AU TO RA L TO UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES EI PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” OT EG ID O PE LA LE I DE DI R INSTITUTO A VEZ DO MESTRE Por: Ana Cecília Pereira Marinho DO CU M EN TO PR MARKETING DE FRANQUIA NO BRASIL Orientador Professor: Mário Luiz Rio de Janeiro 2013 UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES 1 2 PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” INSTITUTO A VEZ DO MESTRE MARKETING DE FRANQUIA NO BRASIL Apresentação de monografia à Universidade Candido Mendes como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Marketing. Por: Ana Cecília Pereira Marinho Rio de Janeiro 2013 3 DEDICATÓRIA Aos meus pais e meu namorado, por tudo. 4 AGRADECIMENTOS Aos meus pais Inácio Marinho e Luzia Emília. Ao acervo disponibilizado pela ABF. 5 “Não importa o tamanho dos nossos obstáculos, mas o tamanho da motivação que temos para superá-los.” Augusto Cury. 6 SUMÁRIO INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 7 CAPÍTULO I ........................................................................................................................................ 9 1.1 HISTÓRIA DO MARKETING ................................................................................................... 10 1.1.1 ORIGENS ............................................................................................................................... 10 1.1.2 PERCURSORES ...................................................................................................................... 11 1.2 FILOSOFIAS DE ADMINISTRAÇÃO DE MARKETING .......................................................... 12 1.3 PLANEJAMENTO E SEGMENTAÇÃO DE MARKETING ....................................................... 15 1.4 TIPOS DE MARKETING ........................................................... ERRO! INDICADOR NÃO DEFINIDO. 1.5 O MARKETING ATUAL ........................................................................................................... 20 CAPÍTULO II ..................................................................................................................................... 22 FRANQUIA ........................................................................................................................................ 22 2.1 DEFINIÇÕES .......................................................................................................................... 24 2.2 O SISTEMA ............................................................................................................................. 25 2.2.1 AS VANTAGENS E DESVANTAGENS DO SISTEMA ........................................................................ 28 2.2.2 FATORES IMPORTANTES ......................................................................................................... 30 2.2.3 INVESTIMENTO ....................................................................................................................... 31 CAPÍTULO III .................................................................................................................................... 35 ABF ................................................................................................................................................... 36 3.1 O FRANCHISING HOJE, NO BRASIL .................................................................................... 37 3.2 APLICAÇÃO DO MARKETING NO SISTEMA DE FRANQUIA............................................................... 40 3.3 A MARCA ................................................................................................................................ 43 3.4 PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO ........................................................................................ 45 3.4.1 MERCADO POTENCIAL............................................................................................................. 46 3.4.2 COERÊNCIA............................................................................................................................ 47 3.4.3 POSICIONAMENTO .................................................................................................................. 48 3.4.4 ALIANÇAS ESTRATÉGICAS ....................................................................................................... 49 3.4.5 INOVAÇÃO .............................................................................................................................. 50 CONCLUSÃO.................................................................................................................................. 53 BIBLIOGRAFIA ................................................................................................................................. 54 ANEXOLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL.... 56 RELAÇÃO DAS MAIORES EMPRESAS NO SEGMENTO DE FRANQUIAS NO PAÍS.................. 56 7 INTRODUÇÃO O propósito deste trabalho é mostrar como o marketing se aplica no sistema de franquias no Brasil. Será abordado desde o início da história do marketing, passando pelo seu desenvolvimento, criação de modelos de franquias, suas vantagens, desvantagens, até o que há de mais atual relacionado ao mundo das franquias. O Capítulo 1 inicia-se com a definição de marketing, seus tipos e sua história. A ideia que logo vem à cabeça é de um programa voltado para vender produto ou propaganda pura e simplesmente. Na verdade, existe um fundamento muito mais profundo na relação com o cliente cujos anseios devem ser plenamente satisfeitos e, para que isso ocorra é necessário haver uma conquista permanente. O Capítulo 2 abrange as franquias, sua definição, sua trajetória, desde a sua criação aos dias atuais. Relata as vantagens e as desvamtagens de um sistema que não para de crescer. O Capítulo 3 mostra o cenário atual do franchising no Brasil, traduz o poder de uma marca e explica como o planejamento estratégico é importante para composição da análise do mercado. Profissionais de marketing, já sabem que o franchising é um método de fazer negócios que já revolucionou o varejo no mundo todo e que agita o mercado brasileiro. Hoje, com a globalização da economia, aumento da competitividade e crescimento da exigência dos consumidores, manter a qualidade dos produtos/ serviços já não é o suficiente. O franchising surgiu como uma ferramenta extremamente poderosa e útil para diminuir e suavizar os riscos empresariais. Contudo, para que um sistema de franquia dê certo é essencial que as empresas franqueadoras desenvolvam um sistema sólido, que esteja apto para dar suporte aos seus franqueados na administração de suas franquias, mas que também atenda à demanda dos seus consumidores. Sendo assim, este trabalho visa de uma forma direta e abrangente, estudar 8 como funciona o sistema de franquia no mundo (mais especificamente no Brasil) e quais são as principais estratégias adotadas pelas empresas, no que diz respeito ao departamento de marketing. 9 CAPÍTULO I O QUE É MARKETING Para que possamos compreender de que forma o marketing se aplica ao sistema de franquias, precisamos primeiramente entender o seu conceito. Existem muitas definições técnicas para marketing e até tentativas de tradução para o português, como "Mercadologia" (RICHERS, Raimar), 1986; ou "Mercância" (GRACIOSO, Franciosco), 1971. O que é sabido é que o marketing engloba todo o conjunto de atividades de planejamento, concepção e concretização, que visam a satisfação das necessidades dos clientes, através de produtos/serviços existentes ou novos. Basicamente o objetivo do marketing é identificar a necessidade e criar a oportunidade. Na tentativa de melhor conceituar a palavra marketing, diversas definições foram citadas na literatura mundial. A AMA – American Marketing Association, o definiu como uma função organizacional e um conjunto de processos que envolvem a criação, a comunicação e a entrega de valor para os clientes, bem como a administração do relacionamento com eles, de modo que beneficie a organização e seu público interessado (definição de 2005). Já Kotler e Armstrong em 1999, definem marketing como a “[...] entrega de satisfação para o cliente em forma de benefício”. O conceito contemporâneo de marketing engloba a construção de um satisfatório relacionamento a longo prazo, no qual indivíduos e grupos obtêm aquilo que desejam e necessitam. O marketing se originou para atender as necessidades de mercado, mas não está limitado aos bens de consumo. É também amplamente usado para "vender" idéias e programas sociais. Técnicas de marketing são aplicadas em todos os sistemas políticos e em muitos aspectos da vida. 10 1.1 HISTÓRIA DO MARKETING 1.1.1 Origens Com o passar do tempo, o marketing tornou-se uma das maiores ferramentas gerenciais, porém é um campo de estudo relativamente novo, se comparado aos demais estudos da humanidade. Suas raízes surgiram ao longo da história humana, na própria gênese do comércio. Como na maioria dos casos do surgimento das grandes idéias, o marketing surgiu de uma necessidade, a necessidade dos industriais em administrar a nova realidade que surgiu após a Revolução Industrial, e causou uma transformação de um mercado de vendedores para um mercado de compradores. Até então, o marketing ainda era inseparável da administração e da economia clássica, pois inicialmente sua preocupação era mais voltada para logística e produtividade e a intenção era apenas maximizar os lucros. A concorrência era mínima e a barganha ainda pouco utilizada pelos consumidores. Essa realidade só começou a mudar no final da Segunda Guerra Mundial quando, então, reagindo ao crescimento da concorrência, mercadólogos começaram a teorizar sobre como atrair e lidar com seus consumidores. Surgiu então a cultura de “vender a qualquer preço”. Nesta época, as técnicas existentes baseavam-se mais na intuição do que na prática e eram técnicas quase que ingênuas e/ou maliciosas que se misturavam a ferramentas eficientes. 11 1.1.2 Percursores Nos anos 40, os primeiros estudos sobre o marketing vieram com trabalhos como o de Walter Scott, sobre a aplicação da psicologia na propaganda e o de William J. Reilly, sobre as Leis de gravitação do varejo. A questão crucial era se as teorias de mercado podiam ou não se desenvolver. Autores como Roland Vaile e outros, afirmavam que nunca seria possível desenvolver uma teoria mercadológica genuína, pois consideravam esta extremamente subjetiva, quase uma forma de arte. Por outro lado, Bartels e outros começavam a admitir que existia uma potencialidade para a teoria mercadológica se tornar uma ciência. Em 1954, Peter Drucker ao lançar seu livro “A Prática da Administração”, o marketing é colocado como uma força poderosa a ser considerada pelos administradores. 