Vivências: Revista Eletrônica de Extensão da URI
ISSN 1809-1636
ANÁLISE NUTRICIONAL PARA REALIZAR ATENÇÃO A IDOSOS DE UMA
INSTITUIÇÃO DE LONGA PERMANÊNCIA, NO MUNICÍPIO DE ERECHIM-RS
Nutritional Analysis to Make a Note of an Institution of old Long Stay in the Municipality of Erechim-RS
Raieli SEGALLA 1
Roseana Baggio SPINELLI2
RESUMO
O desequilíbrio nutricional no idoso está relacionado ao aumento da mortalidade. O objetivo deste
trabalho foi analisar o perfil antropométrico e nutricional de idosos institucionalizados em uma
Instituição de Longa Permanência, no Município de Erechim, para realizar atenção nutricional a
esses idosos. Foram avaliados 133 indivíduos, de ambos os sexos. Foi realizada a antropometria, a
Mini Avaliação Nutricional, o Recordatório Alimentar 24 horas e práticas de Educação Nutricional.
Na antropometria, foi encontrado predomínio de desvio nutricional sobre eutrofia, demonstrado
principalmente, pelo Índice de Massa Corporal, Circunferência da Cintura e Prega Cutânea
Triciptal. O Recordatório 24h foi comparado com a Recommended Dietary Allowances (RDA,
1989). Foram analisados, para ambos os sexos, os valores de carboidratos, que estavam adequados;
lipídeos, que estavam deficientes; e proteínas, que ultrapassaram a recomendação. Dos
micronutrientes avaliados, a maioria estava deficiente e o sódio ingerido em excesso. Para ambos os
sexos, houve carência de vitamina A, vitamina D, vitamina B6, vitamina C, niacina, folato, cálcio,
potássio, zinco, magnésio e fibras; estavam adequados vitamina B2, vitamina B12 e ácido
pantotênico. O ferro estava adequado para homens e a vitamina B1 e biotina para mulheres. Na Mini
Avaliação Nutricional 34 idosos apresentaram estado nutricional normal (29,5%), 60 risco de
desnutrição (52,2%) e 21 desnutridos (18,3%). Para melhorar o conhecimento dos idosos sobre
alimentação e nutrição foi trabalhado com a educação nutricional.
Palavras-chave: Idosos institucionalizados; Avaliação nutricional; Educação nutricional.
ABSTRACT
The nutritional imbalance in the elderly is related to increased mortality. The objective of this study
was to analyze anthropometric and nutritional status of institutionalized elderly in an institution, the
Long Term, the City of Erechim to perform nutritional care to these elderly people. We evaluated
133 individuals of both sexes. We performed the anthropometry, Mini Nutritional Assessment, the
Food recall 24 hours and practices of nutrition education. In anthropometry, found a predominance
of nutritional diversion on eutrophication, demonstrated mainly by the Body Mass Index, Waist
circumference and triceps skinfold thickness. The 24h recall was compared with the Recommended
Dietary Allowances (RDA, 1989). Were analyzed for both sexes, the values of carbohydrates,
which were adequate; lipids, which were deficient and proteins, which exceeded the
1
Acadêmica do Curso de Nutrição da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões – URI Campus de Erechim –
Departamento: Ciências da Saúde. Bolsista PIIC/URI – Campus de Erechim. E-mail: [email protected]
2
Mestre em Gerontologia Biomédica (PUCRS), Nutricionista, Docente do Curso de Nutrição, Fisioterapia e Pedagogia da
Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões – URI Campus de Erechim – Departamento: Ciências da Saúde. Email: [email protected]
Vivências. Vol.8, N.14: p.72-85, Maio/2012
72
Vivências: Revista Eletrônica de Extensão da URI
ISSN 1809-1636
recommendation. Of the micronutrients evaluated, most were deficient and excess sodium intake.
For both sexes, there was a lack of vitamin A, vitamin D, vitamin B6, vitamin C, niacin, folate,
calcium, potassium, zinc, magnesium and fiber were adequate vitamin B2, vitamin B12 and
pantothenic acid. The iron was suitable for men and vitamin B1 and biotin for women. Mini
Nutritional Assessment in 34 subjects had normal nutritional status (29.5%), 60 risk of malnutrition
(52.2%) and 21 malnourished (18.3%). To improve the knowledge of seniors on food and nutrition
has been working with nutrition education.
Key words: Institutionalized elderly; Nutritional assessment; Nutrition education.
INTRODUÇÃO
Segundo a Organização Mundial de Saúde, são considerados idosos, nos países em
desenvolvimento, os indivíduos com faixa etária acima de 60 anos (WHO,1995). No Brasil, estimase que haverá cerca de 34 milhões de idosos em 2025, o que levará o país à sexta posição entre os
países mais envelhecidos do mundo (IBGE, 2000). De acordo com o Instituto de Pesquisa
Econômica e Aplicada (BRASIL, 2008), no país há aproximadamente cem mil idosos morando em
Instituições de Longa Permanência.
Pesquisas mostram que o principal fator que determina o potencial de longevidade é a
nutrição adequada. Isto faz crer que a qualidade da alimentação pode estar diretamente associada à
qualidade de vida do indivíduo e a menor incidência de doenças (MORIGUCHI et al., 1988;
SUZUKI, 1999). O desequilíbrio nutricional no idoso está relacionado ao aumento da mortalidade,
um risco aumentado de desnutrição protéico-calórica e de nutrientes, à susceptibilidade a infecções
e à redução da qualidade de vida (GUIMARÃES; CUNHA, 2004).
Apesar de ser um processo natural, o envelhecimento submete o organismo a diversas
alterações anatômicas e funcionais, com repercussões nas condições de saúde e no estado
nutricional. Dentre as alterações ocorridas com o envelhecimento, destacam-se a diminuição das
papilas gustativas, com prejuízo ao paladar; redução do olfato e da visão; diminuição da secreção
salivar e gástrica; falha na mastigação; redução da motilidade intestinal e diminuição da
sensibilidade á sede; em consequência, as ingestas de alimento diminuem e os nutrientes ficam
abaixo da recomendação. Além das alterações decorrentes do envelhecimento, é frequente o uso de
múltiplos medicamentos que influenciam na ingestão de alimentos, digestão, absorção e utilização
de diversos nutrientes, o que pode comprometer o estado de saúde e a necessidade nutricional do
indivíduo idoso (CAMPOS; MONTEIRO; ORNELLAS, 2000; MONTEIRO, 2001).
