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Benefícios obtidos para a classe médica
resultam em elevada aprovação do Sindicato.
Ano XVI - Edição nº 100
9 77217 7 46 0024
ISSN 2177460-9
LOCOMOTIVA
DE CONQUISTAS
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E d i ç ã o
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E d i t o r i a l
Uma fórmula muito simples
O Sindicato dos Médicos do Distrito Federal chega aos seus 35 anos fazendo uma reflexão
importante sobre sua história e a relação com os médicos da capital do país ao longo desta longa
e exitosa trajetória. Sobretudo no momento atual, quando apagamos mais uma velinha do bolo
comemorando a chegada do Novo Plano de Carreira Cargos e Salários (PCCS) e consolidando a
credibilidade desta instituição junto à classe médica de Brasília.
O sentimento é o de compreender o que dá certo nessa relação, em vez apenas de nos
satisfazermos com os elevados índices de aprovação que a entidade mantém perante aos colegas.
Interessa-nos muito mais dominar os conceitos das causas que nos trouxeram até aqui do que as
consequências de ter chegado aonde estamos hoje.
Nesse processo, concluímos que a essência da nossa atuação se assentou na opção pela
simplicidade: trabalhar em favor do médico, com o médico. Pode parecer uma conclusão muito
óbvia e até mesmo elementar. Afinal, que outra função deveria ter um sindicato de médicos que
não atuar em defesa do médico?
Porém, vamos propor outra indagação para demonstrar como isso não é assim tão óbvio.
Quantas entidades, associações, sindicatos ou instrumentos da sociedade civil organizada,
espalhadas Brasil afora, você acha que estão a serviço de outros interesses como partidos, governos,
grupos de pressão e de mobilização social?
Quer outra indagação ainda mais provocativa? Quantas reportagens vemos nos noticiários em
que entidades de classe condenam seus próprios pares para ficar bem com a mídia e com a sociedade?
Por sermos um sindicato de médicos estamos sempre prontos a cumprir nosso lema de representar
e defender o médico. É por isso que, sempre que necessário, levantaremos nossa voz e nosso aparato
para que colegas não sejam crucificados publicamente e de maneira antecipada.
Fizemos com muito orgulho uma opção pela fórmula mais simples de trabalhar por nossos
sindicalizados. Preservar esse ordenamento nos permitiu não só nos tornamos uma instituição forte,
mas também consolidar uma classe igualmente poderosa, capaz de enfrentar os maiores desafios, e
ainda assim, acumular conquistas tanto em quantidade como em qualidade. Aprendemos que não
precisamos nos curvar a terceiros para obter o respeito da sociedade, dos veículos de imprensa e
dos agentes públicos no debate sobre os interesses de nossa classe. Ao deixar de compreender isso,
perderíamos o respeito de nossos próprios pares.
Podemos concluir, depois de três décadas e meia, que fizemos a opção pelo caminho certo.
Não pense, no entanto, que a fórmula simples não demanda muito esforço. São diversas as pressões
e tentações que aparecem rotineiramente para desvirtuar nosso caminho. Porém, é muito maior
o nosso sacerdócio. As montanhas que escalamos só nos levam ao desejo de alcançarmos o topo
de outras maiores ainda.
O ano de 2013 nos ensinou que, além de sermos fortes profissionalmente – ao ponto de
construirmos conquistas como a do Novo PCCS –, precisamos também ocupar o palco do debate
sociopolítico, principalmente depois que o governo federal decidiu utilizar a classe médica como
bode expiatório para tentar melhorar os seus indicadores de aprovação, com vistas à reeleição em
2014. Se esse for nosso próximo desafio, estamos prontos para fazer frente a ele.
R e v i s t a
M é d i c o
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STRATTEGIA /
Patrocínio Ouro:
Patrocínio Prata:
Apoio:
Organização:
HOSPITAL ORTOPÉDICO E
MEDICINA ESPECIALIZADA
S u m á r i o
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Entrevista
Deputado federal
Eleuses Paiva
Fórum
10
Mais Médicos é aprovado
no Congresso Nacional
Presidente
Dr. Marcos Gutemberg Fialho da Costa
Secretário Geral
Dr. Emmanuel Cícero Dias Cardoso
2º Secretário
Dr. Jomar Amorim Fernandes
Tesoureiro
Dr. Gil Fábio de Oliveira Freitas
2º Tesoureiro
Dr. Carlos Fernando da Silva
Diretor Jurídico
Dr. Antônio José Francisco P. dos Santos
Diretor de Inativos
Dr. José Antônio Ribeiro Filho
Diretora de Ação Social
Drª. Olga Messias A. de Oliveira (licenciada)
Diretor de Assuntos Acadêmicos
Dr. Lineu da Costa Araújo Filho
Diretora de Imprensa e Divulgação
Drª. Adriana Domingues Graziano
Diretora Cultural
Drª. Lilian Suzany Pereira Lauton
Diretor de Medicina Privada
Dr. Francisco Diogo Rios Mendes
Diretores Adjuntos
Dr. Antônio Evanildo Alves, Dr. Antônio
Geraldo da Silva, Dr. Baelon Pereira Alves, Dr.
Cantídio Lima Vieira, Dr. Cezar de Alencar Novais Neves, Dr. Eloadir David Galvão, Dr. Flávio
Hayato Ejima, Dr. Maurício Cotrim do Nascimento
(licenciado), Dr. Tiago Sousa Neiva, Dr. Vicente
de Paulo Silva de Assis
Conselho Fiscal
Dr. Fernando Américo Rozzante de Castro,
Dr. Francisco da Silva Leal Júnior,
Dr. Gustavo Carvalho Diniz,
Dr. Regis Sales de Azevedo
Conselho Editorial
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Dr. Gil Fábio Freitas, Dr. Gutemberg Fialho
Editor Executivo
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Os artigos assinados são de responsabilidade
exclusiva de seus autores.
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Jurídico
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Sindicais
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Informe-se sobre
precatórios
Cinemédico é sucesso
de crítica
16
Capa
Conquistas elevam grau de
satisfação com o Sindicato
Aconteceu
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Especial
20
Suplementar
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Novos conselheiros
assumem o CRM/DF
Ponto eletrônico
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Diretor da ANS sai pela
porta dos fundos
Regionais
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SindMédico na Cidade
recomeça visitas
Vida Médica
Famílias médicas
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21
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Artigos
Opinião - 7
Estratégia - 21
Vinhos - 28
Literárias - 30
E d i ç ã o
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O p i n i ã o
O império contra-ataca
Dra. Adriana Graziano
Entre 1902 e 1906, o Brasil era reconhecido mundialmente
como um país rico. Vivia-se o auge do ciclo da borracha sob o governo de Rodrigues Alves. Também era reconhecido por ter uma das
capitais mais insalubres do mundo, o Rio de Janeiro. Aproveitando
a abundância de recursos, o então presidente promoveu as reformas
urbana e sanitária capitaneadas respectivamente pelo prefeito Pereira Passos e pelo diretor-geral da Saúde Pública, Oswaldo Cruz,
que também promoveu uma revolução no combate às epidemias de
então. Esse corajoso passo dado pelo estadista, há pouco mais de
uma década do fim do Império, rendeu um descontentamento que
culminou com a Revolta das Vacinas e um título até hoje festejado
pela capital fluminense: Cidade Maravilhosa.
Mais de século depois da Declaração da Independência, os
elementos que compunham o cenário daquela reforma voltam a aparecer: um governo com arrecadação invejável, um país onde grassam
epidemias decorrentes de condições de vida inadequadas e a necessidade de investimento em desenvolvimento sanitário. No país das
maravilhas tropicais, a revolta ressurge pela falta de investimentos na
saúde. Diferente do estadista Rodrigues Alves, os atuais governantes
não dão um passo adiante nessa questão, mas ensaiam dois para trás.
Essa triste realidade se mostrou na resistência à aprovação
da regulamentação da Emenda Constitucional 29, a qual isentou a
União de aumentar os investimentos na saúde. Apesar do clamor
popular, dos municípios e dos estados, o governo manobrou para
não aumentar a participação federal no financiamento da saúde
quando a presidente Dilma Rousseff vetou mais de uma dezena de
artigos na regulamentação da emenda.
No entanto, a voz da sociedade civil não se calou e voltou ao
Congresso Nacional, na forma do Projeto de Lei de Iniciativa Popular (PLP) 321/2013, que prevê aplicação de 10% da Receita Bruta da
União (RCB) em ações de saúde.
E o governo Dilma Rousseff se arma para rechaçar a reivindicação da sociedade representada por mais de 2 milhões de cidadãos
que assinaram o projeto. As ministras Ideli Salvati, de Relações Institucionais, e Miriam Belchior, do Planejamento, já foram ao Parlamento para transmitir o sonoro e solene NÃO de Dilma Rousseff.
R e v i s t a
M é d i c o
A adoção dessa proposta implicaria 0 incremento de pouco
mais de um quinto dos 10% da RCB no orçamento da saúde em 2014: R$
8,5 bilhões. Esse valor é praticamente a metade dos gastos do governo e
isenções concedidas pelo governo federal em favor dos planos de saúde.
Pior que não destinar recursos suficientes para o financiamento
das ações do Sistema Único de Saúde (SUS), ao longo dos últimos 12 anos,
o governo federal deixou de investir R$ 94 bilhões, segundo levantamento feito pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). O mesmo levantamento aponta que, somente no ano passade R$ 13 bilhões deixaram de
ser aplicados. Esse é um triste recorde histórico que, segundo membros
da Frente Parlamentar da Saúde, é ainda mais grave, pois verbas enquadradas na rubrica restos a pagar, sem indicação de uso, deixados para este
ano mostram um desinvestimento real de mais de R$ 17 bilhões. Ou seja,
além de investir pouco, o governo Dilma não sabe gastar.
Assusta o fato de que, diante do clamor popular e das queixas
dos prefeitos, que até um ano atrás pediam mais dinheiro, o governo
tenha tramado e vendido como solução imediata para os problemas
da saúde o programa Mais Médicos, que em larga medida vai permitir que parte das prefeituras substituam os médicos já contratados por bolsistas sem vínculo trabalhista, sem diploma válido e com
registro profissional provisório. Nesses casos, temos que reconhecer
que vai sobrar mais dinheiro para essas municipalidades. Mas é esse
o financiamento da saúde que queremos?
