuirebbe alquanto. Diogene italico L´italiano cerca un leader politico G recia antica. Diogene, nudo, coperto da una botte, munito di lanterna, cercava un uomo onesto nelle vie di Atene. Italia di oggi. L’italiano cerca un leader politico. Non ha la lanterna, ha il voto, ma non lo usa come vorrebbe, perché non c’è tra i candidati l’uomo che cerca. Ma ne conosce perfettamente il profilo. Il politico che cerca è giovane, ha una storia fatta di studio, di lavoro, di onestà e di integrità morale. Ha una forte leadership naturale, rafforzata dalla sua storia. Ha carisma. Ha il coraggio di dire agli italiani che la situazione è grave e che essi devono, tutti insieme, iniziare un lungo cammino, pieno di sacrifici, per pagare il debito sociale, il debito pubblico, gli errori, gli egoismi corporativi, le scelte sbagliate, il lassismo, la tolleranza, i troppi compromessi, eredità dei nostri governi passati. È difficile dire queste cose a un popolo che già soffre, ma il nostro uomo sa di poterle dire perché la gente ha fiducia in lui. Non è attaccato alla poltrona e non “Non ha la lanterna, ha il voto, ma non lo usa come vorrebbe, perché non c’è tra i candidati l’uomo che cerca. Ma ne conosce perfettamente il profilo” Ezio Maranesi ha timore di perderla. Dice con parole semplici cose che tutti possono capire; sa che la gente lo ascolta, lo capisce e lo vota perché è l’uomo che può cambiare una Italia che ha bisogno di essere cambiata. Non accetta il ricatto politico delle ali estreme. È deciso e autorevole. Ha il coraggio di affrontare il problema dell’assurdo costo della pubblica amministrazione: chiude le provincie e migliaia di enti pubblici inutili, riduce il numero dei parlamentari, riduce i loro incredibili benefici. Ha il coraggio di affrontare il problema dell’efficienza dell’esecutivo, del legislativo e del giudiziario, misurandosi con le forze sindacali più ottuse. Ha il coraggio di impegnarsi per ridurre gli sprechi e l’assurdo costo della politica e dei politici: se avete letto “La Casta”, di S. Rizzo e G. Stella, Rizzoli 2006, lettura che avvilisce e disgusta chi paga le tasse, vi rendete conto quanto coraggio sia necessario per affrontare questa gigantesca piovra. Affronta lo spinoso problema delle pensioni, sapendo che dovrà prendere decisioni gravi e impopolari. Risolve se la TAV, la base NATO di Vicenza, le centrali nucleari s’hanno da fare oppure no, e una volta presa la decisione l’argomento è chiuso. Non accetta l’inerzia di Bassolino che inonda Napoli di rifiuti: risolve. Non accetta che la Salerno-Reggio Calabria continui per decenni ad essere un cantiere. Non accetta le influenze mafiose, l’evasione fiscale, il degrado ambientale, l’analfabetismo informatico, il lavoro nero. Non accetta che l’Italia, che fu grande, che può essere grande, continui nel suo declino sociale, economico e, inevitabile conseguenza, morale e culturale. Questo politico non è un duce; non potremmo ritornare su certi cammini. Quest’uomo (uomo o donna che sia, s’intende) deve esistere; quella grande parte di Italia che ha buonsenso e sani principi deve aver partorito figli di questa fibra. L’intellighenzia definisce qualunquiste, in chiave dispregiativa, tali opinioni, ispirate a semplici criteri di buonsenso certamente condivisi dalla maggioranza silenziosa che poco ama e pratica la politica. E liquida la questione in modo sbrigativo definendo antipolitica questo desiderio di risveglio delle coscienze. Esercitare la politica è vitale nel cammino di un paese democratico. Fare di essa un mestiere lucrativo significa però accettare compromessi per tenersi la poltrona, il potere e le opportunità che esso offre, costi quel che costi alla collettività. La politica, intesa nel giusto senso, è valutazione di ciò che il popolo vuole, è scelta, è decisione, con un progetto chiaro di progresso, nel senso più ampio del termine e nell’unico interesse degli italiani. Il nostro uomo valuterà, sceglierà e deciderà, dopo aver spiegato alla gente che la nostra terra ha due cammini possibili: svegliarsi, reagire, essere protagonista di una rivoluzione culturale che superi il conservatorismo delle destre Julho 2007 / e delle sinistre, con l’obbiettivo di diventare un grande paese moderno, oppure continuare il triste spettacolo che oggi è sotto gli occhi di tutti, ove la politica si limita a cercare di tappare alcuni buchi, e neppure vi riesce. È il cammino sicuro verso un amaro declino. ComunitàItaliana Reprodução opinione 13 opinione marco lucchesi / artigo Vacanze italiane Diário de um Tradutor Quando turisti e stereotipi viaggiano insieme... Fabio Porta rista italiano, anche se ancora ben al di sotto di altri Paesi e, soprattutto, del suo enorme potenziale di attrazione turistica. Le responsabilità di questo ritardo sono probabilmente dovute ad una storica mancanza di programmazione e incisività delle politiche promozionali pubbliche brasiliane in questa direzione, come anche a serie carenze infrastrutturali e a non secondari problemi legati alla sicurezza, in particolare nelle grandi metropoli. Sono però convinto, e non si tratta soltanto di un’impressione personale, che il vero grande responsabile per il mancato ‘boom’ turistico del Brasile in Italia e nel mondo sia ancora e, nonostante tutto, lo stereotipo e il pregiudizio culturale con il quale questo Paese viene descritto all’estero, a partire dall’immagine che del Brasile danno i grandi organi di informazione. Non faccio più caso, dopo oltre dieci anni di vita da queste parti, all’italiano che sbarca a Guarulhos o al Galeão e che – dopo qualche giorno di Brasile – dice innocentemente: “È molto diverso da quello che mi aspettavo”. Primo tra tutti la qualità del ‘capitale umano’ brasiliano, in testa agli item di apprezzamento del Paese espressi dalla stragrande maggioranza dei turisti; ma anche la gastronomia, piacevolmente sorprendente per ricchezza e sapore; senza parlare della stessa ricchezza storico-culturale oltre che naturalistico-ambientale di quello che in realtà è un vero e proprio continente. Ma, strano ma vero, sono anche queste dimensioni a sorprendere. Mi sono ritrovato tra le mani qualche settimana fa una pubblicazione ufficiale del Ministero del Lavoro italiano, nella quale venivano presentati i progetti a favore degli italiani all’estero: anche la mappa dell’America Latina era distorta, con un Brasile proporzionalmente poco più grande dell’Argentina, più piccolo dell’Egitto… Sembrano banalità, ma non lo sono. Questo tipo di gaffe dimostra quantomeno la pressappochezza e la superficialità con la quale spesso ci si relaziona a certi fenomeni, e – in primo luogo – alle politiche per gli italiani all’estero. Quanti italiani sanno che i brasiliani sono quasi 190 milioni, dei quali almeno trenta hanno nelle loro vene il sangue di un antenato nato nella nostra penisola? Sicuramente pochi. Provate a fare un test, chiedendo ad un giovane italiano quali sono i tre o quattro Paesi dove si concentra il maggior numero di oriundi; vi risponderà, nell’ordine: Argentina, Stati Uniti, Australia e Canada, passando eventualmente per un riferimento dovuto, ma più scontato, a Svizzera e Germania. Cosa c’entrano adesso le ferie di agosto con la presenza degli italiani all’estero, i programmi del governo italiano con le vacanze sotto l’ombrellone di 60 milioni di italiani? Il nesso potrà anche non essere immediato ma c’è, e il discorso potrebbe essere esteso ad altri piani, a quello dei rapporti commerciali ed economici ad esempio, ma anche agli scambi culturali ed accademici, e potremmo andare avanti in molte direzioni. Alla base di tutto, infatti, esiste il pericoloso virus del pregiudizio, dello stereotipo o cliché, tutte malattie che per anni hanno colpito proprio l’Italia, che solo il recente periodo di integrazione europea ha emancipato dalla facile ed offensiva immagine di Paese ‘del mandolino e degli spaghetti’. E’ per questo che proprio noi, italiani all’estero, dovremmo stare attenti alla riproposizione e all’applicazione di immagini stereotipate e culturalmente viziate verso i Paesi di nostra emigrazione, nella difesa di un principio ideale valido per noi italiani, ma a maggior ragione per tutti i popoli del mondo. Chissà che tanti dei nostri problemi non derivino proprio da questo ‘vizio d’origine’. Per questi motivi l’informazione è importante, a partire da quella “di ritorno”, indirizzata cioè verso gli italiani d’Italia, nostri fratelli d’oltreoceano, troppo spesso disinformati o – peggio – male informati. o com Ampliand . s e n o s gadas in e 6 a. Madru penas a d 4.11.200 om a língua pers c as, cito a c o il, ti fi á im a s m s s . A ra o ra g Ho e as 852. O tr cabulári 1 n o e e v D d o . o s e ã E d n. o ediç arrábio ferocida te anos, lwell-Suto E elhos alf in v v e d e e d d r, a e is m Valho-m da há ma ian gram – compra mitações. A pers shani. a K ru p Chodzko li n tantes. hr Arya isadas e e v h c s u a n u terras dis s a M m e e s com s te a n o de Abb lançar po dicionári ajudam a o rc tu o be e e 06 om o ára mentos d 11.11.20 xicais do farsi c a. Há mo oe rs ã e le d p li s o o e s d d e a núncia Afinid ento d ro m p ti a n h utível. e s in ar a m ua. Um ilha irred iz g a b n lí m ra u a a s o m e 6 d u d 0 n e 12.11.20 ologias. E procuro de aprendizado d ar. Cada palavra se s g m e io ti h g e c o tá a s ig e m rs s Pe iro mora nos prime âncias de desespero ilidade. As conson mais ab s línguas incomunic que é da , o rc tu o ossível d tinguir uase imp mpridar. q o c o n e m e o ara as dis ara c r p a o n – rt ti e s a lu p g rt e p a cu ce nem d 06 siste em da China s tremas 23.11.20 língua persa con ldade não se pare Gosto da ginar a passagem e s . e e ç u q rk a u tü m d oite e do öz to ima ja dific n n s u c a te ta n , O desafio s e e s ri a rt – u teir ta ática fo parei. es dos p plas fron e aparen Uma gram m as quais me de – sem as restriçõ mente s a das am a v v ro ti p la r o a a c re d rc l a a tu rochosas s, como com a qu a língua o é bela húngaro, as de suas palavra lo e e sua p s a Mas com música d ravan a a raticad c p , , s to s a a n g a g n c n das lo do das lo ento e ad a, partin a língua. canto, ac u e s o a Anatóli s s o e rvid istória d ias, abso eita. perde a h desinênc s o imperf a ia em s tã a a d u a g lh n a lí b a ra a se espra h T rs in . e s p m 6 o 0 n ia m e 0 e g lo pouco m 30.11.2 desenhar : a etimo ssusta um eça a se s-cabide) ra v la a p O persa a ima e suave com ( au words bérr dicção li portmante r a rsa, rm fo põem (pe i para m rs o fa c o o d e 6 e u q 2.12.200 bre a possibilidad camadas so e as três u , q o k : z a d rc o u h T C Academia direções. mbros da ... múltiplas e m s n u tra alg inante dizer con 6 ama fasc u de ü. 3.12.200 o turco é preciso ) perfazem uma tr s, vestidas de u o s finais. . d a a es e eme a it rr rc z d e e tu ssenciais u s te s q u n a e ri e s Da blimes, e , como , com u s s ropriam s a a p , s s rs s a e e ra rc p p u s s d tu ,e as oa árabe e noturnas uas form tes, com escuras, s, rutilan origem árabe, e s o rd a c ro Palavras b e çado de seda e omo as d lâmina c Palavras quando in , e a rs ra e d e p p l de ina Palavras es o orig uitas vez rão. m a in la 07 gua ap o Alco 14.01.20 rabe em nossa lín mente tomados d á ta a e ç ir ind fundeza. A heran . igor e pro direta ou a v s rs e e to d p n e ia o e m e ch de ele , o árabe a porosa, dúctil, : o turco u is g a n s lí is a b a m 7 u s 0 a a 15.01.20 uas de três língu oesia de Rūmī cri p ág a s , a s n re a o d m Na ses ência des Na conflu u jardim, vemos te lho. o ã n e u oq rva ado de o Faz temp rciso bêb o te defendes. a n u te . com egred semblante ens em s mos teu e Dos hom v o ã n o que Faz temp 07 . 12.04.20 o, rogai por mim im n rô e J São Julho 2007 / ComunitàItaliana Editoria de arte G li italiani vanno in vacanza; tutti, o quasi, ad agosto. Anche se ogni anno sono sempre di più quelli che non possono permettersi un lungo periodo di ferie, le vacanze estive continuano a rappresentare per l’Italia un altro di quei tanti ‘tratti peculiari’ che distingue ancora oggi e, nonostante la globalizzazione dei costumi e dei modi di vita, l’italiano dal tedesco o dal francese, dal canadese o dal giapponese… Provate a fissare un appuntamento di lavoro in Italia ad agosto, o a programmare a fine luglio un’attività di carattere professionale: vi osserveranno come se foste dei matti, e gentilmente vi diranno “se ne parla a settembre”… Sí, anche il Brasile ha le sue lunghe vacanze estive, la sua lunga serie di ‘feriados’, anche qui si suole dire che “l’anno inizia dopo il carnevale”, ma nulla si compara al “chiuso per ferie” dell’agosto italiano e nessuna data è più sacra per i vacanzieri di tutto il mondo del ‘ferragosto’ italiano, data fatidica (il 15 agosto) quando l’Italia si ferma. Gli italiani, dicevamo, vanno in vacanza. Sempre più all’estero, per non perdere le buone abitudini di un popolo di navigatori e viaggiatori da sempre, e – non a caso – protagonista di migrazioni memorabili. Il Brasile negli ultimi anni è entrato a far parte del ristretto numero di mete preferite del tu- Diário da tradução dos poemas do Rumi, na comemoração de seus oitocentos anos de nascimento. Fragmento do livro inédito O canto da unidade, que organizei com Faustino Teixeira e Leonardo Boff. 15 Grupo Keystone 16 Un’azione d’insieme di combattimento alla povertà, grazie ad un meccanismo triangolare Unione Europea-Brasile-Africa potrebbe essere il primo risultato che si intravede nel contesto politico di questa alleanza. Lo studio di fonti alternative di energia dovrà anche coinvolgere, ora più che mai, lo sforzo comune di cooperazione per il rafforzamento del multilateralismo e per la lotta contro gli effetti del riscaldamento globale. — Brasile e Unione Europea possono ora iniziare a mettere in pratica un bisogno che ho messo in risalto nel Vertice G8 (gruppo delle sette nazioni più poten- ComunitàItaliana / Julho 2007 ti del mondo più la Russia). Le grandi questioni globali, come il commercio, i cambiamenti climatici e la sicurezza energetica, non possono essere discussi in piccoli gruppi limitati, che non considerino la posizione dei grandi paesi in via di sviluppo. Se vogliamo veramente costruire un mondo migliore, dobbiamo stimolare il dialogo e la cooperazione tra il Sud e il Nord sui principali temi dell’agenda globale — ha affermato il presidente Lula. Tra le circostanze che hanno portato l’Unione Europea alla decisione di offrire un trattamento distinto al Brasile c’è l’attuale condizione di stabilità della maggiore economia sudamericana. Secondo la Commissione Europea, il paese emerge come il principale partner commerciale del blocco in America Latina. L’intescambio commerciale, in questo caso, ha totalizzato € 43,9 miliardi (quasi US$ 60 miliardi) l’anno scorso. Gli scambi commerciali stanno aumentando dall’inizio del governo Lula, nel 2003. Inoltre, il Brasile è destino di investimenti stranieri dei paesi della UE per un valore stimato di € 80 miliardi per il 2007. Gli investimenti europei in Brasile superano già i valori concessi a Russia, India e Cina insieme. Lula ha approfittato la visita a Lisbona per mettere in luce le possibilità di investimenti che si aprono in Brasile con il Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), inaugurato in gennaio. Ricardo Stuckert popoli, per esempio, grazie a interscambi nell’educazione universitaria, o alla promozione di partnership nella ricerca e sviluppo — afferma Pacheco. Presidente della Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, nel biennio 2007-2009, il senatore Heráclito Fortes corrobora questa visione: — Abbiamo sempre avuto, nell’Unione Europea, un partner speciale, non soltanto dovuto al commercio bilaterale, ma anche grazie ai legami di amicizia che hanno reso questo rapporto più stretto. Abbiamo visto che il Vertice, recentemente realizzato, Brasile-Unione Europea è stato dominato da argomenti di natura commerciale, soprattutto nel ten- tativo di riprendere il Doha Round dell’OMC, ma c’è una gamma interminabile di temi nella nostra agenda. Tra cui uno che passerà ad avere sempre più importanza, che è quello dei biocombustibili. Lo status di partner privilegiato concesso al Brasile può facilitare le relazioni a vari livelli, come la creazione di un’area di libero commercio con il Mercosud, secondo il senatore. Ma ha esternato una riserva: — Credo che dobbiamo avere un atteggiamento pragmatico, stando attenti affinché non si rimanga dipendenti di un unico partner e, in questo senso, far divenire più forte e diversificato questo rapporto dev’essere una priorità della politica estera brasiliana. Risultati: Partnership strategica Nel documento firmato viene definita l’analisi di strategie comuni per affrontare le sfide mondiali, tra cui la pace, i diritti umani, l’esclusione sociale, le minacce all’ambiente e lo sviluppo sostenibile. Negoziati UE-Mercosud Il documento firmato a Lisbona riafferma l’impegno di ambedue le parti di concludere il processo di avvicinamento. La possibilità di un accordo di associazione tra i blocchi è rimasta più distante dovuto all’allontanamento tra le posizioni del Brasile e dell’Europa nei negoziati commerciali. Cambiamenti climatici Posizioni comuni tra il paese e il blocco economico favoriscono numerose iniziative d’insieme, come le azioni proposte nel Protocollo di Kyoto e anche progetti concreti, in particolare nell’area dei biocombustibili ed altre fonti energetiche rinnovabili. Julho 2007 / Reprodução L’ Unione Europea ha appena eletto il Brasile come partner strategico. Firmata in un documento dai due presidenti del Brasile, Luiz Inácio Lula da Silva, e della Commissione Europea, José Manuel Durão Barroso, questa partnership innalza il paese ad uno status privilegiato nelle sue relazioni con il blocco dell’Emisfero Nord. Si rafforza, nel campo economico, una tendenza già esistente di progressi a passi larghi del commercio bilaterale e della politica. La nuova alleanza rappresenta un qualcosa di non meno importante: il riconoscimento del Brasile come protagonista sullo scenario mondiale, ora membro di un club abbastanza circoscritto, accanto agli Stati Uniti, Canadà, Giappone, Russia, India e Cina. Nell’ambito della politica, però, il dialogo è solo agli inizi. ni e istituzioni multilaterali, ma anche dovuto alla capacità maggiore, grazie a questa unione, di promuovere un contributo decisivo per le attenzioni date alle molte sfide globali. Come, ad esempio, le alterazioni climatiche, la povertà, i diritti umani. — Esiste un enorme potenziale per sfruttare i nostri rapporti con il Brasile a livelli multilaterali, regionali e bilaterali. Questa partnership strategica ci permetterà di sviluppare ancor più la nostra cooperazione nei settori-chiave, come l’energia, l’ambiente, i cambiamenti climatici, i trasporti marittimi e lo sviluppo regionale, a breve e media scadenza; e di stabilire nuove relazioni durevoli tra i nostri Reprodução Fábio Lino Il senatore Heráclito Fortes (a sinistra), crede nella partnership con la UE, che ha portato il presidente Lula (nella foto con i principali leader europei) a Lisbona Grupo Keystone Dichiarazione di partnership strategica tra Brasile e Unione Europea favorisce negoziati in diverse aree, come energia e conservazione dell’ambiente Grupo Keystone Posizione privilegiata Lula ha garantito che l’economia nazionale, con la meta di crescita del 5% per l’anno prossimo, ha trovato la sua strada per una crescita sostenibile. Secondo lui, il cambio continuerà ad essere fluttuante. — La partnership strategica tra il Brasile e l’Unione Europea getta le basi su di una solida realtà economica. Abbiamo superato, nel 2006, la somma di 50 miliardi di dollari di commerci bilaterali, una crescita del 13% rispetto all’anno anteriore e del 60% rispetto al 2003. Gli scambi con l’Unione Europea rappresentano il 22% del nostro commercio estero. La scorta di investimenti diretti europei in Brasile è di US$ 150 miliardi. Il Brasile offre tutte le condizioni per attrarre nuove leve di imprenditori europei. Il PAC, che ho lanciato nello scorso gennaio, presenta una radiografia di opportunità, soprattutto nel settore di infrastrutture — dichiara il presidente Lula, che ha firmato la partnership strategica lo scorso giorno 5. Ma l’ambasicatore dell’Unione Europea in Brasile, João Pacheco, richiama l’attenzione su altri aspetti delle relazioni con il paese, che rendono importante l’effettivazione di una partnership. Secondo lui, rapporti più vicini si giustificherebbero non soltanto dovuto ai legami storici e culturali, o ai valori comu- Ricardo Stuckert politica Sicurezza Globale Brasile e Unione Europea mettono in enfasi la cooperazione contro il traffico di droghe e armi, il lavaggio di denaro e l’immigrazione illegale, oltre all’impegno nella lotta contro il terrorismo e la proliferazione di armi nucleari, chimiche e biologiche. ComunitàItaliana 17 italian style Competitività con gli USA? L´accordo fra Brasile e UE può non piacere a Bush che segue una politica monolaterale U Daniele Mengacci n accordo preparato quasi in segreto, destinato a portare le relazioni tra Brasile e Unione Europea dal livello puramente economico a quello politico, è alla base del viaggio di Luiz Inácio Lula Da Silva a Lisbona e poi a Bruxelles questo mese. Un testo di 65 pagine nella versione in francese, frutto d’incontri tra alti funzionari del governo brasiliano e della Commissione, fissa due priorità e i relativi stanziamenti di bilancio, 61 milioni di euro, di cui il 70% destinato a stimolare gli scambi, contatti e trasferimento di know how, e il restante 30% per sostenere i progetti di protezione dell’ambiente, ma soprattutto definisce la motiva- 18 zione soggiacente di carattere politico. La sostanza politica dell’accordo è dichiarata a pag. 8, secondo paragrafo, del documento: “Il Brasile condivide la stessa opinione dell´Unione Europea su numerosi grandi impegni planetari. Ambedue stimano che lo sviluppo durevole è più facilmente raggiunto in un mondo multipolare e che l’integrazione regionale è il mezzo migliore per garantire pace e prosperità. Condividono anche la stessa opinione su altre questioni di interesse multilaterale, come la lotta alla povertà, le mutazioni climatiche, la pace e la sicurezza”. Assieme alla decisione della UE di incrementare i consumi di etanolo per ridurre le emissioni ComunitàItaliana / Julho 2007 di ossido di carbonio e soprattutto per ridurre la petro dipendenza favorendo le importazioni di alcol dai paesi in via di sviluppo, l’accordo politico è un importante riconoscimento del ruolo che il Brasile ha raggiunto sulla scena internazionale. I contenuti possono non piacere all’Amministrazione Bush, che segue una politica monolaterale e preferisce accordi bilaterali agli organismi regionali, quindi un’ombra ricade sul significato geopolitico dell’accordo. Si tratta di un mero riconoscimento del successo brasiliano oppure vi soggiace una certa competitività politica della UE con gli USA ? È un accordo destinato a mantenere agganciato il Brasile al quadro politico occidentale e rafforzarne la posizione nel sub continente