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TECIDOS E PAPÉIS DE PAREDE
QUE DITAM A MODA NESTE VERÃO
VIVA A EUROPA!
Mistura cosmopolita
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Rumo à praia,
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ESSENCIAIS
25 jarros para
saciar a sede
Novos
estilos
de decoração
CRIADOS PELOS DESIGNERS DO FUTURO
Junho 2009 l € 3,30 (Cont.) l N.º 99
OBJECTOSNOVOS
DOSSIER
IDENTIFICADOS
ESTILOS
RAMEI KEUM,
Coreia do Sul
Tem apenas 28 anos, mas conhece
as suas raízes e trabalha com elas.
A partir da estrutura arquitectónica
dos templos típicos da região
desenvolveu peças de mobiliário.
Sofás, cadeiras e mesa de jantar
incorporam os telhados arrebitados
e as traves que suportam as
estruturas de elegância oriental.
Ramei também tem em conta
os clientes que preferem
um estilo mais contemporâneo
e prático, tendo desenhado
diversos produtos de uso diário.
Algo tão simples como uma
extensão eléctrica circular pode
facilitar a arrumação e a ligação
dos aparelhos.
www.rameikeum.com
EvolucõEs
do dEsEjo
O DESIGN JÁ NÃO TEM DE VIR DE UMA EXPERIENTE MÃO FRANCESA OU ITALIANA.
JOVENS DE TODO O MUNDO COMEÇAM A EMERGIR COM PRODUTOS ORIGINAIS. DOS MAIS
TECNICISTAS AOS QUE REFRESCAM AS SUAS RAÍZES, HAVERÁ LUGAR PARA TODOS?
Texto de Mariana Monteiro
JOÃO BRUNO VIEIRA,
Portugal
Foi jornalista e produtor de vídeo independente,
mas hoje diz que comunica de uma forma diferente.
Em 2006 fez uma experiência que lhe daria
um novo rumo profissional. João Bruno decidiu
remendar uma velha cadeira com o assento em
palha estragado usando lã de Arraiolos. Gostou
do resultado e foi praticando e fazendo diferentes
modelos até fundar a sua
própria marca, Água de Prata.
O caminho revelou-se bem
escolhido – o seu trabalho
é finalista no concurso para
o prémio nacional das indústrias
criativas e foi convidado
para representar Portugal
na Palermo Design Week.
As suas peças feitas à mão
podem encontrar-se na Chiado
Design de Évora, Loja das
Quasi, Famalicão, Lusco Fusco
concept store, Lagos, e na
Oficina à Lapa, Lisboa.
www.aguadeprata.blogspot.com
94 Máxima Interiores
Neofolk
As raízes a grande influência na criação.
Estes designers conseguem retratar o ambiente
em que cresceram em novas formas e com
novo conforto. Os materiais e cores são os actuais,
mas o ponto de partida do desenho é algo típico
do seu país: quer seja um edifício ou até um cacto.
RODRIGO BERTOTTO,
Argentina
Rodrigo é um artista com espírito de
inventor. Já criou convites para uma
vernissage que se transformam em
copo, post-its que juntos servem de
papel de parede e até uma fita métrica
para medir o tempo no espaço. Mas
o que lhe valeu o prémio Novo Talento
em 2005 foi The Argentine Bench?.
Uma pergunta que coloca com uma
visão de ironia sobre a estética
clássica. A peça consiste num banco
recto em madeira com um suporte
para posters. São estes que definem
o estilo do assento – Luís XV, XVI,
XVII e XVIII. A identidade é dada pelo
utilizador, que mistura o real com
a representação. Hoje trabalha em
Paris, no estúdio de Pablo Reinoso.
www.rodrigobertotto.com
VALENTINA GLEZ WHOLERS,
México
Nasceu em 1977 na Cidade do México, mas em 2005
mudou-se para Londres para estudar e trabalhar.
A jovem surpreendeu ao retratar o seu país numa
cadeira Luís XV em forma de... cacto. Foi durante
a semana de design de Milão 2009 que apresentou
o Prickly Pair Chairs, um “casal” de assentos com
direito a espinhos. Tem coragem de se sentar?
