1 UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO CAMPUS PETROLINA NAIDIELE DE OLIVEIRA LIMA A IMPORTÂNCIA DO ENSINO DE GEOGRAFIA PARA A FORMAÇÃO DO ALUNO DO CAMPO E DA CIDADE PETROLINA JUNHO DE 2009 2 NAIDIELE DE OLIVEIRA LIMA A IMPORTÂNCIA DO ENSINO DE GEOGRAFIA PARA A FORMAÇÃO DO ALUNO DO CAMPO E DA CIDADE Monografia apresentada como exigência parcial do grau de licenciatura em Geografia à comissão julgadora da Universidade de Pernambuco- Campus Petrolina, sob orientação da professora Msª Raimunda Áurea Dias de Sousa. PETROLINA JUNHO DE 2009 3 NAIDIELE DE OLIVEIRA LIMA A IMPORTÂNCIA DO ENSINO DE GEOGRAFIA PARA A FORMAÇÃO DO ALUNO DO CAMPO E DA CIDADE Monografia apresentada como exigência parcial do grau de licenciatura em Geografia à comissão julgadora da Universidade de Pernambuco- Campus Petrolina, sob orientação da professora Msª Raimunda Áurea Dias de Sousa. Aprovada em ___/___/ 2009 Banca Examinadora: ____________________________________ Orientadora Profª. MS. Raimunda Áurea Dias de Sousa _____________________________________ Examinador (nome e titulação) _____________________________________ Examinador (nome e titulação) PETROLINA JUNHO DE 2009 4 Dedico este trabalho a minha irmã por ser minha inspiração. 5 AGRADECIMENTOS A Deus primeiramente por ter me dado sabedoria, paciência e força de vontade pra desenvolver este trabalho, superar todas as dificuldades e alcançar a vitória. A minha orientadora Ms. Raimunda Áurea Dias de Souza por acreditar no meu potencial e me ajudar na construção do conhecimento ao passo que apontou meus erros, desafios, mas que também possibilitou mudanças com carinho, muita paciência e compromisso. A minha família e em especial, minha mãe e Miralva por estarem ao meu lado, tendo compreensão e dando-me incentivo e apoio sempre. A meu namorado Wellington por tantas vezes ter suportado minhas inquietudes, impaciência e cansaço emocional. As coordenadoras do Colégio Municipal Paulo VI, Eliane Maia e Cristocarmen Rabelo por colaborarem ao disponibilizar o acesso ao colégio e ajudarem no que fosse necessário. Á Diretora do Colégio municipal Graciosa Xavier Ramos Gomes, Evilânia Maria dos Santos Duarte, á coordenadora Marlete de Jesus de Souza e toda a equipe de funcionários que contribuíram muito para que eu realizasse uma pesquisa com qualidade. Aos estudantes do 9° anos das duas escolas pesquisa de campo pela dedicação em responder aos questionários e estarem dispostos a contribuírem em tudo que necessário. Aos professores de Geografia, Maria Margarida Félix Teixeira e Derinalva Alves da Silva Santos que foram excelentes ao responderem os questionários e também por dedicarem tempo e disposição para ajudar nesta pesquisa. As minhas grandes amigas de sala, a “máfia”, por serem amigas de verdade, por todo carinho, paciência e colaboração: Daniela, Sandra, Alexandra, Andrêza, Ana Lúcia, Késia e Graziela. Vocês são mesmo especiais! 6 A tantos outros colegas de classe que também estiveram torcendo por mim pra que desse tido certo, em especial Ihara e Waneza. Á Nielton por sua maravilhosa contribuição em ter se disponibilizado a ajudar. Aos muitos professores que tive ao longo desses quatros anos de graduação, em especial: á professora Celice, Zélia Almeida, Luiz Henrique, Clarismar, Glória e Raimunda Áurea por tudo que me ensinaram. Á professora Fabiana em especial que demonstrou carinho em poder me ajudar. Ao meu grande amigo Eudes Freud por tantas vezes ter-se colocando a disposição e contribuindo muito nesses quatro anos de graduação. A Enoque por algumas vezes ter me ajudado a compreender que tendo força de vontade para aprender posso superar meus medos. 7 ... pensar o espaço tornou a tarefa complexa aos professores de geografia; mas, de certa forma, acabou com a idéia de que o espaço geográfico é uma coisa fixa, morta, petrificada. (SOUSA NETO, 2008, p. 48) 8 RESUMO A ciência geográfica, durante anos, vem sendo tratada como disciplina “enfadonha” pelo fato de trabalhar os conteúdos pautados na memorização. O ensino de geografia, do ponto de vista construtivista partir da geografia crítica, possibilita ao estudante o processo de aprendizagem através da reflexão e discussão sobre a sociedade e a sua intervenção nesta. Partindo desse contexto, é que foi escolhido o tema: ”A importância do ensino de Geografia para formação do aluno do campo e da cidade”,com o objetivo de promover uma reflexão sobre a importância de se estudar Geografia no espaço rural e na cidade a partir da prática pedagógica do professore e como os alunos se situam nesse contexto. Adota como método uma abordagem qualitativa, crítica e reflexiva, fundamentada em uma pesquisa bibliográfica. Para melhor compreensão da realidade, o mais adequado é o método dialético, por cooperar para a análise dos sujeitos envolvidos na pesquisa, e a categoria utilizada é o lugar, porque é a escola que representa melhor a educação para aqueles que ali estão. A referida pesquisa ocorreu no Colégio Municipal Paulo VI, que atende estudantes da sede (Zona urbana) e da Zona rural e no Colégio Municipal Graciosa Xavier Ramos Gomes, no distrito de Carnaíba do Sertão (Zona rural) ambas em Juazeiro-BA. Durante a pesquisa, percebeu-se que o Colégio Municipal Paulo VI e o Colégio Municipal Graciosa Xavier Ramos Gomes, apesar de procurarem um estudo de geografia mais diferenciado, ainda é visível nesses colégios,um ensino tradicional. Essa é uma barreira a ser quebrada porque não é culpa dos professores nem dos alunos é,sim, da formação de nossa sociedade. Palavras-chave: educando – ensino - aprendizagem 9 LISTA DE FIGURAS 1.Mapa do Colégio Municipal Paulo VI..............................................................................33 2. Mapa do Colégio Municipal Graciosa Xavier Ramos Gomes.........................................34 3.Biblioteca da escola de pesquisa: Colégio Municipal Paulo VI.......................................35 4. Turma do 9° ano do Colégio Municipal Graciosa Xavier Ramos Gomes.......................35 5. O gostar de Geografia da escola na cidade .....................................................................29 6. O gostar de Geografia da escola no campo......................................................................30 10 SUMÁRIO INTRODUÇÃO.......................................................................................................................11 1. O ENSINO DE GEOGRAFIA NO CONTEXTO ATUAL.............................................13 1.1 O ENSINO DE GEOGRAFIA PARA JOVENS NO CAMPO........................................17 1.2 O ENSINO DE GEOGRAFIA PARA JOVENS NA CIDADE.......................................20 2.ESTUDAR AS RELAÇÕES DE ENSINO-APRENDIZAGEM NO COLÉGIO MUNICIPAL PAULO VI E NO COLÉGIO MUNICIPAL GRACIOSA XAVIER RAMOS GOMES....................................................................................................................23 2.1 A FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE GEOGRAFIA E SUA CONTRIBUIÇÃO COMO EDUCADOR............................................................................................................................27 2.2 A COMPREENSÃO DO ALUNO DO 9° ANO SOBRE O ENSINO DE GEOGRAFIA...........................................................................................................................29 3. GEOGRAFIA SOB A ÓTICA DE UMA PRÁTICA EDUCATIVA............................36 3.1UMA GEOGRAFIA DIANTE DOS EFEITOS DA GLOBALIZAÇÃO........................40 3.2 ESCOLA, PROFESSOR E ALUNO: DISCUTINDO A RELAÇÃO ENTRE SUJEITOS................................................................................................................................43 CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................................................45 REFERÊNCIAS....................................................................................................................47 ANEXOS.................................................................................................................................50 ANEXO A: Questionário destinado aos alunos.......................................................................51 ANEXO B: Questionário destinado aos professores...............................................................55 11 INTRODUÇÃO É de fundamental importância compreender que a Geografia escolar tem um papel ideológico para formação do educando do campo e da cidade. Porém, ao logo dos anos, a Geografia escolar foi perdendo a capacidade de gerar discussões acerca da realidade presente dos povos, particularmente no que se refere a seu contexto espacial. Essa ciência passa a ser bastante questionada pela sua validade e utilidade como disciplina presente na educação básica não só pelos conteúdos ensinados nas aulas, mas também pelo distanciamento das mesmas a realidade do aluno. Desmistificar a ideia de que a Geografia só serve para decorar uma imensa quantidade de conteúdo não é nada fácil. Trata-se de mostrar que a ciência tem um papel a desempenhar: a construção do conhecimento crítico do aluno a partir da própria realidade. Partido desse contexto, é que foi escolhido a tema: “A importância do ensino de Geografia para a formação do aluno do campo e da cidade”, com o objetivo de promover uma reflexão sobre a importância de se estudar Geografia no espaço rural e na cidade a partir da prática pedagógica do professor e como os alunos se situam nesse contexto. O estudo ocorreu nas escolas: Colégio Municipal Paulo VI, e o Colégio Municipal Graciosa Xavier Ramos Gomes. Este pesquisa baseia-se nas idéias de diversos escritores desde críticos aos que procuram em suas análises está a serviço do capital, assim como outros instrumentos. Por ser uma pesquisa explicativa, baseia-se no método dialético, que propõe discutir a realidade tal como é, e assim, mostrar que o aluno pode deixar de ser apenas um ouvinte na sala de aula para também interagir com o professor na construção do saber. Assim, a categoria geográfica será o “Lugar” que permite nortear a pesquisa quanto o ensino de Geografia na escola esteja ela localizada na sede – Juazeiro-BA ou no campo, distrito de Carnaíba do Sertão. Os instrumentos mediadores desta pesquisa foram: pesquisa bibliográfica para compreender a temática e visitas às escolas campo da pesquisa para aplicar questionário com professores e alunos. O trabalho é dividido em três capítulos para melhor explanação do tema. O primeiro capítulo discorre sobre o ensino de Geografia no contexto atual, ou seja, um ensino desacreditado, mas que define seu papel na educação ao promover o entendimento e intervenção na realidade concreta, a respeito do ensino de Geografia para jovens no campo e também para jovens na cidade. 