O valor calórico da alimentação do idoso deve ser suficiente para manter seu vigor e
atividade, sem que provoque o aumento ou a redução do peso corporal. Em função da diminuição
do seu metabolismo o indivíduo tem uma necessidade calórica reduzida, mas continua precisando
de uma ingestão adequada de todos os outros nutrientes. A taxa metabólica basal aos 65 anos é 20%
menor que aos 25 anos (SÁ, 1990; BUSNELLO, 2007; MONTEIRO, 2001).
A desnutrição energético-protéica e consequente deficiência de micronutrientes constituem
um problema comum no envelhecimento, que se origina de uma combinação de diferentes fatores,
como diminuição do poder socioeconômico nessa idade, isolamento social, síndromes de má
absorção, alimentação inadequada e patologias (NOVAES et al, 2005). A desnutrição é uma
desordem corporal, produzida pelo desequilíbrio entre o aporte de nutrientes e as necessidades do
indivíduo. Geralmente motivada por uma dieta inadequada, ou por fatores que comprometam a
ingestão, absorção e utilização dos nutrientes, decorrente de alguma afecção ou necessidades
nutricionais aumentadas (MORLEY, 1998).
O idoso institucionalizado por longo período tem maior prevalência de desnutrição (25%Vivências. Vol.8, N.14: p.72-85, Maio/2012
73
Vivências: Revista Eletrônica de Extensão da URI
ISSN 1809-1636
60%). No Brasil entre 1980 e 1997, ocorreram 36.955 óbitos por desnutrição em idosos, sendo 64%
na região Sudeste, demonstrando as condições particulares da região e não apenas a estrutura
demográfica. Este fato gera maior necessidade em aprofundar a compreensão sobre o papel da
nutrição na promoção e manutenção da independência e autonomia dos idosos (BUSNELLO, 2007;
MAHAN; ESCOTT-STUMP, 1998).
Neste sentido, a finalidade da avaliação nutricional é identificar indivíduos desnutridos ou
em risco nutricional, e fornecer suporte para a prescrição dietética. A antropometria é um
instrumento amplamente utilizado na avaliação nutricional de idosos, principalmente por tratar-se
de um método de baixo custo, não invasivo, universalmente aplicável e com satisfatória aceitação
pela população (CUPPARI et al., 2005; WHO, 1995).
Segundo o Ministério da Saúde há evidências de que mudanças de estilo de vida podem
ocorrer com maior sucesso, quanto mais precoce forem as intervenções (BRASIL, 2006). Para
Camarneiro e Almeida (2004) a educação nutricional é um processo que visa levar às pessoas a
ciência da nutrição, através do qual se obtém mudanças de atitudes e práticas alimentares e de
conhecimentos nutricionais com garantia da saúde do homem.
Não há controvérsias que a adoção de uma alimentação saudável, rica em frutas, verduras,
legumes, grãos integrais e pobre em gorduras saturadas, associada à prática de atividades físicas,
possa atuar beneficamente na qualidade de vida da população idosa e nos recursos do sistema de
saúde pública (BRASIL, 2006).
OBJETIVO
O objetivo deste estudo foi analisar o perfil antropométrico e nutricional de idosos
institucionalizados em uma Instituição de Longa Permanência, no Município de Erechim, para
realizar atenção nutricional a esses idosos.
METODOLOGIA
A presente pesquisa do tipo quali-quantitativo, aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa,
sob o número 021/PIH/09, foi realizada na Instituição de Longa Permanência, Sociedade
Beneficente Jacinto Godoy, no Município de Erechim, RS, com 133 idosos, de ambos os sexos. Os
participantes foram convidados e informados sobre o objetivo do estudo. As entrevistas ocorreram
na sala de estágios da instituição, no período de agosto de 2010 a junho de 2011. As avaliações
ocorreram no turno da manhã. Não foram avaliados os indivíduos que se negaram a participar da
pesquisa.
Para atingir o objetivo proposto foi realizada a Avaliação Nutricional, o Recordatório
Alimentar 24h (R24h) (FISBERG; MARTINI; SLATER, 2005), a Mini Avaliação Nutricional
(MAN) (GUIGOZ; VELLAS; GARRY, 1994) e foi iniciada a aplicação do plano de educação
nutricional em grupo.
Na avaliação antropométrica foram medidos os seguintes parâmetros abaixo relacionados:
- O peso atual, que foi aferido com uma balança mecânica Filizola®, com capacidade para
150 kg e sensibilidade de 100 g, calibrada para zero. O peso foi verificado com o indivíduo usando
roupas leves e descalço, posicionado bem ao centro da balança, ereto e sem se movimentar. Para os
indivíduos impossibilitados de subir na balança, o peso foi estimado pela equação de Chumlea e
cols (1985-1988 apud VITOLO, 2008, p.439), utilizando um antropômetro móvel Alturexata® para
aferir a altura do joelho; o indivíduo flexionava a perna formando um ângulo de 900, a parte fixa do
antropômetro foi colocada embaixo do calcanhar e a parte móvel trazida para dois dedos da patela
para a leitura, em centímetros.
Vivências. Vol.8, N.14: p.72-85, Maio/2012
74
Vivências: Revista Eletrônica de Extensão da URI
ISSN 1809-1636
- A estatura foi aferida pela estimativa da chanfradura esternal, o idoso permanecia com o
braço estendido, formando um ângulo de 900 com o corpo, mediu-se a distância do osso esterno à
ponta do dedo médio, o resultado multiplicou-se por dois, conforme Mitchell e Lipschitz (1982
apud VITOLO, 2008, p. 440). A escolha desse método se deu devido à postura curvada dos idosos e
a dificuldade de alguns ficarem em pé.
