MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO SECRETARIA DE DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL PLANO DE NEGÓCIO DE EMPREENDIMENTOS ASSOCIATIVOS DA CADEIA PRODUTIVA AGROINDUSTRIA QUEIJO E SALAME FAMILIAR DO TERRITÓRIO EXTREMO OESTE CATARINENSE CEADES – INSTITUTO DE ESTUDOS E ASSESSORIA AO DESENVOLVIMENTO Alvori Cristo dos Santos Chapecó, Abril de 2013 1 Sumário Apresentação (3) Elementos Metodológicos (4) Resumo Executivo (5) 1 Trajetórias Históricas do Desenvolvimento (21) 2 O Meio Agroecológico (29) 3 O Uso do Solo no Extremo Oeste SC (31) 4 A Agricultura no Extremo Oeste SC (39) 5 A Agroindustria no Extremo Oeste SC (49) 6 Plano de Negócio e Gestão: O Sistema de Arranjos de Empreendimentos (62) 6.1 O sujeito territorial de desenvolvimento: identidade (64) 6.2 A Matriz de critérios de diferenciação do Arranjo de Empreendimentos (65) 6.3 Funcionamento técnico econômico: Plano de Negócio e Gestão (69) 6.3.1 Caracterização dos empreendimentos (69) 6.3.2 Mix de Produtos e Pontos de Venda (70) 6.3.3 Valor Bruto Comercializado (72) 6.3.4 Logística de Transporte (74) 6.3.5 Logística de Trabalho de Venda (76) 6.3.6 Custos da Etapa de Comercialização (78) 6.3.7 Fluxo e Resultado Econômico de Comercialização (80) 6.3.8 Fluxo e Resultado Econômico Final da Agroindustrialização (83) 6.3.9 Projeção dos resultados pelo Plano de Negócio (87) 6.3.10 Ferramentas de gestão do Plano de Negócio (91) 7. Potencialidades e ameaças do Plano de Negócio e Gestão, Elementos Referência a partir das Estratégias de Gestão (95) Bibliografia Consultada (104) 2 Apresentação O contexto desta proposição é um mergulho sobre a institucionalidade do desenvolvimento do Extremo Oeste buscando complexidades pedagógicas e metodológicas diferenciadoras a partir da ação/visibilidade de alguns resultados e projetar cenários direcionados por eixos de ação. Duas hipóteses permitem afirmar sobre a possibilidade de bons resultados: a primeira sobre o diferencial institucional coordenado pelo CEADES cujas características conhecidas dos processos construídos como CONSADS/SUASA; e a segunda sobe o processo de parcerias construída em novo ambiente de gestão do espaço público para a agricultura familiar. Aliado a este contexto de novos elementos a hipótese de que a organização social e econômica experimentada no Extremo Oeste conseguiu fundar bases avançadas para no contexto desenvolvimentista futuro associado a políticas públicas para o sujeito agricultura familiar diferenciar-se na organização econômica dos empreendimentos e no desenvolvimento de um mix de produtos e processos especializados e diversificados. Um plano de gestão do desenvolvimento pode ser realizado com múltiplos objetivos: diagnóstico, proposição, acompanhamento, e execução. Qualquer dos objetivos, no entanto, exige a fase de diagnóstico a qual define sua envergadura também condicionada por objetivos específicos. Esta proposta de plano de gestão do desenvolvimento é concebida a partir de alguns componentes conceituais: • O desenvolvimento possui identidade regional, trajetória histórica, e fases de consolidação. • As fases do desenvolvimento regional componentes da trajetória de consolidação não são completadas por todas as identidades regionais. • A identidade do desenvolvimento regional é construída a partir de um conjunto de componentes: ecológicos, culturais, econômicos. • O Extremo Oeste construiu possibilidades e arranjos econômicos para diferenciar-se em cenários futuros promovendo a emancipação econômica das famílias cooperadas e dos empreendimentos tornandose inclusive referência. O plano de gestão deve, portanto entre seus objetivos demonstrar a capacidade de ser referência do território. Elementos Metodológicos O trabalho seguiu a estrutura metodológica orientada pela Secretaria de Desenvolvimento Territorial para a elaboração de Planos de Negócio – PNEs com adaptações ao objeto de estudo em duas linhas/áreas temáticas específicas: A gestão da fase de comercialização de grupos de empreendimentos na forma de Arranjos Econômicos de Empreendimentos Agroindustriais e a perspectiva de que o produto deste plano contribua como referência metodológica pelas características de desenvolvimento da agroindustria familiar no território. Assim alguns passos orientaram a execução do trabalho: 3 - O diagnóstico do território como paisagem de desenvolvimento gerando ferramentas capazes de indicar possibilidades de agregar serviços ambientais e sociais aos produtos da agricultura familiar. - A diferenciação na paisagem de regiões ecológicas de desenvolvimento onde se localizam os empreendimentos na perspectiva de diferenciar potenciais serviços ambientais e sociais a serem agregados aos produtos. - A diferenciação ecológica, social e econômica de trajetórias históricas que diferenciem capacidades micro regionais e contribuam para a análise e compreensão dos estudos de caso referência. - A identificação das potencialidades específicas da agroindústria familiar do território diferenciando-a das demais regiões do estado de Santa Catarina já considerado referência na cadeia produtiva da agroindústria familiar. Estudo de dados secundários estaduais e primários locais. - A identificação no território de redes sociais e de sujeito social de desenvolvimento capaz de aglutinar processos de desenvolvimento e legitimar o trabalho. - A indicação dos produtos especializados já reconhecidos como referência regional e dos empreendimentos a serem escolhidos como estudos de caso para a realização do plano de negócio e gestão. - O diagnóstico de funcionamento dos empreendimentos estudos de caso da fase de comercialização na perspectiva de indicar ações para gestão cooperada destes empreendimentos pelas instituições locais e regionais como arranjos de empreendimentos. Estudo de dados primários nos empreendimentos do território. - Elaboração do Plano de Negócio e Gestão para os empreendimentos estudos de caso. - Validação do Plano de Negócio e Gestão no território com ações propositivas. Resumo Executivo O Território Extremo Oeste Catarinense, sujeito deste plano, é constituído por 19 (dezenove) municípios: Dionizio Cerqueira, Palma Sola, Guarujá do Sul, Princesa, São José do Cedro, Anchieta, Guaraciaba, Paraíso, Barra Bonita, São Miguel do Oeste, Bandeirante, Descanso, Belmonte, Santa Helena, Tunápolis, Iporã do Oeste, São João do Oeste, Mondaí e Itapiranga. Duas características das trajetórias são identificadas e passam a compor as possibilidades de reprodução social e econômica dos sujeitos sociais atuais. A – Migrantes Europeus B – Caboclos e indígenas Novas características passam a compor as trajetórias históricas: C – A origem a partir de 1920 dos municípios de Iporã do Oeste, Itapiranga, Mondai, São José do Cedro, Princesa, São Miguel do Oeste, Palma Sola D – A origem a partir de 1940 dos municípios de Anchieta, Belmonte e Guarujá do Sul 4 E - A origem a partir de 1990 com o movimento nacional das emancipações, como é o caso de Bandeirante, Barra Bonita, Santa Helena, São João do Oeste e Tunápolis. AMEOSC – Associação de Municípios do Extremo Oeste Catarinense. A efetiva ocupação deste território está associada, segundo BAVARESCO (2005), a ocorrência de quatro ciclos: o ciclo da erva-mate, pecuária, o ciclo da madeira e o ciclo agroindustrial. O declínio do extrativismo madeireiro fez com que o perfil econômico da região fosse gradativamente redesenhado, abrindo espaços para a agropecuária. - o ciclo da pecuária, - o ciclo da erva-mate, - o ciclo da madeira, - o ciclo agroindustrial, Os sistemas produtivos: - milho/suínos, - milho/aves, - feijão, fumo, soja, trigo, mandioca, cana-de-açúcar, - leite, Novas características passam a compor as trajetórias históricas: C – A origem a partir de 1920 dos municípios de Iporã do Oeste, Itapiranga, Mondai, São José do Cedro, Princesa, São Miguel do Oeste, Palma Sola D – A origem a partir de 1940 dos municípios de Anchieta, Belmonte e Guarujá do Sul E - A origem a partir de 1990 com o movimento nacional das emancipações, como é o caso de Bandeirante, Barra Bonita, Santa Helena, São João do Oeste e Tunápolis. AMEOSC – Associação de Municípios do Extremo Oeste Catarinense. A efetiva ocupação deste território está associada, segundo BAVARESCO (2005), a ocorrência de quatro ciclos: o ciclo da erva-mate, pecuária, o ciclo da madeira e o ciclo agroindustrial. O declínio do extrativismo madeireiro fez com que o perfil econômico da região fosse gradativamente redesenhado, abrindo espaços para a agropecuária. - o ciclo da pecuária, - o ciclo da erva-mate, - o ciclo da madeira, - o ciclo agroindustrial, Os sistemas produtivos: 5 - milho/suínos, - milho/aves, - feijão, fumo, soja, trigo, mandioca, cana-de-açúcar, - leite, O modelo CONSAD de gestão do desenvolvimento territorial iniciou em 2003 diferenciou a história do território. Aliado a lógica da retomada do papel do Estado como indutor de políticas sociais estruturais, no âmbito do Programa Fome Zero. Para tanto, o Ministério de Segurança Alimentar – MESA, que em 2004, passou a se denominar Ministério de Desenvolvimento Social e Combate a Fome – MDS demandou ao Instituto Brasileiro 33 de Administração Municipal – IBAM, um estudo de Localização Territorial de Potenciais CONSAD no País. O CONSAD é integrado pelo poder público e sociedade civil, na proporção de 1/3 e 2/3, respectivamente. Seus entes jurídicos constituintes são o Estado de Santa Catarina, os 19 (dezenove) municípios integrantes da Associação de Municípios do Extremo Oeste Catarinense – AMEOSC, e mais de 60 organizações da sociedade civil destes municípios. O território na paisagem representa literalmente o extremo oeste da migração da agricultura moderna na região Sul do Brasil no seu limite fronteiriço com o país Argentina e um grande fragmento contínuo de floresta nativa. A figura a seguir apresenta a matriz de uso da paisagem com áreas de conservação identificadas pelos núcleos de fragmentos florestais (polígonos verdes). Os núcleos são mosaicos de fragmentos e incluem um conjunto de florestas remanescentes, capoeiras e áreas mistas de pasto e capoeira e ainda pequenas áreas de cultivo. Nos limites do território ou da unidade de paisagem Território Extremo Oeste Catarinense são identificados 22 “Mosaicos de Fragmentos” maiores do que 100 há totalizando 14.475 há ou cerca de 3,8% da área da unidade de paisagem conforme o quadro a seguir. A possibilidade de inverter passivos, e construir ativos ambientais para o território inclui potencialidades consideráveis. A localização geográfica em região de fronteira, próxima de grandes fragmentos florestais conectados, e de bacias hidrográficas de grande importância regional e continental exige do território planejar seus serviços ambientais prestados e sua perspectiva de valorização como possibilidade de desenvolvimento sustentável. 6 O quadro a seguir apresenta 5 indicadores de resultado do uso do solo nesta unidade de paisagem gerado pelas unidades produtivas e seus sistemas de produção combinados com os núcleos urbanos dos municípios e suas emissões de carbono: - A produção de alimentos que permanece no território de cerca de 1,23 kg de alimento por pessoa por dia. - A produção de comódities (principalmente soja, milho e fumo) de cerca de 12,97 kg por pessoa por dia. - A renda por unidade de área hectare de cerca de R$ 433,66 anuais. - O balanço de carbono equivalente (emissões e estocagem) de cerca de 5,16 toneladas por pessoa por ano. O carbono equivalente é a composição quantificada de todos os gases emissores de carbono. An Cenário o1 kg alimento/pesssoa/dia 23 1, 45 (6, 63) 12 ,45 o6 40 22) An 1, (6, 12 ,62 o5 36 84) An 1, (5, 12 ,79 o4 31 49) An 1, (5, 12 ,97 o3 27 16) An 1, (5, área de biodiversidade %/área o2 1, carbono tonelada/pessoa/ano An (7, 08) 12 ,29 12 ,13 7 total. comódities kg/pessoa/dia 7, 01 76 43 R$/há/ano 7, 3,66 8, 59 41 2,66 9, 53 37 7,71 10 ,57 32 5,53 11 ,74 25 2,26 15 3,40 - A proporção de área de biodiversidade da unidade de paisagem de 12,97% sobe a área total. O quadro anterior projeta estes indicadores para os próximos 5 anos na perspectiva de criar uma matriz de tendências. A curva dos indicadores ocorre principalmente em função da evolução da área dos diferentes usos na paisagem. A produtividade física das diferentes produções dos diferentes usos do solo foi mantida estável. Os preços dos produtos agrícolas e dos custos de produção foram projetados conforme taxas médias dos últimos 20 anos. As taxas de emissões e estocagens de carbono para diferentes usos e para a população urbana foi mantida estável sem considerar práticas ou tecnologias urbanas e rurais que pudessem modificar índices técnicos. A diferenciação das agriculturas de um território ou de uma unidade de paisagem é sob o aspecto do planejamento uma condição metodológica importante. Até o momento diferenciamos trajetórias históricas de ocupação por diferentes critérios: 1) Pela origem cultural do povo ocupante; 2) Pela nucleação dos municípios em diferentes períodos; 3) Pelos ciclos econômicos de ocupação; 4) Pelos sistemas produtivos combinando as diferentes atividades produtivas nas unidades de produção; Os resultados e/ou tendências de resultados apresentados nos quadros e figuras anteriores são a expressão também da complexa diferenciação de agriculturas observadas na paisagem pela localização (longitude/altitude) e pela forma de uso da paisagem sintetizada a seguir. - Iporâ do Oeste (e Mondai) e a agricultura de terras baixas intensiva especializada com mata a 249 metros. - Agricultura de altitude de São João do Oeste a 421 metros mesclando mosaicos de matas. - Agricultura de solo exposto de Descanso e Belmonte a 570 metros de altitude. - Agricultura de solo coberto por pastagem e mosaicos de Barra Bonita e Guaraciaba nas áreas altas 445 metros. - Agricultura nos mosaicos de fragmentos de altitude em Guaruja do Sul e Dionísio Cerqueira a 676 metros de altitude. - Agricultura de produção de sementes nas altitudes de Anchieta e Palma Sola a 831 metros. 8 A diferenciação por 6 ocupações da paisagem pode ser a síntese de um conjunto de variáveis históricas que foram moldando o uso da paisagem e definindo sua matriz de ocupação assim como resultados. Os indicadores do quadro a seguir apresenta as 4 micro regiões referência no estado de Santa Catarina a partir de 1 elemento central o mix completo de segurança alimentar critério que identifica a mico São Miguel do Oeste do IBGE (Território Extremo Oeste). S C São Miguel do Oeste Itu poranga Co ncórdia 7,0 Municípios 21,00 0 2,97 00 7 11,39 92 % estab AF ,00 9, %estab AF c/Ind 66 3. R$/estab AF 889,29 5, % estab não Familiar c/Ind 68 59 22 R$/estab não Fam .886,79 unid própria/estab 217,13 4,10 1. unid vend/est 349,66 23 2, Preço R$/kg 96 % produtos próprios/produtos comercializados 90 importados/comercializados 229,57 ,18 % produtos 41,74 ,41 68 9,29 35 5,83 5,6 54 8, 01 11 2,11 33 8,46 .490,48 74 6 3,59 47 3,09 3,11 95 14 83 24, 7,95 17 ,59 386,66 41, 237,03 193,86 18. 22 544,14 2. 8,8 8 17,17 1. ,61 58,94 4.6 5.092,99 19 3.7 13, 10,42 ,65 97 93,82 94 11, 1.8 3.240,98 ,99 37 88 16 94, 19, 16,62 74 4 90 7, 7,2 93, 95,05 ,00 1 8 39 4,4 2,2 %PIB Ind Familiar por Micro apecó 15, 0,1 %Produtos da Ind Familiar SC Ch 19 3,72 56, 15 44 ,77 As regiões são semelhantes em termos de presença da agricultura familiar e proporção de estabelecimentos da agricultura familiar com industrias. O quadro a seguir apresenta 4 grupos de critérios utilizados no diagnóstico e análise de diferenciação dos empreendimentos e das estratégias de gestão. Os critérios foram escolhidos a partir de pressupostos conceituais gerais que passam a diferenciar organizações sociais e econômicas e de elementos diagnosticados durante o estudo dos empreendimentos os quais se tornaram relevantes nesta diferenciação de forma de administrar. 9 Os critérios incluem elementos da trajetória histórica que pode ter potencializado o surgimento destas referências em determinado espaço social e geográfico e de elementos combinados e/ou relacionados da estrutura operacional atual que podem determinar potencialidades e fatores restritivos dos resultados futuros. Meio Ecológico Trajetória sócio econômica (1a) Iporâ do Oeste (e Mix de produtos (2a) 1920 (3a) Organização da Gestão e Mercado (4) Forma: Mondai) e a agricultura de terras dos municípios de Individuais: 1 (a)familiar; (b)associação baixas intensiva especializada Iporã do Oeste, produto familiar; (c)cooperativada. com mata a 249 metros. Itapiranga, Mondai, comercializado (1b) Agricultura de São José do Cedro, (3b) altitude de São João do Oeste a Princesa, São Relacionados: 421 metros mesclando Miguel do Oeste, relações entre mosaicos de matas. Palma Sola produtos na (1c) Agricultura de solo (2b)1940 dos exposto de Descanso e municípios de Belmonte a 570 metros de Anchieta, Belmonte altitude. e Guarujá do Sul (1d) Agricultura de solo (2c) 1990 coberto por pastagem e com o movimento mosaicos de Barra Bonita e nacional das Guaraciaba nas áreas altas 445 emancipações, metros. como é o caso de (1e) Agricultura nos (5) Mix de mercado: (a)amplo; (b)ampliado; (c)estável comercializaçã o (3c) Associados: comercializaçã o conjunta Bandeirante, Barra mosaicos de fragmentos de Bonita, Santa altitude em Guaruja do Sul e Helena, São João Dionísio Cerqueira a 676 metros do Oeste e de altitude. Tunápolis. (1f) Agricultura de produção de sementes nas altitudes de Anchieta e Palma Sola a 831 metros. Os estudos de caso deste Plano de Negócio e Gestão apresentados a seguir são considerados as referências regionais dos 2 arranjos de empreendimentos analisados “embutidos de suíno” e “derivados de leite” e dos 2 arranjos de empreendimentos de 2 grau “queijo colonial” e “embutido de suíno salame”. São 4 estudos de caso analisados para cada arranjo localizados em 5 municípios do território. 10 A elaboração do plano de negócio e gestão associada às diferentes combinações de características consideradas critérios de diferenciação para arranjos de empreendimentos e empreendimentos permitirão diferenciar as estratégias de gestão e apresentar o produto tipos de estratégias de gestão. Empreendiment o Mei Traj o etória Ecológico sócio Mix de produtos Organização da Gestão e Mercado econômic a Queijo IRMÃOS DIEL Guaraciaba (1d ) Salame LETAVO Guaraciaba (2b ) (1d ) Queijo al (3 a) (2b ) (1c) (2c) Associa do (3c) Salame SANTA (1 a) Queijo SANTA CLARA Dionísio Individu al (3 a) COMILPE Tunápolis FÉ Itapiranga Individu (2 a) (1e ) Individu al (3 a) (2b ) Individu Associação Familiar/local Associação Familiar/amplo Cooperativa/a mpliado Associação Familiar/amplo Familiar/local al (3 a) Cerqueira Queijo WNIG (1f) Anchieta ) Salame MARO DANEL Guaraciaba (1d ) Salame NONO COSER Guaraciaba (2b ) Familiar/Local al (3 a) (2b ) (1e Individu Relacio nado (3b) (2b ) Individu al (3 a) Familiar/ampli ado Familiar/ampli ado O empreendimento “Queijo IRMÃOS DIEL” localizado no município de Guaraciaba está localizado no meio ecológico indicado como (1d) cujas características incluem a ocupação do solo com agricultura de pastagens e presença acentuada de mosaicos de fragmentos florestais de altitude media para o território acima de 400 metros. O município de Guaraciaba possui a trajetória histórica de formação no segundo período regional próximo a 1940. Esta trajetória associada a outros fatores pode indicar sua localização geográfica e social em um período e acumulação média para o território. O empreendimento “Queijo IRMÃOS DIEL”, conforme o quadro anterior é comercializado em um mix individual de produtos cujo significado é de especialização de comercialização não compondo um conjunto maior de produtos. 