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Edição 950B
ESPECIAL DIA DA IMPRENSA
2 de junho de 2014
A imprensa no ataque,
defesa e meio de campo
Profissionais fazem análises, previsões, críticas
e elogios sobre a Copa no Brasil, neste especial
que celebra o Dia da Imprensa
Para compor um mosaico de opiniões sobre a realização da Copa no
Brasil, J&Cia entrou em campo para ouvir dezenas de profissionais de
todo o Brasil e, desse modo, medir a temperatura de como o Mundial está
sendo visto no ambiente das redações e mesmo nas ruas.
Imprensa e Copa do Mundo, tema central desta edição especial, é a
homenagem de J&Cia pelo Dia da Imprensa, celebrado neste domingo, 1º
de junho, quase às vésperas da abertura do Mundial, que terá, segundo a Fifa, perto de 20 mil jornalistas credenciados. São participações de
mais de 80 profissionais da imprensa esportiva e de outras áreas do jornalismo, inclusive da comunicação corporativa, que incluem pesquisa,
frases, minidepoimentos, entrevistas e artigos, além de um tabelão com palpites sobre os favoritos ao título (pág. 19).
Democraticamente participam deste trabalho profissionais de todas as gerações, homens e mulheres, repórteres, comentaristas, editores
e diretores, cada um externando a sua opinião sobre o que acha da Copa no Brasil.
Roberto Muylaert, por exemplo, que presidiu por vários anos a Fundação Padre Anchieta e a Aner – Associação Nacional dos Editores
de Revistas, faz uma analogia sobre a Copa de 1950 e esta de 2014, ambas no Brasil. Com um detalhe, ele estava presente no Maracanã,
naquela triste tarde em que o Brasil viu o título escapar para o Uruguai, com a derrota por 2 x 1, com o gol do título sendo feito pelo (depois)
lendário Ghiggia.
Numa outra ponta, Leandro Beguoci, que há anos estuda, leciona e atua na chamada nova mídia, mostra como os novos veículos estão
se preparando para a cobertura, naquilo que parece será um show de jornalismo.
João Palomino (ESPN), Márcio Bernardes (Transamérica), Vitor Guedes (Agora São Paulo e Bandnews FM) e Luiz Fernando Gomes
(Lance e Lancenet), que já estão vivendo a Copa por dentro há várias semanas pelos veículos que representam, foram entrevistados opinando
sobre os prós e contras desta Copa.
Também registramos com satisfação as colaborações de Apolinho (Washington Rodrigues), 52 anos de profissão e 77 de idade, que já
foi até treinador do Flamengo, e dos jornalistas escritores Antônio Torres, Audálio Dantas, Ignácio de Loyola Brandão, Moacir Japiassu,
Ricardo Kotscho e Ruy Castro.
Uma pesquisa produzida pela In Press – Análise & Perspectiva, coordenada por Marília Stabile e que ouviu jornalistas e outros formadores
de opinião, registra que de um modo geral a competição e o esporte estão preservados no imaginário da população, mas o mesmo não se
pode dizer do discurso vendedor das autoridades e tampouco do possível legado que ficará para o País (pág. 18).
Muitos dos depoimentos mergulharam fundo na alma brasileira, para analisar esse momento particular vivido pelo Brasil e pela sociedade. Metáforas, críticas, poesia... a edição tem de tudo um pouco e muito mais. A pluralidade crítica prevalece, embora duas coisas tenham
chamado a atenção: quem se pronunciou sobre as manifestações populares considerou-as válidas, mas condenou a violência; e a grande
maioria, inclusive dos que apoiam a Copa, chamou a atenção para a falta de planejamento, os altos custos e o legado duvidoso que vai ficar
para os brasileiros. Aliás, como bem lembraram alguns dos depoentes, não sem certa amargura: por que, na Copa, seria diferente do que
sempre foi neste País?
Nossos agradecimentos a todos os que se dispuseram a colaborar com este especial com seus depoimentos e também à editora Cristina
Vaz de Carvalho, que trouxe uma valiosa contribuição do Rio de Janeiro, e aos correspondentes Admilson Rezende (MG) e Lauriberto
Braga (CE), que marcaram presença com depoimentos de colegas desses dois estados.
O legado deveria ser um Brasil para brasileiros
Sobre ele recai a
responsabilidade de
conduzir uma das mais
preparadas equipes esportivas do País, capaz
de fazer entretenimento
de qualidade sem abrir
mão de um jornalismo
rigoroso, crítico, ousado
João Palomino
muitas vezes. Herdou
isso de seu antecessor,
o chefe José Trajano, com quem ainda tem
grande convivência, ele agora na função de
diretor Editorial e Trajano, como comentarista.
Simpático, acessível, sorriso estampado no
rosto, João Palomino concentra-se cada vez
mais nos desafios de fazer uma excelente
cobertura da Copa do Mundo, honrando a
tradição ESPN Brasil, reconhecida pela qualidade e seriedade do trabalho no jornalismo
esportivo.
A emissora vai para a Copa com 236 jornalistas credenciados e a confiança de ser a equipe
que mais transmitiu futebol internacional nos
últimos quatro anos – foram mais de quatro mil
jogos – e de reunir um grupo de comentaristas
internacionais como Ballack, Nistelroy, Loco
Abreu, Gilberto Silva, Rincon e Zamorano.
E audiência, com tantos veículos concentrados na cobertura, de todas as plataformas,
inclusive televisão? “A audiência – diz Palomino, que vai para a sua quarta Copa do Mundo –
sempre se eleva na competição. Nosso desafio
é tentar manter os índices no pós-Copa”.
Ele estreou em Copas na França e desde
então só não foi à Ásia (Japão e Coreia) porque
a ESPN não tinha os direitos. “Cada uma das
Copas teve características próprias, diferenciadas, mas a que mais me marcou foi a da
África do Sul, que histórica e culturalmente foi
a mais humana”.
Palomino entende e até defende os protestos da sociedade brasileira, desde que dentro
de limites aceitáveis, mas considera que tentar
impedir a Copa é um exagero: “O que houve
no Brasil foi uma inversão absurda de valores.
O País, com um grupo pouquíssimo confiável,
liderado por Ricardo Teixeira, quis a Copa sob a
justificativa de que deixaria um legado enorme
sem gastos públicos. Na verdade, o legado da
Copa deveria ser de um Brasil para brasileiros.
Qual o legado hoje que a Copa e Ricardo Teixeira, com apoio federal, deixam ao Brasil?”.
Para ele, essa vai “ser a Copa mais cara para
todos, principalmente para as empresas brasileiras, que precisam ficar cruzando o País
para acompanhar tudo. As outras empresas
internacionais podem concentrar seus esforços numa cidade, o que parece inaceitável para
uma empresa brasileira”.
E a imagem do Brasil? “Vejo rotineiramente
notícias e vídeos internacionais sobre a Copa
do Mundo. A imagem é péssima lá fora. Os
relatos não poderiam ser piores para quem
pretende se mostrar ao mundo como um país
economicamente estabilizado e com um povo
recém-saído da miséria. Corrupção, desorganização, pouco preparo, manifestações, são
apenas alguns dos pontos sempre abordados
nessas reportagens. E quanto o Brasil gasta
para mostrar o que a Copa pode ser para o
turismo?”.
Logística à parte, sobretudo pela incógnita
ainda existente em questões como deslocamentos, transportes, hotéis e restaurantes,
ele não tem dúvida de que na parte técnica
“vamos, sim, ter a impressão de uma grande
Copa do Mundo. Vai ter Copa para a televisão
mundial. A empresa que presta serviços à Fifa
vai garantir condições para que todos trabalhem. O entorno é que é o problema”.
Palomino já narrou duas eliminações brasileiras em Copas do Mundo, em 2006 e 2010, mas
se como brasileiro sente uma certa tristeza por
isso, como profissional é bola pra frente: ”A
Copa pode acabar para o Brasil, mas não acaba
para a ESPN Brasil”.
E o que ele pensa da publicidade feita por
jornalistas esportivos? Como compatibilizar
entretenimento, jornalismo e publicidade? “Os
caminhos a serem seguidos pelo jornalismo
esportivo ainda são pouco explorados ou estão
pouco discutidos. Prefiro o modelo americano,
em que as marcas podem estar próximas do
conteúdo, mas nunca do jornalista. Este é o
ideal de utilização”.
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ESPECIAL DIA DA IMPRENSA • ESPECIAL DIA DA IMPRENSA • ESPECIAL DIA DA IMPRENSA
Um país se constrói o tempo todo
Adhemar Altieri, diretor de Comunicação Corporativa da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica)
A decisão de trazer a Copa para o Brasil foi
acertada, por se tratar de um dos principais
eventos do mundo, com enorme potencial de
gerar oportunidades, movimentar a economia
e deixar ganhos que terão efeito positivo posterior. Nenhum país deve abrir mão de uma
oportunidade dessas.
Infelizmente, a decisão teria que ser acompanhada por uma gestão competente, algo que passa
muito, muito longe do atual governo que, obrigatoriamente,
deveria liderar o processo. Sabem há sete anos que a Copa seria no
Brasil e não foram capazes de realizar um planejamento minimamente
adequado, expondo desleixo e incompetência imperdoáveis.
Como resultado, temos uma vergonhosa correria para se concluir
obras em cima da hora, transmitindo e reforçando o estereótipo da
falta de compromisso, disciplina e seriedade no País, produzindo
uma péssima impressão tanto perante o público brasileiro quanto na
mídia internacional. Sem falar nas mortes de trabalhadores, prováveis
reflexos da pressa causada pelo mau planejamento.
Outra enorme falha foi a utilização de recursos e financiamentos
públicos para a construção de estádios, mais uma demonstração de
incompetência e falta de diálogo com a iniciativa privada, que deveria
ter sido engajada para realizar todos esses projetos. Enquanto presenciamos gastos exagerados em estádios que terão pouca utilidade pós-Copa, temos aqui mesmo no Brasil os exemplos das arenas do Grêmio
e do Palmeiras, de ótima qualidade, sem dinheiro público e custando
metade ou menos de metade das arenas construídas especialmente
para a Copa. Revolta qualquer cidadão de bem o fato de se ter optado
pela construção de arenas novas em lugares que farão pouco uso
dessas estruturas e a custos exorbitantes, em vez de se optar pelo uso
dessas duas arenas ou de um estádio emblemático e que poderia ter
sido facilmente adequado para a Copa, como o Pacaembu.
Temos, então, uma oportunidade ímpar sendo muito mal aproveitada
e, pior, transformada em alvo de toda sorte de oportunismos e ações
de caráter pouco prático ou produtivo, alguns com objetivos políticos,
outros para atender a interesses específicos, sem consideração pela
sociedade de forma mais ampla.
É, por exemplo, de uma incrível falta de bom senso ir para as ruas
agora para protestar contra a Copa do Mundo. Quem pensa assim,
se fosse sério, deveria ter ido às ruas protestar em 2007, quando o
Brasil decidiu pleitear a Copa, pois ela não está aqui porque a Fifa quis
ou por acidente, e sim porque o governo brasileiro quis. Aquele era
o momento de frear o processo. Também poderiam ter protestado
quando o governo brasileiro insistiu em 12 cidades-sede, quando poderia ter resolvido tudo com bem menos cidades e menos estádios.
Protestar agora é de um oportunismo barato, que só servirá para
reduzir ainda mais as chances de se obter resultados positivos com
a Copa e causar ainda mais prejuízos ao País, em um momento em
que estaremos recebendo milhares de visitantes estrangeiros. São
pessoas que vão gastar muito dinheiro para estar aqui por causa da
Copa – dar show para eles com atos destrutivos, tipo queimar ônibus
(verdadeira e total imbecilidade de quem faz...) ou travar o acesso a
estádios, além de um ato de total desrespeito, que não ocorre com
brasileiros que visitam outros países, só vai servir para multiplicar
péssimas impressões mundialmente a respeito do Brasil. Quem
ganha com isso?
O grande problema parece ser que há muita gente no Brasil que
acreditou que se deveria construir um país apenas porque aqui seria
realizada uma Copa do Mundo. Agora, parece haver muita decepção
porque o tal país que seria construído não ficou pronto... É uma forma
distorcida de enxergar as coisas. Um país se constrói o tempo todo
e nunca em função de um evento, qualquer que seja. O evento gera
oportunidades, que geram renda, que geram mais impostos e é com
os impostos bem administrados que se constroem os hospitais e
escolas que estão faltando. Portanto, não é não fazendo o evento que
se realizam essas obras – é exatamente o contrário disso.
O que cabe é reclamar, e fortemente, da incompetência generalizada demonstrada pelo governo e do uso de recursos públicos onde
nem mesmo um tostão de dinheiro do contribuinte deveria ter sido
aplicado – em estádios, por exemplo. Aí, sim, pode-se argumentar
pelo mau uso do dinheiro público, mas é preciso lembrar que isso
não é culpa da Copa do Mundo, e sim da péssima condução desse
projeto por quem hoje ocupa o poder no País.
Resta torcer para que a maioria dos brasileiros tenha os interesses
do País como prioridade durante a Copa, dirija suas reclamações ao
lugar certo (que não é o fato de a Copa do Mundo ser no Brasil), deixando estratégias ignorantes, gratuitas e destrutivas para uma minoria
que não quer agir de forma consciente pois tem, claramente, outros
interesses e nenhum respeito pelo bem comum.
“O círculo se fecha”
“É hora de buscar benefícios”
Affonso Ritter, colunista do Jornal do Comércio de Porto Alegre, um dos apresentadores do Jornal Gente diário e do programa
Empreendedores aos sábados da Band AM
(640), comentarista do BandCidade da Band
e editor do site www.affonsoritter.com.br
Meu entusiasmo pela Copa do Mundo no
Brasil foi relativo na decisão. Diferentemente
de muitos que então a festejaram e hoje promovem passeatas contra. Perto da Copa, acho
que valeu. É hora de buscar seus benefícios depois de
arcar com os custos. Há muita confusão de números, misturando gastos de estádios com gastos em obras de mobilidade urbana.
Mesmo os gastos com estádios não foram feitos com recursos do
orçamento e sim de empréstimos do BNDES, que deverão retornar
com juros. Porto Alegre não tem estádio estatal. Os dois – Arena do
Grêmio e Beira-Rio – são privados, ainda que tenham recebido incentivos fiscais na compra dos materiais. Para meu gosto, não seriam
12 sedes. Vão sobrar elefantes brancos, por exemplo, em Manaus e
Cuiabá, que não têm futebol para ocupá-los.
Alexandre Alfredo, diretor de comunicação
da Nike do Brasil
O futebol não nasceu no Brasil, mas ninguém
ousaria negar que ele foi aperfeiçoado aqui. Nas
ruas de São Paulo, nas praias do Rio de Janeiro,
nos pés de lendas cujos nomes ecoam por décadas, mitos tão fortes hoje como no passado.
O Brasil adotou um esporte de outro continente e o abraçou de forma tão completa e
incondicional que acabou tomando como seu. É
tão inseparável da vida dos brasileiros quanto o idioma ou
o próprio território. E como sempre acontece com uma grande
paixão, o resultado é maravilhoso. Uma nação com 200 milhões de
pessoas apaixonadas pela camisa verde e amarela há quase um século.
A Nike só entendeu realmente a magia do futebol quando a viu
através dos olhos brasileiros. Agora, quase 20 anos depois que a Nike
apareceu pela primeira vez na camisa verde e amarela, o círculo se
fecha. E o maior espetáculo do futebol retorna ao seu lar espiritual.
“Cobrar dos clubes e dos governos”
Alexandre Salvador, repórter, editor e locutor
da Agência Webcombrasil – Central de Radiojornalismo, de Curitiba/PR
Para mim, a Copa do Mundo ideal seria aquela
que gastasse o mínimo de dinheiro possível
(reformando os estádios que já existissem e
fazendo as obras que fossem extremamente
necessárias) e sem tanta ingerência e autoritarismo da Fifa, como estamos vendo. Mas já que
nada disso aconteceu, temos que cobrar dos clubes
e dos governos a devolução gradual do dinheiro público
investido na modernização/construção das arenas e a conclusão
das obras que não ficarão prontas a tempo do Mundial, sem falar
daquelas que sequer saíram do papel.
As ferramentas certas
para o seu negócio
prosperar estão no
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ESPECIAL DIA DA IMPRENSA • ESPECIAL DIA DA IMPRENSA • ESPECIAL DIA DA IMPRENSA
“O bom e velho Brasil”
Américo Martins, superintendente de Jornalismo e Esportes da RedeTV
Eu nunca achei que a realização da Copa do
Mundo ou das Olimpíadas fosse uma prioridade
para o Brasil. O País tem milhões de problemas e
o foco da sociedade, do governo e dos cidadãos
deveria estar em tentar solucionar pelo menos
parte deles. Qualquer dinheiro público também
deveria ser usado prioritariamente para melhorar
questões como a saúde, a educação e a segurança das pessoas. É lamentável que dinheiro público tenha
sido utilizado na construção de estádios enormes, por exemplo.
Mas também entendo que o Mundial pode trazer boas coisas ao
Brasil. E acho que uma delas, curiosamente, será em termos de imagem do País no exterior. Eu acompanhei a questão em detalhes desde
o anúncio oficial do Brasil como sede da competição, em 2007. Na
época, trabalhava como editor executivo da BBC, em Londres, e fui
muito questionado por colegas da empresa e de outras companhias
internacionais de mídia sobre o impacto que o evento teria no Brasil
em qualquer lugar do mundo. E, no fim, o balanço geral da imprensa
internacional será mais positivo. Foi assim, exatamente da mesma
forma, a cobertura internacional de outros eventos mundiais em países
– assim como o Brasil – tidos como periféricos (como as Olimpíadas
em Atenas, na Grécia, e a Copa da África do Sul).
E os próprios brasileiros vão ficar muito mais animados e felizes
com o desenrolar da competição. Especialmente se o Brasil começar
vencendo na competição.
“Momento mágico”
Andrea Denadai, diretora de Comunicação da
MasterCard para o Brasil e Cone Sul
Sempre fui apaixonada por futebol, e a Copa
do Mundo, para mim, é um momento mágico,
em que as famílias e os amigos se reúnem para
torcer e vibrar juntos. Por esse motivo, a Copa
do Mundo no Brasil me pareceu uma excelente
ideia e ainda custo a acreditar que estamos
vivendo um momento tão conturbado, com
e a capacidade do País de realizá-lo. Sempre afirmei que tínhamos
condições de fazer uma excelente Copa (mesmo que isso não devesse
estar no topo da lista de prioridades do País) e que o mundo gostaria
de ver uma disputa na “terra do futebol”. Uma vez agraciados com a
possibilidade de realizar a competição, tínhamos mais é que abraçar
a ideia e fazer o melhor possível.
E este melhor possível está sendo visto hoje. Não me surpreende
de forma nenhuma que os estádios tenham ficado prontos em cima
da hora, que várias obras não tenham sido realizadas a contento e que
exista uma reação de parte da sociedade contra os gastos excessivos
do Mundial. Este é o nosso bom e velho Brasil...