Ex-ministro da saúde do governo Lula, José Gomes Temporão aponta o erro da gestão de Dilma Rousseff, que promove, nas
palavras do sanitarista, a “americanização” da saúde, com uma perda de controle dos gastos e, em futuro próximo, a derrocada final do
conceito da universalidade que sempre norteou o SUS.
Hoje, a demanda por mais recursos é insuficiente para mudar a
cara da saúde no Brasil. Também precisamos de governantes com a coragem de um Rodrigues Alves e de gestores com a competência e a dedicação de um Oswaldo Cruz. A reforma sanitária de que o país precisa
não vai ocorrer se não começar pelos palácios e ministérios da República.
Adriana Graziano é diretora de Divulgação e Imprensa
do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal
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E n t r e v i s t a
O cúmulo da
incompetência
Dois motivos principais motivaram a criação do programa Mais Médicos: incompetência administrativa e interesse eleitoral. É o que denuncia o deputado federal Eleuses Paiva nesta entrevista exclusiva à Revista Médico. Paiva é médico,
mestre em medicina nuclear, autor de diversos projetos em defesa dos médicos e
da saúde pública e coordenador da área de saúde do Partido Social Democrático,
o PSD. O deputado tem como bandeiras lutar por mais recursos para o Sistema
Único de Saúde (SUS), criar a carreira de Estado para médicos e regular a obtenção de diplomas e a entrada de médicos estrangeiros no país e garantir a oferta
de serviços de saúde e hospitais públicos de qualidade à população.
Revista Médico – Os recentes golpes
contra os médicos na esfera política se
devem a uma mobilização incipiente
ou os interesses na área da saúde são
muito fortes?
Eleuses Paiva – Vamos falar do momento atual. Não resta dúvida de que o Mais
Médicos é um projeto montado por um
marqueteiro (João Santana), que já tinha
feito isso anteriormente na Venezuela,
portanto, é de marketing eleitoral. Os
diagnósticos de falta de médicos no serviço público e a concentração deles nos
grandes centros são corretos e têm sido
apontados pelas entidades médicas há
mais de 15 anos. Porém, nesta década e
meia nenhuma política de recursos humanos foi adotada pelos governos para
que essa situação fosse alterada. Eles
pegaram uma avaliação feita pela equipe
de marketing da presidente, na qual 78%
dos brasileiros desaprovam a gestão da
saúde do governo Dilma. Daí, resolveram
pegar o médico e exorcizá-lo, como culpado pelo caos da saúde. Eu acho isso perigoso para eles, porque, nas pesquisas de
opinião pública, a figura do médico e a do
bombeiro são as que têm maior credibilidade. Portanto, desconstruir essa figura
pode ter um efeito rebote. Em algum momento a situação vai vitimizar o médico
e isso vai se virar contra o governo. Eles
estão com medo disso.
8
Revista Médico – E como o senhor avalia a mobilização da categoria?
Eleuses Paiva – A maioria dos médicos
tem cinco ou mais empregos, trabalha até
tarde da noite, reclamando do que está
acontecendo, mas não se reúne nem se organiza para mudar esse estado de valores.
Pelo que vemos que estão tentando fazer
com a profissão médica, talvez eles se conscientizem da importância de se aglutinar
em torno das entidades de classe. As três
áreas – conselhal, associativa e sindical –
têm papel fundamental na construção do
futuro da medicina.
Revista Médico – Como estão as relações na chamada “bancada médica”
depois dos vetos à Lei do Ato Médico e
do Mais Médicos?
Eleuses Paiva – Eu não sei se tem uma
bancada médica aqui na Casa. Tem alguns direcionados ao setor da saúde
como meta legislativa. Outros não obrigatoriamente. Muitos vieram com outras
propostas entre as quais a saúde não é
prioritária. Mas neste momento, cabe a
nós, da área da saúde, superar as diferenças para unir a bancada. Se houver
desunião em função de partido e de outros objetivos, não conseguimos nada. A
bancada está relativamente unida porque
a postura (do governo Dilma) de exorcizar o médico acabou tornando a bancada
mais unida hoje do que era há dois anos.
É claro que a força dos partidos é determinante para ajudar ou atrapalhar isso.
Revista Médico – O Mais Médicos foi
criado para alavancar a reeleição da
presidente Dilma ou para a eleição do
ministro Alexandre Padilha ao governo de São Paulo?
Eleuses Paiva – Acho que para as duas
coisas. Primeiro para criar uma cortina
de fumaça para esconder que o ministro
é incompetente – com uma desaprovação
de 78% da população, é altamente incompetente. Para a presidente Dilma, o
valor também é incontestável. Mas tem
algo que considero mais sério e já fiz
uma consulta à Comissão de Ética para
estudarmos se cabe representação contra o ministro por mentir em audiência
pública do Congresso Nacional. Em três
vezes que esteve no Congresso, nós questionamento o ministro Alexandre Padilha sobre a questão da vinda dos médicos
cubanos e ele negou, disse até que havia
uma conspiração contra ele. Essa mentira
é uma manobra política clara.
Revista Médico – O senhor pode explicar essa manobra?
Eleuses Paiva – Se constasse na Medida
Provisória, o convênio com a OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde) – que
criou condições diferenciadas para a partiE d i ç ã o
1 0 0
Entrevista com o deputado federal Eleuses Paiva.
cipação dos médicos cubanos no programa
– daria oportunidade aos parlamentares
para opinar, colocar emendas e alterar o
texto. Mas o convênio só foi apresentado
uma semana depois, quando acabou o prazo para a apresentação de emendas, para
que o Congresso não pudesse se debruçar
sobre o assunto. Como deputado, a única
coisa que posso fazer é pedir a abertura de
uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) sobre a OPAS. Fora isso, não há jeito
de poder atuar e o TCU (Tribunal de Contas
da União) também não pode entrar. Aí se
abre um leque de suposições sobre motivação nas quais eu não quero crer, como um
suposto retorno do dinheiro para uso em
campanhas eleitorais. Estamos tentando
averiguar o porquê do pagamento antecipado de três anos do convênio. Essas coisas
levantam suspeição, primeiro pela mentira, depois o convênio em que ninguém
pode mexer e então o pagamento adiantado sem motivo. São várias situações que, eu
não tenho dúvida, criam um desconforto
entre os parlamentares.
Revista Médico – O vínculo do Mais
Médicos à Ebserh (Empresa Brasileira
de Serviços Hospitalares), cuja constitucionalidade está sendo questionada,
é motivo para mais preocupação?
Eleuses Paiva – Não é uma coisa única.
Há várias outras situações sendo colocadas. Uma delas é discriminação em que
os médicos são colocados nesse convênio
com a OPAS: diferente dos outros, que
se enquadram na Medida Provisória, os
cubanos não têm direito de trazer família, não podem abrir conta bancária, têm
o passaporte retido e são obrigados a ir
para as localidades que lhes são impostas.
Por que esses profissionais vão se sujeitar
a esse tipo de trabalho? Há uma série de
atitudes discriminatórias contra esses
médicos que eu acho que as entidades médicas têm de olhar com cuidado.
Revista Médico – A relação de trabalho deles é ainda mais precária que a
dos demais...
Eleuses Paiva – Esse projeto não vem
para resolver o problema da saúde. Primeiro porque é um projeto de três anos.
Também não é possível alguém achar que
R e v i s t a
M é d i c o
E n t r e v i s t a
“
vai resolver criando bolsa de estudo – o
vínculo empregatício é zero. Que governo do mundo resolveu um problema de
recursos humanos dessa magnitude com
um programa de bolsa de estudos sem férias, sem décimo terceiro (salário), sem
vínculo, sem garantia? Como é que o governo acha que um brasileiro vai pegar
a família, levar para uma cidade de dois
mil habitantes, ficar sujeito a uma bolsa,
sem vínculo, e, daqui a três anos, receber
um “muito obrigado”, sem receber fundo
de garantia, férias, nada? Não é para dar
certo, tem que ter outros objetivos.
Então, na verdade, o
ministro da Saúde deixou
de gastar R$ 17,4 bilhões do
orçamento de 2012. Para mim
isso traduz incompetência.
Quando começamos a
abordar isso, veio o Mais
Médicos. O Padilha foi
questionado e disse que não
gastou porque os municípios
foram incompetentes para
“
gastar. Depois, com o Mais
Médicos, o culpado ficou
sendo o médico.
Revista Médico – Ao mesmo tempo
em que procura facilitar a vinda de
profissionais de outros países para
o Brasil, o governo Dilma se esforça
para facilitar a participação do capital estrangeiro na saúde. Qual a sua
análise?
Eleuses Paiva – A questão não gira em
torno do profissional. É uma grave preocupação para quem defende o Sistema Único
de Saúde (SUS) essa tentativa de passar
gradativamente a saúde para o setor privado. Talvez a universalidade, em algum
momento, possa vir a ser questionada. Vejo
isso como uma postura de começar a pensar em um modelo futuro.
Revista Médico – O Projeto de Lei 259,
do senador Flexa Ribeiro (sobre financiamento da saúde), é a próxima cartada do governo na flexibilização da
saúde suplementar?
Eleuses Paiva – Deveria se abrir uma
discussão muito grande sobre como está
o setor privado de saúde no país. Eu não
vejo por parte das empresas, nem das
próprias entidades médicas. Não houve
clareza para analisar esse assunto. Os
médicos têm que definir uma posição
sobre esse assunto e também os órgãos
de defesa do consumidor. Será que isso
(a abertura para o capital estrangeiro) é
bom para o nosso país?
Revista Médico – Existe uma expectativa por uma CPI da saúde que nunca
sai. Assuntos pendentes, como a Ebserh, subfinanciamento e dinheiro que
deixa de ser investido, são tratados de
forma fragmentada. Qual é a dificuldade em abrir a caixa preta da saúde?
Eleuses Paiva – Nos últimos 15 anos, a
participação do governo nos gastos com
saúde caiu de 60% para 40%. Sabemos que,
nos últimos 16 anos, entre o orçamento da
saúde aprovado no Congresso e o que é
executado, deixaram de ser aplicados 2% a
3%, o que é muito dinheiro (mais de R$ 2
bilhões). Uma semana antes das manifestações públicas, em junho, em uma reunião
pública, o TCU nos informou (à Frente Parlamentar da Saúde) que, dos R$ 92 bilhões
alocados para a saúde pelo Congresso Nacional no ano de 2012, houve um recorde
negativo: R$ 9,1 bilhões não foram executados, ou seja, quase 10%. Além disso, ficaram R$ 8,3 bilhões como restos a pagar
para este ano que não têm objeto, ou seja,
não tem jeito de pagar. Então, na verdade, o
ministro da Saúde deixou de gastar R$ 17,4
bilhões do orçamento de 2012. Para mim
isso traduz incompetência. Quando começamos a abordar isso, veio o Mais Médicos.