12 Já o segundo capítulo aborda a realidade do ensino de Geografia nas escolas, a formação do professor de Geografia, sua contribuição como educador e como o aluno do 9° ano do Ensino Fundamental compreende a Geografia. E o terceiro capítulo traz a Geografia sob a ótica de uma prática educativa, destacando a importância desse ensino para a transformação do aluno da cidade e do campo, mostrando uma ciência diante dos efeitos da globalização com os pontos positivos e os negativos, além de discutir a relação que há entre escola, professor e aluno. E, por fim, são apresentadas as considerações finais. O estudo realizado poderá contribuir não só com a melhoria da aprendizagem das escolas analisadas, como servirá para travar novas discussões a respeito da importância da Geografia para leitura do mundo contemporâneo. 13 CAPITULO I 1. O ENSINO DE GEOGRAFIA NO CONTEXTO ATUAL A Geografia é uma ciência necessária, que promove o entendimento e intervenção na realidade concreta que é construída e (re) construída a todo instante pelo homem. O ensino de Geografia pode levar o educando a compreender de forma mais ampla a realidade, possibilitando que nela interfira de maneira mais consciente e propositiva. Pois, na escola e na sala de aula trata-se de um instrumento fundamental para a reflexão atual dos conflitos criados a partir do desenvolvimento econômico, da revolução tecnológica e da expansão capitalista. Porém, apesar de a Geografia ser uma ciência sobremodo de relevância social, que contribui para o esclarecimento das transformações no espaço, atualmente seu papel, na educação, vem sendo discutido e, por assim definir seu ensino, é desacreditado; as aulas são consideradas enfadonhas (forte presença conteudista), uma vez que sua validade e utilidade como disciplina presente na educação e pelos conteúdos ensinados nas aulas, tudo isso conduz a uma insatisfação e a um descomprometimento dos alunos frente a essa disciplina. Para Oliveira (1994), a Geografia é ensinada nas escolas como uma ciência que nada faz, nada entende, nada interpreta, ou seja, sem cor ou dor, uma Geografia neutra. No entanto, segundo Cavalcanti (2005, p. 67): Por meio da visão socioconstutivista, considera-se o ensino a construção de conhecimentos pelo aluno. A afirmação anterior é a premissa inicial que tem permitido formular uma série de desdobramentos orientadores para o ensino de Geografia: o aluno é o sujeito ativo de seu processo de formação e de desenvolvimento intelectual, afetivo e social; o professor tem o papel de mediador do processo de formação do aluno; a mediação própria do trabalho do professor é a de favorecer/propiciar a interação (encontro/confronto) entre o sujeito (aluno) e o seu objeto de conhecimento (conteúdo escolar). Nessa mediação o saber do aluno é uma dimensão importante do seu processo de conhecimento (processo de ensinoaprendizagem). Observa-se que, atualmente, são poucos os alunos que se entusiasmam com o ensino de Geografia. Para eles, o ensino dessa ciência em nada contribuirá em sua vida profissional, já que a sociedade incentiva apenas “as grandes profissões”, aquelas geradoras de renda 14 imediata como: Medicina, Direito, Enfermagem, entre outras. O profissional de Geografia precisa mudar essa realidade como argumenta Kaercher (2002, p. 230) “ou a Geografia se torna útil para os “não-geógrafos (nossos alunos em especial), ou ela tende a desaparecer!” Ensinar uma Geografia de forma contextualizada é um grande desafio para os docentes. Assim, escreve Oliveira (1994, p. 144): ...ensinar uma geografia critica, que forme criticamente a criança, voltada, portanto, para o seu desenvolvimento e sua formação como cidadão. Uma Geografia preocupada desde cedo com o papel que estas crianças/ trabalhadores terão no futuro desse país. Uma Geografia que possibilite às crianças, no processo de amadurecimento físico e intelectual, irem formando/criando um universo crítico que lhes permita se posicionar em relação ao futuro, que lhes permita finalmente construir o futuro. Nesse sentido, a Geografia deve deixar de ser uma mera ciência descritiva, morta, sem importância, para fazer a leitura do espaço produzido pelo trabalho humano. Cabe à geografia levar a compreender o espaço produzido pela sociedade em que vivemos hoje, suas desigualdades e contradições, as relações de produção que nela se desenvolvem e a apropriação que essa sociedade faz da natureza. (OLIVEIRA, 1994, p. 142) Parece que ainda falta, e muito, para o professor de Geografia cumprir seu principal papel ao assumir tal postura, a de formar alunos com uma consciência espacial para a prática da cidadania, de modo que percebam o espaço como elemento fundamental de nossa organização social, que está presente no nosso cotidiano. Pode-se dizer que a crise da Geografia na escola no passado e, ainda, no contexto atual se resume essencialmente na crise de sua finalidade. Já dizia Brabant ( 1976) apud Oliveira (1994, p. 35) há décadas atrás: “Marginalizada no momento de adaptação da escola às necessidades profissionais, a Geografia, está minada por sua aparente incapacidade de dar conta das lutas onde o espaço está em jogo”. Desde sua origem, o conhecimento geográfico, até então conhecido, era unicamente utilizado para justificar a expansão territorial, através do domínio das colônias, a exploração do continente africano dentre outras conquistas. Assim, as condições geográficas favoráveis 15 de determinado continente (no caso, o Europeu) demarcava seu poderio sobre os demais lugares e povos. De tal domínio, surgem vencidos e vencedores envolvidos na disputa pelo espaço, para justificar a primeira corrente do pensamento geográfico (Determinismo, que emerge no final do século XIX). Destaca-se que os paradigmas criados após o Determinismo como: Possibilismo 1, Método Regional2 e a Nova Geografia3 não explicavam a situação de exploração do espaço geográfico e da dominação dos povos. Em meio a isso, inconformada com tantos maltratos dos povos, surge a Geografia Crítica no final do século XIX que, a partir de uma visão crítica, é aceita sob reservas pelo estado Capitalista, na medida em que essa não pode desempenhar seu papel de controle. A Geografia Crítica, baseada na dialética 4, um método de análise, procura analisar a organização da sociedade no mundo, os aspectos que levam às desigualdades sociais e mesmo combater a realidade que, muitas vezes, é injusta. Entretanto, foi nessa tentativa de promover a renovação do ensino da Geografia com a finalidade de enxergar as injustiças sociais e destruição da natureza que se tornou necessário refletir a respeito das práticas adotadas pelo professor na atualidade, que pouco tem mudado. A função do professor, na análise de Kaercher (2002, p. 224), deveria estar baseada na realidade em que vive o aluno. Segundo o autor: É preciso mostrar aos nossos alunos que podemos entender melhor o mundo em que vivemos, se pensarmos o espaço com sendo um elemento que ajuda a entender a lógica, não raro absurda do mundo. Mostrar que sabemos Geografia não é sabermos dados ou informações atuais ou compartimentadas, mas, sim, relacionarmos as informações ao mundo cotidiano de nossos alunos. 1 Em reação ao determinismo ambiental surge, na França no final do século XIX, na Alemanha no começo do XX nos Estados Unidos na década de XX que a semelhança do determinismo ambiental, a visão possibilista focaliza as relações entre o homem e o meio natural, mas não o faz considerando a natureza determinante do comportamento humano e tem como mestre Vidal de la Blache. (CORRÊA, 1987) 2 Consiste no terceiro paradigma da Geografia, opondo-se ao determinismo ambiental e ao possibilismo. Nele, a diferenciação de áreas não é vista a partir das relações entre o homem e a natureza, mas sim da integração de fenômenos heterogêneos em uma dada porção da superfície da terra. Tem merecida a atenção de geógrafos desde pelo menos o século XVII com Varenius. (CORRÊA, 1987, p. 14) 3 Surge em meados da década de 1950, e tem o papel ideológico a ser cumprido. Nasce simultaneamente na Suécia, na Inglaterra e nos Estados Unidos e considera a região um caso particular de classificação, tal com se procede nas ciências naturais. (CORRÊA, 1987, p. 17/18) 4 O método dialético de Marx não é apenas um método cientifico, mas uma transformação na forma de se pensar assim mesmo e o outro: de posicionar-se politicamente no universo de opressão, que é a sociedade que vivemos. (SILVA, 2004, p. 46) 16 Tem-se presenciado a maneira como a Geografia é trabalhada em sala de aula, abstrata, dissociada da vida dos alunos, não despertando a curiosidade do estudante, havendo somente transferência de conhecimento (professor para o aluno), e que, em nenhum lugar, irá chegar; ao contrário, destruirão os possíveis caminhos para uma libertação de pensamento. O prazer, no ato da descoberta não será sentido e, por assim dizer, a reflexão não acontecerá e o aprendizado será apenas uma ilusão. Sobre tal questão, argumenta Resende (1995, p. 115): “Uma Geografia que não apenas cumpra o papel de intrigar o aluno e que não sabe ou não quer responder ‘como e por que as coisas foi parar no pé que chegou’...”. Num mundo globalizado, dotado de tecnologias que geram constantes inovações, o profissional de Geografia precisa estar bem informado, atualizado, além de que, ser criativo, mesmo com a adoção do livro didático tido como único recurso. Sabemos que a questão da educação no Brasil passa por uma série crise. Existe um grande descaso para com os professores, o que é refletido nas condições de trabalho e no salário recebido pelos mesmos. O professor de Geografia está dentro desse contexto. 17 1.1. O ENSINO DE GEOGRAFIA PARA JOVENS NO CAMPO Ao longo da história da humanidade, observa-se que, no campo, não são oferecidas as mínimas condições para se viver dignamente nesse espaço. Com o “progresso” das cidades, o aumento da população e a expansão das áreas urbanas, o campo se torna uma opção, na maioria das vezes, valorizada pelos que estressados do dia a dia recorrem a esses locais como refúgio da correria bem presente nas cidades grandes. Assim, as pessoas, que recorrem ao campo, usufruem da vida “tranquila”, porém o luxo das moradias entra em contradição com a miséria de muitos, quando se levam em conta os costumes, o ritmo, a forma de ser, o tempo, enfim, a maneira de se viver nesse espaço. Historicamente, o campo tem sido visto como um atraso; por isso justifica-se a precariedade dos serviços lá implantados, principalmente a escola, uma vez que a escola foi pensada e levada para o mundo rural, não considerando a própria realidade rural, assim passou a desenvolver uma educação sem compromisso com a vida, com as lutas da população. No nosso país, as ações governamentais e não governamentais que se realizaram no espaço rural não passaram de projetos tecnológicos oriundos de convênios firmados entre governo brasileiro e instituições voltadas apenas para testar as suas metodologias, tecnologias e experiências juntas às populações rurais. Nesse sentido, discorre Reis (2004 p.27/28): Na verdade, não existia, nem por parte do governo, nem por parte das instituições internacionais, um compromisso com o desenvolvimento das pessoas e das comunidades rurais nas quais desenvolviam os seus projetos, já que os interesses aos quais estavam subordinados só buscavam satisfazer a difusão de aparatos tecnológicos das instituições estrangeiras... Então, nota-se que a educação funciona como importante instrumento de fortalecimento do poder dos grupos dominantes que oprime e destrói o intelecto das classes dominadas (discentes, trabalhadores...) permitindo que essas reflitam redimensionando os saberes e conhecimentos adquiridos, assumindo postura crítica diante realidade que se encontra e tenha possibilidade de lutar contra todas as formas de opressão para a melhoria das condições de vida e o desenvolvimento da sua comunidade. 