12 1.2 FILOSOFIAS DE ADMINISTRAÇÃO DE MARKETING Há mais ou menos 50 anos atrás, na maior parte das empresas, o marketing ocupava apenas um lugar modesto no organograma, o de um serviço comercial, composto por alguns vendedores e empregados e muitas vezes estava subordinado ao diretor de produção ou diretor administrativo, mas aos poucos, essa função foi-se alargando progressivamente e colocada no mesmo plano das outras direções de produção, financeira e de recursos humanos. Atualmente, pode-se ver a mesma empresa praticando diferentes filosofias de marketing ao redor do mundo e ver empresas usando filosofias diferentes do marketing em um mesmo mercado: orientação para produção, produto, venda, cliente e sociedade, podendo-se identificar na evolução do marketing as seguintes filosofias para sua administração: • Orientação para produção: O grande objetivo das empresas era produzir e não vender. Neste caso, o papel do marketing é essencialmente, entregar produtos em locais onde possam ser comprados. Considera que os consumidores preferem os produtos de melhor qualidade, desempenho e aspectos inovadores. Portanto as organizações deveriam esforçar-se para aprimorar seus produtos permanentemente. A orientação para a produção é apropriada em mercados de alta tecnologia com mudanças rápidas, em que muitas vezes não há tempo suficiente para realizar pesquisas de mercado para perguntar aos clientes o que eles querem. Neste caso, é mais apropriado fabricar produtos superiores aos dos concorrentes e, depois, informar os clientes sobre os benefícios ou as vantagens decorrentes de comprar tais produtos. • Orientação para vendas: Uma orientação para vendas envolve a concentração das atividades de marketing na venda dos produtos disponíveis. Normalmente utilizada quando a oferta de produtos e serviços é 13 maior do que a demanda. Ênfase em promoções e vendas. • Orientação para o cliente: A função principal da empresa não é mais produzir e vender, mas satisfazer à clientela, consultando-a antes de produzir qualquer coisa, via estudos de mercado e com base nessa consulta, caso seja favorável, oferecer-lhe produtos/serviços/idéias de qualidade e valor, para que os consumidores voltem a comprar e a falar bem da empresa e de seus produtos. Assim, ao criar, conservar e alargar a clientela da empresa evolui-se da posição acessória de produção, financeira e de organização para a função principal da empresa e, mais do que qualquer outra função, ela condiciona a sobrevivência da empresa, a sua prosperidade e o seu crescimento. Aos poucos, as empresas reconhecem que de todo o seu ativo, o mais precioso de constituir, de aumentar e de substituir, é a sua clientela. É mais lento e mais difícil hoje conquistar uma clientela do que construir uma fábrica porque, para construir uma fábrica, não estamos em concorrência com ninguém, enquanto que para conquistar um mercado, estamos em constante competição com outras empresas. Em síntese, de um mercado de vendedores passou-se, na maior parte dos setores econômicos, a um mercado de compradores e é por isso que a visão habitual que se fazia da vida e dos problemas da empresa se alterou. A orientação para o cliente quer dizer que as empresas devem considerar o cliente como ponto de partida para todo e qualquer negócio. Assim, o sucesso da empresa ao longo prazo, pressupõe compreender muito bem as necessidades e os desejos dos clientes e, com base nisso, oferecer produtos, serviços e ideias para satisfazer a esses clientes melhor do que a concorrência, podendo, dessa forma, criar a fidelidade deles à empresa e competir mais eficientemente com os concorrentes. Para as pequenas empresas, a orientação para o cliente é crucial, porque permite o contato direto com a clientela, escutando os desejos e necessidades e primando, ao mesmo tempo, por um atendimento 14 personalizado e, desse modo, criar laços duradouros, fidelizando o cliente. • Orientação para o marketing social (marketing socialmente responsável): Sustenta que a organização deve determinar as necessidades, desejos e interesses do mercado-alvo e então proporcionar aos clientes um valor superior de forma a manter ou melhorar o bem-estar do cliente e da sociedade. Enquanto o marketing comercial procura transmitir vantagem de um determinado produto/serviço ou marca, o marketing social procura transmitir a importância de determinadas ações. A especificação do marketing social ocorre principalmente ao nível do seu objeto (consciência social) e nos objetivos a que se propõe (despertar consciências, modificar atitudes e alterar comportamentos). O merchandising social seria, assim, uma estratégia criada para impulsionar a adoção por impulso (ou consumo subjetivo) de uma determinada idéia ou padrão de comportamento, com o objetivo de cumprir o plano de marketing que uma empresa desenvolve para desenhar a imagem corporativa que ela pretende transmitir. Para Kotler na década de 70 o marketing social se aproxima de uma espécie de “mercado de idéias”. Seus estudos anteciparam os conceitos de cidadania empresarial e responsabilidade social, termos tão em voga na atualidade. • Orientação para o marketing holístico: Nesta abordagem a empresa deve tentar compreender e administrar toda a complexidade envolvida na gestão de marketing de uma empresa. O Marketing holístico deixou de ser apenas uma expressão utilizada por Philip Kotler e Kevin Lane Keller (Administração de Marketing, Prentice Hall, 2006) para indicar uma abordagem que reconhece e tenta harmonizar as complexidades das atividades que o marketing assumiu nas organizações alinhadas com o mercado consumidor atual. Nos dias de hoje, o marketing holístico conquista cada vez mais espaço nas organizações, exigindo um 15 lugar especial na estratégia, passando pelo treinamento e desenvolvimento, pela padronização dos processos, pelos planejamentos e controles de execução, pela revisão de processos, pelas metas individuais e coletivas. 1.3 PLANEJAMENTO E SEGMENTAÇÃO DE MARKETING Um planejamento de marketing é um planejamento para a marca e para as linhas de produtos visando atingir as metas da empresa. Normalmente é composto pelas seguintes partes: • Resumo executivo e sumário • Situação atual de marketing • Análise de oportunidades e questões • Objetivos • Programas de ação • Demonstrativo de resultados projetados • Implementação • Controles e Realimentação As primeiras coisas a serem definidas em qualquer planejamento de marketing é quem são seus consumidores e qual exatamente é o seu mercadoalvo. Por maior e mais poderosa que seja, nenhuma empresa pode fazer um bom trabalho em todos os mercados e satisfazer todas as suas necessidades, por isso é que se recorre à segmentação dos mercados-alvo. Nas palavras de Peter Druker: “O planejamento não diz respeito às decisões futuras, mas às implicações futuras de decisões presentes” (DRUKER,1992,38). Segmentar o mercado é dividi-lo em grupos com características e interesses semelhantes. É imperativo encontrar um segmento de mercado onde estão os 16 clientes em potencial com necessidades similares àquelas que a empresa deseja e pode atender. Um segmento de mercado é o resultado desta divisão de um mercado em pequenos grupos. Este processo é derivado do reconhecimento de que o mercado total é frequentemente feito de grupos com necessidades específicas. Em função das semelhanças dos consumidores que compõem cada segmento, eles tendem a responder de forma similar a uma determinada estratégia de marketing. Isto é, tendem a ter sentimentos, percepções e comportamento semelhantes. Uma oferta de marketing só alcançará êxito se proporcionar valor ao seu mercado-alvo. O cliente recebe benefícios e assume custos, por isso definimos valor como a razão entre tudo aquilo que o cliente recebe e tudo o que sacrifica ao fechar um acordo. É muito mais complexo do que uma simples troca comercial. Os benefícios incluem benefícios funcionais e emocionais, os custos incluem custos monetários, de tempo, de energia e psicológicos. O cliente está sempre optando entre diferentes ofertas de valor, e escolherá sempre aquela que lhe oferecer a melhor relação custo/ benefício. O profissional de marketing deve aumentar o valor da oferta para o cliente com diversas estratégias. Uma boa estratégia de marketing deverá integrar os objetivos, políticas, e sequências de ações (táticas) num todo coerente da organização. O objetivo de uma estratégia de marketing é colocar a organização numa posição de cumprir eficazmente e eficientemente a sua missão. 17 1.4 TIPOS DE MARKETING O marketing como ciência, desde o seu aparecimento até aos dias de hoje, sofreu muitas alterações e consequentemente, originou diversos tipos de marketing, cada um direcionado para uma determinada área específica do mercado. Abaixo, alguns destes tipos de marketing: Marketing de Relacionamento: É uma estratégia que visa construir uma relação duradoura com clientes e fornecedores. O processo de marketing de relacionamento deve se iniciar com a escolha certa do cliente, a identificação de suas necessidades, a definição dos serviços prestados e agregados, a busca da melhor relação custo/benefício e ter funcionários motivados e capacitados a atender estes clientes adequadamente. O contexto de administrar o relacionamento com o cliente serve para que a empresa adquira vantagem competitiva e se destaque perante a concorrência. O objetivo maior torna-se manter o cliente através da confiança, credibilidade e a sensação de segurança transmitida pela organização. Web Marketing: O Web Marketing ou Marketing Digital, é o nome dado ao conjunto de instrumentos que realçam a presença ou a existência de uma empresa, profissional, pessoa, ou mesmo uma ideia em uma área pré-definida ou em toda rede mundial de computadores interligados com a utilização da internet. Para isso, os profissionais da web registram os seus sites em diversos tipos de sites de busca. Devido ao constante crescimento das ferramentas digitais, este tipo de marketing é muito utilizado pelas empresas ultimamente. 18 Telemarketing: termo inglês criado por Nadji Tehrani em 1982 designa a promoção de vendas e serviços via telefônica, ou seja, marketing por telefone. Atualmente, o termo foge desta definição, ao abranger também a telecobrança (cobrança via telefone), atendimento ao consumidor e o suporte técnico. Pode-se dizer que o telemarketing é um "atendimento telefônico comercial ou não padronizado" que segue certos roteiros de atendimento. Na atualidade o telemarketing é feito, por empresas especializadas em trabalhos de divulgação e de orientação aos clientes de vários segmentos do mercado, sendo praticado em grandes ambientes denominados callcenters centrais de atendimento ou SAC (Serviço de Atendimento ao Cliente). Buzz Marketing: é um termo que significa uma forma de realizar um marketing. Conforme Arthur D. Little, Inc uma consultoria norte-americana "trata-se de uma das novas estratégias de marketing que encoraja indivíduos da sociedade a “repassar” uma mensagem de marketing para outros, criando potencial para o crescimento exponencial tanto na exposição como na influência da mensagem. Como os vírus reais, tais estratégias aproveitam o fenômeno da rápida multiplicação para levar uma mensagem a milhares e até milhões de pessoas". Diversas empresas já são consideradas cases de sucesso em campanhas de buzz marketing (viral) como, por exemplo, a Puma, Nike, Post-it e Red Bull. E-mail Marketing: é a utilização do e-mail como ferramenta de marketing direto. Diferentemente do spam (mensagens indesejadas), é essencial ao e-mail marketing o consentimento do cliente, que pode ser explícito, quando ele mesmo opta por receber, ou implícito, caracterizado por uma relação evidente entre as partes. Seguindo esses princípios éticos, o e-mail marketing pode ser usado na oferta de produtos e serviços, na promoção de itens adicionais e de interesse específico, bem como em campanhas de fidelização, pesquisas de satisfação, cartões comemorativos e de aniversário. 