- O índice de massa corporal (IMC) foi determinado a partir dos dados de peso (kg) e estatura
(m), os resultados foram confrontados segundo Lipschitz (1994 apud CUPPARI et al, 2005, p. 101)
que considera os valores < 22 kg/m² magreza; de 22 a 27 kg/m² eutrofia e > 27 kg/m² como excesso
de peso.
- Na prega cutânea triciptal (PCT), o indivíduo permaneceu com braço relaxado e mão
voltada para a coxa, a medida foi realizada com o adipômetro científico de pressão Pró-Fisiomed®,
no ponto médio da região posterior do braço, entre o acrômio e o olecrano. Para obter o ponto
médio o braço permanecia flexionado num ângulo de 900. A prega foi suavemente tracionada do
tecido muscular adjacente e a leitura, em escala de 1 mm, foi efetuada três vezes para a
determinação da média aritmética. A OMS (1997) recomenda o uso de padrões específicos para a
PCT em idosos, no estudo utilizaram-se os padrões desenvolvidos pela NHANESIII (National
Health and Nutrition Examination Survey) (1988-1994, apud BUSNELLO, 2007, p. 22 e 23).
- Para a circunferência do braço (CB), o indivíduo permaneceu com braço relaxado e mão
voltada para a coxa, a medida foi realizada com a fita métrica extensível, no ponto médio entre o
acrômio e o olecrano; evitou-se a compressão de tecidos moles. Para a adequação foi considerado
os parâmetros de NHANES III (1988-1994 apud BUSNELLO, 2007, p. 22 e 23). Tanto para a
medida da prega cutânea triciptal, quanto para a circunferência do braço, a adequação foi
confrontada com os valores de Blackburn e Thornton (1979 apud CUPPARI et al, 2005, p. 94-95).
- Na circunferência da panturrilha (CP), o idoso permaneceu com a perna relaxada formando
um ângulo de 90º com o joelho. A medida foi realizada com a fita métrica extensível, em
centímetros, na parte maior circunferência da panturrilha. De acordo com Chumlea e cols (1995
apud VITOLO, p. 442), os valores inferiores a 31 cm são marcadores de desnutrição no idoso.
- A circunferência da cintura (CC) foi aferida com fita métrica extensível, no ponto médio
entre a última costela e a crista ilíaca, com o idoso em pé, e a leitura realizada no momento da
expiração. No caso dos pacientes obesos, a medida foi realizada sobre a cicatriz umbilical. Os
valores foram analisados a partir dos pontos de corte propostos pela OMS (1998, apud CUPARRI et
al, 2005, p. 100), onde mulheres com valores de CC superiores a 80 cm e homens superiores a 94
cm, apresentam acúmulo de gordura abdominal considerado como risco de co-morbidades
associado à obesidade. Neste método foram avaliados 84 idosos devido ao fato dos demais estarem
acamados ou em cadeira de rodas, o que impossibilitou a medida.
Avaliação do Recordatório Alimentar 24 horas (FISBERG; MARTINI; SLATER, 2005) e
Mini Avaliação Nutricional (GUIGOZ; VELLAS; GARRY, 1994):
- Para o Recordatório de 24 horas, os participantes foram questionados quanto ao consumo
de alimentos nas quatro refeições principais, como desjejum, almoço, lanche e jantar, e nas
refeições extras das últimas 24 horas. As quantidades dos alimentos ingeridos foram transformadas
em medidas caseiras, sendo considerados o tipo do alimento e a preparação. Para melhor
uniformidade do estudo, foi utilizado, em média, 2 gramas de sal adicional e 5 mililitros de óleo de
soja por recordatório. Foram avaliados 108 idosos devido ao fato dos demais não conseguir
responder os questionamentos.
Foram calculadas a ingestão diária de energia (Valor Energético Total), a quantidade de
macronutrientes (carboidratos, proteínas e lipídeos), fibras e micronutrientes (vitamina A, vitamina
D, vitamina C, vitamina B1, vitamina B2, vitamina B6, vitamina B12, niacina, folato, biotina, ácido
pantotênico, cálcio, sódio, potássio, zinco, ferro e magnésio), com o auxílio do programa Dietwin
Vivências. Vol.8, N.14: p.72-85, Maio/2012
75
Vivências: Revista Eletrônica de Extensão da URI
ISSN 1809-1636
Profissional® (REINSTEIN , 2008). Após calcular a ingestão diária de cada paciente, foi estimado
a média calórica e de nutrientes. Os valores encontrados foram comparados com Recommended
Dietary Allowances (RDA, 1989) adaptada. Foram utilizadas as médias entre as faixas etárias 51 a
70 anos e acima de 70 anos, de ambos os sexos.
- A Mini Avaliação Nutricional foi o primeiro instrumento desenvolvido especificamente
para a população idosa. Esse instrumento inclui medidas antropométricas, história dietética, estado
clínico e funcional e auto-percepção do estado de saúde e nutricional (SPEROTTO; SPINELLI,
2010; GUIMARÃES; CUNHA, 2004). As perguntas da MAN foram efetuadas diretamente aos
idosos, sendo que foram avaliados 115 indivíduos pelo fato dos demais não conseguir responder os
questionamentos.
- Para a elaboração do plano de educação nutricional, foi realizada inicialmente uma
pesquisa individual com os idosos, questionando o que os mesmos gostariam de saber sobre
nutrição, estimulando a alimentação saudável com maior consumo das hortaliças e frutas oferecidas
na instituição.
Foram elaboradas palestras em grupo e os assuntos discutidos versaram sobre colesterol e
gorduras relacionadas às doenças cardiovasculares, os alimentos coloridos, a importância de cada
cor, a importância da redução do sal e a apresentação da pirâmide alimentar.
RESULTADOS
A Sociedade Beneficente Jacinto Godoy é uma associação civil de direito privado, de
caráter filantrópico, assistencial, beneficente, sem fins lucrativos, fundada em 27 de fevereiro de
1944, com sede e foro jurídico na cidade de Erechim. Tem como missão atender desde o residente
sadio e independente até o dependente total, por isso conta com os serviços de enfermaria, médicos,
sanitaristas, nutricionistas, psicólogos entre outros. Nessa sociedade beneficente, encontram-se
institucionalizados 157 residentes, sendo que 141 idosos tem idade acima de 60 anos (89,8%) e 16
são adultos (10,2%). Não foram avaliados oito idosos que se negaram a participar do estudo, então,
a população final avaliada foi de 133 idosos. Destes 86 eram mulheres (64,7%) e 47 homens
(35,3%).
