UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE
CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DA SAÚDE
WALDA VIANA BRÍGIDO DE MOURA
MEIOS DE RESGATAR A SAÚDE BUCAL E AUTOESTIMA DE IDOSOS
NATAL- RN
2011
WALDA VIANA BRÍGIDO DE MOURA
MEIOS DE RESGATAR A SAÚDE BUCAL E AUTOESTIMA DE IDOSOS
Tese apresentada ao Programa de PósGraduação em Ciências da Saúde como
requisito parcial para a obtenção do título de
Doutor em Ciências da Saúde.
Orientadora: Profª. Dra. Iris do Céu Clara Costa
NATAL - RN
2011
Catalogação na Fonte. UFRN/ Departamento de Odontologia
Biblioteca Setorial de Odontologia “Profº Alberto Moreira Campos”
Moura, Walda Viana Brígido de.
Meios de resgatar a saúde bucal e autoestima de idosos / Walda Viana Brígido de
Moura. – Natal, RN, 2011.
113 f. : il.
Orientador: Profa. Dra. Íris do Céu Clara Costa.
Tese (Doutorado em Ciências da Saúde) – Universidade Federal do Rio Grande do
Norte. Centro de Ciências da Saúde. Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde.
1. Autopercepção – Tese. 2. Cognição – Tese. 3. Epidemiologia – Tese. 4. Idoso –
Tese. 5. Prótese dentária – Tese. 6. Saúde bucal – Tese. I. Costa, Íris do Céu Clara. II.
Título.
RN/UF/BSO
Black D585
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE
CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DA SAÚDE
Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde:
Profa. Dra. Técia Maria Oliveira Maranhão
NATAL - RN
2011
WALDA VIANA BRÍGIDO DE MOURA
Meios de resgatar a saúde bucal e autoestima de idosos
Aprovada em 26/08/2011
BANCA EXAMINADORA
____________________________________________
Profa. Dra. IRIS DO CÉU CLARA COSTA - UFRN
Presidente
________________________________________________
Profa. Dra. MARIA VIEIRA DE LIMA SAINTRAIN – UNIFOR
Externo à Instituição
________________________________________________
Profa. Dra. MARLENE LOPES CIDRACK – SESA/CE
Externo à Instituição
_____________________________________________________________
Prof. Dr. ANGELO GIUSEPPE RONCALLI DA COSTA OLIVEIRA – UFRN
Externo ao Programa
________________________________________________
Prof. Dr. GEORGE DANTAS DE AZEVEDO - UFRN
Interno
À Deus, pelas oportunidades que tive, por tudo o que vivi, pela força e
coragem na superação dos desafios e pela fé e esperança em
melhores dias.
À Nossa Senhora, presença constante em minha vida, que passando
na frente, abrindo portas e corações, me ajuda a resolver as coisas
difíceis e impossíveis.
À minha mãe, com quem aprendi os valores morais, éticos e cristãos,
por seu apoio constante, durante toda a minha trajetória de vida, e
dedicação aos meus filhos, a minha eterna saudade e gratidão.
Ao meu esposo Ricardo, amigo, parceiro, incentivador, protetor e
companheiro de todas as horas, com o meu intenso amor.
Aos meus queridos filhos, Renata, Ricardo Filho e Rebeca, que
compreendendo a minha paixão pelo lado profissional e as horas de
convívio que lhes foram sacrificadas, sempre me incentivaram a
prosseguir.
O Amor supera obstáculos e somente a
dedicação conquista vitórias.
Walda Viana
AGRADECIMENTOS
Em especial a minha orientadora, Profª. Dra. Iris do Céu Clara Costa, exemplo
de profissional a ser seguido, pelo interesse com que acolheu as minhas idéias, por
tudo o que me ensinou, por seu empenho e disponibilidade e pelo incentivo e
confiança depositados;
A minha família, principalmente a minha irmã Gláucia e meu cunhado Brasil,
pelo apoio e ajuda, sem o que talvez não tivesse alcançado este momento;
Aos amigos de infância e adolescência cujas famílias carinhosamente me
acolheram;
As amigas Rhovani e Raphaela, pela amizade sincera e carinhosa acolhida
em seu aconchegante lar, onde me sinto parte integrante dessa família norte riograndense, desde 1992;
A todos que fazem a Associação Cearense Pró - Idosos (ACEPI), pelos
ensinamentos e dedicação na luta pelo envelhecimento digno e saudável, com
especial admiração pela sua fundadora e Presidente Emérita, nosso ícone, Maria
José Lima de Carvalho Rocha Barroso;
Aos meus queridos alunos, integrantes do Projeto Sorriso Grisalho, que com a
troca de saberes, contribuem a cada dia para o meu crescimento, em especial ao
Wilker, Danielly, Gustavo, Diana, Andréa e Heriberto pela competente parcela na
construção deste trabalho;
As colegas e amigas Profª. Dra. Maria Eneide Leitão de Almeida e Dra.
Marlene Lopes Cidrack, pela excelente contribuição na elaboração deste projeto de
pesquisa;
As companheiras Ms. Gabriela Eugênio de Sousa Furtado e Profª. Dra.
Andréa Silvia Walter de Aguiar, parceiras fundamentais na condução de todo o
processo da pesquisa, desde a calibração, coleta, consolidação, análise e
publicação dos dados;
As cirurgiãs-dentistas, Maria Gressy Soares de Farias, Maria Renir Campos,
Aurea Maria Viana e Ana Cibely da Silveira Lima, por integrarem a nossa equipe e
pela importante contribuição, como orientadores do tratamento restaurador, com
destaque especial ao cirurgião-dentista Antônio Marques Formiga, pela dedicação e
disponibilidade em conduzir a reabilitação oral dos idosos participantes deste
trabalho;
A minha colega e professora, Dra. Léa Maria Bezerra de Menezes, pelo
carinho, amizade, ensinamentos científicos e lições de vida;
Ao Prof. Dr. Fabricio Bitu Sousa e sua equipe do Núcleo de Estudos em
Pacientes Especiais – NEPE, por assistir cuidadosamente aos idosos encaminhados
pelo Projeto;
Ao Professor Dr. Ilan Sampaio do Vale, pelo carinho e dedicação na avaliação
e exames radiográficos dos idosos participantes da pesquisa, necessários à
reabilitação oral;
Ao Prof. Dr. Paulo César de Almeida, pela orientação e análise estatística
durante o processo de elaboração e conclusão do Projeto;
A Profa. Dra. Adeliani Almeida Campos, pelo mini-curso de promoção de
saúde integral e reabilitação oral ministrado aos cirurgiões-dentistas participantes
desta pesquisa;
Aos professores Ms. Antônio Sérgio Luz e Silva, Dr. Emannuel Arrais de
Alencar Júnior e Ms.Elenilce Nóbrega Furtado, bem como aos técnicos Carlinhos e
Gonzaga, pelo esforço e colaboração para a concretização da fase de reabilitação
oral do Projeto;
A coordenação e aos professores do Programa de Pós-Graduação em
Ciências da Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, pelos
ensinamentos e orientações recebidas;
A coordenação do Programa de Pós-Graduação em Odontologia, da
Universidade Federal do Ceará, pelo acolhimento, apoio e atenção dispensados e
aos seus professores pela transmissão de conhecimentos e atualização científica;
A coordenação do Programa de Pós-Graduação em Educação, da
Universidade Federal do Ceará, pelo apoio e atenção e aos seus professores pela
oportunidade em aperfeiçoar as técnicas e manejos para um processo ensinoaprendizagem de forma prazerosa e didática;
A coordenação do Doutorado em Saúde Coletiva com Associação de
Instituições de Ensino Superior – Ampla (AA) – UECE/UFC/UNIFOR, pela
oportunidade de compartilhar um aprendizado reflexivo e construtivo com seu
quadro docente;
A todos que fazem a minha Universidade Federal do Ceará, professores
estudantes e servidores, consciente de que nada somos sozinhos, pelo apoio
incondicional. Ressaltando os colegas e funcionários do Curso de Odontologia e a
família da Extensão pelo acolhimento, carinho e cumplicidade no diálogo constante
com a sociedade;
As amigas, Gressy, Otília e Nina pelo carinho, incentivo e partilha nos
compromissos e responsabilidades;
Aos Pró-Reitores de Extensão, com os quais compartilhei realizações e
saberes, pelo incentivo e reconhecimento ao meu trabalho, em especial ao Prof. Dr.
Henry de Holanda Campos;
Aos parceiros que apoiaram este estudo, em reconhecimento a sensibilidade
social;
A gerente da Unidade de Abrigo – ILPI da Secretaria do Trabalho e
Desenvolvimento Social do Estado do Ceará, Maria Iolanda de Castro e Silva e a
todos os funcionários, pelo apoio recebido;
As professoras coordenadoras do Grupo Vida (CEDEFAM/UFC), Dra. Maria
Fátima Maciel Araújo e Dra. Maria Josefina Silva e do Grupo Cabelos Brancos do
Dendê (NAMI/UNIFOR), Dra. Marlene Lopes Cidrack e Dra. Fátima de Maria Sales
Sanford, pelo rico aprendizado compartilhando suas experiências e pela
aquiescência e apoio a realização deste trabalho;
Com carinho aos idosos que acreditando na proposta, se dispuseram a
participar desse estudo, tornando-o possível, bem como aos seus cuidadores e
familiares pelo apoio irrestrito;
Aos Professores Dr. Kênio Costa de Lima e Dr. Luiz Roberto Augusto Noro,
participantes da Banca Examinadora da Qualificação, pelas reflexões e sugestões
no aprimoramento do Trabalho;
Aos professores, Dra. Maria Vieira de Lima Saintrain, Dra. Marlene Lopes
Cidrack, Dr. Angelo Giuseppe Roncalli da Costa Oliveira, Dr. George Dantas de
Azevedo pela participação na Banca Examinadora desta Tese e significantes
contribuições;
E ainda aos que permaneceram no anonimato, mas contribuíram para o êxito
deste trabalho;
Meus sinceros agradecimentos.
SUMÁRIO
LISTA DE TABELAS/QUADRO...........................................................................
XI
RESUMO...............................................................................................................
12
1 INTRODUÇÃO/OBJETIVOS/ HIPÓTESE........................................................
13
2 HISTÓRICO/REVISÃO DA LITERATURA/ METODOLOGIA RESULTADOS
E DISCUSSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS.............................
17
3 ARTIGOS...........................................................................................................
Artigo 1 ................................................................................................................
Artigo 2 ................................................................................................................
Artigo 3 ................................................................................................................
Artigo 4 ................................................................................................................
27
27
30
47
61
4 COMENTÁRIOS, CRÍTICAS E SUGESTÕES ..................................................
80
5 APÊNDICES......................................................................................................
87
A - Autorização do responsável pelo local da calibração ...................................
88
B - Autorização do responsável para realização da pesquisa – ILPI ...................
89
C - Declaração......................................................................................................
90
D - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido ...............................................
91
E - Autorização do responsável para realização da pesquisa – GV....................
92
F - Autorização do responsável para realização da pesquisa – GCBD ..............
93
G - Folder do Projeto Sorriso Grisalho .................................................................
94
H - Tabelas/Quadro ..............................................................................................
95
I - Publicações .....................................................................................................
97
J - Trabalhos apresentados com resumos em anais ..........................................
98
K - Participação em eventos
101
6 ANEXOS............................................................................................................
1 - Aprovação no COMEPE/Folha de Rosto ........................................................
2 - Ficha de exame .............................................................................................
3 - Questionário de autopercepção......................................................................
4 - Mini Exame do Estado Mental ........................................................................
5 - Instruções para aplicação do Mini Exame do Estado Mental .........................
102
103
105
106
107
108
7 REFERÊNCIAS.................................................................................................
110
ABSTRACT........................................................................................................... 112
RESUMEN ........................................................................................................
113
LISTA DE TABELAS/QUADRO
Artigo 1
Table 1: Self-Perceptions of Oral Health: Comparison of Results with Data
from Two Other Brazilian Studies (SB Brasil and SB Ceara)...............................
Artigo 2
Table 1 – Frequency distribution of denture use and needs in the upper and
lower arch of 102 elderly individuals aged 60 or older, from two community
groups Fortaleza-Ceara State, 2011 ………………………………………………..
Artigo 3
Tabela 1 – Número e porcentagem de idosos que usam e necessitam de
prótese dentária, segundo o arco dentário, em estudos epidemiológicos, 2011
Artigo 4
Tabela 1 – Número e porcentagem de indivíduos que usam e necessitam de
prótese dentária segundo o arco, UA-STDS, 2011 .............................................
Tabela 2 – Número e porcentagem de indivíduos de acordo com o gênero e
escores obtidos no Mini Exame do Estado Mental, UA-STDS, 2011...................
Manuscrito de Tese
Tabela 1: Características da população idosa de dois grupos de convivência e
residentes em uma ILPI (UA-STDS),quanto ao número, gênero e média de
idade, Fortaleza-CE, 2011...................................................................................
Tabela 2: Grau de edentulismo em idosos participantes de dois grupos de
convivência e residentes em uma ILPI (UA-STDS), segundo o CPO-D, o uso e
a necessidade de prótese dentária, Fortaleza-CE, 2011.....................................
Quadro 1: Uso e necessidade de prótese dentária.............................................
27
46
60
79
79
95
95
96
RESUMO
Objetivo: O presente estudo objetivou analisar as características epidemiológicas
das condições de saúde bucal de 98 idosos de uma Instituição de Longa
Permanência para Idosos (ILPI) e de 125 participantes de Grupos de Convivência,
de bairros periféricos, socialmente semelhantes, de Fortaleza, Ceará, Brasil, para
orientação do tratamento odontológico. Investigou-se a autopercepção em saúde
bucal desses idosos a fim de realizar uma avaliação comparativa entre eles e com
os levantamentos epidemiológicos de base nacional (SB Brasil) e de base estadual
(SB Ceará). Devido a alguns idosos da ILPI recusarem o tratamento dentário e a
identificação do elevado percentual de demenciados, optou-se por realizar uma
avaliação cognitiva, o Mini Exame do Estado Mental (MEEM) visando identificar os
aptos à reabilitação oral. Métodos: abordagem epidemiológica do tipo transversal,
sendo a coleta de dados realizada por cinco examinadores, utilizando os critérios
recomendados pela OMS (1997). Resultados: O CPO-D médio encontrado na ILPI,
foi de 29,88, com predomínio do componente perdido (93,27%) enquanto o CPO-D
médio dos não institucionalizados fixou-se em 30,17, com predomínio do
componente perdido (63,70%). Também se avaliou o uso e a necessidade de
prótese dentária: dos residentes na ILPI, 10,20% usavam prótese superior e 3,06%,
inferior; 94,90% necessitavam de prótese superior e 97,96% de inferior; sendo a
prótese total foi o tipo mais prevalente, 88,78% para ambos os arcos. O percentual
do uso de prótese dos não institucionalizados foi 71,20% no arco superior, sendo
66,40% prótese total; já para o arco inferior, 32,80%, das quais 31,20% era prótese
total. No presente estudo, tanto para uso quanto para necessidade, considerando
ambos os arcos, a diferença entre os idosos institucionalizados e não
institucionalizados foi estatisticamente significativa pelo teste Qui - quadrado
(p<0,001). Como resultado do MEEM, observou-se deterioração cognitiva (escore ≤
12) em 37,25% dos entrevistados, bem como um declínio cognitivo com o avanço da
idade. Conclusões: Os resultados apontam que há um maior percentual de uso de
prótese total no arco superior e maior frequência quanto à ausência de próteses de
qualquer tipo no arco inferior. Evidenciou-se que os idosos pesquisados foram
submetidos a tratamento mutilador e, como consequência necessitam de reabilitação
oral, o que pressupõe a necessidade de políticas públicas para que isso ocorra
efetivamente. Os participantes deste estudo caracterizam-se por uma autopercepção
positiva da sua saúde bucal, a despeito das condições clínicas insatisfatórias e de
precária saúde bucal, com acentuada prevalência de cárie dentária e edentulismo. O
MEEM revelou deficiência cognitiva na maioria dos idosos, confirmando que a sua
aplicação, previamente à reabilitação oral pode evitar desperdícios financeiros.Tais
achados refletem a necessidade de implantação de políticas reabilitadoras em saúde
bucal voltadas para o idoso; baseadas na perspectiva da integralidade como
princípio doutrinário do Sistema Único de Saúde, o que redundaria numa melhor
qualidade de vida, tanto pela melhor mastigação, digestão e nutrição, pelo maior
aproveitamento dos alimentos, quanto pelo favorecimento à comunicação, pela
dicção e fala, contribuindo para a socialização e consequente elevação da
autoestima dessa clientela.
Palavras-chave: Autopercepção. Cognição. Epidemiologia. Idoso. Prótese Dentária.
Saúde Bucal.
14
1 INTRODUÇÃO/OBJETIVOS/HIPÓTESE
O avanço tecnológico relacionado à saúde, meio ambiente e acesso aos
serviços de saúde, reduziu a mortalidade infantil e ampliou a expectativa de vida1.
Para Barreto et al.2, além do aumento da expectativa de vida, o controle da
natalidade foi responsável pelo acréscimo considerável na proporção de idosos em
relação às demais faixas etárias. Contudo, dados epidemiológicos revelam alta
prevalência de edentulismo na população idosa3, resultado da prioridade na
promoção e assistência à saúde centrar-se na infância, restando aos demais uma
prática mutiladora e emergencial, comprometendo sua saúde bucal e sistêmica.
O edentulismo, encarado pela sociedade como uma perda natural dos dentes
ocasionada pelo envelhecimento, afeta, diretamente, o componente psicossocial do
longevo, além de interferir no estado nutricional, pela dificuldade em mastigar e
cortar os alimentos, na fala, na estética e nas relações interpessoais.
O Ceará, à semelhança mundial, registra velocidade no aumento de pessoas
idosas possuindo, como agravante, situação socioeconômica desprivilegiada e alta
demanda por serviços de atenção à saúde, o que dificulta a cobertura pelas políticas
de saúde vigentes. O não acesso à educação, aos bens e aos serviços trazem,
como consequência, o edentulismo que pode causar transtornos psicossociais por
bloquear relações afetivas, em virtude de a maioria das pessoas, ao perderem os
seus dentes, se isolarem privando-se até do convívio familiar4,5,6.
À luz do conceito que define a saúde bucal como um conjunto de condições
objetivas (biológicas) e subjetivas (psicológicas) que possibilitam ao ser humano
exercer suas funções de mastigação, deglutição e fonação e, com a dimensão
15
estética, exercitar a autoestima e a relação social sem inibição ou constrangimento4,
compreende-se que a necessidade de atenção à saúde de idosos representa um
dos maiores desafios da saúde pública contemporânea.
Um fator que se reveste de grande importância é a relação interpessoal do
cirurgião-dentista com o paciente, pois, além de contribuir para a melhoria da
condição mastigatória, manutenção da saúde e estética facial, promove maior
expectativa de vida com qualidade e preserva os dentes naturais em bom estado ou
com próteses bem adaptadas e funcionais. Todo profissional, para lidar com um
paciente geriátrico, deveria aperfeiçoar os seus estudos em Gerontologia,
dominando, assim, as técnicas e o manejo do paciente, podendo orientar e estimular
o autocuidado e a recuperação da autoestima.
