CARLOS AUGUSTO BARCELLOS VELOSO ANÁLISE DAS ESTRATÉGIAS UTILIZADAS EM EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA NAS ORGANIZAÇÕES BRASILEIRAS: ESTUDO DE CASO EM DUAS ORGANIZAÇÕES DE GRANDE PORTE. Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado Profissional em Sistemas de Gestão da Universidade Federal Fluminense como requisito parcial para obtenção do Grau de Mestre. Área de Concentração: Gestão da Qualidade Total Orientador: Prof º. Osvaldo Luiz Gonçalves Quelhas, D.Sc. Niterói / RJ 2004 CARLOS AUGUSTO BARCELLOS VELOSO ANÁLISE DAS ESTRATÉGIAS UTILIZADAS EM EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA NAS ORGANIZAÇÕES BRASILEIRAS: ESTUDO DE CASO EM DUAS ORGANIZAÇÕES DE GRANDE PORTE. Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado Profissional em Sistemas de Gestão da Universidade Federal Fluminense como requisito parcial para obtenção do Grau de Mestre. Área de Concentração: Gestão da Qualidade Total BANCA EXAMINADORA __________________________________________________ Prof. Osvaldo Luís Gonçalves Quelhas, D. Sc. – Orientador Universidade Federal Fluminense __________________________________________________ Prof: Orlando Celso Longo, D. Sc. Universidade Federal Fluminense __________________________________________________ Prof. Vanderli Fava de Oliveira, D. Sc. Universidade Federal de Juiz de Fora Dedico este trabalho Ao meu tio e amigo Eduardo Viana, pai e mentor intelectual, sempre presente em minha trajetória acadêmica. AGRADECIMENTOS Inicialmente a Deus por me dar forças para seguir o meu caminho. Aos meus pais por terem me dado a oportunidade de estar presente no mundo, e me ensinarem como enfrentar as dificuldades encontradas. A minha esposa Claudia, pelo incentivo, apoio, carinho e principalmente por fazer eu acreditar que sou capaz. Ao meu filho Rafael, que soube entender a minha ausência em alguns momentos nos quais eu deveria estar presente. A minha tia Sílvia e minha avó Edith por acreditarem em mim em todos os momentos. Ao meu orientador Prof. Osvaldo Quelhas que sempre me passou paz e segurança, e de alguma forma sempre iluminou o meu caminho para que eu pudesse enxergar a luz no fim do túnel e concluir este trabalho. A equipe do LATEC e a todos os professores do curso, que sempre que precisei estavam prontos para ajudar. Ao meu amigo David F. L. Santos, com o qual compartilhei minhas idéias e também pude ter o privilégio de realizar trabalhos em conjunto. E finalmente ao meu irmão, Antonio Henrique, mago da informática, que por diversas vezes salvou, gravou e copiou materiais essenciais para este trabalho. "É melhor tentar e falhar, que preocupar-se e ver a vida passar; é melhor tentar, ainda que em vão, que sentar-se fazendo nada até o final. Eu prefiro na chuva caminhar, que em dias tristes em casa me esconder. Prefiro ser feliz, embora louco, que em conformidade viver ..." (Martin Luther King) RESUMO Esta Dissertação de Mestrado estuda as características do processo de aprendizagem e aperfeiçoamento profissional através de educação continuada à distância em duas empresas: uma nacional e outra multinacional. Caracteriza a política de gestão de pessoas que ambas empresas adotam. Identifica o contexto tecnológico de aprendizagem que está sendo oferecido e contribui para a compreensão da educação continuada à distância utilizada no âmbito corporativo. Apresenta reflexões e sugestões a partir das experiências observadas e analisadas nos casos estudados. Palavras-chave: Educação Continuada, Educação à Distância e Capital Intelectual ABSTRACT This essay studies both the learning process and professional improvement through continuing education within two companies: a national and a multinational one. It identifies the personnel management policy that both companies carry out. It also identifies the learning technological context which is being offered and contributes to continuing education comprehension used within corporative environment. It also presents thoughts and suggestions through experiences in case studies which were observed and analized. Key-Words: Continuing Education, Distance Education, Intellectual Capital LISTA DE FIGURAS Figura 1 Esquema para compreensão da revisão da literatura.............................26 Figura 2 Adaptado de fases do processo de pesquisa........................................108 LISTA DE QUADROS Quadro 1 Atividades viabilizadas pelo computador..............................................55 Quadro 2 Vantagens e limites no uso intensivo de computadores........................56 Quadro 3 Pesquisa sobre motivação – década de 70.............................................90 Quadro 4 Empresa nacional – tecnologia distributiva.........................................147 Quadro 5 Empresa nacional – tecnologia interativa............................................148 Quadro 6 Empresa nacional – tecnologia colaborativa.......................................149 Quadro 7 Empresa multinacional – tecnologia distributiva................................150 Quadro 8 Empresa multinacional – tecnologia interativa...................................151 Quadro 9 Empresa multinacional – tecnologia colaborativa...............................152 Quadro 10 Empresa Nacional X Multinacional – tecnologias distributivas.........153 Quadro 11 Empresa Nacional X Multinacional – tecnologias interativas............154 Quadro 12 Empresa Nacional X Multinacional – tecnologias colaborativas........154 LISTA DE SIGLAS BSI British Standards Institute CAI Computer Assisted Instruction CBM Computer Based Multimidia CBT Computer Based Trainning CCQ Círculo de Controle da Qualidade CEN Centros de Execução CINCO S Programa de gerenciamento participativo que objetiva criar condições de trabalho adequadas a todas as pessoas em todos os níveis hierárquicos da organização CMC Computer Mediated Communication CMI Computer Managed Instruction CO. Corporation CPD Centro de Pesquisa e Desenvolvimento CRA-SP Conselho Regional de Administração - São Paulo DIDEN Divisão de Desenvolvimento de Recursos Humanos DRH Desenvolvimento de Recursos Humanos ECAD Educação Continuada à Distância EMC Empresa Multinacional EUA Estados Unidos da América GQT Gestão pela Qualidade Total ICAI Intelligent Computer Aided Instruction ISDN Integrated Services Digital ISO International Organization for Standardization ITS Intelligent Tutoring Systems LAN Local Area Network LED/PPGEP Laboratório de Ensino à Distância/ Programa de Pós-Graduação da Engenharia de Produção MANKIND Multimedia and Networked Knowledge – Transfer Introduces New Dimensions MBA Master Business Administration MEC Ministério da Educação e Cultura SETRE Setor de Treinamento STE Segmento de Tecnologia Educacional STI Sistema Tutorial Inteligente T&D Treinamento e Desenvolvimento TBC Treinamento Baseado em Computador TBI Treinamento Baseado na Intranet TBT Techonology Based Trainig TV Televisão UFSC Universidade Federal de Santa Catarina USP Universidade de São Paulo WBT Web Based Trainning SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO . 14 1.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS 14 1.2 SITUAÇÃO PROBLEMA 21 1.3 OBJETIVOS 22 1.4 JUSTIFICATIVA 22 1.5 RELEVÂNCIA 23 1.6 ESTRUTURA 24 2 REVISÃO DA LITERATURA 25 2.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS 25 2.2 INFORMAÇÃO E CONHECIMENTO 27 2.2.1 A utilização da informação e do conhecimento como insumo estratégico 33 2.2.2 A aprendizagem e a criação de conhecimento organizacional 38 2.2.3 A aprendizagem e as novas tecnologias de comunicação 43 2.3 CARACTERIZAÇÃO DE EDUCAÇÃO CONTINUADA À DISTÂNCIA 47 2.3.1 Conceituação de educação continuada à distância 47 2.3.2 Estrutura de educação continuada à distância 51 2.3.3 Mídia multimídia: o computador 54 2.3.4 Internet 57 2.3.5 Universidade corporativa: uma forma de educação continuada à 59 distância.. 2.4 EDUCAÇÃO CONTINUADA À DISTÂNCIA INSERIDA NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM DO CAPITAL HUMANO DA EMPRESA 67 2.4.1 Educação continuada à distância e o avanço da interatividade 67 2.4.2 Processo de aprendizagem na visão construtivista 69 2.4.3 A nova estratégia de aperfeiçoamento do capital humano 79 2.4.4 A motivação aplicada à educação continuada à distância 88 2.4.5 Síntese dos modelos de tecnologia e aprendizagem para a educação continuada à distância 101 3 METODOLOGIA 107 3.1 PROCEDIMENTOS GERAIS DA PESQUISA 107 3.2 ESCOLHA DAS EMPRESAS 108 3.3 DELIMITAÇÃO ESPACIAL E TEMPORAL 109 3.4 COLETA DE DADOS 110 3.5 TRATAMENTO DOS DADOS 110 3.6 LIMITAÇÕES DA PESQUISA 111 4 ESTUDO DE CASO: EMPRESA NACIONAL E EMPRESA MULTINACIONAL 113 4.1 EMPRESA MULTINACIONAL 114 4.1.1 A gestão dos recursos humanos 115 4.1.2 Gestão de competências 117 4.1.3 Educação continuada à distância na EMC do Brasil 118 4.2 EMPRESA NACIONAL 124 4.2.1 Contexto da formação de recursos humanos 124 4.2.2 As competências essenciais 125 4.2.3 Gestão de pessoal 127 4.2.4 A gênese dos programas de educação continuada à distância 129 4.2.5 Os programas de educação continuada à distância 132 4.3 ANÁLISE DAS ESTRATÉGIAS DE EDUCAÇÃO CONTINUADA À DISTÂNCIA NAS ORGANIZAÇÕES ESTUDADAS 141 4.3.1 Aperfeiçoamento e desenvolvimento: a competência como alvo 141 4.3.2 ECAD e o desenvolvimento de competências: o sujeito como centro da aprendizagem 142 4.3.3 O papel do instrutor e a interação aprendiz-aprendiz (capital humano) 145 4.3.4 As tecnologias utilizadas 146 4.3.5 Objetivos do aperfeiçoamento: modelos pedagógicos x tecnologias utilizadas 147 4.3.6 A ECAD e a informação 154 4.4 PERCEPÇÕES E CONSTATAÇÕES DO PESQUISADOR 156 5 CONCLUSÃO E SUGESTÃO DE NOVAS PESQUISAS 157 REFERÊNCIAS 161 14 1 INTRODUÇÃO 1.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS A realidade do ambiente global possibilitou o surgimento de uma nova era em termos de competição. Esta competição originou-se não apenas a partir de concorrentes tradicionais em mercados tradicionais, ou a partir de novos entrantes em determinados setores, mas também, a partir da desintegração de barreiras de acessos a mercados, anteriormente, isolados e protegidos. Assim, a competição pode surgir inesperadamente de qualquer lugar e, as empresas não podem sentir-se excessivamente confiantes com suas fatias de mercado e, com suas posições competitivas. (JURAN, 1990) Estas constantes mudanças de ordem econômica social, tecnológica e científica deste mundo globalizado implicam o desenvolvimento e a qualificação continuada do profissional, também denominado capital humano, segundo Thomas Stewart (1998). Deste modo, não se pode falar em competitividade e aperfeiçoamento, sem se falar antes no investimento em pessoas competentes e dedicadas à tarefa de fazer de sua empresa a melhor, e pessoas que contribuam mais com a mente do que com a força. Nenhum outro elemento do processo produtivo tem uma contribuição tão relevante para oferecer como o homem, como da mesma forma, não existe nenhum elemento tão complexo quanto ele. Pode-se, mesmo, afirmar que o elemento humano é o recurso que exige o maior investimento, mas também, determina o maior retorno, em termos de contribuição para a produção da qualidade. (PALADINI, 1995) As pesquisas sobre novos ambientes de ensino-aprendizagem, assim como sobre novas tecnologias educacionais avançam paralelamente, ao desenvolvimento de recursos tecnológicos com potencial para a interatividade e de novas demandas profissionais, tornando a educação continuada à distância uma alternativa a ser explorada, visando uma maior adequação de ações pedagógicas às empresas voltadas para a criação de conhecimento e aprendizagem. Os avanços decorrentes da convergência da computação, microeletrônica e telecomunicações possibilitaram a expansão das fronteiras da educação continuada à distância, que pode se beneficiar de novos recursos pedagógicos. A internet, por exemplo, 15 ampliou as possibilidades da aprendizagem por descoberta, através das opções de busca na rede mundial (NUNES, 1997). Fagundes (1996) lista como recursos que dão novos contornos à Educação Continuada à Distância (ECAD): [...] as tecnologias interativas da informação e comunicação, as tecnologias eletrônicas que estão tornando possível a inteligência distribuída na sociedade, os computadores, os sistemas de simulações, de hipertextos, de multimídias, os ambientes virtuais, as redes de computadores que asseguram a interconectividade e a interoperabilidade, ultrapassando os limites de espaço e de tempo físico. (FAGUNDES, 1996, p.21) Segundo Fagundes (1996), os meios de comunicação anteriores, como texto, telefone, correio, rádio, cinema, fax, televisão e vídeo-cassete, não serviram para alterar a hierarquia do ensino, que concebe a aprendizagem como de fora para dentro, submetendo o aprendiz a uma organização lógica, social e psicológica do ensino. As novas tecnologias, por sua vez, são transformadoras, pois a “ECAD passa a dispor de comunicação interativa entre grupos de educação presencial e grupos de educação não formal em processos dialeticamente sincrônicos e diacrônicos” (FAGUNDES, 1996, p.21). Nessa concepção, a interação é vista como a chave da aprendizagem e o instrutor é mais um facilitador do processo de interação, tanto dos aprendizes entre si como dos aprendizes com as fontes de informação. Os significados são construídos socialmente, através de questões problematizadoras, com a negociação das compreensões conceituais de cada um. Para Santos (1997), as novas possibilidades tecnológicas, como a tele-informática e as redes de computadores utilizadas no processo de aprendizagem, acarretam uma mutação no plano da interatividade, uma vez que o indivíduo passa a relacionar com bases de dados dispersas pelo mundo, em um espaço subjetivo. A definição do termo interatividade, embora não conste ainda dos principais dicionários editados no Brasil, tem sido, portanto, associada ao processo de difusão da informática, possibilitando uma postura ativa do sujeito no processo comunicacional, assim como na atividade de aprendizagem. De acordo com Guadamuz (1997), o termo interativo é utilizado a partir do momento em que a informática permitiu integrar diferentes mídias no computador, possibilitando ao usuário o controle sobre a aprendizagem. O autor mostra que se deve distinguir a interatividade da máquina (transitiva) da interatividade do usuário (intransitiva). A primeira é aquela que permite ao usuário trabalhar sobre o programa, enquanto que a segunda “permite ao usuário desenvolver uma atividade sensorial, afetiva e intelectual a serviço de interpretação 16 de mensagem” (GUADAMUZ, 1997, p.30). Como afirma Silva (1997), “ser interativo é hoje uma condição revolucionária e inovadora da informática, da televisão, do cinema, do teatro, dos brinquedos eletrônicos, do sistema bancário on-line, da publicidade, do marketing” (SILVA, 1997, p.53). Para o autor há uma indústria da interatividade, que qualifica como interativa qualquer coisa que permita algum nível de participação do usuário – da troca de ações ao controle sobre os acontecimentos. Ainda segundo Silva (1997), quando aplicado no ambiente de ensino-aprendizagem, o conceito de interatividade torna-o um processo participativo e criativo, por facilitar ao aprendiz a construção do conhecimento (entendido como conexões em rede), uma vez que novas tecnologias de comunicação permitem o acesso direto e imediato aos conteúdos e ao instrutor. A hipermídia é um exemplo dessas tecnologias. Como mostra Hiratsuka (1996, p.26) “há paralelos interessantes entre a associatividade da hipermídia e a aparente associatividade da mente humana”, que se configuram como rede semântica. Os processos cognitivos, assim como a hipermídia, são vistos como ativações dos nós dessa rede e de suas conexões, numa concatenação contínua de imagens e conceitos. A hipermídia é uma forma de produzir e armazenar dados em formato não seqüencial, que se mostra mais adequada para favorecer os processos de construção de conhecimento, do que os dispositivos lineares de armazenamento de informações. Os novos recursos tecnológicos trazem também novos desafios para a empresa de um modo geral e, em especial, para a educação continuada à distância, tais como a exigência do conhecimento de novas linguagens e de criação de equipes multidisciplinares para a formatação de cursos. O reconhecimento da qualidade da aprendizagem em um contexto em que ocorre a interatividade, associado à crescente demanda por atualização de conhecimentos por parte da sociedade, tem levado a uma expansão dessa modalidade. Ao analisar as tecnologias disponíveis para formar recursos humanos, Bèdard (1997) considera os meios tradicionais como estáveis, e os mais recentes - TV interativa, CD-ROM, intranet e internet - como evolutivos. Na década de 80, as grandes empresas passaram a utilizar as redes de computadores como tecnologias de ECAD, desenvolvendo tutoriais em treinamento de determinadas funções, mas ainda sem os recursos da interatividade. Esse período representou apenas uma fase de automatização de informações e instruções (CORTELAZZO,1997). A partir dos anos 90, os recursos tecnológicos evoluíram e abriram outras possibilidades para a educação e a formação profissional, facilitando o acesso, às 17 informações e ao conhecimento e redefinindo o tempo e o espaço do aperfeiçoamento. Segundo o site E-Learning Brasil, artigos publicados em revista especializadas em recursos humanos, em informática e em educação demonstram que as práticas de educação continuada à distância, com a utilização das mídias interativas estão cada vez mais sendo implementadas nas organizações. A orientação para a educação continuada à distância se deve, em parte, ao processo de internacionalização das empresas, que cria a necessidade de levar o aperfeiçoamento a um maior número de pessoas em lugares diferentes. Nessa perspectiva, o objetivo passa a ser o de levá-lo ao local de trabalho do capital humano, diminuindo custos, não obstante as dificuldades que podem se relacionar com essa modalidade de ensino-aprendizagem (como problemas relativos à disciplina e responsabilidade pelo próprio estudo, as interrupções por demandas de outras atividades). A incorporação dessa modalidade de aperfeiçoamento pelas empresas se deve também a outros motivos, que extrapolam o objetivo de ampliar o número de pessoas atendidas a um menor custo. A convicção de que se pode realizar um aperfeiçoamento de qualidade na modalidade à distância tem sido fator de disseminação da ECAD. A individualização do estudo, com respeito ao ritmo do capacitando, com a apreensão gradual do conteúdo é geralmente apontada pelos especialistas da educação continuada à distância como fator positivo dessa metodologia. O crescente interesse na adoção das novas tecnologias no aperfeiçoamento corporativo repousa, entretanto, na interatividade propiciada por elas. Em função desse potencial, as novas tecnologias possibilitam o surgimento de um sujeito ativo no processo de produção de conhecimentos, o que se reflete na própria reconceituação da capacitação profissional. Essa é por exemplo, a opinião de Mary Jane Gill, ex-diretora administrativa de serviços de treinamento de Educação da Bell Atlantic C & P Telephone Co., empresa que utiliza largamente as novas tecnologias no desenvolvimento de recursos humanos. Segundo ela, as vantagens da utilização das novas mídias em aperfeiçoamentos não seriam decorrentes apenas da redução do tempo ou custo dos mesmos, mas também da possibilidade de se formar sujeitos capacitados para a era da informática. Na contemporaneidade, torna-se imprescindível o desenvolvimento de conhecimentos que impliquem um trabalho com relativa autonomia, uma vez que se desenvolve sem a intermediação dos níveis de supervisão, agora substituídos por redes de cooperação interpessoal e inter-grupal (DRYDEN ;VOS, 1997). De acordo com Malvezzi (1995), a ampla utilização das práticas interativas relaciona- 18 se com o atual conceito de capacitação profissional. Para o autor, busca-se hoje organizar programas de aperfeiçoamento menos dirigidos a habilidades específicas e mais voltados para a pessoa como um todo. Essa mudança conceitual apresenta a capacitação como “algo que vai além da aquisição de informação, mudança de atitudes e desenvolvimento de habilidades, para incluir a elaboração de significados e a revisão dos referenciais de ação” (MALVEZZI, 1995, p.29). Conforme afirmado anteriormente, o significado atribuído pelo capital humano ao trabalho torna-se fundamental em um sistema que valoriza a autonomia, como é o caso da empresa nacional e da empresa multinacional, objetos deste estudo. Para Malvezzi (1995), cabe ao sujeito não apenas saber o como fazer (know-how), mas também o porquê do como fazer (know-why). Seria em função da necessidade de capacitar um indivíduo a pensar, a reelaborar seus significados e a aprender a fazer autocrítica, que os programas de aperfeiçoamento têm utilizado as práticas interativas, permitindo ao capacitando o confronto com outras racionalidades, capazes de re-elaborar e legitimar a sua. Também no âmbito do desenvolvimento profissional, outra tendência apontada por Malvezzi (1995) é a do reconhecimento de que o aprendizado não decorre exclusivamente das condições internas, mas depende também de externos. O autor mostra que no novo paradigma de gestão o indivíduo conta com três elementos-chave para se desenvolver: sua experiência profissional, sua maturidade e a ajuda do grupo. Desse modo, um novo conhecimento deve ser visto não como um recurso a mais, mas como um componente fundamental para a rearticulação da rede de interdependência de indivíduos e equipes. Reforça-se a capacitação para a parceria, com o compartilhamento de recursos, garantindo-se assim melhores resultados no nível individual e no grupal. Objetivando essa dinâmica, os programas de aperfeiçoamento tendem a se articular em torno de uma equipe e não a partir de indivíduos isolados. Nessa perspectiva, a interatividade proporcionada pelas novas tecnologias pode e deve ser bem explorada. A sua importância no processo pedagógico, com a valorização da troca de experiência e a cooperação, tem sido enfatizada na concepção dos ambientes virtuais de aprendizagem, incorporando-se os fundamentos teóricos do construtivismo sobre o processo de aprendizagem, uma vez que as novas tecnologias permitem esse diálogo à distância, por meio de informações compartilhadas em tempo real. As teorias da aprendizagem, até fins do século XIX, sustentaram-se em duas correntes da teoria do conhecimento: o racionalismo, que tem em Descartes o seu maior pensador, e o empirismo, representado inicialmente por Locke (1632-1704) e Hume. O racionalismo 19 compreende que a origem do conhecimento está no próprio sujeito, que teria, a priori, idéias inatas, provenientes da razão e não dos sentidos e da imaginação, cabendo à educação possibilitar a atualização dos saberes que o sujeito já possui. O empirismo considera que não há na mente humana nenhuma idéia a priori, e essa só se inscreve no indivíduo a partir das experiências. Nessa abordagem, o conhecimento é entendido como algo que vem de fora, cabendo ao sujeito incorporá-lo a partir da realidade exterior previamente construída (ARANHA, 1996). Por outro lado, uma terceira corrente de pensamento pedagógico busca superar os pressupostos epistemológicos dos aprioristas e dos empiricistas. Trata-se de teorias interacionistas e construtivas, que têm como representantes Piaget e Vygotsky, dentre outros. Nessa abordagem, o conhecimento não está no sujeito nem no objeto, mas é percebido como o resultado da ação que se passa entre eles, sendo ambos valorizados no processo de produção de saberes. Piaget acentuou os aspectos relativos às estruturas cognitivas do ser humano, e mostrou que a aquisição de conhecimentos depende tanto dessas estruturas quanto da relação do sujeito com o objeto. Vygotsky, por sua vez, enfatizou os aspectos sócio-históricos na construção de conhecimentos. Para esse último pesquisador, a interação social é fundamental no desenvolvimento das funções psicológicas humanas, e produzir conhecimentos implica uma ação partilhada. É através dos outros que as relações entre sujeito e objeto de conhecimento são estabelecidas, ou seja, as interações sociais são condição necessária para a produção do saber, através do diálogo, da cooperação e da troca de informações (OLIVEIRA, 1993). O uso da tecnologia no processo educacional, enquanto prática pedagógica, sustenta-se em diferentes teorias de aprendizagem, com pressupostos epistemológicos específicos.1 O ambiente telemático2 disponível permite, hoje, diferentes abordagens de ensino, inclusive as que se sustentaram nas teorias construtivistas de aprendizagem, que visam a construção coletiva de conhecimento, por meio da interação entre os envolvidos no processo, com o compartilhamento simultâneo de informações. De acordo com os estudos efetuados pelos pesquisadores do Laboratório de Informática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1 Diferentes teorias pedagógicas têm respaldado o ensino auxiliado por computador, desde o comportamentalismo (behaviorismo), que evidência sua origem empiricista ao valorizar a aprendizagem individual e os programas de instrução, como etapas de ensino e objetivos previamente estabelecidos, até as teorias construtivas de aprendizagem, em que o conhecimento é construído pelo próprio aluno e não fornecido pelos recursos de aprendizagem (CASAS & BRIDI & FIALHO,1996). 20 O aparecimento de novas tecnologias passa a representar a possibilidade de dinamização das práticas pedagógicas através de ambientes de ensinoaprendizagem poderosos, onde a cooperação virtual vem apoiar o processo de desenvolvimento cognitivo e social dos sujeitos-aprendizes, com vistas à construção coletiva de conhecimentos, pelo tratamento de informações que são compartilhadas, processadas distribuídas em tempo real.(VIANNEY; SCHAEFER, 1997, p.47) De acordo com Lévy (1993), a idéia da informática voltada para a comunicação, do trabalho cooperativo e da interação amigável surgiu a partir da metade dos anos 503. Em fins dos anos 60, diversas demonstrações públicas de programas com características como tela com múltiplas janelas, conexões associativas (hipertextuais) em bancos de dados e símbolos gráficos, já haviam sido feitas, porém só vieram a ser comercializados na metade dos anos 80. De acordo com o autor, a informática não era tida como uma tecnologia intelectual. Hoje, porém, Vale a pena repetir que a maior parte dos programas atuais desempenha um papel de tecnologia intelectual: eles reorganizam, de uma forma ou de outra, a visão de mundo de seus usuários e modificam seus reflexos mentais. As redes informáticas modificam os circuitos de comunicação e de decisão nas organizações. Na medida em que a informatização avança certas funções são eliminadas, novas habilidades aparecem, a ecologia cognitiva se transforma. (LÉVY,1993, p.54) No enfoque cognitivo, as tecnologias intelectuais, embora estejam fora do sujeito, formam agenciamentos transpessoais, ou seja, estão também entre os sujeitos, como códigos compartilhados, como textos que circulam ou programas que copia-se, estruturando a rede cognitiva coletiva, e ainda nos sujeitos, que, através da imaginação e da aprendizagem, introjetam elementos semióticos do mundo. De acordo com Lévy (1993), seria com esses elementos de fora, que foram subjetivados, que criou-se novas entidades, o que caracterizaria a “relação de encaixamento fractal e recíproco entre objetos e sujeitos”. (LÉVY, 1993, p.174) O sujeito cognitivo só funciona através de uma infinidade de objetos simulados, associados, imbricados, reinterpretados suportes de memória e pontos de apoio de combinações diversas. Mas estas coisas do mundo, sem as quais o sujeito não pensaria, são em si produto de sujeitos, de coletividades intersubjetivas que as saturaram de humanidade [...] ao longo de um processo em abismo no qual a subjetividade é envolvida pelos objetos e a objetividade pelos sujeitos. (LÉVY,1993, p.174) 2 Telemático refere-se à convergência da tecnologia computacional e das telecomunicações. Douglas Engelbart, diretor do Augmention Research Center (ARC) do Stanford Research “teve a visão (irreal na época) de coletividades reunidas pela nova máquina, de homens diante de telas falando com as imagens animadas de interlocutores distantes, ou trabalhando em silêncio frente a telas onde dançavam símbolos” (LÉVY, 1993, p.51). 3 21 Neste sentido, será defendida na presente Dissertação de Mestrado, a seguinte temática: Análise das estratégias utilizadas em educação à distância nas organizações brasileiras. Estudo de caso em duas empresas de grande porte. Demonstrando assim, que a educação continuada à distância pode se ajustar ao aperfeiçoamento (capacitação), permitindo eliminar a separação geográfica entre instrutor e capacitando e, atender a um número ilimitado de pessoas, que estejam em busca de formação ou atualização profissional. A ECAD é também um processo de auto-aprendizado incentivado pela utilização de recursos didáticos bem elaborados e, adequados às circunstâncias ou contingências. Registra-se também, neste estudo, que a disponibilidade das novas tecnologias interativas de aprendizagem, além de permitir o estudo à distância, possibilitando, na maior parte das vezes, flexibilidade em termos de tempo e espaço e, diminuição de custos, pode contribuir para a nova visão de aperfeiçoamento nas empresas, que enfatiza o conhecimento e o saber do capital humano, sua criatividade, autonomia e colaboração. Onde o potencial interativo das novas tecnologias permite ao sujeito uma postura ativa no processo de construção do conhecimento, mesmo à distância, abrindo novas oportunidades para a área de capacitação empresarial. 1.2 SITUAÇÃO PROBLEMA Existem difíceis decisões a tomar para a definição das ações para o desenvolvimento de competências nas organizações. Muitas são as soluções apontadas. Desde a implantação de sistemas de gestão integrados, para propiciar rapidez de resposta e de precisa e instantânea tomada de decisão aos gestores. Até programas que se remontam ao cuidado com os aspectos comportamentais. Neste amplo espectro de soluções, vislumbra-se a oportunidade da educação empresarial. As organizações brasileiras, seguindo tendência internacional integram o conhecimento em universidades corporativas e apoiam-se em identificar as melhores práticas de educação para desenvolvimento de competências consideradas estratégicas. Diante das considerações apresentadas, os problemas da pesquisa a serem investigados são: Quais as características das estratégias de educação continuada à distância nas organizações brasileiras ? Existem outras pesquisas, já realizadas, no que se refere a educação continuada à distância em organizações brasileiras ? 22 Existem estratégias diferenciadas para os diversos níveis hierárquicos das organizações ? 1.3 OBJETIVOS Esta Dissertação tem o objetivo primordial de traçar descritiva e qualitativamente, a partir da Revisão da Literatura e da pesquisa de campo, as características da utilização pelas organizações da educação continuada à distância no aperfeiçoamento das pessoas. Este trabalho igualmente contribui com a organização da literatura identificada relativa a ECAD para favorecer pesquisas posteriores sobre o mesmo tema, tendo também, como objetivos auxiliares conceituar e estruturar a educação continuada à distância, valorizar a motivação para maior eficácia do aperfeiçoamento à distância, desenvolver um documento referencial para projetos de ECAD nas organizações brasileiras, identificar os referenciais de competência das empresas, bem como, os objetivos dos programas de gestão de recursos humanos e suas respectivas formas de implantação. 1.4 JUSTIFICATIVA Este estudo teve seu início a partir da percepção das grandes mudanças ocasionadas pela globalização, que decorrentemente, afetam diretamente e indiretamente, a vida das pessoas e a organização das empresas. Dentro das mais variadas alterações, ganhou destaque nos últimos tempos, a temática da educação continuada à distância, que adquiriu mais espaço de atuação no setor de aperfeiçoamento e capacitação de pessoal. Primeiramente, tentou-se detectar através de sites, revistas e periódicos, empresas que utilizavam a educação continuada à distância no aperfeiçoamento de seu capital humano. E nesta primeira sondagem observou-se que a educação continuada à distância estava em franco desenvolvimento no Brasil, contudo, ainda poucas empresas detinham condições de serem objetos de estudo. 23 Por isso, as eliminações levaram a uma organização nacional e outra multinacional, que desenvolviam com seriedade e excelência o aperfeiçoamento do capital humano, por intermédio da educação continuada à distância. Assim, abriu-se um leque de grandes possibilidades à exploração do tema, que se focalizou na problemática e nos objetivos acima descritos. Justificando assim, a escolha do tema em função da demanda por atualização profissional, específica e pragmática destinada a atender aos interesses das organizações, que estão pressionadas pela competitividade intensiva e em permanente evolução. 1.5 RELEVÂNCIA A importância do desenvolvimento desta temática reside basicamente em tentar compreender o papel do processo de aprendizagem aliado a novas tecnologias, e observar sua contribuição no investimento do capital humano de duas organizações, como forma estratégica de competitividade. E também, observar a sustentabilidade destes novos mecanismos de aperfeiçoamento e aprendizagem, que visam maximizar a capacitação e desenvolvimento do capital humano. Em suma, contribuir para ampliar e preservar a energia e o talento humano. A importância social e acadêmica se amplia, quando se observa a temática de maneira pormenorizada, pois ela refere-se a realidade da sociedade globalizada, ao processo de aprendizagem, ao sistema educacional brasileiro, ao mercado de trabalho e, a estratégia de competitividade entre as empresas. E por fim, a relevância desta Dissertação de Mestrado se encontra, na oportunidade de exercitar os conhecimentos acadêmicos e práticos adquiridos através deste tema. Além disso, destaca-se o privilégio de estruturar uma temática em evidência, desde seu início até seu término, e também o contato com a leitura e análise de diversos autores, que colaboraram para o enriquecimento deste trabalho. 24 1.6 ESTRUTURA Este trabalho é composto de cinco capítulos. Iniciamos com a contextualização do problema, definição dos objetivos, justificativa e a relevância da temática estudada, que foram apresentadas no decorrer deste capítulo, intitulado introdução. No capítulo dois é apresentada a revisão da literatura, que demonstra a importância da informação e do conhecimento como insumo estratégico e de competitividade, e apresenta a nova era de competição que torna necessária a empresa investir no capital humano. Caracteriza também a educação continuada à distância, em seus principais aspectos, bem como se analisam os processos de aprendizagens adequados a educação continuada à distância, e a importância da motivação neste processo. Na parte referente ao método, capítulo três, pode-se observar os procedimentos de pesquisa, como também, as temáticas e tipos de fontes utilizadas no contexto, o método comparativo e a abordagem descritiva e qualitativa, que possibilitaram o desenvolvimento da investigação. O capítulo quatro é destinado ao estudo de caso das duas empresas estudadas, e também a discussão entre os seus respectivos objetivos traçados em relação à educação continuada à distância como estratégia de investimento no capital humano. E por fim, o capítulo cinco, conclui a dissertação registrando as conclusões e apontando também, recomendações quanto à aplicabilidade da educação continuada à distância e sugestão de novas pesquisas. 25 2 REVISÃO DA LITERATURA 2.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS Esta Dissertação tem como temática central caracterizar a política de gestão de pessoas, estudar as características do processo de aprendizagem e aperfeiçoamento profissional, bem como tentar compreender as práticas atuais de educação continuada à distância nas organizações estudadas. Por tal motivo, a Revisão da Literatura se divide em três partes fundamentais. A primeira aborda o novo papel da informação e do conhecimento na sociedade contemporânea, e especificamente, a utilização da informação e do conhecimento como estratégia de competitividade. A segunda caracteriza a educação continuada à distância, bem como, sua respectiva estrutura de comunicação. A terceira estuda o processo de aprendizagem e de capacitação profissional e educacional por meio de educação continuada à distância. As três partes da Revisão da Literatura objetivam fornecer subsídios para as próximas etapas do estudo. Estas três etapas são imprescindíveis para o entendimento e estruturação do modelo mental do autor e dos leitores para o entendimento do processo de educação continuada à distância. Para proporcionar melhor entendimento sobre o encadeamento de assuntos na Revisão da Literatura é apresentado o fluxo de assuntos/ tópicos aqui abordados na figura 1. 26 REALIDADE GLOBAL DE EXCESSIVA COMPETITIVIDADE EMPRESA ESTRATÉGIA DE COMPETITIVIDADE INFORMAÇÃO E CONHECIMENTO MOTIVAÇÃO APERFEIÇAOMENTO DO CAPITAL HUMANO PROCESSO DE APRENDIZAGEM CONSTRUTIVISTA TECNOLOGIA DISTRIBUTIVA EDUCAÇÃO CONTINUADA À DISTÂNCIA CONCEITO ECAD ESTRUTURA TECNOLOGIA INTERATIVA TECNOLOGIA COLABORATIVA Figura 1 - Esquema para compreensão da revisão da literatura. Fonte: o próprio autor 27 2.2 INFORMAÇÃO E CONHECIMENTO Desde a pré-história todo estágio de desenvolvimento humano esteve associado a alguma matéria-prima; da Idade da Pedra até os dias de hoje, passando de uma sociedade rudimentar para outra altamente complexa, houve o aparecimento de algum insumo responsável pela evolução. O princípio que permitiu o desenvolvimento da configuração da informação reporta-se à primeira ocasião em que o homem usou os dedos, para representar quantidades. Depois, por meio de símbolos, passou a representar quantidades através de configurações. A assimilação dos homens, com o passar do tempo, de que suas idéias poderiam ser configuradas através da fala e da escrita, fizeram a condição humana e permitiram o desenvolvimento da história. (BRETON, 1991) Com o advento do comércio e a necessidade de simplificar e otimizar as operações numéricas surgem ábacos, que foram os primeiros passos para a mecanização dos cálculos. Com o posterior desenvolvimento da astronomia surgem as tábuas logarítmicas, as funções trigonométricas e os ábacos foram sendo aperfeiçoados. No século XVII surge a primeira máquina capaz de realizar operações aritméticas. (BRETON, 1991) Com o advento da Revolução Industrial, a padronagem de tecidos passa a ser feita por processo mecânico através de cartões perfurados. Posteriormente, no final do século XIX, Herman Hollerith, segundo o Dicionário Enciclopédico Ilustrado (1977), desenvolve uma máquina calculadora com o objetivo de reduzir o tempo gasto na apuração de cálculos. Entre 1959 e 1965 surgem os computadores de grande porte, que junto com seus periféricos tornaram logo objetos de prestígio das principais potências mundiais. Depois dos transistores, o setor passou por novas transformações com o aparecimento dos circuitos integrados que ocupavam menor espaço, menos consumo de energia e maior velocidade na transferência de informações. No processo de evolução tecnológica dos computadores, destaca-se o papel da eletrônica, que através do desenvolvimento do circuito integrado permitiu a armazenagem de maior quantidade de dados na memória. Por outro lado, a evolução na tecnologia das telecomunicações possibilitou também o aumento substancial da velocidade e da capacidade dos meios de transmissão e conseqüente redução nos custos, principalmente com sistemas de fibras ópticas. O desenvolvimento simultâneo das telecomunicações e da microeletrônica 28 permitiu o surgimento de uma nova concepção, quanto ao tratamento da informação, através da constatação de que os recursos proporcionados pelo processamento eletrônico de dados poderiam ser integrados com os recursos advindos do transporte instantâneo da informação. (BRETON, 1991) Nos últimos 40 anos, a evolução tecnológica tem sido marcada pela automatização e informatização de produção e de amplos setores da atividade social. Entre as antigas formas de mecanização anteriores aos anos 50 e a tendência atual, existe um salto qualitativo, pois não se trata apenas de encadear automaticamente seqüências de movimentos mecânicos e, sim de lidar com informação e processos cognitivos artificiais, que até então pertenciam a inteligência humana. No sistema homem-máquina, evidencia-se ao longo do tempo a crescente substituição de segmentos manuais e mecânicos, por processos informacionais automatizados. A estrutura das forças produtivas é transformada pela intermediação de um sistema de signos entre o sistema humano e o sistema de máquinas. Esta transformação gera a possibilidade de uma semiologia artificial e, conseqüente intensa atividade de pesquisa em torno dos problemas de informação, comunicação e cognição. A partir da transformação da atividade cognitiva no contexto da automação, torna-se necessário rever as questões da qualificação do capital humano da empresa e, da antiga separação entre trabalho manual e trabalho intelectual. Com a atual tendência, o capital humano se torna cada vez mais leitor e utilizador dos signos. O processo de atividade cognitiva é capaz de observar o mundo e adquirir conhecimento por intermédio de instrumentos e da linguagem. Tais processos não estão localizados apenas na mente. Para raciocinar o homem recorre a diversos auxílios (registros e indicadores), permitindo domínio e manipulação dos signos e com a informática, os instrumentos auxiliares do pensamento adquiriram maior capacidade, a ponto de muitos pensarem que a máquina pensa sem o homem. É verdade que os computadores são mais complexos que as calculadoras, pois podem ser programados para resolver problemas e simular ações, incorporando no seu funcionamento grande parte da atividade cognitiva necessária. No futuro existirá a possibilidade de reproduzir processos cognitivos mais complexos e, cada vez mais próximos às formas de raciocínio natural do homem. (LÉVY, 1993) A respeito das implicações sociais e filosóficas da informática, encontram-se pontos divergentes. Numa linha de reflexão crítica, em geral, são abordados os riscos associados à possibilidade de manipulação social e perda de privacidade. No plano cognitivo, a crítica se 29 concentra, sobretudo na questão do empobrecimento das formas de raciocínio expurgados da sensibilidade, da intuição e outras características humanas. O tipo de raciocínio derivado da informática teria um impacto desumanizante, também nos campos externos à tecnologia. Paralelamente, a esta linha crítica encontram-se posições otimistas acerca da artificialização do raciocínio e de seu possível aproveitamento humano; quando desligado dos interesses militares; a informática pode ser vista como importante instrumento de liberdade e criatividade pelo fato de dispor de uma capacidade informativa ampliada e um alto poder combinatório. A interdisciplinaridade da pesquisa cognitiva permite esboçar um futuro desenvolvimento de softwares menos mecanicista e, mais entrosado com a inteligência natural do homem. Dando continuidade ao raciocínio exposto acima, observa-se que as inovações tecnológicas fazem as empresas defrontarem-se com um paradoxo. Por um lado, elas dispõem de oportunidades sem precedentes para poder desfrutar de novos mercados. Por outro, os mercados tradicionais estão mudando acentuadamente, encolhendo ou tornando-se intensamente competitivos através de margens de lucros menores combinados com exigências de qualidade cada vez maiores dos consumidores de produtos e serviços, colocando pressões insuportáveis em muitas empresas. Uma preocupante realidade do ambiente global é o surgimento de uma nova era em termos de competição. Pequenos ganhos de eficiência não são mais suficientes para fazer frente às exigências de contenção do Terceiro Milênio. Acrescenta-se, também, a pressão exercida pelos acionistas, Mature companies are being subjected to numerous external pressures. The increasing environmental pressures relate not only to increased competition and increased environmental turbulence, but also to increased complexity resulting from conflicting demands of different stockholders. Thus, shareholders have pressured management for increased shareholder value; employees have demanded increased attention to their education, health care, social, and psychological needs; customers have demanded not just value-for-money but also increased variety, quality, and environmental consciousness; governments have required management to take account of a widening range of public