UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU
INSTITUTO A VEZ DO MESTRE
A utilização de uma Assessoria de Comunicação para
alavancar a carreira de uma banda de rock progressivo
independente
Por : Francisco Henrique Bueno Meira Ribeiro
Orientador :
Prof. Fernando Alves
Rio de Janeiro (RJ)
2012
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UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU
INSTITUTO A VEZ DO MESTRE
A utilização de uma Assessoria de Comunicação para
alavancar a carreira de uma banda de rock progressivo
independente
Apresentação de Monografia ao Instituto A Vez do
Mestre – Universidade Cândido Mendes como
requisito parcial para obtenção do grau de
especialista em Comunicação Empresarial
Por : Francisco Henrique Bueno Meira Ribeiro
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AGRADECIMENTOS
.... Agradeço a todos que me incentivaram no
decorrer de todo o curso, aos meus colegas da
turma K223, em especial as companheiras Barbara,
Taciane e Luciana, presenças constantes nas
pesquisas e trabalhos no decorrer de todo o curso.
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DEDICATÓRIA
...Dedico este trabalho a Deus, princípio, meio e fim
de tudo, a minha esposa Maria Angela, pelos 30
anos de amor, carinho e respeito, e a meus filhos
Leonardo, Guilherme e Rodrigo, que me fazem sentir
orgulhoso de ser pai.
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RESUMO
Este estudo dedica-se a analisar como ações de assessoria de imprensa e
comunicação podem ser utilizadas de maneira a aproximar músicos desse
segmento de mercado da mídia e, por consequência, do seu público.
Destacamos alguns cases de sucesso no Brasil e, como case final, as ações a
serem realizadas para tornar visível o trabalho da banda de rock progressivo
independente de Niterói Sleepwalker Sun, que está na estrada desde 2003,
sem conseguir um grande espaço na mídia.
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METODOLOGIA
Neste estudo foram utilizados como método a pesquisa em livros
especializados em assessoria de comunicação, jornalismo cultural e música
independente, sites na Internet e artigos publicados em jornais e revistas
dedicados a música.
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SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
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CAPÍTULO I – Histórico da Música Independente no Brasil
10
CAPÍTULO II – Assessoria de Imprensa e
Básicos
Comunicação
– Conceitos
21
CAPÍTULO III – A Assessoria de Imprensa e Comunicação na Música
Independente
29
CAPÍTULO IV – O case Sleepwalker Sun
31
CONCLUSÃO
36
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
38
WEBGRAFIA
39
ÍNDICE
40
8
INTRODUÇÃO
O mercado de música independente experimenta um período de
crescimento no Brasil, passando do status de tendência à realidade. Após um
passado em que o músico deste segmento era considerado amador, frustrado
ou até mesmo de qualidade inferior, a atmosfera do cenário mundial tem
mostrado significativas mudanças que poderão beneficiá-las.
Com a redução considerável dos custos de produção, a autoprodução é
incentivada, já que hoje em dia estúdios domésticos tornaram-se opções
extremamente acessíveis, a possibilidade de artistas com poucos recursos
financeiros produzirem trabalhos de qualidade aumentou sobremaneira.
Diante de um cenário musical incerto para as companhias fonográficas
tradicionais, com a redução de lançamentos de músicos locais por elas, as
produções independentes se mostram cada vez mais expressivas e precisam
ganhar cada vez espaço na mídia e no mercado.
Mas, apesar de toda essa crise, as chamadas “majors” ainda possuem a
maior fatia do mercado da música no Brasil. Como são megaestruturas, ainda
possuem muito poder econômico, e investem muito em comunicação para
divulgar os seus artistas contratados, com compra de espaço em programas do
meio de comunicação massivos e também espaço publicitário. Isso acaba
limitando em muito o espaço de atuação de artistas independentes, pois os
grandes meios de comunicação acabam ficando muito atrelado as grandes
corporações, dedicando boa parte do seu espaço para divulgação dos artistas
contratados da mesma, deixando muito pouco espaço para divulgação de
artistas independentes.
Com isso, os artistas independentes passam a fazer uso de mídias
alternativas, onde encontram mais espaço para divulgar seu trabalho. Essas
mídias (fanzines, blogs, sites de relacionamento entre outros), que muitas
vezes não fazem parte do circuito de massa, fazem esse trabalho de
divulgação, mas por várias limitações, não tem o alcance da mídia tradicional, o
que faz com que, por muitas vezes, o resultado do trabalho não tenha o
alcance desejado pelo artista.
É nesse cenário que temos que utilizar o trabalho de Assessoria de
Imprensa e Comunicação, de maneira a termos uma melhor divulgação do
artista e do seu trabalho na mídia, tendo como consequência a maior
exposição do trabalho do mesmo.
Nessa pesquisa procuraremos identificar quais as melhores práticas de
Assessoria de Comunicação que podem ser utilizadas como ferramentas de
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desenvolvimento para os artistas, criando uma afinidade e uma lealdade do
público com os mesmos, criando uma natural aproximação entre músico e
publico .
No primeiro capítulo, iremos fazer um histórico da música independente no
Brasil, desde as primeiras iniciativas de se criar uma indústria musical não
atrelada as grandes gravadoras, que data dos anos 20, até o momento atual,
que experimentou um grande crescimento a partir do final dos anos 70, onde
tivemos uma verdadeira profusão de lançamentos independentes, à partir da
iniciativa pioneira de Antônio Adolfo, em 1979.
No segundo capítulo trataremos de descrever alguns dos principais
conceitos teóricos de Assessoria de Comunicação e Jornalismo Cultural, que
serão úteis na análise específica dos cases que serão analisados nos capítulos
subsequentes.
No terceiro capítulo iremos tratar especificamente do trabalho de uma
Assessoria de Comunicação no mercado específico da música independente,
analisando formas de atuação das mesmas, de maneira a aproximar o artista
do público.
No quarto capítulo, iremos tratar do case Sleepwalker Sun, banda de rock
independente de Niterói, mostrando como poderemos usar a estrutura de uma
Assessoria de Comunicação para alavancar a carreira da mesma.
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CAPÍTULO 1
HISTÓRICO DA MÚSICA INDEPENDENTE NO BRASIL
1.1 – O conceito de independente
A pesquisadora Márcia Tosta Dias (2001, pag.132) afirma que “as
dificuldades de identificar e arrolar as empresas e iniciativas independentes
não se encontram somente na organização das informações históricas.
Padecem de critérios a avaliação de sua contribuição para a produção
fonográfica, assim como a definição do conceito de independente”. Segundo o
site da ABMI (Associação Brasileira de Música Independente), uma definição
que é aceita pela comunidade mundial de entidades que representam os
pequenos selos e gravadoras é que ‘independentes’ são as empresas que
detém seu controle, ou seja, não estão vinculados aos grandes grupos
multinacionais da música. A ABMI define seus sócios como ‘empresas
brasileiras, dirigidas por brasileiros ou estrangeiros residentes no Brasil’ –
basicamente, isso exclui as empresas multinacionais da música. Por outro lado,
o fato de se estar ou não vinculado a uma grande gravadora nem sempre é
visto como decisivo para se considerar uma produção como independente.
O músico Hélio Ziskind, em entrevista à Folha de São Paulo em março de
1982, afirma que a arte independente em geral é :
(...) toda aquela que, partindo de uma nova ordem de
valores que contrariam visceralmente os valores comerciais
do sistema, pretende transformar aqueles que se dispõem
a transformar a sociedade de armazém de mercadorias em
um ambiente humano, onde as relações entre as pessoas
não sejam mais regidas pelos interesses impostos de cima
para baixo, mas pelos desejos autênticos dos indivíduos :
os que suscitam a arte e a produzem (...) O que vem
acontecendo com a música produzida de modo
independente é muito simples : em sua grande maioria não
se enquadra nesse conceito de independente, reproduz
valores estéticos estabelecidos e deverá ser fácil e
perfeitamente absorvida.
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O músico Thiago Araripe não concorda com o termo :
Independente é um termo incorreto, equivocado, uma
atitude de quem quer suprimir o real, reinventando o
mundo e imaginando-se viver numa dimensão à parte,
alheio e imune ao sistema. Alternativo, termo que eu
prefiro, é antes de tudo o zelo pelo lugar que ocupamos,
repropondo sem ilusões o novo espaço. Alternativo não
pode estar à margem das grandes gravadoras, como o
termo independente sugere, mas estendendo essa ação à
estética, à ética e à ideologia dos projetos. Ao invés de
reinventar o mundo, reutilizá-lo. Reaproveitar todos os
materiais, seguindo o exemplo da própria natureza, que
tudo transforma. Revalorizando uma dimensão do trabalho,
esquecida pela sociedade capitalista, onde a gente
necessita
estar
continuamente
despertando
da
inconsciência que ela insiste em fabricar (VAZ, 1988, p.10)
O jornalista Marco Aurélio Canônico se questiona ao tentar definir o que é
independente :
Independente é quem não tem nenhuma forma de
patrocínio ou de investimento de terceiros ? Independente
é qualquer coisa que não seja feita pelas grandes
gravadoras? Independente é a Kuarup, o Chimbinha do
Calypso, ou um jovem que criou uma página no My Space
de sua banda e gravou um CD em casa? Enfim, sempre
tenho uma certa dificuldade em delimitar o que seria o
“cenário independente”, porque isso costuma ser tratado de
forma vaga, abarcando modelos de negócio bem diferentes
entre si.