O interesse pelo estudo, Meios de resgatar a Saúde Bucal e a autoestima de
idosos, surgiu durante as ações do projeto de extensão denominado Projeto Sorriso
Grisalho - PSG, do Departamento de Clínica Odontológica da Universidade Federal
do Ceará - UFC, quando os seus integrantes perceberam alto grau de edentulismo
na população. A experiência do PSG, priorizando a saúde bucal, proporcionou
significativa elevação da autoestima e melhoria da qualidade de vida de alguns
idosos de um grupo de convivência que passaram a valorizar o seu próprio corpo,
em especial a boca, após sua reabilitação protética, tornando-os mais participativos
nos grupos, na família e na sociedade, corroborando com a opinião de estudiosos
que compreendem ser a qualidade de vida eminentemente humana e estar
diretamente relacionada ao grau de satisfação encontrado na vida familiar, amorosa,
social e ambiental e na própria estética5.
16
A hipótese A Reabilitação Oral pode resgatar a Saúde Bucal e a autoestima
de idosos? adveio da troca de experiências e da observação da mudança de
atitudes do idoso no que se refere à pró-atividade e reinserção social e familiar, após
a reabilitação protética.
A partir da inquietação com a situação encontrada e considerando a
implantação do Programa Brasil Sorridente como prioridade nas políticas públicas de
saúde bucal no âmbito do Sistema Único de Saúde- SUS6, vislumbrou-se a
possibilidade de realizar um estudo epidemiológico em dois grupos de convivência
para idosos e em uma instituição de longa permanência para idosos - ILPI, atual
sede do PSG, no município de Fortaleza-CE. A intenção era utilizar os resultados
para captar financiamento de próteses dentárias junto ao SUS, a fim de promover a
reabilitação oral dos participantes, contribuindo, assim, para a melhoria das
condições de saúde geral e bucal e da qualidade de vida, com consequente
elevação da autoestima e reinserção do idoso na sociedade.
O presente estudo teve como objetivos:
•
analisar as características epidemiológicas das condições de saúde bucal
e do uso e da necessidade de próteses dentárias em idosos institucionalizados e
não institucionalizados do município de Fortaleza-CE, com vistas à realização do
tratamento odontológico e da Reabilitação Oral;
•
avaliar a autopercepção em saúde bucal de idosos institucionalizados e
não institucionalizados do município de Fortaleza-CE, visando a estimular a
implementação de programas de Educação em Saúde e assistenciais;
17
•
rastrear o comprometimento cognitivo dos idosos residentes em uma
Instituição de Longa Permanência para Idosos - ILPI, considerando os resultados do
Miniexame do Estado Mental - MEEM, buscando identificar os aptos a realizarem um
autocuidado eficiente, podendo ser reabilitados proteticamente.
O tema será apresentado na sequência em que o trabalho foi desenvolvido,
iniciando com a calibração e culminando com a Reabilitação Oral dos residentes na
ILPI.
18
2 HISTÓRICO/REVISÃO DA LITERATURA/METODOLOGIA/ RESULTADOS E
DISCUSSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS
Despertando para o aumento da população longeva e com o intuito de atuar
em diversos espaços sociais, buscando aprofundar as discussões e lutar em prol de
melhores condições de vida e saúde para essa camada da população, surgiu a ideia
de elaborar um projeto de Extensão com a participação de estudantes, docentes e
técnicos do Curso de Odontologia da Universidade Federal do Ceará - UFC,
denominado Projeto Sorriso Grisalho - PSG.
Criado em abril de 1999, o PSG desenvolve ações junto a grupos de
convivência de idosos localizados na periferia de Fortaleza e, desde 2001, em uma
instituição de longa permanência para idosos - ILPI, Unidade de Abrigo da
Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social - UA-STDS, onde residem cerca
de 100 idosos que foram abandonados por seus familiares, encontrados na rua e em
hospitais, sem referências ou resgatados, por serem vítimas de maus tratos. A
equipe do PSG atua no consultório existente na citada Unidade, promovendo a
higiene bucal supervisionada de todos os idosos, realizando ações de promoção e
assistência à saúde e cidadania, bem como atividades lúdicas e de entretenimento.
(Apêndice G)
Em 2008, quando se pretendeu analisar a real condição de saúde bucal dos
idosos público alvo do PSG, visando subsídios para planejar o tratamento dentário,
poucos estudos eram encontrados na literatura relacionados à saúde bucal de
idosos institucionalizados no Nordeste do Brasil. Essa lacuna é ainda mais
significativa nas análises comparativas entre idosos institucionalizados e não
institucionalizados; e sobre o uso e a necessidade de prótese dentária, pois as
19
variáveis são escassas e divergentes. Alguns autores se referem ao total de pessoas
que usam, outros citam o quantitativo por arcada, superior e inferior ou somente
superior, dificultando a discussão e análise.
Tendo-se identificado levantamentos epidemiológicos de base nacional (SB
Brasil)3 e de base estadual (SB Ceará)7 que utilizaram os critérios metodológicos
recomendados pela World Health Organization - WHO (1997)8 e uma outra pesquisa
realizada em Fortaleza-CE, onde Gaião et al9, com a mesma metodologia, avaliaram
idosos de uma instituição de longa permanência para idosos – ILPI quando
constataram expressivo grau de edentulismo, foi despertado o interesse em replicar
o estudo nos locais de atuação do PSG para fins de comparação do perfil
epidemiológico. No estudo de Gaião, 70,00% não usavam prótese dentária superior
e 81,30%, inferior, sendo a necessidade de algum tipo de prótese 84,40 e 88,70%,
superior e inferior respectivamente.
A amostra da presente pesquisa compreendeu toda a população residente na
ILPI e participante dos dois grupos de convivência, cujas características, no que se
refere ao número, gênero e média de idade no momento do exame realizado em
julho de 2008, são apresentadas na Tabela 1. Dos, 98 examinados na ILPI, 54
(55,10%) eram do sexo masculino e 44 (44,90%) do sexo feminino, com média de
idade de 71,8 anos. Os dois grupos de convivência, por serem constituídos de
idosos não institucionalizados e apresentarem condições semelhantes, foram
agrupados em uma única população, totalizando 125 indivíduos, com média de
idade de 69,9 anos, destes 23 (18,40%) eram do sexo masculino e 102 (81,60%) do
sexo feminino.
20
Esta pesquisa de abordagem epidemiológica do tipo transversal foi realizada
por acadêmicos, por uma mestranda e por uma docente do curso de Odontologia da
Universidade Federal do Ceará, devidamente calibrados, constou de três estudos:
do primeiro e segundo participaram os idosos institucionalizados e não
institucionalizados e do terceiro somente os institucionalizados residentes na ILPI,
que serão detalhados a seguir:
1O Estudo: Características epidemiológicas das condições de saúde bucal e do uso
e necessidade de prótese dentária em idosos institucionalizados e não
institucionalizados do município de Fortaleza-CE.
Metodologia
Estudo do tipo descritivo e transversal
•
Participaram 98 residentes da Unidade de Abrigo da Secretaria do
Trabalho e Desenvolvimento Social (UA-STDS) e 125 idosos não
institucionalizados, sendo: 67 participantes do Grupo Vida e Escuta (UFC)
e 58 do Grupo Cabelos Brancos do Dendê (UNIFOR), que foram
agrupados por terem características semelhantes.
Foram calibrados 5 examinadores e 6 anotadores. Tendo como resultado um
coeficiente Kappa de 0,89 para cárie e 0,88 para uso e necessidade de prótese.
O instrumento utilizado – ficha de exame (Anexo2) - permitiu a coleta de
dados referentes à prevalência de cárie dentária e da necessidade de tratamento e à
condição periodontal, edentulismo e alteração de tecido mole, sendo de interesse
deste estudo os fatores diretamente relacionados ao edentulismo.
21
Resultados e discussão
A severidade do edentulismo é retratada na Tabela 2, onde a média de
dentes Cariados, Perdidos e Obturados - CPOD e a parcela do componente Perdido
são ressaltadas. O CPOD médio encontrado na ILPI foi de 29,88, com predomínio
do
componente
Perdido
(93,27%),
enquanto
o
CPOD
médio
dos
não
institucionalizados foi de 30,17, ainda predominando o componente Perdido
(63,70%). Também se avaliaram o uso e a necessidade de prótese dentária dos
residentes na ILPI: 10,20% usavam prótese superior e 3,06%, inferior; 94,90%
necessitavam de prótese superior e 97,96% de inferior; a prótese total foi o tipo mais
prevalente, 88,78% para ambos os arcos.
O percentual do uso de prótese dos não institucionalizados foi 71,20% no
arco superior, onde 66,40% era prótese total; já para o arco inferior, 32,80%, das
quais 31,20% era prótese total. Para o item necessidade de prótese, encontraram-se
os percentuais de 67,20% no arco superior e 78,40% no inferior, sendo 56,00%
prótese total superior e 53,60% inferior. Procedeu-se a uma análise comparativa aos
estudos do SB Brasil3 e SB Ceará7 utilizando o teste Qui-quadrado..
2o Estudo: Autopercepção em saúde bucal de idosos institucionalizados e não
institucionalizados
Investigou-se a autopercepção em saúde bucal desses idosos, considerando
que a condição de saúde autorreferida pode divergir da situação real diagnosticada
pelo profissional de saúde, estando essa diretamente relacionada à satisfação social
e existencial, dentre outras condições de vida do protagonista.
22
Essa linha concorda com Bortoli et al10 que preconizam a necessidade de se
buscar uma Odontologia que não valorize somente a utilização de recursos clínicos
para o diagnóstico das condições de saúde bucal, mas que também leve em
consideração a forma como a população percebe essa sua condição; pois, a opinião
do próprio protagonista é de fundamental importância para que se possa
compreender se ele a relaciona com a sua aparência, suas atitudes, redes sociais e
familiares.11
Metodologia
Para avaliar a Autopercepção, utilizou-se o mesmo instrumento de coleta
adotado no SB Brasil3 e SB Ceará7, composto por 6 questões (Anexo 3).
Resultados e discussão
O estudo de Costa et al12, realizado em uma ILPI e em um grupo de
convivência em
Fortaleza - CE, mostrou que, apesar de a maioria dos idosos
(84,4%) acreditar que sua saúde geral está razoável ou excelente, a autopercepção
avaliada pelo GOHAI acerca da saúde bucal foi muito negativa nos dois grupos
pesquisados.
No presente estudo, as condições subjetivas relacionadas à saúde bucal
também se mantiveram associadas à autopercepção positiva entre idosos dos
Grupos de Convivência, uma vez que 49,00% classificaram como boa sua saúde
bucal; 60,80%, a aparência de dentes e gengivas; 50,00%, a mastigação; e 59,80%
a fala devido a dentes e gengivas. 58,80% consideraram que o relacionamento
23
social não é afetado pelas condições de saúde bucal; e 76,50% relataram não ter
sofrido qualquer dor nos últimos seis meses.
3o Estudo: Avaliação do perfil cognitivo de idosos institucionalizados de Fortaleza–
CE
A equipe do PSG realizou o tratamento odontológico dos idosos do
CEDEFAM/UFC na própria clínica do Centro, sob a supervisão dos cirurgiõesdentistas, funcionários da UFC e voluntários no PSG; enquanto, o tratamento na ILPI
foi realizado no consultório odontológico existente na Unidade, sob a supervisão de
uma dentista contratada pela STDS.
Após o levantamento epidemiológico, confirmando o elevado grau de
edentulismo, comprovou-se a importância de reabilitar proteticamente esses
longevos. Porém, durante a fase do tratamento dentário, alguns idosos da ILPI
recusaram o atendimento. Diante desta problemática, optou-se por realizar um teste
de avaliação cognitiva antes da reabilitação oral, com a finalidade de identificar os
aptos a usarem a prótese e a promoverem um autocuidado eficiente.
Considera-se que residentes de ILPI geralmente estão em pior situação
cognitiva dos que vivem em ambiente familiar, pois, às alterações orgânicas
inerentes ao envelhecimento, somam-se abusos, condições sociais precárias e o
abandono pelos quais passaram no decorrer da vida.
Diante da escassez de dados epidemiológicos que correlacionem o
comprometimento mental de idosos à condição de usar prótese dentária e de
realizar o autocuidado em saúde bucal, o presente trabalho pretendeu rastrear o
24
estado cognitivo de residentes em uma ILPI e avaliar o comportamento desses
residentes no processo de reabilitação oral.
Metodologia
Para avaliar o estado cognitivo, o teste mais utilizado é o Miniexame do
Estado Mental - MEEM13, que se caracteriza como uma escala simples e de fácil
aplicação, contendo questões elencadas em sete categorias (orientação temporal,
orientação espacial, memória imediata, atenção e cálculo, memória de evocação,
capacidade construtiva visual e linguagem), com escores variando de 0 a 30 pontos.
Foi aplicado de forma individual e em local reservado na própria ILPI, com a duração
máxima de 10 minutos, utilizando um grupo de 51 idosos, de uma população-alvo de
78 pessoas, com idade média de 67,3 anos, sendo 60,8% do sexo masculino e
39,2%, do sexo feminino. A soma dos escores do MEEM variou de 2 a 27.
Nesta pesquisa, devido ao baixo nível de escolaridade dos participantes,
houve uma menor pontuação na categoria atenção e cálculo, bem como no item
referente à escrita de uma frase na categoria linguagem, confirmando a dificuldade
apresentada na resolução de questões mais complexas. Como solução, reduziu-se o
ponto de corte para o escore ≤12, uma adaptação para a realidade local, conforme
os estudos de Bertolucci et al13 e de Ramos et al, estes pela Sociedade Brasileira de
Medicina de Família e Comunidade14, que utilizaram ponto de corte menor do que 13
para idosos analfabetos.
25
Resultados e discussão
Como resultado do MEEM, observou-se deterioração cognitiva (escore ≤ 12)
em 37,25% dos entrevistados, e um declínio cognitivo com o avançar da idade,
concluindo-se que 62,75% mantinham a cognição preservada (obtiveram escores
variando de 13 a 27) e estariam aptos ao uso e ao autocuidado da higiene bucal e
próteses dentárias.
Mesmo com a implementação da Política Nacional de Saúde Bucal Brasil
Sorridente, foram buscadas, sem sucesso, verbas para o financiamento da
reabilitação oral dos idosos da ILPI. Somente em 2009, após um ano da realização
do MEEM, foi possível reabilitar 17 idosos por meio das parcerias com a Fundação
Internacional Rotária e com o Juizado Especial Cível e Criminal/Comarca de
Fortaleza, CE e contando com a grande colaboração de um cirurgião-dentista
voluntário, funcionário da UFC, que foi auxiliado por acadêmicos da mesma
instituição, integrantes do PSG, por sua coordenadora e com apoio da cirurgiãdentista da ILPI.
A WHO15 considera que a qualidade de vida deve ser avaliada a partir de
vários critérios levando-se em consideração não apenas a saúde física, mas ainda o
estado psicológico, o nível de independência, os relacionamentos sociais, os fatores
do meio ambiente e as crenças pessoais. Nessa direção, os dados clínicos do
estudo sugerem que a qualidade de vida de grande parte dos participantes do
estudo estava comprometida de alguma maneira pelas condições bucais e suas
sequelas.
26
Considerações finais
As condições de saúde bucal encontradas no estudo revelam um elevado
grau de perda dentária, constatado pelo percentual de componentes perdidos no
CPO-D, pelo grande número de sextantes excluídos no CPI e pela alta taxa de
edentulismo, o que reflete uma história de tratamento mutilador e de dificuldade de
acesso aos serviços odontológicos.
Os resultados dessa pesquisa estão sendo utilizados para orientação do
planejamento de um programa de reabilitação oral destinado aos seus participantes,
a ser desenvolvido em parceria com o SUS e com outras instituições,
caracterizando-se como uma pesquisa aplicada.
Após a defesa, com os argumentos da tese do doutorado, pretende-se
solicitar verba do SUS para a reabilitação dos 125 idosos pertencentes aos dois
grupos de convivência, como se fora um “Piloto” para o estado do Ceará, tendo
como exemplo a experiência do PSG no resgate da autoestima, após a reabilitação
oral desse público.
A passividade diante do cotidiano, a presente falta de estímulo, a recusa ao
tratamento e a transformação anatômica das estruturas bucais - condições do
rebordo alveolar com mucosas e gengivas flácidas - decorrente do envelhecimento,
dificultaram a reabilitação oral pretendida. Nem todos os idosos da ILPI se
adaptaram ao uso da prótese, embora fossem constantemente orientados sobre a
higiene e a utilização; possivelmente, pela situação de demência agravada. Com
27
pretensões de fazer uma nova avaliação do MEEM, solicitou-se ao Médico
Psiquiatra da Unidade uma avaliação individual dos 17 idosos reabilitados, uma vez
que a ILPI não possui prontuário evolutivo dos seus residentes.
Espera-se que este estudo desperte os responsáveis pelas Políticas de
Saúde Bucal para a necessidade de uma efetiva avaliação cognitiva da população
idosa, que antecedesse a reabilitação oral, assim como para o posterior
monitoramento da mastigação, deglutição e da fala e o treinamento da habilidade
para o autocuidado. Isso, decerto, contribuirá para o sucesso da adaptação protética
e a redução de custos financeiros nos programas de promoção de saúde bucal
desse segmento populacional.
No tocante à humanização na atenção ao paciente idoso, sugere-se que,
mesmo que este apresente deterioração cognitiva, caso necessite ou deseje possuir
uma prótese, seja dada a ele oportunidade de satisfazer a sua vontade.
28
3 ARTIGOS
ARTIGO 1 - Self-Perception of Oral Health in Older Adults: An Important Input Into Public
Policy-Making
Obs: Aceito e no prelo. Será publicado na próxima edição do JOURNAL OF
AMERICAN GERIATRICS SOCIETY – JGS – Manuscript nº 3582 - 2011
(Qualis A1 – Medicina II)
29
30
31
ARTIGO 2 - Em fase de revisão. Será submetido ao THE JOURNALS OF
GERONTOLOGY (Qualis A1 – Medicina II)
ORAL HEALTH AND SELF-PERCEPTION IN THE ELDERLY: ACTUAL
RESULTS AND DIVERGENT RELATIONSHIPS
Walda Viana Brígido de Moura;1 Íris do Céu Clara Costa2
Federal University of Ceará, Brazil1 and Federal University of Rio Grande do Norte2
Address correspondence to Walda Viana Brígido de Moura, Rua Dra Socorro
Azevedo, nº: 490, Fortaleza, Ceará State, Brazil, 60.810-400. Email:
[email protected]. Telephone number: 55 85 3099 0232 - 55 85 8674
4666.
ABSTRACT
Objective: To investigate self-perception of oral health among the elderly as an input
to local public health policy making. Methods: The present study assessed the oral
health status (tooth decay, need for treatment, periodontal status, use of and need
for dental prosthesis, soft tissue alterations and self-perception of oral health) of 102
seniors from two community groups in Fortaleza, Ceará (Northeastern Brazil).
Results: The mean age was 69.9 years; 82.4% were female. The mean DMFT was
30.17 with predominance of the component “missing teeth”; 63.7% were edentulous.
Regarding prosthesis, 29.4% and 67.6% used no upper and lower dentures,
respectively, while 66.7% and 78.4% required some type of upper and lower
prosthesis, respectively. Among the valid sextants, 44.3% presented dental calculus
and 34.3% presented 6-8 mm loss of attachment. Soft tissue changes were found in
58.8%. Despite poor clinical condition and need for dental treatment, the overall oral
health self-perception was good (49%), with a considerable level of satisfaction with
the appearance of teeth and gums (60.8%). Conclusion: The seniors in the study
displayed poor oral health conditions, accumulated over time and resulting from the
lack of policies favoring this age group, and an urgent need for oral rehabilitation
capable of recovering functionality and esthetics, restoring self-esteem and improving
social interaction.
