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m a i o r
m í d i a
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c o m u n i d a d e
í t a l o - b r a s i l e i r a
www.comunitaitaliana.com
Ano XIV – Nº 109
ISSN 1676-3220
R$ 7,90
Rio de Janeiro, julho de 2007
Itália no
Pan?
Referência na organização de eventos
esportivos, o país oferece tecnologia de
ponta em detalhes que fazem a diferença
Gabrielli: legado toscano no comando da Petrobras
Andréa Moraes / Marcos Alexandre / Agência O Globo
42
CAPA PAN 2007
Italianos e descendentes marcam presença desde
os preparativos para o evento até a prática dos esportes
Economia
Fenit a San Paolo si è svolta con la predominanza di
stand cinesi in mezzo a rappresentazioni straniere..........................26
Editorial
Namoro promissor.........................................................................08
Cose Nostre
Empresários repudiam ação do embaixador
Michele Valensise e enviam manifesto ao governo italiano...............09
Articolo
Saúde
A Síndrome da Classe Econômica afeta a circulação
sanguínea de quem faz longas viagens de avião.....................................30
Attualità
L’italiano cerca un leader politico....................................................13
Una sottoscrizione è creata dai discendenti di italiani per dare un basta
alle lunghe file per la acquisizione della cittadinanza italiana.............34
Politica
Coluna Milão
Atualidade
O tempo não pára
No ano de seu centenário,
Oscar Niemeyer comemora
execução de projeto em Ravello
6
Tecnologia
Passado à tona
Pesquisadores criam programa
de simulação que permite a
visualização da Roma Antiga
ComunitàItaliana
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Julho 2007
52
Storia
L´Eroe dei Due Mondi
Italia e Brasile commemorano
il bicentenario della nascita di
Giuseppe Garibaldi
54
Turismo
Vale do Café
Nayra Garofle
Gianni Versace é lembrado na capital
lombarda e será nome de rua milanesa...........................................51
Divulgação
40
Divulgação
36
Bruno de Lima
Documento di partnership strategica tra Brasile e UE favorisce
negoziati in aree come energia e conservazione dell’ambiente..........16
Fazendas centenárias de oriundi,
no Rio, promovem viagem de
volta ao período cafeeiro
COSE NOSTRE
Julio Vanni
FUNDADA EM MARÇO DE 1994
Diretor-Presidente / Editor:
Pietro Domenico Petraglia
(RJ23820JP)
E
VICE-DIRETOR EXECUTIVO: Adroaldo Garani
Publicação Mensal e Produção:
Editora Comunità Ltda.
Tiragem: 30.000 exemplares
Esta edição foi concluída em:
20/07/2007 às 12:30h
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SUBEDIÇÃO: Rosangela Comunale
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Redação: Aline Buaes; Ana Paula Torres;
Bruna Cenço; Fábio Lino; Guilherme
Aquino; Nayra Garofle; Rosangela
Comunale; Sílvia Souza
REVISÃO / TRADUÇÃO: Cristiana Cocco
Projeto Gráfico e Diagramação:
Alberto Carvalho
CAPA: Andréa Moraes/ Marcos Alexandre
Agência O Globo
Colaboradores: Braz Maiolino; Pietro
Polizzo; Venceslao Soligo; Marco Lucchesi;
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Castro; Ezio Maranesi; Fabio Porta
CorrespondenteS: Guilherme Aquino
(Milão); Ana Paula Torres (Roma);
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ComunitàItaliana está aberta às contribuições
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editorial
ISSN 1676-3220
Filiato all’Associazione
Stampa Italiana in Brasile
ComunitàItaliana
sse namoro entre a Petrobras e a Eni –
assim definido o relacionamento por
José Gabrielli, presidente da empresa brasileira de combustíveis – tem futuro promissor. Essa união pode promover um salto revolucionário de tecnologia no setor energético – tão afinada está no que se refere à
emergência de uma solução menos desastrosa para o meio ambiente diante da demanda
inevitável do mundo por combustível. Figura como bom presságio o fato de estar no comando das negociações, pelo lado brasileiro, um oriundo. O espírito empreendedor e audaz do presidente Gabrielli resulta, segundo o próprio, do legado toscano em seu sangue
tão “brasileiramente” miscigenado.
Sem dúvida, a aliança reflete o interesse mútuo no estabelecimento de uma política
capaz da viabilização econômica de garantias para a sobrevida do planeta – por meio da
produção de energia renovável e a conseqüente redução da emissão de gases poluentes.
Essa preocupação inspirou, justamente, a realização em julho, no Rio de Janeiro, de um
importante seminário sobre o tema, em meio a um encontro de todas as Câmaras de Comércio Italianas das Américas do Sul e Central.
Eis assim, tão evidente, apenas um – embora um dos mais relevantes – entre tantos indícios concretos do nível progressivo da cumplicidade na relação Brasil-Itália. Mas o calor
desse namoro se expande para muito além do campo dos inflamáveis. E mais velozmente se aquece o relacionamento com a
elevação do status brasileiro ao nível de parceiro estratégico da
União Européia, antes de tudo o reconhecimento do potencial
econômico do país em franco desenvolvimento. Os líderes europeus decidiram, enfim, tratar o Brasil de forma diferenciada.
Claro que foram determinantes a estabilidade da economia brasileira e o volume de trocas comerciais entre o país e
o bloco mais ao Norte. Só no ano passado, esse intercâmbio
comercial chegou a gerar quase € 43,9 bilhões. E a tendência,
desde 2003, é de gradativa evolução dessa cifra, assim como
do valor de recursos investidos no Brasil pelos países da UE,
algo estimado em € 80 bilhões para 2007.
Pietro Petraglia
Reconhecida a legitimidade dos esforços mútuos de natuEditor
reza meramente capitalista, há outra vocação nessa parceria estratégica de ordem muito mais urgente. Por exemplo, a inclusão do Brasil nas discussões para
a definição de estratégias e de ações de combate à fome e à miséria em escala mundial, assim
como para o planejamento de uma política de segurança pública internacional, de prevenção e combate à violência e à corrupção decorrentes da atuação das máfias multinacionais,
das quadrilhas do crime organizado, especialmente no que se refere ao tráfico de drogas. Tais
questões aparecem, no momento, apenas em segundo plano, entre tantos pontos do documento assinado, recentemente, pelos presidentes brasileiro e da Comissão Européia.
Se faz óbvia, no entanto, a consciência de que se trata de um relacionamento complexo, por desigual, no que se refere ao perfil sócio-econômico de cada parte. No caso do
namoro Brasil-Itália, ainda há que se promover o pragmatismo na solução de problemas
básicos, como o das centenas de milhares de descendentes de imigrantes na fila dos consulados italianos, em espera interminável pela conclusão de processos envolvendo pedidos de cidadania. Também os empresários oriundi vêm pedindo mais apoio da Embaixada
da Itália no seu esforço de empreendedorismo no país.
Queixas à parte, a hora é de comemoração. Trinta milhões de ítalo-brasileiros integram a torcida pela vitória dos competidores nacionais nos Jogos Pan-americanos 2007,
muitos deles com sobrenome de imigrantes. Não bastasse o clima de euforia coletiva, o
evento esportivo não deixou a dever em qualidade a qualquer outro, de nível internacional, tanto em organização, como em estrutura. E, para esse sucesso, o PAN contou com
a participação de empresas com sede na Itália, uma referência internacional nessa área.
A atleta em pirueta na foto da capa desta edição, por sinal, a brasileira Juliana Veloso, só
sentiu segurança para competir depois que a italiana Mondo providenciou um piso antiderrapante para a plataforma e o trampolim destinados aos saltos ornamentais. Vale voltar
a dizer: esse namoro tem futuro! Boa leitura!
R
oberto Colannino, presidente da Piaggio, vem desenvolvendo um
projeto inovador de um triciclo com motor híbrido a ser fabricado
no Brasil. A idéia é “melhorar o problema do trânsito urbano das cidades, que sofrem com a poluição e a falta de espaço”. O produto é desenvolvido em colaboração com a Universidade de Pisa.
O
Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, e o Coliseu, em Roma
estão entre as Sete Maravilhas do Mundo Moderno. Dentre
os vencedores, cidadãos do mundo inteiro também escolheram
a muralha da China, o Taj Mahal na Índia, a cidade de Petra, na
Jordânia, as ruínas incas de Machu Picchu, no Peru, e a antiga
cidade maia de Chichen-Itza, no México.
Eni dispensa
paletó
Só para
mulheres
E
m nome do combate ao
aquecimento global,
os funcionários da principal companhia do setor
energético da Itália, a Eni,
não trabalham mais vestidos com paletó e gravata.
A justificativa, segundo a
empresa, é a grande quantidade de energia elétrica
desperdiçada com o uso do
sistema de ar condicionado.
Nos escritórios de Milão, a
Eni estima economizar nos
meses de verão 217 mil Kw,
o equivalente a uma redução de 9% no consumo habitual de energia pela empresa.
Diva aos 80
E
terna cigana Esmeralda, ao
lado do galã Anthony Quinn,
na versão hollywoodiana de O
corcunda de Notre Dame de 1956,
Gina Lollobrigida completou 80
anos, no dia 4 de julho. Após
longa carreira de sucesso como
atriz, a diva do cinema se dedica
há tempos à fotografia e à escultura, mas pensa em escrever uma
autobiografia. Ela nasceu em Subiano, perto de Roma e é graduada em Belas Artes. Em 1947, ganhou o terceiro lugar no concurso
Miss Itália.
Niccolo Ammaniti
O
R
Ansa
Diretor: Julio Cezar Vanni
8
Que beleza!
Triciclo híbrido
A
presentado em Turim, no último dia 4, a nova versão do Fiat
500, um resgate nostálgico do design do modelo cinqüentenário, aliado à tecnologia de ponta. Houve realização de festas
por toda a Itália, mas o principal pólo de comemorações foi Turim, onde o presidente da Fiat, Luca Cordero di Montezemolo, e o
primeiro-ministro Romano Prodi, promoveram o lançamento oficial, na pista de Lingotto. O velho 500 nunca deixou de fazer parte
do imaginário das famílias italianas. A fábrica Tychy, na Polônia,
vai produzi 120 mil unidades por ano. Já há 25 mil encomendas
antecipadas do novo Fiat 500. O preço deve ficar entre € 10 mil e
11 mil, na versão básica do Cinquecento.
Em nome do sacrifício
T
alvez poucos saibam mas, desde 2003, no dia 8 de agosto, é lembrado o sacrifício do trabalho italiano no mundo. A data foi instituída pelo governo italiano. Justa homenagem aos milhões de italianos que, até por motivos de
sobrevivência, deixaram a terra natal em condições desastrosas para uma viagem sem retorno pautada pela esperança de
uma vida melhor.
escritor Niccolò Ammaniti sagrou-se vencedor da 61ª
edição do Prêmio Strega - principal reconhecimento, na
Itália, de talentos no campo da literatura. O novo romance de
Ammaniti, Come Dio comanda, garantiu 144 do total de 356
votos concedidos pelo júri. O autor conquistou projeção internacional após o lançamento de Não tenho medo (“Io non ho
Paura”), em 2001.
iccione, no norte da
Itália, abriu uma praia
exclusiva para mulheres.
Homens estão proibidos de
freqüentar o lugar conhecido como praia “cor-de-rosa”.
Toda a infra-estrutura foi
concebida de modo a promover o bem-estar e o conforto do sexo feminino. No
bar e no restaurante, nutricionistas elaboram cardápios e coquetéis que não
prejudicam as dietas. E há
cursos de cozinha e aulas de
ginástica, além de serviços
de cabeleireiros, esteticistas, manicures e maquiadores à disposição.
Clooney se
alia a italianos
O
ator norte-americano George Clooney, dono de uma casa em Laglio, às margens do lago
Como, assinou petição que tem
por objetivo bloquear futuros empreendimentos na cidade. O astro
se aliou a vizinhos para protestar
contra planos de construção de
estacionamentos e de uma ponte
flutuante. Esta, por sinal, passaria perto da casa de Clooney. As
obras atenderiam ao projeto do
prefeito local de tornar a cidade
mais acessível a turistas.
Manifesto
O
ito empresários de Brasília encaminharam uma carta ao Ministro das Relações Exteriores da Itália, Massimo D’Alema,
reclamando da ação do embaixador Michele Valensise. Encabeçado pelo empresário Antonello Monardo, eles acusam o embaixador
de atrapalhar os negócios, de não promover a integração e fazer
perseguição. Entretanto, a embaixada afirma que recebeu dezenas
de e-mails em solidariedade a Michele Valensise.
Entretenimento com cultura e informação
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Julho 2007
Julho 2007
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ComunitàItaliana
9
opinião
serviço
agenda cultural
frases
“Eu acho que o Brasil é um país sui generis. O único país em
que os brasileiros falam mal do Brasil lá fora. Você não vê
um suíço falar mal da Suíça, você não vê um italiano falar
mal da Itália, mas os brasileiros adoram falar mal”,
“Foi um péssimo ano, mas assim é a
vida. O maior erro foi pensar demais
em meus problemas. Espero trabalhar
e sair dessa situação”,
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Corcovado, ao pedir
que os brasileiros votassem no Cristo Redentor para se tornar
uma das sete maravilhas do mundo.
Adriano, jogador brasileiro da Inter
de Milão, que espera marcar cerca de
20 gols em sua próxima temporada na
equipe italiana.
Marisa Bafile, deputada italovenezuelana, impegnata nella
conscientizzazione degli italiani
sul potere della cultura creata
dai cittadini residenti all’estero
nei paesi in cui risiedono.
baile e apresentações, o evento é organizado pelo Grupo de
Cantoria Italiana Stella D´Italia,
com apoio da Prefeitura Municipal de Garibaldi, da Secretaria de Turismo e da Câmara Municipal de Vereadores da cidade
gaúcha. Data: 18/08/2007. Local: Salão Santo Antônio, Bairro Champanhe, em Garibaldi,
Rio Grande do Sul. Informações:
(54) 3462-1799.
Vozes de Mulheres: peça teatral
com a atriz Marilena Bibas, a
percursionista Cacá Martinelli,
na estante
a violinista Frida Maurine e direção de Ivan Tanteri. O texto
reúne trechos de depoimentos,
cartas de mulheres e fragmentos de textos de autores brasileiros e estrangeiros, narrando
os sentimentos das mães que
vêem os seus filhos tragados
pela loucura dos conflitos políticos e sociais. Até 8 de agosto.
Local: Teatro do Leblon - Sala
Tônia Carrero - Rua Conde Bernadote, 26. Terças e quintasfeiras às 21h. Informações:
(21) 2274-3536.
Vencedores – Exposição de Artes
Plásticas: enquanto acontece o
PAN 2007, os escultores Deise
Mazziotti e Saramago, e os pintores Badia, Baruzzi, Bernardii,
Camões, Marina Costa, Shyrley
Cabral e Thereza Toscano apresentam suas obras em homenagem aos esportes. Até o dia 30
de julho. Local: Hotel InterContinental, São Conrado, Rio de Janeiro. Avenida Prefeito Mendes
de Morais, 22. Das 10h às 22h.
Informações www.mundointerior.
com.br ou (21) 3322-4376.
click do leitor
Arquivo pessoal
Fabio Capello, tecnico italiano
sostituito dal tedesco Bernd
Schuster al comando del
Real Madrid.
“Fino a quando gli italiani non si
renderanno conto della forza della terza
cultura che si è creata nei nostri paesi,
non ci vedranno mai come un patrimonio
da consolidare, ma sempre
come un problema”,
Fotos: Divulgação
“Ho avuto proposte per
lavorare negli Stati Uniti, ma ci
devo ancora pensare. Sarebbe
una nuova esperienza, che è
motivante non solo per i soldi,
ma per vedere se qualcuno
riesce a far decollare
il calcio di là”,
As formas frágeis – técnicas mistas:
a exposição apresenta uma seleção de obras, sobre papel, que
ilustram pesquisa de Melchiorre
Napolitano sobre o panorama da
abstração, sem as inquietações
do experimentalismo. Até 10 de
agosto. Local: Instituto Italiano
de Cultura de São Paulo (IIC-SP)
- Rua Frei Caneca, 1071, na capital. De segunda a sexta-feira,
das 10h às 20h. Informações:
(11) 3285-6933.
IX Encontro de Cantoria Italiana e
I Encontro de Coros: com jantar,
enquete
O Vaticano divulgou que a Igreja Católica é a única
querida por Cristo. Você concorda?
Não - 61.5%
Sim - 38.5%
Enquete apresentada no site www.comunitaitaliana.com
entre os dias 10 e 13 de julho.
Itália cria praia exclusiva para mulheres. Você acha que:
83.3% - É uma forma de
discriminação para com
os homens.
16.7% - É um meio de
proteger a integridade
da mulher.
Enquete apresentada no site
www.comunitaitaliana.com
entre os dias 26 e 29 de junho.
ERRATA: Diferentemente do que foi publicado na última edição, O Tempo Anda a seu Favor, de Helion Povoa,
Andréa Araújo e Lucia Seixas, trata sobre os avanços da ciência e como estes podem aumentar a qualidade de
vida, até na terceira idade, com mais saúde e beleza, trazendo novidades em pesquisas e teorias sobre a longevidade humana. Editora Objetiva, 172 págs.; R$ 24,90.
10
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Trabalho ou emprego? Dividido
em quatro capítulos, esse estudo de Noêmia Lazzareschi trata
das diferenças entre trabalho e
emprego, além de possibilitar
ao leitor o conhecimento sobre
as mudanças ocorridas no mercado de trabalho a partir do século 20 e as exigências que o
mercado impõe na hora de contratar um funcionário. Paulus,
96 págs.; R$10.
Vida Líquida. O livro de Zygmunt
Bauman volta ao tema da fluidez
da existência contemporânea. Por
conta disso, com base no que é descartável e efêmero, a obra mostra
um resumo dos efeitos que a atual
estrutura social e econômica gera
na vida, seja no amor, nos relacionamentos profissionais e afetivos,
na segurança pessoal e coletiva,
no consumo material e espiritual,
no conforto humano e no próprio
sentido da existência. Jorge Zahar
Editor, 212 págs.; R$ 36,00.
cartas
“S
ono un Satrianese che ama il Brasile e ‘consegue falar e compreender o brasileiro’. Ho avuto modo di leggere l’articolo
su Satriano di Lucania e per questo ringrazio per l’attenzione che
avete voluto dare al nostro “morro”. Comunque “obrigado e não
esquece da gente”.
E
m abril levei minha mãe à Itália porque era o sonho dela conhecer o Vaticano. Aproveitamos e viajamos por vários lugares
e um deles foi Veneza. Iniciamos nosso passeio com “vaporetto”,
que percorre os canais para chegar na Praça de São Marcos, onde
visitamos vários monumentos. Não poderíamos deixar de fazer um
passeio de gôndola. Registramos cada momento, inclusive esta foto com o canal ao fundo. Fica aqui, este breve relato recheado de
lembranças fartas desse lugar maravilhoso!
Lucimar Cardozo — Vila Velha, ES
Mande sua foto comentada para esta coluna
pelo e-mail: [email protected]
“A
lém de todo o conteúdo da revista, posso dizer que adoro a
seção de frases. É uma forma de estar informada sobre o que
as principais personalidades andam falando por aí. A entrevista com
Silvério Bonfiglioli, da Magneti Marelli, foi ótima. De conteúdo atual,
todos os assuntos abordados foram pertinentes”
Rocco Cavallo,
por e-mail
Francesca Romano,
Rio de Janeiro, RJ — por e-mail
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11
opinione
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Grupo Keystone
L
e oscillazioni del prezzo internazionale del petrolio, il
consumo mondiale in costante ascesa, la carenza
di consistenti e rapide alternative energetiche, i giganteschi
interessi dei produttori con gli
inevitabili risvolti politici, hanno inciso profondamente sulle
vicende internazionali degli ultimi anni.
Il prezzo del barile di petrolio, prescindendo dalle nevrosi
degli anni ’70 successivamente
rientrate ma solo considerando
l’ultimo ventennio, era intorno ai
$20 fino al 1998 quando era sceso addirittura a $12. Poi, a seguito dell’invasione statunitense
dell’Iraq, il prezzo è rimbalzato
a $35 per poi progressivamente aumentare, sempre con forti
oscillazioni, aggirandosi attualmente sui $60/70.
Fattori di destabilizzazione
dei prezzi sono: l’immenso fabbisogno USA per metà importato
con rapido esaurimento dei giacimenti nazionali, il boom asiatico
capeggiato da Cina ed India, la
politica di tensione tra l’occidente ed il mondo musulmano finora
detentore delle maggiori riserve
mondiali. Inoltre, in quasi tutti
i paesi e soprattutto in Europa,
l’alto prezzo del petrolio porta
assurdamente a benefici elevatissimi alle loro critiche finanze
pubbliche, in quanto l’incidenza
fiscale sulla vendita dei carburanti ed altri derivati è dell’ordine del 70%. Quindi se, per assurdo, il petrolio dovesse venire
in breve sostituito da nuove fonti energetiche sicuramente assai
più care e che dovrebbero essere
all’inizio sovvenzionate, gli Stati
andrebbero rapidamente in bancarotta.
Parallelamente agli studi sulle fonti energetiche alternative
stimolate dai crescenti allarmi
ambientali ed effettuati con risorse limitate, vengono applicati investimenti ben maggiori alla ricerca di nuovi giacimenti di
petrolio da parte delle potenti
multinazionali del settore e dei
governi di paesi leader mondiali,
quali USA, Russia e Cina.
Il problema è complesso e
moltissimi casi potrebbero venire
citati. Mi limiterò quindi a dare
qualche notizia su un’operazione
in corso, di cui si sente poco parlare, ma che è economicamente
di grande rilevanza.
Dall’Iraq
al Canada
Un’operazione in corso, di cui si sente poco parlare,
ma che è economicamente di grande rilevanza
Franco Urani
Ad inizio 2003, gli Stati Uniti
ed alcuni loro alleati attaccarono
l’Iraq adducendo pretesti comunque mai comprovati di esistenza
di armi segrete e alimentazione
del terrorismo mondiale. Il presumibile principale obiettivo del
Governo USA, peraltro mai ammesso, era di mettere le mani sui
ricchissimi e poco sfruttati giacimenti di petrolio di quel paese, per sottrarsi a possibili ricatti
dei paesi arabi ed anche con la
speranza di fare dell’Iraq un paese democratico ed amico, di favorirne il progresso economico,
ComunitàItaliana
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di portarlo nella loro orbita con
auspicabili influenze positive anche sugli Stati circostanti.
Il disastro dell’operazione
Iraq è noto a tutti (solo Dio sa
come ne verranno fuori gli USA)
e gli effetti sono stati ingenti investimenti per sostenere quella
che avrebbe dovuto essere una
guerra lampo, crescente impopolarità, aumento del terrorismo,
cospicue perdite umane, forti aumenti del prezzo del petrolio.
Peraltro gli USA, inguaiati in Iraq, non hanno rinunciato al programma fondamentale
per la loro economia di ottenere all’estero una solida base per
le forniture di petrolio essenziali per la loro economia ed hanno
trovato la soluzione nel confinante Canada, nella parte settentrionale dello Stato di Alberta, situato nel centro-ovest del paese,
dove da tempo si sa che esistono
vastissimi giacimenti di bitume,
ricoperti da foreste di conifere.
L’estrazione del petrolio dal bitume è un processo complesso e
caro, consistente nell’asportazione della foresta, poi dello strato arabile del terreno, estrazione
del bitume e trasporto con giganteschi autocarri agli impianti
di separazione del petrolio, con
smaltimento dei voluminosi residui di lavorazione nelle acque
circostanti. Un altro sistema pure
applicato è di estrarre in loco il
bitume sciogliendolo con enormi
trivelle che iniettano vapore.
I danni all’ambiente per il disboscamento, deposito di residui, consumo ed inquinamento
delle acque sono certamente assai più elevati rispetto all’estrazione tradizionale del petrolio ed
il costo tocca i $ 23 al barile.
Fattori determinanti sono i
seguenti: i giacimenti di Alberta
sono ben più ricchi di quanto si
pensasse e vengono ora valutati
in 2,5 trilioni di barili di petrolio, dei quali oltre 170 miliardi
economicamente
recuperabili,
quindi tra i maggiori mondiali;
il Canada è un paese amico che
non frappone alcuna difficoltà
all’operazione, prevedendo per i
produttori sgravi e incentivi fiscali con pagamento di royalties di appena l’1%; il 75% del
petrolio estratto ha destinazione
con i confinanti USA.
Questa rischiosa operazione
bitume che si sta sviluppando è
stata iniziata alla grande da tutte le principali multinazionali
petrolifere (ad eccezione di BP
e AGIP) nel 2003, non appena
il prezzo del barile petrolio ha
toccato i $ 35 e si è visto che la
guerra in Iraq diventava problematica. Insomma, il paradosso
è che il fiasco in Iraq ha fatto
sì che gli USA trovassero la loro
sicurezza energetica nella porta accanto del Canadà, potendo
forse questa circostanza favorire soluzioni di pace nel medio
oriente asiatico la cui importanza economica diminuirebbe alquanto.
Diogene italico
L´italiano cerca un leader politico
G
recia antica. Diogene, nudo, coperto da una botte, munito di lanterna,
cercava un uomo onesto
nelle vie di Atene.
Italia di oggi. L’italiano cerca un leader politico. Non ha la
lanterna, ha il voto, ma non lo
usa come vorrebbe, perché non
c’è tra i candidati l’uomo che
cerca. Ma ne conosce perfettamente il profilo.
Il politico che cerca è giovane, ha una storia fatta di
studio, di lavoro, di onestà e di
integrità morale. Ha una forte
leadership naturale, rafforzata
dalla sua storia. Ha carisma. Ha
il coraggio di dire agli italiani
che la situazione è grave e che
essi devono, tutti insieme, iniziare un lungo cammino, pieno
di sacrifici, per pagare il debito sociale, il debito pubblico,
gli errori, gli egoismi corporativi, le scelte sbagliate, il lassismo, la tolleranza, i troppi
compromessi, eredità dei nostri governi passati. È difficile dire queste cose a un popolo che già soffre, ma il nostro
uomo sa di poterle dire perché
la gente ha fiducia in lui. Non
è attaccato alla poltrona e non
“Non ha la
lanterna, ha il
voto, ma non
lo usa come
vorrebbe, perché
non c’è tra i
candidati l’uomo
che cerca. Ma
ne conosce
perfettamente
il profilo”
Ezio Maranesi
ha timore di perderla. Dice con
parole semplici cose che tutti
possono capire; sa che la gente lo ascolta, lo capisce e lo
vota perché è l’uomo che può
cambiare una Italia che ha bisogno di essere cambiata. Non
accetta il ricatto politico delle
ali estreme. È deciso e autorevole. Ha il coraggio di affrontare il problema dell’assurdo
costo della pubblica amministrazione: chiude le provincie e
migliaia di enti pubblici inutili,
riduce il numero dei parlamentari, riduce i loro incredibili benefici. Ha il coraggio di affrontare il problema dell’efficienza
dell’esecutivo, del legislativo
e del giudiziario, misurandosi
con le forze sindacali più ottuse. Ha il coraggio di impegnarsi per ridurre gli sprechi e
l’assurdo costo della politica e
dei politici: se avete letto “La
Casta”, di S. Rizzo e G. Stella,
Rizzoli 2006, lettura che avvilisce e disgusta chi paga le
tasse, vi rendete conto quanto
coraggio sia necessario per affrontare questa gigantesca piovra. Affronta lo spinoso problema delle pensioni, sapendo
che dovrà prendere decisioni
gravi e impopolari. Risolve se
la TAV, la base NATO di Vicenza, le centrali nucleari s’hanno
da fare oppure no, e una volta
presa la decisione l’argomento
è chiuso. Non accetta l’inerzia
di Bassolino che inonda Napoli
di rifiuti: risolve. Non accetta
che la Salerno-Reggio Calabria
continui per decenni ad essere un cantiere. Non accetta le
influenze mafiose, l’evasione
fiscale, il degrado ambientale,
l’analfabetismo informatico, il
lavoro nero. Non accetta che
l’Italia, che fu grande, che può
essere grande, continui nel suo
declino sociale, economico e,
inevitabile conseguenza, morale e culturale. Questo politico non è un duce; non potremmo ritornare su certi cammini.
