Orientações Para a Construção Coletiva de Planos de Negócios de Empreendimentos Associativos Natal/RN, março de 2011 Apresentação No processo de implementação das estratégias de desenvolvimento sustentável dos territórios rurais, uma das atividades de inegável importância é a Construção Coletiva dos PNEs – Planos de Negócios de Empreendimentos Associativos, os quais criam bases mais sólidas para a efetivação dos eixos econômicos explicitados nos Planos Territoriais de Desenvolvimento Rural Sustentável (PTDRS). Este documento sistematiza a experiência resultante da elaboração de mais que 30 (trinta) PNEs, os quais focalizaram situações variadas, verificadas nos estados do Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco: Tal documento pode ser entendido como uma proposta metodológica de construção dos PNEs aplicável à maioria dos casos que surgirão nos diferentes territórios e com possibilidades concretas de ser adequada a outros tipos de situações. Após definição dos objetivos dos PNEs e da caracterização dos seus componentes, são identificados os diferentes tipos de empreendimentos que necessitam ter seus planos de negócios e sugeridos os atores sociais que deverão participar da sua construção coletiva. Em seguida são apresentados e descritos resumidamente os procedimentos para a seleção dos empreendimento prioritários e para a construção de cada um dos componentes dos PNEs. Ao final são sugeridas as formas de apresentação desses planos de negócios, incluindo um roteiro para a versão definitiva. Qualquer críticas e contribuições, com vistas ao aperfeiçoamento desta proposta metodológica serão bem aceitas, podendo ser encaminhadas para os seguintes endereços: a) Rua Raimundo Chaves, 1584 – Sl. 11 e 12 – Candelária – Natal/RN CEP:59.064-390 b) Email: [email protected] 2 Sumário Tópico Página I – Parte I: Considerações Preliminares 1. Introdução...................................................................................... 06 2. O Entendimento Sobre o Plano de Negócios................................ 06 3. Os Objetivos do PNE.................................................................... 08 4. Os Componentes do PNE............................................................. 08 II – Parte II: Seleção dos Empreendimentos a Serem Planejados 1. Os Tipos de Empreendimento Associativos de Produtores Familiares a Serem Considerados Para os PNE........................ 13 2. Seleção dos Empreendimentos................................................... 13 III – Parte III – Metodologia de Construção dos PNEs 1. Considerações Gerais.................................................................. 18 2. Os Atores Sociais que participarão de Construção do PNE....... 18 3. Descrição dos Procedimentos 3.1. Módulo I............................................................................. 19 3.2. Módulo II............................................................................ 21 3.3. Módulo III............................................................................ 22 3.4. Módulo IV........................................................................... 24 3.5. Módulo V............................................................................ 24 3.6. Módulo VI........................................................................... 25 3.7. Módulo VII.......................................................................... 26 3 3.8. Roteiro das Apresentações do PNE.................................... 26 3.9. Prazos e Cronograma.......................................................... 27 4. Anexos Nº 01 - Perfis dos Empreendimentos Agroindustriais. Nº 02 - Exemplo de Explicitação de Metas Estratégicas. Nº 03 - Controles Financeiros. Nº 04 - Exemplo de Controle Operacional. Nº 05 - Exemplo da especificação dos parâmetros operacionais e econômico-financeiros. Nº 06 - Exemplo de Acordo entre o Grupo de Empreendedores e a Organização Associativa. 4 Parte I – Considerações Preliminares 5 1. Introdução A materialização dos eixos prioritários componentes da Dimensão Econômica dos PTDRS, se dá através de Projetos Executivos, de investimentos e/ou de custeio, apoiados por algumas políticas públicas orientadas para a dinamização econômica dos territórios rurais, entre as quais se salientam: O PRONAF/Infraestrutura, os créditos do PRONAF, os recursos da SDT para o PRONAT e para “Cooperativismo”, os PCPRs – Programas de Combate à Pobreza Rural, o TERRASOL (INCRA), os investimentos apoiados pela Fundação Banco do Brasil, pelo DRS/Banco do Brasil, pelo BNDES, pela PETROBRAS, pelo Projeto Dom Helder Câmara, pelos PDAS e por outras instituições. O bom êxito desses projetos depende, entre outros fatores, da sua adequada concepção e detalhamento e da qualificação dos empreendedores para a sua implantação e operação de forma eficiente e eficaz. As experiências vêm demonstrando que essa pré-condição (projetos bem concebidos e implementados satisfatoriamente) se torna mais viável quando baseada em Planos de Negócios bem elaborados e com características especiais que os diferenciam dos convencionais. Este documento, nos próximos tópicos, busca detalhar essas características desejáveis para os Planos de Negócios de “empreendimentos associativos de produtores rurais familiares”, os quais constituem a grande maioria dos empreendimento de caráter econômico que vêm sendo opoiados no contexto dos PTDRS. 2. O Entendimento Sobre Plano de Negócios. Um Plano de Negócios aplicável a empreendimentos associativos de produtores rurais familiares, é aqui entendido como uma proposta de implementação e desenvolvimento do empreendimento, por um período de cinco anos, que tenha comprovada viabilidade econômico-financeira e operacional e que explicite claramente e com bom nível de detalhamento a sua forma de gestão, os passos para a sua adequada operacionalização e os serviços de apoio necessários ao cumprimento das atividades programadas. 