UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ FACULDADE DE FARMÁCIA, ODONTOLOGIA E ENFERMAGEM DEPARTAMENTO DE ENFERMAGEM PROGRAMA DE PÓS – GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM CURSO DE DOUTORADO EM ENFERMAGEM ROSANE ARRUDA DANTAS VALIDAÇÃO DE ESCALA OPTOMÉTRICA DE FIGURAS FORTALEZA 2006 ROSANE ARRUDA DANTAS VALIDAÇÃO DE ESCALA OPTOMÉTRICA DE FIGURAS Tese submetida à Coordenação do Curso de Pós-Graduação em Enfermagem, da Universidade Federal do Ceará, como requisito parcial para obtenção do grau de Doutor em Enfermagem Clínico-Cirúrgica. Linha de pesquisa: Tecnologia em Saúde e Educação em Enfermagem Clínico-Cirúrgica Orientadora: Profª. Drª. Lorita Freitag Pagliuca Marlena Co-Orientador: Dr. Paulo César de Almeida Universidade Estadual do Ceará (UECE) FORTALEZA 2006 ROSANE ARRUDA DANTAS VALIDAÇÃO DE ESCALA OPTOMÉTRICA DE FIGURAS Tese submetida à Coordenação do Curso de Pós-Graduação em Enfermagem, da Universidade Federal do Ceará, como requisito parcial para obtenção do grau de Doutor em Enfermagem Clínico-Cirúrgica. Aprovada em ____/____/____ BANCA EXAMINADORA ______________________________________ Profª. Drª. Lorita Marlena Freitag Pagliuca (Orientadora) Universidade Federal do Ceará (UFC) ______________________________________ Profª. Drª. Enedina Soares Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro ______________________________________ Profª. Drª. Ana Cláudia de Sousa Leite Universidade Estadual do Ceará (UECE) ______________________________________ Prof. Dr. Marcos Venícios de Oliveira Lopes Universidade Federal do Ceará (UFC) ______________________________________ Profª. Drª. Joselany Afio Caetano Universidade Federal do Ceará (UFC) ______________________________________ Profª. Drª. Mirna Albuquerque Frota Universidade Estadual do Ceará (UECE) ______________________________________ Profª. Drª. Ana Fátima Carvalho Fernandes Universidade Federal do Ceará (UFC) Sou doutora... ... o título, porém, pouco acrescenta sem as vivências experimentadas até sua concretização. Até recebê-lo, vivi momentos que me ajudaram a crescer em relação à vida, ao ser humano, ao mundo... a mim. Aprendi que ser doutor não me torna melhor que o outro e devo policiar-me diariamente sobre isso. Aprendi que apesar do esforço sobre-humano empenhado nesta conquista, sou cada dia mais humana. Que a recompensa pessoal é infinitamente superior a material. Que da mesma forma que passei por momentos de intensa dificuldade, meu aluno também pode passá-los e jamais devo esquecer-me disso. Ensinar, hoje, é sinônimo de amor, compreensão, apoio, troca, referência e humanidade. Considero-me um pouco mais sábia pelas vivências que possibilitaram o título. Hoje sou doutora. Tenho muito para aprender e ampliar diariamente a possibilidade de ensinar. Rosane Arruda Dantas AGRADECIMENTOS A Deus, por estar sempre guiando meus passos, por dar-me força, paciência e iluminar-me por onde devo seguir; À Profª. Drª. Lorita Marlena Freitag Pagliuca, pela orientação, conhecimentos e acima de tudo, pela paciência e amor, imprescindíveis ao desenvolvimento deste trabalho. Ao Prof. Dr. Paulo César de Almeida, pela sábia ajuda nos aspectos estatísticos. Aos Profs. Wilson Abreu e Antônio Luís de Carvalho, pelo apoio durante o doutorado sanduíche em Portugal. Ao meu marido, meu grande amor, pelo estímulo e apoio incondicional em todos os momentos juntos. Aos meus pais, pela presença e ajuda durante toda a minha vida. Aos meus sogros, por serem como pais. À Ana Débora de Alcântara Coelho, à Antônia Pereira e aos examinadores, pela dedicação e amizade. Aos amigos Ingrid, Iliana, Emília, Eugênio e sua esposa, Rosana e aos integrantes do Projeto Saúde Ocular, pelo estímulo e companheirismo. Ao oftalmologista, perito deste estudo, pela inestimável ajuda na análise da escala RAD. Às escolas, professores e diretores, pela colaboração na coleta de dados. À CAPES e ao CNPq (Projeto n° 473799/2004 - dígito 9), pelo apoio financeiro. Enfim, a todas as pessoas que de forma direta ou indireta contribuíram para a execução deste estudo, obrigada. LISTA DE TABELAS TABELA 1 - Denominações diferentes utilizadas pelos alunos do ensino fundamental para conceituar os optótipos da escala RAD, em Fortaleza, 2006.......................................................................... 75 TABELA 2 - Freqüência dos alunos do ensino fundamental que participaram do teste com escalas optométricas, em Fortaleza, 2006.......................................................................... 78 TABELA 3 - Faixa etária dos alunos do ensino fundamental que participaram do teste com escalas optométricas por escola, em Fortaleza, 2006.................................................................... 78 TABELA 4 - Acuidade visual por sexo dos alunos que participaram do teste com escalas optométricas por escola, em Fortaleza, 2006........................................................................................... 79 TABELA 5 - Acuidade visual por série dos alunos que participaram do teste com escalas optométricas por escola, em Fortaleza, 2006........................................................................................... 79 TABELA 6 - Coeficientes de validade da escala RAD para olhos sem correção, de alunos do ensino fundamental, baseadas no critério padrão da escala de Snellen, em Fortaleza, 2006........ 80 TABELA 7 - Matriz de correlação de Spearman conforme o olho e a escala utilizada no teste de alunos do ensino fundamental, em Fortaleza, 2006................................................................... 81 TABELA 8 - Associação entre os testes da escala RAD e de Snellen para o olho direito, realizados em alunos do ensino fundamental em Fortaleza, 2006.................................................................... 81 TABELA 9 - Associação entre os testes da escala RAD e de Snellen para o olho esquerdo, realizados em alunos do ensino fundamental em Fortaleza, 2006.................................................................... 81 TABELA 10 - Análise da concordância por olho e escala optométrica utilizada em alunos do ensino fundamental, em Fortaleza, 2006........................................................................................... 82 LISTA DE QUADROS E DIAGRAMAS QUADROS QUADRO 1 - Comparação desenvolvida por Benezet entre o coeficiente da acuidade visual em escalas optométricas e o tamanho dos optótipos ........................................................................ 46 Distribuição dos optótipos para escala de figuras adequada a Fortaleza, conforme os coeficientes da acuidade visual.... 51 Relação do coeficiente de acuidade visual e tamanho dos optótipos em milímetros........................................................ 51 DIAGRAMA 1 - Modelo de construção e de validação de tecnologia .......... 59 DIAGRAMA 2 - Modelo de elaboração e validação de escalas optométricas de figuras ....................................................... 72 QUADRO 2 QUADRO 3 - DIAGRAMAS LISTA DE FIGURAS FIGURA 1 - Proposta da nova escala de figuras ....................................... 15 FIGURA 2 - Matéria, forma e conteúdo da escala de figuras .................... 19 FIGURA 3 - Comparação dos formatos da casa de crianças do Brasil e de Portugal em 2006 .............................................................. 32 Comparação dos formatos da árvore de crianças do Brasil e de Portugal em 2006 .............................................................. 32 FIGURA 5 - Planilha utilizada para adaptação da figura a optótipo ........... 52 FIGURA 6 - Demonstração de figuras da escala RAD na planilha utilizada para adaptação da figura a optótipo ......................... 53 FIGURA 7 - Optótipos da escala de Snellen após adaptação na planilha . 54 FIGURA 8 - Optótipos da escala RAD após adaptação na planilha .......... 54 FIGURA 9 - Alterações realizadas na figura do carro após teste piloto, enumeradas em ordem crescente .......................................... 55 FIGURA 10 - Alterações realizadas na figura da flor após teste piloto ........ 55 FIGURA 11 - Alterações realizadas nas figuras do sol, da bola, do boneco e da casa após teste piloto, enumeradas em ordem crescente ................................................................................ 56 FIGURA 12 - Alterações realizadas na figura da árvore após teste piloto ... 56 FIGURA 13 - Comparação entre a proposta inicial e final da escala RAD após teste piloto ..................................................................... 57 FIGURA 4 - RESUMO A escala optométrica é utilizada em exame clínico oftalmológico e triagens para determinar a acuidade visual. Em estudo anterior realizado por Dantas (2003), desenvolveu-se um método para seleção dos optótipos para escala de figuras regionalizada, como uma proposta inicial. Entretanto, para esta escala ser validada, é necessário aprofundar os estudos na relação da estruturação e organização desses optótipos com a acuidade visual e de testes práticos. Têm-se como objetivos: validar a escala RAD quanto a sua capacidade de identificação de criança portadora de alteração ocular; avaliar a correlação entre os coeficientes da acuidade visual; verificar a associação entre os testes; verificar a concordância das medidas dos três examinadores para os olhos direito e esquerdo, separadamente. Estudo de validação de tecnologia, experimental, aleatórioo, triplo cego, quantitativo, desenvolvido durante o primeiro semestre de 2006 tendo como amostra 246 alunos selecionados de forma aleatória simples. O referencial teórico metodológico adotado para a pesquisa foi adaptado do modelo de teste de construto contemplando os procedimentos teórico, experimental e analítico. Para validação da escala RAD, utilizaram-se coeficientes estatísticos de validade e precisão. A sensibilidade para os momentos RAD 1 e RAD 2 foi, respectivamente, 88,6 e 85,7 para o olho direito e 78,6 e 92,9 para o esquerdo. Quanto à especificidade, os valores encontrados para as escalas RAD 1 e RAD 2 foram, respectivamente, 95,3 e 98,1 para o olho direito e 97,7 e 98,6 para o esquerdo. Para os olhos direito e esquerdo, respectivamente, o valor preditivo positivo (VP+) no momento RAD 1 foi de 75,6 e 81,5 e no momento RAD 2 foi de 88,2 e 89,7; já o valor preditivo negativo (VP-) no momento RAD 1 foi de 98,0 e 97,3 e no momento RAD 2 foi de 97,6 e 99,1. Houve correlação entre coeficientes da acuidade visual entre “Snellen e RAD 1”, “Snellen e RAD 2”, para os dois olhos (p = 0,0001). Na associação (X2) encontrou-se um coeficiente de 151,90 (p = 0,0001) para RAD 1 e de 177,07 (p = 0,0001) para RAD 2; para o olho direito e para o esquerdo em RAD 1 foi de 147,75 (p = 0,0001) e de 199,69 (p = 0,0001) em RAD 2, no olho esquerdo. Para a análise da concordância em todos os casos encontrou-se um Alfa de Cronbach maior que 0,929. Os dados demonstram significância entre o critério padrão utilizado e a escala de figuras em análise. Conforme a literatura, o modelo de validação em tecnologia estabelece normas a serem cumpridas. A confecção de uma tabela de figuras regionalizada exige o cumprimento dos seguintes quesitos: uso da teoria de formação da imagem para construção de escalas optométricas: uso do sistema visual para caracterizar o aprendizado visual (passo 1); padronização da escala optométrica como propriedade do sistema (passo 2); uso da dimensionalidade com base nos aspectos óptico-fisiológicos (passo 3); e caracterização das definições principais a serem seguidas na validação de figuras e construção de optótipos (passo 4); demonstração da operacionalização na elaboração de escalas optométricas (passo 5); análise dos optótipos da escala de figuras (passo 6); planejamento da aplicação na metodologia (passo 7); aplicação e coleta para aferição das alterações oculares (passo 8); uso de técnicas de validação (passo 9); uso de técnicas de precisão (passo 10) e considerações finais (passo 11). As regras estabelecidas servem como ponto de partida para o desenvolvimento da tabela em cada região, pois cada uma deverá possuir suas características próprias que devem ser respeitadas. Palavras-chave: criança; escala optométrica; validação. ABSTRACT The optopmetric scale is used on oftamologic clinic exam and selecting to determine the visual accuracy. On earlier study, by Dantas (2003), a method was developed for the selections of optoptics for the scale of regionalized images, as a initial proposal. Therefore, in order for this scale to be valid, it is needed to deepen the studies on the relation of the structuring and organizing of these optoptics, with visual accuracy and practical testing. The objectives are: To valid the RAD scale as its capacity to identify children with ocular alterations; Evaluate the co-relation among the coefficients of visual accuracy; Verify the associations among the tests; Verify the agreement of the measurement of the three examiners for the right and left eyes, separately. Study of validation of technology, experimental, random, triple blind, quantitative, developed over the first semester of 2006, having as sample, 246 students, selected on a random simple way. The methodological referential used by the research was adapted from the model of construto test with the theoric, experimental and analytic procedures. For the validation of the RAD scale, statistic coefficients of validating and precision are used. The sensibility for the moments RAD 1 and RAD 2 was respectively 88,6 and 85,7 for the right eye, and 78,6 and 92,9 for the left eye. As to the specificity the values found for the RAD 1 and RAD 2 scales were 95,3 and 98,1 for the right eye, and 97,7 and 98,6 for the left eye. Respectively, the positive predictive value (VP+) on the RAD 1 moment was 75,6 and 81,5 and on the RAD 2 moment, was 88,2 and 89,7; The negative predictive value (VP-) on the RAD 1 moment was 98,0 and 97,3 and on the RAD 2 moment it was 97,6 and 99,1. There was a correlation among the visual accuracy coefficients between “Snellen and RAD 1”, “Snellen and RAD 2”, for the two eyes (p = 0,0001). On the (X2) association were found a coefficient of 151,90 (p = 0,0001) for RAD 1 and 177,07 (p = 0, 0001) fro RAD 2; For the left and right eyes on RAD 1, it was 147,75 (p = 0,0001) and 199.69 (p = 0,0001) on RAD 2 on the right eye. For the concordance analysis in all cases, an Alpha de Cronbach higher than 0,929 was found. The data show significant between the standard criteria used and the scale of images in analysis. According to literature, the validation model in technology establishes rules to be fulfilled. The making of a regionalized chart of figures must fulfill the following rules: Use of the theory of image formation to construct optometric scales. Use of the visual system to characterize the visual learning (step 1); Patterning of the optometric scale as system proprieties. (step 2); Use of dimensionality based on the optic–physiologic aspects. (step 3); And characterization of the main definitions to be followed on the validation of the images and building of optoptics. (step 4); Demonstration of the operationalization on elaborating optometric scales. (step 5); Analysis of the optoptics of the image scale. (step 6); Planning of the application on the methodology. (step 7); Application and gathering for the measurements of the ocular alterations (step 8); Use of validation techniques (step 9); Use of precision techniques (step 10) and final considerations (step 11). The established rules serve as a starting point to de development of the chart in each region, for each one should have its own characteristic that must be respected. Keywords: children; optometric scale; validation 11 SUMÁRIO LISTA DE TABELAS.......................................................................................... LISTA DE QUADROS E DIAGRAMAS .............................................................. LISTA DE FIGURAS .......................................................................................... 1 INTRODUÇÃO ............................................................................................... 2 OBJETIVOS ................................................................................................... 2.1 Objetivo geral ......................................................................................... 2.2 Objetivos específicos .............................................................................. 3 NECESSIDADE DE ATUALIZAR OS CONHECIMENTOS ACERCA DA ESCALA DE FIGURAS .................................................................................. 3.1 A matéria, a forma e o conteúdo da escala de figuras ............................ 3.2 O aspecto formal e material do estudo ................................................... 3.3 As escalas de figuras e a comunicação visual ....................................... 4 PRESSUPOSTOS DA TESE ......................................................................... 5 A CONSTRUÇÃO DE ESCALAS OPTOMÉTRICAS ...................................... 5.1 Progressão angular ............................................................................... 5.2 Optótipo ................................................................................................. 5.3 Faixa de resolução da acuidade visual .................................................. 5.4 Contraste ................................................................................................ 5.5 Intervalo e número de optótipos na mesma linha e entre linhas ............ 5.6 A relação angular expressa de forma linear ........................................... 5.7 Acuidade visual diferencial – a ambliopia ............................................... 6 ELABORAÇÃO DA ESCALA OPTOMÉTRICA REGIONALIZADA ................ 6.1 Avaliação dos optótipos na escala optométrica de figuras ..................... 7 MODELO DE CONSTRUÇÃO E DE VALIDAÇÃO DE TECNOLOGIA ......... 8 REFERENCIAL TEÓRICO-METODOLÓGICO ............................................. 8.1 Procedimentos teóricos .......................................................................... 8.2 Procedimentos experimentais ................................................................ 8.2.1 Método de aferição da acuidade visual com escala de figuras ..... 8.3 Procedimentos analíticos ........................................................................ 8.4 Validade e precisão da escala RAD ....................................................... 9 RESULTADOS .............................................................................................. 9.1 Avaliação de escala de figuras por oftalmologista e discussão das sugestões . 9.2 Aferição da acuidade visual com escala de figuras ................................ 9.3 Validação e confiabilidade da escala RAD ............................................. 10 ANÁLISE DOS DADOS ............................................................................... 11 CONCLUSÃO .............................................................................................. 12 REFERÊNCIAS ........................................................................................... APÊNDICES ...................................................................................................... ANEXO .............................................................................................................. 6 7 8 12 17 17 17 18 18 21 23 31 34 39 42 42 44 45 46 47 50 54 58 63 63 64 69 70 71 73 73 76 80 83 95 97 104 115 12 1 INTRODUÇÃO A escala optométrica é utilizada em exame clínico oftalmológico e em triagens para determinar a acuidade visual. Esta é detectada mediante identificação de símbolos que formam a escala, chamados optótipos, os quais podem ser letras, números ou figuras submetidos a adaptações ópticas para cumprir essa função. Como afirma Duke-Elder’s (1197, p. 157), A acuidade visual é determinada pela menor imagem retiniana cuja forma pode ser percebida e é medida pelo menor objeto que pode ser claramente visto a certa distância. A fim de discriminar a forma de um objeto, as suas diversas partes devem ser diferenciadas; e se dois pontos separados devem ser distinguidos pela retina, provavelmente será necessário que dois cones individuais sejam estimulados enquanto um entre eles não seja estimulado. Para a visualização desses símbolos, utiliza-se o princípio do contraste. Este pode ser entre cores como o branco e o preto, ou de luz (claro e escuro), facilitando a identificação dessas figuras por meio da diferenciação retiniana de suas extremidades. Os optótipos são organizados em ordem decrescente. Desse modo, os de igual tamanho apresentam-se na mesma linha horizontal, e correspondem a um coeficiente de visão, expresso em forma de fração. Enquanto o numerador denota a distância na qual o paciente encontra-se do optótipo, o denominador denota a linha que vê nesta distância, calculada com base no tamanho do optótipo. A acuidade é determinada pela fração da última linha em que o indivíduo identificou todos os optótipos. Assim, se sua visão for “normal”, ao ver a linha a ser lida a 5 metros de distância, sua acuidade visual será de 5/5 (100%); se, quando se encontrar nesta distância, só conseguir ver a linha que o indivíduo com a visão padrão veria a 20 metros, sua acuidade visual será de 5/20 (25%). É perceptível a importância de cada optótipo para se ter um resultado fiel do exame. Por isso, parte-se do princípio de que para identificá-lo o indivíduo deve conhecer o objeto demonstrado. Este varia conforme a clientela a ser examinada. Para alfabetizados, pode-se optar pela escala de letras; para aqueles em processo de alfabetização ou recém-alfabetizados, sugere-se a escala de Snellen, que é formada pela letra “E” em várias direções e é considerada perfeita. 13 No caso de adultos analfabetos e crianças não alfabetizadas, é comum utilizar-se a escala de figuras, pois o aprendizado simbólico se dá antes da alfabetização. Apesar disso, as figuras devem ser regionalizadas e o bom resultado no teste vai depender, entre outras condições, da seleção de figuras adequadas, porquanto só se é capaz de dar significado ao que é lido quando se conhece o objeto ou se possui subsídios que contribuam para uma associação com dados da memória. O conhecimento envolve o ato de entrar em contato com o desconhecido. Inicialmente a sensação visual é processada na retina e, em seguida, nos mais altos centros corticais visuais para ser integrada em uma imagem mental, onde ocorre intervenção de fatores pouco conhecidos de interações cerebrais, como, por exemplo, a relação das imagens da visão com a memória. Há uma construção de conhecimentos visuais. O olhar de cada um está impregnado com experiências anteriores, associações, lembranças e etc. o que se vê não é o dado real, mas aquilo que se consegue captar e interpretar acerca do visto, o que nos é significativo (PILLAR, 2001, p. 13). A percepção de cada indivíduo está relacionada ao seu contexto ambiental, visão de mundo e estrutura social. Duas pessoas podem ler uma mesma realidade e chegar a conclusões bem diferentes, pois o que o sujeito apreende em relação ao objeto depende dos instrumentos de registro, das estruturas mentais, e das estruturas orgânicas específicas para o ato de conhecer disponível naquele momento. Em estudo anterior realizado por Dantas (2003), com base na necessidade percebida de se elaborar uma escala de figuras conforme o aspecto cultural da região de Fortaleza, desenvolveu-se um método para seleção dos optótipos regionalizados. Foram identificadas e validadas figuras conhecidas no cotidiano de crianças de 4 a 6 anos. Tais figuras, depois de enquadradas nos princípios ópticos para transformar figuras, tornaram-se optótipos. O método utilizado pela autora foi desenvolvido em cinco etapas, caracterizadas por: 1. elaboração de desenho livre pelas crianças; 2. análise e seleção quantitativa dos desenhos; 3. síntese das figuras selecionadas aproximando-as de optótipos; 4. validação das figuras; 5. transformação das figuras em optótipos. 