NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA, SEDENTARISMO E CAPACIDADE FUNCIONAL DE
EXERCÍCIO EM OBESOS MÓRBIDOS
PIETTA, Giliana 1
TAGLIETTI, Marcelo.2
RESUMO
Introdução: A população mundial tem apresentado um aumento das prevalências de obesidade e de doenças
respiratórias. Por isso, os efeitos da obesidade, bem como as alterações que ela promove, devem ser conhecidos e
estratificados para uma avaliação detalhada do relacionamento dessa doença com as complicações provenientes da
disfunção respiratória e cardiovascular. Objetivo: Realizar uma revisão sistemática da literatura sobre o nível de
atividade física e a capacidade funcional em obesos mórbidos. Metodologia. A pesquisa foi realizada nas bases de
dados eletrônicas lilacs, Medline, PubMed e Scielo, através da consulta pelos descritores: Obesidade “Obesity”,
Fisioterapia “Physiotherapy”,Atividade Física “Physical activity” . Procurou-se por artigos apresentados na íntegra,
escritos em Português e inglês, levou-se em consideração para esta pesquisa os artigos publicados entre o período de
1980 a 2013. Resultados: A partir de 06 artigos selecionados verificou-se que obesidade é uma doença que atinge
grande parte da população mundial, e que pode influenciar de maneira negativa na vida dos pacientes com
comprometimentos, articulares, respiratórios, musculares, cardiovasculares. Conclusão: Os dados mostram que muitos
fatores interferem na obesidade como a inatividade física, ingestão em excesso de comidas calorias, genética e o
principal tratamento para a obesidade ainda esta na prevenção, orientações e cuidados desse paciente.
Palavras chaves: Obesidade, Fisioterapia, Atividade Física.
LEVEL OF PHYSICAL ACTIVITY, INACTIVITY AND FUNCTIONAL CAPACITY IN MORBIDLY OBESE
ABSTRACT
Introduction: The world's population has seen an increase in the prevalence of obesity and respiratory diseases.
Therefore, the effects of obesity, as well as the changes it promotes, should be known and stratified for a detailed
evaluation of the relationship of this disease with complications from respiratory and cardiovascular dysfunction.
Objective: To conduct a systematic review of the literature on physical activity and functional capacity in morbidly
obese patients. Methodology: The research was conducted in the databases of lilacs electronic databases, Medline,
PubMed and SciELO through consultation by descriptors: Obesity "Obesity" Physiotherapy "Physiotherapy" Physical
Activity "Physical activity". We looked for articles presented in full, written in Portuguese and English, were taken into
consideration for this research articles published between 1980 and 2013 Results: From 06 selected articles we found
that obesity is a disease affecting a large proportion of the world population, and that may adversely impact on the lives
of patients with impairments, joint, respiratory, muscular, cardiovascular. Conclusion: The data show that many factors
affect obesity such as physical inactivity, excess intake of food calories, genetics and the main treatment for obesity is
still on prevention, guidance and care of patients.
Key Works: Obesity, Physical Therapy, Physical Activity.
1
Acadêmica do curso de Fisioterapia da Faculdade Assis Gurgacz FAG – Cascavel – PR - [email protected]
Docente do curso de fisioterapia da Faculdade Assis Gurgacz, FAG- Mestre em Biociência e Saúde – Faculdade Assis Gurgacz FAG – Cascavel –
PR - [email protected]
2
Anais do 12º Encontro Científico Cultural Interinstitucional - 2014
ISSN 1980-7406
1
1. INTRODUÇÃO
A obesidade mórbida é caracterizada por ser multifatorial, de origem genética e metabólica, agravada pela
exposição a fenômenos ambientais, culturais, sociais e econômicos, associados a fatores demográficos (sexo, idade,
raça) e ao sedentarismo. Diversos índices podem ser empregados para o diagnóstico da obesidade, porém o mais
utilizado é o índice de massa corpórea (IMC), o qual é definido pelo peso em quilogramas dividido pelo quadrado da
altura em metros. O excesso de tecido adiposo promove uma compressão mecânica sobre o diafragma, pulmões e caixa
torácica, levando a uma insuficiência pulmonar restritiva. A obesidade promove também diminuição da complacência
total do sistema respiratório e aumento da resistência pulmonar (ROBBINS e COTRAN, 2005).