11 A organização de gestão é de associação familiar e o mercado de comercialização qualificado como local tanto pela escala menor de quantidade de produtos como por rotas de comercialização não distantes. Os demais empreendimentos estudo de caso diferencia-se na combinação destas variáveis – critério permitindo ao estudo identificar diferentes estratégias de gestão. As estratégias de gestão devem ser compreendidas como formas diferentes de realizar a gestão administrativa e de funcionamento do empreendimento podendo diferenciar seus resultados e a potencialidade de estabilidade destes resultados para um maior período. O resultado econômico deste plano de negócio e gestão é apresentado no quadro a seguir na forma do fluxo de caixa, ou seja, da circulação econômica monetária anual onde os custos apresentados estão relacionados a comercialização ou denominados custos de gestão 1. Arranjo Produto 1 2 3 4 5 6 7 8 Qu Q Quei Q S Sal Sal Sal eijo ueijo Irm Marca ãos Diel jo C omilpe ueijo Sant a Clara alame W ame ame ame S Ma anta Fé ro Danel It Gu Gu Gu nchieta apiranga araciaba araciaba araciaba nig Let avo No no Coser Dion Município Vendas (kg) Gu T araciaba unápolis Cerqueira 22. 3 12.0 000 Preço (R$/kg) 11, 27 Valo Bruto (R$/ano) (%/preço) Custo Gestão 1 (R$/ano) 9,00 3 86.600 0,8 2 000 0,81 68.000 2,13 5.000 ,71 038.000 4 9.69 6 7 .056 .000 31.604 09.000 .200 0,8 8 7,5 1 609 490 0,8 7,2 38. 11, 35 3 0 200 1.5 0,8 6, 43. 11, 10 4 1 .000 536 0, 46 136 11, 65 78 ,43 000 2. 7 8,98 46. 1 9 1 6.428 1 0 2,01 011 ,50 1, 7,2 18. 0.000 108. 37 6 1 9 1,37 .000 Custo coml 00 A 1 248 Custo coml (R$/kg) 4.000 isio 7,7 1 113 .280 37. 807 Valor Líquido 1 (R$/ano) 229 .989 3 40.172 98.3 04 8 7.944 1. 906.397 497 .391 1.3 95.720 452 .393 O objetivo deste quadro é gerar o indicador dos custos da fase de comercialização na composição do preço recebido. Entre os 8 empreendimentos é possível identificar situações mais e menos ajustadas ente as variáveis que determinam este custo. O ajuste ente as variáveis diminui custo por exemplo com a 12 ampliação da escala ou com a complementação da carga incluindo a maximização da rota com um mix de produtos. O arranjo empreendimento 2 possui custos desta fase elevados indicando uma combinação não ajustada das variáveis componentes possivelmente rotas realizadas com pouca escala de produtos. Os arranjos 4 e 5 com custos inferiores a R$ 0,80 indicam que a combinação das variáveis componentes do custo está ajustada. Assim o conhecimento do funcionamento dos arranjos empreendimentos mais ajustados podem revelar estratégias de gestão consolidadas e bem administradas, ou mesmo fases consolidadas dos empreendimentos tornando-se referência. Os resultados econômicos do valor líquido total são diferentes nesta etapa de análise em função da escala de produtos comercializados. Três grupos de análise são possíveis entre os 8 arranjos empreendimentos. A análise é comparativa e seu objetivo é identificar as diferenças de custo por unidade comercializada. O primeiro grupo é formado pelos empreendimentos 1, 2, 3 e 4 todos do produto queijo colonial e com volumes de venda abaixo de 34.000 kg. O segundo grupo formado pelos empreendimentos 6 e 8 do produto salame colonial e volumes de venda próximos de 45.000 kg. O terceiro grupo formado pelos empreendimentos 5 e 7 do produto salame colonial com volume de venda próximos de 150.000 kg anuais. Em cada grupo existem diferenças e semelhanças com destaque para o empreendimento 2 com o maior custo e a maior proporção do custo em relação ao preço de 12,01%, o empreendimento 5 com a menor proporção do custo em relação ao preço recebido por unidade comercializada de 6,46%. O quadro a seguir apresenta três indicadores que ajudam a explicar as diferenças e o ajuste de variáveis na formação dos custos desta fase de comercialização. O maio custo do empreendimento 2 possui a menor quantidade de produto transportado por km das rotas de comercialização necessitando assim de 1.809 km para entregar uma carga de 2.000 kg. O mesmo empreendimento 2 possui a menor quantidade de produto vendido por dia de trabalho desta fase de comercialização 189 kg/dia. Arranjo Produto 1 2 3 4 5 6 7 8 Qu Q Queij Q S Sal Sal Sal eijo ueijo Irm Marca ãos Diel o C omilpe ueijo Santa Clara alame S W nig anta Fé ame Mar o Danel ame Let avo ame No no Coser Dioni Município Gu T araciaba unápolis sio A Cerqueira nchieta piranga 3 4, 1, Kg/Km 2,1 1 2,1 Ita ,0 3 Gu Gu Gu araciaba araciaba araciaba 1,9 4,1 1,8 13 rota (km/2000 kg) 1. 961 809 6 960 72 1 kg/dia 241 89 46 6 2 250 08 1.0 40 1.1 492 08 28 5 262 267 263 O empreendimento 5 apresenta indicadores de maior ajuste de carga e de eficiência de venda por dia de trabalho e por esta razão possui um dos menores custos de comercialização por unidade comercializada. Este empreendimento transporta 4,3 kg por km de rota de comercialização necessitando para completar a venda de uma carga de 2.000 kg de 466 km, e vende a maior quantidade de produto por dia de trabalho 285 kg/dia. Este empreendimento passa a se uma referência. Entre os demais empreendimentos o caso 4 “Queijo Colonial Wing” possui o menor custo R$ 0,71 por unidade comercializada entre os 8 casos no entanto é pouco eficiente na quantidade transportada (formação de carga) e na quantidade de produto vendido por dia. Este empreendimento no entanto é aquele que comercializa a menor quantidade total (escala) entre os 8 empreendimentos indicando a subutilização de transporte e de trabalho destinado a comercialização. Outra característica deste empreendimento é a venda somente no município sede da agroindústria o que sugere um limite de mercado e de escala. Talvez a situação deste empreendimento somente seja superada se ampliar o mercado para outros municípios. No segundo momento a definição importante, foi diagnosticado três estratégias de gestão a partir da analise da combinação das vaiáveis componentes da gestão e dos resultados de comercialização e venda. A – Estratégia Associação Familiar, Mix de Produto Individual, Mercado Local: “Queijo IRMÃOS DIEL” B – Estratégia Associação Familiar, Mix de Produto Individual, Mercado Amplo: “Salame SANTA FÉ” C – Estratégia Cooperativa, Mix de Produto Associado, Mercado Ampliado: “Queijo COMILPE” O empreendimento “Queijo IRMÃOS DIEL” localizado no município de Guaraciaba está localizado no meio ecológico indicado como (1d) cujas características incluem a ocupação do solo com agricultura de pastagens e presença acentuada de mosaicos de fragmentos florestais de altitude media para o território acima de 400 metros. O município de Guaraciaba possui a trajetória histórica de formação no segundo período regional próximo a 1940. Esta trajetória associada a outros fatores pode indicar sua localização geográfica e social em um período e acumulação média para o território. O empreendimento “Queijo IRMÃOS DIEL”, conforme o quadro anterior é comercializado em um mix individual de produtos cujo significado é de especialização de comercialização não compondo um conjunto maior de produtos. A organização é de associação familiar exigindo processos mais complexos de gestão e o mercado é local cujo significado é a menor escala e menor área geográfica de comercialização. A organização de gestão é de associação familiar e o mercado de comercialização qualificado como local tanto pela escala menor de quantidade de produtos como por rotas de comercialização não distantes. 14 O empreendimento “Salame SANTA FÉ” localizado no município de Itapiranga está localizado no meio ecológico indicado como (1 a) a agricultura de terras baixas intensiva especializada com mata a 249 metros e (1b) de agricultura de altitude a 421 metros mesclando mosaicos de matas. O município de Itapiranga possui a trajetória histórica de formação no primeiro período regional próximo a 1920. Esta trajetória associada a outros fatores pode indicar sua localização geográfica e social em um período e acumulação ampliada para o território. O empreendimento “Salame SANTA FÉ”, conforme o quadro anterior é comercializado em um mix individual de produtos cujo significado é de especialização de comercialização não compondo um conjunto maior de produtos. A organização é de associação familiar exigindo processos mais complexos de gestão e o mercado é amplo cujo significado é a grande escala e grande área geográfica de comercialização determinando a gestão de logística ampliada das rotas e trabalho de vendas. O empreendimento “Queijo COMILPE” localizado no município de Tunápolis está localizado no meio ecológico indicado como (1c) cujas características incluem agricultura de solo exposto a 570 metros de altitude e (1d) a ocupação do solo com agricultura de pastagens e presença acentuada de mosaicos de fragmentos florestais de altitude media para o território acima de 400 metros. O município de Tunápolis possui a trajetória histórica de formação no terceiro período regional próximo a 1990. Esta trajetória associada a outros fatores pode indicar sua localização geográfica e social em um período e pequena acumulação para o território. O empreendimento “Queijo COMILPE”, conforme o quadro anterior é comercializado em um mix associado de produtos cujo significado é de diversidade de produtos na comercialização e exigindo logística e trabalho complexos e ampliados. A organização é cooperativa que determina processos de gestão mais complexos interferindo na tomada de decisão. O mercado é ampliado determinando logística de transporte e trabalho também ampliados. O quadro a seguir apresenta a síntese dos três estudos de caso utilizados como base para analisar as três estratégias de gestão. A análise em detalhe dos quadros anteriores sobre os três estudos de caso permite identificar elementos de gestão os quais devem ser considerados ações de planejamento a partir do plano de negócio e gestão e compreendidas como elementos de diagnóstico vinculado a estratégia de gestão. Os elementos de análise a seguir consideram a renda da estratégia 5 em fase final de consolidação. Esta afirmação considera a estratégia de gestão com grande equilíbrio entre a combinação de variáveis componentes de custo e resultados. Arranjo 1 2 5 Produto Queij Qu Salame 15 o eijo Irmã Marca os Diel Co milpe Guar Tu Fé Itapiran Município aciaba Famílias 2 10 3 22.0 34. 168.00 Vendas (kg) 00 nápolis Santa 000 11,2 Preço (R$/kg) 7 37 000 Custo de transporte fase de coml (R$/kg) 12,13 de coml (R$/kg) 38 6.600 0,52 8 Custo de trabalho fase 0 11, 248. Valo Bruto (R$/ano) 2.038.0 00 1,2 08 0,29 0 ga 0,257 0,3 94 0,527 Custo log de transporte (%/preço) 4,7 8,8 2,1 2,6 3,3 4,3 Custo log de venda (%/preço) Custo administrativo 27, (%/preço) 31,0 3 Custo processamento 30,5 15, (%/preço) 16,0 0 Custo produção 22,3 22, (%/preço) 22,2 0 Total dos custos 28,9 76, (%/preço) 76,5 2 88,1 23, Margem (%/preço) 23,5 8 58.3 Valor Líquido (R$/ano) 89 Renda familiar mensal (R$) Kg/Km 11,9 91. 972 2.43 3 243.19 7 76 6 2,1 6.755 1,1 4,3 1.8 rota (km/2000 kg) 961 09 466 18 kg/dia 241 9 285 16 A seguir são apresentadas 7 ações propositivas geradas pelo PNE e Gestão. Todas as ações foram pactuadas pela oficina final de validação entre as instituições parceiras que fazem parte do Sujeito Social de Desenvolvimento CONSAD: 1) Todas as três estratégias podem ampliar sua escala de venda em determinada proporção com ampliação de custos em proporções menores e ampliar renda final até aproximar-se da estratégia 5. 2) A estratégia 1 deve amplia sua escala cerca de 20% a 30% com redução do custo de transporte aproximando sua renda da estratégia 5. O custo de transporte desta estratégia deverá ser reduzido na mesma proporção da ampliação da escala. 3) O empreendimento 2 precisa ampliar sua escala na proporção acima de 200% e/ou planejar em proporções possíveis seus custos conjuntamente com os demais produtos associados, reduzindo seus custos de transporte em cerca de 50%, e o custo de trabalho de venda será reduzido em determinado nível de escala e tenderá a ser ampliado em relação aos valores atuais a partir de um segundo nível de ampliação aproximando-se dos valores da estratégia 5. 4) Ampliar as agrondustrias/empreendimentos com serviço de inspeção para permitir a associação de produtos no mix de comercialização com redução de custos. 5) Estruturar serviço de ATER especializado para os empreendimentos. 6) Ampliar os selos dos produtos incluindo os atributos cultuais e ambientais da diversidade ecológica onde estão inseridos os empreendimentos agroindustriais. A diversidade ecológica e de uso do solo no território mescla aspectos aos quais os produtos da agroindústria familiar devem estar vinculados. A região possui diferentes micro paisagens mesclando a agricultura com fragmentos de matas remanescentes ocupando morros e vales os quais são ocupados por pequenas unidades de produção familiares de complexa culturalidade. - Iporâ do Oeste (e Mondai) e a agricultura de terras baixas intensiva especializada com mata a 249 metros. - Agricultura de altitude de São João do Oeste a 421 metros mesclando mosaicos de matas. - Agricultura de solo exposto de Descanso e Belmonte a 570 metros de altitude. - Agricultura de solo coberto por pastagem e mosaicos de Barra Bonita e Guaraciaba nas áreas altas 445 metros. - Agricultura nos mosaicos de fragmentos de altitude em Guaruja do Sul e Dionísio Cerqueira a 676 metros de altitude. - Agricultura de produção de sementes nas altitudes de Anchieta e Palma Sola a 831 metros. Os salames e os queijos criaram rotas sociais e econômicas atravessando e recortando a diversidade de paisagem identificada acima da mesma forma que os grandes rios da região e seus diversos afluentes 17 criam caminhos ecológicos e culturais. A rota gastronômica dos produtos da agroindústria deve buscar vínculos formais com a paisagem e ampliar seus apelos de consumo para uma população que já identifica diferenças nestes aspectos e orienta a busca de alimentos comprometidos com causas sociais e ambientais. Esta ação de ampliação de selos as marcas dos produtos deve buscar agregações em três níveis todos vinculados a agricultura familiar: - Na ecologia da paisagem orientada pelos rios e mosaicos de fragmentos florestais; - Na culturalidade das diferenças das unidades de produção familiares em seus municípios e comunidades; - Na gastronomia dos hábitos alimentares das diferenças regionais; A tarefa é identificar apelos em cada um destes níveis e construir selos componentes das marcas. Os selos identificarão rotas na paisagem as quais devem ser divulgadas e convidar os consumidores culturais, ambientais e sociais a visitarem via online e em rotas presenciais de turismo. Esta é uma ação para o serviço especializado de ATER. Os indicadores de kg/km de rota de comercialização e kg de produtos vendidos/comercializados por dia de trabalho da estratégia 5 devem servir de meta orientadora ao planejamento das estratégias 1 e 2. O quadro anterior apresenta o indicador km de rota necessários para completar uma carga comercializada de 2.000 kg o qual pode ajudar no planejamento das estratégias de comercialização. 1. Trajetórias Históricas do Desenvolvimento O Território Extremo Oeste Catarinense, sujeito deste plano, é constituído por 19 (dezenove) municípios: Dionizio Cerqueira, Palma Sola, Guarujá do Sul, Princesa, São José do Cedro, Anchieta, Guaraciaba, Paraíso, Barra Bonita, São Miguel do Oeste, Bandeirante, Descanso, Belmonte, Santa Helena, Tunápolis, Iporã do Oeste, São João do Oeste, Mondaí e Itapiranga. 18 A população em sua grande maioria são considerados descentes de europeus. A origem principalmente na Alemanha, Itália, Áustria e Polônia, que fizeram seu primeiro movimento migratório para o Rio grande do Sul e posteriormente para a região Oeste Catarinense. Isso caracteriza a região com fortes diversidades étnicas, registrando também as presenças de russos-ucranianos, portugueses, libaneses, caboclos e indígenas. Duas características das trajetórias são identificadas e passam a compor as possibilidades de reprodução social e econômica dos sujeitos sociais atuais. A – Migrantes Europeus B – Caboclos e indígenas Na década de 20, foram os municípios de Iporã do Oeste, Itapiranga, Mondai, São José do Cedro, Princesa, São Miguel do Oeste, Palma Sola (com a passagem dos Argentinos para a região dos campos), Descanso e Guaraciaba que deram início a formação da região, sendo os dois últimos marcados pela passagem da Coluna Prestes. Na década de 40, foram os municípios de Anchieta, Belmonte e Guarujá do Sul. Ainda, os conjuntos de municípios que foram influenciados por esse movimento migratório, tiveram sua constituição na década de 90, com o movimento nacional das emancipações, como é o caso de Bandeirante, Barra Bonita, Santa Helena, São João do Oeste e Tunápolis. A partir da década de 80, os municípios passaram a articular-se política-administrativamente através da AMEOSC – Associação de Municípios do Extremo Oeste Catarinense e, recentemente, com a constituição das Secretarias de Desenvolvimento Regional no Estado, cria-se a Secretaria de Desenvolvimento Regional - SDR de São Miguel do Oeste, como Política do Governo Estadual de Santa Catarina, contemplando dezoito municípios da região (exceção de Mondai que compõe a 29ª SDR/ de Palmitos). 19 Novas características passam a compor as trajetórias históricas: C – A origem a partir de 1920 dos municípios de Iporã do Oeste, Itapiranga, Mondai, São José do Cedro, Princesa, São Miguel do Oeste, Palma Sola D – A origem a partir de 1940 dos municípios de Anchieta, Belmonte e Guarujá do Sul E - A origem a partir de 1990 com o movimento nacional das emancipações, como é o caso de Bandeirante, Barra Bonita, Santa Helena, São João do Oeste e Tunápolis. AMEOSC – Associação de Municípios do Extremo Oeste Catarinense. A efetiva ocupação deste território está associada, segundo BAVARESCO (2005), a ocorrência de quatro ciclos: o ciclo da erva-mate, pecuária, o ciclo da madeira e o ciclo agroindustrial. O declínio do extrativismo madeireiro fez com que o perfil econômico da região fosse gradativamente redesenhado, abrindo espaços para a agropecuária. - o ciclo da pecuária, - o ciclo da erva-mate, - o ciclo da madeira, - o ciclo agroindustrial, Os sistemas produtivos: - milho/suínos, 20 - milho/aves, - feijão, fumo, soja, trigo, mandioca, cana-de-açúcar, - leite, O Extremo Oeste de Santa Catarina, microrregião do Oeste Catarinense . Constituída por 19 (dezenove) municípios. O território apresenta 3% da população do Estado, com uma densidade 2 demográfica de 41,27 habitantes/ km , apresentando um decréscimo populacional na última década na faixa dos 3%. Pequenos grupos dispersos de caboclos, originários das expedições bandeirantes e do tropeirismo do gado e mulas dos campos riograndenses para São Paulo e regiões de mineração do país. Desmatamento para exploração da madeira, abrindo espaço para a constituição das “colônias” com uma estratégia da produção diversificada para a subsistência e comercialização de excedentes. Em 1936 a Primeira Coop Crédito A partir desse sistema de colonização que, na década de 50, inicia-se a estruturação dos grandes complexos agroindustriais (CAI) da região, suínos, aves. Em 1970 Quebra das Pequenas Coop estruturação das Grandes Coop (SEARA). Feiras Regionais (oktoberfest). Um quarto elemento, decorrente da articulação das organizações e movimentos sociais, é a construção de experiências em vista de um outro modelo de desenvolvimento em meados dos anos 90. Estas experiências buscavam e buscam articular os acúmulos dos movimentos sociais de resistência, como por exemplo, a agroecologia, o crédito solidário, a agroindustrialização de pequeno porte, o associativismo e todo o conhecimento sócio-cultural local na discussão da temática de desenvolvimento. Na década de 90 aparece destacam-se a agroindustrialização do leite, exportação agroindustrial da região, incremento da avicultura, eventos nacionais, como a festa nacional do milho crioulo, a nucleação das escolas, aumento da violência, pavimentação das estradas, cassação de prefeitos, resgate da prática do artesanato, emancipações, inseminação artificial, reciclagem do lixo, diminuição do analfabetismo, organização das mulheres agricultoras, informatização, transporte escolar, criação dos conselhos municipais, administração de consenso e implementação do Pronaf. O quinto elemento surge a partir do aporte de políticas públicas com caráter de territorialidade do Governo Federal, por meio do MDS, com a implementação do Consórcio de Segurança Alimentar e Desenvolvimento Local do Extremo Oeste Catarinense - CONSAD, em 2004. O CONSAD é integrado pelo poder público e sociedade civil, na proporção de 1/3 e 2/3, respectivamente. Seus entes jurídicos constituintes são o Estado de Santa Catarina, os 19 (dezenove) municípios integrantes da Associação de Municípios do Extremo Oeste Catarinense – AMEOSC, e mais de 60 organizações da sociedade civil destes municípios. A partir da implementação do CONSAD, com base no planejamento estratégico participativo, passam a ser articuladas ações em âmbito territorial com enfoque na segurança alimentar. Destas, a que merece maior destaque é a implementação do Programa de Aquisição de Alimentos – PAA, envolvendo 1430 famílias de agricultores individualmente ou organizadas em grupos e associações. 