PROPOSTA CURRICULAR DE GEOGRAFIA PARA AS ESCOLAS MUNICIPAIS DE PRESIDENTE PRUDENTE: ALFABETIZAÇÃO GEOGRÁFICA NO QUINTO ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL. Thiago Albano de Sousa Pimenta Aluno da graduação de Geografia - UNESP UNESP – Presidente Prudente-SP Bolsista: Núcleo de ensino – UNESP [email protected] Resumo: Este trabalho é decorrência das atividades realizadas junto ao Grupo de Pesquisa Linguagens Geográficas (GPLG), o qual desenvolve reflexões, debates e propostas para um melhor entendimento do processo de pesquisa e ensino da geografia. A proposta curricular de Geografia de Presidente Prudente é uma produção recente, que envolve a Secretaria Municipal de Educação (SEDUC) e a UNESP, contando para sua efetivação com a participação dos professores do primeiro ciclo do ensino fundamental e estagiários da licenciatura em geografia na discussão, experimentação e realização da Proposta Municipal. Com este trabalho visamos aplicar a proposta curricular de Presidente Prudente, no caso aqui mais especificamente o do quinto ano do ensino básico, estabelecendo a possibilidade de auxiliar os educadores e instrumentalizá-los a entender a concepção da proposta e poder aplicá-la nos anos seguintes, assim como enriquecer as nossas experiências como geógrafos no entendimento do ensino da Geografia. Palavras chaves: Geografia, Ensino, Linguagem, Proposta Curricular. INTRODUÇÃO A proposta Curricular de Geografia do Município de Presidente Prudente tem como princípio auxiliar a rede de professores das escolas municipais da cidade no trabalho desta disciplina com os alunos matriculados do primeiro ao quinto ano do ensino fundamental. Segundo a Proposta Curricular de Geografia Escolas Municipais de Presidente Prudente (2008), este material é concepção de um trabalho realizado em conjunto, uma parceria que envolve a Secretaria Municipal de Educação (SEDUC) e a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista (FCT/UNESP), campus de Presidente Prudente, por meio do Grupo de Pesquisa Linguagens Geográficas (GPLG) que está vinculado ao Departamento de Educação dessa universidade. O desenvolvimento desta proposta contou com o apoio da Pro-Reitoria de Extensão, num primeiro momento, e da Pró-Reitoria de Graduação da UNESP, por meio do seu programa de Núcleo de Ensino. A proposta começou a ser concebida desde 2007, no primeiro momento houve um levantamento da concepção de Geografia dos professores por meio de diálogo e reuniões e um 2 estudo dos livros didáticos trabalhados por esses para detalhar o conteúdo geográfico pelos mesmos apontados. Em 2008 houve preparação de cursos para qualificar os educadores no sentido de preparar a sua noção das linguagens geográficas voltadas para os alunos dos anos iniciais. Feito isso, deu-se início propriamente à elaboração da proposta, contando para tal com a participação dos professores da rede interessados juntamente com alunos estagiários em Prática de Ensino do Curso de Licenciatura em Geografia da FCT/NESP e dos estagiários do projeto vinculados ao Grupo de Pesquisa responsável pela elaboração da proposta (GPLG). No ano de 2009 foram realizados vários encontros que objetivavam o levantamento dos elementos iniciais que seriam agregados na elaboração da proposta curricular de Geografia. Neste momento do processo de elaboração da proposta houve diálogos com os professores de modo a levar as experiências destes profissionais como base desta elaboração. A partir dessas atividades já elaboradas e com os documentos e materiais referentes a proposta neste ano de 2010 estabelecemos que faríamos a aplicação da proposta em duas escolas da rede municipal de Presidente Prudente que foram indicadas pela SEDUC de modo a diagnosticar fatores positivos e negativos da proposta. As escolas que estamos trabalhando nessa etapa de desenvolvimento da proposta são: Emílio Becker e João Sebastião Lisboa, assim o trabalho foi organizado em reuniões e discussões da proposta que vai nos auxiliar na elaboração de planos de aulas e posteriormente sua aplicação. O material referente à proposta curricular tem como objetivo central estabelecer parâmetros de ensino de Geografia e assim