Pode fazê-lo que são em tecido.
www.valentinagw.com
Máxima Interiores 95
SULE KOÇ, Turquia
É um sofá ou é uma escultura? A designer turca
prefere descrevê-la como uma solução de volume
feita a pensar na ergonomia para sentar. A sua
aparência de diamante bruto esconde um conforto
surpreendente que lhe valeu o prémio Superior
Design da Design Turkey Interior Design
Awards em 2008. Este assento oferece ainda
a possibilidade de rodar e sentar em diferentes
posições. Uma ideia brilhante de quem trabalha
nesta área há apenas cinco anos. Hoje, Sule
é directora criativa da marca turca Ilio. www.ilio.eu
LUIS ESLAVA, Espanha
Nascido em 1976, Eslava já fez projectos que vão
do multimédia ao mobiliário. Ultimamente, tem-se
centrado mais na iluminação e nas relações comerciais
com Inglaterra. O candeeiro Face to Face, que esteve
exposto no London Design Museum, foi integralmente
feito com fragmentos de velcro. Outro projecto recente
é o candeeiro de tecto Magnificent, que não é mais
do que um anel feito em íman com finas barras
de metal que se colocam à vontade do utilizador.
O designer já tem o seu próprio estúdio em Valência.
Praticalismo
A utilidade precede a forma para estes
designers. O resultado final tem sempre uma
estética muito própria que acentua a
característica prática do objecto, do adaptável
a diversas situações ao mais leve do mercado.
Multifuncionalismo
www.luiseslava.com
Um objecto é adaptável a diversos usos ou ambientes.
Para estes designers, mais do que bela, a peça deve servir
o utilizador em múltiplos contextos.
RENATA MOURA,
Brasil
NAMESTER
O que desenha tem um aspecto clean, mas confortável. Luís licenciou-se
em 2006 e recebeu a Bolsa Leonardo da Vinci, da UE, que aproveitou
para viajar para Espanha. Aqui, ganhou experiência no Estudio Mariscal,
um dos mais importantes do país vizinho. O designer colaborou com
Martín Azúa, enquanto viveu em Barcelona. De regresso a Alenquer,
tornou-se freelancer. Os seus trabalhos abarcam o design de produto
e de mobiliário. Para representar os seus projectos, Luís destaca a cadeira
Inverso, que conjuga a postura direita com o movimento do baloiço.
www.luisporem.com
KA –
SILVESTRE LAS
SATOSHI ASAKAW
A
LUÍS PORÉM, Portugal
JULIAN PASTORINO
E CECILIA SUAREZ,
Argentina
Minimal e prático. Assim se pode descrever
o trabalho de Jun Hashimoto, cuja referência
é a leveza. Não só visual como também
física. A Web Chair, inspirada numa teia de
aranha, pesa apenas 2,10 kg, apesar de ter
a dimensão suficiente para suportar uma
pessoa sentada. Nascido em Tóquio em
1977, abriu o seu próprio estúdio, Junio
Design, em 2007. Nesse ano, participou em
Milão na Tokyo Design Premio, uma exposição
que mostrou o melhor do design nipónico.
Os designers argentinos
definem-se como companheiros
de trabalho e de vida. Os dois
nasceram em Buenos Aires
nos anos 70 e estudaram design
industrial. Hoje ambas vivem em
Milão e trabalham para conhecidas
marcas como a Casamania, Alessi,
Covo e Koziol. O seu projecto mais
recente acompanha a tendência
de ressurgimento do bibelot
em porcelana. Mas o que
evidencia realmente o seu talento
para o conforto são as cadeiras XT,
em placas de plástico
amovíveis que se adaptam
a quem está sentado.
www.juniodesign.com
www.pastorinosuarez.com
JUN HASHIMOTO, Japão
96 Máxima Interiores
MARCO ANTÓNIO
DOS SANTOS PINA,
um português na Alemanha
De Portugal leva o sentido poético e da Alemanha
absorveu o pragmatismo. À IMM Cologne
deste ano levou o projecto Verwoben (em
português, entrelaçado). É uma estante que,
além da habitual madeira, usa tecido. Este forma
as laterais da peça e atravessa as prateleiras
em zonas distintas. Além de proporcionar
melhor apoio, este sistema permite mudar
o aspecto da estante usando outro têxtil.
www.santospina.com
Ainda nem tem 30 anos, mas
a designer já tem um estilo
muito definido e alguns
prémios arrecadados. As suas
peças são práticas e coloridas,
de formas arredondadas
e desenhadas a pensar na sua
finalidade. O projecto Goma –
banco, mesa de apoio
e candeeiro – mostra o cariz
multifuncional que caracteriza
as peças de Renata. Só com
este objecto conquistou
o bronze no IDEA/Brasil 2008
e foi finalista no IDEA/EUA
do mesmo ano. Ampoule Risca
de Giz é a sua mais recente
criação, utilizando madeiras
certificadas. Também esta pode
ser usada como assento ou
mesa lateral.
www.renatamoura.com
DANNY FANG,
Holanda
Danny só é holandês porque
nasceu em Haarlem, em 1975.