21 O projeto do entreposto de comercialização a ser construído em São Miguel do Oeste com recursos do MDS, além da existência de 14 feiras de agricultores no âmbito dos 19 municípios. Eixos em Cenário Futuro - Verticalização da agroindústria de embutidos e derivados de leite associados a outros: rotas com rastreabilidade; rotas de turismo gastronômico; novos contratos com industria de grande porte - Concentração de políticas: Cabe ressaltar ainda o fato da existência de ações de vários ministérios na região e do consagrado capital social, fatores que associados indicam a necessidade do reconhecimento da região pela SDT como território, consolidando, dessa forma, a identidade territorial do Extremo Oeste Catarinense. - Organização social leve pró desenvolvimento - Vinculação dos produtos a selos diferenciados: ambiental, orgânico, social No que tange aos recursos naturais, o Extremo Oeste possui solos férteis, água em abundância, clima favorável e belo relevo, o que aparece como potencial para o desenvolvimento do turismo. “O CONSAD no Extremo Oeste” O modelo CONSAD de gestão do desenvolvimento territorial iniciou em 2003, aliado a lógica da retomada do papel do Estado como indutor de políticas sociais estruturais, no âmbito do Programa Fome Zero. Para tanto, o Ministério de Segurança Alimentar – MESA, que em 2004, passou a se denominar Ministério de Desenvolvimento Social e Combate a Fome – MDS demandou ao Instituto Brasileiro 33 de Administração Municipal – IBAM, um estudo de Localização Territorial de Potenciais CONSAD no País. Segundo Franca (2003 apud ORTEGA, 2007), esse estudo tinha dois objetivos básicos: - Propor uma conceituação e uma nova institucionalidade que levasse para a esfera microrregional a metodologia do desenvolvimento local; - Iniciar a identificação dos municípios que poderiam fazer parte dos CONSADs. O resultado do estudo apontou para um novo modelo que assumia a forma administrativa de uma institucionalidade subregional que estaria articulada às instâncias de participação local. O modelo é apresentado na forma de um consórcio que seria mais um dos atores presentes no território, assumindo a função de agregar e articular os diferentes atores já atuantes. 22 Estes projetos são chamados Projetos CONSAD, organizado em associações civis sem fins lucrativos e é formado de 1/3 de representantes do poder público e 2/3 de representantes da sociedade civil de cada um dos municípios participantes. Em 2003, foram constituídos pelo MDS 40 (quarenta) CONSADs. Os critérios para sua seleção foram apresentados pelo IBAM, a partir de um estudo solicitado pelo extinto Ministério Extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome (MESA) por meio do documento "Estudo de Localização Territorial de Potenciais CONSADs no País". De uma proposta de 62 potenciais CONSADs, os 40 implementados adotaram os seguintes critérios: 26 deles constituídos em todos os Estados da União; 14 tendo como critério o atendimento das regiões Norte e Nordeste, CONSADs Interestaduais, os que possuíam, na ocasião, o maior número de municípios com Cartão Alimentação do Programa Fome Zero e os localizados em mesorregiões diferenciadas do Ministério da Integração Nacional e do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Esses 40 territórios CONSADs, englobam 585 municípios e uma população de mais de 11 milhões de habitantes. Em alguns casos é possível constatar que seu desenho identifica-se razoavelmente com o conceito de microrregiões homogêneas adotado pelo IBGE. Em outros casos, pode abarcar localidades integrantes de até três microrregiões diferentes. Os critérios do enfoque territorial do CONSAD levam em conta: 1) os índices de desenvolvimento humano municipal (IDHM); 23 2) as relações sociais, comerciais, produtivas, políticas e culturais existentes na região; 3) a dimensão física e ambiental do território; 4) suas potencialidades geo-estratégicas para arranjos sócio-produtivos sustentáveis; 5) reorganização do território visando a inclusão social; 6) construção de uma institucionalidade capaz de mediar conflitos, agregar esforços e gerar sinergias de forma a direcionar o processo de integração territorial para os objetivos de segurança e nutricional e desenvolvimento local; 46 7) identidade territorial e solidariedade social. O extremo oeste foi um dos territórios sugeridos pelo estudo de localização territorial de potenciais CONSADs no país, desenvolvido pelo IBAM no ano de 2003. Esse estudo considerou que o extremo oeste atendia os critérios como o IDH, o potencial para arranjos sócio-produtivos, a dimensão física e ambiental e a identidade territorial aliada a solidariedade social. O processo de formação do CONSAD no extremo oeste catarinense, assim como os demais CONSADs pelo país, teve início oficial com a publicação de um edital elaborado pelo MDS, convocando instituições locais para se candidatar ao posto de entidade implementadora regional – EIR. 57 Como resultado desse edital, o Centro de Estudos e Assessoria ao Desenvolvimento – CEADES venceu o processo demonstrando atender o critério de experiência teórica e prática no marco conceitual do desenvolvimento local e na temática da segurança alimentar, como era requerido pelo MDS. 2. O Meio Agroecológico 24 Originalmente o Extremo Oeste Catarinense foi coberto por Floresta Estacional Decidual e por Floresta Ombrófila Mista possuindo de modo intercalado pequenas manchas de estepes ombrófilas ou campos naturais ao norte. Dentro da Floresta Estacional Decidual destacavam-se: o grápia (Apuleia leiocarpa), angico (Parapiptadenia rigida), cedro (Cedrela fissilis), louro-pardo (Cordia trichotoma), guatambu (Aspidosperma sp.), canelas entre outros, e na Floresta Ombrófila Mista a araucária (Araucaria angustifolia), imbuia (Ocotea porosa), ervamate (Ilex paraguariensis), canelas (Ocotea spp. e Nectandra spp.) entre outras. A quase totalidade da cobertura vegetal destas regiões fitoecológicas encontra-se atualmente suprimida, remanescendo 12% destas (SANTA CATARINA, 1997). A região se insere na Zona Agroecológica 2C, na qual predomina a Unidade Planalto Dissecado Rio Iguaçu/Rio Uruguai, apresentando relevo muito dissecado com vales profundos e encostas em patamares. Na limitação a leste, as altitudes ultrapassam 1.000m, caindo, em direção ao eixo central da Bacia do Paraná, a aproximados 300m gradativamente para oeste e noroeste. Quanto ao relevo, recebe, em sua maioria, classificação como forte – ondulado e montanhoso. Seus solos são medianamente profundos, rasos, pedregosos, normalmente férteis e de origem basáltica. Apenas aproximados 19% recebem classificação ondulado ou suavemente ondulado com solos profundos ou medianamente profundos, com pouco ou nenhuma pedregosidade, pouca fertilidade, muito acidez e origem basáltica. 25 3. O Uso do Solo no Extremo Oeste SC O uso do solo descrito a seguir utiliza o conceito amplo que inclui usos para o desenvolvimento e usos para a conservação ambiental incluindo partes ainda ocupadas por remanescentes florestais nativos. O território do Extremo Oeste passa a ser descrito como uma unidade de paisagem em cuja matriz predomina determinados usos destinados a diferentes objetivos. O quadro a seguir apresenta a ocupação da paisagem a partir de dados do IBGE (Censo Agropecuário 2006 e Planejamento Agrícola Municipal 2010). Utilizando séries históricas do IBGE foram projetadas taxas de evolução dos diferentes usos demonstrando tendências futuras. Taxa Unid Descritores ades Indic adores de Evolução (%) habit População Área total (AT) ante 174.603 (3,00) hect 26 are 372.477 Ocupação do espaço %/A Florestas naturais T 13,20 (1,90) 3,86 5,50 11,02 (2,90) 15,60 1,60 14,00 0,20 25,38 9,00 3,00 9,00 0,50 - 0,30 - %/A Florestas artificiais T %/A Pastagens naturais T Pastagens plantadas %/A T Agricultura de Segurança Alimentar %/A T %/A Comódities 1 T %/A Comódities 2 T Unidade de Conservação %/A T %/A Área Indígena T %/A Mineração T - - %/A Urbanização Total T 1,60 1,00 88,46 A unidade de paisagem Extremo Oeste possui 174.603 habitantes nos 19 municípios distribuídos na área de 372.477 hectares. A matriz da unidade de paisagem pode ser descrita como pastagem e agricultura representando 69% da área total. A pastagem representando 26,62%, a agricultura de segurança alimentar com área de 14% e de comódities 28,38%. A área urbana representa cerca de 1,6% e a área de mineração sem registro significativo e as áreas indígenas com cerca de 0,3% da paisagem. As áreas de uso cumprindo o papel de conservação são representadas pelas áreas de florestas naturais (13,2%) que incluem matas ciliares e reservas presentes nas unidades de produção (estabelecimentos agrícolas) e pelas unidades de conservação com cerca de 0,5% da paisagem. As áreas de florestas artificiais e áreas indígenas podem ser qualificadas com potenciais de conservação ampliados se comparadas ás áreas de agricultura e pastagem. As taxas de evolução dos diferentes usos da paisagem indica a expansão dos diferentes usos destinados a agricultura e a queda das áreas destinadas a conservação dos recursos naturais florestas. 27 O território na paisagem representa literalmente o extremo oeste da migração da agricultura moderna na região Sul do Brasil no seu limite fronteiriço com o país Argentina e um grande fragmento contínuo de floresta nativa. A figura a seguir apresenta a matriz de uso da paisagem com áreas de conservação identificadas pelos núcleos de fragmentos florestais (polígonos verdes). Os núcleos são mosaicos de fragmentos e incluem um conjunto de florestas remanescentes, capoeiras e áreas mistas de pasto e capoeira e ainda pequenas áreas de cultivo. Nos limites do território ou da unidade de paisagem Território Extremo Oeste Catarinense são identificados 22 “Mosaicos de Fragmentos” maiores do que 100 há totalizando 14.475 há ou cerca de 3,8% da área da unidade de paisagem conforme o quadro a seguir. M Ár Local ização ea enor a) o o 00 00 0 2,9 0 91 00 47 00 3 300 00 3,7 10 44 26 (%) 86 14 36 porção ) 00 0 0 Pro (m 14 42 Centr o ) 0 Centr o (m 54 Centr aio Distância distância (h Centr M 2,4 9 13 300 1,8 0 28 Centr o 20 8 Centr o 200 17 0,1 Centr o 10 90 12 48 Norte 10 Norte 20 Norte 25 Norte 00 Norte 0 57 00 00 7,7 7 10 800 25 00 12, 74 54 80 96 00 00 15, 28 11 10 91 00 0 16, 25 40 11 7 00 0 0,8 23 45 18 8 00 00 1,1 32 11 23 4 00 0 1,4 92 70 24 Norte 300 00 6 15 6,9 1 10 800 5,5 3 75 Norte 5,1 0 8 60 Norte 4,1 0 5 24 Norte 0 16 00 15 Norte 0 900 0 0 Sul 0 Sul 0 Sul 8 1,4 5 15 200 13 700 0 500 200 2,9 12 13 16 7 600 00 0,9 13 68 21 4 700 00 1,0 14 69 21 6 400 00 1,6 16 94 42 Sul 00 12 14 Norte 25 1,4 5 22 800 1,1 6 14 Total .475,1 No norte os grandes fragmentos (figura a seguir) totalizam cerca de 78% dos mosaicos de fragmentos com área superior a 100 hectares. Esta é a região do território de maior altitude. 29 No centro (figura a seguir) encontramos 7 mosaicos de fragmentos representando cerca de 14,4% do total de mosaicos de fragmentos da unidade de paisagem. 30 E no Sul (figura a seguir) encontramos 4 mosaicos de fragmentos representando cerca de 6,9% dos mosaicos da unidade de paisagem. A figura a seguir identifica dois importantes caminhos de muitas trilhas por dois importantes rios (Oeste e Leste) afluentes diretos do Rio Uruguai que determina o limite sul da unidade de paisagem Território Extremo Oeste. 31 Os dois caminhos denominados de Oeste e Leste podem e devem se constituir em marco de referência de planejamento estratégico do desenvolvimento que inclua orientações de conservação em uma perspectiva sustentável. São dois importantes rios pedagogicamente identificados na perspectiva de instigar o território a eleger outros importantes cursos d’água e suas bacias hidrográficas como perspectiva de planejar o uso do solo em diversas perspectivas que possam atribuir aos produtos da agricultura selos e certificações de conservação e preservação. A figura a seguir detalha aspectos da unidade de paisagem no município de Itapiranga localizado a 183 metros de altitude nas margens do Rio e próximo a foz do Rio Caminho Oeste. Na figura a seguir o município de Mondai localizado a 195 metros de altitude e em detalhe o delta do Rio Leste com o Rio Uruguai. Estes aspectos da paisagem podem se constituir em ferramentas auxiliares do desenvolvimento a monitorar projetos e programas e garantir ações construtoras de ativos ambientais. 32 Outro aspecto da paisagem próximo ao município de Itapiranga identifica parte do grande fragmento de floresta Argentino. 33 O território localizado próximo a este grande fragmento permite planejar a conservação da biodiversidade conectada a grandes unidades de conservação e corredores de biodiversidade entre os países fronteiriços. A possibilidade de inverter passivos, e construir ativos ambientais para o território inclui potencialidades consideráveis. A localização geográfica em região de fronteira, próxima de grandes fragmentos florestais conectados, e de bacias hidrográficas de grande importância regional e continental exige do território planejar seus serviços ambientais prestados e sua perspectiva de valorização como possibilidade de desenvolvimento sustentável. 4. A Agricultura no Extremo Oeste SC A agricultura do extremo oeste representa o maior uso do solo na unidade de paisagem com uma particularidade muito específica por ser na sua maioria de estabelecimentos agrícolas familiares. Os sistemas produtivos adotados por estas unidades produtivas combinando a produção de grãos (milho, soja, feijão) com a produção animal (suíno, aves, leite) integrada a complexos agroindustriais de grandes empresas. Os sistemas produtivos das unidades familiares destacam-se ainda pela presença da agroindústria familiar de pequeno porte. 34 Iporâ do Oeste (e Mondai) e a agricultura de terras baixas intensiva especializada com mata a 249 metros. O quadro a seguir apresenta 5 indicadores de resultado do uso do solo nesta unidade de paisagem gerado pelas unidades produtivas e seus sistemas de produção combinados com os núcleos urbanos dos municípios e suas emissões de carbono: - A produção de alimentos que permanece no território de cerca de 1,23 kg de alimento por pessoa por dia. - A produção de comódities (principalmente soja, milho e fumo) de cerca de 12,97 kg por pessoa por dia. An Cenário o1 kg alimento/pesssoa/dia o2 1, 23 carbono tonelada/pessoa/ano An o3 1, 27 (5, 16) An o4 1, 31 (5, 49) An o5 1, 36 (5, 84) An o6 1, 40 (6, 22) An 1, 45 (6, 63) (7, 08) área de biodiversidade %/área total. 12 ,97 comódities kg/pessoa/dia R$/há/ano 12 ,79 7, 01 ,62 7, 76 43 12 ,45 8, 59 41 12 ,29 9, 53 37 12 ,13 10 ,57 32 12 11 ,74 25 15 35 3,66 2,66 7,71 5,53 2,26 3,40 - A renda por unidade de área hectare de cerca de R$ 433,66 anuais. - O balanço de carbono equivalente (emissões e estocagem) de cerca de 5,16 toneladas por pessoa por ano. O carbono equivalente é a composição quantificada de todos os gases emissores de carbono. - A proporção de área de biodiversidade da unidade de paisagem de 12,97% sobe a área total. A Agricultura de altitude de São João do Oeste a 421 metros de altitude mesclando mosaicos de matas. O quadro anterior projeta estes indicadores para os próximos 5 anos na perspectiva de criar uma matriz de tendências. A curva dos indicadores ocorre principalmente em função da evolução da área dos diferentes usos na paisagem. A produtividade física das diferentes produções dos diferentes usos do solo foi mantida estável. Os preços dos produtos agrícolas e dos custos de produção foram projetados conforme taxas médias dos últimos 20 anos. As taxas de emissões e estocagens de carbono para diferentes usos e para a população urbana foi mantida estável sem considerar práticas ou tecnologias urbanas e rurais que pudessem modificar índices técnicos. A Agricultura de solo exposto de Descanso e Belmonte a 570 metros de altitude. 36 O importante nesta projeção é gerar uma matriz de tendências destes indicadores capaz de animar a agenda do território e desafiar suas modificações se necessário na perspectiva de construir ativos e não passivos sociais econômicos e agora ambientais. A motivação esperada inclui estudos de diagnóstico e monitoramento que possam ser mais precisos tecnicamente para o território. A Agricultura de solo coberto por pastagem e mosaicos de Barra Bonita e Guaraciaba nas áreas altas 445 metros. 37 A figura a seguir apresenta a tendência do primeiro indicador de segurança alimentar ilustrando o quadro anterior. O quadro a seguir é positivo pois demonstra uma perspectiva de crescimento da oferta de alimentos pelo território. Este comportamento pode ser explicado conforme o primeiro quadro pela queda na taxa de natalidade e pelo pequeno crescimento da área de agricultura de segurança alimentar. Esta tendência no entanto necessita de novas variáveis agregadas sobre a perspectiva de manter a produção e a produtividade nos novos cenários do clima. A demanda de alimento seguindo parâmetros conhecidos de segurança nutricional é de cerca de 1,5 a 2,0 kg de alimento por pessoa por dia. No caso do território a diferença, considerando taxas de conversão e perdas, é ofertada por alimentos de fora do território. O indicador a seguir é da renda com tendência de queda projetada para os próximos anos. O indicador de renda atual de R$ 433,66 tenderia em cinco anos as ser menor e próximo a cerca de R$ 153,40 pela tendência da taxa de evolução dos preços dos produtos agrícolas ser menor do que a taxa de evolução dos insumos tecnológicos utilizados. Este comportamento via de regra é resolvido pelas unidades 38 produtivas através do aumento de produtividade combinado principalmente com o subsídio da agricultura ofertado pelas políticas públicas principalmente de crédito. A figura a seguir apresenta a tendência de ampliação dos passivos ambientais medidos através de carbono equivalente. A tendência de crescimento ocorre pela tendência de ampliação das áreas de pastagem e agricultura e queda das áreas de biodiversidade, principalmente florestas. A curva tendendo a 10 toneladas por pessoa por ano é pedagógica e considera o crescimento negativo como passivo e o crescimento positivo como ativo. O quarto indicador de área de biodiversidade em queda representa o avanço das áreas de agricultura e pastagem e a diminuição das áreas de florestas. Esta tendência pode esta sendo modificada por várias razões entre as quais a legislação e a conscientização sobre a importância da preservação e conservação que ocorre em dimensões somente perceptíveis nos cenários futuros. A Agricultura nos mosaicos de fragmentos de altitude em Guaruja do Sul e Dionísio Cerqueira a 676 metros de altitude. 