UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU INSTITUTO A VEZ DO MESTRE A utilização de uma Assessoria de Comunicação para alavancar a carreira de uma banda de rock progressivo independente Por : Francisco Henrique Bueno Meira Ribeiro Orientador : Prof. Fernando Alves Rio de Janeiro (RJ) 2012 2 UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU INSTITUTO A VEZ DO MESTRE A utilização de uma Assessoria de Comunicação para alavancar a carreira de uma banda de rock progressivo independente Apresentação de Monografia ao Instituto A Vez do Mestre – Universidade Cândido Mendes como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Comunicação Empresarial Por : Francisco Henrique Bueno Meira Ribeiro 3 AGRADECIMENTOS .... Agradeço a todos que me incentivaram no decorrer de todo o curso, aos meus colegas da turma K223, em especial as companheiras Barbara, Taciane e Luciana, presenças constantes nas pesquisas e trabalhos no decorrer de todo o curso. 4 DEDICATÓRIA ...Dedico este trabalho a Deus, princípio, meio e fim de tudo, a minha esposa Maria Angela, pelos 30 anos de amor, carinho e respeito, e a meus filhos Leonardo, Guilherme e Rodrigo, que me fazem sentir orgulhoso de ser pai. 5 RESUMO Este estudo dedica-se a analisar como ações de assessoria de imprensa e comunicação podem ser utilizadas de maneira a aproximar músicos desse segmento de mercado da mídia e, por consequência, do seu público. Destacamos alguns cases de sucesso no Brasil e, como case final, as ações a serem realizadas para tornar visível o trabalho da banda de rock progressivo independente de Niterói Sleepwalker Sun, que está na estrada desde 2003, sem conseguir um grande espaço na mídia. 6 METODOLOGIA Neste estudo foram utilizados como método a pesquisa em livros especializados em assessoria de comunicação, jornalismo cultural e música independente, sites na Internet e artigos publicados em jornais e revistas dedicados a música. 7 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 08 CAPÍTULO I – Histórico da Música Independente no Brasil 10 CAPÍTULO II – Assessoria de Imprensa e Básicos Comunicação – Conceitos 21 CAPÍTULO III – A Assessoria de Imprensa e Comunicação na Música Independente 29 CAPÍTULO IV – O case Sleepwalker Sun 31 CONCLUSÃO 36 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 38 WEBGRAFIA 39 ÍNDICE 40 8 INTRODUÇÃO O mercado de música independente experimenta um período de crescimento no Brasil, passando do status de tendência à realidade. Após um passado em que o músico deste segmento era considerado amador, frustrado ou até mesmo de qualidade inferior, a atmosfera do cenário mundial tem mostrado significativas mudanças que poderão beneficiá-las. Com a redução considerável dos custos de produção, a autoprodução é incentivada, já que hoje em dia estúdios domésticos tornaram-se opções extremamente acessíveis, a possibilidade de artistas com poucos recursos financeiros produzirem trabalhos de qualidade aumentou sobremaneira. Diante de um cenário musical incerto para as companhias fonográficas tradicionais, com a redução de lançamentos de músicos locais por elas, as produções independentes se mostram cada vez mais expressivas e precisam ganhar cada vez espaço na mídia e no mercado. Mas, apesar de toda essa crise, as chamadas “majors” ainda possuem a maior fatia do mercado da música no Brasil. Como são megaestruturas, ainda possuem muito poder econômico, e investem muito em comunicação para divulgar os seus artistas contratados, com compra de espaço em programas do meio de comunicação massivos e também espaço publicitário. Isso acaba limitando em muito o espaço de atuação de artistas independentes, pois os grandes meios de comunicação acabam ficando muito atrelado as grandes corporações, dedicando boa parte do seu espaço para divulgação dos artistas contratados da mesma, deixando muito pouco espaço para divulgação de artistas independentes. Com isso, os artistas independentes passam a fazer uso de mídias alternativas, onde encontram mais espaço para divulgar seu trabalho. Essas mídias (fanzines, blogs, sites de relacionamento entre outros), que muitas vezes não fazem parte do circuito de massa, fazem esse trabalho de divulgação, mas por várias limitações, não tem o alcance da mídia tradicional, o que faz com que, por muitas vezes, o resultado do trabalho não tenha o alcance desejado pelo artista. É nesse cenário que temos que utilizar o trabalho de Assessoria de Imprensa e Comunicação, de maneira a termos uma melhor divulgação do artista e do seu trabalho na mídia, tendo como consequência a maior exposição do trabalho do mesmo. Nessa pesquisa procuraremos identificar quais as melhores práticas de Assessoria de Comunicação que podem ser utilizadas como ferramentas de 9 desenvolvimento para os artistas, criando uma afinidade e uma lealdade do público com os mesmos, criando uma natural aproximação entre músico e publico . No primeiro capítulo, iremos fazer um histórico da música independente no Brasil, desde as primeiras iniciativas de se criar uma indústria musical não atrelada as grandes gravadoras, que data dos anos 20, até o momento atual, que experimentou um grande crescimento a partir do final dos anos 70, onde tivemos uma verdadeira profusão de lançamentos independentes, à partir da iniciativa pioneira de Antônio Adolfo, em 1979. No segundo capítulo trataremos de descrever alguns dos principais conceitos teóricos de Assessoria de Comunicação e Jornalismo Cultural, que serão úteis na análise específica dos cases que serão analisados nos capítulos subsequentes. No terceiro capítulo iremos tratar especificamente do trabalho de uma Assessoria de Comunicação no mercado específico da música independente, analisando formas de atuação das mesmas, de maneira a aproximar o artista do público. No quarto capítulo, iremos tratar do case Sleepwalker Sun, banda de rock independente de Niterói, mostrando como poderemos usar a estrutura de uma Assessoria de Comunicação para alavancar a carreira da mesma. 10 CAPÍTULO 1 HISTÓRICO DA MÚSICA INDEPENDENTE NO BRASIL 1.1 – O conceito de independente A pesquisadora Márcia Tosta Dias (2001, pag.132) afirma que “as dificuldades de identificar e arrolar as empresas e iniciativas independentes não se encontram somente na organização das informações históricas. Padecem de critérios a avaliação de sua contribuição para a produção fonográfica, assim como a definição do conceito de independente”. Segundo o site da ABMI (Associação Brasileira de Música Independente), uma definição que é aceita pela comunidade mundial de entidades que representam os pequenos selos e gravadoras é que ‘independentes’ são as empresas que detém seu controle, ou seja, não estão vinculados aos grandes grupos multinacionais da música. A ABMI define seus sócios como ‘empresas brasileiras, dirigidas por brasileiros ou estrangeiros residentes no Brasil’ – basicamente, isso exclui as empresas multinacionais da música. Por outro lado, o fato de se estar ou não vinculado a uma grande gravadora nem sempre é visto como decisivo para se considerar uma produção como independente. O músico Hélio Ziskind, em entrevista à Folha de São Paulo em março de 1982, afirma que a arte independente em geral é : (...) toda aquela que, partindo de uma nova ordem de valores que contrariam visceralmente os valores comerciais do sistema, pretende transformar aqueles que se dispõem a transformar a sociedade de armazém de mercadorias em um ambiente humano, onde as relações entre as pessoas não sejam mais regidas pelos interesses impostos de cima para baixo, mas pelos desejos autênticos dos indivíduos : os que suscitam a arte e a produzem (...) O que vem acontecendo com a música produzida de modo independente é muito simples : em sua grande maioria não se enquadra nesse conceito de independente, reproduz valores estéticos estabelecidos e deverá ser fácil e perfeitamente absorvida. 