Projecto de final de curso em que n é o número de espiras da bobina, " med e seu comprimento médio e SCu a secção do fio de cobre. Portanto, com n=36 espiras, SCu=2mm2 e " med =361.37mm, temse V B 3C 36.(361.37).(2) 0.0260 u 10 3 m 3 0.0260dm 3 . Volume total das bobinas O volume total das bobinas, ou de cobre, é dado por V BOBINAS 2.VB1C 2.VB 2C 23.VB 3C , onde VB1C ,VB2C e VB3C é o volume das bobinas com passo de 1 cava, 2 cavas e 3 cavas respectivamente. Substituindo os valores calculados anteriormente na expressão, obtém-se que o volume total das bobinas ou de cobre é V BOBINAS 0.6816 u 10 3 m 3 2.(0.0192) 2.(0.0226) 23.(0.0260) 0.6816dm 3 . Perdas por efeito Joule As perdas por efeito de Joule são proporcionais à resistividade (UCu=1/56 :.mm /m) e volume do condutor (calculado anteriormente) e ao quadrado da densidade de corrente eléctrica, representado através da seguinte equação: 1 PJoule U .VCu .J 2 u 10 6.(0,6816 u 10 3 ) u J 2 . 56 Com a densidade de corrente J dada em A/m2. 2 O gráfico VII ilustra as perdas de Joule para densidades de corrente que variam de J 1A / mm 2 ,10 A / mm 2 . @ Potência (W) > 1300 1200 1100 1000 900 800 700 600 500 400 300 200 100 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Densidade de corrente (A/mm2) Gráfico VII.– Perdas de Joule do MLI trifásico por estator ______________________________________________________________________ 88 Projecto de final de curso 8.4.2 Calculo das perdas por histerese magnética por estator Para calcular as perdas por histerese magnética é necessário conhecer as dimensões físicas do motor. Estas dimensões estão descritas no anexo 4. Para facilitar os cálculos do volume de ferro do dispositivo, é calculado o volume de um paralelepípedo com as dimensões do motor se este não estivesse provido de cavas. Posteriormente a este volume subtrair-se-á o volume das vinte e quatro cavas que constituem o estator. Então, o volume de ferro do estator é dado por V Fe VP V24Cavas , sendo Vp o volume do paralelepípedo sem cavas e V24Cavas o volume das 24 cavas que constituem o motor. Então, e de acordo com as dimensões do motor, tem-se VP V24Cavas 365 u 60 u 70 1,533 u 10 3 m 3 1,533dm 3 , 24 u 70 u 30 u 10 0,504 u 10 3 m 3 0,504dm 3 . Logo o volume total será de V Fe 1,533 0,504 1,029dm 3 . As perdas por histerese magnética são proporcionais ao volume do circuito magnético, à frequência de operação e à área do ciclo de histerese do material. Conhecendo a área do ciclo de histerese que vale aproximadamente AHisterese=197(J/m3)/ciclo (valor calculado em projectos anteriores), logo as perdas por histerese são calculas da seguinte forma Ph Vol Fe . A. f 1,029 u 10 3.(197). f , com a frequência f dada em Hz. No gráfico VIII ilustra as perdas por histerese para valores de frequência que variam de f >0 Hz ,100 Hz @ . ______________________________________________________________________ 89 Projecto de final de curso POTÊNCIA (W) 25 20 15 10 5 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 FREQUÊNCIA (Hz) Gráfico VIII.– Perdas por histerese do MLI trifásico por estator 8.4.3 Calculo das perdas por correntes de Foucault por estator As perdas por correntes de Foucault são dadas por PF 1 Vol Fe 2 . Bm . f 2 .b 2 , 2 N 3.U Fe onde N é o número de chapas, U a resistividade do ferro, b a espessura do estator, f a frequência, Bm a densidade de fluxo e VolFe o volume de ferro. Temos portanto N=140 chapas, VolFe = 1,029dm3 , UFe = 1/85 :.mm2/m e b = 70mm. 80 60 40 20 90 10 0 70 80 50 60 30 40 0 10 20 POTÊNCIA (W) O gráfico IX ilustra as perdas por correntes de Foucault para vários valores de frequência e densidades de fluxo Bm, que variam de f >0 Hz ,100 Hz @ , e Bm >0.5T ,1T @. Bm=0,5 T Bm=0,6 T Bm=0,7 T Bm=0,8 T Bm=0,9 T Bm=1 T FREQUÊNCIA (Hz) Gráfico IX.– Perdas por Correntes de Foucault por estator ______________________________________________________________________ 90 Projecto de final de curso 8.4.4 Perdas totais do MLI As perdas totais existentes por estator do MLI, será a soma das perdas por efeito de Joule, por histerese e por correntes de Foucault P Estator PJ Ph PF U .VCu .J 2 Vol Fe . A. f 1 Vol Fe 2 . Bm . f 2 .b 2 . 2 N 3.U Fe 540 520 500 480 460 440 420 400 90 10 0 70 80 50 60 30 40 Bm=0,5 T Bm=0,6 T Bm=0,7 T Bm=0,8 T Bm=0,9 T Bm=1 T 10 20 POTÊNCIA (W) Considerando uma densidade de corrente J=6 A/mm2 e para vários valores de frequência e densidades de fluxo Bm, que variam de f >0 Hz ,100 Hz @ , e Bm >0.5T ,1T @, obtemos o seguinte gráfico X. FREQUÊNCIA (Hz) Gráfico X.– Perdas totais do MLI trifásico por estator ______________________________________________________________________ 91 Projecto de final de curso 8.5 Relação Força/Peso-Corrente Este gráfico representará a relação existente entre a força, o peso do motor e a sua corrente. È utilizado em situações onde requer uma avaliação pormenorizada do dispositivo, no que respeita o comportamento da força em relação ao seu peso, avaliando assim certos aspectos económicos e construtivos de um dado projecto. Para a representação gráfica da relação força/peso em função da corrente, é necessário conhecer o peso total do estator, para isso, calcula-se o volume do ferro e do cobre que constituem as bobinas do estator, e multiplica-se pelo respectivo valor específico de cada material, obtendo assim o peso do ferro e do cobre. Peso do ferro da estrutura do estator O peso do ferro existente no estator é dado por PFe VFe .H Ferro , Onde HFerro = 7,85 Kg/dm3 é o peso específico do ferro e VFe = 1,029 dm3 o seu volume. Substituindo os valores, obtém-se PFe 1,029.