NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA, SEDENTARISMO E CAPACIDADE FUNCIONAL DE EXERCÍCIO EM OBESOS MÓRBIDOS PIETTA, Giliana 1 TAGLIETTI, Marcelo.2 RESUMO Introdução: A população mundial tem apresentado um aumento das prevalências de obesidade e de doenças respiratórias. Por isso, os efeitos da obesidade, bem como as alterações que ela promove, devem ser conhecidos e estratificados para uma avaliação detalhada do relacionamento dessa doença com as complicações provenientes da disfunção respiratória e cardiovascular. Objetivo: Realizar uma revisão sistemática da literatura sobre o nível de atividade física e a capacidade funcional em obesos mórbidos. Metodologia. A pesquisa foi realizada nas bases de dados eletrônicas lilacs, Medline, PubMed e Scielo, através da consulta pelos descritores: Obesidade “Obesity”, Fisioterapia “Physiotherapy”,Atividade Física “Physical activity” . Procurou-se por artigos apresentados na íntegra, escritos em Português e inglês, levou-se em consideração para esta pesquisa os artigos publicados entre o período de 1980 a 2013. Resultados: A partir de 06 artigos selecionados verificou-se que obesidade é uma doença que atinge grande parte da população mundial, e que pode influenciar de maneira negativa na vida dos pacientes com comprometimentos, articulares, respiratórios, musculares, cardiovasculares. Conclusão: Os dados mostram que muitos fatores interferem na obesidade como a inatividade física, ingestão em excesso de comidas calorias, genética e o principal tratamento para a obesidade ainda esta na prevenção, orientações e cuidados desse paciente. Palavras chaves: Obesidade, Fisioterapia, Atividade Física. LEVEL OF PHYSICAL ACTIVITY, INACTIVITY AND FUNCTIONAL CAPACITY IN MORBIDLY OBESE ABSTRACT Introduction: The world's population has seen an increase in the prevalence of obesity and respiratory diseases. Therefore, the effects of obesity, as well as the changes it promotes, should be known and stratified for a detailed evaluation of the relationship of this disease with complications from respiratory and cardiovascular dysfunction. Objective: To conduct a systematic review of the literature on physical activity and functional capacity in morbidly obese patients. Methodology: The research was conducted in the databases of lilacs electronic databases, Medline, PubMed and SciELO through consultation by descriptors: Obesity "Obesity" Physiotherapy "Physiotherapy" Physical Activity "Physical activity". We looked for articles presented in full, written in Portuguese and English, were taken into consideration for this research articles published between 1980 and 2013 Results: From 06 selected articles we found that obesity is a disease affecting a large proportion of the world population, and that may adversely impact on the lives of patients with impairments, joint, respiratory, muscular, cardiovascular. Conclusion: The data show that many factors affect obesity such as physical inactivity, excess intake of food calories, genetics and the main treatment for obesity is still on prevention, guidance and care of patients. Key Works: Obesity, Physical Therapy, Physical Activity. 1 Acadêmica do curso de Fisioterapia da Faculdade Assis Gurgacz FAG – Cascavel – PR - [email protected] Docente do curso de fisioterapia da Faculdade Assis Gurgacz, FAG- Mestre em Biociência e Saúde – Faculdade Assis Gurgacz FAG – Cascavel – PR - [email protected] 2 Anais do 12º Encontro Científico Cultural Interinstitucional - 2014 ISSN 1980-7406 1 1. INTRODUÇÃO A obesidade mórbida é caracterizada por ser multifatorial, de origem genética e metabólica, agravada pela exposição a fenômenos ambientais, culturais, sociais e econômicos, associados a fatores demográficos (sexo, idade, raça) e ao sedentarismo. Diversos índices podem ser empregados para o diagnóstico da obesidade, porém o mais utilizado é o índice de massa corpórea (IMC), o qual é definido pelo peso em quilogramas dividido pelo quadrado da altura em metros. O excesso de tecido adiposo promove uma compressão mecânica sobre o diafragma, pulmões e caixa torácica, levando a uma insuficiência pulmonar restritiva. A obesidade promove também diminuição da complacência total do sistema respiratório e aumento da resistência pulmonar (ROBBINS e COTRAN, 