O excesso de gordura corporal pode ser distribuído de forma generalizada e/ou regional (localizada), por isso,
para seu diagnóstico é necessário não só considerar a quantidade total de gordura corporal, mas também sua localização
(BRASIL, 1998).
Dentre as inúmeras alterações sistêmicas que ocorrem no indivíduo obeso a mecânica respiratória é de
principal importância, pois, ocorrem reduções dos volumes e capacidades pulmonares, principalmente volume de
reserva expiratória e capacidade residual funcional. A obesidade promove também diminuição da complacência total do
sistema respiratório e aumento da resistência pulmonar (J BRAS PNEUMOL, 2005).
Matsudo et al. (2002) utiliza a recomendação do Centro de Controle de Doenças (Center for Disease Control,
CDC) e Colégio Americano de Medicina Esportiva (American College of Sports Medicine, ACSM) para a quantidade
necessária de atividade física para a manutenção da saúde: “todo o indivíduo deve acumular ao menos 30 minutos de
atividade física, na maioria dos dias da semana, em intensidade moderada, de forma contínua ou acumulada”, já a
Sociedade Brasileira de Cardiologia (2005) preconiza que, preferencialmente a criança deve realizar cerca de 60
minutos diários de atividade física moderada.
A recomendação de pelo menos 30 minutos diários na maioria dos dias da semana amplia a oportunidade dos
indivíduos previamente sedentários serem ativos e obterem benefícios para a saúde, proporcionando um gasto calórico
de, aproximadamente, 1000 kcal por semana, permitindo o enquadramento na porção ótima da curva dose-resposta, com
benefícios à saúde (FOSS; KETEYAN, 2000).
A urbanização da sociedade contemporânea tem um forte apelo ao sedentarismo e também alteração nos
hábitos alimentares. Outra mudança comportamental observada é a preferência das famílias por refeições rápidas,
indicando a necessidade de conscientização para alimentação saudável. As modificações de hábitos e preferências
alimentares introduzidas na infância podem tornar-se permanentes (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA,
2005).
O teste de caminhada de seis minutos (TC6’) é uma avaliação prática e simples do nível submáximo da capacidade de exercício funcional para as atividades de vida diária. Ele mede a distância que uma pessoa pode caminhar
rapidamente em uma superfície plana e dura durante 6 minutos, avalia e integra as respostas de todos os sistemas
envolvidos durante o exercício (cardiovascular, respiratório, neuromuscular e o metabólico), mas não fornece
informações específicas e isoladas ( AMERICAN THORACIC SOCIETY, 2002 ).
As principais indicações do TC6’ são comparar o pré com o pós-tratamento, medir o estado funcional e prever
a morbimortalidade para doenças cardiopulmonares. A medida primária é a distância total percorrida. A secundária
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Anais do 12º Encontro Científico Cultural Interinstitucional – 2014
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inclui fadiga muscular e dispneia, avaliadas pela Escala de Borg modificada ou Escala Visual Analógica. A última seria
a aferição da saturação periférica de oxigênio (SpO2), medida por um oxímetro de pulso.17 As contraindicações absolutas são angina estável, instável e infarto agudo do miocárdio recente, e as relativas são frequência cardíaca no repouso
acima de 120 bpm, pressão arterial sistólica (PAS) acima de 180 mmHg e diastólica (PAD) acima de 100 mmHg. (
AMERICAN THORACIC SOCIETY, 2002 ).
Através do exposto, esse trabalho visa realizar uma revisão sistemática da literatura sobre a capacidade
funcional de exercício na população obesa mórbida.
2. METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão sistemática da literatura.
Identificação e critérios de seleção
Neste estudo de revisão sistemática, foi realizada uma busca nas Bases de Dados: lilacs, Medline, PubMed e
Scielo, com as seguintes palavras chaves e seu sinônimo e inglês: Obesidade “Obesity”, Fisioterapia “Physiotherapy”,
” Atividade Física “Physical activity”, levou-se em consideração para esta pesquisa os artigos publicados entre o
período de 1980 a 2013.
Critérios de inclusão e exclusão
Como critérios de inclusão serão aceito neste trabalho livros e artigos sobre obesos mórbidos, atividade física.
O material incluso deveria ter sido publicado no período de 1980 a 2013. Foram exclusos trabalhos publicados
anteriormente a data pré-estabelecida. Cartas, resumos, dissertações, teses e relatos de caso foram excluídos, bem como
estudos que utilizaram modelos animais.