(7,85) 8,077 Kg . Peso do cobre das bobinas do estator O peso das bobinas é dado por PCobre 2 u PB1C 2 u PB 2C 23 u PB 3C , onde PB1C , PB 2C e PB 3C é o peso das bobinas com passo de 1cava, 2 cavas e 3 cavas respectivamente. O peso da bobina com um passo de 1 cava é dado por PB1C V B1C .H Cobre , Onde HCobre = 8,92 Kg/dm3 é o peso específico do cobre e VB1C = 0,0192 dm3 o seu volume. Substituindo os valores, obtém-se PB1C 0,0192.(8,92) 0,171Kg . O peso da bobina com um passo de 2 cavas é dado por PB 2C VB 2C .H Cobre . ______________________________________________________________________ 92 Projecto de final de curso Onde HCobre = 8,92 Kg/dm3 é o peso específico do cobre e VB2C = 0,0226 dm3 o seu volume. Substituindo os valores, obtém-se PB 2C 0,0226.(8,92) 0,202 Kg . O peso da bobina com um passo de 3 cavas é dado por PB 3C VB 3C .H Cobre . Onde HCobre = 8,92 Kg/dm3 é o peso específico do cobre e VB3C = 0,0260 dm3 o seu volume. Substituindo os valores, obtém-se PB 3C 0,0260.(8,92) 0,232 Kg . O peso total do cobre que constituem as bobinas é portanto PCobre 2 u 0,171 2 u 0,202 23 u 0,232 6,082 Kg . O peso total do estator é simplesmente a soma do peso do ferro com o peso do cobre. Portanto, PEstator PFe PCobre 8,077 6,082 14,16 Kg . É necessário referir que, por dificuldades na bobinagem, os comprimentos médios das bobinas foram superiores aos previstos nos cálculos anteriores, pelo que o motor linear apresenta um peso superior ao referido devido ao aumento do cobre. Procede-se a medição real do peso através de uma balança, este sim, será utilizado para a representação gráfica da relação Força/Peso-Corrente. PEstator _ REAL 15,250 Kg . ______________________________________________________________________ 93 Projecto de final de curso 8.5.1 Resultados experimentais (com chapa rotórica de alumínio maciço) Na tabela XIII mostram-se os resultados obtidos nos ensaios realizados com os vários entreferros aplicados ao estator 1. Ensaio do Estator 1 I (A) 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00 6,00 7,08 8,04 9,02 10,08 11,07 12,03 13,00 14,01 15,08 16,00 3mm UC F(N) (V) 55 1,23 63 6,37 71 11,03 80 19,61 88 24,52 96 35,55 105 40,45 112 44,13 122 49,03 130 55,16 F/P (N/kg) 0,081 0,418 0,723 1,286 1,608 2,331 2,652 2,894 3,215 3,617 ENTREFERROS 4mm I (A) UC F(N) F/P (V) (N/kg) 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00 6,00 7,06 53 1,23 0,081 8,08 61 3,68 0,241 9,04 69 9,81 0,643 10,01 76 14,71 0,965 11,07 85 22,06 1,447 12,01 92 25,74 1,688 13,02 100 30,65 2,010 14,07 109 35,55 2,331 15,02 116 40,45 2,625 16,00 124 41,68 2,733 I (A) 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00 6,00 7,00 8,00 9,00 10,08 11,07 12,00 13,04 14,08 15,00 16,10 5mm UC F(N) (V) 59 1,23 67 4,90 76 8,58 83 13,48 91 17,16 99 22,06 107 25,74 114 31,87 123 36,77 F/P (N/kg) 0,081 0,321 0,563 0,884 1,125 1,447 1,688 2,090 2,411 Tabela XIII.- Resultados experimentais do Estator 1 com chapa rotórica maciça FORÇA/PESO (N/Kg) O gráfico XI mostra a relação Força/Peso-Corrente do estator, resultados estes obtidos na tabela anterior. . 4 3,5 3 2,5 2 1,5 1 0,5 0 g=3mm g=4mm g=5mm 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 CORRENTE (A) Gráfico XI.- Gráfico Força/Peso desenvolvida no Estator 1 com chapa rotórica maciça ______________________________________________________________________ 94 Projecto de final de curso Na tabela XIV mostram-se os resultados obtidos nos ensaios realizados com os vários entreferros aplicados ao estator 2. Ensaio do Estator 2 3mm I (A) UC F(N) (V) 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00 6,00 7,00 8,01 56 2,45 9,05 63 7,35 10,00 70 12,26 11,07 78 18,39 12,03 85 24,52 13,04 94 31,87 14,04 101 35,55 15,08 110 41,68 16,08 116 45,36 F/P (N/kg) 0,161 0,482 0,804 1,206 1,608 2,090 2,331 2,733 2,974 ENTREFERROS 4mm I (A) UC F(N) F/P (V) (N/kg) 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00 6,00 7,00 8,01 55 1,23 0,081 9,07 63 3,68 0,241 10,01 69 6,13 0,402 11,00 76 12,26 0,804 12,04 84 17,16 1,125 13,06 92 23,29 1,527 14,04 99 25,74 1,688 15,03 105 30,65 2,010 16,07 113 33,10 2,170 5mm I (A) UC F(N) (V) 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00 6,00 7,00 8,00 9,03 61 1,23 10,10 69 3,68 11,00 75 11,03 12,07 82 17,16 13,10 89 20,84 14,11 96 23,29 15,15 103 26,97 16,00 109 30,65 F/P (N/kg) 0,081 0,241 0,723 1,125 1,367 1,527 1,769 2,010 Tabela XIV.- Resultados experimentais do Estator 2 com chapa rotórica maciça FORÇA/PESO (N/Kg) No gráfico XII mostra-se a relação Força/Peso-Corrente do estator, resultados estes obtidos na tabela anterior. 4 3,5 3 2,5 2 1,5 1 0,5 0 g=3mm g=4mm g=5mm 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 CORRENTE (A) Gráfico XII.