Márcia Tostes Dias questiona, ainda, as intenções e os motivos que levam
esse tipo de produção a surgir :
As dificuldades na avaliação do que era autêntica e
efetivamente independente parecem residir na confusão
que se estabeleceu entre, de um lado, o artista que tem
uma atitude independente, procurando esse tipo de meio
para veicular um produto de proposta estética diferenciada
e, muitas vezes, inovadora, sem lugar nos planos da
grande empresa e do grande mercado. Numa atitude de
protesto, ele, sozinho ou ancorado numa pequena estrutura
empresarial, produz e oferece seu produto no mercado. De
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outro lado, artistas e empresários apostam na
segmentação do mercado e buscam oportunidades para
produtos ainda não interessantes para as grandes
gravadoras. Nesse caso, a produção independente
funciona como um marketing para o produto, cujo fim era
sensibilizar a grande gravadora. Uma terceira hipótese
poderia conter as duas opções anteriores : uma atitude
independente e critica levaria, eventualmente, à conquista
de um lugar no mundo da grande mídia (DIAS, 2001,
p.133)
Como se nota, o conceito de independente está longe de ser hermético, e
tende a variar de acordo com a visão de quem o profere. Entretanto, assim
como ressalvam Ziskind e Araripe, parece haver uma tendência de se
considerar independentes aquelas iniciativas que, mais livres das
preocupações comerciais, se dedicam tanto mais à arte, podendo fugir das
idéias abrangentes. Independentes seriam, então, aquelas iniciativas que se
propõem como alternativas à produção vigente – representadas em sua
maioria pelas grandes gravadoras – seja num sentido de oposição, seja com
intuito de agregar novas possibilidades ao mercado musical. Mas existem
também artistas que conseguem a tão almejada liberdade de criação para
desenvolver uma arte livre de pressões externas, mesmo estando vinculados a
uma grande gravadora, o que pode também ser configurado como uma
produção independente.
Artistas como, por exemplo, Caetano Velloso, apesar de estar ligado desde
o início de sua carreira a uma grande gravadora, tem liberdade total de criação
nos seus trabalhos. Porém se trata de um caso excepcional.
1.2
– A música Independente no Brasil
1.2.1 – Os pioneiros
A primeira fábrica de discos a ser instalada no Brasil foi a da Casa Edison,
em parceria com a empresa alemã Odeon. Isso aconteceu em 1913 no Rio de
Janeiro. Também em 1913, Silvio Leonetti iniciou a produção de discos em São
Paulo, para a sua loja a Elétrica, e para isso criou o selo Disco Gaúcho.
Apesar do pioneirismo de Salvatti em oferecer uma alternativa ao
monopólio da Casa Edison, credita-se a João Gonzaga, filho de Chiquinha
Gonzaga, a primeira iniciativa genuinamente brasileira na produção de discos.
Gonzaga, que havia trabalhado como chefe de gravação da Casa Edison,
utilizou seu “know-how” para inaugurar em 1919, no Rio de Janeiro, a disco
Popular.
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Logo em seu primeiro ano de atuação, a gravadora de João Gonzaga foi
responsável por lançar Francisco Alves em disco, tendo este sido o seu maior
êxito. O cantor, que viria a ser reconhecido como “O Rei da Voz”, interpretava
em, seu primeiro 78 rotações, a marcha carnavalesca “O Pé de Anjo” e o
samba “Fala Meu Louro”, ambas compostas por Sinhô. A disco Popular
lançaria até 1920 doze discos, mas nesse mesmo ano encerraria suas
atividades.
Outra iniciativa a ser destacada foi a do escritor, jornalista e folclorista
paulista Cornélio Pires, que foi o principal responsável pela divulgação da
música caipira no início do século XX. Em 1928, Cornélio propôs a diretores da
gravadora Columbia que registrassem a música caipira em disco. Tendo em
vista o desinteresse da gravadora, Cornélio resolveu investir seu próprio
dinheiro na prensagem de 5.000 discos diferentes, uma quantidade que era
considerada absurda para a época, pois nem os cantores de maior sucesso
tinham seus discos prensados em tamanha quantidade. A responsável pela
prensagem dos discos foi a própria Columbia.
A série Discos Caipira foi lançada em 1929 e foi vendida pessoalmente por
Cornélio, que viajava pelo interior de São Paulo para vender os discos, já que a
Columbia não concordou em distribuí-los. Essa venda provocou um grande
alvoroço pelas cidades por onde Cornélio passava, e foi vendida rapidamente.
Isso fez Cornélio se empolgar e pedir a Columbia que prensasse mais 50.000
cópias dos discos, quantia que hoje seria digno de disco de ouro. A Columbia
então, reconhecendo seu erro, passou a distribuir e comercializar os discos que
havia desprezado. Por ter sido mais idealista do que comerciante, Cornélio
Pires autorizou a Columbia a distribuir seus discos, contudo, deve-se
reconhecer seu exitoso ato de empreendedorismo e amor à arte.
1.2.2 – Outras iniciativas de produção independente
1.2.2.1 - Festa
Selo carioca criado no final da década de 50 pelo jornalista carioca Irineu
Garcia, era especializado em registar em disco poemas e poesias declamados
geralmente por seus próprios autores. Nomes como Carlos Drummond de
Andrade, Vinicius de Moraes, Manoel Bandeira, Cecília Meireles, entre outros,
tiveram algumas de suas obras lançadas por esse selo. O grande êxito da
Festa foi ter sido o responsável pelo lançamento do primeiro disco em que se
ouviu uma batida de violão que profetizava a Bossa Nova. No disco “Canção do
Amor Demais”, Elizete Cardoso interpretava canções de Tom Jobim e Vinicius
de Moraes acompanhados até do até então desconhecido João Gilberto.
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1.2.2.2 - Rozenblit
Criado por José Rozenblit e seus irmãos em 1953 no Recife, a gravadora
Rozenblit - a qual também pertenciam os selos Mocambo e Artistas Unidos –
foi uma das mais importantes companhias fonográficas do Brasil.
A Fábrica de Discos Rozenblit surgiu inicialmente para atender a demanda
por gravações de frevo, mas sua atuação não se restringiu apenas a produções
locais e regionais, já que esteve presente nas regiões Sul e Sudeste, onde teve
filiais no Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. Segundo matéria publicada
em 1999 pelo site do Jornal do Comércio, “entre 1959 e 1966, a gravadora
chegou a ter 22% do mercado nacional e 50% do mercado regional”. Mas
fechou em 1966, não suportando os interesses das multinacionais.
1.2.2.3 - Elenco
Aloysio de Oliveira, que havia trabalhado na Odeon e na Philips, criou em
1963 a gravadora Elenco, companhia que representou um marco do
movimento Bossa Nova. Gravaram na Elenco artistas do porte de Nara Leão,
Nana Caymmi, MPB-4, Billy Blanco, Baden Powell, entre outros.
Apesar do grande sucesso artístico, a Elenco resultou em um retumbante
fracasso comercial, tendo em vista as dificuldades advindas do precário
esquema de gravação e distribuição que a mesma possuía. Cansado de remar
contra a maré, após três anos e sessenta discos, Aloysio vende a elenco e
todas as suas matrizes para a CBD – atual universal Music.
1.2.2.4 - Forma
Criada em 1964, a gravadora Forma, assim como a Elenco, foi responsável
por importantes lançamentos da Bossa Nova, tendo surgido de uma iniciativa
ousada do produtor Roberto Quartin. Os lançamentos da Forma eram
luxuosos, geralmente lançados com capas duplas e ilustrados com pinturas
modernas, produções demasiadamente ousadas para a época.
Talvez a isso se deva a sua curta história, de três anos e dezoito discos.
Após a falência da Forma, Quartin vende a companhia bem como todas as
suas matrizes para a CBD-Phonogram.
Dezenas de outras iniciativas de se produzir música de forma independente
podem ser citadas, tais como a Bemol (de Belo Horizonte), a Marcus Pereira
(especializada em música brasileira regional), Disco de Bolso (iniciativa de
Sérgio Ricardo em conjunto com o jornal O Pasquim) e a Kuarup. Muitas delas
tiveram um relativo sucesso, mas problemas, principalmente relativos a
divulgação e distribuição, viram as mesmas fecharem as portas.
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1.2.3 – Antônio Adolfo
Aquele que foi considerado o grande desbravador do movimento de música
independente brasileira é o pianista, maestro e compositor Antonio Adolfo, que
teve grande sucesso nos anos 60 com êxitos populares com “BR-3” e “Sá
Marina”, compostas em parcerias com Tibério Gaspar. Apesar de já ter lançado
discos por gravadoras como Philips, RCA, Copacabana e EMI, tanto solo como
seus grupos A Brazuca e Trio 3-D, na década de 70 o músico encontrou
dificuldades em convencer as companhias em investir em sua nova
sonoridade, desenvolvida em quatro anos de cursos de aperfeiçoamento no
exterior.