Mas a Copa vai ser realizada, sim, e será, em termos de futebol e
beleza, um grande sucesso. Tenho certeza de que muito vai mudar
quando a bola começar a rolar. A imprensa mundial vai parar de falar
dos atrasos dos estádios e da bagunça geral da nossa sociedade. Os
jornalistas estrangeiros vão cobrir com riqueza de detalhes a realização
de uma Copa que tem tudo para ser maravilhosa. Os jogos vão ser
sensacionais e a imensa maioria dos turistas vai se divertir muito. E
eles vão conhecer algumas de nossas maravilhas – mesmo que uma
minoria tenha alguns problemas pontuais, como sempre acontece,
protestos, dia sim, dia não, e milhares de pessoas dizendo que não
vai ter Copa. Eu, particularmente, vou torcer muito por nossa Seleção.
Mas não posso negar que a Copa no Brasil acabou se tornando uma
metáfora para a falta de planejamento e de capacidade de execução
de nossos governantes. É uma pena.
“Legado ficou aquém”
André Trigueiro, editor-chefe do Cidades
e Soluções (GloboNews) e repórter da TV
Globo
O problema não é a Copa do Mundo em si,
mas a constatação de que o Brasil desperdiçou
uma excelente oportunidade para avançar em
obras estruturais importantes e urgentes nas
cidades-sede. Agravou-se a percepção de que
o País não consegue entregar obras no prazo
pelo preço certo. O evento poderá até ser um
sucesso, mas o legado ficou aquém.
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“Diálogo maduro”
Angélica Consiglio, presidente da Planin
“Noventa milhões em ação, Pra frente Brasil,
Do meu coração... Todos juntos vamos, Pra
frente Brasil, Salve a Seleção”. Foi no ritmo
dessa música que nasci, em 1970. Sempre
tive orgulho dessa data, marcada pelos gols de
Pelé, Tostão, Zagallo e Rivellino. Esse campeonato mundial sempre aconteceu com muita
empolgação. Este ano, pelo que parece, as
manifestações vão tomar as ruas. Sou totalmente
a favor de discussões para um País melhor, mas com um
diálogo maduro, sem violência e depredação. Estamos perdendo
a chance de apresentar nosso Brasil para o mundo.
“Torcida única”
Antoninho Rossini, colunista e apresentador do boletim diário Esportes
S.A., na Rádio Bradesco Esportes, do Grupo Bandeirantes
País do futebol?
Iniciar comentário com uma pergunta exige atenção redobrada
para evitar contradições, mas em se tratando de futebol, uma paixão
nacional, onde em cada esquina há técnicos e “pais da matéria”,
vale o risco.
Acostumados a “pão e circo”, os brasileiros estão acordando de
forma brusca para outras prioridades. “Pão e circo” elegem políticos,
ajudam a economia (mesmo que artificialmente) e promovem lapsos
“Vencer a apreensão”
Antônio Torres, escritor, membro da Academia
Brasileira de Letras
Dia destes, em O Globo, Miriam Leitão definiu a expectativa dessa Copa feita em casa
assim: mais tensão do que torcida. E hoje
mesmo, 19 de maio, o querido Ancelmo Gois
repercutiu em sua coluna um petardo de Paulo
Coelho em entrevista ao francês Le Journal de
Dimanche, na qual ele se mostra decepcionado
com tudo o que aconteceu desde a escolha do
Brasil para país-sede do Mundial, cuja cerimônia, em
201694_Africa São Paulo Publicidade_Itaú - Africa_196x155
Zurique (2007) contou com a sua presença, como membro da
29/05/2014 - 20:05
delegação oficial brasileira. Por enquanto, esse é o clima que está aí.
Torçamos para que o Brasil vença a apreensão, o medo... e a Copa!
Mande um SMS gratuito com a palavra ITAU
para 30120 e baixe a versão completa
da música do Itaú para a torcida brasileira.
de alegria. Estádios bilionários com utilização
duvidosa após a Copa, sistemas de transportes
e de segurança artificiosos escancaradamente
para poucos chegam a ser um acinte. O resultado disso é o que se observa ultimamente
em todo o Brasil. São movimentos de massa,
claramente gerados pelo inconsciente coletivo,
espontâneos, colocando seus anseios prementes e necessários nas ruas de todo o Brasil; pena
que nossas autoridades nunca observaram o
clamor do povo. E vão pagar por isso.
Seria uma honra para o nosso País sediar uma confraternização universal como a Copa do Mundo de Futebol se
não vivêssemos uma crise institucional em todos os níveis. O que
se lamenta é que o Brasil, conhecido como o país do futebol (e do
carnaval) possa deixar tristes recordações assim que terminarem os
jogos. Mas como não há outra alternativa, temos que nos organizar
numa torcida única em favor de menos corrupção, da não violência,
de mais educação, mais saúde, mais respeito e amor.
Vamos receber craques e amantes do futebol de todo o mundo
para esse evento da melhor forma possível. E que vença o melhor.
Os times mais preparados são Espanha, Inglaterra, Argentina e Brasil.
Deixei o Brasil por último propositalmente para enfatizar para quem
torcerei. Apesar tudo!
Essa é a linha de pensamento de um corintiano, que deixou de ir
aos estádios, mas vibra ardorosamente pelo seu time.
“Uma festa do futebol”
Apolinho (Washington Rodrigues), jornalista e
radialista, 52 anos de profissão, 77 de idade, comunicador e comentarista esportivo titular da Rádio
Tupi do Rio de Janeiro, colunista do jornal Meia
Hora. Foi técnico da equipe titular do Flamengo em
1995 e diretor Técnico de Futebol em 1998
Era menino, tinha 14 anos e acompanhei a
Copa de 50 pelo rádio e assistindo no estádio
apenas um jogo – Brasil x Iugoslávia, vencido
pelo Brasil por 2 x 0, gols de Ademir e Zizinho.
Uma grande festa, que teve aquele final infeliz com o
Brasil perdendo para o Uruguai por 2 x 1 diante da sua torcida.
De lá para cá acompanhei todas como torcedor, até a de1962, quando
levantamos o bicampeonato.
Itaú. Feito para você.
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ESPECIAL DIA DA IMPRENSA • ESPECIAL DIA DA IMPRENSA • ESPECIAL DIA DA IMPRENSA
Como profissional, trabalhei como repórter pela Rádio Nacional na
de 1966, mas no Brasil, fazendo a cobertura das ruas, acompanhando
as reações do povo. Finalmente, em 1970, ainda como repórter e já
na Rádio Globo, fiz a primeira viagem internacional. Fui feliz, voltei do
México comemorando o tri. De lá para cá, só não fiz as de Japão e
Coreia. Pela diferença de fuso, a Rádio Tupi optou por não transmitir.
Os jogos eram disputados para nós na madrugada.
Vejo o Brasil com reais possibilidades de título para 2014, embora
advirta que não é uma obrigação a conquista do título. Existem outras
31 seleções com a mesma ambição.
Lamento que o clima no País não seja o que eu esperava. Um mundial deve ser como sempre foi: uma festa do futebol. A oportunidade
de se promover a confraternização entre os povos representados por
seus contingentes de torcedores num clima de alegria e de integração.
Desta vez vejo o País ameaçado por movimentos que podem criar
um clima desfavorável. Sinto o povo preocupado. A maioria quer a
Copa e torce para dar certo, a minoria que não quer ameaça agitar
e provoca a sensação de medo aos nossos possíveis visitantes. No
noticiário diário vejo que as providências são de tal forma que parece
que o País se prepara para uma guerra e não para uma festa.
Mas um fato é verdadeiro: a mídia inteira, mesmo a que condena
os gastos com a Copa, corre atrás das verbas que o governo gastador
reservou para a propaganda do evento.
“Bons frutos para o futebol”
Breiller Pires, repórter da revista Placar
Desde a época em que o Brasil pleiteava o
posto de sede, defendo a realização da Copa
do Mundo no País. Temos capacidade para
organizar megaeventos que podem acelerar
mudanças e transformações. Embora tenhamos perdido a oportunidade de concretizar um
legado efetivo em termos de estrutura, muito
além da construção de estádios, acredito que
o Mundial trará bons frutos ao Brasil e principalmente ao futebol. Devemos fiscalizar o gasto público
e cobrar as obras prometidas, mas, por outro lado, é preciso
desconstruir a falácia de que a Copa obstruiu investimentos em outras
áreas, como educação e saúde, que foram integralmente mantidos
pelo governo. Não sei se esta será, de fato, a “Copa das Copas”,
mas duvido que – Maracanazo à parte – o País saia perdendo no fim
das contas.
“Celebrar o esporte”
Carina Almeida, sócia-diretora da Textual
A Copa do Mundo da Fifa Brasil 2014 é duplamente especial para nós, da Textual. Além de
ser “em casa”, esta será a nossa quinta edição
consecutiva do megaevento do futebol, agora
com mais ênfase na comunicação digital, atendendo a seis grandes clientes.
Entendo que o momento mais efetivo para
cada um de nós brasileiros nos posicionarmos
do campeonato dificilmente mudará a percepção de que o País
ficou devendo em sua lição de casa. Argumenta-se que o dinheiro
da Copa poderia ter outros destinos. Faz sentido. Apesar de ser a 7ª
economia do mundo, o Brasil está em 35º lugar no ranking de educação da OCDE, em 72º no ranking da OMS em gastos com saúde, é
apenas o 85º no Índice de Desenvolvimento Humano e ocupa o 54º
no ranking de competitividade da Fundação Dom Cabral.
“Encontro de torcedores”
Castilho de Andrade, diretor de imprensa do
Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 desde 2006
A Copa do Mundo é o grande evento esportivo da população brasileira. E como o brasileiro gosta de festa, a Copa vai ser mais uma
oportunidade para um encontro de torcedores
de diversos países nos estádios e nas ruas.
Poderia ter sido melhor organizada se tudo
não ficasse para a última hora. Acho que o País
não vai ganhar nem perder com a Copa. Mas o
vandalismo assusta.
“Todos seremos responsáveis”
Célio Galvão, gerente de Imprensa da Ford
Ao contrário de outras que vi, o Brasil vai
para essa Copa com maior responsabilidade
e sabendo que não basta só ser bom de bola.
Como anfitriões, vamos ser avaliados mundialmente também pelo que acontecer fora de
campo. E, aí, não adianta rezar, botar a culpa
nos jogadores, no técnico ou no juiz. Todos
nós seremos responsáveis pelo resultado.
“Atrás das verbas do governo”
Audálio Dantas, escritor, diretor de Redação da
revista Negócios da Comunicação e presidente da
Comissão Nacional da Verdade dos Jornalistas
Para mim ficou claro que a cobertura do assunto
Copa está contaminado pelo processo eleitoral que
se aproxima. Atraso em obras, superfaturamento
e outras verdades são cobertas como se jornais,
revistas, rádios e tevês tratassem uma pelada de
ponta de rua e não de um acontecimento esportivo
que qualquer país gostaria de sediar.
E quanto mais os jogos se aproximam mais toma corpo
um jornalismo, digamos, pouco exigente, sem compromisso
com a apuração dos fatos. Um dia, um jornal diz o contrário do que
adversários do governo gritam sobre os gastos, que dariam para resolver todas as nossas mazelas: os gastos com a Copa não serão do
tamanho apregoado; no outro, dão a glória da manchete ao ex-jogador
e hoje negociante esportivo Ronaldo, que diz estar morrendo de vergonha pelo atraso das obras. E revistas semanais fazem jornalismo
de futurismo ficcional sobre a bagunça que os visitantes estrangeiros
encontrarão por aqui.
sobre o caminho que queremos para o País é nas eleições de outubro.
Agora, na Copa, é hora de celebrarmos o esporte que, dentro de
campo, emociona, contagia e também nos ensina que a disciplina,
a persistência, o trabalho em equipe e a determinação fazem toda a
diferença.
“Responsabilidade sobre Neymar”
Carlos Conde, editor-chefe de A Tribuna, de Santos
É perfeitamente natural que a Copa do Mundo
seja realizada no “país do futebol”. Pena que
ela, desde os preparativos, não esteja contribuindo para passar, ao exterior, uma imagem
positiva do Brasil: atrasos, superfaturamento,
corrupção de toda ordem. E vamos ver se os
aeroportos funcionarão, se os estádios ficarão
prontos. Quanto à Seleção Brasileira, claro que
não pode ser comparada com as de 1970 e
1982, para citar apenas dois exemplos. A atual é jovem.
Espero que o Felipão possa incutir o espírito de campeão nos
meninos. Também me preocupo com a enorme responsabilidade que
pesará sobre os ombros do Neymar.
“Copa já foi ‘precificada’”
Ciro Dias Reis, presidente da Imagem Corporativa,
diretor da Abracom e VP da PROI Worldwide
No passado, a realização de uma Copa do Mundo no País era desejo da maioria dos brasileiros.
Hoje é diferente. O Brasil pode até se tornar
hexacampeão e a infraestrutura de suporte ao
evento pode até não gerar novos inconvenientes,
mas o cenário geral já está dado. Como diz o
jargão do mercado financeiro, a Copa do Mundo
já foi “precificada”: o que acontecer até o apito final
Como donos da casa, sabemos que falta ainda uma condição ideal.
A esperança é, quando a bola rolar, o coração do torcedor falar mais
alto. Não podemos deixar de lado o saldo positivo ou negativo desta
que, com certeza, será a “Copa das Copas”. Haja coração!
“Clima de paz e amor”
Charlene Sant’Anna, jornalista no blog Paixão
Nacional FC e comentarista no programa 4-2-4,
na BlueTV
Infelizmente, a Copa foi para o povo brasileiro
uma paixão não correspondida. Prioridades foram
deixadas de lado para mostrar uma imagem do
Brasil que não é real. Mas já que estamos com
um pé na Copa, que tenhamos clima de paz e
amor, e que as manifestações não prejudiquem o
povo brasileiro! Se houver protestos, que o façam
civilizadamente! É importante reivindicar!
“Amadurecimento da população”
Claudia Belfort, jornalista
Lamento não termos aproveitado a organização da Copa para darmos um salto organizacional no que tange nossa dificuldade de planejar,
de cumprir orçamentos e prazos. Vimos o Brasil
de sempre, atrasos, descaso com o dinheiro
público, dúvidas sobre os benefícios do legado.
Mesmo assim não acredito que a Copa no Brasil
será um fiasco; é fato que não estaremos prontos, mas não a ponto de inviabilizar o evento.
Tampouco me assustam os protestos. Antes de um
prenúncio da desgraça, vejo nas manifestações um sinal de
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amadurecimento da população, que mostra manter um senso crítico
ainda que diante de sua maior paixão. Sem ser ufanista, a Copa está
aí, não faz sentido torcer pela desgraça. Eu torço pela Seleção e para
um evento de paz.
“Da melhor forma possível”
Cláudia d’Amato, gerente de Comunicação da
AngloAmerican
A Copa do Mundo se tornou um tema
polêmico tardiamente. Agora é o momento
de fazer acontecer da melhor forma possível,
para não prejudicar (ainda mais) a imagem do
País como ambiente para o desenvolvimento
de projetos e negócios. E espero ver essa
mobilização da sociedade no pós-Copa, no
momento de prestação de contas e cobrança de
responsabilidades. Aí sim seria muito produtivo
para o Brasil.
“Necessidade de mudança”
Claudia Giudice, diretora-superintendente da UN
Abril Segmentadas
Quando o Brasil foi escolhido para sediar a
Copa, senti orgulho. Na época, pensei: “Enfim
crescemos”. Os atrasos, erros, altos custos
e imensas fragilidades de infraestrutura que
temos e que não foram “consertados” mostraram para nós e para o mundo que não, não
chegamos lá. É triste. É vergonhoso. O lado bom,
porém, é exatamente esta explícita fraqueza e necessidade
nos cronogramas e a falta de transparência na condução do processo, itens que podem reforçar a imagem negativa do País no exterior.
Brasil, Alemanha, Argentina e Espanha são as favoritas na disputa
da taça. Enquanto os alemães mostram ter o time mais completo, o
Brasil desponta pela torcida. Não há como resistir a um estádio inteiro
cantando o hino nacional.
“Cara estressada”
Clóvis Rossi, colunista da Folha de S.Paulo
Eu sou avesso ao patriotismo, até porque concordo, em parte, com Samuel Johnson quando diz que
“o patriotismo é o último refúgio dos canalhas” (em
parte, porque há patriotismos do bem e do mal).
Por essa convicção íntima, confesso que fiquei
perplexo ao ver o surto patrioteiro que invadiu a
comitiva brasileira que participou do ato em que a
Fifa escolheu o Brasil para sediar o Mundial.
Mas, na época, não sabia que minha perplexidade
só iria aumentar agora que a Copa é iminente. O que parecia
bom (o Brasil mostrar a cara) virou uma dor de cabeça porque a cara
que o País anda mostrando está muito estressada. Só espero que não
piore. É tudo o que o Brasil não precisa.
trazer à balança comercial do País, uma vez que
o tão cantado legado parece ter sido postergado
para os Jogos Olímpicos. A paralisação durante o
período parece buscar argumentos racionais na
paixão do brasileiro pelo futebol e pelo caráter
nacionalista do evento. Seria ela inferior à apreciação que tem pelo emprego, fruto da manutenção
da atividade econômica? Está na hora de separar
as coisas e alocar a Copa ao espaço que merece
nas agendas: o do lazer.
Do ponto de vista da pesquisa, os meses de
junho e julho podem ser dedicados a consultorias, desk
researchs, análises e planejamentos, atividades que independem
do clamor nacional. É o momento das empresas aproveitarem a pausa
forçada para estabelecer estruturas sólidas para o segundo semestre,
que, em minha opinião, tenderá a ser economicamente bastante ativo.
Do ponto de vista da comunicação, as empresas devem evitar,
a todo custo, a armadilha do espírito do bolão ufanista. Trata-se de
um momento ímpar para profissionais da comunicação interna ultrapassarem a simples comunicação de festividades e, criativamente,
atrelarem sua comunicação da Copa às mensagens-chave da empresa,
podendo, para isso, demonstrar os desafios a curto, médio e longo
de mudança. Acho que quando a Copa começar os brasileiros farão
uma grande festa. Nossa gentileza e simpatia mais uma vez compensará a falta de organização dos governos e líderes. E, sim, temos reais
chances de ganhar. A taça de campeão do mundo, talvez, será o único
legado para o País, o que é triste e lamentável.
“Momento delicado”
Claudia Kucharsky, diretora de Redação da Holofote Comunicação
Seria uma decisão acertada se houvesse
um comprometimento do governo e de todos
os envolvidos em realizar um evento que
mostrasse o potencial do Brasil, não apenas
dentro, mas principalmente fora de campo.
Conseguimos ganhar a atenção de todo o
mundo com a escolha do País como sede da
Copa e das Olimpíadas, porém acabamos transformando uma oportunidade que poderia ser muito positiva para a
nossa economia e nossa imagem em um momento
extremante delicado e negativo, com repercussão
na mídia nacional e internacional.