14 A primeira etapa foi trabalhada com vistas ao conhecimento das figuras que envolviam o cotidiano infantil e a percepção do aspecto cognitivo. Neste momento, percebeu-se o quanto estes estavam atrelados ao cotidiano destas crianças. Na segunda, agruparam-se os desenhos por similaridade e conforme quantificados. Os mais significativos foram os seguintes: o sol – desenhado 216 vezes; o boneco – 186; a casa – 166; a nuvem – 166; a árvore – 106; o carro – 34; a bola – 25; a estrela – 24; e o coração – 21 vezes. A transformação dos desenhos em figuras próximas de optótipos na terceira etapa aconteceu de tal modo que as tornou claras e perceptíveis a distância, respeitados os princípios ópticos relacionados ao contraste do preto da figura com o branco do fundo. Assim, os desenhos de maior freqüência foram sintetizados, mantiveram suas principais características e se transformaram em figuras de traços bem definidos no programa Corel Draw. Para a quarta etapa de validação das figuras selecionaram-se crianças da faixa etária de 4 anos, pois se as figuras fossem reconhecidas por este grupo com menor amadurecimento psicomotor e cognitivo o seriam com maior facilidade pelas crianças de 5 e 6 anos. As figuras foram validadas com base em intervalo de confiança (IC) de 95% para o número de acerto. Na análise estatística encontrou-se uma média de 83,5 % e uma mediana de 87% de acertos. O intervalo de confiança com base na média ficou entre 70,6% e 96,4%. Como critério de inclusão tomaram-se as figuras que obtiveram porcentagens iguais ou maiores que o limite inferior desse intervalo. Por isso, as figuras selecionadas foram: carro (100%), casa (98%), coração (98%), estrela (95%), bola (89%), flor (85%), sol (83%) e boneco (78%). Assim, desenvolveu-se a proposta inicial da futura escala. 15 FIGURA 1 - Proposta da nova escala de figuras Escala RAD1 Fonte: Dantas (2003). Uma escala com estas características evita demonstração de alteração inexistente, além do constrangimento da criança tentar adivinhar uma figura estranha ao seu cotidiano. Entretanto, para a escala RAD ser validada, é necessário se aprofundar os estudos na relação da estruturação e organização desses optótipos com a acuidade visual e testes práticos fundamentados nas regras de uso baseadas nas determinações do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), conforme exposto por Kara-José e Alves (1998), porquanto estas regras contribuem para minimizar os efeitos do ambiente sobre o teste. Com medidas eficazes, as alterações visuais podem ser evitadas nas várias fases da vida. Mas a principal preocupação refere-se àquelas que afetam a criança, isso porque este é o período de formação e desenvolvimento orgânico, de estabelecimento funcional e, portanto, de maior vulnerabilidade à agressão de diferentes agentes etiológicos. Cerca de 7,5 milhões de crianças em idade escolar apresentam algum tipo de deficiência visual (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE, 2002). No Brasil esta estatística aproxima-se dos 20% das crianças na escola. Tais números podem ser reduzidos pela metade com métodos de prevenção e diagnóstico precoce de distúrbios oftalmológicos (TEMPORINI, 1992). A enfermeira desempenha papel fundamental na prevenção, pois com sua atuação em exames de triagem com escolares detecta alterações oculares e 1 A denominação RAD origina-se das iniciais do nome da autora (Rosane Arruda Dantas). 16 exerce sua função de educadora em saúde. Trabalha com a família, o aluno e a escola, orientando quanto aos cuidados com os olhos. Ao profissional de enfermagem que atua na área de saúde do escolar com abordagem de oftalmologia, cabe informar sobre os principais sinais e sintomas de alterações oculares. De igual forma, cumpre-lhe realizar exame de saúde ocular, composto pela avaliação da acuidade visual com a escala de Snellen ou de figuras, o exame das estruturas oftálmicas externas, e mostrar aos pais a importância do encaminhamento do seu filho ao especialista, quando este apresenta algum sinal de alteração ocular, e, ainda, ensinar aos professores como se realizará o teste com a escala de Snellen. Contudo, como afirmam Cintra et al. (1989), são poucos os enfermeiros que ocupam seu espaço na área da oftalmologia. Como recomendado, a efetivação dessas atividades de promoção da saúde pressupõe apenas a qualificação dos enfermeiros em saúde ocular. Isto exige que os currículos das escolas de enfermagem abordem este assunto de forma sistemática e em profundidade. Defende-se a tese de que é possível a construção de escalas optométricas regionalizadas por profissionais da área e que, por meio do modelo ora demonstrado, estas serão eficazes na detecção da acuidade visual. Para tanto, é necessário descrever o método de confecção da escala e aplicá-lo em pesquisa experimental no intuito de demonstrar sua eficácia na determinação da acuidade visual. 17 2 OBJETIVOS 2.1 Objetivo geral • Validar a escala RAD quanto a sua capacidade de identificação de criança portadora de alteração ocular. 2.2 Objetivos específicos • Avaliar a correlação entre os coeficientes da acuidade visual; • Verificar a associação entre os testes; • Verificar a concordância das medidas dos três examinadores para os olhos direito e esquerdo, separadamente. 18 3 NECESSIDADE DE ATUALIZAR CONHECIMENTOS ACERCA DA ESCALA DE FIGURAS É por meio do caminhar que surge o novo, o inesperado. Isto pode exigir a reformulação de todo o caminho para justificá-lo, explicá-lo e fundamentá-lo, a exemplo do ocorrido nos estudos com a escala RAD. Durante o uso dessa escala, algo novo surgiu: a necessidade de questionar a percepção da criança diante deste instrumento. Nessa perspectiva, a relevância deste estudo encontra direcionamento para novos aspectos e, desse modo, quebra o paradigma de método rígido e predefinido, e ao mesmo tempo valoriza a experiência como ponto de partida para descobertas. As descobertas advêm de novos conhecimentos, tanto do empírico como do científico. Conhecimento empírico é aquele sentido individualmente pelas diversas pessoas; é acentuadamente subjetivo e desorganizado. Conhecimento científico é a organização do conhecimento empírico; é o conhecimento das coisas pelas causas; é objetivo, tem uma uniformidade; nele, o que era unicamente qualitativo passa a ser predominantemente quantitativo. Neste caso, o conhecimento empírico direciona o científico. Outra forma de conhecimento é o abstrato, quando se extrai de singulares o geral; o que é igual a todos são as leis e/ou teorias, fórmulas quantitativas elaboradas pela razão. Há, ainda, o concreto: qualitativo, particular, subjetivo e surgido da experiência: é o novo. Na busca do conhecimento, percorre-se a questão da gênese, pois muito se tem discutido sobre a existência de fontes ideais de conhecimento. Deveria a experiência ou a razão ser privilegiada? Como determinada concepção de método científico se apóia numa filosofia da ciência e esta numa teoria do conhecimento? Essa discussão tem dado origem a intermináveis polêmicas que se espraiam da teoria do conhecimento para a filosofia da ciência (OLIVA, 2003). 3.1 A matéria, a forma e o conteúdo da escala de figuras Embasando-se nas noções de matéria e forma, como mostra a Figura 2, observa-se que a matéria é a escala optométrica, ou seja, depois de construída e pronta para uso. Já a forma é o que foi desenvolvido até gerar a matéria e que pode 19 ser modificada conforme os novos conhecimentos adquiridos. Envolve os cálculos ópticos e a lei da refração, além da anatomia e fisiologia ocular. FIGURA 2 – Matéria, forma e conteúdo da escala de figuras Fonte: Dantas, Verlaine, Pagliuca (2005). Conforme observado, durante o uso da escala de figuras, a forma poderá ser modificada para adequar-se à realidade encontrada. Alguns aspectos do método que define a forma permanecem invariáveis, tais como as leis da refração que embasam os cálculos ópticos; entretanto, a adequação regional dos optótipos de acordo com o aspecto cultural é um aspecto da forma variável. O conteúdo, que neste caso determina a forma da nova escala, é a cultura porque o conteúdo de um conceito é a sua compreensão. No caso da percepção da criança diante das figuras da escala optométrica, a cultura está relacionada ao seu contexto ambiental, visão de mundo e estrutura social. Duas pessoas podem ler uma mesma realidade e chegar a conclusões bem diferentes, pois o que o sujeito apreende em relação ao objeto depende dos instrumentos de registro, das estruturas mentais, das estruturas orgânicas específicas para o ato de conhecer disponíveis naquele momento. Nas palavras de Mora (1995, p. 119), Os corpos aparecem ao mesmo tempo como ativos e passivos. Estão sujeitos ao que a ciência chama inércia, quer dizer, a uma impotência para modificar por si mesmo seu estado, e ao mesmo tempo manifestam, sob a provocação de agentes físicos, atividades determinadas: estes dois aspectos contrários das realidades corporais se explicam pelo duplo princípio que os constitui. 20 O conteúdo ora apresentado é atual no referente à escala RAD, no entanto, não pode ser visto como finito. Ele deve ser trabalhado e embasado, permanecendo aberto a novas concepções. Assim, a complexidade existente no processo de mediação entre a construção teórica e a intervenção na prática, entre o pensamento e a ação, explica que o contato com a realidade profissional requer analisar o que acontece, além de ser preciso lançar um olhar crítico, tomar uma posição e decidir por um caminho para intervir. A maneira como este processo é conduzido define a relação estabelecida pelos profissionais entre o pensar e o fazer. Ao mesmo tempo, o estímulo à revisão, a ampliação e inovação das formas tradicionais de assistir alargam os horizontes e abrem novos espaços de atuação para os profissionais, sobretudo para assumir a responsabilidade pela prática profissional (ALONSO, 2003). Estas afirmações são corroboradas por Oliva (2003, p. 9), ao enfatizar: Teoria só sobrevive, só é aceita, enquanto não surge alguma evidência empírica capaz de desmenti-la ou uma outra teoria capaz de vantajosamente substituí-la. A longevidade em ciência indica apenas que determinadas teorias têm demonstrado inequívoca capacidade de superar testes. Mas, como em etapas posteriores da pesquisa uma teoria pode vir a ser suplantada ou condenada pelo “tribunal dos fatos”, a aceitação deve ser cautelosa. Mesmo o resultado mais consolidado não deve merecer um endosso definitivo. A questão filosófica direcionada para a matéria, a forma e o conteúdo demonstra a infinitude do conhecimento e revela que a visão de determinada pesquisa em um momento pode ser redimensionada. Contudo, a percepção do homem sobre determinada matéria é limitada e, à medida que o indivíduo encontrase aberto a questionar ou aceitar mudanças, a matéria pode ser modificada pela forma por meio de vários conteúdos, conforme a visão do pesquisador. Inegavelmente, os pressupostos que deram origem à escala RAD foram importantes na demonstração de que a experiência é, sim, ponto crucial para questionamento e direcionamento da clínica, que pode envolver tanto a enfermagem como diversas ciências. No entanto, nos desenhos dos escolares, sempre haverá uma parte desconhecida que contribui para um resultado diferente. Além disso, a realidade é dinâmica e pode levar a uma mudança nos desenhos infantis. Por isso, é necessário explicar que esta escala poderá ser aplicada para o grupo de pré-escolares de Fortaleza, mas para isto estes devem permanecer com as mesmas características. 21 Se o grupo não apresentá-las não se pode deformá-lo para encaixá-lo na teoria. Se servir só para alguns, é preciso considerar aqueles que fogem à regra. Todavia, apesar das fases do crescimento e do desenvolvimento infantil determinarem características comuns nos desenhos a serem encontrados, segundo a idade, até aqueles de uma casa feitos por uma criança de 4 anos, por exemplo, terão características peculiares, segundo sua cultura e seu aprendizado visual. Por isto, os testes com a utilização de escalas de figuras permanecem válidos, desde que a escala seja adaptada à realidade local. Não é preciso, porém, seguir todo o modelo; basta apenas validar a escala RAD conforme a clientela a ser examinada. Caso contrário, o ideal é modificá-la. Como mostra a história, algo considerado verdade hoje pode em outro momento ser desvelado e desacreditado. Isso instiga o pesquisador a estar aberto para receber o novo, mesmo de forma inesperada. Portanto, ele deve permanecer sempre atento para percebê-lo. Além disso, no intuito de aprimorar os estudos geradores de fatos novos para a ciência, é importante diferenciar matéria, forma e conteúdo. 3.2 O aspecto formal e material do estudo Em todo estudo, existe o aspecto formal e o aspecto material. Por objeto formal entende-se o aspecto sob o qual a coisa é estudada. Por exemplo, o aspecto sob o qual cada ciência estuda a escala optométrica de figuras. O objeto material vai receber a forma; é o conteúdo a ser estudado, no caso, a enfermagem quando estuda a percepção da criança em face da escala de figuras. Como matéria compreende-se o conteúdo e a forma. A forma pode ser variante e invariante e deve acompanhar o conteúdo, mutável com o tempo. Logo, a escala, que é a forma, deve acompanhar as mudanças do conteúdo. Na forma, existem aspectos invariáveis e variáveis. Estes últimos devem representar o conteúdo, desenvolvido de acordo com o conhecimento. Nesta questão, o método de construção das escalas optométricas de figuras foi fundamentado na filosofia da ciência e no ato do conhecimento. Na opinião de Moreira, Caetano e Vilela (2001, p. 229), o ato do conhecimento “é uma 22 atividade intelectual, um motor contínuo e efetivo que vincula o homem ao mundo, visando a explicação e compreensão de tudo que o cerca”. Desse modo, conforme os mesmos autores (idem ibidem), “a epistemologia busca a objetividade e validade universais; apresenta duas vertentes distintas: a analítica e a histórica”. Segundo Alonso e Keller (2003, p. 571), O exercício de abstrair os fenômenos da prática, no processo de refletir, conceituar e definir os elementos que compõem a assistência estimula e impulsiona a reflexão científica a respeito do fazer. É necessário realizar revisões teóricas, buscar experiências na área, criar, imaginar, refletir sobre a sua própria visão de mundo, reformulando ou propondo novos caminhos. Por este motivo uma figura adequada torna-se tão importante quanto os cálculos exigidos para transformar uma figura em optótipo e oferecer um resultado para acuidade visual (DANTAS, 2003). Como mostra a literatura, o método descrito na elaboração do trabalho para fundamentar o crescimento e o desenvolvimento da criança no processo de construção das escalas de figuras reflete os novos aspectos abordados sobre o tema. A construção do saber profissional, voltado à intervenção, escolhe um olhar crítico, no exercício de trazer a prática para a teoria, aplicando-lhe o choque da crítica. Isto faz com que a prática se renove através de retroalimentação teórica, voltando à prática, com um novo dimensionamento (ALONSO; KELLER, 2003, p. 571). Ao se reformular a idéia inicial, conforme se observa, a matéria no caso das escalas é o material do qual esta se constitui, ou seja, madeira, papel ou figura projetada. Logo, a matéria inicial é modificada com base em uma forma que reflete a escala. A matéria-prima é pura potência, quer dizer, é capaz de converter-se em qualquer corpo, graças à sua absoluta indeterminação original. Por sua vez, a forma substancial é ato. Porquanto, é por ela que a matéria se torna corpo. Por isto se diz que a forma é ato da matéria. Ao contrário, recebendo a forma, a matéria, por estar dotada de quantidade, quer dizer, de dimensões, e, por conseguinte, de finitude, limita e restringe a forma, determina-a e, portanto, a individualiza (JOLIVET, 1961). Como se vê, pois, o termo matéria reflete o sentido amplo da linguagem corrente. Para alguns filósofos, a matéria é a substância primeira ou elemento mais 23 simples que serve para constituir ou construir qualquer coisa. O conceito de matéria secundária ou ente corpóreo pertence à categoria ontológica (e lógica) de substância. Opõe-se à forma geométrica, acidental. Já o conceito filosófico de matéria é transcendental, porque se reporta ao ser, superando qualquer categoria. Aristóteles inventou a teoria hilemórfica da matéria-prima e forma para resolver a antimonia grega da mudança ou devir cósmico. Ao sujeito preexistente da mudança substancial, Aristóteles chama-lhe, também, substrato e natureza subjacente (ALVES, 1991). Assim, a matéria como sujeito do devir não é ainda o ente (ser atual), mas um princípio ou componente de ser. É ser apenas potencialmente, porque está indeterminada. Não pode, porém, existir sem a forma determinante. O conceito de matéria-prima é, pois, abstrato e correlato do conceito de forma (idem ibidem). É por isso que Aristóteles, ao introduzir a noção de forma em muitas passagens de suas obras, especialmente na física e na metafísica, a considera como a causa material. Segundo afirma, a matéria é aquilo com o qual se faz algo, enquanto a forma é aquilo que determina a matéria para ser algo, isto é, aquilo pelo qual algo é o que é. Assim, em uma mesa de madeira, a madeira é a matéria constituinte da mesa, e o modelo que seguiu o carpinteiro é sua forma (ALVES, 1991). De acordo com a mesma fonte, deste ponto de vista, a relação entre matéria e forma pode ser comparada com a relação entre potência e ato. Efetivamente, sendo a forma aquilo que é, a forma será a atualidade do que era potencialmente. Ainda que a relação matéria-forma se aplique à realidade em um sentido muito geral e, por assim dizer, estático, a relação potência-ato se aplica à realidade que está em movimento. A relação potência-ato faz compreender como cabem (ontologicamente) as coisas; a relação matéria-forma permite entender como estão compostas as coisas. 3.3 As escalas de figuras e a comunicação visual O homem entra em contato com o ambiente mediante percepção dos estímulos sensoriais, os quais têm origem nos cinco órgãos dos sentidos: o tátil, o gustativo, o auditivo, o olfativo e o visual. Quando a comunicação do indivíduo com 24 o meio ocorre por meio do estímulo sensorial da visão, ela se dá de modo não verbal e envolve um processo cognitivo decorrente do aprendizado visual que depende da integridade ocular. O processo de visualização acontece via estruturas oftálmicas; inicia-se pela captação do estímulo luminoso pela córnea, primeiro ponto de refração do olho, e vai até a retina, onde é transformado em estímulo nervoso e encaminhado ao cérebro pelo nervo óptico. Quando os sistemas visual e neurológico encontram-se íntegros, os estímulos são decodificados adequadamente de acordo com o aprendizado visual de cada indivíduo. Entretanto, a elaboração de respostas sobre o aprendizado do homem passa pelo estudo da cognição, pois as estruturas cognitivas formam as bases para a construção de novos conhecimentos. Mas a construção de significados na mente é um processo personalizado e individualizado, envolvendo diferentes habilidades cognitivas, as quais, por sua vez, dependem da interação de fatores individuais e ambientais (STEDILE, 2003). A visão em perfeitas condições determina 85% da interação do homem com o mundo ao assumir o comando da esquematização do comportamento (CONSELHO BRASILEIRO DE OFTALMOLOGIA, 1998). Daí, como sugere Pagliuca (1993), a importância da avaliação da saúde ocular a fim de se manter uma boa visão, pois um único teste é suficiente para detectar e prevenir alterações visuais que no futuro poderiam originar cegueira, grave comprometimento para o homem. A melhor época para a prevenção e detecção das deficiências da visão é a idade pré-escolar, período compreendido do 3º até o final do 5º ano de vida, e marcado por descobertas, criatividade, curiosidade, além de desenvolvimento de padrões socioculturais de comportamento (WHALEY; WONG, 1989). Deve-se considerar ainda a diversidade cultural e seus aspectos. Assim, o reconhecimento de figuras pelos pré-escolares provavelmente estará relacionado ao ambiente onde vivem. Uma criança residente no Alaska possivelmente identificará um pingüim com mais facilidade que aquelas residentes no Brasil, porque esta figura faz parte do cotidiano das primeiras. Isto não significa, porém, que aquelas possuem uma cognição mais aguçada que as brasileiras, entretanto, quando se utilizam 25 figuras inadequadas, compromete-se a comunicação visual. Tal comprometimento pode levar a essa interpretação. Além disso, o aprendizado visual modifica-se com o tempo. O formato dos desenhos pode se diferenciar conforme os avanços tecnológicos e as mudanças relativas ao objeto em análise. Historicamente, o desenvolvimento da sociedade esteve marcado por avanços tecnológicos que incorporaram como elementos cruciais a informação e o conhecimento, existindo transformações significativas nos modos de produção e circulação que afetaram a própria organização das sociedades. A relação entre o desenvolvimento da sociedade e do tecnológico não foge a essa dupla entrada. Ao se influenciar mutuamente, de modo cada vez mais intenso, esse último se confunde com o próprio movimento da sociedade (SANDI, 2004). Mas, como enfatiza Vick (2001), é preciso levar em conta as barreiras da comunicação, as quais incluem a semântica, a transcultural, a socioeconômica, a idade, as diferenças de gênero, os aspectos físicos e mentais. O processo de comunicação demonstra essas dificuldades na assistência de enfermagem a pacientes de nacionalidades diferentes daquela da enfermeira e analfabetos em seu idioma. No entanto, é possível encontrar essas barreiras da comunicação entre indivíduos da mesma língua e nacionalidade, e até mesmo na comunicação visual. Só se pode dar significado ao que é lido quando se conhece o objeto ou se possui subsídio capaz de contribuir para uma associação de conhecimentos. Como exemplo, menciona-se o aprendizado de determinada língua estrangeira. Se um indivíduo lê uma palavra em um idioma desconhecido, esta não passará de letras sem significado. Mas se ele gradualmente for recebendo informações acerca deste idioma, mesmo sem o aprendizado de todas as palavras, será possível entendê-lo. A aprendizagem envolve o ato de entrar em contato com o desconhecido. Na maioria das vezes, este ato acontece de forma visual. Inicialmente, a sensação visual é processada na retina e em seguida nos mais altos centros corticais visuais para ser integrada em uma imagem mental onde ocorre intervenção de fatores pouco conhecidos de interações cerebrais, como, por exemplo, a relação das imagens da visão com a memória. À medida que uma criança entra em contato com 26 o mundo circundante ela vai escrevendo sua história. A percepção estará atrelada ao seu contexto ambiental, visão de mundo e estrutura social. De acordo com Pillar (2001), a aprendizagem do sujeito em relação ao objeto depende dos instrumentos de registro, das estruturas mentais, das estruturas orgânicas específicas para o ato de conhecer disponíveis naquele momento. Existe uma construção de conhecimentos visuais. O olhar de cada um está envolvido com experiências anteriores, associações, lembranças. O que se vê não é o dado real, mas aquilo que se consegue captar e interpretar acerca do visto, o que é significativo. Neste sentido, o indivíduo compreende, a princípio, o contexto familiar, a relação com as pessoas do bairro de origem, a escola. Com a idade, este conhecimento se expande, sendo marcado fortemente pelo aspecto social. Defendese que o aprendizado passa pela percepção dos cinco sentidos humanos. A percepção pode ser definida como um processo de reconhecimento sensorial aliado à organização de forças dentro do sistema nervoso, à recolocação de experiências passadas e ao aparecimento de uma resposta (ROOT-BERNSTEIN; ROOT-BERNSTEIN, 2001). Logo, o modo pelo qual fazemos uso dos vários tipos de comunicação depende da nossa capacidade de perceber todos esses dados. Em larga proporção, o contato do homem com o mundo dá-se pela visão, principal meio para o aprendizado em um vidente. Isso não significa ser a visão o único grande meio de aprendizado. Como é notório, os cegos aguçam os outros sentidos, tornam-se capazes de aprender, por meio do tato e da audição, ou seja, necessitam apenas de estratégias que contribuam para isso. No entanto, para os possuidores do sentido da visão, não há dúvida sobre sua importância. O mundo que conhecemos está formado por entidades lógicas cerebrais nas quais intervêm, além da percepção das formas pelo olho e suas vias ópticas, fatores como a comparação, o já conhecido, a lógica, a imaginação, etc. A necessidade de ver começou a se desenvolver com o propósito de dotar os seres primitivos de melhor capacidade de defesa e ataque, pois o organismo melhor dotado seleciona mais adequadamente a espécie e, portanto, teria mais chances de propagar sua linhagem. 