11 O músico Thiago Araripe não concorda com o termo : Independente é um termo incorreto, equivocado, uma atitude de quem quer suprimir o real, reinventando o mundo e imaginando-se viver numa dimensão à parte, alheio e imune ao sistema. Alternativo, termo que eu prefiro, é antes de tudo o zelo pelo lugar que ocupamos, repropondo sem ilusões o novo espaço. Alternativo não pode estar à margem das grandes gravadoras, como o termo independente sugere, mas estendendo essa ação à estética, à ética e à ideologia dos projetos. Ao invés de reinventar o mundo, reutilizá-lo. Reaproveitar todos os materiais, seguindo o exemplo da própria natureza, que tudo transforma. Revalorizando uma dimensão do trabalho, esquecida pela sociedade capitalista, onde a gente necessita estar continuamente despertando da inconsciência que ela insiste em fabricar (VAZ, 1988, p.10) O jornalista Marco Aurélio Canônico se questiona ao tentar definir o que é independente : Independente é quem não tem nenhuma forma de patrocínio ou de investimento de terceiros ? Independente é qualquer coisa que não seja feita pelas grandes gravadoras? Independente é a Kuarup, o Chimbinha do Calypso, ou um jovem que criou uma página no My Space de sua banda e gravou um CD em casa? Enfim, sempre tenho uma certa dificuldade em delimitar o que seria o “cenário independente”, porque isso costuma ser tratado de forma vaga, abarcando modelos de negócio bem diferentes entre si. Márcia Tostes Dias questiona, ainda, as intenções e os motivos que levam esse tipo de produção a surgir : As dificuldades na avaliação do que era autêntica e efetivamente independente parecem residir na confusão que se estabeleceu entre, de um lado, o artista que tem uma atitude independente, procurando esse tipo de meio para veicular um produto de proposta estética diferenciada e, muitas vezes, inovadora, sem lugar nos planos da grande empresa e do grande mercado. Numa atitude de protesto, ele, sozinho ou ancorado numa pequena estrutura empresarial, produz e oferece seu produto no mercado. De 12 outro lado, artistas e empresários apostam na segmentação do mercado e buscam oportunidades para produtos ainda não interessantes para as grandes gravadoras. Nesse caso, a produção independente funciona como um marketing para o produto, cujo fim era sensibilizar a grande gravadora. Uma terceira hipótese poderia conter as duas opções anteriores : uma atitude independente e critica levaria, eventualmente, à conquista de um lugar no mundo da grande mídia (DIAS, 2001, p.133) Como se nota, o conceito de independente está longe de ser hermético, e tende a variar de acordo com a visão de quem o profere. Entretanto, assim como ressalvam Ziskind e Araripe, parece haver uma tendência de se considerar independentes aquelas iniciativas que, mais livres das preocupações comerciais, se dedicam tanto mais à arte, podendo fugir das idéias abrangentes. Independentes seriam, então, aquelas iniciativas que se propõem como alternativas à produção vigente – representadas em sua maioria pelas grandes gravadoras – seja num sentido de oposição, seja com intuito de agregar novas possibilidades ao mercado musical. Mas existem também artistas que conseguem a tão almejada liberdade de criação para desenvolver uma arte livre de pressões externas, mesmo estando vinculados a uma grande gravadora, o que pode também ser configurado como uma produção independente. Artistas como, por exemplo, Caetano Velloso, apesar de estar ligado desde o início de sua carreira a uma grande gravadora, tem liberdade total de criação nos seus trabalhos. Porém se trata de um caso excepcional. 1.2 – A música Independente no Brasil 1.2.1 – Os pioneiros A primeira fábrica de discos a ser instalada no Brasil foi a da Casa Edison, em parceria com a empresa alemã Odeon. Isso aconteceu em 1913 no Rio de Janeiro. Também em 1913, Silvio Leonetti iniciou a produção de discos em São Paulo, para a sua loja a Elétrica, e para isso criou o selo Disco Gaúcho. Apesar do pioneirismo de Salvatti em oferecer uma alternativa ao monopólio da Casa Edison, credita-se a João Gonzaga, filho de Chiquinha Gonzaga, a primeira iniciativa genuinamente brasileira na produção de discos. Gonzaga, que havia trabalhado como chefe de gravação da Casa Edison, utilizou seu “know-how” para inaugurar em 1919, no Rio de Janeiro, a disco Popular. 13 Logo em seu primeiro ano de atuação, a gravadora de João Gonzaga foi responsável por lançar Francisco Alves em disco, tendo este sido o seu maior êxito. O cantor, que viria a ser reconhecido como “O Rei da Voz”, interpretava em, seu primeiro 78 rotações, a marcha carnavalesca “O Pé de Anjo” e o samba “Fala Meu Louro”, ambas compostas por Sinhô. A disco Popular lançaria até 1920 doze discos, mas nesse mesmo ano encerraria suas atividades. Outra iniciativa a ser destacada foi a do escritor, jornalista e folclorista paulista Cornélio Pires, que foi o principal responsável pela divulgação da música caipira no início do século XX. Em 1928, Cornélio propôs a diretores da gravadora Columbia que registrassem a música caipira em disco. Tendo em vista o desinteresse da gravadora, Cornélio resolveu investir seu próprio dinheiro na prensagem de 5.000 discos diferentes, uma quantidade que era considerada absurda para a época, pois nem os cantores de maior sucesso tinham seus discos prensados em tamanha quantidade. A responsável pela prensagem dos discos foi a própria Columbia. A série Discos Caipira foi lançada em 1929 e foi vendida pessoalmente por Cornélio, que viajava pelo interior de São Paulo para vender os discos, já que a Columbia não concordou em distribuí-los. Essa venda provocou um grande alvoroço pelas cidades por onde Cornélio passava, e foi vendida rapidamente. Isso fez Cornélio se empolgar e pedir a Columbia que prensasse mais 50.000 cópias dos discos, quantia que hoje seria digno de disco de ouro. A Columbia então, reconhecendo seu erro, passou a distribuir e comercializar os discos que havia desprezado. Por ter sido mais idealista do que comerciante, Cornélio Pires autorizou a Columbia a distribuir seus discos, contudo, deve-se reconhecer seu exitoso ato de empreendedorismo e amor à arte. 1.2.2 – Outras iniciativas de produção independente 1.2.2.1 - Festa Selo carioca criado no final da década de 50 pelo jornalista carioca Irineu Garcia, era especializado em registar em disco poemas e poesias declamados geralmente por seus próprios autores. Nomes como Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes, Manoel Bandeira, Cecília Meireles, entre outros, tiveram algumas de suas obras lançadas por esse selo. O grande êxito da Festa foi ter sido o responsável pelo lançamento do primeiro disco em que se ouviu uma batida de violão que profetizava a Bossa Nova. No disco “Canção do Amor Demais”, Elizete Cardoso interpretava canções de Tom Jobim e Vinicius de Moraes acompanhados até do até então desconhecido João Gilberto. 14 1.2.2.2 - Rozenblit Criado por José Rozenblit e seus irmãos em 1953 no Recife, a gravadora Rozenblit - a qual também pertenciam os selos Mocambo e Artistas Unidos – foi uma das mais importantes companhias fonográficas do Brasil. A Fábrica de Discos Rozenblit surgiu inicialmente para atender a demanda por gravações de frevo, mas sua atuação não se restringiu apenas a produções locais e regionais, já que esteve presente nas regiões Sul e Sudeste, onde teve filiais no Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. Segundo matéria publicada em 1999 pelo site do Jornal do Comércio, “entre 1959 e 1966, a gravadora chegou a ter 22% do mercado nacional e 50% do mercado regional”. Mas fechou em 1966, não suportando os interesses das multinacionais. 1.2.2.3 - Elenco Aloysio de Oliveira, que havia trabalhado na Odeon e na Philips, criou em 1963 a gravadora Elenco, companhia que representou um marco do movimento Bossa Nova. Gravaram na Elenco artistas do porte de Nara Leão, Nana Caymmi, MPB-4, Billy Blanco, Baden Powell, entre outros. Apesar do grande sucesso artístico, a Elenco resultou em um retumbante fracasso comercial, tendo em vista as dificuldades advindas do precário esquema de gravação e distribuição que a mesma possuía. Cansado de remar contra a maré, após três anos e sessenta discos, Aloysio vende a elenco e todas as suas matrizes para a CBD – atual universal Music. 1.2.2.4 - Forma Criada em 1964, a gravadora Forma, assim como a Elenco, foi responsável por importantes lançamentos da Bossa Nova, tendo surgido de uma iniciativa ousada do produtor Roberto Quartin. Os lançamentos da Forma eram luxuosos, geralmente lançados com capas duplas e ilustrados com pinturas modernas, produções demasiadamente ousadas para a época. Talvez a isso se deva a sua curta história, de três anos e dezoito discos. Após a falência da Forma, Quartin vende a companhia bem como todas as suas matrizes para a CBD-Phonogram. Dezenas de outras iniciativas de se produzir música de forma independente podem ser citadas, tais como a Bemol (de Belo Horizonte), a Marcus Pereira (especializada em música brasileira regional), Disco de Bolso (iniciativa de Sérgio Ricardo em conjunto com o jornal O Pasquim) e a Kuarup. Muitas delas tiveram um relativo sucesso, mas problemas, principalmente relativos a divulgação e distribuição, viram as mesmas fecharem as portas. 