latino americano a scapito dei vivaci populismi di un Chavez o di un Morales? L’importanza assunta dal Brasile passa sicuramente per la questione energetica, l’occidente ha finalmente capito che lo sviluppo di fonti alternative, come etanolo e biodiesel, non solo possono inquinare meno, ma soprattutto renderlo meno dipendente dal petrolio e dai rischi della petropolitica di una Opec o di un Venezuela, e questa necessità mette tutti d’accordo, americani, europei e brasiliani. L’Italia ha da subito approvato l’alleanza strategica tra Brasile e UE, secondo una notizia Ansa del 31 di Maggio, il nostro Ministero degli Affari Esteri, per bocca di Donato Di Santo, ha dichiarato di approvare quello che chiama “messaggio della Comunità Europea”, probabilmente un riferimento al documento dell’accordo, in base ai rinnovati e intensificati rapporti dell’Italia con l’America Meridionale. Il Ministro D’Alema, subito dopo la conclusione dell’incontro di Bruxelles sui temi energetici, ha dichiarato che l’Italia è all’avanguardia nel campo della produzione di etanolo poiché, fin dall’inizio dell’anno, ha preparato assieme al Presidente Lula un accordo tra la nostra ENI e la gemella brasiliana Petrobras, destinato alla produzione di biocombustibili in Africa [Mozambico], destinati al mercato europeo, facendo così di ENI il primo e maggior distributore di questo tipo di energia. Gelada! Que tal, num dia quente do inverno brasileiro ter em sua casa uma máquina que prepare a cerveja na pressão? Muito silenciosa, ela oferece a possibilidade de ser regulada em qualquer tipo: loura ou preta. Ideal para a festa entre os amigos. € 149,90 Elegância Esta gravata em tiras tradicionais são da Ermenegildo Zegna. Em seda de primeira qualidade, seu visual terá um toque de elegância digno da marca italiana. $ 87 Fotos: Divulgação Divulgação politica Qualidade italiana Os relógios de Emporio Armani, graças ao seu espírito e à sua forma, são para as pessoas que amam vestirse com acessórios caracterizados por uma elegância sofisticada e ao mesmo tempo de design moderno. $ 429 Velocidade Celular Prada O primeiro celular com design assinado pela grife de alto luxo já está, desde 30 de junho, nas vitrines de lojas da TIM em São Paulo, Campos do Jordão e Rio de Janeiro. Os aparelhos foram desenvolvidos em parceria com a LG. Durante a temporada de inverno de Campos do Jordão, haverá demonstrações do modelo a clientes em potencial. O mimo custa, em sua versão mais básica, R$ 1.499 Para deixar o dia-a-dia do seu filho muito mais divertido, o grupo italiano Peg-Pérego S/A, criou a Moto Desert Challenger. Para crianças de três a oito anos, o brinquedo tem duas marchas à frente, freio de pedal e suspensão. A Peg-Pérego alia mais meio século de experiência na fabricação de produtos para crianças, encontrando-se presente, praticamente, em todos os mercados mundiais, com fábricas na Itália, Estados Unidos e Canadá. R$ 999,00 Os produtos acima mencionados estão disponíveis nos mercados italiano e brasileiro. Julho 2007 / ComunitàItaliana 19 Um Zé alguém Sílvia Souza 20 ComunitàItaliana / Julho 2007 O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, de 57 anos, ou Zé Sérgio, para os íntimos, já fez de tudo, e muito, na vida. A militância estudantil custoulhe cadeia e espancamento na ditadura. Da luta sindical, ensaiou evoluir para a carreira política, mas, desta, hoje ele foge como o diabo da cruz. Foi como jornalista, no entanto, que, perseguido e sob censura, perdeu o emprego, forçado, então, a retomar a primeira profissão, de economista. Concluído o doutorado nos Estados Unidos, voltou ao Brasil e virou homem de negócios, até que, há dois anos, assumiu o comando da Petrobras – cujo lucro, no ano passado, foi de R$ 25,9 bilhões – com elevação de 33% no valor de mercado da empresa, estimado em R$ 230 bilhões. Tal desempenho desfez de vez a resistência inicial a Gabrielli na petrolífera, um pouco por conta do mito da preguiça baiana, outro tanto por sua formação esquerdista. Ponto para o nordestino com sangue italiano, português, negro e indígena nas veias. Em entrevista exclusiva à Comunità, Gabrielli diz a quantas anda o namoro com a Eni em torno dos biocombustíveis e defende a posição brasileira na crise boliviana. Ele revela que aprendeu com o avô oriundo de Lucca, na Toscana, que tão importante quanto ser um empreendedor é cultivar valores sociais e familiares. E foi o avô que o ensinou ainda a jamais misturar macarrão com farinha. C omunitàItaliana – O senhor conhece a história de sua família? José Sérgio Gabrielli – Minha família é de Lucca, na Toscana. Meu bisavô veio de Borgamozzano, direto para a Bahia, em 1860 e poucos. Trabalhou na agricultura, meu avô também, mas este depois virou comerciante de fumo, de cera de ouricuri (planta da família das palmeiras) e de madeira. Na década de 50, ele acreditou na industrialização e foi avalista na criação de uma empresa industrial de um amigo, que não teve sucesso, e teve que utilizar as poupanças dele para pagar a dívida. Viveu momentos muito difíceis. Meu pai é de origem brasileira e portuguesa, o meu avô paterno de uma região produtora de mina, na Chapada Diamantina, de onde foi expulso pelos grandes proprietários de terras da região. Eu tenho bisavô e bisavó índios, e bisavó negra. Sou uma mistura de italianos, portugueses, índios e negros. O Azevedo é do meu pai, que morreu há 20 anos. Fiquei mais conhecido como Gabrielli, nome da família de minha mãe. Gabrielli é o nome mais, digamos, diferente na sociedade e acaba dominando. Durante os anos 70, eu até relutei em ter o Gabrielli e, nos documentos oficiais, eu faço questão de colocar o Azevedo. A família Gabrielli tem alguns ramos de origem até que não são muito identificados, mas há duas grandes famílias Gabrielli na Bahia. CI – E como é a sua relação com a cultura de seus antepassados? O senhor já esteve na Itália? Gabrielli – Não falo italiano, mas leio. Já estive em Lucca, há dois anos, e achei a Toscana uma região belíssima. Lucca, particularmente, é uma cidade extremamente interessante. Fui para conhecer a região da minha família. Minha mãe manteve correspondência com as primas dela de lá até a década de 50. Desde então, perdemos o contato com a família italiana. Não encontrei ninguém por lá. Durante a guerra muitas cartas foram trocadas com a família, meu avô teve algumas irmãs aqui, e outros parentes continuaram lá na Itália. Minha mãe tem guardados os passaportes, as cartas de tios, avós... Mas na minha geração se perderam os contatos. CI – O que o senhor mantém de lembranças dessa vivência com seu avô? Gabrielli – Meu avô gostava muito de polenta e ficava revoltado quando se misturava macarrão com farinha. Mantivemos uma série de hábitos alimentares bem italianos. Na minha infância eu fui criado também com macarrone. Meu avô era uma figura muito impressionante, porque era uma figura muito empreendedora, muito forte, um líder familiar. Ele era uma pessoa com pouca educação formal, analfabeto, mas com clarividência e sabedoria, uma capacidade de percepção das coisas muito grande. E com uma grande preocupação, interesse, era um homem que seguia muito a política. Política fazia parte do dia-a-dia da família. Acho que ele nunca foi candidato a nada, não tenho certeza disso. Talvez no interior. Ele morava numa cidade chamada São Félix da Cachoeira, cidade histórica baiana. Depois veio para Salvador e acompanhava muito as questões políticas no estado. CI – O senhor segue alguma religião? Gabrielli – Eu sou nascido em Salvador, em 1949, na primeira metade do século passado. Sou um velhinho (risos). Não tenho religião, minha família não tem formação religiosa. Minha mãe não casou no religioso, não batizou os filhos. Meu avô era católico como todo italiano e minha avô protestante rígida. Essa divergência religiosa entre minha avô e meu avô resultou na ausência de formação religiosa. Minha avó, que era brasileira mesmo, era muito dominante. Em 1915, ela foi ser professora no interior de MInas Gerais. Levou sete dias numa tropa de burro. Sempre trabalhou a vida toda, então era uma mulher muito firme. Foi educada pelos quakers. Era o casamento de uma quaker (protestante presbiteriana) com um italiano. CI – E sobre sua formação acadêmica, o que o senhor estudou? Gabrielli – Estudei a minha vida inteira em escola pública, nun- ca, em escola particular. Me formei em Economia, em 1971, fiz mestrado na mesma área. Trabalhei em projetos, consultoria, empresa siderúrgica, fumo, borracha, fiz trabalhos para hospitais, granjas industriais, fábrica de motores. Trabalhei em vários tipos de projetos. Depois fui ser jornalista. Por três anos vivi de jornalismo. Fui de tudo dentro de uma redação: repórter, copidesque, editor local e internacional, até freelancer. Também fui câmera de televisão, demitido pelo Exército brasileiro, que não permitiu que eu continuasse como jornalista na época do governo militar. [Desse período, é conhecido um episódio ocorrido na redação da Tribuna da Bahia, quando numa noite, o coronel Luís Artur de Carvalho, superintendente da Polícia Federal ao avistar Gabrielli, gritou: “Seu Gabrielli, como vai a AP?” E ele respondeu: “Mandando muitas notícias, coronel”, numa referência à agência Associated Press, e não à Ação Popular, movimento contrário à ditadura.] CI – De que forma o regime militar afetou a sua vida? Ficaram marcas? Gabrielli – Durante o governo militar, eu fui militante estudantil, eleito vice-presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) cinco dias antes do AI-5. Preso várias vezes, fui condenado pela Lei de Segurança Nacional, cumpri pena por seis meses na Bahia, apanhei na cadeia. Não fui torturado, mas apanhei, e, perseguido depois de sair da cadeia, posto para fora de vários empregos. Aí, saí do Brasil. Passei cinco anos nos Estados Unidos, sem voltar ao Brasil, de 1974 a 1979. Depois voltei para o exterior de novo em 1984 e em 2000. Morei seis anos nos Estados Unidos e um ano em Londres. Terminei o meu doutorado em 1987, em Economia, na Universidade de Boston. Sou professor titular de Macroeconomia na Universidade Federal da Bahia (UFBA), licenciado para ser presidente da Petrobras. CI – Mas antes o senhor também enveredou pela carreira política. Como foi essa experiência? Gabrielli – Sempre fui uma pessoa muito antenada com as Julho 2007 / Fotos: Stéferson Faria / PETROBRAS intervista entrevista “Sou mais conhecido como Gabrielli do que como Azevedo. Gabrielli é o nome mais, digamos, diferente na sociedade e acaba dominando” questões políticas, o movimento popular, o movimento social. Além de ter sido do movimento estudantil, também fui presidente do Instituto dos Economistas, vice-presidente da Associação Nacional dos Sindicalistas, dirigente do PT e um dos fundadores do PT. Em 1982, fui candidato a deputado federal, em 1986, a vice-prefeito de Salvador e, em 1990, a governador da Bahia. Aí parei! Não quero mais nada disso, não! Acho que no meu papel (atual), na área técnica, eu contribuo mais do que na área eleitoral. CI – José Sérgio Gabrielli por José Sérgio Gabrielli. ComunitàItaliana 21 entrevista 22 ta”. Hoje qual a avaliação que o senhor faz desse conflito? Gabrielli – Nós temos o seguinte: uma situação de um contrato de exploração e de produção na Bolívia, que permite que a gente produza gás, lá, em condições rentáveis, se o contrato é mantido. Nós vendemos a nossa refinaria na Bolívia, que compramos por US$ 102 milhões, tivemos US$ 139 milhões de lucro e a vendemos por US$ 112 milhões. Portanto, não perdemos nada. Temos um contrato de fornecimento de gás da Bolívia para o Brasil que tem validade até 2019 e que nunca foi questionado. Portanto, apesar das turbulências e das questões, o resultado de tudo é um resultado positivo, não temos porque dizer que o resultado seja negativo para a Petrobras. Não podemos nos queixar e dizer que a situação na Bolívia deu prejuízo para a Petrobras, numa visão a longo prazo. Até porque a paciência, a negociação, o endurecimento e o relaxamento das posições fazem parte das negociações. Eu acho que o resultado foi positivo. CI – O senhor acredita que exista uma cobrança para que o Brasil, e o governo Lula, seja líder na América Latina? Isso poderia, de alguma forma, prejudicar a Petrobras? Gabrielli – Há uma certa situação, digamos, talvez até de desconhecimento, mas eu acho que, mais do que desconhecimento, há uma vontade (por parte de quem pressiona) de ser grande e de se impor sobre o pequeno. A situação objetiva é que a Bolívia é importante para o mercado de gás brasileiro, particularmente para o mercado de São Paulo. ComunitàItaliana / Julho 2007 E nós somos extremamente importantes para a Bolívia. Então, essas duas situações permitem que a gente acredite que uma solução racional vai sair e ser equilibrada entre as duas partes. Eu acreditava, de fato, que era possível ter essa solução e não adiantava tentar ser verborrágico ou ameaçar. Isso não resolveria o problema. Melhor ter a resolução do problema. O comércio exterior brasileiro aumentou enormemente em relação a América Latina, que hoje representa para as exportações brasileiras mais do que os Estados Unidos em termos de percentuais. Isso é resultado de uma política adotada pelo governo de aprofundar as relações com a América Latina. Algo extremamente positivo. Por outro lado, do ponto de vista cultural, a aproximação com os vizinhos é muito importante. Ter uma boa relação com os vizinhos é muito importante. A Bolívia é o país que tem mais fronteiras com o Brasil. Temos milhares de brasileiros na Bolí- via e há milhares de bolivianos aqui. Não dá para desconhecer essa realidade. CI – As relações entre Brasil e Itália têm se intensificado econômica e politicamente, e neste mês um entendimento tornou o Brasil um parceiro estratégico da União Européia. Como o senhor avalia essa aproximação? A Petrobras também assinou acordo com a Ente Nazionale Idrocarburi (Eni). O que há de concreto nessa relação? Gabrielli – Eu acho que as relações Brasil-Itália estarem se intensificando pode ser positivo para os dois países, pois há muita complementariedade entre as suas atividades. Além disso, nós acabamos de assinar com a Eni um memorando de entendimento para atuar e analisar oportunidades em diferentes áreas, na área de biocombustíveis, de desenvolvimento tecnológico e de cooperação, no Brasil e fora do Brasil. Temos vários pontos de contato com a Eni em diferentes países do mundo. Portanto, eu acho que uma aproximação entre Petrobras e Eni também é uma aproximação positiva, tanto para o desenvolvimento na área profunda como para as atividades da Eni em relação ao refino, como para um desenvolvimento na área de biocombustíveis. No momento, trabalhamos com possibilidades de atuação na África, no Brasil e na Itália. Não temos como falar em investimento ainda. Estamos em fase de namoro e nos conhecendo. Nossas três áreas de interesse comum são a cooperação tecnológica, as tecnologias de refino e os biocombustíveis (etanol e biodisel). CI – E em relação ao etanol, o que a Petrobras tem preparado? Gabrielli – Nesse momento, mais a curto prazo, nosso principal e mais desenvolvido contato se refere a modelos de negociação com o Japão. Temos hoje uma empresa constituída naquele país e estamos desenvolvendo com os japoneses estudos para intensificar a logística e para desenvolver a produção voltada para o mercado japonês. Já exportamos para a Nigéria e para a Venezuela. E temos hoje, em fase mais embrionária, a discussão de várias possibilidades na área de etanol com vários países. Mas não tem nada concreto ainda. CI – Atualmente, preservação do meio ambiente, energia renovável e mudanças climáticas estão na pauta de discussões das grandes empresas. Como se dá essa preocupação na Petrobras? O senhor pode citar exemplos de ações que efetivem o comprometimento da empresa? Gabrielli – Temos uma longa tradição no que se refere a essa questão, uma vez que somos um parceiro importante em todo o programa de álcool brasileiro. O Brasil tem uma enorme contribuição para o mundo. Você tem mais de 40% do mercado de gasolina brasileiro fornecido pelo etanol. Em termos equivalentes, você está tirando de circulação um valor substantivo de gasolina, que tem um componente CO2 maior do que o etanol. Então, você tem uma ajuda importante na emissão evitável de CO2. Além disso, nós temos intensificado nos processos in- ternos da Petrobras uma maior eficiência energética na redução de emissões, nos processos industriais nossos. Por exemplo, utilizando técnicas mais eficientes como o seqüestro de CO2, no uso de energia elétrica e na geração elétrica. São processos internos que permitem uma redução nas emissões de CO2. Você sabe que uma plataforma gera bastante energia elétrica. A eficiência na geração é uma contribuição importante, pois gasta menos gás, menos óleo. CI – E justamente nesse momento o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) dá o aval para a construção de Angra 3. Que avaliação que o senhor faz dessa decisão? Gabrielli – Sou favorável à utilização da energia nuclear. No longo prazo brasileiro, nós temos que diversificar as fontes de matriz energética. A energia nuclear não emite CO2 para gerar energia elétrica. Ela exige um manejo mais adequado do resíduo e da operação para evitar acidentes. Mas ela é, sem dúvida alguma, uma energia limpa para o futuro. Porém, exige maior controle. O que não compromete o petróleo. Dadas as condições e reservas do petróleo hoje, é um produto que vai durar muitos anos e o problema dele não será por falta, mas sim pelo aparecimento de alternativas economicamente mais viáveis. Nada hoje é tão eficiente para o transporte e mobilidade quanto o petróleo. Já para a geração elétrica, hoje, a perspectiva de crescimento futuro é o carvão, mais poluente do que o petróleo e mais no- civo ao aquecimento global que o petróleo. Aí, no futuro é que eu acho que teremos mais energia nuclear substituindo a energia do carvão, e vai ter mais eficiência no uso da energia, para necessitar menos de carvão, gás e petróleo. CI – Com uma história tão marcada pelo engajamento em movimentos esquerdistas e estudantis, como se vê no papel de dirigente de uma grande empresa? Gabrielli – Eu me sinto muito confortável dirigindo uma grande empresa que tem como característica fundamental o compromisso com o povo brasileiro. Ela é a empresa do povo brasileiro, uma característica presente nos múltiplos interesses pelos quais ela trabalha. E ela é uma empresa que tem a responsabilidade social e ambiental como um dos pilares fundamentais da sua estratégia. Do ponto de vista das relações capital e trabalho, a Petrobras defende e pratica um processo de negociação permanente. E a empresa é fundamental para a constituição da nacionalidade e cultura brasileiras. É admirada e respeitada pelo povo brasileiro. Então, me sinto absolutamente tranqüilo aqui. CI – O que tira o senhor do sério? Gabrielli – O que me tira do sério? Descobrir que estão tentando me enganar. Eu fico bem irritado com isso, quando eu percebo. Por que é difícil perceber. Então, me engane, mas não me deixe perceber. Já dizia um professor meu: vocês podem tentar colar, na Bahia chama-se pescar (risos), à vontade, mas não me deixem ver. CI – E como é a sua rotina fora da Petrobras? Gabrielli – E tem vida fora da Petrobras? Eu chego aqui às 8h30 e saio daqui às 23h. Eu tenho dois filhos que eu adoro e uma mulher de quem eu gosto muito. Gostaria muito de poder me dedicar mais a eles. “As relações BrasilItália estarem se intensificando é positivo para os dois países, pois há muita complementariedade entre as atividades (das nações)” Julho 2007 Stéferson Faria / PETROBRAS “No momento, trabalhamos com possibilidades de atuação na África, no Brasil e na Itália. Estamos em fase de namoro e nos conhecendo” Grupo Keystone Gabrielli – As pessoas me conhecem como Zé Sérgio, então eu continuo como Zé Sérgio, mas também sou conhecido como Gabrielli e assino José Sérgio de Azevedo. No meu trabalho, tive algumas vitórias importantes ao vir para a Petrobras. A primeira delas, conquistar o respeito, a admiração e a aceitação dos petroleiros. Isso é uma coisa difícil para quem vem de fora, mas eu acho que consegui isso e é uma grande vitória. A segunda, conseguir mostrar para o mercado financeiro que um economista baiano pode ser diretor financeiro da Petrobras. Porque houve muita desconfiança com a minha presença, ainda mais sendo ligado ao PT. E a terceira, dizer que, como presidente, a Petrobras se afirma cada vez mais como empresa de energia, internacionalizada, respeitada, admirada e reforçando as suas características básicas de compromisso com o país, de empenho na produtividade e no desenvolvimento tecnológico. CI – Qual seria a pior crise ou aquela que o senhor considera ter melhor superado durante o seu tempo de presidência? Gabrielli – Estou há dois anos e alguns meses na Petrobras. Aqui você pode se queixar de tudo, menos de monotonia. Crise é uma coisa que todo dia tem. Eu acho que cada crise é diferente. Temos problemas que se referem à necessidade de colocar em operação sistemas muito complexos, que envolvem uma série de discussões mais internas. Você tem resolução de problemas de longo prazo nas relações de trabalho, como no caso do Petros (plano de previdência complementar), você tem problemas relacionados à expansão internacional num momento de tensão, como no caso da Bolívia. Você tem situações de redirecionamento de importância distinta para setores da atividade, como no caso do gás e da energia elétrica. Então, crises são sempre presentes na atividade. CI – Muito se falou sobre a paciência que o senhor teve, e tem, ao lidar com o presidente boliviano Evo Morales, e o senhor chegou a dizer que “tinha gente querendo ver sangue na dispu- / ComunitàItaliana 23 economia “Te lo dò io, il Brasile” Un tormentone per sostenere la tesi che il Brasile diventa una nuova potenza mondiale secondo la rivista Limes D Daniele Mengacci ue eventi, un seminario e una tavola rotonda, due luoghi, Rio de Janeiro e Brasilia, due istituti, la Fondazione Getulio Vargas (FGV) e il Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), due visioni contrapposte dei rapporti geopolitici tra Italia e Brasile. Il tutto per produrre un quaderno speciale della rivista Limes, intitolato “Brasile, la Stella del Sud” e per sostenere la tesi che questo paese sta diventando una delle nuove potenze mondiali. In 236 pagine Luciano Caracciolo e i suoi collaboratori esaminano non solo gli aspetti geopolitici di questa tesi, ma anche quelli culturali, come quelli sulla musica brasiliana. In verità il quaderno di Limes poco affronta la sostanza dei rapporti Italia-Brasile e si sofferma piuttosto sul rinnovato rapporto di reciproca convenienza tra Brasile e Stati Uniti, un legame di color verde. Le biotecnologie in campo energetico, e nell’immediato la produzione e consumo di etanolo, sono la ragione principale di questo rapporto, che non è altro che la ripetizione di un’antica geopolitica brasiliana, riassunta 24 nell’adagio “ciò che va bene per l’America va bene per il Brasile”. La novità