- Gráfico Força/Peso desenvolvida no Estator 2 com chapa rotórica maciça ______________________________________________________________________ 95 Projecto de final de curso 8.5.2 Resultados experimentais (com chapa rotórica de alumínio flexível) A tabela XV mostra os resultados obtidos nos ensaios realizados com os vários entreferros aplicados ao estator 1. Ensaio do Estator 1 I (A) 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00 6,00 7,02 8,02 9,08 10,03 11,03 12,04 13,06 14,01 15,02 16,03 3mm UC F(N) (V) 70 1,23 81 3,68 94 7,35 106 14,71 110 19,61 135 25,74 145 34,32 150 40,45 159 44,13 168 46,58 F/P (N/kg) 0,081 0,241 0,482 0,965 1,286 1,688 2,250 2,652 2,894 3,054 ENTREFERROS 4mm I (A) UC F(N) F/P (V) (N/kg) 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00 6,00 7,00 8,00 9,00 82 1,23 0,081 10,07 92 2,45 0,161 11,02 102 7,35 0,482 12,00 111 13,48 0,884 13,04 122 19,61 1,286 14,08 133 23,29 1,527 15,00 143 24,52 1,608 16,00 153 26,97 1,769 I (A) 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00 6,00 7,00 8,00 9,00 10,00 11,08 12,00 13,08 14,00 15,09 16,10 5mm UC F(N) F/P (V) (N/kg) 96 1,23 0,081 105 2,45 0,161 114 3,68 0,241 122 4,90 0,321 132 6,13 0,402 140 9,81 0,643 Tabela XV.- Resultados experimentais do Estator 1 com chapa rotórica flexível FORÇA/PESO (N/Kg) No gráfico XIII mostra-se a relação Força/Peso-Corrente do estator, resultados estes obtidos na tabela anterior. 4 3,5 3 2,5 2 1,5 1 0,5 0 g=3mm g=4mm g=5mm 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 CORRENTE (A) Gráfico XIII.- Gráfico Força/Peso desenvolvida no Estator 1 com chapa rotórica flexível ______________________________________________________________________ 96 Projecto de final de curso Na tabela XVI mostram-se os resultados obtidos nos ensaios realizados com os vários entreferros aplicados ao estator 2. Ensaio do Estator 2 3mm I (A) UC F(N) (V) 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00 6,00 7,00 8,00 9,02 74 1,23 10,09 82 2,45 11,04 89 3,68 12,09 96 6,13 13,01 101 7,35 14,06 107 9,81 15,07 113 12,26 16,00 118 17,16 F/P (N/kg) 0,081 0,161 0,241 0,402 0,482 0,643 0,804 1,125 ENTREFERROS 4mm I (A) UC F(N) F/P (V) (N/kg) 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00 6,00 7,00 8,00 9,00 0 0 10,01 75 1,23 0,081 11,09 81 2,45 0,161 12,07 86 4,9 0,321 13,00 90 6,13 0,402 14,01 95 8,58 0,563 15,06 99 9,81 0,643 16,09 102 11,03 0,723 I (A) 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00 6,00 7,00 8,00 9,00 10,00 11,00 12,00 13,01 14,05 15,09 16,00 UC (V) 82 86 91 95 99 5mm F(N) F/P (N/kg) 0 0 0 0 0 0 1,23 0,081 2,45 0,161 4,9 0,321 6,13 0,402 7,35 0,482 Tabela XVI.- Resultados experimentais do Estator 2 com chapa rotórica flexível FORÇA/PESO (N/Kg) O gráfico XIV mostra a relação Força/Peso-Corrente do estator, resultados estes obtidos na tabela anterior. 4 3,5 3 2,5 2 1,5 1 0,5 0 g=3mm g=4mm g=5mm 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 CORRENTE (A) Gráfico XIV.- Gráfico Força/Peso desenvolvida no Estator 2 com chapa rotórica flexível ______________________________________________________________________ 97 Projecto de final de curso 8.6 Relação Força/Escorregamento 8.6.1 Calculo da resistência equivalente da chapa rotórica por fase (R2) referida ao estator A resistência rotórica R2 referida ao estator, pode ser calculada da seguinte forma R2 12.U Al . w 1 2 .q.z c .k w . p. . 2.W g´.k s . Esta expressão surge por comparação directa com um motor de indução, com rotor em gaiola de esquilo, onde - U Al é a resistência volumétrica do alumínio; - w é a largura do estator; C Est 365 u 10 3 -W 45,625 u 10 3 m , é o passo polar; 2. p 8 § 24 · - q ¨ ¸ / 3 1 , é o número de cavas por pólo e por fase; © 8 ¹ - z c , é o número de condutores por cavas, como se trata de uma espira o número de condutores é a dobrar; - k w , factor de enrolamento do estator; - p , é o número de pares de pólos; - g´ , é a espessura da chapa rotórica; - k s , factor de correcção da resistência rotórica; Logo, obtém-se: R2 70 u 10 3 1 2 12 u 2,78 u 10 u u 1 u (2 u 36) u 1 u 4 u . 3 g´uk s . 2 u 45,625 u 10 4 5,3 u 10 3 u 1 g´uk s O factor de correcção da resistência rotórica devido a uma distribuição de corrente não uniforme é dado por: ks § S .w · tan¨ ¸ 2.W ¹ © 1 , S .w § § S .w · § S .(a w) · · .¨1 tan¨ ¸. tan¨ ¸ ¸¸ 2.W ¨© © 2.W ¹ © 2.W ¹¹ onde a representa a largura da chapa rotórica e w a largura do estator do motor linear de indução. ______________________________________________________________________ 98 Projecto de final de curso Considerando uma largura da chapa rotórica de a=30cm e uma espessura g´=2mm, temos assim o valor da resistência rotórica R2, R2 5,3 u 10 3 u 1 2 u 10 u 508,83 3 2,70: . Conhecendo o valor da resistência da chapa rotórica R2, e a reactância de magnetização Xm calculada no ensaio do motor em vazio, o factor de qualidade para diferentes entreferros, pode ser calculado na seguinte tabela: g(mm) R2 Xm 3 4 5 2,70 2,70 2,70 2,16 1,95 1,62 Q Xm R2 0,80 0,72 0,60 8.6.2 Gráfico Força/Escorregamento Sabendo como se relaciona o factor de qualidade com a variação do entreferro entre os dois estators, pode-se assim calcular a força longitudinal exercida na chapa rotórica em relação aos dois estators, utilizando a seguinte expressão 2 Flong 2.I S .s U .w . ª 2 1 º g´ VS « s 2 » Q ¼ ¬ Considerando uma corrente estatórica Is= Ief . nIJ .2p=8.(2×36×2).8=13824 A.c, frequência fixa de 50Hz, largura do estator w=70mm, uma chapa rotórica de alumínio com resistividade UAl = 2,824858757×10-8 e uma grossura g´ = 2mm, pode-se representar a força longitudinal da chapa em relação ao escorregamento, para vários valores de factor de qualidade, calculados anteriormente (ver gráfico XV). ______________________________________________________________________ 99 Projecto de final de curso 35 30 FORÇA (N) 25 Q=0,8 (3mm) 20 Q=0,72 (4mm) 15 Q=0,6 (5mm) 10 5 0 0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1 ESCORREGAMENTO Gráfico XV.