Mas o seu percurso é o do
mundo, numa mistura de
influências. O seu pai era
originário das Caraíbas
e os seus avós asiáticos. Depois
do curso, Danny envolveu-se num
projecto de Comércio Justo e
viajou para África, onde descobriu
a arte de fazer cestos. Depois
trabalhou com Marcel Wanders
e ascendeu a responsável de
produto. Em 2007, o espírito
viajante chamou-o. Emigrou para
Hong Kong, onde iniciou o seu
próprio estúdio. A sua cadeira
Matryoshka é um bom exemplo
do que faz – um cadeirão de
jardim que esconde outro mais
pequeno por dentro que tem dois
bancos de apoio no seu interior.
O estilo de todas as peças é o que
se vê no entrançado dos cestos.
STUART HAYGARTH,
Reino Unido
sustentabilidade
Há quem considere uma tendência e quem ache que
é uma necessidade. Por certo as duas são boas razões
para reutilizar materiais como plástico, cartão ou até
metal. Outro motivo? O resultado é sempre original.
www.fangstudio.com
RICARDO MARÇAL, Portugal
Minuciosidade
Os materiais são os clássicos – couro, madeira,
metal. A beleza da peça é a primeira característica
que chama a atenção, mas o cuidado com o
pormenor é a chave para estes designers.
PAULA SOUSA,
Portugal
Dedica-se ao design e à
comunicação. Licenciada em
Design de Interiores em 2000,
Paula Sousa trabalhou em Milão.
Hoje, em solo luso, põe os olhos
no mercado internacional.
2008 foi o grande ano para esta
designer que fundou a Munna
e a sua empresa de relações
públicas dedicada ao mobiliário
nacional, a Presskit. Quanto
à Munna, cujo design desenvolve
em conjunto com Amândio Pereira
e Megan Ellis, reflecte o seu gosto
pelo detalhe e pela beleza do objecto. Para já são apenas poltronas,
mas de futuro estão planeadas peças diferentes. A marca esteve
este ano na feira de Milão. Paula Sousa é ainda co-fundadora
da Portugal Brands. www.munnadesign.com
98 Máxima Interiores
Provavelmente até já viu alguns trabalhos deste jovem
designer. Nasceu em Hamburgo, em 1979, mas a sua
formação foi feita em Viana do Castelo. No início da sua
carreira, Ricardo trabalhou para a Jasmin Glass Studio,
mas os seus produtos mais conhecidos foram feitos para
a Temahome, produtora nacional de mobiliário. A visão
utilitária mas sempre elegante do trabalho do designer,
do qual são exemplos a estante rotativa Nest e a
estante/divisória Ivy, valeu-lhe uma posição de destaque
como coordenador de desenvolvimento na empresa.
www.temahome.com
Pode já não ser propriamente um designer jovem – nasceu
em 1966 – mas não é há muito tempo que Stuart se dedica
a esta profissão. Fotógrafo até 2005, foi só nessa altura
que descobriu a criatividade através da reciclagem e que
se lançou como designer freelancer. A sua predilecção vai
para os candeeiros: grandes lustres que faz a partir de
lentes, óculos de sol, faróis de automóveis e até cápsulas
de bombinhas de festa. O seu novo percurso já lhe valeu
o reconhecimento da imprensa internacional.
www.stuarthaygarth.com
RUI MIGUEL
PEREIRA, Portugal
Aos 25 anos, o designer de web
e de produto já fundou,
em conjunto com a designer Joana
Teles Pais, a sua própria empresa,
a O[creatives]. Este ano, o seu
projecto feito em material
reciclado, Melt, esteve no Fuori
Salone de Milão. Rui decidiu
centrar-se no plástico
desperdiçado que derrete para
fazer as mais variadas peças –
candeeiros de mesa e tecto,
mesas de apoio, cadeiras de sala e
cozinha e até galos de Barcelos. A
colecção está à venda na Águas
Furtadas, no Porto. Actualmente,
Rui e Joana estão em Milão
a frequentar o curso
de mestrado em design industrial
e de interiores.
http://meltproject.blogspot.com/
http://ooo.com.pt/
TRENT JANSEN,
Austrália
Quando pensamos em Austrália, uma
das primeiras imagens que surgem é a do sinal de
trânsito com o canguru. Os sinais metálicos que já não
são utilizados na estrada são, para este designer nascido
em 1981, um material de trabalho que já lhe valeu o
prémio Object New Design. Em edição limitada, o banco
é vendido através do site de Trent.
Além dos seus trabalhos de autor, o jovem criativo já
trabalhou para marcas internacionais como a Moooi.
Terá sido o estágio com Marcel Wanders o pontapé
de saída de uma grande carreira?
www.trentjansen.com
Máxima Interiores 99
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