18 Dentro dessa perspectiva, deve ser compreendida a Educação Rural ou “Educação básica do Campo” a que está voltada aos interesses e ao desenvolvimento sócio-cultural e econômico dos povos que não somente habitam, mas trabalham no campo. Para garantir a função da Escola na sociedade, os professores devem constantemente estar pensando e repassando as próprias práticas, particularmente, quando se depararem com as especificidades que têm os jovens do campo. Dessa forma, o ensino da Geografia deve preocupar-se com o espaço nas suas multidimensões (estruturas e forma de organização e interação) e deve dar conta de explicar porque esses espaços são tão diferenciados para textualizar as novas leituras de vida. As ciências, ao longo do tempo, passam por mudanças, pois as sociedades estão em processo constante de transformação (re) construções. E com a ciência geográfica não seria diferente, uma vez que ela é capaz de sobrepor o conhecimento do cotidiano aos conteúdos escolares, sem distanciar-se do formalismo teórico dessa ciência. Seguindo esse raciocínio Reis (2004, p. 71/72) destaca: A realidade concreta, o cotidiano, o meio e todas as relações pessoais, interpessoais, subjetivas, sociais, culturais, produtivas, necessidades e condições de vida, devem servir e funcionar como um campo de oxigênio necessário à manutenção da vida da própria Escola, o que lhe garantirá a existência e, de certa forma, o compromisso com a educação voltada para a vida e para o desenvolvimento integrado e sustentável das comunidades atendidas pela mesma, já que a Educação deve ser a razão das comunidades. A respeito desse conteúdo a Lei nº. 9.394/96 (2008, p. 273) da LDB estabelece que: Art. 28. Na forma da educação básica para a população rural, os sistemas de ensino promoverão as adaptações necessárias à sua adequação, às peculiaridades da vida rural e de cada região, especialmente: I – conteúdos curriculares e metodologias apropriadas às reais necessidades e interesses dos alunos da zona rural; II – organização escolar própria, incluindo a adequação do calendário escolar às fases do ciclo agrícola e condições climáticas; III – adequação à natureza do trabalho na zona rural. 19 Então, dentro dessa perspectiva o ensino de Geografia voltado para jovens no campo deve respeitar e trabalhar a diversidade do lugar, além de acolher as diferenças sem transformá-las em desigualdades. O panorama vivido por todas as escolas, principalmente, quando se trata da disciplina Geografia observa-se que não é nada satisfatória, e mesmo as do campo precisariam passar por muitas mudanças para gerar uma educação de qualidade. É importante que a Geografia - seu professor tenha por base no campo, a análise e reflexão dos conflitos existentes no mundo, uma vez que essa disciplina assumiu uma postura crítica, repensando a análise que fazemos de forma geral e coerente diante dos problemas vividos pela sociedade mundial. Entretanto, quanto ao ensino de Geografia afirma Moraes (1990, p. 16) “é o estudo da individualidade local o que importa”, mostrando uma Geografia, que tem significado no seu cotidiano, e no qual a vida no lugar passa a ser compreendida, interagindo com a pluralidade dos lugares, num processo de globalização, fortalecendo o espírito de solidariedade como jovens cidadãos do mundo. Assim, quando as escolas inseridas no campo não estão voltadas para a realidade camponesa, contribuem para expulsar os jovens para ser mão-de-obra explorada nas cidades, como escreve Oliveira (2001, p. 60): “A escola em geral contribui para aguçar esse processo no interior da produção camponesa, pois ela tem preparado o jovem para o trabalho assalariado na cidade”. Dessa forma, o jovem passa a ser um expropriado, possuindo unicamente como qualificação, a força de trabalho que foi adquirida na unidade camponesa e que é o principal instrumento utilizado pelo capital. 20 1.2 O ENSINO DE GEOGRAFIA PARA JOVENS NA CIDADE Vivemos num tempo de mudanças. O desafio do novo, em meio à era da globalização capitalista estimula, aparentemente, o homem da cidade a ir adiante, com espírito de iniciativa e a criatividade de uma geração, que vive seu momento histórico dinâmico em que os objetos e as idéias envelhecem rapidamente, tornando necessário o geógrafo, como profissional, ter de dar conta de interpretar a realidade, fazendo a análise do espaço enquanto um resultado do trabalho do próprio homem. As sociedades, ao longo do processo histórico, organizaram e reorganizaram o espaço, em conjunto com a transformação da natureza. Assim, sendo a globalização um fenômeno atual, que gera uma concentração de riqueza e acentua o caráter desigual do desenvolvimento das cidades, o ensino de Geografia vem para oportunizar aos jovens a compreensão das relações sociais, do acesso ao espaço para viver e dar condições para tanto. Observa-se que é na cidade, onde acontece a concentração da população de maneira mais acentuada, mais intensa, mais complexa porque o capital tem se apropriado mais dela, que também distancia os homens da natureza e cria /recria condições novas de relação entre eles. Logo, também é importante fazer o estudo de todo Município nas aulas de Geografia, para entender as diferenças entre campo e cidade. Dentro desse contexto, afirma Callai (2003, p. 78): Ao trabalhar município, no ensino de geografia, estamos fazendo uma opção política que quer fazer com que o aluno se situe no espaço em que vive e que o compreenda como um processo em que a sociedade (isto é, nós) o constrói. Sendo resultado do processo de urbanização, a cidade passou a crescer (inchar) representando aquilo que é “moderno”, ou seja, os laços que ligam as várias pessoas que compartilham um mesmo território para trabalhar, morar, para satisfazer suas principais necessidades de sobrevivência. O ensino de Geografia deve criar oportunidades, situações em que o próprio aluno na cidade teorize e textualize suas significações uma vez que as pessoas assumem diferentes posturas e crescem ao conflitar tais diferenças. Dessa forma, a escola existe para entender as transformações ocorridas no espaço. Assim, necessita estar próxima do aluno. 21 Porém, observa-se, vez após outra, que as escolas na pessoa do professor de Geografia, contudo, excluem o espaço real do espaço geográfico que: “Ao negar o espaço histórico do aluno (e, logo, da Geografia), ele acaba fatalmente por marginalizar o próprio aluno como sujeito do processo de conhecimento e transforma-o em objeto desse processo”. (RESENDE, 1995, p. 84) Nas aulas de Geografia, é imprescindível o processo para trabalhar as particularidades dos diferentes lugares que, mesmo com as novas propostas de ordem social, de blocos econômicos de (re) organização do capital, de mercados modernos, no ensino fundamental, o aluno da cidade analise e textualize as vivências, as diferenças, os conflitos e as ansiedades que têm constantemente. É possível que os professores, na sala de aula, trabalham a ciência geográfica e discuta não somente os assuntos que envolvam o mundo, a cidade, que é o espaço, mas também parte do particular, de muitos homens, fazendo a leitura de tal, percebendo que é cheio de regras, conflitos, e que também é o espaço que acolhe, abriga e onde desenvolve a trajetória pessoal de cada um como espaço de trabalho e produção. Segundo esse raciocínio, Callai (2003, p. 81) escreve: O estudo do município permite que o aluno constate a organização do espaço, que possa perceber nele a influência e/ou interferência dos vários segmentos da sociedade dos interesses políticos e econômicos ali existentes e também de decisões externas ao município, confrontando-se inclusive com interesses locais e da população que ali vive. Com as tecnologias modernas, são muitos os meios de comunicação que passam a orientar, a conduzir o comportamento inclusive dos jovens da cidade. Normalmente, eles ultrapassam as fronteiras políticas e culturais. Com isso, o estudo de Geografia busca ensinar o aluno da cidade a fazer a leitura do mundo, pensar criticamente diante das desigualdades e diversidade sócio-econômica que rompe as barreiras lingüísticas, com os regimes políticos e religiosos. Na verdade, o temário vinculado à discussão e ao estudo da cidade nas escolas, tornase, atualmente, adequado à cidade e conduz a uma educação, que se volta para formação de uma cidadania atuante, consciente, capaz de levar o aluno a refletir sobre seu papel como agente de construção do espaço através da análise crítica da realidade que o cerca. 22 No entanto, percebe-se o papel do professor, ao lecionar Geografia que vem sendo conduzido a processos lentos, com uma exposição fragmentada da realidade, distante do que é vivenciado pelos discentes, voltado ainda para o ensino tradicional. Para isso, retomo Callai (2003, p. 79/80): É possível, sim, ir além das disciplinas, das matérias tradicionais. Exige um esforço de sermos criativos. Precisamos conhecer a realidade em que vivemos que é local, particular, mas que é ao mesmo tempo global e universal. Precisamos ter clareza dos pressupostos da ciência com que trabalhamos, engendrar novas formas pedagógicas para dar conta de ensinar e do aprender e entender que a aprendizagem supõe inequivocamente uma relação social com aqueles com quem estamos convivendo no processo de aprendizagem... O grande diferencial para o professor de Geografia é estar em busca constante do conhecimento ao fazer pesquisas para não apenas passar conteúdos, mas por levar o aluno à busca da autonomia como sujeito da sua própria aprendizagem e criar possibilidade de realmente aprender Geografia e perceber que os conceitos e vivências espaciais (geográficos) são importantes, pois fazem parte de nossa vida a todo instante. Ensinar exige pesquisa, como escreve Freire (1996, p.29) “não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino”. E como educador ratifica Kaercher (1999, p. 79/80): ... seria, então, trazer o dia-a-dia para a sala de aula, pois precisamos deixar de mascarar a realidade e contribuir com nossa prática para criação de um espaço que seja o da liberdade dos homens e não o espaço da simples reprodução. Então, quando é possível ao aluno compreender o espaço, pode fazer a leitura do mundo em que vive, interferindo e agindo sobre ele, ou seja, pode lutar para mudá-lo. 23 CAPITULO II 2 ESTUDAR AS RELAÇÕES DE ENSINO-APRENDIZAGEM NO COLÉGIO MUNICIPAL PAULO VI E NO COLÉGIO GRACIOSA XAVIER RAMOS GOMES. A escola é a instituição privilegiada uma vez que promove a educação e contribui para os processos de desenvolvimento humano. Atualmente, a sociedade – cada vez mais letrada, urbana, industrial e globalizada – exige que todos tenham ido à escola e que os alunos tenham bom desempenho. Tão logo, busca se promover a aprendizagem como meta principal do trabalho de professores e alunos na escola. A educação, quando exercida nas instituições escolares, desempenha função essencial: a formação do educando. Fato que é estabelecido na LDB n°. 