19 Trade Marketing: é uma parte essencial na estratégia de marketing das empresas que planejam maximizar a diferenciação dos seus produtos e serviços nos pontos-de-venda. É, consequentemente, uma disciplina de marketing que orienta o desenvolvimento das relações entre fabricantes e canais de venda, pelo entendimento das necessidades entre marcas, pontos-de-venda e consumidores. O Trade Marketing analisa os hábitos e preferências dos consumidores para o sucesso das estratégias de marketing e vendas. Define quais canais de mídia serão utilizados, que produtos desenvolvidos e que canais de comercialização para atender as preferências de consumo do público-alvo. O processo contínuo de fragmentação dos canais de mídias, somado a uma maior especialização dos canais de venda, num contexto no qual o consumidor está cada vez mais difícil de ser conquistado, criou um cenário de competição acirrada no qual as empresas lutam ferozmente por participação de mercado. Como dizia Kotler: “Participação no mercado não se compra. Descubra uma maneira de ganhá-la” ( KOTLER, 2008, 67). Nesse cenário, continua sendo fundamental desenvolver marcas fortes que estabeleçam condições de enfrentamento da concorrência, dos canais de venda pela sua comercialização e, o mais importante, o share (divisão) de preferência dos seus consumidores-alvo. O Trade Marketing estabelece ainda, a necessidade de se adaptar produtos, logística e estratégias de marketing, de modo a conquistar o consumidor nos pontos-de-venda, com um modelo de parceria entre os fabricantes e seus canais de vendas. Geomarketing: é um ramo de aplicação do geoprocessamento que possibilita a organização e a manipulação de informações referentes a clientes e pesquisas, a partir de um ponto de vista geográfico. Geomarketing pode ser definido como o estudo das relações existentes entre as estratégias e políticas de marketing e o território ou espaço onde a instituição, clientes, fornecedores e pontos de distribuição se localizam. 20 O geomarketing permite às empresas, identificar, com bastante precisão, os locais de maior potencial de consumo de um produto em um bairro, cidade ou região. Consiste no cruzamento de informações de mercado, de vendas ou de marketing com bases de dados geográficas, permitindo a análise e a visualização em mapas digitais do comportamento das variáveis em estudo. 1.5 O MARKETING ATUAL A virada do milênio assistiu a segmentação da televisão a cabo, a popularidade da telefonia celular e a democratização dos meios de comunicação especialmente via Internet. A rede mundial de computadores já estava madura o suficiente e nos primeiros anos desta década surgiram uma infinidade de pesquisas e publicações sobre webmarketing e comércio eletrônico. Atualmente, a internet oferece planejamento de mídia on-line, onde a marca pode avaliar o nível de exposição da marca e a freqüência de mensagens. A segmentação on-line pode ser feita através de sexo, idade, região, hábito de consumo, banda larga, computador, perfil de navegação, entre outras. Isso revolucionou tanto a logística como a oferta de produtos, e o cliente passou a ter informações e poder de barganha nunca vistos antes. O mundo online já é indispensável para empresas e consumidores. Era de se esperar que isso influenciasse a maneira com a qual os consumidores interagiam com as empresas entre si. A internet dispõe de ferramentas para ajudar o consumidor a escolher seus produtos e serviços de forma correta, com ferramentas potentes, além disso, existe a possibilidade de qualquer anunciante conversar com seu consumidor, a distância física deixou de ser problema e a informação necessária chega em tempo real. A mídia espontânea tomou o espaço da propaganda tradicional. Essa é normalmente trabalhada através da acessória de imprensa ou 21 marketing social. São notícias divulgadas pelas empresas e veiculadas como matérias jornalísticas. O nascimento do marketing de permissão, de Seth Godin em 1999, a conceitualização do marketing boca-a-boca por George Silverman, que foi analisado no início da década de 70, a explosão do buzz marketing e do marketing viral, no ano de 2000 por autores como Russell Goldsmith e Mark Hughes, tudo isso influenciou e continua por influenciar o marketing e a comunicação de uma forma geral. Na década atual, o Marketing de busca está em constante crescimento, a busca se tornou parte essencial da rotina dos usuários da Internet. Com isso, o Marketing de Busca, que é um dos tipos de Marketing digital, tem atraído cada vez mais atenção. Podemos defini-lo como um conjunto de estratégias que visam atingir o cliente em potencial no momento em que ele busca um produto, serviço ou qualquer informação na internet. As estratégias englobam os links patrocinados e a otimização para sites de busca. 22 CAPÍTULO II FRANQUIA Ainda que o termo franquia tenha nascido no tempo da Idade Média na França, o sistema de franquia, tal como o conhecemos hoje em dia tem a sua origem em meados do século XIX, nos Estados Unidos, concretamente no ano de 1862. Nessa data, a companhia I.M. Singer&Co, dedicada à fabricação de máquinas de cozinhar, começou a utilizar esta fórmula empresarial para solver as necessidades de distribuição e cobertura dos seus produtos. Assim, a necessidade de expansão da indústria no norte do país, triunfante atrás da guerra civil, leva os empresários a procurar a colaboração dos comerciantes de outras zonas, dando começo a essência do verdadeiro sistema de franquia: a colaboração entre empresários independentes para a obtenção de um fim comum. Com o tempo, muitas outras companhias começaram a adotar este conceito e negociaram concessionárias e distribuidores oficiais. Este foi o caso de vários fabricantes de automóveis, como a Ford ou General Motors, e de algumas companhias mais importantes de refrigerantes, como Seven Up ou Coca-Cola, a qual aceitou expandir-se, em número de países, com um sistema e formato equivalentes. Em 1929, a General Motors recorre a um contrato que favorece o associativismo entre a central e os seus distribuidores, de forma que se favorecia a colaboração entre as partes, ao mesmo tempo em que ambas mantinham níveis razoáveis de independência. Desta forma, diante das leis antitrust ou antitruste (Truste, é o uso do poder de mercado para restringir a produção e aumentar preços, de modo a não atrair novos competidores ou eliminar a concorrência),tendentes a evitar a integração vertical de distribuidores e produtores, facilitou o desenvolvimento efetivo do sistema de franquias, de cuja vitalidade e êxito da fé na sua atual expansão a 23 praticamente todos os setores da economia. No tempo em que nos Estados Unidos as empresas tomavam consciência das vantagens deste sistema, também na Europa muitos empresários viam na franquia importantes possibilidades de futuro. Assim, na França, encontramos o caso dos proprietários da fábrica de lãs a Lainiere de Roubaix, quem se assegura a saída comercial dos seus produtos criando a firma Pingoin, que associaram a um grande número de retalhistas. Estes, ao assinar o contrato com a matriz, asseguravam a exclusividade da distribuição dos produtos Pingoin na sua zona geográfica. Contudo, não foi até depois da segunda Guerra Mundial, quando nos Estados Unidos se desencadeou um desenvolvimento massivo do sistema de franquia, ao reativar-se a produção civil. As empresas necessitavam de uma rápida expansão para todos os mercados, enquanto isso, um grande número de pequenos investidores e imigrantes, vendo-se na necessidade de participar da nova vida econômica de seu país, encontraram na franquia uma boa solução para encontrar um meio de vida. Precisamente nos anos 50, começou também o descolar da franquia do setor de comidas rápidas, com nomes tão conhecidos como McDonald’s, Burguer King ou Kentucky Friend Chicken (KFC). Numerosas atividades de todos os setores começaram progressivamente a adicionar-se a este método de expansão de negócios até o ponto de alcançar já em 1988 o meio milhão de estabelecimentos, que davam trabalho a sete milhões de pessoas só no país norte-americano. Do mesmo modo nos anos 70 na Europa, devido à saturação dos mercados, começa a desenvolver-se em toda a sua plenitude o sistema de franquia. Já não chega conter um produto para conseguir o acesso a um mercado, faz falta algo mais, uma qualificação, uma marca, uma embalagem personalizada, um emblema, uma ideia ou um formato inovador e atrativo, e a franquia cobre todos estes parâmetros. Assim, a volta da marca como eixo central, constitui-se o verdadeiro contrato de franquia moderno, configurado por sua vez com outros conceitos como a 24 transmissão do “know-how” o saber-fazer a assistência permanente e a formação. Hoje, o franchising vem modificando e revolucionando o varejo, de forma definitiva. A globalização da economia, o aumento da competitividade e o crescimento da exigência dos consumidores acabam por tornar o sistema de franquia muito mais sério e profissional. 2.1 DEFINIÇÕES Franchising é um sistema de negócios que permitiu diversos empresários desenvolverem, ao longo dos anos, algumas das marcas mais conhecidas do mercado - como McDonald's, Lacoste, O Boticário, entre muitas outras. Podemos entender então que o franchising é uma forma de replicar o sucesso de um negócio estabelecido e bem-sucedido. Como resultado disso, uma enorme variedade de negócios se beneficia desse sistema nos mais diferentes ramos de atividade. Existem diversas maneiras de se definir franchising, uma delas é dizer que é uma estratégia de venda e de distribuição de produtos, tecnologia e/ou serviços, através da qual a empresa franqueadora permite o acesso de franqueados a uma marca, a uma tecnologia operacional e a um modelo de gestão de negócio em troca de pagamentos periódicos e de contribuição eficaz dos franqueados para melhoria contínua do sistema. A International Franchise Association (IFA) define franchising como um método para a comercialização de produtos ou serviços. Para eles, a operação de franchise é uma relação contratual entre o franchisor (franqueador) e o franchisee (franqueado), na qual o primeiro oferece ou é obrigado a manter um interesse contínuo no negócio do segundo no que diz respeito a áreas tais como “knowhow” e treinamento; na qual o franqueado opera sob um nome comercial comum e de acordo com um “formato” ou padrão estabelecido ou controlado pelo franqueador e na qual o franqueado faz um investimento financeiro substancial, de seus próprios recursos, em seu próprio negócio. No Brasil, o Conselho de Desenvolvimento Comercial (CDC), do Ministério 25 da Indústria e do Comércio, define como um sistema de distribuição de bens e serviços, pelo qual o titular de um produto, de um serviço ou de um método, devidamente caracterizado por marca registrada, concede a outros comerciantes, que se relacionem com o titular, por ligação contínua, licença e assistência para exposição do produto no mercado. A grande “sacada” do franchising é, pois, permitir a socialização dos benefícios e vantagens de uma estrutura corporativa maior e mais organizada (o franchisor) entre essa própria estrutura e toda uma rede formada por várias empresas menores (seus franchisees), jurídica e economicamente (CHERTO, 1988). 