15 1.2.3 – Antônio Adolfo Aquele que foi considerado o grande desbravador do movimento de música independente brasileira é o pianista, maestro e compositor Antonio Adolfo, que teve grande sucesso nos anos 60 com êxitos populares com “BR-3” e “Sá Marina”, compostas em parcerias com Tibério Gaspar. Apesar de já ter lançado discos por gravadoras como Philips, RCA, Copacabana e EMI, tanto solo como seus grupos A Brazuca e Trio 3-D, na década de 70 o músico encontrou dificuldades em convencer as companhias em investir em sua nova sonoridade, desenvolvida em quatro anos de cursos de aperfeiçoamento no exterior. Como atesta Gil Nuno Vaz (1988, p.20), o cenário fonográfico àquela época já se mostrava bem diferente em relação àquele dos anos 60 : Ao contrário, [o músico] representava um trabalho instrumental, cujas características, embora significando pouco em termos de novidade estética, não deixavam, entretanto, entrever resultados comerciais que pudessem interessar ás grandes empresas produtoras. Isso porque, durante o tempo em que estivera ausente, ocorreram algumas mudanças substanciais no mercado do disco e nos meios de comunicação de massa no Brasil. O próprio Chico Buarque, ao voltar da Itália em 1974, comentava que a televisão organizara-se de tal modo que passaram a predominar determinadas regras para fazer sucesso, restringindo as oportunidades para os novos valores. Antônio Adolfo decidiu então realizar um disco por conta própria. Sua determinação deu origem em 1977 ao selo Artezanal, pelo qual lançou o LP “Feito em Casa”, com tiragem inicial de 500 cópias. Sua capa em papel Kraft reforçava o caráter artesanal do disco, que fora fabricado pela Tapecar e distribuído por ele próprio às lojas A iniciativa empreendedora de Antônio Adolfo despertou o interesse de muitos outros artistas pelos processos de produção independente na década de 70 e, por isso, o músico passaria a ser apontado como o grande desbravador do movimento. 1.2.4 – Boca Livre Outro marco importante do mercado da música independente brasileira foi o quarteto vocal Boca Livre, formado em 1978. Apesar de ter iniciado sua carreira em grande estilo, participando do disco Camaleão, de Edu Lobo, não 16 conseguiu despertar o interesse das gravadoras da época, já que a sonoridade acústica e bucólica do grupo não condizia com as condições mercadológicas da época. Não havia outra opção para o grupo a não ser enveredar pelo mercado independente. O LP “Boca Livre”, lançado em 1979, foi custeado por cada um dos seus integrantes e surpreendeu todas as expectativas de um lançamento independente, ultrapassando a marca de 100.000 cópias vendidas. A música “Toada”, que viria a ser o carro chefe do LP, figurou entre as músicas mais tocadas nas rádios brasileiras no ano de 1980. A bem sucedida experiência independente do Boca Livre o levou a um segundo LP, “Bicicleta”. Apesar de não ter obtido o mesmo êxito do disco anterior, reafirmou e consolidou o estilo do conjunto. A partir de 1981, o grupo passaria a integrar o cast da Polygram, companhia por onde lançaria outros dois discos. 1.3 – A Mídia dos Independentes A música independente ainda sofre com sérios problemas para atingir o grande público. Apesar disso, algumas publicações ainda apoiam a produção musical autônoma, como é o caso dos fanzines, as redes de relacionamento da Internet e, em menor escala, o rádio e a televisão. Fanzine é a abreviação de fanatic magazines - “revista de fãs”, em português – e são, para alguns autores, heranças do punk. Produzidos por fãs, se tratam, geralmente, de pequenas publicações voltadas a um público específico, que deseja compartilhar opiniões ou produções artísticas. No conteúdo, reviews de shows, de discos, notícias e outras informações, tais como agenda de atividades. A circulação de exemplares é pequena, mas atinge a um público alvo bem definido e engajado com os independentes. Com o advento da internet, veículos específicos foram criados, como websites, blogs e redes de relacionamentos, entre outros. Hoje, o Twitter, o Facebook e o My Space são as principais ferramentas usadas como forma de divulgar o trabalho de músicos independentes. O rádio e a televisão são os veículos de comunicação mais populares do Brasil e também os que impõem mais dificuldades à entrada da música independente. Pequena parte da programação dos canais é voltada a esse público, sendo que as maiores emissoras parecem ignorar a existência da música alternativa. Hoje em dia, um veículo que é muito utilizado como alternativa de divulgação da música independente são as webrádios que, pela facilidade de 17 criação e manutenção, tem ganhado força, e são muito utilizadas por artistas desse nicho de mercado. 1.4 – Festivais de Música Independente Em sua maioria dominados pelo rock, reggae e música eletrônica, os festivais de música independente são constantes e numerosos na maioria dos estados brasileiros e se mostram um espaço almejado por novos artistas. Com a proposta de coordenar tais eventos, foi criada em 2005 a ABRAFIN, Associação Brasileira de Festivais Independentes, que conta com mais de 20 eventos associados. Muitos festivais independentes têm patrocínio de grandes instituições como o Governo Federal, Petrobras, SESC e SEBRAE, além de cobertura feita pelos programas Trama Virtual, do canal à cabo Multishow, e Radiola, da TV Cultura, ambos apresentados por João Marcelo Bôscoli. As atrações televisivas de Bôscoli trazem ainda matérias e entrevistas e estão vinculados a sites nos quais artistas e bandas podem divulgar suas músicas. 1.5 – Novas Tendências A partir dos anos 90, com o CD passando a ser o principal suporte do mercado musical, aliado as facilidades técnicas de se produzir um disco, o mercado de música independente no Brasil deu um grande salto de qualidade. Com o advento dos meios digitais de gravação, o que reduz o número de equipamentos na gravação e produção, permitiu a diminuição dos custos de instalação e operação de estúdios. Com isso, diminui-se o preço dos serviços oferecidos pelos mesmos, facilitando o acesso a artistas com poucos recursos para bancarem suas produções. O resultado é selos independentes passam a surgir em grande quantidade. Além disso, a partir dos anos 90 as produções independentes perdem a tão indesejada imagem de amadorismo que tinham até então. Mas, apesar das facilidades para produção dos discos, as condições de distribuição, marketing e difusão ainda se mostravam deficientes. Visando atender a demanda de pequenas tiragens, característicos desse tipo de produção, empresas surgiram para prestar esse tipo de serviço a estas produções, o que também muito contribuiu para a rápida expansão do mercado independente. Nesta época, vários artistas e produtores saíram de grandes gravadoras para passar a produzir no mercado independente, muitas vezes levados por 18 política de contenção de despesas das grandes gravadoras ou por procurarem mais liberdade na elaboração de seus trabalhos. Com isso, temos hoje temos produtores e artistas de renome como Peninha Schmidt, Mayrton Bahia, Egberto Gismonti, Gilson Peranzetta, entre outros, enveredaram pelo mercado de música independente. Fora do circuito formal de quaisquer gravadoras ou selos, expressões independentes se multiplicam no Brasil, fisicamente e virtualmente. A Internet tem sido o principal meio de divulgação desse tipo de produto, servindo muito mais como elementos de divulgação do que como meio de lucro aos artistas. Com isso, a música independente deixou o underground. Com uma comunicação mais eficiente e veloz, os artistas passaram a ter condições de alcançar seu público e montar suas estratégias de atuação. Várias ferramentas podem ser usadas com eficácia para que essa tarefa seja aperfeiçoada. Hoje, a música independente engloba vários estilos musicais desprezados pelas grandes gravadoras, como o Heavy Metal, Punk, Rock Progressivo, Gospel, Funk e Sertanejo, além de bandas de segmentos mais populares e que não conseguiram seu espaço no mercado. 1.6 – Indústria Popular Tem estado em voga ultimamente produções fonográficas e audiovisuais comercializadas diretamente no mercado informal, sem passar por gravadoras, selos ou qualquer outro tipo de empresa. Os dois estilos mais representativos dessa modalidade são o Funk, no Rio de Janeiro, e o Tecnobrega, do Pará. Derivado da Black music dos anos 70, o funk, em seus primórdios apresentavam letras que enalteciam o conceito de negritude. A segunda geração do Funk, que tem início na década de 90, tem certas semelhanças com a primeira. O funk atual tem valores mais desbaratados, tendo como tema recorrente em suas letras o relacionamento entre homem e mulher. O estilo se mostra altamente representativo no Rio de Janeiro, se propagando através de bailes frequentados pelas diversas classes sociais. A produção do Funk é geralmente feita de forma caseira ou ainda em pequenos estúdios a partir de samplers, fragmentos sonoros extrtaídos de outros fonogramas. A difusão de tais músicas se dá principalmente através dos bailes, sendo submetido ao teste daqueles que o frequentam. O Tecnobrega surgiu no estado do Pará por volta de 2002, e se caracteriza pela fusão entre ritmos regionais e música eletrônica, que deram origem às chamadas festas de aparelhagem, que são bailes movidos a sintetizadores, teclados, amplificadores, samplers, telões e demais dispositivos 19 eletroeletrônicos. Tais eventos se assemelham aos bailes Funk por se mostrarem como vitrine de produções de novos artistas. Contudo, no Tecnobrega lucra-se mais com as apresentações ao vivo, que mobilizam milhares de espectadores, do que com a venda de fonogramas. O grande representante desse movimento é a Banda Calypso, que lança seus discos pela gravadora de propriedade do próprio, grupo, e cujo volume 10, lançado em fevereiro de 2007, saiu com tiragem oficial de 500.000 cópias. 