A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO DE 9 A 12 DE OUTUBRO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL PARA QUEM? GUILHERME MAGON WHITACKER1 RESUMO: Consideramos a análise sobre a atuação de agências especializadas da Organização das Nações Unidas, notadamente no período posterior a crise do petróleo, importante para entender a imposição do discurso ideológico do desenvolvimento sustentável por meio de conferências internacionais e Think Tanks articulados em sistemas peritos globais que, assentado em prerrogativas de rearranjos técnicos, ampliam o desenvolvimento geográfico desigual colaborando com a territorialização de práticas espaciais neoliberais que se referem à exploração das condições sob as quais ocorre a dinâmica de práticas multifacetadas monopolistas, espacialmente articuladas, vinculadas com fluxos de capitais restritos. Palavras chave: ONU, ideologia, desenvolvimento sustentável ABSTRACT: We regard the analysis of the activities of specialized agencies of the United Nations, especially in the period after the oil crisis, indispensable to understand the imposition of the ideological discourse of sustainable development, proliferated by international conferences and Think Tanks pleadings in global expert systems that, using technical rearrangements, enlarges the uneven geographical development, contributing to the territorialization of spatial practices of neoliberal bias that refer to the exploration of the conditions under which occurs the dynamics of monopolistic multifaceted practices, spatially articulated to the movement of the restricted capital. Palavras chave: UN, ideology, sustainable development 1 – Introdução A dinâmica da reprodução capitalista permite estudos que tragam em seu bojo a análise sobre crises econômicas, ciclos de acumulação e aprimoramento técnico, por sua vez, estes contribuem ao debate geográfico que estende a compreensão da reprodução capitalista e da produção do espaço. Na Geografia podemos considerar as crises como eventos potencializadores de novos espaços para acumulação e reprodução capitalista a partir da introdução do pensamento marxista que, passando por um rigoroso crivo analítico geográfico, trouxe contribuições pela introdução do método e categorias de análise que permitem a interpretação da teoria das crises e dos ciclos econômicos na análise geográfica da realidade socioespacial. A problemática aqui trabalhada apresenta consideração sobre relações de poder que visam à garantia de continuidade deste modo de produção reconhecendo o território como lócus de conflito pela apropriação, uso e controle de recursos naturais. É justamente este esforço reflexivo de compreender o processo de territorialização do capitalismo que permite o reconhecimento da emergência do 1 Doutorando no Programa de Pós-Graduação em Geografia. Faculdade de Ciências e Tecnologias – UNESP, Presidente Prudente-SP. E-mail: [email protected] 6771 A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO DE 9 A 12 DE OUTUBRO desenvolvimento sustentável enquanto estratégia neoliberal de ação planejada na agenda política internacional. A relação existente entre capitalismo e desenvolvimento sustentável revela desdobramentos na monopolização de recursos naturais, cria-se a subordinação e sujeição de recursos naturais por meio da acumulação por espoliação (HARVEY, 2012), processo esse que pode ser relacionado à expansão da cana de açúcar em favor da produção de biocombustíveis, como o etanol. Esses processos permitem que a análise parta do reconhecimento da influência exercida por agentes globais atuantes na mundialização capitalista e isto implica em reconhecermos a expansão deste sistema interpretando ações em escala local. 