Na tabela 1, encontram-se os resultados da antropometria realizada com os idosos, analisada
por sexo e faixa etária.
Tabela 1: Estimativas de média e desvio padrão dos indicadores antropométricos, por faixa
etária e sexo, dos idosos institucionalizados.
Indicadores
Antropométricos
Sexo
60 a 69 anos
n (34)
Média ± DP
Média ± DP
80 anos
ou mais
n (65)
Média ± DP
70 a 79 anos
n (34)
Estatura (cm)
F
M
157,4 ± 9,3
155,7 ± 10,6
157,6 ± 10,6
170 ± 7,6
169,7 ± 11,4
172,4 ± 6,9
Peso (kg)
F
M
61,6 ±12,7
55,4 ± 13,4
49,1 ± 12,4
60,6 ± 11,5
66,9 ± 12,9
64 ± 11,3
IMC (kg/m2)
F
M
24,8 ± 4,2
22,7 ± 4,8
19,8 ± 4,6
21,1 ± 4,5
23,4 ± 5,5
21,6 ± 4
Circunferência do Braço
F
29,9 ± 4,2
28,2 ± 3,6
25,7 ± 3,8
Vivências. Vol.8, N.14: p.72-85, Maio/2012
76
Vivências: Revista Eletrônica de Extensão da URI
ISSN 1809-1636
(cm)
M
26,8 ± 2,9
27,8 ± 3
26,8 ± 3,3
Circunferência da
Cintura (cm)
F
M
96,6 ± 12
92,2 ± 13,2
82,6 ± 10,9
91,4 ± 11,7
98,8 ± 11,2
97,5 ± 7,3
Circunferência da
Panturrilha (cm)
F
M
33,8 ± 3
33,1 ± 4,4
31,2 ± 5
32,2 ± 2,9
33,5 ± 3,2
32,7 ± 4,5
Prega Cutânea Triciptal
(mm)
F
M
17,6 ± 5,7
16,5 ± 4,8
11,8 ± 5,3
11,1 ± 5,9
Nota: F- Feminino; M- Masculino. DP- Desvio padrão.
9,5 ± 3,8
7,7 ± 3,4
Através do peso e estatura obtiveram-se os valores de IMC, sendo que este encontrou-se
abaixo do recomendado, ou seja, magreza no grupo dos idosos homens de 60 a 69 anos (21,1 Kg/m2
± 4,5), e nos homens (21,6 Kg/m2±4) e mulheres (19,8 Kg/m2± 4,6) de 80 anos ou mais.
No idoso, magreza e perda de massa magra são os maiores problemas nutricionais, e são
apontados como fator fortemente associado à mortalidade, pois o impacto da desnutrição na saúde
provoca pior prognóstico para os agravos e doenças. O IMC tende a declinar por volta dos 70 a 75
anos de idade em ambos os sexos (OTERO et al., 2002; VITOLO, 2008).
Tavares e Anjos (1999) em um estudo realizado com idosos encontraram frequência de
magreza, inclusive as mais intensas, aumentadas nas últimas faixas de idade, com ligeira
predominância em mulheres, quando comparadas aos homens.
Com relação à circunferência da cintura, a maioria dos idosos de ambos os sexos
apresentaram risco de complicações metabólicas associadas à obesidade. O único grupo que não
apresentou risco foi o grupo masculino de 60 a 69 anos (91,4 cm ± 11,7).
Segundo o estudo de Hughes et al. (2004), com a idade há o aumento do tecido adiposo e
perda de massa muscular e óssea, sendo que a distribuição da gordura corporal se acentua mais no
tronco e menos nos membros. O excesso de gordura corporal pode gerar múltiplas doenças e
agravos, dentre eles estão as altas taxas de incapacidade e de mortalidade por doenças crônicas não
transmissíveis. Deve-se, no entanto, avaliar com cautela o acúmulo de gordura abdominal em
idosos, pois a redistribuição de gordura pode mascarar o diagnóstico de desnutrição (OPAS, 2003;
BECK; OVERSEN; OSLER, 1999).
Na medida da circunferência da panturrilha, as médias dos grupos, no total, estavam
adequadas (≥31cm), ou seja, sem perda de massa muscular. Para o grupo masculino, essa média
variou de 32,2 ± 2,9 cm a 33,5 ± 3,2cm e para as mulheres variou de 31,2 ± 5 cm a 33,8 ± 3 cm.
Resultado semelhante ao encontrado por Machado et al. (2006) onde as médias da circunferência da
panturrilha estavam acima do preconizado, o valor médio encontrado para o sexo masculino foi de
36,7 cm e para o sexo feminino de 34,8 cm.
A circunferência da panturrilha oferece a medida mais sensível da massa muscular em
idosos, indicando alterações na massa magra que ocorrem com o decréscimo da idade de atividade
física. A massa magra é a maior reserva de proteínas do corpo (FRANK; SOARES, 2004; SABE,
2003).
Na tabela 2, encontram-se as adequações para a circunferência do braço (CB) e prega cutânea
triciptal (PCT), para avaliar o risco de desnutrição nos idosos.
Tabela 2: Adequação da circunferência do braço e prega cutânea tricipital, de acordo com sexo e
idade, dos idosos institucionalizados.
Indicador
Masculino
Vivências. Vol.8, N.14: p.72-85, Maio/2012
Feminino
77
Vivências: Revista Eletrônica de Extensão da URI
ISSN 1809-1636
antropométrico
CB (cm)
Adequação
CB%
Diagnóstico
PCT (mm)
Adequação
PCT%
Diagnóstico
60 a 69
anos
26,8
70 a 79
anos
27,8
80 anos ou
mais
26,8
29,9
70 a 79
anos
28,2
80 anos ou
mais
25,7
81,9
88,8
90,8
95,8
93,6
90,5
Desn. leve
Desn. leve
Eutrofia
Eutrofia
Eutrofia
Eutrofia
11,1
9,5
7,7
17,6
16,5
11,8
87,4
76,6
68,7
73
75,7
65,2
Desn. leve
Desn.moder
ada
Desn. grave
Desn.
moderada
Desn.moder
ada
Desn. grave
60 a 69anos
Nota: Desn.: Desnutrição.