2005). O excesso de gordura corporal pode ser distribuído de forma generalizada e/ou regional (localizada), por isso, para seu diagnóstico é necessário não só considerar a quantidade total de gordura corporal, mas também sua localização (BRASIL, 1998). Dentre as inúmeras alterações sistêmicas que ocorrem no indivíduo obeso a mecânica respiratória é de principal importância, pois, ocorrem reduções dos volumes e capacidades pulmonares, principalmente volume de reserva expiratória e capacidade residual funcional. A obesidade promove também diminuição da complacência total do sistema respiratório e aumento da resistência pulmonar (J BRAS PNEUMOL, 2005). Matsudo et al. (2002) utiliza a recomendação do Centro de Controle de Doenças (Center for Disease Control, CDC) e Colégio Americano de Medicina Esportiva (American College of Sports Medicine, ACSM) para a quantidade necessária de atividade física para a manutenção da saúde: “todo o indivíduo deve acumular ao menos 30 minutos de atividade física, na maioria dos dias da semana, em intensidade moderada, de forma contínua ou acumulada”, já a Sociedade Brasileira de Cardiologia (2005) preconiza que, preferencialmente a criança deve realizar cerca de 60 minutos diários de atividade física moderada. A recomendação de pelo menos 30 minutos diários na maioria dos dias da semana amplia a oportunidade dos indivíduos previamente sedentários serem ativos e obterem benefícios para a saúde, proporcionando um gasto calórico de, aproximadamente, 1000 kcal por semana, permitindo o enquadramento na porção ótima da curva dose-resposta, com benefícios à saúde (FOSS; KETEYAN, 2000). A urbanização da sociedade contemporânea tem um forte apelo ao sedentarismo e também alteração nos hábitos alimentares. Outra mudança comportamental observada é a preferência das famílias por refeições rápidas, indicando a necessidade de conscientização para alimentação saudável. As modificações de hábitos e preferências alimentares introduzidas na infância podem tornar-se permanentes (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2005). O teste de caminhada de seis minutos (TC6’) é uma avaliação prática e simples do nível submáximo da capacidade de exercício funcional para as atividades de vida diária. Ele mede a distância que uma pessoa pode caminhar rapidamente em uma superfície plana e dura durante 6 minutos, avalia e integra as respostas de todos os sistemas envolvidos durante o exercício (cardiovascular, respiratório, neuromuscular e o metabólico), mas não fornece informações específicas e isoladas ( AMERICAN THORACIC SOCIETY, 2002 ). As principais indicações do TC6’ são comparar o pré com o pós-tratamento, medir o estado funcional e prever a morbimortalidade para doenças cardiopulmonares. A medida primária é a distância total percorrida. A secundária 2 Anais do 12º Encontro Científico Cultural Interinstitucional – 2014 ISSN 1980-7406 inclui fadiga muscular e dispneia, avaliadas pela Escala de Borg modificada ou Escala Visual Analógica. A última seria a aferição da saturação periférica de oxigênio (SpO2), medida por um oxímetro de pulso.17 As contraindicações absolutas são angina estável, instável e infarto agudo do miocárdio recente, e as relativas são frequência cardíaca no repouso acima de 120 bpm, pressão arterial sistólica (PAS) acima de 180 mmHg e diastólica (PAD) acima de 100 mmHg. ( AMERICAN THORACIC SOCIETY, 2002 ). Através do exposto, esse trabalho visa realizar uma revisão sistemática da literatura sobre a capacidade funcional de exercício na população obesa mórbida. 2. METODOLOGIA Trata-se de uma revisão sistemática da literatura. Identificação e critérios de seleção Neste estudo de revisão sistemática, foi realizada uma busca nas Bases de Dados: lilacs, Medline, PubMed e Scielo, com as seguintes palavras chaves e seu sinônimo e inglês: Obesidade “Obesity”, Fisioterapia “Physiotherapy”, ” Atividade Física “Physical activity”, levou-se em consideração para esta pesquisa os artigos publicados entre o período de 1980 a 2013. Critérios de inclusão e exclusão Como critérios de inclusão serão aceito neste trabalho livros e artigos sobre obesos mórbidos, atividade física. O material incluso deveria ter sido publicado no período de 1980 a 2013. Foram exclusos trabalhos publicados anteriormente a data