9.394/96, quando discorre sobre a sua finalidade: “o pleno desenvolvimento do educando e seu preparo para formação da cidadania”. Entretanto, vale destacar que a realidade da educação escolar brasileira não é nada animadora, já que enfrenta dificuldades no processo ensino-aprendizagem devido a fatores como: falta de livros didáticos, evasão dos alunos, recursos mal distribuídos ou mesmo escassos, desinteresse e falta de expectativa dos próprios alunos. Diante dessa problemática, a escola na pessoa do professor, não pode deixar de tratar os problemas vividos pela sociedade no âmbito da educação escolar que, muitas vezes, faz com que os jovens se desencantem dos estudos. A docência envolve o professor em sua totalidade; sua prática é resultado do saber, do fazer e principalmente do ser, significando um compromisso consigo mesmo, com o aluno, com o conhecimento e com a sociedade e sua transformação. (ENRICONE, 2001, p. 78) Com efeito, ensinar é um ato de interação inseparável do processo de aprendizagem. Nesse sentido, a função de educar exercida pelo professor como afirma Freire (2008) não é apenas de transferir conhecimento para o aluno, mas de criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção. 24 Isso engloba também o ensino de Geografia que, na sua aplicação, compreende as desigualdades na distribuição de renda e da riqueza que se manifestam no espaço, que é produzido pelo trabalhador e aquele de que ele se apropria, tanto no campo quanto na cidade. Nas aulas de Geografia, busca-se a levar os alunos à percepção de que lugares próximos ou distantes como campo e cidade são passíveis de uma análise geográfica, que envolve tanto o conhecimento da natureza, quanto da produção econômica e das relações quanto os homens estabelecem entre si. Seguindo essa lógica, o PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais) de Geografia (1998, p. 39) do ensino fundamental II deixa claro que: O estudo de geografia permite que os alunos desenvolvam hábitos e construam valores significativos para a vida em sociedade. Os conteúdos selecionados devem permitir o pleno desenvolvimento do papel de cada um na construção de uma identidade com o lugar onde vive e, em sentido mais abrangente, com a nação brasileira e com o mundo... Então, para melhor nortear esta pesquisa, foram observadas as salas de aula com as professoras de Geografia do 9° ano em suas respectivas atividades, uma no colégio Municipal Paulo VI (localizado na cidade de Juazeiro-BA) e a outra no Colégio Municipal Graciosa Xavier Ramos Gomes (localizado no campo, distrito de Carnaíba do Sertão, no município de Juazeiro-BA). (observar FIGURA 1, p. 33e FIGURA 2, p. 34) O Colégio Municipal Paulo VI, situado no bairro Maria Gorete, na cidade de JuazeiroBA, encontra-se a 566 km de Salvador, e segundo o IBGE (2007) tem a população estimada em 230.538 com extensão territorial de 6.389.623Km2. A cidade, localizada à margem direita do Rio São Francisco no extremo norte da Bahia é ligado à cidade de Petrolina-PE pela ponte Presidente Dutra. O Colégio funciona nos três turnos, disponibiliza 29 salas com o número de professores que chega a 76 e o de alunos num total de 1.853. Possui uma biblioteca (observar FIGURA 3, p.35) com bom espaço para leitura, sendo bastante visitado pelos alunos. Já o Colégio Municipal Graciosa Xavier Ramos Gomes, localizado na Rua da Igreja Católica - S/N ocupa uma área com 1.764m° no distrito de Carnaíba do Sertão, que tem aproximadamente 3.386 o número de habitantes e que se liga à sede do município pela Rodovia Lomanto Júnior (BR 407) a uma distância de 20 km. 25 A Instituição de Ensino funciona nos três turnos, com o número de alunos matriculados, somando o total de 506 e o corpo docente formado é de 22 professores. Enquanto assistia às aulas de Geografia como imprescindíveis para esclarecimento da temática deste trabalho no Colégio Municipal Paulo VI (05/05/2009), a professora, licenciada em Geografia e pós- graduada em pesquisa educacional, fazia uma permuta com outra turma uma vez que os alunos estavam em horário vago na aula de Português. Não pude deixar de perceber as dificuldades que a professora teve para manter os alunos concentrados na aula, pois poucos tentavam responder a atividade passada na aula anterior sobre Bolsa de Valores. E então, a professora em uma de suas falas para chamar a atenção dos alunos para a importância de se estudar Geografia destacou: - A Geografia assim como a vida, não tem receita. Geografia é isso, estudo dos acontecimentos das transformações que acontecem no mundo. ( D.A.S.S., Professora do 9° ano) Então, observei que, ainda hoje, a Geografia que tem sido ensinada nas escolas não passa de mais uma disciplina desinteressante, chata, que o educando não se reconhece como um ser que constrói o seu “espaço” e pode assumir postura critica diante do mundo globalizado. Durante as aulas de Geografia no Colégio Municipal Graciosa Xavier Ramos Gomes (11/05/2009) – localizado no espaço rural, tive a oportunidade de observar que a professora licenciada e pós-graduada em Geografia, com especialização em pesquisa educacional, realmente, gosta de lecionar Geografia, pois ministra suas aulas com muito prazer e segurança do que trata sua disciplina. No momento, ela explicava os temas: A globalização e organizações mundiais/ Europa I (A população, a economia e os países da Europa); e Europa II (A Europa oriental e a crise do socialismo a CEI – Comunidade dos Estados Independentes) para a realização de um trabalho que passara em equipe com 10 alunos e que poderia ser apresentado da maneira como cada equipe desejasse (painel, poema, paródia, dramatização...) contanto que eles tivessem aprendido o conteúdo (observar FIGURA 4, p. 35). Poucos foram os alunos que se expressaram, participando da aula, uma vez que a aula abordava o mesmo assunto da aula anterior, mas, para minha surpresa, estavam todos atentos ao que a professora falava como que desejassem conhecer e aprender cada vez mais, ao passo que a educadora facilitava a compreensão do conteúdo, trazendo exemplos do dia a dia e comentando a maneira como as sociedades comportam-se diante da globalização. 26 O fundamental é que professor e alunos saibam que a postura deles, do professor e dos alunos, é dialógica, aberta, curiosa, indagadora e não apassivada, enquanto fala ou enquanto ouve. (FREIRE, 2008, p.86) Em pesquisa realizada para esse estudo, foi perguntado para a educadora se há alguma diferença na aplicação do conteúdo de Geografia para o aluno que estuda no campo e o que estuda na cidade. Assim, ela respondeu: - Não. A metodologia é a mesma e ambos estão sendo preparados para o Mercado. Portanto não se podem usar métodos diferenciados. (M.M.F.T., Professora do 9° ano) Assim, é importante destacar que a Geografia pode contribuir para a formação do aluno no campo e da cidade ao mostrar também a dicotomia no que diz respeito à educação rural e urbana e que faz com que muitos alunos enxerguem a realidade bem presente e assuma nova postura diante do que é estudado em sala de aula; agora, discutindo o seu próprio modo de vida em razão do que é assistido e transmitido pelos meios de comunicação. Embora bastante intencionada, percebeu-se, em seu discurso, o poder do capitalismo – “Preparar para o mercado”. Destaca-se que a função da escola não é preparar os alunos para serem mão-de-obra explorada nas escolas, e sim preparar para vida, para ser homem e mulher que, ao menos, questionem a sociedade que eles se encontram. Considerar tais diferenças pode-se fazer do professor de Geografia o ser que pensa a educação como primordial e não que está preocupada apenas em dar conteúdos. 27 2.1 A FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE GEOGRAFIA E SUA CONTRIBUIÇÃO COMO EDUCADOR Ensinar nunca foi fácil e aprender mais ainda. Exige, principalmente, reflexão sobre a própria prática: o de ser professor. A formação dos profissionais de Geografia deve considerar o avanço do conhecimento geográfico, sua popularização no ambiente escolar e dar conta de conhecer os avanços epistemológicos dessa ciência no processo de formação de sujeitos para não apenas compreenderem o mundo globalizado cheio de contradições em que vivem, mas que interpretando a “lógica” do capitalismo possam exercer sua cidadania. Diante disso, Callai (2003, p.18) argumenta: ...um curso de Geografia deve dar conta de abrir caminhos, mas também de estruturar e fundamentar bem esses caminhos para que o geógrafo tenha a base de sua formação muito sólida, capacidade de reconhecer as possibilidades de especialização em que poderá atuar e, mais do que isso, tenha condições operacionais de desenvolvê-la. E, que segundo Guerrero (2005, p. 113): È por meio de uma boa formação de professores que mudanças nas metodologias de ensino chegam às salas de aula. Os professores necessitam de uma base teórico-conceitual sólida tanto na área específica da disciplina que lecionam, quanto nas teorias pedagógicas e psicológicas para que o processo de aprendizagem discente efetivamente seja promovido na sala de aula. O Curso de Graduação em Geografia e o perfil do profissional encontram-se intimamente ligados à formação educativa que os professores deverão desenvolver ao longo de sua prática. Esse profissional, para estar habilitado a ensinar Geografia, é preciso obter a graduação para conseguir desenvolver as competências que tal ensino exige. Porém, o que acontecia era uma verdadeira “enxurrada” de professores que, tendo tido formação em licenciaturas curtas (professor de Estudos Sociais), saiam habilitados para dar aulas de História e de Geografia para o Ensino Fundamental. E, nesses cursos, os alunos saiam mais 28 treinados em o que ensinar e como ensinar do que tendo uma formação plena na disciplina de História ou de Geografia. No entanto, cumpre à Universidade a tarefa de levar os professores, primeiro, a teorizar a sua prática como educador e, segundo, atualizarem-se em conteúdos específicos e nos aspectos pedagógicos, que fundamentam essa prática. Apesar disso, muitas ainda são as dificuldades que se enfrentam quanto ao ensino nas universidades voltado para as licenciaturas uma vez que saem dessas professores despreparados para exercerem a função de educador. ... o próprio curso de graduação deve permitir aos licenciados que exercitem uma prática de sala de aula que não seja a mera repetição de conteúdos transmitidos a cada semestre, mas com uma linha metodológica que articule o ensino e a pesquisa.