Quest’uomo (uomo o donna che
sia, s’intende) deve esistere;
quella grande parte di Italia
che ha buonsenso e sani principi deve aver partorito figli di
questa fibra.
L’intellighenzia definisce qualunquiste, in chiave dispregiativa, tali opinioni, ispirate a
semplici criteri di buonsenso
certamente condivisi dalla maggioranza silenziosa che poco ama e pratica la politica. E liquida la
questione in modo sbrigativo definendo antipolitica questo desiderio
di risveglio delle coscienze. Esercitare la
politica è vitale nel
cammino di un paese
democratico. Fare di
essa un mestiere lucrativo significa però
accettare compromessi per tenersi la poltrona, il potere e le
opportunità che esso
offre, costi quel che
costi alla collettività.
La
politica,
intesa nel giusto
senso, è valutazione di ciò che
il popolo vuole,
è scelta, è decisione, con un
progetto chiaro di progresso, nel senso più
ampio del termine e
nell’unico interesse
degli italiani. Il nostro uomo valuterà,
sceglierà e deciderà, dopo aver spiegato alla gente che la
nostra terra ha due
cammini
possibili:
svegliarsi,
reagire,
essere protagonista
di una rivoluzione
culturale che superi il conservatorismo delle destre
Julho 2007
/
e delle sinistre, con l’obbiettivo di diventare un grande paese moderno, oppure continuare il triste spettacolo che oggi
è sotto gli occhi di tutti, ove
la politica si limita a cercare di
tappare alcuni buchi, e neppure vi riesce. È il cammino sicuro
verso un amaro declino.
ComunitàItaliana
Reprodução
opinione
13
opinione
marco lucchesi / artigo
Vacanze italiane Diário de um Tradutor
Quando turisti e stereotipi viaggiano insieme...
Fabio Porta
rista italiano, anche se ancora
ben al di sotto di altri Paesi e,
soprattutto, del suo enorme potenziale di attrazione turistica.
Le responsabilità di questo
ritardo sono probabilmente dovute ad una storica mancanza di
programmazione e incisività delle politiche promozionali pubbliche brasiliane in questa direzione,
come anche a serie carenze infrastrutturali e a non secondari problemi legati alla sicurezza, in particolare nelle grandi metropoli.
Sono però convinto, e non si
tratta soltanto di un’impressione personale, che il vero grande
responsabile per il mancato ‘boom’ turistico del Brasile in Italia e nel mondo sia ancora e, nonostante tutto, lo stereotipo e il
pregiudizio culturale con il quale questo Paese viene descritto
all’estero, a partire dall’immagine che del Brasile danno i grandi
organi di informazione.
Non faccio più caso, dopo oltre dieci anni di vita da queste
parti, all’italiano che sbarca a
Guarulhos o al Galeão e che – dopo qualche giorno di Brasile – dice
innocentemente: “È molto diverso
da quello che mi aspettavo”.
Primo tra tutti la qualità del
‘capitale umano’ brasiliano, in
testa agli item di apprezzamento
del Paese espressi dalla stragrande maggioranza dei turisti; ma
anche la gastronomia, piacevolmente sorprendente per ricchezza e sapore; senza parlare della
stessa ricchezza storico-culturale
oltre che naturalistico-ambientale di quello che in realtà è un vero e proprio continente.
Ma, strano ma vero, sono anche
queste dimensioni a sorprendere.
Mi sono ritrovato tra le mani qualche settimana fa una pubblicazione ufficiale del Ministero
del Lavoro italiano, nella quale
venivano presentati i progetti
a favore degli italiani all’estero: anche la mappa dell’America
Latina era distorta, con un Brasile proporzionalmente poco più
grande dell’Argentina, più piccolo dell’Egitto… Sembrano banalità, ma non lo sono. Questo tipo
di gaffe dimostra quantomeno la
pressappochezza e la superficialità con la quale spesso ci si relaziona a certi fenomeni, e – in
primo luogo – alle politiche per
gli italiani all’estero.
Quanti italiani sanno che i
brasiliani sono quasi 190 milioni, dei quali almeno trenta hanno nelle loro vene il sangue di un
antenato nato nella nostra penisola? Sicuramente pochi. Provate
a fare un test, chiedendo ad un
giovane italiano quali sono i tre
o quattro Paesi dove si concentra
il maggior numero di oriundi; vi
risponderà, nell’ordine: Argentina, Stati Uniti, Australia e Canada, passando eventualmente per
un riferimento dovuto, ma più
scontato, a Svizzera e Germania.
Cosa c’entrano adesso le ferie
di agosto con la presenza degli
italiani all’estero, i programmi
del governo italiano con le vacanze sotto l’ombrellone di 60
milioni di italiani?
Il nesso potrà anche non essere immediato ma c’è, e il discorso potrebbe essere esteso ad altri
piani, a quello dei rapporti commerciali ed economici ad esempio,
ma anche agli scambi culturali ed
accademici, e potremmo andare
avanti in molte direzioni.
Alla base di tutto, infatti,
esiste il pericoloso virus del pregiudizio, dello stereotipo o cliché, tutte malattie che per anni hanno colpito proprio l’Italia,
che solo il recente periodo di integrazione europea ha emancipato dalla facile ed offensiva immagine di Paese ‘del mandolino e
degli spaghetti’.
E’ per questo che proprio noi,
italiani all’estero, dovremmo stare
attenti alla riproposizione e all’applicazione di immagini stereotipate e culturalmente viziate verso i
Paesi di nostra emigrazione, nella
difesa di un principio ideale valido
per noi italiani, ma a maggior ragione per tutti i popoli del mondo.
Chissà che tanti dei nostri
problemi non derivino proprio da
questo ‘vizio d’origine’.
Per questi motivi l’informazione è importante, a partire da
quella “di ritorno”, indirizzata
cioè verso gli italiani d’Italia, nostri fratelli d’oltreoceano, troppo
spesso disinformati o – peggio –
male informati.
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Julho 2007
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ComunitàItaliana
Editoria de arte
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li italiani vanno in vacanza; tutti, o quasi, ad agosto. Anche se ogni anno
sono sempre di più quelli
che non possono permettersi un
lungo periodo di ferie, le vacanze estive continuano a rappresentare per l’Italia un altro di quei
tanti ‘tratti peculiari’ che distingue ancora oggi e, nonostante la
globalizzazione dei costumi e dei
modi di vita, l’italiano dal tedesco
o dal francese, dal canadese o dal
giapponese… Provate a fissare un
appuntamento di lavoro in Italia
ad agosto, o a programmare a fine
luglio un’attività di carattere professionale: vi osserveranno come
se foste dei matti, e gentilmente
vi diranno “se ne parla a settembre”… Sí, anche il Brasile ha le
sue lunghe vacanze estive, la sua
lunga serie di ‘feriados’, anche qui
si suole dire che “l’anno inizia dopo il carnevale”, ma nulla si compara al “chiuso per ferie” dell’agosto italiano e nessuna data è più
sacra per i vacanzieri di tutto il
mondo del ‘ferragosto’ italiano,
data fatidica (il 15 agosto) quando l’Italia si ferma.
Gli italiani, dicevamo, vanno
in vacanza. Sempre più all’estero, per non perdere le buone abitudini di un popolo di navigatori
e viaggiatori da sempre, e – non
a caso – protagonista di migrazioni memorabili.
Il Brasile negli ultimi anni è
entrato a far parte del ristretto
numero di mete preferite del tu-
Diário da tradução dos poemas
do Rumi, na comemoração
de seus oitocentos anos de
nascimento. Fragmento do
livro inédito O canto da
unidade, que organizei
com Faustino Teixeira
e Leonardo Boff.
15
Grupo Keystone
16
Un’azione d’insieme di combattimento alla povertà, grazie ad un
meccanismo triangolare Unione
Europea-Brasile-Africa potrebbe
essere il primo risultato che si intravede nel contesto politico di
questa alleanza. Lo studio di fonti alternative di energia dovrà anche coinvolgere, ora più che mai,
lo sforzo comune di cooperazione
per il rafforzamento del multilateralismo e per la lotta contro gli
effetti del riscaldamento globale.
— Brasile e Unione Europea
possono ora iniziare a mettere in
pratica un bisogno che ho messo
in risalto nel Vertice G8 (gruppo
delle sette nazioni più poten-
ComunitàItaliana
/
Julho 2007
ti del mondo più la Russia). Le
grandi questioni globali, come il
commercio, i cambiamenti climatici e la sicurezza energetica, non
possono essere discussi in piccoli
gruppi limitati, che non considerino la posizione dei grandi paesi
in via di sviluppo. Se vogliamo
veramente costruire un mondo
migliore, dobbiamo stimolare il
dialogo e la cooperazione tra il
Sud e il Nord sui principali temi
dell’agenda globale — ha affermato il presidente Lula.
Tra le circostanze che hanno
portato l’Unione Europea alla decisione di offrire un trattamento
distinto al Brasile c’è l’attuale
condizione di stabilità della maggiore economia sudamericana.
Secondo la Commissione Europea, il paese emerge come il
principale partner commerciale del blocco in America Latina. L’intescambio commerciale,
in questo caso, ha totalizzato €
43,9 miliardi (quasi US$ 60 miliardi) l’anno scorso. Gli scambi
commerciali stanno aumentando
dall’inizio del governo Lula, nel
2003. Inoltre, il Brasile è destino
di investimenti stranieri dei paesi della UE per un valore stimato
di € 80 miliardi per il 2007.
Gli investimenti europei in
Brasile superano già i valori concessi a Russia, India e Cina insieme. Lula ha approfittato la visita
a Lisbona per mettere in luce le
possibilità di investimenti che si
aprono in Brasile con il Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), inaugurato in gennaio.
Ricardo Stuckert
popoli, per esempio, grazie a interscambi nell’educazione universitaria, o alla promozione di
partnership nella ricerca e sviluppo — afferma Pacheco.
Presidente della Comissão
de Relações Exteriores e Defesa
Nacional do Senado, nel biennio
2007-2009, il senatore Heráclito
Fortes corrobora questa visione:
— Abbiamo sempre avuto,
nell’Unione Europea, un partner
speciale, non soltanto dovuto
al commercio bilaterale, ma anche grazie ai legami di amicizia
che hanno reso questo rapporto
più stretto. Abbiamo visto che il
Vertice, recentemente realizzato,
Brasile-Unione Europea è stato
dominato da argomenti di natura
commerciale, soprattutto nel ten-
tativo di riprendere il Doha Round
dell’OMC, ma c’è una gamma interminabile di temi nella nostra
agenda. Tra cui uno che passerà
ad avere sempre più importanza,
che è quello dei biocombustibili.
Lo status di partner privilegiato concesso al Brasile può facilitare le relazioni a vari livelli,
come la creazione di un’area di
libero commercio con il Mercosud, secondo il senatore. Ma ha
esternato una riserva:
— Credo che dobbiamo avere un atteggiamento pragmatico,
stando attenti affinché non si rimanga dipendenti di un unico partner e, in questo senso, far divenire più forte e diversificato questo
rapporto dev’essere una priorità
della politica estera brasiliana.
Risultati:
Partnership
strategica
Nel documento firmato viene definita l’analisi di strategie comuni per affrontare le sfide mondiali, tra
cui la pace, i diritti umani,
l’esclusione sociale, le minacce all’ambiente e lo sviluppo sostenibile.
Negoziati
UE-Mercosud
Il documento firmato a Lisbona riafferma l’impegno di ambedue le parti di concludere
il processo di avvicinamento.
La possibilità di un accordo
di associazione tra i blocchi
è rimasta più distante dovuto
all’allontanamento tra le posizioni del Brasile e dell’Europa
nei negoziati commerciali.
Cambiamenti
climatici
Posizioni comuni tra il paese e il blocco economico
favoriscono numerose iniziative d’insieme, come le
azioni proposte nel Protocollo di Kyoto e anche progetti concreti, in particolare
nell’area dei biocombustibili ed altre fonti energetiche
rinnovabili.
Julho 2007
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Reprodução
L’
Unione Europea ha appena eletto il Brasile come
partner strategico. Firmata in un documento dai
due presidenti del Brasile, Luiz
Inácio Lula da Silva, e della Commissione Europea, José Manuel
Durão Barroso, questa partnership innalza il paese ad uno status privilegiato nelle sue relazioni
con il blocco dell’Emisfero Nord.
Si rafforza, nel campo economico, una tendenza già esistente di
progressi a passi larghi del commercio bilaterale e della politica.
La nuova alleanza rappresenta un
qualcosa di non meno importante: il riconoscimento del Brasile
come protagonista sullo scenario
mondiale, ora membro di un club
abbastanza circoscritto, accanto
agli Stati Uniti, Canadà, Giappone, Russia, India e Cina.
Nell’ambito della politica,
però, il dialogo è solo agli inizi.
ni e istituzioni multilaterali, ma
anche dovuto alla capacità maggiore, grazie a questa unione,
di promuovere un contributo decisivo per le attenzioni date alle molte sfide globali. Come, ad
esempio, le alterazioni climatiche, la povertà, i diritti umani.
— Esiste un enorme potenziale per sfruttare i nostri rapporti con il Brasile a livelli multilaterali, regionali e bilaterali.
Questa partnership strategica ci
permetterà di sviluppare ancor
più la nostra cooperazione nei
settori-chiave, come l’energia,
l’ambiente, i cambiamenti climatici, i trasporti marittimi e lo
sviluppo regionale, a breve e media scadenza; e di stabilire nuove relazioni durevoli tra i nostri
Reprodução
Fábio Lino
Il senatore Heráclito Fortes (a sinistra), crede nella partnership con la UE, che ha portato
il presidente Lula (nella foto con i principali leader europei) a Lisbona
Grupo Keystone
Dichiarazione di partnership strategica tra Brasile e Unione Europea
favorisce negoziati in diverse aree, come energia e conservazione dell’ambiente
Grupo Keystone
Posizione
privilegiata
Lula ha garantito che l’economia
nazionale, con la meta di crescita del 5% per l’anno prossimo,
ha trovato la sua strada per una
crescita sostenibile. Secondo lui,
il cambio continuerà ad essere
fluttuante.
— La partnership strategica
tra il Brasile e l’Unione Europea
getta le basi su di una solida realtà economica. Abbiamo superato, nel 2006, la somma di 50
miliardi di dollari di commerci
bilaterali, una crescita del 13%
rispetto all’anno anteriore e del
60% rispetto al 2003. Gli scambi
con l’Unione Europea rappresentano il 22% del nostro commercio
estero. La scorta di investimenti
diretti europei in Brasile è di US$
150 miliardi. Il Brasile offre tutte
le condizioni per attrarre nuove
leve di imprenditori europei. Il
PAC, che ho lanciato nello scorso
gennaio, presenta una radiografia di opportunità, soprattutto
nel settore di infrastrutture —
dichiara il presidente Lula, che
ha firmato la partnership strategica lo scorso giorno 5.
Ma l’ambasicatore dell’Unione
Europea in Brasile, João Pacheco, richiama l’attenzione su altri aspetti delle relazioni con il
paese, che rendono importante
l’effettivazione di una partnership. Secondo lui, rapporti più
vicini si giustificherebbero non
soltanto dovuto ai legami storici e culturali, o ai valori comu-
Ricardo Stuckert
politica
Sicurezza
Globale
Brasile e Unione Europea
mettono in enfasi la cooperazione contro il traffico di
droghe e armi, il lavaggio di
denaro e l’immigrazione illegale, oltre all’impegno nella
lotta contro il terrorismo e la
proliferazione di armi nucleari, chimiche e biologiche.
ComunitàItaliana
17
italian style
Competitività
con gli USA?
L´accordo fra Brasile e UE può non piacere a
Bush che segue una politica monolaterale
U
Daniele Mengacci
n accordo preparato quasi in segreto, destinato
a portare le relazioni tra
Brasile e Unione Europea
dal livello puramente economico a quello politico, è alla base
del viaggio di Luiz Inácio Lula Da
Silva a Lisbona e poi a Bruxelles
questo mese.
Un testo di 65 pagine nella versione in francese, frutto
d’incontri tra alti funzionari del
governo brasiliano e della Commissione, fissa due priorità e i
relativi stanziamenti di bilancio, 61 milioni di euro, di cui
il 70% destinato a stimolare
gli scambi, contatti e trasferimento di know how, e il restante 30% per sostenere i progetti
di protezione dell’ambiente, ma
soprattutto definisce la motiva-
18
zione soggiacente di carattere
politico.
La sostanza politica dell’accordo è dichiarata a pag. 8, secondo paragrafo, del documento: “Il Brasile condivide la stessa
opinione dell´Unione Europea su
numerosi grandi impegni planetari. Ambedue stimano che lo
sviluppo durevole è più facilmente raggiunto in un mondo multipolare e che l’integrazione regionale è il mezzo migliore per
garantire pace e prosperità. Condividono anche la stessa opinione su altre questioni di interesse
multilaterale, come la lotta alla
povertà, le mutazioni climatiche,
la pace e la sicurezza”.
Assieme alla decisione della
UE di incrementare i consumi di
etanolo per ridurre le emissioni
ComunitàItaliana
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Julho 2007
di ossido di carbonio e soprattutto per ridurre la petro dipendenza favorendo le importazioni di
alcol dai paesi in via di sviluppo,
l’accordo politico è un importante riconoscimento del ruolo che
il Brasile ha raggiunto sulla scena internazionale.
I contenuti possono non piacere all’Amministrazione Bush,
che segue una politica monolaterale e preferisce accordi bilaterali agli organismi regionali, quindi un’ombra
ricade sul significato geopolitico
dell’accordo.
Si tratta di
un mero riconoscimento
del successo brasiliano oppure vi
soggiace una
certa competitività politica
della UE con gli
USA ?
È un accordo destinato a
mantenere agganciato il Brasile al quadro politico occidentale e rafforzarne la posizione nel
sub continente latino americano
a scapito dei vivaci populismi di
un Chavez o di un Morales?
L’importanza assunta dal Brasile passa sicuramente per la
questione energetica, l’occidente ha finalmente capito che lo
sviluppo di fonti alternative, come etanolo e biodiesel, non solo possono inquinare meno, ma
soprattutto renderlo meno dipendente dal petrolio e dai rischi
della petropolitica di una Opec o
di un Venezuela, e questa necessità mette tutti d’accordo, americani, europei e brasiliani.
L’Italia ha da subito approvato l’alleanza strategica tra Brasile e UE, secondo una notizia
Ansa del 31 di Maggio, il nostro
Ministero degli Affari Esteri, per
bocca di Donato Di Santo, ha dichiarato di approvare quello che
chiama “messaggio della Comunità Europea”, probabilmente un
riferimento al documento dell’accordo, in base ai rinnovati e intensificati rapporti dell’Italia con
l’America Meridionale.
Il Ministro D’Alema, subito
dopo la conclusione dell’incontro di Bruxelles sui temi energetici, ha dichiarato che l’Italia è
all’avanguardia nel campo della
produzione di etanolo poiché, fin
dall’inizio dell’anno, ha preparato assieme al Presidente Lula un
accordo tra la nostra ENI e la gemella brasiliana Petrobras, destinato alla produzione di biocombustibili in Africa [Mozambico],
destinati al mercato europeo, facendo così di ENI il primo e maggior distributore di questo tipo
di energia.
Gelada!
Que tal, num
dia quente do
inverno brasileiro
ter em sua casa
uma máquina que
prepare a cerveja
na pressão?
Muito silenciosa,
ela oferece a
possibilidade de
ser regulada em
qualquer tipo:
loura ou preta.
Ideal para a festa
entre os amigos.
€ 149,90
Elegância
Esta gravata em tiras tradicionais são
da Ermenegildo Zegna. Em seda de
primeira qualidade, seu visual terá um
toque de elegância digno da marca
italiana. $ 87
Fotos: Divulgação
Divulgação
politica
Qualidade italiana
Os relógios de Emporio Armani, graças ao seu espírito
e à sua forma, são para as pessoas que amam vestirse com acessórios caracterizados por uma elegância
sofisticada e ao mesmo tempo de design moderno.
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Velocidade
Celular Prada
O primeiro celular com design assinado pela grife de alto
luxo já está, desde 30 de junho, nas vitrines de lojas da
TIM em São Paulo, Campos do Jordão e Rio de Janeiro.
Os aparelhos foram desenvolvidos em parceria com a LG.
Durante a temporada de inverno de Campos do Jordão,
haverá demonstrações do modelo a clientes em potencial.
O mimo custa, em sua versão mais básica, R$ 1.499
Para deixar o dia-a-dia do seu filho muito
mais divertido, o grupo italiano Peg-Pérego
S/A, criou a Moto Desert
Challenger. Para crianças
de três a oito anos, o
brinquedo tem duas
marchas à frente, freio
de pedal e suspensão.
A Peg-Pérego alia mais
meio século de experiência
na fabricação de
produtos para crianças,
encontrando-se
presente, praticamente,
em todos os mercados
mundiais, com fábricas
na Itália, Estados
Unidos e Canadá.
R$ 999,00
Os produtos acima mencionados estão
disponíveis nos mercados italiano e brasileiro.
Julho 2007
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ComunitàItaliana
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Um Zé
alguém
Sílvia Souza
20
ComunitàItaliana
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Julho 2007
O presidente da Petrobras, José
Sérgio Gabrielli, de 57 anos,
ou Zé Sérgio, para os íntimos,
já fez de tudo, e muito, na vida.
A militância estudantil custoulhe cadeia e espancamento na
ditadura. Da luta sindical,
ensaiou evoluir para a carreira
política, mas, desta, hoje ele foge
como o diabo da cruz. Foi como
jornalista, no entanto, que,
perseguido e sob censura, perdeu
o emprego, forçado, então, a
retomar a primeira profissão,
de economista. Concluído o
doutorado nos Estados Unidos,
voltou ao Brasil e virou homem
de negócios, até que, há dois
anos, assumiu o comando da
Petrobras – cujo lucro, no ano
passado, foi de R$ 25,9 bilhões
– com elevação de 33% no
valor de mercado da empresa,
estimado em R$ 230 bilhões.
Tal desempenho desfez de vez a
resistência inicial a Gabrielli na
petrolífera, um pouco por conta
do mito da preguiça baiana,
outro tanto por sua formação
esquerdista. Ponto para o
nordestino com sangue italiano,
português, negro e indígena nas
veias. Em entrevista exclusiva
à Comunità, Gabrielli diz a
quantas anda o namoro com a
Eni em torno dos biocombustíveis
e defende a posição brasileira na
crise boliviana. Ele revela que
aprendeu com o avô oriundo
de Lucca, na Toscana, que
tão importante quanto ser um
empreendedor é cultivar valores
sociais e familiares. E foi o avô
que o ensinou ainda a jamais
misturar macarrão com farinha.
C
omunitàItaliana – O senhor conhece a história
de sua família?
José Sérgio Gabrielli –
Minha família é de Lucca, na
Toscana. Meu bisavô veio de
Borgamozzano, direto para a
Bahia, em 1860 e poucos. Trabalhou na agricultura, meu avô
também, mas este depois virou
comerciante de fumo, de cera de
ouricuri (planta da família das
palmeiras) e de madeira. Na década de 50, ele acreditou na industrialização e foi avalista na
criação de uma empresa industrial de um amigo, que não teve
sucesso, e teve que utilizar as
poupanças dele para pagar a dívida. Viveu momentos muito difíceis. Meu pai é de origem brasileira e portuguesa, o meu avô
paterno de uma região produtora de mina, na Chapada Diamantina, de onde foi expulso pelos
grandes proprietários de terras
da região. Eu tenho bisavô e bisavó índios, e bisavó negra. Sou
uma mistura de italianos, portugueses, índios e negros. O Azevedo é do meu pai, que morreu
há 20 anos. Fiquei mais conhecido como Gabrielli, nome da
família de minha mãe. Gabrielli
é o nome mais, digamos, diferente na sociedade e acaba dominando. Durante os anos 70,
eu até relutei em ter o Gabrielli
e, nos documentos oficiais, eu
faço questão de colocar o Azevedo. A família Gabrielli tem alguns ramos de origem até que
não são muito identificados,
mas há duas grandes famílias
Gabrielli na Bahia.
CI – E como é a sua relação com a
cultura de seus antepassados?
O senhor já esteve na Itália?
Gabrielli – Não falo italiano,
mas leio. Já estive em Lucca,
há dois anos, e achei a Toscana uma região belíssima. Lucca,
particularmente, é uma cidade
extremamente interessante. Fui
para conhecer a região da minha família. Minha mãe manteve correspondência com as
primas dela de lá até a década
de 50. Desde então, perdemos
o contato com a família italiana. Não encontrei ninguém por
lá. Durante a guerra muitas cartas foram trocadas com a família, meu avô teve algumas irmãs
aqui, e outros parentes continuaram lá na Itália. Minha mãe
tem guardados os passaportes,
as cartas de tios, avós... Mas na
minha geração se perderam os
contatos.
CI – O que o senhor mantém de
lembranças dessa vivência com
seu avô?
Gabrielli – Meu avô gostava
muito de polenta e ficava revoltado quando se misturava macarrão com farinha. Mantivemos
uma série de hábitos alimentares bem italianos. Na minha
infância eu fui criado também
com macarrone. Meu avô era
uma figura muito impressionante, porque era uma figura muito empreendedora, muito forte,
um líder familiar. Ele era uma
pessoa com pouca educação formal, analfabeto, mas com clarividência e sabedoria, uma capacidade de percepção das coisas
muito grande. E com uma grande preocupação, interesse, era
um homem que seguia muito a
política. Política fazia parte do
dia-a-dia da família. Acho que
ele nunca foi candidato a nada,
não tenho certeza disso. Talvez
no interior. Ele morava numa cidade chamada São Félix da Cachoeira, cidade histórica baiana. Depois veio para Salvador e
acompanhava muito as questões
políticas no estado.
CI – O senhor segue alguma religião?
Gabrielli – Eu sou nascido em
Salvador, em 1949, na primeira
metade do século passado. Sou
um velhinho (risos). Não tenho
religião, minha família não tem
formação religiosa. Minha mãe
não casou no religioso, não batizou os filhos. Meu avô era católico como todo italiano e minha
avô protestante rígida. Essa divergência religiosa entre minha
avô e meu avô resultou na ausência de formação religiosa. Minha avó, que era brasileira mesmo, era muito dominante. Em
1915, ela foi ser professora no
interior de MInas Gerais. Levou
sete dias numa tropa de burro.