Estratégia de seleção
Para a seleção dos artigos, inicialmente foi realizada a avaliação dos títulos relacionados ao tema em questão.
Essa seleção foi baseada nos títulos que tiveram como ideia principal a obesidade, fisioterapia, atividade física e
capacidade funcional de exercício ou alguma informação referente a essas palavras. Ao final da busca, foram excluídos
os títulos similares (já que a busca foi realizada em diversas bases de dados). Em seguida, foi realizada a leitura
detalhada dos resumos dos artigos, a fim de selecionar aqueles que abordassem exclusivamente as pressões respiratórias
máximas em indivíduos obesos mórbidos. Foram excluídos os resumos que não abordavam o tema em questão; os
textos completos foram avaliados e os que se enquadraram nos critérios de inclusão foram incluídos como resultado da
busca.
Avaliação da validade do estudo
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Os artigos identificados na estratégia de busca tiveram seu título e resumo avaliados por dois pesquisadores de
forma independente e "cega", sendo que, em caso de discordâncias, um terceiro pesquisador sênior decidiu pela
inclusão ou exclusão do texto.
3. ANÁLISES E DISCUSSÕES
Através dos parâmetros acima definidos foi incluído no estudo um total de 05 artigos científicos conforme
TABELA 01.
Autores
Ano
Patrícia
Lúcia
Gontijon . et al
Transversal,
amostragem
2010
4
Delineamento
Amostra
Conclusão
de
154
voluntários
Conclui-se que existe correlação
positiva entre o pico de fluxo
expiratório
prée
pósbroncodilatador e a distância
percorrida no TC6’ em obesos;
ou seja, quanto maior o PFE,
maior a capacidade físicofuncional do indivíduo e maior a
distância percorrida. Um ponto
relevante no estudo foi que o
grupo de obesos percorreu uma
distância menor no TC6’, com
relação ao grupo de eutróficos,
com diferença significativa, o
que mostra a interferência que
alguns anos de obesidade instalada podem causar no indivíduo,
perfazendo ainda a importância
clínica desse achado para os
estudos posteriores.
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FIGUEIREDO, C.;
SANTOS,
SOUZA, M;
2011
Transversal
descritivo
2014
Revisão
literatura
961 Alunos
Pode concluir que a relação
entre atividade física (AF),
aptidão física (AptF), maturação
biológica
e
“status”
socioeconômico (ESE) faz com
que os jovens Tirsenses
apresentam prevalências de
obesidade e sobrepeso elevadas,
são relativamente pouco ativos
e,
em
grande
medida,
fisicamente inaptos.
-
A presente revisão foi capaz de
identificar a inexistência de
associação entre obesidade e
PA, bem como, associação
negativa entre as referidas
variáveis em alguns estudos.
Tais resultados até agora
relatados encaminham a uma
reflexão mais profunda e crítica
em relação à concepção
hegemônica, defendida por
alguns autores, no que diz
respeito à visão de obesidade
como importante fator de risco
para doenças cardiovasculares
D;
SEABRA, A;
MAIA, J;
GONÇALVES, V;
NETO,
C;
PALMA, A;
de
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5
ALMEIDA, A.P;
PIMENTAL,A;
2001
Transversal
descritivo
56 crianças
(29
meninas e 27
meninos)
PALMA, A;
FONSECA, V. M;
SICHIER.
VEIGA, G,V;
6
R;
1998
Transversal,
amostragem
de
391 Alunos
No presente estudo Perfil
epidemiológico da obesidade em
crianças: relação entre televisão,
atividade física e obesidade.
Pode se concluir que De acordo
com os dados relativos à
obesidade, 51,78% das crianças
indicaram estar com algum grau
de obesidade. Deste percentual,
19,64% se encontrou na faixa
Denominada de .moderadamente
alto. Conclui- se também que
quando se assiste à TV, há a
vontade de comer, e os
alimentos escolhidos costumam
ser de alto teor calórico e
gordurosos, assistir à televisão
provoca um desequilíbrio na
balança já que o gasto calórico
requerido para tal é menor do
que o exigido em atividades
como
correr
(piques
e
brincadeiras), andar de bicicleta,
patins, skate, .jogar bola. e até
em repouso, e ainda por produzir
o
desejo
de
consumir
guloseimas,
aumentando
a
ingestão calórica.
