ROBSON GOMES DA SILVA Bráquetes Autoligantes: passivos x Interativos. Goiânia 2012 2 ROBSON GOMES DA SILVA Bráquetes Autoligantes: passivos x Interativos. Monografia apresentada a Faculdades Unidades do Norte de Minas, como requisito parcial à obtenção do título de especialista em Ortodontia. Orientação: Prof. Goiânia 2012 3 DEDICATÓRIA Aos meus pais Idelmiro Gomes Da Silva e Creusa Maria Da Silva, sempre presentes em minha vida, contribuindo com tudo que eu precisasse. À minha esposa, Arlene e a minha filha, Laís, que souberam aceitar a minha ausência, para meu próprio crescimento. 4 AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus, por me conceder além do dom da vida, saúde, paz e disposição para me aperfeiçoar. Aos professores Sérgio Ricardo Jakob, Marco Leonardo Macedo Pádua, Marcelo Oliveira Brasil, Marcelo Viana Guimarães pela generosidade em concederme um pouco de seus grandes conhecimentos. Aos pacientes pela confiança que depositaram. Aos colegas, meus agradecimentos. A todos que colaboraram de forma direta ou indireta, na elaboração deste trabalho, meus agradecimentos. 5 “Buscai, pois, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça, e todas as demais coisas vos serão acrescentadas.” Mateus 6:33 6 RESUMO O aparelho autoligável pode ser classificado em ativos e passivos. Os bráquetes passivos possuem um sistema de fechamento da canaleta que não faz pressão sobre o arco, diferentemente do sistema ativo. Como os bráquetes autoligáveis é recente na prática ortodôntica é necessário que seja elucidado as propriedades dos mesmos, bem como suas vantagens e desvantagens. Este trabalho foi baseado numa revisão de literatura com objetivo de esclarecer, aos profissionais da Ortodontia, as características dos bráquetes autoligantes passivo e ativo. PALAVRAS-CHAVE: bráquetes autoligantes, atrito, ortodontia. 7 ABSTRACT The self-ligating system can be classified into active and passive. The self-ligating have a passive channel closure system that does pressure on the bow, unlike the active system. How recent is the self-ligating brackets orthodontic practice it needs to be elucidated the properties of the same, as well as its advantages and disadvantages. This work was based on a literature review in order to clarify, the professionals of orthodontics, the self-ligating brackets characteristics of passive and active. KEYWORDS: self-ligating brackets, friction, orthodontics. 8 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO………………………………………………………………………... 09 2. PROPOSIÇÃO………………………………………………………………………... 10 3. REVISÃO DE LITERATURA………………………………………………………… 11 4. DISCUSSÃO………………………………………………………………………….. 24 5. CONCLUSÕES………………………………………………………………………. 27 REFERÊNCIAS …………………………………………………………………………. 28 9 1. INTRODUÇÃO Com o aumento de pacientes adultos nos consultórios ortodônticos em busca de uma estética facial melhor, fez com que houvesse uma melhora também na estética dos aparelhos ortodônticos. Surgem então os bráquetes autoligáveis que proporciona ao paciente um menor tempo de tratamento e menos visitas ao dentista. Os bráquetes autoligáveis dispensam qualquer tipo de amarração, inúmeras vantagens foram atribuídas a este sistema, com a redução da fricção superficial na interface bráquete/fio ortodôntico. Com esta redução, são necessárias forças de menor intensidade para o estabelecimento da movimentação dentária, realizada, assim, de uma forma mais rápida e eficiente Em decorrência da maior demanda estética por parte dos pacientes, os bráquetes autoligáveis começaram a ser confeccionados em policarbonato, promovendo ganhos estéticos únicos, quando em comparação a seus análogos metálicos (DAVID et al., 2009). Os bráquetes autoligáveis são utilizados com o objetivo de eliminar ou minimizar a força de atrito da ligação na interface bráquete/fio sendo, portanto, imperativo avaliar as características de fricção com as ligas de diferentes arcos (fio de aço inoxidável, níquel-titânio, e fios de beta-titânio) sobre suportes ativos e passivos (KRISHHNAN et al., 2009). De acordo com Batistella (2011) características físicas podem interferir nas propriedades mecânicas do tratamento ortodôntico. A atividade friccional é consideravelmente reduzida e a liberação de forças mais leves é possibilitada, facilitando o movimento dentário. O atrito existente entre as superfícies de fios e bráquetes tem sido uma questão preocupante para os ortodontistas, isso se deve ao fato de que durante a movimentação dentária, o atrito é uma importante força contrária ao movimento ortodôntico que deve ser controlada a fim de que não seja aumentada a magnitude da força aplicada. Com diversos aparelhos autoligáveis lançados no mercado, é de suma importância que o profissional da Ortodontia conheça os tipos de bráquetes e as vantagens e desvantagens de cada um para utilização do sistema. 10 2. PROPOSIÇÃO Devido a grande utilização de bráquetes autoligáveis na Ortodontia, este estudo por meio de revisão na literatura, propõe: 1. Rever a classificação dos bráquetes; 2. Avaliar os tipos de atritos; 3. Descrever as vantagens e desvantagens dos bráquetes autoligáveis. 