6 Dessa forma, o PNE deverá responder, coletivamente e através de consensos estabelecidos pela maioria dos atores sociais diretamente participantes do empreendimento, às seguintes perguntas: a) Que tipo de empreendimento queremos implementar? b) Que metas (físicas e financeiras) deveremos alcançar em cinco anos? Ou seja: em que situação estamos (hoje) e qual aquela que queremos atingir após cinco anos? c) Que investimentos precisaremos realizar para atingir as metas desejadas e que fontes e recursos poderão financiá-los? d) Esse “sonho” é viável, considerando tanto os aspectos operacionais quanto os econômico-financeiros? e) Como iremos realizar a gestão do empreendimento, de modo a obter eficiência negocial, simultaneamente com efetivo controle social e com adequada convivência entre os diversos atores envolvidos? f) Como iremos comercializar adequadamente os produtos e/ou serviços resultantes do empreendimento? g) Que tipos de serviços de apoio ao empreendimento serão necessários à adequada implementação do Plano de Negócios e que instituições poderão ofertá-los? h) Que medidas serão necessárias para a efetivação das ações previstas no Plano de Negócios? Quem será responsável por sua concretização e quais os prazos para que isso aconteça? 7 3. Os objetivos do PNE O Plano de Negócios, tal como a conceituação acima, deverá ser construído de modo a cumprir quatro objetivos: a) Detalhar a proposta para o empreendimento associativo para um período de cerca de cinco anos, tal como explicitado no tópico anterior. b) Pré-qualificar os empreendedores e as pessoas ou instituições com as quais interagem, com vistas à adequada implementação das ações planejadas. (observação: isto implica em conhecer bem o PNE, em aceitá-lo e legitimá-lo e em assumir efetivo comprometimento com a sua execução). c) Estabelecer claramente os procedimentos para a implementação do Plano de Negócios, com definição de responsabilidades e prazos, tanto no plano das pessoas quanto das instituições. d) Pré-negociar os apoios indispensáveis à concretização dos investimentos necessários ao PNE e definir as bases para a elaboração dos “projetos executivos” que se fizerem necessários (pelo menos os prioritários). 4. Os componentes do PNE Para alcançar os objetivos acima, o PNE deverá ter os componentes abaixo descritos: a) Documento Básico, com identificação dos atores sociais envolvidos no empreendimento, com descrição do perfil desejado para mesmo (incluindo demonstração da sua viabilidade), com as negociações realizadas entre os grupos sociais e/ou entidades participantes nos negócios e com os documentos formalizadores das decisões tomadas e das relações estabelecidas. 8 b) Plano Estratégico: Apresentação da situação atual ( o empreendimento que temos) e da situação desejada (o empreendimento que queremos), requeridos com e de detalhamento outras dos medidas investimentos necessárias à concretização do “sonho construído”. Identificação dos fatores “facilitadores” (potencialidades) e dos “dificultadores” (ameaças) à realização das metas desejadas, com proposta das providências necessárias à otimização das potencialidades e à minimização das ameaças. Análise da viabilidade do empreendimento projetado, tanto em seus aspectos operacionais quanto nos de ordem econômico-financeira. Explicitação das metas físicas e financeiras a serem atingidas até o quinto ano, com seu detalhamento desdobrado ano a ano. c) Plano de Comercialização Trata-se de detalhar as diversas alternativas para a adequada comercialização dos produtos e/ou serviços resultantes do empreendimento, analisando as medidas de efetivação de cada uma delas e estruturando propostas para a sua implementação durante cada ano de execução do PNE. d) Plano de Gestão É certamente a parte do PNE que exige maior esforço de concepção e de negociação entre os diversos atores participantes do empreendimento (direta ou indiretamente), os quais na maioria dos casos são os seguintes: 9 As pessoas diretamente envolvidas na gestão e operação do empreendimentos; A organização associativa que oferece cobertura institucional ao grupo. Os fornecedores de matérias primas e outros insumos. Os prestadores de serviços (técnicos ou de outro tipo) ao empreendimento. O Plano de Gestão define claramente as relações que deverão ser estabelecidas entre as pessoas que compõem o grupo de empreendedores e entre este e os demais grupos e/ou instituições. Se necessário deverão ser redigidos os contratos ou regulamentos e normas resultantes dessas negociações. Também compõem o Plano de Gestão os parâmetros financeiros e operacionais a serem usados no empreendimento, bem como os instrumentos necessários ao seu adequado acompanhamento e controle social. e) Plano de Serviços de Apoio ao Empreendimento. Apresenta os serviços de apoio necessários ao bom funcionamento do empreendimento, com descrição de cada um deles e com os resultados das negociações estabelecidas com vistas à sua realização. Entre tais serviços podem estar incluídos: Qualificação gerencial e técnica dos empreendedores. Assistência Técnica e Gerencial Consultorias Especializadas Controle de Qualidade (incluindo vigilância sanitária) Certificação, de natureza variada. Serviços operacionais (transporte, armazenamento, locação de equipamentos de embalagem, etc) 10 f) Medidas de Implementação Apresenta as providências que devem ser realizadas para a concretização das atividades planejadas, com definição de responsabilidades e prazos para a efetivação de cada uma delas e com identificação dos meios necessários para a sua realização. 11 Parte II – Seleção dos Empreendimentos a Serem Planejados 12 1. Os Tipos de Empreendimentos Associativos de Produtores Familiares Os empreendimentos associativos de produtores familiares que necessitam de Planos de Negócios podem ser agrupados conforme abaixo: a) Agroindústrias pertencentes a uma forma associativa (associação, cooperativa, consórcio, condomínio, etc) de produtores familiares. b) Espaços de Comercialização de produtos de agricultores familiares (1) (feiras livres, quiosques, centrais municipais e territoriais, abatedouros, etc.) c) Cooperativas que realizam comercialização e/ou prestação de serviços, tanto diretamente aos seus associados ou como “âncora” de grupos associativos. d) Cooperativas de Crédito formadas por Agricultores Familiares. e) Circuitos de Comercialização, englobando cooperativas ou associações. f) Bases de Serviços de Apoio à Comercialização, apoiadas pela SDT/MDA. g) Unidades Centrais de Apoio a grupos de agroindústrias familiares. 