pré-estabelecida. Cartas, resumos, dissertações, teses e relatos de caso foram excluídos, bem como estudos que utilizaram modelos animais. Estratégia de seleção Para a seleção dos artigos, inicialmente foi realizada a avaliação dos títulos relacionados ao tema em questão. Essa seleção foi baseada nos títulos que tiveram como ideia principal a obesidade, fisioterapia, atividade física e capacidade funcional de exercício ou alguma informação referente a essas palavras. Ao final da busca, foram excluídos os títulos similares (já que a busca foi realizada em diversas bases de dados). Em seguida, foi realizada a leitura detalhada dos resumos dos artigos, a fim de selecionar aqueles que abordassem exclusivamente as pressões respiratórias máximas em indivíduos obesos mórbidos. Foram excluídos os resumos que não abordavam o tema em questão; os textos completos foram avaliados e os que se enquadraram nos critérios de inclusão foram incluídos como resultado da busca. Avaliação da validade do estudo Anais do 12º Encontro Científico Cultural Interinstitucional - 2014 ISSN 1980-7406 3 Os artigos identificados na estratégia de busca tiveram seu título e resumo avaliados por dois pesquisadores de forma independente e "cega", sendo que, em caso de discordâncias, um terceiro pesquisador sênior decidiu pela inclusão ou exclusão do texto. 3. ANÁLISES E DISCUSSÕES Através dos parâmetros acima definidos foi incluído no estudo um total de 05 artigos científicos conforme TABELA 01. Autores Ano Patrícia Lúcia Gontijon . et al Transversal, amostragem 2010 4 Delineamento Amostra Conclusão de 154 voluntários Conclui-se que existe correlação positiva entre o pico de fluxo expiratório prée pósbroncodilatador e a distância percorrida no TC6’ em obesos; ou seja, quanto maior o PFE, maior a capacidade físicofuncional do indivíduo e maior a distância percorrida. Um ponto relevante no estudo foi que o grupo de obesos percorreu uma distância menor no TC6’, com relação ao grupo de eutróficos, com diferença significativa, o que mostra a interferência que alguns anos de obesidade instalada podem causar no indivíduo, perfazendo ainda a importância clínica desse achado para os estudos posteriores. Anais do 12º Encontro Científico Cultural Interinstitucional – 2014 ISSN 1980-7406 FIGUEIREDO, C.; SANTOS, SOUZA, M; 2011 Transversal descritivo 2014 Revisão literatura 961 Alunos Pode concluir que a relação entre atividade física (AF), aptidão física (AptF), maturação biológica e “status” socioeconômico (ESE) faz com que os jovens Tirsenses apresentam prevalências de obesidade e sobrepeso elevadas, são relativamente pouco ativos e, em grande medida, fisicamente inaptos. - A presente revisão foi capaz de identificar a inexistência de associação entre obesidade e PA, bem como, associação negativa entre as referidas variáveis em alguns estudos. Tais resultados até agora relatados encaminham a uma reflexão mais profunda e crítica em relação à concepção hegemônica, defendida por alguns autores, no que diz respeito à visão de obesidade como importante fator de risco para doenças cardiovasculares D; SEABRA, A; MAIA, J; GONÇALVES, V; NETO, C; PALMA, A; de Anais do 12º Encontro Científico Cultural Interinstitucional - 2014 ISSN 1980-7406 5 ALMEIDA, A.P; PIMENTAL,A; 2001 Transversal descritivo 56 crianças (29 meninas e 27 meninos) PALMA, A; FONSECA, V. M; SICHIER. VEIGA, G,V; 6 R; 1998 Transversal, amostragem de 391 Alunos No presente estudo Perfil epidemiológico da obesidade em crianças: relação entre televisão, atividade física e obesidade. Pode se concluir que De acordo com os dados relativos à obesidade, 51,78% das crianças indicaram estar com algum grau de obesidade. Deste percentual, 19,64% se encontrou na faixa Denominada de .moderadamente alto. Conclui- se também que quando se assiste à TV, há a vontade de comer, e os alimentos escolhidos costumam ser de alto teor calórico e gordurosos, assistir à televisão provoca um desequilíbrio na balança já que o gasto calórico requerido para tal é menor do que o exigido em atividades como correr (piques e brincadeiras), andar de bicicleta, patins, skate, .jogar bola. e até em repouso, e ainda por produzir o desejo de consumir guloseimas, aumentando a ingestão calórica. Conclui-se uma vez que adolescentes que valorizam “o