Como atesta Gil Nuno Vaz (1988, p.20), o cenário fonográfico àquela época
já se mostrava bem diferente em relação àquele dos anos 60 :
Ao contrário, [o músico] representava um trabalho
instrumental, cujas características, embora significando
pouco em termos de novidade estética, não deixavam,
entretanto, entrever resultados comerciais que pudessem
interessar ás grandes empresas produtoras. Isso porque,
durante o tempo em que estivera ausente, ocorreram
algumas mudanças substanciais no mercado do disco e
nos meios de comunicação de massa no Brasil. O próprio
Chico Buarque, ao voltar da Itália em 1974, comentava que
a televisão organizara-se de tal modo que passaram a
predominar determinadas regras para fazer sucesso,
restringindo as oportunidades para os novos valores.
Antônio Adolfo decidiu então realizar um disco por conta própria. Sua
determinação deu origem em 1977 ao selo Artezanal, pelo qual lançou o LP
“Feito em Casa”, com tiragem inicial de 500 cópias. Sua capa em papel Kraft
reforçava o caráter artesanal do disco, que fora fabricado pela Tapecar e
distribuído por ele próprio às lojas
A iniciativa empreendedora de Antônio Adolfo despertou o interesse de
muitos outros artistas pelos processos de produção independente na década
de 70 e, por isso, o músico passaria a ser apontado como o grande
desbravador do movimento.
1.2.4 – Boca Livre
Outro marco importante do mercado da música independente brasileira foi
o quarteto vocal Boca Livre, formado em 1978. Apesar de ter iniciado sua
carreira em grande estilo, participando do disco Camaleão, de Edu Lobo, não
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conseguiu despertar o interesse das gravadoras da época, já que a sonoridade
acústica e bucólica do grupo não condizia com as condições mercadológicas
da época. Não havia outra opção para o grupo a não ser enveredar pelo
mercado independente.
O LP “Boca Livre”, lançado em 1979, foi custeado por cada um dos seus
integrantes e surpreendeu todas as expectativas de um lançamento
independente, ultrapassando a marca de 100.000 cópias vendidas. A música
“Toada”, que viria a ser o carro chefe do LP, figurou entre as músicas mais
tocadas nas rádios brasileiras no ano de 1980.
A bem sucedida experiência independente do Boca Livre o levou a um
segundo LP, “Bicicleta”. Apesar de não ter obtido o mesmo êxito do disco
anterior, reafirmou e consolidou o estilo do conjunto. A partir de 1981, o grupo
passaria a integrar o cast da Polygram, companhia por onde lançaria outros
dois discos.
1.3 – A Mídia dos Independentes
A música independente ainda sofre com sérios problemas para atingir o
grande público. Apesar disso, algumas publicações ainda apoiam a produção
musical autônoma, como é o caso dos fanzines, as redes de relacionamento da
Internet e, em menor escala, o rádio e a televisão.
Fanzine é a abreviação de fanatic magazines - “revista de fãs”, em
português – e são, para alguns autores, heranças do punk. Produzidos por fãs,
se tratam, geralmente, de pequenas publicações voltadas a um público
específico, que deseja compartilhar opiniões ou produções artísticas. No
conteúdo, reviews de shows, de discos, notícias e outras informações, tais
como agenda de atividades. A circulação de exemplares é pequena, mas
atinge a um público alvo bem definido e engajado com os independentes.
Com o advento da internet, veículos específicos foram criados, como
websites, blogs e redes de relacionamentos, entre outros. Hoje, o Twitter, o
Facebook e o My Space são as principais ferramentas usadas como forma de
divulgar o trabalho de músicos independentes.
O rádio e a televisão são os veículos de comunicação mais populares do
Brasil e também os que impõem mais dificuldades à entrada da música
independente. Pequena parte da programação dos canais é voltada a esse
público, sendo que as maiores emissoras parecem ignorar a existência da
música alternativa.
Hoje em dia, um veículo que é muito utilizado como alternativa de
divulgação da música independente são as webrádios que, pela facilidade de
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criação e manutenção, tem ganhado força, e são muito utilizadas por artistas
desse nicho de mercado.
1.4 – Festivais de Música Independente
Em sua maioria dominados pelo rock, reggae e música eletrônica, os festivais
de música independente são constantes e numerosos na maioria dos estados
brasileiros e se mostram um espaço almejado por novos artistas.
Com a proposta de coordenar tais eventos, foi criada em 2005 a ABRAFIN,
Associação Brasileira de Festivais Independentes, que conta com mais de 20
eventos associados.
Muitos festivais independentes têm patrocínio de grandes instituições como o
Governo Federal, Petrobras, SESC e SEBRAE, além de cobertura feita pelos
programas Trama Virtual, do canal à cabo Multishow, e Radiola, da TV Cultura,
ambos apresentados por João Marcelo Bôscoli. As atrações televisivas de
Bôscoli trazem ainda matérias e entrevistas e estão vinculados a sites nos
quais artistas e bandas podem divulgar suas músicas.
1.5 – Novas Tendências
A partir dos anos 90, com o CD passando a ser o principal suporte do
mercado musical, aliado as facilidades técnicas de se produzir um disco, o
mercado de música independente no Brasil deu um grande salto de qualidade.
Com o advento dos meios digitais de gravação, o que reduz o número de
equipamentos na gravação e produção, permitiu a diminuição dos custos de
instalação e operação de estúdios. Com isso, diminui-se o preço dos serviços
oferecidos pelos mesmos, facilitando o acesso a artistas com poucos recursos
para bancarem suas produções. O resultado é selos independentes passam a
surgir em grande quantidade.
Além disso, a partir dos anos 90 as produções independentes perdem a tão
indesejada imagem de amadorismo que tinham até então.
Mas, apesar das facilidades para produção dos discos, as condições de
distribuição, marketing e difusão ainda se mostravam deficientes. Visando
atender a demanda de pequenas tiragens, característicos desse tipo de
produção, empresas surgiram para prestar esse tipo de serviço a estas
produções, o que também muito contribuiu para a rápida expansão do mercado
independente.
Nesta época, vários artistas e produtores saíram de grandes gravadoras
para passar a produzir no mercado independente, muitas vezes levados por
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política de contenção de despesas das grandes gravadoras ou por procurarem
mais liberdade na elaboração de seus trabalhos. Com isso, temos hoje temos
produtores e artistas de renome como Peninha Schmidt, Mayrton Bahia,
Egberto Gismonti, Gilson Peranzetta, entre outros, enveredaram pelo mercado
de música independente.
Fora do circuito formal de quaisquer gravadoras ou selos, expressões
independentes se multiplicam no Brasil, fisicamente e virtualmente. A Internet
tem sido o principal meio de divulgação desse tipo de produto, servindo muito
mais como elementos de divulgação do que como meio de lucro aos artistas.
Com isso, a música independente deixou o underground. Com uma
comunicação mais eficiente e veloz, os artistas passaram a ter condições de
alcançar seu público e montar suas estratégias de atuação. Várias ferramentas
podem ser usadas com eficácia para que essa tarefa seja aperfeiçoada.
Hoje, a música independente engloba vários estilos musicais desprezados
pelas grandes gravadoras, como o Heavy Metal, Punk, Rock Progressivo,
Gospel, Funk e Sertanejo, além de bandas de segmentos mais populares e que
não conseguiram seu espaço no mercado.
1.6 – Indústria Popular
Tem estado em voga ultimamente produções fonográficas e audiovisuais
comercializadas diretamente no mercado informal, sem passar por gravadoras,
selos ou qualquer outro tipo de empresa. Os dois estilos mais representativos
dessa modalidade são o Funk, no Rio de Janeiro, e o Tecnobrega, do Pará.
Derivado da Black music dos anos 70, o funk, em seus primórdios
apresentavam letras que enalteciam o conceito de negritude. A segunda
geração do Funk, que tem início na década de 90, tem certas semelhanças
com a primeira. O funk atual tem valores mais desbaratados, tendo como tema
recorrente em suas letras o relacionamento entre homem e mulher. O estilo se
mostra altamente representativo no Rio de Janeiro, se propagando através de
bailes frequentados pelas diversas classes sociais.
A produção do Funk é geralmente feita de forma caseira ou ainda em
pequenos estúdios a partir de samplers, fragmentos sonoros extrtaídos de
outros fonogramas. A difusão de tais músicas se dá principalmente através dos
bailes, sendo submetido ao teste daqueles que o frequentam.
O Tecnobrega surgiu no estado do Pará por volta de 2002, e se caracteriza
pela fusão entre ritmos regionais e música eletrônica, que deram origem às
chamadas festas de aparelhagem, que são bailes movidos a sintetizadores,
teclados, amplificadores, samplers, telões e demais dispositivos
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eletroeletrônicos. Tais eventos se assemelham aos bailes Funk por se
mostrarem como vitrine de produções de novos artistas. Contudo, no
Tecnobrega lucra-se mais com as apresentações ao vivo, que mobilizam
milhares de espectadores, do que com a venda de fonogramas. O grande
representante desse movimento é a Banda Calypso, que lança seus discos
pela gravadora de propriedade do próprio, grupo, e cujo volume 10, lançado em
fevereiro de 2007, saiu com tiragem oficial de 500.000 cópias.