risiede nella situazione geopolitica dell’America Latina, con il sorgere di medie potenze economiche come il Venezuela, che usano le loro riserve di petrolio e gas per svolgere una petropolitica di contrasto verso gli USA. Poi c’è anche il presunto rinnovamento del sistema politico economico vigente, da sostituire con quello che Hugo Chavez chiama di socialismo del XXI secolo, in realtà una riproposizione del vecchio pensiero statizzante comune a tutte le politiche di origine marxista-leninista con in più una forte dose di populismo, che ormai tende apertamente alla dittatura. Il Brasile, che si era chiaramente proposto come leader dei paesi limitrofi sulla scena internazionale, è ora perplesso dall’atteggiamento preso dal Venezuela, capofila di un piccolo schieramento che comprende Bolivia, Cuba ed Ecuador, che contesta la sua proposta. Timoroso di soffrire ulteriori danni, dopo la non assunzione di un seggio permanente nel Consiglio di Sicurezza dell’ONU, ma cosciente di possedere la tec- ComunitàItaliana / Julho 2007 nologia più avanzata al mondo nella produzione di alcol come combustibile e di avere una gran disponibilità di terra coltivabile a canna da zucchero, ecco che tesse relazioni diplomatiche segrete con gli USA fin dal 2004, con l’intento poi dichiarato apertamente di costituire assieme al gigante capitalistico il più grande polo di produzione e consumo di etanolo. Due le finalità palesi: svincolare la matrice energetica dei due paesi dalla petro-dipendenza e fare dell’etanolo una commoditie internazionale affidata alle quotazioni di borsa e alla speculazione finanziaria. Il comico Beppe Grillo, anni fa, usava un tormentone che diceva “Te lo dò io, il Brasile”, che può essere usato per definire il contenuto del quaderno speciale di Limes, un’esposizione ampia e ben documentata, ma dove poco si dice sugli interessi italiani in relazione alla traiettoria intrapresa da quel paese. Si accennava a due visioni del rapporto tra Brasile e Italia. Orbene, secondo il presidente della FGV è impossibile per un italiano comprendere la realtà brasiliana, è la vecchia visione di un paese sub continentale, di grandezza e diversità naturale tali da renderlo indipendente dal contesto globale. A questo pensiero si contrappone quello del presidente del Cebri, ambasciatore Botafogo Gonçalves che, rispondendo ad alcune domande poste da Comunità, ritiene invece che non vi sono ostacoli e anzi l’Italia può offrire ancora oggi modelli da seguire e adattare, e ciò perché il Brasile è ormai un paese maturo e cosciente delle sue possibilità di maggior affermazione sulla scena internazionale. Botafogo, a un’altra domanda che chiedeva cosa può insegnare il Brasile all’Italia, ha sottolineato la capacità brasiliana di integrazione etnica e razziale, chiamata qui di “mixigenação”, ovvero il “melting pot” americano, esperienza da mutuare per le nostre politiche dell’immigrazione. Poco spazio è dedicato a illustrare i rapporti geopolitici Italia-Brasile: un testo di Donato Di Santo di carattere generale, uno dell’ambasciatore brasiliano in Italia, Gabriel Bahadian, speculare al primo, uno sugli immigrati italiani a San Paolo dell’ambasciatore Incisa di Camerana. Vi è perfino un breve capitolo dell’ambasciatore d’Italia a Brasilia, Michele Valensise, dal titolo “Brasile, istruzioni per l’uso”, con interessanti quanto allarmanti considerazioni sul modo di fare brasiliano. In particolare il testo celebra il famoso “jeitinho”, in altre parole il nostrano “arte di arrangiarsi”, come metodo ideale perfino nelle trattative diplomatiche. Peccato che il tal “jeitinho” per i brasiliani sia soprattutto capacità di aggirare gli ostacoli posti dalle situazioni o dalle leggi, ovvero di ricorrere alla corruzione spicciola o su scala industriale per ottenere ciò che si vuole, sfuggire alla burocrazia soffocante, ecc. Poco dunque si è discusso dei rapporti tra Italia e Brasile e la stessa rivista è uscita prematuramente poiché di questi rapporti, e soprattutto dell’ascesa internazionale del Brasile, se ne è riparlato all’inizio di luglio nell’ambito della presidenza portoghese dell’Unione Europea, sulla base del primo accordo di cooperazione politica tra UE e Brasile. Un dibattito infiammabile Rio de Janeiro sarà sede di incontro di camere italiane sulle energie rinnovabili L’ imminente minaccia del riscaldamento globale accellera l’avvicinamento tra paesi, seduti agli stessi tavoli di discussione, malgrado le differenze dei profili economici. Per ciò che riguarda i carburanti, il mondo corre contro il tempo alla ricerca di fonti di energia meno aggressive per l’ambiente. Non è un caso che l’Italia – quasi totalmente dipendente dai carburanti di origine fossile [petrolio] – si avvicini sempre di più al Brasile, riconosciuto per i suoi progressi nell’area delle fonti rinnovabili. Un segnale di ciò è la scelta di Rio come sede, il 19 e 20 di questo mese, dell’incontro Energie rinnovabili – l’America del Sud come punto di partenza, realizzato durante una riunione di tutte le camere di commercio italiane presenti nel Mercosud, nell’America del Sud e in America Centrale. Alexander Kokinidis Kelly Suzuki economia Nayra Garofle Secondo il presidente della Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio e Indústria do Rio de Janeiro, Raffaele Di Luca, i rappresentanti delle camere si riuniscono circa due volte all’anno per esporre progetti e discutere problemi di interesse comune. — Il Brasile parteciperà con rappresentanti di quattro camere, così come l’Argentina. Il Cile, ad esempio, parteciperà come osservatore invitato – rivela Di Luca, dando un’idea dell’importanza dei paesi del Mercosud nell’incontro. Il Brasile è già stato riconosciuto come riferimento mondiale nel settore energetico rinnovabile. In Minas Gerais, particolarmente, si concentrano le principali conquiste nell’area, secondo la segretaria generale della Câmara Ítalo-Brasileira di Minas Gerais, Mariella Maritano. — Credo sia un settore di grande rilievo per il momento in cui viviamo, dovuto al problema del riscaldamento globale. In questo momento, molti paesi di rivolgono al Brasile dovuto alla sua capacità di produzione di carburanti rinnovabili, un grande contributo per la lotta ai problemi di degrado dell’ambiente. È importante ricordare che il Brasile ha cominciato a pensare a questa soluzione quando pochi ci investivano sopra, con l’alcol prodotto dalla canna da zucchero. Ora siamo ancora più avan- “In questo momento, molti paesi si rivolgono al Brasile dovuto alla sua capacità di produzione di carburanti rinnovabili, un grande contributo alla lotta dei problemi di degrado dell’ambiente” Mariella Maritano, segretaria generale della Câmara Ítalo-Brasileira de Minas Gerais Julho 2007 / ti, con nuove soluzioni, come il biodiesel – dice Mariella. Neanche tanto tempo fa, nel dicembre 2006, il biodiesel ha cominciato ad attrarre l’interesse degli italiani. A Salvador, Bahia, un seminario internazionale, il “Bionergy World Americas”, ha destato gli interessi di specialisti in produzione di energia da fonti rinnovabili. E, secondo il rappresentante del Ministero dell’Ambiente italiano e dell’Istituto Italiano per il Commercio Estero (ICE), Diego Tomassini, questo interesse diventa maggiore giustamente dovuto al fatto che il paese europeo dipende dai carburanti fossili e anche perché non possiede aree agricole per la produzione di carburanti ecologici, come l’etanolo e il biodiesel. La segretaria generale afferma inoltre che l’incontro potrà servire specialmente come uno strumento di aggiornamento delle camere sulle attività di ogni area, permettendo un interscambio maggiore tra le istituzioni, come l’aumento di azioni di collaborazione mutua. — Identificheremo quali sono le difficoltà esistenti e le sfide per la realizzazione di azioni future. È la prima volta che partecipo a questa riunione di area da quando sono stata incaricata come segretaria generale, l’anno scorso. Vorrei, nell’incontro, presentare le attuali attività della Camera Italiana di Minas Gerais, oltre a cercare di capire meglio come lavorano le altre camere e, da questo, scambiare esperienze – spiega la segretaria generale. Secondo il senatore Edoardo Pollastri, presidente dell’ Associazione delle Camere di Commercio Italiane all’Estero (Assocamerestero), il tema delle discussioni non potrebbe essere diverso, visto che, attualmente, le energie rinnovabili sono di particolare interesse commerciale per i paesi del Mercosud. Il senatore spera che la riunione promuova una maggior integrazione tra le camere. — La riunione servirà per fare un’analisi delle relazioni economiche tra l’Italia e i paesi dell’area per la preparazione di proposte di progetti che possano promuovere miglioramenti negli interscambi con l’Italia — dice il senatore, partecipante dell’incontro, accanto al vice ministro degli Affari Esteri italiano, Milos Budin. ComunitàItaliana 25 La Fenit 2007, a San Paolo, attrae imprenditori del paese asiatico in tale quantità da spaventare i proprietari delle marche italiane Bruna Cenço 26 ComunitàItaliana / Julho 2007 Keysto stand cinesi (89) e brasiliani (90). Soltanto due indiani e un italiano hanno installato punti di rappresentazione delle loro marche alla fiera. La forte competizione per questa sfrenata espansione del mercato cinese – aggravata ancor più tanto in Brasile, quanto in Europa, dall’industria di falsificazione di abbigliamento firmato – è stata interpretata in maniera generale come un segnale di rischio per la salute dell’industria tessile. — Le grandi marche soffrono danni, ma riescono a mantenersi. In Italia, circa il 90% delle imprese sono micro o piccole, con 15 impiegati in media e, per loro, la competizione è un serio problema. Grazie alla manodopera a basso costo e agli incentivi fiscali e produttivi, la Cina ottiene prodotti più economici. Malgrado l’inferiore qualità, gran parte della popolazione preferisce comprare i prodotti cinesi, il che annienta l’industria italiana — rivela Cristiano Gavarini, dell’Elba, rappresentante brasiliana delle marche italiane alla Fenit. Un’eccezione alla regola italiana, dovuto alla sua industria di grande rilievo, l’imprenditore Gianni Bernini, proprietario della Sandra B di accessori come bottoni e fermagli, comunque non rimane disattento e si mantiene sempre scrupoloso di fronte al pericolo cinese. Ha esposto prodotti della sua marca all’evento e, abituato a viAntonella Balestazzi, proprietaria e designer della Luxuria Grupo G li occhi a mandorla hanno brillato dappertutto nell’ultima edizione della Feira Internacional da Indústria Têxtil (Fenit), a San Paolo. La schiacciante predominanza di stand cinesi in mezzo a rappresentazioni straniere all’evento ha avuto un effetto minaccioso tra i concorrenti degli altri paesi. Imprenditori europei, per esempio, hanno manifestato preoccupazione di fronte ad una concorrenza che viene considerata sleale, con l’offerta asiatica di un’enorme quantità di prodotti a basso prezzo. C’è chi teme che quest’invasione minacci perfino il prestigio della Fenit, oggigiorno considerata una delle maggiori fiere del settore in America Latina. È rimasta frustrata l’aspettativa iniziale degli imprenditori stranieri di un maggior equilibrio nelle origini dei 90 espositori internazionali. In pratica, l’evento ha però riflettuto un fenomeno che si dissemina a ritmo incessante in tutto il mondo. C’erano praticamente lo stesso numero di ne Bruna Cenço minciato a vendere per il Brasile soltanto due mesi fa. Secondo il direttore della Fenit, Ricardo Matrone, la partecipazione delle imprese cinesi permette una facile spiegazione: — Non è nient’altro che una fotografia del momento che il settore attraversa e, in un certo modo, della stessa politica cambiale vigente. Tutto il mondo sta affrontando la partecipazione cinese in vari segmenti e non poteva essere diverso in Brasile, dovuto alla grande importanza che il nostro paese svolge nel mercato globale, sempre alla ricerca di opportunità di affari. Anche se non ha investito nelle installazioni di stand durante la Fenit, l’industria tessile italiana ha ugualmente dimostrato l’intenzione di investire di più nel mercato brasiliano. Nei tavoli di affari della fiera, 11 imprese italiane hanno mandato rappresentanti a San Paolo. Tra di esse, la fabbrica di abbigliamento femminile Luxuria. Esistente da soli 3 anni, la marca esporta già in 15 paesi. Secondo la proprietaria della marca, Antonella Ballestazzi, la Luxuria un anno fa si è stabilita con successo in Argentina, ed ha rivelato il suo grande interesse nel ripetere questo risultato in Brasile. Durante la Fenit ha mantenuto contatti con tre imprese d’importazione con questo fine. —Al ritorno in Italia, spero di perlomeno concludere una partnership. Se non ci riesco, ritorno l’anno prossimo — si pianifica. Ballestazzi è anche la designer dell’impresa e, per aumentare la ri- In alto, Cristiano Gavarini, uno dei proprietari dell’Elba. A destra, parte del campionario di prodotti della Sandra B cezione della marca, comincia già a fare studi per adeguare i prodotti allo stile di vita brasiliano. — In Italia di solito non usiamo il lungo per le feste. Andiamo ai matrimoni in jeans e camicia. Per questo bisogna fare delle modifiche nel catalogo e includere dei prodotti — analizza. Nonostante il successo all’estero, la Luxuria è una piccola impresa, con soltanto 12 impiegati, così come la maggior parte delle imprese partecipanti ai tavoli di affari. Da questo deriva l’economia di costi con la contrattazione di rappresentanti in Brasile, il che evita lo spostamento di personale proprio, com’è il caso, ad esempio, delle imprese Tecnowear, Boanero e RGM. Non potendo venire di persona, le tre hanno contrattato la ditta di rappresentazione Elba per presentare i loro cataloghi e prodotti ad importatori brasiliani. Secondo uno dei proprietari dell’Elba, Cristiano Gavarini, imprenditori legati alle marche presenti alla fiera Visitatori stranieri per continente Europa 11,76% Africa 0,98% America del Centro 2,94% America del Nord 7,84% Asia 3,92% America del Sud 72,55% Julho 2007 / Bruna Cenço Affari dalla Cina sitare fiere internazionali, ha ammesso di essersi spaventato quando ha visto la quantità di cinesi alla Fenit. — Bisogna stare attenti perché l’eccesso di imprese cinesi di solito toglie prestigio all’evento. Qualche anno fa c’era un’importante fiera di tessuti in Germania. Ogni edizione che passava, aumentava il numero di espositori orientali, i cui prodotti sono di qualità inferiore. Dopo un po’, l’evento ha perso tutta la sua importanza, la sua reputazione — avvisa il proprietario della Sandra B, che ha co- Bruna Cenço economia appena cominciano a conoscere il mercato brasiliano. — Il mio ruolo è quello di portare cataloghi, fare contatti e scambiare telefoni. Non facendo parte dell’impresa, per esempio, non posso parlare di prezzi. Quando arrivo in Italia, passo i contatti che ho fatto e, da là, sono fatti i negoziati finali — spiega Gavarini. La differenza della quotazione tra real e euro, fattore che rincara i prodotti europei, non preoccupa molto l’imprenditore, che scommette sulla qualità della merce per ribaltare il problema: — È logico che qui non venderò magliette, che già avete e che l’industria cinese vende molto e a buon prezzo. Se non posso competere sul prezzo, devo portare prodotti di migliore qualità. L’Italia presenta tessuti di avanzata tecnologia, completi dal taglio migliore, ed è questo che deve essere portato qua. Una scommessa simile viene fatta dal proprietario della Sandra B, industria di accessori di abbigliamento che, in 40 anni di esperienza, ha raggiunto una produzione mensile di un milione di pezzi, esportando per 60 paesi. L’ingresso dell’impresa nel mercato brasiliano fa parte del piano di espansione, alla ricerca di affari ogni anno con un nuovo paese. Ma lui ci tiene a differenziare la sua strategia dai voraci concorrenti cinesi. Il segreto, secondo lui, è: “prodotti di qualità ad un prezzo giusto”. ComunitàItaliana 27 atualidade notizie Mãos à obra, brasileiros! Fiera di San Vito L O mercado de trabalho italiano, que já havia criado oportunidades para médicos e enfermeiros, agora vai convocar engenheiros e profissionais de Informática brasileiros partir do ano que vem, não somente médicos e enfermeiros terão mais oportunidades de emprego na Itália. Também recém-formados na área de Ciências Exatas vão poder concorrer a vagas de trabalho do outro lado do Atlântico. Com a redução nos níveis de desemprego no mercado interno italiano, o país europeu abre ainda mais as portas para estrangeiros. Isso ocorre após um recente aumento na porcentagem de imigrantes legalizados no país. Estes já representam 5% da população, segundo dados oficiais referentes ao ano passado. Com base nesse quadro, a agência de empregos Obiettivo Lavoro deve iniciar a seleção de profissionais recém-formados em Engenharia e Informática. A agência, segundo o seu presidente, Alessandro Ramazza, tem por meta garantir a chance de experiência profissional no exterior para recém-formados brasileiros, com segurança e dentro das normas da legislação trabalhista italiana. A empresa opera no Brasil há quase dois anos, com projetos de especialização temporária para jovens profissionais em seu país sede. Ainda neste ano, por meio de um desses projetos, deve embarcar para a Itália uma primeira turma de 40 enfermeiros brasileiros, com idades entre 21 e 30 anos. Eles foram selecionados pelo Projeto Brasil-Itália, parceria entre a Obiettivo Lavoro e o Centro Integrado Empresa Escola (CIEE), para atuar em clínicas e hospitais italianos. 28 No seminário A Conjuntura do trabalho na Itália e no Brasil – níveis crescentes de competitividade internacional, promovido pela Obiettivo e pelo CIEE em São Paulo, discutiu-se, em junho, esse modelo transnacional de inserção no mercado profissional. Ramazza apresentou então dados referentes aos 10 anos de atividades da agência, período em que mais de 430 mil pessoas foram empregadas na Itália, sendo 90 mil de origem estrangeira, provenientes de mais de 134 diferentes países. A maior parte retornou ao país de origem, depois de concluir o programa de aprendizado profissional temporário. Para o presidente da Obiettivo, o que importa é a inserção no mercado de trabalho até mesmo para aqueles que se sentem já excluídos dele, vislumbrando algo que ele próprio definiu como “una società a colore”. Além de jovens recém-formados, o programa da agência tambérm abre oportunidades para mulheres com mais de 40 anos e para homens com mais de 60, também estrangeiros. — Discutimos ações para promover um trabalho justo e seguro _ afirma Ramazza, referindo-se ao esforço da empresa no sentido de um “desenvolvimento solidário” do mercado de trabalho. Para o presidente da Academia Internacional de Direito e Economia, o professor Ney Prado, também conselheiro do CIEE, a Itália se tornou uma referência na busca de soluções para o aumento dos índices de empre- ComunitàItaliana / Julho 2007 gabilidade, por conta da própria experiência no país de superação de adversidades, ao longo de uma história marcada por muitas mudanças no sistema de governo. — Estamos falando de um país de primeiro mundo que saiu de um modelo fascista-intervencionista para um modelo democrático, aberto e individualista — explica Prado. Do seminário, participou também o vice-ministro italiano para Relações Exteriores, Donato Di Santo, responsável por assuntos relacionados à América do Sul. Ele manifestou a sua adesão ao modelo de trabalho da Obiettivo Lavoro. Segundo o vice-ministro, este trabalho segue na direção certa, “visando a integração, o respeito e o combate ao trabalho informal”, no contexto de um projeto maior, que tem por objetivo aumentar a colaboração entre a Itália e os países latino-americanos. — Queremos retomar um projeto de colaboração com os países da América do Sul, em espe- cial o Brasil — garante Di Santo, afirmando ainda que o relacionamento com o Brasil está entre as prioridades de governo do premier Romano Prodi. Nesse ambiente favorável, nasceram, inclusive, de acordo com Di Santo, a Comissão Mista de Economia entre os dois países e um acordo de cooperação mútua, firmado durante visita de Prodi ao Brasil, em março último. Também participante dos debates em São Paulo, o embaixador da Itália no Brasil, Michele Valensise, revelou a visão que tem do “enorme e ainda não esgotado potencial do Brasil para parcerias e inovações com a Itália”. O intercâmbio comercial entre os dois países, gerador hoje de cerca de US$ 6,5 bilhões anuais, pode crescer muito, na opinião de Valensise. Amigo pessoal de Di Santo, o ministro brasileiro Luiz Soares Dulci lembrou, durante o seminário, que sempre foram boas as relações entre os governos do Brasil e da Itália. — Com esse projeto da Obiettivo, vejo que demos um novo passo nas relações entre os dois países — conclui Dulci. Serviço: Obbietivo Lavoro RJ – tel: 21.2232-6652 [email protected] SP – tel: 11.3045-0501 [email protected] Grupo Keystone A Aline Buaes Bruna Cenço a 10ª edizione della Fiera di San Vito, festeggiata nel tradizionale quartiere del Brás, a San Paolo, ha riunito più di 150mila persone durante i sei fine settimana in cui è stata realizzata. Il numero di visitatori è 50% superiore a ciò che ci si aspettava per quest’anno. La media è di circa 12mila persone al giorno passate per l’evento che rende omaggio al santo. Secondo gli organizzatori, dal 26 maggio al 1° luglio sono stati serviti al pubblico 35mila piatti di pasta, 16mila focazzelle e 30 mila dolci. Solo di spaghetti, ne sono stati mangiati tremila chili. Considerato protettore degli artisti, delle malattie nervose, dei giovani e dei tossicodipendenti, San Vito è morto giovane, a 15 anni, martirizzato per aver difeso la fede cattolica. Figlio di un nobile dell’Impero Romano del III secolo, il giovane si rifiutò di arruolarsi nell’esercito, perché si diceva soldato di Cristo. Gli vengono attribuiti vari miracoli, alcuni ancora in vita. A San Paolo, la devozione è stata portata da un gruppo di immigranti venuti da Polignano a Mare, in Puglia. La cappella in suo onore è stata costruita nel 1912, nel quartiere Brás. Durante la festa, le mamme hanno approfittato l’evento per rendere nota la cucina pugliese e così raccogliere soldi per progetti assistenziali della parrocchia. Secondo il diacono Alfredo Meletti, quest’anno la novità è stata la creazione di uno spazio culturale, fatto in partnership con il memoriale dell’immigrazione. — In questo spazio, abbiamo potuto riscattare un po’ della storia del quartiere, costruito con gli aiuti della comunità di Polignano a Mare, e divulgare le nostre radici, che conserviamo con molto affetto — commenta. (B.C.) È festa! L a XVI Festa dell’Immigrante Italiano a Santa Teresa (ES) ha riunito circa 20mila persone dal 16 al 24 giugno. La messa in italiano, il giro ciclistico, le canzoni italiane, i concerti con gruppi regionali e una torta per commemorare i 132 anni dall’arrivo dei primi italiani nel comune. Secondo Francisco Carlos Gonçalves, presidente del Circolo Trentino della città, la polenta con il