Nas avaliações da circunferência do braço, o grupo dos homens de 60 a 79 anos apresentaram
desnutrição leve e os demais idosos estavam eutróficos.
Apesar de não ser o melhor indicador de massa muscular, a circunferência do braço sofre alterações
com o declínio da quantidade de massa magra, tendo em vista que o braço representa o somatório
das áreas constituídas pelos tecidos ósseo, muscular, gorduroso e epitelial. A diminuição da
circunferência do braço reflete, portanto, na redução de tecido subcutâneo e massa muscular
(MENEZES; MARUCCI, 2005; VITOLO, 2008).
Com relação à prega cutânea tricipital todos os grupos apresentaram algum grau de
desnutrição, e este grau foi se elevando conforme a idade, em ambos os sexos. Para o grupo
masculino, de 60 a 69 anos apresentaram desnutrição leve, de 70 a 79 anos desnutrição moderada e
com 80 anos ou mais desnutrição grave, quanto ao grupo feminino, de 60 a 79 anos apresentaram
desnutrição moderada e de 80 anos ou mais desnutrição grave.
As medidas das pregas cutâneas correlacionam-se com a gordura corporal total e as reservas
energéticas. A diminuição de massa gorda torna-se mais pronunciada nos idosos mais velhos
(SPINELLI, 2008; MENEZES; MARUCCI, 2005). Com a idade ocorre a diminuição da massa
magra e modificação no padrão de gordura corporal, onde o tecido gorduroso dos braços e pernas
diminui, mas aumenta no tronco. Nos homens, essas alterações iniciam na meia-idade e nas
mulheres após a menopausa. Em consequência disso, as variáveis antropométricas sofrem
modificações, como a dobra cutânea tricipital e perímetro do braço que diminuem e o perímetro
abdominal aumenta (MENEZES; MARUCCI, 2005; SABE, 2003, PERISSINOTTO, 2002).
Nas figuras 1 e 2, encontram-se os valores de macronutrientes consumidos pelos idosos, obtidos
através do R24h (FISBERG; MARTINI; SLATER, 2005).
Vivências. Vol.8, N.14: p.72-85, Maio/2012
78
Vivências: Revista Eletrônica de Extensão da URI
ISSN 1809-1636
Figura 1: Valores médios de macronutrientes do Recordatório 24 horas (R24h) comparados a
Recommended Dietary Allowances (RDA, 1989), dos idosos homens (n=38), institucionalizados na
Instituição de Longa Permanência.
Figura 2: Valores médios de macronutrientes do Recordatório 24 horas (R24h) comparados a
Recommended Dietary Allowances (RDA, 1989), das idosas mulheres (n=70), institucionalizadas
na Instituição de Longa Permanência.
Através das análises das figuras em comparação com a RDA (1989) adaptada, podemos observar
que, para ambos os sexos, os carboidratos estavam dentro do padrão, (homens 60,1% e mulheres
60,3%). Os valores de lipídeos estavam abaixo do recomendado (homens 24,1% e mulheres 23%),
já os valores de proteínas ultrapassaram a recomendação diária em 15,3g/dia a mais para homens e
15,9g/dia a mais para as mulheres.
Menezes (2000), ao estudar idosos institucionalizados da cidade de Fortaleza, observou que
61,2% dos idosos apresentaram dietas insuficientes em energia. Esse declínio no valor energético da
alimentação é acompanhado por uma elevação no percentual de energia provindo de carboidratos,
enquanto que a contribuição proporcional de gordura diminui (MORLEY, 1997).
Para Busnello (2007), a presença adequada de carboidratos (45-65%) na dieta é essencial,
fornece energia para o organismo, em especial cérebro e exerce função de economia protéica.
Vivências. Vol.8, N.14: p.72-85, Maio/2012
79
Vivências: Revista Eletrônica de Extensão da URI
ISSN 1809-1636
A gordura total da dieta deve estar entre 25-30%, as faixas de valores de ingestão são
associadas à redução do risco de doenças crônicas provenientes da alimentação, então se o
indivíduo ingere acima ou abaixo do recomendado, o risco pode estar aumentado ou ocorrer
deficiências. Apesar do conhecido prejuízo à saúde, causado pelo consumo excessivo de lipídios, o
consumo insuficiente em longo prazo, pode acarretar danos como deficiência dos ácidos graxos
poli-insaturados, bem como deficiência das vitaminas lipossolúveis (VITOLO, 2008; MENEZES;
SOUZA; MARUCCI, 2009).
O consumo protéico adequado justifica-se por manter o balanço de nitrogênio em equilíbrio,
diminuindo, principalmente, o desgaste do tecido muscular magro, observado com o avanço da
idade. Contudo o consumo elevado deste nutriente pode apresentar efeitos indesejáveis,
constituindo um fator predisponente ao desenvolvimento de distúrbios renais (SHILS, 2003;
FRANK; SOARES, 2004).
A boa nutrição pode contribuir significativamente para a saúde e bem-estar do idoso, além
de influenciar em sua capacidade para reagir a doenças (FORSTER; GARIBALLA, 2005).
Os valores de micronutrientes a partir do R24h (FISBERG; MARTINI; SLATER, 2005),
segundo o sexo, estão presentes na tabela 3.
Tabela 3: Valores médios e desvio padrão de micronutrientes do R24h, segundo o sexo, dos
idosos institucionalizados.