Sempre trabalhou a vida toda,
então era uma mulher muito firme. Foi educada pelos quakers.
Era o casamento de uma quaker
(protestante presbiteriana) com
um italiano.
CI – E sobre sua formação acadêmica, o que o senhor estudou?
Gabrielli – Estudei a minha vida
inteira em escola pública, nun-
ca, em escola particular. Me formei em Economia, em 1971, fiz
mestrado na mesma área. Trabalhei em projetos, consultoria,
empresa siderúrgica, fumo, borracha, fiz trabalhos para hospitais, granjas industriais, fábrica
de motores. Trabalhei em vários
tipos de projetos. Depois fui ser
jornalista. Por três anos vivi de
jornalismo. Fui de tudo dentro
de uma redação: repórter, copidesque, editor local e internacional, até freelancer. Também
fui câmera de televisão, demitido pelo Exército brasileiro, que
não permitiu que eu continuasse como jornalista na época do
governo militar. [Desse período,
é conhecido um episódio ocorrido
na redação da Tribuna da Bahia,
quando numa noite, o coronel
Luís Artur de Carvalho, superintendente da Polícia Federal ao
avistar Gabrielli, gritou: “Seu Gabrielli, como vai a AP?” E ele respondeu: “Mandando muitas notícias, coronel”, numa referência à
agência Associated Press, e não à
Ação Popular, movimento contrário à ditadura.]
CI – De que forma o regime militar afetou a sua vida? Ficaram
marcas?
Gabrielli – Durante o governo
militar, eu fui militante estudantil, eleito vice-presidente do
Diretório Central dos Estudantes
(DCE) cinco dias antes do AI-5.
Preso várias vezes, fui condenado pela Lei de Segurança Nacional, cumpri pena por seis meses
na Bahia, apanhei na cadeia.
Não fui torturado, mas apanhei,
e, perseguido depois de sair da
cadeia, posto para fora de vários empregos. Aí, saí do Brasil.
Passei cinco anos nos Estados
Unidos, sem voltar ao Brasil, de
1974 a 1979. Depois voltei para o exterior de novo em 1984 e
em 2000. Morei seis anos nos Estados Unidos e um ano em Londres. Terminei o meu doutorado
em 1987, em Economia, na Universidade de Boston. Sou professor titular de Macroeconomia na
Universidade Federal da Bahia
(UFBA), licenciado para ser presidente da Petrobras.
CI – Mas antes o senhor também enveredou pela carreira
política. Como foi essa experiência?
Gabrielli – Sempre fui uma pessoa muito antenada com as
Julho 2007
/
Fotos: Stéferson Faria / PETROBRAS
intervista
entrevista
“Sou mais
conhecido como
Gabrielli do que
como Azevedo.
Gabrielli é o
nome mais,
digamos,
diferente na
sociedade
e acaba
dominando”
questões políticas, o movimento popular, o movimento social.
Além de ter sido do movimento estudantil, também fui presidente do Instituto dos Economistas, vice-presidente da
Associação Nacional dos Sindicalistas, dirigente do PT e um
dos fundadores do PT. Em 1982,
fui candidato a deputado federal, em 1986, a vice-prefeito de
Salvador e, em 1990, a governador da Bahia. Aí parei! Não quero mais nada disso, não! Acho
que no meu papel (atual), na
área técnica, eu contribuo mais
do que na área eleitoral.
CI – José Sérgio Gabrielli por José Sérgio Gabrielli.
ComunitàItaliana
21
entrevista
22
ta”. Hoje qual a avaliação que o
senhor faz desse conflito?
Gabrielli – Nós temos o seguinte: uma situação de um contrato de exploração e de produção
na Bolívia, que permite que a
gente produza gás, lá, em condições rentáveis, se o contrato é
mantido. Nós vendemos a nossa refinaria na Bolívia, que compramos por US$ 102 milhões, tivemos US$ 139 milhões de lucro
e a vendemos por US$ 112 milhões. Portanto, não perdemos
nada. Temos um contrato de fornecimento de gás da Bolívia para o Brasil que tem validade até
2019 e que nunca foi questionado. Portanto, apesar das turbulências e das questões, o resultado de tudo é um resultado
positivo, não temos porque dizer que o resultado seja negativo para a Petrobras. Não podemos nos queixar e dizer que a
situação na Bolívia deu prejuízo
para a Petrobras, numa visão a
longo prazo. Até porque a paciência, a negociação, o endurecimento e o relaxamento das
posições fazem parte das negociações. Eu acho que o resultado
foi positivo.
CI – O senhor acredita que exista uma cobrança para que o Brasil, e o governo Lula, seja líder na
América Latina? Isso poderia, de
alguma forma, prejudicar a Petrobras?
Gabrielli – Há uma certa situação, digamos, talvez até de desconhecimento, mas eu acho que,
mais do que desconhecimento,
há uma vontade (por parte de
quem pressiona) de ser grande e
de se impor sobre o pequeno. A
situação objetiva é que a Bolívia é importante para o mercado
de gás brasileiro, particularmente para o mercado de São Paulo.
ComunitàItaliana
/
Julho 2007
E nós somos extremamente importantes para a Bolívia. Então,
essas duas situações permitem
que a gente acredite que uma
solução racional vai sair e ser
equilibrada entre as duas partes.
Eu acreditava, de fato, que era
possível ter essa solução e não
adiantava tentar ser verborrágico ou ameaçar. Isso não resolveria o problema. Melhor ter a
resolução do problema. O comércio exterior brasileiro aumentou
enormemente em relação a América Latina, que hoje representa
para as exportações brasileiras
mais do que os Estados Unidos
em termos de percentuais. Isso
é resultado de uma política adotada pelo governo de aprofundar
as relações com a América Latina. Algo extremamente positivo. Por outro lado, do ponto
de vista cultural, a aproximação
com os vizinhos é muito importante. Ter uma boa relação com
os vizinhos é muito importante.
A Bolívia é o país que tem mais
fronteiras com o Brasil. Temos
milhares de brasileiros na Bolí-
via e há milhares de bolivianos
aqui. Não dá para desconhecer
essa realidade.
CI – As relações entre Brasil e
Itália têm se intensificado econômica e politicamente, e neste mês um entendimento tornou
o Brasil um parceiro estratégico da União Européia. Como o
senhor avalia essa aproximação? A Petrobras também assinou acordo com a Ente Nazionale Idrocarburi (Eni). O que há de
concreto nessa relação?
Gabrielli – Eu acho que as relações Brasil-Itália estarem se
intensificando pode ser positivo
para os dois países, pois há muita complementariedade entre as
suas atividades. Além disso, nós
acabamos de assinar com a Eni
um memorando de entendimento para atuar e analisar oportunidades em diferentes áreas, na
área de biocombustíveis, de desenvolvimento tecnológico e de
cooperação, no Brasil e fora do
Brasil. Temos vários pontos de
contato com a Eni em diferentes países do mundo. Portanto,
eu acho que uma aproximação
entre Petrobras e Eni também
é uma aproximação positiva,
tanto para o desenvolvimento na área profunda como para
as atividades da Eni em relação
ao refino, como para um desenvolvimento na área de biocombustíveis. No momento, trabalhamos com possibilidades de
atuação na África, no Brasil e
na Itália. Não temos como falar em investimento ainda. Estamos em fase de namoro e nos
conhecendo. Nossas três áreas
de interesse comum são a cooperação tecnológica, as tecnologias de refino e os biocombustíveis (etanol e biodisel).
CI – E em relação ao etanol, o que
a Petrobras tem preparado?
Gabrielli – Nesse momento, mais
a curto prazo, nosso principal
e mais desenvolvido contato se
refere a modelos de negociação
com o Japão. Temos hoje uma
empresa constituída naquele país
e estamos desenvolvendo com os
japoneses estudos para intensificar a logística e para desenvolver
a produção voltada para o mercado japonês. Já exportamos para a
Nigéria e para a Venezuela. E temos hoje, em fase mais embrionária, a discussão de várias possibilidades na área de etanol com
vários países. Mas não tem nada
concreto ainda.
CI – Atualmente, preservação
do meio ambiente, energia renovável e mudanças climáticas
estão na pauta de discussões
das grandes empresas. Como
se dá essa preocupação na Petrobras? O senhor pode citar
exemplos de ações que efetivem o comprometimento da
empresa?
Gabrielli – Temos uma longa
tradição no que se refere a essa questão, uma vez que somos
um parceiro importante em todo o programa de álcool brasileiro. O Brasil tem uma enorme
contribuição para o mundo. Você tem mais de 40% do mercado
de gasolina brasileiro fornecido
pelo etanol. Em termos equivalentes, você está tirando de circulação um valor substantivo de
gasolina, que tem um componente CO2 maior do que o etanol. Então, você tem uma ajuda
importante na emissão evitável
de CO2. Além disso, nós temos
intensificado nos processos in-
ternos da Petrobras uma maior
eficiência energética na redução
de emissões, nos processos industriais nossos. Por exemplo,
utilizando técnicas mais eficientes como o seqüestro de CO2, no
uso de energia elétrica e na geração elétrica. São processos internos que permitem uma redução nas emissões de CO2. Você
sabe que uma plataforma gera
bastante energia elétrica. A eficiência na geração é uma contribuição importante, pois gasta
menos gás, menos óleo.
CI – E justamente nesse momento o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) dá o aval
para a construção de Angra 3.
Que avaliação que o senhor faz
dessa decisão?
Gabrielli – Sou favorável à utilização da energia nuclear. No
longo prazo brasileiro, nós temos que diversificar as fontes de
matriz energética. A energia nuclear não emite CO2 para gerar
energia elétrica. Ela exige um
manejo mais adequado do resíduo e da operação para evitar
acidentes. Mas ela é, sem dúvida
alguma, uma energia limpa para o futuro. Porém, exige maior
controle. O que não compromete
o petróleo. Dadas as condições
e reservas do petróleo hoje, é
um produto que vai durar muitos
anos e o problema dele não será
por falta, mas sim pelo aparecimento de alternativas economicamente mais viáveis. Nada hoje
é tão eficiente para o transporte
e mobilidade quanto o petróleo.
Já para a geração elétrica, hoje, a perspectiva de crescimento
futuro é o carvão, mais poluente do que o petróleo e mais no-
civo ao aquecimento global que
o petróleo. Aí, no futuro é que
eu acho que teremos mais energia nuclear substituindo a energia do carvão, e vai ter mais eficiência no uso da energia, para
necessitar menos de carvão, gás
e petróleo.
CI – Com uma história tão marcada pelo engajamento em movimentos esquerdistas e estudantis, como se vê no papel de
dirigente de uma grande empresa?
Gabrielli – Eu me sinto muito
confortável dirigindo uma grande empresa que tem como característica fundamental o compromisso com o povo brasileiro.
Ela é a empresa do povo brasileiro, uma característica presente nos múltiplos interesses
pelos quais ela trabalha. E ela
é uma empresa que tem a responsabilidade social e ambiental como um dos pilares fundamentais da sua estratégia.
Do ponto de vista das relações
capital e trabalho, a Petrobras
defende e pratica um processo
de negociação permanente. E a
empresa é fundamental para a
constituição da nacionalidade e
cultura brasileiras. É admirada e
respeitada pelo povo brasileiro.
Então, me sinto absolutamente
tranqüilo aqui.
CI – O que tira o senhor do sério?
Gabrielli – O que me tira do sério? Descobrir que estão tentando me enganar. Eu fico bem
irritado com isso, quando eu percebo. Por que é difícil perceber.
Então, me engane, mas não me
deixe perceber. Já dizia um professor meu: vocês podem tentar
colar, na Bahia chama-se pescar
(risos), à vontade, mas não me
deixem ver.
CI – E como é a sua rotina fora da
Petrobras?
Gabrielli – E tem vida fora da Petrobras? Eu chego aqui às 8h30 e
saio daqui às 23h. Eu tenho dois
filhos que eu adoro e uma mulher
de quem eu gosto muito. Gostaria muito de poder me dedicar
mais a eles.
“As relações BrasilItália estarem se
intensificando é
positivo para os dois
países, pois há muita
complementariedade
entre as atividades
(das nações)”
Julho 2007
Stéferson Faria / PETROBRAS
“No momento,
trabalhamos com
possibilidades de
atuação na África,
no Brasil e na Itália.
Estamos em fase
de namoro e nos
conhecendo”
Grupo Keystone
Gabrielli – As pessoas me conhecem como Zé Sérgio, então eu
continuo como Zé Sérgio, mas
também sou conhecido como Gabrielli e assino José Sérgio de
Azevedo. No meu trabalho, tive
algumas vitórias importantes ao
vir para a Petrobras. A primeira
delas, conquistar o respeito, a
admiração e a aceitação dos petroleiros. Isso é uma coisa difícil para quem vem de fora, mas
eu acho que consegui isso e é
uma grande vitória. A segunda,
conseguir mostrar para o mercado financeiro que um economista baiano pode ser diretor financeiro da Petrobras. Porque houve
muita desconfiança com a minha
presença, ainda mais sendo ligado ao PT. E a terceira, dizer que,
como presidente, a Petrobras se
afirma cada vez mais como empresa de energia, internacionalizada, respeitada, admirada e reforçando as suas características
básicas de compromisso com o
país, de empenho na produtividade e no desenvolvimento tecnológico.
CI – Qual seria a pior crise ou
aquela que o senhor considera
ter melhor superado durante o
seu tempo de presidência?
Gabrielli – Estou há dois anos e
alguns meses na Petrobras. Aqui
você pode se queixar de tudo,
menos de monotonia. Crise é
uma coisa que todo dia tem.
Eu acho que cada crise é diferente. Temos problemas que se
referem à necessidade de colocar em operação sistemas muito
complexos, que envolvem uma
série de discussões mais internas. Você tem resolução de problemas de longo prazo nas relações de trabalho, como no caso
do Petros (plano de previdência
complementar), você tem problemas relacionados à expansão
internacional num momento de
tensão, como no caso da Bolívia. Você tem situações de redirecionamento de importância
distinta para setores da atividade, como no caso do gás e da
energia elétrica. Então, crises
são sempre presentes na atividade.
CI – Muito se falou sobre a paciência que o senhor teve, e tem,
ao lidar com o presidente boliviano Evo Morales, e o senhor
chegou a dizer que “tinha gente
querendo ver sangue na dispu-
/
ComunitàItaliana
23
economia
“Te lo dò io,
il Brasile”
Un tormentone per sostenere la tesi che il Brasile diventa
una nuova potenza mondiale secondo la rivista Limes
D
Daniele Mengacci
ue eventi, un seminario e
una tavola rotonda, due
luoghi, Rio de Janeiro e
Brasilia, due istituti, la
Fondazione Getulio Vargas (FGV)
e il Centro Brasileiro de Relações
Internacionais (Cebri), due visioni contrapposte dei rapporti
geopolitici tra Italia e Brasile. Il
tutto per produrre un quaderno
speciale della rivista Limes, intitolato “Brasile, la Stella del Sud”
e per sostenere la tesi che questo
paese sta diventando una delle
nuove potenze mondiali.
In 236 pagine Luciano Caracciolo e i suoi collaboratori esaminano non solo gli aspetti geopolitici di questa tesi, ma anche
quelli culturali, come quelli sulla
musica brasiliana.
In verità il quaderno di Limes
poco affronta la sostanza dei rapporti Italia-Brasile e si sofferma
piuttosto sul rinnovato rapporto
di reciproca convenienza tra Brasile e Stati Uniti, un legame di
color verde.
Le biotecnologie in campo
energetico, e nell’immediato la
produzione e consumo di etanolo, sono la ragione principale di
questo rapporto, che non è altro
che la ripetizione di un’antica
geopolitica brasiliana, riassunta
24
nell’adagio “ciò che va bene per
l’America va bene per il Brasile”.
La novità risiede nella situazione geopolitica dell’America
Latina, con il sorgere di medie
potenze economiche come il Venezuela, che usano le loro riserve
di petrolio e gas per svolgere una
petropolitica di contrasto verso
gli USA. Poi c’è anche il presunto
rinnovamento del sistema politico economico vigente, da sostituire con quello che Hugo Chavez
chiama di socialismo del XXI secolo, in realtà una riproposizione
del vecchio pensiero statizzante
comune a tutte le politiche di
origine marxista-leninista con in
più una forte dose di populismo,
che ormai tende apertamente alla dittatura.
Il Brasile, che si era chiaramente proposto come leader
dei paesi limitrofi sulla scena
internazionale, è ora perplesso
dall’atteggiamento preso dal Venezuela, capofila di un piccolo
schieramento che comprende Bolivia, Cuba ed Ecuador, che contesta la sua proposta.
Timoroso di soffrire ulteriori
danni, dopo la non assunzione di
un seggio permanente nel Consiglio di Sicurezza dell’ONU, ma
cosciente di possedere la tec-
ComunitàItaliana
/
Julho 2007
nologia più avanzata al mondo
nella produzione di alcol come
combustibile e di avere una gran
disponibilità di terra coltivabile
a canna da zucchero, ecco che
tesse relazioni diplomatiche segrete con gli USA fin dal 2004,
con l’intento poi dichiarato apertamente di costituire assieme al
gigante capitalistico il più grande polo di produzione e consumo
di etanolo.
Due le finalità palesi: svincolare la matrice energetica dei
due paesi dalla petro-dipendenza
e fare dell’etanolo una commoditie internazionale affidata alle
quotazioni di borsa e alla speculazione finanziaria.
Il comico Beppe Grillo, anni
fa, usava un tormentone che diceva “Te lo dò io, il Brasile”, che
può essere usato per definire il
contenuto del quaderno speciale
di Limes, un’esposizione ampia e
ben documentata, ma dove poco si dice sugli interessi italiani
in relazione alla traiettoria intrapresa da quel paese.
Si accennava a due visioni del
rapporto tra Brasile e Italia. Orbene, secondo il presidente della
FGV è impossibile per un italiano
comprendere la realtà brasiliana,
è la vecchia visione di un paese
sub continentale, di grandezza
e diversità naturale tali da renderlo indipendente dal contesto
globale.
A questo pensiero si contrappone quello del presidente
del Cebri, ambasciatore Botafogo Gonçalves che, rispondendo ad alcune domande poste da
Comunità, ritiene invece che
non vi sono ostacoli e anzi l’Italia può offrire ancora oggi modelli da seguire e adattare, e ciò
perché il Brasile è ormai un paese maturo e cosciente delle sue
possibilità di maggior affermazione sulla scena internazionale.
Botafogo, a un’altra domanda che chiedeva cosa può insegnare il Brasile all’Italia, ha sottolineato la capacità brasiliana
di integrazione etnica e razziale,
chiamata qui di “mixigenação”,
ovvero il “melting pot” americano, esperienza da mutuare per
le nostre politiche dell’immigrazione.
Poco spazio è dedicato a illustrare i rapporti geopolitici Italia-Brasile: un testo di Donato Di
Santo di carattere generale, uno
dell’ambasciatore brasiliano in
Italia, Gabriel Bahadian, speculare al primo, uno sugli immigrati italiani a San Paolo dell’ambasciatore Incisa di Camerana.
Vi è perfino un breve capitolo
dell’ambasciatore d’Italia a Brasilia, Michele Valensise, dal titolo “Brasile, istruzioni per l’uso”,
con interessanti quanto allarmanti considerazioni sul modo
di fare brasiliano. In particolare
il testo celebra il famoso “jeitinho”, in altre parole il nostrano
“arte di arrangiarsi”, come metodo ideale perfino nelle trattative
diplomatiche. Peccato che il tal
“jeitinho” per i brasiliani sia soprattutto capacità di aggirare gli
ostacoli posti dalle situazioni o
dalle leggi, ovvero di ricorrere alla corruzione spicciola o su scala
industriale per ottenere ciò che
si vuole, sfuggire alla burocrazia
soffocante, ecc.
Poco dunque si è discusso dei
rapporti tra Italia e Brasile e la
stessa rivista è uscita prematuramente poiché di questi rapporti,
e soprattutto dell’ascesa internazionale del Brasile, se ne è riparlato all’inizio di luglio nell’ambito della presidenza portoghese
dell’Unione Europea, sulla base
del primo accordo di cooperazione politica tra UE e Brasile.
Un dibattito
infiammabile
Rio de Janeiro sarà sede di incontro di camere italiane sulle energie rinnovabili
L’
imminente minaccia del
riscaldamento
globale accellera l’avvicinamento tra paesi, seduti
agli stessi tavoli di discussione,
malgrado le differenze dei profili economici. Per ciò che riguarda i carburanti, il mondo corre
contro il tempo alla ricerca di
fonti di energia meno aggressive per l’ambiente. Non è un caso che l’Italia – quasi totalmente dipendente dai carburanti di
origine fossile [petrolio] – si
avvicini sempre di più al Brasile, riconosciuto per i suoi progressi nell’area delle fonti rinnovabili. Un segnale di ciò è la
scelta di Rio come sede, il 19 e
20 di questo mese, dell’incontro
Energie rinnovabili – l’America
del Sud come punto di partenza,
realizzato durante una riunione
di tutte le camere di commercio
italiane presenti nel Mercosud,
nell’America del Sud e in America Centrale.
Alexander Kokinidis
Kelly Suzuki
economia
Nayra Garofle
Secondo il presidente della Câmara Ítalo-Brasileira de
Comércio e Indústria do Rio de
Janeiro, Raffaele Di Luca, i rappresentanti delle camere si riuniscono circa due volte all’anno
per esporre progetti e discutere
problemi di interesse comune.
— Il Brasile parteciperà con
rappresentanti di quattro camere, così come l’Argentina. Il Cile, ad esempio, parteciperà come osservatore invitato – rivela
Di Luca, dando un’idea dell’importanza dei paesi del Mercosud
nell’incontro.
Il Brasile è già stato riconosciuto come riferimento
mondiale nel settore energetico rinnovabile. In Minas Gerais,
particolarmente, si concentrano
le principali conquiste nell’area,
secondo la segretaria generale
della Câmara Ítalo-Brasileira di
Minas Gerais, Mariella Maritano.
— Credo sia un settore di
grande rilievo per il momento in
cui viviamo, dovuto al problema del riscaldamento globale.
In questo momento, molti paesi di rivolgono al Brasile dovuto alla sua capacità di produzione di carburanti rinnovabili, un
grande contributo per la lotta ai
problemi di degrado dell’ambiente. È importante ricordare che il
Brasile ha cominciato a pensare
a questa soluzione quando pochi
ci investivano sopra, con l’alcol
prodotto dalla canna da zucchero. Ora siamo ancora più avan-
“In questo
momento,
molti paesi si
rivolgono al
Brasile dovuto
alla sua capacità
di produzione
di carburanti
rinnovabili,
un grande
contributo
alla lotta dei
problemi
di degrado
dell’ambiente”
Mariella Maritano,
segretaria generale della
Câmara Ítalo-Brasileira
de Minas Gerais
Julho 2007
/
ti, con nuove soluzioni, come il
biodiesel – dice Mariella.
Neanche tanto tempo fa, nel
dicembre 2006, il biodiesel ha
cominciato ad attrarre l’interesse degli italiani. A Salvador, Bahia, un seminario internazionale,
il “Bionergy World Americas”, ha
destato gli interessi di specialisti
in produzione di energia da fonti
rinnovabili. E, secondo il rappresentante del Ministero dell’Ambiente italiano e dell’Istituto
Italiano per il Commercio Estero
(ICE), Diego Tomassini, questo
interesse diventa maggiore giustamente dovuto al fatto che il
paese europeo dipende dai carburanti fossili e anche perché
non possiede aree agricole per la
produzione di carburanti ecologici, come l’etanolo e il biodiesel.
La segretaria generale afferma inoltre che l’incontro potrà servire specialmente come
uno strumento di aggiornamento delle camere sulle attività di
ogni area, permettendo un interscambio maggiore tra le istituzioni, come l’aumento di azioni
di collaborazione mutua.
— Identificheremo quali sono le difficoltà esistenti e le sfide per la realizzazione di azioni
future. È la prima volta che partecipo a questa riunione di area
da quando sono stata incaricata
come segretaria generale, l’anno
scorso. Vorrei, nell’incontro, presentare le attuali attività della
Camera Italiana di Minas Gerais,
oltre a cercare di capire meglio
come lavorano le altre camere e,
da questo, scambiare esperienze
– spiega la segretaria generale.
Secondo il senatore Edoardo
Pollastri, presidente dell’ Associazione delle Camere di Commercio
Italiane all’Estero (Assocamerestero), il tema delle discussioni
non potrebbe essere diverso, visto
che, attualmente, le energie rinnovabili sono di particolare interesse commerciale per i paesi del
Mercosud. Il senatore spera che la
riunione promuova una maggior
integrazione tra le camere.
— La riunione servirà per fare
un’analisi delle relazioni economiche tra l’Italia e i paesi dell’area
per la preparazione di proposte di
progetti che possano promuovere miglioramenti negli interscambi con l’Italia — dice il senatore,
partecipante dell’incontro, accanto al vice ministro degli Affari
Esteri italiano, Milos Budin.
ComunitàItaliana
25
La Fenit 2007, a San Paolo, attrae imprenditori del paese asiatico
in tale quantità da spaventare i proprietari delle marche italiane
Bruna Cenço
26
ComunitàItaliana
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Julho 2007
Keysto
stand cinesi (89) e brasiliani (90). Soltanto due indiani e un italiano hanno installato punti di rappresentazione delle loro marche alla fiera.
La forte competizione per questa sfrenata espansione del mercato cinese – aggravata ancor più tanto in Brasile, quanto
in Europa, dall’industria di falsificazione
di abbigliamento firmato – è stata interpretata in maniera generale come un
segnale di rischio per la salute dell’industria tessile.
— Le grandi marche soffrono
danni, ma riescono a mantenersi. In
Italia, circa il 90% delle imprese sono micro o piccole, con 15 impiegati
in media e, per loro, la competizione è un serio problema. Grazie alla manodopera a basso costo e
agli incentivi fiscali e produttivi, la Cina ottiene prodotti più economici. Malgrado
l’inferiore qualità, gran parte della popolazione preferisce comprare i prodotti
cinesi, il che annienta l’industria italiana — rivela
Cristiano Gavarini, dell’Elba, rappresentante brasiliana delle marche italiane alla Fenit.
Un’eccezione
alla regola italiana,
dovuto alla
sua industria
di grande rilievo,
l’imprenditore Gianni Bernini, proprietario della
Sandra B di accessori come bottoni e fermagli, comunque non rimane disattento e si mantiene sempre
scrupoloso di fronte al pericolo cinese. Ha esposto prodotti della sua
marca all’evento e, abituato a viAntonella Balestazzi, proprietaria e designer della Luxuria
Grupo
G
li occhi a mandorla hanno brillato dappertutto
nell’ultima edizione della
Feira Internacional da Indústria Têxtil (Fenit), a San Paolo. La schiacciante predominanza
di stand cinesi in mezzo a rappresentazioni straniere all’evento ha
avuto un effetto minaccioso tra i
concorrenti degli altri paesi. Imprenditori europei, per esempio,
hanno manifestato preoccupazione di fronte ad una concorrenza
che viene considerata sleale, con
l’offerta asiatica di un’enorme
quantità di prodotti a basso prezzo. C’è chi teme che quest’invasione minacci perfino il prestigio
della Fenit, oggigiorno considerata una delle maggiori fiere del
settore in America Latina.