( CALLAI, 2003, p. 38) O professor da Universidade pode conduzir o próprio aluno a ser um questionador e que transforme as leituras, as informações e, através de discussões e exposições em sala de aula, organizar o conhecimento para construir a aprendizagem para que, além de conhecer, seja capaz de interpretar a realidade do mundo e estar habilitado a entender os mecanismos que levam o espaço a ser construído de um ou de outro modo. Exatamente o que dele será exigido e ele exigirá em sala de aula dos Ensinos Fundamentais e Médios. Sendo assim, o professor Graduado em Geografia busca em sala de aula criar condições para que o educando saiba trabalhar com o saber geográfico, sendo, também, um observador e questionador da realidade. É fundamental o pensamento crítico da realidade por meio da Geografia, ou seja, o professor valoriza essa ciência ao mostrar que ela faz parte do cotidiano e que traz resposta a muitos questionamentos dos problemas que se passa no “cenário” geográfico. As abordagens atuais da Geografia têm buscado práticas pedagógicas que permitem aos alunos as diferentes situações de vivências com os lugares, de modo que possa construir novas e mais complexas a seu respeito. 29 2.2 A COMPREENSÃO DO ALUNO DO 9° ANO SOBRE O ENSINO DE GEOGRAFIA Na escola, todas as disciplinas têm papel a desempenhar quanto a desenvolver uma parte no processo de construção e/ou não construção do conhecimento do aluno. Nesse âmbito, cabe à Geografia papel singular. A Geografia, que também faz parte do currículo no Ensino Fundamental II, procura desenvolver no aluno a capacidade de observar, analisar, interpretar e pensar criticamente a realidade, que está inserida tendo em vista a sua transformação. No entanto, quando em pesquisa de Geografia, percebeu-se que os alunos tinham uma boa relação com as professoras, o que repercute no gosto pela disciplina. Ao perguntar se os alunos gostam da disciplina, a resposta foi satisfatória (observar FIGURA 5, p. 29 e FIGURA 6, p. 30). FIGURA 5 O GOSTAR DE GEOGRAFIA DA ESCOLA NA CIDADE 20% Alunos que Gostam Alunos que não gostam 80% FONTE: pesquisa de campo, 2009 30 FIGURA 6 O GOSTAR DE GEOGRAFIA DA ESCOLA NO CAMPO Alunos que gostam 100% FONTE: pesquisa de campo, 2009 O que mais ficou evidente na fala dos educadores da disciplina é que os alunos de hoje estão cada vez mais desinteressados, menos concentrados nas aulas (em todas as disciplinas), lendo muito pouco e buscando mais a internet para se divertir e outros meios eletrônicos com respostas prontas e rápidas sem precisarem muito esforço para obtê-las, ou seja, à medida que a profissão de ser professor, cada vez mais, é vista como submissa a todas as outras e desvalorizada, fica difícil considerar a educação como fator essencial para a relação que as pessoas precisam estabelecer a fim de viver em sociedade. Logo, estudar Geografia na sala de aula implica pensar e repensar o espaço, as transformações que nele acontece numa sociedade, que é dinâmica. Todavia, o professor de Geografia também tem sua parcela de culpa, quando, na maioria das vezes, não tem tido condições de formar nos alunos a criticidade, o querer suscitar dúvidas, possibilitar sugestões ou, quando isso acontece, o aluno acostumado a deparar-se com respostas prontas, pensa que é só mais um questionamento, que precisa decorar para tirar uma boa nota. Em pergunta aos alunos do centro urbano porque é importante estudar Geografia as repostas foram as mais variadas: 31 - Porque aprendemos a desenhar mapas, descobrimos coisas interessantes. ( R.A.F.P., 9° ano) - Porque é a matéria que pode ajudá-lo a conhecer melhor o lugar onde vive. (O.C.S.S., 9° ano) - Porque ela nos ajuda a compreender os espaços, os planetas etc. (K.S.A., 9° ano) Enquanto que as respostas dos alunos da escola no campo foram: - Porque a manteria Geografia fala das coisas importantes, de empresa que um dia podemos trabalhar, e lugares grandes e pequenos. (I.E.M., 9° ano) - Porque nas aulas ficamos mais informados sobre as coisas que acontece no mundo. (L.M., 9° ano) - Porque nela nós estudamos os países desenvolvidos e guerras, conflitos entre países e estados. (T.C.R., 9° ano) Dessa maneira, os jovens deixam claro o quanto sabem que essa disciplina é importante, mas ainda não compreenderam que, melhor do que estudarem sobre uma porção de temas que só preenchem o currículo dessa disciplina, é poder aprender como escreveu Sousa Neto (2008) o aluno precisa ir compreendendo a dinâmica espacial, exercitar a cidadania, relacionar lugares e fenômenos, paisagens e pessoas, processos sociais e também transformações naturais. Ainda no momento da escolaridade, o jovem tão permeável às velocidades de mudanças que permitem não apenas que ele navegue na velocidade da informação, mas também, sem muito duvidar, não questiona o porquê dos fatos. Por mais que seja desafiador para o professor de Geografia trabalhar uma série de conteúdos ao decorrer do ano letivo, a questão está na possibilidade de ele enxergar uma nova maneira de dinamizar suas aulas e deixar virar uma rotina. 32 A discussão sobre o consumo e o modo de vida da população, ao ser analisado do ponto de vista da globalização, pode contribuir muito para que o aluno do campo e/ou cidade entenda como também isso é uma questão atual e que independe do local onde se mora. O processo de globalização capitalista está presente no espaço e se territorializa a cada dia através das relações de poder. No entanto, para Oliva (2000, p. 49): A educação como valor, por fim, nos faz acreditar que somos os sujeitos da história e que não podemos ser objetos de uma globalização, tida como força natural e divina, sob a qual temos que nos curvar, nada poder fazer ou dizer. Portanto, uma educação para a aula de Geografia que venha desmistificar o que, aparentemente, a sociedade capitalista tenta camuflar. 33 FIGURA 1 MAPA DO COLÉGIO MUNICIPAL PAULO VI Mapa do Colégio Municipal Paulo VI FIGURA 2 MAPA DO COLÉGIO MUNICIPAL GRACIOSA XAVIER RAMOS GOMES 34 35 FIGURA 3 Biblioteca do Colégio Municipal Paulo VI FONTE: LIMA, Naidiele de Oliveira, 2009 FIGURA 4 CAPÍTULO III Turma do 9° ano do Colégio Municipal Graciosa Xavier Ramos Gomes FONTE: LIMA, Naidiele de Oliveira, 2009 36 CAPÍTULO III 3 GEOGRAFIA SOB A ÓTICA DE UMA PRÁTICA EDUCATIVA A atividade educativa não vem desvinculada do ato político. Isso se faz pensar que todo professor deve preparar o educando para o exercício pleno da cidadania. Construir o conhecimento faz parte da tarefa fundamental da educação à medida que proporciona ao aluno a capacidade de estabelecer novas relações com a realidade vivida. Para discutir Geografia, primeiro é necessário compreendê-la no contexto mais amplo: o da escola. A Geografia, em seu conteúdo complexo e abrangente, envolve tantos aspectos diferentes, mas que interagem, sendo fundamental para a formação do aluno visto que mesmo indiretamente, através do seu conhecimento, possa refletir e argumentar sobre suas escolhas. Geralmente, o aluno entende que Geografia é a ciência que estuda o relevo, a hidrografia, a vegetação, divisões do mundo e assim por diante. Logo, faz-se necessário mudar essa concepção e o que está contido no livro didático. Sendo, na maioria das vezes, trabalhada de maneira tão teórica, a disciplina Geografia não é vista de modo que contribui para a formação de sujeitos críticos/ativos na sociedade, pois o conhecimento é todo como está no livro didático. E, como resultado, geralmente, o aluno vai só reproduzir a imagem do que lhe é transmitido através desses. Muitos são os que entendem a Geografia como ciência que só estuda relevo, a hidrografia, a vegetação, divisões do mundo e assim por diante. Contrariamente à ideia do Ensino Fundamental, voltado para uma Geografia descritiva, os PCNs (1998, p. 98/100) sugerem: Identificar e avaliar as ações dos homens em sociedade e suas conseqüências em diferentes espaços e tempos, de modo que construa referenciais que possibilitem uma participação propositiva e reativa nas questões sociais, culturais e ambientais; Compreender que as melhorias nas condições de vida, os direitos políticos, os avanços técnicos e tecnológicos e as transformações socioculturais são conquistas decorrentes de conflitos e acordos que ainda não são usufruídas por todos os seres humanos e, dentro de suas possibilidades, empenham-se em democratizá-las; Criar condições para que o aluno possa começar, a partir de sua localidade e do cotidiano do lugar, a construir sua idéia do mundo, valorizando inclusive o imaginário que tem dele. 37 Dessa forma, os conteúdos curriculares dessa disciplina são entendidos como um conjunto de conhecimento que envolve: saberes, procedimentos e valores, que são construídos e reconstruídos constantemente no espaço da sala de aula e da escola em geral. Seguindo esse raciocínio, afirma Cavalcanti (2005, p. 71): A tarefa do ensino é a de tornar os conteúdos veiculados em objeto de conhecimento para o aluno, o que requer constante diálogo do sujeito do conhecimento, portador de uma cultura determinada,... no sentido de atribuir-lhes significados próprios, o que é necessário para um processo de aprendizagem significativa. Ou seja, ensinar uma Geografia, que confronte a realidade vivida pelo aluno, dando significados aos conteúdos da ciência trabalhada em sala de aula. A educação deve ser um processo espontâneo e natural, pois o individuo aprende a partir de sua própria experiência. Visto que a Geografia continua não sendo a disciplina preferida dos alunos que estudam no campo e na cidade, faz-se necessário uma discussão sobre o processo de ensino e aprendizagem da Geografia que reconheça e compreenda as interações e relações sociedade-natureza que resultam em tantas guerras, transformações, mudanças e rupturas tanto no contexto social quanto no contexto físico-natural e ao longo do tempo, em decorrência do processo sócio-historico e da dinâmica da natureza, a Geografia possibilita aos alunos o entendimento dessas representações no espaço Geográfico. Dentre as contribuições didático-pedagógicos de um professor de Geografia, pode-se destacar a existência de um compromisso social, ou seja, ensinar de modo que desmistifique a forma brutal de exploração entre os seres humanos. Assim, o ensino de Geografia deve estar ligado à proposta da Educação, tendo em vista formar professores cada vez mais interessados a desenvolver atividades diferenciadas nas quais conteúdos e aprendizagem significativa sejam parte de um mesmo projeto de ensino. Nisso, vale destacar Guerrero (2005, p. 115) quando escreve: A socialização do conhecimento geográfico na escola ganha outras variáveis que transcendem a questão dos conteúdos e dos procedimentos usados na sala de aula. Somam-se ao debate relativo à Didática Geral e à Psicologia da Educação, discussões oriundas no campo epistemológico dessa área do conhecimento que influenciam diretamente na concepção e na atuação do professor. 