policy considerations. Increasing complexity of required performance dictates new business strategies, whose implementation requires new organizational structures and management systems”. (MITKI; SHANI ; MEIRI, 1997, p.426) A reestruturação das economias nacionais tem sido implacável, sendo impulsionada por avanços em tecnologia da informação, que está cada vez mais sendo aplicada em todos os aspectos da produção, transformando-se num bem de capital. Com os mercados e seus protagonistas constantemente mudando, a possibilidade de 30 que as empresas possam estabelecer vantagem competitiva duradoura não existe mais, cada qual tem de inovar constantemente para poder competir. Numerosos temas recorrentes estão surgindo nos planos estratégicos atuais, à medida que as empresas vão realizando as mudanças de seus próprios negócios, para fazer frente ao novo ambiente empresarial e, cada um desses temas exige novos paradigmas, que são: • A produtividade do capital humano: Um dos maiores desafios que os administradores defrontam é a elevação da produtividade do capital humano. A tecnologia de informação é a principal ferramenta a ser utilizada na obtenção dos substanciais e contínuos ganhos de produtividade, que estarão moldando pessoas, empresas, países e instituições. O efeito capacitador da tecnologia da informação está conduzindo a novos modelos de sistema de trabalho, visto que muitos programas de corte de custos têm fracassado, passando assim para o melhoramento da performance e da eficácia organizacionais. • Qualidade: Os programas de qualidade de produtos e serviços têm passado das operações de manufatura para os trabalhos de informação e prestação de serviço. Este fato se deve, principalmente, à natureza integrada do processo produtivo, em que eventuais problemas de qualidade podem ocasionar reações em cadeia ao longo de toda a rede de fornecimento. A qualidade transformou-se num tema abrangente, englobando as noções de consistência, previsibilidade, motivação do capital humano, envolvimento dos fornecedores e medição de performance. • Capacidade de resposta: A necessidade de poder reagir com rapidez às mudanças nas condições de mercado, ameaças competitivas e exigências dos clientes, constitui outro crescente desafio para as empresas. O tempo gasto entre a inovação do produto e serviço, e a chegada de tal inovação ao mercado está encolhendo rapidamente na maioria dos setores empresariais e industriais. A capacidade de reagir e o tempo de reação constituem considerações fundamentais, para a definição de estratégias e capacitação das organizações, para que possam tornar mais 31 claramente orientadas ao mercado e mais oportunistas. Nos mercados mundiais há necessidade de eliminar, ou pelo menos reduzir, as dependências de tempo e espaço. • Globalização: Com o objetivo de expansão das zonas de livre comércio e na remoção das barreiras ao acesso, outro tema estratégico bastante comum é a globalização de mercados, operações e concorrências. Globalização freqüentemente envolve fusões, aquisições e alianças com o propósito de obter conhecimento de mercados e presença neles. Para Rhinesmith (1993, p.20), o fenômeno da globalização é uma conseqüência de novas forças que estão moldando a economia mundial nos últimos tempos. Dentre essas forças, o autor cita: 1) Um acúmulo financeiro agressivo e maciço, e uma transferência de recursos relativamente fluente e desimpedida; 2) Canais de comunicação e sistemas de transferência, e controle de informações bem definidos e eficientíssimos; 3) Desenvolvimento e aplicação de tecnologias, que buscam a um só tempo posições vantajosas e de baixo custo na criação e na produção de produtos; 4) Nítido reconhecimento do potencial para os mercados de massa, produção sob encomenda de massa e marcas globais. A globalização traz consigo novas ameaças competitivas para o mercado doméstico. Novos e agressivos entrantes podem causar sérios distúrbios em mercados estabelecidos propondo novos padrões. • Parcerias: Empresas que anteriormente apresentavam poucos pontos em comum estão fazendo fusões ou formando joint-ventures, para poderem ir a busca de oportunidades de negócios. Tais parcerias estão proporcionando a muitas empresas recursos financeiros, humanos, e 32 outros, que se fazem necessários na competição em mercados diversificados. Várias são as estratégias de globalização, mas as alianças estratégicas vêm sendo consideradas como um dos instrumentos principais. As alianças estratégicas são uma variedade de co-operações entre firmas que surgem devido à crescente competição, à rápida mudança tecnológica e à crescente necessidade de informações (SPEKMAN ; SAWHNEY, 1990). São definidas como um particular modo de relação baseado em ações de duas ou mais organizações dirigidas à realização de benefícios mútuos. Geralmente, essas alianças são descritas como um tipo particular de sociedade no qual íntimas conexões envolvem diferentes organizações. A aliança se constitui num sistema de colaboração inter-organizacional, no qual os parceiros envolvidos estabelecem, um esforço cooperativo a partir do consenso sobre as metas organizacionais de cada membro (SPEKMAN; SAWHNEY, 1990). A aliança não está baseada em um alinhamento e uma ordenação dos objetivos dos parceiros, antes se refere à compreensão das diferentes intenções dos envolvidos e à crença da integração dessas diferenças em um objetivo comum. O domínio do consenso é a pedra angular na formação da aliança. Além destes tópicos, devem-se salientar os apontamentos de Kotter, que fornecem os passos necessários a uma transformação próspera da organização, These are: establishing a sense of urgency; forming a powerful guiding coalition; creating a vision; communicating the vision; empowering others to act on the vision; planning for and creating short-term wins; consolidating improvements and producing still more change; and institutionalizing new approaches. (COMMINGS ; BROCKLESBY, 1997, p.75) Deste modo, esta primeira parte destaca as mudanças da realidade atual, e consequentemente, os novos desafios propostos às empresas. Contudo, essas transformações geraram maior competitividade e, maior preocupação empresarial aos detalhes. Por isso, se fundamenta a importância de lidar com a tecnologia da informação através do investimento na educação continuada à distância na capacitação e motivação do capital humano da empresa, como forma de sobreviver e superar a acirrada competitividade contemporânea. Esta contextualização das modificações ocorridas com a tecnologia (e proporcionadas por ela) e as empresas são fundamentais para o desenvolvimento da problemática que visa entender as características das estratégias de educação continuada à distância que as organizações estão utilizando com o intuito de capacitação (ou aperfeiçoamento profissional e educacional) do capital humano. 33 2.2.1 A utilização da informação e do conhecimento como insumo estratégico Com o crescimento da busca de conhecimentos por meio de atividades sistematizadas aumenta a produção de literatura e a variedade de publicações (livros, periódicos, relatórios etc.). A organização dos documentos, visando sua efetiva utilização, mostrou-se, portanto, um desafio a ser enfrentado, e seu aperfeiçoamento atinge, atualmente, a organização em bases de dados eletrônicas com enorme capacidade de armazenamento. A tecnologia para acesso às bases de dados remotas foi possível a partir do desenvolvimento da informática e das telecomunicações, que permitem a transferência de grande número de mensagens, a altas velocidades, através de canais de comunicação como satélites e fibra ótica. O aumento do volume de informações registradas em bases de dados eletrônicas e a possibilidade de acesso direto às mesmas, alimentam a produção de conhecimentos, gerando uma proliferação de novas informações. Para Crawford (1994), o computador é o centro de todas as novas tecnologias, uma vez que multiplica a capacidade mental do ser humano, acelerando a produção de novos saberes. Para Lévy (1993), as tecnologias da informação têm um papel essencial na contribuição das culturas e da inteligência dos grupos. Paralelamente a esse processo, e graças ao avanço tecnológico, multiplicam-se os estudos informacionais4. A noção de informação e a relação com o conhecimento foi e ainda é bastante discutida na literatura, inspirando-se em diferentes abordagens. Como mostra Marteleto (1987), a abordagem cognitiva é a vertente que tem o maior número de estudos, e, embora seus teóricos apresentem divergências5, 4 O crescimento exponencial da bibliografia produzida nas diversas áreas de conhecimento no pós-guerra e a necessidade de seu controle visando sua efetiva recuperação foram determinantes no surgimento da Ciência da Informação. Desde então, como mostra Saracevic (1996), a informação tem sido tratada em diversas abordagens, nas tentativas de apreendê-la enquanto fenômeno (modelos matemáticos para tratar do fluxo, do comportamento e das propriedades da informação) e enquanto processo (a partir da década de 70, os estudos passam a incorporar o usuário e o processo de comunicação, e, nos anos 80, administração e o uso de sistemas e tecnologias de informação). 5 Esses teóricos apresentam divergências ao considerarem o conhecimento como fenômeno objetivo ou subjetivo. Brookes (1980 apud MARTELETO, 1987), recorre à noção de conhecimento objetivo de Popper e considera que informação e conhecimento são fenômenos do mesmo tipo, sendo entidades mensuráveis. Para Farradane (1979 apud MARTELETO, 1987), a informação seria o substituto físico do conhecimento, utilizado para a comunicação, enquanto o conhecimento seria uma série de conceitos estruturados e inter-relacionados, sendo considerados um fenômeno subjetivo. De acordo com Hoel (1980 apud MARTELETO, 1987) o conhecimento é subjetivo e individual, enquanto que a informação seria o instrumento que cada indivíduo utiliza para interpretar o mundo. (MARTELETO, 1987) 34 certo consenso tem-se revelado. Basicamente esse consenso gira em torno da tese de que a informação é um meio necessário para extrair e construir o conhecimento, sendo considerados, portanto, fenômenos distintos, que não se confundem. De acordo com Nonaka & Takeuchi (1997), o conhecimento diz respeito a crenças e compromissos, sendo produzido ou sustentado pela informação. Para os autores “a informação é um fluxo de mensagens, enquanto o conhecimento é criado por esse próprio fluxo de informação, ancorado nas crenças e compromissos de seu detentor” (NONAKA & TAKEUCHI, 1997, p.64). Para Sveiby (1998), a informação apresenta-se na forma de números, símbolos, fotos ou palavras, tornando-se conhecimento depois de interpretada pelas pessoas, em função de suas experiências, de seu contexto e de suas emoções. Nesse mesmo raciocínio, Foskett (1990) diferencia os conceitos de dados, informação e conhecimento. O autor mostra que o universo dos fenômenos é a fonte primária de toda experiência. O organismo humano interage com o ambiente, com percepções e sensações, gerando dados, que são as matérias-primas com as quais a mente humana trabalha para produzir informações. Para o autor, a informação seria gerada a partir da organização dos dados em uma estrutura coerente, consolidando um significado para a prática humana, que pode ser comunicado pelos meios disponíveis e entendido por outras pessoas. A informação seria exterior ao sujeito, não tendo sido transformada ainda pela experiência pessoal. Nesse sentido, o conhecimento compreenderia a assimilação pela mente humana, uma vez que se é capaz de através da experiência prática, transformar sensações em pensamentos estruturados, percepções em conceitos. A área de aprendizagem, no contexto das inovações pedagógicas, também tem se preocupado em analisar o limite entre a informação _ elemento mensurável _ e o conhecimento _ elemento não quantificável, por ser da ordem das idéias. De acordo com Legroux citado por Marteleto (1987), a psicologia educacional aborda o conhecimento em duas situações pedagógicas distintas: antes e depois que o dado tenha sido assimilado pelo aprendiz. A informação, exterior ao sujeito, contribui para a elaboração do conhecimento, enquanto que o conhecimento está no próprio sujeito, e só pode ser considerado como tal caso haja assimilação. Em resumo: “Knowledge is what l know; information is what we know”6 (FOSKETT, 1990, p.181). 6 Conhecimento é o que eu sei, informação é o que nós sabemos. (Tradução nossa) 35 O papel da informação e do conhecimento na sociedade contemporânea tem sido inquestionável e, ao ser analisado pelos estudiosos da área de negócios, revela seu caráter pragmático. Na arena empresarial há também uma coesão em torno das noções de informação e conhecimento, estando o conhecimento associado à resolução de problemas, à tomada de decisões, à geração de idéias, ou seja, ao uso que se faz da informação. Para Drucker (1993), na sociedade pós-capitalista, o conhecimento não seria mais um recurso, mas o recurso central, principal. O conhecimento é visto como algo útil e como meio de obtenção de resultados sociais e econômicos. O autor ressalta a importância de torná-lo produtivo, o que garantiria o sucesso econômico e social das organizações e dos países. Para Toffler (1994), do mesmo modo, a informação e o conhecimento são armas competitivas e têm importante papel na sobrevivência da empresa. Como afirma o autor, na sociedade contemporânea as empresas e corporações deveriam adotar estratégias para adquirir, processar, distribuir e proteger informações com competência, formulando programas que transformassem dados em informações e conhecimento. Para o autor, o aperfeiçoamento profissional e a melhoria educacional em todos os níveis também deveriam ser considerados. Aprender, desaprender e reaprender tornaram-se processos necessários. As técnicas de aprendizagem utilizando computadores, como por exemplo, as técnicas de simulação, segundo ele, deveriam imprescindivelmente ser dominadas. Para Ludwig (1998), embora a informação seja a commodity mais importante na economia do conhecimento, o simples acesso a ela não confere poder. O poder decorre do uso que se faz dela, ou seja, do conhecimento. O consultor considera que o capital humano é o principal recurso organizacional, pois nele estão depositados o conhecimento e a capacidade de inovação, fatores de competitividade. Desse modo, a aprendizagem é o mais importante elemento da produção, e um ambiente propício à mesma, do ponto de vista físico e emocional, torna-se imprescindível. A conclusão dos diversos autores citados tem sido consensual: visando adequar-se às grandes transformações mundiais, as organizações deverão recorrer cada vez mais ao conhecimento das pessoas, que deve ser considerado como o alicerce para enfrentar o desafio da competitividade e a garantia de sobrevivência da empresa no futuro. Assim, o desenvolvimento do capital humano passa a ser uma demanda fundamental para o sucesso das organizações. Both the human and ecologically sustainable literatures emphasise the importance of employee knowledge in generating adaptive and responsive organizations. Hierarchies are killers of initiative and innovation and impede the effective 36 utilization of employee knowledge. Other alternative organizational forms are more conducive to fostering the generation of employee knowledge and to using it effectively. Team-based organizational architectures enable employees to have input, discretion over decision making and provide them with the information and resources to deliver organizational outcomes. Such strategies are long term, not a quick fix, for team-based organizational architectures require large investments in time and energy. As a consequence, managers need to make the shift from a short term orientation to the longer term strategies of developing these people centred, service orientated architectures.(GRIFFITHS ; PETRICK, 2001, p. 1581-1582) A perspectiva de uma economia baseada em conhecimento indica, ao menos como aspiração, o advento de uma época em que o capital humano assume uma posição de destaque no sistema produtivo, uma vez que é ele o detentor dos meios intelectuais da produção, através da geração, distribuição e manipulação de dados, informações e conhecimentos. Superar-se-ia, desse modo, a gestão taylorista, em que o conhecimento concentrava-se nos gerentes, com a conseqüente separação entre a concepção e a execução de tarefas7. Como mostra Santos (1997), essa mudança de mentalidade decorre da impossibilidade do ideário taylorista de organização científica do trabalho em resolver os problemas do atual padrão de acumulação capitalista. De acordo com a autora, essa separação sempre foi questionada pelos trabalhadores, e passou a ser discutida também pelos gestores da produção. Santos (1997) refuta, entretanto, que haja de fato uma eliminação da distinção entre concepção e execução, entre trabalho prescrito e real. Embora o capital humano seja chamado a incorporar seus saberes nos projetos, estaria ocorrendo apenas uma tênue legitimação desses saberes, tanto do ponto de vista epistemológico, quanto do ponto de vista econômico, social, político e cultural. De acordo com um estudo de Paiva citado por Pedrosa (1995), os autores que debatem sobre o desenvolvimento do trabalho o fazem numa perspectiva trifásica: artesanal, manufatureira e industrial. Na primeira fase, o trabalhador concebe e executa o trabalho, na segunda, a divisão do trabalho separa duas instâncias e a terceira levaria a uma requalificação. Entretanto, segundo Pedrosa (1995), o debate sobre essa terceira fase de qualificação do processo de trabalho nas economias avançadas gira em torno de quatro teses fundamentais: 7 Desde o surgimento da divisão do trabalho, que gerou a separação entre quem executa e quem o planeja, diversas abordagens foram experimentadas pelo sistema produtivo. A disseminação do taylorismo e do fordismo, na virada do século XX, aprofundou essa separação. Posteriormente, surgiu a Escola de Relações Humanas, e a partir dos anos 70, sócio-técnica, visando alcançar metas e objetivos da organização e das pessoas. Hoje assistise a uma certa reversão dessa separação, buscando-se integração dos conhecimentos, não apenas dos indivíduos, mas também em nível organizacional ou inter-organizacional. A abordagem japonesa tem como foco o aprendizado em toda organização, o desenvolvimento do emprego e o trabalho em equipe. Nessa perspectiva está também a Organização Qualificante, desenvolvida por Veltz e Zarifian, incentivando o aprendizado e o desenvolvimento das capacitações, tendo entre seus princípios: a valorização do trabalho em equipe com autonomia e diminuição dos níveis hierárquicos; a co-responsabilidade, criando maior comunicação entre áreas; e a competência profissional, abrindo espaço para a competência-ação.( FLEURY & FLEURY, 1997). 37 • tese da desqualificação tendencial: seus defensores acreditam que haveria um aprofundamento da separação entre concepção e execução; • tese da requalificação: a automação tenderia a mobilizar o saber do capital humano; • tese da polarização das qualificações: as inovações provocariam um movimento contraditório, alargando as competências de poucos profissionais, necessários ao sistema capitalista, enquanto que para os demais haveria um estreitamento de suas qualificações; • tese da qualificação absoluta e desqualificação relativa: em termos absolutos estaria havendo hoje uma demanda por capital humano mais qualificado se comparado com o grau médio de qualificação exigido em período anteriores, porém, se relativo pelo grau de conhecimento atingido pela humanidade, o grau de qualificação média do capital humano seria menor. As conseqüências sociais e econômicas decorrentes do processo de automação em curso na contemporaneidade não podem ainda ser precisada com exatidão. Em muitos casos, mesmo com o crescimento econômico, a exclusão social se mostra mais evidente do que os benefícios advindos dessa nova ordem. Contudo, parece que é, ainda, através da ampliação do conhecimento das pessoas, da disponibilização de informações e da implementação de uma forma de pensar, que se podem oferecer alternativas capazes de concretizar algumas das utopias sonhadas pelo homem. As novas formas de refletir sobre os problemas, através de um aprendizado contextualizado, constituem o caminho que lhe permitirá enfrentar seus dilemas, tanto no nível organizacional quanto no que se refere à sua inserção no mundo. Nesse sentido, cabe refletir sobre as estruturas que possibilitam ou impedem esse caminho. Learning systems that are fostered by parallel learning mechanisms or parallel hybrid mechanisms seem to help organizations achieve internal changes that result in timely responses to changing external environment. Furthermore, they seem to foster organizations continuous improvement cultures. (MITKI ;SHANI ; MEIRI, 1997, p.444) Uma maior democratização na disseminação da informação e do conhecimento, possibilitada pelas tecnologias da informação, torna-se decisiva para que tal cenário seja 38 atingido. As empresas podem, agora, contar com amplos recursos tecnológicos para efetivar a ampliação do conhecimento individual e organizacional. Por meio da utilização das novas tecnologias no ambiente corporativo, elas podem disponibilizar, a um maior número de pessoas, o acesso às chamadas tecnologias intelectuais, dando a chance às mesmas não só de se atualizarem, mas também de desenvolverem seu potencial. Estas conjecturas a respeito da propagação e utilização da informação e do conhecimento são de suma importância, pois, ilustram a forma como as duas empresas pesquisadas orientam suas estratégias organizacionais. 2.2.2 A aprendizagem e a criação de conhecimento organizacional A crescente importância da produtividade do conhecimento para o processo de acumulação capitalista traz novos desafios para as organizações. A busca dessa produtividade tem conduzido as empresas a se estruturarem enquanto “Organizações de Aprendizagem” (Learming Organizations). Os conceitos nos quais essa perspectiva se baseia foram primeiramente desenvolvidos por Senge (1990), para caracterizar as organizações empenhadas na busca de resultados através de um processo de constante aprendizado. Para esse pesquisador, a resposta aos desafios do mercado competitivo e em permanente transformação está em uma nova forma sistêmica de pensamento, que envolva múltiplas visões de mundo e em um aperfeiçoamento permanente, que promova o ser humano em seu desenvolvimento pessoal e profissional. Fornecer autonomia aos empregados significa habilitá-los a alcançar o seu potencial mais elevado proporcionando a condução de sua própria rotina diária, reconhecendo que o posicionamento das gerências é de auxiliar os empregados na solução de problemas, e não para colocar obstáculos no caminho. (MOREIRA, 2000, p.102) Para tanto, o autor propõe o domínio de cinco disciplinas fundamentais para o processo de inovação e aprendizagem, capazes de despertar o empenho e a capacidade de 39 aprender das pessoas em todos os níveis da organização: domínio pessoal,8 modelos mentais,9 visão compartilhada,10 aprendizagem em equipe11 e pensamento sistêmico12. Para Senge, “criar organizações de aprendizagem implica formar pessoas que aprendam a ver as coisas pela perspectiva sistêmica, que desenvolvam seu próprio domínio pessoal, e que aprendam a expor e reestruturar modelos mentais, de maneira colaborativa”. (SENGE, 1990, p.321) A aprendizagem torna-se um fator crítico para as organizações, que deverão recorrer cada vez mais à sua capacidade de “aprender”. O imperativo do aprendizado surge, sem dúvida, como necessidade básica de atuação do capital humano e empresas, que deverão imergir em um processo de desenvolvimento cognitivo contínuo. A valorização do aprendizado e da educação continuada são princípios adotados pelas corporações contemporâneas, preocupadas com as constantes mudanças, em função de novas e sofisticadas tecnologias, que exigem desenvolvimento de estratégias de aprendizagem técnica e organizacional, visando o aumento da produtividade do conhecimento, que se traduzirá em inovações e aperfeiçoamento de produtos e serviços e no surgimento de novas capacidades. Diversos outros autores têm desenvolvido teorias sobre a aprendizagem organizacional, tema clássico da Teoria das Organizações (SCHEIN,1993; FLEURY; FLEURY,1997; MCGEE ; PRUSAK,1994). De maneira geral, esses autores ressaltam as questões culturais e comportamentais vinculados à aprendizagem organizacional, considerado as crenças e valores das pessoas, assim como a importância da informação nessa dinâmica de aprendizagem. Para Schein segundo Fleury & Fleury (1997), os valores básicos que dariam sustentação a uma cultura de aprendizagem seriam, entre outros: a crença no domínio da organização sobre o ambiente; a crença na atitude pró-ativa da atividade humana; o desenvolvimento de uma visão pragmática de busca de soluções de problemas; a crença no auto-desenvolvimento do ser humano. Segundo o autor, outros pressupostos deveriam ser adotados pelas organizações voltadas para a aprendizagem: estar orientada para o futuro; ter 8 O domínio pessoal é entendido como a disciplina que possibilita aprofundar e esclarecer o objetivo individual e a realidade do momento, sendo considerada pelo autor fundamental para as organizações da aprendizagem, que só aprendem com pessoas que aprendem. É também denominada maestria pessoal. 9 Modelos mentais são imagens enraizadas que influenciam o modo de ver o mundo. Na área administrativa também se observa modelos mentais, que impedem inovações e aprendizado, tornando-se necessário revê-los, através do pensamento sistêmico, que reconhece padrões de mudança a longo prazo. 10 Refere-se aos objetivos, valores e compromissos compartilhados pelos membros de toda organização, reunindo-os em torno de uma missão. 11 Segundo o autor a unidade fundamental de aprendizagem nas organizações modernas é o grupo e não os indivíduos. Neste raciocínio, a empresa só tem capacidade de aprender se também os grupos forem capazes de aprender. 12 Implica ter a visão do todo, reconhecendo que este pode ser maior que a soma de suas partes. 40 múltiplos canais de comunicação (disponibilizando informações confiáveis); aceitar a diversidade cultural (considerada valiosa para a inovação e aprendizagem, se trabalhada adequadamente). De acordo com Fleury & Fleury (1997), na aprendizagem organizacional, da mesma forma que na aprendizagem individual, deve-se levar em consideração as crenças e valores das pessoas. Conforme afirmam, os valores básicos da organização fazem com que haja um padrão na maneira de ser e reagir às situações (modelos mentais), que pode se traduzir em uma resistência às mudanças, influenciando o processo de aprendizagem e inovação, que para os autores, são intimamente relacionados. Tais valores podem ser percebidos através da análise das práticas organizacionais – como o comportamento aparente das pessoas, as formas de comunicação e os rituais organizacionais – que possibilitam a identificação do processo de aprendizagem presente na organização. Para Mcgee & Prusak (1994), a informação, a tecnologia de informação e o processo de gerência de informação desempenham papéis vitais na melhoria do potencial de aprendizado de uma organização. De acordo com os autores, a capacidade da organização em aproveitar e estimular o aprendizado individual, via utilização de informações, de tecnologia de informação e do gerenciamento de informações, deverá ser explorada de forma mais sistemática, de modo a tornar o aprendizado individual útil a toda organização. Para os autores a contextualização dos dados – que transforma os dados em informação – deverá ser visível e explícito para todos, e a comunicação ativa da informação através dos sistemas de informação deverá promover a ampliação do processo de aprendizado da organização. A necessidade de um gerenciamento efetivo do conhecimento em organizações orientadas para a aprendizagem tem despertado o interesse de pesquisadores. Alguns autores têm centrado suas pesquisas no processo de geração do conhecimento, entre eles Nonaka & Takeuchi (1997). Analisando o processo de criação do conhecimento nas empresas japonesas, Nonaka & Takeuchi (1997) mostram que a interação entre conhecimento explícito e tácito (subjetivo, corporal, que se origina na prática) é responsável pela dinâmica da criação do conhecimento organizacional, e se processa em espiral, através de quatro fases: socialização (troca de conhecimento tácito: intercâmbio de experiências), externalização (conversão do tácito em explícito, através do diálogo que recorre a metáforas e analogias), combinação (de conhecimento explícito para explícito: sistematização e ampliação de conceitos) e internalização (absorção do conhecimento explícito, transformando-o em tácito, depois de combinado a experiências, sensações e valores). Essas fases devem se suceder, 41 ininterruptamente, resultando em criação de conhecimento13. De acordo com essa teoria, cabe à organização a função de oferecer um contexto propício de conhecimento individual, tendo em vista a dimensão ontológica do conhecimento (em sentido restrito, o conhecimento só é criado por indivíduos). Compete também a ela estimular o compromisso do capital humano. A idéia é que todos na empresas são criadores de conhecimento, pela importância da informação que oferecem. Choo (1998) nomeia de “Organizações de Conhecimento” aquelas empresas que evoluem com a mudança do ambiente, inovado continuamente. De acordo com autor, a essência de conhecimento é o gerenciamento de seus processos de informação. Pesquisas em teoria das organizações sugerem que elas criam e usam informação em três arenas estratégicas. Na primeira, a organização interpreta a informação sobre o ambiente de modo a construir significados (sense making) sobre sua inserção no ambiente. Em uma segunda arena, ocorre a criação de novos conhecimentos (knowledge creating) pela conversão e combinação do expertise e know-how de seus membros de modo a aprender e inovar. Na terceira arena a empresa efetua o processo de análise das informações, selecionado-as e usando-as para a tomada de decisão (decision making). Essas três perspectivas geram um modelo de organização “aprendiz”, no qual os três processos são integrados na busca e no uso de informação, que move a organização. Choo (1998) identifica três tipos de conhecimento organizacional - tácito, explícito e conhecimento cultural - mostrando que um novo conhecimento é criado no decorrer de três processos - conversão de conhecimento knowledge conversion, knowledge building e knowledge linking. 13 Enquanto a epistemologia ocidental tradicional enfatizava a verdade absoluta e estática como atributos do conhecimento, alguns autores atuais, tendo por referência a teoria do conhecimento de Michel Polanyi, definem o conhecimento como dinâmico, sendo orientado para a ação (apud SVEEIBY, 1998; NONAKA; TAKEUCHI, 1997). Polanyi desenvolveu sua teoria no final da década de 40 e início na da década de 50 época, em que já existia a teoria da informação e a cibernética, tendo se inspirado na psicologia gestáltica. A natureza dinâmica do conhecimento na teoria de Polanyi (apud SVEEIBY, 1998; NONAKA; TAKEUCHI, 1997) é reconhecida quando esse utiliza o termo processo de saber para descrever como aplicamos nossas percepções sensorais para adquirirmos e gerarmos novos conhecimentos. O conceito de conhecimento para Polanyi sustenta-se em três teses: a verdadeira descoberta não resultaria de regras estruturadas ou algoritmos; o conhecimento, embora pessoal, é construído também de forma social; todo conhecimento é tácito ou tem raízes no conhecimento tácito, ou seja, tem raízes na prática. (SVEIBY, 1998, p. 36). De acordo com Polanyi o conhecimento explícito é aquele que pode ser codificado, expresso em palavras ou números. O conhecimento tácito é pessoal, específico a um contexto de ser formulado e comunicado, uma vez que adquirimos conhecimentos criando e organizando ativamente nossas próprias experiências Ao argumentar que os seres humanos criam conhecimento envolvendose com o objeto, e reconhecendo os aspectos subjetivos e corporais do conhecimento, Polanyi rompe com as dicotomias tradicionais entre mente e corpo, razão e emoção, sujeito e objeto, conhecedor e conhecido (NONAKA; TAKEUCHI, 1997, p.66). 42 O autor resgata a teoria de Nonaka & Takeuchi (1997) para mostrar os modos de conversão de conhecimento, que em sua classificação é o primeiro dos três processos de criação de conhecimento organizacional. De acordo com Choo (1998), à medida que o processo de conversão de conhecimento é um processo tanto social quanto técnico, ele irá depender da cultura da organização, isso é, do conhecimento cultural que influencia comportamentos, tais como compartilhamento da informação, motivação para experimentar, e estabelecimento de parcerias.14 Com base nas pesquisas de Leonard-Barton (1995 apud CHOO, 1998) em companhias de manufatura nos Estados Unidos, Choo (1998) apresenta também outro ciclo de criação de conhecimento nas empresas, o knowledde building. Essa pesquisadora identifica quatro atividades realizadas no decorrer do desenvolvimento de novos produtos, através das quais a empresa cria conhecimento, fortalecendo suas capacidades essenciais, que a distinguem dos concorrentes, por serem difíceis de transferir ou imitar. Essas atividades são: compartilhamento na resolução de problemas (reunindo especialistas com diferentes habilidades visando a resolução criativa de problemas), experimentação (possibilitando ampliar as capacidades essenciais e a aprendizagem), implementação e integração de novos processos e ferramentas (envolvendo o usuário, que poderá ter informações críticas que devem ser integradas durante o projeto) e importação de conhecimentos (tecnológicos e mercadológicos). Como terceiro processo de criação de conhecimento, Choo (1998) aponta a aprendizagem que se dá através de alianças (knowledge linking). Conforme mostra, esse processo foi estudado por Badaracco (1991 apud CHOO, 1998) e por Wikstrom & Normann (1994 apud CHOO, 1998) e refere-se à criação de conhecimento que se dá através de interações com fornecedores, universidades e outros parceiros. Embora diversas razões motivem uma empresa a formar alianças com outras (ter acesso a novos mercados, gerar receita adicional etc.), o objetivo específico dessas interações é a aprendizagem e expansão de seu conhecimento, desenvolvendo suas capacidades básicas. Esse processo apresenta-se como um desafio e depende da qualidade da rede externa de relacionamentos da organização, incluindo clientes, fornecedores, distribuidores, fontes de informação etc. 14 Para o autor, o conhecimento cultural consiste nas estruturas cognitivas e afetivas que são usadas pelos membros da organização, expressando as crenças e normas valorizadas pelos membros, que permitem conferir valor ou significado a uma nova informação ou conhecimento, sendo não codificado, mas amplamente difundido na organização. 43 Assim, o processo de aprendizado e de adaptação ao ambiente competitivo envolve, como visto em Choo (1998), a obtenção, o uso e a criação de informações, uma vez as mesmas são utilizadas para interpretar o ambiente, para criar um novo conhecimento e para favorecer a tomada de decisões, possibilitando às empresas tornarem-se “Organizações de Conhecimento”. O novo paradigma pretende que a competência individual se traduza em aprendizado organizacional, valorizando o compartilhamento das experiências particulares em toda a empresa. Por outro lado, para gerar um aprendizado organizacional útil, o indivíduo deve buscar uma multiplicidade de visão de mundo e enfoques, já que muitas vezes soluções inovadoras para os problemas podem ser encontradas fora do enfoque tradicional. (MCGEE& PRUSAK, 1994) A valorização do processo de aprendizagem visando a autonomia do capital humano é peça chave no processo de competitividade. E este fundamento tem sido seguido pelas duas empresas estudadas. 2.2.3 A aprendizagem e as novas tecnologias de comunicação Os estudos acima mostram que a obtenção, o uso e a criação de informações, assim como o desenvolvimento de criatividade para a resolução de problemas, envolvem a cultura e a estrutura organizacional, que influenciam os comportamentos que permitirão ao capital humano apresentar alternativas inovadoras no exercício de sua atividade. Em uma economia de incertezas, com inúmeras variáveis incontroláveis, a empresa necessita dar margem ao surgimento do pensamento original e estar aberta para o imponderável, caso contrário, estará se condenando ao isolamento. A possibilidade de obtenção de ganhos e contínua melhoria implica o favorecimento da imaginação, capaz de fazer frente à instabilidade política e econômica que vigora na atualidade. As estruturas organizacionais de modelo burocrático mostram-se inadequadas aos desafios de mudanças contínuas: a regra da racionalidade desse modelo, baseada na redução das incertezas, já não se mostra viável em ambientes instáveis. Não serve, portanto, para a gestão das organizações contemporâneas. Novos modelos têm sido defendidos pelos diversos especialistas, como organizações 44 “em hipertexto”, “em rede ou virtuais”, “horizontais”, “inteligentes”, “auto-desenhadas” etc.15 O que se busca com essas alternativas é a própria reinvenção da empresa, tornando-a capaz de acompanhar as mudanças do ambiente, enfatizando-se novas formas de pensar, o acesso irrestrito às informações, a liberdade de expressão, o trabalho em equipe workgroups, o empowerment 16 , as estruturas menos hierárquicas, em suma, a valorização do capital intelectual e da aprendizagem. No atual contexto, a troca de experiências e as relações sociais como um todo, não podem ser explicadas nos simples termos das teorias matemáticas da comunicação.17 As correntes que a descrevem como a simples transmissão e decodificação não conseguem perceber a importância assumida pela linguagem. Analisando a configuração epistemológica do cenário pós-moderno, Lyotard (1989) compreende o processo comunicativo sob a perspectiva dos jogos de linguagem, onde parceiro sofre, por ocasião dos lances que lhe cabem, um deslocamento, gerando contralances, que modificam a relação de forças. Para Lévy (1993), há também um jogo comunicativo, em que as mensagens transformam o contexto compartilhado pelos parceiros. De acordo com a teoria por ele defendia, o elemento principal desse jogo não é a mensagem, o emissor ou o receptor, mas o próprio contexto, que é constantemente reconstruído e negociado a partir do processo de comunicação. Afinal, “as mensagens e seus significados se alteram ao se deslocarem de um ator a outro na rede, e de um momento a outro do processo de comunicação” (LÉVY, 1993, p. 22). Para o autor, hipertexto é a metáfora que melhor representa a comunicação ou mesmo todas as outras esferas de realidade em que as significações estejam em questão. Por hipertexto entende-se: Tecnicamente, um hipertexto é um conjunto de nós ligados por conexões. Os nós podem ser palavras, páginas, imagens, gráficos ou partes de gráficos, seqüências sonoras, documentos complexos que podem eles mesmos ser hipertextos. Os itens 15 Sobre organizações em hipertexto ver Nonaka & Takeuchi (1997). Uma síntese das demais pode ser encontrada em Peters (1995) e em Sveiby (1998). Em Imagens da organização (MORGAN, 1996) é apresentada uma visão crítica sobre a maior parte das metáforas-chaves que vêm sendo utilizadas na compreensão das organizações (por exemplo: a idéia da organização como organismo, como cultura, como metáfora política, como sistemas holográficos), mostrando as forças e limitações de cada uma delas. 16 Empowerment: jargão utilizado pelas empresas significando delegação de poder e responsabilidade ao capital humano. 17 A teoria matemática da comunicação, elaborada por Shannon e Weaver no final da década de 40, compreende a informação em uma perspectiva sintática, considerando apenas o seu aspecto técnico, numa abordagem matemática em termos de volumes de informações. Por outro lado, a perspectiva semântica coloca a ênfase no significado da informação, em seu conteúdo. 45 de informação não são ligados linearmente, como em uma corda de nós, mas um deles, ou a maioria, estende suas conexões em estrela, de modo reticular. (LÉVY, 1993, p.33). A produção de sentido de alguma coisa ocorre através de uma trama de associações transversais, o que faz com que o pensamento seja visto como uma rede semântica, uma vez que se concretiza através de conexões de significados. A metáfora do hipertexto mostra a recursividade do sentido, ou seja, essa intrincada rede de associações, que está além da linearidade do discurso. Nesse mesmo raciocínio, Deleuze & Guattari (1995) introduzem a metáfora do “rizoma”18para compreender a multiplicidade implícita nos modos de ler o mundo. Segundo eles, se a árvore, que tem servido de imagem do universo, possui uma lógica binária, uma raiz dicotômica e uma articulação verticalizada, os rizomas, ao contrário, ramificam-se em todos os sentidos e possuem formas diversas, permitindo a ligação de estratos totalmente heterogêneos, numa proliferação infinita de conexões, que recusa a vinculação a qualquer idéia de eixo ou de estrutura. As tecnologias que associam telecomunicações e informática favorecem a criação dessas novas formas de comunicar e conhecer, que condiciona uma nova relação do homem com o mundo. De acordo com Lévy, Novas maneiras de pensar e de conviver estão sendo elaboradas no mundo das telecomunicações e da informática. As relações entre os homens, o trabalho, a própria inteligência dependem, na verdade, da metamorfose incessante de dispositivos de informacionais de todos os tipos. Escrita leitura, visão, audição, criação, aprendizagem são capturados por uma informática cada vez mais avançada. (LÉVY, 1993, p.7) Entretanto, de acordo com Lyotard (1989), as redes flexíveis de jogos de linguagem encontram-se bloqueadas pelas instituições, que impõem limites aos jogos, restringindo a inventividade dos parceiros. As instituições têm atuado como filtros interrompendo conexões possíveis nas redes de comunicação, privilegiando o discurso das mesmas. A partir dessa constatação, o autor ressalta a importância de as organizações estrategicamente propiciarem formas de deslocamento, de modo a desferir um novo lance, que seja inesperado. Nessa perspectiva, a empresa não deve apenas buscar a reprodução das competências, e sim com que a “transmissão do saber não esteja limitada às informações, mas que ela englobe a aprendizagem de todos os procedimentos capazes de conectar campos que a 18 Rizoma ou cabeleira: tipo de raiz. 46 organização do saber tradicional isola”. (LYOTARD, 1989, p.106) Trata-se de buscar o critério performativo do saber, voltado não para a reprodução pura e simples, mas para a promoção de espíritos imaginativos e para a valorização do trabalho em equipe. De acordo com Lévy (1993), as mutações de transmissão e de tratamento de mensagens, ao transformarem os ritmos e as modalidades da comunicação, contribuem também no jogo da interpretação e da construção da realidade. A ecologia cognitiva é o termo usado pelo autor para abordar as dimensões técnicas e coletivas do processo de construção do conhecimento, indicando a importância que as tecnologias assumem nesse processo. O autor mostra que as sociedades orais têm forma de pensamento muito diferente das sociedades que dominam a escrita e a informática. As primeiras dependem apenas da memória, e a inteligência associa-se a esta, sendo mais baseada na intuição e na compreensão do que na explicação. A escrita seria o elemento constituinte do pensamento e da racionalidade ocidental, desempenhado um papel essencial no surgimento da teoria (ciência) com pretensão de validade universal. As tecnologias deste final e início de século permitem um conhecimento por simulação, que “é um dos novos gêneros de saber que a ecologia cognitiva informatizada transporta”. (LÉVY, 1993, p.121) O beneficio cognitivo decorrente da manipulação de modelos está em que o usuário adquire uma espécie de intuição sobre as relações de causa e efeito, ao contrário do que se dá com o conhecimento teórico, com a experiência prática, ou com o acúmulo de uma tradição oral. O conhecimento por simulação seria menos absoluto que o teórico, mostrando-se bem mais operatório. Corresponde “às etapas da atividade intelectual anteriores à exposição racional: a imaginação, a bricolagem mental, as tentativas e erros”. (LÉVY, 1993, p.124) As empresas orientadas para a valorização da troca de experiências e para a coexistência de uma multiplicidade de visões de mundo, o que induz ao surgimento de soluções criativas, podem se valer da comunicação informático-mediática para aperfeiçoarem seus processos de aprendizagem, tirando melhor proveito de seu capital humano. Todavia, a tecnologia isoladamente não será capaz de motivar as pessoas na busca de aprendizagem contínua, ou ainda de promover o compartilhamento de experiências e saberes entre elas. Mesmo que a utilização da tecnologia da informação e comunicação possa trazer amplos proveitos, como os benefícios cognitivos acima mencionados ou o acesso a múltiplos canais para transferência de informação, ela não os trará se não estiver combinada com amplas mudanças culturais e organizacionais, capazes de difundir valores que dêem sustentação a uma cultura de aprendizagem. Além disso, o contato face a face e o incremento das interações são valiosas, sendo fundamentais para o estabelecimento da confiança mútua e 47 para a resolução de questões mais complexas. Portanto, este tópico compactua com as duas empresas estudadas, que entendem que a tecnologia não é neutra em matéria de construção do conhecimento, podendo influenciar, quantitativa e qualitativamente o processo de aprendizagem imprimindo-lhe novas características. 