2 – Discussão: a crise econômica de 1970 e a necessidade de novos espaços de reprodução do capitalismo A compreensão da ordem econômica de tendência mundializante, cujas formas têm assumido padrões de funcionamento e de racionalização técnica articulado a lógica da expansão e acumulação capitalista, tem significação contundente quando se aborda questões relativas à proteção de recursos naturais. Isto porque o território emerge como lócus das práticas espaciais condicionantes por meio de eventos que incidem sobre distintas áreas modificando as formas tradicionalmente produzidas por forças econômicas e políticas (SANTOS, 2003) espacialmente consubstanciadas por meio de um processo dominante que Raffestin (1993) define como o trunfo do poder. Portanto, o que se projeta em relação à materialização do poder possui em sua essência a busca pela posse. Santos (2009) escreveu que “[...] a história da humanidade parte de um mundo de coisas em conflito para um mundo de ações em conflito” (SANTOS, 2009, p. 147). Desta observação, que não se resume a um insight, consideramos a importância de eventos que possuem localidade espacial e temporal e podem ser relacionados ao agir humano (SANTOS, 2009), ás crises econômicas. Destas, destacamos a crise da década de 1970, impulsionada pelo embargo dos países membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), mesmo momento em que a ONU inicia uma campanha mundial pela preservação de recursos naturais em todo mundo (ONU, 1972), isto porque, de acordo com Oliveira (2012), a crise do petróleo alarmou os detentores das bases produtivas do modo de produção capitalista. Considerando que uma das principais preocupações desta organização é a garantia da sustentação econômica capitalista (ONU, 1945), foi necessária, a partir da década de 1970, a criação de ajustes institucionais e estruturais por meio de acordos políticos internacionais para preservação de recursos naturais que garantissem a sustentabilidade do modo de produção capitalista, tendo em vista a constante necessidade de recursos naturais passíveis de transformação, seja na forma de produção energética ou outras matérias primas, surge, então, a partir da publicação do relatório do Clube de Roma (MEADOWS, et al, 1973) e, do documento Nosso Futuro Comum (ONU, 1988), a proposta de desenvolvimento sustentável. Na década de 1970, o temor de que haveria uma retração espaço temporal na reprodução e expansão capitalista pela dificuldade de acesso a sua principal fonte 6772 A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO DE 9 A 12 DE OUTUBRO energética, o petróleo, colocou este recurso na pauta de discussões políticas e econômicas mundiais. Portanto, quando o Think Tank Clube de Roma publica seu relatório (MEADOWS, et al, 1973) tem início uma nova perspectiva de mercado que passa a incorporar a variável capital natural, demonstrando uma mudança de articulações estruturadas sob tendências de mercado frente a novas exigências de uma economia capitalista propícia a criação de novos espaços para expansão e, consideramos, o desenvolvimento sustentável um artifício que busca expandir a territorialização capitalista por meio, dentre outros, do setor agroenergético, que traz uma nova roupagem sobre o velho capitalismo, intitulada como economia verde e movida pelo etanol, no caso brasileiro. Partindo desta reflexão, reconhecemos que a necessidade de proteção de recursos naturais promulgada pela ONU atinge novos patamares no discurso do desenvolvimento sustentável a partir daquilo que hoje é reconhecido e defendido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) como economia verde, ou seja, ajustes econômicos tratados, financiados e gerenciados não para garantir o bem da humanidade, mas sim, a acumulação e reprodução do modo de produção capitalista por meio de um poderoso discurso ideológico de salva guarda do planeta que, a nosso ver, surge para garantir a subordinação de recursos naturais ao capital. 3 – Metodologia Para uma aproximação a problemática proposta, os procedimentos metodológicos utilizados foram assim organizados: objetivamos linhas teóricas que permitiram embasamento sobre a dinâmica capitalista e análise institucional da ONU e suas agências especializadas relacionadas ao Grupo Banco Mundial (Grupo BM), além da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e do PNUMA; com a finalidade de compreender a materialidade e expansão do tema desenvolvimento sustentável tivemos como referência o relatório Os Limites do Crescimento (MEADOWS, et. al, 1972) e a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (ONU, 2012); posteriormente realizamos o mapeamento