O Padilha foi questionado e disse que não
gastou porque os municípios foram incompetentes para gastar. Depois, com o Mais
Médicos, o culpado ficou sendo o médico.
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F ó r u m
Mais Médicos
é aprovado no
Congresso
Nem “acordo” imposto ao CFM foi
respeitado na promulgação da lei
pela presidente da República
Reunidos na sede da Federação Nacional dos Médicos (Fenam),
em Brasília, líderes de sindicatos de médicos das diversas regiões reafirmaram não endossar o acordo feito entre o governo e o Conselho
Federal de Medicina (CFM) para facilitar a aprovação do projeto de lei
de conversão do deputado Rogério Carvalho (PT/SE) à Medida Provisória 621, que instituiu o programa Mais Médicos. No dia 9 de outubro,
o assunto foi encerrado com a votação de 13 destaques – emendas e
proposições apreciadas em separado, após a aprovação de uma matéria legislativa. A federação pretende sugerir alterações na lei, mesmo
depois de promulgada.
A criação da carreira nacional de médicos, incluídos os estrangeiros, seria um dos objetos da barganha com o CFM. Outros pontos
negociados foram a eliminação da proposta de criação do Fórum Nacional de Ordenação de Recursos Humanos na Saúde; a definição de
limite de quatro anos de permanência de intercambistas estrangeiros
dentro do programa (três anos com possibilidade de renovação de
contrato por mais um); a obrigatoriedade de aprovação em exame de
revalidação de diploma para os formados no exterior que decidirem
ficar no país após o fim do contrato; e a garantia de avaliação dos
cursos de Medicina com aplicação de exames periódicos. Nem as
emendas aprovadas no Congresso tornariam o Mais Médicos uma
política de saúde minimamente decente. E o veto parcial da presidente comprovou que o governo não tem intenção nenhuma de fazer
concessões à classe médica.
Emendas e costuras – Destaque aprovado pelos deputados do
PSDB excluiu do texto principal do Projeto de Lei de Conversão a criação
do Fórum Nacional de Ordenação de Recursos Humanos na Saúde, que
enterraria de uma vez por todas a pretensão de ser a Conferência Nacional de Saúde um guia para orientar a política de saúde no país – um
organismo democrático que não cabe mais na nova ordem.
Outra emenda aprovada permite que profissionais médicos aposentados participem do Programa Mais Médicos. Ela havia sido apresentada na comissão mista do Congresso pelo senador Vital do Rego (PMDB/
PB) e tinha sido rejeitada pelo deputado Rogério Carvalho Isso foi o que
sobrou, depois das aglutinações de propostas semelhantes, de mais de 600
emendas e destaques apresentados ao texto original da MP 621.
Entre os destaques rejeitados estão a concessão aos profissionais brasileiros participantes do programa os direitos trabalhistas
da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) – proposição feita pelo
deputado Luiz Mandetta (DEM/MS). Outro foi o que propunha retirar da MP a atribuição dada ao Ministério da Saúde de conceder o
registro provisório ao médico estrangeiro participante do programa.
Promessas vazias, desmandos e equívocos
A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) – que tem a constitucionalidade questionada – e o Hospital de Clínicas
de Porto Alegre (HCPA) poderão conceder bolsas e ressarcir despesas no âmbito do programa Mais Médicos.
Os médicos estrangeiros serão dispensados do pagamento de taxas para emissão de documentos do serviço de migração.
A quantidade de médicos estrangeiros no Mais Médicos não poderá ser maior que 10% dos médicos brasileiros com inscrição
definitiva nos conselhos regionais de medicina.
O Sistema Único de Saúde (SUS) terá cinco anos para dotar as unidades básicas de saúde com qualidade de equipamentos e infraestrutura.
A Advocacia-Geral da União (AGU) representará judicial e extrajudicialmente os profissionais designados para a função de
supervisor médico e de tutor acadêmico.
Quando houver uma vaga por graduado, o primeiro ano de residência médica deverá ser em Medicina Geral de Família
e Comunidade.
1 0
E d i ç ã o
1 0 0
F ó r u m
Cristovam estende a mão a Dilma
Enquanto aspectos de legalidade e
constitucionalidade de partes do Mais Médicos são questionados, o Projeto de Lei do Senado (PLS) 168/2012, de autoria do senador Cristovam Buarque (PDT/DF), veleja de vento em
popa para instituir a obrigatoriedade do serviço civil para médicos recém-formados cujos
cursos tenham sido custeados com recursos
públicos. A proposta determina o trabalho
obrigatório, por dois anos, em municípios com
menos de 30 mil habitantes ou em comunidades carentes de regiões metropolitanas.
No dia 2 de outubro, depois de tramitar pela Comissão de Educação, o PLS foi en-
viado à Comissão de Assuntos Sociais (CAS),
onde será apreciada em caráter terminativo.
O movimento sindical médico mantém posição contrária à do senador. “O Estado
tem a obrigação de se fazer presente em todo o
território e de forma plena. Assim sendo, tem
que proporcionar mão de obra adequada para
as necessidades das comunidades e não apenas
estudantes para suprir a insuficiência estatal.
“E isso vale para todas as áreas,
pois não é só de médicos que as localidades carentes estão precisando”, enfatiza
o presidente do SindMédico-DF, Gutemberg Fialho.
Avaliação a
longa distância
Quem vai pagar
a conta?
O Projeto de Lei do Senado (PLS) nº
399, de 2011, do senador Roberto Requião
(PMDB/PR), que propõe a facilitação da revalidação e o reconhecimento automático
de diplomas concedidos por instituições de
ensino superior estrangeiras “de reconhecida excelência acadêmica”, também caminha a passos largos no Senado.
Foi aprovada pelas comissões de
Relações Exteriores e Defesa Nacional e
de Educação, no dia 26 de setembro, e logo
será apreciada na de Cultura e Esporte, na
qual a decisão é terminativa.
Enquanto o que serve aos interesses
imediatos do poder vai de vento em popa,
outros projetos vão para a geladeira e só devem sair de lá quando o Planalto mandar.
É o que ocorre com a comissão temporária, instituída em 14 de março deste
ano, para debater e propor soluções para o
financiamento do sistema de saúde do Brasil (e que deveria entregar um relatório em
90 dias). Na 9ª reunião, em 11 de setembro,
decidiu pelo adiamento da entrega do relatório e, desde então, nunca mais se reuniu.
O calendário já consumiu mais de 200 dias.
Medicina no dia a dia
Contraponto à campanha de desmonte da reputação dos profissionais médicos brasileiros pela equipe da presidente
Dilma Rousseff e do ministro Alexandre Padilha – ambos de olho nas eleições de 2014,
– a edição no 7 da revista Congresso em Foco
traz um perfil da clínica-geral Firma Amélia Garcez de Lucena, que atua na Diretoria
Regional de Saúde de Ceilândia.
No texto Vida de Médica, escrito
na primeira pessoa, ela fala de sua experiência em 20 anos de trabalho no serviço
público de saúde, de dedicação e solidariedade aos pacientes.
R e v i s t a
M é d i c o
Firma destacou que o papel do médico vai além da atenção à saúde. O médico é um apoio ao paciente, que, muitas
vezes, procura o serviço de saúde para
sentir que existe alguém que o acolhe. Na
reportagem, Firma comenta as dificuldades que existem no trabalho e as críticas
frequentes que o Sistema Único de Saúde
(SUS) recebe.
A revista Congresso em Foco é produzida pela equipe do site jornalístico de mesmo nome (www.congressoemfoco.com.br), o
mais bem avaliado na cobertura jornalística
do Congresso Nacional.
Visão do
SindMédico-DF
Não muda em nada a posição
da classe médica em relação ao programa Mais Médicos: o programa é
uma medida eleitoreira e ineficaz. Pior
ainda: a equipe da presidente Dilma
Rousseff usou de todos os artifícios
possíveis para passar à população a
ideia de que os médicos são os culpados pela (eterna) crise na saúde.
Sobre o acordo que facilitou a
aprovação da MP 621, é necessário frisar que o Conselho Federal de Medicina (CFM) negociou com a faca no pescoço, devido à ameaça de substituição
do conselho por uma agência reguladora. Diante dos desmandos e do autoritarismo do governo Dilma Rousseff,
era certo o veto parcial à proposta que
passou no Parlamento – uma carreira
médica nacional não faz parte dos planos deste governo.
O cenário para a facilitação do
exercício da medicina sem a renovação
de diplomas segue em paralelo à imposição da MP 621, bem como o serviço civil
obrigatório. Na surdina, a discussão sobre a abertura do mercado de saúde para
o capital estrangeiro segue para logo ser
anunciada em dias mais calmos.
A questão para o governo não é o
aprimoramento do sistema de saúde brasileiro, são os resultados da economia. E
a área da saúde movimenta um volume
imenso de dinheiro no mundo inteiro.
O que se vê é um processo em
curso de desregulamentação da medicina e a desconstrução do Sistema
Único de Saúde (SUS). A resposta a
esses ataques deve vir pelo posicionamento político da classe médica em
defesa da profissão e do SUS.
É um desafio que se põe à nossa frente e as eleições do próximo ano
devem refletir o descontentamento da
categoria, tanto pelo voto contrário à
reeleição da presidente Dilma Rousseff,
quanto pela eleição de médicos para a
defesa da saúde e da medicina nas instâncias do Legislativo.
1 1
J u r í d i c o
Justiça manda emitir precatórios
referentes a tíquete alimentação
O SindMédico-DF obteve resultado favorável na ação de
execução de 2007 referente aos tíquetes alimentação de 1.564
médicos sindicalizados e que totaliza valor superior a R$ 20
milhões. O desembargador relator do processo, Silvânio Barbosa
dos Santos, determinou a expedição de precatórios com as devidas
requisições de pequeno valor (RPV), que permitem o pagamento
prioritário. Em breve, a lista dos beneficiados estará disponível
no site do Sindicato.