27 É fato que o aprendizado simbólico antecede o aprendizado da escrita e até da palavra. Uma criança reconhece sua mãe mesmo sem saber-lhe o nome. Levando-se em conta que o simbólico manifesta-se simultaneamente por imagens e por palavras com uma plasticidade organizadora que lhe é inerente, as formas de conhecimento por ele possibilitadas são tanto objeto de comunicação verbal quanto visual e o pensamento visual, quando vinculado ao social, torna-se questão de visibilidade, um tipo de conhecimento sobre a afetividade e os vínculos (PILLAR, 2001). Ao transpor estes conceitos para a oftalmologia, especificamente no uso de escalas optométricas de identificação da acuidade visual em pré-escolares, segundo se percebe, para a criança ser capaz de identificar a figura exposta na escala, precisa inicialmente conhecê-la. É fácil detectar a tendência à informação visual no comportamento humano. Busca-se um reforço visual do conhecimento por muitas razões. A mais importante delas é o caráter direto da informação, a proximidade da experiência real (ROOT-BERNSTEIN; ROOT-BERNSTEIN, 2001). Poder-se-á se falar em sensibilização antes do teste para medição da acuidade visual em crianças mediante exibição de figuras inerentes à escala. É inquestionável a importância desse momento, mas ele sozinho é insuficiente para a fácil identificação dos símbolos. Acrescenta-se, ainda, a utilização de figuras universais, comuns a todas as crianças, excluída dessa relação a diversidade cultural. Tal crença contesta inicialmente os pressupostos do aprendizado visual e do aspecto cultural. Conforme demonstra a experiência dos integrantes do Projeto Saúde Ocular da Universidade Federal do Ceará, mesmo figuras universais, como o pássaro e a flor, são confundidas pelas crianças durante o teste com a escala onde são utilizados. A experiência visual humana é fundamental no aprendizado para se poder compreender o meio ambiente e reagir a ele; a informação visual é o mais antigo registro da história humana (ROOT-BERNSTEIN; ROOT-BERNSTEIN, 2001). Para exemplificar esta afirmação, ao se comparar as versões de A última ceia, pintadas por Leonardo da Vinci e Tintoretto, verifica-se sensível diferença de interpretação. Enquanto a composição do primeiro transmite harmonia e paz, a do segundo mostra uma situação dramática e conflituosa. Isso acontece porque a arte 28 representa sempre a expressão direta de valores originados no próprio viver e, a partir de vivências diferentes, surgem estilos diferentes (OSTROWER, 1993). Os níveis dos estímulos visuais contribuem para o processo de concepção, criação e refinamento de toda obra visual. Cada nível, o representacional, o abstrato e o simbólico, têm características específicas que podem ser isoladas e definidas, embora não sejam absolutamente antagônicas. O último nível de informação visual é o simbólico. O símbolo pode ser qualquer coisa, de uma imagem simplificada a um sistema extremamente complexo de significados atribuídos, a exemplo da linguagem ou dos números (ROOTBERNSTEIN; ROOT-BERNSTEIN, 2001). Da mesma forma, considera-se o desenho como uma expressão simbólica não-verbal do corpo e/ou do meio ambiente, construído mediante captação de experiências pelo indivíduo. Nas palavras de Bronowski (1997, p. 27), Nossa própria consciência depende totalmente da nossa visão do mundo exterior em tais categorias. E os problemas de consciência surgem da colocação da reconstituição ao lado da internalização; surgem também de sermos capazes de nos ver como se fôssemos objetos no mundo exterior. Isso está na própria natureza da linguagem; é impossível termos um sistema simbólico sem isto. Vê-se o mundo que se cria, de cidades, aviões, casas e máquinas. É o planeta da manufatura e da complexidade da tecnologia moderna. Aprende-se instintivamente a compreender e atuar psicofisiologicamente no meio ambiente e, intelectualmente, a conviver e a operar com esses objetos mecânicos necessários à nossa sobrevivência. A visão é o único elemento indispensável à compreensão visual. Para falar ou entender uma língua, não é preciso ser alfabetizado; não é preciso ser visualmente alfabetizado para fazer ou compreender mensagens. Essas faculdades são intrínsecas ao homem (ROOT-BERNSTEIN; ROOT-BERNSTEIN, 2001). Diante de tais argumentos, contesta-se o uso indiscriminado das figuras sem o embasamento da adequação dos optótipos na sua área de aplicação. Como seres humanos, recebemos estímulos diariamente, mas é necessário um código para compreendê-los. O código está ligado ao referencial de cada pessoa, 29 elaborado com base em suas experiências e valores. Para a mensagem ter significado é preciso ser codificada em nosso saber. Quando nasce uma criança, ela se movimenta, mexe os braços, as pernas, a cabeça, o corpo. Embora aleatórios, estes movimentos deixam um registro na musculatura e no sistema nervoso. O bebê ainda não está consciente. Vai se tornando consciente pelo próprio viver: ele olha, pega, segura, apalpa, coloca na boca a fim de saber se uma coisa é dura ou mole, lisa ou áspera, redonda ou pontiaguda. Em breve, começa a brincar, aprende que mesmo quando desaparecem do seu campo visual, os objetos não deixam de existir, passam a existir em sua imaginação e na memória. Assim, a criança está explorando o mundo em torno dela, descobrindo-se nele, ela própria como um espaço entre espaços maiores. Há um contínuo processo de conscientização e identificação destas descobertas espaciais (OSTROWER, 1997). Somos capazes de ver e reconhecer um pássaro. Pode-se ampliar esse conhecimento até a generalização de toda uma espécie e seus atributos. Segundo observadores, a informação visual não vai além do nível primário de informação. Já Para Leonardo da Vinci, um pássaro significa voar, e esta convicção levou-o a projetar máquinas voadoras. Ao se ver um pássaro, um tipo específico de pássaro, por exemplo, uma pomba, isso pode remeter a um significado ampliado de paz. O visionário não se detém diante do óbvio; mediante a superfície dos fatos visuais, vê mais além, e chega a esferas muito mais amplas de significado (ROOTBERNSTEIN; ROOT-BERNSTEIN, 2001). A realidade só pode ser vivenciada quando se entende que a arte nasce da vida e se relaciona com ela. “O quê” e “como” na educação significam que conhecer coisas não é o mesmo que compreendê-las. É necessário fundir o “conhecimento prático” e o “conhecimento simbólico”; a prática e a análise, imagem e objeto. Caso contrário, se apreenderiam fatos sem conseguir imaginar seu significado (DONDIS, 1997). É preciso unir a capacidade de construir e consertar as coisas no mundo cotidiano ao conhecimento teórico. No entanto a inexistência disso não se relaciona à falta de inteligência. Einstein tinha dificuldades em assimilar os princípios da física teórica, mas os compreendia muito bem no nível prático; sabia chegar a um insight 30 básico ou a uma idéia seminal, mas não conseguia expressá-los teoricamente. Muitas vezes a falta de ilusões em conhecimento teórico pode representar dificuldades no desempenho escolar (BRIAN, 1998). Essas formas de representação adquiridas na escola vão se diversificando gradativamente e se tornando complexas, passam de motoras e sensoriais para simbólicas. Posteriormente, serão codificadas pela leitura e escrita. Ao compreender esse caráter dinâmico de construção do conhecimento simbólico, percebe-se que ele constitui uma parte essencial do processo de aprendizagem, garantindo a aquisição gradativa de novas formas de expressão e reconhecimento – representação de seu mundo. 31 4 PRESSUPOSTOS DA TESE De acordo com o evidenciado por Dantas (2003) durante a utilização das escalas optométricas em triagens, as crianças confundiam formatos de figuras comuns ao seu cotidiano por falta de familiaridade com eles. Em outros casos, desconheciam figuras que se encontravam distantes do seu ambiente. Desta forma, conforme provou em seus estudos, o aprendizado visual encontra-se diretamente relacionado com a diversidade cultural e os aspectos cognitivos desta relação influenciam o processo de detecção da acuidade visual. Além disso, desenvolveu, ainda, o método para seleção dos optótipos regionalizados, capaz de ser aplicado em qualquer lugar do mundo, como ponto de partida para construção de escalas optométricas. No intuito de aprofundar tais conhecimentos e demonstrar a aplicabilidade deste método, a autora (2006) desenvolveu um estudo quantitativo experimental na cidade do Porto em Portugal, viabilizado por meio de um “Doutorado Sanduíche” com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), do Brasil. Os desenhos predominantes foram o da figura humana, o do sol, da casa, da árvore, da flor, do boneco, da nuvem, do castelo, da bola e da relva. Oito destes desenhos foram encontrados no estudo de Dantas (2003) em relação às crianças de 4 e 5 anos. São eles: a figura humana, a casa, o sol, o boneco, a árvore, a nuvem, a flor e a bola. Dois deles, contudo, diferiram: o carro e o peixe. Ao analisar estes resultados constata-se a presença de duas figuras que inexistiram no mesmo estudo (2003), quais sejam, o castelo e a relva, e o carro e o peixe, presentes no estudo trabalhado em Fortaleza. Isto demonstra aspectos da diversidade cultural retratada na visão de mundo e a estrutura social das crianças, visto que muito do compartilhamento, da transmissão e padronização do aprendizado ocorreu fundamentado pelas vivências de um grupo. Ao mesmo tempo, entre aqueles desenhos com a mesma denominação, a casa e a árvore possuíram, em vários desenhos, formatos diferentes nos dois estudos. A casa do estudo realizado no Brasil, por exemplo, compunha-se de dois 32 retângulos, um deles maior na altura e com porta, além do telhado. No caso da casa de Portugal, todos os desenhos possuíam apenas um retângulo e dentro deste a porta, janelas acima e telhado em forma triangular, demonstrados a seguir. FIGURA 3 – Comparação dos formatos da casa de crianças do Brasil e de Portugal em 2006 Já a árvore, no estudo de Portugal, na maioria, possuía tronco mais largo e copa circular, diferente daquelas encontradas no estudo de Dantas (2003), as quais são constituídas por pequenas ondas que chegam a lembrar o formato de uma nuvem, além de existirem formatos de árvore à semelhança de coqueiros. FIGURA 4 – Comparação dos formatos da árvore de crianças do Brasil e de Portugal em 2006 Como consta na mesma fonte (2003), o formato das casas possui características voltadas para a diversidade cultural, pois varia conforme a região e os costumes. Provavelmente uma criança indígena desenharia uma oca como sendo sua casa, embora na Amazônia um menino com o mesmo objetivo talvez desenhasse uma palafita. Segundo se observa no caso da cidade do Porto, apesar das raízes culturais entre o Brasil, o formato foi diferente. Um grande número de formatos visuais é abstrato. Portanto, não se parece com os objetos encontrados na natureza, a exemplo da casa no enfoque de moradia, do abrigo mais simples ao mais complexo. Em outras palavras, uma casa não segue a configuração de uma árvore, que em algumas circunstâncias poderia 33 ser descrita como um abrigo; seu aspecto é determinado pelo objetivo que levou o homem a criá-la; sua forma segue sua função (DANTAS, 2003). As possíveis soluções para a necessidade de abrigo e proteção do homem são infinitas. Podem ser inspiradas pela utilidade, pela vaidade, pela expressão e pela comunicação e proteção. Assim, o uso ao qual se destina um edifício determina seu tamanho, sua forma, suas proporções, seu tom, sua cor e textura. Nesse caso, como em outros contextos visuais, a forma segue a função. Mas o onde e o quando são também questões profundamente importantes para as decisões estilísticas e estruturais a envolver o projeto e a construção de uma casa. O onde pode ser significativo em razão do clima, pois os tipos de abrigo variam da linha do Equador para o Pólo Norte (DONDIS, 1997). A árvore, também diversificada pela função de gerar o fruto, recebeu no estudo de Dantas (2003) nomes próprios, como mangueira e coqueiro, expressões ausentes nos desenhos das crianças do Porto. Percebe-se na elaboração de desenhos que apesar da influência psicológica nas etapas de crescimento e desenvolvimento da criança, os formatos possuem relação com o aprendizado visual. Este achado validou a idéia desta autora (2003) quando afirmou existirem figuras com características universais e aquelas específicas de determinadas regiões, baseando-se em seu formato para justificar esta explicação. Tais pressupostos reforçam a necessidade da construção de escalas regionalizadas. Entretanto, a maioria dos profissionais que trabalham na área da oftalmologia possui conhecimentos superficiais acerca da confecção de escalas optométricas, agravado pela escassez de literatura na área. Isto justifica a elaboração de um modelo que possa transformar a matéria-prima definida por Dantas (2003) como figuras diversificadas em escala optométrica adequada regionalmente. 34 5 A CONSTRUÇÃO DE ESCALAS OPTOMÉTRICAS A história das escalas teve apoio na lei da refração de Snell e Descartes, no século XVII. Snell (1580-1626) nasceu em Leiden na Holanda. Estudou na Universidade de Leiden e foi professor de matemática, como seu pai, na mesma Universidade. Publicou em 1627 Eratothenes Batavus, tratado sobre o método da triangulação utilizado para medir a terra, trabalho fundamental para a geodésia. Em 1621, descobriu a lei do seno e da refração, mas não divulgou o resultado em dióptrica. Este só veio à tona em 1703, por Huygens, ao modelar a luz como onda (CONNOR; ROBERTSON, 2001). René Descartes (1596-1650) nasceu em Ilayie, Touraisse (França). Foi filósofo, cientista e matemático. Chegou a ser considerado “o pai da filosofia moderna”. Como cientista desenvolveu trabalhos no campo da fisiologia e óptica. Em matemática, foi o primeiro a classificar as curvas de acordo com as equações que elas produzem e sistematizou a geometria analítica. A lei Snell-Descartes relaciona os ângulos de incidência e refração com os índices de refração. Seu enunciado afirma: “A razão entre o seno do ângulo de incidência e o seno do ângulo de refração é constante e, esta constante é igual ao índice de refração relativo para um dado comprimento de onda.” (UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, 2003, p.4). A partir desta descoberta, surgiram tecnologias fundamentadas neste pressuposto, como as fibras ópticas usadas na área das telecomunicações e a optometria. A optometria originou-se da óptica e durante muito tempo baseou-se em suas leis. É considerada a ciência da visão, pois determina e mensura os defeitos de refração, acomodação e mobilidade do olho humano (MONDADORI, 2003). Historicamente, as tentativas de mensuração da acuidade visual remontam à Idade Média, mas as primeiras escalas de optótipos só foram aparecer no século XIX, sendo as propostas por Jacgger as mais usadas inicialmente (MATEOS, 1993). Tais escalas consistiam em vinte textos com tipos crescentes que deveriam ser lidos de perto. Todavia, o caráter avaliação era arbitrário, pois não havia uma distância fixa de leitura. Outra escala surgiu em 1835, de autoria de 35 Henri Kuchler. Era formada por imagens de animais e objetos musicais, substituídas depois por caracteres tipográficos de dez graduações diferentes. Apesar de suas imperfeições, já foi considerada como uma escala decimal. No entanto, somente no começo do século XIX as medições visuais foram empregadas para a percepção de objetos a distância. Em 1954 Jacgger publicou uma coleção de vinte textos nos quais os optótipos tinham tamanhos diferentes de impressão. Paralelamente, Snellen e Geraud-Teulon criaram as escalas formadas por letras, apresentadas no Congresso de Paris em 1862 (MATEOS, 1993). O problema foi estudado por Snellen, que em 1862 (nesta época assistente de Donders e com 28 anos de idade) publicou sua famosa escala de optótipos inaugurando uma nova era na quantificação da acuidade visual. Snellen tomou como base para a construção de sua escala o ângulo visual limiar de 1 minuto de arco, e como seu trabalho teve aceitação imediata e universal, o conceito de limiar de resolução visual igual a 1 cristalizou-se na literatura oftalmológica (CRUZ, 1998). A partir de então, surgiram várias escalas, cada uma com um objetivo. Como se sabe, a determinação da acuidade visual em crianças pequenas apresenta muitas dificuldades, porque na maior parte dos casos ela se opõe às indicações do oftalmologista para concentrar-se na resposta das figuras, sobretudo na primeira visita (DELRÍO, 1976). Mas a acurada mensuração da acuidade visual é fundamental no cuidado com os olhos em todas as idades. Há mais de vinte anos, reconheceu-se a importância da mensuração científica rigorosa dessa acuidade, principalmente após o surgimento dos testes de Bailey-Lovie e do Early Treatment of Diabetic Retinopath Study (ETDRS). Este último incorporou elementos essenciais incluindo a seleção de letras, proporcional espaço entre optótipos, critério de iluminação, método de administração e registro. Apesar da qualidade do teste para crianças em idade escolar e para pacientes adultos, ele é considerado difícil para préescolares (REPKA, 2005). As escalas optométricas indicadas para pré-escolares são formadas a partir de figuras. Nesse contexto, existem várias escalas encontradas em artigos e páginas da rede com a finalidade de verificar a acuidade visual na clientela designada. 36 Inicialmente, consideram-se os optótipos opto-psico-pedagógicos de Carlevaro e Ouillon para determinação da acuidade visual a distância. Nestes são entregues nove cartões às crianças, cada um com um símbolo, selecionados de tal maneira que não podem ser confundidos entre si, como ocorre com algumas letras como R e B. Na escala optométrica, o examinador apresenta os mesmos signos a uma distância de 5 metros (DELRÍO, 1976). A tabela de Carlevaro e Ouillon é confeccionada em material plástico, em formato de retângulo, e os tamanhos dos optótipos estão em ordem decrescente com coeficientes visuais variáveis de 1,5 a 0,2. Ao observar cada optótipo a criança deverá indicar a cartolina que contém a figura correspondente. Inegavelmente o método é engenhoso e resulta em agradável sensação para o pré-escolar, porém, para o examinador, o desenvolver do teste é lento (idem ibidem). Durante as triagens, como é o caso da maioria dos testes realizados por campanhas como a “Veja Bem Brasil” e “Olho no Olho”, além dos estudos desenvolvidos no Projeto Saúde Ocular (UFC), torna-se inviável um teste com duração de mais de cinco minutos. Segundo afirmam Fechine, Cardoso e Pagliuca (2000), após mensuração do teste, a média de tempo na realização de cada um foi de três minutos, tempo compatível com triagens. Os optótipos de H. e R. Rossano, por exemplo, confeccionados em 1954, são formados por contornos selecionados entre muitos, os quais são facilmente reconhecidos por todos os pré-escolares, independentemente da sua cultura. O mencionado estudo, no entanto, discorda totalmente de escalas que têm como pressuposto a importância cultural. Confirma-se isso pelo grande número de escalas existentes e a variação dos símbolos, alguns bem característicos para determinadas regiões (DELRÍO, 1976). Já Sulzer construiu duas classes de testes, uma só de letras, para, conforme ele, acuidade visual secundária, e outra, formada por círculos com traços negros para a acuidade primitiva. A idéia desta última acuidade refere-se a impressões simples, como pontos e linhas separados entre si por espaços iguais. É, pois, diferente da secundária, que requer um mecanismo cerebral mais apurado, como é o caso de letras. A idéia de Sulzer, contudo, é muito discutível (idem ibidem). 37 Outros estudiosos, como J. Casanovas e J. Corominas (1962), selecionaram nove desenhos elaborados por crianças da mesma idade, com a faixa etária indicada para utilização da escala, baseando-se no fato de que a linguagem artística dos próprios meninos é agradável a eles e fácil de compreender. Além disso, são melhores por terem maior variedade e precisão em relação aos geométricos e possuírem contornos inseridos dentro do círculo de representação do pré-escolar (DELRÍO, 1976). Menciona-se, ainda, Sjograen, na Suécia, que compôs optótipos tendo como base uma mão, impressa em cartões possíveis de ser orientados em todas as direções pelo examinador. É considerado um dos optótipos ideais na infância, por várias razões. Entre elas cabe destacar que a mão é um dos primeiros conhecimentos adquiridos pela criança, mais familiarizada com seu desenho do que com qualquer outro que se possa mostrar. Por outra parte, a orientação do optótipo pode ser indicada com sua própria mão, sendo desnecessário recorrer a outros objetos para demonstrar as direções. A única dúvida suscitável é se as respostas dadas pela criança estão realmente corretas, pois, na faixa etária do préescolar, manter um objeto na mão para orientar as direções pode desviar a atenção da escala para a própria mão, dificultando o teste (DELRÍO, 1976). Em 1965, Fooks selecionou três símbolos muito simples, eleitos entre as primeiras formas que a criança reconhece no curso do seu desenvolvimento mental. As figuras são fechadas e representam um círculo, um triângulo e um quadrado, desenhados sobre as faces de dois cubos. Possuem um só desenho para cada face e, assim, evitam confusão. A realização deste teste envolve sentar a criança de frente para uma mesa, de modo que ela possa ver os optótipos e indicar sua forma com o dedo. Segundo Fooks, os resultados seriam excelentes a partir dos 3 anos (DELRÍO, 1976). Contudo, a confiabilidade do teste é considerada baixa, visto que é fácil distinguir entre o triângulo e os outros símbolos apenas pelas suas formas, independentemente de boa acuidade visual (LINDSTED, 1991). Outras figuras destacadas são as de Allen, as quais, embora muito testadas, reduzem substancialmente a sensibilidade para a detecção da ambliopia. 38 Esta, portanto, é uma crítica desvantajosa já que a ambliopia é a mais comum alteração detectada por estes testes optométricos na infância (REPKA, 2005). Como referido por Lindsted (1991), o teste BUST foi concebido para ir ao encontro das capacidades físicas e mentais das crianças menores e/ou com deficiências. Sua finalidade é evitar a ocorrência de fatores críticos negativos e manter um elevado grau de segurança. Em relação às crianças cuja idade mental é de 2 a 3 anos e meio, esse teste parece ser o único adequado, e embora possa ser usado com elevado sucesso e satisfação, não oferece segurança em termos absolutos. Existe ainda a tabela Österberg, utilizada freqüentemente na Suécia. Além dessa, há um teste holandês que adquiriu aceitação e um teste americano, o Light House, denominado por muitos de LH (LINDSTED, 1991). Como consta em Becker, Hubsch e Graf et al. (2000), Lea Hyvärinen destacou uma série de testes baseados em figuras de optótipos para uso em crianças, formados por símbolos e usando a percepção de figuras comuns no intuito de melhorar o teste entre crianças até 7 anos e eliminar a tendência cultural. Ao se criar o LH, considerou-se que a percepção das formas e a acuidade visual desempenham papel importante na avaliação da visão. Ele foi padronizado por comparação com o teste “E” de Snellen e evita a maior parte dos fatores que induzem ao erro na análise do coeficiente visual. Além disso, os símbolos utilizados não podem ser adivinhados devido sua indistinção; é formado por optótipos individuais, evitando o amontoamento, e é simples e interessante para as crianças. Contudo os símbolos são semi-abstratos e não têm referência direta com objetos tridimensionais. Tal fato diminui sua aplicação entre as crianças menores ou com deficiências mais graves (LINDSTED, 1991). Usado tanto para perto quanto para longe, o teste é formado por símbolos separados em linhas ou agrupados e pode ser aplicado em crianças a partir de 3 anos de idade. Apresenta, porém, uma fragilidade, decorrente do formato da maçã, possível de comprometer o resultado final. No entanto, alguns autores discordam da idéia de dificuldade de caracterizar a maçã, como é o caso de Lindstedt (1991) quando argumenta que se a acuidade for baixa a criança verá o símbolo indiscriminadamente como um 39 círculo. É necessário questionar se a maçã é um símbolo internacional e se todas as crianças entram em contato com ela, já que a escala foi formada no intuito de eliminar a tendência cultural (BECKER; HUBSCH; GRAF et al., 2000). Apesar disso, os símbolos do teste LH tornaram-se populares entre os clínicos. No entanto, esperava-se que estes optótipos exibissem sensibilidade para ambliopia equivalente aos optótipos de letras (REPKA, 2005). No uso de escalas de figuras, na prática, os profissionais demonstram a disponibilidade de mais de um teste, pois inexiste um único capaz de ser utilizado com um grande número de crianças e com aceitação assegurada na detecção de ambliopia (REPKA, 2005). No entanto, entre os testes clínicos de acuidade visual para préescolares, ainda não se dispõe de um único que atinja os objetivos esperados. É preciso se desenvolver um exato, reproduzível e altamente testado, possível de ser utilizado para triagens e em consultas clínicas. Com vistas a minimizar estas questões, os profissionais têm-se utilizado de um agrupamento de testes de cartas (optótipos) configurados com letras, números e figuras (REPKA, 2005). Como afirmam Vaughan et al. (1997), a interpretação correta da informação visual depende da habilidade do olho em focar raios de luz que chegam à retina. Uma compreensão deste processo e como ele é influenciado por variações normais ou por uma doença ocular é essencial para o uso bem-sucedido de qualquer auxílio óptico. Para alcançar essa compreensão, é necessário dominar os conceitos de óptica geométrica, que definem o efeito nos raios de luz conforme passam através de diferentes superfícies e meios. Respeitadas as questões culturais determinantes do reconhecimento da figura, há padrões da óptica a serem considerados, como descrito a seguir. 