“Estádio inteiro cantando”
Claudio Arreguy, editor de Esportes do Estado de Minas
O fato de o Brasil sediar a Copa foi uma escolha
acertada, mas pecou-se pelo despreparo do País
em assumir um compromisso desse porte. Como
um bom mineiro, as desconfianças sobre a adequada realização da Copa foram confirmadas com as
denúncias de superfaturamento das obras, atrasos
“Lucro para as empresas”
Cristiane Santos, gerente sênior de Comunicação
Corporativa da Pfizer
Os olhos do mundo estarão voltados para o
Brasil durante a Copa do Mundo deste ano, o
que significa que seremos avaliados não apenas
pela qualidade do nosso futebol, mas também
pela capacidade de gerenciar grandes eventos.
Trata-se de uma oportunidade única de divulgar
amplamente a cultura brasileira e de reforçar a
boa imagem do País no âmbito internacional. Um
evento desse porte, que atrai grande contingente de turistas, também movimenta a economia local, gerando lucro para
empresas e aumento de investimentos no País, o que ao final pode
beneficiar a todos os brasileiros.
Copa e comunicação corporativa
Cristina Panella, sócia da Cristina Panella Planejamento e Pesquisa, do
Grupo Attitude
(trecho do artigo Grandes eventos, pesquisa e comunicação corporativa: como evitar a percepção que paralisa oportunidades, publicado
no site da Aberje no dia 6/5/14)
“É grande a expectativa sobre os benefícios que a Copa possa
prazos (preparando discursos específicos para vitórias e derrotas).
Afinal, empresas não vivem do curto prazo: elas têm por objetivo
perpetuar-se, o que significa que estarão aptas a lidar com vitórias e
derrotas, preparando-se, sempre, para os próximos passos.”
“Algo inesquecível”
Cristina Toletti, sócia-diretora da XComunicação
A Copa no Brasil é uma enorme oportunidade de mostrarmos ao mundo os principais
elementos culturais do País. Talvez esse seja
o principal legado, já que nem todas as obras
de infraestrutura necessárias foram realizadas
a tempo e dificilmente isso se traduzirá em
melhor qualidade de vida para o brasileiro.
Não podemos ignorar as manifestações, que
devem ser intensificadas com a proximidade
da Copa. Isso também será uma vitrine das reivindicações populares em discussão por aqui. O Mundial é o maior
evento esportivo de confraternização entre as nações e sediar esse
encontro é algo inesquecível para todos os brasileiros que respiram
e amam o futebol.
[email protected]
41 2111-6025 / 41 2111-6029
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“Importante função social”
Denner Taylor, editor de Esportes de O Tempo
Por se tratar do maior evento esportivo do
planeta, a Copa precisa ser encarada como uma
grande oportunidade de crescimento e desenvolvimento, tanto do futebol, quanto da infraestrutura do País. Se houve erros no planejamento e na
condução das obras por parte do poder público
é preciso haver investigação e punição dos culpados. Mas isso não pode invalidar a realização
do torneio, que, mesmo com problemas, já pode
ser considerado um sucesso do ponto de vista do público
e dos setores diretamente envolvidos. Se a Copa serviu para
mobilizar parte da sociedade em prol de melhorias, também já cumpriu uma importante função social. Acredito que o Brasil é a seleção
favorita ao título, mas não posso negar que as seleções da Espanha,
Alemanha e Itália são grandes concorrentes.
e verdadeiramente democrática. Isso seria tão ou mais importante do
que bem recepcionar e ser o melhor anfitrião da história do mundial.
E para finalizar...
As seleções com mais chances de conquistar este campeonato
são Brasil, Brasil e Brasil.
“Pouca coisa sobrará”
Eduardo Pugnalli, gerente de Inteligência de
Mercado do Sebrae-SP
Talvez eu seja o maior “peixe fora da água”
nesse especial temático. Futebol nunca foi
minha paixão. Não torço para time algum.
Porém, a cultura em torno do futebol sempre
me encantou. É curioso pensar como o Brasil
se formou em torno da bola e como isso se
prolonga ao longo de tantos anos.
A Copa do Mundo aqui é, sem dúvida, o ápice disso. Até “incrédulos” como eu acabam sendo
envolvidos nessa onda verde e amarela.
Porém, não posso deixar de olhar que, apesar da festa linda, pouca
coisa sobrará posteriormente. As cidades-sede – algumas que não
têm times nem na Terceira Divisão – ficarão com arenas subutilizadas,
enquanto seus hospitais caem pelas tabelas, os alunos continuam
caindo de divisão nas escolas e a segurança só toma cartão vermelho.
“Repensar direitos de
cobertura”
Douglas Tavolaro, vice-presidente de Jornalismo da Rede Record
Um evento com as proporções da Copa no
Brasil deveria ser a razão para que os direitos
de cobertura televisiva pudessem ter sido
repensados de maneira inédita e que todas as
emissoras da nação pudessem apresentá-lo
livremente. Não falo de transmissão, mas na
cobertura dos veículos de imprensa que não têm
os direitos de exibição. Um momento real de integração
nacional, de liberdade de veiculação da informação.
Vários estilos de jornalismo, de seriedade e empenho profissional,
de criatividade e de inovações na estética de vídeo, mas também
com filosofias de trabalho totalmente diferentes, seriam oferecidos
para a população brasileira, de norte a sul do País, de maneira plural
Será que a Copa era prioridade mesmo? Vale todos esses bilhões
de reais? Para mim, não.
Enfim, vamos ver o que a população acha mesmo da Copa e desses
últimos anos em outro grande evento, em outubro, nas eleições.
Essa, sim, uma decisão de dar frio da barriga e que vai repercutir
por pelo menos quatro anos, valendo muito mais que uma taça.
“Influir no destino do Brasil”
Eleno Mendonça, sócio-diretor da EastSide23
Com toda certeza vai ter Copa. Mas será
uma Copa diferente, longe do envolvimento
das anteriores, principalmente das que nos
levaram a um dos cinco títulos. E é uma pena,
afinal de contas estamos falando de uma
Copa no nosso País, o país do futebol. Acho
que houve de tudo um pouco, muito envolvimento político, muito lobby, muito desvio,
números astronômicos para um povo que
neste momento precisa mesmo é de mais saúde,
segurança, educação.
No ar sempre ficou a pergunta: e se o governo se empenhasse
com a mesma vontade para fazer hospitais, escolas, iluminar as ruas,
fazer saneamento básico? Isso tudo explica muito a fúria das ruas.
Exageros à parte, as manifestações estão cheias de razão. Perdemos
HOJE É O DIA
DAQUELES QUE
ACREDITAM QUE
POR MEIO DA
INFORMAÇÃO
PODEMOS FAZER UM
MUNDO MELHOR.
Uma homenagem da Coca-Cola Brasil aos profissionais da imprensa,
que têm uma filosofia de trabalho tão parecida com a nossa.
1º de junho – Dia da Imprensa.
www.cocacolabrasil.com.br
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a chance de fazer tudo isso, de construir um País melhor a partir do
futebol, uma de nossas paixões.
Nisso tudo a imprensa fica no meio, ora querendo fazer a melhor
cobertura, ora se pondo no lado crítico da questão. Para piorar, tudo
isso acontece às vésperas de uma eleição. Ou seja, o resultado da
Copa pode influir em uma série de coisas, inclusive no destino do
Brasil nos próximos quatro anos.
Bem, mas estamos na Copa.
“Experiências positivas”
Elisa Prado, diretora executiva de Comunicação
da Tetra Pak
Eu acredito que a Copa do Mundo mudou o
Brasil. De fato, o evento esportivo nem começou
mas muita coisa já mudou. O povo saiu da inércia
e percebeu o poder da voz. Muitas classes perceberam a força da mobilização e como podem
exigir mudanças. Talvez algumas manifestações
não tenham acontecido no tom ideal e da forma
correta. Mas, de certa forma, os holofotes voltados para o País mostraram para os brasileiros sua real
importância. Certamente podíamos ter mudado para melhor se, lá
atrás, quando o Brasil foi selecionado, tivéssemos de fato estabelecido
um plano estratégico não só para construir estádios, mas para deixar
um legado e desenvolver o transporte, a segurança, a educação, a
saúde e a qualidade de vida das pessoas. Mas, de qualquer forma, este
evento trará e deixará muitas experiências positivas aos brasileiros e
o intercâmbio de culturas será muito proveitoso.
“Antes mesmo de o escrete canarinho pisar os
abastados gramados inacabados, a máquina publicitária do Governo Federal já entrou em campo.
Tomou conta de todos os intervalos comerciais da
tevê. Com força. Com garra. Com vontade. Com
força total. E também com uma dose considerável
do que poderíamos chamar de doideira oficialista:
em pleno país do futebol, onde supostamente a
maioria dos nativos se delicia vendo jogadores
dando chutes na bola enquanto um juiz corre atrás
deles com um apito na boca, a propaganda do
governo quer convencer o povo de que Copa do Mundo
vale a pena, é legal, é boa à beça. Coisa estranha, convenhamos.
Antes, o Governo queria porque queria fazer a Copa no Brasil pois
isso traria a felicidade geral da Nação, sabidamente aficionada desse
esporte exótico. Agora, precisa gastar dinheiro público para encorajar
a Nação a ficar feliz, feliz no geral e no particular,
porque a Copa vai ser uma apoteose. Vai ser, como
diz o locutor chapa-branca, ‘a Copa das Copas’.
‘Entende?’, diria o Pelé.”
“Lamber as feridas”
Fabio Steinberg, jornalista e escritor
Talvez por cacoete de jornalista que escreve
sobre viagens e turismo sob o ângulo de negócios
não consigo ver a Copa do Mundo no Brasil apenas
pelo lado esportivo. Nesse sentido, lamento a
perda de oportunidade de um país tão bacana como
o nosso de não usar o potencial fantástico do evento para
melhorar a infraestrutura, criar empregos, alavancar-se como destino
se abraçando, se beijando, dançando feitos loucos.
Imagina o capitão Thiago Silva levantando a taça
no gramado em meio a uma chuva de papel picado, repetindo o feito de Bellini em 1958. Imagina
o Brasil livre de vez do fantasma da Copa de 50.
Imagina o dia seguinte. Feriado nacional. Não tem
aula, não tem chefe de mau humor, não tem pobre
nem rico. Não tem flamenguista nem vascaíno. Só
brasileiro, com muito orgulho. Imagina se o Brasil
perde essa Copa? Nem quero imaginar. Ou melhor,
que falta de imaginação...
“Sabor agridoce”
Hélio Gomes, diretor de Conteúdo do Terra
A Copa chega com sabor agridoce para mim.
Por um lado, estou pronto e ansioso para encarar um desafio profissional gigantesco. E meu
lado torcedor já começa a esquentar, já que sou
incapaz de deixar a paixão pelo futebol de lado – é
herança paterna, afinal.
Por outro, preocupo-me com a segurança de
nossa equipe na linha de frente da cobertura
dos protestos que virão. E temo pelo saldo que
restará ao País depois do Mundial, especialmente
em relação à nossa imagem no exterior e ao impacto dos
acontecimentos nas eleições deste ano.
Há quem diga que já perdemos uma oportunidade histórica. Quero
crer que ainda há esperança.
“Cobertura transversal”
Eugênio Araújo, assessor de Comunicação e
Imprensa da Presidência da Câmara Municipal
de São Paulo
Não há dúvida: a cobertura desta Copa do
Mundo será totalmente transversal. Ingredientes adicionais obrigam ações integradas
e bem afinadas das editorias de Cidades/Cotidiano, Política e Esportes. Claro: estamos
falando da grita geral em torno da mobilidade
urbana, a proximidade das eleições – tudo
junto e misturado, com a perspectiva do Brasil
sagrar-se hexacampeão mundial de futebol. Aliás, além
do Brasil, na minha opinião disputam o título de 2014, pela ordem, as
seleções da Alemanha, Espanha e Argentina.
Sobre a dicotomia ‘“torcer pelo Brasil” (alienados?) e “aproveitar a
Copa para exigir mudanças urgentes no País” (engajados?), gosto da
cena proposta por Cao Hamburguer no filme O ano em que meus pais
saíram de férias, ambientado na Copa de 1970. Na hora “H” da decisão
com a Itália, os militantes de esquerda empunharam as bandeiras verde-amarelas e gritaram, pulmões abertos: “É, campeão! É campeão...!!!”.
“’Copa das Copas’? Ou das lorotas?”
Eugênio Bucci, professor da ECA-USP e da ESPM e articulista do jornal
O Estado de S.Paulo e da revista Época
(trecho de artigo publicado originalmente no Estadão no dia
15/5/2014, cuja íntegra pode ser conferida pelo link http://migre.me/
jsSxX).
de peso (onde patinamos há uma década, com apenas seis milhões
de visitantes por ano) e inserir o País definitivamente no radar do
turismo internacional. Minhas expectativas já estão agora daqui a
dois anos, quando após lamber as feridas e aprender com os erros
da Copa vamos realizar os Jogos Olímpicos no Rio à altura do País.
“Campeonato histórico”
Gil Arruda, editor de imagens, repórter e narrador
esportivo da Fundação Universitária Vida Cristã,
de Pindamonhangaba (SP)
Penso que a Copa do Mundo será muito legal
para o povo brasileiro, pois nossa população
está carente de grandes partidas, de jogos com
alto nível técnico. Espero que tenhamos muitos
gols, equipes fortes, emoções até o último
instante. Todos nós estamos esperando um
campeonato histórico. Quem tiver a oportunidade
de ir ao estádio, mesmo com medo do que acontecer
fora das quatro linhas, não perca a chance de ver bem de perto
craques que brilham pelo mundo e só podemos ver pela televisão.
Tenho certeza de que será a melhor Copa da história. Ainda mais que
podemos ver Brasil e Argentina em uma final!
“Só imaginar...”
Helio Cicero, editor de esportes de O Dia
Imagina só. Quarenta e oito minutos do segundo tempo, David Luiz
dá um chutão para o alto, o árbitro ergue os braços e apita o fim do
jogo. Imagina, Brasil hexacampeão. Imagina a loucura no Maracanã.
Imagina a gritaria nas ruas. Imagina brancos, pretos, mulatos, ruivos
Copa e os tons de cinza do Brasil
Ignácio de Loyola Brandão, escritor e articulista
do jornal O Estado de S.Paulo
(trecho de artigo que ele publicou no Estadão, em 16/5/2014)
Na minha idade, segui muitas Copas do mundo com entusiasmo e alegria, participando da
corrente geral que tomava o País e nos fazia rir,
nos fazia crer, nos fazia torcer. Não me lembro
de 1954; mas de 1958 em diante, repórter geral, aderi ao entusiasmo que coloria e arrastava
o Brasil de ponta a ponta na época da Copa. Meses
de risos, otimismo, ironias, brincadeiras. Quase na véspera
então, fosse onde fosse, as janelas se tornavam verde-amarelas,
ruas e muros pintados, grafites por toda a parte, faixas imensas desciam do alto dos edifícios, bandeirinhas nos carros, banners por toda
parte. Havia apostas, farras nos bares, bons compositores criavam
hinos louvatórios. Muita gente ainda canta “pra frente Brasil, salve a
seleção”. Ainda canta os “milhões em ação, salve a seleção”. E são
refrões de 40 anos atrás, quando havia ditadura. Onde está a música
desta Copa? Até agora, ouvimos canção oficial da Fifa, chocha, tola,
sem pegar nos nervos. Lembram-se das notícias mostrando o povo
correndo para comprar televisores? O povo corria às lojas, era um
tsunami. Os estoques se acabavam. Não vi nada até este momento,
os televisores estão à espera de compradores. (íntegra em http://
migre.me/jvvWd)
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“Catalisador de investimentos”
Jorge Luiz Rodrigues, editor assistente de
Esportes de O Globo e colunista do Panorama
Esportivo
Caminhando para a cobertura de minha sétima Copa do Mundo consecutiva (fui a todas
desde a Itália-1990) e tendo morado sete meses
na África do Sul na reta final de preparação para
a de 2010, estou convencido de que este é um
evento catalisador de investimentos. O Brasil
já gastou mais de R$ 25 bilhões na preparação,
incluindo quase R$ 8 bilhões em estádios, atrasou
muitas das obras, não concluirá outras e perdeu uma oportunidade de avançar ainda mais na infraestrutura. No entanto, considero
um equívoco culpar os gastos com a Copa pelas mazelas do País, como
tenho visto na mídia e nas redes sociais. Nos últimos quatro anos já foi
investido no Brasil mais de meio bilhão de reais em saúde e educação,
e o que se conclui? Dinheiro há. Falta gestão. Na maioria das áreas. É
isso que temos que fiscalizar, cobrar e acompanhar, sempre, em vez
de voltar nossas baterias contra a Copa e incendiar ônibus e danificar
propriedades e bens públicos. Como evento, não tenho dúvida dos
benefícios da Copa do Mundo para o Brasil.
as expectativas superlativas. E fica a realidade, com ônus e, quem sabe, bônus também.
Embora até agora tenham sido enfatizados os
custos para os brasileiros de sediar a Copa e a
falta de organização do governo para terminar
as obras, acredito que daqui a pouco vai ser
possível contabilizar alguns ganhos. Nem que
seja o ganho do aprendizado, sobretudo o de
que o Mundial de Futebol e a Olimpíada – em
2016 – não vão salvar o Brasil do dever de casa
que precisa ser feito.
“Interesses comerciais”
Luiz Carlos Costa, presidente do Diário do Comércio (MG)
As cifras demandadas tornaram a Copa do
Mundo no Brasil uma escolha errada. Os investimentos, que foram parcialmente realizados,
certamente não conferem prioridade ao evento,
cujo “legado”, tudo faz crer, entrará no rol das
promessas não cumpridas. Há desequilíbrio nas
relações entre a Fifa e os organismos locais, evidenciando que interesses meramente comerciais
foram colocados acima de todos os demais, fazendo
da Copa um acontecimento midiático e altamente elitizado,
sem apelo esportivo verdadeiro. Espero que tenhamos pelo menos
a alegria de ver o Brasil campeão, mas é inegável que as seleções da
Alemanha, Espanha e Argentina são fortes neste mundial.
como todo o processo foi conduzido se reflete na falta de empolgação
nas ruas. Acredito, entretanto, que uma boa campanha da Seleção
trará de volta o apoio da população.
“Álbum de figurinhas é exemplo”
Marceu Vieira, editor de Esportes de O Globo
Nos últimos meses, nós, que trabalhamos
com esporte, temos ouvido dizer que o País está
desanimado pra Copa. Tem gente que até diz que
não vai torcer pelo Brasil. Duvido. Num tempo
em que a internet confina as reações humanas
no mundo virtual das redes sociais, e nos faz
esquecer os muros que pintávamos de verde e
amarelo antigamente, o álbum de figurinhas da
Copa, por exemplo, está aí pra provar que há, sim,
interesse no Mundial. O álbum tirou a criançada da frente
do computador, apartou um pouco a internet e mostrou que o
brasileiro está, sim, mobilizado pra Copa.
