UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E LETRAS DEPARTAMENTO DE PSICOLOGIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA SOCIAL CORRELATOS VALORATIVOS DAS ATITUDES FRENTE À APOSENTADORIA Rômulo Lustosa Pimenteira de Melo JOÃO PESSOA Fevereiro de 2014 UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E LETRAS DEPARTAMENTO DE PSICOLOGIA PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA SOCIAL CORRELATOS VALORATIVOS DAS ATITUDES FRENTE À APOSENTADORIA Rômulo Lustosa P. de Melo, Mestrando Valdiney Veloso Gouveia, Orientador JOÃO PESSOA Fevereiro de 2014 UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E LETRAS DEPARTAMENTO DE PSICOLOGIA PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA SOCIAL CORRELATOS VALORATIVOS DAS ATITUDES FRENTE À APOSENTADORIA Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação em Psicologia social da Universidade Federal da Paraíba, por Rômulo Lustosa Pimenteira de Melo, sob a orientação do Prof. Dr. Valdiney Veloso Gouveia, como requisito parcial para a obtenção do grau de Mestre em Psicologia social. JOÃO PESSOA Fevereiro de 2013 M528c Melo, Rômulo Lustosa Pimenteira de. Correlatos valorativos das atitudes frente à aposentadoria / Rômulo Lustosa Pimenteira de Melo.-- João Pessoa, 2013. 226f. : il. Orientador: Valdiney Veloso Gouveia Dissertação (Mestrado) - UFPB/CCHLA 1. Psicologia social. 2. Valores humanos. 3.Aposentadoria. 4. Atitudes positivas. 5. Aposentadoria - razões. UFPB/BC UFPB/BC CDU: 316.6(043) CDU: 316.6(043) CORRELATOS VALORATIVOS DAS ATITUDES FRENTE À APOSENTADORIA Rômulo Lustosa Pimenteira de Melo BANCA AVALIADORA _________________________________________________________ Prof. Dr. Valdiney Veloso Gouveia (UFPB, Orientador) _________________________________________________________ Profa. Dr. Maria do Carmo Eulálio (membro externo) _________________________________________________________ Prof. Dr. Josemberg Moura de Andrade (membro interno) Dedico à minha mãe e ao meu avô. AGRADECIMENTOS Agradeço inicialmente à Deus, por ter me dado oportunidade, a saúde e os desafios que me motivaram e me deram esperança de seguir meu caminho e finalizar este trabalho. Agradeço ao meu orientador, Prof. Dr. Valdiney Veloso Gouveia, por ter me acolhido no seu núcleo Bases Normativas do Comportamento Social (BNCS), com quem tenho aprendido muito mais do que lições de metodologia e psicologia. Exemplo de vida dedicada ao ensino superior e à pesquisa, com paixão e dedicação que não havia visto em outra pessoa. Sem suas orientações tão importantes não teria desenvolvido este trabalho. Deixo aqui meu imenso agradecimento. Aos colegas do núcleo de pesquisa BNCS, que tanto me apoiam e me ensinam, sei que posso contar com vocês sempre meus amigos. Em especial à Rebecca Alves Aguiar Athayde por sua paciência e disponibilidade em ajudar, à Katia Correa Vione por sua simplicidade e honestidade, à Ana Karla Silva Soares por sua disponibilidade e generosidade, à Viviany Silva Pessoa por sua alegria e bom humor, à Deliane Macedo Farias de Sousa por sua paixão e dedicação pelo que faz, à José Farias Sousa Filho por sua inteligência e ensinamentos, à Luis Augusto de Carvalho Mendes por suas contribuições na utilização de programas estatísticos, à Carlos Eduardo Pimentel por seus ensinamentos com a estatística, à Ana Isabel Araújo Silva de Brito Gomes sempre com sua tranquilidade e maturidade, à Larisse Helena Gomes Macêdo Barbosa com sua alegria e bom humor, à Layrtthon Carlos de Oliveira Santos por sua honestidade e amizade, à Rafaella de Carvalho Rodrigues Araújo e à Roosevelt Vilar Lobo de Sousa pelas ajudas que me deram, à Renan Pereira por sua amizade e sinceridade, à Thiago Cavalcanti pelo companheirismo e à Profa. Dra. Patrícia Nunes da Fonseca pelos ensinamentos e confiança que sempre depositou em mim, deixo aqui minha admiração pela senhora. Aos professores do programa de Pós-Graduação de Psicologia Social que tive oportunidade de conhecer ao longo da caminhada como mestrando, que contribuíram imensamente, partilhando seus conhecimentos. Aos professores que aceitaram participar da Banca Avaliadora desta dissertação, Prof. Dr. Josemberg Moura de Andrade e, em especial Profa. Dra. Maria do Carmo Eulálio, que desde o início da minha jornada como postulante a pesquisador sempre me apoiou e me ajudou de maneiras que vão muito além da relação de professor e aluno, relação que se transformou com o tempo em grande amizade e admiração. Aos colegas do mestrado que me ajudaram, apoiando e contribuindo para o desenvolvimento desta pesquisa. Aos secretárioas(as) Fabiana e Arthur pelo apoio dado nos momentos em que os procurei, meu muito obrigado. A todos os participantes deste estudo, pela disponibilidade de aceitar participar desta pesquisa, além da confiança em mim depositada. Meu obrigado! Aos meus pais, Paulo Pimenteira de Melo e Lucianita Lustosa de Sousa, que me deram a vida e os ensinamentos éticos e morais que levo comigo. Obrigado minha mãe pela paciência e aceitação incondicional que sempre demonstrou e demonstra por mim. À minha namorada Suanne Jamile que sempre esteve do meu lado, com paciência e carinho. À minha irmã Rossana Lustosa que sempre me apoiou, me proporcionando mais motivação. Obrigado também a minha Tia Aderita Pimenteira que como poucas pessoas tem estado ao meu lado sempre me ajudando e incentivando. Agradeço ao meu avô Deltrudes Pereira de Melo, que me apoiou e confiou em mim, se preocupando comigo mesmo na hora que foi ocupar um lugarzinho no céu. Obrigado vô, é principalmente pelo senhor que hoje estou conquistando mais esta etapa da minha vida. Aos amigos que trago comigo desde a infância, entre eles Altamir Souto Dias que com nossas discussões me motivou a seguir na área da ciência. Aos meus amigos do Grupo de estudo em pesquisa e envelhecimento humano por suas contribuições na coleta de dados, em especial à Rita Gadelha, Kalina Lima, Rafael Pereira e Edivan Gonçalves. Agradeço a CAPES pela concessão da bolsa durante todo o período de desenvolvimento desta dissertação. “Cuidado com seus pensamentos, pois eles se tornam palavras. Cuidado com suas palavras, pois elas se tornam ações. Cuidado com suas ações, pois elas se tornam hábitos. Cuidado com seus hábitos, pois eles se tornam seu caráter. E cuidado com seu caráter, pois ele se torna o seu destino! ...”. Margaret Thatcher (Meryl Streep) – A Dama de Ferro (2011). CORRELATOS VALORATIVOS DAS ATITUDES FRENTE À APOSENTADORIA RESUMO. Esta dissertação teve como objetivo principal verificar se os Valores Humanos poderiam explicar as atitudes frente à aposentadoria por meio das razões para se aposentar. Para isso, adotaram-se as técnicas da Teoria Clássica dos Testes (TCT) e da Teoria de Resposta ao Item (TRI) para adaptar e conhecer evidências de validade de duas medidas de Atitudes frente à aposentadoria, sendo uma de diferencial semântico (método Osgood) e outra de intervalos aparentemente iguais (método de Thurstone) e um questionário de Razões para se aposentar. Foi utilizado ainda o Questionário dos Valores Básicos e um questionário demográfico. Para responder aos objetivos propostos, foram realizados dois estudos. O primeiro contou com uma amostra de 200 pessoas, com mais de 50 anos de idade [média = 57,37 anos (DP = 7,51)], sendo 63% do sexo feminino, 61,3% casados(as) ou convivente com média de anos de escolaridade de 14,01 anos (DP = 9,71), sendo 65,80% aposentados. Os resultados evidenciaram uma estrutura unifatorial para as duas escalas de atitudes, sendo que a de diferencial semântico [(22 itens) (α = 0,97)] apresentou média de discriminação dos itens de 2,50 (DP = 0,85) e média de informação psicométrica de 8,41 (DP = 3,81). A escala de intervalos aparentemente iguais [(30 itens) (α = 0,87)] apresentou média de discriminação dos itens de 1,36 (DP = 0,56) e média de informação psicométrica de 1,36 (DP = 0,11). No que se refere aos correlatos, verificou-se correlação positiva das subfunções Interativa e Normativa com as atitudes frente à aposentadoria, assim como correlação positiva entre Mais tempo livre e Atitudes. A explicação dos valores interativos nas atitudes foi mediada por Mais tempo livre. O segundo estudo além de tentar replicar os correlatos encontrados, testou versões reduzidas das medidas de Atitudes. A amostra foi composta por 230 participantes, com mais de 50 anos [média = 57,56 anos (DP = 5,48)], sendo 62,3% do sexo feminino, 65,1% casados(as) ou convivente com média de anos de escolaridade de 15,5 anos (DP = 9,75) e 56,8% aposentados. A Análise Fatorial Confirmatória admitiu uma estrutura unidimensional para a escala de Atitudes de diferencial semântico [6 itens (χ2 /gl = 2,14, GFI = 0,97, AGFI = 0,94, CFI = 0,98 e RMSEA = 0,068)], não sendo observado diferenças significantes entre as pontuações de discriminação das duas versões da escala [p = 0,49; IC 99% (LI - 0,48) (LS - 0,50)]. O mesmo não foi verificado para a escala de Atitudes de intervalos aparentemente iguais (10 itens), pois a medida não apresentou evidências de adequação amostral para análise fatorial (KMO = 0,58), baixos índices de ajuste (χ2 /gl = 2,37, GFI = 0,86, AGFI = 0,81, CFI = 0,60 e RMSEA = 0,078) e índices de escalonabilidade inadequados (Hs) que variou de 0,02 a 0,11. Quanto aos correlatos, a medida de Atitude de diferencial semântico novamente apresentou correlação significante e positiva com a subfunção Existência (r = 0,15, p < 0,05) e Interativa (r = 0,15, p < 0,05), porém neste estudo não foi observado correlação significante com a variável Mais Tempo Livre e as subfunções Realização, Suprapessoal e Normativa. Por fim, confia-se que estes resultados possam subsidiar programas de preparação para aposentadoria que utilizem os Valores Humanos para melhorar as atitudes positivas frente à aposentadoria. Palavras-chave: Aposentadoria; Atitudes frente à aposentadoria; Valores Humanos; Razões para se aposentar. VALUE CORRELATES OF ATTITUDES TOWARD RETIREMENT ABSTRACT. This dissertation aimed to verify if Human Values could explain attitudes towards retirement through the reasons for retiring. Were adopted the techniques of Classical Test Theory (CTT) and Item Response Theory (IRT) to adapt and validate two measures of Attitudes towards retirement. One of them is semantic differential (Osgood method) and the other is method of equal appearing intervals (Thurstone method). Were also used a questionnaire about Reasons to retire, the Basic Values Questionnaire and a demographic questionnaire. To meet the proposed objectives, two studies were conducted. The first involved a sample of 200 people over 50 years of age [mean = 57.37 years (SD = 7.51)], 63% are female, 61.3% are married or have a partner, average years of schooling of 14.01 years (SD = 9.71) and 65.80% retired. The results showed a unifactor structure for the two scales of attitudes. The semantic differential [(22 items) (α = 0.97)] had a mean item discrimination of 2.50 (SD = 0.85) and average psychometric information of 8.41 (SD = 3.81).The scale of apparently equal intervals [(30 items) (α = 0.87 )] had a item discrimination mean of 1.36 (SD = 0.56) and a psychometric information mean of 1.36 (SD = 0 ,11). With regard to the correlateds, there was a positive correlation of the subfunctions Interactive and Normative with the attitudes toward retirement, as well as positive correlation between More free time and Attitudes. The explanation of the interactive values on attitudes was mediated by More free time. The second study, besides trying to replicate the correlates found, tested reduced versions of Attitudes measures. The sample comprises of 230 participants, over 50 years [mean = 57.56 years (SD = 5.48)], 62.3% female, 65.1% married living with a partner, with an average years of schooling of 15.52 years (SD = 9.75) and 56.80 % retired. A Confirmatory Factor Analysis admitted a one-dimensional structure for the semantic differential Attitude Scale [6 items (χ2 / df = 2.14 , GFI = 0.97, AGFI = 0.94, CFI = 0.98 and RMSEA = 0.068)]. No significant differences were observed between the scores of discrimination of the two scale versions [p = 0.49, CI 99 % (LI - 0.48) (LS - 0.50)] .The same was not observed for the equal appearing intervals Attitude Scale (10 items) intervals, because the measure did not show evidence of sampling adequacy for factor analysis (KMO = 0.58), had low levels of fit (χ2 / df = 2 , 37, GFI = 0.86 , AGFI = 0.81, CFI = 0.60 and RMSEA = 0.078) and inadequate levels of scalability (Hs) ranged from 0.02 to 0.11 . According to the correlates, the semantic differential attitude measure showed, again, a significant positive correlation with the subfunction Existence (r = 0.15, p ≤ 0.05) and Interactive (r = 0.15, p ≤ 0.05), but in this study, no significant correlation was observed between the variable More free time and the subfunctions Achievement, Suprapersonal and Normative. Finally, we trust that these results can subsidize retirement preparation programs that uses the Human Values to enhance positive attitudes toward retirement. Keywords: Retirement; Attitudes to retirement; Human Values; Reasons to retire. SUMÁRIO INTRODUÇÃO........................................................................................................ 18 CAPÍTULO 1. CONTEXTUALIZANDO O SITEMA DE SEGURIDADE SOCIAL E A APOSENTADORIA......................................................................... 1.1 Trajetória histórica da previdência social no mundo.................................. 1.1.1 História da previdência social no Brasil......................................... 23 24 25 1.2 Modalidades de aposentadorias no Brasil: aposentadoria por 28 contribuição e por idade.................................................................................... 1.3 O que é a aposentadoria: aspectos psicológicos e sociais........................... 31 1.3.1 Sentido do trabalho e a fase da aposentadoria............................... 33 1.3.2 Envelhecimento populacional e aposentadoria............................... 37 1.3.3 Aspectos psicológicos da aposentadoria: fase de passagem, 40 transformação e adaptação...................................................................... CAPÍTULO 2. ATITUDES...................................................................................... 46 2.1. Definição de Atitudes................................................................................. 47 2.2. Estrutura das Atitudes................................................................................ 49 2.3. Funções das Atitudes................................................................................. 53 2.4. Principais Teorias....................................................................................... 55 2.5. Mensuração de Atitudes............................................................................. 57 2.5.1. Medidas explícitas de atitudes....................................................... 58 2.5.2. Medidas implícitas de atitudes...................................................... 60 2.6. Atitudes frente à aposentadoria.................................................................. 62 CAPÍTULO 3. VALORES HUMANOS................................................................. 66 3.1. Modelos Culturais dos Valores.................................................................. 68 3.2. Modelos Psicológicos dos Valores............................................................ 70 3.3. Teoria Funcionalista dos Valores Humanos.............................................. 74 PARTE 2: ESTUDO EMPÍRICO........................................................................... 85 CAPÍTULO 4. MEDIDAS E CORRELATOS DAS ATITUDES........................ 86 4.1. Objetivos e hipóteses.................................................................................. 87 4.2. Método....................................................................................................... 89 4.2.1. Delineamento................................................................................. 89 4.2.2. Participantes................................................................................... 89 4.2.3. Procedimento................................................................................. 90 4.2.4. Instrumentos.................................................................................. 91 4.2.5. Análise dos dados.......................................................................... 93 4.3. Resultados.................................................................................................. 95 4.3.1. Escala de atitudes frente à aposentadoria: método Osgood.......... 95 4.3.2. Escala de atitudes frente à aposentadoria: método Thurstone...... 102 4.3.3. Questionário dos Valores Básicos................................................. 108 4.3.4. Escala de Razões para se Aposentar............................................ 115 4.3.5. Correlatos entre as medidas de Atitudes frente à aposentadoria, Valores Humanos Básicos e Razões para se aposentar.......................... 4.3.5.1. TCT x TRI: variância compartilhada entre as pontuações das medidas............................................................ 4.3.5.2 Relação das variáveis demográficas com as medidas de atitudes, valores e razões para se aposentar....................... 4.3.5.3 Testando as Hipóteses: correlato das atitudes com valores e razões para se aposentar........................................... 4.4. Discussão parcial....................................................................................... 117 CAPÍTULO 5. PARÂMETROS PSICOMÉTRICOS DAS ESCALAS REDUZIDAS E CORRELATOS VALORATIVOS............................................. 5.1. Objetivos.................................................................................................... 5.2. Método....................................................................................................... 5.2.1. Delineamento................................................................................. 5.2.2. Participantes.................................................................................. 5.2.3. Procedimento................................................................................. 5.2.4. Instrumentos e análise dos dados.................................................. 5.3. Resultados................................................................................................. 130 118 119 120 124 131 131 131 132 132 133 134 5.3.1. Escala de atitudes frente à aposentadoria: método Thurstone 134 (versão reduzida).................................................................................... 5.3.2. Escala de atitudes frente a aposentadoria: método Osgood 138 (versão reduzida)..................................................................................... 5.3.3. Parâmetros psicométricos do Questionário dos Valores 139 Básicos..................................................................................................... 5.3.4. Confirmação da estrutura da escala de Razões para se 146 Aposentar................................................................................................. 5.3.5. Confirmação dos correlatos entre as medidas de Atitudes frente à aposentadoria, Valores Humanos Básicos e Razões para se 147 aposentar.................................................................................................. 5.3.5.1 TCT x TRI: variância compartilhada entre as pontuações das medidas............................................................ 148 5.3.5.2 Relação das variáveis demográficas com as medidas de atitudes, valores e razões para se aposentar........................ 5.3.5.3 Confirmando as Hipóteses: correlato das atitudes com valores e razões para se aposentar.................................... CAPÍTULO 6. DISCUSSÃO FINAL...................................................................... 6.1. Limitações potenciais do estudo................................................................ 6.2. Resultados principais................................................................................. 6.2.1 Discussão das medidas e dos parâmetros psicométricos............... 6.2.2 Discussão dos correlatos entre as medidas.................................... 6.3. Direções futuras................................................................................ 6.4. Considerações finais.................................................................................. 148 150 152 153 154 155 158 160 162 REFERÊNCIAS........................................................................................................ Anexo 1 - Escala de Atitudes frente à Aposentadoria: método Thurstone............... Anexo 2 - Escala de Atitudes frente à Aposentadoria: método Osgood................... Anexo 3 – Questionário dos Valores Básicos............................................................ Anexo 4 – Escala de Razões para se Aposentar......................................................... Anexo 5 - Escala de Atitudes frente à Aposentadoria: método Thurstone (versão reduzida)..................................................................................................................... Anexo 6 - Escala de Atitudes frente à Aposentadoria: método Osgood (versão reduzida)..................................................................................................................... Anexo 7 – Questionário de Informações Demográficas............................................ 163 184 186 187 188 189 190 191 Anexo 8 – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido......................................... 192 Anexo 9 - Curvas Característica do Item e Curvas de Informação............................ 193 Anexo 10 – Aceitação do Comitê de Ética em Pesquisa........................................... 209 LISTA DE TABELAS Tabela 1. Descrição das quatro dimensões de Hofstede (1984)............................... 67 Tabela 2. Tipos motivacionais de Schwartz (1994, 2006) e respectivas dimensões.................................................................................................................. 71 Tabela 3. Funções, subfunções e valores específicos (Gouveia, 2012).................... 78 Tabela 4. Subfunções valorativas, seus tipos de motivador e orientação, e os marcadores valorativos selecionados........................................................................ 81 Tabela 5. Estrutura fatorial da Escala de Atitudes Frente à aposentadoria (método Osgood).................................................................................................................... 96 Tabela 6. Descrição dos parâmetros dos itens para a escala de diferencial semântico de atitudes (Método Osgood).................................................................. 98 Tabela 7. Descrição da informação psicométrica dos itens da escala de Atitudes (método Osgood)....................................................................................................... 100 Tabela 8. Estrutura fatorial da Escala de atitudes frente à aposentadoria de intervalos aparentemente iguais (método Thurstone)............................................... 103 Tabela 9. Descrição dos parâmetros e da informação dos itens para a escala de Atitudes (método Thurstone).................................................................................... 105 Tabela 10. Indicadores de Ajuste dos Modelos do Questionário dos Valores Básicos....................................................................................................................... 108 Tabela 11. Subfunções, valores, estimativas e razão crítica..................................... 109 Tabela 12. Descrição dos parâmetros dos itens para a escala de Valores................ 111 Tabela 13. Descrição da informação psicométrica dos itens para o questionário de Valores Humanos...................................................................................................... 113 Tabela 14. Estrutura fatorial da Escala de razões para se aposentar......................... 116 Tabela 15. Matriz de correlação das pontuações da TCT X TRI.............................. 117 Tabela 16. Correlatos demográficos das atitudes, valores e razões para se aposentar.................................................................................................................... 118 Tabela 17. Matriz de correlação entre atitude, Valores e Razões para se aposentar.................................................................................................................... 120 Tabela 18. Ajuste do modelo explicativo das atitudes frente à aposentadoria......... 122 Tabela 19. Indicadores de ajuste da escala de atitudes frente a aposentadoria, 133 versão reduzida (Método Osgood)........................................................................... Tabela 20. Estimativas e razão crítica da escala reduzida de atitudes frente a aposentadoria (método Osgood)............................................................................... 134 Tabela 21. Descrição dos limiares de resposta e da discriminação dos itens da escala de atitudes, versão reduzida (métoto Osgood)............................................... 135 Tabela 22. Descrição da informação psicométrica dos itens da escala de Atitudes, versão reduzida (método Osgood)........................................................................... 136 Tabela 23. Indicadores de Ajuste dos Modelos da escala de Atitudes frente à aposentadoria, versão reduzida (método Thurstone)................................................ 138 Tabela 24. Indicadores de Ajuste dos Modelos do Questionário dos Valores Básicos (2º estudo)................................................................................................... 139 Tabela 25. Estimativas e razão crítica do Questionário de Valores Humanos Básicos (2º estudo)................................................................................................... 140 Tabela 26. Descrição dos parâmetros dos itens para a escala de Valores Humanos (2º estudo)................................................................................................................ 142 Tabela 27. Descrição da informação psicométrica dos itens do questionário de Valores Humanos (2º estudo).................................................................................... 144 Tabela 28. Índices de ajuste da medida de Razões para se aposentar...................... Tabela 29. Estimativas e Razão Crítica dos itens da medida de Razões para se aposentar................................................................................................................... Tabela 30. Matriz de correlação das pontuações pela TCT X TRI (2º estudo)........ 145 146 147 Tabela 30. Correlatos demográficos das atitudes, valores e razões para se aposentar.................................................................................................................... 148 Tabela 32. Matriz de correlação entre atitude, Valores e Razões para se aposentar (2º estudo)................................................................................................................ 149 LISTA DE FIGURAS Figura 1. Modelo estrutural dos valores humanos (adaptado de Bilsky, 2009, p. 17)............................................................................................................................. 72 Figura 2. Congruência das subfunções dos valores básicos.................................... 82 Figura 3. Gráfico dos valores próprios da escala de atitudes (método Osgood)..... 95 Figura 4. Curva característica dos itens 12 e 22 da escala de Atitude (método Osgood).................................................................................................................... 99 Figura 5. Curva de Informação dos itens 22 e 15 da escala de Atitudes (método Osgood).................................................................................................................... 101 Figura 6. Gráfico dos valores próprios da escala de Atitudes (método Thurstone) 102 Figura 7. Curvas Característica e de Informação dos itens 10 e 23 da escala de atitudes (método Thurstone)..................................................................................... 107 Figura 8. Curva característica dos itens de Conhecimento e Emoção..................... 102 Figura 9. Curvas Característica e de Informação dos itens de Conhecimento e Emoção..................................................................................................................... 114 Figura 10. Gráfico dos valores próprios da escala de razões para se aposentar...... 115 Figura 11. Estrutura do modelo explicativo da atitude frente à aposentadoria....... 123 Figura 12. CCI dos itens 4 e 5, de versão reduzida da escala de atitudes (método Osgood).................................................................................................................... 136 Figura 13. Curva de informação dos itens 4 e 5 da versão reduzida da escala de atitudes (método de Osgood).................................................................................... 137 Figura 14. CCIs dos itens de Obediência e Emoção (2º estudo)............................. 143 Figura 15. Curvas de informação dos itens de Obediência e Emoção (2º estudo).. 145 INTRODUÇÃO 18 No período de 2000 a 2008, segundo dados do Sistema de Seguridade Social (INSS, 2011), o número de benefícios concedidos pela Previdência Social Brasileira cresceu em mais de 40%. Em dezembro de 2012 o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) divulgou que existiam 17 milhões de aposentadorias, sendo que apenas neste ano foram emitidas aproximadamente cinco milhões de aposentadorias (Brumano, 2013). Esse indicador é explicado, em grande medida, pelo aumento da espectativa de vida associado à redução da taxa de fecundidade, fenômeno conhecido por transição demográfica. Essa transformação demográfica impõe a necessidade de entender o momento de chegada da aposentadoria, os valores e os hábitos de vida relacionados a este período. Para o trabalhador a aposentadoria pode ser sentida como perda de um ponto de referência na organização da vida. Isso porque o trabalho determina horários, atividades, relacionamentos, reconhecimento social, padrão de vida, etc. No entanto, a percepção da aposentadoria apresenta uma ambivalência, pois se pode ser apreendida como um período de decadência e dificuldades econômicas, também pode ser sentida como uma conquista, oportunizando atividades, antes escassamente contempladas, como: maior dedicação à família, busca por Hobby, realização de atividades de lazer e trabalhos voluntários (Tavares, 2007). Neste sentido, a aposentadoria representaria um período de instabilidade onde não existiria mais um modelo de conduta, que foi construído ao longo da vida. Esta etapa pode ser vivenciada tanto como um momento de ameaças que comprometem o bem estar das pessoas (Bulla & Kaefer, 2003; Veiga, 2007) como o ganho de tempo livre, um período de mais liberdade, onde será possível se ocupar com atividades que gerem satisfação e prazer (Amarilho & Carlos, 2005). 19 Considerando essa dicotomia de representações e sentimentos e que esse momento pode vir acompanhado por alterações na condição de saúde do idoso, salientase que o fenômeno da aposentadoria requer permanentes pesquisas visando a qualidade das aposentadorias e o bem-estar psicossocial dos ex-trabalhadores (Alvarenga, Kiyan, Bitencourt, & Wanderley, 2009). Frente a este momento, destaca-se a importância de se pensar em medidas que amparem os trabalhadores de elaboração de fatores de proteção e no desenvolvimento de medidas que possam favorecer o ajustamento à aposentadoria. Isso pode trazer algumas consequências benéficas para os aposentados, como evitar o adoecimento físico e psicológico, evitar dificuldades no relacionamento conjugal e familiar, crise de identidade decorrente do afastamento do trabalho, angustias e incertezas devido às mudanças, ociosidade e sentimentos de inutilidade e solidão (França, 2010). Incialmente, parece importante considerar que a ambivalência de atitudes frente à aposentadoria está ligada à histária de vida do trabalhador, suas relações com a sociedade, sobretudo com o papel profissional, seu modo de enfrentar perdas e adaptarse às novas situações, demonstrando um processo subjetivo de notável relevância para os valores humanos (Rodrigues, Ayabe, Lunardelli, & Canêo, 2005). Nessa trajetoria está a escolha pela temática da presente dissertação, que mais do que descrever acerca das atitudes frente à aposentadoria, pretendeu aprofundar questões referentes a essa fase. Mais especificamente, considerando que os valores humanos têm demonstrado eficácia na explicação da ação humana, sendo relacionados a um conjunto de comportamentos e atitudes (Gouveia, 2013; Rokeach, 1973), este estudo pretendeu contribuir para entender como os valores poderiam explicar as atitudes frente à aposentadoria. Para isso, inicialmente foram adaptadas duas medidas de atitudes frente á 20 aposentadoria e uma de razões para se aposentar, e depois foi verificado se os valores humanos poderiam explicar as atitudes frente à aposentadoria por meio de variáveis situacionais como as razões para se aposentar. Estruturalmente, além desta introdução, esta dissertação é composta por seis capítulos divididos em duas partes principais. A Parte I (Marco Teórico) se compõe de três capítulos. Capítulo 1. Contextualizou-se o Sistema da Seguridade Social e a aposentadoria, procurando aprofundar os conhecimentos acerca da trajetória histórica do Sistema de Seguridade Social, definindo a aposentadoria enquanto seus aspectos psicológicos e sociais e suas ambivalências de significado e percepções. Por sua vez, o Capitulo 2 apresenta as proposições a respeito das atitudes, entendendo que estas se caracterizam como a avaliação de um objeto psicossocial que apresenta dimensionalidade opostas. Além disso, são apresentadas sua estrutura, suas principais funções e teorias, assim como as formas de mensurá-las. Finalmente, o Capítulo 3 descreve os Valores Humanos, enfatizando seu poder preditivo das ações humanas, trazendo ainda, às principais teorias e, por fim, destacando a Teoria Funcionalista dos Valores Humanos, que embasará este estudo. A Parte II traz os dois estudos empíricos e a discussão geral que formam esta dissertação. Esta parte compreende a pesquisa empírica propriamente dita, visando testar as hipóteses elaboradas com base nos aspectos teóricos apresentados nos capítulos anteriores e as discussões e considerações finais dos resultados encontrados. Assim, o Capítulo 4 apresenta o processo de adaptação e as evidências de validade e precisão das medidas e, posteriormente, os correlatos entre Valores Humanos, Razões para se aposentar e Atitudes frente à aposentadoria. O Capítulo 5 apresenta as análises confirmatórias das medidas e os correlatos encontrados no capítulo anterior. Finalmente, no Capítulo 6 é feita a discussão geral dos achados, além de delineadas as potenciais 21 limitações da pesquisa, as perspectivas de estudos futuros e as contribuições deste estudo para a elaboração de programas de preparação para a aposentadoria. 