Key words: Elderly; epidemiology; oral health; self-image.
Introduction
The proportion of elderly people has grown substantially in relation to other
age groups1. This can be attributed to demographic transition resulting from
technological advances and improved standards of living, as well as a significant
decrease in birth and child mortality rates, and deaths from infectious diseases. Of
32
the various health aspects among the aged, oral health requires more care, because
historically, dental services do not prioritize elderly care and because of its
importance to general well being2.
The legacy of a care model centered on curative and invasive practices has
resulted in a precarious reality of missing teeth, accumulated treatment needs and a
substantial demand for rehabilitative care3. Oral health among elderly Brazilians is
currently at a critical level. In 2003, only 10% had more than 20 of their own teeth4, a
much lower percentage than that proposed by the World Health Organization
(WHO)5, which recommended that 50% of the elderly population should have more
than 20 teeth in their mouths by the year 2000.
In accordance to the First National Oral Health Conference (I Conferência
Nacional de Saúde Bucal), the expression “oral health” relates to a set of biological
and psychological conditions that allow phonetic and masticatory functions to be
performed. It is also associated to esthetics as it directly impacts self-esteem and
social relationships without feelings of inhibition or embarrassment6.
Self-perception in oral health includes physical and subjective elements
related to the mouth and it is influenced by social and economic factors, as well as
the age, gender, and social class of individuals7,8. Thus, health evaluations made by
patients may differ from those performed by professionals since concepts of health
and disease outside of scientific knowledge, are determined exclusively by cultural
values9.
Investigating self-perception of oral health among the aged may contribute
towards changing public health and assistance policies in the area. It can also enable
33
a more effective approach by healthcare professionals, incorporating educational
self-care measures and preventive, rehabilitative and curative care8,10.
This study aimed to assess, taking into consideration the socio-demographic
and socioeconomic aspects, the oral health and the self-perception of 102 elderly
participants from two community groups (CG) in Fortaleza, a state capital in
Northeastern Brazil.
Methods
In this cross-sectional study, an established number of individuals are directly
observed in a single encounter through analysis of each case and application of an
easy-to-use and low cost questionnaire. Data collection was carried out between
August 2009 and March 2010.
The present study was conducted with 50 elderly members of a CG affiliated
to Federal University of Ceará (CG1), located on the outskirts of the city of Fortaleza,
Ceará State, Brazil. An additional 52 subjects were participants of a CG based at the
University of Fortaleza (CG2).
We evaluated a total of 102 subjects, aged 60 years or older, of any gender,
both independent and partially dependent according to classifications of the
Fédération Dentaire Internationale11. All participants were required to be members of
one of the two previously mentioned CG, be present for the assessment and capable
of undergoing examination. Individuals under 60 and those unable to submit to
clinical evaluation were excluded.
Clinical analysis of oral health status was carried out based on the SB Brazil
Project12 undertaken by the Brazilian Ministry of Health, which was similar to WHO
34
standards. The DMFT index was applied (mean of decayed, missing and filled teeth)
to investigate the need for treatment. Periodontal condition was assessed by Loss of
Attachment Index (LA) and Community Periodontal Index (CPI). The use and need of
total, fixed and/or removable dentures and prevalence of soft tissue alterations was
also assessed.
Data was gathered by the researchers through application of a survey
containing questions on socio-demographic variables, either at the homes of
participants or at the CG meetings. For socioeconomic classification, we adopted the
new Standard Criteria of Economical Classification Brazil/2008 (Brazilian Association
of Market Research Institutes)13. Concerning self-perception of oral health, questions
were compiled using the national epidemiological oral health survey - SB Brazil4,12.
Calibration of the research team occurred prior to data collection. Inter-rater
error was measured by Kappa concordance statistical analysis14, resulting in values
of 0.89 for decay, 0.67 for CPI, 0.74 for LA, 0.88 for denture use and 0.86 in the need
of prosthesis. Concordance percentages were determined as 93.1% (decay), 79%
(CPI), 83% (LA), 96% (use) and 86.8% (need). These were considered as optimal,
moderate, good, excellent and very good, respectively15.
Oral examinations were performed in a large, naturally lit area. Elderly
subjects were seated with their heads resting backwards and the examiner standing
in front of them. Sterilized material was used, consisting of a flat dental mirror,
periodontal probe (WHO standard) and dental tweezers, as well as wooden spatulas,
gloves, caps and disposable masks.
To comparethe proportions employed the chi-square was statiscally significant
at p<0,05.
35
Charts were analyzed and data processed using Statistical Package for Social
Science 16.0 software, with a 5% margin of error or significance level applied in
statistical tests. All data obtained in the present study require reflexive analysis on
the issue in question, supported by the literature on this topic.
The study was approved by the Ethical Review Board of the Federal University
of Ceará. Only participants who signed informed written consent were examined. In
the case of illiterate participants or those unable to sign, the terms were read in the
presence of a witness and a right index fingerprint was taken.
Results
Of the 102 elderly subjects examined, 50 (49%) belonged to CG1 and 52
(51%) to CG2. The mean age was 69.9 years (range: 60-86). The predominant age
range was 60-65 years (30.4%). Eighty-four (82.4%) were women and 18 (17.6%)
were men. Forty-two subjects (41.2%) were widows/widowers. The overall level of
schooling was poor: 36 subjects (35.3%) considered themselves illiterate and only
one reported having a university degree.
According to the Brazilian Standard Criteria of Economical Classification for
2008 (13), 61.8% of the subjects were classified as “D” (maximum monthly income:
~USD 280). When questioned about their place of residence, 82.4% reported to be
home owners.
Only 11 subjects (10.8%) were smokers. Of these, most smoked cigarettes
(9.8%) four or more times a day (6.9%). Ninety-nine subjects (97.1%) reported they
did not consume alcohol. Edentulism was observed in 65 subjects (63.7%). A total of
69 presented a mean DMFT of 32, meaning they had not a single healthy tooth.
36
Altogether, the subjects had lost 2,964 (90.8%) of the original 3,264 teeth,
leaving only 300 (9.2%). Of these, 187 (62.3%) were healthy, 10 (3.3%) were filled
and 103 (34.4%) decayed. The mean DMFT index was as high as 30.17, with
predominance of the component “missing teeth” (29.06). The average number of
remaining teeth was 2.94 per person, with healthy teeth as the most prevalent(1.83).
Subjects with at least one tooth (n=37; 36.27%) required some type of
treatment. Forty-nine (46.6%) of these teeth needed restoration on one surface, 17
(16.2%) on two or more surfaces, while 34 (32.4%) required extraction, and 5 (4.8%)
pulp treatment. No crowns, veneers, sealants or remineralization of white spot
lesions were needed.
Thirty-six individuals had 270 (90%) teeth with exposed roots, of which 47
(17.41%) were decayed or filled and 223 (82.59%) were healthy.
With respect to use of total or removable dentures, 30 (29.4%) subjects did not
wear upper dentures, 69 (67.6%) did not wear lower dentures. However, 68 (66.7%)
needed some type of upper prosthesis while 80 (78.4%) required lower prosthesis
(Table 1)
The upper arch showed a higher percentage of dental prosthesis (70.6%), the
time when not using the lower predominated (67.6%). Featuring a statistically
significant difference between the percentages of 29.85, p<0.001.
Concerning the need for prosthesis of the χ2 value was 3.54 for p<0.06, it was
observed that there is no significant association between the arcs, and the difference
between the percentage of those who do not need for prosthesis they need, is
minimal.
37
Periodontal status was evaluated in only 70 (11.44%) sextants of 30
individuals. The remaining 542 sextants (88.5%) were excluded for containing less
than two teeth. According to Community Periodontal Index (CPI), just 5 (7.14%)
sextants were healthy. Dental calculus was the most frequently observed problem
(n=31; 44.29%). Shallow periodontal pockets (4-5 mm) were observed in 18
(25.71%) sextants. Gingival bleeding after probing and deep pockets (≥6 mm) were
less common. Loss of Attachment Index (LA) ranging from 6 to 8 mm predominated
and was found in 24 (34.8%) sextants. LA ≥12mm was observed in only one sextant.
Soft tissue changes were detected in 60 (58.8%) subjects.
Of the 102 individuals submitted to clinical examination and responding to the
survey on self-perception, 2 (2%) rated their oral health as “terrible”, 20 (19.6%) as
“bad”, 16 (15.7%) as “normal”, 50 (49%) as “good” and 9 (8.8%) as “excellent”.
The subjective health-related conditions that remained associated with positive
oral health included reports of no pain over the preceding six months (n=78; 76.5%),
positive assessment of, respectively, chewing (n=51; 50%), speech (n=61; 59.8%)
and appearance of teeth and gums (n=62; 60.8%), and social life not affected by oral
health status (n=60; 58.8%).
Discussion
Our results are restricted to subjects from the two participating community
groups and may not be generalized to represent the entire population of Fortaleza
(Ceará, Brazil).
The demographic characteristics of the seniors in our sample match those
reported by Borges et al. (16), with a predominance of women and widows. The
38
dominant age range (60-65 y; 30.4%) and low level of schooling are similar to the
findings of Bulgarelli et al. (17).
The socioeconomic profile of the two groups was determined using the new
Brazilian Standard Criteria of Economic Classification for 2008 (13), a scale based on
the material assets and level of schooling of the head of the family. More than half
the subjects (61.8%) were classified as “D”, followed by “C2” (25.5%), “E” (6.9%),
“C1” (3.9%) and “B1” and “B2” (1% for both). Unfortunately, our findings for economic
classification cannot be directly compared to older studies evaluating the same
population due to differences in classification criteria (13).
Overall, our indicators yielded results similar to those of other authors (18,19),
showing a very high DMFT, a high percentage of edentulous subjects and few teeth
per individual. In all the studies, women were predominant in the sample, and the
mean age was over 60 years.
The present study found a higher DMFT (30.17) than that found in 2003 in the
national survey (SB Brazil) (4). The latter examined 5,349 elderly individuals between
65 and 74 years old and established a DMFT of 27.8. However, although the
subjects in our sample were aged 60-86 years, the mean age was only 69.9 years,
making our findings for DMFT comparable to those of the national survey. In both
studies the component “missing teeth” was the largest index value: 92.9% in SB
Brazil and 90.8% in CG1 and CG2. SB Ceará (15), conducted in the state of Ceará
using similar methodology, evaluated 621 elderly participants and found a DMFT of
28.35, likewise with predominance of the component “missing teeth” (27.01).
Prevalence of edentulism reached 63.7%, similar to research carried out in
Botucatu, São Paulo State21. When compared to international results, the value is
39
even higher number. In a study of 301 elderly individuals in Lithuania22, only 11% of
the sample was completely edentulous, with a mean DMFT of 21.7. In another study
in the Chinese province of Guangdong23, a DMFT of 14.7 was found among elderly
urban inhabitants. In 2004, an investigation in an urban colony of India24 assessed
1,240 elderly inhabitants. Of these, only 188 were entirely edentulous.
When comparing the data obtained with the oral health status of the
institutionalized aged in Brazil, we found that studies in Goiânia, Goiás State10 and
Fortaleza, Ceará State, Brazil19 produced DMFT of 30.2 and 29.7, respectively. The
missing component was the largest contributor to these high indices. Despite
confirming that the institutionalized elderly exhibit greater chances of edentulism, this
data indicate similar oral health status in the sample. This demonstrates that
institutionalization is not a causal factor in the deterioration of oral health in this
group25.
In 2007, Martins et al3 found low demand for dental services in both elderly
dentate and edentulous individuals. Absence of pain was determined as the main
reason for lack of routine use in both groups. This confirms that, as well as an
accumulation in demand over a lifetime, the need for these services only occurs in
critical situations.
In the present study, 90% of teeth exhibited exposed root surfaces due to
gingival recession. This produces an area of accumulated plaque and consequently,
greater risk of developing caries. However, a substantial majority of exposed roots
were healthy (82.6%), in accordance with studies conducted in retirement homes26.
40
From the 105 teeth present, 46.6% required dental surface restoration. This
differs from numbers found in other studies19,27, where the predominant treatment
need was dental extraction followed by surface restoration.
Similarly to other Brazilian studies, edentulism was prevalent in both the upper
and lower jaw18,26. Denture usage was greater in the upper than the lower arch as
established in the Brazilian Northeast4 and in Ceará State20 epidemiological surveys.
The identified need for prosthesis was in accordance to the findings in SB
Ceará20 where the percentage of individuals needing any type of upper denture was
lower than that of lower dentures. However, values differed from those observed in
the Brazilian Northeast4 when investigating only the need for complete dentures. The
sample exhibited a larger percentage (54.9%) for the upper arch and slightly smaller
(52.9%) for the lower arch.
The percentage of invalid sextants was high (88.56%) due to the significant
number of edentulous individuals, in correlation with other reported data (11,19). This
indicates possible service failures for this age group, as well as predominant
mutilating dental care6.
A greater percentage of the aged displayed LA of 6 to 8mm (60%), similar to
findings in institutionalized elderly in Belo Horizonte, Minas Gerais State16, remaining
teeth suffered severe periodontal damage. This scenario, associated with lack of care
and access to dental services, implies a prognosis of dental extraction.
Soft tissue alteration (present or absent)14 was diagnosed in 58.8% of the
elderly individuals examined, higher than that found in Goiânia, Goiás State10
(13.49%). Surveys conducted in 20034 and 200420 although including this type of
evaluation, did not present results, thereby making comparative analysis unfeasible.
41
In spite of the precarious clinical oral health conditions of CG members, selfperception seems incompatible since edentulism affected more than half the sample
and even the teeth present needed some type of treatment. Other national studies7,16
also showed predominance of positive oral health perception.
Silva et al8 assessed self-perception of oral health using the Geriatric Oral
Health Assessment Index (GOHAI), which evaluates the impact of oral disease on
the aged. Satisfactory oral health perception contrasted with clinical conditions, which
were characterized by high edentulism rates.
The present study found the same pattern of factual results and divergent selfperceptions in regard to the appearance of teeth and gums. Although 63.7% of
elderly individuals were completely edentulous, 60.8% rated this element as good.
Other studies6,8,27 also report this same divergence between dental status and selfperception of oral health. This suggests that the elderly may not view edentulism as a
problem.
Additionally, it is important to note that individuals in this study reported
satisfaction with their phonation, as did subjects between 65 and 74 examined in SB
Brazil4 and SB Ceará20. Speech was classified as good due to teeth and gums for
59.8%, 53.64% and 49.34%, respectively.
Most elderly people do not consider that missing teeth compromise chewing,
as 50% rated it as good. Reduced masticatory capacity does not seem to be felt by
the elderly, owing to diet adaptations and denture use, even though this condition
does not permit adequate chewing. This phenomenon was reported as a deficiency
by some individuals who underwent prosthetic oral rehabilitation26.
42
The influence of oral status on social relationships was confirmed by 39.2% of
elderly people. Moreira, Nico and Sousa21 analyzed factors associated to subjective
dental treatment needs and found that those reporting this aspect showed greater
frequency of perceived need for restorative or rehabilitative procedures.
Of the total sample, 76.5% stated they felt no pain in their teeth in the
preceding 6 months. Martins, Barreto and Pordeus28 assessed 2,928 aged subjects
and found that self-evaluation of treatment needs was higher among those with pain
in the 6 months preceding the study. A frequent positive association was reported
between pain and self-perception of treatment needs, confirming a demand for dental
services only in critical situations3.
There are a growing number of studies involving self-perception of oral health,
particularly regarding tooth loss and its associated psychological, social and
functional aspects. Regular dental treatment and collective health promotion would
likely maintain the elderly population informed and provide sufficient knowledge for a
real evaluation of their treatment needs, influencing their behavior in relation to
quality of life.
It is important to emphasize the significance of epidemiology as an essential
tool in the planning and application of preventive, curative, educational and
rehabilitative measures, as well as in guiding public policy. This benefits chewing,
phonation, swallowing and esthetics among the aged, thereby favoring improved
health and quality of life.
Both the clinical and self-reported epidemiological data obtained in the
population studies mentioned should be taken into account for effective organization
of oral healthcare in the National Health System29.
43
In 2004, the Ministry of Health and the National Oral Health Coordination
published the “National Oral Health Policy Guidelines”. This produced wide-ranging
discussions with State oral health coordinators, proposals in congresses, dental and
collective health meetings, as well as deliberations in National Health Conferences
and the First and Second National Oral Health Conferences. The aim was to
reorganize oral healthcare at all levels30.
In this context, based on the National Oral Health Policy, the Ministry of Health
launched the “Smiling Brazil” Program31 in order to offer appropriate dental care to all
Brazilians dependent on public healthcare. The aim was to guarantee and expand
dental assistance to the elderly, minimizing service barriers for this sector of the
population. Through the combination of several oral health measures such as
prevention, diagnosis, treatment and rehabilitation, this program reorganizes the
reference and cross-reference system, expanding basic and specialized care, as well
as the number of Family Health Strategy teams.
According to Ministry of Health data, the “Smiling Brazil” Program31 increased
the population treated by 250% between 2002 and 2009, significantly improving oral
health conditions. The program also extended Regional Dental Prosthesis
Laboratories, aiming to rehabilitate this dentally challenged population through
opportunities and encouraging prospects of an effectively more radiant Brazil.
Elderly subjects from both CG, located on the outskirts of Fortaleza, Ceará
State, Brazil, reported positive self-evaluations of their oral health, despite
unsatisfactory clinical conditions (high DMFT, with greater participation of the missing
component; need for some type of dental intervention in all remaining teeth;
periodontal disease, presenting calculus, periodontal pockets and a significant
prevalence of invalid sextants due to high edentulism rates). These findings reflect
44
the need for implementation of rehabilitative oral health policies focusing on the
elderly and based on the perspective of integrality as the primary doctrine in the
National Health System. This would result in better quality of life, not only because of
improved chewing, digestion and greater appreciation of food, but also in favoring the
socialization and self-esteem of these individuals
Acknowledgements
These authors are grateful to the participants of Grey Smile Project (Projeto
Sorriso Grisalho) from the Federal University of Ceara, to the ederly, their
companions and caregivers, as well as the coordinators of the two community
groups. We would also like to thank Prof. Dr. Léa Maria Bezerra da Menezes for her
relevant contribution in the critical revision of intellectual content and continued
support of the project.
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em www.saude.gov.br. Acesso: 12 ab., 2011.
47
TABLE
Table 1 – Frequency distribution of denture use and needs in the upper and
lower arch of 102 elderly individuals aged 60 or older, from two community
groups Fortaleza-Ceara State, 2011
DENTURE USE AND NEEDS
Use
Those that do not wear
dentures
Denture users
Lower Arch
n
%
χ2
30
29.4
69
67;6
72
70.6
33
32.4
34
68
p
29,85 < 0,001
3,54
Need
No need
Existing need
Upper Arch
n
%
33.3
66.7
22
80
21.6
78.4
0,06
48
ARTIGO 3
Artigo científico apresentado e aprovado no Exame de Qualificação para Doutorado
em Ciências da Saúde, realizado em 30 de junho de 2011. Em fase de revisão.
Será submetido ao INTERNATIONAL
(Qualis A1 – Medicina II)
JOURNAL
OF
EPIDEMIOLOGY.
USO E NECESSIDADE DE PRÓTESE DENTÁRIA EM IDOSOS
INSTITUCIONALIZADOS E PARTICIPANTES DE GRUPOS DE CONVIVÊNCIA
Autores
Walda Viana Brígido de Moura1
1
Professora do Curso de Odontologia da Universidade Federal do Ceará (UFC).