È rimasta frustrata l’aspettativa iniziale degli imprenditori
stranieri di un maggior equilibrio
nelle origini dei 90 espositori internazionali. In pratica, l’evento
ha però riflettuto un fenomeno
che si dissemina a ritmo incessante in tutto il mondo. C’erano
praticamente lo stesso numero di
ne
Bruna Cenço
minciato a vendere per il Brasile
soltanto due mesi fa.
Secondo il direttore della Fenit, Ricardo Matrone, la partecipazione delle imprese cinesi permette una facile spiegazione:
— Non è nient’altro che una fotografia del momento che il settore
attraversa e, in un certo modo, della stessa politica cambiale vigente.
Tutto il mondo sta affrontando la
partecipazione cinese in vari segmenti e non poteva essere diverso
in Brasile, dovuto alla grande importanza che il nostro paese svolge
nel mercato globale, sempre alla ricerca di opportunità di affari.
Anche se non ha investito nelle installazioni di stand durante la
Fenit, l’industria tessile italiana ha
ugualmente dimostrato l’intenzione di investire di più nel mercato
brasiliano. Nei tavoli di affari della fiera, 11 imprese italiane hanno
mandato rappresentanti a San
Paolo. Tra di esse, la fabbrica
di abbigliamento femminile Luxuria. Esistente
da soli 3 anni, la marca
esporta già in 15 paesi.
Secondo la proprietaria
della marca, Antonella Ballestazzi, la Luxuria un anno
fa si è stabilita con successo
in Argentina, ed ha rivelato il
suo grande interesse nel ripetere questo risultato in Brasile.
Durante la Fenit ha mantenuto
contatti con tre imprese d’importazione con questo fine.
—Al ritorno in Italia, spero di perlomeno concludere una
partnership. Se non ci riesco,
ritorno l’anno prossimo — si
pianifica.
Ballestazzi è anche la designer
dell’impresa e, per aumentare la ri-
In alto, Cristiano Gavarini, uno
dei proprietari dell’Elba. A destra,
parte del campionario di prodotti
della Sandra B
cezione della marca, comincia già
a fare studi per adeguare i prodotti allo stile di vita brasiliano.
— In Italia di solito non usiamo il lungo per le feste. Andiamo
ai matrimoni in jeans e camicia.
Per questo bisogna fare delle modifiche nel catalogo e includere
dei prodotti — analizza.
Nonostante il successo all’estero, la Luxuria è una piccola impresa, con soltanto 12 impiegati, così
come la maggior parte delle imprese partecipanti ai tavoli di affari. Da questo deriva l’economia
di costi con la contrattazione di
rappresentanti in Brasile, il che
evita lo spostamento di personale
proprio, com’è il caso, ad esempio,
delle imprese Tecnowear, Boanero
e RGM. Non potendo venire di persona, le tre hanno contrattato la
ditta di rappresentazione Elba per
presentare i loro cataloghi e prodotti ad importatori brasiliani. Secondo uno dei proprietari dell’Elba,
Cristiano Gavarini, imprenditori legati alle marche presenti alla fiera
Visitatori stranieri
per continente
Europa
11,76%
Africa
0,98%
America del Centro
2,94%
America del Nord
7,84%
Asia
3,92%
America del Sud
72,55%
Julho 2007
/
Bruna Cenço
Affari
dalla Cina
sitare fiere internazionali, ha
ammesso di essersi spaventato quando ha visto la quantità di cinesi alla Fenit.
— Bisogna stare attenti perché l’eccesso di imprese cinesi di solito toglie
prestigio all’evento. Qualche anno fa c’era un’importante fiera di tessuti
in Germania. Ogni edizione
che passava, aumentava il
numero di espositori orientali, i cui prodotti sono di qualità inferiore. Dopo un po’,
l’evento ha perso tutta la sua
importanza, la sua reputazione — avvisa il proprietario
della Sandra B, che ha co-
Bruna Cenço
economia
appena cominciano a conoscere il
mercato brasiliano.
— Il mio ruolo è quello di
portare cataloghi, fare contatti e
scambiare telefoni. Non facendo
parte dell’impresa, per esempio,
non posso parlare di prezzi. Quando arrivo in Italia, passo i contatti
che ho fatto e, da là, sono fatti i
negoziati finali — spiega Gavarini.
La differenza della quotazione
tra real e euro, fattore che rincara
i prodotti europei, non preoccupa
molto l’imprenditore, che scommette sulla qualità della merce
per ribaltare il problema:
— È logico che qui non venderò magliette, che già avete e
che l’industria cinese vende molto e a buon prezzo. Se non posso
competere sul prezzo, devo portare prodotti di migliore qualità.
L’Italia presenta tessuti di avanzata tecnologia, completi dal taglio migliore, ed è questo che deve essere portato qua.
Una scommessa simile viene
fatta dal proprietario della Sandra
B, industria di accessori di abbigliamento che, in 40 anni di esperienza, ha raggiunto una produzione mensile di un milione di pezzi,
esportando per 60 paesi. L’ingresso
dell’impresa nel mercato brasiliano
fa parte del piano di espansione,
alla ricerca di affari ogni anno con
un nuovo paese. Ma lui ci tiene a
differenziare la sua strategia dai
voraci concorrenti cinesi. Il segreto, secondo lui, è: “prodotti di
qualità ad un prezzo giusto”.
ComunitàItaliana
27
atualidade
notizie
Mãos à obra,
brasileiros!
Fiera di San Vito
L
O mercado de trabalho italiano, que já havia criado oportunidades para médicos e enfermeiros,
agora vai convocar engenheiros e profissionais de Informática brasileiros
partir do ano que vem,
não somente médicos e
enfermeiros terão mais
oportunidades de emprego na Itália. Também recém-formados na área de Ciências Exatas
vão poder concorrer a vagas de
trabalho do outro lado do Atlântico. Com a redução nos níveis de
desemprego no mercado interno
italiano, o país europeu abre ainda mais as portas para estrangeiros. Isso ocorre após um recente aumento na porcentagem de
imigrantes legalizados no país.
Estes já representam 5% da população, segundo dados oficiais
referentes ao ano passado. Com
base nesse quadro, a agência de
empregos Obiettivo Lavoro deve
iniciar a seleção de profissionais
recém-formados em Engenharia e
Informática.
A agência, segundo o seu
presidente, Alessandro Ramazza,
tem por meta garantir a chance de experiência profissional
no exterior para recém-formados brasileiros, com segurança
e dentro das normas da legislação trabalhista italiana. A empresa opera no Brasil há quase
dois anos, com projetos de especialização temporária para jovens profissionais em seu país
sede. Ainda neste ano, por meio
de um desses projetos, deve embarcar para a Itália uma primeira turma de 40 enfermeiros brasileiros, com idades entre 21 e
30 anos. Eles foram selecionados
pelo Projeto Brasil-Itália, parceria entre a Obiettivo Lavoro e o
Centro Integrado Empresa Escola
(CIEE), para atuar em clínicas e
hospitais italianos.
28
No seminário A Conjuntura do
trabalho na Itália e no Brasil – níveis crescentes de competitividade internacional, promovido pela Obiettivo e pelo CIEE em São
Paulo, discutiu-se, em junho, esse modelo transnacional de inserção no mercado profissional.
Ramazza apresentou então dados referentes aos 10 anos de
atividades da agência, período
em que mais de 430 mil pessoas
foram empregadas na Itália, sendo 90 mil de origem estrangeira,
provenientes de mais de 134 diferentes países. A maior parte retornou ao país de origem, depois
de concluir o programa de aprendizado profissional temporário.
Para o presidente da Obiettivo, o que importa é a inserção
no mercado de trabalho até mesmo para aqueles que se sentem
já excluídos dele, vislumbrando
algo que ele próprio definiu como “una società a colore”. Além
de jovens recém-formados, o programa da agência tambérm abre
oportunidades para mulheres
com mais de 40 anos e para homens com mais de 60, também
estrangeiros.
— Discutimos ações para
promover um trabalho justo e
seguro _ afirma Ramazza, referindo-se ao esforço da empresa
no sentido de um “desenvolvimento solidário” do mercado de
trabalho.
Para o presidente da Academia Internacional de Direito e
Economia, o professor Ney Prado, também conselheiro do CIEE,
a Itália se tornou uma referência na busca de soluções para o
aumento dos índices de empre-
ComunitàItaliana
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Julho 2007
gabilidade, por conta da própria
experiência no país de superação
de adversidades, ao longo de uma
história marcada por muitas mudanças no sistema de governo.
— Estamos falando de um
país de primeiro mundo que saiu
de um modelo fascista-intervencionista para um modelo democrático, aberto e individualista
— explica Prado.
Do seminário, participou
também o vice-ministro italiano para Relações Exteriores, Donato Di Santo, responsável por
assuntos relacionados à América do Sul. Ele manifestou a sua
adesão ao modelo de trabalho
da Obiettivo Lavoro. Segundo o
vice-ministro, este trabalho segue na direção certa, “visando a
integração, o respeito e o combate ao trabalho informal”, no
contexto de um projeto maior,
que tem por objetivo aumentar
a colaboração entre a Itália e os
países latino-americanos.
— Queremos retomar um projeto de colaboração com os países da América do Sul, em espe-
cial o Brasil — garante Di Santo,
afirmando ainda que o relacionamento com o Brasil está entre as
prioridades de governo do premier Romano Prodi.
Nesse ambiente favorável,
nasceram, inclusive, de acordo
com Di Santo, a Comissão Mista
de Economia entre os dois países e um acordo de cooperação
mútua, firmado durante visita de
Prodi ao Brasil, em março último.
Também participante dos debates em São Paulo, o embaixador
da Itália no Brasil, Michele Valensise, revelou a visão que tem
do “enorme e ainda não esgotado potencial do Brasil para parcerias e inovações com a Itália”.
O intercâmbio comercial entre os
dois países, gerador hoje de cerca de US$ 6,5 bilhões anuais, pode crescer muito, na opinião de
Valensise.
Amigo pessoal de Di Santo,
o ministro brasileiro Luiz Soares
Dulci lembrou, durante o seminário, que sempre foram boas as relações entre os governos do Brasil e da Itália.
— Com esse projeto da Obiettivo, vejo que demos um novo
passo nas relações entre os dois
países — conclui Dulci.
Serviço: Obbietivo Lavoro
RJ – tel: 21.2232-6652
[email protected]
SP – tel: 11.3045-0501
[email protected]
Grupo Keystone
A
Aline Buaes
Bruna Cenço
a 10ª edizione della Fiera di San Vito, festeggiata nel tradizionale quartiere del Brás,
a San Paolo, ha riunito più di 150mila persone
durante i sei fine settimana in cui è stata realizzata. Il numero di visitatori è 50% superiore a ciò
che ci si aspettava per quest’anno. La media è di
circa 12mila persone al giorno passate per l’evento che rende omaggio al santo. Secondo gli organizzatori, dal 26 maggio al 1° luglio sono stati
serviti al pubblico 35mila piatti di pasta, 16mila focazzelle e 30 mila dolci. Solo di spaghetti,
ne sono stati mangiati tremila chili. Considerato protettore degli artisti, delle malattie nervose,
dei giovani e dei tossicodipendenti, San Vito è morto giovane, a 15 anni, martirizzato per aver
difeso la fede cattolica. Figlio di un nobile dell’Impero Romano del III secolo, il giovane si rifiutò
di arruolarsi nell’esercito, perché si diceva soldato di Cristo. Gli vengono attribuiti vari miracoli,
alcuni ancora in vita. A San Paolo, la devozione è stata portata da un gruppo di immigranti venuti
da Polignano a Mare, in Puglia. La cappella in suo onore è stata costruita nel 1912, nel quartiere
Brás. Durante la festa, le mamme hanno approfittato l’evento per rendere nota la cucina pugliese
e così raccogliere soldi per progetti assistenziali della parrocchia. Secondo il diacono Alfredo Meletti, quest’anno la novità è stata la creazione di uno spazio culturale, fatto in partnership con il
memoriale dell’immigrazione.
— In questo spazio, abbiamo potuto riscattare un po’ della storia del quartiere, costruito
con gli aiuti della comunità di Polignano a Mare, e divulgare le nostre radici, che conserviamo
con molto affetto — commenta. (B.C.)
È festa!
L
a XVI Festa dell’Immigrante
Italiano a Santa Teresa (ES) ha
riunito circa 20mila persone dal 16
al 24 giugno. La messa in italiano,
il giro ciclistico, le canzoni italiane, i concerti con gruppi regionali e una torta per commemorare i
132 anni dall’arrivo dei primi italiani nel comune.
Secondo Francisco Carlos Gonçalves, presidente del Circolo Trentino
della città, la polenta con il ragù
di carne o fritta con salsicce e formaggi, gli agnolini e la tradizionale
pasta sono state le cose che hanno
avuto più successo alla festa.
- Abbiamo investito R$ 180mila alla festa e un momento importante è stata la “Carretella del Vin”,
in cui vengono illustrati i costumi
e le tradizioni dell’immigrante, che
è culminata nella distribuzione di
vino, salsicce, polenta, formaggi e
che ha permesso la partecipazione
del pubbico presente all’evento.
O perigo de ficar
“nas nuvens”
Espaço pequeno entre as poltronas do avião prejudica a saúde de
viajantes e pode provocar a Síndrome da Classe Econômica
V
Nayra Garofle
A relação direta entre a
trombose venosa profunda e as
viagens aéreas tem comprovação científica. De acordo com
o presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia
Vascular do Rio de Janeiro, o
angiologista Rossi Murilo, uma
pesquisa relatou a ocorrência
de 56 casos de embolia pulmonar grave entre 135 milhões de
passageiros, de 145 países, observados após o desembarque no
Aeroporto Charles de Gaulle, em
Paris, França.
— Na gênese desses fenômenos, estaria envolvida a diminuição da velocidade da circulação
do sangue, causada pela posição
pendente dos pés de quem viaja entre poltronas apertadas. A
trombose venosa, nessas circunstâncias, ocorreria com maior freqüência em vôos longos — afirma o médico.
A má circulação não é o único fator envolvido. A pressurização da cabine corresponde às
condições atmosféricas de uma
altitude de cerca de 1.700 metros, acima do nível do mar. Nessas circunstâncias, segundo o
angiologista, o extravasamento
de líquidos para o espaço intercelular, composto por diversas
substâncias em meio aquoso,
ocorre de forma mais fácil, o que
propicia o edema.
— Além disso, ainda tem o
ar da cabine, de baixa umidade,
o que estimula a perda de líquidos pelo organismo, favorecendo
a desidratação, e, conseqüentemente, tornando maior a concentração de hemoglobina no sangue — diz Rossi.
Cientistas dinamarqueses da
Organização Mundial de Saúde
(OMS) estudaram a coagulação
do sangue em 71 voluntários que
haviam permanecido por oito horas em diferentes atividades —
viajando de avião, numa poltrona de cinema ou, simplesmente,
sentados. A pesquisa, publicada
pela revista científica The Lancet, comprovou que a pressão
do ar e o baixo nível de oxigênio
Circulação
Área
comprimida
A circulação é bloqueada se o
espaço entre os assentos não
for suficiente ou se a pessoa
permanecer sentada por muito
tempo. Durante as viagens de
longa duração, é necessário
levantar e caminhar por alguns
minutos de hora em hora
“Uso uma meia
elástica que
aperta as pernas
e comprime as
veias fazendo
o sangue fluir.
Também levanto
e procuro
caminhar pelo
avião para
poder ajudar
na melhora da
circulação”
Claudio Pieroni (CGIE)
uso da meia elástica nos casos
de risco.
— Usar roupas confortáveis
e que não apertem, especialmente na região dos joelhos e
pernas, também é uma boa dica
— informa.
O médico também explica como é possível amenizar os efeitos da transição brusca de um fuso horário para outro:
Quando
estamos
sentados, os
vasos sangüíneos
se comprimem, como
acontece no exemplo
nas proximidades
dos joelhos
Coágulo
— A melhor forma de reduzir
os sintomas do jet lag é expor-se
à luz solar, assim que chegar ao
destino final, ajustando-se aos
novos horários de refeições e ao
sono o quanto antes. Em algumas
situações, há, no entanto, necessidade de medicações, que devem
ser prescritas por um médico.
Mas não há razão para tornar
a hipótese de um vôo transcontinental em motivo de pânico.
Basta seguir as recomendações
médicas para garantir a prevenção da Síndrome da Classe Econômica, especialmente nos casos
de pacientes crônicos de doenças de circulação ou cardíacas,
com varizes, sangue espesso ou
quadro de obesidade. O melhor a
fazer, de acordo com os especialistas, para quem não quiser correr o risco de se descobrir vítima
de uma dessas doenças em pleno
vôo, é tomar a precaução de realizar um check-up completo antes
da sonhada viagem, seja em férias ou a negócios.
Parte do sangue que retorna
das pernas ao coração
permanece bloqueada na
área. Se este bloqueio se
prolonga por muito tempo
pode se formar um coágulo,
que é um fragmento de sangue
solidificado que obstrui os
vasos sangüíneos
Marc Navarro
iajar de avião pode ser
mais perigoso para a saúde do que parece. Não
bastasse ter de lidar com
o jet lag — alteração nos ritmos
fisiológicos em função dos diferentes fusos horários — passageiros de vôos de longa duração
enfrentam risco mais grave: o da
trombose venosa profunda, mais
conhecida como Síndrome da
Classe Econômica.
O espaço exíguo entre uma
poltrona e outra é apontado como a principal causa do problema. A permanência numa mesma posição por muitas horas,
em poltronas estreitas, sem espaço ao menos para esticar as
pernas e elevar os pés, provoca má circulação nos membros
inferiores, formando coágulos
nas veias profundas das pernas.
Quando a pessoa se levanta,
fragmentos de sangue coagulado podem se desprender, deslocando-se pelo corpo com muita pressão e causando lesão em
algum órgão.
atuavam como fatores determinantes da ocorrência da Síndrome da Classe Econômica.
Para o agente de viagens Fabio Massimo Alfieri, os passageiros sofrem de diversas formas em
viagens longas. Por isso, pela experiência adquirida em mais de
30 anos de trabalho, ele nunca
esquece de recomendar aos seus
clientes a ingestão freqüente de
líquidos.
— Deve-se beber muito, mas
muito líquido mesmo, evitando,
porém, qualquer tipo de álcool
(que desidrata) ou de refeição
gordurosa. Segundo os tripulantes, ir ao banheiro várias vezes
também ajuda a evitar, por exemplo, a consolidação de cálculos
nos rins. — conta o agente.
O presidente do Consiglio
Generale degli Italiani all’Estero
(CGIE), Claudio Pieroni, sofre
de diabetes. Devido à doença,
o ítalo-brasileiro segue algumas
recomendações de seus médicos
todas as vezes que precisa enfrentar viagens longas.
— Uso uma meia elástica
que aperta as pernas, comprimindo as veias, fazendo o sangue fluir. Também me levanto e
procuro caminhar pelo avião para melhorar a circulação — explica Pieroni.
Responsável pelo setor de
Check-up do Viajante do Instituto Fleury de Medicina e Saúde,
de São Paulo, o médico Jessé Alves confirma a recomendação do
Quando
estamos
em pé, o
sangue circula
normalmente
nas artérias
inferiores
Quando a pressão na
articulação cessa, o
coágulo é liberado
e circula nos vasos
sangüíneos e se alcança
o coração e os pulmões
pode provocar a morte
30
ComunitàItaliana
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Julho 2007
Julho 2007
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ComunitàItaliana
31
Roma
aluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSal
U
Reprodução
C
Framboesa:
saúde em cores
E
la pode ser branca, amarela, rosa, roxa
ou até mesmo preta. As nuances são
muitas. Mas o número de benefícios trazidos
pelo consumo da framboesa parece ser ainda
maior. De acordo com o livro A cura e a saúde
pelos alimentos, de Ernst Schneider, a fruta é
rica em fibras, favorece o controle do colesterol e uma melhor digestão, bem como auxilia na desintoxicação do organismo. E mais:
formada por uma série de pequenos gomos, a framboesa ainda combate os
radicais livres que aceleram o
envelhecimento. Além disso, possui alto teor de
manganês e de vitamina C.
Pa
we
łZ
aw
ist
ow
D
Peixe contra o câncer
A
ingestão de atum e de salmão diminui as possibilidades de se contrair as
formas mais agressivas do câncer de próstata, de acordo com o Instituto Peterson,
na Grã-Bretanha. Esses peixes são ricos
em gorduras saudáveis como o ácido graxo ômega 3, que também ajuda a inibir o
crescimento das células degenerativas causadoras do mal. Estudos mostram que a falta do consumo regular desses alimentos
chega a triplicar a chance de o homem vir
a apresentar o problema. O tumor de próstata está em segundo lugar entre os tipos
de câncer que mais atingem os homens no
Brasil, abaixo apenas do câncer de pele.
Reprodução
onhecido como ótimo estimulante,
o guaraná também pode ser útil no
tratamento do câncer. Segundo pesquisa da Universidade de São Paulo (USP),
a experiência do uso do guaraná em
camundongos doentes já comprovou o
efeito de redução em 55% no processo
de desenvolvimento do câncer. O consumo da semente da fruta também auxilia no combate à enxaqueca, funciona
como estimulante e ainda previne distúrbios circulatórios, além de evitar o
envelhecimento precoce. Pessoas cardíacas, com úlcera e vítimas de hipertensão só devem consumi-lo, no entanto,
sob supervisão médica.
Para inibir resfriados
O
extrato da equinácea, planta da América
do Norte da qual já se sabia que auxiliava
na redução de sintomas da gripe e de outras
infecções respiratórias, é mais eficaz do que
se imaginava. Também pode prevenir as infecções. Estudo realizado pela Escola de Farmácia da Universidade de Connecticut (EUA)
mostrou que os consumidores do extrato
têm 58% menos chance de pegar uma gripe. Consumida junto com vitamina C, a planta
chega a reduzir em 86% os casos de gripe.
sk
i
32
ComunitàItaliana
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Melhor que a torre Eiffel?
Papel principal
Julho 2007
e coadjuvante histórico no preparo
de pratos típicos da cozinha italiana, o manjericão assume papel de protagonista na prevenção e no tratamento de
várias doenças. Segundo a revista Ervas
& plantas que curam, da Editora Escala,
a planta tem poder diurético, aumenta o
apetite, melhora a circulação sangüínea,
ajuda na digestão e na eliminação de gases, além de favorecer o aumento da produção do leite materno, embora não seja
recomendável o seu consumo durante a
gestação. Também combate a insônia, a
dor de cabeça e a febre, assim como aftas, resfriados, gripes, sinusite e faringite. Ms a erva não deve ir ao fogo se for
utilizada como medicamento.
Vagem na luta
contra o tempo
F
amosa por estar associada à dieta mediterrânea, a vagem é um alimento rico em
fibras, proteínas e vitaminas como A, B1, B2 e
C, além de sais minerais como cálcio, fósforo,
ferro, potássio e sódio. Isso quer dizer que ela
não só garante a capacidade de uma boa visão e a saúde da pele, como ainda estimula as
funções intestinais. De acordo com estudos da
Universidade Federal de Pernambuco (UFP), a
vagem, como as hortaliças em geral, age também como antioxidante, inibindo a ação dos
radicais livres sobre as células e combatendo
processos infecciosos. Originária das Américas,
a planta foi levada para a Europa e a Ásia após
a chegada dos colonizadores europeus.
Fotos: Reprodução
Guaraná, um
novo aliado
Reprodução
Reprodução
ma molécula produzida pelo corpo humano, a “interleuchina-12”, auxilia na prevenção de alergias alimentares. A descoberta
foi feita pelo italiano Cláudio Nicoletti, formado em Ciências Biológicas, em Siena, na Toscana, e que, hoje, lidera o setor de Imunologia
do Institute of Food Research (IFR) em Norwich, na Inglaterra. Segundo o pesquisador, os
ratos que sofriam do mal não apresentavam
essa molécula. O estudo foi publicado no Journal of Allergy and Clinical Immunology.
Marco Carlini
Descoberta italiana
Ana Paula Torres
Mais acessível
O
s turistas da capital e da província de Roma acabam de ganhar
o “Roma & Più Pass”. Seu lançamento acontece depois do grande sucesso do “Roma Pass”, em vigor há um ano
na capital. Trata-se de um cartão turísticocultural que facilita a viagem pelo território romano. O cartão custa 25 euros e
tem validade de três dias, permitindo que
o seu portador ingresse gratuitamente em
dois museus ou sítios arqueológicos, além
do ingresso com preço reduzido em outros
pontos turísticos. A iniciativa é válida para todos os monumentos, museus e áreas
arqueológicas de competência municipal
e nacional, situados na área urbana e na
província. Participam no total os 121 municípios da província de Roma com itinerários ricos de arte e história.
A Roma de Achille Pinelli
A
O cartão também garante acesso gratuito
a toda a rede de transporte público da província e da capital. Outro benefício oferecido pelo
“Roma & Più Pass” é a possibilidade de viajar
grátis no trem que liga o aeroporto de Fiumicino à estação Termini de Roma. Descontos em
mostras, espetáculos de teatro, dança, ópera,
dentre outros, também estão incluídos.
O “Roma & Più Pass” pode ser comprado diretamente na entrada dos museus, nos
pontos de informações turísticas, na estação
Termini, em hotéis, agências de viagem, bilheterias Atac, bancas de jornais e revistas,
casas lotéricas e no site www.romapass.it. No
ato da compra, o turista receberá um kit com
informações em italiano e inglês, que contém
dados sobre transporte público, mapa, lista
de museus, áreas arqueológicas e uma programação dos eventos em cartaz.
cDe 28 de junho a 16 de setembro, o Museu
de Palazzo Braschi dedica uma mostra ao artista Achille Pinelli, um dos expoentes do mundo
artístico romano do século XVIII. Estão expostas
70 obras em aquarela que documentam aspectos
da Cidade Eterna que desapareceram no tempo
ou se modificaram radicalmente. Endereço: Via di
San Pantaleo, na Praça Navona. Aberto todos os
dias das 9h às 19h. Ingresso: e 6,50 euros.
Romeu e Julieta
D
e 8 a 14 de agosto, será representada na encantadora atmosfera das
Termas de Caracalla, a ópera “Romeo e
Giulietta suite Pagliacci”. Trata-se de
um drama lírico em dois atos com texto e música de Ruggero Leoncavallo. Os
preços dos bilhetes variam de e 25 a
e 110. Mais detalhes pelo site http://
www.operaroma.it/tickets.htm
Julho 2007
N
ada mais sugestivo do que percorrer o
centro de Roma a bordo de um bonde da
década de 20, totalmente restaurado e dotado de todo conforto. O tour começa na praça
de Porta Maggiore às 21h. Durante o percurso, cantores líricos interpretam algumas das
mais famosas óperas e, para completar, um
jantar é oferecido no Parco del Celio, com
vista panorâmica do Coliseu e Fori Imperiali. Custo total, incluindo o jantar: e 80 euros. Duração: 3 horas. Informações e reservas
pelo e-mail [email protected] ou pelo
celular 0039-339-6334700.