22 CAPÍTULO 1. CONTEXTUALIZANDO O SITEMA DE SEGURIDADE SOCIAL E A APOSENTADORIA 23 Inicialmente, buscou-se descrever a trajetória histórica que levou a edificação do que se conhece por seguridade social no mundo e no Brasil. Entende-se que o conhecimento dessas bases históricas propicia compreender sua importância, seu conceito e seus objetivos. Posteriormente, é apresentada a aposentadoria enquanto fenômeno psicossocial, que apresenta ambivalência de sentidos, afetos e percepções e, portanto, proporcionando atitudes diferentes em função de variáveis situacionais e psicológicas. 1.1. Trajetória histórica da previdência social no mundo Ao descrever a história do que hoje se conhece por seguridade social é imperativo que se remeta à Alemanha de Otto Von Bismarck, o Chanceler de Ferro. Pois, em 17 de novembro de 1881 se estabelece o que é conhecido como a primeira norma protetiva dirigida aos trabalhadores acometidos por desordens como: doenças, velhice, invalidez e acidentes que causassem afastamento das atividades laborais (Simões, 2009). Neste sentido, Andreucci (2010) considera que esse regulamento foi a primeira iniciativa organizada e sistematizada de proteção social que o estado obrigatoriamente concedeu, embora estivesse dirigida a grupos específicos de trabalhadores de empresas públicas. De qualquer forma, essa medida teve forte influência na Europa, pois ela deu origem aos modelos de previdência social vigentes em grande parte do mundo contemporâneo, entre eles o Brasil. No continente Americano, outro importante fato para o fortalecimento das medidas de seguridade foi a Grande Depressão de 1929, ocorrida nos Estados Unidos da América (EUA) em razão da quebra da Bolsa de Valores. Com o passar do tempo, a crise se intensificou e é nesse contexto que se tem a eleição do presidente Franklin Delano Roosevelt, que desenvolveu uma série de medidas visando a estabilidade e 24 segurança social dos trabalhadores. Entre elas, destaca-se o Social Security Act, programa de seguro social destinado ao pagamento de aposentadorias a trabalhadores com 65 anos ou mais e um auxilio desemprego. Ainda nos EUA, em 1941, Lorde Willian Beveridge institui um plano denominado de “Do Berço ao Túmulo” (Social Security from the cradle to the grave), que unificava os seguros sociais vigentes da época e visava a universalidade da proteção social para todos os cidadãos (Carmel & Papadopoulos, 2003). No final da Segunda Guerra Mundial (1939-1940), diante da necessidade de reconstrução do mundo e da forma como se percebe o ser humano, cria-se a Organização das Nações Unidas (ONU), objetivando estabelecer paz, respeito e vínculos de solidariedade entre os homens, sendo estes os princípios para se garantir a seguridade social e galgar justiça e bem estar social. Para operacionalizar essas intenções, a ONU aprova a resolução nº 217 da Assembléia Geral da ONU, Declaração Universal dos Direitos Humanos, afirmando a preocupação com o homem como função principal da instituição. Em seu art. 85 se verifica a finalidade de proteção integral ao ser humano (ONU, 2013): Artigo 85. Todo o homem tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si mesmo e a sua família saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços indispensáveis, o direito à segurança social no caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez e velhice, ou outros casos de perda dos meios de subsistência em circunstância fora de seu controle. É preciso destacar também a criação, em 1952, da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Designando a convenção n. 102 intitulada de Norma Mínima de Seguridade Social, assegurando o princípio da Universalidade e prescrevendo a efetivação de uma proteção mínima a todos os membros da sociedade (Bismarck, 2010). 1.1.1. História da previdência social no Brasil 25 Kunzler (2009) relata que a primeira medida de proteção social no Brasil se deu em 26 de março de 1888, por meio do decreto 9.912-A, que atribuiu aos funcionários dos correios o direito à aposentadoria, estabelecendo em 30 anos o tempo de serviço e em 60 anos a idade mínima para se aposentar. Após isso, começaram a surgir algumas outras formas de seguridade, porém ainda de grupos específicos. No Rio de Janeiro, trabalhadores das linhas férreas começaram a adquirir direito à aposentadoria, advindas principalmente do número de acidentes no trabalho. Outros grupos, como os da Imprensa Nacional, Empregados do Ministério da Fazenda e operários do Arsenal da Marinha do Rio de Janeiro começaram a criar fundos de pensão, com o fim de assegurar pensões aos seus ex-trabalhadores e/ou familiares. Em 1923 com o Decreto-Lei 4.682, de 24 de janeiro, conhecido como Lei Eloy Chaves, inaugura-se o Sistema Previdenciário Brasileiro. Essa lei deixava sob responsabilidade de cada empresa a criação de Caixas de Aposentadorias e Pensões que teriam como destinação beneficiar os trabalhadores e seus familiares, por meio da garantia de alguns seguros. A crescente adesão dos profissionais a estes institutos fez com que o estado buscasse assumir uma postura mais ativa na gestão, administração e controle dos sistemas, levando-o a criação do Ministério do Trabalho, Indústria e Comercio, na década de 1930 (Bismarck, 2010). Com essas Caixas de aposentadorias independentes a taxa de contribuição variava em função de cada empresa responsável, sendo assim para unificar as contribuições dos funcionários foi promulgada em 26 de agosto de 1960 a “Lei Orgânica da Previdência Social” (LOPS). Seis anos depois, em 21 de novembro de 1966, foi criado o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), órgão responsável por unificar os seis Institutos de Aposentadorias e Pensões existentes na época. Em 1970, outras categorias profissionais começam a se organizar e passam a exigir a 26 inclusão no INPS, entre elas estavam: Trabalhadores rurais e empregadas domésticas (1972) e trabalhadores autônomos (1973) (Médici, 1997). O crescente aumento do número de categorias profissionais reivindicando sua inserção no INPS parece aumentar a importância desse setor na seguridade social. Essa realidade fez com que em 1974 houvesse o desmembramento do Ministério do Trabalho e Previdência Social, em Ministério do Trabalho e outro intitulado de Ministério da Previdência e Assistência Social (MPAS), o qual tinha como objetivo elaborar executar as políticas de previdência, assistência médica e social da população Kunzler (2009). Em 1977 o governo cria o Sistema Nacional de Previdência e Assistência Social (SINPAS), recomendando a divisão das funções dos aparelhos em órgãos individuais determinados. Assim, foram criados alguns institutos como, por exemplo: o Instituto Nacional de Assistência Médica e Previdência Social (INAMPS), que tinha como objetivo prestar assistência médica a trabalhadores urbanos e rurais; o Instituto de Administração Financeira da Previdência Social (IAPAS) que tinha como função conduzir a gestão administrativa, financeira e patrimonial do sistema; a Legião Brasileira de Assistência (LBA) tinha o papel de direcionar a assistência social às populações carentes. Com a criação do Programa de Desenvolvimento de Sistemas Unificados e Descentralizados de Saúde dos Estados (SUDS) as atividades do INAMPS passam a ser descentralizadas, com cada estado da Federação planejando o seu sistema de saúde (Médici, 1997). Em 1988 com a nova Constituição Federal, a Seguridade Social passa a ser caracterizada como “um conjunto integrado de ações de iniciativas dos poderes públicos e da sociedade, destinadas a assegurar o direito relativo à Saúde, à Previdência e à Assistência Social” (pp. 67). Os avanços e responsabilidades obtidos com a nova constituição, tais como: universalização, equivalência de benefícios urbanos e rurais, 27 que estabeleceram a Seguridade Social como um acordo coletivo, sinônimo de cidadania, fez majorar as dificuldades no seu padrão de gerenciamento e financiamento, levando-o a mergulhar, atualmente, em uma ampla crise previdenciária (Kunzler, 2009). Na constituição Federal de 1988 no artigo 194 esta a definição do que se entende por seguridade social: “A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos poderes públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e a assistência social” (pp. 93). Esta definição demonstra a concepção de que a seguridade social deve buscar pela justiça e paz social, com a redução das desigualdades, promoção da dignidade da pessoa humana e proteção do homem frente as demandas do homem e da sociedade (Andreucci, 2010). Em 1991 por meio da Lei 8.212 e 8.213, instituiu-se a intenção de direcionar mais atenção ao homem do campo, sendo incluído o pagamento dos benefícios a todos os trabalhadores rurais e a redução em cinco anos para suas aposentadorias, essa medida se estendeu a todos os homens e mulheres do campo sem exceção (Brasil, 1988). Entre as mudanças que aconteceram mais recentemente, esta a reforma da previdência Social que estipulou que a idade mínima para se aposentar é de 65 anos para homens e 60 anos para as mulheres. Na década de 2000, uma mudança importante ocorrida foi a revisão dos valores recebidos na aposentadoria, que estabeleceu novo teto para os benefícios, limitando-os e os adaptando para fundos complementares (Brasil, 2003, Emenda Constitucional 41). 1.2. Modalidades de aposentadorias no Brasil: aposentadoria por contribuição e por idade. O ordenamento jurídico prevê que as aposentadorias podem ser impetradas por motivos de invalidez, especial, idade e tempo de contribuição. Para essa dissertação, 28 especificamente, serão tratadas as que se regularizam por tempo de serviço e por idade. Pois, entende-se, que para explicar as atitudes frente à aposentadoria dos motivos de invalidez e especial seria necessário considerar algumas variáveis específicas a este grupo. A aposentadoria por tempo de serviço e por idade foi estabelecida no Brasil com a lei Eloi Chaves, decreto n. 4.682 de 24 de novembro de 1923, nessa época utilizava-se a terminologia aposentadoria ordinária para ambas as formas de aposentadoria. Foi com a Lei Orgânica da Previdência Social (LOPS) Lei n. 3.807/1960 que o termo aposentadoria por tempo de serviço passou a ser utilizada. Porém, mesmo o trabalhador apresentando o tempo mínimo de serviço estipulado, a saber de 35 anos, era necessário que tivessem mais que 55 anos de idade. Esse requisito, de idade mínima foi eliminada em 1962 (Leite, 1994; Andreucci, 2010). Em 1967 com a constitucionalização, efetivou-se a necessidade de tempo de serviço entre homens e mulheres, sendo declarado que: Art. 158 – A constituição assegura aos trabalhadores os seguintes direitos, além de outros que nos termos da lei, visem à melhoria, de sua condição social: (...) XX – aposentadoria para a mulher, aos trinta anos de trabalho, com salário integral; A constituição de 1988 prevê a aposentadoria por tempo de contribuição no artigo 201, parágrafo 7º, inciso 1. Porém, como salienta Leite (1994) essa modalidade de aposentadoria parece ser uma peculiaridade brasileira. Na maioria dos outros países ela não existe, havendo apenas na Itália, que pode ser conferida aos 35 anos de contribuição, porém sem direito de continuar ou de voltar ao trabalho; no Kuwait e no Líbano, onde 20 anos de contribuição são suficientes, nestes países também é obrigatório o afastamento do trabalho. 29 Esse estilo tipo de aposentadoria pode ser integral, quando o trabalhador homem possui pelo menos 35 anos de contribuição e a mulher possui no mínimo 30 anos de tributo. O outro tipo de aposentadoria integral é a proporcional, esta como o próprio nome já sugere, o calculo do bônus a ser recebido varia em função do tempo trabalhado, não podendo ocorrer antes dos 53 anos para o homem e dos 48 anos para a mulher (Previdência Social, 2013). Em 2012, das 17 milhões de aposentadorias virgentes no Brasil sob a responsabilidade do INSS, 29% eram por tempo de contribuição (Brumano, 2013). Já para a aposentadoria por idade, a Lei Eloi Chaves 1923, em seu artigo 12, estabelecia que o trabalhador precisava ter um mínimo de 60 anos e ter trabalhado pelo menos 30 anos. Sendo que, a diferenciação no tempo de serviço necessário para a aposentadoria entre os sexos só veio no ano de 1960 com a Lei Orgânica Social (LOPS). A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 201, inciso I descrevia que a previdência iria cobrir os episódios derivados da velhice. Porém, com a emenda n. 20, foi substituído o termo velhice por idade avançada, pois se entendeu que a palavra velhice estava carregada de uma conotação negativa (Leite, 1996), segue o art. 201, inciso I: Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observado os critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos a lei a: I – cobertura dos eventos de doença, invalidez, morte e idade avançada. Existem três espécies de aposentadoria por idade, uma que assegura os trabalhadores urbanos, outra para assegurados rurais e um terceiro tipo designada de aposentadoria compulsória. Segundo o artigo 51 da Lei 8231/91 a aposentadoria compulsória por idade pode ser solicitada pela empresa se o segurado empregado tiver 30 completado 70 (setenta) anos de idade se do sexo masculino ou 65 (sessenta e cinco) anos se do sexo feminino. Considerando o que foi apresentado, espera-se que tenha ficado visível a função a ser desempenhada pela seguridade social e consequentemente pela previdência social, que por meio de funções determinadas e políticas públicas, objetivam promover a proteção do sujeito, assegurando o bem estar e a justiça social. O próximo tópico do capitulo trará um enfoque mais psicológico e social da aposentadoria, caracterizando e evidenciando seus efeitos no comportamento, emoções e percepção das pessoas que estão perto ou que já são aposentadas. 1.3. O que é a aposentadoria: aspectos psicológicos e sociais. Temas e estudos relacionados à aposentadoria vêm demandando discussões nos diversos ambitos sociais. Não apenas devido ao aumento da parcela etária da população que mais participa da aposentadoria, os idosos, mas também devido a uma série de consequências que a aposentadoria traz para o aposentado, para a sociedade e para a economia (Carvalho & Garcia 2003; IBGE, 2000). É importante perceber que o trabalhador antes socializado e transformado por rituais que constituíram em grande medida sua identidade e lhe atribuía valor e posição social, passa muitas vezes de maneira abrupta pelo rompimento do cotidiano construído durante a maior parte de sua vida (Dumazedier, 1979). Para Zanelli, Silva e Soares (2010) a aposentadoria possui como sinônimo “por a parte”, “de lado”, “recolher-se aos aposentos” ou considerando a expressão para a aposentadoria em inglês to retire, retirar-se, descansar. Estes sinônimos podem representar a aposentadoria como um momento de descanso, mas a depender do contexto podem ser associadas à ociosidade e perda de utilidade. Uma desvalorização 31 dessa etapa da vida, depois de anos de trabalhos, pode fazer com que ela seja vivenciada com um vazio existencial e perda da percepção do sentido da vida (Rodrigues, Ayabe, Lunardelli, & Canêo, 2005). Denton e Spencer (2009) argumentam que a heterogeneidade de representações e significados da aposentadoria, dificulta o entendimento do que é a aposentadoria em um sentido psicossociológico, principalmente porque ela se transforma ao longo do tempo. Outras autoras como França (2010) corroboram estas idéias, enfatizando que a aposentadoria é um fenômeno multidimensional que apresenta aspectos ambivalentes, pois pode ser concomitantemente entendida como conquista de tempo livre se observada na perspectiva da família e do lazer, mas pode ser percebida como momento de marginalização social sob a ótica do trabalho. De fato, alguns estudos mostram que parte das pessoas que se aposentam representam a aposentadoria como um prêmio e um momento de justo descanso resultado de um ciclo de trabalho produtivo e oportunidade de realização de novos projetos, porém outra parcela de pessoas considera a aposentadoria como um momento de improdutividade e condição social de inatividade e isolamento social (Graef, 2002; Amarilho & Carlos 2005). Em um contexto onde existe supervalorização da produtividade, da juventude e do poder de compras, a aposentadoria pode trazer um sentimento análogo ao de estar desempregado ou mesmo ao de perder o contato com o mundo do trabalho por qualquer outro motivo, causando perda do orgulho e sensação de inutilidade (Oliveira, Torres, & Albuquerque, 2009). A percepção de exclusão vem por não estar gerando mais força de trabalho (Souza, Matias, & Brêtas 2010) podendo deixar os aposentados, que são em grande maioria idosos, em uma situação de desequilíbrio pessoal, familiar e social (Zanelli, Silva, & Soares, 2010), por esse motivo e pela redução dos vencimentos do trabalhador muitos retornam ao trabalho. 32 Provavelmente, as diferentes atitudes frente á aposentadoria estão ligadas á história de vida dos trabalhadores, as suas relações com a sociedade e com seu trabalho, sobretudo com o papel profissional e com o sentido que este trabalho possui e seu modo de enfrentar perdas e de se adaptar ás novas situações determinadas pelo envelhecimento (Rodrigues, Ayabe, Lunardelli, & Canêo, 2005). Sendo assim, os próximos tópicos trazem algumas considerações referentes ao trabalho e a sua importância na vida dos trabalhadores, posteriormente descreve algumas características do grupo etário no qual o momento da aposentadoria mais incide, seja por tempo de serviço e/ou por idade e por fim, evidencia a aposentadoria como uma fase de passagem, transformação e adaptação. 1.3.1. Sentido do trabalho e a fase da aposentadoria As pesquisas e discussões sobre o trabalho evidenciam uma ampla rede de sentidos e significados que o tema trabalho suscita (Zanelli, Silva, & Soares, 2010). Para Aranha (1997), o trabalho é essencial para o processo de socialização humana e é entendido como uma criação humana, como uma mercadoria cujos valores e significados variam entre culturas e períodos históricos. O homem se relaciona com a natureza por meio do trabalho, ao passo que vai intervindo, controlando e modificando a natureza também vai se transformando, se construindo e se diferenciando, satisfazendo e desenvolvendo necessidades, se tornando cada vez mais complexo (Marx, 1996). Para este tópico da dissertação, o objetivo é discutir a visão do trabalho como algo essencial na vida do homem, articulando com as implicações que a aposentadoria pode causar na vida deles, não tendo como desígnio a descrição e discussão das múltiplas imputações de significados e conceitos vigentes sobre o tema. 33 Ao longo do tempo o trabalho parece ter adquirido diferentes representações, algumas vezes assumindo uma visão mais negativa, outras vezes positiva e atualmente parece existir uma permutação entre estas duas. Ribeiro e Leda (2004) contam que na Grécia Antiga os cidadãos livres não queriam trabalhar, sendo atribuído aos escravos esse papel, os gregos livres se dedicavam ao lazer, conhecimento, arte e a guerra. Com o fortalecimento das tradições cristãs, o trabalho foi assumindo cada vez mais um sentido negativo e como atividade inerente a necessidade humana, pois por meio dele o homem seria punido por suas transgressões. Esta perspectiva começaria a mudar com o surgimento do renascimento e o resultante questionamento dos dogmas de alguns princípios difundidos pela igreja católica. O trabalho gradativamente começava a ser entendido como forma de construção da identidade, meio pelo qual o homem estabelece sua posição na sociedade (Vaz, 2011). De forma geral, as autoras Ribeiro e Leda (2004) discutem duas perspectivas sobre o trabalho, uma negativa que considera o trabalho como um castigo, uma punição e/ou um fardo que precisa ser carregado ou cumprido e uma perspectiva positiva que percebe o trabalho como um espaço de criação, realização pessoal e marca identitária. Ainda segundo Ribeiro e Leda (2004), as discussões sobre trabalho precisão estar vinculadas ao contexto histórico, pois além da subjetividade que envolve este processo, o trabalhador esta inserido em um contexto político, econômico e cultural, que altera a forma como eles percebem e dão sentido ao próprio trabalho. As autoras relatam que durante a época de produção artesanal, onde o trabalhador tinha conhecimento de todo processo produtivo e criativo, ocorreu o apogeu da visão positiva do trabalho, pois o resultado do trabalho trazia consigo a identidade do artesão. Com a revolução industrial o trabalhador perde o conhecimento e controle sobre o que esta sendo produzido, o produto não possui mais a identidade do trabalhador. O que antes era essencialmente 34 criativo, autônomo, com valorização na criação e não necessariamente na quantidade da produção, passa a ser caracterizado pela repetição, com os tempos sendo mensurados e “controlados”. Independente de como é percebido, o trabalho resulta em uma atividade transformadora da realidade. Muitos autores enfatizam o trabalho como elemento que possibilita, e ao mesmo tempo representa, a relação do homem com o meio social e/ou natural. Na perspectiva Marxista, o trabalho pode ser compreendido genericamente com uma atividade pela qual o homem transforma a natureza para satisfazer suas necessidades (Marx, 1996). Codo (1995) ratifica este ponto quando coloca que o trabalho implica em uma transformação mútua entre homem e natureza, resultando na significação do meio onde o homem esta inserido. Neste sentido, o trabalho adquiri uma função bem maior do que a de prover os recursos necessários para a sobrevivência. Ele é um elemento essencial na configuração da identidade humana, pois é nele que o homem pode expressar sua capacidade de planejar, de criar, de revelar-se para o mundo. Isso parece acontecer mesmo quando o trabalho tem pouca possibilidade de criação e de decisão (Codo & Sampaio, 1995). As discussões sobre a importância do trabalho para o homem é longa e parece ainda não existir um consenso entre os pesquisadores sobre seu papel. Antunes (1995) e Harvey (2000) ratificam a relevância do trabalho para o homem e para a sociedade, ainda que o entendimento e sentido que este trabalhador possui precisem ser redimensionados. Neste sentido, devido à valorização que o trabalho possui, a aposentadoria pode comprometer a qualidade de vida e o envelhecimento das pessoas, especialmente quando o aposentado não possui recursos individuais, sociais e econômicos que possibilitem o engajamento em outras atividades (Souza, Matias, & Brêtas 2010). Autores como Khoury, Ferreira, Souza, Matos, e Barbagelata-Góes (2010) relatam que 35 é necessário que a pessoa se sinta produtiva mesmo depois da aposentadoria, para isso enfatizam a importância do trabalho, mesmo durante a fase onde o processo de envelhecimento se intensifica, pois isso o ampararia na manutenção de sua identidade. O trabalhador que foi preparado, exigido social e economicamente para cumprir suas funções laborais e que seguiu uma vida repleta de atividades que assumiram rituais, se vê durante a aposentadoria na necessidade de resignificar uma serie de hábitos que foram construídos ao longo de muitos anos. Sendo preciso redescobrir o cotidiano, buscar modos de conduta que rompam com o isolamento, tentando se sentir útil, por meio de novas ocupações que mantenham o corpo e a mente ativos (Dumazedier, 1979). É possível resignificar algumas representações negativas derivadas desse período. Bitencourt, Gallon, Batista e Piccinini (2011), em pesquisa realizada no Rio Grande do Sul com funcionários de uma empresa pública, relataram que durante um programa de preparação para a aposentadoria, que objetivava o enfrentamento ao que o fim da rotina ligada ao trabalho significava, os trabalhadores apresentaram reações positivas frente à aposentadoria, descrevendo que estes se sentiam preparados para enfrentar a nova fase da vida. Os autores ainda acrescentam que a aposentadoria traz bastantes expectativas e ansiedades devido ao fim do trabalho, mas que uma preparação pode reduzir estes sentimentos e ajuda a vislumbrar a possibilidade de que os grupos sociais provenientes do trabalho podem ser substituído por outros como os formados em atividades de artesanato, trabalho voluntário ou esportes. A aposentadoria ainda pode trazer outros sentimentos além dos já mencionados. Moreira (2011) verificou que para algumas pessoas a aposentadoria tem um significado de velhice, ou seja, assumiria um caráter de ritual de passagem onde marcaria a passagem da vida adulta para a velhice. Gontarski e Rasia (2012) ratificam estes resultados, pois consideram que a formação do significado do que é velhice perpassa 36 pela percepção do próprio significado da aposentadoria. A seguir, discute-se algumas características desse grupo etário que representa a maioria da população aposentada e que apresenta algumas especificidades nas áreas sociais, psicológicas e fisiológicas. 1.3.2. Envelhecimento populacional e aposentadoria A relação cronológica entre aposentadoria e envelhecimento é destacada pelos dados do IBGE (2000). No Brasil, a pessoa é considerada idosa a partir dos 60 anos de idade, principal período de ocorrência de concessão das aposentadorias. Em ambas as condições, potencializam-se as fases de mudança, percepção de envelhecimento e surgimento ou agravamento de doenças. O envelhecimento do trabalhador resulta, quase sempre, na saída do trabalho e na entrada da aposentadoria. Os dados censitários divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE indica que o processo demográfico de envelhecimento populacional irá se intensificar nos próximos anos, sugerindo significativos aumentos da população brasileira com 60 anos ou mais de idade. Em 1991 existia no Brasil um contingente de 10,9 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, representando em termos percentuais 7,49% da população brasileira. O Censo Demográfico de 2000 revelou que a população idosa do país já ultrapassava a casa dos 14,5 milhões de pessoas e que em 2010 o patamar de 20,6 milhões, representando 10,79% do total da população do país (IBGE, 2011). Essa tendência da população, embora verificada com maior ênfase em duas regiões - Sul e Sudeste, passou a ser observada também no Nordeste, com o Estado da Paraíba, em 1991, registrando o maior percentual de idosos dentre as 27 unidades da Federação, cerca de 9,12%. Já nos dados do Censo Demográfico de 2000, constatou-se que a Paraíba não ocupava mais o primeiro lugar no ranking nacional, porém ainda 37 colocava-se em posição de destaque. Era o terceiro estado da Federação, com um percentual de 10,02% de pessoas na faixa etária de 60 anos ou mais de idade, sendo superado apenas pelos Estados do Rio de Janeiro (10,70%) e Rio Grande do Sul (10,46%). No senso de 2010, verificou-se que na Paraíba viviam 451.385 pessoas idosas, correspondendo a 11, 98% do total da população do Estado, o que manteve o Estado da Paraíba na terceira posição no ranking nacional, apresentando o Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro os percentuais de 13,65% e 13,01%, respectivamente (IBGE, 2000, 2011). Os registros de elevados percentuais de população idosa na Paraíba parecem estar associados a três fenômenos, a intensidade da queda na taxa fecundidade e o processo migratório, sendo este ultimo bastante peculiar a sua população jovem ocorrido e a taxa de migração de retorno (emigração), ou seja, os contingentes populacionais jovens que em décadas passadas deixaram a Paraíba em busca de melhores condições de trabalho e de vida, retornam às suas origens. Assim, hoje, significativa parcela dessas pessoas contribui para a chamada migração de retorno, fato que vem contribuindo para o aumento do percentual da população idosa do Estado (Carvalho & Garcia 2003; IBGE, 2011). Une-se ao crescente aumento do contingente de idosos e do aumento do número de benefícios concedidos pela Previdência Privada (INSS, 2013), o fato de que no Brasil o envelhecimento populacional se da de forma acelerada, não sendo acompanhado por melhorias nas políticas públicas que viabilizem melhores serviços de saúde, saneamento básico, transporte, educação e segurança que atendam satisfatoriamente as necessidades desse grupo etário emergente (Carvalho & Garcia 2003). Frente a esta situação, muitos idosos aposentados têm assumido obrigações financeiras para um número cada vez 38 maior de membros familiares, uma vez que os filhos se encontram desempregados ou demoram a ingressarem no mercado de trabalho. Para Schnorr (1998), devido à falta de condições dos filhos gerirem seu próprio sustento, tem-se originado novas estruturas familiares com diferentes gerações, motivando novos arranjos domésticos originados mais por questões econômicas que culturais. Neste sentido, os proventos derivados da aposentadoria ou pensão são responsáveis pelo sustento de grande parte da família, assim a aposentadoria, que poderia representar um período de descanso, pode se tornar um período de mais preocupações. Diante disso, o idoso deixa em segundo plano, projetos pensados para essa fase da vida. Dados do IBGE demonstram que o número de pessoas com mais de 65 anos que se declaram responsáveis pelo sustento da família tem aumentado, passando de 4,3 milhões de idosos em 1991 para 6,4 milhões em 2000, um aumento de 47,5%. A esse respeito, Oliveira e Silva (2012) desenvolveram um estudo, com a finalidade de analisar a função dos aposentados na transferência de recursos econômicos entre gerações familiares mais jovens. Neste estudo, os pesquisadores verificaram que as mulheres (63,7%) costumam emprestar mais dinheiro ao filhos quando comparados aos homens (30,7%), além disso, os filhos costumam devolver com maior frequência o empréstimo quando este foi oferecido pelo pai, com26,7% dos filhos relatando esta intenção, contra apenas 14,3% de intenção de pagamento quando este foi feito a mãe. As transformações vivenciadas pelos trabalhadores nos momentos que antecedem e que procedem a aposentadoria são muitas e com efeitos tanto na esfera psicológica quanto social, sendo assim, a seguir serão apresentadas alguns aspectos psicológicos presentes nesse momento da vida dos trabalhadores, que demandam deles conhecimento e adaptação com o intuito de preservar ou melhorar seu bem estar. 39 1.3.3. Aspectos psicológicos da aposentadoria: fase de passagem, transformação e adaptação. Considerando a importante função que o trabalho exerce na formação e manutenção da identidade humana, assim como as perdas e alterações decorrentes do envelhecimento humano, a aposentadoria pode se caracterizar como um momento de transformação e adaptação. Para Canizares (2009) esse período de passagem se dá de um momento onde o trabalho era o regulador de diversos processos psicossociais para um onde a administração do tempo livre passa a ser a referência para a organização do cotidiano do indivíduo. Como um momento de adaptação, a aposentadoria representa um período de instabilidade onde não existe mais um modelo de conduta e significação, que foi construído ao longo da vida. Esta etapa pode ser percebida como um momento de ameaças que comprometem o bem estar das pessoas (Bulla & Kaefer, 2003; Veiga, 2007), mas também pode ser entendido como um ganho de tempo livre, período de mais liberdade, onde será possível se ocupar com atividades que gerem satisfação e prazer (Amarilho & Carlos, 2005; Graef, 2002). Porém, independente de como cada pessoa pensa esta situação, sentimentos de incerteza e experiências quanto à mudança surgem. O enfrentamento dessas incertezas é que parecem variar, pessoas com visão mais pessimista podem expor pouco interesse em novos investimentos, apresentando um processo gradativo de perdas que interferem na orientação temporal e compromete a condição da saúde do indivíduo. Entretanto, para pessoas com visão mais otimista, este momento pode ser tido como uma chance de mudanças e aquisição de novas conquistas, novos conhecimentos, maior atenção a saúde e busca de realização pessoal (Amarilho & Carlos, 2005; Graef, 2002), ou seja, 40 uma oportunidade de retomar antigos projetos (Dona & Wilson, 2007; Heponiemi, Kouvonen, Vanska, Halila, & Sinervo, 2008). De fato estas ambivalências vêm sendo corroboradas por alguns estudos. Graef (2002), Amarilho e Carlos (2005) e Veiga (2007) em pesquisas sobre as representações sociais da aposentadoria encontraram dois grandes grupos de representações, um que define as pessoas que percebem o evento como um prêmio e um descanso conquistado, proveniente dos anos de trabalho e contribuição previdenciária resultado do fim de um ciclo produtivo e começo de novos projetos e outro grupo de pessoas, que representam a aposentadoria como uma fase do indivíduo onde este se caracterizará como improdutivo e frente a uma condição social de inatividade. Para Canizares (2009) essas incongruências entre os tipos de representação podem desencadear alguns comprometimentos para a saúde do aposentado. Ainda segundo o autor, ela pode passar despercebida quanto ao seu potencial patológico, dificultando o desenvolvimento das formas de proteção dos efeitos da percepção negativa da aposentadoria. Dessa forma, pode ser tida como um fator de risco a senilibilidade, em função do impacto negativo que esse acontecimento pode ter na vida do sujeito, fruto da dificuldade em se adaptar a nova condição de vida que lhe demanda o preenchimento do tempo livre. Quase sempre este período vem acompanhado da diminuição do padrão de vida das pessoas, deixando-as mais vulneráveis emocionalmente e economicamente (Dona & Wilson, 2007; Heponiemi, et al. 2008). Para Batich e Marques (1998) são raros as discussões a respeito dos efeitos da redução da renda na vida dos aposentados. Para as autoras, o saber nesta área é difuso e pouco consensual. A diminuição da renda após a aposentadoria é um importante fator para a percepção negativa da aposentadoria, 41 principalmente quando se entende esta como um momento de reconhecimento por uma longa jornada de trabalho (Canizares, 2009). Porém, é possível desviar ou mesmo diminuir a redução da renda na aposentadoria. Alguns estudos, mais ligados a área da economia, tentam explicar como as pessoas tomam decisões financeiras ao longo da vida para assegurarem estabilidade econômica durante a aposentadoria. Por exemplo, Davis e Hustvedt (2012) investigaram quais são as características psicológicas que as pessoas precisam ter para apresentarem comportamentos de economia de renda. Variáveis como atitudes positiva frente ao dinheiro, norma subjetiva (comportamentos normativos) e principalmente controle comportamental percebido foram as que apresentaram as maiores correlações. O estudo de Davis e Hustvedt (2012) é importante, pois aponta para uma possibilidade de assegurar a manutenção dos proventos financeiros mesmo após a aposentadoria. Porém, muitos trabalhadores não conseguem poupar o necessário e terminam retornando ao mercado de trabalho. A respeito disso, Khoury, Ferreira, Souza, Matos e Barbagelata-Góes (2010) descrevem em seu estudo que existem outros motivos para a volta dos aposentados ao mercado, indicando que estes poderiam ser até mais importantes que o próprio dinheiro. Segundo os autores, os resultados de sua pesquisa apontam como principal motivo para voltar a trabalhar o desejo de se sentir produtivo. De qualquer maneira, essa condição de adiamento da aposentadoria demonstram a dificuldade de lidar com esse momento. A rejeição por motivos financeiros ou mesmo por questões psicológicas pode favorecer o aparecimento de sintomas de estresse, sintomas depressivos, vinculados ao medo de se sentir não produtivo (Canizares, 2009). Contudo, como já mencionado, nem sempre a aposentadoria é percebida como algo negativo. Assim, aqueles indivíduos que tem uma visão mais positiva desse momento possuem também mais chances de priorizar novos projetos de vida que inclui 42 família, novas atividades ocupacionais, atividades de lazer. Quando ele esta consciente de que aposentadoria, como a maioria dos processos de mudanças, tem sua persas e seus ganhos, há uma melhor adaptação às mudanças nas esferas biológica, psicológica e social, sendo possível produzir intervenções com maior grau de sucesso (Canizares, 2009). As considerações acima apontadas sugerem que a aposentadoria gera um processo de perdas que se relaciona com o envelhecimento patológico. O caráter heterogêneo desse momento faz com que o impacto do processo de afastamento do trabalho não seja igual entre as pessoas, assim sendo, circunstâncias desfavoráveis podem ser responsáveis pela falta de adaptação funcional de quem envelhece (Canizares, 2009). No percurso que traz a aproximação gradativa do momento da aposentadoria a uma constante relação e alternância entre atitudes negativas e positivas frente à aposentadoria (Reitzes & Mutran, 2004). Inicialmente, em alguns casos, a um sentimento de liberdade, de possibilidade de fazer suas próprias escolhas, de gerir seu tempo da forma como preferir. Posteriormente, pode vir um desencantamento, advindos da diminuição da satisfação emocional e pela frustração das expectativas criadas (Canizares, 2009). Neste sentido, para Magalhães, Krieger, Vivian, Straliotto e Poeta (2004) as percepções positivas e negativas da aposentadoria estariam dispostas em períodos no qual as representações vão se formando e se modificando. Inicialmente, em uma fase remota, a aposentadoria seria vista como algo positivo que trará estabilidade e que acontecerá algum dia, mesmo que distante. Ao chegar perto do período do desligamento do trabalho vão surgindo sentimentos de incertezas, trazendo importantes implicações para o comportamento do trabalhador com consequência imediatas e também futuras. 