11 3. REVISÃO DE LITERATURA Harradine (2008) conceitua os bráquetes autoligáveis como sendo aqueles que não requerem uma ligadura elástica ou metálica para ligação deste com o arco ortodôntico, pois estes possuem um mecanismo próprio, que pode ser aberto ou fechado, para conter o arco. Na grande maioria dos modelos, este mecanismo é uma tampa metálica que se contrapõe a canaleta do bráquete, sendo aberta ou fechada com um instrumento próprio ou mesmo com o dedo do profissional. O autor delineou a história, desenvolvimento e descreveu as vantagens reivindicadas dos bráquetes autoligáveis. Concluiu que o uso dos bráquetes autoligáveis oferecem a possibilidade de uma redução significativa no tratamento médio e talvez também em requisitos de ancoragem, especialmente em casos que exijam movimentos dentários grandes. Afirma que evidências de eficácia de um tratamento melhor existe, mas é incompleta e que é necessário mais estudos para corroborar a eficácia do tratamento. Jakob e Bretos (2008) explanam em seu trabalho que os bráquetes autoligáveis passivos possuem uma tampa para prender o arco ao slot ou canaleta e que o torna semelhante aos tubos ortodônticos; e ativos aqueles que possuem um clipe para pressionar o fio de encontro à canaleta do bráquete, e assim interage com o próprio bráquete, à medida que se aumenta o calibre do fio e por isso também chamado de interativo. Ele permite a liberação da força de forma gradativa e contínua, sobre os dentes. Maltagliati (2008) elucida que o mecanismo conhecido como spring clip ou sistema ativo resiliente, resume-se à existência de uma mola metálica que garante a permanência do fio ortodôntico no interior da ranhura. Entretanto, quando objetiva-se o controle do atrito, a indicação deste sistema restringe-se aos estágios iniciais de alinhamento e nivelamento, onde fios ortodônticos de menores dimensões são empregados. Nestes casos, o preenchimento da ranhura atinge o contato com a mola resiliente, tornando-a ativa na compressão do mesmo fio, resultando no aumento da fricção superficial. Maltagliati (2009) relata que um dos princípios básicos da mecânica ortodôntica de movimentação dentária é a obtenção de espaço no arco, em casos de apinhamento, previamente ao nivelamento dos dentes. A incorporação de dentes mal posicionados no fio de nivelamento sem a prévia obtenção de espaço, reconhecidamente, gera deslocamentos indesejados dos dentes adjacentes, 12 provocando efeitos como abertura de mordida, protrusão dos dentes e mudanças de angulação e inclinação. Atribui-se também, a essas movimentações, menor estabilidade ao final do tratamento. A autora explica que os procedimentos para obtenção de espaço exigem um preparo prévio do arco dentário, unindo os dentes melhor posicionados para suportar a carga apoiada para nivelamento do dente mal posicionado, por meio da diluição desta força entre os elementos de ancoragem e os dentes que apoiam o fio que receberá o sobrefio, esse preparo demanda tempo de tratamento. Com a utilização de bráquetes autoligáveis, alguns ortodontistas têm suscitado a possibilidade de simplificar essa parte de preparo prévio, pois, o tratamento com baixa fricção proporcionaria uma adaptação transversal posterior que impediria os efeitos colaterais importantes do nivelamento, possibilitando o tratamento de casos com apinhamento, sem a prévia obtenção de espaço. A autora relata um caso clínico de um paciente do sexo masculino, 11 anos de idade, tipo facial horizontal, selamento labial passivo, má-oclusão de Classe I,falta de espaço para nivelamento do canino superior direito, desvio de linha média superior para a direita, trespasses horizontal e vertical diminuídos e pequenos diastemas dos incisivos inferiores. Foi instalado o aparelho autoligável Quick (Forestadent). Após 20 dias já foi possível observar bom nivelamento do canino superior direito e melhora na linha média e com apenas 90 dias de tratamento ortodôntico e 3 consultas clínicas, sendo duas de colagem já observou a normalização da linha média, encaixe do canino no nivelamento e melhora dos trespasses vertical e horizontal. Conclui-se que é possível facilitar o alinhamento e nivelamento, produzindo efeitos desejáveis mecanicamente, em um curto espaço de tempo. Pinheiro et al., (2009) constataram em uma revisão de literatura os principais métodos de confecção dos bráquetes ortodônticos e as características de sua composição estrutural. Os autores defendem a necessidade da existência de órgãos controladores na fabricação de biomateriais ortodônticos, de forma mais efetiva. Catalogaram diversos tipos de bráquetes, com diferentes materiais, dentre eles podemos citar: bráquetes de titânio, que foi lançado visando aperfeiçoar a biocompatibilidade dos materiais existentes, devido à sensibilidade do homem ao níquel, presente no aço inoxidável; bráquetes estéticos que é mais utilizado no tratamento de adultos que reclamam dos bráquetes metálicos, pelo resultado antiestético destes, o mais utilizado é o cerâmico; bráquetes plásticos ou de 13 polímeros que são constituídos de policarbonato, muitas vezes enriquecidos com partículas de vidro ou metal. De acordo com Krishnan et al. (2009) a classificação pode ser dividida em dois grupos baseando-se na forma como se autoligam: ativos ou passivos. O grupo dos ativos tem uma mola vestibular que funciona como uma quarta parede da canaleta do bráquete, fazendo um contato positivo com o fio ortodôntico. Já os acessórios passivos têm uma mola vestibular que não pressiona o fio, criando um tubo dentro do bráquete quando este se encontra fechado. Os autores realizaram um estudo in vitro comparando os efeitos de aço inoxidável, de níquel-titânio