2. Seleção dos Empreendimentos Os empreendimentos associativos a serem planejados com apoio das SDT deverão ser selecionados com base nas recomendações e critérios apresentados a seguir. A princípio, o Colegiado Territorial deverá elaborar uma lista de até dez empreendimentos, em ordem de prioridade, tendo como base os seguintes critérios: ______________________________________________________________ (1) – Inclui além dos agricultores familiares convencionais, os assentados, acampados, pescadores artesanais, aquicultores familiares, indígenas, quilombolas, posseiros, arrendatários, população tradicionais, etc. 13 Devem fazer parte de cadeias produtivas prioritárias, as quais, por sua vez, devem ser compatíveis com os eixos prioritários definidos nos PTDRS. Devem fazer parte de um dos grupos de empreendimentos mencionados no item anterior (nº 5) deste documento. Devem ter real importância para a dinamização econômica do território, com foco na produção rural familiar. Após a elaboração dessa lista de prioridades, a entidade parceira da SDT responsável pela construção do(s) PNE(s), realizará a seleção definitiva do(s) empreendimento a ser(em) trabalhado(s), tendo como base uma análise preliminar dos que foram indicados pelo colegiado. Para facilitar os trabalhos, o número de empreendimentos a serem analisados variará conforme o número de PNEs a serem construídos: Para o caso de um PNE serão analisados os três primeiros empreendimentos da lista de prioridades; Para dois PNEs analisar-se-á os cinco primeiros empreendimentos; para três a quatro PNEs os sete primeiros e para cinco ou mais (até no máximo de sete), os dez empreendimentos listados pelo colegiado. Na análise e seleção dos empreendimentos a serem objeto da construção dos PNE, serão focalizados critérios indicadores tanto da sua “Viabilidade Operacional” quanto da “Viabilidade Econômico-financeira”, os quais serão resultado de uma avaliação preliminar obtida através de uma rápida visita (cerca de meio dia) a cada empreendimento e tendo como base informações obtidas junto aos seus dirigentes e trabalhadores. No caso de demonstração da “não-viabilidade operacional”, será dispensada a necessidade de realizar a avaliação econômico-financeira. 14 Os critérios de análise a serem usados estão abaixo explicitados: a) Viabilidade Operacional do Empreendimento: ( I ) – Disponibilidade de matéria(s) prima(s), tanto na própria comunidade quanto nas vizinhanças, bem como viabilidade de obtê-la(s) e de armazená-la(s) de forma satisfatória (técnica e economicamente). (II) – Disponibilidade de trabalhadores qualificados (ou com possibilidades concretas de qualificação em curto prazo), os quais deverão ser membros das famílias da comunidade local. (III) – Inexistência de sérios conflitos na comunidade, que possam comprometer o bom funcionamento do empreendimento associativo; (IV) – Não exigência de grandes investimentos, que estejam acima dos limites das políticas públicas atuais e/ou que só possam ser concretizados em prazos mais longos. b) Viabilidade Econômico-Financeira do Empreendimento, demonstrada através de uma avaliação preliminar que deve verificar se a renda bruta a ser obtida será suficiente para: (I) pagar os custos operacionais (fixos e variáveis), (II) – remunerar os trabalhadores como pelo menos um salário mínimo por 22 dias/mês de trabalho de 8 horas/dia; (III) – Recuperar os investimentos fixos e semi-fixos*; (IV) – Deixar uma reserva para atender a situações imprevistas. c) Abrangência Geográfica, dando-se preferência aos empreendimentos que possam ser reaplicados para o maior número possível dos municípios que compõem o território. d) Famílias Beneficiadas Direta ou Indiretamente, considerando-se como beneficiários diretos aqueles que trabalharão no empreendimento e como beneficiários indiretos aqueles que fornecerão matérias primas e/ou que receberão sub-produtos do empreendimento para usar como insumo para a produção e/ou que adquirirão produtos do empreendimento em condições mais satisfatórias que as oferecidas pelo mercado convencional. _______________________________________________________________ * Considerar o prazo de 10 (dez) anos, o qual se compatibiliza com o prazo de pagamento dos créditos investimentos do PRONAF”. 15 e) Possibilidades concretas de inserção adequada nos mercados para os produtos resultantes do empreendimento. f) Existência de pelo menos um técnico, que preste assessoria sistemática à comunidade e que esteja disponível para ser qualificado com a prática de construção do Plano de Negócios e que se comprometer a assessorar sua implantação e operação. O resultado da análise será objeto de um breve relatório, o qual deverá ser encaminhado ao Colegiado, para efeito de conhecimento e de (se julgar necessário) comunicação aos responsáveis pelos empreendimentos analisados. 16 Parte III – Metodologia de Construção dos PNEs 17 1. Considerações Gerais Para cumprir todos os objetivos explicitados no item nº 03 deste documento. O PNE será construído em sete módulos, cada qual associando dois momentos: a) Um momento de reunião de trabalho, com a presença dos atores sociais principais e, se necessário, de convidados; e b) Um momento de trabalhos de escritório, realizado pelo (s) técnico (s) animador (es) do (s) trabalho (s), com o objetivo de sistematizar os resultados do momento anterior e de preparar materiais para o novo módulo. A idéia é que, após a conclusão de cada módulo, os empreendedores já tenham uma qualificação mínima para entender e realizar o que foi consensualizado e estejam sensibilizados para a construção do módulo seguinte. 2. Os atores sociais que participarão da construção do PNE Deverão participar do processo de construção do PNE as seguintes pessoas ou grupos de pessoas: Supervisor Estadual, encarregado de acompanhar e orientar os técnicos responsáveis pela construção dos PN. Técnico Responsável pelos trabalhos de construção dos Planos, estimados em 01(um) técnico para até três empreendimentos. Especialistas nos tipos de empreendimentos, os quais prestarão assessoria ao Supervisor e ao Técnico conforme as necessidades. Articulador Territorial, que se encarregará de apoiar a realização do processo a ser implementado. Trabalhadores diretamente envolvidos na gestão e operação do empreendimento. Dirigentes da Associação Comunitária (ou outro tipo de organização associativa) que é proprietária dos bens a serem usados pelo empreendimento. (Pelo menos um membro da diretoria da associação deverá participar das atividades de construção dos PN). 