43 A sensação de falta de controle sobre as decisões no pré e pós aposentadoria gera uma ansiedade que interfere negativamente na satisfação. Para van Solinge e Henkens (2009) esse período de transição envolve alguns desafios, como o desenvolvimento de um ajuste frente à perda do trabalho, frete a perda dos laços sociais derivados dele e um desenvolvimento de um estilo de vida satisfatório durante a aposentadoria. Em uma pesquisa com pessoas prestes a se aposentar ou que estavam aposentadas a menos de 5 anos, Duarte e Melo-Silva (2009) encontraram alguns sentimentos associados a aposentadoria, seus resultados evidenciaram sentimentos de insegurança, decorrentes principalmente da instabilidade financeira e da perda do papel social que o trabalho lhe proporciona, sensação de inatividade e perda da capacidade funcional. Além disso, encontraram uma associação entre aposentadoria e percepção de envelhecimento. Canizares (2009) recomenda que esse momento de instabilidade e dúvidas é propício para programas de intervenção que objetivem reduzir os possíveis efeitos negativos dessa fase, favorecendo estratégias de enfrentamento e o conhecimento de mecanismos de adaptação para futura condição social. Isso aumenta as chances do surgimento de um período de reorientação, típico de uma visão crítica das novas oportunidades sociais e econômicas, disso poderia surgir uma fase de estabilidade, onde as pessoas se efetivariam em uma nova função social. Para Noone, Stephens e Alpass (2009) um bom planejamento aliado a grupos de preparação para a aposentadoria trazem maior bem estar para os aposentados. Outros fatores poderiam potencializar este bem estar, Wang e Hesketh (2012) em um documento onde resumem 20 anos de pesquisa na área do bem estar na aposentadoria relacionam quatro, sendo o primeiro relacionado aos atributos individuais, o segundo relacionado ao trabalho da pré 44 aposentadoria, um outro relacionado a fatores familiares e o quarto ligado as atividades pós aposentadoria. Como pode ser visto, inúmeros são os trabalhos que têm se dedicado a entender o fenômeno da aposentadoria no âmbito psicológico, sociológico, antropológico, econômico, legislativo. No que tange aos aspectos psicossociológicos, muitos trabalhos tem se voltado para os efeitos que a aposentadoria traz para o bem estar e o comportamento das pessoas. O objetivo dessa exposição sobre a aposentadoria foi demonstrar o quanto esta etapa pode mobilizar a vida das pessoas gerando uma ambivalência, pois se pode ser percebida como período de decadência e dificuldades econômicas, também pode ser apreendida como uma conquista, oportunizando novas atividades. Possivelmente as atitudes frente à aposentadoria estão ligadas uma ampla gama de variaveis, como por exemplo: á historia de vida, as relações com a sociedade, sobretudo com o papel profissional, seu modo de enfrentar perdas e de adaptar-se ás novas situações, para Rodrigues, Ayabe, Lunardelli e Canêo (2005) isso demonstra um processo subjetivo de notável relevância para os valores humanos (Rodrigues, Ayabe, Lunardelli, & Canêo, 2005). Sendo assim, nos próximos capítulos será apresentado as teorias que fundamentaram os entendimento de como os valores humanos podem explicar a visão que as pessoas possuem sobre a aposentadoria. 45 CAPITULO 2. ATITUDE 46 Para Allport (1935), as atitudes se constituem como um dos construtos de maior importância para a psicologia social. Devido a essa relação, Thomas e Znanieck (1981) chegaram a definir esta disciplina como o “estudo científico das atitudes”. Segundo Montmollin (1985), não existe nenhum outro campo no qual as investigações descritivas, fundamentais, metodológicas sejam tão numerosas, pois acompanham toda a história da psicologia social. De fato, as atitudes são um dos construtos mais antigos e estudados no âmbito da psicologia social (Neiva & Mauro, 2011) como pode ser evidenciado a partir da quantidade de trabalhos que têm se dedicado a esta temática. Por exemplo, a partir de uma busca desenvolvida na base de dados Psycinfo, considerando os últimos cinco anos, utilizando-se a palavra-chave “attitudes”, foram encontradas 923 referências. Com isso, mesmo se tratando de um construto antigo, observa-se que, atualmente, o mesmo tem sido amplamente estudado e referenciado, o que denota a sua importância para as ciências sociais e comportamentais. Dado o papel das atitudes para a Psicologia Social, este capítulo objetiva explanar brevemente os aspectos mais relevantes do seu campo de estudo. Nesta conjuntura será apresentada a definição de atitudes; sua estrutura; suas principais funções e formas de mensuração. 2.1. Definição de Atitudes A atitude pode ser considerada como uma avaliação de um determinado objeto, este último pode ser qualquer coisa que alguém possa levar em conta, compreendendo tanto o concreto quanto o abstrato, incluindo coisas, pessoas, grupos e ideias (Bohner & Dicked, 2011). A conceituação das atitudes como uma avaliação implica uma dimensão caracterizada por prós-contras, favorável-desfavorável, positivo-negativo, e desejávelindesejável (Ostrom, 1969). Esta definição oferece uma noção preliminar do que venha 47 a ser o construto tratado, todavia são diversas as definições dadas às atitudes segundo o modelo teórico adotado, no entanto, há o consenso de que uma atitude é uma representação de uma entidade em questão (Ajzen, 2001). Um estudo pioneiro a respeito das atitudes foi desenvolvido por Thomas e Znaniecki (1915), intitulado O campesino Polonês, onde os autores definem as atitudes como um processo da consciência individual que determina a atividade real ou possível do indivíduo no mundo social. Já para Allport (1935), as atitudes podem ser consideradas como um estado de preparação mental ou neurológico que se organiza por meio da experiência, influenciando de maneira direta ou dinâmica a resposta do indivíduo a todos os objetos ou situações com que mantenha relação. Nesta definição é destacado o papel das atitudes na conduta do indivíduo, a considerando como uma predisposição para reagir diante de um determinado objeto ou situação (Neiva & Mauro, 2011). Por outro lado, Thurnstone (1931) define este construto como um afeto pró ou contra um objeto psicológico. Outros autores, a exemplo de Smith, Bruner e White (1956) e Thurnstone (1931) também consideram um componente afetivo em suas definições de atitudes, de modo que estas predispõem as condutas direcionadas aos objetos. Do mesmo modo, Fishben e Ajzen (1972) concordam com Thurnstone (1931) ao definirem as atitudes como um construto composto por crenças e por um valor afetivo, constituindo-se como uma predisposição para responder de maneira favorável ou desfavorável a um objeto. Neste âmbito, os autores sugerem que as atitudes estão relacionadas às intenções pessoais e aos comportamentos dirigidos ao objeto, o que resulta das crenças em torno do mesmo, todavia, para eles, uma única crença pode ter pouca ou nenhuma relação com uma determinada atitude e, do mesmo modo, uma crença específica pode não estar relacionada a uma intenção ou comportamento 48 específico. Os autores atribuem, neste modelo, maior papel à intenção comportamental para a emissão de um dado comportamento. Gawronski (2007) identificou que as definições mais recentes deste construto variam entre a visão de que as atitudes são entidades estáveis armazenadas na memória (Fazio, 2007) e a conceituação das atitudes como julgamentos temporários construídos por meio de uma informação disponível (Schwarz, 2007). Neste âmbito, partindo-se das definições apresentadas, verifica-se que existe uma concordância geral de que as atitudes representam uma avaliação de um objeto psicossocial percebido a partir de atributos dimensionais, a exemplo de bom ou ruim, benéfico ou nocivo, e desejável e indesejável (Ajzen, 2001; Ajzen & Fishbein, 2000; Eagly & Chaiken, 1993). Esta definição encontra-se intimamente relacionada à sua estrutura e tem sido foco de diversos estudos que visam conhecer os componentes das atitudes (Katz, 1960; Rosenberg & Hovland, 1960; Herek, 1986). Tomando por base este argumento, a seguir serão apresentadas as principais perspectivas quanto a estruturação das atitudes. 2.2. Estrutura das Atitudes Como observado por meio do exposto anteriormente, as definições apresentadas convergem para a noção de que as atitudes são variáveis sociais não observáveis, que se integram a partir de três componentes: cognitivo, afetivo e comportamental (Neiva & Mauro, 2011). Esta posição foi sistematizada no modelo clássico de Rosenberg e Hovland (1960), mas já havia sido proposta por autores como Allport (1935), Harding, Kutner, Proshansky, e Chein (1954) e Katz e Stotland (1959), possibilitando a operacionalização das atitudes através de um modelo tridimensional. Estes componentes são mutuamente interdependentes, de modo que as cognições de um indivíduo são influenciadas por seus sentimentos, o que irá predispor uma ação (Krech, Crutchfield, & 49 Ballachey, 1962). Esta visão das atitudes como formadas por três componentes é a perspectiva mais proeminente no estudo da estrutura interna das atitudes, a seguir estes componentes serão definidos de maneira breve. Em relação ao componente cognitivo refere-se às crenças, conhecimentos, informações e opiniões por meio dos quais se expressam as atitudes, podendo estes ser de ordem consciente ou inconsciente (Rosenberg & Hovland, 1960). Este componente envolve avaliações do objeto como favorável ou desfavorável, desejável ou indesejável, bom ou ruim, e compreende, ainda, as crenças sobre a maneiras favoráveis ou desfavoráveis de responder a um determinado objeto (Krech et al., 1962) No que diz respeito ao componente afetivo, reporta-se às respostas afetivas e fisiológicas expressas nas atitudes (Beckler, 1984). Em outras palavras, este componente refere-se às emoções conectadas ao objeto atitudinal, de modo que o mesmo possa ser avaliado em termos de agradável ou desagradável e é esta dimensão afetiva que dá a atitude sua característica motivacional (Krech et al, 1962). Enquanto que o componente comportamental está relacionado aos processos que possibilitam a estruturação de uma intenção comportamental, preparando o indivíduo para agir de determinada maneira (Beckler, 1984). Neste âmbito, as atitudes humanas propiciam um estado de prontidão, que, se forem ativadas resultarão em um determinado comportamento (Newcomb, Turner, & Converse, 1965). Posteriormente, Ostrom (1969) testou a validade teórica do modelo tridimensional com estudantes da Universidade de Ohio. Para tanto, foram construídas medidas verbais para cada um dos componentes das atitudes de maneira independente. Tendo em vista os resultados, os autores observaram uma distinção significativa entre os três componentes das atitudes, corroborando a premissa de que estes fatores são independentes. 50 Breckler (1984) também testou a validade do modelo tridimensional das atitudes por meio de uma amostra de universitários, baseando-se em cinco pressupostos principais, a saber: a necessidade de utilizar medidas verbais e não verbais para avaliação de afetos e comportamentos; as medidas dependentes devem assumir as formas de respostas a um objeto atitudinal; múltiplas medidas independentes são necessárias; deve ser utilizada uma abordagem exploratória ao invés de confirmatória, o que requer uma classificação, a priori, das medidas de afeto, comportamento e cognição; e todas as medidas dependentes devem ser dimensionadas em um continuum de avaliação comum. Os resultados encontrados pelo autor suportam os estudos que defendem este modelo, observando uma forte distinção entre os três componentes das atitudes, sendo mais adequando que um modelo que considere apenas um componente. Não obstante, alguns autores defendem uma bidimensionalidade na estruturação das atitudes ao levar em conta apenas os componentes cognitivo e afetivo (Zajonc & Marcus, 1982). Nesta direção, Verplanken, Hofstee e Janssen (1998) constataram em um estudo com 222 universitários, as diferenças entre a acessibilidade dos componentes afetivos e cognitivos das atitudes, confirmando a validade do modelo bicomponente das atitudes. De fato, a noção de que atitude causa o comportamento é muito frágil, já que um único comportamento pode ser influenciado por uma gama de fatores, além das atitudes (Neiva & Mauro, 2011). Um dos psicólogos que defenderam esta ideia foi LaPiere (1934) ao viajar com um casal de estudantes chineses pelos Estados Unidos em um período no qual os chineses eram alvos de forte preconceito no país. O casal de chineses foi recebido em 250 estabelecimentos, sendo que apenas um hotel recusou recebê-los. Seis meses depois LaPiere enviou cartas aos estabelecimentos perguntando se os 51 mesmos aceitariam chineses em seu estabelecimento e dos 128 que responderam, 92% disseram que não, o que demonstra uma incoerência entre atitudes e comportamentos. Fishbein e Azjen (1975) também procuraram estudar a relação entre atitudes e comportamentos por meio da Teoria da ação racional, postulando que o antecedente imediato de um comportamento é a intenção para desempenhá-lo, de modo que quanto mais forte for a intenção maior a probabilidade de o comportamento ser realizado. Este modelo considera dois determinantes principais da intenção, o primeiro seriam as atitudes, referindo-se a uma avaliação favorável ou desfavorável ao comportamento em questão, já o segundo componente seria a norma subjetiva, caracterizada pela percepção da pressão social para realizar ou não aquele comportamento (Ajzen & Madden, 1986). Neste âmbito, a influência das atitudes no comportamento se daria de maneira indireta por meio de seu papel na intenção comportamental. Talvez por isso alguns autores consideram uma visão unicomponente, definindo a atitude como uma quantidade de afeto direcionada a favor ou contra um objeto, sendo a mesma uma variável latente que influencia ou guia o comportamento (Eagly & Cheiken, 2007; Mauro & Neiva, 2011). Por outro lado, estudos mais recentes têm considerado os domínios afetivo, cognitivo e comportamental como correlatos das atitudes e não como componentes de sua estrutura, a exemplo de Zanna e Rempel (1988). Estes autores defendem a ideia de que as atitudes podem se desenvolver a partir de informações afetivas - como é o caso do condicionamento - informações cognitivas – avaliações baseadas no conhecimento – e comportamentais – inferências a partir de ações anteriores. Neste âmbito, os componentes levados em conta fornecem uma heurística útil para pensar os antecedentes e consequentes das atitudes (Olson & Zanna, 1993). 52 Como pode ser observado, diversos modelos têm sido desenvolvidos com o intuito de estudar as atitudes e sua relação com o comportamento e outros construtos (e.g., Kim & Hunter, 1993; Kwan & Bryan, 2010; Lawton, Conner, & McEachan, 2009). Existem controvérsias quanto aos componentes das atitudes e quanto ao seu papel no comportamento. Verifica-se que, além de estudar os componentes das atitudes, importância significativa também tem sido dada às suas funções, o que será abordado no tópico seguinte. 2.3. Funções das Atitudes As primeiras teorias sobre as funções das atitudes foram propostas a partir dos anos 1950 (Smith, Bruner, & White, 1956; Katz, 1960; Katz & Stotland, 1959; Kelman, 1958, 1961). De modo pioneiro, Smith et al. (1956) sugeriram três funções para as atitudes, a saber: avaliação, ajustamento social e externalização. A primeira função diz respeito ao papel nas atitudes na percepção dos atributos positivos e negativos de um determinado objeto. No que tange à segunda função, refere-se ao papel das atitudes em mediar a relação entre o indivíduo e os demais, de modo que facilitam a interação com estes últimos. Por fim, a função de externalização cumpre o papel de defender o eu de conflitos internos. Mais tarde, Katz (1960) propõe a existência de quatro classes de funções das atitudes que se sobrepõe, em certa medida, as funções propostas por Smith et al. (1956) (Coelho, 2009). A primeira é a função de conhecimento que se refere ao fato das atitudes facilitarem o gerenciamento, simplificação e processamento da informação, providenciando um esquema que integra a informação existente a uma nova informação. Todas as atitudes em alguma medida servem a esta função (Fazio, 1989). A segunda função seria a utilitária ou instrumental, pois as atitudes ajudam os indivíduos a 53 alcançarem objetivos desejáveis e evitar resultados negativos. A função protetora do “ego”, a terceira função elencada, deriva de princípios psicanalíticos e ajuda na manutenção da autoestima e por fim, a função expressiva de valor que permite que os indivíduos utilizem as atitudes para a transmissão de informações sobre seus valores e autoconceitos. Partindo-se das funções das atitudes postuladas nos modelos anteriores, Shavitt (1990) procurou conhecer a relação entre atitudes e objetos atitudinais e propõe que as atitudes em relação aos objetos tendem a predispor uma função específica das atitudes. Ademais, o autor sugere que alguns fatores, como por exemplo, a personalidade e os fatores situacionais, possuem implicações nas funções das atitudes. Neste âmbito, as funções das atitudes sofrem influenciam não apenas dos objetos a que se destinem, mas também de fatores individuais, como a personalidade, e fatores de ordem situacional, externos ao indivíduo e objetos. Também sobre as funções das atitudes, Herek (1986) propõe que as atitudes são necessidades psicológicas e devem ser compreendidas como estratégias para atender as necessidades pessoais. A partir de uma revisão das funções das atitudes estabelecidas por Smith et al. (1956) e Katz (1960), observou que existem algumas limitações presentes neste modelo, levando-o a propor uma nova abordagem funcional. As funções das atitudes descritas por Herek (1986) são duas: funções instrumentais ou avaliativas, que se referem a avaliação dos custos e benefícios de uma determinada atitude, de modo que o indivíduo tende a optar por uma atitude que lhe traga maior benefício e ajustamento social; e funções simbólicas ou expressivas, que se reportam ao uso das atitudes para a transmissão de valores ou a identidade do indivíduo, com o intuito de evitar conflitos internos ou externos e a preservação da auto-imagem. 54 Em resumo, as atitudes servem para permitir a obtenção de recompensas e evitação de castigos; proteger a autoestima e evitar ansiedade e conflitos; ajudar a ordenar e assimilar informações complexas; refletir convicções e valores; e, por fim, permite o estabelecimento da identidade social (Rodrigues, Assmar, & Jablonsky, 2009). 2.4. Principais Teorias Diversas são as teorias acerca das atitudes. Entretanto, dentre estas, as teorias da coerência cognitiva e mudança de atitudes merecem destaque. As teorias da coerência cognitiva baseiam-se na hipótese de que, caso surja alguma incoerência entre os elementos cognitivos, as pessoas serão motivadas a restaurar a harmonia entre esses elementos (Michener, DeLamater, & Myers, 2005). A esse respeito, Heider (1958) formulou a Teoria do Equilíbrio, a qual se relaciona a sistemas cognitivos que contêm três elementos: o falante, outra pessoa e um objeto interpessoal. De acordo com essa teoria, podem existir dois tipos de relações entre os elementos: a) as relações de sentimentos (sentimentos ou avaliações a respeito dos objetos e pessoas, sendo estes positivos ou negativos); b) as relações de unidade (extensão de associação percebida entre os elementos). Segundo Michener et al. (2005), o estado de equilíbrio é aquele em que as três relações de sentimento são positivas, ou em que uma é positiva e as outras duas são negativas. Já o estado de desequilíbrio é quando duas relações entre os elementos são positivas e uma é negativa ou quando as três são negativas. Parte-se do princípio de que as pessoas tentarão restabelecer o equilíbrio, ou seja, eliminarão o desequilíbrio percebido mudando uma ou outra de suas atitudes (Lima, 2002). 55 Festinger (1957) também formulou uma importante teoria na área da coerência cognitiva: a Teoria da dissonância cognitiva. Esta teoria parte do princípio que existem três relações possíveis entre quaisquer duas cognições: são coerentes se uma decorre de forma natural da outra; dissonantes se uma implica o contrário da outra; e irrelevantes quando os elementos não têm relação entre si (Michener et al., 2005). A dissonância cognitiva é um estado de tensão psicológica induzida pelas relações dissonantes entre os elementos cognitivos (Lima, 2002). Ela comumente ocorre em duas situações: 1) depois de uma decisão, ou 2) quando alguém atua de maneira incoerente com suas crenças. As principais maneiras de reduzir a atitude são: desvalorização dos elementos dissonantes da alternativa rejeitada; valorização dos elementos consonantes ao escolhido; tentativa de tornar irrelevantes os elementos dissonantes; busca de apoio social para o assumido (Rodrigues et al., 2009). No que concerne à mudança de atitudes, Krech, Crutchfield e Ballachey (1962) afirmam que tal mudança tem estado associada mais fortemente ou a uma mudança no sinal da atitude (de positivo para negativo ou de negativo para positivo) ou a uma diminuição na quantidade de positividade ou negatividade. Este tipo de mudança é referido como mudança incongruente. Por outro lado, a mudança congruente de atitudes é quando a mudança é congruente com o sinal da atitude existente previamente, isto é, um aumento na positividade ou negatividade da atitude. Para os autores, mudança congruente é sempre mais fácil de produzir que mudança incongruente. Alguns fatores influenciam no grau de possibilidade de mudança de atitudes. Para Krech et al. (1962), estes se resumem a sete: 1) o quão extrema é a atitude (quanto mais extrema, mais difícil de ser modificada); 2) multiplexidade (quanto mais simples a atitude, mais susceptível a uma mudança incongruente); 3) consistência (quanto mais consistente o sistema de atitudes, mais difícil de ser modificado); 4) interconectividade 56 (quanto maior a relação da atitude com outras atitudes, mais difícil de ser modificada); 5) consonância (quanto maior a consonância com outras atitudes, mais difícil de modificar); 6) força e número de desejos (quanto maior esses fatores, mais difícil de modificar); 7) centralidade dos valores relacionados (se a atitude está relacionada a valores arraigados pela cultura e sociedade do indivíduo, mais difícil será de ser modificado). As teorias de mudança de atitudes são fortemente utilizadas na área de marketing, principalmente através de técnicas de comunicação persuasiva. O Método Yale de Mudança de Atitudes tem sido o mais utilizado. De acordo com este, a capacidade de persuasão da comunicação depende de aspectos do comunicador, ou fonte da mensagem, de aspectos da própria mensagem e de aspectos da audiência. Nesta perspectiva, confiam-se para um maior poder de persuasão a credibilidade da fonte, mensagens sem intenção aparente de influenciar e uma plateia relativamente distraída (Aronson, Wilson, & Akert, 2002). Ademais, Aronson et al. (2002) afirmam que uma maneira de medir a força de uma atitude é ver o quanto ela é acessível à memória e, quanto mais forte for a atitude, mais resistente ela será à mudança. É possível tornar as pessoas resistentes a ataques às suas atitudes, um processo chamado de imunização da atitude. Um dos enfoques consiste em fazer com que as pessoas pensem nos argumentos pró e contra sua atitude, antes que alguém as ataque (Rodrigues, et al., 2009). Contudo, deve-se ter bom senso nessa imunização, isto é o que diz a teoria da reatância; ninguém gosta de ver sua liberdade ameaçada e, caso pense que isso acontece, um estado desagradável de reatância é despertado e ele pode reduzilo praticando o comportamento proibido (Aronson et al., 2002). 2.5. Mensuração de Atitudes 57 Tal como previamente exposto, atitudes correspondem a construtos latentes, hipotéticos, que representam tendências de respostas subjacentes. Deste modo, não são diretamente observáveis e sua medição se faz por meio da inferência de respostas, sejam essas declaradas ou implícitas (Krosnick, Judd, & Wittenbrink, 2005). Na área de mensuração de atitudes tem sido comum a distinção entre processos explícitos e implícitos, nos quais os respondentes, respectivamente, podem ter ciência (medidas explícitas) ou não (medidas implícitas) de que suas atitudes estão sendo acessadas (Maio & Haddock, 2010). As medidas explícitas de atitudes têm sido as mais utilizadas na área da psicologia das atitudes e psicologia social, de um modo geral (Maio & Haddock, 2010), acessando atitudes por meio das avaliações que as pessoas fazem acerca de um determinado objeto, evento ou situação. Este tipo de medida é chamada de medida de autorrelato e, geralmente, é do tipo lápis e papel. Já as medidas implícitas são mais recentes nos estudos sobre atitudes, mas seu uso tem sido crescente. Estas medidas acessam as atitudes sem necessitar pedir diretamente aos respondentes para que reportem seu posicionamento frente a determinado fato, isentando a pesquisa do viés da desejabilidade social (Fazio & Olson, 2003). Os métodos explícitos e implícitos serão melhor detalhados a seguir. 2.5.1. Medidas explícitas de atitudes Como previamente exposto, as medidas explícitas de atitudes têm sido extremamente populares entre os psicólogos sociais (Maio & Haddock, 2010) e, geralmente, são questionários de autorrelato em que os participantes são solicitados a expressarem suas opiniões, por exemplo, com relação a adoção, aborto, preconceito, etc. 58 os principais métodos de mensuração explícita são: Thurstone, Likert, Osgood, Guttman, e Bogardus (Pimentel, Torres, & Gunther, 2011). O método de Thurstone (1928) é considerado a primeira experiência de mensuração de atitudes com base em uma escala de intervalos iguais, já tendo sido utilizado para avaliar atitudes com relação a pena de morte, negros, guerra, dentre outras. Tal método é feito da seguinte maneira: 1) o pesquisador constrói um conjunto de afirmações a respeito do objeto de pesquisa (e.g., “Sou a favor da prisão perpétua”); 2) juízes ordenam as frases ao longo de uma escala intervalar em termos de favorabilidade ou desfavorabilidade; 3) cada item é alocado em um escore na escala de intervalos; 4) solicita-se aos respondentes cujas atitudes vão ser avaliadas, que marquem as afirmativas com as quais concorda. Esta medida forneceu muitos avanços a área; entretanto, o tempo desprendido para construção e aplicação, bem como o número de juízes e itens é extenso, sendo tais fatores criticados (Lima, 2002). Diante de tais dificuldades, o método Likert foi proposto visando superá-las. Nesta não se faz uso de juízes e a escala é formulada por meio de técnicas de análise de itens. O conjunto de itens deve ser classificado ao longo de um contínuo de cinco pontos que variam de “concordo totalmente” a “discordo totalmente”. Tal medida não necessita de juízes e também não exige um grande número de itens, o que facilita sua construção e aplicação. O método Osgood, por sua vez, é conhecido como diferencial semântico. Neste, os participantes são solicitados a responderem uma escala composta por adjetivos bipolares [inicialmente composta por 7 pontos, de -3 a +3], os quais são separados por um número da categoria (Lima, 2002). Esses itens se configuram em três dimensões simultâneas: nível de favorabilidade (bom-ruim), poder (forte-fraco) e atividade (ativopassivo) (Pimentel et al., 2011). 59 O método de Guttman é também conhecido como escalas cumulativas, isto é, a posição do sujeito pode situar-se num continuum em que, ao aceitar um item da escala, se aceita também os níveis inferiores (Lima, 2002). A diferença desta escala para a escala likert é que esta é cumulativa, supondo a unidimensionalidade da escala. Por fim, no método de Bogardus diferentes grupos sociais são listados (e.g., africanos, negros e imigrantes) e várias relações possíveis com eles são formuladas. Neste, solicita-se aos respondentes que indiquem sua predisposição a estabelecer níveis de contato com os grupos-alvo, partindo do princípio que os respondentes que admitem um estímulo que implica em um relacionamento particular, também admitem os outros comportamentos relacionados. (Pimentel et al., 2011). 2.5.2. Medidas implícitas de atitudes No caso das medidas implícitas, elas surgiram partindo do princípio de que nosso pensamento e comportamento podem ser influenciados por processos psicológicos implícitos (Bassili & Brown, 2005). Com isso, diversas medidas têm sido criadas para avaliar os construtos sem o viés da desejabilidade social, o qual acomete as medidas explícitas. Tal viés pode levar as pessoas a dissimular suas respostas por razão de estratégia, tendo em vista mostrar aos outros aquilo que é considerado desejável socialmente (Seisdedos, 1996). Deste modo, é imprescindível diminuir a reatividade da medida, sendo clara, portanto, a relevância das medidas implícitas. As medidas implícitas, introduzidas na década de 1980, visam acessar as associações automáticas e espontâneas e que fogem ao controle consciente do indivíduo (Fiske & Taylor, 2008). Nas últimas décadas, as medidas implícitas têm crescido consideravelmente, bem como os estudos que visam testá-las e verificar suas limitações (Wittenbrink & Schwarz, 2007). 60 Diversos são os tipos de medidas implícitas; porém, as mais influentes têm sido a técnica de priming, o Teste de Associação Implícita (IAT) e as técnicas de neuroimagem. A técnica de priming, proposta por Russel Fazio (1995), se refere ao fenômeno cognitivo que ocorre quando um estímulo prévio (o prime) ativa conceitos semanticamente relacionados na memória, reduzindo o tempo necessário para sua identificação (Foster & Davis, 1984; Wittenbrink & Schwarz, 2007). Este modelo afirma que as pessoas são mais rápidas em classificar um objeto como positivo após ter visto um estímulo prime de que gostou do que após ter visto um estímulo prime de que não gostou; efeito contrário ocorre após a observação de um estímulo negativo. Greenwald, McGhee e Schwartz (1998) propuseram o Teste de Associação Implícita (IAT) com o objetivo de determinar a ativação de atitudes por meio do impacto do objeto atitudinal sobre a velocidade com a qual o indivíduo faz seus julgamentos. Diferentemente do priming, no IAT as pessoas são solicitadas a classificarem, além dos adjetivos, objetos atitudinais (Maio & Haddock, 2010). Inicialmente, ele foi criado para ser executado no computador, onde o tempo de reação é computado. O IAT é composto por cinco blocos. Em tais blocos, os participantes são apresentados a duas categorias, geralmente adjetivos antagônicos (e.g., positivo/negativo; bom/mau; importante/não-importante), os quais são emparelhados com os construtos em foco (e.g., negro/bom e negro/mau ou negro/mau e branco/bom; gordo/bom e magro/ruim ou gordo/ruim e magro/bom). Tais categorias são apresentadas em lados opostos no canto superior da tela e no centro são apresentadas palavras referentes a tais categorias. Cabe ao sujeito teclar no “E” para classificar as palavras pelas categorias da esquerda e no “I” para classificar as palavras pelas categorias da direita. 61 Com os avanços proporcionados pelo teste, formas alternativas do IAT original têm sido propostas. A exemplo de tais técnicas, pode-se citar: IAT tipo lápis-e-papel (Weisbuch et al., 2008), Single Categorie IAT ou SC-IAT (Karpinski & Steinman, 2006) e o IAT para crianças e adolescentes (Baron & Banaji, 2006). Wittenbrink e Schwarz (2007) também destacam as técnicas de neuroimagem como um novo tipo de medida implícita, o qual é utilizado, principalmente, na área da Neurociência Social, em ascensão. Estas medem a atividade metabólica dependente dos órgãos corporais e contêm diversos sinais que não estão sob o controle intencional do respondente. Por meio delas é possível realizar estudos não invasivos in vivo do sistema nervoso humano saudável ou patológico, principalmente por meio de técnicas de a tomografia por emissão de pósitrons e a tomografia por ressonância magnética (RM) (Machado, 2000). O campo da neurociência social tem possibilitado diversos avanços na ciência; porém sua contribuição para o entendimento de fenômenos da Psicologia Social ainda é restrita (Wittenbrink & Schwarz, 2007). Em tal campo, em especial no que concerne as atitudes, ainda há o predomínio das medidas explícitas de mensuração, com escalas do tipo likert. Apesar do crescimento das medidas implícitas, Lima (2002) afirma que esta valorização não implica em uma isenção de vieses de medida; supera-se os vieses das medidas de autorrelato, ao passo que se incorpora novos vieses de medida, mesmo que em menor número. Em uma situação ideal de pesquisa, utilizar-se-ia ambas as medidas, implícitas e explícitas, para avaliar a atitude em foco, visto que as mesmas são complementares. 