possibilitar ao professor uma renovação continua em termos de informação e referenciais que possam estabelecer diálogo com outras disciplinas, tomando os referenciais espaciais como aglutinadores dessa interação e estudos a partir da realidade em que a escola e os alunos se encontram. Esta proposta parte da necessidade referente ao município de Presidente Prudente que já há alguns anos não cumpre o que a Leis de Diretrizes e Bases delimitou para as instanciais municipais. No artigo 211 fica nítido esta exigência da esfera federal, “A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão, em regime de colaboração, os respectivos sistemas de ensino. (...)” e ainda que: “§ 2º Os sistemas de ensino terão liberdade de organização nos termos desta Lei.” (BRASIL, 1996). Também partimos dos Parâmetros Curriculares Nacionais (1997) para estabelecermos os conteúdos contidos na proposta, haja vista que tal documento é fundamental para qualquer proposta curricular no território brasileiro. Desta forma entendemos que a alfabetização geográfica deve compreender elementos multi-escalar, os quais partem da escala do eu, na qual o aluno tem a capacidade de perceber os elementos e fenômenos espaciais a partir da escala do vivido, do lugar onde se está. A escala do corpo é essencial nesta alfabetização, é no entendimento do eu e na interação do eu com o outro que dará margem a abstrações escalares que estabelece diálogo com a sala de aula, o bairro, a cidade, o estado, a região, o país, o mundo. 3 É interessante observar os elementos cotidianos, as experiências e vivências do espaço onde está inserido, assim podemos entender como se expressam, na proximidade do espaço vivido, fatores que interagem na produção de forma que nutrem nossa percepção da paisagem. A Alfabetização geográfica visa dar base teórica e possibilidades de abstrações que elevem a percepção, nutrindo esse novo jeito de observar a paisagem, entendendo os fatores territoriais e como esta relação de fatores se interagem em determinadas regiões, desta forma permitindo entender uma lógica espacial, que se expressa no vivido. A partir desta proposta, e da sua estruturação partimos então para parte prática, articulando com a escola municipal João Sebastião Lisboa, onde propomos o trabalho no quinto ano seguindo as diretrizes da proposta municipal de geografia. A estrutura do trabalho tem como base as reuniões realizadas com as professoras na busca de conexões entre as possibilidades elencadas por estes para a realização de uma alfabetização geográfica pautada na proposta. Nessas reuniões elaboramos as atividades e planos de aula que vão encabeçar a aplicação da proposta em sala de aula, no caso o quinto ano do ensino fundamental. Os planos de aula seguem a metodologia proposta por Vasconcellos (2006), interligando uma análise da realidade como primeiro diagnóstico, a projeção de finalidades tratando dos objetivos das aulas e formas de mediação que são os instrumentos de aplicabilidade do ensino, assim Vasconcellos define os principais norteadores na produção de um plano de aula. Devemos destacar a necessidade de uma visão geral em relação ao que vai ser trabalhado na sala de aula: se uma parte não está bem planejada, corre-se o risco de se ocupar muito tempo com outra, até como estratégia inconsciente do professor, mas prejudicando naturalmente os alunos (VASCONCELLOS, 2006, p.148) Aqui propomos uma alfabetização geográfica que não eleva o professor a um patamar de dono da verdade, pois a verdade é infindável, mas observaremos o professor como um profissional que tratará das informações e buscará a geograficidade dos elementos e informações que captamos no cotidiano. É necessário também que o professor compreenda que a sala de aula é um espaço plural onde se manifestam uma grande diversidade e essa característica é positiva, pois pode ser um instrumento de humanização se bem trabalhado pelo profissional da educação como exemplifica Miguel López Melero (2006), se for mal trabalhada pode reforçar os referenciais estereotipados que segregam os diferentes na nossa sociedade. Somente com o reconhecimento da diferença no ser humano como elemento de valor e como direito, a