Compensação de dívidas com o GDF
em precatório da URP de 1988
Depois de recentemente ter mandado pagar as requisições de menor valor
dos precatórios referentes à URP de 1988,
o Tribunal de Justiça do DF e Territórios
mandou expedir os precatórios dos demais
participantes da ação coletiva iniciada por
meio do Sindicato.
Assessoria jurídica
conquista prêmio
A Advocacia Riedel, que presta assessoria jurídica ao SindMédico-DF, conquistou Prêmio de Competitividade para
Micro e Pequenas Empresas 2012 (MPE
Brasil), concedido pelo Serviço Brasileiro
de Apoio às Micro e Pequenas Empresas
(Sebrae), nas categorias Serviço e Inovação.
Esse prêmio é concedido anualmente (no
ano subsequente à apuração), em âmbito
nacional e estadual, a micro e pequenas
empresas que se destacam por suas práticas
de gestão. A Riedel foi a primeira empresa
de seu segmento de atividade a conquistar
o reconhecimento do Sebrae.
1 2
É praxe nesses casos que os governos
apresentem relações de dívidas dos credores
de precatórios com a fazenda pública. O Governo do Distrito Federal (GDF) apresentou
uma relação de cerca de 400 nomes de médicos participantes do grupo que teriam algum
registro de débito a quitar com a Secretaria
de Fazenda. Funcionários do Sindicato estão
fazendo contato telefônico com esses médicos para que verifiquem a existência dessas
pendências. Em caso de discordância é necessário contestar as dívidas e apresentar documentação que comprove a inexistência delas,
para que seja anexada ao processo.
Justiça vai mandar cumprir o
Mandado de Injunção 836
Está nas mãos do Juiz Álvaro Luís Ciarlini mandar cumprir a decisão referente à execução provisória por meio da qual o Sindicato
requer o imediato cumprimento do Mandado
de Injunção 836, que manda ser feita a contagem diferenciada de tempo de trabalho em
condições insalubres para fim de aposentadoria
para os médicos do Distrito Federal.
Nessa ação, o Sindicato pede a responsabilização por crime de desobediência
e aplicação de multa pelo descumprimento
de decisão judicial.
Gratificações sobre remuneração
de férias e licenças
A Diretoria Jurídica do Sindicato
alerta os sindicalizados de que o pagamento do Adicional de Insalubridade também
é devido nos períodos de férias e licenças
previstas em lei. Há casos em que esse direito tem sido desrespeitado, por isso, é necessária atenção na conferência dos contracheques nesses períodos.
Da mesma forma, o não pagamento da Gratificação de Atividade de Ensino
(GAE) aos médicos cedidos à Fundação
de Ensino e Pesquisa em Ciências da
Saúde (Fepecs) deve ser denunciado para
que o Sindicato possa tomar as medidas
administrativas e, caso necessário, judiciais para cobrar da Secretaria de Saúde
o pagamento devido.
O médico prejudicado deve procurar a secretária da assessoria jurídica,
Raquel, no telefone 3244-1998.
E d i ç ã o
1 0 0
S i n d i c a i s
Comédia foi a terceira atração do Cinemédico
Pela terceira vez no ano, o Cinemédico, realizado no Cinemark do Pier 21, foi um
sucesso. O evento ocorreu no dia 29 de agosto e os médicos assistiram à comédia “Gente Grande 2”, que conta a história de quatro
amigos que voltam a morar na mesma cidade
depois de muito tempo e têm que lidar com
situações cotidianas da vida adulta no mesmo
ambiente em que cresceram.
Antes do início do filme, o presidente
do SindMédico-DF, Gutemberg Fialho, comentou a grande participação dos médicos
sindicalizados e de suas famílias nos eventos
promovidos pelo Sindicato neste ano. “Vejo
aqui muitos rostos novos, e já tivemos que
alugar uma sala maior do que a do último
filme, o que significa que o evento é um grande sucesso”, comentou.
A atividade tem boa receptividade
entre os participantes. Vindo do Rio de Janeiro, o cirurgião plástico Djalma Martins
Lima, por exemplo, reconhece o valor da
iniciativa. “Estou vindo pela primeira vez.
Achei a proposta muito interessante e válida.
Gustavo Lima
É bom saber que ainda existe um Sindicato
que seja realmente atuante, que pense no
bem-estar do médico”, declarou.
Brasilmed fecha acordo salarial
No dia 4 de outubro, o presidente do
SindMédico-DF, Gutemberg Fialho, recebeu
representantes da diretoria e médicos da Brasilmed Auditoria Médica e Serviços S/S Ltda.
para tratar do acordo coletivo para o período
de 2013 e 2014. Os representantes da empresa
destacaram os acordos anuais são necessários
para a participação em concorrências públicas
para prestação de serviços. Esse é o nicho de
mercado ao qual se dedicam.
R e v i s t a
M é d i c o
Gutemberg solicitou que os médicos
do corpo clínico participassem da reunião. “A
Brasilmed tem buscado o Sindicato para formalizar os acordos, mas são os médicos que devem
procurar o SindMédico para lutar pelas suas
reivindicações”, instou aos médicos presentes.
Considerada a capacidade de competitividade da empresa e manutenção da empregabilidade, o SindMédico-DF negociou
reajuste acima da proposta inicial da empresa.
Questionado pelos médicos, Gutemberg explicou que o adicional de insalubridade praticado no setor privado é indexado
ao salário mínimo, diferente do que ocorre
no setor público.
“Hoje, o salário do médico na Secretaria de Saúde do Distrito Federal está
sendo atraente para quem está empregado
na iniciativa privada”, apontou o presidente do Sindicato.
1 3
Grupo Santa
Lúcia Oncologia
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E d i ç ã o
1 0 0
R e v i s t a
M é d i c o
1 5
C a p a
Nos trilhos da parceria entre
conquistas e satisfação
Uma década de fortes benefícios obtidos para os médicos de Brasília colocou no topo a
aprovação do trabalho do SindMédico-DF em favor da categoria.
A reformulação do Plano de Carreira,
Cargos e Salários (PCCS), com diminuição do
número de referências para ascensão funcional
de 25 para 18 padrões e o realinhamento do
piso salarial para atração novos médicos são
as mais recentes conquistas, mas vem de longe
a estruturação do Sindicato dos Médicos do
Distrito Federal (SindMédico-DF) para chegar
ao estágio de organização e ao patamar de realizações acumulados em 35 anos de história.
Nos anos mais recentes, entre a implantação do primeiro PCCS exclusivo da
carreira médica, em 2004, até agosto de 2009,
os reajustes salariais representaram um terço
do ganho salarial acumulado com a incorporação da Gratificação de Atividade Médica
(GAM) e o Novo PCCS. Com a incorporação,
os valores das gratificações de insalubridade,
titulação e movimentação agora aumentam
em proporção direta a um único vencimento.
“Agora, com a implantação do novo PCCS,
é que vemos o real efeito da incorporação
da GAM: os reajustes são iguais para todas
as rubricas que compõem o salário total. O
ganho é maior”, aponta o presidente do Sindicato, Gutemberg Fialho.
Além das questões salariais, a direção da entidade tem lutado pelos direitos da
classe médica por meios administrativos,
políticos e judiciais. Boa parte do esforço da
atividade sindical é aplicado a cobrar direitos
da categoria que são desrespeitados, garantir
a permanência dos que são reconhecidos e recuperar benefícios perdidos por uma razão
ou outra. “A política dos sucessivos governos
em relação ao servidor público de carreira
tem sido sempre tentar cortar os benefícios e
vantagens próprios do exercício de atividade
pública”, explica Fialho.
O resultado dessa atuação voltada
para o médico tem colocado a instituição
sindical no topo da aprovação junto à classe
“Dois para lá, dois para cá”
Em 2011, o governo Agnelo Queiroz passou a aplicar a resolução do
GDF de 2009, a qual determinava a aplicação do teto salarial à soma dos
salários dos servidores com dois vínculos no serviço público - primeiro no
GDF e, depois, cruzando os dados de emprego local com informações de
emprego no âmbito federal. Com o esforço do Sindicato, em 7 de junho, a
Secretaria de Administração Pública (SEAP) editou a Instrução Normativa
no 100, em cumprimento à decisão da ministra Eliana Calmon, do Superior
Tribunal de Justiça (STJ), a qual determinou a separação dos vínculos para
aplicação do teto. A decisão final sobre a questão será tomada pelo STF.
2013
2013
2013
Aprovação
Geral
Médicos com
menos de
40 anos
86,4%
75,3%
78,3%
2009
68,3%
O respeito aos direitos trabalhistas, desde a escalada neoliberal da
década de 1980, tornou-se uma dança complicada, na qual os governos se
julgam coreógrafos incontestes. O SindMédico-DF determina os próprios
passos. Exemplo disso, em 2013, foi a reconquista do direito à licença para
acompanhamento de padrasto ou madrasta, ascendente, descendente,
enteado e colateral consanguíneo ou afim até o segundo grau civil, que
havia sido restringido desde que entrou em vigor o Regime Jurídico do
Servidor do Distrito Federal (Lei Complementar no 840 de 2011). A Lei
Complementar 862, de 25 de março de 2013, corrigiu a injustiça.
O Sindicato também se empenhou em corrigir o equivoco na aplicação da Portaria 145, de 11/08/2011, que proibiu os plantões de mais de 12
horas. Depois da assinatura do acordo coletivo com a Secretaria de Estado
de Saúde do Distrito Federal (SES/DF), em 30 de agosto, foi publicada a
portaria no 228, de 2 de setembro, que regulamentou a jornada de plantão
de 18 horas para médicos.
Na Justiça, o Sindicato também obteve importantes vitórias. Em
junho de 2009, a então ministra do Supremo Tribunal (STF) Ellen Gracie
deu parecer favorável ao Mandado de Injunção (MI) 837, que garantiu a
contagem diferenciada de tempo de trabalho em condições insalubres para
médicos no serviço público federal – cumprido mediante regulamentação
do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Da mesma forma, o
então ministro Carlos Ayres Britto fez o mesmo julgamento referente ao
MI 836, que previa a mesma coisa para médicos servidores do GDF – nesse
caso, somente em abril de 2011, o governo começou a cumprir o mandado,
com frequentes interrupções. O Sindicato continua apelando à Justiça
para que a sentença seja cumprida.