2.2 O SISTEMA Há dois grupos envolvidos em uma franquia: • O franqueador – pessoa ou empresa que vende os direitos do nome e do sistema do negócio • O franqueado – pessoa que compra a franquia No sistema de franchising, a relação entre franqueador e franqueado é de extrema interdependência. O franqueador é quem desenvolve e promove constantemente o negócio, transformando o conhecimento gerado pela rede em ações eficazes. Já o franqueado é quem 'faz acontecer' o negócio na ponta, dedicando-se a ele e colaborando com o franqueador na busca de diferenciais competitivos. Podemos dizer também que franquia ou franchising comercial é o sistema pelo qual o franqueador cede ao franqueado o direito de uso da marca ou patente, associado ao direito de distribuição exclusiva ou semi-exclusiva de produtos ou serviços. Eventualmente, o franqueador também cede ao franqueado o direito de uso de tecnologia de implantação e administração de negócio ou sistemas desenvolvidos ou detidos pelo franqueador, mediante remuneração direta ou indireta, sem ficar caracterizado vínculo empregatício. 26 Nos últimos 50 anos, esse conceito do sistema de franquia foi evoluindo até que chegássemos ao business format franchising – o modelo de franchising mais utilizado nas organizações varejistas atualmenteneste – o franqueador licencia todo o formato de um negócio, não apenas um produto ou marca. Segundo Daniel Plá, podemos dividir o sistema de franquias em 5 modelos: • Primeira geração: caracteriza-se pela concessão de uso da marca pelo franqueador ao franqueado. Nesse tipo de franquia, há pouco suporte operacional e prestação de serviços à rede franqueada. Ex: Montana Grill. • Segunda geração: é um tipo de franquia que oferece um pouco mais de serviços e auxílio operacional aos franqueados. Normalmente, nesse sistema, o franqueado é obrigado a comprar a mercadoria do franqueador e tanto os royalties quanto as taxas de promoções estão embutidas nos preços dos produtos vendidos. Ex: O Boticário. • Terceira geração: tem um modelo em que o franqueador, além do desenvolvimento do produto/serviço, desenvolve a operação do negócio e também fornece grande assistência e suporte. Nesse tipo de franquia, a transparência é total. O franqueado não compra direto do franqueador, o que diminui atritos na relação. Além disso, ele recebe treinamento, suporte operacional, supervisão de campo, manuais, acessoria na escolha do ponto comercial e assistência na fase de implantação da franquia. Ex: Mister Pizza. • Quarta geração: destaca-se na qualidade e quantidade dos serviços prestados pelo franqueador. São franquias mais evoluídas, em que existe um conselho de franqueados que participa intensamente das decisões estratégicas da empresa, colaborando para a consolidação da marca e alertando o franqueador sobre possíveis ameaças e oportunidades de mercado. Ex: CCAA. 27 • Quinta geração: nada mais é que uma franquia de quarta geração com a garantia de recompra da unidade franqueada pelo franqueador, que só é viável quando o ponto comercial ou o imóvel pertence à empresa franqueadora, que o aluga ou subloca ao franqueado. Obviamente que para operacionalizar um sistema de recompra, a empresa franquadora deve estar capitalizada e ter uma estrutura interna significativa para operar lojas próprias. A garantia pode ser formal ou informal. Na recompra formal, suas regras e valores constam no contrato de franquia, depois de serem discutidos entre as partes ou, em alguns casos o franqueador tem preferência na compra da unidade franqueada. Já na recompra informal, o compromisso não consta em contrato, mas acaba ocorrendo na maioria das vezes. A grande vantagem da franquia de quinta geração é a de oferecer menor risco para o franqueado, reduzindo de forma considerável as chances de um franqueado insatisfeito trocar de bandeira ou, na pior das hipóteses, fechar a unidade franqueada. Segundo pesquisas da Associação Brasileira de Franchising – ABF, o número de lojas recompradas ou fechadas varia de 10% a 20%. Agravando a situação, as franquias que não operam com a garantia de recompra acabam tendo, na maioria das vezes, conflitos jurídicos que tendem a ser desgastantes para todos os envolvidos no processo. De um lado, o franqueador diz-se responsável pelo sucesso do negócio e acusa o franqueado pelo fracasso da unidade em discussão, enquanto o franqueado responsabiliza o franqueador por não ter aprovado o ponto comercial adequado ou não ter um marketing eficiente. Geralmente existe sempre uma parcela de culpa de ambos os lados. O franqueado que não soube escolher o franqueador e o franqueador que aprovou o franqueado errado. Por esse motivo a franquia de quinta geração se torna mais vantajosa; o franqueador se obriga a recomprar a unidade, o que faz com que ele 28 tome cuidados adicionais na escolha e aprovação do ponto comercial. Outros aspectos também começam a serem levados mais em conta como: treinar o franqueado e só aprovar os que têm perfil adequado. É provável que daqui a alguns anos, os fundos imobiliários passem a operar em conjunto com as franquias de quinta geração, o que permitirá que investidores que não estão dispostos a operar unidades franqueadas possam obter ganhos consideráveis pela renda do aluguel, calculado de acordo com o faturamento da loja, o que expandirá as redes que adotam tal sistema. Não há como prever como será a franquia de sexta geração. A única certeza é que ela virá para aumentar ainda mais as garantias do franqueador e do franqueado e a satisfação de um consumidor que está cada dia mais exigente. 2.2.1 As vantagens e desvantagens do sistema O franchising, como todo sistema de distribuição, apresenta vantagens e desvantagens para seus participantes. Do ponto de vista do franqueador, é altamente interessante, já que possibilita a expansão de seu negócio com recursos de terceiros; gera economia de escala, pois com o crescimento da rede o custo de produção cai e o poder de barganha com fornecedores aumenta; dilui a responsabilidade com a concorrência, na medida em que suas lojas ficam sob a administração de outros donos; além de fortalecer a marca, posto que com o maior número de lojas, a penetração e a lembrança da marca se tornam mais fortes. Acontece que o franchising produz um efeito multiplicador das capacidades da empresa franqueada, pelo ganho de uma capacidade de investimento, de crescimento e de um capital humano tais, que esta alavancagem dificulta a entrada de empresas sem experiência de mercado, mas apenas com filiais próprias. Segundo Bernard (Franchising: avalie este investimento, 1992 apud PLÁ, 2001, p. 26) Para o franqueado, o sistema também se apresenta como uma grande arma para lidar com um mercado tão competitivo como este. Utilizando uma marca 29 conhecida e consolidada, com tecnologia e metodologia já testadas, ele consegue minimizar os riscos de abertura de um negócio próprio. Com o franchising, o franqueado não só recebe orientação e assistência na administração do negócio, o que diminui ainda mais os riscos, como também se beneficia com a expansão da rede, que valoriza sua loja. Além disso, na maioria das vezes, é um negócio que não necessita de experiência prévia no ramo. Apesar de tamanhos benefícios, o franchising também pode oferecer desvantagens para alguns. Para o franqueador, o sistema de franquias apresenta algumas dificuldades quanto à manutenção dos padrões operacionais e o controle da disciplina do franqueado, uma vez que sendo o franqueado o dono do negócio, qualquer exigência em relação a ele é muito mais complexa e trabalhosa. Outro problema para o franqueador diz respeito à quebra de vínculo com o franqueado, porque o descredenciamento envolve dinheiro e questões legais muito mais difíceis de serem resolvidas. Ainda como dificuldades do sistema são apontadas a divisão de ganhos – uma vez que o franqueador passa a receber apenas uma parte do faturamento do franqueado e a potencialidade de criação da concorrência, na medida em que o franqueador transmite todo seu know-how a alguém que pode abandoná-lo no futuro. Para o franqueado, as desvantagens são diferentes. A primeira, e a mais forte delas refere-se a pouca oportunidade de iniciativas individuais, uma vez que o franqueado tem de seguir um padrão, o que limita suas iniciativas. Há também a questão de o franqueado ter de pagar, pela marca e pela metodologia, um custo em que um negócio não franqueado não incorre. Outra dificuldade é a venda do negócio, pois como se trata de uma cessão de marca e know-how, esta operação torna-se muito mais complexa, uma vez que o novo franqueado tem de ser aprovado pelo franqueador. Ainda como desvantagem para ele há o risco de o franqueador fracassar. 30 2.2.2. Fatores Importantes Antes de optar por uma franquia, é fundamental que o empreendedor tenha uma visão geral dos aspectos que envolvem o negócio, para tomar as decisões corretas, evitando futuras decepções. Por isto é obrigatória a apresentação de circular de franquia pelo franqueador, indicando as condições gerais do negócio jurídico. Optar pelo investimento em uma franquia, porém, não é das decisões mais simples a se tomar. Vários fatores devem ser ponderados antes de confirmar a decisão. É importante destacar que, embora possibilite retorno mais rápido, a compra de uma franquia geralmente exige um investimento inicial alto. Além de precisar prever custos com local de instalação, equipamentos e pessoal, o franqueado ainda paga uma taxa ao franqueador - além de royalties sobre o faturamento mensal. No Brasil, a lei nº 8.955/94, de 15 de dezembro de 1994 dispõe sobre o contrato de franquia empresarial (franchising) e dá outras providências. Existem outras formas de licenciamento de marcas, mas somente as que cumprem o disposto na lei supracitada podem ser tratadas como contratos de franquia. Muitas pessoas com características empreendedoras desejam abrir uma franquia com o objetivo de ter seu próprio negócio, ou de ser seu “próprio patrão” , como costumam dizer. Há varias possibilidades de ter seu próprio negocio inclusive, como micro e pequena empresa. Uma saída é abrir uma franquia de alguma marca que esteja em evidência ou em constante crescimento, isso sinaliza que as chances da franquia dar certo são maiores. Podemos ainda, pensar em franquia como um pagamento a alguém por suas estratégias de negócio, de marketing, operacional e pelo uso do nome. A franquia é basicamente isso: você estabelece uma relação com um negócio de sucesso para que possa usar seus sistemas e capitalizar sobre uma marca já existente para obter um rápido retorno sobre seu investimento. 31 Você está usando o sistema e o nome patenteados de terceiros e administrando o negócio sob as regras deles. O franqueado deve seguir as orientações do franqueador, dessa forma a marcar não perde seus principais conceitos. Caso contrário, cada unidade de franquia acabaria por ter seu aspecto individual e o conceito da marca (que é o mais importante) se perderia com o tempo. O franqueado possui os ativos do negócio, mas o franqueador possui o produto e a marca registrada. Os direitos da franquia são vendidos pelo franqueador ao franqueado por uma quantia inicial, geralmente chamada de taxa de entrada ou taxa de franquia. Esse dinheiro será pago uma vez que o contrato tenha sido assinado. O contrato (acordo de franquia) detalha as responsabilidades de ambos, o franqueador e o franqueado. 