“Hora de modernizar os estádios”
Marcos Guiotti Júnior, coordenador de Jornalismo e Esporte da CBN-BH
Já estava na hora do Brasil voltar a sediar uma Copa do Mundo.
Temos uma história mal resolvida desde 1950. Somos o maior ven-
“Maior envolvimento”
Josino Ribeiro, repórter de TV Globo/SporTV
A Copa do Mundo é, antes de mais nada,
uma festa, uma celebração. Portanto, devemos
desfrutar, como brasileiros.
A nós, jornalistas esportivos, compete o
maior envolvimento possível. É hora de mostrar
ao mundo tudo que um mundial tem a oferecer.
Informações precisas, bem apuradas. Todos os
fatos, detalhes, emoção, acima de tudo.
O mundo estará de olho no Brasil, na Seleção
Brasileira, em nós.
Lamentável saber que nossos turistas sentirão na pele as
promessas de autoridades não cumpridas. Faltará estrutura. Mas vai
sobrar emoção e bom futebol!
“Contabilizar ganhos”
Liliana Lavoratti, editora-chefe do DCI (SP)
Não dá para menosprezar a importância da Copa do Mundo no Brasil.
É um acontecimento e tanto para os brasileiros, além de um enorme
desafio para o País. Lá atrás, olhávamos de um jeito para tudo isso.
Agora, às vésperas dos jogos, se desfazem as ilusões, os exageros,
“Hora de o Brasil mostrar a cara”
Manoela Penna, sócia-diretora da In Press Media
Guide
Cresci ouvindo meu pai falar da Copa de 50
e, como outros amantes de futebol da minha
geração, imaginava como seria uma Copa em
casa. A hora chegou e o cenário se mostra menos festivo do que o sonhado. A Copa, porém, já
está sendo uma grande oportunidade de o Brasil
mostrar a sua cara, de olhar para si e de buscar
fazer o melhor. Em todas as instâncias, em que
pesem os obstáculos. Não se deve ter a ilusão de que a
Copa é feita para deixar legado como as Olimpíadas (a Copa é e
sempre foi entretenimento). Que o desejado “legado” seja, porque
não, uma emoção diferente da que meu pai sentiu em 1950!
“Volta do apoio da população”
Marcelo Senna, editor-executivo do Extra e coordenador da cobertura na Copa
Para jornalistas esportivos, a Copa do Mundo
é o maior sonho desde a universidade. E ser
credenciado é o equivalente a ser convocado.
Participei das Copas de 1998 e 2002, e as
coberturas foram o ápice da minha carreira
como repórter. Infelizmente, os gastos públicos
exorbitantes com a competição no Brasil, com
denúncias de superfaturamento em obras de
estádios, ofuscaram boa parte do brilho. A maneira
cedor de Copa e um dos países mais admirados
no futebol. Também já era hora de modernizar
os estádios e somente um evento desse porte
tornou isso possível. O que eu não imaginava era
a incompetência na condução de todo processo
de preparação. Não há como negar que Brasil,
Argentina, Alemanha e Inglaterra são fortes
concorrentes ao mundial. O Brasil é sempre
apontado como favorito na conquista e por que
não seria jogando em casa? Nossos principais
atletas atuam na Europa, mas isso não vai tirar o
forte peso e apelo psicológico de estar jogando
em casa.
“Copa é sonho”
Mário Kempes, titular do Blog do Kempes (kempao.
com.br), do Ceará
Se olharmos a Copa do Mundo pelo extracampo, os problemas são bem maiores que o
desejo de conquistar o hexa. Desapropriações
e mobilidade urbana, para ficar apenas nesses
legados, impedem uma parte da população de
se motivar com o Mundial. E devemos respeitar
as pessoas, que se sentem injustiçadas com o louvor
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à bola e o desprezo pelo remédio em um posto de saúde. Por outro
lado, a Copa é o sonho para o “país do futebol”. É preciso também
exaltar que dentro de campo a história será contada. A Seleção e o
esporte brasileiro poderão ser eternizados com a conquista do hexa.
“Salvar a imagem”
Mário Lúcio Marinho, escritor, ex-editor de Esportes
do Jornal da Tarde e ex-presidente da Associação
dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo
Só o Brasil pode salvar o Brasil
Como raras vezes aconteceu, o Brasil chega a
uma Copa do Mundo com o time definido. Não
só definido, como também muito competente.
E pronto para vencer.
Mas não será a Copa das Copas. Nem a melhor
de todas as copas como apregoa o governo.
Será a copa dos protestos, das obras inacabadas, do
jeitinho malandro brasileiro, de turistas mal acomodados, explorados, perdidos.
E queira Deus que fique nó nisso.
Mas, em campo, a Seleção pode salvar nossa imagem; pode arrebatar os torcedores como fez na Copa das Confederações; pode se
emocionar e nos emocionar; pode ser campeã.
Enfim, pode limpar a nossa barra.
principal legado de uma Copa em casa não deveria ser simplesmente
a taça a ser erguida, talvez, pelo Thiago Silva. Mas, com prazos e
orçamentos esgotados, o que resta mesmo é a estatueta banhada
a ouro e sangue de nove operários mortos nas obras dos estádios.
É o sorriso do povo com ou sem
ingresso; é a bola na rede; é o
show de Neymar, talento genuíno
do futebol nacional. A Copa do
Brasil é mais da Fifa do que dos
brasileiros, mas, se a bola vai rolar,
que tenha precisão milimétrica
para estufar as redes alheias.
A foto com Romário foi tirada
horas depois da conquista do
tetracampeonato, nos Estados Unidos,
há 20 anos. Foi minha primeira Copa
“Sem ordem não há progresso”
Martha Esteves, subeditora de Esportes (há 17
anos) de O Dia e colunista na Copa
Esportivamente falando, acho que a Copa
do Mundo tem tudo para ser bem feita. Pelo
menos nos grandes centros, onde os estádios
ficaram prontos antes do tempo. São Paulo é
um caso mais preocupante, já que o Itaquerão
tem muitos problemas estruturais. Quanto ao
lado social e político, a Copa é um retumbante
“Poderemos torcer pela Seleção”
Moacir Japiassu, escritor, blogueiro e colunista
do Comunique-se
Velhos amigos e companheiros do anti-petismo mais saudável anunciam “retiro espiritual”
a partir de 12 de junho, pois temem estelionato
político caso o Brasil conquiste o hexa. Eu,
veterano de tantas batalhas, ponderei:
Perdemos a Copa de 1966 e a “grande
imprensa”, mesmo arrependida do apoio ao
golpe dois anos antes, não teve como atribuir
culpa ao general Castelo Branco; ganhamos em 1970,
no México, e o general Médici não apareceu na foto com a
faixa de tricampeão do mundo.
Essas lembranças garantem que agora os jornalistas também poderemos torcer tranqüilamente pela Seleção; a vitória do futebol, se
não ajudou a ditadura, também não servirá à falsa democracia dos
que hoje se agarram ao Poder como papagaios no arame em dia de
tempestade.
Eu e Mr. Bunda
Moisés Rabinovici, diretor de Redação do Diário
do Comércio (SP)
Escalado para cobrir a Seleção Italiana na
Copa dos EUA, fui até à final, quando ela acabou
derrotada pelo Brasil. Ia aos treinos em New
Jersey, de manhã, e aos restaurantes de Little
Italy, em New York, à noite.
Vamos esquecer, aqui, o dia em que o querido
companheiro Sílvio Lancelotti levou alguns repórteres brasileiros a viajar para comer “o melhor
“Craques no nosso quintal”
Mariucha Moneró, diretora de Atendimento da
Agência Ideal no Rio de Janeiro
A Copa seria uma excelente oportunidade de
ter aqui o melhor futebol do mundo, um empurrão na infraestrutura das cidades, estádios
novos para o esporte mais praticado no País e
visibilidade internacional. O certo hoje é que
teremos os craques no nosso quintal. A partir
daí, os benefícios se perdem entre interesses
políticos, superfaturamentos e promessas não
cumpridas. O número de sedes é um exagero, obras
fundamentais não foram entregues e o orçamento estourou.
Mas é bom lembrar que a maior parte do custo
não é pública e sim privada e que o problema
em si não é a Copa, mas o País e suas práticas
historicamente discutíveis.
“Sorriso, com ou sem ingresso”
Marluci Martins, repórter do Extra especializada
em bastidores do futebol
Para quem ama o futebol, a bola está acima
da razão. Briga-se com o pai, a mulher e o vizinho. E, talvez por isso, esquece-se, mesmo
com as manifestações ganhando as ruas, que o
fracasso! O País perdeu uma grande chance de progredir.
Construir estradas, aeroportos e aumentar sua rede hoteleira, além
de cuidar de verdade da segurança de nossas cidades foram promessas não cumpridas que geraram enormes frustrações. Mas sem ordem
não há progresso, e essa vai ser a Copa das Copas da Vergonha. Cabe
à Seleção fazer a sua parte em campo e fazer a alegria do povo. Se é
que ainda tem esse poder nos sombrios tempos de hoje...
“Somos culpados?”
Maurício Menezes, apresentador na Rádio Globo
Rio e titular do show humorístico Plantão de
Notícias
Ainda vivíamos no regime militar e eu participava de uns debates na TV Educativa. Invariavelmente, a culpa de todas as mazelas do País
caia em cima de nós, jornalistas.
Era essa a conclusão dos debatedores. Até
o dia em que um dos convidados era Ailton
Fornari, diretor da Associação dos Supermercados. Pronto! Tudo mudou e a culpa dos problemas
passou para ele.
Acho que nós estamos precisando andar com diretores de
supermercados ao nosso lado. Os atuais aprendizes de ditadores
nos culpam por todos os males da humanidade. Já ouvi dizer que a
Portuguesa caiu porque a TV Globo precisava salvar o Flamengo, que
nem rebaixado estava...
cachorro quente do mundo”, no Giants Stadium. Que decepção!
Mas vamos lembrar, sim, do atacante da azzurra Paolo Maldini, que
quis me bater. Era dele a bunda mais bonita da Itália, por eleição já não
me lembro mais de quem. Escrevi a respeito, como toda a imprensa.
E ele até entrou na brincadeira, cordial, sorridente. Só que a mim
pediram suíte. Tudo bem, ele me atendeu uma segunda vez. Mas o
JT ficou obcecado pelo assunto, queria-o todos os dias. E o bundão já
nem podia mais me ver. Não sabia se eu cumpria pauta ou extrapolava.
Foi então que chegou a Glória Maria para um Fantástico, a bunda
do Maldini. Ela me procurou, já que podia ser considerado então um
especialista, ou, no mínimo, um setorista. Eu a levei até o ônibus em
que entrava – e o reconheci logo, de costas – Mr. Bunda. Chamei-o, à
distância, e apontei para a equipe da Globo. Não precisei dizer a que
vinha. E me afastei rapidamente.
“Craques nas redações”
Paulo Marinho, superintendente de Comunicação
Corporativa do Itaú Unibanco
A valorização do esporte faz parte da história e
do DNA do Itaú, pois acreditamos que por meio
dele podemos transformar a sociedade para
melhor. Esse poder transformador também é
da imprensa, que contribui para a consolidação
da nossa democracia, atuando como guardiã da
ética e da transparência. Neste Dia da Imprensa,
especialmente no ano em que a Copa do Mundo
acontece no Brasil, temos que celebrar. Não apenas
pela qualidade editorial e talento dos nossos profissionais, mas
pela oportunidade única de realizar uma cobertura rica, diferente e com
a cara do nosso País. Nossos craques não estão apenas no campo,
mas em todas as redações do Brasil. #issomudaojogo.
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ESPECIAL DIA DA IMPRENSA • ESPECIAL DIA DA IMPRENSA • ESPECIAL DIA DA IMPRENSA
dias anteriores ao Mundial, a tendência é que a
“Veículos mais fortes”
temperatura suba na medida em que a Seleção
Ricardo Stefanelli, diretor de Redação dos jornais
Brasileira se reúna e as delegações estrangeiras
do Grupo RBS em Santa Catarina
Preparar a cobertura da Copa do Mundo no cheguem ao País. A orientação que estamos
Brasil desafia, como nunca, as empresas brasi- passando ao nosso pessoal é simples: não
leiras de comunicação. São 12 sedes (mais do misturar a cobertura dos aspectos esportivos
que nas demais Copas) em um país continental com a das manifestações. Cada uma delas terá
(maior do que a maioria das sedes anteriores), espaço e tratamento próprios.
marcado por problemas estruturais (mais desestruturado do que a maioria dos países anteriores) e “Abrir espaço para a Seleção”
com um povo tão apaixonado por futebol quanto disposto a Ricardo Kotscho, escritor, blogueiro, comentarista
usar o evento como palco de protestos. O caldo entorna com temas da Record News e repórter da Brasileiros
que, secundários em outras Copas, ganham destaque especial desta
Como esta Copa vai ser no Brasil, e temos
vez: recepção aos estrangeiros, organização das cidades, condições eleição presidencial em outubro, há uma indisde trânsito, aeroportos, linhas telefônicas, conexão de internet etc.. farçável torcida de boa parte da nossa mídia
Quando a bola rolar, portanto, será possível identificar quem pode ser grande para que tudo dê errado. Em lugar do
campeão mundial no campo e quais veículos sairão ainda mais fortes tradicional oba-oba e ufanismo, desta vez videpois da maior exigência já imposta às empresas de mídia do Brasil. vemos um clima de guerra nas redações, que
Sem dúvida, desafiador.
se espalha pelas ruas e vice-versa. Claro que
houve muitos erros na preparação do evento,
um enorme desperdício de dinheiro público e
“Não misturar esporte com manifestações”
privado para construir estádios novos em 12
Ricardo Galuppo, diretor de Jornalismo do Hoje em Dia
O mais importante para jornais e jornalistas nesta Copa do Mundo cidades-sede num país ainda carente de quase
será encontrar o equilíbrio entre o tom da cobertura dos jogos e das tudo, mas agora penso que é hora de deixar a
manifestações que certamente ocorrerão durante o evento. Embora política um pouco de lado e abrir espaço para a nossa
o lado esportivo tenha andado morno e atraído poucas atenções nos Seleção na maior festa do futebol mundial.
“’Culpa’ não é da Copa”
Roberto Nonato, âncora do Jornal da CBN – 2ª Edição
e apresentador do Lado B da bola, programa sobre
futebol internacional da rádio
Acho que a Copa do Mundo no Brasil deveria ser
a copa que podemos fazer e não aquela que gostaríamos de fazer. Explico: com tantos estádios, será
que precisaríamos da construção de tantas outras
arenas? Entendo que não. Certamente, muitos
desses estádios ficarão apenas como peças de
turismo ou decoração depois do evento. Entendo
que o Brasil é um país de grandes dimensões, mas acho
que essa logística poderia ter sido mais bem preparada. As obras
de infraestrutura não caminharam como deveriam. O acesso aos estádios e a mobilidade urbana pouco ganharam. Logo, perdemos uma
boa oportunidade de melhorar as coisas para a sociedade brasileira. E
a “culpa” não é da Copa. Ou alguém acredita que sem Copa faríamos
As críticas são pesadas, mas reais e justas
Ele tem 43 anos de
estrada. Começou em
Ribeirão Preto escrevendo
em todos os jornais da
cidade (e até hoje faz ali
uma coluna bissemanal no
jornal A Cidade) e também
em praticamente todas as
emissoras AM. Foi ainda
correspondente da Jovem
Márcio Bernardes
Pan entre 1974 e 1977,
indo depois para a Rádio Globo/Excelsior/CBN,
onde ficou até 1997. Em São Paulo, trabalhou
também em emissoras como Rádio Trianon,
TV Cultura, TV Manchete, TV Gazeta e está
atualmente – já há 14 anos – na Transamérica,
na equipe liderada por Éder Luiz. Ele é Márcio Bernardes, que os aficionados do futebol
conhecem sobretudo pela condução do bem
humorado e informal Debate Bola, que tem no
personagem Gavião um de seus pontos altos.
Se ali, em meio às partidas de futebol, ele se
vale do humor para alegrar a galera e garantir a
liderança disparada para a Transamérica, fora da
transmissão prevalece a seriedade. Sobretudo
se o assunto é Copa do Mundo.
“Os gastos abusivos em estádios e o pequeno investimento em infraestrutura são reflexos
do nosso País”, diz, acrescentando que “isso
significa oportunismo, falta de planejamento
e superfaturamento, por que não? Quanto às
manifestações, elas são legítimas, desde que
não haja vandalismo”.
Márcio já cobriu dez Copas do Mundo – a do
Brasil será a 11ª – e oito Olimpíadas. Também
cobriu cinco Pan-Americanos, cinco Macabíadas em Israel e outros eventos internacionais.
A Copa do Mundo mais marcante, para ele,
foi a de 1982, na Espanha. Os jogadores da
Seleção Italiana, que ao final se sagraram
campeões do mundo, estavam em greve
com a imprensa do país e por consequência
com os jornalistas de todo o mundo. Devido a
uma antiga amizade que ele tinha com vários
todas as obras que precisamos? Acho legítimo, e mais do que justo,
uma Copa do Mundo no país do futebol, mas perdemos uma ótima
oportunidade de deixar um legado maior para a população.
“Jeitinho brasileiro”
Rodrigo Cavalcante, setorista do site Vozao.com
no Ceará SC
Um dos eventos mais importantes do mundo
chega novamente ao Brasil: a expectativa é que
tenhamos um evento turbulento em relação
a protestos, mas seguro (segurança pública),
partindo do pressuposto de que um grande
contingente de soldados da Força Nacional
estará nas ruas. Do cunho estrutural será um
vexame, novamente o “jeitinho brasileiro” terá
de ser usado. Futebolisticamente, o Brasil é o favorito, e
a pátria deposita todas as suas esperanças nos pés de Neymar.
jogadores daquele grupo, era o único jornalista que conseguia entrevistas e declarações
exclusivas. E, com isso, o seu trabalho teve
uma grande repercussão.
Outra Copa marcante? “Ah, foi a de 2010,
na África do Sul. Eu tinha, antes do Mundial, as
mesmas preocupações com o país que agora
percebo nos companheiros estrangeiros que
virão ao Brasil este ano. Fiquei apavorado com
a insegurança, com as manifestações e com
os problemas que encontraria no país africano.
Tomei oito vacinas antes da Copa. Tudo isso
os jornalistas europeus estão fazendo agora”.
Márcio, do alto dessa larga experiência em
megaeventos esportivos, relembra que os
problemas não são de agora. Suas palavras:
“Durante a Copa das Confederações tivemos
muitas dificuldades na comunicação. No primeiro teste do Itaquerão, no jogo entre Corinthians e Figueirense, foi possível perceber que
teremos vários problemas. Fico pensando nos
jornalistas japoneses, ingleses e outros mais,
que estão acostumados com a internet voando... Vai ser um vexame!”. De todo modo, ele
pondera que “o impacto da Copa na imagem
internacional do Brasil vai depender dos acontecimentos. Pelo que temos visto até agora,
as críticas são pesadas, mas reais e justas”.