Nutrientes
Vitamina A (mcg)
Homens/dia
Valor encontrado
*RDA e Desvio Padrão n
(38)
900
641,7 ± 344,2
Mulheres/dia
Valor encontrado
*RDA
e Desvio Padrão n
(70)
700
599,7 ± 344,8
Vitamina D (mcg)
12,5
5,3 ± 2,3
12,5
4,9 ± 2,5
Vitamina B1 (mg)
1,2
0,6 ± 0,2
1,1
0,8 ± 0,6
Vitamina B2 (mg)
1,3
1,2 ± 0,5
1,1
1,1 ± 0,4
Vitamina B6 (mg)
1,7
0,5 ± 0,2
1,5
0,5 ± 0,3
Vitamina B12 (mcg)
2,5
2,8 ± 1,2
2,5
2,8 ± 1,1
Vitamina C (mg)
90
68,1 ± 51,9
75
55 ± 39,9
Ácido pantotênico (mg)
5
4,3 ± 1,7
5
4,1 ± 1,4
Niacina (mg)
16
9,8 ± 6,5
14
7,4 ± 3,8
Folato (mcg)
400
108,2 ± 67,4
400
104,5 ± 60,2
Biotina (mcg)
30
26,5 ± 19,6
30
31,9 ± 29,5
Cálcio (mg)
1200
833,1 ± 380,2
1200
762,5 ± 317,7
Sódio (mg)
1250
2009,8 ± 748,9
1250
2104,9 ± 839,5
Potássio (mg)
4700
2123,1 ± 748,6
4700
1828,1 ± 711,1
Zinco (mg)
11
7,3 ± 2,8
8
6,8 ± 2,9
Ferro (mg)
8
7 ± 3,8
8
5,9 ± 2,8
320
25-30
257,8 ± 89,6
15,7 ± 6,1
Magnésio (mg)
420
259,7 ± 91,4
Fibras (g)**
25-30
18,8 ± 7,5
Fonte: *RDA (1989), adaptada; **Busnello, 2007.
Vivências. Vol.8, N.14: p.72-85, Maio/2012
80
Vivências: Revista Eletrônica de Extensão da URI
ISSN 1809-1636
De acordo com a tabela 3, a maioria dos valores de micronutrientes estava abaixo da média
proposta pela RDA (1989). Os valores que se encontraram abaixo da recomendação, para ambos os
sexos foram vitamina A, vitamina D, vitamina B6, vitamina C, niacina, folato, cálcio, potássio,
zinco, magnésio e fibras, os demais valores tiveram diferenças de proporção entre os sexos. Para
homens, foram encontrados índices semelhantes ao recomendado a vitamina B2, vitamina B12, o
ácido pantotênico e o ferro, e abaixo vitamina B1 e biotina. Para as mulheres, foram encontrados
valores próximos ao recomendado vitamina B1, vitamina B2, vitamina B12, ácido pantotênico e
biotina, sendo que o ferro encontrou-se abaixo do recomendado. O valor que ultrapassou a
recomendação, tanto para homens (2009,8 mg ± 748,9), quanto para mulheres (2104,9 mg ± 839,5)
foi o sódio, uma média de 807 mg/dia a mais que o preconizado.
Os idosos constituem um grupo de risco de carência de macro e micronutrientes, pois,
frequentemente, apresentam dificuldades na manutenção da ingestão energética e de nutrientes
adequada, através de alimentação balanceada. Pesquisas demonstram deficiência de energia,
vitaminas e minerais em pessoas, acima de 65 anos, que residem em asilos ou domicílios, fato
atribuído aos fatores socioeconômicos e às doenças presentes, além de alterações no modo de vida e
nos hábitos alimentares (JENSEN; MCGEE; BINKLEY, 2001; CAMPOS; MONTEIRO;
ORNELAS, 2000).
A deficiência de nutrientes como a vitamina D, cálcio, complexo B e ferro colaboram para o
surgimento de patologias que são características da faixa etária, como osteoporose, doenças
demenciais e anemia. O zinco e vitamina A, entre outras funções, são importantes para os idosos
porque elevam a imunidade. O ácido pantotênico e a niacina participam dos processos metabólicos
de geração de energia, a vitamina C atua como antioxidante e auxilia na absorção do ferro. A
quantidade adequada de fibras tem importante função na dieta por minimizar problemas de doenças
cardiovasculares, intestinais, diabetes e obesidade (BUSNELLO, 2007; CARVALHO, 2003).
Os minerais magnésio e potássio atuam na formação de ossos e dentes e regulação da
atividade neuromuscular, respectivamente. O sódio entre outras funções regula o volume de plasma
sanguíneo, a alta ingestão desse nutriente está relacionada à elevação dos níveis pressóricos e com
hipertensão arterial (BUSNELLO, 2007).
A restrição salina minimiza os riscos de crise hipertensiva, pode também reduzir a excreção
urinária de cálcio, fato que pode proteger contra o desenvolvimento de osteoporose em idosos
(WEINBERGER, 2001; ANTONIOS; MACGREGOR, 1995).
Vitaminas, minerais e substâncias alimentares antioxidantes são essenciais ao bom
desempenho de diversas reações químicas que ocorrem no organismo humano e devem fazer parte
de uma dieta balanceada. As deficiências de alguns desses elementos podem estar associadas ao
decréscimo na função imune. É recomendado, portanto, garantir a sua presença no planejamento e
na ingestão alimentar dos idosos (CARVALHO, 2003; NOVAES et al., 2005).
A MAN, geralmente, é utilizada para avaliação de idosos institucionalizados e
hospitalizados, sendo que determina um escore indicador de desnutrição (SPINELLI, 2008;
GUIMARÃES; CUNHA, 2004).
Os resultados da MAN (GUIGOZ; VELLAS; GARRY, 1994) são apresentados na figura 3.
Vivências. Vol.8, N.14: p.72-85, Maio/2012
81
Vivências: Revista Eletrônica de Extensão da URI
ISSN 1809-1636
Normais
Risco de desnutrição Desnutridos
Figura 3: Número de pacientes normais, em risco de desnutrição
desnutridos de ambos os sexos, segundo a Mini Avaliação Nutricional (MAN).
e
Do total de 115 pacientes avaliados, de ambos os sexos, 34 apresentaram estado nutricional
normal (29,5%), 60 apresentaram risco de desnutrição (52,2%) e 21 desnutridos (18,3%), sugerindo
que a maioria dos idosos estava em risco de desnutrição. Resultado semelhante ao estudo de
Azevedo et al. (2007) que indicaram uma maior prevalência de limite de risco de desnutrição na
população estudada.