2.3 CARACTERIZAÇÃO DE EDUCAÇÃO CONTINUADA À DISTÂNCIA (ECAD) 2.3.1 Conceituação de educação continuada à distância (ECAD) Para fornecer desde o início clareza as idéias que serão expostas, é primordial utilizar como base definições de importantes autores sobre a educação continuada à distância. Sendo importante lembrar desde o início, que existe uma série de conceitos relacionados com esta temática e, naturalmente, também, uma miríade de termos que ora podem referir-se à mesma idéia, ora podem pretender versar um determinado aspecto do conceito mais vasto. Da mesma forma que sucedeu com as idéias de Jean Piaget, em que se estabeleceu uma grande discussão se constituiriam um método ou uma teoria, com clara propensão para esta segunda hipótese, a educação continuada à distância inspirou uma série de conceitos aparentemente díspares: tratar-se-ia de modalidade, metodologia ou tecnologia? Sem entrar no mérito da questão etimológica, sem dúvida a ECAD pode ser apresentada, como tem ocorrido em seminários internacionais, como a tecnologia da esperança. Há uma expectativa positiva de que possa representar um esforço considerável à política de recursos humanos de nações interessadas no progresso e que dependerão dessa tecnologia educacional para alcançar uma aprendizagem construtiva. (NISKIER, 1999, p.19) São vários os autores e entidades, nacionais e estrangeiras, que apresentam suas próprias definições sobre educação continuada à distância, gerando um número muito grande delas, na produção textual. Boa parte destas definições são muito semelhantes, tornando-as muito repetitivas. Por outro lado, os seus autores partem, muitas vezes, de pontos de vista diferentes sobre o assunto, ora mais abrangentes e ora mais específicos, chegando a vocábulos como “Educação Continuada à Distância”, “Educação à Distância”, “Ensino à Distância”, “Aprendizado à Distância”, “E-Learning” entre outros. São calorosas as discussões sobre tais 48 definições, chegando mesmo a existir, no caso do Brasil, discordâncias entre a adoção de “a Distância” ou “à Distância”. Segundo o Artigo 1º, do Decreto Lei 2.494 que regulamenta o Artigo 80 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Educação continuada à distância é uma forma de ensino que possibilita a autoaprendizagem, com a mediação de recursos didáticos sistematicamente organizados, apresentados em diferentes suportes de informação, utilizados isoladamente ou combinados, e veiculados pelos diversos meios de comunicação”. (BRASIL, 1998) A California Distance Learning Project (CDLP) apud Carvalho (2001) define Aprendizado à Distância como um sistema de fornecimento instrucional que conecta estudantes com recursos educacionais. O Aprendizado à Distância proporciona o acesso educacional a estudantes não matriculados em instituições educacionais e pode ampliar as oportunidades de aprendizado de estudantes em curso. A implementação do Aprendizado à Distância é um processo que se utiliza de recursos disponíveis e deverá envolver a incorporação de tecnologias emergentes. (CARVALHO, 2001, p.16) Dick Schaaf apud pela professora da Faculdade de Educação/ UFRJ, Lígia Silva Leite, trata a educação continuada à distância como uma possibilidade pedagógica, e apresenta seus benefícios em três amplas categorias: (a) alta relação de custo-benefício, pois pode aperfeiçoar um maior número de pessoas e com maior freqüência, reduz custos de deslocamentos de pessoal, e novos aprendizes podem ser incluídos no sistema sem custo adicional; (b) grande impacto, uma vez que o conhecimento pode ser comunicado e atualizado em tempo real, treinamento efetivo pode ser recebido pelo capital humano da empresa no seu computador em casa ou no trabalho, e vários locais podem ser integrados sendo a aprendizagem em grupo realizada ao vivo e mediante programas interativos; e (c) o capital humano possui um maior número de opções para atingir os objetivos de aprendizagem, especialistas remotos estão prontamente acessíveis, ao vivo ou via programas pré-gravados, e as oportunidades de interação do aprendiz com o instrutor são multiplicadas. Garcia Aretio apud pelo professor Francisco Lobo Neto (2001), conceitua a educação continuada à distância como sendo um sistema tecnológico de comunicação bidirecional (e massivo); utilizado como estratégia preferencial de ensino, substituindo a interação instrutoraprendiz em sala de aula; uma ação sistemática e conjunta de recursos didáticos de apoio de uma organização tutorial propiciando a aprendizagem autônoma do aprendiz. Diaz Bordenave apud Lobo Neto (2001) apresenta a educação continuada à distância 49 como uma organização de ensino-aprendizagem na qual aprendizes de diversas idades e antecedentes estudam, quer em grupos, quer individualmente em seus lares, locais de trabalho ou outros lugares com materiais auto-instrutivos distribuídos por meios de comunicação garantida a possibilidade de comunicação com docentes, orientadores/tutores ou monitores. Nunes (1997) complementa os autores citados acima, quando utiliza as noções de Walter Perry e Greville Rumble apud Nunes (1997) que afirmam que a característica básica da educação continuada à distância é o estabelecimento de uma comunicação de dupla via, na medida em que instrutor e aprendiz não se encontram juntos na mesma sala requisitando, assim, meios que possibilitem a comunicação entre ambos como correspondência postal, correspondência eletrônica, telefone ou telex, rádio, modem, vídeo-disco controlado por computador, televisão apoiada em meios abertos de dupla comunicação. Afirmam, também, que há muitas denominações utilizadas correntemente para descrever a educação continuada à distância, como: estudo aberto, educação não-tradicional, estudo externo, extensão, estudo por contrato, estudo experimental. Contudo, segundo Perry e Rumble apud Nunes (1997), nenhuma dessas denominações serve para descrever com exatidão educação continuada à distância, pois são termos genéricos que, em certas ocasiões, incluem-na, mas não representam somente a modalidade à distância. Para exemplificar: um livro ou fascículo, desses que se intitulam “faça você mesmo”; um texto isolado de instrução programada; uma programação insulada de rádio ou um programa assistemático de televisão; não são formas de educação continuada à distância. Esta pressupõe um processo educativo sistemático e organizado que exige não somente a dupla-via de comunicação, como também a instauração de um processo continuado, onde os meios ou os multi-meios devem estar presentes na estratégia de comunicação. A escolha de determinado meio ou multi-meios vem em razão do tipo de público, custos operacionais e, principalmente, eficácia para a transmissão, recepção, transformação e criação do processo educativo. Desmond Keegan apud Nunes (1997) afirma que o termo genérico de educação continuada à distância inclui um conjunto de estratégias de aprendizagem referenciadas por: educação por correspondência, utilizado no Reino Unido; estudo em casa (home study), nos Estados Unidos; estudos externos (external studies), na Austrália; ensino à distância, na Open University do Reino Unido. E, também, téléenseignement, em francês; Fernstudium/Fernunterricht, em alemão; educación a distância, em espanhol; e teleducação, em português. E sumariza os elementos que considera centrais dos conceitos acima enunciados: 50 • separação física entre instrutor e aprendiz, que a distingue do ensino presencial; • influência da organização educacional (planejamento, sistematização, plano, projeto e organização dirigida), que a diferencia da educação individual; • utilização de meios técnicos de comunicação, usualmente impressos, para unir o instrutor ao aprendiz e transmitir os conteúdos educativos; • previsão de uma comunicação de mão dupla, onde o aprendiz se beneficia de um diálogo, e da possibilidade de iniciativas de dupla via; • possibilidade de encontros ocasionais com propósitos didáticos e de socialização; e • participação de uma forma industrializada de aprendizagem, a qual, se aceita, contém o gérmen de uma radical distinção dos outros modos de desenvolvimento da função educacional. G. Dohmem apud Nunes (1997) defini que a educação continuada à distância (Ferstudium) é uma forma sistematicamente organizada de auto-estudo onde o aprendiz se instrui a partir do material de estudo que lhe é apresentado, onde o acompanhamento e a supervisão do sucesso do aprendiz são levados a cabo por um grupo de instrutores. Isto é possível de ser feito a distância através da aplicação de meios de comunicação capazes de vencer longas distâncias. O oposto de “educação continuada à distância” é a “educação direta” ou “educação face a face”: um tipo de aprendizagem que tem lugar com o contato direto entre instrutor e aprendiz. Segundo, O. Peters apud Nunes (1997) a educação continuada à distância (Fernunterricht) é um método racional de partilhar conhecimento, habilidades e atitudes, através da aplicação da divisão do trabalho e de princípios organizacionais, tanto quanto pelo uso extensivo de meios de comunicação, especialmente para o propósito de reproduzir materiais técnicos de alta qualidade, os quais tornam possível instruir um grande número de aprendizes ao mesmo tempo, enquanto esses materiais durarem. É uma forma industrializada de ensinar e aprender. Para M. Moore apud Nunes (1997), a educação continuada à distância pode ser 51 definida como a família de métodos instrucionais onde as ações dos instrutores são executadas a parte das ações dos aprendizes, incluindo aquelas situações continuadas que podem ser feitas na presença dos aprendizes. Porém, a comunicação entre o instrutor e o aprendiz deve ser facilitada por meios impressos, eletrônicos, mecânicos ou outros. Para Borje Holmberg apud Nunes (1997) o termo “educação continuada à distância” esconde-se sob várias formas de estudos, nos vários níveis que não estão sob a contínua e imediata supervisão de tutores presentes com seus aprendizes nas salas de leitura ou no mesmo local. A educação continuada à distância se beneficia do planejamento, direção e instrução da organização do ensino. Por fim, utiliza-se nesta investigação a expressão educação continuada à distância, pois seguir-se-á a vertente que tal termo tem objetivo de aperfeiçoar, ensinar, instruir ou treinar tendo como subsídio aparatos tecnológicos. Considerando, pois que a educação continuada à distância é uma maneira de realizar o processo de aprendizagem quando, não ocorrendo - no todo ou em parte - o encontro presencial do instrutor e do aprendiz, promovese a comunicação educativa, através de meios capazes de suprir a distância que os separa fisicamente. Esta conceituação é imprescindível para compreender como a educação continuada à distância auxilia a capacitação do capital humano e intelectual de uma empresa nacional e outra multinacional, atuantes no mercado brasileiro. Assim, não é verdade que a educação continuada à distância seja uma aprendizagem distante, em que o aprendiz esteja isolado. Ele se mantém em interação com tutores/ instrutores, pelo trabalho de administração de fluxos de comunicação exercido por uma organização responsável pelo curso e suporte facilitador dessa interação. 2.3.2 Estrutura de educação continuada à distância A educação continuada à distância é caracterizada pela separação física entre o instrutor e os aprendizes. Sendo este segundo também denominado neste trabalho não como um simples empregado ou funcionário, mas de capital humano da empresa, pois esta expressão valoriza o profissional como um todo, colocando-o como principal agente de transformação e maximização da qualidade, da produtividade e dos lucros Como já foi visto, na parte anterior, a educação continuada à distância necessita da intermediação do meio de comunicação, da mídia utilizada no curso - material impresso, 52 áudio, vídeo, teleconferência, videoconferência, internet, softwares e CBT; que atuam como um “filtro” na comunicação, diferenciando-a da presencial. Na aula presencial, mesmo que a participação dos aprendizes seja restrita por timidez, ou pelo número de aprendizes na mesma sala, o instrutor dispõe de uma série de sinais que permitem a interação. Nos cursos à distância, esta percepção é filtrada pela mídia em tempo real e/ou postergada pela assincronicidade dos contatos por escrito, alterando a capacidade que um instrutor de cursos presenciais tem de adaptar o curso às necessidades e características inesperadas dos aprendizes ou não detectados no planejamento do curso. Um dos componentes fundamentais para a composição da educação continuada à distância é o diagnóstico do contexto e do perfil dos aprendizes, que devem estar relacionados às exigências qualitativas da empresa. A mídia é o segundo item do modelo, outro dos componentes do mix de avaliação, devendo ser considerado não só a acessibilidade dos instrutores e aprendizes à tecnologia, mas também a adequação do seu uso, sua influência no curso como um todo, como fator potencializador ou limitante de toda a comunicação. Após conhecer o perfil do capital humano que será aperfeiçoado e as mídias possíveis de serem utilizadas, é necessário conhecer o terceiro item básico do modelo de educação continuada à distância: a estratégia pedagógica. Ou seja, as possibilidades de comunicação no ambiente educacional, restritas à uni-direcionalidade instrutor-aprendiz nas metodologias objetivistas, cedem lugar a contatos multi-sensoriais nas teorias de Piaget e Vygotsky19, e agora incorporam uma comunicação multi-direcional a partir dos conceitos da psicologia cognitiva e das possibilidades de interação permitidas pelos ambientes de redes de comunicação. Os três itens básicos são fundamentais e complementares, não se pode afirmar que um item é mais importante do que outro, a integração e o cuidado na análise de cada um é que possibilitarão a maximização qualitativa do curso. A educação continuada à distância pressupõe o uso da mídia. Estando os aprendizes e instrutores distantes uns dos outros, alguma tecnologia de comunicação é necessária para o contato. Até os anos 80, as tecnologias disponíveis eram poucas e simples para produção, acesso e interação dos cursos. As instituições baseavam seus trabalhos em material impresso, programas em áudio, vídeo ou transmissões em TVs e rádios educativas. Vinte e quatro anos mudaram radicalmente as opções e projeções das tecnologias 19 Sobre o processo de aprendizagem construtivista, melhor esclarecimento será dado no item 2.4.2. 53 possíveis de serem usadas em cursos à distância. Hoje o uso da internet, satélites e seus aplicativos permitem teleconferências, vídeo-conferência e seminários on-line. Acreditandose que até o ano 2005 já será comum em boa parte das residências mundiais: • Integração de computadores, televisão e telecomunicações, através de técnicas de digitalização; • Custos reduzidos e usos e aplicações mais flexíveis de telecomunicações, através de desenvolvimentos de técnicas como ISDN/Fibra ótica/Telefonia Celular; • Aumento do poder de processamento, pelo uso de micro-chips e softwares avançados. A utilização destas tecnologias em larga escala apresentam vantagens. As implicações para o aperfeiçoamento profissional são imensas. Aprendizado independente de tempo e lugar, e disponível em todos os estágios da vida da pessoa. O contexto de aprendizado é tecnologicamente rico. O capital humano das empresas tem acesso não apenas a uma grande variedade de mídias, mas também a um grande número de fontes de educação e aperfeiçoamento. A velocidade e a extensão do desenvolvimento e aplicação destas novas tecnologias revoluciona e altera profundamente as empresas e instituições de educação. Partindo-se do pressuposto que novas alternativas de comunicação e novas maneiras de utilizar mídias já conhecidas estão surgindo a cada momento, necessitando o instrutor ou instituição ou empresa responsável pelo curso à distância manter-se permanentemente atualizados e flexíveis para analisar a possibilidade de incorporar novas mídias e alternativas aos seus cursos. A escolha da mídia vai depender de vários fatores, pode-se considerar o acesso dos aprendizes e o custo como os principais. A questão parece óbvia, mas merece cuidado. A seleção de uma mídia à qual todos os aprendizes não tenham acesso criaria uma desigualdade que seria danosa para o desempenho dos aprendizes menos privilegiados. Neste caso é necessário nivelar pela alternativa global, ou providenciar o acesso a todos antes do início do curso. O custo da mídia - e da estrutura de manutenção e operação - é outro ponto importante, o planejamento deve ser feito considerando todo o período do curso e, dependendo da flexibilidade do orçamento, criar espaços para agregar outras mídias de apoio permanentes ou temporárias, ou aprimorar e atualizar o uso das já orçadas ao longo do curso. 54 O custo da mídia no curso tem relação direta com o número de aprendizes. Produzir uma teleconferência para ser assistida por cinco pessoas, pode parecer caro, mas se a clientela chegar a cinco mil pessoas, o custo por aprendiz cai drasticamente. A relação custo/benefício a ser considerada não é apenas o valor bruto de produção e multiplicação do material, mas principalmente o custo por aprendiz atingido e a vida útil do material. Nesta parte do trabalho o enfoque consiste em caracterizar as mídias: internet e computadores, devido ao potencial de uso em cursos à distância, considerando a familiaridade do aprendiz com a tecnologia, os símbolos e linguagens pertinentes e as possibilidades de interação com o instrutor. 2.3.3 Mídia multimídia: o computador Segundo Moore e Kearsley apud Rosângela Rodrigues (1998) considera que instrução baseada em computador se refere a programas onde os aprendizes estudam sozinhos em um computador pessoal. O programa pode ser utilizado através de disquetes, CD-ROM ou via internet. Willis apud Rodrigues (1998) divide as aplicações do computador para educação continuada à distância em quatro grandes categorias: • CAI - Computer Assisted Instruction - usa o computador como uma máquina de ensinar que apresenta discretas lições para atingir específicos, mas limitados objetivos educacionais. Existem várias modalidades de CAI, incluindo instrução e prática, tutoriais, simulações e jogos e solução de problemas; • CMI - Computer Managed Instruction - usa os ramos do computador, armazenagem e recuperação de dados para organizar a instrução e acompanhar o progresso e os trabalhos dos aprendizes. A instrução não é necessariamente apresentada pelo computador, apesar de CMI freqüentemente seja combinada com o CAI (o componente instrucional); • CMC - Computer Mediated Communication - descreve as aplicações via computador que facilitam a comunicação. Exemplos incluem e-mail, computer conferencing e 55 eletronic bulletin boards; • Computer Based Multimidia - Hypercard, hypermedia é uma geração ainda em desenvolvimento de robustas, sofisticadas e flexíveis ferramentas tem chamado a atenção de instrutores, instituições e empresas do ramo da educação continuada à distância. O objetivo de multimídia baseado em computador é integrar várias tecnologias - voz, vídeo e computadores em uma única, facilmente acessível interface. Maurer apud Rodrigues (1998) aponta os grupos: CAI (Computer Assisted Instruction), CBT (Computer Based Trainning), ITS (Intelligent Tutoring Systems), WBT (Web Based Trainning) que o autor acredita tem apresentado falhas técnicas, deficiências pedagógicas, ambas e falta de flexibilidade do sistema em permitir adaptação às necessidades específicas dos aprendizes. Ravet e Layte apud Rodrigues (1998) usam o termo TBT - Techonology Based Trainig, abarcando internet, simulação, multimídia e realidade virtual, destacam o enorme poder da tecnologia de tornar o aprendizado mais fácil e mais agradável. O desafio para os usuários e designers de TBT é combinar o crescente conhecimento de como as pessoas aprendem com as ferramentas disponibilizadas pela tecnologia na produção de experiências de aprendizado produtivas e que está apenas começando a explorar o poder da tecnologia de transformar o aprendizado. Os mesmos autores comentam que a tecnologia per se não garante que a qualidade do aperfeiçoamento seja boa. O que importa é como a tecnologia ou mídia que provê o aperfeiçoamento é utilizada. Reproduzindo o quadro de Ravet e Layte apud Rodrigues (1998) percebe-se quais as atividades viabilizadas pelo computador capazes de apoiar a aquisição de novas habilidades: Atividade Organizar conhecimento Manipular conceitos e regras Praticar em um ambiente Performance Exemplo Navegar na Web; Memória Selecionar e organizar informação; Discriminação Criar novas informações; Usar uma planilha eletrônica Criar um modelo da realidade, então testar sua relevância com Resolver problemas fatos conhecidos; Memória Dialogar com um sistema especialista para resolver um problema Solução de problemas Instalar; 56 simulado Manipulação Discriminação Comunicação Diálogo Conduzir; Solucionar Problemas; Analisar um estudo de caso Participar de um fórum eletrônico; Responder questões Quadro 1 - Atividades viabilizadas pelo computador Fonte: (RODRIGUES, 1998) O projeto Multimedia And Networked Knowledge-transfer Introduces New Dimensions - conhecido como MANKIND, que integra a Graz University of Techonology, Queens University, a University of Freiburg e a MOTOROLA, conforme relatado por Maurer apud Rodrigues, sem seguir um paradigma cognitivo em especial, incorpora facilidades que permitem a aplicação de diversos modelos de transferência de conhecimento e considera dez pontos como essenciais para o sucesso de cursos: 1 - Independente da tecnologia, a experiência de outros cursos, tanto em design como em conteúdo e formato não devem ser ignoradas; 2 - A produção de material de curso de alta qualidade deve ser facilitada; 3 - Necessidade de orientação, não de limites rígidos; 4 - Possibilidade de fazer anotações é essencial; 5 - Possibilidade de conferências assíncronas são fundamentais; 6 - Diálogos devem ser possíveis; 7 - Um ambiente de aprendizado necessita possibilidades de comunicação em tempo real; 8 – Diálogos, perguntas e respostas, devem ter banco de dados para consulta; 9 - Testes e pontos de checagem de conhecimento são importantes; 10 - Esta estrutura implica em customização. Entretanto, o que o autor afirma como o aspecto mais importante é a customização, por três razões principais: diferentes pessoas têm diferentes estilos de aprendizagem, as pessoas têm formações diferentes e o ambiente e o equipamento influenciam o tipo e o formato do curso. Willis apud Rodrigues (1998) menciona as vantagens e limites da utilização intensiva de computadores na educação continuada à distância: Vantagens Limites - As redes de computadores têm custo significativo de implantação, mesmo que computadores pessoais sejam acessíveis e o - Computadores podem facilitar o mercado muito competitivo, ainda assim os aprendizado no ritmo próprio dos aprendizes, valores de desenvolvimento de redes individualizando o aprendizado instrucionais são altos. A aquisição de softwares e manutenção e atualização do equipamento também são custos 57 - Computadores são uma ferramenta multimídia. Com a incorporação de gráficos, - A tecnologia muda rapidamente. Existe o impressos, áudio e vídeo computadores risco de trocar constantemente o podem associar várias tecnologias. Vídeo equipamento para se manter em dia com os interativo e CD-ROM podem ser associados últimos avanços tecnológicos em unidades instrucionais, cursos e ambientes de aprendizado - Mesmo que computadores venham sendo - Computadores permitem interação. Vários usados desde a década de 60, ainda existem softwares são extremamente flexíveis e muitas pessoas que são “tecnologicamente maximizam o controle do aprendiz iletradas” ou que não tem acesso a computadores - A tecnologia avança rapidamente. Inovações surgem a cada momento, enquanto - Os aprendizes devem estar altamente os custos caem. Com o entendimento das motivados e ser proficientes na operação dos necessidades imediatas e dos requerimentos equipamentos antes de usar um ambiente de técnicos futuros, o educador atento aos aprendizado computadorizado com sucesso custos pode navegar com mais segurança no volátil mercado da informática - O computador fica mais e mais acessível. As networks podem ser locais, regionais e nacionais. Na verdade, muitas instituições hoje oferecem programas de graduação e pós graduação quase exclusivamente baseadas em computador Quadro 2 - Vantagens e limites no uso intensivo de computadores Fonte: (RODRIGUES, 1998) A possibilidade de interação e navegação do aprendiz varia de acordo com o software e o equipamento disponível para o uso. A utilização de som, imagens animadas, gráficos, ilustrações, vídeo e links propiciam um ilimitado número de alternativas. Uma estratégia que se consolidou é o uso de jogos, individuais ou em grupo; problem-solving e simulações são opções que também podem ser consideradas. O uso do computador não somente para a educação continuada à distância, mas também para o enriquecimento da aula presencial abre toda uma gama de possibilidades, que terão maior ou menor sucesso em diferentes lugares. A presente pesquisa indica a importância do atendimento das necessidades do capital humano da empresa e o uso da tecnologia como meio e não como fim. 2.3.4 Internet A internet iniciou um novo conceito na comunicação, possibilitando a transmissão de textos, arquivos, imagens e sons, dependendo da capacidade do equipamento utilizado, com 58 um custo muito acessível, semelhante à assinatura de uma TV a cabo no Brasil, no momento oscila entre a gratuidade e a mensalidade de R$ 14,00 em alguns provedores. A comunicação pode ser síncrona ou assíncrona. A internet é: • Uma grande quantidade de informação disponível na ponta dos dedos: milhões de páginas de textos e gráficos, mas também som, vídeo, animação, simulação e programas de computador que podem ser puxados da rede para cada computador com um click do mouse; • Informação distribuída: podendo se comunicar, co-produzir, cooperar, co-aprender, interagir; • Informação em tempo real: a distribuição da informação é imediata; • Simulação distribuída também é possível, várias pessoas participando de uma simulação de locais diferentes. Informações disponíveis na World Wide Web vêm crescendo a uma velocidade tremenda. Com o uso de seminários virtuais emergem toda uma série de questões que chamam a atenção não só pela necessidade de um formato específico para cursos pela rede, mas também para peculiaridade da linguagem e das mensagens que este meio propicia. Laaser apud Rodrigues (1998) destaca que suas características especiais impedem que possam ser considerados equivalentes aos seminários presenciais, entretanto se apresentam como uma opção adicional que pode resultar no enriquecimento do aprendizado, se seu potencial for explorado adequadamente. Um modelo que utiliza a metáfora do cotidiano no campus, desenvolvido para uso consorciado com vídeo-conferência, é o elaborado pelo LED/PPGEP da UFSC, como menciona Vianney (1997) no site especialmente modulado para o curso de Mestrado em Logística de aprendizes da Petrobras. Entre os exemplos práticos desta nova aprendizagem está o relato de Maki e Maki apud Rodrigues (1998) que transformaram um curso de Introdução em Psicologia na North Dakota State University, que costumava atender mais de quatrocentos alunos por trimestre em 59 um curso via internet, que substituiu as palestras por leituras de textos e atividades semanais. O curso foi oferecido para alunos fora e dentro do campus, utilizando Web-browser, e-mail, um livro texto e o software de demonstração/simulação que acompanhava o livro. O site continha informações sobre o curso - como seria a avaliação e como se comunicar com o professor, relatório de desempenho do aluno - confidencial, programa - acessava datas e tópicos para as atividades da semana e links, sugestões e novidades. O respectivo curso contou com encontros presenciais para orientação e trabalhos individuais e em grupo e 71% dos alunos afirmou que participaria de outro curso on-line, sendo que 15% não aprovaram a experiência (o restante foi neutro). Agostinho, Lefoe e Hedberg apud Rodrigues (1998) relatam a experiência de um curso on-line sobre Aprendizado Colaborativo, oferecido pela pós-graduação em Aprendizado Baseado em Tecnologia da University of Wollongong, Austrália, para o qual foram criados vários espaços, onde os alunos poderiam acessar a agenda semanal, informações sobre o curso, avaliações, arquivos, mensagens do instrutor, referências, local de trabalho e fórum de discussão. Os autores sugerem que os estudantes sejam capacitados para o uso da tecnologia, que haja suporte técnico permanente e que, nas primeiras semanas de curso não sejam solicitados trabalhos que façam parte do conceito final. Ressaltam a maior demanda de trabalho de um curso on-line e na importância de apoio para o instrutor nas questões técnicas. Em todos os trabalhos mencionados, a necessidade de espaços para os aprendizes se comunicarem em tempo real e disponibilizarem trabalhos preparados previamente, o cuidado e o tempo necessário para desenvolver o curso e acompanhar os aprendizes estão presentes. As observações sobre a importância de suporte pedagógico e técnico também são citadas. Este tópico além de demonstrar a contribuição advinda da internet, também lista algumas experiências de implantação de educação continuada à distância evidenciando suas respectivas realidades. O sentido destes últimos tópicos é oferecer parâmetros da educação continuada à distância e sobre sua estrutura para cotejar e analisar as duas empresas estudadas. Sem isto se teria apenas a visão das duas empresas, ou seja, uma visão unilateral. 2.3.5 Universidade corporativa: uma forma de educação continuada à distância Como já foi visto, a capacidade de ajustar e aperfeiçoar sistemas e processos 60 organizacionais passa a ser uma questão de sobrevivência. O fundamento da especialização e aperfeiçoamento profissional se coloca necessário em todos os níveis da empresa. Não somente se faz necessário oferecer ao capital humano oportunidades de formação continuada e atualização exigidas pelas mudanças econômicas e tecnológicas, como também será imprescindível elevar o nível de educação básica. A necessidade de aprendizagem contínua, associada à dificuldade de atender simultaneamente muitos profissionais, fez com que as organizações procurassem outras alternativas, que não incluem somente os métodos e as instituições tradicionais de ensino. Assim, as novas tecnologias e a educação continuada à distância destacam-se como alternativa de atualização, capacitação e formação profissional, em todos os níveis e áreas do conhecimento. Esses recursos tecnológicos apresentam-se, a partir de agora, como indispensáveis instrumentos, tanto da autodidaxia, ocupando cada vez mais espaço nos projetos educativos futuros, quanto da chamada educação continuada, uma inevitável prática que nasceu da rápida inovação científica e tecnológica. Tanto nos programas de graduação universitária quanto nos programas de pós-graduação, seja latu sensu, seja stricto sensu ou, ainda, Master of Business Administration - MBA, a utilização dos processos de educação continuada à distância, principalmente os intermediados pelos computadores, far-se-á cada vez mais intensamente, atendendo a tal demanda de forma eficaz e com qualidade. A universidade corporativa se encaixa dentro deste estudo, por ser uma importante forma para a realização do aperfeiçoamento do capital humano de uma empresa, se enquadrando dentro da tecnologia e processo de aprendizagem colaborativo, que será melhor especificado no último item da Revisão da Literatura e também, comparativamente, no item 4.3. A universidade corporativa tem seu surgimento datado em 1950, nos Estados Unidos, através da General Electric, e está presente no século vinte e um como o setor de maior crescimento no ensino superior. Para compreender a importância dessas universidades corporativas tanto como padrão e modelo de estado da arte para educação superior quanto, num sentido muito mais amplo, como instrumento chave de mudanças cultural, é necessário compreender as forças que sustentam esse fenômeno. (MEISTER, 1999) Segundo Meister (1999), em essência são cinco forças de sustentação: • Organização flexível: a emergência da organização não-hierárquica, enxuta e flexível, com capacidade de dar respostas rápidas ao turbulento ambiente empresarial; 61 • Era do conhecimento: o advento e a consolidação da “economia do conhecimento”, onde conhecimento é a nova base para a formação de riqueza quer seja no âmbito individual, empresarial ou nacional; • Rápida obsolescência do conhecimento: redução do prazo de validade do conhecimento associado ao sentido de urgência; • Empregabilidade: o novo foco na capacidade de empregabilidade para a vida toda (sendo entendida como a capacidade de desenvolver novas competências para estar em condições de atender as contínuas exigências e desafios impostos no mercado de trabalho). No lugar de ocupacionalidade para a vida toda (entendido como emprego garantido); • Educação global: uma mudança fundamental no mercado da educação global, evidenciando-se a necessidade de formar pessoas com visão global e perspectiva internacional dos negócios. Essas tendências apontam fortemente para um novo e importante veículo para a criação de uma vantagem competitiva sustentável – o comprometimento da empresa com a educação e o desenvolvimento do capital humano, surgindo, assim, a idéia da universidade corporativa como eficaz ferramenta para o alinhamento e desenvolvimento dos talentos humanos às estratégias empresariais. Segundo Eboli (1999, p.111) [a] realidade mudou, exigindo que todas as pessoas, em todos os níveis da empresa, tenham desenvolvida a capacidade de criar trabalho e conhecimento organizacional, contribuindo de maneira efetiva para o sucesso dos negócios. Deste modo, a gestão do conhecimento torna-se fundamental para o sucesso das organizações neste inicio de milênio, mas ela é apenas parte do processo. Grandes empresas estão transferindo seu bem-sucedido modelo de negócios e estado da arte da tecnologia para educação corporativa. O número de organizações com universidades corporativas vem crescendo consideravelmente. As empresas que estão aplicando estes princípios estão criando um sistema de aprendizagem contínua em que toda a organização aprende e trabalha com 62 novos processos e novas soluções. (MEISTER, 1999) A professora Andrea Steil (2002) coloca que as definições de universidades corporativas não seguem um consenso, indo desde “centros de treinamento rebatizados” até organizações que oferecem diploma superior, o que resulta em estatísticas não convergentes sobre o número de universidades corporativas em funcionamento. Franco (apud COSTA, 2001, p. 11) define universidade corporativa como: “uma atividade estrategicamente orientada para integrar o desenvolvimento das pessoas, como indivíduos, ao desempenho esperado delas como equipes, em que todos possuirão uma visão estratégica dos destinos da organização”. Meister (1999) defini universidades corporativas como sendo essencialmente as dependências internas de educação e treinamento que surgiram nas empresas por causa, de um lado da frustração com a qualidade e o conteúdo da educação pós-secundária e, do outro, da necessidade de um aprendizado permanente. (apud MARQUEZ, 2002,p.43) Para Junqueira & Vianna (2002), [a] Universidade Corporativa centraliza as soluções de aprendizado para cada família de cargos e funções dentro da organização, utilizando o treinamento como instrumento de massa crítica, reduzindo custos pela escala de contratação, definindo padrões comuns para atuação dos consultores externos...” Ainda segundo os autores: Virá representar um poderoso instrumento viabilizador de uma base humana que sustente o desenvolvimento estratégico das empresas. (apud SALES, 2002, p.70) Segundo Marquez (2002), a missão da universidade corporativa consiste em formar e desenvolver os talentos humanos na gestão de negócios, promovendo a gestão do conhecimento organizacional (geração, assimilação, difusão e aplicação), por meio da aprendizagem contínua e ativa, de modo a garantir a sustentabilidade das organizações. Segundo dizeres de Eboli (1999) a missão da universidade corporativa consiste em: formar e desenvolver os talentos humanos na gestão dos negócios, promovendo a gestão do conhecimento organizacional (geração, assimilação, difusão e aplicação), por meio de um processo de aprendizagem ativa e contínua. Para que isto seja feito com eficácia e sucesso, tem-se mostrado fundamental a utilização de tecnologia de ponta acoplada a uma nova metodologia de trabalho, que permita a todos dentro da empresa não só utilizarem as informações disponíveis, mas também atuarem como fornecedores de novas informações, alimentando assim todo o sistema. (apud SALES, 2002, p.70) 63 Para a autora, de forma geral, as experiências nessa área têm enfatizado os seguintes objetivos globais: • Definir a idéia de que capital intelectual será fator de diferenciação das empresas; • Despertar nos talentos humanos a vocação para o aprendizado; • Incentivar e estruturar atividades de auto-desenvolvimento; • Motivar e reter os melhores talentos, contribuindo para o aumento da felicidade pessoal, dentro de um clima organizacional saudável; • Responsabilizar cada talento pelo seu processo de auto-desenvolvimento. Eboli (1999) acredita que para implementação do projeto de universidade corporativa é importante a implementação dos seguintes pressupostos: • Definição clara do que é critico para o sucesso da empresa e realização de diagnóstico das competências; • Objetivo principal: desenvolver as competências críticas em vez de habilidades; • Foco do aprendizado: privilegiar o aprendizado organizacional fortalecendo a cultura corporativa, e não apenas o conhecimento individual; • Públicos-alvo: público interno e externo (clientes, fornecedores e comunidade), e não somente funcionários; • Ênfase dos programas: concentra-se nas necessidades dos negócios, tornando o escopo estratégico, e não focado exclusivamente nas necessidades individuais. Para Junqueira & Vianna (apud SALES, 2002), a composição das universidades corporativas é formada por: 64 • Missão: combater com rapidez a obsolescência do conhecimento, acelerar o seu fluxo dentro da organização, hoje imperativo da sociedade globalizada; • Objetivo: difundir conhecimento, dar aos executivos oportunidades de ensinar e acelerar o fluxo desse conhecimento; • Características: Foco no negócio, a demonstração do custo/benefício de suas atividades e a imagem de um centro de lucros; • Campo de ação: Atividades de T&D deixam de ser apenas solucionadoras de problemas que já ocorreram (passado), elas deverão estar focadas no futuro, a partir de uma abordagem proativa; • Escopo: reforçar a cadeia de relacionamentos empresa/clientes/ fornecedores/comunidade, atuar não apenas atendendo a clientes internos. Para alguns autores, as universidades corporativas representam uma evolução dos departamentos tradicionais de T&D. No entanto, além da radical mudança de enfoque quanto aos meios que essas instituições utilizam para dar respostas às organizações em que atuam, percebe-se a verdadeira revolução precisamente nos seus fins. Ela é reconhecida dentro da empresa como um dos principais alavancadores de negócios. É muito diferente de um departamento de aperfeiçoamento como se conhece tradicionalmente, pois as companhias com universidades corporativas tentam aliar as metas empresariais da organização aos investimentos em educação, sendo, desta forma, algo muito mais estratégico; normalmente inclui uma combinação de capital humano, clientes e fornecedores. Segundo Vianna (2002) antes e acima de tudo o conceito de Universidade Corporativa é extremamente forte e inteiramente compatível com as características e atributos de uma empresa visionária/triunfadora, neste início de século XXI. Isto, porque sua implementação dá real concretude ao conceito da organização voltada à aprendizagem learning organization de uma forma muito mais consistente do que o tradicional modelo da área de T&D. (apud SALES, 2002, p.82) 65 Ainda segundo o autor: Sem jamais cair na simples troca da “marca” ou da “fachada”, as características de um T&D padrão estão tão desgastadas que melhorias ou mesmo uma reengenharia mais forte não seriam suficientes. A prática está mostrando que a força, e até a nobreza, do nome Universidade Corporativa tem servido como demonstração que a empresa que a implanta tem um efetivo interesse em tornar-se um pólo de educação permanente. E neste ponto, cabe o reforço de defesa de que os colaboradores, latusensu, e principalmente os talentos, consideram como importante ferramenta de sua própria retenção a oferta de efetivos mecanismos de desenvolvimento. (apud SALES, 2002, p.82) O desafio é criar um ambiente de aprendizagem no qual todo capital humano e todo elemento do sistema comercial da empresa compreenda a importância da aprendizagem contínua vinculada a metas empresariais. Devido à magnitude da tarefa de atualizar continuamente a base de conhecimentos da força de trabalho, as universidades corporativas estão juntando forças com as universidades convencionais, fundindo as metas do capital humano, da corporação e da instituição educacional, em uma parceria mutuamente benéfica para os três. A nova parceria entre empresa e educação superior, por outro lado, está envolvida proativamente em atender às necessidades de qualificação da força de trabalho de amanhã. Por exemplo, em vez de simplesmente oferecer uma lista de exigências às instituições de ensino superior, as empresas agora estão detalhando quais são as qualificações, competências e conhecimento necessários ao sucesso de uma indústria, assim como no processo de criação, em parceria, de programas de formação. (MEISTER, 1999, p. 183) A autora acrescenta que as parcerias de sucesso entre empresas e universidades têm se transformado em verdadeiras alianças entre clientes e fornecedores, ancoradas numa concepção comum das necessidades futuras da força de trabalho. O ponto de partida para construção de uma aliança com uma instituição de ensino superior, segundo Meister e Eboli (1999), é a discussão aberta das partes envolvidas a respeito das concepções para essa parceria. O objetivo é atingir uma visão compartilhada e comum. O segundo passo é estruturar um plano empresarial que esboce as metas, as estratégias e os métodos de implementação requeridos para colocar em prática a visão compartilhada. Se a parceria empresa/ instituição de ensino superior quiser obter êxito, ela deve escolher diretamente as questões empresariais mais críticas e mais importantes para cada um dos parceiros. Baseado em entrevistas com reitores de várias universidades corporativas e de escolas de administração de empresas e de educação contínua, Meister (apud EBOLI, 1999), identificou quatro tipos de parcerias entre empresa e universidade como os melhores 66 exemplos, embora esses critérios possam mudar de empresa para empresa. São eles: • Desenvolvimento de programas personalizados para educação de executivos; • Criação de programas personalizados de graduação; • Formação de um consórcio de parceiros de aprendizagem; • Credenciamento da universidade corporativa em determinados casos. Segundo Eboli, [a] concepção e implementação de uma Universidade Corporativa não garante que os esforços de treinamento da empresa se tornem eficazes em relação ao atingimento de seus objetivos individuais e coletivos do que antes de seu estabelecimento, se não forem empreendidas as ações necessárias para que efetivamente se promova a transição do paradigma anterior para o atual; desperdício seria conceber esta nova idéia dentro de estruturas e práticas antigas. (EBOLI, 1999, p.119) Estas transformações têm evidenciado a importância de as organizações aprenderem como fazer a gestão do conhecimento, tornando-se este um fator crucial e diferenciador para o sucesso. O conceito de universidade corporativa se confunde com o conceito de aprendizagem utilizando apenas novas tecnologias à distância, sobretudo a web. Entretanto, esta percepção constitui-se em uma visão extremamente estreita do assunto. O que se percebe é que o nascimento, nos Estados Unidos, das universidades corporativas coincide com a evolução dessas tecnologias. Este fato na realidade vem contribuir para o estabelecimento de uma dinâmica de educação empresarial diferenciada e até certo ponto revolucionária. As universidades corporativas, através dos diversos mecanismos de aprendizagem e aliadas às tecnologias de educação continuada à distância, permitiram um progresso considerável sob diversos aspectos. Do ponto de vista quantitativo, provocou uma revolução no sistema de acesso a produtos de aperfeiçoamento nas empresas. Aperfeiçoamento que antes jamais se pensou pudesse atender a uma determinada abrangência de público, e agora chega de maneira fácil a locais precários, atendendo a um número elevado de usuários. Enfim, além de possibilitar atendimento a um número maior de pessoas, as novas tecnologias permitem um incremento também considerável na produção de novos aperfeiçoamentos, utilizando mídias alternativas. Com isso, percebe-se um maior número de cursos oferecidos e mais pessoas se beneficiando deles. Essa revolução, como é reconhecida por alguns profissionais da área, representa o diferencial de uma universidade corporativa. 