de áreas agricultáveis no Brasil que tem perdido espaço a expansão da lavoura de cana de açúcar no Brasil tendo por base o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), seu banco de dados agregados (SIDRA) e os dados de produção agrícola municipal (PAM), por fim, realizamos uma leitura crítica sobre os fatos. Resultados Partindo da discussão apresentada podemos escrever que o que temos hoje é a necessidade burguesa de uma capitalização de recursos naturais de potencial energético, visando estabelecer mecanismos necessários para que se crie “[...] um novo campo de acumulação de riqueza [...]” (CHESNAIS; SERFATI, 2003, p. 21). Ou seja, tratamos aqui de uma proposta que expande a acumulação e reprodução capitalista por meio da prática discursiva ideológica, uma “[...] produção cultural de sistemas inteiros de valores, atitudes, crenças e moralidades que dão suporte para a ordem social existente e o modo de vida prescrito” (PEET, 2007, p. 25). 6773 A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO DE 9 A 12 DE OUTUBRO Ao mesmo tempo em que as conferências internacionais esbarram em interesses divergentes entre os países, o que prejudica a implantação de planos para modificação da situação atual, o Brasil está demonstrando que aprendeu bem os ensinamentos das escolas da ONU (REBELO JUNIOR, 2002). No intuito de corroborar para a intensificação da utilização de energias renováveis na matriz energética brasileira, o Governo Federal lançou o Programa Nacional de Produção e uso de Biodiesel. Em termos práticos e visíveis essa reorientação capitalista apoiada pelo Estado, tem sido trágica para pequenos produtores, especialmente onde o capital canavieiro se territorializa. O discurso dos benefícios dos agrocombustíveis consolida a hegemonia e o processo de acumulação de capital das grandes corporações nacionais e internacionais e isto tem reflexos diretos sobre o espaço agrário brasileiro sob vários aspectos. A substituição de plantios de arroz, feijão e milho por plantios de cana está ocorrendo em várias regiões, como o oeste paulista, o Triângulo Mineiro, o sul de Goiás. Isto, de um lado, provoca a pura e simples redução da oferta destes alimentos, mas de outro provoca também o deslocamento destas culturas para terras de pior qualidade e mais distantes dos principais mercados consumidores, o que significa aumento dos preços, dados os maiores custos de produção e frete. Além disso, a corrida por terras no Brasil, motivada pela febre dos agrocombustíveis e pelo avanço da agricultura para alimento do gado, produz aumento do preço das terras, o que também impacta o preço dos alimentos, uma vez que o aumento da renda da terra rebate no preço dos alimentos (PORTO-GONÇALVES; ALENTEJANO, 2010, p. 5). Esses dados podem ser observados na figura 1. 6774 A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO DE 9 A 12 DE OUTUBRO Figura 1: Substituição de lavouras no Brasil Organização: José Sobreiro Filho, 2015. Lembrando que o fluxo de mundialização da economia vem aprofundando a essência do capitalismo, fica clara a busca incessante de novos fixos territoriais para sua reprodução e obtenção do lucro fortalecendo seus sistemas assimétricos, pois, o modo capitalista de produção não suporta espaços harmônicos, tendo em vista que isto acarretaria na estagnação do lucro e colocaria em risco a própria existência do capitalismo (HARVEY, 2011). Na verdade, trata-se de uma adaptação do capital, a novas necessidades. Se o analisarmos pela sua capacidade de criar novos espaços para se expandir, podemos entender que: As cifras atingidas pelas trocas internacionais prefiguram os lucros dos monopólios, mas a deterioração do produto industrial faz-se acompanhar da deterioração do trabalho e do meio ambiente. Transferindo a tendência à baixa dos lucros para as condições de vida da massa dos trabalhadores e do meio ambiente, pela intermediação do Estado, pela monopolização crescente do Capital, pela internacionalização do Capital ou pela maior velocidade de rotação dos capitais e produtos, o capitalismo monopolista mais parece um velho feiticeiro: tudo que faz clama pelo seu contrário. A deterioração do meio ambiente induz ao maior investimento de Capital constante, destinado à “reprodução da natureza” (implementação de técnicas despoluentes; recuperação de solos, mananciais e reflorestamento; descoberta de novos recursos) (MOREIRA, 1982, p. 213). 