- Evolução da força com o escorregamento para diferentes factores de qualidade Observando o gráfico verifica-se que a força de arranque não atinge o seu valor máximo quando passa pelo um escorregamento unitário, como é conhecido na teoria. Considerando um factor de qualidade de 0,8 e conhecendo a expressão que relaciona o factor de qualidade com o escorregamento S=1/Q , verifica-se que o escorregamento máximo está na ordem dos 1,25; valor este onde a força de arranque é máxima. O gráfico seguinte (XVI) apresenta a evolução da força com o escorregamento para diferentes valores da frequência de alimentação e factor de qualidade fixo (Q=0,8, 3mm), no qual se constata que para valores mais baixos da frequência de alimentação, a força é superior. Em altas frequências, o motor não chega a se movimentar. 70 60 50 f=25Hz f=50Hz FORÇA (N) 40 f=60Hz f=75Hz 30 f=100Hz 20 10 0 0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1 ESCORREGAMENTO Gráfico XVI.- Evolução da força com o escorregamento para diferentes valores da frequência de alimentação ______________________________________________________________________ 100 Projecto de final de curso 9. CONSTRUÇÃO DO MODELO PROTÓTIPO DE UM VEÍCULO DE LEVITAÇÃO MAGNÉTICA Neste projecto foram propostos dois possíveis modelos para a construção do protótipo de um veículo de levitação magnética, modelos estes desenhados em AutoCad2000 e impressos a uma escala de 1:4 (ver anexos 1 e 2). Logo, foi feito um estudo pormenorizado de cada modelo, de forma a encontrar as vantagens e desvantagens do sistema, no que se refere á adaptação dos motores com a estrutura em si. Este modelos são descritos a seguir. 9.1 Modelo 1 A figura 9.1 ilustra um sistema de tracção eléctrica por meio de um motor linear de duplo estator onde o rotor (neste caso fixo) é constituído por uma chapa de alumínio montada verticalmente e que se estende ao longo da via. A chapa deverá estar centrada com eixo da via a fim de manter-se no meio do entreferro, a menos que os estators tenham liberdade de se deslocar transversalmente pelo auxílio de duas rodas guias que deslizam sobre o rotor. A estrutura apresenta uma forma em “U” invertido, de forma que o rotor passe entre os dois estators. Figura 9.1.- Sistema de tracção com rotor vertical ______________________________________________________________________ 101 Projecto de final de curso 9.2 Modelo 2 Outra possibilidade está representada na figura 9.2 que usa uma chapa horizontal de alumínio assente sobre uma chapa de ferro e que se estende ao longo da via. Esta chapa de alumínio deverá ter uma largura superior à largura de ambos os motores, de forma que as correntes induzidas na chapa alumínio possam fechar-se. Neste caso, os estators deverão poder mover-se no plano horizontal, sem nenhum tipo de obstáculos ao longo do seu percurso. A estrutura em si é de forma plana e não apresenta outras formas complexas. Figura 9.2.- Sistema de tracção com rotor horizontal 9.3 Comparações entre os dois modelos Os motores lineares de indução devem ser o mais semelhantes possíveis, sem desequilíbrios consideráveis nas suas funções, senão a plataforma tende a direccionar-se para o lado do motor com velocidade inferior. Para evitar esta situação, cada motor deve ter um controlo individual, que para a mesma entrada produzisse o mesmo efeito nos dois motores. O modelo do controlador deve ser obtido por análise das características de cada motor. Este seria o maior obstáculo caso se opte pela construção do modelo1, visto ______________________________________________________________________ 102 Projecto de final de curso que embateria na chapa rotórica provocando danos na estrutura. Para o modelo 2 esta situação torna-se uma vantagem, dado que assim implementava-se um sistema de mudança de direcção ideal para pista com curvas, por meio deste controlador. Deste modo, sempre que se pretenda mudar de direcção, o sistema de controlo deve aumentar a velocidade do motor que está na direcção oposta a requerida, por exemplo, se pretendermos virar á direita, é necessário aumentar a velocidade do motor da esquerda, e vice-versa. Uma outra solução complementar a adicionar ao controlador seria o uso de uma chapa rotórica maleável, de forma a baixar a resistência eléctrica, aumentando assim as correntes induzidas e, consequentemente, a força longitudinal. O modelo 1 apresenta uma estrutura mais complexa em relação ao modelo 2, no que respeita ao esforço ao que fica sujeita a estrutura quando os dois estators encontram-se em funcionamento: Existe uma grande força de atracção entre ambos, o que pode originar uma contracção da estrutura caso esta não seja devidamente reforçada. Não resta duvida pelas razões anteriormente descritas, que a escolha pelo modelo 2 é a mais vantajosa desde vários pontos de vista, o que não significa que o modelo 1 seja propriamente um modelo problema; é sim um modelo que apresenta novos desafios para projectos futuros. ______________________________________________________________________ 103 Projecto de final de curso 10. ESQUEMA ELÉCTRICO DO MODELO PROTÓTIPO DE UM VEÍCULO DE LEVITAÇÃO MAGNÉTICA O esquema eléctrico de alimentação e controlo do veículo de levitação magnética, com motores lineares de indução esta representado na figura 10, e está constituído por um: x x x x x x Sistema de alimentação: tensão trifásica 380V. Dispositivo de protecção: disjuntor térmico trifásico 25A, 400V. Controlo de velocidade: auto-transformador trifásico 10A, 0-465V. Aparelhos de medida: voltímetros, amperímetros e wattímetros. Dispositivo de mudança de sentido: inversor de fase trifásico manual Motores: lineares de indução ligados em paralelo. Figura 10.