Sobre as condições de trabalho da imprensa
esportiva, impossível não mencionar a questão
do credenciamento: “Olha só, as emissoras de
rádio e televisão só cobrem a Copa se pagarem direitos para a Globo, que tem o contrato
com a Fifa. Imprensa escrita tem um número
limitado de credenciais, de acordo com a sua
importância e tiragem. Ainda assim isso não
garante que todos os credenciados poderão
entrar nos jogos. Para isso, precisa de um
ingresso especial que é distribuído na véspera
de cada partida”.
E se o Brasil ficar pelo caminho? “Aí, como
sempre acontece, a Copa do Mundo passa
a ser tratada com menos importância pela
imprensa. Isso é natural, pois afinal, muitos
torcedores perderão o interesse e o ufanismo
pela competição. Pode reparar, se isso acontecer, muitos programas de rádio e televisão
serão diminuídos ou suprimidos. Páginas de
jornais e revistas serão reduzidas. Mas o Brasil
vai chegar longe, espero!”
E a equipe da Transamérica, Márcio, como
foi escalada para a Copa? “Vamos com todo o
nosso plantel, incluindo a equipe de locutores
(Eder Luiz, Antonio Edson, Oswaldo Maciel),
comentaristas (Henrique Guilherme, Paulo
Roberto Martins, José Eduardo Savóia,
Ronaldo Giovaneli e Juarez Soares) e repórteres (Ivan Drago, Marco Belo, Leandro
Boudakian, Guilherme Lage, Ricardo Maida
e Lucas Ito). Eu vou apresentar o Debate Bola
após todos os jogos, revezando com José Calil. Thomaz Rafael apresentará os programas
normais (Esporte de Primeira, das 7h às 8 h da
manhã, Papo de Craque – primeira edição, das
11h às 13h, Papo de Craque – 2ª edição, das
17h às 19h, e Galera Gol, das 20h às 21h30).
Tem ainda o humor inteligente, diferente e
irreverente do Gavião, marca registrada da
nossa equipe. Vale registrar que em Copas do
Mundo nossa audiência sempre cresce mais
de 200%, principalmente nos carros. Nossa
expectativa é de uma média de 400 mil ouvintes por minuto”.
A pedido de Jornalistas&Cia, a equipe da
Transamérica enviou, por ele, alguns comentários para este Especial Imprensa e Copa do
Mundo:
n “Copa do Mundo no Brasil: um sucesso
dentro de campo, um fracasso fora dele. O
Brasil é o favorito, mas não posso garantir que
vai ganhar.” – José Calil
n “O Brasil é sempre favorito em uma Copa
do Mundo. Jogando em casa é ainda mais.”
– Eder Luiz
n “Esquema do Felipão: bola pro mato que
futebol é cagada.” – Gavião
n “Temos de rezar para o Neymar jogar
bem...” – Henrique Guilherme
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ESPECIAL DIA DA IMPRENSA • ESPECIAL DIA DA IMPRENSA • ESPECIAL DIA DA IMPRENSA
“Já estamos ganhando”
Rui Falcão, jornalista, deputado estadual por São
Paulo e presidente nacional do PT
Torcemos pelo hexa, mas a realização da
Copa do Mundo no Brasil já nos assegurou
uma goleada. Subimos muito na “tabela”
do desenvolvimento, pois o Brasil antecipou
investimentos em mobilidade urbana (R$ 8
bilhões investidos), aeroportos (R$ 6,2 bilhões),
segurança (R$ 1,9 bilhão) e portos (R$ 0,6 bilhão). Na realidade, do total de R$ 25,6 bilhões
investidos nas 12 cidades-sede, quase 70% ampliam
a nossa infraestrutura. Esse legado inclui novas vias urbanas,
corredores de ônibus, estações de metrô, VLTs, BRTs, portos, aeroportos, centros integrados de segurança, expansão da rede de fibra
ótica, modernização do turismo. Mesmo as obras que não ficarem
prontas a tempo dos jogos serão concluídas em breve.
Os outros 30% (R$ 8 bilhões) das despesas com a Copa foram
destinados para obras em 12 estádios. Isso tem rendido críticas, calcadas na desinformação. Afirmam até que os gastos com o futebol
desfalcam a saúde e a educação, o que não é verdadeiro. Na realidade,
R$ 3,9 bilhões foram financiados pelo BNDES, e retornarão com juros
ao setor público. Nenhuma verba foi retirada desses setores. Apenas
para comparar, os gastos federais com educação e saúde entre 2010
e 2013 somaram R$ 825,3 bilhões, ou seja, 100 vezes o investimento
nos estádios. Assim, é certo que já estamos ganhando com a Copa.
Os estádios não estão tirando dinheiro de saúde e educação – ao
contrário, já foram “pagos” com sobra pelos quase R$ 10 bilhões
que a Copa das Confederações sozinha adicionou ao PIB do País. O
ingresso não é caro – R$ 30 reais a meia-entrada para ver o Messi
no Maracanã ou o Cristiano Ronaldo contra a Alemanha? O legado já
existe, com 12 arenas que o país do futebol merecia há tempos – e,
não, elas não são as mais caras da história das Copas. Também batemos recorde no número de inscrições para o programa de voluntários
e de jornalistas credenciados. E diziam que ninguém viria por causa
dos preços absurdos, que não teriam lugar para ficar. Os pessimistas
erraram feio.
É uma pena que boa parte dos debates sobre a Copa do Mundo já
parta de uma premissa destrutiva e derrotista. Não só vai ter Copa,
como ela já está acontecendo. E eu me sinto orgulhoso disso. O Brasil
é a sétima economia do mundo e pentacampeão mundial, além do
único país a ter participado de todas as edições da Copa do Mundo.
Se nós não podemos organizar a Copa do Mundo, quem pode? Cinco
ou seis países?
A Copa do Mundo serve sempre a um propósito maior do que a sua
organização. Gera empregos, renda, arrecadação tributária adicional,
multiplica investimentos na cadeia produtiva, projeta a imagem de
um país para o mundo. Em 1958 vencemos o complexo de vira-latas
dentro de campo, o sentimento de inferioridade do Brasil que Nelson
Rodrigues tão bem soube retratar. Hoje temos a opção de vencer esse
complexo fora de campo também. É só olhar para o País e escolher
se o copo está meio cheio ou meio vazio.
nos gastos e pagou um preço caro por isso. Para mim, perdemos a
oportunidade de realizar uma grande festa. A percepção mudou e, se
o Brasil for campeão, mas a cidade não se beneficiar disso, o título
não terá a mesma graça.
“Reprise de vícios”
Sérgio Rizzo, diretor de projetos do Media Education Lab, colaborador de Folha de S.Paulo e
Valor Econômico, colunista das revistas Educação,
Escola Pública e Língua Portuguesa, e professor
no curso de especialização em Jornalismo Esportivo da Faap
Na organização da Copa, perdemos mais uma
oportunidade de demonstrar que o planejamento e a gestão de recursos no País alcançaram
um estágio minimamente aceitável. Era uma
chance de ouro e sinto que estamos todos incomodados com a reprise de vícios que já deveriam ter sido extirpados.
Isso talvez termine por macular o que deveria ser uma grande festa
esportiva, aguardada por todos os que amam o futebol nos cinco
continentes. Com a bola rolando, tomara que
só tenhamos a lamentar gols perdidos.
“Memória curta”
Sérgio Xavier, diretor de Redação da Playboy
A Copa do Mundo é o curioso paradoxo do
jornalismo esportivo. Os repórteres fazem o
diabo para serem escalados para a cobertura.
Querem muito cobrir uma Copa, sonham e
trabalham duro para realizar o sonho. Mas, uma
“Imprensa campeã”
Ruy Castro, jornalista e escritor
Antes de o Brasil ganhar a Copa da Suécia, em
1958, a imprensa brasileira já tinha sido campeã do
mundo várias vezes.
Para ela, em todas as Copas anteriores, a Seleção
era a maior e só não ganhara o caneco porque um
jogador uruguaio dera um tapa no nosso lateral ou o
juiz nos garfara acintosamente contra os húngaros.
Entre o patriotismo e a objetividade, nossos repórteres, locutores e comentaristas, nem vacilavam.
Até que, com Didi, Pelé e Garrincha na Suécia, o Brasil
jogou à altura do que a imprensa achava dele. Para se ter uma idéia
de quanto o Brasil precisou jogar!
“Legado já existe”
Saint-Clair Milesi, diretor de Comunicação do
Comitê Organizador Local da Fifa no Rio
Organizar uma Copa do Mundo dá muito
trabalho e necessita coragem para se abrir ao
escrutínio da imprensa mundial, que segue um
padrão de dissecar países que se propõem a sediar megaeventos esportivos. Nesse processo,
a mídia expõe problemas nas manchetes e publica sucessos no pé de página, ao mesmo tempo
em que propaga mitos e percepções equivocadas.
“Fizemos o caminho inverso”
Sergio du Bocage, apresentador do programa No
mundo da bola”, da TV Brasil, e comentarista da
Rádio Globo no Rio
Apesar de jornalista esportivo, jamais tive uma
Copa do Mundo no Brasil entre meus sonhos.
Preferiria ver meu país fortalecido economicamente, mais igual entre as classes sociais, com
serviços de saúde de qualidade, habitação digna,
educação e segurança. Nesse quadro, poderíamos ir à Fifa e propor: que tal uma Copa aqui no
Brasil? Mas tentar arrumar o País, a partir das exigências
da Fifa? Fizemos o caminho inverso. E qual o benefício que a
Copa trouxe para o futebol brasileiro? Os estádios? Então, é sinal de
que nossos dirigentes esportivos não estavam
preocupados com o que viam por aqui.
“Copa da reflexão”
Sergio Pugliese, sócio-diretor da Approach,
onde responde pelo núcleo de Mídia e Esporte,
e titular da coluna e do blog A pelada como ela
é, em O Globo
A Copa do Mundo é um sonho para qualquer
um que ame futebol. No seu país, nem se fala.
Mas essa transformou-se na Copa da reflexão
por conta das manifestações. As obras não
ficaram prontas, o governo não foi transparente
vez credenciados e no front, mergulham no tédio. Reclamam das entrevistas engessadas, se queixam do excesso de colegas estrangeiros,
ficam com saudades das exclusivas que conseguiam no dia a dia dos
clubes. Só que a memória é curta. Daqui a quatro anos, todo mundo
quer a credencial para a Copa.
“Modernizar o futebol brasileiro”
Toninho Nascimento, ex-editor de Esportes de O
Globo, é secretário Nacional de Futebol do Ministério do Esporte
Nada se compara a uma Copa do Mundo. E
nada se compara a uma Copa no Mundo no Brasil
para um jornalista esportivo brasileiro, como eu.
Mesmo tendo trocado as redações pelo Ministério do Esporte (de pedra à vidraça), continuo
um apaixonado pelo papel do futebol na nossa
sociedade. Não tenho dúvidas de que teremos
uma grande competição, apesar, é verdade, de alguns
problemas nas obras e nos estádios. Temos defeitos, mas também temos qualidades. Uma das minhas missões, talvez a principal,
seja trabalhar para que a Copa deixe um legado para o nosso futebol.
Digo sempre: o Mundial tem dia para acabar, o futebol, não. Acho a
Copa fundamental para mudarmos a gestão dos nossos clubes, com
os dirigentes tendo mais responsabilidade por suas administrações
e que as dívidas dos times com o governo sejam refinanciadas, com
contrapartidas rígidas para quem não pagar o que foi acertado. Por
isso, vejo a Copa do Mundo no Brasil com otimismo. Modernizar o
futebol brasileiro será tão importante quanto a conquista do hexa.
Aposto nos dois.
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Desde 1500 o povo espera o Brasil cumprir o prometido
No Agora São Paulo ele reina no caderno de Esportes com sua coluna Caneladas do Vitão, em que,
com bom humor e ironia, comenta o dia a dia do
futebol brasileiro. Na Bandnews FM, o desafio foi
acompanhar, desde o início, a construção da Arena
Corinthians, em Itaquera.
Vitor Guedes, o Vitão, vai para sua segunda Copa
do Mundo, ao vivo. Participou de outras duas, em
2002 e 2006, mas na retaguarda. A estreia, na África
do Sul, em 2010, jamais sairá de sua memória, em
especial o jogo final: “Acho difícil que algo me emocione mais do que ver a reação de todos os negros
sul-africanos, dos jornalistas de todos os países, dos
turistas holandeses e espanhóis, negros e brancos, quando Nelson
Mandela entrou no gramado do Soccer City antes da final Espanha 1
x 0 Holanda. ‘Madiba! Madiba! Madiba!’. O grito entoado com amor,
alma e sentimento pela multidão compensou os 54 dias da insuportável
vuvuzela no ouvido”.
Vitor vê de modo crítico e salutar a cobertura que tem sido feita
sobre a Copa do Mundo, mas não gosta da generalização. Ao contrário,
critica: “Cada jornalista e cada veículo são diferentes. Tirando a turma
do oba-oba e a do contra, ambas desprezíveis, acho que a cobertura
tem sido bem equilibrada. Sem deixar de mostrar os absurdos cometidos, os erros, as mentiras (‘será a Copa da iniciativa privada’), nem
ignorando que a Copa é uma festa, uma competição esportiva, que
interessa a bilhões de torcedores e fãs em todo o planeta, já que o
futebol é, disparado, o esporte mais global do planeta”.
Na opinião dele, ao analisar a Copa pelo prisma do mercado para os
jornalistas, antes mesmo de ela começar (e a dois anos da Olimpíada),
não acrescentou nada: “Aliás houve cortes em grandes empresas antes mesmo de a bola rolar, quando, historicamente, ocorriam depois.
Surpresa? Um pouco, mas não muita. Os times brasileiros também
estão sem patrocínio e o Brasileirão continua uma várzea, mal organizado e com estádios vazios, quando se poderia imaginar que a Copa
traria receitas para quem vive de futebol, como os clubes”.
Mercado à parte, a cobertura será bem feita, segundo ele, até porque
a imprensa esportiva brasileira nada fica a dever à dos principais países
do planeta bola: “Os jornais espanhóis, para ficar no atual campeão,
distorcem e torcem claramente, especialmente os esportivos. Os
tabloides ingleses são mundialmente conhecidos pela pouca credibilidade e por aí vai”.
Vitor lamenta, mas considera que o Brasil infelizmente não está à
altura de um desafio dessa estatura, que é organizar uma Copa do
Mundo. Mas não se mostra surpreso com isso: “Desde 1500 estamos
esperando o Brasil cumprir o prometido, dentro do orçado e planejado.
O esporte não é um mundo à parte. Morre-se muito na construção
civil. Por que nos estádios seria diferente? As obras públicas atrasam
e custam mais do que deveriam e do que são orçadas na origem. Seria
diferente agora? É um absurdo, uma vergonha, mas não dá pra dar
uma de Ronaldo e uma hora dizer que vai ser a Copa das Copas e na
outra dizer que está com vergonha. Eu fechei o bloco! Objetivamente,
como todo mundo já sabia, o Brasil perdeu a oportunidade de fazer as
coisas direito para aproveitar, como País, tudo o que o Mundial poderia
oferecer. A Copa vai começar e tem coisa sendo feita, coisa que não
ficará pronta e coisa que nem começou, nem começará, a ser feita”.
Seu olhar crítico se ameniza um pouco, mas não muito, quando
o assunto são os estádios e a contribuição que eles poderão trazer
para as condições de trabalho para a imprensa esportiva: “Em minha
opinião, afirma, nos estádios novos ficará sim esse legado, ainda que
parcial, já que as tribunas usadas para a imprensa nos estádios serão
reduzidas e readaptadas no pós-Copa, mas permanecerão intactas
a sala de entrevistas, a tecnologia instalada e outras acomodações.
Assim espero”.
Como testemunha ocular e jornalística da construção do Itaquerão,
Vitor diz ser possível afirmar que o estádio é fantástico, luxuoso, bonito,
à altura de receber grandes jogos. “Para o Corinthians, o ganho é inestimável”, ressalta, lembrando que a arena ainda não está totalmente
finalizada, o que só acontecerá, se não ocorrerem atrasos, da forma
como foi planejada por Aníbal Coutinho, em janeiro de 2015. “Há o
ganho imensurável e inconteste de autoestima do clube e da torcida,
que há mais de um século esperavam por uma casa desse naipe, e
também o legado do complexo viário de Itaquera, que é fundamental
e deveria ter sido construído há muito tempo. Precisou que o Brasil
sediasse uma Copa para ele ser construído, mas, enfim, agora está
aí, e vai contribuir para melhorar a vida das pessoas da zona leste,
especialmente o extremo da ZL e a Grande Itaquera. Claro que todos
esperavam muito mais, no entanto isso é o que temos”.
Sobre outros impactos positivos que a Copa, o estádio e as obras de
infraestrutura possam trazer, ele acredita ser ainda muito cedo e perigoso fazer uma análise definitiva: “Os Consórcios Intermunicipais de
Desenvolvimento Econômico e Social (Cides) existem desde a gestão
da prefeita Marta Suplicy, é preciso calma para ver se o estádio trará
com ele oportunidades duradouras de empregos e serviços à região.
Acredito que sim, mas é algo a ser trabalhado. Sozinho, o estádio,
ainda que lindo, luxoso e de abertura de Copa, não desenvolverá nem
mudará a cara pobre e carente da região”.
Vitor cita as três mortes ocorridas nas obras do estádio do Corinthians como marcas de uma profunda tristeza: as duas de 27 de
novembro de 2013 e a outra de 29 de março de 2014: “Jornalista é
jornalista, mas fiz toda a minha carreira no esporte, no futebol, onde
alegria e tristeza são medidas por placar, classificação. Tratar de
tragédia é algo que, definitivamente, não é fácil. E, pior do que isso,
triste. Felizmente, houve muitos momentos felizes. Profissionalmente,
foram vários, alguns furos, boletins divertidos, a coluna gerou uma
repercussão acima do que imaginava quando tive a honra de ser convidado pela Bandnews FM. E, pessoalmente, conheci centenas dos
milhares de trabalhadores, com dezenas deles tive bastante contato e
com muitos, tenho certeza, construí uma amizade que levarei comigo.
Isso não tem preço”.
Ele compara a Copa no Brasil com a da África do Sul, onde vê algumas semelhanças: “Na África do Sul, cheguei e voltei com algumas
obras viárias em andamento. Nos deslocamentos fora do horário
padrão, tive dificuldade para achar restaurante aberto e colegas foram
furtados no hotel. Não será aqui uma maravilha. Cada país tem sua
cultura, seu jeito e, certamente, haverá alguns percalços para quem
vier de fora, mas, no perímetro da Copa, como aliás sempre ocorre
em grandes eventos, sejam esportivos, econômicos, políticos ou
religiosos, vai funcionar o que o jornalista precisa para trabalhar”.