67 2.4 EDUCAÇÃO CONTINUADA À DISTÂNCIA INSERIDA NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM DO CAPITAL HUMANO DA EMPRESA 2.4.1 Educação continuada à distância e o avanço da interatividade A educação continuada à distância (ECAD) é uma modalidade de ensino e aprendizagem com mais de um século de experiência, e vem sendo apontada, nos últimos anos, como uma alternativa a ser explorada face às necessidades de educação continuada decorrentes de um mundo em constantes mudanças. Os conceitos de educação à distância elaborados pelos diversos pesquisadores apresentam duas características básicas: a separação física entre instrutor e aprendiz e a utilização de meios técnicos para comunicação. O desenvolvimento tecnológico tem pautado a busca da superação da distância entre instrutor e aprendiz. Essa busca começa no século passado, com a utilização dos serviços postais, depois incorporando outros meios de comunicação já considerados tradicionais na educação continuada à distância, como o rádio, a televisão e os áudio-visuais, até chegar aos dias atuais, com a adoção das mais recentes tecnologias, como os computadores, especialmente em rede, que permitem a comunicação imediata de mão dupla, praticamente eliminando a distância entre aprendizes e instrutores, e permitindo a interação aprendizaprendiz. Segundo Pierre Lévy, Um movimento geral de virtualização afeta hoje não apenas a informação e a comunicação, mas também os corpos, o funcionamento econômico, os quadros coletivos da sensibilidade ou o exercício da inteligência. A virtualização atinge mesmo as modalidades do estar junto, a constituição dos nós: comunidades virtuais, empresas virtuais, democracia virtual... Embora a digitalização das mensagens e a extensão do ciberespaço desempenhem um papel capital na mutação em curso, trata-se de uma onda de fundo que ultrapassa amplamente a informatização. (LÉVY, 1996, p.11) A incorporação dessa modalidade de aperfeiçoamento do capital humano pelas empresas se deve também a outros motivos, que extrapolam o objetivo de ampliar o número de pessoas atendidas a um menor custo. A convicção de que se pode realizar um aperfeiçoamento de qualidade na modalidade à distância tem sido fator de disseminação da ECAD. A individualização do estudo, com respeito ao ritmo do aprendiz, com a apreensão 68 gradual do conteúdo é geralmente apontada pelos especialistas da educação continuada à distância como fator positivo dessa metodologia. O crescente interesse na adoção das novas tecnologias no treinamento e aperfeiçoamento corporativo repousa, entretanto, na interatividade propiciada por elas. Em função desse potencial, as novas tecnologias possibilitam o surgimento de um sujeito ativo no processo de produção de conhecimentos, o que se reflete na própria reconceituação da capacitação profissional. Essa é, por exemplo, a opinião de Mary Jane Gill, ex-diretora administrativa de serviços de treinamento de educação da Bell Atlantic C & P Telephone Co., empresa que utiliza largamente as novas tecnologias no desenvolvimento de recursos humanos. Segundo ela, as vantagens da utilização das novas mídias em aperfeiçoamento não seriam decorrentes apenas da redução do tempo ou custo dos mesmos, mas também da possibilidade de se formar sujeitos capacitados para a era da informática. Na contemporaneidade, torna-se imprescindível o desenvolvimento de habilidades que impliquem um trabalho com relativa autonomia, uma vez que se desenvolve sem a intermediação dos níveis de supervisão, agora substituídos por redes de cooperação interpessoal e inter-grupal. (DRYDEN & VOS, 1997) Em palestra no CRA-SP, que marcou o lançamento do "Telework 2003 - E-trabalho e o Desenvolvimento Sócio-Econômico na América Latina", o presidente do portal E-Learning Brasil e da MicroPower, Francisco Antonio Soeltl, disse não haver como dissociar o trabalho do aprendizado contínuo. "Vê-se muita coisa nas escolas, mas aprende-se mesmo trabalhando"20, enfatizou. Nesse contexto, o especialista esclareceu que a educação continuada à distância é uma das formas de viabilizar isso. "Proporciona às pessoas informações e conhecimentos aplicáveis ao trabalho, que podem ser acessados de qualquer lugar, a qualquer hora".21 Segundo ele, a educação continuada à distância vem se firmando como modelo para capacitação do capital humano porque amplia a capacidade de absorção da informação. Lembrou que em 1999, quando a modalidade começou a ser adotada pelas corporações brasileiras, 96% dos cursos e treinamentos eram presenciais. Hoje, esse percentual caiu para 55%. "Não significa que as formas tradicionais de aprendizado, como cursos ou conferências estejam sendo substituídos. A educação continuada à distância veio para potencializar e disponibilizar o conhecimento para um número maior de interessados, no momento em que 20 21 http://www.elearningbrasil.com.br/news http://www.elearningbrasil.com.br/news 69 elas estiverem precisando"22, destacou. At the level of the individual, jobs were redesigned to enhance an individual’s autonomy in decision making and to link individual employee’s work to the organization’s central purpose. Jobs redesigned in this way generate greater organizational commitment and employee satisfaction. However, a focus on job redesign alone, which was typical of early humanistic interventions, while altering the responsibilities of individuals, was often not enough in itself to generate sustainable benefits for people in organizations. This initiative had to be supplemented by more encompassing organizational structures and systems for the fullest range of human potential to be released. Therefore, while job redesign, skills training, human development and culture change workshops frequently succeeded in enhancing individual skills, if such initiatives were not complemented with organizational systems and architectures that rewarded people for using these skills the initiatives would fail to generate sustainable positive outcomes for individuals and for the corporation. (GRIFFITHS ; PETRICK, 1997, p.1576) 2.4.2 Processo de aprendizagem na visão construtivista O termo construtivismo é freqüentemente associado à teoria educacional Piagetiana, cujo tema central é a construção de conhecimento na mente do indivíduo. A aprendizagem é equacionada com a aquisição de conhecimento externo e subordinada ao desenvolvimento, que pode resultar somente da construção ativa. A visão de Piaget focaliza-se na interação com a realidade física, onde a internalização acontece em termos de esquemas, que refletem regularidades em uma ação física individual. A aprendizagem em tal ambiente faz com que o capital humano desenvolva seu conhecimento via atividades auto-dirigidas, construídas por profissionais qualificados a partir do que o capital humano traz para a situação de aprendizagem, que consiste em facilitar este processo através do fornecimento de interações estimulantes ou conflitantes. Processo este centrado no capital humano, a quem se fornecerá o ambiente apropriado para a construção da sua própria compreensão. O instrutor não é alguém que dá uma lição, mas é alguém que organiza situações, que podem dar lugar à curiosidade e procura soluções pelo capital humano. A abordagem da aprendizagem construtivista assume que o conhecimento não pode ser objetivamente definido. Em lugar disso, este é individualmente construído a partir do que o capital humano faz no seu mundo experiencial. Conhecer, de acordo com esta abordagem, é 22 http://www.elearningbrasil.com.br/news 70 um processo adaptativo. Por meio da ação no mundo, o capital humano assimila novos conceitos em sua estrutura cognitiva previamente construídas. Quando isto não é possível, sua estrutura cognitiva é estendida ou modificada para acomodar interpretações das novas experiências. A conseqüência é que pode existir, em determinado momento, certas experiências ou situações do mundo que, provavelmente, sejam mais capazes de propiciar construção de conhecimento em um momento particular do processo de conhecimento. Os construtivistas acreditam que as idéias e o conhecimento são construídos pelas pessoas, e que não existem fora da mente humana. Nós todos concebemos a realidade externa um tanto diferentemente, baseada em nosso único conjunto de experiências com o mundo e o que acreditamos a respeito dele. De qualquer modo, os aprendizes discutem sua compreensão com outros e assim desenvolvem uma aprendizagem compartilhada. (TEODORO,1999, p.13) O construtivismo assume que existem múltiplas perspectivas através das quais os aprendizes (capital humano) podem ver o mundo. Os indivíduos desenvolvem essas perspectivas pela construção de modelos mentais. Além disso, os novos modelos mentais são mais facilmente construídos quando estão relacionados a modelos mentais existentes. Teodoro (1999, p.29) define o construtivismo radical com dois princípios básicos, a saber: • o conhecimento não é passivamente recebido através de todos os sentidos ou por via da comunicação, mas é ativamente construído pelo aprendiz cognoscente; • a função da cognição é adaptativa e serve ao aprendiz na organização do mundo experiencial, e de modo nenhum, na descoberta de uma realidade ontológica objetiva. A importância do construtivismo é mais bem compreendida na comparação com a oposta e mais tradicional abordagem em epistemologia ou ciência cognitiva, a qual vê o conhecimento como uma reflexão passiva da realidade objetiva externa, que implica um processo de instrução: em função de obter uma imagem da realidade, o capital humano deve receber, de alguma forma, informação do ambiente que deve ser, por exemplo, instrutivo. Uma visão simples é que os sentidos humanos trabalham iguais a uma câmara que somente projeta uma imagem do mundo real para a mente, e usa essa imagem como uma espécie de mapa, que codifica em um formato ligeiramente diferente da estrutura objetiva externa. Tal visão envolve uma série de problemas conceituais, principalmente por que ignora 71 a infinita complexidade do mundo. Mais ainda, observações detalhadas revelaram que, em todos os casos práticos, a cognição não trabalha dessa forma. Isto é, parece que o capital humano está gerando ativamente inumeráveis modelos potenciais, e que o papel do mundo exterior simplesmente está limitado a reforçar alguns desses modelos, enquanto se eliminam outros (seleção). Essa construção serve em primeiro lugar para propósitos egoístas: o capital humano precisa tomar controle sobre o que percebe, a fim de eliminar qualquer desvio ou perturbação dos seus próprios estados, ou de metas preferidas. O controle requer um modelo de pensamento, que deve incluir somente aqueles aspectos relevantes para as metas e ações do capital humano. Desde que o construtivismo rejeita qualquer verificação direta de conhecimento pela comparação de modelos construídos com o mundo exterior, coloca-se uma questão muito importante, isto é, como os aprendizes podem escolher entre diferentes construções para selecionar uma certa. Fora de tal critério de seleção, o construtivismo estaria degenerando em um relativismo absoluto: a presunção de que qualquer modelo é tão adequado como qualquer outro. Os dois critérios mais usados são a coerência, concordância entre padrões cognitivos diferentes dentro da mente do aprendiz; e o consenso, concordância entre padrões cognitivos de aprendizes diferentes. A última posição leva ao construtivismo social, que vê o conhecimento somente como o processo de comunicação e negociação (a construção social da realidade). Tajra (1998) rejeita essas posições impropriamente restritivas, e toma uma posição mais pragmática, onde se anota que a adequação de conhecimento depende de muitos critérios diferentes, nenhum dos quais com uma prioridade absoluta sobre outros. As pessoas podem usar muito bem modelos incoerentes, sobre os quais podem não concordar com as outras, mas que são, ainda, importantes para a adaptação ao mundo complexo. Esse critério deve incluir pouco conhecimento subjetivo, consenso intersubjetivo, e comparação (indireta) com o ambiente objetivo. Em geral, a abordagem construtivista afeta os seguintes aspectos no projeto de ambientes de aprendizagem: • Modelagem. Cada aprendiz cria sua própria construção através de interação ativa, em um mundo no qual o domínio de conhecimento não é explicitamente separado do contexto em que é aplicado. Portanto, o conhecimento a ser aprendido não é pré- 72 especificado. Alternativamente, há concentração na análise lógica do conteúdo da estrutura e nas dependências, em função de representar o que é relevante para o domínio do aprendizado. A preocupação é com o processo através do qual as perspectivas e interpretações, que são relevantes para o aprendizado, podem ser construídas. Entretanto, esse processo não pode ser separado do conjunto do sistema ou entidade (ou idéias) com as quais elas interagem (ou são relacionadas) no seu contexto real. O resultado é que os aprendizes (capital humano em aperfeiçoamento) constroem seu próprio conhecimento (ou crenças) a respeito do domínio, em contextos interacionais nos quais eles experimentam e interpretam as próprias experiências. Portanto, a primeira implicação derivada da visão construtivista no projeto de ambientes inteligentes para a aprendizagem, é ser o domínio modelado em termos de contextos interacionais. Os contextos da modelagem interacional devem ser explicitados no sistema de informação, dentro do ambiente no qual as interações ocorrem, e também a respeito da natureza dessas interações. Esta informação contextual relacionada e orientada ao processo deve ser usada pelo sistema para raciocinar e tomar decisões a respeito do processo de aprendizagem. O contexto da modelagem interacional, desenvolvido como um formalismo situacional, permite a definição de um conjunto de entidades que representam a forma de pensar (o conteúdo do contexto interacional) e a forma em que os aprendizes podem inter-atuar ou interagir com essas coisas (a dinâmica do contexto interacional). O tipo de situação é uma entidade abstrata que representa um contexto interacional. Para representar o conteúdo de um tipo de situação são definidos objetos, relações, propriedades de objetos ou relações, estados de objetos, transições entre estados, e relações de abstração e agregação entre objetos. Para representar a dinâmica do tipo de situação são definidos eventos, precondições de eventos, e efeitos de eventos. • Seqüência de experiências de aprendizado. Os construtivistas afirmam que a forma em que o conhecimento é construído não se parece com nenhum ordenamento ou seqüência de estrutura pré-determinada. Compreender uma peça de conhecimento que possa mudar o significado de todo o conhecimento, previamente construído a respeito do domínio, faz necessário que as idéias possam ser revisadas previamente tantas vezes quantas possam ser compreendidas no contexto de outras idéias que sejam achadas enquanto se aprende. 73 A aprendizagem construtivista ocorre por tentativas dos aprendizes para conectaremse, através da experiência, com conhecimentos de três classes: conhecimento semântico (conceitos e princípios), conhecimento episódico (pessoal, experiências situadas e afetivas com instâncias de conceitos e princípios), e conhecimento de ação (coisas que alguém pode fazer com a informação do conhecimento semântico e episódico). A conseqüência é que essa seqüência de experiências de aprendizagem na abordagem construtivista, nem é determinada por alguma ordem de domínio de estrutura pré-concebida, nem em nenhuma forma previsível. Ela emerge na interação entre o contexto interacional, no qual o aprendiz construiu o conhecimento prévio que determina seu pensamento e ação. Portanto, a segunda implicação derivada da visão construtivista para o projeto de ambientes para a aprendizagem é que a estrutura do processo de interação, como as relações entre situações desenvolvidas no curso da interação do aprendiz com o ambiente será a fonte de informação para orientar o comportamento adaptativo do sistema concernente à seqüência de aprendizagem. Além disso, por que os sistemas construtivistas estão mais preocupados com o processo de aprendizagem, que com seus produtos, as ações do sistema devem ser também orientadas para facilitar a ocorrência de certas estruturas no processo de interação antes da aquisição de estruturas de domínios. Explorando a estrutura do processo de interação entre o aprendiz e o ambiente, se pode identificar um conjunto de regularidades que caracterizam vários aspectos da forma de seqüências de experiências de aprendizado desenvolvidas em um ambiente construtivista. A definição do significado formal, através da qual a ocorrência dessas regularidades pode ser explicitamente reconhecida, permite ao sistema ter informação a respeito da estrutura do processo de interação desenvolvida entre o aprendiz e o ambiente. Baseados em algumas idéias derivadas da visão construtivista se identificam três tipos de interação; padrões de como desenvolver interações significativas; de como os estados cognitivos desenvolvem a interação, e de como o curso da interação desenvolve-se. Esses padrões são formalmente definidos em termos de entidades que representam conteúdos, dinâmicas, ocorrências e estados de contextos interacionais. • Avaliação do aprendizado. Os construtivistas reivindicam que os resultados do aprendizado são produto da construção individual dos aprendizes, quando suas próprias experiências fazem sentido. O enfoque é dado no processo pelo qual o conhecimento é construído e não no objetivo do domínio de conhecimento a ser adquirido. Portanto, a avaliação do processo de construção de conhecimento torna-se 74 mais importante que a avaliação dos produtos resultantes. Esta ênfase no processo sugere que a avaliação deva ser orientada para determinar um conjunto de características de processos de interação entre o aprendiz (capital humano da empresa) e o ambiente e que denotem como o aprendiz está construindo conhecimento. Por exemplo, já foi apontado que o processo que resulta em construção de conhecimento significativo apresenta as propriedades de ser ativo, construtivo, acumulativo, auto regulado e orientada para metas. Portanto, a terceira implicação derivada da visão construtivista para o projeto de ambientes para a aprendizagem é que as características do processo de interação entre o aprendiz e o ambiente sejam avaliadas para determinar como os aprendizes estão construindo conhecimento. Esta implicação requer que as propriedades da classe respectiva sejam identificadas e formalizadas, assim como o curso de interação desenvolvido no processo de aprendizagem. Deve ser analisada a natureza e o modo como é aprendido no curso da interação. O construtivismo não tem um ponto de vista unificado. Embora exista uma ampla variedade de posições teóricas dentro da filosofia construtivista, a visão comum é que os aprendizes são construtores ativos de conhecimento, por si mesmos. Alguns autores concordam com esse princípio e adicionam a essa visão comum, a importância da autenticidade da tarefa de aprendizagem, do contexto em que o aprendiz trabalha, e a importância do aprendizado colaborativo. • Papel desempenhado pelo sistema. O sistema deve desempenhar um papel de facilitador, fornecendo situações e condições apropriadas que possam conduzir os aprendizes à experiência do próprio processo de construção de conhecimento em uma variedade de contextos. De qualquer modo, a maior parte dos esforços nesta área foram dedicados antes à definição de princípios de projetos dessas situações e condições a serem embutidas nos ambientes de aprendizagem, que no desenvolvimento de mecanismos adaptativos facilitadores. Um mecanismo facilitador, num ambiente para a aprendizagem, deve ser orientado para gerar ou adaptar contextos interacionais, que permitam o desenvolvimento de situações que conduzam à construção de conhecimento significativo. A geração ou adaptação desses contextos interacionais deve levar em conta todo o estado do processo de aprendizagem, incluindo as condições cognitivas do capital humano da empresa. 75 O estado do processo de aprendizagem, em um certo tempo, transporta informações a respeito das propriedades que mantêm para cursos de interação desenvolvidos até esse tempo. Por exemplo, pode-se transportar informação a respeito dos cursos de interação, se forem desenvolvidos, cumulativos ou construtivos, e com relação a quais entidades. Determinando o estado do processo de aprendizagem desta forma, é possível determinar as propriedades que caracterizam trajetórias que não foram exploradas ainda. Porém, o papel do sistema é tornar disponível para o aprendiz (capital humano), a cada momento, o contexto interacional que poderia permitir (devido às características do projeto), o desenvolvimento dessas características ausentes. O sistema deve determinar, por exemplo, os tipos de situação que possam permitir certos tipos de interação, que sejam cumulativas ou construtivas (ou qualquer outra propriedade definida) a respeito de certas entidades. Portanto, as quatro implicações derivadas da visão construtivista para o projeto de ambientes inteligentes para a aprendizagem, requer que o papel do sistema, em lugar de determinar o caminho a ser seguido pelo aprendiz, deve gerar espaços de interação, que caracterizem oportunidades abertas para interação, as quais possibilitem aprendizagem construtiva. Vygotsky (1988, p.21) aborda três questionamentos fundamentais para o entendimento do comportamento humano e o desenvolvimento das funções psicológicas superiores: • Qual a relação entre os seres humanos e seu ambiente físico e social? • Quais as formas novas de atividade que fizeram com que o trabalho fosse o meio fundamental de relacionamento entre o homem e a natureza e quais as conseqüências psicológicas dessas formas de atividades? • Qual a relação entre o uso de instrumentos e o desenvolvimento da linguagem? Para este autor, nenhuma dessas questões tem sido adequadamente tratada pelos estudiosos preocupados com a compreensão da psicologia humana e animal. Vygotsky investigou a natureza da relação entre a instrução que recebe a criança na escola e o desenvolvimento mental subseqüente que existe nessa criança (VYGOTSKY, 1994). A sua visão de instrução eficaz envolve o instrutor (o mais capaz de observar) assistindo ao aprendiz no sucesso de sua atividade. A estrutura do ambiente em que a instrução toma lugar é significativa pela natureza do desenvolvimento mental e individual que acontece. 76 Na literatura produzida por Vygotsky sobre a natureza da instrução, desenvolvimento e relações que existem entre elas, a comunicação mediada semioticamente é muito enfatizada. Esta importante distinção de Vygotsky, entre os conceitos que surgem da experiência sensorial direta do mundo ou em primeira pessoa - que acontecem espontaneamente no cotidiano - e aqueles que são mediados por representações simbólicas - os conceitos científicos ou não espontâneos. Esses conceitos não espontâneos são fundamento da teoria de Vygotsky a respeito da relação entre instrução e desenvolvimento, pois são aqueles que estão envolvidos nos mais avançados processos psicológicos. Os conceitos espontâneos, entretanto, carecem de desenvolvimento sistemático e é por esta razão que Vygotsky sugere que não produzem abstrações. Pelo contrário, a definição verbal inicial que instiga o desenvolvimento dos conceitos científicos é sistematicamente aplicada até que se torne um fenômeno concreto (VYGOTKSY, 1994). Dois caminhos de desenvolvimento são sugeridos, um carece de sistematização e outro não. O processo instrucional deve permitir que os aprendizes se movam além de sua própria experiência sensorial direta; e isto deve promover o desenvolvimento de conceitos científicos não espontâneos. De qualquer modo, se a aquisição dos conceitos científicos, através da instrução influencia o desenvolvimento desses conceitos, então o desenvolvimento de caminhos pode ser conectado. As condições evolucionárias dos dois caminhos de desenvolvimento são diferentes. Uma requer experiência sensorial imediata. A outra, move-se para além da absorção do já pronto, indo para a construção do abstrato. Assim, o desenvolvimento é visto como um processo unitário. O aprendiz (capital humano) ganha gradualmente o controle das suas funções mentais, tornando-se parte do sistema durante o curso da instrução. O processo instrucional promove a aquisição de conceitos científicos de uma maneira sistemática, que resulta na formação de uma estrutura dentro da qual os conceitos espontâneos podem ser integrados. A abordagem sócio-cultural para mediar a ação enfatiza as origens e definições do processo mental como fundamentado em cenários sócio-culturais. Esta é a base sobre a qual se estabelecem os fundamentos da teoria de Vygotsky; onde a consciência social é primária e a dimensão individual da consciência é derivativa e secundária. A teoria da Lei Genética Geral de Desenvolvimento Cultural enfatiza que o funcionamento mental é social. Os signos que constituem a comunicação lingüística e não lingüística fornecem o significado para organizar a própria ação ou a ação do outro. Esta mediação por ferramentas e signos é a característica que define o funcionamento mental. O funcionamento entre mentes é sempre situado cultural, histórica e institucionalmente e nem sempre ocorre da mesma forma. 77 A interação entre aprendiz e instrutor, em particular no contexto institucional, difere da interação encontrada em outros cenários. Considerando a distinção que enfatiza que esta é uma função de diálogo da linguagem, a função que lidera a geração de novos significados como opostos à função transportadora do significado, a qual pode ser enfatizada na aprendizagem. Ensinar neste tipo de ambiente construcionista requer que o instrutor crie oportunidades para a maximização da interação do diálogo. A construção de conhecimento é uma atividade colaborativa, a natureza da qual deve variar de acordo com o contexto institucional particular. Alguns autores argumentam que a aprendizagem não é somente um evento em uma mente individual. A teoria é sempre socialmente enraizada e a classe de meta-contexto compartilha implicitamente a liderança de certa forma de pensamento. A teoria é embutida em uma comunidade específica e em um jogo de linguagem. Em outras palavras, a teoria é sempre socialmente formada e mantida. As representações são socialmente compartilhadas e a robustez das explicações simples sucedem antes a um sistema de manutenção social específica, que a um sistema cognitivo individual. A conciliação entre os aspectos conflitantes da instrução e o construtivismo é uma aproximação que permite ao aprendiz construir conhecimento em colaboração com companheiros habilidosos ou críticos. É também notório que Vygotsky, citado na literatura construtivista, é também associado a um tipo particular de instrução, traduzida equivocadamente como obuchenie, falha em reconhecer plenamente que esse termo inclui os processos de ensino e aprendizagem. O termo russo ressalta a inseparabilidade do ensino, a aprendizagem e a natureza social do processo. Dentro dos termos desta definição de instrução, os atos do instrutor como companheiro do aprendiz para fornecer atividades apropriadas e assistência significativa permitem que o aprendiz possa ser induzido para a cultura da sua sociedade e o encoraja como aprendiz (capital humano) autônomo. A abordagem colaborativa não é exclusivamente dirigida para o instrutor ou para o aprendiz. Não enfatiza a aprendizagem como o planejamento e a escolha de material e atividades para alcançar um conjunto de objetivos prédefinidos, nem sobre como o aprendiz constrói sua própria compreensão de forma principalmente não assistida. Esta seria a influência de Vygotsky no uso de computadores na aprendizagem. O papel da aprendizagem, na visão construtivista, consiste em mostrar aos aprendizes como construir conhecimento, indicando as perspectivas múltiplas para a solução de um problema particular, para se chegar a uma posição auto-selecionada com a qual possam 78 comprometer-se eles mesmos, enquanto verificam outras visões com as quais podem discordar. Vygotsky permite que com a assistência um aprendiz possa solucionar problemas avançados que, sozinho, não resolveria. A concepção de aprendizagem que resulta do confronto e da colaboração entre as diferentes abordagens e das correções a que se pode submetê-las conduz, inevitavelmente, à superação da dicotomia transmissão X produção do saber, porque essa concepção permite resgatar: • a unidade do conhecimento, através de uma visão de relação aprendiz (capital humano)/objeto, em que se afirma, ao mesmo tempo, a objetividade do mundo e a subjetividade, considerada como um momento individual de internalização da objetividade; • a realidade concreta da vida dos aprendizes (capital humano), com fundamento para toda e qualquer investigação. Nesses termos, chega-se à conclusão de que as práticas pedagógicas que respeitam à concepção de aprendizagem em foco devem apoiar-se em duas verdades fundamentais: • a de que todo conhecimento vem da prática social e a ela retorna; • a de que o conhecimento é um empreendimento coletivo, pois nenhum conhecimento é produzido na solidão do aprendiz, mesmo porque essa solidão é impossível. A compreensão dos pressupostos teóricos subjacentes a qualquer atividade educacional e capacitadora torna visível a relação existente entre a teoria e a prática, possibilitando uma ação de aprendizagem mais eficaz. Visando desenvolver a problemática desta dissertação, se fundamenta este tópico, pois esclarece e especifica o processo de aprendizagem que deve estar aliado a tecnologia e a educação continuada à distância. A compreensão da abordagem construtivista auxilia o entendimento das opções ministradas pelas duas empresas pesquisadas, em lidar com seus respectivos capitais humanos. 79 2.4.3 A nova estratégia de aperfeiçoamento do capital humano Os estudos e pesquisas abordados mostram que as necessidades inerentes às organizações preocupadas com a criação de conhecimento e com aprendizagem contínua abrangem a gestão de inúmeras variáveis, dentre elas a informação, o ambiente de trabalho e o preparo do capital humano, o que demanda uma mudança na visão tradicional da área de Treinamento e Desenvolvimento (T&D). […] if employees are neglected in the planning and implementation of organization change, it is likely that the entire process will be extremely stressful for individuals, the adverse effects of which will manifest themselves in a variety of ways which are costly to the organization. (MCHUGH,1997, p.345) As críticas aos programas de aperfeiçoamento convencionais se generalizaram, mostrando que estão aquém das necessidades atuais. De acordo com Jordan (1997), pesquisas realizadas sugerem que os “Paradigmas de Treinamento convencionais precisam ser redirecionados para um Paradigma de Aprendizagem” (JORDAN, 1997, p.242). Segundo a pesquisadora, a raiz dessa mudança encontra-se nos campos ideológico, teórico e prático. Em termos ideológicos, surge um conflito direto entre as idéias que giram em torno de empresa em processo de aprendizagem e a forma burocrática e rígida como os setores de aperfeiçoamento funcionam na maioria delas, considerando os aperfeiçoamentos como eventos isolados, com metas, espaços e equipes separadas do resto da organização. A perspectiva da interação entre trabalho e aprendizagem tem sido enfatizada por diversos pesquisadores, que ressaltam a necessidade de se eliminar a distinção entre essas duas esferas. No domínio teórico, as correntes construtivistas e as noções de cognição e inteligência contestam o enfoque de aprendizagem através da transmissão de conhecimentos, em que o instrutor é o centro do processo. As novas teorias enfatizam o aprendizado em grupo, a comunicação lateral e as tecnologias informatizadas, especialmente adaptadas para o ensino e aprendizagem. No que se refere aos aspectos práticos, os programas de aperfeiçoamento convencionais não conseguem ser disponibilizados no tempo necessário, de modo a permitir o atendimento das necessidades dos interessados. Além disso, o fato de se retirar o capital humano do ambiente de trabalho causa transtornos, como acúmulo de serviços. As diversas funções que o capital humano exerce em seu local de trabalho (funcionários multi- 80 qualificados) faz com que seja cada vez mais difícil administrar o tempo disponível para os aperfeiçoamentos. Cabe lembrar, entretanto, que há aspectos positivos a serem considerados nos aperfeiçoamentos tradicionais, e que a ECAD e a tecnologia da informação não podem ser consideradas soluções ideais para todas as situações de aprendizagem. Por exemplo: ambientes específicos de aprendizagem, como a sala de aula, permitem ao aprendiz dedicação exclusiva ao estudo, enquanto que, quando realizado no próprio ambiente de trabalho, o mesmo é muitas vezes prejudicado por demandas cotidianas do ambiente. Por outro lado, a integração entre a estratégia da organização e suas ações de T&D tornou-se uma exigência fundamental nos mercados competitivos. De acordo com Novelli (1996), a relevância da atuação da área de recursos humanos em sintonia com a estratégia da empresa é reconhecida por diversos pesquisadores. Um estudo de meados da década de 80 já apontava, inclusive, a necessidade de participação da área na formulação estratégica da organização. Como afirma o autor, hoje essa questão está ainda mais clara, uma vez que as ações de T&D voltam-se para formação de um trabalhador multi-qualificado23, inserido em uma nova organização do trabalho. Na maioria das abordagens tradicionais, os aperfeiçoamentos orientam-se para uma capacitação específica, enfatizando a transmissão de conhecimento e sendo considerados de responsabilidade do setor de recursos humanos. No novo enfoque, a aprendizagem é vista como ação contínua, com a valorização do aprendizado em grupo e da comunicação lateral. Ao invés da capacitação para realização de tarefas prescritas, a abordagem é da aprendizagem centrada em competências, com o estabelecimento de parcerias entre capital humano e gerentes. Nesse sentido, o objetivo está em alcançar melhores resultados dos negócios, relacionando-se com as estratégias organizacionais. Nessa perspectiva, mudanças nas ações e políticas de aperfeiçoamento tornam-se inevitáveis, demandando um aprendiz crítico e em sintonia com o ambiente no qual está inserido, envolvendo compromisso, criatividade e competência. Uma mudança da visão tradicional de aperfeiçoamento torna-se, portanto, imprescindível na vigência de novo 23 De acordo com Pedrosa (1995), há um consenso de que houve mudanças no perfil da qualificação dos trabalhadores. Hoje tal perfil envolve a necessidade de uma maior formação escolar básica, a exigência de um trabalhador polivalente, mais atento, com maior responsabilidade e com maior capacidade de iniciativa e de comunicação. Os estudos que enfatizam a tendência à requalificação, como o de Huf (1991), citado pelo autor, consideram que a capacidade criativa, a utilização do raciocínio lógico, a visão do todo e a capacidade para resolução de problemas, são habilidades que devem atingir todos os trabalhadores inseridos no novo processo produtivo. 81 paradigma que vem sendo proposto. No atual sistema de organização da produção, as empresas necessitam de um outro modelo de capacitação, baseado no desenvolvimento das pessoas e de suas habilidades de aprendizagem, de resolução de problemas e de obtenção e uso da informação, como forma de enfrentar a realidade em constante mutação. Nesse sentido, o discurso desloca-se da perspectiva da qualificação para a perspectiva da competência do capital humano24. A ênfase do indivíduo, bem como em sua criatividade, autonomia, e na expectativa de sua colaboração, são as temáticas que se colocam hoje no campo da formação profissional em todo o mundo. Como mostra Hirata (1997), a noção de competência é apresentada cada vez mais como uma alternativa ao conceito de qualificação, tanto nas empresas como em diversos estudos sociológicos. Há divergências quanto ao significado do termo qualificação, uma vez que os teóricos utilizam diferentes critérios na sua avaliação, podendo, por exemplo, relacionar-se tanto com o tipo de conhecimento que o capital humano deve deter (incluindo a formação escolar, o saber tácito e a capacidade de abstração), quanto com o tipo de conduta do mesmo, envolvendo responsabilidade, participação, capacidade de trabalhar em equipe. (PEDROSA, 1995) Para Hirata (1997), a qualificação é um conceito multidimensional, relacionado tanto com o emprego e o posto de trabalho, quanto com o indivíduo. De acordo com a autora, o enfoque da competência concentra-se mais sobre a pessoa do que sobre o posto de trabalho, remetendo, sem mediações, a um sujeito. Esse enfoque “possibilita associar as qualidades requeridas do indivíduo e as formas de cooperação intersubjetivas características dos novos modelos produtivos” (HIRATA, 1997, p.30). De acordo com Nisembaum (1997), as competências individuais seriam o conjunto de conhecimentos, habilidades, atitudes e comportamentos das pessoas. São características que, ao se manifestarem, afetam e determinam o desempenho, permitindo alcançar melhores resultados. Para o autor o desempenho é a demonstração da competência e da produtividade. Para Sveiby (1998), a palavra competência é usada como sinônimo de conhecimento (definido como a capacidade de agir), sendo uma noção mais operatória, que descreve melhor o conhecimento no contexto empresarial. A noção de competência individual envolve os 24 Ressaltamos que estamos usando o termo competência como uma característica individual e não organizacional, que significaria a capacidade de uma empresa agir em relação a outras. Alguns teóricos das organizações, como Hamel & Prahalad (1995), utilizam o termo core competences (competências essenciais) designado as habilidades técnicas e gerenciais que distinguem uma organização de outras, permitindo o domínio de espaços competitivos. 82 aspectos práticos, mas os supera, incluindo cinco elementos mutuamente dependentes: o conhecimento explícito (adquirido pela informação), a habilidade (“saber fazer”, envolvendo o conhecimento de regras de procedimentos e habilidades de comunicação), a experiência, os julgamentos de valor e a rede de relações do indivíduo com os outros seres humanos (rede social). Para Sveiby, Quando adquirimos uma capacidade, aprendemos a seguir regras de procedimentos, tais como movimentar os dedos de determinada forma prescrita para extrair música de um piano. Mas uma pessoa não é competente enquanto não aprende toda a estrutura de regras, revê regras pessoais de procedimento, com base nas realizações de outras pessoas e torna-se capaz de modificá-las. Somente então o indivíduo pode concentrar seus conhecimentos no objeto e esquecer a regra. (SVEIBY, 1998, p.45). Seguindo o pensamento do autor, ao usar a palavra habilidade está se referindo à capacidade adquirida por um indivíduo ao aprender as regras de procedimentos, enquanto que a competência adquirida não apenas aprender toda a estrutura de regras, mas ser capaz de avaliá-las, e revê-las, fazendo os julgamentos a partir da experiência. No contexto deste trabalho, incluiu-se na noção de competência também as atitudes e comportamentos do indivíduo. No que tange à aprendizagem individual, uma visão mais ampla de T&D implica adotar processo de aprendizagem que levem à criação de novos conhecimentos, não se restringindo à transmissão dos mesmos, devendo enfatizar, portanto, a questão do aprendizado em seu sentido mais amplo, enquanto pelo qual o indivíduo adquire informações, habilidades, atitudes, valores, a partir de seu contato com a realidade, o meio ambiente, as outras pessoas. (OLIVEIRA, 1993) De acordo com Kessels (1997), a necessidade de incrementar os processos de inovação e de permanente aperfeiçoamento, exige programas de educação continuada que tornem o capital humano versátil e detentor de aptidões abrangentes. A habilidade para a aprendizagem (“aprender a aprender”) é tida como uma competência de valor a ser desenvolvida pelas pessoas. Estudos holandeses e norte-americanos sobre o desenvolvimento dessa habilidade recomendam “a compreensão do estilo próprio de aprendizagem de cada pessoa; a aquisição da conscientização necessária para aplicar processos de raciocínio convergentes, divergentes, críticos e intuitivos; e o desenvolvimento de maior aptidão para organizar atividades educacionais” (KESSELS, 1997, p.215). O potencial da aprendizagem para modelar a identidade dos sujeitos inseridos na economia do conhecimento também tem sido considerado relevante. Para compreender o 83 sentido mais profundo de aprendizagem e diferenciá-la da assimilação de informações, Senge (1990) utiliza a palavra metanóia25que significa mudança de mentalidade. Conforme o autor: A verdadeira aprendizagem está intimamente relacionada com o que significa o ser humano. Por intermédio da aprendizagem, nós nos recriamos, tornamo-nos capazes de fazer o que nunca conseguimos fazer, adquirimos nova visão de mundo e de nossa relação com ele ampliamos a nossa capacidade de criar, de fazer parte do processo generativo da vida. (SENGE,1990, p.22) As pesquisas sobre aprendizagem relatadas por Jordan (1997) mostram que na nova economia as transformações de identidade através do aprendizado são da maior relevância, uma vez que “a aprendizagem não é apenas uma questão de adquirir um conjunto de discretas habilidades novas, mas sim uma forma de ver a si mesmo em um contexto diferente de se entender a si próprio sob um novo prisma” (JORDAN, 1997, p.249). Essas transformações de identidades possibilitadas pela aprendizagem estão naquilo que Malvezzi (1995) chama de reelaboração de significado e revisão dos referencias de ação, buscados na capacitação profissional de hoje. A qualidade dos processos de trabalho que valorizam a autonomia depende do significado que o indivíduo atribui aos mesmos, das relações estabelecidas com seu projeto de vida e com as suas representações da realidade, pois estas funcionam como critérios de escolhas, criando a sua racionalidade. Apesar da aprendizagem informal26 ser considerada crucial para a produtividade, os estudos sob o enfoque do paradigma da aprendizagem consideram também que o ensino em sala de aula e outras formas de instrução formal têm grande valor. Segundo Kessels (1997), a separação entre aprendizado e trabalho está sendo gradualmente eliminada, porém, ressalta: As situações de aprendizagem fora do ambiente de trabalho não irão desaparecer. E os empregados continuarão a adquirir habilidades cognitivas, técnicoinstrumentais e interativas, em um ambiente seguro de aprendizagem, com materiais adequados a esse aprendizado e sob a orientação de especialistas. Não obstante, seu vínculo com o trabalho, no aspecto da geração, disseminação e aplicação produtiva do conhecimento, irá tornar-se bem mais sólido. (KESSELS,1997, p.214) 25 Em sua origem grega a palavra significa mudança radical. Na Igreja Católica é usada no sentido de conversão espiritual ou penitência. 