2.2.3 Investimento Para se qualificar para uma franquia convencional, você tem que ter investimento mínimo. No Brasil, este investimento (taxa de franquia) pode ser de R$ 20 mil a R$ 1,5 milhão, dependendo obviamente da empresa e de que tipo de franquia. Cada uma delas embute alguns serviços na taxa de investimento. Obviamente, depende do tipo de contrato. Os itens que podem fazer parte dessa taxa de franquia são: • Compra dos direitos da marca • Treinamento de funcionários • Treinamento de gestores • Abertura da empresa • Compra de equipamento padronizado • Reforma do ponto 32 • Decoração do ponto • Primeiro enxoval (no caso de um restaurante, são as mesas, pratos, utensílios) • Primeiro estoque Há outros gastos que não estão embutidos nessa conta, mas que devem ser somados. São os custos operacionais e custos variáveis. São considerados custos operacionais: • Aluguel de imóvel • Condomínio • Salários dos sócios e funcionários • Contador • Telefone/ luz/ água • Impostos fixos (IPTU, ISS) São considerados custos variáveis: • Compra de produtos • Impostos sobre faturamento O período de vigência do contrato costuma ser de anos e, uma vez que o contrato expira, ele deve ser renovado. As leis do local onde a franquia está estabelecida geralmente têm um impacto sobre as opções de renovação. Além das taxas de franquia, o franqueado deve pagar ao franqueador as taxas de direitos de exploração (royalties). Royalty é uma palavra de origem inglesa que se refere a uma importância cobrada pelo proprietário de uma patente de produto, processo de produção, marca, entre outros, ou pelo autor de uma obra, para permitir seu uso ou comercialização. As taxas podem ser de menos de 1% até 30%, dependendo do tipo do franqueador. Esses pagamentos são geralmente tomados como uma porcentagem de vendas, mas também podem ser estabelecidos como uma quantia fixa ou uma 33 escala móvel. Os termos dessas taxas serão difíceis de decifrar no contrato de franquia. Os franqueadores também podem vender os suprimentos para seus franqueados. Fundos de publicidade também são pagos periodicamente. Esses fundos geralmente são colocados em uma conta geral e usados para promoção regional para a cadeia toda. O sucesso da maioria das franquias é baseado nos sistemas operacionais, métodos e produtos. Por essa razão, os franqueadores devem proteger sua informação de propriedade e marcas registradas. Para fazer isso, eles estabelecem cláusulas restritivas para seus franqueados. Essas cláusulas regulamentam o que um franqueado pode fazer. Por exemplo, uma cláusula pode estabelecer que o franqueado não pode operar outro negócio similar que concorra com o negócio franqueado durante o prazo de duração do contrato da franquia. São as chamadas cláusulas de nãoconcorrência durante o prazo. Também pode haver cláusulas de não-concorrência depois do prazo, que proíbem ao franqueado operar um negócio similar mesmo depois de o prazo da franquia ter expirado. Cada franqueador, entretanto, tem suas próprias leis sobre a força das cláusulas de não-concorrência. Geralmente, as cláusulas para o tempo de validade do contrato podem ser mais facilmente impostas do que aquelas para depois do contrato expirado. Os segredos comerciais de um negócio geralmente são vitais para seu sucesso. É uma regra entendida a de que os franqueados manterão os segredos comerciais estritamente confidenciais. Isso não implica apenas proteger a franquia, mas também proteger os investimentos individuais do franqueado. A lei de franquias nº 8.955, de dezembro de 1994 regulamenta os segredos no Brasil. Os sistemas de propriedade e informação de franquia que não caem na categoria de segredo comercial devem ser tratados como tal, porque ainda podem ser protegidos pelas cláusulas restritivas do contrato de franquia. 34 Os elementos de uma transferência de propriedade de franquia geralmente são: • o franqueador tem o direito de aprovar a transferência • o franqueado deve executar uma liberação (a menos que seja limitado por lei) • o franqueador dá a aprovação final das qualificações em perspectiva do franqueado • há limitações sobre transferências a concorrentes (geralmente defendidas em tribunais) • o franqueador tem o direito da primeira recusa sob os mesmos termos de um franqueado em perspectiva • o franqueado não deve ter taxas pendentes com o franqueador 35 CAPÍTULO III SISTEMA DE FRANQUIA NO BRASIL No Brasil as escolas de inglês (Yázigi e CCAA) foram umas das responsáveis pela introdução do sistema de franquia, no início dos anos 60. Porém, nesta época, o franchising ainda era praticado de forma empírica, o conceito que o sistema de franquia tem nos dias de hoje, não era o mesmo desta época. O Franchising já existia, mas ainda não havia criado raízes, como um sistema, no mundo empresarial. Eram poucas as empresas brasileiras que se utilizavam do sistema e faziam-no sem a consciência e o profissionalismo que viria mais tarde. A empresa Yázigi, ao contrário do que muitos pensam, é uma empresa nacional. Quando ela foi criada, os cursos de língua inglesa disponíveis no Brasil, por serem ministrados pelas Uniões Culturais do Brasil - Estados Unidos, tinham como foco principal a divulgação das “culturas” americana e inglesa, tendo como base leituras de textos sobre seus países de origem. Já a Yázigi tinha como objetivo básico, promover cursos de inglês, com ênfase na comunicação verbal, a um mercado que ainda não tinha um produto assim. Criou-se um curso de inglês voltado especificamente para aqueles que desejavam aprender de forma prática e rápida a se comunicar nessa língua e o diferencial: um curso moldado especialmente para o aluno brasileiro. No final da década de 70, a empresa se expandiu até atingir cerca de 150 escolas, após este momento, estagnou-se, para se reestruturar internamente antes de prosseguir na expansão. Este fato ocorreu devido a grande dispersão geográfica da rede (que nessa altura já estava presente em quase todas as unidades da federação), ao mesmo tempo em que surgiam e/ ou fortaleciam-se redes concorrentes. A partir daí, o sistema de franchising evoluiu bastante, com a fundação da Associação Brasileira de Franchising (ABF), por iniciativa de Marcelo Cherto (Atual 36 presidente do Grupo Cherto e membro da Academia Nacional de Marketing) e Marcus Rizzo (especialista em franquias e atual diretor da consultoria Rizzo Franchise) em meados dos anos 80 e a entrada em vigor da Lei da Franquia no. 8.955/04 em 15 de dezembro de 1994. ABF A ABF – Associação Brasileira de Franchising, nasceu de um encontro entre Marcelo Cherto, Marcus Rizzo e diversos empresários que mostraram-se curiosos em relação a esse novo sistema do mercado. Este grupo de empresários que acabariam por fundar a ABF era composto por Miguel Krigsner (fundador e controlador de O Boticário, hoje a maior rede brasileira de lojas de cosméticos e perfumes), Claudine Pessoto (diretor da D. Paschoal, rede brasileira de lojas de pneus), Rdson D’Aguano (então diretor da Ellus, fabricante de jeans e outros tipos de roupas), Ricardo Silva (herdeiro do Yázigi, rede de escolas de línguas estrangeiras, citada acima), Hamilton Marcondes (na época funcionário da Arapuã, rede de lojas de eletrodomésticos), Antoninho Rossini (jornalista e assessor de imprensa) e Petrônio Camacho (consultor de shoppings centers). A ata de fundação da ABF foi redigida à mão por Marcelo Cherto (que também redigiu os Estatutos originais e o Código de Ética da ABF) e assinada durante um café da manhã realizado no Hotel Bourbon de São Paulo (então cliente de Marcelo Cherto), no dia 7 de julho de 1987. Hoje, a ABF possui mais de 1000 associados (franqueadores, franqueados e prestadores de serviços), que ao longo dos anos vêm participando de diversas ações para o desenvolvimento do sistema de franchising no Brasil. Entre as atividades que são realizadas estão: conferências, simpósios, seminários, palestras, cursos, além de encontros de formação técnica sobre o Franchising. Mais recentemente criou, em conjunto com a FIA/ USP, o primeiro curso de MBA de Franquias da América Latina. O perfil empreendedor da ABF, vem se destacando também no âmbito 37 internacional. A associação é membro-fundador do WFC (World Franchise Council), entidade que congrega as mais importantes associações no mundo, bem como a FIAF (Federação Ibero-Americana de Associações de Franchising). Faz parte também do quadro da IFA (International Franchise Association) e é membro correspondente da Federação Européia de Franchising. No ano de 2009, passou a ocupar uma cadeira no FIRAE - Forum for International Retail Associations Executives. 3.1 O FRANCHISING HOJE, NO BRASIL É cada vez maior o número de redes de franquias que contam com a participação ativa dos franqueados no processo de tomada de decisões estratégicas. Esta mudança de postura acontece num momento em que a quantidade e a velocidade de circulação das informações necessitam ser muito maiores, como conseqüência de novas tecnologias trazidas pela Internet e outros meios de comunicação. A disseminação de know-how, foco das redes franqueadoras, pode ser feita de uma forma extremamente barata. Os franqueadores têm agora maneiras mais eficientes de repassar à rede comunicações como atualizações de manuais, treinamentos, avaliações de desempenho, campanhas promocionais, instruções para montagem de lojas, entre outros assuntos. Por parte do franqueado, o mesmo tem acesso a todos os membros da rede, facilitando a mobilização para discussão de assuntos relevantes ao cotidiano das operações. Estamos numa nova era onde todos os membros da rede participam ativamente da definição dos rumos da empresa franqueadora. O sistema de franchising hoje, no Brasil e no mundo, tem uma importância significativa na economia, sendo um grande gerador de empregos, além de responsável por uma significativa parte do PIB de um país. Só para ilustrar, o Brasil é o terceiro maior país do mundo em número de unidades franqueadas, o 38 qual dissemina conhecimento de como se fazer franchising para o resto do mundo. O faturamento do setor de franchising brasileiro deve registrar crescimento de 15% em 2013, chegando a R$ 120 bilhões, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Franchising (ABF). Ainda de acordo com a entidade, o número de pontos de vendas deve alcançar 115 mil lojas, um aumento de 10% em relação a 2012. De acordo com Ricardo Camargo, diretor executivo da ABF, as microfranquias têm contribuído para esses resultados positivos. “Elas não possuem custos altos para abertura e, principalmente no segmento de serviços, não exigem elevados investimentos em estrutura”, afirma. A ascensão da classe C também vem impulsionando o crescimento das franquias, já que “muitas passaram a adaptar as lojas para atender a esse segmento populacional. Foram criados novos produtos e abertos pontos em regiões periféricas, levando ofertas para além dos grandes centros”, explica Camargo. Na visão do executivo, por ser um modelo de negócio já aprovado, o franchising leva mais segurança aos empreendedores. “O índice de mortalidade de franquias nos dois primeiros anos é de 3%, bem inferior ao do varejo comum, que chega a 27%, de acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). E a empresa já nasce com suporte, com toda a preocupação do desenvolvimento do produto, ponto de venda, campanhas de marketing por trás”, finaliza Camargo. Como vimos anteriormente, a maior vantagem da franquia parece ser a redução de riscos decorrentes do investimento. Isso acontece porque, geralmente, as franquias são organizadas e administradas rapidamente e têm lucro mais rápido também. O retorno de uma franquia no Brasil varia