1
Doutoranda em Ciências da Saúde pela Universidade Federal do Rio Grande do
Norte (UFRN).
1
Mestre em Odontologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte
(UFRN).
Endereço: Rua Doutora Socorro Azevedo, 490; Bairro: Luciano Cavalcante
CEP: 60810-400 Fortaleza, Ceará, Brasil.
Telefone: (85)3099 0232 / (85)8674 4666
e-mail: [email protected] / [email protected]
Iris do Céu Clara Costa2
Professora do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Universidade
Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
2
Pós-Doutora em Psicologia Social pela Universidade Aberta de Lisboa.
2
Doutora em Odontologia Preventiva e Social pela Faculdade de Odontologia de
Araçatuba da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP).
2
RESUMO
Objetivo: O presente estudo teve como objetivo analisar as características
epidemiológicas das condições de saúde bucal pelo uso e necessidade de prótese
dentária em 98 idosos institucionalizados e 125 não institucionalizados no município
de Fortaleza,Ceará, Brasil. Métodos: A coleta de dados foi realizada por cinco
examinadores, devidamente calibrados, utilizando-se técnica recomendada pela
OMS (1997) para esse tipo de estudo. Resultados: Dos 98 idosos da ILPI
examinados, 89,80% não usavam prótese superior e 96,94% inferior. Referente à
necessidade de prótese, 94,90% foi superior e 97,96% inferior. O uso de prótese
total foi o tipo mais prevalente, sendo 88,78% para ambos os arcos. Quanto ao uso
de prótese dos 125 idosos não institucionalizados, 71,20% foi no arco superior,
sendo 66,40% prótese total, e 32,80% inferior, destas 31,20% prótese total.
Relacionado à necessidade, 67,20% era no arco superior e 78,40% inferior, sendo
56,00% prótese total superior e 53,60% inferior. No presente estudo, tanto para uso
quanto para necessidade, considerando ambos os arcos, a diferença entre os idosos
institucionalizados e não institucionalizados foi estatisticamente significativa pelo
49
teste Qui – quadrado (p<0,001). Conclusões: Constatou-se maior percentual de uso
de prótese total no arco superior. Observou-se maior freqüência quanto à ausência
de próteses de qualquer tipo no arco inferior e que a necessidade de prótese era
superior ao uso em ambos os grupos. Evidenciou-se, que os idosos pesquisados
foram submetidos a tratamento mutilador e, como conseqüência, necessitam de
Reabilitação Oral, o que pressupõe a necessidade de políticas públicas para que
isso ocorra efetivamente.
Palavras-chaves (DECS): Epidemiologia, Prótese Dentária, Saúde bucal, Idoso.
ABSTRACT
Objective: To analyze the epidemiological characteristics of oral health based on the
use and need of dental prosthesis among 98 institutionalized and 125 noninstitutionalized seniors in Fortaleza (Ceara, Brazil). Methods: The data were
collected by five researchers, following WHO recommendations (1993). Results:
Among the 98 institutionalized seniors, 89.80% used no upper prosthesis and
96.94% used no lower prosthesis; the need for prosthesis was 94.90% and 97.96%,
respectively. Total prostheses were the most prevalent (88.78%). The corresponding
figures for the 125 non-institutionalized seniors were 71.20% upper prosthesis,
66.40% of which were total, and 32.80% lower prosthesis, 31.20% of which were
total. The need for upper and lower prosthesis was, respectively, 67.20% (56.00% of
which total) and 78.40% (53.60% of which total). The results of the Chi-square test
revealed a significant difference between institutionalized and non-institutionalized
seniors when considering the use and need of prosthesis in both arches (p<0.001).
Conclusions: In the upper arch, the use of total prosthesis was predominant.
Absence of prosthesis or any type was most frequent in the lower arch. In both
groups, the need was greater than the use of prosthesis. The subjects were found to
have been submitted to mutilating dental procedures and, consequently, to be in
need of oral rehabilitation. It is hoped that these findings will serve as input into public
health policy making.
Key words: aged; dental prosthesis; epidemiology; oral health.
Agradecimentos
Os autores manifestam sua gratidão, aos participantes do Projeto Sorriso Grisalho,
da Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal do Ceará, aos idosos, seus
acompanhantes e cuidadores, bem como a diretora da ILPI e as coordenadoras dos
dois grupos de convivência participantes desta pesquisa. Agradecem, também, à
Profa Thereza Maria Magalhães Moreira, pelos ensinamentos e relevante
contribuição no desenvolvimento deste artigo.
50
Introdução
O envelhecimento populacional é um fenômeno evidente, observado
mundialmente. Estudos sugerem que, devido aos avanços tecnológicos relacionados
à saúde, ao meio ambiente e ao maior acesso aos serviços de saúde, houve
redução da mortalidade infantil e ampliação da expectativa de vida. Porém, a
realidade brasileira apresentada pelos levantamentos epidemiológicos de saúde
bucal do Ministério da Saúde1 revela alta prevalência de edentulismo na população
idosa. Essa precariedade acentuou-se, uma vez que no decorrer da existência
desses idosos, a prioridade da promoção e assistência a saúde centrava-se na
infância, restando aos demais uma prática mutiladora e emergencial, repercutindo no
comprometimento de sua saúde bucal e sistêmica.
O edentulismo, de um modo geral encarado pela sociedade como uma perda
natural dos dentes ocasionada pelo envelhecimento, afeta diretamente o
componente psicossocial do longevo, além de interferir no estado nutricional, pela
dificuldade em mastigar e cortar os alimentos, na fala, na estética e nas relações
interpessoais.
À luz do conceito que define ser a saúde bucal um conjunto de condições
objetivas (biológicas) e subjetivas (psicológicas) que possibilita ao ser humano
exercer funções como mastigação, deglutição, fonação e também, tendo em vista a
dimensão estética inerente à região anatômica, exercitar a auto-estima e relacionarse socialmente sem inibição ou constrangimento2, compreende-se que a
necessidade de atenção à saúde de idosos constitui-se um dos maiores desafios da
saúde pública contemporânea.
51
Poucos são os estudos na literatura relacionados à saúde bucal de idosos
institucionalizados no Nordeste do Brasil. Essa lacuna é ainda mais significativa em
análises comparativas entre idosos institucionalizados e não-institucionalizados.
O interesse pelo presente estudo surgiu durante o desenvolvimento das
ações de um projeto de extensão denominado Projeto Sorriso Grisalho - PSG, do
Departamento de Clínica Odontológica da Universidade Federal do Ceará - UFC,
quando seus integrantes perceberam um alto grau de edentulismo nessa população,
complementada pela experiência do PSG, priorizando a saúde bucal, onde
proporcionou uma significativa elevação da auto-estima e uma melhoria da
qualidade de vida de alguns idosos participantes de um grupo de convivência. Estes
passaram a valorizar o seu próprio corpo, em especial a boca, após sua reabilitação
protética, tornando-se mais participativos nos grupos, na família e na sociedade,
corroborando com a opinião de estudiosos que compreendem ser a qualidade de
vida eminentemente humana e estar diretamente relacionada ao grau de satisfação
encontrado na vida familiar, amorosa, social e ambiental e à própria estética3.
A inquietação com a situação encontrada e diante da implantação do
Programa Brasil Sorridente, como prioridade nas políticas públicas de saúde bucal,
pautadas nas Diretrizes da Política Nacional de Saúde Bucal4 cujo documento
orienta a organização da atenção à saúde bucal no âmbito do Sistema Único de
Saúde - SUS, incluindo em suas ações a reabilitação oral com implantação de
Centros de Especialidades Odontológicas e Laboratórios Regionais de Prótese
Dentária, vislumbrou-se a possibilidade de realizar um estudo epidemiológico em
idosos de dois grupos de convivência e residentes em uma instituição de longa
permanência para idosos - ILPI, público alvo do PSG, e, posteriormente, promover a
reabilitação oral destes em parceria com o SUS.
52
O
presente
estudo
teve
como
objetivo
analisar
as
características
epidemiológicas das condições de saúde bucal pelo uso e necessidade de prótese
dentária em idosos institucionalizados e não institucionalizados no município de
Fortaleza-CE, bem como realizar uma avaliação comparativa entre estes grupos e
com os levantamentos epidemiológicos de base nacional (SB Brasil)1 e, de base
estadual (SB Ceará)5, a fim de reafirmar a necessidade de implementação de ações
de reabilitação oral por parte das políticas públicas para o idoso, contribuindo assim,
para a melhoria das condições de saúde e qualidade de vida dos longevos.
Metodologia
Realizou-se um estudo descritivo de caráter transversal em julho/2008,
optando-se por uma amostra de conveniência onde se pretendia examinar 252
idosos, público alvo da ação extensionista do PSG, sendo 102 residentes em uma
ILPI, Unidade de Abrigo da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social - UASTDS/CE e 150 participantes de dois grupos de convivência, 80 do Centro de
Desenvolvimento Familiar - CEDEFAM/UFC e 70 do Núcleo de Atenção Médica
Integrada - NAMI/Universidade de Fortaleza - UNIFOR, todos localizados em bairros
da periferia de Fortaleza, Ceará, opostos geograficamente. A amostra foi composta
por idosos com 60 anos de idade ou mais, de ambos os sexos, independentes e
parcialmente dependentes, segundo a classificação da Federação Dentária
Internacional6.
Do universo de 252 idosos com 60 anos ou mais foram examinados 223:
sendo 98 da ILPI, pois quatro residentes encontravam-se com a saúde agravada, na
enfermaria e acamados, e 125 idosos dos Grupos de Convivência, sendo 67 do
CEDEFAM/UFC e 58 do NAMI/UNIFOR, neste caso, a perda de vinte e cinco idosos
53
deveu-se ao falecimento de alguns e a outros que mudaram de endereço e não
foram encontrados.
Os critérios metodológicos para estudos comparativos adotados foram
baseados na OMS7. Utilizou-se material devidamente esterilizado, composto por
espelho bucal plano, sonda periodontal (padrão OMS) e pinça clínica, além de
espátulas de madeira, luvas, gorros e máscaras descartáveis.
O treinamento e a calibração da equipe, composta de cinco examinadores,
ocorreram em uma ILPI. A análise de concordância Kappa, segundo a OMS
7
, resultou em valores de 0,88 para uso e 0,86 para necessidade de próteses, e os
parâmetros de confiabilidade de concordância percentual obtidos nos exames
estabeleceram em 96% para uso e 91,6% para necessidade de próteses, sendo
consideradas, excelente e ótima, respectivamente8.
Os exames intrabucais foram realizados em local com iluminação natural, na
sede da ILPI, no local de reunião dos grupos ou no próprio espaço onde residiam.
Os integrantes do PSG realizaram os exames, a conferência de fichas, a
digitação e o processamento dos dados na base eletrônica construída no SB Dados,
um software de domínio público disponibilizado pelo Ministério da Saúde.
A
análise
estatística
considerou
a
comparação
entre
os
idosos
institucionalizados e não institucionalizados e também entre os resultados
encontrados para este estudo e os resultados nacionais, do SB Brasil 2003 e SB
Ceará 2004. Tendo em conta a natureza da variável relativa ao uso e necessidade
de prótese, foi utilizado o teste Qui-quadrado para verificar a associação entre estas
variáveis. O nível de significância utilizado foi de 95%.
54
Este projeto de pesquisa recebeu a aprovação do Comitê de Ética em
Pesquisa da Universidade Federal do Ceará, sob o protocolo nº 197/07. Somente os
idosos que autorizaram o exame, através de um Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido, foram examinados. No caso de idosos analfabetos ou incapacitados
para assinar, procedeu-se à leitura do termo na presença de uma testemunha, após
o que, colheu-se a sua digital. Para os residentes na ILPI, a diretora da instituição
assinou pelos idosos, dos quais é guardiã oficial, um termo de responsabilidade e de
consentimento livre e esclarecido.
Resultados
Dos idosos que residiam na ILPI (institucionalizados), 54 eram do sexo
masculino e 44 do feminino, com média de idade de 71,8 anos, enquanto os não
institucionalizados, com média de idade de 69,9 anos, 23 (18,40%) eram do sexo
masculino e 102 (81,60%) do feminino.
Os dados resultantes do estudo realizado na ILPI, idosos institucionalizados,
revelam que somente 10,20% usavam prótese dentária superior e 3,06% inferior e
que o tipo mais frequente era a prótese total, 7,14% no arco superior e 3,06% no
inferior. Constatou-se um elevado percentual de indivíduos que necessitavam de
prótese dentária, 94,90% superior e 97,96% inferior. A prótese total foi o tipo mais
evidente, 88,78% para ambos os arcos.
A realidade encontrada nos idosos não institucionalizados, participantes desta
pesquisa, retrata que 71,20% usavam prótese dentária superior, sendo 66,40%
prótese total, e 32,80% usavam prótese inferior, destas 31,20% prótese total. Em
relação à necessidade de prótese dentária, 67,20% necessitavam no arco superior e
55
78,40% no inferior, sendo 56,00% e 53,60% prótese total superior e inferior,
respectivamente (Tabela 1).
Considerando os percentuais de uso e necessidade de prótese, quando
comparados os idosos institucionalizados e não institucionalizados pelo teste Qui quadrado, as diferenças são significativas (p<0,001) e favoráveis quanto ao uso,
para ambos os arcos nos não institucionalizados. Analisando a necessidade de
prótese, os institucionalizados superaram com um alto percentual, tanto para o arco
superior quanto inferior, embora o grupo dos não institucionalizados também
apresentasse elevada necessidade, principalmente para o arco inferior (Tabela 1).
Comparando os idosos institucionalizados com os não institucionalizados, os
primeiros apresentaram maior percentual de não utilização da prótese. Com relação
ao SBBrasil e SBCeará, a porcentagem dos que não usavam a prótese foi igual a
dos que não a utilizavam
Referente ao uso de prótese, o Projeto SB Brasil1 revela que 66,54% dos
idosos usam prótese superior e 42,57% inferior. Já no que se refere ao SB Ceará5,
58,46% dos idosos usam prótese superior, enquanto 43,35% usam a inferior.
Fazendo-se uma análise comparativa com a amostra estudada, o grupo dos idosos
não institucionalizados, superou em uso no arco superior a todos os demais,
enquanto o SB Ceará apresentou o maior percentual para prótese inferior
(Tabela 1).
Observa-se, ainda, em relação aos idosos que não usam prótese dentária,
uma porcentagem inferior no grupo dos idosos institucionalizados, para ambos os
arcos, quando comparados ao perfil observado nos demais estudos. Entretanto, o
grupo dos idosos não institucionalizados apresentou resultados mais satisfatórios
56
quanto ao uso de prótese superior. Já para o uso de prótese inferior obteve uma
porcentagem ainda menor do que a observada tanto no SB Ceará5 quanto no SB
Brasil1 (Tabela 1).
Na comparação do SB Brasil com o SB Ceará, considerando os percentuais
de necessidade de prótese (Tabela4), as diferenças são significativas pelo teste Qui
- quadrado, em ambos os arcos (p<0,001). Com relação ao uso de prótese, a
diferença é significativa apenas para o arco superior (p<0,001).
Já no que se referem à necessidade do uso da prótese os idosos
institucionalizados
apresentaram
percentual
superior
aqueles
não
institucionalizados.
A população idosa estudada no SBCeará, quando comparada ao SBBrasil
apresentou percentual maior de necessidade de prótese.
Discussão
No presente estudo, optou-se por dividir os grupos em institucionalizados e
não
institucionalizados,
para
estes,
realizou-se
a
junção
dos
idosos
do
CEDEFAM/UFC e do NAMI/UNIFOR, por possuírem características semelhantes,
como perfil socioeconômico, residirem em bairros de periferia e participarem de
grupos de convivência. De acordo com Moreira et al9, os resultados das condições
bucais de idosos variam de acordo com o tipo de amostra abordada
(institucionalizada, domiciliar ou usuários de serviços de saúde).
Quando comparado à média da necessidade de prótese nos estados do
Brasil, nota-se uma acentuação desse quadro em ambos os grupos estudados, uma
vez que a necessidade de prótese foi maior tanto nos idosos institucionalizados
57
quanto nos não institucionalizados, destacando-se uma grande precariedade
referente aos institucionalizados. Ressalta-se ainda o alto índice de perda dentária
desses grupos pesquisados.
No estudo realizado no ano de 2004 em Florianópolis10, 75,10% dos idosos
usavam próteses dentárias e apenas 22,60% necessitavam adquirir ou substituir o
aparelho protético, apresentando-se uma realidade distinta da observada nos grupos
estudados. Significativas mudanças no padrão de incidência e prevalência de
doenças bucais exigem a concepção e implantação de políticas que orientem os
serviços de saúde bucal a honrar sua missão de promover a saúde do idoso
adequada à realidade das diferentes regiões do Brasil.
Durante a revisão de literatura poucos estudos foram identificados. Para
facilitar a análise construiu-se um quadro. (Apêndice H). De um total de 61 idosos,
em Piracicaba-SP, 80,33% usavam prótese superior e 57,38%, inferior, sendo a
necessidade de prótese inferior de apenas 4,92%, não havendo casos de
necessidade de próteses totais superiores.
Para o contexto social desses idosos foi importante, sendo idosos
participantes de grupos de terceira idade. Porém, deve-se observar o alto número de
idosos com próteses totais, significando que há um grande número de
desdentados11. Em nosso estudo, os idosos não institucionalizados apresentaram
também
condições
de
saúde
bucal,
significativamente
melhores
que
os
institucionalizados, tendo em vista o uso de prótese superior, demonstrando uma
possível influência social e oportunidade de acesso aos serviços de saúde.
Em um estudo realizado no Município de Araraquara-SP, com 194 idosos,
sendo 91 institucionalizados e 103 não institucionalizados, constatou-se que 63,00%
58
dos institucionalizados usavam próteses, e 61,00% necessitavam do aparelho
reabilitador. Dos não institucionalizados, 83,00% usavam e 80,00% necessitavam de
próteses. Estatisticamente, os grupos constituíram-se de amostras diferentes entre
si. Nota-se que boa parte das próteses em uso não estava em condições clínicas
satisfatórias e necessitava de substituição12. Os idosos institucionalizados
apresentaram pior condição bucal do que os não institucionalizados, de acordo
também com o presente estudo.
Gaião et al13 avaliaram uso e necessidade de prótese em idosos de outra ILPI
de Fortaleza-CE e constataram que 70,00% não usavam prótese dentária superior e
81,30%, inferior. A necessidade de algum tipo de prótese era de 84,40% e 88,70%
superior e inferior, respectivamente, situação análoga ao presente estudo, em que a
necessidade de prótese era maior do que o uso nos idosos institucionalizados.
Os dados clínicos sugerem que a qualidade de vida de grande parte dos
participantes do estudo estava comprometida, de alguma maneira, pelas condições
bucais e suas sequelas, quando consideramos que a qualidade de vida, segundo a
OMS14, deve ser avaliada a partir de vários critérios e levando em consideração não
só a saúde física, mas também o estado psicológico, o nível de independência, os
relacionamentos sociais, os fatores do meio ambiente e as crenças pessoais.
Os resultados deste estudo indicam a necessidade de maior atenção aos
idosos por parte dos serviços públicos de saúde. Além da ampliação de atendimento
curativo e reabilitador se faz necessário o desenvolvimento de ações preventivas e
educativas.
Os dados coletados nessa pesquisa estão sendo utilizados para orientação
do planejamento de um programa de reabilitação oral, destinado aos participantes
59
da mesma, e será desenvolvido em parceria com o SUS, caracterizando-se como
uma pesquisa aplicada.