1.7 - Associação Brasileira de Música Independente
A Associação Brasileira da Música Independente (ABMI) foi fundada em
janeiro de 2002. Surgiu de vários encontros de independentes para se discutir
a organização do setor e traçar linhas de ação do seu trabalho.
A ABMI atua no mercado brasileiro e no exterior em busca de melhores
condições para a produção e distribuição da música independente brasileira.
A associação permite que selos fonográficos, gravadoras e distribuidoras
se associem a mesma desde que sejam :
Pessoa jurídicas, sediadas no território nacional, que sejam
: produtoras, cessionárias ou concessionárias de
fonogramas e/ou vídeo-fonogramas que contenham
interpretações ou execuções de obras musicais ou literomusicais de qualquer gênero e que por difundirem,
distribuírem e/ou comercializarem, por si ou por terceiros,
tais fonoogramas e/ou vídeo-fonogramas possam, assim,
ser consideradas “selos”, “distribuidoras” ou “gravadoras”
independentes, assim entendidas como empresas que não
detenham mais do que 5% (cinco por cento) do mercado
fonográfico mundial.
Segundo seu site oficial, o estatuto oficial da ABMI definiu como objetivos
primordiais :
Identificar e promover atividades de interesse comum em
benefício da produção musical independente brasileira;
divulgar as realizações da produção musical independente;
organizar e manter a comunicação entre sócios para
assuntos de interesse comum dentro dos objetivos da
associação; promover o encontro anual dos sócios como
mostra de produtos, artistas e premiações; promover o
aperfeiçoamento técnico e operacional inerente às
atividades da produção musical independente brasileira;
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representar os anseios e demandas da produção musical
brasileira no país e no exterior.
A ABMI foi composta inicialmente por 30 companhias. Atualmente, a
associação reúne 112 associados, entre os 200 pequenos e médios
selos/gravadoras existentes no país. Maior associação de gravadoras
independentes do país, a ABMI mantém estreita relação com outras instituições
do mercado da música independente no Brasil, e de organismos que
representam a música independente no mundo. Para isso, celebra convênios,
orienta negociações de acordos e contratos coletivos e participa de eventos e
reuniões internacionais a fim de dar suporte aos associados, difundir
conhecimento e estreitar a relação com os representantes de gravadoras e
associações no Brasil e no exterior.
21
CAPÍTULO 2
ASSESSORIA DE IMPRENSA E COMUNICAÇÃO –
CONCEITOS BÁSICOS
2.1 – Histórico
A Assessoria de Imprensa como conhecemos hoje é uma atividade
relativamente nova e que nem sempre existiu dessa maneira. Um dos
principais precursores do profissional foi o norte-americano Ivy Lee. Ele teve
atuação destacada junto aos veículos de comunicação dos EUA, no início do
século XX (1906). Lee tinha como cliente John Rockfeller, proprietário da
Colorado and Iron Co. e que, na ocasião, foi acusado de mandar atirar contra
empregados da sua empresa que estavam em greve. O jornalista, contratado
para gerenciar a crise, conseguiu reverter o quadro perante a opinião pública
através de determinadas ações, como uma declaração de princípios, no
tratamento e envio da notícia, que encaminhou aos diretores de jornais da
época e orientações ao seu cliente, como não andar mais com guarda-costas e
colaborar nos trabalhos de investigação da greve iniciadas pelo Congresso
americano. .
“Pode-se dizer que os profissionais que, hoje, atuam na
área de Assessoria de Imprensa são os herdeiros de Ivy
Lee. Foi ele quem, em 1906, criou, em Nova Iorque, o
primeiro escritório de relações públicas direcionadas para a
administração de crises e para treinar executivos para falar
com o público, dando origem aos primeiros porta-vozes.
Nascia assim a Assessoria de Imprensa com a
responsabilidade de construir e manter, por meio de
trabalho junto aos jornalistas, um bom relacionamento com
os diferentes públicos”. (FONSECA, 2006, p. 4)
Apesar de o principal marco da Assessoria de Imprensa ser o trabalho de
Ivy Lee, pode-se dizer que em momentos da história da humanidade como nos
Impérios Chineses, Romano e Persa, além de governos monárquicos de
grande tradição e relevância como Espanha, França e Inglaterra, sempre
houve o embrião de um assessor de imprensa. De acordo com Lorenzon e
Mawakdiye (2006, p. 7) “nestas sociedades, o papel deste assessor era o de
principalmente encaminhar as decisões governamentais aos ministros e às
províncias, eventualmente marcar audiências públicas e dar más notícias para
o povo – em geral, aumento de impostos”.
Com a evolução da sociedade e o seu ávido consumo midiático, o papel do
profissional específico dessa área surgiu para atender essa demanda cada vez
maior que o mercado exige, ou seja, informação a todo o instante. As principais
razões para o aumento dessa necessidade são a diversificação e a carência
22
dos meios de comunicação por informações e a estruturação cada vez maior
de empresas e organizações, em todos os segmentos da sociedade.
Em relação ao Brasil, a nossa história de Assessoria de Imprensa começa
no início do século XX. O primeiro sinal de que o país absorveu a tendência da
inovação comunicacional no mundo foi demonstrada em 1911, quando foi
criado o Serviço de Informação e Divulgação, do Ministério da Agricultura. Esse
foi o primeiro passo para a evolução da divulgação da comunicação
institucional. Alguns anos depois, em 1939, o governo de Getúlio Vargas criou
o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), através da Lei n° 1915, de
27 de dezembro, com cinco divisões: Divulgação, Radiodifusão, Cinema e
Teatro, Turismo e Imprensa.
Essa preocupação governamental com a comunicação, além de marcar o
setor no Brasil, continuou influenciando a Assessoria de Imprensa do país. Em
1975, através da sanção presidencial de Ernesto Geisel, decreto n° 75.200, de
9 de janeiro, estabeleceu-se a Assessoria de Imprensa e Relações Públicas,
com as várias competências, entre elas: agir na colaboração com os órgãos
públicos, associações, imprensa, agências noticiosas e público em geral, além
da divulgação de assuntos do interesse do país, relativos à vida administrativa,
política, financeira, social, cultural, cívica e artística da Nação. No ano seguinte,
também no dia 9 de janeiro, através de outra sanção do Presidente da
República, foi extinta a Assessoria de Imprensa e Relações Públicas e criadas,
em separado, as Assessorias de Imprensa e de Relações Públicas. O último
ato governamental que podemos destacar nesse processo estatal de influência
da comunicação institucional brasileira aconteceu em 1981, quando o governo
instituiu a Secretaria de Imprensa.
Nos anos 80, com o fim da ditadura e o país vivendo um processo de
redemocratização, as empresas brasileiras iniciaram uma fase de “portas
abertas”, usando a transparência como forma de angariar a simpatia e
confiança de seus públicos. A empresa Rhodia, com a publicação de sua
“Política de Portas Abertas”, na qual estabelece um projeto inovador na área da
Comunicação e desencadeia uma tendência, entre as empresas do setor
privado, de estimular ações na área de Comunicação Corporativa. Esse
processo foi extremamente importante na formação dos assessores de
imprensa e na consolidação das atividades no mercado. As assessorias
passaram a produzir conteúdo nas diversas áreas, através da contratação por
clientes dos mais variados setores. E toda essa informação represada nas
empresas atravessou os portões das indústrias e organizações na forma de
informação qualificada, de interesse público e capaz de estimular o profissional
para uma abordagem profissional e ética.
A Assessoria de Imprensa ou de Comunicação desenvolveu-se muito de lá
para cá e hoje é uma disciplina presente em grande parte das universidades. A
razão da importância que o trabalho do assessor de imprensa adquiriu, ao
londo do século XX, deve-se ao fato de que o debate público hoje se dá na
mídia. É no jornal, na TV, no rádio e na Internet que os inúmeros setores da
23
sociedade se posicionam em relação às questões contemporâneas. E a
mediação de parte desse fluxo de informação das instituições para a imprensa
é feita pelos assessores.
Nas empresas que já perceberam a importância de se ter um profissional de
Comunicação ligado diretamente à presidência, a fidelidade nas relações entre
a empresa e os seus funcionários, consumidores, fornecedores e sociedade
passou a ser um bem, parte do capital da instituição.
2.2 – Conceitos
2.2.1 - Assessoria de Imprensa
É o serviço prestado à instituições públicas e privadas, que se concentra no
envio frequente de informações jornalísticas, dessas organizações, para os
veículos de comunicação, em geral. Esses veículos são os jornais diários;
revistas semanais, revistas mensais, revistas especializadas, emissoras de
rádio, agências de notícias, sites, portais de notícias e emissoras de tevê.