1.7 - Associação Brasileira de Música Independente A Associação Brasileira da Música Independente (ABMI) foi fundada em janeiro de 2002. Surgiu de vários encontros de independentes para se discutir a organização do setor e traçar linhas de ação do seu trabalho. A ABMI atua no mercado brasileiro e no exterior em busca de melhores condições para a produção e distribuição da música independente brasileira. A associação permite que selos fonográficos, gravadoras e distribuidoras se associem a mesma desde que sejam : Pessoa jurídicas, sediadas no território nacional, que sejam : produtoras, cessionárias ou concessionárias de fonogramas e/ou vídeo-fonogramas que contenham interpretações ou execuções de obras musicais ou literomusicais de qualquer gênero e que por difundirem, distribuírem e/ou comercializarem, por si ou por terceiros, tais fonoogramas e/ou vídeo-fonogramas possam, assim, ser consideradas “selos”, “distribuidoras” ou “gravadoras” independentes, assim entendidas como empresas que não detenham mais do que 5% (cinco por cento) do mercado fonográfico mundial. Segundo seu site oficial, o estatuto oficial da ABMI definiu como objetivos primordiais : Identificar e promover atividades de interesse comum em benefício da produção musical independente brasileira; divulgar as realizações da produção musical independente; organizar e manter a comunicação entre sócios para assuntos de interesse comum dentro dos objetivos da associação; promover o encontro anual dos sócios como mostra de produtos, artistas e premiações; promover o aperfeiçoamento técnico e operacional inerente às atividades da produção musical independente brasileira; 20 representar os anseios e demandas da produção musical brasileira no país e no exterior. A ABMI foi composta inicialmente por 30 companhias. Atualmente, a associação reúne 112 associados, entre os 200 pequenos e médios selos/gravadoras existentes no país. Maior associação de gravadoras independentes do país, a ABMI mantém estreita relação com outras instituições do mercado da música independente no Brasil, e de organismos que representam a música independente no mundo. Para isso, celebra convênios, orienta negociações de acordos e contratos coletivos e participa de eventos e reuniões internacionais a fim de dar suporte aos associados, difundir conhecimento e estreitar a relação com os representantes de gravadoras e associações no Brasil e no exterior. 21 CAPÍTULO 2 ASSESSORIA DE IMPRENSA E COMUNICAÇÃO – CONCEITOS BÁSICOS 2.1 – Histórico A Assessoria de Imprensa como conhecemos hoje é uma atividade relativamente nova e que nem sempre existiu dessa maneira. Um dos principais precursores do profissional foi o norte-americano Ivy Lee. Ele teve atuação destacada junto aos veículos de comunicação dos EUA, no início do século XX (1906). Lee tinha como cliente John Rockfeller, proprietário da Colorado and Iron Co. e que, na ocasião, foi acusado de mandar atirar contra empregados da sua empresa que estavam em greve. O jornalista, contratado para gerenciar a crise, conseguiu reverter o quadro perante a opinião pública através de determinadas ações, como uma declaração de princípios, no tratamento e envio da notícia, que encaminhou aos diretores de jornais da época e orientações ao seu cliente, como não andar mais com guarda-costas e colaborar nos trabalhos de investigação da greve iniciadas pelo Congresso americano. . “Pode-se dizer que os profissionais que, hoje, atuam na área de Assessoria de Imprensa são os herdeiros de Ivy Lee. Foi ele quem, em 1906, criou, em Nova Iorque, o primeiro escritório de relações públicas direcionadas para a administração de crises e para treinar executivos para falar com o público, dando origem aos primeiros porta-vozes. Nascia assim a Assessoria de Imprensa com a responsabilidade de construir e manter, por meio de trabalho junto aos jornalistas, um bom relacionamento com os diferentes públicos”. (FONSECA, 2006, p. 4) Apesar de o principal marco da Assessoria de Imprensa ser o trabalho de Ivy Lee, pode-se dizer que em momentos da história da humanidade como nos Impérios Chineses, Romano e Persa, além de governos monárquicos de grande tradição e relevância como Espanha, França e Inglaterra, sempre houve o embrião de um assessor de imprensa. De acordo com Lorenzon e Mawakdiye (2006, p. 7) “nestas sociedades, o papel deste assessor era o de principalmente encaminhar as decisões governamentais aos ministros e às províncias, eventualmente marcar audiências públicas e dar más notícias para o povo – em geral, aumento de impostos”. Com a evolução da sociedade e o seu ávido consumo midiático, o papel do profissional específico dessa área surgiu para atender essa demanda cada vez maior que o mercado exige, ou seja, informação a todo o instante. As principais razões para o aumento dessa necessidade são a diversificação e a carência 22 dos meios de comunicação por informações e a estruturação cada vez maior de empresas e organizações, em todos os segmentos da sociedade. Em relação ao Brasil, a nossa história de Assessoria de Imprensa começa no início do século XX. O primeiro sinal de que o país absorveu a tendência da inovação comunicacional no mundo foi demonstrada em 1911, quando foi criado o Serviço de Informação e Divulgação, do Ministério da Agricultura. Esse foi o primeiro passo para a evolução da divulgação da comunicação institucional. Alguns anos depois, em 1939, o governo de Getúlio Vargas criou o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), através da Lei n° 1915, de 27 de dezembro, com cinco divisões: Divulgação, Radiodifusão, Cinema e Teatro, Turismo e Imprensa. Essa preocupação governamental com a comunicação, além de marcar o setor no Brasil, continuou influenciando a Assessoria de Imprensa do país. Em 1975, através da sanção presidencial de Ernesto Geisel, decreto n° 75.200, de 9 de janeiro, estabeleceu-se a Assessoria de Imprensa e Relações Públicas, com as várias competências, entre elas: agir na colaboração com os órgãos públicos, associações, imprensa, agências noticiosas e público em geral, além da divulgação de assuntos do interesse do país, relativos à vida administrativa, política, financeira, social, cultural, cívica e artística da Nação. No ano seguinte, também no dia 9 de janeiro, através de outra sanção do Presidente da República, foi extinta a Assessoria de Imprensa e Relações Públicas e criadas, em separado, as Assessorias de Imprensa e de Relações Públicas. O último ato governamental que podemos destacar nesse processo estatal de influência da comunicação institucional brasileira aconteceu em 1981, quando o governo instituiu a Secretaria de Imprensa. Nos anos 80, com o fim da ditadura e o país vivendo um processo de redemocratização, as empresas brasileiras iniciaram uma fase de “portas abertas”, usando a transparência como forma de angariar a simpatia e confiança de seus públicos. A empresa Rhodia, com a publicação de sua “Política de Portas Abertas”, na qual estabelece um projeto inovador na área da Comunicação e desencadeia uma tendência, entre as empresas do setor privado, de estimular ações na área de Comunicação Corporativa. Esse processo foi extremamente importante na formação dos assessores de imprensa e na consolidação das atividades no mercado. As assessorias passaram a produzir conteúdo nas diversas áreas, através da contratação por clientes dos mais variados setores. E toda essa informação represada nas empresas atravessou os portões das indústrias e organizações na forma de informação qualificada, de interesse público e capaz de estimular o profissional para uma abordagem profissional e ética. A Assessoria de Imprensa ou de Comunicação desenvolveu-se muito de lá para cá e hoje é uma disciplina presente em grande parte das universidades. A razão da importância que o trabalho do assessor de imprensa adquiriu, ao londo do século XX, deve-se ao fato de que o debate público hoje se dá na mídia. É no jornal, na TV, no rádio e na Internet que os inúmeros setores da 23 sociedade se posicionam em relação às questões contemporâneas. E a mediação de parte desse fluxo de informação das instituições para a imprensa é feita pelos assessores. Nas empresas que já perceberam a importância de se ter um profissional de Comunicação ligado diretamente à presidência, a fidelidade nas relações entre a empresa e os seus funcionários, consumidores, fornecedores e sociedade passou a ser um bem, parte do capital da instituição. 