- Circuito eléctrico de alimentação do MLI ______________________________________________________________________ 104 Projecto de final de curso 11. CONCLUSÕES TÉCNICAS Do presente projecto é possível depreender as seguintes conclusões técnicas: Verifica-se que a medida que o entreferro aumenta, desencadeia-se observa-se uma degradação das características da força longitudinal desenvolvida no rotor. Isto de facto acontece porque as correntes rotóricas induzidas são menores, dado que a força é proporcional às correntes induzidas na chapa rotórica. Para grandes entreferros, da ordem dos 5mm, é necessária uma corrente da ordem dos 8A para a plataforma se movimentar. Em relação ao desempenho das duas chapas ensaiadas, verifica-se que na chapa de alumínio maciço há mais correntes induzidas porque a força desenvolvida é maior. Como a chapa de alumínio flexível foi obtida por sobreposição de várias folhas de alumínio, entre estas ficou algum ar, o que pode ter aumentado a resistência da chapa rotórica e consequentemente diminuído as correntes induzidas, obtendo-se assim um desempenho inferior. Verifica-se também um pequeno desequilíbrio entre ambos os estators, tendo o estator 1, fornecido uma maior força longitudinal em relação ao estator 2 para as mesmas correntes. Isto deve-se a um defeito de construção relacionado provavelmente com a secção dos enrolamentos, com o número de espiras ou com outro factor que possa ter afectado este desequilíbrio. O pequeno desequilíbrio detectado entre ambos os motores nos ensaios em relação a força longitudinal, foi insignificante; não houve mudanças de direcção na sua trajectória por parte do protótipo. A força de arranque não atinge o seu valor máximo quando passa pelo um escorregamento unitário. Verifica-se que o escorregamento máximo esta próximo dos 1,25; valor este em que a força de arranque é máximo. Para solucionar este desajuste seria preciso alterar os factores que reagem com o escorregamento ( factor de qualidade S=1/Q). Na relação força com o escorregamento para diferentes valores da frequência de alimentação e factor de qualidade fixo; constata-se que para valores mais baixos da frequência de alimentação, a força é superior. Em altas frequências, a estrutura não chega a se movimentar. Pode-se realçar destes ensaios que o factor de potência do motores é baixo, o que é usual nos motores lineares devido à elevada corrente de magnetização no estator. Detectou-se um aquecimento gradual nos motores a medida em que se aumenta a corrente; isto deve-se às perdas magnéticas e eléctricas, o que contribui para uma diminuição do rendimento dos motores. ______________________________________________________________________ 105 Projecto de final de curso Verificou-se por troca do autotransformador existente no laboratório, um aumento de força longitudinal por parte da estrutura, isto talvez deve-se ao fornecimento a saída da frequência do antigo autotransformador que não estaria a debitar os 50Hz previstos, e sim um valor superior, o que originou assim uma diminuição de força. ______________________________________________________________________ 106 Projecto de final de curso 12. CONCLUSÕES O objectivo deste projecto foi a construção de um modelo protótipo de um veículo de levitação magnética, cuja estrutura foi capaz de se movimentar ao longo da pista sem auxílio de nenhum tipo de contacto mecânico entre o estator e a chapa rotórica. Este tipo de motor é usado amplamente nos sistemas ferroviários dos países desenvolvidos, principalmente europeus e asiáticos. A principal característica do sistema de accionamento, que implementa a tracção dos transportes de alta velocidade, funciona de maneira diferente em relação a um motor corrente convencional . A diferença está em que uma das partes do motor de indução, o estator forma parte do respectivo veiculo. Pela sua vez, a função do rotor cumpre os carris sobre os quais se desliza o comboio. Tem sido frequente associar-se as máquinas lineares ao accionamento de veículos de tracção eléctrica com levitação electromagnética, mas é no domínio dos accionamentos electromecânicos de pequena e de média potência que as máquinas lineares têm vindo a afirmar-se. Não se pretende de modo algum, com anteriormente exposto, substituir radicalmente os accionamentos convencionais do motor rotativo de velocidade por unidades lineares de tracção. Pretende-se sim implementar uma outra solução competitiva. Além disso, parece que as potencialidades das máquinas lineares estão a ser deliberadamente desprezadas, talvez pelo receio que os habituais fabricantes e utilizadores daqueles sistemas convencionais possam sentir face a esta solução alternativa e pouco divulgada embora algumas das múltiplas aplicações possíveis se encontrem já em prática e com bastante sucesso. Uma nova era técnica está surgindo. Novas necessidades e novos planeamentos sociológicos e ecológicos condenam a obsoleta velha tecnologia, que esgoto já as suas possibilidades. No século XIX a tecnologia foi a do vapor e do ferro. Na primeira metade