6775 A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO DE 9 A 12 DE OUTUBRO Deste raciocínio, podemos identificar na ONU, discursos e práticas hegemônicas na disseminação do desenvolvimento sustentável sem um questionamento maior sobre a reprodução do modo de produção capitalista, o que caracteriza a proposta como um modelo de desenvolvimento baseado na perspectiva de um imperialismo ecológico (FOSTER, BRETT, 2006) ignorando assim, a conexão existente entre o modo de produção e a questão da preservação de recursos naturais, como se a relação sociedade e natureza pudesse ser considerada a partir, apenas, de ajustes políticos e econômicos. Desta, podemos realizar uma leitura onde verificamos o caráter reducionista da proposta de desenvolvimento sustentável pautada pela ONU, pois, esta proposta não questiona a propriedade privada da terra e dos recursos naturais. Neste sentido, de acordo com Harvey (2012), podemos estar diante de ações potencializadoras da espoliação de recursos naturais onde, na atualidade, setores capitalistas dos mais diversos incorporaram em suas práticas e slogans o tema desenvolvimento sustentável, e, este é um processo pelo qual o capitalismo se adapta a novas tendências. Para a relação que estamos propondo entre o desenvolvimento sustentável e a questão da expansão da territorialização capitalista, temos que avaliar quem foram os agentes envolvidos na estruturação do relatório (MEADOWS, et al, 1972) que balizou os ideais do desenvolvimento sustentável, para tanto temos que, primeiro, contextualizar o relatório citado como a-histórico, pois nele não existe capitalismo como um modo de produção capaz também de, como escreveu Santos (2008), produzir espaço, e, “Si hay espacio y processo productivo del espacio, hay en consecuencia historia [...] (LEFEBVRE, 2013,p. 105). Portanto, o referido relatório, ao não situar a proposta sustentável no contexto histórico, e geográfico, do modo de produção capitalista, reduz a categoria humana a figura de produtores e consumidores e suas relações, entre si e com a natureza, não na forma de agentes sociais capazes de transformações, mas sim, inertes a estruturação capitalista. O secretário geral das conferências da ONU de 1972 e 1992, Maurice Strong, era consultor da Rockefeller Foundation e possuía participação rentável na exploração de petróleo, promovida pela Exxon, no Canadá (ASSMANN, 1986), “Maurice Strong, the Mr. Maggo – Canadian oilman” (BAILEY, 1992, p. 47). Strong foi a pessoa responsável por introduzir a temática referente aos recursos naturais no debate econômico e político internacional (LE PRESTE, 2000) vindo a se tornar o primeiro diretor do PNUMA. Estes fatos indicam certa intencionalidade em torno da proteção de recursos naturais, especificamente os ligados a produção energética, pois, apesar dos dados disponibilizados pela ONU e suas agências especializadas sobre temas como o aquecimento global, devemos ter em mente que por trás destes existem pessoas, e estas estão sempre carregadas de intenções. É neste contexto que entendemos o Clube de Roma e o papel representado pela ONU desde as primeiras preocupações com a questão em debate. Conclusões Corporações articuladas pelo capital financeiro se territorializam no espaço rural brasileiro controlando e concentrando cada vez mais o setor dos agrocombustíveis fazendo uso das imposições emanadas da hegemonia do 6776 A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO DE 9 A 12 DE OUTUBRO imperialismo ecológico, no sentido de instituir um marco regulatório padronizado para o uso de terras agricultáveis. Um ardil processo orientado a partir das propostas da ONU na massificação da idéia de que a utilização dos recursos naturais deve sujeitar-se aos mecanismos de mercado. Os processos de organização do espaço, que objetivam o controle territorial encontram nas formas organizacionais destas empresas e organizações internacionais meios que possibilitam a expansão do