Gino Paoli
O
cantor e compositor Gino Paoli fará
uma apresentação de seu mais recente trabalho: “Milestones. Un incontro
in jazz”, álbum realizado em parceria com
grandes nomes do mundo do jazz italiano.
O evento acontece ao ar livre no Auditorium Parco della Musica, dia 29 de julho, às 21h. Endereço: Viale De Coubertin,
próximo ao estádio Flaminio. O ingresso
custa e 20. Mais informações e compra
online pelo site www.auditorium.com
/
ComunitàItaliana
33
atualidade
La coda non cammina!
Carenza di personale nei consolati lascia circa 500mila brasiliani ad aspettare
persino 10 anni per ottenere il riconoscimento della cittadinanza italiana
D
Nayra Garofle
i fronte alla lentezza cronica del processo burocratico per il riconoscimento
della cittadinanza italiana
in Brasile, figli, nipoti e altri discendenti di immigranti hanno deciso di dare un basta alle lunghe
file imposte dalle autorità che, in
alcuni casi, sono di 10 anni. La
strategia: una sottoscrizione.
— La soluzione non può più
essere rimandata. Con la sottoscrizione vogliamo dimostrare il
nostro disaccordo al governo italiano — dichiara il presidente del
Comitato degli Italiani all’Estero
(Comites) di Rio Grande do Sul,
Adriano Bonaspetti, a nome dei
circa 500mila brasiliani che formano le code per la tanto sognata cittadinanza italiana.
La sottoscrizione – che comincia a circolare ora – non rappresenta l’unica maniera di riven-
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Fotos: Guilherme Aquino
attualità
dicare i propri diritti. Bonaspetti
cerca anche di conquistare come
alleati i patronati, a cui ha inviato una circolare chiedendo l’appoggio nei negoziati con il governo italiano e con il parlamento.
L’obiettivo è quello di rendere
possibili provvidenze concrete
per rendere più agile il processo
di analisi delle richieste.
— Considerando il tempo superiore ai 10 anni che gli italobrasiliani stanno aspettando per
qualcosa che è loro di diritto, può
essere difficile capire il perché di
tanta attesa — ammette il presidente del Consiglio Generale degli Italiani all’Estero (CGIE) di San
Paolo, Claudio Pieroni.
In contrasto alle numerose richieste in Brasile di discendenti
che sollecitano il riconoscimento, il console Generale di Rio de
Janeiro, Ernesto Massimo Bellelli,
ammette che il personale non è
sufficiente.
ComunitàItaliana
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Julho 2007
— In Brasile, il numero di
personale dei consolati è lo stesso di altri luoghi nel mondo. Però
qui abbiamo una domanda molto
superiore di richieste di riconoscimento, il che non succede, normalmente, negli altri paesi. Per
questo abbiamo queste attese —
analizza Bellelli.
Il senatore Edoardo Pollastri,
eletto dagli italiani che vivono
all’estero, concorda:
— Il personale si occupa non
soltanto di queste attività, ma di
una serie di altri servizi per chi è
già cittadino italiano. In un recente convegno in America Latina, il direttore generale dell’Immigrazione del Ministero degli
Affari Esteri, ambasciatore Benedetti, ha detto che la rete consolare dell’America Latina dispone di 300 impiegati, di fronte a
più di un milione di iscritti nel
registro, cioè un impiegato per
ogni 3,5 mila cittadini italiani,
a cui debbono essere sommati i
discendenti che richiedono la cittadinanza.
Non bastasse l’attesa nelle file, abbiamo un’altro ostacolo in
vista, che può minacciare il sogno dei discendenti di immigranti: una proposta di cambiamento
della legislazione per limitare alla terza generazione il diritto al
riconoscimento della cittadinanza italiana. Nel caso sia approvata, la nuova regola può essere
applicata ai processi già in andamento.
Nella coda da due anni, il
musicista Guto Goffi, del gruppo Barão Vermelho, considera ingiusta questa proposta di limiti.
Il suo processo affronta già una
complicazione: nei documenti del
suo bisnonno il nome era stato registrato con un errore quando si è
naturalizzato brasiliano.
— Sarebbe pessimo perdere
questo diritto di diventare cittadino italiano, perché ho dentro di
me il sogno di, un giorno, vivere
in Italia e investire nel paese dei
miei avi — rivela il rocker.
Ma tutto può migliorare
In visita in Brasile, il vice ministro degli Affari Esteri dell’Italia,
Franco Danieli, ha assunto su di
sé l’impegno di dare forza alla rete consolare in America del Sud
e in Brasile in special modo. Ci
sono misure già approvate, come l’aumento del 50% nel quadro di personale dei consolati, la
contrattazione di centrali telefoniche per call-center e l’informatizzazione degli archivi e dei
servizi.
— Per ora non abbiamo niente di concreto; sono progetti —
chiarisce, comunque, il console Bellelli, sulle prospettive di
cambiamenti.
Intanto, negli Stati Uniti...
Oltre ai tanti problemi, c’è anche un nuovo ostacolo per chi
ha già ottenuto il documento
come cittadino italiano. Durante
il suo viaggio in Brasile, il vice
ministro Franco Danieli ha detto
che “gli Stati Uniti studiano modi di impedire l’ingresso di cittadini italiani i cui passaporti
siano stati rilasciati in America
del Sud”.
— Immagino che gli Stati Uniti temano, in questo modo, che le
persone dell’America Latina si approfittino della legge americana,
perché essa non esige dai cittadini italiani il visto d’ingresso nel
paese. Ossia, in questo modo molti, dall’America Latina, possono richiedere la cittadinanza [italiana]
per entrare là liberamente — deduce il senatore Pollastri, per ciò
che concerne le possibili ragioni
per l’imposizione di difficoltà da
parte degli americani.
La consorte del console generale degli Stati Uniti a Rio de
Janeiro, Elisabeth Lee, ha affermato che “argomenti di questa
natura non vengono trattati dal
consolato, ma dal Department of
Homeland Security” che, fino alla
chiusura di questa edizione, non
ha risposto alle sollecitazioni di
chiarimenti su questo tema.
Batuque
na cadeia
Presidiários se encantam com a cadência do samba, em show ao vivo, em Milão
A
cadeia rendeu-se à cadência do samba. Ao menos
na penitenciária de San
Vittore, em Milão, mesmo
sendo mais do que meia hora. Isso aconteceu durante o espetáculo intitulado Sing Sing, no qual
se revezaram, em palco armado
intra-muros, 13 bandas latinoamericanas, no fim de junho. O
grupo de percussão brasileiro Mitoka Samba – a despeito do quase
anonimato no país natal – caiu
no agrado da maioria dos 1.250
presos que puderam ouvir, entre
outros, sambas de Gonzaguinha.
Melodias e letras não foram escolhidos por acaso: o evento teve o
propósito de mexer com os sentimentos dos apenados, com mensagens de otimismo.
Pouco mais de 200 dos condenados puderam assistir ao show
bem de perto, em frente ao palco. Outros tiveram de se resignar
em acompanhar o espetáculo do
alto, pelas grades de celas com
vista para o pátio, montado no
campinho de futebol do presídio.
Enquanto isso, para os demais,
havia apresentações simultâneas
Guilherme Aquino
Correspondente • Milão
de outras bandas em três espaços
dentro das galerias.
— É uma experiência muito forte. Eu nunca tinha entrado
aqui não. Só tinha passado em
frente à porta — revela Karl dos
Santos, líder do Mitoka Samba,
antes de se apresentar.
O sambista teve que ultrapassar 13 grades e portões de ferro
para chegar ao palco. Cada um
com o seu vigilante e suas chaves.
Tudo monitorado com câmeras de
televisão em circuito interno. Todos os visitantes - entre convidados especiais, jornalistas credenciados e artistas - foram obrigados
a deixar os celulares na recepção e
a passar por uma rigorosa revista
com aparelhos de raio X.
De acordo com a direção do
presídio, um dos objetivos do
evento é promover a integração,
principalmente entre os presidiários estrangeiros.
— A música agrada e agrada
a todos. Na edição deste ano, temos bandas étnicas para tentar
chegar aos nossos “hóspedes” de
outros países. Este é um modo
importante de integração e que
conseguimos realizar com a ajuda da Província de Milão — explica a diretora de San Vittore,
Gloria Manzelli.
Questões geográficas ditaram o
ritmo do evento, inclusive nos critérios de escolha das bandas participantes. Foram 13 no total, incluindo uma do Magreb. Em San Vittore,
há presos dos cinco continentes. Os
brasileiros são a minoria, menos de
10% do total. A maioria, presa por
causa de tráfico de drogas.
Entre os duzentos “convidados”
do show do Mitoka não havia ape-
nas brasileiros, mas muitos latinoamericanos, que entendiam as letras e mostravam alguma ginga nos
pés. Alguns até ensaiaram passos
de capoeira, para preocupação do
guardas. Ao som da banda de rock
Francobranco, os presos puderam,
aplaudir um dos seus carcereiros, o
guitarrista Franco Carnavale, o uniforme habitual substituído pela indumentária de roqueiro.
No contraponto, também participou do Sing Sing um grupo
criado dentro de San Vittore, o
Vip Sound , que “atacou” de rap,
com Abuso de Poder, espécie de
hino entre os condenados.
— Somos a voz do cárcere, cantamos a desilusão e a esperança.
Me perguntaram se eu sabia tocar
algum instrumento. Eu disse que
não, então comecei a cantar. Fazemos isso com o coração e não para
atrair a atenção. Nós apenas somos
a expressão de quem está preso
aqui. Estou muito feliz de ter esta
oportunidade de mostrar, não um
talento, porque não o temos, mas
aquilo que somos capazes de fazer,
mesmo estando trancados aqui —
revela um dos integrantes da banda, Pedro Gondogo, nascido em
Santo Domingo, com nacionalidade
americana e cumprindo três anos
de prisão por tráfico de drogas.
O mal estar sofrido pelo jovem
cantor Simone Cristicchi, ao pisar
dentro de San Vittore, abriu um buraco na programação, mas ele foi
substituído por uma nova apresentação do Mitoka Samba, que improvisou canções de reggae jamaicano
com arranjos de samba. A batucada
em homenagem ao mestre do ritmo
Bob Marley pegou o público de surpresa e contagiou o ambiente com
alegria e nostalgia. Das celas, os
presos aplaudiam e acenavam para aqueles que, do campinho de futebol, foram ao presídio transmitir
alegria e esperança.
Entre os detentos, muitos latino-americanos mostravam ginga no pés
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ComunitàItaliana
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atualidade
atualidade
O
Guilherme Aquino
Correspondente • Milão
— Vencemos a nossa batalha
e, agora, Ravello poderá contar
com atividades culturais durante
os 365 dias do ano e não apenas
nos meses de verão com o Festival — diz o presidente da Fundação Ravello, Domenico De Masi,
o defensor “número um” da obra
de Niemeyer.
O canteiro de obras foi aberto no começo deste ano, por
coincidência, o mesmo em que o
arquiteto comemora o seu centenário. Ele, que nunca colocou
os pés em Ravello, criou um pro-
jeto adequado, perfeitamente,
ao cenário cinematográfico de
uma das paisagens mais belas
da Itália.
— Foram centenas de vídeos e milhares de fotos levados a
Niemeyer. Muitos grandes arquitetos criaram obras maravilhosas
sem terem visitado pessoalmente
o local — destaca Domenico De
Masi, que classificou como uma
aberração a hipótese de um estacionamento no lugar.
O futuro auditório vai estar
a cem metros da famosa Villa
E
le chega devagar, ergue suavemente a cabeça e com o
olhar cumprimenta os presentes na sala projetada
para unir funcionalidade e bem
estar. A dificuldade na locomoção não faz supor a rapidez com
que seus pensamentos se concretizam no papel. Oscar Niemeyer
está em seu escritório, onde a
simplicidade ambiente valoriza a
paisagem da vasta janela aberta
para o mar de Copacabana, Zona Sul do Rio. A percepção do
peso de seus 99 anos vem à tona quando ele repousa numa cadeira, para conceder entrevista
a uma equipe de TV italiana. O
depoimento vai ser transmitido
durante a festa pelos 100 anos
da tradicional Editora Mondadori, em 26 de julho. Também nesta data haverá o lançamento do
livro Oscar Niemeyer - Il Palazzo
Mondadori, no qual o arquiteto
- cujo centenário coincide com
o da editora - discorre sobre os
meandros da construção daquela
que ele considera a sua principal
obra na Europa.
Pouco depois da entrevista,
Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares ou, simplesmente,
Oscar Niemeyer, recebeu, ali mesmo em seu escritório, o título de
Grande Oficial da Ordem de Ossi.
A honraria é oferecida pelo governo italiano a estrangeiros que
obtêm destaque na Itália, caso
do arquiteto famoso pela silhueta
sempre sinuosa de suas obras.
Ciceroneando a comitiva italiana - da qual faziam parte o
Sílvia Souza
cônsul da Itália no Rio, Massimo
Bellelli, e a consulesa Matilde,
além do governador do estado
Sérgio Cabral - o embaixador da
Itália no Brasil, Michele Valensise destacou como se sentia diante do criador de Brasília.
— Brasília é a cidade concebida para o homem ser feliz. Apesar de ser fã do Rio de Janeiro
de vistas deslumbrantes, sintome orgulhoso por estar diante
do homem que projetou a cidade
onde trabalho e vivo. Ao representar o presidente Giorgio Napolitano quero enfatizar o carinho,
a simpatia e a admiração do povo italiano por Niemeyer, pessoa
de atributos artísticos e humanos
incomparáveis — afirma Valensise, sobre o arquiteto latino-americano mais estudado na Itália.
Falando mansamente e em
voz baixa, o carioca Niemeyer
ainda se lembra do momento em
que recebeu o convite para projetar o prédio da Mondadori.
— É a obra na Europa de que
mais me orgulho em toda a Europa. O Giorgio, dono da editora,
era um homem inteligente e es-
“É a obra
(o prédio da
Mondadori) de
que mais me
orgulho em toda
a Europa”
Ladeado por Valensise e Cabral, Niemeyer é homenageado pela Itália
perto. Ele viu a sede do Itamaraty e me chamou para projetar
o prédio da editora. As colunas
da Mondadori são como uma série musical. Eu fui variando o espaçamento. Empenhei-me muito
naquele trabalho e não sei se fiz
outra obra com igual espírito —
conta o arquiteto, revelando ainda que as sensações de surpresa e
até mesmo de espanto das pessoas diante da obra o fazem preferila em relação às dezenas de trabalhos de sua autoria construídos
por todo o mundo.
Niemeyer ainda se recorda de
que, depois do primeiro almoço que teve com o dirigente da
empresa, na Itália, ele e Giorgio
Mondadori jogaram futebol, uma
paixão em comum. O mestre do
modernismo guarda em sua história ainda mais intimidade com
a Itália: o seu primeiro casamento o uniu a uma filha de imigrantes oriundos da região de Pádua.
Como sempre ocorre nessas
ocasiões, o militante comunista
Niemeyer aproveitou as atenções
voltadas para ele, durante a sua
condecoração, para discorrer, sentado na mesma cadeirinha de madeira, sobre a situação política no
Brasil. Manifestou as suas esperanças por mudanças significativas no
sistema educacional e econômico,
renovadas pela eleição de um presidente da classe operária. Na opinião dele, o Brasil tem sido uma
referência na resolução de problemas comuns à América Latina.
Se não perde o senso político, Niemeyer também não nega
a origem da chama que mantém
acesa a sua jovialidade:
— O mundo vive em função
do inesperado e o capitalismo
facilita a existência de mazelas
na sociedade. O negócio é ter
uma mulher do lado e seja o que
Deus quiser. Faço 50 anos todos
os dias, mas não quero festa. Ser
útil e saber viver a vida é o mais
importante. Agora, se tivesse que
fazer um desenho faria o de uma
mulher bonita — graceja.
Guilherme Aquino
terreno debruçado sobre
a costa Amalfitana traz
as pegadas dos operários e as marcas das rodas dos caminhões e das lagartas dos tratores. Depois de sete
anos de batalhas e recursos judiciais, por parte de associações
ambientais, o auditório projetado pelo arquiteto brasileiro Oscar
Niemeyer começa a sair do papel.
No lugar do espaço cultural, estava prevista, originalmente, a
construção de um estacionamento de carros.
Governo italiano celebra Oscar Niemeyer no centenário do mestre e o artista credita ao prédio
da editora Mondadori, na Itália, o título de sua obra mais importante na Europa
Divulgação
Depois de sete anos de luta judicial, começam as obras para o auditório de
Ravello, projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, na costa Amalfitana
Arquiteto do mundo
Bruno de Lima
Quando o
homem e a
natureza se
integram
Rufolo, onde acontece o Festival de Ravello. Pode-se chegar à
Villa por um portão de grades ou
atravessar o túnel todo decorado
com cartazes dos primeiros eventos - de uma série iniciada no último dia 29 e com fim previsto
para o dia 8 de setembro. No
período, Ravello se transforma
numa das principais capitais da
cultura mundial. São 800 artistas, como Carol Rama, Yoko Ono
e a brasileira Luzia Simons, distribuídos em 76 eventos de cinema, teatro, arte, dança e música. Eles vão incrementar o verão
na Costa Amalfitana, em pontos
como a Villa Cimbrione, a Piazza
San Giovanni e o Duomo. Entre
os cartazes, destaca-se um, com
o rosto do arquiteto Niemeyer,
homenageado pelo Festival. No
lugar dos sons das britadeiras e
das escavadeiras, utilizadas na
preparação do terreno destinado
ao auditório, surgem os acordes
da orquestra sinfônica do teatro
Regio di Parma.
O concerto pareceu embalar
o sonho do projeto de Niemeyer.
O palco projetado sobre os jardins da Villa Rufolo, no alto de
um desfiladeiro rumo ao mar, é
obra de engenharia artística.
Dentro de uma das salas com janelas voltadas para os jardins,
uma exposição apresentou os
primeiros desenhos do arquiteto. Quando pronto, o teatro terá
capacidade para 500 pessoas, a
platéia perfeitamente encaixada
no terreno em declive. A obra
contemporânea, concebida com
a delicadeza e o cuidado extremo de não interferir na paisagem
local, deverá se tornar, no entanto, uma referência. Um foyer
projetado sobre o vazio deu o
toque “rufoloniano” ao auditório, templo da música suspenso
entre o céu e o mar.
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Firenze
notizie
Giordano Iapalucci
Nuovo portale per la Farnesina
U
Max Pucciariello
n “salto di qualità” sotto il profilo della “trasparenza dell’informazione” e, al tempo stesso, una “grandissima sfida che
investe la qualità e la tempestività” di quanti lavorano al ministero degli Esteri. Così Massimo D’Alema, al battesimo del nuovo portale della Farnesina (www.esteri.it) che - insieme agli oltre 300 siti delle Ambasciate, Consolati ed Istituti di Cultura, e
ai vari siti collegati (da ‘Dove siamo nel mondo’ al ‘Portale della
cooperazione’) - vuole avvicinare il ministero e la politica estera
ai cittadini favorendo la fruizione dei servizi forniti dal network
“Mainet’, attraverso una navigazione semplice ed intuitiva.
Momix
arà presente, per il circuito “Operafestival 2007” una delle compagnie di danza
più originali e creative che da ormai vent’anni offrono coreografie uniche e che fanno dei
danzatori veri e propri illusionisti della scena: si tratta di Momix. Il balletto, sotto la
colonna sonora del film di Martin Scorsese
“L’ultima tentazione di Cristo”, riprenderà ritmi e andature medio-orientali miste a suoni
sintetizzati, il tutto unito ad una coreografia
ascetico-intimista. La musica di Peter Gabriel
si sposa poi con le scene dello statunitense Moses Pendleton. Lunedì 23 e martedì 24
luglio presso il Giardino di Boboli. Ingresso:
dai 30 ai 42 euro. www.festivalopera.it
Bruno de Lima
S
Il ministro Carlos Lupi fra il console Massimo Bellelli ed il
presidente dell’Unione Italiani nel Mondo in Brasile, Plinio Sarti
Letteratura disegnata
di Hugo Pratt
Reprodução
S
New York City Ballet
I
l 30 luglio presso il parco di Palazzo
Pitti sarà possibile ammirare la compagnia di balletto “New York City Ballet”,
che dal 1934 calca i palcoscenici del
mondo. Le opere rappresentate (“Apollo”, “Tchaikowsky pas de Deux”, “Diamonds”, “Junk Duet” e “Who Cares?”)
saranno un omaggio a George Balanchine che insieme a Lincoln Kirstein fondò
lo storico corpo di ballo. Giardino di Boboli ore 21.15. Prezzi:30, 35 e 42 euro.
Prenotazioni e acquisto biglietti presso
www.festivalopera.it
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ComunitàItaliana
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arà presente al Forte Belvedere di
Firenze dal 4 al 31 agosto 2007,
la mostra di uno dei personaggi più
amati del fumetto italiano, Corto Maltese,
in occasione dei 40 anni dalla sua nascita.
L’esposizione, organizzata nell’ambito di
“ForteDavvero” celebra la penna di Hugo
Pratt con le sue tavole a china e acquerelli
che vogliono dare al visitatore l’idea di un
personaggio complesso fatto di accostamenti tra citazioni letterarie e divertimento, tra documentazione storica e passaggi
ironici e pieni di fantasia. Saranno presenti anche proiezioni di video che animeranno così il percorso espositivo. Dalle 17.00
alle 24.00. Ingresso gratuito.
Barocco Fiorentino
Greg Wyatt
R
esterà aperta tutta l’estate la mostra
sulla “Teatralità nel Barocco Fiorentino” che vede esposti 17 capolavori, della
collezione Luzzetti, della pittura fiorentina del diciassettesimo secolo. Nell’esposizione sarà possibile ammirare, tra le tante,
opere degli artisti del calibro di Cristofano
Allori, Cesare Dandini, Lorenzo Lippi e Santi di Tito e di Mario Balassi in cui emerge la
teatralità in gesti concitati, costumi sfarzosi e adornati in un incedere teatrale in
cui non manca una dose di introspezione
psicologica e l’attenzione verso la natura.
Museo Archeologico e d’Arte della Maremma a Grosseto. 10/13-17/20. 5 euro.
Julho 2007
P
er il programma estivo fiorentino “Fi.Esta
2007” verrà presentata la mostra “Burnham Wood” di Greg Wyatt, scultore nordamericano che dal 1974 durante una sua visita in
Italia ha deciso di accostarsi nelle sue opere
ai grandi maestri del rinascimento italiano e
alla tecnica della fusione del bronzo. Esposizione divisa in due parti in cui si fondono
lo stile classico e quello neorealista americano: la prima presso il Consiglio della Regione Toscana in Via Cavour, 2 (15.00-19.00) e
la seconda al Forte Belvedere (17.00-01.00)
da dove è possibile ammirare anche un bello
scorcio cittadino tra il verde collinare. Fino al
31 agosto. Ingresso libero.
Scambio e collaborazione
A
l fine di stabilire una cooperazione tra Brasile e Italia,
nell’ambito delle politiche attive per il lavoro e per la formazione professionale dei giovani, ha visitato questo mese Italia Lavoro il ministro del Lavoro Brasiliano, Carlos Lupi, che si è riunito
con l’amministratore delegato Natale Forlani, e con il responsabile del progetto “Occupazione e Sviluppo della Comunità degli italiani all’estero”, Federico Lazzarini. Presenti anche il responsabile
dell’ITAL-UIL Brasile, Fabio Porta, il capo di gabinetto del ministro
del Lavoro brasiliano, Marcelo Panella, ed il presidente dell’Unione
Italiani nel Mondo, Plinio Sarti.
Il ministro ha sottolineato l’importanza di questo incontro che
gli ha consentito una migliore conoscenza della metodologia d’intervento di Italia Lavoro per l’assistenza tecnica ai servizi per il lavoro, valorizzando le storiche relazioni tra Italia e Brasile.
In questo clima di scambio e collaborazione, ha visitato la sede di Italia-Lavoro anche Renato Ludwig de Souza, direttore del
Dipartimento delle Politiche del Lavoro e Impiego per i Giovani del Ministero del Lavoro e Impiego (MTE). Nella sua visita ha
presentato l’azione del Programma Nazionale a favore del Primo
Impiego (PNPE) per la qualificazione sociale e professionale dei
giovani con bassa scolarità, insieme alle esperienze e ai risultati
positivi ottenuti con i Consórcios Sociais da Juventude (Consorzi
Sociali della Gioventù), con il Projeto Juventude Cidadã (Progetto Gioventù Cittadina) e Empreendedorismo Juvenil (Imprenditoria Giovanile).
In Brasile, Lupi partecipa attivamente agli incontri con la comunità italo-brasiliana. Perciò un mese prima, aveva già ricevuto
il titolo di giornalaio onorario del Consolato Generale d’Italia a
Rio de Janeiro, avendo già appartenuto alla categoria e, inoltre,
essendo discendente di italiani.
— Dedico questo omaggio a mio nonno, che era italiano e
che ha cominciato la sua vita qui con molto lavoro, fede e speranza. Quando ho iniziato come giornalaio, ho sempre creduto
all’entusiasmo dimostrato dalle mie origini. Sono orgoglioso di
avere sangue italiano — rivela Lupi. (R.C.)
Julho 2007
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ComunitàItaliana
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história
tecnologia
Fotos: Divulgação
De volta
para o
futuro
Pesquisadores criam programa de simulação no computador que
reproduz imagens de como seria a Roma antiga no presente
Nayra Garofle
P
ercorrer as ruas de Roma
e entrar numa das casas,
sem pedir licença, só para
observar detalhes na decoração de cada cômodo, a louça na cozinha, o brinquedo no
quarto de criança, o afresco na
parede da sala de estar. Entrar
em um mercado e verificar a variedade de alimentos e de outros
produtos de consumo doméstico
em exposição. Num bordel, observar o ambiente preparado para
a realização de fantasias, as mais
secretas. Não, ainda não existe
uma máquina do tempo, pelo menos tal como esta aparece, volta
e meia, nas histórias em quadrinhos, nos livros e no cinema de
ficção. Mas um programa de reconstrução digital já torna possível o turismo histórico virtual na
cidade eterna, de modo a conhecê-la exatamente como se mostrava no pleno apogeu do Império Romano, no ano 320 d.C.
Arqueólogos, arquitetos e especialistas em informática dedi-
40
caram dez anos de suas vidas ao
projeto Roma Renascida. Tanto
trabalho permitiu a criação de
um programa capaz de reproduzir
com fidelidade as características
versão antiga da cidade, na época em que nela havia 1 milhão
de habitantes. A equipe reuniu
especialistas de universidades da
Virgínia e da Califórnia, nos Estados Unidos, assim como de institutos de pesquisa da Itália, da
Alemanha e da Grã-Bretanha.
Na imagem tridimensional,
aparece inteiro, reconstituído em
toda a sua imponência, o Coliseu.