ser magro” fazem mais atividade física e restringem o consumo de alimentos. Por outro lado, o presente estudo mostra que a baixa prevalência de sobrepeso entre meninas pode ser decorrente, pelo menos em parte, de maior atividade física. os resultados indicam que o IMC é um indicador de obesidade para adolescentes e apontam a influência familiar e o sedentarismo, particularmente dos meninos, como importante fatores no desenvolvimento do sobrepeso. Um padrão estético de magreza parece predominar entre as meninas e elas o atingem com hábitos e consumo alimentar inadequados. Anais do 12º Encontro Científico Cultural Interinstitucional – 2014 ISSN 1980-7406 PIERINE. D, T; e colaboradores 2006 Transversal amostragem de 440 alunos Conclui –se que os alunos apresentam alta prevalência de sedentarismo, excesso de adiposidade corporal e abdominal, massa muscular abaixo do recomendado e inadequação do lanche escolar. Portando, as escolas devem proporcionar programas de incentivo a pratica de exercício física e educação alimentar. A inatividade física é um fator crucial no acúmulo excessivo de gordura corporal (Mc ARDLE et al., 2003). O aumento das diversões tecnológicas, passivas, e a diminuição da prática de exercícios físicos, contribuem para o estilo de vida sedentário e diminuição do gasto energético (JOSUÉ; ROCHA, 2002). Outro dos aspectos relacionados com o aumento das prevalências de sobrepeso e obesidade é a adoção de estilos de vida pouco saudáveis. É comum referir que os adolescentes são saudáveis. Contudo, a adoção de estilos de vida pouco saudáveis em termos de atividades físico-esportivas (AF), hábitos nutricionais e atitudes comportamentais de risco despoletam preocupações acrescidas (KOSTI & PANAGIOTAKOS, 2006). Segundo FIGUEIREDO, C. et al ( 2011), realizou um estudo transversal, que foi desenvolvido no Concelho de Santo Tirso, com uma amostra de 961 alunos (463 meninos e 498 meninas) com idades variando entre os 11 e os 18 anos. Nesse estudo foi avaliada a relação com atividade física, aptidão física, maturação biológica e “status” socioeconômico. Os dados antropométricos foram realizados da seguinte maneira: os alunos foram pesados com roupas leves, a altura e a altura sentada foram medidas utilizando um estadiômetro. Atividade física (AF) foi avaliada com o questionário de Baecke (BAECKE, BUREMA & FRIJTERS, 1982) O questionário de Baecke estima três índices: atividade física na escola, na prática desportiva e nos tempos de lazer. Para determinar o ESE foi considerado o rendimento das famílias e o acesso aos escalões atribuídos pela Ação Social Escolar. Os autores puderam concluir neste estudo que os jovens Tirsenses com sobrepeso e obesidade congregam os dois fatores de risco, excesso de peso e inaptidão física A constatação de que a obesidade e sobrepeso são superiores em jovens maturacionalmente avançados é um quadro bem conhecido e descrito na literatura. GAESSER (2002) refere que a Aptidão física não se relaciona integralmente com o peso ou com a aptidão cardiovascular e que ser apto fisicamente é um barômetro mais importante de saúde do que o peso corporal. A sugestão de “fat but fit” (com sobrecarga ponderal, mas apto fisicamente) indica que indivíduos obesos mas aptos, em termos da sua Aptidão Física, possuem menos fatores de risco e estão mais protegidos de doenças cardiovasculares do que indivíduos normoponderais que são inaptos fisicamente (EISENMANN, 2007; GAESSER, 2002). No segundo estudo o perfil epidemiológico da obesidade em crianças: relação entre televisão, atividade física e obesidade também os autores (ALMEIDA. A,P; et al 2001), relatam a grande inatividade física através de um estudo com 56 crianças (29 meninas e 27 meninos) na faixa de 10 a 11,9 anos, alunos da quarta série do ensino fundamental. Foi considerado como tempo de atividade física o tempo destinado às aulas de educação física, às atividades esportivas, ao lazer fisicamente ativo e às atividades físicas de locomoção. Foram excluídas as atividades domésticas. O tempo dedicado à TV abrangeu somente aquele destinado a assistir à televisão. As atividades de vídeo game não foram Anais do 12º Encontro Científico Cultural Interinstitucional - 2014 ISSN 1980-7406 7 incluídas, porque poderiam resultar num aumento do consumo energético (KLESGES, R.C.; SHELTON, M.L. & KLESGES, 1993), Para o hábito esportivo dos pais, considerou-se o fato de fazerem ou não algum tipo de exercício físico ou esporte. Foram feitas medidas da massa corporal, estatura, circunferências de cintura e quadril e das dobras cutâneas tricipital, subescapular, abdominal, supra ilíaca, peitoral, coxa e perna. Os dados coletados mostraram uma grande tendência das crianças ao sedentarismo. A média de tempo semanal em minutos dedicado à atividade física, seja na escola, no lazer, em atividades esportivas ou na locomoção, perfez um total de 476,25 minutos por criança, enquanto que a média de tempo destinado a assistir à televisão foi de 1.103,03 minutos. O tempo médio diário destas atividades foi, respectivamente, de 68 e 157,5 minutos. De acordo com os dados relativos à obesidade, 51,78% das crianças indicaram estar com algum grau de obesidade. Deste percentual, 19,64% se encontrou na faixa denominada de moderadamente alto. Com base nestes dados, fortalece-se a questão de se adotarem medidas de prevenção da obesidade, durante a infância e a adolescência, ainda mais porque Kaufman comenta que as crianças obesas têm maior propensão à hipertensão, diabetes, transtornos cardíacos, respiratórios e ortopédicos; cerca de 50% delas apresentam alterações da taxa de colesterol; 47,5% dessas crianças têm níveis diminuídos de HDL e 20,5% têm níveis elevados de LDL. Outro estudo que reforça essa pesquisa dos autores PIERINE. D, T; e colaboradores. A amostra se caracterizou como não aleatória voluntária. Fizeram parte do estudo 440 escolares, de ambos os sexos, estudantes da 1ª série do ensino fundamental à 3ª série do ensino médio, com faixa etária entre 6 e 18 anos (média de idade 11,6±3 anos). Foi avaliado o peso corporal por meio de balança antropométrica, com escala 0,1 kg, todos os alunos estavam descalços e vestindo bermuda e camiseta. Todos os alunos responderam o Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ – versão curta) para diagnóstico do nível de atividade física, em forma de entrevista e tendo como referência a última semana, com questões relativas à intensidade, frequência e duração da atividade física habitual do indivíduo, classificando-os em sedentário, insuficientemente ativo, ativo e muito ativo (MATSUDO et al., 2001). Foi elaborado um questionário com a lista dos alimentos e produtos consumidos por alunos, para a identificação dos alimentos mais ingeridos no intervalo escolar. Utilizando-se o método de recordatório alimentar, foi analisado a quantidade centesimal dos nutrientes ingeridos, por meio do programa de apoio à nutrição NutWin, versão 1,5 (ANÇÃO et al., 2002). No presente estudo, não houve diferença entre obesos e eutróficos quanto ao nível de atividade física, mostrando que ambos estão expostos a risco de doenças crônicas, sem diferença entre os sexos. Ao final do estudo observou que os alunos apresentam alta prevalência de sedentarismo, excesso de adiposidade corporal e abdominal, massa musculares abaixo do recomendado e inadequação do lanche escolar. Portando, as escolas devem proporcionar programas de incentivo a pratica de exercício físico e educação alimentar. Ainda sobre a importância da atividade física aliada a outros fatores, os autores Gontijo et al (2011) realizaram um estudo correlacionado a distância percorrida no teste de caminhada de 6 minutos com a espirometria, a amostra foi composta por 154 voluntários sedentários, de ambos os sexos, com idade entre 20 e 59 anos, não fumantes e que foram divididos em dois grupos: o grupo- estudo (G1), formado por 93 obesos (IMC ≥ 30kg/m²), e o grupo-controle (G2), composto por 61 eutróficos (IMC de 18,5 a 24,99 kg/m²). O G2 deveria ter espirometria normal e concluíram todos os testes propostos. No G1, 64,5% eram mulheres e 35,5% homens; já no G2 73,8% eram mulheres e 26,2% eram homens. Quanto ao grau de obesidade, a amostra evidencia 42 obesos grau I (45,2%), 28 obesos grau II (30,1%) e 23 obesos grau III (24,7%). Quando foi correlacionado o grau de obesidade com os parâmetros da espirometria pelo teste de Spearman, verificou-se a associação negativa do pico de fluxo expiratório. Para (pico de fluxo expiratório) pré-BD o p 8 Anais do 12º Encontro Científico Cultural Interinstitucional – 2014 ISSN 1980-7406 