38 A educação não deve ser de estilo utilitário, no qual encaminha o aluno somente voltado para a formação profissional, que visa ao lucro e consequentemente o acúmulo de capital. Apresentar-se dessa forma é limitar seu valor ao formar cidadãos conscientes para cumprirem com responsabilidade seus direitos e deveres. ... a educação escolar não pode ser pensada como algo neutro em relação ao mundo, mas como algo que produz, na sua própria dinâmica,caminhos diferenciados para a ação social concreta em função de interesses e necessidades dos próprios educandos. (RODRIGUES, 1998, p. 23) O valor da critica se ajusta à concepção do ato educativo para a Geografia, que esclarece e desvenda a realidade mundial a partir da historicidade dos lugares. No entanto, até mesmo para fazer-se conhecer, nas aulas de Geografia, melhor a concepção de campo e cidade é necessário um estudo mais aprofundado, ou seja, para que isso aconteça é preciso entender a história do capitalismo e como invade o campo e o urbano ao examinar os processos sociais concretos dessa alienação, exterioridade, separação e abstração de modo crítico que compreendem tais relações. Observa-se que, quando o professor se defronta com a realidade da Geografia escolar e se reflete sobre ela, pode-se distinguir dois tipos de práticas, sendo uma tradicional, que é instituída (considerando conteúdos com questionários prontos, o formalismo, a memorização, o verbalismo), e a outra que se fundamenta em algumas experiências que ganham consistência em muitos casos por base em visões construtivas de ensino. É preciso um professor voltado para um trabalho escolar em Geografia, que possibilite e estimule o tratamento de diversidade dos alunos. Porém, para cumprir bem o papel social da escola e de uma disciplina escolar no sentido de formação dos alunos, com base em métodos e procedimentos, que permitam verdadeiramente trabalharem com os conteúdos, destaca Cavalcanti (2005) que professores devem estar abertos e também sensíveis ao diálogo com seus alunos, buscando através do processo de atribuição de significados trabalharem os conteúdos a partir de cada contexto especifico, e mostrar-se de acordo com as representações dos alunos, e respeitar suas diferenças. Tendo como base a escola, cabe à Geografia trabalhar em função da transformação e formação dos educandos e levá-los a perceber que são capazes de discutir também a maneira pela qual a educação tem passado por uma crise e que eles mesmos podem contribuir para construir uma nova escola comprometida com pessoas e com a sociedade. 39 Por certo, o modelo do sistema de educação brasileira realmente necessita de uma mudança de caráter emergencial, que exige novas posturas e adaptações voltadas não somente para o professor, mas também para o próprio conjunto de profissionais que compõem a escola. O compromisso é de todos: escola, aluno e sociedade, pois os benefícios, a nível de conhecimento e compromisso na vida, trarão mais qualidade e resultado satisfatório. Por um lado, as escolas e os alunos necessitam de professores que rompam com a Geografia tradicional, fragmentada, cuja aprendizagem é apenas memorística. Por outro, as escolas e a sociedade como um todo necessitam de professores que saibam utilizar diferentes linguagens na construção de conceitos, em uma tentativa de elevar a qualidade de ensino dessa disciplina e, acima de tudo, torná-la atrativa, dinâmica, instigante...(GUERRERO, 2005.p.116). Dessa forma, acredita-se que a aprendizagem desenvolve-se a partir do momento em que os alunos passam a compreender, estabelecer e utilizar suas faculdades cognitivas na articulação de processos naturais e sociais contextualizados na escola temporal. O papel da Geografia é o de incentivar, através de aulas com qualidades o aluno, e exigir desse educando o pensar melhor, sobretudo o que ocorrem no seu cotidiano, no país e no mundo. Porém, para isso acredita Oliveira Jr. (2006) que os professores de Geografia têm construído, em suas narrativas acerca do espaço geográfico atual, uma realidade desprovida de força para que se fixe na memória, justamente por não incluir nessas narrativas as experiências e imagens pessoais acerca do espaço geográfico. Assim, a escola e a Geografia encontram-se no mesmo panorama e estão a construir novos desafios para que se possa compreender e estabelecer alternativas para a crise global. 40 3.1 UMA GEOGRAFIA DIANTE DOS EFEITOS DA GLOBALIZAÇÃO A educação vem passando por um período no qual a tecnologia está em constante crescimento e, com o aumento da globalização, torna-se difícil o ensino de disciplinas que trabalham com a atualidade, como a Geografia. O processo de globalização impõe uma lógica que acaba fragmentando os espaços para além de suas divisões político-administrativas e, nessa expectativa, o ensino de Geografia pode contribuir para o entendimento ao analisar, de modo crítico, as relações estabelecidas neste espaço. Para o professor de Geografia, mais importante do que estudar a genealogia da globalização5, o que não significa deixar de explicar para os alunos o seu significado, é procurar ajudá-los a compreender de maneira como a globalização veio redefinindo uma nova territorialidade do espaço. Num mundo contemporâneo, o fenômeno da globalização se faz presente e impõe uma lógica que é contraditória, pois se, por um lado, faz do homem um ser mais informatizado, por outro, contribui para que ele continue no processo de alienação do trabalho sendo escravo do capital. A escola nesse contexto e, particularmente, o ensino de Geografia esclarece que, no espaço geográfico, há relações de poder, que são definidos a partir do “interesse” do capital. Essa é uma questão que deve ser trabalhada em sala de aula para reflexão de alunos e professores sobre os efeitos que tal globalização traz para a sociedade. Todavia, há um desafio temático da Geografia, que é o de, então, formar um aluno capaz de discernir aquilo que diz respeito a sua vida, diante de um mundo em que, num processo dialético de globalização e fragmentação, a informação instantânea e simultânea exige atitudes e discernimentos cada vez mais rápidos e complexos. Pensar a educação como um valor significa pensar um novo mundo que seja hostil a união dos povos, mas sim a este modo de globalização desintegradora. (OLIVA, 2000, p.48). 5 O termo globalização designa um fenômeno de abertura das economias e das respectivas fronteiras em resultado do acentuado crescimento das trocas internacionais de mercadorias, da intensificação dos movimentos de capitais, da circulação da pessoas, do conhecimento e da informação, proporcionados quer pelo desenvolvimento dos transporte e das comunicações, quer pela crescente abertura das fronteiras ao comércio internacional. (http://www.knoow.net/cienceconempr/economia/globalizacao.htm) (acesso em 09/06/2009) 41 Isso faz refletir o quanto a globalização leva o homem para viver na sociedade de modo que preza a competição em constante concorrência e a se conformar com a situação desigual. Na sociedade moderna, o trabalhador qualificado se transforma, do dia para a noite, em trabalhador desqualificado. E isso deve ser motivo de estudo para entender a maneira pela qual a era da globalização (século XXI) classifica o homem. Logo, faz se refletir que tipo de “desenvolvimento” é esse que faz o homem regredir mais e mais, uma vez que o saber fazer de ontem de nada mais serve. Para o modelo de educação nessa conjuntura, o papel da Geografia pode valer-se ao desvendar esse panorama trazido pela velocidade com que se transforma. Do ponto de vista da Geografia, trata-se de entender os resultados positivo e negativo do processo de desenvolvimento tecnológico, que cada ver mais cresce com a globalização e a forma como se apresenta nesse espaço. Sempre que se fala de globalização deve-se estar atento para o fato de que ela representa vários aspectos das relações sócio-culturais, políticas e econômicas entre as diferentes localidades e lugares do mundo. Dessa forma, tão importante quanto discutir com os alunos que estudam na cidade e mesmo no campo as relações, que emergem no interior do processo da globalização, redesenhando as relações de negociações entre os países considerados desenvolvidos e os subdesenvolvidos, é discutir a nova Ordem ou desordem Política Mundial. Em termos de história do mundo, o capitalismo se tornou o agente eficiente e mais poderoso de transformação da natureza, do social e as transformações nas relações principalmente entre cidade e campo no qual constituem um dos fundamentos do mundo de produção. A educação pode está ou não a serviço desse capitalismo. “Do ponto de vista dos interesses dominante, não há duvida de que a educação deve ser uma prá,tica imobilizadora e ocultadora de verdades”. (FREIRE 2008, p. 98) No contexto do campo em pesquisa realizada no Colégio Municipal Gracisosa Xavier Ramos Gomes, notou-se que a professora, ao tratar do tema “globalização e organizações mundiais”, os alunos se mostraram interessados, pois precisavam fazer o trabalho e adquirir uma nota. No entanto, destaca-se para o fato que ao tratar do bloco econômico Mercosul, um aluno questionou a educadora se a Rússia fazia parte e a resposta veio imediata, não faz. Nisso, percebeu-se a falta do mapa mundi para melhor os alunos entenderem a noção de como a globalização vem expandindo no espaço geográfico e como os blocos econômicos atuam 42 nessa configuração. Logo, a compreensão dos processos de integração sócio-econômica que se vem designando o termo de globalização depende profundamente das idéias do instantâneo e do simultâneo, que se desenrola no acontecimento dos fatos. Essa sociedade moderna e envolvida com a globalização, etapa mais avançada do capitalismo, requer qualificação, competências cada vez mais elevadas para competir no mercado. A escola, tanto a urbana quanto rural, precisa aprofundar o conteúdo, com a finalidade de diminuir o consumo, razão maior do capitalismo. 