26 De acordo com esses estudos, os conhecimentos adquiridos informalmente no local de trabalho, que incluem tanto os conhecimentos sobre a maneira de realizar tarefas como conhecimentos sobre formas de interação entre as pessoas, permitem que o capital humano seja competente em seu grupo de trabalho. 84 De acordo com Sveiby (1998), a disseminação de conhecimentos pode se dar pela informação (por exemplo, palestras e a apresentações áudio-visuais) ou pela tradição, quando o receptor participa mais ativamente do processo, sendo essa última forma considerada a melhor maneira de se transferir competência, uma vez que ela não pode ser copiada com exatidão, mas deve ser desenvolvida por meio do aperfeiçoamento, da prática, de erros, da reflexão e da repetição. Para o autor, os jogos, os modelos de simulação e de representação são considerados, portanto, ótimos agentes de transferência de conhecimento. Administrar, portanto, o desenvolvimento do conjunto de indivíduos que formam uma organização, sob a ótica da competência, significa oferecer ambientes motivadores e propícios à aprendizagem, tanto na esfera cognitiva, quanto na afetiva. A necessidade de as organizações recorrerem cada vez mais à sua capacidade de aprender torna-se fundamental na área de recursos humanos, uma vez que os avanços tecnológicos não permitem que as empresas apenas dominem uma tecnologia, sendo necessárias inovações e mesmo o desenvolvimento de sua própria tecnologia. Considerando que na economia atual o conhecimento é a maior fonte de acumulação e riqueza, e que os ativos inatingíveis das empresas (informações e capital intelectual) são essenciais, compreende-se hoje que é preciso bem administrar esses ativos que produzem e processam o conhecimento. As empresas necessitam criar mecanismos que permitam tanto o desenvolvimento da capacidade individual de seus membros (gestão de competências) quanto a circulação rápida do conhecimento adquirido dentro da empresa, de modo a disseminá-lo e também protegê-lo. Essa perspectiva tem sido denominada “Gestão do Conhecimento”, ou “Gestão do Capital Intelectual”. Segundo, Ângela de Fátima Marquez, gestão do conhecimento é Portanto, o processo sistemático de identificação, criação, renovação e aplicação dos conhecimentos que são estratégicos na vida de uma organização. É a administração dos ativos de conhecimento das organizações. Permite à organização saber o que ela sabe. A gestão do conhecimento leva as organizações a mensurar com mais segurança a sua eficiência, tomar decisões acertadas com relação a melhor estratégia a ser adotada em relação aos seus clientes, concorrentes, canais de distribuição e ciclos de vida de produtos e serviços, saber identificar as fontes de informações, saber administrar dados e informações, saber gerenciar seus conhecimentos. Trata-se da prática de agregar valor à informação e de distribuí-la. (MARQUEZ, 2003, p.29) Considerando que as empresas são formadas por estruturas de conhecimento, Sveiby 85 (1998) discerne três grupos de ativos intangíveis que, juntamente com os tangíveis, compõem o seu valor total de mercado: a competência do capital humano; a estrutura interna, formada por patentes, conceitos, modelos e sistemas administrativos e de computadores, além da cultura organizacional; e a estrutura externa, que inclui relações com clientes e fornecedores, marcas registradas e a reputação ou imagem da empresa. Como afirma o autor, a competência do capital humano é a fonte das estruturas internas da organização: “as pessoas são os únicos verdadeiros agentes na empresa. Todos os ativos e estruturas – quer tangíveis ou intangíveis – são resultado das ações humanas” (SVEIBY, 1998, p.9). O trabalho do capital humano de empresas onde predominam atividades baseadas no conhecimento consiste essencialmente em converter informação em conhecimento, a partir de suas próprias competências e dos seus fornecedores de informação ou de saber especializado. Ao contrário dos recursos físicos, que são limitados, a informação e o conhecimento crescem quando são compartilhados, uma vez que a capacidade humana para gerá-los é aparentemente, ilimitada. Competência engloba o conhecimento real, a habilidade, a experiência, os julgamentos de valor e redes sociais. É o elo entre conhecimento e estratégia. Não pode ser copiada com exatidão, é transferida pela prática. Competência, ainda, é a capacidade de gerar resultados observáveis, necessários ao alcance dos objetivos (de negócios e culturais) definidos no posicionamento estratégico da empresa e no propósito de manutenção e desenvolvimento de sua ideologia essencial. É um conceito pelo qual se define quais são as atitudes, as habilidades e os conhecimentos necessários para alcançar resultados diferenciados, o conjunto de qualificações que a pessoa tem para executar um trabalho com um nível superior de performance. A competência está associada às realizações das pessoas, àquilo que elas produzem e/ou entregam. Assim considerada, a competência não é um estado ou um conhecimento que se tem e nem é resultado de treinamento. Competência é, na verdade, colocar em prática o que se sabe em um determinado contexto. Há competência apenas quando há competência em ação. Do ponto de vista empresarial, é a prática que interessa: é o conhecimento aplicado que gera capacidade de produzir resultados, ou seja, competência. (MARQUEZ, 2003, p.32) Stewart (1998) classifica os ativos de conhecimento de uma organização, ou seja, o seu capital intelectual em: capital humano, capital estrutural e capital cliente. A gestão conjunta desses três ativos de conhecimento deve ser estrategicamente planejada e integrada. Reconhecendo que a capacidade intelectual do capital humano é fonte de inovação e renovação, o autor ressalta a necessidade de se reter o conhecimento, de modo a fazê-lo pertencer à empresa como um todo, transformando-o em capital estrutural. Tal procedimento possibilita a divisão e reprodução do conhecimento. São elementos do capital estrutural: as tecnologias, as invenções, os dados, as 86 publicações, assim como os ativos não codificados, tais como a estratégia e a cultura da empresa, as estruturas e sistemas, as rotinas e procedimentos organizacionais. O capital cliente, por sua vez, é o ativo de conhecimento que diz respeito ao relacionamento que a organização mantém com seus clientes e fornecedores. O valor desse ativo exige que seja bem administrado, uma vez que são nesses relacionamentos e nos processos com o foco na satisfação do cliente que o capital intelectual se transforma em dinheiro. De acordo com Stewart (1998), a gestão do conhecimento requer uma liderança que favoreça um ambiente de compartilhamento da capacidade intelectual na empresa e que derrube o mito de que o conhecimento pode circular sozinho. Segundo o autor, a rede informal de conhecimentos e informações perde sua eficácia quando uma empresa cresce. É necessário um sistema e uma cultura organizacional que permite o livre fluxo de informações e que “descartem regras que abafem novas idéias”. (STEWART, 1998, p.119) O capital estrutural depende da codificação do acervo de conhecimentos que pode ser transferido de forma a “ligar as pessoas a dados, especialistas e expertise – incluindo conjuntos de conhecimentos – em uma base just-in-time” (STEWART, 1998, p.118). Desse modo, a tecnologia da informação desempenha o papel essencial de dar o suporte a uma verdadeira rede de conhecimentos, criando mecanismo que permitem o acesso ao que a rede informal detém em saberes. Ainda é difícil avaliar o potencial da utilização da informática para esse fim. De acordo com Stewart (1998), o primeiro efeito de qualquer inovação tecnológica são os ganhos previstos, que pretendem “melhorar o que já existe – fazer algo mais rápido, melhor, mais barato ou em maior quantidade”, porém as mudanças também “geram efeitos de segunda ordem – conseqüências e oportunidades inesperadas, impossíveis de prever”. (STEWART, 1998, p.20) Isso está se verificando, segundo ele no caso da adoção da tecnologia da informação. Em um primeiro momento, essas tecnologias permitiram ganhos previstos, como por exemplo, o aumento da produtividade dos negócios anteriores e a diminuição dos custos, uma vez que os estoques físicos foram substituídos por informações, e os ativos fixos pelo conhecimento. Porém, a tecnologia da informação também tem possibilitado ganhos imprevistos, importantes para qualquer organização. Como afirma Stewart (1998), uma empresa se torna “verdadeiramente voltada para o conhecimento quando esta se conscientiza e se envolve no “nível mais profundo”, onde se busca a informação por seu próprio valor intrínseco e não apenas para automatizar e transmitir outras atividades”.( STEWART, 1998, 87 p.20) Defendendo, portanto, a necessidade do gerenciamento do capital humano acumulando pelos profissionais, a fim de transformá-lo em um ativo da empresa, o autor afirma: A gerência sistemática do capital humano gera aumento do valor para os acionistas. Realiza-se isso, entre outras coisas, através da reciclagem contínua e de uma utilização criativa do conhecimento e da experiência compartilhados. Isso, por sua vez, requer a estruturação e o acondicionamento de competência com a ajuda da tecnologia de descrições do processo, manuais, redes e assim por diante, a fim de assegurar a permanência na empresa quando os funcionários forem embora. Uma vez acondicionados, esses elementos tornam-se parte do capital estrutural da empresa – ou mais precisamente, seu capital organizacional. Isso cria condições para o rápido compartilhamento do conhecimento e para seu crescimento sistemático e coletivo (...) O tempo transcorrido entre o aprendizado e a distribuição do conhecimento fica sistematicamente menor. O capital humano também se tornará mais produtivo através de processos estruturados de trabalho, de fácil acesso e inteligentes. (STEWART, 1998, p. 99) De acordo com o autor, embora seja impossível codificar todo o estoque de conhecimento, as empresas têm investido em tecnologia de informação e desenvolvido “bancos de dados” mapeando a capacidade intelectual da empresa. Esperam-se reunir informações e conhecimentos, convertendo-os em patrimônio da organização, facilitando o seu compartilhamento, ajudando as empresas a trabalharem de forma global, lidando melhor com o crescimento e rotatividade de pessoal. No entender de Stewart (1998), esses bancos de dados devem conter três itens essenciais: as chamadas Páginas Amarelas, com a identidade dos especialistas internos; as experiências e lições aprendidas (checklists); e informações e conhecimentos sobre fornecedores e principais clientes (inteligência sobre o concorrente). Trata-se de uma gerência do capital humano, que aprofunda e classifica o conhecimento especializado. Outros investimentos em capital estrutural, além daqueles que permitem gerenciar o estoque de conhecimentos têm sido feitos em redes eletrônicas, que gerenciam e distribuem o fluxo dos mesmos, podendo aumentar a velocidade de sua difusão e produtividade, ao possibilitar o intercâmbio dos procedimentos de trabalho. Utilizando a tecnologia da informação para a criação de redes e bancos de dados, torna-se possível ampliar a disseminação do conhecimento na empresa. Um fórum de conversas on-line, por exemplo, possibilita agregar os conhecimentos e experiências dos trabalhadores e transferi-los de um a outro aprendiz. Para Stewart, o resultado dessa abordagem é que: O ciclo virtuoso começa: as pessoas aprendem a fazer coisas que se tornam 88 histórias e que se tornam documentos que circulam em uma rede, que as pessoas usam para aprender como fazer as coisas. O capital humano produz capital intelectual estrutural que, por sua vez, produz capital humano. (STEWART, 1998, p.125) Todos esses mecanismos acima descritos visam a “Gestão do Conhecimento” das empresas, ou seja, ao compreender a empresa como estruturas de conhecimento, sua administração envolve a gestão de competências e a gestão do capital estrutural, que, associadas, permitem ampliar a capacidade de aprendizado da empresa. Diretrizes estas compartilhadas pelas duas empresas estudadas. 2.4.4 A motivação aplicada à educação continuada à distância Além de estabelecer o processo de aprendizagem mais adequado ao aperfeiçoamento do capital humano, as empresas devem atentar, ao fator motivação. Pois, não é possível compreender o comportamento do capital humano da empresa e, investir em novas tecnologias e formas de aprendizagem, como a educação continuada à distância, sem um mínimo conhecimento da motivação de seu comportamento. Segundo o Dicionário Soares Amora (2000, p.475), motivar é dar motivo a; causar, ocasionar; despertar o interesse; expor o motivo de. É difícil definir exatamente o conceito de motivação, uma vez que tem sido utilizado com diferentes sentidos. De modo geral, motivo é tudo aquilo que impulsiona a pessoa a agir de determinada forma ou, pelo menos, que dá origem a uma propensão a um comportamento específico. Esse impulso à ação pode ser provocado por um estímulo externo (provindo do ambiente) e pode ser também gerado internamente nos processos mentais do indivíduo. Neste aspecto, a motivação está relacionada com o sistema de cognição27 do indivíduo. Por isso, a motivação passou a ser respeitada como um centro de interesse do ato pedagógico, desde que as novas concepções de aprendizagem desmistificaram a idéia de que a aprendizagem, não é resultado de simples memorização e repetição. O enorme número de autores que escrevem sobre o tema demonstra que o interesse 27 Cognição representa aquilo que as pessoas sabem sobre si mesmas e sobre o ambiente que as rodeia. O sistema cognitivo de cada pessoa envolve os seus valores pessoais e é influenciado por seu ambiente físico e social, por sua estrutura fisiológica, por seus processos fisiológicos, por suas necessidades e por suas experiências anteriores. 89 pela motivação tem levado pesquisadores a buscarem respostas para essa variável imprescindível. De acordo com Lúcia Vilarinho apud Rodrigues (1998), “numa aprendizagem motora, ou numa que envolve a compreensão de relações e conceitos ou a apreensão de valores, só haverá aprendizado quando houver atividade do aprendiz, que por sua vez necessita de motivos para despertá-lo à ação”. Motivar é despertar o interesse, esta é a consideração de diversos autores e professores. Porém, na definição mais elaborada de Campos motivar proporciona a modificação do comportamento do indivíduo e abre caminho para que ocorra o desenvolvimento da aprendizagem. E ainda motivar é atração emotiva exercida por um objeto ideal sobre a individualidade consciente. O interesse pode ser imediato (subjetivo) quando se liga a um objeto atual, implicando na relação com a própria atividade, ou pode ser mediato (objetivo), quando se liga a um objeto ideal, implicando na relação com o objetivo para a qual a atividade se dirige. (CAMPOS, 1972, p.51) Neste sentido, o instrutor pode incentivar o aprendiz a despertar os motivos para a aprendizagem. Lúcia Vilarinho apud Rodrigues (1998), demonstra que a motivação implica na proposição de situações de modo a deflagrar no psiquismo do sujeito as fontes de energia interior (motivos), que o levarão à ação com empenho e entusiasmo. Incentivar é manipular as condições externas ao sujeito, de forma a despertar no aprendiz a motivação que mantém o processo de aprendizagem. Podendo ser o incentivo intrínseco ou extrínseco. O intrínseco estimula o aprendiz a estudar um assunto pelo próprio valor que o assunto apresenta. O extrínseco estimula o aprendiz a estudar um assunto pelas vantagens que ele pode proporcionar a sua vida. Campos (1972, p.55) diz que a “motivação é um processo interior, individual, que deflagra, mantém e dirige o comportamento. Implica num estado de tensão energética, resultante da atuação de fortes motivos que impelem o sujeito a agir com certo grau de intensidade e empenho”. Campos (1972) também diferencia dois tipos de motivação: 1. motivação intrínseca: quando há interesse pessoal na aprendizagem; 2. motivação extrínseca: quando o objeto estudado traz aspectos relacionados com o cotidiano do sujeito. O incentivo promove a motivação e muitos autores preferem que os instrutores utilizem a modalidade intrínseca. Existem muitas concepções de como a aprendizagem pode acontecer. Para alguns autores, o ato pedagógico pode acontecer, estando o aprendiz motivado e acompanhado da 90 maturidade bio-sócio-psicológica. São as habilidades iniciais que o aprendiz possui para que a aprendizagem possa se desenvolver. Por exemplo: suficiente capacidade intelectual; certo grau de interesse e certa aptidão. Pesquisas de época sobre a motivação trazem conceitos de educadores e psicólogos da década de 70, que de acordo com Carvalho (1972, p. 23) chegaram as seguintes conclusões conforme o quadro 3 abaixo. 1. Não há aprendizagem sem motivação (seja esta consciente ou inconsciente, intrínseca ou extrínseca); 2. Deve haver uma relação positiva entre incentivos e motivos (motivos fortes x ambiente hostil, incentivos inoperantes x aprendiz com pouca motivação são realidades incompatíveis); 3. Motivação e incentivo são importantes em todas as fases da aprendizagem; 4. Incentivo positivo x incentivo negativo (elogios funcionam melhor que punição ou censura); 5. A competição pode funcionar como elemento estimulador (a competição entre grupos é preferível à competição individual); 6. O aumento a incentivos deve aumentar proporcionalmente os motivos, no entanto é preciso ter cuidado para que os incentivos não ultrapassem o limite máximo da capacidade do sujeito; 7. O êxito inicial numa tarefa pode funcionar como fonte de motivação; 8. O insucesso inicial pode, em alguns casos, servir de estímulo para novas aprendizagens; 9. Um esforço suspenso ou uma tarefa interrompida pode ser fonte de motivação; 10 A motivação pode aumentar na medida em que o aprendiz sabe o objetivo de sua . tarefa, bem como atribui valor a esse fim; 11 Motivação em excesso pode levar o sujeito a realizar um trabalho abaixo do nível . que costuma fazer. Quadro 3 – Pesquisa sobre motivação década de 70 Fonte: (CARVALHO, 1972) Para Bruner apud Vilarinho (1986), é importante distinguir motivação intrínseca e motivação extrínseca. O instrutor deve sempre estimular os aprendizes para a descoberta, desafiando-os sempre. Para ele, aprendizagem é também motivação, onde os motivos provocam o interesse para aquilo que vai ser aprendido. Para Ausubel apud Vilarinho (1986), a aprendizagem não necessita necessariamente da motivação. Ela ocorre por si só. Para ele, quando se aprende algo, há uma satisfação inicial, que estimula que o ato pedagógico continue se desenvolvendo. O aspecto cognitivo é a sua maior preocupação. A motivação para ele é crescente no momento em que o aprendiz conhece os objetivos da aprendizagem, que devem ser claros e relacionados com o imediato. Para ele, motivação deve ser a própria aprendizagem. Outro autor que pesquisou o desafio da motivação foi Skinner. Segundo Carrara 91 (1992) para Skinner a motivação se resolve em termos de reforço, de acordo com as necessidades individuais. O instrutor, segundo ele, deve sempre controlar o comportamento observável do aprendiz, para num segundo momento, possa o aprendiz ter autocontrole. Já para Rogers (1998), a motivação tem uma grande importância em todo o processo de aprendizagem e aperfeiçoamento profissional. Os motivos que levam o aprendiz a aprender devem ser conhecidos do instrutor. Somente assim ocorrerá aprendizagem eficiente e autorealização. Rogers ( 1998) dá muita ênfase a motivação intrínseca, ou seja, o aprendiz deve gostar de aprender determinado conteúdo pelo prazer da atividade. Instrutor e aprendiz devem convergir os objetivos para que a motivação aumente. Vilarinho (1986) também aborda em sua obra as técnicas incentivadoras apresentadas pela didática para despertar os motivos dos aprendizes e assim favorecer a ocorrência do processo de aprendizagem. A autora relata várias técnicas incentivadoras e coloca que as técnicas intrínsecas são em maior número pela importância que os autores atribuem a elas, já as técnicas extrínsecas são consideradas recursos complementares, caso as intrínsecas falhem. Por exemplo: apresentação de objetivos no início da aula apresentando o valor e a importância das atividades que serão desenvolvidas. Também a apresentação de tarefas, logo no início da aula, mostrando quais as tarefas que irão ser solicitadas a partir daquele objetivo ou conteúdo são exemplos de técnicas intrínsecas. Gagné (1976) também coloca que há dois tipos de motivação: uma inerente ao próprio sujeito (necessidades ou impulsos) e outra relacionada com a aprendizagem. É fundamental que o aprendiz queira dominar alguma competência. O desejo de realização é a própria motivação. E o instrutor deve fornecer sempre ao aprendiz o conhecimento de seus avanços, captando a atenção do aprendiz. Quanto às necessidades apontadas por Gagné (1976), pode-se observar que a Teoria Comportamental da Administração (Behaviorista) veio significar uma nova direção e um novo enfoque dentro da teoria administrativa: a abordagem das ciências do comportamento, estudando a motivação humana (suas necessidades básicas), definindo estilos de administração, caracterizando as organizações como sistemas sociais cooperativos e como sistemas de decisões. Segundo os behavioristas o homem é considerado um ser complexo dotado de necessidades complexas e diferenciadas. Por isso, o administrador precisa conhecer as necessidades humanas para melhor compreender o comportamento humano e utilizar a motivação como poderoso meio, para melhorar a aprendizagem e o aperfeiçoamento profissional nas organizações. 92 Abraham H. Maslow, psicólogo e consultor americano, apresentou uma teoria da motivação segundo a qual as necessidades humanas estão dispostas em níveis, numa hierarquia de importância e influência. Nessa hierarquia das necessidades (pirâmide de Maslow), encontram-se cinco níveis de necessidades: 1. Necessidades Fisiológicas: Necessidades de alimentação, sono e repouso, de abrigo, desejo sexual. Esse grupo de necessidades está relacionado com a sobrevivência do indivíduo e com a preservação da espécie; 2. Necessidades de Segurança: Necessidades de segurança, estabilidade, busca de proteção contra a ameaça ou privação, e a fuga ao perigo; 3. Necessidades Sociais: Necessidade de associação, de participação, de aceitação por parte dos companheiros, de troca de amizade, de afeto e amor; 4. Necessidades de Estima: Relacionadas com a maneira pela qual a pessoa se vê e se avalia. Envolvem a auto-apreciação, a auto-confiança, a necessidade de aprovação social e de respeito, de status, prestígio e consideração; 5. Necessidades de Auto-realização: São as necessidades humanas mais elevadas e que estão no topo da hierarquia. São as necessidades de cada pessoa realizar o seu próprio potencial e de auto-desenvolver-se continuamente (ser constantemente mais do que é - vir a ser tudo o que pode ser). Em síntese, segundo Chiavenato (1997) Maslow subdivide as necessidades, assim: • Necessidades Primárias: Necessidades fisiológicas e Necessidades de segurança; • Necessidades Secundárias: Necessidades sociais, Necessidade de estima e Necessidades de auto-realização. A teoria da hierarquia das necessidades de Maslow (apud CHIAVENATO,1997) pressupõe os seguintes aspectos: 93 1. Somente quando um nível inferior de necessidades está satisfeito ou adequadamente atendido é que o nível imediatamente mais elevado surge no comportamento; 2. Nem todas as pessoas conseguem chegar ao topo da pirâmide de necessidades; 3. Quando as necessidades mais baixas estão razoavelmente satisfeitas, as necessidades localizadas nos níveis mais elevados começam a dominar o comportamento. Contudo, quando uma necessidade de nível mais baixo deixa de ser satisfeita, ela volta a predominar no comportamento, enquanto gerar tensão no organismo; 4. Cada pessoa possui sempre mais de uma motivação. Toda necessidade está intimamente ligada com o estado de satisfação ou insatisfação de outras necessidades. Seu efeito sobre o organismo é sempre global e nunca isolado; 5. Qualquer comportamento motivado é um canal pelo qual muitas necessidades fundamentais podem ser expressas ou satisfeitas conjuntamente; 6. Qualquer frustração ou possibilidade de frustração de certas necessidades passa a ser considerada ameaça psicológica. Essa ameaça é que produz as reações gerais de emergência no comportamento humano. Segundo Chiavenato (1997) várias pesquisas não chegaram a provar cientificamente a teoria de Maslow e algumas delas até a invalidaram. Contudo, a teoria de Maslow é bem estruturada suficientemente para poder oferecer um esquema orientador e útil para o comportamento do capital humano da empresa. Conforme Chiavenato (1997) a obra de Maslow representa uma filosofia diferente da natureza humana, uma nova imagem do homem. Esta filosofia é baseada em dois pontos fundamentais: a) O homem tem uma natureza superior que é instintiva; b) Esta natureza humana tem uma característica profundamente holística. Ainda na visão de Chiavenato (1997) Maslow defende a possibilidade real de melhorar 94 a natureza e a sociedade humana, ou descobrir os valores intrínsecos humanos. Ele afirma que é possível rejeitar firmemente a crença desesperadora de que a natureza humana é má. Maslow denomina a abordagem holística de Revolução Desapercebida. Ao adotarem a qualidade total, as empresas japonesas vêm seguindo a abordagem holística maslowniana, através de políticas focalizadas nos recursos humanos, que perpassaram a todo mundo ocidental. Pregando a filosofia, que as empresas devem ser vistas como organizações, que têm como missão maior satisfazer as necessidades de sobrevivência do ser humano. Quem fizer isto da melhor maneira ganhará o lucro desejado. A empresa é um dos ancoradouros do ser humano e um lugar onde ele poderá realizar o seu potencial. Conforme os estudos de Chiavenato (1997) Maslow, entre vários conceitos, estabeleceu três premissas (abaixo) que influenciaram fortemente a política de recursos humanos das empresas japonesas e de várias no resto do mundo, onde o potencial mental das pessoas (sua maior ou menor velocidade de aprendizado) é valorizado. Isto significa que os seres humanos têm limitações em sua capacidade de aprendizado na unidade de tempo. A conclusão é que é difícil ensinar às pessoas. Isto traz algumas conseqüências para as políticas de recursos humanos de uma empresa: • Todo programa de aprendizagem e aperfeiçoamento deve ser baseado no lema “Educar, Treinar e Fazer” - de é difícil educar e treinar o capital humano, só deverá se fazer quando diante de uma necessidade evidente advinda da empresa; • Como a aprendizagem e aperfeiçoamento são limitados no tempo - deve-se fazê-lo por toda a vida do capital humano da empresa, de forma contínua e planejada; • Como é difícil aprender e aperfeiçoar - decorre que as pessoas hábeis nas atividades necessárias à sobrevivência da empresa devem ser retidas na empresa, ciente que a insatisfação é um estado natural do ser humano. O ser humano fica satisfeito em situações momentâneas, retornando sempre ao seu estado natural que é insatisfação. Se um ser humano convive com um grupo de pessoas, que têm suas necessidades básicas atendidas, ele desfrutará do estado de satisfação mais freqüentemente e o grupo de pessoas estará num estado de saúde mental ou elevado moral. Isto significa que não é possível avaliar o grau de satisfação de um grupo de pessoas (moral) através de uma só pessoa, pois esta poderá estar satisfeita hoje e insatisfeita amanhã. O que é realmente importante é o nível de satisfação médio do grupo a que Maslow atribui o 95 nome de moral. Este nível de satisfação médio é a motivação. Segundo Chiavenato (1997) o estado de satisfação contínua (nirvana) é para Maslow, inexistente. As pessoas ficam satisfeitas em situações momentâneas, em picos, retornando sempre à situação normal, que é insatisfação. Quando um grupo de pessoas tem suas “necessidades básicas” atendidas, as pessoas que fazem parte deste grupo sentirão mais facilidade de ficarem satisfeitas. Neste caso, como todas as pessoas do grupo ficam satisfeitas mais freqüentemente, o grupo terá moral mais elevado (um maior nível de motivação). No programa de qualidade total todas as áreas de recursos humanos têm itens de controle que medem o “moral” de suas respectivas equipes através de índices numéricos tais como turn-over de pessoal, absenteísmo, índice de procura ao posto médico, índice de reclamações trabalhistas, número de sugestões. Desta maneira, todas as áreas de recursos humanos “exercem o controle” sobre o moral, procurando construir, ao longo do tempo, um ambiente de trabalho que todos tenham prazer de freqüentar. A motivação não pode ser conseguida por campanhas ou programas especiais. A motivação pelo trabalho é conseguida pelo gerenciamento conduzido pelo recurso humano por um longo tempo, medindo o moral (efeito) e atuando (exercendo o controle) nas causas, que são as necessidades básicas, pois o ser humano tem necessidades básicas que devem ser satisfeitas simultaneamente. No entanto, quando o homem está ainda num estado muito primitivo de ter suas necessidades básicas atendidas, ele dará mais importância às necessidades fisiológicas que às outras e assim por diante. Em cada estágio haverá ênfase em uma das necessidades, mas todas estarão presentes sempre. Portanto, para que a área de recurso humano possa manter o “moral elevado” (alta motivação) de seu capital humano é necessário zelar para que as necessidades básicas humanas sejam atendidas pela sua equipe. Os métodos, técnicas e práticas administrativas do programa de qualidade total já conduzem ao atendimento das necessidades sociais, de estima e auto-realização. Para a satisfação da necessidade de segurança é necessária uma política de estabilidade no emprego e, para a satisfação das necessidades fisiológicas é necessária uma política salarial justa. A questão salarial é sempre um assunto nervoso. No entanto, não existem razões para assim ser. Analisando: o que deseja o capital humano? • Primeiro: continuidade do emprego (sobrevivência da empresa à competição); • Segundo: ganhar cada vez mais para ter conforto. 96 O que deseja o empresário? • Primeiro: sobrevivência da empresa à competição; • Segundo: ganhar cada vez mais para crescer. Pensando bem, os primeiros interesses significam a mesma coisa e as empresas japonesas encontraram a solução ideal para que os segundos interesses das duas partes fossem coincidentes: o bônus. Sua concepção é simples: • O capital humano tem um salário básico para garantir a sobrevivência sua e de sua família; • O capital humano ganha semestralmente um bônus, que é função dos resultados financeiros da empresa. Se a empresa vai bem o bônus pode exercer 100% do salário. Se a empresa vai mal pode chegar a zero; • O bônus equivale a aproximadamente um terço do lucro. A legislação trabalhista brasileira, de base paternalista, é muito rígida e atrapalha arranjos deste tipo, nos quais o capital humano assume parte do risco com o empresário, mas também parte do regalo. Para isso, precisa-se unir sindicatos e empresários para encontrar caminhos como este com interesses comuns. Cada chefia deve procurar atender, na sua equipe, às “necessidades básicas” sociais, de ego ou estima e de auto-realização: • Promovendo o trabalho em grupo de várias maneiras, inclusive utilizando os cinco S e CCQ; • Promovendo eventos nos quais as pessoas possam mostrar suas realizações. Elogiando as boas realizações; • Promovendo desafios para o grupo (problemas para serem solucionados). Isto conduzirá o 97 grupo à auto-realização; • Promovendo a aprendizagem e aperfeiçoamento contínuo; • Discutindo com todo seu grupo uma “visão de futuro”. Para Chiavenato (1997) muitos empresários no mundo ocidental admiram o sucesso japonês e arrumam as mais variadas “explicações” para este fenômeno. No entanto, recusamse a acreditar naquilo que está na base de tudo, que é a emoção humana associado a métodos e técnicas dominados através da aprendizagem e aperfeiçoamento profissional. É preciso observar que o salário é o meio para se satisfazer somente às necessidades fisiológicas. No entanto, para manter o moral elevado é necessário satisfazer todas as necessidades simultaneamente. Marie McHugh, salienta a importância do diálogo para informar o capital humano de todas as mudanças propostas pelas organizações, como forma de diminuir a tensão e o stress, que prejudica enormemente o desenvolvimento e produtividade. Managing large-scale change also requires all of those effecting change, and those affected by the change, to engage in adequate communication through dialogue in order to clarify pertinent issues. Such communication is an essential component of the change process which permits both parties to exchange views, and thus alleviate any areas of uncertainty. The reported absence of feedback and the lack of opportunity to participate in decision making within the organization referred to within this paper, allied to the role of government in The stress factor the change process, would seem to suggest that organizational change is often imposed without any such communication or dialogue taking place. As a consequence it is likely that many employees are unsure of exactly how they will be affected, and they feel powerless to take any action to prevent the change from taking place. The provision of information through dialogue, although a necessary step in managing change is in itself insufficient; it is equally important to engage in adequate and realistic time planning for the process and to focus on the skills required by those who are at the core of the change process. These issues should be addressed through the dialogue process. Furthermore, it is essential that staff acquire and develop sufficient professional and administrative skills which are likely to instil a feeling of inner confidence which may alleviate some underlying stressors. (MCHUGH, 1997, p.358-359) Como já foi dito, o conceito de crescimento do ser humano está baseado na intenção de que as pessoas devem fazer sempre serviço de valor agregado cada vez mais alto. Maior valor agregado para as pessoas significa trabalho no qual se escreve, fala, ordena, mostra e instrui, ao invés de mover, copiar, seguir e obedecer. Crescimento do ser humano significa utilizar cada vez mais a mente do indivíduo e não somente a força braçal. Para isso, o 98 indivíduo deve ser preparado durante toda a sua vida. Numa empresa voltada para o “melhoramento contínuo”, o capital humano é sempre desafiado a utilizar sua mente, ninguém fica ocioso. É interessante observar que nas empresas japonesas existe um esforço contínuo de “reduzir a necessidade de mão-de-obra”, não de “reduzir pessoas”. Existe sempre trabalho criativo de melhoria contínua no qual as mentes podem ser utilizadas. Continuous improvement is a process that involves everyone, employees and managers alike. It is a process that involves the ongoing rearranging and redesigning of elements of the organization; it requires the continuous rethinking of the patterns that connect and relate different elements of the organization and connect them with the environment; it is a process that bundles together data collection, interpretation, research, experimentation and diffusion; and it involves the individual, the team and the total organization. As such, continuous improvement seeks to develop new cognitive frameworks, interpretive schemes and actions on ongoing bases”. (MITKI; SHANI ; MEIRI, 1997, p.427) A ação do capital humano na produção da qualidade tem sido fundamental e provavelmente continuará sendo assim. Ainda que possam ser empregados recursos de automação, para a organização do sistema e o desenvolvimento e a utilização de dispositivos que visem operar procedimentos nas linhas de produção, sempre será necessária a presença do elemento humano para gerenciar o processo, para criar novas formas de executar as atividades básicas de produção, para proceder ajustes que as máquinas não conseguem por si próprias. Nenhum outro elemento do processo produtivo tem uma contribuição tão relevante para oferecer como o homem – como, da mesma forma, não existe nenhum elemento tão complexo quanto ele. Pode-se, mesmo, afirmar que o elemento humano é o recurso que exige o maior investimento – mas também determina o maior retorno, em termos de contribuição para a produção da qualidade. A ação do capital humano é fator determinante para a produção da qualidade. Representa a mais relevante contribuição possível para tal fim. Por esta importância tem sido conferido ao efetivo envolvimento do capital humano na produção da qualidade significativa parcela de todos esforços desenvolvidos neste âmbito. Em geral, o que se pretende são alterações conceituais quanto à qualidade, que se reflitam nos padrões comportamentais e, assim obter garantia real de que o capital humano da empresa está realmente imbuído do propósito de empenhar-se na busca de níveis cada vez melhores da qualidade. Em respeito ao modelo básico da qualidade total, é evidente a necessidade de se tratar a questão dos recursos humanos em um ambiente abrangente, que contemple os diversos elementos que têm poder de influenciar a questão e, determinar reflexos práticos relevantes 99 para o alcance da meta da qualidade que a empresa se propõe. Para produzir qualidade, o elemento humano na empresa deve: 1) Saber o que fazer, 2) Ter com o que fazer, 3) Ter uma área de trabalho adequada, 4) Querer fazer, 5) Saber fazer. A produção da qualidade, assim, depende de cinco fatores básicos: 1) Objetivos, 2) Recursos, 3) Ambiente, 4) Motivação, 5) Competência. Estes elementos são fundamentais, embora, eventualmente, outros possam ser sugeridos - como confiança mútua ou respeito recíproco (entre subordinados e gerentes, por exemplo). Contudo, esta investigação focaliza a contribuição da motivação na educação continuada à distância (ECAD) como essencial ao processo de aprendizagem do capital humano da empresa. As técnicas de incentivo que buscam os motivos para o aprendiz se tornar motivado, proporcionam uma aula mais efetiva por parte do instrutor, pois ensinar está relacionado à comunicação. No entanto, o ato de ensinar efetivamente está na capacidade do aprendiz decodificar a mensagem que foi recebida. O ensino só tem sentido quando implica na aprendizagem. E conhecer como o instrutor ensina é importante para o ato pedagógico se 100 desenvolver, contudo, entender como o aprendiz aprende é fundamental. Somente assim o processo de aprendizagem poderá acontecer e o aprendiz conseguirá aprender a pensar, a sentir, a agir. Na educação continuada à distância, as fontes de incentivo devem ser uma constante, onde se pressupõe o uso da mídia e estando os aprendizes e instrutores distantes uns dos outros. As interações são possíveis, não somente porque elas permitem o acesso ao aprendiz para receber a informação, mas também porque proporcionam a participação nas demais interações. A motivação pode então estar nas perspectivas do modelo proposto por Hoffman e Mackin apud Rodrigues (1998), onde consideram quatro tipos de interações na educação continuada à distância: aprendiz / interface; aprendiz / conteúdo; aprendiz / instrutor; aprendiz / aprendiz. Na interação aprendiz / interface, a tecnologia deve ser transparente e amigável para o aprendiz. Na interação aprendiz / conteúdo, este deve ser capaz de estimular a percepção e a cognição do aprendiz, como também de ser possível prender a atenção do aprendiz por longos períodos. Na interação aprendiz / instrutor, o segundo deve ter a capacidade de manter o interesse, motivando o primeiro ao ensino pela descoberta e apresentar muitas oportunidades de aprendizado. As interações aprendiz / aprendiz incentivam muito a participação e discussão, possibilitando, através da informação recebida, a construção de novos conhecimentos aplicáveis ao cotidiano das pessoas e da sociedade. Nesta seção, verificou-se a importância da motivação no processo aprendizagem e algumas técnicas incentivadoras que favorecem o ato pedagógico; como também mostrou que a motivação é fundamental na educação continuada à distância. As interações aprendiz / interface; aprendiz / conteúdo; aprendiz / instrutor; aprendiz / aprendiz que ocorrem na educação continuada à distância podem ter ricas fontes de incentivo e assim proporcionar a motivação para aprender. No próximo tópico, apresentar-se-á uma classificação das tecnologias disponíveis para a educação continuada à distância, a partir dos pressupostos teóricos associados à utilização das mesmas. 2.4.5 Síntese dos modelos de tecnologia e aprendizagem para a educação continuada à distância 101 O desenvolvimento dos computadores e das comunicações possibilita diferentes abordagens pedagógicas, em síntese, permitindo a aprendizagem centrada no instrutor (Instrutor Centered), centrada no aprendiz (Learner-Centered) ou centrada na equipe (Learning Team Centered). Inicialmente, o estudo busca relacionar esses modelos instrucionais, com os objetivos de aprendizagem. Tais objetivos foram classificados em três amplas categorias, segundo o tipo de resultado desejado: • Transferência de informação; • Aquisição de habilidades; • Mudança de modelo mental.28 O modelo de aprendizagem baseado no instrutor é mais freqüentemente usado quando o objetivo é a transferência de informação. Em termos de aprendizagem, o objetivo de receber informação é adquiri-la e memorizá-la, mais do que interpretá-la ou processá-la. Do ponto de vista da aprendizagem, o modelo centrado no instrutor assume que o especialista controla o material e o ritmo de aprendizagem enquanto transmite conhecimentos aos aprendizes. A maioria das aulas expositivas, cursos de correspondência e aprendizagem em livro-texto segue essa perspectiva. Por outro lado, o pressuposto pedagógico principal da abordagem centrada no aprendiz é que cada pessoa deve interpretar a informação, e não meramente recebê-la, de modo a criar um novo conhecimento. A mente não é somente uma ferramenta para reproduzir conhecimento, mas também um mecanismo para internalizar conhecimento através da observação e da experiência. Nessa abordagem, os aprendizes assimilam os conteúdos através da descoberta, enquanto determinam o ritmo da aprendizagem. Para facilitar o aprendizado, preparam os aprendizes e projetam experiências individuais, através das quais são desenvolvidas novas habilidades. Muitas simulações com computador e recursos presenciais mais participativos usam o modelo centrado no aprendiz. A abordagem de aprendizagem centrada na equipe cria um ambiente no qual o conhecimento emerge e é dividido através da colaboração dos indivíduos, dentro de grupos de aprendizagem. O pressuposto dessa abordagem é que mudanças em modelos mentais e 28 O estudo utiliza o conceito de Senge: “Modelos mentais são idéias profundamente arraigadas, generalizações, ou mesmo imagens que influenciam nosso modo de encarar o mundo e nossas atitudes”. (SENGE, 1990, p. 17) 102 comportamentos ocorrem com mais sucesso através de sua utilização. Na equipe de aprendizagem, o conhecimento prévio do aprendiz é explicitamente incorporado no processo com a criação de um novo conhecimento. Como exemplo dessa abordagem podem-se citar participativas, dinâmicas de grupo, método do caso, simulação etc. A aprendizagem centrada na equipe seria mais produtiva para a resolução de problemas de forma criativa e sua utilização é considerada ideal quando o objetivo da aprendizagem não é apenas uma mudança individual, mas uma mudança no comportamento do grupo ou da cultura organizacional. O papel do instrutor é facilitar ao máximo o comportamento da informação e do conhecimento entre os membros do grupo, e não o de controlar a distribuição e o ritmo da aprendizagem. De acordo com esse estudo, tal abordagem está sendo crescentemente adotada, mesmo quando o objetivo não é especificamente a criação de novo conhecimento. De acordo com Flynn (1992), ela se mostra mais adequada também quando o objetivo da aprendizagem é a transferência de informação ou aquisição de habilidades. Segundo Schlechter (1990), também citado nesse estudo, aprendizes aprendendo ativamente em grupos cooperativos têm demonstrado uma capacidade de gerar estratégias de raciocínio de mais alto nível, maior diversidade de idéias e respostas mais criativas, se comparadas com os resultados da aprendizagem individualizada ou que estimule a competição entre aprendizes. Posteriormente, o estudo busca relacionar as tecnologias existentes com os modelos instrucionais, tendo em vista os objetivos da aprendizagem. Ou seja, nessa abordagem, a escolha por uma determinada tecnologia depende do modelo instrucional a ser adotado, que por sua vez relaciona-se com os objetivos a serem alcançados. Para resumir todo contexto trabalhado até então e facilitar a análise comparativa entre as duas empresas, no tópico 4.3.5. será apresentada uma classificação das tecnologias utilizadas para aprendizagem, agrupando-as em três categorias (tecnologias distributivas, interativas e colaborativas) e relacionando cada um desses grupos com os objetivos de aprendizagem e os modelos instrucionais. a) As tecnologias distributivas As tecnologias distributivas freqüentemente dão suporte à abordagem centrada no instrutor, tendo por objetivo a transferência de informação. Incluem TV broadcast, áudio-tape e vídeo-tape, recursos que proporcionam a comunicação de um para muitos (one-to-many). A utilização desses meios em programas de educação continuada à distância exige que os aprendizes recebam a instrução em um tempo específico, embora permita que estejam em diferentes lugares. Em termos de modelo pedagógico, as tecnologias distributivas são 103 similares ao método tradicional de aula expositiva, em que o aprendiz assume uma postura mais passiva no processo de aprendizagem e aperfeiçoamento profissional. b) As tecnologias interativas As tecnologias interativas devem dar suporte à abordagem centrada no aprendiz, que tem por objetivo a aquisição de habilidades. São tecnologias com potencial para a personalização, interatividade e qualidade no ensino. Entre elas estão o TBC (Treinamento Baseado em Computador), as simulações e as tecnologias de multimídia, de hipertexto e de hipermídia. A utilização de TBC tem sido amplamente disseminada. Há basicamente dois tipos de enfoques quanto ao uso do computador na aprendizagem: o enfoque algorítmico e o enfoque heurístico (BEHAR, 1993). No primeiro, “a transmissão do conteúdo se faz em pequenos blocos estruturados, partindo, gradualmente, de um ponto inicial até um domínio total”. (BEHAR, 1993, p.47) O enfoque heurístico, por outro lado, tem como preocupação o desenvolvimento de habilidades como estratégias de solução de problemas. Essa abordagem propicia a aprendizagem por descoberta “... através da manipulação livre do sujeito no objeto da aprendizagem, e sob controle do próprio aprendiz”. (BEHAR, 1993, p.48) Segundo a autora “o ambiente com enfoque heurístico, se apresenta como mais condizente com as exigências da era da informação. Propicia aos aprendizes o desenvolvimento de habilidades de alto nível, para analisar e sintetizar a informação”. (BEHAR, 1993, p.48) Stahl apud Behar (1993) apresenta três modalidades de TBC – exercício e prática, tutoriais inteligentes. A primeira delas, sob um enfoque algorítmico, adota os sistemas de exercício e prática, voltados para a transmissão e assimilação de informação, visando a aquisição de habilidades específicas. Esses sistemas são os mais criticados por aqueles que defendem a aprendizagem por descoberta. Seus críticos denunciam a limitação da pedagogia com abordagem comportamentalista29 , considerando-a desnecessariamente cansativa. Behar (1993) analisa que esses sistemas podem ser usados em um ambiente de aprendizagem centrada no aprendiz, mas que é preciso um ambiente de exploração, com outros materiais disponíveis, com respeito ao ritmo do aprendiz. De acordo com a autora, embora essa modalidade seja mais baseada em objetivos pré-definidos, sem preocupar-se com 29 A psicologia comportamentalista ou behaviorismo têm exercido marcante influência na pedagogia contemporânea. Skinner (1904-1990), um de seus principais representantes, aperfeiçoou os estudos do condicionamento clássico do russo Pavlov (segundo essa teoria, a aprendizagem se faz quando associamos dois estímulos, sendo que um deles funciona como reforço de uma resposta) e, aplicando-os à aprendizagem humana, inventou a instrução programada, ou seja, a programação dos passos para se adquirir conhecimento. 