do século XX foi a do aço e do motor de combustão interna e desde a segunda metade até a actualidade em que nos encontramos, vivemos a tecnologia do alumínio, do plástico e da electrónica. No entanto, não é a nossa época mais tecnológica que outras, é só apenas uma tecnologia diferente. O que acontece é que cada vez os ciclos de duração temporal das tecnologias são mas curtos, porque sob a pressão competitiva do Estado e das empresas para a obtenção de um maior poder ou de maior benefício, respectivamente, assistimos não a revoluções técnicas, que não existem, senão a evoluções tecnológicas, que fazem obsoletas em poucas décadas os planeamentos técnicos que tinham uma validade de um ano. É o que esta a acontecer com o evoluir dos transportes de alta velocidade, que utilizarão novas tecnológica baseadas na levitação magnética, através de MLI e materiais supercondutores, que originam uma profunda mudança tecnológica para o futuro dos transportes. ______________________________________________________________________ 107 Projecto de final de curso O Sector dos Transportes em MagLev, para a implementação de transportes rápidos é uma das áreas mais exigentes, na qual enormes investimentos se têm feito a nível de R&D ao longo dos últimos anos, sendo também uma das áreas em que um Engenheiro Electrotécnico poderá ter um contributo muito importante no âmbito da investigação em supercondutores e máquinas eléctricas. Esta tecnologia inovadora vinda do Japão está preste a revolucionar o percurso do estudo tecnológico do comboio nos tempos que vêm. Actualmente, em Europa, esta em estudo vários projectos relacionados com transportes de alta velocidade utilizando tecnologia MagLev , um exemplo destes projectos é o consórcio internacional Transrapid constituído por um esforço combinado de várias empresas tais como; Adtranz, Siemens e ThyssenKrupp que uniram consequentemente as suas actividades em uma companhia comum para este projecto. O Transrapid desenvolve as mais diversas inovações relacionadas com a engenheira dos caminhos de ferro em várias cidades europeias (Brema, Hamburgo, Amsterdão entre outras) e também algumas nos Estados Unidos de América. Estes projectos podem ser vistos no seguinte link: Transrapid.pps No nosso pais ainda nos encontramos muito distantes da aplicação de um projecto com as dimensões que tem uma tecnologia Maglev, no entanto, há quem fale numa nova tecnologia para os caminhos de ferro portugueses que é o TGV. Este talvez sim esteja ao nosso alcance nas próximas gerações. (Ver em anexo artigo intitulado: “Benefícios e Desvantagens de um projecto de Alta Velocidade em Portugal” Em relação a minha conclusão pessoal, acho que foi um projecto bastantes aliciante, não só por ter adquirido conhecimentos teóricos e práticos, mas também por ter desenvolvido um projecto que tem uma utilidade pratica na realidade, o que foi, sem duvida bastante satisfatório. Quanto ao motor linear de indução, descobri que este pode ser utilizado em muitas aplicações; a chave está descobrir em quais aplicações é que este motor pode ser uma mais valia. Deixo aqui um recado para os nossos mandatários no apostar imediato nas novas tecnologias que, de certo, contribuem para o crescimento tecnológico da Ciência. Tais evoluções aceleradas são fruto das inovações que só podem lograr-se quando a investigação chega a uma investigação. A invenção, unida às vontades das empresas ou do Estado, estabelece a inovação. A soma destas dá origem ao desenvolvimento e com o mesmo, obtém-se o progresso e a modernização de um pais. Podemos, pois, estabelecer as seguintes equações para um desenvolvimento tecnológico: Investigação + eficácia =invenção Invenção + acção = inovação Soma de inovações = desenvolvimento Desenvolvimento mantido = progresso + modernização. Não é demais sublinhar que a gestão da inovação tem de dar um espaço particular à avaliação da capacidade tecnológica das empresas, nomeadamente no que respeita à actualização e à capacidade inovadora dos seus quadros técnicos superiores e ______________________________________________________________________ 108 Projecto de final de curso ao impacto dos resultados inovadores nos movimentos da procura. É indispensável que as empresas consigam encontrar respostas consolidadas às questões com que se deparam a todo momento, de forma a analisar as suas capacidades e melhor gerir os seus projectos, e mais importante ainda é, obterem sucesso comercial com as inovações implementadas, pois senão a inovação não ficou mais do que na gaveta... “...Só existe inovação quando um produto/serviço obtém sucesso comercial...” ______________________________________________________________________ 109 Projecto de final de curso 13. PERSPECTIVAS FUTURAS Propõe-se um novo modelo protótipo de veículo de levitação magnética semelhante ao modelo 2, mais desta vez é constituído pelo posicionamento de vários estators ao longo de uma via. O veiculo em si faria parte da chapa rotórica posicionada na sua base, fabricada com materiais paramagnéticos, de forma a que levite e se movimente ao longo da pista. Seria instalado um dispositivo que se alimentaria alternadamente apenas para aqueles estators onde estaria a passar o comboio, desligando aqueles que estiverem a jusante e a montante do veículo transportador, ver figura 13 . Figura 13.