A Mini Avaliação Nutricional em instituições de longa permanência para idosos foi aplicada
em Guaratinguetá onde constataram 50,6% dos idosos em risco de desnutrição, 21,3% não
desnutridos e 28,1% dos idosos estavam desnutridos. Segundo os autores, a prevalência de
desnutrição e risco de desnutrição mostrou-se alta, sendo os valores encontrados próximos aos
verificados em outros estudos nacionais, representando um problema de saúde pública que necessita
intervenção (FERREIRA; MARUCCI, 2005).
Os dados do presente estudo são semelhantes ao estudo realizado por Felix e Souza (2009),
na Instituição Geriátrica de Brasília, onde os valores encontrados foram de 45,9% com risco de
desnutrição, 29,7% de desnutridos e 24,3% com o estado nutricional normal.
Através da avaliação do estado nutricional dos indivíduos pode-se iniciar o processo de
Educação Nutricional em grupo para proporcionar maior conhecimento e uma intervenção
nutricional adequada, com finalidade de minimizar os efeitos da dieta sobre as patologias dos
idosos.
CONCLUSÃO
Analisados o perfil nutricional e alimentar dos idosos percebemos um comprometimento do
estado nutricional desta população, evidenciado principalmente pelo índice de massa corporal, com
altas taxas de magreza, pela prega cutânea triciptal, na qual todos os grupos apresentaram algum
grau de desnutrição. Os resultados da Mini Avaliação Nutricional mostrou que a maioria dos idosos
se encontravam em estado de risco de desnutrição e 18% estavam desnutridos. A circunferência da
cintura apresentou-se elevada na maioria dos pacientes, correlacionando-se com risco de doenças
crônicas.
Em relação ao consumo alimentar, para ambos os sexos, os carboidratos são ingeridos
dentro do estabelecido, lipídeos se encontram abaixo do recomendado e proteína está sendo ingerida
Vivências. Vol.8, N.14: p.72-85, Maio/2012
82
Vivências: Revista Eletrônica de Extensão da URI
ISSN 1809-1636
em excesso. Os micronutrientes em sua maioria estão deficientes e o sódio ingerido em excesso,
uma média 807mg/dia a mais que o indicado.
Os resultados apresentados neste estudo são indicativos de risco nutricional para essa
população, o que implica a necessidade de intervenções, no sentido de promover uma vigilância
nutricional, avaliando os idosos periodicamente, de acordo com os recursos disponíveis na
instituição. Pode-se salientar ainda que com o avançar da idade, pressupõem-se maior tempo de
institucionalização, e pode significar maior exposição aos fatores de risco para um inadequado
estado nutricional, tendo em vista a vulnerabilidade deste grupo.
Nesse sentido, ao final do trabalho de avaliação nutricional iniciou-se a aplicação do plano
de educação nutricional com o intuito de fornecer conhecimento sobre Nutrição aos idosos e,
consequentemente melhorar as escolhas e adequar os nutrientes da dieta, possibilitando assim um
menor comprometimento da saúde e melhorar a condição de vida dos idosos institucionalizados.
REFERÊNCIAS
ANTONIOS, T. F., MACGREGOR, G. A. Salt intake: Potential deleterious effects excluding blood
pressure. J. Human Hypertens; 9:511, 1995.
AZEVEDO, L. C.,et al. Principais fatores da mini-avaliação nutricional associada a alterações
nutricionais de idosos hospitalizados. Arquivos Catarinenses de Medicina: Vol. 36, n. 3, 2007.
BECK, A.M., OVERSEN, L., OSLER, M. The mini-nutritional assessment and the “determine your
nutritional health” checklist as predictor of morbidity and mortality in an elderly Danish population.
Br J Nutr.; 81(6):31-6, 1999.
BRASIL, Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA). Condições de funcionamento e de
infraestrutura nas instituições de longa permanência para idosos no Brasil. Secretaria Especial
dos Direitos Humanos (SEDH) da Presidência da República e Conselho Nacional dos Direitos do
Idoso (CNDI), 2008.
_______, Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Coordenação Geral da Política de
Alimentação e Nutrição. Guia Alimentar Para a População Brasileira “Promovendo a
Alimentação Saudável” Brasília: Ministério da Saúde, 2006.
BUSNELLO, F. M. Aspectos nutricionais no processo do envelhecimento. São Paulo: Atheneu,
2007.
CAMARNEIRO J. T., ALMEIDA, P. S. P. B. Elaboração de recursos pedagógicos – nutricionais
para o programa de educação nutricional. Nutrição Brasil. São Paulo, Julh./Agos., 2004.
CAMPOS, M. T. F. de S.; MONTEIRO, J. B. R.; ORNELLAS, A. P. R. de C.; Fatores que afetam
o consumo alimentar e a nutrição do idoso. Revista Nutrição, Campinas, v.13, n.3, p.157-165,
Set./Dez., 2000.
CARVALHO, E. N. Avaliação da qualidade nutricional das refeições servidas aos idosos em
instituição asilar. Estud. Interdiscip. Envelhec., Porto Alegre, v. 5, p. 119-136, 2003.
CUPPARI, L. et al. Nutrição clínica no adulto. 2 ed. Ver. e ampl.- Barueri, SP: Manoele, 2005.
FÉLIX, L. N.; SOUZA, E. M. T. de S. Avaliação nutricional de idosos em uma instituição por
diferentes instrumentos. Revista de Nutrição, v. 22. n. 4, Campinas, Julh./Agos. 2009.
FERREIRA, L. S., MARUCCI, M. F. M. Uso do método "mini avaliação nutricional" para o
diagnóstico de desnutrição e risco de desnutrição de idosos residentes em instituições de longa
permanência. In: IX Congresso Paulista de Saúde Pública - Saúde e desenvolvimento, Santos SP, 2005.
FISBERG, R. M.; MARTINI, L. A.; SLATER, B. Métodos de inquéritos alimentares. In.
FISBERG, R.M. et. al. Inquéritos alimentares: métodos e bases científicos. 1a ed. São Paulo:
Manoele, 2005. p. 1-29.
Vivências. Vol.8, N.14: p.72-85, Maio/2012
83
Vivências: Revista Eletrônica de Extensão da URI
ISSN 1809-1636
FORSTER, S.; GARIBALLA, S. Age as a determinant of nutritional status: A cross sectional study.