A simulação também oferece uma
visão perfeita do desenho original da sede do Senado, símbolo
do poder romano, revelado em detalhes como a altura monumental
de suas colunas. O programa exibe ainda a Basílica construída por
ordem do imperador Maxentius, e
muito mais. Cerca de 30 prédios
foram recuperados em meio digital até agora, e elas surgem, em
sua localização original, no mapa
ComunitàItaliana
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recortado por ruas e demais equipamentos urbanos de 1687 anos
atrás, além de características topográficas, ainda sem as Paredes
Aurelianas. Não só a fachada
pode ser visitada, como também
o interior, com os adereços que
compunham os ambientes.
— Tudo surgiu quando vi pela
primeira vez, em 1974, o grande
Plastico di Roma Antica, em exposição no Museu da Civilização
Romana. Meu pensamento inicial
era usarmos tecnologia de vídeo
para capturar o modelo de Roma
na idade de Constantino e colocar esse material disponível mais
abertamente. Com a chegada da
tecnologia de modelagem virtual
nos anos 90, foi possível criar um
novo modelo digital da Roma Antiga, não diretamente oriundo do
Plastico, mas por meio da captura
de suas características, corrigindo os seus erros e faltas – explica o líder do projeto, Bernard
Frischerdiz Frischer, que é chefe
do Institute for Advanced Tecnolo-
gy in the Humanities da University
of Virgina, nos Estados Unidos.
As informações e imagens
utilizadas para a reconstrução de
Roma foram obtidas por meio de
mapas antigos e de catálogos que
detalhavam os prédios de apartamentos, as residências particula-
“O simulador vai
ser atualizado
a cada nova
descoberta
arqueológica e
servir de base
para estudos
sobre a vida em
Roma no passado
distante”
res, as hospedarias, os armazéns,
as padarias e até os bordéis.
O simulador vai passar por
atualização a cada nova descoberta arqueológica. E o resultado
do cruzamento dos dados fornece um cenário que pode servir de
base para estudos sobre a vida na
Roma Antiga.
— Este é o primeiro passo
na criação de uma máquina do
tempo virtual, à qual nossos filhos e netos vão poder recorrer
para estudar a história de Roma,
assim como a de muitas outras
grandes cidades do mundo —
afirma Frischer.
Segundo o pesquisador, até
agora, estudantes e estudiosos
de Roma Antiga contavam com
recursos bem mais limitados, que
permitiam uma visão da cidade
parecida com planos 2D, seções
e elevações.
— É como tentar compreender a sintonia de Beethoven lendo partituras musicais. Melhor do
que nada, mas isso não se com-
para a poder ouvir a composição
numa apresentação da Filarmônica de Berlim! O modelo promove
o ensino servindo de instrumento científico para novos experimentos e descobertas. Uma vez
tendo o modelo do Coliseu, podemos, por exemplo, determinar,
com exatidão, quantos expectadores a construção suportava e
quanto tempo levavam para chegar da entrada do estádio até os
seus lugares — diz.
Ele lamenta que o projeto não
tenha sido concebido como um
programa urbano de larga escala.
Ele acredita que, nesse caso, teria sido possível alcançar
o mesmo resultado na
metade do tempo.
— Enfrentamos o fato de
que os fundos destinados a esse
projeto não foram constantes. Tivemos que juntar vários presentes
e doações que, dessa forma, permi-
tiram a construção do modelo pedaço por pedaço, um modo lento
e ineficiente de proceder, mas, na
falta de uma grande doação, isso
representou a única maneira prática de fazer o projeto acontecer.
Os fundos que chegavam não eram
suficientes para contratar mais do
que cinco colaboradores em tempo
integral. Na maior parte do tempo,
só tínhamos duas ou três pessoas
trabalhando no projeto. E, quando começamos, a tecnologia era
nova, cara e não a dominávamos.
Com o tempo passando, os preços
foram caindo e novos hardwares e
softwares apareceram — lembra
Frischer.
Por enquanto, estão disponíveis apenas imagens estáticas em
2D e vídeos sobre o programa no
site www.romereborn.virginia.edu.
Mas já está prevista a realização
de um evento, na Universidade de
Virgínia, para o lançamento oficial do modelo de interatividade
até o final do ano que vem.
— Nos próximos 12, 18 meses
nós planejamos publicar o modelo interativo na internet. Isso vai
requerer pesquisas inovadoras e
estamos felizes por anunciar que
recebemos dois anos de patrocínio — festeja Frischer.
Quando o programa estiver
disponível, em seu pleno funcionamento, o usuário vai poder
explorar os caminhos e preciosidades arquitetônicas da Roma Antiga à vontade. Com um clique no
“d”, vai se abrir uma janela com
informações e reprodução de documentos arqueológicos referentes à obra em exibição na tela.
— Esse aspecto me parece
extremamente importante: transparência de dados é o que faz do
nosso modelo um trabalho científico e, não, pura fantasia. Um
dia esperamos que o usuário possa estar capacitado para traçar
a evolução da cidade desde os
primeiros povoados na Idade do
Bronze até o século 6 d.C — profetiza o líder do projeto.
Second Life
O futuro da Roma Renascida pode
envolver a sua integração ao já
consagrado universo virtual Second Life. Há negociações com
a companhia Linden Labs, na
Califórnia, para que o simulador
possa estar disponível no site da
empresa. Tudo com um ambiente
virtual e tridimensional que simula aspectos da vida real, inclusive
do relacionamento humano.
— A Linden Labs tem sido
muito útil ao nos permitir o contato com os experientes criadores de suas plataformas. Entendi que a Linden Labs não deverá
estar, tão cedo, interessada em
desenvolver aplicações tais como o Roma Renascida para o Second Life. Mas estamos seguindo
suas sugestões e já pegamos, há
pouco, um conteúdo maior sobre
como devemos proceder para que
o nosso modelo possa ser passado para o Second Life — ressalta
Bernard Frischerdiz Frischer.
Caso o programa evolua nesse sentido, a simulação pode vir
a incluir até mesmo personagens,
segundo o pesquisador. O projeto comercial poderia envolver a
criação de toda uma população,
com milhares de figuras, algumas
delas baseadas em esqueletos e
em outras descobertas arqueológicas realizadas em Roma, e mesmo em toda a Itália.
Exterior da Basílica Maxentius,
a sudoeste do Fórum Romano
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ComunitàItaliana
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capa
Ismar Ingber
N
em sempre óbvia, e na maioria dos casos até bastante sutil, a participação italiana nos Jogos Panamericanos 2007, no Rio de Janeiro, não se limitou à torcida ardorosa de mais de 30 milhões de
ítalo-brasileiros ou às dezenas de oriundi entre os competidores brasileiros. Referência mundial na
organização de eventos esportivos de grande porte, a Itália contribuiu, em diversas frentes, para o sucesso
dos Jogos, com tecnologia de ponta, em produtos e equipamentos com qualidade de primeiro mundo.
A marca da qualidade italiana pode ser conferida em detalhes capazes de fazer diferença na
estrutura do evento. Caso da academia de ginástica instalada na Vila do PAN, na Barra da Tijuca,
para o treinamento dos atletas. Também a grama do campo oficial de hóquei,
no Complexo de Deodoro, na Zona Oeste, foi importada da bota, assim
como o piso das plataformas de salto ornamental do Parque Aquático
Maria Lenk, em Jacarepaguá. A própria festa de abertura dos Jogos
contou com um toque italiano. Na apresentação de dança, em meio
à maioria de brasileiros, havia bailarinos do
Projeto Luar, ONG nacional
com representação no país
europeu.
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Julho 2007
Com alma (e preparo) italianos
Depois de horas dedicadas à
produção do visual – penteado, maquiagem e figurino – e de
uma espera interminável, as jovens tinham consciência que o
momento de glória duraria poucos segundos. Nada que pudesse afetar o ânimo das bailarinas
Grazielle, Deborah, Nathalia e
Marina. Alunas do Projeto Luar,
ONG brasileira com sede na Itália, elas agarraram com unhas
e dentes a chance de se apresentar na cerimônia de abertura
dos Jogos.
As meninas interpretaram
elementos marítimos em coreografia que inundou de encantamento o Maracanã. Para viver essa breve, mas intensa emoção, as
meninas não se importaram em
abrir mão do lazer, e consumiram tardes e fins de semana em
exaustiva rotina de ensaios, durante dois meses. A oportunidade de integrar o corpo de dança
do evento resultou de um convite feito à ONG pelos organizadores da festa de abertura.
Arte, línguas, esportes e cidadania são algumas das atividades desenvolvidas pelo Projeto Luar nas zonas Oeste e Norte
do Rio, e na Baixada Fluminense. Sem qualquer auxílio extra
de ajuda de custo, as meninas
que se apresentaram na festa do
PAN – alunas de dança no núcleo da ONG no bairro da Penha
– tiveram de orquestrar o seu
Fábio Costa
Sílvia Souza
Chama acesa
Não por acaso, o vice-presidente
da Technogym, o italiano Pierluigi Alessandri mereceu a honra
de ser o único estrangeiro que
participou do revezamento da
tocha do PAN. Ele, que também
conduziu a tocha das Olimpíadas de Turim, no ano passado,
veio a Búzios, balneário na Região dos Lagos, cumprir a sua
parte no trajeto da chama-símbolo dos Jogos.
Alessandri não veio ao Brasil exclusivamente para carregar
a tocha. Ele pretendia também
travar contatos de negócios com
expoentes da área econômica e
esportiva do país, na Petrobras,
no Comitê Olímpico Brasileiro e
na A!Bodytech, a maior rede de
academias do Brasil, já parceira
da Technogym.
Outros motivos inspiraram a
emoção de Santo Marzullo, de
68 anos, por ter sido um dos
três mil condutores da tocha,
num trecho de 400 metros na
Praia de São Francisco, em Niterói. Naturalizado brasileiro, mas
nascido em Paola, na Calábria,
sul da Itália, ele iniciou a carreira como judoca no Brasil, aos
18 anos.
— Cheguei ao Brasil aos 14
anos de idade. Meus pais me
mandaram para estudar e ficar
na casa de um tio jornaleiro, em
Niterói. Ingressei na vida esportiva numa idade que muitos já
consideram avançada — lembra
Marzullo, que, no país de adoção, serviu à Marinha, mas chegou a se dedicar exclusivamente
ao judô.
O percurso feito por Marzullo
com a tocha, mais tarde levada
à pira solar no Maracanã, vai ficar na memória do atleta, que
participou, como judoca, de um
Pan-americano na Venezuela,
em 1974.
— O esporte só pode trazer
evolução social, física e moral.
Quando eu teria a oportunidade
de participar de um evento tão
importante? É uma emoção diferente para mim, que também
integrei a seleção brasileira e
já formei centenas de alunos —
comenta o professor, dono de
uma academia da luta marcial
em Niterói.
Fábio Costa
A presença é sutil, mas a participação italiana na preparação dos Jogos Pan-americanos 2007
agregou tecnologia de precisão e estruturas de primeiro mundo às competições
nossos aparelhos. Os hotéis Copacabana Palace e Hyatt também
são consumidores de nossos serviços, bem como as seleções brasileiras de vôlei e de futebol, em
partidas no Brasil e no exterior.
Sempre que tem uma viagem, somos sondados para montar academias nos hotéis em que as seleções se hospedam — informa
Gustavo, sem modéstia.
Fábio Costa
PAN ‘al sugo’
Ginástica high tech
Dispostos nos 600 metros quadrados do espaço destinado ao
treinamento físico diário das
equipes hospedadas na Vila do
PAN, 100 equipamentos importados da Itália já têm destino certo depois desta 15ª edição dos
Jogos. Alguns dos atletas que
puderam agora experimentar os
aparelhos, vão estar entre aqueles que, no ano que vem, vão
voltar a utilizá-los na prática de
exercícios durante as Olimpíadas
da China, em Pequim. A sofisticação transparece em detalhes
como, por exemplo, os monitores
de televisão acoplados às máquinas aeróbicas.
— A capacidade da Technogym de prover 100% de solução
para academias determinou a escolha de nossa empresa pelo Comitê Organizador do PAN no Rio
(CO-Rio). Temos como fornecer a
estrutura, os aparelhos e a assistência técnica — explica o representante da empresa no Brasil,
Gustavo Máximo.
Segundo ele, os carros-chefe da estrutura são o Kinesis e
o Cardio Wave, pela primeira vez
em ação no PAN. O primeiro destes tem conceito revolucionário:
promove o treinamento global –
tornando possível a movimentação de todo o corpo, de forma
natural e harmônica, em mais de
250 posições, e ainda reproduzindo movimentações de esportes, como o tênis, a vela, o judô
e a natação, entre outros.
Em 120 dias, a Technogym
instalou a academia do PAN. A
empresa está no alto do pódio
nessa área específica do mercado. No ano passado, montou o
parque de equipamentos de ginástica dos Jogos de Inverno de
Turim. E havia feito o mesmo
nas Olimpíadas de Atenas,
em 2000, e de Sidney, há
três anos. A empresa estima que a sua participação nos Jogos represente
um crescimento de 30%
em seus negócios na América Latina.
— No Brasil mantemos já
grandes parcerias com empresas
e com clubes de futebol. A Petrobras e a Ipiranga equiparam
as suas academias institucionais
com produtos Technogym. Flamengo, Fluminense, Corinthians,
Palmeiras e Atlético-PR são alguns dos times que treinam em
Santo Marzullo caminha com a tocha pan-americana (no alto, à esquerda).
Sônia e Stefano posam com o mascote dos Jogos ao fundo, enquanto
Nathalia, Grazielle, Marina e Deborah bailam
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goga Sonia Círio e o sociólogo
Stefano Dona bem que tentaram
acompanhar o ritmo dos ensaios.
Mas, por falta de horários compatíveis com seus outros compromissos na cidade, acabaram
deixando de se apresentar na
abertura oficial dos Jogos.
— Essa mesma equipe de
coreógrafos do PAN já participou de seis apresentações em
abertura de eventos. Eu mesma
participei da dança na abertura das Olimpíadas de Inverno de
Turim, no ano passado — revela Sonia, que se dedica, desde setembro do ano passado, ao
trabalho social no Projeto Luar, entidade que, em 17 anos
de existência, formou mais de
1.400 alunos.
No Rio até o final de agosto,
os italianos se contentaram então em reforçar a torcida por suas
pupilas, cuja performance acompanharam pela televisão.
Grama importada
Mais antigo esporte de taco e bola de que se tem notícia, o hóquei atualmente é jogado sobre
patins e até sobre gelo. Pouco
popular no Brasil, os poucos aficionados pelo esporte na pátria
das chuteiras esperam que o PAN
represente uma oportunidade de
atrair mais praticantes, assim como incentivos para tornar a modalidade mais competitiva. Nesta edição dos Jogos, só haverá
disputas de hóquei sobre grama.
E o piso sintético, instalado no
Os números do Pan:
(Fonte: Diário do Rio de Janeiro/Co-Rio)
34 esportes 5.602 atletas
2.252 medalhas de ouro, prata e
51 cidades brasileiras receberam a tocha, transportada
bronze
15 mil voluntários
28,5
por 3 mil pessoas durante 50 dias
15
mil trabalhadores temporários e permanentes empregados
29 instalações de competição, 15 de
locais de competição
treinamento e 17 não-esportivas 98 lanchonetes, três choperias
110 mil refeições por dia, entre café da
e quatro áreas VIP
manhã, almoço, jantar e lanches, no restaurante da Vila Panamericana, com capacidade para 2.250 pessoas e mais de 400
pratos diferentes por semana 55 lojas oficiais, duas lojas, uma
megastore (mais de 500 produtos licenciados) e uma loja virtual
5 mil computadores
600 câmeras de monitoramento
420
mil metros quadrados de área na Vila Olímpica, com 17 edifícios e
1.480 apartamentos de um a quatro quartos, com 7.952 camas
271.080 rolos de papel higiênico, 271.080 sabonetes, 1.610.280
copos descartáveis, 1.514 purificadores de água, 107.392 sacos
de lixo e 7.453 lixeiras 1.400 testes anti-doping.
onde crianças e jovens
vão praticar esportes.
que vem a ser o primeiro campo oficial do esporte do país, no
Complexo Esportivo de Deodoro,
é legítimo produto italiano.
A grama foi encomendada
a Limonta Sport, empresa especializada na produção de pisos para instalações esportivas
e homologada pela Federação
Internacional de Hóquei sobre
Grama (FIH). De acordo com
Márcio Veiga, diretor técnico da
Recoma, a distribuidora exclusiva da Limonta Sport no Brasil, o
novo Centro de Hóquei em Deodoro conta com dois campos sociais para a prática do esporte,
numa área total de 13 mil metros quadrados.
— A Limonta Sport é um dos
maiores fabricantes europeus de
grama esportiva, com campos
aprovados pela Federação Internacional de Hóquei — afirma
Veiga.
O hóquei bem que se parece
com o futebol: as partidas são
divididas em dois tempos de 35
minutos e disputadas por dois times de 11 jogadores. Vence quem
mais acertar, com tacos, as bolas
Os oriundi:
Bruno Carvalho - Sepan / ME
ComunitàItaliana
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Ana Flávia Sgobin (BMX) e Luciano Pagliarini, Rafael Andriato, Otavio Bulgarelli (todos na
estrada) e Tayane Mantovaneli (pista). Esgrima: Deise Falci
e Lívia Lanzoni. Handebol: Deonise Fachinello, Leonardo Tezzelli Bortolini, Jardel Pizzinatto
e Alexandre Morelli. Hóquei sobre Grama: Ana Luisa Bernacchi,
Helena Betolaza, Liz Meneghello,
Mariana Bonifacino, Alexandre
Belloni e Thiago Zenari. Judô:
Danielle Zangrando. Luta GrecoRomana: Renato Migliaccio. Maratona Aquática: Marcelo Romanelli. Natação: Fabiola Molina,
Flávia Delaroli, Lilian Cerroni, César Cielo, Eduardo Deboni e Lucas Salatta. Nado Sincronizado:
Lara Puglia. Pólo Aquático: Cecília, Manuela e Marina Canetti,
Fernanda Lissoni, Bruno Nolasco,
Daniel Mameri, Lucas Vitta e Lu-
Gramado do hóquei foi trazido pela italiana Limonta Sport. Juliana Veloso
(ao lado) pediu piso antiderrapante da Mondo
Corre sangue italiano nas veias
dos competidores brasileiros nas
mais diversas modalidades em
disputa nos Jogos do PAN. Vale
a pena ficar de olho nos nomes
de alguns atletas oriundi que a
Comunità selecionou:
Atletismo: Carlos Ficagna (nos
3 mil metros com obstáculos),
Ivan Scolfaro (Decatlo) e José Alessandro Bagio (nos 20 mil
metros em marcha). Ciclismo:
44
dentro de um gol. Caso uma partida decisiva termine empatada,
há uma prorrogação de dois tempos de sete minutos e meio cada.
Se o empate persistir, a decisão
ocorre na cobrança de pênalti. O
jogo também se assemelha ao futebol no sistema de pontuação:
três pontos para vitória e um para o empate.
Segundo a Secretaria Especial para os Jogos Pan-Americanos (Sepan), o Complexo Esportivo de Deodoro, localizado em
área militar, recebeu um investimento de R$ 119,8 milhões do
governo federal, para a construção de quatro centros esportivos permanentes, entre estes o
Centro de Hóquei sobre Grama.
De acordo com a Sepan, a gestão dos jogos PAN e Parapanamericanos Rio 2007 foi feita de
modo a deixar um legado permanente. No complexo, atletas de
alto rendimento vão passar a ter
centros de excelência para treinar e competir, sem precisar sair
do país. Além disso, entre outras
iniciativas, estuda-se a criação
de Núcleos de Esporte de Base,
Uma, duas piruetas...
Saltar de alturas de 3 a 10
metros e desafiar a gravidade em múltiplos movimentos, alguns livres, outros
obrigatórios. Realizar tudo
isso e ainda mergulhar com
suavidade e elegância. Uma
derrapada imprevista e lá se
vão, por água abaixo, preciosos décimos ou centésimos de
pontos, ameaçando o sonho de
subir ao topo do pódio.
Desconfiada, ainda durante
os treinos, da falta de aderência no carpete de seu trampolim e de sua plataforma de saltos, no Parque Aquático Maria
Lenk, a saltadora Juliana Veloso decidiu, às vésperas do PAN,
reivindicar a troca do piso, por
ela considerado “inadequado e
escorregadio”. A iniciativa da
atleta provocou polêmica – colegas de modalidade julgaram a
exigência desnecessária. Mas a
Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) atendeu prontamente à queixa e a
empresa italiana Mondo substituiu o forro original por um
mais áspero. Depois de duas
trocas, Juliana, enfim, sentiuse segura para saltar.
O antiderrapante das plataformas e trampolins se assemelha ao que costuma ser utilizado
em competições de atletismo. A
Mondo é referência em qualidade
desse tipo de piso, já contratada
para fornecê-lo em outras competições internacionais.
— Não queremos que haja
uma vítima de reclamação. Essa
queixa não era dos outros atletas, somente dela. Mas nosso interesse é fazer a coisa correta.
Mandei buscar o melhor. Acabou
Julho 2007
/
Divulgação
— Estou há oito anos no projeto e a maior dificuldade de lidar com meu lado italiano se dá
no cuidado com a alimentação:
amo tudo que é voltado para a
massa — conta ela, que tem avó
italiana.
Também netas de italiano,
as irmãs Nathalia e Marina Moraes, de 16 e 15, são fãs da organização e das evoluções sociais
do país do avô e sonham com o
dia em que vão poder conhecer a
Itália. As meninas se deslumbraram com a chance de apresentar
o seu talento para cerca de 90
mil pessoas no PAN.
— Não tem dinheiro que pague o que sentimos quando chegou a confirmação de que participaríamos mesmo da festa.
Oportunidades assim são pra
guardar na memória. Nossa mãe
vai até cumprir plantão extra para folgar no dia do ensaio geral
— diz Nathalia.
Italianos voluntários da ONG
de passagem pelo Rio, a peda-
Bruno Carvalho - Sepan / ME
tempo para participar dos ensaios, sem deixar de dar atenção
à escola e ao convívio em família. Que o diga Deborah Silva, de
17, que, em outra ocasião, teve
que vencer a resistência inicial
dos pais para realizar o sonho
de viajar para a Itália, em programa de intercâmbio de alunos
brasileiros e italianos promovido
pela ONG.
— De início, meus pais não
queriam que eu fosse, mas depois
caíram em si e perceberam que
a oportunidade era única. Passei
por várias cidades e, entre elas,
Milão. Eu me apeguei muito às
pessoas e àquela manifestação
cultural. Os italianos sabem receber muito bem — destaca a
jovem, apaixonada por dança,
acrescentando: — É algo que se
eu deixar de fazer, minha vida vai
perder graça.
Para Grazielle Coelho, de 15,
difícil é conciliar a boa forma
com a degustação “sem culpa”
da típica comida italiana.
a polêmica. Agora, espero que
Juliana e outros saltadores da
Seleção se preocupem apenas
com a competição — declara o
presidente da CBDA Coaracy Nunes, pouco antes do início dos
Jogos.
Prata na plataforma e bronze no trampolim de 3 metros, em
Santo Domingo, Juliana não se
calou perante as críticas:
— Esse piso tem uma aderência quando molha. Testamos,
e é bom. Todo mundo dizia que
apenas eu estava reclamando,
mas todos aprovaram esse. Eu
tinha um plano B se ficasse o
escorregadio. Faria um salto parada e não correndo. Foi crítica
construtiva, visando segurança e
o melhor.
ís Maurício Capelache. Remo: Caroline Beloni, Fabiana Beltrame,
Kissia Cataldo, Luciana Granato,
Anderson Nocetti e Leandro Tozzo. Saltos Ornamentais: Hugo
Parisi. Squash: Mariana Pontalti
e Thaisa Serafini. Taekwondo:
Natalia Falavigna. Tênis: Flávio
Saretta. Tiro com arco: Marcos
Antonio Bortoloto. Tiro Esportivo – prato (skeet): Daniela Carraro e Wilson Zocolote.
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uatro horas da tarde, hora
da janta. A noite na casa dos meus avós começava
ainda sob os raios do sol.
A mesa de madeira rústica ladeada por bancos igualmente toscos
recebia as panelas fartas e fumegantes recém-saídas dos buracos de
um enorme fogão à lenha, gerenciado magistralmente pela minha
avó materna.
No alpendre da casa sem luz
elétrica, de onde era possível ver
ao longe a cachoeira do Roncador e
o verde molhado dos pastos vizinhos,
eu e meus primos ouvíamos atentos as
histórias do meu bisavô Ferruco, pai
da minha avó, o último dos oriundi vivo na família. Ele misturava verdade, ficção e licença poética, nomes reais como o de sua mãe
Maria com personagens como o Sr.
Macaco e a Dona Coelha.
Éramos interrompidos. “Magnare!” , bradava minha avó em um
italiano que eu nunca soube se era
um resquício do dialeto milanês,
ou a norma culta adaptada pelos
imigrantes tão intrépidos quanto
iletrados, o m
“ angiare” pronunciado
em sua forma mais despojada.
A pasta e a polenta, o macarrão e o angu ganharam receitas
da roça e passaram a dividir espaço com o arroz, o frango refogado coberto de cebolas (às vezes com
quiabo), o tutu, o torresmo e a couve
à mineira.
Ouvia-se então uma polifonia que
misturava as histórias do meu bisavô
às negociações do meu avô, às preocupações domésticas da minha avó,
às novidades dos meus pais e tios, à
algazarra das crianças...
46
ComunitàItaliana
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Reconhecer a voz do meu bisavô era fácil.
A dificuldade com
o plural do idioma anfitrião lhe
fazia pronunciar o s ao final de
cada palavra, como quem decidisse
que, pelo sim e pelo não, todas as
palavras se tornariam plurais, como
era plural a sua vida.
No convés do vapor que saiu de
Gênova em 1908, o menino de 9
anos ignorava a empreitada dos
pais, em busca de prosperidade.
Para ele, o melhor era fugir do
frio, ainda que, entre as serras capixabas, a umidade lhe fizesse desistir do banho no inverno.
Na
maturidade, deliciava-se ao repousar os pés nus no parapeito da janela para tomar os primeiros raios
de sol da manhã.
O brilho dos seus olhos era compartilhado pelo amigo Victorino,
companheiro de travessia. A amizade, iniciada no vapor, seria longeva. Mal cabiam em si diante da
expectativa de chegar ao o“ utro lado
do mar”. Vinham cantarolando uma
canção que aprenderam ou que inventaram, tornando o trajeto menos tedioso.
Albino Rizzi, sua mulher Maria
e seus filhos Luigi, Ferruco, Artur e
Ricardo desembarcaram no Rio de
Janeiro ao final de 1908, de onde
seguiram por terra até Tombos em
Minas, para mais tarde se estabelecerem no sul do Espírito Santo.
Aos 90, meu bisavô já não contava
suas histórias com a mesma disposição. A memória amiúde lhe faltava, a vitalidade se esvaia. A festa
para homenagear-lhe os feitos da
vida não lhe despertava arremedo
de entusiasmo.
Julho 2007
Quando Ferrucco foi internado
aos 93 viu de perto, pela primeira
vez, o leito de um hospital. A turba
de familiares se revezava a acompanhar-lhe a luta num quarto que,
a despeito das cores frias, até lembrava a cozinha da minha avó, tamanho o burburinho. Ele não esmorecia. Parecia protelar a partida.