foi de 0,007, enquanto para o PFE (pico de fluxo expiratório) pós-BD o p foi de 0,02. Ou seja, quanto maior o grau de obesidade, menor o pico de fluxo alcançado. Para os demais parâmetros não houve correlação significativa. Ao analisar a associação entre o TC6’ com as variáveis da espirometria da amostra, encontrou-se correlação positiva e discreta para VEF1/CVF pré- e pós-BD, FEF25%-75% pós-BD e PFE pré- e pós-BD, indicando que quanto maior o valor da distância percorrida, maior foram estes parâmetros na espirometria. As mulheres eutróficas percorreram em média 583,44 ± 43,75 m contra 522,61 ± 48,54 m das obesas, e os homens eutróficos obtiveram média da distância percorrida de 604,68 ± 46,47 m contra 547,81 ± 68,16 m dos obesos (ALMEIDA, 2001). Esses dados corroboram com o estudo de PERECIN et al (2003) que concluíram que pessoas eutróficas caminham mais que pessoas obesas, além de confirmar o que apresenta a ATS16 (que dois dos fatores de redução da distância no TC6’ seriam alto peso corporal e sexo feminino). O tempo de obesidade (em média 10 anos, para o G1) também pode ter contribuído para a redução na distância percorrida, pois sabe-se que complicações e alterações surgem ao longo do tempo. Através de uma revisão de literatura pelo autores (GONÇALVES, V; NETO, C; PALMA, A, 2014) envolvendo 30 artigos, mais da metade deles (16), foram publicados na última metade da última década (2008-2012). Os outros 14 foram publicados até 2007. Foram levantados artigos da base de dados Pubmed até maio de 2012 com o intuito de recrutar investigações relevantes dentro dos critérios estabelecidos para compor a presente revisão. As seguintes palavras chaves foram utilizadas em diferentes combinações na busca: hypertension, obesity, sedentary, physical activity, physical inactivity e adolescents. Os artigos encontrados tiveram seus títulos e resumos analisados dentro dos seguintes critérios de inclusão: a) mostrar de forma explícita que investigavam associações; b) ter amostra composta por indivíduos entre 10 e 19 anos, ou, se composta por faixas etárias maiores, conter estratificações dentro dos citados padrões etários. Na presente revisão, teve-se a obesidade e a atividade física como tais exposições, e os níveis pressóricos como desfecho. O paradigma dominante aprecia tais ocorrências na direção de uma visão deveras causal entre baixos níveis de atividade e valores pressóricos anormais, e obesidade e valores pressóricos anormais. Via de regra, tal discurso, engenhosamente replicado e ratificado, merece olhares mais críticos e questionadores, antes da passiva aceitação de tais informações ( NETO, et al, 2014). Também é valido destacar a diversidade e a fragilidade dos instrumentos utilizados para a mensuração das variáveis em questão. A medida de níveis de atividade física parece por vezes se mostrar metodologicamente ineficiente (ROMERO. A, et al, 2010). A identificação de instrumentos menos subjetivos e mais padronizados poderia facilitar futuras conclusões em relação às referidas associações. Por fim, que se questione a aceitação passiva de paradigmas préexistentes, diante da valorização de um olhar mais critico em relação às informações e valores inseridos no campo da saúde. ( NETO, et al, 2014). 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Com base nos artigos pesquisados e nos dados pode se observar que pacientes que apresentam obesidade não só tem só um nível de atividade física baixa, mas apresentam também outros fatores associados a essa inatividade como a ingestão de comidas calóricas, fatores genéticos. A maioria dos estudos revisados apresenta como amostras pacientes da fase da infância e da adolescência, com níveis de obesidade significativos. Anais do 12º Encontro Científico Cultural Interinstitucional - 2014 ISSN 1980-7406 9 Pacientes que permanecem sedentários apresentam varias complicações sistêmicas, pulmonares cardiovasculares, síndromes metabólicas necessitando assim cada vez mais se pensar na prevenção e orientação a esses pacientes para que não sofram os efeitos do excesso de peso. REFERENCIAS AMARAL, A.P.A; PALMA, A; Perfil epidemiológico da obesidade em crianças: relação entre televisão, atividade física e obesidade. Rev. Bras. Ciên. e Mov. 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