5.1 Progressão angular O ângulo visual é utilizado para a medida da acuidade, é a razão inversa da distância atribuída a um objeto e é a razão direta do seu tamanho. Enquanto a imagem retiniana é uma imagem real, invertida e diminuída, o ângulo visual é o subtendido pelo objeto e o ponto nodal do olho. Contudo, a percepção visual depende do mínimo visível, mínimo separável e mínimo cognoscível. Desde o 40 ponto de vista refratométrico, o parâmetro por estudar corresponde ao poder de resolução do olho mediante a determinação da acuidade visual (DELRÍO, 1976). O mínimo visível envolve a acuidade visual (A.V.) quando, pela expressão numérica do sentido das formas, correspondendo ao ângulo subtendido da retina, determina o maior coeficiente para o menor objeto que pode ser percebido. Já o ângulo limite constitui o mínimo separável de Giraud-Teulon e tem sido eleito como unidade de medida da acuidade visual. Na realidade, o valor de 1 minuto dado ao ângulo mínimo ou limite é bastante arbitrário, já que com uma iluminação forte das escalas optométricas podem ser obtidos valores compreendidos entre 30 segundos e 1 minuto (idem ibidem). No entanto, para fins práticos clínicos, tem-se estabelecido como acuidade visual mínima a correspondente a um ângulo visual de minuto. A acuidade visual com correção óptica se denomina capacidade visual. De acordo com Delrío (1976), a determinação tanto da acuidade visual como da capacidade visual intervém em certos fatores que deverão ser levados em conta. Os diferentes trabalhos investigados dão um valor de 1’ (1 minuto) ao menor ângulo, mediante o qual dois pontos podem ser distinguidos. Conforme estabeleceu Snellen, para que dois objetos sejam vistos distintos é preciso estimular dois cones separados por um cone não estimulado, o que equivale a um ângulo de 24”. Todavia, se tem demonstrado clinicamente que quando é modificado o parâmetro estudado, ângulos visuais idênticos não proporcionam acuidades visuais idênticas (DELRÍO, 1976). Na citação a seguir, confirma-se esta afirmação. Dá-se ao inverso do ângulo visual (a) o conceito de medida da acuidade visual (V), estabelecendo-se para (a) o correspondente ao ângulo de 1´, o critério de V = 1, que se torna então o de normalidade dessa função. Tal padrão é arbitrário e bem tolerante em relação ao máximo a que a discriminação visual pode chegar em condições ideais (30” a 40”) e assim não deve surpreender o achado de que, para a distribuição de freqüência de acuidade visual numa população normal, o valor que representa a posição de normalidade (média, mediana) será maior do que a unidade (V > 1), correspondente a ângulos visuais menores do que 1´ (BICAS, 1991, P.64) . 41 Apesar disso, esse valor ainda é utilizado na construção das escalas. A acuidade visual é proporcionalmente inversa ao ângulo visual em minutos de arco (n), pelo qual aparece o detalhe característico do optótipo. Assim: Conforme essa relação, a acuidade visual é determinada como uma unidade se o ângulo usado possui um valor a partir do ângulo de 1 minuto, ou seja, a acuidade visual é de 0,5 se o detalhe é percebido por um olho emétrope em um ângulo de 2 minutos e de 0,1 se o detalhe é visto a um ângulo de 10 minutos. Com o objetivo de evitar certos erros em virtude das anomalias de refração, Snellen e Giraud-Teulon preferiram que os optótipos fossem colocados a uma distância de 5 metros do sujeito para os raios procedentes destes chegarem ao olho de maneira paralela. Verificamos que quanto mais afastado se encontrar o objeto do olho, menor será a imagem formada na retina, ou seja, o tamanho da última é a função não só do tamanho do objeto como também da distância deste olho. Conseqüentemente, associando-se estes dois fatores, um padrão mais conveniente a se adotar na avaliação da acuidade visual é o tamanho do ângulo visual, ou seja, o tamanho do ângulo formado por duas linhas traçadas das extremidades do objeto através do ponto nodal do olho. Verifica-se que para se produzir uma imagem do tamanho mínimo de 0,004 mm, o objeto deve subentender um ângulo visual de 1 minuto. Isto, então, é tomado como padrão da acuidade visual normal (DUKE-ELDER`S, 1997, p.157). Na prática, a medida usada é a tangente do ângulo mínimo com base em uma distância determinada. Para um ângulo de 1’, a tangente é de 0,00029. É que a distância de 5 metros equivale a 0,00145 metro. Isso quer dizer que a uma distância de 5 metros, dois pontos devem ter uma separação de 1,45milímetros para o olho poder considerá-los como distintos. Portanto, este deve ser o princípio a reger a construção de optótipos (DELRÍO, 1976). Todavia, para o estudo como referência de unidade da acuidade visual, admite-se o mínimo separável de 1 minuto de arco, e esta unidade de referência deve ter múltiplos e submúltiplos. 42 5.2 Optótipo Denomina-se optótipo o objeto ou figura destinada à determinação da acuidade visual. Embora varie conforme a clientela, segue os mesmos princípios de tamanhos baseados no ângulo visual determinado. Para Delrío (1976), os optótipos são as figuras geométricas utilizadas para determinar a A.V., e podem estar impressas ou ser projetadas sobre uma tela. Por seguir o princípio segundo o qual o contraste entre o claro e o escuro facilita a visualização, os optótipos possuem a cor preta. Os optótipos impressos colocados a 6 metros requerem iluminação ambiental adequada e constante. Quanto ao tamanho do optótipo, é baseado no ângulo visual padronizado para a tabela. Este varia por linha, de acordo com o coeficiente de visão. 5.3 Faixa de resolução da acuidade visual Por acuidade visual entende-se a capacidade de perceber claramente os objetos ao nosso redor. Dos parâmetros mais estudados sobre a intervenção de fatores como elementos percentuais da atenção do paciente, a questão das duas linhas paralelas e da percepção de contornos tem se mostrado a principal (DELRÍO, 1976). É mais elevada quanto mais permita discernir objetos mais próximos e pode ser facilmente calculada por uma fração cujo numerador seja a distância do cliente da escala e denominador a distância para a qual haja sido calculado o tamanho do optótipo que o sujeito é capaz de distinguir. A.V. = distância do sujeito da escala distância calculada do optótipo Na realização do teste, ela é definida mediante valores decimais encontrados ao lado da escala, e por meio deles se determina o valor da capacidade visual. Nos princípios de Snellen, o teste tem altura cinco vezes maior que a correspondente ao ângulo sob o qual eles são reconhecidos e que exprimem a acuidade visual. 43 Como se sabe, o valor mínimo da visão está representado pela cegueira absoluta, isto é, a incapacidade de projetar a luz. O máximo é mais difícil de determinar, porque varia de acordo com os autores e o que se deve entender por unidade de visão ou visão média das máximas corresponde a uma letra vista com um ângulo de 5 minutos. Isto para Snellen significa uma escala a 5 metros, baseada em um ângulo de 1 minuto, com optótipo de 7,3 mm em altura e largura (DELRÍO, 1976). Estes optótipos são colocados em forma de fração, cujo numerador indica a distância na qual o examinado se encontra do optótipo, e o denominador a linha que se vê nesta distância. Assim, se a visão for “normal”, ao ver a linha a ser lida a 5 metros de distância, a acuidade visual é de 5/5 (100%). Entretanto, quando um indivíduo se encontrar nesta distância e só conseguir ver a linha que um homem com a visão padrão veria a 20 metros, a acuidade visual é de 5/20 (25%). Nos Estados Unidos, o sistema métrico não é empregado. Por isto, a fração é descrita em termos de pés (6 metros equivalem a 20 pés), a visão de 5/5 é portanto 20/20. A distância de 5 ou 6 metros (ou 20 pés) em que a escala deve permanecer do examinado está embasada no princípio da acuidade visual, a maior distância em que o examinado conseguiria ver nitidamente, com 100% de visão (A.V.), é a menor linha de optótipos. Para a maioria das escalas, admite-se a progressão angular de 1’, com base nos estudos de Snellen. Desse modo, a faixa de resolução de acuidade vai de 0,1 a 1,0, e estes são os coeficientes visuais encontrados em sua tabela. Existem, porém, estudos discordantes desta aplicação. Cruz (1988), por exemplo, questiona a acuidade visual igual a 1, e admite que em olhos emétropes ela se situa em torno da unidade. Isso é demonstrado mediante construção de duas escalas com variações constantes de 0,05’ de ângulo visual. A magnitude da variação angular utilizada por ele (0,05’) corresponde aproximadamente à metade do intervalo existente entre as linhas 1,0 e 0,9 de uma escala decimal. Este leve escalonamento de faixa decorre do fato de, primeiramente, o objeto do trabalho detectar diferenças de acuidade visual entre os olhos de uma mesma pessoa (acuidade visual diferencial). 44 A idéia de estabelecer como normal a capacidade de discriminar distâncias angulares é uma convenção. Esta medida é determinada a partir do ponto nodal anterior do olho, correspondente a 1 minuto de arco. Na forma bastante comum de um E, o optótipo todo subentenderá um ângulo de 5´ para esse ponto nodal, mas obviamente a distinção da direção da letra dependerá tão-somente da existência da boa resolução visual do ângulo 1´ (BICAS, 1991). 5.4 Contraste Entende-se por contraste a diferença existente entre os coeficientes de reflexão da luz que representam duas superfícies vizinhas iluminadas simultaneamente. Quando dois pontos são discriminados sobre um fundo branco, a distinção se dá mais facilmente se eles são negros, em virtude do aumento do contraste que diminui o ângulo de discriminação e, portanto, amplia a acuidade visual. As cores são visualizadas por meio de ondas luminosas, pelo princípio da reflexão difusa. Com base nestas, o branco é a cor que reflete todas as cores e o preto a que absorve (DELRÍO, 1976) Nos optótipos, o contraste pode ser definido pela seguinte fórmula: C = L-e L C = representa o contraste L = a luminosidade do fundo e = a luminosidade do optótipo. Se no teste o optótipo é negro, e = 0 C = 1. Se e = L, quer dizer que a luminosidade do optótipo é igual à do fundo, C = 0. Os optótipos utilizados na prática têm um contraste próximo ao da unidade por se tratar do objeto negro sobre um fundo branco (DELRÍO, 1976). Iluminação e contraste são fatores importantes. Tabelas amareladas pelo uso ou com iluminação insuficiente deixam de corresponder ao que estão indicando. Mas a tomada da acuidade visual em diferentes condições de contraste, ou seja, as tabelas com letras negras em fundos acinzentados de maior ou menor saturação 45 possibilitam mais informações semiológicas: a variação da função discriminativa com a iluminação (ou o contraste) não se dá do mesmo modo num paciente normal e em outro com distúrbios sensoriais, embora o valor da acuidade visual convencional possa ser idêntico nos dois casos (BICAS, 1991). Para melhor visualização, os optótipos precisam ser claramente impressos e legíveis e não devem, como algumas vezes acontece, ser obscurecidos pelos contornos dos quadrados sobre os quais são construídos. Uma apresentação aleatória de optótipos é preferida para evitar a memorização. Comercialmente estão disponíveis sistemas de display computadorizados que dão a impressão de ser idealmente apropriados para esta tarefa em comparação com a impressão de optótipos (cartas) (REPKA, 2005). 5.5 Intervalo e número dos optótipos na mesma linha e entre linhas Na opinião da maioria dos pesquisadores do assunto, a distância entre os optótipos em cada linha deverá ser sempre igual à largura destes e o espaço vertical entre as fileiras deverá ter o mesmo valor da altura do optótipo da fileira superior. Na prática, é muito importante conhecer a distância a separar as letras de uma linha de optótipos. A superfície ao redor da letra deve ser pelo menos duas vezes igual à superfície coberta por esta, pois a separação supõe um espaço aproximadamente igual a 1,4 vez a altura da letra ou número. De acordo com recomendação do Conselho Internacional de Oftalmologia, deve-se adotar as normas alemãs, que valorizam a separação do tamanho da altura do optótipo, tanto para letras como para números ou signos (DELRÍO, 1976). Para determinada linha, deve-se estabelecer critério de visibilidade, feito em geral em termos percentuais. Cruz (1988), por exemplo, usou dez optótipos por linha em todos os níveis angulares. Já Snellen aumenta o número de optótipos conforme a diminuição dos coeficientes visuais. Como observado, muitos optótipos em uma mesma linha podem dificultar sua identificação, principalmente quando o examinado for uma criança, em virtude da pouca capacidade de concentração. 46 5.6 A relação angular expressa de forma linear Na prática não se faz restrição a que um conceito originariamente fundado numa relação angular passe a ser representado por uma relação linear que é, afinal, a das frações de distâncias (a optótipos e/ou tamanhos deles). Deriva dessa fórmula a construção de tabelas de optótipos para medidas de acuidade visual a uma determinada distância d. Nelas, o tamanho correspondente à resolução "normal" de 1 minuto de arco serve como padrão para se construir os outros optótipos. Por exemplo, na distância de 6 metros, a separação angular de 1' equivale a 1,745 mm. Um optótipo “E” tradicional, subentendendo um ângulo de 5', terá uma altura de 8,727 mm (BICAS, 1991). QUADRO 1 – Comparação desenvolvida por Benezet entre o coeficiente da acuidade visual em escalas optométricas e o tamanho dos optótipos Milímetros Monoyer 73 60 58 56 48 44 37 34 29 25 22 20 18 16 15 12 11 10 9 8,5 7,3 6,5 6 4 3 1/10 Congres De Wecker Fromaget Dubar Snellen Parinaud 1/10 0,1 0,1 0,1 1/10 1/10 1/8 1/7 0,13 0,15 1/6 2/10 0,17 0,2 0,2 1/5 0,22 ¼ 3/10 2/10 1/4 0,3 0,28 0,3 1/3 1/3 3/10 0,36 4/10 0,4 0,4 0,47 5/10 6/10 7/10 4/10 5/10 6/10 ½ 2/3 0,6 0,6 0,5 0,6 0,7 1/2 1 1 2/3 1 8/10 9/10 10/10 Fonte: Delrío (1976). 7/10 8/10 9/10 10/10 15/10 20/10 1 1,2 1,5 1 47 O Quadro 1, publicado por M. R. Benezet, demonstra os valores em milímetros usados para várias escalas. Na primeira coluna observam-se os valores em milímetros do tamanho das letras, e sua espessura é igual à quinta parte do seu tamanho, enquanto a distância de observação é de 5 metros. As colunas seguintes correspondem aos diferentes tipos de escalas métricas visuais, têm o nome de seus autores e abaixo o número fracionário decimal é indicador da acuidade. Este número relaciona-se com o da coluna expressa em milímetros e também com o tamanho da letra que indica a acuidade visual correspondente (DELRÍO, 1976). Em outro estudo, o tamanho dos optótipos foi construído com valores diferentes de 1’ de ângulo e as tabelas elaboradas com o desenho do optótipo ampliado, reduzido fotograficamente a todas as alturas previamente calculadas. Os optótipos assim obtidos foram montados segundo os critérios estabelecidos, com vistas a compor as escalas, fotografadas em papel kodagraph mate. Isso ocorreu devido à pequena altura dos optótipos (CRUZ, 1988). 5.7 Acuidade visual diferencial – a ambliopia Como consta em Hugonnier (1979), ambliopia classicamente significa baixa visão em olho no qual inexiste alteração orgânica que a justifique. Este conceito tem sido ampliado para o significado de baixa visão com ou sem lesão orgânica (DIAZ; DIAS, 1986). Em virtude de o próprio conceito não ser uniforme, o estudo da ambliopia é difícil de ser realizado. O diagnóstico de que um olho é amblíope é dado segundo a acuidade visual. Não há, porém, um consenso sobre qual é a acuidade visual a ser encarada como marco para definir a presença da ambliopia (ARAKAKI; SCHELLINI; HEIMBECK et al., 2004). A despeito da dificuldades, existem conceitos básicos: 1. Quando a acuidade visual corrigida com o uso da melhor correção óptica é inferior a 0,7 ou há uma diferença entre um olho e outro de três linhas ou mais; 2. Quando a visão é inferior a 0,4; ou, ainda, há diferença de duas linhas ou mais entre os dois olhos (SCHELLINI; SHIMODA; MORAES-SILVA et al., 1987). 48 A principal modalidade terapêutica empregada no tratamento da ambliopia é a oclusão do olho de melhor visão, com vistas a estimular o olho com baixa visão. De acordo com Endo (1998), este é o único recurso eficaz. Há indícios de boa melhora da acuidade visual e função binocular nos pacientes submetidos a tratamento oclusivo, mas o sucesso varia sobretudo com a idade do início da terapia (WICK; WINGARD; COTTER et al., 1992). À semelhança de outras situações, a melhor prevenção da ambliopia é sua detecção precoce, o que é feito, em geral, em levantamentos populacionais, associada à compreensão do problema. Isto levará à melhor adesão ao tratamento (FLYNN; SCHIFFMAN; FEUER et al., 1998). Entretanto, de modo geral, o tratamento, é longo e requer adesão e persistência dos pais e da criança, mais um motivo para o início precoce. Em estudo com crianças, a maioria de 4 a 7 anos, com esquema de oclusão durante o dia todo, diretamente na pele, segundo observou-se, a maior parte das crianças que aderiram ao tratamento tiveram ganho de acuidade visual de uma a duas linhas. A comparação de ambos os grupos mostrou diferença estatística no grupo de adesão, com ganho de três ou quatro linhas sobre os que não aderiram ao tratamento (ARAKAKI; SCHELLINI; HEIMBECK et al., 2004), Ainda segundo observado, à falta de cuidados adequados, a tendência do olho amblíope é diminuir cada vez mais a acuidade visual, podendo levar à cegueira ou visão subnormal. O principal fator a influenciar o resultado do tratamento é a acuidade visual inicial, medida pelas linhas de coeficientes das escalas optométricas. Isto torna evidente a importância da detecção precoce de baixos coeficientes de visão. No intuito de caracterizar o fenômeno da acuidade visual diferencial, ou seja, da ambliopia, realizou-se estudo do limiar visual de 180 pessoas com exame oftalmológico prévio normal. Com o uso de uma escala cujas variações angulares eram da mesma magnitude, as medidas foram efetuadas em condições ótimas, sempre no mesmo local e por um só examinador. Tal estudo revelou-se importante, sobretudo por envolver a descrição das escalas utilizadas e do desenvolvimento do teste. A quantificação do poder 49 resolutivo ocular da amostra estudada foi feita por tabelas construídas de acordo com determinados parâmetros. Conforme admitido, a acuidade visual de pessoas opticamente corrigidas e "normais" situava-se em torno da unidade. Diante disto, decidiram iniciar o trabalho construindo duas escalas com variações constantes de 0,05' de ângulo visual. Utilizaram, então, o "E" de Snellen, considerado não morfoscópico do tipo direcional, e adotaram as recomendações dos pesquisadores do assunto: a distância entre os optótipos em cada linha foi sempre igual à largura deles e o espaço vertical entre as fileiras teve o mesmo valor que a altura do optótipo da fileira inferior. Em todos os níveis angulares, utilizaram dez optótipos por linha. A altura dos optótipos foi estabelecida segundo os princípios de Snellen, ou seja, os testes têm altura cinco vezes maior que a correspondente ao ângulo sob o qual eles são reconhecidos e que exprime a acuidade visual. Em virtude da pequena altura dos optótipos, a princípio desenhou-se um optótipo ampliado, reduzido fotograficamente a todas as alturas previamente calculadas. Os optótipos assim obtidos foram montados segundo os critérios estabelecidos, de modo a comporem as escalas, então fotografadas em papel kodagraph mate (CRUZ; BICAS, 1988). Para fazer a medida, o ambiente foi preparado seguindo critérios diferenciados daqueles recomendados por Kara-José e Alves (1998) no uso clínico das escalas. Os autores iluminaram a tabela com três lâmpadas incandescentes, refletoras de 150w, reguladas por um reostato; para o ambiente, optaram por dois conjuntos de quatro lâmpadas fluorescentes de 40w. Tal sistema de iluminação foi medido com um fotômetro marca Metrux – K (Metrawat), 750 Lux sobre a tabela e 800 Lux no ambiente. Para o estabelecimento da dominância ocular, colocou-se uma folha de papel de 30 x 30 cm com um orifício central de 3 centímetros de diâmetro em cima de uma mesa. Em seguida, solicitou-se ao indivíduo a ser testado que segurasse a folha com ambas as mãos e, mantendo os braços estendidos, olhasse com os dois olhos abertos para um ponto qualquer de fixação, através do orifício. Nestas condições, o indivíduo sempre utiliza o mesmo olho para a fixação. As medidas foram efetuadas a 6 metros. Adotou-se como indicativo de resolução seis respostas corretas em dez, ou 60% de acerto (MILES apud CRUZ; BICAS, 1988). 50 6 ELABORAÇÃO DA ESCALA OPTOMÉTRICA REGIONALIZADA A escala de Snellen foi construída para acuidade visual igual a 1,0, com a espessura da letra 1,45mm, este mesmo valor para a largura branca que separa os traços negros e a distância de 5 metros para serem vistos pelos examinados em um ângulo de 1 minuto. Durante sua utilização, as escalas de optótipos permanecem na posição vertical, na altura dos olhos do examinado, padronizada pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia em 0,8. Nesse aspecto, as figuras da escala também devem ter um sentido de análise e as linhas de optótipos podem ser verticais ou horizontais. Nesta escala, as linhas foram construídas horizontalmente, com o intervalo entre cada optótipo semelhante ao seu tamanho e a distância de uma linha para outra igual à altura da linha superior. O contraste necessário nas escalas optométricas envolve os extremos do preto no optótipo com o branco da tabela. Por isso essas figuras mantiveram a cor negra para seguir os requisitos exigidos para a percepção visual. Com base no número de optótipos usado por Snellen em sua tabela, definiram-se as figuras que deveriam estar em cada linha. Existiam oito opções definidas mediante um intervalo de confiança: carro (100%), casa (98%), coração (98%), estrela (95%), bola (89%), flor (85%), sol (83%) e boneco (78%). Além disso, segundo determinou-se, as figuras com percentual de acerto inferior a 85% deveriam permanecer, sobretudo nas quatro primeiras linhas, porque a visualidade de um objeto é proporcional ao seu tamanho e sua maior dimensão aumentaria a probabilidade de acerto. A partir de 0,5 inseriram-se as figuras com porcentagem mais elevada dentro do intervalo de confiança. O Quadro 2 demonstra as figuras que permaneceram em cada linha da escala de figuras conforme a acuidade visual por elas determinada. 