Aquela recusa começava a preocupar,
afinal, o frágil corpo jazia preso a
bisnagas de soro e sem esboçar reação aos medicamentos. O padre já
lhe havia concedido a extrema unção.
Foi então que um dos primos se lembrou das suas histórias e de Victorino,
àquela altura seu compadre. A canção
que ambos entoaram no vapor, 84 anos
antes, motivara um pacto. Nenhum
dos dois morreria sem que a cantarolassem juntos uma última vez.
A família mobilizou-se para buscar o velho Victorino. No leito do
meu bisavô, ele começou a cantar a
melodia, seus lábios trêmulos. Ferruco mansamente saía do seu torpor para juntar-se ao amigo num
dueto suave.
Ah, se soubéssemos a
letra da cantiga... nos juntaríamos a eles. Mas nos limitamos a
ouvir apreensivos, até que era possível ouvir apenas uma voz. Victorino seguiu cantando, olhos fixos no
meu bisavô, acompanhado por nossos
olhares pálidos e quase incrédulos.
Meu bisavô havia partido, como um
menino, fiel ao trato que fizera
na infância.
Das vielas cariocas
aos canais de Veneza
Bienal de Artes na
cidade italiana revela
obras de dez artistas
brasileiros. Destes, dois
são jovens moradores
de uma favela no Rio
C
Guilherme Aquino
Correspondente • Milão
enário recorrente de gravação de filmes e novelas – em função da paz
consolidada na comunidade, livre do domínio armado de
traficantes, desde o início desta década - o Morro do Pereirão,
em Laranjeiras, Zona Sul do Rio,
tornou-se, ele próprio, obra artística. No lugar do Cristo Redentor, do Pão de Açúcar e da Baía
de Guanabara, o que se passou
a ver em torno, no entanto, foi
uma paisagem recortada por históricos canais, com suas idílicas
gôndolas. Em forma de maquete,
a favela conquistou espaço nobre nos jardins da Bienal de Artes de Veneza, bem em frente ao
pavilhão dos Estados Unidos. A
multicolorida representação em
miniatura, nem tão miúda assim
com os seus 13 mil tijolos e 80
quilos em elementos, acabou
roubando a cena no mais importante evento internacional de arte contemporânea.
Dez artistas cariocas se
transferiram para Veneza com a
missão de montar o mosaico de
casas de tijolos, exposto na Bienal de 13 de maio a 10 de junho.
Moradores até hoje do Pereirão,
os irmãos Nelcilan Souza de Oliveira, de 24 anos, e Maycon, de
17, orientaram todo o processo
de criação. Nada foi esquecido:
escola, creche, hospital, lanchonete, campo de futebol, casas,
motel, quadras de baile funk,
bocas-de fumo, postes de luz,
vielas, escadarias, biroscas e um
batalhão da Polícia Militar. Até
mesmo um Caveirão, apelido do
tanque blindado utilizado pela polícia em incursões a favelas, podia ser visto ali, embora a
violência não seja mais uma referência do lugar, ocupado pela
polícia em caráter permanente,
assim como por um mutirão de
ações sociais, desde 2000.
Os jovens artistas do Pereirão
nunca imaginaram que a principal brincadeira dos tempos de
criança, iniciada em 1998, no topo do morro, poderia chegar tão
longe. Neste meio tempo, a reprodução da favela virou um projeto social, com direito a uma TV
comunitária, a TV Morrinho.
A realidade da favela, com
seu estilo de arquitetura surreal,
encantou os visitantes na Bienal.
— Fiquei impressionada com
as informações sérias, difíceis e,
até mesmo, violentas, expostas
com clareza, simplicidade e sinceridade — conta a socióloga
Giuliana Costa.
Os artistas espelharam numa miniatura a vida dos moradores, aventuras e desventuras,
por meio da inclusão de personagens como policiais, operários
e traficantes, embora estes não
detenham mais o poder armado
sobre o território. Em cada cantinho da instalação, o espectador
pode imaginar uma história relacionada com aquele microcosmos, inspirando-se, por exemplo,
na mobília distribuída pelo interior das casas, com suas camas
e armários, com detalhes, como
uma minúscula árvore de Natal.
Bonecos de Lego, dão vida aos
espaços privados e públicos.
A maquete alcançou projeção
internacional graças ao curador
da mostra de Veneza, o crítico
americano Robert Storr. Ele soube desse projeto — batizado como Morrinho — por meio da fotógrafa Paula Trope, do Rio, uma das
brasileiras escolhidas para participar da 52ª edição da Bienal,
expondo, justamente, retratos do
Morrinho, de seus criadores e dos
habitantes reais do Pereirão, que
posaram para a fotógrafa, feito
meninos em terra de gigantes.
Storr visitou a favela sem avisar
a ninguém e se apaixonou ao ver
de perto o projeto original.
Erguida ao ar livre, a poucos metros do pavilhão brasileiro, não por acaso, a instalação se
tornou um ponto de atração para
adultos e crianças, todos empenhados em tentar compreender o
intrigante labirinto de casas, ruas, becos, vielas, e as histórias
de seus personagens.
O curador Jacopo Crivelli Visconti levou ainda à Bienal as
obras de artistas como José Damasceno, Ângela Detanico e Rafael Lain, assim como a gaúcha
Elaine Tedesco, Waltercio Caldas,
e Iran do Espírito Santo. Os artistas brasileiros estavam entre os
representantes de 76 países, dos
cinco continentes, que participaram dessa última edição da Bienal
de Veneza. No centro das atenções, estava, porém, a obra dos
irmãos Nelcilan e Maycon. Concreta tradução da realidade violenta e miserável em que os jovens cresceram, mas viram mudar
mesmo aos poucos, para melhor,
no decorrer dos nove anos de suas
vidas dedicados à criação da maquete do Pereirão.
Rio de Janeiro (RJ)
Solange Riva Mezzabarba,
40 anos
Mande sua história com material fotográfico para:
[email protected]
Julho 2007
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ComunitàItaliana
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arte
Divulgação
Divulgação
“R
Salu Parente
Antonio Veronese - artista plástico
O artista Antonio Veronese cria polêmica ao se indignar com a decisão da Câmara Federal
de por uma obra de sua autoria na sala de jantar do presidente Chinaglia
H
Fábio Lino e Paula Máiran
omens, mulheres e crianças de expressão famélica enfeitam a parede da
sala de jantar da residência oficial, em Brasília, do presidente da Câmara dos Deputados,
o parlamentar Arlindo Chinaglia.
Trata-se de Tensão no Campo (A
Marcha), painel tornado em pivô de caloroso bate-boca entre
dois oriundi, ambos militantes
históricos de esquerda. Antonio
Veronese, autor da obra, reagiu
com indignação à notícia de que
a sua pintura estava na casa de
Chinaglia. Por dez anos, a pintura esteve exposta a público bem
maior – os cerca de 15 mil visitantes diários da sede da Câmara, no Palácio do Congresso Nacional, em Brasília.
Doada por Veronese à Câmara
em 1996, Tensão no Campo mudou de endereço sem consulta
prévia ao autor. Para a Casa, a
48
À esquerda, Tensão no
Campo. Acima, Just in Kids,
também de Veronese, como
Famini, em exposição na sede
da Onu em Roma
Divulgação
Painel da discórdia
transferência não passou de um
procedimento de rotina. O artista plástico não se conforma.
Ele acusa a Câmara de ter desvirtuado o propósito da cessão
do painel, uma homenagem ao
Movimento dos Sem-Terra (MST)
destinada, na concepção do artista, ao grande público.
— O painel tornou-se, no
termo de doação, um bem público, do qual não deveria usufruir,
privadamente, o senhor Arlindo
Chinaglia, justamente ele que deve ser o primeiro a dar exemplo
do bom uso da ‘res publica’ (coisa
pública). O presidente Lula conheceu o Tensão no Campo na Bienal
do Livro de 1996, em São Paulo, e
na ocasião ele o chamou de símbolo do MST. O painel, feito com
motivação política, ganhou ali
uma função, um valor simbólico.
Se o pessoal da Câmara não entendeu isso, preciso enfatizar essa
ComunitàItaliana
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questão: o Tensão no Campo não
é como um tapete persa doado
ao Congresso, que pode ser posto
não importa onde — reclama Veronese, petista em fase de evidente desencanto com o partido.
Chinaglia não tem manifestado interesse algum em atender
ao pleito do artista, mas, diante do ataque verbal, demonstrou
não querer briga.
— Essa imagem espectral
traduz o sentimento que promove as lutas por conquistas sociais. Pelas manhãs, ao sair da
residência oficial, onde vivo em
razão do cargo que ocupo, vou
para o Congresso Nacional para
mais um dia de trabalho com o
espírito alertado para a atenção
que deve merecer de todos nós o
compromisso com os direitos e a
inclusão social — revela o presidente da Câmara acrescentando
que a obra já estava exposta na
casa antes de ele ter se instalado
no local.
Quem decidiu, de fato, levar
o painel para a residência oficial
foi o deputado federal Aldo Rebelo [PCdoB-SP] , quando de sua
gestão na presidência da Câmara.
A sala de jantar é lugar de reuniões do presidente com lideranças
políticas e líderes estrangeiros.
— Não foi um desrespeito
ao artista. Esse belo quadro está
em um local valorizado, onde é
fotografado. A residência oficial
é uma extensão do gabinete do
presidente da Câmara — ressalta Aldo Rebelo, que optou pela
troca de lugar do painel tempos
depois do fechamento da galeria
do Museu da Câmara, onde hoje
funciona a TV Câmara.
Veronese não se resigna com
tais elogios e explicações:
— Eu não doei o painel ao
Poder Público, mas ao MST, que re-
Veronese: obra na sala de jantar
de Chinaglia revolta o artista
solveu instalá-lo no Congresso. Lá
assinei um documento formal para
que ficasse no Congresso. Mas essa pintura é do MST. Doar ao poder
público é sempre uma furada. Outro trabalho meu, o Famine, está
há 13 anos na Missão Brasileira às
Nações Unidas em Nova York para ser instalado na FAO em Roma
e nem satisfação eles me dão. Eu
nem sei mais onde está o Famine,
se em Nova York ou em Roma. É
uma esculhambação.
Informado sobre a polêmica
envolvendo o MST, o presidente
do movimento, João Pedro Stédile, procurou sair pela tangente.
Disse que nunca tomou conhecimento de que a obra pertencesse
originalmente aos Sem-Terra.
ecebo, muito contrariado, a informação que o painel Tensão no Campo foi transferido para a residência oficial de
Arlindo Chinaglia, tendo deixado, sem minha consulta ou anuência, o prestigioso espaço que ocupava no Museu da Câmara Federal, no Congresso Nacional.
Ao se auto-instituir gestor do painel, fiando-se nos eventuais
direitos que a doação à Câmara Federal lhe concedam, o senhor
Chinaglia tenta cassar de mim o direito de, como autor, estabelecer
destino e função do painel que, antes de vender, preferi doar à sede
do Poder Legislativo. Sei dos riscos que corre uma pintura quando
começa a circular sem os devidos cuidados de profissionais especializados nessa função. Somam-se a esses outros riscos, como quando
fiz um painel para o programa de Betinho na TVE-RIO, e que de lá
desapareceu, misteriosamente, sem deixar vestígio, há dez anos.
Se, de alguma forma a exposição do Tensão no Campo aproveita ao PT ou ao MST, não consigo entender que seja preferível
que ele esteja encerrado dentro de uma residência oficial no Lago
Sul, do que exposto num sítio de grande significância e confluência de público, como é o Congresso Nacional.”
— Sempre soube que o autor
doou a pintura para a Câmara dos
Deputados. Por isso, nunca nos
metemos. E a Câmara sempre teve
total autonomia para fazer o que
bem entendesse com o quadro —
afirma o presidente do MST.
A declaração de Stédile fez
ferver ainda mais o sangue de
Veronese, brasileiro com cidadania italiana, atualmente vivendo
na França.
— O Stédile deve estar com
Alzheimer. Eu instalei o painel no
Congresso acompanhado de 350
militantes dos sem-terra, o José
Rainha chegou comigo no Congresso, estavam lá 15 lideranças
do movimento. Já dei mais de
50 entrevistas tratando o painel
como obra feita devido a minha
paixão pelo MST —retruca, provocante, o criador de Tensão no
Campo.
Arte no “porão”
A Câmara dos Deputados não
tem ao menos noção do tamanho de seu acervo. Mas 90%
das obras recebidas em doação
já estão documentadas e algumas delas passam por processo
de restauração para que possam
voltar à exposição pública. Pelo
menos 300 destas peças devem,
em breve, entrar em exibição,
ainda que apenas no ambiente
virtual. Mas depois do fecha-
“T
ensão no Campo – A Marcha”, retrata, na minha opinião,
uma realidade incômoda na visão equivocada dos que se
negam a enxergar a realidade. Suas figuras, construídas em formas
arredondadas, contrastam com a rudeza dos personagens reais. As
cores, finamente lavradas na tela, e obtidas a partir do vermelhoterra, dão à obra uma obviedade ao mesmo tempo em que cria uma
atmosfera utópica, dando ao conjunto um sentido ambíguo. Essa
característica de algumas obras geniais é que nos estimula à reflexão, deixando ao universo de cada observador a tarefa de resgatar
a emoção que a provocou. Além disso, na composição da temática
abordada encontramos ícones e símbolos que contextualizam o fato em si. São seres adultos acompanhados de crianças, em aparente desarmonia. São ferramentas do campo estilizadas, lembrando
ou explicitando movimentos campesinos. São barrigas exageradas,
como na gravidez, nas doenças tropicais ou no prenúncio do novo
a redimir tantas injustiças. Tudo concorre para um lugar comum:
os muitos “Brasis” dessa Terra intempestiva.“
Arlindo Chinaglia - presidente da Câmara dos Deputados
mento da galeria de exposição
permanente, a maioria dos bens
é mantida distante dos olhos da
população.
Enquanto não se cria uma
nova galeria, o Museu da Câmara
decidiu investir na organização
da sua reserva técnica, catalogando, restaurando obras e capacitando servidores para a gestão
dos bens. No momento, é feito
um rodízio de obras em exposição temporária pelas salas e corredores da Câmara, na sede e nos
seus três anexos. Tomie Ohtake,
Carybé e Di Cavalcanti são alguns
dos artistas plásticos com obras
em exposição, atualmente, nas
salas e corredores da Câmara dos
Deputados. Próximo ao Plenário,
há ainda um painel de Athos Bulcão, vizinho de escultura de Alfredo Ceschiatti.
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A Câmara não é a única instituição pública a ter problemas de falta de espaço para a exposição permanente de seu acervo. A Funarte
também carece de uma galeria.
— Não tenho lugar para expor grande parte do nosso acervo.
São obras doadas ou resultantes
de concursos. Doamos muitas peças para o museu do Pará para
que mais gente pudesse ter acesso a elas — explica o presidente
da Funarte, Celso Frateschi.
Ele ainda faz um alerta aos
artistas com intenção de doar suas obras ao poder público:
— É preciso especificar nos
próprios termos da doação em que
condições a obra está sendo cedida.
Essa é a única maneira de o artista
garantir o cumprimento de exigências como, por exemplo, o destino
e a função do bem doado.
ComunitàItaliana
49
Milão
comportamento
Ela arranca
suspiros
Paixão pela marca Alfa Romeo arrebata e une fãs brasileiros
R
Rosangela Comunale
io de Janeiro, 40 graus,
ao meio-dia. Condições
perfeitas para uma caminhada ou para aproveitar
uma praia, certo? Pois não foi
essa a opção feita por cerca de
15 membros do grupo Alfa Romeo Br. Eles se reúnem todo mês
no entorno da Lagoa Rodrigo de
Freitas para trocar experiências
sobre a famosa marca italiana de
carros. Tudo isso porque a fabricação brasileira foi encerrada há
pouco mais de 20 anos.
A iniciativa já acontece desde
2002 quando o fundador, o “alfista”— como eles mesmos se denominam — e gerente comercial
Renato Cunha, de 35 anos, teve
a idéia de criar, no site www.alfaromeobr.com.br, uma lista de
discussão pela internet. De acordo com ele, cerca de 1,4 mil pessoas já passaram pelo grupo.
— Hoje, essa discussão na
internet continua a ser o principal ponto de relacionamento das
pessoas de todo o Brasil. Nela,
discutimos os eventos, as pesso-
50
as se ajudam em questões técnicas, falam sobre o futuro da marca e do grupo e, principalmente,
fazem amizades — define.
Para Renato, um dos motivos
para tanta repercussão deve-se
ao fato de que, geralmente, os
donos envolvem-se emocionalmente com o carro. Além disso,
em decorrência da interrupção na
fabricação em terras brasileiras,
ele acabou se tornando “raridade” nas ruas. Ele admite que não
trocaria sua Alfa Romeo, nem
mesmo por um carro mais novo.
— Você não chuta seu cachorro mais velho e fiel para a rua
a fim de dar espaço para um cão
mais novo, não é? Alfista troca a
Alfa mais velha por uma mais nova por dois motivos: falta de garagem e ultimato da esposa. Senão ficaria com as duas — diz.
Paralelamente, os encontros
acontecem em São Paulo, no Paraná, no Rio Grande do Sul e no
Distrito Federal. Participante assíduo das reuniões que acontecem no Rio de Janeiro, o repórter
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fotográfico Henrique Huber, de
35, é um dos admiradores da marca italiana desde a adolescência.
Até hoje, ele lembra da época em
que teve o primeiro contato com
uma Alfa Romeo.
— Quando eu era adolescente, fazia questão de parar em
frente à casa de um vizinho meu
que tinha um carro desses. O design, o vidro e a trava elétrica,
além da embreagem hidráulica,
me fascinavam — recorda.
Anos depois, por conta disso,
ele realizou seu sonho: trocou o
velho carro pelo do vizinho, 17
anos mais novo. E as lembranças
de Henrique não param por aí:
— Na primeira vez que levei
minha noiva para passear no carro, ele enguiçou. Depois fiquei
sabendo que a máquina requer
uma atenção pra lá de especial.
Até mesmo porque não é mais fabricada no Brasil.
Fatos pitorescos, aliás, é o
que há de sobra na história dos
donos de Alfa Romeo. O comerciante Luiz Amauri da Silveira,
de 46, como todo brasileiro que
se preze, encontrou logo um
“jeitinho” de faturar um dinheiro extra e, ao mesmo tempo, ter
o prazer de dirigir um veículo da
marca. Resultado: incrementou
seu carro, fabricado em 1996,
com a instalação de vídeo game, aparelho de DVD, teto solar e, de quebra, ainda, tapete
vermelho.
— Para ganhar um dinheirinho a mais, nas horas vagas, resolvi trabalhar como motorista
de noivas e debutantes. É muito bonito. Os noivos podem até
brindar com champanhe a bordo
da minha Alfa, saindo pelo teto
solar — orgulha-se Luiz, que cobra R$ 400 reais pelos serviços.
O webmaster do grupo, o
analista de sistemas David Cipriano, de 34, confessa que, antes de ser um “alfista”, pensou
muito, mas não resistiu à tentação de comprar a sua primeira
máquina, em 2002.
— Havia um certo medo em
relação à manutenção e à revenda. Mas, quando comprei, descobri logo o grupo pela net. Assim,
comecei a entender como funcionava tudo e soube das dicas sobre preservação. É como dizem: o
maior problema do carro é o dono
anterior. Se ele não cuidou bem
da máquina, o futuro proprietário poderá ter problemas — adverte.
Fotos: Guilherme Aquino
Fotos: Bruno de Lima
Guilherme Aquino
A vez dos gordinhos
A
“El Che”
A
fotografia de Che Guevara continua a fazer história mundo afora.
Por isso, uma gigantesca exposição foi montada, na Triennale Bovisa,
para explicar como um dos maiores símbolos revolucionários dos tempos modernos acabou se transformando num produto de consumo do mundo imperialista. A imagem registrada, por acaso, pelo fotógrafo cubano Korda, durante uma
parada militar em Havana, acabou sendo
Praia seca
O
verão chegou e junto com ele o calor.
A situação piora quando se está numa
planície e ainda distante do mar. Nada pode
parecer mais simpático aos milaneses, então, do que a praia artificial, com areia e tudo, instalada por administradores no Parque
Sempione, atrás do Castelo Sforzesco. Tem
chuveiros para amenizar o calor, campo de
esporte e parquinho. Mas questões logísticas excluíram um lago artificial do projeto
original. Resta aos calorentos refrescar-se
nas piscinas de um dos muitos centros esportivos públicos da cidade. Um deles, na
Via Ponzo, em Città Studi, tem quase 80
metros de comprimento e 30 de largura.
cidade da moda está tomada por uma legião de gordinhos. Praças e jardins do
centro servem de cenário para a exposição de
cerca de 150 quadros e esculturas do colombiano Fernando Bottero - apaixonado por personagens de forma física contrastante com o padrão
estético vigente. Peças do artista também podem ser vistas na galeria do Palazzo Reale. Entre cerca de 40 obras contemporâneas, há mais
de uma retratando prisioneiros submetidos a
maus tratos na prisão militar americana de Abu
Ghraib, no Iraque. Havia 35 anos que Bottero
não expunha em Milão, onde agora exibe, entre
tantas obras, seis esculturas em bronze.
publicada por um editor italiano. De lá
para cá, principalmente depois de 1968,
ela se tornou uma bandeira de ideais da
juventude e acabou sendo explorada comercialmente, sem controle algum. A sua
figura aparece em cartazes, camisas, isqueiros, caixas de fósforo, embalagens de
bebidas, dentre outros lugares. Como já
foi dito, Guevara ficou mesmo mais para
Lennon do que para Lênin. A mostra fica
em cartaz até setembro.
De vento em popa
Rua fashion
A
D
Copa América se foi sem deixar saudades. O barco italiano Luna Rossa chegou
perto da final mas acabou cedendo lugar para os “kiwi” da Nova Zelândia. O resultado se
sabe: o barco suíço Alinghi ganhou a competição e manteve o histórico troféu dos mares nos Alpes. A campanha italiana com três
barcos de até e 100 milhões foi por água
abaixo, mas as embarcações, com tecnologia
avançada e fruto de milhares de cálculos matemáticos de hidro e aerodinâmica, são obras
de arte. Por isso, vale a pena exibi-las. No
caso, em praça pública, em plena San Babila. Ao lado de um chafariz, está exposto, por
exemplo, o barco Mascalzone Latino.
esenhos do estilista Gianni Versace,
mito da moda italiana, estão espalhados pelas ruas da cidade e vão continuar nas calçadas e esquinas por todo o
verão. E os pedestres param para admirar as criações concebidas, originalmente,
para passarelas e espetáculos teatrais tão
amados pelo falecido estilista siciliano.
Há mais homenagens ao estilista acontecendo. Por exemplo, o espetáculo sobre a
sua vida no Teatro La Scala, com coreografia de Maurice Bejart. No entanto, se este
não dura mais do que duas horas, tem caráter de perenidade uma outra celebração:
Milão vai dar o seu nome à uma rua.
O Alfa Romeo Br promove reuniões mensais entre os membros
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ComunitàItaliana
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Il bicentenario della nascita di Giuseppe Garibaldi ci fa ricordare,
nelle commemorazioni, la fama e le imprese del rivoluzionario
A
Sílvia Souza e Aline Buaes
Passati 200 anni dalla sua
nascita e 125 dalla sua morte,
Garibaldi rimane un punto di riferimento per i popoli con cui
condivise il suo coraggio. In Brasile e in Italia, eventi che commemorano il suo nome cercano di
fare onore, grazie a feste, seminari e alla concessione postuma
di menzioni onorose, alla grandiosità transatlantica di questo
guerrigliero della libertà.
Garibaldi non si tirò mai indietro nei combattimenti. Nell’Unità
d’Italia e nell’Insurrezione di Genova difese con il proprio sangue
i suoi obiettivi. Anche nella Farroupilha, a Rio Grande do Sul, e
nella Guerra Grande, in Uruguai,
lui era là, solidale con le cause in
cui credeva.
Valéria Loch
veva ottenuto la licenza
di capitano e avrebbe potuto semplicemente aver
seguito la strada del padre, marinaio genovese. Se, da
questi, aveva ereditato il sangue di avventuriero, nacque il
quattro luglio del 1807 già con
un’anima rivoluzionaria. Figlio
di Nizza, allora parte del Regno di Sardegna [che comprendeva la Sardegna e il Piemonte],
Giuseppe Garibaldi si impegnò
fin da giovane nei problemi che
sorpassavano i limiti territoriali
della sua nazione. Visse e morì
lottando contro la tirannia, diventando ‘l’Eroe dei Due Mondi’
per l’aver difeso, nel Sud America e in Europa, i suoi ideali di
libertà.
— Rendiamo omaggio non
soltanto ad un personaggio del
passato storico, ma ad un’espressione dell’idealismo ancora viva
della democrazia italiana — afferma il presidente della Repubblica
Italiana, Giorgio Napolitano, nella cerimonia di restituzione del
busto di Garibaldi al luogo più
solenne della sala del Senato italiano, a Palazzo Madama.
Napolitano ha inoltre abbellito con fiori il monumento che ricorda il guerrigliero al Gianicolo.
Da qui, uno dei sette colli romani, Anita, brasiliana di cui Garibaldi si innamorò e con cui visse
una storia d’amore, fuggì con il
figlio Menotti su di un braccio,
impugnando una pistola nell’altra mano.
“Intendo che in
questa regione
della Serra c’è
tutto questo
sviluppo che
è proprio del
pensiero italiano,
sviluppo e libertà
dei popoli”
Annita Garibaldi Jallet,
scienziata politica e pronipote
di Giuseppe Garibaldi
Annita Garibaldi Jallet, scienziata
politica e pronipote del
rivoluzionario Giuseppe Garibaldi
La Cooperativa Vinicola Garibaldi ha creato il Giuseppe
Garibaldi Chardonnay Brut, di
cui sono state prodotte tremila bottiglie. Quelle di numero 1,
200, 1807 e 2007, tra le altre,
hanno partecipato ad un’asta
che ha raggiunto la cifra di R$
6.500, somma donata all’Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) di Garibaldi e
alla Liga Feminina de Combate
ao Câncer.
— Una commissione [di brasiliani e italiani] si riunisce fin
dalla fine del 2006 per pianificare
i festeggiamenti. Sono dieci persone al coordinamento dei lavori
e molte altre che aiutano. L’Ita-
“Ciò che ci
riempie di
orgoglio è che
l’eroe dei due
mondi professava
una filosofia di
democrazia e
libertà, cercava
sempre di stare
al fianco del
popolo e contro
la tirannia del
potere”
Paulo Salvi, presidente della
Câmara de Vereadores
di Garibaldi (RS)
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ComunitàItaliana
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lia ha contribuito specialmente il
10 luglio, quando le istituzioni
Fundação Giuseppe Di Vittore e
Sandro Pertini hanno sponsorizzato e assistito l’organizzazione
di questo grande incontro a Garibaldi — spiega il sindaco del
comune, Antonio Cettolin.