Um trabalho continuado de Assessoria de Imprensa permitirá à empresa
criar um vínculo de confiança com os veículos de comunicação e sedimentar
sua imagem de forma positiva na sociedade. Nesse sentido, no Brasil, quem
costuma coordenar esse tipo de serviço são profissionais formados em
jornalismo. Eles é que determinam o que é ou não notícia para ser enviado
para a imprensa.
Caso algum veículo de comunicação se interesse pelo assunto divulgado
pela assessoria de imprensa utilizará o texto para publicar notas ou agendar
entrevistas. Tanto a publicação de notas, como o agendamento de entrevistas
e a publicação posterior de informações, são gratuitas. Chamamos de mídia
espontânea. Não se paga por essa publicação. Se paga para a assessoria
trabalhar de forma a conseguir esse resultado.
2.2.2 - Assessoria de Comunicação
A ampliação das atividades das Assessorias de Imprensa nos últimos anos
levou o profissional jornalista a atuar em áreas estratégicas das empresas,
tornando-se um gestor de comunicação. E isso privilegiou a integração de
outros profissionais – relações públicas, propaganda e publicidade – numa
equipe multifuncional e eficiente.
Ao jornalista têm-se aberto oportunidades de atuar como estrategista na
elaboração de planos de comunicação mais abrangentes. Esses planos devem
privilegiar uma comunicação eficiente não apenas junto à imprensa, mas
posicionando as organizações de forma a estabelecer uma interlocução com
ética e responsabilidade social, comprometida com os valores da sociedade
junto aos seus mais diversos públicos.
24
2.3 – Funções da Assessoria de Imprensa e Comunicação
As organizações podem contar com equipes de assessorias de
comunicação internas ou terceirizadas, cujas funções são:
- criar um plano de comunicação (estabelecer a importância deste
instrumento tanto no relacionamento com a imprensa como os demais públicos
internos e externos);
- colaborar para a compreensão da sociedade do papel da organização;
- estabelecer uma imagem comprometida com os seus públicos;
- criar canais de comunicação internos e externos que divulguem os valores
da organização e suas atividades;
- detectar o que numa organização é de interesse público e o que pode ser
aproveitado como material jornalístico;
- desenvolver uma relação de confiança com os veículos de comunicação;
- avaliar frequentemente a atuação da equipe de comunicação, visando
alcance de resultados positivos;
- criar instrumentos que permitam mensurar os resultados das ações
desenvolvidas, tanto junto à imprensa como aos demais públicos;
- preparar as fontes de imprensa das organizações para que atendam às
demandas da equipe de comunicação de forma eficiente e ágil.
2.4 - Ferramentas da Assessoria de Imprensa e Comunicação
Existem várias ferramentas para que o assessor possa desempenhar a sua
função de maneira satisfatória, prover a imprensa com informações e otimizar o
relacionamento com a mesma, assim como para medir resultados dos esforços
despendidos em ações. Essas ferramentas serão detalhadas nos tópicos
abaixo
2.4.1 – Press Release
São textos de divulgação para a imprensa. Se trata da prática mais antiga
da função do assessor. É uma redação em forma de texto jornalístico, com
título, subtítulos, lead, sub-leads, parágrafos e frases curtas, com todas as
informações necessárias aos veículos que ser quer atingir. É utilizado,
normalmente, quando se quer disseminar a informação para um grande
número de jornalistas.
25
2.4.2 – Press Kits
São pastas ou arquivos eletrônicos contendo informações detalhadas sobre
o assessorado – atividade, histórico, estatísticas, desempenho, etc – que
facilitem a ação da imprensa em eventos como entrevistas coletivas, nas quais
servem de material de apoio ao jornalista. Ao contrário dos releases, não tem a
publicação como fim. Também deve ser produzido de acordo com a linguagem
jornalística, pois seu objetivo é ajudar profissionais da área a escreverem suas
matérias e elaborar pautas. Os press kits podem conter um conjunto de
releases, CDs, demonstrativos, brindes, entre outras coisas. Todo esse
material deve estar organizado para facilitar o seu manuseio.
2.4.3 – Mailing Lists
São cadastros de informações de contatos de jornalistas e veículos de
comunicação. É importante para a disseminação de informações do
assessorado, agendamento de entrevistas e envio de material para a imprensa,
por exemplo. O mailing list precisa incluir revistas especializadas, veículos de
circulação nacional e regional, os comentaristas da TV, rádio e assim por
diante. Pode ser feito, entre outras formas, pelo levantamento de mídia, pela
Internet.
2.4.4 – Clipping ou Arquivo
São recortes de matérias e notas sobre determinados assuntos nas mais
diversas mídias : impressa, eletrônica e digital. Pode ser transforado em
informação estratégica caso seja utilizado de forma correta em ações de
comunicação. O clipping é uma ferramenta de análise de ações e resultados de
uma assessoria em relação ao seu cliente. Para que isso seja aperfeiçoado, é
necessário que se faça relatórios indicando os aspectos positivos e negativos
da exposição. Além disso, é importante que seja organizado de forma
sistemática e, se possível, digitalizado para que seu acesso seja facilitado.
2.4.5 – Eventos
Em eventos onde há a presença de jornalistas, a assessoria se faz
necessária para a organização de entrevistas, distribuição de matéria de
imprensa e também para servir como fonte de informação para profissionais ali
presentes. O assessor deve fazer o planejamento para que todas as
informações necessárias, referentes ao acontecimento, estejam disponíveis.
2.4.6 – Entrevistas
A entrevista é uma das principais formas de prover a imprensa com
informações de interesse público. Além disso, confere uma maior credibilidade
ao que está sendo repercutido já que quem fala é o ciente, de forma direta,
sem intermediários. Em entrevistas individuais, ao assessor deve estar
26
presente e ajudar o entrevistador com as informações extras que lhe forem
necessárias Já em coletivas, a postura da Assessoria deve ser a de
organizadora e mediadora. É a responsável pela escolha do local, horário e
agendamento com os veículos de imprensa convidados. Além disso, é sua
função distribuir press kits e releases para servirem de material de apoio aos
jornalistas ali presentes.
2.4.7 – Media Training
É o treinamento de clientes para aparição pública por meio de
familiarização com estratégias e termos referentes à mídia. Se dá pela
necessidade de informações precisas para lidar, especialmente, com tempos
de crise. O assessorado de ter em consideração que tudo aquilo que é dito
pode ser usado de forma negativa. Por isso, esse tipo de treinamento tem de
ser feito de forma contínua, não apenas em épocas de acontecimentos graves.
2.4.8 – Websites e Blogs
O assessor deve ajudar na produção ou na orientação da produção de
conteúdo para sites e blogs, além de ser um dos responsáveis pelas
atualizações. Deve buscar as melhores formas de atingir o público e de
estimular a interatividade deste com os assessorados.
2.5 – Jornalismo Cultural
O jornalismo cultural, como uma especialidade dentro do jornalismo,
emerge historicamente no fim do século XVII, segundo pesquisas do historiador
Peter Burke (2004). Tal fato situa-se em um período em que o próprio
jornalismo ganha contornos mais definidos em toda a Europa, deixando de ser
uma aparição periódica para se tornar uma narrativa institucionalizada
socialmente, ganhando ampla difusão, periodicidade e mercado.
Os primeiros impressos que indicam a cobertura das obras culturais datam
de 1665 e 1684 e são representados pelos jornais The Transactions of the
Royal Society of London e News of Republic of Letters. Ambos faziam
cobertura das obras literárias e artísticas, além de relatarem as novidades
sociais. “A resenha de livros foi uma invenção do fim do século XVII” (Burke,
2004, p. 78).
Mas certamente o representante mais conhecido e marcante do jornalismo
cultural viria depois, em 1711, também na Inglaterra, com a criação do
periódico The Spectator. Criado por dois ensaístas, Richard Steele (1672-1729)
e Joseph Addison (1672-1719), o periódico, segundo seus idealizadores, tinha
o objetivo de “trazer a filosofia para fora das instituições acadêmicas para ser
tratada em clubes e assembléias, em mesas de chá e café”. Assim, “o jornal
cobria desde questões morais e estéticas até a última moda das luvas” (Burke,
2004, p. 78).
27
No Brasil, o jornalismo cultural só se consolidaria dois séculos depois, mas
nasce bem representado por Machado de Assis (1839-1908) e José Veríssimo
(1857-1916). A partir desse momento, o jornalismo cultural ganha contornos
mais definidos, sendo ainda conduzido por grandes nomes da literatura, da
política e da filosofia, como Oswald de Andrade e Mário de Andrade. Ganha
expressão máxima em 1928, com a criação da revista O Cruzeiro, que teve
como colaboradores, entre outros, José Lins do Rego, Vinícius de Morais,
Manuel Bandeira, Rachel de Queiroz e Mário de Andrade, e era ilustrada por Di
Cavalcanti e Anita Malfatti.
O gosto nacional pelas crônicas, até certo ponto, sempre foi uma forma de
atrair a literatura para o jornalismo, praticada por jornalistas, escritores e,
sobretudo, por híbridos de jornalista e escritor. De Machado de Assis a Carlos
Heitor Cony, passando por João do Rio, Carlos Drummond de Andrade, Rubem
Braga, Paulo Mendes Campos, Otto Lara Resende, Ivan Lessa, entre outros
(Piza, 2004, p. 33).