humanidade se humanizará. A educação e a cultura são as únicas ferramentas que podem humanizar o ser humano e só assim produzirá progresso humano. (MELERO, 2006, p. 11) 4 Sabemos dos limites desta proposta curricular, mas também como já elencamos, temos noção dos fatores positivos que uma boa base curricular pode trazer para a alfabetização geográfica no ensino municipal. DESENVOLVIMENTO Entendemos que nos anos iniciais o trabalho deve ser pautado na alfabetização da linguagem verbal, numérica, assim como as linguagens históricas, corporais, físicas, e como enfatizaremos no decorrer do trabalho a linguagem geográfica. As habilidades e competências que estabelecemos como base dessa alfabetização traz elementos necessários para o desenvolvimento psico-motor do aluno, a capacidade de ler, escrever, desenhar, analisar, interpretar, deduzir, são elementos que enriqueceram uma futura alfabetização geográfica que tem como principais habilidades a capacidade de se localizar e orientar no mundo. Santos (2007) acrescenta que ensinar a ler e escrever sobre Geografia é o objetivo essencial do ensino de Geografia em qualquer ciclo de aprendizado. Aprender a ler e escrever sobre a Geografia do mundo tendo como ferramenta as linguagens e, portanto, os modos de pensar desenvolvidos no interior da tradição desse campo do conhecimento: eis, em resumo, o objetivo mais específico que caberia tanto para as séries iniciais do ensino fundamental quanto para o ensino médio ou, mesmo, superior. (SANTOS, 2007, p. 13) Nesse processo de construção de significados lógicos as atividades que exploram as formas orais e escritas, são ricas, entretanto precisamos levar em consideração outras expressões de linguagens distintas da verbal, como a imagética e a corporal. A utilização de recursos como livros, textos, imagens, fotografias, desenhos, jogos, músicas entre outros elementos tende a enriquecer os sentidos e ampliar a capacidade perceptiva dos alunos. A riqueza de construção do saber articulando todas as disciplinas para um melhor entendimento das distintas linguagens pode revelar-se um grande instrumento interdisciplinar importante para uma visão global não fragmentada de mundo. No caso do ano trabalhado na nossa atividade, o quinto ano, estabelecemos diálogo com as professoras da escola que trabalhamos, fazendo o papel de interlocutor entre os professores e a proposta curricular. Este exercício se pautou na explanação de conceitos e categorias que a partir do nosso diagnóstico captamos ser mal compreendidos pelos profissionais que trabalham no ensino de geografia nos primeiros anos. Sabemos que tal diagnóstico se dá pela caracterização da formação destes profissionais, haja vista que na maioria dos casos são professores formados em pedagogia (magistério), sem muito aprofundamento em linguagem geográfica, ao contrário de nós geógrafos de formação. 5 Todas essas características podem provocar uma linha de ensino de Geografia onde os alunos tendem a sair dos primeiros anos sem base teórica e habilidades necessárias para uma compreensão geográfica mais ampla trabalhada nos anos futuros da escola. Os professores despreparados acabam supervalorizando os instrumentos didáticos tradicionais e o ensino de Geografia fica restrito a explicações vazias de conceitos que exigem abstrações muito distantes dos elementos da proximidade do cotidiano. Este estado de fatos pode condicionar e perpetuar se não houver intervenções o que Ruy Moreira (1987) diz da Geografia como veículo de uma ideologia do Estado. Reside aqui um dos traços distintivos do Brasil em relação ao que Yves Lacoste observara na França sobre a “Geografia do professor” é um veículo de ideologia do nacionalismo, no Brasil é veículo de uma ideologia do Estado pura e simplesmente. Isto porque se na França o nacionalismo instrumenta uma imagem burguesa de sociedade civil, no Brasil a burguesia necessita que a sociedade civil se mantenha sucumbida dentro da imagem do Estado. (MOREIRA, 1987, p. 121) Mesmo a formação de geografia há várias “barreiras” paradigmáticas, principalmente na reprodução de um saber geográfico baseado nas leis empíricas da geometria. Os elementos que nos saltam à vista