2.2 – Conceitos 2.2.1 - Assessoria de Imprensa É o serviço prestado à instituições públicas e privadas, que se concentra no envio frequente de informações jornalísticas, dessas organizações, para os veículos de comunicação, em geral. Esses veículos são os jornais diários; revistas semanais, revistas mensais, revistas especializadas, emissoras de rádio, agências de notícias, sites, portais de notícias e emissoras de tevê. Um trabalho continuado de Assessoria de Imprensa permitirá à empresa criar um vínculo de confiança com os veículos de comunicação e sedimentar sua imagem de forma positiva na sociedade. Nesse sentido, no Brasil, quem costuma coordenar esse tipo de serviço são profissionais formados em jornalismo. Eles é que determinam o que é ou não notícia para ser enviado para a imprensa. Caso algum veículo de comunicação se interesse pelo assunto divulgado pela assessoria de imprensa utilizará o texto para publicar notas ou agendar entrevistas. Tanto a publicação de notas, como o agendamento de entrevistas e a publicação posterior de informações, são gratuitas. Chamamos de mídia espontânea. Não se paga por essa publicação. Se paga para a assessoria trabalhar de forma a conseguir esse resultado. 2.2.2 - Assessoria de Comunicação A ampliação das atividades das Assessorias de Imprensa nos últimos anos levou o profissional jornalista a atuar em áreas estratégicas das empresas, tornando-se um gestor de comunicação. E isso privilegiou a integração de outros profissionais – relações públicas, propaganda e publicidade – numa equipe multifuncional e eficiente. Ao jornalista têm-se aberto oportunidades de atuar como estrategista na elaboração de planos de comunicação mais abrangentes. Esses planos devem privilegiar uma comunicação eficiente não apenas junto à imprensa, mas posicionando as organizações de forma a estabelecer uma interlocução com ética e responsabilidade social, comprometida com os valores da sociedade junto aos seus mais diversos públicos. 24 2.3 – Funções da Assessoria de Imprensa e Comunicação As organizações podem contar com equipes de assessorias de comunicação internas ou terceirizadas, cujas funções são: - criar um plano de comunicação (estabelecer a importância deste instrumento tanto no relacionamento com a imprensa como os demais públicos internos e externos); - colaborar para a compreensão da sociedade do papel da organização; - estabelecer uma imagem comprometida com os seus públicos; - criar canais de comunicação internos e externos que divulguem os valores da organização e suas atividades; - detectar o que numa organização é de interesse público e o que pode ser aproveitado como material jornalístico; - desenvolver uma relação de confiança com os veículos de comunicação; - avaliar frequentemente a atuação da equipe de comunicação, visando alcance de resultados positivos; - criar instrumentos que permitam mensurar os resultados das ações desenvolvidas, tanto junto à imprensa como aos demais públicos; - preparar as fontes de imprensa das organizações para que atendam às demandas da equipe de comunicação de forma eficiente e ágil. 2.4 - Ferramentas da Assessoria de Imprensa e Comunicação Existem várias ferramentas para que o assessor possa desempenhar a sua função de maneira satisfatória, prover a imprensa com informações e otimizar o relacionamento com a mesma, assim como para medir resultados dos esforços despendidos em ações. Essas ferramentas serão detalhadas nos tópicos abaixo 2.4.1 – Press Release São textos de divulgação para a imprensa. Se trata da prática mais antiga da função do assessor. É uma redação em forma de texto jornalístico, com título, subtítulos, lead, sub-leads, parágrafos e frases curtas, com todas as informações necessárias aos veículos que ser quer atingir. É utilizado, normalmente, quando se quer disseminar a informação para um grande número de jornalistas. 25 2.4.2 – Press Kits São pastas ou arquivos eletrônicos contendo informações detalhadas sobre o assessorado – atividade, histórico, estatísticas, desempenho, etc – que facilitem a ação da imprensa em eventos como entrevistas coletivas, nas quais servem de material de apoio ao jornalista. Ao contrário dos releases, não tem a publicação como fim. Também deve ser produzido de acordo com a linguagem jornalística, pois seu objetivo é ajudar profissionais da área a escreverem suas matérias e elaborar pautas. Os press kits podem conter um conjunto de releases, CDs, demonstrativos, brindes, entre outras coisas. Todo esse material deve estar organizado para facilitar o seu manuseio. 2.4.3 – Mailing Lists São cadastros de informações de contatos de jornalistas e veículos de comunicação. É importante para a disseminação de informações do assessorado, agendamento de entrevistas e envio de material para a imprensa, por exemplo. O mailing list precisa incluir revistas especializadas, veículos de circulação nacional e regional, os comentaristas da TV, rádio e assim por diante. Pode ser feito, entre outras formas, pelo levantamento de mídia, pela Internet. 2.4.4 – Clipping ou Arquivo São recortes de matérias e notas sobre determinados assuntos nas mais diversas mídias : impressa, eletrônica e digital. Pode ser transforado em informação estratégica caso seja utilizado de forma correta em ações de comunicação. O clipping é uma ferramenta de análise de ações e resultados de uma assessoria em relação ao seu cliente. Para que isso seja aperfeiçoado, é necessário que se faça relatórios indicando os aspectos positivos e negativos da exposição. Além disso, é importante que seja organizado de forma sistemática e, se possível, digitalizado para que seu acesso seja facilitado. 2.4.5 – Eventos Em eventos onde há a presença de jornalistas, a assessoria se faz necessária para a organização de entrevistas, distribuição de matéria de imprensa e também para servir como fonte de informação para profissionais ali presentes. O assessor deve fazer o planejamento para que todas as informações necessárias, referentes ao acontecimento, estejam disponíveis. 2.4.6 – Entrevistas A entrevista é uma das principais formas de prover a imprensa com informações de interesse público. Além disso, confere uma maior credibilidade ao que está sendo repercutido já que quem fala é o ciente, de forma direta, sem intermediários. Em entrevistas individuais, ao assessor deve estar 26 presente e ajudar o entrevistador com as informações extras que lhe forem necessárias Já em coletivas, a postura da Assessoria deve ser a de organizadora e mediadora. É a responsável pela escolha do local, horário e agendamento com os veículos de imprensa convidados. Além disso, é sua função distribuir press kits e releases para servirem de material de apoio aos jornalistas ali presentes. 2.4.7 – Media Training É o treinamento de clientes para aparição pública por meio de familiarização com estratégias e termos referentes à mídia. Se dá pela necessidade de informações precisas para lidar, especialmente, com tempos de crise. O assessorado de ter em consideração que tudo aquilo que é dito pode ser usado de forma negativa. Por isso, esse tipo de treinamento tem de ser feito de forma contínua, não apenas em épocas de acontecimentos graves. 2.4.8 – Websites e Blogs O assessor deve ajudar na produção ou na orientação da produção de conteúdo para sites e blogs, além de ser um dos responsáveis pelas atualizações. Deve buscar as melhores formas de atingir o público e de estimular a interatividade deste com os assessorados. 2.5 – Jornalismo Cultural O jornalismo cultural, como uma especialidade dentro do jornalismo, emerge historicamente no fim do século XVII, segundo pesquisas do historiador Peter Burke (2004). Tal fato situa-se em um período em que o próprio jornalismo ganha contornos mais definidos em toda a Europa, deixando de ser uma aparição periódica para se tornar uma narrativa institucionalizada socialmente, ganhando ampla difusão, periodicidade e mercado. Os primeiros impressos que indicam a cobertura das obras culturais datam de 1665 e 1684 e são representados pelos jornais The Transactions of the Royal Society of London e News of Republic of Letters. Ambos faziam cobertura das obras literárias e artísticas, além de relatarem as novidades sociais. “A resenha de livros foi uma invenção do fim do século XVII” (Burke, 2004, p. 78). Mas certamente o representante mais conhecido e marcante do jornalismo cultural viria depois, em 1711, também na Inglaterra, com a criação do periódico The Spectator. Criado por dois ensaístas, Richard Steele (1672-1729) e Joseph Addison (1672-1719), o periódico, segundo seus idealizadores, tinha o objetivo de “trazer a filosofia para fora das instituições acadêmicas para ser tratada em clubes e assembléias, em mesas de chá e café”. Assim, “o jornal cobria desde questões morais e estéticas até a última moda das luvas” (Burke, 2004, p. 78). 