104 os processos mentais envolvidos, o enfoque algorítmico propicia uma boa situação de aprendizagem e fixação, permitindo tornar o ensino mais fácil e mais rápido, especialmente para a fixação de conhecimentos, conteúdos e informações, com a memorização para automatizar habilidades de baixo nível. A segunda modalidade de TBC seriam os tutoriais. A diferença da modalidade exercícios e prática está em que o planejador, embora continue a deter o controle do processo, fornece alternativas e níveis de complexidade de acordo com a capacidade do aprendiz. O computador substitui o instrutor, mas de forma muito mais limitada, especialmente quando configurados da seguinte forma: Muitos programas tutoriais assemelham-se aos diálogos socráticos, em que o computador fornece alguma informação e faz uma série de perguntas possíveis. O aprendiz tecla na resposta, o computador fornece mais informação e apresenta outras questões. (BEHAR,1993, p.51) Behar (1993) mostra que mesmo tutorais limitados podem ser úteis, como para introduzir ou rever um tópico do estudo. Em geral, os autores concordam que os TBC permitem que o estudante progrida em seu próprio ritmo através dos exercícios requeridos e da auto-avaliação. De acordo com a autora, os tutoriais podem, sob certas circunstâncias, ensinar um conceito melhor que o instrutor, uma vez que são utilizados recursos de imagem, cores movimentos e sons, tornando úteis esses softwares de aprendizagem. Entretanto, os TBC são limitados, por não permitirem a interação com outros aprendizes ou com o instrutor. O aprendiz interage apenas com a tecnologia. Outra modalidade de TBC são os tutoriais inteligentes – Sistema Tutorial Inteligente (STI) ou Inteligente Computer Aided Instruction (ICAI). De acordo com Dede & Lewis (1995), são programas de computador que se utilizam das técnicas de inteligência artificial para o auxílio no aprendizado. Nos tutoriais inteligentes, o foco está na aprendizagem por descoberta, possuindo um módulo denominado sistema especialista, que tem a função de fonte do conhecimento a ser transmitido e serve como padrão para avaliar o aprendiz. Para Behar (1993), essa é uma modalidade de aprendizagem mais individualizada, uma vez que o programa procura identificar as estratégicas usadas e orientar o aprendiz a usar as que se mostrem mais eficientes. Os tutoriais se baseiam na idéia que a forma mais natural de aprender é no contexto do fazer. Essa recente geração de programas deverá incorporar conceitos novos sobre aquisição, representação e manipulação do conhecimento do especialista, contribuindo para a melhoria do ensino-aprendizagem. 105 As simulações também têm sido exploradas no processo de ensino aprendizagem. De acordo com Dede & Lewis (1995), são aplicações instrucionais com séries de simulação de modelos, tendo por base a noção de que a aprendizagem é resultado direto da experiência (filosofia comportamentalista). Permite ao aprendiz interagir com o modelo da realidade. A manipulação de modelos faz com que o aprendiz explore suas próprias respostas e a forma como são obtidas. De acordo com Behar (1993), as simulações mais dinâmicas têm um potencial interativo bastante rico, especialmente se proporcionarem uma abordagem mais intuitiva, permitindo uma visão global do funcionamento do sistema, com a interação de múltiplas variáveis. As simulações proporcionam o pensamento divergente30. Os jogos educacionais também estão enquadrados nessa categoria, por terem muitos pontos em comum com as simulações. Segundo a autora, essas são atividades de aprendizagem inovadoras, que proporcionam um ambiente de aprendizagem rico e complexo: Eles também proporcionam o exercício de solução de problemas que exige a aplicação de regras lógicas. O aprendiz aprende fatos, a fazer inferências e a testar hipóteses, a antecipar resultados, a planejar estratégias alternativas, e negociar com membros do grupo baseado no processamento da informação. Um jogo pode explorar fantasia, desafio, curiosidade e controle. Também pode oferecer oportunidades para o aprendiz desenvolver a lógica, raciocínio e habilidades de organização para resolver problemas interessantes.(BEHAR, 1993, p.55) Outras tecnologias que têm sido consideradas de alto potencial para a aprendizagem são hiper-tecnologias, como a multimídia e a hipermídia, uma vez que permitem a interação ativa do aprendiz com a informação durante a aprendizagem, possibilitando a individualização do processo. A multimídia refere-se aos diversos meios utilizados ao processo de transmissão, possibilitando a sua apresentação em múltiplas formas simultaneamente (texto, imagem, som, animações) e a interatividade do usuário com a tecnologia. As características da não linearidade do hipertexto associadas à interatividade da multimídia formam o conceito de hipermídia. Uma definição clara dessa fusão é elaborada por Hiratsuka (1996): Essencialmente, a hipermídia é a associação de nós de informação conectados uns aos outros por meio de links para forma redes de informação similar ao hipertexto, 30 Diferentemente do pensamento convergente, que permite ao aprendiz a aprendizagem instrucional, o pensamento divergente possibilita analisar, avaliar e transformar o que foi apreendido na aprendizagem instrucional. 106 acrescentando que os nós podem conter diferentes tipos de informações expressos por meio de diversos tipos de mídias: vídeo, áudio, animação, textos, gráficos... Ela integra as diversas formas de mídia numa rede de informação não seqüencial. (HIRATSUKA, 1996, p.21) De acordo com Lévy (1993), a dimensão reticular ou não linear do hipertexto e da multimídia interativa torna essas tecnologias particularmente adequadas aos usos educativos, permitindo uma pedagogia ativa, uma vez que favorece uma atitude exploratória e mesmo lúdica por parte do aprendiz, que se envolve ativamente no processo de aprendizagem. c) As tecnologias colaborativas De acordo com Behar (1993) as tecnologias colaborativas dão suporte à abordagem centrada na equipe, que tem por objetivo a mudança do modelo mental e comportamental. Permitem a interação não apenas de um indivíduo com a tecnologia, mas entre indivíduos, com comunicação interpessoal entre sujeitos que compartilham um objetivo comum. As interações podem ser facilitadas por um instrutor. Essas tecnologias incluem o uso de grupos de chats e bulletin boards31 sendo os primeiros utilizados em tempo real, exigindo aprendizes e instrutores conectados ao mesmo tempo. A tecnologia de vídeo-conferência multiponto pode ser usada para criar uma sala de aula virtual, abrangendo distâncias geográficas, sendo considerada uma tecnologia colaborativa. Exige, porém, interação simultânea, sendo por vezes limitada no suporte às necessidades de aprendizagem colaborativa, não permitindo ao instrutor dar o apoio mais efetivo à abordagem de aprendizagem centrada na equipe. Recentes tecnologias em que a cooperação virtual auxilia o processo de ensino aprendizagem têm sido colocadas no mercado. Essas ferramentas agregam recursos que permitem interação síncrona ou assíncrona, integrando as aprendizagens centradas no instrutor, no aprendiz e no grupo. Contudo, estas novidades não fazem parte do contexto das duas empresas pesquisadas, por isso, não serão consideradas adiante. 31 Chats são espaços virtuais em redes de comunicação voltados para troca de informações, idéias e experiências em tempo real. Bulletin boards: tecnologia anterior aos chats, utilizada para troca de informações assíncronas. 107 3 METODOLOGIA 3.1 PROCEDIMENTOS GERAIS DA PESQUISA Busca-se aprofundar o tema tratado através de uma pesquisa de campo. De acordo com Neto (1994, p.51), o trabalho de campo “se apresenta como uma possibilidade de conseguirmos não só uma aproximação com aquilo que desejamos conhecer e estudar, mas também de criar um conhecimento, partindo da realidade presente no campo”. O objetivo principal da pesquisa de campo foi o de identificar, caracterizar e analisar as práticas de aperfeiçoamento baseadas nas novas tecnologias, especialmente na educação continuada à distância. Buscou-se mostrar a experiência de educação não presencial nas empresas em seus aspectos qualitativos, tais como os objetivos dos programas, a forma de implementação, tendo como eixo de orientação analítica o referencial teórico construído na revisão da literatura. Tendo por objetivo estudar a adoção das novas tecnologias no aperfeiçoamento do capital humano e a percepção por parte das empresas, optou-se pela realização de uma pesquisa descritiva de caráter qualitativa, por meio de estudo de caso. A escolha dessa categoria/tipo de pesquisa deve-se ao fato de estar tratando de um fenômeno recente e desse tipo de abordagem possibilitar a análise e a consideração dos múltiplos aspectos envolvidos no fato estudado. A estratégia principal de pesquisa será o estudo de caso. Meredith (1998) diz que a construção de teorias, no campo da Gestão de Operações, deve se basear principalmente no conhecimento qualitativo. Barnes (2001), assim como Voss, Tsikriktsis e Frohlich (2002), apontam o estudo de caso como uma importante e eficaz estratégia de pesquisa para temas que envolvem a Gestão de Operações. O estudo de caso é uma estratégia de pesquisa que tem por foco o entendimento da dinâmica presente num ambiente (pode ser uma empresa, uma parte dela, etc.) (EISENHARDT, 1989). O estudo de caso (EC) é uma pesquisa empírica que (YIN, 1994): investiga um fenômeno contemporâneo dentro do seu contexto real; quando os limites entre fenômeno e o contexto não são claramente percebidos; e em que múltiplas fontes de evidência são utilizadas. Ainda, “um estudo de caso é uma história de um fenômeno passado ou presente, 108 obtida a partir de múltiplas fontes de evidência. Ele pode incluir dados a partir de observação direta e entrevistas sistemáticas, assim como de arquivos públicos e privados. Na verdade, qualquer fato relevante para a obtenção de eventos que descrevem o fenômeno é um dado potencial em um estudo de caso, uma vez que o contexto é importante” (LEONARDBARTON, 1990). Sendo um método qualitativo, o estudo de caso tem uma aplicação em pesquisas em que se tem um foco maior na compreensão do que na mensuração do fenômeno investigado. Yin (1994) coloca que o EC é uma estratégia de pesquisa adequada quando a forma da pergunta de pesquisa é do tipo ‘por quê’ e ‘como’, além de que o fenômeno estudado não requer controle sobre o comportamento dos eventos e os fenômenos são contemporâneos. Em trabalhos mais recentes, Barnes (2001), assim como Voss, Sikriktsis e Frohlich (2002), apresentam o estudo de caso como uma das principais estratégias a ser empregada na área de gestão de operações, particularmente no estudo de estratégias de operações. Para proporcionar melhor entendimento sobre as atividades da pesquisa, segue abaixo uma figura adaptada das fases do processo de pesquisa (BRYMAN,1989) Teoria Problemas/questões Observação e coleta de dados Análise dos dados Conclusões Figura 2 - Fases de processo de pesquisa Fonte: Adaptado de Bryman,1989 3.2 ESCOLHA DAS EMPRESAS Procurou-se identificar empresas que estivessem envolvidas em experiências de educação continuada à distância a partir das menções feitas na literatura especializada e, de forma suplementar, através de contato telefônico com 10 empresas grandes usuárias de informática, pois, presumiu-se que a existência de uma boa infra-estrutura nessa área poderia significar melhor utilização desses recursos na implantação de novas tecnologias de 109 aperfeiçoamento. Nesses contatos, entretanto, observou-se que, embora tais empresas contem com uma boa infra-estrutura tecnológica, a adoção dos mais avançados recursos oferecidos por elas às áreas de aperfeiçoamento encontra-se ainda, geralmente, em estágio inicial, com iniciativas isoladas ou ainda em estudo. Aparentemente, portanto, a pista inicial não se confirmou, ou seja, não existe ainda correlação entre uma empresa ser uma grande usuária de tecnologia e estar adotando novas tecnologias no ambiente de aperfeiçoamento. Assim, foram selecionadas duas empresas – uma nacional e outra multinacional – como campo de pesquisa, uma vez que ambas possuem grande experiência na adoção de recursos tecnológicos em suas áreas de aperfeiçoamento e processo de aprendizagem à distância suficientemente avançados. Por outro lado são empresas que mantêm em sua estrutura organizacional áreas específicas para capacitação de seu capital humano e, reconhecidamente, preocupam-se com a formação de seus recursos humanos, além de serem consideradas líderes nos mercados em que atuam.32 3.3 DELIMITAÇÃO ESPACIAL E TEMPORAL Os objetos de estudo se restringiram a sede e ao setor de recursos humanos das duas empresas, a primeira sendo empresa nacional e a segunda multinacional, ambas atuantes no mercado brasileiro. Os objetos começaram a ser pesquisados desde 2002, quando teve início o processo de construção do Projeto de Mestrado. Sendo intensificado todas as leituras e constantes visitações durante todo ano de 2003. Onde foram efetuadas visitas de reconhecimento, de contatos com os responsáveis pelo setor de recursos humanos, de contatos com profissionais que realizaram algum tipo de aprendizagem por meio da educação continuada à distância, de estudo a documentação interna. 32 Ressaltamos que isso não significa que outras empresas não estejam no mesmo patamar de inovações das duas selecionadas, uma vez que a escolha das mesmas se deu também em decorrência da receptividade que demonstraram em contribuir para o estudo proposto. 110 3.4 COLETA DE DADOS Numa investigação qualitativa, importa que o investigador se envolva nos objetos e acontecimentos de modo a avaliar o seu valor. Isto significa aperceber-se da razão pela qual foram construídos e da importância da sua informação potencial para o estudo a desenvolver. Frequentemente, os documentos são também utilizados como dados, quer como complemento das informações obtidas por outras técnicas, quer por revelar aspectos novos de um problema. O uso de documentos representa ainda uma fonte natural de informação, e uma das maiores vantagens da análise documental é a estabilidade. Ela é a fonte objetiva de coleta de dados. Assim, os dados para a composição da Revisão da Literatura foram obtidos por meio de pesquisa intensiva em livros, revistas, periódicos, dissertações, artigos e sites. Os dados referentes as duas empresas foram conseguidos através da observação in loco, análise das informações e documentos, e também através de entrevistas sem pré elaboração de questões, com os gestores de treinamento e desenvolvimento nas organizações estudadas. Outra fonte imprescindível foram os sites das referidas empresas. É importante ressaltar, que o pesquisador utilizou-se, igualmente, de sua experiência em consultoria em diversas organizações No que respeita à consolidação do quadro metodológico e, invocando a versatilidade do estudo foi a intenção conjugar diversas técnicas de investigação: a) técnica documental, que permite uma aproximação intensiva privilegiando a análise dos principais documentos orientadores do processo de aprendizagem adequado a educação continuada à distância e, a respeito do investimento das empresas na capacitação de seu capital humano; b) técnica observacional, que utiliza os sentidos na obtenção de determinados aspectos da realidade. Não consiste apenas em ver e ouvir, mas também examinar fatos ou fenômenos que se deseja estudar. 3.5 TRATAMENTO DOS DADOS Foi elaborado um catálogo para ordenar e classificar sistematicamente o material a ser utilizado, tais como: livros, documentos, revistas, periódicos, relatórios, artigos, sites e informações intranet preparando para realização de uma leitura seletiva, no intuito de eliminar 111 o material bibliográfico não pertinente aos propósitos da pesquisa. Com o material selecionado, passou-se à leitura analítica e interpretativa, ordenando e sumariando as informações contidas nas fontes, de forma que possibilitasse a obtenção de resposta aos problemas da pesquisa. Ou seja, primeiramente se reuniu toda as fontes conseguidas durante o processo de pesquisa, depois, passou-se à organização por assunto. Dando assim, subsídios para iniciar o processo de identificação, análise e comparação do aperfeiçoamento do capital humano por meio da educação continuada à distância. Valendo lembrar, que a análise comparativa foi estabelecida em cima dos referenciais teóricos advindos da Revisão da Literatura e também, por meio dos referenciais de competência, gestão, aperfeiçoamento e tecnologia fornecidos pelas duas empresas. 3.6 LIMITAÇÕES DA PESQUISA O objetivo primordial desta Dissertação é identificar, analisar e caracterizar a educação continuada à distância sendo utilizada como processo de aprendizagem no aperfeiçoamento do capital humano de duas empresas atuantes no mercado brasileiro. Este objetivo foi atingido, mas para atingi-lo houveram algumas limitações como a impossibilidade de acesso a informações e documentos, que eram considerados sigilosos. Também não foi possível o acesso aos resultados do aperfeiçoamento das pessoas através da educação continuada à distância. Segundo os responsáveis por estas informações, a divulgação identificaria pontos falhos, que já estão em processo de ajustamento e que prejudicariam a imagem de determinado setor. Segundo os responsáveis estas informações são acompanhadas de laudos sobre a aplicação do profissional no aperfeiçoamento à distância, sua capacidade, seus limites, perspectivas da empresa etc, tornando inviável a retirada destas informações de cada capacitando. Contudo, ambas as empresas se colocaram à disposição futuramente em abrir estas informações estratégicas, de maneira que não comprometam a imagem do setor e nem do profissional. Devemos citar também que existem limitações inerentes a metodologia utilizada (estudo de caso) e ao pequeno números de casos estudados. Vale lembrar, que os responsáveis pelo setor de recursos humanos de ambas empresas foram extremamente cordiais, contudo, não apresentaram disponibilidade para 112 esclarecimentos demorados, por causa de suas atividades diárias e constantes solicitações. Outro ponto a acrescentar foi que os responsáveis pelo setor de recursos humanos não forneceram suas respectivas identificações, alegando motivos pessoais [pelo que podemos observar, temiam serem responsáveis por alguma informação comprometedora]. 113 4 ESTUDO DE CASO: EMPRESA NACIONAL E EMPRESA MULTINACIONAL O objetivo da pesquisa realizada nas empresas é identificar e caracterizar a adoção das novas tecnologias no aperfeiçoamento das pessoas. Com base nos estudos selecionados, pretende-se compreender a abordagem que as empresas estudadas têm sobre as soluções para preparar seu capital humano para um mercado que valoriza o conhecimento. Para tal, verificou-se em primeiro lugar as tecnologias em uso nos projetos de educação continuada à distância e a percepção por parte das empresas pesquisadas quanto às vantagens de sua utilização, as dificuldades de sua implementação. Em seguida, analisou-se em que medida a alternativa aberta pela confluência entre informação, educação e tecnologia está sendo explorada nos ambientes dessas empresas e se as iniciativas detectadas estão vinculadas às novas demandas profissionais. Procurou-se verificar também se a implementação de tal alternativa tem permitido ultrapassar a perspectiva da utilização de tecnologia como suporte à transferência passiva da informação, ou se caminha em direção a uma perspectiva de utilização da tecnologia em um processo ativo de absorção/ construção de conhecimento. Sendo importante deixar determinado, que ao longo do estudo de caso, que o nível que está sendo estudado o aperfeiçoamento do capital humano através da educação continuada à distância é o estratégico, pois as decisões se dão nos altos escalões da empresa e geram atos cujos efeitos são duradouros. Emanam do planejamento a longo prazo da empresa, conhecido como Planejamento Estratégico. Com relação aos níveis hierárquicos, no nível estratégico estão o presidente, os diretores, sócios da empresa, chamados de alta administração. O nível estratégico de influência considera a estrutura organizacional de toda a empresa e a melhor interação desta com o ambiente. Neste caso o nível da informação é macro, contemplando a empresa como um todo, ou seja, meio ambiente interno e/ ou externo. A estratégia é uma combinação dos fins (objetivos) que a empresa busca e dos meios (políticas) a serem acionados para atingi-los. A definição das políticas deve atuar como uma “mão invisível” que guia as pessoas e as relações dentro da organização, de forma que possam trabalhar para realizar os objetivos organizacionais, dando origem a orientações de longo prazo. O objetivo deve ser articulado a estratégias elaboradas considerando a empresa com relação às forças competitivas, que a afetam e ao conjunto de suas competências. O desenvolvimento da estratégia empresarial - e a implementação - é um processo cíclico contínuo de: formular estratégias; comunicar estas estratégias por toda a organização; 114 desenvolver e pôr em prática táticas para implementar as estratégias; desenvolver e implementar controles para monitorar as etapas da implementação e execução das estratégias formuladas e construir cenários visando proporcionar subsídios para a reformulação das estratégias. Os deslocamentos competitivos estão ocorrendo, de forma acelerada, e em tempos mais curtos, que aqueles observados anteriormente. Ele considera que a incorporação do conceito de estratégia concorrencial — estratégia competitiva voltada para a competitividade empresarial — é um fenômeno relativamente recente, no entanto, pode ter um impacto tão profundo na produtividade das empresas quanto a Revolução Industrial teve na produtividade individual. (HENDERSON, 1998) 4.1 EMPRESA MULTINACIONAL Contando com 6.700 funcionários, quatro fábricas, um Centro de Desenvolvimento de Sistema e 53 pontos em todo o país, a EMC do Brasil33 é a terceira maior filial no mundo34. Criada em 1965, a empresa atuava apenas na importação de equipamentos, abrindo, a partir de 1967 filiais em todo o Brasil. Em 1971, foi fundada sua primeira fábrica, hoje chamada EMC do Nordeste, que produz componentes para os equipamentos fabricados, suprindo o mercado brasileiro e exportando para a América Latina e o Caribe. Em 1973, foi inaugurada a segunda fábrica, em Resende (RJ), e em 1988 a terceira e a quarta, uma em Manaus e outra em Vitória. Esta última, a JDW-Vitória empresa, exporta seus produtos desde 1991. Em 1990 foi inaugurado o Centro de Desenvolvimento de Sistema de Vitória, tendo por objetivos produzir programas aplicativos especiais para serem utilizados pelos clientes usuários das impressoras eletrônicas, no Brasil e no exterior. Conhecida mundialmente como EMC, a empresa adota desde 1991 o nome EMC do Brasil - Documentos. A criação desse novo conceito, segundo a empresa, deu-se em função da busca de uma definição mais precisa da dimensão e características da mesma, uma vez que pretende oferecer soluções que atendam todas as necessidades do cliente no processamento de documentos, englobando a criação, edição, impressão, reprodução, transmissão, acabamento, distribuição, arquivamento e recuperação do documento. Diferentes equipamentos são 33 34 Optamos pela utilização de nome fictício para preservar a identidade da empresa. A empresa atua em aproximadamente 100 países. 115 produzidos na empresa como copiadoras e duplicadoras, impressoras pessoais com diversas velocidades, fac-símiles a laser ou , copiadoras e plotters para engenharia, scanners para digitalização, produtos digitalizados e softwares (fontes, imagens e logotipos personalizados) e produtos de pré e pós- processamento. (EMC do Brasil, 2003) Conforme informações obtidas em sua home-page na internet, a empresa desenvolveu a partir da Corporation35, em 1984, a “Estratégia de Liderança Através da Qualidade”, e seus princípios foram adotados em todas as suas unidades, tendo sido atribuído, a todo o capital humano, o compromisso com os clientes, visando o suprimento de produtos e serviços inovadores que os satisfaçam. De acordo com a empresa, o princípio básico de seus negócios é a qualidade36 definindo a satisfação dos clientes como o objetivo prioritário, seguido pela satisfação do capital humano, e posteriormente pelo desempenho financeiro e pela participação no mercado. 4.1.1 A gestão dos recursos humanos De acordo com informações veiculadas na revista T & D (NEVES, 1997), em entrevista concedida pelo seu presidente, a empresa adota um modelo de gestão de negócios em que as pessoas são consideradas o cerne para o sucesso da empresa, influenciando o seu desempenho. Na afirmação do presidente, a área de Recursos Humanos é considerada chave para a formulação estratégica da empresa, e a política de gerenciamento de Recursos Humanos, embora os seus princípios básicos sejam os mesmos em todo o mundo, sofre adaptações em sua implementação, respeitando a cultura de cada país. Considerando a concorrência do mercado pelos melhores talentos, ainda segundo o presidente da filial brasileira, a empresa tem por objetivo colocar-se na liderança também no que se refere à gestão de pessoal. Tendo em vista a competição global e a acelerada mudança tecnológica, a empresa entende que seu maior desafio, no que se refere ao gerenciamento de recursos humanos, é o aperfeiçoamento do capital humano. A motivação e o comprometimento de sua 35 Matriz sediada nos Estados Unidos. A EMC do Brasil aplica o Programa de Qualidade Total desde 1984, tendo recebido o Prêmio Nacional da Qualidade em 1993. A empresa foi a primeira empresa do Brasil a receber o certificado ISO 9002 da BSI Quality Assurance (British Standards Institute, da Inglaterra). Em 1990 as fábricas de Resende e Manaus foram certificadas também pela norma ISO 9002, e em 1993 a EMC do Nordeste também recebeu a certificação. 36 116 força de trabalho37 são vistos como fatores decisivos para os resultados da empresa. Entendese que essa só terá sucesso por meio de uma relação de parceira com seu capital humano. De acordo com informações registradas em site na internet, a empresa tem, nessa relação de parceira, os seguintes princípios: • Manter o relacionamento capital humano - empresa fundamentada no alcance dos objetivos dos negócios e dos objetivos de vida profissional de cada um; • Ter mesma visão de futuro, com o compartilhamento de valores e princípios; • Adotar a ética, o respeito, a responsabilidade e a confiança na relação capital humano empresa; • Utilizar ao máximo os talentos na busca da qualidade e da produtividade, com recompensas de acordo com os resultados; • Buscar o desenvolvimento de competências profissionais visando uma relação duradoura. Conforme documento on-line mencionado, a empresa prioriza a manutenção de um quadro de pessoal constituído por profissionais com um perfil específico. Espera-se que esses profissionais se identifiquem com a filosofia da empresa e que estejam preparados para contribuir em suas atividades, enfrentando as adversidades impostas pelas mudanças tecnológicas. Para tanto, se tem como referência os seguintes estilos de atuação: • Estar sintonizado com o mercado; • Buscar sempre os melhores resultados; • Agir com rapidez e senso de oportunidade; • Valorizar a relação direta com o cliente externo; 37 Segundo o presidente da empresa, a avaliação do grau de motivação e comprometimento do capital humano é feita periodicamente por meio de pesquisas sobre o tema. Os resultados dessas pesquisas servem de orientação para os planos de melhorias requeridas. (NEVES, 1997) 117 • Trabalhar em equipe; • Compartilhar o poder de decisão; • Ter uma comunicação aberta e honesta; • Promover contínua aprendizagem organizacional. 4.1.2 Gestão de competências A preocupação com a capacitação do capital humano é abordada na perspectiva de desenvolvimento de competências. A gestão do desenvolvimento de competências está formalmente registrada em documento interno da empresa como um objetivo estratégico da mesma, visando estimular todo capital humano a atingir o perfil profissional requerido pelos desafios atuais e futuros do negócio, que geram a necessidade de se adquirir novas habilidades e conhecimentos. No que se refere às competências a serem desenvolvidas, a empresa tem perfis profissionais que são bem delineados, entre eles: o Perfil do Gerente EMC e o Perfil do Capital Humano da EMC (que não tem uma função gerencial), envolvendo habilidades, conhecimentos e atitudes. No perfil do Gerente EMC estão elencadas as competências que qualquer gerente deve possuir para ter um bom desempenho em suas funções, tendo como meta desenvolvê-las ao longo de sua carreira. As competências a serem desenvolvidas estão distribuídas em quatro grupos: liderança estratégica, liderança organizacional, auto-gestão e gestão dos outros e base de conhecimento, incluindo habilidades como: agilidade para novas aprendizagens, capacidade de desenvolver o talento organizacional, delegação e empowerment, direcionamento para resultados de negócio, uso da liderança através da qualidade. Igualmente, são definidas seis competências relativas ao Perfil do Capital Humano da EMC, a serem desenvolvidas: orientação para resultados e oportunidades, identificação com a cultura da empresa, compromisso com a qualidade, maturidade e relacionamento interpessoal, inovação e agilidade para novas aprendizagens e conhecimento do negócio. Tendo em vista selecionar as necessidades de desenvolvimento individual, a empresa 118 efetua, anualmente, a avaliação de desempenho e análise do perfil do capital humano. Através de um questionário que abrange as competências de cada perfil, o capital humano tem a oportunidade de refletir sobre o grau de desenvolvimento em que se encontra em cada uma delas, formulando o seu Plano de Desenvolvimento. No entender da empresa, os meios necessários para o desenvolvimento das competências devem ser fornecidos pela organização, porém a responsabilidade pela aquisição das mesmas é tanto do capital humano como do gerente, em uma relação de parceria, uma vez que o desenvolvimento interessa a ambos. O gerente tem o papel de facilitador desse processo. A responsabilidade do gerente em desenvolver o talento organizacional passa pela identificação das necessidades de desenvolvimento de cada um de seus subordinados e de sua equipe, como um todo, fornecendo orientação e criando condições e oportunidades para o desenvolvimento de suas competências. 4.1.3 Educação continuada à distância na EMC do Brasil Os desafios impostos por ambiente em constante mudança geram a necessidade de atualização permanente do capital humano, exigindo também o acesso às informações de forma ágil e inovadora. Nesse contexto, a empresa destaca a educação continuada à distância, enquanto uma modalidade de aperfeiçoamento-aprendizagem que visa atender as demandas desse ambiente em constante evolução. Para a empresa, a vantagem da implementação da ECAD está em: aperfeiçoar, educar, informar e reciclar um grande número de pessoas, distribuídas em diferentes pontos; responder às demandas de uma grande clientela específica, que, por diferentes razões, não pode ou não compensa ser atendida através de encontros presenciais; responder à velocidade exigida para a permanente atualização dos conhecimentos. (EMC do Brasil, 2003) A adoção da educação continuada à distância na EMC do Brasil teve início na Corporation, nos Estados Unidos, pois nos últimos anos, uma grande quantidade de produtos foi lançada em diversas mídias, como material impresso e CD-ROM, necessitando assim, comunicar as demais filiais sobre as novidades e como informar os clientes sobre o uso e manutenção. No Brasil, as primeiras experiências com educação continuada à distância se deram 119 com técnicas de auto-instrução, utilizando material impresso e computador. Foram oferecidos, pelas diversas áreas de aperfeiçoamento, programas de formação e reciclagem. Em função dessas experiências e de seus resultados foram levantados quatro fatores considerados como críticos ao sucesso dessa modalidade de aperfeiçoamento-aprendizagem: • Motivação para o aprendizado/ auto-desenvolvimento; • Uso da tecnologia da informação; • Cultura interna; • Preparação gerencial. Na avaliação da empresa, alguns avanços já foram conquistados em termos de motivação para o auto-desenvolvimento e em termos do uso da tecnologia. A motivação para aprender foi um fator crítico trabalhado pela Estratégia de Desenvolvimento de Competências, que estimula um ambiente voltado para o auto-desenvolvimento. Quanto ao uso da tecnologia da informação, avalia-se que a sua evolução tem possibilitado uma maior facilidade para envio, transmissão, recebimento e monitoração das informações e dos conhecimentos. (EMC do Brasil, 2003) Os principais problemas detectados na experiência brasileira estão relacionados com a falta de embasamento cultural para tais práticas, pois quando se fala em pessoas, tem que ser gradativo. Algumas se adaptaram mais rápido, outras demoraram mais tempo. Quando você lida com aquelas que foram educadas no esquema de sala de aula, em que o professor diz o que é certo e errado, o ritmo pode é diferente. (EMC do Brasil, 2003) Desse modo, as questões consideradas mais críticas e que devem ser melhor trabalhadas relacionam-se com a cultura interna e com a preparação gerencial, visando, de um lado, o fortalecimento de uma concepção que valorize o “aprender a aprender”, e de outro, uma maior conscientização por parte dos gerentes de sua importância como “liderançaeducadora”. É preciso ter consciência de que não é uma mudança da noite para o dia, que um produto não vai resolver todos os problemas de aperfeiçoamento ou mudar a cultura. Estratégia de educação continuada à distância Com o objetivo de criar condições favoráveis à incorporação dessa modalidade de ensino-aprendizagem, foi elaborada, em 1997, a “Estratégia de Educação Continuada à 120 Distância”, aproveitando a experiência acumulada nessa área de conhecimento, tanto dentro quanto fora da empresa. A criação da “Estratégia de Educação Continuada à Distância” decorreu da necessidade de se estabelecer uma base conceitual dessa metodologia, com seus princípios e critérios básicos de aplicação, e de se estabelecer uma diretriz para todas as ações educacionais à distância das diversas áreas de aperfeiçoamento da empresa. A elaboração da “Estratégia de Educação Continuada à Distância” decorreu também da necessidade de impulsionar, agilizar e dar suporte ao processo de desenvolvimento de competências, conforme explicitado em documento interno: Utilizada no passado somente para treinamentos técnico-operacionais, a educação a distância sempre foi associada ao antigo rótulo de “instrução programada”, “ensino por correspondência’, ou ‘ensino tecnológico’. Hoje, é entendida e utilizada como mais uma solução educacional capaz de oferecer oportunidades para o autodesenvolvimento”.(EMC do Brasil, 2003) Base conceitual da estratégia de educação continuada à distância Tendo como premissas que a ECAD exige comunicação através de meios adequados, como foi visto na Revisão da Literatura, que a interatividade no processo de aprendizagem é fundamental e ainda, que essa modalidade de ensino-aprendizagem não é sinônimo de autodidatismo, uma vez que se baseia em um processo de aprendizagem sistemático e organizado, a “Estratégia de Educação Continuada à Distância”, em sua base conceitual, procura derrubar mitos associados à educação não presencial. Um dos principais mitos relacionados com a ECAD é a questão do isolamento e da distância. Frases do tipo ‘Agora vou ter que estudar sozinho’, Com a ECAD não teremos mais oportunidades de trocar informações com pessoas de outras áreas’ou ‘Não terei o facilitador presente para esclarecer dúvidas’, mostram resistência aos programas à distâncias.(EMC do Brasil, 2003) Na perspectiva da empresa, a ECAD não pressupõe isolamento e o estudo não é necessariamente individualizado. Pode, sempre que possível, ser realizado de forma coletiva. Apesar de não existir fisicamente a presença de um facilitador, a ECAD prevê formas de acompanhamento e suporte, tais como: tutoria, help-line, gabaritos, fontes de pesquisa adicional, bibliografias etc. Recursos tecnológicos e/ou encontros presenciais e/ou tutoria são mecanismos utilizados na realização da ECAD na empresa. Por outro lado, a empresa compreende que a educação continuada à distância é mais uma modalidade de aprendizagem, significando a manutenção da forma presencial e das outras opções e oportunidades de 121 aprendizagem viabilizadas por meio da troca de informações com pessoas de outras áreas que existem no dia-a-dia, como por exemplo, a participação em projetos, estágios etc. Outras expectativas a serem desmistificadas referem-se ao local e ao horário de estudo. A orientação é de que o estudo em casa seja uma opção do capital humano, ressaltando a importância de que esta não deve ser usada como única solução e nem que prejudique os momentos de descanso e lazer. Quanto ao local, orienta-se que cada situação seja negociada, uma vez que a melhor opção pode ser no próprio ambiente de trabalho ou, em algumas situações, em um ambiente mais adequado, e que tenha os recursos necessários (micro, tv, vídeo etc). No entender da empresa, a ECAD é a oportunidade de otimizar e distribuir mais adequadamente tempo e recursos. Desse modo, a noção de que não há tempo para fazer o aperfeiçoamento deve ser excluída, assim como a idéia de que o “chefe” não irá permitir. Conforme citado anteriormente, pelo princípio do desenvolvimento de competências, a responsabilidade por esse desenvolvimento é de ambos, do gerente e do capital humano. Por último, procura-se mostrar que a ECAD não se utiliza apenas de tecnologias sofisticadas, podendo ocorrer através de diferentes meios/ mídias, incluindo material impresso. Diretrizes e processo de implementação da ECAD Entende-se como fundamental a adequação dos inúmeros meios tecnológicos disponíveis para o alcance dos objetivos organizacionais. O planejamento desses programas deve considerar essa adequação, analisando a viabilidade dos recursos disponíveis ou a possibilidade de serem realizados investimentos. Por outro lado, a seleção do meio ou veículo a ser utilizado deve considerar também os princípios e conceitos básicos de três áreas de conhecimentos: educação, comunicação e tecnologia da informação. A tecnologia deve ser entendida como um meio. Deve se analisar esses meios e depois escolher aquele que mais favoreça a aprendizagem. É necessário ter uma estratégia de implementação, de acompanhamento dos resultados de cada programa. A estratégia de implementação da ECAD na empresa considera quatro fatores essenciais: 1) Ações para o auto desenvolvimentos de competências específicas: visa identificar os processos e ferramentas que favoreçam a atitude de “aprender a aprender”, com reforço contínuo dos conceitos de auto-desenvolvimento e liderança-educadora; 122 2) Plano de comunicação: tem por objetivo divulgar, esclarecer e sensibilizar o capital humano para esta nova forma de aprender. Nessa etapa, a atuação integrada das diversas áreas de aperfeiçoamento é considerada muito importante; 3) Critérios para o desenvolvimento de produtos: visa estabelecer roteiro para análise e tomada de decisão quanto ao desenvolvimento dos projetos. São definidos os critérios e alternativas para a seleção de produtos, exigindo também uma atuação integrada das diversas áreas de aperfeiçoamento. Alguns fatores devem ser considerados, como os resultados a serem alcançados (verificando se propiciam benefícios que justifiquem os seus custos), os processos envolvidos (como a motivação dos participantes, a necessidades de acompanhamento pelo instrutor e da interatividade entre os aprendizes), os recursos necessários (necessidades relativas ao hardware, ao tempo para desenvolvimento dos programas e os recursos humanos envolvidos - professores/ tutores/ monitores), o ambiente contextual e cultural; 4) Formas de acompanhamento/ suporte e monitoração: pretende estabelecer medidas de controle quanto ao acompanhamento e avaliação dos resultados da estratégia de ECAD. Nessa etapa é feita a avaliação da assimilação do conteúdo e avaliação dos resultados. Os indicadores de sucesso da estratégia, de acordo com o documento consultado incluem feedbacks recebidos dos gerentes, relação custo/ benefício e número de participantes. Não foi possível, contudo, obter mais dados sobre esses indicadores, uma vez que a empresa pesquisada não ofereceu os dados relativos ao seu controle. Tecnologias utilizadas nos programas de educação continuada à distância I. Aperfeiçoamento à distância por vídeo-treinamento Os aperfeiçoamentos das áreas de vendas utilizam muito a tecnologia de vídeo. O segmento comercial da empresa é composto de 53 filiais espalhadas pelo Brasil. Os aperfeiçoamentos dessas áreas são freqüentes, uma vez que a rápida obsolescência de produtos, às vezes com um ano de existência, acarreta o contínuo lançamento de novidades visando atingir esse grande contingente de vendedores dispersos geograficamente, a 123 tecnologia de vídeo tem sido muito utilizada. Além dos vídeos demonstrativos, o acesso às informações contidas na internet e a possibilidade de troca de informações entre os vendedores, faz com que esses se mantenham atualizados. O objetivo dos aperfeiçoamentos é passar as informações dos novos produtos, necessárias para a sua atuação no mercado através de um meio que cria um clima de realismo e proximidade, apesar de não permitir a interatividade. II - Aperfeiçoamento baseado em computador (TBC) Os programas do tipo TBC são utilizados na empresa, sendo considerados capazes de criar condições estimulantes à aprendizagem através da combinação de texto, som e imagem. Um exemplo de sucesso é o curso “Gestão por Fatos”, voltado para a qualidade. Esse curso foi desenvolvido nos EUA e veio para o Brasil na forma presencial em 1983. Em quatro anos, só foram atingidos 8% do público alvo. A solução veio com a educação continuada à distância com a metodologia de estudo de caso. O curso tem uma série de ferramentas que ensinam as pessoas a lidarem com informações numéricas e não numéricas, para tomarem decisões baseadas em fatos. O aprendiz tem de coletar dados de forma estatística para a tomada de decisão. Foi necessário um ano para o desenvolvimento desse TBC, tendo sido feita uma campanha de divulgação, com informações para o participante, definindo seus respectivos papéis no processo. No piloto desse programa, foram reunidos 3 ou 4 participantes por computador, que tiveram de trabalhar juntos, discutir e tomar decisões em comum. Sendo a avaliação da aprendizagem do próprio aprendiz. III – Aperfeiçoamento Baseado na intranet Algumas iniciativas para a utilização da intranet nos aperfeiçoamentos corporativos estão sendo desenvolvidas na empresa, e outras estão em fase de amadurecimento. Pretendese adotar nesses aperfeiçoamentos baseados na intranet, o modelo de aprendizagem com enfoque interacionista e construtiva, tendo como pressuposto pedagógico que o conhecimento é construído pelos aprendizes, numa ação partilhada, sustentando-se na colaboração e na troca de informações. De acordo com a empresa “hoje a educação continuada à distância se justifica como uma excelente alternativa para agilizar o processo de aquisição de conhecimentos, permitindo inclusive, o aprendizado em equipe”.