Mesmo dando vez ao seu lado irreverente, Vitor, seja no Agora
quanto na Bandnews, sempre pautou seus escritos e comentários
pela seriedade jornalística, fruto do sangue de repórter que corre em
suas veias: “Sou repórter, embora esteja colunista e possa estar um
dia pauteiro, editor, fechador. Na Copa, além de colunista, voltarei a
trabalhar como repórter, como fiz no Mundial vencido pelo Corinthians
no Japão, mas não sou ombudsman. Não tenho pefil nem vontade
para exercer esse cargo, embora tenha um olhar de ombudsman
como telespectador, ouvinte, leitor e internauta. Não vou analisar o
trabalho de colegas de profissão. De forma geral, só lamento que as
peças confundam bom humor com irresponsabilidade e gracinha com
jornalismo. Gracinha, piada e entretenimento têm valor, mas não são
jornalismo. E a seriedade da informação não pode ser medida pela
forma carrancuda como é dada. Está cheio de picaretas de mal com
a vida, que estão sempre com aquela cara de quem vive com uma
mulher que dorme de calças jeans”.
Vitor Guedes
“Não gosto e não sei fazer previsões. Mas torço. Torço para que a
Copa seja um grande momento para
o País e a Seleção Brasileira nos empolgue com seu futebol, conquiste ou
não o título. Torço também para que a
justiça prevaleça dentro e fora de campo.” – Carlos Maranhão, jornalista,
escritor e colaborador de Veja
“A sensação de uma Copa no Brasil
é parecida com a da noiva às vésperas do casório: excitação, alegria e a
ameaça de algo dar errado apesar de
ter custado uma nota preta. Espero
que no final o amor prevaleça ;).” –
Marcelo Tas, âncora do programa
CQC, na TV Bandeirantes, e autor
do Blog do Tas
Neste dia dedicado ao jornalista, o PayPal
aproveita para felicitar todos e a cada um da
imprensa pelo seu esforço coletivo na construção
de uma sociedade bem informada e plural.
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ESPECIAL DIA DA IMPRENSA • ESPECIAL DIA DA IMPRENSA • ESPECIAL DIA DA IMPRENSA
Haverá festa, mas a cobertura será crítica
Foi depois de um feriado de Tiradentes, em 22 de abril de 1981,
que Luiz Fernando Gomes, atual
editor-chefe do Lance, iniciou sua
trajetória no jornalismo, como
estagiário do Jornal do Brasil, no
prédio da avenida Brasil, no Rio
de Janeiro. Teve sorte, como ele
próprio conta: “Era um time de
craques; meu primeiro chefe foi
o saudoso e querido Luiz Mário
Gazzaneo. Fiquei dez anos, fui de
Luiz Fernando Gomes
trainee a repórter especial, chefe
de Reportagem, coordenador de sucursais e correspondentes e, por
fim, editor do caderno Cidade”.
Depois dessa década de JB, Luiz Fernando foi para O Dia e ali, ao
lado de uma equipe também de craques, ajudou a consolidar uma das
mais bem sucedidas experiências dos anos 1990, que levaria o jornal
ao apogeu, a líder de mercado. Foram oito anos, iniciados como editor
de Cidades e finalizados como editor-chefe, em que o jornal passou
por uma grande reforma gráfica e editorial, além de transformar-se
em full collor.
A mudança para São Paulo, onde vive hoje com a esposa Cláudia
Reis, sócia-diretora da agência Press à Porter, e os filhos, foi em 2001,
para sua primeira experiência em televisão, como editor executivo do
Jornal da Globo. Ali ficou um ano, numa experiência que ele até hoje
considera fascinante, e depois foram três anos de Jornal da Tarde,
também como editor executivo, até desembarcar, em 2005. no Lance,
a convite do presidente da empresa Walter de Mattos Jr.
Como se vê, o Lance foi sua primeira experiência diretamente na
área. É ele quem explica: “Acho que, mais do que em outras áreas
do jornalismo – talvez a cultura seja igual –, é preciso antes de tudo
ser fã do esporte para trabalhar no esporte. Isso é o princípio de tudo.
Agora, por outro lado, a formação de cidade, da rua, é fundamental, dá
uma visão dos fatos, do contexto, que pode fazer de um profissional
da área mais do que um simples repórter-boleiro. No meu caso, essa
experiência ajudou muito. Foi importante, por exemplo, para difundir
uma cultura de buscar e contar histórias, boas histórias, que são a
alma do bom jornalismo em qualquer editoria.
No caso da Copa do Mundo, entre a festa e a crítica o Lance e equipe ficam com os dois: “Desde que o País foi anunciado como sede,
a gente evitou o oba-oba. É da tradição do Lance fiscalizar, atuar de
forma crítica contra tudo aquilo que dificulta o desenvolvimento e a
melhoria do esporte. Ricardo Teixeira que o diga...”.
Luiz Fernando entende que as críticas, em boa parte, são justificadas, mas muitos dos que entraram na onda do #Nãovai ter Copa
deveriam, segundo ele, ter gritado antes, quando se formou um
comitê organizador sem participação da sociedade civil e quando se
descumpriu a promessa de que não haveria investimento público
nos estádios. “O Lance, e quem trabalha aqui, quer Copa. Quer bola
rolando, quer emoção, quer festa. Esse é o nosso negócio. Mas não
significa que vamos fechar os olhos para o resto”.
Otimista por natureza, Luiz Fernando diz acreditar que vai ter clima
de festa sim. E dá como exemplo o que aconteceu no Brasil durante
a Copa das Confederações: “Ali, as manifestações foram as maiores
das últimas décadas. E ainda teve o fator surpresa, que é um complicador, ninguém esperava. Foi ali que surgiram os black-blocs. Nós
demos um dia uma edição quase toda de manifestações. Com um
editorial de capa. Mas nada disso tirou o brilho da festa. Aquelas cenas
antológicas do hino nacional cantado à capela nos estádios... Acho que
esse cenário vai se repetir. E, tecnicamente, também acho que pode
ser uma Copa para ficar entre as melhores de sempre”.
E aí, Luiz, sairemos engrandecidos dessa Copa?
“Boa pergunta. O que vou dizer pode parecer contraditório com a
resposta anterior. Mas, do mesmo jeito que quero festa, espero que a
festa não jogue para debaixo do tapete as lições que a gente tem para
tirar da situação que vivemos. Se o Brasil for campeão no campo, o
Brasil de fora do estádio não vai ter melhorado em nada. Vai continuar
tendo fila de ônibus e corrupção desenfreada. Na verdade, a gente
perdeu uma oportunidade impar de crescer. Crescer como um País
em que o governo faz o que interessa à sociedade e não a grupos
privilegiados. Crescer na capacidade de organização, de fiscalização.
Mas, ao contrário disso, ficamos no jeitinho brasileiro de sempre. E
em algumas situações isso foi desmoralizante”.
Questões extra-campo à parte, o Lance vai para a Copa com um
time de 25 profissionais, entre repórteres e repórteres fotográficos:
“Nunca recebemos tantas credenciais da Fifa e o esquema não tem
mistério: vamos ter repórteres cobrindo as principais seleções e
gente em algum momento em todas as cidades-sede. Formamos
um pool, uma rede com 25 jornais parceiros em 23 países, que vai
permitir levar aos nossos leitores uma visão diferenciada, local, das
seleções que estarão aqui. Teremos alguns colunistas extra, como
Mauro Silva, Juninho Paulista, José Roberto Wright. Teremos muita
opinião, pela Academia da Copa, um time de convidados de várias
áreas, como marketing esportivo, medicina, preparação física, gestão,
psicologia, cultura, gastronomia. Enfim, gente que vai falar da Copa
sob outros ângulos”.
E em termos de cobertura, prevalecerá o papel ou a web?
“A Copa, hoje, é um evento midiático. Quando a Copa é no Brasil,
isso fica ainda mais claro. E esse é o nosso desafio. O que fazer
diferente quando você vai ter nove canais de televisão falando praticamente 24 horas por dia de Copa? Quando você tem portais e sites
dando informação em tempo real. Temos de ser diferentes, tanto no
site quanto no diário. Precisamos oferecer ao nosso público – um
público exigente, que é viciado em esporte, em futebol, e não está
aqui só por causa da Copa – a exclusividade, a análise, a opinião que
ele está acostumado a encontrar. O Lancenet vai estar mais focado
na cobertura factual, vai apostar na interatividade, lançar mão das
ferramentas que o meio oferece. O diário será mais analítico, mais
aprofundado. Sem deixar de ser boleiro, é claro”.
E se o Brasil ficar pelo caminho?
“Olha, nós temos um diferencial que os outros veículos, especialmente os de papel, não têm. Focamos a Copa, vivemos a Copa, mas
não abandonamos a cobertura dos clubes. Teremos todo dia, mesmo
durante o Mundial, pelo menos uma página de cada clube do Rio e
de São Paulo. Sempre fizemos isso, em todas as copas e agora não
seria diferente. O nosso leitor é clubístico até a alma. Se o Brasil cair
antes (toc-toc-toc!) vamos continuar vivendo a Copa, cobrindo bem
os jogos e todo o seu entorno. Mas com certeza vamos aumentar o
espaço dos clubes, das negociações de jogadores, que nessa época
esquentam. A bola não pode parar”.
Ao analisar o impacto da Copa para a imprensa esportiva, Luiz Fernando considera que o resultado final será positivo, sobretudo para
os jornalistas: “A Copa é uma experiência única. Quantos jornalistas
estarão trabalhando nessa Copa e terão outra para ver no seu país?
E mais: ao contrário do governo e dos organizadores, acho que a imprensa está crescendo com a Copa, amadurecendo em sua capacidade
de organização, de operação, na busca criativa para ser relevante e
atender às demandas do público e de cada uma das plataformas nesse
mundo digital. Talvez não tenha havido o boom de contratações, de
aumento de vagas no mercado, como chegou a se falar. Mas até nisso
a movimentação foi saudável, sempre faz bem”.
“Haverá duas Copas do
Mundo: uma nos estádios,
festiva; outra nas ruas,
tensa.” – Juca Kfouri, blogueiro do UOL, comentarista na ESPN Brasil e da
CBN e colunista da Folha
de S.Paulo
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ESPECIAL DIA DA IMPRENSA • ESPECIAL DIA DA IMPRENSA • ESPECIAL DIA DA IMPRENSA
Como a inovação no jornalismo será testada na Copa
Por Leandro Beguoci(*), especial para J&Cia
Se tudo correr bem, o cientista brasileiro
Miguel Nicolelis vai colocar uma pessoa com
paralisia para dar o chute inicial da Copa do
Mundo de 2014. Ela estará vestida com um
esqueleto robótico e comandará o aparelho
com ordens vindas do seu cérebro. O mundo
verá um espetáculo científico gigantesco,
que precisará ser explicado. E quando entra
explicação, claro, entra jornalismo. Este será
apenas o primeiro entre os muitos desafios
que vamos enfrentar no torneio deste ano:
como explicar facilmente uma imagem que
mexe com os sonhos e as angústias de milhões de pessoas espalhadas pelo mundo?
É uma cena tremendamente inovadora e
pedirá, naturalmente, algumas das ideias e ferramentas mais interessantes surgidas em jornalismo nos últimos anos. O robô de Nicolelis
abre uma era de esperanças na ciência e a cobertura sobre ele, um
horizonte de possibilidades para o jornalismo – brasileiro e mundial.
Desde a última Copa do Mundo, em 2010, aconteceram movimentos da magnitude de terremotos. Eles varreram redações, destruíram
revistas, encerraram jornais, enterraram sites e programas de rádio e
tevê. As perguntas sobre o fim do jornalismo se multiplicaram, com
centenas de variações. Mas, ao mesmo tempo, outras formas de
fazer surgiram. Os movimentos foram mais sutis, menos barulhentos,
mas já estão moldando a forma como o jornalismo é feito dentro e
fora do Brasil. Da mesma forma como a Copa dará visibilidade a anos
de trabalho de laboratório de Nicolelis, ela também mostrará anos de
experiência acumuladas em inovação em jornalismo.
A começar pelos maiores grupos de mídia. UOL, Globo Esporte,
Terra, iG e R7 vão para a Copa com equipes bem grandes, só comparáveis ao que as tevês costumavam enviar aos mundiais na era
pré-internet. Serão centenas de jornalistas, cinegrafistas, designers,
programadores e especialistas em experiência do usuário jogando
juntos e imaginando a melhor forma de mostrar, em múltiplas telas,
o que está acontecendo nas 12 sedes do mundial.
Afinal, esta Copa vai ser tuitada, compartilhada e vista pela tevê,
ao vivo e nas telas de tablets e celulares. Vários estudos recentes
mostram que jogos de futebol são os eventos, por excelência, das
múltiplas telas. As pessoas assistem aos jogos pela tevê e comentam
a partida nas redes sociais pelos celulares e tablets. De olho nessas
mudanças, vários sites grandes já mudaram suas páginas e as tornaram fáceis de usar em qualquer dispositivo. Você nunca sabe por qual
aparelho o seu conteúdo será acessado.
Portanto, nos grandes portais, esta deve ser a Copa de muitos vídeos
em tempo real e atualizações constantes, de olho na audiência que
pode vir de qualquer lugar, a qualquer momento. Será uma Copa com
muita informação, e uma oportunidade fantástica de ver em ação a
leitura inteligente de dados. Nesta seara dos dados, aliás, a equipe da
Veja.com, capitaneada pelo editor Rafael Sbarai, deve se destacar.
Sbarai é especialista em jornalismo de dados, uma modalidade que
consiste em condensar grandes quantidades de informação e mostrá-las da forma mais simples e interessante possível, a partir da ajuda de
programadores e designers. O Estadão, no núcleo de Estadão Dados,
com José Roberto de Toledo e Daniel Bramatti, sempre costuma
vir com análises interessantes, especialmente sobre pesquisas de
opinião. Vale a pena acompanhar o que virá deles.
Esse é um aspecto interessante deste Mundial no jornalismo
brasileiro, já que dados sempre pedem um conhecimento além do
jornalismo: esta também será a Copa da colaboração entre diferentes
áreas. Grandes produtos jornalísticos são pensados por jornalistas,
designers e programadores, todos juntos. Isso expande as possibilidades do que é possível fazer.
Ainda na Abril, algumas novidades devem vir da equipe chefiada
por Rafael Kenski, redator-chefe do núcleo digital de várias revistas
da empresa, como Placar, VIP e Superinteressante. Kenski é pioneiro
em newsgames no Brasil, modalidade jornalística que consiste em
explicar fenômenos no formato de jogos eletrônicos, e um dos poucos
jornalistas que transita tranquilamente pelo design e pela programação.
Também vale a pena ficar de olho em alguns veículos independentes
que se vêm destacando bastante nos últimos anos. Eles nasceram
como blogs e se transformaram em sites parrudos, com milhões de
acessos por mês. Ah, sempre cabe, claro, um tanto de transparência:
escrevo para alguns deles e sou amigo de pessoas que fazem alguns
desses sites. Mas eu não seria maluco de recomendá-los se eles não
estivessem fazendo trabalhos relevantes.
A Trivela (trivela.uol.com.br), um dos sites independentes de futebol
mais antigos do Brasil, e o Impedimento (impedimento.org), especialista em futebol sulamericano,
juntaram forças e fizeram um guia para pessoas
malucas pelo esporte (www.guiafutebolnaveia.
com.br/copa). Com geolocalização (o recurso
no qual o aparelho reconhece onde você está
e traça a rota a partir do seu local) e disponível
em três línguas (português, inglês e espanhol),
o guia permite conhecer os redutos e os pontos
mais interessantes do futebol nas 12 cidades-sede do Mundial. É um trabalho inédito sobre
cultura futebolística no País. Além disso, vale a pena
acompanhar o site Esporte Fino (esportefino.cartacapital.com.br), uma referência da nova crônica esportiva
digital, e os programas que eles fazem na rádio online
Central 3 (central3.com.br). A qualidade dos programas
e das análises desses sites independentes ajuda a
entender por que eles têm milhares de seguidores e fãs nas redes sociais.
em paralelo à festa do futebol. E, se houver casos de machismo e
homofobia, o Think Olga (thinkolga.com), projeto de Juliana de Faria
que mistura ativismo e jornalismo, deve se destacar. Vale a pena, aliás,
conhecer o fantástico projeto que Juliana fez sobre Cláudia, a mulher
arrastada pela polícia no Rio de Janeiro (http://migre.me/jrDzk).
Em vídeo, Bruno Torturra e a Mídia Ninja são referências obrigatórias. Se houver protestos, com certeza haverá streaming em tempo
real. Mas não só. O pessoal do projeto Imagina na Copa (imaginanacopa.com.br) vem fazendo uma série de documentários jornalísticos
sobre o Brasil construído e transformado nos anos que antecederam
o evento. Eles estão fazendo uma série de documentários curtos,
bem editados e bem narrados. A equipe online de Veja São Paulo,
com Diógenes Muniz, também vem se destacando muito na seara
de vídeos online bem produzidos, assim como a Folha de S.Paulo, no
núcleo de João Wainer.
Parece pouco? Tem mais. Essa será a Copa no Brasil, mas ela não
será uma Copa restrita a veículos completamente brasileiros – e justamente por causa da internet. O Yahoo, chefiado por Ricardo Lombardi, contratou uma série de colunistas entre alguns dos principais
jornalistas do País. Claudio Tognolli e Laura Capriglione trabalham
no portal e costumam trazer visões originais sobre o que vem acontecendo no País. Eliane Brum é colunista da edição brasileira e online
do El País. E há, claro, as bem-humoradas listas do Buzzfeed Brasil,
a edição local de um dos maiores sites jornalísticos do mundo. A
equipe, recém-formada, conta com Manu Barem (ex-Jezebel Brasil),
Rafael Capanema (ex-Folha de S.Paulo) e Clarissa Passos (ex-iG). O
Colunas, humor, internacionais...
Ainda nesse campo, vale ampliar o escopo e falar
de sites que não são de futebol, mas vêm fazendo
ótimas coberturas. A Agência Pública e suas séries
especiais sobre o Mundial são imperdíveis, e devem
continuar em junho e julho. Essas reportagens vêm mostrando o lado
social da Copa como poucos veículos fizeram até agora. O Catraca
Livre, projeto de Gilberto Dimenstein, deverá ser muito acessado por
causa da programação de festas e eventos gratuitos que vão acontecer
Buzzfeed é um dos produtos jornalísticos mais lucrativos do mundo e
foi analisado extensivamente pelo New York Times no seu amplamente
comentado relatório sobre o estado do jornal (uma versão resumida,
em inglês, pode ser lida aqui: http://migre.me/jrE1P)
Se os brasileiros quiserem ir direto aos veículos estrangeiros, em
inglês, também estarão bem servidos. Os EUA vêm vivendo uma fase
bastante interessante. Novos veículos de comunicação estão surgindo
com modelos de negócio claros e propostas editoriais relevantes.