27 No Brasil, o jornalismo cultural só se consolidaria dois séculos depois, mas nasce bem representado por Machado de Assis (1839-1908) e José Veríssimo (1857-1916). A partir desse momento, o jornalismo cultural ganha contornos mais definidos, sendo ainda conduzido por grandes nomes da literatura, da política e da filosofia, como Oswald de Andrade e Mário de Andrade. Ganha expressão máxima em 1928, com a criação da revista O Cruzeiro, que teve como colaboradores, entre outros, José Lins do Rego, Vinícius de Morais, Manuel Bandeira, Rachel de Queiroz e Mário de Andrade, e era ilustrada por Di Cavalcanti e Anita Malfatti. O gosto nacional pelas crônicas, até certo ponto, sempre foi uma forma de atrair a literatura para o jornalismo, praticada por jornalistas, escritores e, sobretudo, por híbridos de jornalista e escritor. De Machado de Assis a Carlos Heitor Cony, passando por João do Rio, Carlos Drummond de Andrade, Rubem Braga, Paulo Mendes Campos, Otto Lara Resende, Ivan Lessa, entre outros (Piza, 2004, p. 33). E seria a partir dos anos 1950 que os jornais impressos brasileiros criariam o caderno de cultura como seção obrigatória em suas edições diárias e, especialmente, no fim de semana. Quem inaugura tal seção de forma pioneira é o Jornal do Brasil em 1956, com o Caderno B. Editado por Reynaldo Jardim e diagramado por Amílcar de Castro, o caderno “se tornou o precursor do moderno jornalismo cultural brasileiro” (Piza, 2004, p. 37). Reunindo em suas páginas os mais significativos representantes da cultura nacional, como Ferreira Gullar, Clarice Lispector, Bárbara Heliodora e Décio Pignatari, entre outros, o caderno tornou-se uma referência para a crítica cultural de sua época e até hoje é lembrado como ponto alto da prática do bom jornalismo cultural. O caderno do JB funda uma tendência dentro do cenário das publicações, abrindo frente para outras experiências, como a do Suplemento Literário de O Estado de S. Paulo, dirigido por Décio de Almeida Prado. E para o aparecimento de nomes importantes da crítica cultural, como Paulo Francis, que inicia sua carreira como crítico de teatro no Diário Carioca em 1957 e passa, posteriormente, por Última Hora, Pasquim, Rede Globo e GNT. A função do jornalismo cultural é revelar de forma clara e acessível “que, em toda grande obra, de literatura, de poesia, de música, de pintura, de escultura, há um pensamento profundo sobre a condição humana” (Morin, 2001, p. 45). Eis aí a força narrativa do jornalismo e sua função social. Pois faz chegar a muitos o que estava restrito a poucos e possui, nessa mediação, uma responsabilidade profissional acrescida da necessidade de uma formação humanística sólida, ciente da necessidade da codificação de uma realidade complexa, traduzindo-a em formas acessíveis e democráticas. 28 Essa vocação e essa função original ganham contornos ainda mais evidentes em se tratando da especialidade do jornalismo cultural e da preparação dos futuros jornalistas dessa área. Em contrapartida, não o torna uma disciplina isolada das demais, mas ao contrário. Como afirma o jornalista Daniel Piza, “há uma riqueza de temas e implicações no jornalismo cultural que também não combinam com seu tratamento segmentado; afinal, a cultura está em tudo, é de sua essência misturar assuntos e atravessar linguagens” (Piza, 2004, p. 7). Nesse sentido, é da natureza da própria disciplina o diálogo com as disciplinas humanísticas e práticas. Dialoga, assim, com filosofia, antropologia, mídia e cultura, ética e legislação e, simultaneamente, se relaciona com as disciplinas práticas e específicas como jornalismo on-line, rádio, TV, técnicas de reportagem e texto em revista. Se as primeiras fundamentam e sensibilizam os alunos para compreender com mais abrangência a realidade social e culturalmente dada, as últimas oferecem as potencialidades e variedades de suportes e formas de mediação necessárias para o conhecimento cultural. 29 CAPÍTULO 3 A ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO NA MÚSICA INDEPENDENTE A Assessoria de Comunicação voltada para a música independente tem o objetivo de servir como divulgadora, identificar públicos e estabelecer o contato entre artistas, bandas, selos fonográficos e gravadoras com veículos de comunicação. A função do assessor é a de produzir releases e press kits de seus clientes, para que possam ser distribuídos a todos os veículos interessados nas informações dos clientes, a respeito de gravações de discos, lançamentos, datas de shows e informações a respeito dos mesmos, assim como acompanhamento de eventos com a presença da imprensa. É responsável, também, pela orientação de seus clientes para se relacionarem com a mesma. É dever da assessoria arquivar informações e recortes de veiculação do assessorado em mídias – sejam elas digitais, eletrônicas ou impressas – de forma organizada, o que é habitualmente chamado de clipping. Além disso, criar uma rede de contatos que possam ajudar o cliente a ter suas informações publicadas em meios de comunicação voltados aos públicos que consomem música independente, tais como fanzines ou revistas voltadas ao estilo do mesmo. Observando a necessidade desse nicho de mercado, várias empresas ligadas a esse ambiente musical passaram a oferecer esse tipo de trabalho a bandas, artistas, selos e gravadoras. A maioria delas se localiza no eixo Rio de Janeiro – São Paulo, que são os principais polos de música independente no Brasil e onde se concentra o maior número de gravadoras ligadas à ABMI. Faremos uma breve apresentação de algumas das diversas empresas que constituem parte desse mercado. A paulista Central Rock, em atuação desde 2004, tem por objetivo apoiar e divulgar as bandas brasileiras e artistas independentes ou já consagrados pelos veículos de comunicação, crítica ou público, além de todo tipo de arte e cultura através de diversas mídias em todo Brasil e em veículos próprios: Central Rádio Rock FM (107,1MHz), com atuação no Grande ABC paulista, sites e revista impressa (50 mil exemplares distribuídas gratuitamente). A também paulista Heaven´s Music trata da assessoria de artistas ligados à música de exaltação, mais especificamente gêneros de rock e heavy metal cristão. Além do contato com a mídia, a agência oferece assistência fonográfica, agenciamento de bandas, design gráfico, merchandising, produção e serviços de web. No seu site oficial, a empresa explica que o objetivo 30 enquanto assessoria de comunicação é “prestar serviço de divulgação e assessoria aos clientes, para que tenham o nome de sua banda, sua música e atividades divulgadas e trabalhadas devidamente junto a veículos especializados”. A Brasil Music Press é uma assessoria especializada em trabalhar com bandas de Heavy Metal nacional, por terem detectado a carência de uma empresa que atendesse de forma profissional às necessidades primárias do mercado deste estilo no Brasil que, embora tenha crescido de forma significativa nos últimos anos, não dispõe de uma estrutura para dar suporte adequado às inúmeras bandas que, por este motivo, não conseguem se destacar no cenário e manter uma carreira profissional. Destacamos também que muitos artistas, principalmente aqueles localizados fora do eixo Rio de Janeiro – São Paulo, fazem trabalho próprio de assessoria, porém de forma incipiente. Muitos deles não enxergam a atividade como um investimento na carreira, mas sim como um gasto desnecessário. A atuação de empresas voltadas para esse nicho de mercado é recente e, por isso, talvez ainda não despertem a atenção do meio alternativo. 31 CAPÍTULO 4 O CASE SLEEPWALKER SUN 4.1 – A Banda O ponto de partida do projeto Sleepwalker Sun foi o término da banda Revealing Web, que tinha na sua última formação, Luiz Alvim, Giana Araújo nos vocais, Leandro Furtado e Henrique Mendes nas guitarras, Marcos Eichler no baixo e André Geléia na bateria. A banda, toda ela oriunda da cidade de Niterói, uma espécie de templo do rock progressivo brasileiro, segue a linha progressiva contemporânea, com influência de bandas atuais como Spock's Beard e Porcupine Tree, bem como de medalhões setentistas. No início, Luiz Alvim e Francisco Falcon, baixista que foi convidado a participar do projeto, pensaram em um projeto no qual a idéia inicial era de um power trio, na linha ELP, com os vocais sendo feitos pelos dois. Um tempo após o término do Revealing Web, começaram a pensar no desperdício que seria não gravar aquelas antigas composições, e acabaram mudando a concepção do novo projeto, chamando Giana Araújo para juntar-se a eles. Como todos estavam envolvidos em diferentes empreitadas musicais, Luiz Alvim tomou a frente desta, passando um bom período fazendo novas composições e rearranjando as antigas, mesclando-as com novos trechos inclusive. Gravou as demos em seu próprio quarto e pronto. Era só ir para o estúdio. Mas antes era necessário reunir o restante dos músicos. Rodrigo Martinho foi o primeiro a se juntar a Luiz, Francisco e Giana. Foi uma escolha natural, pois ele e Luiz tocaram juntos na banda tributo a Rush, 2112. Ele também ficaria encarregado pela parte