(EMC do Brasil, 2003) A preocupação com os processos de aprendizagem tem sido enfatizada pela empresa 124 quando da implementação de seus programas de ECAD. Uma pesquisa sobre formas de aprendizagem do capital humano da empresa foi iniciada recentemente, sem resultados ainda conclusivos. A pesquisa pretende levantar as práticas correntes entre o capital humano na absorção de conhecimentos. Espera-se que seus resultados possibilitem, de forma geral, uma maior adequação das práticas educativas promovidas pela empresa às características de seu público e, de maneira específica, a delimitação das práticas de educação continuada à distância que lhe sejam mais apropriadas. 4.2 EMPRESA NACIONAL 4.2.1 Contexto da formação de recursos humanos Atuando no segmento petrolífero, com unidades espalhadas por todo o Brasil, e contando com aproximadamente quarenta mil funcionários, a empresa38 tem adotado, desde 1976, a educação continuada à distância, enquanto recurso para capacitação técnica e gerencial de seu capital humano. Criada em 1953, a empresa foi responsável pela execução das atividades da indústria petrolífera, exercendo, durante quatro décadas, o monopólio da União sobre a pesquisa, a exploração, produção, refino, comercialização e transporte de petróleo e de seus derivados no Brasil. De sua fundação até os dias de hoje, a empresa enfrentou diferentes desafios com a formação de pessoal, que foram se modificando com o percurso da empresa em seu processo de aprendizagem. A preocupação com o aperfeiçoamento de mão-de-obra voltada para o setor em que atua começou antes mesmo da constituição da empresa. O desafio nessa época era preparar profissionais brasileiros para a atividade da empresa. Diante da iminência da criação de uma empresa específica para o segmento, foi iniciado o processo de preparação de seu capital humano. Havia então a preocupação com a nacionalização da mão-de-obra e a conseqüente 38 conforme solicitação da organização o nome foi preservado. 125 necessidade de se absorver uma tecnologia que o Brasil não detinha. Até o final da década de 60, os relatórios da área de geologia, por exemplo, eram elaborados em português e inglês, pois a empresa contava com um grande número de técnicos estrangeiros. Em um segundo momento, o desafio com relação à capacitação do capital humano passou a ser o aperfeiçoamento e a especialização. Durante 40 anos a empresa foi única instituição atuando no segmento, não havendo outras empresas com os mesmos interesses. Portanto, a responsabilidade pela capacitação dos profissionais da área era da própria organização, que passou então a oferecer programas de aperfeiçoamento no âmbito corporativo, voltados não só para a formação. A década de 70 marca uma fase de grandes investimentos. Cursos de pós-graduação em Geologia e em Engenharia de Petróleo, entre outros, com a presença de professores estrangeiros visitantes, foram implementados e, com isso, formaram-se especialistas com avançados conhecimentos. Atualmente, a empresa conta com um capital humano com maturidade profissional, detentores de uma estrutura de competências consolidada. 4.2.2 As competências essenciais Sustentando-se na teoria das competências essenciais de Hamel & Prahalad (1995)39 foi iniciado há um ano e meio o Projeto “Atração e Geração de Competências”, definido no “Estratégico da Empresa” como projeto essencial. O Projeto “Atração e Geração de Competências” em curso na empresa visa identificar competências essenciais que a empresa possui, os mecanismos de desenvolvimento das mesmas, bem como a incorporação de novas competências, de modo a assegurar sua competição no mercado (vantagem competitiva)40. Esse trabalho envolve diversas áreas, entre elas, as áreas de exploração, o Centro de pesquisa, os serviços de Recursos Humanos. 39 Aqui a palavra competência refere-se não ao indivíduo, mas à competência organizacional. O conceito de liderança por core competences (competências essenciais) foi desenvolvido pelos autores, ao analisarem a competitividade das empresas sob o enfoque do futuro, visando o domínio de oportunidades e de novos espaços competitivos. Uma competência essencial seria um conjunto de habilidades e tecnologias que permite à empresa oferecer um determinado benefício aos clientes. De acordo com os autores, o conhecimento das atuais habilidades e competências e daqueles que deverão ser desenvolvidas para aumentar a participação nas oportunidades futuras torna-se fundamental. 40 Esse Projeto desdobrou-se em diversos projetos vinculados, como Gerência de Desempenho de Pessoal, Sistema de Reconhecimento e Recompensas, Estrutura Remuneratória, estando alguns em estágio mais avançado, enquanto os outros com metas para os próximos anos. 126 No atual estágio do Projeto, foram identificadas sete competências essenciais. O processo de identificação dessas competências não é fácil, na medida em que o conceito de competências não está relacionado com uma tecnologia específica, e sim com aquilo que seja percebido pelo cliente, fazendo com que a empresa se diferencie do concorrente, tornando-a competitiva. A maior competência identificada na empresa é a de geração de tecnologia. Ou seja, cabe à empresa apropriar-se de uma tecnologia, transformá-la rapidamente em um projeto e implementá-lo. Em termos de obsolescência tecnológica, não seria possível comparar a indústria do petróleo com a indústria de informática, por exemplo, em que a tecnologia renova-se com bastante rapidez, uma vez que há alguns procedimentos técnicos que se mantêm há anos (com apenas algumas mudanças em dispositivos de segurança, por exemplo). Entretanto, quando se trata de áreas em que há a liderança em tecnologia, o esforço para atingir cada meta, exige um volume enorme de conhecimentos.41 Para efetivar a geração de tecnologia, a empresa conta com dois órgãos de apoio, considerados fundamentais: o Centro de Pesquisa e o Serviço de Engenharia, responsável por colocar em prática os projetos da Companhia. O CPD, denominado, desde 1975, Centro de Pesquisa e Desenvolvimento é o coordenador institucional das tecnologias desenvolvidas e utilizadas na empresa.42 Por outro lado, o objetivo de ampliar a capacidade de inovação remete à questão fundamental de desenvolvimento das pessoas, tornando a área de recursos humanos essencial para o alcance dos objetivos empresariais. Os programas de educação empresarial na empresa visam a geração de competências individuais, que sejam consideradas como vantagem competitiva. Ou seja, os programas pretendem ampliar a formação e aperfeiçoamento profissional do técnico, sendo um investimento de longo prazo. O estudo e pesquisa de tecnologias que ainda não são utilizadas pela empresa torna possível ampliar a capacidade de inovação da Companhia, enfatizando o “por que fazer” 43 ao invés do “como fazer”. 41 Além disto, as mudanças tecnológicas da indústria do petróleo relacionam-se com o preço do mesmo. Se o preço do petróleo cresce, a velocidade das mudanças tecnológicas também aumenta, e vice-versa. 42 A empresa é uma das companhias que mais investem em pesquisa e desenvolvimento no mundo. Em 1992, 1% do faturamento bruto da empresa passou a ser destinado ao CPD, que conta com 137 laboratórios e 28 unidades-piloto, atuando nas seguintes áreas: pesquisa em exploração e produção, pesquisa industrial, engenharia básica, química analítica, comercialização de tecnologia e propriedade intelectual (marcas e patentes) e coordenações dos projetos estratégicos de cunho tecnológico da empresa. (CPD, 2003) 43 Aqui, o conceito de aperfeiçoamentos orientados para a geração de competências está sendo usado no sentido de diferenciá-lo do conceito de aperfeiçoamento voltado para o desenvolvimento de habilidades. Neste último enfoque, visa-se preparar o indivíduo para atuar em um determinado serviço ou produto, relacionando-se com a função ou posto de trabalho que o capital humano ocupa. 127 Os investimentos realizados e o tempo despendido na formação desses técnicos são elevados, havendo, desse modo, a preocupação com a retenção dessas competências. Essa preocupação decorre hoje da entrada de empresas estrangeiras no Brasil, que procuram recrutar mão-de-obra nacional. O Projeto “Atração e Geração de Competências” trata tanto dos mecanismos de atração como da retenção de competências adquiridas. 4.2.3 Gestão de pessoal No âmbito da Gestão de Pessoal, a empresa considera que o desenvolvimento tecnológico depende primordialmente do desenvolvido de recursos humanos, mantendo, desse modo, programas permanentes para a formação e aprimoramento de pessoal. Os aperfeiçoamentos da empresa estruturam-se em dois níveis: o nível corporativo e o nível setorial. Essa distinção deve-se ao fato de que os dois níveis têm tratamentos diversos dentro da empresa, e no caso da utilização da teoria para aperfeiçoamento, existem enfoques diferentes. No nível corporativo, agregam-se os projetos de aperfeiçoamento de interesse da empresa como um todo, reunindo os programas de informação, os programas de educação continuada e os aperfeiçoamentos considerados estratégicos. Os programas de formação, chamados cursos de formação, têm por objetivo manter um quadro do capital humano que tenha formação para as atividades que desempenharão na empresa, com a especialização na área de petróleo. Os programas de educação continuada permitem que, após passe pelos cursos de formação, o capital humano tenha assegurado a continuidade de seu desenvolvimento, de modo a consolidar sua trajetória profissional. O nível corporativo assume a responsabilidade por oferecer oportunidades de aperfeiçoamento para que o capital humano possa estruturar sua carreira. Os aperfeiçoamentos considerados estratégicos relacionam-se com as ações estratégicas da empresa. Em função da abertura do mercado, por exemplo, a empresa passou a orientar-se para realizar contratos de parceira. Portanto, o investimento em programas de aperfeiçoamento visando capacitar os gerentes e os negociadores nessa área passaram a ter uma orientação corporativa, pois foi decorrente de uma opção estratégica da empresa. No nível setorial, agrupam-se os aperfeiçoamentos que atendem à particularidade de 128 uma planta, de uma equipe, ou de um determinado processo. As unidades responsáveis pelos aperfeiçoamentos setoriais (em torno de quarenta), denominadas SETRE (Setor de Treinamento), têm por função viabilizar os aperfeiçoamentos da corporação e gerir as demandas setoriais. Possuem uma dotação orçamentária e uma pequena estrutura (com salas de aula, laboratórios, sala multi-meios etc), para realizar seus programas setoriais. Estão centralizados no nível corporativo, o planejamento, execução e controle dos programas de aperfeiçoamento. Três células são responsáveis pelo Desenvolvimento de Recursos Humanos (DRH) Corporativo: dois centros de execução, CEN-01 e CEN-02 ____ com programas de aperfeiçoamento para toda a companhia ___ e um órgão de gestão, DIDEN (Divisão de Desenvolvimento de Recursos Humanos) ___ responsável pelo planejamento, orientação, coordenação, cooperação com Universidades, controle de dotação orçamentária, controle de indicadores de aperfeiçoamento normatização da área de Recursos Humanos. Cada centro de execução responde por um conjunto de áreas de conhecimento, executando programas de âmbito corporativo, sendo que o CEN-01 atende aos aperfeiçoamentos nas áreas de refino, geociência, administração, gestão, informática, entre outras, e o CEN-02 atua na área de perfuração, produção. As três células estão subordinadas à Superintendência de Recursos Humanos, que, por sua vez, está relacionada com uma das seis Diretorias da empresa, que é responsável, dentre outras, pela área de recursos humanos. A missão da função Recursos Humanos na empresa, divulgada na rede intranet é: Assegurar um sistema de Gestão de RH que valorize o potencial humano e gere ambiência organizacional favorável à motivação das pessoas, levando-as a contribuírem e se comprometerem com a excelência do desempenho e dos resultados organizacionais e com a perenidade da Companhia. Os objetivos permanentes estão assim definidos: • Garantir um quadro de capital humano e um corpo gerencial, quantitativa e qualitativamente compatíveis com as exigências da Companhia e, com os padrões internacionais de desempenho, organização e gestão; • Fortalecer as relações no trabalho, pela busca constante de harmonização entre os objetivos do capital humano, no plano individual e coletivo, e os objetivos da Companhia; 129 • Promover o desenvolvimento do capital humano nos planos técnico, humano e contextual; • Manter as bases necessárias ao processo de evolução organizacional da Companhia, atuando proativamente nos projetos institucionais e colaborando, sob a ótica da administração de recursos humanos, nas decisões de produção e gerência e nos rumos dos negócios da Companhia; • Propiciar ambiência organizacional favorável à evolução de uma cultura adequada às estratégias de negócios da Companhia. 4.2.4 A gênese dos programas de educação continuada à distância O Segmento de Tecnologia Educacional (STE) é um setor do CEN-01 que tem por função dar apoio aos programas de capacitação das diversas áreas de conhecimento, no que diz respeito à tecnologia educacional, sendo responsável por incorporar soluções não convencionais de aperfeiçoamento, orientando, desenvolvendo ou contratando. A adoção de novas tecnologias para aperfeiçoamento na empresa não é uma opção e sim uma necessidade. A necessidade da adoção da educação continuada à distância na empresa se deve a inúmeros fatores, que, somados, tornam esta modalidade de ensino-aprendizagem essencial para que se tenha um nível adequado de capacitação, tendo em vista as metas de desempregos e resultados empresariais. • Público Alvo O primeiro fator considerado na adoção da educação continuada à distância é o público alvo. As características do público quanto à localização, tamanho, áreas de atuação e regimes jurídicos de trabalho são determinantes para o tratamento dado aos aprendizes. Trata-se de uma comunidade grande de capital humano, cerca de 38 mil, com uma ampla dispersão geográfica, que vai do norte ao sul do Brasil. As áreas de atuação desse volumoso público também é diversificada, demandando formação em áreas de conhecimento distintas, como exploração, perfuração, produção e 130 refino de petróleo, telecomunicações, informática etc. Diferentes regimes jurídicos de trabalho também são uma realidade. Por exemplo: há profissionais que trabalham na Floresta Amazônica, outros em plataformas, outros em refinarias, o que implica regimes jurídicos de trabalho diferenciados. Essas características do público alvo fazem com que se tenha enorme dificuldade de montar turmas para um aperfeiçoamento tradicional em sala de aula, além dos elevados custos com deslocamentos, folgas decorrentes do aperfeiçoamento. As realizações dos aperfeiçoamentos em sala de aula são onerosas e enfrentam o problema da motivação, quando, por exemplo, o capital humano retorna de missão de longa duração e sua participação em um aperfeiçoamento, distante da família, está prevista. • Necessidade de Aperfeiçoamento Customizados São cada vez mais crescente o volume e a variedade de aperfeiçoamentos necessários o capital humano da empresa. Os profissionais de nível superior da empresa já se encontram em um ponto de maturação intermediária dentro de sua trajetória profissional.44 Desse modo, os Aperfeiçoamentos de Formação que acontecem atualmente são apenas para remanejamento de pessoas dentro da empresa. Há necessidade, atualmente, de aperfeiçoamentos pontuais, mais focalizados e especializados, com um tempo de atendimento que traduza as necessidades empresariais. Nas áreas de nível médio e operacional, a admissão de pessoal é mais freqüente, sendo oferecidos, com regularidade, cursos de formação para esse capital humano. • Flexibilidade A constante mudança de mercado gera a necessidade de flexibilidade. Em resposta a essas mudanças, diferentes estratégias de negócios são adotadas, gerando, por sua vez, a necessidade de constante renovação de conhecimentos por parte do pessoal da empresa. A possibilidade de atualização de conhecimentos de maneira ágil, atingindo um número maior de pessoas, torna-se indispensável. A cada dia há mais necessidade de se encurtar o espaço de tempo entre a demanda de aperfeiçoamento (mais volumosos e diversificados) e o seu atendimento. Até o ano 2000, por exemplo, doze novas unidades de negócios foram instaladas, 44 Cerca de oito mil funcionários são classificados como de nível superior. Esses profissionais já detêm uma formação intermediária, uma vez que entraram na empresa, em sua maioria, há mais de dez anos. 131 enquanto que na Região Nordeste algumas unidades de negócios encontram-se em estado precário. Considerando que a empresa tem como premissa não demitir seu capital humano em função dessas mudanças, recorre-se ao remanejamento de pessoal, gerando a necessidade de aperfeiçoá-los, uma vez que passarão a trabalhar em outros locais de produção, onde os sistemas de trabalho são totalmente diferentes. O processo de automação do parque industrial, decorrente da inserção das novas tecnologias na produção, cria também novas exigências para o operador, que se depara com a necessidade de leitura de sistemas de informação, tendo que passar por um processo de aperfeiçoamento intenso, nas áreas de informática e sistemas. A polivalência passa a ser o novo requisito exigido pela atividade produtiva. Na década de 80, por exemplo, diversas equipes de trabalho (de operação, de manutenção etc.) eram mantidas nas unidades de negócios. Hoje existe apenas o cargo de operador de unidade, que foi aperfeiçoado para as novas atividades atuando como operador, dando manutenção e executando as tarefas de outras equipes. O especialista em cada uma dessas áreas continua a existir, porém não permanece mais na unidade de negócio. Trata-se de uma mudança significativa, que, se por um lado possibilita um número menor de capital humano, por outro demanda um esforço muito grande no que diz respeito ao aperfeiçoamento. Os programas de educação continuada à distância, com a utilização das novas tecnologias, emergem em função dessas características da empresa, uma vez que permitem uma maior adequação à realidade. A educação tradicional (presencial) não seria suficiente para manter um nível adequado de capacitação técnica e gerencial na empresa, de modo a atingir as metas empresariais. De acordo com Pinto & Borges (1997), características atuais do DRH corporativo são responsável pela alavancagem da educação continuada à distância na empresa, entre elas: a incapacidade do ensino tradicional, por si só, de atender às necessidades de aperfeiçoamento, seja por restrições pessoais ou profissionais do capital humano, seja pela indisponibilidade de instrutores, ou ainda por limitações no orçamento; o crescente volume e diversidade de (re)aperfeiçoamento; a necessidade de rápido atendimento às demandas por aperfeiçoamento; o esforço pela retenção do conhecimentos dos especialistas, evitando a perda de memória técnica. A implementação dos projetos de educação continuada à distância é motivada por necessidades. 132 4.2.5 Os programas de educação continuada à distância Os programas de aperfeiçoamento não convencionais, independente do tipo de interação que se tenha, síncrona ou assíncrona, via fax, telefone ou internet, quebram o paradigma de que os atores do processo de ensino-aprendizagem precisam estar fisicamente próximos, no mesmo ambiente. Nesse sentido, o termo utilizado na empresa para os programas não tradicionais é “Educação Continuada à Distância”. Na visão dos responsáveis pelo Segmento de Tecnologia Educacional, qualquer empresa que queira investir em ECAD, mesmo que seja com a mais alta tecnologia, deve levar em consideração suas experiências anteriores com programas de educação continuada à distância, seja com material impresso, seja através de áudio ou TV executiva. É importante conhecer as facilidades e dificuldades que a organização tem com essa modalidade de ensinoaprendizagem. Nessa visão, as experiências já vividas são consideradas relevantes e um levantamento desses processos é extremamente rico. Embora mude o veículo e a mídia, a cultura às vezes é a mesma, apresentando as mesmas dificuldades. Tecnologias utilizadas nos programas de educação continuada à distância I. Material impresso - o Projeto Acesso O Projeto Acesso foi a primeira experiência de educação continuada à distância desenvolvida pela empresa. Implementado em 1976, com o objetivo de escolarização básica e ensino de segundo grau é considerado um projeto pioneiro na empresa. No início de suas atividades, a empresa absorveu mão-de-obra das unidades de negócios que já existiam no Brasil, e contava com um contingente de capital humano que não tinha tido a oportunidade de obter escolaridade de primeiro e segundo graus. Nessa época, o analfabetismo apresentava-se também como uma séria questão sócio-cultural no Brasil. Identificada a necessidade de oferecer a oportunidade de alfabetização ao capital humano, uma vez que sem ela a possibilidade de seu crescimento dentro da empresa seria muito restrita, foi elaborado um programa reconhecido pelo MEC (Ministério da Educação e Cultura) para primeiro e segundo graus, que resultou em mais de três mil funcionários diplomados. 133 O Projeto Acesso é realizado através de módulos instrucionais, com material impresso, sendo semi-presencial, uma vez que os exames são presenciais. O Acesso existe até hoje, com cada um dos SETRE (Setor de treinamento) mantendo um monitor/ pedagogo (às vezes contratado), para acompanhamento do processo. O envolvimento desse monitor no processo de aprendizagem do capital humano é considerado fundamental. Entretanto, hoje o público está declinado e o projeto tende a desaparecer em seu formato inicial. A idéia é que o projeto seja redirecionado para cursos de idiomas e profissionalizantes que não sejam da área de atuação da empresa. Trata-se de um investimento no desenvolvimento das pessoas, no desenvolvimento da capacidade de aprender, gerando autoconfiança e estimulando-as a estudar no futuro áreas de conhecimento de interesse da empresa. Esse é um programa que oferece um grande retorno, com a valorização do profissional. A escolarização básica de adulto passa pela esfera afetiva, o depoimento do capital humano é muito rico em vida. Colabora-se com o ser humano dentro da organização, e fora também. II - Aperfeiçoamento à distância por vídeo – vídeo-treinamento Na segunda metade dos anos 80 foram implementados programas de aperfeiçoamento por vídeo, com materiais impressos de apoio. Abordando temas como segurança, saúde ocupacional, segurança industrial e informática, os programas eram destinados ao pessoal que trabalhava em navios e plataformas. O vídeo-treinamento era a tecnologia que se dispunha na época nos centros de aperfeiçoamento, nos navios e nas plataformas. Houve também a utilização dessa tecnologia para a divulgação de palestras que eram realizadas de formas presenciais e, depois distribuídos os vídeos com animadores locais. É importante destacar que programas de educação continuada à distância que utilizam material impresso e vídeo continuam em uso. Atualmente estão em desenvolvimento dois programas de vídeo-treinamento, na área de segurança e na área de meio ambiente, e em 1998 foram lançados ainda oito módulos instrucionais em papel. Não se trata de um número muito grande de aperfeiçoamento nessas mídias, mas elas continuam sendo usadas, uma vez que, cada aperfeiçoamento solicita o uso de uma determinada tecnologia. Quanto à interação professor-aluno, cada curso é modelado segundo suas necessidades, alguns com tutoria à distância, outros com tutorias locais. 134 III - TV corporativa No final da década de 80, a TV broadcast corporativa foi um meio muito utilizado para aperfeiçoamento na empresa. Contando com 44 pontos de recepção, a televisão corporativa atinge toda a Companhia, utilizando-se de repetidores por satélite. Em 1989, através dessa mídia foi iniciado um aperfeiçoamento para implantação do Processo de Gestão pela Qualidade Total (GQT). As teleconferências contavam, em cada ponto de recepção, com profissionais preparados para conduzir debates, assumindo o papel de coordenadores locais das sessões de teleconferência. O contato com o palestrante ou professor era feito por fax ou telefone. As teleconferências foram muito utilizadas, inclusive com a recepção de sinal de universidades do exterior. Houve aperfeiçoamentos gerenciados de longa duração, através dessa mídia. Hoje, entretanto, a TV corporativa tem uma utilização restrita para aperfeiçoamento. É preciso recorrer ao aluguel de satélite, uma vez que a empresa não possui um canal fechado, tornando a utilização dessa mídia muito cara. O custo da TV corporativa, embora tenha sido reduzido, não chega a permitir que seja uma tecnologia competitiva com a vídeo-conferência45 ou com a intranet. Além do custo, a interatividade proporcionada pela vídeo-conferência e pela intranet é maior. A TV corporativa tem um caráter muito mais informativo do que de aprendizagem. IV - Treinamento baseado em computador (TBC) Em 1994, começou o investimento em TBC. Desde então já foram desenvolvidos vários aperfeiçoamentos em redes locais___ LAN46. Segundo, a empresa embora o mercado de multimídia já existisse no país, os fornecedores, mais voltados para instrumental, não tinham a preocupação com o foco educativo. Foi feita então a opção pelo desenvolvimento interno. A equipe interna de desenvolvimento de produtos assume uma metodologia que combina os passos clássicos de metodologias de engenharia de software com as de 45 A transmissão da vídeo-conferência pode ser feita através de rádio, satélite ou linha telefônica. Na empresa as salas de vídeo-conferência são interligadas por linha telefônica (rede privada). No caso de regiões distantes é necessário microondas ou satélite. 46 LAN - Local Área Network - é uma rede de computadores corporativa, interligando computadores de uma organização. 135 Desenvolvimento Instrucional, apresentando as seguintes etapas de trabalho47: 1. Identificação do problema e análise de necessidades - trata do problema pedagógico e da especificação técnica-conceitual do produto; 2. Determinação de modelos para o design instrucional - especifica o modelo de arquitetura instrucional do software; 3. Design do grafo instrucional por módulo - modulariza o plano do curso de acordo com a arquitetura definida; 4. Autoria de conteúdo - etapa prevista para a elaboração de conteúdo a ser inserido no plano de curso modularizado na etapa anterior. Envolve também a geração de fotos, vídeos e animações; 5. Programação, teste e revisão - programação do plano de navegação e das estruturas de dados afins; 6. Teste - piloto e Revisão Final - aplicação do curso para um grupo de usuários e eventual revisão do mesmo. Define-se com detalhes a divulgação, distribuição e avaliação do TBC; 7. Documentação, Reprodução, Divulgação e Distribuição - produção de material e apoio necessário ao lançamento e suporte ao uso do produto; 8. Acompanhamento e Avaliação - coleta de informações para revisões periódicas visando a melhoria contínua. De acordo com os autores, os projetos desenvolvidos têm possibilitado um amadurecimento da equipe interna de desenvolvimento de TBC, com diminuição no tempo gasto com o desenvolvimento de produtos, além do aprofundamento na utilização de 47 A metodologia de desenvolvimento de aperfeiçoamentos multimídia utilizada na empresa foi apresentada no Seminário Tecnologias da Informação e comunicação na Educação à Distância, promovido pela UNI-Rio, em1997. Ver Pinto & Borges, 1997. 136 softwares de autoria e de criação de mídias: Totalmente realizados em computador, os cursos permitem o estudo de conteúdos dosados, modularizados e expostos em seqüências de telas como também permitem a realização de exercícios, corrigidos e comentados instantaneamente. Recursos computacionais atraentes como interatividade e capacidade multimídia são usados para enriquecer a apresentação dos conteúdos. (PINTO & BORGES, 1997, p.13) O TBC é visto como uma alternativa capaz de atingir um número elevado de treinandos, sem prejuízo da individualização do processo de aprendizagem. Nessa modalidade de aperfeiçoamento, o capital humano é chamado a participar ativamente do processo de aprendizagem, assumindo, por outro lado, a responsabilidade pelo seu próprio desenvolvimento e pela criação de seu conhecimento pessoal: O resultado é um sistema capaz de criar, estimular e desenvolver o autodesenvolvimento, em suma, a base da Educação Continuada: uma força de trabalho capacitada, flexível e continuamente atualizada. (PINTO & BORGES, 1997, p.13) Por outro lado, as pessoas vêm de uma educação em que a disciplina era controlada pelo professor. Agora isto acabou. O aluno precisa ter disciplina. É uma mudança cultural muito grande. Ou ele vê uma aplicação prática desses conhecimentos na atividade dele ou, para falar uma coisa mais moderna, estará visando a sua empregabilidade. Conforme explicação, no tocante a recursos estruturais, a implantação do TBC na empresa não apresentou grandes dificuldades, haja vista o fato da empresa já possuir, na ocasião, uma cultura de microinformática consolidada e uma infra-estrutura tecnológica instalada. Toda a documentação da empresa já estava disponível através das novas tecnologias de informação e o computador já era usado também como ferramenta de trabalho. Desse modo, o TBC foi encarado como mais uma aplicação. Mesmo assim, houve alguma dificuldade, especialmente com relação à monitoria local. Foi constatado que essa monitoria, localizada nos SETRE, tenha grande importância no desempenho dos aprendizes, carecendo de capacitação pelo CEN-01. Esses monitores são os responsáveis administrativamente pelo aperfeiçoamento, tendo por funções disponibilizar o programa na rede local, resolver dificuldades com a utilização do produto, alimentar informações para a sua melhoria etc. A implantação dos produtos é sempre acompanhada de uma monitoria local junto aos treinandos. Há programas de TBC que têm, além da monitoria local, uma tutoria à distância, ou mesmo tutorial local (o instrutor é selecionado com base em seu conhecimento do conteúdo dos cursos, recebendo também aperfeiçoamento para atuar 137 como tal). Os TBC continuam sendo distribuídos através de redes locais e disponibilizados na estação de trabalho do treinando48. Nenhum produto foi transformado para ser disponibilizado na intranet, uma vez que se considera não ser possível reproduzir um produto que foi concebido para rede local na intranet, pois se muda a proposta pedagógica, os termos de interação. Há dois tipos de TBC: com certificação e sem certificação. Um exemplo típico de TBC sem certificação foi desenvolvido em 1995 para a implantação da intranet na empresa. Era preciso aperfeiçoar o capital humano para a utilização da intranet, com todos os seus recursos, em apenas seis meses. Nesse programa, o capital humano estuda o conteúdo no momento em que surge uma necessidade. Outros produtos para aperfeiçoamentos de softwares em automação de escritório, adquiridos no mercado também estão nesse conjunto de TBC sem certificação. O TBC com certificação, por outro lado, é controlado pela empresa, exige prérequisitos, o aprendiz é avaliado, conta com monitoria local e tutoria à distância, com interação via rede local, correio eletrônico, internet. Assim como os cursos presenciais, todos os programas de ECAD com certificado têm, além da avaliação da aprendizagem com testes, a avaliação de impacto (avaliação de reação). No caso do TBC com certificado, esta avaliação é obrigatória, sendo um passo necessário para a obtenção do mesmo. De acordo com os técnicos envolvidos, os TBC tiveram boa aceitação por parte do capital humano e do público em geral, tanto no mercado brasileiro como no internacional. Alguns foram vendidos, sendo traduzidos para o inglês e espanhol. O sucesso dos programas desenvolvidos sinaliza que a empresa continuará investindo nessa mídia. V - Vídeo-conferência No final de 1996 foi implantada na empresa a tecnologia de vídeo-conferência49, 48 Os aperfeiçoamentos são desenvolvidos para rede, sendo distribuídos em CD-ROM, em apenas uma cópia para cada monitoria, que disponibiliza o aperfeiçoamento na rede local. Há também o produto para apenas um usuário (monousuário), visando atender àqueles ambientes em que não há rede local. O monitor recebe também o formato monousuário para o caso de problemas na rede. Considerando-se as características dessa mídia, um dos critérios para o desenvolvimento de um TBC é a perenidade do produto, evitando-se desse modo, a desatualização de conteúdo. 49 Considerada uma tecnologia de última geração, conjugado diferentes mídias, a vídeo-conferência é uma das mais avançadas tecnologias existentes aplicadas à educação continuada à distância. A interação ocorre em áudio e vídeo, sendo dirigida a um público específico. 138 contando hoje com 33 salas, sendo muito utilizadas para treinamentos. Trata-se de um investimento que exigiu elevados recursos financeiros. Essa infra-estrutura foi implantada como veículo de comunicação empresarial, para possibilitar reuniões entre gerências dispersas geograficamente. A utilização dessa infra-estrutura de vídeo-conferência pela área de aperfeiçoamento vem se intensificando durante os últimos anos. Hoje, em alguns locais, 80% da ocupação das salas de vídeo-conferência são destinados ao aperfeiçoamento do pessoal da empresa. O aproveitamento da infra-estrutura tecnológica da empresa pelas áreas de aperfeiçoamento tem sido sempre buscado. Como já exemplificado, o TBC valeu-se da estrutura de informática e da cultura de computação para ser implantado. Excetuando-se os investimentos de instalação, os custos de uma sessão de vídeoconferência são mais baixos que os custos de uma sessão de TV por satélite alugado; assim, a teleconferência apresenta-se como vantajosa se o público a ser aperfeiçoado é suficientemente grande, atingindo milhares de pessoas, com o objetivo de transferência de informação. Entretanto, para aperfeiçoamentos customizados, com número menor de pessoas, a vídeoconferência é a melhor alternativa, tanto em termos de custos, quanto em termos de interatividade e processo de aprendizagem. Dependendo da natureza do curso é necessária uma interação muito grande, como é o caso dos projetos que envolvem estudos de caso. A tecnologia de vídeo-conferência é mais barata, mais confiável, com menos interferência, e torna mais fácil o gerenciamento e a montagem do evento. A maioria dos cursos internos oferecidos através de vídeo-conferência consiste na adaptação de cursos tradicionais, realizados anteriormente na forma presencial, o que demanda mudança de material didático e aperfeiçoamento do instrutor. Os critérios para escolha dos cursos que serão feitos à distância variam, podendo relacionar-se com a exigência de interação, com o tamanho do público, ou com a quantidade de instrutores previstos por eventos50. Como os cursos são oferecidos pelo DRH corporativo são aperfeiçoamentos estratégicos ou de formação voltados para a geração de competências. São cursos com níveis avançados de conhecimentos, que exigem pré-requisitos. Desse modo, em sua maioria, envolvem o capital humano de nível superior - engenheiros, geólogos, administradores, contadores, ou supervisores de nível médio (70% do público é de nível superior, embora não 50 Há eventos que envolvem diversos instrutores, exigindo a disponibilidade simultânea dos mesmos. Isso restringe o número de cursos a serem oferecidos. A vídeo-conferência possibilita, então, o acesso ao curso por um maior número de pessoas em um único evento. 139 haja restrição normativa quanto à participação dos demais). Programas de mestrado e de MBA, projetados em parceria com Universidades, já estão sendo oferecidos através de vídeo-conferência dentro da empresa. Em 1997, foi iniciado o curso de pós-graduação, nível mestrado, em Logística, em convênio com a Universidade Federal de Santa Catarina, com uma turma de 22 alunos da empresa, localizados em seis pontos distintos do país. Essa foi considerada, na ocasião, uma das três maiores experiências mundiais em curso de pós-graduação com utilização da tecnologia multiponto. Em 1998, teve início um MBA à distância em parceria com a USP, com 19 pontos dentro de empresa, atingindo simultaneamente 19 salas de aula. Por tratar-se de uma tecnologia recente, grandes desafios são enfrentados, como o aperfeiçoamento de instrutores, o domínio dos recursos de interatividade com inúmeros pontos etc. Todo o processo é realizado à distância, com sessões de vídeo-conferência e internet. São feitas duas aulas por semana no horário de expediente. Pode-se concluir que a vídeo-conferência é sem dúvida, uma valiosa tecnologia disponível na empresa para aperfeiçoamentos. VI - Manual eletrônico Outra tecnologia explorada pela empresa é o manual eletrônico, que funciona como depositário de informação. Embaladas em CD-ROM, com formato multimídia, são enviados para os órgãos e disponibilizados em redes locais. Esses manuais contêm informações sobre procedimentos técnicos, sendo muito utilizado pelo capital humano de nível médio e operacional. Dispõem ainda de um mecanismo de comunicação que permite a troca de informações entre os usuários do sistema. Esse mecanismo de comunicação tem uma enorme importância no sentido da disseminação de conhecimentos. Essas trocas de informações permitem a criação de vários procedimentos e certificações dentro da empresa, gerado pelo próprio capital humano. VII - Treinamento baseado na intranet (TBI) Ambientes de Aprendizagem A definição dos ambientes de aprendizagem na intranet se deu a partir de 1998. É considerado um poderoso instrumento para a Gestão do Conhecimento, tendo por objetivo o 140 compartilhamento de conhecimentos e a preservação da memória técnica da empresa. Cada ambiente de aprendizagem é assumido por um coordenador, que tem por função fazer a gerência do conhecimento de uma determinada área. Esse coordenador é um profissional que tem o respeito da comunidade em que atua, seja pela posição estratégica que ocupa, seja pelo conhecimento que detém. Nos sites dos ambientes de aprendizagem da empresa há uma área destinada ao registro de experiências, contadas pelos próprios técnicos, reforçando a cultura da empresa em relação aos seus conhecimentos. Trata-se de um ambiente virtual de aprendizagem, com novidades sobre uma determinada tecnologia, programas para download, links com Universidades, listas de distribuição, grupo de discussão, chats (inclusive com especialistas convidados) etc. São também disponibilizados materiais de ensino para o auto-desenvolvimento do capital humano. A comunicação entre os usuários de uma comunidade é feita através de uma área de comunicação, voltada para comentários e para o compartilhamento de informação entre os usuários daquele ambiente específico. Esses ambientes virtuais são parte do Projeto “Gestão do Conhecimento” desenvolvido na empresa. Site educacional Essa tecnologia está em implantação, tendo a empresa por objetivo a criação de um Centro de Treinamento Virtual em sua intranet. Para tanto, está em estudo a aquisição de um software de gerenciamento dos programas de aperfeiçoamento a serem implantados. Esse software deverá ser capaz de gerenciar os diversos ambientes do Centro Virtual, proporcionando também oportunidade do usuário frequentar uma comunidade (como nos ambientes de aprendizagem), além de disponibilizar ambientes de conversação, abertos a qualquer tema. Como parte desse projeto, já está em funcionamento uma espécie de secretaria virtual, além dos ambientes de aprendizagem. Segundo a empresa, o aperfeiçoamento baseado na internet está sendo desenvolvido privilegiando o público de gerentes. 141 4.3 ANÁLISE DAS ESTRATÉGIAS DE EDUCAÇÃO CONTINUADA À DISTÂNCIA NAS ORGANIZAÇÕES ESTUDADAS 4.3.1 Aperfeiçoamento e desenvolvimento: a competência como alvo As informações obtidas nos estudos de caso revelam que a preocupação das duas empresas com a sua competitividade no mercado e com a garantia de sua sobrevivência relaciona-se diretamente com o desenvolvimento e a atualização de seu capital humano, o que torna a área de Recursos Humanos estratégica e diretamente relacionada com o sucesso de seus negócios. A preocupação em disseminar o conhecimento entre o capital humano, característica de organizações que buscam enfrentar os desafios impostos por uma economia baseada no conhecimento, é compartilhada por ambas as empresas. As ações educativas implementadas mostram que ambas estão explorando o potencial aberto pelas inovações tecnológicas apontadas na literatura, capazes de remodelar o tempo e o espaço de aperfeiçoamento. Percebe-se também que, no entender das empresas, existe convergência entre as novas demandas de capacitação profissional e o potencial das novas tecnologias interativas para desenvolver competências. Mantendo estruturas formais para a capacitação de seus Recursos Humanos, as duas empresas pesquisadas abordam a capacitação do capital humano sob a perspectiva do desenvolvimento de competências. Na empresa multinacional, os estilos de atuação valorizados (estar sintonizado com o mercado, buscar sempre os melhores resultados, agir com rapidez e senso de oportunidade, valorizar a relação direta com o cliente externo, trabalhar em equipe compartilhar o poder de decisão), assim como os princípios abordados na relação de parceria e no elenco de competências de cada perfil profissional, mostram que a empresa busca o seu sucesso econômico por meio do capital humano empreendedor e comprometido com a filosofia institucional. De acordo com os perfis delineados pela empresa, a autonomia e a iniciativa são competências a serem desenvolvidas por todo capital humano, sendo estimuladas pelas políticas de empowerment, que incentivam a tomada de decisão em níveis mais próximos dos clientes e de delegação de atividades para as quais o capital humano esteja habilitado. O direcionamento para resultados dos negócios e o compromisso com a qualidade também são 142 competências que devem permear toda a organização. Da mesma forma, a agilidade para a aprendizagem deve ser buscada por todo capital humano, referindo-se à compreensão e assimilação rápida de novos conhecimentos e informações (individualmente ou em grupo), com a valorização do contínuo autodesenvolvimento, a partir das experiências próprias e dos outros. Na empresa nacional, a preocupação com a motivação e com o comprometimento do capital humano com os objetivos da empresa também é destacada na missão e nos objetivos da função Recursos Humanos. A empresa entende que deve estar preparada para lidar com uma maior flexibilidade exigida tanto pelo mercado interno, quanto pelo mercado externo. E estar preparada significa viabilizar o objetivo permanente registrado em primeiro lugar, ou seja, manter seu capital humano atualizado e aperfeiçoado, o que exige motivação e interesse em obter novas qualificações. 