2.6. Atitudes frente à aposentadoria 62 Em busca nas bases de dados no Psycinfo, considerando os cinco últimos anos e utilizando como palavras-chave “attitudes retirement” foram encontrados 48 trabalhos. Sendo que a maioria relacionava as atitudes a variáveis situacionais como renda, saúde, mais tempo livre, satisfação com o trabalho, para entender as atitudes relacionadas com a aposentadoria. Além disso, de modo geral, estas publicações não utilizam nenhuma teoria específica de Atitude e comumente associam a algum componente como Afetos ou cognição (percepção). No contexto nacional, os trabalhos que mencinam atitudes e aposentadoria, são predominantemente qualitativo e também relacionam a aposentadoria a variáveis situacionais. Um exemplo de estudo que objetivou conhecer as atitudes frente à aposentadoria por meio dos afetos relacionados a ela é o de Hopf (2002). Em seu estudo, com professores de educação física do sexo masculino, o autor verificou que os professores tinham um sentimento negativo com a aposentadoria e que buscavam a continuidade da profissão. O autor termina o trabalho considerando que este sentimento se deve em grande medida a falta de preparo para a aposentadoria. Esse achados foram corroborados pelos resultados de Thuku e Ireri (2013), em seu trabalho esses autores objetivaram descobrir como a informação a aposentadoria explica a preparação para a aposentadoria de trabalhadores do Quênia em Nyeri County. Os resultados indicaram que quanto mais os trabalhadores são informados sobre a aposentadoria mais apresentam sentimentos positivos em relação a ela. Além disso, os atures concluem que ambos os setores, público e privado, precisam fazer mais na sensibilização e motivação dos funcionários para se preparar cedo para a sua reforma. Em mais um estudo que investigava as atitudes frente à aposentadoria, Inaja e Asuquo (2013) relacionou a percepção da aposentadoria com o aconselhamento pré aposentadoria. Os resultados, mais uma vez mostraram que, aconselhamento pré 63 aposentadoria esta relacionado com uma melhor percepção da aposentadoria. Nesse estudo, as temáticas do aconselhamento se referiam à gestão das despesas, as questões relacionadas com a saúde, a gestão da solidão e a mudança do ambiente físico. Este achado é semelhante, com a de Gustman e Steinmeier (2002), que realizaram uma pesquisa para demonstrar quantas pessoas estão mal informados sobre seus benefícios de aposentadoria, mais especificamente, quais seriam suas possibilidades de gerenciar sua renda e suas possibilidades de relacionamentos. Assim como os trabalhos descritos anteriormente sobre as atitudes frente à aposentadoria, Dodds, Oscar, Cruz e Israel (2013) buscaram relacionar as percepções e idéias sobre a aposentadoria ao planejamento da mesma, identificando potenciais motivos de estresse e propondo formas de melhor se preparar para a aposentadoria. Os resultados com os 96 professores universitários de um departamento de uma universidade estadunidense, mostraram que trabalhadores esperavam de aposentar com a idade máxima (70 anos) e que apenas 9% deles estavam positivamente ansiosos para se aposentar. Quanto as principais razões para não se aposentar, estão manter-se ativos (37%), questões ligadas a renda e ou benefícios (20%) e questões ligadas a manutenção do estilo de vida (17%). Entre os motivos para se antecipar a aposentadoria estava idade ou saúde (40%) seguido pelo motivo de estresse no trabalho (20%). Neste estudo percebe-se que os motivos que levam a se aposentar, estão ligados a problemas de incapacidade, seja de saúde ou estresse. Ainda no estudo de Dodds, Oscar, Cruz e Israel (2013), quase metade dos entrevistados não tinham plano específico para o momento da aposentadoria. No final, os autores concluíram que desenvolver um plano de aposentadoria aliviaria o estresse e geraria um sentimento de confiança em relação à aposentadoria. 64 Alvarenga, Kiyan, Bitencourt e Wanderley (2009) desenvolveram um estudo qualitativo em SP, com idosos que frequentam ambulatórios, com o objetivo de compreender como o idoso vivencia a aposentadoria e suas repercussões na qualidade de vida. Neste estudo, foram observados predominantemente relatos de atitudes positivas frente à aposentadoria. Os significados atribuído a aposentaria e a capacidade de planejamento foram determinadas pelo o modo como a aposentadoria era vivenciada. Assim, mudanças de ambiente, esvaziamento da rotina e alterações no habito alimentar aparecerem como fatores associados com a aposentadoria. Os autores finalizam o trabalho sugerindo que estes aspectos repercutem de forma positiva ou negativa conforme os significados que lhe são atribuídos. Mesmo frente ao grande número de trabalhos que estudam a aposentadoria, não foi encontrado nenhum que buscasse relacionar variáveis psicológicas como valores humanos a percepção ou sentimentos com a aposentadoria. Salienta-se que o conhecimento dessas variáveis poderia auxiliar nos programas de preparação para a aposentadoria, sendo necessário considera-los antes de planejar as intervenções. 65 CAPITULO 3. VALORES HUMANOS 66 Os valores humanos tem sido objeto de discussão e pesquisas em áreas como a filosofia (Rickert, 1922; Scheler, 1973) antropologia (Kluckhohn, 1951), psicologia (Gouveia, 1998; Maslow, 1954; Rokeach, 1973; Schwartz, 1992) e sociologia (Merton, 1949; Parsons & Shils, 1951; Tomas & Znaniecki, 1918). Na Psicologia, a emergência do tema se deu, possivelmente, pela capacidade que o construto possui de exercer papel importante no processo seletivo das ações humanas (Rokeach, 1973). Distintos pesquisadores elaboraram perspectivas teóricas acerca do tema. Na perspectiva individual ou psicológica, de maneira geral, os valores são compreendidos como orientadores da ação humana e têm sido significativamente relacionados a um conjunto de comportamentos e/ou atitudes (Bardi & Schwartz, 2003; Kristiansen & Hotte, 1996; Roccas & Sagiv, 2010; Rokeach, 1973; Schwartz, 1996, 2007). Mais recentemente, pesquisas vêm relacionando os valores a funções ou regiões neurológicas (Brosch, Coppin, Scherer, Schwartz, & Sander, 2011; Brosch, Coppin, Schwartz, & Sander, 2011) e a componentes genéticos (Harris, Vernon, Johnson, & Jang, 2006; Alford, Funk, & Hibbing, 2008; Knafo & Spinath, 2011). Considerando sua adequação intra e intercultural, (Gouveia, 2013; Medeiros, 2011) esse capítulo terá como orientação a tipologia dos valores humanos proposta por Gouveia (1998), sendo assim, inicialmente, serão explanadas algumas das principais perspectivas da área que fomentaram o desenvolvimento dessa teoria. Começando pelas teorias dos valores individualistas e coletivistas de Hofstede (1984) e os materialistas e pós-materialistas de Inglehart (1977) ambos com orientação social e cultural, posteriormente passando para Rokeach (1973) com os valores instrumentais e terminais, os tipos motivacionais de Schwartz (1994) e finalmente a teoria Funcionalista dos Valores Humanos de Gouveia (1998), com orientação psicológica. 67 3.1. MODELOS CULTURAIS DOS VALORES Modelo de Hofstede O modelo de Hofstede (1984, 1991) tem fundamentação eminentemente empírica, partindo de um conjunto de perguntas que descrevem atitudes, crenças e metas no contexto do trabalho em 50 países. Para a perspectiva pancultural deste autor, as prioridades valorativas levam em conta não as pontuações das pessoas individualmente, mas aquelas das culturas nas quais elas estão inseridas. As 14 metas do trabalho ou os valores são representados espacialmente em quatro dimensões (tabela 1), permitindo retratar as principais necessidades propostas por Maslow (1954). Tabela 1. Descrição das quatro dimensões de Hofstede (1984) Individualismo – coletivismo Evidencia o quanto as pessoas de uma sociedade se sentem responsáveis ou independentes das demais pessoas que compõem o grupo. Distância de poder Esta dimensão expressava em que medida os subordinados se sentem confortáveis frente ao poder e à autoridade, descrevendo um indicador de aceitação – rejeição da hierarquia. Masculinidade – feminilidade A masculinidade alude a valores relacionados ao materialismo e aos benefícios próprios, enquanto que a feminilidade, se centra nas interações com outras pessoas (Ickes, 1993). Evitação de incerteza Esta dimensão apreende os graus de ansiedade e preocupação vivenciados pelas pessoas quando confrontadas com situações inesperadas ou incertas, sobretudo vinculadas com a questão do futuro. Não obstante, Gouveia (1998, 2001) referiu algumas apreciações a respeito desse modelo: (1) o modelo carece de uma base teórica; (2) quando avaliado no contexto de um mesmo país, as quatro dimensões não foram plenamente claras; e (3) o modelo, especialmente a dimensão de individualismo – coletivismo sugere que a medida que as sociedades fossem se desenvolvendo economicamente passaria de uma organização mais coletivista para uma mais individualista, porém exemplos como os do países asiáticos prósperos (e.g., China, Cingapura, Japão) podem ir contra essa assertiva. 68 Outro modelo também cultural dos valores e com inclusão acadêmica análoga ao de Hofstede (1984), foi proposto por Inglehart (1977, 1991). Este autor procurou traçálo partindo da concepção teórica da hierarquia das necessidades de Maslow (1954). Modelo de Inglehart Inglehart (1977, 1991) propôs um modelo de valores que considera duas extensões como polos de uma mesma dimensão: materialismo e pós-materialismo. O livro principal de referência, onde traçou suas ideias fundamentais, foi The silent revolution (Inglehart, 1977). Nesta obra, este autor pensou na origem dos valores como correspondendo às necessidades humanas, propondo seu modelo teórico de forma a enfocar aspectos sociais e culturais dos valores. A dimensão materialista se refere ás necessidades humanas mais básicas como as fisiológicas e a de segurança, sendo organizadas por meio de valores que evidenciam aspectos materiais e concretos (e.g., Manter a ordem; Combater o aumento de preços). Já a dimensão pós-materialista representa as necessidades mais elevadas (autoestima, pertencimento, cognitiva e estética), compreendendo valores que aludem para aspectos não-materiais e mais subjetivos ou abstratos (e.g., Aumentar a participação dos cidadãos nas decisões importantes; Proteger a liberdade de expressão). Na concepção de Inglehart (1977), o polo materialismo abrange os valores que são típicos de sociedades onde as necessidades mais básicas ainda não estão satisfeitas. O oposto se configura no pósmaterialismo, ou seja, padrão valorativo típico de sociedades industriais avançadas com abundantes recursos financeiros para a maioria das pessoas. Contudo, apesar de Inglehart ter dado a contribuição de desenvolver um modelo com base teórica, ter elaborado um instrumento específico para mensurar valores e oferecer explicações para mudança geracional de valores, seu modelo também reúne algumas críticas, como sua 69 simplicidade, uma vez que considera apenas uma dimensão com dois pólos; e o fato que em vários países as dimensões se confundem e se combinam, não sendo adequado tratar os valores em um modelo dicotômico (Furusawa, 2008). Em resumo, os modelos de Hofstede (1984, 1991) e Inglehart (1977, 1991) buscam identificar dimensões universais dos valores humanos. Embora, se observe itens que podem não se ajustar adequadamente a algumas sociedades. Ao contrário desses autores, Schwartz (1992, 2006) tem oferecido contribuições importantes na confirmação de hipóteses de estrutura e conteúdo. Nesse sentido, a próxima secção entrará em detalhes sobre a perspectiva psicológica dos valores, iniciando com Milton Rokeach, que hoje tem sido considerado o pai da temática, seguido por Shalom Schwartz que possui a maior repercussão no mundo acadêmico e finalizando por Valdiney V. Gouveia com a Teoria Funcionalista dos Valores Humano. 3.2. MODELOS PSICOLÓGICOS DOS VALORES Modelo de Milton Rokeach Apesar de Rokeach (1973) não ter elaborado propriamente uma teoria dos valores humanos, recebeu o título de pai da temática, pois sintetizou conceitos e idéias de diferentes correntes de pensamento. Ele diferenciou os valores de atitudes, interesses e traços de personalidade, apresentou uma definição específica dos valores e propôs o primeiro instrumento específico para medir valores. No plano teórico, suas principais realizações foram: classificar os valores como instrumentais (modos de condutas) e terminais (estados finais de existência), desenvolver o método de auto-confrontação para mudança de valores e propor uma tipologia de ideologia política a partir da combinação das pontuações baixa e alta dos valores igualdade e liberdade (Gouveia et al., 2010). Dentre as principais limitações de seus estudos esta a utilização de amostras 70 restritas a estudantes universitários estadunidenses e a indefinição da estrutura dos valores. Sobre esta ultima limitação, Schwartz (2005) tem trazido recorrentes contribuições, configurando o tema dos valores como um tópico específico da Psicologia Transcultural (Smith & Schwartz, 1997). Modelo de Shalom Schwartz O modelo de Schwartz (1992, 1996) representa uma síntese das contribuições anteriores, com destaque para aquelas apresentadas por Rokeach (1973). Sua definição dos valores primou por elementos consensuais, sendo expressa como um conjunto de crenças pertencentes a fins desejáveis ou a formas de comportamentos, que transcendem situações específicas, guiando as ações humanas e sendo ordenados por sua importância com relação a outros valores (Schwartz, 1992; Schwartz & Bilsky, 1987). Apesar de não ter apresentado nenhuma teoria específica sobre as necessidades humanas, defende o caráter universal do modelo que se pauta em reconhecer necessidades igualmente universais, que são principalmente de três tipos: (1) necessidades biológicas do organismo; (2) necessidades de regulação das interações sociais; e (3) necessidades de bem-estar e sobrevivência grupal (Schwartz, 2006). Schwartz (1994, 2006; Schwartz & Bilsky, 1987) vem desenvolvendo seu modelo empiricamente, tendo começado com sete tipos motivacionais, passando a dez e, depois, onze; porém, o com dez ficou mais conhecido. Essa tipologia compreende sua hipótese de conteúdo, segue, na tabela 2, a descrição com os respectivos valores específicos, fontes e definições. 71 Tabela 2. Tipos motivacionais de Schwartz (1994, 2006) e respectivas dimensões. Tipos motivacionais Exemplo de valores Fontes Definição Autodireção Criatividade; Liberdade e Curiosidade. Organismo; interação Busca de independência do pensamento e ação. Estimulação Ousadia; Vida variada; Vida excitante. Organismo Busca de excitação, novidades e mudanças. Hedonismo Prazer; Apreciar a vida Organismo Busca de prazer e gratificação sexual. Realização Bem sucedido; Capaz; Ambicioso Interação; Grupo Demonstrar sucesso e competência pessoal. Poder Poder social; Autoridade; Riqueza Interação; Grupo Segurança Segurança nacional; Ordem social; Limpo Organismo; Interação; Grupo Conformidade Bons modos; Obediente; Honra os pais e os mais velhos Interação Tradição Humilde; Devoto Grupo Benevolência Prestativo; Honesto; Não rancoroso Organismo; Interação; Grupo Universalismo Tolerância; Justiça social; Igualdade; Proteção do meio ambiente Grupo; Organismo Busca de status social, prestígio e poder sobre recursos e pessoas. Busca de segurança, harmonia e estabilidade da sociedade e pessoal. Restrições de ações, impulsos e inclinações que violam as expectativas e normas sociais vigentes. Busca de respeito, compromisso e aceitação de costumes impostos pela cultura ou religião. Busca e preservação do bem-estar das pessoas próximas. Busca da compreensão, tolerância, aceitação e bem-estar de todos, além da proteção e preservação dos recursos naturais. A hipótese de estrutura propõe que os tipos motivacionais se organizam de forma dinâmica, podendo apresentar valores compatíveis ou conflitantes, ao longo de uma estrutura circular. Como é possível observar na figura 1, os tipos motivacionais 72 adjacentes indicariam maior compatibilidade, evidenciando conflito a partir de seu afastamento, com a oposição no espaço sendo indicadora de maior conflito. Essa estrutura apresentaria ainda duas dimensões bibolares de ordem superior. A dimensão correspondente ao eixo horizontal seria formada pela oposição entre abertura à mudança e conservação, e a segunda dimensão, na vertical, compreende a oposição entre autotranscedência e autopromoção. Figura 1. Modelo estrutural dos valores humanos (adaptado de Bilsky, 2009, p. 17) A tipologia proposta por S. H. Schwartz e seus colaboradores (Schwartz, 1992, 2006; Schwartz & Bilsky, 1987) tem pelo menos três grandes méritos, a saber: (1) põe ênfase em tipos motivacionais em lugar de valores específicos, minimizando o problema de erro de medida; (2) operacionaliza mais claramente e diferencia as hipóteses de conteúdo e estrutura dos valores; (3) e procura reunir evidências acerca da universalidade de um conjunto de valores. 73 No entanto, a teoria não esta isenta de críticas (Molpeceres, 1994; Waege, Billiet, & Pleysier, 2000), por exemplo: (1) tomar em conta uma lista intuitiva de valores, uma vez que mais de 60% dos itens do Schwartz Values Survey (SVS) foram derivados do Rokeach Values Survey (Schwartz, 1992); (2) insistir em separar os valores em instrumentais e terminais, apesar de reconhecer que esta diferenciação não é substancial (Schwartz & Bilsky, 1990), sendo mais uma questão semântica do que propriamente empírica; (2) quiçá a mais severa se refira a este modelo carecer de uma base teórica prévia substancial (Gouveia, 1998, 2003). Há que se destacar que alguns pesquisadores têm encontrado dificuldade em identificar os dez tipos motivacionais, sendo mais comum observar sete ou oito deles (Hinz, Brähler, Schmidt, & Albani, 2005; Perrinjaquet, Furrer, Marguerat, Usunier, & Cestre, 2007), o que pode reforçar a prática de se tomar em conta apenas suas dimensões de segunda ordem (Knafo & Spinath, 2011; Lauer-Leite, 2009). Em resumo, os tópicos precedentes procuraram assentar a base da concepção dos valores humanos que fundamenta a Teoria Funcionalista dos Valores Humanos. A seguir, serão descritos os pressupostos e as hipóteses de conteúdo, estrutura, congruência e compatibilidade que sustentam a Teoria. 3.3. TEORIA FUNCIONALISTA DOS VALORES HUMANOS A presente teoria não implica rejeitar aquelas previamente propostas, sobretudo as que têm como foco a natureza motivacional dos valores (Gouveia, 2003). Admitemse aspectos similares com as teorias propostas por Ronald Inglehart e Shalom H. Schwartz, no entanto ela surgiu diante do descontentamento de alguns teóricos, entre eles, Valdiney V. Gouveia com algumas das ideias propostas; como a concepção de valores como crenças, a noção de conflito dos valores, a indeterminação da fonte para 74 derivar os valores e a técnica estatística empregada (escalonamento multidimensional) para testar o modelo. Sendo assim, a seguir, objetiva-se mostrar os fundamentos que tornam esta teoria uma alternativa, que se apresenta como mais integradora e parcimoniosa (Gouveia et al., 2008). Um dos problemas com que se deparam os interessados na temática dos valores humanos é a confusão conceitual que os permeia. Comumente, as pessoas em geral têm ideias vagas a respeito, referindo-se a valores em seus discursos cotidianos para indicar coisas muito diversas, como algo que vale (e.g., dinheiro, casa, família). No âmbito da Teoria funcionalista dos valores, a definição é oferecida em termos mais parcimoniosos que as demais definições, enfocando suas funções (Gouveia, 2013). Entende-se os valores como aspectos psicológicos que guiam os comportamentos e representam cognitivamente as necessidades humanas (Gouveia, Fonsêca et al., 2011; Gouveia et al., 2011). Estão implícitas nesta definição características ou pressupostos admitidos dos valores, como representar um princípio-guia do comportamento da pessoa, que transcende situações específicas, sendo desejáveis e relativamente estáveis. Pressupostos teóricos A teoria ora proposta concebe-se no contexto de um programa de investigação, assim como orientado por Lakatus (1978). Desta forma, é admitido um núcleo rígido, cujo papel é estruturante, fazendo possível derivar hipóteses que sejam coerentes e testáveis, favorecendo a ampliação do conhecimento sobre a natureza dos valores humanos. Este núcleo rígido se sustenta em pressupostos teóricos que são especificados a seguir: Natureza Humana. Na presente teoria se assume a natureza benevolente ou positiva dos seres humanos, admitindo apenas valores positivos. Dessa forma, os 75 comportamentos sociais desviantes seriam originados por um desequilíbrio de prioridades valorativas, sendo típicos em pessoas que valorizam excessivamente determinadas funções em detrimentos de outras (Rebollo, Herrero, & Colom, 2002; Rhee & Waldman, 2002), exemplo: experimentação e/ou realização em detrimento de outras interativa e/ou normativa, produzindo perfis desviantes. Princípios-guia Individuais. Apesar de existirem abordagens teóricas acerca de valores culturais (e.g., Hofstede, 1984; Inglehart, 1991), escassamente alguém pode falar em tais valores se o que toma como referência são respostas de pessoas individuais. Assim os valores são, na realidade, princípios-guia de pessoas, quer individualmente ou em grupo de indivíduos. Base Motivacional. Toma em conta apenas a ideia de que os valores são representações cognitivas das necessidades humanas (Kluckhohn, 1951; Maslow, 1954), estando disponíveis em todas as sociedades e representando cognitivamente necessidades individuais, institucionais e societais (Rokeach, 1973; Schwartz, 1992). Caráter Terminal. Segundo o próprio Schwartz (1992) os valores terminais são substantivos, enquanto aqueles instrumentais são adjetivos, reduzindo essa classificação a um problema meramente semântico. Dessa forma, apenas os valores terminais são tidos em conta nesta teoria. A razão para isso pode ser igualmente encontrada em Rokeach (1973), quem afirma que tais valores são mais precisos e estão em menor número do que aqueles instrumentais. Condição Perene. Assume-se a perspectiva temporal cíclica da história (Farris, 1987; Šubrt, 2001), significando que não existe um estado-fim, um destino comum irremediável ou um padrão fixo de sociedade. Contrariamente, as sociedades ou culturas são concebidas como tendo sua dinâmica própria, primando por valores que fazem possível a convivência harmoniosa entre seus membros. 76 Funções e subfunções valorativas Um dos aspectos específicos da teoria ora proposta é tomar em conta as funções dos valores já que são poucos os estudos empíricos que primam por essa propriedade (Allen et al., 2002). Revendo as publicações acerca do tema, Gouveia (1998, 2003) identificou duas funções consensuais dos valores: (1) guiam as ações humanas (tipo de orientação; Rokeach, 1973; Schwartz, 1992) e (2) expressam suas necessidades (tipo de motivador; Inglehart, 1977; Maslow, 1954). Função de guiar os comportamentos humanos. De modo geral, as pessoas possuem um foco pessoal ou social do comportamento como a unidade de sobrevivência. As que se pautam por valores sociais são centradas na sociedade, enquanto que as que são guiadas por valores pessoais são mais egocêntricas (Gouveia et al., 2003; Schwartz, 1992). Em estudos empíricos (Gouveia, 2003; Schwartz & Bilsky, 1987) tem emergido um terceiro grupo de valores, denominados de valores centrais. No entanto, ao contrário de Schwartz (1992) que os denomina como mistos e não apresenta uma explicação teórica acerca de tais valores, a teoria Funcionalista propõe que este grupo de valores se situe entre os outros dois tipos, pois são a base estruturante ou a espinha dorsal da organização valorativa (Gouveia, 2013). Função de dar expressão às necessidades humanas. Embora seja possível pensar em arranjos diferentes para os valores como representação das necessidades, a literatura tem evidenciado duas estruturas subjacentes: valores materialistas (pragmáticos) e humanitários (idealistas) (Braithwaite, Makkai, & Pittelkow, 1996; Inglehart, 1977). Os valores materialistas estão relacionados a idéias práticas, e as pessoas que os consideram importantes são orientadas a metas específicas e regras normativas, pensando em termos de condições mais biológicas de sobrevivência. Quando 77 combinada com a orientação pessoal, poderá significar a aceitação da diferença, o foco extrínseco, a orientação ao êxito e a busca de ganhos pessoais; e combinado com a orientação social, pode implicar em maior resistência à mudança, evitando incertezas e endossando padrões rígidos de relações interpessoais. Os Valores humanitários expressam princípios mais universais e abstratos. Quando retratando valores pessoais, implica assumir riscos, ser aberto a experiências e não se prender a coisas concretas; quando se configuram a partir de valores sociais, poderão implicar atitudes altruístas, tomando as pessoas como importantes, merecedoras de atenção, não promovendo discriminação. Gouveia (2013) entende que os que representam os comportamentos e os tipos motivacionais podem coexistir de forma equilibrada no sistema axiológico de pessoas maduras. Em suma, os valores humanos parecem ter duas funções uma de guiar os comportamentos e outra de representar as necessidades. O papel de guiar os comportamentos humanos pode ser representado por três dimensões uma com orientação pessoal, outra social e uma terceira com orientação central. A função de representar as necessidades pode ser concebida por motivações que de um lado são mais materialista e por outro mais idealistas. As duas funções dos valores são autodependentes, ou seja, estão correlacionadas e seu cruzamento da origem a seis subfunções valorativas. As seis subfunções valorativas As subfunções valorativas têm lugar a partir do cruzamento dos dois eixos funcionais correspondentes, um horizontal representando a função de orientar os comportamentos (tipo de orientação) e outro vertical que concebe a função representar as necessidades humanas (tipo de motivador) (Figura 9). Do cruzamento são derivados 78 (3X2) seis quadrantes valorativos, cada um representando uma subfunção específica: social-materialista (normativa), central-materialista (Existência), pessoal-materialista (Realização), social-humanitário (Interativa), central-humanitário (suprapessoal) e pessoalhumanitário (Experimentação). Valores como expressão de necessidades Valores como padrão guia do comportamento Metas pessoais (o indivíduo por se mesmo) Metas centrais (o propósito geral da vida) Metas sociais (o indivíduo na comunidade) Necessidades idealistas (a vida como fonte de oportunidades) Experimentação Emoção Prazer Sexualidade Suprapessoal Beleza Conhecimento Maturidade Interativa Afetividade Apoio social Convivência Necessidades materialistas (a vida como fonte de ameaça) Realização Êxito Poder Prestígio Existência Estabilidade Saúde Sobrevivência Normativa Obediência Religiosidade Tradição Tabela 3. Funções, subfunções e valores específicos (Gouveia, 2012). Cada uma das seis subfunções compreende uma variável latente, composta por três valores, utilizados pela literatura (Braithwaite & Scott, 1991). Os 18 valores compõem 18 itens que conformam o Questionário dos Valores Básicos (Gouveia et al., 2008). Entende-se que a diversidade axiológica da quantidade de valores não se encerra com esses valores, pois é possível que em outras culturas ou contextos possa existir outros, mas que se enquadram no esquema conceitual proposto (Gouveia, 1998). Para Gouveia (2012) a Teoria Funcionalista dos valores Humanos pode ser operacionalizada em duas partes principais: (1) conteúdo e estrutura e (2) congruência e compatibilidade das funções valorativas. A hipótese de conteúdo diz respeito à 79 adequação dos conjuntos de valores a cada uma das seis subfunções, vem sendo corroborada em pesquisas com diferentes amostras (Gouveia, Milfont et al., 2011; Medeiros, 2011); e a hipótese de estrutura indica como os valores se organizam no espaço bidimensional 3x2 proposto pela teoria, tomando em conta os dois eixos funcionais mostrados na Tabela 3. Segue a caracterização e definição das seis subfunções valorativas decorrentes das hipóteses de conteúdo e de estrutura: Subfunção existência. Representa indivíduos que vivem ou viveram em contexto de escassez, passando a valorizar as necessidades fisiológicas mais básicas (e.g., comer, beber, dormir) e a necessidade de segurança (Maslow, 1954). Os valores escolhidos para compor esta subfunção são: Saúde, sobrevivência e estabilidade pessoa. Subfunção realização. Representa a necessidade de autoestima (Maslow, 1954) e concebem pessoas que objetivam estabelecer relações de hierarquia baseadas na demonstração de competência pessoal, apreciando uma sociedade organizada, estruturada, sendo práticos em suas decisões e comportamentos (Schwartz, 1992; Schwartz & Bilsky, 1987). Êxito, prestígio e poder são os valores selecionados para representar esta subfunção. Subfunção normativa. Representa indivíduos que buscam adesão e preservação da cultura e das normas convencionais da sociedade ou institucionais (Schwartz, 1992). Os três valores escolhidos para representar essa subfunção foram: Tradição, obediência e religiosidade e representam. Pessoas mais velhas são prováveis representantes desses valores (Rokeach, 1973). Subfunção suprapessoal. Seus valores representam cognitivamente as necessidades de estética, cognição e autorrealização (Maslow, 1954). Pessoas que se guiam por estes valores pensam de forma mais geral e ampla, tomando decisões e se 80 comportando a partir de critérios universais (Schwartz, 1992), tendo uma orientação que transcende pessoas ou grupos específicos (Rokeach, 1973). Conhecimento, maturidade e beleza são três valores escolhidos para definir esta subfunção. Subfunção experimentação. Interesse esta na satisfação das necessidades fisiológicas e busca por prazer (hedonismo; Maslow, 1954). Os valores desta subfunção contribuem para a promoção de mudanças e inovações na estrutura de organizações sociais, pois seus defensores são menos prováveis de se conformarem com normas sociais, sendo tipicamente endossados por jovens. Os valores escolhidos para representar essa subfunção foram: Sexualidade, prazer e emoção. Subfunção interativa. Destaca-se pela busca por experiência afetiva entre indivíduos, representando as necessidades de pertença, amor e afiliação (Maslow, 1954). São essenciais para estabelecer, regular e manter as relações interpessoais; os contatos sociais são uma meta em si mesmos, enfatizando atributos mais afetivos e abstratos. Os valores para esta subfunção foram: Afetividade, convivência e apoio social. 81 Tabela 4. Subfunções valorativas, seus tipos de motivador e orientação, e os marcadores valorativos selecionados Experimentação Realização Existência Emoção - Desfrutar do desafio e do perigo; buscar aventuras. Prazer - Desfrutar da vida; satisfazer todos os seus desejos. Sexualidade - Ter relações sexuais; obter prazer sexual. Poder - Influenciar os outros e controlar decisões. Prestígio - Ser admirado e reconhecido por suas ações. Êxito - Obter o que se propõe; ser eficiente em tudo que faz. Saúde - Preocupar-se em não estar doente. Estabilidade Pessoal - Ter certeza de que amanhã terá tudo o que tem hoje. Ter uma vida organizada e planificada. Sobrevivência - Ter água, comida e poder dormir bem. Suprapessoal Beleza - Ser capaz de apreciar o melhor da arte, música e literatura. Conhecimento - Buscar novas conhecimentos sobre o mundo. Maturidade - Sentir que conseguiu alcançar seus objetivos na vida; desenvolver todas as suas capacidades. Interativa Afetividade - Ter com alguém uma relação de afeto profunda e duradoura. Convivência - Conviver diariamente com os vizinhos; fazer parte de algum grupo: religioso, esportivo, entre outros. Apoio Social - Obter ajuda de um grupo ou de alguém quando a necessite. Normativa Obediência - Cumprir seus deveres e obrigações; respeitar seus pais, os superiores e os mais velhos. Religiosidade - Cumprir a vontade de Deus. Tradição - Seguir as normas e tradições sociais. Hipóteses de congruência e compatibilidade. Na teoria Funcionalista dos Valores Humanos não se admite conflito entre os valores, logo as correlações entre as subfunções valorativas são positivas. Sendo a correlação mais alta e consistente entre as pessoas maduras e/ou autorrealizadas, existindo maior congruência. A hipótese da congruência entre as subfunções valorativas pode ser representada pela figura de um hexágono (Figura 2). Considerando a proximidade entre cada par de 82 subfunção, os autores da teoria sugerem que há três níveis de congruência: baixa, moderada e alta, detalhadas a seguir: Figura 2. Congruência das subfunções dos valores básicos Congruência baixa. Corresponde às subfunções que têm orientações e motivadores diversos; estes se encontram em lados opostos no hexágono. Portanto, os pares realização – interativa e normativa – experimentação apresentam baixa congruência. No caso, a baixa congruência se deve à independência, mas sem expressar incompatibilidade enquanto princípios-guia, destes pares de subfunções. Congruência moderada. É caracterizada por valores que apresentam o mesmo motivador, porém tipos diferentes de orientações; os pares de subfunções realização – normativa e experimentação – interativa expressam este nível de congruência. Congruência alta. Agrupa as subfunções que possuem a mesma orientação, mas com motivadores diferentes. Estas expressam o padrão de máxima congruência, sendo representada por subfunções que aparecem em lados adjacentes do hexágono, correspondendo aos pares realização – experimentação e normativa – interativa. 83 As duas subfunções dos valores centrais não estão incluídas por duas razoes principais: (1) elas são a fonte ou a base que dá origem às demais subfunções, apresentando correlações fortes e positivas com todas elas (Gouveia et al., 2011); (2) a distinção principal teórica dos valores se situa na distinção de valores sociais e pessoais (Gouveia et al., 2003; Rokeach, 1973). Em resumo, a teoria de Gouveia e colaboradores contempla as hipóteses de conteúdo e estrutura, tratadas também no modelo de Schwartz (1992); adicionalmente, contribui com a distinção entre congruência e compatibilidade dos valores, oferecendo, inclusive, um cálculo de graus de congruência. Isso é especialmente importante haja vista que ainda são poucos os estudos que testam essas hipóteses. 84 PARTE 2 - ESTUDO EMPÍRICO 85 CAPITULO 4. MEDIDAS E CORRELATOS DAS ATITUDES 86 Nos capítulos precedentes, procurou-se contextualizar e apresentar os aspectos psicossociológicos da aposentadoria, assim como as definições e os autores que trabalham com o construto de atitudes, e por fim descrevendo brevemente as principais teorias dos Valores Humanos, com ênfase na Teoria funcionalista dos valores, que é a perspectiva adotada na presente dissertação. Nos próximos capítulos a finalidade principal é a de reunir evidências empíricas que respondam aos objetivos desta pesquisa. Esta parte foi composta por dois estudo, tendo o 1º objetivo eminentemente exploratório, pois tratou de adaptar e validar as medidas e verificar os correlatos, propondo um modelo explicativo. O 2º estudo teve o objetivo de confirmar a estrutura das escalas e o modelo explicativo. No primeiro estudo foram utilizadas duas medidas de atitudes frente à aposentadoria (uma de diferencial semântico e outra de intervalos aparentemente iguais), uma de Razões Para se Aposentar e a medida de Valores Humanos Básicos. Para isso foi empregada a Teoria Clássica dos Testes (TCT) e a Teoria de Resposta ao Item para as escalas de atitudes e de valores humanos e para a escala de Razões para se aposentar, por se tratar de uma medida com estrutura fatorial formativa, foi empregado a Análise dos Componentes Principais, pois se entende que para esta não seria possível empregar a teoria do traço latente que orienta a TCT e a TRI (Pasquali, 2007; Tabachnick & Fidell, 2013). 