E seria a partir dos anos 1950 que os jornais impressos brasileiros criariam
o caderno de cultura como seção obrigatória em suas edições diárias e,
especialmente, no fim de semana. Quem inaugura tal seção de forma pioneira
é o Jornal do Brasil em 1956, com o Caderno B. Editado por Reynaldo Jardim e
diagramado por Amílcar de Castro, o caderno “se tornou o precursor do
moderno jornalismo cultural brasileiro” (Piza, 2004, p. 37). Reunindo em suas
páginas os mais significativos representantes da cultura nacional, como
Ferreira Gullar, Clarice Lispector, Bárbara Heliodora e Décio Pignatari, entre
outros, o caderno tornou-se uma referência para a crítica cultural de sua época
e até hoje é lembrado como ponto alto da prática do bom jornalismo cultural.
O caderno do JB funda uma tendência dentro do cenário das publicações,
abrindo frente para outras experiências, como a do Suplemento Literário de O
Estado de S. Paulo, dirigido por Décio de Almeida Prado. E para o
aparecimento de nomes importantes da crítica cultural, como Paulo Francis,
que inicia sua carreira como crítico de teatro no Diário Carioca em 1957 e
passa, posteriormente, por Última Hora, Pasquim, Rede Globo e GNT.
A função do jornalismo cultural é revelar de forma clara e acessível “que,
em toda grande obra, de literatura, de poesia, de música, de pintura, de
escultura, há um pensamento profundo sobre a condição humana” (Morin,
2001, p. 45).
Eis aí a força narrativa do jornalismo e sua função social. Pois faz chegar a
muitos o que estava restrito a poucos e possui, nessa mediação, uma
responsabilidade profissional acrescida da necessidade de uma formação
humanística sólida, ciente da necessidade da codificação de uma realidade
complexa, traduzindo-a em formas acessíveis e democráticas.
28
Essa vocação e essa função original ganham contornos ainda mais
evidentes em se tratando da especialidade do jornalismo cultural e da
preparação dos futuros jornalistas dessa área.
Em contrapartida, não o torna uma disciplina isolada das demais, mas ao
contrário. Como afirma o jornalista Daniel Piza, “há uma riqueza de temas e
implicações no jornalismo cultural que também não combinam com seu
tratamento segmentado; afinal, a cultura está em tudo, é de sua essência
misturar assuntos e atravessar linguagens” (Piza, 2004, p. 7). Nesse sentido, é
da natureza da própria disciplina o diálogo com as disciplinas humanísticas e
práticas.
Dialoga, assim, com filosofia, antropologia, mídia e cultura, ética e
legislação e, simultaneamente, se relaciona com as disciplinas práticas e
específicas como jornalismo on-line, rádio, TV, técnicas de reportagem e texto
em revista. Se as primeiras fundamentam e sensibilizam os alunos para
compreender com mais abrangência a realidade social e culturalmente dada,
as últimas oferecem as potencialidades e variedades de suportes e formas de
mediação necessárias para o conhecimento cultural.
29
CAPÍTULO 3
A ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO NA MÚSICA
INDEPENDENTE
A Assessoria de Comunicação voltada para a música independente tem o
objetivo de servir como divulgadora, identificar públicos e estabelecer o contato
entre artistas, bandas, selos fonográficos e gravadoras com veículos de
comunicação.
A função do assessor é a de produzir releases e press kits de seus clientes,
para que possam ser distribuídos a todos os veículos interessados nas
informações dos clientes, a respeito de gravações de discos, lançamentos,
datas de shows e informações a respeito dos mesmos, assim como
acompanhamento de eventos com a presença da imprensa. É responsável,
também, pela orientação de seus clientes para se relacionarem com a mesma.
É dever da assessoria arquivar informações e recortes de veiculação do
assessorado em mídias – sejam elas digitais, eletrônicas ou impressas – de
forma organizada, o que é habitualmente chamado de clipping. Além disso,
criar uma rede de contatos que possam ajudar o cliente a ter suas informações
publicadas em meios de comunicação voltados aos públicos que consomem
música independente, tais como fanzines ou revistas voltadas ao estilo do
mesmo.
Observando a necessidade desse nicho de mercado, várias empresas
ligadas a esse ambiente musical passaram a oferecer esse tipo de trabalho a
bandas, artistas, selos e gravadoras. A maioria delas se localiza no eixo Rio de
Janeiro – São Paulo, que são os principais polos de música independente no
Brasil e onde se concentra o maior número de gravadoras ligadas à ABMI.
Faremos uma breve apresentação de algumas das diversas empresas que
constituem parte desse mercado.
A paulista Central Rock, em atuação desde 2004, tem por objetivo apoiar e
divulgar as bandas brasileiras e artistas independentes ou já consagrados
pelos veículos de comunicação, crítica ou público, além de todo tipo de arte e
cultura através de diversas mídias em todo Brasil e em veículos próprios:
Central Rádio Rock FM (107,1MHz), com atuação no Grande ABC paulista,
sites e revista impressa (50 mil exemplares distribuídas gratuitamente).
A também paulista Heaven´s Music trata da assessoria de artistas ligados à
música de exaltação, mais especificamente gêneros de rock e heavy metal
cristão. Além do contato com a mídia, a agência oferece assistência
fonográfica, agenciamento de bandas, design gráfico, merchandising, produção
e serviços de web. No seu site oficial, a empresa explica que o objetivo
30
enquanto assessoria de comunicação é “prestar serviço de divulgação e
assessoria aos clientes, para que tenham o nome de sua banda, sua música e
atividades divulgadas e trabalhadas devidamente junto a veículos
especializados”.
A Brasil Music Press é uma assessoria especializada em trabalhar com
bandas de Heavy Metal nacional, por terem detectado a carência de uma
empresa que atendesse de forma profissional às necessidades primárias do
mercado deste estilo no Brasil que, embora tenha crescido de forma
significativa nos últimos anos, não dispõe de uma estrutura para dar suporte
adequado às inúmeras bandas que, por este motivo, não conseguem se
destacar no cenário e manter uma carreira profissional.
Destacamos também que muitos artistas, principalmente aqueles
localizados fora do eixo Rio de Janeiro – São Paulo, fazem trabalho próprio de
assessoria, porém de forma incipiente. Muitos deles não enxergam a atividade
como um investimento na carreira, mas sim como um gasto desnecessário.
A atuação de empresas voltadas para esse nicho de mercado é recente e,
por isso, talvez ainda não despertem a atenção do meio alternativo.
31
CAPÍTULO 4
O CASE SLEEPWALKER SUN
4.1 – A Banda
O ponto de partida do projeto Sleepwalker Sun foi o término da banda
Revealing Web, que tinha na sua última formação, Luiz Alvim, Giana Araújo
nos vocais, Leandro Furtado e Henrique Mendes nas guitarras, Marcos Eichler
no baixo e André Geléia na bateria.
A banda, toda ela oriunda da cidade de Niterói, uma espécie de templo do
rock progressivo brasileiro, segue a linha progressiva contemporânea, com
influência de bandas atuais como Spock's Beard e Porcupine Tree, bem como
de medalhões setentistas.
No início, Luiz Alvim e Francisco Falcon, baixista que foi convidado a
participar do projeto, pensaram em um projeto no qual a idéia inicial era de um
power trio, na linha ELP, com os vocais sendo feitos pelos dois. Um tempo
após o término do Revealing Web, começaram a pensar no desperdício que
seria não gravar aquelas antigas composições, e acabaram mudando a
concepção do novo projeto, chamando Giana Araújo para juntar-se a eles.
Como todos estavam envolvidos em diferentes empreitadas musicais, Luiz
Alvim tomou a frente desta, passando um bom período fazendo novas
composições e rearranjando as antigas, mesclando-as com novos trechos
inclusive. Gravou as demos em seu próprio quarto e pronto. Era só ir para o
estúdio. Mas antes era necessário reunir o restante dos músicos.
Rodrigo Martinho foi o primeiro a se juntar a Luiz, Francisco e Giana. Foi
uma escolha natural, pois ele e Luiz tocaram juntos na banda tributo a Rush,
2112. Ele também ficaria encarregado pela parte da gravação, que seria feita
em seu estúdio. Nas guitarras, a maior parte do trabalho seria feita por Leandro
Furtado e Fabio Montserrat. Leandro tem tudo a ver com o projeto, tendo as
músicas da época do Revealing Web grande participação sua. Fábio, por sua
vez, ajudou muito nas demos, gravando os solos.
Para a gravação do primeiro disco, dois fantásticos guitarristas de Niterói,
Alex Martinho (também da 2112) e Ricardo Marins (da banda Triodélico), foram
convocados, e não hesitaram em aceitar o convite, contribuindo ambos com
excelentes solos e bases.