51 QUADRO 2 – Distribuição dos optótipos para escala de figuras adequada a Fortaleza, conforme os coeficientes da acuidade visual ACUIDADE VISUAL 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 1,0 FIGURAS Boneco e sol Sol, flor e boneco Bola, boneco, sol e flor Estrela, bola, boneco, sol e flor Carro, casa, coração, estrela e bola Bola, estrela, casa, carro, coração e casa Flor, carro, casa, coração, estrela, bola Coração, bola, estrela, carro, flor, casa e estrela Carro, casa, coração, estrela, bola, flor, estrela, casa Consoante as normas determinadas pelo Conselho Internacional de Oftalmologia, jamais se deve apresentar duas vezes a mesma letra ou número sobre a mesma linha (DELRÍO,1976). Na atualidade, o optótipo com a letra “E” contradiz essa afirmação, pois é muito utilizado. Na transformação das escalas de figuras e Snellen, adaptou-se cada uma segundo os valores padronizados em milímetros. Esses números são relacionados com o valor quantitativo da acuidade visual, determinando o tamanho de cada optótipo para aquele coeficiente visual. O tamanho dos optótipos desenvolvidos está descrito no quadro a seguir. QUADRO 3 – Relação do coeficiente de acuidade visual e tamanho dos optótipos em milímetros Acuidade Visual Milímetros 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 1, 0 73 mm 37mm 25 mm 18 mm 15 mm 12 mm 11 mm 9,0 mm 7,3 mm Fonte: Delrío (1976). Entretanto, a avaliação da acuidade visual com a tabela de Snellen envolve o poder atuante da média do olho humano, que é 1 minuto do arco. Como as letras de Snellen são feitas de quadrados de unidades 5 x 5, o tamanho da letra 20/20 (1,0) tem um ângulo visual de 5 minutos do arco em 20 pés. O olho reduz uma imagem em 20 pés, cerca de 350 vezes. Portanto, o tamanho da letra 20/20 na 52 retina é 0,025 de altura e largura. Isso equivale a uma capacidade de resolução de 100 linhas por milímetro. Para uma pupila de 6 milímetros e comprimento de onda da luz de 0,56 µm (no ar), o limite teórico absoluto seria de 345 linhas por milímetro (VAUGHAN et al., 1997). Assim, os valores de altura e largura por coeficiente foram divididos em cinco partes, antes da inserção da figura. Os valores numéricos correspondentes à altura e largura de cada parte do coeficiente visual deveriam ser os seguintes: 0,1 (14,418mm); 0,2 (7,474mm); 0,3 (5,065mm); 0,4 (3,661mm); 0,5 (3,039mm); 0,6 (2,438mm); 0,7 (2,273mm); 0,8 (1,816mm); 1,0 (1,536mm). Para clarificar a idéia, demonstra-se a seguir os quadros em milímetros dos coeficientes 0,8 e 1,0, divididos em cinco partes iguais, que serviram de base para o encaixe dos optótipos de figuras e Snellen. FIGURA 5 – Planilha utilizada para adaptação da figura a optótipo A linha 1,0 deve corresponder à menor imagem capaz de ser processada pela retina, produzindo contornos que permitam a distinção entre dois objetos, definida pela estimulação de dois cones, separados por um, sem estímulo. Tal característica é denominada na prática como estímulo de “cone sim, cone não, cone sim”. Para que isso ocorra, o optótipo deve ter poucos detalhes, e manter como principal o contorno básico. A reflexão surgida dessa questão refere-se à necessidade de comparar os testes entre as escalas de figuras e Snellen, com estímulos de detalhes bem maiores para a primeira. Para tal, a pesquisadora considerou a possibilidade de reduzir a largura das bordas da escala de figuras e realizar um teste preliminar, já que uma das questões percebidas durante o contato com profissionais especialistas na área seria a inviabilidade de comparar tais escalas pelo excessivo estímulo de cones 53 das figuras. Isto contribuía para falsos resultados, apesar da literatura não referir nada a respeito. Pelo contrário, na proposta inicial da escala de figuras, conforme Dantas (2003), não houve necessidade de adequar a dimensão das bordas pretas da figura segundo os valores numéricos, mas penas criá-las de tal modo que exista um contraste em seu formato que facilmente a caracterize. Isso porque no caso das escalas de figuras o importante é a diferença de cores negras e brancas para favorecer na identificação dos desenhos. Como menciona Delrío (1976, p.110) Quando os optótipos forem letras maiúsculas, é necessário que a separação mínima dos traços seja igual a sua espessura e que essa seja vista a cinco metros pelo olho emétrope, desde o ângulo de 1 minuto, assim como que a letra seja lida com um ângulo de 5’, é dizer que será 5 vezes maior que a espessura dos traços iniciais, assim, o maior tamanho das letras a 5 metros será de 7,25mm. Entretanto, achou-se interessante contrastar a literatura com os aspectos da prática. Desta forma, e no intuito de minimizar maiores estímulos de cones nesta escala e adequá-los para comparação, os contornos iniciais da escala de figuras corresponderam a 80% dos contornos da Snellen, definidos como 0,1 (11,534mm); 0,2 (5,979mm); 0,3 (4,052mm); 0,4 (2,928mm); 0,5 (2,431mm); 0,6 (1,950mm); 0,7 (1,818mm); 0,8 (1,452mm); 1,0 (1,228mm) A diferença nas bordas pode ser claramente observada, até nos menores tamanhos, como demonstram as Figuras 6, 7 e 8 a seguir. FIGURA 6 – Demonstração de figuras da escala RAD na planilha utilizada para adaptação da figura a optótipo 54 FIGURA 7 – Optótipos da escala de Snellen após adaptação na planilha FIGURA 8 – Optótipos da escala RAD após adaptação na planilha Como se observa, a borda tem influência nos resultados, mesmo se tratando de escalas de figuras, e estes devem ser pelo menos aproximados de valores de escalas já aceitas, pois, em alguns casos, as bordas dos optótipos de figuras podem ter valores diferentes em relação às tabelas de letras por causa do contraste necessário para a definição da figura. Entretanto, durante a construção da escala no programa Corel Draw foi possível manter os mesmos valores para as bordas da letra “E” e das figuras. Percebeu-se, então, que, nestes casos, seria inviável aumentar a largura da borda de parte da figura, com exceção para os casos de pintura completa da parte interna. Outra questão refere-se à necessidade de propriedade de borda, impossibilitando o corte desta pela exigência do contorno. Desta forma, a borda das escalas foi a mesma, e conforme os valores em milímetros já definidos, sua impressão final foi em papel presentation, com 90 cm de largura. 6.1 Avaliação dos optótipos na escala optométrica de figuras A avaliação dos optótipos ocorreu nas escolas onde se realizou o estudo, com os mesmos examinadores, antes do início da coleta de dados, com alunos excluídos do contingente da amostra. Para as triagens, seguiram-se aspectos preconizados pelo CBO (1998). 55 Este momento é justificado no estudo de Dantas (2003), quando afirma que aquilo que é muito bom como desenho pode não ser como figura. Para a criança em desenvolvimento, desenhar um carro pode ser mais difícil que identificálo. Como se observa aqui, o processo de ajustes na figura e depois no optótipo perpassa por todo o modelo de validação, juntamente com os aspectos ópticofisiológicos da formação da imagem. Durante a avaliação dos optótipos, segundo percebeu a pesquisadora, algumas figuras na escala RAD estavam comprometendo o resultado da avaliação da acuidade visual. As crianças tinham dificuldade em identificar certas figuras e isto não estava associado à baixa acuidade visual. Mencionada identificação foi possível pela experiência da pesquisadora e pelo domínio do processo de construção de escala optométrica. Estes mesmos fatores contribuíram para a correção das figuras, apresentadas a seguir na seqüência, de acordo com as correções da figura do carro, do sol, do boneco e da bola. FIGURA 9 – Alterações realizadas na figura do carro após teste piloto, enumeradas em ordem crescente Conforme a Figura 9, o carro “1” seguia o formato definido por Dantas (2003), mas a alteração decorreu da necessidade de aumentar a largura da borda do carro e pintar as rodas, carro “2”. Ainda assim, permaneceu não identificável para a maioria das crianças. Diante disto, foi necessário modificar o formato, carro “3", e a figura posteriormente foi totalmente hachurada “4”. FIGURA 10 – Alterações realizadas na figura da flor após teste piloto 56 A flor foi constantemente confundida com outras figuras, sobretudo com a borboleta. Pela impossibilidade de melhorar o formato, para evitar tal associação, visto que em experiências com outras escalas observou-se o mesmo fenômeno, optou-se por eliminá-la. FIGURA 11 – Alterações realizadas nas figuras do sol, da bola, do boneco e da casa após teste piloto, enumeradas em ordem crescente Por vezes o sol foi confundido com uma flor. No formato original possuía círculo com largura de borda menor e raios maiores. Com base num modelo de outra escala, modificou-se a bola. Da mesma forma, foram modificados o boneco e a casa. FIGURA 12 – Alterações realizadas na figura da árvore após teste piloto Apesar dos ajustes, o carro continuava pouco identificável nas últimas linhas e foi substituído por uma árvore, no intuito de aumentar e igualar a possibilidade do acerto entre as escalas. A árvore por sua vez era confundida com uma nuvem, problema sanado com o seu completo hachureamento. Com o programa Corel Draw observou-se que a largura da borda do coração estava menor e decidiu-se aumentá-la. 57 Após estes ajustes, houve melhora na identificação das figuras na escala RAD. Entretanto existia associação entre as figuras da estrela e do boneco, além da dificuldade de identificação do sol nas últimas linhas. Diante disso, o boneco foi substituído nas duas últimas linhas por outros optótipos da escala e optou-se por deixar lado a lado as figuras da estrela e do boneco, nos coeficientes 0,6 e 0,7. Desse modo, se evitariam a associação e a denominação trocada para tais figuras, visto que à medida que a criança observa os dois, com boa acuidade visual, será capaz de diferenciá-los. FIGURA 13 – Comparação entre a proposta inicial e final da escala RAD após as modificações nos optótipos Proposta da escala antes da avaliação dos optótipos Proposta com as modificações nos optótipos 58 7 MODELO DE CONSTRUÇÃO E DE VALIDAÇÃO DE TECNOLOGIA O modelo de construção e de validação de tecnologia adotado para este estudo foi elaborado para teste de construto. Na maioria das vezes este modelo é aplicado na construção de testes psicológicos de aptidão, de inventários de personalidade, de escalas psicométricas de atitude e do diferencial semântico. Entretanto, como mostra Pasqualli (1996, 1998, 1999), conforme o procedimento de validação definido, mencionado modelo pode ser utilizado para outros sistemas. Se o sistema ou objeto representa o universo de interesse, o atributo dele constitui uma definição deste universo, o sistema realmente é definido pelo interesse do investigador. Como a ciência procura o conhecimento e não o poder ou a afirmação pessoal ou política, então para o cientista não existe sistema privilegiado. Todo e qualquer sistema é digno e válido para ser conhecido. Obviamente, interesses políticos, sociais, pedagógicos, financeiros, etc. podem ditar a escolha de um objeto de estudo. Assim, a relevância de um sistema de estudo não é ditada pelo saber em si, mas por fatores extrínsecos a ele; nem por isso estes fatores extrínsecos são negligenciáveis no contexto geral do universo da natureza e do homem, dado que o homem (pesquisador) está situado num contexto e tem suas prioridades em parte ditadas por este contexto (PASQUALLI, 1999, p.40). Como mencionado, o modelo detalhado no diagrama baseia-se em três procedimentos, denominados teóricos, experimentais e analíticos. O procedimento teórico enfoca a questão da teoria que fundamenta o empreendimento científico; é a explicação da teoria sobre o construto ou objeto para o qual se quer desenvolver um instrumento de medida, bem como sua operacionalização em itens. Este procedimento expõe a teoria do traço latente e explica os tipos e categorias de comportamentos que constituem uma representação adequada do mesmo traço. Já o procedimento empírico ou experimental define as etapas e técnicas da aplicação do instrumento piloto e da coleta da informação para proceder à avaliação da qualidade psicométrica do instrumento. O procedimento analítico estabelece os procedimentos de análises estatísticas a serem efetuadas sobre os dados para levar a um instrumento válido, preciso e, se for o caso, normalizado. 59 DIAGRAMA 1 – Modelo de construção e de validação de tecnologia Fonte: Pasqualli (1999). Conforme exposto, o diagrama apresenta para cada um destes procedimentos as fases, os métodos, os passos e os produtos esperados. Esta seqüência é utilizada para superar o problema específico da tarefa a ser resolvida. Além destes detalhes operacionais, a figura sugere para os três procedimentos a meta-análise na qual se enquadra e delimita o evento ou eventos psicométricos que estão ocorrendo. Quanto aos procedimentos teóricos, são detalhados em duas fases: a da teoria e a da construção do instrumento. Na fase da teoria existem como métodos a reflexão e o interesse do pesquisador que para fundamentar a teoria realiza ampla consulta à literatura sobre o assunto. A consulta a peritos e a troca de experiência fortalece o conteúdo da teoria que assim compilada permite sua análise. A fase de construção do instrumento possui forte correlação com a fase da teoria e seus métodos buscam apoio na categorização do comportamento a ser mensurado, na consulta à literatura, na experiência acumulada e na entrevista. Além disso, os instrumentos assim construídos devem sofrer análise teórica e 60 semântica. Toda evidência empírica sobre o construto deve ser levantada e sistematizada para se chegar a uma teoria ou miniteoria passível de guiar a elaboração de um instrumento de medida. As fases da teoria e da construção de instrumentos, respeitados os métodos descritos, seguem os passos do sistema psicológico e têm como produto o objeto psicológico; o passo da propriedade com o produto do atributo; o passo da dimensionalidade que gera fatores ou dimensões da teoria e do instrumento; o passo das definições dos construtos com enfoque operacional; a operacionalização e análise de itens já estritos à construção do instrumento que deve ter como produto o teste piloto. Contudo, os procedimentos experimentais e analíticos guardam forte relação entre si mas são interdependentes. Enquanto a fase de validação do instrumento mescla-se entre os dois procedimentos, a fase de normatização concentra-se no procedimento analítico. Além disso, os métodos para validação do instrumento se apóiam na literatura, na experiência do pesquisador e consulta a peritos. Relaciona ainda como método seguir o planejamento, realizar a análise empírica, a análise fatorial, da consistência interna. Entre os passos que detalham os métodos sobressai o planejamento da aplicação, que tem como produto a amostra, as instruções, o formato e a sistemática para conduzir a tarefa; a aplicação e coleta, que têm como produto os dados; a dimensionalidade, que deve considerar os fatores da carga fatorial, engenvaliar e da comunalidade; a análise dos itens, com a discriminação de índices de dificuldade e de discriminação; e a precisão da escala, com indicadores de índices. O procedimento analítico leva, pois, à fase de normalização que usa o método de definição de grupos e de critérios por meio da análise estatística. Os passos são aqueles para o estabelecimento de normas e este é seu produto final. Para melhorar a compreensão do modelo de Pasqualli (1999) são demonstrados a seguir alguns dos passos utilizados pelo autor. Quanto ao sistema, representa o universo de interesse e o atributo dele constitui uma definição deste universo; o sistema realmente é definido pelo interesse do investigador. Enfim, o sistema representa o objeto de interesse, chamado 61 também de objeto psicológico. Conforme o interesse do pesquisador, o sistema pode ser considerado de vários níveis. Os sistemas possuem propriedades/atributos que os definem. Tais atributos são o foco imediato de observação/medida. Para se definir um instrumento de medida, é preciso decidir qual ou quais destas propriedades será o objeto imediato de interesse. Enquanto a dimensionalidade do atributo diz respeito à sua estrutura interna, semântica, os fatores que compõem o construto (o atributo) são os produtos deste passo. Este estado de coisas deveria e deve obrigar o pesquisador a expor ou elaborar uma miniteoria sobre o que ele entende pelo construto a ser medido. Neste contexto, os dados empíricos a serem coletados por meio do instrumento assim construído irão decidir se a miniteoria tem ou não alguma consistência. É a lógica da pesquisa empírica, isto é, o teste empírico que pode ou não confirmar a verdade de uma teoria: a verdade científica é sempre relativa, jamais será um dogma e, portanto, é sempre reformável. Decididas a propriedade e suas dimensões, é preciso conceituar detalhadamente estes construtos, novamente baseando-se na literatura pertinente, nos peritos da área e na própria experiência. Exige-se, porém, a conceituação clara e precisa dos fatores para os quais se pretende construir o instrumento de medida para em seguida operacionalizá-lo. Se os passos até aqui discutidos foram adequadamente resolvidos, iniciam-se as categorias comportamentais que expressam o construto de interesse. Contudo, no processo de elaboração do instrumento, como se tem exposto, os itens passam a ter critérios de coleta, elaborados ou, pelo menos, selecionados em função das definições operacionais de um construto exaustivamente analisado em seus fundamentos teóricos e nas evidências empíricas disponíveis. Dadas as fontes basilares da construção do instrumento, é preciso atribuir agora regras ou critérios fundamentais para sua validação adequada. Os procedimentos envolvidos neste passo garantem a tecnologia da coleta válida da informação empírica. No planejamento da aplicação, a amostra deve ser claramente definida e delimitada em termos de suas características específicas. Além disso, as instruções devem ser referentes aos contornos da tarefa do sujeito que vai responder ao instrumento. 62 Como recomendado, a coleta da informação deve seguir todas as precauções exigidas em qualquer aplicação de instrumentos e deve ser detalhada em passos anteriores, para se poder em seguida verificar a validade e a fidedignidade do instrumento. Um instrumento submetido à série de análises ora mencionadas pode ser considerado válido e fidedigno, pronto para uso. Se for orientado para casos individuais, ele deve ser submetido a normalização. 63 8 REFERENCIAL TEÓRICO-METODOLÓGICO Estudo de validação de tecnologia, experimental, aleatório, triplo cego, quantitativo, realizado durante o primeiro semestre de 2006. A Lei nº. 8.080/90 reporta-se à validação como ato documentado capaz de atestar que qualquer procedimento, processo, equipamento, material, operação ou sistema realmente conduz aos resultados esperados (BRASIL, 2006). Entende-se como estudo de validação de tecnologias as atividades em que os pesquisadores estejam envolvidos na identificação do problema, na definição das opções, na condução da unidade de teste e validação e no processo de avaliação dos resultados (RIBEIRO, 1995). A pesquisa experimental vale-se da manipulação de variáveis em torno de um fato ou fenômeno observado no meio, tendo como requisito existencial a obtenção de novas verdades para a ciência. Tais pesquisas, como afirma Rossi (1990), se constituem em trabalho científico original, e ao mesmo tempo caracterizam-se por existir ativa intervenção do pesquisador com vistas a produzir de forma controlada um fenômeno da realidade, no intuito de descobrir fatores que o produzem ou que por eles são produzidos (LEOPARDI, 2001). O referencial teórico-metodológico adotado para a pesquisa foi adaptado do modelo de teste de construto contemplando os procedimentos teórico, experimental e analítico embora não em todos as sua fases, passos e procedimentos. Descrevem-se a seguir as etapas realizadas e suas adaptações, de acordo com Pasqualli (1999). Considerando que a pesquisadora dedica-se à temática há certo tempo e coleciona resultados anteriores, determinados procedimentos teóricos, preconizados pelo modelo da validação de teoria já haviam sido cumpridos. Portanto, é desnecessário repeti-los, conforme se descreve. 8.1 Procedimentos teóricos Os procedimentos teóricos englobam a fase da construção da teoria motivada pelo interesse do pesquisador, com a metodologia da reflexão e da revisão de literatura. Em nosso estudo anterior esta fase foi concluída, havendo se demonstrado os princípios científicos que apóiam a construção de escalas de figuras 64 para avaliação da acuidade visual (DANTAS, 2003). Na revisão de literatura da tese ora elaborada está também referenciada esta teoria. Contudo, há nela um fato novo, qual seja, a constatação de que as figuras não são universais. Desse modo, urge se desenvolver uma tecnologia simples e confiável para construção de escalas visuais culturalmente aderentes. Com vistas à compreensão do estudo, apresenta-se um resumo dos quatro primeiros passos realizados anteriormente. Como mostram as informações, a teoria da formação da imagem no sistema visual é consistente e conceituada há décadas. Dela fazem parte a propriedade, a dimensionalidade, as definições e a operacionalização. Quanto à propriedade, a escala optométrica constitui objeto direto de mensuração do sistema visual. No contexto da dimensionalidade, foram observados os aspectos óptico-fisiológicos da construção das escalas optométricas. O passo referente às definições ocorreu por meio do estudo denominado Validação de figuras e construção de optótipos. Depois de decidida a propriedade e suas dimensões, foi preciso definir detalhadamente a relação do aprendizado visual com a identificação de figuras nas escalas optométricas, novamente baseando-se na literatura pertinente, nos peritos da área, na experiência da pesquisadora e na análise empírica que confirmou a necessidade de regionalização das figuras. Até aqui estes passos iniciais foram confirmados no estudo de Dantas (2003). O passo seguinte expressa a operacionalização comportamental do construto, ou seja, a construção da escala de figuras regionalizada, baseada nos pressupostos científicos, mas apoiada em um modelo de validação de tecnologia, pois o que está em foco não são apenas os optótipos, mas o modelo como um todo. Este passo remete aos procedimentos experimentais. 8.2 Procedimentos experimentais Os procedimentos experimentais junto com os analíticos compõem a fase de validação do instrumento. Neste caso, o modelo de construção de uma escala de figuras. Para o sucesso desta fase, o pesquisador deve ter consistente formação em conteúdo da disciplina de Delineamento de Pesquisa, conhecimento absolutamente indispensável, pois garante à tecnologia uma coleta válida da informação empírica. 65 Dois passos são salientados nestes procedimentos empíricos de validação: o planejamento da aplicação e a própria coleta da informação empírica. O desenvolvimento do planejamento de aplicação é embasado na literatura, na experiência e na avaliação do pesquisador e de peritos. Para cumprir este passo, tanto a escala de figuras elaboradas por Dantas (2003) para a seleção de optótipos como a proposta inicial da escala em tamanho real foram encaminhadas para análise de oftalmologista com sólida formação e experiência em escalas optométricas. Os pontos observados a serem analisados pelo especialista incluíram adequação da progressão angular para a idade, faixa de resolução da acuidade visual, contraste, intervalo e número de optótipos na mesma linha e entre linhas, e capacidade da escala para detectar a ambliopia, sua apresentação geral e do optótipo. Conforme previsto, o especialista dispôs de um mês para fazer a análise, a qual foi entregue à pesquisadora por escrito, contendo os pontos relevantes e a justificativa para cada questão. Após esta etapa houve o agrupamento e a discussão por assunto dos pontos destacados pelo perito. As questões por ele sugeridas foram confrontadas com a literatura, tendo a pesquisadora liberdade para determinar a necessidade de ajustes na escala. O planejamento e coleta dos dados da pesquisa, incluiu a definição da população, da amostra, do local do estudo, dos instrumentos, dos procedimentos éticos e dos procedimentos de análise de dados, todos detalhadamente descritos a seguir. Quanto à população, constituiu-se de 1.129.168 alunos da rede pública estadual de ensino em Fortaleza – CE, cursando da 1ª à 8ª série do ensino fundamental, de acordo com dados da Secretaria Estadual da Educação (CEARÁ, 2005). A escolha por instituições públicas apóia-se em questões de ideais, pois estas dispõem de menos recursos, as crianças têm nível econômico desprivilegiado e trabalhos com esta clientela são exemplos de assistência à comunidade carente (FECHINE; CARDOSO; PAGLIUCA, 2000). 