Médicos
do setor
privado
Vox Populi: Abril-Maio/2013
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1 6
EE dd i i ç ç ãã oo 11 00 00
C a p a
médica. Anualmente, o Instituto Vox Populi realiza pesquisa de satisfação para o
SindMédico-DF, que serve como balizadora da gestão e formulação de políticas para
a categoria. No último levantamento aferido este ano, o índice de aprovação do Sindicato junto a sua base chegou a 78,3%. Esse
indicador cresceu exatos 10% desde 2009,
quando a primeira aferição foi realizada.
Dois pontos precisam ser ressaltados nessa
análise. O primeiro é que, ainda em 2009,
o índice de aprovação já era considerado
elevado e, segundo, que a pesquisa de 2013
foi aplicada entre os meses de abril e maio,
muito antes da aprovação da principal conquista dos últimos anos: o Novo PCCS, que
ocorreu agora em setembro, com pagamento no contracheque de outubro.
Ao longo desse período de transformações que o sindicato trouxe para a vida
pessoal e profissional dos médicos, alguns
paradigmas foram derrubados. O primeiro
deles diz respeito a atuação sindical para os
médicos mais jovens. Em 2009, enquanto à
aprovação geral do Sindicato junto à classe
médica era de 68,3%, esse indicador entre os
médicos mais jovens (com menos de 40 anos)
era de 60,3%. Hoje, enquanto a avaliação geral passou para 78,3%, entre essa faixa estaria
de colegas, o indicador passou para 75%. Ou
seja, com esses indicadores mais próximos, o
pensamento de toda a classe médica se mostra mais uniforme, quebrando a barreira entre os mais experientes e os mais jovens.
O segundo paradigma derrubado é de
que o Sindicato é de médicos da Secretaria de
Saúde do DF. Isso se revela também por meio
da pesquisa Vox Populi, na qual o grupo de
médicos da iniciativa privada tem índice de
aprovação do Sindicato de 86,4%, maior que a
avaliação geral da aferição. Isso é fruto das atividades que o Sindicato dos Médicos do DF vem
desenvolvendo na clínica privada, por meio de
manisfetações, embates contra planos de saúde
e contra a cartelização do mercado privado de
medicina nas mãos de poucos grupos econômicos. Nos últimos anos, o SindMédico-DF liderou as atividades da Comissão Distrital de Honorários Médicos (CDHM), em parceria com as
demais entidades médicas locais, que discutiu
contratos e melhorias dos honorários pagos
pelos convênios aos médicos, com a majoração
dos valores de consulta e demais referenciais de
procedimentos.
Outras conquistas e realizações do
SindMédico-DF desde 2009:
2009
Campanha “A Saúde de Luto”, que garantiu a incorporação da
GAM em três parcelas.
2010
Manutenção do pagamento da Gratificação por Condições Especiais de Trabalho (GCET) para médicos lotados nos centros de
saúde do Núcleo Bandeirante e do Recanto das Emas.
2011
Primeiro Dia de Alerta aos Planos de Saúde Em abril, junto com o
Conselho Regional de Medicina do DF (CRM/DF) e da Associação
Médica de Brasília (AMBr)
Criação da Comissão Distrital de Honorários Médicos (CDHM).
Desde então, o SindMédico-DF tem sido protagonista na condução
dos assuntos referentes à saúde suplementar e comandado protestos
e manifestações do setor.
Garantia aos de legistas da Polícia Civil do DF do direito de acumular vínculos com horários compatíveis.
2012
I Seminário sobre o Sistema de Saúde Suplementar do DF.
Mais de uma centena de médicos e familiares receberam valores
referentes ao precatório 727/96, do grupo do doutor Ernani Kuhn.
Impedimento de unificação das escalas da pediatria e da neonatologia no Hospital Regional de Santa Maria.
Proposta para atualização da CBHPM. A proposta prevê realinhamento de honorários para cirurgiões auxiliares – 100% do porte
do ato para o primeiro auxiliar, 70% para o segundo e 50% para os
demais, além do fim de honorários diferenciados para atendimento
prestado a paciente em enfermaria.
Defesa da cobrança direta de honorários de disponibilidade para
obstetras em caso de livre escolha do médico que realizará o parto
pela paciente. O CRM/DF e o CFM deram pareceres favoráveis a
essa conduta.
2013
Parecer da Procuradoria Geral do DF (PGDF) favorável à admissibilidade da acumulação de dois contratos com carga horária de 40
horas para médicos legistas que também têm vínculo empregatício
na SES/DF.
Decisão liminar contra a suspensão de pagamento do adicional
de insalubridade nos períodos de férias e licenças previstas em lei.
Reconhecimento de erro na cobrança de Imposto de Renda suplementar sobre valores referentes às cessões do precatório
449/94 pela Receita Federal.
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RR ee vv i i s s t t aa MM éé dd i i c c oo
1 7
A c o n t e c e u
Parlamentares destacados
O presidente do SindMédico-DF, Gutemberg Fialho, e o secretário de Assuntos
Políticos, Carlos Fernando, compareceram
à entrega do Prêmio Congresso em Foco,
no dia 30 de setembro. A premiação anual
é concedida aos parlamentares que tiveram
atuação destacada, escolhidos por meio de
votação púbica via internet e por jornalistas
setoristas das casas legislativas federais.
Uma das lideranças com forte atuação na defesa da regulamentação da carreira médica e contra a Medida Provisória
621, o deputado Ronaldo Caiado (DEM/
GO) foi um dos indicados como melhor
parlamentar de 2013. Veja mais sobre a premiação no site Congresso em Foco, canal
recomendado para informação e formação
de consciência política. O deputado brasiliense Reguffe foi outro agraciado.
Festa no HBDF
Evento realizado em 11 de setembro marcou a comemoração dos 53 anos
do maior hospital do Distrito Federal.
Atualmente, são 3,5 mil os servidores que
atuam pela saúde de milhares de pessoas
que, diariamente, passam pela unidade
de saúde. A eles o SindMédico-DF estende sua saudação, tanto pelo marco do
aniversário, quanto pela superação diária
das dificuldades para prestar atendimento
adequado aos pacientes.
AMBr solidária
Reconhecimento de mérito
A médica Alba Mirindiba foi uma
das agraciadas pelo Tribunal Regional
do Trabalho da 10ª Região (TRT10) com a
Ordem do Mérito de Dom Bosco (no grau
cavaleiro), oferecida para destacar as personalidades que prestaram relevantes serviços
à Justiça do Trabalho. Alba foi indicada pela
presidente e grã-mestra do conselho da comenda, desembargadora Elaine Vasconcelos, pelos demais membros do conselho e
também pelos desembargadores do TRT10.
Novos conselheiros tomam posse
O presidente do SindMédico-DF, Gutemberg Fialho, e o diretor adjunto Francisco
Leal prestigiaram a posse dos novos membros do Conselho Regional de Medicina do
Distrito Federal (CRM/DF), presididos por Martha Zappalá. Eles assumiram a gestão,
pelo quinquênio de 2013 a 1018, em sessão solene realizada na noite de quarta-feira, dia
16 de outubro, às 20h, no auditório do Memorial JK.
Mais de 50 crianças assistidas pela
creche Anjo da Guarda receberam brinquedos doados por associados à Associação Médica de Brasília (AMBr) e uma festa
realizada no clube, no dia 12 de outubro.
No Dia da Criança Solidário, que teve a
segunda edição este ano, as famílias dos
doadores também participaram das atividades lúdicas promovidas pela associação.
Congresso da
SBCCP
Gutemberg Fialho e Carlos Fernando também prestigiaram a abertura do
XXIV Congresso Brasileiro de Cirurgia
de Cabeça e Pescoço, realizado no Royal
Tulip Brasília Alvorada Hotel, na noite de
18 de setembro. Evento de sucesso, o congresso foi organizado pela equipe regional
da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP) no DF: Cláudio
Netto Estrella Marina Azzi Quintanilha e
Achilles Alves de Levy Machado, José da
Costa e Silva Filho e Maria Auxiliadora da
C. Neto Estrella.
Cidney Martins
1 8
E d i ç ã o
1 0 0
A c o n t e c e u
Novidades no Santa Marta
O Hospital Santa Marta inaugurou,
no início de setembro, o Centro de Treinamento Juscelino Kubitschek, sede do Instituto Santa Marta de Ensino e Pesquisa
(Ismep), para realização de conferências,
palestras, estudos de casos clínicos, cursos
de capacitação e atualização técnica para
as diversas áreas da assistência e de gestão
em saúde, incluindo pós-graduação. Na
pós-graduação, o Santa Marta se tornou o
primeiro hospital privado do DF a oferecer
programas de residência médica em quatro
especialidades: anestesiologia, clínica médica, medicina intensiva e neonatologia.
Posses na AMeB
Seis novos titulares tomaram posse na
Academia de Medicina de Brasília (AMeB)
no dia 17 de setembro: Augusto Cesar de
Farias Costa, Etelvino de Souza Trindade,
José João Ferraroni, Osório Luís Rangel de
Almeida, Simônides da Silva Bacelar e o
diretor adjunto do Sindicato dos Médicos do
Distrito Federal (SindMédico-DF), Antônio
Geraldo da Silva.
Durante a cerimônia de posse, o
presidente do Conselho Federal de Medicina
(CFM), Roberto D’Ávila, proferiu uma
palestra com o tema Humanidade e Prática
Clínica. Nessa mesma ocasião, foi feita uma
homenagem póstuma ao ex-presidente da
AMeB, acadêmico Sérgio da Cunha Camões.
Exame comemora avanços
A diretora de Divulgação e Imprensa
do SindMédico-DF, Adriana Graziano, representou a entidade na inauguração do serviço
de diagnóstico por imagem na unidade do laboratório Exame da Asa Sul. Recebidos pelos
diretores médicos Adília Segura e Marcelo Canuto, os convidados participaram de coquetel
e de recital do pianista Walter Asvolinsque.
Além de equipamentos modernos, o
Exame investiu na criação de um ambiente agradável para os pacientes, que não se
restringe à arquitetura de interior e mobiliário. Uma das novidades no serviço é o
equipamento do Cinema Vision, sistema
de entretenimento que pode ser utilizado
durante os exames de ressonância.
Melhorias nos
honorários
O presidente do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal, Gutemberg Fialho,
foi um dos palestrantes no XVIII Congresso Paulista de Obstetrícia e Ginecologia, realizado pela Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (Sogesp).