muito de 24 meses a 10 anos, dependendo do tipo de negócio e investimento. O mercado de franquias é amplo e cresce a cada dia, existem franquias de 39 todos os tipos, desde empresas que oferecem serviço de limpeza até hotéis de redes internacionais. Isso pode ser resultado de uma melhor administração, bem como de um nome bem conhecido. De acordo com a Administração de Pequenos Negócios (em inglês) - Small Business Administration (SBA), a maioria dos pequenos negócios quebra devido à má administração. No Brasil, levantamento do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), feito entre 2010 e 2012, mostra que metade das micro e pequenas empresas fecha as portas com menos de dois anos de existência. É nessa área que a opção de franquia mais se destaca, pois quando você compra uma franquia, você está comprando um conhecimento administrativo. A maioria dos franqueadores no Brasil tem ainda convênios com facilidades burocráticas para obtenção de crédito. São os casos da Caixa Econômica Federal (CEF), Banco do Brasil (BB) e Banco do Nordeste. Geralmente, quem entra num sistema de franquia também consegue melhores contratos com fornecedores porque a empresa de franquia pode comprar os bens e suprimentos em grande quantidade para a cadeia toda, repassando os descontos para as suas franquias e outras unidades da franquia. O reconhecimento instantâneo dos clientes também é importante. Os clientes estão lidando com algo já conhecido pela maioria das pessoas. As pessoas não costumam gostar de arriscar. Quem inicia num sistema de franquia em que a marca em questão é reconhecida e bem conceituada, já é um grande passo na conquista de clientes. Para o cliente, a vantagem de uma franquia inclui o conforto de conhecer o que se está levando. Você sabe que a qualidade do produto ou o serviço de um lugar será comparado ao do outro, sabe o que eles têm e você já sabe se gosta dele. O franchising brasileiro, sem duvida, é a nova face de um Brasil moderno, que está não só amadurecendo, mas sobretudo se emancipando. O sistema dá provas que o país tem todas as condições de manter-se competitivo no cenário internacional, graças aos exemplos de competência apresentado por seus franqueadores. (Declaração de Gerson Keila, presidente da ABF, retirada do site da ABF) 40 3.2 APLICAÇÃO DO MARKETING NO SISTEMA DE FRANQUIA Nas décadas de 70, 80 e 90, a principal idéia era de que o marketing era um composto formado por 4 P’s: ponto, promoção, produto e preço. Porém em meados da década de 90 incorporou-se a idéia de um quinto P- pessoas, ou seja, os consumidores passaram a ser o foco principal das empresas. Com o intuito de se diferenciar entre as concorrentes, algumas empresas estão aplicando ferramentas de marketing mais modernas. Um dos principais motivos disso é que os negócios são cada vez mais pressionados por um consumidor extremamente fortalecido pela violenta concorrência entre empresas que lhe oferecem um extenso leque de produtos com preços, qualidade e outras vantagens similares. As empresas, principalmente as micro e pequenas, precisam ter diferenciais muito além dos 4 Ps. Um desses pode estar na Comunicação Empresarial. A Comunicação foi e continua sendo a hélice que garante a decolagem do negócio. A comunicação pessoal ou de uma empresa, independentemente do seu tamanho, além de ser fundamental, como por exemplo, o capital de giro, os produtos e os estoques; tem de se diferenciar. Em qualquer negócio, não importa o tamanho, seus responsáveis precisam colocar a Comunicação Empresarial ao lado das ferramentas mais importantes de gestão. A comunicação Empresarial da pequena empresa precisa deixar de ser vista como algo supérfluo. Todo franqueador que pretende lançar novidades em sua rede deve fazer uma extensa pesquisa de marcado para conhecer as reais necessidades do seu público-alvo, da mesma forma como deve escutar seus franqueados para evitar conflitos. Quando a empresa dispõe de uma pesquisa séria que informa sobre seu cliente, implantar novidades é muito mais fácil. Uma técnica muito utilizada no varejo é a simples observação do comportamento dos clientes numa situação normal de compras. Existem casos em que a compra é por simples impulso, enquanto em outros, a decisão de comprar 41 (ou deixar de comprar) é de alto envolvimento. O franqueador deve escutar seus melhores franqueados e não apenas acreditar no resultado de pesquisas formais, para não correr o risco de ter um grande fracasso no lançamento de uma nova idéia ou gerar uma insatisfação irreversível na rede como um todo. Muitas vezes, é a procura do consumidor por determinado produto ou serviço que faz com que o franqueador introduza outros itens em sua rede. Nesse caso, deve-se tomar o cuidado para não descaracterizar a imagem da marca. O ideal é oferecer ao consumidor um produto ou serviço de qualidade, com preço acessível e que satisfaça às suas necessidades, num ambiente agradável e com um excelente atendimento. E isso só é possível quando se conhece os desejos do público-alvo. O que vai garantir a volta do cliente é o cumprimento de regras básicas – como dizer bom-dia ou até agradecer no momento de dar o troco. Provavelmente as franquias que, nos próximos anos deixarão de existir, serão aquelas que não investirem pesado em treinamento, supervisão, propaganda e numa seleção criteriosa dos seus franqueados. Por isso vale lembrar que o franqueado também é cliente. Hoje, o sistema de franchising já é maduro e o franqueador deve trabalhar junto com todos os seus franqueados, desta forma, conquistará o respeito do consumidor e consolidará de vez a sua marca. As marcas fortes, que oferecem a qualidade e o valor que o consumidor deseja, são as que lucram o suficiente para, por exemplo, pagar os royalties do franqueador, o fundo de promoção e o lucro merecido do franqueado. Por se tratar de uma atividade de sociedade, ser ético no franchising é fundamental. Somente dessa maneira se respeita o conceito de parceria que rege o sistema de franquias e se obtém uma sociedade justa e equilibrada para ambas as partes. O franqueador ético concede ao franqueado um conceito de negócio já testado e comprovado sucesso e, com isso, assume a responsabilidade de crescimento da sua marca, além do compromisso de com ele manter um 42 relacionamento transparente. É preciso construir uma relação, sem que haja um desgaste com o cliente. O franqueador deve oferecer ao candidato à franquia assessoria na escolha e instalação do ponto comercial, assistência inicial e contínua ao franqueado e ao pessoal por ele contratado, por meio de supervisores, instrutores, cursos e treinamentos, absorvendo os custos dessas atividades ou rateando-os com o franqueado, na forma estabelecida contratualmente. O franqueado, por sua vez, deve envidar esforços para o desenvolvimento da sua franquia e também para a preservação da identidade e reputação da rede. Com freqüência, tem que fornecer ao franqueador os dados de funcionamento da sua unidade, a fim de possibilitar um eficaz controle da sua gestão. Deve ainda acatar e cumprir rigorosamente as especificações, padrões, procedimentos, recomendações e orientações do franqueador referentes à operação do negócio. Sob nenhuma hipótese, durante ou após a vigência do contrato, deve divulgar a terceiros o know-how e os segredos de negócio transmitidos pelo franqueador. 3.3 A MARCA Todas as grandes marcas de franquias que conhecemos hoje são resultado de muita persistência, consistência e grande investimento financeiro até alcançarem a maturação. Só conseguem a comunicação mais eficiente de uma marca, as empresas que mantêm seu posicionamento. Essa tarefa parece ser simples, mas na verdade é complexa. O valor de uma marca pode ultrapassar de forma significativa a soma de todos os ativos tangíveis de um franqueador. Uma marca bem construída, na maioria dos casos, é o que sustenta qualquer empresa bem-sucedida. A proteção legal da marca no Brasil é obtida a partir do seu registro no INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) e com o devido acompanhamento de um escritório de advocacia especializado. Esse procedimento resguarda da ação 43 da pirataria, porém não garante o sucesso da marca. A força de uma marca é obtida com o mesmo processo a que um atleta se submete quando quer vencer uma olimpíada. Existe preparação constante e metas a serem superadas. Assim como nas Olimpíadas, o mercado só tem espaço para poucos vencedores e que para mantermos uma marca vencedora no franchising deve-se, antes de tudo, entender que “a propaganda é a alma do negócio”, mas que de nada adianta se não houver excelentes franqueados à frente do empreendimento. É importante escolher o franqueado certo e evitar investidores que não fiquem operando o negócio ou não tenham espírito empreendedor. O franqueado ideal deve ter não só capital, mas também disposição de acompanhar a disciplina inerente a qualquer franquia. Selecionar o ponto ideal é imprescindível para sustentar uma marca de sucesso. Deve-se evitar abrir lojas em shoppings com alta rotatividade de lojistas ou custos que possam inviabilizar a sua operação. Uma loja fechada do lado da sua pode comprometer a imagem da marca. Os detalhes são importantes, pois são eles que, somados, garantirão o sucesso do franqueador e do franqueado e, certamente, fortalecerão a marca. A loja precisa sempre ter produtos e serviços na quantidade certa e com preços competitivos. Uma loja mal abastecida ou com preços fora do mercado compromete de forma quase irreversível a imagem de uma franquia. O consumidor utiliza determinadas marcas não só por uma questão de status, mas também por uma questão de confiança e segurança. No caso de produtos ou serviços complexos e sofisticados, uma marca conhecida reduz o risco de compra. Em relação aos serviços, que normalmente não podem ser testados nem devolvidos, a marca mais forte garante uma vantagem competitiva, o que permite a sobrevivência dos franqueados mesmo em momentos de turbulência econômica, devido à lealdade e confiança do consumidor. A forma como o consumidor percebe uma marca depende de um todo, formado a partir de uma série de pequenos detalhes, que, sendo coerente com o 44 preço e a qualidade dos produtos ou serviços oferecidos, garante o sucesso de uma franquia. Algumas marcas do varejo conseguiram criar uma personalidade que as destaca das demais. Porém a manutenção dessa personalidade criada exige uma constante atualização. Somente assim, é possível construir e manter a força da marca. Alguns franqueadores, infelizmente, não pensam a longo prazo. A falta de uma cláusula no contrato de franquia que obrigue o franqueado a atualizar o visual da loja seguindo os padrões preestabelecidos pode criar conflitos que acabarão minando o relacionamento franqueador-franqueado. É de responsabilidade do franqueador determinar o projeto arquitetônico ideal para o seu público-alvo. Uma loja popular jamais poderia, num país como o Brasil, operar com as portas fechadas, porque dessa forma poderia acabar intimidando um cliente humilde. A imagem de um negócio pode ficar imediatamente comprometida quando se comete uma pequena falha. Druker dizia: “A única fonte de lucro é o cliente” (DRUCKER, 1998,42). Todos os detalhes visam atrair o cliente e torná-lo fiel. O bom lojista deve sempre estar atento às necessidades do seu cliente, criando serviços ou inserindo produtos que diferencie sua marca da concorrência. Isso se chama identidade da marca e deve ter um aprimoramento constante. Um bom exemplo de negócio que se diferencia são as livrarias que oferecem além de livros, os coffee shops , que tornam o ambiente mais convidativo para a leitura. Outras características que são imediatamente avaliadas pelos clientes são: bom atendimento, qualidade, arrumação e limpeza das lojas. Ainda que o preço seja um pouco mais alto do que o da concorrência, a loja que reúne os quesitos citados acima terá mais chance de sucesso. 