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60
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Health Forum 1996;17(4):354-6.
61
Tabela 1 – Número e porcentagem de idosos que usam e necessitam de
prótese dentária, segundo o arco dentário, em estudos epidemiológicos, 2011
NÃO
N
SIM
%
N
%
USO
SBBrasil
Arco superior
Arco inferior
4.853
1.787
3.066
47,2
33,5
57,4
5.827
3.554
2.273
56,7
66,5
42,6
SBCeará
Arco superior
Arco inferior
598
253
345
42,7
41,5
56,6
620
356
264
47,3
58,5
43,3
Institucionalizado
Arco superior
Arco inferior
Não
institucionalizado
Arco superior
Arco inferior
183
88
95
60,4
89,8
96,9
13
10
3
9,1
10,2
3,1
NECESSIDADE
SBBrasil
Arco superior
Arco inferior
SBCeará
Arco superior
Arco inferior
Institucionalizado
Arco superior
Arco inferior
Não
institucionalizado
Arco superior
Arco inferior
(1)
0,212
0,001
120
36
84
39,6
28,8
67,2
130
89
41
42,9
71,2
32,8
5.953
3.609
2.344
500
283
217
55,8
67,6
43,9
42,7
48,4
37,0
4.721
1.730
2.991
671
302
369
44,2
32,4
56,1
57,3
51,6
63,0
7
5
2
3,57
5,1
2,0
189
93
96
96,4
94,9
98,0
<0,001
<0,001
68
41
27
27,2
32,8
21,6
182
84
98
72,8
67,2
78,4
Os valores de p foram calculados para a soma dos valores dos dois arcos
p(1)
62
ARTIGO 4
Em fase de revisão. Será submetido aos CADERNOS DE SAÚDE PÚBLICA (Qualis B3 –
Medicina II). Formatação do Artigo segundo as normas da revista CSP
PERFIL EPIDEMIOLÓGICO EM SAÚDE BUCAL E AVALIAÇÃO COGNITIVA DOS
IDOSOS RESIDENTES EM UMA INSTITUIÇÃO DE LONGA PERMANÊNCIA NO
NORDESTE DO BRASIL
Título
Perfil epidemiológico em saúde bucal e avaliação cognitiva dos idosos residentes
em uma Instituição de Longa Permanência no Nordeste do Brasil
Título em inglês
Epidemiological profile of oral and cognitive health of retirement home residents in
Northeastern Brazil
Título corrido
Saúde bucal e avaliação cognitiva de idosos institucionalizados.
Área de concentração
Epidemiologia
Palavras- chave (DECS)
Instituição de Longa Permanência para Idosos; Saúde Bucal; Saúde do Idoso;
Epidemiologia
Financiamento
Reabilitação Oral: Fundação Internacional Rotária e Juizado Especial Cível e
Criminal/ Comarca de Fortaleza, CE;
Suporte Institucional: Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social - CE;
Departamento de Clínica Odontológica- UFC/CE.
Conflito de Interesse
Inexistente
63
Resumo
Objetivo: descrever o perfil epidemiológico em saúde bucal e a avaliação cognitiva
de idosos residentes em uma Instituição de Longa Permanência em Fortaleza,
Ceará, Brasil. Metodologia: Estudo transversal pelo qual realizou-se um
levantamento epidemiológico em 98 idosos com 60 anos de idade ou mais. Através
de exames clínicos, foram avaliados alteração de tecido mole, cárie dentária e
necessidade de tratamento, condição periodontal e edentulismo. Resultado: 37,76%
dos idosos apresentavam alterações de tecido mole; o CPO-D médio foi de 29,88,
com predomínio do componente perdido (93,27%); a necessidade de tratamento
predominante foi a extração dentária. Constatou-se alta prevalência de sextantes
excluídos (90,47%). Somente 10,20% usavam prótese dentária superior e 3,06%,
inferior; 94,90% necessitavam de prótese superior e 97,96% inferior. Foi aplicado o
Mini Exame do Estado Mental, observando uma deterioração cognitiva em 37,25%
dos idosos. Conclusão: os longevos apresentaram uma precária saúde bucal, com
acentuada prevalência de cárie dentária e edentulismo, assim como uma
significativa perda cognitiva.
Palavras- chave: Epidemiologia, Instituição de Longa Permanência para Idosos,
Saúde Bucal, Saúde do Idoso.
Abstract
Objective: to establish the epidemiological profile of oral and cognitive health of
residents at a retirement home in Fortaleza, a state capital in Northeastern Brazil.
Methodology: Cross-sectional study which was carried out Ninety-eight subjects aged
60 years and up were evaluated clinically for changes in soft tissues, dental caries
and treatment need, periodontal condition and edentulism. Result: changes in soft
tissues were observed in 37.76% and the average DMF-T was 29,88, with
predominance of the missing component (93.27%). The most frequently observed
treatment need was dental extraction. The prevalence of excluded sextants was
90,47%. Only 10,20% and 3,06% used upper or lower dental prosthesis, respectively,
but 94,90% and 97,96% needed them. The results of the Mini Mental State
Examination show 37,25% suffered from cognitive deterioration. Conclusion: the
oldest residents had very poor oral health, with a strong prevalence of dental caries
and edentulism along with significant cognitive impairment.
Key words: Epidemiology; Health of the Elderly; Homes for the Aged; Oral Health.
Agradecimentos
Os autores agradecem aos integrantes do Projeto Sorriso Grisalho da Universidade
Federal do Ceará (UFC), aos idosos participantes da pesquisa, assim como aos
seus cuidadores e coordenadores da UA-STDS. Agradecimento especial a cirurgiãdentista contratada da STDS-CE, Ana Cibely da Silveira Lima, orientadora clínica e
ao cirurgião-dentista voluntário, funcionário da UFC, Antônio Marques Formiga,
orientador da reabilitação oral. E aos parceiros que apoiaram este estudo.
64
Autores
Walda Viana Brígido de Moura1
1
Doutoranda em Ciências da Saúde pela Universidade Federal do Rio Grande do
Norte (UFRN).
1
Mestra em Odontologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte
(UFRN).
1
Professora do Curso de Odontologia da Universidade Federal do Ceará (UFC).
W.V.B. Moura concebeu o projeto de pesquisa, contribuiu na revisão de literatura,
fez a coleta, análise e interpretação dos dados, edição e revisão final do artigo.
Íris do Céu Clara Costa2
2
Pós-Doutora em Psicologia Social pela Universidade Aberta de Lisboa.
2
Doutora em Odontologia Preventiva e Social pela Faculdade de Odontologia de
Araçatuba da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp).
2
Professora do Curso de Odontologia e do Programa de Pós-Graduação em
Ciências da Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
I.C.C. Costa contribuiu na elaboração e orientação do projeto de pesquisa e na
revisão final do artigo.
Introdução
De acordo com a Organização Mundial de Saúde - OMS, os idosos são
considerados indivíduos com mais de 60 anos em países subdesenvolvidos ou em
desenvolvimento, como o Brasil, e com mais de 65 anos em países desenvolvidos1.
Estima-se que o Brasil, em 2025, será o sexto país com maior número de
idosos, com mais de 30 milhões de pessoas nesta faixa etária, representando quase
19% da população total2. Esta mudança é consequência da redução da mortalidade
infantil e da fecundidade assim como da mortalidade nas idades mais avançadas.
Entretanto, o envelhecimento populacional, em países em desenvolvimento, constitui
grande desafio para a saúde pública contemporânea onde este fenômeno ocorre em
ambiente de desigualdade social e pobreza3.
O envelhecimento passa a ser um estágio de deterioração humana,
sobretudo quando os idosos são dependentes e estão institucionalizados, pois,
muitas vezes, a estrutura organizacional é falha, com poucos cuidadores que nem
65
sempre possuem o devido conhecimento para, na prática, realizarem suas funções
de modo adequado. Esses longevos, ao apresentarem doenças crônicas ou
sistêmicas, sofrerem maus tratos, ou por outras razões, são encaminhados para as
casas de repouso e até mesmo abandonados pelos familiares. Sendo assim, a
procura por instituições de longa permanência para idosos - ILPI tem aumentado,
acompanhando o processo de envelhecimento do conjunto da população4. Com
isso, é dever das ILPI dedicar uma atenção de qualidade, proporcionar meios de
promoção e manutenção da saúde de seus internos, em especial a saúde bucal por
ser parte integrante na prevenção, promoção, proteção e recuperação da saúde
geral5,6.
Com o avançar da idade, há um declínio no nível de higiene bucal e um
aumento da incidência de enfermidades bucais. A redução da capacidade motora, a
baixa autoestima, a falta de motivação para a realização da higiene bucal, a
incapacidade de realizar sua própria higiene devido a doenças crônicodegenerativas, assim como o comprometimento da visão, audição e a perda da
habilidade cognitiva são fatores que, isolada ou cumulativamente, contribuem para o
aumento do risco dos longevos desenvolverem doenças bucais. Tem-se analisado
que o comprometimento da saúde bucal do idoso é fator de isolamento, depressão e
causa de outras morbidades7.
A saúde bucal deve ser um elemento inseparável e articulado de qualquer
sistema de cuidado integral à saúde do idoso, especialmente do institucionalizado. A
instituição e os profissionais que nela trabalham, a família, os serviços públicos de
saúde e o próprio idoso devem estar envolvidos no exercício do autocuidado8.
66
As condições de saúde bucal de idosos institucionalizados, ao serem
avaliadas de forma sistemática, podem mostrar a necessidade ou não de
atendimento odontológico permanente e seu grau de complexidade. A compreensão
do uso de próteses dentárias, das necessidades de tratamento e lesões bucais
associadas pode auxiliar no desenvolvimento e na implementação de estratégias de
atuação profissional e de educação específicas aos diferentes segmentos de
profissionais de saúde, de cuidadores e do próprio idoso9.
Desenvolvendo ações de promoção de saúde bucal junto a idosos de uma
ILP de Fortaleza-CE, observou-se um elevado índice de edentulismo, despertando a
necessidade de realizar um levantamento epidemiológico de saúde bucal com o
objetivo de planejar o tratamento dentário. Comprovou-se a real importância de
reabilitar proteticamente esses longevos. Durante a fase do tratamento dentário,
alguns idosos recusaram-se ao atendimento. Diante desta problemática, optou-se
por realizar um teste de avaliação cognitiva nesses idosos, Mini Exame do Estado
Mental10, previamente à reabilitação oral.
Este estudo teve como objetivo descrever o perfil epidemiológico em saúde
bucal e cognitivo dos idosos residentes na Unidade de Abrigo da Secretaria do
Trabalho e Desenvolvimento Social - UA-STDS, em Fortaleza-CE, e comparar os
resultados encontrados aos de idosos residentes em outras ILP.
Metodologia
O estudo é do tipo transversal e constitui um subprojeto da tese de
Doutorado da autora do presente trabalho. Em julho de 2008, foi realizado o
levantamento epidemiológico na UA–STDS, uma ILP de idosos vítimas de violência,
67
maus tratos ou abandono por parte dos familiares. A população de estudo incluiu 98
idosos com 60 anos de idade ou mais, de ambos os sexos, independentes,
parcialmente dependentes e dependentes, segundo a classificação da Federação
Dentária Internacional11. A metodologia utilizada foi proposta pelo Projeto SB2000,
Brasil12, e a pesquisa recebeu a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da
Universidade Federal do Ceará - COMEPE-UFC, sob o protocolo nº 197/07. Ademais,
para os idosos participarem da pesquisa, a diretora da Instituição assinou um termo
de responsabilidade.
Para os exames clínicos, cinco equipes estiveram envolvidas, cada uma
composta por dois acadêmicos da UFC, sendo um examinador e um anotador,
coordenados por uma mestranda e uma doutoranda. Foi realizado um treinamento
teórico–prático e a calibração de todos componentes em uma instituição filantrópica
em Fortaleza-CE. As condições estudadas foram: a) cárie dentária (kappa 0,87) e
necessidade de tratamento (kappa 0,75), através do índice CPO-D (média de dentes
cariados, perdidos e obturados); b) condição periodontal, através do Índice
Periodontal Comunitário (CPI) - kappa 0,67; c) uso e necessidade de próteses
dentárias (kappa 0,88 e 0,86 respectivamente); e d) alteração de tecidos moles
(ausência ou presença). Os indivíduos que apresentaram alterações de tecido mole
foram encaminhados para diagnóstico e tratamento na Disciplina de Estomatologia
Clínica do curso de Odontologia da UFC.
Os exames foram realizados na própria instituição sob luz natural, com o
idoso sentado em cadeiras comuns, cadeiras de rodas e camas, com o examinador
posicionado em pé, em frente a este. Utilizou-se material, devidamente esterilizado,
como espelho bucal plano, sonda periodontal (padrão OMS), pinça clínica, além de
espátulas de madeira, gorros, luvas e máscaras descartáveis. Foram também
68
coletados dados demográficos (sexo e idade) dos idosos. Os dados foram
processados e analisados no SB Dados, um software de domínio público
disponibilizado pelo Ministério da Saúde.
Para análise estatística foram aplicados os testes de associação quiquadrado e o de Fisher, Freeman e Halton.
Após a realização do levantamento epidemiológico, foi aplicado o Mini
Exame do Estado Mental (MEEM)10, em julho de 2009, com objetivo de avaliar o
estado cognitivo dos idosos a fim de selecionar os aptos a serem reabilitados
proteticamente. O teste foi aplicado de forma individual e em local reservado na
própria ILP, com a duração máxima de 10 minutos.
No Mini Exame, havia questões elencadas em sete categorias (orientação
temporal, orientação espacial, memória imediata, atenção e cálculo, memória de
evocação, capacidade construtiva visual e linguagem)13,14, com escores variando de 0
a 30 pontos. Para a categoria linguagem, no que se refere a ver e executar, utilizou-se
uma gravura com um par de olhos fechados, pois a maioria dos idosos não sabia ler.
Como critérios de inclusão, os idosos deveriam ser capazes de ouvir e entender o
suficiente, além de ter participado previamente da coleta de dados clínicos realizada
em julho de 2008. Já os critérios de exclusão foram ter se recusado a realizar o teste,
ser portador de doença visual e/ou auditiva graves não corrigidas, ou de estágios
avançados de distúrbios cognitivos e/ou doenças mentais, bem como doença
reumatológica em estágio avançado ou neurológica.
O tratamento dentário foi realizado no consultório odontológico existente na
própria ILP por alunos de graduação do curso de Odontologia da UFC, sob a
supervisão de uma dentista contratada pela STDS.
69
A reabilitação oral destes foi realizada por um cirurgião-dentista voluntário,
funcionário da UFC auxiliado pelos acadêmicos da mesma instituição.
Resultados
Dos 98 idosos participantes da pesquisa, 54 eram do sexo masculino e 44 do
sexo feminino, com média de idade de 71,8 anos.
Os dados deste estudo revelam que 37,76% dos idosos apresentavam
alterações de tecido mole.
A média do CPO-D foi de 29,88, sendo o componente dente perdido o
predominante com uma média de 27,87, obtendo um percentual de 93,27%.
Quanto ao CPI, um elevado percentual de idosos (77,56%) teve como maior
grau de condição periodontal, sextantes excluídos (n= 76 idosos). O número médio
de sextantes afetados revelou o cálculo dentário como a condição mais prevalente
(3,85% dos sextantes válidos).
Em relação à necessidade de tratamento dentário, observou-se que a
extração dentária foi o tratamento mais indicado com uma média de 2,72 dentes.
Dos idosos examinados, somente 10,20% usavam prótese dentária superior e
3,06%, inferior, sendo a prótese total o tipo mais frequente, com 7,14% no arco
superior e 3,06% no inferior. Constatou-se um elevado percentual de indivíduos que
necessitavam de prótese dentária, 94,90% superior e 97,96% inferior. A prótese total
foi o tipo mais evidente, 88,78% para ambos os arcos dentários (Tabela 1).
70
Com relação ao uso da prótese foi encontrada uma considerável diferença
entre os arcos superior e inferior, pois, muitos idosos utilizavam a prótese superior e
poucos a inferior.
No que se refere ao uso de prótese foi aplicado o teste qui-quadrado, para um
p de 0,045 e foi constatado que dos idosos que usavam prótese, no arco superior foi
encontrado o maior percentual, entretanto, a maioria dos entrevistados não
utilizavam nenhuma das próteses, quer seja superior ou inferior.
Em relação à necessidade foi aplicado o teste de associação de Fisher,
Freeman e Halton sendo encontrado um p de 0,445 e um percentual semelhante nos
dois arcos para os que utilizavam ou não as próteses
Após a conclusão do tratamento dentário dos idosos participantes do
levantamento epidemiológico e diante da recusa de alguns idosos a este tratamento,
optou-se por aplicar o MEEM previamente ao tratamento reabilitador. Dos 98 idosos
que participaram do estudo em julho de 2008, no momento da aplicação do MEEM,
em julho de 2009, somente 77 idosos encontravam-se na ILP, pois 14 haviam
falecido, um estava hospitalizado e seis haviam sido reintegrados à família. Destes,
somente 51 participaram, pois 26 foram excluídos por não estarem dentro dos
critérios estabelecidos na metodologia. A idade média dos examinados foi de 67,3
anos. O sexo masculino predominou com 60,80%. A soma dos escores do MEEM
variou de 2 a 27. Observou-se deterioração cognitiva (escore ≤12) em 37,25% dos
entrevistados, bem como um declínio cognitivo com o avanço da idade (Tabela 2).
Nos homens foram encontrados escores maiores (80,75%), enquanto as
mulheres conseguiram apenas um escore de 65,00%, o que nos leva a concluir que
71
estas apresentavam maior deterioração cognitiva, provavelmente por terem maior
idade cronológica. O qui-quadrado encontrado foi de 10,84, enquanto o p<0,001.
Discussão
Ao planejar o levantamento epidemiológico em saúde bucal, pretendia-se
estudar as condições de saúde de todos os residentes na UA-STDS. Do total de 102
idosos, quatro não foram incluídos na amostra: três por se encontrarem com a saúde
debilitada, acamados nas enfermarias da instituição, e uma idosa recusou-se a
participar da pesquisa, totalizando 98 idosos examinados.
Um aspecto relevante nos estudos epidemiológicos é a menção de testes de
concordância inter-examinadores, um requisito importante na avaliação da
confiabilidade e fidedignidade dos achados. No presente estudo, a estatística Kappa
mostrou concordância substancial (CPI e necessidade de tratamento) ou quase
perfeita (cárie e uso e necessidade de próteses)15.
Os resultados referentes às alterações de tecido mole revelaram que 37,76%
dos idosos possuíam alterações. Estudo realizado em Goiânia16 mostrou um total de
13,49% dos longevos com alterações, tendo uma porcentagem bem menor quando
comparado a ILP aqui relatada.
Referente ao índice CPO-D, o levantamento epidemiológico nacional das
condições de saúde bucal da população brasileira, SB Brasil 200317, revelou que o
CPO-D médio da população idosa entre 65-74 anos foi de 27,79, tendo o
componente perdido uma elevada participação (25,83). Um estudo semelhante
realizado em 2004 no Ceará – SB Ceará18 – revelou um CPO-D médio de 28,35
(componente perdido: 27,09). Resultados da ILP aqui estudada comprovam também
72
esse elevado índice tendo uma média do CPO-D de 29,88, sendo o componente
perdido predominante, com uma média de 27,87 (93,27%).