- Sistema de economia de energia da linha Esta nova proposta traz uma série de vantagens em relação ao modelo projectado neste trabalho: custos reduzidos de consumos eléctricos , visto que são activados apenas os estator onde o veiculo estiver a passar. Peso da estrutura seria substancialmente reduzido. Em contrapartida, as pistas albergaria uma elevada utilização de ferro e cobre ao longo da via para a construção dos vários estators, reduzindo ou anulando assim, as economias atrás referidas. ______________________________________________________________________ 110 Projecto de final de curso 14. ANEXOS 14.1 Anexo 1 ______________________________________________________________________ 111 Projecto de final de curso ______________________________________________________________________ 112 Projecto de final de curso ______________________________________________________________________ 113 Projecto de final de curso ______________________________________________________________________ 114 Projecto de final de curso ______________________________________________________________________ 115 Projecto de final de curso ______________________________________________________________________ 116 Projecto de final de curso 14.2 Anexo 2 ______________________________________________________________________ 117 Projecto de final de curso ______________________________________________________________________ 118 Projecto de final de curso ______________________________________________________________________ 119 Projecto de final de curso ______________________________________________________________________ 120 Projecto de final de curso ______________________________________________________________________ 121 Projecto de final de curso ______________________________________________________________________ 122 Projecto de final de curso 14.3 Anexo 3 Benefícios e Desvantagens de um projecto de Alta Velocidade em Portugal As redes de comunicação rodo e ferroviárias são de vital importância para um país com as características de Portugal, devido às condições específicas da sua periferia em relação ao espaço europeu. A actualização de uma rede ferroviária que se encontra extremamente envelhecida, e ultrapassada em termos de velocidade de comunicação, torna-se assim imprescindível. Outro factor a ter em conta é a existência de um país com uma maior capacidade competitiva, que separa Portugal do resto da Europa. Para conseguir atrair os investimentos e a sedimentação de indústrias que contribuam para o progresso tecnológico – e consequentemente, social – é necessário ter condições que, no pior dos cenários, se equiparem a este, sob pena de o atraso que nos separa de todos os países mais desenvolvidos se tornar irreversível a pequeno ou médio prazo. Ora, como é de conhecimento comum, as infra-estruturas ferroviárias em Portugal são escassas até mesmo ao nível do transporte de passageiros nacionais, e é de grande importância que se gere uma renovação férrea nas comunicações terrestres. Daí que seja necessário um projecto de alta velocidade para que Portugal ou qualquer país da Comunidade Europeia fique a par das novas tecnologias e inovações que se vão criando por todo lado. Esta nova perspectiva da rede não se deve cingir meramente a desenvolvimentos localizados, ou a estratégias muitas vezes utilizadas, de evolução de pontos geográficos já privilegiados, bem como deveria ter em conta uma perspectiva que se impõe de autonomia, e competitividade, em ligações que se desejam não só para o resto da Europa como também para os restantes continentes. Por essas razões, uma estratégia de desenvolvimento nacional, considerando essa rede de transportes por via férrea, tendo em conta a nossa integridade territorial, nunca se deveria restringir ao espaço ibérico terrestre, afunilando as produções portuguesas praticamente só para Madrid. Um projecto com esta dimensão, de custos elevadíssimos, deverá ser repensado, face até às vias propostas para o resto da Europa, a passarem dos portos de Lisboa, Setúbal e Sines obrigatoriamente pela capital espanhola, via futuro Aeroporto de Badajoz, e ao conceder-lhe o acesso e utilização do nosso mar e daqueles portos para fins comerciais e outros. Com vantagens para Portugal muito menores ou duvidosas, dadas as curtas distâncias entre as suas maiores cidades de reduzido número de utentes, não se prevendo sequer ligação de alta velocidade entre Braga e Faro para efeito de transporte de mercadorias. Deslocar-se-iam assim de Lisboa e Vale do Tejo para Madrid os centros de decisão em matéria económica, até mesmo de sedes de empresas multinacionais no País, dado o curto tempo de deslocação, arrastando a nossa capital obrigatoriamente para o centro peninsular, sendo abastecida prioritariamente por esse ______________________________________________________________________ 123 Projecto de final de curso corredor, retirando-lhe protagonismo, vantagens competitivas e não contemplando a necessidade de um maior desenvolvimento para o nosso interior. Deve caber a Portugal, como Estado-Nação soberano, decidir em última instância, após análise profunda da relação custo/benefício, não só de natureza técnicoeconómica, sobre a viabilidade de infra-estruturas daquela natureza, mas sobretudo sobre vantagens e desvantagens nos domínios suprapartidários de defesa nacional, geostratégicos e/ou constitucionais prioritários para Portugal. Os acordos para ligações viárias