45 3.4 PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO Planejamento estratégico é outro pilar importante de qualquer negócio. É por meio do planejamento estratégico que a empresa desenvolve e mantém uma adequação entre objetivos, experiências e recursos de uma empresa franqueadora e suas oportunidades no mercado. Seu propósito é modelar e remodelar os negócios com o objetivo de crescimento e lucro. O planejamento estratégico viabiliza a compreensão da conjuntura mercadológica e a situação da empresa, além de projetar cenários e desenvolver estratégias para adequar a franquia aos novos panoramas, o que acaba por permitir o aproveitamento das oportunidades, a minimização das ameaças, a potencialização das suas forças e a proteção de suas vulnerabilidades. Para ser completo, o plano estratégico precisa conter uma análise criteriosa dos pontos fortes e fracos da empresa franqueadora, assim como das oportunidades e ameaças ao negócio. Kotler diz que: “Uma oportunidade de marketing existe quando a empresa pode lucrar ao atender às necessidades dos consumidores de um determinado segmento” (Kotler,2008,35). Os pontos fortes são os pontos positivos e favoráveis (forças) que o negócio apresenta. A identificação e o estímulo de tais pontos determinam a continuidade e o crescimento dos diferenciais da franquia. Os pontos fracos são as formas de trabalho que dificultam a atuação e o progresso da empresa franqueadora. O conhecimento dessas fraquezas possibilita a correção dos seus efeitos sobre a organização. As oportunidades existentes no mercado devem ser levantadas para que a empresa possa direcionar seus esforços de marketing de forma mais apropriada diante das alternativas que surgem no mercado. A análise das ameaças é necessária para se conhecerem as tendências desfavoráveis que podem levar, caso não haja uma ação defensiva, à deterioração 46 das vendas. A descoberta de tais variáveis permite a elaboração de estratégias que impeçam a efetivação de tais tendências. Para que o planejamento estratégico seja eficaz, é preciso fazer também uma análise dos pontos fortes e fracos dos três principais concorrentes da empresa franqueadora. Dessa forma, é viável não só criar mecanismos que fortaleçam a empresa e estabeleçam diferenciais, como desenvolver estratégias que enfraqueçam os concorrentes. A partir da análise do mercado, da empresa e da concorrência, é preciso imaginar e projetar o futuro. Essa é a única forma de se criar as estratégias que serão utilizadas para moldar a franquia. Vale lembrar que o importante é projetar com lucidez e racionalidade. De acordo com a imagem que a empresa franqueadora está projetando para o futuro, é necessário elaborar estratégias capazes de enfrentar os novos desafios do mercado. O importante é que as estratégias, independentemente do ramo em que a empresa atua, sejam revistas e reavaliadas periodicamente. Nenhuma estratégia ou plano dura eternamente. É preciso evoluir. 3.4.1 Mercado potencial Todo franqueador quando pretende expandir o seu negócio deve fazer uma extensa pesquisa de mercado para avaliar o potencial de crescimento para marca. Numa rede, só se pode pensar em crescer por meio do franchising quando sabese que este potencial realmente existe. Isto acontece porque o franchising é uma forma de crescimento que necessita do envolvimento e da aposta de terceiros. E só existirão apostas nesse negócio, se esses potenciais terceiros identificarem que o negócio apresenta uma elevada demanda potencial. Dificilmente alguém investe alto quando um negócio não apresenta essa característica. Desta forma, uma atitude sensata para um futuro franqueador é avaliar qual 47 é o mercado potencial não só dos produtos ou serviços por ele prestados, como também o mercado potencial para a franquia. Não adianta nada estruturar um sistema de franquia, se não houver uma demanda potencial para a franquia. Até porque, mesmo tendo consumidores potenciais, se não houver franqueados o sistema não funciona. É fundamental sempre ter em mente que, para estruturar uma rede de franquias, não é suficiente pensar só no consumidor final do produto, é preciso pensar também nas possibilidades de parcerias existentes. Ignorar esse fato é condenar a franquia ao fracasso. Contudo, é importante ressaltar que para mensurar essa demanda é necessário, primeiramente, definir o perfil do futuro parceiro de negócios. Identificar o perfil dele é o grande passo para uma mensuração de demanda consistente e confiável. 3.4.2 Coerência Para que haja sucesso em um negócio, é preciso ter consistência. Todas as redes de franquia bem-sucedidas e em expansão reconhecem a importância de manter uma operação coerente com a imagem que a marca conquistou na concepção de seus clientes. Num primeiro instante, manter a coerência, parece ser extremamente caro e, eventualmente, pode dar a impressão de um rigor quase militar. Ser coerente é mais do que uma virtude do franqueador é uma obrigação. Todo mercado evolui. Entretanto, somente em casos extremamente raros ocorrem mudanças violentas de um dia para o outro. Cabe, então ao franqueador, junto com o seu conselho de franqueados, caso ele exista, implementar pouco a pouco as alterações necessárias, levando sempre em consideração que as mudanças, grandes ou pequenas, devem ser condizentes com o que o públicoalvo espera da marca. A capacidade que uma marca tem de atrair a sua clientela é diretamente proporcional à confiança que ela transmite ao mercado. Portanto, pequenos 48 deslizes devem ser corrigidos imediatamente pelo franqueador. Nos casos onde o franqueado não se adapta ou não segue os padrões da rede, e já foram esgotadas todas as possibilidades de entendimento, o descredenciamento deve ser rapidamente providenciado. Apesar de o sistema de franchising ter como princípios a parceria e a transparência na relação franqueador-franqueado, o franqueador não pode perder sua liderança ou deixar que ela seja abalada. Os candidatos à franquia dispostos a pagar taxas que variam de R$ 15 mil a R$ 80 mil estão, na verdade, pagando por uma história de sucesso que só foi possível graças à manutenção de seus valores ao longo dos anos. 3.4.3 Posicionamento O franqueador que trabalhou para que sua marca tivesse significado tem sua autoridade reconhecida pelo franqueado, porém esta autoridade pode cessar de um momento para outro, se o posicionamento da marca for perdido. O posicionamento pode ser quebrado quando deixa de existir disciplina e a marca perde a sua identidade. Todo cuidado é pouco na hora de diversificar o negócio de uma marca consolidada. Manter as características originais de um produto ou serviço é quase impossível devido às constantes necessidades de mudança, mas a transformação deve ser gradativa para não perder o maior patrimônio de um negócio que é a fidelidade dos clientes. Nas lojas próprias, o franqueador consegue impor uma disciplina por meio de uma gerência obediente e eficiente. Quando se trata de uma franquia, o ato de “impor” corre o risco de abalar a relação. O franqueador deve sensibilizar o franqueado quanto a importância do cumprimento das normas e deixar claro que o elo mais fraco é o que determina a força de uma corrente. Existe também a iniciativa de introduzir campanhas promocionais, nas quais os franqueados recebem benefícios em função da manutenção dos padrões. 49 Para manter uma rede saudável e em crescimento constante, é preferível ouvir críticas pelo excesso de rigor por parte de alguns franqueados do que perder clientes pela falta de qualidade seja do produto, do serviço ou até do atendimento. Muitas franquias permitem que unidades franqueadas não sigam os padrões, aceitando as alegações de franqueados que se acham extremamente competentes. Isto é um risco, a não ser que a sugestão dada pelo franqueado seja inicialmente testada e aprovada, para depois ser adotada por toda a rede. 3.4.4 Alianças estratégicas A parceria estabelecida entre o franqueador e seus fornecedores é uma das grandes alavancas de uma franquia. Quando essas parcerias são de longo prazo e trazem benefício para os dois lados são chamadas de alianças estratégicas. Alguns exemplos do mercado são: Casa do Pão de Queijo & Café Bom Dia e Mc Donald’s e Coca-Cola (refrigerantes). As grandes alianças estratégicas são aquelas com as quais a franquia, em função do seu porte e prestígio, obtém condições de preço e prazo de pagamento melhores que as de seus concorrentes. Se comparadas ao caso de um empreendimento independente, em algumas franquias, os itens mais relevantes das instalações são adquiridos pelos franqueados em condições extremamente favoráveis. Atualmente, poucas franquias conseguem sobreviver sem eles. Os parceiros estratégicos passam a participar do crescimento da franquia e acabam torcendo por seu sucesso. Existem casos em que alguns veículos de comunicação dão descontos extremamente vantajosos nos casos de exclusividade ou quando o volume anunciado é relevante. O mais importante nesse tipo de negociação não é somente o custo, mas também a posição do anúncio na página de um jornal, revista ou comercial de televisão. É importante reunir de tempos em tempos, reunir-se com o conselho de franqueados com o objetivo de reavaliar as parcerias estratégicas, afinal, a melhor 50 negociação é aquela em que há vantagem para ambos os lados. 