Quanto ao CPI, observou-se uma elevada porcentagem (77,56%) de idosos
apresentando sextantes excluídos como o maior grau de condição periodontal,
devido ao grande número de edêntulos. Dados do SB Brasil revelaram nessa
condição 60,80% e o SB Ceará 70,05%. Relacionado ao número médio de sextantes
afetados, na ILPI, o cálculo dentário foi a pior condição, tendo um percentual de
3,85%, contudo teve um menor percentual quando comparado ao SB Brasil com
8,33% dos sextantes acometidos e o SB Ceará com 6,51%. Isto pode ter ocorrido
devido à existência de um consultório odontológico instalado na própria unidade e de
uma profissional, cirurgiã-dentista, atuando permanentemente.
No que se refere ao uso de prótese, o SB Brasil revelou que 66,54% dos
idosos usavam prótese superior e 42,57% inferior, o SB Ceará encontrou que
58,46% dos idosos usavam prótese superior, enquanto 43,35% usavam a inferior.
Ao comparar com a amostra estudada, observou-se que uma porcentagem bem
inferior (apenas 10,20% de uso da prótese superior e de 3,06% da inferior). Isto
pode ser relacionado ao baixo nível socioeconômico não permitindo acesso a
aquisição de prótese dentária.
Tendo em análise a necessidade de prótese dentária, o SB Brasil revelou que
32,4% e 56,06% necessitavam de algum tipo de prótese superior e inferior,
respectivamente. Ao observar o SB Ceará, constatou-se que 51,62% dos idosos
necessitavam de prótese superior e 62,97%, inferior. Fazendo-se uma análise
comparativa à amostra estudada, os dados revelaram que há necessidade de
prótese superior em 94,90% e, inferior, em 97,96%, sendo destas, para ambas as
73
arcadas dentárias, 88,78% prótese total, obtendo resultados bastante significativos e
superiores aos dados do SB Brasil17 e Ceará18.
Sobre os resultados encontrados a respeito do edentulismo, Martins et al19
observaram que a procura por serviço odontológico, tanto pelos idosos dentados
quanto pelos desdentados, era baixa, sendo a ausência de dor a principal razão
para a não utilização, como rotina, por ambos os grupos, demonstrando que a
procura ao atendimento, muitas vezes, ocorre apenas em situações críticas,
refletindo a história de uma odontologia mutiladora e traumática no passado.
Estudo realizado em 160 idosos com mais de 65 anos residentes de uma
Instituição Filantrópica de Fortaleza, CE20, mostram dados similares ao dessa
pesquisa, obtendo um CPO-D médio de 29,73. O componente perdido foi 28,42
dentes. Dos 117 sextantes presentes nos 160 indivíduos, 83,8% apresentavam
cálculo dentário. Dos 160 idosos, 112 (70%) não usavam nenhum tipo de prótese
superior (total e removível) e 130 (81,3%) de prótese inferior. Quanto à necessidade
de prótese (total e removível) detectada, 135 (84,4%) necessitavam de algum tipo de
prótese superior e 142 (88,7%) de prótese inferior. Outro estudo, realizado em
idosos institucionalizados da cidade de Goiânia-GO16, mostrou que as prevalências
de cárie e edentulismo foram 100% e 69,20%, respectivamente. O CPO-D médio foi
30,17, havendo predomínio do componente extraído. Quase a metade (49,48%)
usava e 80,28% necessitavam de alguma prótese. Estudo realizado em idosos
institucionalizados no município de Campina Grande-PB3 constatou resultados
semelhantes.
Pesquisa realizada em Belo Horizonte- MG21, avaliando idosos residentes em
ILP, apresentou resultado um pouco mais elevado se comparado ao da presente
74
amostra, com o índice CPO-D de 30,8 dentes e o componente dente perdido
representando 94,2%.
Em estudos internacionais, observa-se que há uma diminuição da quantidade
de idosos desdentados, assim como da média do índice CPO-D, relatado em um
estudo realizado com 301 idosos na Lituânia22, no qual 11% da amostra era
desdentada total e o CPO-D médio era 21,7. Em uma pesquisa realizada na
província chinesa de Guangdon23, teve um CPO-D médio ainda menor, sendo de
14,7.
Sabendo-se que a meta da Organização Mundial de Saúde - OMS, para o
ano 2000, foi que 50% das pessoas na faixa etária de 65-74 anos apresentassem
pelo menos 20 dentes em condições funcionais24, assim observa-se que, passados
11 anos desse objetivo proposto, este encontra-se muito longe de ser atingido.
Culturalmente, há uma visão de ser natural a perda de todos os elementos
dentários com o envelhecimento. Autores afirmam que a perda dentária pode ser
decorrente de negligência por parte dos idosos com a sua higiene bucal e, se
somado a limitações físicas, problemas visuais e demência, que podem ocorrer no
processo da longevidade, irão comprometer o autocuidado e o acúmulo dos níveis
de placa bacteriana passa a ser ainda mais evidente25. O controle inadequado da
placa bacteriana pode aumentar o risco de desenvolvimento de cárie dentária,
doença periodontal e lesões de mucosa21.
Essa negligência também se faz presente no que se refere à procura pela
assistência odontológica, o que pode ser comprovado pela dificuldade encontrada
por parte da cirurgiã-dentista e pelos acadêmicos que realizaram o tratamento
75
dentário dos idosos da UA-STDS, onde houve um número considerável de recusas
ao tratamento.
Quando se passa a analisar a função cognitiva, os resultados do MEEM
revelam uma perda relevante entre os idosos. Dos 51 idosos que realizaram o
MEEM, 32 obtiveram um escore maior ou igual a 13. Nesta pesquisa, devido ao
baixo nível de escolaridade dos participantes, houve uma menor pontuação na
categoria atenção e cálculo, bem como no item referente à escrita de uma frase na
categoria linguagem, confirmando a dificuldade apresentada na resolução de
questões mais complexas. Como solução dessa problemática, reduziu-se o ponto de
corte para escore ≤12, uma adaptação para a realidade local, conforme o estudo de
Bertolucci et al
26
e de Ramos et al27, pela Sociedade Brasileira de Medicina de
Família e Comunidade, que relataram pontos de corte menor que 13 para idosos
analfabetos. Por outro lado, Brucki et al13 em seu estudo consideraram como ponto
de corte segundo a escolaridade para analfabetos: 20; 1-4 anos de estudo: 25; 5-8
anos de estudo: 26,5; 9-11 anos de estudo:28; e > 12 anos de estudo: 29.
Dessa forma, 32 idosos estavam aptos à reabilitação oral e, de acordo com o
resultado do MEEM, possuíam uma melhor cognição e, consequentemente,
poderiam realizar o autocuidado em saúde bucal. Porém, apenas 14 foram
reabilitados, pois quatro foram reintegrados à família, dois faleceram, onze
recusaram-se a realizar o tratamento e um apresentou o rebordo alveolar
extremamente desfavorável para a adaptação de prótese dentária.
Inicialmente, realizou-se a reabilitação oral em um grupo piloto (6 idosos que
atingiram escore menor que 13 no MEEM) e a adaptação da prótese foi
insatisfatória, comprovando então a importância da aplicabilidade do MEEM, a fim de
76
evitar desperdícios financeiros e conseqüências, como a falta de habilidade para um
autocuidado eficiente26.
Ferreira et al21 ressaltaram que a abordagem ao idoso deve ser diferenciada
quando comparada a população em geral, uma vez que há uma complexidade
clínica
frequentemente
associada
ao
envelhecimento
e
uma
diversidade
biopsicossocial. Afirmam também que devem ser incorporados métodos de
acompanhamento e avaliação dos resultados para medir o impacto das ações de
promoção e reabilitação da saúde, bem como dos seus efeitos na qualidade de vida
dos idosos.
O cuidado em saúde bucal deve ocorrer ao longo da vida, assim o
planejamento de políticas públicas não pode ser concretizado por meio da
implementação de ações pontuais, mas de modo processual, na expectativa do
envelhecimento saudável, respeitando de forma integral as demandas de todos os
ciclos da vida28.
Considerações finais
As condições de saúde bucal encontradas no estudo revelam um elevado
grau de perda dentária constatado pelo percentual de componentes perdidos no
CPO-D, grande número de sextantes excluídos no CPI e alta taxa de edentulismo,
refletindo uma história de tratamento mutilador e dificuldade de acesso aos serviços
odontológicos.
A passividade diante do cotidiano, a presente falta de estímulo, a recusa ao
tratamento e a transformação anatômica das estruturas bucais decorrente do
envelhecimento, dificultaram a reabilitação oral pretendida.
77
A aplicação do MEEM revelou deficiência cognitiva na maioria dos idosos
participantes do estudo, confirmando que a aplicação deste exame previamente a
reabilitação oral pode evitar desperdícios financeiros, uma vez que está
selecionando os idosos aptos à adaptação protética, ao uso e a realização do
autocuidado eficiente.
Considerando-se a humanização na atenção ao paciente idoso, sugere-se
ainda que mesmo se este apresentasse deterioração cognitiva, e necessitar ou
desejar possuir uma prótese lhe seja dada a oportunidade de satisfazer a sua
vontade.
Embora a Política Nacional de Saúde Bucal, Brasil Sorridente, esteja sendo
implementada, buscou-se verbas para financiamento da reabilitação oral dos idosos
da UA-STDS, não obtendo sucesso, sendo possível a realização desta por meio de
parcerias com a Fundação Internacional Rotária e o Juizado Especial Cível e
Criminal/ Comarca de Fortaleza, CE.
Espera-se que este estudo desperte para a necessidade de uma efetiva
avaliação cognitiva da população idosa previamente à reabilitação oral, assim como
um posterior monitoramento da mastigação, deglutição e fala, e o treinamento da
habilidade para o autocuidado contribuindo para o sucesso da adaptação protética e
redução de custos financeiros em programas de promoção de saúde bucal desse
segmento populacional.
Referências
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Saúde da Pessoa Idosa – PNSPI. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2006.
78
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prioritários no país. Ministério da Saúde. Caderno da 11ª Conferência Nacional
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3. Batista ALA Barbosa ECS, Godoy GP, Catão MHCV, Lins RDAU, Maciel SML.
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município de Campina Grande-PB. Odontologia clínico-científica 2008; 7(3):2038.
4. IPEA. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Características das Instituições
de Longa Permanência para Idosos – região Nordeste. Coordenação geral Ana
Amélia Camarano Brasília, DF: IPEA, Secretaria Especial dos Direitos Humanos
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geriátricos. Ginebra: OMS; 1979. 51p.
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institucionalizado: uma lacuna na odontologia, 2004. Disponível em:
http://www.odontologia.com.br/artigos.asp?id=464. Acesso 15 jun. 2010.
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approach of the WHO Global Oral Health Programme. Community Dent Oral
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práticas no cuidado à saúde bucal de idosos. Physis 2007; 17(1):139-56.
9. Bonan PRF, Borges SP, Haikal DS, Silveira MF, Martelli-Júnior H. Condições
bucais e de reabilitação insatisfatórias dissociadas da percepção de qualidade de
vida em idosos institucionalizados e não-institucionalizados. Rev Odonto Ciênc
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grading the cognitive state of patients for the clinician. J Psychiatr Res. 1975;
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79
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25. De Visschere LM, Grooten L, Theuniers G, Vanobbergen JN. Oral hygiene of
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27. Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade. Academia Brasileira
de Neurologia. Demência do idoso: diagnóstico na Atenção Primária à Saúde.
80
Projeto Diretrizes. São Paulo: Associação Médica Brasileira, Conselho Federal de
Medicina; 2009.
28. Mello ALSF, Erdmann AL, Caetano JC. Saúde bucal do idoso: por uma política
exclusiva. Texto Contexto Enferm 2008; 17: 696-704.
TABELAS
Tabela 1 – Número e porcentagem de indivíduos que usam e necessitam de
prótese dentária segundo o arco, UA-STDS, 2011
USO
Superior
n
%
NÃO
SIM
88
10
Inferior
n
%
89,80
10,20
95
3
p
0,045
96,94
3,06
NECESSIDADE
NÃO
5
5,10
2
2,04
SIM
93
94,90
96
97,96
(1)
X2
4,04
0,445(1)
-
p de Fisher- Freeman- Halton
Tabela 2 – Número e porcentagem de indivíduos de acordo com o gênero e
escores obtidos no Mini Exame do Estado Mental, UA-STDS, 2011
Escore
Gênero
Total
MEEM (0-12)
Masculino
n
%
6
19,35
Feminino
n
%
13
65,00
n
19
%
37,25
MEEM (13-30)
25
80,65
7
35,00
32
62,75
TOTAL
31
100,0
20
100,0
51
100,0
X 2 = 10,84; p < 0,001
81
4 - COMENTÁRIOS, CRÍTICAS E SUGESTÕES
O objeto de pesquisa foi identificado em 2007, durante o desenvolvimento das
ações de saúde bucal pelo projeto de extensão, Projeto Sorriso Grisalho – PSG, do
qual sou coordenadora desde 1999.
Promovendo oficinas e ministrando palestras em vários grupos de convivência
de idosos, deparamo-nos com uma população desdentada, o que nos motivou a
realizar uma pesquisa, buscando soluções para essa problemática. A participação
em um Grupo de Convivência no Campus do Pici da UFC (Grupo Vida) no ano de
1999, quando se promoveu um bazar de objetos novos e usados e, com a verba
gerada, foram colocadas próteses dentárias em alguns daqueles idosos, contribuiu
efetivamente para a consolidação deste objetivo. Foi gratificante observar mudanças
de comportamento, notoriamente a elevação da autoestima; os beneficiados
tornaram-se pró-ativos e participativos na família e na sociedade.
A ideia inicial após essa experiência era a de que, ao reabilitar a função
mastigatória, ter-se-iam, como consequências, o resgate do sorriso, a fala e a
estética não mais comprometidas. A elevação da autoestima seria uma decorrência
desses benefícios.
Despertou-se, então, o interesse em investigar a condição de saúde bucal do
idoso para planejar o tratamento de suas necessidades, associando-se a este
estudo a avaliação da autopercepção de saúde. De posse dos resultados e diante
das políticas de saúde bucal “Brasil Sorridente”, buscar-se-ia financiamento do SUS.
82
Na elaboração do Anteprojeto, incluíram-se os idosos participantes de dois
grupos de convivência e os de uma instituição de longa permanência para idosos –
ILPI, locais de atuação do PSG.
A pesquisa foi desenvolvida com a colaboração de um grupo de estudantes
de graduação, integrantes do PSG, devidamente calibrados com a efetiva
colaboração de uma aluna de mestrado, sob a coordenação da doutoranda
responsável pelo estudo e da sua orientadora. Formou-se um grupo de estudo,
pesquisa e extensão, onde são ministrados cursos e apresentados seminários,
conferências e oficinas sobre a temática do envelhecimento humano. Além das
atividades de extensão, as quais se expandiram para mais uma ILPI onde residem
40 idosas e 36 irmãs de caridade, os estudantes elaboram apresentações orais para
eventos científicos e, atualmente, estão preparando artigos visando à publicação em
periódicos.
Na oportunidade, apresentaremos quatro artigos: um aceito para publicação e
três em fase de revisão e tradução para um segundo idioma e mais dois em fase de
elaboração; a relação de 20 trabalhos apresentados com resumos em anais e de
participações em 15 eventos científicos; bem como um folder produzido para
divulgação do PSG.
Os objetivos propostos foram atingidos em relação à pesquisa. Apesar das
dificuldades enfrentadas, decorrentes da falta de financiamento, consideramos que o
estudo trouxe resultados satisfatórios, ou seja, correspondeu às expectativas.
Houve modificações do desenho, pois, inicialmente, pretendia-se examinar o
universo da população da ILPI e, para os dois grupos de convivência, havia sido
feito um cálculo amostral, considerando-se a variável locomoção. No entanto,
83
decidiu-se por uma amostra intencional, contemplando todos os participantes dos
dois grupos e os residentes da ILPI; sendo que, no caso dos idosos que não
estavam comparecendo aos grupos, os exames foram realizados no próprio
domicílio.
Para as pesquisas foram utilizados instrumentos já validados pela OMS e o
grupo de pesquisadores foi devidamente treinado. A calibração ocorreu em uma
ILPI, onde havia sido realizada a pesquisa de Gaião et al6.
Quanto à reabilitação oral, a experiência piloto foi desenvolvida em seis
idosos que não atingiram o escore estabelecido para o MEEM, pois ficaram abaixo
do ponto de corte e estes se adaptaram ao uso, reforçando assim a premissa de que
a avaliação cognitiva somada a outros testes deve ser realizada como forma de
identificar os idosos capazes de usar e se estimular à adaptação, bem como a
promover um autocuidado eficiente da prótese dentária.
Não foi possível realizar a reabilitação oral de todos os participantes da
pesquisa por não termos conseguido financiamento do SUS: primeiro, após 8 meses
aguardando, a Secretaria Estadual da Saúde – Ceará nos informou da
impossibilidade de repasse da verba para financiamento do Laboratório; segundo,
ao buscarmos a Secretaria Municipal de Fortaleza , não foi possível incluir os idosos
do estudo junto a clientela do SUS porque havia uma fila de espera de quase 4000
pessoas. Desta instituição, conseguiu-se parte do material de consumo. Diante
dessas impossibilidades, fizemos a reabilitação de 17 idosos da ILPI que foram
selecionados pelo MEEM, com o patrocínio de outras instituições.
O artigo aceito para publicação não contemplou o estudo em sua essência,
pois, sendo uma Carta ao Editor, não havia condições de detalhar todos os
84
resultados obtidos. Pretendemos encaminhar o trabalho completo para outro
periódico.
Com o convite para um artigo reduzido, resolvemos explorar a autopercepção
referida pelos idosos, divergente da observada pelos profissionais de saúde, como
um fato de alta relevância para a Saúde Pública, sugerindo uma reorientação nos
programas de educação em saúde, bem como a atenção à população, durante todo
o ciclo de vida, para prevenir o edentulismo.
O estudo de Bortoli et al11 em adultos de um grupo de educação continuada
da terceira idade em Ponta Grossa-PR despertou interesse, pois estes fazem uma
associação entre percepção de saúde bucal por idosos e indicadores clínicos e
subjetivos. Não encontrando publicações recentes nessa área, pretendemos
desenvolver estudos sobre testes efetivos de avaliação cognitiva, para triagem de
idosos aptos a se submeterem ao tratamento reabilitador, o que evitaria desperdícios
financeiros para a Saúde Pública, pois, em nossa experiência, alguns idosos não se
adaptaram ao uso e não tinham condições de realizar a higiene bucal e das
próteses, com o agravante do número de cuidadores ser insuficiente para auxiliá-los.
A análise estatística foi adequada, pois pudemos fazer uma comparação entre
os idosos institucionalizados e os não institucionalizados, e desses dois com os
resultados dos levantamentos epidemiológicos SB Brasil2 e SB Ceará8, pela
aplicação dos Testes Qui-quadrado e Fisher-Freeman-Halton.
A percepção autorreferida pelo idoso não correspondeu ao resultado real da
avaliação das condições de saúde bucal realizada pelos profissionais da
Odontologia e isso nos leva a uma reflexão de que a educação pública em saúde
85
deixa muito a desejar, necessitando de ampliação dos programas de atenção à
saúde.
Poucos são os estudos comparando idosos institucionalizados aos não
institucionalizados, em termos de saúde bucal, mental e geral, tornando este
trabalho uma significante contribuição (Quadro 1).