39 A Agricultura de produção de sementes nas altitudes de Anchieta e Palma Sola a 831 metros. A diferenciação das agriculturas de um território ou de uma unidade de paisagem é sob o aspecto do planejamento uma condição metodológica importante. 40 Até o momento diferenciamos trajetórias históricas de ocupação por diferentes critérios: 5) Pela origem cultural do povo ocupante; 6) Pela nucleação dos municípios em diferentes períodos; 7) Pelos ciclos econômicos de ocupação; 8) Pelos sistemas produtivos combinando as diferentes atividades produtivas nas unidades de produção; Os resultados e/ou tendências de resultados apresentados nos quadros e figuras anteriores são a expressão também da complexa diferenciação de agriculturas observadas na paisagem pela localização (longitude/altitude) e pela forma de uso da paisagem sintetizada a seguir. - Iporâ do Oeste (e Mondai) e a agricultura de terras baixas intensiva especializada com mata a 249 metros. - Agricultura de altitude de São João do Oeste a 421 metros mesclando mosaicos de matas. - Agricultura de solo exposto de Descanso e Belmonte a 570 metros de altitude. - Agricultura de solo coberto por pastagem e mosaicos de Barra Bonita e Guaraciaba nas áreas altas 445 metros. - Agricultura nos mosaicos de fragmentos de altitude em Guaruja do Sul e Dionísio Cerqueira a 676 metros de altitude. - Agricultura de produção de sementes nas altitudes de Anchieta e Palma Sola a 831 metros. A diferenciação por 6 ocupações da paisagem pode ser a síntese de um conjunto de variáveis históricas que foram moldando o uso da paisagem e definindo sua matriz de ocupação assim como resultados. Os quadros a seguir apresentam os resultados econômicos do território comparados ao Brasil, ao estado de Santa Catarina e a uma microregião geográfica próxima (vizinha) a qual pode ser considerada uma das regiões de referência na definição da agricultura regional futura e de outras regiões do Brasil. Santa Brasil Valor total da produção (R$/ano) 163.986.295.00 0,00 Catarina 9.034.777.0 00,00 154.944.000 Suino 576.040.000,00 3.141.679.328,0 Aves 0 8.977.201.000,0 Leite 0 2.882.769.749,0 Fumo 0 ,00 279.012.947 ,00 573.361.000 ,00 153.965.600 ,00 São Miguel do Oeste - SC 815.709.000 ,00 20.951.000, 00 18.595.269, 00 117.190.000 ,00 59.421.986, 00 Chapecó SC 1.142.798.0 00,00 25.733.000, 00 37.638.068, 00 135.477.000 ,00 9.980.572,0 0 41 11.384.379.643, Milho 00 19.505.962.457, Soja 00 674.115.146 ,00 180.562.160 ,00 87.056.003, Agroindustria rural 00 155.306.892 ,00 42.432.546, 00 9.918.325,0 0 103.808.365 ,00 99.671.452, 00 14.795.116, 00 Proporção de cada atividade no Valor total da produção (%) Suino 0,35 1,71 2,57 2,25 Aves 1,92 3,09 2,28 3,29 Leite 5,47 6,35 14,37 11,85 Fumo 1,76 1,70 7,28 0,87 Milho 6,94 7,46 19,04 9,08 Soja 11,89 2,00 5,20 8,72 0,964 1,216 1,295 Agroindustria rural A microregião São Miguel do Oeste SC é semelhante ao território Extremo Oeste SC diferenciando-se pela presença e ausência de alguns municípios. Santa Brasil Estabelecimentos 5.175.636,00 Catarina 193.668,00 São Miguel do Oeste - SC Chapecó SC 18.882,00 27.517,00 352.577,00 506.300,00 815.709.000 1.142.798.0 6.062.506,0 Área 333.680.037,00 Valor total da 163.986.295.00 produção 0,00 111.465.987.00 Despesas 0,00 0 9.034.777.0 00,00 4.254.325.0 00,00 ,00 327.504.000 ,00 00,00 530.519.000 ,00 Despesas/Valor Total Valor Líquido 1 67,97 47,09 40,15 46,42 52.520.308.000 4.780.452.0 488.205.000 612.279.000 ,00 00,00 ,00 ,00 Valor total /há 491,45 1.490,27 2.313,56 2.257,16 Valor Líquido/há 157,40 788,53 1.384,68 1.209,32 Valor Líquido/estab 10.147,60 24.683,75 25.855,58 22.250,94 4.133,60 5.134,61 5.471,77 4.949,70 2.455,35 3.532,32 3.617,04 3.831,52 449,51 525,28 537,67 Financiamento/est ab Outas receitas/estab Valor total agroindustria/estab Fumo valor/estab 556,99 795,00 3.147,02 362,71 Milho valor/estab 2.199,61 3.480,78 8.225,13 3.772,52 42 Soja valor/estab 3.768,80 932,33 2.247,25 3.622,18 Suino valor/estab 111,30 800,05 1.109,58 935,17 Aves valor/estab 607,01 1.440,68 984,81 1.367,81 Leite valor/estab 1.734,51 2.960,54 6.206,44 4.923,39 O objetivo dos quadros anteriores é apresentar o resultado econômico oficial (IBGE) a partir do último Censo Agropecuário (2006) e orientar a análise comparativa de indicadores do território do Extremo Oeste na perspectiva central de identificar e diferenciar potencialidades desta região/território as quais podem orientar o planejamento estratégico do desenvolvimento futuro. Para cumprir este objetivo este trabalho passa a adotar a hipótese de que esta região já é uma referência em termos de consolidação da agricultura. E assim passará a representa para o futuro as possibilidades de evolução de estratégias de desenvolvimento com capacidade superior de resultados incluindo entre estes resultados, as contradições para a construção sustentável do desenvolvimento com ativos sociais e ambientais acumulados. A referência atribuída ao território é de consolidação de sistemas de produção especializados avançando na agroindustrialização familiar das cadeias produtivas de carne de suíno e leite, seus transformados e derivados. O estado de Santa Catarina assim é considerado a grande referência nacional e as regiões São Miguel do Oeste e Chapecó como principais referências estaduais. 43 5. A Agroindustria no Extremo Oeste SC A agroindustria do Extremo Oeste passa neste momento a ser o critério base de análise deste plano de gestão e negócios para a agricultura familiar objeto deste trabalho. A hipótese a orienta este trabalho são de componentes históricos da trajetória de desenvolvimento regional consolidou processos e instalou uma complexa rede de agroindústrias familiares em fase atual de consolidação criando as condições para uma fase seguinte já em curso de consolidação avançada. O estado de Santa Catarina é considerado nesta perspectiva o cenário de maio consolidação desta fase da agricultura e da agricultura familiar. Os complexos agroindustriais nucleados na industria de carnes e derivados de leite passam a compor este cenário de consolidação da agroindústria familiar. A seguir são apresentados o mix da agroindustria rural com base nas quantidades produzidas e comercializadas de cada microregião do IBGE pelos dados do último Censo Agropecuário (2006). Esta base de referência de dados foi adotada para o primeiro nível de análise considerando sua importância como referência oficial ainda que pese sob esta base de dados insuficiências de informações com particularidades para as informações sobre agroindústrias familiares. A orientação de análise comparativa entre regiões assegura de certa forma uma relevante consistência supondo o uso dos mesmos critérios de diagnóstico e monitoramento realizados pelo IBGE. São 19 diferentes regiões descritas a seguir no estado de Santa Catarina. As regiões são diferenciadas em três grupos seguindo o objetivo de agrupar regiões semelhantes ao Extremo Oeste representado pela Microregião São Miguel do Oeste. No primeiro grupo a Micro Tabuleiro foi considerada próxima a Micro São Miguel do Oeste por apresentar: produtos semelhantes; média diversidade; e ausência dos produtos de origem madeireira. As demais regiões foram desconsideradas por estes critérios. 44 Tab MIX Sant Xan a Catarina xerê - SC 8,93 3,35 Tuba rão - SC Tiju cas - SC uleiro SC Aguardente de cana (Mil litros) Arroz em grão (Toneladas) 0,77 Creme de leite (Toneladas) 0,79 3,42 0,98 Doces e geléias (Toneladas) 0,42 Farinha de mandioca (Toneladas) 22,8 56,8 0 Fubá de milho (Toneladas) 2 0,94 0,64 80, 91 0,6 9 0,05 Fumo em rolo ou corda (Toneladas) 0,59 Legumes e verduras (processadas) (Toneladas) 0,91 Licores (Mil litros) 0,02 0,6 Manteiga (Toneladas) 0,06 0,04 9 13, Melado (Mil litros) 2,94 0,04 0,89 10 Pães, bolos e biscoitos 15, (Toneladas) 2,05 Polpa de frutas (Toneladas) 0,04 0,69 17 0,53 Queijo e requeijão 17, (Toneladas) 9,64 Sucos de frutas (Mil litros) 4,37 3,37 52 5 1,1 1,53 0,12 8 Carne de bovinos(verde) (Toneladas) 31 0,35 13,2 Vinho de uva (Mil litros) 59, 0,3 4,06 1,44 0,05 9 8,9 7 Carne de suínos(verde) (Toneladas) 2,0 6,20 2,12 5,95 0,90 0,04 0,02 7 Carne de outros animais(verde) (Toneladas) Carne tratada(de sol, salgada) (Toneladas) 0,01 Embutidos(linguiças, salsichas, etc.) (Toneladas) Carvão vegetal (Toneladas) 1,12 0,51 22,6 85,8 27,5 45 1 2 3 Produtos de madeira (Mil metros cúbicos) 0,12 0,04 No segundo grupo a Micro Rio do Sul foi considerada próxima e Itoporanga semelhante ainda que possua um mix reduzido de produtos com dependência e/ou especialização no produto queijo/requeijão e assim diferenciando-se S ão Miguel do Ri Jo Jo Itup Oeste - o do Sul inville - açaba - oranga - SC - SC SC SC SC MIX 6, Aguardente de cana (Mil litros) 96 0, 63 9, 43 3, Arroz em grão (Toneladas) 48 71 0, 59 29 0, Doces e geléias (Toneladas) 46 3, 1, Creme de leite (Toneladas) 1, 14 0, 27 0, 29 0, 25 2, Farinha de mandioca (Toneladas) 29 5, Fubá de milho (Toneladas) 3, 94 41 6, Fumo em rolo ou corda (Toneladas) 21 Legumes e verduras (processadas) (Toneladas) 1, 59 3, 33 Licores (Mil litros) 0, Manteiga (Toneladas) 0, 14 29 15 Melado (Mil litros) ,51 1, 80 51 ,43 0, 06 10,2 6 46 6, Pães, bolos e biscoitos (Toneladas) 0, 09 0, 45 06 1, Polpa de frutas (Toneladas) 16 22 Queijo e requeijão (Toneladas) 13 ,17 14 ,85 3, ,29 47 0, Sucos de frutas (Mil litros) 50 11 2, ,88 41 Carne tratada(de sol, salgada) 10 ,75 12,8 07 7, 04 6 2, ,29 5, 38 10,2 56 39 6, (Toneladas) 1, 67 61 Carne de outros animais(verde) ,98 5, 2, Carne de suínos(verde) (Toneladas) 76 88 8, Carne de bovinos(verde) (Toneladas) 0 1, 43 Vinho de uva (Mil litros) 64,1 2 0, 71 03 2,56 0, (Toneladas) 14 Embutidos(linguiças, salsichas, etc.) (Toneladas) 5, 4, 36 0, 77 41 15 Carvão vegetal (Toneladas) 8, ,38 72 Produtos de madeira (Mil metros cúbicos) O terceiro grupo apresenta a Micro de Concórdia como semelhante a Micro São Miguel do Oeste com produtos semelhantes, diversidade de produtos componentes do mix, e ausência dos produtos de origem madeireira segundo dados do censo agropecuário. Curit Ita MIX jaí - SC Floria nópolis - SC Cr Co ibanos - iciúma - ncórdia - SC SC SC 21 Aguardente de cana (Mil litros) 55,34 5,56 9, Arroz em grão (Toneladas) ,01 75 25,0 45 0,1 0 Creme de leite (Toneladas) 18, 0 0,35 0, Doces e geléias (Toneladas) Farinha de mandioca (Toneladas) - 56 9 12 61 ,19 0,3 29,14 ,76 47 1, Fubá de milho (Toneladas) 88 3,1 3 3, Fumo em rolo ou corda (Toneladas) 94 0,4 Legumes e verduras (processadas) (Toneladas) 9 Licores (Mil litros) 0, Manteiga (Toneladas) 19 0, Melado (Mil litros) 5,69 56 2,0 5 0, Pães, bolos e biscoitos (Toneladas) 1,62 56 2,1 5 Polpa de frutas (Toneladas) Queijo e requeijão (Toneladas) 11 ,44 61,1 1,19 1 22 ,51 16, 89 1, Sucos de frutas (Mil litros) 50 33 Vinho de uva (Mil litros) 5,56 ,77 4,8 8 0, Carne de bovinos(verde) (Toneladas) Carne de suínos(verde) (Toneladas) 5,90 1,39 38 0, 25 23, 83 0, 0,56 1,39 19 25, 49 Carne de outros animais(verde) 1,3 (Toneladas) 0,21 7 Carne tratada(de sol, salgada) (Toneladas) 0, Embutidos(linguiças, salsichas, etc.) (Toneladas) 19 0,4 9 17 Carvão vegetal (Toneladas) ,66 Produtos de madeira (Mil metros cúbicos) E no quarto grupo as Micros Campos de Lages e Blumenau consideradas próximas e a Micro Chapecó semelhante. A Micro Campos de Lages com dependência em alguns produtos, e de uma região com diferente características da região Oeste de Santa Catarina. A Micro Blumenau com produtos diferentes (grãos, farinas, doces, legumes) diferencia-se da Micro em estudo. C MIX hapecó - Can oinhas - C Blu ampos menau - Ara ranguá - 48 SC SC de SC SC Lages SC 13 Aguardente de cana (Mil litros) 2, ,29 96 9,4 3 0, Arroz em grão (Toneladas) 28 0,32 8 1,6 22 6 0, Doces e geléias (Toneladas) 76 3,8 0, Creme de leite (Toneladas) 34, 0, 11 0,63 37 11, 83 5,3 Farinha de mandioca (Toneladas) 6 14, 33 0, Fubá de milho (Toneladas) 0,3 22 3 10,1 Fumo em rolo ou corda (Toneladas) 3 Legumes e verduras (processadas) (Toneladas) 5, 56 0,1 8 0, 9,0 06 6 0, Licores (Mil litros) 06 0, Manteiga (Toneladas) 0,5 06 0,95 5 4, Melado (Mil litros) 19, 06 22 16 Pães, bolos e biscoitos (Toneladas) 2,4 7 0,3 ,30 5,70 7 0,3 3 17, Polpa de frutas (Toneladas) 96 24 Queijo e requeijão (Toneladas) ,14 15,1 9 31 ,48 8,8 7 19, 44 0, Sucos de frutas (Mil litros) 22 0,32 9, Vinho de uva (Mil litros) 51 3, 0,95 70 15 Carne de bovinos(verde) (Toneladas) ,02 8,86 Carne de outros animais(verde) 73 ,85 0,3 7 4, 1,27 1, 91 31 9, Carne de suínos(verde) (Toneladas) 10, 0,32 07 0,3 7 1, 0,9 9 0,3 3,2 49 (Toneladas) 84 Carne tratada(de sol, salgada) 11 7 9 0, (Toneladas) 06 Embutidos(linguiças, salsichas, etc.) 4, (Toneladas) 18 84 ,89 55,3 Carvão vegetal (Toneladas) 16, 8 6,1 82 0 0,7 Produtos de madeira (Mil metros cúbicos) 4 E por fim a micro Chapecó considerada a região mais semelhante ao território do Extremo Oeste também localizada no Oeste Catarinense, com forte base de agricultura familiar entre os estabelecimentos agropecuários localizada no cenário de origem dos complexos agroindustriais de carnes e leite. Os quadros a seguir apresentam as 4 micro regiões consideradas semelhantes em termos de trajetórias da agricultura percorridas e resultados de desenvolvimento. Estas 4 micro regiões podem ser consideradas referência em termos de consolidação de um projeto de desenvolvimento regional e portando esta em cenários futuros como regiões consolidadas mantendo unidades produtivas em condições superiores de reprodução social e econômica. E nesta perspectiva pode-se supor a existência de arranjos econômicos compondo um sistema de desenvolvimento regional. São Miguel do SC 6.248.40 Habitantes 6,09 9.570.35 Hectares estabeleci mentos est familiares est não familiares 0,00 193.668, 00 178.183, 00 Oeste 172.129 ,75 423.040 ,00 Ituporan ga 66.711,9 0 132.350, 00 141.99 312.93 0,00 12.196, 5.068,00 17.520, 00 dia 2,41 18.432, 00 Concór 00 11.509, 4.759,00 00 15.485,0 Chapec ó 477.196 ,07 639.670 ,00 27.221, 00 25.766, 00 1.455,0 0 912,00 309,00 687,00 0 193668 18432 5068 12196 27221 156.028, 16.931, 10.532, 24.365, est dirigidos >65 est com renda 00 est familiar 17.211,0 2.911,0 c/ind 0 0 est não 879,00 00 95,00 5.149,00 946,00 42,00 00 00 1.378,0 5.053,0 0 0 61,00 256,00 50 familiar c/ind R$ 66.938.5 industria familiar 9.434.4 14,00 1.791.55 91,00 5.179.8 3,00 11.085. 15,00 552,00 R$ industria não 20.117.4 familiar 483.834 89,00 Produção ,00 20.948.0 própria importada 00,00 Produção 23.229.0 vendida 00,00 805.000 0,00 39.000,0 ,00 00,00 575.00 00 690.000 3.483.0 00,00 132.000, ,00 64,00 1.148.0 00 288.000 3.709.5 86,00 212.000, 00,00 11.012.0 1.121.5 00 1.584.0 00,00 Produção 193.921, ,00 1.024.0 0 1.798.0 00,00 00,00 Os indicadores dos quadros acima e a seguir são semelhantes em termos de presença da agricultura familiar, proporção de estabelecimentos da agricultura familiar com industrias. A quantidade de produtos comercializados e de resultado econômico por estabelecimento diferencia-se somente na região de Ituporanga e pode se atribuída ao diagnóstico das informações relacionado ao preço da unidade comercializada. São Miguel do SC Oeste Ituporan ga Concór dia Chapec ó Municípios 21,00 7,00 15,00 39,00 %Produtos da Ind Familiar SC 2,97 0,17 4,41 7,74 %PIB Ind Familiar por Micro 11,39 2,28 7,24 16,99 % estab AF 92,00 95,05 93,90 94,37 94,65 %estab AF c/Ind 9,66 16,62 19,88 11,97 19,61 3.889,2 3.240,9 1.893,8 3.758,9 2.193,8 9 8 2 4 6 R$/estab AF % estab não Familiar c/Ind R$/estab não Fam 5,68 10,42 13,59 8,88 17,59 22.886, 5.092,9 4.617,1 18.386, 14.490, 9 7 544,14 224,10 833,09 689,29 237,03 41,23 743,11 355,83 2,96 7,95 24,95 5,66 8,01 90,18 229,57 543,59 112,11 193,72 79 66 48 1.217,1 unid própria/estab 3 1.349,6 unid vend/est Preço R$/kg 6 % produtos próprios/produtos 51 comercializados % produtos importados/comercializado s 47,41 338,46 41,74 56,15 44,77 As regiões diferenciam-se pela proporção de produtos produzidos localmente, importados e a participação destes dois grupos entre os produtos comercializados. O resultado final em R$ comercializados (vendidos) por estabelecimento da agricultura familiar por microregião é semelhante e sua diferença pode ser explicada em parte pela proporção de cada produto na composição do mix, considerando informações com restrições como no caso do preço em Itoporanga. O objetivo neste momento seria diferenciar as microregiões referência e diferenciar a microregião objeto deste estudo. Os quadros a seguir no entanto permitem diferenciar estas 4 microrregiões pela diversidade e complexidade da produção de alimentos compondo o mix de produtos e gerando renda fato que as diferenciam das outras regiões. A análise dos componentes segurança alimentar e renda obtida da produção de alimentos diferencia o resultado destas regiões. No entanto o diagnóstico que legitime a tese defendida neste estudo ou que a fortaleça deve ser complementado e construído. É importante considerar que a base de informações censitárias e de monitoramento da agricultura realizado pelas instituições oficiais e não governamentais ainda encontra-se em fase de estruturação fato que permite atribuir a análise dos dados disponíveis ainda insuficientes ou mesmo com restrições promovidas por dificuldades metodológicas. A microregião São Miguel do Oeste como referência para o território Extremo Oeste de Santa Catarina mesmo considerando o contexto acima e pelas informações disponíveis pode ser considerada uma referência, no entanto, o processo de diagnóstico e acompanhamento de processos deve ser realizado construindo metodologias e ferramentas capazes de auxiliar na análise de cenários e projeção de ações estratégicas. Os quadros seguintes complementam e auxiliam na explicação do diagnóstico realizado pela diferenciação do mix de produtos vendidos nas 4 microrregiões e preços recebidos para cada produto componente do mix. A microregião de Ituporanga possui seu mix centrado na produção de queijos, a microregião de Concórdia centrada na produção de aguardente e carnes, e as microregiões de São Miguel do Oeste e Chapecó possuem um mix diversificado. São Miguel do MIX (proporção de cada produto vendido) Sant a Catarina Oeste SC Con Itupo ranga – SC córdia SC Cha pecó – SC 52 Aguardente de cana (Mil 18, litros) Creme de leite (Toneladas) 8,93 6,96 0,79 1,59 75 9 0,22 Doces e geléias 0,3 (Toneladas) 0,14 0,42 Farinha de mandioca (Toneladas) 13,2 9 0,11 22,8 0 3,1 Fubá de milho (Toneladas) 0,94 5,94 3 Legumes e verduras 0,4 (processadas) (Toneladas) 0,91 Licores (Mil litros) 0,02 Manteiga (Toneladas) 0,06 1,59 9 Melado (Mil litros) 2,94 0,14 0,06 1 10,2 6 2,0 5 Pães, bolos e biscoitos Polpa de frutas (Toneladas) 2,05 6,09 0,53 1,16 Queijo e requeijão 5 22,1 (Toneladas) 9,64 Sucos de frutas (Mil litros) 7 0 0,35 0,43 13,2 11,8 5 64,1 16, 4 8 8,41 6 Carne de suínos(verde) 83 12,8 2,61 9,51 23, 2 15,0 2 25, 49 Carne de outros animais(verde) (Toneladas) 24,1 4,8 10,2 6,20 0 89 8 4,06 16,3 0,22 Carne de bovinos(verde) (Toneladas) 4,06 2,1 (Toneladas) (Toneladas) 0,06 0,06 15,5 Vinho de uva (Mil litros) 0,22 9,73 1,3 0,90 6,38 0,01 0,14 2,56 7 1,84 Carne tratada(de sol, salgada) (Toneladas) 0,06 Embutidos(linguiças, salsichas, etc.) (Toneladas) 0,4 1,12 5,36 96,5 2 9 100, 00 4,84 99, 90 99,7 2 A grande quantidade de alimentos produzidos nas microregiões São Miguel do Oeste e Chapecó torna sua proporção de produção de carnes e transformados, e de leite e derivados relevante. A diferenciação regional se amplia se consideramos o diagnóstico regional reconhecido sobre a diversidade do mesmo produto produzido por diversas unidades industriais familiares em diversos municípios. 