Some-se a isso o fato de que o país foi um dos maiores compradores
de ingressos para o Mundial e... pronto! A Copa no Brasil estará no
foco do Quartz, o site de economia do mundo real criado pelo grupo
The Atlantic, e do FiveThirtyEight, o site de dados comandado por
Nate Silver, que se tornou estrela mundial ao prever o resultado das
eleições americanas de 2012. Ainda por lá, vale acompanhar o Vox, o
site de jornalismo explicativo de Ezra Klein, ex-Washington Post, e a
cobertura underground-extrema da Vice, uma das mais barulhentas
e lucrativas iniciativas jornalísticas da última década.
A oferta de informação, de diferentes pontos de vistas e de variados
formatos será enorme nesta Copa. A cobertura será multilinguística,
multiplataforma e consumida em uma enormidade de telas. O jornalismo, brasileiro e mundial, dará mostras do seu vigor e da sua enorme
capacidade de reinvenção em termos de ferramentas e linguagem. E,
depois da Copa, restará uma pergunta, claro. Como vamos financiar
essa cobertura? Mas isso é assunto para outro texto...
(*)
Editor-chefe da F451
Jornalistas&Cia é um informativo semanal produzido pela Jornalistas Editora Ltda. • Tel 11-3861-5280 • Diretor: Eduardo Ribeiro (eduribeiro@jornalistasecia.
com.br) • Editor-Executivo: Wilson Baroncelli ([email protected]) • Editor-assistente: Fernando Soares ([email protected]) •
Assistente de redação: Mariana Ribeiro ([email protected]) • Estagiária: Georgia Aliperti ([email protected]) • Editora-regional
RJ: Cristina Vaz de Carvalho, 21-2527-7808 ([email protected]) • Correspondente: Kátia Morais (DF), 61-3347-3852 ([email protected]) • Diagramação e Programação visual: Paulo Sant’Ana ([email protected]) • Departamento Comercial: Silvio Ribeiro, 11-3861-5283 ([email protected])
e Vinícius Ribeiro, 11-3861-5288 ([email protected]) • Assinaturas: Armando Martellotti, 11-3861-5280 ([email protected])
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ESPECIAL DIA DA IMPRENSA • ESPECIAL DIA DA IMPRENSA • ESPECIAL DIA DA IMPRENSA
A primeira Copa
a gente nunca esquece…
Os repórteres André Pugliesi, Daniel Adjuto
e Fernando Rudnick dividem as expectativas
para a cobertura da primeira Copa do Mundo de
suas carreiras. André e Fernando pela Gazeta
do Povo (PR). Daniel pela sucursal brasiliense
do SBT. Em comum, o desejo de fazer um bom
trabalho no Mundial, que certamente marcará a
história de cada um deles.
Jornalismo e esporte
André Pugliesi – Eu nunca decidi ser jornalista. Minha opção era Educação Física. Na
verdade, minha segunda opção, pois o que
sempre sonhei foi ser jogador de futebol.
Sem ter conseguido, nem insistido, pensei em
aproveitar minha aptidão para os esportes. Na
hora de prestar vestibular, tinha que escolher
outra possibilidade, e fiquei com Jornalismo.
Não passei em nenhum dos dois e na segunda tentativa, no ano seguinte, inverti. Acabei
passando e toquei em frente. Sempre gostei
de praticar esportes, especialmente futebol. E
lia bastante sobre o assunto, especialmente a
Placar. Passei e cursei Jornalismo sem a ideia
fixa de enveredar pelo ramo, mas acabou
sendo um caminho natural. Daniel Adjuto – Como todo adolescente,
durante o Ensino Médio, estava indeciso quanto a qual carreira seguir: Engenharia Civil ou
Medicina. Até que, quando estava no terceiro
ano, conversava com uma amiga e ela disse
que faria vestibular para Jornalismo. Aquilo
me chamou a atenção e comecei ler sobre
campeonato do esporte, a infraestrutura que
ficará de legado e a oportunidade de mostrar
o País para quem ainda não o conhece. De
forma negativa, acredito que o mau uso do
dinheiro público, não priorizar setores que hoje
precisam mais de investimentos e corrupção
que se aproveita do volume de dinheiro para
o evento.
Fernando Rudnick – Negativo obviamente é
que os gastos para o evento foram excedidos,
e houve muitos problemas no meio do caminho, nas obras, coisas que não ficarão prontas.
Positivo é a proximidade da torcida, apaixonada
por futebol, enchendo as arquibancadas. Em
organização vai faltar, mas tem essa parte boa
que é o nosso calor humano.
A Copa das manifestações
André Pugliesi – Acho perfeitamente legítimo. Não há momento adequado para protestar.
Antes, durante, depois da Copa. É óbvio que
exemplo, já fizemos matéria sobre os atingidos pela tragédia das chuvas de Teresópolis,
em 2011. Três anos depois, nada mudou. E,
claro, trata-se de uma correlação importante
em se tratando da cidade que abriga os treinos
do Brasil na Granja Comary. Eu e mais três
profissionais (repórter Leonardo Mendes
Júnior e fotógrafos Albari Rosa e Hugo
Harada) inauguramos a cobertura do evento
na Gazeta do Povo. Viajamos no dia 24/5, a
seleção se apresentou no dia 26, e seguiremos até o último dia do Mundial, em 13 de
julho. A Gazeta do Povo terá ainda diversos
outros profissionais envolvidos na cobertura,
dez viajando pelo Brasil.
Daniel Adjuto – Estou me preparando basicamente com materiais, cursos e coletivas
oferecidos por órgãos do governo, além de
leitura de jornais nacionais e internacionais
sobre as seleções. Farei a cobertura de embaixadas, do evento Fan Fest, de possíveis
manifestações e do trânsito de delegações.
A escala de trabalho permanece a mesma.
Como tenho dois empregos, trabalho como
repórter do SBT pela manhã, e repórter e
Daniel Adjuto
André Pugliesi
a profissão. Me identifiquei na hora com o
telejornalismo. Apesar disso, estudava para
o vestibular de Medicina, que mais me atraía.
No cursinho pré-vestibular, resolvi que queria
mesmo o Jornalismo. A área de esportes veio
com pautas do dia a dia. É uma editoria que
permite mais liberdade de texto e explorar a
criatividade. Apesar disso, não tinha a editoria
como meta.
Fernando Rudnick – Eu sempre gostei muito de esporte e decidi pelo Jornalismo para me
tornar próximo dele. Desde o Ensino Médio já
sabia que era isso que eu queria ser.
Fernando Rudnick
vai voltar parte dos olhares do mundo para o
Brasil. Durante o período de jogos, o brasileiro
vai torcer, vibrar, se envolver de fato com a
mística do futebol. Por outro lado, creio que
muitos também vão aproveitar a oportunidade
para protestar e mostrar suas insatisfações.
Fernando Rudnick – As expectativas são
as melhores possíveis. É o maior evento do
mundo, tirando as Olimpíadas. Vai ser um grande aprendizado, e teremos a possibilidade de
mostrar aquilo que fazemos no dia a dia, mas
com uma estrutura bem maior.
Positivo e negativo da Copa no Brasil
O que espera da Copa
André Pugliesi – Pontos positivos e negativos se misturam na Copa do Mundo no Brasil,
é difícil dissociá-los. São várias as melhorias
com infraestrutura, especialmente no caso dos
estádios. Ao mesmo tempo, muito dinheiro
jogado fora (como o estádio de Brasília, por
exemplo).
Daniel Adjuto – Pontos positivos são o fato
de o país do futebol sediar o mais importante
há muita manifestação orquestrada, com interesse estranho, mas um olhar mais atento
consegue separar o que é justo da sacanagem.
Daniel Adjuto – As manifestações, em
minha opinião, não são contra a realização dos
jogos. São contra os gastos excessivos com
o Mundial e o esquecimento de áreas como
saúde e educação, que estão sedentas de investimento. O povo aproveita o momento em
os olhos do mundo estão voltados para o Brasil
para deixar claro que a poucos quilômetros do
estádio mais caro da Copa – e superfaturado
– , o Mané Garrincha (em Brasília), pacientes,
após enfrentarem horas em uma fila, sequer
tem ido para cirurgias.
Fernando Rudnick – Manifestação pacífica – com razões, com motivos – está certo.
O povo tem que ir pra rua reclamar mesmo.
O problema é quando há violência, gente
infiltrada que quer baderna. Isso é um grande
problema. Até participei recentemente de um
curso da Polícia Militar do Paraná para os jor-
nalistas terem mais noção de como se portar
na cobertura de manifestações. Mas não acho
que adiante fazer manifestação hoje contra a
Copa, ela já está aí, vai acontecer.
apresentador à tarde pelo STJ – TV Justiça,
fico mais focado nas notícias do período da
manhã. No STJ, não teremos expediente, já
que o próprio tribunal também não funcionará.
Fernando Rudnick – Eu me preparo lendo
bastante, vendo documentários, me informando. Lendo muita coisa sobre as seleções,
e também no dia a dia a gente fez um Guia
na Gazeta do Povo. Vou para quatro cidades.
Faço oitavas e quartas de finais no Nordeste,
depois vou trabalhar em São Paulo. Ficarei no
estádio mesmo, acompanhando.
Daniel Adjuto – Formado no início de 2013
pela Universidade de Brasília, fiz estágio voluntário de dois meses na TV Globo de Nova
York. Ao voltar ao Brasil, comecei a estagiar
no SBT, onde atuei como produtor do SBT
Brasil. Nesse período, me destaquei com a
produção de séries de reportagens e de matérias investigativas. Após um ano de estágio,
fui contratado como produtor do jornal local,
Jornal do SBT Brasília, onde também atuava
esporadicamente como repórter. Com dois
meses na função, fui convidado a assumir o
posto de produtor do nacional, principalmente
de política, e de fazer entradas ao vivo no SBT
Manhã. Já como repórter, completarei, agora
em junho, um ano no SBT Manhã, programa
que de participo com informações de Brasília.
Fernando Rudnick – Pós-graduado em
Comunicação Esportiva, em 2008, pela PUC-PR. Atuei na Terra Forum (comunicação
empresarial), em 2007, e na Bandnews FM
Curitiba, em 2008. Sou repórter na Gazeta do
Povo desde 2009.
André Pugliesi – Em termos de cobertura,
a melhor possível. Não digo que é a realização
de um sonho, pois nunca sonhei com isso. Mas
é, sem dúvida, um momento especialíssimo.
E dificílimo também. Num curto espaço de
tempo, a mistura de uma série de elementos
complicados, especialmente futebol e política.
Daniel Adjuto – Acredito que o campeonato
A carreira
André Pugliesi – Eu me formei em 2002,
pelo Unicenp. Comecei a trabalhar no ramo em
2004, no Jornal Arquibancada, especializado
em futebol. Depois, passei rapidamente pelo
Jornal do Estado, também de Curitiba, e em
novembro de 2005 entrei na Gazeta do Povo.
Lá, já cobri eventos como o Pan-Americano do
Rio de Janeiro, em 2007, a Copa América da
Argentina, em 2011, e a Olimpíada de Londres,
em 2012. Tenho 35 anos e sou curitibano.
Preparação e cobertura
André Pugliesi – Estou envolvido com o
assunto já há bastante tempo, pela Gazeta do
Povo. Participei da Copa das Confederações,
do sorteio para o Mundial e de uma infinidade
de pautas envolvendo a preparação de Curitiba e da Arena da Baixada para o Mundial.
Logo, já estou familiarizado com o tema.
Mas, claro, não basta. Tenho procurado estar
atualizado o máximo possível, acompanhando
boa parte do que se publica sobre a Copa, e
fiz algumas leituras específicas de livros. Vou
cobrir a Seleção Brasileira em Teresópolis e os
jogos que serão realizados no Rio de Janeiro,
incluindo a final. Também estou atento para
o entorno e em caso de manifestações. Por
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ESPECIAL DIA DA IMPRENSA • ESPECIAL DIA DA IMPRENSA • ESPECIAL DIA DA IMPRENSA
Copa do Mundo, 1950 x 2014
Por Roberto Muylaert (*), especial para J&Cia
A década de 1950 pode ser chamada de Anos
dourados, se for preciso glamurizar aquela época para
uma novela. Mas também de Década do silêncio, para
quem viveu o período, em que se realizou no Brasil a
IV Copa do Mundo.
Até na comportada massa humana presente ao
Maracanã era fácil perceber que os homens só vestiam
cores discretas: cinza, branco, azul-claro, bege. Um
público tão educado que teve forças para aplaudir o
Uruguai como campeão do mundo de 1950, ainda no
Maracanã, em seguida à derrota do Brasil.
A torcida se comportava bem: levantar, só na hora
do gol. Não existia a atitude de saltar o tempo todo no mesmo lugar,
para apoiar o time, como é comum nas torcidas dos grandes times.
Como as desistências de países tinham sido muito grandes, até a
última hora, os grupos para chegar às quartas de final de 1950 foram
formados de forma improvisada, com participantes convidados às
pressas, o que resultou na formação de grupos desequilibrados, onde
o Uruguai jogaria apenas com a Bolívia para se classificar, enquanto o
Brasil deveria passar por México, Iugoslávia, e Suiça. Foram classificados
Brasil, Uruguai, Espanha e Suécia para a fase de mata-mata, que, em
vez das eliminatórias, virou quadrangular de todos contra todos, por
pontos, pela primeira e última vez em Copas do Mundo.
O que se costumou chamar de “final de 50” era o último jogo da
tabela, com a ordem dos jogos do quadrangular sendo sorteada, e
não uma final surgida de eliminatórias. Por isso, o Brasil nessa “final”
levava um ponto de vantagem, podia empatar, ainda seria o campeão.
O regulamento foi modificado pelo medo que o Brasil tinha de cair
fora na semifinal, se houvesse eliminatórias. Não queria decepcionar
o enorme público presente no Maracanã, 200 mil pessoas, ou dez por
cento da população do Rio. Um estádio equivalente construído hoje em
São Paulo teria capacidade para um milhão e duzentas mil pessoas...
E a estratégia quase deu certo, com o Brasil dando show contra Suécia
e Espanha, no Maracanã lotado, o que fez aumentar o otimismo em
relação ao último jogo, contra um time de camisas azul-celeste, que
pareciam até desbotadas, mas que acabaria levando a Copa.
No Maracanã lotado só dava para sentar forçando o traseiro como uma
cunha entre dois torcedores já espremidos, aos brados de “brasileiro
sempre cabe mais um...”.
Vitórias acachapantes: 7x1 na Suécia, 6x1 na Espanha. Dez por cento
da população do Rio estava no estádio, um prodígio de dimensões e de
público, 200 mil pessoas, ou 14 mil toneladas de gente! Todas cantando
em uníssono, e arrepiando com o Hino Nacional, numa época em que
era obrigatório o ensino de canto orfeônico nas escolas (implantado
por Heitor Villa-Lobos).
O que acabou perturbando a calma dos jogadores concentrados em
São Januário, campo do Vasco da Gama, foi a enxurrada de políticos que
queriam fazer média com os jogadores e os eleitores. Era a sucessão
de Getúlio Vargas, deposto após o movimento militar que acabou com
15 anos de ditadura.
Os políticos prometiam empregos e cargos públicos aos jogadores,
que teriam o futuro garantido como Campeões do Mundo (não como
vice-campeões).
Até candidato a presidente da República se apresentou para discursar
para os jogadores, como foi o caso de Adhemar de Barros, político de
São Paulo.
Mas o auge da falta de critério e bom-senso foi o discurso pelos autofalantes do Maracanã, no jogo final, quando o responsável pela construção do estádio-gigante, general Ângelo Mendes de Morais, lançou um
palavrório politicamente muito incorreto, o último dos maus agouros:
“Vós, jogadores, que a menos de poucas horas sereis proclamados
campeões por milhões de compatriotas. Vós, que não possuis rivais em
todo o hemisfério, Vós, que superais qualquer outro competidor! Vós
que eu já saúdo como vencedores! Cumpri minha promessa construindo
este estádio. Agora fazei o vosso dever, ganhando a Copa do Mundo!”.
O resto todo mundo sabe: a sequência do segundo gol do Uruguai, de
cinegrafista ignorado, é exibida à exaustão na tevê brasileira (em meu
livro Barbosa, comparo a dramaticidade desse filme com a de Zapruder,
do assassinato de Kennedy, o único a mostrar o desfecho da cena).
Mas houve também momentos de grande alegria, emoção, e de patriotismo na medida certa, nos três jogos do quadrangular final em que o Brasil
ganhou. Nos 6x1 contra a Espanha houve um momento em que o estádio
começou a acenar com lenços brancos, despedindo-se do adversário goleado, e a cantar, de improviso, um marcha de carnaval que todo mundo
conhecia, como era comum naquela época: Touradas de Madrid. Surgiu
de forma espontânea e sem ensaio um dos maiores corais do mundo,
para euforia de quem estava lá. Na letra havia a palavra Catalunha, que
pronunciada em uníssono por aquele público enorme soava como uma
sirene. No meio da euforia esfuziante, só um torcedor chorava, emocionado.
Era Braguinha, o compositor da música que de repente tinha virado hino
nacional, naquele jogo. Ao vê-lo chorar, um torcedor não perdoou: “Todo
mundo feliz e só esse espanhol filho da puta chorando...”.
Embora entre 1950 e 2014 haja um abismo de diferenças, não é
difícil descobrir semelhanças: uma é a crescente convicção de que
vamos ganhar. A euforia crescente virá de todos os meios de comunicação somados e pode tomar conta da cabeça dos jogadores, como
aconteceu em 1950.
O Brasil tem uma imprensa com muito poder de fogo, mas poucos
heróis esportivos, daí sua munição ser descarregada nos ídolos do
futebol, a saber, em 2014, Neymar.
Há também a coincidência da final da Copa ser em julho e a eleição
presidencial em outubro.
Em 1950 os políticos entravam na concentração em São Januário
sem cerimônia.
Claro que, hoje, o controle de quem pode ter contato com a seleção
é rigoroso, mas ninguém impede os jogadores de assistirem tevê, o
que traz as expectativas ampliadas pela imprensa para dentro da própria
concentração.
Quando foi confirmada a Copa do Mundo de 2014 no Brasil, o estádio
de 1950 não mais servia. O Maracanã era o único estádio tombado do
Brasil, inscrito, desde o ano 2000, no Livro do Tombo Arqueológico,
Etnográfico e Paisagístico. E com imóvel tombado pelo Iphan, ninguém
mexe, a não ser a Fifa.
Iniciada a derrubada, o Conselho do Iphan, em 2011, classificou a
reforma como “crime”, conforme matéria na Folha de S.Paulo, caderno
Ilustríssima, de 25 de novembro de 2012.
Em resumo, o Rio de Janeiro tinha um estádio em plena condição de
uso e precisava de um mais moderno, de acordo com a Fifa. Em vez
de construir um novo, por R$ 860 milhões, e conservar o Maracanã, a
opção foi ficar com um estádio só, igual a todos os outros, pelo preço
das duas reformas somadas, de R$ 1,46 bilhão.