18 Observação: A equipe de seleção dos empreendimentos poderá ser formada pelo Supervisor Estadual (Coordenador dos trabalhos), pelo articulador territorial e pelo técnico responsável pelo PN. 3. Descrição dos Procedimentos 3.1. Módulo I a) Momento Presencial (01 dia) Será uma reunião com trabalhadores que participarão diretamente na construção do Plano de Negócios do Empreendimento e com os gestores da organização associativa da comunidade (quando for o caso). Também participarão o Assessor/Animador do Processo, o Assessor Especializado e o Articulador Territorial. (Observação: Os trabalhadores que participarão diretamente do empreendimento, terão papéis muito variados, conforme as características do próprio empreendimento. Por isso, julgou-se necessário explorar melhor essa questão no anexo nº 1 deste documento). Os temas a serem objeto de debates e consensos neste momento serão os seguintes: Definição do grupo de trabalhadores que participará diretamente no empreendimento, com a identificação de cada um deles e com a especificação das funções a serem exercidas pelos sub-grupos e/ou pessoas (ver anexo nº 1). Identificação dos atores que terão participação eventual no processo, os quais geralmente são: O assessor/animador O assessor especializado O articulador territorial Os dirigentes da organização comunitária. 19 Identificação das instituições e/ou grupos de pessoas com os quais o empreendimento se articulará, com clara descrição das relações a serem estabelecidas. Entre tais atores figuram, como mais comuns, os seguintes: A organização associativa que dará cobertura formal ao grupo de empreendedores (quando for esse tipo de caso). Os fornecedores de matérias primas Os compradores que, de forma sistêmica (não eventual) estabelecerão acordos (formais ou informais) de aquisição dos produtos do empreendimento. Os fornecedores de serviços regulares ao empreendimento: transporte, armazenagem, aluguel de embalagens, certificação, vigilância sanitária, etc... Apresentação das atividades a serem desenvolvidas, para a construção coletiva dos Plano de Negócios, compreendendo, no mínimo: Esclarecimento sobre o que é um Plano de Negócios e quais os seus componentes. Apresentação e discussão dos objetivos a serem atingidos com a construção do PNE. Apresentação e esclarecimentos sobre a metodologia de construção do Plano. Negociação dos papéis e dos compromissos de cada participante (permanente ou eventual). Definição de uma agenda preliminar, considerando que a construção do Plano se dará nos prazos estabelecidos conforme o cronograma geral proposto. 20 Identificação dos tipos de relações com outros atores, os quais deverão ser objeto de Acordos Formais ou de Normas Operacionais e, se possível discussão dos principais aspectos desse acordo, incluindo indicação do(s) representante(s) do grupo para iniciar as negociações, em cada caso. b) Trabalhos de Escritório e/ou de Campo. Preparação de propostas de Acordos/Contratos/Normas Operacionais, etc... a serem negociadas entre o Grupo de Empreendedores e as instituições/pessoas com as quais se articularão (a cargo de assessor/animador). Entendimentos iniciais entre os representantes do Grupo de Empreendedores e os líderes ou responsáveis pelas instituições ou grupos de pessoas, com vistas a preparar as futuras negociações. (Observação: isto implica que, no momento presencial já haja a indicação, pelo grupo, das pessoas ou comissões que deverão iniciar esses contatos). 3.2. Módulo II a) Momento Presencial Este momento terá duração de dois dias e nele serão tratados dois temas: Análise das propostas de Acordos/Contratos/Normas Operacionais, etc que regerão as relações entre o grupo de empreendedores e outros atores. Após aprovação pelo grupo, do conteúdo das propostas, será consensualidada a forma de realização das negociações, bem como serão designados os responsáveis pelas mesmas. Negociações e conclusões sobre o perfil do empreendimento, bem como seu detalhamento, incluindo a mais clara definição das funções de cada empreendedor ou de seus sub-grupos. 21 Observação: Essa atividade é de grande importância, devendo ter como base as idéias explicitadas no anexo nº 1. b) Trabalhos de Escritório e/ou de campo. Elaboração das minutas (versões preliminares) dos contratos, normas operacionais ou outros documentos que regerão as relações do grupo com os Outros Atores, tendo como base as decisões consensualizadas no momento presencial (trabalho a cargo do assessor/facilitador). Apresentação das propostas aos outros atores e encaminhamento das suas negociações, incluindo os acertos para a realização de assembléias, reuniões conjuntas, etc para a aprovação desses documentos (trabalho a cargo das pessoas ou comissões designadas pelo Grupo de Empreendedores. Observação: durante essas negociações, os responsáveis poderão promover reuniões com todo o grupo ou com parte dede, se julgar necessário e sem a necessária presença do assessor/facilitador. Descrição do perfil do empreendimento, tendo como base as decisões consensualizadas pelo grupo, no momento presencial (trabalho a cargo do assessor/facilitar e, se necessário, com o apoio do assessor especializado). 3.3. Módulo III a) Momento Presencial (2 dias) Apresentação dos resultados das negociações relativas aos acordos com outros atores, com o conseqüente encaminhamento das providências acertadas pelo grupo. 22 Análise e aprovação da descrição do perfil do empreendimento, com incorporação dos ajustes que forem aprovados. Estabelecimento das metas estratégicas que o grupo pretende atingir nos primeiros cinco anos, com sua distribuição ano a ano (ver exemplo no anexo nº 2). Previsão dos investimentos necessários à concretização dessas metas. Listagem dos fatores que facilitam o alcance às metas propostas (potencialidades existentes) e daqueles que dificultam a sua realização (ameaças à realização de sonho). Identificação das providências que deverão ser tomadas, para maximizar as potencialidades e para minimizar as ameaças, com a especificação das orientações para a concretização de cada providência aprovada pelo grupo (quem será responsável, como será realizada, onde será realizada, quando e com que se efetivará). Análise de uma proposta elaborada pelo “assessor especializado”, relativa aos parâmetros a serem utilizados na avaliação dos desempenhos operacional e econômico-financeiro (ver orientações no anexo nº 5). b) Trabalhos de Escritório e ou de Campo Análise da viabilidade econômico-financeira, com indicação das medidas que forem recomendadas (a cargo do assessor/facilitador). Identificação das prováveis fontes de recursos que poderão financiar os investimentos necessários (a cargo do assessor/facilitador, porém com apoio do ADE- Agente de Desenvolvimento Econômico da SDT, que atua no Estado). 