53 São PREÇO Santa (R$/unidade) Catarina Miguel do Oeste - SC Itupor anga - SC Conc órdia - SC Chap ecó – SC Aguardente de cana 2,47 2,25 3,01 2,82 Arroz em grão 2,68 3,42 2,00 4,40 Creme de leite 2,93 3,73 Doces e geleias 3,89 11,00 7,00 17,50 Farinha de mandioca 1,37 Fubá de milho 0,93 0,90 0,94 3,00 1,27 4,40 9,00 4,00 Fumo em rolo ou corda 5,22 Legumes e verduras (processadas) 1,23 Licores 4,50 Manteiga 4,50 5,00 Melado 2,39 3,32 biscoitos 4,43 5,10 Polpa de frutas 1,23 5,13 Queijo e requeijão 7,32 7,92 Sucos de frutas 4,51 6,33 Vinho de uva 2,09 4,07 14,57 21,97 6,49 57,78 12,00 8,00 3,00 1,33 3,88 4,82 4,24 8,77 7,91 Pães, bolos e 4,68 25,00 5,42 3,92 80,75 7,91 14,46 82,80 3,84 13,83 8,14 23,39 Carne de bovinos(verde) Carne de suínos(verde) Carne de outros 103,0 animais(verde) 11,91 11,18 9,50 7,00 0 Carne tratada(de sol, salgada) 11,00 Embutidos(linguiças, 25,0 salsichas, etc.) 8,35 7,57 0 9,26 No nível local municipal no Extremo Oeste a diversidade e complexidade de produtos da agroindústria rural conforme dados oficiais do Censo Agropecuário do IBGE (2006) é outro componente que exige novas informações a serem confirmadas e qualificadas. O quadro a seguir apresenta o mix do território por produto de cada município em proporção ao volume total vendido. Agu ardente C reme M elado Pan ificação Q ueijo ucos S C inho arne C arne arnes E mbutidos 54 Leite e bovin suína outras a Anch 2 ,93 ieta Band 0 eirante ,68 Barr ,80 Belm 0 onte ,90 Desc 2,0 4 ,95 3 Dioní 3 sio C. 0,2 ,13 0 ,13 1 anga ,35 3 ,08 ,90 5,8 6 ,68 8 ,45 ,68 7 ,21 Princ 0,6 8 2,4 2 ,25 ,23 0 - - ,48 8 0 ,45 so ,23 4 ,45 ,68 ,50 ,90 1 ,80 Sant 0 a Helena ,45 São 0 João O. ,90 São 1,1 6 3 - São ,53 0 ,45 Tuná polis ,23 ,45 Paraí Miguel O. 0 0 a Sola José C. 0 0 Palm esa ,95 0 2,4 0 daí 0 0,2 6 Mon 1 ,45 1 Itapir ,45 0 ,23 Iporã do Oeste 5,4 ,25 0 Guarujá do Sul 2 ,23 3 ,68 1 ,60 Guar aciaba ,68 1 a Bonita anso ,58 ,23 6 1 ,76 2 ,70 ,23 ,93 0 ,68 ,13 0,2 ,23 3 0 ,45 ,48 55 O município de Anchieta vendeu 2,93% do total vendido no território no ano de 2006 em produto Queijo e requeijão. Este mesmo município vendeu o correspondente a 1,58% da quantidade total do território em produto vinho. Estes dois produtos foram registrados pelo censo como produtos significativos o que não significa que foram somente estes dois produtos vendidos. O município que mais vendeu produtos da agroindústria do território foi Mondai com cerca de 18%, em segundo lugar o município de Itapiranga com cerca de 14% e em terceiro lugar o município de São Miguel do Oeste com cerca de 11%. Os municípios que mais comercializaram leite e derivados foram São Miguel do Oeste e São João do Cedro. Carne de suíno e embutidos foi mais representativa nos municípios de Guaraciaba e Mondai. O quadro a seguir apresenta três indicadores de resultado municipais relacionados a agroindústria rural da agricultura familiar. Alguns municípios foram diagnosticados com grande expressão de unidades produtivas familiares municipais com agroindústria rural presente nos sistemas produtivos são os casos de Mondaí, Palma Sola e Paraiso. %estab % estab familiares R$ familiar Ind/estab c/industria familiar Anchieta - SC 97,54 6,69 2.360,77 Bandeirante - SC 97,78 11,17 1.243,39 89,20 4,74 3.129,11 Belmonte - SC 96,44 8,71 1.636,15 Descanso - SC 94,16 9,71 1.809,02 94,24 3,76 5.780,94 93,47 10,20 1.568,35 94,98 4,15 1.325,95 94,86 12,97 1.324,55 Itapiranga - SC 90,03 15,27 1.913,58 Mondaí - SC 97,59 73,36 1.923,48 Palma Sola - SC 92,85 49,17 1.547,40 Paraíso - SC 98,00 40,27 1.590,09 Princesa - SC 98,72 1,51 4.672,86 Riqueza - SC 94,38 15,19 886,04 Romelândia - SC 96,84 10,08 955,12 Santa Helena - 98,41 15,86 1.287,36 Barra Bonita SC Dionísio Cerqueira - SC Guaraciaba - SC Guarujá do Sul SC Iporã do Oeste SC 56 SC São João do Itaperiú - SC 91,25 8,55 97,43 5,62 1.827,81 94,73 8,44 4.479,61 96,94 22,97 845,18 São José do Cedro - SC São Miguel do Oeste - SC Tunápolis - SC Em relação a renda da agroindústria por estabelecimento rural familiar os municípios de Dionísio Cerqueira, Barra Bonita, Princesa e São Miguel do Oeste foram destaque acima da média do território. O território Extremo Oeste possui 18432 estabelecimentos rurais dos quais 17520 são familiares e 2911 (16,6% dos estabelecimentos familiares) possuem agroindústrias conforme o Censo de 2006. Os quadros a seguir apresentam informações sobre a organização social cooperativa e a produção da agroindústria obtias por estudos e monitoramentos regionais. No primeiro quadro uma descrição dos principais produtos por município: 13 municípios identificados com o produto leite e 2 com embutidos de suíno. Municí pio Principais produtos produzidos/comercializados Dionísi o Cerqueira Bandeir ante Hortaliças e citrus Leite, Hortaliças, citrus, açúcar mascavo, farinha milho, panificados, sucos, doces e conservas, derivados de leite Descan so Leite, doces e conservas, pêssego e caqui Guarac iaba Embutidos, derivados de leite, citrus, açucar mascavo, conservas e doces, hortaliças, aves e ovos. Guaruj á do Sul Leite, hortaliças Itapiran ga Leite, mel, melado, ovos, açúcar mascavo, citrus, hortaliças, panificados São João do Oeste Leite, mel, panificados, citros, aves, hortaliças, doces e conservas São José do Cedro Leite, hortaliças, citrus, açúcar mascavo, caqui São Miguel do Oeste Hortaliças, citrus, açúcar mascavo, panificados, aves, peixe, ovos, mel 57 Tunápo lis Leite, fabricação de queijos, hortaliças Santa Helena Dionísi Leite, suco de uva integral, panificados, citrus, doces e conservas Leite, hortaliças, frutas, farinha de milho, panificados, embutidos, açúcar o Cerqueira mascavo, feijão Anchiet a Conservas, farinha de milho crioulo, hortaliças, citros, panificados Palma Sola Leite, açúcar mascavo, conservas, hortaliças Mondaí Leite, hortaliças e citros No segundo quadro as famílias diretamente beneficiárias das cooperativas vinculadas ao processo CONSAD do Extremo Oeste. São 1620 famílias representando cerca de 9,2% dos estabelecimentos familiares do território. Fa Município mílias Dionísio Cerqueira Pro porção % 32 0 19, 85 17 Palma Sola 7 São João do Oeste 10, 98 16 8 10, 42 14 Itapiranga 7 9,1 2 13 Descanso 3 8,2 5 12 Tunápolis 9 Dionísio Cerqueira 0 12 8 Guarujá do Sul 8,0 7,9 4 12 5 7,7 5 10 Bandeirante 8 6,7 0 3,8 Guaraciaba 62 5 São Miguel do Oeste 1,9 32 9 58 1,7 Anchieta 28 4 1,6 Mondaí 26 1 São José do 1,4 Cedro 23 3 Santa 0,3 Helena 6 7 1. Território 612 E o terceiro quadro a seguir apresenta um mix de produtos comercializados pelas agroindústrias do território obtido pó diagnóstico regional realizado em 2012 (ACORDAR/CONSAD). O diagnóstico realizado sem diferenciar agroindustrias familiares e não familiares identificou a comercialização mensal de 256.064 unidades comercializadas (kg) e o valor de R$ 1.286.177,24. Qua Produtos ntidade porção (unidades) (%) Frutas, sucos, polpas Pro 2889 1 11, 28 2836 Frango branco 6 Leite barriga mole 11, 08 2600 0 10, 15 2389 Pepino 4 9,3 3 2201 Derivados leite 0 Cana e derivados 0 2186 6 Suíno e transformados 8,6 8,5 4 2087 4 8,1 5 1820 Panificados 0 7,1 1 1335 Farinha milho 0 5,2 1 1014 Mel 2 3,9 6 1012 Carne bovina 5 3,9 5 59 2,1 Vibno 5404 1 1,8 Mandioca 4742 5 1,5 Arroz 4010 7 1,3 Feijão 3317 0 1,1 Ovos 2986 7 1,1 Cachaça 2806 0 1,0 Frango caipira 2690 5 1,0 Peixe 2660 4 0,5 Olerículas 1472 7 Geléias e doces 0,5 1415 5 0,1 Vinagre 455 8 0,0 Rapadura 200 8 0,0 Pipoca 104 4 0,0 Amendoim 75 3 256. Total 054 Se considerarmos 10 meses de vendas o valo anual total seria de R$ 12.861.772,40 superior em 29,8% ao valor total da agroindústria rural identificado pelo Censo do IBGE realizado em 2006. A proporção de cada produto e grupo de produtos identifica o mix regional e diferenças importantes em relação ao mix de produtos diagnosticado pelo Censo Agropecuário do IBGE de 2006. A diferença observada deve compor a análise da agroindústria do território principalmente no aspecto metodológico a ser proposto como ferramenta de montagem do plano de gestão na sua perspectiva de monitoramento e gestão continuada. 6. Plano de Negócio e Gestão: O Sistema de Arranjos de Empreendimentos 60 O plano de negócio Arranjos de Empreendimentos do Território Extremo Oeste apresenta um produto estudo e ferramenta de apoio na política nacional de dinamização econômica com contornos metodológicos e de concepção distintos. Primeiro é importante compreender o contexto (ambiente) e as hipóteses diretrizes que orientam o objetivo deste estudo - produto. Sobre o contexto o plano de negócio e gestão é realizado em um território que deve ser considerado uma das referências estratégicas sobe um dos principais temas de desenvolvimento da agricultura familiar a agroindústria familiar. E sobre as hipóteses diretrizes são apresentadas na forma de afirmações que passam a direcionar o objetivo de análise do PNE: - A agricultura familiar na região sul conquistou etapas consolidadas de desenvolvimento definindo sistemas de produção e utilizando de forma ampliada políticas de apoio necessárias como o crédito e a assistência técnica. - A fase deste processo de desenvolvimento da agricultura familiar é de consolidação avançada com a especialização de um conjunto de atividades produtivas (grãos, aves, suíno, e leite) que definem os principais sistemas de produção. - A agroindustrialização familiar artesanal de plantas de pequeno porte se tornou atividade produtiva não mais complementar mas principal e passou a definir sistemas de produção - As agroindústrias familiares artesanais “embutidos de suíno” e “derivados de leite” estão entre as atividades produtivas do setor com capacidade superior de renda e apelo de mercado ampliado. - As unidades produtivas especializadas e consolidadas estão localizadas em territórios de desenvolvimento muito específicos do Brasil redefinindo as regionalidades do desenvolvimento. - O Extremo Oeste do estado de Santa Catarina é um destes poucos territórios com características muito específicas tornando-se referência e gestando estratégias de gestão de empreendimentos e de conjuntos de empreendimentos denominados neste trabalho de arranjo. Neste contexto e orientado por estas hipóteses diretrizes é definido o objetivo deste trabalho: analisar estratégias de gestão e negócios de empreendimentos – arranjos econômicos da agricultura familiar gerando referências metodológicas de gestão na forma de planos de negócio e gestão. A ferramenta metodológica utilizada analisará estudos de caso de agroindústrias das atividades produtivas “embutidos de suíno” e “derivados de leite” privilegiando o funcionamento técnico e econômico de casos diagnosticados e escolhidos por utilizarem /gestarem diferentes estratégias de gestão. As ferramentas utilizadas incluem etapas e técnicas a seguir descritas: - A qualificação e diagnóstico sobre a identidade territorial da geografia social de um sujeito coletivo de desenvolvimento onde se relacionam diferentes empreendimentos econômicos: O Caso do CONSAD do Extremo Oeste Catarinense. - A definição de critérios de diferenciação das estratégias de gestão na forma de uma matriz dos arranjos; - O diagnóstico dos resultados de funcionamento técnico e econômico; - A identificação - definição das diferentes estratégias de gestão (tipos) como sistemas de gestão; - Apresentação das estratégias de gestão na forma de passos e recomendações de uso (referências); 6.1 O sujeito territorial de desenvolvimento: identidade 61 O Caso do CONSAD do Extremo Oeste Catarinense passa a ser reconhecido pela identidade territorial como um sujeito coletivo de desenvolvimento onde se relacionam diferentes empreendimentos econômicos. Este sujeito coletivo é a expressão de uma Rede Social de Desenvolvimento construída historicamente e legitimada por uma complexa rede de organizações sociais e instituições da sociedade civil organizada e governo representado principalmente pela estrutura operacional das políticas públicas. A institucionalidade do CONSAD pode no contexto atual se considerada uma das expressões mais fortes do desenvolvimento territorial e, estruturado em formato consolidado de organização de gestão do espaço publico e das políticas públicas relacionadas. Assim podemos considerar que a legitimação deste estudo por parte do CONSAD deve ser considerada a legitimação do seu produto e o reconhecimento necessário das referências estudo de caso (agroindústrias e empreendimentos) apresentado. A definição de Sujeito Social de Desenvolvimento e de Rede Social de Desenvolvimento inclui e de Arranjos de Empreendimentos sugere a existência de grupos de empreendimentos em relações sociais e econômicas estabelecidas por agendas mais ou menos complexas. Os empreendimentos estariam assim organizados por: - Arranjos de Empreendimentos: um grupo de empreendimentos com relações de parceria estabelecida por diferentes níveis de proximidade. Os Arranjos podem ser constituídos por grupos de 2 grau em parceria temática específica. - Arranjos de Empreendimentos de 2 Grau: Grupos de arranjos em parceria temática específica definida por algum elemento econômico e/ou social. Para este estudo o produto queijo colonial (arranjo derivado de leite) e salame (arranjo embutido de suíno) foram considerados o elemento econômico aglutinador. 6.2 A Matriz de critérios de diferenciação do Arranjo de Empreendimentos O quadro a seguir apresenta 4 grupos de critérios utilizados no diagnóstico e análise de diferenciação dos empreendimentos e das estratégias de gestão. Os critérios foram escolhidos a partir de pressupostos conceituais gerais que passam a diferenciar organizações sociais e econômicas e de elementos diagnosticados durante o estudo dos empreendimentos os quais se tornaram relevantes nesta diferenciação de forma de administrar. Os critérios incluem elementos da trajetória histórica que pode ter potencializado o surgimento destas referências em determinado espaço social e geográfico e de elementos combinados e/ou relacionados da estrutura operacional atual que podem determinar potencialidades e fatores restritivos dos resultados futuros. - O Meio Agroecológico: a diferenciação geográfica que inclui altitude, diferenças na matriz de ocupação do solo da paisagem (agricultura e florestas) associadas aos municípios são fatores que podem te sido determinantes na diferenciação de unidades produtivas, base da agricultura e empreendimentos das cadeias produtivas estudadas. Meio Ecológico Trajetória sócio Mix de Organização da 62 econômica (1a) Iporâ do Oeste (e (2a) 1920 dos produtos (3a) Individuais: Gestão e Mercado (4) Forma: Mondai) e a agricultura de terras municípios de Iporã 1 produto (a)familiar; (b)associação baixas intensiva especializada do Oeste, Itapiranga, comercializado familiar; (c)cooperativada. com mata a 249 metros. Mondai, São José do (1b) Agricultura de Cedro, Princesa, São Relacionados: (a)amplo; (b)ampliado; altitude de São João do Oeste a Miguel do Oeste, relações entre (c)estável 421 metros mesclando Palma Sola produtos na mosaicos de matas. (1c) Agricultura de solo (2b)1940 dos municípios de (3b) comercialização (3c) exposto de Descanso e Anchieta, Belmonte e Associados: Belmonte a 570 metros de Guarujá do Sul comercialização altitude. (1d) Agricultura de solo (2c) 1990 com das emancipações, mosaicos de Barra Bonita e como é o caso de Guaraciaba nas áreas altas 445 Bandeirante, Barra metros. Bonita, Santa Helena, mosaicos de fragmentos de conjunta o movimento nacional coberto por pastagem e (1e) Agricultura nos (5) Mix de mercado: São João do Oeste e Tunápolis. altitude em Guaruja do Sul e Dionísio Cerqueira a 676 metros de altitude. (1f) Agricultura de produção de sementes nas altitudes de Anchieta e Palma Sola a 831 metros. - Trajetória Sócio Econômica: determinada pela localização municipal de emancipações em diferentes períodos pode determinar a vinculação aos ciclos econômicos em seus momentos de maio plenitude e portanto com maior capacidade de acumulação econômica por um tempo maior. - Mix de Produtos: O mix de produtos talvez determine o critério mais importante na diferenciação das formas (estratégias) de gestão dos empreendimentos. Nedste estudo de caso o mix é representado por diferentes produtos e por relações de comercialização estabelecidas pela comercialização individual do produto ou associada de alguma forma a outros produtos. - Organização da Gestão e Mercado: Este critério de diferenciação combinado com o mix de produto passa a definir as diferentes estratégias de gestão. Dois critérios associados integram este grupo de critérios: a cooperação de associados do empreendimento desde uma família a uma cooperativa, e a complexidade do mercado desde o mercado municipal de poucos pontos de venda até o mercado regional incluindo outros estados. 63 O quadro a seguir indica hipóteses gerais de localização municipal a partir de dados secundários e estudos locais analisados. As indicações municipais e de podutos e/ou grupos de produtos deste quadro sugere hipóteses de identidades municipais relacionadas aos dois arranjos de empreendimentos de 2 grau. Empreendimento Meio Ecológico Trajetóri Mix de produtos Organização a sócio da Gestão e econômica Mercado Queijo Guaraciaba Salame Guaraciaba Queijo Tunápolis Salame Guaraciaba Leite Dionísio Leite Itapiranga Embutido Dionísio Leite Palma Sola Embutido São Miguel Queijo São Miguel Queijo Descanso Queijo São José do Cedro Embutido de Mondaí Queijo Anchieta No quadro anterior de diferenciação municipal dos arranjos de empreendimentos através de análise de dados secundários permitiu em alguns casos chagar somente ao produto aglutinador de vários arranjos como leite, em outros municípios ao produto aglutinador de arranjos específicos como embutidos, e em alguns casos ao produto aglutinador de arranjos de 2 grau como no caso de salame e queijo. Os estudos de caso deste Plano de Negócio e Gestão apresentados a seguir são considerados as referências regionais dos 2 arranjos de empreendimentos analisados “embutidos de suíno” e “derivados de leite” e dos 2 arranjos de empreendimentos de 2 grau “queijo colonial” e “embutido de suíno salame”. São 4 estudos de caso analisados para cada arranjo localizados em 5 municípios do território. A elaboração do plano de negócio e gestão associada às diferentes combinações de características consideradas critérios de diferenciação para arranjos de empreendimentos e empreendimentos permitirão diferenciar as estratégias de gestão e apresentar o produto tipos de estratégias de gestão. O empreendimento “Queijo IRMÃOS DIEL” localizado no município de Guaraciaba está localizado no meio ecológico indicado como (1d) cujas características incluem a ocupação do solo com agricultura de pastagens e presença acentuada de mosaicos de fragmentos florestais de altitude media para o território acima de 400 metros. Empreendimento Meio Trajetória sócio Ecológico econômica Mix de produtos Organização da Gestão e Mercado 64 Queijo IRMÃOS DIEL (1d) (2b) Individual (3 a) Guaraciaba Salame LETAVO Familiar/local (1d) (2b) Individual (3 a) Guaraciaba Queijo COMILPE (1c) (2c) Associado (3c) Cooperativa/ampliad o (1 a) (2 a) Individual (3 a) Itapiranga Queijo SANTA Associação Familiar/amplo Tunápolis Salame SANTA FÉ Associação Associação Familiar/amplo (1e) (2b) Individual (3 a) Familiar/local Queijo WNIG Anchieta (1f) (2b) Individual (3 a) Familiar/Local Salame MARO (1d) (2b) Relacionado (3b) Familiar/ampliado (1e) (2b) Individual (3 a) Familiar/ampliado CLARA Dionísio Cerqueira DANEL Guaraciaba Salame NONO COSER Guaraciaba O município de Guaraciaba possui a trajetória histórica de formação no segundo período regional próximo a 1940. Esta trajetória associada a outros fatores pode indicar sua localização geográfica e social em um período e acumulação média para o território. O empreendimento “Queijo IRMÃOS DIEL”, conforme o quadro anterior é comercializado em um mix individual de produtos cujo significado é de especialização de comercialização não compondo um conjunto maior de produtos. A organização de gestão é de associação familiar e o mercado de comercialização qualificado como local tanto pela escala menor de quantidade de produtos como por rotas de comercialização não distantes. Os demais empreendimentos estudo de caso diferencia-se na combinação destas variáveis – critério permitindo ao estudo identificar diferentes estratégias de gestão. As estratégias de gestão devem ser compreendidas como formas diferentes de realizar a gestão administrativa e de funcionamento do empreendimento podendo diferenciar seus resultados e a potencialidade de estabilidade destes resultados para um maior período. 