A lógica de quem fez a escolha deve ter sido “pague dois e leve um”.
A conclusão é que, assim como a Copa de 50 foi um sucesso total,
mesmo sem a vitória do Brasil, a de 2014 também será, com a diferença
de que, naquele longínquo 1950, o Brasil era um país rural, onde tudo
se resumia ao café.
E, segundo Nelson Rodrigues, havia no País o “complexo de vira-latas”, onde o brasileiro achava que não tinha possibilidade de ganhar
nada numa competição internacional.
Em 2014 o “vira-latas” transformou-se num cão de raça futebolístico, que entra na Copa como o país de maior número de
títulos mundiais, cinco. Uma derrota (Deus nos livre!) não teria
impacto sobre o orgulho nacional. Muito distante da tragédia
de 50.
(*)
Jornalista, escritor e publisher
O que há para ler
n O lado sujo do futebol, de Amaury Ribeiro
Jr., Leandro Cipoloni, Luiz Carlos Azenha e Tony Chastinet chegou às livrarias com
um conteúdo recheado de traições, contratos
suspeitos, amizades de interesses, cartel, subornos, enriquecimento ilícito, coações, jogo
político e muito mais. No prefácio, o ex-jogador
e atual deputado federal Romário dá o tom:
“Agora, mais do que nunca, tenho certeza de
que a CBF é mesmo o câncer do futebol!”. A
obra afirma, por exemplo, que João Havelange
e Ricardo Teixeira desenvolveram um esquema
mafioso de fraudes e conchavos, beneficiando
a si e seus amigos; que Fifa e CBF se tornaram
um grande balcão de negócios; e que este é
um grande jogo de bolas marcadas, cujo palco
principal são as Copas do Mundo. Mais informações com Fábio Diegues (11-3087-8840
e 983-994-331 ou fdiegues@editoraplaneta.
com.br).
n O colunista e escritor Ruy Castro está lan-
çando Os garotos do Brasil – Um passeio pela
alma dos craques (Foz), obra que traz 25 de
seus textos publicados nos últimos 20 anos
em diversos veículos – quase todos revistas
de circulação dirigida – e faz um resgate histórico, revelando os sonhos, traços de caráter
e miudezas de alguns de nossos maiores
ídolos, como Pelé, Garrincha, Bellini e Zico,
entre outros. Segundo ele, é, na realidade,
“uma coletânea escrita por um torcedor que
viu jogar quase todo mundo, de 1958 até mais
ou menos 1990, nos estádios”. Para explicar
o nome do livro, Ruy cita Nelson Rodrigues:
“Sempre concordei com ele quando dizia
que, em futebol, o pior cego é o que só vê a
bola”. Nelson, que tinha miopia aguda, mal
enxergava a bola em campo; então, como via
mal o jogo, tinha de se limitar a radiografar a
alma dos jogadores. Ruy também descreve
os fundamentos clássicos do que seria, por
assim dizer, nossa sociologia do futebol, como
Charge de Fernandes
A proximidade da Copa levou editoras a lançar (ou relançar) livros alusivos ao tema. Relacionamos a seguir alguns deles:
Edição 950B
Página 18
ESPECIAL DIA DA IMPRENSA • ESPECIAL DIA DA IMPRENSA • ESPECIAL DIA DA IMPRENSA
a ginga, que vem da capoeira, ou o complexo
de vira-lata – expressão criada por Nelson
Rodrigues para designar, segundo o próprio,
a inferioridade em que o brasileiro se coloca,
voluntariamente, em face do resto do mundo.
Com 136 páginas, Os garotos do Brasil chega
ao mercado com preço sugerido de R$ 36,90.
n Os cartunistas Jal e Gual inauguraram neste
1º/6, no Sesc Belenzinho, em São Paulo (rua
Padre Adelino, 1.000), a exposição Figurões da
Copa com material baseado no livro Brasil nas
Copas (Panini), de autoria de ambos, e cartuns
inéditos de 21 desenhistas com (pela primeira
vez) caricaturas de todos os jogadores brasileiros que foram para as Copas. São na maioria 23
em cada Copa. A exposição lembra um álbum
de figurinhas. O livro tem capa e ilustrações
de Fernandes, chargista do Diário do Grande
ABC. Uma delas é a que ilustra este bloco.
n A fundação alemã Einrich Böll Stiftung lança
Copa para quem e para quê, com organização
de Marilene de Paula e Dawid Danilo Bartelt, que reúne análises sobre os Mundiais em
Brasil, África do Sul e Alemanha, compilando
dados públicos e minientrevistas. Gláucia
Marinho, Mário Campagnani e Renato
Consentino, jornalistas da ONG Justiça Global,
fizeram o texto sobre o Brasil. Download grátis
pelo br.boell.org/pt-br.
n João Carlos Assumpção e Eugênio Goussinsky lançaram na semana passada Deuses
da bola (DSOP), cujo tema é o centenário da
Seleção Brasileira, que será comemorado em
21 de julho.
n A Panda Books lançou diversos livros sobre
Copas do Mundo e em todos eles há jornalistas
como autores:
u A história das camisas de todos os jogos
das Copas (edição atualizada), de Paulo Gini e
Rodolfo Martins Rodrigues, com ilustrações
de Mauricio Rito e prefácio de Juca Kfouri. O
livro conta com 847 camisas, de 80 seleções
em 19 Copas, além de trazer o histórico das camisas da Seleção Brasileira desde a sua fundação até o final de 2013, incluindo as partidas de
Olimpíadas. Cada capítulo revela informações
e curiosidades do uniforme completo usado
pelas seleções jogo a jogo. Tudo é organizado
cronologicamente, trazendo também a tabela
completa de cada edição dos Mundiais.
u Infográficos das Copas, de Gustavo Longhi
de Carvalho e Rodolfo Martins Rodrigues.
Os autores compilaram as fichas técnicas de
todas as partidas das Copas e montaram um
banco de dados inédito. Desde 1930, quando
a primeira Copa do Mundo foi realizada no
Uruguai, até a África do Sul, em 2010, foram 19
mundiais, 772 jogos e 2.208 gols comemorados – todos eles marcados em 173 estádios de
143 cidades, com um público médio de 44.091
pessoas. O livro traz o resultado desse levantamento em mais de cem estatísticas ilustradas,
que mostram, por exemplo, que o resultado
mais comum é 1 x 0, ocorrido 145 vezes, que
948 gols saíram no primeiro tempo e 1.204 no
segundo, e que as seleções que tiveram 100%
de aproveitamento em Copas foram o Uruguai
de 1930 (quatro jogos), a Itália de 1938 (quatro
jogos) e o Brasil de 1970 (sete jogos).
u Um jogo cada vez mais sujo, de Andrew
Jennings. Uma das revelações deste livro é
o esquema fraudulento da venda de ingressos
na Copa. O escocês Jennings, que lançou Jogo
sujo no Brasil em 2011, investiga os bastidores
da Fifa há 20 anos e foi um dos principais responsáveis pelas reportagens que resultaram
nas expulsões de João Havelange e Ricardo
Teixeira da entidade. Por essas e outras, foi
banido de todos os eventos da Fifa e é considerado seu inimigo número 1.
u Dicionário das Copas, de André Luís Nery
e Humberto Peron. São 6.297 verbetes sobre jogadores, técnicos, árbitros, mascotes,
dirigentes, bolas, países, torneios e tudo o que
envolve o maior evento do futebol mundial.
Cada verbete inclui histórias ou curiosidades.
Há também o número de jogos, vitórias,
derrotas e gols de cada craque, informações
dos estádios que sediaram as disputas, dados
das seleções e dos países-sede de todas as
edições, as polêmicas das finais, a criação das
mascotes e muito mais.
u Tática Mente: A história das Copas explicada
pelas cabeças e pranchetas dos treinadores,
de Paulo Vinicius Coelho, o PVC. O livro tem
apresentação de Luiz Felipe Scolari, que lembra
as grandes seleções, as vitoriosas e também
as que não ganharam a Copa. PVC, atualmente nos canais ESPN, traz no livro muito do
que viu ao fazer a coluna Prancheta do PVC,
inicialmente no Lance e depois nos jornais O
Estado de S. Paulo e Folha de S.Paulo. Em
versão impressa e digital.
u O Guia dos Curiosos – Copas, de Marcelo
Duarte. Nono título da coleção O Guia dos
Curiosos, este trata do maior campeonato de
futebol do planeta, que começou antes de
a bola rolar, no Uruguai, em 1930. É o mais
completo almanaque de curiosidades sobre
o principal evento esportivo do mundo, que
inclui os números de vários acontecimentos
de dentro de campo, além de curiosidades
envolvendo jogadores, árbitros e torcedores.
As comemorações de gols mais marcantes,
as histórias mais absurdas, as polêmicas de
jogadores com a imprensa, as trapalhadas da
arbitragem e outras.
u Amor, sexo e traição nas Copas (somente
e-book), de Gustavo Hofman e Leonardo
Bertozzi. Eles foram atrás de histórias curiosas
sobre o tema. Conversaram com jornalistas do
mundo todo para conhecer casos que ficaram
restritos à imprensa local. Pesquisaram o
assunto nos mais variados sites e nas mais
variadas línguas. O e-book tem também versão
em inglês.
A Copa em nova perspectiva
Por Marília Stabile, diretora da In Press Análise & Perspectivas
A In Press Análise & Perspectivas realizou de janeiro a março o estudo A Copa em nova perspectiva, o primeiro da série Cenários & Perspectivas que essa nova empresa do Grupo In Press vai fazer sobre temas da agenda nacional. O estudo reuniu sondagem de opinião, análise
de imprensa e mídias sociais e avaliação socioeconômica da qualidade dos serviços públicos das 12 cidades-sede.
Os resultados, que podem ser conferidos em detalhes no http://migre.me/jviET, mostram que a imagem da Copa como promoção do esporte está preservada; a associação
Empresas e jornalistas A vitória do Brasil na Copa pode reduzir dela ao legado à população, não, especialmente em transporte nas cidades, aeroportos,
as crí2cas em relação ao governo
hospedagem, qualidade de serviços prometidos à população pelo Governo Federal.
Ao contrário. A Copa ancorou e potencializou o debate sobre a qualidade dos serviços
públicos e despertou a demanda reprimida por infraestrutura em geral. Os recursos
destinados aos estádios revelou o desvio de finalidade para o atendimento às necessiJornalistas
Empresas
dades da população. Consolidou o raciocínio: se há dinheiro para estádios, deveria ter
Uso abusivo de verbas públicas
também para os serviços públicos. Mais: as condições de inflação alta, especialmente
Aumento na previsão inicial 5% 2%
dos alimentos, obras inacabadas e legado abaixo das expectativas permanecem. Por7% 7%
de gastos
Aumento nos preços de tanto, as manifestações vão continuar – ainda que em menor grau. A influência sobre
23%
36%
39%
produtos e serviços
14%
as eleições será relativa, pois o Brasil não é mais apenas o País do futebol. Ganhando
Não cumprimentos dos prazos
ou perdendo, uma certeza: a necessidade das mudanças para atender infraestrutura e
Má qualidade dos serviços e qualidade dos serviços públicos para toda a população.
do atendimento
18%
20%
5%
Na sondagem de opinião, o Pulse In Press, foram ouvidos 58 jornalistas do Brasil,
11%
Obras malfeitas e com 13%
acidentes
das editoriais de esporte, economia, política e cultura, além 72 executivos de empresas
Sem Resposta
nacionais e multinacionais com sede no Brasil. Na análise das mídias, o novo Índice
de Impacto e Perspectivas analisou 1.452 notícias em 16 sites e portais, no primeiro
trimestre deste ano. Nas
mídias sociais, apenas
?)&!?1)(!()(9@@)?H1'9@()#/F!V)@/9A9V61J9V)8)?/1!&0)/!!eam
Principais temas abordados refletem demanda reprimida por no mês de março, foram
Até 3 SMs
serviços públicos de qualidade. Resultado: cobrança do Legado
avaliados 5% dos posts
Mídia Social: perfil mais crí2co à gestão pública. Canais permanecem para em um universo total de
organização de protestos contra governos WEB: imprensa e mídia social se 767.568. A base das anáalinham contra má imagem na gestão do governo na infraestrutura
lises socioeconômicas,
Assuntos – parGcipação + e – Março/
realizada pelo professor
2014
de economia da USP e
99.6
consultor da empresa
Até 8 SMs
84.6
81.5
Heron do Carmo, foi a
68.6
Pesquisa de Orçamento
59.9
54.2
53.8
48.851.2
Familiar (Pofi), do IBGE,
46.2
45.8
40.1
de 2008/2209 – que vem
31.4
a ser a maior pesquisa
18.5
15.4
realizada no País sobre
0.4
hábitos e condições de
Evento
Gestão Pública
Infraestrutura
Manifestações
56 mil unidades de consumo.
]\\T\\h
d\T\\h
b\T\\h
_V7?$5
^VD/5
]V75
`\T\\h
120.0
100.0
Internet
Internet
Internet
Mídia social
Mídia social
Mídia social
^\T\\h
\T\\h
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80.0
60.0
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Edição 950B
Página 19
ESPECIAL DIA DA IMPRENSA • ESPECIAL DIA DA IMPRENSA • ESPECIAL DIA DA IMPRENSA
Jornalistas&Cia pediu a alguns profissionais que deram depoimentos para este especial que indicassem seus times de
coração e quais seleções serão finalistas, além, é claro, o novo
campeão do mundo. O resultado você confere neste tabelão.
JORNALISTA
TIME DO CORAÇÃO
FINALISTAS DA COPA
Adhemar Altieri
Affonso Ritter
Alexandre Alfredo
Alexandre Salvador
Américo Martins
André Trigueiro
Andrea Denadai
Angélica Consiglio
Antoninho Rossini
Antônio Torres
(Apolinho) Washington Rodrigues
Breiller Pires
Carina Almeida
Carlos Conde
Carlos Maranhão
Castilho de Andrade
Célio Galvão
Charlene Sant’Anna
Ciro Dias Reis
Claudia Belfort
Cláudia d’Amato
Cláudia Giudice
Claudia Kucharsky
Claudio Arreguy
Clóvis Rossi
Cristiane Santos
Cristina Toletti
Denner Taylor
Douglas Tavolaro
Eduardo Pugnalli
Eleno Mendonça
Elisa Prado
Eugênio Araújo
Gil Arruda
Helio Cicero
Josino Ribeiro
Liliana Lavoratti
Luiz Carlos Costa
Manoela Penna
Marcelo Senna
Marceu Vieira
Marcos Guiotti Júnior
Mariucha Moneró
Marluci Martins
Martha Esteves
Roberto Nonato
Rodrigo Cavalcante
Sergio du Bocage
Sergio Pugliese
Sérgio Rizzo
Toninho Nascimento
Palmeiras
Grêmio/RS
Palmeiras
Atlético/PR, Coritiba e Paraná Clube
Portuguesa
Fluminense
Palmeiras
Santos
Corinthians
Flamengo
Flamengo
Vasco
Flamengo
Santos
Atlético/PR e Corinthians
São Paulo e Portuguesa Santista
São Paulo
Palmeiras
Santos
Corinthians
São Paulo
Santos
Palmeiras
Cruzeiro
Barcelona (Espanha)
São Paulo
São Paulo e Uruguai
Atlético/MG
Brasil, Argentina, Itália e Alemanha
Brasil, Alemanha, Argentina, Espanha
Brasil, Holanda, França e Inglaterra
Brasil, Holanda, Alemanha e Espanha
Brasil, Inglaterra, Portugal e Grécia
Brasil, Argentina, Alemanha e Espanha
Brasil, Espanha, Alemanha e Argentina
Alemanha, Espanha, Argentina e Brasil
Espanha, Inglaterra, Argentina e Brasil
RANKING FINALSTAS
BRASIL
Alemanha
Espanha
Argentina
Inglaterra
Itália
Portugal
Holanda
França
Bélgica
Grécia
Uruguai
NÃO OPINARAM
48
43
40
35
8
7
4
3
2
1
1
1
3
Atlético/PR
Vasco
Atlético/MG
Fluminense
Flamengo
Botafogo
Fluminense
Vasco
Flamengo
Palmeiras
Flamengo
Vasco
Palmeiras
Fluminense
CAMPEÃO
Itália
Brasil
Brasil
Brasil
Brasil
Brasil
Brasil
Alemanha
Brasil
Brasil
Brasil, Alemanha, Argentina e Itália
Brasil
Espanha, Brasil, Argentina e Alemanha Espanha
Brasil, Espanha, Alemanha, Argentina Brasil
Brasil, Espanha, Alemanha, Argentina Brasil
Alemanha, Argentina, Brasil e Inglaterra Brasil
Brasil, Itália, Alemanha e Inglaterra
Inglaterra
Brasil, Alemanha, Itália, Espanha
Brasil
Brasil, Alemanha, Espanha e Portugal Alemanha
Brasil, Alemanha, Espanha e Inglaterra Brasil
Brasil, Argentina, Portugal e Espanha
Brasil, Espanha, Argentina e Alemanha Brasil
Brasil, Argentina, Alemanha e Espanha
Brasil, Espanha, Argentina e Alemanha Brasil
Brasil, Alemanha, Argentina e Espanha Alemanha e Brasil
Alemanha, Argentina, Brasil e Espanha
Brasil, Espanha, Alemanha e Inglaterra Espanha e Brasil
Brasil, Espanha, Alemanha e Uruguai
Brasil
Brasil, Espanha, Alemanha e Itália
Brasil
Brasil
Brasil, Argentina, Alemanha e Espanha
Brasil, Alemanha, Argentina e Espanha
Brasil, Espanha, Alemanha e Itália
Brasil, Alemanha, Espanha e Argentina Brasil
Brasil, Alemanha, Itália e Espanha
Alemanha
Brasil, Argentina, Alemanha e Bélgica Brasil
Brasil, Portugal, Argentina, Espanha
Brasil
Brasil, Argentina, Espanha, Alemanha Brasil
Brasil, Alemanha, Espanha e Argentina Brasil
Brasil, Argentina, Espanha, Alemanha Alemanha
Brasil, Alemanha, Argentina e Espanha Brasil
Brasil, Argentina, Espanha e Alemanha Brasil
Brasil, Argentina, Alemanha e Inglaterra Brasil
Brasil , Alemanha, Espanha, Argentina Brasil
Brasil, Alemanha, Espanha e Argentina Brasil
Espanha, Alemanha, Brasil e França
Brasil
Brasil, Argentina, Alemanha e Holanda Brasil
Brasil
Brasil, Argentina, Alemanha e Espanha Alemanha
Brasil, Argentina, Alemanha e Espanha Alemanha
Brasil, Argentina, Alemanha e Espanha Brasil
Brasil, Alemanha, Argentina e Espanha Brasil
RANKING CAMPEÃO
BRASIL
Alemanha
Espanha
Inglaterra
Itália
NÃO OPINARAM
36
7
2
1
1
6
Download

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