ID: 60753725
29-08-2015
Tiragem: 34268
Pág: 10
País: Portugal
Cores: Cor
Period.: Diária
Área: 25,70 x 31,00 cm²
Âmbito: Informação Geral
Corte: 1 de 1
Santana desistiu da candidatura por
causa do “chamamento” da Santa Casa
Antigo líder do PSD diz que quando mostrou disponibilidade para uma candidatura presidencial não
sabia que Marcelo Rebelo de Sousa seria mesmo candidato a Belém
DANIEL ROCHA
Presidenciais 2016
Margarida Gomes
Pedro Santana Lopes assumiu ontem
que era o candidato mais bem preparado para o cargo de Presidente
da República, mas revelou que “não
sentiu forças para se desvincular da
Santa Casa da Misericórdia de Lisboa”, onde é provedor. Um dia depois de ter anunciado que desistiu
de uma candidatura às eleições presidenciais de 2016, Santana Lopes
revelou que a decisão foi tomada há
algumas semanas, depois de uma
reflexão consigo próprio.
“Nestas semanas procurei, rezando, pensando no que a vida me tem
proporcionado, e procurei ser humilde na decisão [de não me candidatar]
e disse: ‘eu tenho que servir no local
para onde fui chamado, porque continuo a sentir o chamamento’. Nestas
semanas, sozinho comigo a pensar
para dentro de mim não consegui
forças para me desvincular da Santa Casa”, declarou ontem à noite à
SIC-Notícias.
Perante as câmaras de televisão, o
antigo primeiro-ministro disse que
não se revia no tipo de pré-campanha das presidenciais que estava
ser feita e por diversas vezes autoelogiou-se. “Eu conheço a realidade
do país, desculpe a presunção, como
nenhum dos candidatos que estão
anunciados, não tenho dúvida nenhuma sobre isso. Agora a questão é
uma ponderação muito difícil. Peço
às pessoas para se porem no meu lugar”, afirmou o provedor, o primeiro a posicionar-se para protagonizar
uma candidatura a Belém.
Foi em Janeiro deste ano, atirando uma decisão para Março. Correu
o país de Norte a Sul, recebendo o
apoio de muitos autarcas do PSD do
interior e chegou mesmo a criar-se
uma onda de apoio à sua candidatura. Mas depois percebeu que era
impossível ser candidato a Belém e
ao mesmo tempo ser provedor da
Santa Casa, porque a partir do momento em que anunciasse a candidatura teria de abandonar funções,
trocando o certo pelo incerto. E na
SIC insurgiu-se contra o facto de não
poder suspender o mandato de provedor. Mais tarde mudou de ideias e
apontou um novo timing que seria
depois das legislativas de 4 de Outubro, como fizera Marcelo Rebelo de
Santana Lopes: “Conheço a realidade do país, desculpem a presunção, como nenhum dos candidatos que estão anunciados”
Sousa. Recentemente voltou a mudar
de ideias e disse que as candidaturas
podiam ser apresentadas até um mês
antes das eleições.
O antigo autarca de Lisboa decide
afastar-se da corrida duas semanas
depois de Marcelo ter dado uma entrevista ao Diário de Notícias, que foi
vista como um dos sinais que a candidatura está em marcha. “Já perguntei
aos filhos e netos o que pensam sobre
as presidenciais”, revelava o professor de Direito e comentador político,
que é o visto como o candidato da
área do centro-direita mais bem colocado para disputar as presidenciais.
O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa confessou que
se tratou de uma decisão “muito difícil” e revelou que quando em Janeiro
admitiu a possibilidade de concorrer
não acreditou que “Marcelo Rebelo
de Sousa fosse mesmo candidato”.
Puxando dos seus galões de ex-pri-
meiro-ministro, de ex-presidente de
câmaras, de ex-secretário de Estado
da Cultura (...), Santana acredita que
se entrasse na corrida teria uma percentagem mínima. “Tenho a certeza
absoluta que mesmo sem cartazes,
sem outdoors, não teria uma percentagem mínima, não teria abaixo dos
10 a 15%”, vaticinou, negando que a
falta de dinheiro para custear a sua
campanha foi um problema.
“Ser presunçoso”
“Aquilo que eu tive de pensar interiormente foi até que ponto estou a
ser presunçoso, quando penso que
o meu dever maior era candidatarme à Presidência da República”,
afirmou, acrescentando que na rua
“muita gente dizia-me para não que
não me candidate e que continuasse
como provedor — ‘está a fazer um
grande trabalho’”. “Quem está na vida política e quem quer liderar tem
que ir pela sua razão, pelo seu sentimento, pela sua intuição. Eu tenho
dimensão humana e procuro decidir
como deve de ser, com base em princípios”, declarou, condenando a “democracia que é feita de combinatas
e de truques”. “Há jogadas com as
quais não participo”, sublinhou.
Questionado sobre se vai apoiar
Marcelo ou Rui Rio, o antigo presidente do PSD não revelou para quem
vai o seu voto.
Para o PSD, a desistência do antigo primeiro-ministro coloca pressão
sobre Rui Rio, mas apoiantes do expresidente da Câmara do Porto refutam esta leitura e afirmam: “A candidatura do antigo líder do partido
era irrelevante tanto para Rio como
Marcelo”. Dizem também que “Rio
não se deixa condicionar”.
Com as “questões pessoais, politicas, financeiras e logísticas” resolvidas, tal como o PÚBLICO revelou
há uma semana, Rio parece reunir
as condições para protagonizar uma
candidatura presidencial, que pode
ser apresentada ou nos primeiros
dias de Setembro (o ex-autarca regressa segunda-feira de férias) ou depois das legislativas. Consideram que
é “vantajoso” que Rio se antecipe a
Marcelo. É que — dizem — “o professor criou no imaginário público que
Outubro é o seu tempo e se Rio se
antecipar a este timing não pode ser
acusado de estar a trair Marcelo”.
Aparentemente, indiferente à decisão e Santana Lopes, Rui Rio está em
período de reflexão e não fala com
ninguém a não ser consigo próprio.
Os seus apoiantes, que aguardam
ansiosamente por um sinal, gostariam que a candidatura fosse anunciada antes do primeiro debate das
eleições de 4 de Outubro, entre António Costa e Pedro Passos Coelho,
marcado para 9 de Setembro.
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Santana desistiu da candidatura por causa do