Realizado entre os dias 5 e 7 de setembro o evento reuniu mais de 6,5 mil médicos.
O tema abordado por Gutemberg foi O que o
movimento sindical tem feito para a melhoria
dos honorários na saúde suplementar.
O secretário de Assuntos Políticos,
Carlos Fernando, também participou das
atividades programadas pela Sogesp.
Obituário
O SindMédico-DF lamenta informar o falecimento da patologiasta Glória Jabur Bittar Oton, ocorrido no final de agosto. Ao expressar
solidariedade pela perda a familiares e amigos, a diretoria da entidade destaca o empenho profissional e a relevância dos serviços prestados
à comunidade pela Dra. Glória.
R e v i s t a
M é d i c o
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E s p e c i a l
Informática burocrática
“Como não houve melhora alguma significa que o problema não era com os médicos e não
será resolvido somente com o controle de ponto. Toda a estrutura e organização administrativa
estão erradas. Não será colocando a culpa nos médicos que a população terá um serviço de saúde
pública no mínimo razoável”
João Flávio Bezerra*
Hoje, o principal problema diz respeito ao saldo do banco de horas. No caso
de débito pelo servidor, a solução é simples:
ou ele compensa em trabalho até o fim do
mês subsequente à apuração ou o tempo não
trabalhado é descontado de seu contracheque. No caso de o servidor ter crédito, deve
haver compensação em folga ou redução na
jornada de trabalho, dentro do mesmo prazo
previsto na situação anterior. É o que prevê
a Portaria no 31, de 2 de março deste ano.
No entanto, o direito do servidor é
condicionado ao interesse do serviço e à autorização da chefia imediata. Isso envolve
uma dose de subjetividade que vai da qualidade da relação com os subordinados ao
tempo e à disposição necessários para os registros de justificativa para a ausência nos
horários normais de escala de trabalho.
“No quadro atual de falta generalizada de médicos, tem sido comum que médicos
que trabalham além de seu horário de escala percam seus registros em banco de horas
ao final de dois meses”, aponta Gutemberg.
Deixar de formalizar a situação e conceder a
compensação pode render processo administrativo contra as chefias e trabalhistas contra
a secretaria. Por outro lado, exercer o direito
sem a autorização formal das chefias pode
render processo contra o médico por abandono de plantão. “É uma situação difícil em que
são colocados os médicos e as chefias, mas o
Sindicato vai cobrar dos gestores o respeito
aos direitos dos médicos sindicalizados”, garante o presidente do SindMédico-DF.
Cidney Martins
Trinta e dois terminais de ponto eletrônico começaram a funcionar no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) na
segunda-feira, 4 de março deste ano. O objetivo alegado, depois de meses de esquivas
sobre a responsabilidade sobre os problemas
no sistema de saúde pública, era controlar
com mais rigor o horário de trabalho dos
médicos, então apontados como os vilões
da saúde pública no DF – recurso ao qual
os governos recorrem pelo menos a cada
quatro anos.
Segundo o então secretário de Transparência, Carlos Higino, havia também a intenção
de “coibir fraudes” na prestação de horas extras
– como se fossem os servidores e não os gestores os responsáveis pelo controle dos registros.
Oito meses depois, o Sistema de Registro Eletrônico de Frequência (Sisref) ainda apresenta
dificuldade para servidores e gestores.
“Temos alertado o secretário de Saúde de que o sistema não pode ser tão rígido
a ponto de criar dificuldades para a condução do trabalho ou prejuízo aos médicos”,
afirma o presidente do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal, Gutemberg Fialho. Porém, coordenado pela subsecretária
de Gestão do Trabalho e da Educação em
Saúde, Maria Natividade Gomes da Silva
Teixeira Santana, o processo de implantação e gestão do ponto eletrônico tem sido
dispendioso, burocrático e inflexível.
Uma série de problemas tem ocorrido na trajetória da implantação do sistema.
Entre eles pode-se citar a dificuldade de
interface do Forponto (o sistema de ponto
informatizado) com o TrakCare, a falta de
conectividade entre unidades de saúde e o
próprio fato de que o sistema não está implantado em todos os locais de trabalho.
Ponto eletrônico em números
O gasto inicial da Secretaria de Estado de Saúde do DF (SES/DF) com a implantação de solução integrada de controle de
ponto eletrônico e controle de acesso foi de R$ 6.362.170,64, contratada a Task Sistemas de Computação S/A.
Para a implantação do Sisref no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) foram gastos mais R$ 79.837,76, por serviços
de infraestrutura para instalação, pagos à Control Teleinformática Ltda.
Anúncio feito pelo secretário de Administração Pública, Wilmar Lacerda, dá conta de que se pretende gastar R$ 25 milhões
para estender a utilização do ponto eletrônico a todos os servidores do Governo do Distrito Federal (GDF).
*Comentário à reportagem Implantação de ponto eletrônico em Hospital de Base completa um mês, publicada na página eletrônica do Correio Braziliense, em 2 de abril deste ano.
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E d i ç ã o
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A l e x a n d r e
B a n d e i r a
Est raté gia
Onde está o marketing?
Consultor de Estratégia
e Marketing
É muito bom quando o desejo se
encontra com a oportunidade. Eu explico! Em decorrência do artigo anterior,
onde tratei da provocação de “quando
acaba o marketing”, recebi diversos comentários e dúvidas sobre o tema. Entre
elas, em particular, de uma pessoa que
relatava a dificuldade de enxergar que
tipo de marketing se enquadrava melhor no seu tipo de negócio.
Essa foi a deixa para que eu
viesse a tratar neste espaço dedicado
a negócios no segmento de saúde, sobre um dos textos mais importantes
da ciência do marketing; leitura obrigatória por quem quiser se aventurar
neste mercado. Estou falando do artigo “Miopia em Marketing”, escrito por
Theodore Levitt e publicado pela primeira vez na Harvard Business Review
em julho-agosto de 1960.
A título de curiosidade, Levitt era
alemão erradicado nos EUA, professor
de Administração de Empresas na própria Universidade de Harvard, e criador
da famosa Teoria dos 4Ps do Marketing
(Praça, Produto, Preço e Promoção),
que muitos afirmam, equivocadamente,
ser Philip Kotler o pai da mesma.
Mas o que levou este artigo, escrito há mais de meio século, ser tão
premiado e relevante até os dias de
hoje? A simples lição de que as empresas se preocupam muito mais em colocar o foco em seus produtos, do que se
preocuparem primeiramente com seus
clientes. No próprio texto que escrevi
no artigo anterior, citei no quarto paR e v i s t a
M é d i c o
rágrafo já esta fundamental lição, para
que as pessoas possam entender melhor a relação dos seus negócios com a
disciplina do marketing.
Ao mudarmos o olhar sobre “o
que nós fazemos”, para “quem fazemos”; não importa se somos um hospital, uma laboratório ou um consultório
ginecológico; começamos a passar a
enxergar como o marketing pode nos
ajudar a desenhar as conexões necessárias para ligar o empreendimento ao
mercado consumidor.
“Tudo tem
origem e fim
no cliente
”
Tudo tem origem e fim no cliente. Se é assim, existem duas lições que
você precisa aprender. A primeira é conhecer quem é o seu cliente. Não estamos falando de saber o nome da pessoa
que é atendida por ti, mas sim, qual o
perfil dela. Onde mora, trabalha, costumes, hábitos, gostos, etc. A segunda
lição é entender os motivos que a levam
consumir de você. O que sua empresa
tem de bom, do que ele não gosta ou
reclama, o que você faz que transmite
segurança e confiabilidade.
Esse exercício vai lhe balizar sobre que perfil de cliente o seu empre-
endimento atrai e porque ele assim o
faz. É a partir daí que o seu composto
de marketing vai ser estruturado, como
uma peça de alfaiataria, que só serve ao
seu negócio. Por isso reafirmo tanto que
não adianta copiar o que seu concorrente faz. Primeiro porque ele pode não saber o que está fazendo e tanto ele quanto
sua empresa, sofrerem por não atingir o
objetivo desejado. Segundo, porque ele
pode saber o que está fazendo e você repetir um modelo que só dá certo para o
empreendimento dele. Novamente, sua
empresa sairá perdendo.
O composto de marketing feito
exclusivamente para o seu empreendimento, vai equalizar tanto o que você
faz bem, o mercado alcançado, a relação de custo-benefício para aquisição
de seus produtos e serviços e a forma
como o seu negócio se comporta para
amplificar sua melhor imagem no
mercado e angariar mais clientes que
se apresentem com o mesmo perfil daqueles que já estão em sua carteira.
Assim, não só você passará
enxergar onde está o seu marketing,
mas também os consumidores que
considerarão sua proposta mercadológica como a ideal para suprir as necessidades deles.
Contato com a Coluna
[email protected]
www.twitter.com/StrattegiaSaude
2 1
Suplementar
Comissão de ética
é leniente com
irresponsabilidade
ministerial
Relatório da Comissão de Ética Pública da Presidência da República recomendou a demissão do então diretor de Fiscalização da Agência Nacional de Saúde (ANS),
Elano Figueiredo.
O ex-diretor teria omitido a informação (pública e notória) de que, como advogado, defendeu interesses de operadoras
de plano de saúde contra a ANS. Figueiredo
pediu exoneração do cargo antes de ser convidado a se retirar.
A comissão não se pronunciou sobre a
motivação ou leniência de quem indicou Figueiredo para o cargo, uma vez que a situação
era de conhecimento público mais de um ano
antes da nomeação do advogado para o cargo.
O relator do processo disciplinar, Mauro Menezes, considerou que o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, “foi ludibriado” pelo
ex-diretor. Segundo o presidente do colegiado,
Américo Lacombe, o que levou à recomendação de exoneração foi a omissão e não o fato de
Figueiredo ter advogado contra a ANS.
Informe aos Médicos Oncologistas
Decisão do Cade sobre a Incorporação da Acreditar pela Rede D’Or
a) Suspensão imediata das práticas indevidas propostas pela decisão do Cade, com multa
diária de R$ 15 mil acumulável até R$ 300 mil por evento notificado e abertura de processo
administrativo.
b) Em caso de reincidência, multa diária de R$ 50 mil a R$ 1 milhão.
c) Possibilidade de revisão do acordo de incorporação em caso de duas violações
praticadas.