da gravação, que seria feita em seu estúdio. Nas guitarras, a maior parte do trabalho seria feita por Leandro Furtado e Fabio Montserrat. Leandro tem tudo a ver com o projeto, tendo as músicas da época do Revealing Web grande participação sua. Fábio, por sua vez, ajudou muito nas demos, gravando os solos. Para a gravação do primeiro disco, dois fantásticos guitarristas de Niterói, Alex Martinho (também da 2112) e Ricardo Marins (da banda Triodélico), foram convocados, e não hesitaram em aceitar o convite, contribuindo ambos com excelentes solos e bases. O CD “Sleepwalker Sun” foi lançado em setembro de 2005, através do selo Masque Records, especializado em rock progressivo e, além da participação daqueles que fizeram a primeira formação da banda (Giana Araujo – vocais / Luiz Alvim – teclados / Ricardo Martinho – bateria / Francisco Falcon – baixo / Ricardo Marins – guitarra), teve as participações especiais de André Mello, da 32 banda prog carioca Tempus Fugit, que engrandeceu o disco com seu solo em Nocturnal. Ricardo Aguiar, da banda Terra Molhada (especializada em covers dos Beatles), deu um toque especial nos backings da mesma música. Para as partes agressivas de voz masculina que haviam sido concebido, foi chamado o também companheiro de 2112 Fábio Guerrero, que se encaixou perfeitamente nas músicas. O toque final especial foi a participação de Marcus Viana. As gravações ainda em estado bruto foram enviadas para Belo Horizonte, onde vive esse músico, uma referência do rock progressivo brasileiro. Ele ouviu, gostou e gravou. O resultado está em Jalen’s Eyes e Blindfold. “Foi especial não só pelo resultado, mas também por ter um ídolo meu gravando composições minhas”, declarou Luiz Alvim. As críticas ao disco foram amplamente positivas. Marcos Bragatto, do site Rock em Geral, comenta : “O disco, cujo trabalho gráfico (impecável, diga-se de passagem) remete a bandas de prog metal e (até) gothic metal, se revela numa autêntica peça do rock progressivo contemporâneo, dada a complexidade dos temas e arranjos. Ao mesmo tempo, o material desse CD nos leva aos bons tempos do progressivo de raiz, mas a produção rebuscada e uma certa inventividade nas composições o fazem soar altamente atual e moderno, sem também, cair nos clichês do prog metal pós Dream Theater.” Já Cláudio Vicente, da revista Roadie Crew, tece os seguintes comentários sobre o disco : “Esse é o álbum de estréia da banda Sleepwalker Sun e uma grande surpresa para o cenário do rock progressivo nacional. O grupo caminha na linha de bandas dos anos 70 e 80 e podemos notar influências de Yes, ELP e Dream Theater, entre outras. O mais legal é que todo esse instrumental vem acompanhado da voz da versátil vocalista Giana Araújo que em certos momentos tem um timbre de voz muito parecido com a Anneke Van Giersbergen do The Gathering.” O disco também teve uma boa repercussão na imprensa especializada em rock progressivo no exterior, também sido elogiado em sites como o Prog Archives, que divulga bandas de rock progressivo de todo o mundo. Após o lançamento do disco, a banda partiu para a divulgação do mesmo, realizando shows e dando entrevistas em sites e rádios especializados em rock progressivo, basicamente do exterior. 33 Em 2006, a banda recebeu vários prêmios do mais importante site especializado em rock progressivo brasileiro, o Rock Progressivo Brasil. As categorias em que a banda foi vencedora foram: melhor banda brasileira de 2005, melhor arte, melhor músico, melhor baterista, melhor guitarrista, melhor vocalista, melhor novidade. Mas como o mercado para o rock progressivo é extremamente limitado no Brasil, a banda teve pouca atividade entre 2007 e 2009, tendo realizados pouquíssimos shows nesse período. No final de 2009, foi lançado o segundo trabalho da banda, o CD “Stranger In The Mirror”, também distribuído pela Masque Records, onde a banda mantém sua formação inicial, além de contar com as participação de Jorge Mathias, da banda Quaternia Requiem, no baixo e no e-bow. Tal como o primeiro disco, “Stranger In The Mirror” também teve boa repercussão no mercado de rock progressivo, tendo tido excelentes críticas de sites e revistas especializadas, tais como a revista inglesa Rocktopia, a italiana ProgVisions e a publicação americana Music Street Journal. No ano de 2011, com as saídas de Ricardo Marins e Francisco Falcon, a banda passa ter em sua formação o guitarrista João Travassos e o baixista Jorge Mathias, que tem participado das apresentações ao vivo da banda. A banda segue fazendo apresentações para divulgação do disco, sendo a sua última apresentação no Festival Minas Prog 2011, realizado no dia 12 de novembro em Cataguases, onde a banda dividiu o palco com a banda Blue Mamooth, também do cast da Masque Records. 4.2 – Como divulgar o trabalho da Sleepwalker Sun ? Para que uma banda tenha seu trabalho não só divulgado como conhecido do seu público alvo, é necessário pensar na profissionalização do seu trabalho. A contratação de uma assessoria de imprensa é fundamental para manter a banda presente na mídia, de forma positiva, valorizando e popularizando o nome, a imagem, o serviço ou o produto da mesma. No caso da Sleepwalker Sun, por trabalhar com rock progressivo, gênero de público muito específico no Brasil, a assessoria tem que ter a preocupação de não só tratar a divulgação da banda no mercado brasileiro, mas também no exterior, onde o consumo desse tipo de música é muito grande. Com isso, as atividades que uma assessoria deve executar no sentido de divulgar o trabalho da banda são as seguintes : 34 criar versões em português e inglês do release oficial, fazendo as eventuais atualizações, correções e adaptações conforme padrão internacional, cada vez que existir algum evento de relevância na banda; fazer um levantamento e um minucioso trabalho de pesquisa, descobrindo quais veículos de fato trabalham com seriedade, sendo que somente para estes o material da banda será encaminhado. realização de sessão de fotos com fotógrafo profissional, para melhor expor sua imagem nos releases e foto promocional. disponibilização de um local específico para o cliente e acessível ao público, contendo release oficial (português e inglês), fotos, logotipo e capa do álbum, todos arquivos nas versões em baixa e alta resolução, MP3, rider técnico, mapa de palco, discografia, review, entrevista, setlist básico e outros; elaboração de notas baseadas em informações fornecidas pela banda, usando estratégias de caráter jornalístico, conferindo-as credibilidade e usando artifícios na escrita de tal forma que o mesmo tipo de assunto possa render muito mais, mantendo a banda sempre na mídia; postagem das notas para todos os veículos de imprensa especializados no Brasil, e em outras mídias alternativas que abram espaço para o estilo, buscando e estimulando o interesse por entrevistas, matérias especiais e publicação de reviews; versão e postagem de notas em inglês para os principais veículos de imprensa especializados do exterior, no intuito de projetar o nome da banda no cenário internacional, despertando interesse por matérias e licenciamentos; disparo semanal das notas para mailing com público alvo no Brasil. Através desse mailing, pode ser direcionado o material da banda para os principais veículos especializados, revistas, jornais, fanzines, sites e programas de rádio e televisão especializados e outros meios não segmentados que abram espaço ao rock progressivo, pubs, salões de rock, lojas especializadas e produtores de shows e festivais de rock progressivo no Brasil e no exterior, divulgar shows, workshops e lançamentos de álbuns e também fazer a versão das notas em inglês e postar em mailing internacional.; suporte à banda na ocasião de lançamento de álbum ou divulgação de shows, disponibilizando no site a capa do álbum e divulgando os eventos e datas, através de notas, mailing e agenda; elaboração de review especial, na ocasião do lançamento de álbuns, o qual será disponibilizado no site da empresa e para a banda usar como 35 material de suporte no momento de encaminhar o álbum aos veículos especializados; inclusão da banda (por nome, logotipo, url e eventualmente foto) nos anúncios da empresa que vierem a ser veiculados em revistas especializadas; cobertura de eventos significativos que a banda venha a participar e disponibilizar o review dos mesmos no site da empresa e da banda; montagem de “clipping” com todas as notas publicadas, reviews, entrevistas e os respectivos veículos que as publicaram. Esse clipping deve ser atualizado também no site da banda; indicação de participação em eventos de produtores com os quais a assessoria faz parcerias; programa de mídia training a ser desenvolvido conforme as necessidades do cliente. O profissional da assessoria deve ensinar como a banda deve manter um relacionamento correto com os jornalistas e os veículos de mídia. criar e manter atualizados perfis da banda nas principais redes sociais de relacionamento (Twitter, Orkut, My Space e Facebook), instigando os usuários a interagirem e passarem as informações adiante; É importante ressaltar que nenhuma assessoria de imprensa tem como garantir a publicação ou veiculação de qualquer matéria, já que isso vai depender da vontade do jornalista e da abordagem que ele pretender dar ao fato. Mas, enviando um texto objetivo e bem redigido para divulgação do que o cliente pretende, são grandes as possibilidades de êxito. 