66 Para o cálculo do tamanho da amostra elegeu-se a variável “alteração ocular”, porquanto aproximadamente 20% dos escolares apresentam alguma alteração ocular do tipo erros de refração, conjuntivite, estrabismo, seqüela de acidente ocular e malformação congênita. As causas variam desde fatores ecológicos a sociais (KARA-JOSÉ; ALVES, 1998). O cálculo foi realizado com base na distribuição t de Student, um teste estatístico paramétrico utilizado para análise da diferença entre duas médias (POLIT; HUNGLER, 1995). Tendo em vista que o tamanho N da população é considerado infinito, empregou-se a fórmula a seguir: N = t2 5% x P X Q E2 • t é o valor da distribuição t de Student, no nível de 5% (t = 1,96); • P é a proporção de escolares com alteração ocular (P = 20%); • Q é a população de escolares sem alteração ocular (Q = 80%); • E é o erro amostral absoluto (E = 5%); • N é o tamanho da amostra. Após os cálculos estatísticos encontrou-se o tamanho da amostra como sendo N = 246. Os critérios de inclusão envolveram a obrigatoriedade de a escola fazer parte da rede estadual de ensino, as crianças cursarem o 1º ciclo do ensino fundamental e terem o consentimento prévio dos pais para participar do estudo. Excluíram-se os alunos que sabidamente faziam uso de correção. A escolha dos escolares ocorreu nas seguintes etapas: seleção intencional das escolas e determinação das turmas encontradas conforme a série cursada. Em face do direito de recusa dos pais ou responsáveis e do próprio aluno para a participação na amostragem, somado ao previsível número de respostas em branco, todas as crianças do turno determinado para coleta de dados receberam o termo de consentimento. Naquelas escolas onde o número de alunos nesse turno aproximou-se do valor quantitativo da amostra, foram incluídos os alunos do outro turno. Quando o número de termos de consentimento respondidos era superior ao necessário para o estudo, turmas e alunos foram aleatoriamente excluídos por sorteio. 67 É importante referir que a escala de figuras é indicada para pré-escolares por se tratar da identificação de figuras compatível com o crescimento e desenvolvimento desta etapa. No entanto, para a validação da nova escala, é necessário compará-la com aquela que representou a base para sua existência, no caso, a escala de Snellen, indicada para indivíduos capazes de reconhecer as direções, principalmente dos 7 anos em diante, conforme o aspecto cognitivo. Ademais, como mencionado, as figuras da nova escala são do conhecimento dos pré-escolares de Fortaleza (DANTAS, 2003). Agora, a intenção é observar se os parâmetros definidos na RAD são capazes de determinar a acuidade visual corretamente. Por isso inexiste impedimento para a escala ser testada com uma clientela mais desenvolvida em termos de crescimento e desenvolvimento. As questões éticas foram tratadas de forma específica no desenvolvimento do estudo, baseadas na resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. Inicialmente solicitou-se a autorização da Secretaria Estadual da Educação do Ceará, encaminhada, a seguir, para o Comitê de Ética em Pesquisas com Seres Humanos do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Ceará que o aprovou. Na seqüência solicitou-se também a autorização do diretor da escola e dos pais. As direções foram contatadas para conhecer os objetivos do estudo e sua metodologia. Após sua concordância, pediu-se a colaboração dos professores para a distribuição e obtenção dos termos de consentimento entre os pais ou responsáveis. Além disso, respeitou-se o direito dos alunos que, mesmo com o consentimento dos pais, optaram por não participar de qualquer etapa do estudo. Eles poderiam expressar-se verbalmente, mas foi observado seu comportamento de desagrado e considerado seu limite. Para fazer parte do grupo de coletores dos dados, selecionaram-se estudantes do curso de graduação em enfermagem, cursando a disciplina de Enfermagem no Processo de Cuidar I da Universidade Federal do Ceará. Nesta disciplina estudam o sistema visual, suas patologias e o uso das escalas optométricas. O treinamento inicial, realizado em sala de aula, compreendeu a revisão da anatomia e fisiologia ocular, a preparação do ambiente e o 68 relacionamento com a criança, seguida dos passos para avaliação da acuidade visual. Também apresentou-se o instrumento de coleta e registro de dados e orientou-se seu preenchimento. Os examinadores foram orientados quanto aos critérios para definição dos resultados, a ordem do uso das escalas e deles próprios. Alertou-se para a necessidade de encaminhar a criança com resultado inferior a 0,8 ao oftalmologista mediante comunicação à família. O registro dos dados no formulário foi complementado com as anotações do examinador sobre comentários das crianças e as peculiaridades do ambiente. Os testes ocorreram em sala iluminada, com a luz focada por trás ou pelos lados da criança que estava sendo examinada, a escala colocada na parede a 5 metros de distância da criança, as linhas de optótipos correspondentes a 0,8 (20/25) situadas na altura do olho. Cada aluno foi examinado individualmente, observando-se um olho por vez; a princípio, o direito, com o esquerdo ocluído, e depois invertidos (CBO). Para a oclusão do olho contralateral, usou-se oclusor em formato de óculos, feito de papelão com ajuste na face, semelhante aos óculos convencionais (DANTAS; PAGLIUCA; ORIÁ, 2000). O oclusor com estrutura quadrada de cantos arredondados permite que uma capa oclua o correspondente a uma lente, agilizando a realização do exame. Disponível em diversos tamanhos, é descartável, e dá maior comodidade ao examinado já que ele não precisa segurá-lo (COELHO; DANTAS; PAGLIUCA, 2004). Após o treinamento em sala de aula foi-se ao campo para aproximação com a situação real de coleta. A pesquisadora deu plena liberdade para os coletores agirem, mas apoiados no treinamento. Este passo foi crucial para a padronização final da coleta, evitando-se a introdução de condutas passíveis de comprometer os resultados finais. A experiência de campo foi discutida com o grupo, as dúvidas foram dirimidas e o padrão de coleta, estabelecido. Apesar destes cuidados, a pesquisadora acompanhou dia-a-dia a coleta de dados, supervisionando o trabalho. Conforme explicado, a denominação RAD refere-se ao nome completo da autora e independente da ordem numérica corresponde à escala de figuras em estudo. Entretanto, o teste RAD 1 ocorreu sem prévio contato com os formatos dos optótipos, enquanto o RAD 2 ocorreu após o teste de Snellen e contato inicial com a escala de figuras em estudo. O tempo entre o primeiro momento e o segundo variou em torno de uma hora. 69 8.2.1 Método de aferição da acuidade visual com escala de figuras A aferição da acuidade visual durou três semanas, e realizou-se diariamente, em um dos turnos do dia, por três equipes de examinadores, uma para cada escola. A modalidade de triagem é a aplicação de um teste em indivíduos que não apresentam qualquer sintoma clínico para classificá-los em relação às probabilidades de terem a alteração em particular. Freqüentemente é utilizada por profissionais da área da saúde em situações nas quais a detecção prévia de doenças contribua para diagnósticos mais favoráveis ao indivíduo e população (PAGANO; GAUVREAU, 2004). Como referido, seguiram-se todas as recomendações do CBO (1998) e a cada dia aplicava-se o teste com a escala de figuras RAD e de Snellen. A primeira foi utilizada por dois examinadores e a segunda apenas por um. Houve o total de três resultados por olho para análise, dois da escala em análise e um do padrão, ou seja, a de Snellen. De acordo com o demonstrado no teste piloto, cumpriram-se as recomendações do CBO (1998), com auxílio dos óculos de papelão (DANTAS; PAGLIUCA; ORIÁ, 2000). Foi permitido se retornar a uma figura imperceptível à criança no primeiro momento, desde que a etapa do exame estivesse na linha do optótipo, considerando-a válida em caso de acerto. Enquanto um examinador aplicava sua tabela, os outros se utilizavam de instrumentos lúdicos para distrair os alunos. Tais especialistas foram treinados antecipadamente e orientados a desconhecer o resultado dos outros testes. Logo após cada dia de coleta, estes resultados foram entregues à pesquisadora. Para evitar o viés de aferição, algumas medidas foram tomadas conforme a condição cega: examinado e pesquisadora desconhecem o resultado do teste, enquanto os examinadores conhecem apenas a acuidade visual daquele realizado pelo primeiro, estando impossibilitados de comparação. Da mesma forma, o estatístico responsável pela análise também ignora o resultado da acuidade visual a ser analisada (COUTINHO, 1998). Os resultados desses exames foram registrados em formulários, segundo o modelo do Projeto Saúde Ocular em anexo. Adotou-se, de acordo com Cruz e 70 Bicas (1988), o indicativo de resolução de cinco respostas corretas em dez ou 50% de acerto em cada linha de coeficiente visual. As crianças que apresentaram alterações visuais do tipo acuidade visual inferior a 0,8 (20/25) no teste com a escala de Snellen, em pelo menos um dos olhos, com ou sem sinais e sintomas; com diferença de visão entre os olhos, de duas linhas ou mais; com problemas de leitura e de escrita, desinteresse ou desatenção, além de tonturas, conforme identificação pela professora (KARA-JOSÉ; ALVES, 1998), receberam um comunicado, demonstrado em anexo, dirigido aos pais, solicitando providenciar o encaminhamento delas ao especialista. 8.3 Procedimentos analíticos Esta etapa requer sofisticação estatística. Comporta dois passos: a dimensionalidade e a precisão. No modelo de Pasqualli (1999), existe uma etapa entre estes passos, denominada “análise dos itens”, a qual foi desnecessária no Modelo de Validação de Escalas Optométricas, pois neste estudo inexiste relação com a análise de itens para elaboração de construto. A dimensionalidade do instrumento verifica a hipótese empiricamente. Neste estudo analisa-se a validade da escala RAD por meio de dois aspectos: apresentação dos resultados e discussão dos achados. A precisão, outro passo do método, no caso da escala optométrica, em que os itens em estudo são de conhecimento amplo e são direcionados para o resultado da acuidade visual, este foi mantido por se considerar imprescindível para o processo de validação. Os passos da validação de instrumento são acompanhados da metaanálise. Entretanto, por se tratar de estudo quantitativo, é preciso dividir a apresentação dos resultados da análise. Desta forma, primeiro são apresentados os resultados, e em seguida analisados, para se poder passar à etapa seguinte acerca da conclusão. No intuito de oferecer um fechamento e análise dos resultados do estudo, usou-se também o passo 11, correspondente à normatização, a qual pode ser considerada como a conclusão do estudo, elaborada estabelecimento de normas para uso do modelo em análise. com enfoque no 71 8.4 Validade e precisão da escala RAD A validade da escala iniciou-se com os achados referentes aos coeficientes de sensibilidade, especificidade, valor preditivo positivo e valor preditivo negativo. Para esses coeficientes definiu-se como teste padrão o da escala de Snellen. Para a precisão foram realizados os testes de correlação entre coeficientes da acuidade visual, associação entre os testes e análise de concordância. A fim de se verificar a existência ou não de correlação entre coeficientes visuais das acuidades encontradas, calculou-se o coeficiente de correlação rs de Spearman, que indicou a magnitude da relação entre as variáveis mensuradas, no caso, as escalas Snellen e RAD, nos dois momentos (POLIT; HUNGLER, 1995). Verificou-se a associação entre os testes por meio do qui-quadrado. O princípio básico deste método não paramétrico é comparar as divergências entre as freqüências observadas e as esperadas (MORCILLO, 2006). Como critério padrão utilizou-se a escala de Snellen. Na análise de concordância utilizou-se o Alfa de Cronbach e para a determinação da confiança da escala, construiu-se um intervalo de confiança de 95% para o número de correlações entre os dois testes (BARTKO, 1994). As correlações são definidas pelos valores mensurados da acuidade visual nas duas escalas, conforme cada olho. As variáveis nominais foram categorizadas segundo a análise dos coeficientes. Neste caso, considerou-se o aluno com “alteração” quando apresentasse o coeficiente inferior a 0,8 e “sem alteração” entre 0,8 e 1,0. Os dados foram processados no Soft Statistics Direct, analisados em seguida e apresentados em forma de tabelas e gráficos. Após o confronto desses dados, verificou-se a possibilidade de uso da escala e a necessidade de novos ajustes. Neste momento, foram inseridas peculiaridades encontradas pela pesquisadora durante o teste com a escala de figuras, as quais poderão contribuir como experiência para outros examinadores e para os ajustes. Apresenta-se a seguir o diagrama do modelo de análise de tecnologia com as adaptações realizadas para este estudo, incorporando a linguagem própria da escala de figuras. Espera-se que esta síntese esclareça e relacione cada uma das etapas do modelo teórico. 72 DIAGRAMA 2 – Modelo de elaboração e validação de escalas optométricas de figuras PROCEDIMENTOS TEÓRICOS FASES MÉTODOS PASSOS Reflexão/Interesse /Livros Análise 1. SISTEMA VISUAL Aprendizado visual FASES PASSOS Literatura / Experiência / Peritos / Literatura / Experiência 2. PROPRIEDADE Escala optométrica Categoria comportamental 3. DIMENSIONALIDADE 4. DEFINIÇÕES Aspectos ópticofisiológicos Validação de figuras e construção de optótipos VALIDAÇÃO DO INSTRUMENTO Literatura Experiência Peritos 7. Planejamento da aplicação Amostra Instruções: formato, sistemática e tarefa Seguir Planejamento 8. Aplicação e coleta Detecção das alterações oculares Análise 5. OPERACIONALIZAÇÃO 6. ANÁLISE Construção da escala optométrica Avaliação dos optótipos ANALÍTICOS EXPERIMENTAIS PROCEDIMENTOS MÉTODOS CONSTRUÇÃO DA ESCALA OPTOMÉTRICA TEORIA DA FORMAÇÃO DA IMAGEM NORMATIZAÇÃO Técnicas de validação e consistência 9. Validade da escala Fatores: Sensibilidade Especificidade VPP VPN 10. Precisão da escala Índices de precisão Teoria: definição de grupos critério e análise, 11. Conclusão Estabelecimento de normas 73 9 RESULTADOS Neste capítulo, serão enfatizadas as seguintes etapas: 1. avaliação da escala de figuras por oftalmologista e discussão das sugestões; 2. aferição da acuidade visual com escala de figuras; e 3. validação e confiabilidade da escala RAD. 9.1 Avaliação da escala de figuras por oftalmologista e discussão das sugestões Expõem-se a seguir os pontos destacados no relatório do oftalmologista, perito de estudo, com 42 anos de experiência e formação acerca da elaboração de escalas optométricas. Tais comentários, quando na íntegra, estão em itálico. Quanto à adequação da progressão angular para escalas de figuras, ela é aceitável para escalas optométricas, desde que respeite a multiplicidade que permita distinguir os diversos níveis de visão. Na aplicação correta da progressão angular, considera que a tese tem a escala de progressão definida corretamente. Como está explícito no projeto, deduzo que será mantido o mesmo critério de progressão, o que é correto. Na faixa de resolução da acuidade, foram colocadas as premissas corretas, faltando ser definido qual a opção (decimal?) e qual a distância nas formas anglo-saxônicas de medida. Em relação à eficácia do contraste na tabela de papel branco com optótipos impressos em cor preta, ele afirma que é a relação branco/preto o melhor contraste para definir a acuidade visual. Além disso, o contraste observado no formato da figura para facilitar sua identificação a distância, considerada como delineamento da figura, tem de obedecer ao aspecto básico do ângulo de visão: ter a sua menor estrutura um tamanho correspondente ao ângulo de 1’. A figura é uma forma mais sofisticada da visão angular, medida classicamente com a escala de Snellen, podendo ser considerada como busca da visão morfoscópica. Tem a vantagem de reduzir o falso negativo, que considera como normal crianças com defeitos visuais. Sobre o número de optótipos na mesma linha, afirma que depende do nível de probabilidade de acerto verdadeiro que o examinador considera satisfatório, o espaço que tem para utilizar na linha, e qual a aplicação a ser dada ao teste. No 74 primeiro caso, se o examinador trabalha com a probabilidade de p ≤ 0,05, terá de trabalhar com o mínimo de três figuras do teste de Snellen, pois deverá ser sempre examinada essa quantidade mínima de figuras por linha, antes de passar para a linha seguinte. Se usar cinco optótipos e quiser uma probabilidade de p ≤ 0,01, também terá de usar no mínimo três figuras por linha. Como há interesse na detecção de baixa visual inferior a 0,5 ou 20/40, as acuidades visuais menores poderão ter menos que três figuras, mas a partir de 0,5, deverá ser feito pelo menos o exame de três optótipos por linha. No caso da distância entre as linhas, o espaço que contar por letra depende do tamanho do optótipo (...). A aplicação do teste, sendo em populações, poderá ser examinado o mínimo de optótipos pelo nível de confiança desejado. Ao opinar acerca da capacidade da nova escala para detectar ambliopia e da dimensão correta do optótipo, considerou-as adequadas e afirma que a escala está bem construída para o nosso universo cultural. Ao discorrer sobre a revisão de literatura para justificar as mudanças, considerou que a literatura apresentada é satisfatória, mas para justificar uma mudança, mais importante que referências bibliográficas, é preciso um experimento metodologicamente correto, bem conduzido e que possa ser reproduzido por outros pesquisadores. São numerosos os fatores que influem sobre a acuidade visual (A.V.). O grau de iluminação, por exemplo, intervém de forma importante, como demonstra o fato de que em condições fotópicas a acuidade corresponde à estimulação da área macular e diminui progressivamente conforme se desloca para a periferia retiniana, enquanto em condições mesópicas, a maior A.V. encontra-se estimulando a retina mediata perimacular. Em termos gerais, a maior iluminação da A.V. ocorre sempre e quando não se chegue ao deslumbramento (DELRÍO, 1976). Outro fator de influência é o grau de incidência da luz, pois quanto maior o ângulo de incidência maior será a reflexão da luz no nível da córnea. Tanto que em miose existe um aumento da profundidade do foco, diminuindo as aberrações, porém diminui proporcionalmente a quantidade de luz que chega à retina. Outro fator que intervém na A.V. é o tempo de exposição. Se o objeto observado está em movimento, diminui a A.V., e se o sujeito é que está em movimento, diminui ainda mais esta, e finalmente há o contraste (DELRÍO, 1976). 75 Poderá ser levada em conta a iluminação, aplicar o teste sob condições em que seja medida a luminosidade (...). Uma outra possibilidade é usar o teste de Snellen como controle, não importando a luminosidade, mas fazendo de forma independente à medida de cada um na luminosidade disponível. Optou-se pela segunda opção dada pelo perito, visto que no caso de triagens, como afirma o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (1998), para se atingir a eficácia esperada, o teste deve ser realizado em sala iluminada, na qual a luz venha dos lados da pessoa que está sendo examinada. Além disso, para avaliar a acuidade visual, tem-se de padronizar os optótipos utilizando o conhecimento do contraste, da legibilidade e do distanciamento entre os optótipos (VERVLOED; ORMEL; SCHIPHORST, 2001). Estes passos foram seguidos durante o estudo. As demais questões avaliadas pelo juiz demonstram concordância com os aspectos padronizados na elaboração da escala RAD. Portanto, são desnecessárias novas discussões sobre o tema. Apesar das modificações na escala com base na seção 6.1, sobre avaliação dos optótipos, existiram outras denominações para as figuras originais, principalmente para as figuras da árvore, do sol e da bola, demonstradas a seguir na Tabela 1. TABELA 1 – Denominações diferentes utilizadas pelos alunos do ensino fundamental para conceituar os optótipos da escala RAD, em Fortaleza, 2006 Associações/ Optótipos Guarda-chuva Cogumelo Estrela Seta “Ás” de paus da carta de baralho Rosa Flor Flecha Bola Roda Relógio Sol Associação unitária Não reconheceu a figura Total Árvore Sol Bola Total 15 3 2 2 2 3 8 11 46 16 4 7 4 4 35 3 3 3 4 3 1 17 15 3 2 2 2 3 19 3 4 10 4 3 13 15 98 A “associação unitária” foi formada por aqueles optótipos com apenas uma denominação diferente da esperada. No caso da árvore, as denominações 76 foram as seguintes, rosa, flor e folha; para o sol, foi aro de carro e pneu. Aqueles optótipos com poucas associações ficaram fora da tabela. Na figura da casa algumas crianças a denominaram de caixa e oca; no caso da estrela, uma delas chamou de pessoa, e para o menino, quatro o chamaram de estrela. 9.2 Aferição da acuidade visual com escala de figuras Os ambientes escolares onde se realizaram as coletas de dados apresentaram características peculiares que merecem ser descritas para se compreender sua diversidade, situação comum quando se trabalha no campo real e em procedimentos de triagem. Para preservar a identidade, as escolas foram denominadas por cores. Na escola “Verde” o exame aconteceu no turno da manhã, em uma sala com mais ou menos 6 m2, de cor branca, ao lado da diretoria, utilizada para reuniões de pais e aulas extras quando necessário. Foi reservada exclusivamente para os testes durante a coleta de dados. Iluminação por lâmpadas fluorescentes em funcionamento ao redor do teto, e uma bancada de 60 centímetros de altura que acompanhava toda a extensão da parede localizada do lado esquerdo do examinado. A cadeira deste era de madeira com apoio para as costas e braço direito. Do lado direito, cadeiras de madeira, dois armários de metal, dois aparelhos de ar-condicionado embutidos na parede, responsáveis pela refrigeração do ambiente. Atrás do examinado existiam apenas algumas cadeiras e a porta para circulação de pessoas, na parede à sua esquerda. Na frente, uma televisão com suporte de parede e uma lousa branca para pincel mais à direita do centro da sala. As escalas foram localizadas mais à esquerda, próximas à bancada. A temperatura do ambiente foi considerada agradável e permaneceu praticamente inalterada durante a coleta. Para a pesquisadora esta foi a escola com ambiente mais favorável para o uso das escalas, pois a iluminação era suficiente, a temperatura pouco oscilou, o fluxo de pessoas entrando e saindo foi mínimo, e, ainda assim, permaneceu atrás do examinado. Na maior parte do tempo fez-se silêncio. Além disso, os funcionários e a direção tinham características mais receptivas e colaboradoras. 77 Na escola “Amarela” o exame aconteceu no turno da manhã, na sala dos professores, a qual possuía um pouco mais de 5 m2 e cor branca do teto até a metade das paredes e azul da outra metade até o chão. Era o único ambiente disponível para o exame, e no intervalo das aulas, durante cerca de vinte minutos, foi diariamente ocupada por professores. Ademais, duas professoras exigiram continuar a fazer a oração semanal nesta sala, mesmo contra a recomendação da diretoria que indicou outro espaço para a atividade. Nesses momentos o exame era interrompido. Existiam oito lâmpadas fluorescentes em funcionamento ao redor do teto, uma pequena mesa, no centro da sala, para acomodação dos professores durante o intervalo, o que motivou o uso lateralizado da escala, próximo a dois grandes armários de madeira na cor branca do lado direito do examinado e um aparelho de arcondicionado embutido na parede, o qual era suficiente para refrigerar o ambiente. Do lado esquerdo, havia a porta para fluxo de pessoas, uma mesa pequena e outra apropriada para computador. Do lado em que as escalas foram afixadas, permaneceram a imagem da Virgem Maria e uma foto de Jesus Cristo na parede. Atrás do examinado estava um painel de avisos, um banco medindo mais de 1 metro e uma televisão. A cadeira utilizada para o teste era de madeira, com finas palhas de plástico no assento e no apoio para as costas. Na escola “Azul” o exame aconteceu em uma das salas de aula dos alunos, reservada exclusivamente para tal evento. As paredes eram de cor amarela e ao redor do teto havia seis lâmpadas fluorescentes em funcionamento, das nove que faziam parte do ambiente. Existia iluminação natural proveniente de pequenas aberturas entre os tijolos, na metade superior da parede à direita do examinado, além de cadeiras de madeira próximas a esta. À esquerda e na frente do aluno a parede era lisa. A porta de entrada situava-se nesta lateral na linha atrás da cadeira do teste. Na última parede, livre da visibilidade do examinado, estava uma lousa verde para uso de giz. E, por fim, a cadeira onde a criança estava sentada era de madeira, com apoio para as costas e sem apoio para o braço. A coleta desenvolveu-se no turno da tarde, em geral, das 14 às 17 horas, devido à impossibilidade dos examinadores a realizarem durante a manhã. 