6.3 Funcionamento técnico econômico: Plano de Negócio e Gestão 6.3.1 Caracterização dos empreendimentos Queijo IRMÃOS DIEL Guaraciaba: Agroindústria organizada em associação de famílias comercializa seus produtos em municípios próximos do território com características de mercado local. Salame LETAVO Guaraciaba: Agroindustria organizada em associação familiar comercializa seus produtos em grande parte dos municípios do território e exposta para outras regiões e estados. 65 Empreendimento Mix de produtos Queijo IRMÃOS DIEL Organização da Gestão e Mercado Individual (3 a) Associação Familiar/local Salame LETAVO Guaraciaba Individual (3 a) Associação Familiar/amplo Queijo COMILPE Tunápolis Associado (3c) Cooperativa/ampliado Salame SANTA FÉ Itapiranga Individual (3 a) Associação Familiar/amplo Queijo SANTA CLARA Individual (3 a) Familiar/local Queijo WNIG Anchieta Individual (3 a) Familiar/Local Salame MARO DANEL Relacionado (3b) Familiar/ampliado Individual (3 a) Familiar/ampliado Guaraciaba Dionísio Cerqueira Guaraciaba Salame NONO COSER Guaraciaba Queijo COMILPE Tunápolis: Agroindustria organizada em cooperativa comercializa os produtos de vaias famílias em mercado ampliado para diversos municípios do território. Salame SANTA FÉ Itapiranga: Agroindustria organizada em associação familiar comercializa seus produtos para vários municípios do território e para outras regiões fora do território. Queijo SANTA CLARA Dionísio Cerqueira: Agroindusttia familiar comercializa seus produtos no mercado municipal. Queijo WNIG Anchieta: Agroindusttia familiar comercializa seus produtos no mercado municipal. Salame MARO DANEL Guaraciaba: Agroindustria Familiar comercializa seus podutos em diversos municípios do território. Salame NONO COSER Guaraciaba: Agroindustria Familiar comercializa seus produtos em diversos municípios do território. 6.3.2 Mix de Produtos e Pontos de Venda O mix de produtos é apresentado de forma vinculada ao mix de pontos de venda. O mix de pontos de venda indica o mercado construído pelo empreendimento e arranjo econômico no ambiente territorial. Assim descrito o resultado do plano de negócio e gestão elaborado apresenta o mix de pontos de venda como uma estratégia de mercado diagnosticada a qual foi construída em um complexo contexto de organização econômica cuja compreensão exige a análise dos seus elementos componentes os quais serão abordados neste plano. Arranjo 1 2 Produto Queijo Queijo Marca Irmãos Diel Comilpe 3 4 5 6 7 8 Queijo Queijo Salame Salame Salame Salame Santa Clara Wing Santa Fé Maro Letavo Nono Coser 66 Danel Guaraciab Município a Dionísio Guaraciab Tunápolis Cerqueira Anchieta Itapiranga Coop Familiar Familiar Assoc a Guaraciaba Assoc Guaraciaba Assoc Tipo E Famíliar Familiar São José do Cedro 4.000 - - - - Guaruja 6.000 - - - - Guaraciaba 12.000 - - - - Familiar Familiar Familiar 10.000 16.000 0 - 12.000 0 - 24.000 10.000 40.000 12.000 7.20 6.00 São Miguel do Oeste - 9.600 - - - Tunápolis - 4.800 - - - - - - Belmonte - 2.800 - - - - - - Santa Helena - 3.200 - - - - - - Iporã do Oeste - 2.400 - - 24.000 - - - Descanso - 1.600 - - Itapiranga - 3.600 - - 48.000 - Outros estados - - - 28.000 - 18.000 - - 16.000 - - - - - 20.000 8.000 10.000 - - 6.00 0 8.000 Dionísio Cerqueira - Anchieta - - - São João do Oeste - - - - 28.000 - - - Mondai - - - - 40.000 - - - Paraiso - - - - - - Total 22.000 34.000 12.000 12.000 - - - 10.000 10.000 168.000 8.000 46.000 136.000 43.200 Desta forma concebido o mix de produtos e pontos de venda permite considerar a existência de três formas de mercado local/regional: - O eixo concentrado São Miguel do Oeste – São José do Cedro; - O eixo concentrado Itapiranga - São Miguel do Oeste; - Os eixo núcleo Dionísio Cerqueira, Anchieta, e outros municípios; Estas formas de mercado devem ser compreendidos como nichos ou núcleos de mercados dinamizados por demanda específica e definida por um conjunto de condições e características as quais combinadas tornam estes núcleos geográficos – sociais um mercado. Alguns empreendimentos iniciaram vendas para fora do território e para outros estados já com certa regularidade criando uma quarta forma de mercado para os empreendimentos. Esta quarta forma de mercado deve ser analisada ainda em fase de estruturação. 6.3.3 Valor Bruto Comercializado O quando anterior apresentou a composição do mix complexo que em um ano comercial vendeu e comprou cerca de 471.200 kg de alimentos queijo colonial (78.000) e salame colonial (393.200). A venda 67 destes produtos soma cerca de R$ 5.410.800,00 anuais queijo colonial (R$ 837.600,00) e salame colonial (R$ 4.573.200,00). Este valor comercializado representa em relação a diagnósticos regionais do território 54,4% sobre o valor da industria rural R$ 9.934.491,00 do Censo IBGE 2006, e 35,3% sobre o valor de R$ 15.371.713,00 do diagnóstico de produtos da agroindústria do território ACORDAR/CONSAD, 2012. Os parâmetros relacionados devem ser considerados grandes parâmetros de aproximação no contexto de dificuldades e fase inicial de monitoramento dos produtos da agroindústria familiar no Brasil. Ainda assim podemos a partir destes parâmetros de proporção considerar que estamos no campo de uma boa aproximação e também sobre o peso ou a importância destes dois produtos na formação do mix regional da agroindústria familiar de pequeno porte. Arranjo 1 2 3 4 5 6 Salame Produto Queijo Queijo Queijo Queijo 7 8 Salame (A) Salame (I) (AI) Salame (I) Nono Marca Irmãos Diel Comilpe Santa Clara Wnig Santa Fé Maro Danel Letavo Coser Dionisio Município Guaraciaba Tunápolis Cerqueira Anchieta Itapiranga São José do Cedro 44.000 - - - - Guaruja 66.000 - - - - Guaraciaba 138.000 - - - - Guaraciaba Guaraciaba Guaraciaba 120.000 160.000 79.200 - 120.000 66.000 - 264.000 115.000 460.000 138.000 São Miguel do Oeste - 110.400 - - - Tunápolis - 52.800 - - - - - - Belmonte - 30.800 - - - - - - Santa Helena - 35.200 - - - - - - Iporã do Oeste - 26.400 - - 276.000 - - - - - Descanso - 17.600 - - Itapiranga - 41.400 - - 624.000 - Outros estados - 72.000 - - 336.000 - 216.000 Dionísio Cerqueira - - - - 184.000 Anchieta - - - - - - - São João do Oeste - - - - 322.000 - - - Mondai - - - - 480.000 - - - Paraiso - - - - - - 248.000 386.600 108.000 108.000 - 240.000 95.000 95.000 2.038.000 88.000 88.000 536.000 105.000 - 92.000 - 1.509.000 490.200 Os valores comercializados e apresentados pelo quadro anterior foram obtidos pela venda dos produtos aos preços médios anuais conforme quadro a seguir. Os preços dos dois produtos são comercializados de forma semelhante na unidade quilograma. 68 Arranjo 1 Produto Queijo 2 Queijo 3 Queijo 4 Queijo 5 Salame 6 Salame 7 Salame 8 Salame Nono Marca Irmãos Diel Comilpe Santa Clara Wnig Santa Fé Maro Danel Letavo Coser Anchieta Itapiranga Guaraciaba Guaraciaba Guaraciaba Dionisio Município Guaraciaba São José do Cedro Tunápolis Cerqueira 11,00 Guaruja 11,00 Guaraciaba 11,50 12,00 10,00 São Miguel do Oeste 11,50 Tunápolis 11,00 Belmonte 11,00 Santa Helena 11,00 Iporã do Oeste 11,00 Descanso 11,00 Itapiranga 11,50 13,00 Outros estados 12,00 12,00 11,00 10,00 11,00 12,00 11,00 11,50 12,00 11,50 11,50 11,00 10,50 11,50 Dionísio Cerqueira 12,00 9,00 Anchieta 11,50 11,50 9,50 11,00 São João do Oeste 11,50 Mondai 12,00 Paraiso 11,00 Os preços apresentam pequena variação entre os municípios mercado e devem ser considerados também como variável do mercado estabelecido e construído, portanto, como mais um componente formado pelo contexto de um mercado construído a partir de um complexo social e econômico. 6.3.4 Logística de Transporte A logística de transporte utilizada para a comercialização destes dois produtos possui alguns elementos estruturais de funcionamento necessários e que passam a definir os custos da etapa de comercialização da cadeia produtiva da agroindustrialização dos produtos da agricultura familiar. Entre estes elementos a distância das rotas de comercialização estabelecidas apresentada no quadro a seguir. Arranjo Produto 1 Queijo 2 Queijo 3 4 5 6 7 Queijo Queijo Salame Salame Salame Santa Clara Wnig Santa Fé Maro Danel Letavo 8 Salame Nono Marca Irmãos Diel Comilpe Coser Dionisio Município Guaraciaba Tunápolis Cerqueira Anchieta Itapiranga Guaraciaba Guaraciaba Guaraciaba 73, São José do Cedro 6 Guaruja 6 73, 6 73, 6 96, 73, 6 96, 6 96, 6 69 Guaraciaba 50 60 60 69 69 69 60 São Miguel do 13 Oeste 5,2 1 Tunápolis 68 Belmonte 8,4 8 6 Santa Helena 6 Iporã do Oeste 5,8 Descanso 32 Itapiranga 123,2 5 16 2 1 13 5,2 70 5 Outros estados 13 5,2 14 0 7 60 50 22 Dionísio Cerqueira 120 8 7 Anchieta 0 São João do Oeste 90 19 Mondai 8 86, Paraiso 4 A distância média percorrida em cada rota semanal é de 96,9 km variando entre 50 e 228 km. Cada rota é percorrida semanalmente com determinada frequência. Em alguns casos mais de uma vez por semana dependendo da demanda do mercado geralmente orientada pela procura de produtos mais frescos ou recentemente produzidos. Cada produto, ou cada marca percorre diferentes roteiros e com diferentes frequências. O produto “Queijo Irmãos Diel” possui 4 rotas semanais para 4 municípios diferentes e um deles é o município sede da agroindústria com a menor distância percorrida de 50 km. A quantidade transportada associada a quantidade de produtos transportados e a demanda de mão de obra para realizar a tarefa determina o custo. O quadro a seguir apresenta a frequência anual em semanas de realização das rotas de comercialização (entrega de produtos) por produto e por município mercado. O período anual possui 52 semanas e assim alguns produtos são entregues mais de uma vez por semana durante o ano com determinada periodicidade. Arranjo 1 2 Produto Queijo Queijo Marca Irmãos Diel Comilpe 3 4 5 6 7 Queijo Queijo Salame Salame Salame Santa Clara Wnig Santa Fé Maro Danel Letavo 8 Salame Nono Coser Dionisio Município Guaraciaba Tunápolis Cerqueira Anchieta Itapiranga Guaraciaba Guaraciaba Guaraciaba 70 São José do Cedro 48 Guaruja 48 Guaraciaba 48 55 55 60 55 50 65 55 65 55 60 65 55 40 4 São Miguel do Oeste 5 Tunápolis 5 Belmonte 5 Santa Helena 5 Iporã do Oeste 5 4 4 4 4 60 4 Descanso 5 55 4 Itapiranga 5 65 4 Outros estados 5 55 Dionísio Cerqueira 48 60 4 Anchieta 8 São João do Oeste 55 Mondai 60 Paraiso 55 A quantidade de semanas com rotas realizadas durante o período anual deve ser diferente considerando semanas em que não são realizadas entregas em determinados períodos do ano. O produto “Queijo Irmãos Diel” possui média anual de 48 entregas já o produto “Salame Nono Coser” possui a média de 60 entregas semanais. O quadro a seguir totaliza as distâncias percorridas anualmente por produto em km os quais representam um dos custos mais importantes e necessários de suporte de planejamento na perspectiva de sua redução e otimização de receitas. Arranjo 1 2 Queijo 3 4 5 Produto Queijo Marca Irmãos Diel Comilpe Município Guaraciaba Tunápolis Cerqueira São José do Cedro 3.533 - - - - Guaruja 4.637 - - - - Guaraciaba 2.400 - - - - 6 7 Queijo Queijo Salame Salame Salame Santa Clara Wnig Santa Fé Maro Danel Letavo 8 Salame Nono Coser Dionisio Anchieta Itapiranga Guaraciaba Guaraciaba Guaraciaba 4.048 4.048 4.416 5.313 4.830 3.900 3.300 3.900 3.795 3.795 8.788 - São Miguel do Oeste - 7560 - - - Tunápolis - 7.560 - - - - - - Belmonte - 3.978 - - - - - - 71 Santa Helena - 2.970 - - - Iporã do Oeste - 2.511 - - 9.720 Descanso - 5.940 - - Itapiranga - 5.544 - - 4.550 - Outros estados - 2.250 - - 8.085 - - - - - - - - - - - - 7.436 3.300 Dionísio Cerqueira - - 5.760 Anchieta - - - São João do Oeste - - - Mondai - - - Paraíso Total 2.000 13. 10.570 30.753 - - - - - - - 4.950 - - - - 11.880 - - - 3.360 5.760 - 3.360 39.185 680 4.752 - - 23.931 33.436 23.934 O produto “Queijo Irmãos Diel” possui média anual de 48 entregas e percorre para esta tarefa cerca de 10.570 km, já o produto “Salame Nono Coser” possui a média de 60 entregas semanais e percorre para realizar esta tarefa cerca de 23.934 km. No caso do primeiro produto “Queijo Irmãos Diel” são transportados a cada km cerca de 2 km de produto ou são percorridos cerca de 961 km para entregar 2.000 km de produto de uma caga de veículo utilitário com esta tonelagem. No caso do produto “Salame Nono Coser” são transportados a cada km cerca de 1,8 km de produto ou são percorridos cerca de 1108 km para entregar 2.000 km de produto de uma caga de veículo utilitário com esta tonelagem 6.3.5 Logística de Trabalho de Venda A logística de trabalho de venda é outro fator de custo determinante na análise do plano de negócio e gestão de empreendimentos econômicos. O indicador obtido no quadro a seguir está diretamente relacionado a venda dos produtos no mercado e portanto a custo de um serviço especializado e via de regra elevado. O quadro a seguir pela natureza dos empreendimentos e no seu momento pode esta relacionado a entrega de produtos a mercados já estabelecidos no entanto é neste momento que o empreendimento consolida cotidianamente seu mercado. Arranjo 1 2 Queijo 3 Produto Queijo Marca Irmãos Diel Comilpe Município Guaraciaba Tunápolis Cerqueira 4 5 6 7 Queijo Queijo Salame Salame Salame Santa Clara Wnig Santa Fé Maro Danel Letavo 8 Salame Nono Coser Dionisio São José do Cedro 0,7 Guaruja 0,7 Guaraciaba 0,5 Anchieta Itapiranga Guaraciaba Guaraciaba Guaraciaba 0,7 1,5 0,6 1,5 0,6 0,5 1,5 0,6 0,5 1,5 0,6 0 São Miguel do Oeste ,5 Tunápolis ,5 0 72 0 Belmonte ,5 Santa Helena ,5 Iporã do Oeste ,5 Descanso ,5 Itapiranga ,5 0 0 2,0 0 0,7 1,5 0 2,0 0 Outros estados Dionísio Cerqueira Anchieta ,5 2,0 0,5 1,5 1 1,5 São João do Oeste 2,0 Mondai 2,0 Paraiso 1,5 1 0,7 O tempo semanal gasto para o ato final da comercialização em cada ponto de venda vaia conforme o quadro anterior entre 0,5 e 1 dia por ponto de venda. Esta variação se deve a distância percorrida, ao tempo de montagem da carga que inclui a preparação final, e ao número de pontos de venda de cada uma das rotas municipais. O produto “Queijo Irmãos Diel” necessita de 1,9 dias semanais para realiza suas rotas e vender seus produtos. O produto “Salame Nono Coser” necessita de 2,9 dias semanais para realiza suas rotas e vender seus produtos. O quadro a seguir apresenta a demanda total anual de trabalho para realizar a tarefa de venda de cada produto em cada rota realizada. O total de trabalho exigido depende da frequência de cada rota. 73 Arranjo 1 Tunápolis - 2 3 4 5 6 7 8 - - - - - - 22, 5 91, Total 2 175, 180,0 São Miguel do 48,0 48,0 590,0 510, 5 0 164, 0 22, Oeste - 5 - - - 27,5 90,0 39,0 - - - - 38,5 82,5 36,0 - - - 110,0 - - - - - - - - São José do Cedro 33,6 São João do Oeste - 22, Santa Helena Produto Queijo 5 Queijo Paraiso - Outros estados - Queijo - Queijo Salame - - - - 110,0 Salame - Salame 38,5 - Salame - 82,5 20,0 Dionisio Município Guaraciaba Tunápolis Cerqueira Anchieta Itapiranga Guaraciaba Guaraciaba Guaraciaba 120, Mondai Marca Irmãos Diel Itapiranga Iporã do Oeste Comilpe - 22,5 - 22,5 Santa Clara Wnig 0 - Santa Fé - 130,0 Maro Danel - Letavo Nono Coser - - - - 120,0 - - - Guaruja 33,6 - - - - - 82,5 30,0 Guaraciaba 24,0 - - - - 32,5 82,5 39,0 - 48,0 - - - 90,0 - Dionísio Cerqueira - Descanso - 22,5 - - - 38,5 - - Belmonte - 22,5 - - - - - - Anchieta - - - - - - - 48,0 Para comercializar 22.000 kg de queijo colonial o empreendimento produto “Queijo Irmãos Diel” necessita de cerca de 91,2 dias de trabalho anuais. O produto empreendimento “Salame Nono Coser” para realizar a venda de 43.200 kg de salame colonial necessita de cerca de 164 dias de trabalho. O primeiro produto comercializa cerca de 241,2 kg por dia e o segundo produto comercializa cerca de 263 kg por dia. Se considerarmos uma jornada anual de 22 dias de trabalho mensal em 11 meses de trabalho anuais uma unidade de trabalho disponibilizaria 242 dias anuais. Considerando esta referência o produto empreendimento “Queijo Irmãos Diel” necessita de 0,37 unidades de trabalho para realizar esta tarefa e o produto empreendimento “Salame Nono Coser” necessita de 67,7 unidades de trabalho para realizar esta tarefa. 6.3.6 Custos da Etapa de Comercialização Os custos da etapa de comercialização são aqueles diretamente vinculados a ação da distribuição dos produtos nos pontos de venda e da venda propriamente dita estabelecida com os compradores. O cotidiano das entregas dos produtos é o momento de avaliação permanente da qualidade, da apresentação, e de outros atributos relacionados à especificidade de cada produto. Estes custos, portanto, incluem a 74 contratação de vendedores ou o pagamento deste serviço à associados do empreendimento que assumem esta tarefa. Compreendido desta forma os custos desta fase final de comercialização são apresentados no quadro a seguir com dois componentes o pagamento dos quilômetros percorridos para a entrega dos produtos e da mão de obra disponibilizada para esta tarefa. Arranjo 1 2 3 4 5 6 7 8 Queij Produto o Queijo Queijo Queijo Salame Salame Salame Salame Nono Marca Irmãos Diel Comilpe Santa Clara Wnig Santa Fé Maro Danel Letavo Coser Dionisio Município Guaraciaba Tunápolis Guaraciab Cerqueira Custo coml Anchieta Itapiranga (R$/km) 1,10 1,10 Custo coml Guaraciaba a 70,00 0 1,1 0 70,0 (R$/dia) 70, 00 1,10 1,10 70,0 150, 0 1,10 1,10 70,00 0 43.1 11.627 33.828 6.336 3.696 04 12.600 3.360 3.360 00 Custo coml 6.384 Custo coml 70, 00 36.78 26.324 0 12.285 0 88.5 (R$/dia) 0 150,0 00 Custo coml (R$/km) Guaraciaba 1,1 26.327 76.50 11.480 0,8 (R$/kg) 0,82 1,37 7 12 0,8 1 0,71 0,78 0,84 0,83 7 6 7 8 8 Custo coml (%/preço) 9 8 Custo Gestão 1 (R$/ano) 18.011 46.428 9.696 7.056 131.604 38.609 113.280 37.807 Estes dois custos incluem o trabalho final de organização da apresentação dos produtos organizando a carga, o carregamento, a entrega, e até possíveis organizações dos produtos no ponto de venda. O trabalho inclui também quando existente o serviço de contato permanente com o comprador formando preço, devolução de produtos, avaliando qualidade e realizando contrato. O custo de transporte foi valorizado a R$ 1,10 por km rodado para todos os empreendimentos. O custo de mão de obra disponibilizada para este trabalho foi valorizado a R$ 70,00 o dia de trabalho diferenciado para os empreendimentos 5 e 7 que profissionalizam parte da venda com a contratação de serviços e representantes fora do território gerando uma média de R$ 150,00 por dia de trabalho. O quadro anterior apresenta a formação dos custos. O produto empreendimento “Queijo Colonial Wing” com o menor custo de comercialização R$ 0,71 por unidade kg de queijo e representando cerca de 7% sobre o preço recebido. O produto empreendimento “Queijo Colonial Comilpe” com o menor custo de comercialização R$ 1,37 por unidade kg de queijo e representando cerca de 12% sobre o preço recebido. O custo da etapa de comercialização entre os 8 empreendimentos analisados varia entre 6% e 12%. Este resultado pode ser comparado ao custo de venda dos produtos terceirizados a valores de mercado em contratos próximos a 10% sobre os valores vendidos. Os valores na sua maioria 75 menores do que 10% sobre o preço recebido são determinados pelo serviço realizado pelos próprios associados que não cobram pelo serviço de venda mas recebem pelo trabalho. A variação dos custos ente os empreendimentos são explicados pelas diferentes formas e momento de estruturação deste serviço variando a quantidade de produtos transportados, a distância da rota, a quantidade por rota, e a proporção de produtos em relação a quantidade de mão de oba necessária. O custo do tempo de trabalho até uma determinada quantidade de produtos transportada por rota é o mesmo. 