Conclui-se uma vez que
adolescentes que valorizam “o
ser magro” fazem mais atividade
física e restringem o consumo de
alimentos. Por outro lado, o
presente estudo mostra que a
baixa prevalência de sobrepeso
entre
meninas
pode
ser
decorrente, pelo menos em
parte, de maior atividade física.
os resultados indicam que o
IMC é um indicador de
obesidade para adolescentes e
apontam a influência familiar e
o sedentarismo, particularmente
dos meninos, como importante
fatores no desenvolvimento do
sobrepeso. Um padrão estético
de magreza parece predominar
entre as meninas e elas o
atingem com hábitos e consumo
alimentar inadequados.
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PIERINE. D, T; e
colaboradores
2006
Transversal
amostragem
de
440 alunos
Conclui –se que os alunos
apresentam alta prevalência de
sedentarismo,
excesso
de
adiposidade
corporal
e
abdominal, massa muscular
abaixo do recomendado e
inadequação do lanche escolar.
Portando, as escolas devem
proporcionar programas de
incentivo a pratica de exercício
física e educação alimentar.
A inatividade física é um fator crucial no acúmulo excessivo de gordura corporal (Mc ARDLE et al., 2003). O
aumento das diversões tecnológicas, passivas, e a diminuição da prática de exercícios físicos, contribuem para o estilo
de vida sedentário e diminuição do gasto energético (JOSUÉ; ROCHA, 2002).
Outro dos aspectos relacionados com o aumento das prevalências de sobrepeso e obesidade é a adoção de
estilos de vida pouco saudáveis. É comum referir que os adolescentes são saudáveis. Contudo, a adoção de estilos de
vida pouco saudáveis em termos de atividades físico-esportivas (AF), hábitos nutricionais e atitudes comportamentais
de risco despoletam preocupações acrescidas (KOSTI & PANAGIOTAKOS, 2006).
Segundo FIGUEIREDO, C. et al ( 2011), realizou um estudo transversal, que foi desenvolvido no Concelho de
Santo Tirso, com uma amostra de 961 alunos (463 meninos e 498 meninas) com idades variando entre os 11 e os 18
anos.
Nesse estudo foi avaliada a relação com atividade física, aptidão física, maturação biológica e “status”
socioeconômico. Os dados antropométricos foram realizados da seguinte maneira: os alunos foram pesados com roupas
leves, a altura e a altura sentada foram medidas utilizando um estadiômetro. Atividade física (AF) foi avaliada com o
questionário de Baecke (BAECKE, BUREMA & FRIJTERS, 1982)
O questionário de Baecke estima três índices: atividade física na escola, na prática desportiva e nos tempos de
lazer. Para determinar o ESE foi considerado o rendimento das famílias e o acesso aos escalões atribuídos pela Ação
Social Escolar. Os autores puderam concluir neste estudo que os jovens Tirsenses com sobrepeso e obesidade
congregam os dois fatores de risco, excesso de peso e inaptidão física A constatação de que a obesidade e sobrepeso são
superiores em jovens maturacionalmente avançados é um quadro bem conhecido e descrito na literatura. GAESSER
(2002) refere que a Aptidão física não se relaciona integralmente com o peso ou com a aptidão cardiovascular e que ser
apto fisicamente é um barômetro mais importante de saúde do que o peso corporal. A sugestão de “fat but fit” (com
sobrecarga ponderal, mas apto fisicamente) indica que indivíduos obesos mas aptos, em termos da sua Aptidão Física,
possuem menos fatores de risco e estão mais protegidos de doenças cardiovasculares do que indivíduos normoponderais
que são inaptos fisicamente (EISENMANN, 2007; GAESSER, 2002).
No segundo estudo o perfil epidemiológico da obesidade em crianças: relação entre televisão, atividade física e
obesidade também os autores (ALMEIDA. A,P; et al 2001), relatam a grande inatividade física através de um estudo
com 56 crianças (29 meninas e 27 meninos) na faixa de 10 a 11,9 anos, alunos da quarta série do ensino fundamental.