78 A ventilação era natural, o que contribuiu para uma variação na temperatura, diferente das outras escolas com ambiente refrigerado. Entretanto, a percepção de calor pelos examinadores foi considerada agradável na maior parte dos testes, variando ainda para abafado e quente, clima antecedente àqueles dias chuvosos ocorridos durante a coleta. Contudo, de modo geral, houve um consenso entre as respostas dos examinadores quanto à percepção de calor, e a resposta voltou-se muitas vezes para a idéia de clima associado ao calor. A amostra foi definida por 262 estudantes divididos em três escolas da Rede Estadual de Ensino de Fortaleza, conforme demonstra a Tabela 2 a seguir: TABELA 2 – Freqüência dos alunos do ensino fundamental que participaram do teste com escalas optométricas, em Fortaleza, 2006 ESCOLA N % Amarela 81 33,0 Verde 84 34,0 Azul 81 33,0 Total 246 100,0 A idade dos alunos variou de 8 a 19 anos. Como se sabe, a idade escolar vai dos 6 até os 12 anos, e o fim deste período caracteriza-se pela pré-adolescência, em geral, dos 10 aos 13 anos.Nesta fase se inicia a adolescência, que termina com o fim do crescimento, por volta dos 18 a 20 anos (WHALEY; WONG, 1989). TABELA 3 – Faixa etária dos alunos do ensino fundamental que participaram do teste com escalas optométricas por escola, em Fortaleza, 2006 FAIXA ETÁRIA N % % ACUMULADA 8-9 47 19,0 10-11 72 29,0 48,0 12-13 89 37,0 85,0 14-16 38 15,0 100,0 Total 246 100,0 100,0 No entanto, prevaleceu a faixa etária de 12 a 13 anos (37,0 %), conforme demonstrado na Tabela 3. Classicamente, a acuidade visual se desenvolve a partir do nascimento e a criança deve ganhar visão até por volta dos 7 anos de idade, 79 época em que se completa o desenvolvimento visual na maioria das crianças (ARAKAKI; SCHELLINI; HEIMBECK et al., 2004). Considerando-se que o processo de desenvolvimento da visão está estabilizado, a idade deixa de ser um indicador importante para falsos resultados. Em relação ao aspecto cognitivo já na idade escolar, denominado estágio das operações concretas (PIAGET, 1974), o indivíduo possui a capacidade de relacionar uma série de eventos e atos a partir de representações mentais expressas por meio de palavras ou símbolos, tendo, portanto, boa capacidade para reconhecer figuras simples (WHALEY; WONG, 1989). TABELA 4 – Acuidade visual por sexo dos alunos que participaram do teste com escala optométrica de Snellen, por escola, em Fortaleza, 2006 SEXO COM ALTERAÇÃO SEM ALTERAÇÃO TOTAL (%) 44,0 135 55,0 98 40,0 111 45,0 206 84,0 246 100,0 N (%) N (%) F 27 11,0 108 M 13 5,0 Total 40 16,0 Conforme demonstra a Tabela 4, a maioria dos examinados era do sexo feminino (55,0 %). Entretanto a diferença foi insignificante, o que contribuiu para uma análise homogênea em relação ao sexo dos alunos. Pode-se, porém, observar um maior número de alterações oculares no sexo feminino (11,0 %). TABELA 5 – Acuidade visual por série dos alunos que participaram do teste com escala optométrica de Snellen, por escola, em Fortaleza, 2006 SÉRIE COM ALTERAÇÃO SEM ALTERAÇÃO TOTAL (%) 13,4 36 14,6 72 29,2 91 36,9 7,3 101 41,2 119 48,5 16,2 205 83,8 246 100,0 N (%) N (%) 2ª - 3 ª 3 1,2 33 4ª - 5 ª 19 7,7 6ª - 8 ª 18 Total 40 Para ser válido, o total deve, de fato, medir aquilo que se propõe. Neste caso, classificar corretamente como positivas as pessoas portadoras de alteração na acuidade visual, e como negativas as não portadoras. 80 9.3 Validação e confiabilidade da escala RAD A validade operacional envolve uma avaliação sistemática do instrumento, geralmente o comparando com um critério externo já existente e, freqüentemente, se utilizando métodos estatísticos. Embora esse tipo de validação seja considerado objetivo, o “padrão-ouro” é na maioria das vezes um critério previamente estabelecido como padrão. Isto implica a existência de um componente arbitrário em qualquer investigação de validação de um instrumento (MENEZES; NASCIMENTO, 2000). O critério padrão ora utilizado foi o teste da escala de Snellen. TABELA 6 – Coeficientes de validade da escala RAD para olhos sem correção, de alunos do ensino fundamental, baseados no critério padrão da escala de Snellen, em Fortaleza, 2006 SENS IC 95% ESPEC IC 95% VP+ (1) IC 95% VP-(2) IC 95% 75,6 62,5; 88,7 98,0 96,1; 99,9 Olho direito RAD 1 88,6 78,1; 99,1 95,3 92,4; 98,2 RAD 2 85,7 74,1; 97,3 98,1 96,3; 99,9 88,2 77,4; 99,0 97,6 95,5; 97,7 Olho esquerdo RAD 1 78,6 63,4 ; 93,8 97,7 95,7; 99,7 81,5 66,9; 96,1 97,3 95,2; 99,4 RAD 2 92,9 83,4 ; 100,0 98,6 97,0; 100,0 89,7 78,6; 100,0 99,1 97,8; 100,0 (1) Valor preditivo positivo; (2) Valor preditivo negativo. No intuito de validar a escala RAD, vários coeficientes foram calculados na Tabela 12. Nesta, conforme se observa, a sensibilidade para os momentos RAD 1 e RAD 2 foi, respectivamente, 88,6 e 85,7 para o olho direito, e 78,6 e 92,9 para o esquerdo. Quanto à especificidade, os valores encontrados para as escalas RAD 1 e RAD 2 foram, respectivamente,95,3 e 98,1 para o olho direito, e 97,7 e 98,6 para o esquerdo. Segundo se percebe, em 95% dos casos sem correção, a sensibilidade para o olho direito vai estar entre 78,1 e 99,1 no momento RAD 1 e entre 74,1 e 97,3 em RAD 2; no olho esquerdo, RAD 1 vai estar entre 63,4 e 93,8, e RAD 2 entre 83,4 e 100,0. Já a especificidade para o olho direito vai estar entre 92,4 e 98,2 no momento RAD 1 e entre 96,3 e 99,9 em RAD 2; no olho esquerdo RAD 1 vai estar entre 95,7 e 99,7, e RAD 2 entre 97,0 e 100,0. 81 Avaliaram-se, ainda, o valor preditivo positivo (VPP), probabilidade de que casos detectados como positivos sejam realmente positivos, e valor preditivo negativo (VPN), probabilidade de que casos detectados como negativos sejam realmente negativos (MENEZES; NASCIMENTO, 2000). Para os olhos direito e esquerdo, respectivamente, o valor preditivo positivo (VP+) no momento RAD 1 foi de 75,6 e 81,5 e no momento RAD 2 foi de 88,2 e 89,7; já o valor preditivo negativo (VP-) no momento RAD 1 foi de 98,0 e 97,3 e no momento RAD 2 foi de 97,6 e 99,1. Conforme se percebe, em 95% dos casos sem correção, o VP+ para o olho direito vai estar entre 62,5 e 88,7 no momento RAD 1 e entre 77,4 e 99,0 em RAD 2; no olho esquerdo RAD 1 vai estar entre 66,9 e 96,1 e o RAD 2 entre 78,6 e 100,0. Já no VP- para o olho direito vai estar entre 96,1 e 99,9 no momento RAD 1 e entre 95,5 e 97,7 em RAD 2; no olho esquerdo RAD 1 vai estar entre 95,2 e 99,4 e o RAD 2 entre 97,8 e 100,0. Avaliaram-se, ainda, o valor preditivo positivo (VPP), probabilidade de que casos detectados como positivos sejam realmente positivos, e valor preditivo negativo (VPN), probabilidade de que casos detectados como negativos sejam realmente negativos (MENEZES; NASCIMENTO, 2000). Para os olhos direito e esquerdo, respectivamente, o valor preditivo positivo (VP+) no momento RAD 1 foi de 75,6 e 81,5 e no momento RAD 2 foi de 88,2 e 89,7; já o valor preditivo negativo (VP-) no momento RAD 1 foi de 98,0 e 97,3 e no momento RAD 2 foi de 97,6 e 99,1. Conforme se percebe, em 95% dos casos sem correção, o VP+ para o olho direito vai estar entre 62,5 e 88,7 no momento RAD 1 e entre 77,4 e 99,0 em RAD 2; no olho esquerdo RAD 1 vai estar entre 66,9 e 96,1 e o RAD 2 entre 78,6 e 100,0. Já no VP- para o olho direito vai estar entre 96,1 e 99,9 no momento RAD 1 e entre 95,5 e 97,7 em RAD 2; no olho esquerdo RAD 1 vai estar entre 95,2 e 99,4 e o RAD 2 entre 97,8 e 100,0. Para análise da confiabilidade discorreu-se sobre a correlação entre coeficientes da acuidade visual, a associação entre os testes e a análise de concordância. Conforme a Matriz de Spearman demonstrada na Tabela 7, a seguir, observam-se as correlações entre os coeficientes de acuidade visual. 82 TABELA 7 – Matriz de correlação de Spearman conforme o olho e a escala utilizada no teste de alunos do ensino fundamental, em Fortaleza, 2006 R p Olho direito Snellen x RAD1 Snellen x RAD2 0,769 0,894 0,0001 0,0001 Olho esquerdo Snellen x RAD1 Snellen x RAD2 0,769 0,890 0,0001 0,0001 Conforme a correlação entre coeficientes da acuidade visual, de acordo com a Tabela 7, verificou-se relação estatisticamente significante (p = 0,0001) entre “Snellen e RAD 1” e “Snellen e RAD 2”, para os dois olhos. Em todas as correlações a RAD 2 apresentou maior significância com Snellen. É importante lembrar que a escala RAD foi aplicada em dois momentos. No segundo momento o aluno já havia entrado em contato com as figuras da tabela, o que justifica a maior significância em RAD 2. Existe maior habilidade de se reconhecer um objeto quando seus contornos foram reconhecidos em um momento prévio. Não é difícil detectar a tendência à informação visual no comportamento humano. Buscamos um reforço visual de nosso conhecimento por muitas razões; a mais importante delas é o caráter direto da informação, a proximidade da experiência real (DONDIS, 1997, p.6). Este achado não invalida a confiabilidade da escala, pois a correlação “Snellen x RAD 1” foi a mesma nos dois olhos (r = 0,769 e p = 0,0001), sendo considerada estatisticamente significante. Como fica demonstrado, o reconhecimento de figuras realmente faz diferença no resultado da acuidade visual. Na associação entre os testes, utilizou-se como critério padrão a escala de Snellen com vistas a comparar alterações oculares relacionadas com a escala RAD nos dois momentos em que esta foi utilizada. A análise das variáveis foi dividida conforme o olho examinado. 83 TABELA 8 – Associação entre os testes da escala RAD e de Snellen para o olho direito, realizados em alunos do ensino fundamental em Fortaleza, 2006 CRITÉRIO PADRÃO SNELLEN ESCALAS Com Alteração Nº % Sem alteração Nº χ2 p 151,90 0,0001 177,07 0,0001 % RAD 1 Com alteração 31 88,6 10 4,7 Sem alteração 4 11,4 201 95,3 RAD 2 Com alteração 30 85,7 4 1,9 Sem alteração 5 14,3 207 98,1 (%) O percentual demonstrado refere-se ao critério padrão da escala de Snellen. A associação foi verificada pelo teste X2, em relação ao critério padrão utilizado. Encontrou-se na Tabela 8 um coeficiente de 151,90 (p = 0,0001) para RAD 1 e de 177,07 (p = 0,0001) para RAD 2, no olho direito. Além disso, percebe-se em RAD 1 que, dos 246 alunos, apenas quatorze encontravam-se entre os falsos, sejam eles positivos ou negativos; já em RAD 2 existiram nove. TABELA 9 – Associação entre os testes da escala RAD e de Snellen para o olho esquerdo, realizados em alunos do ensino fundamental em Fortaleza, 2006 CRITÉRIO PADRÃO SNELLEN ESCALAS Com Alteração Nº % Sem alteração Nº χ2 p 147,75 0,0001 199,69 0,0001 % RAD 1 Com alteração 22 78,6 5 2,3 Sem alteração 6 21,4 213 97,7 RAD 2 Com alteração 26 92,9 3 1,4 Sem alteração 2 7,1 215 98,6 Na Tabela 9, a associação para RAD 1 foi de 147,75 (p = 0,0001) e de 199,69 (p = 0,0001) para RAD 2, no olho esquerdo. Também se percebe em RAD 1 que, dos 246 alunos, apenas onze encontravam-se entre os falsos positivos e 84 negativos; já em RAD 2, existiram cinco. Os dados demonstram significância entre o critério padrão utilizado e a escala de figuras em análise. Para a análise da concordância utilizou-se o Alfa de Cronbach para determinar a confiança da escala, como mostra a Tabela 10. TABELA 10 – Análise da concordância por olho e escala optométrica utilizada em alunos do ensino fundamental, em Fortaleza, 2006 ALFA DE CRONBACH IC 95% P Snellen x RAD 1 0,934 0,915 0,949 0,0001 Snellen x RAD 2 0,973 0,965 0,979 0,0001 Snellen x RAD 1 0,932 0,913 0,947 0,0001 Snellen x RAD 2 0,966 0,956 0,973 0,0001 INSTRUMENTOS Olho direito Olho esquerdo Construiu-se um intervalo de confiança de 95% para o número de correlações entre os dois testes, e em todos os casos encontrou-se um Alfa de Cronbach maior que 0,929. 85 10 ANÁLISE DOS DADOS O número de associações observadas no teste piloto após ajustes na escala foi pequeno. Portanto, na perspectiva da pesquisadora fica clara a interpretação do desenho original. Com o avançar da idade os alunos vão aprimorando a capacidade de associar. É possível, por exemplo, ao se visualizar uma pomba, tipo específico de pássaro, remeter-se a um significado ampliado de paz. O visionário não se detém diante do óbvio; mediante a superfície dos fatos visuais, vê mais além, e chega a esferas muito mais amplas de significado (ROOTBERNSTEIN; ROOT-BERNSTEIN, 2001). Tais associações são comuns desde que se remeta à idéia da figura original. Em outros casos, como ocorrido com a escala proveniente da Colômbia, na qual a representação simbólica do desenho do pássaro era confundida com uma borboleta e a da flor com inúmeras outras figuras, existe a possibilidade de dúvidas, e o pesquisador, ao percebê-las, deverá analisar a necessidade de mudanças (CARVALHO; GARRIDO, 1993). Além disso, determinadas denominações fogem à idéia de associação e confirmam a falta de visibilidade da figura. No caso da árvore, as denominações foram as seguintes: pessoa, espada, coração de cabeça para baixo, cruz e piano; para o sol, foi tribal e maçã, e para a bola apenas o quadrado. Nestes casos, a orientação é considerar como errada a identificação da referida figura, pois a delimitação dos contornos é importante na detecção da ambliopia. Em relação à tabela MNREAD (trabalhada por Castro (2004) em estudo para elaboração e validação da tabela de acuidade MNREAD na língua portuguesa – desenvolvida no Minnesota Laboratory of Low-Vision Research, University of Minnesota, Minneapolis, Minnesota, USA), a forma de seleção das letras adotada, no caso dos adultos, foi excluir as sentenças que os participantes trocaram e as palavras que confundiram, ao lerem, por exemplo, “vovô” em vez de “vovó”, “garoa” em vez de “garota”, ou ainda “pra” em vez de “para”. Entretanto, no caso das crianças, não se solicitou que informassem sobre possíveis erros ou palavras que considerassem difíceis. Os erros cometidos por elas quando percebidos eram registrados (CASTRO, 2004). 86 Na prática, estas análise e interpretação vão depender da experiência do examinador. Esse é um ponto bastante relevante, pois uma sensibilidade aguçada e muita paciência contribuem para se obter um resultado fidedigno, mesmo com as intercorrências passíveis de ocorrer durante o exame (DANTAS; PAGLIUCA; ORIÁ, 2000). Por isso, é essencial os examinadores terem conhecimentos acerca da anatomia, fisiologia e aspectos patológicos do olho. Estas exigências inviabilizam a realização das triagens por professores do ensino básico sem treinamento prévio, prática utilizada comumente nas escolas. Tal idéia tem maior embasamento ao compará-la com os achados de Armond, Temporini e Alves (2001) sobre o conhecimento dos professores em relação ao sistema visual. De acordo com estes autores, a maioria não havia recebido qualquer orientação ou treinamento sobre saúde ocular e desconhecem as principais alterações oculares. Ressalta-se, mais uma vez, o enfermeiro ocupa um espaço central na prevenção e identificação de problemas oculares, atuando como educador perante a família, a escola e a comunidade. No estudo ora desenvolvido, prevaleceu a faixa etária de 12 a 13 anos (37,0 %). Para Ahn e Legge (1995) a idade tem se revelado um fator expressivo no resultado da leitura de textos. Quanto mais idoso o indivíduo, mais difícil e mais lenta será sua leitura. No caso dos alunos de 8 a 16 anos, a leitura das imagens provavelmente será mais lenta entre os mais novos; mas o tempo que o aluno leva na identificação da figura não interfere no resultado da acuidade visual. A maioria dos examinados (11,0 %) e o maior número de alterações oculares (55,0 %) foram no sexo feminino. Esses dados são corroborados por vários outros estudos. Gianini et al. (2004), por exemplo, encontraram uma diferença significante na prevalência de baixa acuidade visual entre os sexos, e esta foi maior no sexo feminino (14,9%) em relação ao masculino (11,5%). Siqueira e Siqueira (1994) avaliaram 217 crianças com deficiência visual provenientes de uma triagem em 1.379 escolares de 5 a 17 anos. Desses, 149 (69%) eram do sexo feminino e 68 (31%) do masculino. Após o exame oftalmológico, dos escolares que apresentaram algum erro refracional, 94 (70%) eram do sexo feminino e 41 (30%) do sexo masculino. 87 Segundo se observa na Tabela 5, a maior proporção de alterações na acuidade visual encontra-se nas séries mais avançadas, principalmente 4 ª e 5 ª séries (7,7%). Diferente do ocorrido no estudo de Gianini et al. (2004), em que a maior prevalência de baixa acuidade visual deu-se nos escolares de 1ª série em relação aos de 4ª. Ainda de acordo com Gianini et al. (2004), ao se avaliar a acuidade visual dos escolares de 4ª série, os alunos com baixo rendimento escolar não serão incluídos porque no decorrer da 1ª até a 4ª série há tempo suficiente para o professor perceber que eles apresentam problema, podendo assim encaminhá-los para as "classes de aceleração". Outra hipótese considerada pelos autores é a de que os alunos de 4ª série estão em um nível mais elevado de desenvolvimento neuropsicomotor. Portanto, são capazes de entender mais facilmente as explicações que antecedem o teste e, conseqüentemente, respondê-lo melhor. Deve-se considerar ainda que a idade das crianças de 4ª série é obviamente maior, em torno de 10 anos. Logo, é de se esperar que já tenham sido submetidas ao teste de Snellen em outras oportunidades, e apresentem um melhor desempenho devido à familiarização com a tabela. Tais argumentos, contudo, são contestados quando se observa a existência anual de programas de prevenção da saúde ocular para alunos de 1 ª série. No ano de 2006, estão sendo desenvolvidos, entre outros programas, a campanha Olhando a Escola – Vendo com Saúde (SOCIEDADE BRASILEIRA DE OFTALMOLOGIA, 2006). O primeiro programa de amplitude nacional destinado aos escolares da 1ª série do ensino fundamental ocorreu em 1998: Campanha Nacional de Prevenção à Cegueira e Reabilitação Visual - Veja Bem Brasil. O CBO organizou e realizou o evento, beneficiando milhões de escolares submetidos à triagem. As campanhas subseqüentes foram promovidas em parceria com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), com a finalidade de suprir as deficiências da atenção à saúde ocular das crianças brasileiras, como a Campanha Nacional de Reabilitação Visual "Olho no Olho", a partir de 1999. Esta atendeu 2 milhões, 280 mil escolares e a de 2000 atendeu 3 milhões e 100 mil escolares, e envolveu 4.500 oftalmologistas, 75 mil professores e 88 607 municípios com mais de 40 mil habitantes (OLIVEIRA; KARA-JOSÉ; ARIETA, 2000; ALVES; KARA-JOSÉ, 2000; KARA-JOSÉ, ALVES, 2002). Mencionados programas são justificados pela necessidade de detecção precoce de alterações oculares, visto que estas, quando não tratadas, trazem, geralmente, graves conseqüências para a sociedade, pois além de elevarem o custo de programas de reabilitação para deficientes visuais, ainda diminuem a produtividade da força de trabalho, o que causa uma limitação na independência e capacidade do indivíduo (MOREIRA; PAGLIUCA; ARAÚJO, 2001). Ademais, na opinião de Cunha (1996), os programas voltados a prevenir as deficiências ou impedir que se transformem em incapacidades mais limitadoras são menos dispendiosos para a sociedade do que a assistência a ser dispensada, mais adiante, às pessoas com deficiências. Quando uma criança apresenta dificuldade de enxergar, conseqüentemente há baixo rendimento escolar, alto índice de reprovação e aumento da evasão escolar. Com tais campanhas, é possível detectar problemas visuais e fornecer óculos com o grau adequado. Desse modo, melhora-se a qualidade de vida das crianças. Como mostram os dados, há um grande contingente de crianças necessitadas de cuidados oftalmológicos para melhor desempenho na escola e melhor desenvolvimento cognitivo (SOCIEDADE BRASILEIRA DE OFTALMOLOGIA, 2006; CAVALCANTE; KARA-JOSÉ; TEMPORINI, 2004). Entretanto, para serem bem-sucedidos, tais programas devem ter continuidade, ou seja, o aluno deve ser acompanhado anualmente, independente da capacidade do professor para detectar alterações. Esta perspectiva em uma análise macropolítica reporta-se à necessidade da continuidade na assistência à saúde, com vistas ao controle de programas especiais de saúde pública, com administração única e vertical, que propiciam conflitos na ponta do sistema pelas dificuldades de integração com outras atividades dos serviços de saúde (MELO; CUNHA; TONINI, 2005). Possivelmente o principal obstáculo à prevenção da cegueira não reside na falta de tecnologia adequada, mas na pouca habilidade em criar condições propiciadoras da motivação das pessoas, de acesso aos serviços de infra-estrutura e organização da assistência oftalmológica (SOMMER, 1989). 