6.3.7 Fluxo e Resultado Econômico de Comercialização O resultado econômico deste plano de negócio e gestão é apresentado no quadro a seguir na forma do fluxo de caixa, ou seja, da circulação econômica monetária anual onde os custos apresentados estão relacionados a comercialização ou denominados custos de gestão 1. O objetivo deste quadro é gerar o indicador dos custos da fase de comercialização na composição do preço recebido. Entre os 8 empreendimentos é possível identificar situações mais e menos ajustadas ente as variáveis que determinam este custo. O ajuste ente as variáveis diminui custo por exemplo com a ampliação da escala ou com a complementação da carga incluindo a maximização da rota com um mix de produtos. Arranjo 1 Produto Queijo 2 Queijo 3 Queijo 4 Queijo 5 Salame 6 Salame 7 Salame 8 Salame Nono Marca Irmãos Diel Comilpe Santa Clara Wnig Santa Fé Maro Danel Letavo Coser Dionisio Município Guaraciaba Tunápolis Cerqueira Anchieta Itapiranga Guaraciaba Guaraciaba Guaraciaba Vendas (kg) 22.000 34.000 12.000 10.000 168.000 46.000 136.000 43.200 Preço (R$/kg) 11,27 11,37 9,00 9,50 12,13 11,65 11,10 11,35 Valo Bruto (R$/ano) 248.000 386.600 108.000 95.000 2.038.000 536.000 1.509.000 490.200 0,8 Custo coml (R$/kg) 0,82 1,37 0,81 0,71 0,78 0,84 3 0,88 Custo coml (%/preço) 7,26 12,01 8,98 7,43 6,46 7,20 7,51 7,71 Custo Gestão 1 (R$/ano) 18.011 46.428 9.696 7.056 131.604 38.609 113.280 37.807 Valor Líquido 1 (R$/ano) 229.989 340.172 98.304 87.944 1.906.397 497.391 1.395.720 452.393 O arranjo empreendimento 2 possui custos desta fase elevados indicando uma combinação não ajustada das variáveis componentes possivelmente rotas realizadas com pouca escala de produtos. Os arranjos 4 e 5 com custos inferiores a R$ 0,80 indicam que a combinação das variáveis componentes do custo está ajustada. Assim o conhecimento do funcionamento dos arranjos empreendimentos mais ajustados podem revelar estratégias de gestão consolidadas e bem administradas, ou mesmo fases consolidadas dos empreendimentos tornando-se referência. Os resultados econômicos do valor líquido total são diferentes nesta etapa de análise em função da escala de produtos comercializados. Três grupos de análise são possíveis entre os 8 arranjos empreendimentos. A análise é comparativa e seu objetivo é identificar as diferenças de custo por unidade comercializada. 76 O primeiro grupo é formado pelos empreendimentos 1, 2, 3 e 4 todos do produto queijo colonial e com volumes de venda abaixo de 34.000 kg. O segundo grupo formado pelos empreendimentos 6 e 8 do produto salame colonial e volumes de venda próximos de 45.000 kg. O terceiro grupo formado pelos empreendimentos 5 e 7 do produto salame colonial com volume de venda próximos de 150.000 kg anuais. Em cada grupo existem diferenças e semelhanças com destaque para o empreendimento 2 com o maior custo e a maior proporção do custo em relação ao preço de 12,01%, o empreendimento 5 com a menor proporção do custo em relação ao preço recebido por unidade comercializada de 6,46%. O quadro a seguir apresenta três indicadores que ajudam a explicar as diferenças e o ajuste de variáveis na formação dos custos desta fase de comercialização. O maio custo do empreendimento 2 possui a menor quantidade de produto transportado por km das rotas de comercialização necessitando assim de 1.809 km para entregar uma carga de 2.000 kg. O mesmo empreendimento 2 possui a menor quantidade de produto vendido por dia de trabalho desta fase de comercialização 189 kg/dia. Arranjo Produto 1 Queijo 2 Queijo 3 Queijo 4 5 6 7 Queijo Salame Salame Salame Wnig Santa Fé Maro Danel Letavo 8 Salame Nono Marca Irmãos Diel Comilpe Santa Clara Coser Dionisio Município Guaraciaba Tunápolis Cerqueira Anchieta Itapiranga 1 Kg/Km 3 2,1 ,1 2,1 ,0 961 1.809 960 72 241 89 250 08 4,3 6 rota (km/2000 kg) 1 kg/dia Guaraciaba Guaraciaba Guaraciaba 1,9 46 6 2 1.0 40 28 5 4,1 49 2 26 2 1,8 1.1 08 26 7 26 3 O empreendimento 5 apresenta indicadores de maior ajuste de carga e de eficiência de venda por dia de trabalho e por esta razão possui um dos menores custos de comercialização por unidade comercializada. Este empreendimento transporta 4,3 kg por km de rota de comercialização necessitando para completar a venda de uma carga de 2.000 kg de 466 km, e vende a maior quantidade de produto por dia de trabalho 285 kg/dia. Este empreendimento passa a se uma referência. Entre os demais empreendimentos o caso 4 “Queijo Colonial Wing” possui o menor custo R$ 0,71 por unidade comercializada entre os 8 casos no entanto é pouco eficiente na quantidade transportada (formação de carga) e na quantidade de produto vendido por dia. Este empreendimento no entanto é aquele que comercializa a menor quantidade total (escala) entre os 8 empreendimentos indicando a subutilização de transporte e de trabalho destinado a comercialização. Outra característica deste empreendimento é a venda somente no município sede da agroindústria o que sugere um limite de mercado e de escala. Talvez a situação deste empreendimento somente seja superada se ampliar o mercado para outros municípios. 6.3.8 Fluxo e Resultado Econômico Final da Agroindustrialização O quadro a seguir apresenta o resultado econômico final da agroindustrialização de cada um dos 8 empreendimentos na forma de fluxo de caixa monetário incluindo custos de manutenção das estruturas 77 produtivas (equipamentos, maquinaria e plantas industriais) sem depreciações e sem custo de mão de obra familiar somente contratada. Os custos de transporte e mão de obra de comercialização já foram explicados no item 6.3.7 acima. O custo administrativo está relacionado a estrutura operacional da agroindústria incluindo secretaria, estrutura de escritório e comunicação, impostos e gerenciamento do empreendimento. Os custos de processamento são todos aqueles gerados na planta industrial incluindo limpeza, higienização, insumos tecnológicos, e mão de obra de produção industrial diretamente vinculada à produção e armazenagem. Os custos de produção são aqueles vinculados a produção da matéria prima nas unidades de produção das famílias agricultoras. Estes custos incluem os insumos tecnológicos e manutenção da estrutura produtiva (equipamentos, maquinaria e instalações). O resultado final é apresentado pela composição proporcional (%) de cada custo em relação em relação ao valor bruto comercializado para cada empreendimento durante o período de um ano comercial no caso 2012. O empreendimento “Queijo Colonial IRMÃOS DIEL” vendeu durante o ano cerca de 22.000 kg de produto ao preço médio de R$ 11,27 o kg e recebeu o valor total de R$ 248.000,00. O custo de comercialização deste arranjo empreendimento foi de 4,7% para transporte e 2,6% para mão de obra sobre o valor bruto comercializado. O custo administrativo foi de 31%, o custo de processamento foi de 16%, e o custo de produção da matéria prima cerca de 22,2%. Arranjo Produto 1 Queijo 2 Queijo 3 4 5 6 Salame 7 Salame Queijo Queijo Salame Salame Irmãos Diel Comilpe Santa Clara Wnig Santa Fé Danel Letavo Coser Guaraciab Tunápoli Dionisio Anchiet Itapirang Guaraciab Guaraciab Guaraciab a s Cerqueira a a a a a Maro Marca Município 8 Famílias do Nono 1 Empreendimento 2 0 1 1 3 1 3 1 Vendas (kg) 22.000 34.000 12.000 10.000 168.000 46.000 136.000 43.200 Preço (R$/kg) 11,27 11,37 9,00 9,50 12,13 11,65 11,10 11,35 248.000 386.600 108.000 95.000 0 536.000 1.509.000 490.200 3,9 2,1 Valo Bruto Comercializado (R$/ano) 2.038.00 Custo de transporte de comercialização (%/preço) 4,7 8,8 5,9 Custo de mão de obra de comercialização (%/preço) 4,9 2,4 5,4 2,3 5,1 2,3 4, 2,6 3,3 3,1 3,5 3 31,0 27,3 28,9 27,4 30,5 28,3 33,3 27,3 16,0 15,0 16,7 15,8 22,3 23,2 24,3 19,4 matéria prima (%/preço) 22,2 22,0 27,8 26,3 28,9 30,0 31,5 30,8 Total dos custos (%/preço) 76,5 76,2 82,3 76,9 88,1 88,7 96,7 85,3 Margem (%/preço) 23,5 23,8 17,7 23,1 11,9 11,3 Valor Líquido (R$/ano) 58.389 91.972 21.944 243.197 60.391 Custo administrativo (%/preço) Custo de processamento (%/preço) Custo de produção da 19.104 3,3 14,7 49.320 72.233 78 Renda familiar mensal (R$) 2.433 766 1.592 1.829 6.755 5.033 1.370 6.019 O resultado final do arranjo empreendimento “Queijo Colonial IRMÃOS DIEL” foi de 76,5% sobando uma margem para as famílias agricultoras de 23,5%. As margens dos arranjos empreendimentos do produto queijo são maiores do que os produtos salame um resultado que considerando todos empreendimentos em fase de consolidação é correto. As agroindústrias de embutidos exigem maior estrutura produtiva considerando plantas industriais de pequeno familiares sem escala. Os empreendimentos 5 e 7 já devem ser considerados de médio porte relativizando em parte esta afirmação. Todos os empreendimentos obtiveram resultados econômicos positivos analisados na forma de fluxo de caixa produtivo sem considerar dívidas e financiamentos que podem estar vinculados. Esta afirmação de resultados considera o funcionamento diagnosticado como consolidado e estável permitindo considerar sua tendência de manutenção futura. Mesmo o caso do empreendimento 7 cuja margem foi de 3,3% sobre o total de valor bruto comercializado a margem final do ano produtivo analisado foi de R$ 49. 320,00 conforme o quadro anterior. Esta margem representou uma margem familiar mensal de R$ 1.370,00, para cada uma das três famílias, já descontados os custos de produção da matéria prima nas unidades produtivas. Os resultados da margem final de cada arranjo empreendimento se comparados ao objeto de estudo deste plano de negócio e gestão a fase de comercialização indicam sua importância e a relevância de otimização destes indicadores. Os custos da fase de comercialização variou ente os 8 estudos de caso entre 6,4% e 12,01%. O planejamento futuro otimizando cargas e rotas e/ou maximizando escalas incluindo parcerias com outros produtos poderá reduzir os custos da fase de comercialização em até 50% cujo impacto na margem final poderá ser significativo. O resultado final dos empreendimentos comparado a custos de oportunidade relevantes para as famílias agricultoras são apresentados a seguir como síntese de análise. Os custos de oportunidade são sistemas de produção existentes na região e que podem se colocar como alternativas diferentes para as famílias agricultoras que poderiam mudar o sistema produtivo das agroindústrias de derivados de leite e embutidos de suíno. Os 5 sistemas de produção apresentados a seguir com renda líquida mensal devem ser considerados como sistemas consolidados e estáveis em cada atividade produtiva e cujo resultado inclui bons resultados de produtividade com custos de produção bem administrados e manejos tecnológicos convencionais completos incluindo suporte de crédito e assistência técnica. Esta é uma condição com parável a condição dos 8 empreendimentos analisados por este plano de negócio e gestão. O sistema leite 10 há é a produção leiteira família em 10 hectares de área produtiva, o sistema Grãos 10 há é a produção familiar de grãos da região (milho e soja) em 10 hectares de área de produção. O sistema Fumo 3 há é a produção família em 3 hectares de área produtiva de fumo, o sistema Fruticultura 2 há é a produção familiar em 2 hectares de área produtiva, e o sistema Olericultura 1 há é a produção familiar em 1 hectares de área produtiva. 79 Sistema Produtivo Renda familiar líquida a mensal (R$) Leite 10 há 1.875,00 Grãos 10 há 1.250,00 Fumo 3 há 2.062,50 Fruticultura 2 há 1.800,00 Olericultura 1 há 1.875,00 O quando a seguir apresenta o indicador de comparação da renda familiar mensal de cada empreendimento em valores % sobre a renda familiar mensal de cada sistema produtivo. Cada sistema é considerado um custo de oportunidade capaz de interferir na tomada de decisão de cada família com sistemas produtivos que incluem a agroindústria de derivados de leite e embutidos de suíno. O arranjo empreendimento “Queijo Colonial IRMÃOS DIEL” apresentou resultados superiores ao comparar a renda familiar mensal de cada família do empreendimento de R$ 2.433,00 a renda familiar mensal possível em cada um dos 5 sistemas. Arranjo 1 Produto Queijo 2 Queijo 3 Queijo 4 Queijo 5 Salame 6 Salame 7 Salame 8 Salame Nono Marca Irmãos Diel Comilpe Santa Clara Wnig Santa Fé Maro Danel Letavo Coser Dionisio Município Guaraciaba Tunápolis Cerqueira Anchieta Itapiranga Guaraciaba Guaraciaba Guaraciaba 2.433 766 1.592 1.829 6.755 5.033 130 41 85 98 360 268 Grãos 10 ha 195 61 127 146 540 403 Fumo 3 ha 118 37 77 89 328 244 Fruticultura 2 ha 135 43 88 102 375 Renda familiar mensal (R$) Leite 10 ha 110 36 130 41 85 98 0 6.019 73 280 Olericultura 0,5 ha 1.370 321 482 66 292 76 334 26 8 32 73 1 Em relação a produção leiteira de 10 há a renda do empreendimento foi igual a 130% da renda do sistema, portanto, superior em 30%. Superior em 95% sobre o sistema grãos, superior em 18% sobre o sistema fumo, superior em 35% sobe o sistema fruticultura, e superior em 30% sobre o sistema olericultura. Os demais arranjos apresentam situações variadas: os arranjos 5, 6 e 8 são todos superiores em relação aos 5 sistemas comparados e os demais arranjos ainda apresentam situações de risco quando comparados aos sistemas alternativos. Este cenário de análise comparativa a custos de oportunidade produtiva da agricultura familiar diversifica ainda mais os resultados orientando ações a partir da compreensão sobre o funcionamento destes empreendimentos considerados referência. As situações de renda ampliada (arranjos 5. 6 e 8) demonstram a possibilidade concreta de renda destes sistemas produtivos estruturados a partir da agroindústria familiar do produto salame colonial. As situações de renda ampliada média (arranjos 1) reafirmam a capacidade superior da agroindústria com renda maior do que os sistemas alternativos. 80 Os arranjos empreendimentos com renda não superior aos sistemas de produção alternativos (2, 3, 4 e 7) indicam a necessidade de ajustes de planejamento e/ou fases intermediárias de consolidação para atingir patamares de renda dos outros arranjos empreendimentos. É importante que a análise da renda comparada a custos de oportunidade dos 5 sistemas de produção alternativos consolide os resultados altamente positivos dos arranjos empreendimentos. A renda projetada para as 5 situações sistemas de produção utilizou indicadores elevados de produtividade, preços, e baixos custos. Assim mesmo considerando os parâmetros de renda como custos de oportunidade alternativos aos sistemas agroindustriais familiares, e alguns casos dos 8 arranjos empreendimentos com rendas inferiores, os resultados devem ser considerados referência de desenvolvimento. Os 8 arranjos empreendimentos estudados neste plano de negócio e gestão demonstram resultados econômicos positivos e em fase de consolidação avançada. As formas de gestão adotadas indicam boa combinação das variáveis componentes mesmo considerando a necessidade de ajustes para otimizar os resultados obtidos. 6.3.10 Projeção dos resultados pelo Plano de Negócio O Plano de Negócio representa a síntese dos registros e monitoramento dos resultados, a ser realizada entre períodos oportunos, que garanta a gestão coletiva e a compreensão do funcionamento do empreendimento. Este processo é uma condição necessária para a gestão do projeto e garante a unidade das formas de cooperação da Economia Solidária. Para a elaboração de Plano de Negócio de planejamento e/ou de análise de resultados, são necessários ferramentas de gestão com registros periódicos e eficientes. O estudo apresentado por este trabalho reúne um conjunto de ferramentas que devem ser utilizadas conforme as orientações dos momentos das oficinas realizadas. O plano de metas, apresentado no quadro a seguir resume os quadros anteriores do Plano de Negócio, de acordo com as orientações do Departamento de Inclusão Produtiva, da Secretaria de Desenvolvimento Territorial, e sua utilização como instrumento de registro e gestão deverá auxiliar na utilização do presente Plano de Negócio. Alguns comentários sobre a projeção de resultados, para cinco anos de planejamento estratégico, devem ajudar na implementação do presente Plano de Negócio e devem ser adotadas as seguintes orientações: 1. A projeção de matéria prima processada (meta 1) e do produto comercializado (meta 2), foi realizada com 5% de crescimento anual a partir do ano 2. Esta taxa foi planejada como meta única de projeção considerada conservadora na perspectiva de diminui riscos de planejamento e expectativas com o projeto. 2. O preço dos produtos foi mantido uma medida de planejamento conservadora com base em outras variáveis potenciais do empreendimento e permanecendo como uma alternativa de reserva. 3. A partir do ano 2 foram ampliados os custos proporcionais a ampliação do volume comercializado mantendo a perspectiva conservadora do projeto que poderá reduzir custos pela elevação da escala e ajustes de carga e vendas. 81 Quadro 21. Plano de Metas Ordem Metas unidades/ano Ano 1 Ano 2 Ano 3 Ano 4 Ano 5 471.200 494.760 519.498 545.473 572.747 1 Matéria prima processada: queijo e salame 2 Produto comercializado unidades/ano 471.200 494.760 519.498 545.473 572.747 5 Faturamento bruto R$/ano 5.410.800 5.681.340 5.965.407 6.263.677 6.576.861 6 Custos de produção 438.275 460.189 483.198 507.358 532.726 -Fixos e Variáveis 10 Unidade de medida R$/ano 7 Resultado operacional R$/ano 4.972.525 5.221.151 5.482.209 5.756.319 6.044.135 8 Remuneração dos empreendedores R$/kg 4.972.525 5.221.151 5.482.209 5.756.319 6.044.135 9 Reservas do empreendimento R$/ano - - - - - Índices operacionais e financeiros (1) Rendimento da matéria prima em produto % 100 100 100 100 100 (2) Margem de preço % 0 0 0 0 0 (3) Preço praticado R$/kg (4) Margem de custo %/preço 11,48 11,48 11,48 8,1 8,1 11,48 8,1 11,48 8,1 8,1 Cálculo dos índices operacionais e financeiros: (1) = divisão simples da quantidade de matéria prima pela quantidade de produtos derivados em %; (2) = divisão simples da margem monetária do preço do produto obtido pela comercialização de derivados dividida pelo preço do produto comercializado em %; (3) = divisão simples do faturamento bruto pelo produto comercializado; (4) = divisão simples dos custos (faturamento bruto - resultado operacional) pelo faturamento bruto em %. 