interterritoriais devem ser uma realidade entre países civilizados e modernos numa União Europeia em que pretendam cooperar com cedências mútuas, é certo, mas sem que isso prejudique ou beneficie uma das partes, quando em jogo estão sobremaneira posições de natureza histórica, condicionantes e justificativas do emergir de um Estado soberano. Senão vejamos: no caso da construção das linhas para o comboio de alta velocidade e do respectivo, complementar e estratégico, aeroporto na Ota, seria altamente prejudicial para a defesa da nossa unidade territorial, soberania e independência que ainda temos como Estado-Nação, que o projecto da rede para o resto da Europa, com trajecto a partir dos principais portos portugueses do Sul, a convergir mais rapidamente para Madrid e sem apostarmos simultaneamente em transportes alternativos transatlânticos de mercadorias fluviais e marítimos e de ligação aos principais portos europeus. Isto criaria pólos de desenvolvimento regionais de dependência fronteiriça e um acentuado centralismo económico em Madrid, o que seria inadmissível por beneficiar o mais forte e a este ficarmos tendencialmente sujeitos. Nesse caso, o inverso nunca se passaria, o que seria contrário à nossa história de país livre, que nasceu e evoluiu por nos viramos para o mar e o litoral, esquecendo a Galiza, é certo, mas com todo um desenvolvimento, onde nasceram e cresceram as maiores concentrações urbanas, a partir das zonas ribeirinhas, nos estuários dos rios e dos portos. Resultado de um processo causa/efeito que pela audácia e aventura nos levou por via marítima para paragens então desconhecidas de outras terras e rotas comerciais a serem descobertas e exploradas. Situação que nos propiciaria o estatuto de facto de principal e agressivo competidor em termos comerciais, sociais, culturais e políticos em relação a Castela, sem desta sequer precisarmos. Com um TGV deste tipo, e atendendo à história entre os dois países, se poderá correr o risco de conceder aquilo que a unificada Espanha, através de Castela, sempre ambicionou desde finais do século XIV, que foi a de começar por absorver economicamente o seu vizinho que lhe criou sempre o entrave natural de boas acessibilidades para os portos do Atlântico, o que socialmente para o nosso país não seria de muito bom agrado. Foram sempre estas, aliás, as relações geostratégicas de poder entre Portugal e Castela até aí e que agora, via União Europeia, pretendem certamente anular essa nossa potencialidade natural, pela imensa costa que é no fundo a nossa espinha dorsal há mais de oito séculos. Forma indirecta de, sob a capa de amizade e cooperação, nos criar mais dependência em relação ao que mais influencia e recursos naturais tem, aumentando ainda mais o fosso em termos de agressividade económica entre os dois países, de tendências fracturantes entre o Norte e o Sul do nosso País, dado o privilegiar de ______________________________________________________________________ 124 Projecto de final de curso ligações rápidas terrestres entre o Norte e a Galiza, o tal Eixo Atlântico entre Porto, Vigo e Corunha em detrimento de uma via directa de alta velocidade do Porto e Aveiro a Irún, na fronteira com a França, passando por Salamanca e Vallodolid, por onde flúi a grande maioria das nossas exportações para o resto da Europa. Para se avaliar e decidir sobre um projecto desta natureza seria extremamente útil entender não só o meio envolvente actual e as relações de forças em presença mas também as razões de quando, a partir de onde, como e porquê Portugal nasceu como nação com individualidade própria, através da necessidade de um Estado forte e sabendo-se que só compreendendo e admirando o passado, assimilando referências, se poderá construir o futuro. voltar ______________________________________________________________________ 125 Projecto de final de curso 14.4 Anexo 4 Dimensões dos motores lineares de indução ______________________________________________________________________ 126 Projecto de final de curso 14.5 Anexo 5 (Galeria de fotos) Modelo protótipo de um veículo de levitação magnética, através de motores lineares de indução trifásicos. ______________________________________________________________________ 127 Projecto de final de curso O construtor ______________________________________________________________________ 128 Projecto de final de curso Motores lineares de indução trifásicos Entreferro existente entre o estator e a chapa rotórica ______________________________________________________________________ 129 Projecto de final de curso Comando de inversão de sentido Autotransformador e aparelhos de medida ______________________________________________________________________ 130 Projecto de final de curso 15. BIBLIOGRAFÍA “DESIGN OF LOW SPEED LINEAR INDUCYION MOTOR”, Prof. Amadeu Leão Santos Rodrigues, Tese de Mestrado, University of London 1973. “ACCIONAMENTOS ELECTROMECÂNICOS ESPECIAIS”, Prof. Amadeu Leão Santos Rodrigues, F.C.T. Universidade Nova de Lisboa. “PROPULSION WITHOUT WHEELS”, E. R. Laithwaite, The English Universities Press LTD, 1970. “THEORY OF LINEAR INDUCTION MOTORS”, by Sakae Yamamura, Halsted Press Book, 1972. “ELECTRÓNICA DE POTÊNCIA- Circuitos dispositivos e aplicações”, Muhammad H. Rashid, Makron Books, 1999 Pesquisas em sites de Internet ______________________________________________________________________ 131