23 3.4. Módulo IV a) Momento Presencial (1 dia) Apreciação dos resultados da avaliação econômico-financeira e definições relativas às providências recomendadas pela mesma. Apreciação das propostas relacionadas às fontes de financiamento e identificação, em forma preliminar, dos caminhos a serem seguidos para a elaboração e negociação dos projetos executivos. Aprovação (em forma definitiva) dos critérios de avaliação dos desempenho operacional do empreendimento, incluindo entre eles as tabelas de remuneração dos serviços realizados pelos empreendedores e das recomendações gerais com vistas à sua atualização. b) Trabalhos de Escritório e/ou de Campo. Versão final do capítulo relativo à gestão do empreendimento, consolidando tudo o que foi decidido no momentos anteriores (a cargo do Assessor/Facilitador). Elaboração de proposta de alternativas para a comercialização da produção do empreendimento, bem como de providências para a sua efetivação (trabalho a ser realizado pelo assessor) facilitador, com apoio do assessor especializado, da Base de Serviços de Apoio à Comercialização e do ADE). 3.5. Módulo V a) Momento Presencial (1dia) Análise das alternativas para a comercialização, com a conseqüente definição de uma estratégia mercadológica, bem como dos responsáveis por sua implementação (instituições ou pessoas). 24 Observação: É importante, neste momento a participação da BSC e do ADE, bem como de uma ou mais pessoas com experiência em comercialização. Se considerado conveniente, e quando for o caso, também poderão participar representantes de empreendimentos que atuam como “âncora” de processos de comercialização. b) Trabalhos de Escritório e/ou de Campo. Versão final do capítulo referente à estratégia de comercialização. Proposta preliminar de realização dos Serviços Técnicos de Apoio ao Empreendimento: Assessoramento Técnico e Gerencial, Consultorias Especializadas, Qualificação Profissional (em produção e em gestão), certificação, controle de qualidade, etc... Proposta das medidas necessárias à implementação do Plano de Negócios: O que precisa ser feito para que o PNE se materialize e como essas providências deverão ser concretizadas. Observação: A elaboração dessas propostas será responsabilidade do assessor/facilitador, o qual poderá contar com apoio do ADE, de Consultores contratados pela entidade parceira da SDT e de representantes das entidades que já vêm assessorando o empreendimento. 3.6. Módulo VI a) Momento Presencial (1 dia) Neste momento deverão ser apreciadas e criticadas as duas propostas elaboradas pelos técnicos: Prestação de Serviços de Assistência Técnica e medidas para implementação do Plano de Negócios. Em ambos os casos a análise da proposta será complementada com a definição de responsabilidades e estabelecimento de prazos. 25 No momento dedicado aos serviços de AT, seria interessante a participação de dirigentes da entidade prestadora de tais serviços, o que já permitiria o estabelecimento de acordos durante a própria discussão. b) Trabalhos de Escritório e/ou de campo. A equipe técnica irá escrever a versão final do Plano de Negócios, o que deverá ocorrer em duas formas: uma mais completa, conforme o roteiro apresentado no item 3.8 e uma na forma de cartilha, em linguagem simplificada e para uso dos trabalhadores envolvidos na implementação do Plano. 3.7. Módulo VII (Reunião Final de 1º dia) Pode ser uma reunião com os atores diretamente envolvidos no empreendidos, para apreciação e validação do relatório final ou, então, uma reunião ampliada, da qual, além dos atores acima, também participem representantes de instituições que possam apoiar a execução do Plano de Negócios. Neste último caso, além da validação do Plano, serão entabuladas as negociações com vistas à obtenção dos apoios para Assistência Técnica, Consultorias, Formação Profissional, Certificação e outros serviços. 3.8. Roteiro das Apresentações do PNE. 3.8.1. Apresentação Detalhada Para a apresentação da versão mais detalhada dos Plano de Negócios, sugere-se o roteiro abaixo: 1. Apresentação 2. Sumário 3. Glossário de Siglas 4. Metodologia Utilizada 5. O Plano de Negócios 5.1. Descrição do Empreendimento 5.2. Plano Estratégico 5.3. Plano de Comercialização 5.4. Plano de Gestão 26 5.5. Plano de Serviços de Apoio ao Empreendimento. 6. Medidas de Implementação do Plano 7. Anexos: Trabalhadores que participarão do empreendimento Detalhamento da Avaliação Econômico Financeira Instrumentos de Controle Operacional Instrumentos de Controle Gerencial Contratos/Acordos/Normas Regulamento Geral do Empreendimento Outros (se necessário) 3.8.2. Versão Simplificada Para a versão simplificada, uso dos trabalhadores, a versão sugerida é a seguinte: 1. O nosso negócio 2. Nossos objetivos e metas 3. Investimentos que Iremos realizar e quem poderá apoiá-los. 4. Como Iremos Comercializar a nossa produção 5. Como será realizada a Gestão do Empreendimento 6. Direitos e Deveres da cada um de nós. 7. Como serão realizados os Controles das Atividades. 8. Como funcionarão os serviços de Apoio ao Empreendimento. 9. Como iremos fazer o Plano de Negócios funcionar. 3.9. Prazos e Cronograma Sugere-se a construção do Plano de Negócios em um prazo de 4 (quatro) meses, conforme o cronograma apresentado em seguida. 