ragù di carne o fritta con salsicce e formaggi, gli agnolini e la tradizionale pasta sono state le cose che hanno avuto più successo alla festa. - Abbiamo investito R$ 180mila alla festa e un momento importante è stata la “Carretella del Vin”, in cui vengono illustrati i costumi e le tradizioni dell’immigrante, che è culminata nella distribuzione di vino, salsicce, polenta, formaggi e che ha permesso la partecipazione del pubbico presente all’evento. O perigo de ficar “nas nuvens” Espaço pequeno entre as poltronas do avião prejudica a saúde de viajantes e pode provocar a Síndrome da Classe Econômica V Nayra Garofle A relação direta entre a trombose venosa profunda e as viagens aéreas tem comprovação científica. De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular do Rio de Janeiro, o angiologista Rossi Murilo, uma pesquisa relatou a ocorrência de 56 casos de embolia pulmonar grave entre 135 milhões de passageiros, de 145 países, observados após o desembarque no Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, França. — Na gênese desses fenômenos, estaria envolvida a diminuição da velocidade da circulação do sangue, causada pela posição pendente dos pés de quem viaja entre poltronas apertadas. A trombose venosa, nessas circunstâncias, ocorreria com maior freqüência em vôos longos — afirma o médico. A má circulação não é o único fator envolvido. A pressurização da cabine corresponde às condições atmosféricas de uma altitude de cerca de 1.700 metros, acima do nível do mar. Nessas circunstâncias, segundo o angiologista, o extravasamento de líquidos para o espaço intercelular, composto por diversas substâncias em meio aquoso, ocorre de forma mais fácil, o que propicia o edema. — Além disso, ainda tem o ar da cabine, de baixa umidade, o que estimula a perda de líquidos pelo organismo, favorecendo a desidratação, e, conseqüentemente, tornando maior a concentração de hemoglobina no sangue — diz Rossi. Cientistas dinamarqueses da Organização Mundial de Saúde (OMS) estudaram a coagulação do sangue em 71 voluntários que haviam permanecido por oito horas em diferentes atividades — viajando de avião, numa poltrona de cinema ou, simplesmente, sentados. A pesquisa, publicada pela revista científica The Lancet, comprovou que a pressão do ar e o baixo nível de oxigênio Circulação Área comprimida A circulação é bloqueada se o espaço entre os assentos não for suficiente ou se a pessoa permanecer sentada por muito tempo. Durante as viagens de longa duração, é necessário levantar e caminhar por alguns minutos de hora em hora “Uso uma meia elástica que aperta as pernas e comprime as veias fazendo o sangue fluir. Também levanto e procuro caminhar pelo avião para poder ajudar na melhora da circulação” Claudio Pieroni (CGIE) uso da meia elástica nos casos de risco. — Usar roupas confortáveis e que não apertem, especialmente na região dos joelhos e pernas, também é uma boa dica — informa. O médico também explica como é possível amenizar os efeitos da transição brusca de um fuso horário para outro: Quando estamos sentados, os vasos sangüíneos se comprimem, como acontece no exemplo nas proximidades dos joelhos Coágulo — A melhor forma de reduzir os sintomas do jet lag é expor-se à luz solar, assim que chegar ao destino final, ajustando-se aos novos horários de refeições e ao sono o quanto antes. Em algumas situações, há, no entanto, necessidade de medicações, que devem ser prescritas por um médico. Mas não há razão para tornar a hipótese de um vôo transcontinental em motivo de pânico. Basta seguir as recomendações médicas para garantir a prevenção da Síndrome da Classe Econômica, especialmente nos casos de pacientes crônicos de doenças de circulação ou cardíacas, com varizes, sangue espesso ou quadro de obesidade. O melhor a fazer, de acordo com os especialistas, para quem não quiser correr o risco de se descobrir vítima de uma dessas doenças em pleno vôo, é tomar a precaução de realizar um check-up completo antes da sonhada viagem, seja em férias ou a negócios. Parte do sangue que retorna das pernas ao coração permanece bloqueada na área. Se este bloqueio se prolonga por muito tempo pode se formar um coágulo, que é um fragmento de sangue solidificado que obstrui os vasos sangüíneos Marc Navarro iajar de avião pode ser mais perigoso para a saúde do que parece. Não bastasse ter de lidar com o jet lag — alteração nos ritmos fisiológicos em função dos diferentes fusos horários — passageiros de vôos de longa duração enfrentam risco mais grave: o da trombose venosa profunda, mais conhecida como Síndrome da Classe Econômica. O espaço exíguo entre uma poltrona e outra é apontado como a principal causa do problema. A permanência numa mesma posição por muitas horas, em poltronas estreitas, sem espaço ao menos para esticar as pernas e elevar os pés, provoca má circulação nos membros inferiores, formando coágulos nas veias profundas das pernas. Quando a pessoa se levanta, fragmentos de sangue coagulado podem se desprender, deslocando-se pelo corpo com muita pressão e causando lesão em algum órgão. atuavam como fatores determinantes da ocorrência da Síndrome da Classe Econômica. Para o agente de viagens Fabio Massimo Alfieri, os passageiros sofrem de diversas formas em viagens longas. Por isso, pela experiência adquirida em mais de 30 anos de trabalho, ele nunca esquece de recomendar aos seus clientes a ingestão freqüente de líquidos. — Deve-se beber muito, mas muito líquido mesmo, evitando, porém, qualquer tipo de álcool (que desidrata) ou de refeição gordurosa. Segundo os tripulantes, ir ao banheiro várias vezes também ajuda a evitar, por exemplo, a consolidação de cálculos nos rins. — conta o agente. O presidente do Consiglio Generale degli Italiani all’Estero (CGIE), Claudio Pieroni, sofre de diabetes. Devido à doença, o ítalo-brasileiro segue algumas recomendações de seus médicos todas as vezes que precisa enfrentar viagens longas. — Uso uma meia elástica que aperta as pernas, comprimindo as veias, fazendo o sangue fluir. Também me levanto e procuro caminhar pelo avião para melhorar a circulação — explica Pieroni. Responsável pelo setor de Check-up do Viajante do Instituto Fleury de Medicina e Saúde, de São Paulo, o médico Jessé Alves confirma a recomendação do Quando estamos em pé, o sangue circula normalmente nas artérias inferiores Quando a pressão na articulação cessa, o coágulo é liberado e circula nos vasos sangüíneos e se alcança o coração e os pulmões pode provocar a morte 30 ComunitàItaliana / Julho 2007 Julho 2007 / ComunitàItaliana 31 Roma aluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSal U Reprodução C Framboesa: saúde em cores E la pode ser branca, amarela, rosa, roxa ou até mesmo preta. As nuances são muitas. Mas o número de benefícios trazidos pelo consumo da framboesa parece ser ainda maior. De acordo com o livro A cura e a saúde pelos alimentos, de Ernst Schneider, a fruta é rica em fibras, favorece o controle do colesterol e uma melhor digestão, bem como auxilia na desintoxicação do organismo. E mais: formada por uma série de pequenos gomos, a framboesa ainda combate os radicais livres que aceleram o envelhecimento. Além disso, possui alto teor de manganês e de vitamina C. Pa we łZ aw ist ow D Peixe contra o câncer A ingestão de atum e de salmão diminui as possibilidades de se contrair as formas mais agressivas do câncer de próstata, de acordo com o Instituto Peterson, na Grã-Bretanha. Esses peixes são ricos em gorduras saudáveis como o ácido graxo ômega 3, que também ajuda a inibir o crescimento das células degenerativas causadoras do mal. Estudos mostram que a falta do consumo regular desses alimentos chega a triplicar a chance de o homem vir a apresentar o problema. O tumor de próstata está em segundo lugar entre os tipos de câncer que mais atingem os homens no Brasil, abaixo apenas do câncer de pele. Reprodução onhecido como ótimo estimulante, o guaraná também pode ser útil no tratamento do câncer. Segundo pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), a experiência do uso do guaraná em camundongos doentes já comprovou o efeito de redução em 55% no processo de desenvolvimento do câncer. O consumo da semente da fruta também auxilia no combate à enxaqueca, funciona como estimulante e ainda previne distúrbios circulatórios, além de evitar o envelhecimento precoce. Pessoas cardíacas, com úlcera e vítimas de hipertensão só devem consumi-lo, no entanto, sob supervisão médica. Para inibir resfriados O extrato da equinácea, planta da América do Norte da qual já se sabia que auxiliava na redução de sintomas da gripe e de outras infecções respiratórias, é mais eficaz do que se imaginava. Também pode prevenir as infecções. Estudo realizado pela Escola de Farmácia da Universidade de Connecticut (EUA) mostrou que os consumidores do extrato têm 58% menos chance de pegar uma gripe. Consumida junto com vitamina C, a planta chega a reduzir em 86% os casos de gripe. sk i 32 ComunitàItaliana / Melhor que a torre Eiffel? Papel principal Julho 2007 e coadjuvante histórico no preparo de pratos típicos da cozinha italiana, o manjericão assume papel de protagonista na prevenção e no tratamento de várias doenças. Segundo a revista Ervas & plantas que curam, da Editora Escala, a planta tem poder diurético, aumenta o apetite, melhora a circulação sangüínea, ajuda na digestão e na eliminação de gases, além de favorecer o aumento da produção do leite materno, embora não seja recomendável o seu consumo durante a gestação. Também combate a insônia, a dor de cabeça e a febre, assim como aftas, resfriados, gripes, sinusite e faringite. Ms a erva não deve ir ao fogo se for utilizada como medicamento. Vagem na luta contra o tempo F amosa por estar associada à dieta mediterrânea, a vagem é um alimento rico em fibras, proteínas e vitaminas como A, B1, B2 e C, além de sais minerais como cálcio, fósforo, ferro, potássio e sódio. Isso quer dizer que ela não só garante a capacidade de uma boa visão e a saúde da pele, como ainda estimula as funções intestinais. De acordo com estudos da Universidade Federal de Pernambuco (UFP), a vagem, como as hortaliças em geral, age também como antioxidante, inibindo a ação dos radicais livres sobre as células e combatendo processos infecciosos. Originária das Américas, a planta foi levada para a Europa e a Ásia após a chegada dos colonizadores europeus. Fotos: Reprodução Guaraná, um novo aliado Reprodução Reprodução ma molécula produzida pelo corpo humano, a “interleuchina-12”, auxilia na prevenção de alergias alimentares. A descoberta foi feita pelo italiano Cláudio Nicoletti, formado em Ciências Biológicas, em Siena, na Toscana, e que, hoje, lidera o setor de Imunologia do Institute of Food Research (IFR) em Norwich, na Inglaterra. Segundo o pesquisador, os ratos que sofriam do mal não apresentavam essa molécula. O estudo foi publicado no Journal of Allergy and Clinical Immunology. Marco Carlini Descoberta italiana Ana Paula Torres Mais acessível O s turistas da capital e da província de Roma acabam de ganhar o “Roma & Più Pass”. Seu lançamento acontece depois do grande sucesso do “Roma Pass”, em vigor há um ano na capital. Trata-se de um cartão turísticocultural que facilita a viagem pelo território romano. O cartão custa 25 euros e tem validade de três dias, permitindo que o seu portador ingresse gratuitamente em dois museus ou sítios arqueológicos, além do ingresso com preço reduzido em outros pontos turísticos. A iniciativa é válida para todos os monumentos, museus e áreas arqueológicas de competência municipal e nacional, situados na área urbana e na província. Participam no total os 121 municípios da província de Roma com itinerários ricos de arte e história. A Roma de Achille Pinelli A O cartão também garante acesso gratuito a toda a rede de transporte público da província e da capital. Outro benefício oferecido pelo “Roma & Più Pass” é a possibilidade de viajar grátis no trem que liga o aeroporto de Fiumicino à estação Termini de Roma. Descontos em mostras, espetáculos de teatro, dança, ópera, dentre outros, também estão incluídos. O “Roma & Più Pass” pode ser comprado diretamente na entrada dos museus, nos pontos de informações turísticas, na estação Termini, em hotéis, agências de viagem, bilheterias Atac, bancas de jornais e revistas, casas lotéricas e no site www.romapass.it. No ato da compra, o turista receberá um kit com informações em italiano e inglês, que contém dados sobre transporte público, mapa, lista de museus, áreas arqueológicas e uma programação dos eventos em cartaz. cDe 28 de junho a 16 de setembro, o Museu de Palazzo Braschi dedica uma mostra ao artista Achille Pinelli, um dos expoentes do mundo artístico romano do século XVIII. Estão expostas 70 obras em aquarela que documentam aspectos da Cidade Eterna que desapareceram no tempo ou se modificaram radicalmente. Endereço: Via di San Pantaleo, na Praça Navona. Aberto todos os dias das 9h às 19h. Ingresso: e 6,50 euros. Romeu e Julieta D e 8 a 14 de agosto, será representada na encantadora atmosfera das Termas de Caracalla, a ópera “Romeo e Giulietta suite Pagliacci”. Trata-se de um drama lírico em dois atos com texto e música de Ruggero Leoncavallo. Os preços dos bilhetes variam de e 25 a e 110. Mais detalhes pelo site http:// www.operaroma.it/tickets.htm Julho 2007 N ada mais sugestivo do que percorrer o centro de Roma a bordo de um bonde da década de 20, totalmente restaurado e dotado de todo conforto. O tour começa na praça de Porta Maggiore às 21h. Durante o percurso, cantores líricos interpretam algumas das mais famosas óperas e, para completar, um jantar é oferecido no Parco del Celio, com vista panorâmica do Coliseu e Fori Imperiali. Custo total, incluindo o jantar: e 80 euros. Duração: 3 horas. Informações e reservas pelo e-mail [email protected] ou pelo celular 0039-339-6334700. Gino Paoli O cantor e compositor Gino Paoli fará uma apresentação de seu mais recente trabalho: “Milestones. Un incontro in jazz”, álbum realizado em parceria com grandes nomes do mundo do jazz italiano. O evento acontece ao ar livre no Auditorium Parco della Musica, dia 29 de julho, às 21h. Endereço: Viale De Coubertin, próximo ao estádio Flaminio. O ingresso custa e 20. Mais informações e compra online pelo site www.auditorium.com / ComunitàItaliana 33 atualidade La coda non cammina! Carenza di personale nei consolati lascia circa 500mila brasiliani ad aspettare persino 10 anni per ottenere il riconoscimento della cittadinanza italiana D Nayra Garofle i fronte alla lentezza cronica del processo burocratico per il riconoscimento della cittadinanza italiana in Brasile, figli, nipoti e altri discendenti di immigranti hanno deciso di dare un basta alle lunghe file imposte dalle autorità che, in alcuni casi, sono di 10 anni. La strategia: una sottoscrizione. — La soluzione non può più essere rimandata. Con la sottoscrizione vogliamo dimostrare il nostro disaccordo al governo italiano — dichiara il presidente del Comitato degli Italiani all’Estero (Comites) di Rio Grande do Sul, Adriano Bonaspetti, a nome dei circa 500mila brasiliani che formano le code per la tanto sognata cittadinanza italiana. La sottoscrizione – che comincia a circolare ora – non rappresenta l’unica maniera di riven- 34 Fotos: Guilherme Aquino attualità dicare i propri diritti. Bonaspetti cerca anche di conquistare come alleati i patronati, a cui ha inviato una circolare chiedendo l’appoggio nei negoziati con il governo italiano e con il parlamento. L’obiettivo è quello di rendere possibili provvidenze concrete per rendere più agile il processo di analisi delle richieste. — Considerando il tempo superiore ai 10 anni che gli italobrasiliani stanno aspettando per qualcosa che è loro di diritto, può essere difficile capire il perché di tanta attesa — ammette il presidente del Consiglio Generale degli Italiani all’Estero (CGIE) di San Paolo, Claudio Pieroni. In contrasto alle numerose richieste in Brasile di discendenti che sollecitano il riconoscimento, il console Generale di Rio de Janeiro, Ernesto Massimo Bellelli, ammette che il personale non è sufficiente. ComunitàItaliana / Julho 2007 — In Brasile, il numero di personale dei consolati è lo stesso di altri luoghi nel mondo. Però qui abbiamo una domanda molto superiore di richieste di riconoscimento, il che non succede, normalmente, negli altri paesi. Per questo abbiamo queste attese — analizza Bellelli. Il senatore Edoardo Pollastri, eletto dagli italiani che vivono all’estero, concorda: — Il personale si occupa non soltanto di queste attività, ma di una serie di altri servizi per chi è già cittadino italiano. In un recente convegno in America Latina, il direttore generale dell’Immigrazione del Ministero degli Affari Esteri, ambasciatore Benedetti, ha detto che la rete consolare dell’America Latina dispone di 300 impiegati, di fronte a più di un milione di iscritti nel registro, cioè un impiegato per ogni 3,5 mila cittadini italiani, a cui debbono essere sommati i discendenti che richiedono la cittadinanza. Non bastasse l’attesa nelle file, abbiamo un’altro ostacolo in vista, che può minacciare il sogno dei discendenti di immigranti: una proposta di cambiamento della legislazione per limitare alla terza generazione il diritto al riconoscimento della cittadinanza italiana. Nel caso sia approvata, la nuova regola può essere applicata ai processi già in andamento. Nella coda da due anni, il musicista Guto Goffi, del gruppo Barão Vermelho, considera ingiusta questa proposta di limiti. Il suo processo affronta già una complicazione: nei documenti del suo bisnonno il nome era stato registrato con un errore quando si è naturalizzato brasiliano. — Sarebbe pessimo perdere questo diritto di diventare cittadino italiano, perché ho dentro di me il sogno di, un giorno, vivere in Italia e investire nel paese dei miei avi — rivela il rocker. Ma tutto può migliorare In visita in Brasile, il vice ministro degli Affari Esteri dell’Italia, Franco Danieli, ha assunto su di sé l’impegno di dare forza alla rete consolare in America del Sud e in Brasile in special modo. Ci sono misure già approvate, come l’aumento del 50% nel quadro di personale dei consolati, la contrattazione di centrali telefoniche per call-center e l’informatizzazione degli archivi e dei servizi. — Per ora non abbiamo niente di concreto; sono progetti — chiarisce, comunque, il console Bellelli, sulle prospettive di cambiamenti. Intanto, negli Stati Uniti... Oltre ai tanti problemi, c’è anche un nuovo ostacolo per chi ha già ottenuto il documento come cittadino italiano. Durante il suo viaggio in Brasile, il vice ministro Franco Danieli ha detto che “gli Stati Uniti studiano modi di impedire l’ingresso di cittadini italiani i cui passaporti siano stati rilasciati in America del Sud”. — Immagino che gli Stati Uniti temano, in questo modo, che le persone dell’America Latina si approfittino della legge americana, perché essa non esige dai cittadini italiani il visto d’ingresso nel paese. Ossia, in questo modo molti, dall’America Latina, possono richiedere la cittadinanza [italiana] per entrare là liberamente — deduce il senatore Pollastri, per ciò che concerne le possibili ragioni per l’imposizione di difficoltà da parte degli americani. La consorte del console generale degli Stati Uniti a Rio de Janeiro, Elisabeth Lee, ha affermato che “argomenti di questa natura non vengono trattati dal consolato, ma dal Department of Homeland Security” che, fino alla chiusura di questa edizione, non ha risposto alle sollecitazioni di chiarimenti su questo tema. Batuque na cadeia Presidiários se encantam com a cadência do samba, em show ao vivo, em Milão A cadeia rendeu-se à cadência do samba. Ao menos na penitenciária de San Vittore, em Milão, mesmo sendo mais do que meia hora. Isso aconteceu durante o espetáculo intitulado Sing Sing, no qual se revezaram, em palco armado intra-muros, 13 bandas latinoamericanas, no fim de junho. O grupo de percussão brasileiro Mitoka Samba – a despeito do quase anonimato no país natal – caiu no agrado da maioria dos 1.250 presos que puderam ouvir, entre outros, sambas de Gonzaguinha. Melodias e letras não foram escolhidos por acaso: o evento teve o propósito de mexer com os sentimentos dos apenados, com mensagens de otimismo. Pouco mais de 200 dos condenados puderam assistir ao show bem de perto, em frente ao palco. Outros tiveram de se resignar em acompanhar o espetáculo do alto, pelas grades de celas com vista para o pátio, montado no campinho de futebol do presídio. Enquanto isso, para os demais, havia apresentações simultâneas Guilherme Aquino Correspondente • Milão de outras bandas em três espaços dentro das galerias. — É uma experiência muito forte. Eu nunca tinha entrado aqui não. Só tinha passado em frente à porta — revela Karl dos Santos, líder do Mitoka Samba, antes de se apresentar. O sambista teve que ultrapassar 13 grades e portões de ferro para chegar ao palco. Cada um com o seu vigilante e suas chaves. Tudo monitorado com câmeras de televisão em circuito interno. Todos os visitantes - entre convidados especiais, jornalistas credenciados e artistas - foram obrigados a deixar os celulares na recepção e a passar por uma rigorosa revista com aparelhos de raio X. De acordo com a direção do presídio, um dos objetivos do evento é promover a integração, principalmente entre os presidiários estrangeiros. — A música agrada e agrada a todos. Na edição deste ano, temos bandas étnicas para tentar chegar aos nossos “hóspedes” de outros países. Este é um modo importante de integração e que conseguimos realizar com a ajuda da Província de Milão — explica a diretora de San Vittore, Gloria Manzelli. Questões geográficas ditaram o ritmo do evento, inclusive nos critérios de escolha das bandas participantes. Foram 13 no total, incluindo uma do Magreb. Em San Vittore, há presos dos cinco continentes. Os brasileiros são a minoria, menos de 10% do total. A maioria, presa por causa de tráfico de drogas. Entre os duzentos “convidados” do show do Mitoka não havia ape- nas brasileiros, mas muitos latinoamericanos, que entendiam as letras e mostravam alguma ginga nos pés. Alguns até ensaiaram passos de capoeira, para preocupação do guardas. Ao som da banda de rock Francobranco, os presos puderam, aplaudir um dos seus carcereiros, o guitarrista Franco Carnavale, o uniforme habitual substituído pela indumentária de roqueiro. No contraponto, também participou do Sing Sing um grupo criado dentro de San Vittore, o Vip Sound , que “atacou” de rap, com Abuso de Poder, espécie de hino entre os condenados. — Somos a voz do cárcere, cantamos a desilusão e a esperança. Me perguntaram se eu sabia tocar algum instrumento. Eu disse que não, então comecei a cantar. Fazemos isso com o coração e não para atrair a atenção. Nós apenas somos a expressão de quem está preso aqui. Estou muito feliz de ter esta oportunidade de mostrar, não um talento, porque não o temos, mas aquilo que somos capazes de fazer, mesmo estando trancados aqui — revela um dos integrantes da banda, Pedro Gondogo, nascido em Santo Domingo, com nacionalidade americana e cumprindo três anos