4.1. Objetivos e hipóteses Com base na literatura apresentada nos três capítulos precedentes, foram elaborados os seguintes objetivos: Objetivo Principal 87 Verificar se os Valores Humanos poderiam atuar como explicadores das atitudes frente à aposentadoria; Para responder a este objetivo, foram elaborados outros objetivos específicos Adaptar e Validar duas medidas de atitudes frente à aposentadoria, sendo uma de diferencial semântico e outra de intervalos aparentemente iguais; Verificar o ajuste da medida de Valores humanos; Verificar os parâmetros de dificuldade e discriminação dos itens das escalas de atitudes e de valores por meio a Teoria de Respostas ao Item; Propor uma medida reduzida das escalas de atitudes frente à aposentadoria; Adaptar e validar uma medida de razões para se aposentar; Verificar os correlatos entre as medidas de Valores, Razões para se aposentar e as duas medidas de atitudes; Em função dos objetivos traçados e da literatura apresentada, foram elaboradas sete hipóteses: Hipótese 1. Valores da subfunção interativa são positivamente relacionados com as atitudes positivas frente à aposentadoria. Hipótese 2. Valores da subfunção normativa são positivamente relacionados com as atitudes positivas frente á aposentadoria. Hipótese 3. As pontuações da medida de Mais Tempo Livre como razão para se aposentar se correlacionarão positivamente com as atitudes frente à aposentadoria. 88 Hipótese 4. As pontuações da medida de Mais Tempo Livre como razão para se aposentar se correlacionarão positivamente com a subfunção Interativa. Hipótese 5. As pontuações da medida de Mais Tempo Livre como razão para se aposentar se correlacionarão positivamente com a subfunção Normativa. Hipótese 6. As pontuações da medida de Estresse como razão para se aposentar se correlacionarão negativamente com as atitudes frente à aposentadoria. Hipótese 7. As pontuações da medida de Saúde como razão para se aposentar se correlacionarão negativamente com as atitudes frente à aposentadoria. 4.2. Método 4.2.1. Delineamento Trata-se de um estudo eminentemente correlacional, ex post facto, com orientação psicometrista, onde se procura além de buscar reunir evidências de validade fatorial, verificar os parâmetros psicométricos dos itens. Embora não tenham sido elaboradas hipóteses específicas, no caso de alguns instrumentos, existiam evidências claras acerca dos fatores a extrair, razões que orientaram as análises. 4.2.2. Participantes A amostra foi de conveniência (não-probabilística), onde participaram 200 pessoas com mais de 50 anos com média de idade de 57,4 anos (DP = 7,51; amplitude de 50 a 84 anos), sendo 63% do sexo feminino e 61,3% casados(as) ou convivente. Para esta amostra a média de anos de estudo foi alta (M = 14,01; DP = 9,71). Quanto à aposentadoria, 65,8% se declararam não aposentados e o tempo médio de aposentadoria, dentre aqueles que declararam aposentados, foi de 10 anos (DP = 9,17), sendo que uma 89 pequena maioria (53,8%) se aposentou por tempo de serviço. Por fim, apenas 16,9% dos participantes fizeram ou fazem algum tipo de preparação para a aposentadoria (entender preparação para a aposentadoria como algum tipo de treinamento realizado pela empresa, associação ou pessoal para o momento da vida pós trabalho). 4.2.3. Procedimento Foi realizado o procedimento de adaptação das escalas para a língua portuguesa, a partir das versões originais dos instrumentos. Inicialmente, um professor universitário e um estudante da pós-graduação de psicologia realizaram a tradução para o português. A avaliação das traduções seguiu duas etapas: 1º (forward-translation) avaliação da tradução que foi realizado por um grupo de cinco estudantes da pós-graduação em psicologia e o 2º (back-translation) que se refere a tradução do português para o idioma de origem e a comparação entre as duas versões (versão original da escala e a nova versão) (Sireci, Yang, Harter, & Ehrlich, 2006). A tradução para língua de origem foi feita por dois estudantes da pós-graduação em psicologia fluentes nos idiomas específicos de cada escala. As escalas não apresentaram divergências no conteúdo e compreensão, sendo consideradas equivalentes aos idiomas originais. Parte da coleta de dados foi realizada presencialmente, onde foi entregue um livreto com as escalas para 90 participantes responderem. Outra parte da coleta foi realizada pela internet, assim 110 participantes acessaram o questionário por meio de um link disponibilizado nas redes sociais. Em ambas as formas, as pessoas responderam o questionário individualmente, sendo informado de que sua participação seria voluntária e anônima, que não havia respostas certas ou erradas e que foram seguidas todas as recomendações éticas relacionadas à pesquisa com seres humanos, conforme o disposto nas resoluções 466/12, sendo o projeto aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa – Plataforma Brasil (Parecer nº 88.166/2012) (Anexo 10). Após esses 90 esclarecimentos, os participantes presenciais assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido (Anexo 8) e os da internet foram informados quê ao aceitar participar da pesquisa estavam dando consentimento para que os dados fossem tratados em seu conjunto. Foram necessários, em média, 40 minutos para cada respondente concluir esta atividade. 4.2.4. Instrumentos Escalas de atitudes frente à aposentadoria. Foram aplicadas e testadas duas escalas com o objetivo de mensurar as atitudes frente à aposentadoria. A primeira foi uma escala com o método de diferencial semântico de Osgood (Osgood, Suci, & Tannenbaum, 1957, citado por Feijoo, 2006) e a segunda com o método de intervalos aparentemente iguais de Thurstone (Thurstone & Chave, 1937, citado por Feijoo, 2006). Optou-se por testar duas medidas de atitudes frente aposentadoria por três motivos principais: 1º - A escala de intervalos aparentemente iguais de Thurstone permite conhecer a atitude do sujeito em seus distintos aspectos, de acordo com seu posicionamento em cada item por ele analisado, consequentemente fornecendo uma ferramenta útil que aponta para qual aspecto ou dimensões, possíveis programas de preparação para a aposentadoria poderiam direcionar sua intervenção; 2º os adjetivos bipolares que constituem a escala de diferencial semântico de Osgood tem apresentado evidencias de precisão na mensuração de comportamentos em relação a um objeto atitudinal (Feijoo, 2006); 3º - A utilização das duas medidas de atitudes também foi importante para asseverar condições necessárias para a realização da segunda pesquisa, pois uma das medidas poderiam não apresentar qualidades psicométricas mínimas para sua validação e consequente utilização no contexto brasileiro e mais especificamente paraibano. 91 Escala de diferencial semântico. Foi construída em espanhol por Feijóo (2006) com o objetivo de verificar qual a relação que a pessoa estabelece com a aposentadoria. Possui 22 adjetivos bipolares que se referem a aposentadoria (exemplo: “Desagradável – Agradável”e “Pobre – Abundante”). O respondente deveria marcar a opção de 1 a 7, sendo que quanto mais próximo de 6 mais o participante teria uma atitude relacionada a um adjetivo positivo. O instrumento demonstrou possuir 3 fatores intitulados: evaluativo [Avaliativo (9 itens)], potencia [Poder (7 itens)] e actividad [atividade (6 itens)]. A confiabilidade da escala foi verificada por meio do teste reteste com 6 meses de distância entre as aplicações e obteve uma coeficiente de correlação de r = 0,81. Escala de intervalos aparentemente iguais. Também foi construída em espanhol por Feijóo (2006) e possui 40 itens em formato dicotômico referente a condição de concordância ou não do participantes com as afirmações de cada item. Identificou-se na escala três fatores relacionados a atitudes favoráveis (14 itens, exemplo: “Em uma situação onde existe muito desemprego o melhor é se aposentar.”), atitudes desfavoráveis (16 itens, exemplo: “Aposentadoria causa muita angústia, desespero e incerteza.”) e atitudes neutras (10 itens, exemplo: “Ao se aposentar, como em cada fase de mudança, se perdem umas coisas, mas também se ganham outras.”). A confiabilidade da escala foi verificada por meio do teste reteste com 6 meses de distância entre as aplicações e obteve uma coeficiente de correlação de r = 0,83. Razões para se aposentar (RPA). Foi construída originalmente em inglês por Floyd et al. (1992) e tem como objetivo verificar quais as razões que as pessoas tem ou teriam para se aposentar. A escala é composta por 15 itens expressando os motivos que os levaram ou levariam a se aposentar (por exemplo: “Estresse no trabalho” e “Problemas de saúde com o conjugue”) os participantes responderam em um formato Likert (1 Discordo totalmente a 5 - concordo totalmente). Floyd et al (1992) encontrou quatro 92 fatores intitulados de Job Stress [Estresse no trabalho(3 itens)], Pressure From Employer [Pressão do empregador (4 itens)], Pursue Own Interests [Buscar interesse próprios (4 itens)] e Retirement Due to Circumstances [Aposentadoria devido a circunstâncias (4 itens)], tendo apresentado, respectivamente, os seguintes alfas de Cronbach: α = 0,80, α = 0,79, α = 0,66 e α = 0,61. Perguntas demográficas. Os participantes responderam perguntas para caracterização da amostra (idade, sexo, religião, etc.) e relacionadas ao processo de aposentadoria (por exemplo: se já é aposentado, motivo da aposentadoria, a quanto tempo é aposentado ou quanto tempo falta). 4.2.5. Análise dos dados Os dados foram tabulados no software Microsoft Excel®, sendo exportado para o SPSS versão 20, onde foram realizadas análises descritivas, Análises dos Componentes Principais (ACP) ou análise dos Principais Eixos Fatoriais, cálculo da consistência interna e validade. Para a escala com itens dicotômicos foram utilizados analises policóricas [Inimum Average Partial test (MAP), (Velicer, 1976) e Unweighted Least Squares (ULS) (Mínimos quadrados não ponderados)], essas analises foram realizadas com o software FACTOR versão 9.20 (Lorenzo-Seva, Timmerman, & Kiers, 2011). Para o questionário de Valores Humanos Básicos (QVB) foi utilizado Análise Fatorial Confirmatória (AFC) e para testar o modelo teórico das relações entre as técnicas de Path Análises com o auxílio do software AMOS versão 18. O ajuste dos modelos foram avaliados em função dos seguintes indicadores (Byrne, 2001; Garson, 2003): χ² (Qui-quadrado), valendo-se de sua razão com os graus de liberdade do modelo (χ² / g.l.); Goodness-of-Fit Index (GFI); Adjusted Goodness-of-Fit Index (AGFI); Comparative Fit Index (CFI); Root-Mean-Square Error of Approximation (RMSEA). 93 Posteriormente, para o tratamento via Teoria de Resposta ao Item (TRI), utilizou-se a linguagem R, versão 2.15.1 (R Core Team, 2012), via pacote ltm (Rizopoulos, 2006). Confirmando a unidimensionalidade, verificou-se os parâmetros psicométricos da TRI. Para as escalas com itens politômicos, utilizou-se o modelo de Resposta Graduada de Samejima (1969) e para as escalas com itens dicotômicos o modelo de dois parâmetros de Birnbaum (1968). No Modelo de Resposta Gradual de Samejima (1969) (GRM), desenvolvido para itens politônicos, cada item é descrito em termos de dois parâmetros, a saber, um parâmetro de discriminação e um parâmetro de limiar de categoria (j), que representa a dificuldade do item. O (j) é definido como o número de intervalos existentes em uma escala de respostas politônica. Sendo assim, nessa escala que possui 7 pontos de escolha por item o j = 7-1 = 6. Nesses parâmetros de dificuldade (ji), sua métrica possui amplitude que vai de mais infinito a menos infinito, porém como estão em escore z, na prática variam de -3 (muito fáceis) a +3 (muito difíceis) (Andrade et al, 2001) (esse intervalo contempla 99,73% da população). A discrimnação dos itens politônocos é uma medida que indica a sensibilidade que o item possui para diferenciar os sujeitos à medida que o escore theta se modifica (Embreston & Reise, 2000). A métrica desse parâmetro vai de menos infinito a mais infinito, porém na prática vai de 0 (nada discriminativo) a +4 (muito discriminativo) (Pasquali, 2007). O ajuste dos dados foi verificado por meio da comparação de dois modelos concorrentes; no primeiro, fixou o parâmetro de discriminação e, no segundo, foram livremente estimados. A razão de Verossimilhança entre os dois modelos foi utilizada para investigar qual dos modelos mostrava-se mais adequado. Também foram investigados os valores χ2 das frequências dos padrões de resposta observados em 94 relação às frequências preditas pelo modelo. Conforme sugerem Drasgow, Levine, Tsien,Williams e Mead (1995), valores abaixo de 3,0 indicam bom ajuste. A informação fornecida por cada item foi investigada tanto graficamente (através da inspeção das Curvas de Informação dos Itens e Curvas de Informação do Teste) como pelos valores de informação máxima e das proporções de informação abaixo da curva no intervalo de θ compreendido entre -3 e 3. A função de informação (FI) pode ser definida como o montante de informação psicométrica que um item contém ao longo do contínuo do traço latente (Pasquali, 2007). Uma utilidade da Curva de informação é testar quais testes são mais eficazes (trazem mais informação) a respeito de um determinado traço latente. 4.3. Resultados Primeiramente, pela Teoria Clássica dos Testes (TCT) se avaliou as evidências de validade e precisão das escalas que foram adaptadas. Posteriormente, quando possível, foram averiguados os ajustes e os parâmetros dos itens por meio da Teoria de Resposta ao Item (TRI). A seguir, serão descritos separadamente os resultados dos parâmetros estimados pela TCT e pela TRI de cada uma das escalas utilizadas. 4.3.1. Escala de atitudes frente à aposentadoria: método Osgood. Inicialmente, verificou-se a fatorabilidade da matriz de correlações entre os itens do instrumento por meio do índice Kaiser-Meyer-Olkin (KMO) e do Teste de Esfericidade de Bartlett. Os resultados comprovaram possibilidade de se realizar análise fatorial exploratória, sendo observados os seguintes índices: KMO = 0,96 e teste de esfericidade de Bartlett, χ² (231) = 4.398,03, p < 0,001. Dessa forma, procedeu-se a análise pelo método dos principais eixos fatoriais, assim como realizado por Feijóo, 95 (2006). Com o método que utiliza valor próprio (eigevalues) igual ou superior a um (Critério de Kaiser) para selecionar o número de fatores e rotação promax, confirmouse o número de fatores (três fatores) encontrados pela autora que validou a escala (Feijóo, 2006), os valores próprios encontrados foram: 14,21, 1,34 e 1,07 (figura 3). Estes explicaram conjuntamente 75,5% da variância total. Porém, os itens não saturaram nos fatores da pesquisa original. Em seguida, por ser considerado um método de extração mais robusto (Hayton, Allen, & Scarpello, 2004), realizou-se a análise paralela (critério de Horn), utilizando os parâmetros do banco de dados da presente pesquisa (200 participantes e 22 itens) para um percentil de 95% e 1.000 simulações. O segundo fator da análise paralela apresentou maior média (1,53) que o fator gerado pela analise fatorial (1,34) sugerindo que um único fator seria mais adequado. Figura 3. Gráfico dos valores próprios da escala de atitudes (método Osgood). Dessa forma, realizou-se uma nova análise fatorial com o método dos principais eixos fatoriais, fixando em um único fator. A estrutura fatorial apresentada na Tabela 5 demonstra que uma estrutura unifatorial se mostrou aceitável. Os 22 itens explicaram 64,6% da variância total, com saturação variando entre 0,90 (item 22. Negativa – 96 positiva) e 0,47 (item 15. Lenta – Rápida), o fator apresentou ainda um alfa de Cronbach de α = 0,97, indicando uma consistência interna alta. Adverti-se que, embora essa medida seja muito utilizada e contribua de forma expressiva para a avaliação da confiabilidade das medidas psicométricas, ela apresenta sensibilidade ao número de itens (Hair, Black, Babin, Anderson, & Tatham, 2009; Tabachnick & Fidell, 2013). Tabela 5. Estrutura fatorial da Escala de atitudes frente à aposentadoria (método Osgood). 22 12 13 21 16 20 09 14 19 11 01 08 02 03 07 18 17 04 05 06 10 15 Conteúdo dos itens Negativa – Positiva Ruim – Boa Triste – Alegre Infeliz – Feliz Desagradável – Agradável Fraca – Forte Prejudicial – Benéfica Entediada – Divertida Frustrada – Respeitável Não adaptada – Adaptada Estéril – Fértil Insegura – Segura Inútil – Útil Incômoda – Cômoda Isolada – Sociável Indigna – Respeitável Pobre – Abundante Indesejada – Desejada Inativa – Ativa Inquieta – Serena Difícil – Fácil Lenta – Rápida Número de itens % Variância explicada Alfa de Cronbach Cargas Fatoriais 0,90 0,90 0,89 0,89 0,87 0,85 0,85 0,84 0,84 0,83 0,81 0,81 0,79 0,79 0,79 0,78 0,75 0,74 0,72 0,69 0,56 0,47 22 64,6% 0,97 97 Após a análise fatorial exploratória, procedeu-se á estimação dos parâmetros para cada um dos itens da escala de atitudes frente à aposentadoria por meio do Modelo de Resposta Gradual de Samejima (GRM) (Samejima, 1969). Verificou-se o ajuste dos dados ao modelo de TRI, os valores χ2 das frequências dos padrões de resposta observados em relação às frequências preditas pelo modelo se situaram abaixo de 3,00, indicando bom ajuste dos dados a utilização da TRI (Drasgow, Levine, Tsien,Williams, & Mead, 1995). Posteriormente, buscou-se pelo melhor ajuste a um modelo com discriminação constante e outro com discriminação variável. A razão de Verossimilhança entre os dois modelos foi utilizada para investigar qual dos modelos mostrava-se mais adequado. Os resultados obtidos sugerem que o modelo com ambos os parâmetros (a e b) variáveis (modelo não-forçado [unconstrained]) assumiu o melhor ajuste [χ2 (21) = 229,21 ; p < 0,001]. 98 Tabela 6. Descrição dos parâmetros dos itens para a escala de diferencial semântico de atitudes (Método Osgood) Item1 Item2 Item3 Item4 Item5 Item6 Item7 Item8 Item9 Item10 Item11 Item12 Item13 Item14 Item15 Item16 Item17 Item18 Item19 Item20 Item21 Item22 j1 -2,81 -3,23 -3,08 -3,47 -3,30 -3,70 -2,58 -2,54 -2,89 -2,40 -2,63 -3,10 -2,37 -2,84 -2,70 -2,53 -2,53 -2,25 -2,02 -2,10 -2,24 -2,17 j2 -2,09 -2,67 -2,53 -2,86 -3,07 -3,13 -2,23 -2,06 -2,47 -1,90 -2,36 -2,64 -2,27 -2,56 -2,25 -2,10 -2,21 -1,97 -1,60 -1,77 -1,92 -2,00 j3 -1,77 -2,25 -2,23 -2,70 -2,42 -2,37 -2,00 -1,71 -2,01 -1,39 -1,87 -1,89 -1,59 -1,54 -1,67 -1,70 -1,45 -1,53 -1,32 -1,40 -1,72 -1,60 j4 -0,63 -1,15 -0,99 -1,38 -1,38 -1,23 -1,03 -1,07 -1,14 -0,48 -0,83 -1,12 -0,95 -0,74 -0,57 -1,06 -0,42 -1,00 -0,85 -0,68 -1,01 -0,92 j5 -0,07 -0,56 -0,32 -0,70 -0,66 -0,26 -0,22 -0,43 -0,68 0,40 -0,20 -0,63 -0,47 -0,24 0,36 -0,46 0,60 -0,46 -0,25 -0,11 -0,53 -0,57 j6 0,59 0,08 0,51 -0,09 0,33 0,60 0,63 0,16 0,04 1,26 0,64 0,01 0,16 0,36 1,25 0,21 1,30 0,09 0,47 0,63 0,14 0,09 a 2,37 2,26 2,13 1,87 1,69 1,55 2,08 2,48 2,75 1,27 2,40 3,77 3,98 2,83 1,09 3,13 1,74 2,20 2,95 2,68 3,74 4,08 Média Erro DP padrão Mínimo Maximo -2,70 0,10 0,46 -3,70 -2,02 -2,30 0,09 0,40 -3,13 -1,60 -1,82 0,08 0,37 -2,70 -1,32 -0,94 0,06 0,26 -1,38 -0,42 -0,29 0,08 0,36 -0,70 0,60 0,43 0,09 0,41 -0,09 1,30 2,50 0,19 0,85 1,09 4,08 j – Limiares de resposta. Considerando o bom ajuste dos dados, foi dado prosseguimento a estimação dos parâmetros de discriminação e dificuldade via GRM. Na escala de atitudes frente à aposentadoria a média de discriminação foi de 2,50 (DP = 0,85), a menor discriminação ficou com o item 15 (â15 = 1,09) e a maior com o item 22 (â22 = 4,08). A média de 99 dificuldade dos limiares ficou entre j1=-2,70 (Dp= 0,46) e j6= 0,43 (Dp= 0,41) nos limiares das altenativas de resposta (Tabela 6). Item 12. Ruin - Boa Item 22. Negativa - Positiva 1.0 1.0 1 2 3 4 5 6 7 0.8 1 2 3 4 5 6 7 0.8 0.6 0.6 Probabilidade Probabilidade 0.4 0.4 0.2 0.2 0.0 0.0 -4 -2 0 Theta - θ 2 4 -4 -2 2 4 Theta - θ Figura 4. Curva característica dos itens 12 e 22 da escala de Atitude (método Osgood) A Figura 4 exemplifica as curvas de característica dos itens 12 e 22 da escala, onde cada curva representa uma das sete opções de escolha do item. Tomando por exemplo a primeira curva do item 12 (linha preta), observa-se que a medida que o theta aumenta a probabilidade de assinalá-lo diminui até chegar um ponto onde é mais provável o sujeito assinalar outra alternativa. Para a figura do item 2, duas curvas (vermelha e a azul claro) não apresentam a relação entre theta e probabilidade de maneira clara, pois estão sobrepostas por outras. Esse desempenho das curvas de categorias de resposta representa 77,3% dos itens (17 itens) sugerindo que eles apresentariam desempenho semelhante se reduzisse de sete alternativas de escolha para cinco na escala. 100 Tabela 7. Descrição da informação psicométrica dos itens da escala de Atitudes (método Osgood). Item 01 Item 02 Item 03 Item 04 Item 05 Item 06 Item 07 Item 08 Item 09 Item 10 Item 11 Item 12 Item 13 Item 14 Item 15 Item 16 Item 17 Item 18 Item 19 Item 20 Item 21 Item 22 Média Desvio Padrão Mínimo Máximo Informação* Percentual de informação* Informação 7,08 5,86 5,77 3,98 3,73 3,42 5,66 7,04 8,25 2,63 7,30 13,73 14,90 9,15 2,00 10,63 4,72 5,48 9,43 8,48 13,16 14,71 7,60 88,25 79,35 82,52 73,15 76,46 71,58 89,89 92,15 87,38 83,07 91,04 85,50 98,02 88,99 76,59 94,81 88,31 93,86 98,36 97,41 98,43 99,10 87,92 8,03 7,38 7,00 5,44 4,88 4,77 6,29 7,64 9,45 3,16 8,02 16,05 15,20 10,28 2,61 11,22 5,35 5,84 9,59 8,71 13,37 14,84 8,41 3,86 8,53 3,81 2 14,90 72 99 2,61 16,05 * Valores para o intervalo de teta de -3 a +3 desvios padrões. A Tabela 7descreve os dados referente à quantidade de informação que o teste e seus itens trazem para as atitudes frente à aposentadoria. A média de informação que os itens trazem ficou em 8,4 sendo que 7,6, ou seja, 87,9% encontraram-se no intervalo de -3 a +3. A informação que o teste ofereceu foi de 185,1, onde 167 (99,1%) ficou entre o intervalo mencionado anteriormente. O valor mínimo de informação foi de 2,6 (item 15) 101 e o máximo foi de 14,9 (item13), a função de informação destes dois itens está exposta a seguir (Figura 5). Item 15. Entediada - divertida Item 13. Triste - Alegre 0.35 0.30 4 Informação Informação 5 3 2 1 0.25 0.20 0.15 0.10 0 -4 -2 0 2 4 Abilidade Informação (-3, 3 Dp) = 14,90 (99,1%) -4 -2 0 2 4 Abilidade Informação (-3, 3 Dp) = 2 (76,59%) Figura 5. Curva de Informação dos itens 22 e 15 da escala de Atitudes (método Osgood) A primeira curva mostra que o item 13 fornece mais informação para os sujeitos que estão entre os thetas de -2 e 0, para os sujeitos que possuem thetas além desses limites o item parece oferecer pouca informação, aumentando o risco do erro de especificação. A segunda curva oferece informação a uma amplitude maior de teta (-4 a +2), no entanto como foi dito anteriormente, esse item proporciona pouca informação independente do teta do sujeito. 4.3.2. Escala de atitudes frente a aposentadoria: método Thurstone. Inicialmente, verificou-se a fatorabilidade da matriz de correlações entre os itens do instrumento. A escala apresentou um KMO de 0,84 e um Teste de Esfericidade de Bartlett de χ² (435) = 1715,75, p < 0,001. A escala em sua versão original (Feijóo, 2006) foi validada utilizando o método dos Principais Eixos Fatoriais e o método de 102 extração de Kaiser, com a amostra utilizada por este estudo e escala apresentou nove fatores. Então foram utilizadas duas técnicas de extração que utilizam matrizes policóricas, por se tratar de uma escala com itens dicotômicos. Para a primeira técnica [Inimum Average Partial test (MAP), (Velicer, 1976)], a matriz de correlações policóricas e o método de extração de fator Unweighted Least Squares (ULS) (Mínimos quadrados não ponderados), apontaram para uma solução de um fator, que foi confirmado pela Análise Paralela que utiliza o Rank mínimo do Fator (Timmerman & Lorenzo-Seva, 2011), com geração de 500 matrizes de correlação policóricas aleatórias e com o Método de Dado Brutos de Buja e Eyuboglu (1992) para um intervalo de 95% de confiança. Figura 6. Gráfico dos valores próprios da escala de Atitudes (método Thurstone) A Tabela 8 demonstra a matriz com a saturação dos itens no fator ANFA. Dos 40 itens da escala 10 foram excluídos por apresentarem saturação inferior a│0,3│. Nos itens restantes, a saturação variou de 0,70 (Item 11). A aposentadoria causa muita 103 angústia, desolação e incerteza.) a 0,30 no (Item 02. O tempo livre que se obtém com a aposentadoria é ou será vivenciado como tempo perdido e sem esperança.). Tabela 8. Estrutura fatorial da Escala de atitudes frente à aposentadoria de intervalos aparentemente iguais (método Thurstone). 11 21 29 03 17 33 07 26 13 37 19 10 38 22 09 24 30 15 18 25 01 40 06 23 04 14 05 Itens A aposentadoria causa muita angústia, desolação e incerteza. Com a aposentadoria se perdem mais coisas do que se ganham. Ao se aposentar a pessoa sente que se aposenta também da vida. A aposentadoria permite dedicar mais tempo às pessoas queridas O aposentado perde autoridade em seu grupo familiar Ao se aposentar, a pessoa pode ter uma vida mais tranquila e serena. Ao se aposentar a pessoa se torna um peso para a família e a sociedade. Ao se aposentar a pessoa deixa de ser útil para a sociedade. Nesta sociedade em que apenas tem prestígio aquele que produz e consome, o aposentado se torna alguém socialmente marginalizado. Ao se aposentar a pessoa se entedia por não saber o que fazer com tanto tempo livre. Ao se aposentar, como em toda fase de mudança, são perdidas algumas coisas, mas também se ganham outras. A aposentadoria causa muita angústia, desolação e incerteza. A aposentadoria é sinônimo de pobreza. Como estou muito envolvido afetivamente com meu trabalho, a aposentadoria significa para mim uma grande perda. Aposentar-se significa entrar na etapa da velhice. É praticamente impossível que eu me entedie ao estar aposentado, pois tenho muitos hobbies e interesses. Ao se aposentar são melhoradas as relações familiares. Uma vez que o trabalho é muito importante para a pessoa, é muito provável que a aposentadoria provoque transtornos psicológicos sérios. Conseguir a aposentadoria é alcançar uma meta muito desejada. Mesmo que ao se aposentar a pessoa se sinta mais tranquila, também se entedia. A aposentadoria permite realizar muitos projetos que a pessoa tinha deixado de lado por exigências do trabalho. Não gostaria de ter que me aposentar jamais. Ao se aposentar a pessoa não se entedia porque pode fazer muitas coisas que antes queria e não podia por falta de tempo. Mesmo que ao se aposentar a pessoa perca o contato com os colegas de trabalho, pode dedicar mais tempo à família. A pessoa só deveria se aposentar quando não pudesse mais trabalhar Ao obter a aposentadoria, a pessoa se sente mais segura economicamente. Apesar que ao se aposentar a pessoa sente que já cumpriu suas obrigações laborais na vida, não deixa por isso de sentir um vazio. Fator 0,70 0,62 0,61 -0,58 0,58 -0,56 0,55 0,55 0,52 0,48 -0,48 -0,47 0,46 0,46 0,44 -0,43 -0,42 0,42 -0,41 0,41 -0,41 0,38 -0,37 -0,37 0,35 -0,34 0,34 104 28 32 02 39 27 12 35 34 36 31 08 20 16 Itens Fator Apesar de ao se aposentar diminuírem os vencimentos, isso é recompensado ao serem eliminados os gastos relacionados com o -0,33 trabalho (transporte, roupas, refeições, etc.). Com a aposentadoria os contatos sociais são perdidos, uma vez que a 0,33 pessoa se afasta de seus companheiros de trabalho. O tempo livre que se obtém com a aposentadoria é ou será vivenciado 0,30 como tempo perdido e sem esperança. Mesmo deixando de fazer um trabalho útil e remunerado, o aposentado pode se sentir bem ajudando os familiares e amigos com pagamento de -0,25 contas, buscando netos no colégio, etc. Eu gostaria ou teria gostado de me aposentar antes da idade estipulada em -0,22 lei. Não acredito que ao se aposentar a pessoa se sinta inútil, pois já cumpriu -0,22 com suas obrigações laborais na vida. O trabalho é a única coisa que dá sentido à vida de alguém. 0,18 Se bem que, com a aposentadoria a pessoa se libera das obrigações laborais, não pode usar o tempo livre como gostaria por assumir outras 0,18 obrigações familiares. Mesmo dispondo de tempo livre ao se aposentar, a pessoa não dispõe de 0,15 dinheiro suficiente para fazer o que deseja. Com a aposentadoria, as relações familiares nem melhoram nem 0,13 pioraram. Em situação de desemprego, o melhor a fazer é se aposentar. -0,11 A aposentadoria não significa perda de contatos sociais. -0,03 Como não estou afetivamente envolvido com meu trabalho, a 0,01 aposentadoria não significa para mim uma grande perda. Número de itens no fator 30 % Variância explicada para os 30 itens 15,1% Alfa de Cronbach (30 itens) 0,87 Para estimar os parâmetros da escala pela TRI, para essa medida, por se tratar de uma escala com itens de alternativas de resposta dicotômicas e também não existir acerto ao acaso (parâmetro c) como nas escalas de aptidão, o modelo da TRI utilizado será o de dois parâmetros de Birnbaum (1968) (Modelo Logístico de 2-parâmetros 2LP). Esse modelo, assim como no de Samejima (1969), trabalha com os parâmetros de dificuldade (b) e o de discriminação (a), porém como mencionado anteriormente, é especifico para itens dicotômicos com parâmetro c igual a zero. Deu-se prosseguimento a verificação do ajuste dos dados ao modelo de TRI por meio do χ2 das frequências dos 105 padrões de resposta observados em relação às frequências preditas pelo modelo. Apenas três itens (Item 02, 28 e 32) apresentaram valores ligeiramente a cima do preconizado por Drasgow et al (1995) com 0,36, 0,34 e 0,34, respectivamente. Os parâmetros para o modelo 2LP possuem a mesma métrica do modelo de Samejima (1969). Na matriz de cargas fatoriais dessa escala alguns itens apresentaram saturação negativa (tabela 9), resultando em parâmetros de discriminação negativos, sendo assim, para calcular a estatística descritiva dos parâmetros da TRI, as pontuações foram tidas em módulo. A média de discriminação foi de 1,36 (DP = 0,56), a menor discriminação ficou com o item 23 (â23 = 0,74) e a maior com o item 10 (â10 = 3,36). Considerando os índices estabelecidos por Baker (2001) os dados evidenciaram um bom nível de discriminação dos itens do instrumento (Tabela 9). Tabela 9. Descrição dos parâmetros e da informação dos itens para a escala de Atitudes (método Thurstone). Item1 Item2 Item3 Item4 Item5 Item6 Item7 Item8 Item9 Item10 Item11 Item12 Item13 Item14 Item15 Item16 Item17 Item18 Item19 B 0,98 2,94 1,84 1,56 -0,23 1,60 1,82 1,63 1,12 0,91 0,64 0,44 0,09 1,65 1,13 2,17 1,10 0,85 2,68 A 0,96 -0,93 1,96 -0,85 -1,04 0,79 -1,91 -1,14 1,18 -3,36 -1,60 0,90 -1,32 -1,91 1,11 1,48 -1,96 -1,24 0,95 IP 0,82 0,47 1,78 0,64 0,96 0,58 1,73 0,94 1,05 3,25 1,56 0,79 1,28 1,78 0,98 1,15 1,92 1,15 0,54 IP% 85,36% 51,01 90,67 75,3 91,44 73 90,49 82,24 89,37 99,91 97,47 86,78 96,31 92,94 87,9 77,38 97,64 92,68 57,08 IT 0,96 0,93 1,97 0,85 1,04 0,8 1,91 1,15 1,18 9,37 3,36 81,6 0,9 1,33 1,91 1,12 1,49 1,97 1,24 0,95 106 A 1,04 -1,19 -1,90 0,74 -2,19 1,01 -0,79 1,57 -1,42 -1,30 -1,01 IP IP% IT Item20 Item21 Item22 Item23 Item24 Item25 Item26 Item27 Item28 Item29 Item30 B 1,69 -0,03 1,92 0,51 1,59 0,64 1,04 1,35 0,83 2,02 2,58 0,83 1,13 1,68 0,59 2,10 0,91 0,62 1,46 1,35 1,02 0,60 79,02 94,61 88,57 79,65 95,67 89,29 78,5 92,93 95,18 77,98 60,08 1,05 1,2 1,88 0,74 2,2 1,02 0,79 1,57 1,42 1,02 1,35 Média Erro padrão DP Mínimo Maximo 1,35 0,13 0,72 0,03 2,94 1,36 0,10 0,56 0,74 3,36 1,19 0,11 0,61 0,47 3,36 84,88% 2,23 12,23 51 99,91 1,36 0,11 0,11 0,74 3,36 IP (informação parcial) - Informação no intervalo de -3 a +3 DP IP (%) - Percentual de informação no intervalo de -3 a +3 desvio padrão IT - Informação total Quanto aos parâmetros de dificuldade (b), a média foi de 1,35 (DP = 0,72) com o item 21 sendo o mais fácil (b = 0,03) e o item 02 o mais dificil (b = 2,94). Em média, para o intervalo de +3 -3 desvios padrões do theta, os itens forneceram 1,36 pontos de informação, isso representa 84,9% da informação do teste (Tabela 9). A Figura 07 representa graficamente as curvas com maior poder discriminativo (item 10) e o menor poder discriminativo (item 23). Na primeira linha da figura estão as Curva Caracteristica dos Itens (CCIs) demonstrando que quanto mais a curva se comporta perpendicularmente ao eixo horizontal mais o item discrimina os sujeitos em termos de seus thetas. A consequência disso é que o item com alto poder discriminativo tende a oferecer muita informação para um intervalo cada vez mais específico do theta, conforme se observa na segunda linha da figura. O item 10 com maior discriminação oferece muita informação (3,36 pontos) para os sujeitos que possuem theta entre 0 a 2, 107 não sendo indicado para sujeitos fora desse intervalo, pois o item pode produzir mais erro de especificação do que acerto. No outro extremo esta o item 23, que apresenta baixo poder discriminativo e pouca informação para um intervalo de sujeitos entre -4 a +4. Curva de Informação do Item Curva Característica do Item Item 10 Item 23 1.0 1.0 0.8 0.8 Probability 0.6 0.6 Probability 0.4 0.4 0.2 0.2 0.0 0.0 -4 -2 0 2 4 -4 -2 Ability 0 2 4 Ability 0.14 2.5 0.12 2.0 0.10 Information Information 1.5 0.08 1.0 0.06 0.5 0.04 0.02 0.0 Item10 -4 -2 0 2 4 -4 -2 Ability 0 2 4 Ability Figura 7. Curvas Característica e de Informação dos itens 10 e 23 da escala de atitudes (método Thurstone). 4.3.3. Questionário dos Valores Humanos Básicos (QVB) Mesmo com o instrumento de valores empregado apresentar estudos que corroborem sua adequação psicométrica (Gouveia, 2012; Gouveia et al., 2011), optou-se por avaliar as evidências de validade e precisão da medida, além de verificar seus parâmetros por meio da TRI. 108 Com o propósito de verificar o ajuste ao modelo hexafatorial dos valores humanos, procedeu-se uma Analise fatorial confirmatória (AFC), comparando o modelo hexafatorial com modelos alternativos: unifatorial (todos os itens saturando em um fator), bifatorial (os valores sendo representados pelas dimensões materialista e humanitária; Inglehart, 1991), trifatorial (assumindo que os fatores se organizam segundo os tipos de orientação pessoal, central e social; Schwartz, 1992) e o de pentafatorial (reunindo os valores centrais – existência e suprapessoal – em apenas um fator). Os resultados destas análises são descritos na Tabela 10 a seguir. Tabela 10. Indicadores de Ajuste dos Modelos do Questionário dos Valores Básicos. Modelos Hexafatorial ² (gl) GFI AGFI CFI RMSEA (IC 90%) 227,03 (120) 0,89 0,85 0,85 0,074 (0,064 – 0,085) 0,85 0,81 0,78 0,85 0,84 0,79 0,85 0,82 0,78 0,88 0,84 0,85 290,49 (135) 281,35 (134) 285,71 (132) 233,10 (125) Unifatorial Bifatorial Trifatorial Pentafatorial 0,072 (0,061 – 0,084) 0,071 (0,059 – 0,083) 0,073 (0,061 – 0,084) 0,074 (0,050 – 0,075) ECVI 1,479 (1,306–1,681) 1,650 (1,443–1,894) 1,623 (1,409–1,852) 1,626 (1,440–1,888) 1,532 (1,315–1,710) ² (gl) 63,46* (15) 54,32* (14) 58,68* (12) 6,07 (5) Notas: N = 218. ² = chi-quadrado, gl = graus de liberdade, GFI = Goodness-of-Fit Index, AGFI = Adjusted Goodnessof-Fit Index, CFI = Comparative Fit Index, RMSEA = Root-Mean-Square Error of Approximation, IC90% = Intervalo de Confiança de 90%, ECVI = Expected Cross-Validation Index. * p < 0,001. De acordo com os resultados acima, observa-se que os valores do modelo hipotetizado (hexafatorial) apresentou índices de ajuste baixos (χ2 /gl = 1,87, GFI = 0,90, AGFI = 0,85, CFI = 0,85 e RMSEA = 0,064), porém quando comparados com os modelos alternativos de um, dois, fatores, verificou-se que apresentaram significativamente menor ajuste que o hexafatorial (p < 0,001). O modelo pentafatorial não apresentou diferença significante (p = 0,30), porém considerando outros estudos que verificaram o ajuste ao modelo hexafatorial (Gouveia, 2013) e a coerência com a Teoria dos Valores Humanos, considera-se o modelo teorizado com o mais plausível. 