são codificados por círculos e retas que conceituam a diversidade de formas presentes no real (FERRAZ 2008). Desta forma há uma verdadeira geometrização da paisagem, como forma de se imputar medidas e relações de similaridade própria da linguagem explicativa da ciência tradicional. A descrição dos elementos geometrizados do espaço geográfico não pode ser tomada como uma leitura geográfica completa, tal leitura de mundo só se dá a partir de uma conceituação que possa integrar formas do cotidiano e entendê-las como expressões geográficas seguindo uma análise que busca uma melhor compreensão da organização espacial de tal território/paisagem/região/lugar, entre outras denominações geográficas que utilizamos no nosso linguajar. (A Geografia) deve trabalhar com uma série de conceitos e dados que viabilize o entendimento desta lógica para que, tanto os que aí vivem, quanto aqueles que moram em outros lugares, compreendam o porquê desta configuração territorial, como analisá-la de forma crítica e de como intervir ou não na mesma. (FERRAZ, 2008) Contudo devido aos fatores já citados não podemos reduzir a Geografia a este processo de geometrização do real, assim entendemos que a nossa intervenção, primeiro com a construção de uma proposta curricular de ensino de Geografia para Presidente Prudente, e agora com este projeto nas escolas para explicar os objetivos e parâmetros de ensino desta nova proposta, tem como foco novas medidas para uma alfabetização não só dos alunos, mas também 6 dos professores que na realidade pouco dominam os conhecimentos e linguagens geográficas devido a sua formação. Nas séries iniciais do ensino fundamental a alfabetização geográfica não pode ficar restrita a conceituações pouco inspiradoras que não explicam para o aluno como ele pode melhor se localizar e orientar no espaço vivido. Como educadores devemos questionar e refletir o por quê do ensino de Geografia, o por quê trabalhar tal conteúdo, em tal ano letivo, em tal escola, em tal pais, assim não valerá nada dominarmos os conteúdos geográficos se não sabemos o momento certo de trabalhar cada elemento desta linguagem. De que nos serve, como professores, dominarmos perfeitamente tais conteúdos se não nos perguntamos sobre seus significados no processo de desenvolvimento cognitivo de nossos alunos? Será que o simples fato de estarem nos primeiros capítulos de nossos livros significa que devemos torná-los conteúdos obrigatórios de nossas aulas, mesmo que nossos alunos não consigam compreender o significado de tais proposições? Escolhas como estas, só poderemos fazer se assumimos nosso papel de educadores e, superando qualquer tipo de preconceito, deixemos de defender a idéia de que somos uma espécie de “guardiões” dos conhecimentos da Geografia (SANTOS, 2007, p. 4-5) Estabelecemos em primeiro momento desta atividade reuniões que se manifestavam nos horários de HTPC, para construirmos os diálogos que pudessem enriquecer o entendimento da linguagem geográfica. Desta forma o nosso papel de interlocutor se efetuou com as explanações e conceituações trabalhadas na Geografia, trabalhando textos teóricos, articulados principalmente com a prática do ensino de Geografia. No segundo momento traçaríamos os planos de aula referentes aos parâmetros da proposta reconhecendo a importância do ato de planejar as formas e as atividades que desenvolveremos em sala de aula para assim tentar antever alguns percalços pelas ferramentas de planejamento pedagógico segundo Vasconcellos (2006). E no último momento aplicaríamos as aulas de forma a analisar os pontos positivos da proposta e os pontos negativos, de maneira que juntos com os professores possamos repensar alguns detalhes da proposta. utilizamos o horário de HTPC, pois entendemos que este momento concentra os professores de diferentes períodos, é também um momento onde se discute as práticas pedagógicas, se encaixando na nossa proposta de trabalho. Na escola onde desenvolvemos o projeto, ou seja, Escola Municipal João Sebastião Lisboa tem como característica ser uma instituição localizada numa área central da cidade, em meio a uma região de borda entre áreas comerciais e residenciais, tendo como presença