Nutr. J., v. 4, p. 28-32, 2005.
FRANK, A. A.; SOARES, E. de A. Nutrição no envelhecer. São Paulo: Atheneu, 2004.
GUIMARÃES, R. M., CUNHA, U. G. V. Sinais e sintomas em geriatria. 2.ed., São Paulo:
Atheneu, p. 312, 2004.
GUIGOZ, Y.; VELLAS, B.; GARRY, P. J. Mini nutritional assessment: A practical assessment tool
for grading the nutritional state of elderly patients. Facts and Research in Gerontology 1994,
2:15-59.
HUGHES, V. et al. Anthropometric assessment of 10-y changes in body composition in the elderly.
Am J Clin Nutr, v. 80, p. 475-482, 2004.
IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo Demográfico 2000. Rio de Janeiro
(RJ): Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística; 2000.
JENSEN, G. L., MCGEE, M., BINKLEY, J. Nutrition in the elderly. Gastroenterol Clin North
Am. 30:313-334, 2001.
MACHADO, J. de S. et al. Perfil nutricional e funcional de idosos atendidos em um
ambulatório de nutrição da Policlínica José Paranhos Fontenelle na cidade do Rio de Janeiro.
Estud. interdiscip. envelhec., Porto Alegre, v. 10, p. 57-73, 2006.
MAHAN, L. K, ESCOTT-STUMP, S. Krause – Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. São Paulo:
Rocca, 1998.
MENEZES, T. N. Avaliação antropométrica e do consumo alimentar de idosos residentes em
instituições geriátricas da cidade de Fortaleza/ Ceará. 2000. Dissertação (Mestrado) –
Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2000.
MENEZES, T. N.; MARUCCI, M. F. N. Antropometria de idosos residentes em instituições
geriátricas, Fortaleza, CE. Rev. Saúde Pública. Vol. 39, n. 2, São Paulo, Apr. 2005.
MENEZES, T. N.; SOUZA, J. M. P.; MARUCCI, M. F. N. Necessidade energética estimada, valor
energético e adequação de macronutrientes da alimentação dos idosos de Fortaleza/CE. Nutrire:
rev. Soc. Bras. Alim. Nutr. J. Brazilian Soc. Food Nutr., São Paulo, SP, v. 34, n. 3, p. 17-30, dez.
2009.
MONTEIRO, C. S. A influência da nutrição, da atividade física e do bem-estar em idosas.
Universidade Federal de Santa Catarina – Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção.
Florianópolis, 2001.
MORIGUCHI, Y. et al. Fatores de Longevidade. Acta Médica, Porto Alegre, p.-290-303, 1988.
MORLEY, J. E. Anorexia of aging: physiologic and pathologic. Am. J. Clin. Nutr., v. 66, n. 4, p.
760-773, 1997.
MORLEY, J. E. Protein-energy malnutrition in older subjects. Proc Nutr Soc. 57:587-592, 1998.
NOVAES, M. R. C. G. et al. Suplementação de micronutrientes na senescência: implicações nos
mecanismos imunológicos. Rev. Nutr., v. 18, n. 3, Campinas, Maio/junho, 2005.
OPAS - Organização Pan-Americana da Saúde. Doenças crônico-degenerativas e obesidade:
estratégia mundial sobre alimentação saudável, atividade física e saúde. Brasília, 2003.
OTERO, B. U. et al. Morbidade por desnutrição em idosos, região Sudeste do Brasil, 1980-1987.
Rev Saúde Pública. 32(2):141-8, 2002.
PERISSINOTTO, E. et al. Anthropometric measurements in the elderly: Age and gender
differences. Br. J. Nutr.; 87:177-86, 2002.
RDA - Recommended Dietary Allowances. In. Food and Nutrition Board, National Research
Council:, 10 ed. Washington, D. C., National Academy of Sciences, 1989.
REINSTEIN, CS. DIETWIN Profissional [programa de computador]. Versão 2008 for Windows.
Porto Alegre, RS; 2008.
Vivências. Vol.8, N.14: p.72-85, Maio/2012
84
Vivências: Revista Eletrônica de Extensão da URI
ISSN 1809-1636
SÁ, N.G. Nutrição e Dietética. São Paulo: Nobel, 1990.
SABE – Saúde, Bem-estar e Envelhecimento. Estado Nutricional e capacidade física Organização Pan-Americana da Saúde, SP, 2003.
SHILS, M. E. et al. Tratado de Nutrição Moderna na Saúde e na Doença. 9º edição. Vol.1. São
Paulo: Manole, p. 1026, 2003.
SPEROTTO, F. M. SPINELLI, R. B. Avaliação nutricional em idosos independentes de uma
instituição de longa permanência no município de Erechim- RS. Revista Perspectiva. v. 34, n. 125,
p. 105-116, Erechim, março, 2010.
SPINELLI, R. B. Estudo comparativo do estado nutricional de idosos independentes
institucionalizados e não institucionalizados no município de Erechim, RS. Porto Alegre:
PUCRS, 2008.
SUZUKI, M. Japanese Centenarians. In: SATO T. e WATANABE T. Nutritional Status and Its
Effects. Japan : Hisashi TAUCHI, p. 116-131, 1999.
TAVARES, E. L.; ANJOS, L. A. Perfil Antropométrico da população idosa brasileira. Resultados
da Pesquisa Nacional Sobre Saúde e Nutrição. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro,
15(4):759-768, Out/Dez, 1999.
VITOLO, M. R. Nutrição da gestação ao envelhecimento. Rio de Janeiro: Rubio, 2008.
WEINBERGER, M. H. et al. Salt sensitivity, pulse pressure, and death en normal and hypertensive
humans. Hipertension.;37(2 Part 2), p. 429-32, 2001.
WHO, World Healt Organization. Obesity: Preventing and managing the global epidemic.
Geneva,1997.
____, World Healt Organization. Physical Status: The use and interpretation of anthropometry.
Geneve, 1995.
Vivências. Vol.8, N.14: p.72-85, Maio/2012
85
Download

análise nutricional para realizar atenção a