27 Cronograma de Atividades ordem Atividades 01 02 Atividades Preparatórias: Reunião com Colegiado, seleção do empreendimento, identificação/ comprometimento do especialista, mobilização para o primeiro momento presencial....................... Módulo I 2.1 - Momento Presencial 2.2 - Trabalhos de Escritório e Campo 03 Módulo II 3.1 - Momento Presencial 3.2 04 - Trabalhos de Escritório e Campo Módulo III 4.1 Momento Presencial 4.2 05 Trabalhos de Escritório e Campo Módulo IV 5.1 - Momento Presencial 5.2 06 - Trabalhos de Escritório e Campo Módulo V 6.1 - Momento Presencial 6.2 - Trabalhos de Escritório e Campo 07 Módulo VI 7.1 - Momento Presencial 7.2 08 09 - Trabalhos de Escritório e campo Relatórios Finais Reuniões Final 1 2 3 4 Prazo de Execução (semanais) 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 Anexo nº 1 O Perfil do Empreendimento Associativo Algumas idéias para a concepção/adequação dos perfis de empreendimentos de agroindústrias familiares associativas 29 1. Considerações Iniciais A concepção do “Perfil Desejado” para o empreendimento associativo implica em analisar a situação atual em que ele se encontra (“o empreendimento que temos”) e identificar as mudanças quantitativas e qualitativas que precisam ser feitas no mesmo, a fim de se chegar a uma situação desejada (“o empreendimento que queremos”). Nesse momento serão também identificadas as funções a serem exercidas pelos diferentes atores sociais diretamente envolvidos nos empreendimentos e consensualizados os compromissos iniciais para o seu adequado cumprimento. 2. Os empreendimentos agroindustriais associativas de produtores familiares. operados através de formas Os empreendimentos associativos do tipo agroindustrial são os que apresentam perfis mais complexos, uma vez que envolvem maior número de funções a serem cumpridas por grupos relativamente grandes de empreendedores. Por isso, usaremos esses tipos de empreendimentos como exemplos para melhor explicar o processo de construção do seu perfil. 3. O Empreendimento que temos Trata-se de descrever o estágio atual do empreendimento, o que implica em levantar e sistematizar as seguintes informações: a) Descrição da estrutura física já existente: prédio (com planta baixa ou croquis) e descrição do atual estado de conservação e instalações/equipamentos, com especificação de cada um deles. b) Disponibilidade de matérias ( s ) prima ( s ) no local (comunidadesede do empreendimento e vizinhas). c) Parâmetros operacionais (rendimentos) em cada uma das etapas do fluxo de produção. 30 4. Alternativas de Ajustes no Perfil do Empreendimento Para realizar opções de mudanças no perfil dos empreendimentos é necessário uma reflexão Coletiva sobre algumas alternativas que poderão ser adotadas: a) Alternativas quanto ao maior ou menor nível de Centralização das atividades de processamento agroindustrial. b) Alternativas para dimensionamento do empreendimento (escala de produção). Cada um desses grupos de alternativas é analisado, em forma resumida, nos itens seguintes. 5. Nível de Centralização do Processamento Agroindustrial O processamento agroindustrial poderá se realizar em duas formas: a) Centralizado, com todas as etapas sendo realizadas centralizadamente, em uma única planta agroindustrial, geralmente localizada nas cidades ou em povoados de maior porte. Nesse caso, as matérias primas a serem processadas passam por um tratamento inicial nas unidades familiares de produção (em geral constituído por limpeza, pré-seleção e embalagem rústica) e são transportadas, individual ou coletivamente, até a planta de processamento, onde passam pelo processamento integral (incluindo classificação final e embalagem) e pela comercialização. Essa planta, no caso de empreendimentos associativos, é operada por uma “forma associativa” controlada pelos produtores familiares (cooperativa, associação, consórcio, etc). b) Descentralizado por Etapas, onde o processamento é realizado em diferentes locais, passando por diversas etapas articuladas entre si, desde as unidades familiares até às comunidades rurais e daí até às sedes dos municípios e destes com unidades de maior porte, geralmente situadas em cidades pólo ou em pontos estratégicos, do Território Rural. 31 Esse processamento “descentralizado por etapas” pode ser resumido conforme o esquema abaixo: Espaço Unidades Processamento Integral (Centralizado) Fornece Matéria Prima Pré – selecionada Transporte Individualizado Totalmente Descentralizadas Processamento Caseiro dos produtos (até o acabamento sem embalagem) Transporte coletivo da matériaprima Transporte Coletivo para as cidades e povoados Familiares Comunidades Rurais ou Áreas Comuns de Assentamentos Processamento Por Etapas Semi-Descentralizada Preparação Inicial dos Produtos Processamento - Unidades com todas as operações - Operações em Etapas Cidades ou Povoados de Maior Porte Armazém Central de Mat. Prima Unidade de Processamento (todas as etapas) Armazenamento e Expedição Unidade Central de classificação, Embalagem e Distribuição - Acabamento, classificação, embalagem e distribuição. Nos sistemas descentralizados por etapas poderá haver a distribuição de tarefas entre os sub-grupos em olvidos nos empreendimentos, conforme os exemplos abaixo: a) Caso do beneficiamento da Castanha de Caju Dois “compradores de Castanha” se responsabilizam pela aquisição da matéria prima, controle dos estoques e distribuição para as “famílias de cortadores” Cinco famílias realizam o Corte da Castanha, produzindo “amêndoas úmidas” e encaminhando-as diariamente aos estufadores. Dois jovens operam as estufas de secagem, recebendo as amêndoas úmidas e entregando-as secas. Um grupo formado por doze mulheres e jovens realizam a despeliculagem das amêndoas secas. Um grupo, com seis jovens, opera a classificação e embalagem da Castanha. Dois dirigentes controlam o estoque de amêndoas beneficiadas e realizam a venda dos produtos. Um supervisor acompanha, orienta e controla todas as atividades. O “grupão” (todos os envolvidos) realiza reuniões mensais de controle e avaliação do empreendimento como um todo. b) Caso do processamento de hortaliças As famílias produzem as hortaliças e vendem parte delas para três grupos de mulheres (dez mulheres por grupo). Os grupos de mulheres realizam o “processamento mínimo” das hortaliças, embalando-as em bandejas de isopor cobertas com filmes plásticos. Os subprodutos são vendidos aos criadores de animais, para uso como ração. Um grupo de jovens produz os rótulos para as embalagens Dois jovens realizam as vendas dos produtos Três jovens fazem a distribuição dos produtos processados. 