Telefone: (61) 3244.1998 - [email protected]
Operadoras se armam contra punições da ANS
As operadoras de planos de saúde
estão se armando para se insurgirem contra as punições que têm sido determinadas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). No dia 20 de setembro,
o Instituto Brasileiro do Direito de Saúde
Suplementar (IBDSS) reuniu representantes de algumas das principais operadoras
de planos privados de assistência à saúde
em um curso cujo objetivo foi analisar os
meios de proteção administrativa e judicial que poderão ser utilizados pelas operadoras contra decisões proferidas pelo órgão regulador, principalmente na fixação
de penalidades.
ACADEMIA DE MEDICINA DE BRASÍLIA
EDITAL DE INSCRIÇÃO DE CHAPA À ELEIÇÃO DA DIRETORIA EXECUTIVA E CONSELHO FISCAL DA
ACADEMIA DE MEDICINA DE BRASÍLIA – AMeB – BIÊNIO 2014-2016
A Presidente da Academia de Medicina de Brasília, em atenção
ao que estabelece o Artigo 29 do seu Regimento Interno, comunica que
a inscrição de chapas para concorrer à eleição da Diretoria Executiva e
Conselho Fiscal para o biênio 2014-2016 dar-se-á no período de 02 a 14
de novembro de 2013. A eleição será realizada no dia 26 de novembro
de 2013 às 18:30 horas em primeira convocação e 30 minutos após com
qualquer número dos acadêmicos presentes, com término às 20:00
horas, no Auditório Tito Figuerôa, situado, no SGAS 607 – Edifício
Metrópolis, Cobertura 01 – Brasília – DF, sendo a apuração dos votos
realizada em seguida.
2 2
INFORME PUBLICITÁRIO
A inscrição das chapas deverá ser feita por requerimento
à Diretoria Executiva, em formulário próprio, à disposição dos
interessados na Secretária da Academia de Medicina de Brasília, das
8h30 às 12h30 horas, de segunda a sexta feira, subscrito por todos os
componentes aos respectivos cargos, ou acessado para impressão no
site: http://www.academiamedicinadebrasilia.org.br/
Só poderão concorrer aos cargos de Diretoria Executiva e do
Conselho Fiscal os membros titulares que atendam aos preceitos
estatutários e regimentais.
Brasília – DF, 02 de outubro de 2013.
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Acad. Janice M. Lamas
Presidente
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R e g i o n a i s
Ação itinerante recomeçou em outubro
Cidney Martins
O Sindicato dos Médicos do Distrito
Federal (SindMédico-DF) retomou o projeto
SindMédico na Cidade na tarde de 7 de outubro. O presidente do Sindicato, Gutemberg
Fialho, e o secretário de Assuntos Políticos,
Carlos Fernando, visitaram o Hospital Regional de Ceilândia (HRC) para conversar com
os médicos sobre a reformulação do Plano de
Carreira, Cargos e Salários (PCCS), as condições de trabalho naquela unidade de saúde e a
necessidade de se sindicalizar para aumentar
a força de negociação da categoria.
Os médicos do HRC receberam material informativo sobre o PCCS, explicando
detalhadamente as alterações salariais. Quem
tinha alguma dúvida sobre sua evolução funcional aproveitou para conferir em qual referência passou a ser enquadrado e o aumento
a que fez jus. Para dirimir qualquer dúvida,
o Sindicato preparou e está distribuindo uma
cartilha com explicações e as novas tabelas de
vencimento – tudo detalhado.
A realização imediata de concurso
público é uma das ações indispensáveis para
mudar o cenário de sobrecarga de trabalho
atual. O novo PCCS evita a saída dos médicos
que estão na rede pública, mas ainda é preciso
trazer mais profissionais para atender à população. “Agora, os salários também são atrativos para quem ingressar no serviço público”,
destacou Gutemberg Fialho. O fortalecimento
da base sindical é um dos aspectos enfatizados
nesta edição do SindMédico na Cidade.
Falta de pessoal continua sendo o mais
sério problema do HRC. Há algum tempo, faltavam, por exemplo, clínicos trabalhando nos
finais de semana. Alguns profissionais se sentem desmotivados. As macas espalhadas pelos
corredores mostram uma situação que também não muda no HRC: o crescimento constante das populações das cidades do Entorno.
O ortopedista João Vicente Silva destacou que
Águas Lindas é a cidade que mais demanda
atendimento na cidade.
“Ceilândia tem uma situação que
também merece atenção especial do governo: a estrutura física do Hospital Regional
está muito defasada em relação ao cresci-
mento demográfico”, aponta o presidente do
SindMédico-DF. Criado há 32 anos, o HRC
ganhou o tamanho atual pela construção de
novas alas e “puxadinhos”.
Concurso é necessidade urgente para o Hospital de Base
Na tarde de 14 de outubro, a unidade
visitada pela equipe do SindMédico-DF foi o
Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF). O
presidente Gutemberg Fialho e o secretário de
Assuntos Políticos, Carlos Fernando, visitaram
os médicos na emergência e no centro cirúrgico.
As áreas de internação do Hospital
de Base continuam insuficientes para tantos
pacientes. Esse mesmo problema existe no
centro cirúrgico, onde pacientes continuam
sendo internados na sala de recuperação. A
realização de cirurgias eletivas e emergenciais
no mesmo centro cirúrgico é um problema
que não tem previsão de resolução. A pro-
2 4
metida criação de novo prédio voltado para
ortopedia e trauma poderia ser a solução, mas
não tem data para se tornar realidade.
Para os médicos abordados por Gutemberg e Carlos Fernando, a melhoria de condições de trabalho passa, necessariamente, pela
renovação do quadro de servidores médicos.
Até agora, as contratações têm sido insuficientes
apenas para a reposição de aposentados e demitidos. No centro neurocardiovascular, por
exemplo, embora tenham ocorrido mudanças
positivas, a necessidade de pessoal é inegável.
O presidente do Sindicato dividiu com
membros da equipe do HBDF a preocupação
com o prazo para realização de concurso e
admissão de novos médicos antes do período
restritivo do ano eleitoral. O Ministério Público tem cobrado o fim das contratações temporárias, o que torna o cenário mais obscuro.
“Na verdade, essas contratações foram
objeto de um Termo de Ajuste de Conduta
(TAC) para atender à necessidade do Hospital
Regional de Samambaia, no início da atual gestão”, explicou Gutemberg. Para ele, o corte imediato dos contratos temporários poderia inviabilizar o funcionamento de setores e unidades
de saúde inteiras. “É necessária a realização urgente de concurso e que seja feito um processo
de transição que não prejudique o atendimento
à população”, apontou.
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Amor
compartilhado
Vocação e amor à profissão e superação de adversidades ensinamentos que
passam de pai e mãe para os filhos. Não são raros os exemplos disso entre as famílias de
médicos. Muitas horas de trabalho e plantões nos finais de semana são constantes, mas o
amor à profissão é fonte de inspiração e de motivação para os filhos de quem se dedica à
medicina. A despeito do tempo curto para curtir os filhos, muitas vezes, os pais médicos
têm uma realização extra, que é descobrir neles a vocação para o exercício da medicina.
Preocupação com o futuro
O cirurgião pediátrico César Galvão já se aposentou, mas a missão de levar
saúde à população foi transmitida à geração seguinte: já no segundo grau, o filho
César Gustavo decidiu cursar Medicina. O
pai não influenciou a escolha, mas afirma
que sente satisfação por ter o filho exercendo a “Arte Médica”.
Ele teme, porém, pelas decisões tomadas pelo governo que podem prejudi-
car os profissionais de saúde: “Eu me sinto
muito preocupado com os atuais rumos de
acontecimentos que estão afligindo a classe médica brasileira. Como será o futuro
dos jovens médicos?”, questiona.
O exemplo é o amor à profissão
Para o cirurgião geral José Luiz Mestrinho, 66, saber que um herdeiro também
quis ser médico é “a sensação do dever cumprido”. O filho Bruno Vilalva, 30, passou no
vestibular tanto para Medicina quanto para
Engenharia da Computação, mas escolheu o
primeiro curso sem interferência do pai: “Se
o influenciei, foi no exemplo de ser médico
com dedicação e amor à profissão”, garante.
O cirurgião deu conselhos, entretanto, quando o filho precisava escolher sua especialização: Bruno pensou em ser cirurgião
como o pai, mas acabou se tornando urologista. Hoje, José Luiz se orgulha de perceber
que as dificuldades da profissão não impediram o filho de seguir seu caminho, já que ele
“entendeu que o exemplo a ser seguido seria
mais gratificante do que as intempéries dos
plantões e a ausência da família”.
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Luiz Mestrinho, Renata Verna (nora), Danúzia (esposa) e Bruno Vilalva (filho)
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Sem interferência paterna
Para Guaraci Beleza, 54, a satisfação veio em dobro: o filho Matheus
Cabral, de 23 anos, está se formando em
Medicina e já avisou que quer se especializar em ginecologia e obstetrícia, mesma
área do pai. Já a filha Thaiana Cabral, 21,
está no terceiro semestre do curso e decidiu que quer ser pediatra. Guaraci diz
que isso é um sonho realizado, mas que
não interferiu na escolha dos filhos. “Eu
nunca falei, eles foram vendo, e quiseram
ser médicos”, afirma.
Matheus Cabral (filho), Guaraci Beleza, Thaiana Cabral (filha) e Ananda Cabral (filha – não é médica, faz Jornalismo e Direito)
Família completa
Na casa de Elisa de Carvalho, a profissão é uma só. Tanto ela quanto o marido,
José Eduardo Trevizoli, são médicos especializados na área de gastroenterologia e
hepatologia. A diferença fica por conta dos
pacientes: enquanto Elisa atende crianças e
adolescentes, José Eduardo se volta aos adultos. Os dois se conheceram ainda na faculdade, e se casaram durante a residência. Para a
médica, isso não é necessariamente uma fonte de benefícios, mas “ter afinidades e viver
desafios semelhantes facilita a compreensão e
pode trazer ajuda mútua para o crescimento
profissional e pessoal”.
As duas filhas do casal decidiram
seguir o exemplo dos pais: Isadora de Carvalho faz residência em pediatria, enquanto
Natália de Carvalho já fez residência em clí-
Natália de Carvalho(filha), José Eduardo Trevizoli (marido), Elisa de Carvalho e Isadora de Carvalho (filha)
nica médica e, agora, é residente na mesma
área em que os pais atuam. Para a mãe, essa
troca de experiências pode facilitar a convivência familiar.