Foi considerado como tempo de atividade física o tempo destinado às aulas de educação física, às atividades esportivas,
ao lazer fisicamente ativo e às atividades físicas de locomoção. Foram excluídas as atividades domésticas. O tempo
dedicado à TV abrangeu somente aquele destinado a assistir à televisão. As atividades de vídeo game não foram
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incluídas, porque poderiam resultar num aumento do consumo energético (KLESGES, R.C.; SHELTON, M.L. &
KLESGES, 1993), Para o hábito esportivo dos pais, considerou-se o fato de fazerem ou não algum tipo de exercício
físico ou esporte. Foram feitas medidas da massa corporal, estatura, circunferências de cintura e quadril e das dobras
cutâneas tricipital, subescapular, abdominal, supra ilíaca, peitoral, coxa e perna.
Os dados coletados mostraram uma grande tendência das crianças ao sedentarismo. A média de tempo semanal
em minutos dedicado à atividade física, seja na escola, no lazer, em atividades esportivas ou na locomoção, perfez um
total de 476,25 minutos por criança, enquanto que a média de tempo destinado a assistir à televisão foi de 1.103,03
minutos. O tempo médio diário destas atividades foi, respectivamente, de 68 e 157,5 minutos. De acordo com os dados
relativos à obesidade, 51,78% das crianças indicaram estar com algum grau de obesidade. Deste percentual, 19,64% se
encontrou na faixa denominada de moderadamente alto.
Com base nestes dados, fortalece-se a questão de se adotarem medidas de prevenção da obesidade, durante a
infância e a adolescência, ainda mais porque Kaufman comenta que as crianças obesas têm maior propensão à
hipertensão, diabetes, transtornos cardíacos, respiratórios e ortopédicos; cerca de 50% delas apresentam alterações da
taxa de colesterol; 47,5% dessas crianças têm níveis diminuídos de HDL e 20,5% têm níveis elevados de LDL.
Outro estudo que reforça essa pesquisa dos autores PIERINE. D, T; e colaboradores. A amostra se caracterizou
como não aleatória voluntária. Fizeram parte do estudo 440 escolares, de ambos os sexos, estudantes da 1ª série do
ensino fundamental à 3ª série do ensino médio, com faixa etária entre 6 e 18 anos (média de idade 11,6±3 anos). Foi
avaliado o peso corporal por meio de balança antropométrica, com escala 0,1 kg, todos os alunos estavam descalços e
vestindo bermuda e camiseta. Todos os alunos responderam o Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ –
versão curta) para diagnóstico do nível de atividade física, em forma de entrevista e tendo como referência a última
semana, com questões relativas à intensidade, frequência e duração da atividade física habitual do indivíduo,
classificando-os em sedentário, insuficientemente ativo, ativo e muito ativo (MATSUDO et al., 2001). Foi elaborado
um questionário com a lista dos alimentos e produtos consumidos por alunos, para a identificação dos alimentos mais
ingeridos no intervalo escolar. Utilizando-se o método de recordatório alimentar, foi analisado a quantidade centesimal
dos nutrientes ingeridos, por meio do programa de apoio à nutrição NutWin, versão 1,5 (ANÇÃO et al., 2002). No
presente estudo, não houve diferença entre obesos e eutróficos quanto ao nível de atividade física, mostrando que ambos
estão expostos a risco de doenças crônicas, sem diferença entre os sexos. Ao final do estudo observou que os alunos
apresentam alta prevalência de sedentarismo, excesso de adiposidade corporal e abdominal, massa musculares abaixo
do recomendado e inadequação do lanche escolar. Portando, as escolas devem proporcionar programas de incentivo a
pratica de exercício físico e educação alimentar.
Ainda sobre a importância da atividade física aliada a outros fatores, os autores Gontijo et al (2011) realizaram
um estudo correlacionado a distância percorrida no teste de caminhada de 6 minutos com a espirometria, a amostra foi
composta por 154 voluntários sedentários, de ambos os sexos, com idade entre 20 e 59 anos, não fumantes e que foram
divididos em dois grupos: o grupo- estudo (G1), formado por 93 obesos (IMC ≥ 30kg/m²), e o grupo-controle (G2),
composto por 61 eutróficos (IMC de 18,5 a 24,99 kg/m²). O G2 deveria ter espirometria normal e concluíram todos os
testes propostos. No G1, 64,5% eram mulheres e 35,5% homens; já no G2 73,8% eram mulheres e 26,2% eram homens.