33 Cada sistema de processamento apresenta vantagens e desvantagens, que são apresentadas abaixo, para cada um dos casos: Processamento Centralizado: Vantagens Desvantagens Melhor Controle das operações industriais. Maior Uniformidade dos produtos. Maior segurança no estabelecimento compromissos de vendas. de Custo do transporte das matérias primas e do seu armazenamento Centralizado. Dificuldade para o adequado aproveitamento dos resíduos do beneficiamento inicial; Relações trabalhistas. Elevada Dependência da Gestão Centralizada. Processamento Descentralizado por Etapas: Vantagens Desvantagens Maior Facilidade e Menor Custo das Atividades de Transporte e Armazenamento. Produção com risco de “pequena uniformidade Aproveitamento Imediato dos Resíduos do beneficiamento inicial. Possíveis “furos” no fluxo de produção. Gestão Descentralizada Autonomia. Maior Necessidade de Negociações complexas para estabelecer as relações entre os grupos. Diminuição de Relações Trabalhistas e dos seus Encargos. Controles Gerenciais mais Complexos. e com Para maiores esclarecimentos, são apresentados abaixo alguns resumos de perfis de empreendimentos. Síntese de Casos de Processamento da Castanha-de-Caju. A Unidade Centralizada deverá adquirir e transportar Castanha Processamento Centralizado Caso do Projeto do PRONAF/INFRA em João Bruta em todo o Território. Realizará todo o beneficiamento com mão-de-obra contratada e cuidará da distribuição nos mercado. Câmara Processamento Caso de Serra do Descentralizado mel - COOPERCAJU Cada Família processa o corte da castanha e realiza a secagem (estufas), despeliculagem e ensacamento em plásticos de 20 a 25 kg. A COOPERCAJU recebe as amêndoas, classifica, embala e procede as vendas e expedição. Processamento Caso do PA – Petrolina Semi-descentralizado (Caraúbas) A Associação adquire Estoque de castanha e organiza sua distribuição aos cortadores. 5 famílias cortam castanha. 1 grupo de jovens faz a secagem em estufas. Outro grupo realiza a despeliculagem. Outro grupo faz classificação e embalagem. 2 vendedores cuidam das vendas e expedição. Outras Alternativas de Perfis Semi-Descentralizados Queijo Famílias ou Pequenos grupos fabricam os queijos Reaproveitamento do Soro Polpas de Frutas Famílias ou Pequenos grupos Extraem Polpa e Armazenam em Plásticos Comunidades (Associações) Armazenagem a Frio e Transporte p/ Central Central nas Cidades -Classifica e embala - Venda e Expedição Central nas Cidades Comunidades (Associações) Resfriamento e transporte / central -Embalagem - Congelamento - Venda e Expedição Reaproveitamento de Cascas e Sementes Produtos da Apicultura Famílias operam as Unidades de Produção Apícola (colméia) Comunidades (Associações) Processamento Inicial nas Casas de Mel Entrepostos nas Cidades - Processamento Final -Embalagem - Venda e Distribuição 6. Considerações Finais É importante que o grupo de empreendedores, com um adequado assessoramento técnico, analise com profundidade as diferentes alternativas de perfis, optando por aquele que for considerado mais apropriado às especificidades locais. Isto não envolve complexidades quando se trata de um empreendimento a ser projetado e implantado. Entretanto, nos casos que surgirão, a quase totalidade se refere a sistemas agroindustriais já implantados e até “em operação” o que implica em ajustes de considerável dimensão, especialmente quando se tratar de mudanças de sistemas centralizados para descentralizados. É necessário, portanto, que os grupos avaliem com profundidade o que é mais aconselhável: ou tentar viabilizar o que já existe, mesmo tendo que enfrentar as desvantagens identificadas; ou implementar as mudanças mesmo que essas impliquem em novos investimentos; ou até encerrar o empreendimento atual, liquidar os ativos e construir um novo. O que não deve ser feito é insistir na operação de algo que já está demonstrando real inviabilidade, muitas vezes usando de subsídios ou “favores” de caráter especial, que induzem uma situação de irrealidade. 37 Anexo nº 2 – Exemplo de Explicitação de Metas Estratégicas O Plano Estratégico, a princípio previsto para cinco anos, deve ser explicitado através de metas físicas e financeiras a serem alcançadas ano a ano: A tabela a seguir mostra um exemplo de como podem ser resumidas as metas pactuadas pelo grupo de empreendedores. 38 Plano de Negócios:__________________________________________________________________________ Metas Estratégicas (2011 a 2015) Ordem 1 1.1 1.1.1 1.1.2 1.1.3 1.1.4 Especificação das Metas Metas Físicas - Matéria Prima Processada Caju (Pedúnculo) Acerola Umbu Graviola 1.2 1.2.1 1.2.2 1.2.3 1.2.4 - Polpas Obtidas De Caju De Acerola De Umbu De Graviola 1.3 1.3.1 1.3.2 1.3.3 - Trabalhadores Envolvidos Na Gestão do Empreendimento No Processamento Na Comercialização 1.4 1.4.1 1.4.2 1.4.3 1.4.4 1.4.5 - Outros Insumos Utilizados Embalagens de 20 kg Sacos Plásticos de 1kg Sacos Plásticos de ½ kg Água Consumida Energia Consumida Unidade de Medida Ton/ano Ton/ano Ton/ano Ton/ano Ton/ano Ton/ano Ton/ano Ton/ano Trab. Trab. Trab. Bombonas Unidade Unidade Litros Kva Quantidades Anuais Atual 2011 2012 2013 2014 2015 Plano de Negócios:__________________________________________________________________________ Metas Estratégicas (2011 a 2015) Continuação: Ordem 2 2.1 2.2 2.3 2.4 2.5 2.6 2.7 V.7.anexo 2 Especificação das Metas Metas Financeiras - Faturamento Bruto - Custos de Produção Fixos Variáveis - Resultado Operacional - Remuneração dos Empreendedores - Reservas do Empreendimento Unidade de Medida R$/ano R$/ano R$/ano R$/ano R$/ano R$/mês/trab. R$/ano Quantidades Anuais Atual 2011 2012 2013 2014 2015 Anexo nº 3 Instrumentos de Controle Econômico – Financeiro do Empreendimento. 41 I) Balanço Mensal do Empreendimento Mês:_____________________________________ 1. Situação no Início do Mês Valor (R$) 1.1 – Bens Fixos e Semi-fixos.......................................................... 1.2 – Estoque................................................................................... 1.3 – Recursos Financeiros.............................................................. 1.3.1 – Bancos (Contas Correntes)............................................ 1.3.2 – Bancos (Aplicações)....................................................... 1.3.3 – Caixa.............................................................................. 1.4 – Dívidas a Receber................................................................... 1.5 – Dívidas a Pagar....................................................................... 2. Movimento do Mês 2.1 – Aquisição de Bens Fixos e Semi-fixos.................................... 2.2 – Aquisição de Bens de Consumo............................................. 2.3 – Receitas de Vendas................................................................ 2.4 – Despesas Operacionais.......................................................... 3. Situação no Fim do Mês 3.1 – Bens Fixos e Semi-fixos.......................................................... 3.2 - Estoque.................................................................................... 3.3 - Recursos Financeiros............................................................... 3.3.1 – Bancos (Contas Correntes)............................................ 3.3.2 – Bancos (Aplicações)....................................................... 3.3.3 – Caixa............................................................................. 3.4 - Dívidas a Receber ................................................................... 3.5 – Dívidas a Pagar........................................................................ 42 II) Controle de Estoques (1 Ficha para cada tipo de mercadoria) Mercadoria: Data Especificação 1º/___ E/S* Q Estoque no início do mês S - Estoque no Fim do Mês S - Saldo 30/___ (*) E= Entrada S = saída 43 III) Movimento do Mês Mês:_______________________________ Data Especificação 1º Disponibilidades Financeiras no Início do Mês 30 Disponibilidade no Fim do Mês (*) D/C* C Valor Saldo (R$) (R$) - - D = Débito C= Crédito 44 IV) Movimentação Mensal das Disponibilidades Financeiras Mês:___________________________ Ordem Agente Financeiro CAIXA TOTAL GERAL Tipo de Nº da Conta Conta - - Saldo do Início do mês Entradas Saídas Saldo no Fim do Mês IV) Controle de Contas a Receber Mês:______________________________ Ordem Devedor Valor (R$) Data do Vencimento 46 V) Controle de Contas a Pagar Mês:__________________________ Ordem Credor Valor (R$) Data do Vencimento 47 Anexo nº4 Exemplos das fichas dos Relatórios de Controle Operacional Caso do Beneficiamento da Castanha de Caju do PA Petrolina/RN (A serem apresentadas a cada 15 dias pelos membros da Comissão Gestora e Controladora - CGC) 48 APAP – ASSOCIAÇÃO DO PROJETO DE ASSENTAMENTO PETROLINA BENEFICIAMENTO DA CASTANHA DE CAJÚ FICHA DE ESTOQUE DE CASTANHA DE CAJU Data Tipo Especificações Entrada Saída Saldo APAP – ASSOCIAÇAO DO PROJETO DE ASSENTAMENTO PETROLINA 49 BENEFICIAMENTO DA CASTANHA DE CAJÚ FICHA DE ESTOQUE DE PRODUTOS DIVERSOS Produto: ___________________________________ Data Especificação Entrada Saída Saldo 50 APAP – ASSOCIAÇAO DO PROJETO DE ASSENTAMENTO PETROLINA BENEFICIAMENTO DA CASTANHA DE CAJÚ FICHA DE ESTOQUE DE AMÊNDOAS PROCESSADAS Tipo: ___________________________________ Data Especificação Entrada Saída Saldo 51 APAP – ASSOCIAÇÃO DO PROJETO DE ASSENTAMENTO PETROLINA BENEFICIAMENTO DA CASTANHA DE CAJÚ FICHA DE SERVIÇO DE CORTE DE CASTANHA DE CAJU Nome do cortador: _________________________________________________ Data Entrada de Castanha Amêndoas de Castanha de caju com película Inteira Partidas Podres Total Kg % 52 APAP – ASSOCIAÇÃO DO PROJETO DE ASSENTAMENTO PETROLINA BENEFICIAMENTO DA CASTANHA DE CAJÚ FICHA DE SERVIÇO DE ESTUFAGEM DE AMÊNDOAS Data Total de amêndoas Hora de Entrada Hora de Saída Perda de Umidade Total Após Estufagem 53 APAP – ASSOCIAÇÃO DO PROJETO DE ASSENTAMENTO PETROLINA BENEFICIAMENTO DA CASTANHA DE CAJÚ FICHA DE SERVIÇO DE DESPELICULAGEM DE AMÊNDOAS Nome do despeliculador: _____________________________________________ Data Entrada de Amêndoas Inteiras Amêndoas Despeliculadas Partidas Brocadas Podres Total Kg % 54 APAP – ASSOCIAÇÃO DO PROJETO DE ASSENTAMENTO PETROLINA BENEFICIAMENTO DA CASTANHA DE CAJÚ CONTA CORRENTE Correntista: _______________________________________________________ Data Histórico D/C Valor (R$) Saldo (R$) 55 APAP – ASSOCIAÇAO DO PROJETO DE ASSENTAMENTO PETROLINA BENEFICIAMENTO DA CASTANHA DE CAJÚ FICHA DE CONTROLE DA TORRAÇAO E SALGA DE AMÊNDOAS Responsável:_______________________________________________________ Data Amêndoa Crua (Kg) Entrega de produtos Óleo de Soja (L) Sal (Kg) Recebimento de Amêndoas Processadas (kg) 56 Anexo nº 5 – Parâmetros Operacionais e Financeiros Exemplo de uma Unidade de Beneficiamento da Castanha de Caju 57 1. Parâmetros Operacionais 1.1. Rendimentos do Processo Cada 100 kg de castanha bruta resulta em 27 kg de Amêndoa Úmida (27%) e 20 Kg de amêndoa seca e despeliculada. A amêndoa despeliculada apresentará o padrão abaixo: Tipo % - SLW 1............................. 1,13 - LW1................................ 9,12 - W1 240........................... 21,20 - W1 320........................... 16,26 - W2.................................. 11,85 - W3................................... 5,05 - W4.................................. 7,49 - P1 mista......................... 22,45 - P2................................... 5,41 1.2. Rendimento do Trabalho Uma família corta 100 kg de castanha bruta por dia, resultando em 27 kg de amêndoas úmidas. 02 jovens secam em estufa uma média de 135 kg por dia de amêndoas úmidas, resultando 100 kg/dia de amêndoas secas. Um trabalhador (mulher ou jovem) despelícula por dia 10 kg de amêndoas. Cada classificador classifica e embala por dia 20 kg de amêndoas. 58 2. Parâmetros Financeiros 2.1. Remuneração do trabalho Cada família receberá R$ 0,86 por quilo de amêndoas úmidas entregue. Os estufadores receberão, cada qual, R$ 0,34 por quilo de amêndoa seca. Cada despeliculador receberá R$ 2,30 por kg de amêndoa despeliculada. Cada classificador receberá R$ 1,15 por kg de amêndoa classificada e embalada. Os vendedores de amêndoas receberão comissão de 5% sobre o total da venda das amêndoas. 2.2. Preços Praticados Castanha “in-natura”................ R$ /kg Venda de amêndoas Tipo R$/Kg - SL W1................................. 17,00 - W1 .................................... 16,60 - W1.240.............................. 16,00 - W1 320.............................. 15,00 - W2..................................... 13,00 - W3..................................... 11,00 - W4..................................... 6,00 - P/Mista.............................. 8,00 - P2..................................... 4,00 59