La venuta in Brasile della
scienziata politica Annita Garibaldi Jallet, pronipote del rivoluzionario, ha coronato questo
mese i festeggiamenti in sua
memoria. Ha partecipato, a Porto Alegre, a Rio Grande do Sul,
all’Encontro Internacional de Celebração do Bicentenário de Giuseppe Garibaldi, tenendo una
conferenza sull’importanza delle
azioni del bisnonno.
Storici brasiliani, come la
gaucha Núncia Santoro de Constantino, della Pontifícia Universidade Católica di Rio Grande do
Sul (PUC-RS), e italiani, come
Luigi Mascilli Migliorini, dell’Università di Napoli, hanno potuto
scambiarsi esperienze nell’incontro, durante il quale è stato
lanciato il libro Os Caminhos de
Garibaldi na América, opera collettiva con saggi di nove specialisti italiani e brasiliani.
Un altro evento a Garibaldi
è stata l’inaugurazione di una
mostra permanente che riunisce
23 riproduzioni di stampe italiane che narrano la partecipazione
dell’eroe italiano alla guerra per
l’Unità d’Italia. Secondo il presidente della Câmara de Vereadores
di Garibaldi, e direttore esecutivo dell’Associação de Pequenas
e Médias Empresas del comune,
Paulo Salvi, ai nostri tempi, il
recupero dello spirito di Garibaldi in tutto il Paese diventa una
necessità:
— Quello che ci orgoglia di
più è che l’Eroe dei Due Mondi
professava una filosofia di democrazia e libertà. Garibalda
cercava sempre di essere a fianco del popolo e contro la tirannia del potere. Tant’è vero che
si rifiutava di partecipare quando le guerre non erano la lotta del popolo. Capisco che il
mondo e il Brasile devono ispirarsi a questo eroe — segnala
Salvi, riferendosi alla perennità dei problemi che esistevano
già all’epoca dell’eroe e che lui
combatteva, come la centralizzazione del potere del governo
centrale e ingenti imposte tributarie applicate.
Militante nel nome e nelle azioni
L’
eredità di Garibaldi non
si è persa nel tempo. Lo
spirito rivoluzionario del bisnonno orienta la vita di Annita Garibaldi Jallet, figlia di Ricciotti,
secondo figlio di Garibaldi con
Anita, nato a Montevidéu nel
1847 e morto a Roma nel 1924.
Ma la militanza politica del discendente dell’eroe non coinvolge scontri bellici. Lei e il resto
della famiglia, in Italia, lavorano per il progresso del processo
di unificazione europea.
La presenza di Annita ha arricchito di emozione e di nuove
informazioni su Garibaldi una
delle più grandi feste in suo
onore, presso l’Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul,
a Porto Alegre. Annita era già
stata dichiarata cittadina Garibaldense nel 1982 e stavolta
è il suo terzo ritorno da allora
alla terra amata da suo bisnonno. Tornando in Europa, la più
anziana rimanente dei Garibaldi porterà via con sé una preziosità, concessale dal governo
gaucho: il certificato di nascita
dello zio Domingos Menotti Garibaldi (1840-1903), primogenito di Anita e Giuseppe Garibaldi, nato in Brasile.
— Quando vengo, mi sento sempre come se stessi a casa
mia. Questo documento non era
mai esistito dovuto alle condizioni precarie in cui mia bisnonna Anita aveva dato alla luce, in mezzo ai combattimenti
nell’interno di Rio Grande do
Sul, nella città di Mostardas. Il
non avere questo documento ha
provocato molti inconvenienti durante la vita di Menotti in
Italia — spiega Annita, che ha
ricordato un’iniziativa simile del
governo di Santa Catarina, che
ha provveduto al certificato di
nascita di Anita Garibaldi.
Scienziata politica, presidente del Movimento Europeo
Italiano, organizzazione a favore dell’integrazione europea,
crede che commemorazioni come quelle dedicate al suo bisnonno “servano per stimolare
nuove ricerche” e, nel suo caso,
ricerche nell’ambito familiare.
— La mia famiglia ha scoperto recentemente che il nome
di battesimo di Giuseppe Garibaldi era Joseph Marie Garibal-
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Reprodução
Un eroe di
due mondi
Nel sud del Brasile, la città che porta il nome dell’idealista italiano ha fatto di tutto
per rendergli omaggio: da marzo
si svolge il calendario di commemorazioni. Là si è avuto, ad
esempio, il lancio di uno spumante con bollo commemorativo del suo bicentenario, oltre a presentazioni di teatro e
concerti. La Festa Nacional da
Champanha, la tradizionale Fenachamp, evento che è tenuto tutti gli anni tra settembre
e ottobre, avrà anch’essa Garibaldi come tema nell’edizione
2007.
Aline Buaes
storia
dy, dovuto all’influenza francese
nell’allora città italiana di Nizza.
Nel 2006, sono state scoperte le
origini della famiglia di Garibaldi, che risalgono al 1610 e che
portano ad un’altra intensa storia d’amore. Angelo Garibaldi,
giovane legnaiolo, abitante di
un paesino sulle montagne della
Liguria, Nè, si innamora di una
giovane della cittadina litoranea
Chiavari, e cambia di professione
dopo il matrimonio: diventa costruttore di barche. Con il cambio
di professione, avviene un’ascesa
sociale della famiglia, il che fa sì
che Giuseppe, nipote di Angelo,
nasca nel bel mezzo della cultura
marinaresca — racconta Annita.
Educato grazie a lezioni private, Garibaldi, secondo la pronipote, diventa un giovane molto colto, interessato alla storia
e avido di conoscere altri mari.
— Garibaldi ha contribuito
in molto alla storia di Rio Grande
do Sul. Per esempio, subito dopo
il suo ritorno in Italia comincia
il flusso migratorio di persone
verso il Brasile, specialmente Rio
Grande do Sul. Molti degli immigranti che hanno lasciato l’Italia
sono venuti in Brasile dovuto al
fatto che Garibaldi era passato di
qui, creando così una certo legame tra Italia e Brasile. Percepisco che, in questa regione della
Serra, c’è tutto questo sviluppo
che è un qualcosa di prettamente italiano, una cosa che Giuseppe Garibaldi voleva, sviluppo
e libertà dei popoli, visto che
odiava chi opprimeva le persone — conclude Annita, riferendosi all’impatto in terre gauche
dei valori umanisti di colui che
è diventato il principale eroe di
Rio Grande do Sul.
ComunitàItaliana
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turismo
O Vale do Café, no Sul fluminense, oferece uma verdadeira viagem
ao túnel do tempo, com histórias do Brasil cafeeiro e heranças dos
imigrantes italianos que contribuíram para a economia da região
S
Nayra Garofle
entir o aroma do típico
café brasileiro, saborear
uma comidinha bem caseira e ainda ser servido
por funcionários em traje de época, numa fazenda, exatamente
como se fazia no período cafeeiro do Brasil. Pois isso tudo acontece às margens da Via Dutra, no
Rio de Janeiro, no Vale do Café.
Das cerca de 150 fazendas existentes na região, 26 estão pre-
servadas, os casarões e senzalas
abertos à visitação. O passeio
permite ao turista experimentar
o cotidiano de brasileiros e imigrantes, a maioria de italianos,
que viveram ali no século 19.
Em 1990, proprietários de fazendas centenárias, cientes do
valor histórico e cultural do seu
patrimônio, decidiram fundar o
Instituto de Preservação e Desenvolvimento do Vale do Para-
íba (Preservale), que instituiu o
turismo de patrimônio e pedagógico. Fundadora do instituto,
Evelyn Pascoli foi a primeira realizar saraus de época, na sua fazenda, a Ponte Alta, em Barra do
Piraí. Até hoje, os funcionários
da fazenda se caracterizam como barões e baronesas para, em
40 minutos, encenar histórias do
barão de Mambucaba e reviver,
no espaço onde antes funciona-
“Recebemos os
visitantes em
qualquer dia. A
renda do turismo
ajuda bastante a
manter a fazenda”
Fotos: Nayra Garofle
João Carlos Streva,
proprietário da Fazenda
Taquara
54
ComunitàItaliana
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Julho 2007
Divulgaçã
o
Como nos
tempos
da nonna
va uma senzala com
400 escravos, fatos
curiosos ocorridos
no Vale do Café.
— A Evelyn deu
início a tudo isso.
Hoje, recebemos estudantes, em excursões escolares, para que
aprendam história ao vivo — conta Roberto Freitas, o barão, durante os saraus e, no restante do tempo,
administrador da pousada,
com nove quartos de hóspedes, que funciona na Ponte
Alta.
Ainda em Barra do Piraí,
a história do Ciclo de Café
é preservada na Santa Maria, hoje hotel-fazenda Arvoredo. As senzalas foram
transformadas em quartos,
sem perder, no entanto, a
rusticidade de outrora. O
terreiro de café, em frente à casa grande, recebeu
um gramado verde, onde é
oferecido o chá imperial,
com receitas da época,
pelo barão de Mambuca-
ba, antigo proprietário tanto da
Santa Maria como da Ponte Alta.
— Minha irmã fez um estudo e descobriu a existência desse
chá imperial na época do barão.
Conseguimos as receitas originais e resolvemos apresentar o
chá para os visitantes — diz Augusto Pascoli, de 47 anos, descendente do poeta italiano Giovanni Pascoli, e dono do hotel
fazenda Arvoredo desde 1982.
No fim do século 19, a Ponte Alta, edificada pelo Barão de
Mambucaba, foi hipotecada pelo
Banco do Brasil e perdida pela
família de origem nobre, mergulhada em dívidas. A fazenda se
reergueu na virada do século pelas mãos do conde Modesto Leal, comerciante. Ele encontrou a
terra tão maltratada quanto os
escravos que o barão não poupava. Com a derrocada do café
e a migração do seu cultivo para
terras paulistas, a lavoura virou
pasto para gado leiteiro. Mas,
nos anos 50, a Ponte Alta tornou-se cenário político, quando
a neta do conde, Isabel Modesto
Leal, hospedou o presidente da
República, Getúlio Vargas, amigo
da herdeira.
Se a roda d’água não girava
mais para o café, a roda da vida
não parou de se movimentar e,
em 1960, a fazenda foi vendida
para Nellie Pascoli. Pioneira no
ramo da mineração, a descendente italiana resgatou a memória
da fazenda, ao restaurar a arquitetura secular. Solteira, após sua
morte, seus sobrinhos Evelyn,
Ricardo, Ana Heloísa e Augusto
herdaram as suas propriedades.
Não se produz mais café na
maioria das fazendas do Vale.
Mas, às margens da Estrada Barra
do Piraí, eis que surge o cafezal
da Taquara, produtivo até os dias
de hoje. Construída entre 1820 e
1830, a sede pertence a João Carlos Tadeu Botelho Pereira Streva,
de 62, filho da quinta geração do
primeiro dono da fazenda, o comendador João Pereira da Silva.
Streva herdou a Taquara da
família materna, mas é pelo lado
O corredor das senzalas, a casa grande da atual
fazenda Arvoredo, o gramado da Pau D’Alho e as
palmeiras imperiais da Ponte Alta: características
marcantes de uma história do Vale do Café. Na outra
página, a fazenda Taquara
paterno que tem suas raízes na
Sicília. Por conta disso, os seus
três filhos obtiveram a cidadania
italiana e um deles, o universitário Marcelo, de 34, assumiu a
responsabilidade de desenvolver
o turismo histórico na fazenda.
Ele conduz os visitantes por cada cômodo, enquanto narra a
história de sua família e dos seus
cafezais.
— Recebemos os visitantes
em qualquer dia. A renda do turismo ajuda bastante a manter a
fazenda — conta João Carlos.
Na fazenda São João da Prosperidade, em Ipiabas, distrito de
Barra do Piraí, o café deu lugar
ao eucalipto. Mas os seus proprietários não fogem ao ofício
de promover a viagem de volta
ao tempo antigo. Em visitas com
hora marcada, a recepção é feita
com trajes da época, e o turista
pode explorar cada recanto, ad-
Humberto Pentagna e João Carlos Streva:
proprietários das fazendas Pau D’Alho e Taquara, respectivamente
Julho 2007
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mirar detalhes como o piso em
madeira original do século 18.
A viagem ao passado prossegue pela Estrada RJ-145. A
32 quilômetros de Barra do Piraí, Valença também guarda viva a memória do período cafeeiro. Com 66 mil habitantes, clima
ameno, rios e muitas cachoeiras,
em meio a algumas construções
recentes, a cidade conserva o casario, igrejas e parques de mais
de um século.
A sete quilômetros e meio do
Centro, está localizada a fazenda
Pau D’Alho, da família Pentagna
desde 1897. Vito Pentagna deixou o sul da Itália 37 anos antes,
rumo ao Brasil, onde se tornou
mascate bem sucedido. Só depois da abolição da escravatura,
comprou as fazendas Pau D’Alho,
Santa Rosa e Paraíso.
Em 1914, os Pentagna estabeleceram a fábrica de tecidos
Santa Rosa. Na Pau d’Alho, foi
construída uma usina hidrelétrica para sustentar a energia nas
fazendas e na fábrica da família.
O jeans confeccionado pela Santa Rosa era exportado até para
a Europa. Quando Vito morreu
em 1914, deixou, para os sete
filhos esse patrimônio. Hoje, a
Pau D’Alho, por exemplo, está
nas mãos do herdeiro Humberto
Vito Rebecco Pentagna.
— Nos voltamos atualmente
para a produção de leite e para o turismo rural. Recebemos
muitos alunos do Ensino Médio
aqui — explica o atual proprietário.
ComunitàItaliana
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Sapori d’Italia
O chá imperial oferecido pelo
“barão de Mambucaba” e
funcionários da Santo Antônio
vestidos a caráter
Também em Valença e aberta
à visitação, fica a fazenda Santo Antônio do Paiol, em terras
de uma sesmaria concedida, em
1814, por provisão, a João Soares Pinho. Em 1969, o local passou a abrigar a Congregação da
Pequena Obra da Divina Providência. Este foi um recurso para
que a família Esteves garantisse
a manutenção da propriedade e
de seus pertences.
— A senhora Francisca Olympia Alves de Queiroz Esteves nos
doou a fazenda como forma de
preservar tudo isso e somos gratos
a ela — afirma o frei Geraldo Magela, responsável pela administração da fazenda. A congregação foi
fundada por São Luís Orione, que
nasceu em Pontecurone, na Itália,
e esteve quatro vezes no Brasil.
Em 1990, arrendada pelo empresário carioca Rogério Vianna,
a Santo Antônio do Paiol passou por uma reforma. Foram recuperados a sede, o mobiliário e
o acervo documental. Em 2000,
a fazenda voltou a ser da Congregação que, por meio do Preservale, decidiu manter o turismo cultural na fazenda, atividade
iniciada por Vianna.
Engana-se quem pensa que a
viagem através de quase dois séculos se encerra em Valença. Mais
17 quilômetros de estrada, em direção a Minas Gerais, se alcança
a minúscula Rio das Flores, com
seus 500 quilômetros quadrados
e não mais do que sete mil habitantes, mas rica de valor histórico. Na Igreja Matriz de Santa
Tereza D’Ávila, o Pai da Aviação,
Santos Dumont, foi batizado.
Em Rio das Flores, a fazenda Campos Elíseos data de 1851.
O primeiro dono, Peregrino José
da América Pinheiro a chamava,
inicialmente, de Bom Jardim. Em
três décadas, a Campos Elíseos
tornou-se uma das maiores produtoras de café da região, com
o cultivo de 182 mil pés. Coube
à filha do fazendeiro, Maria Peregrina, casada com Manoel Vieira da Cunha, o barão da Aliança, cuidar da Campos Elíseos.
Em 1900, a fazenda deixou de
pertencer à família, até que em
1960, um descendente direto do
barão, Marcos Vieira da Cunha,
recuperou a propriedade.
Cunha trabalhou na recuperação arquitetônica e histórica não
só de Campos Elíseos, como de
Santo Antônio e Guarita. Houve,
após a sua morte, novo período
de decadência e mudança sucessiva de donos. Em 2000, a veneziana Luciana Jappelli de Pol, de 81,
no Brasil desde 1950, comprou
Campos Elíseos e decidiu compartilhar com visitantes o prazer do
pernoite em seu casarão de estilo
colonial, de portas e janelas gigantescas. Luciana produz mel,
própolis, cachaça, doce de café e
a compota de laranja em seu refúgio do tempo. E ainda cria gado,
cabras, ovelhas e ainda cães, das
raças golden retriever e pug.
— Tive experiência ruim em
São Paulo. Uma fazenda foi invadida pelo movimento dos semterra e jurei nunca mais me aventurar, mas não resisti a Campos
Elíseos — lembra Luciana, que
fez questão de decorar a casa
grande, vazia quando a comprou,
com legítima mobília italiana,
assim como toda a louçaria, móveis e quadros.
Serviços
Para se hospedar e visitar:
Barra do Piraí
Hotel Fazenda Arvoredo
(24) 2447-2001
Pousada Fazenda Ponte Alta
(24) 2443-5159
Fazenda Taquara
(24) 2443-1221
Fazenda São João da Prosperidade
(24) 2442-3194
Valença
Hotel Palmeira Imperial
(24) 2453-1995
Fazenda Pau d’Alho
(24) 2453-3033
Fazenda Santo Antônio do Paiol
(24) 2458-4720
Onde comer:
Valença Grill
(24) 2453-4643
Rio das Flores
Fazenda Santo Antônio
(24) 2488-2148
Fazenda Campos Elíseos
(24) 2488-2014
O Vale do Café oferece festas
durante todo o ano. Para obter
a programação, basta acessar
o site http://www.valedocafe.
com.br/eventos.htm.
Guia de turismo
Wanda Maria Pinto
(24) 2452-5874 / 8131-0557
A repórter Nayra Garofle viajou a convite do Hotel-Fazenda
Arvoredo e do Hotel Palmeira Imperial
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ComunitàItaliana
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Nayra Garofle
Talento
nordestino
Quatro amigos se apaixonam pela
gastronomia italiana, tornam-se proprietários
de restaurante na Zona Sul carioca
R
io de Janeiro – O restaurante é italiano, mas os pratos levam a
assinatura dos proprietários cearenses. Nada que comprometa,
muito pelo contrário, a fidelidade ao sabor mediterrâneo, paixão de Antônio Salustiano, de Cândido e Manoel Alves e de Valmir Pereira, os sócios do D’Amici, no Leme. A dois quarteirões da praia,
o lugar é a realização de um sonho que parecia impossível. No início da
vida, eles chegaram a passar fome em terras nordestinas.
— Jamais poderia imaginar que um dia me tornaria um sommelier e
ainda autor de pratos como o Espalla d’Angello — admite Valmir, de 51
anos, premiado em diversos concursos, como especialista na apreciação
de vinhos, e orgulhoso pelo talento também revelado no preparo de receitas como a sugerida nesta edição, a Paleta de cordeiro.
As poucas palavras em italiano que Valmir pronuncia foram aprendidas
nas viagens que fez ao exterior. Por exemplo, formou-se, na Itália, como
sommelier. O curso foi financiado por um cliente amigo. Já a experiência na
cozinha foi adquirida ao longo de 35 anos de trabalho em restaurantes.
— Só na Itália, estive três vezes — conta o chef do D’Amici, que,
ainda menino, no sertão cearense, não raras vezes, teve apenas farinha
para comer, amassada pelas mãos
da mãe, nos dias de sorte, com
feijão e arroz.
A idéia de ter um restaurante
italiano surgiu quando Valmir era
garçom ainda. Ele e os amigos se
reuniam toda semana para compartilhar o sonho em comum.
— Nos tornamos cada vez
mais próximos. Até que decidimos: era hora de ter o nosso próprio negócio. Entraríamos com o
trabalho, mas quem entraria com
o dinheiro? Um cliente, que admirava nossos esforços, entrou com
o capital e ainda hoje é nosso sócio — explica Valmir, descartando a sorte como razão do sucesso,
Valmir e sua famosa
resultado, segundo ele, de muito
paleta de cordeiro
trabalho.
Italianos costumam ficar impressionados com a qualidade dos pratos do D’Amicci. Produtos frescos e importados, como o queijo parmesão
italiano e as trufas em conserva, justificam isso, segundo Valmir.
Penne com camarões, cogumelos frescos e pimenta; Ravioli de vitela
com molho de funghi porcini seco; ou Tagliatelli com lagosta ao molho
de tomate compõem o cardápio. Mas a Paleta de cordeiro é preferência
consagrada entre os pedidos.
— Na hora de servir, retiro o osso da paleta. Com o suco que sai de
dentro do osso, preparo um molho com alecrim fresco e hortelã, consu-
Fotos: Roberth Trindade
Fotos: Nayra Garofle
turismo
Paleta de cordeiro
Ingredientes:
1 paleta de cordeiro mamão (cordeiro de até 12 meses); vinho
branco; cebola; cenoura; louro; salsinha; alho poró; pimenta em
grão; alecrim fresco; hortelã; batatas.
Modo de preparo:
Deixe a paleta de molho nos temperos: vinho, cebola, cenoura, louro, salsinha, alho poró e pimenta em grão, de um dia para o outro.
Em um forno com temperatura de 300º, asse a paleta por três horas
coberta por um papel alumínio. Depois, retire o papel e coloque a
paleta de volta ao forno para dourar, por alguns minutos.
Sugestão do Chef:
Retire o osso da paleta. Com o caldo que sai da paleta, faça um
molho com alecrim e hortelã e refogue na panela. Corte a paleta
em fatias. Despeje o molho por cima. Para acompanhar, batatas coradas com alecrim por cima. Sirva.
Rendimento: uma porção
mido ao gosto do cliente. Sugiro batatas coradas com alecrim por cima
e, para acompanhar, um vinho tinto argentino chamado “Clos de los
siete” — indica o sommelier e chef.
A característica artesanal e a gama de possibilidades criativas da
gastronomia italiana conquistaram o quarteto. Hoje, o D’Amici se tornou
ponto de encontro de empresários, socialites e políticos. Entre os fiéis
amantes da Paleta está o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que,
eventualmente, ocupa um dos 72 lugares às mesas do D’Amici.
Serviço: Restaurante Bucatini – Rua Abílio Soares, 904 –
Paraíso, São Paulo – Telefone: (11) 38875769
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La gente,
il posto
Claudia Monteiro de Castro
nosso Cristo Redentor, no Rio de
Janeiro, pode ser o mais famoso do
mundo, mas os italianos têm um
similar mais inusitado: o Cristo degli Abissi.
Fica debaixo d’água, na baía de San Fruttuoso, entre Camogli e Portofino. Trata-se
de uma escultura em bronze, colocada a 17
metros de profundidade, no fundo do mar.
Realizada pelo escultor genovês Guido Galletti, é um Cristo que olha para o alto, com
braços abertos. Existente desde agosto de
1954, foi Duilio Marcante, fundador do Centro de Mergulhadores de Nervi, quem teve
a idéia de dedicar um monumento àqueles
que perderam a vida no mar. A década de 50
compreendeu os anos pioneiros do mergulho. Muitas empresas contratavam mergulhadores para recuperar as naves afundadas
durante a guerra e muitos deles perderam a
vida durante este trabalho.
O entusiamo para a realização da escultura foi geral. Muitas pessoas participaram
oferecendo vários objetos de bronze para
fundição: hélices de submarinos da Marinha
Militar americana, medalhas de viúvas de
guerra, medalhas olímpicas e moedas.
Para apreciar a escultura em todo seu esplendor, o ideal é mergulhar, com equipamento adequado ou, para quem tem fôlego,
em apnéia. Mas os menos esportivos também
podem ver a estátua da superfície, pegando
um dos pequenos barquinhos que partem da
baía de San Fruttuoso e levam até as proximidades da escultura. Com uma lente espe-
D. Crovi
O
Cristo degli Abissi
Como chegar: Existem duas opções de trajeto para quem quer ir a San Fruttuoso. Uma
é de barco, que parte de Camogli ou de Rapallo, passando por Santa Margherita Ligure
e Portofino. Outra é a pé, de Camogli ou Portofino, por trilhas bem sinalizadas, mas somente para quem está realmente em forma.
O celular
A
mania do celular se difundiu pelo mundo inteiro, mas em nenhum lugar como na Itália. Para os italianos, o celular é como
um bichinho de estimação ou um cigarro: faz companhia na
alegria e na tristeza.
Uma típica cena num trem. O veículo está prestes a partir. Ele pega
o telefone, disca para ela e diz: “Amor, estou no trem”. Vinte minutos
depois: “Amor o trem está entrando no túnel, a linha vai cair”. Meia
hora depois: “Amor, o trem vai chegar atrasado”. E dez minutos antes
de chegar: “Amor, o trem está chegando”. Mesmo se ninguém vai buscar na estação, é necessário fazer o relatório de viagem. Outra característica dos italianos: são generosos,
e adoram dividir a conversa deles com
os outros passageiros. Assim, o trem
inteiro sabe que Giovanna começou a
sair com Carlo, que Paolo é um cornudo
e que Giulia acaba de ter gêmeos. Não
precisa nem ler jornal na Itália, é só ficar de ouvidos bem abertos. E origliare,
ou seja, escutar conversa dos outros,
nunca foi pecado.
No restaurante, a situação é ainda
mais divertida. Quando duas pessoas
jantam juntas e uma atende o celular,
a outra não resiste: pega o seu celular,
verifica as mensagens e manda outras,
só para passar o tempo.
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ComunitàItaliana
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cial que se coloca na superfície, dá para ver
o Cristo nos dias em que as águas estão límpidas e com boa visibilidade, principalmente
nos meses de verão. Também é possível ver
uma cópia do Cristo degli Abissi dentro da
abadia de San Fruttuoso, do século 10.
Em 2003, a estátua do Cristo foi retirada
de sua base, restaurada e recolocada em seu
lugar em julho de 2004, com direito à festa e muito mais. Comemorações não faltam.
Todo ano, no último sábado de julho, tem
uma procissão no local. Quando a tarde cai,
um mergulhador leva uma coroa de flores e a
coloca sobre a estátua. Uma festa mágica e
solene. Quem tem a sorte de estar na região
nessa época, não deve perder.
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Dá para saber muito sobre a personalidade de uma pessoa pelo uso
que faz do celular. Tem os duros, que estão sempre com o telefone sem
crédito. Tem os pães-duros que, quando ligam para os outros, deixam
tocar somente uma vez. Deste modo, o outro deve retornar a ligação
e, assim, se faz uma bela economia. Tem os cavalheiros que, quando
ligam para uma mulher, se oferecem para retornar a ligação imediatamente. Assim o sexo frágil não tem que pagar. Há cavalheiros extremos que, apaixonados, colocam crédito no telefone da amada.
E a música dos celulares? As ruas italianas vivem animadas por
diversos tipos de suonerie, que compõem uma verdadeira sinfonia:
a ária de uma ópera, música clássica,
jazz sincopado, melodia pop. E agora está na moda o toque animalesco,
com sons de cães, galinhas e gatos.
Onde será que vão parar?
Além das conversações telefônicas, o que italiano adora mesmo são
os torpedos. Os relacionamentos começam com o celular, quando os apaixonados começam a trocar inúmeros
torpedos. Dos românticos aos mais
quentes. E terminam quando um dos
dois, inevitavelmente, acaba descobrindo um torpedo suspeito (de uma
outra ou de um outro) ao bisbilhotar o
telefone do outro.
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Referência na organização de eventos