109 Os indicadores de consistência interna, calculado por meio do alfa de Cronbach (α), foram os seguintes: experimentação (α = 0,50), realização (α = 0,50), existência (α = 0,63), suprapessoal (α = 0,48), interativa (α = 0,59) e normativa (α = 0,60). Conforme apresentado na Tabela 11, as saturações (lambdas λ) para cada valor variam de 0,28 (artes e poder) a 0,85 (prestígio) e coeficiente médio de 0,50 com todos os índices diferentes de zero (z ≠ 0; z > 1,96, p < 0,05). Tabela 11. Subfunções, valores, estimativas e razão crítica. Valores Humanos Subfunções Experimentação Realização Existência Suprapessoal Interativa Normativa Marcadores Estimativas (lambdas, ) Não Padronizados padronizados Razão Crítica (Teste z) Sexualidade 1,00 0,69 Prazer 0,65 0,52 6,63* Emoção 0,53 0,31 4,06* Êxito 1,00 0,35 Prestígio 1,93 0,85 3,01** Poder 0,81 0,28 2,91** Estabilidade 1,00 0,42 Saúde 1,32 0,53 4,94* Sobrevivência 0,91 0,49 4,79* Estabilidade 1,00 0,42 Artes 0,91 0,28 3,93* Conhecimento 0,92 0,40 5,07* Afetividade 1,00 0,52 Apoio social 0,93 0,55 6,14* Convivência 1,00 0,61 6,59* Religiosidade 1,00 0,47 Obediência 1,13 0,67 5,47* Tradição 1,52 0,59 5,25* Após a análise fatorial confirmatória (AFC), procedeu-se á estimação dos parâmetros para cada um dos itens da Questionário dos Valores Humanos por meio do Modelo de Resposta Gradual de Samejima (GRM) (Samejima, 1969). O exame do χ2 110 das frequências dos padrões de resposta observados em relação às frequências preditas pelo modelo se situaram, em sua maioria abaixo de 3,00, com apenas 0,2% de exceção das participantes, indicando bom ajuste dos dados a utilização da TRI (Drasgow et al. 1995). Posteriormente, comparou-se a ajuste dos modelos com discriminação constante ao com discriminação variável. A razão de Verossimilhança entre os dois modelos, para cada uma das seis subfunções, foi utilizada para investigar qual dos modelos mostravase mais adequado. Os resultados obtidos sugerem que o modelo com ambos os parâmetros (a e b) variáveis [modelo não-forçado (unconstrained)] assumiu o melhor ajuste para quatro subfunções: Existência [χ2 (2) = 229,21 ; p < 0,001], Suprapessoal [χ2 (2) = 2616,01 ; p < 0,016], Interativa [χ2 (2) = 229,21 ; p < 0,001] e Normativa [χ2 (2) = 2660,01 ; p < 0,016]. Para as demais subfunções, o modelo com discriminação variável não apresentou diferença significante: Realização [χ2 (2) = 2000.23; p < 0,079] e Existência [χ2 (2) =2368,84; p < 0,080]. Considerando o bom ajuste dos dados, foi dado prosseguimento a estimação dos parâmetros de discriminação e dificuldade via GRM. A média de discriminação foi de 1,60 (DP = 1,09), a menor discriminação ficou com o item “Emoção” (a = 0,53) e a maior com o item “Conhecimento” (a = 4,37). As médias nos limiares ficaram entre j1= -4,21 (DP= 1,60) e j6= 1,36 (DP= 1,54) (Tabela 12). 111 Tabela 12. Descrição dos parâmetros dos itens para a escala de Valores Existência Suprapessoal Interativa Realização Existência Normativo Emoção Prazer Sexualidade Beleza Conhecimento Maturidade Apoio Social Afetividade Covivência Êxito Poder Prestígio Saúde Estabilidade Sobrevivência Obediência Religiosidade Tradição Média DP Mínimo Maximo Fonte: Dados da pesquisa. j1 -4,36 -2,49 -8,39 -5,67 -2,92 -7,43 -3,31 -3,69 -4,40 -4,59 -2,62 -3,56 -3,85 -4,18 -4,15 -2,72 -2,80 -4,75 -4,21 j2 -0,93 -2,19 -7,73 -3,29 -2,15 -5,72 -3,09 -3,25 -3,25 -3,94 -1,06 -2,73 -3,64 -3,88 -3,85 -2,61 -2,56 -3,60 -3,30 j3 0,71 -1,73 -7,27 -2,32 -1,77 -5,11 -2,33 -2,11 -2,11 -2,84 0,16 -1,13 -3,48 -3,66 -3,47 -2,21 -2,27 -2,44 -2,52 j4 1,90 -0,95 -4,75 -1,27 -1,28 -3,71 -1,80 -1,23 -1,23 -1,69 1,22 -0,37 -3,21 -2,49 -3,00 -1,55 -1,69 -1,32 -1,58 j5 4,01 0,01 -1,22 0,19 -0,31 -1,22 0,11 0,20 0,20 0,20 2,50 0,81 -1,37 -0,70 -0,99 -0,47 -0,73 0,41 0,09 j6 6,37 0,88 1,08 1,47 0,55 0,50 1,14 1,54 1,54 1,84 3,43 1,98 -0,40 0,56 0,22 0,36 -0,13 1,63 1,36 a 0,53 4,2 0,60 1,24 4,37 0,96 1,52 1,30 1,40 1,11 1,11 1,11 1,41 1,41 1,41 2,91 1,41 1,17 1,61 1,60 -8,39 -2,49 1,56 -7,73 -0,93 1,78 -7,27 0,71 1,58 -4,75 1,90 1,34 -1,37 4,01 1,54 -0,40 6,37 1,09 0,53 4,37 A Figura 8 exemplifica as curvas de característica de Conhecimento e Emoção. Para a CCI de conhecimento, percebe-se que elas apresentam pouca sobreposição entre alternativas de resposta do item. Porém, o mesmo parece não acontecer para o item do valor Emoção onde muitas curvas se sobrepõem. 112 Conhecimento Emoção 1.0 0.8 1 2 3 4 5 6 7 Probability 0.6 0.8 0.6 0.0 0.2 0.4 0.0 0.2 Probability Título 1 2 3 4 5 6 7 0.4 1.0 Título -4 -2 0 Ability 2 4 -4 -2 0 2 4 Ability Figura 8. Curva característica dos itens de Conhecimento e Emoção A Tabela 13 descreve os dados referente à quantidade de informação que seus itens trazem. A média de informação total dos itens ficou em 5,74 (DP = 5,46) sendo que a média de informação do item para o intervalo de -3 a +3 DP foi de 5,74, compreendendo 78,1% da informação total. O valor mínimo de informação para o intervalo foi de 0,71 (Item: Emoção) e o máximo foi de 20,6 (item: Conhecimento). 113 Tabela 13. Descrição da informação psicométrica dos itens para o questionário de Valores Humanos Informação* Existência Suprapessoal Interativa Realização Existência Normativo Emoção Prazer Sexualidade Beleza Conhecimento Maturidade Apoio Social Afetividade Covivência Êxito Poder Prestígio Estabilidade Saúde Sobrevivência Obediência Religiosidade Tradição Média DP Mínimo Maximo Percentual de informação* 0,71 19,05 0,77 3,11 20.61 1,68 3,66 4,79 3,48 2,63 2,83 2,70 2,78 3,35 3,95 2,87 10,19 2,87 5,11 5,72 0,71 20,61 50,65% 99,96% 51,73% 70,10% 99,82% 53,94% 89,79% 88,11% 79,12% 74,87% 82,89% 83,47% 81,00% 79,85% 79,00% 74,65% 92,83% 74,65% 78,13 14,55 51 100 Informação 1,49 19,06 1,49 4,43 20,65 3,12 4,07 5,44 4,4 3,51 3,42 3,23 3,43 4,20 3,95 10,26 3,41 3,85 5,74 5,46 1,49 20,65 * Valores para o intervalo de teta de -3 a +3 desvios padrões. A função de informação destes dois itens está exposta a seguir (Figura 9). A Curva de Informação do Item mostra que o item Conhecimento produz pouca informação para os participantes com thetas maiores que dois. Já o item Emoção consegue abranger uma quantidade maior de theta, porém proporciona pouca informação. 114 Conhecimento Emoção Título Título Valores5 0.086 Information 3 0 0.082 1 0.084 2 Information 4 0.088 5 0.090 Valores4 -4 -2 0 2 4 Ability -4 -2 0 2 4 Ability Figura 9. Curvas Característica e de Informação dos itens de Conhecimento e Emoção 4.3.3. Escala de razões para se aposentar Dando prosseguimento as análises fatoriais das escalas utilizadas na presente dissertação. Inicialmente se confirmou a fatorabilidade da matriz de correlações entre os itens, com um KMO de 0,72 e um Teste de Esfericidade de Bartlett de χ² (105) = 811,66, p < 0,001. Dessa forma, procedeu-se à Análise dos Componentes Principais (ACP), assim como realizado por Floyd et al, (1992). Com o método que utiliza valor próprio (eigenvalues) igual ou superior a um (critério de Kaiser) para selecionar o número de fatores e rotação Varimax, encontrou-se cinco componentes: 3,80, 2,09, 1,57, 1,19 e 1,00 (Figura 10). Estes explicaram conjuntamente 64,4%% da variância total. Em seguida, realizou-se uma análise paralela (critério de Horn), utilizando os parâmetros do banco de dados (200 participantes e 15 itens) para um percentil de 95% e 1.000 simulações. O quarto componente da análise paralela apresentou maior média (1,22) que o componente gerado pela ACP (1,18) e como o terceiro fator da ACP não apresentou média inferior (1,57) que o da análise paralela (1,29), optou-se por três fatores para a escala. 115 Figura 10. Gráfico dos valores próprios da escala de razões para se aposentar Para a escala de Razões Para se Aposentar, considerando a análise paralela, considerou-se três fatores intitulados Estresse no trabalho (composto por sete itens), Mais tempo livre (composto por quatro itens) e Motivos de saúde (composto por quatro itens) que explicaram conjuntamente 49,8% da variância e apresentaram respectivamente alfas de Cronbach de 0,77, 0,76 e 0,54. A saturação dos itens variou de 0,81 (Pressionado pelo patrão) a 0,40 (Incentivos oferecidos pela empresa) para o componente Estresse no trabalho, para Mais Tempo Livre variou de 0,84 (Deseja mais tempo com a família) a 0,67 [Esposa(o) queria o(a) parceiro(a) aposentado(a)] e Motivos de Saúde variou de 0,78 (Problemas de saúde do cônjuge) a 0,38 (Pode finalmente arcar com as despesas da aposentadoria) (Tabela 14). Essa escala apresenta um modelo fatorial formativo, onde ao contrário dos modelos reflexivos que apresentam itens formados pela variável latente (a direção causal é da variável estatística para os itens), os itens formam pela variável não observável, ou seja, a direção causal é do item para a variável estatística (Hair et al. 2009; Tabachnick & Fidell, 2013). Sendo assim, para essa escala e para a próxima 116 escala não se aplicam os pressupostos da TRI. Pois, esta se fundamenta na suposição de que a variável latente (theta) causa o item (Pasquali, 2007). Tabela 14. Estrutura fatorial da Escala de razões para se aposentar 4. 1. 6. 7. 2. 3. 5. 8. 9. 11. 10. 14. 13. 12. 15. Componentes Estresse no Mais tempo Motivos de trabalho livre saúde Pressionado pelo patrão 0,10 -0,09 0,81 Muito estresse no trabalho 0,28 0,01 0,73 Despedido, demitido ou redução de horas -0,02 0,19 0,63 Dificuldades com pessoas no trabalho 0,04 0,14 0,62 Dificuldade com as exigências físicas do 0,19 0,22 0,60 trabalho Não gostar do trabalho 0,10 0,17 0,52 Incentivos oferecidos pela empresa 0,12 -0,03 0,40 Deseja mais tempo com a família 0,06 0,05 0,84 Deseja tempo para seus próprios 0,17 -0,10 0,79 interesses Queria dar espaço para os mais jovens 0,18 0,01 0,68 Esposa(o) queria o(a) parceiro(a) 0,10 0,23 0,67 aposentado(a) Problemas de saúde do cônjuge. 0,17 0,01 0,78 Saúde debilitada. 0,26 0,23 0,76 Atingiu a idade obrigatória para a 0,17 0,01 0,50 aposentadoria Pode finalmente arcar com as despesas da 0,15 0,20 0,38 aposentadoria. 7 4 4 % Variância explicada 25,34 13,95 10,49 Alfa de Cronbach 0,77 0,76 0,54 Número de itens 4.3.5. Correlatos entre as medidas de Atitudes frente a aposentadoria, Valores Humanos Básicos e Razões para se aposentar. Na próxima sessão, serão apresentados os resultados dos correlatos entre as medidas estudadas. Especificamente, verificar-se-á a variância compartilhada entre as pontuações derivadas da Teoria Clássica dos Testes (TCT) e da Teoria de Resposta ao Item (TRI), posteriormente a relação das variáveis demográficas com as medidas de 117 atitudes, valores e razões para se aposentar e por fim, com a finalidade de testar as hipóteses ponderadas para esta pesquisa, as correlações dos valores, razões para se aposentar e atitudes frente à aposentadoria. 4.3.5.1. TCT x TRI: variância compartilhada entre as pontuações das medidas Nesta sessão observou-se especificamente, a magnitude dos efeitos entre os mesmos construtos calculados com técnicas as distintas (TCT e TRI). Das oito medidas avaliadas tanto pela TCT como pela TRI, cinco apresentaram efeitos de correlação maiores que r = 0,90, representando mais de 81% de variância compartilhada, três apresentaram efeitos menores que r = 0,90, com a relação entre as pontuações da medida de Atitude frente à aposentadoria (método Thurstone) apresentando o menor efeito (r = 0,86; 74% de variância compartilhada), esses efeitos estão em itálico (Tabela 15). Tabela 15. Matriz de correlação das pontuações da TCT X TRI. Realização Existência Normativa 0,22** 0,05 0,08 0,11 Atitude (Osgood) 0,59** 0,95** 0,04 0,18* 0,20** 0,15* 0,13 0,16* Experimentação -0,02 0,11 0,98** 0,45** 0,36** 0,37** 0,32** 0,24** Suprapessoal 0,14 0,26** 0,45** 0,88** 0,56** 0,37** 0,51** 0,36** Interativa 0,18* 0,27** 0,35** 0,52** 0,96** 0,40** 0,56** 0,49** Realização -0,04 0,18* 0,39** 0,36** 0,47** 0,88** 0,42** 0,39** Existência -0,02 0,20** 0,25** 0,37** 0,56** 0,39** 0,91** 0,62** Normativa 0,02 0,18* 0,13 0,19** 0,43** 0,37** 0,52** 0,94** dos testes Pontuação derivadas da Teoria clássica Interativa Suprapessoal 0,13 (Osgood) -0,02 (thurstone) Atitude 0,68** Atitude (Thurstone) 0,86** Atitude Experimentação Pontuações derivadas da Teoria de Resposta ao Item (Theta) * p < 0,05, ** p < 0,01 (Teste Bicaudal). 118 4.3.5.2 Relação das variáveis demográficas com as medidas de atitudes, valores e razões para se aposentar A próxima tabela descreve os resultados das correlações entre as medidas e as variáveis demográficas. Para as demográficas variáveis categóricas [sexo (1 – Masculino, 2 – Feminino), É aposentado (1- não aposentado, 2 – aposentado), motivo da aposentadoria (1 – aposentado por tempo de serviço, 2 – aposentado por idade) foram utilizadas correlações bisseriais por ponto e para as continuas, correlações de Pearson. Sexo Religiosidade Escolaridade Classe econômica É aposentado Tempo aposentadoria Motivo aposentadoria Atitude (Osgood) -0,12 -0,03 0,04 -0,13 -0,24** 0,04 -0,08 -0,22* -0,09 Atitude (Thurstone) -0,03 0,09 -0,07 0,12 0,04 Anos estudo Idade Tabela 16. Correlatos demográficos das atitudes, valores e razões para se aposentar. 0,03 0,15* -0,35** -0,14 ** 0,19* -0,05 0,02 0,01 Experimentação -0,05 -0,24 -0,07 0,22 0,34 Realização 0,14 -0,14 -0,07 -0,05 -0,11 0,18* -0,12 0,21* -0,12 Existência -0,06 0,11 -0,04 0,08 0,03 0,04 0,08 -0,03 -0,02 -0,20* -0,03 0,09 0,19 0,02 -0,16* -0,11 0,02 Suprapessoal -0,26 ** Interativa 0,02 0,03 -0,02 0,12 0,04 0,02 0,11 0,12 0,02 Normativa 0,07 0,04 0,14 -0,12 -0,14 -0,04 -0,01 0,14 -0,10 ** -0,30** 0,07 Estresse Tempo livre Saúde -0,29 ** -0,08 -0,01 ** 0,20* 0,02 0,23 0,18 -0,08 0,09 -0,08 -0,16 0,02 0,07 -0,25** -0,03 -0,22* 0,02 0,10 0,27** -0,01 0,12 0,01 -0,27 ** 0,27 -0,28 * p < 0,05, ** p < 0,01 (Teste Bicaudal). Os resultados apontam para evidências de correlação negativa entre idade e a subfunção Suprapessoal (r = -0,26; p < 0,01) e entre o estresse como razão para se aposentar (r = -0,29; p < 0,01), quanto ao sexo, os homens parecem ter maior pontuação na subfunção Suprapessoal (r = -0,20; p < 0,05) e as mulheres maior 119 pontuação no estresse como motivo para se aposentar (r = 0,20; p < 0,05). Aqueles que possuem mais anos de estudo apresentaram uma atitude mais negativa (método Osgood) frente à aposentadoria (r = -0,24; p < 0,01), maior pontuação na subfunção de experimentação (r = 0,34; p < 0,01) e menos razão para se aposentar devido à saúde [(r = 0,22; p < 0,05), escolaridade (r = 0,27; p < 0,01)]. Aqueles que de classe econômica mais altas apresentam correlação positiva com Experimentação e Realização [(r = 0,19; p < 0,05), (r = 0,18; p < 0,05), respectivamente]. Os aposentados apresentaram atitude mais positivas frente à aposentadoria (método Thurstone) se comparados aos não aposentados (r = 0,15; p < 0,05), porém os não aposentados apresentaram maior pontuação nos valores Suprapessoais (r = 0,16; p < 0,05) e no estresse como razão para se aposentar (r = 0,28; p < 0,01). Finalmente, aqueles aposentados que apresentaram mais tempo de aposentadoria apresentaram atitude mais negativa frente à aposentadoria [método Osgood (r = -0,22; p < 0,05), método Thurstone (r = -0,35; p < 0,01)], mais tempo de aposentadoria também se correlacionou positivamente com os valores de realização (r = 0,20; p < 0,05) e com saúde como motivo para se aposentar (r = 0,27; p < 0,01) e negativamente com estresse e desejar mais tempo livre como razão para se aposentar [(r = -0,30; p < 0,01), (r = 0,25; p < 0,01), respectivamente]. 4.3.5.3 Testando as Hipóteses: correlato das atitudes com valores e razões para se aposentar Nesta sessão serão testadas as sete hipóteses formuladas anteriormente. A Tabela 17 apresenta uma matriz de correlação entre as atitudes frente à aposentadoria, Valores Humanos e as Razões para se aposentar. Nela esta descrita as duas medidas de atitudes 120 frente a aposentadoria [medida de diferencial semântico (politômica) e medida de intervalos aparentemente iguais (dicotômica)]. Atitude (Osgood) Atitude (Thurstone) 0,58** Estresse -0,07 -0,02 ** 0,20** 0,29** Tempo livre 0,35 Saúde 0,01 -0,10 0,27** 0,17* Experimentação 0,10 -0,04 0,10 0,05 Realização 0,19 * -0,04 0,06 Existência 0,17* -0,05 0,15* Suprapessoal 0,23** 0,09 Interativa 0,26** Normativa 0,22** 0,12 0,17* 0,33** 0,04 0,20** 0,29** 0,41** 0,07 0,11 0,18* 0,45** 0,33** 0,42** 0,14 0,10 0,22** 0,19* 0,35** 0,41** 0,61** 0,54** 0,01 0,01 0,12 0,21** 0,22** 0,44** 0,58** 0,30** 0,23 ** 0,52** * p < 0,05, ** p < 0,01 (Teste Bicaudal). As medidas de atitudes frente à aposentadoria apresentaram correlação significativa e positiva (r = 0,58; p < 0,01). A medida de Osgood apresentou evidencias de correlação positiva com Mais tempo livre (r = 0,35; p < 0,01) e com cinco das seis subfunções de valores [Realização (r = 0,19; p < 0,05), Existência (r = 0,17; p < 0,01), Suprapessoal (r = 0,23; p < 0,01), Interativa (r = 0,26; p < 0,01) e Normativa (r = 0,22; p < 0,01)]. A medida de atitude (Método Thurstone) apresentou correlação apenas com Mais Tempo Livre (r = 0,20; p < 0,01). O Estresse como razão para se aposentar se correlacionou positivamente com Mais tempo livre (r = 0,29; p < 0,01) e com Saúde como Razão para se aposentar (r = 0,27; p < 0,01). A Variável mais tempo livre apresentou correlação com Saúde (r = 0,17; p < 0,05), com a subfunção realização (r = 0,23; p < 0,01) e com a interativa (r = 121 Normativa Interativa Suprapessoal Existência Realização Experimentação Saúde Tempo livre Estresse Atitude (Thurstone) Atitude (Osgood) Tabela 17. Matriz de correlação entre atitude, Valores e Razões para se aposentar. 0,22; p < 0,01), outra variável que apresentou correlações com cinco das seis subfunções valorativas foi a Saúde como Razão para se aposentar [Realização (r = 0,17; p < 0,05), Existência (r = 0,20; p < 0,01), Suprapessoal (r = 0,18; p < 0,01), Interativa (r = 0,19; p < 0,01) e Normativa (r = 0,21; p < 0,01)]. Por fim, as seis subfunções valorativas apresentaram correlações positivas que variaram de r = 0,22 (Experimentação x Normativa) a r = 0,61 (Existência x Interativa). Com base nestes resultados, verifica-se que se confirmou parcialmente a hipótese 1 (H1) e 2 (H2), pois houve correlação positiva entre a subfunção interativa/ normativa e as atitudes frente à aposentadoria apenas para uma das medidas de atitude (método Osgood). Confirmou-se, ainda, a hipótese 3 (H3), de correlação positiva entre Mais tempo livre e Atitude e a hipótese 4 (H4) de correlação positiva entre mais tempo livre e a Subfunção interativa. Não foi encontrado evidencias que corroborassem as hipóteses 5 (H5), 6(H6) e 7(H7). Fundamentados nas correlações e nas hipóteses que foram confirmadas, elaborou-se um modelo explicativo das atitudes frente à aposentadoria. Para este modelo, foi utilizada apenas a medida de atitudes com o método de Osgood como variável dependente, pois a outra medida de atitudes não apresentou correlação com os valores humanos. O modelo foi construído tomando por base os valores humanos como variáveis preditoras e a variável Mais Tempo Livre como Razão para se aposentar como mediadora da predição das subfunções Interativa e Realização nas Atitudes. Salienta-se que foi considerado apenas o modelo de mensuração, não sendo estimado o modelo estrutural, pois em seu lugar foram utilizadas as medidas computadas por meio da TRI. A Tabela 18 apresenta os índices de ajuste do modelo estimado ao modelo observado. Os resultados demonstram plausibilidade do modelo proposto, com um 122 ²/(gl) = 1,77; com altos índices de qualidade do ajuste (GFI = 0,99, AGFI = 0,93 e CFI = 0,99) e baixo índice de desajuste [RMSEA (IC 90%) = 0,065 (0,001 – 0,15)]. Tabela 18. Ajuste do modelo explicativo das atitudes frente à aposentadoria. Modelo explicativo: atitude frente à aposentadoria ²/(gl) GFI AGFI CFI RMSEA (IC 90%) 1,77 0,99 0,93 0,99 0,065 (0,001 – 0,15) Notas: N = 785. ² = chi-quadrado, gl = graus de liberdade, GFI = Goodness-of-Fit Index, AGFI = Adjusted Goodness-of-Fit Index, CFI = Comparative Fit Index, RMSEA = Root-Mean-Square Error of Approximation, IC90% = Intervalo de Confiança de 90%. A Figura 11 apresenta a análise de caminhos com as respectivas estimativas e suas significâncias. Nesse modelo multivariado, as subfunções Existência (γ = 0,01; p >0,05) e Normativa (γ = 0,12; p = 0,07) não apresentaram evidências de predição nas atitudes. Especificamente, considerando a magnitude do efeito da subfunção Normativa, é bem possível que em uma amostra com um pouco mais de poder estatístico esse efeito fosse significante. A subfunção Suprapessoal confirmou sua relação positiva nas atitudes (γ = 0,13; p < 0,05), por outro lado, as subfunções Realização e Interativa, perderam o efeito significativo direto sob as atitudes, quando foi inserido no modelo a variável mediadora Mais tempo livre. Isso sugere um efeito mediador total de Mais tempo livre na relação entre essas subfunções nas atitudes frente à aposentadoria. De fato, o efeito de Realização e da interativa em Mais tempo livre foram respectivamente (γ = 0,17; p < 0,01), (γ = 0,14; p < 0,05) 123 ** Significativa no nível 0,01. * Significativa no nível 0,05. Figura 11. Estrutura do modelo explicativo da atitude frente à aposentadoria. 4.4. Discussão parcial A seguir, são assentadas algumas considerações a respeito dos resultados das análises das escalas de atitudes frente a aposentadoria e a de Razões para se aposentar, a discussão dos correlatos e das hipóteses confirmadas serão apresentadas no sexto capítulo. Para este momento, os parâmetros das escalas subsidiaram uma proposta de redução das escalas de atitudes. Inicialmente, a análise fatorial, da escala de diferencial semântico de atitudes frente à aposentadoria (método de Osgood), com o critério de Kaiser, revelou a existência de três fatores, corroborando o número de fatores gerado pela autora que elaborou e validou a medida (Feijóo, 2006). Os fatores proposto pela análise de Feijóo (2006), foram: i) Avaliação, que se refere à “avaliação individual do conceito e dimensão corresponde ao desfavorável/favorável” (Exemplo de item: estéril / fértil); ii) Potência que diz respeito à “percepção individual de poder ou potência” na 124 aposentadoria (exemplo de item: fracos / fortes); iii) e finalmente, Atividade, aludindo para uma percepção de aposentadoria como um conceito de atividade (exemplo de item: lento / rápido). Porém, os itens não saturaram nos fatores da pesquisa original. Por esse motivo e por ser considerado um método de extração mais robusto, foi realizada uma análise paralela (critério de Horn), que sugeriu que a adoção de um único fator parecia ser mais plausível. Na escala de intervalos aparentemente iguais de atitudes frente à aposentadoria (método de Thurstone), utilizando o método de extração do artigo original (Critério de Kaiser) foi encontrado nove fatores, resultado bem diferente do encontrado por Feijóo (2006) que encontrou três fatores (intitulados de Atitudes Positiva; Atitudes Negativas e Atitudes Neutras frente à aposentadoria). Quando Utilizado os métodos de extração para análises fatoriais com matrizes policóricas, os resultados apontaram para uma solução unifatorial. Razões para se aposentar (RPA). Foi construída originalmente em inglês por Floyd et al. (1992) e tem como objetivo verificar quais as razões que as pessoas tem ou teriam para se aposentar. A escala apresentou 4 componentes que o autor intitulou de Estresse no Trabalho [(3 itens, Job Stress)]; Pressão do empregador [(4 itens, Pressure From Employer)]; Buscar interesses próprios [(4 itens, Pursue Own Interests)]; Aposentadoria devido a circunstâncias [(4 itens, Retirement Due to Circumstances)]. A Análise dos Componentes Principais da RPA revelou a existência de três componentes, discordando da versão original que optou por quatro. Os três componentes receberem os nomes de Estresse no trabalho (composto por sete itens), Busca de tempo livre (composto por quatro itens) e Motivos de saúde (composto por quatro itens) como razões para se aposentar. Nessa análise houve principalmente uma migração dos itens do componente Pressão do Empregador para o componente estresse 125 no trabalho. O restante dos itens compuseram os outros dois componentes. Ainda quanto à redução do número de componentes do estudo original da escala, a versão da presente dissertação explicou 49,8% da variância total do conjunto de itens, um pouco menos que o artigo de Floyd et al. (1992), que explicou 60%. No entanto, confia-se que a opção por três fatores seja a mais razoável, haja visto a composição semântica dos itens nos componentes e a utilização do método de extração de Horn, que é considerado mais robusto (Hayton, Allen, & Scarpello, 2004). As duas ultimas medidas desse estudo possuem um modelo formativo, ou seja, as variáveis observáveis causam a variável latente, diferentemente dos modelos reflexivos onde a direção causal vai do construto para seus indicadores (exemplo são as escalas de atitudes frente à aposentadoria). Nos modelos reflexivos presume-se que uma medida observada é determinada por um fator latente único. Por outro lado, nos formativos a variável latente é definida pelos itens de um instrumento: assim o construto é determinado por uma combinação linear de variáveis independentes, por isso a escolha de Análises dos Componentes Principais para identificar suas estruturas, pois ela tem como objetivo escolher as formas mais representativas dos dados a partir de combinações lineares das variáveis originais (Tabachnick & Fidell, 2013). Proposta de versão das escalas reduzidas A intenção na construção de um instrumento é que os itens abranjam maximamente o atributo alvo da mensuração. Nesse sentido, a TCT termina por consentir, a elaboração de itens, que por vezes, apresentam conteúdo redundante. Cronbach (1951) pondera que o número de itens é importante para que o instrumento possa cobrir todo o contínuo do traço latente, esse racicínio foi tido em conta na elaboração do cálculo do alpha de Cronbach. Porém, isso abre margem para a 126 possibilidade de inflar o índice apenas com o acrescimento de itens semanticamente muito parecidos. Nesse sentido, a TRI pode ser empregada para melhorar a qualidade psicométrica dos itens de instrumentos de medidas mais diversos, por meio da estimação dos parâmetros ao nível de cada item. Na TRI, a confiabilidade esta atrelada a cada item (informação), sendo possível investigar quais itens mensuram de forma mais eficiente o atributo (Reeve & Fayers, 2005). É com base neste raciocínio que se propõem uma versão reduzida para cada escala de atitudes frente à aposentadoria. Proposta de versão reduzida da escala de atitudes frente a aposentadoria de diferencial semântico (Método Osgood). A TRI tem sido utilizada com o objetivo de aperfeiçoar as medidas psicométricas dos testes, enfocando os parâmetros dos itens separadamente. Sendo assim, é possível verificar quais itens mais contribuem para a qualidade do instrumento e quais aqueles que apenas inflam o coeficiente alpha (Reeve & Fayers, 2005). Seguindo esse raciocínio, propõe-se uma versão reduzida da escala de atitudes frente a aposentadoria, que será testada em um segundo estudo dessa dissertação. A seleção dos itens para compor a escala reduzida seguiu as seguintes etapas: 1ª) selecionar os itens com o maior poder discriminativo, pois estes são os que possuem maior precisão ao longo da escala do atributo (Pasquali, 2007); 2ª) selecionar os itens com maiores valores de informação psicométrica ao longo da escala theta. Para isso foi utilizado tanto as curvas de informação dos itens como o valor da área sob cada curva no intervalo compreendido entre -3 e 3 theta; 3ª) nesta etapa foi considerado como condição necessária que a perda de informação não ultrapassasse os 50%, esse recurso auxiliaria na retenção da quantidade de itens de modo que cobrisse suficientemente o continuum do traço latente; 4ª) Por fim, foi inspecionado as Curvas Características de 127 Resposta do Item para verificar a adequação das categorias em cada um dos itens, assim como o alcance das curvas no contínuo theta. Foram retidos, em ordem decrescente de discriminação, 6 itens que atenderam aos critérios estabelecidos no parágrafo anterior, foram eles: item 13, 22, 12, 21, 16 e 19. Todos os itens apresentam elevado nível de discriminação, variando entre 4,08 e 2,83 e média de 3,50 (DP = 0,52). A quantidade de informação total para a escala reduzida no intervalo usual de theta é de I(θ) = 80,46, representando uma perda de 49% da informação. O valor máximo de informação da escala reduzida é de 14,9. De fato, o valor do coeficiente α calculado para a escala reduzida é de 0,96, contra 0,97 da escala original. Os indicadores de dimensionalidade, avaliada pela Análise Mokken, sofreram sensível melhoria, com índices Hs variando entre 0,83 a 0,79 (contra 0,42 a 0,74 da primeira versão), escalabilidade H = 0,80 (índice anterior 0,65) e Rho = 0,96 (índice anterior 0,97). Por fim, considerando o ultimo critério estabelecido para redução da escala (as Curvas Características de Resposta do Item), as alternativas de escolha dos itens serão reduzida de sete para cinco pontos, pois em 77,27% dos itens pelo menos duas categorias de resposta não apresentou relação entre probabilidade de escolha e theta. Proposta de versão reduzida da escala de atitudes frente a aposentadoria com intervalos aparentemente iguais (Método de Thurstone). Assim como na escala anterior, no estudo dois dessa dissertação, será testada uma versão reduzida dessa escala. A escolha dos itens para essa versão será realizada com base nos parâmetros da TRI, buscando os itens que mais contribuem para a qualidade do instrumento e quais aqueles que apenas inflam o coeficiente alpha (Reeve & Fayers, 2005). 128 A seleção dos itens para compor a escala reduzida seguiu três etapas: 1ª) selecionar os itens com o maior poder discriminativo, pois estes são os que possuem maior precisão ao longo da escala do atributo (Pasquali, 2007); 2ª) selecionar os itens com maiores valores de informação psicométrica ao longo da escala theta. Para isso foi utilizado tanto as curvas de informação dos itens como o valor da área sob cada curva no intervalo compreendido entre -3 e 3 theta; 3ª) Por fim, a perda de informação, resultante do encurtamento, foi analisada. Nesta etapa foi considerada condição necessária que a perda de informação não ultrapassasse os 50%, esse recurso auxiliaria na retenção da quantidade de itens de modo que cobrisse suficientemente o continuum do traço latente. Foram retidos, em ordem decrescente de discriminação, 10 itens que atenderam aos critérios estabelecidos no parágrafo anterior, foram eles: itens 10, 24, 17, 14, 07, 22, 03, 27, 28 e 13. Estes apresentaram bom nível de discriminação, variando entre 3,36 a 1,42, com média de 1,95 (DP = 0,57). Para essa nova versão o nível de dificuldade não apresentou diferenças significativas se comparando a versão anterior [t(09) = -0,33; = p = 0,74]. A quantidade de informação total para a escala reduzida no intervalo usual de theta é de I(θ) = 18,33, representando uma perda de 49,6% da informação. De fato, o valor do coeficiente α calculado para a escala reduzida é de 0,86, contra 0,87 da escala original. Os indicadores de dimensionalidade, avaliada pela Análise Mokken, sofreram sensível melhoria, com índices Hs variando entre 0,41 a 0,59 (contra 0,27 a 0,47 da primeira versão), escalabilidade H = 0,46 (índice anterior 0,32) e Rho = 0,85 (índice anterior 0,87). 129 CAPITULO 5. PARÂMETROS PSICOMÉTRICOS DAS ESCALAS REDUZIDAS E CORRELATOS VALORATIVOS 130 5.1. Objetivos O estudo 2 apresenta os parâmetros psicométricos dos itens e das escalas e posteriormente busca confirmar a estrutura da matriz de correlatos valorativos encontrada no estudo anterior. Para isso, utilizou-se as medidas reduzidas de atitudes frente à aposentadoria, a escala de Valores Humanos Básicos e a de Razões para se aposentar. Neste sentido, este estudo possuiu os seguintes objetivos: Confirmar a validade de construto das versões reduzidas das escalas atitudes frente à aposentadoria; Verificar se os parâmetros de dificuldade e discriminação dos itens das escalas de atitudes e de valores variaram em função da amostra; Confirmar o ajuste da medida de razões para se aposentar; Confirmar os correlatos entre as medidas de Atitudes, Valores humanos e Razões para se aposentar; 5.2. Método 5.2.1. Delineamento Tratou-se de um estudo correlacional confirmatório, ex post facto, com orientação psicometrista, onde se procura confirmar evidências de validade fatorial e os parâmetros psicométricos dos itens. Embora não tenham sido elaboradas hipóteses específicas, no caso de alguns instrumentos, existem evidências claras acerca dos 131 fatores e parâmetros à confirmar, assim como os correlatos entre os construtos de atitudes e valores humanos. 5.2.2. Participantes A amostra foi de conveniência (não-probabilística), onde participaram 230 pessoas com mais de 50 anos com média de idade de 57,5 anos (DP = 5,48; amplitude de 50 a 70 anos), sendo 62,3% do sexo feminino e 65,1% casados(as) ou convivente. Para esta amostra a média de anos de estudo foi alta (M = 15,52; DP = 9,75). Quanto à aposentadoria, 43,2% se declararam não aposentados e os que se declaram como aposentados apresentaram tempo média de aposentadoria de 2,78 anos (DP = 2,35), sendo que uma pequena maioria se aposentou por tempo de serviço (64,7). Por fim, apenas 13,2% dos participantes fizeram ou fazem algum tipo de preparação para a aposentadoria (entender preparação para a aposentadoria como algum tipo de treinamento realizado pela empresa, associação ou pessoal para o momento da vida pós trabalho). 5.2.3. Procedimento Assim como no estudo anterior, parte da coleta de dados foi realizada presencialmente, onde foi entregue um livreto com as escalas para 180 participantes responderem. Outra parte da coleta foi realizada pela internet, com 50 respondentes. Em ambas as formas, as pessoas responderam o questionário individualmente, sendo informado de que sua participação seria voluntária e anônima, que não havia respostas certas ou erradas e que foram seguidas todas as recomendações éticas relacionadas à pesquisa com seres humanos, conforme o disposto nas resoluções 466/12, sendo o projeto aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa – Plataforma Brasil (Parecer nº 88.166/2012) (Anexo10). Após esses esclarecimentos, os participantes presenciais 132 assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido e os da internet foram informados quê ao aceitar participar da pesquisa estavam dando consentimento para que os dados fossem tratados em seu conjunto. Foram necessários, em média, 40 minutos para cada respondente concluir esta atividade. 