de prisão por tráfico de drogas. O mal estar sofrido pelo jovem cantor Simone Cristicchi, ao pisar dentro de San Vittore, abriu um buraco na programação, mas ele foi substituído por uma nova apresentação do Mitoka Samba, que improvisou canções de reggae jamaicano com arranjos de samba. A batucada em homenagem ao mestre do ritmo Bob Marley pegou o público de surpresa e contagiou o ambiente com alegria e nostalgia. Das celas, os presos aplaudiam e acenavam para aqueles que, do campinho de futebol, foram ao presídio transmitir alegria e esperança. Entre os detentos, muitos latino-americanos mostravam ginga no pés Julho 2007 / ComunitàItaliana 35 atualidade atualidade O Guilherme Aquino Correspondente • Milão — Vencemos a nossa batalha e, agora, Ravello poderá contar com atividades culturais durante os 365 dias do ano e não apenas nos meses de verão com o Festival — diz o presidente da Fundação Ravello, Domenico De Masi, o defensor “número um” da obra de Niemeyer. O canteiro de obras foi aberto no começo deste ano, por coincidência, o mesmo em que o arquiteto comemora o seu centenário. Ele, que nunca colocou os pés em Ravello, criou um pro- jeto adequado, perfeitamente, ao cenário cinematográfico de uma das paisagens mais belas da Itália. — Foram centenas de vídeos e milhares de fotos levados a Niemeyer. Muitos grandes arquitetos criaram obras maravilhosas sem terem visitado pessoalmente o local — destaca Domenico De Masi, que classificou como uma aberração a hipótese de um estacionamento no lugar. O futuro auditório vai estar a cem metros da famosa Villa E le chega devagar, ergue suavemente a cabeça e com o olhar cumprimenta os presentes na sala projetada para unir funcionalidade e bem estar. A dificuldade na locomoção não faz supor a rapidez com que seus pensamentos se concretizam no papel. Oscar Niemeyer está em seu escritório, onde a simplicidade ambiente valoriza a paisagem da vasta janela aberta para o mar de Copacabana, Zona Sul do Rio. A percepção do peso de seus 99 anos vem à tona quando ele repousa numa cadeira, para conceder entrevista a uma equipe de TV italiana. O depoimento vai ser transmitido durante a festa pelos 100 anos da tradicional Editora Mondadori, em 26 de julho. Também nesta data haverá o lançamento do livro Oscar Niemeyer - Il Palazzo Mondadori, no qual o arquiteto - cujo centenário coincide com o da editora - discorre sobre os meandros da construção daquela que ele considera a sua principal obra na Europa. Pouco depois da entrevista, Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares ou, simplesmente, Oscar Niemeyer, recebeu, ali mesmo em seu escritório, o título de Grande Oficial da Ordem de Ossi. A honraria é oferecida pelo governo italiano a estrangeiros que obtêm destaque na Itália, caso do arquiteto famoso pela silhueta sempre sinuosa de suas obras. Ciceroneando a comitiva italiana - da qual faziam parte o Sílvia Souza cônsul da Itália no Rio, Massimo Bellelli, e a consulesa Matilde, além do governador do estado Sérgio Cabral - o embaixador da Itália no Brasil, Michele Valensise destacou como se sentia diante do criador de Brasília. — Brasília é a cidade concebida para o homem ser feliz. Apesar de ser fã do Rio de Janeiro de vistas deslumbrantes, sintome orgulhoso por estar diante do homem que projetou a cidade onde trabalho e vivo. Ao representar o presidente Giorgio Napolitano quero enfatizar o carinho, a simpatia e a admiração do povo italiano por Niemeyer, pessoa de atributos artísticos e humanos incomparáveis — afirma Valensise, sobre o arquiteto latino-americano mais estudado na Itália. Falando mansamente e em voz baixa, o carioca Niemeyer ainda se lembra do momento em que recebeu o convite para projetar o prédio da Mondadori. — É a obra na Europa de que mais me orgulho em toda a Europa. O Giorgio, dono da editora, era um homem inteligente e es- “É a obra (o prédio da Mondadori) de que mais me orgulho em toda a Europa” Ladeado por Valensise e Cabral, Niemeyer é homenageado pela Itália perto. Ele viu a sede do Itamaraty e me chamou para projetar o prédio da editora. As colunas da Mondadori são como uma série musical. Eu fui variando o espaçamento. Empenhei-me muito naquele trabalho e não sei se fiz outra obra com igual espírito — conta o arquiteto, revelando ainda que as sensações de surpresa e até mesmo de espanto das pessoas diante da obra o fazem preferila em relação às dezenas de trabalhos de sua autoria construídos por todo o mundo. Niemeyer ainda se recorda de que, depois do primeiro almoço que teve com o dirigente da empresa, na Itália, ele e Giorgio Mondadori jogaram futebol, uma paixão em comum. O mestre do modernismo guarda em sua história ainda mais intimidade com a Itália: o seu primeiro casamento o uniu a uma filha de imigrantes oriundos da região de Pádua. Como sempre ocorre nessas ocasiões, o militante comunista Niemeyer aproveitou as atenções voltadas para ele, durante a sua condecoração, para discorrer, sentado na mesma cadeirinha de madeira, sobre a situação política no Brasil. Manifestou as suas esperanças por mudanças significativas no sistema educacional e econômico, renovadas pela eleição de um presidente da classe operária. Na opinião dele, o Brasil tem sido uma referência na resolução de problemas comuns à América Latina. Se não perde o senso político, Niemeyer também não nega a origem da chama que mantém acesa a sua jovialidade: — O mundo vive em função do inesperado e o capitalismo facilita a existência de mazelas na sociedade. O negócio é ter uma mulher do lado e seja o que Deus quiser. Faço 50 anos todos os dias, mas não quero festa. Ser útil e saber viver a vida é o mais importante. Agora, se tivesse que fazer um desenho faria o de uma mulher bonita — graceja. Guilherme Aquino terreno debruçado sobre a costa Amalfitana traz as pegadas dos operários e as marcas das rodas dos caminhões e das lagartas dos tratores. Depois de sete anos de batalhas e recursos judiciais, por parte de associações ambientais, o auditório projetado pelo arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer começa a sair do papel. No lugar do espaço cultural, estava prevista, originalmente, a construção de um estacionamento de carros. Governo italiano celebra Oscar Niemeyer no centenário do mestre e o artista credita ao prédio da editora Mondadori, na Itália, o título de sua obra mais importante na Europa Divulgação Depois de sete anos de luta judicial, começam as obras para o auditório de Ravello, projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, na costa Amalfitana Arquiteto do mundo Bruno de Lima Quando o homem e a natureza se integram Rufolo, onde acontece o Festival de Ravello. Pode-se chegar à Villa por um portão de grades ou atravessar o túnel todo decorado com cartazes dos primeiros eventos - de uma série iniciada no último dia 29 e com fim previsto para o dia 8 de setembro. No período, Ravello se transforma numa das principais capitais da cultura mundial. São 800 artistas, como Carol Rama, Yoko Ono e a brasileira Luzia Simons, distribuídos em 76 eventos de cinema, teatro, arte, dança e música. Eles vão incrementar o verão na Costa Amalfitana, em pontos como a Villa Cimbrione, a Piazza San Giovanni e o Duomo. Entre os cartazes, destaca-se um, com o rosto do arquiteto Niemeyer, homenageado pelo Festival. No lugar dos sons das britadeiras e das escavadeiras, utilizadas na preparação do terreno destinado ao auditório, surgem os acordes da orquestra sinfônica do teatro Regio di Parma. O concerto pareceu embalar o sonho do projeto de Niemeyer. O palco projetado sobre os jardins da Villa Rufolo, no alto de um desfiladeiro rumo ao mar, é obra de engenharia artística. Dentro de uma das salas com janelas voltadas para os jardins, uma exposição apresentou os primeiros desenhos do arquiteto. Quando pronto, o teatro terá capacidade para 500 pessoas, a platéia perfeitamente encaixada no terreno em declive. A obra contemporânea, concebida com a delicadeza e o cuidado extremo de não interferir na paisagem local, deverá se tornar, no entanto, uma referência. Um foyer projetado sobre o vazio deu o toque “rufoloniano” ao auditório, templo da música suspenso entre o céu e o mar. 36 ComunitàItaliana / Julho 2007 Julho 2007 / ComunitàItaliana 37 Firenze notizie Giordano Iapalucci Nuovo portale per la Farnesina U Max Pucciariello n “salto di qualità” sotto il profilo della “trasparenza dell’informazione” e, al tempo stesso, una “grandissima sfida che investe la qualità e la tempestività” di quanti lavorano al ministero degli Esteri. Così Massimo D’Alema, al battesimo del nuovo portale della Farnesina (www.esteri.it) che - insieme agli oltre 300 siti delle Ambasciate, Consolati ed Istituti di Cultura, e ai vari siti collegati (da ‘Dove siamo nel mondo’ al ‘Portale della cooperazione’) - vuole avvicinare il ministero e la politica estera ai cittadini favorendo la fruizione dei servizi forniti dal network “Mainet’, attraverso una navigazione semplice ed intuitiva. Momix arà presente, per il circuito “Operafestival 2007” una delle compagnie di danza più originali e creative che da ormai vent’anni offrono coreografie uniche e che fanno dei danzatori veri e propri illusionisti della scena: si tratta di Momix. Il balletto, sotto la colonna sonora del film di Martin Scorsese “L’ultima tentazione di Cristo”, riprenderà ritmi e andature medio-orientali miste a suoni sintetizzati, il tutto unito ad una coreografia ascetico-intimista. La musica di Peter Gabriel si sposa poi con le scene dello statunitense Moses Pendleton. Lunedì 23 e martedì 24 luglio presso il Giardino di Boboli. Ingresso: dai 30 ai 42 euro. www.festivalopera.it Bruno de Lima S Il ministro Carlos Lupi fra il console Massimo Bellelli ed il presidente dell’Unione Italiani nel Mondo in Brasile, Plinio Sarti Letteratura disegnata di Hugo Pratt Reprodução S New York City Ballet I l 30 luglio presso il parco di Palazzo Pitti sarà possibile ammirare la compagnia di balletto “New York City Ballet”, che dal 1934 calca i palcoscenici del mondo. Le opere rappresentate (“Apollo”, “Tchaikowsky pas de Deux”, “Diamonds”, “Junk Duet” e “Who Cares?”) saranno un omaggio a George Balanchine che insieme a Lincoln Kirstein fondò lo storico corpo di ballo. Giardino di Boboli ore 21.15. Prezzi:30, 35 e 42 euro. Prenotazioni e acquisto biglietti presso www.festivalopera.it 38 ComunitàItaliana / arà presente al Forte Belvedere di Firenze dal 4 al 31 agosto 2007, la mostra di uno dei personaggi più amati del fumetto italiano, Corto Maltese, in occasione dei 40 anni dalla sua nascita. L’esposizione, organizzata nell’ambito di “ForteDavvero” celebra la penna di Hugo Pratt con le sue tavole a china e acquerelli che vogliono dare al visitatore l’idea di un personaggio complesso fatto di accostamenti tra citazioni letterarie e divertimento, tra documentazione storica e passaggi ironici e pieni di fantasia. Saranno presenti anche proiezioni di video che animeranno così il percorso espositivo. Dalle 17.00 alle 24.00. Ingresso gratuito. Barocco Fiorentino Greg Wyatt R esterà aperta tutta l’estate la mostra sulla “Teatralità nel Barocco Fiorentino” che vede esposti 17 capolavori, della collezione Luzzetti, della pittura fiorentina del diciassettesimo secolo. Nell’esposizione sarà possibile ammirare, tra le tante, opere degli artisti del calibro di Cristofano Allori, Cesare Dandini, Lorenzo Lippi e Santi di Tito e di Mario Balassi in cui emerge la teatralità in gesti concitati, costumi sfarzosi e adornati in un incedere teatrale in cui non manca una dose di introspezione psicologica e l’attenzione verso la natura. Museo Archeologico e d’Arte della Maremma a Grosseto. 10/13-17/20. 5 euro. Julho 2007 P er il programma estivo fiorentino “Fi.Esta 2007” verrà presentata la mostra “Burnham Wood” di Greg Wyatt, scultore nordamericano che dal 1974 durante una sua visita in Italia ha deciso di accostarsi nelle sue opere ai grandi maestri del rinascimento italiano e alla tecnica della fusione del bronzo. Esposizione divisa in due parti in cui si fondono lo stile classico e quello neorealista americano: la prima presso il Consiglio della Regione Toscana in Via Cavour, 2 (15.00-19.00) e la seconda al Forte Belvedere (17.00-01.00) da dove è possibile ammirare anche un bello scorcio cittadino tra il verde collinare. Fino al 31 agosto. Ingresso libero. Scambio e collaborazione A l fine di stabilire una cooperazione tra Brasile e Italia, nell’ambito delle politiche attive per il lavoro e per la formazione professionale dei giovani, ha visitato questo mese Italia Lavoro il ministro del Lavoro Brasiliano, Carlos Lupi, che si è riunito con l’amministratore delegato Natale Forlani, e con il responsabile del progetto “Occupazione e Sviluppo della Comunità degli italiani all’estero”, Federico Lazzarini. Presenti anche il responsabile dell’ITAL-UIL Brasile, Fabio Porta, il capo di gabinetto del ministro del Lavoro brasiliano, Marcelo Panella, ed il presidente dell’Unione Italiani nel Mondo, Plinio Sarti. Il ministro ha sottolineato l’importanza di questo incontro che gli ha consentito una migliore conoscenza della metodologia d’intervento di Italia Lavoro per l’assistenza tecnica ai servizi per il lavoro, valorizzando le storiche relazioni tra Italia e Brasile. In questo clima di scambio e collaborazione, ha visitato la sede di Italia-Lavoro anche Renato Ludwig de Souza, direttore del Dipartimento delle Politiche del Lavoro e Impiego per i Giovani del Ministero del Lavoro e Impiego (MTE). Nella sua visita ha presentato l’azione del Programma Nazionale a favore del Primo Impiego (PNPE) per la qualificazione sociale e professionale dei giovani con bassa scolarità, insieme alle esperienze e ai risultati positivi ottenuti con i Consórcios Sociais da Juventude (Consorzi Sociali della Gioventù), con il Projeto Juventude Cidadã (Progetto Gioventù Cittadina) e Empreendedorismo Juvenil (Imprenditoria Giovanile). In Brasile, Lupi partecipa attivamente agli incontri con la comunità italo-brasiliana. Perciò un mese prima, aveva già ricevuto il titolo di giornalaio onorario del Consolato Generale d’Italia a Rio de Janeiro, avendo già appartenuto alla categoria e, inoltre, essendo discendente di italiani. — Dedico questo omaggio a mio nonno, che era italiano e che ha cominciato la sua vita qui con molto lavoro, fede e speranza. Quando ho iniziato come giornalaio, ho sempre creduto all’entusiasmo dimostrato dalle mie origini. Sono orgoglioso di avere sangue italiano — rivela Lupi. (R.C.) Julho 2007 / ComunitàItaliana 39 história tecnologia Fotos: Divulgação De volta para o futuro Pesquisadores criam programa de simulação no computador que reproduz imagens de como seria a Roma antiga no presente Nayra Garofle P ercorrer as ruas de Roma e entrar numa das casas, sem pedir licença, só para observar detalhes na decoração de cada cômodo, a louça na cozinha, o brinquedo no quarto de criança, o afresco na parede da sala de estar. Entrar em um mercado e verificar a variedade de alimentos e de outros produtos de consumo doméstico em exposição. Num bordel, observar o ambiente preparado para a realização de fantasias, as mais secretas. Não, ainda não existe uma máquina do tempo, pelo menos tal como esta aparece, volta e meia, nas histórias em quadrinhos, nos livros e no cinema de ficção. Mas um programa de reconstrução digital já torna possível o turismo histórico virtual na cidade eterna, de modo a conhecê-la exatamente como se mostrava no pleno apogeu do Império Romano, no ano 320 d.C. Arqueólogos, arquitetos e especialistas em informática dedi- 40 caram dez anos de suas vidas ao projeto Roma Renascida. Tanto trabalho permitiu a criação de um programa capaz de reproduzir com fidelidade as características versão antiga da cidade, na época em que nela havia 1 milhão de habitantes. A equipe reuniu especialistas de universidades da Virgínia e da Califórnia, nos Estados Unidos, assim como de institutos de pesquisa da Itália, da Alemanha e da Grã-Bretanha. Na imagem tridimensional, aparece inteiro, reconstituído em toda a sua imponência, o Coliseu. A simulação também oferece uma visão perfeita do desenho original da sede do Senado, símbolo do poder romano, revelado em detalhes como a altura monumental de suas colunas. O programa exibe ainda a Basílica construída por ordem do imperador Maxentius, e muito mais. Cerca de 30 prédios foram recuperados em meio digital até agora, e elas surgem, em sua localização original, no mapa ComunitàItaliana / Julho 2007 recortado por ruas e demais equipamentos urbanos de 1687 anos atrás, além de características topográficas, ainda sem as Paredes Aurelianas. Não só a fachada pode ser visitada, como também o interior, com os adereços que compunham os ambientes. — Tudo surgiu quando vi pela primeira vez, em 1974, o grande Plastico di Roma Antica, em exposição no Museu da Civilização Romana. Meu pensamento inicial era usarmos tecnologia de vídeo para capturar o modelo de Roma na idade de Constantino e colocar esse material disponível mais abertamente. Com a chegada da tecnologia de modelagem virtual nos anos 90, foi possível criar um novo modelo digital da Roma Antiga, não diretamente oriundo do Plastico, mas por meio da captura de suas características, corrigindo os seus erros e faltas – explica o líder do projeto, Bernard Frischerdiz Frischer, que é chefe do Institute for Advanced Tecnolo- gy in the Humanities da University of Virgina, nos Estados Unidos. As informações e imagens utilizadas para a reconstrução de Roma foram obtidas por meio de mapas antigos e de catálogos que detalhavam os prédios de apartamentos, as residências particula- “O simulador vai ser atualizado a cada nova descoberta arqueológica e servir de base para estudos sobre a vida em Roma no passado distante” res, as hospedarias, os armazéns, as padarias e até os bordéis. O simulador vai passar por atualização a cada nova descoberta arqueológica. E o resultado do cruzamento dos dados fornece um cenário que pode servir de base para estudos sobre a vida na Roma Antiga. — Este é o primeiro passo na criação de uma máquina do tempo virtual, à qual nossos filhos e netos vão poder recorrer para estudar a história de Roma, assim como a de muitas outras grandes cidades do mundo — afirma Frischer. Segundo o pesquisador, até agora, estudantes e estudiosos de Roma Antiga contavam com recursos bem mais limitados, que permitiam uma visão da cidade parecida com planos 2D, seções e elevações. — É como tentar compreender a sintonia de Beethoven lendo partituras musicais. Melhor do que nada, mas isso não se com- para a poder ouvir a composição numa apresentação da Filarmônica de Berlim! O modelo promove o ensino servindo de instrumento científico para novos experimentos e descobertas. Uma vez tendo o modelo do Coliseu, podemos, por exemplo, determinar, com exatidão, quantos expectadores a construção suportava e quanto tempo levavam para chegar da entrada do estádio até os seus lugares — diz. Ele lamenta que o projeto não tenha sido concebido como um programa urbano de larga escala. Ele acredita que, nesse caso, teria sido possível alcançar o mesmo resultado na metade do tempo. — Enfrentamos o fato de que os fundos destinados a esse projeto não foram constantes. Tivemos que juntar vários presentes e doações que, dessa forma, permi- tiram a construção do modelo pedaço por pedaço, um modo lento e ineficiente de proceder, mas, na falta de uma grande doação, isso representou a única maneira prática de fazer o projeto acontecer. Os fundos que chegavam não eram suficientes para contratar mais do que cinco colaboradores em tempo integral. Na maior parte do tempo, só tínhamos duas ou três pessoas trabalhando no projeto. E, quando começamos, a tecnologia era nova, cara e não a dominávamos. Com o tempo passando, os preços foram caindo e novos hardwares e softwares apareceram — lembra Frischer. Por enquanto, estão disponíveis apenas imagens estáticas em 2D e vídeos sobre o programa no site www.romereborn.virginia.edu. Mas já está prevista a realização de um evento, na Universidade de Virgínia, para o lançamento oficial do modelo de interatividade até o final do ano que vem. — Nos próximos 12, 18 meses nós planejamos publicar o modelo interativo na internet. Isso vai requerer pesquisas inovadoras e estamos felizes por anunciar que recebemos dois anos de patrocínio — festeja Frischer. Quando o programa estiver disponível, em seu pleno funcionamento, o usuário vai poder explorar os caminhos e preciosidades arquitetônicas da Roma Antiga à vontade. Com um clique no “d”, vai se abrir uma janela com informações e reprodução de documentos arqueológicos referentes à obra em exibição na tela. — Esse aspecto me parece extremamente importante: transparência de dados é o que faz do nosso modelo um trabalho científico e, não, pura fantasia. Um dia esperamos que o usuário possa estar capacitado para traçar a evolução da cidade desde os primeiros povoados na Idade do Bronze até o século 6 d.C — profetiza o líder do projeto. Second Life O futuro da Roma Renascida pode envolver a sua integração ao já consagrado universo virtual Second Life. Há negociações com a companhia Linden Labs, na Califórnia, para que o simulador possa estar disponível no site da empresa. Tudo com um ambiente virtual e tridimensional que simula aspectos da vida real, inclusive do relacionamento humano. — A Linden Labs tem sido muito útil ao nos permitir o contato com os experientes criadores de suas plataformas. Entendi que a Linden Labs não deverá estar, tão cedo, interessada em desenvolver aplicações tais como o Roma Renascida para o Second Life. Mas estamos seguindo suas sugestões e já pegamos, há pouco, um conteúdo maior sobre como devemos proceder para que o nosso modelo possa ser passado para o Second Life — ressalta Bernard Frischerdiz Frischer. Caso o programa evolua nesse sentido, a simulação pode vir a incluir até mesmo personagens, segundo o pesquisador. O projeto comercial poderia envolver a criação de toda uma população, com milhares de figuras, algumas delas baseadas em esqueletos e em outras descobertas arqueológicas realizadas em Roma, e mesmo em toda a Itália. Exterior da Basílica Maxentius, a sudoeste do Fórum Romano Julho 2007 / ComunitàItaliana 41 capa Ismar Ingber N em sempre óbvia, e na maioria dos casos até bastante sutil, a participação italiana nos Jogos Panamericanos 2007, no Rio de Janeiro, não se limitou à torcida ardorosa de mais de 30 milhões de ítalo-brasileiros ou às dezenas de oriundi entre os competidores brasileiros. Referência mundial na organização de eventos esportivos de grande porte, a Itália contribuiu, em diversas frentes, para o sucesso dos Jogos, com tecnologia de ponta, em produtos e equipamentos com qualidade de primeiro mundo. A marca da qualidade italiana pode ser conferida em detalhes capazes de fazer diferença na estrutura do evento. Caso da academia de ginástica instalada na Vila do PAN, na Barra da Tijuca, para o treinamento dos atletas. Também a grama do campo oficial de hóquei, no Complexo de Deodoro, na Zona Oeste, foi importada da bota, assim como o piso das plataformas de salto ornamental do Parque Aquático Maria Lenk, em Jacarepaguá. A própria festa de abertura dos Jogos contou com um toque italiano. Na apresentação de dança, em meio à maioria de brasileiros, havia bailarinos do Projeto Luar, ONG nacional com representação no país europeu. 