3.4.5 Inovação O maior motivo de estagnação na evolução de uma empresa é a convicção de que a experiência do passado irá sempre servir para o futuro. É preciso quebrar os paradigmas que não servem mais. Geralmente os melhores franqueados são os que apresentam um faturamento maior do que a média da rede e podem contribuir como exemplos de conduta em relação aos clientes. Estima-se que o custo de atrair um novo consumidor é cinco vezes o custo de manter um consumidor fiel. Assim, uma das principais tarefas do marketing é manter seus consumidores satisfeitos. A satisfação do mercado-alvo depende diretamente do desempenho da oferta em relação às expectativas dos clientes. A expectativa por sua vez é construída a partir de experiências anteriores dos consumidores e da reputação, promessas e informações fornecidas pela empresa. O cliente ficará satisfeito se o desempenho alcançar suas expectativas, e insatisfeito se não alcançar. Se o desempenho for além e superar as expectativas, o cliente então ficará altamente satisfeito ou encantado. Um cliente encantado vale dez vezes mais para a empresa do que um cliente satisfeito, isso porque os altamente satisfeitos são muito menos propensos a mudar para a concorrência quando parece surgir oferta melhor. Os diferentes aspectos que contribuem na gestão desta satisfação podem ser contemplados pelo composto mercadológico. Um exemplo de Marketing bem sucedido é o da marca NIKE, que sabe que o sucesso da empresa envolve muito mais do que campanhas promocionais e promessas, o objetivo principal é proporcionar valor verdadeiro para os clientes. Atualmente, a Nike lidera o setor no que diz respeito a desenvolvimento e inovação de produtos, porém eles sabem que devem oferecer muito mais que apenas bons produtos, é importante oferecer também um modo de vida, uma cultura voltada para o esporte, uma atitude que é transmitida muito bem através 51 do slogan (frase de efeito) “just do it” (“simplesmente faça”). O bom marketing é essencial para o sucesso de uma organização, seja ela grande ou pequena, com ou sem fins lucrativos, nacional ou global. Não são apenas as grandes empresas, como a Microsoft e a Sony que fazem uso do marketing, mas também organizações sem fins lucrativos, como hospitais, universidades e museus. Por tudo isso, é muito importante que o profissional de marketing entenda a necessidade do cliente, pois desta forma os produtos/ serviços desenvolvidos, oferecem valor superior e preços mais vantajosos, fazendo com que a venda ocorra de maneira eficiente. Atualmente, o marketing não é encarado somente como uma ferramenta de venda, mas sim como uma forma de estudo dos desejos dos clientes. O marketing muitas vezes trabalha o produto bem antes dele ser posto à venda, isso porque antes de qualquer coisa, é necessário saber avaliar a necessidade deste produto, identificar sua intensidade e finalmente chegar a conclusão se há uma oportunidade de lucro, caso contrário pode-se estar investindo erroneamente. Na realidade o marketing é essencial para todas as fases em que o produto passa; é importante antes do lançamento (identificar necessidades do públicoalvo), durante a existência do produto (buscar novos clientes e manter os clientes atuais), tudo isso tendo como base o aprendizado mediante os resultados das vendas. É preciso ter ousadia para quebrar os paradigmas e consequentemente vencer a concorrência. Hoje, somente a manutenção da qualidade não garante o crescimento de uma empresa. O mercado está cada dia mais competitivo e os consumidores cada vez mais exigentes e dispostos a pagar por um preço mais alto em troca de algo novo que supere o óbvio. As grandes mudanças podem ser testadas em unidades franqueadas ou em lojas piloto, sem grandes investimentos em propaganda. Este teste ajuda a evitar que alguns franqueadores que se consideram entendedores de marketing, lancem novos conceitos com alto investimento, colocando em risco o prestígio da marca. As franquias não devem ter medo de inovar, o que vale é a novidade, a marca 52 estar em constante atualização sem perder a essência. 53 CONCLUSÃO No decorrer deste trabalho, entendemos (de forma abrangente) quando e como surgiu o sistema de franquia, tanto no Brasil quanto no mundo. Constatou-se que a prática do franchising já era realizada por alguns empresários, porém sem a seriedade e a consciência dos dias atuais. Verificamos como funciona um sistema de franquia, quais os princípios e normas básicas e como definir os tipos de franquias. O franchising evoluiu, assim como o mercado. Os clientes tornaram-se mais exigentes, a concorrência mais ferrenha e como consequência, as empresas tiveram (e ainda têm) que se reinventar diante de tantas mudanças. Falamos sobre o marketing, sobre sua história, o que o caracteriza e as suas estratégias. O sucesso de uma estratégia de marketing depende da identificação das necessidades dos consumidores, e do seu melhor atendimento, do que os competidores. Em se tratando de franquia, o desenvolvimento de uma estratégia de sucesso é vista como um processo. Este aspecto implica em uma análise estratégica, anterior à implementação dos planos ou programas de marketing. Esta análise permite que a empresa franqueadora tome decisões e formule uma estratégia amparada em bases sólidas. Por sua vez, é o processo de desenvolvimento dos planos estratégicos o grande diferencial para a conquista de uma real vantagem competitiva nos mercados. O marketing torna-se essencial para qualquer empresa que deseja manter-se bem no mercado atual. No caso de uma rede de franquia, o marketing pode ajudar a alavancar as vendas, melhorar/ mudar o conceito, fortificar e inovar a marca, além de poder atender tanto os clientes finais (consumidores) quanto os clientes franqueados. O marketing é praticamente indispensável, afinal ele está em tudo: no dia a dia de um engraxate, no anúncio e nas promoções de um salão de beleza, numa multinacional ou na padaria da esquina. As empresas (pequenas ou grandes) que têm os melhores profissionais de marketing, sem dúvida, terão o melhor resultado. 54 BIBLIOGRAFIA BARROSO, Luiz Fernando. Franchising e Direito. Rio de Janeiro: Lumen Júris, 2002. BRENER, Jayme. 25 anos de Franchising ABF. São Paulo: Lamonica, 2012. CHERTO, Marcelo e RIZZO, Marcus. Franchising na Prática. São Paulo: Makron Books, 1995. CHERTO, Marcelo. Franchising: Uma Revolução no Marketing. São Paulo: McGraw-Hill, 1988. CHIAVENATO, Idalberto. Empreendedorismo – Dando asas ao espírito empreendedor. São Paulo: Manole, 2012. DRUKER, Peter; Peter Ferdinand, Administrando para o Futuro. São Paulo: Thomson Pioneira, 1992. KOTLER, Philip; ARMSTRONG, Gary. Princípios de Marketing. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 2008. NASSAR, Paulo; GOMES, Nelson. A comunicação da pequena empresa. São Paulo: Globo, 1997. PEREIRA, André Luis Soares. Franquia – 100% Varejo & Serviços. Rio de Janeiro: Outras letras, 2006. PEREIRA, Cláudia. A dança dos sapatos. Revista Marketing, São Paulo: Referência, jul. 2009. PLÁ, Daniel. Tudo sobre Franchising. Rio de Janeiro: SENAC Rio, 2001. PRADO, Melitha Novoa. Franchising – na alegria e na tristeza. São Paulo: Lamônica Conteúdo e Opinião, 2008. SEM AUTOR. Série Franchising – Franchising - O que é e como funciona. São Paulo: SEBRAE, 1994. SILVEIRA, Cláudio Vieira. Franchising – Guia Prático. Curitiba: Juruá, 2006. SOUZA, Marcos Gouvêa; NEMER, Arthur. Marca e Distribuição - Desenvolvendo dominação estratégica e vantagem competitiva no mercado global. São Paulo: Makron Books, 1993. 55 Outras Fontes: As melhores franquias do Brasil - 2012. Pequenas Empresas & Grandes Negócios. <http://revistapegn.globo.com>. Acessos em 16, 23 e 30 jun 2013. ABF – Associação Brasileira de Franchising. Site: <http://www.portaldofranchising.com.br>. Acessos em 12 e 19 mai 2013, 16, 23 e 30 jun 2013. WIKIPÉDIA. Pesquisa sobre Marketing. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Marketing>. Acesso em: 25 mai 2013. 56 ANEXO RELAÇÃO DAS MAIORES EMPRESAS NO SEGMENTO DE FRANQUIAS DO PAÍS Abaixo, uma relação das melhores franquias (por setor) do Brasil, segundo a revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios - 2012/2013: Alimentação: 1- Mc Donald’s Tipo de negócio: Fast Food Total de unidades em 2012: 1267 Ano de fundação da empresa: 1979 Ano de início da franquia: 1987 Associado ABF: Sim 2- Bob’s Tipo de negócio: Fast Food Total de unidades em 2012: 947 Ano de fundação da empresa: 1952 Ano de início da franquia: 1984 Associado ABF: Sim 3- Subway Tipo de negócio: Fast Food 57 Total de unidades em 2012: 1165 Ano de fundação da empresa: 1965 Ano de início da franquia: 1974 Associado ABF: Sim 4- Spoleto Tipo de negócio: Fast Food Total de unidades em 2012: 251 Ano de fundação da empresa: 1997 Ano de início da franquia: 1999 Associado ABF: Sim 5- Griletto Tipo de negócio: Fast Food de Grelhados e Parmegiana Total de unidades em 2012: 70 Ano de fundação da empresa: 1983 Ano de início da franquia: 2007 Associado ABF: Sim 58 Cafeteria e Confeitaria: 1- Café do Ponto Tipo de negócio: Cafeteria Total de unidades em 2012: 89 Ano de fundação da empresa: 1950 Ano de início da franquia: 1992 Associado ABF: Sim 2- Rei do Mate Tipo de negócio: Doves e salgados Total de unidades em 2012: 334 Ano de fundação da empresa: 1978 Ano de início da franquia: 1992 Associado ABF: Sim 3- Cacau show Tipo de negócio: Cafeteria e confeitaria Total de unidades em 2012: 1330 Ano de fundação da empresa: 1988 Ano de início da franquia: 2004 Associado ABF: Sim 59 Casa, Decoração e Presentes: 1- Portobello Shop Tipo de negócio: Material de construção Total de unidades em 2012: 111 Ano de fundação da empresa: 1979 Ano de início da franquia: 1998 Associado ABF: Sim 2- Multicoisas Tipo de negócio: Casa e decoração Total de unidades em 2012: 155 Ano de fundação da empresa: 1978 Ano de início da franquia: 1990 Associado ABF: Sim 3- Moldura Minuto Tipo de negócio: Móveis e decorações Total de unidades em 2012: 73 Ano de fundação da empresa: 1999 Ano de início da franquia: 2000 Associado ABF: Sim 60 Cosméticos, Perfumaria e Farmácia 1- O Boticário Tipo de negócio: Cosméticos e perfumes Total de unidades em 2012: 3252 Ano de fundação da empresa: 1977 Ano de início da franquia: 1980 Associado ABF: Sim 2- Vita Derm Tipo de negócio: Farmácia Total de unidades em 2012: 110 Ano de fundação da empresa: 1984 Ano de início da franquia: 2001 Associado ABF: Sim 3- Contém 1g Tipo de negócio: Cosméticos e perfumes Total de unidades em 2012: 163 Ano de fundação da empresa: 1984 Ano de início da franquia: 2000 Associado ABF: Sim 61 Ensino de Idiomas 1- Wizard Tipo de negócio: Ensino de Idiomas Total de unidades em 2012: 1131 Ano de fundação da empresa: 1987 Ano de início da franquia: 1987 Associado ABF: Sim 2- CCAA Tipo de negócio: Ensino de Idiomas Total de unidades em 2012: 715 Ano de fundação da empresa: 1961 Ano de início da franquia: 1968 Associado ABF: Sim 3- Escolas Fisk Tipo de negócio: Ensino de Idiomas Total de unidades em 2012: 895 Ano de fundação da empresa: 1958 Ano de início da franquia: 1962 Associado ABF: Sim 62 Saúde e Bem- estar 1- SNC – SPORTS NUTRITION CENTER Tipo de negócio: Suplementos Nutricionais Total de unidades em 2012: 113 Ano de fundação da empresa: 1991 Ano de início da franquia: 2001 Associado ABF: Sim 2- Mundo Verde Tipo de negócio: Produtos Naturais Total de unidades em 2012: 246 Ano de fundação da empresa: 1987 Ano de início da franquia: 1993 Associado ABF: Sim 3- Curves Tipo de negócio: Academia e esporte Total de unidades em 2012: 180 Ano de fundação da empresa: 2002 Ano de início da franquia: 2003 Associado ABF: Sim 63 Treinamento e Cursos 1- Kumon Tipo de negócio: Cursos livres de matemática e idioma Total de unidades em 2012: 1564 Ano de fundação da empresa: 1958 Ano de início da franquia: 1958 Associado ABF: Sim 2- Prepara Cursos Tipo de negócio: Cursos profissionalizantes Total de unidades em 2012: 585 Ano de fundação da empresa: 2004 Ano de início da franquia: 2004 Associado ABF: Sim 3- Microlins Tipo de negócio: Cursos profissionalizantes Total de unidades em 2012: 552 Ano de fundação da empresa: 1991 Ano de início da franquia: 1994 Associado ABF: Sim 64 4- Instituto Embeleze Tipo de negócio: Cursos profissionalizantes Total de unidades em 2012: 310 Ano de fundação da empresa: 2003 Ano de início da franquia: 2003 Associado ABF: Sim Veículos 1- Localiza Tipo de negócio: Locação Total de unidades em 2012: 500 Ano de fundação da empresa: 1973 Ano de início da franquia: 1983 Associado ABF: Sim 2- Unidas Rent a Car Tipo de negócio: Locação Total de unidades em 2012: 67 Ano de fundação da empresa: 1985 Ano de início da franquia: 1985 Associado ABF: Sim 65 Vestuário, Calçados e Acessórios 1- Arezzo Tipo de negócio: Calçados Total de unidades em 2012: 308 Ano de fundação da empresa: 1972 Ano de início da franquia: 1990 Associado ABF: Sim 2- Hering Store Tipo de negócio: Vestuário Total de unidades em 2012: 435 Ano de fundação da empresa: 1980 Ano de início da franquia: 1993 Associado ABF: Sim 66