Com relação ao acesso aos serviços de saúde, constataram-se expressivo
grau de edentulismo em todos os grupos estudados e a necessidade de prótese
presente em elevado percentual. No grupo da ILPI os idosos perderam mais dentes,
poucos usam prótese e necessitam de maior número destas. Nos grupos de
convivência, esses valores também são elevados, o que leva a crer que, em ambos
os grupos, o acesso aos serviços foi limitado e que os institucionalizados tiveram
maiores dificuldades na resolução dos problemas de saúde bucal.
Observou-se
uma
nítida
diferença
comportamental
entre
os
idosos
institucionalizados e os não institucionalizados. As constatações aqui referidas
pressupõem a necessidade de ampliação, em número e qualidade, dos serviços de
atenção e assistência odontológica.
A passividade diante do cotidiano, a notória falta de estímulo, e a ausência
de sonhos pelo trauma do abandono familiar e das carências acumuladas ao longo
da vida, somadas à transformação anatômica pelo envelhecimento das estruturas
bucais, dificultaram a reabilitação oral pretendida na ILPI. Alguns se recusaram ao
tratamento e outros ao uso da prótese dentária. Além disso, existe um
comprometimento da saúde mental e deterioração cognitiva.
O envelhecimento, por si só, acarreta limitações na autonomia psicossocial,
alteração psicomotora, pouca concentração, lentidão no raciocínio ou em executar
86
tarefas. Mas quando as pessoas idosas participam de grupos, em ambientes
favoráveis, que valorizem suas potencialidades latentes e compreendam as
limitações, estas podem se desenvolver, aumentando sua autonomia, recuperando
sua autoimagem, o que contribui para a aceitação por si mesma, por suas famílias e
pela sociedade.
Há que se voltar a uma dinâmica de reorientação dos lares de longa
permanência, estimulando o autocuidado e o monitoramento para a superação de
limitações, bem como implementar atividades recreativas e lúdicas, de arte e
artesanato e de ecomomia solidária, visando promover a interação em grupos.
A oportunidade de cursar novamente as disciplinas, o aperfeiçoamento no
acesso aos bancos de dados virtuais, a atualização científica, principalmente o
aprendizado
de
como
elaborar
um
artigo
científico,
me
enriqueceram
intelectualmente, pois tive pesquisas premiadas e nunca as publiquei.
Retomar alguns projetos e, principalmente, o da construção de uma Unidade
Básica de Saúde – Ampliada no espaço do Centro de Desenvolvimento FamiliarCEDEFAM/UFC, com vistas à melhoria da saúde bucal da população residente no
entorno do Campus Universitário do Pici, é uma das metas para o meu retorno. Este
Centro já é espaço de Ensino, Pesquisa e Extensão dos cursos da área da saúde da
UFC.
Outra ação será a articulação com as secretarias estadual e municipal de
saúde para implantação de um Laboratório Regional de Prótese Dentária no Curso
de Odontologia da UFC, junto ao SUS e ao Ministério da Saúde, como escola de
capacitação e aperfeiçoamento profissional e referência para o encaminhamento de
reabilitação oral. Atualmente, o curso de Odontologia atua como unidade
87
especializada para o atendimento do SUS, inclusive com um serviço de emergência
conveniado.
Dentro das possibilidades, as atividades planejadas foram realizadas: um
artigo publicado e três em fase final de conclusão; e o cronograma foi cumprido em
34 meses, culminando com a defesa da Tese.
A participação, há quatro anos, em um Grupo de Pesquisa registrado no
CNPq, Núcleo de Estudos em Saúde Bucal Coletiva-NESBUC (00894066GAJROC)
favoreceu o crescimento e a ampliação da bagagem de conhecimentos, bem como
de uma visão crítica. Pretendo dar prosseguimento, envolvendo o maior número de
alunos de graduação, pós - graduação e funcionários, no estudo do envelhecimento,
pesquisas e em ações extensionistas nas ILPI e nos grupos de convivência. E, com
um olhar solidário, proporcionar, ao idoso menos favorecido, um desenvolvimento
sustentável, resultante de ações concretas em um processo de ensino e
aprendizagem e troca de saberes, com produção de arte e artesanato.
Na UFC, criamos e coordenamos, durante oito anos, o Núcleo de Estudos da
Longevidade – NEL e, há doze anos, coordenamos o Projeto Sorriso Grisalho - PSG.
Pretendemos consolidar a base de pesquisa sobre o Envelhecimento, a qual foi
ampliada com este estudo. Por outro lado, articular o NEL e todos os grupos que
desenvolvem ações com esse público, na UFC e em outras instituições, somando
esforços para a realização do Pacto pela Longevidade Digna, junto à Associação
Cearense Pró - Idosos e demais entidades existentes, contribuindo assim, para o
Envelhecimento Saudável dos cidadãos cearenses.
5 - APÊNDICES
88
89
90
91
92
93
APÊNCIDE E
AUTORIZAÇÃO DO GRUPO VIDA
94
APÊNDICE F
AUTORIZAÇÃO DO GRUPO CABELOS BRANCOS DO DENDÊ
95
APÊNDICE G
FOLDER DO PROJETO SORRISO GRISALHO
P
R
O
J
E
T
O
S
O
R
R
I
S
O
G
R
I
S
A
L
H
O
Membros Acadêmicos
Caroline Salema
César Filho
Mirele Nobre
Samile Melo
Carol Lima
Ivna Farias
Marcelo Sidou
Laureane Rebouças
Jamila Rolim
Janaína Fernandes
Jacqueline de Santiago
Wilker Mustafa
Gustavo Araújo
Coordenadora
Profª Dra. Walda Viana Brígido de Moura
Orientadores (Cirurgiões-Dentistas)
Danielly Lino - Antônio Formiga - Renir Campos
Gressy Farias - Áurea Viana - Ana Cibely Lima
PROJETO
SORRISO GRISALHO
Contatos
[email protected]
[email protected]
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ - UFC
PRÓ-REITORIA DE EXTENSÃO – PREX
CURSO DE ODONTOLOGIA
U
F
C
PROJETO
SORRISO GRISALHO
PRÓ-REITORIA DE EXTENSÃO – PREX / UFC
CURSO DE ODONTOLOGIA
APRESENTAÇÃO
As atividades realizadas pelo Projeto Sorriso
Grisalho ‐PSG são pautadas no ramo da Gerontologia e
aperfeiçoam a capacitação dos seus membros para a
atenção geriátrica em Instituições de Longa Permanência
para Idosos –ILPI e em diversos Grupos de Convivência.
A atuação no campo da promoção de saúde,
enfocando principalmente a educação em saúde bucal,
através da higienização supervisionada e orientação para o
autocuidado, é uma das vertentes preventivas realizadas
pelo projeto somando‐se as atividades clínicas cumpridas
em consultório próprio da Unidade de Abrigo da Secretaria
do Trabalho e Desenvolvimento Social e em equipamento
portátil.
O aprendizado científico adquirido pela equipe
durante os encontros semanais, são aplicados direta e
indiretamente na prática gerontológica junto aos idosos e
seus cuidadores. Esse conhecimento é consolidado por
meio da atenção geriátrica prestada, ressaltando a
multidisciplinaridade e a integração multiprofissional. O
PSG realiza cursos de atualização em Gerontologia para
profissionais e também ministra oficinas de saúde bucal.
A tentativa da elevação da autoestima desses
idosos, por meio dos cuidados com a saúde bucal e da
reabilitação oral, é a meta prioritária perseguida pelos
integrantes do PSG. Como exemplo, destacamos as
dinâmicas e atividades lúdicas desenvolvidas com o intuito
de revigorar e desenvolver as capacidades psicomotoras,
psicossomáticas e psicossociais do idoso estimulando a pró‐
atividade e a reintegração social.
ATIVIDADES
•LEVANTAMENTOS
EPIDEMIOLÓGICOS
•PESQUISAS CLÍNICAS
•AVALIAÇÃO COGNITIVA
•SEMINÁRIOS
•CURSOS
•OFICINAS
•CAPACITAÇÕES
•TROCA DE EXPERIÊNCIA
•ATENDIMENTO CLÍNICO
•ATIVIDADES LÚDICAS
•ESCOVAÇÃO
SUPERVISIONADA
•EVENTOS COMUNITÁRIOS
96
APÊNDICE H
TABELAS / QUADRO
Tabela 1: Características da população idosa de dois grupos de convivência e
residentes em uma ILPI (UA-STDS),quanto ao número, gênero e média de
idade, Fortaleza-CE, 2011
Gênero (n / %)
População
Institucionalizados*
Não institucionalizados**
(n)
Média de idade
98
71,8
125
Masculino Feminino
54 (55,10)
44 (44,90)
23 (18,40)
102 (81,60)
77 (34,5)
146 (65,5)
69,9
Total
*
ILPI
223
**Grupos de Convivência
Tabela 2: Grau de edentulismo em idosos participantes de dois grupos de
convivência e residentes em uma ILPI (UA-STDS), segundo o CPO-D, o uso e a
necessidade de prótese dentária, Fortaleza-CE, 2011
Variáveis
Institucionalizados
Não
Institucionalizados
CPO-D (médio)
29,88
30,17
Composição Percentual (%) de
Dentes Perdidos – P- no CPO-D
93,27
63,70
Uso de Prótese (%)
Superior
Prótese Total*
Inferior
Prótese Total*
10,20
7,14
3,06
3,06
71,20
66,40
32,80
31,20
Necessidade de Prótese (%)
Superior
Prótese Total*
Inferior
Prótese Total*
94,90
88,78
97,96
88,78
67,20
56,00
78,40
53,60
*Destaque para Prótese Total
97
QUADRO 1: Uso e necessidade de prótese dentária
LOCAL
USO (%)
NECESSIDADE (%)
Araraquara-SP
(Silva et al., 2000)
Institucionalizado
63,00
Não Institucionalizado
83,80
Institucionalizado
61,00
Não Institucionalizado
80,00
Piracicaba-SP
(Silva et al., 2002)
Superior
Inferior
Superior
Inferior
S B Brasil 20022003/Nordeste / Ceará (2004)
Não Institucionalizado
Não Institucionalizado
Fortaleza-CE
(Gaião et al., 2005)
Institucionalizado
Superior 30,00
Inferior
18,70
Institucionalizado
Superior
84,40
Inferior
88,70
Florianópolis-SC
(Benedetti et al., 2007)
Fortaleza-CE
(Moura et al., 2008)
80,33
57,38
75,10
Institucionalizado
Superior
10,20
Inferior
3,06
Não Institucionalizado
Superior
71,20
Inferior
32,80
4,92
22,60
Institucionalizado
Superior
94,90
Inferior
97,96
Não Institucionalizado
Superior
67,20
Inferior
78,40
98
APÊNDICE I
PUBLICAÇÕES
ARTIGOS CIENTÍFICOS/PERIÓDICOS
1- SELF-PERCEPTION OF ORAL HEALTH IN OLDER ADULTS: AN IMPORTANT
INPUT INTO PUBLIC
POLICY-MAKING (ACEITO. NO PRELO. Será publicado
no próximo número do JOURNAL OF AMERICAN GERIATRICS SOCIETY – JGS –
Manuscript nº 3582 - Qualis A1 – Medicina II)
2- ORAL HEALTH AND SELF-PERCEPTION IN THE ELDERLY: ACTUAL
RESULTS AND DIVERGENT RELATIONSHIPS (EM FASE DE REVISÃO. Será
submetido ao THE JOURNALS OF GERONTOLOGY - Qualis A1 – Medicina II)
3- USO E NECESSIDADE DE PRÓTESE DENTÁRIA EM IDOSOS
INSTITUCIONALIZADOS E PARTICIPANTES DE GRUPOS DE CONVIVÊNCIA
(ARTIGO CIENTÍFICO APRESENTADO NO EXAME DE QUALIFICAÇÃO realizado
em 30 de junho de 2011) - Será submetido ao INTERNATIONAL JOURNAL OF
EPIDEMIOLOGY – Qualis A1 – Medicina II)
4- PERFIL EPIDEMIOLÓGICO EM SAÚDE BUCAL E AVALIAÇÃO COGNITIVA
DOS IDOSOS RESIDENTES EM UMA INSTITUIÇÃO DE LONGA PERMANÊNCIA
NO NORDESTE DO BRASIL - Será submetido à CADERNOS DE SAÚDE PÚBLICA
– Qualis B3 – Medicina II)
5- DENTE POR DENTE: A AUTOPERCEPÇÃO DA PERDA DENTÁRIA DE
IDOSOS NO NORDESTE DO BRASIL (Recorte da Pesquisa do doutorado onde se
usou um Questionário de Autopercepção do SB Brasil 2003 e um outro Instrumento
elaborado para o Projeto PIBIC/UFC/CNPq – 2009/2010) – Artigo em fase de
elaboração. Periódico a definir.
6- O RESGATE DA AUTOESTIMA DO IDOSO POR MEIO DA REABILITAÇÃO
ORAL. Em fase de elaboração. Periódico a definir.
99
APÊNDICE J
TRABALHOS APRESENTADOS COM RESUMOS EM ANAIS
1. Lemos MVS, Farias ISS, Muniz FWMG, Ribamar SMM. Moura WVB.
Implicações psicológicas do edentulismo e da reabilitação protética em
pacientes idosos. 20° Congresso Internacional de Odontologia do Rio de
Janeiro, 2011, Rio de Janeiro. Anais do 20° Congresso Internacional de
Odontologia do Rio de Janeiro, 2011.
2. Moura WVB, Araújo GS, Vasconcellos AA, Frota DPT, Rolim FJR, Ferreira
LRM, Furtado GES, Costa ICC. Comparação de resultados do uso e da
necessidade de prótese dentária entre idosos institucionalizados e não
institucionalizados, Ceará. 27ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de
Pesquisa Odontológica, Águas de Lindóia, São Paulo. Brazilian Oral
Research, 2010, 24:352.
3. Frota DPT, Aguiar ASW, Furtado GES, Lino DC, Gomes ALF, Muniz, FWMG,
Costa ICC, Moura WVB. Autopercepção e condições de saúde bucal de
idosos de dois grupos de convivência em Fortaleza (CE), 2009. 27a Reunião
da Sociedade Brasileira de Pesquisa Odontológica, 2010, Águas de Lindóia.
Brazilian Oral Reaserach, 2010, 24:146-146.
4. Muniz FWMG, Lima JFS, Lino DC, Moura WVB. Autopercepção de saúde
bucal e qualidade de vida na terceira idade. IX Jornada Odontológica
Integrada dos Acadêmicos da UFC, 2010, Fortaleza, CE. Anais da IX Jornada
Odontológica dos Acadêmicos da UFC, 2010.
5. Fernandes JSL., Pequeno JHP, Vasconcellos AA, Moura WVB. Estudo
longitudinal de diabetes mellitus em idosos institucionalizados de FortalezaCeará: promoção de saúde integral pela equipe de saúde bucal. IX Jornada
Odontológica Integrada dos Acadêmicos da UFC, 2010, Fortaleza, CE. Anais
da IX Jornada Odontológica Integrada dos Acadêmicos da UFC, 2010.
6. Aguiar ASW, Frota DPT, Moura WVB. Avaliação das condições de saúde
bucal de idosos participantes de dois grupos de convivência, Fortaleza,
Ceará, 2009. UFC Encontros Universitários, 2010, Fortaleza. CE. Anais UFC
Encontros Universitários, 2010.
7. Frota DPT, Pequeno JHP, Lino, DC, Lavor DBH. Prevalência das alterações
orais de tecidos mole em idosos institucionalizados de Fortaleza, Ce, 2008.
Jornada Sobralense de Diagnóstico Oral, 2009, Sobral, CE. Anais da I
Jornada Sobralense de Diagnóstico Oral, 2009.
8. Lino DC, Moura WVB, Barbosa TB, Costa ICC. Projeto Sorriso Grisalho – uma
prática multidisciplinar em Gerontologia. III Congresso Internacional de
Odontologia, 2009, Fortaleza, CE. Anais do III Congresso Internacional de
Odontologia, 2009.
100
9. Frota DPT, Nojosa JS, Muniz FWMG, Moura WVB. Perfil epidemiológico do
uso e necessidade de próteses dos idosos residentes na Unidade de Abrigo
da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS), Fortaleza, CE,
2008. III Congresso Internacional de Odontologia, 2009, Fortaleza, CE. Anais
do III Congresso Internacional de Odontologia, 2009.
10. Moura WVB, Furtado GES, Costa ICC, Almeida MEL, Frota DPT, Pequeno,
JHP. Avaliando a saúde bucal de idosos institucionalizados em Fortaleza,
Ceará, 2008. 26a Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Pesquisa
Odontológica, 2009, Águas de Lindóia - SP. Brazilian Oral Research, 2009,
7(23):279-279.
11. Frota DPT, Araujo GS, Nojosa JS, Costa ICC, Moura, WVB, Furtado GES.
Uso do Mini-Exame do Estado Mental previamente à reabilitação oral em
idosos institucionalizados de Fortaleza (CE). XI Reunião da Sociedade
Nordestina de Pesquisa Odontológica, 2009, Fortaleza. International Journal
of Dentistry, 2009, 8:59-59.
12. Gomes ALF, Vasconcellos AA, Pequeno JH, Lino DC, Muniz FWMG, Moura
WVB. Perfil epidemiológico da saúde bucal de idosos residentes em uma
instituição de longa permanência em Fortaleza, Ceará. XI Reunião da
Sociedade Nordestina de Pesquisa Odontológica, 2009, Fortaleza.
International Journal Dentistry. Recife, PE: Associação Brasileira de Editores
Científicos, 2009, 8:43-43.
13. Moura WVB, Furtado GES, Costa ICC, Almeida MEL, Frota DPT, Pequeno
JHP, Vasconcellos AA, Gomes ALF, Almeida PC. Projeto Sorriso Grisalho:
Desenvolvendo Ações de Ensino, Pesquisa e Extensão na Interação
Universidade/Serviço/Sociedade. IX Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva,
Recife. CD de Anais do Congresso de Saúde Coletiva, 2009.
14. Araujo GS, Frota DPT, Vasconcellos AA, Gomes ALF, Moura WVB, Furtado
GES. Aspectos epidemiológicos do edentulismo em idosos institucionalizados
e não institucionalizados em Fortaleza, CE. XI Reunião da Sociedade
Nordestina de Pesquisa Odontológica, 2009, Fortaleza. International Journal
of Dentistry, 2009, 8:74-74.
15. Frota DPT, Araujo GS, Nojosa JS, Costa ICC, Moura WVB, Furtado GES. Uso
do Mini-Exame do Estado Mental previamente à reabilitação oral em idosos
institucionalizados de Fortaleza (CE). XI Reunião da Sociedade Nordestina de
Pesquisa Odontológica, 2009, Fortaleza. International Journal of Dentistry,
2009, 8:59-59.
16. Araujo GS, Muniz FWMG, Barbosa TB, Moura WVB. Projeto Sorriso Grisalho:
a execução das atividades de ensino e extensão e o delineamento da
pesquisa na prática da Gerodontologia. VIII Jornada Odontológica Integrada
dos Acadêmicos da UFC, 2009, Fortaleza. Anais da VIII Jornada
Odontológica Integrada dos Acadêmicos da UFC, 2009.
101
17. Moura WVB, Souza, FJP; Almeida MEL, Mota MV, Almeida PC, Arrais PS.
Social inequality and oral health: an epidemiologic study of Ceará s elderly
population, in Brazil. 19 º IAGG World Congress of Gerontology and
Geriatrics, 2009, Paris. JNHA The Journal of Nutrition, Health & Aging, 2009,
13:357-357. Trabalho apresentado em Congresso Internacional
18. Lino DC, Martins MDB, Muniz FWMG, Moura WVB. Lesões cariosas
radiculares em pacientes idosos. VII Jornada Odontológica Integrada dos
Acadêmicos da UFC, 2008, Fortaleza. Anais da VII Jornada Odontológica
Integrada dos Acadêmicos da UFC, 2008.