42 ComunitàItaliana / Julho 2007 Com alma (e preparo) italianos Depois de horas dedicadas à produção do visual – penteado, maquiagem e figurino – e de uma espera interminável, as jovens tinham consciência que o momento de glória duraria poucos segundos. Nada que pudesse afetar o ânimo das bailarinas Grazielle, Deborah, Nathalia e Marina. Alunas do Projeto Luar, ONG brasileira com sede na Itália, elas agarraram com unhas e dentes a chance de se apresentar na cerimônia de abertura dos Jogos. As meninas interpretaram elementos marítimos em coreografia que inundou de encantamento o Maracanã. Para viver essa breve, mas intensa emoção, as meninas não se importaram em abrir mão do lazer, e consumiram tardes e fins de semana em exaustiva rotina de ensaios, durante dois meses. A oportunidade de integrar o corpo de dança do evento resultou de um convite feito à ONG pelos organizadores da festa de abertura. Arte, línguas, esportes e cidadania são algumas das atividades desenvolvidas pelo Projeto Luar nas zonas Oeste e Norte do Rio, e na Baixada Fluminense. Sem qualquer auxílio extra de ajuda de custo, as meninas que se apresentaram na festa do PAN – alunas de dança no núcleo da ONG no bairro da Penha – tiveram de orquestrar o seu Fábio Costa Sílvia Souza Chama acesa Não por acaso, o vice-presidente da Technogym, o italiano Pierluigi Alessandri mereceu a honra de ser o único estrangeiro que participou do revezamento da tocha do PAN. Ele, que também conduziu a tocha das Olimpíadas de Turim, no ano passado, veio a Búzios, balneário na Região dos Lagos, cumprir a sua parte no trajeto da chama-símbolo dos Jogos. Alessandri não veio ao Brasil exclusivamente para carregar a tocha. Ele pretendia também travar contatos de negócios com expoentes da área econômica e esportiva do país, na Petrobras, no Comitê Olímpico Brasileiro e na A!Bodytech, a maior rede de academias do Brasil, já parceira da Technogym. Outros motivos inspiraram a emoção de Santo Marzullo, de 68 anos, por ter sido um dos três mil condutores da tocha, num trecho de 400 metros na Praia de São Francisco, em Niterói. Naturalizado brasileiro, mas nascido em Paola, na Calábria, sul da Itália, ele iniciou a carreira como judoca no Brasil, aos 18 anos. — Cheguei ao Brasil aos 14 anos de idade. Meus pais me mandaram para estudar e ficar na casa de um tio jornaleiro, em Niterói. Ingressei na vida esportiva numa idade que muitos já consideram avançada — lembra Marzullo, que, no país de adoção, serviu à Marinha, mas chegou a se dedicar exclusivamente ao judô. O percurso feito por Marzullo com a tocha, mais tarde levada à pira solar no Maracanã, vai ficar na memória do atleta, que participou, como judoca, de um Pan-americano na Venezuela, em 1974. — O esporte só pode trazer evolução social, física e moral. Quando eu teria a oportunidade de participar de um evento tão importante? É uma emoção diferente para mim, que também integrei a seleção brasileira e já formei centenas de alunos — comenta o professor, dono de uma academia da luta marcial em Niterói. Fábio Costa A presença é sutil, mas a participação italiana na preparação dos Jogos Pan-americanos 2007 agregou tecnologia de precisão e estruturas de primeiro mundo às competições nossos aparelhos. Os hotéis Copacabana Palace e Hyatt também são consumidores de nossos serviços, bem como as seleções brasileiras de vôlei e de futebol, em partidas no Brasil e no exterior. Sempre que tem uma viagem, somos sondados para montar academias nos hotéis em que as seleções se hospedam — informa Gustavo, sem modéstia. Fábio Costa PAN ‘al sugo’ Ginástica high tech Dispostos nos 600 metros quadrados do espaço destinado ao treinamento físico diário das equipes hospedadas na Vila do PAN, 100 equipamentos importados da Itália já têm destino certo depois desta 15ª edição dos Jogos. Alguns dos atletas que puderam agora experimentar os aparelhos, vão estar entre aqueles que, no ano que vem, vão voltar a utilizá-los na prática de exercícios durante as Olimpíadas da China, em Pequim. A sofisticação transparece em detalhes como, por exemplo, os monitores de televisão acoplados às máquinas aeróbicas. — A capacidade da Technogym de prover 100% de solução para academias determinou a escolha de nossa empresa pelo Comitê Organizador do PAN no Rio (CO-Rio). Temos como fornecer a estrutura, os aparelhos e a assistência técnica — explica o representante da empresa no Brasil, Gustavo Máximo. Segundo ele, os carros-chefe da estrutura são o Kinesis e o Cardio Wave, pela primeira vez em ação no PAN. O primeiro destes tem conceito revolucionário: promove o treinamento global – tornando possível a movimentação de todo o corpo, de forma natural e harmônica, em mais de 250 posições, e ainda reproduzindo movimentações de esportes, como o tênis, a vela, o judô e a natação, entre outros. Em 120 dias, a Technogym instalou a academia do PAN. A empresa está no alto do pódio nessa área específica do mercado. No ano passado, montou o parque de equipamentos de ginástica dos Jogos de Inverno de Turim. E havia feito o mesmo nas Olimpíadas de Atenas, em 2000, e de Sidney, há três anos. A empresa estima que a sua participação nos Jogos represente um crescimento de 30% em seus negócios na América Latina. — No Brasil mantemos já grandes parcerias com empresas e com clubes de futebol. A Petrobras e a Ipiranga equiparam as suas academias institucionais com produtos Technogym. Flamengo, Fluminense, Corinthians, Palmeiras e Atlético-PR são alguns dos times que treinam em Santo Marzullo caminha com a tocha pan-americana (no alto, à esquerda). Sônia e Stefano posam com o mascote dos Jogos ao fundo, enquanto Nathalia, Grazielle, Marina e Deborah bailam Julho 2007 / ComunitàItaliana 43 capa goga Sonia Círio e o sociólogo Stefano Dona bem que tentaram acompanhar o ritmo dos ensaios. Mas, por falta de horários compatíveis com seus outros compromissos na cidade, acabaram deixando de se apresentar na abertura oficial dos Jogos. — Essa mesma equipe de coreógrafos do PAN já participou de seis apresentações em abertura de eventos. Eu mesma participei da dança na abertura das Olimpíadas de Inverno de Turim, no ano passado — revela Sonia, que se dedica, desde setembro do ano passado, ao trabalho social no Projeto Luar, entidade que, em 17 anos de existência, formou mais de 1.400 alunos. No Rio até o final de agosto, os italianos se contentaram então em reforçar a torcida por suas pupilas, cuja performance acompanharam pela televisão. Grama importada Mais antigo esporte de taco e bola de que se tem notícia, o hóquei atualmente é jogado sobre patins e até sobre gelo. Pouco popular no Brasil, os poucos aficionados pelo esporte na pátria das chuteiras esperam que o PAN represente uma oportunidade de atrair mais praticantes, assim como incentivos para tornar a modalidade mais competitiva. Nesta edição dos Jogos, só haverá disputas de hóquei sobre grama. E o piso sintético, instalado no Os números do Pan: (Fonte: Diário do Rio de Janeiro/Co-Rio) 34 esportes 5.602 atletas 2.252 medalhas de ouro, prata e 51 cidades brasileiras receberam a tocha, transportada bronze 15 mil voluntários 28,5 por 3 mil pessoas durante 50 dias 15 mil trabalhadores temporários e permanentes empregados 29 instalações de competição, 15 de locais de competição treinamento e 17 não-esportivas 98 lanchonetes, três choperias 110 mil refeições por dia, entre café da e quatro áreas VIP manhã, almoço, jantar e lanches, no restaurante da Vila Panamericana, com capacidade para 2.250 pessoas e mais de 400 pratos diferentes por semana 55 lojas oficiais, duas lojas, uma megastore (mais de 500 produtos licenciados) e uma loja virtual 5 mil computadores 600 câmeras de monitoramento 420 mil metros quadrados de área na Vila Olímpica, com 17 edifícios e 1.480 apartamentos de um a quatro quartos, com 7.952 camas 271.080 rolos de papel higiênico, 271.080 sabonetes, 1.610.280 copos descartáveis, 1.514 purificadores de água, 107.392 sacos de lixo e 7.453 lixeiras 1.400 testes anti-doping. onde crianças e jovens vão praticar esportes. que vem a ser o primeiro campo oficial do esporte do país, no Complexo Esportivo de Deodoro, é legítimo produto italiano. A grama foi encomendada a Limonta Sport, empresa especializada na produção de pisos para instalações esportivas e homologada pela Federação Internacional de Hóquei sobre Grama (FIH). De acordo com Márcio Veiga, diretor técnico da Recoma, a distribuidora exclusiva da Limonta Sport no Brasil, o novo Centro de Hóquei em Deodoro conta com dois campos sociais para a prática do esporte, numa área total de 13 mil metros quadrados. — A Limonta Sport é um dos maiores fabricantes europeus de grama esportiva, com campos aprovados pela Federação Internacional de Hóquei — afirma Veiga. O hóquei bem que se parece com o futebol: as partidas são divididas em dois tempos de 35 minutos e disputadas por dois times de 11 jogadores. Vence quem mais acertar, com tacos, as bolas Os oriundi: Bruno Carvalho - Sepan / ME ComunitàItaliana / Julho 2007 Ana Flávia Sgobin (BMX) e Luciano Pagliarini, Rafael Andriato, Otavio Bulgarelli (todos na estrada) e Tayane Mantovaneli (pista). Esgrima: Deise Falci e Lívia Lanzoni. Handebol: Deonise Fachinello, Leonardo Tezzelli Bortolini, Jardel Pizzinatto e Alexandre Morelli. Hóquei sobre Grama: Ana Luisa Bernacchi, Helena Betolaza, Liz Meneghello, Mariana Bonifacino, Alexandre Belloni e Thiago Zenari. Judô: Danielle Zangrando. Luta GrecoRomana: Renato Migliaccio. Maratona Aquática: Marcelo Romanelli. Natação: Fabiola Molina, Flávia Delaroli, Lilian Cerroni, César Cielo, Eduardo Deboni e Lucas Salatta. Nado Sincronizado: Lara Puglia. Pólo Aquático: Cecília, Manuela e Marina Canetti, Fernanda Lissoni, Bruno Nolasco, Daniel Mameri, Lucas Vitta e Lu- Gramado do hóquei foi trazido pela italiana Limonta Sport. Juliana Veloso (ao lado) pediu piso antiderrapante da Mondo Corre sangue italiano nas veias dos competidores brasileiros nas mais diversas modalidades em disputa nos Jogos do PAN. Vale a pena ficar de olho nos nomes de alguns atletas oriundi que a Comunità selecionou: Atletismo: Carlos Ficagna (nos 3 mil metros com obstáculos), Ivan Scolfaro (Decatlo) e José Alessandro Bagio (nos 20 mil metros em marcha). Ciclismo: 44 dentro de um gol. Caso uma partida decisiva termine empatada, há uma prorrogação de dois tempos de sete minutos e meio cada. Se o empate persistir, a decisão ocorre na cobrança de pênalti. O jogo também se assemelha ao futebol no sistema de pontuação: três pontos para vitória e um para o empate. Segundo a Secretaria Especial para os Jogos Pan-Americanos (Sepan), o Complexo Esportivo de Deodoro, localizado em área militar, recebeu um investimento de R$ 119,8 milhões do governo federal, para a construção de quatro centros esportivos permanentes, entre estes o Centro de Hóquei sobre Grama. De acordo com a Sepan, a gestão dos jogos PAN e Parapanamericanos Rio 2007 foi feita de modo a deixar um legado permanente. No complexo, atletas de alto rendimento vão passar a ter centros de excelência para treinar e competir, sem precisar sair do país. Além disso, entre outras iniciativas, estuda-se a criação de Núcleos de Esporte de Base, Uma, duas piruetas... Saltar de alturas de 3 a 10 metros e desafiar a gravidade em múltiplos movimentos, alguns livres, outros obrigatórios. Realizar tudo isso e ainda mergulhar com suavidade e elegância. Uma derrapada imprevista e lá se vão, por água abaixo, preciosos décimos ou centésimos de pontos, ameaçando o sonho de subir ao topo do pódio. Desconfiada, ainda durante os treinos, da falta de aderência no carpete de seu trampolim e de sua plataforma de saltos, no Parque Aquático Maria Lenk, a saltadora Juliana Veloso decidiu, às vésperas do PAN, reivindicar a troca do piso, por ela considerado “inadequado e escorregadio”. A iniciativa da atleta provocou polêmica – colegas de modalidade julgaram a exigência desnecessária. Mas a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) atendeu prontamente à queixa e a empresa italiana Mondo substituiu o forro original por um mais áspero. Depois de duas trocas, Juliana, enfim, sentiuse segura para saltar. O antiderrapante das plataformas e trampolins se assemelha ao que costuma ser utilizado em competições de atletismo. A Mondo é referência em qualidade desse tipo de piso, já contratada para fornecê-lo em outras competições internacionais. — Não queremos que haja uma vítima de reclamação. Essa queixa não era dos outros atletas, somente dela. Mas nosso interesse é fazer a coisa correta. Mandei buscar o melhor. Acabou Julho 2007 / Divulgação — Estou há oito anos no projeto e a maior dificuldade de lidar com meu lado italiano se dá no cuidado com a alimentação: amo tudo que é voltado para a massa — conta ela, que tem avó italiana. Também netas de italiano, as irmãs Nathalia e Marina Moraes, de 16 e 15, são fãs da organização e das evoluções sociais do país do avô e sonham com o dia em que vão poder conhecer a Itália. As meninas se deslumbraram com a chance de apresentar o seu talento para cerca de 90 mil pessoas no PAN. — Não tem dinheiro que pague o que sentimos quando chegou a confirmação de que participaríamos mesmo da festa. Oportunidades assim são pra guardar na memória. Nossa mãe vai até cumprir plantão extra para folgar no dia do ensaio geral — diz Nathalia. Italianos voluntários da ONG de passagem pelo Rio, a peda- Bruno Carvalho - Sepan / ME tempo para participar dos ensaios, sem deixar de dar atenção à escola e ao convívio em família. Que o diga Deborah Silva, de 17, que, em outra ocasião, teve que vencer a resistência inicial dos pais para realizar o sonho de viajar para a Itália, em programa de intercâmbio de alunos brasileiros e italianos promovido pela ONG. — De início, meus pais não queriam que eu fosse, mas depois caíram em si e perceberam que a oportunidade era única. Passei por várias cidades e, entre elas, Milão. Eu me apeguei muito às pessoas e àquela manifestação cultural. Os italianos sabem receber muito bem — destaca a jovem, apaixonada por dança, acrescentando: — É algo que se eu deixar de fazer, minha vida vai perder graça. Para Grazielle Coelho, de 15, difícil é conciliar a boa forma com a degustação “sem culpa” da típica comida italiana. a polêmica. Agora, espero que Juliana e outros saltadores da Seleção se preocupem apenas com a competição — declara o presidente da CBDA Coaracy Nunes, pouco antes do início dos Jogos. Prata na plataforma e bronze no trampolim de 3 metros, em Santo Domingo, Juliana não se calou perante as críticas: — Esse piso tem uma aderência quando molha. Testamos, e é bom. Todo mundo dizia que apenas eu estava reclamando, mas todos aprovaram esse. Eu tinha um plano B se ficasse o escorregadio. Faria um salto parada e não correndo. Foi crítica construtiva, visando segurança e o melhor. ís Maurício Capelache. Remo: Caroline Beloni, Fabiana Beltrame, Kissia Cataldo, Luciana Granato, Anderson Nocetti e Leandro Tozzo. Saltos Ornamentais: Hugo Parisi. Squash: Mariana Pontalti e Thaisa Serafini. Taekwondo: Natalia Falavigna. Tênis: Flávio Saretta. Tiro com arco: Marcos Antonio Bortoloto. Tiro Esportivo – prato (skeet): Daniela Carraro e Wilson Zocolote. ComunitàItaliana 45 il lettore racconta arte Arquivo pessoa l no is próspera a m a id v a um tir de A esperança de ília ao par m fa a m e g e cora por, Brasil muniu d ico, num va t n â l t A o 8. N re Gênova em 190 filhos, ent o r t a u q s u e es ma de Albino, Maria nça com al ia r c A . o c o Ferru mais eles o menin tórias – ja is h e d r o d io conta sua poeta – exím na hora da o m s e m m e xistir. N e, ele deixou de e que saudad o d is a M 93 anos. valor morte, aos lição: a do a m u tos e filhos e n deixou aos isas. pequenas co s a d l e v á inestim epórter Depoimento à r an Paula Máir Q uatro horas da tarde, hora da janta. A noite na casa dos meus avós começava ainda sob os raios do sol. A mesa de madeira rústica ladeada por bancos igualmente toscos recebia as panelas fartas e fumegantes recém-saídas dos buracos de um enorme fogão à lenha, gerenciado magistralmente pela minha avó materna. No alpendre da casa sem luz elétrica, de onde era possível ver ao longe a cachoeira do Roncador e o verde molhado dos pastos vizinhos, eu e meus primos ouvíamos atentos as histórias do meu bisavô Ferruco, pai da minha avó, o último dos oriundi vivo na família. Ele misturava verdade, ficção e licença poética, nomes reais como o de sua mãe Maria com personagens como o Sr. Macaco e a Dona Coelha. Éramos interrompidos. “Magnare!” , bradava minha avó em um italiano que eu nunca soube se era um resquício do dialeto milanês, ou a norma culta adaptada pelos imigrantes tão intrépidos quanto iletrados, o m “ angiare” pronunciado em sua forma mais despojada. A pasta e a polenta, o macarrão e o angu ganharam receitas da roça e passaram a dividir espaço com o arroz, o frango refogado coberto de cebolas (às vezes com quiabo), o tutu, o torresmo e a couve à mineira. Ouvia-se então uma polifonia que misturava as histórias do meu bisavô às negociações do meu avô, às preocupações domésticas da minha avó, às novidades dos meus pais e tios, à algazarra das crianças... 46 ComunitàItaliana / Reconhecer a voz do meu bisavô era fácil. A dificuldade com o plural do idioma anfitrião lhe fazia pronunciar o s ao final de cada palavra, como quem decidisse que, pelo sim e pelo não, todas as palavras se tornariam plurais, como era plural a sua vida. No convés do vapor que saiu de Gênova em 1908, o menino de 9 anos ignorava a empreitada dos pais, em busca de prosperidade. Para ele, o melhor era fugir do frio, ainda que, entre as serras capixabas, a umidade lhe fizesse desistir do banho no inverno. Na maturidade, deliciava-se ao repousar os pés nus no parapeito da janela para tomar os primeiros raios de sol da manhã. O brilho dos seus olhos era compartilhado pelo amigo Victorino, companheiro de travessia. A amizade, iniciada no vapor, seria longeva. Mal cabiam em si diante da expectativa de chegar ao o“ utro lado do mar”. Vinham cantarolando uma canção que aprenderam ou que inventaram, tornando o trajeto menos tedioso. Albino Rizzi, sua mulher Maria e seus filhos Luigi, Ferruco, Artur e Ricardo desembarcaram no Rio de Janeiro ao final de 1908, de onde seguiram por terra até Tombos em Minas, para mais tarde se estabelecerem no sul do Espírito Santo. Aos 90, meu bisavô já não contava suas histórias com a mesma disposição. A memória amiúde lhe faltava, a vitalidade se esvaia. A festa para homenagear-lhe os feitos da vida não lhe despertava arremedo de entusiasmo. Julho 2007 Quando Ferrucco foi internado aos 93 viu de perto, pela primeira vez, o leito de um hospital. A turba de familiares se revezava a acompanhar-lhe a luta num quarto que, a despeito das cores frias, até lembrava a cozinha da minha avó, tamanho o burburinho. Ele não esmorecia. Parecia protelar a partida. Aquela recusa começava a preocupar, afinal, o frágil corpo jazia preso a bisnagas de soro e sem esboçar reação aos medicamentos. O padre já lhe havia concedido a extrema unção. Foi então que um dos primos se lembrou das suas histórias e de Victorino, àquela altura seu compadre. A canção que ambos entoaram no vapor, 84 anos antes, motivara um pacto. Nenhum dos dois morreria sem que a cantarolassem juntos uma última vez. A família mobilizou-se para buscar o velho Victorino. No leito do meu bisavô, ele começou a cantar a melodia, seus lábios trêmulos. Ferruco mansamente saía do seu torpor para juntar-se ao amigo num dueto suave. Ah, se soubéssemos a letra da cantiga... nos juntaríamos a eles. Mas nos limitamos a ouvir apreensivos, até que era possível ouvir apenas uma voz. Victorino seguiu cantando, olhos fixos no meu bisavô, acompanhado por nossos olhares pálidos e quase incrédulos. Meu bisavô havia partido, como um menino, fiel ao trato que fizera na infância. Das vielas cariocas aos canais de Veneza Bienal de Artes na cidade italiana revela obras de dez artistas brasileiros. Destes, dois são jovens moradores de uma favela no Rio C Guilherme Aquino Correspondente • Milão enário recorrente de gravação de filmes e novelas – em função da paz consolidada na comunidade, livre do domínio armado de traficantes, desde o início desta década - o Morro do Pereirão, em Laranjeiras, Zona Sul do Rio, tornou-se, ele próprio, obra artística. No lugar do Cristo Redentor, do Pão de Açúcar e da Baía de Guanabara, o que se passou a ver em torno, no entanto, foi uma paisagem recortada por históricos canais, com suas idílicas gôndolas. Em forma de maquete, a favela conquistou espaço nobre nos jardins da Bienal de Artes de Veneza, bem em frente ao pavilhão dos Estados Unidos. A multicolorida representação em miniatura, nem tão miúda assim com os seus 13 mil tijolos e 80 quilos em elementos, acabou roubando a cena no mais importante evento internacional de arte contemporânea. Dez artistas cariocas se transferiram para Veneza com a missão de montar o mosaico de casas de tijolos, exposto na Bienal de 13 de maio a 10 de junho. Moradores até hoje do Pereirão, os irmãos Nelcilan Souza de Oliveira, de 24 anos, e Maycon, de 17, orientaram todo o processo de criação. Nada foi esquecido: escola, creche, hospital, lanchonete, campo de futebol, casas, motel, quadras de baile funk, bocas-de fumo, postes de luz, vielas, escadarias, biroscas e um batalhão da Polícia Militar. Até mesmo um Caveirão, apelido do tanque blindado utilizado pela polícia em incursões a favelas, podia ser visto ali, embora a violência não seja mais uma referência do lugar, ocupado pela polícia em caráter permanente, assim como por um mutirão de ações sociais, desde 2000. Os jovens artistas do Pereirão nunca imaginaram que a principal brincadeira dos tempos de criança, iniciada em 1998, no topo do morro, poderia chegar tão longe. Neste meio tempo, a reprodução da favela virou um projeto social, com direito a uma TV comunitária, a TV Morrinho. A realidade da favela, com seu estilo de arquitetura surreal, encantou os visitantes na Bienal. — Fiquei impressionada com as informações sérias, difíceis e, até mesmo, violentas, expostas com clareza, simplicidade e sinceridade — conta a socióloga Giuliana Costa. Os artistas espelharam numa miniatura a vida dos moradores, aventuras e desventuras, por meio da inclusão de personagens como policiais, operários e traficantes, embora estes não detenham mais o poder armado sobre o território. Em cada cantinho da instalação, o espectador pode imaginar uma história relacionada com aquele microcosmos, inspirando-se, por exemplo, na mobília distribuída pelo interior das casas, com suas camas e armários, com detalhes, como uma minúscula árvore de Natal. Bonecos de Lego, dão vida aos espaços privados e públicos. A maquete alcançou projeção internacional graças ao curador da mostra de Veneza, o crítico americano Robert Storr. Ele soube desse projeto — batizado como Morrinho — por meio da fotógrafa Paula Trope, do Rio, uma das brasileiras escolhidas para participar da 52ª edição da Bienal, expondo, justamente, retratos do Morrinho, de seus criadores e dos habitantes reais do Pereirão, que posaram para a fotógrafa, feito meninos em terra de gigantes. Storr visitou a favela sem avisar a ninguém e se apaixonou ao ver de perto o projeto original. Erguida ao ar livre, a poucos metros do pavilhão brasileiro, não por acaso, a instalação se tornou um ponto de atração para adultos e crianças, todos empenhados em tentar compreender o intrigante labirinto de casas, ruas, becos, vielas, e as histórias de seus personagens. O curador Jacopo Crivelli Visconti levou ainda à Bienal as obras de artistas como José Damasceno, Ângela Detanico e Rafael Lain, assim como a gaúcha Elaine Tedesco, Waltercio Caldas, e Iran do Espírito Santo. Os artistas brasileiros estavam entre os representantes de 76 países, dos cinco continentes, que participaram dessa última edição da Bienal de Veneza. No centro das atenções, estava, porém, a obra dos irmãos Nelcilan e Maycon. Concreta tradução da realidade violenta e miserável em que os jovens cresceram, mas viram mudar mesmo aos poucos, para melhor, no decorrer dos nove anos de suas vidas dedicados à criação da maquete do Pereirão. Rio de Janeiro (RJ) Solange Riva Mezzabarba, 40 anos Mande sua história com material fotográfico para: [email protected] Julho 2007 / ComunitàItaliana 47 arte Divulgação Divulgação “R Salu Parente Antonio Veronese - artista plástico O artista Antonio Veronese cria polêmica ao se indignar com a decisão da Câmara Federal de por uma obra de sua autoria na sala de jantar do presidente Chinaglia H Fábio Lino e Paula Máiran omens, mulheres e crianças de expressão famélica enfeitam a parede da sala de jantar da residência oficial, em Brasília, do presidente da Câmara dos Deputados, o parlamentar Arlindo Chinaglia. Trata-se de Tensão no Campo (A Marcha), painel tornado em pivô de caloroso bate-boca entre dois oriundi, ambos militantes históricos de esquerda. Antonio Veronese, autor da obra, reagiu com indignação à notícia de que a sua pintura estava na casa de Chinaglia. Por dez anos, a pintura esteve exposta a público bem maior – os cerca de 15 mil visitantes diários da sede da Câmara, no Palácio do Congresso Nacional, em Brasília. Doada por Veronese à Câmara em 1996, Tensão no Campo mudou de endereço sem consulta prévia ao autor. Para a Casa, a 48 À esquerda, Tensão no Campo. Acima, Just in Kids, também de Veronese, como Famini, em exposição na sede da Onu em Roma Divulgação Painel da discórdia transferência não passou de um procedimento de rotina. O artista plástico não se conforma. Ele acusa a Câmara de ter desvirtuado o propósito da cessão do painel, uma homenagem ao Movimento dos Sem-Terra (MST) destinada, na concepção do artista, ao grande público. — O painel tornou-se, no termo de doação, um bem público, do qual não deveria usufruir, privadamente, o senhor Arlindo Chinaglia, justamente ele que deve ser o primeiro a dar exemplo do bom uso da ‘res publica’ (coisa pública). O presidente Lula conheceu o Tensão no Campo na Bienal do Livro de 1996, em São Paulo, e na ocasião ele o chamou de símbolo do MST. O painel, feito com motivação política, ganhou ali uma função, um valor simbólico. Se o pessoal da Câmara não entendeu isso, preciso enfatizar essa ComunitàItaliana / Julho 2007 questão: o Tensão no Campo não é como um tapete persa doado ao Congresso, que pode ser posto não importa onde — reclama Veronese, petista em fase de evidente desencanto com o partido. Chinaglia não tem manifestado interesse algum em atender ao pleito do artista, mas, diante do ataque verbal, demonstrou não querer briga. — Essa imagem espectral traduz o sentimento que promove as lutas por conquistas sociais. Pelas manhãs, ao sair da residência oficial, onde vivo em razão do cargo que ocupo, vou para o Congresso Nacional para mais um dia de trabalho com o espírito alertado para a atenção que deve merecer de todos nós o compromisso com os direitos e a inclusão social — revela o presidente da Câmara acrescentando que a obra já estava exposta na casa antes de ele ter se instalado no local. Quem decidiu, de fato, levar o painel para a residência oficial foi o deputado federal Aldo Rebelo [PCdoB-SP] , quando de sua gestão na presidência da Câmara. A sala de jantar é lugar de reuniões do presidente com lideranças políticas e líderes estrangeiros. — Não foi um desrespeito ao artista. Esse belo quadro está em um local valorizado, onde é fotografado. A residência oficial é uma extensão do gabinete do presidente da Câmara — ressalta Aldo Rebelo, que optou pela troca de lugar do painel tempos depois do fechamento da galeria do Museu da Câmara, onde hoje funciona a TV Câmara. Veronese não se resigna com tais elogios e explicações: — Eu não doei o painel ao Poder Público, mas ao MST, que re- Veronese: obra na sala de jantar de Chinaglia revolta o artista solveu instalá-lo no Congresso. Lá assinei um documento formal para que ficasse no Congresso. Mas essa pintura é do MST. Doar ao poder público é sempre uma furada. Outro trabalho meu, o Famine, está há 13 anos na Missão Brasileira às Nações Unidas em Nova York para ser instalado na FAO em Roma e nem satisfação eles me dão. Eu nem sei mais onde está o Famine, se em Nova York ou em Roma. É uma esculhambação. Informado sobre a polêmica envolvendo o MST, o presidente do movimento, João Pedro Stédile, procurou sair pela tangente. Disse que nunca tomou conhecimento de que a obra pertencesse originalmente aos Sem-Terra. ecebo, muito contrariado, a informação que o painel Tensão no Campo foi transferido para a residência oficial de Arlindo Chinaglia, tendo deixado, sem minha consulta ou anuência, o prestigioso espaço que ocupava no Museu da Câmara Federal, no Congresso Nacional. Ao se auto-instituir gestor do painel, fiando-se nos eventuais direitos que a doação à Câmara Federal lhe concedam, o senhor Chinaglia tenta cassar de mim o direito de, como autor, estabelecer destino e função do painel que, antes de vender, preferi doar à sede do Poder Legislativo. Sei dos riscos que corre uma pintura quando começa a circular sem os devidos cuidados de profissionais especializados nessa função. Somam-se a esses outros riscos, como quando fiz um painel para o programa de Betinho na TVE-RIO, e que de lá desapareceu, misteriosamente, sem deixar vestígio, há dez anos. Se, de alguma forma a exposição do Tensão no Campo aproveita ao PT ou ao MST, não consigo entender que seja preferível que ele esteja encerrado dentro de uma residência oficial no Lago Sul, do que exposto num sítio de grande significância e confluência de público, como é o Congresso Nacional.” — Sempre soube que o autor doou a pintura para a Câmara dos Deputados. Por isso, nunca nos metemos. E a Câmara sempre teve total autonomia para fazer o que bem entendesse com o quadro — afirma o presidente do MST. A declaração de Stédile fez ferver ainda mais o sangue de Veronese, brasileiro com cidadania italiana, atualmente vivendo na França. — O Stédile deve estar com Alzheimer. Eu instalei o painel no Congresso acompanhado de 350 militantes dos sem-terra, o José Rainha chegou comigo no Congresso, estavam lá 15 lideranças do movimento. Já dei mais de 50 entrevistas tratando o painel como obra feita devido a minha paixão pelo MST —retruca, provocante, o criador de Tensão no Campo. Arte no “porão” A Câmara dos Deputados não tem ao menos noção do tamanho de seu acervo. Mas 90% das obras recebidas em doação já estão documentadas e algumas delas passam por processo de restauração para que possam voltar à exposição pública. Pelo menos 300 destas peças devem, em breve, entrar em exibição, ainda que apenas no ambiente virtual. Mas depois do fecha- “T ensão no Campo – A Marcha”, retrata, na minha opinião, uma realidade incômoda na visão equivocada dos que se negam a enxergar a realidade. Suas figuras, construídas em formas arredondadas, contrastam com a rudeza dos personagens reais. As cores, finamente lavradas na tela, e obtidas a partir do vermelhoterra, dão à obra uma obviedade ao mesmo tempo em que cria uma atmosfera utópica, dando ao conjunto um sentido ambíguo. Essa característica de algumas obras geniais é que nos estimula à reflexão, deixando ao universo de cada observador a tarefa de resgatar a emoção que a provocou. Além disso, na composição da temática abordada encontramos ícones e símbolos que contextualizam o fato em si. São seres adultos acompanhados de crianças, em aparente desarmonia. São ferramentas do campo estilizadas, lembrando ou explicitando movimentos campesinos. São barrigas exageradas, como na gravidez, nas doenças tropicais ou no prenúncio do novo a redimir tantas injustiças. Tudo concorre para um lugar comum: os muitos “Brasis” dessa Terra intempestiva.“ Arlindo Chinaglia - presidente da Câmara dos Deputados mento da galeria de exposição permanente, a maioria dos bens é mantida distante dos olhos da população. Enquanto não se cria uma nova galeria, o Museu da Câmara decidiu investir na organização da sua reserva técnica, catalogando, restaurando obras e capacitando servidores para a gestão dos bens. No momento, é feito um rodízio de obras em exposição temporária pelas salas e corredores da Câmara, na sede e nos seus três anexos. Tomie Ohtake, Carybé e Di Cavalcanti são alguns dos artistas plásticos com obras em exposição, atualmente, nas salas e corredores da Câmara dos Deputados. Próximo ao Plenário, há ainda um painel de Athos Bulcão, vizinho de escultura de Alfredo Ceschiatti. Julho 2007 / A Câmara não é a única instituição pública a ter problemas de falta de espaço para a exposição permanente de seu acervo. A Funarte também carece de uma galeria. — Não tenho lugar para expor grande parte do nosso acervo. São obras doadas ou resultantes de concursos. Doamos muitas peças para o museu do Pará para que mais gente pudesse ter acesso a elas — explica o presidente da Funarte, Celso Frateschi. Ele ainda faz um alerta aos artistas com intenção de doar suas obras ao poder público: — É preciso especificar nos próprios termos da doação em que condições a obra está sendo cedida. Essa é a única maneira de o artista garantir o cumprimento de exigências como, por exemplo, o destino e a função do bem doado. ComunitàItaliana 49 Milão comportamento Ela arranca suspiros Paixão pela marca Alfa Romeo arrebata e une fãs brasileiros R Rosangela Comunale io de Janeiro, 40 graus, ao meio-dia. Condições perfeitas para uma caminhada ou para aproveitar uma praia, certo? Pois não foi essa a opção feita por cerca de 15 membros do grupo Alfa Romeo Br. Eles se reúnem todo mês no entorno da Lagoa Rodrigo de Freitas para trocar experiências sobre a famosa marca italiana de carros. Tudo isso porque a fabricação brasileira foi encerrada há pouco mais de 20 anos. A iniciativa já acontece desde 2002 quando o fundador, o “alfista”— como eles mesmos se denominam — e gerente comercial Renato Cunha, de 35 anos, teve a idéia de criar, no site www.alfaromeobr.com.br, uma lista de discussão pela internet. De acordo com ele, cerca de 1,4 mil pessoas já passaram pelo grupo. — Hoje, essa discussão na internet continua a ser o principal ponto de relacionamento das pessoas de todo o Brasil. Nela, discutimos os eventos, as pesso- 50 as se ajudam em questões técnicas, falam sobre o futuro da marca e do grupo e, principalmente, fazem amizades — define. Para Renato, um dos motivos para tanta repercussão deve-se ao fato de que, geralmente, os donos envolvem-se emocionalmente com o carro. Além disso, em decorrência da interrupção na fabricação em terras brasileiras, ele acabou se tornando “raridade” nas ruas. Ele admite que não trocaria sua Alfa Romeo, nem mesmo por um carro mais novo. — Você não chuta seu cachorro mais velho e fiel para a rua a fim de dar espaço para um cão mais novo, não é? Alfista troca a Alfa mais velha por uma mais nova por dois motivos: falta de garagem e ultimato da esposa. Senão ficaria com as duas — diz. Paralelamente, os encontros acontecem em São Paulo, no Paraná, no Rio Grande do Sul e no Distrito Federal. Participante assíduo das reuniões que acontecem no Rio de Janeiro, o repórter ComunitàItaliana / Julho 2007 fotográfico Henrique Huber, de 35, é um dos admiradores da marca italiana desde a adolescência. Até hoje, ele lembra da época em que teve o primeiro contato com uma Alfa Romeo. — Quando eu era adolescente, fazia questão de parar em frente à casa de um vizinho meu que tinha um carro desses. O design, o vidro e a trava elétrica, além da embreagem hidráulica, me fascinavam — recorda. Anos depois, por conta disso, ele realizou seu sonho: trocou o velho carro pelo do vizinho, 17 anos mais novo. E as lembranças de Henrique não param por aí: — Na primeira vez que levei minha noiva para passear no carro, ele enguiçou. Depois fiquei sabendo que a máquina requer uma atenção pra lá de especial. Até mesmo porque não é mais fabricada no Brasil. Fatos pitorescos, aliás, é o que há de sobra na história dos donos de Alfa Romeo. O comerciante Luiz Amauri da Silveira, de 46, como todo brasileiro que se preze, encontrou logo um “jeitinho” de faturar um dinheiro extra e, ao mesmo tempo, ter o prazer de dirigir um veículo da marca. Resultado: incrementou seu carro, fabricado em 1996, com a instalação de vídeo game, aparelho de DVD, teto solar e, de quebra, ainda, tapete vermelho. — Para ganhar um dinheirinho a mais, nas horas vagas, resolvi trabalhar como motorista de noivas e debutantes. É muito bonito. Os noivos podem até brindar com champanhe a bordo da minha Alfa, saindo pelo teto solar — orgulha-se Luiz, que cobra R$ 400 reais pelos serviços. O webmaster do grupo, o analista de sistemas David Cipriano, de 34, confessa que, antes de ser um “alfista”, pensou muito, mas não resistiu à tentação de comprar a sua primeira máquina, em 2002. — Havia um certo medo em relação à manutenção e à revenda. Mas, quando comprei, descobri logo o grupo pela net. Assim, comecei a entender como funcionava tudo e soube das dicas sobre preservação. É como dizem: o maior problema do carro é o dono anterior. Se ele não cuidou bem da máquina, o futuro proprietário poderá ter problemas — adverte. Fotos: Guilherme Aquino Fotos: Bruno de Lima Guilherme Aquino A vez dos gordinhos A “El Che” A fotografia de Che Guevara continua a fazer história mundo afora. Por isso, uma gigantesca exposição foi montada, na Triennale Bovisa, para explicar como um dos maiores símbolos revolucionários dos tempos modernos acabou se transformando num produto de consumo do mundo imperialista. A imagem registrada, por acaso, pelo fotógrafo cubano Korda, durante uma parada militar em Havana, acabou sendo Praia seca O verão chegou e junto com ele o calor. A situação piora quando se está numa planície e ainda distante do mar. Nada pode parecer mais simpático aos milaneses, então, do que a praia artificial, com areia e tudo, instalada por administradores no Parque Sempione, atrás do Castelo Sforzesco. Tem chuveiros para amenizar o calor, campo de esporte e parquinho. Mas questões logísticas excluíram um lago artificial do projeto original. Resta aos calorentos refrescar-se nas piscinas de um dos muitos centros esportivos públicos da cidade. Um deles, na Via Ponzo, em Città Studi, tem quase 80 metros de comprimento e 30 de largura. cidade da moda está tomada por uma legião de gordinhos. Praças e jardins do centro servem de cenário para a exposição de cerca de 150 quadros e esculturas do colombiano Fernando Bottero - apaixonado por personagens de forma física contrastante com o padrão estético vigente. Peças do artista também podem ser vistas na galeria do Palazzo Reale. Entre cerca de 40 obras contemporâneas, há mais de uma retratando prisioneiros submetidos a maus tratos na prisão militar americana de Abu Ghraib, no Iraque. Havia 35 anos que Bottero não expunha em Milão, onde agora exibe, entre tantas obras, seis esculturas em bronze. publicada por um editor italiano. De lá para cá, principalmente depois de 1968, ela se tornou uma bandeira de ideais da juventude e acabou sendo explorada comercialmente, sem controle algum. A sua figura aparece em cartazes, camisas, isqueiros, caixas de fósforo, embalagens de bebidas, dentre outros lugares. Como já foi dito, Guevara ficou mesmo mais para Lennon do que para Lênin. A mostra fica em cartaz até setembro. De vento em popa Rua fashion A D Copa América se foi sem deixar saudades. O barco italiano Luna Rossa chegou perto da final mas acabou cedendo lugar para os “kiwi” da Nova Zelândia. O resultado se sabe: o barco suíço Alinghi ganhou a competição e manteve o histórico troféu dos mares nos Alpes. A campanha italiana com três barcos de até e 100 milhões foi por água abaixo, mas as embarcações, com tecnologia avançada e fruto de milhares de cálculos matemáticos de hidro e aerodinâmica, são obras de arte. Por isso, vale a pena exibi-las. No caso, em praça pública, em plena San Babila. Ao lado de um chafariz, está exposto, por exemplo, o barco Mascalzone Latino. esenhos do estilista Gianni Versace, mito da moda italiana, estão espalhados pelas ruas da cidade e vão continuar nas calçadas e esquinas por todo o verão. E os pedestres param para admirar as criações concebidas, originalmente, para passarelas e espetáculos teatrais tão amados pelo falecido estilista siciliano. Há mais homenagens ao estilista acontecendo. Por exemplo, o espetáculo sobre a sua vida no Teatro La Scala, com coreografia de Maurice Bejart. No entanto, se este não dura mais do que duas horas, tem caráter de perenidade uma outra celebração: Milão vai dar o seu nome à uma rua. O Alfa Romeo Br promove reuniões mensais entre os membros Julho 2007 / ComunitàItaliana 51 Il bicentenario della nascita di Giuseppe Garibaldi ci fa ricordare, nelle commemorazioni, la fama e le imprese del rivoluzionario A Sílvia Souza e Aline Buaes Passati 200 anni dalla sua nascita e 125 dalla sua morte, Garibaldi rimane un punto di riferimento per i popoli con cui condivise il suo coraggio. In Brasile e in Italia, eventi che commemorano il suo nome cercano di fare onore, grazie a feste, seminari e alla concessione postuma di menzioni onorose, alla grandiosità transatlantica di questo guerrigliero della libertà. Garibaldi non si tirò mai indietro nei combattimenti. Nell’Unità d’Italia e nell’Insurrezione di Genova difese con il proprio sangue i suoi obiettivi. Anche nella Farroupilha, a Rio Grande do Sul, e nella Guerra Grande, in Uruguai, lui era là, solidale con le cause in cui credeva. Valéria Loch veva ottenuto la licenza di capitano e avrebbe potuto semplicemente aver seguito la strada del padre, marinaio genovese. Se, da questi, aveva ereditato il sangue di avventuriero, nacque il quattro luglio del 1807 già con un’anima rivoluzionaria. Figlio di Nizza, allora parte del Regno di Sardegna [che comprendeva la Sardegna e il Piemonte], Giuseppe Garibaldi si impegnò fin da giovane nei problemi che sorpassavano i limiti territoriali della sua nazione. Visse e morì lottando contro la tirannia, diventando ‘l’Eroe dei Due Mondi’ per l’aver difeso, nel Sud America e in Europa, i suoi ideali di libertà. — Rendiamo omaggio non soltanto ad un personaggio del passato storico, ma ad un’espressione dell’idealismo ancora viva della democrazia italiana — afferma il presidente della Repubblica Italiana, Giorgio Napolitano, nella cerimonia di restituzione del busto di Garibaldi al luogo più solenne della sala del Senato italiano, a Palazzo Madama. Napolitano ha inoltre abbellito con fiori il monumento che ricorda il guerrigliero al Gianicolo. Da qui, uno dei sette colli romani, Anita, brasiliana di cui Garibaldi si innamorò e con cui visse una storia d’amore, fuggì con il figlio Menotti su di un braccio, impugnando una pistola nell’altra mano. “Intendo che in questa regione della Serra c’è tutto questo sviluppo che è proprio del pensiero italiano, sviluppo e libertà dei popoli” Annita Garibaldi Jallet, scienziata politica e pronipote di Giuseppe Garibaldi Annita Garibaldi Jallet, scienziata politica e pronipote del rivoluzionario Giuseppe Garibaldi La Cooperativa Vinicola Garibaldi ha creato il Giuseppe Garibaldi Chardonnay Brut, di cui sono state prodotte tremila bottiglie. Quelle di numero 1, 200, 1807 e 2007, tra le altre, hanno partecipato ad un’asta che ha raggiunto la cifra di R$ 6.500, somma donata all’Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) di Garibaldi e alla Liga Feminina de Combate ao Câncer. — Una commissione [di brasiliani e italiani] si riunisce fin dalla fine del 2006 per pianificare i festeggiamenti. Sono dieci persone al coordinamento dei lavori e molte altre che aiutano. L’Ita- “Ciò che ci riempie di orgoglio è che l’eroe dei due mondi professava una filosofia di democrazia e libertà, cercava sempre di stare al fianco del popolo e contro la tirannia del potere” Paulo Salvi, presidente della Câmara de Vereadores di Garibaldi (RS) 52 ComunitàItaliana / Julho 2007 lia ha contribuito specialmente il 10 luglio, quando le istituzioni Fundação Giuseppe Di Vittore e Sandro Pertini hanno sponsorizzato e assistito l’organizzazione di questo grande incontro a Garibaldi — spiega il sindaco del comune, Antonio Cettolin. La venuta in Brasile della scienziata politica Annita Garibaldi Jallet, pronipote del rivoluzionario, ha coronato questo mese i festeggiamenti in sua memoria. Ha partecipato, a Porto Alegre, a Rio Grande do Sul, all’Encontro Internacional de Celebração do Bicentenário de Giuseppe Garibaldi, tenendo una conferenza sull’importanza delle azioni del bisnonno. Storici brasiliani, come la gaucha Núncia Santoro de Constantino, della Pontifícia Universidade Católica di Rio Grande do Sul (PUC-RS), e italiani, come Luigi Mascilli Migliorini, dell’Università di Napoli, hanno potuto scambiarsi esperienze nell’incontro, durante il quale è stato lanciato il libro Os Caminhos de Garibaldi na América, opera collettiva con saggi di nove specialisti italiani e brasiliani. Un altro evento a Garibaldi è stata l’inaugurazione di una mostra permanente che riunisce 23 riproduzioni di stampe italiane che narrano la partecipazione dell’eroe italiano alla guerra per l’Unità d’Italia. Secondo il presidente della Câmara de Vereadores di Garibaldi, e direttore esecutivo dell’Associação de Pequenas e Médias Empresas del comune, Paulo Salvi, ai nostri tempi, il recupero dello spirito di Garibaldi in tutto il Paese diventa una necessità: — Quello che ci orgoglia di più è che l’Eroe dei Due Mondi professava una filosofia di democrazia e libertà. Garibalda cercava sempre di essere a fianco del popolo e contro la tirannia del potere. Tant’è vero che si rifiutava di partecipare quando le guerre non erano la lotta del popolo. Capisco che il mondo e il Brasile devono ispirarsi a questo eroe — segnala Salvi, riferendosi alla perennità dei problemi che esistevano già all’epoca dell’eroe e che lui combatteva, come la centralizzazione del potere del governo centrale e ingenti imposte tributarie applicate. Militante nel nome e nelle azioni L’ eredità di Garibaldi non si è persa nel