e betatitânio arcos sobre as forças de atrito de passivos e ativos de auto-bráquetes com um suporte convencional e concluíram que as forças de atrito estáticas e cinéticas foram menores para ambos os projetos ativos e passivos do que para os suportes convencionais. Os valores máximos foram vistos com os arcos beta-titânio, e foram observadas diferenças significativas entre o níquel-titânio e fios de aço inoxidável. Com os passivos ou ativos auto-bráquetes, o fio de aço inoxidável não produziu uma diferença significativa, mas as diferenças foram significativas com fios níquel-titânio e beta-titânio. Segundo Ehsani et al. (2009) os bráquetes autoligáveis podem ser divididos em dois grupos: os passivos e ativos. Nos passivos o fio não é pressionado pelo sistema de ligadura do bráquete e assim não existe um controle imediato das rotações como nos ativos, gerando menos fricção em mecânicas de deslizamento. O objetivo dessa conformação é não ajustar o arco completamente à canaleta, permitindo um maior deslizamento dos dentes com toque apenas nos cantos do arco retangular, onde o fio é pressionado pela tampa do bráquete, permitindo maior controle de rotação e torque na fase de alinhamento e nivelamento. Em sua revisão de literatura compararam a quantidade expressa de resistência de atrito entre bráquetes autoligáveis ortodôntico e suportes convencionalmente ligados in vitro como são descritos na literatura. Selecionaram 19 artigos para a pesquisa e concluíram, por meio da literatua, que os bráquetes autoligáveis comparados com os convencionais produzem menor atrito quando acoplado com pequenos arcos redondos na ausência de basculamento e/ou de binário num arco alinhado corretamente. Sampaio (2009) revisou a literatura científica sobre atrito entre fios e bráquetes metálicos autoligáveis e convencionais, além de avaliar e comparar forças 14 de atrito nestes tipos de bráquetes através de ensaios laboratoriais. O aprimoramento tecnológico e desenvolvimento de novos sistemas de bráquetes autoligáveis nas últimas décadas suscitaram a possibilidade de tratamentos ortodônticos mais rápidos e utilizando forças de baixa magnitude em função da redução do atrito nestes aparelhos. Amaral (2009) avaliou a resistência ao atrito criada em diversos tipos de bráquetes estéticos durante a simulação da mecânica ortodôntica de deslize, três bráquetes autoligantes de marcas distintas foram utilizados: Clarity™ SL, 3M Unitek; Damon 3®, Ormco Corporation; In-Ovation C®, GAC International, além de bráquetes estéticos convencionais (Radiance®, American Orthodontics) associados à ligaduras elásticas convencionais (Sani-tie®, GAC International) e ligaduras de baixa fricção (Slide®, Leone). Para simulação da mecânica de deslize foram utilizados fios de aço inoxidável com espessuras de 0.018" e 0.017” x 0.025” (GAC Internacional). Cinco grupos (n=10) foram submetidos a cinco ensaios mecânicos consecutivos na máquina de teste universal modelo Emic® DL 500. Os resultados mostraram baixos níveis de atrito em todos os bráquetes autoligantes testados e com a utilização do fio 0.018” (p<0,05). Entretanto, com o fio 0.017 x 0.025”, os grupos Damon 3, Clarity SL e Slide mostraram forças de atrito menores quando comparadas com In-Ovation C (p>0,05). Além disso, os bráquetes estéticos convencionais associados às ligaduras convencionais resultaram na maior resistência ao atrito em ambos os fios testados (p>0,05) A autora concluiu que todos os bráquetes autoligantes estéticos testados no estudo demonstraram menores níveis de resistência ao atrito quando comparados aos bráquetes estéticos convencionais associados a ligaduras elásticas convencionais, independente da secção transversal do fio utilizado; quando testados com os fios retangulares, os bráquetes autoligantes com sistema ativo de fechamento da canaleta apresentaram força de atrito significativamente maior quando comparados aos bráquetes autoligantes passivos; os bráquetes estéticos convencionais associados às ligaduras de baixa de fricção apresentaram menor resistência ao atrito no que nos bráquetes estéticos convencionais com ligaduras elásticas convencionais e quando testados os fios retangulares, o sistema formado por bráquete convencional estético e ligadura de baixa fricção, apresentou valores de atrito semelhantes aos sistemas autoligantes passivos. 15 Mattos et al. (2009) afirmam que algumas mecânicas ortodônticas, podem alterar a rugosidade superficial dos bráquetes aumentando o atrito, como por exemplo o processo corrosivo. A mecânica de deslize, em contrapartida, sofre grande influência do atrito. Os autores avaliaram em seu trabalho que o atrito dos bráquetes coletados in vivo foi maior que o de bráquetes novos, sugerindo que a corrosão dos bráquetes na cavidade bucal gera um aumento no atrito dos mesmos com os fios ortodônticos, podendo dificultar a mecânica ortodôntica de deslize e aumentar o tempo de tratamento. Foram coletados 30 bráquetes metálicos da marca Morelli, removidos de pacientes em tratamento na Clínica do Programa de Pósgraduação em Odontologia (Ortodontia) da UFRJ, com média de tempo de permanência na cavidade bucal de aproximadamente 30 meses. A remoção dos bráquetes foi realizada através de pressão do alicate de corte de amarrilho na interface esmalte/base dos bráquetes, evitando deformação do slot e os mesmos foram armazenados em frascos com água destilada. Foi