43 3.2 ESCOLA, PROFESSOR E ALUNO: DISCUTINDO A RELAÇÃO ENTRE SUJEITOS A escola é uma instituição social, que está inserida numa certa realidade, da qual sofre e exerce influência sobre aquilo que acontece ao seu redor. Por não se tratar de uma instituição neutra frente à realidade social, é importante compreender a realidade onde está situada para poder esclarecer o grau de interferência e a possibilidade de essa agir também sobre a realidade. Lida com o universo da cultura, além de preparar e formar os indivíduos para o acesso ao conhecimento e para o domínio dos princípios do desenvolvimento científico e de sua aplicação prática, através da tecnologia. Para pensar a respeito da escola, remete à necessidade de citar sobre a relação dessa com os principais sujeitos envolvidos: professor e aluno. A realidade da instituição escolar mostra que há uma difícil relação entre esses sujeitos. Devido, muitas vezes, à superlotação da sala de aula, que leva o professor geralmente a não conhecer a turma por completo; a indisciplina em sala de aula entre outros, tem construído barreira entre os mesmos. Por tais motivos, na maioria das vezes o processo de ensino-aprendizagem tem-se manifestado de maneira rápida e mecânica, fazendo, como afirma Souza Neto ( 2008, p. 15): “... apenas o professor detém o saber e que o restante deve receber esse saber sem questionamentos”. Para Castellar (2005, p. 48), a análise é a seguinte: Em relação ao ensino de geografia, penso que se deve superar as aprendizagens repetitivas e arbitrarias e passar para outras práticas de ensino, investindo nas habilidades: análises, interpretações e aplicações em situações praticas; ... Em um processo de aprendizagem fundamentado no construtivismo epistemológico, saber e compreender são duas coisas diferentes, o ato simples do saber não considera o aluno sujeito da sua aprendizagem, alem disso, compreender e diferente de relacionar ou elaborar. A profissão de professor, mesmo desprovida de méritos por muitos, não é para descomprometidos e nem para qualquer um. Ser professor não se resume na ideia de que qualquer um pode se tornar-se professor, exige muito mais do que muitos pensam. Para o prazer de ser professor relata Souza Neto (2008) a aula deve ser um ato de amor que proporciona gozo ensurdecedor, ato político além de uma manifestação contra as injustiças. 44 O professor é, também, criador de um novo texto, que, no interior da sala de aula, não precisa ser escrito. A aula é o lugar que deve realizar o aprendizado que, através do dialogo criativo, trava também a luta política e ideológica. O fato é que o professor, antes mesmo de entrar na sala de aula e estar disposto a dar respostas, deve fazer a si mesmo perguntas, que são imprescindíveis para assumir tal postura: A quem ensinar? O que ensinar? Para que ensinar? Como ensinar? Ou seja, o professor de Geografia que trabalhe na escola do campo ou da cidade também, precisa refletir sobre a própria prática pedagógica para poder identificar as dificuldades dos alunos e saná-las da melhor maneira possível. Nas aulas de Geografia, o professor pode contribuir muito para a formação do estudante como cidadão. ... a Geografia pode ser um instrumento valioso para levarmos a critcidade de nossos alunos. Por tratar de assuntos intrinsecamente polêmicos e políticos a Geografia pode gerar um cem numero de situações limites,quebrando-se assim a tendência secular de nossa escola como algo tedioso e desligado do cotidiano. ( KAERCHER, 1999, p. 65 ) O compromisso docente inclui alguns espaços metodológicos, que podem nortear as atividades que inclui: ouvir os alunos, sistematizar as discussões e ideias levantadas, provocar polêmicas, textualizar as dúvidas e produzir surpresas. O resultado é mostrar que entender o conteúdo não e o único objetivo, é um caminho para ir mais além na compreensão do mundo. A partir do momento em que, na sala de aula, o professor comprometido com a educação fornecer os instrumentos necessários, que oportunizem ao aluno desenvolver a percepção crítica do meio em que vive, tornando-se coautor do seu conhecimento atribuir, assim, valor considerável à Geografia, que discute os problemas da sociedade os quais, através da divisão de classes, apresentam contradições visíveis neste espaço. Na escola, a relação entre professor e aluno deve ser a melhor possível, isso porque o ato de ensinar/aprender é afetivo. Assim, ser professor deve ser uma escolha devida e não tortura. Percebeu-se, nas escolas do campo e da cidade estudadas para esse trabalho, que a relação do professor de Geografia com os alunos é, segundo Sousa Neto (2008, p.63) “a tortura geográfica, comum na maioria das escolas, é um exercício constante de ver um mundo de coisas, decorar o máximo e não aprender nada”. Assim, é necessário uma mudança no ensino de Geografia que se aprende na escola. 45 CONSIDERAÇÕES FINAIS A partir do estudo da Geografia, espera-se que os alunos das instituições de ensino: Colégio Municipal Paulo VI e o Colégio Municipal Graciosa Xavier Ramos Gomes verifiquem as diferentes relações entre a cidade e o campo em suas dimensões sociais, culturais e ambientais, considerando o papel do professor como mediador para tal conhecimento. A sala de aula trata-se de lugar importante para a formação do cidadão, que se realiza ou mesmo se concretiza na possibilidade de um trabalho criativo nas aulas de Geografia que leva o aluno que estuda na cidade e também o que estuda no campo a pensar o mundo em que vive a partir de suas condições reais de existência. Assim, com este trabalho observou-se um pouco do passado e da atual realidade das aulas de Geografia, aponta as dificuldades pelas quais professores e alunos passam na sala impedindo a construção de aprendizagem satisfatória. Num mundo em que a informação passa para o primeiro plano como significativo de distinção social, a “formação” do aluno, na escola, tem passado para o segundo plano, instalando assim, um período de crise no ensino, numa sociedade que em que a informação ocorre paralelamente com a formação. O sistema da escolar moderno surgiu na passagem do século XVIII para o XIX. Seu papel como instrumento de dominação da sociedade capitalista ainda é algo bastante demonstrado. Observou-se, com a pesquisa de campo, nas duas instituições de ensino, que grande é o desafio, que enfrenta o professor de Geografia quanto ao tentar mostrar aos alunos, que a Geografia vem para discutir as desigualdades, que se apresentam no cenário geográfico e os problemas na modernidade vividos por todas as escolas é, ainda, o de encontrar uma Geografia sendo trabalhada distante do cotidiano do aluno voltado para o lado critico, que pode ampliar a visão do mundo, no modo de pensar e, até mesmo, posicionar-se diante da realidade. A escola, infelizmente, não se manifesta atraente frente ao mundo contemporâneo, pois não dá conta de explicar e textualizar as novas leituras de vida, que são representadas no espaço geográfico. É urgente analisar a prática educativa referente ao estudo de Geografia, pois a compreensão de disciplina que discute a relação homem e sua dinâmica no espaço geográfico 46 para melhor representá-lo é relevante para desmascarar muitos problemas escondidos no interior da sociedade. É preciso uma revolução urgente no ensino de Geografia, que procure relacionar os conteúdos ao cotidiano do aluno, que estimule, principalmente, o senso crítico necessário para ampliar a visão de mundo através do qual o cidadão pode posicionar-se diante da realidade e através do modo de pensar. Nisso, ao assumir a postura de facilitador da aprendizagem, ainda é preciso que o professor de Geografia assuma práticas pedagógicas que tornem o ensino mais significativo para o educando, que se encontra no constante processo de contribuição do conhecimento. 47 REFERÊNCIAS BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: geografia/ Secretaria de Educação Fundamental._Brasília: MEC/SEF, 1998. __________. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. CALLAI, Helena Copetti. A formação do profissional de geografia. Ijuí, Rio Grande do Sul: Unijuí, 2003. ___________.O estudo do município ou a geografia nas séries iniciais. In: CASTROGIOVANNI, Antonio Carlos [et al]. Geografia em sala de aula: práticas e reflexões _ 4 ed. _ Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2003. CASTELLAR, Sônia. A psicologia genética e a aprendizagem no ensino de Geografia. In: CASTELLAR, Sônia (org.) Educação geográfica: teorias e práticas docentes. _ São Paulo: Contexto, 2005. _ (Novas abordagens. GEOUSP; v. 5). CAVALCANTI, Lana de Souza. Ensino de Geografia e diversidade: construção de conhecimentos Geográficos escolares e atribuições de significados pelos diversos sujeitos do processo de ensino. In: CASTELLAR, Sônia (org.) Educação geográfica: teorias e práticas docentes. _ São Paulo: Contexto, 2005. _ (Novas abordagens. GEOUSP; v. 5). CONCEITO DE GLOBALIZAÇÃO. Disponível em: http://www.knoow.net/cienceconempr/economia/globalizacao.htm. Acesso em: 09 de jun.2009 CORRÊA, Roberto Lobato. Região e organização espacial._ 2ª ed. São Paulo: Ática, 1987. ENRICONE, Délcia (org.) Ser Professor. 2ª ed. – Porto Alegre: EDIPURS, 2001. 48 FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. _ São Paulo: Paz e Terra, 1996. GUERREIRO, Ana Lúcia de Araújo. Contribuições da teoria da atividade para a formação continuada de professores de Geografia. In: CASTELLAR, Sônia (org.) Educação geográfica: teorias e práticas docentes. _ São Paulo: Contexto, 2005. _ (Novas abordagens. GEOUSP; v. 5). KAERCHER, Nestor André. O gato comeu a Geografia Crítica? Alguns obstáculos a superar no ensino-aprendizagem de Geografia. In: OLIVEIRA, Ariovaldo Umbelino de; PONTUSCHKA, Nídia Nacib (orgs.). Geografia em perspectiva. São Paulo: Contexto, 2002. __________. Desafios e utopias no ensino de geografia._3. ed._Santa Cruz do Sul: EDUNISC,1999. MORAES, Antonio Carlos Robert. Geografia Pequena História Crítica. 9ª ed. _ São Paulo: Hucitec, 1990. OLIVA, Jaime Tadeu. Ensino de Geografia: um retrato desnecessário. In: CARLOS, Ana Fani Alessandri (org.). A Geografia na sala de aula. 2. ed._São Paulo: Contexto, 2000. OLIVEIRA, Ariovaldo Umbelino de. Os elementos da Produção Camponesa no Brasil. São Paulo: Contexto, 2001. ___________. Educação e Ensino de Geografia na Realidade Brasileira. In: OLIVEIRA, Ariovaldo Umbelino de (org.) Para onde vai o ensino de Geografia? _ 5ª ed. _ São Paulo: Contexto, 1994. (Coleção repensando o ensino). OLIVEIRA Jr., Wenceslao Machado de. Perguntas à televisão e às aulas de Geografia: crítica e credibilidade nas narrativas da realidade atual. In: OLIVEIRA, Ariovaldo Umbelino de; PONTUSCHKA, Nídia Nacib (orgs.). Geografia em perspectiva. 3. ed.- São Paulo: Contexto, 2006. 49 REIS, Edmerson dos Santos. Educação do campo e desenvolvimento sustentável: avaliação de uma prática educativa. Juazeiro- BA: Editora Franciscana, 2004. RESENDE, Márcia M. Spyer. O saber do aluno e o ensino de Geografia. In: VESENTINI, José William (org.) _Geografia e ensino: textos críticos._4ª ed._Campinas, SP: Papirus; 1995. RODRIGUES, Neidson. Da mistificação da escola à escola necessária. _8. Ed. _ São Paulo: Cortez, 1998. _ (Questões da Nossa Época; v.54). SILVA, Lenyna Rique. Do senso comum a Geografia científica. São Paulo: Contexto, 2004. SOUSA NETO, Manoel Fernandes de. Aula de Geografia e algumas crônicas. 