tempo. Lo spirito rivoluzionario del bisnonno orienta la vita di Annita Garibaldi Jallet, figlia di Ricciotti, secondo figlio di Garibaldi con Anita, nato a Montevidéu nel 1847 e morto a Roma nel 1924. Ma la militanza politica del discendente dell’eroe non coinvolge scontri bellici. Lei e il resto della famiglia, in Italia, lavorano per il progresso del processo di unificazione europea. La presenza di Annita ha arricchito di emozione e di nuove informazioni su Garibaldi una delle più grandi feste in suo onore, presso l’Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, a Porto Alegre. Annita era già stata dichiarata cittadina Garibaldense nel 1982 e stavolta è il suo terzo ritorno da allora alla terra amata da suo bisnonno. Tornando in Europa, la più anziana rimanente dei Garibaldi porterà via con sé una preziosità, concessale dal governo gaucho: il certificato di nascita dello zio Domingos Menotti Garibaldi (1840-1903), primogenito di Anita e Giuseppe Garibaldi, nato in Brasile. — Quando vengo, mi sento sempre come se stessi a casa mia. Questo documento non era mai esistito dovuto alle condizioni precarie in cui mia bisnonna Anita aveva dato alla luce, in mezzo ai combattimenti nell’interno di Rio Grande do Sul, nella città di Mostardas. Il non avere questo documento ha provocato molti inconvenienti durante la vita di Menotti in Italia — spiega Annita, che ha ricordato un’iniziativa simile del governo di Santa Catarina, che ha provveduto al certificato di nascita di Anita Garibaldi. Scienziata politica, presidente del Movimento Europeo Italiano, organizzazione a favore dell’integrazione europea, crede che commemorazioni come quelle dedicate al suo bisnonno “servano per stimolare nuove ricerche” e, nel suo caso, ricerche nell’ambito familiare. — La mia famiglia ha scoperto recentemente che il nome di battesimo di Giuseppe Garibaldi era Joseph Marie Garibal- Julho 2007 / Reprodução Un eroe di due mondi Nel sud del Brasile, la città che porta il nome dell’idealista italiano ha fatto di tutto per rendergli omaggio: da marzo si svolge il calendario di commemorazioni. Là si è avuto, ad esempio, il lancio di uno spumante con bollo commemorativo del suo bicentenario, oltre a presentazioni di teatro e concerti. La Festa Nacional da Champanha, la tradizionale Fenachamp, evento che è tenuto tutti gli anni tra settembre e ottobre, avrà anch’essa Garibaldi come tema nell’edizione 2007. Aline Buaes storia dy, dovuto all’influenza francese nell’allora città italiana di Nizza. Nel 2006, sono state scoperte le origini della famiglia di Garibaldi, che risalgono al 1610 e che portano ad un’altra intensa storia d’amore. Angelo Garibaldi, giovane legnaiolo, abitante di un paesino sulle montagne della Liguria, Nè, si innamora di una giovane della cittadina litoranea Chiavari, e cambia di professione dopo il matrimonio: diventa costruttore di barche. Con il cambio di professione, avviene un’ascesa sociale della famiglia, il che fa sì che Giuseppe, nipote di Angelo, nasca nel bel mezzo della cultura marinaresca — racconta Annita. Educato grazie a lezioni private, Garibaldi, secondo la pronipote, diventa un giovane molto colto, interessato alla storia e avido di conoscere altri mari. — Garibaldi ha contribuito in molto alla storia di Rio Grande do Sul. Per esempio, subito dopo il suo ritorno in Italia comincia il flusso migratorio di persone verso il Brasile, specialmente Rio Grande do Sul. Molti degli immigranti che hanno lasciato l’Italia sono venuti in Brasile dovuto al fatto che Garibaldi era passato di qui, creando così una certo legame tra Italia e Brasile. Percepisco che, in questa regione della Serra, c’è tutto questo sviluppo che è un qualcosa di prettamente italiano, una cosa che Giuseppe Garibaldi voleva, sviluppo e libertà dei popoli, visto che odiava chi opprimeva le persone — conclude Annita, riferendosi all’impatto in terre gauche dei valori umanisti di colui che è diventato il principale eroe di Rio Grande do Sul. ComunitàItaliana 53 turismo O Vale do Café, no Sul fluminense, oferece uma verdadeira viagem ao túnel do tempo, com histórias do Brasil cafeeiro e heranças dos imigrantes italianos que contribuíram para a economia da região S Nayra Garofle entir o aroma do típico café brasileiro, saborear uma comidinha bem caseira e ainda ser servido por funcionários em traje de época, numa fazenda, exatamente como se fazia no período cafeeiro do Brasil. Pois isso tudo acontece às margens da Via Dutra, no Rio de Janeiro, no Vale do Café. Das cerca de 150 fazendas existentes na região, 26 estão pre- servadas, os casarões e senzalas abertos à visitação. O passeio permite ao turista experimentar o cotidiano de brasileiros e imigrantes, a maioria de italianos, que viveram ali no século 19. Em 1990, proprietários de fazendas centenárias, cientes do valor histórico e cultural do seu patrimônio, decidiram fundar o Instituto de Preservação e Desenvolvimento do Vale do Para- íba (Preservale), que instituiu o turismo de patrimônio e pedagógico. Fundadora do instituto, Evelyn Pascoli foi a primeira realizar saraus de época, na sua fazenda, a Ponte Alta, em Barra do Piraí. Até hoje, os funcionários da fazenda se caracterizam como barões e baronesas para, em 40 minutos, encenar histórias do barão de Mambucaba e reviver, no espaço onde antes funciona- “Recebemos os visitantes em qualquer dia. A renda do turismo ajuda bastante a manter a fazenda” Fotos: Nayra Garofle João Carlos Streva, proprietário da Fazenda Taquara 54 ComunitàItaliana / Julho 2007 Divulgaçã o Como nos tempos da nonna va uma senzala com 400 escravos, fatos curiosos ocorridos no Vale do Café. — A Evelyn deu início a tudo isso. Hoje, recebemos estudantes, em excursões escolares, para que aprendam história ao vivo — conta Roberto Freitas, o barão, durante os saraus e, no restante do tempo, administrador da pousada, com nove quartos de hóspedes, que funciona na Ponte Alta. Ainda em Barra do Piraí, a história do Ciclo de Café é preservada na Santa Maria, hoje hotel-fazenda Arvoredo. As senzalas foram transformadas em quartos, sem perder, no entanto, a rusticidade de outrora. O terreiro de café, em frente à casa grande, recebeu um gramado verde, onde é oferecido o chá imperial, com receitas da época, pelo barão de Mambuca- ba, antigo proprietário tanto da Santa Maria como da Ponte Alta. — Minha irmã fez um estudo e descobriu a existência desse chá imperial na época do barão. Conseguimos as receitas originais e resolvemos apresentar o chá para os visitantes — diz Augusto Pascoli, de 47 anos, descendente do poeta italiano Giovanni Pascoli, e dono do hotel fazenda Arvoredo desde 1982. No fim do século 19, a Ponte Alta, edificada pelo Barão de Mambucaba, foi hipotecada pelo Banco do Brasil e perdida pela família de origem nobre, mergulhada em dívidas. A fazenda se reergueu na virada do século pelas mãos do conde Modesto Leal, comerciante. Ele encontrou a terra tão maltratada quanto os escravos que o barão não poupava. Com a derrocada do café e a migração do seu cultivo para terras paulistas, a lavoura virou pasto para gado leiteiro. Mas, nos anos 50, a Ponte Alta tornou-se cenário político, quando a neta do conde, Isabel Modesto Leal, hospedou o presidente da República, Getúlio Vargas, amigo da herdeira. Se a roda d’água não girava mais para o café, a roda da vida não parou de se movimentar e, em 1960, a fazenda foi vendida para Nellie Pascoli. Pioneira no ramo da mineração, a descendente italiana resgatou a memória da fazenda, ao restaurar a arquitetura secular. Solteira, após sua morte, seus sobrinhos Evelyn, Ricardo, Ana Heloísa e Augusto herdaram as suas propriedades. Não se produz mais café na maioria das fazendas do Vale. Mas, às margens da Estrada Barra do Piraí, eis que surge o cafezal da Taquara, produtivo até os dias de hoje. Construída entre 1820 e 1830, a sede pertence a João Carlos Tadeu Botelho Pereira Streva, de 62, filho da quinta geração do primeiro dono da fazenda, o comendador João Pereira da Silva. Streva herdou a Taquara da família materna, mas é pelo lado O corredor das senzalas, a casa grande da atual fazenda Arvoredo, o gramado da Pau D’Alho e as palmeiras imperiais da Ponte Alta: características marcantes de uma história do Vale do Café. Na outra página, a fazenda Taquara paterno que tem suas raízes na Sicília. Por conta disso, os seus três filhos obtiveram a cidadania italiana e um deles, o universitário Marcelo, de 34, assumiu a responsabilidade de desenvolver o turismo histórico na fazenda. Ele conduz os visitantes por cada cômodo, enquanto narra a história de sua família e dos seus cafezais. — Recebemos os visitantes em qualquer dia. A renda do turismo ajuda bastante a manter a fazenda — conta João Carlos. Na fazenda São João da Prosperidade, em Ipiabas, distrito de Barra do Piraí, o café deu lugar ao eucalipto. Mas os seus proprietários não fogem ao ofício de promover a viagem de volta ao tempo antigo. Em visitas com hora marcada, a recepção é feita com trajes da época, e o turista pode explorar cada recanto, ad- Humberto Pentagna e João Carlos Streva: proprietários das fazendas Pau D’Alho e Taquara, respectivamente Julho 2007 / mirar detalhes como o piso em madeira original do século 18. A viagem ao passado prossegue pela Estrada RJ-145. A 32 quilômetros de Barra do Piraí, Valença também guarda viva a memória do período cafeeiro. Com 66 mil habitantes, clima ameno, rios e muitas cachoeiras, em meio a algumas construções recentes, a cidade conserva o casario, igrejas e parques de mais de um século. A sete quilômetros e meio do Centro, está localizada a fazenda Pau D’Alho, da família Pentagna desde 1897. Vito Pentagna deixou o sul da Itália 37 anos antes, rumo ao Brasil, onde se tornou mascate bem sucedido. Só depois da abolição da escravatura, comprou as fazendas Pau D’Alho, Santa Rosa e Paraíso. Em 1914, os Pentagna estabeleceram a fábrica de tecidos Santa Rosa. Na Pau d’Alho, foi construída uma usina hidrelétrica para sustentar a energia nas fazendas e na fábrica da família. O jeans confeccionado pela Santa Rosa era exportado até para a Europa. Quando Vito morreu em 1914, deixou, para os sete filhos esse patrimônio. Hoje, a Pau D’Alho, por exemplo, está nas mãos do herdeiro Humberto Vito Rebecco Pentagna. — Nos voltamos atualmente para a produção de leite e para o turismo rural. Recebemos muitos alunos do Ensino Médio aqui — explica o atual proprietário. ComunitàItaliana 55 Sapori d’Italia O chá imperial oferecido pelo “barão de Mambucaba” e funcionários da Santo Antônio vestidos a caráter Também em Valença e aberta à visitação, fica a fazenda Santo Antônio do Paiol, em terras de uma sesmaria concedida, em 1814, por provisão, a João Soares Pinho. Em 1969, o local passou a abrigar a Congregação da Pequena Obra da Divina Providência. Este foi um recurso para que a família Esteves garantisse a manutenção da propriedade e de seus pertences. — A senhora Francisca Olympia Alves de Queiroz Esteves nos doou a fazenda como forma de preservar tudo isso e somos gratos a ela — afirma o frei Geraldo Magela, responsável pela administração da fazenda. A congregação foi fundada por São Luís Orione, que nasceu em Pontecurone, na Itália, e esteve quatro vezes no Brasil. Em 1990, arrendada pelo empresário carioca Rogério Vianna, a Santo Antônio do Paiol passou por uma reforma. Foram recuperados a sede, o mobiliário e o acervo documental. Em 2000, a fazenda voltou a ser da Congregação que, por meio do Preservale, decidiu manter o turismo cultural na fazenda, atividade iniciada por Vianna. Engana-se quem pensa que a viagem através de quase dois séculos se encerra em Valença. Mais 17 quilômetros de estrada, em direção a Minas Gerais, se alcança a minúscula Rio das Flores, com seus 500 quilômetros quadrados e não mais do que sete mil habitantes, mas rica de valor histórico. Na Igreja Matriz de Santa Tereza D’Ávila, o Pai da Aviação, Santos Dumont, foi batizado. Em Rio das Flores, a fazenda Campos Elíseos data de 1851. O primeiro dono, Peregrino José da América Pinheiro a chamava, inicialmente, de Bom Jardim. Em três décadas, a Campos Elíseos tornou-se uma das maiores produtoras de café da região, com o cultivo de 182 mil pés. Coube à filha do fazendeiro, Maria Peregrina, casada com Manoel Vieira da Cunha, o barão da Aliança, cuidar da Campos Elíseos. Em 1900, a fazenda deixou de pertencer à família, até que em 1960, um descendente direto do barão, Marcos Vieira da Cunha, recuperou a propriedade. Cunha trabalhou na recuperação arquitetônica e histórica não só de Campos Elíseos, como de Santo Antônio e Guarita. Houve, após a sua morte, novo período de decadência e mudança sucessiva de donos. Em 2000, a veneziana Luciana Jappelli de Pol, de 81, no Brasil desde 1950, comprou Campos Elíseos e decidiu compartilhar com visitantes o prazer do pernoite em seu casarão de estilo colonial, de portas e janelas gigantescas. Luciana produz mel, própolis, cachaça, doce de café e a compota de laranja em seu refúgio do tempo. E ainda cria gado, cabras, ovelhas e ainda cães, das raças golden retriever e pug. — Tive experiência ruim em São Paulo. Uma fazenda foi invadida pelo movimento dos semterra e jurei nunca mais me aventurar, mas não resisti a Campos Elíseos — lembra Luciana, que fez questão de decorar a casa grande, vazia quando a comprou, com legítima mobília italiana, assim como toda a louçaria, móveis e quadros. Serviços Para se hospedar e visitar: Barra do Piraí Hotel Fazenda Arvoredo (24) 2447-2001 Pousada Fazenda Ponte Alta (24) 2443-5159 Fazenda Taquara (24) 2443-1221 Fazenda São João da Prosperidade (24) 2442-3194 Valença Hotel Palmeira Imperial (24) 2453-1995 Fazenda Pau d’Alho (24) 2453-3033 Fazenda Santo Antônio do Paiol (24) 2458-4720 Onde comer: Valença Grill (24) 2453-4643 Rio das Flores Fazenda Santo Antônio (24) 2488-2148 Fazenda Campos Elíseos (24) 2488-2014 O Vale do Café oferece festas durante todo o ano. Para obter a programação, basta acessar o site http://www.valedocafe. com.br/eventos.htm. Guia de turismo Wanda Maria Pinto (24) 2452-5874 / 8131-0557 A repórter Nayra Garofle viajou a convite do Hotel-Fazenda Arvoredo e do Hotel Palmeira Imperial 56 ComunitàItaliana / Julho 2007 Nayra Garofle Talento nordestino Quatro amigos se apaixonam pela gastronomia italiana, tornam-se proprietários de restaurante na Zona Sul carioca R io de Janeiro – O restaurante é italiano, mas os pratos levam a assinatura dos proprietários cearenses. Nada que comprometa, muito pelo contrário, a fidelidade ao sabor mediterrâneo, paixão de Antônio Salustiano, de Cândido e Manoel Alves e de Valmir Pereira, os sócios do D’Amici, no Leme. A dois quarteirões da praia, o lugar é a realização de um sonho que parecia impossível. No início da vida, eles chegaram a passar fome em terras nordestinas. — Jamais poderia imaginar que um dia me tornaria um sommelier e ainda autor de pratos como o Espalla d’Angello — admite Valmir, de 51 anos, premiado em diversos concursos, como especialista na apreciação de vinhos, e orgulhoso pelo talento também revelado no preparo de receitas como a sugerida nesta edição, a Paleta de cordeiro. As poucas palavras em italiano que Valmir pronuncia foram aprendidas nas viagens que fez ao exterior. Por exemplo, formou-se, na Itália, como sommelier. O curso foi financiado por um cliente amigo. Já a experiência na cozinha foi adquirida ao longo de 35 anos de trabalho em restaurantes. — Só na Itália, estive três vezes — conta o chef do D’Amici, que, ainda menino, no sertão cearense, não raras vezes, teve apenas farinha para comer, amassada pelas mãos da mãe, nos dias de sorte, com feijão e arroz. A idéia de ter um restaurante italiano surgiu quando Valmir era garçom ainda. Ele e os amigos se reuniam toda semana para compartilhar o sonho em comum. — Nos tornamos cada vez mais próximos. Até que decidimos: era hora de ter o nosso próprio negócio. Entraríamos com o trabalho, mas quem entraria com o dinheiro? Um cliente, que admirava nossos esforços, entrou com o capital e ainda hoje é nosso sócio — explica Valmir, descartando a sorte como razão do sucesso, Valmir e sua famosa resultado, segundo ele, de muito paleta de cordeiro trabalho. Italianos costumam ficar impressionados com a qualidade dos pratos do D’Amicci. Produtos frescos e importados, como o queijo parmesão italiano e as trufas em conserva, justificam isso, segundo Valmir. Penne com camarões, cogumelos frescos e pimenta; Ravioli de vitela com molho de funghi porcini seco; ou Tagliatelli com lagosta ao molho de tomate compõem o cardápio. Mas a Paleta de cordeiro é preferência consagrada entre os pedidos. — Na hora de servir, retiro o osso da paleta. Com o suco que sai de dentro do osso, preparo um molho com alecrim fresco e hortelã, consu- Fotos: Roberth Trindade Fotos: Nayra Garofle turismo Paleta de cordeiro Ingredientes: 1 paleta de cordeiro mamão (cordeiro de até 12 meses); vinho branco; cebola; cenoura; louro; salsinha; alho poró; pimenta em grão; alecrim fresco; hortelã; batatas. Modo de preparo: Deixe a paleta de molho nos temperos: vinho, cebola, cenoura, louro, salsinha, alho poró e pimenta em grão, de um dia para o outro. Em um forno com temperatura de 300º, asse a paleta por três horas coberta por um papel alumínio. Depois, retire o papel e coloque a paleta de volta ao forno para dourar, por alguns minutos. Sugestão do Chef: Retire o osso da paleta. Com o caldo que sai da paleta, faça um molho com alecrim e hortelã e refogue na panela. Corte a paleta em fatias. Despeje o molho por cima. Para acompanhar, batatas coradas com alecrim por cima. Sirva. Rendimento: uma porção mido ao gosto do cliente. Sugiro batatas coradas com alecrim por cima e, para acompanhar, um vinho tinto argentino chamado “Clos de los siete” — indica o sommelier e chef. A característica artesanal e a gama de possibilidades criativas da gastronomia italiana conquistaram o quarteto. Hoje, o D’Amici se tornou ponto de encontro de empresários, socialites e políticos. Entre os fiéis amantes da Paleta está o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que, eventualmente, ocupa um dos 72 lugares às mesas do D’Amici. Serviço: Restaurante Bucatini – Rua Abílio Soares, 904 – Paraíso, São Paulo – Telefone: (11) 38875769 Julho 2007 / ComunitàItaliana 57 La gente, il posto Claudia Monteiro de Castro nosso Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, pode ser o mais famoso do mundo, mas os italianos têm um similar mais inusitado: o Cristo degli Abissi. Fica debaixo d’água, na baía de San Fruttuoso, entre Camogli e Portofino. Trata-se de uma escultura em bronze, colocada a 17 metros de profundidade, no fundo do mar. Realizada pelo escultor genovês Guido Galletti, é um Cristo que olha para o alto, com braços abertos. Existente desde agosto de 1954, foi Duilio Marcante, fundador do Centro de Mergulhadores de Nervi, quem teve a idéia de dedicar um monumento àqueles que perderam a vida no mar. A década de 50 compreendeu os anos pioneiros do mergulho. Muitas empresas contratavam mergulhadores para recuperar as naves afundadas durante a guerra e muitos deles perderam a vida durante este trabalho. O entusiamo para a realização da escultura foi geral. Muitas pessoas participaram oferecendo vários objetos de bronze para fundição: hélices de submarinos da Marinha Militar americana, medalhas de viúvas de guerra, medalhas olímpicas e moedas. Para apreciar a escultura em todo seu esplendor, o ideal é mergulhar, com equipamento adequado ou, para quem tem fôlego, em apnéia. Mas os menos esportivos também podem ver a estátua da superfície, pegando um dos pequenos barquinhos que partem da baía de San Fruttuoso e levam até as proximidades da escultura. Com uma lente espe- D. Crovi O Cristo degli Abissi Como chegar: Existem duas opções de trajeto para quem quer ir a San Fruttuoso. Uma é de barco, que parte de Camogli ou de Rapallo, passando por Santa Margherita Ligure e Portofino. Outra é a pé, de Camogli ou Portofino, por trilhas bem sinalizadas, mas somente para quem está realmente em forma. O celular A mania do celular se difundiu pelo mundo inteiro, mas em nenhum lugar como na Itália. Para os italianos, o celular é como um bichinho de estimação ou um cigarro: faz companhia na alegria e na tristeza. Uma típica cena num trem. O veículo está prestes a partir. Ele pega o telefone, disca para ela e diz: “Amor, estou no trem”. Vinte minutos depois: “Amor o trem está entrando no túnel, a linha vai cair”. Meia hora depois: “Amor, o trem vai chegar atrasado”. E dez minutos antes de chegar: “Amor, o trem está chegando”. Mesmo se ninguém vai buscar na estação, é necessário fazer o relatório de viagem. Outra característica dos italianos: são generosos, e adoram dividir a conversa deles com os outros passageiros. Assim, o trem inteiro sabe que Giovanna começou a sair com Carlo, que Paolo é um cornudo e que Giulia acaba de ter gêmeos. Não precisa nem ler jornal na Itália, é só ficar de ouvidos bem abertos. E origliare, ou seja, escutar conversa dos outros, nunca foi pecado. No restaurante, a situação é ainda mais divertida. Quando duas pessoas jantam juntas e uma atende o celular, a outra não resiste: pega o seu celular, verifica as mensagens e manda outras, só para passar o tempo. 58 ComunitàItaliana / cial que se coloca na superfície, dá para ver o Cristo nos dias em que as águas estão límpidas e com boa visibilidade, principalmente nos meses de verão. Também é possível ver uma cópia do Cristo degli Abissi dentro da abadia de San Fruttuoso, do século 10. Em 2003, a estátua do Cristo foi retirada de sua base, restaurada e recolocada em seu lugar em julho de 2004, com direito à festa e muito mais. Comemorações não faltam. Todo ano, no último sábado de julho, tem uma procissão no local. Quando a tarde cai, um mergulhador leva uma coroa de flores e a coloca sobre a estátua. Uma festa mágica e solene. Quem tem a sorte de estar na região nessa época, não deve perder. Julho 2007 Dá para saber muito sobre a personalidade de uma pessoa pelo uso que faz do celular. Tem os duros, que estão sempre com o telefone sem crédito. Tem os pães-duros que, quando ligam para os outros, deixam tocar somente uma vez. Deste modo, o outro deve retornar a ligação e, assim, se faz uma bela economia. Tem os cavalheiros que, quando ligam para uma mulher, se oferecem para retornar a ligação imediatamente. Assim o sexo frágil não tem que pagar. Há cavalheiros extremos que, apaixonados, colocam crédito no telefone da amada. E a música dos celulares? As ruas italianas vivem animadas por diversos tipos de suonerie, que compõem uma verdadeira sinfonia: a ária de uma ópera, música clássica, jazz sincopado, melodia pop. E agora está na moda o toque animalesco, com sons de cães, galinhas e gatos. Onde será que vão parar? Além das conversações telefônicas, o que italiano adora mesmo são os torpedos. Os relacionamentos começam com o celular, quando os apaixonados começam a trocar inúmeros torpedos. Dos românticos aos mais quentes. E terminam quando um dos dois, inevitavelmente, acaba descobrindo um torpedo suspeito (de uma outra ou de um outro) ao bisbilhotar o telefone do outro.