feito o ensaio de atrito com fio ortodôntico Morelli 0.019 x 0.025” de aço, a uma velocidade de 3 mm/min, com o fio comprimido ao slot com força de 200 gf. Os bráquetes para o experimento foram divididos em dois grupos: G1 – 30 bráquetes coletados in vivo; G2 – 20 bráquetes novos da marca Morelli como grupo controle. A força foi medida no ponto 1 (deslocamento do fio de 0,5 mm), no ponto 2 (deslocamento do fio de 1 mm) e foi medida a força máxima. Jakob (2009) afirma que os bráquetes autoligantes interativos apresentam flexibilidade do clipe, fato que, além de minimizar os efeitos deletérios das forças pesadas, quando o clipe deflexiona e dissipa parte da força aplicada, auxilia o fio ortodôntico em alguns dos principais movimentos dentários, especialmente os de angulação, rotação e torque. Dessa maneira, a movimentação é obtida com maior eficiência, utilizando forças moderadas. Já nos bráquetes autoligantes passivos, os efeitos mencionados acima não são observados, uma vez que a cobertura rígida dos bráquetes, por não apresentar nenhuma flexibilidade, não oferece nenhum controle sobre os movimentos de rotação, angulação e torque, que fica a cargo exclusivamente dos fios ortodônticos. Nóbrega (2009) relata dois casos clínicos onde foram utilizados acessórios autoligáveis interativos em conjunto com fios termo ativados, instalação de disjuntor rápido de maxila, do tipo Haas modificado (sem apoio palatal em resina acrílica), com parafuso com curso máximo de 13 mm, previamente à etapa de alinhamento e 16 nivelamento, acessórios com prescrição Roth segundo os preceitos dos slots diferenciais (0.018” x 0.025” para incisivos centrais e laterais; 0.022”x 0.028” para caninos, pré-molares e molares), em ambas as arcadas, superior e inferior. Os pacientes eram adolescentes (16 e 17 anos), apresentavam má oclusão dentária de Classe I de Angle e apinhamento anterior superior e inferior com sob-remordida profunda e atresia do arco maxilar. Observou-se o controle sobre a mordida aberta anterior, bem como o overjet de 1 mm na região dos caninos, conforme preconizado pela prescrição Roth, onde o torque de – 20 (ao invés de -70 preconizados por Andrews, favorecem o side shift mandibular durante os movimentos de lateralidade. O autor concluiu que este detalhamento conseguido em tempo reduzido de tratamento demonstra a eficiência do sistema de acessórios utilizado, onde é impressa a expressão total dos torque preconizados pelo autor da prescrição, graças à flexibilidade duplamente desenvolvida entre os arcos ortodônticos e os clipes interativos. Zanelato (2010) relata em seu artigo que a característica principal do aparelho autoligável é a diminuição da fricção durante o movimento dentário, a força aplicada para iniciar a movimentação é menor, repercutindo positivamente nos efeitos colaterais, danos teciduais e tempo de tratamento. Os bráquetes ativos, que mantêm o fio constantemente pressionado contra a canaleta do bráquete, permite um maior controle de rotação e torque já nas fases de alinhamento e nivelamento. Os bráquetes passivos, o slot, por ser indeformável, não exercer pressão constante no arco, o que faz com que nas fases iniciais para correção de rotações não seja tão eficaz como nos ativos, porém em mecânica de deslize a fricção torna-se menor, chegando quase à zero. Maltagliati (2010) afirma em seu artigo que todo bráquete autoligável, seja ele ativo ou passivo, apresenta a quarta parede móvel, utilizada para converter o slot em tubo. No grupo de bráquetes passivos, encontram-se os modelos em que a canaleta do bráquete é fechada por meio de uma trava que desliza na superfície externa das aletas, transformando todos os bráquetes em tubos e criando quatro paredes nas canaletas, rígidas e passivas. No grupo dos bráquetes ativos, o fechamento se dá por um clipe que invade uma parte da canaleta, em uma das paredes, superior ou inferior. Esses clipes têm a característica de exercer certa pressão sobre os fios mais calibrosos, normalmente superiores ao 0,018”. Existe, ainda, um terceiro tipo, com clipes posicionados nas laterais de um bráquete com 17 design convencional, desenvolvido pela empresa 3M®, mas que se enquadra no grupo dos passivos, pela sua característica de atuação. Os bráquetes autoligáveis ativos e passivos se diferenciam pela maneira com a tampa fecha a canaleta do bráquete, convertendo-o em um tubo. Os bráquetes autoligáveis passivos são aqueles em que a trava desliza sobre a superfície externa das aletas sem realizar qualquer pressão sobre o arco ortodôntico. Nesse sistema não existe controle de rotações e nem torque, porém, observa-se uma menor fricção durante a mecânica de deslizamento. Os bráquetes autoligáveis ativos são aqueles em que o fechamento da canaleta se dá por meio de um clipe que pressiona fios mais calibrosos para dentro do slot. O sistema ativo permite um maior controle de rotações e torque desde a fase inicial do tratamento ortodôntico, todavia a força ficcional se intensifica quando utilizados fio retangulares (FLEMING; JOHAL, 2010). Os bráquetes passivos, o slot, por ser indeformável, não exercer pressão constante no arco, o que faz com que nas fases iniciais para correção de rotações não seja tão eficaz como nos ativos, porém em mecânica de deslize a fricção tornase menor, chegando quase à zero (PONCE, 2010). Ribeiro (2010) revisou a literatura comparando os níveis de atrito estático de bráquetes autoligáveis estético, de bráquetes autoligáveis metálicos e de bráquetes convencionais metálicos, com o uso de fios ortodônticos de diferentes ligas, secção e diâmetros, para determinar quais bráquetes apresentam os menores coeficientes de atrito entre os diferentes fios e bráquetes. As conclusões dessa revisão literária demonstraram que os bráquetes autoligáveis apresentam um atrito estático significativamente mais baixo quando comparados com o bráquetes convencionais, em situações onde não há angulação entre o fio e o bráquete, com o uso de fios de calibres menores e mais flexíveis. Todavia quando se utiliza fios de maior calibre, tanto os bráquetes autoligáveis metálicos quanto os bráquetes convencionais apresentam maior atrito. Para o autor o ortodontista necessita compreender como ocorre o atrito entre o bráquete e o fio, para consequentemente entender como ocorre à mecânica de movimentação. O atrito é a resistência ao movimento de um determinado objeto que se move tangencialmente quando em contato com outro objeto. O atrito pode ser estático ou dinâmico, dependendo de como é a força que promove a movimentação. O atrito estático avalia a força necessária para se iniciar o movimento de um objeto. E o atrito dinâmico avalia a força existente entre um objeto 18 em relação a uma superfície, em situações de movimento. Assim, o atrito estático sempre terá um valor maior que o atrito dinâmico, pois é necessário romper as ligações moleculares entre as duas superfícies. O atrito pode ser influenciado pelo material e largura do bráquete, pela distância inter-bráquetes, pelo tamanho da canaleta, pelo tipo de fio, pelas angulações, pelo grau de torção, pelo tipo de amarração e até mesmo pelo ambiente. O sistema de bráquetes autoligáveis proporciona um tratamento mais rápido, eficaz, com menor tempo de atendimento e menor atrito entre o fio e o bráquete. Essa redução dos níveis de atrito entre os fios e os bráquetes é uma das principais características dos bráquetes autoligáveis, pois com isso poderia se obter um movimento de deslizamento eficiente com o uso de forças menores, quando comparados com os bráquetes de amarrações convencionais. Orsi (2010) realizou uma revisão de literatura sobre o sistema autoligável, mostrando suas vantagens, desvantagens, prescrições, eficiência e os modelos de bráquetes existentes no mercado. O autor afirma que o sistema autoligável é, certamente, uma excelente opção de tratamento, sem, entretanto deixar de lado os princípios básicos da ortodontia que são o diagnóstico e o plano de tratamento. Ele observou que os principais fatores envolvidos na determinação do nível de fricção são o material de composição dos bráquetes e fios, as condições de superfície dos fios e canaletas dos bráquetes, calibre do fio, torque na interface fio-bráquete, distância interbráquetes, tipo e força de amarração, distância interbráquetes, saliva e influência das funções orais. Além disso, quanto mais mal posicionado estiver o dente, maior a deflexão do fio e, portanto, o contato deste com o bráquete, fazendo aumentar o atrito estático e a força necessária à movimentação. Da mesma forma, quanto maior a área de contato e dependendo do material utilizado para amarrar o fio, o atrito pode ser aumentado. De acordo com Pandis et al. (2010) as vantagens básicas destes bráquetes envolvem a eliminação dos módulos elastoméricos. Isso traz alguns pontos favoráveis ao tratamento, incluindo a eliminação da potencial contaminação cruzada, ocasionada pelas ligaduras, a inexistência da degradação das forças elásticas, o menor risco de descalcificação do esmalte pela eliminação dos locais retentivos para acúmulo de placa, a hipotética redução de atrito nas mecânicas de deslizamento e a aplicação de forças mais leves, resultando em menores efeitos colaterais. Os autores compararam o tempo necessário para concluir o alinhamento dos dentes 19 anteriores (canino a canino) com bráquetes autoligáveis das marcas Damon MX (Ormco, Glendora, Califórnia) e In-Ovation R (GAC, Central Islip, Nova Iorque). Setenta pacientes foram incluídos neste estudo randomizado controlado usando os seguintes critérios de inclusão: tratamento sem extração em ambos os arcos, erupção de todos os dentes superiores, sem espaços no arco superior, sem caninos altas, índice de irregularidade maxilar superior a 4 mm, e nenhuma intervenção terapêutica planejada envolvendo intermaxilares ou outros aparelhos intra-orais ou extra-oral, incluindo elásticos, aparelhos de expansão maxilar. Os autores concluíram que o uso de bráquetes ativos ou passivos não parece afetar a duração do tratamento. Voudouris et al. (2010) testaram as forças de resistência de atrito gerados entre arcos, vários sistemas autoligáveis interativos e suportes convencionalmente ligados. Foram avaliados em ambiente seco as forças de atrito produzidas entre três combinações diferentes: arco, bráquetes autoligáveis (cerâmica e metal) e suportes convencionalmente ligados (metal ou cerâmica). As três faixas de sistemas autoligáveis interativo testados foram: In-Ovation-C, In-Ovation-R, e Damon 3. Os três suportes convencionalmente ligados foram Mystique com Clip Neo, clareza e Ovation. Foi concluído que os suportes de sistema autoligáveis interativos geralmente exibiram as menores forças de atrito, independentemente do material de suporte e o tamanho de fio, e os suportes de convencionalmente ligados exibiram consistentemente mais elevadas forças de atrito. Os autores alegam que os fatores inerentes ao tratamento ortodôntico que exercem influência nas forças friccionais, são vários. Em relação aos materiais, a constituição dos fios e canaletas dos bráquetes ortodônticos, a espessura dos fios e tamanho dos bráquetes. Além disso, à distância interbráquete, o método de ligação bráquete-fio e angulação dos bráquetes e fios. Pereira (2010) fez um levantamento na literatura sobre a mecânica ortodôntica dos bráquetes autoligáveis, dando ênfase em seu histórico, na fricção superficial e atrito, vantagens e desvantagens assim como seus diversos tipos encontrados no mercado. Constatou, após a revisão de literatura, que os bráquetes autoligáveis geram forças de atrito e cinética menor do que os bráquetes de aço convencionais e que os autoligáveis produzem menor fricção quando combinados a arcos redondos de pequeno diâmetro e na ausência de angulação e /ou torque, em um arco com alinhamento ideal. 20 Ferronato (2010) procurou evidências na literatura ortodôntica disponível sobre duas destas vantagens explanadas: eficiência nas mecânicas de alinhamento e nivelamento e deslizamento. O autor afirma que após a revisão de literatura, pôde concluir que na mecânica de alinhamento e nivelamento os bráquetes autoligáveis não se mostraram superiores aos convencionais. Da mesma forma na mecânica de deslizamento, os bráquetes autoligáveis foram superiores somente em estudos in vitro onde a metodologia adotada difere muito das condições encontradas clinicamente. Lima et al. (2010) avaliaram e compararam em um estudo in vitro a resistência friccional em bráquetes de aço inoxidável e de policarbonato compósito amarrados com fio metálico e elastômeros. Foram utilizados quatro bráquetes de aço inoxidável e quatro de policarbonato compósito (PC) para pré-molares levados à máquina universal de ensaio mecânico para a tração de um segmento de fio de aço inoxidável 0,019” x 0,025” na velocidade de 0,5mm/min, com 8 mm de deslocamento total. A forma de amarração variou entre as seguintes possibilidades: amarração metálica com pinça de Steiner, metálica com pinça Mathieu, elastômero da marca Morelli e elastômero da marca TP Orthodontics. Os autores afirmam que os módulos elastoméricos geraram mais atrito do que os metálicos e a amarração com pinça Mathieu provocou menor atrito quando comparada a todas as situações avaliadas. Os bráquetes de policarbonato compósito geraram menor atrito do que os metálicos, porém, na escolha do material a ser utilizado na clínica, outras variáveis – tais como a resistência ao cisalhamento e à fratura, a estabilidade de cor e a aderência por microrganismos – devem ser consideradas. Pacheco et al. (2011) avaliaram quatro tipos de bráquetes autoligáveis, sendo dois ativos — Time 2® (American Orthodontics, Sheboygan, WI, EUA) e InOvation R® (GAC Internacional, Bohemia, NY, EUA) — e dois passivos — Damon 2® (Ormco Corporation, Glendora, CA, EUA) e Smart Clip® (3M Unitek, Monrovia, CA, EUA). Para a realização dos testes foram usados fios de aço inoxidável com calibre de 0,018” e 0,017” x 0,025” (3M/Unitek, Monrovia, CA, EUA). Havia 20 unidades de cada tipo de braquete, sendo que 10 foram testadas com o fio redondo e as outras 10 com fio retangular. Cada corpo de prova, formado por braquete/fio, foi submetido a cinco testes consecutivos, a fim de se aumentar a confiabilidade dos resultados alcançados, totalizando 400 testes realizados. 21 Os autores concluíram que todos os bráquetes autoligáveis testados apresentaram significativa redução no atrito com o fio 0,018”, podendo ser considerados uma alternativa clínica para minimizar os efeitos indesejáveis do atrito observados com os bráquetes convencionais, quando a mecânica de deslizamento é empregada e quando testaram com fios retangulares, os bráquetes autoligáveis ativos apresentaram atrito significativamente maior do que aqueles considerados passivos, com resultados estatisticamente semelhantes aos dos bráquetes convencionais com fios de mesmo calibre. Fróes (2011) elucida em seu artigo que a ausência de ligaduras, principalmente elásticas, confere queda no atrito e, portanto, na resistência à movimentação, permitindo a utilização de forças de menor intensidade, mais compatíveis com a resposta periodontal de remodelação óssea, gerando menores áreas de hialinização e promovendo movimentações mais rápidas e eficientes. Nesta mecânica torna-se muito importante utilizar fios de baixo calibre no início do alinhamento. Agindo desta forma, confere ao sistema, uma grande liberdade do fio dentro da canaleta, sem pressionamento. Essa é a chave do sistema. Com a fricção reduzida os dentes nivelam e alinham com mais eficiência e com força muito menor que a necessária para os bráquetes convencionais. O autor ressalta a importância da diminuição do atrito na técnica dos bráquetes pré-programados. Brauchli et al. (2011) compararam o comportamento de fricção de vários bráquetes autoligáveis com o convencional. Avaliaram a resistência ao deslizamento de sete bráquetes autoligáveis, um suporte convencional, e um suporte de cerâmica com um clipe de baixa fricção, em combinação com três arcos diferentes e força de ruptura-momentos de 0 e 10 Nmm. A resistência ao deslizamento aumenta em dobro quando o centro de rotação se localiza no bráquete (movimento de terceira ordem) em comparação a um afastamento desta posição para outra em 10,0 mm. Sathler et al. (2011) revisou a literatura para buscar os mais novos estudos a respeito dos aparelhos autoligáveis atualmente utilizados nos tratamentos ortodônticos, confirmando ou retificando as especulações vigentes. Relataram que os bráquetes autoligáveis não promovem maior reabsorção radicular do que os convencionais, e sua utilização dispensa o uso de ligaduras, permitindo menor acúmulo de placa tanto no acessório quanto no esmalte próximo ao bráquete. Carvalho (2011) buscou identificar em base de dados eletrônicos alguns trabalhos que, no período de 1997 a 2010, investigaram a característica de atrito dos 22 sistemas autoligáveis ativos ou passivos na interface fio-bráquete. Constatou na sua pesquisa que quão maior for o calibre do arco a ser usado, maior a fricção e, que esta é maior nos fios retangulares que em fios redondos. Bráquetes metálicos produzem menor atrito que os cerâmicos ou os de policarbonato. O autor ressalta ainda que quando comparada a fricção encontrada entre bráquetes autoligáveis passivos e ativos há controvérsias. Os testes in vitro revelam superioridade dos sistemas autoligáveis sob circunstâncias extremamente controladas de alinhamento e nivelamento o que na prática não ocorre. As ligaduras de baixa fricção como alternativas econômicas aos autoligáveis apresentaram resultados inconsistentes e merecem maior investigação in vivo. O torque, quando excede o espaço livre de terceira ordem, aumenta substancialmente o nível de atrito de autoligáveis e aproxima seu comportamento do apresentado por sistemas convencionais. Freitas (2011) investigou através da revisão de literatura as particularidades dos bráquetes autoligáveis. Procurou embasamento científico para questões como: baixa fricção, facilitando principalmente mecânicas de deslize, possibilitando menor custo biológico, menor risco de reabsorção apical radicular, menos dor, tratamentos mais rápidos, menor tempo de duração das consultas, maior intervalo entre elas e diminuição do número de bactérias presentes no aparelho ortodôntico devido a eliminação de ligaduras elásticas que degradam no meio intra bucal. A autora afirma que a rapidez dos tratamentos ortodônticos não está relacionada somente ao tipo de bráquetes utilizados, porém, reduzindo o atrito nos sistemas ortodônticos obterá resultados mais rápidos em situações clínicas semelhantes e a geometria dos bráquetes: profundidade, altura e largura dos slots: em bráquetes autoligáveis ativos, a parede horizontal gengival fica reduzida, pois o clipe ativo invade o slot trazendo vantagens e desvantagens. A vantagem é o maior controle da posição de raiz nos 3 planos do espaço,transmitindo mais facilmente as prescrições do braquete em questão. A desvantagem é a maior produção de atrito em mecânica de deslize; em bráquetes autoligáveis passivos, as dimensões internas são maiores, diminuindo o contato do fio com as paredes internas, porém levando a um subdimensionamento do sistema arco/braquete. Paula (2012) aferiu a fricção superficial dos bráquetes autoligáveis e convencionais, suas vantagens e desvantagens de diferentes marcas comerciais de bráquetes autoligáveis. A autora destacou, após avaliação das médias da fricção superficial em diferentes bráquetes autoligáveis: os bráquetes autoligáveis produzem 23 valores de atrito inferiores aos bráquetes convencionais com ligaduras elásticas, independente das marcas de autoligáveis utilizadas; ao se comparar as diferentes marcas de bráquetes autoligáveis, observou-se que algumas marcas produzem médias de atrito mais altas, enquanto outras apresentam médias mais baixas; existe um aumento de atrito diretamente proporcional ao aumento da espessura dos fios utilizados; a diminuição do atrito com a utilização dos bráquetes autoligáveis possibilita a mecânica de forças reduzidas com melhor controle de ancoragem. 24 4. DISCUSSÃO Para o ortodontista, a utilização de aparelhos autoligáveis é extremamente benéfica na clínica diária devido à biomecânica do tratamento ortodôntico causar baixo nível de força, proporcionarem melhor desempenho na biomecânica de deslizamento, causar melhor gerenciamento no procedimento clínico, uma diminuição do tempo de tratamento ortodôntico, com tratamento ortodôntico diferenciado, uma diminuição no tempo do paciente na cadeira, uma melhor saúde periodontal e proporcionam bons resultados de finalização (MACEDO, 2008; MALTAGLIATI, 2008; ZANELATO, 2008; SAMPAIO, 2009; MALTAGLIATI, 2010). Já Sathler et al. (2011) afirmam que os bráquetes autoligáveis não permitem o desenvolvimento de planos de tratamento mais rápidos ou mais excelentes do que os bráquetes convencionais. Para os autores são somente mais uma opção de acessórios, sendo que sua escolha deve ser baseada na habilidade e na experiência de cada profissional, e não na promessa de obter resultados melhores e mais eficientes. A diminuição do atrito é a principal característica do aparelho autoligável, facilitando o início da movimentação dentária e diminuindo o tempo de tratamento, porém o controle do movimento dentário, e a produção de momentos rotacionais, são mais eficientes no sistema interativo devido à pressão exercida pelo clipe no fio. O atrito está diretamente relacionado com o sistema de amarração, como neste aparelho as presilhas ou os clipes não apertam o arco, a resistência, a movimentação é diminuída (JAKOB, BRETOS, 2008; ZANELATO, 2008; EHSANI et al., 2009; ORSI, 2010; RIBEIRO, 2010; FREITAS, 2011). Os bráquetes autoligáveis passivos produzem menor resistência de atrito, no entanto, o tamanho e a forma do arco parecem ter uma influência mais profunda sobre a força de resistência gerada. Em geral, a resistência ao movimento aumenta com o aumento da dimensão do arco e/ou alterações na forma transversal do arco (de redondo para retangular). Enfim, a dimensão (espessura) vestíbulo-lingual do fio parece ser um fator mais importante que a dimensão ocluso-gengival, para determinar a resistência ao atrito de bráquetes autoligáveis (BUDD et al., 2008; AMARAL, 2008; KRISHNAN et al., 2009; PEREIRA, 2010; FRÓES, 2011). Já Brauchli et al. (2011) advertem que em relação à resistência ao deslizamento para bráquetes autoligáveis de natureza passiva ou ativa, as diferenças são mínimas quando não houver um bom nivelamento, mas com maior resistência ao 25 deslizamento sendo observada em bráquetes autoligáveis ativos à medida que aumentar a dimensão do fio, e ao contrário com os bráquetes passivos. Alguns autores salientam que uma das vantagens dos bráquetes autoligáveis é que, além do deslizamento do fio no interior das canaletas dos bráquetes, ficar muito favorecido devido ao baixo atrito, ocorre uma importante e surpreendente ação da musculatura orbicular sobre os dentes anteriores, quando houver espaços interdentais, sejam estes diastemas ou espaços de extrações, efeito esse denominado de “autocinése”, caracterizada por uma movimentação sempre no sentido posterior. Dessa forma, qualquer espaço tende a ser fechado sempre de anterior para posterior, minimizando em muito a já tradicional vestibularização dos incisivos nos casos de apinhamento, ou a perda de ancoragem nos casos de exodontias de pré-molares (JAKOB, 2009; MALTAGLIATI, 2009; ZANELATO, 2010). Algumas vantagens dos acessórios autoligantes em relação aos convencionais, que são: a permissão no uso de forças leves, controle sobre a resistência friccional, diminuição no risco de lesões percutâneas, sistema de ligação estável, visitas ao consultório mais rápidas e menos frequentes, facilidade de higienização, diminuição do número de bactérias presentes no aparelho ortodôntico devido a eliminação de ligaduras elásticas que degradam no meio intra bucal, menor desconforto após a troca de arcos e tempo reduzido de tratamento (NÓBREGA, 2009; AMARAL, 2009; PANDIS et al., 2010; VOUDOURIS et al., 2010; FREITAS, 2011; PAULA, 2012). Já Mattos et al. (2009) alegam que os bráquetes ortodônticos permanecem na cavidade bucal ao longo de todo o tratamento ortodôntico, cerca de 24 a 36 meses. Este é um ambiente favorável ao ataque corrosivo sobre os metais devido aos fenômenos microbiológicos e enzimáticos. As vantagens demonstradas pelos bráquetes autoligáveis em relação aos convencionais aplicam-se, em princípio, a todos os bráquetes autoligáveis, apesar de o modo como elas são demonstráveis na prática possa diferir. Apresentam maior certeza na inserção total do arco no slot, menor atrito entre o bráquete e o arco, independentemente da composição do bráquete e calibre do fio, menor tempo de cadeira e maior rapidez na mudança do arco. (MALTAGLIATI, 2010; VOUDOURIS et al., 2010). Já Ferronato (2010) afirma em seu trabalho que os bráquetes autoligáveis não se mostraram mais eficientes que os convencionais e Pereira (2010) alega que em seu estudo não foram encontradas evidências suficientes para comprovar a baixa fricção de bráquetes autoligáveis em relação aos convencionais. 26 Sathler et al. (2011) afirmam que as desvantagens dos bráquetes autoligáveis são uma menor taxa de correção das rotações nas primeiras etapas do nivelamento e o consequente aumento da sensação dolorosa quando da inserção do segundo fio de nivelamento, além do alto custo desses acessórios em comparação aos convencionais. Quando testados com fios retangulares, os bráquetes autoligáveis ativos apresentaram atrito significativamente maior do que aqueles considerados passivos, com resultados estatisticamente semelhantes aos dos bráquetes convencionais com fios de mesmo calibre (FLEMING; JOHAL, 2010; PACHECO et al., 2011; CARVALHO, 2011; FREITAS, 2011). 27 5. CONCLUSÃO Por meio desta revisão pode-se concluir que: 1. A fricção inicial entre bráquetes é maior nos ativos do que nos passivos; 2. Na clínica a utilização dos bráquetes autoligáveis reduzirá o tempo do paciente na consulta e no tratamento; 3.Ao comparar os bráquetes autoligáveis e os bráquetes convencionais, ratificou-se que os bráquetes autoligáveis proporcionaram redução no tempo de tratamento e atendimento e, apresentaram maior força de atrito; 4.Ainda é necessário pesquisas para comprovar a estabilidade do tratamento pós-ortodôntico com o uso de bráquetes autoligáveis em longo prazo. 28 REFERÊNCIAS AMARAL, M. R. D. Avaliação do atrito estático de diferentes bráquetes estéticos. 2009. 58 f. Dissertação (Mestrado), PUC, Minas Gerais, 2009. BRAUCHLI, L. M.; SENN, C.; WICHELAUS, A. Active and passive self-ligation-a myth? Angle Orthod, v. 81, n.2, p.312-8, 2011. BUDD, S.; DASKALOGIANNAKIS, J.; TOMPSON, B. D. A study of the frictional characteristics of four commercially available self-ligating bráquete systems. Eur J Orthod, v. 30, n. 6, p. 645-53, 2008. CARVALHO, T. B. 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