maior parte dos alunos advindos de áreas residenciais próximas à escola, mas também há presença de alunos advindos de áreas mais distantes. Em termos de conteúdos traçados junto à proposta curricular de Geografia do município de Presidente Prudente, no quinto ano serão desenvolvidas as noções escalares de tempo e 7 espaço dos elementos e fatores históricos que envolvem os processos de formações territoriais no município, estado e país. Nessa série, os conteúdos a serem trabalhados estão centrados nas escalas “país/mundo” e “mundo/eu”, porém, não deixam de percorrerem as escalas “eu/outro”, “escola/bairro”, “bairro/cidade”, “cidade/estado” e “estado/país”, trabalhadas mais profundamente nas séries anteriores. Todo o percurso proposto com um caminho que perpassa distintos níveis escalares tem que ser articulado com atividades que trazem elementos do vivido, expressões do cotidiano de modo a integrar as diferentes escalas no plano do perceptível, da escala do eu, do corpo. É no quinto ano quando a escala de análise aborda níveis de abstração que se relacionam com a forma do país e do mundo, mas não visa ficar restrito aos conteúdos tradicionais, mas sim estimular os elementos centrais da linguagem geográfica, permitindo que o professor utilize de conteúdos como vegetação, hidrografia, relevo, população, economia, como exemplos para reforçar habilidades por meio dos conceitos geográficos, chegando ao final, como todas as séries anteriores, através de comparação dos fenômenos em suas diferentes escalas de manifestações, voltar para a escala do eu, só que agora visando o reconhecimento do aluno no contexto do mundo a partir do lugar em que se encontra, seja na escola, seja em casa. Assim produzimos uma tabela referente aos conteúdos que julgamos essenciais para a formação em geografia no quinto ano, esta tabela tem como pretensão facilitar e organizar os conteúdos para deixá-los mais acessíveis aos professores. Abaixo está apresentada a tabela que contém os principais conteúdos propostos (Tabela: PROPOSTA DE GEOGRAFIA SÉRIE: QUINTA). PROPOSTA DE GEOGRAFIA SÉRIE: QUINTA Conteúdo/ Matriz Temática Eu no lugar: as escalas temporais e espaciais. Atividades Resgatar os registros dos corpos desde a primeiro ano e pedir para compararem com o atual. Essas mudanças são comparadas com as transformações observadas na escola, bairro e cidade. Através da observação dos corpos e objetos nos lugares que não estão isolados, fazer o exercício da escala da sala até o mundo, por mapas e pelo Google. Saber se localizar depende de onde se está, para onde quer ir e do contexto do lugar, como participar de um jogo, precisa saber das regras, do objetivo, quem participa e como agir. Trabalhar com os motivos da escolha da casa em que mora, da profissão dos pais, da localização de uma indústria ou comércio na cidade – estimular os alunos deduzirem quais os motivos por meio de dados como matéria-prima, vias de acesso, mão-deobra etc. Habilidades/ Competências Observar; Analisar; Localizar; Orientar Deduzir; Sistematizar; Comparar; Interpretar (Organizar, Comunicar, Solidarizar) 8 Eu na região: organizar o território conforme os objetivos e usos. Comparar a divisão do território do corpo em partes, da casa em cômodos, da cidade em bairros, ver que o estado também se divide em regiões e o país em estados, assim como os continentes em países etc. Que essa forma de divisão é a partir de critérios e objetivos, como ocorrem com as regras de um jogo e dos motivos de escolha de uma casa e da escola Elaborar mapas dessa regionalização. Ver outras formas de regionalização a partir dos exemplos da cidade ampliados para o estado e para o país, como área de comércio, a da cana de açúcar., de produção de vinho, de vegetação, das bacias hidrográficas. Os motivos de escolha de instalação de determinada indústria ou comércio foi fruto de uma determinada regionalização e objetivo do uso do território - A partir dos critérios elaborar um mapa da região atendida Analisar; Localizar Deduzir; Comparar; Interpretar (Organizar, Comunicar) Eu no Mundo: As tecnologias no processo de produção do espaço Ao resgatar o processo de ocupação da região do município, demonstrar