5.2.4. Instrumentos e análise dos dados Nesse estudo, foram utilizadas as mesmas escalas do primeiro estudo com o acréscimo do Questionário dos Valores Básicos. As escalas de atitudes frente à aposentadoria foram reduzidas. Questionário dos Valores Básicos (QVB). Desenvolvido em língua portuguesa, é formado por 18 itens que avaliam as seis subfunções valorativas de Gouveia (2012): experimentação, realização, existência, suprapessoal, interativa e normativa. Nele o participante indica o grau de importância que cada valor tem como um princípio-guia em sua vida, utilizando uma escala de resposta de sete pontos, variando de 1 = Totalmente não importante a 7 = Extremamente importante. Medeiros (2011) apresenta evidências de sua validade fatorial e consistência interna, avaliada por meio de confiabilidade composta acima de 0,60. Quanto a análise dos dados, além dos testes utilizados no primeiro estudo, foi utilizado para a medida de atitudes frente á aposentadoria com método de Thurstone a análise Mokken (Mokken Scale Analisys – MSA). Trata-se de uma análise não paramétrica, que busca verificar os pressupostos de homogeneidade monotônica e de monotonicidade dupla. Essa técnica busca principalmente os índices de escalonabilidade H de Löevinger (H para a escala total e Hs para cada item), considerando-se aceitáveis valores acima de 0,30 e Rho de Mokken, com valores ideais acima de 0,80 (Mokken & Lewis, 1982; Van Der Ark, 2007). 133 5.3. Resultados Primeiramente, verificou-se a validade de construto das medidas, por meio de Análises Fatoriais Confirmatórias (AFC), posteriormente, foram averiguados os ajustes e os parâmetros dos itens por meio da Teoria de Resposta ao Item (TRI), por fim, é apresentado os correlatos valorativos das atitudes. A seguir, serão descritos separadamente os resultados dos parâmetros estimados pela TCT e pela TRI de cada uma das escalas utilizadas. 5.3.1. Escala de atitudes frente à aposentadoria: método Osgood (versão reduzida). Com o propósito de verificar o ajuste ao modelo unifatorial (todos os itens saturando em um fator), procedeu-se uma Analise Fatorial Confirmatória (AFC). Os resultados desta análise é descrita na Tabela 19 a seguir. Tabela 19. Indicadores de ajuste da escala de atitudes frente a aposentadoria, versão reduzida (Método Osgood). Modelo Atitudes frente Uni à fatorial aposentadoria ² (gl) GFI AGFI CFI RMSEA (IC 90%) 18,32 (9) 0,97 0,94 0,98 0,068 (0,02 – 0,11) Notas: N = 785. ² = chi-quadrado, gl = graus de liberdade, GFI = Goodness-of-Fit Index, AGFI = Adjusted Goodness-of-Fit Index, CFI = Comparative Fit Index, RMSEA = Root-Mean-Square Error of Approximation, IC90% = Intervalo de Confiança de 90%. De acordo com os resultados acima, observa-se que os valores do modelo hipotetizado (Unifatorial) apresentou bons índices de ajuste (χ2 /gl = 2,14, GFI = 0,97, AGFI = 0,94, CFI = 0,98 e RMSEA = 0,068), confirmando a estrutura unidimensional 134 para a escala. O indicador de consistência interna, calculado por meio do alfa de Cronbach (α), foi de α = 0,91. Conforme apresentado na Tabela 20, as saturações (lambdas λ) para cada valor variam de 0,28 (artes e poder) a 0,85 (prestígio) e coeficiente médio de 0,50 com todos os índices diferentes de zero (z ≠ 0; z > 1,96, p < 0,05). Tabela 20. Estimativas e razão crítica da escala reduzida de atitudes frente a aposentadoria (método Osgood). Itens Atitudes frente aposentadoria Estimativas (lambdas, ) Não Padronizados padronizados Razão Crítica (Teste z) Item 1 1,00 0,69 Item 2 0,65 0,52 6,63* Item 3 0,53 0,31 4,06* Item 4 1,93 0,85 3,01** Item 5 1,83 0,76 2,97** Item 6 0,81 0,28 2,91** Assim, deu-se prosseguimento a verificação do ajuste dos dados ao modelo de TRI, os valores χ2 das frequências dos padrões de resposta observados em relação às frequências preditas pelo modelo se situaram abaixo de 3,00, indicando bom ajuste dos dados a utilização da TRI. Também encontro-se um melhor ajuste ao modelo com parâmetro de discriminação variável (modelo não-forçado [unconstrained]) assumiu o melhor ajuste [χ2 (21) = 249,28; p < 0.001]. Sendo assim, deu-se prosseguimento as análises de TRI. A média do limiar de resposta (j1) foi de -2,27 (DP = 0,27) e a do j4 foi de 0,01 (DP = 0,23). Quanto à discriminação, a média foi de 3,13 (DP = 0,53), a menor discriminação foi de 2,30 (Item 5. Frustrada – Respeitável) e a maior foi de 3,83 (Item 4. Desagradável – Agradável). Realizou-se ainda um teste de Mann-Whitney com significância Monte 135 Carlo baseado em 1000 tabelas e intervalo de confiança de 99%, para verificar se existia diferença de discriminação dos itens da escala entre o primeiro e segundo estudo. Os resultados não encontraram nenhuma evidência de efeito significante entre as pontuações [p = 0,49; IC 99% (LI - 0,48) (LS - 0,50)], sugerindo que não há variância dos parâmetros de discriminação entre os estudos (Tabela 21). Como entre o primeiro e o segundo estudo foi feito uma redução no número de alternativas de resposta dos itens de sete para cinco, não foi possível realizar o mesmo procedimento para os limiares de resposta, porém os parâmetros de discriminação estão relacionados com os limiares, então se pode considerar que também não houve muita variância entre as pontuações dos limiares entre os estudos. Tabela 21. Descrição dos limiares de resposta e da discriminação dos itens da escala de atitudes, versão reduzida (métoto Osgood). Item1 Item2 Item3 Item4 Item5 Item6 j1 -2,23 -1,94 -2,34 -2,13 -2,77 -2,24 j2 -1,92 -1,69 -1,65 -1,78 -2,21 -2,03 j3 -0,95 -0,68 -0,51 -0,93 -1,22 -1,18 j4 -0,01 0,11 0,42 -0,04 -0,19 -0,22 a 3,08 3,60 2,93 3,83 2,30 3,09 Média DP Mínimo Maximo -2,27 0,27 -2,77 -1,94 -1,88 0,21 -2,21 -1,65 -0,91 0,27 -1,22 -0,51 0,01 0,23 -0,22 0,42 3,13* 0,53 2,30 3,83 * Não houve diferença significante entre as médias das discriminações do 1º e 2º estudo. As Curvas Característica dos itens 4 e 5 demonstram que mesmo tendo sido retirada duas alternativas de resposta durante a redução da medida, ainda existe uma opção (alternativa 2) que parece não oferecer muita variabilidade para o item (Figura 12). 136 Item 4 Item 5 1.0 0.6 0.8 1 2 3 4 5 0.0 0.0 0.2 0.4 Probability 0.6 0.8 1 2 3 4 5 0.2 Probability Título 0.4 1.0 Título -4 -2 0 2 4 -4 Ability -2 0 2 4 Ability Figura 12. CCI dos itens 4 e 5, de versão reduzida da escala de atitudes (método Osgood). A próxima tabela apresenta os resultados da informação dos itens (Tabela 20). O teste apresentou média de informação dos itens de 8,78 (DP= 2,11) para o intervalo de 3 a +3 DP, que representa 80,9% da informação oferecida pelo teste. Tabela 22. Descrição da informação psicométrica dos itens da escala de Atitudes, versão reduzida (método Osgood). Item 01 Item 02 Item 03 Item 04 Item 05 Item 06 Média DP Mínimo Máximo Informação* Percentual de informação* Informação 8,5 10,35 8,82 11,55 5,39 8,06 8,78 2,11 5,39 11,55 97,02 10,35 96 98,88 86,22 96,78 80,87 34,83 10,35 98,88 8,76 10,43 9,19 11,68 6,26 8,33 9,10 1,85 6,26 11,68 * Valores para o intervalo de teta de -3 a +3 desvios padrões da curva normal padrão do theta. As curvas de informação do item apresentadas na Figura 13, mostram que o item 4 e 5 apresentam informação mais confiável no intervalo de -3 a -1,5 desvio padrões do theta. 137 Item 4 Item 5 Título Título Item05 1.0 Information 0 0.0 1 0.5 2 Information 3 4 1.5 Item04 -4 -2 0 Ability 2 4 -4 -2 0 2 4 Ability Figura 13. Curva de informação dos itens 4 e 5 da versão reduzida da escala de atitudes (método de Osgood) 5.3.2. Escala de atitudes frente a aposentadoria: método Osgood (versão reduzida) A versão reduzida da escala apresentou índices inadequados na fatorabilidade da matriz de correlações entre os itens, com um KMO de 0,53 e um Teste de Esfericidade de Bartlett de χ² (45) = 166,2, p < 0,001. Assim como no estudo anterior, foram utilizadas duas técnicas de extração que utilizam matrizes Tetracóricas. Para a primeira técnica [Inimum Average Partial test (MAP), (Velicer, 1976)], a matriz de correlações Tetracóricas e o método de extração de fator Unweighted Least Squares (ULS) (Mínimos quadrados não ponderados), apontaram novamente para uma solução de um fator. Porém, a Análise Paralela minimum rank factor (Timmerman & Lorenzo-Seva, 2011), com geração de 500 matrizes de correlação Tetracóricas aleatórias e com o Método de Dados Brutos de Buja e Eyuboglu (1992) para um intervalo de 95% de confiança, sugeriu a adoção de uma solução bifatorial. Sendo assim, decidiu-se verificar, o ajuste das duas soluções distintas (uma unifatorial e outra bifatorial), por meio da comparação entre os índices de ajuste derivados da Análise Fatorial Confirmatória (Tabela 23). 138 Tabela 23. Indicadores de Ajuste dos Modelos da escala de Atitudes frente à aposentadoria, versão reduzida (método Thurstone). ² (gl) GFI AGFI CFI RMSEA (IC 90%) Uni fatorial 80,89 (34) 0,86 0,81 0,60 0,078 (0,056 – 0,100) Bifatorial 85,39 (28) 0,79 0,75 0,61 0,120 (0,099 – 0,153) Modelos ECVI ² (gl) 0,54 (0,44 – 0,67) 0,80 (0,64 – 0,99) 4,5 (6) Notas: N = 218. ² = chi-quadrado, gl = graus de liberdade, GFI = Goodness-of-Fit Index, AGFI = Adjusted Goodness-ofFit Index, CFI = Comparative Fit Index, RMSEA = Root-Mean-Square Error of Approximation, IC90% = Intervalo de Confiança de 90%, ECVI = Expected Cross-Validation Index. Os índices de ajuste das duas soluções fatoriais pareceram pouco plausíveis, pois as estimativas estiveram bem abaixo da recomendada pela literatura, e não houve diferença significante entre os dois modelos. Na tentativa de verificar a unidimensionalide, utilizou-se ainda uma Análise Mokken. Os resultados mostraram que os itens do fator apresentaram índices de escalonabilidade que variaram entre Hs = 0,02 a 0,11, a escala apresentou escalonabilidade geral de H = 0,52 e Rho = 0,10. Considerando as análises realizadas para verificar a dimensionalidade da versão reduzida da escala de Atitudes frente à aposentadoria, os resultados pareceram mostrar a dificuldade de se confirmar a estrutura fatorial da medida. Dessa forma, optou-se por trabalhar no segundo estudo, apenas com a medida de atitudes frente à aposentadoria de diferencial semântico, pois esta apresentou ajuste ao modelo unifatorial menos duvidoso. 5.3.3. Parâmetros psicométricos do Questionário dos Valores Básicos Confirmou-se a estrutura fatorial da medida de Valores Humanos, assim como foi estimado novamente os parâmetros dos itens para verificar a invariância dos parâmetros dos itens por meio da TRI. Comparando o modelo hexafatorial com modelos alternativos: unifatorial (todos os itens saturando em um fator), bifatorial (os valores sendo representados pelas 139 dimensões materialista e humanitária; Inglehart, 1991), trifatorial (assumindo que os fatores se organizam segundo os tipos de orientação pessoal, central e social; Schwartz, 1992) e o de pentafatorial (reunindo os valores centrais – existência e suprapessoal – em apenas um fator). Verifica-se que o modelo haxafatorial continua a ser o mais plausível dentre os demais modelos apresentados (χ2 /gl = 2,09, GFI = 0,90, AGFI = 0,85; CFI = 0,90 e RMSEA = 0,067). Os resultados destas análises são descritos na Tabela 24 a seguir. Tabela 24. Indicadores de Ajuste dos Modelos do Questionário dos Valores Básicos (2º estudo). Modelos Hexafatorial Unifatorial Bifatorial Trifatorial Pentafatorial ² (gl) GFI AGFI CFI RMSEA (IC 90%) 249,03 (119) 0,90 0,85 0,90 0,067 (0,055 – 0,078) 0,85 0,80 0,75 0,83 0,81 0,77 0,84 0,80 0,76 0,87 0,84 0,86 280,45 (134) 291,32 (133) 295,70 (131) 269,15 (126) 0,072 (0,061 – 0,084) 0,091 (0,079 – 0,103) 0,072 (0,060 – 0,083) 0,074 (0,050 – 0,075) ECVI ² (gl) 1,442 (1,272–1,642) 1,650 (1,443–1,894) 31 (15) 42 (1) 46 (45) 20 (7) 1,603 (1,409–1,852) 1,526 (1,340–1,788) 1,541 (1,326–1,711) Notas: N = 218. ² = chi-quadrado, gl = graus de liberdade, GFI = Goodness-of-Fit Index, AGFI = Adjusted Goodness-ofFit Index, CFI = Comparative Fit Index, RMSEA = Root-Mean-Square Error of Approximation, IC90% = Intervalo de Confiança de 90%, ECVI = Expected Cross-Validation Index. Os indicadores de consistência interna, calculado por meio do alfa de Cronbach (α), foram os seguintes: experimentação (α = 0,50), realização (α = 0,31), existência (α = 0,71), suprapessoal (α = 0,67), interativa (α = 0,63) e normativa (α = 0,62). Conforme apresentado na Tabela 25, as saturações (lambdas λ) para cada valor variam de 0,28 (artes e poder) a 0,85 (prestígio) e coeficiente médio de 0,50 com todos os índices diferentes de zero (z ≠ 0; z > 1,96, p < 0,05). 140 Tabela 25. Estimativas e razão crítica do Questionário de Valores Humanos Básicos (2º estudo). Valores Humanos Subfunções Experimentação Realização Existência Suprapessoal Interativa Normativa Marcadores Estimativas (lambdas, ) Não Padronizados padronizados Razão Crítica (Teste z) Prazer 0,65 0,52 6,63* Sexualidade 1,00 0,69 Emoção 0,53 0,31 4,06* Prestígio 1,93 0,85 3,01** Êxito 1,00 0,35 Poder 0,81 0,28 Estabilidade 1,00 0,42 Saúde 1,32 0,53 4,94* Sobrevivência 0,91 0,49 4,79* Conhecimento 0,92 0,40 5,07* Artes 0,91 0,28 3,93* Estabilidade 1,00 0,42 Apoio social 0,93 0,55 Afetividade 1,00 0,52 Convivência 1,00 0,61 Religiosidade 1,00 0,47 Obediência 1,13 0,67 5,47* Tradição 1,52 0,59 5,25* 2,91** 6,14* 6,59* Após a análise fatorial confirmatória (AFC), procedeu-se á estimação dos parâmetros para cada um dos itens da escala de Valores Humanos por meio do Modelo de Resposta Gradual de Samejima (GRM) (Samejima, 1969). O exame do χ2 das frequências dos padrões de resposta observados em relação às frequências preditas pelo modelo se situaram, em sua maioria abaixo de 3,00, com apenas 0,1% de exceção das participantes, indicando bom ajuste dos dados a utilização da TRI (Drasgow et al. 1995). Posteriormente, comparou-se a ajuste dos modelos com discriminação constante ao com discriminação variável. A razão de Verossimilhança entre os dois modelos, para cada uma das seis subfunções, foi utilizada para investigar qual dos modelos mostrava141 se mais adequado. Os resultados obtidos sugerem que o modelo com ambos os parâmetros (a e b) variáveis (modelo não-forçado [unconstrained]) assumiu o melhor ajuste para quatro subfunções: Existência [χ2 (2) = 230,26; p < 0,001], Suprapessoal [χ2 (2) = 261,01; p < 0,01], Realização [χ2 (2) = 232,20; p < 0,001] e Normativa [χ2 (2) = 2668,01; p < 0,016]. Para as demais subfunções, o modelo com discriminação variável não apresentou diferença significante: Interativa [χ2 (2) = 2001,23; p < 0,079], Existência [χ2 (2) =2371,60; p < 0,09]. Considerando o bom ajuste dos dados, foi dado prosseguimento a estimação dos parâmetros de discriminação e dificuldade via GRM. A média de discriminação foi de 1,84 (DP = 0,30), a menor discriminação ficou com o item “Emoção” (a = 0,30) e a maior com o item “Obediência” (a = 4,46). A média de discriminação ficou entre j1= 3,95 (DP= 2,14) e j6= 1,68 (DP= 1,77) nos limiares das altenativas de resposta (Tabela 26). 142 Tabela 26. Descrição dos parâmetros dos itens para a escala de Valores Humanos (2º estudo) j1 Emoção -9,72 Experimentação Prazer -1,09 Sexualidade -0,96 Beleza -7,16 Suprapessoal Conhecimento -2,63 Maturidade -5,07 Apoio Social -3,52 Interativa Afetividade -3,75 Covivência -3,34 Êxito -5,41 Realização Poder -2,12 Prestígio -2,12 Saúde -3,85 Existência Estabilidade -4,18 Sobrevivência -4,15 Obediência -2,91 Normativa Religiosidade -3,33 Tradição -5,87 Média -3,95 DP Mínimo Maximo 2,14 -9,72 -0,96 j2 -8,28 -0,15 0,98 -5,17 -2,33 -3,88 -3,10 -3,24 -3,06 -3,26 -1,16 -1,53 -3,64 -3,88 -3,85 -2,66 -2,89 -3,61 -3,03 j3 -4,00 0,70 2,67 -3,37 -2,01 -3,41 -2,83 -2,52 -2,22 -2,53 -0,08 -0,69 -3,48 -3,66 -3,47 -1,99 -2,80 -2,26 -2,11 j4 -1,46 1,49 3,43 -1,27 -1,19 -2,71 -1,93 -2,18 -1,38 -1,55 1,02 0,29 -3,21 -2,49 -3,00 -1,46 -2,17 -1,19 -1,16 j5 1,23 1,99 4,20 1,10 -0,22 -0,78 -0,28 -0,54 -0,18 0,15 2,03 0,50 -1,37 -0,70 -0,99 -0,42 -1,24 0,47 0,27 j6 5,61 2.20 5,47 3,80 0,85 0,88 0,91 0,72 1,09 1,87 3,07 1,29 -0,40 0,56 0,22 0,38 -0,34 2,04 1,68 a 0,30 4,10 1,10 0,57 4,22 1,14 1,45 1,45 1,45 1,11 1,01 3,97 1,41 1,41 1,41 4,46 1,50 1,02 1,84 1,96 -8,28 0,98 1,73 -4,00 2,67 1,71 -3,21 3,43 1,40 -1,37 4,20 1,77 -0,40 5,61 0,30 0,30 4,46 A Figura 14 exemplifica as curvas de característica de conhecimento e Emoção. Para a CCI de conhecimento, percebe-se que elas apresentam pouca sobreposição entre alternativas de resposta do item. Porém, o mesmo parece não acontecer para o item do valor Emoção onde muitas curvas se sobrepõem. 143 Obediência Emoção 1.0 0.8 1 2 3 4 5 6 7 Probability 0.6 0.8 0.6 0.0 0.2 0.4 0.0 0.2 Probability Título 1 2 3 4 5 6 7 0.4 1.0 Título -4 -2 0 2 4 -4 -2 Ability 0 2 4 Ability Figura 14. CCIs dos itens de Obediência e Emoção (2º estudo). A Tabela 27 descreve os dados referente à quantidade de informação que seus itens trazem. A média de informação total dos itens nos fatores ficou em 6,81 (DP = 6,70) sendo que a média de informação do item para o intervalo de -3 a +3 DP foi de 6,31 compreendendo 80,1% da informação total. O valor mínimo de informação para o intervalo foi de 0,53 (Item: Emoção) e o máximo foi de 20,39 (item: Obediência). 144 Tabela 27. Descrição da informação psicométrica dos itens do questionário de Valores Humanos (2º estudo). Informação* Existência Suprapessoal Interativa Realização Existência Normativo Emoção Prazer Sexualidade Beleza Conhecimento Maturidade Apoio Social Afetividade Covivência Êxito Poder Prestígio Estabilidade Saúde Sobrevivência Obediência Religiosidade Tradição Média 0,23 18,06 2,32 0,79 18,86 2,43 3,54 3,23 4,66 2,64 2,39 18,10 2,78 3,35 3,95 20,36 3,64 2,33 6,31 Percentual de informação* 43,13% 99,99% 67% 50,78% 99,93% 70,15% 86,78% 82,39% 93,39% 70,01% 82,05% 99,99% 81,00% 79,85% 79,00% 99,83% 88,85% 66,5% 80,03 DP 6,98 16,56 Mínimo 0,23 43 Maximo 20,36 99,99 * Valores para o intervalo de teta de -3 a +3 desvios padrões. Informação 0,53 18,07 3,47 1,56 18,88 3,47 4,08 3,92 4,99 3,77 2,92 18,11 3,43 4,20 3,95 20,39 3,64 3,50 6,82 6,70 0,53 20,39 A função de informação destes dois itens está exposta a seguir (Figura 14). A Curva de Informação do Item mostra que o item Conhecimento produz pouca informação para os participantes com thetas maiores que dois. Já o item Emoção consegue abranger uma quantidade maior de theta, porém proporciona pouca informação. 145 Obediência Emoção Título 0.0290 6 Título Valores05 0.0285 Information 0.0280 3 0 0.0275 1 2 Information 4 5 Valores12 -4 -2 0 2 4 -4 -2 Ability 0 2 4 Ability Figura 14. Curvas de informação dos itens de Obediência e Emoção (2º estudo) 5.3.4. Confirmação da estrutura da escala de Razões para se aposentar Com o propósito de verificar o ajuste ao modelo com três componentes, procedeu-se uma Analise Fatorial Confirmatória (AFC) com modelo formativo. Os resultados desta análise estão descritos na Tabela 28 a seguir. De acordo com os resultados, observa-se que os valores do modelo hipotetizado (Unifatorial) apresentou os melhores índices (χ2 /gl = 2,74, GFI = 0,90, AGFI = 0,87, CFI = 0,80 e RMSEA = 0,090) se comparados com modelos de dois ou um fator. Tabela 28. Índices de ajuste da medida de Razões para se aposentar Modelos Trifatorial Bifatorial Unifatorial ² (gl) 239,03 (87) 201,73 (41) 351,22 (90) GFI AGFI CFI 0,90 0,87 0,80 0,90 0,88 0,51 0,81 0,74 0,56 RMSEA (IC 90%) ECVI ² (gl) 0,090 (0,079 – 0,011) 0,090 (0,070 – 0,112) 0,120 (0,101 – 0,134) 0,583 (0,47 – 0,72) 1,519 (1,31 – 1,76) 2,046 (1,78 – 2,35) 37,3 (46) 112,19 (3) Notas: N = 785. ² = chi-quadrado, gl = graus de liberdade, GFI = Goodness-of-Fit Index, AGFI = Adjusted Goodness-of-Fit Index, CFI = Comparative Fit Index, RMSEA = Root-Mean-Square Error of Approximation, IC90% = Intervalo de Confiança de 90%. Conforme apresentado na Tabela 29, as saturações (lambdas λ) para cada valor variam de 0,29 (Item3. Não gostar do trabalho) a 0,81 (Item 14. Problemas de saúde do 146 cônjuge) e coeficiente médio de 0,50 com todos os índices diferentes de zero (z ≠ 0; z > 1,96, p < 0,05). Tabela 29. Estimativas e Razão Crítica dos itens da medida de Razões para se aposentar. Razões Estresse no trabalho Mais tempo livre Motivo de saúde Itens Estimativas (lambdas, ) Não Padronizados padronizados Razão Crítica (Teste z) 1. 4. 6. 7. 2. 3. 5. 10. 8. 9. 11. 14. 1,00 0,62 0,76 0,60 5,38** 0,34 0,31 3,38** 0,71 0,49 5,75** 0,79 0,50 6,13** 0,52 0,29 3,58** 0,45 0,31 5,33** 1,00 0,45 1,43 0,79 5,40** 1,24 0,71 4,04** 1,01 0,47 4,96** 1,00 0,81 13. 12. 15. 0,75 0,50 4,44** 0,53 0,35 5,35** 0,59 0,45 5,36** * p < 0,001. 5.3.5. Confirmação dos correlatos entre as medidas de Atitudes frente à aposentadoria, Valores Humanos Básicos e Razões para se aposentar. A seguir, com a finalidade de verificar a estabilidade das magnitudes dos efeitos entre as correlações do primeiro estudo, serão apresentados os resultados dos correlatos entre as medidas estudadas. Então novamente será verificado a variância compartilhada entre as pontuações derivadas da Teoria Clássica dos Testes (TCT) e da Teoria de Resposta ao Item (TRI), em seguida a relação das variáveis demográficas com as medidas de atitudes, valores e razões para se aposentar e por fim, com a finalidade de 147 confirmar as hipóteses dessa pesquisa, as correlações dos valores, razões para se aposentar e atitudes frente à aposentadoria. 5.3.5.1 TCT x TRI: variância compartilhada entre as pontuações das medidas No primeiro estudo, houve grande variância compartilhada entre as mesmas medidas advindas da pontuações derivadas pela TCT e pela TRI. Esta sessão confirmou esses resultados, sendo observado variância compartilhada acima de 92% (r ≥ 0,96) (Tabela 30). Tabela 30. Matriz de correlação das pontuações pela TCT X TRI (2º estudo). Realização Suprapessoal Existência Interativa Normativa Atitude Poli 0,97** 0,07 0,11 0,03 0,13 0,18* 0,01 Experimentação 0,08 0,98** 0,43** 0,29** 0,35** 0,41** 0,11 Realização 0,11 0,43** 0,96** 0,39** 0,24** 0,44** 0,38** Suprapessoal 0,06 0,33** 0,38** 0,98** 0,56** 0,42** 0,33** Existência 0,15* 0,35** 0,21** 0,54** 0,97** 0,53** 0,29** Interativa 0,20** 0,42** 0,41** 0,44** 0,53** 0,98** 0,22** Normativa 0,05 0,12 0,35** 0,33** 0,27** 0,23** 0,99** politôminca) Experimentação clássica dos testes Pontuação derivadas da Teoria Atitude (medida Pontuações derivadas da Teoria de Resposta ao Item (Theta) ** p < 0,01. 5.3.5.2 Relação das variáveis demográficas com as medidas de atitudes, valores e razões para se aposentar A próxima tabela descreve os resultados das correlações entre as medidas e as variáveis demográficas. As variáveis sexo (1 – Masculino, 2 – Feminino), É aposentado (1- não aposentado, 2 – aposentado), motivo da aposentadoria (1 – aposentado por 148 tempo de serviço, 2 – aposentado por idade) forma representadas pelos mesmos números (Tabela 31). Idade Sexo Escolaridade Classe econômica É aposentado Redução do salário Tempo aposentadoria Motivo aposentadoria Tabela 31. Correlatos demográficos das atitudes, valores e razões para se aposentar. Atitude (politômica) 0,01 0,02 -0,03 0,08 0,16* -0,23* 0,01 -0,12 Experimentação 0,01 -0,12 0,17* 0,07 0,09 -0,06 0,03 -0,08 -0,02 0,18 * -0,06 0,14 -0,18 0,06 0,05 0,18 * * -0,05 -0,07 0,09 -0,04 -0,01 0,19* -0,24* -0,02 0,05 * -0,40 ** -0,02 -0,01 Realização Suprapessoal Existência Interativa Normativa 0,14 -0,23 ** -0,05 0,06 -0,22 ** -0,16 * 0,16 0,12 -0,05 0,08 0,16 * -0,11 0,08 0,14 * 0,16 * -0,09 0,02 -0,12 0,01 0,16 Estresse 0,05 -0,06 0,10 0,03 0,10 -0,08 -0,01 -0,07 Tempo livre 0,03 -0,12 -0,09 0,15* 0,08 -0,13 0,04 0,29 -0,15 * 0,05 Saúde 0,25 ** -0,07 -0,10 -0,03 0,09 0,23 ** p < 0,01. Os resultados apontam para evidências de correlação negativa entre idade e a subfunção Suprapessoal (r = -0,23; p < 0,01), a Normativa (r = -0,25; p < 0,01) e positiva para problemas de Saúde como razão para se aposentar (r = 0,25; p < 0,01). Quanto ao sexo, os homens parecem ter maior pontuação na subfunção Suprapessoal (r = -0,16; p < 0,05); aqueles que possuem maior escolaridade apresentaram maior pontuação na subfunção de Experimentação (r = 0,17; p < 0,05), Realização (r = 0,17; p < 0,05), Suprapessoal (r = 0,18; p < 0,05), Interativa (r = 0,16; p < 0,05) e Normativa (r = 0,14; p < 0,05). Aqueles que de classe econômica mais altas apresentam correlação positiva com Suprapessoal e normativo [(r = 0,16; p < 0,05), (r = 0,16; p < 0,05), respectivamente]. Os aposentados apresentaram atitude mais positivas frente à aposentadoria se comparados aos não aposentados (r = 0,16; p < 0,05), os aposentados 149 apresentaram ainda, maior pontuação nas subfunções Existência (r = 0,19; p < 0,05) e interativa (r = 0,16; p < 0,05). Para este estudo, foi acrescentado a variável, redução de salário após a aposentadoria. Para aqueles que ainda não eram aposentados, foi pedido que relatassem aproximadamente o quanto seu salário seria reduzido após a aposentadoria. A redução no salário apresentou correlação negativa com as atitudes frente a aposentadoria (r = 0,23; p < 0,05), com as subfunções Existência (r = -0,24; p < 0,05) e interativa (r = 0,40; p < 0,05). 5.3.5.3 Confirmando as Hipóteses: correlato das atitudes com valores e razões para se aposentar Essa sessão tem como objetivo confirmar as hipóteses do primeiro estudo. A tabela 32 apresenta uma matriz de correlação entre as atitudes frente à aposentadoria, Valores Humanos e as Razões para se aposentar. Atitude (politômica) 1 Estresse 0,05 1 Mais tempo livre 0,06 0,34** 0,07 ** 0,23** * -0,04 1 0,04 0,47** -0,10 0,32 ** 0,38** 0,35 ** 0,22 ** 0,55** 0,40 ** 0,40 ** 0,44 ** 0,57** 0,35 ** 0,35 ** ** Motivo da saúde 0,44 0,07 -0,01 0,16 Realização 0,10 0,03 0,01 Existência Interativa Normativa 0,06 0,15* 0,20** 0,05 -0,04 -0,12 0,02 -0,12 Normativa 1 Experimentação Suprapessoal Interativa Existência Suprapessoal Realização Experimentação Saúde Tempo livre Estresse Atitude (politômica) Tabela 32. Matriz de correlação entre atitude, Valores e Razões para se aposentar (2º estudo). 0,13 0,12 0,09 -0,07 1 -0,13 0,06 -0,12 0,15 * 1 1 1 0,30 1 0,26** 1 * p < 0,05, ** p < 0,01 150 A medida de atitude frente à aposentadoria novamente apresentou correlação significativa e positiva com a subfunção Existência (r = 0,15; p < 0,05) e Interativa (r = 0,15; p < 0,05), porém neste estudo não foi observado correlação significante com a variável Mais Tempo Livre e as subfunções Realização, Suprapessoal e Normativa. O Estresse como razão para se aposentar novamente se correlacionou positivamente com Mais tempo livre (r = 0,34; p < 0,01) e com Saúde como Razão para se aposentar (r = 0,44; p < 0,01). A Variável mais tempo livre apresentou correlação com Saúde (r = 0,23; p < 0,05), com a subfunção experimentação (r = 0,16; p < 0,05) e com a interativa (r = 0,22; p < 0,01). Por fim, as seis subfunções valorativas apresentaram correlações positivas, assim como no primeiro estudo, o menor efeito ficou entre a experimentação x normativa (r = 0,15; p < 0,05) e Existência x Interativa (r = 0,57; p < 0,01). Com base nestes resultados, verifica-se que se confirmou a hipótese 1 (H1), pois novamente houve correlação positiva entre a subfunção interativa. Nesse estudo não foi encontrado evidências que confirmassem as demais hipóteses. No estudo anterior (1º estudo) foi construído um modelo explicativo considerando as correlações e as hipóteses. Porém, para este estudo não foi possível confirmá-lo, pois a variável mediadora “Mais tempo livre” e três subfunções não apresentaram evidências de correlação. 151 CAPÍTULO 6. DISCUSSÃO FINAL 152 O objetivo deste estudo foi adaptar e validar algumas medidas que amparem o desenvolvimento de um modelo explicativo dos Valores humanos nas Atitudes frente à aposentadoria. Inicialmente, realizou-se uma revisão de literatura a cerca dos construtos de interesse (Aposentadoria, Atitudes e Valores Humanos). Em seguida partiu-se para dois estudos empíricos, com o primeiro tendo o objetivo mais exploratório e o segundo confirmatório. Especificamente os objetivos foram: (1) adaptar e Validar duas medidas de atitudes frente à aposentadoria, sendo uma de diferencial semântico (método de Osgood) e outra de intervalos aparentemente iguais (método de Thurstone); (2) verificar o ajuste da medida de Valores humanos; (3) verificar os parâmetros de dificuldade e discriminação dos itens das escalas de atitudes e de valores por meio a Teoria de Respostas ao Item; (4) propor uma medida reduzida das escalas de atitudes frente à aposentadoria; (5) adaptar e validar uma medida de razões para se aposentar; (6) verificar os correlatos entre as medidas de Valores Humanos, Razões para se aposentar e as duas medidas de atitudes. Considerando esses objetivos, foram formulas algumas hipóteses, cujo resultados serão discutidos a seguir, além de serem apresentadas algumas limitações, possibilidades de estudos futuros e considerações finais. 6.2. Limitações potenciais do estudo Essa dissertação trouxe algumas contribuições para o estudo dos aspectos psicológicos envolvidos na aposentadoria, tais como validação e adaptação de medidas de atitudes e seus correlatos valorativos, porém a mesa apresenta algumas limitações como a amostra, mesmo tendo sido realizada duas amostras distintas, umas para cada 153 estudo, estas não foram probabilísticas, tendo sido os participantes selecionados por conveniência (Cosby, 2003). Fizeram parte da amostra pessoas de diferentes maiores de 50 anos, com diferentes níveis de escolaridades econômicos, além de uma amostra virtual. Contudo, mesmo com médias de faixa etárias escolaridade e frequência de sexo semelhantes entre os estudos, deve-se levar em consideração a possibilidade dessas amostras terem sido enviesadas e, portanto, não se pode considerar que os resultados encontrados sejam passíveis de generalização para além dos contextos específicos nos quais os estudos foram realizados. É valido acrescentar que a limitação da amostra se dá apenas para as análises derivadas da Teoria Clássica dos Testes e para os correlatos, já que a Teoria de Resposta ao Item não apresenta sensibilidade à falta de representatividade amostral. Outra característica que demanda atenção é o fato de ter sido utilizado apenas medidas explicitas (medidas de auto relato), ou seja, a mensuração é feita por meio de “lápis e papel” que necessita de um correspondente comportamental. Na utilização desse tipo de técnica os participantes podem falsear as respostas (Kohlsdorf & Costa Junior, 2009), uma das razões para isso se deve a desejabilidade social, fato inerente a pesquisas com Valores Humanos (Schwartz, Verkasalo, Antonovsky, & Sagiv, 1997) com pesquisa onde buscam investigar comportamentos indesejáveis socialmente (Salmivalli, et. al., 1996; Saúde, 2011). Outra limitações em potencial parece ser a de que no delineamento (ex post facto) do estudo não foi possível estabelecer controle sob as variáveis independentes (Valores Humanos e Razões para se aposentar), não sendo possível estabelecer relações de causa e efeito entre as variáveis. 6.2. Resultados principais 154 A seguir são discutidas com base na literatura os principais resultados encontrados além das hipóteses testadas. Para isso, inicialmente, discute-se os parâmetros psicométricos das escalas de Atitudes e Valores Humanos. 6.2.1 Discussão das medidas e dos parâmetros psicométricos Para validar as medidas foram empregadas além da Teoria Clássica dos Testes, a Teoria de Resposta ao Item (TRI). Considerando as restrições inerentes a TCT (Embreston & Reise, 2000; Campbell & Stabley 1973; Hableton & Swaminathan, 1985; Pasquali, 1996), Pasquali (2007) lembra que a TRI apresenta algumas vantagens, em detrimento a TCT, são elas: I) o cálculo do teta não depende dos itens que são utilizados, ou seja, se os itens de dois testes diferentes estimam a mesma coisa eles encontraram o mesmo theta para um mesmo sujeito; II) é possível estimar os parâmetros de dificuldade e de discriminação dos itens sem que estes dependam da amostra; III) A TRI permite emparelhar itens com a aptidão dos sujeitos, por exemplo, é possível utilizar itens mais fáceis para sujeitos com menos aptidão a assim aproximar ao máximo o theta da real aptidão, discriminando melhor os participantes; IV) não emprega proposições de variâncias dos erros iguais para todos os avaliados e não necessita trabalhar com testes paralelos (Pasquali, 2007). Para as medidas de atitudes no primeiro estudo, além de adaptar e verificar a validade de construto das medidas, foi proposto uma versão reduzida dos questionário, que foi testada no segundo estudo. As análises fatoriais da escala de atitudes (método de Osgood e de Thurstone) apresentaram às escalas como medidas unidimensionais, esse fato favoreceu a utilização da TRI para verificar os parâmetros de dificuldade e de discriminação. A TRI objetiva sobrepujar algumas limitações inerentes as técnicas da TCT, pois possibilita estimar os parâmetros dos itens sem que sejam feitas, por 155 exemplo, suposições de distribuição e representatividade amostral. Para que os parâmetros sejam estimados minimizando a invariância dos itens é necessário que o modelo se ajuste aos dados. Para esta pesquisa, o ajuste foi testado em duas condições distintas. Na primeira, foi realizado uma comparação entre um modelo com parâmetro de discriminação (a) constante e outro variável; na segunda condição, foram observados a diferença entre o padrão de resposta predito pelo modelo e o observado nos dados. Na comparação entre os dois modelos da TRI (modelo concorrente) a escala de diferencial semântico apresentou bom ajuste nos dois estudos, ao modelo com discriminação variaável. Contudo, o padrão de resposta da escala ficou em sua maioria nos extremos da escala likert [padrão 77777777...(no primeiro estudo) e 555555... (segundo estudo)], sendo necessária uma avaliação que verifique se estas respostas foram assinaladas a ermo, sem uma devida avaliação dos respondentes em cada item, ou se este padrão se deve ao parâmetro de dificuldade da escala. Para a escala de atitudes de diferencial semantico que possui opções de escolha que variam de 1 a 7 para o primeiro estudo, um ji = +3 indicaria que as pessoas teriam muita dificuldade em escolher a opção 7, ou seja, necessitaria de muita atitude positiva para escolher a alternativa de escolha 7 da escala. No entanto, os parâmetros de dificuldade da escala de atitudes frente a aposentadoria apresentaram baixas pontuações, demonstrando que as pessoas não tem dificuldades de assinalar as opções com números mais altos, próximos ou igual a 7. De forma geral, no primeiro estudo, a escala de diferencial semântico apresentou índices de discriminação superiores (Ma= 2,50; DPa= 0,85) ao da escala de intervalos aparentemente iguais (Ma= 1,35; DPa= 0,72). Os três itens que apresentaram o maior poder discriminativo na escala, no primeiro estudo, foram respectivamente: item 12 (Negativa-positiva; â= 3,77), item 13 (Ruim-boa; â= 3,98) e o item 22 (Triste-alegre; â= 4,08), uma hipótese para esses itens figurarem entre 156 aqueles que melhor discriminaram os sujeitos, esta no fato de talvez os adjetivos que os compõem serem mais usualmente utilizados pela população, sendo mais facilmente associados ao fenômeno da aposentadoria. Sua discriminação é mais eficaz entre os sujeitos com baixa pontuação na escala, pois ambos apresentaram baixos índices de dificuldade. A escala de diferencial semântico não apresentou evidências de variância dos parâmetros entre o primeiro e segundo estudo. Ambas as escalas apresentaram itens com valores superiores de discriminação superiores a 2,00, mesmo com Hambleton, Swaminathan e Rogers, (1991) afirmando que dificilmente tal resultado seria encontrado. O questionário de Valores Humanos Básicos apresentou índices de discriminação um pouco a baixo das demais medidas, com média de 1,61 (DP= 10,9) no primeiro estudo e de 1,84 (DP = 0,30) no segundo. Mesmo assim, estaria dentro do que Baker (2001) considera como valores de discriminação muito altos. O autor sugere que parâmetros a baixo de 0,65 seriam tidos como medíocres ou muito baixos e acima de 1,35 como altos ou muito altos. No que se refere à informação psicométrica das três escalas (as duas de atitudes e a de Valores Humanos), a grande maioria dos itens cobriu de forma satisfatória o intervalo incluído entre -3 e 3 thetas (θ), indicando que os itens cumprem a função de mensurar de forma segura as variáveis. Porém, a informação oferecida por alguns itens sugere que, embora ofereçam informação no intervalo -3:3, a quantidade total de informação proporcionada situa-se muito abaixo de outros itens os quais terminam por proporcionar baixa acurácea na mensuração do atributo no mesmo intervalo. Conforme ilustrado por Embretson e Reise (2000), os itens que proporcionaram maior informação são aqueles que também apresentam os maiores índices de discriminação. Um item com maior discriminação possui maior capacidade de diferenciar os sujeitos a medida que se modifica o Theta, resultando em uma maior precisão e menor erro de especificação. 