2ª ed. Campina Grande: Bagagem, 2008. 50 ANEXOS 51 UPE- UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO CAMPUS PETROLINA Campo de pesquisa: Colégio Municipal Graciosa Xavier Ramos Gomes Professora: ________________________________________________ Nome:____________________________________________Série:_____ Turma:_______ Turno: ( )M ( )V Reside: ( ) Zona rural ( ) Zona urbana Data: ___/___/___ Horário:__________________________ Questionário destinado aos alunos 1 – Você gosta de Geografia? ( ) sim ( ) não 2 – É importante estudar a disciplina Geografia? ( ) sim ( ) não Se sim – por quê? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ Se não – por quê? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 3 – O que você aprende nas aulas de Geografia tem alguma relação com o seu dia-a-dia? ( ) sim ( ) não Se sim relate: ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 4 – Na sua opinião de que maneira os professores de Geografia tem apresentado essa ciência: ( ) Disciplina que estuda apenas o espaço Geográfico. ( ) Que em nada se relaciona com o cotidiano do aluno. ( ) Uma Geografia que ajuda a compreender o homem e sua relação com o espaço geográfico. ( ) Serve apenas para ajudar conhecer cidades, capitais e países ou decorar nome de rios, cidades, etc. 5 – A professora usa mapas na sala de aula? ( ) sim ( ) não ( )as vezes 6 – A professora faz uso do livro didático como auxílio para aprendizagem? ( ) sim ( ) não Ele é importante? Se sim – por quê ? ( ) as vezes 52 ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ Se não – por quê? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 7 – Quais os recursos que o professor de Geografia utiliza na sala de aula: ( ( ( ( ( ( ( ) livro ) mapas ) globo ) quadro ) giz ) pincel p/ quadro branco ) cartaz ( ( ( ( ( ( ) retro projetor ) data show )filme ) músicas ) imagens )outros 8 – De que maneira você aprende melhor Geografia? ( ) visita de campo ( ) sala de aula Por quê? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 9 – Quais as palavras que você associa a disciplina Geografia? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 10 – É realizado nas aulas de Geografia: ( ( ( ( ) trabalho em grupo ) questionário ) trabalho de pesquisa ) debates ( ) leitura e interpretação ( ) trabalho de campo ( ) cópia de texto ( ) outros: 11 – Pra você a Geografia tem a utilidade de: ( ( ( ( ) adquirir uma nota ) memorização de uma imensa quantidade de conteúdo ) ajudar a compreender o espaço e transformar a sociedade ) a de relacionar a homem e a natureza 12 – Por quais meios o professor de Geografia utiliza para a avaliação: ( ( ( ( ( ( ) pesquisa ) construção de painéis ) através de trabalho de campo ) verificação escrita (prova / teste) ) apresentação de trabalho: ( ) grupo ( ) individual ) outros: __________________________________________________________ 53 UPE- UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO CAMPUS PETROLINA Campo de pesquisa: Colégio Municipal Paulo VI Professora: ________________________________________________ Nome:____________________________________________Série:_____ Turma:_______ Turno: ( )M ( )V Reside: ( ) Zona rural ( ) Zona urbana Data: ___/___/___ Horário:__________________________ Questionário destinado aos alunos 1 – Você gosta de Geografia? ( ) sim ( ) não 2 – É importante estudar a disciplina Geografia? ( ) sim ( ) não Se sim – por quê? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ Se não – por quê? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 3 – O que você aprende nas aulas de Geografia tem alguma relação com o seu dia-a-dia? ( ) sim ( ) não Se sim relate: ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 4 – Na sua opinião de que maneira os professores de Geografia tem apresentado essa ciência: ( ) Disciplina que estuda apenas o espaço Geográfico. ( ) Que em nada se relaciona com o cotidiano do aluno. ( ) Uma Geografia que ajuda a compreender o homem e sua relação com o espaço geográfico. ( ) Serve apenas para ajudar conhecer cidades, capitais e países ou decorar nome de rios, cidades, etc. 5 – A professora usa mapas na sala de aula? ( ) sim ( ) não ( )as vezes 6 – A professora faz uso do livro didático como auxílio para aprendizagem? ( ) sim ( ) não Ele é importante? Se sim – por quê ? ( ) as vezes 54 ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ Se não – por quê? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 7 – Quais os recursos que o professor de Geografia utiliza na sala de aula: ( ( ( ( ( ( ( ) livro ) mapas ) globo ) quadro ) giz ) pincel p/ quadro branco ) cartaz ( ( ( ( ( ( ) retro projetor ) data show )filme ) músicas ) imagens )outros 8 – De que maneira você aprende melhor Geografia? ( ) visita de campo ( ) sala de aula Por quê? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 9 – Quais as palavras que você associa a disciplina Geografia? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 10 – É realizado nas aulas de Geografia: ( ( ( ( ) trabalho em grupo ) questionário ) trabalho de pesquisa ) debates ( ( ( ( ) leitura e interpretação ) trabalho de campo ) cópia de texto ) outros: 11 – Pra você a Geografia tem a utilidade de: ( ( ( ( ) adquirir uma nota ) memorização de uma imensa quantidade de conteúdo ) ajudar a compreender o espaço e transformar a sociedade ) a de relacionar a homem e a natureza 12 – Por quais meios o professor de Geografia utiliza para a avaliação: ( ) pesquisa ( ) construção de painéis ( ) através de trabalho de campo ( ) verificação escrita (prova / teste) ( ) apresentação de trabalho: ( ) grupo ( ) individual ( )outros: __________________________________________________________________ 55 UPE- UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO CAMPUS PETROLINA Campo de pesquisa: Colégio Municipal Graciosa Xavier Ramos Gomes Professora: ________________________________________________ Turma que dá aula:__________________________________________ Turno:_______________ Data: ___/___/___ Formação:_________________________________________________ Questionário destinado aos professores 1 – Existe alguma diferença na aplicação do conteúdo de Geografia entre o aluno que estuda no campo e que estuda na cidade? Justifique. ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 2 – Em que curso é formado (a)? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 3 – A quanto tempo leciona Geografia? ( )1a3 ( )4a6 ( )6a8 ( ) mais de 8 anos 4 – Com relação a sua profissão você? ( ( ( ( ) trabalha como professor porque surgiu a oportunidade; ) aprendeu a gostar devido o tempo; ) leciona porque gosta do que faz; ) É o emprego que mais tem vagas na cidade. 5 – Você costuma realizar trabalho de campo com seus alunos? ( ) sim ( ) não Justifique: ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 6 – Como professor, você sempre deve estar empenhado para atualizar-se na sua profissão. Então, a quanto tempo fez um curso de atualização na área de Geografia? ( ) 1 anos ( ) 2 anos ( ) 3 anos ( ) 4 anos 7 – Pra você, professor (a) de Geografia, em qual grau de importância tem essa ciência ao ensiná-la para os alunos. ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 56 ___________________________________________________________________________ 8 – Quais os instrumentos que você utiliza para dinamizar as aulas de Geografia? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 9 – Você considera necessário que trabalhar Geografia contribui para a formação do aluno que estuda no campo ou mesmo na cidade? Justifique. ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 10 – Quanto a ensinar Geografia, quais as maiores dificuldades dos alunos para aprendê-la? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 11 – De que maneira é feita a sua avaliação? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 12 – Pode-se afirmar que atualmente as aulas de Geografia tornaram-se para os alunos enfadonha, sem graça, desestimulante. Dessa forma, quais motivos se devem a tal situação? ( ( ( ( ) o ensino de Geografia distante da realidade do aluno; ) desinteresse dos alunos; ) falta de estímulo dos professores para aplicar uma boa aula; ) falta de recursos na escola. 13 – A redução na carga horária prejudica o aprendizado nas aulas de Geografia? ( ) sim ( ) não 57 UPE- UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO CAMPUS PETROLINA Campo de pesquisa: Colégio Municipal Paulo VI Professora: ________________________________________________ Turma que dá aula:__________________________________________ Turno:___________________ Data: ___/___/___ Formação:_________________________________________________ Questionário destinado aos professores 1 – Existe alguma diferença na aplicação do conteúdo de Geografia entre o aluno que estuda no campo e que estuda na cidade? Justifique. ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 2 – Em que curso é formado (a)? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 3 – A quanto tempo leciona Geografia? ( )1a3 ( )4a6 ( )6a8 ( ) mais de 8 anos 4 – Com relação a sua profissão você? ( ( ( ( ) trabalha como professor porque surgiu a oportunidade; ) aprendeu a gostar devido o tempo; ) leciona porque gosta do que faz; ) É o emprego que mais tem vagas na cidade. 5 – Você costuma realizar trabalho de campo com seus alunos? ( ) sim ( ) não Justifique: ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 6 – Como professor, você sempre deve estar empenhado para atualizar-se na sua profissão. Então, a quanto tempo fez um curso de atualização na área de Geografia? ( ) 1 anos ( ) 2 anos ( ) 3 anos ( ) 4 anos 7 – Pra você, professor (a) de Geografia, em qual grau de importância tem essa ciência ao ensiná-la para os alunos. ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 58 ___________________________________________________________________________ 8 – Quais os instrumentos que você utiliza para dinamizar as aulas de Geografia? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 9 – Você considera necessário que trabalhar Geografia contribui para a formação do aluno que estuda no campo ou mesmo na cidade? Justifique. ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 10 – Quanto a ensinar Geografia, quais as maiores dificuldades dos alunos para aprendê-la? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 11 – De que maneira é feita a sua avaliação? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 12 – Pode-se afirmar que atualmente as aulas de Geografia tornou-se para os alunos enfadonha, sem graça, desestimulante. Dessa forma, quais motivos se deve a tal situação? ( ( ( ( ) o ensino de Geografia distante da realidade do aluno; ) desinteresse dos alunos; )Falta de estímulo dos professores para aplicar uma boa aula; ) falta de recursos na escola. 13 – A redução na carga horária prejudica o aprendizado nas aulas de Geografia? ( ) sim ( ) não