89 Segundo afirma Temporini, seria adequado que todas as crianças, ao ingressar no ensino fundamental, fossem submetidas a triagens para verificação da acuidade visual e, caso necessário, de exame oftalmológico. Isto, porém, não basta. É inadequado fazer um programa de saúde ocular em um ano, com os escolares de 1ª série, e nos anos subseqüentes não dar continuidade com essas mesmas crianças, pois a correção óptica da criança deixa de atender às suas necessidades, tornando-se até mesmo prejudicial à saúde em certos casos. Portanto, os projetos de saúde ocular deveriam ter por meta mínima avaliar as mesmas crianças quando estas tivessem 4, 7 e 13 anos de idade (TEMPORINI, 1984). A sensibilidade da pesquisa referiu-se à probabilidade de um aluno ter alteração na acuidade visual se ele realmente tem uma alteração, ou seja, proporção de casos positivos identificados corretamente. Já a especificidade foi a probabilidade de que o aluno apresente boa acuidade visual, se o indivíduo testado não tem alteração, ou seja, proporção de casos negativos identificados corretamente (PAIVA, 2004). A sensibilidade foi melhor para o olho direito em RAD 1 (88,6) e para o olho esquerdo em RAD 2 (92,9). Já a especificidade obteve valores elevados em todos os cruzamentos, o que indica uma melhor capacidade de detectar não portadores de alteração ocular pelo conhecimento e familiaridade com os optótipos da escala RAD. Proporcionalmente o dado referente à sensibilidade foi mais significante. Na detecção de alterações oculares em triagens exigem-se bons resultados para todos os coeficientes, os quais foram estatisticamente validados e aceitos como adequados para detecção de alterações oculares. Entretanto, é comum preferir resultados elevados para VP –, pois, neste caso, o item em discussão confirma que os alunos sem alteração realmente possuem boa visão. Isto, em geral, tranqüiliza pais e professores em relação às alterações oculares. Do contrário, os casos com alteração são encaminhados para exame clínico oftalmológico e confirmação deste achado. Como se observa, o encaminhamento inadequado é dispendioso, e demanda custo e tempo que poderiam ser utilizados na busca de soluções para as alterações. Assim, devem ser esperados valores elevados para todos estes 90 coeficientes. Em estudo de Kara-José e Temporini (1980), estes autores participaram de triagem realizada pelos professores de uma escola e observaram considerável percentual de acertos (87,10%) com o uso da escala de Snellen. Contudo, o resultado de 12,90% de casos triados incorretamente, considerando a já referida limitação de recursos para atendimento oftalmológico, trouxe-lhes inquietação. Tendo em vista que 90,57% da triagem incorreta foram representados por falsos positivos, a programação pode-se tornar dispendiosa tratando-se de saúde pública, embora, do ponto de vista clínico, deva ser ressaltada a importância de evitarse os falsos negativos (KARA-JOSÉ; TEMPORINI, 1980). A despeito destas considerações, como afirma North (1974), não há evidência suficiente para julgamento quanto ao custo aceitável de falsos positivos num programa de triagem visual. Neste sentido, lembre-se, a tabela de Snellen, na época deste estudo, já era consagrada e aceita, e mesmo assim existiram resultados errados. Quanto ao teste com as escalas optométricas, é considerado na análise clínica como subjetivo, devendo estar associado a outros testes oftalmológicos quando se tratar de exame clínico (FAUGHAN; ASBARY; RORDAN-EVA, 1997). Para triagens é comum observar falhas no método usado. Surgem, então, falsos positivos e falsos negativos, mas estes valores devem ser mínimos. Por questões externas ao uso das escalas, muitas vezes deixam de sê-lo, como ocorreu no estudo de Kara-José e Temporini (1980), no qual os professores do ensino médio consideraram como alteração ocular os coeficientes inferiores a 1,0. Entretanto, como se sabe, a alteração encontra-se abaixo de 0,7. Mais uma vez, é demonstrada a necessidade de pessoal qualificado nos casos de triagens. Do ponto de vista da saúde pública, a investigação de problemas oculares em crianças, por oftalmologistas, em exame de massa, é muito dispendiosa e mesmo inexeqüível, em virtude da falta de recursos especializados (KARA-JOSÉ; TEMPORINI, 1980). Conforme afirmam Wick e Ricker (1976), o especialista deve trabalhar num grau mais alto de competência, avaliando e corrigindo problemas e não pesquisando os normais. Existe um consenso na literatura segundo o qual a validade de uma medida é limitada por sua precisão. Se a medida tem uma confiabilidade pequena, sua 91 precisão sofrerá em algum grau. Assim, uma precisão alta não garante validade, mas, paradoxalmente, uma precisão baixa pode não implicar uma baixa validade (MENEZES; NASCIMENTO, 2000). Nos testes anteriores, percebeu-se boa validade e, por fim, foi necessário observar a precisão para confirmar a eficácia da escala RAD. A precisão estatística de uma estimativa pontual foi expressa pelo intervalo de confiança, usualmente considerado de 95% em torno da estimativa. Sua interpretação considera que em um estudo livre de vieses existe uma probabilidade de 95% de que o intervalo inclua o real efeito clínico da intervenção sob investigação. Quanto mais estreito for este intervalo, maior a probabilidade de ser aquela a real magnitude do efeito (COUTINHO, 1998). Considerou-se para o estudo, o resultado RAD 1 mais confiável, visto que inexistiu a possibilidade de memorização das figuras. Contudo, na prática, mostra a importância de continuar a utilizar uma sensibilização prévia das crianças, de modo a demonstrar as figuras a serem visualizadas, sem demonstrar sua ordem na tabela. Poderá se falar em sensibilização antes do teste para medição da acuidade visual em crianças, mediante exibição de figuras inerentes à escala. É inquestionável a importância desse momento, mas ele sozinho é insuficiente para a fácil identificação dos símbolos; é necessário primeiramente a adequação regional dos optótipos (DANTAS, 2003). Em estudo realizado no intuito de associar o desempenho do teste Sonksen Picture Guide to Visual Funcion (SPGVF) com a acuidade visual e o contraste sensitivo de crianças visualmente debilitadas, os resultados mostraram que a acuidade foi mais importante para o reconhecimento de figuras do que para o contraste sensitivo (VERVLOED; ORMEL; SCHIPHORST, 2001). Como observado há muito, a propriedade a ser medida (acuidade visual) não depende somente da resolução óptica pelo sistema ocular; vai além, e requer a capacidade de entender aquilo que se vê e, em seguida, a de informar. Em outras palavras, funções psíquicas relacionadas à aprendizagem prévia e expectativa influem decisivamente sobre possíveis respostas, distorcendoas para que representem acuidade visual melhor ou pior, ou seja, próxima aos 92 limites de resolução. A apresentação de letras, quando são esperados números, ou vice-versa, resulta numa detecção pior do que a obtida quando a expectativa é satisfeita. Ainda conforme afirmam, certas letras ou números podem ser “adivinhados” mais facilmente que outros, provavelmente pela percepção do conjunto de seus traços mais do que por uma verdadeira resolução de suas partes. Ademais, certos defeitos ópticos do sistema ocular (astigmatismo) desfavorecem especificamente a resolução de alguns símbolos. Por tais motivos, convém que o padrão de teste (optótipo) seja simples, não exija interpretação, mas que, ao contrário, a informação sobre ele fique quase só dependente de sua resolução óptica pelo olho (BICAS, 1991). De acordo com o observado no teste Sonksen Picture Guide to Visual Funcion, as figuras visualmente mais simples tendem a ser reconhecidas a longas distâncias, diferentemente daquelas mais complexas ou com múltiplos objetos. Existiu uma interação entre a acuidade visual e a complexidade das figuras, isto é, a visão intermediária dos grupos saturou rapidamente na identificação de figuras complexas em relação à identificação de figuras simples (SONKSEN, MACRAE, 1987). No estudo de Castro (2004) foram elaboradas duas tabelas de acuidade (Protótipo 1 e Protótipo 2), com dezenove sentenças cada uma, como a “MNREAD Chart” americana, para ser usada para testar olho direito e olho esquerdo, respectivamente, e também para evitar memorização por parte dos examinados. Esta é uma alternativa para evitar a memorização e poderá ser utilizada pelos demais profissionais cujo objetivo é elaborar e validar escalas regionalizadas. Outros estudiosos, Hyvärinen, Nasanen e Laurinen (1980), desenvolveram um novo teste para mensuração da acuidade visual em pré-escolares. Os símbolos de teste eram círculo, quadrado, maçã e casa. A validade deste teste foi experimentalmente verificada e a correlação entre os valores mensurados da A.V. foi testada repetidamente. A confiança do novo teste foi de 0,94 para sujeitos adultos, satisfazendo assim o critério estatístico de um bom teste de acuidade visual. Portanto, os achados demonstram a capacidade de reprodutibilidade da escala RAD. A avaliação da reprodutibilidade seria, pois, a medida de maior emprego nos levantamentos epidemiológicos de alterações oculares. Por 93 reprodutibilidade entende-se a capacidade de concordância dos resultados quando o instrumento é aplicado, uniformemente e repetidas vezes, sobre objetos invariantes (KLEIN; COSTA, 1987). A reprodutibilidade está diretamente associada à confiabilidade. Um teste é confiável quando seus resultados são reproduzidos, consistentemente, após a repetição do teste, por uma ou mais vezes, em diferentes momentos e lugares. Em outras palavras, a medida realizada é reprodutível em diferentes situações, isto é, com diferentes observadores, ou com o mesmo observador em ocasiões diferentes, separados por um curto espaço de tempo. São sinônimos de confiabilidade: reprodutibilidade, precisão, fidedignidade e repetibilidade (COUTINHO, 1998). Neste sentido, foi importante a testagem da escala em três ambientes diferentes, mantendo-se como padrão as recomendações do CBO (1998): ordem dos examinadores, iluminação do lado ou atrás do examinado, distância da escala, altura da escala em relação ao olho do examinado, local de fixação da escala na parede, além da manutenção de resultados sigilosos para cada teste. Este conselho recomenda a realização de triagens em escolas, independente do turno e características físicas da escola. Um diferencial poderia ser a iluminação, mas ela foi considerada suficiente pelos examinadores, além de ser a mesma na comparação dos testes conforme a escola. No estudo de Castro (2004), os testes foram realizados em ambiente iluminado e longe de ruídos para não interferir na concentração do participante, sendo estas as principais características do ambiente, para validar a escala; acrescenta-se a estas a percepção do calor. Além disso, o estudo da escala RAD foge às características de ensaio clínico, a ser desenvolvido nos consultórios oftalmológicos; é, pois, um estudo experimental, dentro da atuação da enfermagem (CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM, 2006). Isto, porém, não impossibilita que a escala RAD seja testada em outro momento, em estudo com características de ensaio clínico, utilizando exame oftalmológico com projetor de optótipos (LOPES; CASELLA; BARBANTE, 2002). O que está em discussão é a realização do método de construção de escalas optométricas de figuras para uso das diversas categorias de profissionais e 94 a validação da escala RAD para triagens com pré-escolares. Para tal, a escala é bastante confiável. 95 11 CONCLUSÃO O modelo de validação de tecnologia estabelece normas a serem cumpridas. Com base neste princípio, a confecção de uma tabela de figuras regionalizada que tenha validade clínica e que proporcione medidas precisas e replicáveis desta função exige o cumprimento de vários quesitos. No estudo de Dantas (2003), observaram-se as primeiras regras de elaboração e validação da escala RAD, tais como: uso da teoria de formação da imagem para construção de escalas optométricas, uso do sistema visual para caracterizar o aprendizado visual (passo 1); padronização da escala optométrica como propriedade do sistema (passo 2); uso da dimensionalidade com base nos aspectos óptico-fisiológicos (passo 3) e caracterização das definições principais a serem seguidas na validação de figuras e construção de optótipos (passo 4). No presente estudo verificaram-se as demais regras de elaboração e validação de escala RAD. São elas: demonstração da operacionalização no capítulo 6, elaboração de escalas optométricas (passo 5); análise dos optótipos da escala de figuras (passo 6); planejamento da aplicação na metodologia (passo 7); aplicação e coleta para aferição das alterações oculares (passo 8); uso de técnicas de validação (passo 9); uso de técnicas de precisão (passo 10) e considerações finais (passo 11). Para validação da escala RAD utilizaram-se vários coeficientes que garantem a aplicabilidade do método. A sensibilidade para os momentos RAD 1 e RAD 2 foi, respectivamente, 88,6 e 85,7, para o olho direito; e 78,6 e 92,9, para o esquerdo. Quanto à especificidade, os valores encontrados para as escalas RAD 1 e RAD 2 foram, respectivamente, 95,3 e 98,1, para o olho direito; e 97,7 e 98,6, para o esquerdo. Para os olhos direito e esquerdo, respectivamente, o valor preditivo positivo (VP+) no momento RAD 1 foi de 75,6 e 81,5 e no momento RAD 2 foi de 88,2 e 89,7; já o valor preditivo negativo (VP-) no momento RAD 1 foi de 98,0 e 97,3 e no momento RAD 2 foi de 97,6 e 99,1. Houve correlação entre coeficientes da acuidade visual entre “Snellen e RAD 1” e “Snellen e RAD 2”, para os dois olhos (p = 0,0001). 96 Na associação (X2) encontrou-se um coeficiente de 151,90 (p = 0,0001) para RAD 1 e de 177,07 (p = 0,0001) para RAD 2, para o olho direito, e para o esquerdo em RAD 1 foi de 147,75 (p = 0,0001) e de 199,69 (p = 0,0001), em RAD 2, no olho esquerdo. Para a análise da concordância em todos os casos encontrouse um coeficiente maior que 0,929. As regras estabelecidas servem como um ponto de partida para o desenvolvimento da tabela em cada região, pois cada uma deverá possuir suas características próprias que devem ser respeitadas. Cada nova versão da tabela precisa ser criada e desenvolvida, pois deve-se evitar a simples reprodução da tabela existente. Com estas considerações, reforça-se a tese de ser possível a construção de escalas optométricas por profissionais da área e que, por meio do modelo ora demonstrado, estas serão eficazes na detecção da acuidade visual. Enfim, com a descrição do método de confecção da escala e sua aplicação em pesquisa experimental, espera-se ter mostrado sua eficácia na determinação da referida acuidade. Embora atual no referente à escala RAD, este conteúdo não é finito, portanto, permanece aberto a novas concepções, e, como instrumento bem conduzido, poderá ser usado por outros pesquisadores e, desse modo, poderá alargar os horizontes aqui propostos e ampliar outros espaços. Com este redimensionamento, espera-se ter contribuído para mais uma experiência bemsucedida, quer na enfermagem, quer em outras áreas do conhecimento. Apesar dos esforços empenhados nesta conquista, a recompensa profissional é infinitamente superior à material. Compensa, pois, todo empenho no caminho da conquista e confirma que construir sempre vale a pena. 97 12 REFERÊNCIAS AHN, S. J.; LEGGE, G. E. Psychophysics of reading XIII. Predictors of magnifieraided reading. speed in low vision. Vision Res., v. 35, p. 1931-1938, 1995. ALONSO, I. L. K. O exercício de liberdade e autonomia na academia – uma prática pedagógica no estágio curricular supervisionado. Rev. Bras. Enfermagem, v. 56, n. 5, p. 570 – 573, 2003. ALVES, M. R.; KARA-JOSÉ, N. Manual de orientação ao professor. Campanha Nacional de Reabilitação Visual "Olho no Olho", 2000. São Paulo: Conselho Brasileiro de Oftalmologia, 2001. ALVES, V. S. Forma. In:. LOGOS Enciclopédia Luso – Brasileira de Filosofia. Lisboa: Sociedade Científica da Universidade Católica Portuguesa, 1991. p. 674725. ALVES, V. S. Matéria. In: LOGOS Enciclopédia Luso – Brasileira de Filosofia. 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De forma geral, qual a sua opinião sobre a escala? 10. Quais as literaturas que você indicaria para justificar as mudanças na escala? 106 APÊNDICE B – Instrumento para aferição da acuidade visual com a escala optométrica Examinador: ________________________________________________________ Escala: ____________________________________________________________ DADOS DA CRIANÇA 1. Nome: __________________________________________________________ 2. Série: __________ 3. Idade: __________ 4.Sexo: __________ EXAME SEM CORREÇÃO: 5. Olho direito: _______________ 6. Olho esquerdo: ____________ OBSERVAÇÕES DO EXAMINADOR: ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ DESCRIÇÃO DO AMBIENTE DO TESTE: Número de lâmpadas na sala: ___________________________________________ Localização das lâmpadas: _____________________________________________ Organização de objetos na sala: _________________________________________ ___________________________________________________________________ Turno do teste: ______________________________________________________ Percepção de calor: __________________________________________________ Descrição da cadeira em que a criança estava sentada: ______________________ ___________________________________________________________________ 107 APÊNDICE C – Termo de consentimento esclarecido para os pais Srs. Pais, Sou enfermeira e nos meus estudos construí uma escala de figuras adequada para as crianças de Fortaleza. A escala de figuras é um quadro branco no qual estão colocadas figuras como uma flor, um carro, entre outras. Na construção procurei deixá-la parecida com a escala utilizada pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), com a diferença de que a nova escala usa figuras. Já a tabela do CBO é semelhante àquela de identificar letras que você usa quando vai ao oculista, só que apresenta apenas a letra E em várias direções. É por meio da identificação destas figuras ou da letra E pelas crianças que damos o resultado de quanto a criança enxerga, determinando assim se ela tem ou não alteração na visão. Percebi que as escalas de figuras existentes hoje não possuem figuras que as crianças conheçam facilmente, levando-as a se confundirem quando vão identificá-las. Acabam, assim, recebendo um resultado errado da sua capacidade de enxergar. Por isso, estou realizando um estudo para saber se a escala que construí é tão boa quanto a do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). Para isso, preciso de sua colaboração permitindo que seu filho participe do teste com as duas escalas para identificar alterações visuais. Ele será examinado por três pessoas diferentes. Estas são estudantes de enfermagem da Universidade Federal do Ceará e participam do Projeto Saúde Ocular. Dois dos estudantes utilizarão a escala que construí e o outro a escala do CBO. Durante cada teste, a criança ficará sentada em uma cadeira olhando para a parede em que será colocada a escala. Perguntaremos a ela qual a direção da letra E no teste com a escala do CBO e qual a figura que ela está vendo no teste com a escala de figuras. Conforme suas respostas, identificaremos se ela tem ou não alteração na visão. Você não terá nenhuma despesa e será informado por meio de comunicado enviado pela criança no dia da realização do exame se ela apresentou 108 alguma alteração visual no teste recomendado pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia. A realização do teste com a escala não substituirá a visita que o (a) Sr. (a) deverá fazer ao oculista em caso de alteração. Deve ficar claro que não pretendo dar óculos, nem receitá-los. Apenas irei identificar alterações visuais. Caso aceite, deverá devolver a folha seguinte assinada. Então, será marcado um dia na escola para que eu possa examinar as crianças. Garanto que as informações serão usadas apenas para a realização do meu trabalho e a qualquer momento é permitido acesso às informações sobre o andamento do estudo, inclusive para esclarecer dúvidas que possam ocorrer. Você tem liberdade de retirar seu consentimento a qualquer momento e não deixar seu/sua filho (a) participar do estudo, sem que isto traga prejuízo ao ensino da escola e, finalmente, lhe digo que quando apresentar o meu trabalho não usarei o nome das crianças e nem darei nenhuma informação que possa identificá-las. ________________________________________ Rosane Arruda Dantas (autora da pesquisa) Endereço: rua Jorge da Rocha 57, apto. 302, Aldeota (Telefone: 99216357) COMEPE (telefone para contato 4009-8338) 109 APÊNDICE D – Termo de livre consentimento para os pais Declaro que após ter entendido sobre qual o assunto do estudo, concordo com a participação de meu (minha) filho (a) neste estudo. Nome do aluno: ______________________________________________________ Assinatura do responsável: _____________________________________________ Número da identidade do responsável: ____________________________________ Em caso do responsável ser analfabeto: POLEGAR TESTEMUNHA: _____________________________________________________ Fortaleza, ______ de ____________________ de _________ 110 APÊNDICE E – Termo de consentimento esclarecido para o (a) diretor (a) da escola Sr. (a) diretor (a) da escola, Sou enfermeira e doutoranda do Departamento de Enfermagem da Faculdade de Farmácia, Odontologia e Enfermagem da Universidade Federal do Ceará. Participo do Projeto Integrado de Pesquisa Saúde Ocular/UFC/CNPq. Percebi que as escalas existentes hoje não possuem figuras que as crianças conheçam facilmente, levando-as a se confundirem quando vão identificálas. Acabam, assim, recebendo um resultado errado da sua capacidade de enxergar. A escala de figuras é um quadro branco no qual estão colocadas figuras de vários tamanhos e de cor preta, como uma flor, um carro, uma bola, entre outras, que são chamadas de optótipos por estarem na escala. É por meio da identificação destas figuras pelas crianças que damos o resultado de quanto a criança enxerga, determinando assim se ela tem ou não alteração na visão. Por isso, construí uma tabela de figuras adequada para as crianças de Fortaleza e pretendo testá-la comparando com a escala recomendada pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). Para isso, preciso realizar, após o consentimento dos pais, o teste com as duas escalas em cada criança, para determinar a capacidade visual dela. Este estudo, denominado VALIDAÇÃO DE UMA ESCALA OPTOMÉTRICA DE FIGURAS PARA FORTALEZA, tem por objetivo principal validar uma escala de figuras adequada regionalmente para a cidade de Fortaleza. Em respeito aos princípios da resolução 196/96 do Ministério da Saúde envolvendo seres humanos, ao tempo que garantimos a beneficiência, a liberdade e a justiça, vimos convidá-lo (a) a colaborar com este estudo, especificamente no que diz respeito à participação dos escolares desta instituição. Atenciosamente, ________________________________________ Rosane Arruda Dantas (autora da pesquisa) Endereço: rua Jorge da Rocha 57, apto. 302, Aldeota (Telefone: 99216357) COMEPE (telefone para contato: 4009-8338 111 APÊNDICE F – Termo de livre consentimento para o (a) diretor (a) da escola Autorizo espontaneamente a realização deste estudo neste estabelecimento, sendo-me resguardado o direito de exclusão quando assim desejar. Nome da escola: _____________________________________________________ Endereço da escola: __________________________________________________ Assinatura do (a) diretor (a): ____________________________________________ 112 APÊNDICE G – Termo de consentimento esclarecido para o oftalmologista Sr. Doutor, Sou enfermeira e doutoranda do Departamento de Enfermagem da Faculdade de Farmácia, Odontologia e Enfermagem da Universidade Federal do Ceará. Participo do Projeto Integrado de Pesquisa Saúde Ocular/UFC/CNPq. Percebi que as escalas optométricas existentes possuem figuras de difícil compreensão por parte das crianças, levando-as a confundirem-se ao tentar identificá-las. Isso facilita na obtenção de valores errados da acuidade visual. Por isso, construí uma tabela de figuras adequada para as crianças de Fortaleza e pretendo, durante o doutorado, validá-la, comparando com a escala de Snellen, recomendada pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). Necessito da sua colaboração para avaliar o percurso de construção da nova escala de figuras, por meio da leitura da dissertação de mestrado e projeto de tese do doutorado, respondendo, em seguida, um questionário acerca do tema e disponibilizando tempo para encontrar-se comigo no intuito de discutir possíveis dúvidas, podendo estes encontros serem substituídos por contatos por e-mail. Deixo claro que a responsabilidade e os direitos autorais do estudo são meus e de minha orientadora. Em respeito aos princípios da resolução 196/96 do Ministério da Saúde envolvendo seres humanos, garantimos a beneficência, a liberdade e a justiça. Desta forma, as informações serão usadas apenas para a realização do meu trabalho e a qualquer momento é permitido acesso ao andamento do estudo. Você tem liberdade de retirar seu consentimento a qualquer momento e, na apresentação da tese, não darei nenhuma informação que possa identificá-lo. Atenciosamente, ________________________________________ Rosane Arruda Dantas (autora da pesquisa) Endereço: rua Jorge da Rocha 57, apto. 302, Aldeota (Telefone: 99216357) COMEPE (telefone para contato: 4009-8338 113 APÊNDICE H – Termo de livre consentimento para o oftalmologista Tenho ciência de que irei participar espontaneamente como juiz na avaliação da construção da escala de figuras presente nos estudos intitulados “Validação de Figuras e Seleção de Optótipos para uma Escala Optométrica” e “Validação de uma Escala Optométrica de Figuras para Fortaleza”, sendo-me resguardado o direito de exclusão quando assim desejar. Comprometo-me a ler os estudos, responder o questionário enviado pela autora e dispor de tempo para discutir dúvidas acerca do tema. Nome: ______________________________________________________________ Especialidade: _______________________________________________________ RG: _______________________________________________________________ Assinatura: _________________________________________________________ 114 APÊNDICE I – Comunicado aos pais dos alunos acerca da necessidade de encaminhar o filho ao oftalmologista por motivo de baixa acuidade visual Universidade Federal do Ceará Faculdade de Farmácia, Odontologia e Enfermagem Programa de Pós-Graduação em Enfermagem COMUNICADO Comunicamos aos senhores pais que o aluno ______________________________ deverá ser encaminhado pelos senhores a uma consulta oftalmológica. Após triagem com a escala optomética de Snellen, detectou-se acuidade visual de _______ no olho direito e de ________ no olho esquerdo. _______________________________ Examinador Rosane Arruda Dantas Doutoranda em Enfermagem da UFC ANEXO 116 ANEXO A – Protocolo de autorização para realização da pesquisa pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos