DIA 4 DE OUTUBRO NOS CINEMAS Outro talento importado dos Estados Unidos, embora brasileiro, foi o do economista Leonardo Bursztyn, conhecido como DJ Faroff, ex-integrante da banda Móveis Coloniais de Acaju e, atualmente, um dos grandes criadores de mashups (músicas criadas pela combinação de outras pré-existentes) no mundo. Inspiração para a personagem de Bruno Gagliasso, Faroff compôs dois mashups para a trilha sonora, que incluem uma mistura de “I Love Rock’n’Roll”, de Joan Jett; “O meu Sangue Ferve por Você”, de Sidney Magal; “We O elenco do filme conta ainda com os comediantes Danilo Gentili, Will Rock You”, Paulinho Serra e Rafinha Bastos, os atores Enrique Diaz, Letícia Isnard e Gabriela Duarte (na pele de uma socialite desbocada), do Queen, além, é claro, dos sete cães, dois adultos e cinco filhotes, que e “Kátia Flávia”, de interpretam o protagonista Guto. Os adultos, interpretados por Fausto Fawcett, Dusty e Duffy, são astros da série “True Blood”. Todos foram entre outras. Um adestrados pelo experiente Boone Narr, americano responsável, dos mashups é entre outros, pelo treinamento de cachorro Akita, de Richard executado em cena Gere em “Sempre ao seu Lado”, e do macaco de Johnny Depp e ao vivo pela banda Brasov. em “Piratas do Caribe”. Dizem os manuais de cinema que as comédias românticas caracterizam-se pelo encontro entre duas almas gêmeas que superam todo e qualquer obstáculo ao descobrir que não podem viver sem a outra. A presença de uma terceira alma - quadrúpede que seja - na relação impõe, portanto, uma nova denominação. No caso de “Mato sem Cachorro”, do estreante Pedro Amorim, a mais adequada é “cãomédia romântica”. Isto porque Guto, um cachorrinho adorável que sofre de narcolepsia (desmaia toda vez que fica animado), é parte indissociável do romance entre a charmosa Zoé e o desajeitado Deco, vividos por Leandra Leal e Bruno Gagliasso, este também em seu primeiro longa. 2 - Apresentação 4 - Sinopse|Elenco Participações|Equipe 5 - Direção 9 - Bruno Gagliasso 12 - Leandra Leal 16 - Danilo Gentili 19 - Participações Especiais 20 - Gabriela Duarte 21 - Rafinha Bastos 22 - Produção 28 - Roteiro 29 - Fotografia e Locações 30 - Adestramento de cães 31 - Trilha sonora 32 - Cartazes 33 - Produção 34 - Coprodução 35 - Distribuição 36 - Patrocínio|Assessoria de Imprensa 3 Sinopse Equipe Deco (Bruno Gagliasso) é um talento musical desperdiçado que vive jogado no sofá de casa. Até o dia em que conhece dois grandes amores: a linda radialista Zoé (Leandra Leal) e Guto (Dusty/Duffy), um cachorro que desmaia toda vez que fica animado. Os três vivem como uma família. Dois anos depois, Zoé dá um pé na bunda de Deco, fica com a guarda do cachorro e de sobra arruma um novo namorado. Deco, revoltado, toma as rédeas da situação e, com a ajuda do primo Leléo (Danilo Gentili), sequestra Guto. Pedro Amorim / Direção Eliane Ferreira e Malu Miranda / Produção André Pereira, Tiago Arakilian, Vicente Amorim, João Daniel Tikhomiroff, Michel Tikhomiroff, Hugo Janeba / Coprodução André Pereira / Roteiro Gustavo Hadba / Direção de Fotografia Tiago Marques / Direção de Arte Marcelo Pies / Figurino Lucila Robirosa / Maquiagem Boone Narr / Coordenação de Animais Raoni Seixas / Produção de Elenco Malu Miranda / Direção de Segunda Unidade Gigi Soares / Primeira Assistente de Direção Bruno Gagliasso / Deco Angela Leal / Vera (Mãe da Zoé) José Moreau Louzeiro / Som Direto Leandra Leal / Zoé Flavio Migliaccio / João (Pai da Zoé) Instituto e Luca Raele / Trilha Original Danilo Gentili / Leléo Marcelo Tas / Luiz e Aloísio (Donos da rádio) Lucas Marcier e Fabiano Krieger / Música Original Adcional Leticia Isnard / Ananda Rafinha Bastos / Dr. Roberto (Veterinário) DJ Faroff / Mashups Enrique Diaz / Fernando Paulinho Serra / Homem estranho Felipe Rocha / Sidney Elke Maravilha / Dona Nora Natara Ney e Pedro Amorim / Montagem Gabriela Duarte / Mariana Sandro Rocha / Funcionário do canil Juca Díaz / Supervisor de Pós-produção Fausto Fawcett / Jurado do concurso Fernanda Senatori / Produtora Delegada Sidney Magal / Jurado do concurso Lili Nogueira / Produtora Executiva Elenco 4 VOLTAR AO TOPO Participações especiais VOLTAR AO TOPO Pedro Amorim Embora “Mato sem Cachorro” seja seu primeiro longa-metragem, Pedro Amorim tem uma bagagem significativa acumulada no mercado audiovisual. Trabalhou como editor em “O Caminho das Nuvens” e “Olga”, além de ter dirigido as séries “Mothern” e “Quase Anônimos”. Pode-se dizer, porém, que o cinema vem de berço já que Pedro acostumou-se desde pequeno a assistir aos filmes projetados na parede por seu pai, o ministro da Defesa Celso Amorim, que por pouco não seguiu a carreira de cineasta. Nesta entrevista, ele conta um pouco de sua trajetória até “Mato sem Cachorro”, fala de sua semelhança com o personagem de Bruno Gagliasso, explica por que achou mais fácil dirigir cachorros que crianças novas e elogia a participação especial do irmão, o também cineasta Vicente Amorim (“Corações Sujos” e “Um Homem Bom”), em sua comédia. 5 VOLTAR AO TOPO Você já havia dirigido filmes publicitários, dois curtas e séries como “Mothern” e “Quase Anônimos”, além do trabalho como editor em “Cidade dos Homens”, “Mandrake”, “Caminho das Nuvens” e “Olga”, entre outros. Por que achou que este era o momento de fazer um longa? Já vinha, há algum tempo, fazendo essa transição da edição para a direção e da publicidade para a dramaturgia. Gosto muito de dirigir atores e vinha aguardando um projeto que permitisse fazer isso num longa. Abracei o projeto porque achei que ele me daria a possibilidade de brincar com muitas das coisas que eu gosto, como comédias clássicas – Billy Wilder, Jacques Tati e Charles Chaplin –, filmes com cachorro e música. O que te levou a apostar nesta trama e em uma comédia romântica? presidente da Embrafilme, e de seus dois irmãos, João e Vicente Amorim, serem cineastas foi crucial na sua opção pelo cinema? Claro. Meu pai foi assistente de direção do Ruy Guerra em “Os Cafajestes” (1962) e do Leon Hirszman em “Cinco Vezes Favela” (1962). Ele costuma brincar dizendo: “Na época, meu pai não era embaixador, então, não pude fazer cinema” (risos). Nem gosta de falar sobre isso. Podia não ter sido ministro, mas um dos expoentes do Cinema Novo. Entre as minhas primeiras memórias está a de ver filmes do Chaplin, do Pica-Pau e “O Encouraçado Potemkin” em Super 8. Havia uma coisa mágica naquela luz projetada. Então, o cinema sempre esteve em nosso DNA. Na adolescência, quis ser músico. Nessa época, o João estava trabalhando em animação 3D na Califórnia e o Vicente já trabalhava em cinema no Rio. Quando meu pai foi para Nova York, eu estava fazendo vestibular para sociologia, mas fui junto para fazer faculdade de cinema. Parecia mais divertido. Como a Malu (Miranda, produtora do filme e mulher de Pedro), o André Pereira (sócio de Malu e roteirista do filme) e eu compartilhamos esse gosto por comédias clássicas, queríamos fazer algo com essa pegada. O André tinha essa ideia de um filme com cachorro e, por acaso, o filme do Benji havia marcado muito a minha infância. Foi um dos poucos filmes que me fez chorar (risos)! Tudo isso junto nos levou a fazer esse filme. É aquela frase clássica: “Não é você que escolhe o projeto, mas ele que te escolhe”. 6 O fato de o seu pai, o ministro da Defesa Celso Amorim, ter sido Eles participaram de alguma forma de “Mato sem Cachorro”? João tem causas mais nobres na cabeça (risos), dirige documentários sobre sustentabilidade e consciência ambiental. Já o Vicente é coprodutor do filme, então, ajudou a captar recursos, e deu conselhos no roteiro e na edição. Já meu pai acha que o trailer tem muito palavrão (risos). O Vicente faz uma ponta no filme também... Uma ponta antológica, clássica! A ponta mais maneira! Ele faz o VOLTAR AO TOPO Tubarão, o dono de bar com o maior nariz do mundo. O Vicente já havia feito um atendente de bar em um comercial. Quando vi que o personagem teria um nariz grande, pensei nele. Foi uma maneira de sacanear meu irmão sem que ele pudesse fazer muito contra mim. O personagem do Danilo Gentili faz até uma piada quântica: “Ô Tubarão, como é que está o cheiro no futuro?”. Mas o Vicente não teve nenhum problema com isso e fez sem nenhuma vaidade. Eu tinha certeza de que ele ia adorar interpretar. Foi muito legal nesse dia porque vi o respeito que a equipe e os atores têm por ele. Fiquei meio ansioso com aquela situação do professor vendo o aluno trabalhar. Achei que fosse tremer, mas foi ótimo. 7 mais para Big Lebowski. E ele veio totalmente sem vaidades e mergulhou de cabeça. Com a barba e o cabelo grandes, ficou parecendo mais um cachorro. E, ao lado do Danilo Gentili, que é muito alto, formou uma dupla nos moldes de O Gordo e o Magro. Como você avalia a experiência de dirigir cães? Eu já havia feito quatro ou cinco filmes publicitários com cães, mas é diferente. Fazer um longa não é fácil, apesar de os cachorros obedecerem aos comandos. É um pouco como dirigir crianças muito novas. Na verdade, com os cachorros é mais fácil porque eles fazem o que você pede, mas, ainda assim, é complicado. Uma das grandes dificuldades eram as cenas em que os cachorros tinham de fazer algo enquanto os personagens estavam falando. O que norteou a escolha do Bruno Gagliasso, um estreante no Nelas, os adestradores tinham de dar o comando durante a fala. cinema, e da Leandra Leal, já mais experiente? Isso nos obrigou a dublar algumas falas. Por mais hollywoodiano que seja o processo, às vezes, a coisa funciona e, às vezes, não. Escrevemos o papel para a Leandra, que, na minha opinião, é Nós não estávamos lidando com seres humanos. a melhor atriz de sua geração. A nossa ideia, desde o início, foi ancorar o elenco em atores fortes dramáticos. Queríamos dar Você e a Malu Miranda, produtora do filme e sua mulher, tinham verdade às cenas e a Leandra era a melhor pessoa para isso. uma banda de mashup. Porque resolveram incluir o gênero na Ela também se identifica com a Zoé pelo fato de ambas serem trilha sonora? produtoras. Já o Bruno havia feito um personagem cômico em Por diversas razões. Primeiro, porque eu gosto dessa estética “Passione” que contracenava justamente com a Leandra e a de colagem, de reciclagem. E o Deco precisava ter um talento Gabriela Duarte, que também está no filme. Além de ter uma para não se tornar apenas acomodado. O mashup traduz bem o carga dramática forte nos personagens que já fez na TV, ele tem personagem, um adulto-adolescente do século XXI que consome um talento cômico intuitivo e isso faz lembrar os galãs da década muita informação e a transforma em algo novo já que dispõe de 1930. Mas não queríamos o Bruno lindão. A ideia estava VOLTAR AO TOPO de muitas ferramentas. O DJ Faroff fez os mashups e, como eu e Malu somos muito musicais, demos pitacos nas escolhas das músicas. A trilha é bem eclética. Há algo de biográfico no Deco, além dos mashups? Há coisas subliminares. Os pais do Deco viajam o tempo todo, caso dos meus pais e dos pais da Malu. Quando fui falar do visual do personagem com o Bruno Gagliasso, ele disse: “Ah, entendi...mais ou menos que nem você, com o cabelo desgrenhado e barba”! Nas fotos do set, eu e Bruno somos a mesma pessoa. A equipe me chamava de Deco no set. Já essa característica mais nerd dele, de ficar no computador e ser meio inapto socialmente, tem a ver com o André Pereira, roteirista (risos). Já a Zoé é a Malu. Olhando para o pôster do filme, a nossa filha falou: “Olha o papai e a mamãe!”. O que atrairá o público em “Mato sem Cachorro”? Sempre tentei aliar a qualidade à capacidade de atrair público e achei que esse filme era uma oportunidade de fazer isso. Tem uma fala do Deco em que ele diz: “Vocês querem misturar a p... toda? Vamos lá então, rock’n’roll!". É isso. Na trilha tem Wando, Radiohead, Só Pra Contrariar e a banda indie Spoon. No elenco, tem desde a atriz consagrada pelos filmes cabeça, a Leandra Leal, ao ator conhecido por grandes papeis na TV, o Bruno Gagliasso, além do cara do teatro independente, o Enrique Diaz, e a galera do humor, casos do Danilo Gentili, Paulinho Serra e do Rafinha Bastos. Tem para todo mundo! 8 VOLTAR AO TOPO Com 11 novelas no currículo – contando com “Joia Rara” –, além de minisséries e outras produções para a TV, Bruno Gagliasso iniciou em 2012 uma nova fase de sua carreira ao filmar seus dois primeiros longasmetragens. Em “Mato sem Cachorro” o ator vive Deco, um DJ acomodado diante das dificuldades cuja vida se transforma diante da paixão por Zoé e o cãozinho Guto. Bruno acredita não ter dúvidas de que o cinema é a nova fronteira a ser explorada em sua carreira e provoca Danilo Gentili ao dizer que foi mais fácil contracenar com os cachorros. 9 VOLTAR AO TOPO Você já tem uma trajetória sólida na TV. Em 2012, você fez os seus primeiros longas-metragens. O cinema é a fronteira da vez a ser explorada na sua carreira? O Deco faz mashups. Você precisou aprender a fazê-los? Pesquisou sobre esta modalidade musical? Tentei entender o que são os mashups e escutei muitos. Antes, nem Com certeza! Dediquei grande parte da minha sabia o que eram. Achei divertidíssimo. É criatividade pura. O Pedro carreira à TV, em que fiz grandes papéis, que me (Amorim, diretor) me passou um material vasto. Gostei muito de um dos desafiaram como ator e como pessoa, mas surgiu mashups que está no filme, que mistura duas músicas emblemáticas. agora a oportunidade de viver personagens No filme, você aparece com cabelo e barba enormes. Porque preferiu desafiadores também no cinema, veículo em deixar crescer a usar peruca e barba falsa? que eu sempre quis estar. Por isso, não poderia deixar passar. A verdade é a mesma no TV e Foi uma opção nossa. Eu e Pedro construímos o Deco juntos. Ele nos no cinema, mas o tempo é outro. No cinema, deu muita liberdade. Além disso, eu tinha acabado de filmar “Isolados”, o ator tem mais tempo para estudar, ensaiar em que eu também estava de barba e cabelo grande, então, só deixei e trabalhar. Além disso, as novelas são obras crescer mais e engordei um pouco. Uns quatro quilos porque ele come abertas e os filmes, não. muita porcaria. Nem pensamos em usar barba falsa e peruca. Quais são as características principais do Deco, seu personagem? Foi desconfortável manter esse visual, ao qual você e as pessoas próximas não estavam acostumados? O Deco é extremamente talentoso, mas não Vou te dizer que foi. Fiquei nove meses com esse visual. Assim que acredita em si. Isso só vem com o tempo, à terminou, tirei a barba e cortei o cabelo correndo. O incômodo era medida que ele desenvolve esse talento. É com a aparência mesmo e não físico. Não gosto de ficar muito tempo também muito preguiçoso. Se puder, fica sempre com o mesmo visual. Sou ator, sou camaleão. Gosto de mudar. Gosto em casa no computador. Acaba encontrando que cada personagem meu tenha uma cara. Teria sido mais confortável na Zoé um porto seguro. Meu laboratório foi usar barba falsa e um cabelo que não é meu, mas meu corpo sempre analisar e observar os cachorros porque o Deco esteve e sempre estará a serviço do meu trabalho. é um típico vira-lata. 10 VOLTAR AO TOPO Ouviu muitas brincadeiras nesse período? gostoso contracenar com ela novamente. Ah, com certeza (risos). Sempre rola. Alguns amigos mais íntimos me chamavam de náufrago. Sabiam que estava daquele jeito por conta do trabalho. Houve alguma cena mais curiosa ou complicada de ser feita por causa dos animais? Foi a primeira vez que você contracenou com animais? O que achou da experiência? Da maneira como contracenei nesse filme, foi. Já havia feito cenas com outros cachorros e com cavalos também. Na novela “Sinhá Moça” fiz várias cenas com cavalos, mas eles não eram personagens grandes como o Guto em “Mato sem Cachorro”. Fiquei impressionado com a dedicação, a obediência e a correção desses cães. São muito bem adestrados e ótimos profissionais, além de colegas muito agradáveis de elenco (risos). Houve sim. Precisaram mudar o roteiro porque um dos cachorros ficou gripado durante as filmagens. Isso é genial! Mas, fora isso, nada. É impressionante como eles fazem tudo. Tiram de letra. Com certeza, é mais fácil ter de repetir a cena porque os humanos erraram do que por causa dos animais. Foi mais fácil contracenar com a Leandra Leal ou com os cachorros? 11 Foi mais fácil contracenar com os cachorros do que com o Danilo Gentili (risos). Não podia deixar passar a oportunidade de provocá-lo. Nos conhecemos nas filmagens e nos divertimos horrores no set. A Leandra eu já conhecia. É o segundo ou terceiro trabalho que faço com ela. É minha amiga e foi muito Você ficou com uma recordação das filmagens, não? Já tinha animais? Tenho quatro cachorros. Um dos motivos pelos quais quis fazer o filme foi justamente o carinho que tenho pelos cães. Tenho um dogue de Bordeaux, um labrador, um golden retriever e um viralata. Saio para passear com eles sempre. Tive a oportunidade de doar um dos filhotinhos que atuou no filme, o Google, para a minha amiga Fernanda Paes Leme. Eu sou o padrinho dele! Quais são os seus próximos projetos? Fiz “Isolados”, do Tomás Portella, e “Jogos Clandestinos”, filme do Caio Cobra, que devem ser lançados em breve. E estou na novela “Joia Rara”. VOLTAR AO TOPO 12 Habitué do cinema nacional – já participou de cerca de 20 produções –, Leandra Leal é frequentemente associada a filmes densos como “A Ostra e o Vento”, “O Homem que Copiava” e “Nome Próprio”. Em “Mato sem Cachorro”, a atriz empresta seu charme pela primeira vez a uma comédia romântica, na qual vive uma meiga e batalhadora produtora de rádio que vive paixões pelo músico Deco e pelo cachorro Guto. Nesta entrevista, ela diz que é preciso livrar-se do medo do ridículo para atuar em um filme do gênero, afirma que o trabalho não é a prioridade de sua vida e conta que foi doloroso não poder brincar com os cães nos intervalos de filmagem: “Eles só chegavam na hora de rodar as cenas. Bicho e criança são questões delicadas em sets”. VOLTAR AO TOPO Você já fez cerca de 20 filmes. Por que ainda não havia feito uma comédia romântica? Chegou a fazer algo do gênero na TV? Sim, me identifico em alguns pontos. Apesar de fazer muitas coisas, o trabalho não é o centro da minha vida. A Zoé também é assim. Essa é uma faceta legal da relação dela com o Deco e com o Guto. Não somos workaholics. A relação trouxe para ela uma leveza. Adoro bichos. Sempre tive em casa. Cachorro, passarinho, tartaruga... Hoje, tenho dois cachorros e uma gata, e sempre digo que a minha família tem várias espécies. A Zoé e Muitos desses filmes têm tramas densas e pesadas. Que o Deco construíram algo parecido. diferenças você notou entre trabalhar neles e em um filme mais Um desses cachorros você ganhou nas filmagens de “Mato sem leve como “Mato sem Cachorro”? Cachorro”, não? Adoro fazer comédias românticas por achar libertário. É preciso Fiquei com um dos filhotes que interpreta o Guto. Dei o nome se expor sem medo do ridículo. Mas é difícil, pois você não de Carlos Alberto. Sempre ganhamos alguma coisa, mas pode cair na tentação de querer fazer as pessoas rirem. Basta normalmente é uma peça de figurino (risos). O Carlos Alberto é embarcar na história e estabelecer uma relação bacana com a primeira lembrança que levo com vida (risos)! Ele já está grande, os parceiros de cena para ficar legal. mas ainda é um bebê. Quais são as características principais da Zoé, sua personagem? O que te atraiu nesse filme? Ela é uma mulher contemporânea, independente, decidida. Achei o roteiro maravilhoso! Engraçado e original apesar de Trabalha e se sustenta. Tem uma lógica própria e é muito haver mil filmes de cachorro. É um tema que ainda não havia sido metódica. O escritório dela é todo organizado. Mas ela vive uma explorado no cinema brasileiro. Brincava com o Pedro (Amorim, crise. Começou a trabalhar naquilo em que acreditava, movida diretor) dizendo que é uma missão fazer um filme inédito no país e pelo idealismo, mas descobriu que o rádio e a comunicação não uma comédia romântica tão bacana. É um filme de cachorro, mas são tão bacanas. Entrou no jogo dos adultos. O choque dela tem muitas outras coisas. A parte musical é ótima, por exemplo. com o Deco vem daí, pois ele tem uma adolescência estendida Além disso, acho o Pedro e a Malu (Miranda, produtora) muito enquanto ela quer dar mais um passo na vida. Fiz muitas coisas do gênero na TV e no teatro, mas é a primeira vez no cinema. A explicação é simples: nunca haviam me convidado para uma comédia romântica. Gosto do gênero, que, em geral, começamos a assistir cedo já que a censura permite. Para viver a Zoé, vi várias vezes “Harry & Sally” e acho incrível, genial. 13 Você se identifica com ela? VOLTAR AO TOPO existem recursos para fazer aquilo funcionar. Mas é possível ver isso em outros elementos do cinema. Fazem chover, fazem o No que consistiu a preparação para a personagem? animal latir. É muito maneiro ver a construção desse universo. E Assisti a diversas comédias que o Pedro sugeriu. Adorei. foi tudo muito bem feito em “Mato sem Cachorro”. No início, eu Todas eram deliciosas. Lemos muito o roteiro. Além disso, me pensava preocupada: “Se o trabalho com os cachorros não der convidaram para o papel porque há uma proximidade mesmo certo, o filme não dá certo”. Mas o Pedro e a Malu trouxeram entre mim e a Zoé. Somos pessoas que batalham. Agora, ela é profissionais muito competentes e tudo foi muito bem feito. Os muito mandona. Não sou assim. Ou, pelo menos, não me acho cachorros são incríveis! mandona. Pode ser que alguém ache (risos). Para você, que gosta de animais, deve ter sido ainda mais Foi a primeira vez que você contracenou com animais? O que prazeroso... achou da experiência? Foi, mas bicho e criança são questões delicadas em sets. Brincava Agora mesmo estou fazendo uma veterinária em “Saramandaia”, com o pessoal que, se forem inventar uma continuação para o em que lido com cachorro, cabra... Em “A Muralha” tinha vários filme e botarem criança, vai ser complicado! Animais e crianças animais selvagens. Uma jaguatirica fazia parte do meu núcleo. não funcionam de acordo com a nossa lógica. Principalmente Em “Nome Próprio” tinha um gato, mas ele foi cortado do os animais, que estão ali em troca de comida. Requer uma filme (risos). Mas nunca havia contracenado com animais com concentração muito grande porque a cena é deles. Eles são a esse grau de profissionalismo de “Mato sem Cachorro”. Os prioridade. Tínhamos que nos esforçar para não atrapalhá-los e treinadores eram incríveis. O set ficava em torno dos cachorros. deixá-los fazer o trabalho deles. Mas, ao mesmo tempo, apesar de Muitas vezes fiz cenas em que trocava olhares carinhosos com ser mais difícil, é sempre bom ter os dois por perto. Foi doloroso um deles e, na verdade, tinha um espeto de carne atrás de não poder brincar com os cachorros. Ficávamos morrendo de mim. O cachorro olhava através de mim para aquilo (risos). vontade, mas não podíamos tratar aqueles cachorros como Quem assiste ao filme não imagina a quantidade de truques. cachorros. É a magia do cinema! Foi mais fácil contracenar com o Bruno Gagliasso ou com os Foi decepcionante para uma espectadora de cinema? cachorros? E quanto às cenas com o Enrique Diaz? bons. Por isso, acho que fui a primeira a topar fazer o filme. 14 Decepcionante não. Foi revelador. É impressionante como Ah, muito melhor com o Bruno! Nem comparação (risos)! E com o VOLTAR AO TOPO Enrique Diaz também foi maravilhoso! Tinha que me segurar para não rir. O maior desafio para mim foi não rir na cena em que ele usa uma cueca de cachorro. Ri em vários takes. Não aguentava! Era absurdo! Admiro muito atores que não têm medo do ridículo. Isso é muito maneiro! Também ria muito com a Letícia (Isnard). Houve alguma cena mais curiosa ou complicada de ser feita por causa dos animais? mais leve, mais divertido. Demorou um pouco para acontecer, mas já havia ensaiado muito com ela antes (risos). Ela sempre foi uma parceira, me acompanhou. Em todos os trabalhos. O cinema é um registro que fica para a eternidade. Então, é emocionante ter mais um registro da minha relação com a minha mãe. Em “Mato sem Cachorro”, meus pais eram ela e o Flávio Migliaccio, que é um fenômeno. A cena deles é muito engraçada. Quais são os seus próximos projetos? Além de “Saramandaia” e “Mato sem Cachorro”, estou envolvida com mais alguns filmes. Em “Éden”, que deve ser lançado esse ano, faço uma mulher grávida cujo marido é assassinado e é Achava muito engraçadas todas as cenas acolhida em uma igreja evangélica duvidosa. Tem também “O em que eles desmaiavam. É inacreditável! Lobo Atrás da Porta”, que está previsto para 2014, com o Milhem Eles fazem aquilo, obedecem! É um trabalho Cortaz, Fabiula Nascimento e Juliano Cazarré. Interpreto uma muito profissa! amante em uma relação muito doentia com o personagem do Você também contracenou com a sua mãe, que Milhem, que resulta em tragédia. Finalmente, produzi e atuei, ao interpreta a mãe da Zoé no filme. Isso já havia lado da Mariana Ximenes, em dois filmes feitos por um coletivo acontecido antes? de cinema: “O Uivo da Gaita”, um triângulo amoroso em que Verdade. Foi a segunda vez. Contracenei com duas mulheres, uma delas casada, têm um caso; e “O Rio nos ela em “Bonitinha, mas Ordinária”, em que havia Pertence”, em que vivo uma mulher que viveu fora e volta à cidade uma carga dramática mais forte. Dessa vez, foi para desvendar mil mistérios. 15 VOLTAR AO TOPO Nos últimos anos, diversos jovens comediantes vêm adotando o cinema como uma das principais frentes de trabalho com grande sucesso. Marcelo Adnet, Leandro Hassum e Fábio Porchat são alguns deles. O próximo pode ser Danilo Gentili, ex-integrante do CQC e atual apresentador do talk show “Agora é Tarde”, exibido pela TV Band. Oriundo dos espetáculos de stand-up comedy, o paulista faz sua estreia como ator em “Mato sem Cachorro” na pele de Leléo, sujeito desbocado que não se importa de andar nu na frente do primo. Empolgado com a experiência, Danilo tira sarro do roteirista, brinca que se inspirou em Rambo e diz que futuros trabalhos no cinema dependem do sucesso de Leléo: “Minha vontade é continuar”. 16 VOLTAR AO TOPO Você ficou surpreso com o convite de fazer o “Mato Sem Cachorro”? Eu me diverti muito desde a primeira vez que li a história, principalmente com o fato de ficar nu (risos). Quem não gostou muito foi o diretor, os câmeras, o diretor de fotografia... Senti que não estavam se divertindo. Acho que não queriam ver aquilo (risos). Falando sério, já disse outras vezes que sou muito chato ao escolher os trabalhos que faço, mas fiquei muito feliz e quis muito fazer esse filme desde que o Pedro (Amorim, diretor) me falou do projeto. É um roteiro superior ao que costumo ver no cinema nacional. está preocupado com a pessoa que ele mais gosta na história, o primo. Além disso, é divertido, despojado e solidário, ainda que ajude de maneira atrapalhada já que ele não tem capacidade de ajudar como gostaria. O Leléo faz o melhor que pode, o que é muito ruim (risos). Pode-se dizer que esta foi a sua primeira experiência como ator, já que há pouca dramaturgia em espetáculos de stand-up comedy? O que achou da experiência? Foi, de fato, a minha primeiríssima experiência como ator. Estava morrendo de medo de estragar Qual foi sua reação ao saber que o roteirista havia escrito um o filme porque o roteiro, a direção e o elenco são personagem que está sempre nu e não tem papas na língua excelentes (risos). Sabia que estava em um projeto especialmente para você? especial, por isso, filmei o tempo todo tenso. Mas (Risos) Entendo que o roteirista tenha escrito para mim um parece que gostaram. Vamos ver. A experiência foi personagem que não tem papas na língua, mas ainda é um muito rica e sou muito grato ao Pedro (Amorim, mistério o motivo pelo qual ele quis me ver sempre nu. Espero diretor), à Malu (Miranda, produtora) e ao André que tenha gostado do que viu (risos). (Pereira, roteirista) pelo convite e pela paciência. Que outras características você destacaria no Leléo? 17 Ele é muito inconsequente. Até ao dar conselhos. Ao mesmo tempo é o amigo que qualquer um gostaria de ter. Em alguns momentos, parece ser egoísta e um pouco excêntrico, mas ele Você buscou ou recebeu algum suporte para atuar? Como avalia o resultado? Procurei ter uma noção mínima de interpretação e, para isso, fiz algumas aulas. O que mais aprendi VOLTAR AO TOPO nisso foi que tenho de trazer a minha verdade para a cena. Então, tentava encontrá-la em cada momento do filme. Além disso, o grande conselho que me deram foi dizer “f...-se” quando estivesse nervoso. Para ser natural, é preciso estar relaxado e esquecer que você está fazendo um personagem. Então, o “f...se” tem de estar ligado. Você transformou o seu livro “Como se Tornar o Pior Aluno da Escola” em roteiro, que será filmado no ano que vem. Qual será a trama? Você vai atuar novamente? Esse livro é um manual prático. Sistematizei o que eu fazia na escola para a molecada ver como pode ser divertido burlar as regras. Às vezes, acho que está todo mundo muito coxinha, A julgar pelo estilo e pela técnica, você diria que segue que que ninguém pode fazer mais nada. Nesse ritmo, quem colar escola de atuação? na prova vai acabar preso. O Fabrício Bittar comprou o direito de transformar o livro em filme. Minha condição foi poder Eu me identifico com a escola pública brasileira (risos). E, para supervisionar a parte criativa. Mas ainda estamos criando o construir o Leléo, me inspirei no Rambo (risos). Posso falar um argumento. Ainda não discutimos se vou atuar. Isso não depende milhão de atores que admiro, mas não me inspirei em ninguém dele. Talvez, eu faça uma ponta como o Stan Lee, que criou o para não ficar fake ou caricato. Faço o mesmo no stand-up. Tem Homem-Aranha e aparece no filme. filme nacional em que até palavrão soa forçado. Tomou gosto pelo cinema? Por outro lado, escrever humor é a sua praia. Você deu alguma contribuição para o roteiro ou sugeriu falas e piadas durante as filmagens? 18 Muito. Desde criança, cinema é uma das coisas de que mais gosto. Tudo o que faço se deve a dois fatores: gostar do negócio Dei. O roteiro estava brilhante e, ao mesmo tempo, feito de e me divertir fazendo. Faço stand-up e talk show porque sou forma que o improviso enriquecesse. Não fui o único a sugerir. fã e gosto de fazer. Com o cinema foi a mesma coisa. Minha O Bruno Gagliasso, o Pedro e a Malu também fizeram. Essas vontade é continuar, mas existem outros fatores que vão definir brechas para o improviso são mérito do André e do Pedro. Alguns se vou continuar fazendo. Um deles é o público simpatizar comigo ocorreram nos ensaios e outros durante a filmagem. Surgia mais no cinema. Posso continuar atuando, escrevendo ou até mesmo produzindo. piadas a cada take. VOLTAR AO TOPO Um casal de veteranos, um trio de comediantes, um par de Rafinha Bastos, atualmente nos programas "A Vida de Rafinha nomes marcantes da música nacional, uma estrela do teatro, Bastos (FX) e "A Liga" (Band), bem como Paulinho Serra, que um cineasta e revelações recentes. É mais ou menos esta a integra o time de humoristas da MTV. Bastos vive o engraçado composição heterogênea do elenco de apoio de “Mato sem veterinário Roberto, Serra um homem estranho que persegue a amiga da Zoé e Tas interpreta dois personagens, os gêmeos Cachorro”, selecionado cuidadosamente pela produção. Uma prova é a escalação de Ângela Leal para o papel de mãe Luiz e Aloísio, donos da rádio Blast FM, em que Zoé e a locutora da protagonista Zoé, interpretado por sua filha, Leandra Leal. É Ananda trabalham. A desbocada amiga da protagonista a segunda vez que as duas contracenam e a segunda como mãe ganha vida através de Letícia Isnard, revelação da novela e filha (a primeira foi em “Bonitinha, mas Ordinária”). A família “Avenida Brasil” como Ivana. Outro nome do elenco conhecido portuguesa é completada pelo craque Flávio Migliaccio, que recentemente, desde “Tropa de Elite 2”, é o de Sandro Rocha. bate ponto atualmente na série “Tapas & Beijos” e Sidney, irmão da Zoé, interpretado pelo musico-cantor-ator-malabarista Felipe Rocha. O clima familiar no elenco é reforçado pela presença do irmão do diretor Pedro Amorim, o cineasta Vicente Amorim (“Corações Sujos” e “O Caminho das Nuvens”), que encarna o atendente de bar Tubarão. 19 Reconhecido principalmente pelo competente trabalho no teatro, Enrique Diaz é responsável por alguns dos momentos mais engraçados de “Mato sem Cachorro” na pele de Fernando, ex-professor de nado sincronizado e proprietário da pet shop esotérica Cãogri-lá. Fausto Fawcett e Sidney Magal, a turma da década de 1980, Também fazem participações especialíssimas o jornalista e compõem o júri de um concurso de bandas. Por fim, Elke Maravilha apresentador do programa CQC, Marcelo Tas; e os comediantes é Dona Nora, fã de carteirinha da banda que Deco produz. VOLTAR AO TOPO por acreditar realmente na necessidade das festas como socialites que promovem eventos do tipo, mas como pretexto para encontrar amigas meio desocupadas, tomar um prosecco e se divertir. Em dado momento, se envolve com o Deco, um garoto talentoso que está carente. Então, nada melhor que tirar uma casquinha do rapaz! Foi uma delícia fazer a Mariana por ser desafiador. Você gostou de ser convidada para interpretar uma personagem com essas características? Gostei muito. É tudo em que eu mais acredito na minha vida. Não Na novela “Passione”, em 2010, Gabriela Duarte passou por que eu não vá fazer personagens normais, éticas e previsíveis – e uma experiência classificada como libertadora: encarnou a aqui não vai um julgamento ou crítica – mas acho que já fiz muitas ninfomaníaca mimada e sexy Jéssica, personagem inteiramente assim. Minha vontade é descobrir do que sou capaz e poder brincar diferente das mocinhas que estava acostumada a interpretar. A na minha profissão. Ir onde já sei que posso ir não me desafia, repercussão foi grande e ajudou a atriz a combater um rótulo embora trabalho seja trabalho. incômodo. Em “Mato sem Cachorro”, ela vive Mariana, uma perua folgazona. Nesta entrevista, Gabriela conta que este é Você tem vontade de atuar mais no cinema? o tipo de personagem que a interessa no momento: “Quero Depois de uma determinada fase na vida – já tenho dois filhos – e poder brincar, não me levar tanto a sério e não me preocupar na carreira, quero poder sair de casa para fazer trabalhos como a tanto com o que o público quer ver”. Mariana. Primeiro, porque o cinema me interessa absurdamente. Não fiz muitos filmes, mas gosto muito e sei que tenho uma familiaridade com o processo artesanal. Além disso, quero poder brincar, não me levar tanto a sério e não me preocupar tanto com o que o público A Mariana desfruta de uma liberdade que me interessa. É quase uma quer ver. Na hora de fazer, fiquei assustada porque, se a Mariana já loucura. Ela tem um poodle enorme e dá festas para cachorros. Não é over, imagina na tela do cinema. Mas acho que essa é a proposta. Como você definiria a Mariana, sua personagem em “Mato sem Cachorro”? 20 VOLTAR AO TOPO Você já havia atuado? As experiências ajudaram em seu primeiro trabalho no cinema? O que achou da experiência? Já fiz muita coisa. Comecei atuando em publicidade em 2004 e fiz mais de 20 comerciais. Desde lá, foram três séries – “Mothern”, “Descolados” e “A Vida de Rafinha Bastos” – muitos esquetes na internet e algumas participações em filmes. E quero atuar ainda mais. Você contribuiu com alguma sugestão para as suas cenas? O polêmico Rafinha Bastos já havia atuado em esquetes na internet e séries como “A Vida de Rafinha Bastos”, “Descolados” e “Mothern”, na qual foi dirigido por Pedro Amorim. A amizade rendeu o convite para a divertida participação em “Mato sem Cachorro”, no qual vive um veterinário debochado. Nesta entrevista, ele conta como foi contracenar com Danilo Gentili, com quem trabalhou no programa CQC, e diz que os humoristas de São Paulo merecem mais espaço no cinema. 21 O Pedro deixou a gente livre para criar. O texto já era superlegal, mas deu para acrescentar bastante com improviso. Como foi contracenar com Danilo Gentili, com quem você já havia trabalhado no “CQC”? Foi divertido fazer a cena de vocês, como foi o clima no set? Foi legal sim! Trabalhei com o Danilo durante cinco anos, então, o conheço e sei que a gente inventa coisas legais juntos. Foi bacana. “Mato sem Cachorro” traz o ritmo e o humor típico da internet, meio em que você e tantos outros humoristas da sua geração ganharam Como surgiu o convite para atuar em “Mato sem Cachorro”? fama. Sente falta de mais comédias que captem este espírito e que O Pedro Amorim, diretor do filme, é meu amigo e me convidou, ainda criem um diálogo com o público mais jovem? em 2009, para participar do filme. Ele me dirigiu em “Mothern”, a Olha, falar que falta "o meu humor" no cinema seria bobo e grosseiro primeira série de ficção do GNT feita pela produtora Mixer. Para mim, com os colegas que estão fazendo um grande trabalho. Eu acho que o Pedro é um dos próximos grandes nomes do cinema do país. Um cara falta destacar um pouco a turma de São Paulo. Só isso. Tem muita ousado, que não tem medo de testar coisas novas. Sou amigo e fã. gente legal aqui que faria muito barulho na telona. VOLTAR AO TOPO Malu Miranda 22 Assistente de direção de Steven Spielberg em “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal”, de Fernando Meirelles em “Cidade de Deus”, de Justin Lin em “Velozes e Furiosos 5”, e de José Padilha nos dois filmes da franquia “Tropa de Elite”, nos quais também foi produtora. O currículo invejável para uma profissional de apenas 35 anos pertence a Malu Miranda, que acaba de enfrentar o seu maior desafio na carreira: produzir “Mato sem Cachorro”, o primeiro longa de sua empresa, a Lupa Filmes, numa coprodução com a Mixer. Junto com o marido, Pedro Amorim, e o sócio André Pereira, respectivamente diretor e roteirista do filme, Malu compõe o núcleo motor da comédia romântica. Nesta entrevista, ela fala da experiência com grandes diretores, conta que dirigiu parte do filme junto ao marido em “Mato sem Cachorro” e porque foi a grande inspiração para Zoé. VOLTAR AO TOPO Apesar de nova, você já tem muita experiência como produtora e assistente de direção. Participou de grandes sucessos do cinema nacional como “Cidade de Deus” e os dois filmes da franquia “Tropa de Elite”, além de produções internacionais como “Indiana Jones” e “Velozes & Furiosos”. Como você analisa cada uma dessas experiências? Como foi trabalhar em um filme dirigido por Steven Spielberg? Trabalhei com uma equipe reduzida de efeitos especiais filmando todas as cenas nas cataratas de Foz de Iguaçu, que, depois, seriam aplicadas nas cenas com a Cate Blanchett e o Harrison Ford. Brincávamos que éramos os “Indys verdadeiros”, pois nós é que estávamos flutuando em barquinhos no meio das cataratas Fui criada fora do Brasil. Aos 20 anos, tive uma imensa vontade enquanto o nosso câmera voava no helicóptero quase dentro da de conhecer o país onde nasci. “Cidade de Deus” foi um grande Garganta do Diabo. E os atores em Los Angeles! (risos) Ou seja, marco na minha vida justamente por ter sido o primeiro longa o Spielberg não esteve lá, mas tive a oportunidade de conhecênacional em que trabalhei. Tinha acabado de chegar aqui, ainda lo, pois a enteada dele estudou na minha faculdade e foi minha falava com sotaque, era uma época engraçada. A Kátia (Lund, vizinha de porta. Ele fez o discurso do dia da nossa formatura. O codiretora do filme), que também é americana, me ajudou a que mais me impressionou nele e na equipe do filme foi como eles assimilar as culturas do país e do set de filmagem. Meus pais me eram calmos e extremamente competentes. Aprendi muito. O dia ligavam e eu respondia que estava tudo bem de dentro de uma em que a Kathleen Kennedy (produtora de “ET”, “Jurassic Park” e Kombi na comunidade enquanto ouvia tiros do lado de fora. E “Lincoln”) chegou ao set foi muito marcante para mim. Trabalhei eram tiros reais! É claro que amei a experiência e acabei ficando. com muitas celebridades, mas quem mais me impactou foi ela. O Pedro dirigiu o making of do filme e, enfim... Mais uma razão Como a experiência acumulada nesses filmes se refletiu em “Mato para ficar no Brasil, né? (risos) Depois, acabei virando expert sem Cachorro”? Qual foi o seu grande desafio? em bombas, tiros e efeitos especiais. Por isso, tive uma ótima parceria com o Zé (Padilha), produzindo as unidades de ação Com certeza, foi conseguir que um filhote de 45 dias desmaiasse quando alguém pedisse. Insano, não? (risos) A experiência ajudou dos dois “Tropas” e acabei fazendo esses longas americanos a trazer equipes de fora que tinham expertise em algum assunto que vinham filmar no Brasil. 23 VOLTAR AO TOPO para colaborar conosco, como havia feito nos “Tropas” e em Eu adoro a Zoé! E gosto do que a Leandra fala dela – que trabalha “Besouro”. Quando o André e o Pedro olharam para mim como sem parar, mas guarda um espaço para a família. Eu sou assim quem pergunta “será que conseguimos fazer um filme de um mesmo. Realmente, tem muita coisa minha na Zoé, assim como cachorro que desmaia?”, não tive medo. Sabia que era só achar muita coisa dos meninos no Deco. Brincamos com isso no filme ao a melhor pessoa para fazer o adestramento, no país em que ela dar o sobrenome Miranda à Zoé e Pereira ao Deco. Agora, não estivesse. Foi bacana também a parceria da Mixer e da Eliane sei se tenho os trejeitos neuróticos geniais e o jeito de mandona Ferreira em particular, que nos apoiou muito nessa caça ao que a Leandra deu à Zoé. E, se tiver, acho que ninguém vai me elenco e à equipe canina em Los Angeles. dizer (risos). Você já havia se envolvido em um filme da maneira como se envolveu em “Mato sem Cachorro”? Foi um filme feito em trio (você, Pedro e André)? “Mato” foi um grande marco para mim, um processo realmente único. Tivemos o total apoio e liberdade da Eliane e todos da Mixer (nossa coprodutora) para desenvolver a parte artística do projeto. Trabalhamos todos os aspectos “macro” do filme a seis mãos. No final do processo de pré-produção, o Pedro acabou me chamando para ser a diretora da segunda unidade. Ou seja, nós três estávamos muito envolvidos em todos os aspectos do filme. Acho – e até espero (risos) – que nunca mais teremos esse tempo para curtir o desenvolvimento de um filme. O que você acha do paralelo que o Pedro e o André fazem entre você e a Zoé? 24 Qual é o próximo filme que vocês vão fazer? Temos um segundo filme para fazer chamado “O Rastro”, que será dirigido pelo João Caetano Feyer. É um thriller psicológico, gênero que adoramos e que é pouco explorado no Brasil. Também ganhamos uns editais de desenvolvimento para longa e TV que sairão do forno em breve. Um desses projetos é o “Polidoro”, filme que será dirigido pelo Tiago Arakilian, nosso sócio. É uma comédia dramática, na linha do “Tudo ou Nada”, sobre um velhinho que apronta todas (risos). Enquanto isso, a Mixer está bombando! Eles vão estrear o longa "Confia em Mim", de um dos nossos melhores amigos, Michel Tikhomiroff. Além disso, estão com várias séries de TV no ar, como "Agora Sim", no Canal Sony, "O Negócio", na HBO, e "Sitio do Pica-Pau Amarelo", na TV Globo. VOLTAR AO TOPO Eliane Ferreira Experiente na área de produção e de distribuição de filmes nacionais, com mais de 30 projetos no currículo, Eliane Ferreira é diretora de Conteúdo e Negócios da Mixer, coprodutora do “Mato sem Cachorro”. Há 11 anos no mercado, Eliane atuou nas áreas de captação de recursos através de leis de incentivo, agentes de vendas, distribuidores e parceiros internacionais, além de ter sido, durante seis anos, produtora-executiva da Mixer, assinando a produção dos filmes “Besouro” (2009), de João Daniel Tikhomiroff; “Corações Sujos” (2001), de Vicente Amorim ; e “Confia em Mim”, de Michel Tikhomiroff, ainda a ser lançado. Nesta entrevista, Eliane conta como foi dividir o trabalho entre duas produtoras e os motivos que levaram a Mixer a investir no projeto. 25 VOLTAR AO TOPO Por que a Mixer decidiu investir no projeto e quais são as expectativas da produtora? Assim que fechamos o orçamento e definimos o montante a captar para a realização do projeto, saímos à procura de possíveis investidores interessados no filme! No caso do “Mato Sem Cachorro”, como a ideia, o elenco e a equipe eram incríveis, ficou tudo mais fácil. Depois disso, trabalhamos juntas, Mixer e Lupa, para definir um cronograma de produção e filmagem. A primeira impressão que se tem de um projeto vem sempre do roteiro. "Mato Sem Cachorro" foi um roteiro que nos foi apresentado por Pedro, Malu e André, e nós nos encantamos com a história desde o começo. Além de ser um roteiro muito bem escrito, a ideia é absolutamente original! "Mato" não é uma comédia romântica clichê - ao incorporar elementos como a música (o filme é cheio de mashups, que são o talento do personagem Deco, além de ter a Brasov fazendo participação como banda do irmão de Zoé), os cachorros (quem não adora um elenco canino? Essa fórmula já deu tão certo em filmes estrangeiros como "Marley & Eu", "Sempre ao Seu Lado" e "Lassie", e mesmo assim nunca tinha sido aproveitada em uma obra brasileira!) e os diálogos divertidos e inteligentes (e aqui tivemos também uma colaboração incrível da caneta de Danilo Gentili), o filme se diferencia e cria personalidade própria. Temos certeza de que é uma produção para agradar a todos! Como foi desenhada a produção e a captação de recursos do filme? 26 Como foi dividido o trabalho entre as produtoras Mixer e Lupa? Quando a Lupa nos apresentou o roteiro e a ideia do filme, nosso acordo desde o princípio era fazer a produção executiva na Mixer, enquanto a Lupa se encarregaria da parte artística do projeto. Mas claro que a produção de um filme nunca vai ser assim tão preto-no-branco, e acabamos por fazer um projeto a muitas mãos! Quais são os principais investidores e como foram os acordos de patrocínio? “Mato Sem Cachorro” é um filme que aconteceu com o apoio de muitos parceiros! Foi um time excelente de patrocinadores e investidores que nos ajudou a tirar o projeto do papel. Temos a Imagem, que é parceira e distribuidora desde o princípio. A VOLTAR AO TOPO RioFilme, Telecine, Globo Filmes, nossos coprodutores. A ANCINE, que é sempre parceira em todos os projetos. A FINEP, que investiu através do Fundo Setorial do Audiovisual. O ProAc e a Secretaria do Estado da Cultura de São Paulo e do Rio do Janeiro, através dos quais pudemos captar recursos pelo ICMS. A RioFilm Commission. Os Estúdios Quanta e a Teleimage, que são dois grandes parceiros. E nossos patrocinadores: Protex, Claro, BBDTVM, Pedigree, Rei do Mate e Gama Italy! Sem eles a realização desse filme jamais teria sido possível. Este filme vem se somar ao variado portfólio da produtora. Como ele acrescenta a esse portfólio? De longa-metragens já produzidos, a Mixer tem "Besouro" (João Daniel Tikhomiroff, 2009), "Corações Sujos" (Vicente Amorim, 2011), e "Confia em Mim" (Michel Tikhomiroff, 27 2014). O primeiro é um filme de ação no recôncavo baiano, o segundo um filme de época sobre uma colônia japonesa no interior de São Paulo, e o terceiro um thriller psicológico que se passa na cidade de São Paulo. Então “Mato Sem Cachorro” é não só a primeira comédia romântica do portfólio da Mixer, como também nosso primeiro longa a se passar no Rio de Janeiro! Ficamos muito felizes com essa ideia, desde que vimos o roteiro do André pela primeira vez. A Mixer tem uma unidade também no Rio e para nós é uma delícia usar a cidade como cenário. Somado a isso, há o fato de que “Mato” é o primeiro filme brasileiro a contar com um elenco canino! Então são cachorros, katanas, capoeiristas, adoramos essa diversidade de roteiros e essa mistura incrível de personagens: todos só têm a acrescentar ao portfólio da produtora! VOLTAR AO TOPO Criada por André Pereira, a trama de “Mato sem Cachorro”, em O roteirista, que escreveu outros quatro curtas, explica que Deco sequestra o cachorro da ex-namorada, foi pensada também a opção pelo formato de comédia romântica: inicialmente como o argumento para um curta. “Acho engraçada “Gostamos muito do gênero e o romance tem ficado em essa rivalidade criada ao fim de um relacionamento”, justifica segundo plano nas comédias nacionais que vêm sendo Pereira, que junto ao Pedro Amorim (diretor) e Malu Miranda lançadas recentemente. Já em ‘Mato sem Cachorro’, (produtora) transformou a ideia em um roteiro para longao romance é fundamental e o humor é apenas a metragem. O projeto virou o primeiro longa da Lupa Filmes maneira como o abordamos, o approach”. (do André, Malu e Tiago Arakilian), que buscou uma coprodução Malu concorda e elogia o parceiro. “É com a consagrada produtora paulista Mixer. impressionante que o André tenha apenas 26 Grande parceiro de André Pereira no projeto, o casal Malu e anos. Ele é meu sócio, convivo com ele direto e Pedro Amorim foi também uma das fontes de inspiração para os me esqueço disso todos os dias! Ele tem uma protagonistas Zoé e Deco. “Eles acabaram incorporando muito maturidade latente no jeito que encara um elementos do Pedro e da Malu. Também fazem mashups e moram desenvolvimento de roteiro e isso fica evidente em Copacabana. A Malu é produtora como a Zoé e a dinâmica para quem ler seus textos. O grande mérito do relacionamento dos dois casais é parecida. Como é o primeiro dele é essa abordagem – de escrever pensando longa de todos, o nosso envolvimento foi grande e, por isso, o não só em ter uma estrutura e personagens filme tem muito de nós três”, conta ele, cujo curta “O Passageiro” sólidas mas também em focar na produção e foi eleito pelo público o melhor do Festival do Rio de 2011. enxergar de longe como viabilizar suas ideias.” 28 VOLTAR AO TOPO Diretores consagrados do cinema mundial como Jean-Pierre e a movimentada Rua Siqueira Campos, importante corredor Jeunet e principalmente Woody Allen tornaram-se conhecidos comercial no qual funciona a fictícia pet shop Cãogri-lá, foram por homenagear, respectivamente, os bairros de Montmartre, algumas das locações menos conhecidas. em Paris, e Manhattan, em Nova York, em filmes como “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” e “Manhattan”. Eles As ondas do famoso calçadão de pedras portuguesas da foram a inspiração de Pedro Amorim para prestar tributo Avenida Atlântica não ficaram de fora. Elas foram mostradas, a outro bairro mundialmente conhecido em “Mato sem porém, de cima para baixo, ângulo que, se não inédito, é pouco usado em produções audiovisuais. Também foram aplicados Cachorro”: Copacabana. filtros a algumas dessas imagens, dando a elas ar de época. “Gosto de abordar assuntos sobre os quais posso falar com Outro recurso usado pela fotografia foi simular vídeos caseiros propriedade. Moro em Copa, ando muito a pé e vejo que é um bairro muito interessante. Por isso, já foi muito explorado feitos em formato Super 8 em cenas do cotidiano do casal de no cinema nacional. Achei que, por ter a possibilidade de ver protagonistas. Muito popular na década de 1970, este tipo de o travesti comprando na feira ao lado da velhinha, poderia filme era muito usado para registrar festas de família, como a de trazer algo diferente a respeito. Talvez, seja o bairro de maior Pedro. Por fim, o diretor ainda faz referências ao cinema brasileiro personalidade na cidade”, explica o diretor, que nasceu em ao usar trilhos circulares para homenagear os movimentos de Brasília, mas vive em Copacabana há muitos anos. câmera de “Cidade de Deus”. 29 De fato, “Mato sem Cachorro” revela ao Brasil recantos pouco explorados do bairro, cuja imagem mais conhecida é a da praia. O Bairro Peixoto, área residencial bucólica em que foi filmado o sequestro do cachorro Guto, a pequena Rua Anita Garibaldi, onde ocorre o quase atropelamento de um filhote, clique e veja as locações VOLTAR AO TOPO 30 filhotes se parecem com os de English Alguns podem não se dar conta, mas “Mato sem Cachorro” conta Shepherd, não encontrados no com dois astros de Hollywood no elenco: Dusty e Duffy, que Brasil. Foi programada, então, encarnam o personagem Sam da série “True Blood” quando este se uma cruza para que os cães transforma em cachorro. Os dois machos adultos que interpretam tivessem idade condizente com a o protagonista Guto no filme, ambos da raça English Shepherd, de Guto no momento das filmagens. Dusty e Duffy foram adotados e treinados pelo americano Boone Narr, experiente adestrador que preparou, entre outros, o mico Concretizada apenas no último dia do de “Piratas do Caribe” e o akita de “Sempre ao seu Lado” - este cio da fêmea, a cruza felizmente último estrelado por Richard Gere. “Narr não quer saber apenas deu origem a cinco cachorros o que o animal deve fazer na cena, mas também que emoção marrons, a cor desejada, e três deve transmitir”, conta a produtora Malu Miranda. pretos. Doados pelo canil Cabanha Da Conquista, do interior de São Contratado após visitas a oito empresas californianas Paulo, toda a ninhada foi adotada por especializadas em adestramento para produções audiovisuais, integrantes da equipe e do elenco no fim Narr, junto ao adestrador cearense Vladinir Maciel, coordenou das filmagens. Ao todo, mais de 55 cães e também o treinamento dos cinco filhotes de border collie que atuam no longa. A cada um foi ensinada uma habilidade um gato participaram do filme, que contou específica como desmaiar, sair da caixa de papelão e sentar sem com uma veterinária que ficava no set para cuidar exclusivamente dos animais e se assustar com a proximidade da câmera. Essa, no entanto, foi a verificar que o elenco quadrúpede tivesse etapa mais fácil do trabalho com os filhotes. A primeira dificuldade foi identificar uma variedade específica de border collie cujos as melhores condições possíveis. VOLTAR AO TOPO A seleção musical conta ainda com canções como “No Surprises”, do Radiohead; “Eu Não Sou Cachorro, Não”, de Waldick Soriano; “Underdog” da banda Spoon; e “Fogo e Paixão”, de Wando. Já os temas produzidos especialmente para o longa seguem o espírito colaborativo do trabalho: parte da trilha sonora original é resultado da parceria entre Os mashups foram compostos por um dos mais prestigiados Luca Raele com Rica Amabis nomes desta cena no mundo, o DJ brasileiro Faroff, autor de e Tejo Damasceno, do “System of a Dilma”, visto por mais de 3 milhões de pessoas no coletivo Instituto. Lucas YouTube desde o final de 2011. Ex-integrante da banda Móveis Marcier e Fabiano Coloniais de Acaju, doutor em Economia pela Universidade de Krieger, integrantes Harvard e professor da Universidade da Califórnia (UCLA), Faroff do Brasov, assinam foi uma das inspirações para o protagonista Deco. outra parte dos As mixagens criadas para “Mato sem Cachorro”, contudo, foram temas, inspirados enriquecidas por dois especialistas no assunto: Pedro Amorim e Malu no som do grupo Miranda, diretor e produtora do longa, que têm uma banda de The No Smoking mashup. – duas músicas de sua autoria estão na trilha do filme, como Orchestra, do temas de fundo da rádio Blast FM. Porém, quem executa um deles é cineasta Emir o grupo Brasov, que toca também diversas músicas ao vivo em cena. Kusturica. Imagine uma música formada pela sobreposição de “We Will Rock You”, do Queen; “O Meu Sangue Ferve por Você”, de Sidney Magal; “I Love Rock’n’roll”, de Joan Jett; “Os Mano e as Mina”, do rapper Xis; “Kátia Flávia”, de Fausto Fawcett, e “Alagados”, dos Paralamas do Sucesso. Ela existe e é só um dos mashups que fazem parte da trilha sonora de “Mato sem Cachorro”. 31 VOLTAR AO TOPO Clique aqui para fazer download 32 VOLTAR AO TOPO Cannes, além de prêmios em Festivais de Londres, Oscar® de melhor documentário em 2011. Entre os San Sebastian, Tóquio, Buenos Aires e Rio de Janeiro. últimos trabalhos da Lupa Filmes estão a produção da Unidade de Ação do filme “Tropa de Elite 2”; Hoje a Mixer é referência na produção de conteúdo Desde 2006 sediada no Rio de Janeiro, a Lupa Filmes o desenvolvimento de três longas-metragens e no país e a expectativa é conquistar mais espaço é voltada para a produção e desenvolvimento de quatro séries de TV; além da produção do primeiro nesta área, com programação original independente projetos de cinema e televisão. A casa é capitaneada longa-metragem de ficção da casa "Mato sem para vários canais, tanto da TV por assinatura quanto por Malu Miranda, que há mais de 12 anos trabalha Cachorro"(uma coprodução com a Mixer), dirigido da TV aberta, criando propriedades que gerarão no mercado audiovisual brasileiro. Como assistente por Pedro Amorim. O longa-documentário “Os novas receitas de licenciamentos. Nos últimos nove de direção, esteve envolvida em centenas de Irmãos Roberto” (uma coprodução com a Tríplice), anos, a Mixer tem se destacado por suas produções comerciais, videoclipes e longas-metragens como dirigido por Tiago Arakilian e Ivana Mendes, estreou nas áreas de publicidade, TV e cinema. Entre as “Velozes e Furiosos 5”, “Cidade de Deus”, “Indiana no Festival Internacional de Documentários “É Tudo quais, estão séries de TV, como os premiados “Julie Jones 4” e “Olga”. Atuou ainda como produtora em Verdade” e entrará no circuito de cinemas em 2013. e Os Fantasmas” (Band/Nickeleoden), “Brilhante projetos como “Besouro” de João Daniel Tikhomiroff F.C.” (TV Brasil); “Mothern” (GNT), “Descolados” (Mixer), “Tropa de Elite 1” e “Tropa de Elite 2”, ambos (MTV/Band), as séries em animação “Escola pra de José Padilha (Zazen). Junto com o finalizador Tiago Cachorro” (Nickeleoden/TV Cultura) e “Sitio do Arakilian e o roteirista André Pereira, os três sócios da casa estão desenvolvendo um trabalho focado em Há dez anos atuando no mercado audiovisual Picapau Amarelo” (TV Globo). A internacionalmente forma, qualidade visual e conteúdo. A Lupa Filmes brasileiro, a Mixer realiza conteúdos de todos os premiada série de documentários para Discovery atua também no mercado de finalização, utilizandogêneros e para todas as plataformas, experiência Chanels, entre eles “O Assassinato de Jean Charles”, se de sua marca Titânio Produções, que já finalizou que a consolidou como uma das principais “São Paulo Sob Ataque”, “Desafio em Dose Dupla” e coproduziu mais de 20 filmes de longa-metragem, produtoras independentes do país. A origem da e “Águias da Cidade”. No seu portfólio a produtora produtora visionária e pioneira veio da publicidade, ainda tem “O Negócio” (HBO). A produção mais diversas séries para TV, além de publicidades e filmes e foi reconhecida por desenvolver e contar histórias recente é “Catástrofes Aéreas” (Discovery). Na institucionais. por meio de produções audiovisuais. Consagrou-se área de cinema, a Mixer possui o premiado longaSeu último trabalho de destaque nessa área foi no mercado e se tornou a segunda produtora mais metragem “Besouro” (Disney/Globofilmes), além de no “Lixo Extraordinário” de João Jardim, Karen premiada no mundo: com 47 Leões no Festival de “Corações Sujos” (Downtown/ Globofilmes). Harley e Lucy Walker (O2 Filmes), indicado ao Lupa Filmes Mixer VOLTAR AO TOPO Globo Filmes Telecine Desde 1998, a Globo Filmes já participou de mais de 130 filmes, Em 2012, a Rede Telecine completou 21 anos de sucesso levando o melhor do levando ao público o que há de melhor no cinema brasileiro. cinema mundial para os brasileiros. Joint-venture entre a Globosat e os quatro Com a missão de contribuir para o fortalecimento da indústria maiores estúdios de Hollywood – Paramount, MGM, Universal e Fox –, também audiovisual nacional, a filmografia contempla vários gêneros, exibe com exclusividade as produções da Disney e da DreamWorks, além de como comédias, infantis, romances, dramas e aventuras, sucessos do mercado independente. Visando investir cada vez mais na produção apostando em obras que valorizam a cultura brasileira. A Globo cinematográfica nacional, a Rede Telecine lançou em 2008 o Telecine Productions. Filmes participou de alguns dos maiores sucessos de público e de O selo garante a coprodução de títulos em parceria com grandes produtoras crítica como 'Tropa de Elite 2', 'Se Eu Fosse Você 2', '2 Filhos de brasileiras, estimulando a criação de novos filmes e garantindo sua exibição com Francisco', ‘O Palhaço’, ‘Xingu’, 'Carandiru', 'Nosso Lar' e 'Cidade exclusividade nos canais da Rede. A Rede Telecine é líder absoluta entre os canais de Deus' – com quatro indicações ao Oscar. Suas atividades de filmes da TV por assinatura. Em 2012, pelo sexto ano consecutivo, exibiu o se baseiam em uma associação de excelência com produtores filme mais assistido na TV paga brasileira. Com o menor índice de repetição e os independentes e distribuidores nacionais e internacionais maiores e mais recentes longas do mercado brasileiro, o Telecine reúne em sua grade 17 das 20 maiores bilheterias do cinema em 2011. Nos últimos 20 anos, estreou com exclusividade 13 vencedores do Oscar de Melhor Filme. 34 VOLTAR AO TOPO 35 Imagem Filmes RioFilme A Imagem Filmes é uma distribuidora nacional de filmes independentes comprometida, acima de tudo, com a qualidade e variedade de produções. Atuando nos segmentos de cinema, vídeo e televisão a Imagem Filmes irá distribuir em 2013 grandes produções nacionais, dentre elas: “Vai Que Dá Certo”, “Somos Tão Jovens”, “Flores Raras”, “Mato Sem Cachorro”, “Casa da Mãe Joana 2”, “O Vendedor de Passados” e "Julio Sumiu" além das produções internacionais “A Hospedeira” (The Host), “Diana”, “Sin City 2”, “Blue Jasmine”, “Riddick” e “Tarzan 3D”. A RioFilme é uma empresa da Prefeitura do Rio de Janeiro vinculada à Secretaria Municipal de Cultura e atua nas áreas de distribuição, apoio à expansão do mercado exibidor, estímulo à formação de público e fomento à produção audiovisual, visando o efetivo desenvolvimento da indústria audiovisual carioca. Fundada em 1992, a RioFilme desempenhou papel fundamental na revitalização do cinema brasileiro, tendo lançado mais de 200 filmes nacionais como “Baile Perfumado” (Paulo Caldas e Lirio Ferreira), “Central do Brasil” (Walter Salles), “Lavoura Arcaica” (Luiz Fernando Carvalho), “Terra Estrangeira” (Walter Salles e Daniela Thomas, distribuição em vídeo), “Amarelo Manga” (Claudio Assis), entre outros. Em 2009, a RioFilme passou a atuar como uma agência de desenvolvimento, voltada para o mercado carioca e para o investimento em projetos capazes de combinar valor comercial e artístico. VOLTAR AO TOPO Projeto realizado com o apoio do Governo do Estado de São Paulo, Secretaria da Cultura, Programa de Ação Cultural 2013 Juliana Branco :: [email protected] (21) 2555-8913 Luana Paternoster :: [email protected] (21) 255-8916 36