82 83 6.3.10 Ferramentas de gestão do Plano de Negócio A seguir são apresentados os quadros componentes da proposta de utilização do Plano de Negócio como ferramenta de gestão estratégica do empreendimento. A importância do uso das ferramentas componentes do presente Plano de Negócio, já analisada anteriormente, indica para o empreendimento sua necessidade e condição necessária. O balanço patrimonial pode ser utilizado em duas perspectivas, sendo a primeira como instrumento disciplinador da rotina a ser construída para a administração do empreendimento, pela sua exigência de registro e organização das informações. E a segunda como instrumento de avaliação em períodos maiores (anuais, bianuais), sobre a capacidade do empreendimento de manutenção e ampliação do patrimônio. Quadro 22. Balanço mensal 1. Situação no início do mês 1. Bens fixos e semi-fixos 2. Estoque 3. Recursos financeiros 3.1. Conta corrente 3.2. Aplicações 3.3. Caixa 4. Dívidas a receber 5. Dívidas a pagar 6. Movimento do mês 6.1. Aquisição de bens fixos e semi-fixos 6.2. Aquisição de bens de consumo 6.3. Receitas de venda 6.4. Despesas operacionais 7. Situação no fim do mês 1. Bens fixos e semi-fixos 2. Estoque 3. Recursos financeiros 3.1. Conta corrente 3.2. Aplicações 3.3. Caixa 4. Dívidas a receber 5. Dívidas a pagar Valor (R$) O controle de estoque é uma ferramenta de rotina disciplinadora dos registros que se tornam a condição para o planejamento de curto,médio e longo prazo. 83 84 Quadro 23. Controle de estoque Mercadoria Da Especificação Q ta Saldo /S Legenda: E = entrada; S = Saída; Q = Quantidade Obs.: O controle de estoque pode criar diversas especificações, conforme a necessidade e as características do empreendimento descrevendo, por exemplo, estoques perdidos (estragados). Entre as especificações podem ser criadas fichas por etapa de produção que dependam de tempo de armazenagem para reiniciar o processo de beneficiamento. O movimento financeiro apresentado nos quadros a seguir é a rotina da conta bancária do empreendimento que deve estar atualizado e informado aos associados de forma periódica. Quadro 24. Movimento financeiro Data Especificação D/ C 01/03/ Disponibilidade financeira no início do mês 30/03/ Disponibilidade financeira no final do mês V S alor (R$) aldo (R$) 201 2012 Legenda: D = débito; C = crédito Caso não se estabeleça procedimentos de rotina de acompanhamento, podem se caracterizar situações difíceis de compreender e retomar a rotina de controle. Quadro 25. Movimento mensal das disponibilidades financeiras Ordem Agente Tipo de Número da financeiro conta conta Saldo inicial Entrada Saída Saldo final Total geral O controle de contas a receber e a pagar representa instrumentos e procedimentos sem os quais a gestão de um empreendimento não funciona. É comum bons projetos perderem o controle interno, fato que determina o descontrole externo e compromete a confiança no empreendimento. Quadro 26. Controle mensal de contas a receber Devedor Ordem Valor (R$) Data do vencimento 84 85 7. Potencialidades e ameaças do Plano de Negócio e Gestão, Elementos Referência a partir das Estratégias de Gestão A matriz FOFA foi aplicada de forma direcionada para o contexto dos empreendimentos e deste Plano de Negócio e Gestão. O contexto deste plano buscou os 8 empreendimentos considerados consolidados economicamente no território e capaz de revelar referências metodológicas a partir de diferentes estratégias de gestão. O foco de análise privilegiou a análise comparativa dos resultados e custos da fase de comercialização de 8 estudos de caso. Os estudos de caso representam diferentes estratégias de gestão e/ou fases distintas de uma mesma estratégia. Neste momento a diferenciação das estratégias de gestão foi analisada no seu conteúdo e forma de apresentação pelos representantes de diferentes organizações e instituições que participam do CONSAD do Território do Extremo Oeste Catarinense. As potencialidades e ameaças foram identificadas e debatidas definindo ações a serem realizadas na análise das estratégias de gestão comparando os resultados e características dos 8 estudos de caso. Primeiro recuperou-se as definições conceituais que caracterizaram os empreendimentos no âmbito do território e do sujeito social de desenvolvimento o CANSAD do Extremo Oeste Catarinense. - Arranjos de Empreendimentos: um grupo de empreendimentos com relações de parceria estabelecida por diferentes níveis de proximidade. Os Arranjos podem ser constituídos por grupos de 2 grau em parceria temática específica. - Arranjos de Empreendimentos de 2 Grau: Grupos de arranjos em parceria temática específica definida por algum elemento econômico e/ou social. Para este estudo o produto queijo colonial (arranjo derivado de leite) e salame (arranjo embutido de suíno) foram considerados o elemento econômico aglutinador. Os estudos de caso deste Plano de Negócio e Gestão são considerados as referências regionais dos 2 arranjos de empreendimentos analisados “embutidos de suíno” e “derivados de leite”. Nos 2 arranjos de empreendimentos estudados foram escolhidos 2 arranjos de empreendimentos de 2 grau: “queijo colonial” e “embutido de suíno salame”. Foram identificados 4 estudos de caso analisados para cada arranjo de 2 grau localizados em 5 municípios do território. A seguir o quadro que caracteriza os 8 empreendimentos: Empreendimento Meio Trajetória Ecológico sócio Mix de produtos Organização da Gestão e Mercado econômica Queijo IRMÃOS DIEL (1d) (2b) Individual (3 a) Guaraciaba Salame LETAVO Familiar/ampliado (1d) (2b) Individual (3 a) Guaraciaba Queijo COMILPE Associação Associação Familiar/amplo (1c) (2c) Associado (3c) Cooperativa/ampliado 85 86 Tunápolis Salame SANTA FÉ (1 a) (2 a) Individual (3 a) Itapiranga Queijo SANTA CLARA Associação Familiar/amplo (1e) (2b) Individual (3 a) Familiar/local Queijo WNIG Anchieta (1f) (2b) Individual (3 a) Familiar/Local Salame MARO DANEL (1d) (2b) Relacionado (3b Familiar/ampliado (1e) (2b) Individual (3 a) Familiar/ampliado Dionísio Cerqueira Guaraciaba Salame NONO COSER Guaraciaba No segundo momento a definição importante, foi diagnosticado três estratégias de gestão a partir da analise da combinação das vaiáveis componentes da gestão e dos resultados de comercialização e venda. A – Estratégia Associação Familiar, Mix de Produto Individual, Mercado Local: “Queijo IRMÃOS DIEL” B – Estratégia Associação Familiar, Mix de Produto Individual, Mercado Amplo: “Salame SANTA FÉ” C – Estratégia Cooperativa, Mix de Produto Associado, Mercado Ampliado: “Queijo COMILPE” O empreendimento “Queijo IRMÃOS DIEL” localizado no município de Guaraciaba está localizado no meio ecológico indicado como (1d) cujas características incluem a ocupação do solo com agricultura de pastagens e presença acentuada de mosaicos de fragmentos florestais de altitude media para o território acima de 400 metros. O município de Guaraciaba possui a trajetória histórica de formação no segundo período regional próximo a 1940. Esta trajetória associada a outros fatores pode indicar sua localização geográfica e social em um período e acumulação média para o território. O empreendimento “Queijo IRMÃOS DIEL”, conforme o quadro anterior é comercializado em um mix individual de produtos cujo significado é de especialização de comercialização não compondo um conjunto maior de produtos. A organização é de associação familiar exigindo processos mais complexos de gestão e o mercado é local cujo significado é a menor escala e menor área geográfica de comercialização. A organização de gestão é de associação familiar e o mercado de comercialização qualificado como local tanto pela escala menor de quantidade de produtos como por rotas de comercialização não distantes. O empreendimento “Salame SANTA FÉ” localizado no município de Itapiranga está localizado no meio ecológico indicado como (1 a) a agricultura de terras baixas intensiva especializada com mata a 249 metros e (1b) de agricultura de altitude a 421 metros mesclando mosaicos de matas. 86 87 O município de Itapiranga possui a trajetória histórica de formação no primeiro período regional próximo a 1920. Esta trajetória associada a outros fatores pode indicar sua localização geográfica e social em um período e acumulação ampliada para o território. O empreendimento “Salame SANTA FÉ”, conforme o quadro anterior é comercializado em um mix individual de produtos cujo significado é de especialização de comercialização não compondo um conjunto maior de produtos. A organização é de associação familiar exigindo processos mais complexos de gestão e o mercado é amplo cujo significado é a grande escala e grande área geográfica de comercialização determinando a gestão de logística ampliada das rotas e trabalho de vendas. O empreendimento “Queijo COMILPE” localizado no município de Tunápolis está localizado no meio ecológico indicado como (1c) cujas características incluem agricultura de solo exposto a 570 metros de altitude e (1d) a ocupação do solo com agricultura de pastagens e presença acentuada de mosaicos de fragmentos florestais de altitude media para o território acima de 400 metros. O município de Tunápolis possui a trajetória histórica de formação no terceiro período regional próximo a 1990. Esta trajetória associada a outros fatores pode indicar sua localização geográfica e social em um período e pequena acumulação para o território. O empreendimento “Queijo COMILPE”, conforme o quadro anterior é comercializado em um mix associado de produtos cujo significado é de diversidade de produtos na comercialização e exigindo logística e trabalho complexos e ampliados. A organização é cooperativa que determina processos de gestão mais complexos interferindo na tomada de decisão. O mercado é ampliado determinando logística de transporte e trabalho também ampliados. Matriz FOFA Fortalezas/Potencialidades Os 8 empreendimentos considerados Ameaças Legislação referência de gestão: o reconhecimento Identificação dos pontos positivos e Assistência Técnica negativos para orientar os estudos de caso e outros empreendimentos Apelos ecológicos, culturais e gastronômicos da paisagem do território O terceiro momento aprofundou os principais componentes do custo da fase de comercialização a partir da meta central do plano de negócio e gestão: “orientar ações para reduzir em 30% os custos da fase de comercialização”. O quando a seguir apresenta os três empreendimentos estudo de caso referência para demonstrar as três estratégias de gestão existentes no território. As diferenças incluem a escala de produtos comercializados e a escala de pontos de venda municipais dois 87 88 componentes que passam a compor diferentes combinações das variáveis determinantes dos custos e das necessidades de gestão. Arranjo 1 2 5 Produto Queijo Queijo Salame Marca Irmãos Diel Comilpe Santa Fé Município Guaraciaba Tunápolis Itapiranga Tipo E Assoc Famíliar Coop Assoc Familiar São José do Cedro 4.000 - - Guaruja 6.000 - - Guaraciaba 12.000 - - São Miguel do Oeste - 9.600 - Tunápolis - 4.800 - Belmonte - 2.800 - Santa Helena - 3.200 - Iporã do Oeste - 2.400 24.000 Descanso - 1.600 - Itapiranga - 3.600 48.000 Outros estados - 6.000 28.000 São João do Oeste - - 28.000 Mondai - - 40.000 22.000 34.000 168.000 Total No quadro abaixo dois novos elementos diferenciadores dos estudos de caso: a distância das rotas de comercialização e a proporção das rotas em relação a quantidade de produtos comercializados. O empreendimento 2 possui uma rota 200% maior do que o empreendimento 1 e comercializa um volume de produtos cerca de 30% a mais. O empreendimento 5 comercializa um volume de produtos cerca de 400% maior em relação ao empreendimento 2, e sua rota, no entanto, é cerca de 30% maior. Arranjo 1 2 5 Produto Queijo Queijo Salame Marca Irmãos Diel Comilpe Santa Fé Município Guaraciaba Tunápolis Itapiranga São José do Cedro 3.533 - - Guaruja 4.637 - - Guaraciaba 2.400 - - Tunápolis - 7.560 - Belmonte - 3.978 - Santa Helena - 2.970 - 88 89 Iporã do Oeste - 2.511 9.720 Descanso - 5.940 - Itapiranga - 5.544 4.550 Outros estados - 2.250 8.085 São João do Oeste - - 4.950 Mondai - - 11.880 Total 10.570 30.753 39.185 A gestão do trabalho como componente dos custos da gestão da fase de comercialização é apresentada no quadro a seguir. O empreendimento 2 novamente apresenta uma demanda de trabalho 100% maior do que o empreendimento 1 ainda que comercialize uma quantidade 50% maior. Em relação ao empreendimento 5 a demanda de trabalho cresce cerca de 150% em relação ao empreendimento 2 e o volume de produtos comercializados é cerca de 400% maior. Arranjo 1 2 5 Produto Queijo Queijo Salame Marca Irmãos Diel Comilpe Santa Fé Município Guaraciaba Tunápolis Itapiranga São José do Cedro 33,6 - - Guaruja 33,6 - - Guaraciaba 24,0 - - São Miguel do Oeste - 22,5 - Tunápolis - 22,5 - Belmonte - 22,5 - Santa Helena - 22,5 - Iporã do Oeste - 22,5 120,0 Descanso - 22,5 - Itapiranga - 22,5 130,0 Outros estados - - 110,0 São João do Oeste - - 110,0 Mondai - - 120,0 91,2 180,0 590,0 Total O quadro a seguir apresenta a síntese dos três estudos de caso utilizados como base para analisar as três estratégias de gestão. A análise em detalhe dos quadros anteriores sobre os três estudos de caso permite identificar elementos de gestão os quais devem ser considerados ações de planejamento a partir do plano de negócio e gestão e compreendidas como elementos de diagnóstico vinculado a estratégia de gestão. Os elementos de análise a seguir consideram a renda da estratégia 5 em fase final de consolidação. Esta afirmação considera a estratégia de gestão com grande equilíbrio entre a combinação de variáveis componentes de custo e resultados. 89 90 Arranjo 1 2 5 Produto Queijo Queijo Salame Marca Irmãos Diel Comilpe Santa Fé Município Guaraciaba Tunápolis Itapiranga Famílias 2 10 3 Vendas (kg) 22.000 34.000 168.000 Preço (R$/kg) 11,27 11,37 12,13 248.000 386.600 2.038.000 0,528 1,208 0,257 0,290 0,394 0,527 Custo log de transporte (%/preço) 4,7 8,8 2,1 Custo log de venda (%/preço) 2,6 3,3 4,3 Custo administrativo (%/preço) 31,0 27,3 30,5 Custo processamento (%/preço) 16,0 15,0 22,3 Custo produção (%/preço) 22,2 22,0 28,9 Total dos custos (%/preço) 76,5 76,2 88,1 Margem (%/preço) 23,5 23,8 11,9 Valor Líquido (R$/ano) 58.389 91.972 243.197 Renda familiar mensal (R$) 2.433 766 6.755 Kg/Km 2,1 1,1 4,3 rota (km/2000 kg) 961 1.809 466 kg/dia 241 189 285 Valo Bruto (R$/ano) Custo de transporte fase de coml (R$/kg) Custo de trabalho fase de coml (R$/kg) A seguir são apresentadas 7 ações propositivas geradas pelo PNE e Gestão. Todas as ações foram pactuadas pela oficina final de validação entre as instituições parceiras que fazem parte do Sujeito Social de Desenvolvimento CONSAD: 7) Todas as três estratégias podem ampliar sua escala de venda em determinada proporção com ampliação de custos em proporções menores e ampliar renda final até aproximar-se da estratégia 5. 8) A estratégia 1 deve amplia sua escala cerca de 20% a 30% com redução do custo de transporte aproximando sua renda da estratégia 5. O custo de transporte desta estratégia deverá ser reduzido na mesma proporção da ampliação da escala. 9) O empreendimento 2 precisa ampliar sua escala na proporção acima de 200% e/ou planejar em proporções possíveis seus custos conjuntamente com os demais produtos associados, reduzindo seus custos de transporte em cerca de 50%, e o custo de trabalho de venda será reduzido em determinado nível de escala e tenderá a ser ampliado em relação aos valores atuais a partir de um segundo nível de ampliação aproximando-se dos valores da estratégia 5. 10) Ampliar as agrondustrias/empreendimentos com serviço de inspeção para permitir a associação de produtos no mix de comercialização com redução de custos. 11) Estruturar serviço de ATER especializado para os empreendimentos. 90 91 12) Ampliar os selos dos produtos incluindo os atributos cultuais e ambientais da diversidade ecológica onde estão inseridos os empreendimentos agroindustriais. A diversidade ecológica e de uso do solo no território mescla aspectos aos quais os produtos da agroindústria familiar devem estar vinculados. A região possui diferentes micro paisagens mesclando a agricultura com fragmentos de matas remanescentes ocupando morros e vales os quais são ocupados por pequenas unidades de produção familiares de complexa culturalidade. - Iporâ do Oeste (e Mondai) e a agricultura de terras baixas intensiva especializada com mata a 249 metros. - Agricultura de altitude de São João do Oeste a 421 metros mesclando mosaicos de matas. - Agricultura de solo exposto de Descanso e Belmonte a 570 metros de altitude. - Agricultura de solo coberto por pastagem e mosaicos de Barra Bonita e Guaraciaba nas áreas altas 445 metros. - Agricultura nos mosaicos de fragmentos de altitude em Guaruja do Sul e Dionísio Cerqueira a 676 metros de altitude. - Agricultura de produção de sementes nas altitudes de Anchieta e Palma Sola a 831 metros. Os salames e os queijos criaram rotas sociais e econômicas atravessando e recortando a diversidade de paisagem identificada acima da mesma forma que os grandes rios da região e seus diversos afluentes criam caminhos ecológicos e culturais. A rota gastronômica dos produtos da agroindústria deve buscar vínculos formais com a paisagem e ampliar seus apelos de consumo para uma população que já identifica diferenças nestes aspectos e orienta a busca de alimentos comprometidos com causas sociais e ambientais. Esta ação de ampliação de selos as marcas dos produtos deve buscar agregações em três níveis todos vinculados a agricultura familiar: - Na ecologia da paisagem orientada pelos rios e mosaicos de fragmentos florestais; - Na culturalidade das diferenças das unidades de produção familiares em seus municípios e comunidades; - Na gastronomia dos hábitos alimentares das diferenças regionais; A tarefa é identificar apelos em cada um destes níveis e construir selos componentes das marcas. Os selos identificarão rotas na paisagem as quais devem ser divulgadas e convidar os consumidores culturais, ambientais e sociais a visitarem via online e em rotas presenciais de turismo. Esta é uma ação para o serviço especializado de ATER. Os indicadores de kg/km de rota de comercialização e kg de produtos vendidos/comercializados por dia de trabalho da estratégia 5 devem servir de meta orientadora ao planejamento das estratégias 1 e 2. O quadro anterior apresenta o indicador km de rota necessários para completar uma carga comercializada de 2.000 kg o qual pode ajudar no planejamento das estratégias de comercialização. 91 92 Bibliografia Consultada - IBGE, Censo Agropecuário 2006. - IBGE, Planejamento Agrícola Municipal 2010. - IBGE, Censo Populacional 2010. - PTDRS Território Extremo Oeste, 2012. - Elisiane Andreola, Tese de Mestrado, AVALIANDO PROPOSITIVAMENTE A EXPERIÊNCIA DO CONSAD DO EXTREMO OESTE CATARINENSE COMO UM MODELO DE GESTÃO DO DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL, 2011. - CONSAD DO EXTREMO OESTE DE SANTA CATARINA DIAGNÓSTICO DA REGIÃO, CEADES, 2004. - PLANO DE AÇÃO DO FÓRUM CONSAD DO EXTREMO OESTE DE SANTA CATARINA, CEADES, 2004. - A CONSOLIDAÇÃO DO EXTREMO OESTE DE SANTA CATARINA COMO TERRITORIO RURAL, Hoilson Fogolari, Ronaldo Martins e Sinval Goulart, CEADES: Instituto de Estudos e Assessoria ao Desenvolvimento, 2012. - ESTUDO DE LOGÍSTICA E MERCADO PARA A REGIÃO DO EXTREMO OESTE CATARINENSE, ACORDAR/CONSAD, 2012. 92