Pai modelo
O ginecologista e obstetra Artur da
Rocha, 52, não esconde a felicidade ao ver que
a filha Clarissa Carvalho quis seguir a mesma
profissão que a sua: “Eu me sinto orgulhoso,
satisfeito. Medicina é um curso difícil, exige
muita dedicação, muito esforço. Isso continua
durante a vida de exercício profissional”.
Artur fica ainda mais contente porque
a filha, que está fazendo residência, também
optou por trabalhar com ginecologia e obstetrícia. Ele diz que essa escolha foi uma surpresa, mas acredita que “os pais são exemplos
para os filhos, têm que ser modelos”.
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Clarissa Carvalho (filha), Artur da Rocha e o filho
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Vinhos
e Histórias
O vinho no Império Romano
Está sendo realizada, na Sicília, uma
experiência para descobrir como era o vinho tomado no ápice do Império Romano,
há mais de 2,3 mil anos. A qualidade da
produção vinífera italiana é unanimidade
entre especialistas e apreciadores de vinho.
Barolos, Barbarescos, Chiantis e Brunellos
de Montalcino, entre outros, estão no topo
do que de melhor é produzido no mundo. A
tradição vem de longe, da época em que os
etruscos dominavam a hoje Toscana e produziam vinho à maneira grega. A produção,
no entanto, era pequena. Apenas em 800 a.C,
com a vinda de colonizadores gregos à ilha da
Sicília, a viticultura começou a se expandir
no que hoje é a Itália.
Arqueólogos da Universidade de
Catânia plantaram parreiras utilizando
técnicas antigas. A uva escolhida é a nerellomascalese, equivalente à da época. O cultivo
está sendo feito sem agroquímicos, com ferramentas romanas e mudas amarradas com
bengalas e vassouras. A fermentação será
feita em potes de terracota, que depois serão impermeabilizados com cera de abelha e
enterrados no solo. A primeira colheita está
prevista para daqui a quatro anos e a produção esperada é de 70 litros.
Para reproduzir as técnicas antigas,
foram utilizaram textos como o Geórgias, de
Virgílio, que traz poemas sobre agricultura
e vida rural no Império Romano, e obras de
Columella, que elaborou, no século I a.C., um
guia de produção agrícola que foi utilizado até
o século XVII. O primeiro autor que descreveu
com detalhes a viticultura foi o senador romano Catão, autor da obra DGAgri Cultura.
O vinho produzido no Império Romano era, na maior parte, doce, devido à maior
capacidade de conservação. A colheita das
uvas era tardia e o suco (mosto) era fervido
para se obter um vinho mais forte e açucarado. Outra maneira utilizada para adoçar
a bebida era acrescentar mel. De maneira
geral, o vinho também era temperado com
especiarias como hortelã, pimenta, açafrão
ou pétalas de rosas.
Foi apenas no início do século XVIII
que os viticultores italianos começaram a
investir com seriedade na qualidade de sua
produção. Um dos pioneiros na busca por um
vinho de ponta foi o barão Bettino Ricasoli.
Logo após as guerras napoleônicas, o barão
herdou uma propriedade familiar na Toscana
e percorreu França e Alemanha para estudar
o cultivo de videiras. Foi um dos primeiros
produtores do novo Chianti Classico, unindo
três variedades de uvas: sangioveto, canaiolo
e malvasia. Um excelente vinho italiano atual leva o nome do famoso barão: é o Barone
Ricasoli Rocca Guicciarda Chianti Classico Riserva DOCG. Vale experimentar!
branco doce, e sim os tintos das variedades
cabernet sauvignon e merlot.
E por falar em mulheres, outro estudo, este da Universidade de Florença, na
Itália, mostrou que mulheres que tomam
ao menos uma taça de vinho por dia têm
a vida sexual mais ativa. Os médicos que
aplicaram a pesquisa consideram a hipótese de que os componentes químicos do
vinho podem aumentar o fluxo sanguíneo
nas zonas erógenas do corpo, estimulando
a função sexual.
Bebida de mulher
Pesquisa da Consultoria Nielsen realizada na Califórnia mostrou que, ao contrário do imaginário popular, as mulheres
bebem mais vinho do que os homens –
55% contra 45%. O estudo também mostrou que as mulheres não preferem vinho
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Medicina em Prosa
PRIMUM NON NOCERE
Residente do último ano de cirurgia, o Dr. Paulo Angel já
estava contando as horas para terminar seu plantão em um hospital
privado de Fortaleza, em meados da década de 1980. De repente, um
veículo surgiu com quatro pessoas, vítimas de mais um acidente de
carro naquele dia. Juntos, pai, esposa, filho e filha. Uma família de
norte-americanos.
Os quatro ocupantes foram vítimas de um acidente automobilístico no interior do estado e removidos para Fortaleza sem
atendimento prévio. Dos quatro, a filha de 13 anos sofrera as piores lesões. Tratava-se de um gravíssimo trauma na face. A mãe, ao
chegar, explicou ao médico residente que havia encontrado o olho
direito da moça no assoalho do carro e não tinha noção do paradeiro do olho esquerdo.
Levada às pressas ao centro cirúrgico, logo foi localizado o
olho esquerdo. Encontrava-se na cavidade nasal. Com a fratura do
piso do assoalho da órbita, o olho fora atirado para baixo, alojando-se na cavidade nasal. O nervo óptico parecia íntegro. A equipe
cirúrgica rapidamente providenciou a devida recolocação do olho
esquerdo no lugar, efetuando-se os procedimentos necessários, na
sequência do atendimento.
No sétimo dia do pós-operatório, uma surpresa: após a
retirada do tampão do olho, a paciente falou:
- Estou vendo uma luz pelo meu olho esquerdo!
Dias depois, chegou um avião-UTI dos Estados Unidos com
o objetivo de levar a moça e sua família para a Pensilvânia. Os
familiares insistiram para que o Dr. Angel os acompanhasse até
Harrisburg, capital do estado da Pensilvânia.
Mala arrumada às pressas, foram todos para a aeronave. O
médico residente brasileiro não poderia levar sua mala pessoal, pois
o peso da carga do avião já havia completado. Ele teria que viajar
sem sua mala, apenas com a roupa do corpo. E roupa para um clima
de cerca de trinta graus Celsius. Na sombra.
Ao pousar em Harrisburg, a temperatura local era de três
graus, e o Dr. Angel vestido com a roupa que saíra de Fortaleza.
3 0
Ao sair do avião, o prefeito da cidade o esperava para uma reunião.
Logo, ofereceram-lhe um casaco.
Um grupo de médicos aguardava o brasileiro. Em um pequeno auditório, os chefes dos Serviços de Neurologia, Oftalmologia e Cirurgia Plástica, acompanhados de seus médicos residentes
e internos, não escondiam sua ansiedade com a apresentação do
Dr. Angel. O Chefe da Cirurgia Plástica, um coreano, sentou-se à
mesa e convidou o médico brasileiro a explicar os procedimentos
cirúrgicos oferecidos à paciente no Brasil.
Logo após a apresentação dos slides pelo Dr. Angel, o chefe
da Cirurgia Plástica criticou o atendimento realizado em Fortaleza.
Na sua opinião, deveria ter sido feita uma abordagem cirúrgica em
tempo único.
– Doutor – falou o Dr. Angel –, é muito fácil criticar
agora, na tranquilidade de uma sala. Naquele momento, estávamos
diante de uma moça de 13 anos, e com a certeza da perda do olho
direito. Em nossa conduta, levamos em conta a preservação da função, em detrimento do resultado estético, que poderá ser abordado
na sequência do tratamento.
Houve um certo desconforto entre os médicos no auditório. Os chefes dos serviços de oftalmologia e neurologia, com um
movimento de cabeça, sinalizaram sua concordância com a conduta
dos médicos de Fortaleza. Depois de alguns segundos de silêncio, o
médico coreano pediu desculpas pelas críticas.
Um ano depois, a família da moça telefonou para o Dr.
Angel comunicando que a menina estava participando de um time
de basquete da escola, com uma prótese no olho direito e a visão do
olho esquerdo recuperada.
Um caso de alta gravidade. Uma conduta arriscada. Um
resultado satisfatório.
Riscos envolvem todos os procedimentos realizados em um
paciente, especialmente se o atendimento é de urgência. E Hipócrates bem o sabia. Primum non nocere.
Antes de tudo, não causar dano.
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AQUI VOCÊ, CLIENTE, ESTÁ
SEMPRE EM PRIMEIRO LUGAR.
O Laboratório Sabin orgulha-se de ter alcançado mais uma conquista tão importante. Durante o AACC - Annual Meeting
& Clinical Lab Expo 2013 da American Association for Clinical Chemistry, o mais importante congresso de medicina
laboratorial do mundo, a biomédica e pesquisadora do Laboratório Sabin, Dra. Júlia Vasques, recebeu a medalha de
primeiro lugar, na categoria Divisão de Patologia Molecular, pela apresentação oral de trabalho científico. O evento
aconteceu em Houston, no estado do Texas, Estados Unidos.
O trabalho intitulado “Inibição de nucleases mediada pelo EDTA protege DNA livre de células de degradação ex-vivo em amostras
de sangue” foi desenvolvido com a colaboração de outros profissionais do Sabin, orientados pelo pesquisador da área de Biologia
Molecular, Dr. Gustavo Barra, e com apoio do Núcleo de Apoio à Pesquisa do laboratório, o NAP.
Geralmente, o AACC recebe mais de 5 mil resumos de trabalhos de pesquisadores do mundo inteiro. Em 2013, apenas 906 foram
selecionados, sendo 86 do Brasil e destes, oito do Laboratório Sabin com oportunidade para apresentação oral de três.
Uma vitória da equipe Sabin, que confirma o constante investimento do laboratório em tecnologia, atualização e pesquisa. Vamos
continuar trabalhando para que possamos alcançar cada vez mais conquistas como essas para o nosso país.
ISO
9001:
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ISO
9001:
2008
ISO
9001:
2008
ISO
9001:
2008
ISO
9001:
2008
Assessoria Científica: 61 3329 8028
www.sabinonline.com.br
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RT: Dra. Sandra Soares Costa, CRF 402 – DF
MAS NO CONGRESSO AMERICANO, QUEM FICOU EM PRIMEIRO LUGAR FOI O SABIN.
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da Revista nº 100