capitalismo (BENKO, 1996) e, estas relações, temporais e espaciais da mundialização do capital experimentadas na atualidade têm demonstrado seus efeitos nos locais aonde as práticas espaciais desenvolvidas por estas empresas e organizações internacionais se expressam (CORRÊA, 2006, apud, CASTRO, 2006). Portanto, entendemos que esse processo expansionista tem sentidos diferentes, assimétricos, materializados em distintas regiões na forma de processos moleculares, que tendem a se expandirem, de acumulação do capital fazendo uso de maneiras pelas quais o fluxo do poder econômico atravessa e percorre um espaço continuo (ordenação espaço-temporal), mediante práticas cotidianas de incorporação e centralização (HARVEY, 2005). As práticas espaciais exercidas por estas empresas e instituições, do ponto de vista da lógica do capital, referem-se tipicamente à exploração das condições geográficas desiguais sob as quais ocorre a acumulação do capital, aproveitando-se assim das assimetrias construídas por ele (capitalismo) próprio, através de práticas multifacetadas monopolistas, espacialmente articuladas, vinculadas com fluxos de capitais restritos, resultantes em desigualdades geográficas. A dinâmica da expansão econômica capitalista se dá, principalmente, através de processos de fortalecimento institucional que ocorrem por meio de reinvestimentos nos setores aonde as mesmas atuam (concentração), ou por fusões e incorporações de outras que sucumbem à concorrência (centralização). E a tendência é esta, concentração e centralização, processos que permitem uma maior acumulação de capital, portanto, escrevemos aqui de formas de imperialismo a partir da concentração e acumulação de capital estrangeiro na forma como escreveu Luxemburgo (1985) “[...] a expressão política do processo de acumulação do capital, em sua competição pelo domínio de áreas do globo ainda não conquistadas pelo capital” (LUXEMBURGO, 1985, p. 305) e também Lênin (2010), que demonstra que, naquele contexto (começo do século XX), os monopólios já eram uma realidade e vinham controlando grande parte das riquezas naturais e da mão-de-obra. Harvey (2012) situa o novo imperialismo em torno de uma tríplice estrutura: a opressão via capital, a acumulação via espoliação e a coerção consentida: “[...] o imperialismo do tipo capitalista surge de uma relação dialética entre as lógicas territorial e capitalista de poder” (HARVEY, 2012, p. 149). Portanto, quando questionamos para quem interessa o desenvolvimento sustentável, a resposta pode ser assim articulada, sem pretensões de esgotar o debate: organizações de renome internacional criam suas propostas com base em intereses privados, o capital privado pressiona os Estados a seguirem suas regras e se submeterem à lógica de desenvolvimento que os torna meros fornecedores de recursos primários e força de trabalho a valores irrisórios. São formas de dominação que pressionam os países a garantir de maneira cada vez mais vigorosa a abertura de suas economias à intervenção do mercado internacional (PORTO-GONÇALVES, 6777 A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO DE 9 A 12 DE OUTUBRO 2004) da economia verde. As mudanças de caráter neoliberais ocorridas e impostas ao mundo aliadas às grandes empresas transnacionais com o apoio da ampla maioria dos governos, também de caráter neoliberal, colocaram-se como aquelas que deveriam assumir para si o desenvolvimento e a implementação das fontes alternativas de energia renováveis, posto que este pudesse tornar-se, para estas empresas, um negócio com qual poderiam ampliar a acumulação de capital. É assim, de acordo com este modelo, que governos, optaram e/ou estão optando pela implantação de energias alternativas, inclusive o brasileiro, por isso vivenciam-se alterações e disputas territoriais significativas. Referencial bibliográfico ASSMANN, Hugo. O caso Carter: um fenômeno planejado. In: ASSMANN, Hugo; SANTOS, Teotônio dos; CHOMSKY, Noam. et al. A Trilateral: Nova fase do capitalismo mundial. Petrópolis: Vozes, 1986. p. 42 – 69. BENKO, George. Economia, espaço e globalização na aurora do século XXI. São Paulo: HUCITEC, 1996. 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