O CD “Sleepwalker Sun” foi lançado em setembro de 2005, através do selo
Masque Records, especializado em rock progressivo e, além da participação
daqueles que fizeram a primeira formação da banda (Giana Araujo – vocais /
Luiz Alvim – teclados / Ricardo Martinho – bateria / Francisco Falcon – baixo /
Ricardo Marins – guitarra), teve as participações especiais de André Mello, da
32
banda prog carioca Tempus Fugit, que engrandeceu o disco com seu solo em
Nocturnal. Ricardo Aguiar, da banda Terra Molhada (especializada em covers
dos Beatles), deu um toque especial nos backings da mesma música. Para as
partes agressivas de voz masculina que haviam sido concebido, foi chamado o
também companheiro de 2112 Fábio Guerrero, que se encaixou perfeitamente
nas músicas.
O toque final especial foi a participação de Marcus Viana. As gravações
ainda em estado bruto foram enviadas para Belo Horizonte, onde vive esse
músico, uma referência do rock progressivo brasileiro. Ele ouviu, gostou e
gravou. O resultado está em Jalen’s Eyes e Blindfold. “Foi especial não só pelo
resultado, mas também por ter um ídolo meu gravando composições minhas”,
declarou Luiz Alvim.
As críticas ao disco foram amplamente positivas. Marcos Bragatto, do site
Rock em Geral, comenta :
“O disco, cujo trabalho gráfico (impecável, diga-se de
passagem) remete a bandas de prog metal e (até) gothic
metal, se revela numa autêntica peça do rock progressivo
contemporâneo, dada a complexidade dos temas e
arranjos. Ao mesmo tempo, o material desse CD nos leva
aos bons tempos do progressivo de raiz, mas a produção
rebuscada e uma certa inventividade nas composições o
fazem soar altamente atual e moderno, sem também, cair
nos clichês do prog metal pós Dream Theater.”
Já Cláudio Vicente, da revista Roadie Crew, tece os seguintes comentários
sobre o disco :
“Esse é o álbum de estréia da banda Sleepwalker Sun e
uma grande surpresa para o cenário do rock progressivo
nacional. O grupo caminha na linha de bandas dos anos 70
e 80 e podemos notar influências de Yes, ELP e Dream
Theater, entre outras. O mais legal é que todo esse
instrumental vem acompanhado da voz da versátil vocalista
Giana Araújo que em certos momentos tem um timbre de
voz muito parecido com a Anneke Van Giersbergen do The
Gathering.”
O disco também teve uma boa repercussão na imprensa especializada em
rock progressivo no exterior, também sido elogiado em sites como o Prog
Archives, que divulga bandas de rock progressivo de todo o mundo.
Após o lançamento do disco, a banda partiu para a divulgação do mesmo,
realizando shows e dando entrevistas em sites e rádios especializados em rock
progressivo, basicamente do exterior.
33
Em 2006, a banda recebeu vários prêmios do mais importante site
especializado em rock progressivo brasileiro, o Rock Progressivo Brasil. As
categorias em que a banda foi vencedora foram: melhor banda brasileira de
2005, melhor arte, melhor músico, melhor baterista, melhor guitarrista, melhor
vocalista, melhor novidade.
Mas como o mercado para o rock progressivo é extremamente limitado no
Brasil, a banda teve pouca atividade entre 2007 e 2009, tendo realizados
pouquíssimos shows nesse período.
No final de 2009, foi lançado o segundo trabalho da banda, o CD “Stranger
In The Mirror”, também distribuído pela Masque Records, onde a banda
mantém sua formação inicial, além de contar com as participação de Jorge
Mathias, da banda Quaternia Requiem, no baixo e no e-bow.
Tal como o primeiro disco, “Stranger In The Mirror” também teve boa
repercussão no mercado de rock progressivo, tendo tido excelentes críticas de
sites e revistas especializadas, tais como a revista inglesa Rocktopia, a italiana
ProgVisions e a publicação americana Music Street Journal.
No ano de 2011, com as saídas de Ricardo Marins e Francisco Falcon, a
banda passa ter em sua formação o guitarrista João Travassos e o baixista
Jorge Mathias, que tem participado das apresentações ao vivo da banda.
A banda segue fazendo apresentações para divulgação do disco, sendo a
sua última apresentação no Festival Minas Prog 2011, realizado no dia 12 de
novembro em Cataguases, onde a banda dividiu o palco com a banda Blue
Mamooth, também do cast da Masque Records.
4.2 – Como divulgar o trabalho da Sleepwalker Sun ?
Para que uma banda tenha seu trabalho não só divulgado como conhecido
do seu público alvo, é necessário pensar na profissionalização do seu trabalho.
A contratação de uma assessoria de imprensa é fundamental para manter a
banda presente na mídia, de forma positiva, valorizando e popularizando o
nome, a imagem, o serviço ou o produto da mesma.
No caso da Sleepwalker Sun, por trabalhar com rock progressivo, gênero
de público muito específico no Brasil, a assessoria tem que ter a preocupação
de não só tratar a divulgação da banda no mercado brasileiro, mas também no
exterior, onde o consumo desse tipo de música é muito grande.
Com isso, as atividades que uma assessoria deve executar no sentido de
divulgar o trabalho da banda são as seguintes :
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 criar versões em português e inglês do release oficial, fazendo as
eventuais atualizações, correções e adaptações conforme padrão
internacional, cada vez que existir algum evento de relevância na banda;
 fazer um levantamento e um minucioso trabalho de pesquisa,
descobrindo quais veículos de fato trabalham com seriedade, sendo que
somente para estes o material da banda será encaminhado.
 realização de sessão de fotos com fotógrafo profissional, para melhor
expor sua imagem nos releases e foto promocional.
 disponibilização de um local específico para o cliente e acessível ao
público, contendo release oficial (português e inglês), fotos, logotipo e
capa do álbum, todos arquivos nas versões em baixa e alta resolução,
MP3, rider técnico, mapa de palco, discografia, review, entrevista, setlist
básico e outros;
 elaboração de notas baseadas em informações fornecidas pela banda,
usando estratégias de caráter jornalístico, conferindo-as credibilidade e
usando artifícios na escrita de tal forma que o mesmo tipo de assunto
possa render muito mais, mantendo a banda sempre na mídia;
 postagem das notas para todos os veículos de imprensa especializados
no Brasil, e em outras mídias alternativas que abram espaço para o
estilo, buscando e estimulando o interesse por entrevistas, matérias
especiais e publicação de reviews;
 versão e postagem de notas em inglês para os principais veículos de
imprensa especializados do exterior, no intuito de projetar o nome da
banda no cenário internacional, despertando interesse por matérias e
licenciamentos;
 disparo semanal das notas para mailing com público alvo no Brasil.
Através desse mailing, pode ser direcionado o material da banda para os
principais veículos especializados, revistas, jornais, fanzines, sites e
programas de rádio e televisão especializados e outros meios não
segmentados que abram espaço ao rock progressivo, pubs, salões de
rock, lojas especializadas e produtores de shows e festivais de rock
progressivo no Brasil e no exterior, divulgar shows, workshops e
lançamentos de álbuns e também fazer a versão das notas em inglês e
postar em mailing internacional.;
 suporte à banda na ocasião de lançamento de álbum ou divulgação de
shows, disponibilizando no site a capa do álbum e divulgando os
eventos e datas, através de notas, mailing e agenda;
 elaboração de review especial, na ocasião do lançamento de álbuns, o
qual será disponibilizado no site da empresa e para a banda usar como
35
material de suporte no momento de encaminhar o álbum aos veículos
especializados;
 inclusão da banda (por nome, logotipo, url e eventualmente foto) nos
anúncios da empresa que vierem a ser veiculados em revistas
especializadas;
 cobertura de eventos significativos que a banda venha a participar e
disponibilizar o review dos mesmos no site da empresa e da banda;
 montagem de “clipping” com todas as notas publicadas, reviews,
entrevistas e os respectivos veículos que as publicaram. Esse clipping
deve ser atualizado também no site da banda;
 indicação de participação em eventos de produtores com os quais a
assessoria faz parcerias;
 programa de mídia training a ser desenvolvido conforme as
necessidades do cliente. O profissional da assessoria deve ensinar
como a banda deve manter um relacionamento correto com os
jornalistas e os veículos de mídia.
 criar e manter atualizados perfis da banda nas principais redes sociais
de relacionamento (Twitter, Orkut, My Space e Facebook), instigando os
usuários a interagirem e passarem as informações adiante;
É importante ressaltar que nenhuma assessoria de imprensa tem como
garantir a publicação ou veiculação de qualquer matéria, já que isso vai
depender da vontade do jornalista e da abordagem que ele pretender dar ao
fato. Mas, enviando um texto objetivo e bem redigido para divulgação do que o
cliente pretende, são grandes as possibilidades de êxito.
36
CONCLUSÃO
O mercado independente vem crescendo a cada dia, seja pelas facilidades
de produção ou pela decadência das grandes gravadoras, e passou de
tendência à realidade.
Podemos afirmar que o músico independente deve ser cuidadoso ao tratar
de todas as etapas de seu trabalho. Isso não quer dizer que ele deve trabalhar
sozinho, sem nenhum tipo de suporte para alavancar a sua carreira. E uma boa
assessoria de imprensa pode dar a esse músico uma vantagem estratégica
para esses músicos.