36 CONCLUSÃO O mercado independente vem crescendo a cada dia, seja pelas facilidades de produção ou pela decadência das grandes gravadoras, e passou de tendência à realidade. Podemos afirmar que o músico independente deve ser cuidadoso ao tratar de todas as etapas de seu trabalho. Isso não quer dizer que ele deve trabalhar sozinho, sem nenhum tipo de suporte para alavancar a sua carreira. E uma boa assessoria de imprensa pode dar a esse músico uma vantagem estratégica para esses músicos. É de suma importância manter os jornalistas que trabalham na área de cultura minimamente informados do seu trabalho, de maneira a garantir uma crítica que, se não for favorável, seja a mais justa possível. Por isso, deve-se manter uma relação estreita com profissionais de redação e manter o mesmo informado sobre a evolução do seu trabalho, seja através do envio de CDs, releases, press kits, agendamento de entrevistas e etc. Essas práticas garantem que as análises a serem feitas terão dados importantes para a realização das mesmas, evitando análises que, por muitas vezes, são superficiais. Com a Internet, a informação passa por um completo processo de remodelação. O que antes era publicado apenas diariamente e por organizações especializadas, hoje pulula a cada instante na rede e por autores muitas vezes desconhecidos. A utilização da grande rede deve ser utilizada por toda assessoria, pois é uma alternativa de baixo custo e de um alcance inimaginável. Para isso, web sites, blogs, redes sociais e mailings são meios que fazem que a informação se espalhe de uma forma muito rápida, trazendo resultados em um menor espaço de tempo. A permanência na mídia é outro grande desafio para a assessoria de imprensa com o seu cliente. O constante contato com o seu público pode minimizar as chances de um artista perder espaço. Percebe-se ainda que o trabalho de assessoria de imprensa para artistas independentes é um nicho de mercado que ainda pode ser mais explorado. Mas como é um mercado com perspectiva de expansão, deve se ter uma atenção especial com ele. Como o músico independente precisa trabalhar, estudar e ainda compor, ensaiar, gravar, tocar, ou seja, tem múltiplas funções, por muitas vezes não consegue fazer esse trabalho de assessoria de forma profissional, abrangente e contínua, ou não atenta para as vantagens oferecidas por esse tipo de trabalho, é necessário que o profissional de comunicação sempre proponha uma experiência de trabalho sempre que enxergar uma boa oportunidade, para provar ao assessorando as vantagens de se ter alguém trabalhando a imagem do mesmo na mídia. 37 Assim como em qualquer empreitada, os resultados da assessoria de imprensa não são colhidos da noite para o dia, pois são frutos de um trabalho gradual e contínuo, para fixação e reforço de marca entre o público e mídia. Outro ponto a considerar, é que além dos resultados dependerem do nível do produto oferecido pelo músico e de um trabalho contínuo e à longo prazo de assessoria especializada, adiantamos que devido a atual enorme demanda de novos artistas no cenário de música independente, se torna praticamente impossível alguns veículos (especialmente as grandes revistas) abrirem espaço para entrevistas e matérias especiais para bandas que tenham apenas demos e nenhum CD lançado oficialmente. Conclui-se então que é de fundamental importância a participação do assessor de imprensa não só na divulgação, mas também na gerência da imagem dos músicos. Como vários espaços foram criados para que o artista independente possa mostrar o seu trabalho, seja em programas de televisão, festivais, lançamentos de discos e outros eventos, cada vez mais abre-se espaço para a atuação da assessoria de imprensa nesse nicho de mercado. Apesar de muitos ainda enxergarem a assessoria de imprensa como um gasto, ele deve ser sim tratado como um investimento, pois se bem utilizado pode dar um belo retorno para ao assessorado. Nenhum trabalho de assessoria pode garantir que um artista se torne um grande sucesso de público e crítica, pois isso dependerá de talento, um produto apresentável e uma certa dose de sorte, mas fazer um trabalho profissional de assessoria e marketing, que tornará o artista conhecido no cenário, e certamente será determinante no futuro do mesmo e suas conquistas. 38 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA BURKE, Peter. Uma história social da mídia: de Gutenberg à internet. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2004. CASTRO, Igor Garcia – Lado B, A Produção Fonográfica Independente Brasileira. São Paulo, Annablume, 2010 CARVALHO, Cláudia e REIS Léa. Manual Prático de Assessoria de Imprensa. Rio de Janeiro, Editora Elsevier, 2009 CHINEM, Rivaldo – Assessoria de Imprensa : Como Fazer. São Paulo, Summus Editorial, 2003 DIAS, Márcia Tosta – Os Donos da Voz : Indústria Fonográfica Brasileira e Mundialização da Cultura. São Paulo, Boitempo, 2001 DUARTE, Jorge. Assessoria de Imprensa e Relacionamento com a Mídia. São Paulo, Editora Atlas, 2010 FERRARETTO, Elisa e FERRARETTO, Luiz. Assessoria de Imprensa – Teoria e Prática. São Paulo, Summus Editorial, 2009 LORENZON, Gilberto e MAWAKDIYE, Alberto – Manual de Assessoria de Imprensa. Campos do Jordão, Editora Mantiqueira, 2006 MELLO, Luiz Antônio – A Onda Maldita : Como Nasceu e Quem Assassinou a Fluminense FM. Brasil, Xamã, 1999 MELLO, Luiz Antônio – Manual de Sobrevivência na Selva do Jornalismo. Niterói, Nitpress, 2011 MIDANI, André – Música, Ídolos e Poder, do Vinil ao Download. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2008 MORIN, Edgar. A cabeça bem feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. Rio de Janeiro, Bertrand, 2001. PIZA, Daniel. Jornalismo Cultural. São Paulo, Editora Contexto, 2004 VÁRIOS. 7 Propostas para o Jornalismo Cultural. São Paulo, Miró Editorial, 2009 VAZ, Gil Nuno – História da Música Independente. São Paulo, Brasiliense, 1988 VICENTE, Eduardo – A Vez dos Independentes : Um Olhar Sobre a Produção Musical Independente do País. São Paulo, Compós, 2006 39 WEBGRAFIA http://www.abmi.com.br – site da Associação Independente, acessado em 05/01/2012 Brasileira de Música www.tramavirtual.com.br – site de gravadora Trama, acessado em 04/01/2012 www.centralrocknet.com.br – site da assessoria de imprensa Central Rock, acessado em 10/01/2012 www.brasilmusicpress.com – site da assessoria de imprensa Brasil Music Press, acessado em 10/01/2012 www.msmetalpress.com – site da assessoria de imprensa Metal Press, acessado em 10/01/2012 www.abpd.org.br – site da Associação Brasileira de Produtores de Discos, acessado em 03/01/2012 www.sleepwalkersun.com – site da banda Sleepwalker Sun, acessado em 13/01/2012 www.masquerecords.com – site da gravadora Masque Records, acessado em 13/01/2012 www.abramus.com.br – site da Associação Brasileira de Música, acessado em 08/01/2012 https://www.facebook.com/sleepwalkersun - Fan Page da banda Sleepwalker Sun, acessado em 15/01/2012 40 ÍNDICE FOLHA DE ROSTO 02 AGRADECIMENTOS 03 DEDICATÓRIA 04 RESUMO 05 METODOLOGIA 06 SUMÁRIO 07 INTRODUÇÃO 08 CAPÍTULO I – HISTÓRICO DA MUSICA INDEPENDENTE NO BRASIL 10 1.1 – o Conceito de Independente 10 1.2 – O A Música Independente no Brasil 12 1.2.1 – Os Pioneiros 12 1.2.2 – Outras Iniciativas de Produção Independente 13 1.2.2.1 – Festa 13 1.2.2.2 – Rozemblit 14 1.2.2.3 – Elenco 14 1.2.2.4 – Forma 14 1.2.3 – Antônio Adolfo 15 1.2.4 – Boca Livre 15 1.3 – A Mídia dos Independentes 16 1.4 – Festivais de Música Independente 17 1.5 – Novas Tendências 17 1.6 – Indústria Popular 18 1.7 – Associação Brasileira de Música Independente 19 41 CAPÍTULO II – ASSESSORIA DE IMPRENSA E COMUNICAÇÃO – CONCEITOS BÁSICOS 21 2.1 – Histórico 21 2.2 – Conceitos 23 2.2.1 – Assessoria de Imprensa 23 2.2.2 – Assessoria de Comunicação 23 2.3 – Funções da Assessoria de Imprensa e Comunicação 24 2.4– Ferramentas da Assessoria de Imprensa e Comunicação 24 2.4.1 – Press Release 24 2.4.2 – Press Kit 25 2.4.3 – Mailing Lists 25 2.4.4 – Clipping ou Arquivo 25 2.4.5 – Eventos 25 2.4.6 – Entrevistas 25 2.4.7 – Midia Training 26 2.4.8 - Websites e Blogs 26 2.5 – Jornalismo Cultural 26 CAPÍTULO III – ASSESSORIA DE IMPRENSA E COMUNICAÇÃO NA MI 29 CAPÍTULO IV – O CASE SLEEPWALKER SUN 31 4.1 – A Banda 31 4.2 – Como divulgar o trabalho da Sleepwalker Sun ? 33 CONCLUSÃO 36 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 38 WEBGRAFIA 39 INDICE 40