4.3.2 ECAD e o desenvolvimento de competências: o sujeito como centro da aprendizagem Os projetos em educação continuada à distância das duas empresas mostram-se bastante ricos e integrados com os objetivos e estratégias organizacionais, e essencialmente vinculados aos seus programas de desenvolvimento de competências. Na empresa nacional, espera-se que esses projetos promovam o desenvolvimento do capital humano e da Companhia e, ainda, que estimulem o compromisso do capital humano com o auto-desenvolvimento, uma vez que essa modalidade de ensino-aprendizagem, tendo o aprendiz como centro do processo, traz uma mudança cultural muito grande, exigindo maior autonomia e responsabilidade do treinando (PINTO & BORGES,1997). O potencial das novas tecnologias interativas no processo de aperfeiçoamento, que conferem ao sujeito um lugar central, vem também possibilitar o aperfeiçoamento com o foco em competências, que vai além dos objetivos de desenvolvimento de habilidades51. O ingresso das novas tecnologias interativas causa, sim, uma grande mudança naqueles aperfeiçoamentos orientados para o desenvolvimento de habilidades inerentes a um 51 Aqui também o conceito de aperfeiçoamento com o foco em competências, que permite o “saber por que fazer” extrapola o foco no desenvolvimento de habilidades, que visa preparar o indivíduo para atuar em determinado serviço ou produto, relacionando-se com a função ou posto de trabalho que o capital humano ocupa. 143 determinado posto de trabalho, mas oportunidades e democratização do conhecimento. No caso específico da empresa nacional, os aperfeiçoamentos, mesmo os tradicionais, têm a perspectiva da educação continuada, sendo normalmente voltados para gerar competências técnicas, e não apenas para o desenvolvimento de habilidades que visam preparar o capital humano para atuar em um determinado serviço ou produto. Na experiência que se descreveu da empresa multinacional, por sua vez, é possível perceber o esforço da empresa em promover projetos de educação continuada à distância que estejam em sintonia com o seu projeto de Desenvolvimento de Competências. Pretende-se que essa modalidade de ensino-aprendizagem venha a se constituir em um recurso para a aquisição de novos conhecimentos e o aprimoramento das habilidades específicas e comportamentos mais valorizados, especialmente a atitude de aprender a aprender. Almeja-se com esses projetos possibilitar uma nova maneira do capital humano entender a sua formação, tornando-o co-responsável pela mesma. De acordo com essa empresa, as características atuais de seu ambiente interno, tais como a cultura da aprendizagem contínua, a percepção e a valorização da força de trabalho como “vantagem competitiva”, o reforço ao ambiente de empowerment, a motivação do capital humano frente aos novos desafios, a exigência de agilidade na aquisição de novas competências e de otimização de tempo e custo com o deslocamento do capital humano, entre outras, são consideradas características bastante favoráveis à implementação da ECAD. O documento interno da Estratégia de educação continuada à distância da empresa multinacional procura ressaltar que essa modalidade de ensino-aprendizagem é percebida como vantajosa tanto no que diz respeito à agilidade da metodologia em responder às necessidades da empresa em manter atualizados um número maior de aprendizes, em um menor tempo, quanto no que se refere à qualidade da aprendizagem proporcionada pelas tecnologias interativas. O reforço do conceito de “aprender a aprender”, a ampliação das alternativas educacionais, a autonomia e a liberdade no processo de aprendizagem (respeitando diferenças e condições pessoais, tais como: conhecimento prévio, disponibilidade de tempo, ritmo de aprendizagem etc.), o estímulo ao aprendizado em grupo, entre outros, seriam alguns dos benefícios, no entender da organização, advindos da adoção dessa metodologia. Todos os benefícios apontados vinculam-se com o potencial interativo das novas tecnologias descrito na literatura, que permite capacitar o indivíduo dentro das novas competências exigidas no trabalho. O fato do estímulo ao aprendizado em grupo ser apontado como um benefício da educação continuada à distância, mostra a propensão da empresa em 144 explorar a interatividade lateral (aprendiz- aprendiz) propiciada pelas novas tecnologias. Nesse sentido, é compreensível que a empresa multinacional esteja direcionando suas pesquisas para implementar aperfeiçoamentos baseados na intranet, que permitem a pedagogia construtivista e interacionista. No outro lado, na avaliação da empresa multinacional, os fatores considerados críticos para o sucesso dos programas de capacitação de pessoal à distância relacionam-se com o conceito do “aprender a aprender”, e com o papel que os gerentes devem assumir no processo, sendo facilitadores e fornecendo o coaching (aconselhamento) necessário ao capital humano. Trata-se, do enfoque dado pela empresa para o conceito de empregabilidade: ou seja, uma vez que a empresa não se compromete com a garantia do emprego, o capital humano deve assumir a responsabilidade pelo seu auto-desenvolvimento, recebendo os meios necessários para que este se viabilize. Na empresa nacional, apesar de ter aumentado o número de unidades de negócios e mantido os postos de trabalho, o número de funcionários foi reduzido de sessenta mil em 1989 para aproximadamente quarenta mil em 2003. Essa redução se fez com alguns planos, como programas de aposentadoria incentivada. Não obstante, a empresa procura manter uma relação de segurança e confiança com seu capital humano, assumindo como premissa que a sua força de trabalho seja gerada a partir da capacitação interna, e não através de sua busca no mercado. Essa premissa, confere alto status à área de aperfeiçoamento, enquanto mecanismo de mobilidade profissional dentro da organização e de manutenção de emprego daqueles que nela permanecem. As abordagens feitas pelas duas empresas sobre as significativas alterações que a introdução da metodologia da educação continuada à distância provoca nos processos formativos dos indivíduos, permitindo o desenvolvimento das novas características exigidas pela nova organização do trabalho, como autonomia, iniciativa, trabalhar em equipe, mostram também a estreita relação entre educação e empregabilidade. O ambiente de aprendizagem que estão oferecendo ao seu capital humano, por meio da incorporação de novas tecnologias nos processos pedagógicos e da maior disseminação do conhecimento, denota sua preocupação em enfrentar os desafios da capacitação em uma realidade em constante mutação. 145 4.3.3 O papel do instrutor e a interação aprendiz-aprendiz (capital humano) Foi possível também identificar que, apesar da ênfase nas novas tecnologias aplicadas à ECAD, não há o descaso com o ensino presencial e com o professor. Na empresa nacional, destaca-se o papel do professor/ instrutor nos programas à distância, sem idealização do autodidatismo e do isolamento no estudo. Várias vezes foi ressaltado que as aulas presenciais continuarão a acontecer e a importância do instrutor no processo de aprendizagem, mesmo à distância. Os aperfeiçoamentos com TBC prevêem a comunicação do aprendiz com o instrutor e com o monitor, porém são considerados aperfeiçoamentos individualizados. O recurso para diminuir o isolamento do aprendiz depende da iniciativa deste em formar grupos de estudos, visando a construção coletiva de conhecimento. Já os projetos educativos mais recentes, como os ambientes de aprendizagem virtuais o compartilhamento do conhecimento de comunidades técnicas e a interatividade lateral (aprendiz-aprendiz). Nesse caso, o papel a ser desempenhado pelo instrutor é o de fornecer o apoio à interação entre os aprendizes, facilitando o compartilhamento da informação entre eles, assumindo o lugar de direcionador do grupo. Da mesma forma, na empresa multinacional, foi ressaltado diversas vezes que o aperfeiçoamento em sala de aula não será descartado e que a ECAD é mais uma modalidade de aprendizagem que está sendo oferecida. Conforme visto anteriormente, procura-se derrubar mitos referentes ao estudo à distância, mostrando que a ECAD prevê formas de acompanhamento e que há outras oportunidades de contato entre as pessoas no dia-a-dia, que deverão ser aproveitadas. Outro aspecto de interação aprendiz-aprendiz que precisa ser realçado é a orientação dada aos participantes quanto ao local do estudo. Procura-se ressaltar que o mesmo pode ser no próprio ambiente de trabalho ou em local mais apropriado, conforme o caso. Isso parece particularmente interessante, na medida em que a permanência do aprendiz no local de trabalho durante os estudos, desenvolvendo o programa de forma individualizada, é muitas vezes tida, por aqueles que vêem a ECAD apenas como a possibilidade de flexibilidade em termos de tempo e local, como uma das suas principais vantagens. Conforme visto na base conceitual da Estratégia de Educação à Distância, a empresa procura avaliar a interatividade necessária entre instrutor e aprendiz, visando o enriquecimento do instrutor de aprendizagem. Do mesmo modo, deve ser avaliada se a troca 146 de informações entre os participantes contribuirá para agregar valor ao processo de construção de conhecimento. De forma geral, a empresa orienta o capital humano a fazer, sempre que possível, o estudo de forma coletiva. Valoriza-se muito o encontro face a face. Em todos os documentos pesquisados é enfatizada a necessidade de assegurar-se o contato entre as pessoas, visando o compartilhamento de conhecimentos. Os estudos que estão sendo efetuados para a adoção de aperfeiçoamentos baseados na intranet, também destacam a interação entre os aprendizes e o papel do instrutor como apoio ao processo de aprendizagem, tendo como uma de suas funções, facilitar o diálogo entre os aprendizes e apoiar o processo de aprendizagem. 4.3.4 As tecnologias utilizadas No contato com as empresas procurou-se identificar as tecnologias em uso e analisálas com base em uma estrutura conceitual, com o objetivo de avaliar a adequação dessas tecnologias aos objetivos propostos e modelos instrucionais aplicados.52 Ficou claro durante o contato com a empresa nacional que, para a equipe do Segmento de Tecnologia Educacional, a utilização das novas tecnologias é um meio de se alcançar eficácia no aperfeiçoamento, não se constituindo em um objetivo em si mesmo. A incorporação de um determinado recurso aos programas de aperfeiçoamento é procedida da criteriosa análise de seu potencial pedagógico e pela avaliação da relação custo/ benefício decorrente de sua implementação. Os fatores envolvidos na decisão de adoção de uma mídia envolve a facilidade de distribuição e acesso, os custos, a possibilidade de interatividade, a redução do tempo de aperfeiçoamento etc. e, conforme descrição feita anteriormente, foi elaborada uma metodologia para o desenvolvimento dos produtos, incorporando distintas áreas de conhecimento. Da mesma forma, na empresa multinacional, as informações obtidas deixam em evidência que a seleção de uma tecnologia deve procurar sempre favorecer a aprendizagem, agregando, para sua implementação, competências na área de educação, de comunicação e de tecnologia da informação. 52 A presente pesquisa não teve por objetivo analisar os softwares desenvolvidos nos aperfeiçoamentos. 147 Essas formas de atuação das empresas remetem ao conceito de interdisciplinaridade, ou seja, diante da pulverização do conhecimento em áreas diferenciadas e cada vez mais especializadas, torna-se evidente a necessidade de se estar aberto aos conceitos de áreas distintas. 4.3.5 Objetivos do aperfeiçoamento: modelos pedagógicos x tecnologias utilizadas Considerando que as tecnologias de ECAD podem ser classificadas em “distributivas”, “interativas” e “colaborativas, procedeu-se a análise das tecnologias em uso nas empresas pesquisadas a partir das categorias descritas associado a cada tipo de tecnologia utilizada nas empresas. Pode-se verificar que tecnologias utilizadas nos programas educativos da empresa nacional estão bem adaptadas aos objetivos dos aperfeiçoamentos e aos modelos instrucionais associados. As tecnologias distributivas (material impresso, vídeo-cassete, tv broadcast) são utilizadas pela empresa, como no Projeto Acesso, nos vídeo-treinamentos e nas teleconferências. Está claro para a empresa que são tecnologias mais adequadas para a transferência de informação, e, embora não deixem de ser usadas, conforme visto anteriormente, têm sido pouco utilizadas para aperfeiçoamento, uma vez que o aprendiz assume uma postura mais passiva, voltada apenas para a aquisição de informações e sua memorização. Vale ressaltar que a possibilidade de animadores locais em aperfeiçoamentos via TV não está previsto no modelo e por isso é assinalado. O mesmo se verifica com os aperfeiçoamentos por vídeo, que são acompanhados de material impresso de suporte. EMPRESA NACIONAL TECNOLOGIAS DISTRIBUTIVAS Tecnologia: Vídeo + material impresso e TV Corporativa Objetivo: Aperfeiçoamento/ Caráter informativo Modelo Pedagógico: Centrado no instrutor Pressupostos: Aprendizagem centrada no conteúdo e na forma da informação Instrutor: Animadores locais 148 Interação: Baixa – público alvo amplo: Recepção passiva Resultados: Aquisição de informações Quadro 4 – Empresa nacional tecnologias distributivas Fonte: (EMPRESA NACIONAL, 2003) As tecnologias interativas, como o TBC e a vídeo-conferência são utilizadas em diversos programas de aperfeiçoamento, possibilitando um aprendizado mais ativo por parte do capital humano. Tem o aprendiz centro do processo de aprendizagem, e proporciona interatividade com o programa e o instrutor, que assume o papel de mediador, e não o de controle do ritmo de aprendizagem e de distribuição do material. EMPRESA NACIONAL TECNOLOGIAS INTERATIVAS Tecnologia: TBC/ Vídeo-conferência Teleconferência Objetivo: Habilidades e competências, reforço conceito auto-desenvolvimento Modelo Pedagógico: Sujeito centro do processo Pressupostos: Papel ativo do aprendiz Instrutor: TBC com e sem tutoria, Vídeo-conferência instrutor mediador Interação: Programas interativos entre estudantes e objeto Resultados: Saber fazer com habilidade e destreza Quadro 5 – Empresa nacional tecnologias interativas Fonte: (EMPRESA NACIONAL, 2003) As tecnologias colaborativas que utilizam a intranet, como os ambientes de aprendizagem, têm como fundamento a aprendizagem centrada no grupo, estimulado o compartilhamento e a construção coletiva do conhecimento. Na empresa, os programas de treinamento descritos mostram que os processos educativos à distância tiveram sua trajetória em sintonia com o desenvolvimento tecnológico em curso. Embora não descartando nenhuma das tecnologias consideradas tradicionais, os programas corporativos de educação continuada à distância foram assimilando as chamadas novas tecnologias, que facilitam o acesso às informações e ao conhecimento, redefinindo o tempo e o espaço do aperfeiçoamento. Acompanhando a evolução da teoria no que diz respeito à importância da informação, da inteligência e do conhecimento da organização enquanto vantagens competitivas, o projeto “Gestão do conhecimento” da empresa envolve toda a parte de documentação, o T&D, a 149 Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) , visando estruturar a informação e o conhecimento e disponibilizá-los na empresa. Tudo começou em 1994, no projeto Sistema de Inteligência, que modificou os sistemas de registro de informações, de patentes, de propriedade intelectual, as normas de sigilo e etc. A utilização da intranet para os ambientes de aprendizagem já é uma conseqüência do Projeto “Gestão do conhecimento”. Pode-se analisar a experiência da empresa no uso da tecnologia da informação a partir da perspectiva de oportunidades inesperadas desencadeadas a partir das inovações tecnológicas, conforme abordado por Stewart (1998). Entende-se que, embora as características da empresa em termos de público alvo (dispersão geográfica, volume, grau de maturidade profissional etc) tenham sido decisivas para a implantação da ECAD, foram obtidos, em um primeiro momento, resultados planejados e previstos, como redução de custos, rapidez, flexibilidade. Todavia, a implementação dos sites educacionais, assim como dos ambientes de aprendizagem apresentam os efeitos de segunda ordem assinalados por Stewart (1998) ao proporcionarem novas formas de aprendizagem, qualitativamente diferentes. A ênfase que vem sendo dada pela empresa aos seus processos de gestão do conhecimento está conduzindoa a explorar a convergência da informação, da educação, da comunicação e da informática/ telecomunicações, no sentido de tornar-se uma organização orientada para o conhecimento. Trata-se de um processo maior, que inclui a educação à distância, mas não se resume a ele. EMPRESA NACIONAL TECNOLOGIAS COLABORATIVAS Tecnologia: Intranet – Ambientes de aprendizagem e sites educacionais, manuais eletrônicos Objetivo: Estimular o compartilhamento e a construção coletiva do conhecimento Modelo Pedagógico: Centrado na equipe Pressupostos: Conhecimento é construído pelos aprendizes, sustenta-se na colaboração Instrutor: Coordenador Interação: Horizontais e verticais Resultados: Criação de novo conhecimento, guarda memória técnica, comunidade de conhecimento, capital estrutural Quadro 6 – Empresa nacional tecnologias colaborativas Fonte: (EMPRESA NACIONAL, 2003) Também na empresa multinacional, as tecnologias utilizadas nos aperfeiçoamentos 150 podem ser associadas aos objetivos dos aperfeiçoamentos e aos modelos instrucionais adotados. A tecnologia de vídeo aplicada nos aperfeiçoamentos da área de vendas é um exemplo de tecnologia distributiva utilizada pela empresa. De acordo com a estrutura analítica, a adoção das tecnologias distributivas, que permitem a transferência de informações de uma para muitos, como no caso dos vídeos, mostra-se apropriada quando o objetivo é a transferência de informações, permitindo aos aprendizes sua aquisição e memorização, visando deter aquelas necessárias para a atuação. A opção da área comercial pela tecnologia de vídeo mostra-se, portanto, adequada ao proposto, que é o de disponibilizar as informações dos novos produtos, necessárias à atuação dos profissionais no mercado, permitindo também atingir um grande número de pessoas em um menor tempo e a um custo reduzido, ao evitar deslocamentos. EMPRESA MULTINACIONAL TECNOLOGIAS DISTRIBUTIVAS Tecnologia: Vídeo Objetivo: Transferir informações Modelo Pedagógico: Centrado no instrutor Pressupostos: Aprendizagem centrada no conteúdo e na forma da informação Instrutor: Não há tutoria à distância nem local Interação: Baixa – público alvo amplo: Recepção passiva Resultados: Aquisição de informações necessárias à atuação da equipe de vendedores Quadro 7 – Empresa multinacional tecnologias distributivas Fonte: (EMC DO BRASIL, 2003) As tecnologias interativas, definidas como tecnologias que têm um potencial de interação entre o aprendiz e o programa, estão sendo utilizadas na empresa, mais especificamente por meio dos programas do tipo TBC. O exemplo do curso Gestão por Fatos, descrito no caso, mostra que o mesmo foi elaborado visando não apenas transferência de informação, mas teve também o objetivo de que o aprendiz interprete a mesma, internalizando-a. A avaliação da aprendizagem não é feita por meio de testes e provas. Para a empresa, o importante é que o aprendiz aprenda os conceitos e esteja capacitado a usá-los, apresentando bom desempenho. Nesse sentido, o TBC é também uma fonte de consulta para o capital humano, estando disponível no local de trabalho no momento em que o aprendiz dele precisar. A metodologia 151 utilizada no TBC em questão mostra que o potencial de interação entre sujeito e objeto, presente nas tecnologias interativas descritas na estrutura analítica, está sendo aproveitado. O aprendiz interage com o programa, assumindo o controle do processo, tomando decisões que levam à aprendizagem. A orientação para o estudo em grupo tem sido também estimulada sempre que possível, uma vez que a empresa entende que a educação continuada à distância não pressupõe isolamento. A abordagem pedagógica utilizada no exemplo acima (método do caso) sugere que os objetivos do aperfeiçoamento à distância, via tecnologia interativa, ultrapassam a perspectiva de formar um maior número de pessoas com um menor custo. Na base conceitual da Estratégia de Educação à Distância da empresa, as questões relativas à redução dos custos são apenas um dos critérios a serem considerados no desenvolvimento dos produtos. Outros critérios estão relacionados com a real contribuição desta forma de educação. Por exemplo, os fatores relacionados com o processo devem ser atentamente observados e avaliados, incluindo o tipo de interatividade que agregará valor ao processo de aprendizagem, o ganho em termos de motivação que a ECAD poderá proporcionar aos participantes, a melhoria da aprendizagem que poderá ser obtida com a inclusão de jogos didáticos no processo, o benefício de uma melhor integração entre teoria e prática (com a disponibilidade do curso a qualquer tempo e lugar), ou mesmo os benefícios intangíveis a serem adquiridos. EMPRESA MULTINACIONAL TECNOLOGIAS INTERATIVAS Tecnologia: TBC (multimídia) Objetivo: Habilidades e competências Modelo Pedagógico: Centrado no aprendiz Pressupostos: Papel ativo do aprendiz Instrutor: Tutoria à distância Interação: O aprendiz interage com o programa fonte de consulta, orientação para o estudo em grupo Resultados: Aprender conceitos e estar capacitado a usá-lo Quadro 8 – Empresa multinacional tecnologias interativas Fonte: (EMC DO BRASIL, 2003) As iniciativas para a utilização da intranet nos aperfeiçoamentos corporativos que estão sendo desenvolvidas na empresa, e outras que ainda em estudo, são iniciativas que se 152 enquadram nas tecnologias colaborativas. Pretende-se adotar nesses aperfeiçoamentos baseados na intranet, o modelo pedagógico descrito da estrutura conceitual, com a aprendizagem centrada na equipe, tendo como pressuposto que o conhecimento é construído pelos aprendizes, que operam em regime de colaboração. EMPRESA MULTINACIONAL TECNOLOGIAS COLABORATIVAS Tecnologia: Intranet/ internet Objetivo: Mudança de modelo mental Modelo Pedagógico: Centrado na equipe Pressupostos: Conhecimento é construído pelos aprendizes, sustenta-se na colaboração Instrutor: Facilitador Interação: Interação com a tecnologia e interação aprendiz-aprendiz Resultados: Resolução de problemas e planejamento de ações, autonomia, comunicação e cooperação, saber porque fazer Quadro 9 – Empresa multinacional tecnologias colaborativas Fonte: (EMC DO BRASIL, 2003) Na empresa, as informações obtidas junto aos documentos internos, mostram que a preocupação com os processos de aprendizagem tem sido destacada quando da introdução das novas tecnologias em seus aperfeiçoamentos. A abordagem dada ao tema foi sempre direcionada para o aspecto pedagógico propiciado pelas novas tecnologias, demonstrando que a adoção dessa modalidade deverá permitir um ganho de qualidade no processo de aprendizagem. A pesquisa sobre “Formas de Aprendizagem dos Empregados da EMC do Brasil”, em desenvolvimento, mostra que essas questões estão sendo examinadas com grande interesse pela empresa. A preocupação com a adequação dos processos educacionais às características do público alvo, fundamental em qualquer projeto de ensino, demonstra que a empresa está empenhada na busca da qualidade do mesmo. O interesse da organização em formular uma estratégia de implantação da metodologia de educação continuada à distância, buscando romper barreiras que possam impedir o real aproveitamento das alternativas abertas por essa modalidade de ensino-aprendizagem, sinaliza que ela busca adequar-se às novas demandas educacionais. 153 Outra iniciativa da EMC do Brasil, relacionada com a incorporação da tecnologia na educação é o Projeto Achademia. Em parceria com a Compaq e a Microsoft, pretende-se formar um centro de competência que estimule a discussão e a troca de experiências sobre o uso das novas tecnologias nos processos de aprendizagem. De acordo com o responsável pela área educacional da empresa, “o Projeto Achademia representará um grande fórum multimídia com espaço aberto à participação de toda a comunidade educacional”. (EMC, 2003). Essa iniciativa mostra que a empresa, assim como as outras empresas envolvidas, estão apoiando a criação de um ambiente propício à aprendizagem coletiva e à adaptação das tecnologias de ECAD à realidade do país. Com o intuito de facilitar a compreensão do estudo das tecnologias/estratégias utilizadas pelas empresas estudadas, apresentam-se a seguir quadros comparativos para uma melhor visualização da comparação efetuada, objetivando mostrar as diferenças e semelhanças entre os programas de educação continuada à distância implantados pelas organizações apresentadas. TECNOLOGIAS DISTRIBUTIVAS Empresa Nacional Empresa Multinacional Tecnologia Vídeo + material impresso e TV Corporativa Vídeo Objetivo Aperfeiçoamento/Caráter informativo Transferir informações Modelo Pedagógico Centrado no instrutor Centrado no instrutor Pressupostos Aprendizagem centrada no conteúdo e na forma da informação Aprendizagem centrada no conteúdo e na forma da informação Instrutor Animadores locais Não há tutoria à distância nem local Interação Baixa - público alvo amplo: recepção passiva Baixa - público alvo amplo: recepção passiva Resultados Aquisição de informações Aquisição de informações necessárias à atuação da equipe de vendedores Quadro 10 – Empresa Nacional x Multinacional - tecnologias distributivas Fonte: o próprio autor 154 TECNOLOGIAS INTERATIVAS Empresa Nacional Empresa Multinacional Tecnologia TBC/ Vídeo conferência/Teleconferência TBC (multimídia) Objetivo Habilidades e competências, reforço conceito auto desenvolvimento Habilidades e competências Modelo Pedagógico Sujeito centro do processo Centrado no aprendiz Pressupostos Papel ativo do aprendiz Papel ativo do aprendiz Instrutor TBC com e sem tutoria, vídeo conferência instrutor mediador Tutoria à distância Interação Programas interativos entre estudantes e objeto O aprendiz interage com o programa fonte de consulta, orientação para o estudo em grupo Resultados Saber fazer com habilidade e destreza Aprender conceitos e estar capacitado a usá-lo Quadro 11 – Empresa Nacional x Multinacional - tecnologias interativas Fonte: o próprio autor TECNOLOGIAS COLABORATIVAS Empresa Nacional Intranet - ambientes de aprendizagem e sites educacionais, manuais eletrônicos Estimular o compartilhamento e a construção coletiva do conhecimento Tecnologia Objetivo Empresa Multinacional Intranet / internet Mudança de modelo mental Modelo Pedagógico Centrado na equipe Centrado na equipe Pressupostos Conhecimento é construído pelos aprendizes, sustenta-se na Conhecimento é construído pelos aprendizes, sustenta-se na colaboração colaboração Instrutor Coordenador Facilitador Interação Horizontais e verticais Interação com a tecnologia e interação aprendiz-aprendiz Resultados Criação de novo conhecimento, guarda memória técnica, comunidade de conhecimento, capital estrutural Resolução de problemas e planejamento de ações, autonomia, comunicação e cooperação, saber porque fazer Quadro 12 – Empresa Nacional x Multinacional - tecnologias colaborativas Fonte: o próprio autor 4.3.6 A ECAD e a informação Tendo ainda como referências as características das tecnologias “distributivas”, “interativas” e “colaborativas”, pode-se observar que a educação continuada à distância evolui no sentido de permitir ao capital humano uma interação cada vez mais estreita com a informação. As tecnologias distributivas promovem fracas interações entre aprendiz-aprendiz e aprendiz-instrutor, o que dificulta a comunicação entre os participantes do processo 155 educacional. Há também pouquíssima interação entre o sujeito e o objeto de estudo. As informações são disponibilizadas para o estudante, que tem poucas oportunidades de manipulá-las e de, a partir disso, construir seu conhecimento. A utilização de tecnologias interativas possibilita uma relação mais estreita do capital humano com as informações, marcando a união entre informática e educação. As informações são transmitidas de forma flexível e não estática, sendo trabalhadas pelo aprendiz, o que propicia a aprendizagem por descoberta. As tecnologias de hipermeios, simulação, jogos educacionais, possibilitam o processo de aprendizagem a partir da interação ativa do sujeito com o objeto de estudo. As tecnologias colaborativas, por sua vez, dão origem à convergência da informação, da informática, da comunicação e da educação, aprofundando a relação do aprendiz com as fontes de informações e promovendo interações verticais (aprendiz-instrutor-aprendiz) e horizontais (aprendiz-aprendiz) mais fortes. A informação assume um papel de destaque no processo de aprendizagem. Um dos pressupostos da educação em redes eletrônicas, que contam com bancos de dados é a busca da informação pelo aprendiz, que deverá categorizálas, separando-as e combinando-as, ou fazendo associações que o levem a levantar hipóteses e construir o conhecimento. Trata-se de uma ruptura em relação à modalidade presencial, embora o instrutor continue a ter um papel essencial, fornecendo o apoio necessário ao aprendiz na formulação das hipóteses e na formalização do saber, exercendo também o papel de facilitador do compartilhamento da informação entre os aprendizes e da interação entre esses e as fontes de informação. Nos exemplos estudados, a expressão mais clara dessa prática pedagógica são os ambientes de aprendizagem, que integram informação documental, projetos em curso e aperfeiçoamento. Os Manuais Eletrônicos, por serem bancos de dados e permitirem a interação entre os usuários, também representam uma modalidade de educação continuada à distância em que a busca de informações se dá de forma ativa. Por outro lado, os Manuais Eletrônicos e os Ambientes de Aprendizagem são, além de exemplos de uso da tecnologia da informação em aperfeiçoamento e aprendizagem, poderosos instrumentos na formação de comunidades de conhecimento dentro da organização. São mecanismos que respondem à noção de capital estrutural de Stewart (1998), uma vez que permitem gerenciar o capital intelectual acumulado pelos funcionários, codificando-o e estocando-o de modo a difundi-lo, possibilitando o seu compartilhamento e convertendo-o em ativo da empresa. Nos Manuais Eletrônicos, o intercâmbio de experiências e de procedimentos de 156 trabalho que se efetiva a partir da possibilidade de comunicação entre os seus usuários tem conduzido, como visto anteriormente, a uma efetiva geração de conhecimentos. 4.4 PERCEPÇÕES E CONSTATAÇÕES DO PESQUISADOR Uma vez que foram realizadas entrevistas com os especialistas e gestores de desenvolvimento e educação continuada, porém, as mesmas não foram feitas através de questionários que pudessem ser incluídos nesta pesquisa, este tópico têm como objetivo transmitir ao leitor as percepções do autor nas entrevistas realizadas. Em ambas as empresas os gestores encontram-se muito motivados com a utilização da educação à distância para a capacitação dos funcionários, os resultados financeiros são importantes, mas acreditam que para alcançar resultados positivos precisam de pessoas capacitadas. Possuem firmeza nos conceitos que aplicam no processo utilizado de educação continuada. É importante ressaltar que existe uma cultura e condicionamento para a pesquisa e atualização de novos modelos e métodos/tecnologias de educação à distância. Ambos os gestores afirmaram que existe nas organizações estudadas um pensamento estratégico/crítico construído sobre os fundamentos tradicionalmente transmitidos em congressos, cursos e etc. As organizações procuram manter esses gestores em contato permanente com especialistas e instituições atuantes com seriedade no ambiente da educação continuada. Apesar de existirem diversas empresas que prestam consultoria e desenvolvimento de programas direcionados para a educação continuada à distância, ambas as empresas, desenvolveram metodologias próprias/adaptadas de tecnologias de ECAD conhecidas. Com relação as estratégias/tecnologias utilizadas e descritas anteriormente, pode-se observar que as tecnologias colaborativas e interativas são utilizadas para os níveis estratégico e tático, e o nível operacional utiliza-se da tecnologia distributiva. 157 5 CONCLUSÃO E SUGESTÃO DE NOVAS PESQUISAS As transformações tecnológicas em curso vêm acarretando uma série de modificações no mundo do trabalho, exigindo uma maior qualificação do capital humano, que deve desenvolver uma visão mais abrangente, sendo estimulado a deter e atender problemas, assim como a resolvê-los. Tais exigências podem ser entendidas como prelúdio ao nascimento de novos paradigmas do processo de aprendizagem na organização, uma vez que o conhecimento passa a desempenhar um papel ainda mais importante na produção de riqueza. As organizações localizadas em setores da economia, com vários competidores e ameaça constante de importação de serviços/produtos, que é o caso das duas empresas estudadas, necessitam de estratégias agressivas e atualizadas/rápidas de desenvolvimento de competências. A partir da compreensão de que a competitividade depende do conhecimento do capital humano, as empresas buscam intervenções que possibilitem a gerência de seu mais importante ativo, o capital intelectual, o que envolve a gestão de competências, a gestão de seu capital estrutural e de seu capital cliente. No que tange ao desenvolvimento de competências, o processo de especialização do saber na cena contemporânea introduz uma dificuldade cada vez maior na gerência desse ativo empresarial, uma vez que evoca a necessidade de que as pessoas transitem nas mais diversas áreas, na busca de soluções para os problemas gerados por uma realidade dinâmica e fragmentada. Por conseguinte, a interdisciplinaridade tem sido objeto de consideração de todos aqueles que vêem nessa fragmentação um esfacelamento dos horizontes do saber. De uma perspectiva pedagógica, a interdisciplinaridade valoriza o trabalho em equipe, buscando a construção coletiva do conhecimento. Exige ainda um processo de indagação e de busca permanente, com a participação de sujeitos abertos para a cooperação, para o intercâmbio entre diferentes disciplinas; para a prática da pesquisa, para a sistematização de idéias. A complexidade e a imprevisibilidade do presente exigem novas formas de reflexão, tornando-se necessário desaprender as conhecidas maneiras de responder aos problemas. As organizações voltadas para a aprendizagem valorizam a diversidade de idéias e pontos de vista, considerando-a uma proteção para enfrentar a mudança de ambiente. A adequação às transformações no mundo do trabalho se faz de forma dinâmica, em um processo que é construído coletivamente e que requer, de todos___ gerentes e profissionais___ novas formas 158 de pensar e de participar, o desenvolvimento da habilidade para buscar conhecimentos e a atualização em relação aos conceitos e modelos mais recentes. A Revisão da Literatura desenvolvida no presente estudo buscou esclarecer como na atualidade tem evoluído o aperfeiçoamento nas empresas, face às grandes transformações no mundo do trabalho, assim como elucidar os pressupostos teóricos que se associam às diferentes tecnologias usadas para esse fim. Espera-se que a síntese realizada a partir dessa Revisão possa contribuir para a disseminação de novas práticas de aperfeiçoamento em empresas, podendo servir de referência para aqueles que se dedicam ao assunto, permitindolhes avaliar os sistemas, métodos e tecnologias que melhores se adequem ao perfil de cada empresa e ao modelo de gestão dos seus processos de aprendizagem. Por outro lado, o estudo de campo realizado a partir das experiências das empresas analisadas contribuiu para verificar, na prática, as soluções que estão sendo adotadas. No que se refere ao desenvolvimento de competências individuais, procurou-se desvendar, através do conhecimento das possibilidades técnicas e das ações educativas desenvolvidas pelas empresas na educação continuada à distância, as oportunidades abertas à área de aperfeiçoamento no seu objetivo de assegurar a capacitação de seu capital humano. A pesquisa de campo revelou que nas duas empresas pesquisadas existe a preocupação de criação de ambientes que estimulem a ampliação do conhecimento das pessoas. No domínio das disciplinas de aprendizado propostas por Senge (1990) domínio pessoal, modelos mentais, visão compartilhada, aprendizado em equipe e pensamento sistêmico considerou-se que as novas tecnologias computacionais e de comunicação dão aporte técnico de desenvolvimento. A partir das duas empresas examinadas, o que se percebe é que as tecnologias em uso proporcionam o desenvolvimento das cinco disciplinas enunciadas por Senge (1990), o domínio pessoal, o raciocínio sistêmico, o aprendizado em equipe, a mudança de modelos mentais, a visão compartilhada, que puderam contar com as tecnologias interativas e colaborativas. Analisando as ambiências de incentivo às novas formas de aprendizagens descritas no estudo comparativo, notou-se que esses contextos estão propiciando o acesso do capital humano às chamadas tecnologias da inteligência, que permitem não só o acesso à informação à distância, mas a associação da informação ao conhecimento. Constatou-se nas organizações estudadas uma estrutura pro ativa e de busca persistente por completar o ciclo de projeto, implementação, avaliação e aperfeiçoamento do projeto de ECAD. 159 A análise das tecnologias utilizadas por ambas as empresas permite concluir que a preocupação enfatizada pelas mesmas com a adequação das tecnologias aos processos de aprendizagem não se dá apenas no nível intencional. Os objetivos e modelos instrucionais (tecnologia distributiva, tecnologia interativa e tecnologia colaborativa) associados às tecnologias em uso mostraram-se coerentes com a prática dessas empresas. Entende-se, que a classificação de experiências de educação continuada à distância representa uma importante contribuição de trabalho, podendo servir de referência para outros estudos que pretendam analisar o real aproveitamento das tecnologias em ambientes de aperfeiçoamento. As experiências em educação continuada à distância descritas permitem ultrapassar a visão da utilização da tecnologia como suporte à difusão e transferência da informação, para uma perspectiva de aquisição de novos saberes, se constituindo também numa alternativa eficaz para o aperfeiçoamento da capacidade de aprender e o desenvolvimento de habilidades. Ou seja, permitem o alargamento das competências e mudança de modelos mentais. Espera-se que este estudo possa contribuir para aqueles que se ocupam da gestão de competências no mundo do trabalho. Por outro lado, a Revisão da Literatura realizada apresenta a gestão do capital intelectual nas empresas que se resume à gestão de competências individuais. É necessária também a socialização dessas competências, de modo a torná-las disponíveis à empresa como um todo, sedimentando-as como um ativo da organização. O processo de gestão do capital estrutural que a empresa possui é que lhe possibilita reter o conhecimento do capital humano, difundindo-o quando necessário. A perspectiva da utilização de redes eletrônicas para a criação de Ambientes de Aprendizagem, como no caso da empresa nacional, significa que a empresa está procurando administrar, com a ajuda da tecnologia, seu capital intelectual, aumentando sua capacidade em aproveitar o aprendizado individual, por meio da codificação, transferência e compartilhamento do conhecimento. A implementação dos Sites Educacionais, assim como dos Ambientes de Aprendizagem e dos Manuais Eletrônicos, está conduzindo-a explorar a convergência da informação, da educação, da comunicação e da tecnologia, no sentido de tornar-se uma organização orientada para o conhecimento. Trata-se de um contínuo e profícuo processo de disseminação de conhecimento, tendo por suporte a tecnologia da informação. A utilização dessa na gestão do estoque e do fluxo de conhecimentos permite a geração de novas competências individuais, num processo em espiral, no qual a acumulação do capital estrutural é incessantemente alavancada. 160 Tal experiência é inovadora, representando os ganhos imprevistos assinalados por Stewart (1998), na medida em que se utiliza a tecnologia da informação em um processo mais amplo de gestão do conhecimento. Essa utilização inclui a difusão e disseminação de informação de maneira ágil e automatizada, mas não se resume a esses ganhos esperados, permitindo explorar essa tecnologia tanto no aprendizado individual quanto organizacional. O uso de tecnologias interativas como suporte à gestão do conhecimento, detectado no estudo comparativo da empresa nacional, confirma para o pressuposto teórico de que, tanto as competências individuais, quanto as competências inter-grupais são fundamentais para o sucesso da empresa. Por outro lado, confirma que tais competências não podem se efetivar sem o regime de colaboração. As tecnologias colaborativas, como as redes eletrônicas, demarcam um novo patamar nas referências de aprendizagem das empresas, podendo ser usadas para a construção coletiva do conhecimento e para a edificação de um ambiente virtual de compartilhamento de saberes. No contexto da ECAD, em que a aproximação do aprendiz com as fontes de informação torna-se essencial, a convergência da sala de aula, da biblioteca e do laboratório de informática parece ser uma realidade cada vez mais próxima. Cabe lembrar que todos os elementos abordados em estudos são ainda recentes, tendo sido tratados de formas exploratória, podendo ser aprofundados em estudos posteriores. O acelerado ritmo de inovações tecnológicas e educacionais sugere que novos estudos de caso devam ser realizados, explorando especialmente a utilização das tecnologias colaborativas e o papel do profissional da informação no contexto da aprendizagem organizacional. Por outro lado, uma questão levantada e não respondida pelo trabalho refere-se aos resultados que as empresas estariam alcançando quando da implementação das novas tecnologias em seus programas de educação continuada à distância. Tal limitação decorre da própria ausência, por parte das empresas, de uma avaliação sistemática de seus programas de aperfeiçoamento. Uma investigação mais profunda sobre esses aspectos seria de grande relevância. Concluí-se apontando para a necessidade de uma sólida gestão de competências ___ via gestão de conhecimentos ___ nas empresas, de modo a garantir a competitividade das mesmas frente às demais. Avançando além das conclusões deste estudo, considera-se que a via do conhecimento não se esgota na competição entre as empresas, mas nos conduz à construção e à acumulação de um saber coletivo, que caminha em direção a sabedoria. Como Foskett (1990), entende-se que a sabedoria é composta do conhecimento coletivo de uma comunidade, ou seja, os 161 conhecimentos dos indivíduos enriquecidos pelas suas vidas na comunidade e expressos quando colocados em prática. Portanto, se limitássemos a compreensão do significado da palavra competência àquilo que sugere a sua origem etimológica ___ competição ___ restringiríamos o potencial de transformação social presente nas inovações tecnológicas em curso. Os computadores, a microeletrônica, os satélites e as tecnologias que exploram o principio digital possibilitam a ampliação e a disseminação da informação e do conhecimento na sociedade, que poderão se traduzir em novos saberes, novas competências e em uma sabedoria coletiva mais ampla. A limitação em duas empresas apenas estudadas limita a aplicação das conclusões obtidas na estruturação de princípios norteadores de projetos de educação continuada em outras organizações. Associada a tal conclusão, o autor, aponta a necessidade de estudos equivalentes para outros setores da economia. Acredita-se também que seria de grande interesse a realização de uma pesquisa mais ampla, tipo survey, em empresas brasileiras por tipo de indústria, que retrate a utlização das estratégias aplicadas na educação continuada à distância. 162 REFERÊNCIAS ABRIL. São Paulo Disponível em: http://info.abril.com.br/ligadas/2002/ 25.08.2004. Acesso em AMORA, Soares. Dicionário. 7. ed., São Paulo: Saraiva, 2000. 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