Quanto ao grau de obesidade, a amostra evidencia 42 obesos grau I (45,2%), 28 obesos grau II (30,1%) e 23 obesos
grau III (24,7%). Quando foi correlacionado o grau de obesidade com os parâmetros da espirometria pelo teste de
Spearman, verificou-se a associação negativa do pico de fluxo expiratório. Para (pico de fluxo expiratório) pré-BD o p
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foi de 0,007, enquanto para o PFE (pico de fluxo expiratório) pós-BD o p foi de 0,02. Ou seja, quanto maior o grau de
obesidade, menor o pico de fluxo alcançado. Para os demais parâmetros não houve correlação significativa. Ao analisar
a associação entre o TC6’ com as variáveis da espirometria da amostra, encontrou-se correlação positiva e discreta para
VEF1/CVF pré- e pós-BD, FEF25%-75% pós-BD e PFE pré- e pós-BD, indicando que quanto maior o valor da
distância percorrida, maior foram estes parâmetros na espirometria. As mulheres eutróficas percorreram em média
583,44 ± 43,75 m contra 522,61 ± 48,54 m das obesas, e os homens eutróficos obtiveram média da distância percorrida
de 604,68 ± 46,47 m contra 547,81 ± 68,16 m dos obesos (ALMEIDA, 2001).
Esses dados corroboram com o estudo de PERECIN et al (2003) que concluíram que pessoas eutróficas
caminham mais que pessoas obesas, além de confirmar o que apresenta a ATS16 (que dois dos fatores de redução da
distância no TC6’ seriam alto peso corporal e sexo feminino). O tempo de obesidade (em média 10 anos, para o G1)
também pode ter contribuído para a redução na distância percorrida, pois sabe-se que complicações e alterações surgem
ao longo do tempo.
Através de uma revisão de literatura pelo autores (GONÇALVES, V;
NETO, C; PALMA, A, 2014)
envolvendo 30 artigos, mais da metade deles (16), foram publicados na última metade da última década (2008-2012).
Os outros 14 foram publicados até 2007. Foram levantados artigos da base de dados Pubmed até maio de 2012 com o
intuito de recrutar investigações relevantes dentro dos critérios estabelecidos para compor a presente revisão. As
seguintes palavras chaves foram utilizadas em diferentes combinações na busca: hypertension, obesity, sedentary,
physical activity, physical inactivity e adolescents. Os artigos encontrados tiveram seus títulos e resumos analisados
dentro dos seguintes critérios de inclusão: a) mostrar de forma explícita que investigavam associações; b) ter amostra
composta por indivíduos entre 10 e 19 anos, ou, se composta por faixas etárias maiores, conter estratificações dentro
dos citados padrões etários. Na presente revisão, teve-se a obesidade e a atividade física como tais exposições, e os
níveis pressóricos como desfecho. O paradigma dominante aprecia tais ocorrências na direção de uma visão deveras
causal entre baixos níveis de atividade e valores pressóricos anormais, e obesidade e valores pressóricos anormais. Via
de regra, tal discurso, engenhosamente replicado e ratificado, merece olhares mais críticos e questionadores, antes da
passiva aceitação de tais informações ( NETO, et al, 2014).
Também é valido destacar a diversidade e a fragilidade dos instrumentos utilizados para a mensuração das
variáveis em questão. A medida de níveis de atividade física parece por vezes se mostrar metodologicamente ineficiente
(ROMERO. A, et al, 2010). A identificação de instrumentos menos subjetivos e mais padronizados poderia facilitar
futuras conclusões em relação às referidas associações. Por fim, que se questione a aceitação passiva de paradigmas préexistentes, diante da valorização de um olhar mais critico em relação às informações e valores inseridos no campo da
saúde. ( NETO, et al, 2014).
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com base nos artigos pesquisados e nos dados pode se observar que pacientes que apresentam obesidade não
só tem só um nível de atividade física baixa, mas apresentam também outros fatores associados a essa inatividade como
a ingestão de comidas calóricas, fatores genéticos. A maioria dos estudos revisados apresenta como amostras pacientes
da fase da infância e da adolescência, com níveis de obesidade significativos.
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Pacientes
que
permanecem
sedentários
apresentam
varias
complicações
sistêmicas,
pulmonares
cardiovasculares, síndromes metabólicas necessitando assim cada vez mais se pensar na prevenção e orientação a esses
pacientes para que não sofram os efeitos do excesso de peso.
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Anais do 12º Encontro Científico Cultural Interinstitucional - 2014
ISSN 1980-7406
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nível de atividade física, sedentarismo e capacidade funcional