157 6.2.2 Discussão dos correlatos entre as medidas Quanto aos resultados dos correlatos, estes serão discutidos seguindo a ordem das hipóteses formuladas. Os resultados dos dois estudos corroboram parcialmente a hipótese 1 (Hipótese 1. Valores da subfunção interativa são positivamente relacionados com as atitudes positivas frente á aposentadoria.). A medida de Atitude frente aposentadoria (método de Osgood) se correlacionou positivamente com a subfunções interativa, porém mesmo com o efeito positivo (r = 0,14; p > 0,05) não foi possível afirmar que a medida de atitudes (método de Thurstone) se correlacionou positivamente com a subfunção interativa. Esta correlação parece presumível porque indivíduos que guiam suas ações pela subfunção interativa são norteados pelas necessidades de pertença, amor e filiação (Maslow, 1954), sendo essencial para constituir, regular e conservar as relações interpessoais. As relações sociais são uma meta para estas pessoas, priorizando aspectos afetivos entre as relações (Gouveia, 2013). Esses resultados não informam que apenas fora do trabalho é possível estabelecer relações de efetividade, mas que inevitavelmente grande parte dessas relações está na família e entre amigos fora do trabalho. Outra hipótese corroborada parcialmente foi a H2 (Hipótese 2. Valores da subfunção normativa são positivamente relacionados com as atitudes positivas frente á aposentadoria.). Para essa hipótese novamente foi encontrado efeito significante apenas para a medida de atitude de diferencial semântico (método de Osgood) com a subfunção normativa. Essa subfunção, assim como a interativa, faz parte das pessoas que possuem uma orientação mais social. Porém diferentemente da primeira, a normativa representa indivíduos que procuram ajustamento e preservação da cultura e dos princípios e regulamentos sociais (Schwartz, 1992). Valores como tradição, obediência e 158 religiosidade fazem parte desta subfunção. Isso parece conivente com o que Rokeach (1973) descreve, pois considera que estes valores estão ficam mais presentes à medida que as pessoas envelhecem. Schmidt e Magnabosco‐Martins (2011) chamam a atenção para o forte efeito que a redução das finanças tem sob a satisfação com a aposentadoria, mas considera que atividades sociais ligadas a grupos de convivências e grupos religiosos tem a capacidade de reduzir os efeitos negativos da redução da renda. Parece possível que esse efeito se dê principalmente para as pessoas que valorizem as subfunções normativa e interativa. A terceira Hipótese também foi corroborada para o primeiro estudo (Hipótese 3. As pontuações da medida de Mais Tempo Livre como razão para se aposentar se correlacionarão positivamente com as atitudes frente à aposentadoria.), ou seja, as pessoas que se aposentam e que possuem como um dos motivos o desejo de ter mais tempo livre tende a ter uma atitude mais positiva frente à aposentadoria. A quarta hipótese que também considera o Tempo livre como Razão para se aposentar foi corroborada para o primeiro estudo (Hipótese 4. As pontuações da medida de Mais Tempo Livre como razão para se aposentar se correlacionarão positivamente com a subfunção Interativa.). É possível entender a relação entre razão para se aposentar e valores interativos, quando consideramos que para suprir a necessidade de relações afetivas típicas dos valores interativos o trabalhador precisa de mais tempo livre. Lima (2010) investigou a relação entre mais tempo livre e a vida antes e após a aposentadoria de agentes da policia federal. A autora chama a atenção para o sentimento de ambivalência presente nos trabalhadores sobre a aposentadoria, mas do que isso, este sentimento não se dava apenas entre os trabalhadores mais também existia uma ambivalência de sentimentos nos próprios trabalhadores que hora percebia a aposentadoria de forma negativa, mas depois em função dos componentes da avaliação 159 percebiam a aposentadoria de forma positiva. Um desses componentes era o maior tempo livre, os participantes relataram que com a aposentadoria surgiu mais tempo livre e que este era investido principalmente na família, em atividades físicas e de lazer com hobbes. Na presente dissertação houve algumas hipóteses que não foram corroboradas em nenhum dos dois estudos. Para as hipóteses cinco (Hipótese 5. As pontuações da medida de Mais Tempo Livre como razão para se aposentar se correlacionarão positivamente com a subfunção Normativa.), seis (Hipótese 6. As pontuações da medida de Estresse como razão para se aposentar se correlacionarão negativamente com as atitudes frente à aposentadoria.) e sete (Hipótese 7. As pontuações da medida de Saúde como razão para se aposentar se correlacionarão negativamente com as atitudes frente à aposentadoria.) não foi possível assegurar que os efeitos encontrados não se devessem ao acaso. Considerando que a direção dessas relações foi à mesma asseverada pelas hipóteses, é possível que a não significância tenha ocorrido não pela ausência de correlação entre as variáveis, mas devido à dificuldade que as amostras apresentaram em garantir o efeito com uma margem confiável de que eles não tenham ocorrido por erro amostral. 6.3. Direções futuras Como supracitado esta pesquisa teve como objetivo verificar se os valores humanos estariam relacionados com as atitudes frente à aposentadoria. Os dois estudos apresentados foram pensados para que o segundo pudesse replicar os resultados do primeiro, porém os achados mostraram variabilidade dos efeitos, de modo que para algumas variáveis não foi possível confirmar as correlações. 160 Sugere-se então que futuros trabalhos sejam realizados para dirimir estas dúvidas, para isso é importante que se conte com amostras maiores e quando possível coletada por meios probabilísticos, reduzindo as chances de erro amostral, além disso, estudos com delineamentos longitudinais poderiam ajudar nas interpretações, assim como a utilização de métodos diferentes de mensuração como as medidas implícitas de Valores Humanos Básicos desenvolvido por Athayde (2013). Outros estudos poderiam ser realizados para dar continuidade a investigações que buscassem entender de que modo a características psicológicas na área dos aspectos psicológicos discriminam as diferentes atitudes frente à aposentadoria. Assim, poderia ser levado em conta, modo diferentes traços de personalidade poderiam explicar as diferentes formas de se perceber a aposentadoria, mas para isso seria importante continuar considerando variáveis situacionais, nesses casos poderia ser empregado medidas de insatisfação e envolvimento com o trabalho, além de satisfação com os relacionamentos familiares. Referente às implicações desta pesquisa, um desdobramento possível seria a consideração dos achados na elaboração de programas de preparação para aposentadoria. Mais especificamente, valores interativos e normativos poderiam ser estimulados para que após a aposentadoria os trabalhadores pudessem investir seu tempo livre em atividades relacionadas às relações afetivas com família e outros grupos. Existem alguns modelo de mudança de valores, poderia ser utilizado por exemplo o de Bardi e Goodwin (2011), que descreve as rotas automática e deliberada, ou ainda os de autoconfrontação de Rokeach (1973), além de tentativas diretas de intervenção, como palestras e grupos de discussão. 161 6.4. Considerações finais Com o envelhecimento populacional e com a importância que o trabalho significa na vida das pessoas, a aposentadoria vem ganhado destaque nos estudos acadêmicos de diversas áreas como, por exemplo, em economia, sociologia e psicologia. De modo geral, no que concerne aos estudos psicológicos e sociológicos, percebe-se uma ambivalência de sentimento em relação a este processo, pois se a aposentadoria pode ser vivenciada como um momento de oportunidades e conquistas para algumas pessoas, para outras, pode representar um momento de privação, limitação e isolamento. Nesse âmbito, as pesquisas tem se dedicado a entender como variáveis situacionais explicam as dicotomias nas representações do fenômeno. Estes estudos têm proporcionado importantes fontes para o entendimento do processo, porém talvez seja necessário inserir variáveis mais individuais ao entendimento da aposentadoria. É com esse intuito que essa dissertação se inseriu, considera-se que seus resultados trouxeram uma reflexão sob a importância de se avaliar aspectos individuais, como os valores humanos, para se entender como as variáveis situacionais pode se relacionar a essas ambivalência de sentimentos. Mostrando que além de variáveis reconhecidamente importantes para se entender a aposentadoria como, por exemplo renda e isolamento social, existem variáveis individuais que compõem o modelo avaliativo sobre a aposentadoria. Por fim, parece plausível considerar que os estudos sobre valores humanos tem muito a contribuir com o entendimento das atitudes frente a aposentadoria, pois baseado nestes pressupostos é possível endossar nos trabalhadores valores que aumentem atitudes positivos contribuindo para uma aposentadoria com maior bem estar e saúde. 162 REFERÊNCIAS 163 Ajzen, I. (2001). Nature and operation of attitudes. Annual Review of Psychology, 52, 27-58. Ajzen, I., & Fishbein, M. (2000). Attitudes and the attitude-behavior relation: Reasoned and automatic processes. European Review of Social Psychology,11, 1-33. Ajzen, I., & Madden, T. J. (1986). Prediction of goal-directed behavior: Attitudes, intentions, and perceived behavioral control. Journal of Experimental Social Psychology, 22, 453-474. Allen, M. W., Ng, S. H., & Wilson, M. (2002). A functional approach to instrumental and terminal values and the value-attitude-behaviour system of consumer choice. European Journal of Marketing, 36, 111-135. 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Mesmo que ao se aposentar a pessoa perca o contato com os colegas de trabalho, pode dedicar mais tempo à família. 24. É praticamente impossível que eu me entedie ao estar aposentado, pois tenho muitos hobbies e interesses. 25. Mesmo que ao se aposentar a pessoa se sinta mais tranquila, também se entedia. 1 2 1 2 1 2 1 2 26. Ao se aposentar a pessoa deixa de ser útil para a sociedade. 1 2 27. Eu gostaria ou teria gostado de me aposentar antes da idade estipulada em lei. 1 2 1. A aposentadoria permite realizar muitos projetos que a pessoa tinha deixado de lado por exigências do trabalho. 2. O tempo livre que se obtém com a aposentadoria é vivenciado como tempo perdido e sem esperança. 3. A aposentadoria permite dedicar mais tempo às pessoas queridas 4. A pessoa só deveria se aposentar quando não pudesse mais trabalhar 5. Apesar que ao se aposentar a pessoa sente que já cumpriu suas obrigações laborais na vida, não deixa por isso de sentir um vazio. 6. Ao se aposentar a pessoa não se entedia porque pode fazer muitas coisas que antes queria e não podia por falta de tempo. 7. Ao se aposentar a pessoa se torna um peso para a família e a sociedade. 8. Em situação de desemprego, o melhor a fazer é se aposentar. 9. Aposentar-se significa entrar na etapa da velhice. 10. Ao se aposentar a pessoa se sente livre. 11. A aposentadoria causa muita angústia, desolação e incerteza. 12. Não acredito que ao se aposentar a pessoa se sinta inútil, pois já cumpriu com suas obrigações laborais na vida. 13. Nesta sociedade em que apenas tem prestígio aquele que produz e consome, o aposentado se torna alguém socialmente marginalizado. 14. Ao obter a aposentadoria, a pessoa se sente mais segura economicamente. 15. Uma vez que o trabalho é muito importante para a pessoa, é muito provável que a aposentadoria provoque transtornos psicológicos sérios. 16. Como não estou afetivamente envolvido com meu trabalho, a aposentadoria não significa para mim uma grande perda. 17. O aposentado perde autoridade em seu grupo familiar 18. Conseguir a aposentadoria é alcançar uma meta muito desejada. 184 28. Apesar de ao se aposentar diminuírem os vencimentos, isso é recompensado ao serem eliminados os gastos relacionados com o trabalho (transporte, roupas, refeições, etc.). 29. Ao se aposentar a pessoa sente que se aposenta também da vida. 1 1 2 2 30. Ao se aposentar são melhoradas as relações familiares. 1 2 31. Com a aposentadoria, as relações familiares nem melhoram nem pioraram. 1 2 32. Com a aposentadoria os contatos sociais são perdidos, uma vez que a pessoa se afasta de seus companheiros de trabalho. 33. Ao se aposentar, a pessoa pode ter uma vida mais tranquila e serena. 1 2 1 2 34. Se bem que, com a aposentadoria a pessoa se libera das obrigações laborais, não pode usar o tempo livre como gostaria por assumir outras obrigações familiares. 35. O trabalho é a única coisa que dá sentido à vida de alguém. 1 2 1 2 36. Mesmo dispondo de tempo livre ao se aposentar, a pessoa não dispõe de dinheiro suficiente para fazer o que deseja. 37. Ao se aposentar a pessoa se entedia por não saber o que fazer com tanto tempo livre. 1 2 1 2 38. A aposentadoria é sinônimo de pobreza. 1 2 39. Mesmo deixando de fazer um trabalho útil e remunerado, o aposentado pode se sentir bem ajudando os familiares e amigos com pagamento de contas, buscando netos no colégio, 40. etc. Não gostaria de ter que me aposentar jamais. 1 2 1 2 185 ANEXO 2 - Escala de atitudes frente à aposentadoria: método Osgood INSTRUÇÃO: Na continuação, se apresenta uma série de adjetivos opostos. Você deverá marcar no segmento aquele que melhor expressa o significado da aposentadoria. Por exemplo: Desagradável 2 3 4 5 6 7 Agradável X Isso significa que você considera a aposentadoria muito desagradável. 2 3 5 6 1 X Desagradável 7 Agradável Nesse caso o X, significa que você considera a aposentadoria como algo nem agradável nem desagradável Agora Marque um X na alternativa que melhor representa o significado da aposentadoria para você. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 Estéril Inútil Incômoda Indesejada Inativa Inquieta Isolada Insegura Prejudicial Difícil Não adaptada Ruim Triste Entediada Lenta Desagradável Pobre Indigna Frustrada Fraca Infeliz Negativa Improdutiva 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 Fértil Útil Cômoda Desejada Ativa Serena Sociável Segura Benéfica Fácil Adaptada Boa Alegre Divertida Rápida Agradável Abundante Respeitável Respeitável Forte Feliz Positiva Produtiva 186 ANEXO 3 – Questionário de Valores Básicos INSTRUÇÕES. Por favor, leia atentamente a lista de valores descritos a seguir, considerando seu conteúdo. Utilizando a escala de resposta abaixo, indique com um número no espaço ao lado de cada valor o grau de importância que este tem como um princípio que guia sua vida. 1 2 3 4 5 6 7 Totalmente Não Pouco Mais ou Importante Muito Totalmente não importante importante menos importante importante importante importante 01.____APOIO SOCIAL. Obter ajuda quando a necessite; sentir que não está só no mundo. 02.____ÊXITO. Obter o que se propõe; ser eficiente em tudo que faz. 03.____SEXUALIDADE. Ter relações sexuais; obter prazer sexual. 04.____CONHECIMENTO. Procurar notícias atualizadas sobre assuntos pouco conhecidos; tentar descobrir coisas novas sobre o mundo. 05.____EMOÇÃO. Desfrutar a vida desafiando o perigo; buscar aventuras. 06.____PODER. Ter poder para influenciar os outros e controlar decisões; ser o chefe de uma equipe. 07.____AFETIVIDADE. Ter uma relação de afeto profunda e duradoura; ter alguém para compartilhar seus êxitos e fracassos. 08.____RELIGIOSIDADE. Crer em Deus como o salvador da humanidade; cumprir a vontade de Deus. 09.____SAÚDE. Preocupar-se com sua saúde antes de ficar doente; não estar enfermo. 10.____PRAZER. Desfrutar da vida; satisfazer todos os seus desejos. 11.____PRESTÍGIO. Saber que muita gente lhe conhece e admira; quando velho receber uma homenagem por suas contribuições. 12.____OBEDIÊNCIA. Cumprir seus deveres e obrigações do dia a dia; respeitar aos seus pais e aos mais velhos. 13.____ESTABILIDADE PESSOAL. Ter certeza de que amanhã terá tudo o que tem hoje; ter uma vida organizada e planificada. 14.____CONVIVÊNCIA. Conviver diariamente com os vizinhos; fazer parte de algum grupo, como: social e esportivo. 15.____BELEZA. Ser capaz de apreciar o melhor da arte, música e literatura; ir a museus ou exposições onde possa ver coisas belas. 16.____TRADIÇÃO. Seguir as normas sociais do seu país; respeitar as tradições da sua sociedade. 17.____SOBREVIVÊNCIA. Ter água, comida e poder dormir bem todos os dias; viver em um lugar com abundância de alimentos. 18.____MATURIDADE. Sentir que conseguiu alcançar seus objetivos na vida; desenvolver todas as suas capacidades. 187 ANEXO 4 – Escala de Razões para se aposentar Discordo Concordo um pouco Concordo Concordo muito 1. Muito estresse no trabalho 2. Dificuldade com as exigências físicas do trabalho 3. Não gostar do trabalho 4. Pressionado pelo patrão 5. Incentivos oferecidos pela empresa 6. Despedido, demitido ou redução de horas 7. Dificuldades com pessoas no trabalho 8. Deseja mais tempo com a família 9. Deseja tempo para seus próprios interesses 10. Esposa(o) queria o(a) parceiro(a) aposentado(a) 11. Queria dar espaço para os mais jovens 12. Atingiu a idade obrigatória para a aposentadoria 13. Saúde debilitada. 14. Problemas de saúde do cônjuge. 15. Pode finalmente arcar com as despesas da aposentadoria. Discordo RAZÕES PARA SE APOSENTAR Discordo Muito INSTRUÇÃO: A seguir são apresentadas algumas frases referentes às razões para você se aposentar. Por favor, marque o quanto você concorda ou discorda de cada uma dessas frases. 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 1 2 3 4 5 6 188 ANEXO 5 - Escala de atitudes frente à aposentadoria: método Thurstone (versão reduzida) INSTRUÇÃO: Agora se apresentam uma série de frases que se referem à aposentadoria. Por favor, marque se concorda ou não com cada frase. 3. A aposentadoria permite dedicar mais tempo às pessoas queridas 7. Ao se aposentar a pessoa se torna um peso para a família e a sociedade. 10. Ao se aposentar a pessoa se sente livre. 13. Nesta sociedade em que apenas tem prestígio aquele que produz e consome, o aposentado se torna alguém socialmente marginalizado. 14. Ao obter a aposentadoria, a pessoa se sente mais segura economicamente. 17. O aposentado perde autoridade em seu grupo familiar 22. Como estou muito envolvido afetivamente com meu trabalho, a aposentadoria significa para mim uma grande perda. 24. É praticamente impossível que eu me entedie ao estar aposentado, pois tenho muitos hobbies e interesses. 27. Eu gostaria ou teria gostado de me aposentar antes da idade estipulada em lei. 28. Apesar de ao se aposentar diminuírem os vencimentos, isso é recompensado ao serem eliminados os gastos relacionados com o trabalho (transporte, roupas, refeições, etc.). Sim Não 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 189 ANEXO 6 - Escala de atitudes frente a aposentadoria: método Osgood (versão reduzida) INSTRUÇÃO: Na continuação, se apresenta uma série de adjetivos opostos. Você deverá marcar no segmento aquele que melhor expressa o significado da aposentadoria. 12 Ruim 1 2 3 4 5 Boa 13 Triste 1 2 3 4 5 Alegre 14 Entediada 1 2 3 4 5 Divertida 16 Desagradável 1 2 3 4 5 Agradável 19 Frustrada 1 2 3 4 5 Respeitável 21 Infeliz 1 2 3 4 5 Feliz 22 Negativa 1 2 3 4 5 Positiva 190 ANEXO 7 – Questionário de informações demográficas Finalmente, procuramos a seguir conhecer um pouco mais acerca dos participantes deste estudo. Lembrando, não é nosso propósito particularizar as respostas, mas saber, no geral, quem são aqueles que responderam nossos questionários. Neste sentido, por favor, responda as perguntas a seguir. 01. Idade: ______ anos 02. Sexo: Masculino Feminino 03. Em que medida você se considera religioso Nada Muito 0 1 2 3 4 04. Qual seu estado civil? Solteiro Casado/covivente Divorciado/separado Viúvo(a) Outro 05. Qual sua escolaridade Sem estudo Estudos básicos Estudos médios Estudos superiores 06. Aproximadamente, quantos anos você estudou durante sua vida (só anos em números)? ____anos 07. Em comparação com as pessoas de sua cidade, você diria que sua família é da (circule): 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Classe baixa Classe Média Classe alta 08. Considera que seu salário diminuíra quando se aposentar ou quando se aposentou? Sim Não 8.1 Por favor, expresse em reais quanto aproximadamente seu salário diminuirá ou diminuiu com aposentadoria: ____________ 09. Você é aposentado? Sim Não 10. Se sim, a quanto tempo (em anos e só números)? ____anos 11. Se for aposentado, qual o motivo de ter se aposentado? Tempo de serviço Idade Máxima Motivo de saúde Outro: ____________ 12. Alguém depende financeiramente de você? Se sim, quem? Não Filhos Cônjuge Neto Outros 13. Fez ou faz algum tipo de preparação para a aposentadoria? Não Sim, Qual? _____________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ 191 ANEXO 8 – Termo de consentimento livre e esclarecido UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CCHLA – DEPARTAMENTO DE PSICOLOGIA DOUTORADO EM PSICOLOGIA SOCIAL CEP 58.051-900 – João Pessoa – PB Tel.: 83 3216 7924 / Fax: 83 3216 7064 Prezado(a) colaborador(a), Estamos realizando uma pesquisa com o propósito de conhecer comportamentos e atitudes associados à aposentadoria. Neste sentido, para efetivação do estudo gostaríamos de contar com sua colaboração respondendo este questionário. Por favor, leia atentamente as instruções deste caderno e marque a resposta que mais se aproxima com o que você pensa e/ou faz, sem deixar qualquer das questões em branco. Para que você possa respondê-lo com a máxima sinceridade e liberdade, queremos lhe garantir o caráter anônimo e confidencial de todas as suas respostas. Você também pode abandonar o estudo a qualquer momento sem qualquer tipo de prejuízo. Contudo, antes de prosseguir, de acordo com o disposto nas resoluções 196/96 e 251/97 do Conselho Nacional de Saúde, faz-se necessário documentar seu consentimento. Por fim, estamos a sua inteira disposição no endereço acima para esclarecer qualquer dúvida que necessite. Desde já, agradecemos sua colaboração. Termo de Consentimento Assinando este termo, estou concordando em participar do estudo acima mencionado, sob a coordenação do Prof. Dr. Valdiney V. Gouveia, do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social, estando ciente de que os dados fornecidos poderão ser utilizados para fins científicoacadêmicos. João Pessoa, ____de ____________ de ______ _______________________________________________________ Assinatura do participante ________________________________________ Assinatura do participante 192 ANEXOS 9 - Curvas Característica do Item e Curvas de informação. Escala de atitudes frente à aposentadoria: método Osgood 193 194 195 196 Escala de atitudes frente a aposentadoria: método Thurstone Título 1.0 Título 1.0 1.0 Título 0.8 0.6 Probability 0.2 0.0 Item01 Item03 -2 0 2 4 -4 -2 0 2 4 -4 -2 0 Ability Ability Ability Título Título Título 2 4 2 4 2 4 2 4 0.8 0 2 4 0 2 4 -4 -2 0 Título Título Título 1.0 Ability 1.0 Ability 0 2 4 0.8 0.6 Probability 0.2 0.0 -4 -2 0 2 4 Item06 -4 -2 0 Ability Ability Título Título Título 0.15 Ability 0.05 0.10 Information 0.15 Information 0.10 0.10 0.05 0.05 Information 0.20 0.15 0.25 -2 0.4 0.8 0.6 Probability 0.0 0.0 0.2 0.4 0.4 0.6 0.8 Item05 0.2 Probability Item03 -2 Ability Item04 -4 0.6 0.2 Item02 -4 1.0 -2 0.0 0.00 Item01 -4 0.4 Information 0.15 0.05 0.10 Information 0.15 0.10 0.05 Information 0.20 0.20 1.0 -4 0.4 0.8 0.6 Probability 0.0 0.0 0.2 0.4 0.6 0.4 0.2 Probability 0.8 Item02 Item05 Item06 Item04 -4 -2 0 Ability 2 4 -4 -2 0 Ability 2 4 -4 -2 0 Ability 197 0.0 0.0 0.2 1.0 -4 -2 -2 0 0 Ability 2 2 4 4 0.8 Item10 Item10 -4 1.0 0.00 -4 Item08 -4 0.00 0.05 0.05 0.10 0.10 0.2 -2 -2 -2 0 0 0 Ability 0.25 0.30 0.30 0.35 2 2 2 2 4 0.20 0.25 0.8 0 0.15 0.6 0.20 Information 0.15 Information 0.4 Information -2 0.6 Probability 1.0 0.0 -4 0.4 0.8 1.0 4 0.2 0.6 Probability 0.4 0.8 2 0.0 0.2 0.6 Probability 0.4 Item07 0.20 -4 0 4 0.15 0.0 0.2 0.0 0.0 0.0 0.2 0.2 0.2 0.6 0.4 0.6 Probability 0.4 Probability 0.6 Probability 0.4 0.8 0.8 0.8 Item07 0.10 0.6 0.0 -2 2 Information 0.5 2.5 -4 0 0.4 2.0 -2 0.3 Information 1.5 Information -4 0.05 0.1 0.5 1.0 1.0 1.0 Título Título Título Item08 4 -4 Item09 Ability Ability 4 4 -4 -2 Ability -4 -2 -4 -2 -2 0 Título Título Título Item09 Ability Ability Ability 0 Título Título Título Item11 Item12 Ability Ability Ability 0 Título Título Título Item11 Item12 0 2 4 2 4 2 4 Ability 2 4 198 -4 -2 -2 0 0 Ability 2 2 4 4 0.2 0.6 Item16 -4 0.8 1.0 1.0 1.0 0.0 -4 Item14 -4 0.00 0.0 0.05 0.2 0.1 0.10 -2 -2 -2 0 0 0 Ability 0.25 0.8 0.30 0.4 2 2 2 Item17 2 4 0.20 0.6 0.3 0 0.15 Information 0.4 Information 0.2 Information -2 0.6 0.8 0.8 -4 0.4 Probability 0.4 Probability 0.6 Probability 0.4 4 0.0 0.2 0.2 2 0.4 0.0 0.0 Item13 0.3 1.0 -4 0 4 0.2 0.8 0.5 -2 2 Information 0.4 -4 0 0.6 Information 0.3 Information -2 0.4 0.2 -4 0.1 0.2 0.1 0.0 0.0 0.0 0.2 0.2 0.2 0.6 0.4 0.6 Probability 0.4 Probability 0.6 Probability 0.4 0.8 0.8 0.8 Item13 0.0 0.0 0.0 1.0 1.0 1.0 Título Título Título Item14 4 -4 Item15 Ability Ability 4 Item17 4 -4 -2 Ability -4 -2 -4 -2 -2 0 Título Título Título Item15 Ability Ability Ability 0 Título Título Título Item18 Item16 Ability Ability Ability 0 Título Título Título Item18 0 2 4 2 4 2 4 Ability 2 4 199 -4 -2 0 Ability 2 2 4 Item22 4 1.2 0 0.2 -4 0.8 1.0 1.0 -2 -4 -2 -2 0.00 0.00 0.05 0.10 0.05 0.05 0 0 0 Ability 2 Item23 2 Item23 2 4 0.20 Information 0.15 Information 0.25 0.20 0.15 0.30 0.35 0.25 0.20 2 0.15 0.10 0.10 Information 0 0.6 0.8 1.0 -2 0.4 Probability 0.6 Probability 0.4 0.8 -4 0.0 0.2 0.6 Probability 0.4 4 1.0 0.0 0.2 Item19 0.8 -2 2 -4 0.6 0.14 -4 0 4 Information 0.12 0.0 -2 2 0.4 0.10 0.8 -4 0 0.08 Information 0.6 -2 0.2 0.06 0.4 Information Item19 0.0 0.04 0.2 -4 0.02 0.0 0.0 0.0 0.0 0.2 0.2 0.2 0.6 0.4 0.6 Probability 0.4 Probability 0.6 Probability 0.4 0.8 0.8 0.8 1.0 1.0 1.0 Título Título Título Item21 Item20 Ability Ability 4 -4 4 Item22 4 -4 -2 Ability -4 -2 -4 -2 -2 0 Título Título Título Item20 Item21 Ability Ability Ability 0 Título Título Título Item24 Ability Ability Ability 0 Título Título Título Item24 0 2 4 2 4 2 4 Ability 2 4 200 -4 0.20 -2 -2 0 0 Ability 2 2 4 4 0.2 0.6 0.8 1.0 1.0 1.0 Item25 Item28 Item28 -4 0.02 -4 Item26 -4 0.0 0.1 0.04 0.05 0.2 0.06 -2 -2 -2 0.5 0.12 0.20 0.14 0.6 0.16 0.25 0 0 0 0 Ability 2 2 2 Item29 2 4 0.3 0.4 0.10 Information 0.08 Information 0.15 Information 0.10 -2 0.6 0.8 0.8 -4 0.4 Probability 0.4 Probability 0.6 Probability 0.4 4 0.0 0.2 0.2 2 0.25 -4 0 4 0.15 0.0 0.0 -2 2 Information 0.4 0.5 -4 0 0.10 0.3 0.4 -2 0.2 Information 0.3 Information 0.2 0.0 0.0 0.0 Item25 0.05 0.1 0.1 -4 0.00 0.0 0.0 0.2 0.2 0.2 0.6 0.4 0.6 Probability 0.4 Probability 0.6 Probability 0.4 0.8 0.8 0.8 1.0 1.0 1.0 Título Título Título Item26 Ability Ability 4 -4 Item27 4 Item29 4 -4 -2 Ability -4 -2 -4 -2 -2 0 Título Título Título Ability Ability Item27 Ability 0 Título Título Título Item30 Ability Ability Ability 0 Título Título Título Item30 0 2 4 2 4 2 4 Ability 2 4 201 Questionário de Valores Básicos (1º estudo) Emoção Prazer -2 0 2 4 1.0 0.8 0.6 Probability 0.2 0.0 -4 -2 0 2 4 -4 -2 0 Ability Ability Ability Título Título Título Valores10 2 4 2 4 2 4 2 4 Valores13 0.09 0.07 1 0.06 0.084 0 0.05 0.082 0 2 4 -4 -2 Ability Beleza -4 1.0 1.0 0 2 4 1 2 3 4 5 6 7 0.8 0.8 Probability 0.6 0.0 0.2 Probability Título 1 2 3 4 5 6 7 0.0 -2 0 Maturidade 0.2 0.4 0.0 -4 -2 Ability 0.4 1.0 0.6 0.8 4 Título 1 2 3 4 5 6 7 0.2 Probability 2 Conhecimento Título Suprapessoal 0 Ability 0.6 -2 0.4 -4 0.08 Information 3 Information 2 0.086 Information 0.088 4 0.10 0.090 5 Valores5 0.11 -4 1 2 3 4 5 6 7 0.4 1.0 0.6 0.8 1 2 3 4 5 6 7 0.0 0.0 Experimentação Título 0.2 0.4 Probability 0.6 0.8 1 2 3 4 5 6 7 0.2 Probability Título 0.4 1.0 Título Sexualidade -4 -2 0 2 4 -4 -2 0 Ability Ability Ability Título Título Título Valores4 Valores18 0.15 Information 3 Information 0 0.1 0.05 1 0.10 0.2 2 0.3 Information 4 0.20 0.4 5 0.25 Valores15 -4 -2 0 Ability I n t e r a t i v a Apoio Social 2 4 -4 -2 0 Ability Afetividade 2 4 -4 -2 0 Ability Convivência 202 -2 0 2 4 1.0 0.8 0.2 0.0 0.0 0.0 -4 -2 0 2 4 -4 -2 0 Ability Ability Ability Título Título Título Valores7 2 4 2 4 Valores14 0.2 0.2 0.0 0.1 0.1 0 2 4 -4 -2 Ability Exito 4 -4 Prestígio Título 1.0 1.0 Probability 0.2 0.0 0.0 0 2 1 2 3 4 5 6 7 0.8 0.8 0.6 Probability 0.2 0.4 1.0 0.8 0.6 0.4 0.0 -2 -2 0 2 4 -4 4 -2 Ability 2 4 0.20 0.8 0.2 0.4 0.22 0.6 Information 0.26 1.0 Valores6 0.24 Information 4 Valores11 1.2 0.28 0.20 0.18 0.16 Information 0.14 0.0 0.12 2 Título Título Título 0 Ability Ability Valores2 0 Ability 1 2 3 4 5 6 7 -4 -4 -2 Título 1 2 3 4 5 6 7 0.2 Probability 2 Poder Título Realização 0 Ability 0.6 -2 0.4 -4 0.3 Information 0.6 0.4 Information 0.4 0.3 0.2 Information 0.4 0.5 0.8 0.6 Valores1 0.5 -4 1 2 3 4 5 6 7 0.6 Probability 0.6 0.8 1 2 3 4 5 6 7 0.4 1.0 Título 0.2 0.4 Probability 0.6 0.8 1 2 3 4 5 6 7 0.2 Probability Título 0.4 1.0 Título -4 -2 0 E x i s t ê n c i a Ability Saúde 2 4 -4 -2 0 Ability Estabilidade 2 4 -4 -2 0 Ability Sobrevivência 203 0.2 0.30 -4 -2 Ability 0 2 Valores16 2 4 4 0.2 0.0 0.1 0.1 0.1 0.2 0.2 0.2 Tradição -4 -4 -2 Título -2 -2 0.5 0.6 0.6 Valores13 0 Ability Ability 0 Título Título Ability 0 0.6 Título 2 1 2 3 4 5 6 7 2 Valores8 2 4 0.4 0.5 0.5 2 0.3 0.4 0.4 Information 0.3 Information 0.3 Information Título 1.0 Ability 0 0.8 0.0 0.0 Ability 0.6 Probability 1.0 -4 -2 0.4 0.8 4 0.0 0.6 Probability 1.0 1 2 3 4 5 6 7 0.4 0.8 2 -4 2.5 0.2 0.6 Probability 0.4 Valores9 2.0 0.0 0.2 Ability 1.5 0 0.6 0.0 0 4 Information 0.5 0.40 -2 2 0.4 0.35 -4 -2 0 0.3 Information 0.25 Information -4 -2 0.0 0.0 0.0 0.2 0.2 0.2 0.6 0.4 0.6 Probability 0.4 Probability 0.6 Probability 0.4 0.8 1.0 0.8 1.0 0.8 1.0 1 2 3 4 5 6 7 1.0 0.20 -4 0.5 0.1 0.15 1 2 3 4 5 6 7 0.0 0.0 0.10 Normativo Título Título Título 4 4 4 1 2 3 4 5 6 7 -4 -4 -4 -4 -2 Ability Ability -2 Título -2 -2 0 Título Valores17 Ability 0 Religiosidade Título 1 2 3 4 5 6 7 Ability 0 Título Valores12 0 2 4 2 4 2 4 Ability 2 4 204 Escala de atitudes frente à aposentadoria: método Thurstone (versão reduzida) 0 2 4 1.0 0.8 0.2 -4 -2 0 2 4 -4 -2 0 Ability Ability Ability Título Título Título Item02 2 4 2 4 2 4 2 4 Item03 0 2 4 1.5 Information -4 -2 0 2 4 -4 Título Título 2 4 -4 -2 0 0.8 2 4 -4 -2 0 Ability Ability Ability Título Título Título Item05 2.5 Item06 1.5 1.0 Information 1.0 -4 -2 0 Ability 2 4 0.0 0 0.0 0.5 1 0.5 2 Information 3 2.0 4 1.5 Item04 Information 0.6 Probability 0.0 0.2 Probability 0.2 0.0 0 1 2 3 4 5 0.4 0.8 1 2 3 4 5 0.6 0.8 0.6 0.4 0.2 1.0 Título 1.0 Ability 0.0 -2 0 Ability 1 2 3 4 5 -4 -2 Ability 0.4 -2 1.0 -4 Probability 0.0 0 0.0 0.5 0.5 1 1.0 2 Information 1.5 1.0 Information 2.0 3 2.0 2.5 Item01 2.5 -2 0.0 0.0 0.0 -4 1 2 3 4 5 0.6 Probability 0.6 0.8 1 2 3 4 5 0.4 1.0 Título 0.2 0.4 Probability 0.6 0.8 1 2 3 4 5 0.2 Probability Título 0.4 1.0 Título -4 -2 0 Ability 2 4 -4 -2 0 Ability 205 Curvas da escala de Valores Humano Básicos (2º estudo) Prazer 1.0 0.8 Probability 0.2 0.2 0 2 4 -4 -2 0 2 Ability Ability Título Título 4 -4 -2 4 2 4 2 4 0.35 0.25 Information 4 3 Information 2 Valores13 0.30 5 Valores10 2 0.0285 4 Título 0.05 0 0.0275 0.10 1 0.15 0.0280 Information 2 0.20 0.0290 Valores05 0 Ability 0.40 -2 0.0 0.0 -4 1 2 3 4 5 6 7 0.6 1.0 0.8 1 2 3 4 5 6 7 0.6 Probability 0.6 0.4 0.2 Probability 0.8 1 2 3 4 5 6 7 0.0 Experimentação Título Título 0.4 1.0 Título Sexualidade 0.4 Emoção 2 4 -4 -2 Beleza -4 Título 1.0 1.0 0.8 1 2 3 4 5 6 7 4 Probability 0.0 -4 -2 0 Ability Título Título 4 -4 -2 0 Ability Título Valores15 Valores18 0.3 0.1 0.2 Information 0.098 0.096 Information 0 0.090 1 0.092 0.094 3 2 Information 4 0.100 5 Valores04 2 0.4 2 1 2 3 4 5 6 7 0.2 0.2 0.0 0 Ability 0.102 -2 0 Maturidade 0.6 Probability 0.6 0.4 0.0 -4 -2 Ability 0.4 1.0 1 2 3 4 5 6 7 0.8 4 Título 0.2 Probability 2 Conhecimento Título Suprapessoal 0 Ability 0.8 0 Ability 0.6 -2 0.4 -4 -4 -2 0 Ability I n t e r a t i v a Apoio Social 2 4 -4 -2 0 Ability Afetividade 2 4 -4 -2 0 Ability Convivência 206 2 4 1.0 0.8 0.6 Probability 0.2 -4 -2 0 2 Ability Ability Título Título -4 -2 0 2 4 2 4 2 4 2 4 Ability Título Valores07 Valores14 0.6 0.4 Information 0.4 0.2 0.3 Information 0.4 0.3 0.0 0.1 0.1 0.2 0.2 Information 0.5 0.5 Valores01 4 0.8 0 0.0 0.0 0.0 -2 0.6 -4 1 2 3 4 5 6 7 0.4 1.0 0.6 0.8 1 2 3 4 5 6 7 0.2 0.4 Probability 0.6 0.8 1 2 3 4 5 6 7 0.2 Probability Título Título 0.4 1.0 Título 2 4 -4 -2 Poder -4 Título 1.0 1.0 0.8 1 2 3 4 5 6 7 Probability 0.6 Probability 0.6 2 4 0.0 0.0 0 1 2 3 4 5 6 7 0.2 0.2 0.4 0.0 -2 -4 -2 0 Ability Ability Título Título 2 4 -4 -2 Título Valores11 2 Information 0.28 0 0.22 0.15 1 0.24 0.26 Information 3 0.30 4 0.35 0.30 0.25 0.20 Information 0 Ability Valores06 0.32 Valores02 0 Prestígio 0.40 -4 -2 Ability 0.4 1.0 1 2 3 4 5 6 7 0.8 4 Título 0.2 Probability 2 Exito Título Realização 0 Ability 0.8 0 Ability 0.6 -2 0.4 -4 -4 -2 0 E x i s t ê n c i a Ability Saúde 2 4 -4 -2 0 Ability Estabilidade 2 4 -4 -2 0 Ability Sobrevivência 207 Título 1.0 0.8 -4 2 4 -4 -2 0 0.7 1.0 0.8 2 4 -4 0 Ability Título Valores16 Information 0.5 0.4 0 0.0 0.15 0.1 1 0.2 2 0.25 0.6 0.30 Valores08 0.3 Information -2 0.20 6 Título 5 0.6 Probability 0.2 0.0 -2 Título 4 4 1 2 3 4 5 6 7 0.4 1.0 0.8 0.6 Probability -4 Ability 3 2 Título 1 2 3 4 5 6 7 Ability Valores12 4 Tradição 0.0 4 0 Ability 0.2 0.4 0.2 2 2 0.2 4 0.4 1.0 2 Título 0.6 0.8 0 Religiosidade 0.0 0 4 0.1 -2 Título -2 2 Valores17 Ability Obediência -4 4 0.0 -4 1 2 3 4 5 6 7 2 0.5 Information 0.4 0.2 0.1 0.0 0 0 Título 0.3 Information 0.4 0.3 0.1 -2 -2 Ability 0.5 0.5 4 Valores13 Ability Probability 2 Título 0.0 -4 Information 0 Ability Valores9 0.6 Probability 0.2 0.0 -2 0.6 -4 0.4 4 0.3 2 1 2 3 4 5 6 7 0.4 1.0 0.8 0.2 0.0 0 Ability 0.6 0.6 -2 0.2 Information 1 2 3 4 5 6 7 0.6 Probability 0.6 0.4 0.0 0.2 Probability 0.8 1 2 3 4 5 6 7 -4 Normativo Título Título 0.4 1.0 Título -4 -2 0 Ability 2 4 -4 -2 0 Ability 2 4 -4 -2 0 Ability 208 ANEXOS 9 – Parecer do Comitê de Ética 209