que dois elementos pesavam: as condições físicas do território a ser percorrido e as tecnologias e técnicas empregadas. Através de relatos de experiências, recortes de jornais antigos, mapas de vegetação e relevo, assim como hidrográfico, além de pinturas e fotografias, ir interpretando as características físicas do estado e região e os meios de ocupação, comparando com agora, vendo as dificuldades e processos. Comparar a ferrovia na região, com a tração animal e os rios do período colonial, com a rodovia e novas ferramentas usadas atualmente na Amazônia. Mostrar imagens do processo de devastação da mata atlântica, do cerrado e da Amazônia, assim como a poluição dos rios, tendo como exemplo os córregos da cidade. Analisar; Sintetizar; Interpretar; Comparar; Deduzir; Localizar; Orientar (Organizar, Solidarizar, Comunicar). CONSIDERAÇÕES FINAIS Estamos em processo de desenvolvimento das atividades que realizaremos em sala de aula, assim como a construção de planos de aula que esbocem as concepções de ensino de Geografia contidas na proposta curricular municipal. Evidentemente podemos elencar algumas dificuldades, como a demonstração às vezes de falta de interesse de algumas professoras, também por vezes uma falta de interação conosco na delimitação de atividades e exercícios, entre outros fatores. Entretanto avaliamos como positiva os nossos encontros até então, tendo como base não uma visão idílica de participação, mas uma visão real que devemos nos adaptar para assim produzirmos uma proposta que leve em conta os pequenos detalhes da sua aplicabilidade. A proposta tem uma importância muito grande em relação aos parâmetros de ensino de Geografia no município de Presidente Prudente, pois traz a base que entendemos como essencial para uma alfabetização geográfica que objetiva um melhor localizar e orientar dos alunos dos anos iniciais. A linguagem geográfica tem que ser mais difundida e melhor difundida, pois é neste nível de conhecimento que o ensino de Geografia deve caminhar. 9 Nesse sentido caminhamos para o desenvolvimento deste trabalho com o processo que deve ser mútuo de encarar as dificuldades, explanar as dúvidas e esboçar novas explicações para as novas problemáticas que surgem a partir desta relação traçada com os professores na aplicação da proposta. A linguagem geográfica é diversa e está inserida no nosso cotidiano e qualquer forma de ensino de Geografia tem que ter conexão com os elementos vividos, as experiências individuais correlacionado com o domínio de alguns conceitos geográficos. As atividades propostas vão ao encontro desses objetivos e referenciais teóricos, mas não são definitivas, ao contrário, visam incentivar o professor a recriá-las, assim como elaborar outras ações de intervenção em sala de aula em acordo com a realidade de cada classe e escola. Isso faz do professor dessas séries iniciais, não um especialista em Geografia, nem um mero reprodutor de conhecimentos elaborados por outros distantes de seu lugar de atuação, mas um profissional que visa alfabetizar seus alunos no domínio básico das várias linguagens, assim como ser um produtor de conhecimento a partir das condições espaciais em que se encontra no mundo. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL, MEC. Ministério da Educação. Secretaria da Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: História e Geografia: vol. 2. 1ª a 4ª série - Brasília: MEC/SEF, 1997. FERRAZ, Cláudio B. O. O ENSINO DE GEOGRAFIA PARA ALÉM DA GEOMETRIZAÇÃO DO ESPAÇO: APONTAMENTOS ENTRE O REDONDO E AS RETAS p. 38-50. In: Caderno Prudentino de Geografia, Associação dos Geógrafos Brasileiros, Presidente Prudente, AGB, n. 23, 2001. MELERO, Miguel López. Ética e cultura da diversidade na escola inclusiva. Málaga (Espanha), Universidade de Málaga, 2006. MOREIRA, Ruy. O Discurso do Avesso (Para a Crítica da Geografia que se Ensina) p. 103143. Rio de Janeiro, Editora Dois Pontos, 1987. SANTOS, Douglas, O Que é Geografia, 2007, Texto inédito. 10 VASCONCELLOS, Celso dos Santos. Planejamento de ensino-Aprendizagem e Projeto Político-Pedagógico – elementos metodológicos para a elaboração e realização p. 97-155. São Paulo, Editora Libertad, 2006.