É de suma importância manter os jornalistas que trabalham na área de
cultura minimamente informados do seu trabalho, de maneira a garantir uma
crítica que, se não for favorável, seja a mais justa possível. Por isso, deve-se
manter uma relação estreita com profissionais de redação e manter o mesmo
informado sobre a evolução do seu trabalho, seja através do envio de CDs,
releases, press kits, agendamento de entrevistas e etc. Essas práticas
garantem que as análises a serem feitas terão dados importantes para a
realização das mesmas, evitando análises que, por muitas vezes, são
superficiais.
Com a Internet, a informação passa por um completo processo de
remodelação. O que antes era publicado apenas diariamente e por
organizações especializadas, hoje pulula a cada instante na rede e por autores
muitas vezes desconhecidos. A utilização da grande rede deve ser utilizada por
toda assessoria, pois é uma alternativa de baixo custo e de um alcance
inimaginável. Para isso, web sites, blogs, redes sociais e mailings são meios
que fazem que a informação se espalhe de uma forma muito rápida, trazendo
resultados em um menor espaço de tempo.
A permanência na mídia é outro grande desafio para a assessoria de
imprensa com o seu cliente. O constante contato com o seu público pode
minimizar as chances de um artista perder espaço.
Percebe-se ainda que o trabalho de assessoria de imprensa para artistas
independentes é um nicho de mercado que ainda pode ser mais explorado.
Mas como é um mercado com perspectiva de expansão, deve se ter uma
atenção especial com ele. Como o músico independente precisa trabalhar,
estudar e ainda compor, ensaiar, gravar, tocar, ou seja, tem múltiplas funções,
por muitas vezes não consegue fazer esse trabalho de assessoria de forma
profissional, abrangente e contínua, ou não atenta para as vantagens
oferecidas por esse tipo de trabalho, é necessário que o profissional de
comunicação sempre proponha uma experiência de trabalho sempre que
enxergar uma boa oportunidade, para provar ao assessorando as vantagens de
se ter alguém trabalhando a imagem do mesmo na mídia.
37
Assim como em qualquer empreitada, os resultados da assessoria de
imprensa não são colhidos da noite para o dia, pois são frutos de um trabalho
gradual e contínuo, para fixação e reforço de marca entre o público e mídia.
Outro ponto a considerar, é que além dos resultados dependerem do nível
do produto oferecido pelo músico e de um trabalho contínuo e à longo prazo de
assessoria especializada, adiantamos que devido a atual enorme demanda de
novos artistas no cenário de música independente, se torna praticamente
impossível alguns veículos (especialmente as grandes revistas) abrirem espaço
para entrevistas e matérias especiais para bandas que tenham apenas demos
e nenhum CD lançado oficialmente.
Conclui-se então que é de fundamental importância a participação do
assessor de imprensa não só na divulgação, mas também na gerência da
imagem dos músicos. Como vários espaços foram criados para que o artista
independente possa mostrar o seu trabalho, seja em programas de televisão,
festivais, lançamentos de discos e outros eventos, cada vez mais abre-se
espaço para a atuação da assessoria de imprensa nesse nicho de mercado.
Apesar de muitos ainda enxergarem a assessoria de imprensa como um
gasto, ele deve ser sim tratado como um investimento, pois se bem utilizado
pode dar um belo retorno para ao assessorado.
Nenhum trabalho de assessoria pode garantir que um artista se torne um
grande sucesso de público e crítica, pois isso dependerá de talento, um
produto apresentável e uma certa dose de sorte, mas fazer um trabalho
profissional de assessoria e marketing, que tornará o artista conhecido no
cenário, e certamente será determinante no futuro do mesmo e suas
conquistas.
38
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
BURKE, Peter. Uma história social da mídia: de Gutenberg à internet. Rio de
Janeiro, Jorge Zahar, 2004.
CASTRO, Igor Garcia – Lado B, A Produção Fonográfica Independente
Brasileira. São Paulo, Annablume, 2010
CARVALHO, Cláudia e REIS Léa. Manual Prático de Assessoria de Imprensa.
Rio de Janeiro, Editora Elsevier, 2009
CHINEM, Rivaldo – Assessoria de Imprensa : Como Fazer. São Paulo,
Summus Editorial, 2003
DIAS, Márcia Tosta – Os Donos da Voz : Indústria Fonográfica Brasileira e
Mundialização da Cultura. São Paulo, Boitempo, 2001
DUARTE, Jorge. Assessoria de Imprensa e Relacionamento com a Mídia. São
Paulo, Editora Atlas, 2010
FERRARETTO, Elisa e FERRARETTO, Luiz. Assessoria de Imprensa – Teoria
e Prática. São Paulo, Summus Editorial, 2009
LORENZON, Gilberto e MAWAKDIYE, Alberto – Manual de Assessoria de
Imprensa. Campos do Jordão, Editora Mantiqueira, 2006
MELLO, Luiz Antônio – A Onda Maldita : Como Nasceu e Quem Assassinou a
Fluminense FM. Brasil, Xamã, 1999
MELLO, Luiz Antônio – Manual de Sobrevivência na Selva do Jornalismo.
Niterói, Nitpress, 2011
MIDANI, André – Música, Ídolos e Poder, do Vinil ao Download. Rio de Janeiro,
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MORIN, Edgar. A cabeça bem feita: repensar a reforma, reformar o
pensamento. Rio de Janeiro, Bertrand, 2001.
PIZA, Daniel. Jornalismo Cultural. São Paulo, Editora Contexto, 2004
VÁRIOS. 7 Propostas para o Jornalismo Cultural. São Paulo, Miró Editorial,
2009
VAZ, Gil Nuno – História da Música Independente. São Paulo, Brasiliense,
1988
VICENTE, Eduardo – A Vez dos Independentes : Um Olhar Sobre a Produção
Musical Independente do País. São Paulo, Compós, 2006
39
WEBGRAFIA
http://www.abmi.com.br – site da Associação
Independente, acessado em 05/01/2012
Brasileira
de
Música
www.tramavirtual.com.br – site de gravadora Trama, acessado em 04/01/2012
www.centralrocknet.com.br – site da assessoria de imprensa Central Rock,
acessado em 10/01/2012
www.brasilmusicpress.com – site da assessoria de imprensa Brasil Music
Press, acessado em 10/01/2012
www.msmetalpress.com – site da assessoria de imprensa Metal Press,
acessado em 10/01/2012
www.abpd.org.br – site da Associação Brasileira de Produtores de Discos,
acessado em 03/01/2012
www.sleepwalkersun.com – site da banda Sleepwalker Sun, acessado em
13/01/2012
www.masquerecords.com – site da gravadora Masque Records, acessado em
13/01/2012
www.abramus.com.br – site da Associação Brasileira de Música, acessado em
08/01/2012
https://www.facebook.com/sleepwalkersun - Fan Page da banda Sleepwalker
Sun, acessado em 15/01/2012
40
ÍNDICE
FOLHA DE ROSTO
02
AGRADECIMENTOS
03
DEDICATÓRIA
04
RESUMO
05
METODOLOGIA
06
SUMÁRIO
07
INTRODUÇÃO
08
CAPÍTULO I – HISTÓRICO DA MUSICA INDEPENDENTE NO BRASIL
10
1.1 – o Conceito de Independente
10
1.2 – O A Música Independente no Brasil
12
1.2.1 – Os Pioneiros
12
1.2.2 – Outras Iniciativas de Produção Independente
13
1.2.2.1 – Festa
13
1.2.2.2 – Rozemblit
14
1.2.2.3 – Elenco
14
1.2.2.4 – Forma
14
1.2.3 – Antônio Adolfo
15
1.2.4 – Boca Livre
15
1.3 – A Mídia dos Independentes
16
1.4 – Festivais de Música Independente
17
1.5 – Novas Tendências
17
1.6 – Indústria Popular
18
1.7 – Associação Brasileira de Música Independente
19
41
CAPÍTULO II – ASSESSORIA DE IMPRENSA E COMUNICAÇÃO –
CONCEITOS BÁSICOS
21
2.1 – Histórico
21
2.2 – Conceitos
23
2.2.1 – Assessoria de Imprensa
23
2.2.2 – Assessoria de Comunicação
23
2.3 – Funções da Assessoria de Imprensa e Comunicação
24
2.4– Ferramentas da Assessoria de Imprensa e Comunicação 24
2.4.1 – Press Release
24
2.4.2 – Press Kit
25
2.4.3 – Mailing Lists
25
2.4.4 – Clipping ou Arquivo
25
2.4.5 – Eventos
25
2.4.6 – Entrevistas
25
2.4.7 – Midia Training
26
2.4.8 - Websites e Blogs
26
2.5 – Jornalismo Cultural
26
CAPÍTULO III – ASSESSORIA DE IMPRENSA E COMUNICAÇÃO NA MI
29
CAPÍTULO IV – O CASE SLEEPWALKER SUN
31
4.1 – A Banda
31
4.2 – Como divulgar o trabalho da Sleepwalker Sun ?
33
CONCLUSÃO
36
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
38
WEBGRAFIA
39
INDICE
40
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