19. Almeida MEL, Moura WVB, Souza FJP, Almeida PC. Desigualdade social e
saúde bucal do idoso: um estudo epidemiológico no Ceará-Parte II. 25ª
Reunião Anual SBPqO, 2008, Águas de Lindóia. Braz Oral Res 2008, 22:p.
49-49.
Resumos expandidos publicados em anais de congressos
20. Nojosa JS, Muniz FWMG, Lima JFS, Rolim FJR, Ferreira LRM, Moura WVB.
Perfil cognitivo e reabilitação oral de idosos institucionalizados de Fortaleza
(CE). 63ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da
Ciência, 2011, Goiânia. Anais da 63ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira
para o Progresso da Ciência, 2011.
102
APÊNDICE K
PARTICIPAÇÃO EM EVENTOS
1. XIX Encontro de Extensão, 2010. (Encontro).
2. 27ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Pesquisa Odontológica, 2010.
(Outra).
3. XXVII Encontro Nacional de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas
Brasileiras, 2010. (Encontro).
3. III Congresso Internacional de Odontologia, 2009. (Congresso).
4. IX Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, 2009. (Congresso).
5. 19th IAGG World Congress of Gerontoloy and Geriatrics, 2009. (Congresso).
6. IX Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, 2009. (Congresso).
7. XVIII Encontro de Extensão, 2009. (Encontro).
8. 26ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Pesquisa Odontológica, 2009.
(Outra).
9. XI Reunião da Sociedade Nordestina de Pesquisa Odontológica, 2009. (Outra).
10. I Jornada Sobralense de Diagnóstico Oral, 2009. (Outra).
11. XXVI Encontro Nacional de Pró-Reitores de Extensão das Universidades
Públicas Brasileiras, 2009. (Outra).
12. Jornada Científica "Perspectiva do Ensino e Pesquisa no Hospital Universitário",
2009. (Outra).
13. XVII Encontro de Extensão, 2008. (Encontro).
14. I Encontro de Pós-Graduação e XXVII Encontro de Iniciação Científica, 2008.
(Encontro).
15. 25ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Pesquisa Odontológica, 2008.
(Outra).
6 - ANEXOS
103
104
105
106
107
ANEXO 3
Autopercepção
Como classifica sua saúde bucal?
(
) Não sabe/não informou (
) Péssima (
) Ruim (
) Regular (
) Boa (
)
Ótima
Como você classifica a aparência de dentes e gengivas?
(
) Não sabe/não informou (
) Péssima (
) Ruim (
) Regular (
) Boa (
)
) Ruim (
) Regular (
) Boa (
)
) Regular (
) Boa (
)
Ótima
Como classifica a mastigação?
(
) Não sabe/não informou (
) Péssima (
Ótima
Como classifica a fala devido a dentes e gengivas?
(
) Não sabe/não informou (
) Péssima (
) Ruim (
Ótima
De que forma saúde bucal afeta o relacionamento?
(
) Não sabe/não informou (
) Não afeta (
) Afeta pouco (
menos ( ) Afeta muito
Quanto de dor sentiu nos últimos seis meses?
( ) Nenhuma dor ( ) Pouca dor ( ) Média dor ( ) Muita dor
Fonte: SB Brasil 2003
) Afeta mais ou
108
ANEXO 4
MINI EXAME DO ESTADO MENTAL – MEEM
NOME:
IDADE:
ESCOLARIDADE:
POSSIBILIDADE DE REALIZAÇÃO DO EXAME:
MOTIVO DA IMPOSSIBILIDADE:
ORIENTAÇÃO TEMPORAL
Dia do Mês
Mês
Ano
Dia da semana
Hora
ORIENTAÇÃO ESPACIAL
Local Genérico
Local Específico
Bairro ou rua próxima
Cidade
Estado
MEMÓRIA IMEDIATA
Rádio
Banana
Sapato
ATENÇÃO E CÁLCULO
100-7= 93
93-7= 86
86-7= 79
79-7= 72
72-7= 65
MEMÓRIA DE EVOCAÇÃO
Rádio
Banana
Sapato
LINGUAGEM
Relógio
Nomeação
Caneta
Repetir: “Nem aqui, nem ali, nem acolá”
“Pegue o papel com a mão
direita...”
Comando
... dobre-o ao meio...
... e coloque-o no chão”
Ver e executar – Gravura “Feche os olhos”
Escrever uma frase
Copiar o desenho
TOTAL DE PONTOS:
DATA:
( ) SIM
/
/
( ) NÃO
ERRADO
0
0
0
0
0
ERRADO
0
0
0
0
0
ERRADO
0
0
0
ERRADO
0
0
0
0
0
ERRADO
0
0
0
ERRADO
0
0
0
0
CERTO
1
1
1
1
1
CERTO
1
1
1
1
1
CERTO
1
1
1
CERTO
1
1
1
1
1
CERTO
1
1
1
CERTO
1
1
1
1
0
0
0
0
0
1
1
1
1
1
109
ANEXO 5
INSTRUÇÕES PARA APLICAÇÃO DO MINI EXAME DO ESTADO MENTAL (MEEM)
A aplicação do teste será individual e em local o mais reservado possível.
Tempo de realização do mini exame: 10 minutos por idoso.
Não fazer a mesma pergunta mais de 3 vezes.
ETAPAS
1. CABEÇALHO - Perguntar o nome completo, idade e escolaridade.
“Qual o seu nome completo?”
“Quantos anos o Sr.(a) tem?” ou “Em que ano o senhor(a) nasceu?”
“Você estudou? Até que ano você estudou?”



2. ORIENTAÇÃO TEMPORAL - Perguntar dia do mês, mês, ano, dia da semana e hora
(sem a utilização de calendários ou relógios).
“Que dia do mês é hoje?”
“Em que mês nós estamos?”
“E em que ano?”
“Que dia da semana é hoje?”
“Sem olhar no relógio, que horas são mais ou menos?”
Considerar certo, até uma hora a mais ou a menos da hora real.
3. ORIENTAÇÃO ESPACIAL - Perguntar que lugar (genérico) ele está, que lugar
(específico) ele está, bairro ou rua próxima, cidade e estado.
“O que é este prédio em que nós estamos?” – Usar gesto circular para indicar o lugar
genérico (Unidade de Abrigo, Abrigo, Asilo, Minha casa, etc).
“E que lugar é este em que nós estamos?” – Usar indicador apontando para baixo, indicando
lugar específico (Quarto, Refeitório, Consultório, Jardim, etc).
“Em que bairro nós estamos?” ou “Que bairro é este?” ou “O senhor sabe o nome de alguma
rua aqui perto?”
“Em que cidade nós estamos?” ou “Que cidade é esta?”
“Em que estado nós estamos?” ou “Que estado é este?”
4. MEMÓRIA IMEDIATA - Pedir para repetir as palavras: Rádio, Banana e Sapato.
“Eu vou falar três palavras que o Sr.(a) vai repetir agora e depois vai repetir de novo daqui a
pouco: RÁDIO, BANANA E SAPATO.”
Dizer as três palavras no ritmo de uma palavra por segundo. Dê um ponto para cada palavra
repetida, mesmo que não esteja na ordem. Caso não sejam repetidas corretamente, diga
novamente as três palavras e peça para repetir, mas sem contar pontos desta vez.
5. ATENÇÃO E CÁLCULO - Perguntar quanto é cem menos sete e assim sucessivamente.
“Agora vamos fazer algumas contas de diminuir”
100-7= 93
93-7= 86
86-7= 79
79-7= 72
72-7= 65
Pergunte quanto é cem menos sete. Se a resposta for correta peça para subtrair sete do
resultado. Caso seja incorreta, aguarde um momento em silêncio. Se houver correção
espontânea, considere como certo e passe para frente. Se não houver, corrija e continue até
completar as cinco subtrações. Um ponto para cada resposta correta.
110
6. MEMÓRIA DE EVOCAÇÃO - Pedir para repetir as palavras que foram ditas
anteriormente.
“O Sr(a) lembra daquelas três palavras que eu falei e o Sr (a) repetiu? Quais são as três
palavras?”
Um ponto para cada palavra correta, não necessita seguir a mesma ordem.
7. LINGUAGEM - Perguntar mostrando objetos RELÓGIO e CANETA.
“Gostaria que o (a) Sr.(a) me dissesse o que são esse objetos...”.
Mostrar relógio e caneta.
8. LINGUAGEM - Pedir para repetir.
“Repita comigo: Nem aqui, nem ali nem acolá"
9. LINGUAGEM – Comando
“Faça exatamente como eu disser: Pegue o papel com a mão direita; dobre-o ao meio; e
coloque-o no chão.”
Em seguida, coloque uma folha de papel sobre a mesa, em frente ao paciente. Um ponto
para cada uma das três etapas.
10. LINGUAGEM - Ver e executar.
“Vou mostrar uma figura e gostaria que o (a) Sr.(a) fizesse a mesma coisa que aparece na
figura.”
Mostrar a gravura dos olhos fechados e esperar se executa o comando.
11. LINGUAGEM - Escrever uma frase.
“Gostaria que o (a) Sr.(a) escrevesse uma frase. Tem que ter começo, meio e fim. Pode ser
um pensamento ou alguma coisa que o (a) Sr.(a) fez hoje.”
Um ponto se a frase for inteligível. Escrever o próprio nome completo não é válido.
Desconsiderar erros de ortografia.
12. LINGUAGEM - Copiar o desenho.
“Agora, gostaria que o (a) Sr.(a) copiasse esse desenho para mim...”.
Mostrar a figura dos pentágonos superpostos e entregar folha e lápis, sem borracha. Um
ponto se houver duas figuras com cinco ângulos que se sobreponham um sobre o outro.
Cada participante deverá possuir: Lapiseira ou lápis e borracha para utilização própria; Lápis
para utilização pelo idoso; A gravura dos olhos fechados e a dos pentágonos; Prancheta com
MEEM; Relógio e Caneta para mostrar ao idoso; Folha em branco para que ele desenhe os
pentágonos; escreva a frase e repita o comando.
111
7 REFERÊNCIAS
1. Papaléo Netto M, Ponte JR. Envelhecimento: desafio na transição do século. In:
Papaléo Netto M. Gerontologia. São Paulo: Ateneu; 1996; 3-1.
2. Barreto SM, Giatti L, Kalache A. Gender inequalities in health among older
Brazilian adults. Rev Panam Salud Pública. 2004;16:110-7
.
3. Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de
Atenção Básica. Projeto SB Brasil 2003: condições de saúde bucal da população
brasileira 2002-2003: resultados principais. Brasília: Ministério da Saúde; 2004.
4. Antunes JL, Narvai PC. Dental health policies in Brazil and their impact on
health inequalities. Rev Saúde Pública 2010; 44(2):360-5.
5. Minayo MCS, Hartz, ZMA. Qualidade de vida e saúde: um debate necessário.
Ciênc Saúde Coletiva 2000; 5(1):7-18.
6. Brasil. Ministério da Saúde. Brasil Sorridente: a saúde levada a sério. Disponível
em www.saude.gov.br. Acesso: 12 abril, 2011.
7. Sesa. Secretaria da Saúde do Estado do Ceará. Projeto SB Ceará:
Levantamento epidemiológico em saúde bucal do Estado do Ceará - SB Ceará:
resultados finais. Fortaleza: SESA; 2004.
8. Who. World Health Organization. Oral health surveys: basic methods. 4 ed.
Geneva: WHO; 1997.
9. Gaião LR, Almeida MEL, Heukelbach J. Perfil epidemiológico da cárie dentária,
doença periodontal, uso e necessidade de prótese em idosos residentes em uma
instituição na cidade de Fortaleza, Ceará. Rev Bras Epidemiol .2005; 8(3):316-23.
10. Bortoli D, Lucatelli FA, Fadel CB, Baldani MH. Associação entre percepção de
saúde bucal e indicadores clínicos e subjetivos: estudo em adultos de um grupo
de educação continuada da terceira idade. Publ. UEPG: Ci. Biol. Saúde, Ponta
Grossa, 9 (3/4): 55-65, set./dez.2003.
11. Rocha AD; Okabe i.; Martins MEA.; Machado PHB.; Mello TC. Qualidade de vida:
ponto de partida ou resultado final? Ciência & Saúde Coletiva, 5(1):63-81, 2000.
12. Costa EHM, Saintrain, MV de, Vieira APGF. Autopercepção da condição de
saúde bucal em idosos institucionalizados e não institucionalizados. Ciência &
Saúde Coletiva, 2010, 15(6): 2925-2930.
13. Bertolucci PHF, Brucki SMD, Campacci SR, Juliano Y. O Mini-exame do estado
mental em uma população geral: impacto da escolaridade. Arq Neuropsiquiatr.
1994; 52(1):1-7.
112
14. Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade. Academia Brasileira
de Neurologia. Demência do idoso: diagnóstico na Atenção Primária à Saúde.
Projeto Diretrizes. São Paulo: Associação Médica Brasileira, Conselho Federal de
Medicina; 2009.
15. World Health Organization Quality of Life Assessment. What quality of life? World
Health Forum 1996;17(4):354-6.
113
ABSTRACT
Objective: The objective of the study was to analyze the epidemiological profile of
oral health of 98 retirement home residents (RHRs) and 125 elderly members of two
socioeconomically similar community groups (CGMs) in the suburbs of Fortaleza
(Northeastern Brazil) and compare the subjects’ self-perception of oral health to
findings from two large epidemiological studies with national (SB Brasil) and statewide (SB Ceará) coverage. Due to the large number of RHRs who were either
demented or refused dental treatment, the mini-mental state examination (MMSE)
was administered to identify subjects fit for oral rehabilitation. Methods: Data were
collected by five dentists, based on WHO criteria (1997). Results: The average
DMFT of RHRs was 29.88, with predominance of the component “missing teeth”
(93.27%). The corresponding figures for CGMs were 30.17 and 63.70%. The need
for dental prosthesis was also evaluated: 10.20% and 3.06% of RHRs used upper
and lower prosthesis, respectively, whereas 94.90% and 97.96% needed them. Total
prosthesis was the most prevalent type (88.78% in both arches). Among the CGMs,
71.20% used upper prosthesis (66.40% of which were total) and 32.80% used lower
prosthesis (31.20% of which total), whereas 67.20% and 78.40% needed them
(56.00% and 53.60% of which total). In the present study, the use and need of dental
prosthesis (considering both arches) differed significantly between RHRs and CGMs,
as shown by the Chi-square test (p<0.001). The MMSE revealed cognitive
impairment (score ≤12) in 37.25% of responders and age-associated cognitive
decline. Conclusion: Use of total prothesis was more common in the upper arch.
Absence of prothesis of any type was more frequenly observed in the lower arch.
Need of prothesis was greater than use of prothesis in both groups. The subjects
showed signs of previous mutilating treatment and were in need of oral rehabilitation,
assumed to be covered by public policies. Overall, oral health self-perception was
positive despite unsatisfactory clinical conditions, poor oral health and a strong
prevalence of dental caries and edentulism. The MMSE revealed cognitive
impairment in most subjects, confirming the notion that the use of this test prior to
oral rehabilitation (identifying subjects fit for prosthesis use and capable of efficient
self-care) can prevent unnecessary spending. Our findings reflect a need for
reviewing public policies of oral rehabilitation of the elderly, based on the perspective
of integrality as a principle of the Brazilian unified health care system (SUS). The
making of specific dental health policies for this group would improve quality of life
due to better chewing, digestion and nutrition (enhanced absorption of nutrients) and
better communication, thereby contributing to socialization and heightened selfesteem.
Key words: Cognition; Dental Prosthesis; Epidemiology; Oral Health; Self-Image;
The Elderly.
114
RESUMEN
Objetivo: El presente trabajo ha objetivado analizar las características
epidemiológicas de las condiciones de salud bucal de 98 ancianos de una institución
de larga permanência para ancianos (ILPI) y de 125 participantes de Grupos de
Convivencia, de Barrios periféricos, socialmente semejantes, de Fortaleza, Ceará,
Brasil, para orientar el tratamiento odontológico de estos sujetos. Se investigó la
auto-percepción en salud bucal de esos ancianos, con el fin de realizar una
evaluación comparativa entre ellos y con plateamientos epidemiológicos de base
nacional (SB Brasil) y de base estadual (SB Ceará). Debido a que algunos ancianos
de La ILPI han rechazado el tratamiento dentário y la identificación del alto
porcentaje de demenciados, se optó por realizar una evaluación cognitiva, el Mini
Examen del Estado Mental (MEEM) objetivando identificar los aptos a la
rehabilitación oral. Métodos: La recolección de datos se ha realizado por cinco
examinadores, utlizando los crtierios metodológicos recomendados por La OMS
(1997). Resultados: El CPO-D promedio hallado en la ILPI, há sido de 29,88, con
predominio del componente perdido (93,27%) mientras el CPO-D promedio de los no
insticuionalizados se ha fijado en 30,17%, con predominio del componente perdido
(63,70%). Se ha evaluado también el uso y la necesidad de prótesis dentaria: dos
residentes en la ILPI, el 10,20% usaban prótesis superior y el 3,06%, inferior; el
94,90% necesitaban de prótesis superior y el 97,96% de inferior; siendo la prótesis
total el tipo más prevalente, 88,78% para ambos los arcos. El porcentaje del uso de
prótesis no institucionalizados ha sido el 71,20% en el arco superior, siendo el
66,40% prótesis total; ya para el arco inferior, 32,80% de las que el 31,20% era
prótesis total. En el presente estúdio, tanto para uso como para necesidad,
considerándose ambos los arcos, la diferencia entre los ancianos institucionalizados
y no institucionalizados ha sido estadísiticamente significativa por el test Qui
cuadrado (p<0,001). Como resultado del MEEM, se observó deterioro cognitivo
(escore ≤ 12) en el 37,25% de los entrevistados, así como uma diminución cognitiva
con el avance de la edad. Conclusiones: Relacionado al tipo de prótesis, los
resultados apuntan que hay un mayor porcentaje de uso de prótesis total en el arco
superior y mayor frecuencia en cuanto a la ausencia de prótesis de cualquier tipo en
el arco inferior. Se ha evidenciado que los ancianos investigados han sido sometidos
a tratamiento mutilador y, como consecuencia, necesitan de rehabilitación oral, lo
que presupone la necesidad de políticas públicas para que ello ocurra
efectivamente. Los participantes de ese estudo se caracterizan por una
autopercepción positiva de su salud bucal, pese a las condiciones clínicas
insatisfactorias y de precaria salud bucal, con acentuada prevalencia de caries
dental y pérdida de dientes. El MEEM ha revelado deficiencia cognitiva en la mayoría
de los ancianos, confirmando que su aplicación, previamente a la rehabilitación oral
puede evitar despilfarro financieros. Tales hallazgos reflejan la necesidad de
implementación de políticas rehabilitadoras en salud bucal direccionadas al anciano,
basadas en la perspectiva de la integralidad como principio doutrinario del Sistema
Único de Salud, que redundaría en una mejor calidad de vida, tanto por la mejor
masticación, digestión y nutrición, por el mayor aprovechamiento de los alimentos,
como por el favorecimiento a la comunicación, por la dicción y habla, contribuyendo
para la socialización y consecuente elevación de la autoestima de esa clientela.
Palabras-llave: Anciano, Autopercepción,
Dentaria, Salud Bucal.
Cognición, Epidemiología, Prótesis
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universidade federal do rio grande do norte centro de